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REALIZAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS SUPERVISÃO E COORDENAÇÃO METODOLÓGICA DIRETORIA DE ENSINO TÉCNICO ASSESSORIA TÉCNICA LUIZ MACOTO SAKAMOTO – 2021/2020/2019 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO ESCOLA DE NEGÓCIOS E SEGUROS - GERÊNCIA DE PLANEJAMENTO E ESCOLA VIRTUAL PICTORAMA DESIGN Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Escola de Negócios e Seguros E73g Escola de Negócios e Seguros. Diretoria de Ensino Técnico. Gerenciamento de riscos / Supervisão e coordenação metodológica da Diretoria de Ensino Técnico; assessoria técnica de Luiz Macoto Sakamoto. 3.ed. -- Rio de Janeiro: ENS, 2021. 85 p. ; 28 cm 1. Gerência de riscos. I. Sakamoto, Luiz Macoto. II. Título. 0021-2552 CDU 614.8 É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, ou de partes dele, sob quaisquer formas ou meios, sem permissão expressa da Escola. 3ª EDIÇÃO RIO DE JANEIRO 2021 GERENCIAMENTO DE RISCOS A ENS, promove, desde 1971, diversas iniciativas no âmbito educacional, que contribuem para um mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e resseguro cada vez mais qualificado. Principal provedora de serviços voltados à educação continuada, para profissionais que atuam nessa área, a Escola de Negócios e Seguros oferece a você a oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com uma equipe formada por especialistas que possuem sólida trajetória acadêmica. A qualidade do nosso ensino, aliada à sua dedicação, é o caminho para o sucesso nesse mercado, no qual as mudanças são constantes e a competitividade é cada vez maior. Seja bem-vindo à Escola de Negócios e Seguros. GERENCIAMENTO DE RISCOS 1. INTRODUÇÃO À GESTÃO DE RISCOS 7 ISO 31000 9 SÉRIE (FAMÍLIA) ISO 31000 11 PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS – ISO 31000 12 RISCOS: CONCEITOS E EVOLUÇÃO 14 CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS 15 Riscos da Operação 16 Riscos de Mercado 18 GESTÃO DE RISCOS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 19 OS CAMINHOS DA GESTÃO DE RISCOS 19 RESUMO 20 FIXANDO CONCEITOS I 21 2. GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS 22 GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS 24 PASSO 1 – IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DAS EXPOSIÇÕES A PERDAS 25 PASSO 2 – EXAME DAS TÉCNICAS DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS DISPONÍVEIS 25 Técnicas de controle de riscos 26 Técnicas de Financiamento de Riscos 27 PASSO 3 – SELEÇÃO DO MELHOR CONJUNTO DE TÉCNICAS 28 PASSO 4 – IMPLANTAÇÃO DAS TÉCNICAS ESCOLHIDAS 28 PASSO 5 – MONITORAMENTO E MELHORIA DO PROGRAMA SUMÁRIO INTERATIVO GERENCIAMENTO DE RISCOS DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS 28 RESUMO 30 FIXANDO CONCEITOS 2 31 3. GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – PATRIMÔNIO 32 BENS DA ORGANIZAÇÃO 33 Bens Tangíveis 33 Bens Intangíveis 34 EXPOSIÇÃO A PERDAS 35 Itens Expostos a Perdas 35 Riscos que Causam as Perdas 38 Consequências Financeiras das Perdas 41 IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS 43 Matriz de Riscos 45 MEDIDAS DE CONTROLE DE RISCOS E FINANCIAMENTO DE RISCOS 45 RESUMO 48 FIXANDO CONCEITOS 3 49 4. GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RESPONSABILIDADE CIVIL 50 EXPOSIÇÃO A PERDAS 53 Itens Expostos a Perdas 53 Riscos que Causam as Perdas 54 Consequências Financeiras das Perdas 57 IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS 58 Análise de Riscos 60 Matriz de Riscos 61 MEDIDAS DE CONTROLE E FINANCIAMENTO DE RISCOS 61 RESUMO 65 FIXANDO CONCEITOS 4 67 GERENCIAMENTO DE RISCOS 5. GESTÃO DE RISCOS DE PESSOA FÍSICA E RECEITA LÍQUIDA 68 GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – PESSOAS 69 Itens Expostos a Perdas 70 Riscos que Causam Perdas 70 Consequências Financeiras das Perdas 71 Medidas de Controle e Financiamento de Riscos 71 GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RECEITA LÍQUIDA 71 Item Exposto a Perda 72 Riscos que Causam Perdas 72 Consequências Financeiras das Perdas 73 Medidas de Controle de Riscos e Financiamento de Riscos 74 GESTÃO DE RISCOS DA PESSOA FÍSICA 74 Itens Expostos a Perda 75 Riscos que Causam Perdas 75 Consequências Financeiras das Perdas 75 Morte 75 Aposentadoria 76 Invalidez 77 Desemprego 77 RESUMO 78 FIXANDO CONCEITOS 5 79 ANEXOS 80 Aplicações 80 GABARITO 84 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 85 7GERENCIAMENTO DE RISCOS 01 ■ Entender a Norma ISO 31000 considerando as definições de riscos e o processo de gestão de riscos, reconhecendo as principais diretrizes e o seu caráter não obrigatório e internacional; ■ Compreender quem é o responsável pela gestão de riscos e o papel dos players do mercado segurador, reconhecendo os riscos de operação e os riscos do mercado e; Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ■ Conhecer a evolução e o histórico da gestão de riscos acidentais considerando os conceitos e o funcionamento da área. ⊲ ISO 31000 ⊲ PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS – ISO 31000 ⊲ RISCOS: CONCEITOS E EVOLUÇÃO ⊲ CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS ⊲ GESTÃO DE RISCOS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ⊲ OS CAMINHOS DA GESTÃO DE RISCOS ⊲ RESUMO ⊲ FIXANDO CONCEITOS I TÓPICOS DESTA UNIDADE INTRODUÇÃO à GESTÃO de RISCOS 8GERENCIAMENTO DE RISCOS Os termos “gestão de riscos” e “gerência de riscos” têm sido utilizados como sinônimos e têm origem na tradução do inglês de Risk Management. A gestão de riscos é um processo previsto em norma internacional que vem ganhando importância pelo seu amplo espectro de aplicação. Ela pode ser aplicada em vários segmentos econômicos, seja nos riscos aci- dentais, que são objeto de cobertura pelo mercado de seguros, seja na governança corporativa das organizações, entre outros. Na unidade 1, conheceremos a gestão de riscos de forma abrangente e baseada na ISO 31000. Na unidade 2, personalizaremos o processo da ISO 31000 para Gestão de Riscos Acidentais, conhecendo seus 5 passos. Nas unidades 3, 4 e 5, analisaremos as exposições a perdas dos blocos patrimônio, responsabilidade civil, pessoas, receita líquida e pessoa física. Cada um desses blocos apresenta três dimensões: itens expostos a per- das, riscos que causam a perdas e consequências financeiras das perdas. Por fim, veremos um anexo com sugestão de check list de medidas de controle de riscos e financiamento de riscos. Uma questão importante é: quem faz a gestão de riscos? A responsabilidade da gestão de riscos é da organização. Ocorre que, como regra geral, a organização está focada em sua atividade-fim, que é produzir, distribuir produtos ou prestar serviços. Assim, o corretor de seguros, a seguradora, o corretor de resseguro ou resseguradoras, que diariamente estão manuseando riscos, têm mais fami- liaridade com o assunto. Esses players, além da comercialização e subs- crição de riscos, podem oferecer a gestão de riscos como prestação de serviços, lembrando que a responsabilidade é sempre da organização. A prestação de serviços de gestão de riscos pode fazer parte dos serviços oferecidos (situação comumente encontrada) ou ser vendida à parte. Uma discussão atual e importante diz respeito ao papel do corretor de seguros na comercialização dos produtos. UNIDADE 1 9GERENCIAMENTO DE RISCOS O corretor de seguros deve conhecer tecnicamente os produtos que comercializa, mas discute-se a mudança do foco de “venda de seguros” para “venda consultiva”. A “venda consultiva” pode ser entendida como uma assessoria forneci- da ao segurado na identificação e análise dos riscos acidentais a que a organização está sujeita. Para isso, considera-se a frequência e severidade dos riscos, as medidas disponíveis de mitigação de riscos e a seleção das medidas a serem implantadas, bem como o acompanhamento da implan- tação e o monitoramento do programa de gestão de riscos. A “venda consultiva” corresponde à utilização do processo de gestão de riscos para riscos acidentais. Portanto, a “venda consultiva” e a “gestão de riscos acidentais” estão intimamente ligadas. A formalização explícita dode riscos acidentais deverá ser direcionado aos riscos que podem impedir que a organização atinja seus objetivos. Voltando ao nosso exemplo e analisando a matriz de riscos, temos: Na área vermelha, risco 1 – Incêndio, risco 16 – cyber risks. Na área amarela, risco 2 – explosão, risco 8 – acidentes com máquinas e equipamentos, risco 9 – contaminação e deterioração de mercadorias, risco 12 – vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo, risco 13 – roubo e furto qualificado. Considerando os riscos acidentais, temos medidas de controle de riscos, que são medidas da organização para mitigação destes riscos, e medidas de financiamento de riscos, que são medidas de transferência de riscos. As medidas de controle de riscos são: Eliminar a exposição De pouca aplicação para riscos acidentais do bloco patrimônio. Um exemplo de sua aplicação é mudar a organização para um local mais alto, eliminando o risco de alagamento/inundação. Prevenção de perdas – loss prevention Amplamente aplicada na gestão de riscos acidentais do bloco patrimônio, visa reduzir a frequência (evitar que ocorra). Redução de perdas – loss reduction Amplamente aplicada na gestão de riscos acidentais do bloco patrimônio, visa reduzir a severidade (se ocorrer, diminuir sua seve- ridade). Separação Quando possível, isolar os riscos (paredes e portas corta fogo, aumentar a distância de isolamento entre os riscos); tem por obje- tivo reduzir a PMP – Perda Máxima Possível. Duplicação Mais utilizada quando envolve sistemas de informática, mantendo backup dos programas e arquivos. As medidas de financiamento de riscos são: Retenção As perdas são assumidas pela organização. Não é aplicável para os riscos situados nas áreas vermelha e amarela da matriz de riscos. UNIDADE 3 47GERENCIAMENTO DE RISCOS Transferência por seguros Normalmente, a gestão de riscos aplica medidas de controle de riscos conjugadas com a transferência por seguros. A seguir, as medidas de controle de riscos que podem ser desenvolvidas para os riscos na zona vermelha e amarela do case padaria. RISCO PREVENÇÃO DE PERDAS REDUÇÃO DE PERDAS SEPARAÇÃO DUPLICAÇÃO 1.Incêndio Controle das fontes de calor, manuten- ção dos equipamen- tos, procedimento formais de seguran- ça a serem seguidos pelos funcionários. Sistemas prote- cionais de extin- tores, hidrantes, sprinklers, alarme, treinamento dos funcionários. Isolamento de riscos para dimi- nuir a PMP. Não se aplica. 16.Cyber risks Sistemas de blo- queio (firewall), treinamento dos fun- cionários, auditoria do sistema atual. Plano de contingên- cia através de em- presa especializada, operação através de outro local. Não se aplica. Sistema backup dos software e arquivos. 2.Explosão Manutenção perió- dica, equipamento de segurança para sobrepressão. Contrato de manutenção para rápida substituição do equipamento danificado. Isolamento dos equipamentos sujeitos a explo- são. Não se aplica. 8.Acidentes com máqui- nas e equipamento Manutenção preven- tiva periódica, layout adequado para operação. Contrato de manutenção para atendimento rápido e eventual substi- tuição. Não se aplica. Não se aplica. 9.Contaminação e dete- rioração Manutenção perió- dica, geradores de eletricidade para uso em situações emergenciais. Plano de descarte e substituição dos alimentos contami- nados ou deterio- rados. Utilização de mais um equi- pamento de refrigeração. Não se aplica. 12.Vendaval/granizo Manutenção ade- quada dos telhados, coberturas e vãos da estrutura. Funcionários treina- dos para situação emergencial, remo- vendo e protegen- do mercadorias e demais instalações. Não se aplica. Não se aplica. 13.Roubo/furto qualifi- cado Instalação de segu- rança física (grades, alarmes, vigilância). Formalização de procedimentos emergenciais na ocorrência do evento (empresa de segurança conecta- da ao alarme, etc.). Não se aplica. Não se aplica. UNIDADE 3 48GERENCIAMENTO DE RISCOS RESUMO O Patrimônio da organização é composto de bens tangíveis e bens intangíveis. Os bens tangíveis são ativos concretos da organização que podem ser tocados. Eles podem ser de origem natural, resultantes da exploração de recursos naturais ou produção do homem. Neste último caso, são criadas e construídas benfeitorias, que são os (1) prédios/instalações (2) maqui- nismos/móveis/utensílios, (3) mercadorias/matérias-primas e são os bens da organização necessários para seu funcionamento. Nessa classifica- ção, temos as indústrias, comércios, prestação de serviços e residências (incluindo condomínios). O bloco patrimônio é estudado em três dimensões: dimensão 1 – itens expostos a perdas; dimensão 2 – riscos que causam as perdas; dimensão 3 – consequências financeiras das perdas. Na “dimensão 1 – itens expostos a perdas”, temos prédios e instalações; maquinismos, móveis e utensílios; mercadorias e matérias-primas. Além desses itens, também devem ser considerados desentulho do local, des- pesas de demolição, propriedades não danificadas, aumento dos custos de reconstrução ou reparação, valor do conjunto. Na “dimensão 2 – riscos que causam perdas”, são analisados os riscos que causam perdas no bloco patrimonial. Na “dimensão 3 – consequências financeiras das perdas”, é mensurado o impacto das perdas, devendo-se aplicar os conceitos de valoração e parâ- metros da qualidade do risco. O resultado da identificação e análise dos riscos (causas de perdas, fre- quência e severidade) são condensados na matriz de riscos, que serve para decidir quais riscos serão objeto da gestão de riscos. Finalmente, as medidas de controle de riscos e financiamento de riscos deverão ser analisadas para os riscos que serão objeto da gestão de riscos. FIXANDO CONCEITOS 49GERENCIAMENTO DE RISCOS FIXANDO CONCEITOS 3 Marque a alternativa correta nas questões abaixo: 1. Na gestão de riscos acidentais, os bens do bloco patrimônio são com- postos de: (a) Bens tangíveis, somente. (b) Bens intangíveis, somente. (c) Bens que podem ser valorados fisicamente. (d) Bens físicos. (e) Bens tangíveis e intangíveis. 2. Na valoração dos bens do bloco patrimônio, normalmente não se utiliza depreciação para: (a) Prédios. (b) Instalações. (c) Mercadorias. (d) Maquinismos. (e) Móveis. 3. Incêndio é uma causa de perdas importante no bloco patrimônio. Sua característica é: (a) Fogo controlado. (b) Alta frequência e alta severidade. (c) Baixa frequência e alta severidade. (d) Alta frequência e baixa severidade. (e) Baixa frequência e baixa severidade. 4. No bloco patrimônio, instalar sistema de sprinklers é uma medida de: (a) Financiamento de riscos. (b) Evitar as perdas. (c) Prevenção de perdas. (d) Transferência contratual. (e) Redução de perdas. 5. No bloco patrimônio, instalar grades e cerca eletrificada para roubo/ furto qualificado é uma medida de: (a) Prevenção de perdas. (b) Segregação por duplicação. (c) Segregação por separação. (d) Redução de perdas. (e) Evitar as perdas. 50GERENCIAMENTO DE RISCOS 04 ■ Conhecer a origem da responsabilidade civil, considerando aspectos históricos e a legislação. ■ Entender as exposições a perdas do bloco responsabilidade civil, considerando as dimensões: itens expostos a perdas, riscos que causam as perdas, consequências financeiras das perdas. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: RESPONSABILIDADE CIVIL TÓPICOS DESTA UNIDADE ⊲ EXPOSIÇÃO A PERDAS ⊲ IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS ⊲ MEDIDAS DE CONTROLE E FINANCIAMENTO DE RISCOS ⊲ RESUMO ⊲ FIXANDO CONCEITOS 4 ■ Compreender a diferença entre responsabilidade civil subjetiva e responsabilidade civil objetiva analisando situações práticas. ■ Compreender a aplicabilidade de medidas de controle de riscos e de financiamento de riscos considerando situações práticas GESTÃO de RISCOS ACIDENTAIS – 51GERENCIAMENTODE RISCOS A responsabilidade civil surge em função da existência de: ■ Leis; ■ Códigos, que reúnem, em uma única lei, normas de um mesmo ramo do direito, por exemplo: Código Civil, Código de Defesa do Consumidor, etc.; ■ Estatutos, que regulam as relações de certas pessoas que têm em comum o fato de pertencerem a um território ou sociedade, por exemplo: Estatuto da Criança e do Adoles- cente, Estatuto do Idoso, etc. Para a gestão de riscos acidentais, é importante conhecer a ori- gem e a dinâmica da responsabilidade civil que pode ser imputada à organização. No Código Civil Brasileiro, temos três artigos que são importantes para conceituação da responsabilidade civil, que são: Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos res- ponderão solidariamente pela reparação. UNIDADE 4 52GERENCIAMENTO DE RISCOS Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os auto- res os coautores e as pessoas designadas no art. 932. Esses artigos levam a uma reflexão inicial, que será aprofundada no trans- correr do curso: (1) o artigo 186 define o que é ato ilícito; (2) o artigo 927 diz que quem comete ato ilícito e causar dano a outrem é obrigado a repará-lo; (3) e o artigo 942 define que os bens do causador do dano ficam sujeitos a reparação do dano causado. Em linhas gerais, essa é a dinâmica da res- ponsabilidade civil. Para exemplificar, vamos novamente usar o exemplo da padaria. Suponha- mos que o chão ficou úmido após o trabalho de limpeza e que não houve isolamento da área ou aviso por meio de placas. Um cliente escorregou na área, caiu e quebrou o braço. Então: 1. Houve violação do direito do cliente, pois foi criada uma situação de perigo e o cliente não foi alertado. Portanto, a padaria cometeu um ato ilícito. 