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<p>CURSO DE</p><p>MATURIDADE</p><p>NO ESPÍRITO</p><p>Vol.</p><p>01</p><p>Nova Edição Atualizada</p><p>Aluízio A. Silva</p><p>Curso de Maturidade no Espírito – Nova Edição – Volume 1</p><p>Categoria: Vida cristã / Discipulado / Maturidade Cristã</p><p>Copyright © 2018 por Aluízio A. Silva</p><p>Todos os direitos reservados</p><p>Editora VIDEIRA</p><p>Editora afi liada à ASEC – Associação Brasileira dos Editores Cristãos</p><p>Direção geral Aluízio A. Silva</p><p>Direção Executiva Radamés Adão</p><p>Direção de Arte Robson Junior</p><p>Impressão Fléx Gráfi ca</p><p>Curso de Maturidade no Espírito – Nova Edição – Volume 1</p><p>10ª edição – Revista e Reeditada – Agosto de 2018</p><p>Reedição Aluízio A. Silva</p><p>Revisão Ana Paula Ribeiro de Carvalho</p><p>Capa Lucas Prado</p><p>Diagramação Robson Junior</p><p>Os textos das referências bíblicas foram extraídos da versão Almeida Revista e Atualizada (Sociedade Bíblica do Brasil), salvo</p><p>indicação específi ca.</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>Índice para catálogo sistemático</p><p>1. Vida Cristã: Discipulado: Maturidade Cristã 230/240</p><p>DIREITOS RESERVADOS – É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer forma ou por qualquer meio, sem a autoriza-</p><p>ção prévia e por escrito do autor. A violação dos Direitos Autorais (Lei n.º 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 48 do Código Penal.</p><p>Editado e publicado no Brasil pela Editora VIDEIRA</p><p>Rua MDV35 Qd.62 Lt.01 - Setor Moinho dos Ventos, Goiânia – CEP: 74.371-585</p><p>Goiânia-GO – Brasil</p><p>Telefone: (62) 3207-2525</p><p>Impresso no Brasil</p><p>Printed in Brazil</p><p>2018</p><p>Silva, Aluízio A., 2018-</p><p>Curso de Maturidade no Espírito – Nova Edição – Volume 1 / Aluízio A. Silva — Goiânia: Editora VIDEIA, 2018</p><p>ISBN 000-00-00000-00-0</p><p>1. Vida Cristã 2. Discipulado 3. Maturidade Cristã 4. Título</p><p>CDD: 230/240</p><p>Sumário</p><p>Apresentação ......................................................................................................................................5</p><p>Princípios de revelação na Palavra ............................................................................................... 7</p><p>Por que precisamos saber a diferença entre a alma e o espírito? ........................................... 8</p><p>Funções do espírito .......................................................................................................11</p><p>Funções da Alma .......................... ............................................................................................ 14</p><p>Funções do corpo ..... ............................................................................................................... 16</p><p>A Revelação no Espírito ......................................................................................................... 19</p><p>Como obter revelação ............................................................................................................ 23</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito .......................................................................................................... 27</p><p>Ande no espírito pela fé ......................................................................................................... 28</p><p>Percebendo as direções do Espírito ....................................................................................... 32</p><p>Confirmando as direções do Espírito .................................................................................... 35</p><p>Características do testemunho interior ............................................................................. 38</p><p>Como decidir sobre coisas duvidosas ........................................................................................ 41</p><p>O espírito de discernimento ............................................................................................ 45</p><p>Transformação da alma .................................................................................................................49</p><p>A salvação completa ................................................................................................................ 