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<p>Biogeografia</p><p>Material Teórico</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Profa. Dra. Adriana Furlan</p><p>Revisão Textual:</p><p>Profa. Ms. Alessandra Fabiana Cavalcanti</p><p>Biomas brasileiros</p><p>• Introdução</p><p>• Domínios morfoclimáticos e fitogeográficos</p><p>· Caracterizar os biomas brasileiros, considerando a interligação entre</p><p>os elementos físicos e humanos.</p><p>OBJETIVO DE APRENDIZADO</p><p>Nesta Unidade, vamos aprender sobre um importante tema: os biomas</p><p>brasileiros.</p><p>Para melhor compreensão do que iremos tratar procure ler, com atenção, o</p><p>conteúdo disponibilizado e o material complementar. Não esqueça! A leitura</p><p>é um momento oportuno para registrar suas dúvidas; por isso, não deixe de</p><p>registrá-las e transmiti-las ao professor-tutor.</p><p>Além disso, para que a sua aprendizagem ocorra num ambiente mais</p><p>interativo possível, na pasta de atividades, você também encontrará as</p><p>atividades de Avaliação, uma Atividade Reflexiva e a videoaula. Cada material</p><p>disponibilizado é mais um elemento para seu aprendizado, por favor, estude</p><p>todos com atenção!</p><p>As pesquisas de campo que puder realizar na região em que reside ou trabalha</p><p>podem ser extremamente úteis para aplicar na prática as questões teóricas</p><p>estudadas aqui. Exercite sua observação, faça anotações e reflita sobre a</p><p>realidade, a partir do que estiver estudando.</p><p>ORIENTAÇÕES</p><p>Biomas brasileiros</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Contextualização</p><p>Vamos ler a notícia a seguir.</p><p>Amazônia: Natura Atua para Fortalecer Comunidades e Conservar a Floresta.</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3urBqjDEx</p><p>pl</p><p>or</p><p>Os biomas brasileiros ainda não foram estudados em sua totalidade e muito do</p><p>conhecimento que se tem deles é fruto da relação empírica (prática, experimental)</p><p>das comunidades que neles vivem a muitas gerações.</p><p>Nesta Unidade, estudaremos com mais profundidade a formação dos biomas</p><p>brasileiros e algumas questões relativas à relação das sociedades com estes ambientes.</p><p>6</p><p>7</p><p>Introdução</p><p>O território brasileiro, em função de sua grande extensão norte-sul (variação de</p><p>latitude e climas) e diversidade pedológica, geológica e geomorfológica, apresenta</p><p>um mosaico muito significativo de paisagens naturais, incluindo neste a existência</p><p>de biomas únicos em termos mundiais.</p><p>Segundo Aziz Ab´Saber (2003), os biomas brasileiros estão sob a complexa</p><p>situação de duas organizações opostas e interferentes: a da natureza e a dos homens.</p><p>Este autor classifica os biomas brasileiros em função da relação existente entre</p><p>vegetação, clima e relevo e utiliza a denominação de domínios morfoclimáticos e</p><p>fitogeográficos para caracterizá-los e analisá-los.</p><p>Por se tratar da denominação mais difundida e aceita em Biogeografia,</p><p>adotaremos para nossos estudos esta definição de Aziz Ab´Saber.</p><p>O autor define o domínio morfoclimático e fitogeográfico como “um conjunto</p><p>espacial de certa ordem de grandeza territorial – de centenas de milhares a milhões</p><p>de quilômetros quadrados de área – onde haja um esquema coerente de feições</p><p>de relevo, tipos de solo, formas de vegetação e condições climático-hidrológicas”.</p><p>Desta forma, o autor considera a existência de áreas core (onde predomina o</p><p>domínio morfoclimático e fitogeográfico em questão) e áreas de transição.</p><p>As áreas core são: 1. Domínio das terras baixas florestadas da Amazônia; 2.</p><p>O domínio dos chapadões centrais recobertos por cerrados, cerradões e campestres;</p><p>3. O domínio das depressões interplanálticas, semiáridas do Nordeste; 4. O domínio</p><p>dos “mares de morros” florestados; 5. O domínio dos planaltos de araucárias; 6.</p><p>O domínio das pradarias (figura 1).</p><p>Faixas de transição</p><p>Pradarias</p><p>Araucárias</p><p>Caatinga</p><p>Mares de Morros</p><p>Cerrado</p><p>Amazônico</p><p>Figura 1 – Domínios morfoclimáticos, conforme Aziz Ab´Saber</p><p>Fonte: Adaptado de iStock</p><p>7</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Aziz considera, ainda, que existem faixas de transição entre os domínios,</p><p>onde se pode verificar a existência de vegetação resultante da intersecção dos</p><p>domínios adjacentes.</p><p>Existem ainda “enclaves” de vegetação de domínios distintos em meio a uma</p><p>formação da qual não é originário.</p><p>A potencialidade dos biomas brasileiros (ou domínios morfoclimáticos e</p><p>fitogeográficos) não foi ainda compreendida em sua totalidade. Muitas áreas do</p><p>vasto território brasileiro não foram estudadas em função da dificuldade de acesso e</p><p>de incentivos a pesquisa nesta área, por falta de investimentos nesta área. Por outro</p><p>lado, algumas características de nossos biomas são reveladas por pesquisadores de</p><p>universidades estrangeiras, que financiam pesquisas em nosso território e acabam</p><p>por se apropriar de informações e da nossa diversidade em detrimento de isso ser</p><p>revelado por pesquisadores nacionais.</p><p>Os conhecimentos das comunidades tradicionais são, muitas vezes, igualmente</p><p>revelados por estes pesquisadores internacionais e a falta de incentivo à pesquisa</p><p>nacional e de programas de manutenção das comunidades tradicionais em seus</p><p>ambientes têm levado a destruição da diversidade cultural existente em nosso país.</p><p>Domínios morfoclimáticos e fitogeográficos</p><p>Domínio das terras baixas florestadas da Amazônia</p><p>A Amazônia apresenta uma megadiversidade biológica e hidrográfica. Em</p><p>função de sua posição geográfica, na faixa equatorial, há grande disponibilidade de</p><p>umidade e luminosidade; a baixa amplitude térmica anual e ausência de estações</p><p>secas propiciam a reprodução da fauna e da flora em sua plenitude.</p><p>O relevo do domínio amazônico é formado essencialmente por depressões,</p><p>baixos planaltos, planícies aluviais, Planalto das Guianas (ao norte), Planalto Central</p><p>Brasileiro e o domínio de terras baixas.</p><p>Os solos, no geral, apresentam baixa fertilidade natural, com exceção os solos</p><p>de várzea: próximo aos rios e a terra preta de índio (solo fértil de origem antrópica).</p><p>Os igarapés (caminhos de canoa) são cursos de água de primeira ou de segunda</p><p>ordem, componentes primários de tributação dos rios pequenos, médios e grandes,</p><p>ou seja, se iniciam nas nascentes dos rios e apresentam relativa mansidão. Os</p><p>igarapés foram fundamentais para a ocupação indígena da Amazônia e durante o</p><p>ciclo da borracha, a bocas dos igarapés eram sítios estratégicos para a instalação</p><p>de barracões de seringais.</p><p>8</p><p>9</p><p>Para as populações locais, o igarapé é o lugar de onde se retira o peixe, a água</p><p>de beber e de cozinhar, se as águas apresentarem condições adequadas de uso</p><p>(figura 2).</p><p>Figura 2 – Igarapé Água Branca: um dos poucos de Manaus-AM que têm água limpa</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Assim como diversos cursos de água pela floresta amazônica, os igarapés têm</p><p>sofrido com o assoreamento, a ocupação irregular das margens e a poluição das</p><p>águas (figura 3).</p><p>Utilizado para diversas finalidades no passado, se tornaram esgotos a céu aberto</p><p>em muitas das cidades da região amazônica (especialmente as maiores).</p><p>Figura 3 – Igarapé da Cachoeira em Manaus-AM, início da ocupação de degradação</p><p>Fonte: www.portalamazonia.com</p><p>9</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>O domínio dos chapadões centrais recobertos por cerrados,</p><p>cerradões e campestres</p><p>O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando uma área de</p><p>cerca de 22% do território nacional, onde encontram-se as nascentes das três maiores</p><p>bacias hidrográficas da América do Sul (Amazônica/Tocantins, São Francisco e Prata),</p><p>o que resulta em um elevado potencial aquífero e favorece a sua biodiversidade.</p><p>O Cerrado apresenta extrema abundância de espécies endêmicas (que só existem</p><p>ali), embora muitas não sejam ainda conhecidas e estudadas, pois até pouco tempo</p><p>o Cerrado era considerado pobre em biodiversidade e não despertava interesse</p><p>em que fosse estudado e preservado, fato que justifica a imensa destruição deste</p><p>domínio nas últimas décadas.</p><p>As áreas ocupadas pelo bioma Cerrado apresentam duas estações do ano bem</p><p>definidas, sendo uma chuvosa e a outra seca. A vegetação, bem como a fauna, se</p><p>adaptou a este ambiente através de um longo processo evolutivo.</p><p>Segundo Aziz Ab´Saber, o domínio do Cerrado brasileiro se apresenta em</p><p>uma posição zonal (ocupa uma faixa de leste a</p><p>oeste – longitudinal) e ocupa</p><p>uma posição interior no território brasileiro e sua composição florística com uma</p><p>área central (core) constituída por padrões regionais de cerrados e cerradões</p><p>é muito distinta das verdadeiras savanas existentes em território africano. A</p><p>área denominada de cerrado em sentido amplo inclui formações cerradões e de</p><p>campos ou de formações campestres.</p><p>Figura 4 – Representação esquemática da distribuição das formações do Cerrado</p><p>Fonte: www.embrapa.br</p><p>Os cerrados e os cerradões se repetem por toda a parte no interior e nas</p><p>margens da área nuclear e as variações florísticas são mais do tipo de florestas-</p><p>galeria. Os campestres são enclaves de campos tropicais em algumas áreas dentro</p><p>deste domínio.</p><p>O domínio dos cerrados (em sua área central) se localiza, predominantemente,</p><p>nos planaltos dotados de superfícies de cimeira aplainados, além de um conjunto</p><p>de planaltos sedimentares.</p><p>10</p><p>11</p><p>Embora as feições morfológicas sejam muito diversificadas, o domínio dos</p><p>Cerrados apresenta os cerrados (sentido restrito) e os cerradões, predominantemente</p><p>nos interflúvios e vertentes suaves dos diferentes planaltos regionais.</p><p>A relação entre clima, relevo e solos propicia a variedade de formações dentro</p><p>deste domínio.</p><p>A vereda (figura 5) é um tipo de formação vegetal que apresenta como principal</p><p>a palmeira arbórea (buriti), em meio a agrupamentos mais ou menos densos de</p><p>espécies arbustivo-herbáceas. As Veredas são circundadas por campos típicos,</p><p>geralmente úmidos, e os buritis são espalhados não formando o denominado</p><p>Buritizal. A vereda surge em alguns setores estendendo-se continuamente pelos</p><p>setores aluviais das planícies, onde ocorre o predomínio de sedimentos arenosos</p><p>nos bordos das planícies de inundação e, por vezes, afloramento de lençol freático</p><p>ou maior acúmulo de água (solos hidromórficos), formando um corredor herbáceo</p><p>nos dois bordos da galeria fluvial.</p><p>Figura 5 – Vereda – observe a concentração de água e a presença do buriti</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Além dos aspectos ambientais, o Cerrado tem grande importância social</p><p>e cultural. Uma grande quantidade de populações sobrevive de seus recursos</p><p>naturais, incluindo etnias indígenas, geraizeiros (população tradicional que vive no</p><p>Cerrado no norte de Minas Gerais), ribeirinhos, babaçueiras, vazanteiros (povos</p><p>ribeirinhos das caatingas e cerrados) e comunidades quilombolas as quais detêm um</p><p>imensurável conhecimento tradicional de sua biodiversidade, utilizando as espécies</p><p>vegetais para diversas finalidades, tais como para fins medicinais, para recuperação</p><p>de solos degradados, como barreiras contra o vento, proteção contra a erosão</p><p>entre outros. Muito das plantas do Cerrado é utilizado na culinária da população</p><p>local, mas têm se espalhado para outras partes do país e até do exterior, tais como</p><p>os frutos do pequi, a mangaba, o cajuzinho do cerrado entre outros.</p><p>O Cerrado é o bioma brasileiro que mais tem sofrido, nas últimas décadas, com</p><p>a ocupação humana (figura 6).</p><p>11</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Figura 6 – Destruição do Cerrado</p><p>Fonte: www.ispn.org.br</p><p>As atividades que têm se desenvolvido sobrepondo-se as áreas de Cerrado são a</p><p>pecuária e a produção de grãos, especialmente a soja (figura 7).</p><p>Para que essa produção possa ser escoada para os centros consumidores e</p><p>corredores de exportação, toda uma infraestrutura é necessária, desde locais de</p><p>armazenamento e de rodovias, o que contribui, também, para o desmatamento e a</p><p>transformação das áreas florestadas.</p><p>Figura 7 – Expansão da produção de soja sobre a área de Cerrado</p><p>Fonte: www.revistaescola.abril.com.br</p><p>12</p><p>13</p><p>Um dos fatores que facilitam estas atividades é a presença de um relevo plano,</p><p>em quase toda a sua extensão, o que facilita o avanço das máquinas agrícolas que</p><p>rapidamente desmatam grandes áreas verdes.</p><p>Compare os mapas da figura 7 e observe que a expansão da soja coincide com</p><p>as áreas mais devastadas até o ano de 2002.</p><p>O domínio das depressões interplanálticas semiáridas</p><p>do Nordeste</p><p>A região semiárida nordestina é uma das subdivisões que compõem a região</p><p>Nordeste do Brasil (figura 8).</p><p>Figura 8 – As sub-regiões do Nordeste</p><p>Fonte: Adaptado de Wikimedia Commons</p><p>O semiárido é, fundamentalmente, caracterizado pela ocorrência do bioma</p><p>da caatinga, que constitui o sertão nordestino (embora atinja, também, parte do</p><p>norte de Minas Gerais que se localiza na região Sudeste – observe atentamente a</p><p>figura 9). Este apresenta clima seco e quente, com chuvas que se concentram nas</p><p>estações de verão e outono, sendo que os índices pluviométricos estão entre os</p><p>menores registrados no país.</p><p>A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e ocupa cerca de 11%</p><p>do território nacional. Além da região nordeste está presente no extremo norte</p><p>de Minas Gerais. É um bioma muito importante do ponto de vista biológico por</p><p>apresentar fauna e flora únicas, formada por uma vasta biodiversidade, rica em</p><p>recursos genéticos e de vegetação constituída por espécies lenhosas, herbáceas,</p><p>cactáceas e bromeliáceas, dispostas por toda a região do semiárido brasileiro.</p><p>Por que existe uma região tão vasta com clima semiárido em nosso país que</p><p>apresenta em torno de 90% de seu espaço dominado por climas úmidos subúmidos?</p><p>13</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>A explicação para a existência de tal área é um tanto complexa, pois são vários</p><p>os fatores atuantes, dentre os quais se destacam e se combinam:</p><p>1. Circulação atmosférica - células de alta pressão atmosférica (com correntes</p><p>de ar que transferem o calor para latitudes maiores) se formam nas áreas</p><p>interplanálticas (sertões) do Nordeste, durante o inverno no hemisfério sul e</p><p>impedem o avanço da umidade da massa de ar Tropical Atlântica (incluindo a</p><p>atuação dos ventos alísios) sobre esta área, beneficiando com umidade a zona da</p><p>mata. A entrada de frentes polares causa chuva, mas, como elas têm pouca força</p><p>quando chegam ao Nordeste, predomina um quadro de estabilidade.</p><p>Sazonalmente o clima do Nordeste também sofre a influência do: El Niño, que</p><p>interfere principalmente no bloqueio das frentes frias vindas do sul do país, o que</p><p>impede a geração de uma instabilidade condicional na região, e a formação do</p><p>dipolo térmico atlântico.</p><p>As chuvas (ou seca) mantêm, também, relação com o deslocamento da Zona</p><p>de Convergência Intertropical (ZCIT), sendo que é o balanço térmico na região</p><p>equatorial entre as águas do Atlântico norte e do Atlântico sul que movimenta a ZCIT.</p><p>Quando as porções equatoriais norte e sul do Atlântico estão com temperaturas</p><p>diferentes forma-se um dipolo.</p><p>Dipolo térmico do atlântico – dentro do</p><p>processo de interação oceanos-atmosfera, o</p><p>dipolo é o termo utilizado para a situação em</p><p>que ocorre variabilidade de temperatura em</p><p>larga escala entre o oceano Atlântico Norte e o</p><p>Atlântico Sul. Estas variações de temperaturas</p><p>do oceano Atlântico são favoráveis à formação</p><p>das chuvas no Nordeste. O fenômeno ocorre</p><p>quando a temperatura do Atlântico Sul está</p><p>mais elevada do que aquela do Atlântico Norte</p><p>(sendo considerada uma situação de anomalia).</p><p>2. Relevo - as elevações dos planaltos que existem paralelos à costa nordestina</p><p>barram a passagem da umidade que sopra do oceano, fazendo com que a umidade</p><p>seja descarregada na zona da mata (em maior quantidade) e no agreste (índices</p><p>menores, embora maiores do que no sertão). Observe na figura a existência de relevo</p><p>mais elevado (planaltos, serras e chapadas) circundando a depressão interplanáltica</p><p>do Nordeste. O Planalto da Borborema, por exemplo, que atravessa vários estados,</p><p>funciona como uma barreira para a passagem das correntes atmosféricas úmidas</p><p>que partem do oceano para o interior (figura 10). Mesmo estando sob o Equador,</p><p>a temperatura do mar nos litorais dos estados do Rio Grande do Norte e Ceará é</p><p>mais baixa em relação às áreas adjacentes, o que tem como consequência baixa</p><p>evaporação e, portanto, menor disponibilidade de umidade.</p><p>14</p><p>15</p><p>PLANALTO</p><p>1 - Planaltos e chapadas da</p><p>bacia o Paraíba</p><p>2 - Planalto</p><p>de Borborema</p><p>3 - Chapada do Araripe</p><p>4 - Planaltos e serras do</p><p>Atlântico-Leste-Sudeste</p><p>DEPRESSÃO</p><p>5 - Depressão Sertaneja</p><p>6 - Depressão do São Francisco</p><p>PLANÍCIE</p><p>7 - Planície Litorânea e tabuleiros</p><p>Figura 9 – (Principais compartimentos do relevo nordestino)</p><p>Fonte: Adaptado de ROSS, 2001</p><p>Figura 10 – Perfi l topográfi co direção leste-oeste de parte da região Nordeste do Brasil.</p><p>Fonte: Adaptado de ROSS, 2001</p><p>A vegetação e os animais que enfrentam essa situação de escassez de água</p><p>são bem adaptados, assim como se adaptou a população sertaneja que habita há</p><p>milhares de anos esta área do semiárido brasileiro (figura 11).</p><p>Figura 11 – Aspecto geral da Caatinga</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>15</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>O clima condiciona a hidrografia, sendo que os rios no Nordeste, em sua</p><p>maioria, não são perenes. A questão climática que dificulta a sobrevivência soma-</p><p>se à estrutura agrária extremamente rígida, com a presença de imensos latifúndios</p><p>e a população atrelada ao coronelismo e ao clientelismo que imperam no Nordeste</p><p>desde os tempos coloniais. Por conta desses motivos, há um intenso fluxo migratório</p><p>de uma parcela significativa da população sertaneja que busca em cidades maiores</p><p>do país (por vezes da própria região Nordeste) melhores condições de vida. Assim,</p><p>o Nordeste, e especialmente a região da Caatinga acabam sendo conhecidos,</p><p>conforme Ab´Saber, como uma região geradora e redistribuidora de homens, em</p><p>face das pressões das secas prologadas, da pobreza e da miséria.</p><p>Nesta região a Caatinga sofre com pressões tanto das populações mais pobres</p><p>como dos grandes latifundiários que têm investido em grandes plantações (irrigadas)</p><p>de frutas para exportação. O desmatamento, a principal causa da destruição da</p><p>Caatinga, deve-se à extração da mata nativa, que é convertida em lenha (utilizada</p><p>pela população local) e carvão vegetal destinados principalmente aos polos gesseiro</p><p>e cerâmico do Nordeste e ao setor siderúrgico de Minas Gerais e do Espírito Santo.</p><p>Também foram desmatadas grandes áreas para a agricultura destinada à produção</p><p>de plantas para biocombustíveis, além da pecuária bovina. Ocorreu, ainda, o</p><p>desmatamento para a implantação de projetos de fruticultura irrigada (figura 12).</p><p>A riqueza gerada por estas atividades econômicas (especialmente a fruticultura)</p><p>têm transformado a paisagem de muitas cidades do agreste e do sertão nordestino,</p><p>com a expansão da mancha urbana (aumentando a pressão sobre a caatinga) e da</p><p>oferta de serviços e comércio para uma parcela da população que tem aumentado</p><p>seu poder aquisitivo. Mas isso beneficia somente uma parcela da população, pois não</p><p>foram criados programas econômicos significativos para atender as necessidades</p><p>de geração de renda da população mais pobre, o que a mantêm em condição de</p><p>vida muito precária.</p><p>Figura 12 – Plantação de uvas para produção de vinho no semiárido nordestino.</p><p>Fazenda Ouro Verde, da Miolo, localizada no município de Casa Nova, na Bahia</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>16</p><p>17</p><p>O (polêmico) projeto de transposição das águas do Rio São Francisco tem como</p><p>objetivo a integração deste rio (perene) aos rios temporários do semiárido, por meio</p><p>de canais artificiais nos estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e</p><p>Ceará. Desta forma, de acordo com o projeto, uma parte significativa da população</p><p>local seria beneficiada pela presença da água, podendo ampliar suas atividades</p><p>agropecuárias. A questão que colocamos para reflexão é: Esse fato aumentaria</p><p>a pressão sobre a caatinga levando a uma redução ainda maior de sua extensão,</p><p>uma vez que a legislação de proteção da caatinga prevê que somente 35% da</p><p>vegetação nativa da área de uma propriedade deve ser mantida no momento em</p><p>que a vegetação for removida?</p><p>Estudos apontam que a caatinga pode estar extinta até 2070, se nada for feito</p><p>para preservar esse bioma, pois poucas áreas de preservação foram criadas nas</p><p>últimas décadas.</p><p>O domínio dos “mares de morros” florestados</p><p>As matas atlânticas fazem parte do segundo maior complexo de florestas</p><p>tropicais biodiversas brasileiras e estendiam-se (no início da colonização brasileira),</p><p>desde Santa Catarina até o Rio Grande do Norte, ocupando uma faixa em direção</p><p>do interior do país em torno de 50 quilômetros no estado da Bahia, chegando até</p><p>600 quilômetros Minas Gerais adentro. Esta área em sua maior extensão apresenta</p><p>altos índices pluviométricos e temperaturas elevadas no verão e mais baixas no</p><p>inverno, o que possibilitou à vegetação uma grande adaptação a estas variações e</p><p>a formação de uma imensa biodiversidade.</p><p>Este bioma, denominado de florestas tropicais (figura 13), recobre o domínio</p><p>morfoclimático denominado por Aziz Ab´Saber como “mares de morros” e</p><p>apresenta uma variedade imensa de ecossistemas, desde os costeiros até os de</p><p>campos de altitude (figuras 14 e 15), pois atravessa uma extensa área de diferentes</p><p>altitudes, que variam de 0m (nível do mar) até acima de 2.000m nas regiões</p><p>serranas do Sudeste.</p><p>Figura 13 – Mata (ou Floresta) Atlântica no estado de São Paulo</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>17</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Figura 14 – Manguezal</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Figura 15 – Campos e altitude</p><p>Fonte: iStock/Getty Images</p><p>Em função de sua localização e de seus atributos (riqueza de flora e fauna) este é</p><p>o bioma que mais sofreu devastação em nosso país (figura 16), bem como sofreram</p><p>as populações tradicionais habitantes a centenas de anos destas áreas. A ocupação</p><p>do território brasileiro se deu da área litorânea para o interior do país, com o</p><p>surgimento de vilas e de cidades que surgiram em função do desenvolvimento das</p><p>atividades econômicas (ligadas à extração de recursos naturais - madeira e minérios</p><p>- e a agropecuária) foi a grande responsável pelo nível de devastação desse bioma.</p><p>Figura 16 – Comparação da área ocupada pelas florestas atlânticas em 1500 e 2014</p><p>Fonte: www3.al.sp.gov.br</p><p>18</p><p>19</p><p>Observe na figura 17, a distribuição da população brasileira. Podemos identificar</p><p>que a maioria da população está concentrada em uma faixa (extensa, hoje) ao</p><p>longo do litoral brasileiro.</p><p>Figura 17 – Distribuição da população brasileira.</p><p>Fonte: IBGE</p><p>Vamos agora observar a figura 18 e a comparar com a figura 17.</p><p>Figura 18 – Distribuição das comunidades indígenas em 2010</p><p>Fonte: IBGE</p><p>O que podemos concluir a partir dessa comparação? Podemos perceber que as</p><p>áreas menos ocupadas no país (por cidades, indústrias e atividades agropecuárias)</p><p>são aquelas onde as populações tradicionais conseguiram se permanecer com seu</p><p>modo de vida. A região dos mares de morros (faixa próxima ao litoral) é um exemplo</p><p>disso. Somente as áreas de difícil acesso em serras e nos mares de morro, no</p><p>domínio do bioma de floresta atlântica, permaneceram não ocupadas, permitindo</p><p>que as comunidades tradicionais se mantivessem nestes locais.</p><p>19</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Fato interessante que pode ser percebido neste domínio das florestas atlânticas</p><p>é a presença de matas de cerrado e da caatinga em áreas específicas que não</p><p>apresentam características climáticas para a existência destas formações na</p><p>atualidade. Como é possível encontrarmos vegetação típica da caatinga e do</p><p>cerrado em algumas áreas do estado de São Paulo? Responderemos essa questão</p><p>mais adiante, quando discutirmos a Teoria dos redutos e relictos.</p><p>O domínio dos planaltos de araucárias e das pradarias mistas</p><p>Planaltos de araucárias</p><p>No Brasil meridional, podemos identificar que ocorre uma queda de temperatura</p><p>em relação às médias verificadas no restante do território brasileiro. Essa condição</p><p>propiciou a existência de um domínio de natureza extratropical, constituído por</p><p>araucárias que emergem acima do dossel de matas subtropicais, é a Floresta</p><p>Ombrófila Mista (figura 19).</p><p>Dossel: É a denominação dada ao extrato superior de uma formação vegetal. É composto</p><p>pelas árvores mais altas, adultas, que recebem toda a intensidade da luz solar que chega à</p><p>superfície do planeta.</p><p>Ex</p><p>pl</p><p>or</p><p>Figura 19 – Aspectos gerais do domínio das</p><p>araucárias</p><p>(nome científico: Araucária angustifólia)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Em sua área de ocorrência original se localizava nas partes mais elevadas dos</p><p>planaltos de solo fértil dos estados da região Sul do Brasil, em redutos florestais de</p><p>serras da região Sudeste, como nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas</p><p>Gerais. Essa formação vegetal, típica de climas com temperaturas moderadas a</p><p>baixas no inverno, praticamente desapareceu, pois estava “no caminho” do avanço</p><p>da fronteira agrícola do Sul do país, especialmente, nos planaltos ondulados da</p><p>vasta hinterlândia dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com</p><p>predominância de climas temperados úmidos de altitude.</p><p>20</p><p>21</p><p>Trata-se de um dos biomas menos preservados no país e a criação de áreas de</p><p>proteção de remanescentes desse domínio encontra resistência dos proprietários</p><p>rurais e ocorrendo, ainda, a falta de estrutura do governo federal na delimitação e</p><p>fiscalização destas áreas.</p><p>A ocupação do século XIX por projetos de colonização italiana e alemã,</p><p>principalmente, abriu caminho para a devastação deste bioma. Mas foi no século</p><p>XX que o desmatamento ocorreu de forma intensa e rápida, conforme afirma</p><p>Carvalho (2011). As transformações políticas, econômicas, sociais e culturais por</p><p>que nosso país passou durante o século XX são as causas da destruição da floresta</p><p>de araucária.</p><p>Conforme afirma Carvalho (2011), as atividades agropecuárias (como o cultivo</p><p>do café em extensas áreas do estado do Paraná, no final do século XIX e meados</p><p>do século XX, por exemplo) são os fatores que mais impactaram a floresta de</p><p>araucária, pois para a utilização da terra para plantações e pastagens a floresta era</p><p>totalmente eliminada.</p><p>Figura 20 - Área de ocorrência de araucárias e áreas remanescentes protegidas</p><p>(parques, reservas e estações ecológicas)</p><p>Fonte: Adaptado de www.folha.com.br</p><p>Se o domínio das araucárias é típico de climas temperados a frios presentes no</p><p>Brasil, como é possível encontrarmos esse tipo de vegetação em áreas que, no</p><p>geral, apresentam temperaturas mais elevadas como nos estados de São Paulo,</p><p>Minas Gerais e Rio de Janeiro?</p><p>Antes de respondermos a esta intrigante questão, analisaremos o último</p><p>dos domínios morfoclimáticos e fitogeográficos, conforme classificação de Aziz</p><p>Ab´Saber: as pradarias mistas.</p><p>21</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>As pradarias mistas</p><p>Bioma que ocorre no Sul do Brasil instalado nas coxilhas, topografia típica das</p><p>Campanhas Gaúchas, onde o relevo se apresenta, em geral, de forma plana com</p><p>suaves ondulações, se estendendo pela Argentina e pelo Uruguai.</p><p>Também denominado como Pampa, só foi reconhecido como bioma brasileiro</p><p>em 2004. Por não ser considerado como uma área de grande biodiversidade como</p><p>as florestas e de haver a crença de ser um bioma pobre foi negligenciada e ocupada</p><p>de forma predatória.</p><p>Além da paisagem natural, a área ocupada por este bioma é dotada de uma</p><p>grande importância histórica e cultural para o povo gaúcho.</p><p>Somente em 2009, a região das pradarias mistas do Sul do Brasil foi incluída na</p><p>lista de biomas protegidos pela Constituição, junto ao Cerrado e à Caatinga.</p><p>A composição das pradarias mistas é, predominantemente, de plantas herbáceas,</p><p>principalmente as gramíneas (bem adaptadas ao clima seco e frio, com baixa</p><p>pluviosidade e as características morfoclimáticas), sendo que as condições climáticas</p><p>não favorecem o desenvolvimento de vegetação de grande porte, embora o solo</p><p>seja, em grandes áreas das pradarias, naturalmente bastante fértil. Constitui as</p><p>formações típicas de campos temperados (figura 21).</p><p>Figura 21 – Pradarias mistas</p><p>Fonte: Wikimedia Commons</p><p>Originalmente as pradarias mistas, com florestas-galeria subtropicais, recobriam</p><p>grandes espaços da Campanha Gaúcha.</p><p>Estas áreas foram ocupadas por imensos arrozais, implantados em todas as</p><p>planícies das depressões sul-rio-grandenses e recentemente, a soja prolifera</p><p>intensamente na paisagem agrária das áreas de solo originário do basalto</p><p>(naturalmente fértil). Em algumas áreas, o desmatamento da vegetação das</p><p>pradarias mistas para o plantio de soja, bem como o manejo inadequado do solo</p><p>e o uso intensivo de máquinas agrícolas pesadas, provocaram erosão, deixando</p><p>exposta a formação sedimentar, fazendo com que o vento retrabalhasse esse</p><p>sedimento criando um grande areal onde a recuperação do solo exigirá imensuráveis</p><p>investimentos (processo de arenização - figura 22).</p><p>22</p><p>23</p><p>Figura 22 – Aspecto de área em processo de arenização</p><p>Fonte: www.ufrgs.br</p><p>Essas áreas foram estudadas por Dirce Suertegaray, da UFRGS, em que foi</p><p>possível verificar que estava ali instalado um processo de arenização. As rochas</p><p>sedimentares que formam o substrato desta região do Rio Grande do Sul são</p><p>resultantes da compactação de areias que formaram um deserto que ali existia</p><p>há milhares de anos atrás. A mudança climática ao longo do tempo geológico</p><p>modificou, também, a vegetação permitindo a existência das pradarias nesta parte</p><p>do país e fazendo com que formações vegetais se contraíssem e se expandissem</p><p>pelo território nacional.</p><p>A explicação para que vestígios (redutos, relictos ou enclaves) de formações</p><p>vegetais típicas de um determinado ambiente apareça em outro, é o que discutiremos</p><p>a seguir.</p><p>Teoria dos refúgios</p><p>Vejamos os casos a seguir, que são alguns dos exemplos dentre tantos outros</p><p>que poderíamos citar.</p><p>Figura 23 – Fisionomia de caatinga no Boqueirão</p><p>Fonte: Commons Wikimedia</p><p>23</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Figura 24 - Araucárias em Campos do Jordão-SP</p><p>Fonte: iStock/Getty Images</p><p>Na figura 23, podemos observar a vegetação típica da caatinga em área de</p><p>domínio do bioma de florestas tropicais (Mata Atlântica) com ocorrência de clima</p><p>úmido e na figura 24, observamos araucárias típicas do Sul do Brasil em área de</p><p>domínio de florestas tropicais (Mata Atlântica).</p><p>Cerrados e caatinga no domínio amazônico são, também, outro exemplo de</p><p>enclaves de vegetação.</p><p>A partir destes exemplos, vamos responder a seguinte questão: De que forma pode</p><p>ser explicada a existência de uma formação vegetal fora de sua área de ocorrência?</p><p>Primeiramente precisamos ter claro que o clima do planeta mudou ao longo do</p><p>tempo geológico. Áreas que foram florestas no passado são desertos hoje (como</p><p>o Saara, por exemplo) e áreas que foram desérticas (como o grande deserto que</p><p>existiu nos oeste da região Sudeste até o Sul do Brasil) são úmidas e vegetadas no</p><p>período geológico atual.</p><p>As formações vegetais se adaptam ao clima do momento e se ocorre alguma</p><p>mudança climática as formações vegetais são afetadas e tendem a recuar (em sua</p><p>área de existência) e se estabelecer onde o clima lhe propiciará sobrevivência.</p><p>24</p><p>25</p><p>Quando há menos umidade e calor disponível, o desenvolvimento das florestas</p><p>fica prejudicado e elas recuam para áreas onde estas condições estejam presentes,</p><p>mas as plantas (e os animais) adaptadas a climas mais secos se espalham e ocupam</p><p>os lugares deixados pela vegetação em recuo. Assim as formações vegetais se</p><p>expandem e recuam em função das condições favoráveis ou não.</p><p>No caso dos exemplos citados acima, temos as seguintes situações: há milhares</p><p>de anos, extensas áreas do estado de São Paulo eram ocupadas por um imenso</p><p>deserto e suas bordas, de clima semiárido, ocupadas por caatinga. Com a mudança</p><p>do clima de seco para úmido, as caatingas recuaram e as florestas tropicais ocuparam</p><p>as áreas “deixadas para trás” pela caatinga. Mas, nem toda caatinga desapareceu</p><p>desta área, restando alguns redutos (refúgios ou relictos) dessa vegetação onde esta</p><p>encontrou condição de sobrevivência (como em solos arenosos e topos de morros</p><p>rochosos). Estes redutos podem ser interpretados como uma formação que estaria</p><p>aguardando o momento de nova mudança climática para novamente se expandir.</p><p>No caso das araucárias, a explicação teórica é a mesma: uma formação de</p><p>clima frio que encontrou, no passado, condições ideais para se expandir e ocupar</p><p>imensas áreas. Com a mudança do clima, restringindo-se</p><p>a mais frio no Sul do</p><p>Brasil e em topos de serras no Sudeste, as araucárias recuaram deixando para trás</p><p>redutos que indicam até onde o clima mais frio existia no passado.</p><p>Estudos indicam que esse processo atuou no final do Pleistoceno (cerca de 11 a</p><p>18 mil anos atrás), momento em que houve a retomada da umidificação do clima</p><p>em grandes áreas.</p><p>Esse mecanismo de expansão e o recuo das formações vegetais explicam</p><p>também a grande biodioversidade encontrada nos biomas brasileiros, pois nessas</p><p>“idas e vindas” da vegetação ocorreu a intersecção e a combinação de diferentes</p><p>plantas, resultando em plantas muitas vezes endêmicas (existentes somente naquele</p><p>local) dos biomas brasileiros.</p><p>No caso da Floresta com Araucária, acredita-se que esta começou a se formar</p><p>no Sul do Brasil, após a última glaciação (momento de início do Holoceno há 11</p><p>mil anos atrás) e atingiu seu ápice há aproximadamente 2.200 anos.</p><p>Além das mudanças climáticas outros fatores podem influenciar a existência de</p><p>redutos de vegetação e da fauna.</p><p>Segundo Geraque (2012), análises genéticas indicaram que, além da Teoria</p><p>dos Refúgios, outro processo importante – e anterior – de mudança na paisagem</p><p>amazônica foi determinante para a diversificação das formigas na região. Há 15</p><p>milhões de anos, antes de o rio Amazonas se formar, o aumento do nível dos</p><p>oceanos fez as águas marinhas invadirem a região, o que teria iniciado o isolamento</p><p>de certas áreas amazônicas, que viraram verdadeiras ilhas. A fragmentação do</p><p>ambiente, depois, teria então sido realçada pelos refúgios. De acordo com esse</p><p>trabalho, a grande diversificação de espécies de formigas ocorreu entre 14 milhões</p><p>e 8 milhões de anos atrás.</p><p>25</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Outro fato interessante sobre esta teoria pode ser corroborado pelo fato de</p><p>espécies de animais e plantas serem encontradas tanto na Floresta Amazônica</p><p>quanto na Mata Atlântica, o que leva os pesquisadores a afirmar que houve a</p><p>existência de uma única e grande floresta que se estendia de norte ao sudeste do</p><p>país há milhares de anos atrás.</p><p>Desta forma as formações vegetais e a fauna que nela se instala mudam com o</p><p>passar do tempo, deixando registros de sua existência para além das áreas em que</p><p>são encontradas na atualidade.</p><p>26</p><p>27</p><p>Material Complementar</p><p>Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:</p><p>Sites</p><p>Moradores esperam as mudanças com a transposição do Rio São Francisco</p><p>Estea artigo trata de uma reportagem feita a partir de entrevistas com moradores das</p><p>áreas que estão como futuras beneficiárias pelo projeto de transposição das águas do</p><p>Rio São Francisco. Bastante interessante, pois demonstra a realidade e as expectativas</p><p>da população local em relação à chegada da água</p><p>http://goo.gl/3Zh1P0</p><p>Arenização no RS: um problema que cresce. Entrevista especial com Dirce Suertegaray</p><p>O artigo traz uma entrevista com a Profª Drª Dirce Suertegaray da Universidade</p><p>Federal do Rio Grande do Sul sobre o processo de arenização que vem ocorrendo em</p><p>uma extensa áre do Rio Grande do Sul. Muito interessante para compreender de que</p><p>forma as práticas agropecuárias mal planejadas podem causar a destruição ambiental</p><p>(dos biomas, dos solos e da economia local).</p><p>A professora explica, também, a diferença entre arenização e desertificação.</p><p>http://goo.gl/XgLKOB</p><p>Vídeos</p><p>Parque Nacional das Emas TERRA DA GENTE 02.</p><p>O vídeo, muito interessante, mostra a área do Parque Nacional das Emas, área de</p><p>preservação do Cerrado e as atividades agrícolas que foram desenvolvidas nos espaços</p><p>devastados desse bioma. Mostra ainda de que maneira foram criadas ações de</p><p>recuperação ambiental e a proteção de uma das nascentes do Rio Araguaia.</p><p>youtu.be/2WdrdUu2K3Q</p><p>Domínios Morfoclimáticos - Mares de Morros</p><p>Vídeo muito interessante e bastante didático sobre a formação geológica e</p><p>geomorfológica da formação dos Mares de Morros. Mostra ainda a degradação</p><p>ambiental desse domínio</p><p>https://goo.gl/hRf9XJ</p><p>27</p><p>UNIDADE Biomas brasileiros</p><p>Referências</p><p>AB´SABER. A. Os domínios de natureza no Brasil – potencialidades paisagísticas.</p><p>São Paulo: Ateliê Editorial, 2003.</p><p>CARVALHO, M. M. X. de. Os fatores do desmatamento da Floresta com Araucária:</p><p>agropecuária, lenha e indústria madereira. UFSC: Revista Esboços, v. 18, n. 25</p><p>(2011). Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/esbocos/article/</p><p>view/2175-7976.2011v18n25p32/21531 Acesso em 23/05/2016.</p><p>ESCOBAR, A. A colonialidade do saber. In: LANDER, E. A colonialidade do</p><p>saber: eurocentrismo e ciências sociais. [s.l]: CLACSO Livros, 2005.</p><p>GERAQUE, E. Um lagarto da Amazônia estudado por Vanzolini reforçou a proposta</p><p>de geólogo alemão sobre refúgios florestais. Revista Fapesp, maio de 2012.</p><p>MAGALHÃES, M. P. O mito da natureza selvagem. In: FURTADO, R. (Org.).</p><p>Scientific American Brasil. São Paulo: Dueto Editorial, 2008. (Coleção Amazônia.</p><p>Origens).</p><p>MMA. Ministério do Meio Ambiente. O bioma Cerrado. Disponível em: http://</p><p>www.mma.gov.br/biomas/cerrado Acesso em: 04/05/2016.</p><p>ROSS, J. L. S. (Org.) Geografia do Brasil. 4 ed. São Paulo: Edusp, 2001</p><p>28</p>

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