2. Como ela cometeu um ato ilícito e causou danos, é sua obrigação reparar os danos pessoais, que podem ser acrescidos de danos morais e danos imateriais (como exemplo, perda de receita do cliente da padaria, que é representante comercial). 3. Os bens da padaria ficam sujeitos à reparação dos danos, ou seja, ela deverá reparar os danos com recursos próprios. Portanto, no estudo das dimensões do bloco responsabilidade civil, temos as seguintes conclusões: Dimensão 1 Itens expostos a perdas: os bens expostos a perdas na responsabilidade civil são os bens da própria organização, pois eles ficarão à disposição para reparação dos danos causados a outrem. Dimensão 2 Riscos que causam as perdas: são os atos ilícitos cometidos pela organização e que causam danos a outrem. Dimensão 3 Consequências financeiras: são os custos de reparação dos danos causados e, como veremos adiante, as custas judiciais envolvidas no processo. UNIDADE 4 53GERENCIAMENTO DE RISCOS EXPOSIÇÃO A PERDAS O processo de gestão de riscos acidentais é o mesmo para todos os blo- cos (patrimônio, responsabilidade civil, pessoas e receita líquida), sendo adaptado às características de cada um deles. — Itens Expostos a Perdas Conforme estudado na introdução desta unidade, o item exposto a perdas no bloco responsabilidade civil é o próprio patrimônio da organização, pois ele ficará à disposição para reparação dos danos causados a outrem quan- do cometidos atos ilícitos e houver danos. Esse fato, que é previsto no Código Civil Brasileiro, pode gerar, indireta- mente, procedimento equivocado para se fixar o LMI – Limite Máximo de Indenização de uma apólice de responsabilidade civil. A fixação do LMI para apólice de Responsabilidade Civil não tem critérios objetivos como estuda- do no Bloco Patrimonial (no bloco patrimonial as Consequências Financeiras da Perdas são medidas por meio dos parâmetros Valoração – VN, VA e Depreciação, e dos Parâmetros da Qualidade do Risco – PMP e DMP. A ausência de critérios objetivos para medição das consequências financei- ras do evento responsabilidade civil, aliada com previsão legal da disponi- bilização dos bens da organização para reparação dos danos causados a outrem, tem induzido a contratação de seguro com LMI equivalente ao patri- mônio líquido da organização. Embora esse critério tenha o mérito de consi- derar que, quanto maior o patrimônio líquido, maior será o nível de atividade da organização e, em tese, maior será sua exposição a perdas decorrente de Responsabilidade Civil, ele pode levar a situações como as descritas: 1. Patrimônio líquido da organização: R$ 10 milhões. 2. LMI da apólice de responsabilidade civil: R$ 10 milhões. 3. Reparação de danos causados a terceiros: R$ 30 milhões. Nesta situação hipotética, teríamos: ■ Seguro reembolsaria R$ 10 milhões. ■ Organização responderia com seus bens no valor de R$ 10 milhões. ■ Seriam necessários mais R$ 10 milhões para reparação dos danos causados. Este assunto será novamente discutido no item consequências finan- ceiras do bloco responsabilidade civil. UNIDADE 4 54GERENCIAMENTO DE RISCOS Outro ponto de atenção relacionado aos bens da organização é um trecho encontrado no artigo 942 do Código Civil Brasileiro, já mencionado, que determina que “se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão soli- dariamente pela reparação”. Portanto, se a organização for corresponsável por algum dano, ela responderá solidariamente, ou seja, como ela é res- ponsável solidária, e se a outra parte acionada não tiver bens suficientes, a organização poderá ser obrigada a arcar com a totalidade da reparação dos danos. Quando a organização responde solidariamente, pode ocorrer dela assu- mir 100% da responsabilidade, independentemente do seu percentual de culpa no evento (caso fosse atribuído um percentual de culpa para cada participante, ela responderia proporcionalmente). Voltando ao piso molhado do exemplo de nossa padaria, não adianta ela alegar que o ato ilícito foi cometido por uma empresa terceirizada, pois a organização responderá solidariamente. Esta situação pode ser encontrada no mercado de seguros, no qual, em caso de demanda judicial do segurado contra o corretor de seguros, a parte que representa o segurado procurará trazer a seguradora para a disputa judicial, fazendo com que ela, que normalmente tem porte financeiro maior do que o corretor de seguros, seja solidária na ação judicial com o corretor de seguros. — Riscos que Causam as Perdas No bloco responsabilidade civil, o risco que causa perdas é cometer ato ilíci- to, sendo que conforme artigo 186 do Código Civil Brasileiro, comete ato ilíci- to “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral”. Algumas considerações sobre o artigo 186: ■ A caracterização da ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência pode ser exemplificada da seguinte maneira: » Ação, ou seja, fazer alguma coisa, que no caso de nossa padaria pode ser vender um produto ou guardar o carro de um cliente. » Omissão voluntária, ou seja, deixar de fazer alguma coisa. Na nossa padaria, poderia se deixar de fazer a manutenção do seu letreiro, fazendo com que ele se desprendesse e caísse sobre um transeunte, causando danos ao mesmo. » Negligência, ou seja, deixar de adotar os procedimentos ade- quados. No caso de nossa padaria, seria a negligência de não secar o chão ou colocar placasde chão úmido, como já discu- tido anteriormente. UNIDADE 4 55GERENCIAMENTO DE RISCOS » Imprudência, ou seja, deixar de agir prudentemente, como colocar mercadorias na prateleira com altura excessiva na nos- sa padaria, e quando o cliente for retirar uma mercadoria que ele deseja comprar, o lote vir abaixo e causar danos ao cliente. ■ Outro ponto importantíssimo desta definição é que se deve “cau- sar dano a outrem”. Portanto, se não houver dano a outrem, não existe ato ilícito, não existe necessidade de reparação, e, em últi- ma análise, não existe responsabilidade civil da organização. Em outras palavras, o “dano” é o elemento caracterizador mais impor- tante da responsabilidade civil. A organização pode ter “ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência”, mas se não ocor- rer “dano”, não se fala em responsabilidade civil. ■ O dano pode ser “exclusivamente moral”, ou seja, não é necessá- rio que se tenha a ocorrência concomitante de dano material ou dano pessoal. Esta situação remete ao “assédio moral”, em que a “ação de assédio moral, viola o direito do funcionário, causando danos a ele” e caracterizando ato ilícito com a consequente obri- gação da reparação do dano, até o limite dos bens da organização. Utilizando o exemplo da padaria, suponhamos que o gerente asse- dia um funcionário da cozinha pedindo mais produção e fazendo comentários desrespeitosos sobre seu trabalho em público. Embo- ra a organização não esteja diretamente envolvida neste evento, ela é responsável civilmente pela conduta dos seus funcionários, conforme veremos no próximo tópico. Danos causados por outras pessoas O Código Civil Brasileiro gera responsabilidade civil para pessoas físicas e pessoas jurídicas, não somente pelos atos por elas cometidos, mas também por atos praticados por outras pessoas conforme artigo abaixo transcrito: Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: I – os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia; II – o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições; III – o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e pre- postos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele; IV – os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo para fins de educação, pelos seus hóspe- des, moradores e educandos; V – os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia. Portanto, conforme inciso III do artigo 932, a organização é responsável civilmente pelos atos praticados por seus empregados. UNIDADE 4 56GERENCIAMENTO DE RISCOS Como exemplo, na cidade de São Paulo, tivemos um caso em que o vigia, durante a discussão com um condômino que era médico, atirou nele e o matou. O vigia respondeu criminalmente, e o condomínio respondeu civil- mente pelo dano corporal sofrido pelo médico. Responsabilidade civil extracontratual A responsabilidade civil contratual é aquela que advém de um contrato formal celebrado entre as partes, estabelecendo direitos, obrigações e condições entre as partes contratantes. A gestão de riscos acidentais trabalha no campo da responsabilidade civil extracontratual, ou seja, é uma responsabilidade civil que surge em função de acidentes ou não conformidades dos produtos e serviços. Responsabilidade civil subjetiva Quando se analisa os riscos que causam perdas, é necessário que a gestão de riscos acidentais saiba em qual campo da responsabilidade civil se está atuan- do, se na responsabilidade civil subjetiva ou na responsabilidade civil objetiva. Na responsabilidade civil subjetiva, para sua caracterização, são necessá- rios quatro elementos: 1. Ação ou omissão voluntária, negligência, imprudência. 2. Culpa, que se caracteriza em causar o dano de maneira não inten- cional. Observações Importantes: 2.1. Se não se caracterizar a culpa, não existirá responsabilidade civil. 2.2. Caso o dano seja causado de maneira intencional, ou seja, com dolo, a responsabilidade, deixa de ser civil para ser tra- tado no campo da responsabilidade criminal. 2.3. Em situações de extrema negligência, o fato passa a ser tra- tado como culpa grave (embora não tenha sido intencional, o ato foi extremamente negligente). A culpa grave tem trata- mento similar ao dolo (ato intencional). Existem exemplos na mídia em que a atuação da diretoria da organização foi tão negligente que mesmo acidentes catastróficos, embora não tenham sido causados de maneira intencional, passaram a ser tratados na esfera criminal. 3. Nexo causal, ou seja, existe relação entre a ação ou omissão cul- posa e o dano produzido. 4. Dano, que é o principal elemento caracterizador da responsabili- dade civil. Os exemplos que foram apresentados até agora são exemplos de respon- sabilidade civil subjetiva, que se aplica à maioria dos casos. UNIDADE 4 57GERENCIAMENTO DE RISCOS Responsabilidade civil objetiva A responsabilidade civil objetiva é prevista no parágrafo único do artigo 927 do Código Civil Brasileiro, e diz que “Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano impli- car, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. Isso implica que, se previsto em lei ou jurisprudência, para caracterização da responsabilidade civil, prescinde-se do elemento culpa, ou seja, para caracterização da responsabilidade civil objetiva é necessário: ■ Ação ou omissão voluntária, negligência, imprudência; ■ Nexo causal, ou seja, existe relação entre a ação ou omissão cul- posa e o dano produzido; ■ Dano, que é o principal elemento caracterizador da responsabili- dade civil. Como exemplos de responsabilidade civil objetiva, temos: Prevista em Lei O Código de Defesa do Consumidor, que no seu artigo 12 diz que “O fabricante, o produtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmu- las, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus pro- dutos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos. Prevista em Jurisprudência Entendimento do Supremo Tribunal de Justiça que reconhece a Responsabilidade Civil Objetiva dos Hospitais, de acordo com o artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor. — Consequências Financeiras das Perdas As consequências financeiras das perdas do bloco responsabilidade civil podem ser agrupadas em reparação dos danos e custos judiciais. Reparação de Danos Os danos podem ser agrupados nos seguintes tipos: ■ Danos materiais (relacionados a bens materiais de terceiros que sofreram danos). Exemplo: roubo do carro que estava sob a guarda da padaria no estacionamento. UNIDADE 4 58GERENCIAMENTO DE RISCOS ■ Danos imateriais (relacionados à perda de receita, lucros cessan- tes, etc.). Exemplo: o cliente que sofreu ferimentos em função da queda das mercadorias da prateleira é motorista de táxi e deixou de trabalhar enquanto se recuperava. ■ Danos pessoais (relacionados ao corpo e à estética). Exemplo: a cliente que escorregou no chão úmido teve despesas hospitalares e ficou com uma cicatriz no rosto. ■ Danos morais (relacionados a dor, sofrimento, angústia). Exemplo: a cliente que sofreu revista indevida após soar o alarme de merca- doria não paga, sofreu constrangimento e sentiu-se envergonhada na situação vivida perante outros clientes. Custos de Advogados e Custas Judiciais Preferencialmente, a reparação de eventuais danos causados a terceiros deverá ser feita de forma amigável. Como isso nem sempre é possível, pode ser necessária a contratação de advogados ou utilização do corpo jurídico próprio da organização, o que representacusto para a organização. A mensuração da exposição a perdas do bloco responsabilidade civil nem sempre é fácil e precisa, pois envolve estimar possíveis danos e custos judiciais a ele associados. Os passos sugeridos para mensuração da exposição a perdas envolvem: 1. Verificar experiência de organizações similares. 2. Analisar o próprio histórico da organização. 3. Montar cenários simulando situações que gerem danos a tercei- ros, estimando os custos de reparação e custos judiciais. IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS Identificação de Riscos Já sabemos que os riscos que causam perdas no bloco responsabilidade civil são os atos ilícitos cometidos que geram danos a terceiros. Como a quantidade de atos ilícitos que causam danos a outrem é grande, uma boa técnica é agrupá-los, o que facilita a análise (frequência e severida- de) e as sugestões das medidas de controle e de financiamento de riscos. UNIDADE 4 59GERENCIAMENTO DE RISCOS Para exemplificar o processo, vamos novamente utilizar o exemplo da padaria. Para danos aos clientes, utilizaremos o método HAZOP, montando um flu- xo operacional para identificarmos as causas de danos ao cliente. FLUXO 1 – DANOS AOS CLIENTES (1) CLIENTE ESTACIONA O CARRO Danos aos veículos dos clientes por roubo, furto de peças, colisão, mal funcionamento da cancela, queda de objetos – Grupo Guarda de Veículos. Assalto, sequestro relâmpago – Segurança do Cliente – Grupo Operações (existência, uso e conservação). Acidentes: escorregão, queda de objetos, atropelamento – Grupo operações (existência, uso e conservação). Acidentes: escorregão, queda de prateleira, queda de objetos ou estrutura, danificar a roupa (rasgar, manchar), alarme indevido de produto ou serviço não pago – Grupo Operações (existência, uso e conservação). Assalto, arrastão, agressão por parte de outro cliente ou funcionário – Segurança do Cliente - Grupo Operações (existência, uso e conservação). Produtos Impróprios: validade vencida, produtos estragados, produtos contaminados – Grupo Produtos. Operação e segurança do sistema, vazamento de dados do cliente – Grupo Cyber Risks. O mesmo que (1). (5) CLIENTE RETIRA O CARRO (3) CLIENTE COMPRA OU CONSOME PRODUTOS (4) CLIENTE PAGA SEU CONSUMO (2) CLIENTE ENTRA NA PADARIA OBS.: se o cliente vier a pé, não existem os itens (1) e (5). ■ Danos ao funcionário: assédio moral, assédio sexual, doença ocu- pacional, acidentes no interior do estabelecimento, segurança físi- ca do funcionário – Grupo Empregador. ■ Danos ao transeunte (por exemplo, por queda da marquise) – Grupo Operações (existência, uso e conservação). ■ Danos à vizinhança (por exemplo, incêndio nas instalações da organização que se propaga para os vizinhos) – Grupo Operações (existência, uso e conservação). UNIDADE 4 60GERENCIAMENTO DE RISCOS Condensando os artigos 186, 927 e 942 do Código Civil Brasileiro, temos que os atos ilícitos cometidos por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência que violam o direito e causa dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, obriga a organização a repará-los, sendo que os bens da organização ficam sujeitos à reparação do dano causado. Utilizan- do o case padaria, o cometimento de atos ilícitos que geram obrigação de reparação podem ser agrupados em: ■ Operações (existência, uso e conservação); ■ Produtos; ■ Empregador; ■ Guarda de Veículos de Terceiros; ■ Cyber Risks. Como colocado na unidade 1, na gestão de Riscos, é necessário conhecer: 1. O processo de gestão de riscos; 2. A organização onde ela será aplicada. O processo de identificação de riscos utilizado no exemplo da padaria pode ser aplicado a outras atividades, respeitando suas respectivas par- ticularidades. Complementando, existe outra fonte de responsabilidade civil a ser consi- derada, principalmente nas organizações com capital aberto, que é a res- ponsabilidade civil dos conselheiros e administradores (no Brasil, é comum utilizarmos o termo em inglês D&O – Directors and Officers). Trata-se da responsabilidade civil que é imputada aos conselheiros e administradores quando no exercício de sua função, e tem origem no artigo 158 da Lei 6.404/76 (Lei das S.A.), conforme descrito a seguir: “O administrador não é pessoalmente responsável pelas obrigações que contrair em nome da sociedade e em virtude de ato regular de gestão; res- ponde, porém, civilmente, pelos prejuízos que causar, quando proceder: I - dentro de suas atribuições ou poderes, com culpa ou dolo; II - com violação da lei ou do estatuto. — Análise de Riscos Na Análise de Riscos, utilizaremos os critérios de Frequência e Severidade estudados na unidade 1, cabendo as seguintes observações: 1. Cyber Risks consta no bloco patrimonial e no bloco responsabili- dade Civil, portanto, é um risco que deve ser analisado sob essas duas óticas. UNIDADE 4 61GERENCIAMENTO DE RISCOS 2. A numeração dos riscos é sequencial (como no bloco patrimonial a numeração terminou em 16, o bloco responsabilidade civil come- çará com 17. RISCO FREQUÊNCIA SEVERIDADE 17. Operações (existência, uso e conservação) Média Severa 18. Produtos Média Severa 19. Empregador Média Significativa 20. Guarda de Veículos de Terceiros Média Significativa — Matriz de Riscos MATRIZ DE RISCOS FREQUÊNCIA SEVERIDADE INSIGNIFICANTE SIGNIFICATIVA SEVERA CATASTRÓFICA Alta Média 8, 12, 19, 20 16, 17, 18 Baixa 4, 6, 7, 10, 14, 15 2, 9, 13 1 Remota 3 5, 11 Não serão objeto do processo da gestao de riscos São riscos que merecem atenção da gestão de riscos Obrigatoriamente deverão ser objeto do processo de gestão de riscos Observação 1. Como pode ser observado, os riscos relacionados ao bloco responsabilidade civil situam-se na área vermelha e amarela, portanto, deverão ser tratados pela gestão de riscos. 