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PARASITOLOGIA A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória, e com a Educação a Distância presente em todo estado do Espírito Santo, e com polos distribuídos por todo o país. Desde 1999 atua no mercado capixaba, destacando-se pela oferta de cursos de graduação, técnico, pós-graduação e extensão, com qualidade nas quatro áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas, Humanas e Saúde, sempre primando pela qualidade de seu ensino e pela formação de profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho. Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de Instituições de Ensino Superior que possuem conceito de excelência junto ao Ministério da Educação (MEC). Das 2109 instituições avaliadas no Brasil, apenas 15% conquistaram notas 4 e 5, que são consideradas conceitos de excelência em ensino. Estes resultados acadêmicos colocam todas as unidades da Multivix entre as melhores do Estado do Espírito Santo e entre as 50 melhores do país. MISSÃO Formar profissionais com consciência cidadã para o mercado de trabalho, com elevado padrão de quali- dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança e modernidade, visando à satisfação dos clientes e colaboradores. VISÃO Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida nacionalmente como referência em qualidade educacional. R E I TO R GRUPO MULTIVIX R E I 2 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte) Kamila Tessarolo Velame e Sérgio Rodriguez Málaga Parasitologia / VELAME, KAMILA T. - Multivix, 2022 Catalogação: Biblioteca Central Multivix 2022 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei. 4 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE QUADROS UNIDADE 1 Quadro 1 – Ciclo biológico da Leishmania no hospedeiro vertebrado e invertebrado 18 UNIDADE 2 Quadro 1 – Classificação taxonômica dos protozoários de interesse médico 34 Quadro 2 – Classificação taxonômica dos principais helmintos que infectam o ser humano 42 Quadro 3 – Classificação taxonômica dos principais artrópodes de importância medica 43 UNIDADE 3 Quadro 1 – Cinética das imunoglobulinas para diagnóstico da toxoplasmose gestacional e da toxoplasmose congênita 53 UNIDADE 6 Tabela 1 – Características morfológicas de parasitos do gênero Taenia sp. 100 5 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 LISTA DE FIGURAS UNIDADE 1 Figura 1 – Células de parasitas 13 Figura 2 – Insetos hematófagos 15 Figura 3 – Ciclo evolutivo 16 Figura 4 – Os parasitas podem estar alojados em alimentos e água 17 Figura 5 – Dor no pulso 19 Figura 6 – O meio e a patogenicidade 21 Figura 7 – Agentes patogênicos 22 Figura 8 – Fonte de infecção: ser humano 23 Figura 9 – Células de defesa 24 Figura 10 – Contaminação 25 UNIDADE 2 Figura 1 – Reprodução dos protozoário 30 Figura 2 – Classificação morfológica dos protozoários: (A) Sarcodíneos; (B) Mastigóforos; (C) Cilióforos; (D) Esporozoários 31 Figura 3 – Infecção por protozoários extracelulares e intracelulares: (A) Trofozoítos de Giardia duodenalis aderidos na mucosa do intestino delgado; (B) Taquizoítos de Toxoplasma gondii se reproduzindo no interior de uma célula do cérebro de camundongo 35 Figura 4 – Classificação morfológica dos helmintos: (A) corpo cilíndrico de um nematódeo de vida livre; (B) Formato de folha de um platelminto trematódeo (Fasciola hepatica); (C) corpo segmentado de um platelminto cestoide (Echinococcus granulosus) 39 Figura 5 – Características dos artrópodes de importância médica: (A) Classe Insecta (Anopheles sp.); (B) Classe Arachnida (Sarcoptes scabiei). 41 Figura 6 – Estágios de desenvolvimento de insetos holometábolos (Aedes albopictus) e hemimetábolos 41 6 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 UNIDADE 3 Figura 1 – Método parasitológico 47 Figura 2 – Algoritmo de decisão após realização da gota espessa 48 Figura 3 – Método molecular 49 Figura 4 – Método imunológico 51 Figura 5 – Escabiose – Doenças causada por artrópode 54 Figura 6 – Larva Migrans cutânea 56 Figura 7 – Aspecto do nariz de uma pessoa com miíase nasal 57 Figura 8 – Lesão cística (cisticercose) em região da coluna cervical 58 Figura 9 – Imunodiagnóstico 59 UNIDADE 4 Figura 1 – Antiparasitários derivados do 2-nitroimidazol 63 Figura 2 – Estrutura dos derivados de quinina utilizados para tratamento da malária 65 Figura 3 – Mecanismos de ação dos anti-hemínticos mais utilizados 66 Figura 4 – Mecanismos de resistência de artrópodes aos inseticidas 68 Figura 5 – Medidas de prevenção da toxoplasmose na gravidez 72 Figura 6 – Medidas de proteção e controle integrado da malária 73 UNIDADE 5 Figura 1 – Doenças causadas por protozoários 81 Figura 2 – Fase crônica: cardiomegalia 82 Figura 3 – Pele ferida: leishmaniose cutânea 85 Figura 4 – Mosquito transmissor de malária 86 Figura 5 – Transmissão da Doença de Chagas 87 Figura 6 – Hospedeiro definitivo Toxoplasmose: os gatos 88 Figura 7 – Mapa da África com ícones 89 Figura 8 – Febre intermitente 91 Figura 9 – Sonolência 92 Figura 10 – Ciclo Plasmodium sp. 93 7 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 UNIDADE 6 Figura 1 – Estágios diagnósticos dos geo-helmintos. A) ovo de Ascaris lumbricoides; B) ovo de Trichuris trichiura; C) ovo de ancilostomídeos; e D) larva rabditoide de Strongyloides stercoralis 98 Figura 2 – A) obstrução intestinal por Ascaris lumbricoides; B) prolapso retal causado por Trichuris trichiura 101 Figura 3 – A) granuloma hepático causado pelo ovo (seta); Esquistossomose crônica (“barriga d’agua”) 102 Figura 4 – A) Culex quinquefasciatus; B) Simulium sp. 105 Figura 5 – A) Pediculus humanus; B) Pthirus pubis; C) Sarcoptes scabiei; e D) Demodex brevis 108 Figura 6 – A) Sarcoptes scabiei na pele; B) Escabiose humana na palma da mão 109 Figura 7 – A) Pulex irritans; B) Lesão causada por Tunga penetrans 110 8 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 10 1 RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO 12 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 12 1.1 CICLOS DE VIDA DOS PARASITAS 12 1.2 ASPECTOS PATOLÓGICOS 19 2 PRINCIPAIS PARASITOS: PROTOZOÁRIOS, HELMINTOS E ARTRÓPODES 28 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 28 2.1 CONCEITOS BÁSICOS RELACIONADOS AOS PROTOZOÁRIOS 28 2.2 CONCEITOS BÁSICOS RELACIONADOS AOS HELMINTOS E AOS ARTRÓPODES 36 3 DIAGNÓSTICOS DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS, HELMINTOS E ARTRÓPODES 46 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 46 3.1 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 47 3.2 DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS E ARTRÓPODES 54 4 TRATAMENTO E PROFILAXIA DOS PARASITOS CAUSADORES DE DOENÇAS NO HOMEM 62 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 62 4.1 TRATAMENTO DOS PARASITOS 62 4.2 CONTROLE INTEGRADO DOS PARASITOS 71 5 PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES 80 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 80 5.1 DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL 81 5.2 DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM OUTROS PAÍSES 89 6 PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS E ARTRÓPODES NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES 96 INTRODUÇÃO DA UNIDADE 96 6.1 DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES 96 6.2 DOENÇASPARASITOLÓGICOS As doenças causadas por helmintos que estudaremos ao longo desta dis- ciplina de Parasitologia são: parasitoses intestinais (Enterobiose, Ascaridíase, Tricuríase, Ancilostomosse e Teníase), parasitoses linfáticas e teciduais (Fila- rioses, Esquistossomose e Cisticercose) e parasitoses acidentais e emergen- tes (Larva Migrans cutânea e visceral). Já as doenças causadas por artrópodes são: pediculose (piolhos), escabiose (sarna) e miíase (causada por moscas) (REY, 2009). FIGURA 5 – ESCABIOSE – DOENÇAS CAUSADA POR ARTRÓPODE Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de duas mãos com sintomas característicos da Escabiose, que é uma doença causada por artrópode (ácaro). Os sintomas são: vermelhidão, bolhas, erupções cutâneas, dentre outros. 55 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Estudaremos agora como é realizado o diagnóstico dessas doenças, a come- çar pelo diagnóstico parasitológico dos Helmintos (REY, 2009). a. Diagnóstico parasitológico das parasitoses intestinais: • Diagnóstico da Enterobiose: Pode ser feito pelo Método de Graham, pelo método da fita adesiva ou pelo método da fita gomada. Esses testes permitem a pesquisa de ovos do parasito ou das fêmeas do parasito na região perianal. • Diagnóstico da Ascaridíase e da Tricuríase são feitos por meio do exame parasitológico de fezes para pesquisa de ovos do parasito ao microscópio eletrônico, por meio do método Hofmann, Pons & Janer (HPJ) ou por meio do método da sedimentação espontânea. • Diagnóstico da Ancilostomose: Por meio do método HPJ ou pelo método de Baermann-Moraes (este, específico para pesquisa de larvas do parasito). • Diagnóstico da Teníase: Por meio do exame parasitológico de fezes para pesquisa de segmentos da tênia, que são chamados de proglotes, ou, pesquisa dos ovos do parasito no hospedeiro. Vale ressaltar que os segmentos da tênia não podem ter se rompido nas fezes que serão utilizadas para a realização dos testes, caso contrário, o resultado do teste será negativo. Por isso, recomenda-se o método da tamização para o diagnóstico de teníase. Tamização: é um processo onde existe a lavagem do bolo fecal utilizando peneira. O objetivo é procurar os segmentos da tênia (proglotes). Este é o teste mais indicado para o diagnóstico da teníase. b. Diagnóstico parasitológico das parasitoses linfáticas e teciduais: • Diagnóstico da Filariose: Por meio da pesquisa de microfilárias no sangue periférico. Existem alguns testes parasitológicos possíveis de serem realizados, porém, a técnica disponível mais utilizada é o da gota espessa, como vismo também no diagnóstico de malária. • Diagnóstico da Esquistossomose: Por meio do exame parasitológico de 56 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA fezes afim de pesquisar ovos do parasito. Utiliza-se a técnica HPJ ou a técnica da sedimentação por gravidade para a análise do material coletado (fezes). • Diagnóstico da Cisticercose e da larva Migrans: não é parasitológico. Veremos nos próximos tópicos de forma mais aprofundada. FIGURA 6 – LARVA MIGRANS CUTÂNEA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de um pé com sintomas característicos de Larva Migrans Cutânea, também conhecida como Bicho Geográfico. Na imagem temos um pé com linhas vermelhas e inchaço. Estudaremos agora como é realizado o diagnóstico das doenças causadas por artrópodes: • Diagnóstico da Escabiose: Por meio da análise das lesões causadas pelo agente etiológico e por meio de sua localização. O diagnóstico é visual e pode-se utilizar o microscópio eletrônico para análise. • Diagnóstico da Pediculose e da Miíase: é clínico, por meio dos sinais e sintomas. 57 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 7 – ASPECTO DO NARIZ DE UMA PESSOA COM MIÍASE NASAL Fonte: Manfrin (2007, p. 75). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de uma pessoa com o nariz acometido por miíase nasal. O diagnóstico da miíase, como visto, é clínico, ou seja, por meio dos sinais e sintomas. 3.2.2 MÉTODOS MOLECULARES Estudaremos agora como é realizado o diagnóstico molecular dessas doen- ças, a começar pelo diagnóstico molecular dos Helmintos (FERREIRA, 2020). a. Diagnóstico molecular das parasitoses intestinais: • Os diagnósticos de todas as parasitoses intestinais exploradas nesta unidade (Enterobiose, Ascaridíase, Tricuríase, Ancilostomose) são feitos através do exame parasitológico e dos achados clínicos (sinais e sintomas). Portanto, não existem teste moleculares que detectam tais doenças. • O diagnóstico da Teníase pode ser realizado por meio da PCR, principalmente para diferenciar o tipo de Tênia presente no organismo da pessoa acometida (NEVES, 2009). Filme sobre a Ancilostomose (o famoso Jeca Tatu, personagem de um livro do Monteiro Lobato). Vale a pena conferir, pois entenderão melhor a doença: https://www.youtube.com/watch?v=O07_ cmzLvok&t=3s&ab_channel=TelaNacional. https://www.youtube.com/watch?v=O07_cmzLvok&t=3s&ab_channel=TelaNacional. https://www.youtube.com/watch?v=O07_cmzLvok&t=3s&ab_channel=TelaNacional. 58 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA b. Diagnóstico molecular das parasitoses linfáticas e teciduais: • O diagnóstico molecular não é utilizado para a detecção das parasitoses linfáticas e teciduais, sendo elas: Filariose, Esquistossomose, Cisticercose e Larva Migrans (parasitose acidental). • O diagnóstico da cisticercose, por exemplo, é feito por meio de exames de imagem, como a Tomografia Computadorizada (TC), que consegue apontar os cistos já calcificados e a Ressonância Magnética Nuclear (RMN), mais eficaz para apontar os cisticercos vivos (Figura 8). FIGURA 8 – LESÃO CÍSTICA (CISTICERCOSE) EM REGIÃO DA COLUNA CERVICAL Fonte: Yamashita et al. (2003, p. 257). #ParaTodosVeram: a imagem representa um corte tomográfico da coluna cervical mostrando uma lesão causada por uma cisticercose. A lesão é arredondada. Estudaremos agora como é realizado o diagnóstico molecular das doenças causadas por artrópodes. • O diagnóstico da Escabiose, da Pediculose e da Míiase é feito por meio dos achados clínicos (sinais e sintomas). Não existem testes moleculares para a identificação delas (COELHO; CARVALHO, 2005). 3.2.4 MÉTODOS IMUNOLÓGICOS Estudaremos agora como é realizado o diagnóstico imunológico das doen- ças causadas pelos Helmintos (REY, 2009). 59 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 9 – IMUNODIAGNÓSTICO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de um cientista fazendo um imunodiagnóstico, também conhecido como teste imunológico. O termo imunodiagnóstico é derivado da junção da palavra imune, oriundo do latim, com o termo diagnóstico, de origem grega, referentes ao aprendizado ou à precisão de componentes do sistema imunológico ou a eles associados. a. Diagnóstico imunológico das parasitoses intestinais: • As parasitoses intestinais (Enterobiose, Ascaridíase, Tricuríase, Ancilostomose e Teníase não são diagnosticadas por meio de testes imunológicos, apenas parasitológicos. b. Diagnóstico molecular das parasitoses linfáticas e teciduais: • O diagnóstico da Filariose não é feito por meio de testes imunológicos. • Diagnóstico da Esquistossomose: Por meio dos testes imunológicos RIFI e ELISA. Os testes, neste caso, são realizados para detectar o anticorpo anti- Schistosoma mansoni no soro do paciente com suspeita da doença. As técnicas para a identificação de antígenos ou do DNA do parasito do material coletado (fezes) são realizadas por meio do ELISA e do PCR, respectivamente. • Diagnóstico da Cisticercose:Por meio do teste imunológico ELISA. Há pesquisa de antígenos ou anticorpos no líquido cefalorraquidiano (LCR) do paciente ou no soro. 60 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA • Diagnóstico de Larva Migrans Ocular: A larva migrans pode acometer regiões específicas, como a região ocular. O diagnóstico da larva migrans ocular, doença importante para a Saúde Pública, pode ser realizada por meio do teste ELISA. O teste visa a identificação das larvas presentes no material coletado (fragmento de tecido ocular) ou a pesquisa de antígenos. Para a pesquisa de antígenos são utilizados os anticorpos anti-Toxocara ligado a enzimas (NEVES, 2009). Larva Migrans Ocular (LMO) o A LMO ocorre em pessoas que fazem a ingestão de um pequeno número dos ovos de Toxocara (agente etiológico da doença). Por ser um número pequeno, a resposta imunológica é quase inexistente, o que facilite a migração das larvas para o globo ocular. Estudaremos agora como é realizado o diagnóstico imunológico das doen- ças causadas por artrópodes. • O diagnóstico da Escabiose, da Pediculose e da Míiase é feito por meio dos achados clínicos (sinais e sintomas). Não existem testes imunológicos para a identificação das mesmas. CONCLUSÃO Caros(as) alunos(as), nesta unidade, pudemos conhecer um pouco sobre os diagnósticos das doenças causadas por protozoários, helmintos e artrópo- des. Compreendemos as diferenças entre os diagnósticos parasitológicos, os diagnósticos moleculares e os diagnósticos imunológicos. Aprendemos sobre os métodos diagnósticos para a identificação das doen- ças causadas por protozoários, sendo elas: Doença de Chagas, Leishmanioses cutâneas e viscerais, Malária, Toxoplasmose, parasitoses intestinais (Amebíase e Giardíase) e parasitose transmitida sexualmente (Tricomoníase); das doen- ças causadas por helmintos, sendo elas: Enterobiose, Ascaridíase, Tricuríase, Ancilostomose, Teníase, Filariose, Esquistossomose, Cisticercose e Larva Mi- grans; e, das doenças causadas por artrópodes, sendo elas: Escabiose, Pedi- culose e Miíase. UNIDADE 4 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 61 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA > conhecer os principais antiparasitários utilizados para o controle destes patógenos, assim como seu mecanismo de ação. > identificar os principais mecanismos de resistência, naturais ou adquiridos, apresentados pelos diferentes tipos de parasitos. > compreender a importância das medidas profiláticas e as estratégias de controle integrado empregadas para a redução das parasitoses. 62 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 4 TRATAMENTO E PROFILAXIA DOS PARASITOS CAUSADORES DE DOENÇAS NO HOMEM INTRODUÇÃO DA UNIDADE As parasitoses que afetam ao ser humano são um grave problema de saúde pública, tanto pelo número de pessoas que podem ser afetadas quanto pelos casos graves que algumas parasitoses podem causar. Desde o começo do sé- culo XX foi iniciada a tarefa de encontrar medicamentos que fossem eficien- tes no controle destas infecções. Desta forma, diversos derivados de produtos naturais foram testados até descobrirem os primeiros antiparasitários, muitos deles utilizados até os dias de hoje. Contudo, a utilização constante destes fár- macos exerceu uma pressão seletiva sobre algumas espécies, principalmen- te protozoários, permitindo o surgimento de isolados resistentes, forçando à procura de novas estratégias de controle. Com relação a estas últimas, as entidades de saúde nacionais e internacionais começaram a criar medidas profiláticas individuais e estratégias de controle integrado que se mostraram eficientes, auxiliando na diminuição do impacto das parasitoses. 4.1 TRATAMENTO DOS PARASITOS O conhecimento da biologia do parasito e a realização de um bom diagnósti- co permitem que as infecções causadas por estes patógenos sejam tratadas adequadamente. 4.1.1 ALVOS E MECANISMOS DE AÇÃO Em 1955, foi testado um extrato de Streptomyces sp. sobre um isolado de Tri- chomonas vaginalis, protozoário da mucosa urogenital, com resultados pro- missores, sendo o princípio ativo do extrato identificado como 2-nitroimidazol (azomicina). 63 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os derivados nitroimidazólicos se diferenciam pela posição do grupo nitro adicionado ao imidazol. Assim, os derivados do 5-nitroimidazol são o metronidazol, timidazol (utilizados para tratamento de protozoários de mucosas) e o derivado do 2-nitroimidazol é o benznidazol (utilizado para tratamento de Trypanosoma cruzi). Posteriormente, uma série de fármacos foi sintetizada a partir da sua estrutu- ra. Estes componentes, apresentam atividade comprovada contra uma vários de protozoários anaeróbios, como T.vaginalis, Giardia duodenalis, Entamoe- ba histolytica e Balantidium coli (MORETH et al., 2010). O derivado mais importante é o metronidazol, sintetizado em 1957, ampla- mente utilizado contra protozoários. Administrado por via oral, este fármaco é rapidamente absorvido e reduzido no fígado, transformando-o na sua forma ativa, apresentando uma atividade citotóxica de curta duração. Nos protozoá- rios de mucosa, este medicamento se associa às moléculas de DNA, inibindo a síntese de ácido nucleico, levando à morte por apoptose. FIGURA 1 – ANTIPARASITÁRIOS DERIVADOS DO 2-NITROIMIDAZOL Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um esquema com os derivados nitroimidazólicos utilizados para tratamento de protozoários, incluindo Metronidazol, com atividade contra: Giardia duodenalis, Trichomonas vaginalis, Balantidium coli e Benznidazol; e Benznidazol, com atividade contra: Trypanosoma cruzi. 