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<p>Unidade 1</p><p>INTRODUÇÃO À ENGENHARIA</p><p>DE SEGURANÇA</p><p>DO TRABALHO</p><p>História da engenharia da</p><p>segurança do trabalho</p><p>Unidade 1| Introdução</p><p>Atualmente, a segurança do trabalho é uma atividade multidisciplinar que engloba</p><p>um conjunto de normas e procedimentos preventivos que tem como finalidade</p><p>antecipar, reconhecer e avaliar os riscos existentes no ambiente ocupacional.</p><p>A história do prevencionismo vem percorrendo uma longa estrada e tem como</p><p>principal objetivo a prevenção de acidentes, doenças ocupacionais e doenças do</p><p>trabalho.</p><p>Unidade 1| Objetivos</p><p>1. Descrever a evolução da Engenharia de Segurança do Trabalho.</p><p>2. Conhecer os aspectos econômicos, políticos e sociais que norteiam o</p><p>prevencionismo.</p><p>3. Discernir a história do prevencionismo no Brasil e no mundo.</p><p>4. Diferenciar os aspectos da segurança de trabalho nas entidades públicas e</p><p>privadas e o trabalho do SESMT.</p><p>A introdução à segurança do trabalho é crucial para aplicar princípios que protejam a</p><p>integridade dos trabalhadores, abrangendo medidas para prevenir acidentes e promover</p><p>condições saudáveis no ambiente laboral. Compreender essa importância não apenas</p><p>cumpre obrigações legais e éticas, mas também contribui para um ambiente produtivo e</p><p>harmonioso.</p><p>A ergonomia visa otimizar o conforto, eficiência e segurança no trabalho, analisando</p><p>aspectos físicos e cognitivos para minimizar riscos de lesões, fadiga e desconforto,</p><p>promovendo a produtividade.</p><p>A evolução da engenharia de segurança do trabalho reflete um progresso contínuo na</p><p>compreensão de riscos, passando de uma abordagem reativa para uma proativa e</p><p>multidisciplinar, contribuindo para ambientes laborais mais seguros e saudáveis em um</p><p>mundo em constante transformação.</p><p>Evolução da engenharia de segurança</p><p>Trabalhadores são seres humanos envolvidos em atividades para sustento, inseridos</p><p>no mercado de trabalho por meio de relações contratuais formais ou estatutárias.</p><p>A história da relação do homem com o trabalho destaca-se nas mudanças sociais e na</p><p>interação com o meio ambiente.</p><p>Na pré-história, a relação extrativista evoluiu para uma busca por proteção e</p><p>segurança durante o período Neolítico, refletindo a necessidade humana de enfrentar</p><p>os desafios ambientais.</p><p>O desenvolvimento dessas relações é analisado por Walter Bazzo, evidenciando a</p><p>evolução da humanidade ao longo do tempo.</p><p>Na pré-história, o homem apresenta uma</p><p>relação extrativista com o meio e sua energia</p><p>é consumida no trabalho de retirar do</p><p>ambiente o fruto de sua sobrevivência. Ele</p><p>precisava ir em busca da caça, do alimento,</p><p>do abrigo, estando exposto a diferentes</p><p>situações de risco e vulnerabilidade.</p><p>Fonte: Freepik</p><p>O homem, ao buscar proteção e segurança, desenvolve habilidades em trabalhar a</p><p>pedra e os metais para fabricar armas de caça e proteção.</p><p>Nesse período, torna-se sedentário, cultivando a terra, domesticando animais e</p><p>formando comunidades familiares.</p><p>O trabalho é essencial na construção das primeiras comunidades, proporcionando</p><p>segurança e conforto.</p><p>A divisão de tarefas entre caça e agricultura emerge, criando novas relações de</p><p>trabalho. A evolução do ambiente de trabalho, desde a pedra lascada até o</p><p>conhecimento técnico e a formação de sociedades urbanas com relações capitalistas,</p><p>evidencia a transformação histórica das atividades humanas.</p><p>Existem diferentes tipos de trabalho, incluindo trabalho remunerado e não</p><p>remunerado: o remunerado é aquele pelo qual as pessoas recebem salários ou</p><p>outros benefícios financeiros em troca de seus serviços. Isso inclui empregos formais,</p><p>freelancers, profissionais autônomos etc. O trabalho não remunerado, por outro lado,</p><p>envolve atividades que não são diretamente compensadas financeiramente, como</p><p>tarefas domésticas, cuidados com a família e trabalho voluntário.