2. O Cyber Risks (risco 16) já foi tratado no bloco patrimonial. MEDIDAS DE CONTROLE E FINANCIAMENTO DE RISCOS A mensuração das consequências financeiras do grupo responsabilidade civil é baseada em cenários que simulam a reparação dos danos (materiais, imateriais, pessoais e morais) acrescido dos custos judiciais. Estes cenários não têm a mesma precisão como as que temos no bloco patrimonial. Assim, para diminuir esta incerteza, é importante o investimento em medi- das de controle de riscos, que são fortemente baseadas no comportamen- UNIDADE 4 62GERENCIAMENTO DE RISCOS to e controle da organização e de seus funcionários, e que, em geral, têm menos custo do que sistemas de controle de riscos do bloco patrimonial (estabelecer procedimentos e supervisioná-los é menos oneroso do que instalar sistema de sprinklers, por exemplo). De maneira genérica, as medidas de controle de riscos aplicáveis são: 1. Eliminação da exposição A eliminação da exposição é uma técnica aplicável quando se veri- fica que as técnicas de tratamento disponíveis não são suficientes para mitigação do risco. Por exemplo, se o potencial de danos ao consumidor de um produto comercializado é muito alto, é melhor deixar de comercializar este produto, eliminando sua exposição a perdas. O ponto negativo desta técnica é que ela deixa a organi- zação fora da linha de negócio eliminada. Esta técnica não será utilizada no case padaria. 2. Prevenção de perdas Importante para a gestão de riscos acidentais do bloco responsabili- dade civil. Normalmente, são ligadas a procedimentos de manuten- ção das instalações e equipamentos, bem como a procedimentos comportamentais dos funcionários e da organização. 3. Redução de perdas Uma vez ocorrido o dano ao terceiro, é importante que a organiza- ção seja ágil na resolução do problema. Nas ocorrências que envolvem responsabilidade civil, quanto mais tempo passar, mais os ânimos do terceiro prejudicado ficam exaltados. Também devem estar previstos procedimentos a seremadotados pela organização e pelos funcionários. 4. Transferência contratual É uma técnica que envolve a transferência da atividade e da res- ponsabilidade civil que seja gerada por esta atividade. Conforme já comentado anteriormente, a parte prejudicada possivelmente invocará responsabilidade solidária da organização. Esta técnica não será utilizada no case padaria. Para financiamento de riscos, são aplicáveis: 1. Retenção É uma técnica aplicável, mas exige que a organização tenha disponibi- lidade financeira que possa ser mobilizada para a reparação de dano causado a terceiro. Esta técnica é utilizada em situações específicas. UNIDADE 4 63GERENCIAMENTO DE RISCOS 2. Transferência por meio de seguros Normalmente, está técnica é conjugada com prevenção de perdas e redução de perdas. Especificamente para o Grupo Produtos, vamos analisar o fluxo abaixo, identificando as não conformidades que podem gerar produtos inadequa- dos com possíveis danos a clientes no case padaria: (1) RECEBIMENTO DE MATÉRIA-PRIMA Matéria-prima em desacordo com especificações de prazo de validade e qualidade. Armazenagem em condições inadequadas de limpeza, layout e temperatura. Matéria-prima com prazo de validade vencido. Tempo excessivo de armazenagem, gerando perda de validade. Preparação do produto com validade vencida ou em condições de limpeza e higiene inadequadas. Estocagem das mercadorias em condições inadequadas de limpeza, layout e temperatura. Mercadorias com prazo de validade vencido. Mercadorias em Exposição em condições inadequadas de limpeza, layout e temperatura. Mercadorias com prazo de validade vencido. (5) MERCADORIAS EM EXPOSIÇÃO (3) PREPARAÇÃO DOS PRODUTOS (4) ESTOCAGEM DAS MERCADORIAS (2) ARMAZENAGEM DA MATÉRIA-PRIMA UNIDADE 4 64GERENCIAMENTO DE RISCOS CASE PADARIA – MEDIDAS DE CONTROLE DE RISCOS RISCO PREVENÇÃO DE PERDAS REDUÇÃO DE PERDAS 17. Operações (existência, uso e conservação) Programa de manutenção das instala- ções e máquinas com cronograma e acompanhamento; Procedimentos escritos dos funcioná- rios e treinamento dos mesmos; Procedimentos de segurança patrimo- nial com sistemas de vigilância (física e guardas) e treinamento dos funcioná- rios para situações de emergência. Estabelecer plano de ação formal a ser seguido em caso de reclamações de terceiros diretamente ao estabele- cimento ou por meio de comentários desfavorá- veis em redes sociais. Este plano de ação de- verá indicar as pessoas a serem acionadas em caso de reclamação e estabelecer parâmetros de atuação, procurando- -se resolver a situação o mais rápido possível. 18. Produtos Controle formal do recebimento das matérias-primas verificando qualidade e prazo de validade. Na armazenagem de matéria-prima, es- tocagem de produtos e mercadorias em exposição, estabelecer procedimentos formais, treinar os funcionários e super- visionar. Controlar o prazo de validade. Na preparação dos produtos, estabe- lecer procedimentos de supervisão e checagem da data de validade, limpeza e higiene. 19. Empregador Treinamento dos funcionários na segu- rança patrimonial, processos e atendi- mento. Conformidade com as leis trabalhistas, sindicatos e boas práticas de organiza- ções similares. 20. Guarda de Veículos de Terceiros Instalação de sistemas de segurança (câmeras, filmagem da entrada e saída). Treinamento dos funcionários em segu- rança patrimonial e atendimento. UNIDADE 4 65GERENCIAMENTO DE RISCOS RESUMO A responsabilidade civil surge em função da existência de (1) Leis, (2) Códi- gos, que reúnem, em uma única lei, normas de um mesmo ramo do direito e (3) Estatutos, que regulam as relações de certas pessoas que têm em comum pertencerem a um território ou sociedade, etc. No Código Civil Brasileiro, temos três artigos que são importantes para conceituação da Responsabilidade Civil, que são: Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusiva- mente moral, comete ato ilícito. Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independente- mente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação. Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas designadas no art. 932. Portanto, as dimensões da exposição a perdas do bloco responsabilidade civil são: ■ Bens expostos a perdas: os bens expostos a perdas na responsa- bilidade civil são os bens da própria organização. ■ Riscos que causam perdas: são os atos ilícitos cometidos pela organização e que causam danos a outrem. ■ Consequências financeiras das perdas: são os custos de repara- ção dos danos materiais, imateriais, pessoais e morais, e as custas judiciais envolvidas no processo. Uma consequência importante destas definições é que, se não houver dano a outrem, não existe ato ilícito, não existe necessidade de reparação, e, em última análise, não existe responsabilidade civil da organização. Outro ponto importante é saber se exposição a perdas em análise encon- tra-se no campo da Responsabilidade Civil Subjetiva ou Objetiva, sendo que a Responsabilidade Civil Objetiva prescinde do elemento culpa. UNIDADE 4 66GERENCIAMENTO DE RISCOS Devido à grande quantidade de atos ilícitos que causam danos a outrem, uma boa técnica para análise dos riscos e sugestão de medidas de mitiga- ção é agrupá-los, por exemplo: Operações (existência, uso e conservação), Produtos, Empregador, Guarda de Veículos de Terceiros, Cyber Risks, den- tre outros. As medidas de mitigação de riscos aplicáveis no bloco responsabilidade civil são: ■ Controle de riscos: eliminação da exposição, prevenção de per- das, redução de perdas, transferência contratual. ■ Financiamento de riscos: retenção, transferência por meio de seguros. FIXANDO CONCEITOS 67GERENCIAMENTO DE RISCOS FIXANDO CONCEITOS 4 Marque a alternativa correta: 1. O elemento mais importante, sem a(o) qual não se caracteriza responsa- bilidade civil, é: (a) Dano. (b) Omissão. (c) Culpa. (d) Dolo. (e) Ação. 2. Na responsabilidade civil, o item sujeito a perdas é (são): (a) Os bens da própria organização. (b) O risco moral. (c) Os bens da organização localizados em outro endereço. (d) Os vizinhos próximos. (e) A sociedade em geral. 3. Dano moral é: (a) O mesmo que risco moral. (b) Relacionado a lucros cessantes. (c) Excluído do campo da responsabilidade civil. (d) Objeto exclusivo da responsabilidade criminal. (e) Relacionado a dor e angústia. 4. Conforme Código Civil Brasileiro, a responsabilidade civil surge quando, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, viola-se o direi- to de outrem, cometendo-se: (a) Ato danoso. (b) Ato ilícito. (c) Dano pessoal. (d) Dano imaterial. (e) Ato lícito. 5. Na responsabilidade civil, controle de qualidade é medida de: (a) Financiamento de riscos. (b) Transferência de riscos. (c) Redução de perdas. (d) Prevenção de perdas. (e) Evitar as perdas. 68GERENCIAMENTO DE RISCOS 05 ■ Entender as exposições a perdas dos blocos pessoas e receita líquida, considerando as dimensões: itens expostos a perdas, riscos que causam as perdas, consequências financeiras das perdas. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ■ Conhecer os princípios da gestão de risco de pessoa física, aplicando-os em situações práticas. ⊲ GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS– PESSOAS ⊲ GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RECEITA LÍQUIDA ⊲ GESTÃO DE RISCOS DA PESSOA FÍSICA ⊲ RESUMO ⊲ FIXANDO CONCEITOS 5 TÓPICOS DESTA UNIDADE GESTÃO de RISCOS de PESSOA FÍSICA e RECEITA LÍQUIDA 69GERENCIAMENTO DE RISCOS GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – PESSOAS A gestão de riscos acidentais – bloco pessoas foca nas pessoas-chave da organização e no impacto que sua ausência temporária ou permanente causa nos objetivos da organização. Na relação abaixo, temos exemplos do que são consideradas pessoas-chave, cuja falta pode prejudicar a organização em atingir seus objetivos: ■ Um artista popular que, em função de doença, acidente ou morte, teve vários eventos programados cancelados. ■ Equipe de vendas de produto de nicho que sofre acidente aéreo, causando a morte dos especialistas no produto. ■ Equipe de projeto de novo produto a ser lançado que pede demis- são, transferindo-se para organização concorrente. ■ Representante com grande credibilidade de uma instituição filan- trópica que morre pouco antes do início da campanha de arreca- dação de fundos. ■ No case de nossa padaria, temos o chefe da cozinha que é res- ponsável pela alta qualidade dos produtos comercializados. Nos dias de hoje, as organizações estão cada vez menos dependentes de pessoas-chave. A própria organização tem estruturas administrativas e organizacionais que mitigam o risco da perda de pessoas-chave. O bloco pessoas-chave, será analisado nas três dimensões: Dimensão 1: Itens expostos a perdas Dimensão 2: Riscos que causam perdas Dimensão 3: Consequências financeiras das perdas UNIDADE 5 70GERENCIAMENTO DE RISCOS — Itens Expostos a Perdas Todas pessoas na organização possuem valor, pois, em tese, a contribui- ção delas nos objetivos da organização (receita, se for uma organização com fins lucrativos) é maior do que os gastos que se tem com ela (salários e despesas indiretas, se for organização com fins lucrativos). Para simplificar o entendimento, vamos considerar uma organização com fins lucrativos. A contribuição dos proprietários, diretores, gerentes e fun- cionários em geral é superior ao valor por eles recebidos. Então, qual o critério para se definir quem são as pessoas-chave? A identificação da pessoa-chave passa pela resposta a duas perguntas: 1. O que pode ser feito se a pessoa, repentinamente, não está mais disponível para a organização? 2. Qual o efeito da indisponibilidade dessa pessoa para que a organi- zação atinja seus objetivos? A primeira pergunta determina como e quando a pessoa pode ser reposta. As respostas possíveis são: movimentação interna, contratação externa, eli- minação da posição ou distribuição do trabalho entre outros funcionários. A segunda questão indica a perda de eficiência da organização em atingir seus objetivos. Dificuldade na reposição e perda de eficiência em atingir os objetivos são indicativos de que se trata de uma pessoa-chave, a qual deverá ser objeto de maior atenção da organização. — Riscos que Causam Perdas Os riscos que causam perdas de pessoas-chave são: ■ Morte, de causas naturais, doença ou acidentes. ■ Invalidez para o trabalho, por doença ou por acidente, podendo ser temporária ou permanente. Na invalidez, a severidade da per- da tende a ser inversamente proporcional à frequência, ou seja, perdas severas ocorrem com menos frequência, e perdas leves ocorrem com mais frequência. ■ Aposentadoria, cujo afastamento tende a ser melhor planejado pela organização. ■ Pedido de dispensa, em que o funcionário, por sua iniciativa, deci- de deixar de colaborar com a organização. UNIDADE 5 71GERENCIAMENTO DE RISCOS — Consequências Financeiras das Perdas As consequências financeiras estão relacionadas às dificuldades em se atingir os objetivos e as despesas adicionais necessárias para repor a pessoa-chave. Usando o case padaria, o pedido de dispensa do chefe para trabalhar em organização concorrente acarretará perda de lucro (pela percepção dos clientes da perda de qualidade dos produtos e migração para o concorren- te) e despesas adicionais para contratação de novo chefe (possivelmente com salário superior ao do anterior). — Medidas de Controle e Financiamento de Riscos Na gestão de riscos acidentais – bloco pessoas, são aplicáveis: Controle de riscos ■ Prevenção de perdas: salário compatível ou acima da média de mercado, programa de benefícios agressivo (incluindo seguro saú- de, seguro de vida e previdência privada). No case padaria, partici- pação nas vendas dos produtos. ■ Redução de perdas: reduzir o período de substituição, mantendo contato prévio com profissionais que possam substituir a pessoa- -chave. ■ Segregação por duplicação: implantar programa de treinamento de outros funcionários na função. No case padaria, treinar cozi- nheiros que sejam capacitados para assumir a função. Financiamento de riscos ■ Retenção: até a reposição da pessoa-chave, o risco deverá ser temporariamente retido pela organização. GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RECEITA LÍQUIDA O bloco gestão de riscos acidentais – Receita Líquida, também será ana- lisado através das três dimensões: dimensão 1 – itens expostos a perdas; dimensão 2 – riscos que causam as perdas; dimensão 3 – consequências financeiras. A receita Líquida é baseada no orçamento da organização e é calculada pela fórmula: UNIDADE 5 72GERENCIAMENTO DE RISCOS Receita líquida = receitas orçadas – despesas orçadas Portanto, a perda de receita líquida pode ocorrer pela pela queda de receitas, pelo aumento das despesas ou ambos. — Item Exposto a Perda No bloco receita líquida, o item exposto a perda é a própria receita líquida orçada. — Riscos que Causam Perdas Na gestão de riscos acidentais, a perda de receita líquida (diminuição das receitas orçadas ou aumento das despesas orçadas) é um dano emergen- te, ou seja, emerge após a ocorrência de um dano acidental. Danos ao patrimônio O acidente de um bem tangível, além de causar a perda do seu valor, impedirá que ele execute a função para o qual foi projetado, podendo provocar perda de receita e aumento das despesas. Uti- lizando o case padaria, vamos supor que ocorra explosão dos for- nos a gás. Além dos danos materiais causados aos fornos, haverá paralisação da produção e consequente redução na venda de pro- dutos, gerando perda de receita. Para retornar o mais rapidamente possível à produção, uma vez que a compra de um novo forno sob encomenda tem prazo de dois meses, poderão ser alugados fornos similares ou alugar instalações