64 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Outro derivado nitroimidazólico, o benznidazol, é o único medicamento uti- lizado para o tratamento da doença de Chagas no Brasil. Este fármaco tem elevada atividade contra as formas sanguíneas de Trypanosoma cruzi. No citoplasma do parasito, o medicamento é reduzido, formando uma série de moléculas reativas que se associam ao DNA do parasito, causando a morte do patógeno (FERREIRA et al., 2019). Por outro lado, o tratamento dos protozoários do gênero Plasmodium sp., foi realizado primeiramente com quinina, derivada de uma planta encontrada na América do Sul (Cinchona officinalis). História da quinina: O pó derivado de uma árvore nativa, chamado quina-quina, foi “exportado” por jesuítas para Europa para o tratamento da malária. Anos depois, utilizando sementes contrabandeadas, uma empresa alemã purificou seu princípio ativo (quinina), se tornando a principal fornecedora do produto até começo do século XX. Todos os fármacos derivados da quinina mostraram atividade antimalárica, incluindo a cloroquina, amodiaquina, mefloquina. Seu mecanismo é baseado na atividade do anel quinolínico, que inibe a polimerização do grupo HEME, liberado à medida que o parasito se desenvolve na hemácia. O acúmulo des- te radical se torna tóxico, diminuindo rapidamente a carga parasitária (OLAF- SON et al., 2015) (Figura 2). 65 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – ESTRUTURA DOS DERIVADOS DE QUININA UTILIZADOS PARA TRATAMENTO DA MALÁRIA Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um esquema com as modificações do anel quinolínico na geração de antimaláricos, com a ilustração da Casca de Cinchona Officinalis, da fórmula da Quinina, com a indicação do Anel quinolínico; da Cloroquina; da Amodiaquina e da Mefloquina. Com relação aos fármacos utilizados para o tratamento nas infecçõespor hel- mintos, estes podem atuar por duas vias de ação. A primeira está relacionada com a atividade de canais de íons na cutícula dos platelmintos. O anti-hel- míntico mais utilizado deste grupo é o praziquantel, que promove o aumento da permeabilidade de membrana ao cálcio, resultando em contração perma- nente da musculatura causando paralisia (OPAS, 2018). A segunda via de ação está relacionada com a interação com os microtúbulos dos nematelmintos. Os mais utilizados são albendazol e mebendazol, de boa atividade e baixa toxicidade para o ser humano. Estes atuam na depleção de glicose, permitindo a inibição da polimerização dos microtúbulos causando a paralisação do verme (Figura 3). 66 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA FIGURA 3 – MECANISMOS DE AÇÃO DOS ANTI-HEMÍNTICOS MAIS UTILIZADOS Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa os anti-helminticos e sua atividade frente aos agentes infecciosos, incluindo Praziquantel, o qual aumenta o transporte de cálcio por meio da cutícula do verme, causando paralisia, com ativo contra: Taenia sp. (cisticercose); Schistosoma mansoni; Diphylobothrium sp.; Fasciola hepatica; e Albendazol; e Albendazol, o qual participa da depleção de glicose, inibindo assim a polimerização de microtúbulos, promovendo paralisia, com ativo contra: Ascaris lumbricoides, Enterobius vermicularis, Trichuris Tichiura, Ancilostomídeos e Strongyloides stercoralis. Os químicos utilizados para controle de artrópodes devem apresentar bai- xa toxicidade para o ser humano, um amplo espectro de ação, baixo custo e efeito residual prolongado. Entre os principais inseticidas se destacam os pi- retróides, químicos hidrossolúveis de ação rápida, os quais atuam inibindo a atividade sináptica no sistema nervoso dos artrópodes, causado sua paralisia e morte. O segundo grupo são os compostos organofosforados que atuam por ingestão ou contato, inibindo os impulsos nervosos através da sua ação sobre a enzima colinesterase (BRAGA, VALE, 2007). 4.1.2 RESISTÊNCIA A DROGAS USADAS NA TERAPIA DE PARASITOSES O uso indevido de qualquer antiparasitário ou casos em que o esquema te- rapêutico não é completado podem levar ao surgimento de isolados de pro- tozoários resistentes. O caso mais importante é observado nas infecções por Plasmodium falciparum. Os primeiros isolados resistentes à cloroquina fo- ram detectados em 1957 na África e, em anos posteriores, em todos os con- tinentes onde o parasito circula. Na atualidade, são encontrados isolados de P. falciparum resistentes a todos os antimaláricos. A resistência de P. falcipa- rum à cloroquina é dada por uma serie de mutações em um gene que codifi- 67 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ca um transportador inserido na membrana do vacúolo digestivo do parasito, o gene pfcrt (do inglês P. falciparum chloroquin resistance transporter), que retira a cloroquina fora do seu sítio de ação (JUGE et al., 2015). Resistência de Plasmodium vivax: Este protozoário é o principal causador de malária no Brasil, responsável por 86% dos casos. A droga de eleição para seu tratamento é a cloroquina, contudo, nos últimos anos foi descrito o surgimento de isolados resistentes ao antimalárico, porém até o momento não se tem conhecimento sobre o mecanismo para este fenótipo. Cepas refratárias ao tratamento: Essa característica é observada em parasitos de origem silvestre, que nunca entraram em contato com um antiparasitário, mas conseguem sobreviver ao tratamento. Exemplo: Um exemplo de protozoários refratários ao tratamento é observado em alguns isolados silvestres de T. cruzi que não respondem ao tratamento com benznidazol, por mecanismos ainda não esclarecidos. Da mesma forma, a resistência ao metronidazol e outros derivados nitroi- midazólicos ainda não está bem esclarecida, no entanto, já existe relatos de resistência em G. duodenalis e T. vaginalis. Nesse sentido, sabe-se que as principais formas de resistências estão relacionadas à atividade da enzima ferredoxina oxidorredutase (PFOR) que promove a inativação do metronida- zol por alteração no seu estado de óxido-redução. Um fato importante que precisa ser compreendido é a diferenciação de ce- pas resistentes ao tratamento (que surgem através da seleção) e a existência de cepas refratárias ao tratamento. 68 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Na atualidade, Trypanosoma cruzi é dividido em seis unidades discretas de tipagem (DTU, sigla em inglês para Discrete Typing Unit). Cada uma dessas DTUs apresenta características biológicas singulares e diferentes graus de virulência em infecções experimentais e de suscetibilidade ao benznidazol. Por outro lado, o tratamento para a maioria dos helmintos é realizado com uma dose única do medicamento, mostrando sua alta eficiência. Este fato impede que exista algum efeito de seleção de helmintos resistentes ao tra- tamento. No entanto, Onchocerca volvulus, nematelminto que se reproduz em nódulos formados na pele, sendo causador da “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”, é naturalmente refratário ao tratamento com ivermectina, droga de primeira linha para seu controle. Com relação à resistência de artrópodes a inseticidas, é sabido que este fato acontece pelo uso contínuo do mesmo inseticida em uma área determinada, levando à seleção de isolados resistentes (Figura 4). FIGURA 4 – MECANISMOS DE RESISTÊNCIA DE ARTRÓPODES AOS INSETICIDAS Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um esquema com os mecanismos de resistência de artrópodes a inseticidas, incluindo: Uso reiterado do mesmo inseticida e Resistência do inseto vetor, esta com as indicações: Sobre expressão de enzimas que inativam os inseticidas, impedindo a morte do inseto nas concentrações normais de uso; Modificação de permeabilidade da cutícula aos inseticidas, não permitindo que sejam absorvidos; e Modificação do comportamento do inseto, o qual se afasta dos locais onde o inseticida é aplicado. 69 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os mecanismos já identificados que permitem esta resistência estão rela- cionados ao: i) aumento da atividade de enzimas de detoxificação, como a glutatione-S-transferase, além de oxidases e esterases, realizado pela sobre- -expressão dos genes das enzimas ou através da amplificação das copias do seu gene no genoma do artrópode; ii) modificação da permeabilidade da cutícula externa, impedindo a entrada do inseticida aos tecidos internos; iii) ou modificação do comportamento do artrópode, que permite que o artró- pode perceba a presença do inseticida, evitando os locais onde foi aplicado (BRAGA, VALE, 2007). 4.1.3 PROFILAXIA A profilaxia e definida como o conjunto de medidas implementadas neces- sárias para evitar a transmissão de doenças. Dessa forma, neste tópico serão abordadas as medidas individuais aconselháveis para evitar as infecções pa- rasitárias. Com relação às diversas espécies que conseguem parasitar o ser humano, os parasitos do trato intestinal, protozoários ou helmintos, são os mais impor- tantes em termos quantitativos. Nesse sentido, os cuidados com o consumo de água e alimentos se tornam relevantes para a profilaxia destas parasito- ses, somados aos hábitos de higiene pessoal, como a lavagem periódica das mãos. Oocistos de Cryptosporidium sp. podem atravessar os filtros de cerâmica utilizado nas moradias sendo facilmente transmitidos por veiculação hídrica. Esta característica torna este parasito muito comum em infecções, principalmente, de crianças menores de 5 anos. 70 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIAO consumo de água potável, filtrada ou fervida é de grande importância, principalmente para as infecções por protozoários, como G. duodenalis , pa- rasito de veiculação hídrica. Da mesma forma, a higienização de alimentos consumidos in natura (frutas, hortaliças) precisa ser recomendada. Para isso, a utilização de sanitizantes para alimentos pode auxiliar no controle de pro- tozoários. No entanto, estudos da literatura mostram que ovos de A. lumbri- coides apresentam uma alta resistência à maioria destes produtos comer- cializados para a população (MASSARA et al., 2003). Nesses casos, a limpeza de alimentos com bastante água poderá auxiliar na eliminação por arraste destes agentes mais resistentes. No consumo de carnes, é sempre recomendado o cozimento do alimento, medida que auxilia na eliminação de cisticercos das espécies de Taenia sp. e os cistos de Toxoplasma gondii. No caso de carnes de peixes, é recomendada a preparação do alimento a temperatura elevada ou cuidados na limpeza do alimento nos casos de consumo de peixe cru. No ano de 2005, na cidade de São Paulo, foram registrados 45 casos de difilobotríase, infecção causada por Diphylobothrium sp., céstodeo de mamíferos aquáticos, que foi transmitida pelo consumo de peixe cru contaminado, servido em restaurantes de comida oriental. Com relação às medidas profiláticas utilizadas para a prevenção das infec- ções transmitidas por artrópodes, podem ser citadas o uso de repelentes e a vigilância dos criadouros de mosquitos nas regiões domiciliar e perido- miciliar. Nesse sentido, uma das medidas recomendadas para a prevenção da leishmaniose, transmitida por dípteros da subfamília Phlebotominae, é a construção de moradias a uma distância mínima de 500 metros das áreas de floresta evitando, desta forma, o contato com os vetores que apresentam hábitos silvestres (REY, 2011). 71 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Medidas profiláticas destinadas ao controle dos ectoparasitos (Sarcoptes sca- biei, Pedículus humanus, Pthirus púbis) estão relacionadas a evitar a utiliza- ção de roupas de estranhos ou evitar aglomerações que possam permitir a transmissão direta destes artrópodes. Nesses casos, o tratamento das pessoas infestadas corresponde à melhor forma de prevenção. 4.2 CONTROLE INTEGRADO DOS PARASITOS O controle integrado das parasitoses precisa ser entendido com as medidas implementadas por órgãos públicos e privados que visem, em conjunto, o controle da transmissão das infecções na população. 4.2.1 CONTROLE INTEGRADO PARA PROTOZOÁRIOS Com relação aos protozoários do trato intestinal as medidas gerais visam o melhoramento do saneamento básico, com a ampliação de rede de esgoto e o tratamento da água potável. Estas medidas preveem a ação de órgãos pú- blicos que direcionem os recursos necessários para o melhor tratamento das águas residuais, impactando todas as doenças transmitidas pela via fecal-oral. Um dos casos mais relevantes de controle integrado de protozoários está rela- cionado ao controle da toxoplasmose em gestantes. Toxoplasma gondii pode ser transmitido a partir de mães com infecção aguda para o feto em forma- ção, podendo causar problemas graves ao recém-nascido. Para isso, se torna essencial o controle pré-natal multidisciplinar desde os primeiros meses de gestação. (Figura 5). 72 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA FIGURA 5 – MEDIDAS DE PREVENÇÃO DA TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um esquema com as medidas do atendimento multidisciplinar para prevenção da toxoplasmose na gravidez, incluindo: acompanhamento pré-natal periódico por uma equipe multidisciplinar na área pública ou privada; testes sorológicos periódicos para mães não infectadas; orientações para o cuidado na manipulação de carnes e o consumo do alimento bem cozido; orientações para a limpeza de alimentos consumidos in natura; e cuidado com a manipulação e eliminação de fezes de gatos domésticos. As medidas em gestantes soronegativas incluem os controles sorológicos periódicos (ELISA) e, principalmente, as orientações entregadas pela equipe multidisciplinar de saúde. Estas orientações precisam incluir o cuidado no manuseio de carnes cruas, o consumo de carnes bem cozidas e os cuidados na manipulação de fezes de gatos domésticos. Com relação ao controle da malária, principal infecção parasitária a nível mundial, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza medidas desti- nadas ao tratamento de infectados e controle do inseto vetor. Nesse sentido, o diagnóstico precoce e específico, pode auxiliar na diminuição da transmis- são. Para isso, órgãos públicos e privados precisam realizar treinamento cons- tante das equipes que realizam o diagnóstico. Com relação ao controle do inseto vetor, a medida mais importante na atualidade está relacionada com a disponibilização de mosquiteiros impregnados com inseticidas que evitam o contato com o inseto vetor (Figura 6). 73 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 6 – MEDIDAS DE PROTEÇÃO E CONTROLE INTEGRADO DA MALÁRIA Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa um esquema com as medidas de prevenção e controle da infecção por Plasmodium sp., incluindo: investimento em pesquisa: permite a procura de uma vacina e novas drogas para o tratamento; vigilância entomológica: permite a elaboração de planos de controle do vetor em áreas específicas; utilização de mosquiteiros nas camas: podem ser impregnados com inseticidas residuais; uso de repelentes: é recomendada a utilização de produtos com proteção prolongada; manejo do ambiente: é aconselhado para medir o acúmulo de água parada e outros criadouros naturais; controle químico do vetor: é recomendado somente em área com elevada taxa de infectados; e treinamento no diagnóstico específico: permite o tratamento precoce e específico dos infectados. Com relação ao controle da transmissão da doença de Chagas uma das medidas com maior êxito na América do Sul foi a instauração obrigatória da pesquisa de anticorpos contra Trypanosoma cruzi nos bancos de sangue, in- cluída na triagem inicial dos doadores, resultando na diminuição drástica da transmissão transfusional. Outra forma de prevenção é a fiscalização muni- cipal dos alimentos conhecidos por transmitir o protozoário. Nesse sentido, o controle dos produtores de polpa de açaí, consumido amplamente pela população nos estados da região norte do país, visa a realização do branque- amento dos frutos antes de serem processados para venda in natura (incu- bação dos frutos a 80ºC por 10 segundos). A leishmaniose, causada por protozoários do gênero Leishmania sp., pode ser prevenida com o controle de cães infectado, os quais precisam ser trata- dos ou, em último caso, eutanasiados. Para isso, os Centros de Controle de Zoonoses apresentam um papel fundamental nessa tarefa. 74 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 4.2.2 CONTROLE INTEGRADO PARA HELMINTOS As medidas de melhoramento do saneamento básico também atingem as infecções por helmintos. Segundo dados do IBGE, somente 66% dos muni- cípios brasileiros contam com rede de coleta de esgoto. Esse fato se torna crítico nos Estados da região norte do país, onde somente 16% dos municípios contam com esse sistema. Dessa forma, é previsível que essa região apresen- te as maiores taxas de infecção por geo-helmintos (BRASIL, 2020). Os geo-helmintos são nematelmintos de distribuição cosmopolita, correspondendo aos parasitos mais encontrados em infecções humanas. No manual em anexo podem ser encontradas as medidas destinadas ao controle integrado destas parasitoses. Siba mais em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_controle_ geohelmintiases.pdf . Desta forma, as medidas de controle das geo-helmintíases devem abordar o tratamento preventivo nas escolas, principalmente nas áreas com sanea- mento básico precário. Para atingir esse objetivo, precisa ser realizado um planejamento em conjunto dos órgãos de saúde e as escolas, atingindo, prin- cipalmente, a população de 5 a 14 anos de idade, podendo se estender para crianças menores de 5 anos, mulheres em idade fértil (18 a 49 anos) e gestan- tes, medidas que precisam ser acompanhadas por campanhas de educação sanitária para estas faixas etárias. Nesse sentido, a OMS ressalta que o tratamento periódico e preventivo da população com anti-helmínticos auxilia na diminuição da carga parasitária e os efeitos adversos provocados por estes patógenos, principalmente, em crianças em idade escolar. Um dos exemplos mais bem-sucedidos no controle integrado de parasitoses causadas por helmintos foi o realizado na cidade de Belém, no Estado do Pará, instaurado para tentar diminuir o número de casos de filariose linfática 75 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 na cidade. Até finais da década de 90, esta cidade era responsável por 90% dos casos desta parasitose no Brasil. Nessa época foi instaurado um controle de diagnóstico em massa da população, onde agentes de saúde percorriam os bairros da cidade no período noturno realizando o exame de gota espessa na população. Desta forma, o município conseguiu identificar os bairros mais atingidos, o número de pessoas infectadas que foram direcionadas para o tratamento apropriado com dietilcarbamazina (DEC). Filariose linfática: Doença infecciosa causada por Wuchereria bancrofti, nematelminto da ordem Spirurida, que consegue colonizar os vasos linfáticos de pernas e braços. Na infecção crônica pode causar uma manifestação conhecida por elefantíase, que corresponde a um linfedema crônico nas extremidades. O diagnóstico desta infecção é realizado pela observação de microfilárias que circulam no sangue no período noturno, após as 22h. Com relação ao controle do complexo teníase-cisticercose é necessária a rea- lização de fiscalizações nos abatedouros bovinos e suínos, realizado por vete- rinários e agentes de saúde, verificando a presença de cisticercos na muscu- latura (esquelética e cardíaca) e no sistema nervoso central. As carcaças que apresentem cisticercos poderão, dependendo do número de larvas, serem limpas extraindo o tecido que apresentem as estruturas parasitárias ou de- rivadas para sua utilização com outros fins (salinização, fabricação de ração animal). Desta forma, a carne comercializada poderá ser considerada livre de fontes infectantes e adequada para o consumo humano. 