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Gestão de Transportes Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. José Joaquim do Nascimento Revisão Textual: Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco 5 • Introdução • Os INCOTERMS no Transporte Internacional • Intermodalidade e Multimodalidade Esta é nossa última discussão sobre o tema transportes sob a ótica da gestão logística empresarial. Note que esta Unidade foi delimitada à questão internacional de dois arranjos de transportes: intermodalidade e multimodalidade. Veja também que o causador do transporte internacional e da necessidade de arranjos (combinações de modais) é o comércio exterior que as nações possuem. Essas exigem a mesma infraestrutura e têm forte interferência de órgãos e prestadores de serviços externos. Assim, na leitura do material teórico busque compreender: • Sob quais motivos acontece o transporte internacional; • Os convênios que estabelecem o acesso de veículos em outros países; • Similaridades de tipologias de veículos e os contratos de transportes nas três modalidades existentes. Nesta última discussão, em que as três modalidades são estudadas sob a ótica internacional e com foco na questão do transporte de cargas, tente entender a importância dos links indicados e não deixe de fazer as atividades de sistematização e aprofundamento. · A discussão agora é sobre o transporte internacional com foco na operacionalidade e nos arranjos dos modais: a intermodalidade e a multimodalidade. · Você deve ler o conteúdo considerando que o transporte internacional existe por causa das relações externas. Lembre- se que as nações têm os arranjos (combinações) dos modais como estratégias necessárias para redução de custos e eficiência no transporte das mercadorias. Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade 6 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Contextualização Ao longo dos últimos anos o transporte internacional sofreu mudanças radicais em suas operações. Tais alterações foram impulsionadas pelo aumento do comércio internacional, esse influenciado por acordos regionais que propuseram a livre circulação de bens e serviços entre os países signatários dessas convenções. As regras para gerir esse segmento são genéricas e estão consubstanciadas em decretos, como o de número 99.704/90, que dispõe sobre a execução brasileira do acordo sobre transporte internacional terrestre entre o Brasil e os países do Cone Sul Americano. O transporte internacional e as estratégias de combinações de transportes ganham expressão no mundo todo, assim como os avanços tecnológicos na informação, comunicação e o tamanho de aviões, navios e caminhões, criando uma tendência única: uma sistemática mais eficiente de movimentação de cargas e passageiros a custos menores ao lodo de todo o Planeta. 7 Introdução A partir de um conceito técnico, pode-se dizer que o transporte internacional é o deslocamento de cargas e passageiros entre dois ou mais países, regido por um contrato, internacionalmente, aceito, como salienta Vieira (2003). Esse contrato é representado pelo conhecimento de embarque, documento emitido pelo proprietário do veículo transportador, o qual se constituirá em prova fundamental de que a mercadoria foi efetivamente embarcada, enquanto para passageiros o contrato é uma nota fiscal de serviço de transportes (VIEIRA, 2003). Quanto ao motivo do transporte internacional, relacione-o diretamente às relações comerciais externas que os países possuem, seja para cargas ou passageiros. Lembre-se que cada nação tem sua legislação de trânsito, permitindo o tráfego de veículos estrangeiros somente a partir de uma licença/autorização. Quanto à tendência, de acordo com Dias (2012), é termos um transporte internacional mais expressivo e de maior relevância, tanto para as cargas quanto para as pessoas (passageiros), devido à maior integração dos mercados, resultante dos acordos regionais (Mercosul, por exemplo) e do maior vínculo entre as nações, consequência da globalização econômica dos mercados. Ainda é importante considerar que os avanços tecnológicos melhoram a comunicação e a capacidade de transportes dos veículos (caminhões, trens, aviões e navios), tornando os custos menores entre os mercados interno e externo, o que estimula ainda mais o transporte internacional (BARAT, 2012). Em Síntese A gestão do transporte internacional inbound, orientado para o abastecimento de recursos materiais e a gestão outbound, direcionado à distribuição de produtos para o exterior, estão em constante expansão, tornando a gestão de transportes uma atividade desafiante à medida que empresas desejam reduzir custos e otimizar estruturas produtivas. O transporte internacional acontece, em sua maioria, a partir de arranjos entre os modais. Ou seja, uma combinação de duas ou mais modalidade de transportes, como explica Ludovico (2007), uma vez que os países nem sempre fazem fronteiras, tornando quase que obrigatória a conjugação das modalidades para a entrega de produtos negociados. Segundo Keedi (2011), todas as modalidades de transportes que movimentam cargas e passageiros em um mercado – praticantes do transporte nacional –, também operam internacionalmente. Ainda segundo Keedi (2011), a diferença é conceitual quanto ao tipo realizado de navegação entre pontos fronteiriços dos países e as legislações que regem as atividades operacionais. As tipologias de veículos, tanto do modal terrestre e aéreo, quanto marítimo são, praticamente, as mesmas em todas as nações, uma vez que as indústrias automotiva, aérea e marítima desenvolvem os mesmos equipamentos em todas as partes de mundo, tornando tais modalidades presentes em todos os mercados (GARCIA JUNIOR, 2003). 