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As redes de suporte da Atenção Primária em Saúde articulado com a saúde mental A articulação da saúde mental no contexto da Atenção Primária em Saúde e suas potencialidades para um cuidado integral. Matriciamento, interconsultas e NASF. Ferramentas de trabalho em saúde e grupos terapêuticos. Profª. Michael Vida de Freitas 1. Itens iniciais Propósito Reconhecer as redes de suporte da Atenção Primária em Saúde articulado com a saúde mental como cuidado integral aos usuários em sofrimento psíquico. Preparação Antes de iniciar este estudo, é importante pesquisar e conhecer a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a Política Nacional de Saúde Mental, a Lei nº 10.216/01, assim como o processo da reforma psiquiátrica brasileira. As políticas estão disponíveis na Internet. Objetivos Identificar a relação da saúde coletiva e da saúde mental no contexto do cuidado integral para assistência no território. Analisar o matriciamento em saúde mental, as interconsultas e a atuação no NASF. Identificar as ferramentas utilizadas nos processos de trabalho em saúde, bem como a importância dos grupos terapêuticos na Atenção Primária em Saúde. Introdução A Atenção Primária em Saúde tem como uma de suas premissas possibilitar e facilitar o acesso da população aos serviços de saúde, ou seja, trata-se da principal porta de entrada dos usuários ao sistema. Nesse sentido, as ações da Atenção Básica são pensadas e desenvolvidas a partir de um território geograficamente conhecido, adscrito, permitindo que os profissionais de Saúde estejam mais próximos dos usuários com facilidade e, por conseguinte, possibilitando o estabelecimento de vínculos e itinerários com a comunidade ou o território. Em relação ao cuidado em saúde mental na Atenção Primária, consideramos fundamental e de extrema importância a facilidade de acesso das equipes aos usuários e o movimento inverso, proporcionando a vinculação e a ampliação do cuidado. Desenvolver o cuidado em saúde mental não é comum, sempre há dúvidas, curiosidades e até mesmo receio. Neste conteúdo, reconheceremos de que modo esse trabalho pode ser desenvolvido, bem como sua importância dentro da Atenção Primária. • • • 1. A saúde coletiva e a saúde mental A relação da saúde coletiva e da saúde mental A interface entre a saúde coletiva e a saúde mental Neste vídeo, a especialista Paula Louzada apontará a relação da saúde mental e coletiva dentro do território de referência do usuário e a importância dessa articulação para o cuidado integral. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A saúde coletiva surgiu com o movimento da Reforma Sanitária no Brasil, a partir da reivindicação da população por serviços de saúde gratuitos e de qualidade para todos. Além disso, traz consigo o pensamento de olhar o indivíduo como um todo, ou seja, integralmente. A saúde coletiva tem como objetivo analisar o processo saúde-doença a partir da coletividade, incluindo o contexto social no qual está inserido, e a partir de então, criar condições de intervenções nessa realidade, gerando mudanças e melhorias na comunidade. Prioriza, ainda, o estudo dos determinantes sociais e das desigualdades em saúde, com gestão democrática, aberta aos saberes científicos e populares. Nesse contexto, umas das estratégias da saúde coletiva é a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). Veja, a seguir, mais informações sobre ela. Como se caracteriza? A Atenção Básica caracteriza-se como porta de entrada preferencial do SUS, formando um conjunto de ações de saúde, nos âmbitos individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o intuito de desenvolver uma atenção integral que impacte a situação de saúde e a autonomia das pessoas, bem como os determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. Como se desenvolve? Desenvolve-se com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, próxima da vida das pessoas. Deve ser o contato preferencial dos usuários e o centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Como se orienta? Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social. A Atenção Básica/Atenção Primária em Saúde considera o sujeito em sua singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a atenção integral (BRASIL, 2013). Vamos analisar, primeiramente, que a saúde mental não é uma área que está a par da saúde de modo geral, pelo contrário, ela precisa fazer parte de todo esse contexto. Logo, precisamos entender que as demandas de saúde mental estarão presentes em todos os lugares, inclusive, e talvez principalmente, na Atenção Básica, a partir das queixas ou dos relatos dos usuários, que, por vezes, não conseguem dizer com clareza do que se trata. Ao profissional ficará a tarefa de reconhecer e intervir nessas questões. Ao pensarmos nas ações em saúde mental que podem ser realizadas pelos profissionais da Atenção Primária, é importante considerarmos o próprio trabalho já realizado, incluindo o território e o contexto dos usuários. Ainda, é importante considerar a subjetividade de cada sujeito, suas singularidades, respeitando a visão de mundo de cada um, pensando em uma integralidade do cuidado, e desse modo, talvez, não haja nada de tão diferente de uma ação específica em saúde mental. Por vezes, os próprios profissionais da Atenção Básica/Atenção Primária promovem ações de cuidado em saúde mental e sequer as reconhecem, pelo simples fato de não entenderem que aquela intervenção foi uma ação relacionada à saúde mental. Isso gera dúvidas nos profissionais, no sentido de o que fazer e como fazer em determinadas situações que aparecem no dia a dia de trabalho. Partindo desse ponto, é importante ressaltar que todos os profissionais da Atenção Primária em Saúde podem e devem realizar ações no que diz respeito às práticas em saúde mental. O que vai fazer diferença nessas práticas em saúde mental é o entendimento que cada profissional construirá a partir do próprio território e das relações construídas com os usuários. Atenção Nesse caminhar, tal entendimento poderá ser algo tão importante a ponto de ser prioritário para uma escolha do que se entende sobre saúde mental ou do que é preciso para atuar na área de saúde mental. Até mesmo os profissionais especialistas em saúde mental, ou que trabalham com ela, pensam nas estratégias de cuidado a partir de todo o contexto do usuário, o que inclui, principalmente, o território de vida dos usuários, seus contextos familiares e todas as redes de suporte existentes. Então, o que seriam as intervenções em saúde mental? Precisamos pensar que essas intervenções têm como direção a promoção de novas maneiras e possibilidades em relação aos modos de vida dos usuários, a partir da produção de vida e também de saúde, para não ficarmos presos às curas de doenças. Logo, precisamos pensar e entender que os sujeitos têm várias formas de perceber, experimentar e viver as suas vidas, ou seja, precisamos olhar para suas múltiplas dimensões e tudo aquilo que os cercam, seus desejos, seus valores, suas escolhas, sua cultura, seu modo de ser e de viver, sem diminuir essa questão e tratar como se todos fôssemos do mesmo jeito. Veja, a seguir, um pouco mais sobre as intervenções. Para tornarmos tais ações, cuidados e intervenções mais claros e palpáveis, apresentamos algumas ações que podem ser desenvolvidas por todos os profissionais da Atenção Básica/Atenção Primária em Saúde, o que inclui o enfermeiro, nos mais diversos dispositivos de cuidado de acordo com Chiaverini e colaboradores (2011): Proporcionar ao usuário um momento para pensar/refletir. Exercer boa comunicação. Exercitar a habilidade da empatia. Lembrar-se de escutar o que o usuário precisa dizer. Acolher o usuário e suas queixasemocionais como legítimas. Oferecer suporte na medida certa; uma medida que não torne o usuário dependente e