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AT 1
2 32
S
U
M
Á
R
IO
3 UNIDADE 1 - Introdução
5 UNIDADE 2 - Origem e História das Bibliotecas
5 2.1 Das origens na Antiguidade
8 2.2 Etimologia e conceitos
9 2.3 As Bibliotecas do mundo antigo
13 2.4 Tipos de Biblioteca
16 UNIDADE 3 - A Primeira Biblioteca no Brasil – Biblioteca Nacional
20 3.1 Depósito Legal
21 3.2 O acervo de obras raras
23 3.3 ISBN
23	 3.4	Plano	Nacional	de	Microfilmagem	de	Periódicos	Brasileiros	–	PLANO
24 3.5 O acervo da Biblioteca Nacional
34 UNIDADE 4 - Os Fundamentos da Biblioteconomia
35 4.1 O marco da Biblioteconomia e suas relações com a Ciência da Informação
38 UNIDADE 5 - A Biblioteconomia no Brasil
40 5.1 A formação acadêmica e as atribuições do bibliotecário
42 REFERÊNCIAS
2 33
UNIDADE 1 - Introdução
BIBLIOTECA: tem origem na palavra 
grega bibliotheke, resultado da junção de 
duas palavras do idioma grego, são elas 
biblio e tëke, que significam respectiva-
mente, livro e depósito (SANTOS, 2010). 
Esse é nosso ponto de partida!
A Biblioteconomia, por sua vez, é área 
inter e multidisciplinar que reúne conhe-
cimento e prática da organização de do-
cumentos em bibliotecas, tendo por fina-
lidade sua utilização, o que inclui também 
problemas suscitados pelos acervos (for-
mação, desenvolvimento, classificação, 
catalogação, conservação). É uma arte de 
arranjar, administrar e conservar uma bi-
blioteca (FARIA; PERICÃO, 2008).
A Biblioteconomia como área de atu-
ação, por muito tempo, teve como lócus 
principal a biblioteca, a qual era vista sob 
uma ótica estática “de um depósito” mais 
interessada no armazenamento de seu 
acervo, que quanto maior número de itens 
reunisse mais aumentava de valor. Foi 
preciso promover uma radical transforma-
ção neste cenário para que essa área se 
expandisse, voltando-se para mercados 
diferenciados. Como consequência desta 
mudança, uma nova tendência se instala 
– o interesse em facilitar o acesso – fazen-
do crescer as oportunidades de pesquisa 
e, por sua vez, o desenvolvimento do co-
nhecimento (RUSSO, 2010).
O exercício da profissão, nessa área, já 
foi procurado por indivíduos estudiosos, 
amantes das letras e de livros, historia-
dores – quase sempre pessoas muito cul-
tas – que trabalhavam com dois grandes 
objetivos: “guardar com zelo o acervo” e 
“preservá-lo para o futuro”; mas eis que a 
Revolução Industrial, também nessa área, 
fez surgir outros fatos influenciando a 
Biblioteconomia, tais como: o aumento 
da produção do livro impresso; as novas 
descobertas científicas; a proliferação 
das sociedades científicas e o crescimen-
to dos periódicos científicos. Diante des-
ta nova era, a função dos profissionais da 
área passou a contemplar as atividades 
de “reunir, conservar, ordenar e distribuir 
informação”, o que exige da sua formação 
o foco nas competências para atingir tais 
objetivos (RUSSO, 2010).
Pois bem, neste primeiro módulo fare-
mos uma viagem no tempo, desde as ori-
gens das bibliotecas lá na Antiguidade, 
apresentação de conceitos, alguns tipos 
de biblioteca com ênfase na Biblioteca 
Nacional – nossa primeira biblioteca, mo-
mento no qual falaremos de temas como 
Depósito Legal, ISBN (Número Padrão In-
ternacional de Livro – tradução livre), Pla-
no Nacional de Microfilmagem de Perió-
dico Brasileiros (PLANO) e sobre o acervo 
(Iconografia, Hemeroteca, BN Digital, Ma-
nuscritos, Cartografia, entre outros).
Uma unidade é dedicada aos funda-
mentos da Biblioteconomia e, por fim, fa-
laremos da Biblioteconomia no Brasil.
Ressaltamos em primeiro lugar que em-
bora a escrita acadêmica tenha como pre-
missa ser científica, baseada em normas 
e padrões da academia, fugiremos um 
pouco às regras para nos aproximarmos 
de vocês e para que os temas abordados 
cheguem de maneira clara e objetiva, mas 
não menos científicos. Em segundo lugar, 
4 54
deixamos claro que este módulo é uma 
compilação das ideias de vários autores, 
incluindo aqueles que consideramos clás-
sicos, não se tratando, portanto, de uma 
redação original e tendo em vista o cará-
ter didático da obra, não serão expressas 
opiniões pessoais.
Ao final do módulo, além da lista de re-
ferências básicas, encontram-se muitas 
outras que foram ora utilizadas, ora so-
mente consultadas e que podem servir 
para sanar lacunas que por ventura surgi-
rem ao longo dos estudos.
4 55
2.1 Das origens na Antigui-
dade
A partir de 3000 a.C., a humanidade, 
antes organizada em povos tribais ou 
em hordas pastoris nômades por conta 
da agricultura, começou a se organizar 
em estados rurais artesanais. A domes-
ticação e a estruturação de um sistema 
produtivo alteraram a condição humana, 
dando-lhe uma postura ativa na organiza-
ção da produção. Por volta de 2.000 a.C., 
acumularam-se as inovações tecnológicas 
(canais, estradas, polia, balança), o que 
ampliou a eficácia produtiva e acabou por 
influenciar as relações entre os homens, 
configurando uma nova formação socio-
cultural (RIBEIRO, 2000).
A revolução urbana, além de ter sido 
sinônimo de aumento de produtividade e 
acumulação de riquezas nas mãos de gru-
pos minoritários, propiciou a divisão social 
do trabalho, acarretando a estratificação 
social e a organização política, por meio 
do recrutamento de antigos líderes de 
guerra e religiosos que ocuparam postos 
de liderança em uma sucessão hereditária 
(ORTEGA, 2004). 
Tais elementos corroboraram a forma-
ção sociocultural dos Impérios teocráticos 
de regadio, constituindo, assim, os primei-
ros estados burocráticos da Antiguidade 
(Egito, Babilônia, Suméria e Mesopotâ-
mia), que além dos enormes sistemas de 
irrigação, desenvolveram a Matemática, 
Astronomia, Arquitetura e as primeiras 
manifestações escritas (cuneiforme com 
os sumérios, hieroglífica com os egípcios 
e tábuas de argila com os mesopotâmios).
Nesse contexto burocrático estatal, foi 
premente a necessidade de regular a vida 
civil da população e conservar o conheci-
mento e a cultura dessas civilizações re-
gionais, que já tinham uma preocupação 
com uma educação formal do saber téc-
nico e científico. Nesse momento, cons-
tituíram-se as primeiras ‘protobibliote-
cas’ e ‘protoarquivos’: os rudimentares 
catálogos primitivos em tábuas de argila, 
em Nippur (Suméria); em Alexandria, uma 
das mais famosas bibliotecas do mundo 
antigo, que delineou com seus filósofos, 
gramáticos e poetas da época o ideário 
dos primeiros bibliotecários; ou, ainda, as 
bibliotecas privadas de reis voltadas para 
“royal contemplation” (CASSON, 2001 
apud SIQUEIRA, 2010).
Por volta de 1.000 a.C., a expansão dos 
impérios teocráticos de regadio sofreu 
uma limitação essencial: a inviabilidade 
de se generalizar a irrigação sobre as áre-
as conquistadas por conta das diferenças 
ecológicas regionais. Além disso, outro 
fator relevante para a próxima revolução 
tecnológica foi o aprimoramento da meta-
lurgia, o que transformou a fabricação de 
ferramentas, embarcações, transportes, 
a moeda cunhada e as máquinas hidráu-
licas. Socialmente, a formação dos impé-
rios mercantis escravistas (Grécia, Roma 
e Assíria), diferentemente dos anterio-
res, organizados em torno de um modelo 
coletivo, institucionalizou a propriedade 
privada, incentivando o comércio e o apri-
sionamento de cativos de guerra (escra-
vidão como fomento para o colonialismo 
UNIDADE 2 - Origem e História das 
Bibliotecas
6 7
mercantil).
Outro fator marcante do período foi a 
criação do alfabeto fonético, que facilitou 
a alfabetização, permitindo juntamente 
com o desenvolvimento da escrita deci-
mal – Filosofias e Ciências aplicadas, a am-
pliação da gama de conhecimentos, antes 
restrita ao sacerdócio ou realeza. Dessa 
forma, com uma produção documental 
cada vez maior, tanto de caráter burocráti-
co (regulação da vida dos cidadãos), como 
testemunhal e histórico (conservação do 
conhecimento e da cultura), surgiram as 
primeiras bibliotecas em sentido estrito. 
Mesmo com a ausência de um corpo pro-
fissional e a indistinção entre biblioteca 
e arquivo, desenvolveram-se os serviçosBrasil.
Entre as publicações mais antigas e 
mesmo raras do século XIX estão, por 
exemplo, O Espelho, Reverbero Constitu-
cional Fluminense, O Jornal das Senhoras, 
O Homem de Cor, Marmota Fluminense, 
Semana Illustrada, A Vida Fluminense, O 
Mosquito, A República, Gazeta de Notí-
cias, Revista Illustrada, O Besouro, O Abo-
licionista, Correio de S. Paulo, Correio do 
Povo, O Paiz, Diário de Notícias, e também 
os primeiros jornais das províncias do Im-
pério.
32 33
 Também podem ser consultadas revis-
tas de grande importância do século XX, 
como Careta, O Malho, O Gato, O Cruzeiro, 
Revista da Semana, Klaxon, Revista Ver-
de, Diretrizes e jornais que marcaram for-
temente a história da imprensa no Brasil, 
como A Noite, Correio Paulistano, A Ma-
nhã e Última Hora. Periódicos de institui-
ções científicas compõem um segmento 
especial do acervo.
Se tiver oportunidade visite a Bibliote-
ca Nacional, você não vai se arrepender!
34 3534
Por fundamento, entende-se base, ali-
cerce, razões ou argumentos em que se 
funda uma tese, concepção, ponto de vis-
ta, entre outros; apoio, base, ou ainda ra-
zão, justificativa; motivo.
Podemos também inferir tomando por 
base o dicionário Aurélio (FERREIRA, 2004) 
que fundamento se reporta ao conjunto 
dos princípios básicos de um ramo de co-
nhecimento, de uma técnica, de uma ativi-
dade, entre outros.
E quais seriam então os fundamentos da 
Biblioteconomia?
Como já vimos no início do módulo e com 
reforço de Santos e Rodrigues (2013), a Bi-
blioteconomia é considerada uma das mais 
antigas disciplinas que se ocupa do acesso 
à informação e de sua transmissão porque 
está intrinsecamente ligada ao surgimen-
to da biblioteca.
Ortega (2004, p. 1), ao discutir as rela-
ções históricas entre Biblioteconomia, Do-
cumentação e Ciência da Informação parte 
[...] das primeiras evidências de 
organização de documentos segun-
do seus conteúdos, apontando esses 
processos e as bibliotecas primitivas 
da antiguidade que os realizavam 
como a origem do que depois foi de-
nominado Biblioteconomia.
A necessidade de organizar, conservar 
e divulgar os documentos, desde o início 
da escrita até a época moderna, levou as 
bibliotecas a criarem uma série de proce-
dimentos e métodos que, apesar de pos-
suírem caráter eminentemente técnico, 
visando à resolução de problemas práti-
cos, formaram um conjunto de técnicas e 
de questões envolvendo a rotina dessas 
técnicas que, ao longo do tempo, se cons-
tituíram na base da futura disciplina Biblio-
teconomia.
Desse modo, podemos dizer que desde 
seu início, os saberes biblioteconômicos 
estão voltados para a reflexão sobre a apli-
cação das práticas e normas à criação, or-
ganização e administração das bibliotecas. 
Essa característica levou a Bibliotecono-
mia a ser considerada uma área cientifica-
mente pouco fundamentada.
Para Ortega (2004), apesar da Biblio-
teconomia ser a atividade mais antiga de 
organização de documentos, no seu todo 
não é uma área cientificamente funda-
mentada e que “[...] encontra na Ciência da 
Informação a possibilidade de construção 
de referenciais teóricos e de conquista de 
status científico”.
Mas, como bem observa Vakkari (1994 
apud SANTOS; RODRIGUES, 2013), não 
devemos esquecer que historicamente, 
a Biblioteconomia é anterior à Ciência da 
Informação, e que no seu percurso está 
registrado todo um esforço em busca de 
bases conceituais e da construção de prin-
cípios teóricos para nortear as ações da 
área.
Russo (2010) pontua que alguns indica-
dores são analisados como indispensáveis 
para que uma área seja considerada cien-
tífica: que ela tenha desenvolvido teorias 
próprias, acompanhadas por práticas que 
as comprovem e que possua uma infraes-
UNIDADE 4 - Os Fundamentos da 
Biblioteconomia
34 3535
trutura científica fundamentada em so-
ciedades científicas, canais de comunica-
ção, instituições de ensino e pesquisa e, 
principalmente, pessoal qualificado. Essas 
pessoas, segundo Bunge (1980), precisam 
organizar-se em comunidades e suas rela-
ções devem ser estabelecidas por conta-
tos diretos (por meio das pesquisas) e indi-
retos (por meio das publicações).
