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CONCRETAGEM: CURA E 
CONTROLE TECNOLÓGICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Apresentação 
 
O concreto é o material de construção mais consumido do mundo. Sua 
utilização na construção civil é decorrente de uma combinação de fatores 
tecnológicos e econômicos, destacando-se sua natureza inicialmente fluida e seu 
subsequente processo de endurecimento (conhecido como cura) decorrente das 
reações de hidratação do cimento. Essas características permitem que a moldagem 
de corpos com elevada resistência e geometrias variáveis seja realizada de maneira 
simples e com custos relativamente reduzidos. 
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os cuidados no processo 
de cura do concreto, os métodos utilizados para avaliar a trabalhabilidade do 
concreto antes da concretagem e a metodologia utilizada para o controle tecnológico 
da resistência do concreto. 
 
 Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes 
aprendizados: 
 Nomear os cuidados no processo de cura do concreto. 
 Explicar o método utilizado para avaliar a trabalhabilidade do concreto: o 
teste de slump. 
 Identificar as características dos testes de controle de resistência do concreto. 
 
 
Infográfico 
 
Para conferir se o concreto utilizado na construção possui a resistência 
solicitada em projeto, devem ser realizados ensaios de compressão com corpos de 
prova confeccionados com o mesmo concreto utilizado na obra. Os corpos são 
moldados na própria obra e os ensaios devem ser realizados em laboratórios com os 
equipamentos adequados e credenciados pelo Inmetro. O Infográfico a seguir 
apresenta as etapas de moldagem e rompimento dos corpos de prova. 
No estado endurecido, a resistência à compressão é a propriedade mais 
importante para a constatação da uniformidade e da conformidade do concreto 
durante a construção, estando presente em muitas normas como requisito mínimo 
de qualidade ou critério de aceitação. 
Assim, no ensaio de resistência à compressão, a propriedade analisada é a 
capacidade do corpo de prova de resistir às cargas submetidas antes da sua 
ruptura. 
 
 
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Introdução 
 
O concreto é o material de construção mais consumido no mundo. Sua 
utilização na construção civil é decorrente de uma combinação de fatores 
tecnológicos e econômicos. Nesse sentido, se destaca sua natureza inicialmente 
fluida e o subsequente processo de endurecimento (conhecido como cura) decorre 
das reações de hidratação do cimento. Essas características permitem que a 
moldagem de corpos com elevada resistência e geometrias variáveis seja realizada 
de maneira simples e com custos relativamente reduzidos (ISAIA, 2011). 
Neste texto, você vai conhecer os cuidados necessários no processo de cura 
do concreto. Também vai aprender sobre os métodos utilizados para avaliar a 
trabalhabilidade do concreto antes da concretagem. Além disso, se familiarizará 
com a metodologia utilizada para o controle tecnológico da resistência do concreto. 
 
Cuidados no processo de cura do concreto 
A cura do concreto é uma operação que pretende evitar a perda rápida de água 
e garantir a continuidade das reações de hidratação do cimento nas primeiras 
idades do concreto, quando sua resistência ainda é pequena. A perda de água 
ocorre por vários motivos, tais como exposição ao sol, vento, exsudação, etc. 
 
Esses fatores provocam um processo cumulativo de fissuração. 
A cura inadequada causará redução da resistência e da durabilidade do con- 
creto, provocando fissura e deixando a camada superficial fraca, porosa e 
permeável, vulnerável à entrada de substâncias agressivas provenientes do meio 
ambiente. O fator mais importante na cura do concreto é promover uma ação que 
garanta água suficiente para que todo o processo de reação química do cimento se 
complete. O endurecimento do concreto ocorre por um processo químico de 
hidratação. 
 
 
A hidratação é a reação entre cimento e água que dá origem às 
características de pega e endurecimento. O processo de hidratação que ocorre no 
interior do concreto lhe garante resistência e estabilidade dimensional. 
 
De um modo geral, você pode considerar que a contenção das retrações 
hidráulica e térmica pode minimizar o efeito da primeira. A térmica é controlada 
pela diminuição da temperatura, e a hidráulica pela reposição da água evaporada 
do concreto. O cuidado com proteções nos primeiros dias permite um aumento na 
capacidade resistente do concreto nesse período e, consequentemente, uma 
diminuição na retração do material. 
 
