Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

As redes de suporte da Atenção
Primária em Saúde articulado com a
saúde mental
A articulação da saúde mental no contexto da Atenção Primária em Saúde e suas potencialidades para um
cuidado integral. Matriciamento, interconsultas e NASF. Ferramentas de trabalho em saúde e grupos
terapêuticos.
Profª. Michael Vida de Freitas
1. Itens iniciais
Propósito
Reconhecer as redes de suporte da Atenção Primária em Saúde articulado com a saúde mental como cuidado
integral aos usuários em sofrimento psíquico.
Preparação
Antes de iniciar este estudo, é importante pesquisar e conhecer a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB)
e a Política Nacional de Saúde Mental, a Lei nº 10.216/01, assim como o processo da reforma psiquiátrica
brasileira. As políticas estão disponíveis na Internet.
Objetivos
Identificar a relação da saúde coletiva e da saúde mental no contexto do cuidado integral para
assistência no território.
Analisar o matriciamento em saúde mental, as interconsultas e a atuação no NASF.
Identificar as ferramentas utilizadas nos processos de trabalho em saúde, bem como a importância dos
grupos terapêuticos na Atenção Primária em Saúde.
Introdução
A Atenção Primária em Saúde tem como uma de suas premissas possibilitar e facilitar o acesso da população
aos serviços de saúde, ou seja, trata-se da principal porta de entrada dos usuários ao sistema. 
Nesse sentido, as ações da Atenção Básica são pensadas e desenvolvidas a partir de um território
geograficamente conhecido, adscrito, permitindo que os profissionais de Saúde estejam mais próximos dos
usuários com facilidade e, por conseguinte, possibilitando o estabelecimento de vínculos e itinerários com a
comunidade ou o território. 
Em relação ao cuidado em saúde mental na Atenção Primária, consideramos fundamental e de extrema
importância a facilidade de acesso das equipes aos usuários e o movimento inverso, proporcionando a
vinculação e a ampliação do cuidado. 
Desenvolver o cuidado em saúde mental não é comum, sempre há dúvidas, curiosidades e até mesmo receio.
Neste conteúdo, reconheceremos de que modo esse trabalho pode ser desenvolvido, bem como sua
importância dentro da Atenção Primária. 
• 
• 
• 
1. A saúde coletiva e a saúde mental 
A relação da saúde coletiva e da saúde mental
A interface entre a saúde coletiva e a saúde mental
Neste vídeo, a especialista Paula Louzada apontará a relação da saúde mental e coletiva dentro do território
de referência do usuário e a importância dessa articulação para o cuidado integral. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A saúde coletiva surgiu com o movimento da Reforma Sanitária no Brasil, a partir da reivindicação da
população por serviços de saúde gratuitos e de qualidade para todos. Além disso, traz consigo o pensamento
de olhar o indivíduo como um todo, ou seja, integralmente. 
A saúde coletiva tem como objetivo analisar o processo
saúde-doença a partir da coletividade, incluindo o contexto
social no qual está inserido, e a partir de então, criar
condições de intervenções nessa realidade, gerando
mudanças e melhorias na comunidade.
Prioriza, ainda, o estudo dos determinantes sociais e das
desigualdades em saúde, com gestão democrática, aberta
aos saberes científicos e populares. Nesse contexto, umas
das estratégias da saúde coletiva é a Política Nacional de
Atenção Básica (PNAB). Veja, a seguir, mais informações
sobre ela.
Como se caracteriza?
A Atenção Básica caracteriza-se como porta de entrada preferencial do SUS, formando um conjunto
de ações de saúde, nos âmbitos individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da
saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a
manutenção da saúde com o intuito de desenvolver uma atenção integral que impacte a situação de
saúde e a autonomia das pessoas, bem como os determinantes e condicionantes de saúde das
coletividades.
Como se desenvolve?
Desenvolve-se com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, próxima da vida das
pessoas. Deve ser o contato preferencial dos usuários e o centro de comunicação da Rede de
Atenção à Saúde (RAS).
Como se orienta?
Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do
cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da
participação social. A Atenção Básica/Atenção Primária em Saúde considera o sujeito em sua
singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a atenção integral (BRASIL, 2013).
Vamos analisar, primeiramente, que a saúde mental não é uma área que está a par da saúde de modo geral,
pelo contrário, ela precisa fazer parte de todo esse contexto. Logo, precisamos entender que as demandas de
saúde mental estarão presentes em todos os lugares, inclusive, e talvez principalmente, na Atenção Básica, a
partir das queixas ou dos relatos dos usuários, que, por vezes, não conseguem dizer com clareza do que se
trata.
Ao profissional ficará a tarefa de reconhecer e intervir nessas questões.
Ao pensarmos nas ações em saúde mental que
podem ser realizadas pelos profissionais da
Atenção Primária, é importante considerarmos
o próprio trabalho já realizado, incluindo o
território e o contexto dos usuários.
 