em concorrente para suprir a produção, gerando aumento das despesas. Outro fato importante é que a receita líquida independe do valor do patrimônio danificado. Suponha que, numa indústria química, exista um painel de controle feito sob encomenda que controla o processo químico. Um dano elétrico nesse equipamento pode paralisar o processo industrial, gerando grande perda de receita líquida (embora o valor do painel seja pequeno, sua inoperância gerará perda elevada de receita líquida). Na receita líquida, também deve ser considerada sua interdepen- dência com outras organizações. Segundo os resseguradores internacionais, temos dois novos riscos importantes, que são (1) Cyber Risks ( já estudado no curso) e (2) lucros cessantes contin- gentes. Este último está associado à perda de receita líquida da organização decorrente de acidentes em outras organizações (for- necedores ou compradores). No ano de 2011, o terremoto seguido UNIDADE 5 73GERENCIAMENTO DE RISCOS de tsunami no Japão destruiu empresas que forneciam componen- tes para suas subsidiárias. Com a destruição das fábricas no Japão, empresas ao redor do mundo (inclusive no Brasil) diminuíram sua produção, prejudicando sua receita líquida. Também podemos ter a situação de um comprador para os produtos de uma indústria. Por exemplo, uma indústria de gases se localiza estrategicamente ao ladode petroquímica, fornecendo gases por tubulação exclusi- vamente para essa indústria. Em caso de paralisação da petroquí- mica por acidente, os gases não serão comprados, gerando perda de receita líquida para a fábrica de gases. Responsabilidade Civil Caso seja imputada responsabilidade civil à organização, haverá aumento de despesas pela necessidade de reparar os danos cau- sados a terceiros, acrescidos dos custos judiciais. Também deve ser considerada a possibilidade de que, em função da responsabilidade civil imputada, pode haver danos à imagem da organização, com consequente diminuição dos seus negócios e, portanto, diminuição de sua receita. Perda de pessoa-chave Poderá ocorrer a perda de receita atribuída à pessoa-chave e aumento das despesas para contratação de nova pessoa-chave (quer seja pelo custo maior da nova pessoa-chave, quer seja pelos custos da seleção desta). — Consequências Financeiras das Perdas A consequência financeira da perda de receita líquida vai depender do conjunto dos seguintes fatores: Duração da paralisação/evento Quanto maior o período de paralisação/evento, maior será a perda de receita e o aumento de despesas. Grau da paralisação/evento, se parcial ou total Quanto maior o grau de paralisação ou evento, maior será a perda de receita e o aumento de despesas. Redução das receitas x receitas orçadas A diminuição das receitas em relação ao orçado causa perda da receita líquida. Aumento das despesas x despesas orçadas O aumento das despesas em relação ao orçado causa perda de receita líquida. UNIDADE 5 74GERENCIAMENTO DE RISCOS — Medidas de Controle de Riscos e Financiamento de Riscos As medidas de controle de riscos aplicáveis são: Prevenção de perdas As medidas de prevenção de perdas do grupo receita líquida são as medidas de prevenção a perdas do grupo de origem. Por exem- plo, para receita líquida decorrente de danos ao patrimônio, valem as medidas de prevenção de perdas do bloco patrimônio. Assim também para responsabilidade civil e perda de pessoa-chave. Redução de perdas Para redução de perdas do bloco receita líquida, é primordial que exista um plano de contingência. Em primeiro lugar, é importante que haja uma diferenciação do que é plano de emergência e do que é plano de contingência. Plano de emergência estabelece as medidas a serem tomadas quando da ocorrência do evento. Por exemplo, no plano de emer- gência da padaria para caso de incêndio, deverá ser garantida a rota de fuga dos clientes e funcionários através de rotas demarca- das, acionamento da brigada de incêndio para orientar e organizar a evacuação, acionar os bombeiros, desligar a energia elétrica, for- necer o primeiro combate pela brigada própria. Já o plano de con- tingência é acionado após a emergência, estabelecendo ações e procedimentos que visem minimizar a perda de receita e/ou o aumento de despesas, com medidas que restabeleçam a opera- ção da organização o mais rápido possível, quer seja no próprio local, quer seja em outro local. GESTÃO DE RISCOS DA PESSOA FÍSICA O processo de gestão de riscos acidentais estudado até agora aplica-se a organizações em geral. Neste bloco, será analisado a gestão de riscos aci- dentais da Pessoa Física. Este bloco também será analisado nas 3 dimen- sões: Dimensão 1 – itens expostos a perdas; Dimensão 2 – Riscos que causam as perdas; Dimensão 3 – consequências financeiras. UNIDADE 5 75GERENCIAMENTO DE RISCOS — Itens Expostos a Perda Os itens expostos a perda são, entre outros, a vida da pessoa física, sua saúde, seu emprego e a educação dos seus dependentes. — Riscos que Causam Perdas As pessoas físicas também são sujeitas à exposição a perdas por morte, invalidez, aposentadoria ou desemprego. Essas perdas podem, pelo menos conceitualmente, ser classificadas em perdas previstas, perdas normais e perdas imprevistas. Perdas previstas: As perdas financeiras decorrentes de aposentadoria são perdas previstas. Perdas normais: São consideradas perdas normais as doenças sem gravi- dade (resfriado, indisposição intestinal, etc.) e a perda de receita no período compreendido entre a mudança de emprego. Perdas imprevistas: As perdas imprevistas por morte, invalidez grave, períodos prolongados e involuntários de desemprego, ou mesmo uma aposentadoria não programada por doença ou acidente constituem per- das que requerem planejamento especial e proteção financeira. — Consequências Financeiras das Perdas Os métodos de mensuração das consequências financeiras para pessoas físicas tiveram origem nos anos 1900, anteriores, portanto, aos conceitos de gestão de riscos propriamente ditos. As consequências financeiras podem ser medidas por dois caminhos: Valor das necessidades Estima as receitas extras ou recursos financeiros necessários após a morte, invalidez, desemprego ou aposentadoria. Valor da vida humana Foca na receita ou serviços gerados pela pessoa física. — Morte No evento morte, devem ser analisados dois aspectos: (1) a receita líquida que era obtida pelo falecido e (2) os serviços que eram providos pelo fale- cido (limpeza, manutenção, cuidador dos pais ou outros familiares incapa- citados, aconselhamento, etc.). UNIDADE 5 76GERENCIAMENTO DE RISCOS Método do Valor das Necessidades Devem ser analisados dois valores: (1) a receita que o falecido iria auferir e (2) o valor de contratação dos serviços que eram prestados pelo falecido. Também deve ser observado que o valor das necessidades costuma aumentar até determinado ponto da vida da Pessoa Física, normalmente a formatura dos filhos, e tendem a diminuir a partir deste ponto. Obviamente, o valor das necessidades depende de análise particularizada do contexto em que a Pessoa Física está inserida. Método do Valor da Vida Humana Neste método, assume-se que a pessoa faleça imediatamente e, então, é projetado o ganho que esta pessoa teria se tivesse vivido sua expectati- va de vida normal, de acordo com uma tabela de mortalidade apropriada. Essa receita ganha ao longo do tempo é, então, trazida para Valor Presen- te. Ou seja, o valor do fundo constituído hoje é equivalente ao que seria ganho pela Pessoa Física ao longo de sua vida esperada. Neste método, o valor da vida humana varia ao longo do tempo. Na infân- cia, esse valor é muito pequeno (talvez até negativo), aumentando ao longo do tempo e chegando ao seu pico na meia idade da pessoa física. Ao che- gar perto da aposentadoria, o valor diminui, pois embora possivelmente ela esteja no pico de ganhos, eles não serão mantidos na aposentadoria. — Aposentadoria Apesar de a aposentadoria ser um evento normalmente planejado, a que- da de receita nesta nova fase é acompanhada da possibilidade de emer- gências financeiras, principalmente relacionadas com despesas médicas. Considerando a realidade atual das dificuldades da Previdência Social e do Sistema de Saúde Público, é importante que o planejamento da apo- sentadoria conte com a participação de um Plano de Previdência Privada, que pode ser aberta (aos consumidores em geral) ou fechada (fornecida para grupos de funcionários de determinada organização). UNIDADE 5 77GERENCIAMENTO DE RISCOS — Invalidez A invalidez pode ser temporária ou permanente, parcial ou total. Qualquer que seja a situação, ela é inesperada e pode ter consequências financeiras muito graves, em função de: ■ As despesas decorrentes da invalidez se adicionam às despesas que existiam antes do evento. Então, é necessário receita superior àquela que seria preciso se a pessoa com invalidez tivesse faleci- do. ■ As despesas médicas com uma pessoa inválida podem atingir valores muito altos. ■ A duração da invalidez é um fator importante na medição das con- sequências financeiras. Quanto maior o tempo da invalidez, que pode chegar a ser permanente, maior serão as consequências financeiras. — Desemprego As consequências financeiras do desemprego têm relaçãodireta com as obrigações financeiras e o período de desemprego da pessoa física. Hoje em dia, temos produtos de seguros que garantem o pagamento do financiamento, de mensalidades ou das prestações por um período prede- terminado de desemprego involuntário. UNIDADE 5 78GERENCIAMENTO DE RISCOS RESUMO Neste capítulo abordamos o bloco pessoas e o bloco receita líquida (de forma resumida), o processo de gestão de riscos e fizemos uma comple- mentação sobre gestão de riscos da pessoa física. O bloco pessoas foca nas pessoas-chave da organização e no impacto que sua ausência temporária ou permanente causa nos objetivos da orga- nização. Nos dias de hoje, as organizações estão cada vez menos dependentes de pessoas-chave. O item exposto a perdas no bloco pessoas-chave é a contribuição delas para os objetivos da organização. Os riscos são morte, invalidez para o tra- balho, aposentadoria e pedido de dispensa. As consequências financeiras estão relacionadas às dificuldades em se atingir os objetivos e as despe- sas adicionais necessárias para repor a pessoa-chave. O bloco receita líquida é baseado no orçamento da organização e é calcu- lado pela fórmula: Receita líquida = receitas orçadas – despesas orçadas O item exposto a perda do bloco receita líquida é a própria receita líquida orçada. Os riscos que causam perdas são decorrentes de danos ao patri- mônio, responsabilidade civil e perda de pessoa-chave. A consequência financeira, que é a diminuição de receita ou aumento de despesas depen- de da duração da paralisação/evento, grau da paralisação/evento, se par- cial ou total, redução das receitas versus receitas orçadas e aumento das despesas versus despesas orçadas. Como complemento ao curso, apresentamos nesta unidade a gestão de riscos da pessoa física, exposições a perdas por morte, invalidez, aposen- tadoria ou desemprego. Tais perdas podem, pelo menos conceitualmente, ser classificadas em perdas previstas, perdas normais e perdas imprevis- tas. As consequências financeiras podem ser medidas por dois caminhos: valor das necessidades e valor da vida humana. FIXANDO CONCEITOS 79GERENCIAMENTO DE RISCOS FIXANDO CONCEITOS 5 Nas questões abaixo, marque a alternativa correta: 1. No bloco Pessoas, a dificuldade na reposição de alguém e a consequen- te perda de eficiência em atingir os objetivos são indicativos de que se trata de um(a): (a) Diretor. (b) Gerente. (c) Pessoa-chave (d) Técnico especializado. (e) Funcionário com alto salário. 2. No bloco Receita Líquida, a perda pode ocorrer pelo: (a) Aumento das receitas, mantendo as despesas estáveis. (b) Incremento das despesas, mantendo as receitas estáveis. (c) Falência dos concorrentes. (d) Aumento das receitas maior do que o aumento das despesas. (e) Diminuição das despesas maior do que o aumento das receitas. 3. Lucros cessantes é um exemplo de perda do bloco: (a) Patrimônio. (b) Receita líquida. (c) Responsabilidade civil. (d) Pessoas. (e) Receita bruta. 4. Na gestão de riscos de pessoas físicas, invalidez permanente é uma perda: (a) Normal. (b) Prevista. (c) Aleatória. (d) Imprevista. (e) Tabulada. ANEXOS 80GERENCIAMENTO DE RISCOS ANEXOS — Aplicações Para melhor conhecimento e aplicação das técnicas de controle e finan- ciamento de riscos acidentais, vamos verificar alguns exemplos de empre- go nos grupos: patrimonial, responsabilidade civil, pessoas-chave, receita líquida e Pessoa Física. SUGESTÃO DE CHECK LIST – CONTROLE E FINANCIAMENTO DE RISCOS ACIDENTAIS (INDÚSTRIA, COMÉRCIO, PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, RESIDENCIAL, PESSOA FÍSICA) BLOCO PATRIMÔNIO RESPONSABILIDADE CIVIL PESSOAS RECEITA LÍQUIDA PESSOA FÍSICA C O N T R O L E D E R IS C O S E V IT A R A E X P O S IÇ Ã O Aplicação restrita para riscos com frequência e severi- dade elevados, por exemplo, no caso de alagamento/inunda- ção, mudar a organi- zação para local mais elevado. Nos casos de frequên- cia e severidade eleva- dos, cessar a atividade de risco ou deixar de comercializar o produto. Não aplicável. Mesmas conside- rações do bloco patrimônio e respon- sabilidade civil. Não aplicável. P R E V E N Ç Ã O D E P E R D A S Medidas que visam diminuir a frequência de ocorrência, por exemplo, no incêndio, implantar programa de manutenção, procedimentos de segurança (desligar a energia elétrica nos períodos de inativi- dade, etc.); no roubo, instalar grade, se- gurança patrimonial, etc. No transporte de mercadorias, verificar as condições do modal a ser utilizado e das rotas a serem seguidas, bem como de suas condições de segurança. Medidas que visam di- minuir a frequência de ocorrência, como, por exemplo, treinamento dos funcionários, proce- dimentos definidos e supervisionados, con- trole de qualidade, etc. Programas que estimulem vida saudável, condições adequadas de trabalho. Mesmas conside- rações do bloco patri- mônio, responsabili- dade civil e pessoas. Manter boa qualidade de vida, Acompa- nhamento periódico e preventivo da saúde. Evitar com- portamento de risco. ANEXOS 81GERENCIAMENTO DE RISCOS R E D U Ç Ã O D E P E R D A S Tendo ocorrido o evento, são medi- das que minimizem a severidade. Por exemplo, em um incêndio, a instala- ção de sistemas de extintores, hidrantes, sprinklers; no roubo, vigilância para evitar novos eventos en- quanto a organização não repõe a seguran- ça; no transportes de mercadorias, instalar iscas eletrônicas. Na responsabilidade civil, tendo ocorrido o evento, são necessárias medidas rápidas para minimizar o desconforto do terceiro prejudicado e, se for o caso, fazer reparação pecuniária rapidamente e sem muitas discussões. Providenciar rápida recu- peração ou reposição da pessoa-chave afetada. Possuir plano de contingência pre- viamente definido e aprovado. Por exemplo, em caso de ataques ciberné- ticos, procedimentos de comunicação ao público e autorida- des, acionamento de equipamentos duplicados, etc. Redução das despesas mantendo compatibili- dade com os ganhos. Possuir fontes alter- nativas de receita. C O N T R O L E D E R IS C O S S E G R E G A Ç Ã O D A S E X P O S IÇ Õ E S P O R S E P A R A Ç Ã O Aplicável quando se pretende diminuir a severidade por meio de separação. Por exemplo, no incên- dio, utilizar dois de- pósitos ao invés de um; instalar parede corta-fogo para isolar partes de um depósi- to. No transporte de mercadorias, separar a carga em carrega- mentos diferentes. Não aplicável. Evitar o acúmu- lo de exposi- ções, como, por exemplo, em caso de viagem de negócios, di- vidir a diretoria em vários voos. Mesmas conside- rações do bloco patri- mônio e pessoas. Não aplicável. S E G R E G A Ç Ã O D A S E X P O S IÇ Õ E S P O R D U P L IC A Ç Ã O Aplicável principal- mente nos sistemas de informática, no qual um sistema reserva pode ser acionado em caso de problemas do site principal. Aplicável, principalmen- te no cyber risks, em que um sistema de in- formática reserva pode ser acionado em caso de ataque ao sistema principal. Desenvolver e manter back ups das pes- soas-chave. Mesmas medidas dos blocos patrimônio, responsabilidade civil e pessoas. Não aplicável. T R A N S F E R Ê N C IA C O N T R A T U A L Aplicável em contra- tos de terceirização, em que os bens disponibilizados para a produção dos bens e serviços serão de terceiros ou transpor- tes de mercadorias. Aplicável em contratos de terceirização, em que a responsabilidade civil gerada pela produ- ção de bens e serviços serão assumidos pelos terceiros. Não aplicável. Mesma aplicação dos blocos patrimônio e responsabilidade civil. Não aplicável. ANEXOS 82GERENCIAMENTO DE RISCOSF IN A N C IA M E N T O R E T E N Ç Ã O D E S P E S A S C O R R E N T E S Pequenas perdas pa- trimoniais absorvidas pela organização, por exemplo, queima de motores de pequeno porte. Reparações de valor pequeno a terceiros, por exemplo, roupa danificada na atividade de uma lavanderia. Perdas de pequeno valor e curto período de tempo, por exemplo, afastamento temporário por resfriado. Mesmas conside- rações dos blocos patrimônio, respon- sabilidade civil e pessoas. Pequena per- da de receita ou aumento de despesas em função