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<p>Noções de</p><p>Direito</p><p>Administrativo</p><p>Mateus Rocha</p><p>REITOR DO IFAM</p><p>Antônio Venâncio Castelo Branco</p><p>PRÓ-REITORA DE ENSINO</p><p>Lívia de Souza Camurça Lima</p><p>PRÓ-REITOR DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E INOVAÇÃO</p><p>José Pinheiro de Queiroz Neto</p><p>PRÓ-REITORA DE EXTENSÃO</p><p>Maria Francisca Morais de Lima</p><p>PRÓ-REITOR DE DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL</p><p>Carlos Tiago Garantizado</p><p>PRÓ-REITORA DE PLANEJAMENTO E ADMINISTRAÇÃO</p><p>Josiane Faraco de Andrade Rocha</p><p>Palavra do Professor</p><p>Bem-Vindo, prezado(a) estudante!</p><p>É muito bom nos encontrarmos neste momento de trocas significativas de</p><p>conhecimento!</p><p>No decorrer do seu estudo, você terá a oportunidade de perceber que o ramo</p><p>do Direito Administrativo é um tema cativante, que está tomando conta da</p><p>sociedade brasileira nos últimos anos.</p><p>A carga horária deste curso é de 60 horas. É importante que você estude todos</p><p>os conteúdos. Leia com bastante atenção cada um, realizando as atividades</p><p>propostas e, o mais importante, nunca deixar de trocar ideia com seus colegas</p><p>de curso. A interação e a troca de experiências são muito importantes para a</p><p>consolidação do conhecimento.</p><p>Esperamos que esse estudo possa despertar atitudes imprescindíveis para que</p><p>você consiga alcançar os objetivos pretendidos.</p><p>Bons Estudos!!!</p><p>MATEUS PEREIRA DA ROCHA</p><p>Graduação em Gestão Pública – Universidade do Estado do Amazonas (UEA)</p><p>Pós-graduação Lato Sensu em Gestão Pública – Faculdade Venda Nova do</p><p>Imigrante (FAVENI)</p><p>Curso de Aperfeiçoamento em Direito Administrativo – EDUCAMUNDO</p><p>Curso de Aperfeiçoamento em Gestão de Recursos Humanos –</p><p>EDUCAMUNDO</p><p>Professor EBTT/Gestão Pública – IFAM Campus Eirunepé</p><p>Coordenador do Curso Técnico em Administração na forma integrada</p><p>Coordenador do Curso Técnico em Vendas na modalidade subsequente</p><p>Apresentação do Curso</p><p>O direito administrativo vem a proporcionar um vasto conhecimento acerca da</p><p>Administração Pública, apresentando sua estrutura, princípios que regem o</p><p>serviço público, assim como apresenta ferramentas jurídicas para o cidadão</p><p>contrapor possíveis ilegalidades praticadas por um agente público.</p><p>Ademais, sabe-se da grande competitividade para a inserção no mercado de</p><p>trabalho, especialmente no setor público, seja na esfera municipal,</p><p>estadual/distrital ou federal, onde cada vez mais pessoas estão em busca da</p><p>tão sonhada estabilidade profissional, algo que é possível através de um</p><p>concurso público, seja de provas ou provas e/ou títulos. Com isso, a disputa</p><p>por um cargo público vem se tornando cada vez mais acirrada, já que é algo</p><p>almejado por muitos.</p><p>Assim, este curso terá um grande papel na preparação de candidatos que tanto</p><p>buscam uma vaga no serviço público, uma vez que fornece uma boa</p><p>capacitação, e mesmo aqueles que não têm essa pretensão, é importante, já</p><p>que é imprescindível que todo cidadão possa conhecer as funcionalidades da</p><p>Administração Pública, na medida que é algo que faz parte do nosso cotidiano</p><p>e que nos impacta diretamente.</p><p>SUMÁRIO</p><p>Palavra do Professor .......................................................................................... 3</p><p>Apresentação do Curso ...................................................................................... 4</p><p>1. FUNDAMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA ................................................... 8</p><p>1.1 Finalidades Da Gestão Pública ................................................................. 8</p><p>1.2 Distinção entre Administração, Governo e Estado .................................... 9</p><p>1.3 Organização Político-Administrativa da República Federativa do Brasil ... 9</p><p>1.4 Poderes da União ................................................................................... 10</p><p>1.4.1 Poder Executivo ................................................................................ 10</p><p>1.4.2 Poder Legislativo .............................................................................. 11</p><p>1.4.3 Poder Judiciário ................................................................................ 12</p><p>2. ESTRUTURA DA GESTÃO PÚBLICA ....................................................... 13</p><p>2.1 Considerações gerais sobre serviço público ........................................... 13</p><p>2.1.1 Dever de Prestar ............................................................................... 13</p><p>2.1.2 Regras para a Prestação de Serviços Públicos ................................ 13</p><p>2.1.3 Formas de Prestação dos Serviços Públicos .................................... 14</p><p>2.2 AS DIVISÕES DA GESTÃO PÚBLICA ................................................... 14</p><p>2.2.1 Administração Pública Direta ............................................................ 15</p><p>2.2.2 Administração Pública Indireta ......................................................... 15</p><p>2.2.2.1 Autarquias ...................................................................................... 16</p><p>2.2.2.2 Fundações Públicas ....................................................................... 19</p><p>2.2.2.3 Empresas Públicas ........................................................................ 22</p><p>2.2.2.4 Sociedade de Economia Mista....................................................... 27</p><p>2.2.2.5 Agências Reguladoras ................................................................... 33</p><p>3. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ......................................... 34</p><p>3.1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS ......................................................... 34</p><p>3.1.1 Princípio da Legalidade .................................................................... 34</p><p>3.1.2 Princípio da Impessoalidade ............................................................. 36</p><p>3.1.3 Princípio da Moralidade .................................................................... 37</p><p>3.1.4 Princípio da Publicidade ................................................................... 38</p><p>3.1.5 Princípio da Eficiência ....................................................................... 38</p><p>3.2 PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS ............................................... 40</p><p>3.2.1 Supremacia do Interesse Público ..................................................... 40</p><p>3.2.2 Presunção de Legitimidade ou Presunção de Legalidade ................ 40</p><p>3.2.3 Princípio da Continuidade dos Serviços Públicos ............................. 41</p><p>3.2.4 Princípio da Isonomia ....................................................................... 41</p><p>3.2.5 Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade .............................. 41</p><p>3.2.6 Princípio da Motivação ...................................................................... 42</p><p>3.2.7 Princípio da Ampla Defesa e Contraditório ....................................... 43</p><p>3.2.8 Princípio da Autotutela ...................................................................... 43</p><p>4. USO DO PODER NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA .................................. 44</p><p>4.1 PODERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO......................................... 44</p><p>4.1.1 Poder Vinculado................................................................................ 44</p><p>4.1.2 Poder Discricionário .......................................................................... 45</p><p>4.1.3 Poder Hierárquico ............................................................................. 46</p><p>4.1.4 Poder Regulamentar ou Normativo................................................... 47</p><p>4.1.5 Poder Disciplinar ............................................................................... 48</p><p>4.1.6 Poder de Polícia................................................................................ 52</p><p>4.1.7 Abuso de Poder ................................................................................ 54</p><p>4.1.8 Excesso de Poder .............................................................................</p><p>(Lei</p><p>n. 8.429/92), sem prejuízo da sanção penal cabível.</p><p>São instrumentos constitucionais, utilizados para assegurar o</p><p>recebimento de informações, o habeas data (art. 5.º, inc. LXXII, da CF) e o</p><p>Mandado de Segurança, individual ou coletivo (art. 5.º, incs. LXIX e LXX, da</p><p>CF).</p><p>A publicidade, como princípio, orienta a atuação administrativa de</p><p>qualquer espécie e está presente, por exemplo, na concessão de certidões, na</p><p>vista dos autos, implicando a contagem de prazos para defesa, prescrição,</p><p>entre outras aplicações igualmente importantes.</p><p>3.1.5 Princípio da Eficiência</p><p>O princípio da eficiência tem o condão de informar a Administração</p><p>Pública, visando aperfeiçoar os serviços e as atividades prestados, buscando</p><p>otimizar os resultados e atender o interesse público com maiores índices de</p><p>adequação, eficácia e satisfação.</p><p>Embora introduzido no texto constitucional somente pela Emenda</p><p>Constitucional n. 19/98, o princípio da eficiência já constava de nossa</p><p>legislação infraconstitucional, a exemplo das previsões constantes do Dec.-lei</p><p>n. 200/67 (arts. 13 e 25, inc. V), da Lei de Concessões e Permissões (Lei n.</p><p>8987/95, arts. 6.º, § 1.º, e 7.º, inc. I) e do Código de Defesa do Consumidor (Lei</p><p>n. 8.078/90, arts. 4.º, inc. VII, 6.º, inc. X, e 22, caput).</p><p>O princípio da eficiência é de suma importância nas mais diversas</p><p>searas em que a Administração Pública atua, desde a contratação e</p><p>exoneração de agentes públicos até a prestação de seus serviços. Em relação</p><p>aos seus agentes, prevê a CF/88 a exigência de concurso público de provas e</p><p>títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo. Para a aquisição</p><p>de estabilidade no serviço público, deve o agente submeter-se a estágio</p><p>probatório de três anos e, ao final, ser aprovado em avaliação de desempenho</p><p>(esta última exigência ainda não levada a efeito, sendo, portanto,</p><p>programática).</p><p>Durante o exercício de suas atividades, prevê a Constituição Federal a</p><p>necessidade de avaliações periódicas de desempenho, sempre assegurada a</p><p>ampla defesa, podendo inclusive levar à perda da função (ainda dependendo</p><p>de regulamentação). Para que o servidor público perca a estabilidade, é</p><p>necessário haver procedimento administrativo regular, assegurada a ampla</p><p>defesa, ou ainda decisão judicial transitada em julgado que venha a prever</p><p>expressamente a perda da função, de acordo com o art. 41 e seus parágrafos</p><p>da CF/88. Cumpre observar que o agente público que obtém a estabilidade,</p><p>permanece estável no serviço público, e não no cargo, o que leva a concluir</p><p>pela possibilidade de reenquadramento em caso de extinção do cargo que</p><p>ocupe, diferente da vitaliciedade dos membros do Ministério Público e da</p><p>Magistratura, que é obtida após dois (02) anos de estágio probatório,</p><p>garantindo a permanência no cargo.</p><p>Finalmente, observa-se que parte da doutrina adota como sinônima a</p><p>expressão especialidade, referindo-se à eficiência, havendo quem encontre na</p><p>especialidade princípio autônomo, a exemplo das lições de Maria Sylvia</p><p>Zanella di Pietro; todavia, igualmente relacionado ao serviço público.</p><p>Dica para nunca esquecer!</p><p>3.2 PRINCÍPIOS INFRACONSTITUCIONAIS</p><p>Sabe-se que a Gestão Pública é regida por princípios, sendo os princípios</p><p>de Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência, os mais</p><p>conhecidos, por está explicito no art. 37 da Constituição Federal de 1988.</p><p>Todavia, existem outros que estão implícitos, também conhecidos como</p><p>infraconstitucionais, que devem ser seguidos do mesmo modo como os</p><p>demais.</p><p>3.2.1 Supremacia do Interesse Público</p><p>Por força dos interesses representados pela Administração, é certo que</p><p>todos os princípios básicos previstos no art. 37 da Constituição Federal se</p><p>aplicam na atuação desta; todavia, na maioria das vezes, a Administração,</p><p>para buscar de maneira eficaz tais interesses, necessita ainda de se colocar</p><p>em um patamar de superioridade em relação aos particulares, numa relação de</p><p>verticalidade, e para isto se utiliza do princípio da supremacia, conjugado ao</p><p>princípio da indisponibilidade, pois, tecnicamente, tal prerrogativa é</p><p>irrenunciável, por não haver faculdade de atuação ou não do Poder Público,</p><p>mas sim “dever” de atuação.</p><p>Por tal princípio, sempre que houver conflito entre um interesse individual</p><p>e um interesse público coletivo, deve prevalecer o interesse público. São as</p><p>prerrogativas conferidas à Administração Pública, porque esta atua por conta</p><p>de tal interesse. Como exemplos podemos citar a existência legal de cláusulas</p><p>exorbitantes em favor da Administração, nos contratos administrativos; as</p><p>restrições ao direito de greve dos agentes públicos; a encampação de serviços</p><p>concedidos pela Administração etc.</p><p>3.2.2 Presunção de Legitimidade ou Presunção de Legalidade</p><p>Esse princípio, que alguns autores chamam de Presunção de Legalidade,</p><p>parte do pressuposto de que os atos administrativos praticados pelo Estado</p><p>devem estar sempre de acordo com a lei. Sabe-se, contudo, que nem sempre</p><p>essa é a realidade da vida prática, muitas vezes percebe-se que os atos</p><p>administrativos são praticados em desacordo com os seus requisitos.</p><p>Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade relativa.</p><p>O particular tem a possibilidade de provar, por meio da lei, que um ato</p><p>administrativo foi realizado em desacordo com a legislação, sendo possível a</p><p>correção desse ato administrativo. A ilegalidade pode levar à anulação do ato</p><p>administrativo.</p><p>3.2.3 Princípio da Continuidade dos Serviços Públicos</p><p>O Princípio da Continuidade do Serviço Público ensina que os serviços</p><p>públicos oferecidos pela Administração Pública à coletividade devem ser</p><p>prestados de maneira contínua, sem interrupções, não podendo ser suspensos</p><p>sem a comunicação prévia das autoridades pertinentes aos administrados.</p><p>Em razão de ter o Estado assumido a prestação de determinados serviços, por</p><p>considerar que estes são fundamentais à coletividade, mesmo os prestando de</p><p>forma descentralizada ou ainda delegada, deve a Administração, até por uma</p><p>questão de coerência, oferecê-los de forma contínua, ininterrupta. Pelo</p><p>princípio da continuidade dos serviços públicos, o Estado é obrigado a não</p><p>interromper a prestação dos serviços que disponibiliza.</p><p>Em relação à interrupção dos serviços, questão interessante se levanta</p><p>na aplicação da eficiência e continuidade dos serviços prestados pela</p><p>Administração em caso de inadimplência, havendo divergência jurisprudencial</p><p>e doutrinária a respeito da possibilidade de corte de fornecimento dos serviços</p><p>essenciais, notadamente quanto à aplicação da possibilidade legal de corte,</p><p>preenchidos os requisitos previstos no art. 6.º, § 3.º, incs. I e II, da Lei n.</p><p>8.987/95, e da vedação expressa de corte de fornecimento em relação a tais</p><p>serviços, prevista no art. 22 do Código de Defesa do Consumidor.</p><p>3.2.4 Princípio da Isonomia</p><p>Segundo o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, o princípio da</p><p>isonomia impõe à Administração Pública a vedação de qualquer espécie de</p><p>favoritismo ou desvalia em proveito ou detrimento de alguém.</p><p>3.2.5 Princípio da Razoabilidade e Proporcionalidade</p><p>Os princípios acima surgem de ideias como a limitação de direitos,</p><p>preconizada por Renato Alessi, segundo o qual “todo direito pressupõe a</p><p>noção de limite”, e da proibição do excesso, usada como meio de</p><p>interpretação de tais princípios por Hely Lopes Meirelles, pois visam a evitar</p><p>toda forma de intervenção ou restrição abusiva ou desnecessária por parte da</p><p>Administração Pública. Com efeito, tal análise deve ser realizada utilizando-se</p><p>dos critérios e “valores atinentes ao homem médio”, de acordo com Lúcia Valle</p><p>Figueiredo.</p><p>Na doutrina, prevalece a noção de que os princípios da razoabilidade e da</p><p>proporcionalidade se entrelaçam e se completam, ou seja, não são</p><p>considerados separadamente. Assumem grande importância quando da</p><p>atuação administrativa</p><p>por meio do poder de polícia, e em geral na expedição</p><p>de todos os atos de cunho discricionários.</p><p>3.2.6 Princípio da Motivação</p><p>É a obrigação conferida ao administrador de motivar todos os atos que</p><p>edita, sejam gerais, sejam de efeitos concretos.</p><p>É considerado, entre os demais princípios, um dos mais importantes, uma vez</p><p>que sem a motivação não há o devido processo legal, pois a fundamentação</p><p>surge como meio interpretativo da decisão que levou à prática do ato</p><p>impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização do controle da legalidade</p><p>dos atos da Administração.</p><p>Motivar significa:</p><p>mencionar o dispositivo legal aplicável ao caso concreto;</p><p>relacionar os fatos que concretamente levaram à aplicação daquele dispositivo</p><p>legal.</p><p>Todos os atos administrativos devem ser motivados para que o</p><p>Judiciário possa controlar o mérito do ato administrativo quanto à sua</p><p>legalidade. Para efetuar esse controle, devem ser observados os motivos dos</p><p>atos administrativos.