Ainda, é importante considerar a subjetividade
de cada sujeito, suas singularidades,
respeitando a visão de mundo de cada um,
pensando em uma integralidade do cuidado, e
desse modo, talvez, não haja nada de tão
diferente de uma ação específica em saúde
mental.
Por vezes, os próprios profissionais da Atenção Básica/Atenção Primária promovem ações de cuidado em
saúde mental e sequer as reconhecem, pelo simples fato de não entenderem que aquela intervenção foi uma
ação relacionada à saúde mental. Isso gera dúvidas nos profissionais, no sentido de o que fazer e como fazer
em determinadas situações que aparecem no dia a dia de trabalho.
Partindo desse ponto, é importante ressaltar que todos os profissionais da Atenção Primária em Saúde podem
e devem realizar ações no que diz respeito às práticas em saúde mental. O que vai fazer diferença nessas
práticas em saúde mental é o entendimento que cada profissional construirá a partir do próprio território e das
relações construídas com os usuários.
Atenção
Nesse caminhar, tal entendimento poderá ser algo tão importante a ponto de ser prioritário para uma
escolha do que se entende sobre saúde mental ou do que é preciso para atuar na área de saúde
mental. Até mesmo os profissionais especialistas em saúde mental, ou que trabalham com ela, pensam
nas estratégias de cuidado a partir de todo o contexto do usuário, o que inclui, principalmente, o
território de vida dos usuários, seus contextos familiares e todas as redes de suporte existentes. 
Então, o que seriam as intervenções em saúde mental? 
Precisamos pensar que essas intervenções têm como direção a promoção de novas maneiras e possibilidades
em relação aos modos de vida dos usuários, a partir da produção de vida e também de saúde, para não
ficarmos presos às curas de doenças. Logo, precisamos pensar e entender que os sujeitos têm várias formas
de perceber, experimentar e viver as suas vidas, ou seja, precisamos olhar para suas múltiplas dimensões e
tudo aquilo que os cercam, seus desejos, seus valores, suas escolhas, sua cultura, seu modo de ser e de viver,
sem diminuir essa questão e tratar como se todos fôssemos do mesmo jeito. Veja, a seguir, um pouco mais
sobre as intervenções. 
Para tornarmos tais ações, cuidados e intervenções mais claros e palpáveis, apresentamos algumas ações que
podem ser desenvolvidas por todos os profissionais da Atenção Básica/Atenção Primária em Saúde, o que
inclui o enfermeiro, nos mais diversos dispositivos de cuidado de acordo com Chiaverini e colaboradores
(2011): 
Proporcionar ao usuário um momento para pensar/refletir.
Exercer boa comunicação.
Exercitar a habilidade da empatia.
Lembrar-se de escutar o que o usuário precisa dizer.
Acolher o usuário e suas queixasemocionais como legítimas.
Oferecer suporte na medida certa; uma medida que não torne o usuário dependente e nem gere uma
sobrecarga no profissional.
Reconhecer os modelos de entendimento do usuário.
Vejamos, a seguir, um exemplo fictício de um caso comum na Atenção Primária em Saúde:
Exemplo
M.R.V, 28 anos, solteira, professora numa cidade pequena do interior do Rio de Janeiro, mora com a
mãe perto da ESF Jardins e o pai faleceu quando ela tinha 18 anos. Há cerca de um mês, procura pelo
menos uma vez por semana a Estratégia de Saúde da Família, sendo atendida por toda a equipe,
sempre se queixando de estar “passando mal”, embora nunca fosse verificada nenhuma alteração de
pressão ou de qualquer outro sinal vital.
Devido à frequente procura pela unidade queixando-se sempre de que não está passando bem, M.R.V
foi encaminhada para uma avaliação médica. Nessa consulta, ela contou que tem sentido muito
nervoso, medo sem saber o porquê e um pouco de desânimo, mas que ainda consegue “passar por
cima disso” e, com muito custo, ir trabalhar. Ela tem dois filhos de relacionamentos diferentes, e
ambos com pai ausente. A mãe de M.R.V ajuda na criação dos filhos, mas reclama que ela se
intromete muito e isso a incomoda. Ao longo da consulta, ela relata história de fortes dores de cabeça
há bastante tempo (crise de enxaqueca?), talvez há anos, e que pioraram há aproximadamente um
ano. No exame físico, não apresentou nenhuma alteração, negando inclusive o uso de tabaco, álcool e
outras drogas, e não relata ideia de morte.
A escuta
Os profissionais costumam dar atenção e ouvir os momentos que os usuários apresentam, abrindo espaço
para o desabafo. Independentemente de exercerem profissões relacionadas à saúde, a atitude de escutar é
comum no cotidiano de muitas pessoas. 
Por ser considerada uma prática de senso comum, e não uma técnica específica para profissionais de saúde, a
proposta de ouvir atentamente o sujeito parece ser menor se comparada a outras condutas técnicas. No
entanto, essa desvalorização do espaço de escuta não invalida sua importância e eficácia, principalmente na
Atenção Primária à Saúde.
Atenção Primária 
É vivida no dia a dia, e as intervenções podem
ser construídas a partir dos encontros entre
os usuários e os profissionais, levando em
consideração todos os contextos citados, para
então, conjuntamente, construir e criar
ferramentas e estratégias para o cuidado em
saúde de modo integral.
Profissionais de saúde 
Por vezes, realizam no seu cotidiano
intervenções do próprio processo de
trabalho que possibilitam e fortalecem
um suporte emocional àqueles usuários
que estão em situação de sofrimento.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Atividade de grupo em saúde mental desenvolvendo a
escuta.
O profissional disposto a ouvir, dispensando atenção e
disponibilidade ao usuário, poderá criar um potente espaço
de escuta, sendo essa uma importante ferramenta de
trabalho para utilização, de modo que o usuário possa falar
e ouvir o seu próprio sofrimento, mediado pelo profissional
que o escuta.
O profissional de saúde que se coloca como agente de
intermédio do usuário, ao ouvir o que ele diz, faz e pensa,
ajudando-o a se dar conta, a refletir acerca dos seus
conflitos e do sofrimento que pode aparecer e que, por
vezes, o usuário sozinho não consegue identificar; por conseguinte, a situação pode se agravar, refletindo em
questões clínicas e, até mesmo, somáticas. 
Algumas vezes, será função do profissional de saúde possibilitar ou criar junto com o usuário estratégias para
lidar com determinadas situações que aparecem durante a fala e que podem potencializar o sofrimento.
Desse modo, fazer orientações junto do usuário só será possível porque o profissional, além de ter se
disponibilizado a escutá-lo atentamente, produziu vínculo ao longo do tempo e do cuidado, e estar no lugar de
interlocutor o possibilita fazer determinadas orientações de cuidado.
Ao falarmos especificamente da saúde mental,
podemos citar, como principais dispositivos de
cuidado comunitário, os grupos terapêuticos,
os grupos de família, os espaços ou grupos de
convivência, grupos de artesanato ou de
atividades manuais ou geração de renda, assim
como as redes de apoio, sejam sociais ou
pessoal de cada indivíduo, entre outros.
Atenção
Destacamos que o trabalho na Atenção Básica é longitudinal e contínuo, logo, ele irá acontecer ao longo
do tempo. Isso quer dizer que o usuário sempre estará acompanhado, independentemente de estar com
alguma doença ou não. 
Esse acompanhamento terá todo um processo, e o fato de as equipes de saúde estarem muito próximas do
usuário e do território servirá como base para uma melhor elaboração do processo de cuidado, visando
sempre ao fortalecimento do vínculo entre usuário e profissional de saúde.
É importante ter cautela em relação a intervenções/ações/cuidado em saúde mental, para que não sejam
rígidos ou engessados, ou, até mesmo, apenas baseados em eliminar sintomas, sem considerar o usuário
como um todo, incluindo seu contexto de vida e território que vive. 
Território
A Atenção Básica, como vimos, trabalha, a todo momento, numa lógica territorial, e, nesse sentido, a lógica de
território, abordada aqui, inclui toda a dimensão subjetiva que contribui com o enriquecimento e a
possibilidade de abordagens de território no campo da saúde, ponto de interesse deste estudo.
O território é um elemento primordial quando pensamos na organização dos serviços de saúde da Atenção
Básica, sendo bem estabelecido geograficamente e, também, onde há uma limitação da cobertura
populacional de responsabilidade de cada equipe de saúde.
Contudo, se pensarmos a noção de território apenas no sentido geográfico, como espaço físico, espaços
delimitados não suprem a dinâmica que as pessoas e os grupos estabelecem entre si e com o próprio
território. 
Nesse sentido, usaremos aqui a noção de território vivo, de Milton Santos, que leva em consideração todas as
relações sociais, assim como as dinâmicas que podem configurar o território como um lugar subjetivo. 
Ao mesmo tempo, também usaremos a noção de território, de Guattari, que aponta os territórios como
existenciais, podendo ser territórios individuais, territórios de grupo e, ao mesmo tempo, espaços processuais
de circulação de pessoas, sempre considerando suas subjetividades presentes.
As redes
O que é rede? Adotamos a ideia de que uma rede de cuidados, no âmbito da micropolítica, forma-se por fluxos
entre os próprios trabalhadores que, no ambiente de trabalho, estabelecem conexões entre si. Essas redes
são ativadas e se mantêm funcionando pelos trabalhadores, e seu funcionamento acontece mediante
determinado projeto terapêutico (FRANCO; FRANCO, 2012).
Territórios vivos 
Entendemos que esses territórios a que nos
referimos são territórios vivos que se
configuram, desconfiguram-se e podem
reconfigurar-se a partir dos acontecimentos,
das possibilidades presentes, das relações
que podem ser estabelecidas, seja
individualmente ou em grupo.
Territórios existenciais 
Considerando os existenciais,
precisamos pensar além da
subjetividade do usuário e incluir a dos
trabalhadores de saúde, tendo em vista
que a principal ferramenta de trabalho
em saúde mental é a relação. Os
trabalhadores precisarão permitir que
haja deslocamentos nos seus próprios
territórios existenciais.
Saiba mais
A Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, instituiu a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para
pessoas com sofrimento ou transtorno mental, e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool
e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Essa rede é composta por diversos serviços e equipamentos, entre os quais podemos citar: os Centros de
Atenção Psicossocial (CAPS); os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); os Centros de Convivência e
Cultura, as Unidade de Acolhimento (UAs) e os leitos de atenção integral (em hospitais gerais e nos CAPS tipo
III).
Rede de atenção à saúde mental
Quando falamos da RAPS e dos seus pontos de atenção à saúde,podemos identificá-la em diversos pontos
da Rede de Assistência à Saúde. Vejamos alguns exemplos a seguir (BRASIL, 2011): 
RAPS Pontos de atenção à saúde
Na Atenção Básica/ Atenção
Primária em Saúde:
• Unidade Básica de Saúde;
• Núcleo de Apoio à Saúde da Família;
• Consultório de Rua;
• Apoio aos serviços do componente Atenção
Residencial de Caráter Transitório;
• Centros de Convivência e Cultura.
Atenção Psicossocial Estratégica:
• Centros de Atenção Psicossocial nas suas diferentes
modalidades.
Atenção de Urgência e
Emergência:
• SAMU 192;
• Sala de Estabilização;
• UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à
urgência/pronto-socorro, Unidades Básicas de Saúde.
Atenção Residencial de Caráter
Transitório:
• Unidade de Acolhimento;
• Serviço de Atenção em Regime Residencial.
Atenção Hospitalar: • Enfermaria especializada em hospital geral.
RAPS Pontos de atenção à saúde
Estratégia de
Desinstitucionalização:
• Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT);
• Programa de Volta para Casa (PVC).
Estratégias de Reabilitação
Psicossocial:
• Iniciativas de Geração de Trabalho e Renda;
• Empreendimentos Solidários e Cooperativas Sociais.
 