de eventos temporários, por exemplo, desarranjo intestinal. R E S E R V A S E M F U N D O S Idem despesas cor- rentes, mas consti- tuindo reserva sem fundos para fins de controle. Idem despesas corren- tes, mas constituindo reserva sem fundos para fins de controle. Idem despesas correntes, mas constituindo reserva sem fundos para fins de controle. Idem despesas cor- rentes, mas consti- tuindo reserva sem fundos para fins de controle. Idem despe- sas corren- tes, mas constituindo reserva sem fundos para fins de con- trole. R E S E R V A C O M F U N D O S Idem despesas cor- rentes, mas consti- tuindo reserva com fundos. Idem despesas corren- tes, mas constituindo reserva com fundos. Idem despesas correntes, mas constituindo reserva com fundos. Idem despesas cor- rentes, mas consti- tuindo reserva com fundos. Idem despe- sas corren- tes, mas constituindo reserva com fundos. ANEXOS 83GERENCIAMENTO DE RISCOS F IN A N C IA M E N T O E M P R É S T IM O Manter linha de crédito que possa ser usada em caso da ocorrência de eventos. Manter linha de crédito que possa ser usada em caso da ocorrência de eventos. Manter linha de crédito que possa ser usa- da em caso da ocorrência de eventos. Manter linha de crédito que possa ser usada em caso da ocorrência de eventos. Manter linha de crédito que possa ser usada em caso da ocorrência de eventos. S E G U R A D O R A C A T IV A Utilizável caso a or- ganização tenha uma seguradora cativa no grupo. Utilizável caso a or- ganização tenha uma seguradora cativa no grupo. Utilizável caso a organização tenha uma se- guradora cativa no grupo. Utilizável caso a or- ganização tenha uma seguradora cativa no grupo. Não aplicável. T R A N S F E R Ê N C IA T R A N S F E R Ê N C IA C O N T R A T U A L Acordo, que não seja seguros, com outra organização para reembolso em caso de evento. Acordo, que não seja seguros, com outra organização para reembolso em caso de evento. Acordo, que não seja segu- ros, com outra organização para reembolso em caso de evento. Acordo, que não seja seguros, com outra organização para reembolso em caso de evento. Acordo, que não seja seguros, com uma organização ou Pessoa Física para reembolso em caso de evento. S E G U R O S Empresarial; Riscos Nomeados (para valor em risco elevado); Riscos operacionais (indústrias de valor em risco elevado e altamente protegidas); Condomínio (comercial, residencial); Residencial; Riscos diversos (se aplicável); Veículos, se aplicável; Transportes, se aplicável. Responsabilidade Civil; Geral (modalidades estabelecimentos comerciais e industriais – operações, produtos, empregador, garagista, entre outras); Administradores e diretores – D&O; Profissional (médicos, dentistas, engenheiros, arquitetos, contadores, corretores de seguros, entre outros); Ambiental (se aplicável); Cibernéticos; Veículos, se aplicável; Seguro de responsabilidade civil do transportador, se aplicável. Programa de Benefícios, incluindo, mas não se limitando a Saúde – médica e odontológica, vida, previdência privada, acidentes pessoais. Lucros Cessantes; Lucros Cessantes Contingentes. Vida; Saúde médica e odontológica; PGBL; VGBL; Acidentes pessoais; Desemprego / Perda de renda; Educacional; Doenças graves ou doença terminal. GABARITO 84GERENCIAMENTO DE RISCOS GABARITO Fixando Conceitos UNIDADE 1 UNIDADE 2 UNIDADE 3 1 – D 1 – E 1 – E 2 – C 2 – A 2 – C 3 – A 3 – C 4 – C 4 – E 5 – A 5 – A UNIDADE 4 UNIDADE 5 1 – A 1 – C 2 – A 2 – B 3 – E 3 – B 4 – B 4 – D 5 – D REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 85GERENCIAMENTO DE RISCOS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 31000 / Gestão de Riscos – Princípios e Diretrizes, 2018. Elliott, M.W.. Risk Financig. Insurance Institute of America, Pennsylvania, 2000. Head, G.L.. Essentials of Risk Control. American Institute for Chartered Property Casualty Underwriters / Insurance Institute of America, Pensylva- nia,1995. Head, G.L.; Horn II, S. Essentials of Risk Management. Pensylvania, Ame- rican Institute for Chartered Property Casualty Underwriters / Insurance Ins- titute of America, 2003. Martins, Marcelo Ramos. PNV 5017 – Considerações sobre Análise de Confiabilidade e de Riscos. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2013. Introdução à Gestão de RISCOS ISO 31000 SÉRIE (FAMÍLIA) ISO 31000 PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS – ISO 31000 RISCOS: CONCEITOS E EVOLUÇÃO CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS Riscos da Operação Riscos de Mercado GESTÃO DE RISCOS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS OS CAMINHOS DA GESTÃO DE RISCOS RESUMO FIXANDO CONCEITOS i GESTÃO de RISCOS ACIDENTAIS GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS Passo 1 – Identificação e Análise das Exposições a Perdas Passo 2 – Exame das Técnicas de Gestão de Riscos Acidentais Disponíveis Técnicas de controle de riscos Técnicas de Financiamento de Riscos Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas Passo 4 – Implantação das técnicas escolhidas Passo 5 – Monitoramento e melhoria do Programa de Gestão de Riscos Acidentais resumo FIXANDO CONCEITOS 2 GESTÃO de RISCOS ACIDENTAIS – PATRIMÔNIO BENS DA ORGANIZAÇÃO Bens Tangíveis Bens Intangíveis Exposição a Perdas Itens Expostos a Perdas Riscos que Causam as Perdas Consequências Financeiras das Perdas Identificação e Análise de Riscos Matriz de Riscos Medidas de Controle de Riscos e Financiamento de Riscos RESUMO FIXANDO CONCEITOS 3 GESTÃO de RISCOS ACIDENTAIS – RESPONSABILIDADE CIVIL Exposição a Perdas Itens Expostos a Perdas Riscos que Causam as Perdas Consequências Financeiras das Perdas Identificação e Análise de Riscos Análise de Riscos Matriz de Riscos Medidas de Controle e Financiamento de Riscos RESUMO FIXANDO CONCEITOS 4 GESTÃO de RISCOS de PESSOA FÍSICA e RECEITA LÍQUIDA GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – PESSOAS Itens Expostos a Perdas Riscos que Causam Perdas Consequências Financeiras das Perdas Medidas de Controle e Financiamento de Riscos GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RECEITA LÍQUIDA Item Exposto a Perda Riscos que Causam Perdas Consequências Financeiras das Perdas Medidas de Controle de Riscos e Financiamento de Riscos GESTÃO DE RISCOS DA PESSOA FÍSICA Itens Expostos a Perda Riscos que Causam Perdas Consequências Financeiras das Perdas Morte Aposentadoria Invalidez Desemprego RESUMO FIXANDO CONCEITOS 5 Anexos Aplicações Gabarito Referências Bibliográficasprocesso de gestão dos riscos acidentais nem sempre ocorre, mas sua técnica deve estar incorporada ao processo men- tal de uma “venda consultiva”. ISO 31000 A gestão de riscos é objeto de Norma Internacional, com aplicação em todo mundo. Seu conhecimento é importante porque é a base da gestão de riscos. Inicialmente, vamos conhecer dois órgãos, um internacional e outro brasi- leiro, que tratam da gestão de riscos: 1. Internacionalmente, temos a ISO – International Organization for Standardization, que é uma organização não governamental inde- pendente composta por 164 membros que representam vários países. Por meio de seus membros, são recebidas contribuições de especialistas que compartilham conhecimento e desenvolvem voluntariamente, por consenso, normas internacionais que suportam a inovação e provêm soluções para desafios globais. A Secretaria Central da ISO fica localizada na cidade de Genebra – Suíça. 2. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é o Foro Nacional de Normalização e representante oficial da ISO no Brasil. As normas brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das Comissões de Estudo Especiais (ABNT/ CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas pelas partes interessadas no tema objeto da normalização. UNIDADE 1 10GERENCIAMENTO DE RISCOS No ano de 2009, foi publicada a ISO 31000 Risk Management – Princi- ples and Guidelines, que foi traduzida integralmente para o português e publicada como Norma Brasileira ABNT NBR ISO 31000. Essa norma inter- nacional e sua tradução para o português tiveram uma segunda edição publicada em 2018. A ISO 31000 estabelece diretrizes para a gestão de riscos sem caráter mandatório. Ou seja, sua aplicação não é obrigatória, mas pelo seu caráter internacional, suas diretrizes são seguidas pelos países que têm represen- tação nessa organização. A norma, na versão brasileira, tem 23 páginas e, conforme sua orientação, a aplicação pode ser personalizada para qualquer organização. Seu con- texto fornece abordagem comum para gerenciar qualquer tipo de risco, não sendo específico para qualquer indústria ou setor. Com essa enorme abrangência e o tamanho reduzido do documento, temos: 1. É uma norma genérica com aplicação universal, ou seja, qualquer organização ou parte dela pode se beneficiar do seu processo de tomada de decisão. 2. Por ser genérica, sua aplicação deve ser personalizada para o segmento a que se destina. Assim, para a gestão de riscos, temos duas necessidades básicas: 1. Conhecimento do processo de gestão de riscos baseado na ISO 31000. 2. Conhecimento da atividade em que ela será aplicada. Nas unidades 2, 3, 4 e 5, utilizaremos os conceitos da gestão de riscos da ISO 31000, mas personalizando-os para nosso objeto de estudo, que é a gestão de riscos acidentais. UNIDADE 1 11GERENCIAMENTO DE RISCOS — SÉRIE (FAMÍLIA) ISO 31000 A Série (ou Família) ISO 31000 contém normas relacionadas à Gestão de Riscos. Atualmente, temos três normas e uma em processo de elaboração. São elas: ABNT NBR ISO/IEC 31010:2012 Gestão de Riscos – Técnicas para o processo de avaliação de riscos Trata-se de uma norma de apoio que fornece orientações sobre a seleção e aplicação de técnicas sistemáticas para o processo de avaliação de riscos. ABNT ISO/TR 31004:2013 Guia para implementação da ABNT NBR ISO 31000 – Relatório Técnico, que fornece orientações para que as organizações gerenciem os riscos de forma eficaz. ABNT NBR ISO 31022:2020 Gestão de riscos – Diretrizes para a gestão de riscos legais Fornece diretrizes para a gestão de desafios de riscos legais enfrentados pelas organizações. A aplicação dessas diretrizes pode ser personalizada para qualquer organização e seu contexto. Ainda em desenvolvimento, a ISO 31073 irá tratar do vocabulário espe- cífico de gestão de riscos. UNIDADE 1 12GERENCIAMENTO DE RISCOS PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS – ISO 31000 Na figura, temos o Processo de Gestão de Riscos conforme as diretrizes fixadas pela ISO 31000. ESCOPO, CONTEXTO E CRITÉRIO TRATAMENTO DE RISCOS REGISTRO E RELATO PROCESSO DE AVALIAÇÃO DE RISCOS COMUNICAÇÃO E CONSULTA MONITORAMENTO E ANÁLISE CRÍTICA IDENTIFICAÇÃO DE RISCOS ANÁLISE DE RISCOS AVALIAÇÃO DE RISCOS PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS Fonte: ISO 31000-2018. Em uma breve análise dos componentes do processo de gestão de riscos baseada na ISO 31000, temos: 1. Escopo, contexto e critério Normalmente, quando falamos de gestão de riscos, fazemos asso- ciação aos riscos de uma organização. Isso é correto, mas não é completo. O processo de gestão de riscos pode ser aplicado nos níveis estratégico, operacional, de programas ou de projetos. Pen- se em qualquer área operacional de uma seguradora ou corretora de seguros. Se ela existe, é porque tem objetivos que colaboram UNIDADE 1 13GERENCIAMENTO DE RISCOS com o objetivo geral da organização. Vamos pensar juntos? Por exemplo, uma área de emissão de documentos tem como objeti- vos, por exemplo, emitir em um prazo máximo de 5 dias e com erro zero. Existem vários riscos que podem prejudicar esses objetivos, como falhas dos sistemas, greve dos funcionários, incêndio nas instalações, colapso do sistema de transportes, entre outros. Nes- se caso, cabe o processo de gestão de riscos, visando à mitigação dos riscos e aumentando a probabilidade de que essa área opera- cional alcance seus objetivos. Devemos lembrar de que a ISO 31000 fornece diretrizes, para a gestão de riscos, com uso nos mais diversos segmentos. Sua apli- cação exige personalização, adequando-se aos contextos internos e externos da organização. 2. Comunicação e consulta / monitoramento e análise crítica Embora o processo de gestão de riscos seja apresentado, em geral, como sequencial, ele é interativo na prática. Em função des- sa característica, nas duas laterais da figura, temos "comunicação e consulta" e "monitoramento e análise crítica" envolvendo o pro- cesso de gestão de riscos como um todo. 3. Processo de avaliação de riscos Este processo é composto dos passos: 3.1 Identificação dos riscos – encontrar, reconhecer e descrever riscos que possam ajudar ou impedir que uma organização alcan- ce seus objetivos. 3.2 Análise dos riscos – consideração detalhada de incertezas, fontes de riscos, consequências, probabilidades, eventos, cená- rios, controles e sua eficácia. 3.3 Avaliação dos riscos – envolve a comparação dos resultados da análise de riscos com os critérios de risco estabelecidos para determinar onde é necessária ação adicional. 4. Tratamento de riscos Fase em que são selecionadas e implementadas as opções para abordar os riscos. 5. Registro e relato O processo de gestão de riscos envolve toda a organização, incluindo a alta direção da empresa, devendo ser devidamente formalizado e tendo seus resultados documentados. UNIDADE 1 14GERENCIAMENTO DE RISCOS RISCOS: CONCEITOS E EVOLUÇÃO Embora a palavra “risco” faça parte do nosso dia a dia, ela pode ter diver- sos significados, dependendo do contexto em que é aplicada. É importante que o corretor de seguros tenha em mente essa variedade de significados, pois segurados com familiaridade na área financeira, controla- doria, governança corporativa e gestão de riscos estão acostumados com outras definições de riscos, além daquela que tradicionalmente utilizamos no mercado segurador. Assim, vamos conhecer algumas definições de risco: 1. Risco como possibilidade de perda, normalmente financeira. Quan- do se vê uma placa com os dizeres “Perigo – Eletricidade – Risco de Morte”, o termo “risco” está se referindo ao risco de perda da vida (não necessariamente ligado a uma perda financeira). Já risco de roubo de uma carteira implica a possibilidade de perda finan- ceira de valores monetários. 2. No mercado de seguros,e nas unidades 2, 3, 4 e 5, dedicadas à gestão de riscos acidentais, risco será sinônimo de “causa de per- das”. Os riscos de incêndio, alagamento, vendaval, danos elétricos, queda de raio, desmoronamento etc. devem ser entendidos como “causas de perdas”. Essa definição de riscos é utilizada nas nossas condições gerais, especiais e particulares das apólices de seguros. “Riscos Cobertos” são as “causas de perdas” que encontram ampa- ro na apólice de seguro. “Riscos não cobertos” ou “riscos excluí- dos” são as “causas de perdas” não abrangidas por aquele seguro. 3. Ainda no mercado segurador, risco pode ser utilizado como sinôni- mo de “objeto segurado”. Quando se utiliza o termo “inspeção de riscos”, estamos verificando as condições físicas do objeto segurado. Quando se diz “vou ao risco” significa que estou me dirigindo às ins- talações seguradas. 4. Há algumas décadas, o mercado financeiro adotou o termo risco como potencial variação dos resultados esperados. Quando um corretor de seguros se refere ao “risco de atingir as metas de pro- dução no final do mês”, ele está se referindo à potencial variação dos resultados esperados. Pode ser que não atinja as metas ou pode ser que supere as metas. Suponhamos que as metas sejam superadas em 50%. Embora o resultado tenha sido muito positivo, o risco associado a atingir as metas é elevado, pois existe mui- ta variação em relação ao esperado. Da mesma maneira, supo- nha que exista certeza dos valores de produção ao final do mês (são seguros concretizados e já estão previamente acertados, não serão prospectados novos clientes). Nessa situação, o risco é zero, pois não haverá variação nos resultados esperados. UNIDADE 1 15GERENCIAMENTO DE RISCOS Após o ano de 2009, e conforme Norma ABNT NBR ISO 31000, temos uma definição normatizada de risco: “Risco é o efeito da incerteza nos objetivos.” O referido normativo esclarece que um efeito é um desvio em relação ao esperado. Pode ser positivo, negativo ou ambos, e pode abordar, criar ou resultar em oportunidades e ameaças. Por conta dessa definição, quando a gestão de riscos trata de desvios que podem ser positivos, surge a possibili- dade de identificação de novas oportunidades de negócios. Assim, a gestão de riscos, no seu conceito mais amplo, não se limita a mitigar as perdas, mas pode ser utilizada como instrumento de alavancagem de novos negócios. Também é importante entender que a gestão de riscos não garante que os objetivos sejam atingidos. Então, por que se faz gestão de riscos? Se substituirmos, na gestão de riscos, a palavra risco por sua definição na ISO 31000, temos que: gestão de riscos = gestão do efeito (positivo ou negativo) das incertezas nos objetivos. Em outras palavras, a gestão de riscos não garante que os objetivos sejam atingidos, mas aumenta a pro- babilidade de atingi-los. CLASSIFICAÇÃO DE RISCOS Os Riscos podem ser classificados de diversas maneiras, sendo que uma das mais comuns é a classificação em riscos puros (em que só existe a possibilidade de perda ou empate) ou riscos especulativos (quando exis- te possibilidade de perda, empate ou ganho). A ISO 31000 não estabelece qualquer tipo de classificação de risco. No entanto, a literatura especializada divide os riscos, para fins de gestão de riscos, em riscos de operação e riscos de mercado. 