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<p>A classificação dos</p><p>fundamentos por ordem</p><p>de aprendizagem</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao fínal deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>E Esquematizar osfundamentos do voleibol por ordem de aprendizagem,</p><p>E Praticar o ensino dos fundamentos por meio de jogos adaptados.</p><p>E Construír uma metodologia de ensino com base no ensino dos fun-</p><p>damentos ordenados.</p><p>Introdução</p><p>Como ensinar os fundamentos do voleibol por meio de uma ordem</p><p>hierárquica, que respeite o desenvolvimento do aluno e leve em conside-</p><p>ração o fato de não existir uma melhor sequência, mas, sim, aquela que</p><p>Melhor se adapta ao trabalho do professor? Existem alguns exemplos de</p><p>jogos adaptados que poderão ser aplicados a cada fundamento durante</p><p>O processo de ensino e aprendizagem, de modo que, para o processo</p><p>de aprendizagem motora, a repetição do fundamento, de forma inten-</p><p>Síva e mais similar ao contexto real de jogo, favorecerá a automatização</p><p>dos movimentos que serão de suma importância para a aplicação do</p><p>fundamento à mecânica do voleíbol.</p><p>Neste capítulo, você vaí compreender que uma etapa da aprendi-</p><p>zagem leva a outra e, por isso, se faz necessário um procedimento me-</p><p>todológico apropriado para o ensino do voleibol, de modo que seja ao</p><p>Mesmo tempo estimulante e prazeroso a todos os alunos. Por fim, para</p><p>se obter uma aprendizagem significativa é necessária a estruturação</p><p>de estratégias que trabalhem, além do ensino de habilidades motoras,</p><p>os aspectos referentes aos conceitos, valores e atítudes envolvídos no</p><p>conteúdo esporte.</p><p>2) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>A ordenação do ensino dos fundamentos do</p><p>voleibol</p><p>Não existe uma melhor ordem para o ensino dos fundamentos do voleibol, mas</p><p>aquela com a qual o professor consiga trabalhar bem. Alguns alcançam melhores</p><p>resultados ensinando os fundamentos pela ordem em que são mais utilizados no</p><p>Jogo: saque, posição básica, manchete, toque de bola por cima, cortada, bloqueio</p><p>e defesa. Acredita-se ser primordial que o professor tenha fundamentações</p><p>metodológicas e didáticas para o seu procedimento, pois 1580 garante um trabalho</p><p>planejado e embasado (BOJIKIAN, 1; BOJIKIAN, L., 2012).</p><p>Sugere-se, então, que os fundamentos sejam ensinados na sua forma mais</p><p>simples e progressiva, para garantir a aplicação de cada fundamento e o</p><p>agrupamento dos fundamentos de mecânicas de movimentos semelhantes,</p><p>nesta ordem (BOJIKIAN, J.; BOJIKIAN, L., 2012:</p><p>MN Posição básica e movimentação — será a mesma para a execução dos</p><p>demais fundamentos. À movimentação, que é caracteristica do voleibol,</p><p>deve ser realizada utilizando a posição básica.</p><p>Nm Toque de bola por cima— permite dar prosseguimento, já que utilizará</p><p>os fundamentos anteriormente ensinados e permitirá à criança uma</p><p>precisão muito útil nos jogos de aplicação.</p><p>Nm Manchete— pode até ser mais fácil de ser executada, no entanto, pelo</p><p>contato da bola no antebraço (sentido tátil inferior às pontas dos dedos)</p><p>oferece menos precisão, o que dificulta a realização dos primeiros</p><p>jogos de aplicação.</p><p>Nm Saque por baixo — recomendável no contexto escolar pela sua</p><p>facilidade, tem um sentido bastante claro ao iniciante quando ensinado</p><p>após a manchete, já que o saque por baixo apresenta a mesma percepção</p><p>de movimento da manchete, só que é realizado com uma mão.</p><p>Nm Saque do tipo tênis — facilitará o aprendizado da cortada pela</p><p>similaridade dos movimentos.</p><p>Nm Cortada e bloqueio — somente com a aprendizagem da cortada será</p><p>possivel bloquear, por isso ela é ensinada antes.</p><p>Nm Defesa — os mergulhos e os rolamentos são os movimentos mais</p><p>complexos quando comparados aos demais. Devem ser ensinados para</p><p>equipes e na formação de alto nível, não se aplica no ensino escolar.</p><p>Como vimos, existe uma diversidade de fundamentos que compõem o</p><p>voleibol e que podem ser executados em uma ordem de relevância no ensino.</p><p>Essa ordem é pautada na teoria do desenvolvimento motor, que considera a</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) (3</p><p>existência de uma sequência maturacional e hierárquica para a aquisição das</p><p>habilidades motoras, do simples para o complexo, e não apenas nos movimentos</p><p>mais básicos e relevantes da modalidade. No próximo tópico, iremos discutir</p><p>estratégias que podem ser utilizadas no ensino desses fundamentos aos alunos.</p><p>Jogos adaptados para o ensino dos</p><p>fundamentos</p><p>O jogo adaptado pode ser definido como um exercício que, na maioria das</p><p>vezes, é realizado com a mesma mecânica do jogo, ou seja, com ações</p><p>completas típicas do voleibol (três toques por equipe, por exemplo), mas com</p><p>uma dinâmica desenvolvida pelo professor. O intuito desse tipo de exercicio</p><p>ê a constante prática do movimento, com a repetição da mecânica do jogo e,</p><p>por consequência, a repetição do fundamento aprendido, de forma intensiva</p><p>e mais similar ao contexto real de jogo. Sua execução envolve a participação</p><p>de uma ou de duas equipes (BOJIKIAN, 1; BOJIKIAN, L., 2012).</p><p>À seguir, iremos verificar como se aplica um jogo adaptado de acordo com</p><p>cada fundamento a ser ensinado (Quadro 1).</p><p>Quadro 1. Sugestão de jogo adaptado de acordo com o funda mento</p><p>Sugestão de jogo adaptado por</p><p>Fundamento ordem de aprendizagem</p><p>Posição (básica) Seis alunos em quadra posicionados para jogo em</p><p>e movimentação | posição básica. O professor lança a bola; um deles</p><p>(deslocamentos) | deve segurá-la e passar para o aluno que deverá</p><p>estar mais próximo à rede (posição 3); este deverá</p><p>passá-la para os demais alunos (posição 4 ou 2</p><p>para que eles a devolvam para o outro lado).</p><p>Toque de bola O professor lança a bola (de trás da linha de ataque)</p><p>por cima para um dos alunos da posição 1,24, 5 ou 6. O aluno</p><p>que recepcionar fará um passe para o aluno que se</p><p>encontra na posição 3, que levantará para um dos</p><p>alunos da posição 4 ou 2, Estes atacarão, lançando a</p><p>bela para o professor, utilizando o toque de bola. Uma</p><p>variação desse jogo é com os alunos realizando rodízio,</p><p>logo após o envio da bola ao professor. Todo aluno que</p><p>passar pela posição 3 exercerá a função de levantador.</p><p>(Continua)</p><p>1) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>(Continuação)</p><p>Quadro 1. Sugestão de jogo adaptado de acordo com o fundamento</p><p>Sugestão de jogo adaptado por</p><p>Fundamento ordem de aprendizagem</p><p>Manchete Executar o mesmo jogo adaptado no toque de bola</p><p>por cima, mas utilizando a manchete. Outra variação</p><p>que pode ser utilizada é o professor lançar a bola para</p><p>que uma das equipes realize uma jogada, conforme</p><p>nos exercícios anteriores, e envie a bola para o campo</p><p>da equipe adversária, que também realizará jogadas</p><p>com os passes para o levantador 3 e levantamentos ou</p><p>manchetes para a posição 4 ou 2. Toda vez que a bola</p><p>for enviada para o lado oposto, será realizado um rodízio,</p><p>mesmo com a bola em movimento, A posição 3 sempre</p><p>será o levantador, e a posição 2 2 4 os atacantes.</p><p>Saque por baixo São os mesmos exercícios sugeridos para a aplicação</p><p>da manchete e do toque de bola por cima, mas</p><p>com os alunos realizando o saque por baixo para</p><p>substituir o professor no envio da bola. Nas propostas</p><p>pedagógicas em que os alunos lançam a bola por cima</p><p>para iniciar o jogo, eles passam a sacar por baixo.</p><p>Saque por cima Essa proposta pedagógica será a mesma do saque</p><p>(tipotênis) por baixo, substituindo-o pelo saque por cima.</p><p>Cortada Essa proposta pedagógica será a mesma dos</p><p>fundamentos anteriores, nos quais os alunos</p><p>realizam ataque, utilizando o toque e a manchete,</p><p>que devem ser substituídos pela cortada.</p><p>Bloqueio Seis contra seis, com o saque partindo apenas</p><p>de um dos lados. A equipe que recebe o saque</p><p>Organiza o ataque e a outra equipe executa o</p><p>bloqueio dando continuídade ao jogo.</p><p>Defesa O prefessor lança a bola para o jogador que se encontra</p><p>na posição 6 rolar e realizar o passe, enquanto os outros</p><p>alunos organizam o contra-ataque. O mesmo exercício</p><p>poderá</p><p>à forma geométrica de um triângulo. O</p><p>contato com a bola deve ser feito com sutileza, na parte interna dos dedos,</p><p>conforme aponta Machado (2006). Na Figura 2, podemos ver o toque.</p><p>O ON</p><p>Figura 2. No toque por cima, ainda que a ação principal seja o contato com a bola, o corpo</p><p>todo deve participar, assumindo uma posição de semiflexão de quadris, cotovelos e joelhos</p><p>e partindo para uma extensão dessas articulações ao final do movimento.</p><p>Fonte: Shondell e Reynaud (2005, p. 194).</p><p>Manchete</p><p>A manchete é um fundamento bastante utilizado na recepção dos saques e na</p><p>defesa dos ataques adversários. O contato com a bola ocorre nos antebraços,</p><p>de modo a absorver melhor o impacto provocado pelas cortadas e serviços</p><p>adversários, conforme lecionam os autores Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012),</p><p>Machado (2006) e Shondell e Reynald (2005).</p><p>Fundamentos do voleibol ú (s</p><p>Um erro bastante comum na realização da manchete é a flexão de cotovelo quando</p><p>o jogador toca a bola. Fazendo esse movimento, frequentemente a bola assume uma</p><p>trajetória para trás do jogador. Portanto, na realização da manchete, os cotovelos</p><p>devem permanecer estendidos,</p><p>Para desenvolver a manchete, a posição é bastante semelhante ao toque por</p><p>cima. No entanto, os braços devem assumir uma posição à frente do corpo,</p><p>ficando unidos e com os cotovelos estendidos. Para melhor desenvolver a</p><p>simetria entre os braços, os dedos unidos de uma mão devem estar sobrepostos</p><p>à outra mão, com os polegares estendidos e se tocando paralelamente. Durante</p><p>o toque na bola, as articulações de quadris e de joelhos devem se estender. O</p><p>contato com a bola é realizado pelos antebraços, e a bola deve ser projetada para</p><p>a frente, conforme aponta Machado (2006). Na Figura 3 é possível visualizar</p><p>o movimento da manchete.</p><p>O D</p><p>Figura 3. Manchete,</p><p>Fonte: Shondell e Reynaud (2005, p. 236).</p><p>6) ( Fundamentos do voleibol</p><p>Saque por baixo</p><p>O saque por baixo é a principal forma de colocar a bola em jogo por jogadores</p><p>iniciantes. Embora existam outras formas de se realizar o saque (saque viagem</p><p>e saque em suspensão), o saque por baixo requer movimentos menos com-</p><p>plexos e necessita de menos força para fazer com que a bola chegue à quadra</p><p>adversária. Para realizar tal fundamento, o corpo deve se posicionartal qual a</p><p>manchete, com uma perna à frente da outra. A bola deve ser segurada com o</p><p>braço correspondente à perna que está à frente. O outro braço deve permanecer</p><p>estendido e realizar um movimento de pêndulo para acertar embaixo da bola,</p><p>conforme lecionam Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012).</p><p>O contato com a bola deve ser realizado estendendo-se o corpo e realizando,</p><p>ao mesmo tempo, o contato com a bola e a retirada da mão que apoia a bola,</p><p>acertando-a no ar. À mão que acerta a bola deve permanecer com a palma</p><p>da mão aberta, garantindo maior precisão na direção da bola, fazendo com</p><p>que ela ultrapasse a rede e chegue à quadra adversária. O peso do corpo deve</p><p>ser totalmente transferido para a perna da frente, fazendo com que o sacador</p><p>acerte a bola com o corpo em deslocamento.</p><p>Ataque</p><p>O ataque ou cortada é o fundamento do voleibol que finaliza a maioria das</p><p>ações ofensivas mais utilizadas e consiste em fazer com que a bola se direcione</p><p>à quadra adversária por meio de uma forte rebatida, realizada em suspensão.</p><p>Esse fundamento, dentre os que mencionamos até agora, é o mais complexo</p><p>de ser realizado, por demandar do jogador a coordenação de seus movimentos</p><p>de acordo com a bola, que se encontra em trajetória aérea, conforme aponta</p><p>Machado (2006).</p><p>Para realizar o ataque, o jogador deve se deslocar ao encontro da bola</p><p>por meio de uma, duas, três ou mais passadas. O treinamento para o ataque</p><p>geralmente ocorre em três passadas, garantindo ao jogador maior coordenação</p><p>de movimentos para saltar e acertar a bola no ar. Nesse caso, o ideal para os</p><p>jogadores destros é que a primeira passada seja realizada com a perna esquerda,</p><p>permitindo um enquadramento do corpo favorável no momento do salto. Após</p><p>o deslocamento, ambos os pés tocam o solo e ficam praticamente paralelos,</p><p>com o pé correspondente ao lado que executará o ataque um pouco atrás do</p><p>outro pé, conforme descreve Bizzocchi (2004).</p><p>O salto deve iniciar com o contato de todo o pé no solo, sendo as pontas dos</p><p>pés a última parte a tocá-lo. Para realizar o salto, os braços são lançados para</p><p>Fundamentos do voleibol ) (7</p><p>cima, e a ação dos pés deve ser simultânea, para garantir a impulsão vertical</p><p>e impedir que o jogador toque a rede. A mão que acertará a bola realiza um</p><p>movimento passando sobre a linha do ombro, posicionando-se semiflexionado</p><p>na máxima amplitude escapuloumeral. O outro braço encerrará sua trajetória</p><p>um pouco acima da linha do ombro, estendido à frente do corpo, conforme</p><p>lecionam Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012).</p><p>O golpe deve ser realizado um pouco acima e à frente da cabeça. O braço</p><p>de ataque deve ir de encontro à bola, o mais alto possível. O contato com a bola</p><p>deve ser realizado com a palma da mão, realizando, ao mesmo tempo, uma</p><p>flexão de punho que garantirá a trajetória descendente da bola. No momento em</p><p>que o braço de ataque é lançado em direção à bola, o outro deve ser tracionado</p><p>na direção do centro do corpo, permitindo uma leve rotação de tronco aérea</p><p>que imprime mais força ao fundamento, conforme leciona Machado (2006).</p><p>Na Figura 4 é possível visualizar o desenvolvimento da cortada.</p><p>O DR</p><p>F</p><p>E</p><p>E</p><p>T</p><p>Figura 4. O movimento do ataque deve finalizar de modo a permitir que a queda do salto</p><p>seja amortecída pelas articulações do tornozelo, do joelho e dos quadris, evitando que o</p><p>jogador caia sobre a rede e que sofra lesões pelo impacto do corpo.</p><p>Fonte: Shondell e Reynaud (2005, p. 210).</p><p>-”.</p><p>Com esses fundamentos básicos, é possível que jogadores iniciantes con-</p><p>sigam desenvolver o jogo de voleibol. Evidentemente, em jogos com atletas</p><p>de rendimento, apenas esses movimentos não são suficientes para o êxito</p><p>esportivo. São necessários, portanto, fundamentos técnicos especializados</p><p>que possibilitem à equipe e aos jogadores a máxima possibilidade de somar</p><p>pontos e evitar que a equipe adversária faça o mesmo. Na próxima seção,</p><p>vamos discutir alguns desses fundamentos técnicos especializados.</p><p>) ( Fundamentos do voleibol</p><p>Fundamentos técnicos especializados do</p><p>voleibol</p><p>Além dos fundamentos básicos do voleibol, é possivel que os jogadores e</p><p>equipes desenvolvam algumas estratégias e habilidades que possibilitem</p><p>facilitar a vitória em quadra e evitar que a equipe adversária obtenha êxito</p><p>em suas ações ofensivas. Assim, nesta seção, vamos discutir alguns dos fun-</p><p>damentos técnicos especializados que são possíveis de serem realizados em</p><p>uma partida de voleibol.</p><p>Saque por cima</p><p>Com a apropriação dos fundamentos técnicos do voleibol por parte dos jogado-</p><p>res, o saque por baixo pode deixar de ser utilizado, para que seja desenvolvido</p><p>o saque por cima. Promovendo uma trajetória parabólica da bola, na qual a</p><p>altura é reduzida e a velocidade de deslocamento é aumentada, esse saque</p><p>possibilita que os adversários encontrem maiores dificuldades em se deslocar</p><p>e realizar a recepção. O saque por cima pode ser realizado com o contato</p><p>constante do jogador com o solo — saque tipo tênis —, ou com um salto para</p><p>acertar a bola — saque viagem ou em suspensão. Em ambas as possibilidades,</p><p>a posição do jogador é semelhante ao movimento de ataque, com a exceção de</p><p>que a bola é lançada pelo próprio jogador, conforme aponta Machado (2006).</p><p>No saque tipo tênis, o jogador deve manter as pernas semiflexionadas e o</p><p>pé esquerdo à frente, lançando a bola baixa com a mão esquerda e golpeando-a</p><p>com a direita, usando a parte de cima da palma da mão. No saque viagem, o</p><p>jogador deve lançar a bola ao alto, em uma altura que seja possível realizar</p><p>três passadas. Ao final da terceira passada, o jogador deve realizar o salto e</p><p>rebater a bola em sua máxima</p><p>altura, tal qual o movimento da cortada. Em</p><p>todos os tipos de saque, é importante frisar que o jogador não pode tocar</p><p>o solo da quadra para a execução do movimento. Assim, em situações em</p><p>que o saque necessita de uma ou mais passadas, o jogador deve se afastar</p><p>suficientemente da linha de fundo para não cometer uma infração, conforme</p><p>Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012). Na Figura 5 é possivel visualizar a posição</p><p>do corpo no saque viagem.</p><p>Fundamentos do voleibol) (o</p><p>y</p><p>Figura 5. Saque viagem.</p><p>Fonte: dotshock/Shutterstock.com.</p><p>Bloqueio</p><p>O bloqueio é o fundamento que busca interceptar a bola próximo à rede du-</p><p>rante uma ação de ataque dos adversários. A ação de bloqueio dos jogadores</p><p>é bastante importante durante um jogo, pois possibilita a neutralização das</p><p>investidas da equipe oposta, impedindo que a bola ultrapasse para a sua</p><p>quadra, induzindo o adversário ao erro de seu ataque e lançando a bola para</p><p>fora da quadra, ou realizando diretamente um ponto ao colocar a bola no solo</p><p>adversário. O bloqueio pode ser realizado com a participação de apenas um</p><p>jogador ou com a participação concomitante de até três jogadores, geralmente</p><p>os que se encontram nas posições 2, 3 e 4 (atacantes), conforme aponta Bi-</p><p>zzocchi (2004).</p><p>Para realizar o movimento do bloqueio, os jogadores devem se posicionar</p><p>em posição de expectativa, com os joelhos semiflexionados, as pernas em</p><p>afastamento lateral, com uma distância entre os pés que corresponda a apro-</p><p>ximadamente a largura dos ombros. Os pés devem permanecer paralelos um</p><p>ao outro. Os cotovelos devem estar semiflexionados, com as mãos ao lado dos</p><p>1 o) ( Fundamentos do voleibo|</p><p>ombros e as palmas das mãos voltadas para a frente. No momento adequado, o</p><p>Jogador que realizará o bloqueio deve saltar, estendendo as pernas e os braços,</p><p>levando as mãos à máxima altura possível. Para realizar o contato com a bola,</p><p>o jogador que faz o bloqueio deve aguardar a ação do atacante adversário, não</p><p>realizando uma invasão aérea à quadra adversária. Após o contato com a bola,</p><p>a queda deve ser suave, com a ação dos joelhos, do tornozelo e do quadril,</p><p>permitindo que o jogador retorne ao solo com equilíbrio e não sofra o risco de</p><p>alguma lesão, conforme lecionam Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012). À Figura</p><p>6 auxilia a compreender como o bloqueio deve ser realizado.</p><p>O PD</p><p>Figura 6. Bloqueio.</p><p>Fonte: Shondell e Reynaud 2005, p. 243).</p><p>Defesa em pé</p><p>A defesa em pé consiste em um jogador impedir que a bola toque o solo de</p><p>sua equipe por meio de um movimento como o da manchete. Ainda que já</p><p>tenhamos apresentado a manchete como fundamento de recepção do saque</p><p>adversário, este fundamento se diferencia consideravelmente devido ao curto</p><p>Fundamentos do voleibo! ) (1</p><p>deslocamento da bola e à maior força que esta emprega nos braços do joga-</p><p>dor. Para realizar o movimento de defesa em pé, o jogador deve permanecer</p><p>em constante movimento em quadra, procurando o posicionamento em que</p><p>provavelmente a bola que será atacada pelo adversário deverá cair, conforme</p><p>apontam Shondell e Reynald (2005).</p><p>Na maioria das vezes, a posição adequada é determinada pela posição da</p><p>bola em relação ao bloqueio de sua própria equipe. Isto é, o defensor não deverá</p><p>permanecer à sombra do bloqueio de seus colegas de equipe. O posicionamento</p><p>ideal também corresponde à forma como a bola foi lançada pelo levantador</p><p>da equipe adversária. Levantamentos distantes da rede geralmente resultam</p><p>em ataques ao fundo da quadra. Da mesma forma, bloqueios altos tendem a</p><p>orientar o atacante a realizar ataques mais longos. Muitas vezes, o jogador que</p><p>realiza a defesa não consegue se posicionar de modo a efetuar a manchete ao</p><p>centro de seu corpo. Nesses casos, a manchete lateral é utilizada para realizar</p><p>a recuperação das bolas que se distanciam lateralmente, bem como a defesa</p><p>por cima, quando a bola parte em uma direção superior ao tronco do defensor,</p><p>conforme aponta Machado (2006). Na Figura 7, podemos evidenciar algumas</p><p>das formas de se realizar uma defesa em pé.</p><p>O DR</p><p>E</p><p>(jo</p><p>il 10</p><p>Figura 7. Às situações de defesa devem sempre ser realizadas com uma mão segurando a</p><p>outra. O toque em ambas as mãos, quando estão apenas paralelas e juntas, constítuí uma</p><p>infração no voleibol,</p><p>Fonte: Shondell e Reynaud (2005, p. 188).</p><p>Mergulho e rolamento</p><p>Por mais experientes que sejam, nem sempre os jogadores conseguem se</p><p>posicionar adequadamente para realizar a defesa em pé. Nas situações em que</p><p>12) ( Fundamentos do voleibol</p><p>a bola se distancia de seu centro de gravidade, os defensores devem deslocar</p><p>seus corpos para evitar que a bola toque o solo de sua equipe, sendo a queda</p><p>inevitável. Nesses casos, é fundamental que possuam a habilidade de realizar</p><p>rolamentos e mergulhos em direção à bola, conforme aponta Bizzocchi (2004).</p><p>O mergulho consiste na recuperação de bolas que se encontram longe do</p><p>jogador defensor, geralmente à frente deste. Após o deslocamento, o joga-</p><p>dor deve apoiar seu corpo sobre uma perna semiflexionada e mergulhar em</p><p>direção à bola. Nesses lances, a bola geralmente é recuperada com o dorso</p><p>da mão fechada, com o contato progressivo do peito e do peso do corpo no</p><p>solo. Após isso, o jogador realiza uma puxada das mãos para trás, permitindo</p><p>que o corpo deslize sobre o solo. Nessas ocasiões, é recomendável treinar os</p><p>jogadores para uma hiperextensão do pescoço, evitando que o queixo atinja</p><p>o solo, conforme sugerem Bojikian, J. e Bojikian, L. 2012).</p><p>Fique atento</p><p>Para mulheres, a técnica do mergulho se chama “peixinho”, De maneira parecida ao</p><p>mergulho, o peixinho se realiza com um ângulo de queda menos acentuado, evitando</p><p>o peso do corpo sobre os selos,</p><p>”.</p><p>O rolamento é outro fundamento utilizado para a recuperação da bola que</p><p>se encontra fora do alcance da manchete, assumindo uma direção lateral à</p><p>posição do jogador. Nesses casos, o jogador que realiza a defesa deve projetar o</p><p>seu corpo para o lado em que a bola se direciona, com o braço correspondente</p><p>estendido para tocar a bola com a palma da mão. Como a queda é inevitável, o</p><p>Jogador deve tocar a parte lateral do tronco e dos quadris, rolar sobre o tronco</p><p>e voltar à posição inicial.</p><p>Como vimos até aqui, os fundamentos técnicos possuem caracteristicas</p><p>que permitem a um jogador realizar pontos para sua equipe e/ou evitar que a</p><p>equipe adversária obtenha o êxito em suas jogadas. No entanto, o limite de</p><p>classificação de um fundamento quanto ao seu caráter ofensivo ou defensivo</p><p>é bastante tênue, sendo necessária uma abordagem mais específica. Na seção</p><p>seguinte, vamos buscar relacionar os fundamentos técnicos quanto à sua</p><p>classificação e função durante o jogo de voleibol.</p><p>Fundamentos do voleibol ) (13</p><p>Fundamentos ofensivos e defensivos</p><p>Como vimos até aqui, são inúmeros os fundamentos técnicos e suas variações</p><p>que são utilizadas dentro de uma partida de voleibol. Grosso modo, o uso de</p><p>todos os fundamentos pelos jogadores possui omesmo objetivo: fazer com que a</p><p>equipe obtenha a vitória ao término da partida. No entanto, podemos evidenciar</p><p>que os fundamentos técnicos auxiliam na obtenção de pontos e/ou evitam que a</p><p>equipe adversária some os seus. Desse modo, vamos classificar os fundamen-</p><p>tos a partir de suas funções ofensivas e defensivas. De modo geral, podemos</p><p>adiantar que alguns fundamentos possuem dupla função, isto é, são utilizados</p><p>tanto como recursos defensivos quanto como recursos ofensivos. O Quadro 1</p><p>apresenta uma sintese das classificações que serão explicadas na sequência.</p><p>Quadro 1. Classificação dos fundamentos técnicos do voleibol! À</p><p>Fundamento Ofensivo Defensivo</p><p>Toque Sim sim</p><p>Manchete Não Sim</p><p>Saque Sim sim</p><p>Ataque sim Não</p><p>Bloqueio Sim Sim</p><p>Defesa em pé, mergulho e rolamento Não Sim</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,J. e Bojikian, L. (2012),</p><p>À À</p><p>Toque</p><p>Como vimos na primeira seção deste capitulo, o toque é um fundamento predo-</p><p>minantemente utilizado</p><p>na transição entre a recepção e o ataque. Dessa forma,</p><p>podemos evidenciar que se trata de um fundamento ofensivo. No entanto, em</p><p>outras situações, ele também pode ser realizado ganhando intencionalidades</p><p>diferentes daquelas que o levantador realiza para colocar a bola nas condições</p><p>ideais para o atacante.</p><p>Por muitos anos, o toque na bola necessitava ser bastante nítido, e a bola,</p><p>após o toque nas mãos dos jogadores, não poderia realizar muitas rotações</p><p>14) ( Fundamentos do voleibol</p><p>em torno de seu próprio eixo, pois caracterizaria dois toques na bola, a serem</p><p>marcados pelo árbitro como um ato infracional. No entanto, com o passar</p><p>dos anos, a primeira bola defendida após o ataque adversário passou a ganhar</p><p>certa tolerância quanto ao toque dos jogadores defensores. Com isso, cada vez</p><p>mais o toque tem sido utilizado como um recurso defensivo, principalmente</p><p>quando a bola a ser defendida se encontra acima da cabeça. Como consequência</p><p>do toque como ferramenta defensiva, os jogadores têm se posicionado mais</p><p>próximos à rede, facilitando as jogadas de defesa e de ataque, tornando o jogo</p><p>mais longo e bonito, conforme salientam Bojikian, ]. e Bojikian, L. (2012).</p><p>Por outro lado, não são raras as jogadas em que a utilização do toque é</p><p>realizada para efetuar pontos, fazendo com que a bola toque o solo adversario</p><p>e ganhando um caráter ofensivo. Nesses casos, um jogador, seja ele defensivo</p><p>ou ofensivo, ao visualizar que a equipe adversária se encontra mal posicionada</p><p>em quadra, deixando espaços vazios, realiza diretamente um toque, fazendo</p><p>com que a bola atinja o solo da quadra adversária e convertendo um ponto para</p><p>sua equipe. O toque, nesses casos, é utilizado por sua realização ser rápida e</p><p>precisa, conforme aponta Machado (2006).</p><p>Manchete</p><p>A manchete é predom inantemente utilizada como forma de interceptar bolas</p><p>que atravessam sobre a rede após um saque. Não raro, é comum observarmos</p><p>saques tão fortes que, ao se realizar a manchete, a bola acaba retornando à</p><p>quadra onde se encontra a equipe do jogador que efetuou o saque. Nessas</p><p>ocasiões, o ponto para a equipe do defensor que realizou a manchete é bastante</p><p>improvável, ainda que seja possível. Além disso, a intencionalidade do defensor</p><p>ao realizar uma manchete para receber a bola adversária dificilmente é a de</p><p>realizar pontos, mas de efetuar um passe para o levantador para que este,</p><p>por meio de um toque por cima, coloque a bola nas condições ideais para o</p><p>atacante realizar a cortada. À manchete, ainda que faça parte do complexo</p><p>ofensivo do jogo de voleibol, quando analisada de forma isolada é considerada</p><p>um fundamento defensivo, conforme aponta Bizzocceh1i (2004.</p><p>Saque</p><p>Incialmente, o saque era utilizado no voleibol apenas como um fundamento</p><p>para colocar a bola em jogo. É bastante comum que os jogadores que realizam</p><p>o serviço tentem colocar a bola, por meio de um saque, em um local da quadra</p><p>de difícil recepção pela equipe adversária, ou procurando o jogador mais fraco</p><p>Fundamentos do voleibol ) (15</p><p>nesse fundamento. Nessas situações, o saque é considerado um fundamento</p><p>defensivo, pois possibilita dificultar o ataque adversário. No entanto, com</p><p>a evolução técnica e física dos jogadores, os atletas têm aperfeiçoado a sua</p><p>capacidade de efetuar saques, realizando vários pontos em uma partida por</p><p>meio deles. O saque em suspensão, realizado com força e precisão, torna</p><p>quase impossível a tarefa de receber a bola. Com isso, o saque também pode</p><p>ser considerado um fundamento ofensivo, conforme leciona Machado (2006).</p><p>Ataque</p><p>O ataque (ou cortada) é a principal forma de obtenção de pontos dentro de</p><p>uma partida de voleibol. As ações de ataque têm variado bastante ultima-</p><p>mente, possibilitando que as equipes realizem ataques cada vez mais rápidos</p><p>e fazendo com que os jogadores que estão defendendo não disponham de</p><p>tempo para posicionar seus corpos adequadamente em quadra e organizar</p><p>a sua defesa. Os ataques rápidos requerem uma combinação de movimentos</p><p>sincronizados entre diversos jogadores para que seja efetivo. Já os ataques</p><p>mais longos possibilitam uma ação ofensiva com menores chances de erros,</p><p>mas permitindo uma organização defensiva adversária, conforme lecionam</p><p>Moutinho, Marques e Maia (2003). Não importa quais sejam as formas de</p><p>realizar os ataques, eles sempre ganham uma característica ofensiva, uma</p><p>vez que não visam a interceptar as ações adversárias.</p><p>Exemplo</p><p>Para entender melhor as diferentes possibilidades de ataque, imagine as seguintes</p><p>situações:</p><p>MN Quando a equipe adversária possuí um bloqueio no meio da quadra bastante</p><p>alto, o levantador realiza um levantamento mais alto, nas extremidades da quadra,</p><p>chamado de ataque de bola na extremidade.</p><p>MH Quando as opçóesde ataque próximo à quadra não são viáveis pela rápida posição</p><p>e grande altura do bloqueio adversário, o levantador realiza um levantamento para</p><p>uma posição mais distante da rede, para que um jogador na posição de defesa</p><p>efetue o ataque. Nesse caso, o ataque é chamado de bola de fundo de quadra.</p><p>MN Quando e bloqueio adversário não é rápido em sua formação, os ataques velozes</p><p>são uma boa opção. Nessas situações, chamadas de ataque de bola de meio de</p><p>rede, o levantador realiza um toque para um atacante que está próximo, fazendo</p><p>com que a bola tenha que percorrer uma distância menor, em uma trajetória</p><p>retilínea e, consequentemente, mais rápida.</p><p>16) ( Fundamentos do voleibol</p><p>Bloqueio</p><p>O bloqueio é um fundamento que consiste em interceptar a bola que é rebatida</p><p>em um ataque adversário. Apesar de ser bastante utilizado como uma função</p><p>defensiva, por interferir e provocar o fracasso dos ataques adversários, ele tem</p><p>sido cada vez mais utilizado como uma forma de obter pontos dentro de uma</p><p>partida de voleibol. Nesse tocante, podemos evidenciar que existem doistipos</p><p>de bloqueios que podem ser realizados por uma equipe, o bloqueio defensivo</p><p>e o bloqueio ofensivo, conforme apontam Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012).</p><p>O bloqueio defensivo busca amortecer a bola proveniente de um ataque</p><p>adversário, possibilitando aos defensores uma ação facilitada pela diminuição</p><p>da força e da velocidade da bola. Por sua vez, o bloqueio ofensivo busca,</p><p>além de interceptar o ataque adversário, fazer com que a bola toque o solo</p><p>da equipe do atacante imediatamente, realizando um ponto. Em ambos os</p><p>fundamentos, a execução é bastante semelhante, diferenciando-se apenas na</p><p>flexão/extensão da articulação do punho no momento do toque na bola. Na</p><p>Figura 8, podemos visualizar a posição que a articulação dos punhos pode</p><p>assumir ao realizar um bloqueio.</p><p>PP me em</p><p>Figura 8. Posição das mãos e dos punhos durante um bloqueio ofensivo fesquerda) e</p><p>durante um bloqueio defensivo (direita). Ao tocar a bola durante um bloqueio e realizar a</p><p>extensão dos punhos, o jogador possibilita que a bola amorteça em suas mãos, diminuindo</p><p>sua força e suaveloddade efadlitando a ação de recepção dos defensores de sua equipe. Já</p><p>aorealizar a flexão dos punhos, o jogador direciona a bola diretamente ao solo adversário,</p><p>buscando realizar um ponto para sua equipe.</p><p>Fonte: Shondell e Reynaud (2005, p. 248 e 255).</p><p>Fundamentos do voleibol ) [v</p><p>Defesa em pé, rolamentos e mergulhos</p><p>As defesas, sejam elas realizadas em pê ou por meio de rolamentos e mer-</p><p>gulhos, são ações fundamentadas na intencionalidade de não permitir que a</p><p>equipe adversária realize um ponto. Evidentemente, assim como a manchete,</p><p>que também é executada na defesa em pé, não há impedimento que uma bola,</p><p>ao ser defendida, porventura atravesse sobre a rede e venha a tocar o solo da</p><p>quadra adversária. Novamente essa situação é muito improvável, e a intenção</p><p>do defensor ao realizar esses fundamentos provavelmente não será a de realizar</p><p>um ponto, mas sim de evitar que a sua equipe sofra a pontuação por meio do</p><p>ataque adversário. Com 18S8o, de maneira bastante evidente e como o próprio</p><p>nome do fundamento sugere, as defesas são fundamentos defensivos, conforme</p><p>salientam Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012).</p><p>Como vimos ao longo deste capitulo, o voleibol é composto por diversos</p><p>fundamentos técnicos que devem ser aprendidos e realizados pelo jogador, seja</p><p>qual for a posição que ele ocupe em quadra. Em nivel de iniciação desportiva ou</p><p>como forma de lazer por meio do voleibol, os fundamentos de posição básica,</p><p>toque, manchete, saque por baixo e ataque são suficientemente adequados para</p><p>realizar uma partida. Em jogadores que buscam um aprofundamento maior</p><p>no esporte, como forma de participar de competições e de fazer do voleibol</p><p>uma profissão, fundamentos mais elaborados, como os saques por cima, os</p><p>bloqueios, as defesas em pê e por meio de rolamentos e mergulhos devem ser</p><p>aprendidas, para que o êxito da equipe dentro de quadra seja possivel. Nesse</p><p>sentido, o profissional de Educação Fisica deve compreender a correta execução</p><p>dos diversos tipos de fundamentos e suas funções em um jogo de voleibol.</p><p>20) ( Fundamentos do voleibol!</p><p>Referências</p><p>BIZZOCCH, &. & voleibol de alto nível: da iniciação à competição. Barueri: Manole, 2004,</p><p>BOUIKIAN, J. E M.; BOJIKIAN, L. P. Ensinando voleibol. 5. ed. São Paulo: Phorte, 2012.</p><p>FILIN, V. P. Desporto juvenil: teoria e metodologia. Londrina: CID, 1996,</p><p>MACHADO, A. A, Voleibol: do aprender ao especializar, Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2008,</p><p>MOUTINHO, €.; MARQUES, À; MAIA ), Estudo da estrutura interna das ações da distribui-</p><p>ção em equipes de voleibol de alto nível de rendimento. In: MESQUITA, L; MOUTINHO, €;</p><p>FÁRIA, R. (Ed) Investigação em voleibol: estudos ibéricos, Porto: FADEUP, 2003, p. 107129,</p><p>SHONDELL, DB; REYNAUD, € (Orq). A bíblia de treinador de voleibol. Porto Alegre: Ar-</p><p>med, 2005,</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DE ROSE JUNIOR, D. Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem</p><p>multidisciplinar. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.</p><p>SCHMIDT, R; LEE, T. Aprendizagem e performance motora. 5, ed. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2016,</p><p>WEINBERG, R; GOULD, D, fundamentos da psicologia do esporte e do exercício, £. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2001,</p><p>Direção e organização</p><p>de equipes</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Nm Discutira importância da organização e da gestão esportiva de uma</p><p>equipe de voleibol,</p><p>NE Descrever a estrutura organizacional da comissão técnica de uma</p><p>equipe de voleibol,</p><p>E Identífícar as possibilidades e as limitações do professor de educação</p><p>física dentro da organização de uma equipe de voleibol,</p><p>Introdução</p><p>O planejamento e a gestão são elementos de extrema importância para</p><p>qualquer área que se pretenda trabalhar com eficiência e com resultados</p><p>positivos, No esporte, de forma específica no Brasíl, o processo de orga-</p><p>nização e de gestão esportiva está em crescimento,</p><p>No voleíbol, temos exemplos de gestão e organização de equipes</p><p>bem-sucedidas, fatos que colocam hoje o Brasil entre as equipes de</p><p>destaque no cenário internacional,</p><p>Neste capítulo, você vaí estudar sobre a direção e a organização de</p><p>equipes esportivas, com ênfase no voleibol, vaí conhecer a estrutura</p><p>básica de organização de uma equipe de alto nível e vaí identífícar as</p><p>possibilidades de atuação do profissional de educação física nesse cenário,</p><p>Organização e gestão esportiva</p><p>O voleibol é um dos esportes que teve o maior crescimento nos últimos anos,</p><p>embalado pelos excelentes resultados das seleções nacionais, que conquistaram</p><p>os principais títulos internacionais da modalidade. Esse fato contribuiu de</p><p>maneira significativa para aumentar o número de praticantes e expectadores</p><p>2) ( Direção e organização de equipes</p><p>de voleibol. O esporte é desenvolvido em ambientes escolares, em projetos</p><p>sociais, em clubes, em programas de lazer e em outros espaços. Essa massi-</p><p>ficação proporciona a prática da modalidade por crianças, jovens e adultos.