 
Por fim, neste módulo, entendemos que a saúde coletiva e a saúde mental são campos que caminham na
mesma direção, a de superar a fragmentação do cuidado ao usuário, construindo estratégias para dinamizá-
lo, de modo a não o reduzir a doenças, com enfoque no cuidado horizontal e integral.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O que é Saúde Coletiva
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) estabelece os pontos de atenção para o atendimento de pessoas com
problemas mentais. Qual portaria, promulgada em 2011, institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)?
A
10.216/11.
B
189/11.
C
336/11.
D
224/11.
E
3.088/11.
A alternativa E está correta.
De acordo com a Portaria 3.088/2011, fica instituída a Rede de Atenção Psicossocial, cuja finalidade é a
criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas em sofrimento psíquico ou
que fazem uso prejudicial e ou abusivo de álcool e outras drogas, no domínio do Sistema Único de Saúde.
Questão 2
No que diz respeito ao cuidado, à Atenção Básica e à discussão sobre território, pode-se afirmar que o
processo de trabalho que melhor corresponde aos anseios da autonomia do indivíduo é aquele que toma
como base a responsabilidade clínica e sanitária das equipes de saúde, já que permite fortalecer as relações
que as pessoas e os grupos estabelecem entre si e o fato de residirem em uma mesma localidade. Sob esse
ponto de vista, assinale a alternativa que conceitua território corretamente.
A
Limites geográficos ainda não explorados pelos serviços, representando os espaços de circulação das
pessoas de forma assistemática.
B
Limites geográficos e de cobertura populacional das instituições, representando também os espaços de
circulação das pessoas.
C
Limites institucionais, de âmbito estadual, representando somente espaços de representação das instituições.
D
Limites institucionais delimitados pelos serviços de saúde mental.
E
Limites geográficos delimitados pelos serviços de saúde mental.
A alternativa B está correta.
Como vimos ao definir território, podemos considerar que ele não é apenas o espaço geográfico que
determinado indivíduo ocupa, mas também todos os lugares, espaços onde haja circulação, vínculos e
manutenção de relações.
2. A saúde mental, as interconsultas e a atuação no NASF
Matriciamento em saúde mental
Matriciamento em saúde mental e sua importância
Neste vídeo, a especialista Paula Louzada apontará o que é e como realizar matriciamento em saúde mental.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O matriciamento ou apoio matricial é um arranjo técnico-assistencial que visa à ampliação da clínica das
equipes de Atenção Básica, superando a lógica de encaminhamentos indiscriminados e se encaminhando para
uma lógica de corresponsabilização entre as equipes de Atenção Básica (AB), saúde da família (SF) e saúde
mental (SM), com a construção de vínculos entre profissionais e usuários, objetivando maior resolutividade na
assistência em saúde, conforme as elaborações de Campos e Domitti (2007).
Trata-se de um novo modelo de produção de saúde, em que duas equipes ou mais trocam e constroem
saberes de maneira compartilhada, criando estratégias de intervenção, sejam pedagógicas ou terapêuticas.
Comentário
Esse novo modelo de produção de saúde tem sido de fundamental importância para a integração da
saúde mental e da Atenção Primária em Saúde, principalmente no âmbito brasileiro. Esse novo modo de
interação tem estruturado no país uma modalidade de cuidado mais colaborativa, compartilhada entre a
saúde mental e a Atenção Básica. 
Esse modelo também tem propiciado que as equipes de SF aumentem a capacidade de lidar com o sofrimento
psíquico de seus usuários, possibilitando a integração juntamente com os demais pontos da rede de cuidados.
O apoio matricial ou matriciamento é um modo de possibilitar que a Atenção Básica se aproxime e se
corresponsabilize cada vez mais pelos transtornos mentais, possibilitando a prevenção, a promoção da saúde
e a reabilitação psicossocial dentro do seu próprio escopo.
A corresponsabilização, como vimos, desconstrói a ideia de
referência e contrarreferência, logo, favorece a
responsabilização dos serviços pelas demandas que, nesse
caso, incluem, para além dos serviços especializados,
também a Atenção Básica.
Ou seja, quando compartilhamos o cuidado, possibilitamos
que diversos dispositivos se responsabilizem pelo processo
de cuidar, um cuidado em rede, tanto por dispositivos da
rede de saúde quanto de cunho comunitário, considerando
como mais importante nesse contexto o sujeito e seu
processo de saúde e adoecimento.
Portanto, todos os serviços poderão ser garantia ao acesso, sejam os serviços especializados, a Atenção
Básica ou ambos. Ficam em voga a universalidade, a equidade e a integralidade do cuidado, que são
princípios fundamentais do SUS, e quem ganha com isso é o usuário. 
Atenção
Essa é uma proposta que rompe com a lógica tradicional dos sistemas de saúde, dos encaminhamentos,
das referências, das contrarreferências, dos protocolos, dos sistemas de regulações, do sistema
extremamente burocrático e não dinâmico, substituindo isso tudo por uma lógica de ações horizontais,
integradas nos diferentes níveis assistenciais de saúde e saberes. 
O apoio matricial ou matriciamento não é o mesmo que ser atendido por um especialista em uma unidade de
Atenção Básica. 
O matriciamento, de acordo com Figueiredo e Campos (2009, p.130), é “um suporte técnico especializado que
é ofertado a uma equipe interdisciplinar em saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas
ações”. 
Ele tem como proposta um apoio ou uma retaguarda especializada em assistência no cuidado aos usuários, e
também um suporte de cunho técnico-pedagógico, visando à criação de vínculo interpessoal, assim como
apoio institucional às equipes de referência da Atenção Básica pela equipe de apoio (NASF – Núcleo de Apoio
à Saúde da Família). Veja, a seguir, mais algumas questões sobre o matriciamento.
1
Quem pode fazer o matriciamento em saúde mental?
Para o matriciamento em saúde mental, indica-se, de preferência, que seja realizado por psiquiatras,
psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos e enfermeiros de saúde
mental (caso seja por equipes especializadas que não o NASF), estando à frente ou atuando
conjuntamente nesse matriciamento. 
2 Matriciamento não é:
• Encaminhar a um profissional especialista.
 