8 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Os documentos de transporte que dizem respeito a um contrato entre um exportador e um transportador, por exemplo, são similares nos diversos modais, como salienta Vieira (2003), uma vez que representam um acordo entre partes para a prestação de um serviço de frete, onde o valor desse depende de uma série de variáveis, exatamente como acontece nas atividades de transportes desenvolvidas internamente e já estudadas em unidades anteriores. Atenção A relevância do transporte internacional está no fato desse agregar valor aos produtos, como explica Leoce (2011) e por ser também um dos maiores consumidores de recursos da área de logística, cerca de dois terços. Desse modo, Dias (2012) considera que uma atividade de transporte eficiente, segura e econômica é fundamental para gerar uma vantagem competitiva para qualquer empresa. Para Ludovico (2007), ao tratarmos do transporte internacional, logo o vinculamos ao comércio exterior do país e aos navios, portos concentradores e distribuidores de mercadorias (hub-port) por onde mais se movimentam as cargas. Segundo Dias (2012), é por onde um país pode se destacar no comércio exterior, facilitando as exportações, diminuindo o lead time e o custo do seu transporte. Por ser o modal mais presente no transporte internacional de cargas, o gestor logístico precisa dominar todos os detalhes desse tipo de locomoção, buscando conhecer as cargas unitizadas em contêineres e as linhas regulares das companhias aéreas. Para Pensar Para que um gestor logístico consiga otimizar o transporte de produtos direcionados ao comércio exterior, faz-se necessário encontrar o melhor e mais econômico meio de transporte internacional, correto? Logo, se forem negligenciadas as responsabilidades com o principal transporte do produto, como ficarão as margens de lucros? E se as escolhas executadas para o transporte internacional não forem corretas, quanto vai custar para a empresa? É fundamental considerar que as responsabilidades com o transporte representam um custo e esse deve ser objeto de atenção máxima dos gestores, como explica Keedi (2011). É nessecontexto que os INCOTERMS aparecem no âmbito do transporte internacional, ou seja, vêm como bagagem fundamental nesta questão. Ainda de acordo com Keedi (2011), identificam de maneira clara e precisa quem será o responsável pelo transporte principal da mercadoria, leia-se quem paga e é responsável pela mercadoria em cada etapa do processo de transporte internacional. Para aprender mais sobre os INCOTERMS, assista ao vídeo disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=8hkrP1tBx2M>. http://www.youtube.com/watch?v=8hkrP1tBx2M 9 Os INCOTERMS no Transporte Internacional Conforme Ludovico (2007), os INCOTERMS dizem respeito a uma sigla internacional que traduzida é denominada de Termos Internacionais do Comércio. É importante você entender que se tratam de termos que regulamentam o transportador, mas apenas a relação entre comprador e vendedor dos produtos, definindo a quem cabe a responsabilidade sobre o transporte principal dessas mercadorias negociadas. Trata-se, portanto, de cláusulas contratuais que se limitam a regular a entrega da mercadoria, bem como o exato momento da transferência de riscos (ponto crítico) e custos de transporte com a essa, segundo a análise de Keedi (2011). Assim, esses termos permitem que compradores e vendedores saibam a partir de qual momento cada um deve contratar os serviços de transportes. Como esta discussão trata do transporte internacional, a logística de abastecimento ou distribuição de uma empresa que pratica o comércio exterior deve envolver, normalmente, os transportes interno e externo, o que leva a determinar de quem é a responsabilidade parcial ou total por esses. Para Dias (2012), o gestor de transporte (ou logístico) deve ter conhecimentos sobre as infraestruturas logísticas disponíveis (rodoviária, ferroviária, aérea e marítima), assim como das suas características, inclusive das tendências de cada uma para tomar decisões de transportes internacionais, pois tudo interfere na logística, dado que essa atividade é uma oportunidade de ganho de competitividade (DIAS, 2012). Transporte obrigatório Há uma série de situações em que o transporte de mercadorias para um destino no exterior, obrigatoriamente, deva ocorrer por veículos de bandeira de um país, segundo Keedi (2011). Situações que denominam-se prescrição de carga sugerem, por exemplo, a obrigatoriedade de utilização de veículos de bandeira brasileira nas operações de comércio exterior. É que no comércio com os países do Mercosul, por exemplo, há convênios internacionais de divisão de cargas, acordos bilaterais em que é obrigatória a utilização da bandeira de um dos dois signatários, salvo o transporte de produtos como o minério a granel e o petróleo, que fogem à tal regra (ALMEIDA, 2010). É igualmente obrigatório o transporte de cargas em navios de bandeira brasileira quando importadas por órgãos ou empresas governamentais, da administração direta ou indireta, ou por empresas que venham a ser beneficiadas com reduções ou isenções de tributos. Isto quer dizer que o transporte acontece a partir de um certificado de liberação de carga (waiver). Tal regra existe desde 1969 pelos Decreto-Lei n.