4.1 O marco da Biblioteco-
nomia e suas relações com 
a Ciência da Informação
O marco fundamental para o campo em 
estudo foi a obra de Gabriel Naudé (1600-
1653), Advis pour dresser um bibliothéque 
(1627), o primeiro manual para bibliotecá-
rios, que formalizou as bases conceituais 
da Biblioteconomia, abrindo caminho para 
a afirmação de importantes conceitos, 
como a ideia de ordem bibliográfica, a qual 
permitiria o acesso e o compartilhamento 
do saber.
Foram introduzidos noções de emprés-
timo domiciliar, a encadernação para pre-
servar, a estruturação dos catálogos de 
bibliotecas e o arranjo lógico de livros nas 
estantes, além da ideia de que o bibliote-
cário é o especialista responsável pela or-
ganização do conhecimento e em fornecer 
informações bibliográficas, facilitando seu 
acesso e uso (PINHEIRO, 2002 apud SAN-
TOS; RODRIGUES, 2013).
Após o surgimento da Ciência da Infor-
mação, devido à preocupação comum com 
os problemas de produção, comunicação 
e efetiva utilização da informação regis-
trada, a relação entre as duas áreas se in-
tensificou a tal ponto que passaram a ser 
confundidas como uma só (SANTOS; RO-
DRIGUES, 2013). Mas, Saracevic (1996, p. 
49 citado pelas autoras acima) lembra que 
apesar do intenso contato entre a Biblio-
teconomia e a Ciência da Informação, isso 
não significa que formem um único campo 
de conhecimento. O autor considera, in-
clusive, que existem diferenças bastante 
significativas em alguns aspectos críticos 
entre as duas áreas, como por exemplo: 
a) Na seleção dos problemas propostos 
e a forma de sua definição.
b) Nas questões teóricas colocadas e 
nos modelos explicativos introduzidos.
c) Na natureza e no grau de experimen-
tação e desenvolvimento empírico, assim 
como no conhecimento prático ou compe-
tências derivadas.
d) Nas ferramentas e abordagens utili-
zadas.
e) Na natureza e na força das relações 
interdisciplinares estabelecidas e sua de-
pendência para o avanço e evolução das 
abordagens interdisciplinares. 
Outros autores, todos citados por San-
tos e Rodrigues como Vakkari (1994), Wer-
sig (1993), Ingwersen (1992) e Pinheiro 
(2005, 2006), reconhecem que a Biblio-
teconomia e a Ciência da Informação são 
campos próximos, porém distintos, com al-
guns interesses em comum.
Quanto às contribuições para o de-
senvolvimento dessas áreas, vamos 
somente enumerar algumas delas 
(SANTOS; RODRIGUES, 2013):
 Konrad Gessner (1516-1565), botâni-
co e bibliófilo, deu uma grande contribuição 
à classificação, e registrou livros em Latim, 
grego e hebraico. No século XVI, elaborou 
36 37
um catálogo o qual chamou de Bibliotheca 
Universalis (Zurique, 1545) e num suple-
mento de título Pandectaruim sive parti-
tionum universalis classificou os livros da 
biblioteca por assunto. Essa foi a primeira 
tentativa de um esquema de classificação 
bibliográfica, pois vale lembrar que não era 
uma simples arrumação de assuntos para 
livros de uma coleção, mas uma bibliogra-
fia impressa (BARBOSA, 1969).
 Francis Bacon (1561-1626), com a obra 
Chart of Learning, publicada em 1905, deu 
grande contribuição aos estudos modernos 
sobre classificação. Em outra obra de sua 
autoria Advancement of Learning, basea-
da no Trivium e Quatrivium, de Cassiodoro, 
classificou as ciências em três grupos: 1º) 
Poesia ou Ciência da imaginação; 2º) His-
tória ou Ciência da memória; 3º) Filosofia 
ou Ciência da razão. Esse sistema de Bacon 
veio influenciar a enciclopédia de Diderot 
e d’Alembert no século XVIII, também na 
classificação de Thomas Jefferson e pos-
teriormente na classificação da Library of 
Congress. Dessa forma, o sistema de clas-
sificação usado até hoje pelas bibliotecas 
foi idealizado por Bacon em 1605, usado 
por Brunet em 1810, modificado por Harris 
em 1870 e adotado por Dewey em 1876, o 
qual serviu de base para o sistema de Clas-
sificaçãoUniversal, conhecido como CDU 
(BARBOSA, 1969).
 Gabriel Naudé (1600-1653), já referi-
do anteriormente, é considerado um dos 
principais teóricos da Biblioteconomia. As 
ideias de Naudé incorporavam o espírito 
de progresso, liberdade de expressão e 
cultura, influenciando a Montaigne e Pier-
re Charron durante a Revolução Francesa. 
Esses valores revolucionários estimularam 
a ideia das bibliotecas como espaços públi-
cos e universais, conceito esse criado por 
Naudé.
 Jacques-Charles Brunet (1780-1867), 
no Manuel du Libraire et de l’Amateur des 
Livres, publicado em 1810, apresenta uma 
Bibliografia internacional de livros raros 
surgidos até a época de sua publicação. 
Para facilitar a consulta a esse manual, 
Brunet elaborou um sistema que chamou 
de Table méthodique, com as respectivas 
classes que formam as outras cinco partes 
do livro: Teologia, Jurisprudência, História, 
Filosofia e Literatura. Esse sistema foi usa-
do na Europa por mais de um século, prin-
cipalmente nos arranjos bibliográficos, nas 
listas de livreiros e nas coleções particula-
res (BARBOSA, 1969).
 Anthony Panizzi, bibliotecário, junto 
com seus colaboradores, elaborou as 91 
regras de catalogação publicadas em 1839 
na Inglaterra, denominadas Rules for the 
Compilation of the Catalog: Catalogue 
of Printed Books in British Museum. Essa 
obra teve sua aprovação pelos autores do 
Museu Britânico em 1841 e sua última edi-
ção é de 1936. Após a publicação, bibliote-
cários ingleses iniciaram uma série de dis-
cussões sobre, por exemplo, a questão da 
padronização de normas para catalogação. 
As regras de Panizzi iriam influenciar so-
bremaneira as práticas de catalogação, de 
tal modo que uma de suas características é 
defendida até hoje: a valorização da folha 
de rosto. As demais regras deram margem 
a discussões por conta dos excessos da 
parte de descrição do material bibliográfi-
co.
 Charles C. Jewett (1816-1868) publi-
cou, em 1853, para o Smithsonian Insti-
tution dos Estados Unidos, outro código 
contendo 33 regras, baseadas nas regras 
36 37
de Panizzi, com algumas modificações. 
Jewett, deu ênfase às obras escritas sob 
pseudônimo e à questão de autoria coleti-
va, deixando sua marca com a ideia de ela-
boração de um catálogo coletivo das biblio-
tecas americanas, mas infelizmente não 
conseguiu realizar esse catálogo (BARBO-
SA, 1969).
 Charles Ammi Cutter (1837-1903), que 
segundo Barbosa (1978, p. 28) foi “[...] a fi-
gura mais brilhante do século XIX”, publicou 
em 1876 a obra Rules for a Printed Dictio-
nary Catalog. O código de Cutter continha 
369 regras, que receberam inúmeras crí-
ticas em relação aos detalhes, tidos como 
desnecessários. No entanto, afirma Bar-
bosa (1969, p. 103), esse teórico marcou 
sua trajetória na Biblioteconomia, pois sua 
tabela de notação de autores conhecida 
como Tabela de Cutter é usada até hoje pe-
las bibliotecas, sendo conhecido por mui-
tos como o “pai do catálogo dicionário”. A 
última edição dessa obra, em 1904, quase 
coincidiu com a redação do primeiro código 
da American Library Association (ALA), em 
1908, influenciando seu desenvolvimento 
(BARBOSA, 1969, p. 103).
 Melvil Dewey (1851-1931) inventou 
o sistema de Classificação Decimal de 
Dewey (CDD). Tomando o universo como 
base para a divisão do conhecimento, sub-
dividiu-o obedecendo três importantes ca-
racterísticas: razão, imaginação e memó-
ria. Dewey inspirou-se para ordenar suas 
classes principais na classificação de Fran-
cis Bacon. Desse modo, desenvolveu um 
sistema para classificação de livros usando 
classes decimais de 000-999, dividindo os 
livros de não ficção em 10 categorias. Seu 
trabalho criou uma revolução na organiza-
ção das bibliotecas americanas, iniciando 
uma nova era para a Biblioteconomia.
 Ranganathan (1892-1972), conside-
rado o maior bibliotecário do século XX, foi 
mais do que um modernizador da profissão 
bibliotecária. Ele revolucionou a profissão 
na Índia e no Mundo através da sólida con-
tribuição de suas obras em todos os aspec-
tos. Criou o primeiro esquema de classifica-
ção facetado do mundo, baseado em Cinco 
Categorias Fundamentais (PMEST), cujo 
corpo teórico prevalece até os dias de hoje. 
Esse sistema permite várias aplicações na 
organização do conhecimento, sistemati-
zação e recuperação da informação, seja 
em ambiente automatizado ou não (SAN-
TOS; RODRIGUES, 2013).
Alguns dos estudiosos e sistemas fala-
dos acima serão visto em momento opor-
tuno. Aguardem!
38 3938
Dando um salto na história, sem antes 
constatar que a Revolução Francesa tam-
bém é de grande destaque por permitir 
o surgimento de bibliotecas públicas, e 
também marcar a publicação da primeira 
enciclopédia, a criação dos primeiros cur-
sos da área de Biblioteconomia foram o da 
Ècole Nationale des Chartes, na França, 
em 1821, e o da Columbia University, em 
1887, nos Estados Unidos.
O curso da Columbia University foi cria-
do por Melvil Dewey, que se tornou um dos 
pensadores mais importantes da área, por 
participar da criação da American Library 
Association (ALA), da publicação do pri-
meiro periódico especializado – Library 
Journal – e por criar o CDD, conhecido 
como Classificação Decimal de Dewey. Em 
1888, na Clerkenwell Public Library, James 
Duff Brown cria o único sistema de classi-
ficação da Inglaterra, o livre acesso às es-
tantes (RUSSO, 2010).
No Brasil, a Biblioteconomia se faz pre-
sente desde a criação das bibliotecas be-
neditinas, franciscanas e jesuítas, mas 
principalmente com a criação da Bibliote-
ca Nacional, no estado de Rio de Janeiro 
(RUSSO, 2010, p. 58). 
O Conselho Federal de Biblioteconomia 
(CFB), entretanto, só considera que a área 
passou a existir no país em 1911, com a 
criação do primeiro curso de Bibliotecono-
mia do Brasil, também o primeiro da Amé-
rica do Sul e o terceiro no mundo. O cur-
so era baseado no da Ècole Nationale des 
Chartes, enquanto que o Colégio Macke-
nzie cria um em 1930, inspirado no curso 
da Columbia University. Rubens Borba de 
Moraes, em 1936, funda o curso de Biblio-
teconomia em São Paulo, posteriormente 
incorporada a Escola de Sociologia e Po-
lítica e a Escola de Biblioteconomia e Do-
cumentação de São Carlos (escola e curso 
que foi incorporado pela UFSCar). A partir 
desses cursos, há a criação de diversas or-
ganizações que apoiam a Biblioteconomia 
como profissão e a inclusão do curso em 
graduações como a UFBA e UFMG (RUSSO, 
2010, p. 62).
A forma de admissão do primeiro curso 
foi por exame que se compunha de pro-
va escrita de português e provas orais de 
Geografia, Literatura, História Universal 
e de Línguas: francês, inglês e latim. Em 
síntese, era pré-requisito para ser biblio-
tecário possuir cultura geral. Contudo, 
naquela ocasião, estavam dispensados os 
candidatos admitidos anteriormente em 
escolas superiores ou aqueles aprovados 
para a carreira de bibliotecário (CASTRO, 
2000).
O curso da Biblioteca Nacional parou 
de funcionar em 1923 devido às mudan-
ças instituídas em regulamento do Museu 
Histórico Nacional que estabelecia a cria-
ção do Curso Technico. Esse curso busca-
va formar profissionais para atuar na Bi-
blioteca Nacional e no Arquivo Nacional. 
Essas mudanças não ocorreram e as ativi-
dades do curso de Biblioteconomia foram 
encerradas, voltando as suas atividades 
em 1931 (CASTRO, 2000).
O curso criado em São Paulo, em 1929, 
no Mackenzie College chamava-se “Curso 
Elementar de Biblioteconomia” e foi orien-
tado pela bibliotecária americana Dorothy 
UNIDADE 5 - A Biblioteconomia no 
Brasil
38 3939
Muriel Gedds Gropp. Na época, este curso 
era voltado para os funcionários da biblio-
teca, professores e bibliotecários de ou-
tras instituições (CASTRO, 2000).
Russo (2010) enfatiza que Rubens Bor-
ba de Moraes e Adelpha Silva Figueiredo 
implantaram uma Biblioteconomia inova-
dora, fazendo da Biblioteca Municipal de 
São Paulo um laboratório onde treinaram 
muitas gerações de bibliotecários a servi-
ço da coletividade.