</p><p>Todo esse avanço está diretamente ligado à boa organização e capacidade de</p><p>gestão das entidades e profissionais envolvidos com o esporte.</p><p>A profissionalização da gestão do esporte no Brasil, apesar de estar muito</p><p>aquém daquela existente em países europeus que já estão mais estruturados</p><p>nesse sentido, começou a se desenvolver na década de 1980. Com a profissio-</p><p>nalização de várias modalidades esportivas e o aumento dos investimentos e</p><p>de transmissões televisivas, o esporte foi se transformando em um importante</p><p>negócio que exigia uma gestão muito mais preparada e que entendesse e</p><p>acompanhasse essas mudanças (MARONIL, MENDES; BASTOS, 2010.</p><p>O voleibol é hoje a segunda modalidade mais praticada no País, é a primeira</p><p>na preferência do público feminino, e vem obtendo cada vez mais espaço dentro</p><p>do cenário esportivo profissional. Tem se caracterizado como um exemplo de</p><p>organização e de administração bem planejada e bem conduzida, com dirigentes</p><p>sendo citados como exemplo para outras modalidades (PIZZOLATO, 2004).</p><p>No Brasil, quando falamos em gestão do esporte de alto rendimento, não</p><p>podemos deixar de mencionar o trabalho realizado, desde a década de 1980,</p><p>pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A gestão da modalidade</p><p>é vista como um exemplo de atuação para os profissionais da área e hoje, a</p><p>CBV é vista como a melhor e a mais estruturada confederação em atuação</p><p>no Brasil, uma das principais responsáveis pelo crescimento da modalidade</p><p>esportiva no Pais (PIZZOLATO, 2004).</p><p>Esse crescimento é tão notório que traz à tona a grande importância da</p><p>gestão adequada e profissional no âmbito das atividades relacionadas ao esporte</p><p>para a obtenção de resultados satisfatórios. Clubes esportivos e equipes de alto</p><p>rendimento sentiram a necessidade da profissionalização, da especialização</p><p>da gestão e da administração esportiva.</p><p>Referente aos ótimos resultados de gestão da CBV, Ruiz e Roceo Junior</p><p>(2013) acrescentam que a entidade apresentou amplo desenvolvimento, com</p><p>resultados econômicos, financeiros e principalmente desportivos de destaque,</p><p>no cenário mundial. O sucesso da entidade se deu por uma série de fatores</p><p>que envolvem o meio esportivo, mas podemos destacar que o mérito dos</p><p>resultados positivos está diretamente ligado a capacidade administrativa,</p><p>gerencial, executiva e empresarial da entidade.</p><p>Uma ação que contribuiu de forma significativa para que a CBV tivesse</p><p>Sucesso em suas ações na área de organização, administração e gestão es-</p><p>portiva foi a adoção de unidades estratégicas de negócio, ou seja, iniciou-se</p><p>Direção e organização de equipes ) É</p><p>um processo de gestão empresarial do esporte. Essa profissionalização das</p><p>entidades e dos clubes permitiu que o técnico e seus atletas focassem seus</p><p>trabalhos exclusivamente na parte técnica do clube, deixando os aspectos</p><p>burocráticos e outras áreas para profissionais com conhecimento e qualificação</p><p>específica para cada setor. Até a dêcada de 1980, no Brasil, era muito comum</p><p>que o técnico acumulasse as funções de preparador físico, de estatístico, de</p><p>psicólogo e, muitas vezes, ainda era responsável por conseguir patrocinadores</p><p>e apoladores.</p><p>À adoção, entre outras medidas, do modelo de unidades estratégicas de ne-</p><p>gócios permitiu uma melhor adequação do voleibol brasileiro ao novo ambiente</p><p>de negócios da indústria do esporte, com a profissionalização de sua gestão.</p><p>O modelo permitiu, também, a adoção de estratégias empresariais utilizadas</p><p>por organizações do mundo corporativo e o desenvolvimento de ferramentas</p><p>próprias adaptadas ao ambiente do voleibol (RUIZ; ROCCO JUNIOR, 2013).</p><p>O bom desenvolvimento do trabalho esportivo dos clubes está diretamente</p><p>ligado à capacidade de administração e de gestão das Confederações e Fe-</p><p>derações. São elas que regulamentam as competições, a legislação esportiva</p><p>e o controle dos atletas; portanto, são fundamentais para o crescimento e a</p><p>evolução da modalidade.</p><p>Uma matéria redigida</p><p>por Clarice Spitz, em maio de 2012 apresenta dados que mostram</p><p>que o setor do esporte, na primeira década do milênio, teve crescimento em uma</p><p>velocidade superior à própria economia do País, apresentando quase o dobro de</p><p>crescimento em relação ao produto interno bruto (PIB), que, de 2000 à 2010, cresceu</p><p>3,2%, enquanto no setor esportivo o crescimento médio anual foi de 6,2% GPITZ, 2012)</p><p>Esses números reforçam que o setor de esporte brasileiro deixou de ser apenas uma</p><p>atividade lúdica para o prazere o entretenimento e passou a ser uma “indústria”, com um</p><p>sistema de organização, de administração e de planejamento muito bem estruturados.</p><p>Para Peci e Sobral (2008, p. 5), gestão “[...] é um processo que consiste</p><p>na coordenação do trabalho dos membros da organização e na alocação dos</p><p>recursos organizacionais para alcançar os objetivos de uma forma eficaz</p><p>e eficiente”. Uma administração de sucesso consiste em obter, ao mesmo</p><p>tempo, eficácia e eficiência na utilização dos recursos organizacionais, ou seja,</p><p>escolher os objetivos certos e conseguir atingi-los, minimizando a utilização</p><p>1) ( Direção e organização de equipes</p><p>dos seus recursos (tempo, capital, pessoas, equipamentos). Ainda segundo</p><p>o autor, “[...] os membros que têm como função guiar as organizações de</p><p>forma a alcançar seu propósito são os gestores. Esses que decidem onde e</p><p>como aplicar os recursos de forma a assegurar que a organização atinja seus</p><p>objetivos” (PECI; SOBRAL, 2008, p. 5).</p><p>O cenário esportivo do voleibol no Brasil exige que as equipes tenham um</p><p>processo de organização profissional. Em algumas épocas, grande parte das</p><p>funções da equipe eram atribuídas ao técnico, o que ocasionava acúmulo de</p><p>atividades e, como consequência, resultados não satisfatórios. Atualmente,</p><p>para que se obtenha êxito em competições de alto nivel, as equipes de voleibol</p><p>precisam estar organizadas e estruturadas com diferentes departamentos,</p><p>para que, dessa forma, um grupo de profissionais trabalhe em prol da equipe.</p><p>Uma boa organização permite que a equipe tenha melhor visibilidade</p><p>perante ao público e também a possiveis patrocinadores. Com uma direção e</p><p>uma gestão eficiente e estabelecendo diferentes departamentos e setores dentro</p><p>do clube, o trabalho se torna profissional, em que especialistas em diferentes</p><p>áreas irão atuar para o sucesso do grupo. Um exemplo é a busca de patroci-</p><p>nadores para a equipe. É um aspecto primordial para montar um bom time e</p><p>desenvolver um trabalho satisfatório. Essa função, em algumas equipes, era</p><p>realizada também pelo técnico, que precisava, junto com a direção, auxiliar</p><p>na busca de parceiros para investir na equipe. Essa é uma atividade que não</p><p>deveria ser realizada pelos técnicos, pois o acúmulo de atividades e funções</p><p>muito compromete o real trabalho do têcnico com a sua equipe e atletas.</p><p>Funções da administração e da gestão esportiva</p><p>O processo de organização de uma equipe exige que os administradores e os</p><p>gestores, desenvolvam um trabalho profissional e bem estruturado. Segundo</p><p>Peci e Sobral (2008) as principais funções da administração são:</p><p>Planejar — definir objetivos e desenvolver estratégias e ações para</p><p>alcançá-los. Em uma equipe de voleibol, o planejamento deve ser discu-</p><p>tido em conjunto, com representação de gestores, dirigentes esportivos,</p><p>membros da comissão técnica, patrocinadores e representantes dos</p><p>atletas. A participação conjunta permite que a visão de pessoas de vários</p><p>segmentos amplie o rol de ideias e ações, tornando o planejamento mais</p><p>eficiente e adequado aos objetivos do grupo.</p><p>Organizar — determinar o que deve ser feito, como deve ser feito e</p><p>quem deve fazer. Esse processo é importante para que sejam delegadas</p><p>Direção e organização de equipes ) [s</p><p>funções e áreas especificas. Quando se pensa em rendimento espor-</p><p>tivo, a organização é imprescindível. Cada setor deve ter sua função</p><p>especifica bem definida e seus responsáveis. O técnico, por exemplo,</p><p>tem que focar seu trabalho no grupo de atletas e no planejamento dos</p><p>treinos da equipe. Questões burocráticas devem ser realizadas por</p><p>outros setores que devem dialogar entre si para que o processo flua de</p><p>acordo com o planejado.</p><p>Dirigir — liderar e motivar os membros da organização. Os dirigentes</p><p>têm um papel muito importante em uma organização esportiva. Não</p><p>devem misturar o seu trabalho com o da equipe técnica, mas auxiliá-</p><p>-la nos aspectos que forem necessários. São responsáveis por tratar de</p><p>assuntos mais burocráticos do processo, como captar recursos, buscar</p><p>apoiadores, fazer parcerias, coordenar os setores, entre outras funções.</p><p>Controlar — monitorar o desempenho para garantir que os objetivos</p><p>sejam alcançados. Uma equipe especifica deve controlar todo o processo</p><p>e avaliar se os objetivos estão sendo alcançados. Na parte técnica, por</p><p>exemplo, pode-se ter um analista de desempenho que fará o controle das</p><p>ações de jogo apresentando os resultados à comissão, para que os erros</p><p>e Os acertos possam ser analisados de forma coletiva. Outra forma de</p><p>controle no setor técnico pode se dar por meio de testes de aptidão fisica</p><p>e técnica com os atletas. A partir desses resultados, a equipe técnica</p><p>tem dados importantes para selecionar os mais aptos para escalação</p><p>da equipe, identificar os pontos fortes e fracos da equipe e adequar as</p><p>rotinas de treinamento.</p><p>No voleibol, assim como em outros esportes competitivos, todos os pro-</p><p>cessos de administração e de gestão esportiva citados são de extrema impor-</p><p>tância para os resultados esportivos positivos. As equipes modernas já estão</p><p>estruturadas como empresas, em que existem diferentes setores e profissionais,</p><p>cada um com suas funções, especializações e obrigações. No tópico a seguir,</p><p>você poderá compreender os principais setores e funções que compõem uma</p><p>equipe bem estruturada de voleibol, bem como as atribuições e atividades</p><p>desenvolvidas em cada segmento.</p><p>6) ( Direção e organização de equipes</p><p>No Brasil, já existem grupos de pesquisas que foram criados e estruturados com o</p><p>Íntuito de pesquisar e de estudar a gestão e a administração esportiva, um exemplo</p><p>é o grupo Gestão e Marketing da Educação Física, Saúde, Esporte e Lazer (Gesporte),</p><p>criado pelo professor Paulo Henrique Azevêdo, A iniciativa, que possuí registro no</p><p>Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e certificação</p><p>da Universidade de Brasília (UNB), surgiu em 2005, com finalidade de produzir e de</p><p>disseminar conhecimento na área da gestão esportiva. O Gesporte atua nos campos</p><p>de ensino, de pesquisa e de extensão. No que diz respeito a atividades de extensão, o</p><p>grupo organiza ciclo de palestras técnicas e cuida da Jornada sobre Gestão do Esporte.</p><p>Grupos como esse oportunizam a profissionais que querem buscar novos conheci-</p><p>mentos na área de administração e de gestão esportiva, a aquisição e o compartíilha-</p><p>mento de experiências, tornando a prática esportiva mais organizada e estruturada.</p><p>Estrutura da comissão técnica</p><p>O voleibol, assim com as demais modalidades esportivas de rendimento, exige</p><p>uma excelente organização e estruturação de diferentes setores que compõem</p><p>a equipe. Entre os setores, destaca-se a comissão técnica, que lida diretamente</p><p>com os atletas e os profissionais ligados a eles.</p><p>O sucesso de uma grande equipe de voleibol sempre tem por trás um grupo</p><p>de profissionais qualificados que formam a comissão técnica, que é considerada</p><p>por muitos os “olhos extras” do treinador. Ela é, de forma geral, formada por</p><p>assistentes, supervisores, preparador físico, estatístico, equipe médica, entre</p><p>outros. Esses profissionais observam de maneira detalhada os movimentos e</p><p>as ações do jogo e dos atletas de fora da quadra e trabalham para melhorar o</p><p>desempenho individual e coletivo da equipe.</p><p>São muitas as funções que compõem uma equipe técnica de voleibol e</p><p>cada setor tem sua importância para o sucesso do time. Ao planejar</p><p>uma</p><p>equipe, se faz necessário verificar a necessidade de contratação dos diferentes</p><p>profissionais, pois a não contratação de uma equipe interdisciplinar ocasiona</p><p>sobrecarga de funções para outros profissionais.</p><p>Na Figura | é apresentada a estrutura básica dos profissionais que compõem</p><p>uma equipe de voleibol.</p><p>Direção e organização de equipes ) (7</p><p>O RD</p><p>Técnico</p><p>Assistente</p><p>Técnico</p><p>Equipe de</p><p>Saúde</p><p>Comissão</p><p>Técnica</p><p>Preparador</p><p>Auxiliares .</p><p>Físico</p><p>Estatístico</p><p>Figura 1. Integrantes de uma comissão técnica de voleibol.</p><p>Técnico</p><p>Dos integrantes da comissão técnica de voleibol, o técnico tem uma função de</p><p>destaque. Ele trabalha em contato direto com outros setores da administração,</p><p>da direção e da gestão da equipe e tem força para indicar e escolher integrantes</p><p>que irão compor a sua comissão técnica. Está em contato direto com os atletas</p><p>e é o principal responsável na seleção dos atletas para a equipe. Coordena todos</p><p>os treinamentos e atividades dos demais profissionais. Realiza, em conjunto</p><p>com os demais profissionais, o planejamento da temporada, estabelecendo as</p><p>principais metas e objetivos da equipe.</p><p>Nos jogos, determina a equipe titular e as substituições necessárias na</p><p>partida, assim como as ações táticas. Essas atividades são realizadas em</p><p>conjunto com seu assistente e auxiliares, mas a última decisão é a do técnico.</p><p>Entre as habilidades e competências que se esperam de um bom técnico</p><p>destacam-se, entre outras:</p><p>Nm liderança;</p><p>mM capacidade de organização;</p><p>MN conhecimento técnico e tático da modalidade;</p><p>e) ( Direção e organização de equipes</p><p>N criatividade;</p><p>Mm flexibilidade nas relações pessoais.</p><p>A Figura 2 apresenta algumas funções do técnico de voleibol.</p><p>O D</p><p>DETERMINAR</p><p>Prazos para</p><p>alcançar os</p><p>objetivos</p><p>Objetivos, metas,</p><p>resultados</p><p>pretendidos</p><p>Plano de</p><p>preparação</p><p>Seleção de</p><p>logadores</p><p>PROCESSO DE TREINO</p><p>T</p><p>Controlar</p><p>teriais/ À (ma enais Ensinar Aperfeiçoar Conduzir equipamentos)</p><p>PROCESSO DE TREINO</p><p>Coordenação da equipe</p><p>Coordenação scout, , |</p><p>estatistica evídeo Planejamento de jogo</p><p>Figura 2. Funções do técnico de voleibol.</p><p>Fonte: Adaptada de Cheshnokov (2011, apud PRIESS, 2018),</p><p>Assistente técnico</p><p>Trabalha em contato direto com o técnico, dá orientações e auxilia nos trei-</p><p>namentos e nos jogos da equipe. Na linsuagem popular, podemos dizer que é</p><p>considerado o “braço direito” do técnico. Em situações em que o técnico não</p><p>pode comandar a equipe, o assistente técnico assume a função e coordena essa</p><p>ação. Tem contato direto com o técnico e repassa as suas informações ao grupo.</p><p>Preparador físico</p><p>Tem um papel importantissimo em uma equipe de voleibol. Com a evolução</p><p>de diferentes aspectos no treinamento esportivo, a preparação fisica tornou-se</p><p>um elemento imprescindível para o sucesso de uma equipe. Lida de forma</p><p>Direção e organização de equipes ) (s</p><p>direta com os atletas e, em conjunto com o técnico e com os auxiliares, elabora</p><p>o planejamento da preparação física da equipe, levando em consideração as</p><p>competições e os objetivos da temporada. Esse profissional precisa ter um</p><p>conhecimento profundo de periodização e deve trabalhar as valências fisicas</p><p>especificas do esporte, desenvolvendo, em muitos momentos, um trabalho</p><p>personalizado para cada função de jogo. Como exemplo, podemos citar as</p><p>funções de libero (Jogador de defesa) e de central (atacante de velocidade).</p><p>Para as referidas funções no jogo, as exigências fisicas dos jogadores são bem</p><p>diferentes; enquanto o central precisa ter desenvolvido a força explosiva e a</p><p>potência para melhorar a eficiência do ataque, bloqueio e impulsão, o libero</p><p>precisa de um trabalho mais especifico de agilidade e de velocidade de reação.</p><p>Todas as posições precisam de um trabalho básico de preparação física para,</p><p>depois disso, realizarem os trabalhos especificos.</p><p>Estatístico</p><p>Faz todo o levantamento estatístico do desempenho individual dos atletas</p><p>durante os jogos e as competições e também em determinados momentos</p><p>do treino. Desenvolve um trabalho por meio da análise estatistica dos atletas</p><p>das equipes adversárias, apresenta dados que são importantes para que o</p><p>técnico possa armar as ações estratégicas, as táticas de jogo e a escalação da</p><p>equipe. Pode também, com o levantamento de dados, saber da eficiência de</p><p>cada atleta em cada fundamento, o que torna possível ao técnico, juntamente</p><p>com a equipe técnica, reforçar com atletas específicos o treinamento em</p><p>aspectos que o rendimento está abaixo do esperado. Um exemplo do trabalho</p><p>do estatístico é o scout, que é um levantamento de dados, e que pode ser</p><p>feito com programa especifico (software ou planilha no computador) ou de</p><p>forma manual. O estatistico, com colaboração de auxiliares, anota todos os</p><p>fundamentos executados pelo atleta na partida de maneira individual. Ao final</p><p>do jogo, é possivel saber quantos saques foram acertados e errados por cada</p><p>Jogador, quantos resultaram em pontos para a equipe ou para o adversário e,</p><p>dessa forma, ter uma visão detalhada do jogo, analisando os pontos fortes e</p><p>fracos de cada atleta e da equipe.</p><p>10) ( Direção e organização de equipes</p><p>À FIVB (Federação Internacional de Voleibol!) utiliza a estatística desde 1990, nostorneios</p><p>Internacionais da categoria. Por meio do Volley-Ball Information System (VI5) são</p><p>avaliados o desempenho técnico dos jogadores em todos os fundamentos do voleibol.</p><p>Após o final do campeonato, os jogadores com melhor desempenho nos diferentes</p><p>fundamentos são premiados e também os que forem melhores nos fundamentos,</p><p>de forma geral,</p><p>São exemplos de como são avaliados alguns dos fundamentos específicos:</p><p>Melhor atacante: calculado pelo número de pontos obtidos menos o número de</p><p>falhas, por números totais de tentativas.</p><p>Melhor bloqueador: o jogador com a maior parte dos bloqueios concluídos, por</p><p>quantidade realizada pela equipe.</p><p>Os dados da estatística são utilizados para diversos fins e são muito importantes</p><p>tanto para o esporte quanto para os próprios jogadores. Se for em pregada de maneira</p><p>correta, a estatística é bastante útil para os técnicos que, a partir desses dados, podem</p><p>trabalhar melhor o seu time, avaliar o que precisa ser melhorado em sua equipe e</p><p>também podem premiar o jogador mais eficiente em determinado fundamento.</p><p>X. ”.</p><p>Auxiliares</p><p>Os auxiliares dão todo suporte à equipe técnica nos jogos e durante o treina-</p><p>mento. No decorrer dos treinos, ajudam, de forma especial, o técnico e estão</p><p>em contato direto com os jogadores. Podem ajudar nas necessidades dos demais</p><p>profissionais da equipe técnica.</p><p>Equipe de saúde</p><p>Em grandes equipes, existem diferentes profissionais da área da saúde que</p><p>estão em contato direto com os atletas. Entre esses profissionais estão:</p><p>Médico — é o responsável direto por examinar e avaliar as condi-</p><p>ções clinicas do atleta para o desenvolvimento das ações esportivas</p><p>da modalidade. Realiza exames antes da contratação e no decorrer do</p><p>periodo para ter um acompanhamento das condições de cada atleta.</p><p>Trabalha em contato direto com o técnico e passa as informações e os</p><p>diagnósticos dos atletas.</p><p>Direção e organização de equipes ) [n</p><p>Fisioterapeuta — realiza um trabalho em conjunto com a equipe mé-</p><p>dica, com o técnico e com o preparador físico e desenvolve trabalhos</p><p>preventivos e no tratamento de lesões provenientes do esporte. Exerce</p><p>um trabalho importante junto aos atletas, já que, na atualidade, o es-</p><p>porte de rendimento exige muito esforço físico desses profissionais,</p><p>que estão jogando sempre no limite de sua capacidade física e, dessa</p><p>forma, ampliando o número de lesões.</p><p>Psicólogo — é um profissional muito importante na equipe, pois tra-</p><p>balha com o lado emocional do atleta. Deve estar em contato direto</p><p>com eles, identificando o perfil psicológico de cada um e possíveis</p><p>fragilidades que podem prejudicar o desempenho esportivo, tais como</p><p>excesso de ansiedade, comportamentos</p><p>compulsivos, explosivos, baixa</p><p>autoestima, entre outras caracteristicas comportamentais. Exerce um</p><p>papel importante no trabalho de equipe, prepara os atletas para estarem</p><p>psicologicamente fortalecidos para enfrentarem todas as pressões que</p><p>são comuns no mundo esportivo.</p><p>Nutricionista — desenvolve todo o planejamento nutricional dos atletas</p><p>com base nas caracteristicas do esporte, no treinamento e nas exigên-</p><p>cias da modalidade. Trabalha em contato direto com o técnico, com o</p><p>preparador físico e com os médicos para elaborar o plano nutricional</p><p>da equipe e também para desenvolver um trabalho individualizado. Em</p><p>viajens, estabelece contato com os locais de hospedagem (equipe de</p><p>cozinha) e passa as necessidades que precisam ser atendidas no setor</p><p>de alimentação para a equipe.</p><p>Fisiologista — trabalha em conjunto com a equipe médica e realiza</p><p>testes e atividades de acompanhamento do desempenho fisiológico dos</p><p>atletas. Propõe e desenvolve testes para análise do desempenho fisico</p><p>e motor dos atletas durante a temporada.</p><p>Massagista</p><p>Trabalha em contato direto com o fisioterapeuta, desenvolve um trabalho de</p><p>relaxamento e de reabilitação muscular por meio de técnicas de massagem, em</p><p>geral. Atua durante os jogos e nos treinamentos, diretamente com os atletas.</p><p>Equipe de apoio</p><p>Além dos profissionais citados, existem outros que dão apoio direto à comissão</p><p>técnica, como roupeiros, equipe de limpeza, lavanderia e estagiários.</p><p>12) ( Direção e organização de equipes</p><p>Funções do profissional de educação física</p><p>O campo de atuação do profissional de educação fisica é bem amplo e vasto,</p><p>pois tratando-se de esportes profissionais, existem diferentes funções que</p><p>podem ser ocupadas por profissionais da área. Uma equipe estruturada de</p><p>voleibol tem vários setores, cada um com suas responsabilidades, conforme</p><p>evidenciado nos capítulos anteriores.</p><p>O profissional de educação física exerce um papel de destaque em uma</p><p>equipe de voleibol. Pode desenvolver diferentes papéis, desde o setor admi-</p><p>nistrativo e de gestão, até o setor técnico e funcional. Apesar dessa ampla</p><p>possibilidade de atuação, não se espera que ele acumule funções dentro de</p><p>uma equipe, isso traria uma sobrecarga de trabalho e, como consequência,</p><p>atrapalharia o rendimento profissional.</p><p>Espera-se que um bom técnico de voleibol tenha diferentes tipos de quali-</p><p>dades, de habilidades, de competências e de conhecimentos para que consiga</p><p>exercer a sua função com excelência. Na sequência são apresentadas algumas</p><p>caracteristicas positivas para um bom técnico:</p><p>Capacidade de liderança — a função exige que o técnico tenha perfil</p><p>de liderança de grupo, pois não lidará de forma diária apenas com um</p><p>grupo de atletas, mas também com outros profissionais. Para tanto, se</p><p>faz necessário que o técnico tenha a habilidade de coordenar equipes,</p><p>de delegar funções, de avaliar o desempenho do grupo, de intermediar</p><p>a resolução de problemas e conflitos, entre outras situações comuns</p><p>em equipes esportivas.</p><p>Conhecimento aprofundado da modalidade esportiva — o esporte de</p><p>alto nível está bastante equilibrado e um elevado nivel de conhecimento</p><p>da modalidade pode fazer muita diferença, tanto nos treinamentos</p><p>quanto durante os jogos. As estratégias táticas, técnicas, a visão de</p><p>jogo, a capacidade de planejar jogadas, a criação de sistemas de jogo e</p><p>treino, entre outras habilidades, são fundamentais para o bom desen-</p><p>volvimento da função.</p><p>Conhecimento aprofundado das regras e do regulamento das com-</p><p>petições — essa pode ser até uma necessidade óbvia para os técnicos,</p><p>mas nem sempre os técnicos têm o conhecimento aprofundado das regras</p><p>do esporte e do regulamento da competição. Isso é muito importante,</p><p>inclusive para planejar ações de jogo e estratégias táticas para a equipe.</p><p>Investimento na iniciação esportiva — o bom técnico deve planejar</p><p>e organizar seu grupo e investir em novos talentos. Muitos valorizam</p><p>Direção e organização de equipes) [ 173</p><p>somente a equipe que estão liderando e se esquecem que a vida ut1l de</p><p>um atleta é relativamente curta e que o grupo tende a ser renovado, de</p><p>forma gradativa. Paralelo à uma equipe profissional é importante que</p><p>exista um trabalho com equipes da base do esporte, sempre acompa-</p><p>nhado de perto pelo têcnico para que, se necessário, possa aproveitar</p><p>novos talentos na equipe principal.</p><p>Conhecimento de novas tecnologias — o mundo moderno é bastante</p><p>dinâmico e a função de técnico também exige o conhecimento e o</p><p>aprimoramento constante nas diferentes tecnologias voltadas ao esporte.</p><p>Existem diferentes tipos de equipamentos, de aparelhos, de softwares e</p><p>de tecnologias diversas que podem auxiliar o trabalho do técnico. Isso</p><p>pode facilitar e diferenciar as sessões de treinamento e as ações de jogo</p><p>e otimizar o trabalho de toda a comissão técnica.</p><p>Estabelecimento de uma filosofia de treinamento — o estabele-</p><p>cimento de uma filosofia de treino clara e objetiva faz com que os</p><p>atletas entendam de forma mais rápida o que se pretende e como serão</p><p>os procedimentos para atingir os objetivos e as metas da temporada.</p><p>Mudanças muito constantes nas estratégias e a falta de uma padronização</p><p>e organização das sessões de treinamento acabam deixando os atletas</p><p>muito dispersos. É importante que todos conheçam bem os deveres,</p><p>os direitos, as obrigações de cada integrante da equipe técnica e que</p><p>respeitem todos que fazem parte do processo.</p><p>Autoconfiança e determinação — o técnico deve ter segurança de</p><p>suas palavras e ações para poder passar credibilidade a seus atletas e</p><p>equipe. Para tanto, é necessário que seja autoconfiante, determinado e,</p><p>em muitos momentos, até ousado, para poder alcançar objetivos maiores</p><p>com o grupo. Um perfil positivo nesse sentido pode colaborar para que</p><p>o técnico influencie seus atletas não somente para a vida nas quadras,</p><p>mas também para a vida pessoal externa ao esporte.</p><p>Capacidade de comunicação — o processo de comunicação eficiente</p><p>é imprescindivel em qualquer tipo de relação em que pessoas estão</p><p>envolvidas. Em uma comissão técnica, a comunicação eficiente faci-</p><p>litará a parceria entre o treinador e seus comandados, facilitando que</p><p>todos executarem as tarefas e os comportamentos que são esperados</p><p>para suas funções.</p><p>Capacidade de conquistar o grupo — é muito importante que um</p><p>lider de sucesso seja respeitado e admirado pelos seus comandados.</p><p>Para que isso ocorra, uma série de atitudes precisam ser desenvolvidas</p><p>no processo. Algo importante é a valorização das conquistas e dos</p><p>14) ( Direção e organização de equipes</p><p>acertos. É muito comum que pessoas que lideram determinados setores</p><p>observem somente as falhas e os problemas, deixando em segundo plano</p><p>OS avanços, os acertos e as qualidades do grupo. Isso pode desmotivar a</p><p>equipe, portanto é importante que seja cultivada a cultura de valorização</p><p>do trabalho coletivo, fazendo com que todos respeitem cada integrante</p><p>da equipe e saibam que os resultados positivos dependem de muitas</p><p>pessoas de um grupo.</p><p>Essas são algumas características e qualidades importantes para um lider e</p><p>que, quando cultivadas, podem fazer uma grande diferença para um trabalho</p><p>em equipe.</p><p>Observa-se que o processo de administração e de gestão esportiva mudou</p><p>muito nos últimos anos, tornou-se mais organizado e estruturado e, como</p><p>consequência, mais eficiente. O processo constante de mudanças nos mais</p><p>diversos setores, a facilidade de acesso e a globalização das informações faz</p><p>com que o profissional esteja constantemente se renovando e modificando. É</p><p>necessário estar em permanente estudo e assimilar as mudanças que cercam</p><p>o mundo esportivo e profissional.</p><p>Link</p><p>ACBvtem um código de ética que rege as ações dos diferentes</p><p>profissionais que compóem o mundo esportivo do voleibol.</p><p>O acesso a esse documento é de fundamental importância</p><p>pois nele são apresentadas algumas normas, deveres, direitos</p><p>e obrigações</p><p>dos diferentes profissionais do voleibol.</p><p>Por meio do link ou código a seguir, você pode acessar o</p><p>conteúdo na Íntegra.</p><p>Ex</p><p>dE</p><p>)</p><p>=</p><p>https://goo.gl/Fy93Yb</p><p>Em uma equipe profissional de voleibol, é importante que o processo de</p><p>planejamento e de gestão esteja muito bem elaborado com cargos e funções</p><p>preestabelecidos e organizados. O Brasil ainda não está no mesmo nível de</p><p>muitos outros países da Europa e dos Estados Unidos, onde o processo de</p><p>gestão e de organização esportiva está estruturado há bastante tempo, mas</p><p>crescemos muito nesse aspecto e, principalmente no voleibol, os resultados</p><p>Direção e organização de equipes ) [ 15</p><p>são visíveis. Nosso País já vem, há muitos anos, se mantendo no topo das</p><p>maiores competições da modalidade em nivel mundial, nas mais diferentes</p><p>categorias, isso mostra que o processo de gestão e administração esportiva</p><p>estão no caminho certo.</p><p>Referências</p><p>CHESNOKOV, Y. The role of the coach. In: FEDERATION INTERNATIONALE DE VOLLEYBALL</p><p>(Ed). Coaches manual. [S.]]: FIVB, 2011. p. 23-28.</p><p>MARONI|, EF. C; MENDES, D. R; BASTOS, FE. C. Gestão do voleibol no Brasil: o caso das</p><p>equipes participantes da Superliga 2007-2008. Rev. Bras. Educ. Fis. Esporte, São Paulo,</p><p>v. 24, n. 2, p. 239-248, abr./jun. 2010.</p><p>PECI, A; SOBRAL, FE. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo:</p><p>Pearson Prentice Hall, 2008.</p><p>PIZZOLATO, E. A. Profissionatização de organizações esportivas: estudo de caso do voleibol</p><p>brasileiro. 2004, 125 f Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) - Programa</p><p>de Pós-Graduação da PUGRio, Pontífícia Universidade Católica, Rio de Janeiro, 2004.</p><p>O voleibol e a sociedade:</p><p>origem e evolução</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>E Descrever a orígem do voleibol como modalidade esportiva.</p><p>NE Identífícar a evolução do voleibol como esporte,</p><p>E Conhecer o processo de introdução e de evolução do voleíbol no Brasil.</p><p>Introdução</p><p>O voleibol, um esporte com mais de um século de história, é uma das</p><p>práticas esportivas mais populares e praticadas no mundo todo, Apesar de</p><p>ter sído criado nos Estados Unidos, o esporte se expandiu rapidamente por</p><p>toda a Europa, Ásia e América aínda no ínício do século XX, No contexto</p><p>brasileiro, não foi diferente, ele começou a ser praticado poucas décadas</p><p>após a sua invenção, No entanto, se tornou uma das paixões nacionais</p><p>apenas na década 1980, com as sucessivas vitórias e€ o incentivo midiático.</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os motivos que levaram William Ge-</p><p>orge Morgan a inventar o voleibol, o desenvolvimento desse esporte ao</p><p>redor do mundo, e como essa prática chegou ao Brasil e se tornou um dos</p><p>principais esportes praticados por indivíduos de todas as classes sociais,</p><p>Origem do voleibol</p><p>O voleibol é um esporte coletivo praticado no mundo todo e bastante popular</p><p>no Brasil. E realizado em muitas escolas, parques e praias do País. Ainda que</p><p>seja bastante difundido nas instituições e nos locais que possibilitam a prática</p><p>corporal, o voleibol não é um esporte de origem brasileira e sua origem remonta</p><p>hã mais de um século. O esporte teve seu início demarcado em 9 de fevereiro</p><p>de 1895, na cidade de Holyoke, Massachusetts, nos Estados Unidos, sob o</p><p>2) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>nome de mintonette (AFONSO, 2004, MARCHI JÚNIOR, 2004; BOJIKIAN,</p><p>J; BOJIKIAN, L. 2012).</p><p>O criador do voleibol foi o diretor de educação física da Associação Cristã</p><p>de Moços (ACM), William George Morgan. A ideia de desenvolver uma nova</p><p>modalidade surgiu da necessidade de ofertar uma prática corporal prazerosa</p><p>aos associados da ACM, principalmente para aqueles na faixa etária dos 40 aos</p><p>50 anos de idade, os chamados “homens de negócios”. Para esses homens, os</p><p>exercicios calistênicos, que eram bastante comuns nos ginásios, não geravam</p><p>entusiasmo e o basquetebol era considerado muito violento, haja vista os</p><p>constantes contatos físicos que esse esporte proporcionava.</p><p>O basquetebol havia sido criado alguns anos antes, em 1891, na ACM de</p><p>Springfield, pelo professor de educação fisica James Naismith. O basquete-</p><p>bol, em 1895, apesar do pouco periodo de existência, já havia se difundido</p><p>em muitas das sedes da ACM, inclusive em Holyoque, já que se localizava a</p><p>poucos quilômetros de Springfield. Apesar de ser um esporte bastante praticado</p><p>na época, o basquetebol apresentava alguns embates fisicos que afastavam</p><p>algumas pessoas dessa prática. Diante disso e do pedido do pastor Lawrence</p><p>Rinder, William Morgan elaborou um jogo que pudesse ser praticado pelos</p><p>associados mais antigos da ACM (MARCHI JÚNIOR, 2004).</p><p>William George Morgan, responsável pela criação do voleibo|, nasceu em Lockport,</p><p>Nova lorque. Morgan formou-se professor de educação física no curso regular da</p><p>ACM, em Holyoque. Teve como professor o inventor do basquetebol, James Naismíth.</p><p>Mordganfaleceu aos 72 anosde idade, em 27 de dezembro de 1942, nasua cidade natal.</p><p>À</p><p>Na sua estrutura original, o voleibol era disputado em nove pontos, em</p><p>uma quadra dividida por uma rede parecida com a do tênis. À rede se pos-</p><p>tava a cerca de 1,90m de altura. À bola utilizada no principio do voleibol</p><p>era uma câmara de uma bola de basquetebol. Como era muito leve e a bola</p><p>de basquetebol completa era muito pesada, Morgan solicitou à firma A. G.</p><p>Spalding & Brothers (a mesma fabricante das bolas de basquete) a produção</p><p>de uma bola específica para a prática do voleibol, o que foi feito após vários</p><p>testes com diversos protótipos.</p><p>O voleibol e a sociedade: origem e evolução ) É</p><p>À origem do voleibol foi narrada nas palavras de Morgan:</p><p>Em 1895, assumi a direção do departamento físico da ACM de Holyoke,</p><p>Massachusetts, e como o trabalho da classe dos homens de negócios se fazia</p><p>cada vez mais intenso e exaustivo, senti a necessidade de alguma forma de</p><p>recreação para eles. O basquetebol poderia responder plenamente às exigências</p><p>dos jovens, porém, era necessário algo para os mais idosos, que não fosse rude</p><p>e fatigante. Pensando num jogo adequado, ocorreu-me o tênis, mas o tênis</p><p>requeria raquetes, bolas, redes e outros apetrechos, de sorte que foi posto de</p><p>lado, conquanto parecesse aproveitável a ideia de rede. Elevamo-la a cerca</p><p>de 1,90m do solo — justo acima da cabeça de um homem de estatura mediana.</p><p>Precisávamos de uma bola, e entre as que experimentamos estava a câmara-</p><p>-de-ar de uma bola de basquetebol, porém verificamos ser ela muito leve enão</p><p>tomar velocidade; depois experimentamos uma bola de basquetebol, que se</p><p>evidenciou demasiadamente pesada e muito grande. Finalmente, concluímos</p><p>que precisávamos de uma bola nas condições da atual bola de voleibol, que</p><p>encomendamos a A.G. Spalding & Brothers e verificamos ser satisfatória.</p><p>Com o tempo, o jogo sofreu muitas modificações, mas a ideia original da</p><p>rede entre os dois quadros opostos ficou de pé. Neste período, realizou-se</p><p>uma conferência de diretores físicos na ACM de Springfield, onde fizemos</p><p>uma exibição do jogo. Formei dois quadros, opostos, cada um composto por</p><p>cinco homens, respectivamente capitaneados pelo sr. J. J. Currane e o sr.</p><p>John Lynch, e fizemos uma exibição no ginásio do colégio, a qual acredito a</p><p>todos agradou. À seguir submetemos carta branca para alterá-las (as regras)</p><p>como bem entendesse. Prevendo que essasregras ensejariam a realização de</p><p>muitas conferências, que se incumbiram de seu aperfeiçoamento, pusemos</p><p>de lado a regulamentação do jogo e dedicamo-nos, entrementes, ao treina-</p><p>mento físico. Entre os que auxiliaram materialmente o desenvolvimento do</p><p>jogo estava o dr. Frank Wood e o sr. John Lynch, aos quais se deve muito o</p><p>voleibol. (DAIUTO, 1967, p. 6).