</p><p>Em relação à necessidade de motivação dos atos administrativos</p><p>vinculados (aqueles em que a lei aponta um único comportamento possível) e</p><p>dos atos discricionários (aqueles que a lei, dentro dos limites nela previstos,</p><p>aponta um ou mais comportamentos possíveis, de acordo com um juízo de</p><p>conveniência e oportunidade), a doutrina é uníssona na determinação da</p><p>obrigatoriedade de motivação com relação aos atos administrativos</p><p>vinculados; todavia, diverge quanto à referida necessidade quanto aos atos</p><p>discricionários.</p><p>Hely Lopes Meirelles entende que o ato discricionário, editado sob os</p><p>limites da Lei, confere ao administrador uma margem de liberdade para fazer</p><p>um juízo de conveniência e oportunidade, não sendo necessária a motivação.</p><p>No entanto, se houver tal fundamentação, o ato deverá condicionar-se a esta,</p><p>em razão da necessidade de observância da Teoria dos Motivos</p><p>Determinantes. O entendimento majoritário da doutrina, porém, é de que,</p><p>mesmo no ato discricionário, é necessária a motivação para que se saiba qual</p><p>o caminho adotado pelo administrador. O eminente Professor Diógenes</p><p>Gasparini, com respaldo no art. 50 da Lei n. 9.784/98, aponta inclusive a</p><p>superação de tais discussões doutrinárias, pois o referido artigo exige a</p><p>motivação para todos os atos nele elencados, compreendendo entre estes,</p><p>tanto os atos discricionários quanto os vinculados.</p><p>O princípio da motivação é de importância singular, alcançando inclusive</p><p>previsão em constituições estaduais, entre elas, a Constituição do Estado de</p><p>São Paulo, que no seu art. 111, lista, além dos princípios do art. 37 da</p><p>Constituição Federal, a motivação, a razoabilidade, a finalidade e o interesse</p><p>público. Saliente-se, concluindo, que, inclusive em relação às decisões do</p><p>Poder Judiciário, sejam essas decisões judiciais ou administrativas e</p><p>disciplinares, como garantia de ampla defesa, a Constituição Federal/88 prevê</p><p>a necessidade de motivação, conforme consta em seu art. 93, incs. IX e X,</p><p>respectivamente.</p><p>3.2.7 Princípio da Ampla Defesa e Contraditório</p><p>É a proteção constitucionalmente consagrada no art. 5º, inciso LV, da</p><p>C.F./88, que diz: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos</p><p>acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os</p><p>meios e recursos a ele inerentes.”</p><p>3.2.8 Princípio da Autotutela</p><p>A Administração possui a faculdade de rever os seus atos, de forma a</p><p>possibilitar a adequação destes à realidade fática em que atua, e declarar nulos</p><p>os efeitos dos atos eivados de vícios quanto à legalidade.</p><p>O sistema de controle dos atos da Administração adotado no Brasil é o</p><p>jurisdicional. Esse sistema possibilita, de forma inexorável, ao Judiciário, a</p><p>revisão das decisões tomadas no âmbito da Administração, no tocante à sua</p><p>legalidade, é, portanto, denominado controle finalístico, ou de legalidade.</p><p>À Administração, por conseguinte, cabe tanto a anulação dos atos</p><p>ilegais como a revogação de atos válidos e eficazes, quando considerados</p><p>inconvenientes ou inoportunos aos fins buscados pela Administração. Essa</p><p>forma de controle endógeno da Administração denomina-se princípio da</p><p>autotutela. Ao Poder Judiciário cabe somente a anulação de atos reputados</p><p>ilegais. O embasamento de tais condutas é pautado nas Súmulas 346 e 473 do</p><p>Supremo Tribunal Federal.</p><p>4. USO DO PODER NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA</p><p>4.1 PODERES DO ADMINISTRADOR PÚBLICO</p><p>Diversamente dos poderes do Estado, que são estruturais e orgânicos,</p><p>os poderes da Administração são instrumentais. Constituem instrumentos</p><p>conferidos à Administração pelo ordenamento jurídico, para que possa atingir</p><p>sua finalidade única, qual seja, o interesse público. Os poderes da</p><p>Administração são prerrogativas decorrentes do Princípio da Supremacia do</p><p>interesse público sobre o interesse particular.</p><p>Sempre que o administrador, quando da utilização desses instrumentos,</p><p>exceder os limites de suas atribuições ou se desviar das finalidades</p><p>administrativas, incorrerá em abuso de poder e será responsabilizado. O abuso</p><p>de poder divide-se em duas espécies: excesso de poder e desvio de finalidade.</p><p>Esses poderes são atribuídos à Administração Pública para que ela os</p><p>exerça em benefício do interesse público, o que os torna irrenunciáveis. Desta</p><p>forma, a Administração, quando for necessária a utilização desses poderes,</p><p>deverá fazê-lo, sob pena de ser responsabilizada. O exercício é obrigatório,</p><p>indeclinável, pois, em se tratando de Administração Pública, não há</p><p>propriamente faculdade de agir, mas verdadeiro dever de atuação, decorrente</p><p>do Princípio da Indisponibilidade.</p><p>4.1.1 Poder Vinculado</p><p>Tem-se por poder vinculado a definição, nas regras que pautam a</p><p>atuação da Administração Pública, de um único comportamento possível diante</p><p>de determinado caso concreto. Com efeito, no ato administrativo vinculado, o</p><p>administrador não tem liberdade para decidir quanto à atuação, ou mesmo</p><p>quanto à forma de atuação. A lei previamente estabelece um único</p><p>comportamento possível a ser tomado pelo administrador no caso concreto;</p><p>não podendo haver juízo de valores, o administrador não poderá analisar a</p><p>conveniência e a oportunidade do ato. A lei regulou o ato de tal forma que não</p><p>há espaço para discricionariedade. Como exemplo, encontramos na doutrina a</p><p>aposentadoria compulsória (artigo 40, § 1.º, inciso I, da Constituição Federal).</p><p>4.1.2 Poder Discricionário</p><p>O ato discricionário é aquele que, editado sob a lei que confere ao</p><p>administrador liberdade para agir diante de situações concretas, se utiliza de</p><p>um juízo de conveniência e oportunidade. Esse juízo de valores deve ser</p><p>exercido dentro dos limites da lei e de forma que melhor atenda ao interesse</p><p>público. A título de exemplo, pode ser citada a autorização de porte de arma,</p><p>em que o administrador deve analisar as características da pessoa, seus</p><p>antecedentes etc.</p><p>A diferença entre o poder vinculado e o poder discricionário reside no</p><p>grau de liberdade legalmente conferido ao administrador.</p><p>Tanto o ato vinculado quanto o ato discricionário só poderão ser</p><p>apreciados pelo Judiciário no tocante à sua legalidade.</p><p>O controle dos atos discricionários pelo Judiciário circunscreve-se à</p><p>legalidade, e não ao mérito, porque implicaria possível troca dos valores</p><p>adotados pelo administrador, pelos valores do juiz, ferindo o princípio da</p><p>independência dos poderes. Todavia, Hely Lopes Meirelles adverte que a</p><p>imoralidade surge como forma de ilegalidade, notadamente após a previsão, no</p><p>texto constitucional, de ação popular para desconstituição de atos lesivos à</p><p>moralidade administrativa (artigo 5.º, inciso LXXIII, da Constituição Federal/88).</p><p>Ainda, segundo as lições do Professor Hely Lopes Meirelles, a atividade</p><p>discricionária justifica-se em virtude da impossibilidade do legislador catalogar</p><p>na lei todos os atos que a prática administrativa exige, mormente em razão da</p><p>velocidade das modificações</p><p>no mundo concretamente considerado, em que se</p><p>aplica o Direito. Notadamente em razão dessa afirmação, apesar da opinião</p><p>contrária de Hely, para quem os atos discricionários não precisam ser</p><p>motivados, justifica-se para a maioria doutrinária a premente necessidade de</p><p>motivação nos atos discricionários, como única forma de controlar a legalidade</p><p>na expedição destes e de possibilitar a contestação por quem, direta ou</p><p>indiretamente, tenha sido atingido por tais atos.</p><p>4.1.3 Poder Hierárquico</p><p>Poder hierárquico é o poder conferido à Administração para organizar a</p><p>sua estrutura, distribuir e escalonar as funções de seus órgãos, bem como</p><p>ordenar e rever a atuação dos seus agentes, estabelecendo uma relação de</p><p>hierarquia e subordinação entre eles.</p><p>O Poder Hierárquico assume importante papel na Administração, sob</p><p>dois enfoques, conforme se vê a seguir:</p><p>Internamente, porque possibilita ao agente, desde que ingressa na</p><p>Administração, saber quem deve cumprir ordens e quais ordens devem ser</p><p>cumpridas, otimizando funções e compondo de maneira satisfatória os quadros</p><p>do Poder Público.</p><p>Externamente, desdobra-se para que se possa apreciar a validade do</p><p>ato publicado, concluir se deverá ou não ser cumprido e saber contra quem se</p><p>ingressará com remédios judiciais, caso haja a ofensa de direitos legal e</p><p>constitucionalmente protegidos.</p><p>Cumpre observar que, de acordo com as lições de Hely Lopes Meirelles,</p><p>não há hierarquia no Judiciário e no Legislativo em relação às suas funções</p><p>próprias, pois hierarquia é caráter privativo da função executiva, como</p><p>elemento típico da organização e da ordenação dos serviços administrativos.</p><p>Como desdobramentos do poder hierárquico, podemos observar que,</p><p>por determinar as relações de hierarquia e subordinação entre os agentes</p><p>públicos, bem como a possibilidade de rever a atuação destes, o referido poder</p><p>acompanha o servidor, quando de sua convocação para a prestação de</p><p>serviços em outros órgãos da Administração. Assim, o poder hierárquico é</p><p>diferente do poder disciplinar que, por possibilitar a aplicação de sanções, se</p><p>mantém na origem, ainda que o agente público execute funções em órgão</p><p>diverso. Decorre ainda do poder hierárquico a possibilidade de avocar e</p><p>delegar funções, pelos superiores. Aqui, cumpre ainda observar que, da</p><p>hierarquia decorre o dever de obediência do subordinado, a possibilidade de</p><p>dar ordens, e em relação à possibilidade de avocação e delegação, ressalte-se</p><p>que estas atitudes só são possíveis em relação a atribuições não-privativas.</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>4.1.4 Poder Regulamentar ou Normativo</p><p>O poder regulamentar é o poder conferido aos chefes do Executivo para</p><p>editar decretos e regulamentos com a finalidade de oferecer fiel execução à lei.</p><p>Decorre de disposição constitucional (artigo 84, inciso IV, da Constituição</p><p>Federal/88).</p><p>Em que pese haver a previsão constitucional apenas de decretos e</p><p>regulamentos de execução, infra-legais, parte da doutrina e jurisprudência</p><p>admite a existência de decretos autônomos, os quais disciplinam matéria não</p><p>versada em lei, a exemplo de Hely Lopes Meirelles, de algumas decisões do</p><p>Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Os decretos autônomos diferem-se dos decretos de execução, pois</p><p>estes visam garantir a fiel execução de lei ou de ato normativo já editados. O</p><p>mestre Hely Lopes Meirelles, em sua obra, diferencia com maestria tais</p><p>institutos, definindo que “regulamento é o ato administrativo geral e normativo</p><p>expedido privativamente pelo Chefe do Executivo (federal, estadual ou</p><p>municipal), por meio de decreto, com o fim de explicar o modo e forma de</p><p>execução da lei (regulamento de execução) ou prover situações não</p><p>disciplinadas em lei (regulamento autônomo ou independente).”</p><p>A posição majoritária, entretanto, não aceita a existência de decretos</p><p>autônomos, visto que o disposto no artigo 84 da Constituição Federal é claro</p><p>quanto à expedição de decretos apenas para promover a fiel execução da lei.</p><p>É de se ver, contudo, que a Emenda Constitucional n. 32/01 incorporou</p><p>ao texto do artigo 84, o inciso VI, que dispõe sobre a possibilidade de edição de</p><p>http://www.google.com/</p><p>decreto capaz de produzir os efeitos do denominado decreto autônomo, ou</p><p>independente. Assim, afigura-se ao chefe do Executivo a possibilidade de</p><p>expedir decretos sobre organização e funcionamento da administração federal,</p><p>quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos</p><p>públicos (alínea “a”); ou ainda, por meio deles, decretar extinção de funções ou</p><p>cargos públicos, quando vagos (alínea “b”).</p><p>Por fim, de outra feita, cumpre observar a possibilidade de inclusão, pela</p><p>denominada Reforma do Poder Judiciário, da ação direta de legalidade de ato</p><p>normativo, de competência do Superior Tribunal de Justiça, com a finalidade de</p><p>julgar ilegais decretos que exorbitem do poder regulamentar, reforçando seu</p><p>caráter de execução, conforme arguta observação de Ricardo Cunha Chimenti.</p><p>4.1.5 Poder Disciplinar</p><p>Poder disciplinar é o poder conferido à Administração que lhe permite</p><p>impor penalidades aos seus agentes em razão da prática de infrações</p><p>funcionais. Somente poderão ser aplicadas sanções e penalidades de caráter</p><p>administrativo expressamente previstas em lei, a exemplo de advertências,</p><p>suspensão, demissão etc.</p><p>A expressão “agentes públicos” abrange todas as pessoas que se</p><p>encontram dentro da Administração, podendo citar, como exemplo, desde os</p><p>juízes e candidatos eleitos para o Legislativo e o Executivo, verdadeiros</p><p>agentes políticos; os servidores da Administração, assim considerados os</p><p>agentes administrativos; até os jurados, mesários na eleição, denominados</p><p>agentes honoríficos, entre outros.</p><p>Com efeito, a tradicional classificação de agentes públicos abrange: os</p><p>agentes políticos; os agentes administrativos; os agentes honoríficos; os</p><p>agentes delegados e os agentes credenciados, que serão oportunamente</p><p>estudados. Cumpre observar que na doutrina há diferentes divisões acerca do</p><p>quadro de agentes públicos, notadamente quanto à nomenclatura, sendo a</p><p>divisão acima adotada desenvolvida pelo Professor Hely Lopes Meirelles.</p><p>É importante salientar que a expressão “agente administrativo”,</p><p>categoria de agente público, é composta por três espécies de agentes:</p><p>servidor público: é o agente que titulariza um cargo, sob regime estatutário;</p><p>empregado público: é o agente que titulariza um emprego, sob regime</p><p>celetista; todavia, diverso daquele empregado na iniciativa privada;</p><p>servidor temporário: é aquele contratado diante de uma situação de</p><p>excepcional interesse público (artigo 37, inciso IX, da Constituição Federal).</p><p>Observa-se que, até a Constituição Federal vigente, os atuais agentes</p><p>administrativos, espécie de agentes públicos, eram titulados por funcionários</p><p>públicos.</p><p>Todas as pessoas envolvidas na expressão “agentes públicos”, portanto,</p><p>estarão sujeitas ao poder disciplinar da Administração. Entretanto, os agentes</p><p>públicos só serão submetidos a sanções, quando a infração for funcional, ou</p><p>seja, quando a infração estiver relacionada com a atividade desenvolvida pelo</p><p>agente.</p><p>O conceito de agente tem importância também no tocante à</p><p>responsabilidade, seja a decorrente da prática de atos de improbidade</p><p>administrativa, descritos nos artigos 9.º a 11 da Lei n. 8.429/92, ou ainda,</p><p>conforme prescreve o artigo 37, § 6.º, da Constituição Federal: “As pessoas</p><p>jurídicas de direito público e as de direito privado, prestadoras de serviços</p><p>públicos, responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade,</p><p>causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável</p><p>no caso de dolo ou culpa”.</p><p>O exercício do poder disciplinar é ato preponderantemente vinculado;</p><p>porém, não deixa de possuir determinada parcela de cunho discricionário, visto</p><p>que o administrador público, ao</p><p>aplicar sanções, poderá fazer um juízo de</p><p>valores (conveniência e oportunidade), devendo aplicar a sanção que julgar</p><p>cabível para cada uma das diversas infrações disciplinares, ou ainda deixar de</p><p>aplicar a sanção se as características do caso concreto justificarem tal medida.</p><p>No entanto, não há discricionariedade ao decidir pela apuração da falta</p><p>funcional, sob pena de cometimento do crime de condescendência criminosa</p><p>(artigo 320, do Código Penal).</p><p>De acordo com as regras previstas pela Lei n. 8.112/90, denominada</p><p>Estatuto dos Servidores Públicos da União, ao aplicar a sanção, o</p><p>administrador deverá levar em conta os seguintes elementos:</p><p>• atenuantes e agravantes do caso concreto;</p><p>• natureza e gravidade da infração;</p><p>• prejuízos causados para o interesse público;</p><p>• antecedentes do agente público.</p><p>Sempre que o administrador for decidir pela aplicação ou não da sanção</p><p>deverá motivá-la, de modo que haja possibilidade de controle quanto à sua</p><p>regularidade. Da mesma forma, o administrador que deixar de aplicar sanção</p><p>deverá motivar a não-aplicação desta.</p><p>O limite para o exercício do poder disciplinar encontra-se na cláusula do</p><p>devido processo legal (artigo 5.º, inciso LIV, da Constituição Federal/88). Dos</p><p>desdobramentos do artigo 5.º da Constituição, destaca-se ainda seu inciso LV,</p><p>que assegura o contraditório e a ampla defesa. Reunindo o conteúdo desses</p><p>dois incisos (LIV e LV), chega-se à conclusão de que, na aplicação de sanções</p><p>disciplinares, deve-se observar a aplicação de procedimento administrativo</p><p>regular, com possibilidade de exercício de ampla defesa, mediante</p><p>oferecimento do contraditório.</p><p>A motivação do ato administrativo tem duplo significado, isto é,</p><p>mencionar o dispositivo legal aplicado (razões de direito) e relacionar os fatos</p><p>que concretamente levaram o administrador a atuar da forma escolhida (razões</p><p>de fato). A motivação do ato administrativo é obrigatória, visto que constitui a</p><p>base para a prática do contraditório e da ampla defesa. Note-se que a Lei n.</p><p>9.784/99 regulamenta o processo administrativo na esfera federal e inclui a</p><p>motivação como um dos princípios que comandam o processo.