1. Riscos de operação são aqueles sobre os quais a organização tem controle. Por exemplo, riscos acidentais são riscos de opera- ção, pois a organização tem controle sobre eles. 2. Riscos de mercado são aqueles sobre os quais a organização não tem controle. Por exemplo, risco de variação cambial não está no controle da organização, mas pode influenciar nos obje- tivos da organização. UNIDADE 1 16GERENCIAMENTO DE RISCOS Os riscos de mercado também podem ser classificados como riscos sistê- micos, pois atingem a economia e as organizações como um todo. Já os riscos de operação são riscos não sistêmicos, pois têm efeito numa orga- nização em particular. Um ponto importante é que, embora os riscos de mercado não estejam sob controle direto da organização, eles podem causar impacto importante nos resultados da organização, devendo ser objeto do processo de gestão de riscos. Por exemplo, se a organização tem dívidas futuras que deverão ser líquidadas em moeda estrangeira e existe a preocupação que haja valori- zação da moeda estrangeira (valorização do dólar em relação ao real), a organização pode constituir um hedge (operações utilizadas no mercado financeiro), comprando títulos atrelados à moeda estrangeira. No momento da quitação da dívida, se o dólar tiver se valorizado, a organização líquida os títulos atrelados ao dólar e terá recursos em reais suficientes para cumprir suas obrigações em moeda estrangeira. — Riscos da Operação São riscos de origem interna à organização e que são específicos dela. Vamos ver alguns deles: Risco do Negócio Possibilidade de perda ou ganho devido a variáveis econômicas e de mer- cado. Vale uma reflexão sobre os riscos de negócios, em que a incorreta identificação e análise dos riscos de negócios pode trazer consequências sérias, conforme exemplos a seguir: ■ Em 1998, a Kodak tinha 170.000 funcionários e vendia 85% de todo o papel fotográfico comercializado no mundo. Com o surgimento das fotos e câmeras digitais, no curso de poucos anos, o modelo de negócios da empresa desapareceu, e eles abriram falência. ■ O Uber é apenas uma ferramenta de software. Eles não são proprie- tários de carros e são agora a maior companhia de táxis do mundo. ■ A Airbnb é a maior companhia hoteleira do mundo, embora eles não sejam proprietários de nenhum hotel. ■ A inteligência artificial já é mais eficiente do que jovens advogados e tem-se tornado um coadjuvante importante nos diagnósticos médicos. ■ A impressão 3D trará alterações profundas no mercado de manu- fatura de peças. ■ Outros tantos exemplos que estão ocorrendo no momento, entre os quais veículos autônomos, agricultura, reconhecimento facial e energia solar. UNIDADE 1 17GERENCIAMENTO DE RISCOS No nosso mercado de seguros, estamos imunes aos riscos de negócio? A chamada 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0 está chegando ao nos- so mercado com IOT (internet of things ou internet das coisas), blockchain, inteligência artificial etc. Essas tecnologias disruptivas devem alterar os padrões de comercialização, afetando os corretores de seguros. As segu- radoras, a exemplo do que está ocorrendo com as fintechs em relação ao mercado bancário tradicional, poderão sofrer concorrência das insurtechs no modelo de compartilhamento (nos Estados Unidos, existe o caso con- creto da Lemonade, que é uma alternativa às seguradoras tradicionais). Não se pode prever com exatidão como será o futuro próximo, mas pode- mos ter a certeza de que não será como no presente. Risco Financeiro Risco de uma organização não ter capacidade de honrar suas obrigações financeiras. Trazendo para o mercado segurador, seria a incapacidade financeira de uma seguradora cumprir com suas obrigações, como a de liquidar sinis- tros. Esse é um risco real do nosso mercado e faz parte dos riscos de sol- vência de uma seguradora. Risco Operacional Possibilidade de perda devido ao mal funcionamento ou inoperância da tecnologia existente ou do sistemas de suporte. Esse risco é muito presente tanto para corretores de seguros quanto para seguradoras. Lembrando que risco é o efeito da incerteza nos objetivos; existe risco para os corretores de seguros no objetivo de fornecer a cober- tura adequada aos segurados, protocolar a proposta de seguro dentro do prazo correto, fornecer atendimento adequado etc. As seguradoras tam- bém têm diversos riscos operacionais, por exemplo, devolver uma propos- ta em que não tenha interesse dentro do prazo de 15 dias, solicitar cober- tura de resseguro se necessário, qualidade dos serviçosprestados, etc. No caso das seguradoras, o risco operacional é quantificado, como veremos nos próximos itens desta unidade. Risco de Crédito Possibilidade de perda devido ao inadimplemento dos tomadores em honrar as prestações devidas que foram assumidas por meio de contrato entre as partes. Utilizando o exemplo do mercado segurador, após a abertura do mercado de resseguros, as seguradoras têm um importante risco de crédito, que é a recuperação de sinistros de resseguro. Esse risco, como veremos adiante, deverá fazer parte da gestão de riscos de uma seguradora (trata-se da gestão de riscos da própria seguradora, e não da gestão de riscos de segurados). UNIDADE 1 18GERENCIAMENTO DE RISCOS Risco Acidental Possibilidade da ocorrência de perda à organização, originada por aciden- te envolvendo diretamente o patrimônio, pela geração de responsabilida- de civil, por perda de receita, ou por perda de recursos humanos. Tradicio- nalmente, mas não necessariamente, os riscos acidentais são aqueles que são transferidos (na totalidade ou parcialmente) ao mercado segurador. A gestão de riscos acidentais serão objeto de estudo das unidades 2, 3, 4 e 5. Risco da perda de reputação Refere-se à perda real ou percebida da reputação, ou deterioração da marca. Em época de intensa atividade das redes sociais, sabemos que a perda de reputação de uma marca pode levar ao fim da existência de uma organização. — Riscos de Mercado São riscos de origem externa à organização com característica sistêmica (não atinge somente uma organização, mas setores da economia). Risco da taxa de juros: Refere-se à possibilidade da taxa de juros diminuir ou se elevar. Risco da taxa de câmbio: Possibilidade de variação do valor da moeda de um país em relação ao valor da moeda de outro país. Risco do preço das commodities (mercadorias): Possibilidade do preço das commodities – por exemplo, petróleo – aumentar ou diminuir. Risco político Possibilidade de perdas financeiras decorrentes de posturas políticas ado- tadas no país em que se encontram investidos os ativos da organização. Risco Social Possibilidade de perdas financeiras decorrentes de alterações no nosso convívio social e, muita vezes, de alcance mundial, como o risco de pande- mias e mudanças climáticas. GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO UNIDADE 1 19GERENCIAMENTO DE RISCOS GESTÃO DE RISCOS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS A Gestão de Riscos em Instituições Financeiras tem evoluído de manei- ra rápida e contínua. Tal desenvolvimento é impulsionado pelos respecti- vos órgãos reguladores, pois essas instituições têm como característica a administração de recursos que não são próprios delas. ■ No caso dos bancos, eles administram recursos financeiros dos correntistas e investidores. ■ No caso das seguradoras, elas administram provisões como a PPNG – provisão de prêmios não ganhos e PSL –, provisão de sinistros a liquidar que são de propriedade dos segurados. Por essa característica, os órgãos reguladores têm importante papel no controle de tais instituições financeiras. Em outras atividades, em que os recursos financeiros são dos próprios acionistas, não é função do Estado o controle de solvência destas organizações. Por volta dos anos 2000, tivemos escândalos financeiros de repercussão mundial, citando os casos do Banco Barings, Enron, WorldCom, entre outros. Nesse contexto mundial, foram desenvolvidos pelos Órgãos Reguladores os acordos de Basiléia 1 e 2 para o sistema bancário, e Solvências 1 e 2 para mercado segurador (seguradoras e resseguradoras). Essa é a origem da gestão de riscos que encontramos hoje nas segura- doras e resseguradoras, com os mecanismos de governança corporativa, compliance, controles internos e auditoria interna. OS CAMINHOS DA GESTÃO DE RISCOS O desenvolvimento da gestão de riscos como processo estruturado ocor- reu por caminhos diferentes e convergentes, como vimos na gestão de riscos de instituições financeiras e veremos na gestão de riscos acidentais, contribuindo e sendo consolidadas na ISO 31000. Portanto, a ISO 31000 não foi fruto de um trabalho científico em que se tenha descoberto a gestão de riscos; foi, antes, resultado das necessida- des da administração dos riscos que podem prejudicar a organização ou uma área específica em atingir seus objetivos UNIDADE 1 20GERENCIAMENTO DE RISCOS RESUMO A gestão de riscos é um processo estruturado de responsabilidade da organização, mas que pode ter consultoria (prestação de serviços gratui- ta ou não) dos players do mercado de seguros (corretores de seguros, seguradoras, corretores de resseguro, resseguradoras). A gestão de riscos foi normatizada por meio da ISO 31000, cuja primeira edição ocorreu no ano de 2009, sendo revisada em sua segunda edição no ano de 2018. Essa norma tem duas características importantes: a vanta- gem de ser extremamente abrangente nos níveis estratégico, operacional, de programas ou de projetos, servindo para qualquer tipo de organização ou atividade, o que gera a desvantagem de possuir pouco detalhamento para uma organização ou atividade. Portanto, sua aplicação deve respeitar seus princípios e diretrizes, mas precisa ser personalizada para uma apli- cação específica. Nela, encontramos a definição de risco enquanto “efeito das incertezas nos objetivos”. O efeito pode ser negativo (o que significa perdas), mas pode ser positivo (significa que a gestão de riscos pode gerar oportunida- des de ganho). Uma consequência importante das definições encontradas na ISO 31000 é que a gestão de riscos não garante que os objetivos sejam atingidos, mas aumenta o probabilidade de atingi-los. Sob o ponto de vista da gestão de riscos, podemos ter os riscos da operação (que estão no controle da organização) e os riscos de mercado (riscos sistê- micos que não estão no controle direto da organização, mas que deverão ser identificados, analisados e, se for o caso, tratados). Finalmente, a gestão de riscos é um processo abrangente que pode utili- zar o seguro como uma ferramenta de financiamento de riscos por meio de transferência. FIXANDO CONCEITOS 21GERENCIAMENTO DE RISCOS FIXANDO CONCEITOS I Marque a alternativa correta nas questões abaixo: 1. O responsável pelo programa de gestão de riscos de uma organização é o (a): (a) Corretor de seguros. (b) Seguradora. (c) Resseguradora. (d) Própria organização. (e) Corretora de resseguros. 2. A ISO 31000, que trata dos princípios e diretrizes da gestão de Riscos, é: (a) De aplicação restrita no Brasil. (b) De aplicação no mercado internacional, mas não no Brasil, pois é uma norma estrangeira. (c) De aplicação internacional, inclusive no Brasil. (d) Disponibilizada somente em inglês. (e) Específica e detalhada para cada tipo de atividade. 3. Conforme ISO 31000, risco é o efeito: (a) Das incertezas nos objetivos. (b) Negativo das incertezas nos objetivos. (c) Positivo das incertezas nos objetivos. (d) Das certezas nos objetivos. (e) Das incertezas nos riscos acidentais. 4. A entrada de concorrentes com nova tecnologia é um risco: (a) Sistêmico. (b) De mercado. (c) Do Negócio. (d) De crédito. (e) Financeiro. 5. No processo de gestão de riscos conforme a ISO 31000, a personaliza- ção para sua aplicação em uma atividade específica ocorre na fase: (a) Escopo, contexto e critério. (b) Identificação de riscos. (c) Análise de risco. (d) Avaliação de riscos. (e) Tratamento de riscos. 22GERENCIAMENTO DE RISCOS 02 ■ Entender a personalização da ISO 31000 para Gestão de Riscos Acidentais. ■ Conhecer as exposições a perdas nos seus cinco blocos, e cada bloco com suas três dimensões. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: ⊲ GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS ⊲ PASSO 1 – IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DAS EXPOSIÇÕES A PERDAS ⊲ PASSO 2 – EXAME DAS TÉCNICAS DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS DISPONÍVEIS ⊲ PASSO 3 – SELEÇÃO DO MELHORCONJUNTO DE TÉCNICAS ⊲ PASSO 4 – IMPLANTAÇÃO DAS TÉCNICAS ESCOLHIDAS ⊲ PASSO 5 – MONITORAMENTO E MELHORIA DO PROGRAMA DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS ⊲ RESUMO ⊲ FIXANDO CONCEITOS 2 TÓPICOS DESTA UNIDADE GESTÃO de RISCOS ACIDENTAIS ■ Aplicar os cinco passos da gestão de riscos acidentais 23GERENCIAMENTO DE RISCOS Quando comparado aos seguros, o processo de gestão de riscos aciden- tais tem o desenvolvimento bem mais recente. O princípio do mutualismo, que é a base dos seguros, foi desenvolvido milha- res de anos antes de Cristo, quando as perdas dos camelos nas viagens pela antiga Babilônia eram divididas entre os participantes da empreitada. O Seguro, na sua versão moderna, iniciou-se no século XVIII com as via- gens marítimas e com a Primeira Revolução Industrial. A força motriz da Primeira Revolução Industrial foram as máquinas a vapor, que para sua geração necessitavam de caldeiras, que por sua vez eram muito sujeitas ao evento de explosão. Surge na Inglaterra o Seguro de Boiler Explosion and Inspection (seguro de explosão e inspeção de caldei- ras), o que nos nossos dias seria equivalente à combinação da técnica de prevenção de perdas com transferência via seguros. Não houve evolução importante da gestão de riscos acidentais até a 2ª Guerra Mundial no século XX. Se lembramos da 1ª Guerra Mundial, veremos que foi uma guerra de trin- cheiras, onde os espaços físicos eram conquistados aos poucos. Já a 2ª Guerra Mundial foi uma guerra com destaque para a tecnologia, que abrangeu desde o rápido desenvolvimento da aviação até o lança- mento das bombas atômicas. Ao fim desta guerra, verificou-se que os artefatos, sistemas e equipamen- tos nem sempre funcionavam como o esperado, podendo-se afirmar que existia risco, ou seja, existia o “efeito das incertezas nos objetivos” (ISO 31000). A primeira versão da ISO 31000 é de 2009, mas é importante per- ceber que ela foi fruto do desenvolvimento de vários assuntos que conver- giram para a gestão de riscos. UNIDADE 2 24GERENCIAMENTO DE RISCOS A partir de então, começou a se desenvolver a gestão de riscos aciden- tais, mas com foco qualitativo (o que e como pode acontecer), mas sem enfoque quantitativo (quantas vezes pode ocorrer e qual a extensão da consequência financeira das perdas). Em torno do ano de 1980, ocorreram dois eventos catastróficos que induzi- ram a introdução da análise quantitativa na gestão de riscos acidentais. Em 1986, após a explosão da nave espacial Challenger, a NASA (Agência Aero Espacial Americana) passou a exigir a análise qualitativa de confiabilidade e dos riscos em suas missões espaciais e começou a desenvolver critérios quantitativos da análise dos riscos. Da mesma maneira, a Agência Regula- tória Nuclear Americana (NUREG) passou a exigir análise probabilística de segurança após o acidente nuclear ocorrido na planta nuclear de Three Mile Island em 1979. Assim, a gestão de riscos acidentais adquiriu o formato hoje existente, com análise dos riscos do ponto de vista qualitativo e quantitativo. GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS Riscos acidentais são eventos súbitos e imprevistos que causam perdas à organização. Se considerarmos que o objetivo de uma organização (ou de uma de suas áreas) é não sofrer perdas em decorrência de acidentes, temos que estes eventos são efeitos (negativos) da incerteza nos objetivos. Portanto, riscos acidentais são abrangidos pela definição de riscos da ISO 31000, e o processo nela previsto também é aplicável, com adaptações, aos riscos acidentais. A gestão de riscos acidentais é um processo composto de cinco passos, baseado nos preceitos da ISO 31000 e adaptado para riscos acidentais. UNIDADE 2 25GERENCIAMENTO DE RISCOS PASSO 1 – IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DAS EXPOSIÇÕES A PERDAS ■ Para identificação, as exposições a perdas acidentais são agrupa- das nos blocos patrimonial, responsabilidade civil, pessoas-chave, receita líquida e Pessoa Física. Cada bloco é analisado em três dimensões: itens expostos a perdas, riscos que causam estas perdas, consequências financeiras das perdas. ■ Para análise, os riscos identificados são classificados por frequên- cia e severidade. ■ O resultado do passo 1 – identificação e análise das exposições a perdas podem ser condensados na matriz de riscos. MATRIZ DE RISCOS FREQUÊNCIA SEVERIDADE Insignificante Significativa Severa Catastrófica Alta Média Baixa Remota Não serão objeto do processo da gestao de riscos São riscos que merecem atenção da gestão de riscos Obrigatoriamente deverão ser objeto do processo de gestão de riscos PASSO 2 – EXAME DAS TÉCNICAS DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS DISPONÍVEIS De maneira ampla e genérica, as técnicas disponíveis são classificadas em: 1. Técnicas de controle de riscos, cujo princípio é reduzir a frequên- cia e/ou severidade. 