Nos primeiros anos de criação, as esco-las do Rio de Janeiro e de São Paulo foram 
guiadas por diferentes visões. A primeira 
mantinha suas raízes humanísticas en-
quanto a segunda era basicamente téc-
nica, de tal forma que os bibliotecários 
formados por uma determinada escola 
passavam a defender a abordagem tecni-
cista ou humanística de acordo com a es-
cola de formação. Tanto que Castro (2000, 
p.103) afirma que “a polêmica entre Rio e 
São Paulo foi marcante” quanto às ques-
tões técnicas da área.
No entanto, com a americanização do 
país e as exigências do mercado de tra-
balho, a Biblioteca Nacional, em 1944, 
modificou seu currículo com o acréscimo 
de disciplinas técnicas tais como: Catalo-
gação, Classificação, Bibliografia e Refe-
rência (CASTRO, 2000). Mas não deixou de 
lado sua influência humanística.
O ensino de Biblioteconomia no Rio de 
Janeiro e São Paulo apresentavam dife-
renças desde a influência a controvérsias 
nas práticas técnicas e nas disciplinas es-
colares (CASTRO, 2000).
Em 1965 já existiam no Brasil, 14 Esco-
las e Cursos de Biblioteconomia. A profis-
são já tinha sido regulamentada em 1962, 
graças aos esforços de bibliotecárias, 
como Laura Garcia Moreno Russo, que, 
com persistência e coragem, vinham tra-
balhando em prol da regulamentação da 
profissão, há vários anos. Foi nesta fase, 
chamada de influência americana, que 
aconteceu a realização do 1º Congres-
so Brasileiro de Biblioteconomia e Docu-
mentação, na cidade do Recife, em 1954; 
foram criadas inúmeras bibliotecas nos 
órgãos públicos, especialmente federais, 
incentivando o aumento de candidatos 
aos Cursos de Biblioteconomia (http://
www.cfb.org.br/historico/historico_03.
htm).
Na década de 70, a Biblioteconomia 
tomou novo impulso com a criação de 
seis Cursos de Mestrado, o surgimento 
de revistas especializadas e a expansão 
de oportunidades de emprego, principal-
mente junto aos órgãos federais, biblio-
tecas especializadas e universitárias. Os 
Cursos de Doutorado começaram a surgir 
durante a década de 80. Atualmente, a 
classe bibliotecária encontra-se já con-
solidada a nível nacional, em processo de 
reconhecimento cada vez maior pela so-
ciedade e com os seus órgãos de classe: 
Conselhos e Associações, implantados e 
organizados e com uma participação cada 
vez maior nas ações relacionadas com o 
MERCOSUL (http://www.cfb.org.br/histo-
rico/historico_03.htm).
Voltando um pouco às relações com a 
Ciência da Informação, a página na Inter-
net do curso oferecido pela Universidade 
de Brasília nos lembra que apesar de sem-
pre remetermos o termo Biblioteconomia 
à biblioteca enquanto depósito de livros 
(grosso modo), já há algumas décadas, a 
área vem trabalhando com a informação 
40 41
independentemente de seu suporte fí-
sico (discos, patentes, CDs, vídeos, anais 
de congressos, manuscritos, cartazes, 
fotografias, histórias em quadrinhos, ma-
pas, relatórios técnicos, entre outros) e 
da instituição que a possui. Assim, o ob-
jeto de estudo, as pesquisas, as ativida-
des profissionais e o ensino na área des-
locaram-se, historicamente, do eixo livro 
(suporte) para informação (conteúdo), do 
controle do acervo de uma biblioteca para 
o acesso à informação por meio de canais 
de comunicação “formais” (documentos) 
e “informais” (pessoas, redes eletrônicas, 
colégios invisíveis).
Uma definição proposta pela ALA 
(American Library Association), em 1992, 
afirma que o caráter essencial da Biblio-
teconomia e da Ciência da Informação vol-
ta-se para a informação e o conhecimen-
to registrado ou registrável, bem como 
para os serviços e tecnologias para habi-
litar sua gestão e uso, abrangendo a cria-
ção, comunicação, identificação, seleção, 
aquisição, organização e descrição, ar-
mazenagem e recuperação, preservação, 
análise, interpretação, avaliação, síntese, 
disseminação e gestão da informação e 
do conhecimento.
De forma geral, os conteúdos leciona-
dos nos mais de trinta cursos de gradua-
ção brasileiros em Biblioteconomia e em 
Ciência da Informação aproximam-se da 
definição explicitada acima. Entre esses 
cursos podemos citar o da Universidade 
de Brasília (UnB). 
(http://www.biblioteconomia.fci.unb.br/
index.php/curso.html)
5.1 A formação acadêmica e 
as atribuições do bibliotecá-
rio
A formação de pessoal qualificado re-
presenta um grande fator para o desen-
volvimento de uma área. Em se tratando 
da formação na área de Biblioteconomia, 
ela ocorre em nível de graduação, nos pa-
íses latino-americanos, e em nível de pós-
-graduação, na Europa e nos Estados Uni-
dos (GUIMARÃES, 2004).
Mota e Oliveira (2005) apontam que, 
no Brasil, os cursos de Biblioteconomia 
e Ciência da Informação são oferecidos 
em três níveis, a saber, graduação, pós-
-graduação lato sensu (especialização) e 
pós-graduação stricto sensu. O título de 
bibliotecário é obtido em cursos de gradu-
ação, e os títulos de mestre e doutor são 
obtidos em programas de pós-graduação 
stricto sensu, em várias áreas, com ênfa-
se na de Ciência da Informação.
Os cursos de graduação possibilitam ao 
aluno a formação básica e a iniciação na 
prática da pesquisa; os de pós-graduação 
stricto sensu – mestrado e doutorado – 
formam os docentes e os pesquisadores 
na área.
O bibliotecário domina técnicas de 
classificação, organização, conservação 
e divulgação do acervo de bibliotecas ou 
centros de documentação. Este profissio-
nal trabalha como um administrador de 
dados, que processa e divulga a informa-
ção. Ele cataloga e armazena as informa-
ções e orienta na busca e seleção. Analisa 
e organiza livros, revistas, documentos, 
fotos, filmes e vídeos. É de sua responsa-
bilidade planejar, implementar e gerenciar 
sistemas de informação, além de preser-
var os suportes (mídias) para que resistam 
40 41
ao tempo e ao uso.
Trabalha em bibliotecas públicas, es-
colares ou particulares, centros de docu-
mentação, arquivos, museus, centros cul-
turais, editoras, provedores de Internet, 
ONGs, clubes e associações. Nos últimos 
tempos, a atuação do profissional de Bi-
blioteconomia tem se voltado cada vez 
mais para a criação e a manutenção de 
arquivos digitais e para a montagem de 
bancos de dados em computadores, em-
pregando para isso os sistemas de infor-
mática e a Internet. O licenciado está apto 
a dar aulas no ensino técnico para formar 
bibliotecários.
Apesar de não ser uma referência 
científica, o Guia do Estudante (2015) 
nos mostra de maneira simples e cla-
ra o que esse profissional pode fazer:
a) Análise da informação:
Avaliar, selecionar, classificar e indexar 
livros, documentos, fotos, partituras mu-
sicais, fitas de vídeo e de áudio e arquivos 
digitais.
b) Gestão de serviços de informação:
Planejar, organizar e administrar unida-
des, redes, bibliotecas, museus, sistemas 
e serviços de documentação e informação 
localizados em centros de pesquisa, cen-
tros de documentação, centros culturais e 
arquivos pessoais e de jornais e meios de 
comunicação, entre outros.
c) Consultoria e coordenação:
Coordenar a formação do acervo, o ar-
quivamento dos documentos e sua con-
servação em empresas, banco de dados e 
instituições públicas.
d) Ensino:
Com a licenciatura, dar aulas no ensino 
técnico-profissionalizante.
e) Gestão do conhecimento:
Desenvolver e gerenciar mecanismos 
para sistematizar o conhecimento acumu-
lado dentro de uma organização, seja uma 
empresa, uma ONG, uma instituição edu-
cacional ou uma associação, estimulando, 
assim, sua divulgação.
f) Normatização:
Montar bases de dados e fazer sua ma-
nutenção recorrendo ao emprego de nor-
mas internacionais, como a isso (Interna-
tional Organization for Standardization).
42 4342
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46 AT
	UNIDADE 1 - Introdução
	UNIDADE 2 - Origem e História das Bibliotecas
	2.1 Das origens na Antiguidade
	2.2 Etimologia e conceitos
	2.3 As Bibliotecas do mundo antigo
	2.4 Tipos de Biblioteca
	UNIDADE 3 - A Primeira Biblioteca no Brasil – Biblioteca Nacional
	3.1 Depósito Legal
	3.2 O acervo de obras raras
	3.3 ISBN
	3.4 Plano Nacional de Microfilmagem de Periódicos Brasileiros – PLANO
	3.5 O acervo da Biblioteca Nacional
	UNIDADE 4 - Os Fundamentos da Biblioteconomia
	4.1 O marco da Biblioteconomia e suas relações com a Ciência da Informação
	UNIDADE 5 - A Biblioteconomia no Brasil
	5.1 A formação acadêmica e as atribuições do bibliotecário
	REFERÊNCIASvoltados à ordenação, à criação de catá-
logos e aos inventários (LOPÉZ-COZAR, 
2002 apud SIQUEIRA, 2010).
Até aqui, podemos observar que tanto 
as formações dos impérios teocráticos de 
regadio como os mercantis escravistas se 
difundiram, elevando o nível estrutural 
de suas civilizações a partir da atualiza-
ção histórica e tendo em mãos o objeto 
de dominação alheia. A principal conse-
quência desse estado de coisas foram os 
sucessivos ataques externos que destruí-
ram impérios. Todavia, o contato contínuo 
com os povos agressores favoreceu um 
processo de assimilação cultural. Os im-
périos despóticos salvacionistas (árabes, 
otomanos, visigodos) contribuíram para 
delinear uma nova revolução tecnológica: 
a Pastoril (1000 d.C. a 1440), alicerçada no 
sistema de tração animal, na aplicação da 
tecnologia do ferro à cavalaria de guerra, 
feudalização de áreas e principalmente 
o expansionismo salvacionista de cunho 
monoteísta (islamismo e cristianismo), 
responsável pela fusão do sistema políti-
co e religioso.
A fusão entre religião e política resul-
tou em um controle documental. A igreja 
católica, por exemplo, detinha o conheci-
mento da época, guardando os materiais 
da antiguidade clássica fora do alcance do 
povo, em sua maioria analfabeto, e res-
tringindo até para os monges, também 
muitas vezes analfabetos, à técnica da 
cópia de livros. Desse modo, tanto a pro-
dução bibliográfica como a ordenação, ar-
mazenamento e guarda de livros era feita 
pelos religiosos, que podem ser conside-
rados os primeiros bibliotecários.
A partir do século XV, tanto a Europa 
como a região atualmente ocupada pela 
Rússia, depois de séculos de regressão 
feudal, reorganizaram-se para a recon-
quista de territórios, na denominada “ex-
pansão salvacionista”. O amadurecimento 
de novas tecnologias de navegação oce-
ânica, processos de fundição do ferro e 
renovação das artes de guerra propicia-
ram uma ruptura com o feudalismo, o que 
permitiu a organização da formação so-
ciocultural dos impérios mercantis salva-
cionistas. Tais impérios, com o objetivo de 
reestruturar a Europa feudalizada, reor-
ganizaram os centros urbanos, estrutura-
ram Estados Nacionais em uma conjunção 
de poder aristocrático-clerical, desenvol-
vendo manufaturas e serviços comerciais 
e, ainda, restabelecendo o sistema mer-
cantil, com o diferencial de estendê-lo 
externamente a partir da instituição do 
capitalismo mercantil.
Quanto ao conhecimento da época, 
em 1440 temos um marco tecnológico, 
a invenção da prensa tipográfica por Gu-
tenberg (a partir da prensa clássica não 
6 7
reutilizável criada pelos chineses), que 
revolucionou a produção bibliográfica 
possibilitando a difusão do conhecimen-
to. Outro fator que impulsionou tal fe-
nômeno foi a mudança de orientação do 
pensamento ocidental, fruto das ideias 
do Renascimento cultural e científico, que 
permitiram a modificação de valores e a 
crescente necessidade do homem moder-
no de buscar conhecimento.
Nesse contexto, as bibliotecas se con-
verteram em “templos do saber acumula-
do”, sendo sinônimos de orgulho nacional 
para os novos estados e indício de poder 
socioeconômico para a nova classe, a bur-
guesia. Arquivos e bibliotecas apresenta-
vam maior diferenciação, já que enquanto 
os primeiros cuidavam do complexo con-
junto de documentos produzidos pelos 
novos estados e as sociedades emergen-
tes (função de armazenamento e prova), 
as bibliotecas, com o impulso da invenção 
tipográfica, conseguiram fortalecer seus 
laços institucionais, estabelecer rotinas 
e ganhar maior projeção social (SIQUEIRA, 
2010).