50</p><p>A transformação da alma ........................................................................................................ 53</p><p>O que não é transformação bíblica ....................................................................................... 58</p><p>A verdadeira transformação ................................................................................................... 62</p><p>A fé correta produz o comportamento correto .................................................................. 66</p><p>Creia corretamente e seja transformado .............................................................................. 71</p><p>Operações do Espírito ....................................................................................................................... 75</p><p>O derramamento do Espírito Santo ....................................................................................... 76</p><p>Seja cheio do Espírito Santo ................................................................................................... 80</p><p>A oração em línguas ................................................................................................................. 83</p><p>Os dons do Espírito (parte 1) .................................................................................................. 88</p><p>Os dons do Espírito (parte ii) .................................................................................................. 92</p><p>Como receber o batismo no Espírito Santo ........................................................................... 98</p><p>A Nova Aliança ........................................................................................................................... 101</p><p>Cláusulas da Nova Aliança ................................................................................................... 102</p><p>O confronto de duas Alianças ............................................................................................. 107</p><p>A Justificação apenas pela fé ............................................................................................111</p><p>Pecador ou justo? ..............................................................................................................116</p><p>Você pode reinar em vida ....................................................................................................... 119</p><p>A aliança de sangue ...............................................................................................................123</p><p>A Vitória sobre o pecado ......................................................................................................................133</p><p>Quebrando o ciclo do pecado ...................................................................................................134</p><p>O caminho da vitória ...........................................................................................................138</p><p>A libertação da lei e do pecado ..................................................................................................142</p><p>A obra e o poder da cruz .....................................................................................................145</p><p>O caminho da vitória ..............................................................................................................148</p><p>A lei do Espírito ........................................................................................................................152</p><p>Apresentação</p><p>Todo cristão sincero busca mais de Deus e de Sua vontade. Na caminhada da vida cristã, precisamos de</p><p>conhecimento, oração e poder. Maturidade é mais que um dom extraordinário, é um processo vivido no dia</p><p>a dia da Igreja do Senhor Jesus, guiado pela Palavra de Deus. Nas lições deste curso, estudaremos princípios e</p><p>verdades bíblicas indispensáveis para que você cresça em maturidade e conhecimento diante de Deus e tenha</p><p>sua vida firmada na vida da Igreja.</p><p>Formar cristãos maduros, instruídos na Palavra de Deus e aptos a ministrar ao Seu povo, é o propósito</p><p>deste livro. Em cada capítulo, veremos os princípios bíblicos mais importantes</p><p>e, afinal, Saul estaria ofertando isso a Deus. O veredicto de Deus,</p><p>contudo, é que aqueles que estão na carne não podem agradá-Lo (Rm. 8:8).