4.2.3 CONTROLE INTEGRADO PARA ARTRÓPODES O exemplo mais bem-sucedido de controle integrado de artrópodes foi re- alizado na década de 1990 na América do Sul, que objetivou a eliminação do principal vetor da doença de Chagas, Triatoma infestans, encontrado nas moradias de regiões de alta transmissão. 76 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Iniciativa do Cone Sul No ano de 1991 foi criada a Iniciativa do Cone Sul, na qual a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomendou a eliminação do vetor em seis países da América Latina: Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Inseticidas residuais Assim, uma campanha continental foi realizada utilizando inseticidas residuais nos domicílios onde o vetor era encontrado. Como resultado, Chile e Paraguai se declararam livres da transmissão vetorial da doença de Chagas em 1997 e 1999, respectivamente. Brasil e Argentina No caso de Brasil e Argentina a erradicação do triatomíneo foi de forma gradual, deixando somente alguns focos em municípios onde o inseto pode ser encontrado na área silvestre. No entanto, esta campanha internacional não foi acompanhada de fiscaliza- ção das áreas declaradas livres da doença. Como resultado, novas espécies de triatomíneos conseguiram ocupar o nicho ecológico deixado pelo T. infestans ou foi observada a re-infestação pelo inseto, promovendo o aparecimento de novos surtos da doença nessas regiões (NEVES, 2016). Com relação ao controle integrado das parasitoses transmitidas por dípteros hematófagos, mosquitos do gênero Anopheles e flebotomíneos, a principal estratégia está relacionada ao manejo ambiental das áreas domiciliares e pe- ridomiciliares, além de áreas públicas onde existam criadouros dos vetores. Desta forma, no caso dos vetores da malária o manejo do ambiente procura a drenagem ou aterro de áreas alagadas e limpeza das áreas com vegetação alta. Para o controle dos vetores da leishmaniose, além das medidas mencio- nadas anteriormente, é adicionada a limpeza de matéria orgânica no solo, e o destino adequado de lixo orgânico. 77 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Levantamento entomológico Corresponde ao estudo da ecologia dos principais vetores transmissores de patógenos. Estes estudos precisam ser realizados por agentes de saúde treinados para a procura e identificação dos artrópodes. O levantamento pode ser realizado através da busca de larvas ou de insetos adultos para, desta forma, realizar o planejamento de controle dos vetores. Procura de criadouro de larvas Com auxílio de pipetas Pasteur e recipientes herméticos, o agente de saúde faz uma busca ativa de larvas nas áreas domiciliares e peridomiciliares, principalmente em locais onde seja observada água parada. As larvas são conduzidas ao centro de estudos para sua identificação. Procura de insetos adultos São utilizadas armadilhas para a atração e captura dos vetores. Para isso, as armadilhas mais utilizadas são as de tipo CDC (isca luminosa), as quais são deixadas no período noturno para a captura dos insetos em uma rede de contenção. Os insetos são conduzidos para o centro de estudos para sua identificação. O controle químico destes vetores precisa ser realizado somente em ambien- tes de áreas endêmicas, não sendo recomendado em locais onde existem bai- xo número de casos. Nesse sentido, um papel fundamental no controle deste tipo de vetores é cumprido pelos órgãos públicos que realizam o levantamento entomológico das regiões afetadas por infecções transmitidas por artrópodes. Este tipo de estudo permite conhecer a diversidade de potenciais vetores e as áreas de criação, orientando as medidas de controle de forma mais eficiente. Mobile User 78 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA CONCLUSÃO Nesta unidade você aprendeu sobre os principais fármacos utilizados para o controle dos diversos tipos de parasitos que afetam ao ser humano, assim como os mecanismos que levam ao aparecimento de resistência em alguns isolados. Da mesma forma, foram abordadas as principais medidas de profilaxia indivi- duais e as implementadas no controle integrado das parasitoses. UNIDADE 5 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 79 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA > entender sobre as principais doenças causadas por protozoários no Brasil. > conhecer as principais doenças causadas por protozoários em outros países. 80 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 5 PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, abordaremos as principais doenças causadas por protozoá- rios de importância para a saúde pública, tanto no Brasil quanto em outros países. A trajetória das doenças causadas por protozoários e os desafios na prevenção e controletambém serão contemplados. Além disso, reforçaremos as estratégias diagnósticas de cada uma delas, buscando sempre o conheci- mento independente baseado em evidências e o raciocínio clínico baseado em casos reais. Os protozoários (Filo Protozoa) são organismos: unicelulares (possuem uma única célula), eucariontes (apresentam o núcleo delimitado por um envoltório nuclear e heterotróficos (não são capazes de produzir o próprio alimento). Em relação à Parasitologia, os protozoários estão relacionados a diferentes doen- ças nos seres humanos e animais, podendo determinar parasitoses dissemi- nadas, cutâneas e/ou mucosas, intestinais e viscerais (COELHO; CARVALHO, 2005). Portanto, nesta unidade, focaremos nas espécies de protozoários parasitos cavitários e intestinais (por exemplo, a Tricomoníase e a Giardíase), do sistema sanguíneo e dos tecidos do homem (por exemplo, Toxoplasmose e Leishma- nioses), tendo ou não animais como hospedeiros intermediários, que podem ser mamíferos, aves ou certos gêneros de insetos. 81 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.1 DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL 5.1.1 QUAIS SÃO AS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL E QUE TEM IMPORTÂNCIA PARA A SAÚDE PÚBLICA? As doenças causadas por protozoários e que serão estudadas por nós serão e que tem importância para a Saúde Pública são: Doença de Chagas, Leish- manioses cutâneas e viscerais, Malária, Toxoplasmose, parasitoses intestinais (Amebíase e Giardíase) e parasitose transmitida sexualmente (Tricomoníase) (REY, 2009). FIGURA 1 – DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa uma pessoa coçando uma das mãos. A mão que está sendo coçada apresentando sinais claros de desenvolvimento de uma doença causada por protozoários, com lesões nodulares e indolores que aumentam. Começaremos então falando sobre a Malária. 1. Malária: existem mais de 100 tipos de protozoários, porém, no Brasil, dá- -se a importância para três, o Plasmodium falciparum, o Plasmodium vivax e o plasmodium malariae. A malária também é conhecia como Paludismo, febre intermitente, tremedeira ou maleita. O Plasmodium 82 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA falciparum e o Plasmodium vivax são os que mais ocorrem no Brasil. O vetor responsável pela transmissão do Plasmodium são os mosquitos do gênero Anopheles. São conhecidos popularmente como anofelinos e mosquito prego. O homem é considerado o principal reservatório da doença (REY, 2009). Espécies da Malária No Brasil, as principais espécies transmissoras de Plasmodium são: Anophles darlingi, Anophles aquasalis, Anopheles albirtasis, Anopheles cruzii e Anopheles bellator. Vetor da Malária Os vetores são abundantes nos horários crepusculares, ao entardecer e ao amanhecer, mas podem picar durante toda a noite. 2. Doença de Chagas: é uma doença que tem uma evolução bifásica: agu- da e crônica. No Brasil, a fase que mais predomina na população aco- metida é a fase crônica. O agente etiológico é o Trypanossoma cruzi, um protozoário flagelado. Os reservatórios são os humanos e outros animais. O vetor é o Triatomíneos hematófagos. São insetos conhecidos também como “barbeiro” ou “chupões”. A espécie considerada mais importante no Brasil, que transmite a doença, é o Triatoma infestans (FERREIRA, 2020). FIGURA 2 – FASE CRÔNICA: CARDIOMEGALIA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa o desenho de um coração com as suas estruturas. Na fase crônica da Doença de Chagas pode ocorrer a cardiomegalia, que é o aumento no tamanho do coração e é irreversível. 83 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5. Leishmanioses: pode manifestar-se de duas formas: cutânea, também chamada de Leishmaniose Tegumentar Americana e visceral, a Leish- maniose Visceral. A Leishmaniose Tegumentar Americana é uma doen- ça que acomete pele e mucosas. Os insetos transmissores dos protozoá- rios Leishmania pertencem ao gênero Lutzomya. Em geral, o grupo dos mamíferos representam os reservatórios naturais da doença (FERREIRA, 2020). Somente as fêmeas transmitem o protozoário, no caso da Leishmaniose Tegumentar, porque são hematófagas e precisam de sangue para a maturação de seus ovos. O horário de atividade desses insetos é crepuscular e noturno. A Leishmaniose Visceral é um protozoário tripanosomatídeos, o Leishmania chagasi. Esse protozoário é um parasita intracelular obrigatório. Na área ur- bana o principal reservatório são os cães. Na área rural pode ser mais de um, como por exemplo, as raposas e os marsupiais. Os transmissores da Leishma- niose Visceral são insetos denominados flebotomíneos (FERREIRA, 2020). 1. Toxoplasmose: estima-se que cerca de 60% da população mundial esteja infectada com o parasito, não significando que venham a desenvolver a doença, por diversos motivos. Atinge várias espécies de animais e o ho- mem. O agente etiológico é a espécie: Toxoplasma gondii. O Toxoplasma gondii possui três formas no seu ciclo de vida: a taquizoíta, a bradizoíta e o oocisto (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). 2. Amebíase: é mais frequente entre os adultos e tem maior prevalência nos países tropicais (como o Brasil) e subtropicais. A sua ocorrência está condicionada principalmente a baixas condições sanitárias, precarieda- de das habitações e maus hábitos de higiene. O agente etiológico é a espécie Entamoeba histolytica. A classificação das espécies do gênero Entamoeba baseia-se muito em caracteres morfológicos. Possui duas formas: trofozoíto e cisto (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). 3. Giardíase: É a parasitose frequente no mundo todo, principalmente en- tre as crianças, e dentre as protozooses intestinais, é a mais prevalente. O agente etiológico é da espécie: Giardia intestinalis (também, Giardia lamblia, Giardia duodenalis). O parasito apresenta as formas trofozoíta e 84 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA cisto (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). 4. Tricomoníase: É a mais frequente das Infecções Sexualmente Transmis- síveis (IST’s) e vem crescendo, especialmente nas mulheres entre a se- gunda e terceira décadas de vida, devido às mudanças de hábitos como a troca frequente de parceiros. Na maioria dos homens, a infecção é assintomática e perdura por mais tempo do que nas mulheres. O agente etiológico é a espécie: Trichomonas vaginalis. Esse protozoário apresen- ta somente a forma trofozoíta em seu ciclo de vida (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). 5.1.2 SINTOMATOLOGIA DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 1. Malária: os principais sinais e sintomas da malária, de forma geral, são: calafrios, febre alta (41ºC) intermitente, cefaleia intensa e sudorese. O pa- ciente tem a apresentação de sintomas, e depois um período de remis- são, com melhora do quadro clínico, que retornar considerando o padrão cíclico da doença (BRASIL, 2018). 2. Doença de Chagas: na fase aguda, pode haver edemas (inchaço) loca- lizados na pálpebra ou em outras partes do corpo, mal-estar, febre E falta de apetite. Na fase crônica, pode comprometer órgãos, como o coração, baço etc. (BRASIL, 2018). Na Doença de Chagas, o parasita recebeu essa denominação (Trypanossoma cruzi) e a doença o nome de Chagas em homenagem ao cientista brasileiro Carlos Chagas (o descobridor da doença) e à Oswaldo Cruz. 3. Leishmanioses Visceral: os sintomas variam de acordo com os períodos da doença. Os períodos são: inicial, de estado e final. No período inicial, também conhecido como fase aguda da doença, os principais sintomas são febre baixa que dura menos de quatro semanas e a palidez cutânea. No período de estado, os principais sintomas são febre irregular e ema- grecimento progressivo. Vale ressaltar que nesteperíodo, nos achados 85 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 laboratoriais e de imagem, são encontrados anemia e aumento do baço e do fígado. No período final da doença, são encontrados como princi- pais sintomas a desnutrição, a febre constante e o edema nos membros inferiores. Além disso, o acometido encontra-se bastante debilitado. Geralmente, a pessoa acometida consegue o diagnóstico no período de estado. Por isso, a avaliação criteriosa dos sintomas possibilita verificar a progressão da doença. Na leishmaniose cutânea, também conhecida como tegumentar americana, os sintomas são classificados em formas clínicas. Existem duas formas clínicas, a cutânea e a mucosa. Os sintomas são diferentes em cada uma dessas formas clínicas. Na forma cutânea, as pessoas apresentam uma lesão (úlcera). Na forma mucosa, os sintomas se concentram nas vias aéreas superiores da pessoa acometida, gerando desconforto, ardência e obstrução nasal (BRASIL, 2018). FIGURA 3 – PELE FERIDA: LEISHMANIOSE CUTÂNEA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa o desenho do sangue saindo de uma pele ferida, ocasionado por uma lesão. 4. Toxoplasmose: os principais sintomas são: manchas avermelhadas pelo corpo, febre, confusão mental, perda da coordenação motora, aumento dos linfonodos, aumento do fígado e do baço, dor de cabeça e dor de garganta (ZEIBIG, 2014). 5. Amebíase: dor, cólica abdominal, forte diarreia, presença de sangue e/ou muco nas fezes; perda de peso e febre. Esses são os principais sintomas (ZEIBIG, 2014). 6. Giardíase: cólicas abdominais intensas, náuseas, êmese (vômito), diarreia aquosa, flatulência, mal-estar, dentre outros sintomas (ZEIBIG, 2014). 86 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 7. Tricomoníase: corrimento amarelado ou amarelo-esverdeado, prurido (coceira), odor forte e degradável do corrimento, dor, dificuldade ao uri- nar e irritação vulvar (mulheres). Os homens, em sua maioria, são assin- tomáticos (ZEIBIG, 2014). NEGLIGENCIADA, Uma Epidemia. Tricomoníase: uma epidemia negligenciada. DST–J bras Doenças Sex Transm, v. 18, n. 3, p. 159-160, 2006. Disponível em: . 5.1.3 FORMAS DE TRANSMISSÃO Agora, estudaremos as formas de transmissão das doenças causadas por pro- tozoários. Tema muito importante para os profissionais da área da saúde, pois atuarão com educação continuada. 1. Malária: ocorre através da picada da fêmea do mosquito Anopheles que esteja infectado pelo protozoário Plasmodium. Somente as fêmeas infec- tam, elas são hematófogas e precisam do sangue para a maturação dos seus ovos. Outras formas de transmissão (que são raras) podem ocorrer: por transfusão sanguínea, pelo compartilhamento de seringas e aciden- te de trabalho (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). FIGURA 4 – MOSQUITO TRANSMISSOR DE MALÁRIA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa um mosquito aparentemente morto. O mosquito fêmea Anopheles infectado pelo Plasmodium causa a malária. http://www.dst.uff.br/revista18-3-2006/EDITORIAL.pdf%3e. http://www.dst.uff.br/revista18-3-2006/EDITORIAL.pdf%3e. 87 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 1. Doença de Chagas: a transmissão ocorre através da introdução do Trypanossoma na corrente sanguínea do ser humano. Os triatomíneos, a partir do momento em que sugam o sangue de animais infectados ou seres humanos, passam a serem portadores do parasita. O parasita é eliminado junto com as fezes do triatoma ou popularmente conhecido como “barbeiro”. A picada do triatoma ocasiona prurido e facilita a entra- da do tripanossomo (que estão nas fezes do barbeiro) na corrente san- guínea do indivíduo. Essa entrada do tripanossomo pode ocorrer tam- bém através de mucosas dos olhos, da boca e através de lesões recentes na pele. Outras formas podem ocorrer através da: via placentária, trans- fusão sanguínea, acidentes de trabalho e alimentos contaminados pelo parasita (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). FIGURA 5 – TRANSMISSÃO DA DOENÇA DE CHAGAS Fonte: Neves (2005, p. 96). #ParaTodosVeram: a figura representa um braço com as etapas de um barbeiro ao infectar o hospedeiro. a) barbeiro em jejum; b) barbeiro iniciando a hematofagia; c) barbeiro engurgitado, tendo depositado uma gota de fezes. 2. Leishmaniose Cutânea: a transmissão ocorre através da picada do mosquito fêmea infectada, o Lutzomya, sendo os principais: Lutzomya intermedia, Lutzomya whitmani e Lutzomya wellcomei. Leishmanio- se Visceral: A transmissão ocorre através da picada do mosquito fêmea infectada, o Lutzomya longipalpis e Lutzomya cruzi (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). 3. Toxoplasmose: a transmissão da toxoplasmose pode acontecer de forma adquirida ou congênita. Na forma congênita, a mãe transmite os proto- zoários causadores da toxoplasmose por via transplacentária. Por isso, é importante que toda gestante faça o acompanhamento pré-natal de 88 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA forma correta. Um dos exames do pré-natal é o IgG e IgM para toxoplas- mose. Na forma adquirida, a transmissão se dá por meio de alimentos contaminados com os cistos do toxoplasma. FIGURA 6 – HOSPEDEIRO DEFINITIVO TOXOPLASMOSE: OS GATOS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa o desenho de um gato com o aparelho digestivo à mostra. Os hábitos de higiene de felídeos domésticos (lamber e enterrar as fezes) e a grande proximidade de seres humanos com estes animais podem facilitar a ingestão de oocistos, também considerada como forma de transmissão adquirida da toxoplasmose. 4. Amebíase: a transmissão da amebíase ocorre pela ingestão de água e, principalmente, alimentos contaminados com cistos (REY, 2009). 5. Giardíase: a transmissão ocorre pela ingestão de água (principalmente) e/ ou alimentos contaminados com a forma cística madura (REY, 2009). 6. Tricomoníase: a transmissão da tricomoníase é direta, ou seja, de uma pessoa infectada a outra, ocorrendo primariamente por relação sexual sem o uso de preservativo. Pode, em menor grau, ser transmitida de mãe infectada ao feto no momento do parto e mecanicamente através de fômites úmidos (REY, 2009). 89 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.2 DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM OUTROS PAÍSES 5.2.1 DESCRIÇÃO DAS DOENÇAS a. Malária: estudamos malária também no tópico anterior, porém, existe um tipo de Plasmódio que não tem no Brasil. Os mais importantes no meio científico são: Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plas- modium malariae e Plasmodium ovale. O Plasmodium falciparum e o Plasmodium vivax são os que mais ocorrem no Brasil, como visto an- teriormente. Já o Plasmodium malariae ocorre com menos frequência que os dois primeiros e o Plasmodium ovale não existe no Brasil, ape- nas em algumas regiões da África. Os casos de Plasmodium ovale que surgem no Brasil são importados (BRASIL, 2018). FIGURA 7 – MAPA DA ÁFRICA COM ÍCONES Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa o desenho do mapa da África. A maioria dos casos de Plasmodium Ovale ocorre na África Ocidental. O Plasmodium ovale , portanto, é um protozoário que é responsável por uma pequena porcentagem dos casos de malária no mundo. Os casos estão concentrados na África Ocidental e em alguns países asiáticos (por exemplo, Filipinas e Indonésia) (BRASIL, 2018). 