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A ARQUITETURA CIVIL RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA HISTÓRIA DA ARQUITETURA BRASILEIRA A CASA URBANA ARQ. RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA AARQUITETURA URBANA DEPENDE DO LOTE EM QUE ESTÁ IMPLANTADA. Geralmente de traçado irregular, lotes com testada estreita e grande profundidade. Não há afastamentos entre os edifícios. A arquitetura define a rua. Cidade de Goiás – Rua Dom Cândido Durante o período colonial o lote urbano tem suas características bem definidas. Ruas uniformes, sem calçamentos; Construções no alinhamento das vias e paredes laterais sobre os limites dos terrenos; As casas eram urbanas ou rurais – não haviam casas urbanas recuadas e com jardins. Padronizações com relação às fachadas: dimensões e número de aberturas, altura dos pavimentos e alinhamentos com as edificações vizinhas – Cartas Régias ou posturas municipais. Mesmo os palácios dos governadores, na Bahia, Rio de Janeiro e Belém, eram construídos no alinhamento das vias públicas. Paço Imperial. Rio, 1743 A UNIFORMIDADE DOS TERRENOS CORRESPONDIA À UNIFORMIDADE DOS PARTIDOS ARQUITETÔNICOS. Mesmo internamente é possível observar a repetição de modelos: a sociedade era bastante homogênea. A casa urbana no Brasil colonial seguia um único padrão, determinado por questões parcelárias e ambientais. Quanto ao sistema parcelário, o lote urbano era sempre estreito e profundo, variando a largura de 5 a 8 metros AS RUAS Este esquema envolvia a própria ideia que se fazia de via pública. Numa época em que as ruas ainda não tinham calçamento, nem havia passeios – recursos mais recentes de definição e aperfeiçoamento do tráfego – não seria possível pensar em ruas sem prédios (ruas sem edificações definidas por cercas eram as estradas). As ruas eram o traço de união entre conjuntos de prédios e por eles era definida espacialmente. Nesta época eram ainda desconhecidos os equipamentos de precisão de topografia e os traçados das ruas eram feitos por meio de cordas e estacas. Não poderiam ser mantidos por muito tempo se não fossem feitas edificações. A CASA URBANA A impressão de monotonia era ainda acentuada pela ausência de verde. Com a falta de jardins, acentuava-se a impressão de concentração, somente atenuada quando os galhos dos pomares derramavam-se sobre os muros. A CASA URBANA As casas eram alinhadas pela divisa frontal e geminadas nos dois lados – casas em correnteza –criando a chamada rua corredor. Isto em parte se deve à precariedade das técnicas construtivas. Sabendo-se que a taipa de pilão, ou o pau-a-pique eram vulneráveis à chuva, um dos modos de protegê-las das intempéries era colar empena com empena, restando apenas duas fachadas expostas. Os beirais e varandas se incumbiam da proteção destas. Os mais importantes fatores determinantes das formas arquitetônicas de nossa arquitetura colonial são de ordem econômica e técnica. A escolha das técnicas construtivas, muitas vezes a sua má realização, e a relativa fragilidade das nossas construções têm sua explicação na escassez de recursos alocados na construção mesmo dos mais importantes edifícios. Somente a partir de 1630 aproximadamente podemos falar de algum padrão mais definitivo com relação à construção. É nessa época, por exemplo, que a cobertura vegetal começa a ser substituída pela telha cerâmica. No desenho a seguir estão representados os tipos mais utilizados: Meia água Telhado de duas águas Telhado de quatro águas Telhado de quatro águas com lanternim Claustro Pavilhão em L Varanda Alpendrada Varanda Puxada http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg http://coisasdaarquitetura.files.wordpress.com/2010/08/tipos-construt.jpg A “meia-água” (1) era geralmente utilizada em construções de menor importância, como o rancho e a cozinha. O telhado de duas águas (2) era muito utilizado em construções urbanas, sobretudo em casa geminadas, um padrão dos mais comuns nas cidades, nas casas de porta e janela, meia-morada, sobrados, etc. O madeiramento do telhado, neste caso consistia apenas nas terças transversais e caibros. O telhado de quatro águas (3) era a cobertura mais comum nos pavilhões, o tipo construtivo mais utilizado para construções de maior porte, como casas-grandes, equipamentos públicos menores e mansões. Uma variante deste é o telhado de quatro águas com lanternim (4), que objetivava melhor iluminação e ventilação do telhado, bem como o uso alternativo desta área. O claustro (5) era a forma preferida para construções que aspiravam maior monumentalidade. Com as limitações de largura impostas pelas técnicas construtivas, desde que os vão eram vencidos apenas com vigas de madeira, o que determinava uma largura de algo em torno de 6 m para as alas, e ainda a necessidade de melhor iluminação e ventilação dos compartimentos praticamente impunha o pátio central. Esta solução era bem adequada para edifícios de maior porte, como palácios, paços, e outras construções maiores para equipamentos públicos. Eram colocados sempre em centro de terreno, assim como os pavilhões. O pavilhão composto em forma de “L” (6) era uma solução intermediária entre o pavilhão e o claustro. Era utilizada quando se dispunha de terrenos de boa largura para casas-grandes, mansões urbanas, etc. A varanda alpendrada (7) ou puxada (8) era solução comum em todos os partidos, desde a casa mais simples do sertanejo até as mais sofisticadas. A casa mais simples que poderemos encontrar é a chamada casa de porta e janela, composta apenas de sala, quarto, varanda e cozinha. A circulação para os compartimentos dos fundos se dá pelo quarto. Considere-se porém que nenhuma pessoa não pertencente ao convívio familiar era admitida para além da sala. Variações podem acontecer com o acréscimo de alcovas, compartimento do qual não temos conhecimento, mas que era muito comum, atendendo aos padrões de então de preservação da intimidade e proteção da família. Hoje pensamos que nenhum compartimento habitável pode prescindir de um vão de iluminação e ventilação. Este, porém, é uma ideia recente, criado pelos higienistas do século XIX. Estes propuseram a substituição do conceito de ventilação química (volume de ar por pessoa) dos compartimentos então adotado pelo conceito de ventilação física (circulação de ar). A setorização de usos bastante clara, que se reproduz até mesmo nos sobrados. Cidade de Goiás – Rua Dom Cândido, 37 Casa à Rua Dom Cândido, 37 – Goiás. 01. corredor; 02. sala, também destinada ao comércio em alguns casos; 03. alcovas; 04. varanda; 05. dependências (cozinha, alojamentos, depósitos); 06. banheiro (intervenção recente); 07.quintal próximo 02 02 03 03 03 04 0505 06 05 0701 Os exemplares mais ricos acentuavam esta tendência: maiores dimensões, maior número de peças, sem chegar a caracterizar um tipo distinto de habitação. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA As coberturas eram em telhados de duas águas, lançando parte das águas de chuva sobre a rua e outra para o quintal. Evitava-se, deste modo, o usode calhas ou qualquer sistema de captação e condução de águas pluviais. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA O SOBRADO Distinção importante a respeito do termo sobrado – no início designava um espaço que “sobrou”, acima do forro (sótão) ou abaixo do soalho (porão habitável). Geralmente abrigavam lojas destinadas ao comércio no térreo e a moradia nos pavimentos superiores. O SOBRADO • O sobrado urbano, um dos tipos de residência mais persistentes de nossa história da habitação individual. • O termo sobrado hoje em dia designa o prédio com mais de um pavimento, não pressupondo a existência de pisos intermediários. • Acrescentaríamos que o número de pavimentos de um sobrado é geralmente dois, e não mais que três. As repetições não se davam somente nas fachadas, mostrando que os padrões oficiais apenas completavam uma tendência espontânea, as plantas, deixadas ao gosto dos proprietários apresentavam sempre uma grande monotonia. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA As salas de frente e as lojas aproveitavam as aberturas sobre a rua, ficando as aberturas dos fundos para a iluminação dos cômodos de permanência das mulheres e locais de trabalho. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Entre estas partes de iluminação natural ficavam as alcovas, destinadas à permanência à noite, onde dificilmente penetrava a luz natural. A circulação se dava por um corredor longitudinal que conduzia da porta de entrada aos fundos. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Esse corredor era central (nas casas maiores) ou encostado a uma das paredes laterais (nas casas menores). 1. Loja 2.Corredor de entrada independente da loja 3. Salão 4. Alcovas 5.Sala de estar ou varanda 6. Cozinha e serviços ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA O SOBRADO Dos mais antigos no Brasil temos aqueles conhecidos sobrados o da a casa nº 28, da rua do Amparo e a casa nº 7 do Pátio de São Pedro, ambos em Olinda, e datando provavelmente das primeiras décadas do século XVII. Sobrado na rua do Amparo, Olinda Sobrado na rua do Amparo, Olinda • Trata-se de uma casa situada em terreno com grande aclive, razão porque o pavimento inferior, da rua do Amparo é bem menor. • Temos aí a loja de comércio. • Geralmente, nas áreas mais povoadas dos centros urbanos, o pavimento inferior era dedicado ao comércio. • A casa de residência se desenvolve unicamente no sobrado, onde temos a sala, o santuário, as alcovas e nos fundos a sala de jantar e cozinha, dando o quintal para a ladeira da Misericórdia. Casa n.7, Pátio de São Pedro, Olinda • No sobrado do Pátio de São Pedro temos um programa mais completo, pois se trata não somente de terreno plano como também de um lote de esquina. • A planta apresentada reflete possivelmente as transformações de uso atualizadas, pois nota-se uma casa já melhor equipada. • Temos no pavimento térreo uma loja melhor dotada de espaços, com armazém e grande depósito, e os compartimentos dos fundos servindo à residência, com a sala de engomar, um compartimento que somente desaparece das casas brasileiras com o século XX já avançado, e a senzala urbana, que se transformou em quarto de criado. Casa n.7, Pátio de São Pedro, Olinda • Já temos ai banheiro e W.C., integrados ao corpo da construção, embora com acesso por fora. • No pavimento superior, por se tratar de uma casa de esquina. temos quartos, uma alcova e a camarinha, pequena alcova ou quarto. • A técnica construtiva destes sobrados é a mais simples do período colonial, utilizando-se nas paredes o pau-a-pique, a taipa de pilão ou alvenaria de adobe ou tijolos cerâmicos, dependendo do local. O SOBRADO • As coberturas eram de telha cerâmica sobre madeiramento que raramente incluía tesouras, sendo mais comum apenas terças e caibros. • O piso intermediário era sempre de frisos de madeira sobre peças transversais. • Em alguns casos fazia-se um piso suplementar ocupando todo o espaço disponível ou apenas parte dele. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Outras variações correspondiam ao aparecimento de águas furtadas ou camarinhas. Mesmo assim, colocados de forma a evitar a necessidade de rufos ou calhas. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Portas Portada da Igreja de São Francisco de Assis, por Antônio Francisco Lisboa. Ouro Preto/MG. Porta com folhas de pinázios. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA AS CASAS TÉRREAS x OS SOBRADOS As diferenças fundamentais entre a casa térrea e o sobrado consistiam no tipo de piso: assoalhado no sobrado e de “chão batido” na casa térrea. Além disso, habitar um sobrado significava riqueza e uma casa térrea, pobreza. Por esta razão, os pavimentos térreos dos sobrados, quando não eram utilizados como lojas, deixavam-se para acomodação dos escravos e animais ou ficavam quase vazios. TERRA BATIDA Sítio do Padre Inácio. Cotia – SP (1690) LADRILHOS DE BARRO Casa da Hera; Vassouras – RJ (séc. XIX) Tabuado corrido JANELAS ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Janelas com verga reta Verga em arco de círculo Vergas ogivais Vergas triangulares Verga redonda ou arco pleno TIPOS DE VERGAS ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA CASA RURAL ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA AS CHÁCARAS Esta era um outro tipo de mora urbana que localizava-se na periferia dos centro urbanos com o intuito de oferecer maior comodidade às famílias. Conseguiam reunir as vantagens de localização com as de abastecimento dos serviços das casas rurais. Solução preferida pelas famílias abastadas, onde realizavam por meio do cultivo de aves e porcos, pomares, legumes, hortaliças; os quais contavam com a presença de curso d’água. Assim, essas famílias utilizavam-se da chácara no dia-a- dia e as casas urbanas em ocasiões especiais. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA O PROGRAMA DE NECESSIDADES A invariabilidade da casa urbana correspondia a um padrão de vida ou modo de vida na sociedade colonial que, “imutável” por razões sociais, econômicas e culturais, sustentava programa de necessidades muito semelhantes às casa rurais. Em correspondência quase que direta, constatam-se zonas bem definidas, que recebiam dimensionamentos e tratamentos arquitetônicos diferenciados: Área social, área íntima e área de serviços. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA O PROGRAMA DE NECESSIDADES A área social – sala – era o ambiente onde se procedia o contato do mundo doméstico com o mundo exterior, era lugar dos contatos sociais. Domínio do homem, do chefe da família, ela podia receber ornatos e decorações mais elaborados, distinguido-a do restante da casa, que era restrito ao mundo familiar. A área íntima – alcovas e varanda – (sala do convívio familiar) eram domínio das mulheres e dos filhos. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA O PROGRAMA DE NECESSIDADES A área de serviços – cozinha, despensa, quartos de serviços e o quintal – (situados fora da casa ou como apêndice dela) eram espaços, senão exclusivos, fundamentalmente de escravos. Estes ambientes eram extremamente despojados e neles não se econtravam intenções de animação do espaço. Vão distinguir entre si, a casa urbana da rural, nos traços predominantes do espaço construído, a constância formal e estética, funcional e construtiva. De acordo com as necessidades do campo alguns ambientes serão incluídos. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA BANDEIRISTA OU RURAL Sítio do Padre Inácio. Cotia – SP (1690) ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA BANDEIRISTA OU RURAL Aspectos importantes sobre o programa de necessidades da casa bandeirista: *Mantem-se praticamente inalterado por cerca de dois séculos;* Poucas diferenças entre as casas rurais e as urbanas; *Importância do resguardo da família – segregação da mulher; *União da experiência indígena com a tradição portuguesa. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA BANDEIRISTA OU RURAL Fatores condicionantes do partido arquitetônico (forma) da casa bandeirista - Influência Indígena: agenciamento das dependências de serviço (espalhadas em torno da casa principal); - A hospitalidade (obrigação social): necessidade de quarto de hóspedes com acesso independente; - Presença das capelas integradas e independes do corpo da casa. - Faixa de recepção: corredor situado junto à fachada. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Sítio Santo Antônio. São Roque – SP (1640) A casa do Sítio de Santo Antônio foi construída em 1640, por Pedra Vaz de Barros. Originalmente possuía oratório interno, mas em 1681 foi dada provisão para a construção da capela. No século XIX pertencia a Antônio Joaquim da Rosa, Barão de Piratininga. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Sítio Santo Antônio. São Roque – SP (1640) A capela, a pequena distância da casa, é também de taipa de pilão sobre embasamento de pedra Talvez o mais belo exemplar de casa bandeirista brasileira, constitui-se de um vasto retângulo erguido em taipa de pilão com telhado de quatro águas, de extrema horizontalidade e grande predomínio de cheios sobre vazios. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA BANDEIRISTA OU RURAL O sítio bandeirista é um caso especial na arquitetura colonial do segundo século. Constitui-se por ser um tipo de edifício dos mais interessantes, pois, em que pese a precariedade dos meios construtivos, tem um desenho clássico dos mais rigorosos, podendo mesmo ser comparado as plantas de Palladio (maneirista). Guardam entre si características muito próprias e semelhanças que autorizam falar de um tipo arquitetônico. O Sítio do Padre Inácio e o Sítio do Mandu, em Cotia, e Sítio Querubim em São Roque são os melhores exemplos. Nos três temos, salvo variações, na parte frontal uma varanda, uma capela e o célebre quarto de hóspedes. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Casa do Padre Inácio - Cotia A sala ocupa o lugar central e os quartos, a lateral. Nos fundos uma outra varanda, possivelmente uma área de serviços, não necessariamente uma cozinha, que podia ser externa à construção. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Sítio do Mandu A construção era sempre de taipa de pilão, telhados de barro assentes sobre madeiramento do tipo caibro armado. O espaço abaixo do telhado era aproveitado como depósito ou mesmo como abrigo de serviçais. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Villa Angarana. Palladio. 1570 Desenho clássico dos mais rigorosos, podendo mesmo ser comparado as plantas de Palladio (maneirista). Guardam entre si características muito próprias e semelhanças que autorizam falar de um tipo arquitetônico. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO Partido arquitetônico: Casa sem desníveis internos, terra batida – terreno plano; Presença do corredor (alpendre) – influência da arquitetura tradicional portuguesa ou da loggia (galeria) à moda de Palladio. A sala central tem sempre a largura do corredor. Capela Quarto Hóspedes Alpendre Sala ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO Alpendre Apesar da designação possui maior similaridade com um corredor, pois é um espaço reentrante, espaço de transição. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO Espaços reentrantes (que não avançam para além do corpo da edificação). Solar de Bertiandos – Ponte de Lima, PT. Século XVIII. Casa Alpendrada, solução da arquitetura popular portuguesa. Capela Possuía um dispositivo para permitir que as mulheres assistissem às cerimônias a partir do espaço interior da casa. Uso de treliças (muxarabis). ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO As capelas rurais, com os seus altares consagrados, deveriam ficar completamente desempedidos de todos os usos domésticos, livre de proximidades promíscuas e independentes quanto ao seu acesso. Assim, passou a fazer parte da faixa netra de recepção, o que não impedia que as mulheres da casa participassem das celebrações, através de grades ou treliças (muxarabis) dispostas na parede lateral contígua às acomodações íntimas. Quarto de hóspedes A hospitalidade era uma obrigação social, que garantia a sobrevivência da comunidade. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO A porta da frente não se abre para a parte principal da casa, onde a família vive, de modo que qualquer pessoa que passe por ali, qualquer viajante, tem o direito de abrir a porta, entrar no quarto e passar a noite ali. Agora, os quartos são dispostos de tal modo que as pessoas que lá ingressam, nunca atingem o coração da família: será apenas um viajante, jamais um hóspede verdadeiro. Sala Área de distribuição que permitia acesso às camarinhas (quartos) periféricas e à área dos fundos, onde ficavam as dependências de serviço. Muitas vezes se relacionava como estenção do alpendre e de seus usos. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO As cozinhas (geralmente haviam mais de uma) situavam- se em volumes anexos. Não existiram fogões com chaminés semelhantes às casas portuguesas – a taipa não permitia tal construção. Os sótãos sobre as camarinhas eram utilizados para armazenagem do excedente da produção. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO A casa bandeirista da roça era uma casa pulverizada, toda fraccionada em inúmeras construções – satélites do núcleo familiar, cada qual com sua especialidade. Um partido “aberto”. Ao lado da casa principal de moradia propriamente dita, ficavam a cozinha geral, os quartos para os criados subalternos dos hóspedes importantes, os depósitos de gêneros, os paióis, o moinho de trigo ou milho, a casa de fazer farinha, o monjolo, o galinheiro, o curral, a moenda de fazer garapa (rapadura e cachaça), a senzale e o pomar. Tudo protegido por cercas de madeira ou muros de taipa. Esta fragmentação está mais para a sistemática indígena do que para a tradição ibérica. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO Cobertura: estrutura de madeira, coberta com telhas tipo capa e bica, telhado de quatro águas. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO As pilastras do alpendre e os cachorros do beiral, esculpidos em canela-preta são de belíssimo trabalho. Nessa casa, como em outros dos melhores exemplares do período, há uma elegância de proporções e um requinte dentro de extrema e simplicidade que não deixam de nos evocar certos traços da grande arquitetura moderna no Brasil. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO As casas bandeiristas possuía pouco mobiliário, algumas caixas de madeira, raras mesas, alguns bufetes, escabelos (banco pequeno de apoio para os pés), escassas cadeiras e camas ou catres (pequeno leito de lona). O partido arquitetônico fragmentado da construção rural era lotado próximo das localizações de nascentes ou ribeirões a meia encosta, acompanhando as curva de nível. Local de onde também poderia se acompanhar todos os afazeres dos empregados – escravos. ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA A CASA DO PADRE INÁCIO Bibliografia: LEMOS, Carlos. Casa Paulista: história das moradias anteriores ao ecletismo trazido pelocafé. São Paulo: Edusp, 1999. VAZ, Maria Diva A. Coelho & ZÁRATE, Maria Heloísa Veloso. A casa goiana: documentação arquitetônica. Goiânia: Ed. da UCG, 2003. MOUTINHO, Mário. Arquitectura Popular Portuguesa. 3 ed. Lisboa: Editorial Estampa, 1995. COLIN, Silvio . Tipos e padrões da arquitetura civil colonial.http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/02/2 8/tipos-e-padroes-da-arquitetura-civil-colonial-i/ ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA http://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2011/02/2 Slide 1 Slide 2: A CASA URBANA Slide 3: ARQ. RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 4 Slide 5 Slide 6: A UNIFORMIDADE DOS TERRENOS CORRESPONDIA À UNIFORMIDADE DOS PARTIDOS ARQUITETÔNICOS. Slide 7 Slide 8 Slide 9: A CASA URBANA Slide 10: A CASA URBANA Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21: A setorização de usos bastante clara, que se reproduz até mesmo nos sobrados. Slide 22: Casa à Rua Dom Cândido, 37 – Goiás. 01. corredor; 02. sala, também destinada ao comércio em alguns casos; 03. alcovas; 04. varanda; 05. dependências (cozinha, alojamentos, depósitos); 06. banheiro (intervenção recente); 07.quintal próximo Slide 23: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 24: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 25: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 26 Slide 27: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 28: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 29: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 30: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 31: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 32: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 33: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 34 Slide 35 Slide 36: Casa n.7, Pátio de São Pedro, Olinda Slide 37: Casa n.7, Pátio de São Pedro, Olinda Slide 38 Slide 39: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 40: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Portas Slide 41: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 42: TERRA BATIDA Slide 43: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 44: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 45: CASA RURAL Slide 46: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 47: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 48: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 49: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 50: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 51: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 52: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 53: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 54: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 55: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 56: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 57: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 58: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 59: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 60: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 61: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 62: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 63: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 64: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 65: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 66: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 67: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 68: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 69: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 70: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 71 Slide 72: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA Slide 73 Slide 74 Slide 75: ARQUITETURA RESIDENCIAL COLONIAL BRASILEIRA