nem gere uma sobrecarga no profissional. Reconhecer os modelos de entendimento do usuário. Vejamos, a seguir, um exemplo fictício de um caso comum na Atenção Primária em Saúde: Exemplo M.R.V, 28 anos, solteira, professora numa cidade pequena do interior do Rio de Janeiro, mora com a mãe perto da ESF Jardins e o pai faleceu quando ela tinha 18 anos. Há cerca de um mês, procura pelo menos uma vez por semana a Estratégia de Saúde da Família, sendo atendida por toda a equipe, sempre se queixando de estar “passando mal”, embora nunca fosse verificada nenhuma alteração de pressão ou de qualquer outro sinal vital. Devido à frequente procura pela unidade queixando-se sempre de que não está passando bem, M.R.V foi encaminhada para uma avaliação médica. Nessa consulta, ela contou que tem sentido muito nervoso, medo sem saber o porquê e um pouco de desânimo, mas que ainda consegue “passar por cima disso” e, com muito custo, ir trabalhar. Ela tem dois filhos de relacionamentos diferentes, e ambos com pai ausente. A mãe de M.R.V ajuda na criação dos filhos, mas reclama que ela se intromete muito e isso a incomoda. Ao longo da consulta, ela relata história de fortes dores de cabeça há bastante tempo (crise de enxaqueca?), talvez há anos, e que pioraram há aproximadamente um ano. No exame físico, não apresentou nenhuma alteração, negando inclusive o uso de tabaco, álcool e outras drogas, e não relata ideia de morte. A escuta Os profissionais costumam dar atenção e ouvir os momentos que os usuários apresentam, abrindo espaço para o desabafo. Independentemente de exercerem profissões relacionadas à saúde, a atitude de escutar é comum no cotidiano de muitas pessoas. Por ser considerada uma prática de senso comum, e não uma técnica específica para profissionais de saúde, a proposta de ouvir atentamente o sujeito parece ser menor se comparada a outras condutas técnicas. No entanto, essa desvalorização do espaço de escuta não invalida sua importância e eficácia, principalmente na Atenção Primária à Saúde. Atenção Primária É vivida no dia a dia, e as intervenções podem ser construídas a partir dos encontros entre os usuários e os profissionais, levando em consideração todos os contextos citados, para então, conjuntamente, construir e criar ferramentas e estratégias para o cuidado em saúde de modo integral. Profissionais de saúde Por vezes, realizam no seu cotidiano intervenções do próprio processo de trabalho que possibilitam e fortalecem um suporte emocional àqueles usuários que estão em situação de sofrimento. • • • • • • • Atividade de grupo em saúde mental desenvolvendo a escuta. O profissional disposto a ouvir, dispensando atenção e disponibilidade ao usuário, poderá criar um potente espaço de escuta, sendo essa uma importante ferramenta de trabalho para utilização, de modo que o usuário possa falar e ouvir o seu próprio sofrimento, mediado pelo profissional que o escuta. O profissional de saúde que se coloca como agente de intermédio do usuário, ao ouvir o que ele diz, faz e pensa, ajudando-o a se dar conta, a refletir acerca dos seus conflitos e do sofrimento que pode aparecer e que, por vezes, o usuário sozinho não consegue identificar; por conseguinte, a situação pode se agravar, refletindo em questões clínicas e, até mesmo, somáticas. Algumas vezes, será função do profissional de saúde possibilitar ou criar junto com o usuário estratégias para lidar com determinadas situações que aparecem durante a fala e que podem potencializar o sofrimento. Desse modo, fazer orientações junto do usuário só será possível porque o profissional, além de ter se disponibilizado a escutá-lo atentamente, produziu vínculo ao longo do tempo e do cuidado, e estar no lugar de interlocutor o possibilita fazer determinadas orientações de cuidado. Ao falarmos especificamente da saúde mental, podemos citar, como principais dispositivos de cuidado comunitário, os grupos terapêuticos, os grupos de família, os espaços ou grupos de convivência, grupos de artesanato ou de atividades manuais ou geração de renda, assim como as redes de apoio, sejam sociais ou pessoal de cada indivíduo, entre outros. Atenção Destacamos que o trabalho na Atenção Básica é longitudinal e contínuo, logo, ele irá acontecer ao longo do tempo. Isso quer dizer que o usuário sempre estará acompanhado, independentemente de estar com alguma doença ou não. Esse acompanhamento terá todo um processo, e o fato de as equipes de saúde estarem muito próximas do usuário e do território servirá como base para uma melhor elaboração do processo de cuidado, visando sempre ao fortalecimento do vínculo entre usuário e profissional de saúde. É importante ter cautela em relação a intervenções/ações/cuidado em saúde mental, para que não sejam rígidos ou engessados, ou, até mesmo, apenas baseados em eliminar sintomas, sem considerar o usuário como um todo, incluindo seu contexto de vida e território que vive. Território A Atenção Básica, como vimos, trabalha, a todo momento, numa lógica territorial, e, nesse sentido, a lógica de território, abordada aqui, inclui toda a dimensão subjetiva que contribui com o enriquecimento e a possibilidade de abordagens de território no campo da saúde, ponto de interesse deste estudo. O território é um elemento primordial quando pensamos na organização dos serviços de saúde da Atenção Básica, sendo bem estabelecido geograficamente e, também, onde há uma limitação da cobertura populacional de responsabilidade de cada equipe de saúde. Contudo, se pensarmos a noção de território apenas no sentido geográfico, como espaço físico, espaços delimitados não suprem a dinâmica que as pessoas e os grupos estabelecem entre si e com o próprio território. Nesse sentido, usaremos aqui a noção de território vivo, de Milton Santos, que leva em consideração todas as relações sociais, assim como as dinâmicas que podem configurar o território como um lugar subjetivo. Ao mesmo tempo, também usaremos a noção de território, de Guattari, que aponta os territórios como existenciais, podendo ser territórios individuais, territórios de grupo e, ao mesmo tempo, espaços processuais de circulação de pessoas, sempre considerando suas subjetividades presentes. As redes O que é rede? Adotamos a ideia de que uma rede de cuidados, no âmbito da micropolítica, forma-se por fluxos entre os próprios trabalhadores que, no ambiente de trabalho, estabelecem conexões entre si. Essas redes são ativadas e se mantêm funcionando pelos trabalhadores, e seu funcionamento acontece mediante determinado projeto terapêutico (FRANCO; FRANCO, 2012). Territórios vivos Entendemos que esses territórios a que nos referimos são territórios vivos que se configuram, desconfiguram-se e podem reconfigurar-se a partir dos acontecimentos, das possibilidades presentes, das relações que podem ser estabelecidas, seja individualmente ou em grupo. Territórios existenciais Considerando os existenciais, precisamos pensar além da subjetividade do usuário e incluir a dos trabalhadores de saúde, tendo em vista que a principal ferramenta de trabalho em saúde mental é a relação. Os trabalhadores precisarão permitir que haja deslocamentos nos seus próprios territórios existenciais. Saiba mais A Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011, instituiu a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para pessoas com sofrimento ou transtorno mental, e com necessidades decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa rede é composta por diversos serviços e equipamentos, entre os quais podemos citar: os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS); os Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); os Centros de Convivência e Cultura, as Unidade de Acolhimento (UAs) e os leitos de atenção integral (em hospitais gerais e nos CAPS tipo III). Rede de atenção à saúde mental Quando falamos da RAPS e dos seus pontos de