</p><p>Instrumentos de aplicação</p><p>Os instrumentos de aplicação das sanções decorrentes do poder</p><p>disciplinar estão previstos nas respectivas leis de regência dos agentes, em</p><p>cada esfera de governo. Em decorrência dessas previsões, pode haver</p><p>disparidade, diversificação no texto das referidas leis, quanto aos institutos</p><p>adotados. Via de regra, adotando-se como parâmetro a Lei n. 8.112/90, para a</p><p>aplicação das sanções disciplinares, apresentam-se como instrumentos a</p><p>sindicância e o processo administrativo disciplinar. Esses institutos</p><p>assemelham-se porque ambos servem para apurar irregularidades na</p><p>Administração Pública. No entanto, distinguem-se quanto à matéria a ser</p><p>apurada, pois o processo administrativo disciplinar serve para apurar qualquer</p><p>irregularidade e a sindicância apenas para apurar determinadas</p><p>irregularidades, notadamente aquelas em que se aplicam sanções de menor</p><p>gravidade.</p><p>A sindicância caracteriza-se por ser um processo administrativo</p><p>simplificado, que objetiva a aplicação de penas para infrações das quais pode</p><p>resultar advertência ou suspensão por até 30 dias. Conforme já observado, tem</p><p>aplicação, como regra, para imposição de penas leves.</p><p>Quando se realiza uma sindicância, podem ocorrer três hipóteses:</p><p>• ao término da sindicância, não é apurada nenhuma irregularidade:</p><p>circunstância em que será arquivada;</p><p>• ao término da sindicância, constata-se a irregularidade investigada: será</p><p>ou não aplicada uma penalidade, que poderá ser advertência ou</p><p>suspensão por, no máximo, 30 dias;</p><p>• a irregularidade apurada é mais grave do que se imaginou: ocasião em</p><p>que a sindicância resultará na instauração de um processo</p><p>administrativo disciplinar, e o apurado na sindicância poderá ser utilizado</p><p>nesse processo, para sua instrução.</p><p>O processo administrativo disciplinar apresenta-se mais formal e mais</p><p>rígido, sendo utilizado para apuração de qualquer irregularidade, com a</p><p>aplicação de qualquer pena ou sanção, inclusive para aquelas penas ou</p><p>sanções que podem ser apuradas por sindicância.</p><p>O processo administrativo disciplinar é constituído pelas seguintes fases:</p><p>Abertura: por meio de portaria, que deve conter três informações: contra quem</p><p>se abre o processo; quais as razões que levaram à sua abertura e quais os</p><p>membros que compõem a comissão processante. A abertura, via de regra,</p><p>cabe à autoridade imediatamente superior ao agente infrator.</p><p>Instrução ou Inquérito Administrativo: fase em que são colhidas todas as</p><p>provas e reunidos todos os documentos necessários. É nesse momento que os</p><p>autos da sindicância podem instruir o processo.</p><p>Julgamento: com base exclusivamente nas provas coletadas na fase anterior</p><p>profere-se a decisão.</p><p>A ampla defesa e o contraditório deverão ser observados tanto na</p><p>sindicância quanto no processo administrativo disciplinar, visto que ambos</p><p>instrumentos preveem aplicação de pena.</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>http://www.google.com/</p><p>4.1.6 Poder de Polícia</p><p>Trata-se de atividade estatal que limita o exercício dos direitos</p><p>individuais em prol do interesse coletivo.</p><p>De acordo com a doutrina pátria, poder de polícia é o poder conferido à</p><p>Administração Pública para condicionar, restringir, frenar o exercício de direitos</p><p>e atividades dos particulares em nome dos interesses da coletividade.</p><p>Em que pese à existência de um conceito doutrinário, nosso</p><p>ordenamento, no Código Tributário Nacional, prevê uma definição legal de</p><p>poder de polícia, que, por sua vez, surge como fato gerador do tributo</p><p>denominado taxa, na modalidade taxa de polícia.</p><p>Com efeito, o artigo 78 do Código Tributário Nacional, adotando</p><p>conotação ampla, define poder de polícia como “atividade da administração</p><p>pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a</p><p>prática de ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público</p><p>concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da</p><p>produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes</p><p>de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao</p><p>respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos”.</p><p>O princípio informador deste poder, que autoriza o Poder Público a</p><p>condicionar ou restringir o exercício de direitos e as atividades dos particulares,</p><p>é a supremacia do interesse público sobre o interesse particular.</p><p>Abrangência</p><p>Com relação à abrangência, o poder de polícia informa e possibilita a</p><p>atuação eficaz da Administração Pública na busca do interesse público sendo,</p><p>por conseguinte, aplicável por meio de atos gerais ou individuais, puramente</p><p>normativos ou ainda de efeitos concretos.</p><p>Ato geral é aquele ato que não tem um destinatário específico,</p><p>normalmente de cunho normativo, a exemplo do ato que proíbe a venda de</p><p>bebidas alcoólicas a menores, aplicável a todos os estabelecimentos</p><p>comerciais. Por sua vez, ato individual é aquele que tem um destinatário</p><p>específico, por exemplo, a autuação de determinado estabelecimento comercial</p><p>por qualquer motivo, por razões de segurança.</p><p>Objeto do poder de polícia</p><p>O poder de polícia poderá atuar sobre todos os bens, direitos, interesses</p><p>e atividades individuais, desde que as restrições se justifiquem, porque</p><p>previstas em prol do interesse coletivo e pautadas pelo princípio da</p><p>proporcionalidade, e desde que estejam de acordo com os limites</p><p>constitucionais e legais.</p><p>Limite</p><p>Para que o exercício do poder de polícia pela Administração seja</p><p>considerado legal, o ordenamento houve por bem determinar limites, ou</p><p>quando menos, determinar critérios de limitação para as diversas esferas do</p><p>Poder Público, decorrência de nosso sistema federativo.</p><p>Assim, a competência surge como limite para o exercício</p><p>do poder de</p><p>polícia, conforme disposto na Constituição Federal de 1988. Justamente por</p><p>não haver, via de regra, hierarquia entre os componentes da Federação, mas</p><p>sim apenas campos diferentes de atuação, determina-se a competência para a</p><p>expedição de atos sob a égide do poder de polícia, quando no âmbito territorial</p><p>de cada esfera de governo, e desde que relativos à matéria a esta reservada.</p><p>Logo, quando o órgão não for competente, o ato não será considerado válido</p><p>(artigo 78 do Código Tributário Nacional).</p><p>Nesse sentido, faz-se necessária a diferenciação entre polícia</p><p>administrativa, polícia judiciária e polícia de manutenção da ordem pública,</p><p>assim definidas por Hely Lopes Meirelles.</p><p>Com efeito, de acordo com as lições de Hely, a polícia administrativa</p><p>incide sobre bens, direitos, interesses e atividades da população, difunde-se</p><p>por toda a Administração e visa garantir todos os interesses explicitados em</p><p>sua definição legal, constante do Código Tributário Nacional. Cabe à polícia</p><p>judiciária a apuração de infrações penais e sua autoria; sua competência é de</p><p>órgãos determinados, a exemplo das polícias civis e da polícia federal, e é</p><p>considerada como órgão auxiliar do Poder Judiciário. Por fim, a polícia de</p><p>manutenção da ordem pública, ou polícia ostensiva, tem caráter</p><p>eminentemente preventivo e ostensivo, além de ser da competência de órgãos</p><p>militares.</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>4.1.7 Abuso de Poder</p><p>De acordo com Sérgio Souza, Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do</p><p>Estado Rio de Janeiro, O abuso de poder é um instituto tratado em diferentes</p><p>ramos do Direito brasileiro.</p><p>No âmbito do Direito Administrativo, é sabido que os poderes</p><p>administrativos (poderes de polícia, hierárquico, regulamentar, disciplinar e,</p><p>para alguns, vinculado e discricionário) são prerrogativas concedidas à</p><p>Administração Pública para que esta, no exercício das funções que lhe são</p><p>atribuídas pelas normas, alcance o atendimento do interesse público.</p><p>Não pode o administrador público renunciar à utilização de tais poderes.</p><p>O interesse público é indisponível, e, caso seja necessário que o administrador</p><p>se valha de tais poderes para cumprir sua função, deverá exercê-los, haja vista</p><p>que os poderes administrativos constituem verdadeiros poderes-deveres.</p><p>O uso do poder é a utilização normal dessas prerrogativas, dentro da</p><p>legalidade e da legitimidade, respeitados os princípios administrativos</p><p>expressos e reconhecidos. Aqui, não há de se falar em ilegalidade de qualquer</p><p>espécie.</p><p>Diferentemente, o abuso de poder é a conduta do administrador público</p><p>eivada de ilegalidade, a qual pode se manifestar de diferentes maneiras. A</p><p>uma, pela falta de competência legal; a duas, pelo não atendimento do</p><p>interesse público; e, a três, pela omissão.</p><p>A expressão abuso de poder faz referência, no campo da administração</p><p>pública, ao comportamento irregular, intrusivo ou omissivo de autoridade.</p><p>http://www.google.com/</p><p>A doutrina trata o abuso de poder como gênero, dos quais são espécies</p><p>o excesso de poder e o desvio de poder, ou desvio de finalidade.</p><p>4.1.8 Excesso de Poder</p><p>No excesso de poder, o agente público atua sem competência, seja por</p><p>sua total ausência, seja por extrapolar os limites da competência que lhe foi</p><p>legalmente atribuída. O ato pode ser considerado válido até o limite em que</p><p>não foi extrapolada a competência, exceto se o excesso o comprometa</p><p>inteiramente.</p><p>O ato praticado com excesso de poder é manchado pela pecha da</p><p>ilegalidade, em razão da existência de vício em um de seus elementos, qual</p><p>seja, a competência. Resta saber se tal ato pode ser aproveitado, ou seja, se</p><p>pode haver a correção do vício que o macula. Em se tratando de vício de</p><p>incompetência, admite-se a sanatória ou convalidação do ato na forma da</p><p>ratificação. O artigo 55 da Lei nº 9.784/99, que trata do processo administrativo</p><p>em âmbito federal, prevê expressamente a possibilidade de convalidação, pela</p><p>Administração, de atos eivados de defeitos sanáveis, desde que isso não gere</p><p>lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros.</p><p>A ratificação não é admitida em se tratando de competência atribuída</p><p>com exclusividade, seja porque a competência exclusiva é indelegável, seja em</p><p>razão da autonomia dos entes estatais ou, ainda, pela incompetência em razão</p><p>da matéria. Excluídos esses casos, poderá haver a ratificação do ato praticado</p><p>com excesso de poder corrigindo-se o vício de incompetência, podendo-se,</p><p>então, falar-se em perfeição do ato administrativo.</p><p>A ratificação poderá ou não ser obrigatória. Tratando-se de ato</p><p>vinculado, o qual é desprovido de mérito administrativo, preenchidos os</p><p>requisitos legais a autoridade competente estará compelida a ratificá-lo, porque</p><p>a vontade administrativa manifestada é ex lege. Sendo discricionário o ato, a</p><p>ratificação ficará submetida ao juízo de conveniência e oportunidade da</p><p>autoridade competente, que poderá concordar ou não com a avaliação</p><p>subjetiva realizada pela autoridade incompetente.</p><p>Conclui-se, então, pela possibilidade de ratificação do ato eivado de</p><p>excesso de poder.</p><p>4.1.9 Do Desvio de Poder ou Desvio de Finalidade</p><p>O desvio de poder, ou desvio de finalidade, encontra previsão expressa</p><p>na Lei de Ação Popular (Lei nº 4.717/65), a qual, em seu art. 2º, “e”, e</p><p>parágrafo único, “e”, trata do desvio de finalidade como o vício nulificador do</p><p>ato administrativo lesivo ao patrimônio público, e o considera caracterizado</p><p>quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita</p><p>ou implicitamente, na regra de competência.</p><p>No desvio de poder, a autoridade age dentro dos limites da sua</p><p>competência, mas o ato não atende o interesse público, ferindo os objetivos</p><p>colimados pela norma legal. Trata-se de ato ilegal que se reveste de uma</p><p>roupagem de legalidade, o que dificulta sua prova, devendo o Juiz levar em</p><p>conta os indícios presentes para considerar a ocorrência ou não do desvio de</p><p>finalidade.</p><p>Também no desvio de poder há vício em um dos elementos do ato</p><p>administrativo, qual seja, o da finalidade. A finalidade precípua da</p><p>Administração Pública é sempre atender o interesse público, daí decorrendo a</p><p>impossibilidade de sanatória ou convalidação do vício relativo à finalidade do</p><p>ato.</p><p>Portanto, o ato contendo vício quanto à finalidade não pode ser</p><p>aproveitado pela Administração Pública. Dessa maneira, verifica-se que é</p><p>cabível a sanatória em relação ao excesso de poder, por referir-se a vício de</p><p>incompetência, enquanto o desvio de poder não admite convalidação, por tratar</p><p>de vício de finalidade.</p><p>Em ambos os casos, é irrelevante tenha ou não agido o administrador</p><p>com boa-fé. Em qualquer hipótese, estará presente a ilegalidade do ato.</p><p>4.2 Omissão da Administração Pública</p><p>A omissão da Administração Pública também pode caracterizar o abuso</p><p>de poder. Aqui, há de se discernir entre omissão genérica e omissão específica</p><p>da Administração Pública. Na primeira, não surge o abuso de poder, porque se</p><p>trata de escolha do momento mais oportuno para o incremento das políticas de</p><p>administração, as quais não possuem prazo determinado. Já na omissão</p><p>específica, a Administração Pública tem o dever de agir face a uma situação</p><p>determinada, podendo ou não a lei prever o prazo para tanto (neste último</p><p>caso, deve-se considerar o que a doutrina chama de "prazo razoável").</p><p>A omissão específica caracteriza a abuso de poder em virtude do poder-</p><p>dever de agir da Administração Pública quando a lei assim o determina.</p><p>Ressalte-se que a omissão não é ato administrativo, mas sim a ausência de</p><p>manifestação de vontade do poder público.</p><p>4.3 Consequências do Abuso de Poder</p><p>O abuso de poder pode gerar sanções administrativas, cíveis, criminais</p><p>e políticas. Cite-se como exemplo o artigo 7º do Decreto-lei nº 3.365/41, que</p><p>trata do chamado direito de penetração, que garante ao molestado por excesso</p><p>ou abuso de poder indenização</p><p>por perdas e danos, sem prejuízo da ação</p><p>penal.</p><p>4.3.1 Consequências Administrativas do Abuso de Poder</p><p>Em diversas leis, podem ser encontradas consequências administrativas</p><p>para o abuso de poder. A Lei nº 8.666/93, em seu artigo 83, dispõe que a</p><p>prática dos crimes nela descritos sujeitam o infrator à perda do cargo, emprego,</p><p>função ou mandato eletivo.</p><p>A Lei nº 8.112/90 prevê responsabilidade civil, penal e administrativa</p><p>pelo exercício irregular das atribuições do servidor, decorrendo a</p><p>responsabilidade administrativa de ato omissivo ou comissivo por ele praticado</p><p>(arts. 121 e 124). Uma das penalidades administrativas é a demissão com</p><p>fundamento na improbidade administrativa (art. 132, IV, da citada lei), sendo</p><p>certo que esta pode ser decorrente do abuso de poder, como será visto</p><p>adiante.</p><p>A Lei nº 4.898/65 estabelece que o abuso ou desvio de poder</p><p>caracterizam abuso de autoridade (art. 4º, “h”), sujeitando o infrator a sanções</p><p>cíveis, administrativas e penais. As sanções administrativas estão elencadas</p><p>no artigo 6º, §1º, da referida lei.</p><p>A Lei nº 8.429/92, em seu art. 11, I (Lei da Improbidade Administrativa),</p><p>prevê condutas que podem refletir o abuso de poder, como a prática de ato</p><p>visando a fim proibido em lei ou regulamento (o que caracteriza o desvio de</p><p>poder), ou a prática de ato diverso daquele previsto na regra de competência (o</p><p>que configura excesso de poder). O artigo 12, III, da referida lei, traz as penas</p><p>de perda da função pública e de proibição de contratar com o Poder Público ou</p><p>receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios como penalidades</p><p>administrativas.</p><p>4.2.4.2 Consequências Cíveis do Abuso de Poder</p><p>As consequências cíveis dizem respeito, em regra, ao dever de indenizar</p><p>pelo dano causado à Administração Pública com o abuso de poder. Citem-se</p><p>como exemplos do dever de indenizar o art. 122, §§1º a 3º da Lei nº 8.112/90;</p><p>o art. 10, IV a XI, c/c o art. 12, III, da Lei nº 8.429/92; e o art. 37, §4º, da</p><p>Constituição da República.</p><p>Também no art. 6º, §2º, da Lei nº 4.898/65, há previsão de sanção de</p><p>natureza civil, consistente no pagamento de indenização no caso de</p><p>impossibilidade de fixação do valor do dano.</p><p>Em relação à responsabilidade civil no que tange ao ressarcimento ao</p><p>Erário (Lei nº 8.429/92, art. 12, III), vale destacar que as ações com esse</p><p>fundamento são imprescritíveis, na forma do previsto no art. 37, §5º, da</p><p>Constituição da República, dispositivo que prevalece sobre o art. 23 da Lei nº</p><p>8.429/92. Esta lei prevê, ainda, a aplicação de multa civil, em seu art. 12, III.</p><p>A Lei nº 9.504/97, que estabelece normas para as eleições, descreve em</p><p>seu artigo 73, I a VIII, várias condutas que podem caracterizar o abuso de</p><p>poder. O §7º do art. 73 da referida lei estatui que essas condutas caracterizam</p><p>improbidade administrativa, sujeitando-se às cominações do artigo 12, III, da</p><p>Lei nº 8.429/92, sendo certo que este último dispositivo contém sanções de</p><p>natureza cível, como o ressarcimento integral do dano e o pagamento de multa</p><p>civil.</p><p>4.4 Abuso de Autoridade</p><p>Abuso de autoridade é o abuso de poder analisado sob as normas</p><p>penais, de onde temos a espécie abuso de poder. Sua conduta típica é</p><p>considerada crime, de acordo com a lei 4898 /65. Assim, o abuso de autoridade</p><p>abrange o abuso de poder, utilizando os conceitos administrativos para tipificar</p><p>condutas contrárias à lei no âmbito penal e disciplinar.</p><p>5. ASPECTOS LEGAIS DO CIDADÃO PARA INTERPOR CONTRA</p><p>ILEGALIDADES</p><p>5.1 REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS</p><p>Os remédios constitucionais, também conhecidos como “tutela</p><p>constitucional das liberdades”, são direitos-garantia que servem de instrumento</p><p>para a efetivação da tutela ou proteção dos direitos fundamentais. Em geral,</p><p>são ações judiciárias que procuram proteger os direitos públicos subjetivos.</p><p>São direitos de defesa de primeira geração quando visam uma omissão e de</p><p>segunda geração quando visam uma prestação positiva, social do Estado.