</p><p>Existem muitas coisas que não são erradas aos olhos dos homens, mas que são reprovadas por Deus.</p><p>Todavia, não devemos ser escravos de códigos de conduta e normas de certo e de errado. O importante é</p><p>aprendermos a andar no espírito. Se ouvirmos o espírito, naturalmente faremos a vontade de Deus. Se an-</p><p>darmos por entendimento, não dependeremos de fé; por isso, os que andam pelo entendimento próprio não</p><p>podem agradar a Deus, pois o que eles fazem não provém da fé, e isso é carne.</p><p>Não devemos dar respostas prontas para as pessoas, antes devemos estimulá-las a usar o seu próprio es-</p><p>pírito, para que possam discernir a direção de Deus. Só há crescimento quando Deus fala; as palavras humanas</p><p>podem ser boas, mas somente quando Deus fala é que há transformação e vida. Só há crescimento quando</p><p>aprendemos a ouvir a Deus. Muitos discipuladores estimulam seus discípulos a dependerem deles. Contudo,</p><p>o verdadeiro discipulador deve ensinar o discípulo a ouvir e a depender de Deus. Se o discipulador sempre</p><p>fala qual é a vontade de Deus, o discípulo nunca vai aprender a discerni-la por si mesmo, e isso é lamentável.</p><p>Carne, portanto, é andar pela força própria, pela vista e pelo entendimento próprio, e andar em fé é o</p><p>oposto: é andar no descanso de Deus, ignorar a vista e renunciar o próprio entendimento.</p><p>Percebendo as direções do Espírito</p><p>No universo há três coisas igualmente importantes: o céu, a terra e o espírito do homem. O céu é para</p><p>a terra, a terra é para o homem, e o homem tem um espírito para Deus.</p><p>O espírito do homem é o lugar onde Deus trabalha e reside. Romanos 8:16 diz que o Espírito testifi-</p><p>ca com o nosso espírito, e 2 Timóteo 4:22 diz: “O Senhor seja com o teu espírito”. O nosso espírito é o lugar</p><p>onde o Senhor Jesus habita.</p><p>Somos vasos para conter a Deus</p><p>Nós somos vasos de Deus, que quer ser o nosso conteúdo. Assim como garrafas foram feitas para conter</p><p>água, nós fomos feitos como uma luva para conter Deus. A luva é a imagem e semelhança da mão, mas a mão</p><p>é a realidade da luva, cujo propósito é conter a mão. Igualmente o homem foi criado à imagem de Deus, com</p><p>o propósito de conter a Deus (Rm. 9:23-24).</p><p>O homem foi criado à semelhança de Deus. Deus é espírito, e o homem também foi feito espírito. A</p><p>respeito de todos os animais, diz-se que foram feitos segundo a sua espécie, mas a respeito do homem, diz-se</p><p>que foi feito semelhante a Deus. Desta feita, somos da espécie de Deus (Jo. 4:24; 1 Ts. 5:23).</p><p>As três partes do homem</p><p>O homem é vaso de Deus. A Bíblia divide este vaso em três partes: o espírito, a alma e o corpo.</p><p>O corpo é simplesmente a parte física e foi criado para contatar as coisas da esfera material, sendo a</p><p>parte mais superficial. A alma é a psiquê, a parte psicológica, que foi criada para contatar as coisas do mundo</p><p>psíquico, representando uma parte mais profunda. Já o espírito é a parte mais profunda do homem, pertence</p><p>ao nível espiritual e foi criado para contatar as coisas de Deus.</p><p>O propósito de Deus era e é entrar no espírito do homem para ser o seu conteúdo e a sua satisfação.</p><p>Este é o propósito da existência humana. Você não foi criado apenas para conter comida em seu estômago e</p><p>conhecimento em sua mente, mas para conter Deus em seu espírito.</p><p>A partir do nosso espírito, o desejo de Deus é nos conduzir a toda a verdade. A vida cristã consiste em</p><p>sermos guiados por Deus em nosso espírito. Se falharmos em perceber a voz do Senhor e a sua direção, toda a</p><p>nossa vida cristã estará comprometida.</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito</p><p>Aula 2</p><p>Percebendo as direções do Espírito 33</p><p>O ponto central do Evangelho</p><p>O ponto central do Evangelho é “Cristo dentro de nós”. O Espírito Santo de Deus é vida e contatar o</p><p>Espírito é contatar a vida de Deus.</p><p>As coisas do espírito são vida</p><p>É fundamental que separemos bem aquilo que é da alma daquilo que é do espírito. O critério para</p><p>fazermos essa distinção é a vida. Tudo o que é do espírito é vida, mas o que é da alma resulta em morte.