90 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA b. Tripanossomíase Humana Africana: é mais conhecida como doença do sono. A doença do sono é causada pela mesma espécie de proto- zoários da doença deChagas, o Trypanosoma. Porém, as espécies se diferenciam. Na doença do sono temos como espécies causadados, o Trypanosoma brucei gambiense e o Trypanosoma brucei rhodesiense. Ambas as espécies ocorrem em Uganda, África e em locais diferen- tes. Por exemplo, a espécie Trypanosoma brucei gambiense ocorre na África ocidental e central. As duas espécies são parasitas da mosca conhecida como tsé-tsé. O contato com as moscas contaminadas com o protozoário é a forma de transmissão da doença do sono. (NEVES, 2005). Mosca tsé-tsé: a mosca é popularmente conhecida como tsé-tsé. Elas são do gênero Glossina e da família Glossinidae. O nome tsé-tsé é um nome com origem no dialeto da África, ais especificamente, a Equatorial. c. Babesiose: é uma infecção causada pelo protozoário da espécie Babe- sia. Este, é um protozoário unicelular, ou seja, possui uma única cé- lula. Vale lembrar que a Babesiose é uma infecção que acomete mais os animais. Contudo, é incomum nos seres humanos, mas isso não quer dizer que não os acometa. Os locais onde mais se encontra essas espécies causadoras de Babesiose são: Massachusetts, Rhode Island, Connecticut, Nova York e Nova Jersey, todas localizadas nos Estados Unidos. A Babesiose é característica de regiões costeiras dos Estados Unidos (NUNCIO, 2014). 5.2.2 SINTOMATOLOGIA a. Malária (Plasmodium ovale): semelhante às demais espécies estudadas anteriormente, sendo: febre alta, sudorese intensa, calafrios com tre- mores, êmese (vômito), dor de cabeça severa, diarreia, dentre outros (BRASIL, 2018). 91 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 8 – FEBRE INTERMITENTE Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de uma menina deitada com um termômetro para aferir a temperatura corpórea. Na malária, a febre é intermitente, ou seja, em picos. A febre acontece quando há o rompimento das hemácias. b. Tripanossomíase Humana Africana: diversas partes do corpo são afeta- das seguindo a ordem: pele; sangue e linfonodos; e, cérebro e líquido cefalorraquidiano. A rapidez na evolução da infecção e dos sintomas dependerão de qual espécie está causando a doença (NEVES, 2005). 92 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Pele A mosca tsé-tsé forma um caroço na pele, no local onde foi inoculado o protozoário, ou seja, no local da picada. Este caroço, após alguns dias, fica com a coloração vermelho-escuro e torna-se doloroso e edemaciado. Cérebro e líquido cefalorraquidiano A tendência das pessoas acometidas no cérebro é ficarem extremamente sonolentas. Além disso, pode acontecer de terem dificuldade em se equilibrar, andar e ficar de pé, devido ao acometimento da parte do cérebro responsável pelo equilíbrio. FIGURA 9 – SONOLÊNCIA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de um menino deitado sobre os livros. A sonolência é um sintoma agravado da Tripanossomíase humana africana. c. Babesiose: os principais sintomas da Babesiose, doença causada pela espécie Babesia, são: dores musculares (principalmente nas articula- ções), febre e cefaleia. Nas pessoas com a imunidade boa, os sintomas tendem a desaparecer após uma semana. Porém, em algumas pesso- as, os sintomas se tornam mais expressivos e agudizados, como o de- senvolvimento de anemia e icterícia. A doença pode acometer alguns órgãos, ocasionando hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e do baço) (NUNCIO, 2014). 93 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5.2.3 FORMAS DE TRANSMISSÃO a. Malária: A malária é transmitida através da picada do mosquito fêmea do gênero Anopheles , que pode transportar os esporocitos nas glân- dulas salivares, de modo que, ao picar uma pessoa saudável, ela seria inoculada. Ocorre da mesma forma que nas outras espécies de Plamo- dium estudadas anteriormente (Figura 10) (NEVES, 2005). FIGURA 10 – CICLO PLASMODIUM SP. Fonte: Neves et al. (2005, p. 145). #ParaTodosVerem: a imagem representa um fluxograma com o ciclo Plasmodium sp., com 14 tópicos. b. Tripanossomíase Humana Africana: as duas espécies causadoras da tripanossomíase humana africana (Trypanosoma brucei gambiense e ao Trypanosoma brucei rhodiense) transmitem a doença através do contato com a mosca conhecida como tsé-tsé. É por meio da picada da mosca tsé-tsé contamina com uma dessas duas espécies de Trypano- soma. Após a picada e a inoculação do protozoário na pele, os mesmos vão em direção ao sistema linfático da pessoa picada e se multiplicam. A multiplicação ocorre em grau elevado, isso faz com que os órgãos e tecidos também sejam afetados (NEVES, 2005). 94 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Transmissão Doença do Sono Uma mãe que foi infectada pode transmitir os protozoários para o bebê durante a gravidez ou durante o parto. Raramente, as pessoas são infectadas por transfusões de sangue ou por doação de órgãos. como alimentos e parceiros. c. Babesiose: a transmissão da Babesiose, causada pelo protozoário da espécie Babesia, ocorre por meio de uma espécie de carrapato da fa- mília Ixodidade. O carrapato contaminado com o protozoário Babesia infecta as pessoas por meio da picada (NUNCIO, 2014). CONCLUSÃO Caros alunos, nesta unidade, pudemos conhecer um pouco sobre as doenças causadas por protozoários de importância de Saúde Pública no Brasil e em outros países. Compreendemos algumas características principais de cada uma das sete doenças causadas por protozoários no Brasil, como a sintoma- tologia e as formas de transmissão. Da mesma forma, estudamos essas características para algumas doenças causadas por protozoários em países diferentes do Brasil, sendo elas: Malária (Plasmodium ovale), Tripanossomíase Humana Africana (doença do sono) e Babesiose. Espero que tenham gostando, bons estudos! UNIDADE 6 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 95 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA > conhecer as principais doenças causadas por helmintos e artrópodes parasitos. > compreender os sintomas apresentados pelo hospedeiro afetado pela interação com helmintos e artrópodes parasitos. > entender como helmintos e artrópodes parasitos podem ser transmitidos entre os seres humanos. 96 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 6 PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS E ARTRÓPODES NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES INTRODUÇÃO DA UNIDADE As infecções causadas por helmintos são, em termos quantitativos, as para- sitoses mais importantes para o ser humano, promovidas por medidas de saneamento básico precário, negligência na sua notificação e tratamento. Contudo, dois fatores biológicos contribuem para sua elevada incidência: a vida média prolongada dos vermes, que permite a produção de uma enorme quantidade de estágios infectantes (ovos e larvas), e a resistência destes está- gios ao meio ambiente. Estas infecções apresentam uma ampla variedade de sinais e sintomas que variam dependendo da espécie de parasito, se apresen- tando, na maioria das vezes, como quadros debilitantes. Por outro lado, os artrópodes podem causar doenças de forma indireta, se comportando como vetores de agentes infecciosos, ou de forma direta, no caso de ectoparasitos humanos, além dos considerados micropredadores, que entram em contato esporadicamente com o homem espoliando sangue ao exercerem a hematofagia no hospedeiro. 6.1 DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES Entre os parasitos que afetam ao ser humano, os helmintos formam um grande grupo de organismos que correspondem, em termos numéricos, aos parasitos mais importantes,causando principalmente doenças crônicas e de- bilitantes. 97 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6.1.1 QUAIS SÃO AS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS? A ascaridíase é a principal parasitose do ser humano, estima-se que existam entre 807 mil a 1,2 bilhões de infectados. Esta helmintíase é causada por As- caris lumbricoides, o maior nematelminto que infecta o trato intestinal do ser humano (20-40 cm de comprimento). Assim como em outras geo-helmintí- ases, a taxa de incidência da ascaridíase é maior em regiões que apresentam saneamento básico inadequado (Figura 1). Uma fêmea de A. lumbricoides pode viver por até dois anos e, quando fecundada, produzir 200.000 ovos férteis por dia. Contudo, caso não seja fecundada, pode produzir uma grande quantidade de ovos inférteis, que podem ser observados no exame parasitológico de fezes. Da mesma forma, a tricuríase é causada por Trichuris trichiura, verme da fa- mília Trichuridae, antigamente conhecido como “tricocéfalo”. Corresponde a um parasito tecidual, de distribuição cosmopolita, principalmente em países de clima tropical e temperado. Esses parasitos apresentam um corpo alon- gado, medindo de 2-4 cm com uma porção anterior fina, composta por uma boca simples e um esôfago longo, o qual fica inserido na mucosa intestinal. 98 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA FIGURA 1 – ESTÁGIOS DIAGNÓSTICOS DOS GEO-HELMINTOS. A) OVO DE ASCARIS LUMBRICOIDES; B) OVO DE TRICHURIS TRICHIURA; C) OVO DE ANCILOSTOMÍDEOS; E D) LARVA RABDITOIDE DE STRONGYLOIDES STERCORALIS Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a ilustração dos estágios diagnósticos de geo- helmintos encontrados em amostras biológicas, incluindo: ovo de Ascaris lumbricoides; ovo de Trichuris trichiura; ovo de ancilostomídeos; e larva rabditoide de Strongyloides stercoralis. Por outro lado, os geo-helmintos de infecção ativa são espécies que liberam seus ovos através das fezes, os quais eclodem no meio ambiente liberando larvas. A infecção acontece pela penetração ativa destas larvas através da pele ou mucosas. As espécies mais relevantes em infecções de seres humanos são Strongyloides stercoralis, agente etiológico da estrongiloidíase, e duas espé- cies de ancilostomídeos, Ancylostoma duodenale e Necator americanus, causadores da ancilostomose (NEVES, 2016). Strongyloides stercoralis foi descrito em 1876, se caracterizando por causar in- fecções assintomáticas. Entretanto, casos de hiperinfecção surgiram a partir da década de 1970, comprovando seu caráter patogênico, principalmente em pacientes imunocomprometidos (FERREIRA, 2021). Por outro lado, os ancilostomídeos podem ser diferenciados pela presença de dois pares de dentes na cápsula bucal no A. duodelane e dois pares de lâmi- nas cortantes em N. americanus. Apresentam um tamanho que varia de 0,5 a 1,2 cm e cor róseo-avermelhada, devido a sua hematofagia. 99 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 A primeira campanha filantrópica a nível mundial para a erradicação de uma doença foi realizada pela Fundação Rockefeller para controlar a epidemia de ancilostomose nos Estados Unidos, Ásia, África, Europa e América do Sul, incluindo o Brasil, onde foram realizadas campanhas para tratamento em massa da população que trabalhava na produção de café. Outro nematelminto do trato intestinal é o Enterobius vermicularis, causador da enterobíose. Se caracteriza por ser um verme pequeno esbranquiçado e causa infecções benignas e autolimitadas. As fêmeas deste verme depositam os ovos fora do organismo, após sua saída através do esfíncter anal. Os trematódeos de maior importância em infecções humanas pertencem ao gênero Schistosoma, a qual inclui três espécies: S. japonicum, S. haema- tobium e S. mansoni, causador da esquistossomose mansônica na África e países de América do Sul. Esta parasitose é de origem africana, trazida para as américas através do tráfego de escravos, sendo conhecida como “doença dos caramujos” ou “barriga d’agua”, pelo fenótipo apresentado por pacientes crônicos (NEVES, 2016). Em relação aos cestódeos, o complexo teníase-cisticercose é o que apresenta mais relevância. No Brasil, estas doenças são causadas por duas espécies: Ta- enia solium e Taenia saginata os quais utilizam suínos e bovinos, respectiva- mente, como hospedeiros intermediários. Por serem vermes de grande por- te, as infecções são causadas somente por um espécime, motivo pelo qual são conhecidas como “solitárias” (Tabela 1) (FERREIRA, 2021). 100 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA TABELA 1 – CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS DE PARASITOS DO GÊNE- RO TAENIA SP. Taenia solium Taenia saginata Escólice Quatro ventosas e uma coroa de acúleos Quatro ventosas laterais Comprimento 3-4 metros 7-8 metros Número de proglotes 800-1.000 Mais de 1.000 Proglotes gravídicos Útero com até 12 ramificações Útero com mais de 15 ramificações Ovos por proglote 80.000 ovos 160.000 ovos Fonte: Elaborada pelo autor (2022). Por outro lado, um grupo importante de nematelmintos são transmitidos para o ser humano por meio da picada de dípteros hematófagos. Em con- junto, estes vermes são conhecidos como filárias, duas espécies são encon- tradas no Brasil: Wuchereria bancrofti, agente etiológico da filariose linfática ou bancroftiana, e Onchocerca volvulus, causador da “cegueira dos rios” ou o “mal dos garimpeiros”. 6.1.2 SINTOMATOLOGIA As infecções por helmintos se caracterizam por ser crônicas e, na maioria dos casos, assintomáticas. Contudo, quadros debilitantes podem aparecer de- pendendo do tamanho do verme e da carga parasitária. Assim, na ascaridíase pode ser observada a ação espoliativa do verme pela competição por prote- ínas, açúcares, vitamina A e C, além de poder causar quadros de obstrução intestinal em indivíduos com um elevado número do parasito. No caso da tricuríase, causada por um verme tecidual, um número elevado de espécimes pode causar um processo inflamatório no intestino grosso, acompanhado de dor abdominal, diarreia e, em casos graves, disenteria. As alterações causa- das pelo verme na mucosa do intestino levam ao aparecimento de lesões na musculatura lisa do reto e sigmoide, promovendo o quadro denominado prolapso retal (NEVES, 2016) (Figura 2). 101 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – A) OBSTRUÇÃO INTESTINAL POR ASCARIS LUMBRICOIDES; B) PROLAPSO RETAL CAUSADO POR TRICHURIS TRICHIURA Fonte: Flickr (2015, [n. p.]); Wikidoc (2017, [n. p.]). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de quadros clínicos graves causados por geo-helmintos, obstrução intestinal causado por Ascaris lumbricoides e prolapso retal causado por Trichuris.. Por outro lado, o quadro mais recorrente na ancilostomose é a anemia do tipo microcítica e hipocrômica, promovida pela hematofagia do verme. Estes parasitos podem ingerir entre 1-5 µL de sangue por dia, assim, a gravidade da anemia dependerá diretamente da carga parasitária. Com relação às infecções por S. stercoralis, são principalmente assintomáti- cas. No entanto, quadros de hiperinfecção graves podem ser observados em indivíduos com uma co-infecção com o vírus HTLV-1. Nesses casos, pode ser observada diarreia abundante, dor abdominal, e sepse por bactérias Gram negativas, causada pela migração em massa de larvas filariformes desde a luz do intestino para a corrente sanguínea (FERREIRA, 2021). Por outro lado, geo-helmintos de infecção ativa e A. lumbricoides, realizam o chamado ciclo pulmonar, na qual larvas dos vermes passam através dos capi- lares alveolares, vias aéreas superiores, chegando ao trato digestivo, causandoinfiltração no parênquima pulmonar, eosinofilia e febre que, em conjunto, é conhecida como síndrome de Loeffler. Nas infecções por E. vermicularis o sintoma mais eficiente é o prurido na região perianal, promovido pelas substâncias secretadas pelas fêmeas no momento da ovoposição. Apesar de ser uma infecção benigna, a localização ectópica dos vermes pode levar a quadros mais graves, como apendicite e vaginite (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). 102 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA FIGURA 3 – A) GRANULOMA HEPÁTICO CAUSADO PELO OVO (SETA); ESQUISTOSSOMOSE CRÔNICA (“BARRIGA D’AGUA”) Fonte: Plataforma Wikimedia (2022); Filckr (2015, [n. p.]). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de lesões hepáticas causadas por ovos de Schistosoma mansoni. Veja a descrição de um caso clínico grave de localização ectópica de Enterobius vermicularis que se apresentou como um quadro de neoplasia de ovário, disponível em: http://old.scielo.br/pdf/ rsbmt/v35n2/9068.pdf. Com relação à esquistossomose, após a reprodução sexuada no plexo me- sentérico, a fêmea deposita 400 ovos diariamente, os quais causam uma in- flamação intensa que permite sua passagem desde o sangue para a luz do intestino grosso, causando dor abdominal (inflamação) e disenteria. O res- tante dos ovos pode ser arrastado para outros órgãos por via hematogênica, principalmente para o fígado, promovem inflamação e lesões necróticas que serão substituídas por tecido fibroso. Como resultado, a ação cumulativa de lesões leva à perda de função hepática, resultando na ascite característica das infecções crônicas (“barriga d’agua”) (NEVES 2016) (Figura 3). http://old.scielo.br/pdf/rsbmt/v35n2/9068.pdf http://old.scielo.br/pdf/rsbmt/v35n2/9068.pdf 103 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 As infecções por helmintos do gênero Taenia sp. podem causar perda de peso pela ação espoliativa, aumento do apetite, obstrução intestinal, diarreia e dor abdominal, nos casos que apresentem um fenômeno tóxico-alérgico. No caso de T. solium, indivíduos que acidentalmente consigam ingerir ovos do verme podem desenvolver cisticercose, que corresponde à presença da larva (Cysti- cercus cellulosae) em diferentes tecidos, incluindo o sistema nervoso central (neurocisticercose). Cysticercus cellulosae Foi descrito, inicialmente como um verme diferente, entretanto, em 1860, essa larva foi associada ao ciclo biológico de Taenia solium em experimentos realizados em humanos. Cisticercos Condenados à morte, foram alimentados com cisticercos e, após sua execução, foi observado que apresentavam vermes adultos no intestino. Finalmente, no caso das filarioses encontradas no Brasil, a filariose bancrof- tiana promove o extravasamento de linfa nas extremidades e tecidos brandos causando um linfedema crônico. Se não tratado, o liquido é substituído por tecido fibroso acompanhado de infecções recorrentes, que leva à formação da denominada elefantíase. Na oncocercose são observados nódulos na pele que correspondem aos locais de crescimento dos vermes adultos. Após a re- produção, as fêmeas liberam uma grande quantidade de microfilárias que migram ativamente através da epiderme, causando uma dermatite papular difusa, liquenificação do tecido e, quando o globo ocular é afetado, causam uma ceratite esclerosante, glaucoma e atrofias do nervo ótico (“cegueira dos rios”) (FERREIRA, 2021). 104 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 6.1.3 FORMAS DE TRANSMISSÃO Nas infecções por geo-helmintos, a transmissão é dependente de condições de saneamento básico. Assim, no caso dos vermes de infecção passiva, a trans- missão se efetua por meio do consumo de alimentos e água contaminados com ovos larvados. Nesse sentido, os alimentos consumidos in natura (frutas e hortaliças) têm um papel fundamental, além dos hábitos de higiene da po- pulação. Larvas rabditoides de Strongyloides stercoralis, eliminadas nas fezes da pessoa infectada, podem se diferenciar em machos e fêmeas de vida livre, os quais podem se reproduzir no meio ambiente aumentando o número de estágios infectantes presentes no solo em regiões de alta transmissão. Nos geo-helmintos de infecção ativa a transmissão ocorre através da pene- tração de larvas filarióides através da pele ou mucosas. Por este motivo, estas infecções são muito comuns em crianças pequenas que brincam com ter- ra ou trabalhadores rurais que não utilizam calçados. Esta penetração ativa leva ao aparecimento de lesões similares a picada de inseto, correspondente a uma dermatite local muito pruriginosa (REY, 2011). No caso de S. stercoralis, o verme pode realizar um processo de auto-infecção interna nos indivíduos que apresentam infecção por HTLV-1 ou que utilizam corticoides. Nas filarioses, a transmissão é realizada através da picada do inseto vetor, Culex quinquefasciatus no caso de W. bancrofti e dípteros do gênero Simu- lium (“borrachudos”) no caso de O. volvulus. Esta transmissão é feita pelas fêmeas dos insetos que se encontrem infectadas com os vermes (Figura 4). 