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AT 1 2 32 S U M Á R IO 3 UNIDADE 1 - Introdução 5 UNIDADE 2 - Origem e História das Bibliotecas 5 2.1 Das origens na Antiguidade 8 2.2 Etimologia e conceitos 9 2.3 As Bibliotecas do mundo antigo 13 2.4 Tipos de Biblioteca 16 UNIDADE 3 - A Primeira Biblioteca no Brasil – Biblioteca Nacional 20 3.1 Depósito Legal 21 3.2 O acervo de obras raras 23 3.3 ISBN 23 3.4 Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros – PLANO 24 3.5 O acervo da Biblioteca Nacional 34 UNIDADE 4 - Os Fundamentos da Biblioteconomia 35 4.1 O marco da Biblioteconomia e suas relações com a Ciência da Informação 38 UNIDADE 5 - A Biblioteconomia no Brasil 40 5.1 A formação acadêmica e as atribuições do bibliotecário 42 REFERÊNCIAS 2 33 UNIDADE 1 - Introdução BIBLIOTECA: tem origem na palavra grega bibliotheke, resultado da junção de duas palavras do idioma grego, são elas biblio e tëke, que significam respectiva- mente, livro e depósito (SANTOS, 2010). Esse é nosso ponto de partida! A Biblioteconomia, por sua vez, é área inter e multidisciplinar que reúne conhe- cimento e prática da organização de do- cumentos em bibliotecas, tendo por fina- lidade sua utilização, o que inclui também problemas suscitados pelos acervos (for- mação, desenvolvimento, classificação, catalogação, conservação). É uma arte de arranjar, administrar e conservar uma bi- blioteca (FARIA; PERICÃO, 2008). A Biblioteconomia como área de atu- ação, por muito tempo, teve como lócus principal a biblioteca, a qual era vista sob uma ótica estática “de um depósito” mais interessada no armazenamento de seu acervo, que quanto maior número de itens reunisse mais aumentava de valor. Foi preciso promover uma radical transforma- ção neste cenário para que essa área se expandisse, voltando-se para mercados diferenciados. Como consequência desta mudança, uma nova tendência se instala – o interesse em facilitar o acesso – fazen- do crescer as oportunidades de pesquisa e, por sua vez, o desenvolvimento do co- nhecimento (RUSSO, 2010). O exercício da profissão, nessa área, já foi procurado por indivíduos estudiosos, amantes das letras e de livros, historia- dores – quase sempre pessoas muito cul- tas – que trabalhavam com dois grandes objetivos: “guardar com zelo o acervo” e “preservá-lo para o futuro”; mas eis que a Revolução Industrial, também nessa área, fez surgir outros fatos influenciando a Biblioteconomia, tais como: o aumento da produção do livro impresso; as novas descobertas científicas; a proliferação das sociedades científicas e o crescimen- to dos periódicos científicos. Diante des- ta nova era, a função dos profissionais da área passou a contemplar as atividades de “reunir, conservar, ordenar e distribuir informação”, o que exige da sua formação o foco nas competências para atingir tais objetivos (RUSSO, 2010). Pois bem, neste primeiro módulo fare- mos uma viagem no tempo, desde as ori- gens das bibliotecas lá na Antiguidade, apresentação de conceitos, alguns tipos de biblioteca com ênfase na Biblioteca Nacional – nossa primeira biblioteca, mo- mento no qual falaremos de temas como Depósito Legal, ISBN (Número Padrão In- ternacional de Livro – tradução livre), Pla- no Nacional de Microfilmagem de Perió- dico Brasileiros (PLANO) e sobre o acervo (Iconografia, Hemeroteca, BN Digital, Ma- nuscritos, Cartografia, entre outros). Uma unidade é dedicada aos funda- mentos da Biblioteconomia e, por fim, fa- laremos da Biblioteconomia no Brasil. Ressaltamos em primeiro lugar que em- bora a escrita acadêmica tenha como pre- missa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, 4 54 deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clás- sicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o cará- ter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de re- ferências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora so- mente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgi- rem ao longo dos estudos. 4 55 2.1 Das origens na Antigui- dade A partir de 3000 a.C., a humanidade, antes organizada em povos tribais ou em hordas pastoris nômades por conta da agricultura, começou a se organizar em estados rurais artesanais. A domes- ticação e a estruturação de um sistema produtivo alteraram a condição humana, dando-lhe uma postura ativa na organiza- ção da produção. Por volta de 2.000 a.C., acumularam-se as inovações tecnológicas (canais, estradas, polia, balança), o que ampliou a eficácia produtiva e acabou por influenciar as relações entre os homens, configurando uma nova formação socio- cultural (RIBEIRO, 2000). A revolução urbana, além de ter sido sinônimo de aumento de produtividade e acumulação de riquezas nas mãos de gru- pos minoritários, propiciou a divisão social do trabalho, acarretando a estratificação social e a organização política, por meio do recrutamento de antigos líderes de guerra e religiosos que ocuparam postos de liderança em uma sucessão hereditária (ORTEGA, 2004). Tais elementos corroboraram a forma- ção sociocultural dos Impérios teocráticos de regadio, constituindo, assim, os primei- ros estados burocráticos da Antiguidade (Egito, Babilônia, Suméria e Mesopotâ- mia), que além dos enormes sistemas de irrigação, desenvolveram a Matemática, Astronomia, Arquitetura e as primeiras manifestações escritas (cuneiforme com os sumérios, hieroglífica com os egípcios e tábuas de argila com os mesopotâmios). Nesse contexto burocrático estatal, foi premente a necessidade de regular a vida civil da população e conservar o conheci- mento e a cultura dessas civilizações re- gionais, que já tinham uma preocupação com uma educação formal do saber téc- nico e científico. Nesse momento, cons- tituíram-se as primeiras ‘protobibliote- cas’ e ‘protoarquivos’: os rudimentares catálogos primitivos em tábuas de argila, em Nippur (Suméria); em Alexandria, uma das mais famosas bibliotecas do mundo antigo, que delineou com seus filósofos, gramáticos e poetas da época o ideário dos primeiros bibliotecários; ou, ainda, as bibliotecas privadas de reis voltadas para “royal contemplation” (CASSON, 2001 apud SIQUEIRA, 2010). Por volta de 1.000 a.C., a expansão dos impérios teocráticos de regadio sofreu uma limitação essencial: a inviabilidade de se generalizar a irrigação sobre as áre- as conquistadas por conta das diferenças ecológicas regionais. Além disso, outro fator relevante para a próxima revolução tecnológica foi o aprimoramento da meta- lurgia, o que transformou a fabricação de ferramentas, embarcações, transportes, a moeda cunhada e as máquinas hidráu- licas. Socialmente, a formação dos impé- rios mercantis escravistas (Grécia, Roma e Assíria), diferentemente dos anterio- res, organizados em torno de um modelo coletivo, institucionalizou a propriedade privada, incentivando o comércio e o apri- sionamento de cativos de guerra (escra- vidão como fomento para o colonialismo UNIDADE 2 - Origem e História das Bibliotecas 6 7 mercantil). Outro fator marcante do período foi a criação do alfabeto fonético, que facilitou a alfabetização, permitindo juntamente com o desenvolvimento da escrita deci- mal – Filosofias e Ciências aplicadas, a am- pliação da gama de conhecimentos, antes restrita ao sacerdócio ou realeza. Dessa forma, com uma produção documental cada vez maior, tanto de caráter burocráti- co (regulação da vida dos cidadãos), como testemunhal e histórico (conservação do conhecimento e da cultura), surgiram as primeiras bibliotecas em sentido estrito. Mesmo com a ausência de um corpo pro- fissional e a indistinção entre biblioteca e arquivo, desenvolveram-se os serviçosBrasil. Entre as publicações mais antigas e mesmo raras do século XIX estão, por exemplo, O Espelho, Reverbero Constitu- cional Fluminense, O Jornal das Senhoras, O Homem de Cor, Marmota Fluminense, Semana Illustrada, A Vida Fluminense, O Mosquito, A República, Gazeta de Notí- cias, Revista Illustrada, O Besouro, O Abo- licionista, Correio de S. Paulo, Correio do Povo, O Paiz, Diário de Notícias, e também os primeiros jornais das províncias do Im- pério. 32 33 Também podem ser consultadas revis- tas de grande importância do século XX, como Careta, O Malho, O Gato, O Cruzeiro, Revista da Semana, Klaxon, Revista Ver- de, Diretrizes e jornais que marcaram for- temente a história da imprensa no Brasil, como A Noite, Correio Paulistano, A Ma- nhã e Última Hora. Periódicos de institui- ções científicas compõem um segmento especial do acervo. Se tiver oportunidade visite a Bibliote- ca Nacional, você não vai se arrepender! 34 3534 Por fundamento, entende-se base, ali- cerce, razões ou argumentos em que se funda uma tese, concepção, ponto de vis- ta, entre outros; apoio, base, ou ainda ra- zão, justificativa; motivo. Podemos também inferir tomando por base o dicionário Aurélio (FERREIRA, 2004) que fundamento se reporta ao conjunto dos princípios básicos de um ramo de co- nhecimento, de uma técnica, de uma ativi- dade, entre outros. E quais seriam então os fundamentos da Biblioteconomia? Como já vimos no início do módulo e com reforço de Santos e Rodrigues (2013), a Bi- blioteconomia é considerada uma das mais antigas disciplinas que se ocupa do acesso à informação e de sua transmissão porque está intrinsecamente ligada ao surgimen- to da biblioteca. Ortega (2004, p. 1), ao discutir as rela- ções históricas entre Biblioteconomia, Do- cumentação e Ciência da Informação parte [...] das primeiras evidências de organização de documentos segun- do seus conteúdos, apontando esses processos e as bibliotecas primitivas da antiguidade que os realizavam como a origem do que depois foi de- nominado Biblioteconomia. A necessidade de organizar, conservar e divulgar os documentos, desde o início da escrita até a época moderna, levou as bibliotecas a criarem uma série de proce- dimentos e métodos que, apesar de pos- suírem caráter eminentemente técnico, visando à resolução de problemas práti- cos, formaram um conjunto de técnicas e de questões envolvendo a rotina dessas técnicas que, ao longo do tempo, se cons- tituíram na base da futura disciplina Biblio- teconomia. Desse modo, podemos dizer que desde seu início, os saberes biblioteconômicos estão voltados para a reflexão sobre a apli- cação das práticas e normas à criação, or- ganização e administração das bibliotecas. Essa característica levou a Bibliotecono- mia a ser considerada uma área cientifica- mente pouco fundamentada. Para Ortega (2004), apesar da Biblio- teconomia ser a atividade mais antiga de organização de documentos, no seu todo não é uma área cientificamente funda- mentada e que “[...] encontra na Ciência da Informação a possibilidade de construção de referenciais teóricos e de conquista de status científico”. Mas, como bem observa Vakkari (1994 apud SANTOS; RODRIGUES, 2013), não devemos esquecer que historicamente, a Biblioteconomia é anterior à Ciência da Informação, e que no seu percurso está registrado todo um esforço em busca de bases conceituais e da construção de prin- cípios teóricos para nortear as ações da área. Russo (2010) pontua que alguns indica- dores são analisados como indispensáveis para que uma área seja considerada cien- tífica: que ela tenha desenvolvido teorias próprias, acompanhadas por práticas que as comprovem e que possua uma infraes- UNIDADE 4 - Os Fundamentos da Biblioteconomia 34 3535 trutura científica fundamentada em so- ciedades científicas, canais de comunica- ção, instituições de ensino e pesquisa e, principalmente, pessoal qualificado. Essas pessoas, segundo Bunge (1980), precisam organizar-se em comunidades e suas rela- ções devem ser estabelecidas por conta- tos diretos (por meio das pesquisas) e indi- retos (por meio das publicações). 