º 666 e n.º 687. Segundo, Keedi (2011), há também casos de acordos ou convênios internacionais, como com os EUA, em que há acesso a cargas prescritas utilizando bandeira de outro país signatário. No transporte marítimo internacional, por exemplo, a liberação da carga (concessão de waiver) pode ser solicitada por ocasião do embarque, caso a obrigatoriedade prevista não possa ser cumprida por falta de navio ou espaço nesse tipo de embarcação, ao Departamento de Marinha Mercante, conforme regras definidas por esse órgão, integrante do Ministério dos Transportes (GARCIA JUNIOR, 2003). 10 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Em Síntese Toda empresa que realiza o transporte internacional deverá atentar-se para as condições de navegabilidade em mares abertos devido às legislações e acordos que os países firmam, para saberem se podem ou não entrar em determinados portos com navios de bandeira do seu país (KANBOCO, 2010). A operacionalidade do transporte internacional De acordo com Ludovico (2007), operacionalmente, o transporte internacional de mercadorias para o comércio exterior é a etapa que compreende do deslocamento até o local acertado com o seu importador (comprador), sendo que o transporte dessa mercadoria a partir de três momentos, ou pode ser desdobrado da seguinte forma: • Transporte interno – deslocamento do produto do ponto de produção ao local de início do transporte internacional, como porto, aeroporto ou Estação Aduaneira do Interior (EADI); • Transporte internacional – deslocamento regido por um contrato internacional aceito entre dois países: embarcador e transportador. É o transporte de longo curso, por ligar dois países e comumente envolver mares e oceanos, por exemplo; • Transporte interno no exterior (destino) – deslocamento que se inicia ao fim do transporte internacional, do local do desembarque (porto ou aeroporto, por exemplo) até o destino do produto. Transporte rodoviário internacional de cargas O transporte rodoviário internacional é aquele efetuado por caminhões e carretas, normalmente ligando países limítrofes. Segundo Almeida (2010), pode também ligar países que não possuam fronteiras entre si, passando por uma terceira nação, desde que haja acordo que permita tal trâmite. É peça fundamental porque possibilita que a intermodalidade e a multimodalidade (arranjos dos modais) sejam realizadas com sucesso para a entrega das mercadorias. Ainda segundo Almeida (2010), apenas o transporte rodoviário internacional tem a capacidade de interligar os diversos modais, abrangendo assim todo o percurso da mercadoria. Por via de regra, apresenta preços de frete mais elevados em comparação aos modais ferroviário e aquaviário, para médias e grandes distâncias, como já mencionado. É por isto que, na maioria das vezes, funciona como modal complementar dos demais e por vezes se faz de grande uso devido à deficiência infraestrutural dos demais modais. Para Dias (2012), a expansão do transporte rodoviário internacional do Brasil se estabelece em virtude de sua situação geográfica e dos acordos que mantém historicamente com quase todos os países da América do Sul, menos com a Colômbia, Equador, Suriname e Guiana Francesa, porque tais acordos ainda não foram concluídos. Vale destacar que complementarmente aos acordos básicos citados, há estabelecidos pactos específicos no Mercosul, como o de transporte de produtos perigosos e o acordo sobre trânsito (GARCIA JUNIOR, 2003). 11 O acordo de transporte internacional terrestre entre os países do Cone Sul contempla as formas rodoviária e ferroviária e inclui Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Chile, sendo que com a Venezuela o acordo contempla somente o transporte rodoviário e para ingressarem as empresas devem atender às regras descritas na Resolução n.º 1.474/06, da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Com a implantação da ANTT em 2002, as competências para a negociação e a aplicação de acordos e seus desdobramentos passaram para seu âmbito de atuação. Os atos legais e regulamentares, os procedimentos operacionais e as informações estatísticas sobre o transporte internacional terrestre podem ser encontrados no site da ANTT, disponível em: http://www.antt.gov.br. A negociação do transporte internacional Os fretes no transporte rodoviário internacional geralmente são negociados livremente no mercado e dependem do volume a ser exportado, dada a limitação da carga dos veículos. Atualmente (2014), a frota de veículos já contemplados no acordo de transporte internacional de cargas atinge quase 95.000 veículos entre brasileiros e estrangeiros, que circulam nas estradas para atender aos fluxos de cargas e passageiros entre os países da América do Sul que formaram acordos. Conhecimento internacional de transporte de cargas Deacordo com Almeida (2010), o conhecimento internacional de transporte rodoviário de cargas – Carta de Porte Internacional (CRT) – para transportes nos países do Cone Sul foi originado a partir de acordo em setembro de 1990, em Assunção, Paraguai, tornando-se um documento de emissão obrigatória, em três vias originais (uma para o exportador, outra para acompanhar a mercadoria e a terceira para o transportador). A função desse documento é ser um: • Contrato de transporte terrestre; • Recibo de entrega da carga; • Título de crédito. Nesse devem