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APOSTILA 5 ANO - 2 semestre

Plano de ensino de Ensino Religioso (5º ano, 2º semestre) alinhado à BNCC sobre ancestralidade e tradição oral. Contém unidades, objetivos e habilidades (EF05ER05–07) e trechos sobre oralidade em culturas indígenas e afro-brasileiras, com citações de Jan Vansina e Amadou Hampâté Bâ.

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Carla Maria

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Prévia do material em texto

1 
 
 
ENSINO 
RELIGIOSO 
5º ANO 
 
 ALINHADO A BNCC 
2º SEMESTRE 
 
 
Fonte: 
 
Prof.ª RAFAELA GOMES 
https://soucatequista.com.br/a-criacao-do-mundo-2.html
2 
 
Plano de Ensino 5º ano – 2o Semestre 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
UNIDADES 
TEMÁTICAS 
OBJETOS DE 
CONHECIMENTO 
HABILIDADES 
 
 
 
Crenças religiosas e 
filosofias de vida 
 
 
 
Ancestralidade e 
tradição oral 
 
 
(EF05ER05) Identificar elementos da 
tradição oral nas culturas e 
religiosidades indígenas, 
afro-brasileiras, ciganas, entre outras. 
 
 
Crenças religiosas e 
filosofias de vida 
 
 
 
Ancestralidade e 
tradição oral 
 
 
(EF05ER06) Identificar o papel dos 
sábios e anciãos na comunicação e 
preservação da tradição oral. 
 
 
 
Crenças religiosas e 
filosofias de vida 
 
 
 
Ancestralidade e 
tradição oral 
 
 
. 
(EF05ER07) Reconhecer, em textos 
orais, ensinamentos relacionados a 
modos de ser e viver. 
3 
 
CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSOFIAS DE VIDA – ANCESTRALIDADE E 
TRADIÇÃO ORAL 
(EF05ER05) Identificar elementos da tradição oral nas culturas e 
religiosidades indígenas, afro-brasileiras, ciganas, entre outras. 
 
 
Tradição oral dos povos indígenas 
 
 
Fonte: 
 
 Jan Vansina aponta que “a oralidade é uma atitude diante da realidade e 
não a ausência de uma habilidade” (1982, p. 157), ou seja, o habito de falar e 
contar não significa não saber escrever, um autor mesmo alfabetizado conta 
suas historias por ser uma tradição, seus avós contavam, seus pais contavam e 
ele também assim o faz. 
 A palavra falada é enriquecida pela voz, pausas e silêncios, gestos, 
expressões faciais, é um conjunto, uma performance feita pelo narrador (SILVA, 
2013, p. 54). Nas narrativas coletadas não conseguimos imaginar “a palavra sem 
a voz”, esta voz performativa e performática (SILVA, 2013, p. 54). 
https://pib.socioambiental.org/pt/Povo:Pitaguary
4 
 
 A voz de cada pessoa, suas lembranças, cada vez que uma memória é 
contada faz as histórias consideradas importantes circularem entre o grupo e 
fora dele, sendo passada por gerações. 
 
Oralidade e povos afro-brasileiros 
 
 
Fonte: 
 
 Nossa cultura é repleta de histórias contadas, que são a memória dos 
povos africanos, expressadas através dos mitos, lendas, provérbios, contos que 
servem de base para as literaturas escritas. 
 Os povos africanos que aqui foram escravizados foram os grandes 
responsáveis por guardar e recriar as memórias de seus antepassados, poesias, 
músicas, danças, ensinamentos em todas as áreas, que foram ressignificando 
suas vidas. 
 Amadou Hampâté Bâ, filósofo, escritor e intelectual africano, exemplifica 
a relação entre a palavra, o conhecimento e o saber vivenciados na escola dos 
mestres da palavra: 
 
Um mestre contador de histórias africano não se limitava a narrá-
las, mas podia também ensinar sobre numerosos outros 
assuntos (…) porque um ‘conhecedor’ nunca era um especialista 
no sentido moderno da palavra mas, mais precisamente, uma 
espécie de generalista. O conhecimento não era 
compartimentado. O mesmo ancião (…) podia ter 
http://www.palmares.gov.br/?p=46838
5 
 
conhecimentos profundos sobre religião ou história, como 
também ciências naturais ou humanas de todo tipo. Era um 
conhecimento (…) segundo a competência de cada um, uma 
espécie de ‘ciência da vida’; vida, considerada aqui como uma 
unidade em que tudo é interligado, interdependente e interativo; 
em que o material e o espiritual nunca estão dissociados. E o 
ensinamento nunca era sistemático, mas deixado ao sabor das 
circunstâncias, segundo os momentos favoráveis ou a atenção 
do auditório (Bâ, 2003, p. 174-175). 
 