</p><p>No início, a prática do mintonetie era bastante limitada à cidade de Holyo-</p><p>que e aos associados da ACM. No entanto, após a conferência ocorrida em</p><p>Springfield com a presença de diretores, mencionada por</p><p>Morgan, eles levaram</p><p>a ideia do novo jogo para outras instituições da ACM espalhadas pelo pais.</p><p>Tão logo, a prática do minionette se difundiu em muitas cidades dos estados</p><p>de Massachusetts e da Nova Inglaterra. Observou-se também a instalação de</p><p>quadras em praias, em estações de veraneio e em playgrounds. A instalação</p><p>desses espaços contribuiu para o aumento do número de praticantes e para a</p><p>popularidade do jogo.</p><p>Em Springfield, diversas análises sobre a forma de jogar e o objetivo imposto</p><p>pelo jogo foram realizadas, entre elas, a do Dr. A. T. Halstead, que sugeriu a</p><p>mudança do nome niintonette, que estava associado à prática do badminton</p><p>(esporte desenvolvido em uma quadra dividida por uma rede elevada, em que</p><p>1) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>os jogadores de posse de uma raquete, deveriam fazer com que uma peteca</p><p>tocasse o solo adversário) para volleyvball, em alusão ao movimento de voleio</p><p>realizado com os braços para fazer com que a bola passe à quadra adversária</p><p>(MARCHI JÚNIOR, 2004; MATTHLESEN, 1994).</p><p>Na origem do voleibol, alguns pontos podem ser levantados para analisar</p><p>a sua criação. Marchi Júnior (2004) atenta para o fato de que esse esporte teve</p><p>algumas particularidades que o distanciam das demais práticas esportivas. O</p><p>voleibol, assim como o basquetebol, não surgiu a partir de uma prática corporal</p><p>existente e que sofreu ao longo dos tempos um processo de esportivização.</p><p>Podemos evidenciar em muitas práticas, como o futebol, por exemplo, que</p><p>povos primitivos já praticavam jogos parecidos e, com o passar dos anos,</p><p>essas praticas foram ganhando regras e se tornando um esporte. Ao contrário</p><p>desse fenômeno, o voleibol se inicia já como um jogo composto de regras e</p><p>de caracteristicas que buscavam incluíi-lo no universo desportivo. Assim, o</p><p>voleibol não se origina de uma manifestação cultural de jogo, seja ela para</p><p>passatempo ou para qualquer outra atividade que buscava a recreação, mas a</p><p>partir de uma intencionalidade que objetivava propor uma prática alternativa</p><p>a uma parcela da população.</p><p>O voleibol é um esporte que foi inventado nos Estados Unidos e bastante</p><p>distante das práticas que se esportivizaram por meio das modificações ocorridas</p><p>na Europa. Com isso, podemos salientar que voleibol] e o basquetebol, que fora</p><p>inventado anos antes, são práticas esportivas que quebram com uma lógica</p><p>eurocêntrica de práticas esportivas que marcam a sociedade atual. Abre-se,</p><p>então, uma nova forma de criação de esportes e de modelo de jogo, sobretudo</p><p>na America Latina, onde muitas das práticas esportivas surgem de modelos</p><p>europeus de paises como a Inglaterra, a França, a Itália e a Alemanha.</p><p>Também devemos destacar que a origem do voleibol torna possiveis algumas</p><p>análises de percurso histórico dos esportes como sendo um privilégio para</p><p>determinadas parcelas da sociedade. Pelo relato de Morgan (DAIUTO, 1967),</p><p>é viável pensar que o objetivo e o público a ser atingido por essa nova modal1-</p><p>dade pretendiam suprir as necessidades de uma elite cristã que frequentava os</p><p>clubes esportivos da ACM. Não há a menção da necessidade de uma prática</p><p>corporal que pudesse servir de modelo para toda a sociedade ou que pudesse</p><p>trazer beneficios para toda ela. Ao contrário, a prática do voleibol buscava</p><p>garantir aos homens de negócios uma prática que dispusesse de minimos</p><p>contatos fisicos e de menor esforço, os quais eram caracteristicas dos esportes</p><p>e dos ofícios das classes mais empobrecidas. E possível verificar também que</p><p>o jogo carrega um conjunto de principios morais que deve ser seguido pelos</p><p>seus praticantes. Nas palavras de Morgan:</p><p>O voleibo| e a sociedade: origem e evolução ) (s</p><p>O voleibol obriga à prática constante de sentimentos superiores sob a pena,</p><p>de quem não o fizer, de ser excluído como elemento desnecessário e mesmo</p><p>prejudicial; naturalmente repelido pelos demais companheiros, interessados</p><p>no sucesso da equipe. Sob o ponto de vista social é uma recreação agradável</p><p>e um processo poderoso de aproximação e de estímulo, incentivando em</p><p>todos, como esporte coletivo que é, o espirito de corporação imprescindível</p><p>à consistência de toda a organização social. Agrada, diverte e beneficia o</p><p>indivíduo e a coletividade. (MORGAN, 1984).</p><p>Podemos destacar que a prática do voleibol também não era direcionada</p><p>a qualquer pessoa. Servia de modo a oportunizar a prática esportiva para</p><p>individuos com “sentimentos superiores” de coletividade e cooperação comuns</p><p>à sociedade cristã. Aos que não se enquadravam nessa estrutura, a eliminação</p><p>era inevitavel. Portanto, o voleibol, além de uma prática esportiva, pode ser</p><p>também uma forma de selecionar individuos e de propagar caracteristicas</p><p>morais de determinados grupos sociais. E possível salientar também que o</p><p>“processo de aproximação e estimulo que incentiva o espirito de corporação”</p><p>também denota a necessidade de fortalecimento de determinada classe social,</p><p>compartilhando seus ideais e fortalecendo suas ações.</p><p>Em relação ao regramento dessa nova prática, a primeira publicação que</p><p>fez menção ao esporte ocorreu em 1896, na revista Physical Education, em</p><p>um artigo com o titulo The Original Sport of Volley Ball (na tradução literal,</p><p>em português, O esporte original do voleibob, escrito pelo diretor de ati-</p><p>vidades físicas da ACM de Buffalo, em Nova Iorque (MARCHI JÚNIOR,</p><p>2004) No artigo em questão, algumas orientações para o desenvolvimento do</p><p>jogo foram descritas. Não havia um limite de jogadores para cada equipe em</p><p>quadra, mas elas deveriam ser compostas pelo mesmo número de jogadores.</p><p>Eles deveriam fazer um rodízio para que todos tivessem a oportunidade de</p><p>realizar o fundamento do saque, o qual deveria ser efetuado com um dos</p><p>pés sobre a linha de fundo da quadra. A primeira quadra media 15,35 m de</p><p>comprimento por 7,625 m de largura. À rede possuia 61 em de largura e 3,235</p><p>m de comprimento, ficando a uma distância entre o solo e a borda superior de</p><p>1,98 m (MARCHI JÚNIOR, 2004).</p><p>A partir dos parâmetros que orientaram a invenção do voleibol, o esporte</p><p>foi se desenvolvendo de forma rápida. Não apenas como jogo recreativo para</p><p>os senhores de negócios, mas como uma forma de prática corporal repleta</p><p>de regras e elementos competitivos que o caracterizavam como esporte. Na</p><p>próxima seção, vamos debater o desenvolvimento do voleibol no âmbito</p><p>mundial, o que contribuiu para a rápida adesão de participantes e que hoje é</p><p>uma das modalidades dos Jogos Olimpicos de Verão.</p><p>6) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>A evolução como esporte</p><p>Como vimos na seção anterior, o voleibol se desenvolveu em um período</p><p>histórico em que muitas práticas já haviam se desportivizado. O voleibol</p><p>acompanhou essa tendência. Logo após a sua criação, eram comuns os jogos de</p><p>demonstração nas filiais da ACM, o que contribuiu para a divulgação e a prática</p><p>desse jogo em diversas instituições. Em 1900, após a realização de diversos</p><p>jogos, alsumas modificações na estrutura do jogo foram promovidas. A bola</p><p>passou a ser padronizada para todos os jogos realizados pela ACM. À altura</p><p>da rede ganhou alguns centimetros, passando para 2,13 m e o jogo passou a</p><p>ser definido na disputa de um set composto por 21 pontos. Em 1912, ocorreram</p><p>alterações na quadra de jogo, que passou a medir 18,18 m de comprimento por</p><p>10,16 m de largura, composta por dois campos de 10,16 m de comprimento</p><p>por 9,9 m de largura. À rede ganhou altura novamente, passando para 2,28</p><p>m do solo. A formação do rodizio ficou estabelecida e a partida passou a ser</p><p>composta por dois sets (SHONDELL; REY NAUD, 2005).</p><p>No ano de 1917, a altura da rede aumentou novamente, chegando aos atuais</p><p>2,43m de altura (no voleibol masculino) e os sets passaram a ser compostos por</p><p>15 pontos. Além disso, alguns outros elementos foram incorporados para que</p><p>o esporte ganhasse maior dinâmica e o público demonstrasse maior interesse</p><p>por essa prática.</p><p>“</p><p>Exemplo</p><p>Ao longo dos anos, várias regras foram sendo incorporadas na prática do voleibol</p><p>de modo a fazer com que o jogo fosse mais dinâmico e engajador. Essas mudanças</p><p>ocorreram e ocorrem desde os primórdios do esporte aos dias atuais. Como exemplo</p><p>de mudanças que foram promovidas aínda na década de 1910 foram:</p><p>NM a bola não podia mais parar nas mãos dos jogadores, como era permitido até então;</p><p>E o jogador não mais poderia tocar na bola por duas vezes, a menos que outro</p><p>jogador a tivesse tocado;</p><p>MN cada equipe passou a poder tocar até três vezes na bola. )</p><p>NE</p><p>Alguns anos mais tarde, para a formação das equipes, ficou determinado</p><p>que o número máximo de atletas para cada um dos times que participaria do</p><p>jogo deveria ser de seis jogadores e as dimensões das quadras foram padro-</p><p>nizadas em 18 m de comprimento por 9 m de largura.</p><p>O voleibol e a sociedade: origem e evolução ) [7</p><p>No dia 28 de abril de 1922, ocorreu o primeiro campeonato nacional das</p><p>ACM;s dos Estados Unidos, com a participação de 23 equipes de voleibol,</p><p>incluindo algumas de instituições da ACM localizadas no Canadá. Esse evento</p><p>foi realizado no Brooklyn, em Nova Iorque, e a ACM de Pittsburgh sagrou-se</p><p>como equipe vencedora. Estava, portanto, confirmado que o voleibol havia</p><p>se tornado um esporte de competição. Dois anos mais tarde, o voleibol foi</p><p>praticado nos Jogos Olimpicos de 1924, como parte de um evento especial</p><p>para a apresentação de esportes dos Estados Unidos.</p><p>Durante os anos de 1930, os esportes de cunho recreativo avançaram de</p><p>forma significativa nos Estados Unidos. Foram investidos aproximadamente</p><p>500 milhões de dólares em quase 4 mil prédios recreativos, 888 parques,</p><p>1.500 campos de atletismo e outras estruturas correlatas no Pais. Os locais</p><p>propícios para a prática esportiva e a valorização do voleibol como uma pos-</p><p>sibilidade recreativa contribuiram muito para a popularização do esporte</p><p>(MATTHLESEN, 1994,</p><p>Na década de 1940, o interesse pelo voleibol já era grande. Com os 50 anos</p><p>de sua criação, muitos artigos e matérias jornalisticas ressaltaram o cinquente-</p><p>nário do esporte. Em 1946, um estudo apontou o voleibol como o quinto esporte</p><p>coletivo mais fomentado em território norte-americano. No ano de 1947, com</p><p>a grande difusão do esporte em diversos paises — onde o voleibol havia sido</p><p>introduzido por militares e pelas ACMs e que acompanhavam o processo de</p><p>esportivização da modalidade tal qual nos Estados Unidos, criando federações</p><p>nacionais para regulamentar a prática — surgiu a Federação Internacional de</p><p>Voleibol (FIVB) cujo objetivo era regulamentar as competições internacionais</p><p>e teve como fundadores o Brasil, a Bélgica, o Egito, a França, a Holanda, a</p><p>Hungria, a Itália, a Polônia, o Portugal, a Romênia, a Tchecoslováquia, a</p><p>Iugoslávia, os Estados Unidos e o Uruguai. Em 1949, na Tchecoslováquia,</p><p>ocorreu o primeiro Campeonato Mundial de Voleibol masculino, e a União</p><p>Soviética (um Estado composto por várias repúblicas que existiu entre os</p><p>anos de 1922 e 1991) saiu campeã. Nesse mesmo ano, em solo americano, as</p><p>mulheres tiveram a oportunidade de participar de um campeonato oficial,</p><p>organizado em Los Angeles, Califórnia.</p><p>Uma década mais tarde, em 1955, surgiu a Associação de Voleibol dos</p><p>Estados Unidos (US VBA) cujo objetivo foi instituir uma jurisdição oficial</p><p>para a prática do esporte naquele país para o Jogos Pan-Americanos, que</p><p>ocorreu no mesmo ano na Cidade do México. Essa competição teve como</p><p>medalhistas de ouro os norte-americanos (masculino) e as mexicanas (femi-</p><p>nino). Ainda na mesma década, em 1956, ocorreu em Paris a terceira edição</p><p>do Campeonato Mundial de Voleibol, composto por times oriundos de 25</p><p>6) (o voleibol e à sociedade: origem e evolução</p><p>países. Em muitas ocasiões, o Palais des Sports, um ginásio desportivo com</p><p>capacidade para 25 mil espectadores que sediou o campeonato, lotou. Nessa</p><p>edição, a Tchecoslováquia conseguiu lograr êxito, após duas finais em que</p><p>haviam perdido para os soviéticos.</p><p>Em 1964, o voleibol foi oficialmente introduzido nos Jogos Olímpicos de</p><p>Verão, e teve como campeões na modalidade masculina a União Soviética</p><p>e, na modalidade feminina, o Japão. À grande presença e empolgação do</p><p>público espectador fez com que o voleibol permanecesse na agenda dos Jogos</p><p>Olímpicos.</p><p>Na década de 1940, muitos países já haviam desenvolvido o esporte profis-</p><p>sional e participavam de torneios mundiais conseguindo, inclusive, desbancar</p><p>os norte-americanos, criadores do voleibol. Para compreender a expansão e</p><p>a difusão mundial dessa prática esportiva, devemos retroceder o percurso</p><p>histórico. Na imagem a seguir, podemos evidenciar os anos em que o voleibol</p><p>foi inserido em diversos países.</p><p>Saiba mais</p><p>O voleibol surgiu em 1895, no Estados Unidos. Menos de duas décadas depois, o</p><p>novo esporte já havia chegado a diversos continentes. As filiais da ACM espalhadas</p><p>pelo mundo e as instituições militares, que participavam de colonizações e combates</p><p>mundiais, sobretudo durante a Prim eira Guerra Mundial, contribuíram para a rápida</p><p>expansão do esporte no mundo,</p><p>É D</p><p>o BRR ina R . ão | EE Tm</p><p>: Porto Rico RS 4 Filipinas</p><p>: ARES) à (1912)</p><p>VZ à .</p><p>': Brasi NÃ</p><p>: (1915 ou 1916)</p><p>S</p><p>A Uruguai e</p><p>e Argentina</p><p>ES (1912)</p><p>Figura 1. Ano de chegada do voleibol em diferentes países e continentes.</p><p>Fonte: Marques Junior (2012, documento on-line).</p><p>e. o</p><p>O voleibo| e a sociedade: origem e evolução ) (s</p><p>Em 1915, a inclusão do voleibol foi oficialmente aceita nos programas</p><p>educacionais das instituições de ensino dos Estados Unidos, por meio das</p><p>disciplinas de educação física. Ao lado do beisebol e do basquetebol, o voleibol</p><p>passou a fazer parte das rotinas desportivas de escolares de muitas das escolas</p><p>sob os pretextos socializatórios e formativos que discutimos na primeira seção</p><p>deste capítulo. No mesmo ano, sob a direção do professor George J. Fischer,</p><p>integrantes da ACM passaram a introduzir o esporte nas forças armadas</p><p>norte-americanas. A prática do voleibol foi bastante aceita entre os soldados,</p><p>que o levaram para solo europeu durante a Primeira Guerra Mundial, ocorrida</p><p>entre os anos 1914 e 1918.</p><p>Embora possamos destacar a importância das filiais da ACM nos diver-</p><p>sos estados norte-americanos e em paises ao redor do mundo, a difusão do</p><p>voleibol também passou pela sua ampla divulgação no ensino primário e nas</p><p>instituições militares. Os jovens que praticavam o esporte no interior de escolas</p><p>e de quartéis passaram a desenvolver também o jogo em espaços ao ar livre.</p><p>Inicialmente, o voleibol não gerou grande aceitação entre os escolares do</p><p>sexo masculino, sobretudo aqueles que se encontravam no ensino médio. Por</p><p>ser uma prática tradicionalmente desenvolvida com idosos nas ACNMs, esse</p><p>jogo foi rotulado como uma prática não atlética. A disputa com o basquetebol,</p><p>que já era bastante popular entre os jovens adolescentes, também contribuiu</p><p>para essa negação ao esporte. Assim, as estudantes do sexo feminino acabaram</p><p>aderindo mais à prática do voleibol, criando uma identidade do esporte ao</p><p>público feminino.</p><p>A intencionalidade de inserção de determinadas práticas no âmbito escolar</p><p>e militar, quanto mais em épocas de guerra, cuja inserção dos soldados ocorre</p><p>em diversas nações, ocorre de modo a disseminar determinadas práticas e</p><p>valores culturais que servem de modelos e estereótipos para outras culturas.</p><p>A disseminação do voleibol</p><p>Considerando que o voleibol foi inventado em 1895, é possivel pensar que essa</p><p>prática rompeu as fronteiras dos Estados Unidos de forma rápida. Oficialmente,</p><p>o primeiro pais a receber o esporte foi o Canada, em 1900. Em seguida, houve</p><p>a prática do voleibol em Cuba, em 1905; Filipinas e Japão em 1908; Porto</p><p>Rico, em 1909; Uruguai em 1912; e o Brasil é o México, entre 1916 e 1917,</p><p>Em Cuba, o esporte chegou por meio dos militares que participavam de uma</p><p>intervenção militar na ilha do Caribe.</p><p>ser executado com o professor não mais lançando e</p><p>contando a bola, mas aumentando a potência aos poucos.</p><p>Mergulho Mesma proposta de execução do rolamento.</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,2J, e Bojikian, L (2012),</p><p>A classificação dos fundamentos por ordem de aprend ragem ) (s</p><p>O ensino dos jogos adaptados é relevante, polis é o que mais aproxima</p><p>o aprendiz das situações reais de jogo (prática randômica) e, por isso a</p><p>retenção da aprendizagem é mais significativa do que a simples repetição</p><p>dos fundamentos de forma isolada (prática em blocos). Esse fato é explicado</p><p>porque, quando há mudança de uma habilidade para outra durante a sessão</p><p>de prática randômica, as pessoas são forçadas a se tornarem conscientes da</p><p>distinção entre as habilidades tornando cada uma mais significativa na memória</p><p>de longo prazo e memórias mais significativas ou distintas são presumivelmente</p><p>mais duráveis e mais facilmente recuperadas para uso em momento posterior</p><p>(SCHMIDT; WRISBERG, 2001).</p><p>Além disso, a iniciação ao voleibol, trabalhada de forma lúdica, possibilitará</p><p>aos alunos a melhora na execução dos fundamentos para a prática autônoma da</p><p>mecânica do jogo de voleibol. A ludicidade faz parte da prática de iniciação ao</p><p>esporte, e é uma ferramenta facilitadora no processo de ensino — aprendizagem</p><p>dos fundamentos do voleibol. Para Bizzocehi (2016, p.108), “o lúdico tem um</p><p>papel decisivo na motivação para o aprendizado dos fundamentos e do jogo de</p><p>voleibol”, por isso os jogos adaptados são excelentes alternativas para despertar</p><p>o prazer em praticar corretamente a habilidade em questão.</p><p>Exemplo</p><p>Yeja a seguir, alguns exemplos de jogos adaptados lúdicos que contemplam o trabalho</p><p>de todos os fundamentos envolvidos no jogo, de maneira conjunta para tornar a</p><p>prática mais próxima da situação de jogo real. A forma de aplicação desses jogos</p><p>pode ser diversa, no entanto, não será interessante o professor exigir que executem</p><p>o fundamento de forma correta sem ter passado pelo processo de aprendizagem</p><p>completo. Porisso, ele irá estipular a dinâmica do jogo, adaptando as regras na medida</p><p>em que os fundamentos estão sendo ensinados.</p><p>E Vôlei com balões — formam-se dois grupos, cada um em uma área de jogo,</p><p>separados pela rede. Cada aluno recebe um balão cheio; no início da música, todos</p><p>deverão passar o balão para a área adversária, devolvendo os que passarem para</p><p>a sua área. À cada interrupção da música, o professor efetuará a contagem dos</p><p>balões. O grupo que tiver menos balões em sua área marca ponto. O professor</p><p>deverá ir construindo as regras junto com os alunos, no memento em que forem</p><p>ocorrendo as infrações. Os materiais necessários são balões, rede de voleibol e</p><p>aparelho de som.</p><p>E Vôlei com lençol — o jogo acontece com duas equipes formadas por quartetos</p><p>ou sextetos, e dois alunos ficarão com os olhos vendados. Cada grupo segurará</p><p>um pedaço de lençol;tecido (os alunos com es olhos vendados deverão estar em</p><p>pontas opostas do lençol) O jogo funcionará conforme a dinâmica do voleibol,</p><p>6) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>porém a bola é lançada com o tecido e poderá dar um toque no chão. Juntos,</p><p>professores e alunos poderão incluir critérios para a dinâmica em dupla, com es</p><p>olhos vendados de um participante, para outras modalidades. Materiais necessários:</p><p>bola de voleibol, rede de voleibol, tecido (2 m?) su lençol.</p><p>MN Basquete-vôlei — o jogo inicia com a bola ao alto e com duas equipes dispostas</p><p>ha área de jogo (quadra). À equipe que tiver a posse da bola trocará passes usando</p><p>somente os fundamentos específicos do voleibol (manchete, levantamentos,</p><p>saques, cortadas, toques). O objetivo do jogo é fazer cestas. É necessária apenas</p><p>uma bola de vôlei ou de borracha.</p><p>E Vôlei com rede móvel - O jogo acontece com duas equipes. Dois alunos sequrarão</p><p>a extremidade dos elásticos (rede móvel) e, da mesma forma que no jogo de voleibol,</p><p>Os alunos trocarão passes para o envio da bola à área adversária. A rede irá se</p><p>mMmovernas diversas direções da área de jogo, variando de tamanho e possibilitando</p><p>dimensões (pequenas e grandes) das áreas de jogo para as equipes. Os participantes</p><p>deverão ocupar sempre a extensão da área de jogo e o prolongamento da quadra.</p><p>O professor deverá possibilitar a inclusão e a retirada de regras por parte dos alunos.</p><p>Material necessário: uma bola de voleibol, elástico ou rede de vôlei desmontada.</p><p>Os jogos adaptados devem incluir essas e outras possibilidades e permitie que</p><p>todos participem e tenham uma grande diversidade de opções disponiveis para</p><p>vivenciar a cultura de movimento dessa modalidade, bem como a aprendizagem</p><p>de cada fundamento. Além disso, a cooperação, a socialização e o afeto se fazem</p><p>presentes enquanto os alunos aprendem. Dentro desse processo, o professor</p><p>tem um papel importante no estimulo do desenvolvimento dos seus alunos,</p><p>pois lembra da importância do respeito às fases do desenvolvimento motor</p><p>deles, de forma apropriada e coerente, adapta as atividades e permite, assim,</p><p>que todos participem e tenham uma grande diversidade de jogos disponíveis</p><p>para vivenciar a cultura de movimento da modalidade.</p><p>O voleibo| sentado é uma modalidade paraclímpica e, por isso, um esporte adaptado</p><p>para pessoas com deficiência física (pessoas com amputação ou lesão medular) Ele foi</p><p>incluído nas Paraolimpíadas de 1980, e surgiu da união entre o voleibo| convencional e</p><p>o sitzbali (jogo alemão que é praticado com os atletas sentados no chão, sem rede). Ele</p><p>possui regras similares ao voleibol convencional e as principais diferenças estão no menor</p><p>tamanho da quadra e na altura mais baixa da rede, no deslocamento dos jogadores</p><p>sentados e na permissão de bloqueio do saque (CARVALHO, ARAÚJO, GORLÁ, 2013).</p><p>k. Ad</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) [7</p><p>Por fim, podemos pressupor que os jogos adaptados são primordiais para</p><p>o ensino dos fundamentos do voleibol. Como vimos, há jogos adaptados</p><p>especificos para cada fundamento, como também, jogos que utilizam os vários</p><p>fundamentos de maneira conjunta. Nesse último caso, não significa que os</p><p>alunos só poderão vivenciá-los após terem passado por todo o processo de</p><p>ensino dos fundamentos, pelo contrário, o professor terá a autonomia para</p><p>propor dinâmicas que levem em consideração os fundamentos já ensinados</p><p>(poderá ser solicitada uma melhor execução do gesto técnico) e os que ainda</p><p>estão por vir.</p><p>A aprendizagem significativa do voleibol</p><p>O voleibol, sem um procedimento metodológico apropriado, torna-se uma</p><p>preocupação no contexto escolar, uma vez que ainda se fazem presentes as</p><p>práticas pedagógicas pautadas no seu ensino tradicional, em que a aprendizagem</p><p>dos gestos têcnicos é uma constante — o objeto de ensino, o que torna as aulas</p><p>desmotivadoras para muitas crianças e jovens que não apresentam um repertório</p><p>motor voltado para a execução dos gestos dessa modalidade.</p><p>À educação física escolar passou por marcantes transformações ao longo dos</p><p>anos que contribuíram para o entendimento de que há novas ações pedagógicas</p><p>que devem ser colocadas em prática, e que a visão tecnicista não deve ser</p><p>estimulada dentro do ambiente escolar. Profissionais que buscam inovar e criar</p><p>propostas de ensino transformadoras devem pensar além dessa perspectiva;</p><p>porém, considerando que o voleibol é uma modalidade tradicionalista dentro da</p><p>escola, 1580 se torna um grande desafio. Cabe uma intervenção mais abrangente</p><p>dos esportes direcionada à reflexão dessa prática, seu significado e valor</p><p>sociocultural. A partir de uma perspectiva crítica, podem ser trabalhados</p><p>os gestos técnicos, mas também o entendimento da origem e da evolução</p><p>da modalidade, como a mídia influencia o seu significado, entre outros</p><p>apontamentos.</p><p>De acordo com Barroso e Darido (2010, p.180):</p><p>Trabalhar o esporte na escola sem ter como propósito a reflexão do indivíduo,</p><p>proporciona o surgimento de</p><p>Na América do Sul, o voleibol surgiuno Peru, em 1910. Até essa data, os</p><p>programas escolares peruanos eram defasados em relação à prática esportiva.</p><p>10) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>Portanto, o governo peruano solicitou aos professores ligados à ACM que</p><p>reestruturassem e organizassem a organização primária para que contem-</p><p>plassem também a inclusão de esportes coletivos. Com isso, o basquetebol, o</p><p>voleibol e o handebol passaram a fazer parte do ensino peruano. Nos demais</p><p>países, o voleibol demorou um pouco mais a chegar. Apenas em 1912, em</p><p>Montevidéu, no Uruguai, houve uma apresentação do esporte por membros</p><p>da ACM, o que deu início à trajetória do esporte no País. No Brasil, o início</p><p>do desenvolvimento do esporte ocorreu de maneira oficial entre os anos de</p><p>1916, na ACM, em São Paulo. No entanto, existem indícios de que um jogo</p><p>já havia sido disputado em 1915, em Pernambuco.</p><p>Na Ásia, o voleibol também chegou antes mesmo da década de 1910. No</p><p>Japão, há registros de que o esporte foi inserido por intermédio de Hyozo</p><p>Omori, em 1908. O estudante da Universidade de Springfield, após retornar</p><p>à sua terra natal, realizou a demonstração do esporte na ACM de Tóquio. No</p><p>entanto, dados oficiais revelam que o fato ocorreu apenas em 1912. Na mesma</p><p>época, o voleibol também foi inserido em paises como a China e as Filipinas,</p><p>também com a participação das filiais da ACM. Em 1913, o voleibol fez parte</p><p>da primeira edição dos Jogos do Extremo Oriente, realizados na cidade de</p><p>Manila, nas Filipinas. Nessa ocasião, participaram atletas da China, do Japão,</p><p>de Hong Kong, da Malásia e da Tailândia, além de atletas do pais sede. Com</p><p>isso, o voleibol ganhou grande destaque nesse continente.</p><p>No continente africano, o voleibol também teve sua introdução logo após</p><p>a sua criação, a primeira partida realizada foi no Egito, em 1915. Ainda que</p><p>não tenham se envolvido diretamente nas batalhas ocorridas na Europa du-</p><p>rante a Primeira Guerra Mundial, diversos paises africanos eram colônias</p><p>da Alemanha, do Reino Unido e da França. O voleibol, nesse continente,</p><p>portanto, teve grande influência dos militares que batalhavam pela obtenção</p><p>da colonização desses territórios.</p><p>Vôlei de praia</p><p>O voleibol foi tradicionalmente desenvolvido em ginásios dos centros espor-</p><p>tivos. No entanto, sua prática também era comum em ambientes ao ar livre.</p><p>Assim foi durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, com soldados</p><p>adaptando os espaços e materiais disponíveis para a prática esportiva. Do</p><p>mesmo modo, em grandes cidades, o voleibol foi transportado para parques</p><p>e plavgrounds, com suas formas de jogar adaptadas a diversos ambientes. Foi</p><p>assim que surgiu o voleibol de areia (vôlei de praia), que é praticado principal-</p><p>mente em praias. Afonso (2004) explica que existem diversas versões acerca</p><p>O voleibol e a sociedade: origem e evolução ) [n</p><p>do primeiro jogo de voleibol praticado sobre a areia. No entanto, três são as</p><p>principais narrativas aceitas sobre a origem da modalidade:</p><p>1. aprática do vôlei de praia foi observada em 1914, nas praias do Uruguai,</p><p>onde surgiu;</p><p>2. o voleibol na areia surgiu no Outrigger Canoe Club, em 1915, sediado</p><p>na praia de Waikiki, 1lha de Oahu, no Havaí. Ele era jogado por um</p><p>pequeno grupo de empresários;</p><p>3. ovoleibol na areia começou a ser praticado na década de 1920, na praia</p><p>de Santa Mônica, Califórnia, Estados Unidos. Isso ocorreu porque foram</p><p>construidos diversos clubes na costa norte-americana. Em Santa Mônica,</p><p>foram fundados 11 clubes, os principais eram Beach Clube Swimming</p><p>Club. Os campeonatos entre as equipes desses clubes ocorriam no fim</p><p>de semana.</p><p>Ainda que a origem do voleibol na areia possa apresentar diferentes versões,</p><p>podemos destacar que ele também evoluiu de forma rápida e, atualmente, é</p><p>um esporte bastante conhecido e praticado. Ainda que tivesse sua evolução</p><p>rápida como atividade recreativa em seus diversos formatos (com formação</p><p>de equipes com diversas quantidades de participantes), a profissionalização</p><p>desse esporte só ocorreu em 1947, na praia de State Beach, na Califórnia,</p><p>por meio de um torneio de duplas masculinas. O reconhecimento desportivo</p><p>dessa nova modalidade ocorreu em 1950, por intermédio da Universidade</p><p>de Califórnia, que formou a primeira equipe de vôlei de praia, selecionando</p><p>os jovens talentos que participavam das competições regionais em troca de</p><p>bolsas de estudo.</p><p>Como competição internacional, o Circuito Internacional de Voleibol de</p><p>Praia, organizado pela FIVB, surgm em 1987, com a participação de duplas</p><p>masculinas e, em 1992, com a participação de duplas femininas. Em 1996,</p><p>essa modalidade tornou-se olimpica, com a participação de duplas de diversos</p><p>países durante os Jogos Olimpicos de Atlanta, nos Estados Unidos.</p><p>Conforme apresentado, o voleibol é um esporte amplamente praticado no</p><p>mundo todo. Em muitos paises, sua tradição remonta a inserção da modalidade</p><p>hã mais de um século de história. No Brasil, essa é uma das modalidades mais</p><p>praticadas em diversos ambientes e um dos esportes que mais recebe apoio</p><p>midiático, o que garante a manutenção de sua popularidade. Na próxima seção,</p><p>iremos focar o avanço do esporte no território brasileiro e suas principais</p><p>características e fatos que marcaram a história.</p><p>12) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>Introdução e evolução do voleibol no Brasil</p><p>O voleibol foi introduzido no Brasil ao longo das primeiras décadas do sé-</p><p>culo XX. O início do desenvolvimento do esporte ocorreu de maneira oficial</p><p>entre os anos de 1915 e 1916, na ACM, em São Paulo. No entanto, existem</p><p>indícios de que um jogo já havia sido disputado em 1915, no Colégio Marista</p><p>de Pernambuco, no Recife. Ainda que sua prática tenha ocorrido em algu-</p><p>mas instituições ligadas à ACM e em clubes recreativos, foi apenas em 1923</p><p>que aconteceu um evento que promoveu a difusão do esporte. Nesse ano, a</p><p>Federação Fluminense de Esportes organizou um torneio que contou com a</p><p>participação dos clubes filiados à Liga Metropolitana de Desportos Terrestres,</p><p>entidade que reunia os principais clubes do Rio de Janeiro.</p><p>No ínicio de sua Introdução no território brasileiro, o voleibol era um esporte restrito</p><p>aos clubes recreativos que eram frequentados por segmentos sociais privilegiados</p><p>economicamente. O acesso da população ao esporte passou a ocorrer de maneira mais</p><p>Efetiva a partir da década de 1970, sobretudo com o movimento Esporte Para Todos,</p><p>um programa internacional permeado por pressupostos filosóficos que propunham</p><p>a democratização das atividades físicas e desportivas.</p><p>As primeiras décadas do século XX foram pouco promissoras para o</p><p>voleibol. O esporte era praticado de forma amadora em diversos clubes e não</p><p>se vislumbrava a expectativa de sua profissionalização, que só aconteceu em</p><p>1933. À partir disso, muitos clubes que disponibilizavam diversas modalidades</p><p>acabaram se centrando apenas nesse esporte. O voleibol e outros esportes</p><p>continuaram sendo praticados, mas apenas como atividade recreativa. No ano</p><p>de 1938, foi fundada a Liga de Volley-Ball do Rio de Janeiro, que contou com</p><p>com a participação dos seguintes clubes:</p><p>mm America Football Club;</p><p>Nm Botafogo Football Club;</p><p>mM Clube Internacional de Regatas;</p><p>Mm Clube de Regatas Botafogo;</p><p>Mm Clube de Regatas Flamengo;</p><p>O voleibol e a sociedade: origem e evolução ) (13</p><p>Clube de Regatas Vasco da Gama;</p><p>Clube dos Tabajaras;</p><p>Clube Universitário do Rio de Janeiro;</p><p>Grajaú Tênis Clube;</p><p>Santa Heloisa Football;</p><p>São Cristóvão Atlético Clube;</p><p>Tijuca Tênis Clube;</p><p>Vila Isabel Football Clube.</p><p>O estado de São Paulo também teve grande importância na prática e na</p><p>promoção do voleibol. Em 1942, ocorreu a fundação da Federação Paulista,</p><p>diante de uma reunião de 16 clubes que buscavam oficializar a criação de</p><p>uma entidade especializada na promoção do voleibol. Nessa reunião, esti-</p><p>veram presentes o Clube Athlético</p><p>Paulistano, o Esporte Clube Pinheiros, a</p><p>Sociedade Esportiva Palmeiras, o Esporte Clube Corinthians Paulista, o Clube</p><p>Esportivo da Penha, a Associação Atlética São Paulo, o Tênis Clube Paulista,</p><p>a Liga Santista de Voleibol, a ACM, a Associação Cultura Fisica, o Esporte</p><p>Clube Banespa, o São Paulo Futebol Clube, a Sociedade Harmonia de Tênis</p><p>e o Santos Football Clube.</p><p>Apesar de o voleibol se expandir de forma mais significativa na região su-</p><p>deste do pais, outros estados já registravam a fundação de clubes e associações</p><p>que buscavam se fortalecer no voleibol. Em 1944, um grande salto foi dado para</p><p>a difusão do voleibol. Ocorreu o primeiro campeonato nacional, composto por</p><p>seis equipes femininas (tendo como vencedora a equipe de Minas Gerais) e oito</p><p>equipes masculinas (tendo como vencedora a equipe de São Paulo). Esse evento</p><p>auxiliou na popularização do esporte em território nacional. No entanto, apenas</p><p>uma década mais tarde, em 9 de agosto de 1954, a Confederação Brasileira</p><p>de Voleibol (CBV) foi criada, com os objetivos de difundir e desenvolver o</p><p>esporte no pais. À CBV ganhou destaque ao desenvolver cursos de voleibol pelo</p><p>país voltados à criação de escolinhas esportivas (MARCHI JÚNIOR, 2004).</p><p>Na dêcada de 1960, a institucionalização do voleibol fez com que a mo-</p><p>dalidade crescesse de forma rápida e se tornasse um dos principais esportes</p><p>praticados no Pais. Crescia também nas instituições escolares, uma vez que</p><p>o método austriaco da Educação Física Desportiva Generalizada se instalava</p><p>no Brasil, substituindo os tradicionais exercicios calistênicos e os métodos</p><p>ginásticos sueco, francês e alemão, que eram a base da educação física nas</p><p>instituições escolares. Também nessa década, em 1964, os militares assumiram</p><p>o governo brasileiro e o incentivo à prática esportiva passou a ser um dos focos</p><p>das práticas corporais. Matthlesen (1994, p. 196) explica que:</p><p>14) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>O esporte recebeu, em plena Ditadura Militar, um grande apoio dos órgãos</p><p>governamentais. O governo, nesta época, não mediu esforços para incentivar a</p><p>população na prática do Esporte, como forma de preenchimento do tempo livre</p><p>da classe trabalhadora. Exemplo disso foi o movimento “Esporte Para Todos”</p><p>(E.P.T), que se desenvolveu na sociedade brasileira ao longo dos anos 70.</p><p>À grande escalada do voleibol brasileiro</p><p>Em 1975, o ex-jogador Carlos Arthur Nuzman assumiu a presidência da CBV</p><p>e teve como principal objetivo promover o esporte a partir dos conceitos do</p><p>marketing esportivo, com o envolvimento de empresas privadas nos processos</p><p>de contratação de jogadores. Com 1880, houve aumento na remuneração desses</p><p>jogadores para que pudessem treinar em tempo integral. Para Bojikian, J. e</p><p>Bojikian, L. (2012, p. 40) é a partir de 1975 que;</p><p>[..] inicia-se a grande escalada do nosso voleibol. A Confederação Brasileira de</p><p>Voleibol, em colaboração com alsumas federações estaduais, passa a investir</p><p>mais na formação de técnicos e atletas brasileiros, organizando muitos cursos,</p><p>ministrados por técnicos estrangeiros de renome. Clubes e seleções de outros</p><p>países, constantemente passaram a competir no Brasil. Vários campeonatos</p><p>internacionais, aqui, foram sediados.</p><p>Em pouco tempo, os resultados das ações promovidas por Nuzman come-</p><p>çaram a aparecer em quadra. No Campeonato Mundial de Voleibol Sub-21,</p><p>realizado em 1977, no Rio de Janeiro, a equipe masculina obteve o terceiro lugar</p><p>erevelou nomes de atletas que se firmaram entre os destaques internacionais,</p><p>como Renan, Montanaro e Amauri. No mesmo ano, em São Paulo, a equipe</p><p>feminina também teve êxito, obteve o quarto lugar e revelou Jaqueline, Isabel</p><p>e Regina Uchôa durante o Campeonato Mundial de Voleibol Feminino Sub-20.</p><p>Com os destaques dos jogadores brasileiros nas competições internacionais,</p><p>começou a migração de atletas para outros paises, principalmente os europeus,</p><p>que tinham a melhores equipes.