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<p>13</p><p>Figura 3: Tragédia em Teresópolis – 2011.</p><p>Fonte: Acervo Pessoal – Paulo Siste/FN, 2011.</p><p>Independentemente da causa do acidente, seja falha humana ou fatores</p><p>naturais, é notório que mesmo os países desenvolvidos estão suscetíveis às suas</p><p>consequências devastadoras (KOUADIO et al., 2012), tais como: danos severos ao</p><p>ecossistema e às comunidades próximas. Porém os impactos por eles causados são</p><p>mais expressivos em países pobres (CARDOSO et al., 2012).</p><p>A nível mundial, acerca dos desastres mais frequentes, elenca-se as</p><p>inundações (33%), seguidas das secas (23%) e tempestades (23%), conforme mostra</p><p>a figura 4:</p><p>Figura 4: Frequência dos Desastres Naturais ocorridos no mundo entre os anos de 1994 e 2003.</p><p>Fonte: SAITO, 2005</p><p>14</p><p>A nível de Brasil, as estiagens/secas são as mais recorrentes (51%), seguidas</p><p>das enxurradas (21%) e Inundações (12%), conforme ilustra a figura 5.</p><p>Figura 5: Desastres naturais mais recorrentes no Brasil – registros de 1991 a 2012.</p><p>Fonte: CEPED, 2013</p><p>No que se refere à mortalidade desses desastres, as enxurradas (58,15%),</p><p>movimentos de massa (15,6%) e inundações (13,40%), são os mais fatais (Figura 6),</p><p>sendo as regiões Sudeste, Sul e Nordeste respectivamente, as mais afetadas por</p><p>serem as mais populosas. Isso porque, um mesmo tipo de desastre, afeta com mais</p><p>intensidade a região que possuir mais habitantes.</p><p>Figura 6: Tipos de desastres que mais provocam mortes no Brasil, nos anos de 1991 a 2012.</p><p>Fonte: CEPED, 2013</p><p>Tais desastres são tão significativos, que o Brasil ocupa a oitava posição (entre</p><p>184 países) no que tange à exposição às secas e a décima terceira (entre 162 países)</p><p>15</p><p>no que se refere aos riscos de inundações. Quanto aos deslizamentos, ocupa a</p><p>décima quarta posição (de 162 países), e a trigésima sexta (de 89 países) quando o</p><p>risco é de ciclones. (PREVENTION WEB, 2018).</p><p>Saiba mais!</p><p>O Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres</p><p>(CRED), lançou o Banco de Dados de Eventos de Emergência</p><p>(EM-DAT). Ele foi criado com o apoio inicial da Organização</p><p>Mundial da Saúde (OMS) e do Governo Belga, visando</p><p>racionalizar a tomada de decisões para preparação diante da</p><p>iminência de um desastre em massa, bem como, fornecer uma</p><p>base objetiva para avaliação de vulnerabilidade e definição de</p><p>prioridades a nível Nacional e Internacional. Caso tenha</p><p>interesse, acesse o site clicando aqui e acompanhe em tempo</p><p>real desastres mundiais; organizados pela classificação do</p><p>desastre, país e período de ocorrência.</p><p>Aula 2 - Classificação dos desastres em massa</p><p>Existem diversas classificações de desastres utilizadas por diferentes órgãos</p><p>nacionais e internacionais. Nesse curso, serão apresentadas a classificação utilizada</p><p>pela INTERPOL – organismo internacional que foi pioneira na implantação de</p><p>protocolos referentes a desastres em massa, pela Defesa Civil - órgão vinculado ao</p><p>Ministério de Desenvolvimento Regional, responsável por um conjunto de ações</p><p>preventivas, de socorro, assistenciais, reabilitadoras e reconstrutivas, destinadas a</p><p>evitar desastres ou minimizar seus impactos para a população e a restabelecer a</p><p>normalidade social e pelo COBRADE - Classificação e Codificação Brasileira de</p><p>Desastres – elaborada a partir da classificação utilizada pelo banco de dados</p><p>internacional de desastres (EM-DAT).</p><p>16</p><p>2.1 Interpol (2018)</p><p>a) Desastre Aberto</p><p>Trata-se de um grande evento catastrófico, resultando em mortes de um</p><p>número desconhecido de indivíduos, dos quais não estão disponíveis informações</p><p>prévias ou dados descritivos. É difícil obter informações sobre o real número de</p><p>vítimas em tais eventos. Em geral, catástrofes naturais.