constar dados como: embarcador; consignatário; locais de origem e destino da mercadoria; ponto de fronteira de liberação da mercadoria/veículo; data de entrega da mercadoria ao transportador; descrição da mercadoria; sua embalagem, pesos e quantidades; marcas especiais; valor do frete; entre outros dados. Para todos os modais o conhecimento de transporte tem as mesmas características, salve especificidades de cada modal (ALMEIDA, 2010). Segundo Garcia Junior (2003), o CRT deve ser datado e assinado pelo transportador ou seu representante e a mercadoria deve ser vistoriada por ocasião do embarque. Se o documento não trouxer ressalvas, indica que o transportador recebeu a carga com a embalagem externa e a quantidade em perfeitas condições. Qualquer condição defeituosa deve constar no documento para salvaguardar o transportador e o destinatário da mercadoria transportada. http://www.antt.gov.br 12 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Pode-se utilizar o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA) em um formulário único, fazendo-se a combinação do manifesto de carga com o trânsito aduaneiro quando a quantidade for suficiente para lotar o veículo. Assim, segundo Almeida (2010), eliminam-se os atrasos no cruzamento da fronteira, tornando o tempo de viagem mais curto, já que o veículo não precisa ficar retido na fronteira à espera de vistoria da carga transportada. Nesse sistema o pagamento dos impostos de importação pode ser realizado no destino final (e não na fronteira), utilizando veículo permissionário, que é lacrado após ser carregado pelo exportador e conferido pela Aduana/Receita Federal. O número do lacre é mencionado no MIC/DTA e será verificado na fronteira. Não tendo havido ruptura ou violação, a carga é liberada para seguir viagem (LUDOVICO, 2009). Embora esse sistema de eliminação de vistoria e pagamento de impostos em fronteira pareça perfeito, traz o inconveniente de apenas transferi-lo para o destino final. Dependendo das condições locais, isso pode criar atrasos maiores que o tempo ganho na fronteira. A regulação dos transportes rodoviário e ferroviário internacionais O Transporte Rodoviário Internacional de Cargas (TRIC) foi regido por inúmeros decretos que se estabeleceram desde os anos 1990, como o Decreto n.º 99.704/90 que dispõe sobre a execução no Brasil do acordo sobre transporte internacional terrestre, mais o Decreto n.º 5.462/05 e a Resolução ANTT n.º 3.826/12, que dispõe sobre os procedimentos relativos à expedição de licença originária, de autorização de caráter ocasional para empresas nacionais de transporte rodoviário de cargas autorizadas a operar no transporte rodoviário internacional entre os países da América do Sul e de licença complementar (KEEDI, 2011). De acordo com a Agência Nacional de Transporte e Carga (ANTC), o convênio sobre transporte internacional terrestre foi firmado por Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Chile e Peru, no sentido de regulamentar o transporte terrestre entre esses países. Esse convênio trata dos aspectos pertinentes ao transporte internacional por rodovias e dos procedimentos relativos aos assuntos aduaneiros, migratórios, de seguros e disposições gerais de operacionalidade do sistema. Permite ainda determinar os direitos e obrigações dos transportadores, bem como garantir o tráfego regular de veículos e viagens diretas entre países. Como uma empresa participa do transporte rodoviário internacional? Para operar no transporte internacional de cargas, a empresa transportadora deve obter junto às autoridades do seu país uma autorização, que no Brasil é chamada de Documento de idoneidade. Conforme a ANTC, para solicitá-lo, a empresa deve estar inscrita no Registro Cadastral de Habilitação de Empresa de Transporte Internacional de Cargas (RETRIC) do Ministério dos Transportes. A empresa deve obter tal permissão em cada país-alvo de suas operações. Daí a condição permissionária do termo. 13 Transporte ferroviário internacional de cargas Esta forma de transporte internacional é realizada por locomotivas que percorrem trajetos sem flexibilidade de percursos. A utilização mais usual é para países limítrofes. Comparado às outras modalidades de transportes o custo é menor, conforme explorado em unidades anteriores. Para Santos (2011) a malha ferroviária brasileira é pouco utilizada pelos exportadores devido às diferenças de bitolas. Operacionalmente, a atividade exige a apresentação da Carta de Porte Internacional e a Declaração de Trânsito Aduaneiro (TIF/DTA). Trata-se do conhecimento de transporte, que é o documento mais importante no sistema e possui a mesma função do conhecimento aplicado ao modal rodoviário, como explica Santos (2011). Cabe ressaltar que quando o transporte de uma mercadoria ocorre por mais de uma ferrovia, aquela que emitiu a carta de porte ferroviário pelo trajeto total é a responsável perante todas as partes envolvidas, por todo o percurso, desde a origem até o destino final onde ocorrerá a entrega. Transporte marítimo internacional Esta modalidade de transporte está na maior parte do comércio exterior dos países e, para o Brasil, atualmente é responsável por cerca de 90% das cargas transportadas, em grande medida devido ao seu baixo custo. O tipo de navegação neste caso é o de longo curso, que trata do transporte entre os portos brasileiros e estrangeiros (KANBOCO, 2010). No que tange às empresas de transporte marítimo, as companhias costumam