</p><p>Considerando o êxodo de jogadores brasileiros avesso ao desenvolvimento</p><p>e ao crescimento do esporte no País, Nuzman articulou com o Conselho</p><p>Nacional de Desportos a viabilização de propagandas nos uniformes das</p><p>equipes e da seleção nacional, para garantir mais fundos para as equipes e</p><p>para a remuneração de atletas e, também, conseguiu proibir a ida de atletas</p><p>para o exterior, por meio de regulamentação esportiva federal.</p><p>As empresas patrocinadoras das equipes de voleibol passam a investir na</p><p>midia, compraram espaços televisivos para que os jogos fossem transmitidos</p><p>e, suas marcas, divulgadas. Os jogos, então, foram transmitidos quase todos</p><p>O voleibol e a sociedade: origem eevolução (15</p><p>os dias da semana com o apoio da Rede Bandeirantes de Televisão e de seu</p><p>diretor esportivo, Luciano do Valle. Com o esporte adentrando a residência</p><p>de boa parte da população por meio dos televisores, o esporte passou a ter</p><p>grande aceitação nacional (MARCHI JÚNIOR, 2004).</p><p>Além da divulgação midiática, a década de 1980 também trouxe importantes</p><p>resultados para as equipes brasileiras. Em 1981, a seleção feminina foi campeã</p><p>do Campeonato Sul-Americano de Voleibol Feminino, encerrando com uma</p><p>sequência de cinco campeonatos vencidos pelas peruanas. Em 1982, a CBV</p><p>promoveu o primeiro Mundialito de Voleibol, competição amistosa que foi</p><p>a pioneira na transmissão ao vivo pela televisão. Nessa edição, estiveram</p><p>presentes as seleções nacionais do Japão, da Bulgária, da Coréia do Sul, do</p><p>México e da França, além da equipe brasileira. De maneira invicta, o Brasil</p><p>sagrou-se campeão. Não bastasse a presença de grandes seleções internacio-</p><p>nais, nessa competição, o jogador brasileiro Bernard lançou o famoso saque</p><p>“jornada nas estrelas”, um espetáculo à parte aos presentes. No mesmo ano,</p><p>houve o Campeonato Mundial de Voleibol Masculino, realizado em Buenos</p><p>Aires, na Argentina. Nessa ocasião, a seleção brasileira obteve a segunda</p><p>colocação, pois perdeu o duelo final para a União Soviética. Ainda em 1983,</p><p>a CBV convidou a grande campeã União Soviética para o Grande Desafio de</p><p>Vôlei, uma partida amistosa da qual o Brasil saiu vencedor.</p><p>O Grande Desafio do Vôlei buscava aproveitar o crescimento</p><p>do voleibol para promover uma partida que realmente pudesse [=] [=]</p><p>empolgar a população brasileira, O evento, considerado por</p><p>muitos e fato que levou o voleibol a ser o segundo esporte</p><p>mais praticado no País, foi realizado no estádio do Maracanã, [E] "=</p><p>em 26 de julho dle 1983, e obteve um público até hoje recordista</p><p>para a modalidade: 95.887 pagantes.</p><p>Ne fink ou código a seguir, você pode vislumbrar algumas</p><p>imagens desse jogo emocionante, que também teve a parti-</p><p>cipação do jogador Bernard e seu saque “jornada nas estrelas”,</p><p>https://goo.gl/6iVzEo</p><p>Em 1984, durante os Jogos Olimpicos de Verão realizados em Los Angeles,</p><p>nos Estados Unidos, a seleção masculina obteve sua primeira medalha ao</p><p>16) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>conseguir a segunda colocação. Nessa edição, os soviéticos não participaram</p><p>em resposta ao boicote dos americanos aos Jogos Olimpicos de Moscou,</p><p>realizados na edição anterior, em 1980. Os norte-americanos acabaram con-</p><p>quistando a medalha de ouro. A seleção brasileira passou a ser conhecida,</p><p>então, como a Geração de Prata, composta pelos atletas William, Amauri,</p><p>Badá, Bernard, Bernardinho, Domingos Maracanã, Fernandão, Montanaro,</p><p>Vinicius, Xandó, Renan Dal Zotto, e Rui Campos do Nascimento, conduzida</p><p>pelo técnico Bebeto de Freitas.</p><p>A espetacularização do esporte promovida por Nuzman havia dado certo</p><p>e colhia resultados na quadra e fora delas com o objetivo alcançado de fazer o</p><p>voleibol um esporte nacional. Além da transmissão pela televisão, o voleibol</p><p>conquistava também a imprensa e asrtevistas de magazine. O voleibol ganhou</p><p>uma publicação exclusiva na Revista Saque, que Justificou esse empreendi-</p><p>mento da seguinte maneira:</p><p>As pesquisas não mentem jamais. Depois do futebol,</p><p>vôlei na cabeça. E por que</p><p>não uma revista mensal para os amantes da segunda paixão nacional? E por que</p><p>não uma revista feita pelos “Pelés' do Voleibol, feita por quem realmente está</p><p>com a bola toda? (MONTANARO et al. apud MATTHLESEN, 1994, p. 197).</p><p>Em 1992, para a disputa dos Jogos Olimpicos de Verão, realizados em</p><p>Barcelona, na Espanha, o Brasil preparou uma equipe com grandes chances de</p><p>ficar entre os semifinalistas da competição. Na fase de grupos, venceu todos</p><p>os seus adversários com facilidade. Nas quartas de final, venceu o Japão,</p><p>alcançando o objetivo de ficar entre os quatro primeiros. Nas semifinais,</p><p>conseguiu a vitória sobre os norte-americanos e, na grande final, conquistou o</p><p>ouro na disputa com os holandeses. Com o grande apoio nacional, a população</p><p>brasileira vibrou com a conquista do ouro inédito, conforme relata Bizzochi</p><p>(2004, p. 24):</p><p>O jogo [Brasil x Holanda] foi transmitido em um domingo demanhãe o Brasil</p><p>acordou cedo para torcer. Soltou rojões, fez festa e foi receber os campeões</p><p>olímpicos no aeroporto. Como heróis nacionais, desfilaram em carro aberto</p><p>pelas ruas de São Paulo, que literalmente parou para aplaudi-los. No Brasil,</p><p>até aquela data, no que se refere a esportes coletivos, somente jogadores de</p><p>futebol haviam recebido festa semelhante. As honrarias outorgadas à “Geração</p><p>de Ouro do Voleibol” mostraram que os campeões olimpicos conseguiram</p><p>fazer o Brasil trocar os pés pelas mãos!</p><p>O voleibol e a sociedade: origem e evolução ) [1</p><p>Nos anos posteriores, vários titulos internacionais foram conquistados pelas</p><p>equipes masculinas e femininas de voleibol. O Quadro 1, a seguir, demonstra</p><p>os principais títulos obtidos pelas seleções brasileiras.</p><p>X.</p><p>Quadro 1. Ano e local de obtenção dos principais títulos internacionais das equipes de À</p><p>voleibol masculino e feminino brasileiras</p><p>Voleibol feminino Voleibol masculino</p><p>Competição (ano/local de (ano/local de</p><p>realização) realização)</p><p>Jogos Olímpicos 2008 — Pequim, China 1992 — Barcelona/</p><p>2012 — Londres, Espanha</p><p>Inglaterra 2004 — Atenas/Grécia</p><p>2016 — Rio de</p><p>Janeiro/Brasil</p><p>Campeonato Mundial Nunca conquistou 2002 — Buenos</p><p>de Voleibol! otítulo Aires/Argentina</p><p>2006 — Tóquio/lapáo</p><p>2010 — Roma/ltália</p><p>Liga Mundial* (apenas 1994 — Xangai/China 1593 — São Paulo/Brasil</p><p>Masculino) / Grand 1996 — Xangal/China 2001 — Katowíice/</p><p>Prix* (apenas feminino) 1998 — Hong Polônia</p><p>kKong/China 2003 — Madri/Espanha</p><p>*Com petições 2004 — Reggio 2004 — Roma/ltália</p><p>substituídas pela Liga Calabria/Itália 2005 — Belgrado/Sérvia</p><p>das Nações de Voleibo!| 2005 — Sendai/Japão 2006 — Moscou/Rússia</p><p>a partir de 2018 2006 — Reggio 2007 — Katowice/</p><p>Calabria/lItália Polônia</p><p>2008 — Yokohama/ 2009 — Belgrado/Sérvia</p><p>Japão 2010 — Córdoba,</p><p>2009 — Tóquio/Japão Argentina</p><p>2013 — Sapporco/Japão</p><p>2014 — Tóquio/lapão</p><p>2016 — Bangkok/</p><p>Tailândia</p><p>2017 — Nanquim/China</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012),</p><p>”.</p><p>Com muitos títulos internacionais conquistados durante as últimas três</p><p>décadas, é possível pensar que o voleibol brasileiro é, atualmente, uma das</p><p>grandes potências mundiais. E evidente que podemos realizar algumas dis-</p><p>18) (o voleibol e a sociedade: origem e evolução</p><p>cussões sobre como a midia e o marketing esportivo, expresso por meio da</p><p>exposição das marcas nos uniformes, nas quadras e nos intervalos de jogo,</p><p>têm modificado o esporte, atribuindo caracteristicas de uma mercadoria a</p><p>ser consumida. No entanto, o que buscamos neste capítulo foi apresentar o</p><p>percurso histórico do voleibol, desde seu surgimento nos Estados Unidos, sua</p><p>expansão mundial e a transformação dessa prática em um dos esportes mais</p><p>conhecidos e praticados pelos brasileiros.</p><p>Referências</p><p>AFONSO, &. Voleibol de praia: uma análise sociológica da história da modalidade (1985—</p><p>2003), 2004, 233f Dissertação (Mestrado em Educação Física) — Curso de Pós-Graduação</p><p>em Educação Física, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2004.</p><p>BIZZOCH|, &. O Voleibol de alto nível: da iniciação à com petição. Barueri: Manole, 2004,</p><p>BOUIKIAN, ]. €. M; BOJIKIAN, L. P. Ensinando voleibol. 5. ed. Guarulhos: Phorte, 2012.</p><p>DAIUTO, M. Voleibol São Paulo: Companhia Brasil, 1967.</p><p>MARCHILIÚNIOR, W. Sacando o Voleibol, São Paulo: Hucítec; |juí; Unifuí, 2004.</p><p>MARQUES JUNIOR, N. k. História do voleibol: parte 1. EFDeportes.com, Revista Digital,</p><p>Buenos Aires, ano 17, n. 169, jun. 2012.</p><p>MATTHLESEN, S. Q Um estudo sobre o voleibol: em busca de elementos para sua com-</p><p>preensão. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 15,0. 2, p. 194199, 1994,</p><p>MORGAN, W. G. História: quase 100 anos de disputas. O Estado de São Pauto. Caderno</p><p>Especial, 28 out, 1984,</p><p>SHONDELL, DB; REXYNAUD, €. A Biblia do treinador de voleibol. Porto Alegre: Artmed, 2005,</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DE ROSE JR, D. Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem</p><p>multidisciplinar. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.</p><p>MACHADO, À. À. Voleibol: do aprender ao especializar, Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2006,</p><p>SCHMIDT, R; LEE, T. Aprendizagem e performance motora. 5. ed. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2016.</p><p>WEINBERG, R; SOULD, D. Fundamentos da psicologia do esporte e do exercício. 6. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2001,</p><p>Organização do</p><p>jogo de voleibol</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados;</p><p>E Descrever a estrutura fundamental de um jogo de voleibol,</p><p>E Identificar as etapas que compõem o complexo 1,</p><p>E Elencar os atos que compéem o complexo 2,</p><p>Introdução</p><p>O jogo de voleibol é bastante distinto das demais práticas esportivas</p><p>coletivas, Como diferenças fundamentais, podemos perceber a pre-</p><p>sença de uma rede destinada a cada uma das equipes e que dívíde o</p><p>espaço da quadra, a duração das partidas demarcadas pelos pontos e</p><p>a impossibilidade de a bola tocar o solo da equipe que os jogadores</p><p>defendem, Essas particularidades fazem com que o jogo se desenvolva</p><p>em diferentes etapas,</p><p>Neste capítulo, você vaí estudar os aspectos fundamentaí(s que In-</p><p>tegram um jogo de voleibol e irá compreender as diferentes etapas</p><p>ofensivas e defensívas de uma partída,</p><p>Estrutura fundamental</p><p>O jogo de voleibol, como muitas das práticas corporais esportivas, necessita</p><p>de uma estrutura física e de uma técnica bastante grande como, por exemplo,</p><p>os postes de fixação, a rede, as antenas postadas nas extremidades da rede</p><p>e os árbitros. No entanto, em muitas das situações de prática desse esporte,</p><p>alguns desses recursos não estão disponiveis aos praticantes. Contudo, a</p><p>impossibilidade de acesso a esses equipamentos e recursos não inviabiliza</p><p>a prática do esporte. Uma partida de voleibol pode ser guiada por regras e</p><p>estruturas fundamentais que tornem possível a execução e o desenvolvimento</p><p>2) (organização do jogo de voleibol!</p><p>do jogo. Nesta seção, vamos apresentar algumas das estruturas fundamentais</p><p>da prática do voleibol.</p><p>Objetivo, duração e quadra do jogo</p><p>O voleibol é um esporte coletivo disputado em uma área retangular atravessada</p><p>por uma rede suspensa, e cada uma das duas equipes que disputam o jogo</p><p>ocupa metade da quadra. O objetivo principal do jogo é que cada equipe jogue</p><p>a bola por cima da rede e e que ela caia no solo correspondente à área da equipe</p><p>adversária impedindo, ao mesmo tempo, que a bola caia no solo da sua área</p><p>(GARGANTA, 1994), Caso a bola caia no campo de uma das equipes, ou seja</p><p>lançada para fora da quadra de jogo, a equipe adversária somará um ponto.</p><p>Diferentemente de muitos dos esportes coletivos, como o futebol, o han-</p><p>debol e o basquetebol, que tem a duração do jogo determinada pelo tempo,</p><p>a duração do voleibol, assim como dos demais esportes de rede, como tênis,</p><p>tênis de mesa, badminton, entre outros, se baseia na quantidade de pontos</p><p>marcados pelas equipes. À equipe vencedora será aquela que conquistar três</p><p>sets. Cada set é conquistado quando uma</p><p>equipe soma 25 pontos, respeitando</p><p>uma diferença de dois pontos sobre a equipe adversária. Por exemplo, caso o</p><p>jogo esteja empatando com cada uma das equipes somando 24 pontos, esse set</p><p>deverá continuar até que uma das equipes obtenha dois pontos de vantagem</p><p>como, por exemplo, por meio de um placar de 26 contra 24, 27 contra 25 e assim</p><p>sucessivamente. Como a equipe vencedora deverá conquistar três sets, o jogo</p><p>de voleibol pode ter a duração de até cinco sets. Caso haja um empate em que</p><p>cada uma das equipes tenha conquistado dois sets, o último set, denominado</p><p>tie-break, terá a duração de 15 pontos.</p><p>Como dissemos, o jogo é desenvolvido em uma quadra retangular que</p><p>possui um comprimento de 18 metros e uma largura de 9 metros, limitadas</p><p>por de linhas demarcadas. Além das linhas demarcatórias das extremidades da</p><p>quadra (linha final e linha lateral), há também a linha central, que delimita os</p><p>espaços de jogo de cada equipe e que fica sob a rede e a linha de ataque, que</p><p>limita as ações de ataque dos jogadores de defesa (MOUTINHO, 2000). Na</p><p>linha central que fica sob a rede, é permitido tocar a quadra adversária com</p><p>os pés ou com as mãos, desde que parte dos pés ou das mãos permaneçam</p><p>em contato direto com a linha central, ou tenham a projeção sobre ela, sendo</p><p>vedado o contato de qualquer outra parte do corpo com a quadra adversária. Na</p><p>linha de ataque, os jogadores de defesa (posições 1, 6 é 5) não podem realizar</p><p>movimentos de ataque para passar a bola à quadra adversária estando na zona</p><p>Organização do jogo de voleibol) É</p><p>de ataque. Na Figura 1, a seguir, podemos identificar uma quadra de voleibol</p><p>com as devidas marcações e comprimentos das linhas e da rede de voleibol.</p><p>SN</p><p>Saiba mais</p><p>À quadra de voleibol possui a dimensão de 18 metros de comprimento por 9 metros</p><p>de altura. Embora o tamanho da quadra seja o mesmo para os padrões masculinos e</p><p>femininos, em uma partida oficial, a altura da rede é diferente de acordo com o sexo</p><p>dos aletas.</p><p>9 metros</p><p>Mulheres</p><p>224m</p><p>Homens</p><p>| 243m</p><p>zona de ataque</p><p>zona de defesa</p><p>3 metros</p><p>linha lateral</p><p>6 metros</p><p>linha final zona de serviço</p><p>Figura 1. Quadra de voleibol e suas medidas.</p><p>Fonte: Campo. .. ([2018], documento on-line).</p><p>X ”,</p><p>Início e desenvolvimento do jogo</p><p>Uma partida oficial de voleibol necessita que cada equipe possua 12 atletas, 6</p><p>destes titulares. Cada equipe posiciona os seus jogadores em uma das metades</p><p>da quadra. Antes do início do jogo, é realizado um sorteio pelo árbitro, de</p><p>modo que a equipe sorteada possa escolher começar sacando ou recebendo</p><p>o saque da equipe adversária ou, ainda, escolher o lado da quadra em que</p><p>deverá iniciar jogando. Para a equipe perdedora do sorteio resta a alternativa</p><p>1) (organização do jogo de voleibol!</p><p>não escolhida pela equipe sorteada. Caso o jogo de voleibol seja composto</p><p>por um quinto set, de caráter decisivo, um novo sorteio deverá ser realizado.</p><p>A partida inícia com o saque (ou serviço) de um dos jogadores, que deverá</p><p>se posicionar fora da quadra, imediatamente após da linha final, devendo fazer</p><p>com que abola passe diretamente à quadra adversária. Caso a bola passe por</p><p>cima da rede e venha a tocar o solo da quadra adversária, um ponto é marcado</p><p>pela equipe (a pontuação obtida direta por um saque é chamada de acey e o</p><p>jogador que efetuou o saque deve realizar esse fundamento novamente, colo-</p><p>cando a bola em jogo outra vez (MOUTINHO; MARQUES; MAIA, 2003).</p><p>Caso a bola não passe sobre a rede, ou seja lançada para fora da quadra,</p><p>um ponto é marcado para a equipe adversária e a esta também é convertido o</p><p>direito ao saque, colocando a bola em jogo novamente. Após o saque, a equipe</p><p>que recebe a bola tem o direito de realizar até três toques na bola, de modo</p><p>com que cada um deles seja realizado de maneira alternada entre os jogadores,</p><p>que devem passar a bola por cima da rede direcionando-a ao campo da equipe</p><p>adversária. O jogo transcorre dessa maneira até que a bola toque o solo de</p><p>uma das equipes ou seja lançada para fora, marcando o ponto correspondente</p><p>para a equipe que obteve o êxito na jogada.</p><p>A soma de 25 pontos, respeitada a diferença de dois pontos sobre a equipe</p><p>adversária, determina o fim e a vitória de um set. As equipes devem trocar</p><p>o lado em que jogaram e iniciar um novo set, com as pontuações zeradas. À</p><p>equipe que vencer três sets primeiro será a vencedora da partida.</p><p>Rodízio</p><p>Antes do saque (ou serviço) do jogador de uma das equipes, os demais jogadores</p><p>de ambas as equipes devem estar posicionados em locais preestabelecidos.</p><p>Quer dizer, para cada jogador em quadra, existe uma posição que deverá</p><p>ocupar. Essas posições, de forma geral, são numeradas de 1 a 6 como forma</p><p>de orientar os jogadores. Sempre que uma das equipes recupera o direito ao</p><p>saque, os jogadores devem deslocar-se em sentido horário, para que todos</p><p>eles passem pela posição do saque. À esse movimento de jogadores, damos o</p><p>nome de rodízio ou rotação.</p><p>Organização do jogo de voleibol ) (s</p><p>Para melhor entender a rotação, imagine a seguinte situação:</p><p>Suponhamos que um jogo começou, O jogador na posição | deverá realizar o saque</p><p>(serviço). Caso o seu saque vá para fora das linhas demarcatórias, a equipe adversária,</p><p>que ganhou um ponto, irá recuperar o saque, Com isso, o jogador na posição 2 da</p><p>equipe adversária irá para a posição 1, onde realizará o saque. O jogador da posição 1</p><p>irá para a posição 6 e assim de forma sucessiva. O rodízio só ocorre quando a equipe</p><p>recupera o direito ao serviço.</p><p>As equipes de voleibol atuam em um sistema de jogo 5x1, com os 6 jogadores</p><p>realizando diferentes posições de maneira tradicional. A zona da quadra, a</p><p>posição inicial dos atletas quando começa o jogo e a direção do rodizio são</p><p>expostas na Figura 2, a seguir.</p><p>O rodízio possibilita que todos os jogadores passem pela posição do saque (posição</p><p>1) Ántes do serviço, cada jogador deve respeitar a sua posição. Com a bola em jogo,</p><p>os jogadores podem se deslocar livremente em quadra. Não é permitida a troca de</p><p>posíções (por exemplo, trocar o jogador que está na posíção 1 para a posíção 2)</p><p>durante o set.</p><p>Aja 3 2 B oposto. central ponta cj a4 | 3 | 2</p><p>5 6 1 ponta * diagonal CJ</p><p>CJ</p><p>-</p><p>levantador</p><p>central</p><p>Figura 2. (A) Zona da quadra do voleibol, (B) atletas nas suas posições de acordo com as</p><p>respectivas diagonais e (OQ) direção do rodízio, no sentido horário,</p><p>Fonte: Marques Júnior (2015, p. 14).</p><p>X. ”.</p><p>6) (organização do jogo de voleibol!</p><p>Somente os jogadores de ataque (posições 2, 3 e 4) podem participar nor-</p><p>malmente das jogadas de rede. Os jogadores de defesa (posições 1, 5 e 6), ao</p><p>apoiarem seus pés na zona de ataque, não podem efetuar ataques com a bola</p><p>estando em uma altura superior à da borda da rede ou participar de jogadas</p><p>de bloqueio.</p><p>Como podemos perceber, a participação de uma equipe no jogo começa</p><p>quando executa o saque ou quando recebe o saque de uma equipe adversária,</p><p>tendo que passar a bola para a quadra dos oponentes. Para alguns autores,</p><p>toda a movimentação que a equipe realiza em posse do saque, constituem no</p><p>complexo O (MONGE, 2003; MATIAS; GRECCO, 2009). Podemos dividir</p><p>o jogo em dois momentos diferentes, que são denominados complexo 1 e</p><p>complexo 2. Nas próximas seções, vamos buscar entender essas duas fases</p><p>de desenvolvimento do jogo de voleibol, assim como identificar as partes que</p><p>compõem cada uma delas.</p><p>Complexo 1</p><p>O sistema ofensivo do complexo 1, também chamado de side-out, corres-</p><p>ponde ao momento em que uma equipe recebe o saque adversário e tem que</p><p>realizar alguma jogada para efetuar o ataque. Esse sistema é o principal meio</p><p>de obtenção de pontos de um jogo. Entre os elementos básicos do complexo</p><p>1] encontram-se a recepção, o levantamento e o ataque.</p><p>Recepção</p><p>A recepção consiste em receber o saque da equipe adversária, efetuando, ao</p><p>mesmo tempo, um passe ao levantador da equipe. O ritmo com que uma equipe</p><p>ataca e a velocidade do desenvolvimento do jogo dependem da precisão e da</p><p>eficácia da recepção.</p><p>À recepção, portanto, é uma técnica essencial para interceptar e controlar</p><p>a bola que vem do saque da equipe adversária. À recepção do saque é uma</p><p>técnica bastante critica no voleibol, que deve ser muito treinada até que esteja</p><p>bem dominada. Além da dificuldade técnica de neutralizar a força da bola, o</p><p>passe resultante dessa recepção deve assumir o controle e a direção precisos</p><p>para uma área especifica, onde deve estar posicionado o levantador, a fim de</p><p>garantir um bom ataque para tentar obter o ponto (MESQUITA; GRAÇA,</p><p>2002). Portanto, essa ação precisa da máxima precisão e o gesto usual para</p><p>Organização do jogo de voleibo! ) (7</p><p>fazê-la é com o posicionamento dos antebraços à frente do corpo para amor-</p><p>tecer a bola.</p><p>Link</p><p>A recepção é o ato de amortecer a bola que vem do saque</p><p>adversário e, de forma simultânea, realizar o passe para o le- [=] [E]</p><p>vantador. A execução correta da recepção é o primeiro passo</p><p>para um ataque efícaz.</p><p>No link ou código a seguir, você poderá visualizar a sequência</p><p>de movimentos que devem ser executados para uma recepção</p><p>adequada.</p><p>https://goo.gl/o86GbR</p><p>A recepção, ao mesmo tempo em que é a ação de defesa ao ataque ou ao</p><p>saque, também é o primeiro movimento da equipe para construir seu ataque</p><p>quando não está em posse do saque. À recepção é um fundamento extrema-</p><p>mente importante dentro do jogo, uma vez que o levantador necessita receber</p><p>a bola em condições adequadas para servir de forma correta os atacantes. Se</p><p>uma recepção for fraca ou forte demais, prejudicará as ações do levantador</p><p>e, como consequência, o ataque será realizado de maneira pouco eficiente.</p><p>Portanto, os objetivos da recepção são neutralizar o saque oposto e facilitar</p><p>a construção do próprio ataque ao máximo, colocando a bola nas melhores</p><p>condições possíveis.</p><p>O passe com os antebraços por meio do gesto técnico da manchete, o mais</p><p>usual na recepção, é feito estendendo os cotovelos completamente e fazendo</p><p>uma rotação externa dos antebraços para que o toque na bola seja feito com</p><p>a face interna deles. A área dos braços, no momento do contato com a bola,</p><p>requer que as mãos sejam unidas com os polegares juntos, de forma paralela</p><p>e simétrica.</p><p>Levantamento</p><p>O levantamento é um dos fundamentos técnicos mais importantes da equipe.</p><p>A função do levantamento é justamente realizar a transição entre a recepção</p><p>e o ataque. De forma geral, os levantadores, os jogadores que executam esses</p><p>e) (organização do jogo de voleibol]</p><p>fundamentos, são tidos como os mais importantes. O segundo toque destina-se</p><p>ao fornecimento de uma bola em condições ideais para que, com o terceiro</p><p>toque, um finalizador a coloque no campo oposto (MOUTINHO, 2000 À</p><p>colocação é feita com o levantamento das mãos com um passe realizado pelo</p><p>toque na bola com os dedos, o passe mais preciso no vôlei. O levantador tem</p><p>na mão a responsabilidade de distribuir as bolas ao longo do jogo, para os</p><p>diferentes atacantes e para as diferentes zonas.</p><p>Link</p><p>O levantamento é um dos fundamentos tídos como principais dentro do jogo de</p><p>voleibol. Quando realizado corretamente, esse fundamento coloca o atacante nas</p><p>condições ideais para rebater a bola e realizar um ponto para a movimentos que</p><p>devem ser realizados pelo levantador. Conheça mais detalhes sobre o levantamento</p><p>no link, a seguir.</p><p>https://goo.gl/ímboKpU</p><p>O levantamento é o elemento principal na composição da equipe e no jogo e</p><p>todos os jogadores devem dominar essa ação (TAVARES, 1996). Pelo número</p><p>de contatos e possibilidades de ataque, o levantador adquire uma importância</p><p>máxima, porque essa ação determina a eficácia do ataque e a distribuição do</p><p>jogo. O levantador deve estar ao lado da rede, um pouco separado dela para</p><p>não tocá-la ao girar, e também não muito distante, de modo que ele tenha que</p><p>se mover em direção a ela para interceptar a bola. Sua postura será natural,</p><p>relaxada e alerta, para facilitar uma rápida mudança para corrigir uma recepção</p><p>errada ou uma viagem a uma área imprevista. Ao longo da história, diversos</p><p>autores têm destacado o papel desse jogador em um jogo. O Quadro 1, a</p><p>seguir, demonstra as principais definições apresentadas ao longo da história.</p><p>Organização do jogo de voleibol ) É</p><p>Quadro 1. Termos e expressões utilizadas por diversos autores para definir a importância</p><p>do levantador no jogo de voleibol!</p><p>Autor Termos/Expressões</p><p>Robson (1974) . é o"homem-chave" da equipe</p><p>Matsudaíira et al. (1977) ... é o"cérebro" da equipe e é como</p><p>o condutor de uma sinfonia.</p><p>Lee (19/9) ... É OCcOração e à cabeça da equipe.</p><p>Coleman (1982) ... é odiretor da equipe e em suas mãos</p><p>reside o triunfo ou o desastre dela.</p><p>Herrera e col, (1984) ... historicamente, o elemento chave</p><p>na prestação competitiva,</p><p>Níicholls (1986) ... É o único jogador que não</p><p>pode jogar sem pensar.</p><p>Selinger (1986) ... O jogador mais importante dentro do campo.</p><p>... 6 arquiteto do ataque da equipe.</p><p>... O elo de ligação entre as ações</p><p>defensivas e ofensivas.</p><p>Condon e Sandy (1987) ... é 0 jogador mais precioso da equipe.</p><p>Rivet e Pelletier (1987)</p><p>Fl</p><p>... O piv& em torno do qual se</p><p>organiza o ataque da equipe.</p><p>Wasylik (1988) ... é oatleta mais importante da equipe, é o</p><p>líder psicológico e o jogador mais inteligente.</p><p>Carrel (1989) ... é a cabeça, o mental.</p><p>... O comandante no campo, 9 jogo</p><p>nasce dos seus pensamentos</p><p>Nevílle (1989) ... concentrar-se no jogo como o guitarrista</p><p>se concentra no ritmo da música.</p><p>... dirigir a equipe como o</p><p>Maestro dirige a orquestra.</p><p>a</p><p>(Continua)</p><p>10) (organização do jogo de voleibol!</p><p>(Continuação)</p><p>Quadro 1. Termos e expressões utilizadas por diversos autores para definira importância</p><p>do levantador no jogo de voleibol!</p><p>Autor Termos/Expressões</p><p>Ran (198%) ... todos os atacantes famosos estão</p><p>ligados a excelentes distribuidores.</p><p>... a alma e o coração da equipe.</p><p>... É ideal que seja o capitão da equipa</p><p>e deixá-lo executar as estratégias</p><p>tácticas, dirigir e unir toda a equipe.</p><p>Sawula (1989) ... O jogador mais importante</p><p>ha estrutura da equipe.</p><p>... é o líder da equipe.</p><p>Condon e Lynn (1992) ... 0bom ou mau papel que faça</p><p>uma equipe depende, muitas vezes,</p><p>de como joga o levantador.</p><p>Thomas (1993) ... à Sua seleção é uma das decisões mais difíceis</p><p>e importantes que o treinador tem de tomar.</p><p>Meier (1955) ... quanto mais complexo é 0 jogo mais</p><p>importante se torna o levantador,</p><p>Sawula (1995a) ... Olevantador é as pernas, os olhos, os</p><p>ouvidos e o cérebro do treinador no campo.</p><p>Cordeiro (1996) ... a Maior ou a menor habilidade do levantador</p><p>define o próprio sistema de jogo de uma equipe.</p><p>Fróhner 01997) ... as características das funções do levantador e</p><p>a performance da distribuição estão intimamente</p><p>relacionadas com o conceito de jogo.</p><p>Hippolyte (1998) ... à eficiência e a qualidade do ataque de</p><p>uma equipe são diretamente atribuídas</p><p>à qualidade do seu distribuidor.</p><p>Fonte: Adaptado de Moutinho (2000)</p><p>Nus ”.</p><p>Como podemos perceber, o levantamento ganha papel de destaque entre</p><p>os diversos autores que analisam o voleibol. No entanto, devemos destacar</p><p>que todos os jogadores e as diferentes funções desempenhadas dentro de uma</p><p>equipe são de fundamental importância. Conforme visto anteriormente, os</p><p>Organização do jogo de voleibol ) [11</p><p>Jogadores que realizam a recepção também devem fazer com eficiência, caso</p><p>contrário, a presença do levantador se torna dispensável dentro da partida.</p><p>Ataque</p><p>O ataque é o fundamento com maior riqueza de movimentos dentro de uma</p><p>partida de voleibol. É o fundamento principal para a obtenção de pontos em</p><p>um jogo. Consiste em um movimento realizado por jogadores especializados</p><p>(geralmente os pontas e o oposto) que busca fazer com que a bola toque no</p><p>solo adversário. Nesse fundamento, a altura e o tempo da trajetória da bola são</p><p>fundamentais</p><p>para a obtenção de um ponto. Quer dizer, quanto mais próximo</p><p>do atacante o levantador estiver, mais rápido será desenvolvido o ataque, desde</p><p>que a bola vá diretamente ao ponto máximo de altura que seja possivel realizar</p><p>a ação do ataque. Ataques mais rápidos possibilitam que a equipe que está</p><p>defendendo não disponha de tempo para organizar a sua defesa. No entanto,</p><p>os ataques rápidos requerem uma combinação de movimentos sincronizados</p><p>entre diversos jogadores para que seja efetivo. Por outro lado, os ataques mais</p><p>longos possibilitam uma ação ofensiva com menores chances de erros, mas</p><p>permitindo uma organização defensiva adversária. Existem três tipos de</p><p>ataques em uma partida:</p><p>1. Ataque de bola na extremidade — também chamado de bola de se-</p><p>gurança devido à minimização da chance de erro. É um ataque lento,</p><p>realizado pelos pontas nas extremidades da rede.</p><p>2. Ataque de bola de fundo de quadra — são ataques realizados com</p><p>bolas levantadas afastadas da rede, para que o jogador que está posicio-</p><p>nado na zona defensiva finalize a jogada. Lembrando que, ao jogador</p><p>na zona de defesa, é vedado apoio na zona de ataque para realizar esse</p><p>fundamento, os jogadores que realizam o ataque de fundo da quadra</p><p>geralmente saltam antes da linha que separa as duas zonas e acertam</p><p>a bola em sua fase aérea, mais próximos à rede (MOUTINHO; MAR-</p><p>QUES; MAIA, 2003).</p><p>3. Ataque de bola de meio de rede — é uma alternativa utilizada como</p><p>variação da bola alta de extremidade. Fundamenta-se no fato de o levan-</p><p>tamento ter que percorrer uma menor distância até chegar ao atacante,</p><p>facilitando o trabalho do levantador. Portanto, é uma jogada bastante</p><p>rápida, mas que retira do atacante o ângulo para efetuar o ataque.</p><p>12) (organização do jogo de voleibol!</p><p>Link</p><p>O movimento de ataque é complexo e, quando realizado corretamente, é o principal</p><p>modo de somar pontos durante uma partida.</p><p>No link a seguir, você poderá visualizar a sequência de desenvolvimento que um</p><p>jogador deve seguir para realizar o movimento de ataque.</p><p>https://goo.gl/tOjs ES</p><p>Além das sequências de movimentos que se iniciam na recepção, podemos</p><p>evidenciar também aqueles eventos que se originam no saque e que compõem o</p><p>complexo 2. Na próxima seção, vamos buscar identificar essas diferentes fases.</p><p>Complexo 2</p><p>O sistema ofensivo do complexo 2, também chamado de break point, corres-</p><p>ponde ao momento em que uma equipe efetua o saque em direção ao campo</p><p>do adversário, tendo que postar-se de maneira defensiva para receber o ataque,</p><p>evitar que marquem pontos e realizar pontos sobre a equipe adversária. Entre os</p><p>elementos básicos desse sistema, encontram-se o saque, o bloqueio e a defesa.</p><p>Saque</p><p>O fundamento do saque, para alguns autores, é considerado um fundamento</p><p>ofensivo. Sobretudo no voleibol masculino, muitos pontos são realizados</p><p>diretamente por meio do saque, dada a evolução na técnica e na força da</p><p>execução desse movimento. Cada ponto começa com um saque da bola atrás</p><p>da linha de final; a bola é lançada no ar e atinge o campo oposto, procurando</p><p>os pontos fracos da recepção do adversário. Isso pode ser feito em pê ou pu-</p><p>lando. A orientação do saque é importante porque o jogador adversário, que é</p><p>forçado a receber a tacada, está limitado a participar do ataque subsequente.</p><p>Para executar o gesto, o jogador da retaguarda deve ser colocado na área de</p><p>serviço e aguardar o som do apito do juiz. À bola deve ser segurada ou jogada</p><p>no ar para a realização do saque.</p><p>Quando a bola é atingida pelo sacador, cada equipe deve estar dentro de</p><p>seu próprio campo, na ordem e na forma com a rotação correspondente (exceto</p><p>Organização do jogo de voleibol )[ 13</p><p>para o jogador que realiza o serviço). Os três jogadores que estão à frente da</p><p>rede são os avançados e ocupam as posições de 4 (frente esquerda), 3 (frente</p><p>centro) e 2 (frente direita). Os outros três estão por trás e os jogadores de trás</p><p>ocupam as posições de 5 (costas esquerdas), 6 (costas centrais) e | (costas</p><p>direitas). Cada jogador da linha de trás deve estar mais longe da linha central</p><p>do que o correspondente para a frente (TAVARES, 1996).</p><p>As mudanças na regulamentação do saque fizeram com que o ato do</p><p>serviço deixasse de ser uma maneira simples de colocar a bola em jogo para</p><p>ser uma arma ofensiva.</p><p>Link</p><p>Os avanços nas formas de realizar o saque transformaram esse fundamento em um</p><p>eficiente modo de conseguir pontuar dentro de uma partida, principalmente quando</p><p>o saque é feito em suspensão, aumentando a velocidade e induzindo a trajetória da</p><p>bola em direção ao solo do campo adversário.</p><p>No link a seguir, você poderá visualizar a sequência de desenvolvimento do saque.</p><p>https://goo.gl/SukSZ5</p><p>O saque em suspensão é quando você pode desenvolver a potência máxima.</p><p>Desde os anos 1990, seu uso vem aumentando para se tornar a técnica domi-</p><p>nante em equipes masculinas (TAVARES, 1996). À distância para o saque</p><p>exigido pelo sacador depende do comprimento de sua passada e do número</p><p>de etapas usadas, geralmente entre 3 e 5 metros da linha final. Os jogadores</p><p>que usam uma corrida curta (dois passos) geralmente fazem um lançamento</p><p>antes da jogada para uma ou duas mãos. Enquanto aqueles que usam uma</p><p>corrida mais longa (três ou mais passos) geralmente jogam a bola com a mão</p><p>dominante, seja no começo ou com a corrida já iniciada. Esse lançamento</p><p>requer mais altura e profundidade e é difícil de coordenar, mas permite um</p><p>maior impulso ao saltar e ao rebater a bola. O movimento de rebater a bola é</p><p>muito semelhante ao movimento de ataque.</p><p>14) (organização do jogo de voleibol!</p><p>Existem basicamente quatro tipos de saque: por baixe, por cima, viagem e flutuante.</p><p>Os dois primeiros são mais adequados a iniciantes, uma vez que não necessitam de</p><p>salto para executar o movimento. Os dois últimos, por sua vez, são bastante difíceis</p><p>de executare são mais adequados aos jogadores experientes pela presença do salto</p><p>ha sua realização.</p><p>À</p><p>Bloqueio</p><p>Podemos definir o bloqueio como a interceptação de ataques realizados pela</p><p>equipe adversária por meio de um movimento de toque na bola em que os</p><p>Jogadores saltam próximos à rede com braços levantados. O objetivo principal</p><p>do bloqueio é colocar a bola imediatamente no campo adversário ou induzir</p><p>que o atacante adversário não obtenha ângulo para realizar o seu ataque,</p><p>direcionando a bola para fora da quadra. Os bloqueios são realizados, de</p><p>forma geral, com até três jogadores (os três atacantes), embora também sejam</p><p>comuns bloqueios de um ou dois jogadores. Devemos destacar também a ação</p><p>dos outros jogadores que devem se posicionar para recuperar a bola que passa</p><p>pelo bloqueio caso este falhe. Uma das opções que o atacante tem no salto</p><p>é Justamente lançar a bola com força contra o bloqueio procurando as suas</p><p>falhas (TAVARES, 1996).</p><p>Para realizar um bloqueio, o jogador se coloca a aproximadamente 50 cm</p><p>da rede, com pés paralelos e separados à largura dos ombros e com os joelhos</p><p>semiflexionados. O tronco permanece ligeiramente inclinado para a frente e</p><p>os cotovelos flexionados na frente do corpo. Na têcnica de competição para</p><p>jogadores altos, os braços são estendidos para cima com as mãos abertas e</p><p>as palmas das mãos voltadas para a rede. À visão deve estar voltada para o</p><p>atacante adversário e o jogador do bloqueio deve saltar no momento do ataque.</p><p>Organização do jogo de voleibol ) (15</p><p>Link</p><p>O bloqueio é uma das primeiras opções defensivas de uma equipe durante o ata-</p><p>que adversário. No link a seguir, você poderá visualizar a sequência de movimentos</p><p>hecessários para que um jogador realize corretamente o fundamento do bloqueio,</p><p>https://goo.gl/8y5Poa</p><p>Os movimentos de bloqueio sofreram algumas modificações ao longo da</p><p>história. Atualmente, em sua realização técnica, duas variantes principais</p><p>podem ser diferenciadas:</p><p>1. Bloquear colocando os braços passivamente à frente da bola, com o</p><p>objetivo de amortecer</p><p>a força empregada pelo atacante adversário e</p><p>permitindo uma recepção facilitada.