</p><p>Objetivo</p><p>Exigir do destinatário (normalmente o Estado) uma ação ou omissão que</p><p>seja suficiente para evitar uma lesão ou reparar a lesão causada.</p><p>São direitos de defesa de primeira geração quando visam uma omissão do</p><p>Estado, ou seja, quando procuram resguardar a liberdade de agir ou não agir</p><p>conforme as liberdades públicas e são direitos de segunda geração quando</p><p>visam uma prestação positiva ou social do Estado, como a realização de um</p><p>direito social.</p><p>Classificação</p><p>Os remédios constitucionais são tradicionalmente conhecidos como</p><p>ações judiciais, porém, pode-se fazer a seguinte distinção:</p><p>❖ Judiciais</p><p>São as tradicionais ações judiciais previstas no Art. 5º dos incisos LXVIII</p><p>a LXXIII, em ordem: Habeas Corpus (HC), Mandado de Segurança (MS),</p><p>Mandado de Segurança Coletivo (MSc), Mandado de Injunção (MI), o STF</p><p>aceita o Mandado de Injunção Coletivo (MIc), Habeas Data (HD) e Ação</p><p>Popular (AP).</p><p>❖ Administrativos</p><p>São também remédios constitucionais, porém, possuem natureza de</p><p>petição administrativa já que não são dirigidos ao judiciário e sim ao</p><p>administrador público (ou qualquer autoridade pública). Estão previstos no Art.</p><p>5º XXXIV: Direito de Petição (DP) e Direito de Certidão (DP).</p><p>Infungibilidade como regra</p><p>Os remédios constitucionais (judiciais) não podem, como regra, serem</p><p>utilizados em substituição de um outro remédio, ou seja, a regra é que não</p><p>fungíveis entre si, quando couber um remédio (HC, por exemplo) não caberá o</p><p>MS ou a AP.... Um remédio não pode ser sucedâneo do outro (como regra).</p><p>5.1.1 Habeas-Corpus</p><p>LXVIII - conceder-se-á "habeas-corpus" sempre que alguém sofrer ou se achar</p><p>ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por</p><p>ilegalidade ou abuso de poder;</p><p>Regulado no Art. 647 e seguintes do Código de Processo Penal.</p><p>Origem histórica</p><p>Surgiu com a Magna Carta do rei João Sem-Terra (Magna Carta 1215)</p><p>com a seguinte finalidade: “Tomai o corpo desse detido e vinde submeter ao</p><p>Tribunal o homem e o caso”.</p><p>No Brasil o HC foi constitucionalizado na Constituição de 1891 embora</p><p>tenha sido previsto em lei em data pretérita.</p><p>Natureza jurídica</p><p>O HC é uma ação constitucional de caráter penal, possui procedimento</p><p>especial, rito sumaríssimo – sem dilação probatória – e é gratuito para todos</p><p>independentemente de condição social (conforme o Art. 5º - LXXVII - são</p><p>gratuitas as ações de "habeas-corpus" e "habeas-data", e, na forma da lei, os</p><p>atos necessários ao exercício da cidadania.).</p><p>Objeto</p><p>Protege a liberdade de locomoção (em sentido amplo) embora seja</p><p>necessário perceber a locomoção como direito fim e não como direito meio. A</p><p>locomoção é o direito de ir, vir e permanecer ainda que de modo reflexo,</p><p>indireto ou oblíquo.</p><p>Art. 5º XV (CF/1988) - é livre a locomoção no território nacional em</p><p>tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar,</p><p>permanecer ou dele sair com seus bens;</p><p>No passado o Habeas Corpus já foi utilizado com maior amplitude,</p><p>protegia todos os direitos líquidos e certos, porém, com a entrada do Mandado</p><p>de Segurança em 1926 o HC foi restringido para o seu objeto próprio que é a</p><p>locomoção.</p><p>Algumas hipóteses de cabimento</p><p>❖ Para desentranhar prova ilícita em processo penal</p><p>É possível utilizar o HC para impugnar a inserção de provas ilícitas em</p><p>procedimento penal e postular o seu desentranhamento, sempre que, da</p><p>imputação prevista no processo penal (ou inquérito), possa advir condenação a</p><p>uma pena privativa de liberdade. Neste caso o impetrante usa o HC</p><p>preventivamente para manter o status de liberdade que atualmente possui.</p><p>❖ Contra quebra de sigilo bancário</p><p>Pode-se utilizar o HC para impugnar a validade da decisão que decreta</p><p>a quebra de sigilo bancário em processo penal uma vez que tal procedimento</p><p>pode advir medida restritiva à liberdade de locomoção se a pena a ser aplicada</p><p>for privativa de liberdade.</p><p>❖ Contra a imposição</p><p>de sursis</p><p>Sendo o sursis um benefício concedido ao apenado para que fique em</p><p>liberdade em troca da condição estabelecida, então, é cabível o pedido de HC</p><p>em favor de paciente beneficiado com a suspensão condicional da pena porque</p><p>caso não seja adimplente na condição prevista poderá ter sua liberdade</p><p>cerceada.</p><p>❖ Contra convocação de Comissões Parlamentares de Inquérito</p><p>Em caráter preventivo, é cabível contra ameaça de constrangimento à</p><p>liberdade de locomoção, materializada na intimação do paciente para depor em</p><p>CPI. A convocação contém em si a possibilidade de condução coercitiva da</p><p>testemunha que se recuse a comparecer, ou seja, quando a pessoa convocada</p><p>a depor perante a CPI entende que não foi convocada de forma correta ou que</p><p>não tem envolvimento com o caso. Também é cabível para aquele que foi</p><p>convocado como testemunha e quer ver assegurado o seu direito de</p><p>permanecer em silêncio.</p><p>Algumas hipóteses de descabimento</p><p>❖ Imposição de sanção administrativa</p><p>As sanções administrativas (advertência, suspensão, demissão ou</p><p>destituição) não geram ameaça à liberdade de locomoção e por isso não é</p><p>cabível o HC.</p><p>❖ Decretação de sequestro de bens</p><p>Contra a decretação de sequestro de bens não há ameaça à liberdade</p><p>de locomoção.</p><p>❖ Impetrações sucessivas e supressão de instância</p><p>Em regra, o STF não aceita HC quando está pendente de julgamento</p><p>outro HC em Tribunal Superior sob pena de configurar-se supressão de</p><p>instância.</p><p>❖ Contra decisões do STF</p><p>Não cabe HC contra decisão de Turma ou do Plenário do STF, salvo em</p><p>caso de competência originária, ou seja, de ação penal em que o STF tenha</p><p>começado como Corte julgadora.</p><p>❖ Inabilitação para o exercício de cargo público</p><p>A pena acessória de perda do cargo, por si só, não ameaça a liberdade</p><p>de locomoção.</p><p>❖ Pena de multa</p><p>Atualmente o inadimplemento da pena de multa gera execução e não</p><p>mais a conversão em pena de prisão e por isso não há lesão nem ameaça à</p><p>locomoção.</p><p>❖ Suspensão de direitos políticos</p><p>Inexistência de ameaça à liberdade de locomoção.</p><p>❖ Impeachment</p><p>Como é sanção de índole político-administrativa, não pondo em risco a</p><p>liberdade de ir, vir e permanecer também não há hipótese de habeas corpus.</p><p>Tipos</p><p>❖ Preventivo</p><p>Alguém, pessoa física, se achar ameaçado de sofrer violência ou coação</p><p>em sua liberdade de locomoção por ilegalidade (particular) ou abuso de poder</p><p>(particular ou poder público). Cabe ressaltar que não é qualquer ameaça, esta</p><p>deve ser grave, iminente, possível, determinada... Ou seja, exige-se o justo</p><p>receio e não só a ameaça.</p><p>❖ Liberatório ou Repressivo</p><p>Quando a pessoa já se encontra sofrendo, efetivamente, violência ou</p><p>coação em sua liberdade de locomoção por abuso ou ilegalidade. Aquele que</p><p>já está preso ou impedido de se locomover utiliza-se do HC repressivo.</p><p>Legitimidade</p><p>Diz-se legitimidade quanto aos participantes do processo de HC.</p><p>Vejamos:</p><p>Pólo ativo – Impetrante</p><p>Qualquer pessoa, mesmo sem advogado – segundo o próprio estatuo da</p><p>OAB, pode impetrar HC.</p><p>Lei 8.906/94: Art. 1º. São atividades privativas de advocacia:</p><p>I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados</p><p>especiais1;</p><p>II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas.</p><p>§ 1º Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas</p><p>corpus em qualquer instância ou tribunal.</p><p>Muito interessante que o autor, impetrante, pode também ser o</p><p>beneficiário da ordem (o que é muito comum), neste caso é autor e paciente ao</p><p>mesmo tempo. Também é de se ressaltar que o autor pode pedir o HC em</p><p>favor de terceira pessoa. E aqui é possível encontrar então uma pessoa jurídica</p><p>no pólo ativo, ou seja, a pessoa jurídica pode pedir HC para beneficiar uma</p><p>pessoa natural.</p><p>O STF admite que o paciente possa em seu favor, apresentar embargos</p><p>declaratórios no processo de HC mesmo sem advogado. Mas não admite a</p><p>reclamação para garantir a autoridade da decisão.</p><p>O STF entende obrigatória a assinatura do impetrante do HC. Embora</p><p>não exija capacidade civil, ou seja, além da capacidade postulatória não ser</p><p>privativa de advogado também não há necessidade de comprovação de</p><p>capacidade civil. O promotor (membro do Ministério Público) pode impetrar HC,</p><p>exceto se for comprovado que o HC vai prejudicar o paciente.</p><p>5.1.2 Habeas Data</p><p>Art. 5º LXXII (CF/1988) - conceder-se-á "habeas-data":</p><p>a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do</p><p>impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades</p><p>governamentais ou de caráter público;</p><p>b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo</p><p>sigiloso, judicial ou administrativo;</p><p>Regulado pela Lei 9.507/97.</p><p>Objeto de proteção</p><p>O HD é utilizado para informações pessoais, ou seja, para obter ou</p><p>retificar informações relativas à pessoa do impetrante.</p><p>Art. 5º XXXIII (CF/1988) - todos têm direito a receber dos órgãos públicos</p><p>informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que</p><p>serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas</p><p>aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado;</p><p>Natureza mista, pois se admite o uso para o conhecimento (prazo de</p><p>48h para decidir sobre a concessão do acesso e mais 24h para comunicar a</p><p>decisão ao solicitante) e retificação (prazo de 10 dias para se proceder à</p><p>modificação) – Um único Habeas Data pode obter o conhecimento e pedir a</p><p>retificação, ou seja, num mesmo processo é possível obter os dois resultados.</p><p>Cabe ressaltar que é um remédio instituído na CF de 1988. Interessante</p><p>ressaltar que a lei criou nova hipótese para impetração de HD: “para a</p><p>anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação</p><p>sobre dado verdadeiro, mas justificável e que esteja sob pendência judicial ou</p><p>amigável” (prazo de 15 dias) – Esta hipótese deve ser utilizada para</p><p>complementação das informações, ou seja, para tornar possível a correta</p><p>interpretação do conteúdo da informação.</p><p>Natureza jurídica</p><p>Ação Constitucional de caráter civil, gratuita e com conteúdo e rito</p><p>sumário. Possui preferência processual quanto aos demais feitos, exceto</p><p>quanto HC e MS. É uma ação personalíssima porque somente a própria</p><p>pessoa do impetrante que poderá utilizar o HD. Porém, admite-se que parentes</p><p>de pessoa morta utilizem HD para obter dados do morto ou retificar</p><p>informações incorretas.</p><p>A jurisprudência tem negado para informações sigilosas ou</p><p>imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, porém, há doutrina</p><p>indicando que como a informação é pessoal não há que se falar em segredo</p><p>para o próprio interessado.</p><p>Pressuposto jurisprudencial</p><p>Têm como pressuposto a negação do pedido administrativo sob pena de</p><p>a parte ser carecedora de ação por falta de interesse processual – a negativa</p><p>do pedido por parte do detentor dos dados solicitados deverá ser dada em 48h,</p><p>porém, para se instruir a inicial do Habeas Data a omissão só se configura</p><p>após 10 dias para o conhecimento e após 15 dias para retificação ou adendo</p><p>(nova hipótese prevista na lei).</p><p>5.1.3 Mandado de Segurança</p><p>Art. 5º LXIX (CF/1988) - conceder-se-á mandado de segurança para proteger</p><p>direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data",</p><p>quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade</p><p>pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder</p><p>Público;</p><p>O mandado de segurança é regulamentado pela Lei n. 1533/51 e</p><p>4.348/64, além disso, subsidiariamente aplica-se o Código de Processo Civil.</p><p>É ação constitucional para a tutela de direitos individuais – sejam de</p><p>natureza constitucional ou de natureza infraconstitucional.</p><p>Natureza Jurídica</p><p>Ação Constitucional de natureza civil (sempre) – mesmo quando</p><p>interposto em processos penais.</p><p>Rito</p><p>Especial e sumaríssimo. Rito diferenciado que procura fazer com que</p><p>prestação</p><p>jurisdicional seja rápida e efetiva.</p><p>Objeto</p><p>Direito líquidos e certos não amparados por habeas corpus ou habeas</p><p>data. Diz-se que tem alcance residual ou encontra seu âmbito de atuação por</p><p>exclusão. Não se aplica ao direito de locomoção ou ao direito de acesso ou</p><p>retificação de informações relativas à pessoa do impetrante já que estes</p><p>possuem remédios próprios. Logicamente também não se aplica para a</p><p>proteção de direitos constitucionais prejudicados pela falta de norma</p><p>regulamentadora, até porque não haveria o direito líquido e certo!</p><p>Tipos</p><p>❖ Preventivo</p><p>Quando houver o justo receio de sofrer a violação ao direito líquido e</p><p>certo.</p><p>Forte risco ou ameaça concreta, ou seja, tem de haver atos concretos ou</p><p>preparatórios de parte da autoridade impetrada, ou pelo menos indícios de que</p><p>a ação ou omissão atingirá o patrimônio jurídico da parte. Como ainda há a</p><p>possibilidade de lesão, não há que se falar em decadência</p><p>em 120 dias. Esta conta para efeito de interposição de MS repressivo.</p><p>❖ Repressivo</p><p>Contra ilegalidade (ato vinculado) ou abuso de poder (ato discricionário)</p><p>cometidos por ação ou omissão. O preventivo transmuda-se para repressivo se</p><p>já houve a violação no curso do processo.</p><p>Notícia do STF:</p><p>25/11/2005 - 19:25 - Servidor do TJ/SE impetra MS contra resolução sobre</p><p>o nepotismo</p><p>A fim de manter-se no cargo, Clésio Monteiro Alves impetrou Mandado de</p><p>Segurança Preventivo (MS 25683), com pedido de liminar, contra ato normativo</p><p>do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com a ação a Resolução</p><p>07/05 fixou o prazo de 90 dias, da publicação do ato, para que o servidor deixe</p><p>o cargo por ser descendente em primeiro grau (filho) de desembargador a</p><p>quem é subordinado.</p><p>Acórdãos</p><p>A impetração do mandado de segurança deve fundamentar-se em direito</p><p>líquido e certo, provado documentalmente ou reconhecido pelo coator, nunca</p><p>em simples conjecturas ou em alegações que dependam de outras provas,</p><p>incompatíveis com o processo expedito na Lei 1.533/51 (RE 75.284 STF). O</p><p>direito líquido e certo amparável pelo mandado de segurança supõe</p><p>demonstração em prova pré-constituída, sem margem a controvérsia e</p><p>incerteza, pressuposto que aqui não se configura” (MS 20.562).</p><p>5.1.4 Mandado de Segurança Coletivo</p><p>Instituído na CF de 1988, mesmo que o individual, porém muda-se o</p><p>impetrante com a finalidade de facilitar o acesso a juízo (direito individuais</p><p>homogêneos, coletivos e difusos). O interesse pertence à categoria, o</p><p>impetrante age como SUBSTITUTO PROCESSUAL – legitimação</p><p>extraordinária sem necessidade de autorização expressa (impetram em</p><p>seu nome, mas na defesa dos interesses de seus membros ou associados). Se</p><p>um grupo usa o MS para defender direitos individuais semelhantes é hipótese</p><p>de litisconsórcio ativo.</p><p>A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe</p><p>em favor dos associados independe da autorização destes (STF: 629); A</p><p>entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda</p><p>quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva</p><p>categoria (STF: 630).</p><p>Objeto</p><p>Direito dos associados, independentemente do vínculo com os fins</p><p>próprios da entidade impetrante, exigindo-se, entretanto, que o direito esteja</p><p>compreendido na titularidade dos associados e que exista ele em razão das</p><p>atividades exercidas pelos associados, mas não se exigindo que o direito seja</p><p>peculiar, próprio, da classe.</p><p>5.1.5 Mandado de Injunção</p><p>Ação constitucional de caráter civil e de procedimento especial instituído</p><p>na CF 1988. Quando a omissão legislativa for relevante para se desfrutar de</p><p>direitos individuais referentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.</p><p>Ex: Art. 37 VII e 7º XXI; Curar a síndrome da inefetividade das normas</p><p>constitucionais, porém em âmbito individual e concreto.</p><p>Tem como pressuposto norma constitucional de eficácia limitada</p><p>(previsão constitucional) – É possível a criação de MI no âmbito estadual para</p><p>controlar as omissões que prejudiquem o exercício de direitos previstos na</p><p>Constituição Estadual.</p><p>É possível o MI coletivo com os mesmos legitimados para o MS coletivo;</p><p>não cabe liminar.</p><p>5.1.6 Ação Popular</p><p>Reprimir ou impedir dano aos bens públicos por atos ou contratos,</p><p>protege interesses difusos – inserida na Constituição de 1934 e regulamentada</p><p>pela Lei 4.717/65;</p><p>Poder de vigilância do povo. Forma de exercício da soberania popular –</p><p>democracia direta e participação política (há quem defenda que a natureza</p><p>seria coletiva e por isso não seria um direito do cidadão);</p><p>Ação popular é assim, um meio do qual se pode valer qualquer</p><p>cidadão do povo, para comparecer perante o estado juiz, referindo-lhe a</p><p>existência de ato lesivo ao patrimônio público, onde quer que esteja e</p><p>independentemente de quem o detenha, estendendo-se ao ataque à</p><p>imoralidade administrativa ou que fira qualquer outro bem entre os que</p><p>pertencem ao grupo dos interesses sociais ou individuais indisponíveis.