atenção à saúde,podemos identificá-la em diversos pontos da Rede de Assistência à Saúde. Vejamos alguns exemplos a seguir (BRASIL, 2011): RAPS Pontos de atenção à saúde Na Atenção Básica/ Atenção Primária em Saúde: • Unidade Básica de Saúde; • Núcleo de Apoio à Saúde da Família; • Consultório de Rua; • Apoio aos serviços do componente Atenção Residencial de Caráter Transitório; • Centros de Convivência e Cultura. Atenção Psicossocial Estratégica: • Centros de Atenção Psicossocial nas suas diferentes modalidades. Atenção de Urgência e Emergência: • SAMU 192; • Sala de Estabilização; • UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à urgência/pronto-socorro, Unidades Básicas de Saúde. Atenção Residencial de Caráter Transitório: • Unidade de Acolhimento; • Serviço de Atenção em Regime Residencial. Atenção Hospitalar: • Enfermaria especializada em hospital geral. RAPS Pontos de atenção à saúde Estratégia de Desinstitucionalização: • Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT); • Programa de Volta para Casa (PVC). Estratégias de Reabilitação Psicossocial: • Iniciativas de Geração de Trabalho e Renda; • Empreendimentos Solidários e Cooperativas Sociais. Por fim, neste módulo, entendemos que a saúde coletiva e a saúde mental são campos que caminham na mesma direção, a de superar a fragmentação do cuidado ao usuário, construindo estratégias para dinamizá- lo, de modo a não o reduzir a doenças, com enfoque no cuidado horizontal e integral. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. O que é Saúde Coletiva Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) estabelece os pontos de atenção para o atendimento de pessoas com problemas mentais. Qual portaria, promulgada em 2011, institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)? A 10.216/11. B 189/11. C 336/11. D 224/11. E 3.088/11. A alternativa E está correta. De acordo com a Portaria 3.088/2011, fica instituída a Rede de Atenção Psicossocial, cuja finalidade é a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde para pessoas em sofrimento psíquico ou que fazem uso prejudicial e ou abusivo de álcool e outras drogas, no domínio do Sistema Único de Saúde. Questão 2 No que diz respeito ao cuidado, à Atenção Básica e à discussão sobre território, pode-se afirmar que o processo de trabalho que melhor corresponde aos anseios da autonomia do indivíduo é aquele que toma como base a responsabilidade clínica e sanitária das equipes de saúde, já que permite fortalecer as relações que as pessoas e os grupos estabelecem entre si e o fato de residirem em uma mesma localidade. Sob esse ponto de vista, assinale a alternativa que conceitua território corretamente. A Limites geográficos ainda não explorados pelos serviços, representando os espaços de circulação das pessoas de forma assistemática. B Limites geográficos e de cobertura populacional das instituições, representando também os espaços de circulação das pessoas. C Limites institucionais, de âmbito estadual, representando somente espaços de representação das instituições. D Limites institucionais delimitados pelos serviços de saúde mental. E Limites geográficos delimitados pelos serviços de saúde mental. A alternativa B está correta. Como vimos ao definir território, podemos considerar que ele não é apenas o espaço geográfico que determinado indivíduo ocupa, mas também todos os lugares, espaços onde haja circulação, vínculos e manutenção de relações. 2. A saúde mental, as interconsultas e a atuação no NASF Matriciamento em saúde mental Matriciamento em saúde mental e sua importância Neste vídeo, a especialista Paula Louzada apontará o que é e como realizar matriciamento em saúde mental. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O matriciamento ou apoio matricial é um arranjo técnico-assistencial que visa à ampliação da clínica das equipes de Atenção Básica, superando a lógica de encaminhamentos indiscriminados e se encaminhando para uma lógica de corresponsabilização entre as equipes de Atenção Básica (AB), saúde da família (SF) e saúde mental (SM), com a construção de vínculos entre profissionais e usuários, objetivando maior resolutividade na assistência em saúde, conforme as elaborações de Campos e Domitti (2007). Trata-se de um novo modelo de produção de saúde, em que duas equipes ou mais trocam e constroem saberes de maneira compartilhada, criando estratégias de intervenção, sejam pedagógicas ou terapêuticas. Comentário Esse novo modelo de produção de saúde tem sido de fundamental importância para a integração da saúde mental e da Atenção Primária em Saúde, principalmente no âmbito brasileiro. Esse novo modo de interação tem estruturado no país uma modalidade de cuidado mais colaborativa, compartilhada entre a saúde mental e a Atenção Básica. Esse modelo também tem propiciado que as equipes de SF aumentem a capacidade de lidar com o sofrimento psíquico de seus usuários, possibilitando a integração juntamente com os demais pontos da rede de cuidados. O apoio matricial ou matriciamento é um modo de possibilitar que a Atenção Básica se aproxime e se corresponsabilize cada vez mais pelos transtornos mentais, possibilitando a prevenção, a promoção da saúde e a reabilitação psicossocial dentro do seu próprio escopo. A corresponsabilização, como vimos, desconstrói a ideia de referência e contrarreferência, logo, favorece a responsabilização dos serviços pelas demandas que, nesse caso, incluem, para além dos serviços especializados, também a Atenção Básica. Ou seja, quando compartilhamos o cuidado, possibilitamos que diversos dispositivos se responsabilizem pelo processo de cuidar, um cuidado em rede, tanto por dispositivos da rede de saúde quanto de cunho comunitário, considerando como mais importante nesse contexto o sujeito e seu processo de saúde e adoecimento. Portanto, todos os serviços poderão ser garantia ao acesso, sejam os serviços especializados, a Atenção Básica ou ambos. Ficam em voga a universalidade, a equidade e a integralidade do cuidado, que são princípios fundamentais do SUS, e quem ganha com isso é o usuário. Atenção Essa é uma proposta que rompe com a lógica tradicional dos sistemas de saúde, dos encaminhamentos, das referências, das contrarreferências, dos protocolos, dos sistemas de regulações, do sistema extremamente burocrático e não dinâmico, substituindo isso tudo por uma lógica de ações horizontais, integradas nos diferentes níveis assistenciais de saúde e saberes. O apoio matricial ou matriciamento não é o mesmo que ser atendido por um especialista em uma unidade de Atenção Básica. O matriciamento, de acordo com Figueiredo e Campos (2009, p.130), é “um suporte técnico especializado que é ofertado a uma equipe interdisciplinar em saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações”. Ele tem como proposta um apoio ou uma retaguarda especializada em assistência no cuidado aos usuários, e também um suporte de cunho técnico-pedagógico, visando à criação de vínculo interpessoal, assim como apoio institucional às equipes de referência da Atenção Básica pela equipe de apoio (NASF – Núcleo de Apoio à Saúde da Família). Veja, a seguir, mais algumas questões sobre o matriciamento. 1 Quem pode fazer o matriciamento em saúde mental? Para o matriciamento em saúde mental, indica-se, de preferência, que seja realizado por psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, fonoaudiólogos e enfermeiros de saúde mental (caso seja por equipes especializadas que não o NASF), estando à frente ou atuando conjuntamente nesse matriciamento. 2 Matriciamento não é: • Encaminhar a um profissional especialista. • Atendimento individual por profissional do NASF ligado à saúde mental ou de outra especialidade.