• Atendimento individual por profissional do NASF ligado à saúde mental ou de outra especialidade.• Intervenções ou estratégias psicossociais coletivas realizadas apenas pelo profissional do NASF,
sem a presença da equipe de SF.
3
Quando a equipe de Atenção Primária em Saúde solicita o matriciamento?
Vejamos alguns exemplos em que podem ser indicados o apoio do profissional do NASF e o
matriciamento:
 
• Quando a equipe de referência sente dificuldade e necessidade de abordar e conduzir um caso
que exige, por exemplo, esclarecimento diagnóstico, elaboração de um projeto terapêutico e
abordagem à família etc. 
• Quando a equipe de referência precisa de suporte para realizar intervenções psicossociais
específicas na Atenção Primária, como, por exemplo, grupos de pacientes com transtornos mentais. 
• Quando as equipes de referência sentem dificuldade e necessitam de apoio para a construção de
projetos de detecção precoce de situações de sofrimento mental, assim como para o
desenvolvimento de ações de prevenção e promoção em saúde mental. 
O matriciamento pode contribuir para as trocas interdisciplinares e reflexões das experiências vividas, em que
cada profissional, a partir do seu saber, poderá colaborar com seu olhar, de modo a ampliar a capacidade de
intervenções por parte das equipes de referência de AB e de SF. 
Interconsultas
A interconsulta, também chamada de atendimento ou consulta compartilhada, é uma ação de colaboração
entre profissionais de diferentes áreas de conhecimento com um mesmo propósito. 
Atenção
Trata-se de uma das ferramentas mais frequentes e utilizadas no NASF ao apoio das equipes de AB e SF.
Quando solicitada ao apoio, é uma excelente oportunidade para os profissionais conversarem
diretamente e trocarem opiniões sobre as situações clínicas, os casos e até mesmo falarem diretamente
com o usuário ou com a família conjuntamente. 
Podemos descrever algumas modalidades de interconsultas, que podem ser: 
Discussão de caso com parte ou com
toda equipe de referência.
Consultas conjuntas (com mais de um
profissional juntos).
Visitas domiciliares conjuntas.
O propósito desse encontro de profissionais de áreas, visões e saberes diferentes é exatamente o de
construir, de forma integral, o processo do cuidado, visando à ampliação e a uma melhor abordagem
psicossocial, assim como proporcionar uma melhor construção de projetos terapêuticos conjuntos e fomentar
a troca de conhecimentos. 
A interconsulta também poderá ser uma
maneira de estabelecer o vínculo e a confiança
com o usuário mais satisfatoriamente, tendo em
vista que o profissional do NASF não estará
sozinho, e o profissional de referência não é um
estranho ao usuário, facilitando a entrada do
profissional do NASF e possibilitando uma boa
comunicação, a coleta de informações, a
interação, entre outros.
 