2. Técnicas de financiamento de riscos, cujo princípio é que alguém pague a perda (este alguém pode ser a própria organização quan- do é utilizada a técnica de Retenção, que será vista neste capítulo). — Técnicas de controle de riscos UNIDADE 2 26GERENCIAMENTO DE RISCOS As técnicas de controle de riscos disponíveis para reduzir a frequência e/ ou severidade são: ■ Evitar a exposição: significa eliminar a frequência e severidade. Sua aplicação é restrita a alguns casos específicos, por exemplo, mudar para um local mais alto para evitar o risco de alagamento/ inundação, deixar de produzir um produto para evitar o risco de causar danos a terceiros. Como regra geral, ao se evitar a exposi- ção, a organização fica fora daquela linha de negócio ou produto. Esta técnica não deve ser confundida com prevenção de perdas ou redução de perdas, pois evitar a exposição significa eliminar a frequência e a severidade. ■ Prevenção de perdas: técnica muito utilizada na gestão de riscos acidentais que consiste em medidas que reduzam a frequência das perdas. ■ Redução de perdas: técnica também muito utilizada conjunta- mente com a prevenção de perdas, em que se busca diminuir a severidade da perda. Na prevenção de perdas, procura-se evitar que aconteça. Se acontecer, a prevenção de perdas reduz a seve- ridade. Exemplificando, no evento Incêndio, manutenção elétrica de equipamentos e procedimentos de segurança são medidas de prevenção de perdas (evitam que aconteça, ou seja, diminuem a frequência); enquanto hidrantes e sprinklers são medidas de con- trole de perdas (se acontecer, controlam a severidade). ■ Segregação da exposição por separação: busca reduzir o impacto de uma perda, diminuindo a concentração de exposição a perda. Por exemplo, utilizando dois armazéns isolados em vez de concentrar todas mercadorias num único local; no caso de viagens aéreas, separar o grupo de executivos da mesma empresa em dois ou mais voos separados. ■ Segregação da exposição por duplicação: muito usado em assuntos que envolvam informática, existindo um site reserva que pode ser utilizado caso ocorra algum problema no site principal. Esta técnica é utilizada em situações específicas, pois existe o cus- to da manutenção da função duplicada (no caso da informática, manutenção do site reserva que só será utilizado em caso de pro- blema com o site principal). ■ Transferência contratual do controle de riscos: a responsa- bilidade do controle de riscos é transferida contratualmente. Por exemplo, na terceirização de um serviço pela organização, o con- trato entre as partes prevê que as medidas de controle de riscos deverão ser assumidas pela parte terceirizada. — Técnicas de Financiamento de Riscos UNIDADE 2 27GERENCIAMENTO DE RISCOS As técnicas de financiamento de riscos, nas quais alguém paga a perda, são divididas em retenção e transferência. Retenção, em que a perda é paga pela própria organização, nas seguintes situações: ■ A organização assume as perdas como despesas correntes; ■ A organização cria uma reserva (contábil)sem fundos financeiros; ■ A organização cria uma reserva (contábil) com fundos financeiros; ■ Cria-se uma linha de crédito a ser utilizada em caso de perdas; ■ Utiliza-se de seguradora cativa, que é classificada como retenção, pois a seguradora cativa é uma empresa que pertence ao mesmo grupo econômico da organização. Transferência contratual, em que a perda é paga por outra organização: ■ Transferência contratual de financiamento de riscos, em que a outra parte se obriga ao pagamento de perdas no caso de ocor- rência de algum evento. Por exemplo, existem derivativos relacio- nados ao tempo meteorológico. Nas plantações de arroz na Tai- lândia, é desejável que o índice pluviométrico se situe entre um mínimo e um máximo. Abaixo do mínimo e acima do máximo a plantação será prejudicada. Caso isso ocorra, é feito pagamento ao agricultor (observe que é diferente do seguro agrícola, em que seria necessário medir a quebra da safra para cálculo da indeniza- ção). Atualmente, temos esse tipo de operação também abrangido pelos seguros paramétricos. ■ Seguros Importante perceber que o seguro é uma das técnicas de financiamento de riscos por transferência. O seguro surgiu antes da gestão de riscos se tornar um processo estruturado e pode ser utilizado como uma das técnicas de financiamento de riscos (transferência), o que não diminui sua importância. UNIDADE 2 28GERENCIAMENTO DE RISCOS PASSO 3 – SELEÇÃO DO MELHOR CONJUNTO DE TÉCNICAS Tendo verificado quais técnicas de controle de riscos e financiamento de riscos são aplicáveis, no passo 3, seleciona-se o conjunto de técnicas a serem aplicadas. Lembrando que os recursos financeiros da gestão de riscos acidentais são limitados, deverá ser escolhido o conjunto de técnicas que propicie o melhor retorno. Normalmente, são utilizados critérios financeiros, montando cenários, estiman- do as perdas e os custos envolvidos nas técnicas de controle e financiamento de riscos. Eventualmente, podem ser utilizados critérios relacionados à expe- riência anterior e preferências dos tomadores de decisão da organização. PASSO 4 – IMPLANTAÇÃO DAS TÉCNICAS ESCOLHIDAS É uma atividade interna da organização que envolve decisões técnicas e decisões gerenciais, pois existe necessidade da disseminação da cultura da gestão de riscos dentro da organização. A implantação das medidas sem o envolvimento da organização como um todo pode gerar resultados insatisfatórios da gestão de riscos. PASSO 5 – MONITORAMENTO E MELHORIA DO PROGRAMA DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS Neste passo, é necessário: ■ Garantir que o programa tenha sido corretamente implantado; ■ Detectar alguma mudança no ambiente e implantar alterações, se necessário; ■ Implantar medidas de resultado e medidas de atividades da ges- tão de riscos acidentais. UNIDADE 2 29GERENCIAMENTO DE RISCOS Para estudarmos os riscos acidentais nas próximas unidades, dividiremos as exposições a perdas em cinco blocos: Bloco 1 Patrimônio. Bloco 2 Responsabilidade Civil. Bloco 3 Pessoas-chave. Bloco 4 Receita Líquida. Bloco 5 Pessoas. Cada um destes cinco blocos será analisado através de três dimensões: Dimensão 1 Itens expostos a perdas. Dimensão 2 riscos que causam as perdas. Dimensão 3 Consequências financeiras das perdas. Terminando esta unidade, vale esclarecer alguns equívocos que encontra- mos no nosso mercado. ■ A gestão de riscos acidentais é um processo sequencial constituí- do de vários passos nos quais o seguro é uma das alternativas de financiamento de risco via transferência. O seguro é importante e muito utilizado na gestão de riscos acidentais, fazendo parte dela (e não o contrário). ■ Subscrição de riscos é uma atividade exclusiva da seguradora ou resseguradora que se constitui na aceitação, recusa ou aceitação com modificações dos riscos a elas oferecidos. ■ Inspeção de riscos é uma atividade de coleta de dados físicos do risco que fornece subsídios para a subscrição de riscos. ■ Inspeção de loss control (controle de perdas) é uma inspeção mais especializada que visa identificar e sugerir medidas de mitigação de riscos da organização. ■ Regulação de sinistros é uma atividade de verificação das causas e apuração dos prejuízos decorrentes de um sinistro. UNIDADE 2 30GERENCIAMENTO DE RISCOS RESUMO A gestão de riscos acidentais, enquanto processo estruturado, teve impulso no século XX, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, compreendendo a parte qualitativa e quantitativa. Para instrumentalizar o processo de gestão de riscos acidentais, utiliza- mos o conceito de exposição a perdas, por meio dos blocos Patrimônio, Responsabilidade civil, Pessoas-chave e Receita líquida, e cada um desses blocos nas dimensões itens sujeitos a perda, riscos que causam as perdas e consequências financeiras da perdas. O processo de gestão de riscos acidentais é composto de cinco passos, baseado nos preceitos da ISO 31000 e adaptado para riscos acidentais. Seus passos são: Passo 1 – Identificação e análise das exposições a perdas; Passo 2 – Exame das técnicas de gestão de riscos acidentais disponíveis; Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas; Passo 4 – Implantação das técnicas escolhidas; Passo 5 – Monitoramento e melhoria do programa de gestão de riscos acidentais. FIXANDO CONCEITOS 31GERENCIAMENTO DE RISCOS FIXANDO CONCEITOS 2 1. A gestão de riscos acidentais: (a) Iniciou sua evolução antes do surgimento do seguro. (b) Faz parte exclusivamente do seguro. (c) Trata apenas dos riscos de negócios da organização. (d) Está detalhada na ISO 31000. (e) Tem no seguro uma de suas técnicas de financiamento de riscos. Marque a alternativa correta: 2. No programa de gestão de riscos acidentais: (a) Os cinco passos deverão ser seguidos em ordem sequencial. (b) O monitoramento é dispensável, pois é posterior à implantação do programa. (c) Todas técnicas de controle e financiamento de riscos identificadas deverão ser implantadas. (d) Evitar a exposição é uma técnica perfeita e sempre deverá ser implantada. (e) Seguros é independente e não faz parte do programa de gestão de riscos acidentais. 32GERENCIAMENTO DE RISCOS 03 ■ Entender as exposições a perdas do bloco patrimônio, considerando as dimensões: itens expostos a perdas, riscos que causam as perdas, consequências financeiras das perdas. ■ Compreender o que são e quais são os bens tangíveis e intangíveis, analisando exemplos práticos. Após ler esta unidade, você deverá ser capaz de: TÓPICOS DESTA UNIDADE GESTÃO de RISCOS ACIDENTAIS – PATRIMÔNIO ⊲ BENS DA ORGANIZAÇÃO ⊲ EXPOSIÇÃO A PERDAS ⊲ IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS ⊲ MEDIDAS DE CONTROLE E FINANCIAMENTO DE RISCOS ⊲ RESUMO ⊲ FIXANDO CONCEITOS 3 ■ Reconhecer medidas de controle de riscos e financiamento do bloco patrimônio. 33GERENCIAMENTO DE RISCOS BENS DA ORGANIZAÇÃO O patrimônio da organização corresponde ao seu ativo e é composto de bens tangíveis e bens intangíveis. — Bens Tangíveis Os bens tangíveis são ativos da organização que são concretos e que podem ser tocados. Eles podem ter: ■ Origem natural, ou seja, não foram produzidos pelo homem, mas fazem parte do patrimônio da organização. Como exemplo, temos terrenos, lagos, cursos d’água naturais, vegetação nativa, florestas naturais, etc. ■ Origem na exploração dos recursos naturais pelo homem, quer seja pela extração desses recursos (pedras preciosas, materiais de insumo para indústrias, petróleo, etc.), quer seja pela alteração do meio ambiente para fins de exploração comercial, como exemplo a agricultura, piscicultura, criação de animais, hidroelétricas, etc. ■ Origem na produção de produtos pelo homem, criando e construin- do benfeitorias, classificados em: Prédios / instalações Maquinismos / móveis / utensílios Mercadorias / matérias-primasSão os bens da organização necessárias para o funcionamento da organização. Nessa classificação, temos indústrias, comércios, prestação de serviços e residências (incluindo condomínios). UNIDADE 3 34GERENCIAMENTO DE RISCOS — Bens Intangíveis Os bens intangíveis não podem ser vistos ou tocados, mas são percebidos como ativos da organização. São bens intangíveis da organização as marcas, os valores e os princí- pios presentes na cultura organizacional, a percepção de perenidade, entre outros. O valor de uma organização é a soma do valor dos bens tangíveis e do valor dos bens intangíveis. Ela corresponde ao valor que o mercado paga- ria ou estaria disposto a pagar pela sua aquisição. Se a organização tiver capital aberto negociado em bolsa de valores, a variação de seu valor nor- malmente é explicada pelo valor dos ativos intangíveis, não pelo valor dos ativos tangíveis. Os valores dos bens tangíveis sofrem variação positiva ou negativa em função das condições do mercado (valor de compra e de ven- da), e variação negativa, em função da depreciação. A variação de valor dos bens tangíveis é, normalmente, muito menor do que as oscilações dos valores dos bens intangíveis. Até 50 anos atrás, o valor da organização era muito próximo ao valor dos bens tangíveis. Hoje, os valores dos bens intangíveis de uma organização podem ultrapassar em muito o valor de seus bens tangíveis. Basta lembrar- mos de uma rede internacional de fast food e de uma importante fabricante de refrigerantes. Por certo, na composição do valor da organização, o valor do bem intangível “marca” é muito superior ao valor das suas lojas e fábricas. Porém, vale registrar que: ■ Dependendo do tipo da organização, a gestão de riscos acidentais – patrimônio dos bens tangíveis de origem natural – assume impor- tância primordial, principalmente em indústrias que se dedicam à extração desses recursos. É o caso de mineradoras e indústrias extrativistas em geral, para quem a matéria-prima são os recursos de origem natural. ■ A gestão de riscos dos bens intangíveis, principalmente da “marca”, deve abranger vários itens, além dos riscos acidentais. A “marca” pode sofrer perda em função de vários eventos, que vão desde o atendimento inadequado, passando por produtos defeituosos, até acidentes causados aos funcionários, clientes e terceiros em geral. Importante Nesta disciplina, estudaremos a gestão de riscos acidentais – bloco patrimônio dos bens tangíveis produzidos pelo homem (indústria, comércio, prestação de serviços, residencial). Para fins da gestão de riscos acidentais, não serão considerados os bens intangíveis. UNIDADE 3 35GERENCIAMENTO DE RISCOS EXPOSIÇÃO A PERDAS O bloco patrimônio, conforme explanado no final da Unidade 2, é entendi- do e estudado por meio de três dimensões: Dimensão 1 Itens expostos a perdas. Dimensão 2 Riscos que causam as perdas. Dimensão 3 Consequências financeiras das perdas. — Itens Expostos a Perdas Para indústria, comércio, prestação de serviços e residencial, os itens dire- tamente expostos a perdas são: Prédios e instalações Corresponde à parte das obras civis e instalações de água, luz, ar condicio- nado, elevadores, etc. destinados a prover condições para funcionamento da organização. Em alguns casos, principalmente em condomínios, é comum a dificuldade da separação de prédios/instalações da parte do conteúdo. Uma maneira prática é responder a pergunta: o que fazia parte do bem quando as instalações foram entregues para uso da organização? Vamos explorar uma situação prática: um médico aluga um conjunto de salas num prédio comercial para instalação de seu consultório. Ele rea- liza várias melhorias, tais como instalação de divisórias, revestimento de paredes, piso antiderrapante, etc. O prédio comercial possui cobertura securitária para o prédio e áreas comuns. Na eventualidade da ocorrência do evento incêndio, o seguro do condomínio do prédio comercial cobrirá as obras civis e instalações existentes antes da locação, não cobrindo as melhorias por ele feitas (embora essas melhorias possam ser consideradas como incorporadas ao prédio e às instalações, elas não fazem parte da cobertura securitária fornecida ao condomínio comercial). Caso o médico deseje cobertura para as melhorias e o conteúdo do consultório (compu- tadores, mesas, cadeiras, armários, macas, etc.), ele deverá contratar um seguro em que ele seja o beneficiário. UNIDADE 3 36GERENCIAMENTO DE RISCOS Maquinismos, móveis e utensílios Maquinismos, móveis e utensílios fazem parte do conteúdo da organiza- ção. Esses bens pertencem à organização ou estão sob sua guarda e con- trole, podendo ser removidos ou alocados sem alterar a parte física da construção (prédios e instalações). Um raciocínio prático é considerar como maquinismos, móveis e utensílios os bens que podem ser removidos em caso de mudança de endereço da organização sem alterar a estrutura física do imóvel. Voltando ao exemplo do consultório instalado no prédio comercial, caso o médico mude seu consultório para outro local, certos itens do consultório, como computa- dores, mesas, cadeiras, armários, macas, etc. serão transferidos e, portan- to, podem ser considerados conteúdos. Já as melhorias feitas (divisórias, revestimento de paredes, piso antiderrapante, etc.) serão incorporadas ao prédio e instalações, não sendo consideradas conteúdos. Mercadorias e matérias-primas Mercadorias e matérias-primas fazem parte do conteúdo da organização, mas, ao contrário dos maquinismos/móveis/utensílios, têm como caracte- rística ficar pouco tempo sob posse e guarda da organização. As matérias- -primas serão incorporadas aos produtos produzidos pela indústria, e as mercadorias são bens que serão comercializados pela indústria e comér- cio. Então, como regra geral, mercadorias e matérias-primas não fazem parte dos bens de organizações dedicadas à prestação de serviços ou residencial. As mercadorias e matérias-primas a serem consideradas para fins de ges- tão de riscos no bloco patrimônio são aquelas que se encontram nas insta- lações físicas ou sob responsabilidade da organização, e também quando em transporte nos vários modais – terrestre, aéreo ou fluvial. Para visualizar os itens expostos a perdas, vamos