105 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 4 – A) CULEX QUINQUEFASCIATUS; B) SIMULIUM SP. Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de vetores da filariose linfática e oncocercose, incluindo Culex quinquefasciatus e Simulium sp. No momento da hematofagia, são depositadas, na lesão da picada, as larvas de terceiro estágio que ativamente se adentram na circulação sanguínea. As- sim, os insetos se infectam por meio da ingesta de microfilárias presentes no sangue e na pele dos indivíduos infectados. Por outro lado, na transmissão de E. vermicularis, os ovos depositados ex- ternamente na região perianal, que apresentam um formato aerodinâmico (parede fina e formato de letra “D”), podem se espalhar nos cômodos das mo- radias, podendo serem ingeridos ou aspirados por um hospedeiro. A transmissão da esquistossomose é realizada pela penetração ativa do está- gio infectante (cercárias) através da pele e mucosas. Este estágio é liberado pelos hospedeiros intermediários, moluscos de água doce, em açudes e lago- as onde estes animais podem se reproduzir. Dependendo da espécie do mo- lusco, haverá uma maior liberação de cercárias facilitando assim a infecção dos hospedeiros vertebrados (NEVES, 2016). 106 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA A transmissão dos cestódeos do gênero Taenia sp. acontece por meio do consumo de carne crua ou malcozida dos hospedeiros intermediários, que contenham os cisticercos dos vermes. Uma vez no trato intestinal, o escólice do cisticerco fica livre para se aderir à parede do intestino delgado, auxiliado pelas suas estruturas de fixação (ventosas e ganchos). Pessoas infectadas por T. solium podem ser foco de transmissão da cisticercose em locais onde as condições de saneamento básico sejam precárias, existindo, também, a chance de autoinfecção pela ingesta acidental dos ovos. 6.2 DOENÇAS CAUSADAS POR ARTRÓPODES NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES Os artrópodes podem afetar a saúde do ser humano por diversas vias, sen- do vetores de agentes infecciosos, se comportando como ectoparasitos ou como micropredadores, interagindo com o ser humano na sua alimentação hematofágica. Neste tópico serão abordados os ectoparasitos e artrópodes que se alimentam especificamente de sangue humano. 6.2.1 DESCRIÇÃO DAS DOENÇAS A pediculose é causada por insetos hematófagos sem asas, caracterizados por serem ectoparasitos de mamíferos e aves, conhecidos popularmente como piolhos (Pediculus humanus). Esta parasitose é amplamente distribu- ída no mundo, sempre associada a regiões de baixos recursos.CAUSADAS POR ARTRÓPODES NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES 106 1UNIDADE 2UNIDADE 3UNIDADE 4UNIDADE 5UNIDADE 6UNIDADE 9 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 ATENÇÃO PARA SABER SAIBA MAIS ONDE PESQUISAR DICAS LEITURA COMPLEMENTAR GLOSSÁRIO ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM CURIOSIDADES QUESTÕES ÁUDIOSMÍDIAS INTEGRADAS ANOTAÇÕES EXEMPLOS CITAÇÕES DOWNLOADS ICONOGRAFIA 10 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA Olá, alunos(as), sejam bem-vindos(as) à disciplina Parasitologia, na qual ire- mos aprofundar os seus conhecimentos sobre os principais conceitos da Pa- rasitologia. Para que seu estudo se torne proveitoso, esta disciplina foi organizada em 06 unidades, com temas e subtemas que, por sua vez, são subdivididos em tópi- cos, atendendo aos objetivos do processo ensino-aprendizagem. De forma geral na disciplina Parasitologia, que trata da ciência que estuda o parasitismo, procuraremos compreender os conhecimentos básicos sobre morfologia, biologia, patogenia de parasitas. Detalharemos sobre as formas clínicas, epidemiologia, profilaxia, diagnóstico e tratamento, no âmbito de atuação do profissionalismo. Esperamos que, até o final da disciplina vocês possam: identificar os parasitas, as medidas de controle e o tratamento; ampliar a compreensão sobre parasitoses de maior importância na saúde hu- mana e saúde pública com foco na forma de transmissão e no âmbito de atuação da profissão. Porém, antes de iniciarem a leitura, gostaríamos que vocês parassem um ins- tante para refletir sobre algumas questões. Vocês tem alguma noção do que é a Parasitologia? Saberiam me dizer quais doenças são causadas por proto- zoários, helmintos e artrópodes? Não se preocupe. Não queremos que vocês respondam de imediato todas essas questões. Mas, esperamos que, até o final, vocês tenham respostas e também formulem perguntas. Enfim, esperamos promover reflexões sobre o assunto e desejamos sucesso e bons estudos! UNIDADE 1 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 11 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA > conhecer os aspectos e conceitos básicos da Parasitologia. > entender os aspectos patológicos na relação parasito-hospedeiro. 12 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 1 RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, abordaremos a relação parasito-hospedeiro na Parasitologia. Dessa forma, veremos sobre a resposta do parasito à presença do hospedeiro, os mecanismos de escape do parasito às defesas do hospedeiro e os meca- nismos de patogenicidade. A Parasitologia é a ciência que estuda o parasitismo. Para Araújo et al. (2003), "[...] o parasitismo é inerente e assistencial a vida, estando todas as espécies de organismos do planeta parasitadas e, por isso mesmo, existem." Quer dizer, parasito é uma forma de vida ou um elemento orgânico capaz de multiplicar- -se. Mas, na Parasitologia Humana (nosso objeto de estudo) eles são os proto- zoários, os helmintos e os artrópodes, consideraremos também a influência do meio nessas relações de parasitismo. Os parasitas conseguem realizar es- tratégias de adaptação nos hospedeiros, o que pode ocasionar certas doen- ças. Esta unidade, portanto, deverá instrumentalizá-los no âmbito da atenção bá- sica para os protozoários, helmintos e artrópodes e discutir os conhecimentos fundamentais sobre morfologia, biologia e, em especial, o ciclo evolutivo dos parasitos de importância médica no Brasil. Vocês compreenderão os meca- nismos de transmissão, fisiopatogenia e interação parasito-hospedeiro. 1.1 CICLOS DE VIDA DOS PARASITAS 1.1.1 CONCEITOS BÁSICOS EM PARASITOLOGIA Existem alguns conceitos em Parasitologia que são fundamentais para o en- tendimento e compreensão. Por exemplo, o conceito de parasitismo, que vi- mos na introdução desta unidade. Sabemos que o parasitismo é uma relação ecológica e é caracterizada pela espécie de parasitas que se instalam nos hos- pedeiros. Por que os parasitas fazem isso? Eles buscam por nutrição. Porém, devido a esse fator podem causar diversas consequências, podendo até ma- tar seus hospedeiros. Para tanto, precisamos conhecer o que é hospedeiro, parasito, vetor, dentre outros conceitos (REY, 2009, p. 4). Mobile User 13 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Hospedeiro: organismo simples ou complexo, incluindo o homem, capaz de ser infectado por um agente específico. Hospedeiro definitivo: apresenta o parasita em fase de maturidade ou de atividade sexual. Hospedeiro intermediário: apresenta o parasita em fase larvária ou assexuada. Hospedeiro suscetível: qualquer pessoa ou animal que supostamente não possui resistência suficiente contra um determinado agente patogênico, que o proteja da enfermidade, caso venha a entrar em contato com o agente. Vetor: é um ser vivo, no qual se passa, obrigatoriamente, uma fase do desenvolvimento de determinado agente etiológico. Erradicando-se o vetor biológico, desaparece a doença que transmite, nesse caso denomina-se como vetor biológico. FIGURA 1 – CÉLULAS DE PARASITAS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de células de parasitas vista de um microscópio, com corante azul. Nem sempre a presença de um parasito em um hospedeiro indica que está havendo ação patogênica, ou seja, o desenvolvimento de uma enfermidade do mesmo. Em geral, deve haver um equilíbrio entre a interação parasito-hos- pedeiro. Quando isso não ocorre, há a instalação de doença parasitária (aci- dente decorrente do desequilíbrio entre hospedeiro e parasito) (REY, 2009). A intensidade da doença parasitária dependerá de vários fatores, dentre eles: a virulência da cepa, o estado nutricional do hospedeiro, os órgãos atingidos, o número de formas infectantes presentes, a imunidade do hospedeiro. En- fim, a verdade é que a morte do hospedeiro também representará a morte do parasito (REY, 2009). 14 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Ciclo monoxênico Os parasitos possuem um único hospedeiro no seu ciclo biológico. Ciclo heteroxênico Quando possuem hospedeiro intermediário (um ou mais) e hospedeiro definitivo. Dessa forma, nota-se que a ação patogênica dos parasitos varia muito e pode ser representada das seguintes formas: 1. Ação espoliativa (o parasito absorve nutrientes do hospedeiro); 2. Ação tóxica (são espécies que produzem enzimas ou que podem lesar o hospedeiro); 3. Ação mecânica (são espécies que podem impedir o fluxo de alimento); 4. Ação traumática (formação de lesões no hospedeiro); 5. Ação enzimática (ocorre a ação de enzimas na pele); 6. Anóxia (é o parasito que consume o oxigênio, da hemoglobina ou pro- duza anemia no hospedeiro). 1.1.2 MORFOLOGIA A relação parasito-hospedeiro sofreu diversas modificações ao longo de mi- lhares de anos. Também chamada de adaptação, ela ocorreu para melhorar o relacionamento entre os parasitos e os hospedeiros. Os parasitos se tornaram mais dependentes de outro ser vivo para sobreviverem. As adaptações foram: morfológicas, fisiológicas e biológicas, principalmente (REY, 2009). 1. Morfológicas: a) Hipertrofia: adaptação encontrada nos órgãos de reprodução, resistên- cia, proteção e fixação. Por exemplo, os helmintos possuem órgãos de fixação, como lábios, ventosas e bolsa copuladora. Além disso, houve aumento de estruturas alimentares de alguns insetos hematófagos que passaram a perfurarem mais facilmente a pele dos hospedeiros. A alta capacidade de reprodução também é uma hipertrofia, com aumento de ovários e útero para armazenarem os ovos. 15Estes insetos apresentam um corpo alongado, de 2 a 3 mm de comprimento, com abdô- men dilatado após a hematofagia. 107 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Pediculus humanus O piolho-do-corpo era diferenciado do piolho-da-cabeça como espécies diferentes. Entretanto, conseguiu se estabelecer que estes insetos compartilham das mesmas sequencias de DNA. Nova nomenclatura Por esse motivo, na atualidade, é utilizada uma nova nomenclatura, na qual P. humanus teria duas variantes: P. humanus var. humanus e P. humanus var. capitis. Por outro lado, o piolho-do-púbis ou chato, apresenta um tamanho menor que P. humanus, não superando os 2 mm. São insetos de corpo mais cur- to, mostrando um formato de triangulo invertido, com a parte torácica mais larga que a parte abdominal, na região lateral pode ser observado as pernas anteriores mais curtas que os pares de pernas posteriores. O habitat deste inseto pode incluir sobrancelhas, barba, axilas, contudo, sua localização mais comum é na região pubiana e perianal. A família Sarcoptidae inclui ácaros de tamanho reduzido caracterizando por apresentarem oito pernas curtas, com dois pares direcionados para a região anterior e dois pares direcionados para a região posterior do artrópode. Uma das suas espécies consegue infestar exclusivamente o ser humano: Sarcop- tes scabiei, agente etiológico da escabiose ou sarna. Da mesma forma, a família Demodecidae apresenta duas espécies que po- dem afetar o homem, Demodex folliculorum e D. brevis, sendo a primeira delas amplamente disseminada no mundo. Estes ácaros apresentam uma forma alongada com quatro pares de patas dispostas lateralmente no terço superior do artrópode. O terço inferior apresenta estritas transversais e para- lelas que lhe dão um aspecto segmentado. Estes ácaros são pequenos, me- dindo entre 0,1-0,3 mm, tendo seu habitat nas glândulas sebáceas e folículos pilosos do rosto (barba, sobrancelha, cílios) (Figura 5). 108 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Assista à entrevista do Dr. Alfredo Dias de Oliveira sobre o aumento de casos de escabiose associado ao aumento do uso de ivermectina, disponível em: https://www.youtube.com/ watch?v=4DZ81bQ0YeU&t=111s. Por outro lado, diversas pulgas podem afetar o ser humano, contudo, uma espécie é conhecida como a “pulga do homem”: Pulex irritans, agente cau- sador da pulicose (infestação por pulgas). Este inseto apresenta distribuição cosmopolita, disseminando para todos os continentes na época das grandes navegações europeias. Apresenta elevada adaptação ao ambiente domiciliar, apresentando preferência por sangue humana e hospedeiros do sexo mas- culino. O homem também pode ser afetado acidentalmente por outro sifonáptero: Tunga penetrans. Este inseto é a menor pulga já descrita, se diferenciando, do ponto de vista comportamental, pela sua capacidade de invadir tecidos. Este inseto é encontrado em toda a região neotropical, principalmente afe- tando suínos domésticos, sendo considerada, por tanto, uma zoonose. FIGURA 5 – A) PEDICULUS HUMANUS; B) PTHIRUS PUBIS; C) SARCOPTES SCABIEI; E D) DEMODEX BREVIS Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa fotos dos principais ectoparasitos do ser humano, incluindo: Pediculus humanus; Pthirus púbis; Sarcoptes scabiei; e Demodex brevis. https://www.youtube.com/watch?v=4DZ81bQ0YeU&t=111s https://www.youtube.com/watch?v=4DZ81bQ0YeU&t=111s 109 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6.2.2 SINTOMATOLOGIA DAS DOENÇAS Na pediculose humana podem ser observadas lesões papulosas muito pru- riginosas. Esta característica causa na pessoa infestada um prurido intenso, provocado por componentes da saliva do anopluro, fenômeno que aumenta o grau de inflamação da lesão original. Na cabeça da pessoa parasitada, as lesões aparecem na nuca, se estendendo para as regiões temporal e frontal. Quando encontradas no corpo, as lesões podem aparecer na região do abdô- men, axilas, nádegas e coxas. Da mesma forma, nas infestações por P. pubis, são observadas lesões similares às causadas por P. humanus, sendo apresen- tado, também, prurido intenso na região pubiana e perianal. Por outro lado, a escabiose sarcóptica (sarna) se caracteriza por lesões infla- matórias avermelhadas muito pruriginosas. As primeiras lesões aparecem sem sintomas aparentes, contudo, após a reprodução, o número de ácaros aumenta, gerando um quadro de hipersensibilidade à saliva e detritos produ- zidos pelo ácaro, aumentando os sintomas inflamatórios locais (vermelhidão) e o aparecimento de pequenas vesículas. Os locais do corpo mais afetados são a parte anterior do tórax, região axilar, cotovelo, pulso e regiões interdigi- tais (Figura 6). FIGURA 6 – A) SARCOPTES SCABIEI NA PELE; B) ESCABIOSE HUMANA NA PALMA DA MÃO Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de lesões causadas por Sarcoptes scabiei na pele humana. 110 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA No parasitismo por ácaros do gênero Demodex sp. a maioria das pessoas apresentam sintomas leves. Fatores externos, como o aumento na secreção de sebo, higiene inadequada e estresse podem levar a um aumento destes artrópodes, causando a sarna demodécica, caracterizada por prurido, desca- mação e inflamação. A presença deste ácaro nas glândulas sebáceas facilita a entrada de bactérias (acne rosácea) (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). A ação hematofágica de P. irritans, pode levar ao aparecimento de hipersen- sibilidade aos produtos da saliva do inseto, a qual é adquirida após repetidos repastos sanguíneos. Este quadro se caracteriza por apresentar pequenos edemas eritematosos, acompanhados de prurido intenso e dor. Por outro lado, a patologia causada T. penetrans está relacionada com o processo infla- matório causado pela presença da fêmea na pele. A lesão é nitidamente ob- servável como um edema queratinizado que aparece poucos dias após a in- festação do parasito, no qual pode ser observada uma pequena lesão central que corresponde ao local de entrada do inseto. No ser humano, os locais mais afetados são o solado dos pés, a região interdigital e subungueal (Figura 7). FIGURA 7 – A) PULEX IRRITANS; B) LESÃO CAUSADA POR TUNGA PENETRANS Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de sSifonápteros que parasitam o ser humano, a Pulex irritans e uma lesão por Tunga penetrans . 111 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 6.2.3 FORMAS DE TRANSMISSÃO DAS DOENÇAS Na pediculose humana, as fêmeas começam a postura de ovos (8-10 por dia) os quais são aderidos na base do cabelo por uma substância cerosa. Após poucos dias, emerge a ninfa de primeiro estágio, começando o repasto san- guíneo. Este estágio realiza três mudas, alcançando o estágio adulto em 3-4 semanas. A transmissão acontece por contato direto através da transferência de estágios adultos ou ovos. A transmissão de P. pubis, acontece através do contato sexual. Sarcoptes scabiei apresenta uma forma globular com 0,4 mm de diâmetro, podendo ser transmitido pelo contato direto ou pelo intercambio de roupas não higienizadas, favorecido por situações de confinamento (hospitais, quar- teis, orfanatos). Biologicamente, a formação dos estágios adultos demora até 15 dias, momento no qual perfuram a camada estratificada da pele galerias onde são depositados os ovos. As fêmeas podem abandonar as galerias pri- márias para começar a formação de uma nova galeria, aumentando o núme- ro de lesões na pele. Escabiose crostosa Também conhecida como “sarna norueguesa”, é um quadro raro de escabiose grave na qual é observada uma queratinizaçãograve da pele com uma elevada carga parasitária. Transmissão e tratamento Essa manifestação é altamente transmissível e de difícil tratamento, observada em indivíduos com um grau de imunocomprometimento. 112 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Os artrópodes do gênero Demodex sp. apresentam um ciclo biológico que se prolonga por 3-4 semanas dentro dos folículos na pele. As ninfas do ácaro são arrastadas secreção do mesmo e, na pele, se diferenciam em adultos que regressam aos folículos. O período de amadurecimento do artrópode fora dos folículos permite sua transmissão por contato direto entre hospedeiros sus- ceptíveis. Por outro lado, P. irritans se aproxima periodicamente do ser humano para seu repasto sanguíneo, contudo, pode espoliar sangue de cães e gatos do- mésticos. Morfologicamente, este inseto apresenta cor castanha escura, ca- beça arredondada, aparelho bucal picador-sugador e patas modificadas para pulos de longa distância. Da mesma forma, os estágios adultos de T. penetrans são encontrados em solos arenosos e quentes na espera de um hospedeiro. Quando fecundadas, as fêmeas penetram na epiderme do hospedeiro, aumentando seu tamanho pelo acúmulo de ovos no seu interior. Após 6-8 dias, a fêmea começa a postu- ra de ovos que caem no solo para o desenvolvimento larvário. Nesse momen- to, as fêmeas são desprendidas da pele por meio da resposta granulomatosa formada no local da infecção. CONCLUSÃO As espécies de helmintos que conseguem infectar o ser humano podem causar uma ampla variedade de quadros clínicos, sempre relacionados à cronicidade da infecção. Sua fácil transmissão permitiu que se tornassem os parasitos mais importantes do homem, principalmente em regiões com sa- neamento básico precário. Por outro lado, os ectoparasitos continuam sendo, na atualidade, agentes de elevada morbidade a nível global. Nesta disciplina, você conseguiu aprender sobre a enorme diversidade de pa- rasitos que conseguem infectar o ser humano. Para isso, foram abordados os conceitos gerais sobre a interação parasitária e as características biológicas desses organismos. Finalmente, foram descritas as doenças causadas por es- ses patógenos, as metodologias utilizadas para o diagnóstico e o tratamento específico para cada uma das morbidades. 