</p><p>De acordo com Sussekind: “Toda energia humana, física ou intelectual, empregada</p><p>com um fim produtivo, constitui trabalho”. (Sussekind, 2002, p. 1)</p><p>Portanto, trabalhador é qualquer pessoa que esteja envolvida em realizar uma</p><p>atividade laboral, seja remunerada ou não, exemplos: 1. Empregados; 2. Autônomos;</p><p>3. Empreendedores; 4. Freelancers; 5.Trabalhadores temporários; 6. Trabalhadores</p><p>informais; 7. Voluntários; 8. Trabalhadores domésticos.</p><p>Evolução da formação profissional</p><p>Assim como as máquinas e os processos evoluíram, a formação profissional também</p><p>precisou evoluir, saindo do assistente de segurança do trabalho, passando pelo</p><p>auxiliar de segurança do trabalho até chegarmos no técnico de segurança do</p><p>trabalho e engenheiro de segurança do trabalho.</p><p>• O auxiliar técnico de segurança no trabalho desempenha a função de promover a</p><p>segurança e prevenção de riscos no ambiente profissional. Suas responsabilidades</p><p>incluem orientar os funcionários sobre o uso adequado dos Equipamentos de</p><p>Proteção Individual (EPIs), estabelecer normas de segurança, informar sobre</p><p>medidas preventivas contra acidentes, realizar inspeções nas áreas de trabalho para</p><p>avaliar as condições ambientais e verificar os equipamentos utilizados em busca de</p><p>possíveis fatores de risco. Este profissional atua de maneira direta na área de saúde</p><p>e segurança em empresas.</p><p>Técnico de segurança do trabalho: este profissional pode atuar em empresas,</p><p>brigadas de incêndio e instituições públicas e privadas. Sua meta é preservar a</p><p>segurança dos trabalhadores a partir de programas de prevenção, como a Comissão</p><p>Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), que visa a precaução de acidentes e</p><p>doenças relacionadas ao trabalho (Brasil, 2017).</p><p>A Engenharia de Segurança que vemos hoje está inserida em uma nova cultura</p><p>organizacional, que iniciou durante uma reunião em Londres em 1946, em que foi</p><p>decidido pelos 25 países representantes criar uma organização internacional, a</p><p>International Organization for Standardization (ISO), que tem como objetivo facilitar</p><p>a coordenação de normas industriais.</p><p>Evolução da formação profissional</p><p>A história da Segurança do Trabalho no Brasil está intimamente ligada à Revolução</p><p>Industrial, que ocorreu de forma tardia no país por volta de 1930. A primeira Revolução</p><p>Industrial, que se desenrolou principalmente entre meados do século XVIII e meados do</p><p>século XIX na Europa, trouxe avanços tecnológicos e transformações socioeconômicas.</p><p>No entanto, o Brasil, devido à predominância da economia agrária e da escravidão,</p><p>permaneceu distante dessas mudanças durante esse período.</p><p>A falta de investimentos em infraestrutura industrial, a dependência contínua do</p><p>trabalho escravo e a ausência de um ambiente propício para inovações industriais</p><p>limitaram o impacto da Revolução Industrial no cenário econômico e social brasileiro.</p><p>Isso contribuiu para que o Brasil, ao entrar na era industrial mais tardiamente,</p><p>enfrentasse desafios significativos em termos de segurança no trabalho, resultando em</p><p>altos índices de acidentes e mortes no ambiente laboral.</p><p>Evolução da formação profissional</p><p>Atualmente, no Brasil, a legislação relativa à segurança e medicina do trabalho é regida</p><p>principalmente pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) (artigos 166 e 167) e pela</p><p>Norma Regulamentadora n.º 4 (NR-4), que estabelece os Serviços Especializados em</p><p>Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) nas empresas.</p><p>O artigo da Constituição Federal do Brasil que rege a competência para legislar sobre</p><p>segurança e medicina do trabalho é o artigo 22, inciso I. Este artigo atribui competência</p><p>privativa à União (ou seja, ao Poder Legislativo Federal) para legislar sobre normas</p><p>gerais de proteção ao trabalho, incluindo a segurança e a medicina do trabalho. Aqui</p><p>está o texto do artigo:</p><p>Artigo 22, I: "Compete privativamente à União legislar sobre: I - direito civil, comercial,</p><p>penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho."</p><p>Evolução da formação profissional</p><p>Aspectos econômicos, políticos e sociais</p><p>Inicialmente, temos uma relação harmônica entre os povos nômades e coletores, que</p><p>depois desenvolveram a capacidade de confeccionar peças</p><p>de forma artesanal até a</p><p>chegada da Revolução Industrial, que foi um marco para o conhecimento técnico se</p><p>tornar um diferencial nas relações de trabalho.</p><p>• Podemos dividir os aspectos econômicos em dois períodos, o período pré-industrial</p><p>e pós-industrial, por isso é tão importante nos dedicarmos ao estudo da Segurança</p><p>do Trabalho após a Revolução Industrial.</p><p>• No período pré-industrial, a morte ou os acidentes nos ambientes de trabalho eram</p><p>comuns devido aos inúmeros perigos enfrentados pelos trabalhadores que eram</p><p>tratados com fatos corriqueiros, sem grande impacto econômico.</p><p>Mas o que mudou na economia após a Revolução Industrial? Por que agora era</p><p>economicamente viável investir em segurança? Como você profissional de Segurança</p><p>do Trabalho explicaria as vantagens de investir em condições mais seguras de trabalho</p><p>e qualidade de vida?</p><p>Essa resposta pode ser dada entendendo que os investimentos feitos pelo poder</p><p>público no processo de industrialização tinham como finalidade tirar os países da</p><p>condição de subdesenvolvimento.</p><p>Aspectos econômicos, políticos e sociais</p><p>ESTADO</p><p>EMPRESA</p><p>TRABALHADOR</p><p>Uma sociedade industrializada que não investe nas</p><p>condições de trabalho é uma sociedade com saldo</p><p>negativo em relação aos custos com acidentes e</p><p>doenças do trabalho. Quando um trabalhador era</p><p>afastado do sistema de produção, havia uma redução</p><p>na produção da empresa e consequentemente dos</p><p>lucros, além da paralisação da produção pelo tempo</p><p>que levasse o afastamento do acidentado ou que fosse</p><p>treinado outro para ficar em seu lugar.</p><p>Atualmente, a comissão tripartite tem a função de</p><p>avaliar e propor medidas para implementação no país</p><p>da Convenção n.º 187 da Organização Internacional do</p><p>Trabalho (OIT) (Pantelão, 2009).</p><p>Aspectos econômicos, políticos e sociais</p><p>Fonte: Elaborada pela autoria (2023)</p><p>Aspectos políticos</p><p>Ao analisar os diversos aspectos que envolvem a segurança do trabalho,</p><p>percebemos a evolução dos valores morais e sociais dentro da cultura</p><p>organizacional. Grande parte das mudanças organizacionais foi impulsionada por</p><p>pensamentos políticos, atendendo as pressões de diversos fatores e agentes</p><p>sociais, principalmente os aspectos econômicos.</p><p>Podemos definir o ambiente ocupacional como um local que expõem os</p><p>trabalhadores a riscos inerentes às suas atividades, como os riscos químicos, físicos</p><p>e biológicos, causadores de acidente e doenças ocupacionais, além daqueles</p><p>relacionados ao ambiente de trabalho que podem induzir ou estimular o</p><p>aparecimento de doenças do trabalho, cabendo ao estado a regulamentação dos</p><p>requisitos legais a fim de garantir aos trabalhadores o direito de exercer suas</p><p>atividades de forma segura e com qualidade de vida.</p><p>Não diferente da abordagem econômica capitalista, que em princípio trata o</p><p>trabalhador como a parte do processo produtivo, sem direitos legais trabalhistas</p><p>ou sociais, após a Revolução Industrial, junto com os pensamentos marxistas, o</p><p>trabalho ganha valor político e social, podendo acompanhar os movimentos</p><p>operários que lutam contra a sociedade industrializada capitalista. No entanto,</p><p>ambos, capitalismo e socialismo, falharam na construção de uma política</p><p>prevencionista e protetiva ao trabalhador.</p><p>Os estudos socioeconômicos nos mostram que a Revolução Industrial gerou mais que</p><p>uma sociedade mecanizada, mas também abriu novas fontes de trabalho, empregos,</p><p>melhorias e soluções tecnológicas. Mas como toda mudança, ela também apresenta</p><p>aspectos negativos em relação à industrialização, que envolve problemas sociais. As</p><p>questões econômicas, de certa forma, impulsionaram o avanço protecionista no</p><p>intuito de reduzir os custos com acidentes e doenças ocupacionais.</p><p>Aspectos sociais</p><p>História do prevencionismo</p><p>A história prevencionista pode ser descrita</p><p>como envolvente e reveladora, que nos</p><p>motiva cada vez mais a conhecer e</p><p>entender os processos que envolvem um</p><p>contexto histórico e social, principalmente</p><p>quando evidenciamos saltos que envolvem</p><p>os conhecimentos técnicos científicos e</p><p>transformações tecnológicas inovadoras.</p><p>Fonte: Pixabay</p><p>O advento das máquinas foi apenas o primeiro marco dessa longa jornada. Depois</p><p>da primeira Revolução Industrial, tivemos ainda o descobrimento do poder</p><p>energético dos combustíveis fósseis, o surgimento dos bancos e processadores de</p><p>dados, até a incrível habilidade de transformar uma imagem digital em produtos 3D,</p><p>que atrelados à inteligência artificial proporcionam ao mundo um avanço nas</p><p>relações do homem com o meio.</p><p>História do prevencionismo</p><p>Como antecipar, reconhecer avaliar e prevenir os novos riscos presentes nos</p><p>ambientes de trabalho transformados pelas inovações tecnológicas? Esse é o grande</p><p>desafio do profissional prevencionista no mercado atual. Há uma necessidade em</p><p>desenvolver novas habilidades e competências para adequar os novos postos de</p><p>trabalho, automatizados, conectados, globalizados, sem abrir mão da humanização</p><p>desses setores.</p><p>Prevencionismo pré-Revolução Industrial</p><p>Assim como a história do trabalho está diretamente ligada à história do homem,</p><p>podemos dizer que os acidentes de trabalho fazem parte da humanidade, assim como</p><p>as doenças ocupacionais fazem parte da história do trabalho e, consequentemente, do</p><p>homem.</p><p>Ao longo da história, o trabalho, responsável por acidentes, assemelhou-se ao trabalho</p><p>dos escravos, que exigia esforço até a exaustão na construção de cidades e</p><p>monumentos greco-romanos, assim como aos antigos artesãos medievais, cujas mãos</p><p>frequentemente sofriam lesões na confecção e modelagem de peças. Durante esse</p><p>período, registros em papiros egípcios e greco-romanos destacam ocorrências de</p><p>doenças ocupacionais, algumas associadas a agentes químicos e trabalhos manuais,</p><p>além das tentativas de prevenção.</p><p>Os avanços nos conhecimentos científicos e na aplicação de técnicas não ocorreram em</p><p>um único momento na história. Filósofos e pensadores, como Hipócrates, Aristóteles e</p><p>Platão, contribuíram com marcos importantes ao abordar questões relacionadas a</p><p>trabalhadores em minas de estanho, doenças ocupacionais em corredores e</p><p>deformações esqueléticas em certas profissões, respectivamente.</p><p>A Revolução Industrial marca uma divisão na história da segurança do trabalho,</p><p>destacando um período pré-revolução sem ações legais em prol da segurança do</p><p>trabalhador e um período pós-revolução, em que movimentos sociais geraram</p><p>respostas políticas e legais para melhorar as condições de trabalho. Além disso,</p><p>destaca-se que o prevencionismo não é estático, requer constante atualização e</p><p>adaptação às novas formas de relação de trabalho.</p><p>Prevencionismo pré-Revolução Industrial</p><p>A idade moderna é marcada por importantes acontecimentos históricos com a</p><p>queda da Bastilha e a Revolução Francesa, mas na história prevencionista, ela se</p><p>destaca pela obra de Bernadino Ramazzini, que em seu livro De Morbis Artificum</p><p>Diatriba descreve os agravos a saúde do trabalhador, sendo o primeiro a descrever</p><p>detalhadamente sobre doenças ocupacionais, o destaque para esse estudo era a</p><p>forma que o autor usou para coletar seus dados clínicos perguntando a cada</p><p>paciente: “Qual seu trabalho?”, o que lhe possibilitou medidas preventivas</p><p>(Macedo, 2012).</p><p>Prevencionismo pré-Revolução Industrial</p><p>• Mecanização,</p><p>• Energia hidráulica</p><p>• Energia a vapor</p><p>1ª Revolução- 1.0</p><p>• Produção em massa</p><p>• Linha de montagem</p><p>• Eletricidade</p><p>2ª Revolução- 2.0</p><p>• Computação e</p><p>automação</p><p>3ª Revolução</p><p>• Inteligência Articial</p><p>• Sistemas cibernético</p><p>Revolução 4.0</p><p>Revolução 4.0</p><p>Acompanhe o infográfico e descubra as principais características das Revoluções</p><p>industriais ocorridas desde a primeira revolução no século XVIII até a Revolução 4.0, no</p><p>século XXI.</p><p>Fonte: Elaborado pela autoria (2023).</p><p>A revolução 4.0 é um movimento de desenvolvimento, que está transformando os</p><p>processos industriais tradicionais, apresentando-nos a indústria do futuro, e é de</p><p>extrema importância a discussão, para que possamos nos adaptar a essa nova onda.</p><p>Revolução 4.0</p><p>Entidades</p><p>públicas e privadas</p><p>Atualmente, a prevenção de acidentes de doenças do trabalho está presente em</p><p>diferentes setores de trabalho, com inúmeras leis criadas para garantir as condições</p><p>de higiene, e segurança do trabalho. Vários setores estão envolvidos no processo de</p><p>prevencionismo, todos com o objetivo de garantir e gerar melhorias nas condições</p><p>de trabalho no Brasil.</p><p>• As entidades públicas e privadas, segundo o código de trabalho vigente em nosso</p><p>país, apresentam direitos e deveres do empregador para a prevenção e reparação de</p><p>acidentes e doenças profissionais.</p><p>• Hely Lopes Meireles explica que entidade é a pessoa jurídica, pública ou privada. Elas</p><p>são classificadas em estatais, autárquicas, fundacionais e paraestatais, que podem</p><p>atuar em vários setores, inclusive com entidades prevencionista (Mafra, 2005).</p><p>• As entidades estatais e entidades autárquicas, são pessoas jurídicas de direito</p><p>público. As entidades fundacionais são pessoas jurídicas de direito público ou</p><p>privado. As entidades fundacionais particulares podem ser criadas por autorização</p><p>legal, enquanto que as fundações públicas são criadas por lei.</p><p>Entidades públicas e privadas</p><p>O papel do serviço especializado em engenharia</p><p>e medicina do trabalho (SESMT)</p><p>Apesar dos investimentos na saúde e segurança do trabalho por parte do governo,</p><p>empresas e empregadores, os trabalhadores ainda enfrentam consequências da</p><p>exposição a agentes de riscos ocupacionais e condições inseguras nos ambientes</p><p>laborais, resultando em acidentes.</p><p>A constituição do Serviço de Engenharia e Medicina do Trabalho (SESMT) é obrigatória</p><p>por lei para entidades públicas e privadas com contratos baseados na CLT, mas as</p><p>entidades públicas com contratos fora da CLT são desobrigadas de constituir o SESMT.</p><p>Para garantir ambientes de trabalho seguros e saudáveis, é crucial um contínuo</p><p>processo de formação e informação dos trabalhadores sobre direitos e deveres,</p><p>evitando a precarização da saúde e segurança em prol do lucro.</p><p>Direitos e deveres prevencionistas</p><p>As entidades públicas e privadas, segundo o Código do Trabalho vigente em nosso país,</p><p>apresentam direitos e deveres do empregador para a prevenção e reparação de acidentes</p><p>e doenças profissionais destacando: Art. 281, 282 e 283.</p><p>A legislação trabalhista brasileira, abrangendo diversas esferas, inclui a Constituição</p><p>Federal, o Código Penal Brasileiro, a CLT, o Estatuto dos Servidores Públicos e a Portaria n.º</p><p>3.214/78, regulamentadora das Normas Regulamentadoras (NRs). A obrigatoriedade do</p><p>Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT)</p><p>abrange empresas privadas e públicas, órgãos da administração direta e indireta, e</p><p>poderes Legislativo e Judiciário com empregados regidos pela CLT, visando à saúde e</p><p>proteção do trabalhador. Apesar de a norma não especificar exclusividade para empresas</p><p>com contrato CLT, interpretações equivocadas sobre sua dispensabilidade em órgãos</p><p>públicos podem ocorrer, sendo a NR04 clara ao destacar que a implementação e</p><p>manutenção do SESMT não se limitam a empresas com contratos CLT.</p><p>Terceiro setor</p><p>O terceiro setor é formado pelas organizações privadas que desenvolvem atividades em</p><p>favor da sociedade, as ONGs, que atuam independente dos demais setores, mesmo que</p><p>possam receber investimentos ou trabalhar em parceria.</p><p>Entre as entidades do terceiro setor, podemos apresentar contratos trabalhistas que</p><p>regem o trabalho de organizações obedecendo às regras da CLT, observando os</p><p>elementos que caracterizam a relação de emprego, tais como, pessoalidade,</p><p>continuidade, remuneração e subordinação hierárquica.</p><p>O artigo 14, I da Lei n.º 8.213/1991, define empresa como a entidade, seja ela individual</p><p>ou coletiva, que se responsabiliza pelo risco de um empreendimento econômico, seja</p><p>este em áreas urbanas ou rurais, visando ou não o lucro. Desse modo, as organizações</p><p>beneficentes são equiparadas a uma empresa.</p>