</p><p>2. O chamado bloqueio defensivo, em que há um trabalho ativo e o objetivo</p><p>é que a bola não passe, buscando fazer com que ela caia diretamente no</p><p>solo adversário. Isso significa que um trabalho forte e ativo das mãos</p><p>é realizado de forma simultânea no contato, procurando empurrá-las</p><p>ao campo adversário.</p><p>Além desses fatores, a evolução histórica do voleibol também modificou</p><p>a quantidade de jogadores que participam do bloqueio. Atualmente, pode ser</p><p>simples, com apenas um jogador realizando o movimento, duplo, com dois</p><p>Jogadores, e triplo, com três jogadores participando do mesmo bloqueio.</p><p>Defesa</p><p>À defesa é a ação executada pelos jogadores apos a bola atingir ou cruzar a</p><p>linha de bloqueio, cobrindo as áreas que estão livres no campo fora da sombra</p><p>do bloco. É comum ver o jogador se jogar com o abdome no chão, esticar</p><p>o braço para que a bola pule na mão em vez de no chão e, assim, evitar o</p><p>ponto, usando técnicas alternativas com um braço, com quedas e até mesmo</p><p>com o pé para recuperar as bolas que vão para a zona livre (MOUTINHO;</p><p>MARQUES; MAIA, 2003).</p><p>16) (organização do jogo de voleibol!</p><p>O objetivo da defesa é neutralizar as bolas atacadas pelo adversário, que</p><p>cruzaram a primeira linha (bloqueio), seja na forma de um ataque, de um</p><p>rebote no bloqueio ou de uma finta; além de permitir o máximo de garantias</p><p>possíveis para a construção do contra-ataque.</p><p>A defesa é uma ação que requer ajuste à velocidade com que a bola viaja,</p><p>o que supõe grandes exigências de velocidade. No entanto, a capacidade de</p><p>interpretar a trajetória com rapidez e precisão acaba sendo mais decisiva do</p><p>que a própria velocidade gestual.</p><p>Link</p><p>No link a seguir, você poderá visualizar a sequência de desenvolvimento da defesa.</p><p>https://goo.gl/u54MRL</p><p>Muitas das defesas são realizadas com a bola em uma velocidade superior a</p><p>100 km/h. Uma vez que o impacto da bola nos braços dos jogadores defensivos</p><p>é forte, eles devem procurar interceptá-la com movimentos fluidos e lentos</p><p>na fase próxima ao contato, para absorver a força do impacto e possibilitar</p><p>o controle da trajetória da bola após a defesa (MOUTINHO; MARQUES;</p><p>MAIA, 2003). É por isso que, na defesa, há situações que são mais interessantes</p><p>de acertar em desequilibrio, por meio de um movimento lento, do que bater</p><p>em apoio por um movimento repentino para a bola ou por uma orientação</p><p>corporal inadequada.</p><p>Esse fundamento deve incutir nos jogadores, em primeiro lugar, uma</p><p>atitude defensiva, baseada em:</p><p>a) impedir que qualquer bola toque no chão a qualquer momento.</p><p>b) compreender que nenhum ataque é irrecuperavel.</p><p>c) reconhecer que todas as jogadas exigem desempenho, concentração e</p><p>esforço máximos.</p><p>Há uma premissa essencial na formação dos defensores: em ordem de</p><p>importância, a primeira a ser desenvolvida é o desejo de defender (atitude),</p><p>seguida de como defender (técnica) e, finalmente, onde defender (táticas).</p><p>Organização do jogo de voleibol ) [v</p><p>Evidentemente, são muitos os detalhes que compõem um jogo de voleibol.</p><p>No entanto, buscamos salientar aqueles que caracterizam os jogos e que são</p><p>básicos para compreender ou desenvolver uma partida desse esporte. Dessa</p><p>forma, salientamos que o voleibol possui peculiaridades que o diferenciam</p><p>dos demais esportes coletivos e pode ser caracterizado em duas etapas que</p><p>ocorrem durante o seu desenvolvimento: o complexo 1 e o complexo 2, ambos</p><p>fundamentais de serem compreendidos pelo profissional de educação física</p><p>para levar seus atletas ao êxito em quadra.</p><p>Referências</p><p>CAMPO de voleibol|. [2018], Disponível em: , Acesso em: 26 nov, 2018.</p><p>GARGANTA, J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos. In: GRAÇA, A.; OLIVEIRA,</p><p>J, (Ed), O ensino dos jogos desportivos, Porto: CEJD: FODEF-UP 1994, p, 11-25.</p><p>MARQUES JUNIOR, N. K. Voleibol: conteúdo básico sobre esse esporte, 2015, Disponível</p><p>em: . Acesso em: 26 nov. 2018.</p><p>MATIAS, £.J. A.S.; GRECCO, P. J. Análise de jogo nos jogos esportivos coletivos: o exemplo</p><p>do voleibol. Pensar a Prática, Belo Horizonte, n. 12, n. 3, p. 1-16, 2009.</p><p>MESQUITA, L; GRAÇA, A. O conhecimento estratégico de um levantador de alto nível.</p><p>Treino Desportivo, Lisboa, v. 17, p. 15-20, 2002,</p><p>MONGE, A. M. Propuesta estructural del desarrollo del juego en voleibol. Int MESQUITA,</p><p>L; MOUTINHO, €. A. 5.5; FARIA, R. (Ed), Investigação em voleibol: estudos ibéricos, 1. ed.</p><p>Porto: FCEDEF-UP 2003, p.142—148,</p><p>20) [organização do jogo de voleibol]!</p><p>MOUTINHO, €. À. 5, S. Estudo da estrutura interno das ações de distribuição em equipes</p><p>de voleibol! de alto nível de rendimento. 2000, 301 f. Tese (Doutor em Educação Física)</p><p>— Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, Universidade do Porto.</p><p>Porto, 2000,</p><p>MOUTINHO, €. À SS; MARQUES, A; MAIA J. Estudo da estrutura interna das ações</p><p>da distribuição em equipes de voleibol de alto nível de rendimento, In: MESQUITA, |;</p><p>MOUTINHO, E; FARIA, R. Investigação em voleibol: estudos ibéricos. FCDEF-UP 2003,</p><p>p 107129,</p><p>TAVARES, E. Bases teóricas da componente tática nos jogos desportivos colectivos, In:</p><p>OLIVEIRA, ].; TAVARES, E. (Org). Estratégia e táctica nos jogos desportivos colectivos. Porto</p><p>de; FebERrUP 1696 0, 23-22.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DE ROSE JF, D. Esporte e atividade física na infância e adolescência: uma abordagem</p><p>multidisciplinar. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.</p><p>MESQUITA, |. (no prelo). A abordagem ecológica no treino de Voleibol, 2005.</p><p>SCHMIDT, R; LEE, T. Aprendizagem e performance motora. 5, ed. Porto Alegre: Artmed,</p><p>2016.</p><p>WEINBERG, R.; GOULD, D. fundamentos da psicologia do esporte e do exercício, 6. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2001,</p><p>X. ></p><p>Metodologia do</p><p>ensino do voleibol</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ac final deste texto, você deve apresentar os sequíntes aprendizados;</p><p>Identificar as principais metodologias de ensino do voleibol,</p><p>E Contrastaras diferenças entre cada uma das diferentes metodologias</p><p>de ensino do voleibol,</p><p>NE Relacionar as metodologias de ensino do voleibol para 05 diferentes</p><p>objetivos esportivos,</p><p>Introdução</p><p>O veleíibo!| é uma modalidade de esporte bastante conhecida e praticada</p><p>nomundo todo, Apresenta diferentes características e formas de pratícar,</p><p>de acordo com os objetivos que se pretende com a modalidade, Por ser</p><p>uma prática bastante divertida, dinâmica e sem contato físico, atraí muitos</p><p>praticantes de diferentes faíxas etárias.</p><p>No ambiente escolar, nas aulas de Educação Física, o voleibol é um</p><p>conteúdo bastante importante, assim como cutras modalidades espor-</p><p>tívas, pois sua prática é atraente e agradável, possibilitando, assim, além</p><p>do desenvolvimento de diferentes habilidades físicas e psicomotoras, a</p><p>possibilidade da prática do esporte como meio educativo,</p><p>Neste capítulo, você vai estudar as principais metodologias de ensino</p><p>do voleibol e suas características e objetivos, podendo, dessa forma,</p><p>comparar as diferentes formas de ensíno e aprendizado e escolher a mais</p><p>adequada de acordo com o público-alvo e os objetivos de aprendizagem.</p><p>Principais metodologias</p><p>Para que se obtenha sucesso no processo de ensino e aprendizagem nas mais</p><p>diferentes situações, é imprescindivel que o professor organize e selecione de</p><p>2) ( Metodologia do ensino do voleibol</p><p>forma coerente diferentes estratégias e metodologias de ensino, para que, dessa</p><p>forma, possa atingir seus objetivos e ter êxito nos resultados. Inicialmente, é</p><p>necessário estabelecer os principais objetivos de aprendizagem, para que, a</p><p>partir deles, possam ser pensadas e estudadas as melhores estratégias didáticas,</p><p>pedagógicas e metodológicas que serão utilizadas.</p><p>Independentemente da metodologia que se utilize, um fato que é pratica-</p><p>mente unanimidade entre todos</p><p>os profissionais da área de ensino é a questão</p><p>do “interesse”; ou seja, ao se pensar na metodologia que será aplicada, deve-</p><p>-se conhecer as principais características do grupo de alunos e, dessa forma,</p><p>adequar atividades que sejam de interesse dos mesmos. Afinal, algo que é</p><p>interessante para um público de crianças do ensino fundamental pode ser</p><p>desmotivador para um publico de adolescentes do ensino médio, e vice-versa.</p><p>Sendo assim, a escolha dos métodos e estratégias pedagógicas é de fundamental</p><p>importância para o sucesso da aula ou atividade proposta.</p><p>As primeiras tentativas de sistematização de métodos para ensino de mo-</p><p>dalidades esportivas coletivas se deram por volta da década de 1960 e foram</p><p>inspiradas nos métodos já estruturados de modalidades esportivas individuais,</p><p>sobretudo do atletismo. Tais propostas provinham de uma visão fragmentada</p><p>do processo de ensino do esporte: se no atletismo cada parte do movimento da</p><p>corrida de um atleta era ensinada separadamente, no esporte coletivo passou-se</p><p>a ensinar e treinar cada fundamento do jogo de forma isolada. Considerava-</p><p>-se que, a partir das partes, o aluno ou atleta aprenderia ou refinaria o todo,</p><p>conforme Ciquelero (2011).</p><p>Entretanto, o fato de um jogador saber executar os movimentos e fundamen-</p><p>tos do jogo de forma isolada não garantia condições de responder aos problemas</p><p>apresentados pelo jogo, sobretudo aqueles de ordem tática, que permeiam todas</p><p>as ações do jogo, inclusive as técnicas. Dessa forma, segundo Galatti e Paes</p><p>2007), a partir do final da década 1970 e início da década de 1980, surgem</p><p>autores como Bayer (1976), na França, Bento (1993), em Portugal, os autores</p><p>do Teaching games for understanding (decada de 1990), nos Estados Unidos,</p><p>e Thorpe, na Inglaterra. Tais autores propõem novos olhares sobre o processo</p><p>de ensino e aprendizagem dos jogos esportivos coletivos, que acarretaram em</p><p>novos métodos de ensino.</p><p>De acordo com Tenroller e Merino (2006), os métodos de ensino devem ser</p><p>organizados e selecionados de acordo com as caracteristicas e a realidade da</p><p>turma, como: idade, gênero, numero de alunos, objetivos da aula, entre outros.</p><p>Entre as principais metodologias utilizadas na aplicação dos esportes coletivos,</p><p>destacam-se as seguintes: método analitico-sintético, método global-funcional;</p><p>Metodologia do ensino do voleibol ) É</p><p>método misto. À seguir, você poderá conhecer de forma mais aprofundada os</p><p>principais métodos de ensino e suas características.</p><p>Método analítico-sintético: o modelo analítico está centrado no desenvolvi-</p><p>mento das habilidades técnicas, construindo um modelo ideal das habilidades a</p><p>serem aprendidas pelos iniciantes. Porém, em função do grau de complexidade</p><p>e donivel de dificuldade, as habilidades precisam ser divididas em fundamentos</p><p>técnicos (no voleibol, por exemplo, temos: toque, manchete, bloqueio, saque,</p><p>cortada) que devem ser aprendidos inicialmente fora do contexto de jogo,</p><p>para que, depois, possam ser progressivamente aplicados às situações reais de</p><p>jogo, conforme Greco (1998 apud CIOQUELERO, 2011). Por meio da análise</p><p>de jogadas e técnicas já existentes, trabalha-se de uma forma gradual para se</p><p>obter o nivel mais elevado da técnica em s1, sendo esse método um dos mais</p><p>aplicados na iniciação esportiva.</p><p>Assim, na metodologia analitica-sintética, a habilidade técnica é apresentada</p><p>ao aprendiz de forma fragmentada, o que possibilita a redução da complexidade</p><p>da habilidade e permite que o aprendiz reforce o desempenho de cada parte</p><p>corretamente antes de desenvolver a prática como um todo. Todavia, é pouco</p><p>provável que os dois métodos ajudem o aprendiz a atingir o mesmo nível de</p><p>competência no mesmo período de tempo, conforme aponta Magill (2000).</p><p>Método global-funcional: esse método tem se mostrado mais consistente e</p><p>eficiente, se comparado ao analítico, pois atende ao desejo e às expectativas</p><p>de jogar dos alunos. Estes ganham em motivação, e o processo ensino-apren-</p><p>dizagem é facilitado, conforme aponta Greco (2001).</p><p>“Na teoria global, autores insistem na importância da figura, da forma, da</p><p>configuração e da organização da experiência, que está sempre estruturada</p><p>na ideia de um todo”, segundo López (2002 apud BORGES, 2015, p. 7). Nesse</p><p>método, procura-se, a cada jogo, uma melhor forma de obter jogadas. Outra</p><p>concepção do método global é caracterizada pelas diversas experiências de</p><p>jogo, para uma melhor aprendizagem da técnica, conforme Greco (2001).</p><p>Segundo Corrêa, Silva e Paroli (2004 apud SILVA; GRECO, 2009), neste</p><p>método, existem estudos que comprovam também a melhoria efetiva da tática.</p><p>Destaca-se que nessa metodologia a habilidade motora é praticada integral-</p><p>mente. Os aprendizes realizam todas as partes do movimento (integralmente)</p><p>sem que haja qualquer descontinuidade. Esse método tem sido reportado como</p><p>mais motivante, pois permite ao aprendiz criar maneiras de executar o que lhe</p><p>foi proposto. Em contrapartida, pode se tornar limitante quanto à realização</p><p>correta da habilidade motora.</p><p>1) ( Metodologia do ensino do voleibol</p><p>Método misto: o método misto é a junção dos métodos analitico-sintético</p><p>e global-funcional. Esse método possibilita a prática de exercicios isolados,</p><p>bem como a iniciação ao jogo por meio das formas jogadas dos esportes</p><p>coletivos. O método misto permite que o professor utilize, dentro da mesma</p><p>aula, exercicios e jogos, independentemente da ordem ou da quantidade de</p><p>atividades estabelecidas — mais jogos ou mais exercicios.</p><p>Sendo assim, esse método utiliza-se do método global para ensinar alsuma</p><p>destreza motora ao aluno, para logo após retornar a alguma habilidade que o</p><p>educando tenha tido dificuldade em realizar, utilizando-se do método parcial,</p><p>e voltar novamente a utilizar o método global. Ou seja, “o método misto surge</p><p>da sincronia entre ambos os métodos, global e parcial”, conforme Xavier (1986</p><p>apud BORGES, 2015, p. 8).</p><p>Portanto, existem diferentes formas de trabalhar e desenvolver a iniciação</p><p>à prática do voleibol. Cabe ao profissional analisar as principais caracteristicas</p><p>de cada uma das metodologias para, assim, baseado em seus objetivos, optar</p><p>pela prática mais adequada e eficiente para a situação.</p><p>Existem diferentes jogos que são chamados de pré-desportivos, ou seja, que podem</p><p>ser utilizados como ferramenta para o aprendizado de fundamentos ou ações de</p><p>fogos de diferentes esportes, Entre eles, está o jogo de bola queimada, que pode</p><p>ser considerado uma excelente ferramenta para o ensino do voleibol. No jogo, são</p><p>exigidas movimentações rápidas em diferentes direções, similares ao que acontece</p><p>em uma partida de voleibol, assim como ações de ataque e defesa, que também são</p><p>comuns nas duas práticas, entre outras características.</p><p>Segundo Lopes ([2018]), o jogo de queimada também é conhecido por outras</p><p>denominações, como: barra bola, bola queimada, cemitério, mata-mata, mata-soldado,</p><p>queimado, caçador (hos estados do Paraná e Rio Grande do Sul), carimba (no estado do</p><p>Ceará) e baleado (no estado da Bahia). Na Figura 1, você pode visualizar uma imagem</p><p>demorstrando a prática do jogo.</p><p>Metodologia do ensino do voleibol ) (s</p><p>Figura 1. Jogo de bola queimada.</p><p>Fonte: Monkey Business Images/Shutterstock.com.</p><p>Portanto, o profissional de Educação Física tem diferentes opções de es-</p><p>colha para utilização no ensino das mais diferentes modalidades esportivas,</p><p>podendo diversificar as estratégias de ensino e analisar os resultados de cada</p><p>uma das práticas.</p><p>Na sequência, para melhor compreensão dos conteúdos, você vai estudar</p><p>as principais características de cada uma das metodologias e comparar os</p><p>pontos fortes e fracos de cada uma delas.</p><p>Características das principais metodologias</p><p>Sabe-se que não é possível afirmar qual metodologia é mais adequada para o</p><p>ensino de cada modalidade esportiva, pois existem diferentes metodologias,</p><p>e todas têm pontos positivos, negativos</p><p>e características próprias. Diante</p><p>disso, cabe ao professor de educação física se aprofundar nas mais diferentes</p><p>metodologias e estratégias didáticas utilizadas, conhecer suas características,</p><p>seus pontos fortes e fracos, suas indicações e formas de utilização.</p><p>Para melhor fixação e entendimento dos métodos analítico-sintético e</p><p>global-funcional, no Quadro 1 você poderá visualizar as principais caracterís-</p><p>6) ( Metodologia do ensino do voleibol</p><p>ticas e diferenças teóricas de cada uma das metodologias e, consequentemente,</p><p>analisar os pontos fortes e fracos de ambos.</p><p>a D</p><p>Quadro 1. Diferenças teóricas da pedagogia do esporte</p><p>Método analítico-sintético Método global-funcional</p><p>Excessiva repetição de</p><p>movimentos estereotipados</p><p>Técnica e tática desenvolvem-se</p><p>simultaneamente</p><p>Iníbe conflitos presentes</p><p>has situações do jogo</p><p>Tende a atender ao desejo</p><p>da criança de jogar</p><p>Favorece a correção e à avaliação</p><p>de uma determinada técnica</p><p>Favorece as experiências de jogo</p><p>Tende a não atender ao interesse</p><p>da criança em jogar</p><p>Tende a desfavorecer as relações</p><p>do alunce/jogador com a bola</p><p>Treina-se a técnica fora</p><p>do contexto do jogo</p><p>Pode permitir que determinados</p><p>fundamentos sejam aprendidos</p><p>e fixados de forma errada</p><p>Trabalha simultaneamente com</p><p>muitas informações, podendo reduzir</p><p>o entendimento do que é mais ou</p><p>menos relevante para o jogo</p><p>Fora do contexto do jogo, pode</p><p>possibilitar mais rapidamente</p><p>o êxito na execução de</p><p>determinados fundamentos</p><p>Fonte: Adaptado de Paes, Montagner e Ferreira (2009)</p><p>À. À</p><p>Portanto, fazendo uma análise geral das características apresentadas no</p><p>Quadro 1, observa-se que o método analitico-sintético é uma excelente ferra-</p><p>menta para o trabalho na iniciação esportiva, pois permite que o aluno desen-</p><p>volva os fundamentos da modalidade de forma individualizada, facilitando o</p><p>trabalho do professor na correção e no refinamento dos movimentos técnicos</p><p>e táticos da modalidade. Permite também a especialização do aluno em dife-</p><p>rentes posições especificas do jogo e também o trabalho de aprimoramento</p><p>de fundamentos específicos que porventura possam ser observados como</p><p>fracos ou falhos durante os jogos. O principal aspecto negativo é a questão</p><p>da repetição excessiva de movimentos e gestos técnicos, que pode tornar a</p><p>prática cansativa e monótona.</p><p>Já o método global-funcional se destaca por ser mais atrativo, devido ao</p><p>fato de trabalhar com os movimentos especificos do jogo de uma forma global;</p><p>ou seja, não fragmenta o ensino do movimento, e o aluno pratica realizando</p><p>Metodologia do ensino do voleibol ) [7</p><p>diretamente as ações que são desenvolvidas no jogo. Tem também como</p><p>referência das atividades o jogo propriamente dito e trabalha o desenvolvi-</p><p>mento dos fundamentos no próprio jogo, sendo integradas a técnica e a tática.</p><p>Exemplo: ao mesmo tempo em que se está trabalhando o fundamento do saque,</p><p>desenvolve-se a recepção, o levantamento, o ataque, o bloqueio e, também, o</p><p>sistema de recepção e defesa. O princípio não é o trabalho das partes, mas os</p><p>fundamentos e ações completas do jogo.</p><p>É perceptível que ambas as metodologias apresentam pontos fortes e fracos,</p><p>cabendo ao profissional identificar qual das metodologias atende de forma</p><p>mais adequada aos objetivos e interesses do grupo e buscar também outras</p><p>metodologias de referência, para complementar a atuação docente e tornar os</p><p>resultados e práticas mais eficientes e objetivos.</p><p>O método analitico-sintético tem como foco o ensino das partes para o todo;</p><p>ou seja, os fundamentos da modalidade esportiva são ensinados separadamente,</p><p>para, depois de assimilados, serem utilizados no jogo/esporte propriamente</p><p>dito. Com relação ao método, podemos destacar os seguintes pontos positivos</p><p>e negativos mostrados no Quadro 2.</p><p>A</p><p>Quadro 2. Pontos positivos e negativos do método analítico-sintético</p><p>Pontos positivos Pontos negativos</p><p>Favorece o aprendizado da técnica Pode tornar-se maçante pela</p><p>esportiva de forma individualizada excessiva necessidade de repetição</p><p>de gestos técnicos; é pouco</p><p>motivador e muito repetítivo</p><p>Permite a correção de gestos Não considera as diferentes ações que</p><p>técnicos de forma individualizada ocorrem de forma diferente durante o</p><p>jogo e que não podem ser treinadas</p><p>de forma separada/individualizada</p><p>Permite trabalhar no aluno as O jogo completo é trabalhado de</p><p>técnicas em que apresenta major forma secundária; é dada maior</p><p>dificuldade durante o jogo ênfase ao trabalho das técnicas</p><p>individualizadas, até chegar ao jogo</p><p>Permite treinar e aprimorar os Pode provocar alguma sobrecarga em</p><p>principais grupos musculares determinadas articulações e músculos</p><p>e valências físicas de forma devido ao trabalho repetitivo</p><p>individualizada</p><p>Fonte: Adaptado de Paes, Montagner e Ferreira (2009),</p><p>. ”.</p><p>8) ( Metodologia do ensino do voleibol</p><p>O método global-funcional tem como principal caracteristica a utilização</p><p>do jogo para o ensino da prática esportiva, ou seja, ensina para o jogo por</p><p>meio do jogo. Com relação ao método, podemos destacar os seguintes pontos</p><p>positivos e negativos apresentados no Quadro 3.</p><p>O D</p><p>Quadro 3, Pontos positivos e negativos do método global-funcional</p><p>Pontos positivos Pontos negativos</p><p>É motivador e atrativo, pois tem Os fundamentos são ensinados</p><p>como referência o jogo, que é o de uma forma global, podendo</p><p>objetivo de seus praticantes haver deficiência no aprendizado</p><p>de algumas técnicas específicas</p><p>Trabalha diretamente com ações Por trabalhar com muitas informações</p><p>do jogo de forma globa), ficando de forma simultânea, pode ser</p><p>seus praticantes mais habituados às mais difícil para aprender</p><p>mais diferentes situações do jogo</p><p>Fortalece otrabalho em O processo de especialização nas</p><p>equipe e a cooperação entre diferentes posições é mais lento do</p><p>Os atletas, por trabalhar mais o que no método sintético-analítico</p><p>grupal do que o individual</p><p>A técnica e a tática são Pode ter o processo de ensino</p><p>trabalhadas de forma simultânea e aprendizagem mais lento do</p><p>has próprias ações do jogo que em outras metodologias</p><p>Fonte: Adaptado de Paes, Montagner e Ferreira (2009)</p><p>À >”.</p><p>Além dos métodos já citados, destaca-se também o método misto, visto</p><p>anteriormente, que nada mais é do que a junção das duas metodologias, que</p><p>são trabalhadas em diferentes momentos do processo de ensino e aprendiza-</p><p>gem. Dessa forma, o professor, em alguns momentos, ensina e trabalha com</p><p>os fundamentos de forma separada e individualizada e, em outros, como no</p><p>jogo, utiliza todos os fundamentos simultaneamente.</p><p>Outras metodologias são trabalhadas além das citadas, porém, de alauma</p><p>forma, todas têm algumas caracteristicas similares às citadas anteriormente.</p><p>Conforme já destacado, o importante é que o profissional conheça profunda-</p><p>mente as diferentes metodologias e tenha muito claro os objetivos pretendidos</p><p>para o seu grupo. É sabido que aprendemos de formas diferentes e, sendo</p><p>assim, uma mesma estratégia que teve sucesso para um determinado grupo</p><p>pode não ser adequada para outro. Por isso é importante conhecer diferentes</p><p>Metodologia do ensino do voleibol ) (s</p><p>formas de aprendizado e ensino e, assim, ter maiores subsidios para melhorar</p><p>a prática docente.</p><p>O próprio esporte pode ser praticado de diferentes formas e finalidades;</p><p>isso faz com que as estratégias de ensino devam ser organizadas e planejadas</p><p>de acordo com os objetivos específicos de cada grupo. Na sequência, você</p><p>poderá se aprofundar nas diferentes formas de manifestação do esporte e nas</p><p>metodologias específicas para cada uma dessas manifestações.</p><p>Metodologias de ensino e objetivos esportivos</p><p>O voleibol é uma prática esportiva muito atraente e de destaque a nivel nacional</p><p>e mundial. O Brasil está há muitos anos no topo das principais competições</p><p>esportivas do mundo, nas mais diferentes formas e categorias do voleibol. Tal</p><p>fato é fruto de um trabalho sério e</p><p>gradativo de anos de diferentes gerações,</p><p>que não foi focado somente no rendimento esportivo, mas na divulgação do</p><p>esporte nas suas diferentes formas de manifestação: esporte educacional,</p><p>esporte de participação e esporte de rendimento.</p><p>Considerando as diferentes manifestações esportivas, é de fundamental</p><p>importância saber diferenciar as estratégias de ensino para cada uma delas,</p><p>levando em consideração as caracteristicas individuais e os objetivos de cada</p><p>manifestação do esporte.</p><p>Esporte educacional: é a prática esportiva ensinada e praticada nos ambientes</p><p>escolares, ou seja, o esporte da escola e na escola. O ambiente escolar é um local</p><p>onde existem diferentes perfis de alunos; ou seja, haverá alunos com maiores</p><p>habilidades fisicas e motoras e outros com maiores dificuldades, bem como uma</p><p>diversidade de interesses, sendo que alguns gostarão mais de práticas esportivas</p><p>e outros, não. Diante desses fatos, as modalidades esportivas não podem ser</p><p>ensinadas com objetivos de rendimento esportivo, mas sim como forma de</p><p>vivências práticas para o estimulo a uma vida saudável por meio do esporte.</p><p>Analisando outras práticas esportivas, observa-se que o voleibol é uma</p><p>modalidade, embora atrativa, do ponto de vista motivacional, difícil de ensinar</p><p>e aprender. Um dos motivos que torna o aprendizado complexo é o fato de</p><p>os principais fundamentos da modalidade, como saque, manchete, bloqueio,</p><p>cortada e toque, não estarem relacionados diretamente aos nossos movimen-</p><p>tos naturais (andar, correr, rolar, trepar etc.). Quase todos os fundamentos</p><p>da modalidade exigem movimentos e técnicas que são muito especificas do</p><p>esporte; 1580 pode tornar o aprendizado mais difícil. Outro aspecto que dife-</p><p>10) ( Metodologia do ensino do voleibol</p><p>rência o voleibol de outras modalidades coletivas é o fato de que, pela regra,</p><p>a bola precisa permanecer no ar durante o jogo; 1580 também torna a prática</p><p>da modalidade mais difícil e, ao mesmo tempo, desafiadora. Portanto, é im-</p><p>prescindivel que o processo de iniciação esportiva seja bastante diversificado</p><p>e lúdico, para que o iniciante tenha diferentes experiências motoras, que são</p><p>essenciais para a aprendizagem do esporte.</p><p>Dentre as práticas mais comuns para o esporte educacional, destacam-se:</p><p>atividades lúdicas; jogos pré-desportivos (jogos que trabalham direta ou</p><p>indiretamente fundamentos dos esportes), estafetas recreativas (atividades</p><p>desenvolvidas em forma de revezamento e competição); jogos motores. Outras</p><p>atividades importantes para a iniciação do voleibol escolar são as atividades</p><p>€ Jogos com regras adaptadas; por exemplo:</p><p>Nm Voleipong: jogo de voleibol no qual é permitido deixar a bola quicar</p><p>no chão a cada toque de um jogador.</p><p>Nm Voleibol gigante: jogo com nove integrantes dispostos em três linhas</p><p>de três jogadores, em que a bola pode ser agarrada e lançada para a</p><p>quadra adversária depois de três passes (agarrar e lançar).</p><p>Em Vôlei adaptado: voleibol jogado com uma bola plástica grande (bolas</p><p>comuns em parquinhos de diversão).</p><p>Os exemplos descritos apresentam algumas formas de trabalhar o voleibol</p><p>no ambiente escolar. São muitas as possibilidades de incluir o voleibol nas</p><p>aulas de educação fisica. Como a realidade escolar, na maior parte do país,</p><p>não oferece condições ideais para o profissional de Educação Fisica (estrutura</p><p>física adequada, materiais esportivos em quantidade suficiente, equipamentos</p><p>diversificados), o professor precisa ser muito criativo e promover atividades</p><p>diversificadas para atrair os alunos para suas aulas. Os jogos apresentados</p><p>anteriormente têm como característica em comum poucas regras e permitem</p><p>que alunos de diferentes habilidades motoras e técnicas possam praticar de</p><p>forma homogênea, facilitando, assim, o aprendizado básico da modalidade.</p><p>À diversificação nas estratégias de ensino, o desenvolvimento de atividades</p><p>atrativas e o ensino dos fundamentos de uma forma lúdica e criativa tornam</p><p>o ensino da modalidade mais atrativo e interessante. Em outros esportes, nos</p><p>quais os principais fundamentos técnicos da modalidade são parecidos com</p><p>as habilidades naturais do ser humano e a bola pode tocar o solo e ser passada</p><p>sem a necessidade de permanecer no ar — diferentemente do que ocorre no</p><p>voleibol —, as modalidades, por si só, são muito mais fáceis de serem prati-</p><p>cadas. No ensino do voleibol, o professor precisa encontrar estratégias para</p><p>Metodologia do ensino do voleibol ) | id</p><p>amenizar as dificuldades naturais da modalidade. Uma das formas é realizando</p><p>jogos diversificados que trabalhem os fundamentos básicos, como lançar e</p><p>golpear a bola, deslocamentos em diferentes direções, movimentos similares</p><p>ao ataque/cortada, entre outros.</p><p>Esporte de participação: praticado de modo voluntário, compreende moda-</p><p>lidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integra-</p><p>ção dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e da</p><p>educação e na preservação do meio ambiente. Ou seja, é uma continuidade</p><p>das vivências do esporte educacional, na qual os praticantes se utilizam das</p><p>práticas com a finalidade de lazer, recreação, bem-estar social e integração,</p><p>sem a preocupação do rendimento esportivo.</p><p>Para esse publico, podem ser criados torneios integrativos, festivais de</p><p>voleibol e eventos em espaços publicos, dos quais toda a familia pode participar.</p><p>Dessa forma, a modalidade esportiva tem o papel de socializadora e integra-</p><p>dora, contribuindo para uma melhor convivência das pessoas e a manutenção</p><p>da qualidade de vida da comunidade. Um aspecto importante do voleibol de</p><p>participação é a modalidade ser uma ferramenta da prática esportiva para a</p><p>manutenção da saúde e a prevenção de doenças. Por ser uma modalidade que</p><p>não envolve contato físico entre os participantes e que permite desenvolver</p><p>diferentes aspectos fisicos e psicomotores, pode ser uma excelente ferramenta</p><p>para o controle do sedentarismo e de doenças relacionadas à inatividade fisica.</p><p>As atividades mais indicadas para esse objetivo são similares às do volei-</p><p>bol escolar, tendo como foco o aspecto lúdico do jogo. Em locais públicos,</p><p>podem ser realizadas práticas de voleibol em duplas, trios, quartetos (areia,</p><p>grama, quadras), torneios integrativos (masculino, feminino e misto) e voleibol</p><p>recreativo (sentado, com regras adaptadas, na piscina, etc.)</p><p>Esporte de rendimento: nessa categoria, a prática da modalidade (voleibol)</p><p>deve seguir de forma rigorosa as normas e regras da modalidade esportiva (re-</p><p>gidas pelas confederações e federações). O foco das atividades é o rendimento</p><p>esportivo e a participação em competições, podendo ter caráter profissional</p><p>ou amador. No voleibol com foco no rendimento, as atividades devem ser</p><p>elaboradas de forma planejada e organizada, necessitando uma periodização</p><p>do treinamento para que se alcancem os objetivos competitivos.</p><p>Os treinos devem levar em consideração os aspectos técnicos, táticos, físicos</p><p>e psicológicos da modalidade. Os exercícios precisam ser adequados à faixa</p><p>etária do grupo e às diferentes características comuns nas diversas funções</p><p>do voleibol. Exemplo: um jogador que tem a função de libero deverá treinar</p><p>12) ( Metodologia do ensino do voleibol</p><p>os fundamentos de manchete, toque, defesa e as atividades que trabalhem a</p><p>agilidade e a velocidade de reação. Já um atleta que jogue na posição “central”</p><p>deverá ter como foco o treino de bloqueio, ataques de velocidade, impulsão e</p><p>as atividades que envolvam força explosiva.</p><p>Como exemplo de um programa de treinamento, seguem algumas ações</p><p>que são de grande importância:</p><p>Nm Treinamento técnico: todos os fundamentos devem ser ensinados</p><p>individualmente e de forma global no jogo. O professor deve levar em</p><p>consideração o nível dos atletas de sua equipe e a disponibilidade de</p><p>tempo que têm para treinar, para que, com essas informações, possa</p><p>organizar uma programação de treinamento.</p><p>situações que poderão ocasionar problemas, como</p><p>a busca incessante de talentos, treinamento esportivo na aula de Educação</p><p>Fisica, especialização precoce, exclusão dos menos habilidosos, desinteresse</p><p>pela prática esportiva, entre outros, sendo a Educação Física idealizada como</p><p>modelo de esporte de rendimento.</p><p>e) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>No intuito de descrever uma abordagem que atenda às especificidades do</p><p>voleibol, constituida de fundamentos e dinâmicas bem diferentes das atividades</p><p>fisicas habituais, como uma atividade que envolve uma gama de habilidades</p><p>motoras específicas e como um esporte coletivo, Bojikian, J. e Bojikian,</p><p>L. 2012), descrevem uma metodologia que possa trazer bons resultados,</p><p>considerando a realidade das escolas brasileiras com número elevado de</p><p>alunos e escassez de recursos materiais. Vale ressaltar que essa metodologia</p><p>proposta já foi testada em diversos trabalhos realizados, e é cientificamente</p><p>fundamentada para a realização de um trabalho mais consciente e lúdico.</p><p>De acordo com os autores, quando se inicia um trabalho de aprendizagem</p><p>do voleibol, o comportamento esperado é que a criança jogue esse esporte,</p><p>desse modo, os fundamentos serão ensinados objetivando a possibilidade</p><p>de atuação em um jogo de voleibol, pois de nada adianta a criança aprender</p><p>a realizar a manchete, se tiver que jogá-la contra a parede e não dentro da</p><p>mecânica de um jogo.</p><p>Quando falamos de fundamentos do voleibol, estamos nos referindo às</p><p>habilidades motoras específicas, habilidades essas necessárias dentro da</p><p>dinâmica de um jogo. De acordo com os pressupostos da aprendizagem motora,</p><p>o aprendiz passará por uma mudança de comportamento, de um estágio que</p><p>apresenta um elevado número de erros de performance, inconsistência e</p><p>alta demanda de atenção para a execução da habilidade, para um estágio de</p><p>consistência, poucos erros e pouca demanda de atenção para a execução de</p><p>habilidades (MAGILL, 2003).</p><p>Boajikian, J. e Bojikian, L. (2012) acreditam que, para levarmos os alunos</p><p>à real aprendizagem do voleibol, além do ensino dos gestos técnicos das</p><p>habilidades motoras a serem aprendidas, faz-se necessário uma série de</p><p>procedimentos metodológicos que englobam os aspectos cognitivos, afetivos</p><p>e motores, e, nesse processo, o papel do professor é de suma importância e</p><p>vai além da orientação mecânica na execução dos movimentos.</p><p>Bizzocehi (2016) acredita que um bom processo pedagógico é aquele que</p><p>permite ao aluno experimentar o fundamento, aprendê-lo de forma fragmentada</p><p>e depois executá-lo de forma global. Na estruturação desse processo, o professor</p><p>deverá apresentar o fundamento aos alunos prom ovendo a conscientização da</p><p>importância do aprendizado correto e da sua utilização no jogo. Logo, permitirá</p><p>que o aluno experimente de forma global o fundamento, proporcionando</p><p>que eles vivenciem a dificuldade para realizar o fundamento. Para facilitar a</p><p>aprendizagem, o professor elaborará uma sequência pedagógica, decompondo</p><p>as habilidades em partes. De forma lógica e gradativa, ele poderá iniciar a</p><p>aprendizagem dos movimentos sem o uso da bola de voleibol (podendo utilizar</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) (o</p><p>bolas leves, bexigas ou simplesmente o gesto), mas com meios auxiliares como</p><p>parede, mesas, cordas.</p><p>Durante o processo de aprendizagem, os alunos poderão apresentar</p><p>desvios no padrão de movimento e devem ser corrigidos por meio de</p><p>exercicios educativos e formativos. Com repetição do movimento, o aluno</p><p>irá reter a aprendizagem (fixar o fundamento em nivel neuromotor) e, se isso</p><p>ocorrer, o processo pedagógico é encerrado. Por fim, quando houver, então,</p><p>a automatização do movimento, ocorre a fase de aplicação, em que o aluno</p><p>precisará executar os fundamentos na situação real de jogo.