Prévia do material em texto
Página | 79 CONCRETAGEM: CURA E CONTROLE TECNOLÓGICO Página | 80 Apresentação O concreto é o material de construção mais consumido do mundo. Sua utilização na construção civil é decorrente de uma combinação de fatores tecnológicos e econômicos, destacando-se sua natureza inicialmente fluida e seu subsequente processo de endurecimento (conhecido como cura) decorrente das reações de hidratação do cimento. Essas características permitem que a moldagem de corpos com elevada resistência e geometrias variáveis seja realizada de maneira simples e com custos relativamente reduzidos. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai conhecer os cuidados no processo de cura do concreto, os métodos utilizados para avaliar a trabalhabilidade do concreto antes da concretagem e a metodologia utilizada para o controle tecnológico da resistência do concreto. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Nomear os cuidados no processo de cura do concreto. Explicar o método utilizado para avaliar a trabalhabilidade do concreto: o teste de slump. Identificar as características dos testes de controle de resistência do concreto. Infográfico Para conferir se o concreto utilizado na construção possui a resistência solicitada em projeto, devem ser realizados ensaios de compressão com corpos de prova confeccionados com o mesmo concreto utilizado na obra. Os corpos são moldados na própria obra e os ensaios devem ser realizados em laboratórios com os equipamentos adequados e credenciados pelo Inmetro. O Infográfico a seguir apresenta as etapas de moldagem e rompimento dos corpos de prova. No estado endurecido, a resistência à compressão é a propriedade mais importante para a constatação da uniformidade e da conformidade do concreto durante a construção, estando presente em muitas normas como requisito mínimo de qualidade ou critério de aceitação. Assim, no ensaio de resistência à compressão, a propriedade analisada é a capacidade do corpo de prova de resistir às cargas submetidas antes da sua ruptura. Página | 81 Introdução O concreto é o material de construção mais consumido no mundo. Sua utilização na construção civil é decorrente de uma combinação de fatores tecnológicos e econômicos. Nesse sentido, se destaca sua natureza inicialmente fluida e o subsequente processo de endurecimento (conhecido como cura) decorre das reações de hidratação do cimento. Essas características permitem que a moldagem de corpos com elevada resistência e geometrias variáveis seja realizada de maneira simples e com custos relativamente reduzidos (ISAIA, 2011). Neste texto, você vai conhecer os cuidados necessários no processo de cura do concreto. Também vai aprender sobre os métodos utilizados para avaliar a trabalhabilidade do concreto antes da concretagem. Além disso, se familiarizará com a metodologia utilizada para o controle tecnológico da resistência do concreto. Cuidados no processo de cura do concreto A cura do concreto é uma operação que pretende evitar a perda rápida de água e garantir a continuidade das reações de hidratação do cimento nas primeiras idades do concreto, quando sua resistência ainda é pequena. A perda de água ocorre por vários motivos, tais como exposição ao sol, vento, exsudação, etc. Esses fatores provocam um processo cumulativo de fissuração. A cura inadequada causará redução da resistência e da durabilidade do con- creto, provocando fissura e deixando a camada superficial fraca, porosa e permeável, vulnerável à entrada de substâncias agressivas provenientes do meio ambiente. O fator mais importante na cura do concreto é promover uma ação que garanta água suficiente para que todo o processo de reação química do cimento se complete. O endurecimento do concreto ocorre por um processo químico de hidratação. A hidratação é a reação entre cimento e água que dá origem às características de pega e endurecimento. O processo de hidratação que ocorre no interior do concreto lhe garante resistência e estabilidade dimensional. De um modo geral, você pode considerar que a contenção das retrações hidráulica e térmica pode minimizar o efeito da primeira. A térmica é controlada pela diminuição da temperatura, e a hidráulica pela reposição da água evaporada do concreto. O cuidado com proteções nos primeiros dias permite um aumento na capacidade resistente do concreto nesse período e, consequentemente, uma diminuição na retração do material. Algumas técnicas são empregadas no processo de cura do concreto. As mais comuns são: Água: molhagem direta (mangueiras, aspersores, regadores, etc.), que consiste em molhar a superfície exposta diversas vezes nos primeiros dias após a concretagem; ou indireta (mantas de feltro, sacos de aniagem ou geotêxtis), que consiste na proteção com tecidos umedecidos. Produtos químicos: formadores de película (película de cura) que impermeabilizam a superfície do concreto, evitando a saída de água. Página | 82 Cobertura das peças concretadas (lonas impermeáveis): protege o concreto da ação do vento, já que ele, em alguns casos, é o maior responsável pela evaporação água). Cura a vapor: como uma elevação na temperatura de cura do concreto aumenta sua velocidade de crescimento de resistência, o ganho de resistência pode ser acelerado pela cura a vapor. O vapor, à pressão atmosférica, ou seja, quando a temperatura é menor que 100°C, é úmido. Assim, o processo pode ser considerado como um caso especial de cura úmida, sendo conhecido como cura a vapor. Cura ativa: interferência na velocidade de hidratação do cimento por meio do processo de cura (gelo). Em concretagens que envolvam grandes volumes de concreto, como barragens e blocos de fundação, a substituição de parte da água de amassamento por gelo, associada ao rebaixamento da temperatura dos agregados, minimiza os efeitos da retração térmica. Você deve tomar cuidados específicos em elementos com algumas particularidades. Destacam-se as seguintes recomendações: A cura do concreto deve ser feita logo após o endurecimento superficial da peça; No caso de superfícies horizontais (vigas, lajes, chão, etc.), o processo de cura deve ser feito de duas a quatro horas depois de aplicado o concreto; No caso das superfícies verticais (pilares, colunas, muros, etc.), é necessário saturar as formas com água antes do lançamento do concreto. Após a concretagem é importante manter as formas umedecidas por pelo menos sete dias. A norma ABNT NBR 14931:2004 estabelece que, enquanto não atingir endu- recimento satisfatório, o concreto deve ser curado e protegido contra agentes prejudiciais. Isso serve para evitar a perda de água pela superfície exposta. Também é útil para assegurar uma superfície com resistência adequada e a formação de uma capa superficial durável. Não são citados prazos mínimos de cura. É feita uma recomendação em função da resistência, sendo estabelecido que elementos estruturais de superfície devem ser curados até que atinjam resistência característica à compressão (fck), de acordo com a ABNT NBR 12655:2015, igual ou maior que 15 MPa. Salvo em casos específicos, esse processo deve levar de sete a 14 dias, dependendo de condições climáticas (temperatura, umidade do ar, vento), dimensões dos elementos concretados, resistência do concreto, composição do concreto e agressividade do meio ambiente durante o uso (esgoto, contato com água do mar, etc.). Na Tabela 1, você pode ver o período mínimo de proteção requerido por diferentes cimentos e condições de cura: Período mínimo de cura de proteção para temperatura média da superfície do concreto (dias) Condições de cura Tipo de cimento Entre 5 a 10°C Qualquer temperatura, t* entre 10 a 25°C Boa: úmida eprotegida (umidade relativa > 80%, Todos tipos Nenhuma exigência especial Página | 83 protegida do sol e vento) Média: entre boa e ruim Portland de classe 42,5 ou 52,5 e Portland resistente a sulfatos de classe 42,5 4 60/(t + 10) Todos os tipos, exceto os acima 6 80/(t + 10) Ruim: seca ou não protegido (umidade relativa