No contexto de trabalho do NASF, as
interconsultas podem ser um momento
fundamental para o contato da equipe de apoio
e o usuário, assim como uma ocasião importante para, em seguida ou antes do atendimento, ser um espaço
para discussão do caso ou das situações em questão.
Vale ressaltar que, durante a interconsulta, é de extrema importância que estejam presentes um integrante
das equipes de referência de AB ou de SF e um integrante do núcleo de apoio NASF, além do usuário e/ou de
seus familiares. Vejamos, a seguir, um exemplo fictício de interconsulta: 
Exemplo
C.B.C levou sua filha menor, de 9 anos, para um atendimento de rotina, uma vez que a menina está
tendo dificuldades na escola e a professora cogitou a possibilidade de a aluna ser hiperativa e
apresentar déficit de atenção.
A mãe, bastante preocupada, pediu para a médica da ESF encaminhá-la para algum lugar a fim de
ansiosamente resolver o problema da filha. A médica, antes de qualquer encaminhamento, propôs
uma interconsulta com a psicóloga do NASF e solicitou uma avaliação com o oftalmologista para
descartar qualquer problema de visão que afetasse o comportamento da menina.
Na interconsulta, a psicóloga do NASF fez algumas perguntas sobre Gabriela (nome fictício), a fim de
saber sobre sua história escolar e familiar e, também, sobre seu desenvolvimento psicomotor,
incluindo seus hábitos. A menina é a mais velha de 3 irmãos, e a mãe tem muita dificuldade de dar
limites à filha, que é agitada apenas em casa e na escola. A mãe não relatou atitudes de impulsividade
em relação à filha, que durante a interconsulta prestou atenção o tempo todo, interagindo na
conversa.
A partir dos relatos e do que foi observado na interconsulta, a psicóloga sugeriu uma nova avaliação
pedagógica da escola, e em contato com a instituição de ensino, pontuou a necessidade de cautela
nesse possível diagnóstico, bem como o que os fracassos em sala de aula podem causar numa
criança, a exemplo da baixa estima.
Como vimos, a interconsulta poderá ser o principal instrumento do apoio matricial na Atenção Primária, sendo,
por definição, uma prática interdisciplinar para a construção do modelo integral do cuidado.
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) é um importante dispositivo inserido na Atenção Básica, tendo
como principal função ampliar a capacidade de respostas em relação a outras áreas nas quais não está
inserido na Atenção Básica, por meio do compartilhamento do saber interdisciplinar, o qual, como
consequência, aumenta a resolutividade das equipes e pode também ampliar o acesso e melhorar a qualidade
do cuidado no que se refere à Atenção Básica em Saúde. Veja, a seguir, um pouco mais sobre o NASF.
Quem compõe o NASF?
É composto por uma equipe multiprofissional, ou seja, com profissionais de diferentes áreas do saber,
que vão atuar em parceria com os profissionais das equipes de Atenção Básica (AB) e de Saúde da
Família (SF) no intuito de compartilhar, trocar e apoiar as práticas e o cuidado em saúde,
principalmente nas áreas de conhecimento não contempladas na base da Atenção Básica.
Quem define a composição?
É definida pelos gestores, municipais ou locais, e de acordo com o levantamento de demandas e das
necessidades apresentadas no território onde será implantado. A partir dessas demandas, é preciso
pensar nas categorias profissionais que farão parte da composição da equipe NASF.
Qual o processo de trabalho?
É baseado a partir da lógica do território, e este estará sob sua responsabilidade conjuntamente com
as equipes de AB ou de SF. Esse trabalho ocorrerá por meio de atendimento compartilhado de forma
interdisciplinar, sempre considerando a troca dos saberes como elemento fundamental para a
continuidade do cuidado, assim como a responsabilização compartilhada, havendo, portanto, troca de
experiências para ambos os profissionais que fizerem parte desse processo.
Curiosidade
Um fato interessante é que o NASF, mesmo fazendo parte da Atenção Básica, não se configura como um
serviço específico ou independente, e também não possui um espaço físico individual ou especial. Do
mesmo modo, não tem livre acesso para receber demandas para atendimentos, de cunho individual ou
coletivo, as quais precisam necessariamente passar pelas equipes de referência de AB ou de SF e ser
compartilhadas com o NASF. 
O NASF também pode e deve trabalhar de maneira integrada com a Rede de Atenção à Saúde, fazendo
articulações, por exemplo, com os CAPS, ambulatórios especializados e até mesmo com outras redes de
políticas além da saúde, como a educação ou a assistência social. 
As possibilidades de composição de equipe do NASF são
bastante vastas e podemos incluir: assistente social;
profissional de Educação Física; farmacêutico;
fisioterapeuta; fonoaudiólogo; profissional com formação
em arte e educação (arte educador); nutricionista;
psicólogo; terapeuta ocupacional; médico ginecologista/
obstetra; médico homeopata; médico pediatra; médico
veterinário; médico psiquiatra; médico geriatra; médico
internista (clínica médica); médico do trabalho; médico
acupunturista; e profissional de saúde sanitarista, ou seja,
profissional graduado na área de saúde com pós-graduação
em saúde pública ou coletiva, ou graduado diretamente em
uma dessasáreas (BRASIL, 2014).
Como vimos, podem haver várias categorias profissionais no NASF, contudo, independentemente da
especialidade, o mais importante é que se trabalhe de modo interdisciplinar, visando ao apoio das equipes de
AB e de SF, produzindo trocas e saberes e, assim, qualificando a Atenção Básica em Saúde. 
Diretrizes do NASF
O trabalho exercido pelo NASF é baseado e orientado de acordo com as diretrizes da Atenção Básica, logo, o
seu enfoque se dá a partir da lógica territorial, pela responsabilidade sanitária, com o trabalho conjunto em
equipe na resolutividade das ações, na integralidade do cuidado, no favorecimento da autonomia, individual
ou coletiva, e na troca de saberes para a continuidade do cuidado longitudinal. Com todas essas diretrizes,
fica claro que o objetivo do NASF é potencializar a resolutividade e a qualidade do cuidado na Atenção Básica
em Saúde. 
Operacionalização do NASF
Como vimos, antes de iniciar o trabalho do NASF, o que guiará a sua implantação serão as necessidades e as
demandas locais do território. Nesse sentido, é importante: 
Realidade e o processo
Conhecer a realidade do território, assim como
suas demandas e vulnerabilidades, para que um
melhor processo de trabalho possa ser
estabelecido.
Equipes e estratégia
Saber como as equipes de Estratégia de Saúde
da Família se organizam e atuam no mesmo
território, o que facilitará o processo de
inicialização do trabalho do NASF.
Organização e resultados
Promover uma melhor organização do processo
de trabalho e possíveis resultados exitosos.
Partindo do pressuposto que o NASF amplia as ações da Atenção Básica; oferta junto com as equipes de
referência, de AB ou de SF, cuidado compartilhado individual ou coletivo para melhor resolutividade dos
problemas; e apoia as equipes nas diversas áreas de conhecimentos, aumentando o repertório e a capacidade
de cuidado, além de estar mais próximo das necessidades da população; não se pode negar que esses são os
principais objetivos da implantação do NASF nos municípios do Brasil. 
Alguns pontos importantes do trabalho do NASF são o
compartilhamento e a responsabilização do cuidado junto
com as equipes de AB e de SF. 
Nesse sentido, o NASF prevê a revisão e até mesmo o
rompimento da prática dos encaminhamentos de referência
e contrarreferência, trazendo cada vez mais as equipes para
a lógica do compartilhamento dos casos e do cuidado e do
acompanhamento longitudinal, reforçando o papel das
equipes de AB e de SF no que se refere à coordenação do
cuidado nas Redes de Atenção à Saúde.
Esse trabalho acontece via apoio matricial, o que nos
mostra que os profissionais do NASF são chamados a
estarem juntos de acordo com a demanda e a necessidade das equipes de AB e SF, a partir de situações ou
casos específicos.
Mesmo que o trabalho aconteça, em sua maioria, a partir da demanda, nada impede que o NASF e as equipes
de AB e SF se organizem para melhor estruturar o trabalho de apoio matricial. 
O NASF visa contribuir com o cuidado integral dos usuários do SUS, tendo em vista que o seu trabalho resulta
na ampliação da clínica, intervindo e auxiliando nos problemas e nas demandas de saúde, sejam estritamente
clínicos ou sanitários. São exemplos de ações de apoio desenvolvidas pelos profissionais do NASF: 
Exemplo
Discussão de casos;Atendimento conjunto;Interconsulta;Construção conjunta de projetos
terapêuticos;Educação permanente;Intervenções no território e na saúde de grupos populacionais e da
coletividade;Ações intersetoriais;Ações de prevenção e promoção da saúde;Discussão do processo de
trabalho das equipes etc. 
Todas essas ações não ficam restritas apenas à Atenção Básica, podendo acontecer tanto na AB quanto nas
academias de saúde e no território. 
Desse modo, o NASF pode atuar de acordo com as demandas e as necessidades encontradas nos diversos
momentos, seja apoiando as equipes de referência, seja na elaboração de propostas de intervenção conjunta,
assim como nas ações clínicas e/ou coletivas com os usuários, de modo integral e com corresponsabilização
das equipes de referência. Se necessário, o NASF pode apoiar os processos de trabalho das equipes de
referências por ele apoiadas.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Mais um exemplo de interconsulta
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Objetivos do NASF e a aplicabilidade
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O matriciamento, ou apoio matricial em saúde mental, foi formulado a partir do reconhecimento da
necessidade de envolver a Atenção Básica para a efetivação das mudanças propostas pela reforma
psiquiátrica, sobretudo fortalecendo o vínculo no território. 
Em relação ao matriciamento em saúde mental, é correto afirmar que
A
constitui-se como intervenção psicossocial coletiva, realizada apenas pelo profissional de saúde mental.
B
caracteriza-se por realizar encaminhamento ao profissional especializado.
C
é formado pelas seguintes equipes: núcleo de apoio, equipe de referência e equipe de especialistas.
D
o PTS (Projeto Terapêutico Singular) não é considerado organizador das ações em saúde.
E
podemos considerar a interconsulta como um dos principais instrumentos do apoio matricial na Atenção
Primária, sendo uma ação colaborativa entre profissionais de diferentes áreas.
A alternativa E está correta.
Entre os instrumentos do matriciamento, vimos que a interconsulta é de fundamental importância para
construção de um trabalho integral entre NASF e APS, contribuindo bastante para a ampliação do cuidado
ao usuário, sendo uma das principais ferramentas utilizadas.
Questão 2
A Portaria GM nº 154, de 2008, criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF, com o objetivo de