O livro impresso foi o primeiro produto 
intelectual uniformemente reproduzido 
que permitiu o aumento em larga escala 
da difusão do conhecimento para as mas-
sas, adquirindo assim uma vigência social 
jamais vista. Porém, o aumento da pro-
dução bibliográfica gerou a necessidade 
de novas ferramentas de organização e 
recuperação das coleções, que cresciam 
vertiginosamente. Além dos catálogos e 
inventários que se especializaram nessa 
época, destacou-se o desenvolvimento 
das bibliografias a partir do século XVI – a 
origem remonta à Idade Antiga, quando 
eram feitas de forma limitada, mas pouco 
diferente da atual. Para alguns autores, 
esse é o embrião da Documentação.
No século XVII, a expansão marítima 
iniciada pelos ibéricos havia se tornado 
uma empresa coletiva que multiplicava 
colônias escravistas, mercantis e de po-
voamento, fazendo com que os patrimô-
nios culturais mais divergentes fossem 
afetados e remodelados, acarretando 
uma reordenação unificadora do patrimô-
nio cultural humano. Um exemplo disso 
foi o amplo movimento de secularização, 
incentivando a alfabetização das massas 
em línguas vernáculas para a leitura da bí-
blia, o que, posteriormente, fomentou as 
bases para um maior estímulo à indagação 
e à pesquisa. A biblioteca pública se difun-
dia cada vez mais, e o seu acervo, além do 
grande número de coleções de livros, pas-
sou a ver o aumento gradativo de periódi-
cos, reflexo do desenvolvimento científi-
co em curso.
Outro fato importante foi a obra de Ga-
briel Naudé (1600-1653), Advis pour dres-
ser um bibliothéque (1627), o primeiro 
manual para bibliotecários, que formali-
zou as bases conceituais da Bibliotecono-
mia, fornecendo importantes conceitos, 
como a ideia de ordem bibliográfica.
Além disso, por trazer em seu bojo o 
espírito do progresso e liberdade de ex-
pressão e cultura, serviu de inspiração 
a Montaigne e Pierre Charron durante a 
Revolução Francesa. Tais valores revolu-
cionários estimularam a consolidação do 
conceito lançado por Naudé: as bibliote-
cas como espaços públicos e universais 
(CACALY, 1997 apud SIQUEIRA, 2010).
A biblioteca pública se consolidou prin-
cipalmente após a Revolução Francesa 
8 9
(1789-1799), que lançou as bases para 
os objetivos essenciais dessa instituição: 
satisfazer as necessidades da sociedade 
nos âmbitos da educação e cultura. Nes-
se contexto, nasceu a Biblioteconomia, 
disciplina encarregada de organizar, ad-
ministrar e cuidar da gestão de livros, bem 
como a figura do profissional bibliotecá-
rio; ao lado do arquivista, estes profis-
sionais tornaram-se fundamentais para 
a consolidação institucional de arquivos 
e bibliotecas. Tais profissionais, também 
influenciados pelo momento histórico de 
desenvolvimento tecnológico e científico 
do século XVIII, concentraram sua forma-
ção em dois aspectos: um técnico (catalo-
gação, classificação, paleografia) e outro 
voltado à aquisição de cultura geral (His-
tória, Literatura, Ciências).
Esse espírito técnico esteve intima-
mente ligado à revolução tecnológica 
industrial, que se instaurou no mundo a 
partir das formações capitalistas, pela 
acumulação de inventos mecânicos e mul-
tiplicação da produtividade do trabalho 
humano, tendo seu ápice na Revolução In-
dustrial. As formações socioculturais tam-
bém refletiam tais mudanças, fortalecen-
do e dando um novo viés à burguesia, que 
se tornava industrial, criando uma nova 
força de trabalho, os assalariados. Dife-
rentemente dos escravos, favoreciam, 
concomitantemente, a elevação do nível 
de produtividade e o consumo.
Se por um lado a Revolução Industrial 
permitiu o desenvolvimento técnico e 
científico influenciado pelo Iluminismo, 
bem como a melhora nas condições de 
vida da população, em relação à saúde 
pública, escolarização e até expectativa 
de vida, por outro lado, fez com que as 
nações neocolonizadas fossem explora-
das pelas grandes potências, condenadas 
ao atraso e à penúria. Tal marginalização 
refletiu-se também no atraso quanto à 
produção cultural, bem como na organiza-
ção da informação, em nível institucional 
e profissional. Na Europa, por exemplo, no 
final do século XVIII, nasciam as primeiras 
associações profissionais de bibliotecá-
rios e arquivistas, enquanto na América 
Latina isso só ocorreu no século XX (SI-
QUEIRA, 2010).
2.2 Etimologia e conceitos
Etimologicamente já vimos na introdu-
ção que biblioteca derivado grego: biblio 
e tëke, que significam respectivamente, 
livro e depósito.
Um dos primeiros conceitos de Bibliote-
conomia foi criado pela American Library 
Association, que a definiu como uma “área 
voltada para a aplicação prática de princí-
pios e normas à criação, organização e ad-
ministração de bibliotecas”. Já para o autor 
do Diccionario de Bibliotecologia (1963), 
Domingo Buonocore, a Biblioteconomia é 
a “área que se destina ao estudo dos prin-
cípios racionais para realizar, com a maior 
eficácia e o menor esforço possível, os 
fins específicos das bibliotecas” (RUSSO, 
2010).
Na definição de Targino (1984), Biblio-
teconomia é 
a área do conhecimento que se 
ocupa com a organização e a admi-
nistração das bibliotecas e outras 
unidades de informação, além da 
seleção, aquisição, organização e 
disseminação de publicações sob di-
ferentes suportes físicos.
8 9
Baseado nessas definições, autores 
como Francis Miksa mostram o paradigma 
da Biblioteconomia: a biblioteca como ins-
tituição social, destacando que a função 
maior da instituição é possibilitar o uso 
dos documentos a um dado público, e para 
isso, é necessário utilizar técnicas e pes-
soal qualificado para a aquisição e organi-
zação de tais documentos (RUSSO, 2010).
2.3 As Bibliotecas do mun-
do antigo
A Biblioteca de Nínive é considerada a 
primeira biblioteca da história e crê-se ter 
sido fundada pelo rei assírio Assurbanipal 
II (século VII a. C.). Era composta por uma 
coleção de mais ou menos 25 mil placas 
de argila (material usado para escrita na 
época – cozidas), com textos em escrita 
cuneiforme – muitos deles bilíngues, em 
sumério e acádico – sobre o mundo natu-
ral, Geografia, Matemática, Astrologia e 
Medicina; manuais de exorcismo e de au-
gúrios; códigos de leis; relatos de aventu-
ras e textos religiosos.
A biblioteca de Nínive foi descoberta 
em 1845 por Henry Layard.
Nínive, cujo nome significa bela, fica si-
tuada na margem ocidental do rio Tigre e 
foi a capital da Assíria (atual Iraque). Atu-
almente, e como consequência da guerra 
no Iraque, Nínive está na lista dos 100 sí-
tios históricos mundiais mais ameaçados, 
elaborada pelo movimento World Monu-
ments Watch (Observatório dos Monu-
mentos Mundiais).
 Alexandria, no Egito, ficou famosa por 
seu Farol e, sobretudo, por sua Biblioteca, 
que teve seu apogeu entre 290 a.C. e 88 
a.C., com estimados 600 mil rolos de perga-
minho, equivalentes a 120 mil livros.
A Biblioteca de Alexandria surge no pe-
ríodo helenístico (séc. III a.C.), fundada por 
Ptolomeu I Sóter, rei do Egito, e chegou a 
ter 700.000 volumes (rolos de pergaminho) 
antes de ser destruída por três incêndios:
1º – Em 272 d.C., por ordem do imperador 
romano Aureliano.
2º – Em 392, por ordem do imperador Te-
odósio I, juntamente com outros edifícios 
pagãos.
3º – Em 640, pelos muçulmanos, sob a 
chefia do califa Omar I.
A biblioteca de Alexandria era constitu-
ída por uma sala de leitura, uma oficina de 
copistas e um arquivo para a documentação 
oficial. Às obras aí guardadas era dedicado 
um especial cuidado na verificação do con-
teúdo, sendo anotados o seu número de 
linhas e outras informações sobre os auto-
res. Essas obras eram compostas essencial-
mente por rolos de papiro, a que os Gregos 
chamavam kilindros. Para se referir uma 
obra composta por vários cilindros usava-se 
10 11
o termo biblion. O termo theke, designação 
genérica e sufixo para armário, prateleira 
ou arrecadação, foi por sua vez associado 
à forma de organização e arrumação dos 
biblion, daí resultando o atual termo biblio-
teca.
Segundo Estrabão, a Biblioteca de Ale-
xandria era “um cenáculo erudito destinado 
aos homens de letras que trabalhavam na 
biblioteca”.
No ano 30 a.C., Marco Antônio ofereceu 
à Cleópatra a Biblioteca de Pérgamo, o que 
permitiu enriquecer bastante o espólio de 
Alexandria (https://lerparacrer.wordpress.
com/2008/09/08/bibliotecas-famosas-bi-
blioteca-de-alexandria).
Essa biblioteca serviu como fonte para 
o renascimento grego helenístico e, o que 
restou dela, para o renascimento europeu 
do século XV.
 Apenas um em cada dez clássicos sobre-
viveu e durante mil anos nada que chegasse 
perto de sua importância surgiu na humani-
dade.
Em sua série Cosmos, Carl Sagan fala so-
bre as obras que poderiam ser encontra-
das e que, no entanto, estão perdidas para 
sempre.
Vejamos uma breve cronologia dos 
acontecimentos por lá:
 88 a.C. – Ptolomeu VIII pôs fogo em 
grande parte da cidade numa guerra civil e 
dispersou os estudiosos temporariamente;
 47 a.C. – Júlio César, depois de escapar 
de ser assassinado, pôs fogo na frota de Ale-
xandria, que por sua vez acabou queimando 
áreas da cidade, inclusive edificações que 
continham 40 mil pergaminhos;
 273 d.C. – o imperador romano Aurelia-
no reconquistou o Egito, queimando a parte 
de Alexandria onde ficava a biblioteca;
 391 d.C. – o arcebispo cristão Teófilo 
incendiou propositalmente a segunda bi-
blioteca de Alexandria, com 40 mil rolos, 
porque ela estava instalada num templo 
pagão de Serápis;
 645 d.C. – o conquistador muçulmano, 
Califa Omar, respondeu a um de seus gene-
10 11
rais que lhe perguntou o que fazer com os 
famosos livros de Alexandria.
Disse ele:
Se o conteúdo estiver de acordo 
com o livro de Alá, podemos passar 
sem eles, porque o livro de Alá é mais 
do que suficiente. Se, por outro lado, 
eles contêm ideias que não estão de 
acordo com o livro de Alá, não há ne-
cessidade de preservá-los. Então, vá 
em frente e destrua-os.
Há quem diga que os livros foram usados 
para aquecer os banhos públicos de Ale-
xandria. Seis meses foram necessários para 
consumir todos os volumes.
A Biblioteca de Pérgamo foi fundada por 
Atalo I (241-197 a.C.), rei da cidade de Pér-
gamo (no Noroeste da atual Turquia), como 
resposta ao enorme sucesso da Biblioteca 
de Alexandria.
A rivalidade entre as duas levou o Egito 
a cortar-lhe o fornecimento de Papiro. Tal 
fato obrigou à procura de alternativas, sen-
do apreciadas as peles de animais, que até 
eram mais resistentes e duráveis. Mas es-
tas eram um recurso caro e escasso, o que 
levou ao desenvolvimento de tecnologia 
para a sua otimização e reutilização, dando 
origem a um novo suporte, o ‘pergamena’, 
ou pergaminho.
Fisicamente, a biblioteca compreendia 
uma grande sala de leitura, com cerca de 
180 m2, muito bem ventilada, com prate-
leiras em todos os lados e uma estátua de 
Atena no centro. Calcula-se que uma sala 
desse tamanho abrigaria, no máximo, cer-
ca de 17.000 rolos. Os textos, escritos em 
papiro e em pergaminho, a partir do sécu-
lo II, ficavam enrolados nas prateleiras.
Surgem as primeiras bibliotecas públi-
cas utilizadas pelo império como domi-
nação intelectual. A primeira biblioteca 
foi fundada em 30 a.C. por Asinius Pollio, 
no Atrium Libertatis. Eram normalmente 
espaços associados a templos ou banhos 
públicos.
Na época de Constantino, no início do 
século IV d.C., terão existido em Roma 28 
12 13
dessas bibliotecas, que tinham suas prin-
cipais coleções originadas de saques, re-
sultantes de campanhas contra os territó-
rios fenícios e gregos.
No Império Romano também multiplica-
ram-se as bibliotecas particulares: fenô-
meno de moda, símbolo de riqueza e pres-
tígio. Assim como surgiram as primeiras 
livrarias e o ofício de copistas (geralmente 
escravos).
A instabilidade política que seguiu ao 
fim do Império Romano travou o processo 
de expansão das bibliotecas iniciado pe-
los gregos e continuado pelos romanos; 
o que escapa à destruição é reunido nos 
conventos e mosteiros, onde o culto dos 
livros e sua paciente reprodução prosse-
guem como uma das virtudes monacais 
– nos “scriptoria”, os manuscritos eram 
conservados, lidos, copiados, traduzidos 
e ilustrados.