</p><p>Cidadão: Pessoa natural, brasileiro nato ou naturalizado, maior de 16</p><p>(não precisa de assistência e não precisa comprovar direito subjetivo, basta o</p><p>interesse geral, difuso, justamente o que faz diferir do MS coletivo) e o</p><p>português equiparado (O português equiparado é considerado cidadão); gozo</p><p>dos direitos políticos – título de eleitor ou certificado de equiparação; Se tiver</p><p>com direito políticos perdidos ou suspensos não há legitimidade. O MP pode</p><p>continuar uma ação, jamais propô-la – o MP detém a ACP que é concorrente</p><p>para os efeitos da AP;</p><p>Os requisitos normais para uma ação judicial: interesse e legitimidade</p><p>ficam mitigados na ação popular, pois basta a legitimidade (cidadão) e não o</p><p>interesse subjetivamente considerado;</p><p>Objetivo (basta a potencialidade lesiva e não o dano em concreto):</p><p>a) Patrimônio histórico e cultural;</p><p>b) Patrimônio público;</p><p>c) Meio ambiente; e</p><p>d) Moralidade pública (amplia muito – admite-se mesmo sem lesão</p><p>patrimonial).</p><p>Tipos: Pode ser preventiva ou repressiva e admite concessão de liminar;</p><p>Pode ser contra ação ou omissão;</p><p>5.1.7 Direito de Certidão</p><p>Não podem ser cobradas taxas.</p><p>Natureza individual;</p><p>As certidões são utilizadas para declarar fatos ou atos registrados em</p><p>documentos, atas, livros e outros instrumentos utilizados pelo poder público.</p><p>Obtenção de certidão (somente para situações já ocorridas) para defesa de</p><p>um direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal, desde que</p><p>demonstrado seu legítimo interesse.</p><p>O Estado deve fornecer as informações solicitadas (salvo as de sigilo</p><p>constitucional) sob pena de responsabilização civil do Estado e pessoal da</p><p>autoridade.</p><p>O STF tem reconhecido o direito de obter certidão independentemente da</p><p>demonstração da finalidade específica do pedido.</p><p>Da negativa cabe mandado de segurança; Prazo de 15 dias – LEI 9.051/95.</p><p>5.1.8 Direito de Petição</p><p>O direito de petição, presente em todas as Constituições brasileiras,</p><p>qualifica-se como importante prerrogativa de caráter democrático. Trata-se de</p><p>instrumento jurídico-constitucional posto à disposição de qualquer</p><p>interessado — mesmo daqueles destituídos de personalidade jurídica —, com</p><p>a explícita finalidade de viabilizar a defesa, perante as instituições estatais, de</p><p>direitos ou valores revestidos tanto de natureza pessoal quanto de significação</p><p>coletiva. ‖ STF: ADI 1.247</p><p>Peticionar significa solicitar, requerer, pedir, pleitear, também pode ser</p><p>exercido com o propósito de reclamar, denunciar, representar.</p><p>Legitimados: Pessoa natural, jurídica ou entes sem personalidade</p><p>jurídica – não há, a princípio, limitação quanto à idade. Pode ser usada</p><p>coletivamente (vários peticionários) ou em nome coletivo (um ente em nome</p><p>dos associados);</p><p>Âmbito (dimensão) individual e coletivo. É um direito político;</p><p>invocar a atenção dos poderes públicos sobre uma</p><p>questão ou situação. Não há necessidade de interesse processual ou</p><p>lesão a direito</p><p>individual.</p><p>Prerrogativa democrática (não pode cobrar taxas – exceto as</p><p>previstas no texto constitucional como as taxas judiciárias);</p><p>STF entende que a Reclamação para assegurar sua competência tem</p><p>natureza jurídica de Petição.</p><p>STF entende que não viola a gratuidade a existência de depósito</p><p>prévio para a análise de recurso administrativo. Não se exige advogado.</p><p>Instrumento de participação político fiscalizatório dos negócios do</p><p>Estado que tem por finalidade a defesa da legalidade constitucional e do</p><p>interesse público geral, seu exercício está desvinculado da comprovação</p><p>da existência de qualquer lesão a interesses próprios do peticionário –</p><p>apesar de ser informal deve ser escrita e assinada.</p><p>Finalidade: Dirigir a quaisquer autoridades públicas petições,</p><p>representações, reclamações ou queixas destinadas à defesa dos seus</p><p>direitos, da Constituição, das Leis ou do interesse geral.</p><p>Exemplo 1: Art. 335 do Código de Processo Penal: "Recusando ou</p><p>demorando a autoridade policial a concessão da fiança, o preso, ou alguém</p><p>por ele, poderá prestá-la, mediante simples petição, perante o juiz</p><p>competente, que decidirá, depois de ouvida aquela autoridade."</p><p>Exemplo 2: Lei 4.898/65 (Lei de Abuso de Autoridade) Art. 1º O</p><p>direito de representação e o processo de responsabilidade administrativa,</p><p>civil e penal, contra as autoridades que, no exercício de suas funções,</p><p>cometerem abusos, são regulados pela presente Lei”.</p><p>Não pode ser utilizado como sucedâneo da ação penal, não pode</p><p>ser utilizado para se peticionar em juízo direito próprio sem os requisitos da</p><p>ação penal ou sem atender aos requisitos próprios dos atos processuais, como</p><p>os recursos. Também não pode ser alegado para se postular em juízo</p><p>sem a presença do advogado (capacidade postulatória); STF também rejeita</p><p>a utilização do direito de petição como ação popular penal, ou seja, o povo</p><p>fazer as vezes do Ministério Público.</p><p>Se não resolver em prazo razoável (não fala qual) cabe MS.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>LIMA, Paulo Daniel Barreto. Excelência em Gestão Pública. Recife: Fórum</p><p>Nacional de Qualidade, 2006.</p><p>MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 29ª. ed. São</p><p>Paulo: Malheiros, 2004.</p><p>PALUDO, Augustinho Vicente. Administração Pública: teoria e questões.</p><p>Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.</p><p>PIETRO, Maria Sylvia Zanella Di. Direito Administrativo. 31ª. Ed. São Paulo:</p><p>Forense, 2018.</p><p>SANTOS, Clezio Saldanha dos. Introdução à Gestão Pública. 2ª. ed. São</p><p>Paulo: Saraiva, 2014.</p><p>55</p><p>4.1.9 Do Desvio de Poder ou Desvio de Finalidade .................................. 56</p><p>4.2 Omissão da Administração Pública ......................................................... 56</p><p>4.3 Consequências do Abuso de Poder ........................................................ 57</p><p>4.3.1 Consequências Administrativas do Abuso de Poder ........................ 57</p><p>4.4 Abuso de Autoridade ............................................................................... 58</p><p>5. ASPECTOS LEGAIS DO CIDADÃO PARA INTERPOR CONTRA</p><p>ILEGALIDADES ............................................................................................... 59</p><p>5.1 REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS ........................................................... 59</p><p>5.1.1 Habeas-Corpus ................................................................................. 60</p><p>5.1.2 Habeas Data ..................................................................................... 63</p><p>5.1.3 Mandado de Segurança .................................................................... 65</p><p>5.1.4 Mandado de Segurança Coletivo ...................................................... 66</p><p>5.1.5 Mandado de Injunção ....................................................................... 67</p><p>5.1.6 Ação Popular .................................................................................... 67</p><p>5.1.7 Direito de Certidão ............................................................................ 68</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................ 71</p><p>1. FUNDAMENTOS DA GESTÃO PÚBLICA</p><p>Para Lima (2006), “gestão é a capacidade de fazer o que precisa ser</p><p>feito”. Em uma gestão pública não se pode esquecer a capacidade de se</p><p>atentar e permanecer no posicionamento da organização planejada, para que</p><p>assim, a missão possa ser cumprida, que neste caso primordial é o</p><p>desenvolvimento da cidade em benefício ao povo que nela reside. Lima ainda</p><p>acredita que uma boa organização na gestão pública está relacionada à uma</p><p>alta capacidade de gestão, que por sua vez, relaciona-se com a “melhor</p><p>relação entre recurso, ação e resultado”. Neste sentido pode-se dizer que</p><p>quanto maior for a demanda, isto é, a necessidade de um planejamento</p><p>eficiente no município, maior deverá ser a capacidade do gestor público,</p><p>principalmente se os recursos disponíveis forem escassos.</p><p>Afinal, o que é GESTÃO</p><p>PÚBLICA?</p><p>A Administração Pública pode ser</p><p>conceituada como o conjunto de</p><p>entidades e de órgãos incumbidos de</p><p>realizar a atividade administrativa,</p><p>visando à satisfação das</p><p>necessidades coletivas e segundo os</p><p>fins desejados pelo Estado.</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>1.1 FINALIDADES DA GESTÃO PÚBLICA</p><p>A proposta de uma gestão pública, segundo Lima (2006) se baseia na</p><p>excelência de valores e de resultados. O ganho social é de extrema</p><p>importância e alcança o topo em uma pirâmide de prioridade, pois “cria valor</p><p>público para o cidadão” (LIMA, 2006 p 8). Segundo o próprio Lima (2006) “a</p><p>gestão pública é focada em resultados e orientada para o cidadão”. A melhoria</p><p>da qualidade ofertada pelos serviços públicos também é de responsabilidade</p><p>da gestão pública que deve sempre estar elencada para uma “devida</p><p>contribuição à competitividade do país” (LIMA, 2006 p.8).</p><p>http://www.google.com/</p><p>1.2 DISTINÇÃO ENTRE ADMINISTRAÇÃO, GOVERNO E ESTADO</p><p>1.3 ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DA REPÚBLICA</p><p>FEDERATIVA DO BRASIL</p><p>Entes componentes</p><p>A União;</p><p>os Estados,</p><p>o Distrito Federal;</p><p>e os Municípios.</p><p>Obs. São entidades autônomas.</p><p>Cabe a União exercer a soberania do Estado Brasileiro perante o contexto</p><p>internacional;</p><p>Exercer os poderes que garanta: a soberania e defesa nacional; a cidadania;</p><p>os direitos individuais; a boa relação internacional; o bem-estar socioeconômico</p><p>do povo; administrar e legislar, entre outras atividades.</p><p>Cabe a União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios competências</p><p>como: conservar o patrimônio público; proteger os bens históricos, as</p><p>paisagens naturais e sítios arqueológicos, o meio ambiente e da poluição; a</p><p>saúde e assistência pública; e sociedade em geral.</p><p>Cabe a União, aos Estados, e ao Distrito Federal (art. 24 da CF/88) legislar e</p><p>normatizar sobre matérias específicas, como: direito tributário, financeiro,</p><p>econômico, orçamentário, trabalhista etc.</p><p>1.4 PODERES DA UNIÃO</p><p>De acordo com o Art. 2º da Constituição Fede do ano de 1988, São</p><p>Poderes da União, independentes e harmônicos entre si o Legislativo, o</p><p>Executivo e o Judiciário.</p><p>1.4.1 Poder Executivo</p><p>Administrar o país é a função principal do Poder Executivo. Afinal, esse</p><p>é o poder delegado a realizar as políticas públicas, de acordo com o interesse</p><p>da população e aplicar as leis corretamente para que o propósito e a ordem</p><p>não saiam do controle.</p><p>Dividido em três esferas - Federal, Estadual e Municipal, o Poder</p><p>Executivo tem suas figuras representativas, respectivamente, em Presidente da</p><p>República, Governadores dos Estados e Prefeitos nos Municípios escolhidos</p><p>por meio de votação da população.</p><p>Contudo, se houver algum tipo de impedimento do titular, a vacância do</p><p>cargo será automaticamente ocupada pelo vice. Na ausência deste, a</p><p>Constituição Federal diz que estão aptos a ocupar o cargo o presidente do</p><p>Legislativo e do Judiciário.</p><p>Além disso, cada uma das três esferas pode escolher seus</p><p>representantes auxiliares. Possuem autonomia para escolher, por exemplo,</p><p>secretários e outros cargos de confiança para que a execução das políticas</p><p>públicas seja feita da melhor forma.</p><p>São funções do Poder Executivo:</p><p>✓ Cobrar corretamente os impostos;</p><p>✓ Definir a aplicabilidade de investimentos em serviços públicos por meio</p><p>da arrecadação dos impostos;</p><p>✓ A quantidade de escolas, hospitais, pavimentos e infraestrutura que</p><p>atenderão à determinada área (de acordo com suas necessidades);</p><p>✓ A titularidade das relações internacionais e representatividade em atos</p><p>cívicos, de acordo com o regido na Constituição Federal.</p><p>Sendo o Brasil um país que tem o regime presidencialista, o Presidente</p><p>da República em exercício é quem detém o poder e a administração do Poder</p><p>Executivo, a fim de sustentar a integridade e a independência do Brasil, bem</p><p>como chefiar o Estado como um todo.</p><p>Desta forma, é sua responsabilidade entender e priorizar programas</p><p>que, por meio de um programa de governo pré-estabelecido, seguem diretrizes</p><p>orçamentárias.</p><p>É também por meio do controle conferido ao Poder Executivo que o</p><p>Presidente, dependendo das necessidades, propõe, adota e sanciona as</p><p>chamadas Medidas Provisórias (MPs), além das Emendas Constitucionais</p><p>(ECs).</p><p>1.4.2 Poder Legislativo</p><p>Criar e ordenar as leis que regem o país está nas mãos do Poder</p><p>Legislativo. No entanto, suas atribuições e responsabilidades não param por aí:</p><p>é o Legislativo quem julga e fiscaliza todas as políticas do Poder Executivo,</p><p>para aferir se tudo está de acordo com a Constituição Federal.</p><p>Também dividido e atuante nas três esferas (Federal, Estadual e</p><p>Municipal), o Poder Legislativo têm órgãos apoiadores. Para a esfera Federal,</p><p>é composto pela Câmara dos Deputados e o Senado Federal.</p><p>A Câmara dos Deputados cria as leis e o Senado Federal - além de</p><p>também criá-las, revisa e analisa a todas as propostas de lei ofertadas pela</p><p>Câmara dos Deputados. Dentro da Câmara, Deputados Federais, Deputados</p><p>Estaduais e Vereadores são os responsáveis por apresentar os projetos de lei,</p><p>de acordo com sua área de atuação.</p><p>Assim, os órgãos federais são compostos pelo Congresso Nacional e</p><p>Senado Federal; os órgãos estaduais, pela Assembleia Legislativa, com</p><p>representação por meio dos Deputados Estaduais; e os órgãos municipais,</p><p>com a Câmara Municipal representada pelos Vereadores.</p><p>Além disso, a esfera Federal também conta com o Tribunal de Contas da</p><p>União (TCU), que auxilia</p><p>o Congresso Nacional sobre o controle e fiscalização</p><p>orçamentária, contábil, financeira e operacional, além de cuidar e zelar pelo</p><p>patrimônio e administração pública.</p><p>1.4.3 Poder Judiciário</p><p>Transformar os resultados das ações em leis é uma das funções do</p><p>Poder Judiciário. Assim, por meio de dois papéis importantes, sobre o controle</p><p>de constitucionalidade, o Poder Legislativo julga as leis criadas pelo Poder</p><p>Legislativo e pela Constituição Federal (CF).</p><p>Além disso, as normas gerais e abstratas, bem como a composição dos</p><p>conflitos em casos de processos judiciais, também são avaliadas por este</p><p>órgão.</p><p>O Poder Judiciário é composto pelo Supremo Tribunal Federal (STF),</p><p>Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelas Justiças Estaduais - por meio de</p><p>seus Tribunais de Justiça (TJ). O STF é o órgão máximo do Poder Judiciário.</p><p>Sua formação se dá a partir da indicação do Presidente da República</p><p>para 11 ministros, que são aprovados pelo Senado. Não se trata de um cargo</p><p>obtido por meio de concurso, mas por indicação e confiança. Todas as normas</p><p>constitucionais bem como o cumprimento da Constituição Federal, são de</p><p>controle do STF.</p><p>O Superior Tribunal de Justiça aponta e julga as causas criminais de</p><p>desembargadores, governadores, juízes de Tribunais Regionais Federais,</p><p>juízes de Tribunais Regionais Federais, Eleitorais e Trabalhistas, Ministros e</p><p>outros com foro privilegiado.</p><p>As Justiças Eleitorais são formadas a partir de cada Tribunal de Justiça</p><p>de estado e os Juízes Estaduais. Seus integrantes são chamados de</p><p>desembargadores, atuantes em segunda instância e com o poder de</p><p>contestação dos Juízes Estaduais, atuantes em primeira instância.</p><p>Resumindo!</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>http://www.google.com/</p><p>2. ESTRUTURA DA GESTÃO PÚBLICA</p><p>2.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE SERVIÇO PÚBLICO</p><p>O serviço público, de acordo com a combinação das conceituações</p><p>doutrinárias, pode ser definido como toda atividade desempenhada direta ou</p><p>indiretamente pelo Estado, visando solver necessidades essenciais do cidadão,</p><p>da coletividade ou do próprio Estado. Com efeito, o serviço público é todo</p><p>aquele prestado pela Administração ou por quem lhe faça as vezes, mediante</p><p>regras previamente estipuladas por ela, visando à preservação do interesse</p><p>público.</p><p>Para melhor compreensão do tema, no estudo da organização da</p><p>Administração Pública, adotar-se-á a regra de grafia já consagrada pela</p><p>doutrina, em iniciais maiúsculas quando a expressão Administração Pública for</p><p>sinônima a Estado, e em iniciais minúsculas (administração pública), quando</p><p>sinônima à atividade pelo Estado realizada.</p><p>2.1.1 Dever de Prestar</p><p>A prestação de serviços públicos é de responsabilidade da</p><p>Administração Pública, ou de quem lhe faça as vezes, de acordo com o artigo</p><p>175 da Constituição Federal e das regras de delegação de serviços estipulada</p><p>pela Lei n. 8.987/95. O titular da prestação de um serviço público é a</p><p>Administração, e ela só poderá transferir a execução do serviço público para</p><p>terceiros. Sendo a Administração a única titular da prestação desses serviços,</p><p>poderá fiscalizar a execução e aplicar sanções e penalidades. A título de</p><p>exemplo, citamos a criação de agências reguladoras, cujo objetivo é fiscalizar a</p><p>prestação de serviços públicos por terceiros, a exemplo da Agência Nacional</p><p>de Telecomunicações (Anatel).</p><p>Observa-se, ainda, que em razão da competência dos Municípios ser</p><p>informada pelo princípio do peculiar interesse, também denominado interesse</p><p>local, a estes compete o dever de prestar a maior gama de serviços públicos.</p><p>2.1.2 Regras para a Prestação de Serviços Públicos</p><p>A regulação da forma de prestação dos serviços públicos, notadamente</p><p>a descentralizada, se dá mediante regras previamente fixadas pelo Estado e</p><p>pela Administração Pública, de forma unilateral, ou seja, as regras são fixadas</p><p>com o fim de evitar que os interesses particulares se sobressaiam aos</p><p>interesses públicos. Todas as situações das quais decorra para a</p><p>Administração a posição de supremacia em relação aos terceiros que com ela</p><p>pactuam são chamadas “cláusulas exorbitantes”.