• Intervenções ou estratégias psicossociais coletivas realizadas apenas pelo profissional do NASF, sem a presença da equipe de SF. 3 Quando a equipe de Atenção Primária em Saúde solicita o matriciamento? Vejamos alguns exemplos em que podem ser indicados o apoio do profissional do NASF e o matriciamento: • Quando a equipe de referência sente dificuldade e necessidade de abordar e conduzir um caso que exige, por exemplo, esclarecimento diagnóstico, elaboração de um projeto terapêutico e abordagem à família etc. • Quando a equipe de referência precisa de suporte para realizar intervenções psicossociais específicas na Atenção Primária, como, por exemplo, grupos de pacientes com transtornos mentais. • Quando as equipes de referência sentem dificuldade e necessitam de apoio para a construção de projetos de detecção precoce de situações de sofrimento mental, assim como para o desenvolvimento de ações de prevenção e promoção em saúde mental. O matriciamento pode contribuir para as trocas interdisciplinares e reflexões das experiências vividas, em que cada profissional, a partir do seu saber, poderá colaborar com seu olhar, de modo a ampliar a capacidade de intervenções por parte das equipes de referência de AB e de SF. Interconsultas A interconsulta, também chamada de atendimento ou consulta compartilhada, é uma ação de colaboração entre profissionais de diferentes áreas de conhecimento com um mesmo propósito. Atenção Trata-se de uma das ferramentas mais frequentes e utilizadas no NASF ao apoio das equipes de AB e SF. Quando solicitada ao apoio, é uma excelente oportunidade para os profissionais conversarem diretamente e trocarem opiniões sobre as situações clínicas, os casos e até mesmo falarem diretamente com o usuário ou com a família conjuntamente. Podemos descrever algumas modalidades de interconsultas, que podem ser: Discussão de caso com parte ou com toda equipe de referência. Consultas conjuntas (com mais de um profissional juntos). Visitas domiciliares conjuntas. O propósito desse encontro de profissionais de áreas, visões e saberes diferentes é exatamente o de construir, de forma integral, o processo do cuidado, visando à ampliação e a uma melhor abordagem psicossocial, assim como proporcionar uma melhor construção de projetos terapêuticos conjuntos e fomentar a troca de conhecimentos. A interconsulta também poderá ser uma maneira de estabelecer o vínculo e a confiança com o usuário mais satisfatoriamente, tendo em vista que o profissional do NASF não estará sozinho, e o profissional de referência não é um estranho ao usuário, facilitando a entrada do profissional do NASF e possibilitando uma boa comunicação, a coleta de informações, a interação, entre outros. No contexto de trabalho do NASF, as interconsultas podem ser um momento fundamental para o contato da equipe de apoio e o usuário, assim como uma ocasião importante para, em seguida ou antes do atendimento, ser um espaço para discussão do caso ou das situações em questão. Vale ressaltar que, durante a interconsulta, é de extrema importância que estejam presentes um integrante das equipes de referência de AB ou de SF e um integrante do núcleo de apoio NASF, além do usuário e/ou de seus familiares. Vejamos, a seguir, um exemplo fictício de interconsulta: Exemplo C.B.C levou sua filha menor, de 9 anos, para um atendimento de rotina, uma vez que a menina está tendo dificuldades na escola e a professora cogitou a possibilidade de a aluna ser hiperativa e apresentar déficit de atenção. A mãe, bastante preocupada, pediu para a médica da ESF encaminhá-la para algum lugar a fim de ansiosamente resolver o problema da filha. A médica, antes de qualquer encaminhamento, propôs uma interconsulta com a psicóloga do NASF e solicitou uma avaliação com o oftalmologista para descartar qualquer problema de visão que afetasse o comportamento da menina. Na interconsulta, a psicóloga do NASF fez algumas perguntas sobre Gabriela (nome fictício), a fim de saber sobre sua história escolar e familiar e, também, sobre seu desenvolvimento psicomotor, incluindo seus hábitos. A menina é a mais velha de 3 irmãos, e a mãe tem muita dificuldade de dar limites à filha, que é agitada apenas em casa e na escola. A mãe não relatou atitudes de impulsividade em relação à filha, que durante a interconsulta prestou atenção o tempo todo, interagindo na conversa. A partir dos relatos e do que foi observado na interconsulta, a psicóloga sugeriu uma nova avaliação pedagógica da escola, e em contato com a instituição de ensino, pontuou a necessidade de cautela nesse possível diagnóstico, bem como o que os fracassos em sala de aula podem causar numa criança, a exemplo da baixa estima. Como vimos, a interconsulta poderá ser o principal instrumento do apoio matricial na Atenção Primária, sendo, por definição, uma prática interdisciplinar para a construção do modelo integral do cuidado. O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) é um importante dispositivo inserido na Atenção Básica, tendo como principal função ampliar a capacidade de respostas em relação a outras áreas nas quais não está inserido na Atenção Básica, por meio do compartilhamento do saber interdisciplinar, o qual, como consequência, aumenta a resolutividade das equipes e pode também ampliar o acesso e melhorar a qualidade do cuidado no que se refere à Atenção Básica em Saúde. Veja, a seguir, um pouco mais sobre o NASF. Quem compõe o NASF? É composto por uma equipe multiprofissional, ou seja, com profissionais de diferentes áreas do saber, que vão atuar em parceria com os profissionais das equipes de Atenção Básica (AB) e de Saúde da Família (SF) no intuito de compartilhar, trocar e apoiar as práticas e o cuidado em saúde, principalmente nas áreas de conhecimento não contempladas na base da Atenção Básica. Quem define a composição? É definida pelos gestores, municipais ou locais, e de acordo com o levantamento de demandas e das necessidades apresentadas no território onde será implantado. A partir dessas demandas, é preciso pensar nas categorias profissionais que farão parte da composição da equipe NASF. Qual o processo de trabalho? É baseado a partir da lógica do território, e este estará sob sua responsabilidade conjuntamente com as equipes de AB ou de SF. Esse trabalho ocorrerá por meio de atendimento compartilhado de forma interdisciplinar, sempre considerando a troca dos saberes como elemento fundamental para a continuidade do cuidado, assim como a responsabilização compartilhada, havendo, portanto, troca de experiências para ambos os profissionais que fizerem parte desse processo. Curiosidade Um fato interessante é que o NASF, mesmo fazendo parte da Atenção Básica, não se configura como um serviço específico ou independente, e também não possui um espaço físico individual ou especial. Do mesmo modo, não tem livre acesso para receber demandas para atendimentos, de cunho individual ou coletivo, as quais precisam necessariamente passar pelas equipes de referência de AB ou de SF e ser compartilhadas com o NASF. O NASF também pode e deve trabalhar de maneira integrada com a Rede de Atenção à Saúde, fazendo articulações, por exemplo, com os CAPS, ambulatórios especializados e até mesmo com outras redes de políticas além da saúde, como a educação ou a assistência social. As possibilidades de composição de equipe do NASF são bastante vastas e podemos incluir: assistente social; profissional de Educação Física; farmacêutico; fisioterapeuta; fonoaudiólogo; profissional com formação em arte e educação (arte educador); nutricionista; psicólogo; terapeuta ocupacional; médico ginecologista/ obstetra; médico homeopata; médico pediatra; médico veterinário; médico psiquiatra; médico geriatra; médico internista (clínica médica); médico do trabalho; médico acupunturista; e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional graduado na área de saúde com pós-graduação em saúde pública ou coletiva, ou graduado diretamente em uma dessasáreas (BRASIL, 2014). Como vimos, podem haver várias categorias