A riqueza das bibliotecas dos mosteiros 
(uma coleção de 200 volumes era consi-
derada uma grande biblioteca) dependia 
da presença de eruditos que, regra geral, 
se dedicavam também ao ensino (escolas 
monacais e conventuais) e da sua capaci-dade para pedirem emprestados manus-
critos originais para copiar.
Temos ainda a Biblioteca Vivarium!
Flávio Magno Aurélio Cassiodoro, roma-
no de origem síria, nasceu na Calábria por 
volta de 485 e morreu por volta de 580. 
Em um primeiro momento, foi conselhei-
ro do rei Teodorico. Depois da conquista 
bizantina da Itália, passou para o lado dos 
vencedores e mudou para a Constanti-
nopla. Em 555 voltou para as suas terras, 
em Vivarium, onde edificou um mosteiro 
dedicado a Santo Martinho que se tornou 
centro de estudos com a finalidade de ad-
quirir um conhecimento mais aprofunda-
do da Bíblia, para isso sem limitação, as 
contribuições da cultura pagã e da escola 
clássica. Em Vivarium, Cassiodoro criou o 
modelo de uma comunidade monástica, 
em que os estudos bíblicos apoiavam-se 
na base de uma harmoniosa colaboração 
de caráter espiritual e manual, e onde 
uma dignidade especial era dada aos es-
cribas. Eles enriqueceram com o trabalho 
de suas mãos a preciosa biblioteca, cora-
ção do mosteiro, que conhecemos melhor 
de qualquer outra em época anterior aos 
Corolíngios, pelas Institutiones. Em Vi-
varium, Cassiodoro e seus colaboradores 
além de resgatar para a latinidade medie-
val obras gregas, através, além da tradu-
ção, criavam novas obras latinas cristãs 
(CRIPPA, 2004).
Enfim, o mundo árabe escapou a este 
período romano de barbárie e foram cria-
das inúmeras bibliotecas contendo ma-
nuscritos gregos, traduções em árabe e 
livros da Ciência árabe, acessíveis tanto a 
professores como a estudantes.
A mais importante destas bibliotecas foi 
a de Dar al-ilm (“casa do conhecimento”), 
fundada em 1004 pelo califa Al-Hakim, 
no Cairo. Continha mais de 600 000 livros 
(entre os quais 6500 de Matemática e As-
tronomia), assim como livros de Filosofia 
e um globo terrestre, de cobre, construído 
por Ptolomeu. (http://historiadoslivrose-
dasbibliotecas.blogspot.com.br/2011/06/
biblioteca-de-pergamo-foi-fundada-por.
html).
Quanto à Idade Média, vamos re-
sumir:
 séc. XIII – aparecimento das grandes 
12 13
universidades e, consequentemente, das 
bibliotecas de colégios e universidades;
 os scriptoria e as bibliotecas monás-
ticos deixam de ser os únicos centros da 
vida intelectual;
 até o séc. XVI, os livros deixam de ser 
guardados nos armários e passam a ser 
acorrentados para permitir a consulta lo-
cal, evitando o roubo.
Na Idade Moderna:
 aparecimento das primeiras bibliote-
cas senhoriais e reais (séc. XIV/XVI);
 as bibliotecas novamente como sím-
bolo de riqueza, poder e prestígio;
 as bibliotecas reais, inicialmente com 
caráter privado, ficam primeiro acessíveis 
aos sábios e só a partir do séc. XVII se tor-
nam “públicas”;
 entre os séculos XIV e XV, desenvol-
vem-se ideias sobre a necessidade de as 
bibliotecas serem locais de estudo e re-
flexão e terem, para além de livros, um 
ambiente propício ao desenvolvimento de 
atividades intelectuais.
2.4 Tipos de Biblioteca
Uma classificação simples e pontual 
para as bibliotecas seria: públicas ou par-
ticulares. Nas bibliotecas públicas, o aces-
so aos livros costuma ser gratuito e mui-
tas vezes é possível emprestar livros por 
um determinado tempo, a depender das 
políticas definidas, que variam de acordo 
com o tipo de obra. As bibliotecas públicas 
buscam ser locais que propiciem à comuni-
dade acesso a informações que de alguma 
forma sejam úteis e ajudem a desenvolver 
a sociedade. No contexto atual, muitas bi-
bliotecas buscam oferecer infraestrutura 
para inclusão digital.
As bibliotecas particulares podem ser 
mantidas por instituições de ensino priva-
das, fundações, instituições de pesquisa 
ou grandes colecionadores. Algumas de-
las permitem acesso a sua coleção, per-
mitindo a pesquisadores, estudantes ou 
interessados o acesso às informações ar-
mazenadas em suas dependências.
Temos outros tipos. Vejamos:
As bibliotecas especializadas oferecem 
coleções de informações sobre determi-
nado tema, tais como Medicina, Matemá-
tica, Cinema, entre outros.
As bibliotecas comunitárias, geralmen-
te, situam-se em áreas residenciais e em 
bairros da periferia, recebendo pouco ou 
nenhum apoio governamental.
Normalmente, as coleções de livros nas 
bibliotecas são classificadas, de modo a 
facilitar a localização e consulta por parte 
dos usuários. A classificação pode obede-
cer diversos critérios, sendo mais comum 
a classificação por assuntos, e dentro do 
mesmo assunto, por nome do autor (alfa-
beticamente).
Ao longo da História, é possível 
classificar a evolução das bibliotecas, 
do seguinte modo:
a) Bibliotecas da Antiguidade:
minerais – que trabalham com o supor-
te de argila;
vegetais – as que utilizam o papiro 
como suporte;
animais – as que usam a pergaminho 
como suporte.
14 15
As características dessas bibliotecas 
são as seguintes: não são acessíveis ao 
público, templos e palácios. A religiosida-
de ficava a cargo de sacerdotes, o saber 
era sagrado e somente os sacerdotes sa-
biam ler. Havia ausência do leitor, pois os 
livros eram colocados em local inacessí-
vel, ou seja, os usuários não tinham aces-
so. O tipo de material utilizado na época 
eram as tabletas de argila, rolos de papiro 
ou pergaminho, até o ano 300 aproxima-
damente.
b) Bibliotecas comunitárias:
O número dessas bibliotecas tem au-
mentado nos últimos anos, no Brasil, 
inclusive com um sistema informal de 
empréstimo que dispensa até mesmo fun-
cionários: nesse sistema, o próprio inte-
ressado escolhe seu livro, anota seu nome 
em um papel, e retira a obra, entregando-
-a quando puder. É uma maneira inclusive 
de exercitar a cidadania e o senso de res-
ponsabilidade de cada um. Um exemplo 
desse sistema ocorre em Campanha (sul 
de Minas). No município, a ONG Sebocul-
tural organizou algumas bibliotecas em 
pontos-chave da cidade (rodoviária, dele-
gacia, entre outros), locais de acesso inin-
terrupto aos interessados. Na rodoviária, 
por exemplo, a biblioteca fica em uma sala 
sem portas, facilitando assim o acesso ir-
restrito não da comunidade, mas também 
de viajantes que usam o terminal.
c) Bibliotecas monacais ou monásti-
cas:
Existem três tipos de bibliotecas mo-
nacais que são as bibliotecas dos mostei-
ros, das catedrais ou capitulares, como 
por exemplo, a da Catedral de Chartres e 
bibliotecas dos Doutores da Igreja, como 
São Jerônimo, Santo Agostinho, São Ben-
to e São Isidoro, bispo de Sevilha.
As mais célebres bibliotecas monásti-
cas são a Biblioteca do Monte Athos, na 
Grécia, a Biblioteca de Cassiodoro, escri-
tor e estadista romano e a biblioteca de 
Monte Cassino.
d) Bibliotecas universitárias:
O grande acontecimento medieval que, 
de uma certa forma, decide os destinos de 
toda a civilização, e, por consequência, os 
destinos do livro, é a fundação das univer-
sidades. Estão a serviço dos estudantes e 
do pessoal docente das universidades e 
outros estabelecimentos de ensino. Cor-
respondem à unidade de informação de 
uma Universidade, pelo que as suas co-
leções devem refletir as matérias lecio-
nadas nos cursos e áreas de investigação 
da instituição. A documentação é, sobre-
tudo, de carácter científico e técnico, que 
deve ser permanentemente atualizada, 
através da aquisição frequente de um 
grande número de publicações periódicas 
em suporte papel ou eletrônico. A seleção 
da documentação é feita essencialmente 
pelos diretores de cada departamento da 
Universidade e não tanto pelo bibliotecá-
rio. Estas Instituições têm como objetivos 
principais: apoiar o ensino e a investiga-
ção; dar um tratamento técnico aprofun-
dado aos documentos, nomeadamente ao 
nível da indexação; e atualizar constante-
mente os fundos documentais.
e) Bibliotecas particulares:
As bibliotecas reais, dos grandes se-
nhores, mais tarde passaram a ser oficiais 
ou públicas. A mais importante biblioteca 
pública foi a Biblioteca de Carlos Magno – 
Rei dos Francos (768-814). Escritores e 
14 15
intelectuais usualmente possuem gran-
des bibliotecas, geralmente incorporadas 
a universidades após a mortedos donos.
f) Bibliotecas infantis:
Oferecem toda uma variedade de servi-
ços e fundos bibliográficos vocacionados 
especialmente para as crianças. Têm por 
missão criar e fortalecer hábitos de leitu-
ra nas crianças desde a mais tenra idade, 
familiarizar as crianças com os diversos 
materiais que poderão enriquecer as suas 
horas de lazer. Visam despertar as crian-
ças para os livros e a leitura, desenvolven-
do a sua capacidade de expressão, criati-
vidade e imaginação.
g) Bibliotecas hospitalares:
São bibliotecas normalmente criadas a 
partir da cooperação com o Ministério da 
Saúde e Educação, que visam a humaniza-
ção da assistência aos doentes. O seu ob-
jetivo é fazer com que o período de hos-
pitalização não seja um fator de exclusão 
para os doentes, pois, vêm-se afastados 
da família, amigos e de sua casa. Também 
tornar a sua “estadia” mais lúdica, alegre, 
o menos traumatizante possível, atenuar 
situações de angústia e sofrimento, me-
lhorar as relações com a equipe hospita-
lar e contribuir para o bem-estar físico e 
psíquico dos doentes. Os seus utilizado-
res são todos quantos vão ao hospital, 
crianças e pais, jovens, adultos e idosos, 
portanto, todos aqueles que se encon-
trem imobilizados no leito, em períodos 
de espera, em momentos transitórios ou 
livres de internamento, consulta ou aten-
dimento ambulatório. Os profissionais de 
saúde, médicos, enfermeiros e voluntá-
rios, exercem papel de mediadores entre 
os livros, a leitura e os doentes, pois, vão 
espalhando a leitura pelos vários ambien-
tes dos hospitais públicos do País.
h) Bibliotecas do século XXI:
Podemos dizer que uma biblioteca é hí-
brida, quando conta com espaços, servi-
ços e coleções simultaneamente físicos e 
virtuais, em que as novas tecnologias de 
informação e comunicação passam a ser 
a base do serviço e da inter-relação com o 
utilizador; passando a oferecer ao cidadão 
um conjunto de informações que as novas 
tecnologias tornam disponível, mas já de 
forma tratada e selecionada, possibilitan-
do uma maior rapidez de acesso à infor-
mação (PINHO; MACHADO, 2003).
16 1716
A Biblioteca Nacional (BN) é o órgão 
responsável pela execução da política go-
vernamental de captação, guarda, preser-
vação e difusão da produção intelectual 
do País. Com mais de 200 anos de história, 
é a mais antiga instituição cultural brasi-
leira.
UNIDADE 3 - A Primeira Biblioteca 
no Brasil – Biblioteca Nacional
Possui um acervo de aproximadamente 
9 milhões de itens e, por isso, foi conside-
rada pela UNESCO (Organização das Na-
ções Unidas para a Educação, a Ciência e 
a Cultura) como uma das principais biblio-
tecas nacionais do mundo. Para garantir 
a manutenção desse imenso conjunto de 
obras, a BN possui laboratórios de restau-
ração e conservação de papel, oficina de 
encadernação, centro de microfilmagem, 
fotografia e digitalização.
O acervo da BN cresce constantemente 
a partir da lei do depósito legal – que as-
segura o registro e a guarda da produção 
intelectual nacional, além de possibilitar 
o controle, a elaboração e a divulgação 
da Bibliografia Brasileira corrente, bem 
como a defesa e a preservação da língua 
e da cultura nacionais –, além de doações 
e aquisições.
A BN se caracteriza como uma bi-
blioteca “nacional” por:
 ser beneficiária do instituto do Depó-
sito Legal;
 elaborar e divulgar a bibliografia bra-
sileira corrente, através dos Catálogos 
on-line;
 ser o centro nacional de permuta bi-
bliográfica, com campo de ação interna-
cional.
O Portal Institucional da BN consoli-
da informações sobre a instituição, bem 
como seu acervo e serviços, permitindo 
o acesso aos Catálogos on-line, ao acervo 
da BNDigital e ao conjunto de serviços dis-
ponibilizados via Internet.
O núcleo original da Biblioteca Nacio-
nal do Brasil é a antiga livraria de D. José, 
organizada sob a inspiração de Diogo Bar-
bosa Machado, Abade de Santo Adrião de 
Sever. A coleção de livros foi iniciada para 
substituir a Livraria Real, que foi consumi-
da pelo incêndio que sucedeu o terremoto 
de Lisboa de 1º de novembro de 1755.