</p><p>Exemplos: deslizamento na região serrana do Rio de Janeiro em 2011 (Figura</p><p>7) e Tsunami no Oceano Índico em 2004 (Figura 8).</p><p>Figura 7: Deslizamento na região serrana do Rio de Janeiro - Teresópolis (2011).</p><p>Fonte: Acervo Pessoal – Paulo Siste/FN, 2011.</p><p>17</p><p>Figura 8: Tsunami no Oceano Índico.</p><p>Fonte: Google imagens, 2004.</p><p>b) Desastre Fechado</p><p>Conceituado como um grande evento catastrófico, que resulta na morte de</p><p>indivíduos pertencentes a um grupo fixo, identificável.</p><p>Exemplos: acidente aéreo com lista de passageiros (Figura 9), alunos em uma</p><p>escola.</p><p>Figura 9: Queda do Boeing 737-800, GOL voo 1907, na floresta amazônica em 2006.</p><p>Fonte: Polícia Civil do Distrito Federal, 2006.</p><p>18</p><p>c) Misto</p><p>É a combinação de desastres abertos e fechados.</p><p>Exemplo: queda de um avião sobre uma área pública (Figura 10).</p><p>Figura 10: Pouso do avião da TAM (Voo 3054) em 2007: morte de 187 pessoas a bordo e mais 12</p><p>pessoas em solo.</p><p>Fonte: Google imagens, 2007</p><p>2.2 Defesa Civil</p><p>A Defesa Civil (Figura 11) possui como objetivos, a prevenção, a preparação e</p><p>a resposta aos desastres. Ela divide os desastres em três categorias: quanto à origem,</p><p>quanto à evolução e quanto à intensidade.</p><p>Figura 11: Símbolo da Defesa Civil brasileira.</p><p>A Marca da Defesa Civil</p><p>19</p><p>a) Quanto à Origem</p><p>• Naturais: provocados por desequilíbrios e fenômenos da natureza, independentes</p><p>da ação do ser humano.</p><p>• Humanos ou antropomórficos: causados pelas ações ou omissões humanas.</p><p>• Mistos: quando as ações e/ou omissões humanas contribuem para intensificar,</p><p>complicar ou agravar os desastres naturais.</p><p>b) Quanto à Evolução</p><p>• Súbitos ou de evolução aguda: evoluem abruptamente, de maneira catastrófica.</p><p>Exemplos: deslizamentos, enxurradas, vendavais, terremotos, erupções</p><p>vulcânicas, chuvas de granizo e outros.</p><p>• Evolução crônica ou gradual: avançam em etapas de agravamento progressivo.</p><p>Exemplos: seca, erosão ou perda de solo, poluição ambiental, entre outros.</p><p>• Soma de efeitos parciais: são numerosos acidentes ou ocorrências, com</p><p>características semelhantes, os quais quando somados, definem um grande</p><p>desastre.</p><p>Exemplos: Cólera, malária, acidentes de trânsito e acidentes de trabalho.</p><p>c) Quanto à Intensidade</p><p>• Acidentes (Nível 1): os danos decorrentes são de pouca importância para a</p><p>coletividade como um todo.</p><p>• Desastres de médio porte (Nível 2): os prejuízos, embora relevantes, podem ser</p><p>recuperados com os recursos disponíveis na própria área sinistrada.</p><p>• Desastres de grande porte (Nível 3): exigem o aporte de recursos regionais,</p><p>estaduais e federais para área afetada.</p><p>• Desastres de muito grande porte (Nível 4): para garantir uma resposta eficiente</p><p>e cabal recuperação, exigem a intervenção coordenada dos três níveis do Sistema</p><p>Nacional de Defesa Civil - SINDEC - e até mesmo, de ajuda externa.</p><p>20</p><p>2.3 COBRADE (Classificação e Codificação Brasileira de Desastres)</p><p>a) Geológicos ou Geofísicos</p><p>Envolvem os processos erosivos, de movimentação de massa.</p><p>b) Meteorológicos</p><p>Relacionam-se aos fenômenos como chuvas intensas, raios, ciclones tropicais</p><p>e extratropicais, tornados e vendavais, chuvas de granizo, geadas e ondas de frio e</p><p>de calor.</p><p>c) Hidrológicos</p><p>Abrangem os processos que resultam em alagamentos, enchentes, inundações</p><p>graduais e bruscas.</p><p>d) Climatológicos</p><p>São os processos relacionados à estiagem, queimadas e incêndios florestais.</p><p>21</p><p>O esquema abaixo organiza todas essas classificações (Figura 12):</p><p>Figura 12: As várias classificações adotadas acerca dos desastres em massa.</p><p>Fonte: Simões, 2021.</p><p>22</p><p>SAIBA MAIS!