 Como aponta Bâ. existe uma energia que para os bantus se chama hamba, 
já para o povo iorubá é chamada dé axé, essa energia é vital, possui capacidade 
criadora e transformadora do mundo. 
 Na África existem os Griots, pessoas que tem a tarefa de preservar e 
repassar a memoria cultural da comunidade. Existem também os Doma 3, que 
Tem a função de organizar o ambiente e sua harminia para as reuniões da 
comunidade, são considerados os mais nobres contadores, que jamais usam 
mentiras, é um compromisso para manter a energia vital do grupo ao que 
pertencem. Para Bâ: 
 
A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia 
do saber, mas não o saber em si. O saber é uma luz que existe 
no homem. É a herança de tudo que nossos ancestrais puderam 
conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos 
transmitiram, assim como o baobá já existe em potencial em sua 
semente (Tierno Bokar apud Bâ, 2003, p. 175). 
 
 Hoje sabemos que a escrita pode ser muito útil para estimular nossa 
memória, assim como a tradição oral que tem extrema importância na 
preservação da cultura afro-brasileira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Povos ciganos e cultura oral 
 
 
Fonte: 
 
Le Paramicha Le Narodoske - As estórias do povo cigano 
 
 Este é um projeto que tem como objetivo cultivar a tradição oral dos povos 
ciganos. A Romanipen (identidade cultural) é passada de pai para filho. 
Iniciado em 1986, Nicolas e Ingrid Ramanush desenvolviam um trabalho de 
resgate e valorização da cultura Romani fazendo narrativas e traduções das 
lendas e mitos. O projeto agora vai se tornar um livro e um cd, facilitando assim 
a compreensão do cigano (Rom). As lendas possuem áudio e escrita. 
 Em parceria com o projeto uma nova forma de compartilhar as tradições 
ciganas foi criada: os desenhos animados chamados: Gypsy, feitos a partir de 
artistas contemporâneos de etnia cigana. O projeto iniciado em 2013 por Tales 
com a direção de Mária Horváth, com objetivo de compartilhar as tradições 
folclóricas ciganas, assim coletando histórias folclóricas autênticas, envolvendo 
artistas ciganos na criação das animações. 
 
 
 
 
 
https://www.jornaljoca.com.br/dia-nacional-do-cigano-povo-comemora-mais-de-400-anos-no-brasil/
https://www.jornaljoca.com.br/dia-nacional-do-cigano-povo-comemora-mais-de-400-anos-no-brasil/
7 
 
ATIVIDADE 
 
 
1) Complete as lacunas do texto com as palavras do quadro: 
 
 
 LEMBRANÇAS VOZ GRUPO 
 
 IMPORTANTES MEMÓRIA GERAÇÕES 
 
 
 
 A __________________ de cada pessoa, suas ___________________, 
 
cada vez que uma _______________________ é contada faz as histórias 
 
consideradas ___________________ circularem entre o ________________ e 
 
fora dele, sendo passada por ______________________. 
 
 
2) Ouvir histórias é muito bom. A voz, entonação e trejeitos de quem conta faz 
parte do enredo. Agora é sua vez! Vamos organizar uma contação de 
histórias, leia com atenção a história abaixo e depois conte a todos! Pode ser 
para sua família em casa ou para os colegas da escola. 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
Fonte: 
 
 
 
https://www.ideiacriativa.org/2016/05/sequencia-didatica-livro-menino-poti.html
11 
 
CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSOFIAS DE VIDA – ANCESTRALIDADE E 
TRADIÇÃO ORAL 
(EF05ER06) Identificar o papel dos sábios e anciãos na comunicação e 
preservação da tradição oral. 
 