utilizar o exemplo de uma padaria que utiliza o conceito de “butique de pães”. Essa organização será utilizada no transcorrer do curso para exemplificar diversas situações. ■ Prédio e instalações: parte civil da padaria, englobando funda- ções, estrutura, alvenaria, cobertura e acabamentos, instalações de ar condicionado, escada rolante e elevador. ■ Maquinismos, móveis e utensílios: fornos, máquinas de lavar louça, caldeiras, misturadores, geladeiras, prateleiras (refrigeradas ou não), motores, mesas, cadeiras, armários, balcões, utensílios em geral utilizados na cozinha. ■ Mercadorias e matérias-primas: produtos comercializados (pães, bolos, doces, salgados, enlatados, laticínios, etc.) e insumos em geral (farinha, óleo, fermento, etc.) UNIDADE 3 37GERENCIAMENTO DE RISCOS Quando se fala em itens expostos a perdas, além de prédios/instalações, mercadorias/móveis/utensílios, matérias-primas/mercadorias devem ser anali- sados outros itens que podem compor os expostos a perdas, e que são: Desentulho do local Como decorrência de um dano acidental, antes da reconstrução ou repo- sição, pode ser necessário o desentulho do local. Por exemplo, num incên- dio de grandes proporções ocorrido em 21/05/1987 nas duas torres (Sedes 1 e 2) da CESP – Companhia Energética de São Paulo, localizado na Ave- nida Paulista, na cidade de São Paulo/SP, antes da reconstrução do prédio foi necessário desentulhar o local, incluindo a implosão de uma das torres, o que despendeu muitos recursos financeiros para retirada do entulho e limpeza do local. Despesas de demolição Trata-se de prédio/instalaçãoque foi parcialmente danificado por um even- to, mas cuja reconstrução ou reparação pode ser economicamente inviá- vel, sendo preferível sua demolição e posterior reposição. Pode ocorrer também que uma estrutura, parcialmente danificada, seja condenada pela prefeitura local, sendo necessária sua demolição. Propriedades não danificadas Uma propriedade não danificada pode perder valor em função da perda de sua utilidade, motivada pelos danos sofrido por outra propriedade da organização. Alguns exemplos dessa situação: ■ Mudança do zoneamento onde a organização está localizada, impedindo a reconstrução da parte danificada e gerando perda de valor da parte não danificada. ■ Desenvolvimento tecnológico do estado da arte do processo onde ocorreu a perda. Nesse caso, é possível que não haja interesse na retomada do processo como o existente antes do acidente, tor- nando ociosas as partes não danificadas. ■ Desinteresse da organização na continuidade das operações na unidade onde ocorreu o acidente. As partes não danificadas se tornarão ociosas e perderão seu valor funcional. Aumento dos custos de reconstrução ou reparação Podem ocorrer alterações do código de obras do município, exigindo alte- rações na reconstrução ou reparação e aumentando seus custos. Com o aumento do valor do prédio/instalações, provavelmente ocorrerá aumento de impostos como o IPTU. UNIDADE 3 38GERENCIAMENTO DE RISCOS Valor do conjunto Pode ocorrer que a perda de uma peça desvalorizará o conjunto como um todo. Por exemplo, em uma indústria automobilística, a perda de algum componente, como os pneus, ocasiona a perda temporária do valor de venda do automóvel como um todo. Numa confecção, a perda do estoque de zíperes fará com que, temporariamente, o lote da confecção como um todo perca valor. Embora a perda de valor do conjunto seja temporária até a reposição do bem faltante, isto irá gerar perda de receita da organização. — Riscos que Causam as Perdas São inúmeros os riscos que causam perdas no bloco patrimônio, e é importante que haja uma correta identificação destes riscos. A seguir, estão os principais riscos identificáveis no bloco patrimonial, agrupados pela origem dos riscos. Riscos com origem na atividade da organização Incêndio É uma das principais causas de perdas das organizações. O incên- dio é caracterizado como fogo descontrolado, pois em diversos processos industriais que necessitam de calor (processos a quen- te) é utilizada a chama controlada como fonte de calor, o que não caracteriza Incêndio. Explosão Pode ter origem em equipamentos que trabalham com pressão (como as caldeiras de nossa padaria) ou equipamentos em que são processadas reações químicas. Tanto explosão como implo- são caracterizam-se pelo equilíbrio súbito de pressão. Na explo- são, a pressão interna é maior que a pressão externa e, se ocorre o reequilíbrio súbito das pressões interna e externa, temos a explo- são (de dentro para fora). O mesmo raciocínio se aplica à implosão, com a diferença de que, neste caso, a pressão externa é maior que a pressão interna. Na ocorrência do equilíbrio súbito de pressão, ocorre a implosão (de fora para dentro, dando a impressão de que houve um amassamento). Fumaça Não é a fumaça originada de incêndio (os danos originados pela fumaça de incêndio fazem parte do evento incêndio), mas sim os danos causados pela fumaça de desarranjos mecânicos das máquinas e equipamentos da organização. UNIDADE 3 39GERENCIAMENTO DE RISCOS Derrame e vazamento de água de chuveiros automá- ticos (sprinklers) Os sistemas de sprinklers ficam pressurizados para rápida inter- venção em caso de princípio de incêndio. O seu disparo acidental, sem necessidade, molhará os bens que se encontrarem no seu raio de ação. No nosso exemplo da padaria, suponha que o dispa- ro acidental ocorre na área de armazenagem de matérias-prima. A consequência será a molhadura e perda deste material. Desmoronamento Que pode ser parcial ou total, e pode ter tanto causa interna (fal- ta de manutenção que compromete a estrutura), como por causa externa (deslizamento de terra que danifique a estrutura). Rompimento ou vazamento da rede de água interna da organização Causa molhadura e consequente perda dos bens da organização. Impacto de veículos, queda de aeronaves, engenhos aeroespaciais Suponha que nossa padaria se encontre numa esquina movimen- tada, estando, portanto, sujeita a impacto de veículos que atinjam a organização. Acidentes de origem súbita e imprevista em máqui- nas e equipamentos Os acidentes podem ser de origem interna (que são caracterizados genericamente como quebra de máquinas) ou de origem externa (tombamento, queda de objetos, impacto de empilhadeiras, etc.). Contaminação e deterioração de mercadorias em ambientes frigorificados A falha dos equipamentos pode ter origem interna no funciona- mento inadequado deles ou por origem externa, como a falta de energia elétrica por períodos prolongados. Danos elétricos É a consequência de qualquer desarranjo elétrico ou curto-circuito nas instalações do prédio ou nas maquinas e equipamentos. Riscos com origem na Natureza Queda de raio, que pode ocorrer: ■ Dentro do perímetro da organização, ocasionando danos diretos pela súbita variação de tensão (danificando equipamentos elé- tricos e eletrônicos) ou pelo calor gerado (causando incêndio). ■ Fora do perímetro da organização, que pode gerar sobreten- são na rede elétrica, causando avarias elétricas nos equipa- mentos elétricos e eletrônicos da organização. UNIDADE 3 40GERENCIAMENTO DE RISCOS Observação Os equipamentos elétricos são aqueles que geram calor ou tra- balho. Por isso, um forno elétrico ou um motor são equipamentos elétricos. Já os equipamentos eletrônicos têm como função gerar outras funções que não seja calor ou trabalho. Assim, o compu- tador é um equipamento eletrônico, cuja principal função é gerar informações e prover ferramentas de trabalho. Alagamento e inundação Que são danos causados por água cuja origem é externa à organi- zação. Embora alagamento e inundação sejam usados como sinô- nimos, no alagamento a fonte externa de água são rios não nave- gáveis. Na inundação a fonte externa de água são rios navegáveis. Os danos causados por fonte interna à organização, por exemplo, um rompimento da tubulação que alimenta a rede de água da organização, não são considerados alagamento ou inundação. Vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo São fenômenos da natureza que podem danificar parcial ou total- mente as instalações da organização. Riscos com origem no homem Roubo e furto qualificado de bens, mercadorias e valores São atos praticados por elementos estranhos à organização. Os roubos são atos praticados com violência ou intimidação à pessoa. Já o furto qualificado é um ato que danifica a estrutura da organiza- ção ou que utiliza meios não convencionais para acessá-la. As defi- nições de furto qualificado variam e, em algumas delas, exige-se a existência de vestígios materiais inequívocos para caracterização de tal tipo de furto. Infidelidade de empregados São os atos lesivos à organização causados por funcionários dela. O desvio de verbas, as fraudes em benefício próprio constituem exemplos da infidelidade de empregados. Tumultos Caracterizam-se pela junção de pessoas que, coletivamente, praticam atos que danificam as propriedades da organização. Cyber Risks Danos ao patrimônio da organização em função de ataques ciber- néticos; é hoje um dos principais riscos emergentes para qualquer organização. UNIDADE 3 41GERENCIAMENTO DE RISCOS — Consequências Financeiras das Perdas Uma vez conhecidos os itens expostos a perdas e os riscos que causam perdas, partimos para o estudo das consequências financeiras das perdas. Para medir as consequências financeiras das perdas, é necessário o enten- dimento de dois conceitos: valoração e parâmetros da qualidadedo risco. Valoração Sabendo o que é exposto à perda e os riscos que causam esta perda, pre- cisamos estabelecer como mensurá-la. Para tanto, temos três conceitos importantes: Valor de novo Constitui o valor dos bens do segurado no seu estado de novo. No caso de prédio e instalações, é o seu valor para reconstrução no dia de hoje. A resposta à pergunta “Quanto se gastaria para construir o prédio e instalações na data de hoje?” é o valor de novo. No caso de maquinismos/móveis/utensílios, é o valor para insta- lação de equipamentos novos na data de hoje. A resposta à per- gunta “quanto se gastaria para comprar na data de hoje novos maquinismos, móveis e utensílios?” fornece o valor de novo dos maquinismos/móveis/utensílios. No caso de mercadorias e matérias-primas, é o valor de venda das mercadorias ou valor de compra das matérias-primas. Valor atual É o valor de novo menos a depreciação. O valor de novo para pré- dios/instalações ocorre no dia em que o prédio foi entregue. Da mesma maneira, o valor de novo dos maquinismos/móveis/uten- sílios ocorre quando estes bens são comprados e instalados no estado de novo. Já no dia seguinte, começa o processo de depre- ciação física do bem. Como mercadorias/matérias-primas não são bens a serem incor- porados ao prédio ou conteúdo (matérias-primas são bens que serão incorporados às mercadorias para posterior venda), não existe depreciação a ser aplicada. Este é um dos motivos pelos quais o conteúdo da organização é dividido em (1) maquinismos/ móveis/utensílios, que sofrem depreciação, e (2) mercadorias/ matérias-primas que não sofrem depreciação. UNIDADE 3 42GERENCIAMENTO DE RISCOS Depreciação física Ocorre pelo uso, desgaste de um bem físico. Um ponto importante é que existem vários critérios de depreciação, que levam a valores diferentes e, portanto, a valores atuais diferentes. Os métodos de cálculo de depreciação normalmente utilizados são: linha reta, Ross e Ross-Heidecke. Somente para fins de ilustração, utilizaremos o seguinte exemplo: Valor de novo do bem: R$ 1.000.000,00 Idade aparente: 5 anos Vida útil: 10 anos Valor residual (valor do bem ao final de sua vida útil): zero MÉTODO DE DEPRECIAÇÃO DEPRECIAÇÃO VALOR ATUAL Linha Reta 50,00% R$ 500.000,00 Ross 37,50% R$ 625.000,00 Ross-Heidecke 42,56% R$ 574.437,50 Observação Duas observações importantes sobre valoração: Métodos diferentes de depreciação levam a valores diferentes de valor atual, que são importantes para medição das consequências financei- ras das perdas. Não se deve utilizar a depreciação contábil para fins de valoração. Na va- loração devem ser utilizados métodos que meçam a depreciação física. Parâmetros da Qualidade do Risco Os dois principais parâmetros para medição da qualidade do risco são PMP – Perda Máxima Possível e DMP – Dano Máximo Provável. Estes parâmetros são utilizados para todos riscos analisados pela gestão de riscos acidentais, mas, para fins de seu entendimento, utilizaremos a causa de perda Incêndio. UNIDADE 3 43GERENCIAMENTO DE RISCOS A PMP Perda Máxima Possível no Risco de Incêndio, de maneira simplifi- cada, é a perda total do maior risco isolado. Voltando ao exemplo adotado da padaria, suponhamos que ela tenha uma matriz que constitui um risco isolado no valor de R$ 15.000.000,00 e uma filial localizada em outro bairro com valor de R$ 10.000.000,00. Embora o valor em risco da padaria seja de R$ 25.000.000,00, e consi- derando que não teremos o evento Incêndio que atinja as duas unidades ao mesmo tempo, temos que a consequência financeira para o evento Incêndio será de R$ 15.000.000,00 (PMP), e não R$ 25.000.000,00. O DMP Dano Máximo Provável é a perda esperada considerando os sistemas protecionais existentes (brigada, extintores, hidrantes, sprinklers, etc.). Embora a PMP da Matriz seja de R$ 15.000.000,00, considerando a atuação dos sistemas protecionais, temos que, através da análise de cenários, o DMP será de 20%, ou seja, R$ 3.000.000,00. Do ponto de vista da gestão de riscos, quanto maior a distância do DMP para o PMP, melhor será a qualidade do risco. Na nossa padaria, se o DMP for igual ao PMP, significa que ela não dispõe de sistemas protecionais eficientes. IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS Para a identificação de riscos, existem métodos já consagrados em literatu- ra especializada. Somente para fins de ilustração, vamos citá-los: HAZID – Hazard Identification – Identificação de Perigos Envolve seções de brainstorm direcionadas por checklists prepa- rados pela gestão de riscos. What If Analisys – Análise “O Que – Se” Por meio de brainstorm menos estruturados, busca-se a identifica- ção de perigos pela resposta a “o que aconteceria” se “tal evento ocorresse”. UNIDADE 3 44GERENCIAMENTO DE RISCOS HAZOP – Hazard and Operability Studies – Estudo dos Perigos e Operabilidade Muito utilizada no estudo de perigos em processo contínuos. No mercado de seguros, muitas vezes, é utilizada de maneira intuitiva, uma vez que, quando analisamos um fluxo industrial ou comercial identificando seus riscos, estamos utilizando o HAZOP. Análise Preliminar de Perigos Técnica qualitativa para identificar perigos em novos projetos ou novas instalações. FMEA – Failure Mode and Effect Analisys – Análise do Modo de Falha e Efeitos Método de análise indutivo para estudar causas e efeitos das falhas. Análise de Riscos A análise de riscos envolve o estudo da frequência e severidade dos riscos identificados, sempre em relação aos objetivos da organização. Nos riscos acidentais, o objetivo é que as perdas não ocorram ou ocorram dentro de determinados limites. A frequência é a quantidade de ocorrências em relação à quantidade de expostos ao risco. A severidade é a consequência financeira (em R$) da ocorrência dos riscos. Neste curso, utilizaremos análise qualitativa conforme a seguir: ■ Frequência: ocorrência remota, baixa, média, alta. ■ Severidade: consequência insignificante, significativa, severa, catastrófica. Utilizando os riscos identificados anteriormente e o case padaria, temos como exemplo: RISCO FREQUÊNCIA SEVERIDADE 1. Incêndio Baixa Catastrófica 2. Explosão Baixa Severa 3. Fumaça Remota Significativa 4. Derrame e vazamento de sprinklers Baixa Significativa 5. Desmoronamento Remota Severa 6. Rompimento e vazamento de água Baixa Significativa 7. Impacto de veículos, queda de aeronaves, engenhos aeroespaciais Baixa Significativa UNIDADE 3 45GERENCIAMENTO DE RISCOS 8. Acidentes com máquinas e equipamentos Média Significativa 9. Contaminação e deterioração de mercadorias Baixa Severa 10. Danos elétricos Baixa Significativa 11. Alagamento / inundação Remota Severa 12. Vendaval, furacão, ciclone, granizo Média Significativa 13. Roubo e furto qualificado Baixa Severa 14. Fidelidade de empregados Baixa Significativa 15. Tumultos Baixa Significativa 16. Cyber Risks Média Severa Observação A classificação de riscos (que será visualizada na matriz de riscos abaixo) deverá ser discutida com a organização, pois ela guiará os riscos que terão prioridade de trata- mento pela gestão de riscos. — Matriz de Riscos A matriz de riscos é um recurso gráfico utilizado na gestão de riscos para con- densar o resultado da identificação e análise de riscos, conforme a seguir: MATRIZ DE RISCOS FREQUÊNCIA SEVERIDADE INSIGNIFICANTE SIGNIFICATIVA SEVERA CATASTRÓFICA Alta Média 8, 12 16 Baixa 4, 6, 7, 10, 14, 15 2, 9, 13 1 Remota 3 5, 11 Obrigatoriamente, deverão ser objeto do processo de gestão de riscos. Não serão objeto do processo da gestão de riscos. São riscos que merecem atenção da gestão de riscos. MEDIDAS DE CONTROLE DE RISCOS E FINANCIAMENTO DE RISCOS UNIDADE 3 46GERENCIAMENTO DE RISCOS Devemos ter em mente que os recursos disponibilizados para a gestão de riscos, assim como para as demais áreas da organização, são limitados. Como consequência, o processo de gestão