oferecer serviços com rotas regulares, irregulares e por afretamento, como já estudamos. O controle do transporte marítimo internacional O transporte marítimo possui diversos órgãos controladores. Internacionalmente é controlado pela International Maritime Organization (IMO), responsável por promover a segurança e eficiência da navegação, tomando medidas preventivas para coibir a poluição marítima resultante de acidentes ou má conservação das embarcações (KANBOCO, 2010). No Brasil, o Departamento de Marinha Mercante, órgão vinculado à Secretaria dos Transportes Aquaviários do Ministério dos Transportes, é o órgão governamental responsável pelo acompanhamento dessa modalidade, editando a regulamentação necessária para a atuação das companhias de navegação, controlando seus registros, fretes, acordos bilaterais, entre outros assuntos. Agentes envolvidos com o transporte marítimo internacional Segundo Magalhães (2010), há uma série de elementos que são imprescindíveis no transporte marítimo, conforme mencionado na unidade anterior, como o armador (que realiza o transporte marítimo), a agência marítima (empresa que representa o armador) e outros, cujas descrição são: 14 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade • Comissária de despacho – confunde-se usualmente com o próprio despachante, pessoa física concursada e apta a auxiliar o comerciante a despachar e liberar as mercadorias nos portos de embarque e desembarque; • Transitário (Freight Forwarder ou Forwarding Agent) – em geral são multinacionais ou empresas que se associam a outros transitários em diversos países, oferecendo aos clientes um trabalho praticamente de porta a porta, especialmente para empresas não afeitas com a estrutura necessária para executar os trabalhos de importação e exportação, como emissão de documentos, negociação bancária, contratação de câmbio e açõesjunto à repartições públicas e agências marítimas; • Non-Vessel Owning Common Carrier (NOVCC) – trata-se do armador sem navio, registrado no Departamento de Marinha Mercante para poder operar, proposto a realizar transporte marítimo em navios de armadores constituídos. Para isso, mantém um acordo com esses armadores, envolvendo tanto a utilização de contêineres, como do próprio navio. Sua atuação é maior junto aos pequenos comerciantes que não encontram facilidades com armadores por possuírem cargas fracionadas. Conhecimento de embarque marítimo De acordo com Keedi (2011), o Bill of Lading (B/L) é o conhecimento de embarque marítimo, que pode ser composto de várias vias, sendo a versão mais comum a apresentada em número de seis, todas assinadas pelo agente: três vias negociáveis e três não negociáveis. Cada companhia de navegação pode ter seu modelo de conhecimento de embarque, a ser preenchido com os dados necessários, tais como: nome do exportador; nome e endereço da companhia de navegação; nome do importador; porto de embarque; porto de destino; nome de quem será notificado quando da chegada da mercadoria; total de volumes; nome da mercadoria; peso bruto e volume cúbico; entre outras informações (KEEDI, 2011). Condições de pagamento do transporte marítimo: o frete A remuneração pelo serviço contratado de transporte de uma mercadoria é conhecida como frete, que pode ocorrer de três formas: • Frete prepaid – pago no local do embarque, imediatamente após a ocorrência desse; • Frete payable at destination – pago pelo importador, na chegada ou retirada da mercadoria; • Frete collect – a pagar, podendo ser pago em qualquer lugar do mundo, sendo que o armador será avisado pelo seu agente sobre o recebimento do frete, para então proceder com a liberação da mercadoria. Como já mencionado, também para o transporte internacional, o valor do frete é influenciado por variáveis diversas, sendo determinado por mercadoria a ser transportada. Em geral, a tarifa é composta por um frete básico, cobrado segundo o peso ou o volume da carga, prevalecendo o que propiciar maior receita ao armador. 15 Frete ad-valorem, que representa um percentual que incide sobre o valor FOB da mercadoria. Sobre essas tarifas recai ainda taxas e sobretaxas diversas, como já mencionado em estudo anterior e assim exemplificadas: • Sobretaxa de combustível; • Taxa para volumes pesados (acima de 1.500kg); • Taxa para grandes dimensões (acima de 12m). Segundo Ludovico (2009), há diversas taxas e adicionais que incidem no frete devido à origem da mercadoria, ao porto de origem e destino e até mesmo em função de cobranças governamentais para financiar indústrias específicas, como acontece com o Adicional ao Frete para Reforma da Marinha Mercante (AFRMM), tal qual mencionado em unidade anterior. A responsabilidade pela ova e desova do container O container deve ser ovado ou desovado em locais ajustados entre o armador e o embarcador ou consignatário, sendo os custos e a responsabilidade por esses serviços também combinada entre ambos. Pode ser ovado ou desovado nos domicílios das empresas, considerados como seus próprios armazéns, pátios ou em locais disponibilizados por prestadores de serviços, ou nos portos de embarques e desembarques (MAGALHÃES, 2010). Onde esse serviço será realizado é definido na reserva de praça com o armador. Os termos usados para isto são o house e o píer, sendo que se pode fazer com quatro combinações, sempre dependendo de onde o container será ovado. Quanto aos custos e quem deve proceder a ova e desova também deve ser ajustado com o armador. Os