</p><p>2.1.3 Formas de Prestação dos Serviços Públicos</p><p>A execução dos serviços públicos poderá se dar de maneira</p><p>centralizada, ou ainda de forma descentralizada, a seguir definidas:</p><p>Centralizada: sempre que a execução do serviço for realizada pela</p><p>Administração direta do Estado, ou seja, pelo próprio ente político competente,</p><p>que por sua vez, poderá realizá-las por meio do ente político ou ainda por meio</p><p>de seus órgãos, visando imprimir eficiência aos serviços que disponibiliza, a</p><p>exemplo das Secretarias, Ministérios etc.</p><p>Descentralizada: quando os serviços forem prestados por pessoas físicas ou</p><p>jurídicas que não se confundem com a Administração direta, mas que podem</p><p>ou não integrar a Administração Pública indireta ligada ao ente político</p><p>competente para a prestação do serviço. Se estiverem dentro da Administração</p><p>Pública indireta, poderão ser autarquias, fundações, empresas públicas ou</p><p>sociedades de economia mista (Administração indireta do Estado). Se</p><p>estiverem fora da Administração, serão particulares e poderão ser</p><p>concessionários, permissionários ou autorizados.</p><p>2.2 AS DIVISÕES DA GESTÃO PÚBLICA</p><p>A Administração Pública no Estado Brasileiro vem passando por</p><p>constantes transformações ao longo do tempo, sendo algo primordial para uma</p><p>evolução significativa e melhoria dos serviços prestados à população, seja de</p><p>forma centralizada ou descentralizada. De tal modo, a Gestão Pública atual</p><p>está dividida em duas estruturas:</p><p>2.2.1 Administração Pública Direta</p><p>Administração Pública direta é aquela formada pelos entes integrantes</p><p>da federação e seus respectivos órgãos. Os entes políticos são a União, os</p><p>Estados, o Distrito Federal e os Municípios. À exceção da União, que é dotada</p><p>de soberania, todos os demais são dotados de autonomia.</p><p>2.2.2 Administração Pública Indireta</p><p>A Administração Pública indireta pode ser definida como um grupo de</p><p>pessoas jurídicas de direito público ou privado, criadas ou instituídas a partir de</p><p>lei específica, que atuam paralelamente à Administração direta na prestação de</p><p>serviços públicos ou na exploração de atividades econômicas. Em que pese</p><p>haver entendimento diverso registrado em nossa doutrina, integram a</p><p>Administração indireta do Estado quatro espécies de pessoa jurídica, a saber:</p><p>as Autarquias</p><p>as Fundações Públicas</p><p>as Sociedades de Economia Mista</p><p>e as Empresas Públicas.</p><p>Ao lado destas, podemos encontrar ainda entes que prestam serviços</p><p>públicos por delegação, embora não integrem os quadros da Administração,</p><p>quais sejam, os permissionários, os concessionários e os autorizados.</p><p>Essas quatro pessoas integrantes da Administração indireta serão</p><p>criadas para a prestação de serviços públicos ou, ainda, para a exploração de</p><p>atividades econômicas, como no caso das empresas públicas e sociedades de</p><p>economia mista, e atuam com o objetivo de aumentar o grau de especialidade</p><p>e eficiência da prestação do serviço público ou, quando exploradoras de</p><p>atividades econômicas, visando atender a relevante interesse coletivo e</p><p>imperativos da segurança nacional.</p><p>Com efeito, de acordo com as regras constantes do artigo 173 da</p><p>Constituição Federal, o Poder Público só poderá explorar atividade econômica</p><p>a título de exceção, em duas situações, conforme se colhe do caput do referido</p><p>artigo, a seguir reproduzido:</p><p>Artigo 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração</p><p>direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando</p><p>necessária aos imperativos de segurança nacional ou a relevante interesse</p><p>coletivo, conforme definidos em lei.</p><p>Cumpre esclarecer que, de acordo com as regras constitucionais e em</p><p>razão dos fins desejados pelo Estado, ao Poder Público não cumpre produzir</p><p>lucro, tarefa esta deferida ao setor privado. Assim, apenas explora</p><p>atividades</p><p>econômicas nas situações indicadas no artigo 173 do Texto Constitucional.</p><p>Quando atuar na economia, concorre em grau de igualdade com os</p><p>particulares, e sob o regime do artigo 170 da Constituição, inclusive quanto à</p><p>livre concorrência, submetendo-se ainda a todas as obrigações constantes do</p><p>regime jurídico de direito privado, inclusive no tocante às obrigações civis,</p><p>comerciais, trabalhistas e tributárias.</p><p>2.2.2.1 Autarquias</p><p>As autarquias são pessoas jurídicas de direito público, de natureza</p><p>administrativa, criadas para a execução de serviços públicos, antes prestados</p><p>pelas entidades estatais que as criam. Contam com patrimônio próprio,</p><p>constituído a partir de transferência pela entidade estatal a que se vinculam,</p><p>portanto, capital exclusivamente público. Logo, as autarquias são regidas</p><p>integralmente pelo regime jurídico de direito público, podendo, tão-somente, ser</p><p>prestadoras de serviços públicos, contando com capital oriundo da</p><p>Administração direta.</p><p>Características</p><p>Dirigentes próprios: depois de criadas, as autarquias possuem uma vida</p><p>independente, contando com dirigentes próprios, escolhidos na forma prevista</p><p>na lei específica criadora da autarquia ou, na falta de previsão legal, de</p><p>conformidade com os estatutos. De acordo com a jurisprudência do Supremo</p><p>Tribunal Federal, qualquer condicionante externo na escolha de seus dirigentes</p><p>pode causar ilegalidade se importar invasão de competência. A aprovação de</p><p>dirigentes das autarquias, porém, pode ser admitida, a exemplo da aprovação</p><p>posterior do presidente do Banco Central, pelo Legislativo (sabatina). Por fim,</p><p>saliente-se que, de acordo com análise etimológica da expressão autarquia</p><p>(originalmente grafada como autos arquia), encontramos o significado de</p><p>governo próprio.</p><p>Patrimônio próprio: o patrimônio da autarquia é transferido pelo ente político</p><p>criador, por termo ou escritura pública, a depender de sua natureza. É</p><p>considerado público e, consequentemente, impenhorável e imprescritível,</p><p>suscetível de proteção pelo Ministério Público e submete os atos relativos à</p><p>disposição de patrimônio ao controle pelo Tribunal de Contas da respectiva</p><p>esfera de governo.</p><p>Liberdade financeira: as autarquias possuem verbas próprias (surgem como</p><p>resultado dos serviços que presta) e verbas orçamentárias (decorrentes de</p><p>previsão e repasse pelo Poder Público). Terão liberdade para manejar as</p><p>verbas que recebem como acharem conveniente, dentro dos limites da lei que</p><p>as criou, sempre sob controle do Tribunal de Contas competente.</p><p>Liberdade administrativa: as autarquias têm liberdade para desenvolver os</p><p>seus serviços como acharem mais conveniente (comprar material, contratar</p><p>pessoal etc.), dentro dos limites da lei que as criou. Em relação aos cargos,</p><p>ressalte-se que devem ser criados por lei e a investidura se dá por concurso</p><p>público, sendo os admitidos, equiparados aos agentes públicos para inúmeros</p><p>efeitos, inclusive penais (artigo 327 do Código Penal). Os atos de seus</p><p>dirigentes são passíveis de questionamento por meio de mandado de</p><p>segurança e ação popular, e as reclamações trabalhistas processar-se-ão</p><p>perante a Justiça do Trabalho (artigo 114 da Constituição Federal).</p><p>Privilégios</p><p>As autarquias são dotadas dos mesmos privilégios que a Administração</p><p>direta. Com efeito, por atuarem na busca do interesse público e submeterem-se</p><p>ao regime jurídico da Administração, obtém, legalmente, benefícios de ordem</p><p>processual, a exemplo das regras constantes do artigo 188 do Código de</p><p>Processo Civil, e mesmo de fundo, a exemplo da imunidade na área tributária,</p><p>que prevê como privilégio o constante no artigo 150, § 2.º, da Constituição</p><p>Federal.</p><p>Controle</p><p>Não existe hierarquia ou subordinação entre as autarquias e a</p><p>Administração direta. Embora não se fale em hierarquia e subordinação, é</p><p>forçoso reconhecer a existência de controle em relação à legalidade, ou seja, a</p><p>Administração direta controlará os atos das autarquias para observar se estão</p><p>dentro da finalidade e dentro dos limites legais. Observa-se que a inexistência</p><p>de hierarquia entre a Administração direta e as autarquias não implica o não</p><p>reconhecimento da hierarquia dentro da própria autarquia.</p><p>Criação e Extinção (artigo 37, inciso XIX, da Constituição Federal/88)</p><p>A Emenda Constitucional n. 19 dispõe que as autarquias serão criadas</p><p>por lei específica de iniciativa do Poder Executivo (artigo 61, § 1.º, inciso II, “e”,</p><p>da Constituição Federal/88). Assim, cada autarquia criada deverá ter uma lei</p><p>própria, específica, que a crie, institua e regule pormenorizadamente. Cumpre</p><p>observar que as autarquias são extintas da mesma forma que são criadas, ou</p><p>seja, também necessitam de lei específica que determine a extinção de cada</p><p>uma destas, obviamente, editada pelo ente político competente para a criação.</p><p>Responsabilidade</p><p>As autarquias respondem pelas próprias dívidas e obrigações</p><p>contraídas. A Administração direta tem responsabilidade subsidiária quanto</p><p>às dívidas e obrigações das autarquias, ou seja, a Administração direta</p><p>somente poderá ser acionada depois de exaurido todo o patrimônio das</p><p>autarquias.</p><p>As autarquias também terão responsabilidade objetiva quanto aos atos</p><p>praticados pelos seus funcionários (artigo 37, § 6.º, da Constituição</p><p>Federal/88), respondendo pelos prejuízos que esses causarem a terceiros. Tal</p><p>responsabilidade se justifica não só em razão da previsão constitucional, mas</p><p>sim em razão da natureza das atividades e fins de criação das autarquias.</p><p>Falência</p><p>As autarquias não se submetem ao regime falimentar, pois, por serem</p><p>prestadoras de serviços públicos, além de não realizar atos comerciais, têm</p><p>como princípio a sua preservação para manutenção e expansão dos serviços</p><p>por elas prestados, visando à plena obtenção do interesse público. Logo, por</p><p>não explorarem atividades econômicas, não se lhes aplica a regra que</p><p>equipara todas as suas obrigações às da iniciativa privada (artigo 173, § 1.º,</p><p>inciso II, da Constituição Federal).</p><p>Exemplos de Autarquias:</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>http://www.google.com/</p><p>2.2.2.2 Fundações Públicas</p><p>As Fundações são pessoas jurídicas compostas por um patrimônio</p><p>personalizado, destacado pelo seu instituidor para atingir uma finalidade</p><p>específica, denominadas, em latim, universitasbonorum.</p><p>Essa definição serve para qualquer fundação, inclusive para aquelas que</p><p>não integram a Administração indireta (não-governamentais). No caso das</p><p>fundações que integram a Administração indireta (governamentais), quando</p><p>forem dotadas de personalidade de direito público, serão regidas integralmente</p><p>por regras de direito público. Quando forem dotadas de personalidade de</p><p>direito privado, serão regidas por regras de direito público e direito privado.</p><p>Tanto uma quanto outra são compostas por patrimônio personalizado.</p><p>No caso da fundação pública, o referido patrimônio é destacado pela</p><p>Administração direta, que é o instituidor da fundação.</p><p>As fundações integrantes da Administração indireta do Estado</p><p>(fundações de direito público ou governamentais) poderão assumir</p><p>personalidade jurídica de direito público ou privado, em que pese aos</p><p>entendimentos doutrinários diversos, no sentido de somente ser possível a</p><p>instituição de fundações sob a sistematização do Código Civil (artigos 24 a 30),</p><p>com criação por meio de escritura pública ou testamento e sempre com</p><p>personalidade jurídica de direito privado.</p><p>Com efeito, de acordo com o permissivo constitucional constante do</p><p>artigo 37, inciso XIX, e de regras legais vigentes (Lei n. 5.540/68 – fundações</p><p>ligadas a universidades e estabelecimentos de ensino superior), para a criação</p><p>de fundações públicas com personalidade jurídica de direito público, faz-se</p><p>necessário autorização legislativa e consequente elaboração de atos</p><p>constitutivos, diferente do que ocorre com as autarquias, que são efetivamente</p><p>criadas por lei específica.</p><p>Posto isso, cumpre observar que grande parcela da</p><p>doutrina entende que, quando é instituída uma fundação pública com</p><p>personalidade jurídica de direito público, esta em tudo se equipara às</p><p>autarquias; por isso devem ser criadas por lei específica, e não somente</p><p>autorizadas, e denominam-se autarquias fundacionais. Com efeito, o Egrégio</p><p>Supremo Tribunal Federal já decidiu ser a fundação espécie de autarquia, com</p><p>consequente aplicação do regime jurídico das autarquias às fundações, in</p><p>verbis“... o entendimento desta Corte é o de que a finalidade, a origem dos</p><p>recursos e o regime administrativo de tutela absoluta a que, por lei, estão</p><p>sujeitas, fazem delas espécie do gênero autarquia”.</p><p>Características</p><p>Liberdade financeira: a exemplo das autarquias, as fundações</p><p>desfrutam de liberdade, nos limites da lei e das finalidades que perseguem,</p><p>para definir a melhor forma de utilização de seu patrimônio e capital; todavia,</p><p>porque integrantes da Administração indireta do Estado e destinatárias de</p><p>verbas públicas, submetem-se ao controle do respectivo Tribunal de Contas do</p><p>ente a que se vincula.</p><p>Liberdade administrativa: cumpre às fundações decidir a melhor forma</p><p>de atuar na busca dos objetivos que nortearam sua instituição, definindo sua</p><p>política de prestação de serviços; todavia, com controle finalístico dos atos pelo</p><p>Judiciário.</p><p>Dirigentes próprios: também possuem liberdade na escolha de seus</p><p>dirigentes, que deve ser realizada na forma determinada nos atos constitutivos</p><p>da fundação.</p><p>Patrimônio próprio e personalizado: significa que sobre ele recaem</p><p>normas jurídicas que o tornam sujeito de direitos e obrigações e está voltado a</p><p>garantir que seja atingida a finalidade para qual foram criadas. Em coerente</p><p>lição da doutrina, a fundação não é dotada de patrimônio, ela é o patrimônio.</p><p>Controle</p><p>Não existe hierarquia ou subordinação entre a fundação e a</p><p>Administração direta. Com efeito, o que existe é uma vinculação entre a</p><p>fundação e o ente da Administração direta. Ressalte-se que, em razão da</p><p>inexistência do contencioso administrativo no Direito brasileiro, todos os seus</p><p>atos são suscetíveis de reapreciação pelo Poder Judiciário, por meio de um</p><p>controle de legalidade, finalístico.</p><p>Criação e Extinção</p><p>As fundações são criadas no ordenamento jurídico. Se sua</p><p>personalidade for de direito público, será criada por lei específica (regras de</p><p>direito público).</p><p>As fundações governamentais, sejam de personalidade de direito</p><p>público, sejam de direito privado, integram a Administração Pública. Com</p><p>efeito, de acordo com maioria doutrinária, a lei cria e dá personalidade para as</p><p>fundações governamentais de direito público, denominadas autarquias</p><p>fundacionais. As fundações governamentais de direito privado são autorizadas</p><p>por lei e sua personalidade jurídica se inicia com a constituição e o registro de</p><p>seus estatutos (artigo 37, inciso XIX, da Constituição Federal). Cumpre</p><p>observar que as fundações são extintas da mesma forma como são criadas.</p><p>Privilégios</p><p>As fundações, por perseguirem finalidades públicas, são dotadas dos</p><p>mesmos privilégios que as autarquias. Logo, por atuarem na busca do</p><p>interesse público e submeterem-se ao regime jurídico da Administração, obtêm,</p><p>legalmente, benefícios de ordem processual, a exemplo das regras constantes</p><p>do artigo 188 do Código de Processo Civil, e mesmo de fundo, a exemplo da</p><p>imunidade na área tributária, que prevê como privilégio o constante no artigo</p><p>150, § 2.º, da Constituição Federal.</p><p>Responsabilidade</p><p>As fundações também respondem pelas suas próprias dívidas e</p><p>obrigações contraídas. A Administração direta tem responsabilidade subsidiária</p><p>quanto às dívidas e obrigações das fundações, ou seja, a Administração</p><p>somente poderá ser acionada depois de exaurido todo o patrimônio, as forças</p><p>das fundações.</p><p>As fundações governamentais, independentemente de serem dotadas</p><p>de personalidade de direito público ou privado, assim como as autarquias,</p><p>também terão responsabilidade objetiva quanto aos atos praticados pelos seus</p><p>funcionários (artigo 37, § 6.º, da Constituição Federal/88), respondendo pelos</p><p>prejuízos que esses causarem a terceiros. Tal responsabilidade se justifica não</p><p>só em razão da previsão constitucional, mas sim em razão da natureza das</p><p>atividades e dos fins de criação das fundações.</p><p>Falência</p><p>As fundações também não se submetem ao regime falimentar, pois, por</p><p>serem prestadoras de serviços públicos, além de não realizar atos comerciais,</p><p>têm como princípio a sua preservação para manutenção e expansão dos</p><p>serviços por elas prestados, visando à plena obtenção do interesse público,</p><p>assim como acontece com as autarquias.</p><p>Exemplos de Fundações Públicas:</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>2.2.2.3 Empresas Públicas</p><p>Empresas públicas são pessoas jurídicas de Direito Privado, criadas</p><p>para a prestação de serviços públicos ou para a exploração de atividades</p><p>econômicas, que contam com capital exclusivamente público, e são</p><p>constituídas por qualquer modalidade empresarial, após autorização legislativa</p><p>do ente federativo criador.