113 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 REFERÊNCIAS ______, Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Protocolo de Notificação e Investigação: Toxoplasmose gestacional e congênita. Brasília: Ministério da Saúde; 2018. 31 p. ______. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge. Departamento de Doenças Infeciosas. Doenças associadas a artrópodes vetores e roedores. Brasília: 2014. ADL, S. M.; SIMPSON, A. 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REY, L. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. REY, L. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 882 p. REY, Luis. Bases da Parasitologia Médica. 3. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2009. SIQUEIRA-BATISTA, et al. Parasitologia: Fundamentos e Prática Clínica. Rio de Janeiro: Guanaba- ra Koogan, 2020. SIQUEIRA-BATISTA, R. et al. Parasitologia: fundamentos e prática Clínica. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2020. SIQUEIRA-BATISTA et al. Parasitologia: fundamentos e prática clínica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 688 p. Sociais. - Rio de Janeiro: IBGE, 2020, p. 124. YAMASHITA, Seizo et al. Cisticercose intramedular: relato de caso e revisão da literatura. Radiolo- gia Brasileira, v. 36, n. 4, p. 255-257, 2003. ZEIBIG, E. Parasitologia Clínica: uma Abordagem Clínico-Laboratorial. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2014. TOXOPLASMA Helical gliding 5x speed. [S. l.], 2010. 1 vídeo (2 min e 14 s). Publicado pelo canal Carrutherslab. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Y5YxpOrUpdQAcesso em: 25 abr. 2022. EAD.MULTIVIX.EDU.BR CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE: SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS Figura 1 – Células de parasitas Figura 2 – Insetos hematófagos Figura 3 – Ciclo evolutivo Figura 4 – Os parasitas podem estar alojados em alimentos e água Figura 5 – Dor no pulso Figura 6 – O meio e a patogenicidade Figura 7 – Agentes patogênicos Figura 8 – Fonte de infecção: ser humano Figura 9 – Células de defesa Figura 10 – Contaminação Figura 1 – Reprodução dos protozoário Figura 2 – Classificação morfológica dos protozoários: (A) Sarcodíneos; (B) Mastigóforos; (C) Cilióforos; (D) Esporozoários Figura 3 – Infecção por protozoários extracelulares e intracelulares: (A) Trofozoítos de Giardia duodenalis aderidos na mucosa do intestino delgado; (B) Taquizoítos de Toxoplasma gondii se reproduzindo no interior de uma célula do cérebro de camundongo Figura 4 – Classificação morfológica dos helmintos: (A) corpo cilíndrico de um nematódeo de vida livre; (B) Formato de folha de um platelminto trematódeo (Fasciola hepatica); (C) corpo segmentado de um platelminto cestoide (Echinococcus granulosus) Figura 5 – Características dos artrópodes de importância médica: (A) Classe Insecta (Anopheles sp.); (B) Classe Arachnida (Sarcoptes scabiei). Figura 6 – Estágios de desenvolvimento de insetos holometábolos (Aedes albopictus) e hemimetábolos Figura 1 – Método parasitológico Figura 2 – Algoritmo de decisão após realização da gota espessa Figura 3 – Método molecular Figura 4 – Método imunológico Figura 5 – Escabiose – Doenças causada por artrópode Figura 6 – Larva Migrans cutânea Figura 7 – Aspecto do nariz de uma pessoa com miíase nasal Figura 8 – Lesão cística (cisticercose) em região da coluna cervical Figura 9 – Imunodiagnóstico Figura 1 – Antiparasitários derivados do 2-nitroimidazol Figura 2 – Estrutura dos derivados de quinina utilizados para tratamento da malária Figura 3 – Mecanismos de ação dos anti-hemínticos mais utilizados Figura 4 – Mecanismos de resistência de artrópodes aos inseticidas Figura 5 – Medidas de prevenção da toxoplasmose na gravidez Figura 6 – Medidas de proteção e controle integrado da malária Figura 1 – Doenças causadas por protozoários Figura 2 – Fase crônica: cardiomegalia Figura 3 – Pele ferida: leishmaniose cutânea Figura 4 – Mosquito transmissor de malária Figura 5 – Transmissão da Doença de Chagas Figura 6 – Hospedeiro definitivo Toxoplasmose: os gatos Figura 7 – Mapa da África com ícones Figura 8 – Febre intermitente Figura 9 – Sonolência Figura 10 – Ciclo Plasmodium sp. Figura 1 – Estágios diagnósticos dos geo-helmintos. A) ovo de Ascaris lumbricoides; B) ovo de Trichuris trichiura; C) ovo de ancilostomídeos; e D) larva rabditoide de Strongyloides stercoralis Figura 2 – A) obstrução intestinal por Ascaris lumbricoides; B) prolapso retal causado por Trichuris trichiura Figura 3 – A) granuloma hepático causado pelo ovo (seta); Esquistossomose crônica (“barriga d’agua”) Figura 4 – A) Culex quinquefasciatus; B) Simulium sp. Figura 5 – A) Pediculus humanus; B) Pthirus pubis; C) Sarcoptes scabiei; e D) Demodex brevis Figura 6 – A) Sarcoptes scabiei na pele; B) Escabiose humana na palma da mão Figura 7 – A) Pulex irritans; B) Lesão causada por Tunga penetrans Quadro 1 – Ciclo biológico da Leishmania no hospedeiro vertebrado e invertebrado Quadro 1 – Classificação taxonômica dos protozoários de interesse médico Quadro 2 – Classificação taxonômica dos principais helmintos que infectam o ser humano Quadro 3 – Classificação taxonômica dos principais artrópodes de importância medica Quadro 1 – Cinética das imunoglobulinas para diagnóstico da toxoplasmose gestacional e da toxoplasmose congênita Tabela 1 – Características morfológicas de parasitos do gênero Taenia sp. Apresentação da disciplina 1 RELAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO INTRODUÇÃO DA UNIDADE 1.1 CICLOS DE VIDA DOS PARASITAS 1.2 ASPECTOS PATOLÓGICOS 2 PRINCIPAIS PARASITOS: PROTOZOÁRIOS, HELMINTOS E ARTRÓPODES INTRODUÇÃO DA UNIDADE 2.1 CONCEITOS BÁSICOS RELACIONADOS AOS PROTOZOÁRIOS 2.2 CONCEITOS BÁSICOS RELACIONADOS AOS HELMINTOS E AOS ARTRÓPODES 3 DIAGNÓSTICOS DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS, HELMINTOS E ARTRÓPODES INTRODUÇÃO DA UNIDADE 3.1 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 3.2 DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS E ARTRÓPODES 4 TRATAMENTO E PROFILAXIA DOS PARASITOS CAUSADORES DE DOENÇAS NO HOMEM INTRODUÇÃO DA UNIDADE 4.1 TRATAMENTO DOS PARASITOS 4.2 CONTROLE INTEGRADO DOS PARASITOS 5 PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES INTRODUÇÃO DA UNIDADE 5.1 DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS NO BRASIL 5.2 DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS EM OUTROS PAÍSES 6 PRINCIPAIS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS E ARTRÓPODES NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES INTRODUÇÃO DA UNIDADE 6.1 DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSES 6.2 DOENÇAS CAUSADAS POR ARTRÓPODES NO BRASIL E EM OUTROS PAÍSESPARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 2 – INSETOS HEMATÓFAGOS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de insetos hematófagos, que desenvolveram estruturas alimentares como forma de adaptação ao hospedeiro. b. Degeneração: são representadas por atrofia de órgãos locomotores ou por perdas. Como exemplo temos os percevejos, as pulgas, as moscas parasitas de carneiro (que perderam as asas como forma adaptativa ao hospedeiro), os Platelmintos (classe Cestoda) perderam o tubo digesti- vo. 2. Biológicas: a. Tipos diversos de reprodução: desenvolveram mecanismos de repro- dução que permitem uma fecundação mais fácil. Exemplos: o herma- froditismo e a partenogênese. b. Capacidade reprodutiva: os parasitos se tornaram capazes de produ- zirem grandes quantidades de ovos, cistos ou outras formas infectan- tes das doenças. Dessa forma, conseguindo perpetuar a espécie mais facilmente. c. Tropismos: os tropismos facilitaram a propagação, reprodução ou so- brevivência de algumas espécies de parasitos. d. Capacidade de resistência à agressão do hospedeiro: conseguiram ad- quirir a capacidade de resistir à ação de anticorpos ou de macrófagos e, a capacidade de induzir uma imunossupressão no hospedeiro. 16 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Um dos tropismos mais importantes é o geotropismo (conhecido também como gravitropismo). O geotropismo é positivo quando o crescimento está a favor da gravidade. O geotropismo é negativo quando o crescimento se dá no sentido contrário da gravidade. (quando se abrigare na terra, - é positivo, e quando se abrigare acima da superfície da terra,é geotropismo negativo). 1.1.3 CICLOS EVOLUTIVOS Na Parasitologia, os ciclos evolutivos estão relacionados à evolução dos seres vivos e suas fases. Estes, por sua vez, são considerados fenômenos em que, na maioria das vezes, as fases que são diferentes morfologicamente, podem se repetir de maneira cíclica. Dessa forma, surge o conceito de geração. As do- enças podem ser classificadas de acordo com os ciclos evolutivos dos agen- tes, desde o mais simples aos mais complexos (NEVES, 2005). FIGURA 3 – CICLO EVOLUTIVO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa o ciclo evolutivo de uma borboleta, que são quatro estágios: ovo, larva (lagarta), pupa e adulto (imago). 17 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 4 – OS PARASITAS PODEM ESTAR ALOJADOS EM ALIMENTOS E ÁGUA Fonte: Plataforma Pixabay (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa a foto de água. O ciclo de vida (estágios) de um parasita pode ser monoxênico ou heteroxê- nico, como visto anteriormente. Quando nos reportamos ao estágio de um parasita, nos referimos às formas de transição que ocorre para que o ciclo biológico de um helminto ou artrópode seja completo. Por exemplo, temos a transição de um helminto imaturo para um que já está na última fase de estágio. Outro exemplo bem típico é a metamorfose de borboletas. Antes de se tornar uma borboleta, ela passa pelos estágios de ovo, larva e pupa. Como dito no parágrafo anterior, existem dois tipos de ciclos bem caracterís- ticos (monoxênico e heteroxênico). No ciclo monoxênico, isto quer dizer, nos parasitas que possuem apenas um hospedeiro, a fase inicial é a dos ovos ou larvas. Os mesmos podem estar alojados em alimentos e água, ou seja, luga- res de fácil interação com o hospedeiro. Na fase seguinte (sintomatológica), já dentro do organismo do hospedeiro, os parasitas se desenvolvem e se re- produzem. Além disso, outro local onde encontramos parasitas é no próprio ambiente. Às vezes, o próprio hospedeiro elimina os ovos e as larvas desse parasita no ambiente. Vejam que é um ciclo parasita-hospedeiro-ambiente (COELHO; CARVALHO, 2005). 18 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Já no ciclo heteroxênico, ou seja, quando o parasita se aloja no hospedeiro in- termediário, temos um ciclo diferente do monoxênico. O parasita ficará aloja- do em seu hospedeiro intermediário até completar a fase adulta. A partir des- se momento, o parasita já em fase adulta passa a se propagar no hospedeiro definitivo. Essa transmissão é realizada através do transporte do parasita pelo vetor, por exemplo. (COELHO; CARVALHO, 2005). Assistam o vídeo sobre o ciclo evolutivo da Doenças de Chagas, que será estudada mais adiante e é causada por um protozoário denominado Trypanosoma cruzi. Link: https://www.youtube. c o m / w a t c h? v = J g E I 0 u t L - 6 E & t = 1 2 0 s & a b _ channel=Portaldoen%C3%A7adeChagas. Mais adiante estudaremos as doenças de importância médica causadas por protozoários, helmintos e artrópodes. Uma dessas doenças é a Leishmaniose, que é causada por um protozoário. Vejamos a seguir (Quadro 1) o ciclo evo- lutivo (biológico) da Leishmaniose Tegumentar Americana. A Leishmaniose Tegumentar é uma doença infecciosa, não contagiosa e que acomete pele e mucosas. Atualmente se conhece 11 espécies de Leishmania causadoras de doença humana e 8 espécies causadoras de doenças em animais. QUADRO 1 – CICLO BIOLÓGICO DA LEISHMANIA NO HOSPEDEIRO VERTEBRADO E IN- VERTEBRADO Ciclo da Leishmania 1 Existem duas formas evolutivas de parasitas do gênero Leishmania, o promastigota e o amastigota. Promastigota vive no hospedeiro invertebrado ou intermediário e amastigota vive no hospedeiro vertebrado ou definido. 2 O vetor inocula o estágio promastigota na pele do indivíduo vertebrado. 3 Os promastigotas inoculados são fagocitados por macrófagos. 4 Os promastigotas se transformam em amastigotas nos macrófagos. https://www.youtube.com/watch?v=JgEI0utL-6E&t=120s&ab_channel=Portaldoen%C3%A7adeChagas https://www.youtube.com/watch?v=JgEI0utL-6E&t=120s&ab_channel=Portaldoen%C3%A7adeChagas https://www.youtube.com/watch?v=JgEI0utL-6E&t=120s&ab_channel=Portaldoen%C3%A7adeChagas 19 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 5 Ocorre multiplicação dos amastigotas nos macrófagos. 6 Flebotomíneos ingerem os macrófagos com amastigotas durante o repasto sanguíneo. 7 Os macrófagos se rompem liberando os amastigotas. 8 Amastigotas se transformam em promastigotas no estômago. 9 Divisão no estômago e migração para probóscide. Fonte: Adaptado de Guia de Vigilância em Saúde (2014, p. 488). #PraTodosVerem: a imagem representa um quadro com o ciclo da Leishmania. 1.2 ASPECTOS PATOLÓGICOS 1.2.1 PATOGENIA A patogenia, ou patogênese, refere-se ao mecanismo com que um agente infeccioso provoca lesões no hospedeiro. Portanto, a sua finalidade é apontar os acontecimentos que podem se desencadear a partir da ação de um fator etiológico. A patogenia explica como essas ações levam à manifestação da doença (FERREIRA, 2020). FIGURA 5 – DOR NO PULSO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa uma pessoa segurando uma mão no pulso da outra mão, sinalizando a dor ou uma lesão, podendo ter sido causada por um agente infeccioso (patogenia). 20 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Vale ressaltar que a patogenia não estuda somente o desenvolvimento das doenças, mas também, as suas origens. A patogenia consegue descrever quando os agentes etiológicos (causadores de doenças) agridem o organis- mo do hospedeiro e como o sistema natural do organismo do hospedeiro reage mediante à ação do parasito. Esse processo de patogenia envolve três elementos, sendo eles: o agente pa- togênico ou etiológico; o meio por onde o hospedeiro foi infectado pelo para- sito (por exemplo, lesão na pele); a reação do organismo do hospedeiro (imu- nidade) quando foi infectado peloparasito. Patogenicidade é a capacidade de produzir a doença, ou seja, de ser patogênico. Na ação patogênica, um agente infeccioso pode provocar lesões características da doença; é a capacidade potencial de produzir doença. É a habilidade de um agente infeccioso provocar lesões. Enfim, o reconhecimento do hospedeiro pelo parasito pode ser facilitado ou promovido por fatores como o meio, a densidade populacional (tanto de hos- pedeiros quanto de parasitos) e o tropismo, que podem aumentar a probabi- lidade do encontro entre as espécies (FERREIRA, 2020). Mobile User 21 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 6 – O MEIO E A PATOGENICIDADE Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa crianças brincando em local insalubre, com muito lixo e sujeira. Esse local, também é um meio de proliferação de agentes patogênicos. Nesse meio, as crianças podem ser hospedeiras e, consequentemente, o processo de desenvolvimento de doenças é facilitado. Como visto, a patogenicidade dos parasitos é bastante variável e dependente de vários fatores. (FERREIRA, 2020). Patogenia da Ascaridíase É uma doença causada por um helminto. Na patogenia da ascaridíase temos a fase pulmonar, quando as larvas passam pelos pulmões podendo causar febre baixa, falta de ar e tosse; e a fase intestinal. Patogenia da Doença de Chagas É uma doença causada por um protozoário. Possui duas fases (aguda e crônica) e distintos graus de patologias associadas à replicação e infecção celular pelo parasito. É importante destacar que cada doença tem a sua própria patogenia. A do- ença de Chagas, a Leishmaniose, a ascaridíase, a filariose e a sarna, só para citar alguns exemplos, são doenças que se desencadeiam por diferentes mo- tivos, os quais podem ser estudados segundo a sua patogenia e os agentes patogênicos. Tais agentes podem ser, neste caso, protozoários, helmintos e artrópodes. 22 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA FIGURA 7 – AGENTES PATOGÊNICOS Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa uma pessoa mexendo em um lixão, sem equipamentos adequados de proteção individual. Nesses ambientes, existem agentes patogênicos, como protozoários, bactérias e fungos. Estes podem causar doenças. 1.2.2 ESTABELECIMENTO DA INFECÇÃO Para sabermos como funciona o estabelecimento de uma infecção, precisa- mos, antes de tudo, saber o que significa infecção. A infecção nada mais é do que a penetração ou multiplicação e desenvolvimento, de um agente infec- cioso dentro do organismo de humanos ou animais (NEVES, 2009). A infecção pode ser inaparente em alguns casos, mas o que seria isso? É a presença de infecção em um hospedeiro. Mas, nesse tipo de infecção, não existe o aparecimento dos sinais e sintomas. A doença segue o seu curso de forma assintomática, mais discreta (NEVES, 2009). Dica de leitura: DE ANDRADE, Elisabeth Campos et al. Parasitoses intestinais: uma revisão sobre seus aspectos sociais, epidemiológicos, clínicos e terapêuticos. Revista de APS, v. 13, n. 2, 2010. Disponível em: . Mobile User 23 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Para que a infecção seja estabelecida necessita-se de uma fonte de infecção. A fonte de infecção pode ser uma pessoa ou substância da qual um agente etiológico passa de forma direta para um hospedeiro. Exemplos de fontes de infecção são: mosquito infectante na malária; carne com cisticercos na tenía- se (REY, 2009). FIGURA 8 – FONTE DE INFECÇÃO: SER HUMANO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa uma mulher deitada com a mão na cabeça e assoando o nariz. Ao lado dela tem um copo com água e comprimidos. O ser humano é uma fonte de infecção. O estabelecimento da infecção parasitária pode passar por estádio, que se re- fere à fase intermediária ou ao intervalo entre duas mudas da larva de um ar- trópode ou helminto. Além disso, existe o estágio, que é a forma de transição de um artrópode ou helminto para completar o ciclo biológico. Por exemplo, estágio de ovo, larva ou pupa (FERREIRA, 2020). Após passar por estágios ou estádios (a depender do parasito e da infecção que ele está estabelecendo) temos as fases da infecção, que pode ser aguda ou crônica. A fase aguda é o período após a infecção em que os sintomas clí- nicos são mais marcantes, pois há uma resposta das células de defesa do or- ganismo do hospedeiro. É um período de definição. Nela, o indivíduo se cura, entra na fase crônica ou morre. A fase crônica é a que se segue a fase aguda (FERREIRA, 2020). 24 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA FIGURA 9 – CÉLULAS DE DEFESA Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa um homem com células de defesa na mão, indicando que na fase aguda das doenças elas são ativadas afim de evitar o desenvolvimento da infecção. A fase crônica é marcada pela redução dos sintomas e passa a existir um equi- líbrio entre o hospedeiro e o parasito. O número de parasitos, na fase crônica, mantém-se constante. Vale lembrar que este equilíbrio pode ser rompido em favor de ambos os lados, tanto dos hospedeiros quanto dos parasitos (FER- REIRA, 2020). 