profissionais no NASF, contudo, independentemente da especialidade, o mais importante é que se trabalhe de modo interdisciplinar, visando ao apoio das equipes de AB e de SF, produzindo trocas e saberes e, assim, qualificando a Atenção Básica em Saúde. Diretrizes do NASF O trabalho exercido pelo NASF é baseado e orientado de acordo com as diretrizes da Atenção Básica, logo, o seu enfoque se dá a partir da lógica territorial, pela responsabilidade sanitária, com o trabalho conjunto em equipe na resolutividade das ações, na integralidade do cuidado, no favorecimento da autonomia, individual ou coletiva, e na troca de saberes para a continuidade do cuidado longitudinal. Com todas essas diretrizes, fica claro que o objetivo do NASF é potencializar a resolutividade e a qualidade do cuidado na Atenção Básica em Saúde. Operacionalização do NASF Como vimos, antes de iniciar o trabalho do NASF, o que guiará a sua implantação serão as necessidades e as demandas locais do território. Nesse sentido, é importante: Realidade e o processo Conhecer a realidade do território, assim como suas demandas e vulnerabilidades, para que um melhor processo de trabalho possa ser estabelecido. Equipes e estratégia Saber como as equipes de Estratégia de Saúde da Família se organizam e atuam no mesmo território, o que facilitará o processo de inicialização do trabalho do NASF. Organização e resultados Promover uma melhor organização do processo de trabalho e possíveis resultados exitosos. Partindo do pressuposto que o NASF amplia as ações da Atenção Básica; oferta junto com as equipes de referência, de AB ou de SF, cuidado compartilhado individual ou coletivo para melhor resolutividade dos problemas; e apoia as equipes nas diversas áreas de conhecimentos, aumentando o repertório e a capacidade de cuidado, além de estar mais próximo das necessidades da população; não se pode negar que esses são os principais objetivos da implantação do NASF nos municípios do Brasil. Alguns pontos importantes do trabalho do NASF são o compartilhamento e a responsabilização do cuidado junto com as equipes de AB e de SF. Nesse sentido, o NASF prevê a revisão e até mesmo o rompimento da prática dos encaminhamentos de referência e contrarreferência, trazendo cada vez mais as equipes para a lógica do compartilhamento dos casos e do cuidado e do acompanhamento longitudinal, reforçando o papel das equipes de AB e de SF no que se refere à coordenação do cuidado nas Redes de Atenção à Saúde. Esse trabalho acontece via apoio matricial, o que nos mostra que os profissionais do NASF são chamados a estarem juntos de acordo com a demanda e a necessidade das equipes de AB e SF, a partir de situações ou casos específicos. Mesmo que o trabalho aconteça, em sua maioria, a partir da demanda, nada impede que o NASF e as equipes de AB e SF se organizem para melhor estruturar o trabalho de apoio matricial. O NASF visa contribuir com o cuidado integral dos usuários do SUS, tendo em vista que o seu trabalho resulta na ampliação da clínica, intervindo e auxiliando nos problemas e nas demandas de saúde, sejam estritamente clínicos ou sanitários. São exemplos de ações de apoio desenvolvidas pelos profissionais do NASF: Exemplo Discussão de casos;Atendimento conjunto;Interconsulta;Construção conjunta de projetos terapêuticos;Educação permanente;Intervenções no território e na saúde de grupos populacionais e da coletividade;Ações intersetoriais;Ações de prevenção e promoção da saúde;Discussão do processo de trabalho das equipes etc. Todas essas ações não ficam restritas apenas à Atenção Básica, podendo acontecer tanto na AB quanto nas academias de saúde e no território. Desse modo, o NASF pode atuar de acordo com as demandas e as necessidades encontradas nos diversos momentos, seja apoiando as equipes de referência, seja na elaboração de propostas de intervenção conjunta, assim como nas ações clínicas e/ou coletivas com os usuários, de modo integral e com corresponsabilização das equipes de referência. Se necessário, o NASF pode apoiar os processos de trabalho das equipes de referências por ele apoiadas. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Mais um exemplo de interconsulta Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Objetivos do NASF e a aplicabilidade Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O matriciamento, ou apoio matricial em saúde mental, foi formulado a partir do reconhecimento da necessidade de envolver a Atenção Básica para a efetivação das mudanças propostas pela reforma psiquiátrica, sobretudo fortalecendo o vínculo no território. Em relação ao matriciamento em saúde mental, é correto afirmar que A constitui-se como intervenção psicossocial coletiva, realizada apenas pelo profissional de saúde mental. B caracteriza-se por realizar encaminhamento ao profissional especializado. C é formado pelas seguintes equipes: núcleo de apoio, equipe de referência e equipe de especialistas. D o PTS (Projeto Terapêutico Singular) não é considerado organizador das ações em saúde. E podemos considerar a interconsulta como um dos principais instrumentos do apoio matricial na Atenção Primária, sendo uma ação colaborativa entre profissionais de diferentes áreas. A alternativa E está correta. Entre os instrumentos do matriciamento, vimos que a interconsulta é de fundamental importância para construção de um trabalho integral entre NASF e APS, contribuindo bastante para a ampliação do cuidado ao usuário, sendo uma das principais ferramentas utilizadas. Questão 2 A Portaria GM nº 154, de 2008, criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF, com o objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações da Atenção Básica, bem como sua resolubilidade. Assinale a alternativa correta com relação ao NASF. A O NASF deve apoiar a inserção da Estratégia Saúde da Família na rede de serviços, considerando o processo de territorialização e regionalização desenhado a partir das referências hospitalares. B O NASF constitui-se porta de entrada do Sistema Único de Saúde e deve atuar de forma integrada à rede de serviços, a partir da Estratégia Saúde da Família. C Os NASF devem funcionar em horário de trabalho diferente do horário das equipes de Saúde da Família. D O NASF deve ser constituído por equipes compostas por profissionais de diferentes áreas de conhecimento, que atuem em parceria com os profissionais das equipes de Saúde da Família. E O NASF é o responsável por revisar a prática dos processos de referência e contrarreferência no encaminhamento clínico de usuários, sendo permitida, quando necessária, a participação das equipes de Saúde da Família no processo de revisão. A alternativa D está correta. Como vimos ao longo do conteúdo, o NASF precisa ser composto por diversas categorias profissionais, diferenciando-se, principalmente, das categorias contempladas pela Atenção Primária em Saúde, exatamente pelo fato de servir como apoio a essas equipes a partir das diferentes especialidades que o compõem. 3. As ferramentas utilizadas nos processos de trabalho em saúde Ferramentas de trabalho em saúde Grupos terapêuticos e ferramentas de trabalho em saúde. Neste vídeo, a especialista Paula Louzada descreverá o que é um grupo terapêutico e suas potências na APS, exemplificando alguns grupos terapêuticos. Apresentação das ferramentas de trabalho em saúde que são utilizadas no cotidiano da APS. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. O que seriam ferramentas de trabalho em saúde? Para entender, precisamos falar um pouco sobre tecnologia. Quando estudamos a origem da palavra tecnologia, temos o prefixo tecno, do grego techné, que significa saber fazer, e o sufixo logia, que significa razão, estudo. Portanto, quando juntamos esses termos para formar a palavratecnologia, chegamos ao seguinte significado: razão ou estudo do saber fazer. Então, podemos entender a tecnologia como um processo que envolve diversos aspectos e dimensões, resultando em um produto, algo que se deseja. Nesse contexto, a tecnologia não se restringirá a questões concretas, coisas materiais ou equipamentos, e sim a um processo amplo que implica um conjunto de ações articuladas e com aporte teórico, para, então, atingir as finalidades desejadas. Nesse ponto, poderemos chamar de ferramentas tecnológicas em saúde ou ferramentas/estratégias de trabalho em saúde as ações que estarão dentro do mesmo sentido. Partindo desse pressuposto e considerando o NASF e a Atenção Básica em Saúde, teremos ferramentas tecnológicas de trabalho baseadas nas relações profissionais e com os usuários, levando em conta a forma de agir com os envolvidos no processo de trabalho e na produção do cuidado em saúde. Comentário Elas são sempre baseadas no diálogo, na comunicação e na construção conjunta, em que os saberes profissionais e de vida dos usuários e da comunidade têm a mesma relevância e servem para produzir saúde. Veremos que as ferramentas tecnológicas de cuidado do NASF serão pautadas a partir da perspectiva ampliada de saúde, sendo orientadas pela integralidade, em que todo e qualquer encontro entre os sujeitos, trabalhador e usuários, ocorre por meio das relações estabelecidas entre eles. Agora, vamos conhecer algumas ferramentas que podem ser utilizadas na Atenção Básica em Saúde e também pelo NASF como estratégias de cuidado em saúde. Projeto de Saúde no Território Chamado de Projeto de Saúde no Território (PST), é uma estratégia em que as equipes de referência da Estratégia de Saúde da Família e também do NASF desenvolvem as ações de produção de saúde visando ao território e fazendo a articulação entre os serviços e as diversas políticas existentes. Isso ocorre por meio do diagnóstico e do levantamento das condições de saúde daquele território e, a partir disso, é feita a promoção de saúde, incluindo a participação social (da própria comunidade), executando ações intersetoriais, com vistas a produzir autonomia para os usuários. Acolhimento Considerado uma das principais ferramentas de cuidado na Atenção Básica, o acolhimento será um dos primeiros contatos entre o serviço e os usuários, servindo para ampliar o acesso aos serviços de saúde e também para reorganizar o processo de recepção ao usuário e a maneira de poder ouvir aquele sujeito. No acolhimento, ocorrem demandas espontâneas ou programadas. Poderá ser aquele primeiro momento que o usuário procura o serviço de saúde, e o modo como é recebido impactará o seu processo de cuidado em saúde. Consulta ou clínica ampliada Segundo o Ministério da Saúde, “para que se realize uma clínica adequada (ampliada), é preciso saber, além do que o sujeito apresenta de ‘igual’, o que ele apresenta de ‘diferente’, de singular. Inclusive um conjunto de sinais e sintomas que somente nele se expressam de determinado modo.” (BRASIL, 2009, p. 12). Desse modo, a clínica ampliada deverá considerar o atendimento ao sujeito para além das questões da doença; precisará incluir o sujeito como um ser integral e suas necessidades complexas, sejam de saúde ou sociais, valorizando tudo o que ele carrega, incluindo o encontro entre o profissional e o próprio usuário. Visita domiciliar A visita domiciliar é uma importante ferramenta para Atenção Básica em Saúde, e consiste na ida do profissional de saúde até o domicílio do usuário para a realização de cuidados e ou orientações. Serve como busca ativa quando o usuário por algum motivo não se faz presente ao acompanhamento, sendo planejada e programada a partir de cada caso específico, considerando todas as questões do usuário. Sobre a visita domiciliar, Teixeira diz que “visita domiciliar é uma prática profissional investigativa ou de atendimento, efetuada por profissionais junto ao indivíduo em seu próprio meio social ou familiar, os quais desenvolvem as técnicas de observação, de entrevista e de relato oral.” (TEIXEIRA, 2009, p. 167). Grupos de educação em saúde e grupos terapêuticos Como vimos, os grupos são espaços importantes para o trabalho na Atenção Básica em Saúde e, nesse sentido, eles também são considerados ferramentas de trabalho, sejam os grupos educativos que funcionam num sentido mais de orientação e transmissão de informações, ou os grupos terapêuticos que visam à criação da troca de saberes entre os participantes, ao desenvolvimento de autonomia e formas para o enfrentamento do processo saúde-doença. Reunião de equipe É um espaço importante onde a equipe se reúne para discutir, planejar e avaliar as ações de intervenções no território, em grupos específicos. Além disso, há troca de saberes, já que reúne os diferentes profissionais que compõem a equipe de saúde e ajuda na tomada de decisões e na construção diária do processo de trabalho; portanto, podemos considerar a reunião de equipe uma importante ferramenta. Educação permanente em saúde É um espaço onde acontece a prática de ensino-aprendizagem voltada para a melhoria dos processos de trabalho, visando à produção de conhecimento no próprio cotidiano dos serviços de saúde a partir da realidade daqueles que estão envolvidos nesse processo. Projeto Terapêutico Singular (PTS) O PTS é definido como um conjunto de propostas e condutas terapêuticas articuladas a partir das discussões coletivas entre a equipe interdisciplinar, tendo como objetivo de melhoria as possibilidades de intervenções nos casos ou nas situações. O PTS pode ter quatro momentos: definição de hipóteses diagnósticas; definição de metas; definição de condutas; e reavaliação. Análise ou diagnóstico situacional A análise ou o diagnóstico situacional é definido como um conjunto de técnicas e ferramentas que possibilitam as equipes de Atenção Básica se aproximarem do território de referência para conhecer suas realidades, seus problemas e suas necessidades relacionadas à saúde, levando em consideração a singularidade daqueles sujeitos, suas culturas, suas condições de vida, sua situação econômica e social, para, a partir de então, planejar as ofertas de serviços e os acompanhamentos, incluindo ofertas de melhores condições em saúde. Apoio matricial na Atenção Básica Como vimos, o matriciamento ou apoio matricial é uma ferramenta do cuidado que gera um novo modo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica. Essa proposta visa integrar os profissionais da equipe de Saúde da Família com profissionais especialistas de forma que os primeiros tenham um suporte para a discussão de casos e intervenções terapêuticas. O matriciamento visa transformar a lógica tradicional dos sistemas de saúde: encaminhamentos, referências e contrarreferências, protocolos e centros de regulação, por meio de ações mais horizontais que integrem os componentes e seus saberes nos diferentes níveis de assistência (CHIAVERINI, 2011). A principal estratégia desenvolvida para apoio matricial é a partir da equipe de NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família). Entre os instrumentos do processo do matriciamento estão: elaboração de PTS, interconsulta, consulta conjunta, visita domiciliar conjunta, grupos, educação permanente, abordagem familiar, entre outros. Linha de cuidado integral Linha do cuidado é a imagem pensada para expressar os fluxos assistenciais seguros e garantidos ao usuário, no sentido de atender às suas necessidades de saúde. É como se ela desenhasse o itinerário que o usuário faz por dentro de uma rede de saúde, incluindo segmentos não necessariamente inseridos no sistema de saúde, mas que participam de alguma forma da rede, como entidades comunitárias e de assistência social. Por meio dela, é possível reorganizar os fluxos de tratamento dos usuários para que acessem todos os recursos tecnológicos de que necessitam. Gestão participativa Gestão participativa ou cogestãosignifica a inclusão de novos sujeitos nos processos de gestão, seja na análise de contexto e problemas ou no processo de tomada de decisão. Assim, ela seria exercida não por alguns, mas por um conjunto mais ampliado de sujeitos que compõem a organização, assumindo-se o papel de que todos são gestores de seus processos de trabalho (BRASIL, 2009). Classificação de risco na Atenção Básica A classificação de risco dos usuários na Atenção Básica tem como função, além da orientação da oferta de cuidado, o tempo em que deve ocorrer e, como consequência, a diminuição do tempo de sofrimento daqueles sujeitos a partir de suas demandas e necessidades. Na Atenção Básica, essa classificação precisará levar em consideração a realidade e as condições de saúde daquela comunidade. Planejamento em saúde São várias as formas de se fazer planejamento em saúde. O processo de planejamento, entendido como prática social, envolve atores sociais e pode ser pensado por três premissas: 1. O objetivo principal do planejamento em saúde é a saúde – contribuir para a melhoria do nível de saúde da população tanto quanto seja possível, dado o conhecimento e os recursos disponíveis. 