Os Sábios e Anciãos e a cultura indígena 
 
 Em grande parte das comunidades indígenas são os mais velhos, os 
chamados anciãos que transmitem os elementos culturais como os mitos, os 
costumes e os rituais de forma oral, esta função é crucial para a sobrevivência 
das culturas dos povos indígenas. 
 Nas aldeias da Amazônia e em Mato Grosso do Sul,onde reside o 
Cacique Kaiová Paulino Aquino com mais de 100 anos, é o único que realiza os 
rituais de perfuração dos lábios. Na comunidade dos Baniwa, que fica em Alto 
Rio Negro, os anciãos são responsáveis por contar os mitos de criação do mundo 
durante os rituais de passagem. Dizem que alguns velhos sábios possuíam 
conhecimentos e poderes sobrenaturais, o que atraia multidões. 
 Para os povos indígenas os anciãos não só ajudam na organização social 
mas também são fundamentais para a preservação e transmissão das culturas. 
 
 
Fonte: 
 
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
12 
 
 No Brasil existem aproximadamente 220 etnias indígenas. Em todas elas 
existem saberes de diversas áreas, como a medicina, que se utiliza das ervas 
para fazer remédios naturais, rituais, cantos e danças etc. Na maioria das etnias 
indígenas os anciãos são valorizados como arquivos vivos, detentores de todo 
este conhecimento. 
 Os povos indígenas Baniwa vivem na região do Alto Rio Negro na 
Amazônia. Nesta tribo os anciãos são importantes principalmente por seus 
conhecimentos espirituais desenvolvidos durante toda a vida. Os Xamãs se 
tornam mais poderosos e atingem altos níveis de poderes sobrenaturais como o 
dom da cura, da clarividência e das profecias, depois de uma longa vida de 
experiencias. 
 O antropólogo Robin Wright estuda os Baniwa desde a década de 70, 
quando conviveu com o povo. Ele já publicou três livros sobre a história dos 
Baniwa, entre eles The history and religion of the Baniwa peoples of the upper 
Rio Negro Valley. Ele explica que os mais velhos são os responsáveis por passar 
a história da criação do mundo, durante os rituais de iniciação dos meninos entre 
10 e 13 anos. Nesse ritual, três ou quatro anciãos fazem o benzimento de uma 
tigela com pimenta e sal. No final, os condimentos são servidos com biju aos 
iniciados, que passaram por um período de reclusão. 
 Durante o ritual de benzimento os anciãos narram os mitos através de 
cantos. "Eles recriam o mundo através do pensamento, lembrando e contando 
os episódios e os mitos. Os mais velhos cantam sobre uma viagem mítica 
através da Terra, onde os homens perseguem as mulheres que roubaram a 
flauta sagrada. Nessa viagem eles passam por todos os cantos do mundo. São 
mais de 100 lugares, onde vão parando e benzendo para que, se os meninos 
passarem nesses lugares, não corram perigos, os mais velhos fazem referencias 
ao relevo e a geografia, só os mais velhos conhecem os nomes dor rios e lagos, 
esta historia não é inventada, ela corresponde à realidade. É uma história muito 
antiga que vem sendo transmitida, com um cenário pré-colombiano", diz Robin 
Wright. 
 Alguns anciãos chamados também de sábios tem a função de liderar 
cantos e danças, conduzir os rituais além de serem profetas, considerados 
enviados por Deus, eles possuem o dom de fazer curas milagrosas, profetizar 
acontecimentos. Os sábios são pajés com alto nível de poder, que dominam os 
13 
 
conhecimentos e são conhecidos como "Mestres do Povo Jaguar" ou "Jaguares 
do Paricá". Os pajés fazem uso do paricá, é um pó para ser inalado, feito de 
sementes da árvore Piptadenia. "Mas somente os pajés mais velhos conseguem 
misturar o paricá com o caapí, que tem tanto poder", diz o antropólogo Robin 
Wright. O caapí é uma bebida conhecida como ayhauasca ou Santo Daime. Hoje 
não existem mais profetas, mas o povo indígena ainda reverencia o tumulo dos 
grandes sábios e lembra com carinho de seus ensinamentos. 
 