1.2.3 SOBREVIVÊNCIA NOS HOSPEDEIROS À priori e de forma individual, todos os seres vivos seguem um ciclo evolutivo, sendo ele: nascer, comer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Para que isso seja possível, necessitamos nos adaptar ao ambiente em que vivemos para que possamos sobreviver. Por exemplo, como seres humanos, precisa- mos ter acesso à alimentação adequada, moradia, saúde e educação. Isso é viver em sociedade e faz parte da sobrevivência. Quando nos reportamos às outras espécies não é diferente, eles também precisam criar um ambiente harmônico para sobreviverem. Caso contrário, haverá um desequilíbrio na in- teração entre os mesmos. Essas interações podem ser, portanto, harmônicas ou desarmônicas. (FERREIRA, 2020). 25 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Harmônicas Nessas relações ecológicas, existe um benefício para ambas as espécies envolvidas. Se existe benefício, não existe prejuízo. Desarmônicas Nessas relações ecológicas, pelo menos uma das espécies envolvidas terá prejuízo na interação. Como exemplo temos a competição, que ocorre quando as espécies passam a disputar coisas em comum, como alimentos e parceiros. Na atualidade, parasitas são organismos que vivem na interação com os demais organismos. Para que isso ocorre? Isso ocorre para que haja sobrevivência, por exemplo, um parasito se beneficia obtendo parcialmente ou completamente nutrientes dos hospedeiros. FIGURA 10 – CONTAMINAÇÃO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #PraTodosVerem: a imagem representa tomate, uma lupa e micro-organismos sendo vistos no tomate através da lupa. Os micro-organismos sobrevivem no meio nutrindo-se de substâncias encontradas no seu hospedeiro. 26 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Os principais tipos de parasitismos que ocorrem entre os seres vivos são: Acidental Nesse tipo de parasitismo, o parasito se em um hospedeiro diferente daquele que é esperado. Errático Nesse tipo de parasitismo, o parasito está fora do seu ambiente natural. Ou seja, o próprio nome “errático” diz a condição do parasito. Obrigatório Nesse tipo de parasitismo, o parasito é considerado intracelular obrigatório, ou seja, só é capaz de sobreviver dentro do hospedeiro. É dentro do hospedeiro que o parasito conseguirá alimento e, consequentemente, a sobrevivência. Issoocorre na maioria das parasitoses que estudaremos. Proteliano Esse tipo de parasitismo ocorre em estágios larvares, apenas. Facultativo: Nesse tipo de parasitismo, os parasitos podem viver na forma livre (ou seja, no ambiente propício ao seu desenvolvimento) ou de forma parasitária (dependente de um hospedeiro para a sobrevivência). CONCLUSÃO Caros(as) alunos(as), nesta unidade, pudemos conhecer um pouco sobre a Parasitologia e seus conceitos. Compreendemos o processo de estabeleci- mento de uma infecção e como os parasitos conseguem sobreviver nos hos- pedeiros. Aprendemos sobre os ciclos evolutivos e a morfologia dos parasitos. Entre os principais elementos, podemos destacar: hospedeiro, parasitos, in- fecção, patogenia, patogenicidade e fonte de infecção. UNIDADE 2 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 27 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA > conhecer as características biológicas e morfológicas dos protozoários. > identificar as características dos principais helmintos parasitos que infectam o ser humano. > compreender a importância dos artrópodes na transmissão e na geração de patologia no homem. 28 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 2 PRINCIPAIS PARASITOS: PROTOZOÁRIOS, HELMINTOS E ARTRÓPODES INTRODUÇÃO DA UNIDADE A vida parasitária, ao contrário do que se pensa, apresenta vantagens evolu- tivas para o desenvolvimento de seres vivos. Esse sucesso alcançado entre as diferentes formas de interação de seres vivos se traduz na quantidade de or- ganismos que exercem este estilo de vida, chegando a um terço de todas as espécies do planeta. Assim, devemos pensar que cada organismo do planeta, neste momento, pode estar parasitado por outro organismo. O ser humano não foge dessa regra. A nossa espécie pode ser afetada por uma ampla variedade de parasitos, in- cluindo protozoários , organismos unicelulares que apresentam uma rápida taxa de reprodução; helmintos , que correspondem aos principais parasitos humanos, sendo encontrados em todos os continentes afetando, principal- mente, crianças pequenas; e os artrópodes , os animais mais diversos do pla- neta que podem se comportar como parasitos diretos do ser humano ou como vetores biológicos das principais doenças infecciosas que atingem à humanidade. 2.1 CONCEITOS BÁSICOS RELACIONADOS AOS PROTOZOÁRIOS Os protozoários são organismos microscópicos encontrados, principalmente, como seres de vida livre. No entanto, algumas espécies se adaptaram à vida parasitária, conseguindo infectar uma ampla variedade de hospedeiros, in- cluindo o ser humano. 2.1.1 O QUE SÃO PROTOZOÁRIOS? Os protozoários são organismos unicelulares, heterótrofos e eucarióticos en- contrados em quase todos os habitats do planeta, principalmente em am- bientes aquáticos ou terrestres com elevada umidade. 29 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Heterótrofo são os organismos que não sintetizam seu próprio alimento, devendo adquirir os nutrientes a partir do meio externo ou através da predação de outros seres vivos. Assista ao vídeo que demonstra o movimento de desligamento realizado pelo protozoário Toxoplasma gondii em uma superfície sólida que ocorre sem mudanças no formato da célula e na ausência de estruturas de locomoção. https://www. youtube.com/watch?v=Y5YxpOrUpdQ Estes organismos, inicialmente, foram classificados no reino Protista (“primei- ros seres”), descrito em 1866 pelo naturalista alemão Ernst Haeckel. Curiosa- mente, compartilham características biológicas com os metazoários, como a presença de núcleo e outras organelas. Contudo, não podem ser definidos como organismos simples, pois apresentam uma complexidade biológica e bioquímica que permite sua sobrevivência nos mais diversos nichos ecológi- cos (LOURENÇO, 2013). Cada protozoário precisa ser capaz de cumprir todas as funções fisiológicas da sua espécie, como nutrição, movimentação e reprodução. Assim, para sua nutrição, estes organismos apresentam mecanismos diversificados, como a fagocitose, pinocitose, transporte ativo e passivo. Da mesma forma, diversas adaptações foram adquiridas para sua locomoção, como a emissão de pseu- dópodes, a presença de um ou mais flagelos e cílios na superfície da mem- brana. Na ausência de estas estruturas, alguns protozoários podem se movi- mentar por deslizamento (NEVES , 2016). https://www.youtube.com/watch?v=Y5YxpOrUpdQ https://www.youtube.com/watch?v=Y5YxpOrUpdQ 30 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Com relação a sua reprodução, a maioria dos protozoários se multiplica atra- vés de uma reprodução assexuada, podendo ser realizada por: • fissão binária simples, na qual são formadas duas células similares à parental; • esquizogonia, onde uma célula parental divide sucessivamente seu núcleo, gerando uma célula multinucleada que, posteriormente, dividirá seu citoplasma em várias células individuais; • endodiogenia, que corresponde à formação de duas células filhas que se desenvolvem no interior da célula paternal (REY , 2011) FIGURA 1 – REPRODUÇÃO DOS PROTOZOÁRIO Fonte: Elaborada pelo autor (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho dos tipos de reprodução de protozoários, assexuada e sexuada. 31 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Por outro lado, alguns grupos de protozoários podem apresentar, além da reprodução assexuada, um processo de reprodução sexuada. Para isso, al- guns destes organismos podem gerar gametas femininos (macrogametas) e masculinos (microgametas), os quais irão se fusionar para a formação de um zigoto, processo denominado esporogonia. Da mesma forma, algumas espécies podem realizar intercambio de material genético em um processo denominado conjugação (Figura 1). 2.1.2 CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS E BIOLÓGICAS Devido a sua elevada diversidade, muitas espécies apresentam característi- cas próprias, não encontradas em outros grupos de protozoários. Dessa for- ma, por muito tempo foi utilizada a classificação baseada no mecanismo de locomoção para diferenciar as características morfológicas e biológicas dos protozoários parasitos (Figura 2). FIGURA 2 – CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DOS PROTOZOÁRIOS: (A) SARCODÍNEOS; (B) MASTIGÓFOROS; (C) CILIÓFOROS; (D) ESPOROZOÁRIOS Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto da classificação morfológica dos protozoários, incluindo: sarcodíneos; mastigóforos; cilióforos; e esporozoários. Os sarcodíneos (amebas) se caracterizam por apresentar um formato celular variável, devido à emissão constante de pseudópodes. Estas projeções ser- vem para duas funções: direcionamento da movimentação e a captação de alimento por fagocitose. No seu citoplasma são encontradas duas regiões Mobile User 32 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA bem definidas denominadas ectoplasma, mais próxima da membrana celu- lar, e endoplasma, localizado mais internamente na célula, onde são obser- vadas todas as organelas. O núcleo destas células é esférico, contendo no seu interior a cromatina associada à membrana nuclear. As amebas patogênicas apresentam dois estágios no seu ciclo biológico, os trofozoítos que correspondem à forma vegetativa, replicando-se por fissão binária simples, e os cistos, que corresponde à forma infectante para o ser humano, formado por uma parede resistente de permeabilidade seletiva que cobre completamente o protozoário. Tanto os flagelos presentes nos mastigóforos quanto os cílios dos cilióforos, encontrados na membrana de alguns protozoários, precisam estar associados às mitocôndriasno citoplasma da célula para, desta forma, ter acesso direto à energia para sua movimentação. Os mastigóforos (flagelados) são um dos grupos de protozoários mais diver- sos, apresentando somente uma característica em comum: a presença de um ou mais flagelos na sua superfície. Os flagelados parasitos do ser humano podem ser encontrados em diversos órgãos e tecidos, como o trato digestivo, tecido cutâneo, musculatura cardíaca e trato urogenital. Este grupo de proto- zoários pode ser transmitido de forma direta ou através de vetores biológicos, correspondentes a artrópodes hematófagos (SIQUEIRA-BATISTA et al., 2020). Mobile User 33 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Os cilíoforos apresentam na sua superfície dezenas de pequenas projeções denominadas cílios que, assim como os flagelos, são formados por microtú- bulos. Estes protozoários apresentam um formato ovoide e mostram na sua membrana citoplasmática duas invaginações: o citóstoma ou “boca celular”, encarregado da captação de nutrientes por pinocitose, e o citopígio ou “ânus celular”. Uma característica singular destes organismos é a presença, no seu citoplasma, de dois núcleos: o macronúcleo, que participa da transcrição de genes, e o micronúcleo, utilizado para intercambiar material genético na con- jugação. Finalmente, os esporozoários correspondem a um dos grupos mais diversos, caracterizando-se por serem patógenos intracelulares. Invariavelmente, estes organismos apresentam formato de gota ou meia lua. Na sua porção ante- rior, estas células possuem uma série de estruturas (roptrias, grânulos densos, anéis polares, conóides) que, em conjunto, formam o complexo apical, que participa do processo de invasão celular, formando o chamado vacúolo pa- rasitóforo, local onde o patógeno se multiplica por esquizogonia (SIQUEIRA- -BATISTA, et al., 2020). O protozoário Toxoplasma gondii, esporozoário do filo Apicomplexa e agente causador da toxoplasmose, é o único patógeno que pode modificar o comportamento do seu hospedeiro intermediário. Desta forma, roedores infectados perdem o medo ao seu predador, o gato, facilitando que o felino devore a carne do roedor. Dessa forma, a transmissão do protozoário para seu hospedeiro definitivo é garantida. Mobile User 34 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Supergrupo Grupo Subgrupo Espécie de interesse Amoebozoa Entamoebida - Entamoeba histolytica Mastigamoebidae - Endolimax nana Chromoalveolata Alveolata Apicomplexa Toxoplasma gondii Plasmodium sp. Cryptosporidium sp. Cystoisospora belli Ciliophora Balantidium coli Excavata Fornicata Eopharyngia Giardia duodenalis Parabasalia Trichomonadida Trichomonas vaginalis Euglenozoa Kinetoplastea Trypanosoma cruzi Leshmania sp. 2.1.3 TAXONOMIA Até o momento, foram descritas mais de 80.000 espécies de protozoários, entretanto, estima-se que este grupo contenha tantas espécies como as en- contradas em organismos de outros reinos (GOATER et al., 2014). A sua clas- sificação taxonômica apresenta uma elevada complexidade por ser um gru- po polifilético, isto é, não todos os protozoários apresentam um ancestral em comum. Por este motivo, a taxonomia dos protozoários é constantemente modificada, sofrendo mais câmbios que qualquer outro grupo. Na atualidade, ferramentas moleculares permitiram determinar uma clas- sificação taxonômica baseada nas relações evolutivas, deixando obsoleta a classificação baseada na comparação de ultraestruturas. Desta forma, a So- ciedade de Protozoologistas sugere a adoção da classificação descrita por Adl e colaboradores (2005). QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA DOS PROTOZOÁRIOS DE IN- TERESSE MÉDICO Fonte: Adaptado de Ferreira (2021, p. 3). 35 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Além da classificação oficial, na literatura são encontradas ainda formas de agrupamento que facilitam o estudo de protozoários parasitos, como a clas- sificação baseada no mecanismo de locomoção (SIQUEIRA-BATISTA et al., 2020). Da mesma forma, outras formas de agrupamento podem ser utiliza- das para o melhor entendimento deste grupo de organismos. A classificação baseada no tipo de interação com seu hospedeiro pode dividir os protozoários em dois grandes grupos: • Protozoários extracelulares: que inclui os protozoários que conseguem se reproduzir aderidos à superfície de órgãos e tecidos específicos. Um exemplo deste grupo é a Giardia duodenalis, protozoário intestinal que se adere especificamente à parede do duodeno do indivíduo infectado; • Protozoários intracelulares: que corresponde aos organismos que precisam invadir uma célula do hospedeiro para se reproduzir. Um exemplo deste grupo é Toxoplasma gondii que consegue invadir praticamente todas as células nucleadas do organismo, exceto linfócitos (Figura 3). FIGURA 3 – INFECÇÃO POR PROTOZOÁRIOS EXTRACELULARES E INTRACELULARES: (A) TROFOZOÍTOS DE GIARDIA DUODENALIS ADERIDOS NA MUCOSA DO INTESTINO DELGADO; (B) TAQUIZOÍTOS DE TOXOPLASMA GONDII SE REPRODUZINDO NO INTERIOR DE UMA CÉLULA DO CÉREBRO DE CAMUNDONGO Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho de exemplos de protozoários extracelulares e intracelulares, incluindo Trofozoítos de Giardia duodenalis aderidos na mucosa do intestino delgado e Taquizoítos de Toxoplasma gondii se reproduzindo no interior de uma célula do cérebro de camundongo. 36 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Outra forma de classificação corresponde à baseada no órgão ou tecido afe- tado. Assim, os protozoários podem se classificar em: Parasitos de mucosas São os que necessariamente interagem com os açucares da mucosidade, sendo encontrados, dependendo da espécie, nas mucosas gastrointestinal, pulmonar e sistema urogenital. Patogenia da Doença de Chagas São os parasitos que circulam no sangue de forma sistémica, devendo ser transmitidos por vetores hematófagos. Parasitos teciduais Podem afetar tecidos internos (sistema nervoso central, musculatura cardíaca etc.) ou externos (pele). 2.2 CONCEITOS BÁSICOS RELACIONADOS AOS HELMINTOS E AOS ARTRÓPODES Apesar de serem organismos não relacionados, helmintos e artrópodes apre- sentam uma característica em comum: são grupos com uma diversidade impressionante, estimando-se que cada um deles conte com mais de um milhão de espécies, a grande maioria ainda não descrita. 2.2.1 O QUE SÃO HELMINTOS E ARTRÓPODES? Os helmintos parasitos, conhecidos popularmente como vermes, são um grupo diverso de metazoários que se caracterizam por apresentar corpo alongado e simetria bilateral. Estes organismos foram os primeiros patóge- nos a serem descritos, sendo os parasitos mais comumente encontrados em infecções humanas. Nesse sentido, estima-se que um de cada cinco pessoas no mundo tenham um helminto no trato intestinal (NEVES, 2016). 37 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Em termos fisiológicos, estes organismos podem apresentar três estágios de desenvolvimento: I. o verme adulto, encontrado no seu hospedeiro definitivo apresentando todas as estruturas para a reprodução sexuada, permitindo a geração de milhares de estágios infectantes; II. ovos, são o produto resultante da reprodução sexuada, apresentam uma elevada resistência ao meio ambiente, sendo, em muitas espécies, o estágio infectante para o hospedeiro vertebrado; III. larvas, correspondentes ao estágio juvenil, que apresentam várias etapas de amadurecimento para formar, finalmente, os estágios adultos (REY, 2011). Característica dos helmintos Esses parasitos possuem a capacidade de gerar infecções crônicas de longa duração, sendo a maioria destastotalmente assintomáticas, contudo, dependendo da carga parasitária e do tamanho do verme, podem gerar doenças debilitantes no hospedeiro. Por outro lado, os artrópodes são o grupo de seres vivos mais diversificado do planeta, contando com espécies aquáticas e terrestres. O filo Arthropoda in- clui organismos invertebrados que possuem apêndices externos com a pre- sença de articulações (pernas ou patas), além de apresentarem uma camada externa rígida que permite a proteção do animal contra agressões externas (PECHENIK, 2016). 38 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Os artrópodes são um dos grupos de animais mais antigos do planeta, o qual surgiu no final do período Pré-Cambriano, a mais de 550 milhões de anos atrás. São organismos dinâmicos e abundantes, com uma enorme distribuição geográfica, sendo encontrados desde trópicos às regiões polares, incluindo as fossas abissais marinhas e alturas extremas nas cordilheiras. Os artrópodes apresentam simetria bilateral, apresentando sistemas orgâni- cos bem definidos (respiratório, nervoso, digestivo, reprodutor), além do cor- po segmentado. Estes organismos participam de todos os níveis tróficos, in- cluindo espécies que se adaptaram à vida parasitária. Da mesma forma, estes animais podem servir como alimento para uma grande variedade de orga- nismos, participando também na polinização de plantas e na produção de substâncias que podem ser utilizadas pelo ser humano (fármacos, seda, mel, etc.). No entanto, também podem competir com o ser humano na procura de alimento (pragas) e participar como causadores diretos de patologias ou como vetores biológicos de agentes infecciosos (NEVES, 2016). 2.2.2 CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS E BIOLÓGICAS DOS HELMINTOS E DOS ARTRÓPODES Morfologicamente, os helmintos parasitos podem ser divididos em dois gran- des grupos: vermes com o corpo cilíndrico, denominados nematelmintos, e vermes com corpo achatado ou platelmintos (Figura 4). 39 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 4 – CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DOS HELMINTOS: (A) CORPO CILÍNDRICO DE UM NEMATÓDEO DE VIDA LIVRE; (B) FORMATO DE FOLHA DE UM PLATELMINTO TREMATÓDEO (FASCIOLA HEPATICA); (C) CORPO SEGMENTADO DE UM PLATELMINTO CESTOIDE (ECHINOCOCCUS GRANULOSUS) Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto da classificação morfológica dos helmintos parasitos, incluindo de nematódeo, de platelminto trematódeo e de platelminto cestoide. O corpo dos nematelmintos pode ser definido como um cilindro interno (tubo digestivo), coberto por um cilindro externo (cutícula). Estes organismos apresentam tubo digestivo completo, composto por uma boca, esófago mus- culoso, trato intestinal composto por um epitélio colunar simples e um ânus localizado na porção lateral (FERREIRA, 2021). Após a eclosão dos ovos, os estágios larvários dos nematelmintos passam por uma série de etapas de amadurecimento, nas quais os estágios juvenis precisam se desprender da sua cutícula externa (ecdise), processo denominado muda, para continuar o crescimento até o estágio adulto. Nos nematelmintos são observados quatro estágios de desenvolvimento larvário, denominados larvas L1 (primeiro estágio) até larva L4 (larva de quarto estágio). 