A linha do tempo que conta a história da 
Biblioteca Nacional é extensa, portanto, 
escolhemos alguns eventos que conside-
ramos mais importantes. Todo o material 
aqui apresentado está na página oficial 
da BN. Caso desejem enriquecimento sin-
tam-se a vontade para navegar por lá (ht-
tps://www.bn.br/).
Então vamos a uma breve e entrecorta-
da retrospectiva...
1808: Chegada do acervo inicial
Início do itinerário da Real Biblioteca no 
16 1717
Brasil, com a chegada de D. João VI e sua 
corte ao Rio de Janeiro, como consequên-
cia da invasão de Portugal pelas tropas de 
Napoleão Bonaparte. Junto com a comiti-
va, desembarcaram cerca de 60 mil peças, 
entre livros, manuscritos, mapas, estam-
pas, moedas e medalhas.
1810: Fundação da Real Biblioteca
Por decreto de 27 de julho, o acervo 
foi acomodado nas salas do Hospital da 
Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direi-
ta, hoje Rua Primeiro de Março. Em 29 de 
outubro, data oficial da fundação da Real 
Biblioteca, um novo decreto determinava 
que “nas catacumbas do Hospital do Car-
mo se erija e acomode a Real Biblioteca e 
instrumentos de Física e Matemática, fa-
zendo-se à custa da Fazenda Real toda a 
despesa conducente ao arranjo e manu-
tenção do referido estabelecimento”.
1810 a 1821: Nomeação dos primei-
ros dirigentes
Frei Gregório José Viegas e padre Joa-
quim Dâmaso são nomeados os primeiros 
dirigentes da Biblioteca, cargo então de-
nominado como “prefeito ou encarregado 
do arranjamento e conservação”.
1821: Parte do acervo volta a Portu-
gal
Família Real regressa a Portugal e leva 
de volta os Manuscritos da Coroa.
1822: Início do que hoje é a Lei do De-
pósito Legal
Por determinação do governo imperial, 
a Biblioteca passa a receber um exemplar 
de todas as obras, folhas periódicas e vo-
lantes impressos na Tipografia Nacional, 
fato precursor do que hoje é a Lei do De-
pósito legal.
1825: Aquisição pelo Brasil
A Biblioteca é adquirida pelo Brasil, por 
800 contos de réis, quantia, então, con-
siderada exorbitante. A compra foi regu-
lamentada pela Convenção Adicional ao 
Tratado de Paz e Amizade, celebrado en-
tre o Brasil e Portugal, em 29 de agosto.
1876: Nome definitivo
A instituição passa a se chamar defini-
tivamente Biblioteca Nacional, depois de 
ser denominada de Real Biblioteca e Bi-
blioteca Imperial e Pública.
1876: Criação dos Anais da Bibliote-
ca Nacional
É lançada a publicação periódica “Anais 
da Biblioteca Nacional”, a mais antiga de 
instituição, que é editada até hoje. Seu 
objetivo é divulgar documentos precio-
sos, livros raros e peças curiosas, além 
de publicar manuscritos interessantes e 
trabalhos bibliográficos de merecimento. 
Foi a primeira forma encontrada de levar a 
público os tesouros da Biblioteca, antigos 
e contemporâneos.
1881: Exposição de História do Brasil
É publicado o famoso Catálogo da Ex-
posição de História do Brasil, com 1.758 
páginas de texto, mais 98 de índices e um 
Suplemento, este lançado em 1883. Até 
hoje este Catálogo é o orgulho da Bibliote-
ca, pelo seu tamanho e abrangência. Re-
úne o que de melhor se publicou no Bra-
sil sobre o assunto e ainda é consultado 
como instrumento essencial de pesquisa 
por historiadores, sociólogos, geógrafos, 
economistas, entre outros.
1885: Luz elétrica na Biblioteca
18 19
A iluminação à gás da Biblioteca é substi-
tuída pela luz elétrica.
1885: Crescimento do acervo
O acervo já soma 140 mil volumes im-
pressos, sem incluir os manuscritos, nem o 
conjunto iconográfico.
1888: Contagem soma mais obras
Novo inventário é realizado e a quanti-
dade de livros já chega a quase 171 mil.
1891: Doação do imperador D. Pedro 
II
Com a proclamação da República, D. Pe-
dro II retorna a Portugal e, antes de partir, 
doa um conjunto de aproximadamente 100 
mil obras, que pede que seja denomina-
do “Collecção D. Thereza Christina Maria”, 
em homenagem à imperatriz, sua esposa. 
É a maior doação já recebida e sua chega-da demandou reformas e criação de novos 
espaços no prédio para comportar o acrés-
cimo no acervo. A coleção reúne livros, pu-
blicações seriadas, mapas, partituras, de-
senhos, estampas, fotografias, litografias 
e outros documentos impressos e manus-
critos.
1900: Crescimento do acervo impres-
siona
À beira do novo século, a Biblioteca ocu-
pa um prédio que não comporta mais o seu 
acervo, que cresce em progressão impres-
sionante. Calcula-se um total de 705.332 
peças, sendo 292.541 livros impressos.
1902: Primeira máquina de escrever
A máquina de escrever é introduzida na 
Biblioteca, facilitando o trabalho dos fun-
cionários.
1902: Melhorias na organização do 
acervo
São instituídos o Catálogo Coletivo das 
bibliotecas da cidade, a catalogação coo-
perativa e a Classificação Decimal Univer-
sal (CDU). É lançado o Boletim Bibliográfi-
co, dentro das normas da CDU, que evoluiu 
para a atual Bibliografia Brasileira.
1903: Tipografia e encadernação
São inauguradas ainda no prédio da rua 
do Passeio, as oficinas tipográfica e de en-
cadernação, que foram depois transferidas 
para o novo edifício na avenida Central.
Biblioteca Nacional: esboço
18 19
 1905: Início da construção do prédio 
atual
É lançada a pedra fundamental do atual 
prédio da Biblioteca Nacional, localizado 
na majestosa Avenida Central, hoje Ave-
nida Rio Branco. Uma festividade marca 
o início da construção, com a presença do 
então Presidente da República, Rodrigues 
Alves, e toda a cúpula do Governo. As pes-
soas mais importantes ganham uma me-
dalha comemorativa, de autoria de Au-
gusto Girardet, e a ata desenhada pelo 
pintor Rodolfo de Amoedo e gravada em 
água-forte por Modesto Brocos.
Biblioteca Nacional: hoje
 1907: Legislação do Depósito Legal
É promulgado pelo presidente da Repú-
blica Afonso Augusto Moreira Pena o De-
creto de Contribuição Legal, que obriga o 
envio à Biblioteca de um exemplar de to-
das as publicações produzidas em territó-
rio nacional. A legislação está até hoje em 
vigor, sob a forma da Lei nº 10.994 de 14 
de dezembro de 2004.
1915: Primeiro Curso de Biblioteco-
nomia
É criado o primeiro Curso de Bibliote-
conomia, dentro da própria Biblioteca Na-
cional, para especializar os funcionários. 
O curso, cujas atividades foram iniciadas 
em 1915, foi o primeiro da América Latina 
e o terceiro no mundo. Seguia o modelo 
da École de Chartres, na França, que era o 
melhor da época. Além do ensino teórico, 
havia a parte prática, que era feita na pró-
pria Biblioteca.
1946: Nova forma de catalogação
É adotado um dos métodos de catalo-
gação mais revolucionários da época, de 
acordo com o modelo da American Library 
Association, o Catálogo Dicionário.
1946: Serviço especial de obras raras
Pelo Decreto-Lei nº 8 679 é criada a Di-
visão de Obras Raras e Publicações. Pela 
primeira vez é criado um serviço especia-
lizado para selecionar e zelar pelas obras 
raras pertencentes ao acervo que já, na-
quela época, era mais extenso e valioso 
20 21
do que o encontrado em qualquer bibliote-
ca latino-americana.
1960: Comemorações do sesquicen-
tenário
No sesquicentenário da instalação da Bi-
blioteca Nacional (1810-1960), é organiza-
do um programa cultural nacional e interna-
cional. No Brasil são realizadas a exposição 
Affonso Celso, a exposição do I Congresso 
Brasileiro de Crítica e História Literária, a 
exposição Frederico Chopin e a exposição 
de Incunábulos. No exterior acontecem 
exposições do Livro Brasileiro Contempo-
râneo em Paris, Praga, Roma, Assunção, 
Utrecht, Nova Iorque e Wisconsin.
1978: Criação do PLANO
É criado o Plano Nacional de Microfilma-
gem de Periódicos Brasileiros – PLANO, que 
visa preservar a produção jornalística do 
país e supervisiona uma rede nacional de 
microfilmagem.
1978: Novo formato de catalogação
São lançadas as bases do formato CALCO 
(Catalogação Legível por Computador), me-
todologia a ser adotada em nível nacional, 
com vistas à compatibilidade de normas 
para a troca de informações em nível inter-
nacional.
1978: Implantação do sistema ISBN
É implantado o sistema ISBN, de nume-
ração internacional do livro, que beneficia 
autores e editores. Para atender ao alto 
índice de solicitações de informações le-
gais, é instalado na Biblioteca um terminal 
de processamento de dados ligado direta-
mente ao sistema do Senado Federal, em 
Brasília.
1982: Automatização do Catálogo
A Biblioteca integra-se ao sistema Bi-
bliodata/Calco da Fundação Getúlio Vargas, 
desenvolvendo o catálogo automatizado 
em formato MARC (Catalogação Legível por 
Computador).
1984: Incorporação do Banco de Te-
ses
O Banco de Teses, antes de responsabi-
lidade da CAPES – Coordenação de Aper-
feiçoamento de Pessoal de Nível Superior 
–, passa a ser de competência da Biblioteca 
Nacional, que recebe trabalhos enviados 
pelas diversas universidades do país.
2006: BNDigital
Criação da Biblioteca Nacional Digital 
(BNDigital), que integra todas as coleções 
digitalizadas, posicionando a FBN na van-
guarda das bibliotecas da América Latina e 
igualando-a às maiores bibliotecas do mun-
do no processo de digitalização de acervos 
e acesso a obras e serviços via Internet.
2014: Nova plataforma para os catá-
logos
É adquirido o software Sophia de auto-
mação bibliográfica e iniciada a migração 
dos catálogos para uma nova plataforma.
3.1 Depósito Legal
Para assegurar a coleta, a guarda e a di-
fusão da produção intelectual brasileira, vi-
sando à preservação e formação da Coleção 
Memória Nacional, foi estabelecido o dispo-
sitivo de Depósito Legal, incluindo obras de 
natureza bibliográfica e musical.
O Depósito Legal é definido pelo envio 
obrigatório de no mínimo um exemplar de 
todas as publicações produzidas em territó-
rio nacional, por qualquer meio ou processo, 
para distribuição gratuita ou venda, no pra-
20 21
zo máximo de 30 dias após sua publicação.
O cumprimento de leis de Depósito Le-
gal Estadual não isenta a obrigatoriedade 
do Depósito Legal Federal através do envio 
das publicações para a Biblioteca Nacional 
por meio dos Correios ou da entrega direta 
no edifício Sede. As remessas deverão ser 
acompanhadas de carta ou documento si-
milar contendo lista dos títulos e os dados 
do depositante (nome, endereço completo, 
telefones e e-mails) para emissão de recibo.
Não é necessário efetuar o pagamento 
de taxas específicas para a Biblioteca Na-
cional para fins de depósito legal nem pre-
encher formulários.
Duas leis regem o Depósito Legal, 
dependendo do tipo de obra:
 lei nº 10.994, de 14/12/2004, para as 
obras de natureza bibliográfica;
 lei nº 12.192, de 14/01/2010, para as 
obras de natureza musical – partituras, fo-
nogramas e videogramas musicais.
O depósito deverá ser efetuado pela 
pessoa física ou jurídica responsável pela 
impressão, cabendo ao seu editor e ao au-
tor verificar a efetivação dessa medida. Já 
no caso de obras musicais, essa verificação 
cabe à editora, ao produtor fonográfico e ao 
produtor videográfico.
Guarde...
Obs.: consulte as respectivas legislações 
para conhecer seus pormenores.
O que deve ser enviado para o De-
pósito Legal:
 livros;
 periódicos;
 partituras;
 fonogramas;
 videogramas.
O que não deve ser enviado para o 
Depósito Legal:
 publicações com fins publicitários;
 cartazes de material de propaganda;
 publicações em xerox do original publi-
cado;
 calendários/cadernetas escolares;
 agendas;
 recortes de jornais;
 obras não editadas (no prelo);
 provas de impressão ou ‘bonecas’;
 folders/convites;
 monografias/teses universitárias (sua 
guarda e tratamento são de competência 
das respectivas universidades de origem).
Maiores informações: https://www.
bn.br/sobre-bn/deposito-legal
3.2 O acervo de obras raras
O Acervo Especial de Obras Raras é cons-
tituído de material diversificado, oriundo 
de diversas coleções da própria Biblioteca 
Nacional, de acordo com dois critérios prin-
cipais de seleção: raridade e preciosidade. 