4.1 O marco da Biblioteco- nomia e suas relações com a Ciência da Informação O marco fundamental para o campo em estudo foi a obra de Gabriel Naudé (1600- 1653), Advis pour dresser um bibliothéque (1627), o primeiro manual para bibliotecá- rios, que formalizou as bases conceituais da Biblioteconomia, abrindo caminho para a afirmação de importantes conceitos, como a ideia de ordem bibliográfica, a qual permitiria o acesso e o compartilhamento do saber. Foram introduzidos noções de emprés- timo domiciliar, a encadernação para pre- servar, a estruturação dos catálogos de bibliotecas e o arranjo lógico de livros nas estantes, além da ideia de que o bibliote- cário é o especialista responsável pela or- ganização do conhecimento e em fornecer informações bibliográficas, facilitando seu acesso e uso (PINHEIRO, 2002 apud SAN- TOS; RODRIGUES, 2013). Após o surgimento da Ciência da Infor- mação, devido à preocupação comum com os problemas de produção, comunicação e efetiva utilização da informação regis- trada, a relação entre as duas áreas se in- tensificou a tal ponto que passaram a ser confundidas como uma só (SANTOS; RO- DRIGUES, 2013). Mas, Saracevic (1996, p. 49 citado pelas autoras acima) lembra que apesar do intenso contato entre a Biblio- teconomia e a Ciência da Informação, isso não significa que formem um único campo de conhecimento. O autor considera, in- clusive, que existem diferenças bastante significativas em alguns aspectos críticos entre as duas áreas, como por exemplo: a) Na seleção dos problemas propostos e a forma de sua definição. b) Nas questões teóricas colocadas e nos modelos explicativos introduzidos. c) Na natureza e no grau de experimen- tação e desenvolvimento empírico, assim como no conhecimento prático ou compe- tências derivadas. d) Nas ferramentas e abordagens utili- zadas. e) Na natureza e na força das relações interdisciplinares estabelecidas e sua de- pendência para o avanço e evolução das abordagens interdisciplinares. Outros autores, todos citados por San- tos e Rodrigues como Vakkari (1994), Wer- sig (1993), Ingwersen (1992) e Pinheiro (2005, 2006), reconhecem que a Biblio- teconomia e a Ciência da Informação são campos próximos, porém distintos, com al- guns interesses em comum. Quanto às contribuições para o de- senvolvimento dessas áreas, vamos somente enumerar algumas delas (SANTOS; RODRIGUES, 2013): Konrad Gessner (1516-1565), botâni- co e bibliófilo, deu uma grande contribuição à classificação, e registrou livros em Latim, grego e hebraico. No século XVI, elaborou 36 37 um catálogo o qual chamou de Bibliotheca Universalis (Zurique, 1545) e num suple- mento de título Pandectaruim sive parti- tionum universalis classificou os livros da biblioteca por assunto. Essa foi a primeira tentativa de um esquema de classificação bibliográfica, pois vale lembrar que não era uma simples arrumação de assuntos para livros de uma coleção, mas uma bibliogra- fia impressa (BARBOSA, 1969). Francis Bacon (1561-1626), com a obra Chart of Learning, publicada em 1905, deu grande contribuição aos estudos modernos sobre classificação. Em outra obra de sua autoria Advancement of Learning, basea- da no Trivium e Quatrivium, de Cassiodoro, classificou as ciências em três grupos: 1º) Poesia ou Ciência da imaginação; 2º) His- tória ou Ciência da memória; 3º) Filosofia ou Ciência da razão. Esse sistema de Bacon veio influenciar a enciclopédia de Diderot e d’Alembert no século XVIII, também na classificação de Thomas Jefferson e pos- teriormente na classificação da Library of Congress. Dessa forma, o sistema de clas- sificação usado até hoje pelas bibliotecas foi idealizado por Bacon em 1605, usado por Brunet em 1810, modificado por Harris em 1870 e adotado por Dewey em 1876, o qual serviu de base para o sistema de Clas- sificaçãoUniversal, conhecido como CDU (BARBOSA, 1969). Gabriel Naudé (1600-1653), já referi- do anteriormente, é considerado um dos principais teóricos da Biblioteconomia. As ideias de Naudé incorporavam o espírito de progresso, liberdade de expressão e cultura, influenciando a Montaigne e Pier- re Charron durante a Revolução Francesa. Esses valores revolucionários estimularam a ideia das bibliotecas como espaços públi- cos e universais, conceito esse criado por Naudé. Jacques-Charles Brunet (1780-1867), no Manuel du Libraire et de l’Amateur des Livres, publicado em 1810, apresenta uma Bibliografia internacional de livros raros surgidos até a época de sua publicação. Para facilitar a consulta a esse manual, Brunet elaborou um sistema que chamou de Table méthodique, com as respectivas classes que formam as outras cinco partes do livro: Teologia, Jurisprudência, História, Filosofia e Literatura. Esse sistema foi usa- do na Europa por mais de um século, prin- cipalmente nos arranjos bibliográficos, nas listas de livreiros e nas coleções particula- res (BARBOSA, 1969). Anthony Panizzi, bibliotecário, junto com seus colaboradores, elaborou as 91 regras de catalogação publicadas em 1839 na Inglaterra, denominadas Rules for the Compilation of the Catalog: Catalogue of Printed Books in British Museum. Essa obra teve sua aprovação pelos autores do Museu Britânico em 1841 e sua última edi- ção é de 1936. Após a publicação, bibliote- cários ingleses iniciaram uma série de dis- cussões sobre, por exemplo, a questão da padronização de normas para catalogação. As regras de Panizzi iriam influenciar so- bremaneira as práticas de catalogação, de tal modo que uma de suas características é defendida até hoje: a valorização da folha de rosto. As demais regras deram margem a discussões por conta dos excessos da parte de descrição do material bibliográfi- co. Charles C. Jewett (1816-1868) publi- cou, em 1853, para o Smithsonian Insti- tution dos Estados Unidos, outro código contendo 33 regras, baseadas nas regras 36 37 de Panizzi, com algumas modificações. Jewett, deu ênfase às obras escritas sob pseudônimo e à questão de autoria coleti- va, deixando sua marca com a ideia de ela- boração de um catálogo coletivo das biblio- tecas americanas, mas infelizmente não conseguiu realizar esse catálogo (BARBO- SA, 1969). Charles Ammi Cutter (1837-1903), que segundo Barbosa (1978, p. 28) foi “[...] a fi- gura mais brilhante do século XIX”, publicou em 1876 a obra Rules for a Printed Dictio- nary Catalog. O código de Cutter continha 369 regras, que receberam inúmeras crí- ticas em relação aos detalhes, tidos como desnecessários. No entanto, afirma Bar- bosa (1969, p. 103), esse teórico marcou sua trajetória na Biblioteconomia, pois sua tabela de notação de autores conhecida como Tabela de Cutter é usada até hoje pe- las bibliotecas, sendo conhecido por mui- tos como o “pai do catálogo dicionário”. A última edição dessa obra, em 1904, quase coincidiu com a redação do primeiro código da American Library Association (ALA), em 1908, influenciando seu desenvolvimento (BARBOSA, 1969, p. 103). Melvil Dewey (1851-1931) inventou o sistema de Classificação Decimal de Dewey (CDD). Tomando o universo como base para a divisão do conhecimento, sub- dividiu-o obedecendo três importantes ca- racterísticas: razão, imaginação e memó- ria. Dewey inspirou-se para ordenar suas classes principais na classificação de Fran- cis Bacon. Desse modo, desenvolveu um sistema para classificação de livros usando classes decimais de 000-999, dividindo os livros de não ficção em 10 categorias. Seu trabalho criou uma revolução na organiza- ção das bibliotecas americanas, iniciando uma nova era para a Biblioteconomia. Ranganathan (1892-1972), conside- rado o maior bibliotecário do século XX, foi mais do que um modernizador da profissão bibliotecária. Ele revolucionou a profissão na Índia e no Mundo através da sólida con- tribuição de suas obras em todos os aspec- tos. Criou o primeiro esquema de classifica- ção facetado do mundo, baseado em Cinco Categorias Fundamentais (PMEST), cujo corpo teórico prevalece até os dias de hoje. Esse sistema permite várias aplicações na organização do conhecimento, sistemati- zação e recuperação da informação, seja em ambiente automatizado ou não (SAN- TOS; RODRIGUES, 2013). Alguns dos estudiosos e sistemas fala- dos acima serão visto em momento opor- tuno. Aguardem! 38 3938 Dando um salto na história, sem antes constatar que a Revolução Francesa tam- bém é de grande destaque por permitir o surgimento de bibliotecas públicas, e também marcar a publicação da primeira enciclopédia, a criação dos primeiros cur- sos da área de Biblioteconomia foram o da Ècole Nationale des Chartes, na França, em 1821, e o da Columbia University, em 1887, nos Estados Unidos. O curso da Columbia University foi cria- do por Melvil Dewey, que se tornou um dos pensadores mais importantes da área, por participar da criação da American Library Association (ALA), da publicação do pri- meiro periódico especializado – Library Journal – e por criar o CDD, conhecido como Classificação Decimal de Dewey. Em 1888, na Clerkenwell Public Library, James Duff Brown cria o único sistema de classi- ficação da Inglaterra, o livre acesso às es- tantes (RUSSO, 2010). No Brasil, a Biblioteconomia se faz pre- sente desde a criação das bibliotecas be- neditinas, franciscanas e jesuítas, mas principalmente com a criação da Bibliote- ca Nacional, no estado de Rio de Janeiro (RUSSO, 2010, p. 58). O Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), entretanto, só considera que a área passou a existir no país em 1911, com a criação do primeiro curso de Bibliotecono- mia do Brasil, também o primeiro da Amé- rica do Sul e o terceiro no mundo. O cur- so era baseado no da Ècole Nationale des Chartes, enquanto que o Colégio Macke- nzie cria um em 1930, inspirado no curso da Columbia University. Rubens Borba de Moraes, em 1936, funda o curso de Biblio- teconomia em São Paulo, posteriormente incorporada a Escola de Sociologia e Po- lítica e a Escola de Biblioteconomia e Do- cumentação de São Carlos (escola e curso que foi incorporado pela UFSCar). A partir desses cursos, há a criação de diversas or- ganizações que apoiam a Biblioteconomia como profissão e a inclusão do curso em graduações como a UFBA e UFMG (RUSSO, 2010, p. 62). A forma de admissão do primeiro curso foi por exame que se compunha de pro- va escrita de português e provas orais de Geografia, Literatura, História Universal e de Línguas: francês, inglês e latim. Em síntese, era pré-requisito para ser biblio- tecário possuir cultura geral. Contudo, naquela ocasião, estavam dispensados os candidatos admitidos anteriormente em escolas superiores ou aqueles aprovados para a carreira de bibliotecário (CASTRO, 2000). O curso da Biblioteca Nacional parou de funcionar em 1923 devido às mudan- ças instituídas em regulamento do Museu Histórico Nacional que estabelecia a cria- ção do Curso Technico. Esse curso busca- va formar profissionais para atuar na Bi- blioteca Nacional e no Arquivo Nacional. Essas mudanças não ocorreram e as ativi- dades do curso de Biblioteconomia foram encerradas, voltando as suas atividades em 1931 (CASTRO, 2000). O curso criado em São Paulo, em 1929, no Mackenzie College chamava-se “Curso Elementar de Biblioteconomia” e foi orien- tado pela bibliotecária americana Dorothy UNIDADE 5 - A Biblioteconomia no Brasil 38 3939 Muriel Gedds Gropp. Na época, este curso era voltado para os funcionários da biblio- teca, professores e bibliotecários de ou- tras instituições (CASTRO, 2000). Russo (2010) enfatiza que Rubens Bor- ba de Moraes e Adelpha Silva Figueiredo implantaram uma Biblioteconomia inova- dora, fazendo da Biblioteca Municipal de São Paulo um laboratório onde treinaram muitas gerações de bibliotecários a servi- ço da coletividade. Nos primeiros anos de criação, as esco-las do Rio de Janeiro e de São Paulo foram guiadas por diferentes visões. A primeira mantinha suas raízes humanísticas en- quanto a segunda era basicamente téc- nica, de tal forma que os bibliotecários formados por uma determinada escola passavam a defender a abordagem tecni- cista ou humanística de acordo com a es- cola de formação. Tanto que Castro (2000, p.103) afirma que “a polêmica entre Rio e São Paulo foi marcante” quanto às ques- tões técnicas da área. No entanto, com a americanização do país e as exigências