ampliar a abrangência e o escopo das ações da Atenção Básica, bem como sua resolubilidade.
Assinale a alternativa correta com relação ao NASF.
A
O NASF deve apoiar a inserção da Estratégia Saúde da Família na rede de serviços, considerando o processo
de territorialização e regionalização desenhado a partir das referências hospitalares.
B
O NASF constitui-se porta de entrada do Sistema Único de Saúde e deve atuar de forma integrada à rede de
serviços, a partir da Estratégia Saúde da Família.
C
Os NASF devem funcionar em horário de trabalho diferente do horário das equipes de Saúde da Família.
D
O NASF deve ser constituído por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento,
que atuem em parceria com os profissionais das equipes de Saúde da Família.
E
O NASF é o responsável por revisar a prática dos processos de referência e contrarreferência no
encaminhamento clínico de usuários, sendo permitida, quando necessária, a participação das equipes de
Saúde da Família no processo de revisão.
A alternativa D está correta.
Como vimos ao longo do conteúdo, o NASF precisa ser composto por diversas categorias profissionais,
diferenciando-se, principalmente, das categorias contempladas pela Atenção Primária em Saúde,
exatamente pelo fato de servir como apoio a essas equipes a partir das diferentes especialidades que o
compõem.
3. As ferramentas utilizadas nos processos de trabalho em saúde
Ferramentas de trabalho em saúde
Grupos terapêuticos e ferramentas de trabalho em saúde.
Neste vídeo, a especialista Paula Louzada descreverá o que é um grupo terapêutico e suas potências na APS,
exemplificando alguns grupos terapêuticos. Apresentação das ferramentas de trabalho em saúde que são
utilizadas no cotidiano da APS.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O que seriam ferramentas de trabalho em saúde? Para entender, precisamos falar um pouco sobre tecnologia.
Quando estudamos a origem da palavra tecnologia, temos o prefixo tecno, do grego techné, que significa 
saber fazer, e o sufixo logia, que significa razão, estudo. Portanto, quando juntamos esses termos para formar
a palavratecnologia, chegamos ao seguinte significado: razão ou estudo do saber fazer.
Então, podemos entender a tecnologia como
um processo que envolve diversos aspectos e
dimensões, resultando em um produto, algo
que se deseja.
Nesse contexto, a tecnologia não se restringirá
a questões concretas, coisas materiais ou
equipamentos, e sim a um processo amplo que
implica um conjunto de ações articuladas e com
aporte teórico, para, então, atingir as
finalidades desejadas. 
Nesse ponto, poderemos chamar de
ferramentas tecnológicas em saúde ou
ferramentas/estratégias de trabalho em saúde
as ações que estarão dentro do mesmo sentido.
Partindo desse pressuposto e considerando o NASF e a Atenção Básica em Saúde, teremos ferramentas
tecnológicas de trabalho baseadas nas relações profissionais e com os usuários, levando em conta a forma de
agir com os envolvidos no processo de trabalho e na produção do cuidado em saúde.
Comentário
Elas são sempre baseadas no diálogo, na comunicação e na construção conjunta, em que os saberes
profissionais e de vida dos usuários e da comunidade têm a mesma relevância e servem para produzir
saúde. 
Veremos que as ferramentas tecnológicas de cuidado do NASF serão pautadas a partir da perspectiva
ampliada de saúde, sendo orientadas pela integralidade, em que todo e qualquer encontro entre os sujeitos,
trabalhador e usuários, ocorre por meio das relações estabelecidas entre eles.
Agora, vamos conhecer algumas ferramentas que podem ser utilizadas na Atenção Básica em Saúde e
também pelo NASF como estratégias de cuidado em saúde. 
Projeto de Saúde no Território
Chamado de Projeto de Saúde no Território (PST), é uma estratégia em
que as equipes de referência da Estratégia de Saúde da Família e
também do NASF desenvolvem as ações de produção de saúde visando
ao território e fazendo a articulação entre os serviços e as diversas
políticas existentes. Isso ocorre por meio do diagnóstico e do
levantamento das condições de saúde daquele território e, a partir disso,
é feita a promoção de saúde, incluindo a participação social (da própria
comunidade), executando ações intersetoriais, com vistas a produzir
autonomia para os usuários.
Acolhimento
Considerado uma das principais ferramentas de cuidado na Atenção
Básica, o acolhimento será um dos primeiros contatos entre o serviço e
os usuários, servindo para ampliar o acesso aos serviços de saúde e
também para reorganizar o processo de recepção ao usuário e a maneira
de poder ouvir aquele sujeito. No acolhimento, ocorrem demandas
espontâneas ou programadas. Poderá ser aquele primeiro momento que
o usuário procura o serviço de saúde, e o modo como é recebido
impactará o seu processo de cuidado em saúde.
Consulta ou clínica ampliada
Segundo o Ministério da Saúde, “para que se realize uma clínica
adequada (ampliada), é preciso saber, além do que o sujeito apresenta
de ‘igual’, o que ele apresenta de ‘diferente’, de singular. Inclusive um
conjunto de sinais e sintomas que somente nele se expressam de
determinado modo.” (BRASIL, 2009, p. 12). 
Desse modo, a clínica ampliada deverá considerar o atendimento ao
sujeito para além das questões da doença; precisará incluir o sujeito
como um ser integral e suas necessidades complexas, sejam de saúde ou
sociais, valorizando tudo o que ele carrega, incluindo o encontro entre o
profissional e o próprio usuário.
Visita domiciliar
A visita domiciliar é uma importante ferramenta para Atenção Básica em
Saúde, e consiste na ida do profissional de saúde até o domicílio do
usuário para a realização de cuidados e ou orientações. Serve como
busca ativa quando o usuário por algum motivo não se faz presente ao
acompanhamento, sendo planejada e programada a partir de cada caso
específico, considerando todas as questões do usuário. 
Sobre a visita domiciliar, Teixeira diz que “visita domiciliar é uma prática
profissional investigativa ou de atendimento, efetuada por profissionais
junto ao indivíduo em seu próprio meio social ou familiar, os quais
desenvolvem as técnicas de observação, de entrevista e de relato oral.”
(TEIXEIRA, 2009, p. 167).
Grupos de educação em saúde e grupos terapêuticos
Como vimos, os grupos são espaços importantes para o trabalho na
Atenção Básica em Saúde e, nesse sentido, eles também são
considerados ferramentas de trabalho, sejam os grupos educativos que
funcionam num sentido mais de orientação e transmissão de
informações, ou os grupos terapêuticos que visam à criação da troca de
saberes entre os participantes, ao desenvolvimento de autonomia e
formas para o enfrentamento do processo saúde-doença.
Reunião de equipe
É um espaço importante onde a equipe se reúne para discutir, planejar e
avaliar as ações de intervenções no território, em grupos específicos.
Além disso, há troca de saberes, já que reúne os diferentes profissionais
que compõem a equipe de saúde e ajuda na tomada de decisões e na
construção diária do processo de trabalho; portanto, podemos considerar
a reunião de equipe uma importante ferramenta.
Educação permanente em saúde
É um espaço onde acontece a prática de ensino-aprendizagem voltada
para a melhoria dos processos de trabalho, visando à produção de
conhecimento no próprio cotidiano dos serviços de saúde a partir da
realidade daqueles que estão envolvidos nesse processo.
Projeto Terapêutico Singular (PTS)
O PTS é definido como um conjunto de propostas e condutas
terapêuticas articuladas a partir das discussões coletivas entre a equipe
interdisciplinar, tendo como objetivo de melhoria as possibilidades de
intervenções nos casos ou nas situações. 
O PTS pode ter quatro momentos: definição de hipóteses diagnósticas;
definição de metas; definição de condutas; e reavaliação.
Análise ou diagnóstico situacional
A análise ou o diagnóstico situacional é definido como um conjunto de
técnicas e ferramentas que possibilitam as equipes de Atenção Básica se
aproximarem do território de referência para conhecer suas realidades,
seus problemas e suas necessidades relacionadas à saúde, levando em
consideração a singularidade daqueles sujeitos, suas culturas, suas
condições de vida, sua situação econômica e social, para, a partir de
então, planejar as ofertas de serviços e os acompanhamentos, incluindo
ofertas de melhores condições em saúde.
Apoio matricial na Atenção Básica
Como vimos, o matriciamento ou apoio matricial é uma ferramenta do
cuidado que gera um novo modo de produzir saúde em que duas ou mais
equipes, num processo de construção compartilhada, criam uma
proposta de intervenção pedagógico-terapêutica.
Essa proposta visa integrar os profissionais da equipe de Saúde da
Família com profissionais especialistas de forma que os primeiros tenham
um suporte para a discussão de casos e intervenções terapêuticas. 
O matriciamento visa transformar a lógica tradicional dos sistemas de
saúde: encaminhamentos, referências e contrarreferências, protocolos e
centros de regulação, por meio de ações mais horizontais que integrem
os componentes e seus saberes nos diferentes níveis de assistência
(CHIAVERINI, 2011).
A principal estratégia desenvolvida para apoio matricial é a partir da
equipe de NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família). Entre os
instrumentos do processo do matriciamento estão: elaboração de PTS,
interconsulta, consulta conjunta, visita domiciliar conjunta, grupos,
educação permanente, abordagem familiar, entre outros.
Linha de cuidado integral
Linha do cuidado é a imagem pensada para expressar os fluxos
assistenciais seguros e garantidos ao usuário, no sentido de atender às
suas necessidades de saúde. É como se ela desenhasse o itinerário que
o usuário faz por dentro de uma rede de saúde, incluindo segmentos não
necessariamente inseridos no sistema de saúde, mas que participam de
alguma forma da rede, como entidades comunitárias e de assistência
social. Por meio dela, é possível reorganizar os fluxos de tratamento dos
usuários para que acessem todos os recursos tecnológicos de que
necessitam.
Gestão participativa
Gestão participativa ou cogestãosignifica a inclusão de novos sujeitos
nos processos de gestão, seja na análise de contexto e problemas ou no
processo de tomada de decisão. Assim, ela seria exercida não por alguns,
mas por um conjunto mais ampliado de sujeitos que compõem a
organização, assumindo-se o papel de que todos são gestores de seus
processos de trabalho (BRASIL, 2009).
Classificação de risco na Atenção Básica
A classificação de risco dos usuários na Atenção Básica tem como
função, além da orientação da oferta de cuidado, o tempo em que deve
ocorrer e, como consequência, a diminuição do tempo de sofrimento
daqueles sujeitos a partir de suas demandas e necessidades. 
Na Atenção Básica, essa classificação precisará levar em consideração a
realidade e as condições de saúde daquela comunidade.
Planejamento em saúde