</p><p>De forma similar, corroboramos a ideia de Bizzocchi (2016) e, dentro</p><p>desse contexto, podemos entender, então, que o processo metodológico para</p><p>o ensino do voleibol é composto por cinco etapas:</p><p>Nm Apresentação da habilidade motora — primeiro contato do aluno</p><p>com o fundamento a ser aprendido.</p><p>Nm Sequência pedagógica — o movimento é ensinado em partes que vão</p><p>sendo associadas em si, de maneira progressiva.</p><p>Nm Exercícios educativos e/ou formativos — buscam possibilitar a</p><p>correção dos erros e o desenvolvimento das habilidades motoras.</p><p>Nm Automatização — é a repetição do movimento, a passagem do</p><p>comportamento alvo para o contexto alvo.</p><p>Nm Aplicação do fundamento à mecânica do voleibol — ocorre por meio</p><p>de exercicios em forma de jogo, de jogo adaptado e de jogo de iniciação.</p><p>Para cada fundamento será aplicado um processo metodológico próprio,</p><p>em que a fase de aplicação garanta a rotação entre eles.</p><p>Metodologia de ensino com base nos</p><p>fundamentos ordenados</p><p>Como são fundamentos interdependentes, um único processo metodológico</p><p>deverá ser utilizado para ensiná-los. Na fase de aplicação do fundamento, não</p><p>é interessante que os alunos executem o fundamento sem ter passado pelo</p><p>processo de aprendizagem completo.</p><p>10) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>Posição de expectativa (básica) e de movimentação</p><p>(deslocamentos)</p><p>O Quadro 2, a seguir, apresenta as etapas e as metodologias de ensino da</p><p>posição de expectativa e da movimentação.</p><p>á *</p><p>Quadro 2. Posição de expectativa (básica) e movimentação (deslocamentos)</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da Posição de expectativa — demonstração do</p><p>habilidade motora posicionamento dos membros superiores</p><p>e inferiores que permitirão a defesa e as</p><p>recepções com o use de toque.</p><p>Movimentação — a partir da posição</p><p>de expectativa, mostrar as técnicas de</p><p>deslocamento para o lado direito, esquerdo,</p><p>para frente e para trás e, depeis, na diagonal.</p><p>Sequência pedagógica | Execução dos posicionamentos demonstrados</p><p>pelo professor (pés, joelhos e pernas) e, na</p><p>sequência, acrescentar tronco, ombros e braços,</p><p>chegando à posiçáo final. Executar a posição</p><p>completa em duplas e os deslocamentos.</p><p>Exercícios educativos Educativos — flexão de tronco e não das pernas,</p><p>e/ou formativos posicionamento adequado dos braços, realização do</p><p>deslocamento na posição de expectativa (em pé)</p><p>Formativos — flexibilidade dos quadríceps</p><p>& coordenação visomotora.</p><p>Automatização O professor lança bolas baixas para frente e para trás e</p><p>para as laterais, os alunos, partindo da posição básica,</p><p>executam um deslocamento curto e seguram a bola.</p><p>Aplicação do Ocorre por meio de exercícios em forma de jogo, de</p><p>fundamento jogo adaptado, e de jogo (neste momento, apenas</p><p>de lançar e segurar a bola e algumas regras como</p><p>o rodízio e a contagem dos pontos, três passes).</p><p>Fonte: Adaptado de Bojiklan,J, e Bojikian, L. (2012),</p><p>t. À</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) | 11</p><p>Toque de bola por cima</p><p>No Quadro 3, a seguir, podem ser verificadas as etapas e as metodologias de</p><p>ensino do toque de bola por cima.</p><p>à</p><p>Quadro 3, Toque de bola por cima</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da habilidade motora Etapas — entrada sob a bola</p><p>(posicionamento de pernas e</p><p>braços), execução (quando for</p><p>dado o toque na bola) e término do</p><p>movimento (posição do corpo).</p><p>Sequência pedagógica Neste primeiro momento, apenas o</p><p>toque de frente e os levantamentos</p><p>normais (parábolas em altura</p><p>média). Movimentos de “cócoras”</p><p>atrás de uma bola parada no solo;</p><p>ir adicionando a essa posição</p><p>as mãos sobre a bola, logo, a</p><p>extensão completa dos braços e</p><p>das pernas, mãos em forma de</p><p>concha, lançamento da bola, etc.</p><p>Exercícios educativos e/ou formativos | Educativos — posicionamento</p><p>incorreto das mãos para a não</p><p>coordenação dos braços e pernas.</p><p>Formativos — força para</p><p>envio da bola.</p><p>Automatização Toques na parede com séries longas;</p><p>troca de passes com aumento</p><p>prograssivo a distância. Adicionar</p><p>lançamentos para frente e para trás.</p><p>Por exemplo, um grupo,</p><p>que não tenha atletas com boa estatura para a modalidade e que não</p><p>tenha disponibilidade para treinar mais de três vezes por semana deve</p><p>priorizar alguns fundamentos que seriam mais importantes da mo-</p><p>dalidade, como saque, recepção e levantamento/ataque, visto que o</p><p>bloqueio, nesse caso, seria um fundamento que estaria comprometido</p><p>pela baixa estatura dos atletas.</p><p>Nm Treinamento tático: a escolha do sistema tático de jogo ideal (5 x 1, 4</p><p>x 2,4 x2 com infiltração) está muito relacionada às características do</p><p>grupo que está treinando e aos objetivos do professor. O sistema 5 , Acesso em: 17 nov. 2018.</p><p>GALATTI, L. R; PAES, R. R. Pedagogia do esporte e a aplicação das teorias acerca dos</p><p>jogos esportivos coletivos em escolas de esportes: o caso de um clube privado de</p><p>Campinas, SP Conexões: Revista da Faculdade de Educação Física da UNICAMP. Campinas,</p><p>v. 5, Nn. 2, p. 31-44, jul./dez. 2007. Disponível em: . Acesso em: 17 nov. 2018.</p><p>16) ( metodologia do ensino do voleibol!</p><p>GRECO, P. J. Métodos de ensino-aprendizagem-treinamento nos jogos esportivos</p><p>coletivos. In: GARCIA, E. S.; LEMOS, K. L. M. Temas atuais Vl — educação física e esportes,</p><p>Belo Horizonte: Health, 2001. cap. 3, p. 48-72.</p><p>LOPES, P. Jogo de queimada. Brasil Escota. [2018], Disponível em: . Acesso em: 17 nov, 2018.</p><p>MAGILL, E. À. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgar Blúcher,</p><p>2000,</p><p>PAES, R. R; MONTAGNER, PC; FERREIRA, AH. B. Pedagogia do esporte: iniciação e treina-</p><p>mento em basquetebol. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2009.</p><p>SIDA, MV; GRECO, P. E. A influência dos métodos de ensino-aprendizagem-treinamento</p><p>no desenvolvimento da inteligência e criatividade tática em atletas de futsal. Rev. bras.</p><p>Educ Fls. Esporte, São Paulo, v. 23, n. 3, p. 297307, jul. /set, 2009</p><p>TENFRÓOLLEFE, €. A.; MERINO, E. Métodos e planos para o ensino dos esportes. Canoas, R$:</p><p>Ulbra, 2006,</p><p>Leitura recomendada:</p><p>DARIDO, S. C; SANCHEZ NETO, L. O contexto da educação física na escola. In: DARIDO,</p><p>5, C; RANGEL, |. €. À. (Coord). Educação física na escola: implicações para a prática</p><p>pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p. 2-24.</p><p>Os principais métodos</p><p>de ensino do voleibol</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>E Aplicar o método de ensino mais adequado para o voleibol como</p><p>esporte educacional,</p><p>E Construír um programa de ensino do voleibol com foco no</p><p>desempenho.</p><p>E Elaborar uma Intervenção de voleibol participativo,</p><p>Introdução</p><p>O voleibol é uma modalidade que se destaca em nível mundial e nacíonal</p><p>ho que se refere ao número de participantes e expectadores, Embora o</p><p>esporte, deforma geral, seja uma prática padronizada e regida por regras</p><p>comuns preestabelecídas, quando utilizado com outras finalidades que</p><p>não sejam somente as de desempenho esportivo, pode se manifestar</p><p>com diferentes características e objetivos. Para diferenciar as formas e os</p><p>objetivos de aplicação do esporte, foi criada uma classificação específica:</p><p>esporte educacional; esporte participativo; esporte de desempenho. Nas</p><p>diferentes classificações, o ideal é que se apliquem estratégias e metodo-</p><p>logias específicas, pois os objetivos de aprendizagem são diferenciados.</p><p>Neste capítulo, você vaí estudar o voleibol como esporte escolar, de</p><p>participação e de rendimento. Vaí conhecer as diferentes características de</p><p>cada uma das formas práticas de desenvolvimento da modalidade, assim</p><p>como as estratégias de aplicação de metodologias para as diferentes</p><p>formas de manifestação do esporte,</p><p>2) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>O voleibol como esporte educativo</p><p>A prática esportiva é essencial para a saúde e o bem-estar do ser humano. Por</p><p>meio do esporte é possível ensinar:</p><p>mM aspectos procedimentais — gestos motores;</p><p>aspectos conceituais — regras e história das modalidades esportivas;</p><p>MN valores fundamentais — autoconfiança, inclusão social, trabalho em</p><p>equipe e respeito pelas outras pessoas.</p><p>O voleibol, como conteúdo das aulas de educação fisica, é muito importante</p><p>para o desenvolvimento integral do aluno e, como ferramenta, é fundamental</p><p>para a difusão de um estilo de vida saudável e ativo, pois além dessa moda-</p><p>lidade ser bastante difundida no Brasil e no mundo, tem caracteristicas que</p><p>oportunizam a prática de pessoas de diferentes idades, habilidades e gêneros,</p><p>sem distinção.</p><p>Considerando que boa parte das crianças e adolescentes só têm acesso</p><p>à prática de alguma modalidade esportiva nas aulas de educação fisica, a</p><p>importância de uma abordagem correta desse conteúdo aumenta, no caso</p><p>específico o voleibol, pois muitos deles podem não ter outras oportunidades de</p><p>vivenciar e de conhecer melhor a modalidade fora do ambiente escolar. Diante</p><p>desses fatos, o voleibol deve ser explorado não só no quesito procedimental, ou</p><p>seja, somente na prática, mas também nos aspectos conceituais (como forma</p><p>de conhecimento geral do esporte,</p><p>suas caracteristicas, origem e formas de</p><p>manifestação) e atitudinais, que estão diretamente relacionados às questões</p><p>comportamentais que o esporte exige, como o desenvolvimento da liderança,</p><p>do trabalho em equipe, da cooperação, do respeito ao adversário, entre outros.</p><p>A educação física, nos ambientes escolares, tem como principal obje-</p><p>tivo integrar o aluno na cultura corporal de movimento de forma completa,</p><p>utilizando-se das mais diferentes práticas motoras e esportivas para promover</p><p>o esporte como uma manifestação de saúde e de bem-estar, que pode ser pra-</p><p>ticado nas horas de lazer e como atividade fisica na prevenção de doenças. À</p><p>prática esportiva no ambiente escolar deve inicialmente estimular e promover</p><p>a integração e a socialização de todos, jamais deve distinguir e diferenciar os</p><p>mais habilidosos dos que apresentam maiores dificuldades.</p><p>Existem diferentes metodologias e formas de aplicação do conteúdo do</p><p>voleibol no ambiente escolar, mas um aspecto que deve ser levado em consi-</p><p>deração antes de escolher e aplicar uma metodologia são os objetivos que se</p><p>pretende alcançar com as práticas.</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) É</p><p>Para a escolha correta de uma metodologia adequada para as aulas de</p><p>educação fisica, deve-se levar em consideração alguns aspectos importantes,</p><p>são eles:</p><p>Mm Os aspectos psicomotores são imprescindíveis para o ensino de qualquer</p><p>modalidade esportiva, por isso, na iniciação, devem ser trabalhadas</p><p>atividades que promovam o desenvolvimento da coordenação motora,</p><p>da orientação espacial e temporal, da lateralidade, da noção do esquema</p><p>corporal, do ritmo, entre outras habilidades psicomotoras. O desenvol-</p><p>vimento dessas habilidades deve acontecer de forma lúdica, por meio</p><p>de atividades que façam com que a criança tenha prazer na prática da</p><p>modalidade e se sinta atraída para conhecer mais a fundo as questões</p><p>inerentes ao desporto.</p><p>NM Osjogos prê-desportivos são excelentes ferramentas para o ensino dos</p><p>esportes. Por exemplo, o jogo de queimada; caçador trabalha de uma</p><p>forma dinâmica e divertida diferentes tipos de movimentação (lateral,</p><p>frente, atrás, alta, baixa) além da agilidade, e ações de ataque e defesa,</p><p>entre outros aspectos que são comuns aos esportes coletivos.</p><p>mM O esporte deve ser ensinado de maneira gradativa: do mais simples</p><p>para o mais complexo.</p><p>Nm Ás brincadeiras e as atividades lúdicas auxiliam no desenvolvimento de</p><p>valências fisicas e motoras que são importantes nas práticas esportivas.</p><p>mM Éimportante que se utilizem materiais e equipamentos diversificados</p><p>para que as aulas sejam mais motivantes e criativas e que estimulem</p><p>diferentes tipos de habilidades. Exemplos de materiais e equipamentos:</p><p>bolas de diferentes tamanhos, pesos e formatos; bambolês; bastões;</p><p>cordas; elásticos; escadas de agilidade; cones, entre outros.</p><p>Mm É muito importante que as atividades promovam a socialização, a</p><p>integração, a cooperação e o trabalho em equipe.</p><p>Mm Metodologias que utilizam o jogo propriamente dito como referência</p><p>na aprendizagem são muito bem aceitas e têm otimos resultados no</p><p>ambiente escolar. O ensino fragmentado e repetitivo de fundamentos</p><p>de forma isolada torna as aulas monótonas e pouco atrativas; portanto</p><p>é importante que os jogos estejam presentes no processo de ensino-</p><p>-aprendizagem em ambientes escolares.</p><p>Qual seria a metodologia mais adequada para aplicação nos ambientes</p><p>escolares? Como fazer? O que fazer?</p><p>1) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>Tratando-se de metodologias de ensino, é muito complexo elencar qual seria</p><p>a melhor delas para o desenvolvimento no ambiente escolar, pois o método de</p><p>ensino depende muito da realidade de cada instituição, da estrutura disponível,</p><p>dos recursos, da equipe, do material, dos objetivos de aprendizagem, entre</p><p>outros aspectos. Diante desses fatos, é viável estabelecer diferentes possibil1-</p><p>dades e formas de atuação, relatos de experiências de ensino para que, assim,</p><p>seja possivel optar pelas metodologias que possam ser mais adequadas para a</p><p>realidade que se pretende aplicar.</p><p>Não existe uma receita ou uma padronização de metodologia para se traba-</p><p>lhar a educação física, nem seus conteúdos no contexto escolar. As diretrizes</p><p>são estabelecidas e, a partir delas, os profissionais da instituição devem, em</p><p>conjunto com a equipe pedagógica, discutir os conteúdos e as metodologias</p><p>mais adequadas para a realidade dos alunos e da instituição.</p><p>Pensando o voleibol como conteúdo da educação fisica escolar, sugeri-</p><p>remos que o professor elabore um planejamento para que os conteúdos não</p><p>sejam aplicados da mesma forma em todo o período escolar. Na sequência,</p><p>será apresentada uma sugestão de divisão de conteúdos de acordo com as</p><p>diferentes faixas etárias:</p><p>De 2 a 6 anos — nessa fase, a criança está no período de formação das</p><p>habilidades motoras básicas e da psicomotricidade. Nesse periodo, é impres-</p><p>cindivel que o fator lúdico seja preponderante na escolha das atividades. Não</p><p>é indicado que atividades especificas voltadas ao esporte sejam trabalhadas,</p><p>mas que jogos motores, cooperativos, recreativos e de formas diversas, sejam</p><p>explorados nas mais diferentes possibilidades. O objetivo principal deve ser</p><p>o trabalho do repertório motor de forma global.</p><p>De 7 a 10 anos — nesse periodo, as habilidades motoras básicas das crianças,</p><p>se bem estimuladas, já devem estar bem desenvolvidas. Sugerimos, ainda,</p><p>que o trabalho psicomotor geral seja o foco do aprendizado. As crianças</p><p>já começam a compreender regras e elas podem ser trabalhadas por meio</p><p>de pequenos jogos motores e recreativos. Embora possam ser introduzidas</p><p>algumas atividades competitivas, o foco deve estar em jogos e em atividades</p><p>cooperativas. À partir dos 8 anos de idade, alguns esportes já podem ser</p><p>introduzidos, mas de forma adaptada (bola, quadra, regras) e sem a cobrança</p><p>da execução técnica dos fundamentos de forma padronizada. O voleibol pode</p><p>ser inserido por meio do minivoleibol, que tem regras próprias e é jogado em</p><p>quadras adaptadas e com menor número de jogadores.</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) (s</p><p>De 11 a 12 anos — nessa fase, o repertório motor da criança já deve estar bem</p><p>desenvolvido. Pode-se trabalhar com atividades que envolvam diferentes tipos</p><p>de habilidades e movimentos, como andar em diferentes direções controlando</p><p>uma bola pelo toque; deslocamentos rápidos (agilidade) combinados com a</p><p>execução de movimentos (manchete, toque, etc.), entre outros. Nesse periodo,</p><p>os jogos pré-desportivos (Jogos que têm regras flexiveis e que trabalham</p><p>aspectos e habilidades que são comuns a algum tipo de esporte) são bastante</p><p>utilizados. Como exemplo, podemos citar o jogo de queimada; caçador. Nesse</p><p>jogo, diferentes aspectos podem ser trabalhados. Se utilizado como jogo pré-</p><p>-desportivo para o voleibol, as regras podem ser adaptadas da seguinte forma:</p><p>NM abola não pode ser encaixada (como no Jogo original) e, para não ser</p><p>queimado, o aluno deve fazer o movimento da manchete, com a bola</p><p>caindo no seu campo (assim, não será queimado);</p><p>a bola deve ser lançada somente com movimentos de um dos braços,</p><p>acima da linha da cabeça (ou seja, inicia-se o movimento parecido ao</p><p>da cortada);</p><p>NM outra forma do jogo de queimada é jogar com a rede de voleibol, em</p><p>que a bola deve ser lançada sobre a rede (com uma ou com duas mãos).</p><p>Esses são apenas alguns exemplos práticos de atividades que podem ser</p><p>trabalhadas do conteúdo voleibol para essa faixa etária. Nesse periodo, o</p><p>minivoleibol também é uma proposta metodológica interessante e os funda-</p><p>mentos do jogo devem ser trabalhados sem que haja uma cobrança excessiva</p><p>das regras do jogo (essas podem ser bem básicas e adaptadas). Como sugestão,</p><p>os fundamentos mais importantes são saque por baixo, toque, manchete e</p><p>ataque simples.</p><p>De 13 a 14 anos — nessa fase, o aluno já deve estar com o repertório motor</p><p>e</p><p>fisico bem desenvolvido. Os fundamentos podem ser trabalhados em forma</p><p>de desafio, entre grupos ou pessoais. Os alunos podem ser estimulados a</p><p>superar seus limites pessoais por meio de pequenas competições (sem foco</p><p>excessivo no ganhar e perder). Pode-se utilizar o jogo do voleibol com regras</p><p>adaptadas inicialmente como:</p><p>mM liberar que a bola recebida do saque possa ser agarrada;</p><p>Mm permitir um toque no chão da bola (estilo pingue-pongue);</p><p>deixar a rede a uma altura baixa (entre 2 a 2,20 m, aproximadamente);</p><p>6) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>utilizar diferentes tipos de bola (podem ser utilizadas bolas mais leves</p><p>ou até mesmo bolas de plástico em alguns momentos).</p><p>É importante também que os alunos tenham acesso a conteúdos informa-</p><p>tivos do esporte, como sua origem e caracteristicas na criação. Uma sugestão</p><p>seria a prática da modalidade com regras de sua origem e, na sequência, um</p><p>debate sobre a experiência.</p><p>De 15 a 17 anos — nessa fase, o esporte já pode ser inserido como uma prática</p><p>voltada à qualidade de vida, saúde e bem-estar e uma opção de lazer. Aos</p><p>mais habilidosos, pode ser indicada a especialização esportiva, em projetos</p><p>e escolinhas da modalidade. E importante que se trabalhe a visão crítica em</p><p>relação aos esportes (fazer com que o aluno compreenda todos os aspectos</p><p>que envolvem a prática esportiva — políticos, econômicos, éticos, etc.). O jogo</p><p>de voleibol pode ser trabalhado de forma geral com foco no aspecto lúdico</p><p>da modalidade.</p><p>Manifestações do esporte no ambiente escolar</p><p>Um aspecto relevante e importante que deve ser pensado no planejamento</p><p>educacional é a questão da compreensão do esporte nas suas diferentes manifes-</p><p>tações, para compreender suas semelhanças e diferenças básicas. Dessa forma,</p><p>não cecorrem equivocos durante a aplicação prática e, como consequência, os</p><p>alunos envolvidos não são discriminados pela escolha equivocada da forma</p><p>de aplicação do método de ensino. O esporte, de acordo com sua finalidade e</p><p>objetivos, está dividido em:</p><p>Mm Esporte educacional — esporte como conteúdo de ensino nos ambientes</p><p>educacionais;</p><p>mM Esporte de participação — esporte como forma de lazer e qualidade</p><p>de vida da população em geral;</p><p>Esporte de rendimento — esporte para performance e rendimento</p><p>esportivo. Como meio de competição amadora ou profissional.</p><p>Por muito tempo, antes de haver uma classificação clara e distinta do es-</p><p>porte, essas três manifestações se “misturavam” no ambiente escolar. Algumas</p><p>práticas da educação fisica focavam a atividade esportiva apenas para o lazer,</p><p>de forma recreativa, similar ao esporte de participação, sem fundamentos ou</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) [7</p><p>fins educacionais. Na prática era o famoso “Joga a bola”, ou seja, os alunos</p><p>realizavam as práticas que mais tinham interesse e afinidade, sem uma coor-</p><p>denação e controle do professor. Isso tornava as aulas extremamente vagas e</p><p>a presença do professor era praticamente dispensável.</p><p>Uma segunda metodologia muito utilizada no ambiente escolar utilizava</p><p>as aulas de educação física como uma atividade de iniciação esportiva,</p><p>aproximando-se muito dos objetivos do esporte de rendimento. Essa prática</p><p>dificilmente tinha êxito pelos seguintes fatos:</p><p>mM poucos colégios e instituições educacionais têm estrutura física de</p><p>qualidade para trabalhar o esporte de rendimento;</p><p>M para que se tenha êxito e resultados significativos no esporte de rendi-</p><p>mento, as práticas semanais não deveriam ser inferiores a três sessões</p><p>por semana de, no minimo, 2 horas por sessão;</p><p>MN aquantidade e a diversidade dos materiais para a prática do esporte de</p><p>rendimento é muito importante e as instituições escolares não dispõem</p><p>de materiais suficientes;</p><p>mM oesporte de rendimento exige que seus participantes tenham característi-</p><p>cas fisiológicas que auxiliem na modalidade. No caso do voleibol, atletas</p><p>de baixa estatura dificilmente terão espaço no esporte competitivo;</p><p>Mm acomponente habilidade esportiva é muito importante no esporte de</p><p>rendimento e, no ambiente escolar, existem alunos com diferentes</p><p>características e, muito provavelmente, a maioria não terá habilidades</p><p>suficientes para se destacar no rendimento esportivo.</p><p>Esses são alguns dos fatos que tornam o esporte de rendimento no ambiente</p><p>escolar uma prática inviável (nas aulas de educação fisica), mas pode, sim,</p><p>ser uma prática para um projeto no contraturno escolar, desde que haja uma</p><p>seleção de alunos com interesse e caracteristicas adequadas para a prática.</p><p>Conhecendo essas situações, fica mais fácil escolher a metodologia ade-</p><p>quada ao esporte escolar, em que os objetivos educacionais sejam atingidos</p><p>com a prática esportiva e com as aulas de educação fisica.</p><p>Para que uma metodologia seja adequada para a aplicação do esporte na</p><p>escola, no caso especifico do voleibol, é necessário que alguns objetivos sejam</p><p>contemplados: desenvolvimento básico das habilidades psicomotoras gerais</p><p>e especificas, conhecimento do esporte, suas caracteristicas e finalidades,</p><p>conhecimento dos beneficios fisiológicos da prática esportiva e vivência das</p><p>técnicas da modalidade.</p><p>e) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>Desenvolvimento básico das habilidades psicomotoras</p><p>gerais e específicas</p><p>Nas aulas de educação fisica, com alunos dos anos iniciais, é fundamental</p><p>que ocorram práticas que promovam o aprimoramento e o desenvolvimento</p><p>das habilidades psicomotoras gerais, tais como:</p><p>coordenação motora ampla;</p><p>lateralidade;</p><p>equilibrio;</p><p>noção espacial;</p><p>noção temporal;</p><p>organização do esquema corporal;</p><p>ritmo;</p><p>expressividade;</p><p>agilidade.</p><p>Como sugestão de formas de desenvolvimento dessas habilidades, des-</p><p>tacamos as brincadeiras e os jogos motores (pega-pega diversos, estafetas,</p><p>atividades que envolvam as habilidades de movimento naturais como andar,</p><p>correr, saltar, lançar, rolar, agarrar, etc.), os jogos cooperativos e competitivos,</p><p>os jogos prê-desportivos, entre outros.</p><p>Conhecimento do esporte, suas características e finalidades</p><p>É importante apresentar o esporte e suas características desde a sua origem</p><p>até a atualidade. Proporcionar que o aluno reflita sobre os motivos da criação</p><p>dessa prática esportiva, sobre quais eram os objetivos iniciais e quais são</p><p>os da atualidade. O aluno, ao comparar a prática esportiva em diferentes</p><p>momentos históricos do nosso País e do mundo, pode ter uma visão critica</p><p>e ampliada sobre a prática esportiva. Essa atividade pode ser trabalhada por</p><p>meio de trabalhos de pesquisa apresentados pelo professor, de estudos de caso</p><p>de situações que envolvam o esporte, de entrevistas com profissionais da área,</p><p>com atletas, ex-atletas e de outras formas ativas de estudo.</p><p>Conhecimento dos benefícios fisiológicos da prática esportiva</p><p>Conhecer e analisar quais são os benefícios gerais que o esporte proporciona</p><p>aos seus praticantes, assim como possiveis contraindicações é um dos objeti-</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) (s</p><p>vos de uma metodologia adequada para o ensino do esporte. Entender quais</p><p>grupos musculares são mais solicitados para a prática da modalidade, o tipo</p><p>de esforço que predomina no esporte, as reações fisiológicas que são comuns</p><p>nos praticantes, ou seja, conhecer a importância e os benefícios do esporte.</p><p>Algumas sugestões para oportunizar esses conhecimentos seriam:</p><p>Mm apresentar videos que demonstrem a anatomia, a fisiologia e o funcio-</p><p>namento do corpo de forma geral e no exercicio;</p><p>Mm apresentar a bliomecânica e a bioquimica do exercício;</p><p>MN aplicar práticas com avaliação e testes de desempenho e resultados</p><p>(controle da frequência cardiaca e da pressão arterial, testes de volume</p><p>de oxigênio, entre outros);</p><p>NM estimular a pesquisa e o desenvolvimento de trabalhos para aprofun-</p><p>damento nos assuntos;</p><p>considerar as sugestões dos próprios alunos sobre formas de acesso</p><p>aos assuntos.</p><p>Vivência das</p><p>técnicas da modalidade</p><p>Para vivenciar as técnicas da modalidade esportiva é importante desenvolver</p><p>exercicios que oportunizem o aprendizado básico dos principais fundamen-</p><p>tos técnicos da prática, no caso do voleibol: o toque, a manchete, o saque, o</p><p>bloqueio, a cortada e os rolamentos. Deve-se levar sempre em consideração</p><p>que a execução do gesto técnico com perfeição não deve ser a prioridade, mas</p><p>o aprendizado do gesto de forma que a pratica do jogo possa ser eficiente.</p><p>Como exemplo da diferença do ensino do gesto técnico no voleibol escolar e</p><p>no voleibol de rendimento, podemos citar o saque. No voleibol escolar, estimula-</p><p>-se o aprendizado inicial do saque “por baixo”, em que a bola é golpeada na</p><p>sua parte inferior e, posteriormente, com o dominio da técnica, o ensino do</p><p>saque “por cima”, em que a bola é golpeada na parte anterior. Mesmono saque</p><p>por cima, que geralmente é mais forte e dificulta a recepção, o professor, no</p><p>processo de aprendizado, deve destacar que o objetivo principal, no ambiente</p><p>escolar, não deve ser o de dificultar a recepção da equipe adversária (esse</p><p>é o objetivo do saque no esporte de rendimento, que pode ser considerado</p><p>o primeiro ataque da equipe), mas o de colocar a bola em jogo para que as</p><p>equipes possam desfrutar da prática pelo maior tempo possível e para que</p><p>todos tenham a oportunidade de vivenciar as práticas oferecidas.</p><p>Como sugestão para as práticas, pode-se ajustar as regras para facilitar o</p><p>jogo, como, entre outras estratégias:</p><p>10) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>= permitir, de forma inicial, mais do que três toques;</p><p>deixar a bola quicar o solo sem punição;</p><p>utilizar uma bola maior e mais leve;</p><p>baixar a altura da rede;</p><p>permitir equipes mistas;</p><p>diminuir os espaços e o número de jogadores.</p><p>No ambiente escolar, cabe ao professor conhecer diferentes estratégias de</p><p>ensino, analisar a realidade local e os objetivos a serem alcançados e selecionar</p><p>as estratégias que melhor atendem as necessidades do grupo.</p><p>Na sequência, você 1rá poder se aprofundar em outra forma de manifes-</p><p>tação do esporte, o rendimento, que tem caracteristicas bastante distintas e</p><p>especificas, bem diferentes do esporte escolar.</p><p>Voleibol com foco no desempenho</p><p>O esporte pode ser trabalhado com diferentes objetivos, mas para isso são</p><p>necessárias metodologias diferentes de ensino. Quando se fala em rendimento,</p><p>lembramos de forma automática do elemento “competição”, que está direta-</p><p>mente relacionado a essa prática.</p><p>A diferença do esporte de rendimento para o esporte escolar inicia na</p><p>terminologia utilizada para o profissional que atua na área. Na escola, ele é</p><p>chamado de professor, mas quando atua no ambiente de treinamento esportivo,</p><p>é chamado de têcnico, de forma geral. Para uma boa atuação na área de tre1-</p><p>namento, é imprescindivel que o profissional seja especialista na modalidade</p><p>com que irá trabalhar.</p><p>O voleibol como modalidade esportiva exige de seus praticantes um nivel</p><p>de condicionamento técnico, tático, fisico e emocional aprimoradissimo, e</p><p>para 18so se faz necessária uma programação de treinamento integral e uma</p><p>preparação metódica, continua e planejada, para alcançar ótimo desempenho</p><p>e bons resultados esportivos.</p><p>Até o início da década de 1980, os Estados Unidos e a antiga União Soviética</p><p>(hoje Rússia) dominavam o cenário mundial no voleibol. À seleção brasileira de</p><p>voleibol, a partir da década de 1930 vem crescendo nos resultados esportivos</p><p>nas competições internacionais. Hoje é uma referência, tanto na modalidade</p><p>masculina quanto feminina, além do voleibol de praia. Esse sucesso e os</p><p>resultados significativos em mundiais e em jogos olímpicos estimularam</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) [n</p><p>muitos jovens a iniciar a prática esportiva em caráter competitivo e o esporte</p><p>se expandiu em todo o Brasil.</p><p>O Brasil está entre os melhores países do mundo na modalidade de voleibol. Esse fato</p><p>contribuiu de forma significativa para o aumento dos praticantes desse esporte de</p><p>forma geral. As principais conquistas do voleibo!| brasileiro, nos últimos tempos, foram:</p><p>E 1993 — Conquista inédita: "A primeira vez a gente nunca esquece" especialmente</p><p>quando a conquista acontece em casa. Comandada pelo técnico José Roberto Gui-</p><p>mMarães, a seleção brasileira sagrou-se campeão da Liga Mundial pela primeira vez,</p><p>em 1953, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, após vencer a Rússia por 3 sets a O,</p><p>E 200] — A era Bernardinho: para conquistar o bicampeonato, o Brasi| teve que des-</p><p>bancar ninguém menos do que a Itália, com quem nutria uma rivalidade histórica</p><p>— & que era a Maior campeá do torneio na época, com oito medalhas de ouro. Em</p><p>Katowice, na Polônia, otítulo veio para os brasileiros, depois de uma vitória contra</p><p>ositalianos por 3 sets a 0. Naquele ano, o atualtécnico da seleção brasileira de vôlei,</p><p>Bernardinho, iniciou o seu ciclo vitorioso no campeonato, Todos os outros troféus</p><p>da Liga que o país conquistou a partir dessa data foram com ele no comando,</p><p>E 2003 — É ponto do Brasíl! Gibal. Um dos jogos mais emocionantes da história — e</p><p>que será lembrado para sempre pela superação da equipe brasileira, Perdendo por</p><p>2 sets a | para a Sérvia e Montenegro, além de uma desvantagem considerável no</p><p>quarto set, o Brasil foi protagonista de uma virada emocionante e ganhou otítulo</p><p>ha quinta etapa (fie-break5et decisivo), por 31 a 29, em Madri. O herói do ponto</p><p>que levou a seleção ao ouro? Giba.</p><p>E 2004 — É tetra! É tetral. A seleção brasileira masculina de vêlei reencontrou a italiana</p><p>em uma final novamente, dessa vez em Roma. Com as parciais de 27-25, 25-15,</p><p>25-27 2 25-17, os brasileiros levaram a melhor sobre os donos da casa, por 3 sefsa 1.</p><p>E 2005 — Tri consecutivo: após a emocionante final contra a Sérvia e Montenegro,</p><p>em 2003, o Brasil reeditou aquele momento. De virada, conquistou mais um título</p><p>sobre o adversário, na casa deles, em Belgrado, por 3 sets a 1,e sagrou-se penta-</p><p>campeão da Liga Mundial — e tricampeão seguido,</p><p>E 2006 — Mais uma conquista heróica no tie bregk: o hexacampeonato do Brasil foi</p><p>marcado por outra virada histórica. Disputando otítulo com a França, em Moscou,</p><p>a equipe de Bernardinho perdia por 2 sets a 0 De maneira heroica, os brasileiros</p><p>não apenas empataram o jogo como venceram o tie break por 15-13, levando</p><p>mais um troféu para casa. O time era liderado por Giba, eleito o melhor jogador</p><p>da Liga Mundial, em 2006,</p><p>NM 2007 — O ano que encerrou os títulos seguidos do Brasil (pentacampeonato</p><p>consecutivo): de volta a Katowice, o Brasil encarou a Rússia pela segunda vez em</p><p>uma final — e começou perdendo por 1 set a 0, após as parciais de 18-25, Mas a</p><p>seleção canarinha se superou mais uma vez e virou o jogo: 3 sets a 1,com o brasileiro</p><p>Ricardinho eleito o melhor jogador da Liga Mundial.</p><p>12) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>NM 2009 — Reencontro com a Sérvia em Belgrado: o cenário foi praticamente o mesmo</p><p>de 2005: os anfitriões saíram à frente no placar, mas os brasileiros conseguiram a</p><p>virada. Ainda assim, os donos da casa conseguiram levar, mais uma vez, 6 jogo</p><p>para o tie-bregk, Apesar disso, a seleção brasileira ganhou o quinto set por 15-12,</p><p>com e placarfinal de 3 sets a 2, e faturou o eitavo troféu da competição, iqualando</p><p>o recorde da Itália.</p><p>Mm 2010 — Gracias, hermanos! Essa foi a última vez em que o Brasil esteve em uma final</p><p>da Liga Mundial. Em partida contra a Rússia, em Córdoba, na Argentina, a seleção</p><p>brasileira venceu o adversário por 3 sets a 1, com parciais de 25-22, 25-22, 16-25</p><p>E 25-23, e setornou a maior campeá do torneio, com nove troféus, ultrapassando</p><p>os Italianos.</p><p>O processo de treinamento esportivo voltado ao desempenho exige pla-</p><p>nejamento e organização prévia para que os resultados e objetivos propostos</p><p>possam ser alcançados. Os programas de treinamento são organizados de forma</p><p>anual, em que são preestabelecidas as principais</p><p>etapas e competições das quais</p><p>se pretende participar. Ao planejar é importante também destacar qual será a</p><p>principal competição do ano e, se para a participação é necessário entrar em</p><p>outra competição seletiva. Quando é necessária uma prêé-classificação para</p><p>uma competição de maior importância, o planejamento de treinamento deve</p><p>levar em consideração, primeiramente, a preparação para essa competição</p><p>seletiva (por exemplo, não adianta focar os treinamentos pensando em um</p><p>campeonato estadual se, para participar dele, se faz necessário ganhar um</p><p>campeonato regional.</p><p>Um aspecto importante a ser considerado é que os métodos de treinamento</p><p>não podem ser transportados do esporte de alto nivel e aplicados para todas</p><p>as categorias, visto que envolvem especificidades para as diferentes faixas</p><p>etárias. Dessa forma, deve ocorrer a adaptação do volume, da intensidade,</p><p>de exigências técnicas e táticas, de acordo com as caracteristicas dos prati-</p><p>cantes. Assim, conhecer o atleta é fundamental para planejar a preparação</p><p>de uma equipe de forma fisica, técnica e tática, buscando a obtenção de bons</p><p>resultados. Porém, o que se observa na prática, principalmente em categorias</p><p>menores, é a ausência de um planejamento com perspectivas de longo prazo</p><p>e, quando isso acontece, quase sempre é reproduzido o modelo das equipes</p><p>de alto nível (VILAS BOAS, 2008).</p><p>Durante o processo de treinamento, qualquer negligência nos tipos de</p><p>preparação física, técnica, tática e psicológica pode interferir no desempenho</p><p>da performance. Portanto, o ideal é saber como trabalhar cada fator e em que</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) (13</p><p>momento do treinamento o fator tem maior importância, para assim alcançar</p><p>a evolução do time e do desempenho (HERNANDES JUNIOR, 2002).</p><p>Outro aspecto importante que deve ser observado e organizado é a plani-</p><p>ficação do treinamento. Na planificação, existem vários métodos e propostas;</p><p>porém a base pode ser exemplificada em dois grupos: periodização do treina-</p><p>mento e os principios básicos do treinamento. Hernandes Junior (2002) propõe</p><p>os seguintes princípios básicos do treinamento que devem ser considerados:</p><p>Mm Especificidade do treinamento — o exercicio proposto no treina-</p><p>mento é que determina a transferência (negativa ou positiva) ou não</p><p>do desempenho.</p><p>= Individualidade biológica — é outro principio importante, pois cada</p><p>organismo responde de maneira diferente em niveis de adaptação e a</p><p>um estimulo. Justamente por 18so, o programa de treinamento deve</p><p>ser baseado na capacidade de cada um, para que não existam metas</p><p>inatingíveis ou que aconteça uma decepção com a performance.</p><p>Mm Estímulo — a necessidade de tempos adequados para realizar a super-</p><p>compensação, por causa dos diferentes estilos. O organismo deve receber</p><p>estimulos com intensidade regulada, a fim de evitar a instabilidade do</p><p>desempenho.