2. Planejar não é fazer plano – o plano é apenas um instrumento, um meio, contendo orientações que visam concretizar as mudanças desejadas. 3. O planejamento não deve ser apenas a expressão dos desejos de quem planeja – os objetivos e as estratégias expressos no plano devem ser factíveis, do ponto de vista técnico, e viáveis do ponto de vista político, guardando, portanto, relação com a realidade. É importante dizer que o planejamento deve ser desenvolvido a partir dos problemas do território em uma perspectiva intersetorial. Genograma O genograma é uma ferramenta bastante utilizada na Atenção Básica em Saúde que permite organizar os dados familiares assim como os seus processos relacionais. Também permite uma melhor visualização da organização familiar e suas características principais. Com ele, é possível visualizar a composição da família, seus problemas de saúde, as situações de risco e as vulnerabilidades, o que o torna uma importante ferramenta de cuidado. Ecomapa O ecomapa é uma importante ferramenta que servirá para avaliação familiar em relação ao mapeamento de redes, apoios sociais e ligações da família com a comunidade. Enquanto o genograma identifica e nos mostra as relações dentro do próprio sistema familiar, o ecomapa representa as interações da família com pessoas, instituições ou grupos sociais e seus territórios. Grupos terapêuticos na Atenção Primária em Saúde Desenvolver trabalhos em grupo pode ser uma prática essencial na Atenção Primária em Saúde (APS). De acordo com sua organização e seu manejo, ele pode ser organizador dos processos de trabalho, ampliando a capacidade da assistência prestada aos usuários sem perder qualidade e, na maior parte do tempo, o cuidado ao usuário. Quando falamos em grupos na APS, logo pensamos nos grupos de educação e saúde, que funcionam dentro da promoção e prevenção em saúde e que são muito valorizados e importantes nesse nível de atenção. Entre eles, podemos citar: Exemplo Grupos de doenças crônicas (hipertensão e diabetes); de gestantes; de adolescentes; de convivência; de atividade física; de planejamento familiar; de tabagismo; de adesão medicamentosa ou de desmedicalização, entre outros. De maneira geral, esses grupos são considerados como ações educativas e, na maioria das vezes, são realizados nos moldes de transmissão de informações, o modelo clássico, centrado no saber profissional. Esse modelo faz com que os pacientes tenham dificuldade de participar, por não ser um grupo mais participativo e corresponsabilizador no processo de construção de saúde. Ao propormos um grupo, precisamos sempre refletir se ele atenderá ao objetivo de atenção integral à saúde e com impacto na autonomia dos usuários, na prática do cuidado, como, por exemplo, proporcionar a reflexão de mudanças nas atitudes de passiva para ativa. É importante que no trabalho grupal seja incluído tudo o que possa proporcionar a socialização, a integração, o apoio psíquico, as trocas de experiência e de saberes, assim como a construção dos projetos coletivos junto dos usuários, e não ser apenas um espaço para dar conta das demandas e necessidades. Para que esse trabalho seja efetivado, é fundamental que os profissionais sejam receptivos aos usuários, ouvindo suas demandas de vida, subjetivas, as dificuldades apresentadas, os problemas familiares e sociais, para os quais, por vezes, não teremos respostas imediatas, mas acolher e escutar poderá fazer diferença ao cuidado do usuário. Reflexão Vamos pensar em algo prático: Se surgisse a oportunidade de participarmos de um espaço para ter trocas com outras pessoas que lidam e passam por problemas parecidos, de forma mais humana e real, e ainda fôssemos incentivados a buscar soluções e meios para lidar com essas questões, por que não participaríamos? Desse modo, a maneira do profissional de conduzir os grupos pode fazer com que mudanças aconteçam nos usuários, gerando empoderamento, criando novos modos de desenvolver sua autonomia e criar soluções para os problemas enfrentados. Nesse caminhar, taiss grupos tornam-se ponto de apoio e suporte ao usuário, promovendo mudanças no seu estilo de vida, nas suas relações pessoais e nos seus hábitos. Os grupos podem ser terapêuticos, pois além de melhoria em relação aos sintomas e ao sofrimento, também promovem o autoconhecimento de um melhor desenvolvimento pessoal, fazendo promoção e prevenção em saúde. Entre esses grupos, podemos citar: Terapia comunitária Espaço para que as pessoas possam dividir suas dores e seu sofrimento, podendo ser liderado por qualquer pessoa da equipe que tenha formação adequada. Pode ser considerada uma importante ferramenta de promoção e prevenção de saúde, principalmente, no que diz respeito à saúde mental, sendo mais um momento de fortalecimento, apoio, reestruturação e socialização para muitos usuários. Vale destacar que não está restrito a pessoas que tenham algum tipo de sofrimento mental; é aberto à comunidade. Grupos de convivência Geralmente utilizados e frequentados pela terceira idade, no sentido do cuidado e apoio a esses usuários. Mostra-se eficaz no que se diz respeito à melhora emocional, ajudando a diminuir os quadros depressivos, aumentando a socialização e reduzindo a solidão desses indivíduos. Costuma-se fazer atividades manuais assim como passeios e festas, promovendo a reintegração social desse grupo etário. Grupos de mulheres De maneira geral, esses grupos servem de apoio e suporte a tal clientela, possibilitando a abertura de espaço de acolhimento e escuta, promovendo reflexão e aumento da autoestima e fortalecendo o vínculo com a equipe que os acompanha. Geralmente, podem ser grupos abertos, com temas a definir, a partir do que é trazido pelos participantes. Na maior parte das vezes, os problemas, as questões e as dificuldades do dia a dia são discutidos à medida que aparecem nas falas. Nesses grupos, pode acontecer troca de estratégias e experiências que ajudam a aprimorar as condições que boa parte dessa clientela sofre, como a discriminação de gênero, a violência doméstica, a ansiedade causada pelo próprio ciclo de vida e as mudanças que aparecem com ele, como a menopausa, os filhos, a aposentadoria etc. Esses grupos resultam, por exemplo, na diminuição da busca da unidade por essa clientela com queixas físicas, mas sem explicação clínica. O grupo deve ser proposto de modo a permitir que seus integrantes tenham voz, espaço e corpos presentes; sintam-se verdadeiramente como integrantes ativos de um grupo. Não há participação verdadeiramente ativa em um grupo sem que os sujeitos que se colocam tenham condição de ser ouvidos em suas demandas, para depois poder ouvir e colaborar com a demanda alheia e proposta geral; constituindo, somente a partir daí, um