do mercado de tra- balho, a Biblioteca Nacional, em 1944, modificou seu currículo com o acréscimo de disciplinas técnicas tais como: Catalo- gação, Classificação, Bibliografia e Refe- rência (CASTRO, 2000). Mas não deixou de lado sua influência humanística. O ensino de Biblioteconomia no Rio de Janeiro e São Paulo apresentavam dife- renças desde a influência a controvérsias nas práticas técnicas e nas disciplinas es- colares (CASTRO, 2000). Em 1965 já existiam no Brasil, 14 Esco- las e Cursos de Biblioteconomia. A profis- são já tinha sido regulamentada em 1962, graças aos esforços de bibliotecárias, como Laura Garcia Moreno Russo, que, com persistência e coragem, vinham tra- balhando em prol da regulamentação da profissão, há vários anos. Foi nesta fase, chamada de influência americana, que aconteceu a realização do 1º Congres- so Brasileiro de Biblioteconomia e Docu- mentação, na cidade do Recife, em 1954; foram criadas inúmeras bibliotecas nos órgãos públicos, especialmente federais, incentivando o aumento de candidatos aos Cursos de Biblioteconomia (http:// www.cfb.org.br/historico/historico_03. htm). Na década de 70, a Biblioteconomia tomou novo impulso com a criação de seis Cursos de Mestrado, o surgimento de revistas especializadas e a expansão de oportunidades de emprego, principal- mente junto aos órgãos federais, biblio- tecas especializadas e universitárias. Os Cursos de Doutorado começaram a surgir durante a década de 80. Atualmente, a classe bibliotecária encontra-se já con- solidada a nível nacional, em processo de reconhecimento cada vez maior pela so- ciedade e com os seus órgãos de classe: Conselhos e Associações, implantados e organizados e com uma participação cada vez maior nas ações relacionadas com o MERCOSUL (http://www.cfb.org.br/histo- rico/historico_03.htm). Voltando um pouco às relações com a Ciência da Informação, a página na Inter- net do curso oferecido pela Universidade de Brasília nos lembra que apesar de sem- pre remetermos o termo Biblioteconomia à biblioteca enquanto depósito de livros (grosso modo), já há algumas décadas, a área vem trabalhando com a informação 40 41 independentemente de seu suporte fí- sico (discos, patentes, CDs, vídeos, anais de congressos, manuscritos, cartazes, fotografias, histórias em quadrinhos, ma- pas, relatórios técnicos, entre outros) e da instituição que a possui. Assim, o ob- jeto de estudo, as pesquisas, as ativida- des profissionais e o ensino na área des- locaram-se, historicamente, do eixo livro (suporte) para informação (conteúdo), do controle do acervo de uma biblioteca para o acesso à informação por meio de canais de comunicação “formais” (documentos) e “informais” (pessoas, redes eletrônicas, colégios invisíveis). Uma definição proposta pela ALA (American Library Association), em 1992, afirma que o caráter essencial da Biblio- teconomia e da Ciência da Informação vol- ta-se para a informação e o conhecimen- to registrado ou registrável, bem como para os serviços e tecnologias para habi- litar sua gestão e uso, abrangendo a cria- ção, comunicação, identificação, seleção, aquisição, organização e descrição, ar- mazenagem e recuperação, preservação, análise, interpretação, avaliação, síntese, disseminação e gestão da informação e do conhecimento. De forma geral, os conteúdos leciona- dos nos mais de trinta cursos de gradua- ção brasileiros em Biblioteconomia e em Ciência da Informação aproximam-se da definição explicitada acima. Entre esses cursos podemos citar o da Universidade de Brasília (UnB). (http://www.biblioteconomia.fci.unb.br/ index.php/curso.html) 5.1 A formação acadêmica e as atribuições do bibliotecá- rio A formação de pessoal qualificado re- presenta um grande fator para o desen- volvimento de uma área. Em se tratando da formação na área de Biblioteconomia, ela ocorre em nível de graduação, nos pa- íses latino-americanos, e em nível de pós- -graduação, na Europa e nos Estados Uni- dos (GUIMARÃES, 2004). Mota e Oliveira (2005) apontam que, no Brasil, os cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação são oferecidos em três níveis, a saber, graduação, pós- -graduação lato sensu (especialização) e pós-graduação stricto sensu. O título de bibliotecário é obtido em cursos de gradu- ação, e os títulos de mestre e doutor são obtidos em programas de pós-graduação stricto sensu, em várias áreas, com ênfa- se na de Ciência da Informação. Os cursos de graduação possibilitam ao aluno a formação básica e a iniciação na prática da pesquisa; os de pós-graduação stricto sensu – mestrado e doutorado – formam os docentes e os pesquisadores na área. O bibliotecário domina técnicas de classificação, organização, conservação e divulgação do acervo de bibliotecas ou centros de documentação. Este profissio- nal trabalha como um administrador de dados, que processa e divulga a informa- ção. Ele cataloga e armazena as informa- ções e orienta na busca e seleção. Analisa e organiza livros, revistas, documentos, fotos, filmes e vídeos. É de sua responsa- bilidade planejar, implementar e gerenciar sistemas de informação, além de preser- var os suportes (mídias) para que resistam 40 41 ao tempo e ao uso. Trabalha em bibliotecas públicas, es- colares ou particulares, centros de docu- mentação, arquivos, museus, centros cul- turais, editoras, provedores de Internet, ONGs, clubes e associações. Nos últimos tempos, a atuação do profissional de Bi- blioteconomia tem se voltado cada vez mais para a criação e a manutenção de arquivos digitais e para a montagem de bancos de dados em computadores, em- pregando para isso os sistemas de infor- mática e a Internet. O licenciado está apto a dar aulas no ensino técnico para formar bibliotecários. Apesar de não ser uma referência científica, o Guia do Estudante (2015) nos mostra de maneira simples e cla- ra o que esse profissional pode fazer: a) Análise da informação: Avaliar, selecionar, classificar e indexar livros, documentos, fotos, partituras mu- sicais, fitas de vídeo e de áudio e arquivos digitais. b) Gestão de serviços de informação: Planejar, organizar e administrar unida- des, redes, bibliotecas, museus, sistemas e serviços de documentação e informação localizados em centros de pesquisa, cen- tros de documentação, centros culturais e arquivos pessoais e de jornais e meios de comunicação, entre outros. c) Consultoria e coordenação: Coordenar a formação do acervo, o ar- quivamento dos documentos e sua con- servação em empresas, banco de dados e instituições públicas. d) Ensino: Com a licenciatura, dar aulas no ensino técnico-profissionalizante. e) Gestão do conhecimento: Desenvolver e gerenciar mecanismos para sistematizar o conhecimento acumu- lado dentro de uma organização, seja uma empresa, uma ONG, uma instituição edu- cacional ou uma associação, estimulando, assim, sua divulgação. f) Normatização: Montar bases de dados e fazer sua ma- nutenção recorrendo ao emprego de nor- mas internacionais, como a isso (Interna- tional Organization for Standardization). 42 4342 REFERÊNCIAS BÁSICAS FONSECA, Edson Nery da. Introdução à Biblioteconomia. Brasília: Briquet Lemos, 2007. MOREIRA, Maria José; CARDIM, Neusa; DIB, Simone Faury (Orgs.). Concursos pú- blicos em Biblioteconomia: estudo e práti- ca. Brasília: Thesaurus Editora, 2007. RUSSO, Mariza. Fundamentos da Biblio- teconomia e Ciência da Informação. Rio de Janeiro: E-Papers Serviços Editoriais,2010. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ALMEIDA, Neilia Barros Ferreira de; BAPTISTA, Sofia Galvão. Breve histórico da Biblioteconomia brasileira: formação do profissional. XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documento e Ciência da Informação – Florianópolis, SC, Brasil, 07 a 10 de julho de 2013. BARBOSA, Alice Príncipe. Novos rumos da catalogação. Rio de Janeiro: BNG: Bra- silart, 1978. BARBOSA, Alice Príncipe. Teoria e práti- ca dos sistemas de classificação bibliográ- fica. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, 1969. BOTELHO, T M. G.; CORTE, A. R. 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(Coleção Palavra- Chave, 11). 46 AT UNIDADE 1 - Introdução UNIDADE 2 - Origem e História das Bibliotecas 2.1 Das origens na Antiguidade 2.2 Etimologia e conceitos 2.3 As Bibliotecas do mundo antigo 2.4 Tipos de Biblioteca UNIDADE 3 - A Primeira Biblioteca no Brasil – Biblioteca Nacional 3.1 Depósito Legal 3.2 O acervo de obras raras 3.3 ISBN 3.4 Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros – PLANO 3.5 O acervo da Biblioteca Nacional UNIDADE 4 - Os Fundamentos da Biblioteconomia 4.1 O marco da Biblioteconomia e suas relações com a Ciência da Informação UNIDADE 5 - A Biblioteconomia no Brasil 5.1 A formação acadêmica e as atribuições do bibliotecário REFERÊNCIASvoltados à ordenação, à criação de catá- logos e aos inventários (LOPÉZ-COZAR, 2002 apud SIQUEIRA, 2010). Até aqui, podemos observar que tanto as formações dos impérios teocráticos de regadio como os mercantis escravistas se difundiram, elevando o nível estrutural de suas civilizações a partir da atualiza- ção histórica e tendo em mãos o objeto de dominação alheia. A principal conse- quência desse estado de coisas foram os sucessivos ataques externos que destruí- ram impérios. Todavia, o contato contínuo com os povos agressores favoreceu um processo de assimilação cultural. Os im- périos despóticos salvacionistas (árabes, otomanos, visigodos) contribuíram para delinear uma nova revolução tecnológica: a Pastoril (1000 d.C. a 1440), alicerçada no sistema de tração animal, na aplicação da tecnologia do ferro à cavalaria de guerra, feudalização de áreas e principalmente o expansionismo salvacionista de cunho monoteísta (islamismo e cristianismo), responsável pela fusão do sistema políti- co e religioso. A fusão entre religião e política resul- tou em um controle documental. A igreja católica, por exemplo, detinha o conheci- mento da época, guardando os materiais da antiguidade clássica fora do alcance do povo, em sua maioria analfabeto, e res- tringindo até para os monges, também muitas vezes analfabetos, à técnica da cópia de livros. Desse modo, tanto a pro- dução bibliográfica como a ordenação, ar- mazenamento e guarda de livros era feita pelos religiosos, que podem ser conside- rados os primeiros bibliotecários. A partir do século XV, tanto a Europa como a região atualmente ocupada pela Rússia, depois de séculos de regressão feudal, reorganizaram-se para a recon- quista de territórios, na denominada “ex- pansão salvacionista”. O amadurecimento de novas tecnologias de navegação oce- ânica, processos de fundição do ferro e renovação das artes de guerra propicia- ram uma ruptura com o feudalismo, o que permitiu a organização da formação so- ciocultural dos impérios mercantis salva- cionistas. Tais impérios, com o objetivo de reestruturar a Europa feudalizada, reor- ganizaram os centros urbanos, estrutura- ram Estados Nacionais em uma conjunção de poder aristocrático-clerical, desenvol- vendo manufaturas e serviços comerciais e, ainda, restabelecendo o sistema mer- cantil, com o diferencial de estendê-lo externamente a partir da instituição do capitalismo mercantil. Quanto ao conhecimento da época, em 1440 temos um marco tecnológico, a invenção da prensa tipográfica por Gu- tenberg (a partir da prensa clássica não 6 7 reutilizável criada pelos chineses), que revolucionou a produção bibliográfica possibilitando a difusão do conhecimen- to. Outro fator que impulsionou tal fe- nômeno foi a mudança de orientação do pensamento ocidental, fruto das ideias do Renascimento cultural e científico, que permitiram a modificação de valores e a crescente necessidade do homem moder- no de buscar conhecimento. Nesse contexto, as bibliotecas se con- verteram em “templos do saber acumula- do”, sendo sinônimos de orgulho nacional para os novos estados e indício de poder socioeconômico para a nova classe, a bur- guesia. Arquivos e bibliotecas apresenta- vam maior diferenciação, já que enquanto os primeiros cuidavam do complexo con- junto de documentos produzidos pelos novos estados e as sociedades emergen- tes (função de armazenamento e prova), as bibliotecas, com o impulso da invenção tipográfica, conseguiram fortalecer seus laços institucionais, estabelecer rotinas e ganhar maior projeção social (SIQUEIRA, 2010). O livro impresso foi o primeiro produto intelectual uniformemente reproduzido que permitiu o aumento em larga escala da difusão do conhecimento para as mas- sas, adquirindo assim uma vigência social jamais vista. Porém, o aumento da pro- dução bibliográfica gerou a necessidade de novas ferramentas de organização e recuperação das coleções, que cresciam vertiginosamente. Além dos catálogos e inventários que se especializaram nessa época, destacou-se o desenvolvimento das bibliografias a partir do século XVI – a origem remonta à Idade Antiga, quando eram feitas de forma limitada, mas pouco diferente da atual. Para alguns autores, esse é o embrião da Documentação. No século XVII, a expansão marítima iniciada pelos ibéricos havia se tornado uma empresa coletiva que multiplicava colônias escravistas, mercantis e de po- voamento, fazendo com que os patrimô- nios culturais mais divergentes fossem afetados e remodelados, acarretando uma reordenação unificadora do patrimô- nio cultural humano. Um exemplo disso foi o amplo movimento de secularização, incentivando a alfabetização das massas em línguas vernáculas para a leitura da bí- blia, o que, posteriormente, fomentou as bases para um maior estímulo à indagação e à pesquisa. A biblioteca pública se difun- dia cada vez mais, e o seu acervo, além do grande número de coleções de livros, pas- sou a ver o aumento gradativo de periódi- cos, reflexo do desenvolvimento científi- co em curso. Outro fato importante foi a obra de Ga- briel Naudé (1600-1653), Advis pour dres- ser um bibliothéque (1627), o primeiro manual para bibliotecários, que formali- zou as bases conceituais da Bibliotecono- mia, fornecendo importantes conceitos, como a ideia de ordem bibliográfica. Além disso, por trazer em seu bojo o espírito do progresso e liberdade de ex- pressão e cultura, serviu de inspiração a Montaigne e Pierre Charron durante a Revolução Francesa. Tais valores revolu- cionários estimularam a consolidação do conceito lançado por Naudé: as bibliote- cas como espaços públicos e universais (CACALY, 1997 apud SIQUEIRA, 2010). A biblioteca pública se consolidou prin- cipalmente após a Revolução Francesa 8 9 (1789-1799), que lançou as bases para os objetivos essenciais dessa instituição: satisfazer as necessidades da sociedade nos âmbitos da educação e cultura. Nes- se contexto, nasceu a Biblioteconomia, disciplina encarregada de organizar, ad- ministrar e cuidar da gestão de livros, bem como a figura do profissional bibliotecá- rio; ao lado do arquivista, estes profis- sionais tornaram-se fundamentais para a consolidação institucional de arquivos e bibliotecas. Tais profissionais, também influenciados pelo momento histórico de desenvolvimento tecnológico e científico do século XVIII, concentraram sua forma- ção em dois aspectos: um técnico (catalo- gação, classificação, paleografia) e outro voltado à aquisição de cultura geral (His- tória, Literatura, Ciências). Esse espírito técnico esteve intima- mente ligado à revolução tecnológica industrial, que se instaurou no mundo a partir das formações capitalistas, pela acumulação de inventos mecânicos e mul- tiplicação da produtividade do trabalho humano, tendo seu ápice na Revolução In- dustrial. As formações socioculturais tam- bém refletiam tais mudanças, fortalecen- do e dando um novo viés à burguesia, que se tornava industrial, criando uma nova força de trabalho, os assalariados. Dife- rentemente dos escravos, favoreciam, concomitantemente, a elevação do nível de produtividade e o consumo. Se por um lado a Revolução Industrial permitiu o desenvolvimento técnico e científico influenciado pelo Iluminismo, bem como a melhora nas condições de vida da população, em relação à saúde pública, escolarização e até expectativa de vida, por outro lado, fez com que as nações neocolonizadas fossem explora- das pelas grandes potências, condenadas ao atraso e à penúria. Tal marginalização refletiu-se também no atraso quanto à produção cultural, bem como na organiza- ção da informação, em nível institucional e profissional. Na Europa, por exemplo, no final do século XVIII, nasciam as primeiras associações profissionais de bibliotecá- rios e arquivistas, enquanto na América Latina isso só ocorreu no século XX (SI- QUEIRA, 2010). 2.2 Etimologia e conceitos Etimologicamente já vimos na introdu- ção que biblioteca derivado grego: biblio e tëke, que significam respectivamente, livro e depósito. Um dos primeiros conceitos de Bibliote- conomia foi criado pela American Library Association, que a definiu como uma “área voltada para a aplicação prática de princí- pios e normas à criação, organização e ad- ministração de bibliotecas”. Já para o autor do Diccionario de Bibliotecologia (1963), Domingo Buonocore, a Biblioteconomia é a “área que se destina ao estudo dos prin- cípios racionais para realizar, com a maior eficácia e o menor esforço possível, os fins específicos das bibliotecas” (RUSSO, 2010). Na definição de Targino (1984), Biblio- teconomia é a área do conhecimento que se ocupa com a organização e a admi- nistração das bibliotecas e outras unidades de informação, além da seleção, aquisição, organização e disseminação de publicações sob di- ferentes suportes físicos. 8 9 Baseado nessas definições, autores como Francis Miksa mostram o paradigma da Biblioteconomia: a biblioteca como ins- tituição social, destacando que a função maior da instituição é possibilitar o uso dos documentos a um dado público, e para isso, é necessário utilizar técnicas e pes- soal qualificado para a aquisição e organi- zação de tais documentos (RUSSO, 2010). 2.3 As Bibliotecas do mun- do antigo A Biblioteca de Nínive é considerada a primeira biblioteca da história e crê-se ter sido fundada pelo rei assírio Assurbanipal II (século VII a. C.). Era composta por uma coleção de mais ou menos 25 mil placas de argila (material usado para escrita na época – cozidas), com textos em escrita cuneiforme – muitos deles bilíngues, em sumério e acádico – sobre o mundo natu- ral, Geografia, Matemática, Astrologia e Medicina; manuais de exorcismo e de au- gúrios; códigos de leis; relatos de aventu- ras e textos religiosos. A biblioteca de Nínive foi descoberta em 1845 por Henry Layard. Nínive, cujo nome significa bela, fica si- tuada na margem ocidental do rio Tigre e foi a capital da Assíria (atual Iraque). Atu- almente, e como consequência da guerra no Iraque, Nínive está na lista dos 100 sí- tios históricos mundiais mais ameaçados, elaborada pelo movimento World Monu- ments Watch (Observatório dos Monu- mentos Mundiais). Alexandria, no Egito, ficou famosa por seu Farol e, sobretudo, por sua Biblioteca, que teve seu apogeu entre 290 a.C. e 88 a.C., com estimados 600 mil rolos de perga- minho, equivalentes a 120 mil livros. A Biblioteca de Alexandria surge no pe- ríodo helenístico (séc. III a.C.), fundada por Ptolomeu I Sóter, rei do Egito, e chegou a ter 700.000 volumes (rolos de pergaminho) antes de ser destruída por três incêndios: 1º – Em 272 d.C., por ordem do imperador romano Aureliano. 2º – Em 392, por ordem do imperador Te- odósio I, juntamente com outros edifícios pagãos. 3º – Em 640, pelos muçulmanos, sob a chefia do califa Omar I. A biblioteca de Alexandria era constitu- ída por uma sala de leitura, uma oficina de copistas e um arquivo para a documentação oficial. Às obras aí guardadas era dedicado um especial cuidado na verificação do con- teúdo, sendo anotados o seu número de linhas e outras informações sobre os auto- res. Essas obras eram compostas essencial- mente por rolos de papiro, a que os Gregos chamavam kilindros. Para se referir uma obra composta por vários cilindros usava-se 10 11 o termo biblion. O termo theke, designação genérica e sufixo para armário, prateleira ou arrecadação, foi por sua vez associado à forma de organização e arrumação dos biblion, daí resultando o atual termo biblio- teca. Segundo Estrabão, a Biblioteca de Ale- xandria era “um cenáculo erudito destinado aos homens de letras que trabalhavam na biblioteca”. No ano 30 a.C., Marco Antônio ofereceu à Cleópatra a Biblioteca de Pérgamo, o que permitiu enriquecer bastante o espólio de Alexandria (https://lerparacrer.wordpress. com/2008/09/08/bibliotecas-famosas-bi- blioteca-de-alexandria). Essa biblioteca serviu como fonte para o renascimento grego helenístico e, o que restou dela, para o renascimento europeu do século XV. Apenas um em cada dez clássicos sobre- viveu e durante mil anos nada que chegasse perto de sua importância surgiu na humani- dade. Em sua série Cosmos, Carl Sagan fala so- bre as obras que poderiam ser encontra- das e que, no entanto, estão perdidas para sempre. Vejamos uma breve cronologia dos acontecimentos por lá: 88 a.C. – Ptolomeu VIII pôs fogo em grande parte da cidade numa guerra civil e dispersou os estudiosos temporariamente; 47 a.C. – Júlio César, depois de escapar de ser assassinado, pôs fogo na frota de Ale- xandria, que por sua vez acabou queimando áreas da cidade, inclusive edificações que continham 40 mil pergaminhos; 273 d.C. – o imperador romano Aurelia- no reconquistou o Egito, queimando a parte de Alexandria onde ficava a biblioteca; 391 d.C. – o arcebispo cristão Teófilo incendiou propositalmente a segunda bi- blioteca de Alexandria, com 40 mil rolos, porque ela estava instalada num templo pagão de Serápis; 645 d.C. – o conquistador muçulmano, Califa Omar, respondeu a um de seus gene- 10 11 rais que lhe perguntou o que fazer com os famosos livros de Alexandria. Disse ele: Se o conteúdo estiver de acordo com o livro de Alá, podemos passar sem eles, porque o livro de Alá é mais do que suficiente. Se, por outro lado, eles contêm ideias que não estão de acordo com o livro de Alá, não há ne- cessidade de preservá-los. Então, vá em frente e destrua-os. Há quem diga que os livros foram usados para aquecer os banhos públicos de Ale- xandria. Seis meses foram necessários para consumir todos os volumes. A Biblioteca de Pérgamo foi fundada por Atalo I (241-197 a.C.), rei da cidade de Pér- gamo (no Noroeste da atual Turquia), como resposta ao enorme sucesso da Biblioteca de Alexandria. A rivalidade entre as duas levou o Egito a cortar-lhe o fornecimento de Papiro. Tal fato obrigou à procura de alternativas, sen- do apreciadas as peles de animais, que até eram mais resistentes e duráveis. Mas es- tas eram um recurso caro e escasso, o que levou ao desenvolvimento de tecnologia para a sua otimização e reutilização, dando origem a um novo suporte, o ‘pergamena’, ou pergaminho. Fisicamente, a biblioteca compreendia uma grande sala de leitura, com cerca de 180 m2, muito bem ventilada, com prate- leiras em todos os lados e uma estátua de Atena no centro. Calcula-se que uma sala desse tamanho abrigaria, no máximo, cer- ca de 17.000 rolos. Os textos, escritos em papiro e em pergaminho, a partir do sécu- lo II, ficavam enrolados nas prateleiras. Surgem as primeiras bibliotecas públi- cas utilizadas pelo império como domi- nação intelectual. A primeira biblioteca foi fundada em 30 a.C. por Asinius Pollio, no Atrium Libertatis. Eram normalmente espaços associados a templos ou banhos públicos. Na época de Constantino, no início do século IV d.C., terão existido em Roma 28 12 13 dessas bibliotecas, que tinham suas prin- cipais coleções originadas de saques, re- sultantes de campanhas contra os territó- rios fenícios e gregos. No Império Romano também multiplica- ram-se as bibliotecas particulares: fenô- meno de moda, símbolo de riqueza e pres- tígio. Assim como surgiram as primeiras livrarias e o ofício de copistas (geralmente escravos). A instabilidade política que seguiu ao fim do Império Romano travou o processo de expansão das bibliotecas iniciado pe- los gregos e continuado pelos romanos; o que escapa à destruição é reunido nos conventos e mosteiros, onde o culto dos livros e sua paciente reprodução prosse- guem como uma das virtudes monacais – nos “scriptoria”, os manuscritos eram conservados, lidos, copiados, traduzidos e ilustrados. A riqueza das bibliotecas dos mosteiros (uma coleção de 200 volumes era consi- derada uma grande biblioteca) dependia da presença de eruditos que, regra geral, se dedicavam também ao ensino (escolas monacais e conventuais) e da sua capaci-dade para pedirem emprestados manus- critos originais para copiar. Temos ainda a Biblioteca Vivarium! Flávio Magno Aurélio Cassiodoro, roma- no de origem síria, nasceu na Calábria por volta de 485 e morreu por volta de 580. Em um primeiro momento, foi conselhei- ro do rei Teodorico. Depois da conquista bizantina da Itália, passou para o lado dos vencedores e mudou para a Constanti- nopla. Em 555 voltou para as suas terras, em Vivarium, onde edificou um mosteiro dedicado a Santo Martinho que se tornou centro de estudos com a finalidade de ad- quirir um conhecimento mais aprofunda- do da Bíblia, para isso sem limitação, as contribuições da cultura pagã e da escola clássica. Em Vivarium, Cassiodoro criou o modelo de uma comunidade monástica, em que os estudos bíblicos apoiavam-se na base de uma harmoniosa colaboração de caráter espiritual e manual, e onde uma dignidade especial era dada aos es- cribas. Eles enriqueceram com o trabalho de suas mãos a preciosa biblioteca, cora- ção do mosteiro, que conhecemos melhor de qualquer outra em época anterior aos Corolíngios, pelas Institutiones. Em Vi- varium, Cassiodoro e seus colaboradores além de resgatar para a latinidade medie- val obras gregas, através, além da tradu- ção, criavam novas obras latinas cristãs (CRIPPA, 2004). Enfim, o mundo árabe escapou a este período romano de barbárie e foram cria- das inúmeras bibliotecas contendo ma- nuscritos gregos, traduções em árabe e livros da Ciência árabe, acessíveis tanto a professores como a estudantes. A mais importante destas bibliotecas foi a de Dar al-ilm (“casa do conhecimento”), fundada em 1004 pelo califa Al-Hakim, no Cairo. Continha mais de 600 000 livros (entre os quais 6500 de Matemática e As- tronomia), assim como livros de Filosofia e um globo terrestre, de cobre, construído por Ptolomeu. (http://historiadoslivrose- dasbibliotecas.blogspot.com.br/2011/06/ biblioteca-de-pergamo-foi-fundada-por. html). Quanto à Idade Média, vamos re- sumir: séc. XIII – aparecimento das grandes 12 13 universidades e, consequentemente, das bibliotecas de colégios e universidades; os scriptoria e as bibliotecas monás- ticos deixam de ser os únicos centros da vida intelectual; até o séc. XVI, os livros deixam de ser guardados nos armários e passam a ser acorrentados para permitir a consulta lo- cal, evitando o roubo. Na Idade Moderna: aparecimento das primeiras bibliote- cas senhoriais e reais (séc. XIV/XVI); as bibliotecas novamente como sím- bolo de riqueza, poder e prestígio; as bibliotecas reais, inicialmente com caráter privado, ficam primeiro acessíveis aos sábios e só a partir do séc. XVII se tor- nam “públicas”; entre os séculos XIV e XV, desenvol- vem-se ideias sobre a necessidade de as bibliotecas serem locais de estudo e re- flexão e terem, para além de livros, um ambiente propício ao desenvolvimento de atividades intelectuais. 2.4 Tipos de Biblioteca Uma classificação simples e pontual para as bibliotecas seria: públicas ou par- ticulares. Nas bibliotecas públicas, o aces- so aos livros costuma ser gratuito e mui- tas vezes é possível emprestar livros por um determinado tempo, a depender das políticas definidas, que variam de acordo com o tipo de obra. As bibliotecas públicas buscam ser locais que propiciem à comuni- dade acesso a informações que de alguma forma sejam úteis e ajudem a desenvolver a sociedade. No contexto atual, muitas bi- bliotecas buscam oferecer infraestrutura para inclusão digital. As bibliotecas particulares podem ser mantidas por instituições de ensino priva- das, fundações, instituições de pesquisa ou grandes colecionadores. Algumas de- las permitem acesso a sua coleção, per- mitindo a pesquisadores, estudantes ou interessados o acesso às informações ar- mazenadas em suas dependências. Temos outros tipos. Vejamos: As bibliotecas especializadas oferecem coleções de informações sobre determi- nado tema, tais como Medicina, Matemá- tica, Cinema, entre outros. As bibliotecas comunitárias, geralmen- te, situam-se em áreas residenciais e em bairros da periferia, recebendo pouco ou nenhum apoio governamental. Normalmente, as coleções de livros nas bibliotecas são classificadas, de modo a facilitar a localização e consulta por parte dos usuários. A classificação pode obede- cer diversos critérios, sendo mais comum a classificação por assuntos, e dentro do mesmo assunto, por nome do autor (alfa- beticamente). Ao longo da História, é possível classificar a evolução das bibliotecas, do seguinte modo: a) Bibliotecas da Antiguidade: minerais – que trabalham com o supor- te de argila; vegetais – as que utilizam o papiro como suporte; animais – as que usam a pergaminho como suporte. 14 15 As características dessas bibliotecas são as seguintes: não são acessíveis ao público, templos e palácios. A religiosida- de ficava a cargo de sacerdotes, o saber era sagrado e somente os sacerdotes sa- biam ler. Havia ausência do leitor, pois os livros eram colocados em local inacessí- vel, ou seja, os usuários não tinham aces- so. O tipo de material utilizado na época eram as tabletas de argila, rolos de papiro ou pergaminho, até o ano 300 aproxima- damente. b) Bibliotecas comunitárias: O número dessas bibliotecas tem au- mentado nos últimos anos, no Brasil, inclusive com um sistema informal de empréstimo que dispensa até mesmo fun- cionários: nesse sistema, o próprio inte- ressado escolhe seu livro, anota seu nome em um papel, e retira a obra, entregando- -a quando puder. É uma maneira inclusive de exercitar a cidadania e o senso de res- ponsabilidade de cada um. Um exemplo desse sistema ocorre em Campanha (sul de Minas). No município, a ONG Sebocul- tural organizou algumas bibliotecas em pontos-chave da cidade (rodoviária, dele- gacia, entre outros), locais de acesso inin- terrupto aos interessados. Na rodoviária, por exemplo, a biblioteca fica em uma sala sem portas, facilitando assim o acesso ir- restrito não da comunidade, mas também de viajantes que usam o terminal. c) Bibliotecas monacais ou monásti- cas: Existem três tipos de bibliotecas mo- nacais que são as bibliotecas dos mostei- ros, das catedrais ou capitulares, como por exemplo, a da Catedral de Chartres e bibliotecas dos Doutores da Igreja, como São Jerônimo, Santo Agostinho, São Ben- to e São Isidoro, bispo de Sevilha. As mais célebres bibliotecas monásti- cas são a Biblioteca do Monte Athos, na Grécia, a Biblioteca de Cassiodoro, escri- tor e estadista romano e a biblioteca de Monte Cassino. d) Bibliotecas universitárias: O grande acontecimento medieval que, de uma certa forma, decide os destinos de toda a civilização, e, por consequência, os destinos do livro, é a fundação das univer- sidades. Estão a serviço dos estudantes e do pessoal docente das universidades e outros estabelecimentos de ensino. Cor- respondem à unidade de informação de uma Universidade, pelo que as suas co- leções devem refletir as matérias lecio- nadas nos cursos e áreas de investigação da instituição. A documentação é, sobre- tudo, de carácter científico e técnico, que deve ser permanentemente atualizada, através da aquisição frequente de um grande número de publicações periódicas em suporte papel ou eletrônico. A seleção da documentação é feita essencialmente pelos diretores de cada departamento da Universidade e não tanto pelo bibliotecá- rio. Estas Instituições têm como objetivos principais: apoiar o ensino e a investiga- ção; dar um tratamento técnico aprofun- dado aos documentos, nomeadamente ao nível da indexação; e atualizar constante- mente os fundos documentais. e) Bibliotecas particulares: As bibliotecas reais, dos grandes se- nhores, mais tarde passaram a ser oficiais ou públicas. A mais importante biblioteca pública foi a Biblioteca de Carlos Magno – Rei dos Francos (768-814). Escritores e 14 15 intelectuais usualmente possuem gran- des bibliotecas, geralmente incorporadas a universidades após a mortedos donos. f) Bibliotecas infantis: Oferecem toda uma variedade de servi- ços e fundos bibliográficos vocacionados especialmente para as crianças. Têm por missão criar e fortalecer hábitos de leitu- ra nas crianças desde a mais tenra idade, familiarizar as crianças com os diversos materiais que poderão enriquecer as suas horas de lazer. Visam despertar as crian- ças para os livros e a leitura, desenvolven- do a sua capacidade de expressão, criati- vidade e imaginação. g) Bibliotecas hospitalares: São bibliotecas normalmente criadas a partir da cooperação com o Ministério da Saúde e Educação, que visam a humaniza- ção da assistência aos doentes. O seu ob- jetivo é fazer com que o período de hos- pitalização não seja um fator de exclusão para os doentes, pois, vêm-se afastados da família, amigos e de sua casa. Também tornar a sua “estadia” mais lúdica, alegre, o menos traumatizante possível, atenuar situações de angústia e sofrimento, me- lhorar as relações com a equipe hospita- lar e contribuir para o bem-estar físico e psíquico dos doentes. Os seus utilizado- res são todos quantos vão ao hospital, crianças e pais, jovens, adultos e idosos, portanto, todos aqueles que se encon- trem imobilizados no leito, em períodos de espera, em momentos transitórios ou livres de internamento, consulta ou aten- dimento ambulatório. Os profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e voluntá- rios, exercem papel de mediadores entre os livros, a leitura e os doentes, pois, vão espalhando a leitura pelos vários ambien- tes dos hospitais públicos do País. h) Bibliotecas do século XXI: Podemos dizer que uma biblioteca é hí- brida, quando conta com espaços, servi- ços e coleções simultaneamente físicos e virtuais, em que as novas tecnologias de informação e comunicação passam a ser a base do serviço e da inter-relação com o utilizador; passando a oferecer ao cidadão um conjunto de informações que as novas tecnologias tornam disponível, mas já de forma tratada e selecionada, possibilitan- do uma maior rapidez de acesso à infor- mação (PINHO; MACHADO, 2003). 16 1716 A Biblioteca Nacional (BN) é o órgão responsável pela execução da política go- vernamental de captação, guarda, preser- vação e difusão da produção intelectual do País. Com mais de 200 anos de história, é a mais antiga instituição cultural brasi- leira. UNIDADE 3 - A Primeira Biblioteca no Brasil – Biblioteca Nacional Possui um acervo de aproximadamente 9 milhões de itens e, por isso, foi conside- rada pela UNESCO (Organização das Na- ções Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como uma das principais biblio- tecas nacionais do mundo. Para garantir a manutenção desse imenso conjunto de obras, a BN possui laboratórios de restau- ração e conservação de papel, oficina de encadernação, centro de microfilmagem, fotografia e digitalização. O acervo da BN cresce constantemente a partir da lei do depósito legal – que as- segura o registro e a guarda da produção intelectual nacional, além de possibilitar o controle, a elaboração e a divulgação da Bibliografia Brasileira corrente, bem como a defesa e a preservação da língua e da cultura nacionais –, além de doações e aquisições. A BN se caracteriza como uma bi- blioteca “nacional” por: ser beneficiária do instituto do Depó- sito Legal; elaborar e divulgar a bibliografia bra- sileira corrente, através dos Catálogos on-line; ser o centro nacional de permuta bi- bliográfica, com campo de ação interna- cional. O Portal Institucional da BN consoli- da informações sobre a instituição, bem como seu acervo e serviços, permitindo o acesso aos Catálogos on-line, ao acervo da BNDigital e ao conjunto de serviços dis- ponibilizados via Internet. O núcleo original da Biblioteca Nacio- nal do Brasil é a antiga livraria de D. José, organizada sob a inspiração de Diogo Bar- bosa Machado, Abade de Santo Adrião de Sever. A coleção de livros foi iniciada para substituir a Livraria Real, que foi consumi- da pelo incêndio que sucedeu o terremoto de Lisboa de 1º de novembro de 1755. A linha do tempo que conta a história da Biblioteca Nacional é extensa, portanto, escolhemos alguns eventos que conside- ramos mais importantes. Todo o material aqui apresentado está na página oficial da BN. Caso desejem enriquecimento sin- tam-se a vontade para navegar por lá (ht- tps://www.bn.br/). Então vamos a uma breve e entrecorta- da retrospectiva... 