Ou seja, não basta que a obra seja antiga, 
é preciso tambémque seja única, inédita, 
faça parte de alguma edição especial ou 
apresente algum traço de distinção, como 
uma encadernação de luxo ou o autógrafo 
de uma celebridade – como D. Pedro II, Co-
elho Neto, Carlos Drummond de Andrade 
ou Jorge Amado. Integram também a esse 
acervo, periódicos raros publicados até o 
século XIX.
Esta preciosa coleção encanta os visitan-
22 23
tes com suas peças do século XV ao século 
XX, entre as quais se destacam os primeiros 
documentos gerados pelo processo de im-
pressão por tipos móveis, os ‘incunábulos’. 
Com frequência, o público também pode 
apreciar exposições que mostram exem-
plares raros deste rico acervo. A montagem 
dessas mostras tem também o propósito de 
despertar o sentimento de pertencimento 
na população, ao perceber o valor deste pa-
trimônio que o Brasil possui.
Ao todo, são mais de dois mil metros line-
ares de itens em estantes, gavetas e cofres, 
abrigados em um espaço que, por guardar 
esse rico tesouro, é considerado uma sala-
-cofre. O local ganhou o nome de seu patro-
no, João Antônio Marques, bibliófilo flumi-
nense residente em Portugal, que doou sua 
valiosa coleção de ‘incunábulos’, edições 
princeps, camonianas e outros impressos e 
manuscritos relativos ao período colonial.
Obras originárias de diferentes na-
ções são preservadas de acordo com:
 a grandeza de sua Brasiliana (livros so-
bre o Brasil, impressos ou gravados entre os 
séculos XVI e XIX, e livros de autores brasi-
leiros impressos ou gravados no estrangei-
ro até 1808);
 a recorrência de “incunábulos” brasilei-
ros;
 o caráter intelectual e histórico de seus 
títulos;
 a riqueza material de suportes (couros, 
pergaminhos, madeiras, papéis de trapo e 
de madeira, sedas, veludos e tafetás).
Preciosidades:
 pergaminho datado do século XI com 
manuscritos em grego sobre os quatro 
Evangelhos, o exemplar mais antigo da Bi-
blioteca Nacional e da América Latina;
 a Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira 
obra impressa a conter informações como 
data, lugar de impressão e os nomes dos im-
pressores, os alemães Johann Fust e Peter 
Schoffer, ex-sócios de Gutenberg;
 a crônica de Nuremberg, de 1493, con-
siderado o livro mais ilustrado do século XV, 
com mapas xilogravados tidos como os mais 
antigos em livro impresso;
 a Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 
1569, Obra monumental do mais renomado 
impressor do século XVI – Cristóvão Plantin;
 a primeira edição de “Os Lusíadas”, de 
1572;
 a primeira edição da “Arte da gramática 
da Língua Portuguesa”, escrita pelo Padre 
José de Anchieta em 1595;
 o “Rerum per octennium...Brasília”, de 
Baerle (1647), com 55 pranchas a cores de-
senhadas por Frans Post;
22 23
 exemplar completo da famosa Ency-
clopédie Française, uma das obras de re-
ferência para a Revolução Francesa;
 o primeiro jornal impresso do mundo, 
datado de 1601;
 exemplar único e considerado raríssi-
mo do livro publicado em 1605 pelo autor 
Hrabanus Maurus, que criou o caça-pala-
vras em forma de poesia visual.
3.3 ISBN
A Biblioteca Nacional (BN) é responsá-
vel pela supervisão e gerência técnica da 
Agência Brasileira do International Stan-
dard Book Number – ISBN desde 1978. 
Para solicitar o ISBN é necessário:
 ser cadastrado na Agência;
 preencher o formulário de solicitação 
do ISBN em uma via para cada título a ser 
publicado;
 enviar juntamente com o formulário 
a cópia da folha de rosto da obra a ser pu-
blicada.
Para obter mais esclarecimentos, aces-
se o portal da Agência Brasileira do ISBN, 
que reúne todas as informações refe-
rentes ao sistema no país. (https://www.
bn.br/servicos/isbn)
Criado em 1967 e oficializado como 
norma internacional em 1972, o ISBN – In-
ternational Standard Book Number – é um 
sistema que identifica numericamente os 
livros segundo o título, o autor, o país e a 
editora, individualizando-os inclusive por 
edição.
O sistema é controlado pela Agência In-
ternacional do ISBN, que orienta e delega 
poderes às agências nacionais. No Brasil, a 
Fundação Biblioteca Nacional representa 
a Agência Brasileira com a função de atri-
buir o número de identificação aos livros 
editados no país.
A partir de 1º de janeiro de 2007, o ISBN 
passou de dez para 13 dígitos, com a ado-
ção do prefixo 978. O objetivo foi aumen-
tar a capacidade do sistema, devido ao 
crescente número de publicações, com 
suas edições e formatos.
Para cumprir a missão de informar e 
atender aos editores, livreiros, bibliotecas 
e distribuidores brasileiros, a Fundação 
Biblioteca Nacional reúne neste novo por-
tal da Agência Brasileira todas as informa-
ções referentes ao sistema ISBN no país. 
(http://www.isbn.bn.br/website/)
3.4 Plano Nacional de Mi-
crofilmagem de Periódicos 
Brasileiros – PLANO
Criado em 1978, em parceria com a 
Fundação Casa de Rui Barbosa, o PLANO 
tem como objetivos identificar, localizar, 
organizar, recuperar e preservar, através 
da microfilmagem, o acervo hemerográfi-
co brasileiro.
24 25
Com uma rede de núcleos nacionais, 
trata-se do maior programa desenvolvido 
em uma instituição pública, direcionado 
exclusivamente à preservação dos perió-
dicos brasileiros.
Para participar do PLANO é necessá-
rio enviar um e-mail para comic@bn.org.
br com informações sobre os periódicos a 
serem microfilmados. Se houver interes-
se por parte da Biblioteca Nacional (BN), é 
assinado um convênio para firmar o inter-
câmbio. As publicações podem ser micro-
filmadas pela própria instituição aderente 
ou pela BN. As bases do acordo são defini-
das conforme cada caso.
3.5 O acervo da Biblioteca 
Nacional
O acervo da Biblioteca Nacional está 
dividido em: Cartografia, Iconografia, Ma-
nuscritos, Música e Arquivos Sonoros, 
Obras Gerais, Obras Raras, Periódicos, 
Obras de Referência e Coleções; BN Digi-
tal, Hemeroteca Digital.
a) Cartografia
O acervo cartográfico da Biblioteca 
Nacional é composto por mais de 22 mil 
mapas, entre manuscritos e impressos, 
e aproximadamente 2.500 atlas, além de 
diversas monografias e tratados sobre o 
tema.
A coleção engloba peças de expressi-
vo valor artístico e histórico, não apenas 
do Brasil, como também do império ul-
tramarino português e de outras partes 
do mundo. O conjunto cartográfico – que 
inclui mapas e atlas – é de especial valor 
porque permite o estudo da técnica car-
tográfica, bem como de suas mudanças e 
evolução ao longo dos séculos.
Destacam-se, por exemplo, o planisfé-
rio de Sebastian Munster, de 1552, a que 
pertence a obra “Cosmographia universa-
lis”, e as sucessivas edições da Geografia 
de Cláudio Ptolomeu, com mapas xilogra-
vados, gravados em metal e aquarelados.
24 25
A mais antiga, de 1486, abrange o mun-
do conhecido no século XV (Europa, África 
e Ásia) e descreve o Oceano Índico como 
um mar fechado, seguindo a teoria ptolo-
maica de que ao sul do continente africa-
no os oceanos não estabeleciam qualquer 
ligação. Embora a Geografia de 1486 seja 
uma reedição da de 1482, publicada em 
Ulm, difere com dois textos suplemen-
tares Registrum Alphabeticum (Registro 
alfabético) e De locis ac mirabilus mundi 
(um tratado anônimo sobre as maravilhas 
do mundo).
O acervo possui ainda o “atlas e o mapa 
mural de Miguel Antônio Ciera”, astrôno-
mo italiano contratado pela coroa portu-
guesa para participar nos levantamentos 
das fronteiras na Região Sul do Brasil com 
o objetivo de estabelecer as demarcações 
do Tratado de Madri de 1750. Apesar de 
sua vasta produção cartográfica, só se 
tem conhecimento desses dois desenhos 
cartográficos, que foram nomeados no 
Registro Nacional Programa Memória do 
Mundo da UNESCO (MowBrasil) e no Re-
gistro Programa Memória do Mundo na 
América Latina e Caribe (MowLac), em 
2012.
Caso deseje acessar o acervo: http://
acervo.bn.br/sophia_web/index.html
b) Iconografia
O Acervo Iconográfico armazena e pre-
serva o maior patrimônio de imagens do 
país, reunindo desde desenhos, caricatu-
ras, gravuras e fotografias – muitos deles 
considerados obras de arte – até livros 
relacionados às artes visuais. Tambémin-
tegram o acervo peças chamadas de ‘efê-
meras’, que incluem recortes de jornais e 
revistas, cartazes, cartões postais e ca-
lendários.
Muitos trabalhos já foram publicados 
a partir das peças contidas neste acervo, 
abrangendo ensaios e catálogos de ex-
posições, que representam uma valiosa 
contribuição à pesquisa iconográfica bra-
sileira.
São guardadas coleções de gravuras da 
mais alta importância, como a de Albre-
cht Dürer (1471-1528), desenhos italianos 
com peças em sanguínea que vão do sé-
culo XV ao século XVIII, gravuras de Jac-
ques Callot (1592-1635), a grande coleção 
de Giovani Baptista Piranesi (1720-1778), 
Los Desastres de La Guerra, de Don Fran-
cisco Goya (1746-1828), estudos de Eliseu 
Visconti (1866-1944), e aquarelas de Mo-
desto Brocos (1852-1936).
http://acervo.bn.br/sophia_web/index.html
c) Manuscritos
O acervo de Manuscritos abriga mais 
de 900 mil documentos, incluindo arqui-
vos pessoais, institucionais, documentos 
históricos e obras literárias, muitas de au-
26 27
tores fundamentais para a literatura bra-
sileira, como Lima Barreto, Carlos Drum-
mond de Andrade e Euclides da Cunha, 
entre outros. Os originais, datados desde 
o século XI até os dias de hoje, abrangem 
tanto peças avulsas quanto encaderna-
das.
 
Os itens de maior relevância histórica 
provêm da Real Biblioteca e foram trazi-
dos para o Brasil pela família real portu-
guesa em 1808. Desde então, o acervo 
está em constante crescimento e reúne 
manuscritos em português arcaico, clássi-
co e contemporâneo, grego, latim e persa, 
com os mais variados tipos de escrita e su-
portes.
Estão disponíveis para consulta mais de 
240 coleções registradas e catalogadas, 
cada uma delas com seu inventário deta-
lhado.
Técnicas sofisticadas são utilizadas 
para o estudo de determinados docu-
mentos, tais como a Paleografia – estudo 
de escritas antigas, que ajuda a decifrar 
textos muito difíceis, aparentemente ile-
gíveis para olhos pouco treinados, como, 
por exemplo, a carta de Pero Vaz de Cami-
nha.
A preservação dos documentos de-
manda cuidados permanentes e sua cata-
logação é feita de acordo com o estado de 
conservação e condição física. Por ser um 
suporte muito frágil, o papel é manusea-
do somente com luvas próprias. Os origi-
nais são acondicionados em capas com 
pH neutro e guardados em arquivos des-
lizantes, em gavetas próprias para a con-
servação. Clips e outros objetos metálicos 
são removidos para evitar que a oxidação 
comprometa ou piore o estado das peças.
d) Música e Arquivos Sonoros
O acervo, com mais de 250 mil peças, 
reúne uma vasta coleção de livros, parti-
turas, fotografias, autógrafos de compo-
sitores ilustres, programas de concerto, 
manuscritos e libretos de ópera, todos 
eles guardando alguma relação com a 
história da música no Brasil e no mundo. 
Além de peças raras, muitas delas doadas 
por compositores e maestros renomados, 
o pesquisador também encontra uma am-
pla coleção de LPs, CDs e DVDs.
É um dos mais importantes acervos mu-
sicais existentes no País, de fundamental 
relevância para pesquisadores e musicó-
logos.
 
26 27
Hoje sediado no 3º andar do Palácio 
Capanema, o acervo foi criado em 1952, 
por iniciativa do então diretor e escritor 
Eugênio Gomes (1897-1972), a partir de 
relíquias, como livros raros e partituras, 
extraídas da coleção geral da Biblioteca 
Nacional pela bibliotecária e musicóloga 
Mercedes Reis Pequeno (1921-2015).
PRECIOSIDADES: a base do Acervo de 
Música e Arquivo está nas peças trazidas 
de Portugal por D. João VI, pertencentes 
à chamada Real Biblioteca, abrangendo, 
dentre outros documentos, livros, parti-
turas, libretos de óperas, livros litúrgicos, 
missais e tratados. Também merece gran-
de destaque a Coleção Thereza Christina 
Maria, constituída de obras que perten-
ceram às imperatrizes D. Leopoldina e D. 
Thereza Christina, incluindo partituras 
em primeiras edições de Mozart, Haydn, 
Beethoven, Pleyel, além de livros raros e 
exemplares do periódico Brazil Musical, 
dedicado a S.M a Imperatriz do Brasil.