termos utilizados para são Full Container Load (FCL) e Less Than a Container Load (LCL). FCL significa que o container será ovado pela empresa, enquanto LCL que o container será ovado pelo armador (KEEDI, 2011). Transporte aéreo internacional Este transporte é utilizado, na maioria dos casos, para pequenas cargas que tenham urgência na entrega, como é o caso de amostras. Pode ser realizado por serviços regulares das empresas, mantidos por companhias associadas ou não associadas à International Air Transport Association (IATA) e por serviços fretados. É o transporte realizado por empresas de navegação aérea, através de aeronaves de inúmeros tipos e tamanhos, nacional e internacionalmente. Pode ser utilizado praticamente para todas as cargas, embora possua limitações em relação ao modal marítimo, tanto quanto à quantidade quanto à especificação (FERREIRA, 2009). 16 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade A negociação do frete no transporte aéreo internacional Nas linhas regulares aéreas as empresas associadas à IATA costumam cobrar uma tarifa comum, com base na rota e nos serviços prestados, fixada anualmente. Segundo Ferreira (2009), geralmente os embarques nas companhias aéreas não são negociados pelos exportadores diretamente com essas empresas, exceto quando se tratar de grandes quantidades. Os interessados em enviar seus produtos para o exterior devem recorrer aos agentes de cargas aéreas, pois esses são bem informados quanto a voos, empresas, rotas, fretes e têm facilidades em obter descontos nos fretes com a consolidação de cargas. Você pode ver as atividades que tais agentes realizam no vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=qVxU2TVLPmg>. O conhecimento de transporte aéreo internacional No transporte aéreo o documento necessário para o deslocamento é o conhecimento de embarque aéreo, que deve ser assinado tanto pelo agente quanto pelo exportador. É conhecido pela sigla AWB, que significa Air Way Bill, já apresentado em unidade anterior. A regulação do transporte aéreo internacional Segundo Oliveira (2009), o transporte aéreo internacional é baseado nas normas da IATA e em acordos e convenções internacionais. A IATA é uma associação que reúne empresas de todo o mundo. Essa associação representa as companhias aéreas e tem papel fundamental nas negociações para o estabelecimento de tarifas uniformes de fretes. Esse transporte funciona a partir de acordos que garantem a eficiência dessa atividade. No que tange à IATA, a participação das companhias é voluntária. Com vistas a entender a importância desse tema, assista ao vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=tNs3Jd4BGKk>. Intermodalidade e Multimodalidade A intermodalidade no transporte internacional O transporte intermodal representa o deslocamento de mercadorias que utiliza dois ou mais modos de transportes, sem manipular a carga no intercâmbio (troca) de modais. Para Dias (2012) o termo intermodalidade corresponde a um sistema em que dois ou mais modos de transporte intervêm no movimento de mercadorias de uma forma integrada. Portanto, trata-se de um arranjo entre as modalidades, daí chamarmos de tráfego misto ou múltiplo, ou seja, que envolve mais de uma ou várias modalidades de transportes. Exemplo: quando necessitamos atingir locais distantes com acessos pouco conhecidos, essa modalidade é fundamental. Segundo, Keedi (2011), pode ter início dentro de uma empresa produtora de um produto, tendo o seu transporte iniciado a partir de caminhões que levam o produto até um http://www.youtube.com/watch?v=qVxU2TVLPmg http://www.youtube.com/watch?v=tNs3Jd4BGKk 17 terminal ferroviário acondicionado em contêineres, que por sua vez, sendo descarregado em um terminal ferroviário onde se estabelece um grande centro de consumo em que novamente é entregue a um veículo de carga para ser levado ao consumidor final (KEEDI, 2011). Veja que no arranjo exemplificado primeiramente tivemos um transporte rodoviário, após um transporte ferroviário e por fim outro transporte rodoviário, construindo, assim, um transporte intermodal para o produto. As empresas necessitam de novas soluções que lhes reduzam os custos para a entrega das mercadorias, onde um desses recursos acontece na combinação dos modais de transporte. O transporte combinado permite coordenar os meios de transportepor estradas, ferrovias, mar e, recentemente, percurso aéreo, facilitando a sua intermodalidade. Para visualizar melhor o exemplo descrito, assista ao vídeo disponível em: <http://www.youtube. com/watch?v=-qXmPj1xKPE>. Vantagens da intermodalidade de transportes Para Barat (2012) uma das principais vantagens da intermodalidade consiste em combinar as potencialidades dos diferentes modos de transporte. Dessa combinação podem resultar importantes reduções de custos, tais como: segurança rodoviária; poluição; consumo de energia; tráfego rodoviário; entre outros. Permite, ainda que, caso seja utilizado o transporte ferroviário ou marítimo, seja efetuado aos finais de semana ou durante a noite, sem comprometer sua segurança. A redução dos custos e a gestão eficiente da armazenagem e da informação dependem da normalização e unificação das inúmeras unidades de cargas de transporte intermodal dos diferentes países, por exemplo, dos contentores que são as Unidades de Transporte Intermodal (UTI) (LEOCE; MORINI, 2011). A questão do transbordo de carga Transbordo de carga, por sua vez, significa a transferência