1808: Chegada do acervo inicial Início do itinerário da Real Biblioteca no 16 1717 Brasil, com a chegada de D. João VI e sua corte ao Rio de Janeiro, como consequên- cia da invasão de Portugal pelas tropas de Napoleão Bonaparte. Junto com a comiti- va, desembarcaram cerca de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estam- pas, moedas e medalhas. 1810: Fundação da Real Biblioteca Por decreto de 27 de julho, o acervo foi acomodado nas salas do Hospital da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direi- ta, hoje Rua Primeiro de Março. Em 29 de outubro, data oficial da fundação da Real Biblioteca, um novo decreto determinava que “nas catacumbas do Hospital do Car- mo se erija e acomode a Real Biblioteca e instrumentos de Física e Matemática, fa- zendo-se à custa da Fazenda Real toda a despesa conducente ao arranjo e manu- tenção do referido estabelecimento”. 1810 a 1821: Nomeação dos primei- ros dirigentes Frei Gregório José Viegas e padre Joa- quim Dâmaso são nomeados os primeiros dirigentes da Biblioteca, cargo então de- nominado como “prefeito ou encarregado do arranjamento e conservação”. 1821: Parte do acervo volta a Portu- gal Família Real regressa a Portugal e leva de volta os Manuscritos da Coroa. 1822: Início do que hoje é a Lei do De- pósito Legal Por determinação do governo imperial, a Biblioteca passa a receber um exemplar de todas as obras, folhas periódicas e vo- lantes impressos na Tipografia Nacional, fato precursor do que hoje é a Lei do De- pósito legal. 1825: Aquisição pelo Brasil A Biblioteca é adquirida pelo Brasil, por 800 contos de réis, quantia, então, con- siderada exorbitante. A compra foi regu- lamentada pela Convenção Adicional ao Tratado de Paz e Amizade, celebrado en- tre o Brasil e Portugal, em 29 de agosto. 1876: Nome definitivo A instituição passa a se chamar defini- tivamente Biblioteca Nacional, depois de ser denominada de Real Biblioteca e Bi- blioteca Imperial e Pública. 1876: Criação dos Anais da Bibliote- ca Nacional É lançada a publicação periódica “Anais da Biblioteca Nacional”, a mais antiga de instituição, que é editada até hoje. Seu objetivo é divulgar documentos precio- sos, livros raros e peças curiosas, além de publicar manuscritos interessantes e trabalhos bibliográficos de merecimento. Foi a primeira forma encontrada de levar a público os tesouros da Biblioteca, antigos e contemporâneos. 1881: Exposição de História do Brasil É publicado o famoso Catálogo da Ex- posição de História do Brasil, com 1.758 páginas de texto, mais 98 de índices e um Suplemento, este lançado em 1883. Até hoje este Catálogo é o orgulho da Bibliote- ca, pelo seu tamanho e abrangência. Re- úne o que de melhor se publicou no Bra- sil sobre o assunto e ainda é consultado como instrumento essencial de pesquisa por historiadores, sociólogos, geógrafos, economistas, entre outros. 1885: Luz elétrica na Biblioteca 18 19 A iluminação à gás da Biblioteca é substi- tuída pela luz elétrica. 1885: Crescimento do acervo O acervo já soma 140 mil volumes im- pressos, sem incluir os manuscritos, nem o conjunto iconográfico. 1888: Contagem soma mais obras Novo inventário é realizado e a quanti- dade de livros já chega a quase 171 mil. 1891: Doação do imperador D. Pedro II Com a proclamação da República, D. Pe- dro II retorna a Portugal e, antes de partir, doa um conjunto de aproximadamente 100 mil obras, que pede que seja denomina- do “Collecção D. Thereza Christina Maria”, em homenagem à imperatriz, sua esposa. É a maior doação já recebida e sua chega-da demandou reformas e criação de novos espaços no prédio para comportar o acrés- cimo no acervo. A coleção reúne livros, pu- blicações seriadas, mapas, partituras, de- senhos, estampas, fotografias, litografias e outros documentos impressos e manus- critos. 1900: Crescimento do acervo impres- siona À beira do novo século, a Biblioteca ocu- pa um prédio que não comporta mais o seu acervo, que cresce em progressão impres- sionante. Calcula-se um total de 705.332 peças, sendo 292.541 livros impressos. 1902: Primeira máquina de escrever A máquina de escrever é introduzida na Biblioteca, facilitando o trabalho dos fun- cionários. 1902: Melhorias na organização do acervo São instituídos o Catálogo Coletivo das bibliotecas da cidade, a catalogação coo- perativa e a Classificação Decimal Univer- sal (CDU). É lançado o Boletim Bibliográfi- co, dentro das normas da CDU, que evoluiu para a atual Bibliografia Brasileira. 1903: Tipografia e encadernação São inauguradas ainda no prédio da rua do Passeio, as oficinas tipográfica e de en- cadernação, que foram depois transferidas para o novo edifício na avenida Central. Biblioteca Nacional: esboço 18 19 1905: Início da construção do prédio atual É lançada a pedra fundamental do atual prédio da Biblioteca Nacional, localizado na majestosa Avenida Central, hoje Ave- nida Rio Branco. Uma festividade marca o início da construção, com a presença do então Presidente da República, Rodrigues Alves, e toda a cúpula do Governo. As pes- soas mais importantes ganham uma me- dalha comemorativa, de autoria de Au- gusto Girardet, e a ata desenhada pelo pintor Rodolfo de Amoedo e gravada em água-forte por Modesto Brocos. Biblioteca Nacional: hoje 1907: Legislação do Depósito Legal É promulgado pelo presidente da Repú- blica Afonso Augusto Moreira Pena o De- creto de Contribuição Legal, que obriga o envio à Biblioteca de um exemplar de to- das as publicações produzidas em territó- rio nacional. A legislação está até hoje em vigor, sob a forma da Lei nº 10.994 de 14 de dezembro de 2004. 1915: Primeiro Curso de Biblioteco- nomia É criado o primeiro Curso de Bibliote- conomia, dentro da própria Biblioteca Na- cional, para especializar os funcionários. O curso, cujas atividades foram iniciadas em 1915, foi o primeiro da América Latina e o terceiro no mundo. Seguia o modelo da École de Chartres, na França, que era o melhor da época. Além do ensino teórico, havia a parte prática, que era feita na pró- pria Biblioteca. 1946: Nova forma de catalogação É adotado um dos métodos de catalo- gação mais revolucionários da época, de acordo com o modelo da American Library Association, o Catálogo Dicionário. 1946: Serviço especial de obras raras Pelo Decreto-Lei nº 8 679 é criada a Di- visão de Obras Raras e Publicações. Pela primeira vez é criado um serviço especia- lizado para selecionar e zelar pelas obras raras pertencentes ao acervo que já, na- quela época, era mais extenso e valioso 20 21 do que o encontrado em qualquer bibliote- ca latino-americana. 1960: Comemorações do sesquicen- tenário No sesquicentenário da instalação da Bi- blioteca Nacional (1810-1960), é organiza- do um programa cultural nacional e interna- cional. No Brasil são realizadas a exposição Affonso Celso, a exposição do I Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, a exposição Frederico Chopin e a exposição de Incunábulos. No exterior acontecem exposições do Livro Brasileiro Contempo- râneo em Paris, Praga, Roma, Assunção, Utrecht, Nova Iorque e Wisconsin. 1978: Criação do PLANO É criado o Plano Nacional de Microfilma- gem de Periódicos Brasileiros – PLANO, que visa preservar a produção jornalística do país e supervisiona uma rede nacional de microfilmagem. 1978: Novo formato de catalogação São lançadas as bases do formato CALCO (Catalogação Legível por Computador), me- todologia a ser adotada em nível nacional, com vistas à compatibilidade de normas para a troca de informações em nível inter- nacional. 1978: Implantação do sistema ISBN É implantado o sistema ISBN, de nume- ração internacional do livro, que beneficia autores e editores. Para atender ao alto índice de solicitações de informações le- gais, é instalado na Biblioteca um terminal de processamento de dados ligado direta- mente ao sistema do Senado Federal, em Brasília. 1982: Automatização do Catálogo A Biblioteca integra-se ao sistema Bi- bliodata/Calco da Fundação Getúlio Vargas, desenvolvendo o catálogo automatizado em formato MARC (Catalogação Legível por Computador). 1984: Incorporação do Banco de Te- ses O Banco de Teses, antes de responsabi- lidade da CAPES – Coordenação de Aper- feiçoamento de Pessoal de Nível Superior –, passa a ser de competência da Biblioteca Nacional, que recebe trabalhos enviados pelas diversas universidades do país. 2006: BNDigital Criação da Biblioteca Nacional Digital (BNDigital), que integra todas as coleções digitalizadas, posicionando a FBN na van- guarda das bibliotecas da América Latina e igualando-a às maiores bibliotecas do mun- do no processo de digitalização de acervos e acesso a obras e serviços via Internet. 2014: Nova plataforma para os catá- logos É adquirido o software Sophia de auto- mação bibliográfica e iniciada a migração dos catálogos para uma nova plataforma. 3.1 Depósito Legal Para assegurar a coleta, a guarda e a di- fusão da produção intelectual brasileira, vi- sando à preservação e formação da Coleção Memória Nacional, foi estabelecido o dispo- sitivo de Depósito Legal, incluindo obras de natureza bibliográfica e musical. O Depósito Legal é definido pelo envio obrigatório de no mínimo um exemplar de todas as publicações produzidas em territó- rio nacional, por qualquer meio ou processo, para distribuição gratuita ou venda, no pra- 20 21 zo máximo de 30 dias após sua publicação. O cumprimento de leis de Depósito Le- gal Estadual não isenta a obrigatoriedade do Depósito Legal Federal através do envio das publicações para a Biblioteca Nacional por meio dos Correios ou da entrega direta no edifício Sede. As remessas deverão ser acompanhadas de carta ou documento si- milar contendo lista dos títulos e os dados do depositante (nome, endereço completo, telefones e e-mails) para emissão de recibo. Não é necessário efetuar o pagamento de taxas específicas para a Biblioteca Na- cional para fins de depósito legal nem pre- encher formulários. Duas leis regem o Depósito Legal, dependendo do tipo de obra: lei nº 10.994, de 14/12/2004, para as obras de natureza bibliográfica; lei nº 12.192, de 14/01/2010, para as obras de natureza musical – partituras, fo- nogramas e videogramas musicais. O depósito deverá ser efetuado pela pessoa física ou jurídica responsável pela impressão, cabendo ao seu editor e ao au- tor verificar a efetivação dessa medida. Já no caso de obras musicais, essa verificação cabe à editora, ao produtor fonográfico e ao produtor videográfico. Guarde... Obs.: consulte as respectivas legislações para conhecer seus pormenores. O que deve ser enviado para o De- pósito Legal: livros; periódicos; partituras; fonogramas; videogramas. O que não deve ser enviado para o Depósito Legal: publicações com fins publicitários; cartazes de material de propaganda; publicações em xerox do original publi- cado; calendários/cadernetas escolares; agendas; recortes de jornais; obras não editadas (no prelo); provas de impressão ou ‘bonecas’; folders/convites; monografias/teses universitárias (sua guarda e tratamento são de competência das respectivas universidades de origem). Maiores informações: https://www. bn.br/sobre-bn/deposito-legal 3.2 O acervo de obras raras O Acervo Especial de Obras Raras é cons- tituído de material diversificado, oriundo de diversas coleções da própria Biblioteca Nacional, de acordo com dois critérios prin- cipais de seleção: raridade e preciosidade. Ou seja, não basta que a obra seja antiga, é preciso tambémque seja única, inédita, faça parte de alguma edição especial ou apresente algum traço de distinção, como uma encadernação de luxo ou o autógrafo de uma celebridade – como D. Pedro II, Co- elho Neto, Carlos Drummond de Andrade ou Jorge Amado. Integram também a esse acervo, periódicos raros publicados até o século XIX. Esta preciosa coleção encanta os visitan- 22 23 tes com suas peças do século XV ao século XX, entre as quais se destacam os primeiros documentos gerados pelo processo de im- pressão por tipos móveis, os ‘incunábulos’. Com frequência, o público também pode apreciar exposições que mostram exem- plares raros deste rico acervo. A montagem dessas mostras tem também o propósito de despertar o sentimento de pertencimento na população, ao perceber o valor deste pa- trimônio que o Brasil possui. Ao todo, são mais de dois mil metros line- ares de itens em estantes, gavetas e cofres, abrigados em um espaço que, por guardar esse rico tesouro, é considerado uma sala- -cofre. O local ganhou o nome de seu patro- no, João Antônio Marques, bibliófilo flumi- nense residente em Portugal, que doou sua valiosa coleção de ‘incunábulos’, edições princeps, camonianas e outros impressos e manuscritos relativos ao período colonial. Obras originárias de diferentes na- ções são preservadas de acordo com: a grandeza de sua Brasiliana (livros so- bre o Brasil, impressos ou gravados entre os séculos XVI e XIX, e livros de autores brasi- leiros impressos ou gravados no estrangei- ro até 1808); a recorrência de “incunábulos” brasilei- ros; o caráter intelectual e histórico de seus títulos; a riqueza material de suportes (couros, pergaminhos, madeiras, papéis de trapo e de madeira, sedas, veludos e tafetás). Preciosidades: pergaminho datado do século XI com manuscritos em grego sobre os quatro Evangelhos, o exemplar mais antigo da Bi- blioteca Nacional e da América Latina; a Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos im- pressores, os alemães Johann Fust e Peter Schoffer, ex-sócios de Gutenberg; a crônica de Nuremberg, de 1493, con- siderado o livro mais ilustrado do século XV, com mapas xilogravados tidos como os mais antigos em livro impresso; a Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 1569, Obra monumental do mais renomado impressor do século XVI – Cristóvão Plantin; a primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572; a primeira edição da “Arte da gramática da Língua Portuguesa”, escrita pelo Padre José de Anchieta em 1595; o “Rerum per octennium...Brasília”, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores de- senhadas por Frans Post; 22 23 exemplar completo da famosa Ency- clopédie Française, uma das obras de re- ferência para a Revolução Francesa; o primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601; exemplar único e considerado raríssi- mo do livro publicado em 1605 pelo autor Hrabanus Maurus, que criou o caça-pala- vras em forma de poesia visual. 3.3 ISBN A Biblioteca Nacional (BN) é responsá- vel pela supervisão e gerência técnica da Agência Brasileira do International Stan- dard Book Number – ISBN desde 1978. Para solicitar o ISBN é necessário: ser cadastrado na Agência; preencher o formulário de solicitação do ISBN em uma via para cada título a ser publicado; enviar juntamente com o formulário a cópia da folha de rosto da obra a ser pu- blicada. Para obter mais esclarecimentos, aces- se o portal da Agência Brasileira do ISBN, que reúne todas as informações refe- rentes ao sistema no país. (https://www. bn.br/servicos/isbn) Criado em 1967 e oficializado como norma internacional em 1972, o ISBN – In- ternational Standard Book Number – é um sistema que identifica numericamente os livros segundo o título, o autor, o país e a editora, individualizando-os inclusive por edição. O sistema é controlado pela Agência In- ternacional do ISBN, que orienta e delega poderes às agências nacionais. No Brasil, a Fundação Biblioteca Nacional representa a Agência Brasileira com a função de atri- buir o número de identificação aos livros editados no país. A partir de 1º de janeiro de 2007, o ISBN passou de dez para 13 dígitos, com a ado- ção do prefixo 978. O objetivo foi aumen- tar a capacidade do sistema, devido ao crescente número de publicações, com suas edições e formatos. Para cumprir a missão de informar e atender aos editores, livreiros, bibliotecas e distribuidores brasileiros, a Fundação Biblioteca Nacional reúne neste novo por- tal da Agência Brasileira todas as informa- ções referentes ao sistema ISBN no país. (http://www.isbn.bn.br/website/) 3.4 Plano Nacional de Mi- crofilmagem de Periódicos Brasileiros – PLANO Criado em 1978, em parceria com a Fundação Casa de Rui Barbosa, o PLANO tem como objetivos identificar, localizar, organizar, recuperar e preservar, através da microfilmagem, o acervo hemerográfi- co brasileiro. 24 25 Com uma rede de núcleos nacionais, trata-se do maior programa desenvolvido em uma instituição pública, direcionado exclusivamente à preservação dos perió- dicos brasileiros. Para participar do PLANO é necessá- rio enviar um e-mail para comic@bn.org. br com informações sobre os periódicos a serem microfilmados. Se houver interes- se por parte da Biblioteca Nacional (BN), é assinado um convênio para firmar o inter- câmbio. As publicações podem ser micro- filmadas pela própria instituição aderente ou pela BN. As bases do acordo são defini- das conforme cada caso. 3.5 O acervo da Biblioteca Nacional O acervo da Biblioteca Nacional está dividido em: Cartografia, Iconografia, Ma- nuscritos, Música e Arquivos Sonoros, Obras Gerais, Obras Raras, Periódicos, Obras de Referência e Coleções; BN Digi- tal, Hemeroteca Digital. a) Cartografia O acervo cartográfico da Biblioteca Nacional é composto por mais de 22 mil mapas, entre manuscritos e impressos, e aproximadamente 2.500 atlas, além de diversas monografias e tratados sobre o tema. A coleção engloba peças de expressi- vo valor artístico e histórico, não apenas do Brasil, como também do império ul- tramarino português e de outras partes do mundo. O conjunto cartográfico – que inclui mapas e atlas – é de especial valor porque permite o estudo da técnica car- tográfica, bem como de suas mudanças e evolução ao longo dos séculos. Destacam-se, por exemplo, o planisfé- rio de Sebastian Munster, de 1552, a que pertence a obra “Cosmographia universa- lis”, e as sucessivas edições da Geografia de Cláudio Ptolomeu, com mapas xilogra- vados, gravados em metal e aquarelados. 24 25 A mais antiga, de 1486, abrange o mun- do conhecido no século XV (Europa, África e Ásia) e descreve o Oceano Índico como um mar fechado, seguindo a teoria ptolo- maica de que ao sul do continente africa- no os oceanos não estabeleciam qualquer ligação. Embora a Geografia de 1486 seja uma reedição da de 1482, publicada em Ulm, difere com dois textos suplemen- tares Registrum Alphabeticum (Registro alfabético) e De locis ac mirabilus mundi (um tratado anônimo sobre as maravilhas do mundo). O acervo possui ainda o “atlas e o mapa mural de Miguel Antônio Ciera”, astrôno- mo italiano contratado pela coroa portu- guesa para participar nos levantamentos das fronteiras na Região Sul do Brasil com o objetivo de estabelecer as demarcações do Tratado de Madri de 1750. Apesar de sua vasta produção cartográfica, só se tem conhecimento desses dois desenhos cartográficos, que foram nomeados no Registro Nacional Programa Memória do Mundo da UNESCO (MowBrasil) e no Re- gistro Programa Memória do Mundo na América Latina e Caribe (MowLac), em 2012. Caso deseje acessar o acervo: http:// acervo.bn.br/sophia_web/index.html b) Iconografia O Acervo Iconográfico armazena e pre- serva o maior patrimônio de imagens do país, reunindo desde desenhos, caricatu- ras, gravuras e fotografias – muitos deles considerados obras de arte – até livros relacionados às artes visuais. Tambémin- tegram o acervo peças chamadas de ‘efê- meras’, que incluem recortes de jornais e revistas, cartazes, cartões postais e ca- lendários. Muitos trabalhos já foram publicados a partir das peças contidas neste acervo, abrangendo ensaios e catálogos de ex- posições, que representam uma valiosa contribuição à pesquisa iconográfica bra- sileira. São guardadas coleções de gravuras da mais alta importância, como a de Albre- cht Dürer (1471-1528), desenhos italianos com peças em sanguínea que vão do sé- culo XV ao século XVIII, gravuras de Jac- ques Callot (1592-1635), a grande coleção de Giovani Baptista Piranesi (1720-1778), Los Desastres de La Guerra, de Don Fran- cisco Goya (1746-1828), estudos de Eliseu Visconti (1866-1944), e aquarelas de Mo- desto Brocos (1852-1936). http://acervo.bn.br/sophia_web/index.html c) Manuscritos O acervo de Manuscritos abriga mais de 900 mil documentos, incluindo arqui- vos pessoais, institucionais, documentos históricos e obras literárias, muitas de au- 26 27 tores fundamentais para a literatura bra- sileira, como Lima Barreto, Carlos Drum- mond de Andrade e Euclides da Cunha, entre outros. Os originais, datados desde o século XI até os dias de hoje, abrangem tanto peças avulsas quanto encaderna- das. Os itens de maior relevância histórica provêm da Real Biblioteca e foram trazi- dos para o Brasil pela família real portu- guesa em 1808. Desde então, o acervo está em constante crescimento e reúne manuscritos em português arcaico, clássi- co e contemporâneo, grego, latim e persa, com os mais variados tipos de escrita e su- portes. Estão disponíveis para consulta mais de 240 coleções registradas e catalogadas, cada uma delas com seu inventário deta- lhado. Técnicas sofisticadas são utilizadas para o estudo de determinados docu- mentos, tais como a Paleografia – estudo de escritas antigas, que ajuda a decifrar textos muito difíceis, aparentemente ile- gíveis para olhos pouco treinados, como, por exemplo, a carta de Pero Vaz de Cami- nha. A preservação dos documentos de- manda cuidados permanentes e sua cata- logação é feita de acordo com o estado de conservação e condição física. Por ser um suporte muito frágil, o papel é manusea- do somente com luvas próprias. Os origi- nais são acondicionados em capas com pH neutro e guardados em arquivos des- lizantes, em gavetas próprias para a con- servação. Clips e outros objetos metálicos são removidos para evitar que a oxidação comprometa ou piore o estado das peças. d) Música e Arquivos Sonoros O acervo, com mais de 250 mil peças, reúne uma vasta coleção de livros, parti- turas, fotografias, autógrafos de compo- sitores ilustres, programas de concerto, manuscritos e libretos de ópera, todos eles guardando alguma relação com a história da música no Brasil e no mundo. Além de peças raras, muitas delas doadas por compositores e maestros renomados, o pesquisador também encontra uma am- pla coleção de LPs, CDs e DVDs. É um dos mais importantes acervos mu- sicais existentes no País, de fundamental relevância para pesquisadores e musicó- logos. 