São várias as formas de se fazer planejamento em saúde. O processo de
planejamento, entendido como prática social, envolve atores sociais e
pode ser pensado por três premissas: 
1. O objetivo principal do planejamento em saúde é a saúde – contribuir
para a melhoria do nível de saúde da população tanto quanto seja
possível, dado o conhecimento e os recursos disponíveis.
2. Planejar não é fazer plano – o plano é apenas um instrumento, um
meio, contendo orientações que visam concretizar as mudanças
desejadas.
3. O planejamento não deve ser apenas a expressão dos desejos de
quem planeja – os objetivos e as estratégias expressos no plano devem
ser factíveis, do ponto de vista técnico, e viáveis do ponto de vista
político, guardando, portanto, relação com a realidade.
É importante dizer que o planejamento deve ser desenvolvido a partir dos
problemas do território em uma perspectiva intersetorial.
Genograma
O genograma é uma ferramenta bastante utilizada na Atenção Básica em
Saúde que permite organizar os dados familiares assim como os seus
processos relacionais. Também permite uma melhor visualização da
organização familiar e suas características principais. Com ele, é possível
visualizar a composição da família, seus problemas de saúde, as
situações de risco e as vulnerabilidades, o que o torna uma importante
ferramenta de cuidado.
Ecomapa
O ecomapa é uma importante ferramenta que servirá para avaliação
familiar em relação ao mapeamento de redes, apoios sociais e ligações
da família com a comunidade. 
Enquanto o genograma identifica e nos mostra as relações dentro do
próprio sistema familiar, o ecomapa representa as interações da família
com pessoas, instituições ou grupos sociais e seus territórios.
Grupos terapêuticos na Atenção Primária em Saúde
Desenvolver trabalhos em grupo pode ser uma prática essencial na Atenção Primária em Saúde (APS). De
acordo com sua organização e seu manejo, ele pode ser organizador dos processos de trabalho, ampliando a
capacidade da assistência prestada aos usuários sem perder qualidade e, na maior parte do tempo, o cuidado
ao usuário. 
Quando falamos em grupos na APS, logo pensamos nos grupos de educação e saúde, que funcionam dentro
da promoção e prevenção em saúde e que são muito valorizados e importantes nesse nível de atenção. Entre
eles, podemos citar: 
Exemplo
Grupos de doenças crônicas (hipertensão e diabetes); de gestantes; de adolescentes; de convivência;
de atividade física; de planejamento familiar; de tabagismo; de adesão medicamentosa ou de
desmedicalização, entre outros. 
De maneira geral, esses grupos são considerados como ações educativas e, na maioria das vezes, são
realizados nos moldes de transmissão de informações, o modelo clássico, centrado no saber profissional.
Esse modelo faz com que os pacientes tenham dificuldade de participar, por não ser um grupo mais
participativo e corresponsabilizador no processo de construção de saúde. 
Ao propormos um grupo, precisamos sempre refletir se ele
atenderá ao objetivo de atenção integral à saúde e com
impacto na autonomia dos usuários, na prática do cuidado,
como, por exemplo, proporcionar a reflexão de mudanças
nas atitudes de passiva para ativa.
É importante que no trabalho grupal seja incluído tudo o que
possa proporcionar a socialização, a integração, o apoio
psíquico, as trocas de experiência e de saberes, assim
como a construção dos projetos coletivos junto dos
usuários, e não ser apenas um espaço para dar conta das
demandas e necessidades.
Para que esse trabalho seja efetivado, é fundamental que os
profissionais sejam receptivos aos usuários, ouvindo suas demandas de vida, subjetivas, as dificuldades
apresentadas, os problemas familiares e sociais, para os quais, por vezes, não teremos respostas imediatas,
mas acolher e escutar poderá fazer diferença ao cuidado do usuário. 
Reflexão
Vamos pensar em algo prático: Se surgisse a oportunidade de participarmos de um espaço para ter
trocas com outras pessoas que lidam e passam por problemas parecidos, de forma mais humana e real,
e ainda fôssemos incentivados a buscar soluções e meios para lidar com essas questões, por que não
participaríamos? 
Desse modo, a maneira do profissional de conduzir os grupos pode fazer com que mudanças aconteçam nos
usuários, gerando empoderamento, criando novos modos de desenvolver sua autonomia e criar soluções para
os problemas enfrentados. 
Nesse caminhar, taiss grupos tornam-se ponto de apoio e suporte ao usuário, promovendo mudanças no seu
estilo de vida, nas suas relações pessoais e nos seus hábitos. 
Os grupos podem ser terapêuticos, pois além de melhoria em relação aos sintomas e ao sofrimento, também
promovem o autoconhecimento de um melhor desenvolvimento pessoal, fazendo promoção e prevenção em
saúde. Entre esses grupos, podemos citar:
Terapia comunitária
Espaço para que as pessoas possam dividir suas dores e seu sofrimento,
podendo ser liderado por qualquer pessoa da equipe que tenha formação
adequada. Pode ser considerada uma importante ferramenta de
promoção e prevenção de saúde, principalmente, no que diz respeito à
saúde mental, sendo mais um momento de fortalecimento, apoio,
reestruturação e socialização para muitos usuários. Vale destacar que
não está restrito a pessoas que tenham algum tipo de sofrimento mental;
é aberto à comunidade.
Grupos de convivência
Geralmente utilizados e frequentados pela terceira idade, no sentido do
cuidado e apoio a esses usuários. Mostra-se eficaz no que se diz
respeito à melhora emocional, ajudando a diminuir os quadros
depressivos, aumentando a socialização e reduzindo a solidão desses
indivíduos. Costuma-se fazer atividades manuais assim como passeios e
festas, promovendo a reintegração social desse grupo etário.
Grupos de mulheres
De maneira geral, esses grupos servem de apoio e suporte a tal clientela,
possibilitando a abertura de espaço de acolhimento e escuta,
promovendo reflexão e aumento da autoestima e fortalecendo o vínculo
com a equipe que os acompanha. Geralmente, podem ser grupos
abertos, com temas a definir, a partir do que é trazido pelos
participantes. Na maior parte das vezes, os problemas, as questões e as
dificuldades do dia a dia são discutidos à medida que aparecem nas
falas. 
Nesses grupos, pode acontecer troca de estratégias e experiências que
ajudam a aprimorar as condições que boa parte dessa clientela sofre,
como a discriminação de gênero, a violência doméstica, a ansiedade
causada pelo próprio ciclo de vida e as mudanças que aparecem com ele,
como a menopausa, os filhos, a aposentadoria etc. Esses grupos
resultam, por exemplo, na diminuição da busca da unidade por essa
clientela com queixas físicas, mas sem explicação clínica.
O grupo deve ser proposto de modo a permitir que seus integrantes tenham voz, espaço e corpos presentes;
sintam-se verdadeiramente como integrantes ativos de um grupo. Não há participação verdadeiramente ativa
em um grupo sem que os sujeitos que se colocam tenham condição de ser ouvidos em suas demandas, para
depois poder ouvir e colaborar com a demanda alheia e proposta geral; constituindo, somente a partir daí, um
verdadeiro sentimento de pertencimento grupal (BRASIL, 2013).
Vem que eu te explico!
Osvídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Projeto Terapêutico Singular
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Genograma
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O trabalho em grupo pode ser uma importante ferramenta de cuidado na Atenção Primária em Saúde, tendo
em vista que, se bem desenvolvido e manejado, alcança resultados que o atendimento individual pode não
conseguir devido à sua individualidade. Entre os grupos relacionados a seguir, quais deles podemos
considerar como terapêuticos?
A
Grupo de mulheres, grupo de convivência e grupo de tabagismo.
B
Terapia comunitária, grupo de mulheres e grupo de convivência.
C
Grupo de convivência, grupo de tabagismo e terapia comunitária.
D
Grupo de mulheres, grupo de tabagismo e terapia comunitária.
E
Grupo de mulheres, grupo de convivência e grupo de atividades físicas.
A alternativa B está correta.
Como vimos, os grupos nos quais há interação, troca de saberes e subjetividade, nos quais o sujeito ouve e
é ouvido, havendo compartilhamento de experiência e autocuidado, podem ser chamados de grupos
terapêuticos. Entre eles, podemos citar os grupos de mulheres, a terapia comunitária e o grupo de
convivência.
Questão 2
As ferramentas de trabalho em saúde que também podem ser entendidas como estratégias de trabalho em
saúde permeiam o dia a dia do profissional da Atenção Primária em Saúde em quase todos os seus afazeres
na sua prática profissional. Ao longo do conteúdo, relacionamos algumas ferramentas de trabalho em saúde.
Entre as opções a seguir, qual não podemos considerar ferramentas/estratégias de trabalho em saúde.
A
Apoio matricial ou matriciamento.
B
Reunião de equipe.
C
Encaminhamento
D
Projeto terapêutico singular.
E
Visita domiciliar.
A alternativa C está correta.
Neste conteúdo, vimos que a única ferramenta de trabalho que não utilizamos foi o encaminhamento. Essa
prática foi substituída pela referência e contrarreferência. A Atenção Primária em Saúde sempre será
referência para o usuário que vive no território de cobertura daquela unidade de saúde. Por mais que, em
algum momento, seja necessário encaminhar um usuário para um serviço mais complexo, a unidade de
atenção básica será referência para ele.
4. Conclusão
Considerações finais
Como vimos, as redes de suporte da Atenção Primária articulado com a saúde mental são diversas, e o
diálogo entre os dois campos é constante e horizontal, estando sempre presente no território, uma vez que o
usuário sempre fará parte dele. 
A fim de ampliar a capacidade de ações da Atenção Básica em Saúde, vimos a importância da criação do
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), que dialoga com o processo de trabalho das equipes de Saúde
da Família, apoiando as consultas e demais intervenções no território de ação. 
O matriciamento em saúde mental é uma ampliação do cuidado em saúde mental na Atenção Básica, assim
como as interconsultas, que podem ser uma das principais ferramentas do próprio matriciamento. 
É importante dizer que todo o processo de trabalho, desde o acolhimento inicial à discussão do caso ou visita
domiciliar, a construção do projeto terapêutico singular e a própria avaliação do cuidado são considerados
ferramentas/estratégias de cuidado em saúde. 
Para finalizar, os grupos terapêuticos podem ser uma ferramenta de cuidado de grande importância, tendo em
vista que, se bem trabalhados, têm um alcance, por vezes maior, que os atendimentos individuais e
proporcionam trocas e construções de subjetividade coletiva.
Podcast
Neste podcast, o especialista abordará, de maneira geral, o tema tratado nos vídeos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Para ampliar seus conhecimentos sobre este conteúdo, acesse:
 
Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011.
 
Portaria nº 3.089, de 23 de dezembro de 2011.
 
Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001.
 
Portaria nº 122, de 25 de janeiro de 2012.
 
Para saber mais sobre o matriciamento, acesse o Guia prático de matriciamento em saúde mental.
 
Para saber mais sobre o NASF, acesse o Caderno de Atenção Básica: Diretrizes do NASF.
 
Para entender na prática, conheça um exemplo de como o olhar sobre o território pode contribuir para a
definição de ações mais coordenadas e adequadas às necessidades da população adscrita na página 39 do 
Caderno de Atenção Básica do NASF nº 39.
 
Assista ao vídeo das diretrizes do NASF do Ministério da Saúde, intitulado #1: As diretrizes do NASF-AB, do
canal Saps Secretaria de Atenção Primária à Saúde, no YouTube.
 
Assista ao vídeo do Ministério da Saúde que fala sobre o apoio matricial, intitulado #2: Apoio Matricial - NASF
- AB, do canal Saps Secretaria de Atenção Primária à Saúde, no YouTube.
Referências
BRASIL. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras
de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 2001.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas
Estratégicas. Saúde mental e Atenção Básica: o vínculo e o diálogo necessários. Inclusão das ações de saúde
mental na Atenção Básica. 2003. Consultado na internet em 10 maio. 2021.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial. Brasília, 2004.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 154, de 24 de janeiro de 2008. Cria os Núcleos de Apoio à Saúde da
Família – NASF. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2008. Consultado na internet em 10 maio. 2021.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e
Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para a
organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 2010, seção 1, p. 88.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção
Psicossocial para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de
crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2011,
seção 1, p. 230-232.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde mental.
Cadernos de Atenção Básica, n° 34. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Núcleos de Apoio à Saúde da Família – volume 1: ferramentas para a gestão e
para o trabalho cotidiano. Cadernos de Atenção Básica, n° 39. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
 
CAMPOS, G. W. S.; DOMITTI, A. C. Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para gestão do
trabalho interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 23, n. 2, p. 399-407, 2007.
 
CHIAVERINI, D. H. et al. (org.) Guia prático de matriciamento em saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde:
Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011, 236 p.
 
FIGUEIREDO, M. D.; CAMPOS, R. O. Saúde mental na atenção básica à saúde de Campinas, SP: uma rede ou
um emaranhado. Ciência e Saúde Coletiva, v. 14, n. 1, p. 129-138, 2009.
 
FRANCO, C. M.; FRANCO, T. B. Linhas do cuidado integral: uma proposta de organização da rede de saúde.
2012.
 
MENDES, E. V. As Redes de Atenção à Saúde. 2 ed. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2011.
 
TEIXEIRA, C. P. A visita domiciliar: um instrumento de intervenção. Saúde em Debate [on-line], v. 15, n. 1, 2009.
	As redes de suporte da Atenção Primária em Saúde articulado com a saúde mental
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. A saúde coletiva e a saúde mental
	A relação da saúde coletiva e da saúde mental
	A interfaceentre a saúde coletiva e a saúde mental
	Conteúdo interativo
	Como se caracteriza?
	Como se desenvolve?
	Como se orienta?
	Atenção
	Exemplo
	A escuta
	Atenção
	Território
	As redes
	Saiba mais
	Vem que eu te explico!
	O que é Saúde Coletiva
	Conteúdo interativo
	Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. A saúde mental, as interconsultas e a atuação no NASF
	Matriciamento em saúde mental
	Matriciamento em saúde mental e sua importância
	Conteúdo interativo
	Comentário
	Atenção
	Quem pode fazer o matriciamento em saúde mental?
	Matriciamento não é:
	Quando a equipe de Atenção Primária em Saúde solicita o matriciamento?
	Interconsultas
	Atenção
	Discussão de caso com parte ou com toda equipe de referência.
	Consultas conjuntas (com mais de um profissional juntos).
	Visitas domiciliares conjuntas.
	Exemplo
	O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)
	Quem compõe o NASF?
	Quem define a composição?
	Qual o processo de trabalho?
	Curiosidade
	Diretrizes do NASF
	Operacionalização do NASF
	Realidade e o processo
	Equipes e estratégia
	Organização e resultados
	Exemplo
	Vem que eu te explico!
	Mais um exemplo de interconsulta
	Conteúdo interativo
	Objetivos do NASF e a aplicabilidade
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. As ferramentas utilizadas nos processos de trabalho em saúde
	Ferramentas de trabalho em saúde
	Grupos terapêuticos e ferramentas de trabalho em saúde.
	Conteúdo interativo
	Comentário
	Projeto de Saúde no Território
	Acolhimento
	Consulta ou clínica ampliada
	Visita domiciliar
	Grupos de educação em saúde e grupos terapêuticos
	Reunião de equipe
	Educação permanente em saúde
	Projeto Terapêutico Singular (PTS)
	Análise ou diagnóstico situacional
	Apoio matricial na Atenção Básica
	Linha de cuidado integral
	Gestão participativa
	Classificação de risco na Atenção Básica
	Planejamento em saúde
	Genograma
	Ecomapa
	Grupos terapêuticos na Atenção Primária em Saúde
	Exemplo
	Reflexão
	Terapia comunitária
	Grupos de convivência
	Grupos de mulheres
	Vem que eu te explico!
	Projeto Terapêutico Singular
	Conteúdo interativo
	Genograma
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina