Prévia do material em texto
<p>TD Véspera UECE</p><p>1ª FASE – SOCIOLOGIA</p><p>Prof. Alexandre Neto</p><p>Página 1 de 4</p><p>1. Sobre a produção sociológica brasileira, relacione o autor, na coluna da esquerda, com sua contribuição, na</p><p>coluna da direita.</p><p>(I) Florestan Fernandes (A) Apontou que a sociedade brasileira acredita e define sua autoestima</p><p>a partir do mito da democracia racial.</p><p>(II) Jessé de Souza (B) Tem como tese central em sua obra a ideia de democracia racial. Para ele,</p><p>a miscigenação é o traço que constitui a cultura brasileira.</p><p>(III) Sérgio Buarque de</p><p>Holanda</p><p>(C) Afirmou que a democracia deve ser um regime político, econômico, cultural</p><p>e social que permita estabelecer igualdade entre todas as etnias.</p><p>(IV) Gilberto Freyre (D) Buscou valorizar o papel das sociedades indígenas na formação étnica do</p><p>povo brasileiro.</p><p>(V) Darcy Ribeiro (E) Considera ser necessária a superação das raízes coloniais do Brasil para</p><p>que a sociedade se modifique.</p><p>Assinale a alternativa que contém a associação correta.</p><p>a) I-A; II-C; III-E; IV-B; V-D.</p><p>b) I-C; II-A; III-D; IV-B; V-E.</p><p>c) I-C; II-A; III-E; IV-B; V-D.</p><p>d) I-D; II-E; III-B; IV-C; V-A.</p><p>e) I-E; II-D; III-B; IV-C; V-A.</p><p>2. Um dos aspectos importantes na constituição da Sociologia enquanto ciência no século XIX foi o debate acerca</p><p>das transformações pelas quais a sociedade estava passando naquele período. Com isso, autores considerados</p><p>clássicos desta ciência, Karl Marx (1818-1883), Émile Durkheim (1858-1917) e Max Weber (1864-1920),</p><p>desenvolveram distintas concepções acerca da passagem da sociedade feudal para a sociedade capitalista.</p><p>Desse modo, verifica-se o seguinte:</p><p>a) Para Karl Marx, a sociedade passa de um modelo baseado na solidariedade mecânica – pautado pela</p><p>similaridade de funções – para um modelo baseado na solidariedade orgânica – em que a sociedade é como</p><p>um organismo em que cada órgão possui uma função específica.</p><p>b) A transformação social expressa, para Émile Durkheim, a tomada do poder da burguesia em relação à nobreza,</p><p>em um processo de conflitos sociais que envolveu a importante atuação da nascente classe proletária.</p><p>c) Max Weber considera que, na sociedade capitalista, em detrimento da sociedade feudal, os papéis sociais de</p><p>cada indivíduo são diferentes entre si, estabelecendo uma interdependência mútua que tem como</p><p>consequência a coesão social.</p><p>d) Karl Marx considera que a passagem da sociedade feudal para a sociedade capitalista envolveu um processo</p><p>de revolução social, em que a burguesia se consolidou como nova classe dominante em detrimento da nobreza.</p><p>3. Há, nas últimas décadas, o surgimento de uma globalização contra-hegemônica com uma nova gramática</p><p>democrática que se opõe a um estilo de globalização hegemônica Neoliberal. Esta é a compreensão de</p><p>Boaventura de Sousa Santos, sociólogo português, que tem estudado e pesquisado sobre o tema. Essa</p><p>globalização hegemônica se caracteriza pela propagação do livre mercado como principal agenda política que é</p><p>pautada, por exemplo, pela privatização de serviços essenciais do Estado e por leis de desregulamentação</p><p>trabalhista, ensejando uma específica concepção de democracia. Dentre as características desse tipo de</p><p>democracia da globalização hegemônica, estão a apatia política com a premissa de que o cidadão comum não</p><p>participa de modo ativo de decisões e de questões políticas, a não ser exclusivamente na escolha de seus</p><p>representantes por meio do voto, e um pluralismo político resumido no sistema representativo-partidário que não</p><p>retrata as diferenças sociais e a imensa diversidade cultural que é encontrada nas sociedades democráticas</p><p>contemporâneas.</p><p>Partindo do exposto, avalie as seguintes proposições.</p><p>I. O tipo de democracia da globalização hegemônica contribui para o surgimento de problemas de participação e</p><p>TD Véspera UECE</p><p>1ª FASE – SOCIOLOGIA</p><p>Prof. Alexandre Neto</p><p>Página 2 de 4</p><p>de representação políticas nas sociedades atuais.</p><p>II. Movimentos sociais reivindicativos e propositivos de mudanças reais nas sociedades atuais indicam uma</p><p>concepção contra-hegemônica de democracia.</p><p>III. Na democracia Neoliberal, o sistema representativopartidário é limitado para atender as demandas de</p><p>sociedades desiguais e de diversidade cultural.</p><p>IV. Na democracia contra-hegemônica, limita-se a participação cidadã aos dias das eleições e desestimula-se um</p><p>ambiente social com mais sociodiversidade.</p><p>É correto o que se afirma em</p><p>a) I e II, apenas.</p><p>b) III e IV, apenas.</p><p>c) I, II e III, apenas.</p><p>d) I, III e IV, apenas.</p><p>4. Para as ciências sociais, hoje, de modo geral, o que se chama de heteronormatividade está fundamentado por</p><p>práticas e discursos ainda hegemônicos na sociedade brasileira quanto às questões ligadas à sexualidade. A</p><p>normatividade heterossexual traz a lógica do binarismo dos corpos: homem-mulher, e tudo que é diferente disso é</p><p>considerado “anormal”, “não natural”, “pecaminoso”. Essa normatividade ao tratar, por exemplo, como “anormais”</p><p>todos os grupos de pessoas que, por vezes, não se enquadrem ou se identifiquem nessa sexualidade binária</p><p>hegemônica gera, por vezes, preconceitos, exclusões e repressões.</p><p>Considerando o exposto, conclui-se que, atualmente,</p><p>a) espaços de formação social, como as escolas e as congregações religiosas no Brasil, procuram produzir</p><p>discursos não excludentes sobre a sexualidade.</p><p>b) a heteronormatividade gera discursos, mas não exerce vigilância ou controle sobre os corpos e suas</p><p>sexualidades, independente se normais ou anormais.</p><p>c) a sexualidade heteronormativa é definida por um conjunto de práticas e de discursos sobre os corpos que</p><p>delimitam o que é e não é “normal” ou “natural”.</p><p>d) a sexualidade é um dado da natureza, e não uma criação sociocultural, pois não pode ser inventada por</p><p>práticas e discursos sobre os corpos e suas relações.</p><p>5. Em 1937, o sociólogo alemão Max Horkheimer publicou a obra Teoria Tradicional e Teoria Crítica, que é</p><p>considerada o manifesto da Escola de Frankfurt. Dez anos depois, Adorno e Horkheimer publicariam a obra</p><p>Dialética do Iluminismo, e desenvolveram o conceito de Indústria Cultural no ensaio A Indústria Cultural: o</p><p>esclarecimento como mistificação das massas, estabelecendo uma proximidade com a teoria social do</p><p>conhecimento. A expressão indústria cultural, nas palavras dos dois pensadores, apontava para uma sociedade</p><p>marcada pelo princípio da indiferença e pela equivalência de homens e coisas como valor de troca de mercado. A</p><p>partir do exposto sobre o conceito de Indústria Cultural, assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) O conceito de Indústria Cultural foi fundamental para a compreensão do fenômeno do consumo desenfreado</p><p>nos países socialistas nas décadas de 1930 e 1940.</p><p>b) O conceito de Indústria Cultural diz respeito somente ao processo de produção industrial nas linhas de</p><p>montagem.</p><p>c) O conceito de Indústria Cultural aponta para a emancipação das massas na sociedade capitalista.</p><p>d) O conceito de Indústria Cultural caracteriza-se pela racionalização e difusão de produtos fabricados para o</p><p>consumo das massas e que seguem as diretrizes do capitalismo monopolista.</p><p>6. As sociólogas Patrícia Hill Collins e Sirma Bilge procuram explicar as relações entre mérito, oportunidade e</p><p>desigualdades utilizando a metáfora de um campo de futebol. Elas imaginam uma situação na qual o campo seria</p><p>um terreno levemente em declive, na qual o gol do Time 1 fica no topo e o do Time 2, na parte baixa. Quando o</p><p>Time 1 tenta marcar um gol, a topografia do campo ajuda, o que não ocorre com o Time 2, que pode ter talento e</p><p>disciplina, mas sempre trava uma batalha morro acima para marcar um gol. No caso de uma partida de futebol,</p><p>torcedores ficariam indignados se os campos de verdade fossem inclinados dessa maneira. No entanto, é isso que</p><p>fazem as divisões sociais de classe, gênero e raça, ou seja, achamos que estamos jogando em igualdade de</p><p>condições quando, na verdade, não estamos.</p><p>(Adaptado de: HILL COLLINS, P.; BILGE, S. Interseccionalidades. São Paulo: Boitempo, p. 32-33, 2016.)</p><p>A partir do texto, é correto afirmar que</p><p>TD Véspera UECE</p><p>1ª FASE – SOCIOLOGIA</p><p>Prof. Alexandre Neto</p><p>Página 3 de 4</p><p>a) divisões sociais de classe, gênero e raça permitem que todas as pessoas tenham acesso às mesmas</p><p>oportunidades e possam igualmente desenvolver suas habilidades e aptidões.</p><p>b) condições de competição individual são marcadas por divisões de classe, gênero e raça, e são influenciadas</p><p>pelo contexto social, político e econômico.</p><p>c) o mérito e o esforço individual podem ser isolados das divisões de classe, gênero e raça e considerados como</p><p>parâmetros justos para a dinâmica da vida social.</p><p>d) divisões de classe, gênero e raça estão presentes na vida em sociedade e têm relação marginal com o</p><p>fenômeno da desigualdade.</p><p>7. O conceito de solidariedade em Durkheim significa a maneira como as sociedades estabelecem as funções de</p><p>cada indivíduo e de cada instituição e é o que faz manter a coesão social. Para Durkheim, as sociedades</p><p>tradicionais são caracterizadas pela organização de um tipo de solidariedade denominada “mecânica”, e as</p><p>sociedades modernas organizam-se sob a forma de uma solidariedade chamada “orgânica”. Nas sociedades de</p><p>solidariedade mecânica, os indivíduos vivem de maneira semelhante e, geralmente, ligados por crenças e</p><p>sentimentos comuns. Existe, nesse tipo de solidariedade, maior consciência coletiva, menos complexidade na</p><p>divisão do trabalho, mais proximidade entre os seus membros e mais controle sobre as condutas de todos.</p><p>Diferentemente, nas sociedades de solidariedade orgânica – típicas do mundo moderno –, são muitas as funções</p><p>e as atividades de indivíduos e instituições sociais, e isso provoca mais complexidade na divisão do trabalho e,</p><p>assim, o desenvolvimento de menos consciência coletiva e mais isolamento individual. O que mantém coesas as</p><p>sociedades modernas é a grande interdependência entre as atividades dos membros dessas sociedades.</p><p>Partindo do exposto, marque a alternativa correta.</p><p>a) Nas sociedades de solidariedade mecânica, as normas e os costumes morais são mais relaxados, o que</p><p>incentiva mais individualização.</p><p>b) Nas sociedades de solidariedade orgânica, a forma como acontece a divisão social do trabalho é que mantém a</p><p>coesão entre seus membros.</p><p>c) Nas sociedades modernas com mais divisão do trabalho, há mais coletividade e é maior o grau de controle</p><p>social sobre cada indivíduo.</p><p>d) A grande interdependência das funções divididas de cada membro das sociedades tradicionais é o principal</p><p>elemento de coesão social.</p><p>8. Acidentes envolvendo energia nuclear são exemplos que Anthony Giddens considera para tratar dos riscos e</p><p>das incertezas na alta modernidade, período marcado por ambiguidades. Por um lado, a sociedade ampliou o</p><p>conhecimento sobre seu meio e, por outro, muitas vezes os agentes ignoram o funcionamento das coisas e</p><p>confiam no sistema perito. Assim, conseguimos nos organizar em relação aos riscos e formamos a chamada</p><p>sociedade de risco. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o modo como conhecimento e</p><p>desenvolvimento são tratados pelo conceito de sociedade de risco.</p><p>a) Ciências e tecnologias são frequentemente desenvolvidas para a resolução de problemas, porém elas possuem</p><p>efeitos colaterais e podem produzir novos problemas e causar danos maiores que os benefícios.</p><p>b) A ampliação dos conhecimentos sobre os riscos ambientais consolida a prevalência dos direitos individuais</p><p>sobre os direitos coletivos, consonante com o mandamento de que o risco deve ser enfrentado individualmente.</p><p>c) Conhecimentos sobre a interação entre humanos e natureza têm reforçado o paradigma do desenvolvimento</p><p>como sinônimo de crescimento econômico, a exemplo da visão Pachamama e do Bem Viver.</p><p>d) O crescimento do capitalismo e da sociedade de consumo são metas centrais entre as nações na atualidade,</p><p>cujo objetivo é reduzir os danos socioambientais e promover o desenvolvimento sustentável.</p><p>9. Levantamento do projeto MapBiomas mostra a extensão da proteção da natureza proporcionada pelos</p><p>indígenas brasileiros. Nas últimas três décadas, enquanto a perda de vegetação nativa em áreas privadas foi de</p><p>20,6%, nas terras indígenas (TIs) esse número foi de apenas 1%. A pressão sobre essas áreas, porém, está</p><p>crescendo. O relatório preparado para ser divulgado hoje, Dia do Índio, mostra que o desmate nesse período foi</p><p>de 69 milhões de hectares, sendo que somente 1,1 milhão ocorreu nas terras indígenas (TIs). Outros 47,2 milhões</p><p>de hectares foram desmatados em áreas privadas, e o restante da supressão vegetal ocorreu em outros tipos de</p><p>terras, como florestas públicas ou unidades de conservação.</p><p>Fonte: https://exame.com/esg/desmatamento-em-terras-indigenas-foi-de-apenas-1-em-30-anos/ (acesso em</p><p>01/09/2022).</p><p>Na passagem acima, percebe-se a importância das Terras Indígenas para a proteção do meio ambiente. Sobre</p><p>esse tema, analise as afirmativas a seguir</p><p>TD Véspera UECE</p><p>1ª FASE – SOCIOLOGIA</p><p>Prof. Alexandre Neto</p><p>Página 4 de 4</p><p>I. As Terras Indígenas são exploradas de modo predatório e sustentável pelos povos indígenas.</p><p>II. As Terras Indígenas são territórios que devem obrigatoriamente servir para suprir as demandas do mercado</p><p>brasileiro por minérios e combustíveis fósseis.</p><p>III. As Terras Indígenas são demarcadas pelo Estado com o objetivo de resguardar aos povos indígenas seus</p><p>costumes e tradições.</p><p>IV. As Terras Indígenas são demarcadas pelo Estado para sua exploração comercial pelos povos indígenas em</p><p>parceria com as agências estatais e privadas.</p><p>V. As Terras Indígenas são territórios do Estado brasileiro usufruídos pelos povos indígenas de acordo com suas</p><p>culturas e organizações sociais.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) Apenas as alternativas III e IV estão corretas.</p><p>b) Apenas as alternativas I e V estão corretas.</p><p>c) Apenas as alternativas III e V estão corretas.</p><p>d) Apenas as alternativas II e III estão corretas.</p><p>10. Sobre o tema do racismo na sociedade brasileira, considere o excerto a seguir:</p><p>A visão de convívio harmonioso entre as raças foi desconstruída pelos estudos de Florestan Fernandes, que</p><p>participou com Roger Bastide das pesquisas financiadas pela Unesco, e redundaram no livro A integração do</p><p>negro na sociedade de classes (1965).</p><p>(SILVA, Afrânio et. al. Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2016. p. 121.)</p><p>Qual é, dentre as afirmativas a seguir, a que sintetiza a contribuição do sociólogo Florestan Fernandes para os</p><p>estudos das relações raciais no Brasil?</p><p>a) O autor demonstra que uma das particularidades do caso brasileiro é a vigência da ideia de que somos uma</p><p>democracia racial, o que não é senão um mito que assegura a manutenção da desigualdade entre brancas e</p><p>brancos por um lado e negras e negros de outro.</p><p>b) O racismo reverso é seu argumento analítico para a crítica da imagem de que as relações raciais são</p><p>harmoniosas no Brasil.</p><p>c) O autor elabora o conceito de racismo estrutural ainda na década de 1960, num momento em que o Brasil era</p><p>impactado pelas conquistas do movimento pelos direitos civis, nos EUA.</p><p>d) Sua proposta foi o estabelecimento de uma política de cotas, encaminhada como projeto ao governo militar</p><p>instaurado em 1964 visando à crítica das noções idealizadas do racismo.</p><p>GABARITO</p><p>01 02 03 04 05 06 07 08 09 10</p><p>C D C C D B B A C A</p>