26 27 Hoje sediado no 3º andar do Palácio Capanema, o acervo foi criado em 1952, por iniciativa do então diretor e escritor Eugênio Gomes (1897-1972), a partir de relíquias, como livros raros e partituras, extraídas da coleção geral da Biblioteca Nacional pela bibliotecária e musicóloga Mercedes Reis Pequeno (1921-2015). PRECIOSIDADES: a base do Acervo de Música e Arquivo está nas peças trazidas de Portugal por D. João VI, pertencentes à chamada Real Biblioteca, abrangendo, dentre outros documentos, livros, parti- turas, libretos de óperas, livros litúrgicos, missais e tratados. Também merece gran- de destaque a Coleção Thereza Christina Maria, constituída de obras que perten- ceram às imperatrizes D. Leopoldina e D. Thereza Christina, incluindo partituras em primeiras edições de Mozart, Haydn, Beethoven, Pleyel, além de livros raros e exemplares do periódico Brazil Musical, dedicado a S.M a Imperatriz do Brasil. Outras importantes coleções, como a do Conde da Barca, J.A. Marques e Salva- dor Mendonça estão também representa- das com obras dos séculos XVI e XVII. Ao longo dos anos, o acervo foi enri- quecido através de contribuições legais, doações e compras. Na década de 1950, destaca-se a aquisição, por lei do Congres- so Federal, da biblioteca musical do cea- rense Abrahão de Carvalho (1891-1970), a maior particular do Brasil, com cerca de 17 mil peças, que impulsionou de maneira definitiva a estruturação de um acervo de música para a Biblioteca Nacional. Nela se podem destacar as seguintes raridades: obras do teórico e filósofo Gioseffo Zarlino (1517-1590); tratados de Jean Philippe Rameau (1683-1764) e de Francisco Ignácio Sola- no (c.1720-1800); primeiras edições de composições de Franz Liszt (1811-1886); a obra “Regole del contrapunto pra- tico” (Nápoli, 1794), de Nicola Sala (1713- 1801), único exemplar no Brasil; compêndio de Música Theorica e Pra- tica (Porto, 1816) do frei Domingos de São José Varella, a Primeira parte do Index da Livraria de Música do Muyto Alto, e Pode- roso Rey Dom João IV, Nosso Senhor, ano 1640, que fala do tesouro musical, des- truído pelo grande terremoto de Lisboa de 1755; Ricardo Wagner e Francisco Liszt, Recordações pessoais (Lisboa, 1874), de Platon de Waxel, impresso apenas em 50 exemplares, dos quais Abrahão de Carva- lho possuía o volume de nº 23. A compra da coleção Luciano Gallet (1893-1931) incorporou também a obra do compositor Glauco Velazquez (1883- 1914), que se encontrava em poder da- quele compositor e amigo. Por meio de doações de particulares foram somados ao acervo autógrafos dos compositores Oscar Lorenzo Fernan- dez (1897-1948), Alberto Nepomuceno (1864-1920), Francisco Braga (1868- 28 29 1945), Meneleu Campos (1872-1927), Brasílio Itiberê (1896-1967), Ernesto Na- zareth (1863-1934), Francisco Mignone (1897-1986), César Guerra-Peixe (1914- 1993), Helza Cameu (1903-1995), entre outros. Na coleção de manuscritos musicais de compositores brasileiros destacam-se as óperas Il Guarany, Fosca, Maria Tudor e Salvator Rosa, de Carlos Gomes (1836- 1896), grande referência musical do Bra- sil. Este conjunto documental recebeu em 2009 a Nominação no Registro Nacional Brasil do Comitê Nacional do Brasil do Pro- grama Memória do Mundo da Unesco, o que confirma o valor excepcional do acer- vo. e) Obras Gerais O acervo possui mais de um milhão de peças para consulta imediata, composto por monografias, teses e folhetos, do sé- culo XVIII aos dias atuais. Nesta coleção, destacam-se as edições Princeps de lite- ratura nacional, parcialmente disponíveis em microfilme. O Acervo de Obras Gerais da BN reúne livros, teses, folhetos, entre outros, do século XVIII aos dias atuais, com total es- timado em cerca de dois milhões de peças. Ocupa aproximadamente 18 km lineares de prateleiras e suas obras estão armaze- nadas nos prédios Sede e Anexo. Concen- tra a maior quantidade de pesquisadores da BN, atendendo uma média de 2 mil pes- quisadores por mês. O acervo é composto por livros que chegam em cumprimento à Lei de Depó- sito Legal. Esse material é processado tecnicamente por equipe especializada da Biblioteca Nacional e enviado para ser lo- calizado no armazém de livros, que ocupa seis andares do Prédio Sede. Em Obras Gerais, o pesquisador encon- tra um acervo multidisciplinar que inclui Literatura brasileira e estrangeira, livros jurídicos, livros didáticos, Literatura in- fantojuvenil, Religião, Ciências, Meio Am- biente, Física, Medicina, Astrologia, His- tória, Geografia, Informática, Botânica e muitos outros. As obras no acervo estão à disposição para consulta pelos pesqui- sadores, mas não podem ser emprestadas em nenhuma hipótese. Já sua reprodução está condicionada à observância da Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998) e ao estado de conser- vação de cada uma.Mais informações: http://acervo.bn.br/ sophia_web/index.html f) Obras Raras Já falamos anteriormente. g ) Periódicos Criado em 1922, o acervo de publica- ções seriadas da Biblioteca Nacional – também conhecido como periódicos – tem como finalidade a curadoria, tratamento e preservação de jornais, revistas, anuários e todos os veículos com circulação regu- lar – diária, semanal, quinzenal, mensal ou outras – confiados à instituição por força da Lei de Depósito Legal. 28 29 Em virtude das obras do projeto “He- meroteca Brasileira”, a Fundação Bibliote- ca Nacional comunica que o acervo físico de periódicos, teses e dissertações que se encontra armazenado no prédio anexo fi- cará indisponível para consulta a partir do dia 02 de janeiro de 2015. As obras serão realizadas no 2º, 3º e 4º pavimentos do Prédio Anexo e terão a finalidade de preparar os espaços dos pavimentos para proporcionar condições ambientais modelares à guarda e conser- vação do acervo. O acervo reúne importantes coleções históricas, como a extinta Gazeta do Rio de Janeiro (1808) – primeiro jornal impres- so no Brasil, cujo lançamento marca o sur- gimento da imprensa no Brasil –, o Diário de Pernambuco (1825) – considerado o jornal mais antigo da América Latina ain- da em circulação – e o acervo dos Diários Associados – organização jornalística fun- dada por Assis Chateaubriand –, além de títulos diversos de variedades, entreteni- mento e de caráter acadêmico. Entre as curiosidades, destacam-se o Vossa Senhoria, registrado pelo Guinness World Records como o menor jornal do mundo, o Correio Braziliense, o primeiro jornal brasileiro, publicado em Londres de 1808 a 1822 por Hipólito José da Costa, e que permanece como importante fonte para estudos históricos, políticos, sociais econômicos e literários, O Malho (1902), a primeira revista brasileira a usar cor em suas páginas e o Tico-Tico (1905), a pri- meira revista de histórias em quadrinhos nacional. As publicações podem ser consultadas na Hemeroteca Digital Brasileira (HDB), disponível via Internet sem qualquer res- trição de acesso, ou na própria Biblioteca Nacional, seja pelo acesso à HDB por meio dos computadores disponíveis na Sala da Coordenadoria, através de leitoras de mi- crofilme e de impressos. h) Obras de Referência e Coleções O Acervo de Referência da Biblioteca Nacional possui cerca de oito mil títulos e é o único que oferece ao usuário livre acesso às estantes, nas quais as obras estão organizadas por assunto. Diversifi- 30 31 cado, abrange todas as áreas do conheci- mento, sendo composto principalmente por enciclopédias – nacionais e estrangei- ras – e dicionários. Entre os dicionários, destacam-se os modernos e antigos da Língua Portugue- sa, como o Diccionario da Lingua Portu- gueza composto pelo padre D. Rafael Blu- teau (1789). Também estão disponíveis para consulta uma ampla variedade de dicionários em áreas como: Biografias; Política; Economia; Pseudônimos; Línguas estrangeiras e dialetos; Ciências Sociais; Folclore brasileiro; Astronomia e Astronáutica; Medicina; Religião; Especialidades farmacêuticas (DEF); Botânica, tais como o dicionário das plantas úteis do Brasil e das exóticas cul- tivadas por Manoel Pio Corrêa. Também se destacam no Acervo de Re- ferência peças como Bíblias, atlas, guias de turismo – tanto nacionais quanto in- ternacionais –, constituições brasileiras, índices biobibliográficos e dicionários e enciclopédias em segmentos como: cinema; culinária e nutrição; esportes; História de países, Estados, cidades e bairros, entre outros; Literatura nacional e estrangeira; pintura; teatro; televisão. Vale ressaltar a disponibilidade de obras como a Enciclopédia Saraiva do Di- reito, os dicionários sobre o Rio Antigo, a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, o Dicionário das Famílias Brasileiras, entre outros. Na Seção de Referência, o leitor recebe orientação quanto à pesquisa que realiza, sendo encaminhado a outros setores da Biblioteca Nacional, e até mesmo a outras bibliotecas e acervos que possam auxiliá- -lo. i) BN Digital Criada em 2006, a BNDigital tem como objetivos principais preservar a memória cultural e proporcionar o amplo acesso às informações contidas em seu acervo. Fonte de excelência para informação e pesquisa, a BNDigital aumenta seu públi- co a cada dia por oferecer um sistema com alta tecnologia que facilita as consultas e se diferencia por sua interface amigável, pela qualidade das imagens, precisão da busca e velocidade. A equipe interdisciplinar da BNDigital é composta por bibliotecários, historia- dores, arquivistas e digitalizadores, res- ponsáveis pela criação, catalogação e di- vulgação do conteúdo digital. O trabalho é divido em três etapas: captura, processa- mento técnico e projetos de cooperação nacionais e internacionais. 30 31 i) A captura é feita sem danos ao acer- vo, a partir do documento original ou do microfilme, em um moderno e bem equi- pado Laboratório de Digitalização. O pri- meiro passo é a geração de um arquivo máster com alta qualidade, que fica ar- mazenado em ambiente de segurança no centro de processamento de dados da Biblioteca Nacional. Desse arquivo são feitas as imagens derivadas, em diversos formatos, que são disponibilizadas para consulta via Internet. ii) Na fase do tratamento técnico, o ob- jeto digital é catalogado e descrito, tan- to em português como em inglês, por um conjunto de 15 atributos, seguindo o pa- drão internacional Dublin Core, a fim de permitir a cooperação com outras biblio- tecas digitais de todo o mundo. iii) Para cumprir o propósito de ampliar o acesso aos documentos digitalizados, a BNDigital mantém parcerias nacionais e internacionais com outras bibliotecas virtuais, para as quais disponibiliza o seu acervo. Essa interoperação é possível graças à adesão ao protocolo da Iniciativa dos Arquivos Abertos – Open Archives Ini- tiative Protocol for Metadata Harvesting – OAI-PMH, que permite o intercâmbio de informações entre instituições. No âmbito nacional, essas parcerias são firmadas por meio da Rede da Memória Virtual Brasileira, através de instrumen- to legal de cooperação, e buscam sempre atender às necessidades das instituições parceiras. Em reconhecimento à qualidade do tra- balho desenvolvido, a BNDigital foi con- vidada a participar da Biblioteca Digital Mundial como membro fundador, fazendo parte do seu Conselho Executivo. Outros parceiros internacionais são a Gallica – que é a Biblioteca Nacional Digital da França –, a Biblioteca Nacional da Argentina e a Bi- blioteca Digital do Patrimônio Iberoameri- cano. Abaixo temos alguns critérios utili- zados para a formulação da política de digitalização: estar em domínio público (ou ter au- torização do titular); seleção pelas áreas de guarda; raridade e ineditismo; demandas dos usuários; seleções temáticas; estar ou não catalogado/identifica- do; potencial colaborativo; estado de conservação. j) Hemeroteca Digital A Hemeroteca Digital Brasileira é um portal de periódicos nacionais que permi- te ampla consulta, pela Internet, a jornais, revistas, anuários, boletins e publicações seriadas. As pesquisas podem ser realizadas por título, período, edição, local de publicação e palavras-chave. A busca por palavras é possível devido à utilização da tecnologia de Reconhecimento Ótico de Caracteres (Optical Character Recognition – OCR), que aumenta o alcance da pesquisa tex- tual em periódicos. Com acesso inteiramente livre e possi- bilidade de imprimir as páginas desejadas, 32 33 pesquisadores de qualquer parte do mun- do podem consultar títulos que incluem desde os primeiros jornais criados no país – como o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, fundados em 1808 – a jor- nais extintos no século XX, como o Diário Carioca e Correio da Manhã, ou que não circulam mais na forma impressa, como é o caso do Jornal do