</p><p>Sendo a empresa pública uma prestadora de serviços públicos, estará</p><p>submetida a regime jurídico público, ainda que constituída segundo o modelo</p><p>imposto pelo Direito Privado. Se a empresa pública é exploradora de atividade</p><p>econômica, estará submetida a regime jurídico denominado pela doutrina como</p><p>semi-público, ante a necessidade de observância, ao menos em suas relações</p><p>com os administrados, das regras atinentes ao regime da Administração, a</p><p>exemplo dos princípios expressos no “caput” do artigo 37 da Constituição</p><p>Federal.</p><p>As empresas públicas, independentemente da personalidade jurídica,</p><p>têm as seguintes características:</p><p>Liberdade financeira: as empresas têm verbas próprias, mas também</p><p>são contempladas com verbas orçamentárias; há, como em toda espécie de</p><p>Administração indireta, liberdade para uso das verbas que recebem, dentro dos</p><p>limites da lei que autorizou a sua criação, e dos seus atos constitutivos, sempre</p><p>sob controle do tribunal de contas competente.</p><p>http://www.google.com/</p><p>Liberdade administrativa: têm liberdade para contratar e demitir</p><p>pessoas, devendo seguir as regras da Constituição Federal.</p><p>Pessoal: o quadro de pessoal é composto de empregados públicos, cujo</p><p>acesso deve decorrer de concurso de ingresso, como exigido na Constituição</p><p>de 1988. Seus empregados são equiparados a servidores ou agentes públicos,</p><p>inclusive para fins penais (artigo 327 do Código Penal). As reclamações</p><p>trabalhistas processar-se-ão perante a Justiça do Trabalho, e as demissões</p><p>devem ser motivadas.</p><p>Dirigentes próprios: depois de criadas, contam com dirigentes próprios,</p><p>escolhidos na forma prevista na lei que autoriza a sua criação, e nos seus atos</p><p>constitutivos.</p><p>Patrimônio próprio: o patrimônio das empresas públicas é inteiramente</p><p>transferido pelo ente federativo criador, por termo administrativo ou escritura</p><p>pública. É considerado público, e por isso, apesar de sofrer restrições em sua</p><p>penhorabilidade quando o objeto da empresa pública for a prestação de</p><p>serviços públicos (a exemplo da necessidade de desafetação), é suscetível de</p><p>responder, ab initio, pelas dívidas decorrentes do desenvolvimento de seu</p><p>objeto. Os atos relativos à disposição de patrimônio são suscetíveis de controle</p><p>pelo tribunal de contas da respectiva esfera de governo.</p><p>Funções das Empresas Públicas</p><p>As empresas públicas são criadas com as mesmas finalidades atinentes</p><p>às sociedades de economia mista, devendo, igualmente, atender a princípios</p><p>como o da eficiência e especialização dos serviços públicos, além de atender</p><p>também ao princípio da supremacia do interesse público sobre o interesse</p><p>particular, mesmo quando explora atividade econômica, ante sua excepcional</p><p>possibilidade. Logo, pode-se identificar duas funções (finalidades) distintas</p><p>referentes</p><p>às empresas públicas:</p><p>Prestação de serviços públicos: criadas para auxiliar a Administração direta</p><p>na obtenção de eficiência na prestação de determinado serviço, desde a</p><p>ampliação de seu acesso pelos administrados, à otimização nos meios de</p><p>execução etc.</p><p>Exploração de atividades econômicas: é possível a ocorrência desta</p><p>hipótese apenas quando existentes um dos permissivos constitucionais, quais</p><p>sejam, o relevante interesse coletivo ou imperativos de segurança nacional.</p><p>Mais uma vez, salientamos que dessas restrições decorre o entendimento</p><p>doutrinário que expõe, de forma correta, de acordo com os fins desejados pelo</p><p>Estado, que ao Poder Público não cumpre produzir lucro, tarefa esta deferida</p><p>ao setor privado.</p><p>Consequentemente, as empresas públicas, em relação ao regime</p><p>jurídico a elas aplicado, seguem a mesma sorte das sociedades de economia</p><p>mista, a exemplo da sujeição a todas as regras de Direito Privado,</p><p>notadamente em relação à livre concorrência e consequentemente às</p><p>obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias, quando explorar</p><p>atividade econômica, bem como a observação necessária do regime jurídico</p><p>administrativo, ao explorar serviços públicos, entre outras consequências</p><p>oportunamente verificadas.</p><p>Criação</p><p>A lei não cria, somente autoriza a criação das empresas públicas</p><p>(Constituição Federal, artigo 37, inciso XIX). Assim, independentemente da</p><p>atividade que desenvolvam, a lei somente autorizará a criação das empresas</p><p>públicas, não conferindo a elas personalidade jurídica.</p><p>Em razão de a Constituição conferir às empresas públicas caráter</p><p>privado, somente passam a gozar de personalidade jurídica a partir do registro</p><p>de seus atos constitutivos na junta comercial competente, ou no cartório de</p><p>registro civil das pessoas jurídicas, uma vez que, diferente do que ocorre com</p><p>as sociedades de economia mista, mercantis por força de lei (artigo 2.º, § 1.º,</p><p>da Lei n. 6.404/76), as empresas públicas podem se revestir de qualquer forma</p><p>societária.</p><p>Controle</p><p>Não existe hierarquia ou subordinação entre as empresas públicas e a</p><p>Administração direta, independentemente de sua função. Poderá a</p><p>Administração direta fazer o controle de legalidade, denominado controle</p><p>finalístico ou “tutela”, dos atos das empresas públicas, visto que estas estão</p><p>vinculadas àquela. Mais uma vez, cabe ressaltar que a inexistência de</p><p>hierarquia entre a Administração direta e as empresas públicas não implica o</p><p>não-reconhecimento da hierarquia dentro da própria sociedade.</p><p>Aqui, é interessante reproduzir a indagação referente à necessidade de</p><p>empresas públicas e sociedades de economia mista, quando exploram</p><p>atividades econômicas, promoverem licitação para a compra de insumos</p><p>necessários à fabricação de seus produtos, o que a doutrina, em interessante</p><p>lição interpretativa, resolve da seguinte maneira:</p><p>A Constituição Federal, em seu artigo 173, parágrafo 1.º, inciso III, prevê a</p><p>criação de um sistema licitatório próprio, para utilização pelas empresas</p><p>públicas e sociedades de economia mista exploradoras de atividade</p><p>econômica, com a finalidade de imprimir competitividade aos produtos e</p><p>serviços por elas oferecidos, norma esta, ainda de cunho programático, em</p><p>razão de sua não-efetivação. Diante da falta deste dispositivo, a doutrina</p><p>majoritária entende ser aplicável o regime de licitações instituído pela Lei n.</p><p>8.666/93, de modo subsidiário, até que sobrevenha a indigitada lei.</p><p>Privilégios</p><p>Quanto aos privilégios possíveis de serem concedidos às empresas</p><p>públicas, mais uma vez os dividiremos em privilégios de natureza tributária</p><p>(substanciais) e em privilégios de natureza processual, uma vez que, para</p><p>concessão dos privilégios, ao menos em tese, há distinções relativas à</p><p>atividade desenvolvida:</p><p>Empresa pública exploradora de atividade econômica: não recebe os</p><p>privilégios substanciais concedidos à Administração direta, tendo em vista a</p><p>previsão constitucional de livre concorrência com a iniciativa privada, além da</p><p>sujeição, inclusive, às mesmas obrigações de caráter civil, comercial,</p><p>trabalhista e tributário (artigo 173, § 1.º, inciso II, e § 2.º, e artigo. 170, inciso IV,</p><p>da Constituição Federal/88). Com efeito, não há que se falar em livre</p><p>concorrência se houver privilégios. Em relação aos privilégios processuais, a</p><p>doutrina, a lei e a jurisprudência, inclusive do Superior Tribunal de Justiça,</p><p>vedam a sua concessão, qualquer que seja a atividade das empresas públicas,</p><p>uma vez que estas não se encontram no conceito de fazenda pública.</p><p>Empresa pública prestadora de serviço público: na área tributária, assim</p><p>como as sociedades de economia mista, em regra poderia gozar dos privilégios</p><p>substanciais concedidos à Administração direta, visto não existir regime de</p><p>concorrência, e conforme interpretação extensiva dada ao artigo 150, parágrafo</p><p>2.º, da Constituição. Todavia, a vedação da concessão de tais privilégios se</p><p>impõe não só pela interpretação restritiva que se deve fazer ao parágrafo 2.º</p><p>do artigo 150, mas também em razão de o parágrafo 3.º do mesmo artigo vedar</p><p>a concessão de tais benefícios às entidades que executam serviços públicos</p><p>mediante contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. Na</p><p>área processual, igualmente, não possuem nenhum privilégio, uma vez que as</p><p>empresas públicas não estão inseridas no conceito de Fazenda Pública.</p><p>Responsabilidade</p><p>Em relação a responsabilidade das empresas públicas e</p><p>subsidiariamente, do Estado, pela solvência das obrigações daquelas, faz-se</p><p>necessário distinguir a atividade pelas empresas realizadas:</p><p>Exploradora de atividade econômica: deve a empresa pública responder por</p><p>suas obrigações, todavia, não na forma do § 6.º do artigo 37 da Constituição,</p><p>que trata da responsabilidade objetiva, mas de acordo com a responsabilidade</p><p>subjetiva, havendo necessidade de demonstração de culpa. O Estado não tem</p><p>responsabilidade alguma, não podendo ser acionado nem mesmo</p><p>subsidiariamente, em razão de a constituição exigir de todos que exploram</p><p>atividades econômicas, a submissão à livre iniciativa.</p><p>Prestadora de serviço público: possui responsabilidade objetiva. Se</p><p>enquadra no parágrafo 6.º do artigo 37 da Constituição Federal de 1988.</p><p>Assim, reponde em primeiro lugar, até que se encontrem exauridas as forças</p><p>do patrimônio desta. O Estado responde de forma subsidiária, ou seja, depois</p><p>de exaurido o patrimônio da empresa pública.</p><p>Falência</p><p>A aplicação das regras do regime falimentar às empresas públicas,</p><p>torna-se ou não possível de acordo com a atividade realizada pela sociedade,</p><p>uma vez que, quando prestadora de serviços públicos, ou no exercício de</p><p>determinadas atividades de cunho econômico, a exemplo de atividade bancária</p><p>ou de seguro, não se submetem, ao menos a priori, à Lei de Falências. Abaixo,</p><p>examinamos a regra geral:</p><p>Exploradora de atividade econômica: quando explora atividade econômica,</p><p>submete-se ao mesmo regime jurídico das empresas privadas, inclusive em</p><p>relação às obrigações “comerciais”, civis, trabalhistas e tributárias, atendendo</p><p>ao princípio da livre concorrência. Logo, a sociedade de empresa pública que</p><p>explora atividade econômica submete-se ao regime falimentar (à exceção</p><p>daquelas que exercem atividades que obrigam à liquidação extrajudicial por</p><p>órgãos governamentais específicos).</p><p>Prestadora de serviço público: não se submete ao regime falimentar, visto</p><p>que não está sob regime de livre concorrência, não explora atividade</p><p>econômica, e deve ser mantida em razão dos princípios da continuidade e</p><p>eficiência dos serviços públicos, sofrendo inclusive, segundo parte da doutrina,</p><p>pequenas restrições quanto à possibilidade de penhora dos bens de seu</p><p>patrimônio afetados à prestação dos serviços para que foram criadas.</p><p>Exemplos de Empresas Públicas:</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>2.2.2.4 Sociedade de Economia Mista</p><p>As sociedades de economia</p><p>mista são entidades estatais (ou</p><p>empresariais), constituídas segundo o modelo imposto pelo Direito Privado,</p><p>após autorização legislativa, para a prestação de serviços públicos ou para a</p><p>exploração de atividade econômica, contando com capital misto, e constituídas</p><p>somente sob a modalidade empresarial de sociedade anônima.</p><p>Assim, de acordo com as características das sociedades de economia</p><p>mista, temos como principais desdobramentos os seguintes fatos:</p><p>São empresas de capital misto: apesar da existência de capital, em parte</p><p>público e em parte privado na constituição de uma sociedade de economia</p><p>mista, não é unicamente o ingresso de capital público que faz com que o</p><p>empreendimento particular assim se torne, mas a efetiva participação do Poder</p><p>Público no gerenciamento da sociedade, não importando que se dê de forma</p><p>majoritária ou minoritária.</p><p>Constituídas sob forma empresarial de sociedade anônima: diferente das</p><p>empresas públicas que, conforme se verá, podem se revestir de qualquer tipo</p><p>societário, de caráter civil ou comercial. As sociedades de economia mista</p><p>podem ser constituídas somente sob a modalidade de sociedade anônima, em</p><p>razão de maiores possibilidades de fiscalização, controle preventivo e</p><p>expansão do empreendimento. Como consequência dessa regra, ainda que</p><p>prestem serviços públicos, serão sociedades comerciais por força de lei (Lei n.</p><p>6.404/76), com registro obrigatório nas juntas comerciais competentes.</p><p>As sociedades de economia mista têm as seguintes características:</p><p>http://www.google.com/</p><p>Dirigentes próprios: depois de criadas, contam com dirigentes próprios,</p><p>escolhidos na forma prevista na Lei n. 6.404/76 (Lei das Sociedades por</p><p>Ações) e segundo as prescrições da lei que autorizou sua constituição.</p><p>Patrimônio próprio: o patrimônio da sociedade de economia mista é</p><p>transferido, em parte, pelo ente político que autoriza a sua criação, por termo</p><p>administrativo ou escritura pública, e em parte pela iniciativa privada. É</p><p>considerado misto, e por isso penhorável, suscetível de responder, ab initio,</p><p>pelas dívidas decorrentes do desenvolvimento de seu objeto.</p><p>Liberdade financeira: as sociedades de economia mista possuem verbas</p><p>próprias (surgem como resultado dos serviços que presta) e verbas</p><p>orçamentárias (decorrentes de previsão e repasse pelo Poder Público),</p><p>caracterizando em determinados casos, a parafiscalidade. Há também</p><p>liberdade para uso das verbas que recebem, dentro dos limites da lei que</p><p>autorizou a sua criação, e do estatuto das sociedades por ações, sempre sob</p><p>controle do tribunal de contas competente.</p><p>Liberdade administrativa: possuem liberdade para desenvolver os seus</p><p>serviços como acharem mais conveniente (comprar material, contratar pessoal</p><p>etc).</p><p>Pessoal: O quadro de pessoal é composto de empregados públicos, regidos</p><p>pela Consolidação das Leis Trabalhistas, mas em tudo equiparados aos</p><p>agentes públicos, inclusive para fins penais (artigo 327 do Código Penal). As</p><p>reclamações trabalhistas processar-se-ão perante a Justiça do Trabalho, e o</p><p>acesso exige, em regra, concurso público de provas ou de provas e títulos.</p><p>Funções das Sociedades de Economia Mista</p><p>As sociedades de economia mista são criadas com o fim de atender a</p><p>prestação de serviços públicos ou de, excepcionalmente, explorar atividade</p><p>econômica.</p><p>A prestação de serviços públicos não sugere dificuldade, posto incumbir</p><p>ao Estado (Poder Público) o dever de prestá-los (artigo 175 da Constituição</p><p>Federal). No entanto, a exploração de atividade econômica será sempre</p><p>excepcional, já que o exercício deve ser efetuado pelo setor privado.</p><p>O Estado pode explorar atividade econômica em caso de relevante</p><p>interesse público, ou imperativos de segurança nacional, assim:</p><p>Prestação de serviços públicos: com essa função, são criadas para auxiliar a</p><p>Administração direta na obtenção de eficiência na prestação de determinado</p><p>serviço, em todos os seus nuances, desde a ampliação de acesso ao serviço</p><p>pelos administrados, a otimização nos meios de execução, a manutenção</p><p>eficaz da estrutura de prestação, a busca de modicidade nas tarifas etc.</p><p>Exploração de atividades econômicas: exercem tal função apenas quando</p><p>existentes um dos permissivos constitucionais, quais sejam, relevante interesse</p><p>coletivo, ou imperativos de segurança nacional. Destas restrições decorre o</p><p>entendimento doutrinário que expõe, de forma correta que, de acordo com os</p><p>fins desejados pelo Estado, ao Poder Público não cumpre produzir lucro, tarefa</p><p>esta deferida ao setor privado.</p><p>Com efeito, é de se concluir que, mesmo acarretando prejuízos à pessoa</p><p>jurídica instituidora, a Sociedade de Economia Mista poderá ser mantida na</p><p>prestação de serviços ou exploração de atividades econômicas em decorrência</p><p>dos objetivos visados (eficiência na prestação de serviços, especialização de</p><p>atividades, relevante interesse coletivo, ou imperativos de segurança nacional).</p><p>É possível imaginar como exemplo o caso de uma sociedade criada para</p><p>possibilitar a aquisição de moradia própria a famílias de baixa renda, mediante</p><p>pagamento de prestações mensais módicas, que poderá ser mantida, mesmo</p><p>que venha a acarretar prejuízos ao Estado de São Paulo.</p><p>Portanto, a depender de sua função, de seu objeto, haverá diferentes</p><p>consequências em relação ao regime jurídico a ser aplicado às sociedades de</p><p>economia mista, a exemplo da sujeição a todas as regras de Direito Privado,</p><p>notadamente em relação à livre concorrência e consequentemente às</p><p>obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias, quando explorar</p><p>atividade econômica, entre outras consequências oportunamente verificadas.</p><p>Controle</p><p>Não existe hierarquia ou subordinação entre as sociedades de economia</p><p>mista e a Administração direta. Embora não se fale em hierarquia e</p><p>subordinação, é forçoso reconhecer a existência de controle em relação à</p><p>legalidade, ou seja, a Administração direta controlará os atos das sociedades</p><p>de economia mista, com o fito de observar se estão dentro da finalidade e dos</p><p>limites legais. Se os atos estão dentro dos limites da lei, as sociedades não</p><p>estão subordinadas à Administração direta, mas sim à lei que autorizou a</p><p>criação delas. Em regra, não há recurso hierárquico para a revisão de atos dos</p><p>dirigentes das sociedades de economia mista pela Administração direta, mas</p><p>pode a lei que autorizou a constituição da entidade prever a existência de</p><p>recursos “impróprios” (ou hierárquicos impróprios).</p><p>O controle externo é realizado pelo tribunal de contas respectivo, e pelo</p><p>Poder Judiciário.