</p><p>A OMS (Organização Mundial de Saúde) traz ainda, a</p><p>diferenciação entre “desastres” e “incidentes” com vítimas em</p><p>massa (MIV - Mass Incident Victim, ou, Mass Casualty Incident-</p><p>MCI). Isto é, há maior ocorrência de incidentes em massa e são</p><p>definidos como situações que geram grandes demandas de</p><p>recursos médicos e de pessoal, onde a capacidade de resposta</p><p>não está ultrapassada, embora haja grande número de</p><p>pacientes</p><p>que requerem triagem, é possível fazer arranjos que</p><p>atendam às necessidades (LEE, 2010), diferentemente dos</p><p>desastres.</p><p>Aula 3 - Planos de contingência (PLANCON) e organismos gerenciadores de</p><p>desastres</p><p>Antes da ocorrência de um desastre, os órgãos que atuam nessas situações já</p><p>precisam estar preparados, saber quais medidas, providências devem ser</p><p>tomadas ao chegarem ao local. Necessitam de um plano.</p><p>O Plano de Contingência (PLANCON) é um documento desenvolvido com o</p><p>objetivo de avaliar, uniformizar, orientar e treinar ações e estratégias necessárias para</p><p>dar respostas de controle e combate às situações anormais que podem ocorrer</p><p>(FERNANDES, 2018). Ele é elaborado a partir de uma determinada hipótese de</p><p>desastre e organiza as ações de monitoramento, de alerta e alarme, assim como</p><p>estabelece os procedimentos, preparação e resposta.</p><p>Tudo isso visa reduzir perdas humanas e materiais.</p><p>Na sua elaboração, são necessários dois itens primordiais: Cenário de Risco</p><p>e Ações de Contingência. O primeiro refere-se ao estudo do Cenário de Risco</p><p>compreendendo as áreas de perigo e risco, a população vulnerável, definição das</p><p>rotas de fuga, os pontos de encontro, abrigos e locais de proteção, a definição dos</p><p>23</p><p>sistemas de monitoramento e alerta, os sistemas de comunicação com a população</p><p>(alarmes sonoros, luminosos etc.) e o cadastro das instituições, dos recursos</p><p>humanos e materiais (FERNANDES, 2018). Já o segundo, as Ações de Contingência,</p><p>correspondem às ações de resposta: prestação de serviços de emergência e</p><p>assistência pública (Figura 13).</p><p>Figura 13: O plano de contingência contém ações a serem tomadas antes e após a ocorrência do</p><p>desastre.</p><p>Fonte: Simões, 2021.</p><p>É importante salientar que o processo de planejamento do Plano de</p><p>Contingência só será efetivo se os responsáveis pelas ações de contingência listadas</p><p>no Plano e a população souberem o que esperar e o que fazer antes, durante e depois</p><p>de um desastre. É preciso treinamento dos habitantes, bem como das equipes</p><p>envolvidas, através de simulados.</p><p>Agora, caro aluno, diante da ocorrência de um desastre, como os organismos</p><p>se arranjam para atuar? Quais forças atuam primeiro?</p><p>Cabe à Defesa Civil do município atingido a primeira resposta. Primeiramente</p><p>é feita a estabilização do local do acidente, simultaneamente ao resgate das vítimas.</p><p>Em um segundo momento, e somente após a retirada dos sobreviventes (INTERPOL,</p><p>2018), inicia-se o resgate dos corpos e segmentos*, juntamente com os vestígios, para</p><p>posterior processo de identificação (Figura 14).</p><p>*Segmentos podem ser definidos como partes de corpos.</p><p>24</p><p>Figura 14: Ordem das atitudes a serem tomadas pela primeira equipe que chega ao local.</p><p>Fonte: Simões, 2021.</p><p>Mas e se o município atingido não possuir capacidade própria de resposta?</p><p>Isto é, “não der conta” de tomar todas essas providências?</p><p>Se sua capacidade local não for suficiente, ele pode recorrer ao governo</p><p>estadual, e solicitar apoio complementar, e quando houver mais de um município</p><p>afetado pode solicitar o reconhecimento federal de Situação de Emergência (SE), ou</p><p>Estado de Calamidade Pública (ECP) e o apoio complementar do Governo Federal</p><p>(POLÍTICA NACIONAL DE DEFESA CIVIL, 2000).</p><p>SAIBA MAIS!</p><p>Para auxiliar os municípios a manterem seus Planos de</p><p>Contingência constantemente atualizados e assim, facilitar o</p><p>diálogo com a União em situações de desastres, o Governo Federal</p><p>criou um Sistema Integrado de Informações sobre Desastres –</p><p>S2ID (Figura 15).</p>