40 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Por outro lado, os platelmintos não apresentam cavidades no seu corpo, sen- do preenchido por parênquima. Estes parasitos podem ser divididos em dois grupos: • Trematódeos: apresentam formato de folha na qual pode ser observado, na sua parte anterior, um par de ventosas: a ventosa oral e a ventosa ventral ou acetábulo. Na região interna, estes vermes apresentam um tubo digestivo incompleto, formado pela boca, esófago, trato digestivo, mas sem a presença de ânus. • Cestódeos: apresentam corpo alongado e nitidamente segmentado. Estes vermes podem ser de pequeno ou grande porte, podendo atingir metros de comprimento. Seu corpo está dividido em três regiões: escólice, colo ou pescoço e estróbilo, que correspondente ao corpo do parasito dividido em segmentos denominados proglotes. Cutícula dos platelmintos Corresponde à camada externa do verme, apresentando função metabólica importante pela absorção de nutrientes e oxigênio para o verme. Muitas drogas anti-helmínticas têm como sitio de ação as bombas de transporte presentes nesta cutícula. Por outro lado, os artrópodes de importância médica pertencem a duas clas- ses: classe Insecta e classe Arachnida. Apesar da sua elevada diversidade, am- bas as classes apresentam membros que participam causando danos diretos ao ser humano, se comportando como ectoparasitos (piolhos, ácaros, pulgas, carrapatos) e membros que participam indiretamente na geração de doen- ça, atuando como vetores biológicos de agentes infeciosos (mosquitos, flebo- tomíneos, triatomíneos), (Figura 5). 41 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 FIGURA 5 – CARACTERÍSTICAS DOS ARTRÓPODES DE IMPORTÂNCIA MÉDICA: (A) CLASSE INSECTA (ANOPHELES SP.); (B) CLASSE ARACHNIDA (SARCOPTES SCABIEI). Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa a foto de artrópodes de importância médica, incluindo a classe insecta e a classe arachnida. Baseado no tipo de desenvolvimento que realizam os artrópodes, estes orga- nismos podem ser classificados em: • Holometábolos: que correspondem aos organismos que apresentam uma metamorfose completa (ovo, larva, pupa e individuo adulto ou imago); • Hemimetábolos: correspondente aos organismos que apresentam uma metamorfose incompleta, tendo vários estágios de ninfas (Figura 6). FIGURA 6 – ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DE INSETOS HOLOMETÁBOLOS (AEDES ALBOPICTUS) E HEMIMETÁBOLOS Fonte: Plataforma Wikimedia (2022). #ParaTodosVerem: a imagem representa o desenho e a foto dos tipos de desenvolvimento metabólico de artrópodes, com as fases: ovos, larva, pupa e imago; e ninfas e imago. 42 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA Filo Classe Ordem Família Gênero Platyhelminthes Trematoda Strigeidida Schistosomatidae Schistosoma Plagiorchiida Fasciolidae Fasciola Cestoda Cyclophyllidea Taeniidae Taenia Echinococcus Hymenolepididae Hymenolepis Nematoda Chromadorea Rhabditida Ascarididae Ascaris Strongyloididae Strongyloides Onchocercidae Wuchereria Onchocercidae Onchocerca Ascarididae Lagochilascaris Toxocaridae Toxocara Strongylida Ancylostomatidae Ancylostoma Necator Angiostrongylidae Angiostrongylus Enoplea Trichinellida Trichuridae Trichuris Os artrópodes da classe Insecta são os seres vivos mais abundantes do pla- neta e caracterizam-se por apresentar o corpo dividido em três segmentos: cabeça, tórax e abdome, além da presença de três pares de patas. Por ou- tro lado, os artrópodes da classe Arachnida, apresentam o corpo dividido em dois segmentos: cefalotórax e abdômen, mostrando quatro pares de patas e a presença de quilíceras e pedipalpos, estruturas móveis utilizadas para a alimentação e a cópula. 2.2.3 TAXONOMIA Os helmintos apresentam uma elevada diversidade, estimando-se que a filo Nematoda inclua mais de um milhão de espécies. A primeira forma de clas- sificação dos helmintos foi baseada na sua morfologia e, a diferença dos pro- tozoários, este tipo de classificação acompanhou os estudos moleculares que agrupou estes organismos pelas suas características evolutivas (Quadro 2). QUADRO 2 – CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA DOS PRINCIPAIS HELMINTOS QUE INFECTAM O SER HUMANO Fonte: Elaborado pelo autor (2022). 43 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Devido a sua elevadadiversidade, os helmintos do filo Nematoda são os mais importantes causadores de infecção nos seres humanos, principalmente os denominados geohelmintos. Este tipo de helmintos realiza seu processo de amadurecimento larvário no solo, antes de infectar um novo hospedeiro (SI- QUEIRA-BATISTA, 2020). Na atualidade, não existe uma classificação taxonômica que aborde exclusi- vamente os artrópodes de importância medica. No entanto, a grande maio- ria deles pode ser agrupada nas classes Insecta e Arachnida (Quadro 3). QUADRO 3 – CLASSIFICAÇÃO TAXONÔMICA DOS PRINCIPAIS ARTRÓPO- DES DE IMPORTÂNCIA MEDICA Classe Ordem Família Subfamília Gênero Insecta Hemiptera Reduviide Triatominae Triatoma Cimicidae Cimex Diptera Muscidae Muscinae Musca Culicidae Anophelinae Anopheles Culicinae Culex Psychodidae Phlebotominae Lutzomyia Siphonaptera Pulicidae Pulicinae Pulex Phthiraptera Pediculidae Pediculus Blattaria Blattidae Periplaneta Arachnida Acaridida Sarcoptidae Sarcoptinae Sarcoptes Ixodidae Ixodes Araneae Sicariidae Loxosceles Theridiidae Latrodectus Scorpiones Buthidae Tityus Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Nessa classificação, devem ser destacados os gêneros que atuam como para- sitos de seres humanos, como o Sarcoptes sp., agente causador da escabiose (sarna) e Pediculus sp. (piolho). Também podem ser destacados os artrópo- des que temporariamente podem afetar o ser humano, principalmente se alimentando de sangue, como o gênero Pulex sp. (pulgas) e Ixodes sp. (carra- patos). Outro grupo incluído são os artrópodes que podem causar acidentes na sua interação com o ser humano, como os gêneros Loxosceles sp. e Latro- 44 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA dectus sp., correspondentes à aranha-marrão e a viúva negra, respectivamen- te, além do gênero Tityus (escorpião amarelo). O grupo mais importante se encontra na classe Insecta, correspondente aos vetores biológicos de várias parasitoses, como o gênero Triatoma sp., trans- missão da doença de Chagas, o gênero Anopheles sp., mosquitos transmisso- res da malária e Lutzomyia sp., transmissor da leishmaniose. CONCLUSÃO Nesta unidade você aprendeu sobre os protozoários, suas características bio- lógicas e morfológicas, assim como a classificação taxonômica das principais espécies que afetam o ser humano. Também, conseguiu conhecer as carac- terísticas gerais de helmintos e artrópodes, os grupos mais diversos do reino Animalia, sua biologia e classificação das espécies de importância médica. UNIDADE 3 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: 45 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA > identificar os principais métodos diagnósticos das doenças causadas por protozoários. > compreender os principais métodos diagnósticos das doenças causadas por helmintos e artrópodes. 46 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA 3 DIAGNÓSTICOS DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS, HELMINTOS E ARTRÓPODES INTRODUÇÃO DA UNIDADE Nesta unidade, abordaremos os métodos diagnósticos das doenças causadas por protozoários, helmintos e artrópodes. Dessa forma, veremos os diagnósti- cos parasitológicos, os diagnósticos moleculares e os diagnósticos imunológi- cos para a identificação das principais doenças causadas por esses parasitos. Os diagnósticos parasitológicos tem como finalidade identificar os parasitas intestinais que causam doenças, como a Amebíase. Para que seja possível a realização dos exames parasitológicos, alguns critérios devem ser levados em conta. Por exemplo, os achados morfológicos. Os exames parasitológicos conseguem verificar a presença de vermes adultos no intestino dos seres hu- manos. Os diagnósticos moleculares são os testes baseados na Biologia Molecular. A Biologia Molecular visa estudar os processos do ácido desoxirribonucleico (DNA), como a transcrição, a replicação e a tradução. Assim, podemos contar com a Biologia Molecular para o diagnóstico de doenças, como a Leishmanio- se (causada por protozoário). Os diagnósticos imunológicos são muito importantes, porém, de alto custo. Não é todo local que oferta esse tipo de diagnóstico. Eles conseguem detec- tar a presença de anticorpos contra os parasitas, como os protozoários. Além dessa função, os testes imunológicos detectam os antígenos desses parasitas. Os testes imunológicos pela técnica ELISA (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay), por exemplo, são específicos para identificar giardíase (doença causa- da por protozoário). 47 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS DOENÇAS CAUSADAS POR PROTOZOÁRIOS 3.1.1 MÉTODOS PARASITOLÓGICOS As doenças causadas por protozoários e que serão estudadas por nós serão: Doença de Chagas, Leishmanioses cutâneas e viscerais, Malária, Toxoplasmo- se, parasitoses intestinais (Amebíase e Giardíase) e parasitose transmitida se- xualmente (Tricomoníase). Os diagnósticos de cada uma delas estão descritos abaixo (ZEIBIG, 2014): FIGURA 1 – MÉTODO PARASITOLÓGICO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de uma mão segurando uma lâmina com células de parasitas, uma forma de diagnóstico de doenças causadas por protozoários. a. Diagnóstico parasitológico da Doença de Chagas: a doença de Cha- gas possui duas fases, a aguda e a crônica. Os testes diagnósticos são diferentes em cada uma das fases. Apenas na fase aguda da doença conseguimos identificar o parasita através de métodos parasitológicos direto (exames laboratoriais de sangue). Na fase crônica, este método diagnóstico é pouco confiável. b. Diagnóstico parasitológico Leishmanioses: os principais métodos diagnósticos são a pesquisa do parasito (exame parasitológico direto e indireto). Como visto, temos estudado dois tipos de Leishmaniose, a cutânea (tegumentar americana) e a visceral. Os métodos diagnósti- cos parasitológico da Leishmaniose cutânea baseiam-se na biópsia de Mobile User 48 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA parte da lesão ulcerosa e na identificação do parasita em esfregaços de lâminas contendo substâncias específicas. Na Leishmaniose visceral o método diagnóstico parasitológico mais eficaz é a observação direta do parasito, por meio de materiais retirados da medula óssea, fígado, baço e linfonodos. Para que essa observação seja possível, são utiliza- das lâminas de vidro. c. Diagnóstico parasitológico Malária: o diagnóstico parasitológico da ma- lária é feito por meio de preparações coradas de sangue por esfregaços ou gotas espessas para a pesquisa do protozoário ao microscópio ele- trônico. Na figura 2 podemos observar a conduta que os profissionais de saúde devem ter ao realizarem o exame de gota espessa. FIGURA 2 – ALGORITMO DE DECISÃO APÓS REALIZAÇÃO DA GOTA ESPESSA Fonte: Brasil (2018, p. 538). #ParaTodosVerem: a imagem representa um fluxograma com o algoritmo de decisão após realização da gota espessa, com os campos: resultado positivo para malária, com tratamento imediato e assistência ao paciente e controle de cura após o tratamento; resultado positivo para outros hemoparasitos, encaminhar para atendimento e notificar a vigilância da doença em questão; e resultado negativo, investigar outras causas e, se persistirem os sintomas, repetir gota espessa após 24 horas ou 48 horas. d. Diagnóstico parasitológico Toxoplasmose: os parasitas devem ser isola- dos em cultura de células retiradas por meio de biópsia. e. Diagnóstico parasitológico das parasitoses intestinais: o diagnóstico da Giardíase e da Amebíase é feito pelo exame de fezes formadas utilizan- do técnicas específicas, como o Método de Faust. f. Diagnóstico parasitológico Tricomoníase:é coletado um material quem posteriormente, será examinado em preparações coradas ou a fresco. Mobile User 49 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 Diagnóstico Tricomoníase em homens o Por meio de material coletado da região uretral. O homem deverá coletar o material na primeira urina do dia. Além deste exame, são possíveis também: coleta de esperma e a utilização do swab. Diagnóstico tricomoníase em mulheres o Por meio do exame Papanicolau (preventivo) ou da coleta de secreção vaginal feita com swabs (sempre antes da higiene íntima da parte da manhã). 3.1.2 MÉTODOS MOLECULARES Os métodos diagnósticos moleculares, por terem alto custo, empregam tec- nologias bem avançadas, isso permite que sejam mais confiáveis para o diag- nóstico de doenças causadas por protozoários. As tecnologias empregadas podem ser uma simples reação em cadeia da polimerase (PCR) ou o sequen- ciamento de nova geração (NGS) (mais avançado) (FERREIRA, 2020). Diferentemente dos métodos parasitológicos realizados por meio de amos- tras clínicas de sangue, os diagnósticos moleculares não precisam de jejum do paciente para serem feitos. Além disso, uma pequena amostra do sangue ou outro material já é o suficiente para a realização dos testes (FERREIRA, 2020). FIGURA 3 – MÉTODO MOLECULAR Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa a foto de um homem em um laboratório manipulando uma amostra molecular em cima de uma bancada com vários equipamentos utilizados em laboratórios. 50 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA a. Diagnóstico molecular da Doença de Chagas: os testes moleculares são a PCR e o Western Blot (WB). O WB é um teste de imunodetecção de proteínas. b. Diagnóstico molecular Leishmanioses: Por meio da detecção de DNA de Leishmania, a técnica empregada é a PCR. c. Diagnóstico molecular Malária: Por meio da técnica de PCR. A PCR, no caso da malária, permite a detecção e a identificação das espécies de plasmódio. Isso ocorre, porque é considerado um teste com maior sensibilidade e especificidade. A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), abriga o Laboratório de Referência Nacional para o Diagnóstico Molecular de Leishmanioses (LRNDML). Este laboratório é responsável por receber as amostras clínicas que tem suspeita de leishmaniose das regiões do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil. d. Diagnóstico molecular Toxoplasmose: ocorre por meio das técnicas moleculares da PCR e do WB. Apesar de serem testes poucos empre- gados no Brasil, eles permitem uma melhor interpretação do estado real da interação parasito-hospedeiro. f. Diagnóstico molecular das parasitoses intestinais: o diagnóstico da Giardíase e da Amebíase é realizado por meio da técnica de PCR. g. Diagnóstico molecular Tricomoníase: Por meio da técnica de PCR, que permite pesquisar o DNA do agente etiológico da Tricomoníase, o Tricomonas vaginalis . Porém, a cultura de material coletado tanto em amostras de secreção vaginal, como em urinas masculinas é, atual- mente, a melhor opção diagnóstica para a pesquisa do parasita. 51 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 3.1.3 MÉTODOS IMUNOLÓGICOS Ao lado da Biologia Molecular, os métodos imunológicos utilizados para o diagnóstico de doenças, como as causadas por protozoários, são considera- dos os que têm mais avançado na última década. O teste imunológico mais empregado para o diagnóstico de certas doenças é o Enzyme-Linked Im- munosorbent Assay (ELISA). Este teste utiliza anticorpos e antígenos, que são marcados com fluorescência (imunofluorescência) (SIQUEIRA-BATISTA, 2020). Vale ressaltar que os testes imunológicos são de extrema importância no quesito diagnóstico e podem ser utilizados tanto para doenças que acometem de forma direta o sistema imunológico, quanto para as doenças que não acometem o sistema imunológico do paciente (SIQUEIRA- BATISTA, 2020). FIGURA 4 – MÉTODO IMUNOLÓGICO Fonte: Plataforma Deduca (2022). #ParaTodosVeram: a imagem representa o desenho de uma célula cromada vista de um microscópio. No diagnóstico imunológico, conseguimos diferenciar essas células e identificar a doença. 52 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA a. Diagnóstico imunológico da Doença de Chagas: Por meio da coleta de soro, o exame detecta a presença de anticorpos e antígenos. Neste caso, o teste é utilizado para a detecção do agente eiológico Trypanos- soma cruzi apenas na fase crônica da doença. Antígeno (Ag) Quaisquer substâncias que o organismo consegue identificar como “estranha”. Tais substâncias tem a capacidade de induzir a produção de anticorpos por meio do sistema imunológico. Anticorpo (Ac) São proteínas, também chamados imunoglobulina (lg). Os anticorpos são produzidos pelo sistema imunológico quando querem responder à ação de um antígeno. Para isso, os anticospos se ligam aos antígenos por meio de ligações específicas. b. Diagnóstico imunológico Leishmanioses: Por meio do teste diagnós- tico ELISA ou por meio de ensaios de imunofluorescência indireta. O teste “padrão ouro” é o teste cutâneo de Montenegro. Eles conseguem avaliar a resposta de células do sistema imunológico e a presença de anticorpos anti-Leishmania. Os exames laboratoriais de sangue tam- bém são utilizados, em menor frequência. c. Diagnóstico imunológico Malária: Por meio da técnica ELISA ou por meio da imunofluorescência. Os testes imunológicos são baseados na interação entre os antígenos do parasita que estão presentes (em casos positivos da doença), no soro dos pacientes. Nos testes são en- contrados anticorpos produzidos pelo sistema imunológico contra os parasitas. d. Diagnóstico imunológico Toxoplasmose: Por meio realizado de exames sorológicos como a RIFI (Reação de Imunofluorescência Indireta) e o ELISA para pesquisa de anticorpos antitoxoplasma no soro do pacien- te. A interpretação da cinética das imunoglobulinas em gestantes e em casos congênitos estão descritos no Quadro 1. Mobile User 53 PARASITOLOGIA MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 QUADRO 1 – CINÉTICA DAS IMUNOGLOBULINAS PARA DIAGNÓSTICO DA TOXOPLASMOSE GESTACIONAL E DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA Tipo Viragem sorológica Características GESTACIONAL IgM – positiva cinco a 14 dias após infecção IgM – pode permanecer 18 meses ou mais. Não deve ser usado como único marcador de infecção aguda IgA – positiva após 14 dias da infecção IgA – detectável em cerca de 80% dos casos de toxoplasmose e permanece reagente entre três e seis meses, apoiando o diagnóstico da infecção aguda IgG – aparece entre sete e 14 dias; seu pico máximo ocorre em aproximadamente dois meses após a infecção IgG – declina entre cinco e seis meses, podendo permanecer em títulos baixos por toda a vida. A presença da IgG indica qua a infecção ocorreu. CONGÊNITA IgM ou IgA maternos não atravessam a carreira transpacentária IgM ou IgA – a presença confirma o caso, mas a ausência não descarta. IgA – útil para identificar infecções congênitas IgG materno atravessa a barreira transplacentária IgG – deve-se acompanhar a evolução dos títulos de IgG no primeiro ano de vida Fonte: Brasil (2020, p. 10). 54 MULTIVIX EAD Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017 PARASITOLOGIA e. Diagnóstico imunológico das parasitoses intestinais: não são realizados testes imunológicos para o diagnóstico de parasitoses intestinas, como a Amebíase e a Giardíase. f. Diagnóstico imunológico Tricomoníase: não são realizados testes imu- nológicos para o diagnóstico de tricomoníase. 3.2 DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS CAUSADAS POR HELMINTOS E ARTRÓPODES 3.2.1 MÉTODOS