O Tembetá Kaiová 
 
 
Fonte: 
 
 Com o fracionamento da população indígena de Mato Grosso do Sul, 
várias aldeias se espalharam pela cidade, muitos costumes acabaram se 
perdendo e o cacique Paulito Aquino centraliza aspectos da cultura entre os 
moradores na aldeia de Panambizinho, ele é o único representante das etnias 
Guarani e Kaiová, com cerca de 25 mil pessoas a fazer o ritual de perfuração 
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
14 
 
dos lábios dos meninos quando atingem 8 anos de idade. Este adorno chamado 
tembetá, é um bastão feito de resina de árvore, representa a santificação do 
indivíduo, como um batismo. 
 Aquino conta que, segundo a mitologia de seu povo, a figura do 
Nhandeara, considerado o Rei dos Deuses, desceu na Terra há 1000 anos e os 
mandou seguir as regras da religião, o que inclui o uso do tembetá e as rezas 
com as maracás. O cacique é também um dos últimos representantes dos 
antigos rezadores, que conhecem os segredos das ervas medicinais e fazem a 
comunicação com Deus, através da cruz e das maracas, para a cura de pessoas 
e para pedir chuva durante a estiagem. "O Mato Grosso é abençoado porque 
tem muito índio que sabe rezar pedindo calma para as tempestades", diz o 
cacique. 
 
 
Fonte: 
 
 O filho do cacique, João Aquino, é o sucessor de Paulito Aquino nos rituais 
de perfuração. Eles representam guardiões das tradições da etnia Kaiová. Ele 
explica que a perda da tradição causa miséria e, por isso, pretende passar para 
as novas gerações a prática do tembetá e as histórias de seu povo. 
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
15 
 
 
A tatuagem Kadiwéu 
 
 Os Kadiwéus, habitantes de Porto Murtinho, carregam uma habilidade 
especial, principalmente as mulheres mais velhas, a arte da pintura corporal, 
uma variedade de estilos de desenhos abstratos e padrões de pintura de rosto e 
de corpo, uma elaborada manifestação artística. 
 Ramona Soares, anciã com mais de 60 anos, moradora da cidade de 
Bodoquena, próximo à reserva, possui grande habilidade na pintura corporal, 
conhece o simbolismo de cada desenho, o tipo de padrão para cada família, 
inclusive os diferentes motivos para serem desenhados em cada parte do corpo. 
 
 
Fonte: 
 
A Cerâmica Kadiwéu 
 
 Além da pintura corporal, os Kadiweus, de Mato Grosso do Sul, também 
praticam a arte da cerâmica. Nos barreiros especiais são retirados o barro que 
tem a consistência e tonalidades ideais para uma cerâmica de qualidade. Novas 
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
http://www.comciencia.br/dossies-1-72/reportagens/envelhecimento/texto/env06.htm
16 
 
cores são obtidas com materiais naturais como areias coloridas, jenipapo, pó de 
carvão e resinas extraídas de árvores como o pau-santo. 
 São produzidas diversas peças de cores e desenhos diferentes, vasos, 
animais, placas, utilitários, representam uma fonte de renda para as famílias, 
além de preservação das tradições culturais. 
 
 
ATIVIDADES 
 
1) Nas aldeias da Amazônia e em Mato Grosso do Sul reside o Cacique Kaiová 
Paulino Aquino com mais de 100 anos, ele é o único que realiza qual ritual? 
_________________________________________________________________ 
 
2) O que é tembetá? 
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________ 
 
3) Além da pintura corporal, qual outra arte os povos indígenas Kadiweus de Mato 
Grosso do Sul praticam? 
_________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________ 
 
4) Inspirando-se nas cerâmicas indígenas Kadiwéu, vamos produzir peças de 
argila e pintar como as índias fazem (você pode substituir a argila por massinha 
de modelar) 
 
 
Fonte: 
 
https://www.fuchic.com.br/post/2016/11/12/cer%C3%A2mica-kadiw%C3%A9u
17 
 
5) A rádio Yandê homenageiam guerreiros e guerreiras indígenas do Brasil. A 
Rádio Yandê relembra lideranças, professores, homens, mulheres, caciques, 
anciões, pajés que fizeram história e de alguma forma deixaram sua marca 
para as futuras gerações. Daiara Tukano fez sua série "Rostos da memória 
inspirAções indígenas'', uma homenagem para aqueles cujo amor inspira hoje 
as novas gerações, que seus sorrisos se mantenham em nossas memórias. 
 Vamos colorir! 
 
 
18 
 
 
 
 
Fonte: 
 
 
 
 
https://radioyande.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=975&pagina_id=21862&tipo=post&post_id=805
https://radioyande.com/default.php?pagina=blog.php&site_id=975&pagina_id=21862&tipo=post&post_id=805
19 
 
CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSOFIAS DE VIDA – ANCESTRALIDADE E 
TRADIÇÃO ORAL 
(EF05ER07) Reconhecer, em textos orais, ensinamentos relacionados a 
modos de ser e viver. 
 