Algumas técnicas são empregadas no processo de cura do concreto. As 
mais comuns são: 
 
Água: molhagem direta (mangueiras, aspersores, regadores, etc.), que consiste 
em molhar a superfície exposta diversas vezes nos primeiros dias após a 
concretagem; ou indireta (mantas de feltro, sacos de aniagem ou geotêxtis), que 
consiste na proteção com tecidos umedecidos. 
 
Produtos químicos: formadores de película (película de cura) que 
impermeabilizam a superfície do concreto, evitando a saída de água. 
 
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Cobertura das peças concretadas (lonas impermeáveis): protege o concreto 
da ação do vento, já que ele, em alguns casos, é o maior responsável pela 
evaporação água). 
 
Cura a vapor: como uma elevação na temperatura de cura do concreto 
aumenta sua velocidade de crescimento de resistência, o ganho de resistência pode 
ser acelerado pela cura a vapor. O vapor, à pressão atmosférica, ou seja, quando a 
temperatura é menor que 100°C, é úmido. Assim, o processo pode ser considerado 
como um caso especial de cura úmida, sendo conhecido como cura a vapor. 
 
Cura ativa: interferência na velocidade de hidratação do cimento por meio do 
processo de cura (gelo). Em concretagens que envolvam grandes volumes de 
concreto, como barragens e blocos de fundação, a substituição de parte da água de 
amassamento por gelo, associada ao rebaixamento da temperatura dos agregados, 
minimiza os efeitos da retração térmica. 
 
Você deve tomar cuidados específicos em elementos com algumas 
particularidades. Destacam-se as seguintes recomendações: 
 A cura do concreto deve ser feita logo após o endurecimento superficial da peça; 
 No caso de superfícies horizontais (vigas, lajes, chão, etc.), o processo de cura 
deve ser feito de duas a quatro horas depois de aplicado o concreto; 
 No caso das superfícies verticais (pilares, colunas, muros, etc.), é necessário 
saturar as formas com água antes do lançamento do concreto. Após a 
concretagem é importante manter as formas umedecidas por pelo menos sete 
dias. 
 
A norma ABNT NBR 14931:2004 estabelece que, enquanto não atingir endu- 
recimento satisfatório, o concreto deve ser curado e protegido contra agentes 
prejudiciais. Isso serve para evitar a perda de água pela superfície exposta. 
Também é útil para assegurar uma superfície com resistência adequada e a 
formação de uma capa superficial durável. Não são citados prazos mínimos de 
cura. É feita uma recomendação em função da resistência, sendo estabelecido que 
elementos estruturais de superfície devem ser curados até que atinjam resistência 
característica à compressão (fck), de acordo com a ABNT NBR 12655:2015, igual ou 
maior que 15 MPa. 
Salvo em casos específicos, esse processo deve levar de sete a 14 dias, 
dependendo de condições climáticas (temperatura, umidade do ar, vento), 
dimensões dos elementos concretados, resistência do concreto, composição do 
concreto e agressividade do meio ambiente durante o uso (esgoto, contato com água 
do mar, etc.). Na Tabela 1, você pode ver o período mínimo de proteção requerido 
por diferentes cimentos e condições de cura: 
 
 
Período mínimo de cura de proteção 
para temperatura média da 
superfície do concreto (dias) 
Condições de cura Tipo de cimento Entre 5 a 10°C 
Qualquer 
temperatura, t* 
entre 10 a 25°C 
Boa: úmida eprotegida (umidade 
relativa > 80%, 
Todos tipos Nenhuma exigência especial 
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protegida do sol e 
vento) 
Média: entre boa e 
ruim 
Portland de classe 
42,5 ou 52,5 e 
Portland resistente a 
sulfatos de classe 42,5 
4 60/(t + 10) 
Todos os tipos, exceto 
os acima 
6 80/(t + 10) 
Ruim: seca ou não 
protegido (umidade 
relativa 

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