da mercadoria de um veículo transportador para outro do mesmo tipo para a continuação da viagem, por exemplo, a troca de um navio por outro. Serve, em especial, para o transporte de mercadorias a destinos que não são servidos diretamente por uma linha regular de um transporte específico, podendo envolver a troca de transportadores e de responsabilidades pelo transporte da carga, ou simplesmente a troca de transportadores com manutenção da responsabilidade sobre o primeiro transportador (KEEDI, 2011). O transporte multimodal Quando tratamos da articulação entre inúmeros modos de transportes, de maneira a tornar- se mais rápidas e eficazes as operações de transbordo, estamos nos referindo ao transporte multimodal. Para Ludovico (2009) esse arranjo diz respeito aquele em que serão necessários mais de um tipo de veículo para conduzir a mercadoria até o seu destino final. Podem ser utilizados desde caminhões, navios, aviões ou qualquer outro tipo de condução necessária para realizar a entrega do produto. Ou seja, para a mercadoria chegar até o seu destino final, necessitará passar por mais de um tipo de transporte. Pode-se contratar uma empresa que faça essas mudanças, sem que o importador ou exportador se envolvam nessas trocas. http://www.youtube.com/watch?v=-qXmPj1xKPE http://www.youtube.com/watch?v=-qXmPj1xKPE 18 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Segundo Dias (2012), o transporte multimodal foi introduzido no Mercosul através do acordo de alcance parcial para a facilitação do transporte multimodal de mercadorias entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, celebrado entre esses países em 30 de abril de 1994 – também conhecido como acordo de transporte multimodal internacional, Mercosul. A definição atribuída por tal acordo à expressão “transporte multimodal de mercadorias” é a seguinte: O transporte de mercadorias por duas modalidades, pelo menos, em virtude de um contrato de transporte multimodal, desde um lugar situado em um Estado partícipe em que um operador de transporte multimodal toma as mercadorias sob sua custódia, até outro lugar designado para a sua entrega, situado em outro Estado participante, compreendendo, além do transporte em si, os serviços de coleta, unitização ou desunitização da carga por destino, armazenagem, manipulação e sua entrega ao destinatário, abarcando os serviços que foram contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação das cargas (LUDOVICO, 2009). Transporte multimodal no Brasil Sob a perspectiva legal temos a Lei n.º 9.611, de 19 de fevereiro de 1998, que regula o transporte multimodal de cargas e o define como aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino e é executado sob a responsabilidade única de um operador multimodal, compreendendo, além do transporte em si, a unitização, desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, além da realização de serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação de documentos (KEEDI, 2011). A lei considera internacional, quando o ponto de embarque ou de destino estiver situado fora do território nacional. Para ampliar seu entendimento a esta questão, assista ao vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=yP33GZKPQq0>. Tanto nos segmentos nacionais como nos internacionais o órgão responsável pelo transporte multimodal no Brasil é o Ministério dos Transportes, ressalvada a legislação vigente e os acordos, tratados e convenções internacionais. Para que um transporte seja considerado como multimodal, é necessário que: • Seja realizado por dois modos de transportes, no mínimo; • Exista um único responsável perante o dono da carga – Operador de Transporte Multimodal (OTM); • Exista um único contrato de transporte entre o transportador e o dono do produto; • Exista apenas um conhecimento único (multimodal bill of lading), válido para todo o percurso; • Sejam utilizadas cargas unitizadas de modo indivisível. Segundo a ANTC, a adoção do multimodalismo tem por objetivo reduzir os custos logísticos que podem variar de 4% a 25% do faturamento bruto das empresas. Com a aplicação do multimodalismo, espera-se uma diminuição de 10% a 12% nos gastos totais com as exportações. http://www.youtube.com/watch?v=yP33GZKPQq0 19 O Operador de Transporte Multimodal (OTM) De acordo com Ludovico (2009), a empresa responsável pela prestação de serviços de operação de transporte multimodal é denominada de operador de transporte multimodal. O OTM pode ser assumido como o principal responsável do transporte multimodal, desde o momento em que recebe a carga até a sua entrega ao destinatário. Os serviços sob a responsabilidade do OTM dizem respeito a: • Coleta do produto; • Unitização da carga; • Armazenagem da carga; • Manipulação da carga; • Transporte; e • Desunitização da carga no destino. Note que todas as etapas necessárias ao cumprimento dessa finalidade dizem respeito à entrega ao cliente, desde a coleta até a entrega da carga. Para perceber a importância da figura desse personagem, assista com tranquilidade ao vídeo disponível em: <http://www.youtube. com/watch?v=CTNs1tv7X5U>. Responsabilidades no transporte multimodal Por ocasião da emissão do conhecimento, o operador de transporte multimodal assume, perante o contratante, as responsabilidades: • Pela execução dos serviços de transporte da origem ao destino; • Pelos eventuais prejuízos resultantes de perdas, danos ou avarias de cargas sob sua custódia, bem como pelos atrasos, quando tiver prazo acordado; • Pelas ações e omissões de seus empregados, prepostos, ou terceiros contratados, ou subcontratados, ressalvado, nesse caso, o direito de regresso. A referida responsabilidade cessa quando do recebimento da carga pelo destinatário. Contudo, a Lei n.