 
Mitos dos índios makuxi 
 
 Os irmãos Anikê e Inskirâ encontraram-se com Maguari, о qual estava 
pescando. О Maguari era marupiara, excelente com seu caniço e, embora 
estivessem próximos dele os dois irmãos, nada conseguiam pescar com seus 
caniços. 
 O anzól (konói) do Maguari fora feito por ele próprio e, por isso, era 
marupiara para todo e qualquer peixe. Os dois irmãos indagaram se o Maguari 
havia conseguido muitos peixes, ele respondeu que sim. 
 — E vocês? perguntou о Maguari 
a AN IKÊ e INSKIRÂ. — Nós nada pegamos, responderam. 
(Muitos peixes beliscaram as iscas dos anzóis dos dois irmãos, mas nenhum 
fisgou). 
 Mano, nada pescamos, só o Maguari que pegou muito peixe, por isso vou 
cair no poço e me transformar em peixe para apanhar o anzol dele para nós. 
ANIKÊ tentou dissuadi-lo, porque a Maguari poderia matá-lo, mas ele não se 
convenceu com os argumentos de seu irmão e atirou-se ao poço para fazer о 
que dissera. Pegou о anzol e о arrancou. О Maguari colocou outro anzol na linha 
de seu caniço. INSKIRÂ tentou roubar como fizera com o anterior, mas não teve 
tempo, pois o Maguari о fisgou, puxou-o para terra e о matou. ANIKÊ esperou 
INSKIRÃ, mas como este estava demorando muito, disse de si para si: Coitado, 
Maguari matou meu irmão. E seguiu para o acampamento do Maguari. 
Maguari muito esperto havia pintado a piranha que pescara (que na verdade era 
INSKIRÃ). Porém, ANIKÊ reconheceu seu irmão e iniciou conversa com о 
Maguari. 
— Pegou muito peixe? 
— Sim. Não pesquei mais, porque a piranha roubou meu anzol, mas eu a matei. 
— E tu ANIKÊ? 
20 
 
— Nem para о segura-peito. Você me Arranja peixe para о meu almoço? 
— Sim. Pode tirar о que você quiser. 
— Só quero esta piranha 
— Pode levar 
 
 
Fonte: 
 
 A piranha já estava tratada, sem as entranhas. ANIKÊ levou-a para o seu 
acampamento. Lá, disse: coitado de meu irmão, eu o avisei, mas teimou. 
 Então, ANIKÊ colocou folhas de mudubi (managâ) sobre a piranha. Em 
seguida pegou um canudo de mudubi e através dele soprou nas narinas, nos 
olhos, na boca e nos ouvidos, da piranha, esperou o resultado. Após uma hora 
о peixe começou a mexer-se, com duas horas levantou-se como gente. 
 INSKIRÃ disse : — Sim senhor mano, Maguari me matou, mas já estou vivo 
ANIKÊ replicou : — Não teima mais, vamos embora e não facilita outra vez. 
(Edson Soares Diniz 
Mito narrado pelo pajé (piaçâ) Avelino, residente em casa isolada nas margens 
do Igarapé Machado, nas proximidades da Aldeia Tachi.) 
 
 
 
 
https://todahora.com/articulos/banhistas-relatam-ataques-de-piranha-o-toda-hora-explica-o-que-ocasiona-o-fen%C3%B4meno
https://todahora.com/articulos/banhistas-relatam-ataques-de-piranha-o-toda-hora-explica-o-que-ocasiona-o-fen%C3%B4meno
21 
 
Conto Budista: O Monge e o Escorpião 
 
 
Fonte: 
 
 Certa vez, um mestre e seu discípulo, ambos monges, praticavam seus 
exercícios respiratórios e meditativos à beira de um lago. E meio aos seus 
exercícios eles ouviram algo cair na água, e logo notaram que um escorpião 
havia se desprendido acidentalmente de um galho de uma árvore e agora se 
debatia na água, lutando pela própria vida. 
 Rapidamente, sem pensar muito, o mestre se levantou da sua postura 
meditativa e foi socorrer o escorpião. No entanto, ao pegar o escorpião com a 
mão para salvá-lo da morte certa, acabou sendo picado e com a dor da picada 
derrubou novamente o escorpião na água. O mestre então pegou um galho e, 
com todo o cuidado, tirou o escorpião da água, colocando-o na margem do rio, 
num lugar seguro. 
 Vendo isso, o discípulo que tinha observado tudo, mas mal tinha se levando 
questionou o mestre: “Mestre, por que o senhor fez isso? Mesmo sabendo que 
o escorpião é um animal peçonhento, instintivo, e sua natureza é atacar.” 
 
Então o mestre disse: “A natureza do escorpião é atacar, mas isso não muda a 
minha natureza, que é ajudar…” 
https://olharbudista.com/2019/06/04/conto-o-monge-e-o-escorpia%CC%83o/
https://olharbudista.com/2019/06/04/conto-o-monge-e-o-escorpia%CC%83o/
22 
 
 
(Fonte: Histórias para a Sabedoria – Uma Ontologia de Koans, Contos, Lendas 
e Parábolas Orientais; Compilação e Edição de: Shén Lóng Fēng). 
 
 
ATIVIDADE 
 
1) Como não pegavam nenhum peixe um dos irmãos teve uma ideia. Que ideia 
foi essa? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
2) Qual foi a atitude de Maguari, quando Anikê contou que não havia pegado 
nenhum peixe? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
3) O que Anikê fez com a piranha que na verdade era seu irmão? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
4) Qual foi a mensagem que você entendeu do conto o monge e o escorpião? 
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________ 
 
5) O monge Budista seguiu sua natureza e novamente salvou o escorpião de 
se afogar e morrer, como seria o fim da história se ele seguisse o 
pensamento do seu colega? Ilustre sua resposta com um desenho. 
 
 
 
23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
24 
 
 
Referência Bibliográfica 
 
A MULHER NOVILHO BÚFALO BRANCO. Disponível em: 
. Acesso 
em: 18 jun.20. 
 
BÂ, Amadou Hampâté. Amkoullel, o menino fula. São Paulo: Pallas Athena: 
Casa das Áfricas, 2003. 
 
CAPREDON, Elise. Derrota interna, sucesso exterior: a patrimonialização do 
xamanismo entre os Baniwa (Alto Rio Negro – Amazonas) em 2018. Disponível 
em: . Acesso em: 20 jun.20. 
 
CRUZ, Joan Carroll. Eucharistic Miracles. TAN Books and Publishers, Inc, 
1987. 
 
DINIZ, EdsonSoares. Mitos dos índios makuxí. Disponível em: 
. Acesso 
em: 20 jun.20. 
 
EMBAIXADA CIGANA. As estórias do povo cigano. Disponível em: 
. Acesso em: 19 jun.20. 
 
HISTÓRIAS PARA A SABEDORIA - Uma Ontologia de Koans, Contos, Lendas 
e Parábolas Orientais; Compilação e Edição de: Shén Lóng Fēng. Disponível 
em:. Acesso em:20 jun. 20. 
 
 
http://www.amigosdocachimbo.com.br/artigos/bufalo_branco.htm
https://journals.openedition.org/horizontes/2159
https://www.persee.fr/doc/jsa_0037-9174_1971_num_60_1_2970%3e.%20Acesso%20em:%2020%20jun.20
https://www.persee.fr/doc/jsa_0037-9174_1971_num_60_1_2970%3e.%20Acesso%20em:%2020%20jun.20
http://www.embaixadacigana.org.br/lendas.htm#:~:text=Le%20Paramicha%20Le%20Narodoske%20%2D%20As%20est%C3%B3rias%20do%20povo%20cigano%20%2D%20Lendas%20Ciganas&text=Este%20projeto%20visa%20mostrar%20a,passada%20de%20pai%20para%20filho.
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https://olharbudista.com/2019/06/04/conto-o-monge-e-o-escorpia%CC%83o/
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INFORMATIVO DA ASSINTEC nº32. Mitos de origem: Onde começa a vida? 
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https://bemzen.uol.com.br/noticias/ver/2012/04/27/1053-budismo
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https://www.normaculta.com.br/palavras-de-origem-indigena/
https://www.geledes.org.br/oralidade-cantos-e-re-encantos-vozes-africanas-e-afro-brasileiras/
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http://www.revistacapitolina.com.br/tradicao-oral-e-a-preservacao-de-culturas/
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http://www.ensinoreligioso.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=385
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__________. História indígena e do indigenismo no Alto Rio Negro. São 
Paulo: ISA: Mercado de Letras, 2005.

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