</p><p>Mm Sobrecarga — deve haver diferentes combinações de volume e de</p><p>intensidade para permitir a recuperação do organismo. Em razão dos</p><p>treinamentos e desses estimulos, podemos perceber que o organismo</p><p>necessita de recuperação, e que essas diferenças no tempo de recupe-</p><p>ração são chamadas de heterocronismo de recuperação.</p><p>m Adaptação — existem três fases: fase de alarme, de resistência e</p><p>de exaustão, nas quais os estímulos podem ser aplicados em quatro</p><p>situações:</p><p>= antes da recuperação energética inicial;</p><p>= no momento dessa recuperação energética;</p><p>= no momento em que o organismo realizou a supercompensação;</p><p>Mm após o organismo ter realizado a última fase.</p><p>Barbanti (1997) divide a preparação esportiva em três etapas:</p><p>mM AÀprimeira etapa, que é chamada de preparação básica, tem uma duração</p><p>de 3 a 4 anos com início aos 8-9 anos de idade, em que não deve haver</p><p>especialização nessa fase. O desenvolvimento deve ser multilateral e</p><p>a técnica “bruta” para facilitara execução. Devem ser desenvolvidas</p><p>14) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>capacidades motoras básicas de acordo com a idade, como o trabalho</p><p>de resistência aeróbia, de velocidade, de habilidade e de coordenação</p><p>dos movimentos em geral. Deve-se despertar o comprometimento</p><p>com os treinos, que devem ser alegres e variados, sem a finalidade de</p><p>ganhar a qualquer custo.</p><p>À segunda etapa, que dura de 3 a 5 anos, é conhecida como etapa de</p><p>formação e tem como base o aperfeiçoamento das capacidades motoras</p><p>básicas. A partir desse momento, deve-se dar ênfase à modalidade de</p><p>preferência do aluno, estimulando a ida aos treinos e tornando a prática</p><p>um hábito de vida. Essa época é decisiva na personalidade do jovem,</p><p>mas, muitos deixam de praticar por motivos socioeconômicos.</p><p>À terceira e ultima etapa, chamada de preparação de alto rendimento, é</p><p>aquela que depende da boa formação das etapas anteriores. E também a</p><p>etapa preparatória para competições de alto nível, em que se dá atenção</p><p>para a parte especifica do treino, pois é por meio dela que os atletas se</p><p>acostumam com a competição e obtêm altos rendimentos.</p><p>Outro aspecto importante e apresentado por Borsari (1989) é a divisão</p><p>das cargas de treinamento físico, técnico e tático nos diferentes momentos</p><p>do treino. No Quadro 1, a seguir, é apresentada uma proposta do autor para</p><p>o treinamento do voleibol.</p><p>.</p><p>N</p><p>Quadro 1. Divisão de treinamento do voleibol!</p><p>Físico Físico! Técnico Técnico/ Tático</p><p>puro Técnico puro tático/ puro</p><p>Fases de</p><p>jogo</p><p>1? etapa 230% 30% 230% 10% o%</p><p>2? etapa 20% 30% 20% 20% 10%</p><p>3º etapa 10% 30% 10% 30% 20%</p><p>4º etapa 10% 20% 10% 30% 30%</p><p>Fonte: Adaptado de Borsari (1989),</p><p>”</p><p>Para chegar ao alto nível, o atleta deverá dispor de dedicação integral, de</p><p>condições ideais de treinamento (material esportivo, instalações) e, principal-</p><p>mente, de uma educação física de base generalizada, adequada, com efeitos</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) (15</p><p>benéficos, orientada sempre por treinadores conscientes de suas atuações. As</p><p>atividades de base são fundamentais nas faixas etárias inferiores. “É preciso</p><p>observar as caracteristicas psicológicas do atleta em cada momento do trei-</p><p>namento, a hora de determinar objetivos e conteúdos físicos, adaptando-os</p><p>às exigências que este demanda” (WEINECK, 1991).</p><p>Weineck (1991) dentro do treinamento desportivo define três etapas</p><p>predeterminadas:</p><p>MN etapa de iniciação desportiva (aproximadamente 10—14 anos de idade);</p><p>NM etapa de preparação para alta competição (15-19 anos de idade);</p><p>MN ctapa de alta competição (20 anos de 1dade em diante).</p><p>Duwe e Novaes ([2005? ]) baseados nos estudos de Weineck (1991), separam</p><p>o processo de treinamento de voleibol em diferentes etapas, de acordo com</p><p>a idade, são elas:</p><p>Etapa de iniciação desportiva</p><p>Pré-puberal (10-13 anos de idade)</p><p>Essa etapa é o começo da vida desportiva dos futuros jogadores de voleibol. É</p><p>importante que o treinador conheça bem o seu futuro atleta, pois nessa faixa</p><p>etária a criança “passa” por vários processos de ajustamento, seja de ordem</p><p>social, emocional ou psicológica. Os alunos são bastante sensíveis às mudanças</p><p>que possam ocorrer no treinamento, qualquer deficiência de orientação por</p><p>parte do treinador poderá desestimulá-los a continuar. A duração dessa etapa,</p><p>segundo Weineck (1991), vem ocupar normalmente as idades compreendidas</p><p>entre 9—10 anos até os 14 anos.</p><p>O treinador deverá ter consciência de que algumas atividades deverão</p><p>ser evitadas, como exercicios com grandes sobrecargas sobre o sistema os-</p><p>teoarticular e contatos físicos violentos, pois, segundo Weineck (1999), as</p><p>estruturas em via de crescimento do aparelho motor ainda não têm a resistência</p><p>à carga como o adulto. Em razão da maior proporção de matérias orgânicas</p><p>relativamente moles, os ossos são mais Flexiveis e sua resistência à flexão e</p><p>à pressão é diminuída.</p><p>Mesmo na iniciação desportiva, é importante que o técnico utilize em</p><p>suas sessões de treinamento atividades que sejam motivantes e que desper-</p><p>tem o interesse do atleta. É muito comum o abandono precoce de atletas no</p><p>treinamento por causa de carga muito elevada e repetitiva de treinos. Sabe-se</p><p>16) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>que para serem realizadas com perfeição muitas valências fisicas e técnicas</p><p>precisam ser desenvolvidas repetidas vezes. Mas, essa não é a única forma de</p><p>aprendizado da técnica, o treinador pode utilizar estratégias diversas para tornar</p><p>o aprendizado da técnica mais agradável e não puramente mecânico. Pode,</p><p>inclusive, adicionar nas sessões de treinamento, atividades de outros esportes</p><p>que tenham valências físicas e táticas próximas à modalidade esportiva, para</p><p>que o treino fique mais agradável e diversificado. Como exemplo, podemos citar</p><p>um jogo de basquetebol adaptado, em que os alunos trocam passes e a cesta</p><p>só pode ser feita de “toque” ou de manchete (usando uma bola de voleiboD.</p><p>Puberal (13-14 anos de idade)</p><p>Essa fase é o começo da puberdade. Hà crescimento e desenvolvimento em</p><p>máxima velocidade, o que determina um aumento da força muscular em vir-</p><p>tude do aumento do hormônio testosterona nos meninos (WEITNECK, 1991).</p><p>Quanto à estrutura de treinamento (13—14 anos de idade), WEINECK</p><p>(1999) propõe que seja 50% preparação fisica, 30% preparação técnica e 20%</p><p>preparação tática. Algumas corridas de longa duração e intervaladas deverão</p><p>fazer parte do treinamento, além de exercicios de força e de potência muscular,</p><p>velocidade e coordenação (WEINECK, 1991).</p><p>Nessa fase, o “espirito competitivo” está bem aguçado e o treinador pode,</p><p>por meio das atividades no treinamento, estimular a superação de limites,</p><p>colocar desafios e metas individuais nas práticas e nos jogos. Como exemplo,</p><p>pode-se citar uma atividade para aprimoramento do saque, em que a quadra</p><p>pode ser dividida em àreas diferentes, demarcadas por cones e, cada cone</p><p>tem um número que equivale à sua pontuação. O objetivo é chegar a certa</p><p>quantidade de pontos. Essa atividade estimula a superação pessoal e a precisão</p><p>da técnica do saque. Assim como essa, outras atividades e jogos podem ser</p><p>utilizados nessa fase.</p><p>Etapa de preparação para alta competição (pós-</p><p>puberal)</p><p>A partir dos 14 anos de idade até a fase adulta, é quando começa o estado</p><p>especializado da fase de desenvolvimento motor relacionado ao esporte, em</p><p>que os interesses e as habilidades, nesse estado, são mais refinados.</p><p>Um dos papéis fundamentais do treinador é saber selecionar seus atletas</p><p>para a preparação para a alta competição. Para Rodrigues (apud WEINECEK,</p><p>1991), o objetivo dessa prévia seria dar continuação ao trabalho, formando</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) | 117</p><p>atletas muito qualificados; 1580 sugere alguns parâmetros a serem observados</p><p>pelo treinador:</p><p>Nível de rendimento da velocidade de reação do jogador — esse aspecto</p><p>ê muito importante porque o voleibol exige um alto nível de agilidade dos</p><p>seus praticantes em quase todos os seus fundamentos técnicos e a velocidade</p><p>de reação é imprescindivel em todos os momentos do jogo. À bola, quando</p><p>golpeada, atinge velocidades altíssimas em curto espaço, dessa forma, as</p><p>reações rápidas são muito importantes para o sucesso nas ações,</p><p>Altura e envergadura do jogador — essas caracteristicas, relacionadas</p><p>ao biotipo do atleta, são importantes no voleibol de rendimento, pois fazem</p><p>muita diferença no desempenho geral do jogador. Como exemplo, podemos</p><p>citar um jogador com 2,05 m de altura e envergadura de 2,10 m, se comparado</p><p>com um jogador de 1,90 m de altura e envergadura de 1,95 m, o primeiro</p><p>Jogador estaria propenso a ter maior facilidade no fundamento de bloqueio,</p><p>de ataque e de defesa, devido ao seu biotipo mais avantajado que facilitaria</p><p>esses fundamentos e ações do jogo.</p><p>Aquisição dos domínios fundamentais técnicos — um bom atleta precisa</p><p>ter um equilibrio de habilidade em todos os fundamentos técnicos da modali-</p><p>dade (saque, bloqueio, ataque, recepção, entre outros). É comum que se tenha</p><p>algumas especialidades e destaque em alguns fundamentos, mas o equilibrio</p><p>se torna muito importante, pois, se 15so não acontecer, o rendimento da equipe</p><p>pode ser comprometido. Como exemplo, podemos citar um jogador que possa</p><p>ter excelente desempenho no ataque, mas que seja tecnicamente fraco no blo-</p><p>queio. Essa situação comprometeria muito a equipe e sobrecarregaria os demais</p><p>Jogadores, podendo comprometer o desempenho da equipe de forma geral.</p><p>Personalidade do atleta — embora esse aspecto nem sempre seja levado</p><p>em consideração para a seleção de atletas, é bastante importante e relevante.</p><p>O esporte competitivo exige do aspecto comportamental e psicológico do</p><p>atleta. Em muitos momentos do jogo, o atleta 1rá ter que superar críticas dos</p><p>seus próprios colegas, de técnicos ou até de torcedores e, nesses momentos,</p><p>precisará ter um equilibrio emocional muito grande. Para tanto, os traços</p><p>de personalidade influenciam muito. Imaginando uma situação prática no</p><p>voleibol, podemos citar o exemplo de um jogador designado para ser capitão</p><p>da equipe. Esse atleta, preferencialmente, deve ter um perfil de liderança, de</p><p>autoconfiança, deve ter autoestima muito bem trabalhada, equilibrio emocional,</p><p>18) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>entre outras qualidades, para que possa contribuir de forma positiva com a</p><p>equipe e superar as pressões comuns do jogo.</p><p>Equilíbrio psíquico — assim como a personalidade, o equilíbrio psíquico</p><p>é muito importante no atleta (nivel intelectual aumentado e capacidade de</p><p>observação melhorada), pois esses aspectos podem oportunizar bons efeitos</p><p>sobre o processo de treinamento geral.</p><p>No processo de organização de equipes para treinamento, assim como</p><p>a primeira etapa, esta deve ser dividida em partes, como veremos a seguir.</p><p>Faixa etária de 15-16 anos</p><p>Após a seleção dos atletas, o treinador terá um grupo mais homogêneo (nivel</p><p>técnico, tático e físico), o que facilitará o seu trabalho. Conhecendo suas</p><p>principais caracteristicas e deficiências, ele poderá trabalhá-las de forma ade-</p><p>quada, especificará e, se possivel individualizará o treinamento com o objetivo</p><p>de corrigir falhas e de desenvolver a performance e as qualidades do atleta.</p><p>Destaca-se, também, que em todas as etapas do treinamento, a preparação</p><p>psicológica é de grande importância e relevância, pois é comum que atletas</p><p>muito bem preparados nos aspectos técnicos e táticos tenham resultados ad-</p><p>versos em competições por não conseguirem controlar as “pressões” comuns</p><p>em competições.</p><p>Assim como nas fases anteriores, é importante que o treinador crie um</p><p>clima amistoso e agradável nos treinos, que busque atividades diversificadas</p><p>para descontrair o ambiente. Para tanto, é muito importante que o profissional</p><p>tenha criatividade para tornar o processo de treinamento mais dinâmico.</p><p>Como exemplo, podemos citar uma forma de aquecimento. É muito comum</p><p>vermos atletas correndo por 10 a 15 minutos em volta da quadra para aquecer,</p><p>na parte principal do treinamento. Essa mesma atividade pode ser feita por</p><p>meio de brincadeiras como pega-pega, estafetas, “bobinho com bola”, entre</p><p>outras. Essas atividades podem ser adequadas às necessidades especificas</p><p>do treinamento, por exemplo: pode-se fazer um pegador, usando a quadra de</p><p>voleibol como área da atividade; o pegador ficará com uma bola e os demais</p><p>deverão fugir, utilizando-se somente de deslocamentos laterais e de costas,</p><p>não poderão andar ou correr para frente. Para pegar a bola, a panturrilha do</p><p>colega deve ser tocada.</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) (19</p><p>Faixa etária de 17-18 anos</p><p>À tendência de uma preparação para outra é intensificar o treinamento, explo-</p><p>rando as potencialidades do atleta ao máximo e corrigindo erros de forma a se</p><p>atingir o grau ótimo de performance. Para isso, o atleta deverá ter consciência</p><p>do que realmente deseja, esforçando-se ao máximo para obter o êxito almejado.</p><p>Weineck</p><p>(1999) ainda reforça que essa fase é o começo de uma preparação</p><p>primordialmente especializada, com 35% do temo dedicado à preparação téc-</p><p>nica, 35% à tática e 30% à fisica. O autor sugere ainda que o treinamento seja</p><p>de 12a 15 horas semanais de preparação, e que inclua exercícios que busquem</p><p>a melhoria da resistência aeróbia e anaeróbia, da força (cargas médias), da</p><p>potência muscular, da velocidade, da coordenação; tudo isso com o objetivo</p><p>de ampliar as capacidades.</p><p>Faixa etária 19-20 anos</p><p>À complexidade das ações dos atletas se torna mais evidenciada nessa fase. O</p><p>treinador preocupa-se em corrigir detalhes nas ações defensivas/ofensivas que</p><p>poderão ser significativas para a boa atuação da equipe. O treinamento deverá</p><p>constar de 30% para a preparação física, 30% para a preparação técnica e 40%</p><p>para a preparação tática (WEINECK, 1999), Nessa fase, também predominam</p><p>o aperfeiçoamento da técnica e da tática e a preparação do organismo para</p><p>enfrentar cargas elevadas.</p><p>Etapas de alta competição</p><p>O objetivo dessa fase, que compreende idades posteriores a 20 anos, segundo</p><p>WEINECK (1991), seria o aprofundamento especifico das capacidades e,</p><p>ainda, conforme Tubino (apud WEINECK, 1991), o treinamento desportivo</p><p>de alta competição pode ser considerado, em termos organizacionais, como</p><p>uma composição das quatro preparações fundamentais (têcnica/tática/fisica/</p><p>psicológica) sob um efetivo controle médico (médico, de alimentação e dos</p><p>hábitos de vida dos atletas).</p><p>À preparação fisica será prioritária quando se tratar de um treinamento</p><p>em padrões elevados, pois dará meios a um aperfeiçoamento significativo nos</p><p>recursos técnicos por meio da possibilidade de uma quantificação do trabalho</p><p>especifico do desporto visado.</p><p>Portanto, o processo de treinamento esportivo para o rendimento é bastante</p><p>complexo e exige um ótimo planejamento e organização. O processo inicia</p><p>20) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>na seleção de atletas para participar do treinamento e tem continuidade com</p><p>o acompanhamento periódico do rendimento.</p><p>Na sequência, você poderá conhecer outra manifestação do esporte que se</p><p>diferencia bastante das duas citadas anteriormente e que também é importante</p><p>para o profissional de educação fisica.</p><p>Link</p><p>No fink, a seguir, você poderá conhecer exemplos de equipamentos e materiais que</p><p>podem ser utilizados para o treinamento da iniciação aoalto rendimento no voleibol.</p><p>https://goo.gl/EdouLu</p><p>”.</p><p>Voleibol como participação</p><p>Nesta seção, você poderá conhecer outra forma de aplicação da modalidade,</p><p>o voleibol como participação, em que os objetivos e as características das</p><p>práticas são bem especificos e diferem das duas formas apresentadas.</p><p>O esporte, de forma geral, pode ser entendido como uma ferramenta que</p><p>desperta olhares e sentimentos diferentes na população. À relação entre esporte</p><p>e a humanidade é uma evidência, enquanto alguns tem contato direto com</p><p>a prática, outros realizam apenas um acompanhamento por meio dos meios</p><p>televisivos e da midia em geral.</p><p>Quando pensamos na prática do esporte como uma ferramenta para o lazer,</p><p>esse pode servir como um motivador para a prática saudável de atividades</p><p>físicas e oportunizar hábitos saudáveis, qualidade de vida e bem-estar da</p><p>população.</p><p>O esporte e o lazer são vertentes presentes na vida do ser humano e ocupam,</p><p>atualmente, um espaço de enorme importância na vida das pessoas como</p><p>elemento de valorização da identidade, de revalorização geral do corpo e de</p><p>interesse crescente pelo cuidado à saúde, à diversão, à valorização estética.</p><p>Esse interesse não é apenas de uma parcela da população “os atletas”, mas de</p><p>todos os cidadãos que têm plena noção de seus direitos, entre os quais, o livre</p><p>acesso à prática esportiva (WALTER; MEZZADRI, 2003).</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) E</p><p>[...] destacamos o voleibol como prática eminente neste trabalho, um esporte</p><p>quetem ganhado ênfasenos últimos anos, atinge vários níveis sociais, promove</p><p>alegria, diversão e bem-estar aos seus praticantes. Osrelatos afirmam que o</p><p>voleibol fica atrás apenas do futebol como prática mais destacada, conforme</p><p>ressaltam Leite et al. (2010). (SAMPAIO et al., 2017, p. 3).</p><p>O voleibol como participação e opção de lazer proporciona diferentes</p><p>formas de aplicação e de desenvolvimento. É sabido e estudado que as práticas</p><p>esportivas podem contribuir de forma significativa para a socialização, ainte-</p><p>gração, a formação ética, e para o bem-estar geral da população. A modalidade</p><p>esportiva em si, por meio de suas práticas, exige que seus participantes traba-</p><p>lhem em equipe, superem seus limites, desenvolvam cooperação, lideranças,</p><p>trabalhem estratégias, assimilem as derrotas, assim como saibam administrar</p><p>as vitórias de forma positiva. Além desses aspectos, existem os benefícios</p><p>fisicos e fisiológicos em geral que as práticas esportivas proporcionam, pois</p><p>tiram seus praticantes do sedentarismo e proporcionam, por meio da prática,</p><p>melhores condições de vida e bem-estar geral.</p><p>No aspecto do voleibol como esporte participativo, existem diferentes</p><p>possibilidades de atuação. Na sequência, serão apresentadas algumas opções</p><p>de práticas e ações que podem ser desenvolvidas para diferentes grupos e</p><p>ambientes.</p><p>À prática do voleibol para a população adulta, de forma específica a ter-</p><p>ceira idade, pode ser uma excelente opção de esporte participativo. Diferentes</p><p>municipios já desenvolvem práticas voltadas a esse público com resultados</p><p>significativos e interessantes.</p><p>Voleibol gigante/câmbio</p><p>É um jogo similar ao voleibol em que os participantes jogam em duas equipes</p><p>com nove Jogadores cada, formando três linhas de três jogadores em cada</p><p>equipe ([ormação apresentada na Figura 1). O jogo segue uma dinâmica similar</p><p>ao voleibol, em que são permitidos três toques na bola antes de ela ser lançada</p><p>para a quadra adversária. A diferença é que no voleibol gigante a bola pode</p><p>ser segurada e lançada. O objetivo é o mesmo do voleibol: fazer a bola cair</p><p>na quadra adversária. O rodizio ocorre em forma de “S” invertido, conforme</p><p>indicação das setas na Figura 1. Se houver mais do que nove jogadores em cada</p><p>equipe, forma-se uma fila fora da quadra, na posição básica de saque do voleibol</p><p>e, ao fazer orodizio, o último jogador da posição do rodizio sai e vai para o final</p><p>da fila do seu grupo. O saque é realizado da posição central com a bola sendo</p><p>lançada. Essa proposta de jogo voltado para o público da terceira idade pode</p><p>22) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>ser uma excelente forma de inserir o voleibol como atividade de participação</p><p>focado no bem-estar, na socialização e na integração da comunidade. Pode</p><p>ser realizado tanto em ginásios e em quadras abertas quanto em praças e em</p><p>locais públicos (gramados). Essa mesma prática pode ser desenvolvida para</p><p>crianças e adolescentes como iniciação esportiva ao voleibol.</p><p>a a</p><p>Figura 1. Formação básica em quadra para o voleibol gigante.</p><p>Minivoleibol</p><p>Essa é uma prática já bastante difundida na iniciação esportiva e pode ser</p><p>uma alternativa de inclusão do voleibol como participação. Resume-se à</p><p>prática da modalidade em campos reduzidos, praticada em 2 a 2; 3a 3 e4</p><p>a 4, basicamente. O espaço, a rede e o jogo são adaptados à quantidade de</p><p>Jogadores, que inicialmente jogam usando somente os fundamentos de toque</p><p>e de manchete, e com o desenvolvimento da prática, são inseridos outros</p><p>fundamentos da modalidade até chegar próximo ao jogo de voleibol na sua</p><p>totalidade. Por ser mais fácil de praticar e proporcionar que todos toquem</p><p>na bola de forma mais constante, é muito atraente e motivador e oportuniza</p><p>excelentes resultados a seus praticantes.</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) [2</p><p>Festival de vôlei</p><p>Outra proposta para difundir a prática de voleibol na comunidade seria a</p><p>organização de festivais de voleibol por profissionais de educação fisica, em</p><p>praças e ambientes públicos gerais, em que seriam oferecidas diferentes pos-</p><p>sibilidades e formas de praticar a modalidade, atendendo aos mais diferentes</p><p>públicos e níveis de aptidão para a modalidade. São exemplos de atividades</p><p>que podem ser propostas:</p><p>Mm Voleibol em duplas — na areia, na grama ou na terra;</p><p>Nm Voleibol com saco — jogado em duplas que seguram um saco que</p><p>serve para lançar e receber a bola. Pode-se jogar em 2, 3 ou 4 duplas</p><p>em cada equipe e criar uma quadra adaptada de voleibol. O jogo tem</p><p>o foco na integração e na recreação do grupo, e pode ser jogado por</p><p>crianças e adultos. À atividade pode ser jogada com 2 a 6 duplas por</p><p>equipe, dependendo do tamanho da quadra e, o jogo segue uma dinâmica</p><p>similar a do voleibol. Cada equipe pode dar três toques antes de a bola</p><p>ser lançada para a quadra adversária. A grande diferença é que a bola</p><p>deve ser apanhada, sem tocar o solo, em um saco que deve ser segurado</p><p>pelas pontas pela dupla e, após três toques (passes obrigatórios) entre</p><p>a equipe, ser lançada para a equipe adversária.</p><p>Voleibol em grupos</p><p>Promover em locais públicos, em gramados e em praças a prática dos fun-</p><p>damentos básicos da modalidade em grupos (círculos), em que o objetivo é</p><p>somente brincar e manter a bola no ar. No início, podem ser utilizadas bolas</p><p>grandes, estilo bolas de parquinho, para facilitar a prática. Pode ser jogado</p><p>por crianças e adultos de forma conjunta.</p><p>Oficina de voleibol</p><p>É possível criar uma grande oficina de voleibol em local público onde podem</p><p>ser trabalhados diferentes tipos de brincadeiras e jogos que desenvolvam os</p><p>fundamentos básicos do voleibol de forma recreativa e promovam a prática</p><p>da modalidade.</p><p>São muitas as possibilidades de se trabalhar a modalidade considerando o</p><p>voleibol como um esporte de participação. Cabe ao profissional de educação</p><p>fisica criar estratégias dinâmicas e lúdicas para despertar o interesse pela</p><p>21) (os principais métodos de ensino do voleibol</p><p>prática do voleibol e, dessa forma, contribuir para a integração e o bem-estar</p><p>dos participantes.</p><p>Na sequência, você verá um exemplo de atividade prática que pode ser utilizada</p><p>como esporte participativo ou até mesmo no voleibo| escolar. A atividade é chamada</p><p>de vôlei pega.</p><p>Odgrupo é dividido em duas equipes em uma quadra de voleibol (podem ser equipes</p><p>de 6 até 9 jogadores), O jogo deve ser realizado, de preferência, com uma bola de</p><p>plástico grande (tipo bolas de parquinho, bem leve).</p><p>A dinâmica é parecida com a do voleibol, mas e professor criar regras adaptadas.</p><p>Algumas sugestões de regras:</p><p>MN náo existe limite de três toques para a bola passar para a quadra adversária;</p><p>MN osaque é realizado da posição central da quadra (posição 6) e pode ser realizado</p><p>com teque ou com qualquer outra forma;</p><p>Nm dependendo do grupo, pode-se permitir um toque no chão antes de a bola ser</p><p>lançada para a quadra adversária.</p><p>Após ajustadas as regras, inicia-se o jogo. Ao estar jogando, logo que cometer um</p><p>erro (bela fora, deixar a bola quicar duas vezes, a bola tocar na rede e não passar para</p><p>à quadra adversária, etc.), a equipe deve correr para o lado oposto da rede, passando</p><p>pelo fundo da quadra (saindo da quadra de vôlei) os adversários que marcaram o</p><p>ponto, logo que for consumado e erro/intração, devem correr atrás da outra equipe</p><p>(até que eles passem a linha de fundo, e tentar pegar o maior número possível de</p><p>pessoas). Cada pessoa pega é um ponto extra para a equipe. Após essa ação, o fogo</p><p>segue normalmente. sempre que alguém errar, uma equipe vaifugir e a outra irá pegar.</p><p>O voleibol escolar, desenvolvido de forma adequada e planejada, pode</p><p>ser um elemento massificador da prática do esporte, não pensando na prática</p><p>voltada ao rendimento, mas sim como uma opção de prática esportiva voltada</p><p>para o lazer, para a qualidade de vida e para o bem-estar geral. Outro aspecto</p><p>importante que foi citado no capitulo, refere-se ao fato de que muitas crianças</p><p>e adolescentes não têm oportunidades da prática esportiva fora do ambiente</p><p>escolar por não serem atingidos pelos programas de iniciação ao esporte fora</p><p>da escola (geralmente por não terem habilidades exigidas para a prática ou por</p><p>falta de programas e locais de acesso à prática esportiva). Isso faz com que as</p><p>atividades realizadas no ambiente escolar tenham maior valor e importância.</p><p>Outra forma de manifestação do voleibol] é como esporte de participação.</p><p>Essa prática está diretamente ligada ao voleibol escolar, embora sejam distintas.</p><p>Se for realizado um bom trabalho na escola, o aluno terá discernimento e visão</p><p>critica para escolher e analisar práticas esportivas voltadas para o lazer, para</p><p>Os principais métodos de ensino do voleibol ) [25</p><p>a qualidade de vida e para o bem-estar. Fora do ambiente escolar, cabe aos</p><p>profissionais de educação fisica promoverem o voleibol, entre outros esportes,</p><p>como opção de lazer e de qualidade de vida.</p><p>Por último, destacamos o esporte como rendimento, que difere das ou-</p><p>tras por ser uma prática mais especializada e que exige de seus praticantes</p><p>habilidades fisicas, técnicas, táticas, entre outras. Assim como as demais, é</p><p>uma manifestação importante, mas deve ser pensada e trabalhada de forma</p><p>diferenciada das demais, conforme já foi abordado no capítulo.</p><p>Espera-se que o profissional de educação física possa ser um disseminador,</p><p>por meio da educação física, nas suas diferentes manifestações e ambientes, da</p><p>prática esportiva organizada e bem orientada, para atender os objetivos para</p><p>cada tipo de ambiente e público e possibilitar, assim, que crianças, adolescentes</p><p>e adultos possam usufruir do esporte, como prática educacional, de lazer,</p><p>de competição ou, de todas essas formas, se assim desejar. Os profissionais</p><p>da área, ao desenvolverem o esporte, devem inicialmente verificar em qual</p><p>cenário ele ocorrerá, qual será o público a ser contemplado, para então definir</p><p>os objetivos a serem atingidos e estabelecer as estratégias de trabalho.</p><p>Referências</p><p>BARBANTI, V.J. Teoria e prática do treinamento esportivo. 2. ed, são Paulo: Edgard Blúcher,</p><p>15887.</p><p>BORSAR|, ). R. Voteibol: aprendizagem etreinamento, em desafio constante. São Paulo:</p><p>EPL, [989,</p><p>DUWE, E. /.; NOVAES, À. 1. Planejamento do voleibol! a tongo prazo por faixas etárias.</p><p>[20057], Curso de Especialização em Educação Física Escolar, Instituto Catarinense de</p><p>Pós-Graduação. Disponível em: . Acesso</p><p>em: 21 nov, 2018.</p><p>HERNANDES JUNIOR, B. D. O. Treinamento desportivo, 2. ed. Ro de Janeiro: Sprint, 2002.</p><p>SAMPAIO, J. M. E et al. voleibol e lazer: aspectos motivacionais. Int: ENCONTRO INTERN A-</p><p>CIONAL DE JOVENS INSTIGADORES, 3, 2017, Fortaleza, Anais... Campina Grande: Realize,</p><p>2017. Disponível em: , Acesso em: 21 nov, 2018.</p><p>Anotações</p><p>NTRO UNIVERSITÁRIO</p><p>Aplicação do fundamento Por meio de exercícios em forma de</p><p>jogo, de jogo adaptado, de jogo (o</p><p>saque poderá ser realizado de dentro</p><p>da quadra e o toque enviado à zona</p><p>de defesa da equipe adversária para</p><p>favorecer a manutenção da bola).</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,J, e Bojikian, L. (2012),</p><p>SN ”.</p><p>12) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>Manchete</p><p>O Quadro 4 apresenta a manchete e as suas etapas e metodologias de ensino.</p><p>FP</p><p>e</p><p>Quadro 4, Manchete</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da habilidade motora Etapas — entrada sob a bola</p><p>(posicionamento de pernas e braços),</p><p>ataque à bola (impacto da bola no</p><p>antebraço) e término do movimento</p><p>(posição braços e pernas).</p><p>Sequência pedagógica Sentados, executar o posicionamento</p><p>correto das mãos, logo, estender os</p><p>braços, estender dos punhos; em</p><p>pé, coordenação braços e pernas,</p><p>logo, utilização e lançamento da</p><p>bola. Aos poucos, a manchete</p><p>lateral deverá ser introduzida.</p><p>Exercícios educativos e/ou formativos Educativos — manutenção dos braços</p><p>estendidos para não tocar a mão na</p><p>bola e para não flexionar as pernas.</p><p>Formativo — coordenação de</p><p>braços e pernas com a utilização</p><p>de medicine bati de | ou de 2 kg.</p><p>Automatização Os mesmos exercícios indicados</p><p>para toque de bola por cima,</p><p>mas utilizando a manchete.</p><p>Aplicação do fundamento Os mesmos exercícios indicados</p><p>para otoque de bola por cima,</p><p>orientando os alunos de que toda</p><p>primeira bola (recepção) deve ser</p><p>realizada de manchete; a segunda</p><p>(levantamento), em toque; e a última</p><p>(ataque), em toque ou manchete</p><p>para garantir a eficiência do</p><p>método progressivo-associativo.</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,2J, e Bojikian, L. (2012),</p><p>x</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) | 13</p><p>Saque por baixo</p><p>O Quadro 5, a seguir, apresenta as etapas e as metodologias de ensino do</p><p>saque por baixo.</p><p>à</p><p>Quadro 5. Saque por baixo</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da Etapas — fase preparatória (posicionamento</p><p>habilidade motora corporal), execução (lançamento da bola</p><p>à frente), término do mevimento (golpe</p><p>na bola e transferência de peso).</p><p>Sequência pedagógica Lançar bola “rasteira”, sernelhante ao boliche,</p><p>com o braço estendido [..] Realizar o saque</p><p>por baixo sem bola, com bola, saque</p><p>sobre a rede atrás da linha de ataque e ir</p><p>afastando até ultrapassar a linha de fundo.</p><p>Exercícios educativos Educativos — correção de flexão do</p><p>e/ou formativos tronco e imprecisão na sacada para</p><p>utilização de trabalhos de pernas e</p><p>lançamento do braço pra frente.</p><p>Formativos — lançamento de bolas (como</p><p>boliche e semelhante ao saque por baixo) com</p><p>a utilização de medicine bati de 1 ou de 2 kg.</p><p>Automatização Saque um para o outro, saque em colunas</p><p>frente a frente, sobre a rede e começando</p><p>com distâncias curtas, saque na parede,</p><p>saque livre e também com alvos colocados</p><p>em diferentes pontos da quadra oposta.</p><p>Aplicação do fundamento Por meio de exercícios em forma de jogo,</p><p>de jogo adaptado e de jogo (os mesmos</p><p>exercícios indicados para a aplicação do</p><p>toque de bola e da manchete, com os alunos</p><p>utilizando o saque por baixo para substituir</p><p>o professor no envio da bola). Nos trabalhos</p><p>em que os alunos lançam a bola para iniciar</p><p>O jogo, eles passam a sacar por baixo.</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,J. e Bojikian, L. (2012),</p><p>x. ”.</p><p>14) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>Saque por cima</p><p>O Quadro 6, a seguir, apresenta as etapas e as metodologias de ensino do</p><p>saque por cima.</p><p>Á D</p><p>Quadro 6. Saque por cima</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da habilidade motora Saque com rotação e saque fluente,</p><p>considerado as etapas da fase</p><p>preparatória, a execução e o término</p><p>do movimento, considerando</p><p>6 posicionamento adequado</p><p>dos seguimentos corporais.</p><p>Sequência pedagógica Considerando a transferência de</p><p>aprendizagem, ensinar primeiro</p><p>o saque do tipo tênis com</p><p>rotação, que possui movimentos</p><p>de braços e tronco iguais aos</p><p>da cortada fundamento que</p><p>será ensinado na sequência).</p><p>Em fase de aperfeiçoamento,</p><p>aprender o flutuante.</p><p>Exercícios educativos e/ou formativos | Educativos — correção da imprecisão</p><p>do lançamento ao bater na bola,</p><p>posicionamento dos braços na</p><p>armada do braço de ataque.</p><p>Formativos — potência muscular</p><p>para fazer a bola passar sobre a rede,</p><p>Automatização Todos os exercícios indicados</p><p>nesta fase do processo</p><p>metodológico do saque por baixo,</p><p>mais o saque do tipotênis.</p><p>Aplicação do fundamento Poderão ser repetidos todos os</p><p>exercícios indicados nesta fase</p><p>do processo metodológico do</p><p>saque por baixo, substituíndo-o</p><p>pelo saque do tipo tênis.</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,2J, e Bojikian, L. (2012),</p><p>k. >”</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) | 15</p><p>Cortada</p><p>No Quadro 7, a seguir, são apresentadas as etapas e as metodologias de ensino</p><p>da cortada.</p><p>a</p><p>Quadro 7, Cortada</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da Etapas — deslocamento (passadas 1,2 ou 3,</p><p>habilidade motora iniciante 3), chamadas (posicionamento pés,</p><p>tronco e pernas), salto e fase aérea e queda.</p><p>Sequência pedagógica Iniciar realizando sem a bola, ir acrescentando</p><p>as etapas da habilidade motora citadas</p><p>acima, de forma progressiva. Exercícios com o</p><p>professor levantando para os alunos atacarem.</p><p>Exercícios educativos Educativos — coordenação das passadas</p><p>e/ou formativos para fazer a chamada, extensão dos</p><p>braços e percepção do tempo da bela.</p><p>Formativos — precisão no contato</p><p>da bola-mão e potência de braço.</p><p>Realizar a cortada com a utilização</p><p>de medicine ball de 1 ou de 2 ko.</p><p>Automatização O professor segura a bola próximo da rede</p><p>com a mão direita e o aluno, partindo de</p><p>trás da linha de ataque, executa as passadas</p><p>de modo que, no instante da chamada, a</p><p>bola esteja entre ele e a rede. O professor faz</p><p>um pequeno lançamento (bola de tempo),</p><p>para o ataque ser realizado. Os alunos</p><p>entregam a bola para o professor e vão para</p><p>a coluna cortar as bolas levantas por ele.</p><p>Aplicação do fundamento Realizar, nas três fases (exercícios na forma</p><p>de jogo, jogo adaptado e jogo), os mesmos</p><p>exercícios indicados para a aplicação dos</p><p>fundamentos anteriores: ataques utilizando o</p><p>toque e a manchete devem ser substituídos</p><p>pela cortada. Para facilitar o processo da</p><p>cortada, a altura da rede deve ser diminuída.</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,J, e Bojikian, L. (2012),</p><p>SN ”.</p><p>16) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>Bloqueio</p><p>O Quadro 8 apresenta as etapas e as metodologias de ensino do bloqueio.</p><p>O DR</p><p>Quadro 8. Bloqueio</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da habilidade motora | Fase preparatória (posição de</p><p>expectativa), execução, queda.</p><p>Classificação dos bloqueios (ofensivos</p><p>e defensivos) e tempo de bloqueio.</p><p>Sequência pedagógica De frente para a parede, simular</p><p>o movimento do bloqueio quase</p><p>tocando a bola. Na sequência, as</p><p>palmas das mãos tocam a parede,</p><p>logo, combinar extensão de braços e</p><p>pernas L..], para posterior realização</p><p>com o salto. Bloquear bolas desenhadas</p><p>ha parede e, após isso, o professor</p><p>sobe na cadeira e segura uma bola</p><p>para que os alunos a bloqueiem.</p><p>Exercícios educativos e/ Educativos — correção do</p><p>ou formativos posicionamento inadequado das mãos,</p><p>posicionamento dos seguimentos</p><p>corporais, e realização do salto no local</p><p>preciso e no tempo certo. Formativos</p><p>— exercícios para fortalecimento</p><p>dos músculos das mãos, da cintura</p><p>escapular, do abdome e o do dorso.</p><p>Automatização Áluno A lança uma bola com</p><p>trajetória reta sobre a rede para que</p><p>o aluno B bloqueie e complete o</p><p>movimento com flexão dos punhos,</p><p>direcionando a bola contra o solo da</p><p>quadra de A, bem próximo à rede.