verdadeiro sentimento de pertencimento grupal (BRASIL, 2013). Vem que eu te explico! Osvídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Projeto Terapêutico Singular Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Genograma Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O trabalho em grupo pode ser uma importante ferramenta de cuidado na Atenção Primária em Saúde, tendo em vista que, se bem desenvolvido e manejado, alcança resultados que o atendimento individual pode não conseguir devido à sua individualidade. Entre os grupos relacionados a seguir, quais deles podemos considerar como terapêuticos? A Grupo de mulheres, grupo de convivência e grupo de tabagismo. B Terapia comunitária, grupo de mulheres e grupo de convivência. C Grupo de convivência, grupo de tabagismo e terapia comunitária. D Grupo de mulheres, grupo de tabagismo e terapia comunitária. E Grupo de mulheres, grupo de convivência e grupo de atividades físicas. A alternativa B está correta. Como vimos, os grupos nos quais há interação, troca de saberes e subjetividade, nos quais o sujeito ouve e é ouvido, havendo compartilhamento de experiência e autocuidado, podem ser chamados de grupos terapêuticos. Entre eles, podemos citar os grupos de mulheres, a terapia comunitária e o grupo de convivência. Questão 2 As ferramentas de trabalho em saúde que também podem ser entendidas como estratégias de trabalho em saúde permeiam o dia a dia do profissional da Atenção Primária em Saúde em quase todos os seus afazeres na sua prática profissional. Ao longo do conteúdo, relacionamos algumas ferramentas de trabalho em saúde. Entre as opções a seguir, qual não podemos considerar ferramentas/estratégias de trabalho em saúde. A Apoio matricial ou matriciamento. B Reunião de equipe. C Encaminhamento D Projeto terapêutico singular. E Visita domiciliar. A alternativa C está correta. Neste conteúdo, vimos que a única ferramenta de trabalho que não utilizamos foi o encaminhamento. Essa prática foi substituída pela referência e contrarreferência. A Atenção Primária em Saúde sempre será referência para o usuário que vive no território de cobertura daquela unidade de saúde. Por mais que, em algum momento, seja necessário encaminhar um usuário para um serviço mais complexo, a unidade de atenção básica será referência para ele. 4. Conclusão Considerações finais Como vimos, as redes de suporte da Atenção Primária articulado com a saúde mental são diversas, e o diálogo entre os dois campos é constante e horizontal, estando sempre presente no território, uma vez que o usuário sempre fará parte dele. A fim de ampliar a capacidade de ações da Atenção Básica em Saúde, vimos a importância da criação do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), que dialoga com o processo de trabalho das equipes de Saúde da Família, apoiando as consultas e demais intervenções no território de ação. O matriciamento em saúde mental é uma ampliação do cuidado em saúde mental na Atenção Básica, assim como as interconsultas, que podem ser uma das principais ferramentas do próprio matriciamento. É importante dizer que todo o processo de trabalho, desde o acolhimento inicial à discussão do caso ou visita domiciliar, a construção do projeto terapêutico singular e a própria avaliação do cuidado são considerados ferramentas/estratégias de cuidado em saúde. Para finalizar, os grupos terapêuticos podem ser uma ferramenta de cuidado de grande importância, tendo em vista que, se bem trabalhados, têm um alcance, por vezes maior, que os atendimentos individuais e proporcionam trocas e construções de subjetividade coletiva. Podcast Neste podcast, o especialista abordará, de maneira geral, o tema tratado nos vídeos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para ampliar seus conhecimentos sobre este conteúdo, acesse: Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Portaria nº 3.089, de 23 de dezembro de 2011. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Portaria nº 122, de 25 de janeiro de 2012. Para saber mais sobre o matriciamento, acesse o Guia prático de matriciamento em saúde mental. Para saber mais sobre o NASF, acesse o Caderno de Atenção Básica: Diretrizes do NASF. Para entender na prática, conheça um exemplo de como o olhar sobre o território pode contribuir para a definição de ações mais coordenadas e adequadas às necessidades da população adscrita na página 39 do Caderno de Atenção Básica do NASF nº 39. Assista ao vídeo das diretrizes do NASF do Ministério da Saúde, intitulado #1: As diretrizes do NASF-AB, do canal Saps Secretaria de Atenção Primária à Saúde, no YouTube. Assista ao vídeo do Ministério da Saúde que fala sobre o apoio matricial, intitulado #2: Apoio Matricial - NASF - AB, do canal Saps Secretaria de Atenção Primária à Saúde, no YouTube. Referências BRASIL. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2001. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde mental e Atenção Básica: o vínculo e o diálogo necessários. Inclusão das ações de saúde mental na Atenção Básica. 2003. Consultado na internet em 10 maio. 2021. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental no SUS: os centros de atenção psicossocial. Brasília, 2004. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 154, de 24 de janeiro de 2008. Cria os Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASF. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2008. Consultado na internet em 10 maio. 2021. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS. Clínica ampliada e compartilhada. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 4.279, de 30 de dezembro de 2010. 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A saúde coletiva e a saúde mental A relação da saúde coletiva e da saúde mental A interfaceentre a saúde coletiva e a saúde mental Conteúdo interativo Como se caracteriza? Como se desenvolve? Como se orienta? Atenção Exemplo A escuta Atenção Território As redes Saiba mais Vem que eu te explico! O que é Saúde Coletiva Conteúdo interativo Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. A saúde mental, as interconsultas e a atuação no NASF Matriciamento em saúde mental Matriciamento em saúde mental e sua importância Conteúdo interativo Comentário Atenção Quem pode fazer o matriciamento em saúde mental? Matriciamento não é: Quando a equipe de Atenção Primária em Saúde solicita o matriciamento? Interconsultas Atenção Discussão de caso com parte ou com toda equipe de referência. Consultas conjuntas (com mais de um profissional juntos). Visitas domiciliares conjuntas. Exemplo O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) Quem compõe o NASF? Quem define a composição? Qual o processo de trabalho? Curiosidade Diretrizes do NASF Operacionalização do NASF Realidade e o processo Equipes e estratégia Organização e resultados Exemplo Vem que eu te explico! Mais um exemplo de interconsulta Conteúdo interativo Objetivos do NASF e a aplicabilidade Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. As ferramentas utilizadas nos processos de trabalho em saúde Ferramentas de trabalho em saúde Grupos terapêuticos e ferramentas de trabalho em saúde. Conteúdo interativo Comentário Projeto de Saúde no Território Acolhimento Consulta ou clínica ampliada Visita domiciliar Grupos de educação em saúde e grupos terapêuticos Reunião de equipe Educação permanente em saúde Projeto Terapêutico Singular (PTS) Análise ou diagnóstico situacional Apoio matricial na Atenção Básica Linha de cuidado integral Gestão participativa Classificação de risco na Atenção Básica Planejamento em saúde Genograma Ecomapa Grupos terapêuticos na Atenção Primária em Saúde Exemplo Reflexão Terapia comunitária Grupos de convivência Grupos de mulheres Vem que eu te explico! Projeto Terapêutico Singular Conteúdo interativo Genograma Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências