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<p>MIGALHAS DE PESO</p><p>Home > De Peso > O dano moral indenizável</p><p>PUBLICIDADE</p><p>O dano moral indenizável</p><p>Egle Cecconi</p><p>Se espera que a jurisprudência brasileira cada vez mais se aproxime de</p><p>uma melhor solução para os casos de indenização de dano moral,</p><p>quanti�cando adequadamente cada situação, considerando as</p><p>semelhanças dos casos, mas sobretudo as peculiaridades de cada</p><p>situação danosa vivenciada pelas vítimas.</p><p>segunda-feira, 25 de setembro de 2023</p><p>Atualizado às 11:00</p><p>1. Introdução</p><p>Quando um bem jurídico protegido sofre alguma lesão ocorre o</p><p>dano. O dano pode tanto atingir o patrimônio material, quando é</p><p>Compartilhar</p><p>Comentar</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 1/13</p><p>https://www.migalhas.com.br/</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso</p><p>https://www.migalhas.com.br/autor/egle-cecconi</p><p>https://www.migalhas.com.br/autor/egle-cecconi</p><p>https://www.facebook.com/PortalMigalhas/</p><p>https://www.instagram.com/portalmigalhas/</p><p>https://www.linkedin.com/company/migalhas/</p><p>https://t.me/s/portalmigalhas/</p><p>https://chat.whatsapp.com/EOobchvGUH74WXsmgbMAgr</p><p>https://www.migalhas.com.br/</p><p>passível de avaliação pecuniária, como ser extrapatrimonial, nos</p><p>casos em que causa dor, sofrimento, atingindo o ser humano naquilo</p><p>que ele é.</p><p>O dano moral indenizável é um conceito fundamental no campo do</p><p>direito civil que busca proteger a dignidade humana e garantir que</p><p>os indivíduos sejam ressarcidos quando sofrem agressões não</p><p>apenas físicas, mas também psicológicas e emocionais. Neste artigo,</p><p>será explorado o significado do dano moral indenizável, suas bases</p><p>legais e sociais, bem como exemplos de situações julgadas pela</p><p>jurisprudência.</p><p>2. Conceito de dano moral</p><p>Primeiramente é importante destacar que o dano moral é uma</p><p>espécie de dano do gênero dano extrapatrimonial, já que segundo</p><p>ensinam Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho "o dano</p><p>moral consiste na lesão de direitos cujo conteúdo não é pecuniário,</p><p>nem comercialmente redutível a dinheiro. Em outras palavras,</p><p>podemos afirmar que o dano moral é aquele que lesiona a esfera</p><p>personalíssima da pessoa (seus direitos da personalidade)".1</p><p>Para alguns autores o dano moral seria residual, ou seja, o que não se</p><p>encaixa em outras espécies, como o dano estético, o dano existencial</p><p>ou dano à imagem, mas que se tratando de dano extrapatrimonial,</p><p>seria dano moral.</p><p>Na verdade, esta autora entende que no dano moral seja possível</p><p>abarcar todas as espécies de danos extrapatrimoniais, inclusive os</p><p>danos supracitados, dentre outros. No entanto, o que difere entre as</p><p>subespécies é a quantificação da indenização para cada subtipo de</p><p>dano moral.</p><p>3. Dano moral indenizável e o mero aborrecimento</p><p>O dano moral é aquele prejuízo que atinge a esfera psíquica da</p><p>vítima, se traduzindo pelo desgosto e angústia podendo ser</p><p>compreendido como o resultado não apenas da violação aos direitos</p><p>da personalidade, mas, de forma, mais ampla, de uma lesão a um</p><p>interesse existencial concretamente merecedor de tutela jurídica.</p><p>Siga-nos no</p><p>A A</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 2/13</p><p>https://news.google.com/publications/CAAqBwgKMJTkngswr-62Aw?oc=3&ceid=BR:pt-419</p><p>Aliás, "O dano moral nada tem a ver com a dor, mágoa ou</p><p>sofrimento da vítima ou de seus familiares. O pesar e a</p><p>consternação daqueles que sofrem um dano extrapatrimonial não</p><p>passam de sensações subjetivas, ou seja, sentimentos e vivências</p><p>eminentemente pessoais e intransferíveis, pois cada ser o humano</p><p>recebe os golpes da vida de forma única, conforme o seu</p><p>temperamento e condicionamentos".2</p><p>Nesse sentido é o Enunciado 444 do Conselho da Justiça Federal,</p><p>emitido na V Jornada de Direito Civil: "o dano moral indenizável não</p><p>pressupõe necessariamente a verificação de sentimentos humanos</p><p>desagradáveis como dor ou sofrimento".</p><p>Então, em se tratando de dano moral o que se busca é a proteção de</p><p>atributos que vão além do aspecto patrimonial, de modo a evitar a</p><p>coisificação do ser humano por meio da tutela de sua integridade</p><p>física, psíquica, moral e intelectual. Mais do que averiguar a</p><p>ocorrência de tais reflexos, deve se verificar se os fatos danosos</p><p>violam interesses existenciais da vítima, demonstrados nas lesões</p><p>suportadas e suas consequências, que geraram transtornos que</p><p>transbordaram da normalidade.</p><p>Por conseguinte, o que caracterizará o dano moral como indenizável</p><p>são os reflexos ou consequências decorrentes da lesão, e não</p><p>propriamente o dano em si, já que existem situações que embora</p><p>haja o dano moral, ele não será indenizável, por exemplo nos casos</p><p>das excludentes da responsabilidade civil.</p><p>O dano moral indenizável decorre da lesão aos direitos da</p><p>personalidade da vítima, como sua integridade psíquica, intelectual,</p><p>moral e física. Assim, é preciso mais que o mero constrangimento ou</p><p>frustração, sendo necessária a caracterização de um aborrecimento</p><p>extremamente significativo capaz de ofender a dignidade da pessoa</p><p>humana.</p><p>Por sua vez, o chamado "mero aborrecimento" é aquele que não viola</p><p>direitos da personalidade ou existenciais da pessoa atingida. O dano</p><p>pode até ocorrer, mas não é indenizável porque não interferiu na</p><p>integridade física, psíquica, moral e intelectual da vítima.</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 3/13</p><p>Além do mais, o mero aborrecimento refere-se a situações</p><p>desagradáveis e irritantes que fazem parte da vida cotidiana, mas</p><p>que não causam danos significativos à esfera emocional, psicológica</p><p>ou reputacional de uma pessoa. Em geral, esses contratempos não</p><p>são passíveis de indenização. Alguns exemplos de situações que</p><p>geralmente se enquadram como mero aborrecimento incluem:</p><p>meros atrasos em voos, transportes públicos ou atendimento em</p><p>estabelecimentos comerciais, desde que não resultem em perdas</p><p>substanciais; erros triviais ou pequenos em serviços, como uma pizza</p><p>entregue com um ingrediente errado, mero descumprimento</p><p>contratual, desde que não causem prejuízos significativos; ou,</p><p>inconveniências comuns como barulhos de vizinhos, pequenos</p><p>congestionamentos de trânsito e outros aborrecimentos normais da</p><p>vida em sociedade.</p><p>A diferença entre dano moral indenizável e mero aborrecimento é</p><p>crucial para o sistema de justiça funcionar de maneira justa e eficaz.</p><p>Enquanto o dano moral envolve a violação de direitos</p><p>personalíssimos e requer a comprovação de lesão, nexo de</p><p>causalidade e culpa ou dolo, o mero aborrecimento refere-se a</p><p>situações desagradáveis, porém comuns, que não justificam a</p><p>reparação por meio de indenização.</p><p>Segundo ensina o Douto Sérgio Carvalhieri Filho ao tratar do dano</p><p>moral:</p><p>"Se dano moral é agressão a dignidade humana, não basta</p><p>para configurá-lo qualquer contrariedade. (...) Nessa linha de</p><p>princípio, só deve ser reputado como dano moral a dor,</p><p>vexame, sofrimento ou humilhação que, fugindo à</p><p>normalidade, interfira intensamente no comportamento</p><p>psicológico do indivíduo, causando-lhe aflições, angústia e</p><p>desequilíbrio em seu bem-estar. Mero dissabor,</p><p>aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade exacerbada</p><p>estão fora da órbita do dano moral, porquanto além de</p><p>fazerem parte da normalidade do nosso dia-a-dia, no</p><p>trabalho, no trânsito, entre amigos e até no ambiente</p><p>familiar, tais situações não são intensas e duradouras, a</p><p>ponto de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo".3</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 4/13</p><p>Neste sentido, para que um dano moral se configure como</p><p>indenizável, além da comprovação da dor, deverão ser demonstrados</p><p>os requisitos da responsabilidade civil.</p><p>É importante que as partes envolvidas e o sistema jurídico saibam</p><p>distinguir entre esses conceitos para evitar o excesso de ações</p><p>judiciais e garantir que a responsabilidade civil seja aplicada de</p><p>forma justa</p><p>e proporcional. Isso ajuda a proteger os direitos</p><p>fundamentais das pessoas e a manter um equilíbrio entre a</p><p>liberdade de ação e a proteção contra abusos no convívio social.</p><p>Além de evitar que o pleito de indenização por dano moral seja</p><p>banalizado.</p><p>O STJ ao se manifestar sobre a caracterização do dano moral</p><p>indenizável no AgInt nos EDcl no AREsp 1.713.267/SP, cujo relator foi o</p><p>Ministro Raul Araújo, firmou entendimento de que:</p><p>"Para que fique configurado o dever de indenização por</p><p>danos morais, é necessário que o ato ilícito tenha violado</p><p>direito de personalidade, provocando dor, sofrimento, abalo</p><p>psicológico ou humilhação consideráveis à pessoa.</p><p>Precedentes" (Quarta Turma, julgado em 24/10/22, DJe de</p><p>28/10/22).</p><p>E o próprio CSTJ ao negar conhecimento ao AREsp 2.408.593, do qual</p><p>foi relator o Ministro Moura Ribeiro, manteve o entendimento do</p><p>Tribunal Estadual sobre a caracterização de mero aborrecimento, nos</p><p>seguintes termos:</p><p>"(...) Soberano na apreciação das provas dos autos, o Tribunal</p><p>de origem concluiu que o atraso na entrega do produto</p><p>adquirido pela autora não ultrapassou a esfera do mero</p><p>aborrecimento e, portanto, não ocasionou danos morais</p><p>reparáveis" (DJe de 19/9/23).</p><p>É possível observar, que em situações, como atraso de voo, dentre</p><p>outras, podem caracterizar dano moral indenizável, desde que</p><p>extrapolem o mero aborrecimento, sendo exatamente esse o</p><p>entendimento firmado pelo Admirável Tribunal de Justiça de São</p><p>Paulo, como demonstra trecho do acórdão proferido na Apelação</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 5/13</p><p>Cível 1011128-49.2019.8.26.0223, de relatoria do Desembargador José</p><p>Wagner de Oliveira:</p><p>"Atraso de voo com perda de conexão Relação de consumo</p><p>Incidência do CDC Alegação de manutenção não</p><p>programada da aeronave Fortuito interno que não</p><p>caracteriza excludente de consumo - Realocação em voo que</p><p>chegou ao destino praticamente 24 horas após o</p><p>originalmente contratado. Evento que extrapola a seara do</p><p>mero dissabor Prestação de serviço defeituoso, sem</p><p>excludentes - Dano moral caracterizado Indenização devida"</p><p>(Melatto Peixoto; Órgão Julgador: 37ª Câmara de Direito</p><p>Privado; Foro de Guarujá - 4ª Vara Cível; Data do Julgamento:</p><p>08/7/20; Data de Registro: 08/7/20). No mesmo sentido: TJSP;</p><p>Apelação Cível 1000996-31.2022.8.26.0609, de relatoria do</p><p>Desembargador Roberto Mac Cracken (Órgão Julgador: 22ª</p><p>Câmara de Direito Privado; Foro de Taboão da Serra - 3ª Vara</p><p>Cível; Data do Julgamento: 19/9/23; Data de Registro: 19/9/23).</p><p>4. Espécies de dano moral indenizável</p><p>No contexto do presente artigo são espécies de dano moral</p><p>indenizável os danos à integridade moral, física, psíquica, intelectual</p><p>e existencial, assim caracterizados:</p><p>Integridade moral: dano à imagem, ao nome, à honra e à</p><p>intimidade;4</p><p>Integridade física: dano à vida e ao corpo;</p><p>Integridade psíquica: dano que se refere à lesão ou violação dos</p><p>aspectos emocionais, psicológicos e mentais de uma pessoa.</p><p>Essa categoria de dano moral envolve situações em que uma</p><p>pessoa sofre prejuízos em sua saúde mental, bem-estar</p><p>emocional ou equilíbrio psicológico devido a ações ou omissões</p><p>de terceiros, como indivíduos, empresas ou instituições. Essa</p><p>forma de dano moral é frequentemente associada a casos de</p><p>assédio moral, bullying, discriminação, abuso psicológico,</p><p>negligência ou qualquer conduta que cause angústia</p><p>emocional significativa.</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 6/13</p><p>Integridade intelectual: danos decorrentes da liberdade de</p><p>pensamento, autoria científica, artística e literária;</p><p>Integridade existencial: danos decorrentes do abandono afetivo,</p><p>perda de ente querido, à memória de falecido, afeto a bens</p><p>materiais, afeto a seres sencientes, alteração relevante da</p><p>qualidade de vida da vítima (consequências de "ter que agir de</p><p>outra forma", ou "não mais poder fazer como antes), danos que</p><p>afetam a existência da pessoa e suas manifestações perante si</p><p>mesma e o contexto social em que está inserida.</p><p>5. Dano moral in re ipsa</p><p>Dano moral in re ipsa é uma expressão jurídica que se refere a um</p><p>tipo de dano moral que é presumido ou evidente a partir das</p><p>circunstâncias do caso, sem a necessidade de apresentar provas</p><p>adicionais das consequências do dano sofrido. Essa expressão é</p><p>frequentemente usada em casos em que a própria natureza do</p><p>evento ou da conduta ilícita é tão grave que a lesão à dignidade ou à</p><p>integridade psíquica da vítima é óbvia e incontestável.</p><p>Em outras palavras, quando se alega um dano moral in re ipsa, a</p><p>simples ocorrência do evento ou da conduta já é considerada prova</p><p>suficiente de que a vítima sofreu danos à sua dignidade, reputação,</p><p>integridade psicológica, integridade existencial ou outros direitos</p><p>personalíssimos. Isso ocorre porque a gravidade da situação é tão</p><p>evidente que não há necessidade de se apresentar evidências</p><p>adicionais para comprovar o dano moral.</p><p>Trata-se de uma presunção de natureza judicial, então, lapidar neste</p><p>sentido os ensinamentos de Eduardo Cambi e Renê Francisco</p><p>Hellman de que:</p><p>"Demonstrada a prova do fato lesivo, não há a necessidade</p><p>de se comprovar o dano moral, porque ele é tido como lesão à</p><p>personalidade, à honra da pessoa, revelando-se, muitas vezes,</p><p>de difícil demonstração, por atingir reflexos estritamente</p><p>íntimos".5</p><p>Assim, basta a prova do fato lesivo para que se presuma o dano</p><p>moral.</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 7/13</p><p>A Corte do STJ, em várias situações, entendeu estar configurado o</p><p>dano moral in re ipsa, e a título de exemplo se pode citar: protesto</p><p>indevido (REsp 1.432.324/SP, Rel. Ministro Paulo de Tarso</p><p>Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 18/12/14, DJe de 4/2/15);</p><p>corpo estranho em produto alimentício (AgInt no REsp 1.517.591/MG,</p><p>Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em</p><p>6/3/23, DJe de 9/3/23); danos físicos (REsp 1.306.167/RS, relator</p><p>Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 3/12/13, DJe</p><p>de 5/3/14); morte de parente (AgInt no REsp 1165102/RJ, Rel. Ministro</p><p>Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 17/11/16, DJe 07/12/16); recusa</p><p>indevida do plano de saúde de realizar tratamento prescrito por</p><p>médico (AgInt no AREsp 1573618/GO, Rel. Ministro Luis Felipe</p><p>Salomão, Quarta Turma, julgado em 22/06/2020, DJe 30/06/2020);</p><p>publicação não autorizada de imagem (AgInt no AgInt no AREsp</p><p>1546407/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma,</p><p>julgado em 18/05/2020, DJe 26/5/20); falha da prestação de serviço</p><p>essencial (AgInt no AREsp 771.013/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes</p><p>Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 13/10/20, DJe 16/10/20.</p><p>Porém, não é possível aplicar a presunção para todas as situações</p><p>que aparentem a existência de dano moral, isto porque, conforme</p><p>entendimento expendido pelo STJ, quando do julgamento do REsp</p><p>1.653.413/RJ, de relatoria do Ministro Marco Aurélio Belizze,  "A</p><p>caracterização do dano moral in re ipsa não pode ser elastecida a</p><p>ponto de afastar a necessidade de sua efetiva demonstração em</p><p>qualquer situação. Isso porque ao assim proceder se estaria a</p><p>percorrer o caminho diametralmente oposto ao sentido da</p><p>despatrimonialização do direito civil, transformando em caráter</p><p>meramente patrimonial os danos extrapatrimoniais e fomentando</p><p>a já bastante conhecida 'indústria do dano moral" (Terceira Turma,</p><p>julgado em 5/6/18, DJe 8/6/18).</p><p>Em se tratando de dano moral, para que ele seja indenizável, a regra</p><p>é a comprovação do dano, para que seja adequadamente</p><p>mensurado o valor da condenação, que deve ser compatível com as</p><p>lesões efetivamente sofridas, e não apenas com a gravidade da</p><p>conduta do ofensor. Para isto o julgador traçará o limite entre o mero</p><p>aborrecimento da vida em sociedade e o fato lesivo que gerou a</p><p>indenização.</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável</p><p>- Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 8/13</p><p>Ademais, o próprio STJ, corroborando com este entendimento já se</p><p>manifestou em diversos julgamentos, como elucidam trechos dos</p><p>escólios selecionados, dentre outros:</p><p>"A omissão de socorro, por si, não configura hipótese de dano</p><p>moral in re ipsa. 4. Recurso especial provido para julgar</p><p>improcedente o pedido de indenização por danos morais"</p><p>(REsp 1.512.001/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira,</p><p>Quarta Turma, julgado em 27/4/21, DJe de 30/4/21); "Para a</p><p>pessoa jurídica, o dano moral não se configura in re ipsa, por</p><p>se tratar de fenômeno muito distinto daquele relacionado à</p><p>pessoa natural. É, contudo, possível a utilização de</p><p>presunções e regras de experiência no julgamento" (REsp n.</p><p>1.564.955/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma,</p><p>julgado em 6/2/18, DJe de 15/2/18); "O atraso, por parte de</p><p>instituição financeira, na baixa de gravame de alienação</p><p>fiduciária no registro de veículo não caracteriza, por si só,</p><p>dano moral in re ipsa" (REsp n. 1.881.453/RS, relator Ministro</p><p>Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 30/11/21,</p><p>DJe de 7/12/21); "Não caracteriza dano moral in re ipsa os</p><p>danos decorrentes de acidentes de veículos automotores sem</p><p>vítimas, os quais normalmente se resolvem por meio de</p><p>reparação de danos patrimoniais. 4. A condenação à</p><p>compensação de danos morais, nesses casos, depende de</p><p>comprovação de circunstâncias peculiares que demonstrem</p><p>o extrapolamento da esfera exclusivamente patrimonial, o</p><p>que demanda exame de fatos e provas" (REsp 1.653.413/RJ,</p><p>relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado</p><p>em 5/6/18, DJe de 8/6/18).</p><p>6. Apuração do quantum do dano moral indenizável</p><p>Como o dano moral se trata de dano extrapatrimonial ele é</p><p>compensado e não reparado.</p><p>Para que se possa mensurar a indenização é necessário encontrar o</p><p>equilíbrio entre a extensão do dano sofrido pela vítima, a capacidade</p><p>do agente causador do dano e a capacidade da vítima.</p><p>O arbitramento do quantum da indenização pelo dano moral sofrido</p><p>é um problema mundial, e, no Brasil não seria diferente. E o</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 9/13</p><p>problema existe exatamente porque não há um tarifamento. Tanto é</p><p>assim que julgadores diferentes examinando o mesmo fato poderão</p><p>chegar a valores diferentes.</p><p>Ademais, com muita propriedade o respeitável autor Alexandre</p><p>Pereira Bonna esclarece que:</p><p>"O fato é que todos os critérios que visam a auxiliar a</p><p>quantificação do dano moral têm um laço em comum: se</p><p>preocupam com o nível/grau/magnitude do dano e com a</p><p>duração no tempo do mesmo, os quais, somados aos critérios</p><p>afeitos a qualquer dano (projeto de vida, perda do prazer,</p><p>perda de relações, aquisição de problemas psíquicos) já se</p><p>mostram como boas balizas para o jurista interessado na</p><p>quantificação do dano moral, visto que ao fim e ao cabo,</p><p>estar-se-á potencializando a concretude da justiça corretiva,</p><p>buscando em maior grau recompor o equilíbrio quebrado</p><p>pela atuação danosa".6</p><p>Nesse raciocínio, para se chegar à quantificação da indenização do</p><p>dano moral, o STF vem adotando o chamado método bifásico, que</p><p>conforme entendimento esboçado no voto do saudoso Ministro</p><p>Paulo de Tarso Sanseverino ao julgar o REsp n. 1.924.614, ponderou:</p><p>"Método bifásico. Valorização do interesse jurídico lesado e</p><p>das circunstâncias do caso. (...) 3. Elevação do valor da</p><p>indenização por dano moral na linha dos precedentes desta</p><p>Corte, considerando as duas etapas que devem ser</p><p>percorridas para esse arbitramento. 4. Na primeira etapa,</p><p>deve-se estabelecer um valor básico para a indenização,</p><p>considerando o interesse jurídico lesado, com base em grupo</p><p>de precedentes jurisprudenciais que apreciaram casos</p><p>semelhantes. 5. Na segunda etapa, devem ser consideradas</p><p>as circunstâncias do caso, para fixação definitiva do valor da</p><p>indenização, atendendo a determinação legal de</p><p>arbitramento equitativo pelo juiz" (REsp  1.924.614, Ministro</p><p>Paulo de Tarso Sanseverino, DJe de 16/11/22). No mesmo</p><p>sentido: (AgInt no REsp 1533342/PR, Rel. Ministro Paulo de</p><p>Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 25/3/19, DJe</p><p>27/3/19; AgInt no AREsp 900932/MG, Rel. Ministro Moura</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 10/13</p><p>Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 25/2/19, DJe 27/2/19; REsp</p><p>1771866/DF, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira</p><p>Turma, julgado em 12/2/19, DJe 19/2/19; AgInt no REsp</p><p>1719756/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma,</p><p>julgado em 15/5/18, DJe 21/05/2018; REsp 1669680/RS, Rel.</p><p>Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20/6/17,</p><p>DJe 22/6/17.</p><p>O referido método bifásico busca um arbitramento equitativo da</p><p>indenização, para que não fique ao mero arbítrio do julgador, mas</p><p>também, deve ser considerada as particularidades de cada caso. Isto</p><p>porque, o método conjuga os critérios da valorização das</p><p>circunstâncias do caso e do interesse jurídico lesado, e minimiza</p><p>eventual arbitrariedade ao se adotar critérios unicamente subjetivos</p><p>do julgador, além de afastar eventual tarifação do dano.</p><p>De fato, imperioso concordar com Alexandre Pereira de Bonna que</p><p>assevera:</p><p>"Em verdade, os critérios para a quantificação do dano moral</p><p>nada mais são do que formas de identificar que a vida da</p><p>vítima sofreu desequilíbrio injusto, desequilíbrio este que se</p><p>manifesta em diversas dimensões da vida humana e que</p><p>merece relevo para fins de fixação do dano moral".7</p><p>E, à guisa de conclusão, é oportuno citar novamente o brilhante</p><p>ensinamento do saudoso Ministro Professor Paulo de Tarso</p><p>Sanseverino que ao tratar do tema ponderava que:</p><p>"Quanto mais a gente estuda tem condições de encontrar</p><p>uma solução melhor para os casos".</p><p>Desta feita, se espera que a jurisprudência brasileira cada vez mais se</p><p>aproxime de uma melhor solução para os casos de indenização de</p><p>dano moral, quantificando adequadamente cada situação,</p><p>considerando as semelhanças dos casos, mas sobretudo as</p><p>peculiaridades de cada situação danosa vivenciada pelas vítimas,</p><p>que muitas vezes são injustiçadas com indenizações irrisórias, que de</p><p>modo algum compensam todo o sofrimento e abalo sofridos na</p><p>motivação de existência do indivíduo.</p><p>----------------------------------------------------------</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 11/13</p><p>1 Novo curso de direito civil: responsabilidade civil, vol. III, 9ª ed., São Paulo:</p><p>Saraiva, 2011, p. 97.</p><p>2 Farias, Cristiano Chaves de; Rosenvald, Nelson; Netto, Felipe Peixoto Braga.</p><p>Curso de direito civil: responsabilidade civil, 4ª ed. rev. e atual., Salvador:</p><p>JusPodivm, 2017, p. 297.</p><p>3 Programa de Responsabilidade Civil, 7ª edição Revista e atualizada, São Paulo:</p><p>Atlas, 2007, p. 80.</p><p>4 Saliente-se que no caso da chamada biografia não autorizada, o STF, no</p><p>julgamento da ADI 4815, de relatoria da Ministra Carmem Lúcia, julgou</p><p>procedente o pedido da ação direta de inconstitucionalidade, nos seguintes</p><p>termos; "para dar interpretação conforme à Constituição da República aos arts.</p><p>20 e 21 do Código Civil, sem redução de texto, para, em consonância com os</p><p>direitos fundamentais à liberdade de pensamento e de sua expressão, de criação</p><p>artística e de produção científica, declarar inexigível o consentimento de pessoa</p><p>biografada relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais, sendo</p><p>desnecessária autorização de pessoas retratadas como coadjuvantes (ou de seus</p><p>familiares, em caso de pessoas falecidas ou ausentes)". Foi destacado no acórdão</p><p>que caso houvesse o uso abusivo da liberdade de expressão existem os</p><p>mecanismos de reparação, que o biografado poderá lançar mão. (ADI 4815,</p><p>Relator(a): Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 10/6/15, Processo Eletrônico</p><p>DJe-018, Divulg 29-01-2016, Public</p><p>01-2-16).</p><p>5 O dano moral in re ipsa e sua dimensão probatória na jurisprudência do STJ,</p><p>Revista de Processo, vol. 291, Ano 44, São Paulo: Ed. RT. 2019, p. 317.</p><p>6 Dano moral, 1ª ed., Indaiatuba: Foco, 2021. E-book. Disponível em:</p><p>https://plataforma.bvirtual.com.br. Acesso em: 21 set. 2023.</p><p>7 Op. cit.</p><p>Egle Cecconi</p><p>Advogada e Professora mestre em Direito Civil. Sócia-</p><p>proprietária do escritório ECBRP Advocacia. Membro das</p><p>Comissões Permanente de Direito do Consumidor e</p><p>Advocacia da Família e Sucessões da OABSP</p><p>14/10/2024, 22:35 O dano moral indenizável - Migalhas</p><p>https://www.migalhas.com.br/depeso/394009/o-dano-moral-indenizavel 12/13</p><p>https://www.migalhas.com.br/autor/egle-cecconi</p><p>https://www.migalhas.com.br/autor/egle-cecconi</p><p>EDITORIAS</p><p>Migalhas Quentes</p><p>Migalhas de Peso</p><p>Colunas</p><p>Migalhas Amanhecidas</p><p>Agenda</p><p>Mercado de Trabalho</p><p>Migalhas dos Leitores</p><p>Pílulas</p><p>TV Migalhas</p><p>Migalhas Literárias</p><p>Dicionário de Péssimas Expressões</p><p>SERVIÇOS</p><p>Academia</p><p>Autores</p><p>Migalheiro VIP</p><p>Catálogo de Escritórios</p><p>Correspondentes</p><p>e-Negociador</p><p>Eventos Migalhas</p><p>Livraria</p><p>Precatórios</p><p>Webinar</p><p>ESPECIAIS</p><p>#covid19</p><p>dr. 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