</p><p>Questão interessante é aquela advinda da necessidade ou não de</p><p>licitação por parte de sociedade de economia mista que explora atividade</p><p>econômica, quando estiver comprando insumos necessários à fabricação de</p><p>seus produtos, o que se resolve da seguinte maneira:</p><p>A Constituição Federal, em seu artigo 173, § 1.º, inciso III, prevê a criação de</p><p>um sistema licitatório próprio, para utilização pelas empresas públicas e</p><p>sociedades de economia mista exploradoras de atividade econômica, com a</p><p>finalidade de imprimir competitividade aos produtos e serviços por elas</p><p>oferecidos, norma esta ainda de cunho programático, em razão de sua não-</p><p>efetivação. Diante da falta deste dispositivo, a doutrina majoritária entende ser</p><p>aplicável o regime de licitações instituído pela Lei n. 8.666/93, de modo</p><p>subsidiário, até que sobrevenha a indigitada lei.</p><p>Observa-se ainda que a inexistência de hierarquia entre a Administração</p><p>direta e as sociedades de economia mista não implica o não-reconhecimento</p><p>da hierarquia dentro da própria sociedade, ou seja, há hierarquia dentro da</p><p>própria entidade, mas não em relação à Administração direta, conforme já dito.</p><p>Criação</p><p>As sociedades de economia mista integram a Administração indireta e</p><p>todas as pessoas que a integram precisam, quando menos, de lei para</p><p>autorizar sua criação, como é o caso dessas sociedades.</p><p>Serão elas,</p><p>posteriormente legalizadas, com o devido registro de seus estatutos.</p><p>A lei, portanto, não cria, somente autoriza a criação das sociedades de</p><p>economia mista, ou seja, independentemente das atividades que desenvolvam,</p><p>a lei somente autorizará a criação das sociedades de economia mista, não</p><p>conferindo a elas personalidade jurídica (artigo 37, inciso XIX, da Constituição</p><p>Federal/88, com a redação dada pela Emenda Constitucional n. 19/98).</p><p>Assim, por serem pessoas jurídicas de Direito Privado, passarão a gozar</p><p>de personalidade jurídica de acordo com as regras previstas para as</p><p>sociedades comerciais, com necessidade de registro na junta comercial</p><p>competente, pois, vale relembrar, as sociedades por ações são mercantis por</p><p>força de lei (artigo 2.º, § 1.º, da Lei n. 6.404/76).</p><p>Privilégios</p><p>Quanto aos privilégios possíveis de serem concedidos às sociedades de</p><p>economia mista, cumpre distinguir os privilégios de natureza tributária</p><p>(substanciais) e os privilégios de natureza processual, elencados no artigo 188,</p><p>do diploma processual civil, além de estarem os privilégios, ao menos em tese,</p><p>intimamente ligados à atividade desenvolvida:</p><p>Sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica: não</p><p>faz jus aos privilégios substanciais concedidos à Administração direta, tendo</p><p>em vista a previsão constitucional de livre concorrência com a iniciativa privada,</p><p>além da sujeição, inclusive, às mesmas obrigações de caráter civil, comercial,</p><p>trabalhista e tributário (artigo 173, § 1.º, inciso II, e § 2.º, e artigo 170, inciso IV,</p><p>da Constituição Federal/88). Com efeito, não há que se falar em livre</p><p>concorrência se houver privilégios. Em relação aos privilégios processuais, a</p><p>doutrina, a lei e a jurisprudência, inclusive do Superior Tribunal de Justiça,</p><p>vedam a sua concessão, qualquer que seja a atividade da sociedade de</p><p>economia mista, uma vez que não se encontra no conceito de Fazenda</p><p>Pública.</p><p>Sociedade de economia mista prestadora de serviço público: na área</p><p>tributária, em regra, poderia gozar dos privilégios substanciais concedidos à</p><p>Administração direta, visto não existir regime de concorrência, e conforme</p><p>interpretação extensiva dada ao artigo 150, parágrafo 2.º, da Constituição.</p><p>Todavia, a vedação da concessão de tais privilégios se impõe não só pela</p><p>interpretação restritiva que se deve fazer ao parágrafo 2.º do artigo 150, mas</p><p>também em razão de o parágrafo 3.º do mesmo artigo vedar a concessão de</p><p>tais benefícios às entidades que executam serviços públicos mediante</p><p>contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. Na área</p><p>processual, não possuem nenhum privilégio, uma vez que as sociedades de</p><p>economia mista, conforme embasamento anterior, não se encontram no</p><p>conceito de Fazenda Pública.</p><p>Faz-se oportuno salientar que segundo lição de Hely Lopes Meirelles e</p><p>maciça orientação jurisprudencial, as Sociedades de Economia Mista poderão</p><p>ser beneficiadas por prerrogativas processuais, administrativas ou tributárias</p><p>desde que a lei que as autoriza ou dispositivos especiais tragam esta</p><p>disposição de maneira expressa.</p><p>Responsabilidade</p><p>Em relação à responsabilidade das sociedades de economia mista, e</p><p>subsidiariamente, do Estado, pela solvência das obrigações daquelas, a</p><p>doutrina não é uniforme, adotando-se soluções díspares. Para a corrente</p><p>majoritária é necessário distinguir a atividade pelas sociedades realizadas:</p><p>Sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica: ela</p><p>mesma responde por suas obrigações, mas não na forma do § 6.º do artigo 37</p><p>da Constituição Federal/88, que trata da responsabilidade objetiva, mas sim</p><p>subjetivamente, ou seja, havendo necessidade de demonstração de dolo ou</p><p>culpa (responsabilidade é subjetiva, fundada no Direito Privado). O Estado não</p><p>tem responsabilidade alguma, não podendo ser acionado nem mesmo</p><p>subsidiariamente, em razão de a Constituição exigir, de todos que exploram</p><p>atividades econômicas, a submissão à livre iniciativa;</p><p>Sociedade de economia mista prestadora de serviço público: possui</p><p>responsabilidade objetiva. Enquadra-se no parágrafo 6.º do artigo 37 da</p><p>Constituição Federal de 1988. Assim, reponde em primeiro lugar a sociedade</p><p>de economia mista, até que se encontrem exauridas as forças do patrimônio</p><p>desta. O Estado responde de forma subsidiária, ou seja, depois de exaurido o</p><p>patrimônio da sociedade.</p><p>Falência</p><p>A discussão a respeito da possibilidade ou não de submeter-se a</p><p>sociedade de economia mista às regras da falência, antes acalorada na</p><p>doutrina e jurisprudência, notadamente quanto às regras do artigo 242 da Lei n.</p><p>6.404/76, foi minimizada em virtude da revogação do controvertido artigo 242</p><p>pela Lei n. 10.303/01, que modificou a lei das sociedades por ações,</p><p>imprimindo, assim, consonância entre a lei modificada e as disposições</p><p>constitucionais a respeito do tema em estudo. Assim, a aplicação do regime</p><p>falimentar às sociedades de economia mista, hoje, torna-se ou não possível de</p><p>acordo com a atividade realizada pela sociedade, vejamos:</p><p>Sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica:</p><p>quando explora atividade econômica, submete-se ao mesmo regime jurídico</p><p>das empresas privadas, inclusive em relação às obrigações “comerciais”, civis,</p><p>trabalhistas e tributárias, atendendo ao princípio da livre concorrência. Logo, a</p><p>sociedade de economia mista que explora atividade econômica submete-se ao</p><p>regime falimentar.</p><p>Sociedade de economia mista prestadora de serviço público: não se</p><p>submete ao regime falimentar, visto que não está sob regime de livre</p><p>concorrência, não explora atividade econômica, e deve ser mantida em razão</p><p>dos princípios da continuidade e eficiência dos serviços públicos, sofrendo</p><p>inclusive, segundo parte da doutrina, pequenas restrições quanto à</p><p>possibilidade de penhora dos bens de seu patrimônio afetados à prestação dos</p><p>serviços para que foram criadas.</p><p>Exemplos de Sociedades de Economia Mista:</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>2.2.2.5 Agências Reguladoras</p><p>São figuras muito recentes em nosso ordenamento jurídico. Possuem</p><p>natureza jurídica de autarquias de regime especial, são pessoas jurídicas de</p><p>Direito Público com capacidade administrativa, aplicando-se a elas todas as</p><p>regras das autarquias.</p><p>Possuem como objetivo regular e fiscalizar a execução de serviços</p><p>públicos. Elas não executam o serviço propriamente, elas o fiscalizam.</p><p>Exemplos:</p><p>ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica)</p><p>É agência regulamentada pela Lei n. 9.427/96. É autarquia especial,</p><p>vinculada ao Ministério das Minas e Energia. Foi criada para regular e fiscalizar</p><p>a prestação ou execução de serviços de energia elétrica (art. 21, XII, “b”, da</p><p>CF/88). Dentro da regulação e da fiscalização da prestação de serviço público,</p><p>poderá:</p><p>✓ abrir licitações;</p><p>✓ celebrar contratos;</p><p>✓ gerenciar a execução dos contratos;</p><p>✓ aplicar sanções e penalidades pelo descumprimento de seus contratos;</p><p>✓ resolver conflitos de interesses das concessionárias.</p><p>http://www.google.com/</p><p>ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações)</p><p>É agência regulamentada pela Lei n. 9.472/97. É uma autarquia</p><p>especial, vinculada ao Ministério das Telecomunicações. Foi criada para</p><p>regular e fiscalizar a prestação ou execução de serviços na área de</p><p>telecomunicações (art. 21, XI, da CF/88). Dentro da regulação e da fiscalização</p><p>da prestação de serviço público, poderá:</p><p>✓ abrir licitações;</p><p>✓ celebrar contratos;</p><p>✓ gerenciar a execução dos contratos;</p><p>✓ aplicar sanções e penalidades pelo descumprimento de seus contratos;</p><p>✓ resolver conflitos de interesses das concessionárias.</p><p>Exemplos de Agências Reguladoras:</p><p>Fonte: www.google.com</p><p>3. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA</p><p>3.1 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS</p><p>De acordo com o art. 37 da Constituição Federal de 1988, A</p><p>administração pública direta e indireta de qualquer dos</p><p>Poderes da União, dos</p><p>Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de:</p><p>Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência”.</p><p>3.1.1 Princípio da Legalidade</p><p>Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em</p><p>virtude de lei (art. 5.º, inc. II, da CF).</p><p>http://www.google.com/</p><p>O princípio da legalidade representa uma garantia para os administrados,</p><p>pois, qualquer ato da Administração Pública somente terá validade se</p><p>respaldado em lei, em sua acepção ampla. Representa um limite para a</p><p>atuação do Estado, visando à proteção do administrado em relação ao abuso</p><p>de poder.</p><p>O princípio da legalidade apresenta um perfil diverso no campo do Direito</p><p>Público e no campo do Direito Privado. No Direito Privado, tendo em vista seus</p><p>interesses, as partes poderão fazer tudo o que a lei não proíbe; no Direito</p><p>Público, diferentemente, existe uma relação de subordinação perante a lei, ou</p><p>seja, só se pode fazer o que a lei expressamente autorizar ou determinar. Tal</p><p>ideia toma como alicerce a célebre lição do jurista Seabra Fagundes,</p><p>sintetizada na seguinte frase: “administrar é aplicar a Lei de ofício”.</p><p>Como desdobramentos de tal princípio, norteador da elaboração de nosso</p><p>texto constitucional, encontramos em toda a Constituição suas expressões</p><p>específicas, como, por exemplo, a Legalidade Penal (art. 5.º, inc. XXXIX), a</p><p>Legalidade Tributária (art. 150, inc. I), entre outros.</p><p>O princípio em estudo, não obstante sua larga aplicação, apresenta</p><p>justificáveis restrições:</p><p>medidas provisórias: são atos com força de lei, mas o administrado só se</p><p>submeterá ao previsto nas medidas provisórias se elas forem editadas dentro</p><p>dos parâmetros constitucionais, ou seja, se nelas constarem os requisitos da</p><p>relevância e da urgência. Vêm sendo considerados fatos urgentes, para fins de</p><p>edição de medidas provisórias, aqueles assuntos que não podem esperar mais</p><p>de 90 dias, em razão da previsão constitucional de procedimento sumário para</p><p>a criação de leis (art. 64, §§ 1.º a 4.º);</p><p>estado de sítio e estado de defesa: são situações de anormalidade</p><p>institucional. Representam restrições ao princípio da legalidade porque são</p><p>instituídos por um decreto presidencial, que pode ampliar os poderes da</p><p>Administração, autorizando ou determinando a prática de atos sem respaldo</p><p>legal.</p><p>Concluindo, a legalidade não se subsume apenas à observância da lei,</p><p>mas sim a todo o sistema jurídico, ou ao Direito.</p><p>3.1.2 Princípio da Impessoalidade</p><p>Em relação aos administrados significa que a Administração Pública não</p><p>poderá atuar discriminando pessoas de forma gratuita, a não ser que esteja</p><p>presente o interesse público. Com efeito, a Administração deve permanecer</p><p>numa posição de neutralidade em relação às pessoas privadas. Conforme o</p><p>art. 5.º, caput, da Constituição Federal a atividade administrativa deve ser</p><p>destinada a todos os administrados, sem discriminação nem favoritismo,</p><p>constituindo um desdobramento do princípio da igualdade.</p><p>Para Hely Lopes Meirelles, o princípio da impessoalidade está</p><p>relacionado ao princípio da finalidade, pois a finalidade se traduz na busca da</p><p>satisfação do interesse público, interesse que se subdivide em primário</p><p>(conceituado como o bem geral) e secundário (definido como o modo pelo qual</p><p>os órgãos da Administração veem o interesse público). Desta forma, a opinião</p><p>de Hely contrapõe-se às lições de Celso Antonio Bandeira de Mello, que liga a</p><p>impessoalidade ao princípio da isonomia, que determina tratamento igual a</p><p>todos perante a lei, traduzindo, portanto, isonomia meramente formal,</p><p>contestada por parte da doutrina, que pugna, de acordo com a evolução do</p><p>Estado de Direito, pela crescente necessidade de busca da isonomia material,</p><p>concreta, pelo Poder Público.</p><p>Exemplo: contratação de serviços por meio de licitação – vinculação ao edital –</p><p>regras iguais para todos que queiram participar da licitação.</p><p>Em razão dessas afirmações é que José Afonso da Silva faz ainda alusão à</p><p>estreita ligação da impessoalidade com a imputação, por agirem os servidores</p><p>consoante a vontade e em nome da Administração; logo, seus atos são</p><p>imputados ao Poder Público.</p><p>Em relação à própria Administração Pública, a responsabilidade dos atos</p><p>administrativos praticados não deve ser imputada ao agente e sim à pessoa</p><p>jurídica – Administração Pública direta ou indireta. Segundo o art. 37, § 6.º, da</p><p>Constituição Federal “as pessoas jurídicas de direito público e as de direito</p><p>privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus</p><p>agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de</p><p>regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”. Tal interpretação é</p><p>feita com base na Teoria do Órgão, atribuída a Otto Gierke, pela qual a</p><p>Administração é um todo; é um organismo, dividido em órgãos</p><p>despersonalizados, para otimização das funções executadas pelo organismo,</p><p>e, sendo assim, de responsabilidade deste, que se personifica nas pessoas</p><p>jurídicas da Administração Direta e Indireta.</p><p>3.1.3 Princípio da Moralidade</p><p>De acordo com a moderna doutrina, e com a jurisprudência, a imoralidade</p><p>administrativa surge como uma forma de ilegalidade, cabendo ao Judiciário</p><p>controlar a moralidade dos atos da Administração, respeitada, por óbvio, a</p><p>inércia da jurisdição.</p><p>Consequentemente, ao responsável pela prática de atos imorais, é</p><p>cabível sua responsabilização com base na Lei n. 8.429/92, que define nos</p><p>seus arts. 9.º a 11, de forma meramente exemplificativa, os atos de</p><p>improbidade administrativa, notadamente aqueles que importem violação de</p><p>princípios, objeto deste estudo (art. 11).</p><p>A título de exemplo, a seguir serão apresentados atos de improbidade</p><p>descritos nos artigos da citada Lei, quais sejam:</p><p>usar bens e equipamentos públicos com finalidade particular;</p><p>intermediar liberação de verbas;</p><p>estabelecer contratação direta quando a lei manda licitar;</p><p>vender bem público abaixo do valor de mercado;</p><p>adquirir bens acima do valor de mercado (superfaturamento).</p><p>Sanções aplicáveis</p><p>Aos agentes públicos, responsáveis por atos lesivos à moralidade</p><p>administrativa, a Constituição Federal prevê, em seu art. 37, § 4.º, quatro</p><p>sanções diferentes, de aplicação simultânea, quais sejam:</p><p>perda da função pública;</p><p>suspensão dos direitos políticos;</p><p>declaração de indisponibilidade dos bens;</p><p>obrigação de ressarcir ao erário.</p><p>Saliente-se que tais sanções são aplicáveis de acordo com as regras</p><p>previstas no art. 12 da Lei n. 8.429/92 (cuja leitura recomenda-se), que prevê</p><p>ainda sanções específicas para cada dispositivo violado, a exemplo da multa</p><p>civil de até 100 vezes o valor da remuneração percebida pelo agente, proibição</p><p>de contratar com o Poder Público ou mesmo receber incentivos fiscais, isso</p><p>tudo sem prejuízo da sanção penal cabível ao caso.</p><p>3.1.4 Princípio da Publicidade</p><p>É o dever atribuído à Administração de dar total transparência a todos os</p><p>atos que praticar, além de fornecer todas as informações solicitadas pelos</p><p>particulares, sejam públicas, de interesse pessoal ou mesmo personalíssimas,</p><p>que constem de bancos de dados públicos, pois, como regra geral, nenhum ato</p><p>administrativo pode ser sigiloso.</p><p>O aludido princípio comporta algumas exceções, como os atos e as</p><p>atividades relacionados com a segurança da sociedade ou do Estado, ou</p><p>quando o conteúdo da informação for resguardado pelo direito à intimidade (art.</p><p>37, § 3.º, inc. II, da CF/88).</p><p>No tocante à publicidade dos atos, programas e obras concluídas pela</p><p>Administração Pública, cumpre salientar que esta só será admitida se tiver</p><p>objetivo educativo, informativo ou de orientação social, proibindo-se a</p><p>promoção pessoal de autoridades ou de servidores públicos por meio de</p><p>divulgação de nomes, símbolos e imagens, sob pena de violação do princípio</p><p>em estudo, punível na esfera cível como ato de improbidade administrativa</p>