Outras importantes coleções, como a 
do Conde da Barca, J.A. Marques e Salva-
dor Mendonça estão também representa-
das com obras dos séculos XVI e XVII.
Ao longo dos anos, o acervo foi enri-
quecido através de contribuições legais, 
doações e compras. Na década de 1950, 
destaca-se a aquisição, por lei do Congres-
so Federal, da biblioteca musical do cea-
rense Abrahão de Carvalho (1891-1970), 
a maior particular do Brasil, com cerca de 
17 mil peças, que impulsionou de maneira 
definitiva a estruturação de um acervo de 
música para a Biblioteca Nacional. Nela se 
podem destacar as seguintes raridades:
 obras do teórico e filósofo Gioseffo 
Zarlino (1517-1590);
 tratados de Jean Philippe Rameau 
(1683-1764) e de Francisco Ignácio Sola-
no (c.1720-1800);
 primeiras edições de composições de 
Franz Liszt (1811-1886);
 a obra “Regole del contrapunto pra-
tico” (Nápoli, 1794), de Nicola Sala (1713-
1801), único exemplar no Brasil;
 compêndio de Música Theorica e Pra-
tica (Porto, 1816) do frei Domingos de São 
José Varella, a Primeira parte do Index da 
Livraria de Música do Muyto Alto, e Pode-
roso Rey Dom João IV, Nosso Senhor, ano 
1640, que fala do tesouro musical, des-
truído pelo grande terremoto de Lisboa 
de 1755;
 Ricardo Wagner e Francisco Liszt, 
Recordações pessoais (Lisboa, 1874), de 
Platon de Waxel, impresso apenas em 50 
exemplares, dos quais Abrahão de Carva-
lho possuía o volume de nº 23.
A compra da coleção Luciano Gallet 
(1893-1931) incorporou também a obra 
do compositor Glauco Velazquez (1883-
1914), que se encontrava em poder da-
quele compositor e amigo.
Por meio de doações de particulares 
foram somados ao acervo autógrafos 
dos compositores Oscar Lorenzo Fernan-
dez (1897-1948), Alberto Nepomuceno 
(1864-1920), Francisco Braga (1868-
28 29
1945), Meneleu Campos (1872-1927), 
Brasílio Itiberê (1896-1967), Ernesto Na-
zareth (1863-1934), Francisco Mignone 
(1897-1986), César Guerra-Peixe (1914-
1993), Helza Cameu (1903-1995), entre 
outros.
Na coleção de manuscritos musicais 
de compositores brasileiros destacam-se 
as óperas Il Guarany, Fosca, Maria Tudor 
e Salvator Rosa, de Carlos Gomes (1836-
1896), grande referência musical do Bra-
sil. Este conjunto documental recebeu em 
2009 a Nominação no Registro Nacional 
Brasil do Comitê Nacional do Brasil do Pro-
grama Memória do Mundo da Unesco, o 
que confirma o valor excepcional do acer-
vo.
e) Obras Gerais
O acervo possui mais de um milhão de 
peças para consulta imediata, composto 
por monografias, teses e folhetos, do sé-
culo XVIII aos dias atuais. Nesta coleção, 
destacam-se as edições Princeps de lite-
ratura nacional, parcialmente disponíveis 
em microfilme.
O Acervo de Obras Gerais da BN reúne 
livros, teses, folhetos, entre outros, do 
século XVIII aos dias atuais, com total es-
timado em cerca de dois milhões de peças. 
Ocupa aproximadamente 18 km lineares 
de prateleiras e suas obras estão armaze-
nadas nos prédios Sede e Anexo. Concen-
tra a maior quantidade de pesquisadores 
da BN, atendendo uma média de 2 mil pes-
quisadores por mês.
O acervo é composto por livros que 
chegam em cumprimento à Lei de Depó-
sito Legal. Esse material é processado 
tecnicamente por equipe especializada da 
Biblioteca Nacional e enviado para ser lo-
calizado no armazém de livros, que ocupa 
seis andares do Prédio Sede.
Em Obras Gerais, o pesquisador encon-
tra um acervo multidisciplinar que inclui 
Literatura brasileira e estrangeira, livros 
jurídicos, livros didáticos, Literatura in-
fantojuvenil, Religião, Ciências, Meio Am-
biente, Física, Medicina, Astrologia, His-
tória, Geografia, Informática, Botânica e 
muitos outros. As obras no acervo estão 
à disposição para consulta pelos pesqui-
sadores, mas não podem ser emprestadas 
em nenhuma hipótese. Já sua reprodução 
está condicionada à observância da Lei de 
Direitos Autorais (Lei nº 9.610, de 19 de 
fevereiro de 1998) e ao estado de conser-
vação de cada uma.Mais informações: http://acervo.bn.br/
sophia_web/index.html
f) Obras Raras
Já falamos anteriormente.
g ) Periódicos
Criado em 1922, o acervo de publica-
ções seriadas da Biblioteca Nacional – 
também conhecido como periódicos – tem 
como finalidade a curadoria, tratamento e 
preservação de jornais, revistas, anuários 
e todos os veículos com circulação regu-
lar – diária, semanal, quinzenal, mensal ou 
outras – confiados à instituição por força 
da Lei de Depósito Legal.
28 29
 Em virtude das obras do projeto “He-
meroteca Brasileira”, a Fundação Bibliote-
ca Nacional comunica que o acervo físico 
de periódicos, teses e dissertações que se 
encontra armazenado no prédio anexo fi-
cará indisponível para consulta a partir do 
dia 02 de janeiro de 2015.
As obras serão realizadas no 2º, 3º e 
4º pavimentos do Prédio Anexo e terão 
a finalidade de preparar os espaços dos 
pavimentos para proporcionar condições 
ambientais modelares à guarda e conser-
vação do acervo.
O acervo reúne importantes coleções 
históricas, como a extinta Gazeta do Rio 
de Janeiro (1808) – primeiro jornal impres-
so no Brasil, cujo lançamento marca o sur-
gimento da imprensa no Brasil –, o Diário 
de Pernambuco (1825) – considerado o 
jornal mais antigo da América Latina ain-
da em circulação – e o acervo dos Diários 
Associados – organização jornalística fun-
dada por Assis Chateaubriand –, além de 
títulos diversos de variedades, entreteni-
mento e de caráter acadêmico.
Entre as curiosidades, destacam-se o 
Vossa Senhoria, registrado pelo Guinness 
World Records como o menor jornal do 
mundo, o Correio Braziliense, o primeiro 
jornal brasileiro, publicado em Londres de 
1808 a 1822 por Hipólito José da Costa, e 
que permanece como importante fonte 
para estudos históricos, políticos, sociais 
econômicos e literários, O Malho (1902), 
a primeira revista brasileira a usar cor em 
suas páginas e o Tico-Tico (1905), a pri-
meira revista de histórias em quadrinhos 
nacional.
As publicações podem ser consultadas 
na Hemeroteca Digital Brasileira (HDB), 
disponível via Internet sem qualquer res-
trição de acesso, ou na própria Biblioteca 
Nacional, seja pelo acesso à HDB por meio 
dos computadores disponíveis na Sala da 
Coordenadoria, através de leitoras de mi-
crofilme e de impressos.
h) Obras de Referência e Coleções
O Acervo de Referência da Biblioteca 
Nacional possui cerca de oito mil títulos 
e é o único que oferece ao usuário livre 
acesso às estantes, nas quais as obras 
estão organizadas por assunto. Diversifi-
30 31
cado, abrange todas as áreas do conheci-
mento, sendo composto principalmente 
por enciclopédias – nacionais e estrangei-
ras – e dicionários.
Entre os dicionários, destacam-se os 
modernos e antigos da Língua Portugue-
sa, como o Diccionario da Lingua Portu-
gueza composto pelo padre D. Rafael Blu-
teau (1789). Também estão disponíveis 
para consulta uma ampla variedade de 
dicionários em áreas como:
 Biografias;
 Política;
 Economia;
 Pseudônimos;
 Línguas estrangeiras e dialetos;
 Ciências Sociais;
 Folclore brasileiro;
 Astronomia e Astronáutica;
 Medicina;
 Religião;
 Especialidades farmacêuticas (DEF);
 Botânica, tais como o dicionário das 
plantas úteis do Brasil e das exóticas cul-
tivadas por Manoel Pio Corrêa.
Também se destacam no Acervo de Re-
ferência peças como Bíblias, atlas, guias 
de turismo – tanto nacionais quanto in-
ternacionais –, constituições brasileiras, 
índices biobibliográficos e dicionários e 
enciclopédias em segmentos como:
 cinema;
 culinária e nutrição;
 esportes;
 História de países, Estados, cidades e 
bairros, entre outros;
 Literatura nacional e estrangeira;
 pintura;
 teatro;
 televisão.
Vale ressaltar a disponibilidade de 
obras como a Enciclopédia Saraiva do Di-
reito, os dicionários sobre o Rio Antigo, a 
Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, o 
Dicionário das Famílias Brasileiras, entre 
outros.
Na Seção de Referência, o leitor recebe 
orientação quanto à pesquisa que realiza, 
sendo encaminhado a outros setores da 
Biblioteca Nacional, e até mesmo a outras 
bibliotecas e acervos que possam auxiliá-
-lo.
i) BN Digital
Criada em 2006, a BNDigital tem como 
objetivos principais preservar a memória 
cultural e proporcionar o amplo acesso às 
informações contidas em seu acervo.
Fonte de excelência para informação e 
pesquisa, a BNDigital aumenta seu públi-
co a cada dia por oferecer um sistema com 
alta tecnologia que facilita as consultas e 
se diferencia por sua interface amigável, 
pela qualidade das imagens, precisão da 
busca e velocidade.
A equipe interdisciplinar da BNDigital 
é composta por bibliotecários, historia-
dores, arquivistas e digitalizadores, res-
ponsáveis pela criação, catalogação e di-
vulgação do conteúdo digital. O trabalho é 
divido em três etapas: captura, processa-
mento técnico e projetos de cooperação 
nacionais e internacionais.
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i) A captura é feita sem danos ao acer-
vo, a partir do documento original ou do 
microfilme, em um moderno e bem equi-
pado Laboratório de Digitalização. O pri-
meiro passo é a geração de um arquivo 
máster com alta qualidade, que fica ar-
mazenado em ambiente de segurança no 
centro de processamento de dados da 
Biblioteca Nacional. Desse arquivo são 
feitas as imagens derivadas, em diversos 
formatos, que são disponibilizadas para 
consulta via Internet.
ii) Na fase do tratamento técnico, o ob-
jeto digital é catalogado e descrito, tan-
to em português como em inglês, por um 
conjunto de 15 atributos, seguindo o pa-
drão internacional Dublin Core, a fim de 
permitir a cooperação com outras biblio-
tecas digitais de todo o mundo.
iii) Para cumprir o propósito de ampliar 
o acesso aos documentos digitalizados, 
a BNDigital mantém parcerias nacionais 
e internacionais com outras bibliotecas 
virtuais, para as quais disponibiliza o seu 
acervo. Essa interoperação é possível 
graças à adesão ao protocolo da Iniciativa 
dos Arquivos Abertos – Open Archives Ini-
tiative Protocol for Metadata Harvesting 
– OAI-PMH, que permite o intercâmbio de 
informações entre instituições.
No âmbito nacional, essas parcerias são 
firmadas por meio da Rede da Memória 
Virtual Brasileira, através de instrumen-
to legal de cooperação, e buscam sempre 
atender às necessidades das instituições 
parceiras.
Em reconhecimento à qualidade do tra-
balho desenvolvido, a BNDigital foi con-
vidada a participar da Biblioteca Digital 
Mundial como membro fundador, fazendo 
parte do seu Conselho Executivo. Outros 
parceiros internacionais são a Gallica – que 
é a Biblioteca Nacional Digital da França –, 
a Biblioteca Nacional da Argentina e a Bi-
blioteca Digital do Patrimônio Iberoameri-
cano.
Abaixo temos alguns critérios utili-
zados para a formulação da política 
de digitalização:
 estar em domínio público (ou ter au-
torização do titular);
 seleção pelas áreas de guarda;
 raridade e ineditismo;
 demandas dos usuários;
 seleções temáticas;
 estar ou não catalogado/identifica-
do;
 potencial colaborativo;
 estado de conservação.
j) Hemeroteca Digital
A Hemeroteca Digital Brasileira é um 
portal de periódicos nacionais que permi-
te ampla consulta, pela Internet, a jornais, 
revistas, anuários, boletins e publicações 
seriadas.
As pesquisas podem ser realizadas por 
título, período, edição, local de publicação 
e palavras-chave. A busca por palavras é 
possível devido à utilização da tecnologia 
de Reconhecimento Ótico de Caracteres 
(Optical Character Recognition – OCR), 
que aumenta o alcance da pesquisa tex-
tual em periódicos.
Com acesso inteiramente livre e possi-
bilidade de imprimir as páginas desejadas, 
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pesquisadores de qualquer parte do mun-
do podem consultar títulos que incluem 
desde os primeiros jornais criados no país 
– como o Correio Braziliense e a Gazeta do 
Rio de Janeiro, fundados em 1808 – a jor-
nais extintos no século XX, como o Diário 
Carioca e Correio da Manhã, ou que não 
circulam mais na forma impressa, como é 
o caso do Jornal do

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