º 9.611/98 exclui a responsabilidade do operador de transporte multimodal em razão de: • Ato ou fato imputável ao expedidor ou destinatário da carga; • Inadequação da embalagem, quando imputável ao expedidor da carga; • Vício próprio ou da carga; e • Caso fortuito de força maior. O operador multimodal, ou qualquer subcontratado para o referido serviço são responsáveis solidariamente perante à Fazenda Nacional pelo crédito tributário exigível, sendo que ao operador cabe o direito de regresso (KEEDI, 2011). http://www.youtube.com/watch?v=CTNs1tv7X5U http://www.youtube.com/watch?v=CTNs1tv7X5U 20 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Diferenças entre a intermodalidade e a multimodalidade de transportes Para Keedi (2011), a principal diferença está na emissão individual de documento de transporte. Na intermodalidade há a emissão individual de documento de transporte para cada modal, bem como peladivisão de responsabilidade entre os transportadores. Já na multimodalidade, ao contrário, existe a emissão de apenas um documento de transporte, cobrindo o trajeto total da carga, do seu ponto de origem até seu ponto de destino. Esse documento emitido pelo OTM, toma para si a responsabilidade total pela carga sob sua custódia. Considerações finais Segundo Kanboco (2010), para a escolha da modalidade de transporte internacional adequada, alguns fatores devem ser analisados, tais como pontos ou aeroportos de embarque e desembarque; urgência de entrega; peso da carga; possibilidades de uso do meio de transporte, como disponibilidade e frequência (rotas regulares ou irregulares). É nessa tarefa que se deve considerar uma empresa especializada em transporte de mercadoria ou, por conta e risco, procurar o tipo de modalidade mais adequado para atender o pedido do comprador (importador). Segundo Keedi (2011), o que o mercado oferece são modalidades tradicionais de transportes, cada uma com uma peculiaridade (como já explorado em unidades anteriores) onde têm vantagens, desvantagens e características bem específicas. A maior segurança pode acontecer a partir de um seguro de cargas que não foi explorado neste estudo, mas você pode entende-lo melhor a partir do vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Rtd93Nj0pU4>. Para que os arranjos de transportes (intermodalidade e multimodalidade) funcionem bem e sejam um sucesso, é necessário possuir uma rede de infraestrutura, novas tecnologias, simplificação de processos administrativos e redução dos custos na mudança do modo de transportes. Assim, as perspectivas de redução de custos na logística internacional poderão ser uma realidade, geradas obviamente pelas atividades de transporte internacional (DIAS, 2012). 21 Material Complementar Os acidentes nos transportes de cargas é algo que não focamos em nossa discussão, porém, tem forte relação com a atividade de transporte, tanto nacional quanto internacional. Veja o caso de inúmeros acidentes no transporte marítimo no vídeo disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Nn7jyb81NIY>. Quanto não seriam as perdas dos embarcadores e dos proprietários dos equipamentos se não existissem os seguros? Veja este outro vídeo, disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=Rtd93Nj0pU4>, sobre seguros no transporte rodoviário de cargas, esse que tem similaridade com a questão do transporte marítimo ou aéreo. http://www.youtube.com/watch?v=Nn7jyb81NIY http://www.youtube.com/watch?v=Rtd93Nj0pU4 22 Unidade: Transporte Internacional Intermodalidade e Multimodalidade Referências ALMEIDA, C. C. B. O transporte rodoviário de mercadorias no comércio internacional. São Paulo: Edium Editores, 2010. BARAT, J. Globalização, logística e transporte aéreo. São Paulo: SENAC, 2012. DIAS, M. A. Logística, transporte e infraestrutura. São Paulo: Atlas, 2012. FERREIRA, L. A. F. Transporte aéreo internacional. São Paulo: Aduaneiras, 2009.GARCIA JUNIOR, A. A. Transportes internacionais de mercadorias e pessoas no Mercosul. São Paulo: Aduaneiras, 2003. KANBOCO, R. Direito marítimo – transporte marítimo de mercadorias. São Paulo: Mayamba, 2010. KEEDI, S. Logísticas internacionais. 4. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2011. LEOCE, G.; MORINI, C. Logística internacional segura: Operadora Econômico Autorizado (OEA). São Paulo: Atlas, 2011. LUCA, J. L. Dicionário de transporte internacional. São Paulo: Aduaneiras, 1992. LUDOVICO, N. Logística de transportes internacionais. São Paulo: Saraiva, 2009. ______. Logística internacional: um enfoque em comércio exterior. São Paulo: Saraiva, 2007. MAGALHÃES, P. S. B. Transporte marítimo: cargas, navios, portos e terminais. São Paulo: Aduaneiras, 2010. OLIVEIRA. A. V. M. Estudos dos determinantes de preços das companhias aéreas no mercado doméstico. Rio de Janeiro: ANAC, 2009. SANTOS, S. Transporte ferroviário – história e técnicas. São Paulo: Cengage Learning, 2011. VIEIRA, G. B. B. Transporte internacional de cargas. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2003. 23 Anotações www.cruzeirodosulvirtual.com.br Campus Liberdade Rua Galvão Bueno, 868 CEP 01506-000 São Paulo SP Brasil Tel: (55 11) 3385-3000 http://www.cruzeirodosulvirtual.com.br