</p><p>Aplicação do fundamento Por meio de exercícios em forma de</p><p>jogo, de jogo adaptado e de jogo</p><p>(joga-se normalmente, e o professor</p><p>deve indicar qual aluno deverá bloquear</p><p>em</p><p>cada situação de ataque).</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,2J, e Bojikian, L. (2012),</p><p>A Classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem ) | 117</p><p>Defesa</p><p>No Quadro 9, a seguir, são apresentadas as etapas e as metodologias de ensino</p><p>.</p><p>da defesa.</p><p>SS</p><p>Quadro 9, Defesa</p><p>Etapas Metodologia de ensino</p><p>Apresentação da habilidade motora Técnica de execução da defesa em pé;</p><p>técnica para a defesa de bolas laterais.</p><p>Sequência pedagógica Trata-se de uma adaptação da</p><p>Exercícios educativos e/ou manchete para a defesa em pé e</p><p>formativos Automatização de bolas laterais. Exercícios para</p><p>deslocamento frontal, lateral, para</p><p>concentração, automatização e</p><p>precisão da defesa. Exercícios para</p><p>deslocamento lateral e defesa e</p><p>com deslocamentos variados.</p><p>Aplicação do fundamento Por meio de exercícios em forma</p><p>de jogo, de jogo adaptado e de</p><p>jogo jogo coletivo — uma equipe</p><p>contra a outra, utilizando todas</p><p>as habilidades aprendidas).</p><p>Fonte: Adaptado de Bojikian,J. e Bojikian, L. (2012),</p><p>”.</p><p>A partir dessa possibilidade de reflexão do esporte, o professor passa para</p><p>o ensino dos gestos técnicos, construindo uma metodologia de aprendizagem</p><p>baseada no ensino dos fundamentos ordenados, de acordo com os exemplos</p><p>supracitados, em uma sequência que respeite o desenvolvimento individual do</p><p>aluno, de forma que a aprendizagem das habilidades seja aplicada de maneira</p><p>progressiva e prazerosa.</p><p>20) (4 classificação dos fundamentos por ordem de aprendizagem</p><p>Referências</p><p>BARROSO, A. L. R; DARIDO, S. €. voleibol escolar: uma proposta de ensino nas dimensões</p><p>conceitual, procedimental e atitudinal do conteúdo. Rev, bras. Educ. Fis, Esporte, São</p><p>Paulo, v. 24, n. 2, p.179-94, abr./jun. 2010.</p><p>BIZ ZOCCHI, £. O voleibol de alto nível: da iniciação à competição. 5. ed. São Paulo:</p><p>Manole, 2016,</p><p>BOJIKIAN, ). €. M.; BOJIKIAN, L. RP Ensinando voleibol. 5. ed. Guarulhos: Phorte, 2072.</p><p>CARVALHO, €. L.; ARAÚJO, P. E; GORLA, J. |. Voleibol sentado: do conhecimento à</p><p>iniciação da prática. Conexões, v. 11, n. 2, 2013.</p><p>MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paule: Edgar Blúcher,</p><p>2003,</p><p>SCHMIDT, R.; WRISBERG, É. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da</p><p>aprendizagem baseada no problema. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.</p><p>Leitura recomendada</p><p>MOURA, &. A; SOUSA, E. £. As práticas lúdicas nas aulas de iniciação ao voleibol. Revista</p><p>UNI-RN, Natal, v. 16, v. 174 suplemento, p. 289-302, jan./dez. 2017,</p><p>À. 7”</p><p>As regras oficiais</p><p>———— — B bjetivos-de-aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar o5 seguintes aprendizados:</p><p>Nm Aplicaras regras oficiais da Federação Intemacional de Voleibol (FIVB).</p><p>= Identificar as mudanças que ocorreram nas regras do voleibol.</p><p>Nm Definirasresponsabilidades de cada um dos membros da equipe de</p><p>arbitragem envolvidos em uma partida de voleibol.</p><p>Introdução —</p><p>O voleibol é um esporte praticado por duas equipes em uma quadra</p><p>de jogo retangular dividida por uma rede. Há muitas versões do jogo</p><p>disponíveis, cada uma delas adaptada aos diferentes praticantes. O co-</p><p>nhecimento das regras oficiais do voleibol é imprescindível no processo</p><p>de aprendizagem da modalidade.</p><p>Neste capitulo, você vai compreender a evolução das regras do volel-</p><p>bol nos últimos anos e as principais regras vigentes nos dias atuais. Tais</p><p>requlamentos vão desde as dimensões da quadra e dos equipamentos</p><p>à responsabilidade de cada um dos membros da equipe de arbitragem.</p><p>As principais regras</p><p>Delimitação da quadra e seus equipamentos</p><p>A partida de voleibol ocorre em uma quadra de jogo retangular (18</p><p>Vale ressaltar que a comunicação</p><p>entre os jogadores é permitida durante o jogo.</p><p>Posições em quadra</p><p>Os seis titulares, ao entrar em quadra, deverão ocupar uma das posições na</p><p>quadra. Esse posicionamento inicial indica a ordem de rotação dos jogadores</p><p>na quadra. As posições dos jogadores em quadra são numeradas de modo</p><p>que os três jogadores que ficam ao longo da extensão da rede formando a</p><p>linha de frente, ocupam as posições 4 (frente-esquerda), 3 (frente-central) e 2</p><p>(frente-direita); já os outros três formam a linha de trás, ocupando as posições</p><p>5 (traseira esquerda), 6 (traseira central) e 1 (traseira direita).</p><p>Quando a equipe receptora ganha o direito de sacar, os jogadores avançam</p><p>uma posição no sentido horário: jogador da posição 2 avança para a posição 1</p><p>para realizar o saque, jogador da 1 retorna para a posição 6, assim por diante. As</p><p>posições não mudam, devem ser mantidas durante todo o set (FEDERATION</p><p>INTERNATIONALE DE VOLLEYBALL, 2016). Esse rodízio obrigatório</p><p>permite que cada jogador tenha que ocupar uma das seis posições da quadra,</p><p>fato que implica, pelo menos em tese, que os jogadores dominem todos os</p><p>fundamentos do jogo (BOJIKIAN, ].; BOJIKIAN, L., 2012).</p><p>Fique atento</p><p>É importante compreender que o sentido em que as posições são enumeradas na</p><p>quadra e a direção do sentido do rodízio são diferentes, isto é, enquanto a contagem</p><p>das posições é feita no sentindo anti-horário, a movimentação do rodízio é feita no</p><p>sentido horário. À Figura 1, à seguir, ilustra as duas situações.</p><p>4532</p><p>| |</p><p>De 61</p><p>Figura 1. Posições na quadra e sentido da rotação.</p><p>Fonte: FIVB (2016).</p><p>Cada jogador deverá manter o posicionamento, respeitando as relações</p><p>entre s1 (considerando quem está ao seu lado direito ou esquerdo e a sua</p><p>frente ou atras, de acordo com o lugar ocupado em quadra). Somente os</p><p>jogadores da linha de ataque (posições 4,3,2) podem participar normalmente</p><p>das jogadas de rede (bloqueio e ataque), e os jogadores da posição 5, 6, e 1,</p><p>poderão participar da defesa. É possível certo deslocamento das posições,</p><p>desde que mantidas as correspondências — por exemplo, o jogador 1 deve</p><p>estar sempre à direita do jogador 6 e atrás do jogador 2, conforme a Figura</p><p>1 (FEDERATION INTERNATIONALE DE VOLLEYBALL, 2016). As</p><p>posições dos jogadores são determinadas de acordo com a colocação de</p><p>seus pés no solo e a proximidade deles em relação às linhas da quadra.</p><p>Vale ressaltar que, após o golpe do saque, os jogadores poderão se mover</p><p>livremente dentro de sua quadra, assim como na zona livre, respeitando as</p><p>regras de jogadas ofensivas/defensivas.</p><p>Marcar um ponto, vencer um set e a partida</p><p>Uma equipe marca um ponto caso consiga fazer a bola tocar a quadra adversa-</p><p>ria: quando a equipe adversária comete uma falta ou quando é penalizada. O</p><p>ponto não é marcado quando a bola vai para fora. A “bola fora” ocorre quando</p><p>todas as partes da bola que entram em contato com o solo estão completamente</p><p>fora das linhas de delimitação da quadra.</p><p>Vencerá um set (exceto o quinto, por seu caráter decisivo), a equipe que</p><p>alcançar primeiro a marca de 25 pontos, com uma diferença minima de dois</p><p>pontos. Em caso de empate em 24 x 24, o set prossegue até que a diferença</p><p>de dois pontos seja atingida (26 x 24,27 x 255. O quinto set é jogado até 15</p><p>pontos, considerando-se a vantagem mínima de dois pontos a partir do décimo</p><p>quarto ponto.</p><p>Vencerá a partida a equipe que vencer três sets. Quando ocorrer empate</p><p>em sets por 2 x 2, o quinto set, de caráter decisivo, será jogado até que uma</p><p>das equipes alcance a marca de 15 pontos, com uma diferença minima de</p><p>dois pontos.</p><p>Situações de jogo</p><p>São consideradas situações de jogo:</p><p>= bola em jogo — é considerada a partir do momento em que o sacador</p><p>golpeia a bola, após a autorização de saque dada pelo primeiro árbitro:</p><p>Nm bola fora do jogo — momento em que há a ocorrência ou o cometimento</p><p>de uma falta e, na ausência desta, ao soar do apito;</p><p>= bola dentro — quando, em qualquer momento de seu contato com o</p><p>solo, alguma parte da bola toca a quadra de jogo, incluindo as linhas</p><p>de delimitação;</p><p>Nm bola fora — quando todas as partes da bola que entram em contato</p><p>com o solo estão completamente fora das linhas de demarcação da</p><p>quadra: quando toca aleum objeto fora da quadra do jogo, a antena, o</p><p>poste, as cordas de sustentação e as faixas laterais da rede. Quando a</p><p>bola cruza o plano vertical da rede por fora do espaço de cruzamento,</p><p>ou quando cruza completamente o espaço inferior abaixo da rede, é</p><p>considerada bola fora.</p><p>Início do jogo e ordem dos saques</p><p>A equipe que inicia sacando no primeiro e no quinto set é determinada por</p><p>sorteio. A bola estará em jogo a partir do saque, e é classificada como fora de</p><p>Jogo, no encerramento do rally. Os demais sets começarão com o saque da</p><p>equipe que iniciou sendo a receptora no set anterior. Quando a equipe sacadora</p><p>vence o rally, o sacador voltará a sacar e quando a equipe receptora vence,</p><p>esta ganha o direito de sacar e realiza o rodizio antes do saque. Quem sempre</p><p>saca é o jogador que se encontra na posição 1. O sacador tem o1to segundos e</p><p>apenas uma tentativa para executar o saque. Ele não poderá pisar na quadra</p><p>de jogo nem fora da zona de saque.</p><p>Cada equipe deve atuar dentro dos limites de sua própria área de espaço de</p><p>Jogo, mas a bola pode ser recuperada mesmo além de sua própria zona livre.</p><p>Contato com a bola</p><p>Um toque é qualquer contato com a bola realizado por um jogador em jogo.</p><p>É permitido, por equipe, até três toques na bola (além do toque do bloqueio,</p><p>que não é contabilizado para contagem), toda vez que a bola é enviada à</p><p>sua própria quadra. Se mais de três toques são utilizados, a equipe comete</p><p>a falta chamada quatro toques. Não é permitido o jogador tocar duas vezes</p><p>consecutivas na bola, exceto em caso de bloqueio e primeiro toque da equipe.</p><p>Na hipótese de dois (ou três) jogadores da mesma equipe tocarem a bola</p><p>simultaneamente, serão contados dois (ou três) toques (exceto no bloqueio). Se</p><p>eles tentam atingir a bola, mas somente um a toca, conta-se um toque. Uma</p><p>colisão entre jogadores não caracteriza falta. Qualquer parte do corpo dos</p><p>jogadores poderá ser tocada pela bola — que pode ser rebatida em qualquer</p><p>direção — desde que ela não seja lançada ou retida nessa ação. Vale ressaltar</p><p>também que, ao cruzar a rede, a bola poderá tocá-la, se for enviada para a</p><p>rede, pode ser recuperada dentro do limite de três toques da equipe. Uma</p><p>curiosidade é que, se a bola rasgar as malhas da rede ou a desarmar, o rally</p><p>é cancelado e repetido.</p><p>« Interrupções durante o jogo</p><p>As únicas interrupções regulares no jogo são substituições e tempo de descanso.</p><p>A substituição é quando um jogador entra no jogo para ocupar a posição de</p><p>outro jogador que deve deixar a quadra naquele momento. Cada equipe poderá</p><p>solicitar até seis substituições por set e até dois tempos de descanso com</p><p>duração de 30 segundos cada. Em competições internacionais, além dessas</p><p>duas categorias de interrupções, são adicionados dois tempos técnicos de 1</p><p>minuto cada, quando uma equipe atinge o oitavo e o décimo sexto ponto, mas</p><p>1880 Ocorre apenas nos quatro primeiros sets. Os mitervalos entre os sets têm a</p><p>duração de três minutos, no qual há a troca do lado da quadra entre as equipes.</p><p>Qualquer ação imprópria de uma equipe que faça com que haja o atraso</p><p>do reinício do jogo caracteriza um retardamento e geram punições. São elas:</p><p>prolongar uma interrupção regular;</p><p>prolongar uma interrupção após receber instruções para retomar o jogo;</p><p>solicitar uma substituição ilegal;</p><p>repetir uma solicitação indevida:</p><p>retardar o andamento do jogo.</p><p>São consideradas interrupções excepcionais no jogo alguma lesão ou mal</p><p>súbito. Na ocorrência de acidentes sérios, o rally deverá ser jogado novamente.</p><p>Caso um jogador contundido não possa ser substituído, um tempo de recupe-</p><p>ração de três minutos será concedido</p><p>a ele apenas uma vez na mesma partida;</p><p>caso ele não se recupere, sua equipe é declarada mcompleta.</p><p>Penetrações e contatos</p><p>É permitido penetrar no espaço adversário sob a rede, desde que isso não</p><p>interfira na jogada do adversário. É proibido o toque no adversário durante</p><p>o jogo, tampouco na bola enquanto não estiver ocorrendo a ação do ataque.</p><p>Toda ação de enviar a bola para a quadra adversária é considerada um toque</p><p>de ataque, exceto o saque.</p><p>O solo adversário não poderá ser tocado quando a bola estiver em jogo,</p><p>porém pode-se entrar na quadra adversária depois que a bola estiver fora de</p><p>jogo. Invasões com os pés e com as mãos são exceções e são consideradas</p><p>apenas quando esses membros estiverem totalmente em contato com o solo</p><p>adversário. Por exemplo, se o pé de um jogador de rede penetrar, completa-</p><p>mente, na quadra adversária, será considerado falta.</p><p>Após um golpe de ataque, é permitido ao jogador passar as mãos além da</p><p>rede, desde que o contato com a bola tenha ocorrido dentro do seu próprio</p><p>espaço de jogo. Não é permitido o contato dos jogadores com a rede ou com</p><p>as antenas durante uma ação do jogo.</p><p>Bloqueio</p><p>São permitidos contatos consecutivos por um ou mais bloqueadores, desde que</p><p>ocorram durante essa ação. Ao bloquear, o jogador pode colocar suas mãos</p><p>e braços além da rede, desde que 1880 não interfira na jogada do adversário.</p><p>Desse modo, é proibido tocar a bola além da rede até o adversário executar</p><p>um golpe de ataque. Um contato de bloqueio não conta como um toque da</p><p>equipe, assim, após o contato do bloqueio, a equipe tem direito a três toques</p><p>para retorno da bola, sendo que o primeiro toque após o bloqueio pode ser</p><p>realizado por qualquer jogador, inclusive aquele que tocou a bola nessa jogada</p><p>bloqueadora. Vale lembrar que é proibido bloquear o saque adversário.</p><p>Até o momento foram reunidas informações importantes para se com-</p><p>preender como funciona o jogo de voleibol. Pelo fato de o voleibol exigir um</p><p>elevado esforço tático e estratégico, o entendimento das regras do voleibol se</p><p>torna essencial aos jogadores e aos futuros professores de Educação Fisica. As</p><p>regras do voleibol têm sofrido bastantes mudanças ao longo dos anos. Essas</p><p>são as regras que estão em vigor nos dias atuais, e para serem estabelecidas,</p><p>passaram por constantes transformações e adaptações.</p><p>A evolução das regras do voleibol</p><p>Desde a criação do voleibol, as mudanças nas regras do jogo têm ocorrido</p><p>de forma constante. É um dos esportes que mais aceitam modificações com</p><p>o intuito de tornar o jogo mais dinâmico, mais agradável ao público, menos</p><p>extenuante para os jogadores e mais interessante para a transmissão dos jogos</p><p>pela midia (BIZZOCCHI, 2016).</p><p>A inclusão do jogador líbero no jogo de voleibol, em 1998, foi conside-</p><p>rada uma alteração significativa nas regras e uma mudança de fundamental</p><p>importância para o voleibol moderno. O objetivo dessa inclusão foi dar mais</p><p>dinâmica ao jogo e obter melhorias nas ações defensiva/ofensiva, elevando</p><p>as habilidades técnicas e táticas, tornando-se muito eficaz no contra-ataque</p><p>(BELLENDIER, 2003).</p><p>Neste mesmo ano, a FIVB modificou a contagem de pontos nas partidas:</p><p>a contagem tradicional que estipulava o limite de 15 pontos nos sets, com</p><p>vantagem, passou a ser de 25 pontos corridos, sem vantagem (tie-break). Com</p><p>isso, cada disputa de bola começou a valer ponto. Essa foi a cartada mais ousada</p><p>da FIVB para reduzir a duração das partidas, na necessidade de transformar</p><p>o jogo de voleibol em um produto atraente para as transmissões televisivas.</p><p>O Quadro 1 apresenta as principais transformações das regras do voleibol.</p><p>Quadro 1. A evolução das regras do voleibol</p><p>1895 Jogo disputado em 9 pontos, sem número de participantes</p><p>determinados. O jogador precisava colocar um pé sobre a linha</p><p>no momento do saque e tinha direito a duas tentativas.</p><p>1902 O jogo terminava em 21 pontos. O saque era dado com a mão aberta</p><p>ou com o punho. Se à bola caísse na linha, passaria a ser considerada</p><p>dentro. Foi eliminado o drible e permitido tocar duas vezes na bola.</p><p>1912 Foram implementados novos tamanhos de quadra. À</p><p>disputa era fixada em dois sets por partida. O rodízio foi</p><p>introduzido e foi proibido golpear a bola com o punho. O</p><p>peso da bola diminuiu e a circunferência aumentou.</p><p>1918 Foi estabelecido que árbitro poderia voltar o saque. A altura da rede</p><p>foi aumentada e o saque não poderia tocá-la. O auxílio de outro</p><p>Jogador para que o saque passasse da rede foi proibido, assim como</p><p>tocar a bola na quadra adversária por sob a rede. O set passou à ser</p><p>de 15 pontos e o limite de jogadores de cada lado passou para 6.</p><p>1920 Foram validados quaisquer toques acima da cintura. Foi instituída</p><p>a linha central e proibida a invasão da quadra adversária. Os toques</p><p>foram limitados a três e as medidas da quadra foram alteradas para</p><p>as atuais (18 x 9 m). Foi determinado que o set só terminaria em</p><p>15 pontos se houvesse diferença de dois pontos entre os times.</p><p>Quadro 1. A evolução das regras do voleibol!</p><p>1924 | Foram instituídas as primeiras regras oficiais</p><p>para competições entre mulheres.</p><p>19870 | As antenas passaram a limitar o espaço aéreo em 9,40 m.</p><p>1972 | À arbitragem passou a ser mais complacente no contato</p><p>com à bola em situação de dificuldades dos jogadores.</p><p>1976 | O espaço entre as antenas foi reduzido para 9 m e o toque no bloqueio</p><p>não foi mais considerado como o primeiro dos três toques permitidos.</p><p>1982 | Foi instituído menos rigor no contato duplo na recepção e defesa.</p><p>1984 | O bloqueio do saque foi proibido.</p><p>1988 | O setfoi limitado a 17 pontos e o tre-breakfol criado.</p><p>Foi permitido que a bola tocasse qualquer parte</p><p>acima dos joelhos na recepção ou na defesa.</p><p>1982 | A zona de saque foi aumentada para 9 m e foi permitido</p><p>que a bola tocasse qualquer parte do corpo.</p><p>1996 | Foi permitida a recuperação da bola quando cruzasse a rede por</p><p>fora das antenas e o toque da quadra adversária com as mãos.</p><p>1998 | Os quairo primeiros sefs passariam à ser jogados em fie-</p><p>break até 25 pontos ou até que se abrissem dois pontos de</p><p>vantagem. Neste ano ocorreu também a inclusão do líbero.</p><p>2006 | Foi delimitado do espaço do técnico próximo da</p><p>quadra e decretado o fim da bola presa.</p><p>Fonte: Adaptado de Bizzocchi (2016).</p><p>Como podemos perceber, com o advento da FIVB, em 1947, houve uma</p><p>reestruturação das regras que buscou a unificação das várias versões e um</p><p>maior dinamismo ao esporte. Até meados da década de 1980, as diversas</p><p>mudanças na regra tinham o intuito de modernizar cada vez mais o esporte.</p><p>A partir daí, verificamos que, as modificações e as adaptações ocorrem pela</p><p>necessidade de transformar o jogo de voleibol em um produto atraente para as</p><p>transmissões televisivas, mesmo que 15so possa gerar um desgaste emocional</p><p>aos seus praticantes. Para que exista o voleibol espetáculo, é necessário um</p><p>conjunto de elementos. Veja a seguir a composição da equipe de arbitrasem e</p><p>como se dá a aplicação das condutas impróprias e as possíveis punições que</p><p>possam vir a ocorrer durante uma partida de voleibol.</p><p>Equipe de arbitragem e suas atribuições</p><p>Composição da equipe de arbitragem</p><p>A uma equipe de arbitragem é composta pelo primeiro e pelo segundo arbitro,</p><p>pelo apontador, pelo apontador assistente e por dois juízes de linha. A Figura</p><p>2 apresenta a localização da equipe de arbitrasem e de seus assistentes.</p><p>L</p><p>I</p><p>L</p><p>—</p><p>—</p><p>—</p><p>—</p><p>AT</p><p>AS</p><p>11</p><p>ec</p><p>AÁ</p><p>fc</p><p>d-</p><p>--</p><p>+</p><p>MF</p><p>2</p><p>-</p><p>-</p><p>-</p><p>A</p><p>Á</p><p>B</p><p>-</p><p>-</p><p>-</p><p>+</p><p>1</p><p>1</p><p>1</p><p>EB</p><p>--</p><p>--</p><p>"</p><p>B-</p><p>—-</p><p>.</p><p>=| = Primeiro árbitro</p><p>= Segundo árbitro</p><p>A'AS e Apontador Apontador assistente</p><p>[> —=Juízesde Linha (números 1-40u 1-2)</p><p>õ Boleiros (números 1-6)</p><p>Hy =Enugadores</p><p>Figura 2. Localização da equipe de arbitragem e de seus assistentes.</p><p>Fonte: Adaptada de FIVE (2016, p. 19).</p><p>Primeiro árbitro e segundo árbitro</p><p>Somente eles podem apitar durante o jogo. As decisões do primeiro árbitro são</p><p>soberanas e atuam sobre a dinâmica do jogo. O primeiro árbitro se posiciona</p><p>sobre uma cadeira colocada atrás de um dos postes de sustentação da rede e</p><p>é ele quem realiza as seguintes ações:</p><p>MN autorização do saque e encerramento dos rallies:</p><p>MN realização das sinalizações quando ocorrer alguma irregularidade:</p><p>Nm verificação das condições da quadra e de seus equipamentos (rede e</p><p>bola):</p><p>Nm controle do aquecimento dos atletas;</p><p>Nm realização do sorteio inicial do jogo (equipe que inicia sacando no</p><p>primeiro e no quinto sets) (BOJIKIAN, J.; BOJIEKIAN, L., 2012).</p><p>O segundo árbitro é o assistente do primeiro. É ele quem assina as invasões,</p><p>as bolas que cruzam a rede por fora ou que tocam a antena do seu lado da</p><p>quadra. Ele atua ao lado do poste, fora da quadra, no lado oposto e de frente</p><p>para o primeiro árbitro e tem também suas funções específicas, como:</p><p>Nm auxilio ao trabalho do apontador;</p><p>Nm relacionamento com a comissão técnica e atletas do banco de reservas:</p><p>MN autorização das substituições e solicitações de tempo;</p><p>Nm controle e fiscalização da ordem de saque;</p><p>Nm sinalização (com apito) quando há o contato do jogador com a rede ou</p><p>com a antena, já que sua atuação é ao lado do poste (BOJIKIAN, .;</p><p>BOJIKIAN, L., 2012).</p><p>Apontador</p><p>É o apontador que preenche a súmula do jogo. Antes da partida, ele registra</p><p>os dados do jogo (nomes das equipes, data, local, nome e número dos atletas,</p><p>assinatura dos capitães e dos técnicos), anota as formações iniciais de cada</p><p>equipe e confere se o placar eletrônico acompanha corretamente a contagem</p><p>dos pontos. Controla a ordem do saque e avisa o árbitro sobre a ocorrência</p><p>de irregularidades. Informa o árbitro, nos finais de cada set, quando o oitavo</p><p>ponto é marcado (para que a troca de lado da quadra seja providenciada) e</p><p>registra as sanções, advertências e penalidades. Anota o placar final, assina</p><p>e colhe a assinatura dos árbitros e dos capitães. O apontador desempenha</p><p>suas funções sentado na mesa do apontador, no lado oposto e de frente para</p><p>o primeiro árbitro.</p><p>Apontador assistente</p><p>O apontador assistente desempenha suas funções sentado ao lado do apontador</p><p>na respectiva mesa. Essa função existe apenas nas competições mundiais e</p><p>oficiais da FIVB.</p><p>* — Doisjuízesdelinha</p><p>Os juízes de linha controlam a linha de fundo e a lateral do lado em que se posicionam.</p><p>São eles que sinalizam as “bolas dentro ou fora”, irregularidades cometidas relacionadas à</p><p>bola e as faltas cometidas pelo sacador na área de saque. Em jogos internacionais, atuam</p><p>quatro juízes de linha.</p><p>* — Aplicaçãodecondutas impróprias e punições</p><p>Cabe à arbitragem gerar as punições, que serão aplicadas quando houver condutas</p><p>antidesportivas ou a intenção de retardar o reinício da partida. Os requisitos de conduta</p><p>desportiva por parte dos atletas envolvem o cumprimento das regras oficiais de voleibol, bem</p><p>como o respeito e a aceitação das decisõesdos árbitros com espírito esportivo ( fair play),</p><p>de forma cortês, não somentecom os árbitros, mas também com outras autoridades. Em</p><p>caso de dúvida, somente o capitão em jogo poderá solicitar esclarecimentos.</p><p>* —Condutaimprópria</p><p>A conduta imprópria dos integrantes uma equipe em relação às autoridades, oponentes,</p><p>colegas de equipe ou espectadores, é classificada de acordo coma seriedade da ofensa:</p><p>conduta rude — a primeira conduta de ação contrária às boas maneiras ou aos</p><p>princípios morais é punida com perda do rally; a segunda, levao atleta reincidente</p><p>à expulsão, e a terceira, à desqualificação;</p><p>conduta ofensiva — palavras ou gestos insultantes ou difamantes são punidos com</p><p>expulsão; a segunda conduta é punida com desqualificação;</p><p>agressão — o ataque físico real ou tentativa de agressão são punidos com</p><p>desqualificação; vale ressaltar que a desqualificação e a expulsãonão acarretam</p><p>perda do rally.</p><p>Condutas impróprias menores não estão sujeitas a sanções e caberá ao primeiro árbitro</p><p>evitar que as equipes se aproximem do nível de sanção. A conduta, nesse caso, será uma</p><p>advertência verbal por meio do capitão da equipe e, em um segundo momento, o capitão</p><p>recebe um cartão amarelo,que representa um alerta de que o atleta foi advertido (e, por</p><p>extensão, a sua equipe) e alcançou o nível de sanção naquela partida.</p><p>* Punições</p><p>Dependendo da seriedade da falta, as punições a serem aplicadas e registradas na súmula, de</p><p>acordo com o Julgamento do primeiro árbitro, são representadas em uma escala de punição:</p><p>penalidade — primeira conduta rude na partida por qualquer integrante da equipe é</p><p>punida com um ponto e saque para o adversário;</p><p>expulsão — um atleta que é punido com expulsão não jogará pelo tempo restante</p><p>do set e deve ser substituído imediatamente; a primeiraconduta ofensiva do atleta é</p><p>punida com expulsão sem qualquer outra consequência; a segunda conduta rude, na</p><p>mesma partida, realizada pelo mesmo atleta, é punida com expulsão, sem qualquer</p><p>outra consequência;</p><p>desqualificação — o atleta que é punido com desqualificação deve deixar a área</p><p>de controle da competição pelo restante da partida edeve ser substituído</p><p>imediatamente sem qualquer outra consequência;o primeiro ataque físico ou</p><p>ameaça de agressão, bem como a segunda conduta ofensiva, na mesma partida,</p><p>realizada pelo mesmo atleta da equipe, além da terceira conduta rude, na mesma</p><p>partida, pelo mesmo atleta da equipe, é sancionada pela desqualificação sem</p><p>qualquer outraconsequência.</p><p>Nos casos de retardamento do início da partida, a primeira ocorrênciaé punida com</p><p>advertência para a equipe em geral, e os subsequentes, com penalidade,</p><p>independentemente de o jogador que tenha provocado o atraso, equando há condutas</p><p>antidesportivas.</p><p>* Sinais oficiais</p><p>Os árbitros indicam, por meio de sinais manuais, a razão do apito, cujas principais</p><p>marcações sinalizadas são:</p><p>bola dentro;</p><p>bola fora;</p><p>bola tocada;</p><p>volta o saque;</p><p>dois toques;</p><p>quatro toques;</p><p>condução;</p><p>ataque de defensor;</p><p>bloqueio irregular/barreira;</p><p>pisada do sacador na linha/invasão;</p><p>toque na rede;</p><p>retardamento de jogo;</p><p>tempo de descanso;</p><p>substituição;</p><p>oito segundos;</p><p>erro de rodízio;</p><p>vencedor do rally;</p><p>final de set ou de jogo.</p><p>Essas sinalizações são realizadas pelo árbitro principal (aquele que fica em posição</p><p>elevada), que, embora seja auxiliado pelos demais companheiros de arbitragem, é o</p><p>responsável pela palavra final e, como consequência, aquele que informa, por meio de</p><p>sinal, qual é o resultado da jogada.</p><p>As situações de jogo que são mais recorrentes são também, aquelas emque o sinal</p><p>oficial do árbitro é reproduzido mais vezes, por exemplo, quandoa bola toca o chão da</p><p>quadra durante uma disputa normal de ponto, caso abola tenha tocado no lado de dentro</p><p>da quadra, o árbitro sinaliza com uma dasmãos estendidas para a frente, na altura da</p><p>linha da cintura, com as palmaspara baixo; já quando a bola tocou o lado externo da</p><p>quadra, os dois braços são levantados acima da cabeça, com as palmas das mãos viradas</p><p>para seu rosto. Após identificado se a bola foi dentro ou fora ou, ainda, durante qual-</p><p>quer pontuação, o árbitro indica a equipe que venceu o rally e que pontuou, apontando</p><p>para a linha de saque do time que fez o ponto usando o braço quecorresponde ao lado da</p><p>quadra. Isto é, se a equipe posicionada do lado esquerdo</p><p>do árbitro pontuou, ele utiliza o braço esquerdo para sinalização.</p><p>Outra infração cometida com frequência é a falta por dois toques, isto é, quando o</p><p>jogador toca duas vezes seguidas na bola, seja de forma intencionalou não. Nesse caso, o</p><p>rally é encerrado e a sinalização do árbitro é feita como levantamento da mão acima da</p><p>altura da cabeça, com o dedo médio e o indicador levantados, indicando o numeral dois.</p><p>Por fim, ao final do set ou ao final da partida, a última sinalização do árbitro é feita</p><p>com o cruzamento dos braços na frente do peito, formando um X com os braços,</p><p>indicando, assim, que o set e/ou a partida chegou</p><p>ao fim.</p><p>Como vimos, desde a criação do voleibol, as mudanças nas regras do jogotêm ocorrido</p><p>de maneira constante. A partir de meados da década de 1980 atéa atualidade, a paixão pelo</p><p>voleibol dá vez ao business:</p><p>Fartidasz com uma duração menor para adequação à grade, bolas coloridas</p><p>permitindo uma melhor visualização pelos telespectadores, um jogador es-</p><p>pecialista na defesa para aumentar o tempo do ralfy, maior mteratividade dos</p><p>técnicos junto aos atletas e o tempo técnico foram algumas das mudanças</p><p>propostas para a melhoria do espetáculo junto à TV, que com todo o seu</p><p>poderio econômico, é um grande parceiro do desenvolvimento deste esporte</p><p>no mundo. (SANTOS NETO, 2004, documento on-line).</p><p>Por fim, observando essas transformações, fica clara a importância do</p><p>entendimento das regras para a atuação do profissional de educação física da</p><p>educação escolar ao alto rendimento. Pela gama de possibilidades de temati-</p><p>zação do voleibol, a compreensão das regras torna-se ponto de partida para</p><p>novas possíveis adaptações do voleibol a outras finalidades. Por exemplo,</p><p>o professor pode modificar, além da altura da rede, o peso e o tamanho da</p><p>bola, o número de jogadores, o número de toques, o sistema tático, além de</p><p>outras variáveis inerentes às regras do voleibol. Desse modo, a prática desse</p><p>esporte é possibilitada a diferentes públicos (crianças, idosos, pessoas com</p><p>deficiência), seja por meio de competições ou apenas de jogos recreativos,</p><p>com o intuito de facilitar o acesso ao esporte e contrapor a ideia midiática do</p><p>voleibol espetáculo.</p><p>Referências</p><p>BELLENDIER, J. Una visión analitico-descriptiva del Mundial de Voleibol “Argentina</p><p>2007. EFDeportes, Buenos Aires, afo 9, n. 60, Mayo 2003.</p><p>BIZZOCCHI, C. O voleibol! de alto nível: da iniciação à competição. 5. ed. São Paulo:</p><p>Manole, 2016.</p><p>BOJIKIAN, J. C. M.; BOJIKIAN, L. P. Ensinando voleibol. 4. ed. Guarulhos: Phorte, 2008.</p><p>FEDERATION INTERNATIONALE DE VOLLEYBALL. Regras do jogo: regras oficiais de</p><p>voleibol: 2017-2020. 2016. Disponível em: . Acesso em: 8 dez. 2018.</p><p>GUIMARÃES, G. L. O Tie Break" como fator de dificuldade na aprendizagem das ha-</p><p>hilidades motoras do voleibol em indivíduos praticantes da categoria mirim. Motriz,</p><p>v. 6, n. 1, p. 27-30, jan./jun. 2000.</p><p>SANTOS NETO, S. C. A evolução das regras visando o espetáculo no voleibol. EFPDesportes.</p><p>Buenos Aires, afio 10, n. 76, Sep. 2004.</p><p>Fundamentos do voleibol</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>E Definir os fundamentos técnicos do voleibol,</p><p>E Identificar os fundamentos técnicos especializados do voleibol.</p><p>E Classifícar os fundamentos técnicos em ofensivos e defensivos.</p><p>Introdução</p><p>O voleibol é um esporte coletivo cujo êxito durante um jogo depende</p><p>cla correta execução de movimentos por parte de cada um dos jogado-</p><p>fes, Embora as equipes de voleibol, como em muitos outros esportes,</p><p>sejam compostas por jogadores que desempenham funções específicas</p><p>dentro de um mesmo time, todos os atletas devem saber desempenhar</p><p>os fundamentos técnicos,</p><p>Neste capítulo, você vai estudar os principais fundamentos técnicos</p><p>que são necessários para que uma partída de voleibol aconteça, seja ela</p><p>desenvolvida em sua dimensão educacional, participativa ou competitiva,</p><p>Além disso, você vaí identificar os fundamentos técnicos que compõem</p><p>o voleibol, classificando-os e atribuindo a sua função dentro de quadra</p><p>como forma de uma equipe conquistar ou evitar sofrer pontos,</p><p>Fundamentos técnicos do voleibol</p><p>Os fundamentos técnicos podem ser definidos como os movimentos cujos</p><p>resultados são obtidos a partir de ações mais econômicas e efetivas, conforme</p><p>leciona Filin (1996). O voleibol, como qualquer esporte coletivo que exige a</p><p>prática corporal, requer um conjunto de fundamentos técnicos que devem ser</p><p>realizados de forma correta por cada jogador, para que o êxito da equipe em</p><p>obter a vitória no jogo seja alcançado. Nesse sentido, é importante salientar que</p><p>cada jogador em quadra possui uma função específica, e o seu desempenho</p><p>técnico e tático afeta toda a equipe. Os fundamentos técnicos, então, ainda que</p><p>2) ( Fundamentos do voleibo|</p><p>sejam realizados de maneira individual, obtêm um resultado coletivo. Dada</p><p>a sua importância, nesta seção, vamos apresentar os fundamentos básicos</p><p>necessários para que um jogo de voleibol aconteça.</p><p>Existem diversas formas de abordar e sequenciar o ensino dos fundamentos</p><p>técnicos do voleibol, não havendo um modo totalmente correto ou errado de</p><p>fazê-lo. O ensino das técnicas esportivas, portanto, depende da preferência</p><p>do profissional pela forma de ensinar e fazer com que os alunos permaneçam</p><p>engajados e motivados na prática esportiva. Para fins de abordagem, utiliza-</p><p>remos a sequência pedagógica sugerida por Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012),</p><p>abordando a posição e a movimentação básicas que os jogadores devem adotar</p><p>em quadra, bem como o toque por cima, a manchete, o saque e o ataque.</p><p>Posição básica</p><p>As posições e movimentações básicas são aquelas que introduzem os fun-</p><p>damentos técnicos especificos do voleibol; por exemplo, a posição que um</p><p>jogador assume para fazer uma recepção ou a movimentação que realiza em</p><p>direção à bola para efetuar um ataque. Essas posições devem ser cômodas para</p><p>o atleta e, ao mesmo tempo, possibilitar o deslocamento rápido, assumindo,</p><p>portanto, uma posição de expectativa da jogada que surgirá.</p><p>Existem diversos tipos de posições de expectativa, mas podemos apontar</p><p>uma que responde às necessidades tanto de jogadores iniciantes quanto de</p><p>jogadores mais experientes, conforme Bizzocchi (2004). Em uma posição</p><p>adequada para o posicionamento em quadra, quando não está realizando um</p><p>fundamento técnico, o jogador deve manter os joelhos semiflexionados, as</p><p>pernas em afastamento lateral, com uma distância entre os pés que corresponda</p><p>a aproximadamente a largura dos ombros. Os cotovelos devem estar semi-</p><p>flexionados e os braços à [rente da linha anterior ao tronco, assumindo uma</p><p>posição intermediária entre a posição da manchete e do toque por cima. Na</p><p>Figura 1, podemos visualizar uma jogadora assumindo a posição de expectativa.</p><p>Fundamentos do veleibal) (3</p><p>NS</p><p>Figura 1. Durante a posição de expectativa, o jogador deve manter seus músculos tão</p><p>relaxados quanto possível. É também importante assumir uma posição que privilegie a</p><p>movimentação rápida, com um pé à frente do outro e com os joelhos à frente do corpo,</p><p>tirando os calcanhares do solo.</p><p>Fonte: Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012, p. 70).</p><p>Toque por cima</p><p>O toque de bola por cima (ou simplesmente toque) é um fundamento bastante</p><p>característico no voleibol por sua aplicabilidade recorrente durante o jogo</p><p>em suas diversas dimensões. Esse tipo de fundamento é muito utilizado na</p><p>preparação ao ataque, por permitir um controle da direção e da velocidade da</p><p>bola mais preciso do que a manchete. Apesar de ser um fundamento bastante</p><p>utilizado pelos levantadores, todos os jogadores devem dominá-lo, uma vez</p><p>que frequentemente as situações do jogo exigem dos atacantes e dos defensores</p><p>a sua utilização, conforme apontam Bojikian, J. e Bojikian, L. (2012).</p><p>Durante a execução do toque por cima, o jogador deve se posicionar abaixo</p><p>da bola, com os joelhos semiflexionados, as pernas em afastamento lateral, com</p><p>uma distância entre os pés que corresponda a aproximadamente a largura dos</p><p>ombros e um pé levemente à frente do outro. Os cotovelos devem permanecer</p><p>semiflexionados, à frente do corpo, com os braços a uma altura superior à</p><p>4) [ Fundamentos do voleibol</p><p>linha dos ombros. Para tocar a bola, as mãos devem estar com os dedos quase</p><p>totalmente estendidos, fazendo com que se obtenha uma curvatura que acom-</p><p>panhe a bola. Os dedos polegares e indicadores de ambas as mãos formam</p><p>uma aproximação que se assemelha</p>