</p><p>A vida é algo contagiante. Quando abrimos a boca pelo espírito, a vida flui e se espalha por entre os</p><p>irmãos. Ela também é alimento. Quando falamos algo do espírito, aquilo será a Palavra de Deus, que é espírito</p><p>e vida. Quando falamos algo pelo Espírito, essa palavra é espírito e vida (Jo. 6:63).</p><p>A vida é algo sobrenatural e ser guiado pelo Espírito é ser guiado por esta vida. Para sermos guiados pelo</p><p>Espírito é necessário desenvolvermos uma sensibilidade em nosso próprio espírito. Se não formos sensíveis,</p><p>não poderemos perceber a direção e a voz de Deus.</p><p>Quero compartilhar alguns princípios para percebermos a direção de Deus no espírito.</p><p>“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” (Gl. 5:25).</p><p>“Já que vivemos pelo Espírito, mantenhamos o passo certo com o Espírito” (Gl. 5:25 -</p><p>Tradução da New International Version).</p><p>“Se estamos vivendo agora pelo poder do Espírito Santo, sigamos a direção do Espírito</p><p>Santo em todas as áreas de nossas vidas” (Gl. 5:25 - Bíblia Viva).</p><p>Muitos pedem sinais e fazem provas de Deus para serem guiados por Ele. Mas Deus não nos deseja guiar por</p><p>meio de coisas exteriores. O Espírito nos guia pela sua vida dentro de nós.</p><p>Há uma sensação dentro de nós produzida pelo Espírito e precisamos ser sensíveis a ela. Tal sensação se</p><p>manifesta pelo testificar e pela paz, ou, ainda, pelo constrangimento e pela restrição.</p><p>O cristianismo do Novo Testamento não é meramente participar de ritos e cerimônias, nem tampouco</p><p>observar as regras e os regulamentos. É muito mais do que vivermos uma vida correta e moralista ou seguirmos uma</p><p>filosofia ou um sistema de pensamento positivo. O cristianismo real é sobrenatural, é a vida de Cristo dentro de nós!</p><p>É porque Cristo habita em nossos corações que podemos experimentar a direção do Espírito Santo. Todavia,</p><p>precisamos aprender a reconhecer quando o Espírito está entristecido (Ef. 4:30), quando Ele está alegre dentro de</p><p>nós e quer que nos regozijemos ou quando Ele está com um fardo e deseja orar através de nós.</p><p>Tudo começa quando percebemos uma sensação em nosso espírito. Entendemos, então, que o Senhor está</p><p>querendo nos dizer algo e devemos parar e esperar silenciosamente nEle, até compreendermos o que Ele está dizen-</p><p>do. Depois, aja de acordo com a direção recebida e coopere com o Senhor. Procure lembrar-se desta experiência e o</p><p>que ela significou, assim você será capaz de reconhecê-la novamente.</p><p>Como perceber as direções do Espírito</p><p>a. O impulso da intuição</p><p>A intuição é uma função do nosso espírito humano. É como um impulso dentro do coração, e não é</p><p>uma voz percebida audivelmente. Em Marcos 1:12, lemos que o Espírito impeliu Jesus. A palavra “impelir”</p><p>denota bem a sensação interior.</p><p>Evidentemente existem impulsos do corpo, das emoções e mesmo de demônios. Entretanto, se nasce-</p><p>mos de novo, aprendemos a diferenciar todas essas vozes daquela que vem do espírito. Portanto, siga o impulso</p><p>do espírito para ser guiado pelo Senhor, mesmo que não haja nenhum motivo lógico, e os frutos aparecerão.</p><p>Esse impulso é no nosso espírito, e não em nossa emoção ou em nosso corpo.</p><p>“Mas alguns dos escribas estavam assentados ali e arrazoavam em seu coração: Por que</p><p>fala ele deste modo? Isto é blasfêmia! Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?</p><p>E Jesus, percebendo logo por seu espírito que eles assim arrazoavam, disse-lhes: Por que</p><p>arrazoais sobre estas coisas em vosso coração?” (Mc. 2:6-8).</p><p>34 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Observe que os fariseus arrazoavam. Essa sempre é a atitude de homens naturais e carnais: arrazoar com</p><p>as suas mentes. No entanto, o Senhor percebia em seu espírito. Perceber no espírito é por meio da intuição,</p><p>que é um saber sobrenatural.</p><p>b. O testificar do Espírito</p><p>“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16).</p><p>1 Coríntios 6:17 diz que:</p><p>“Mas aquele que se une</p><p>ao Senhor é um só espírito com Ele (1 Co. 6:17, grifo nosso).</p><p>Isso significa que o nosso espírito, depois que nascemos de novo, é amalgamado, unido, vinculado com o</p><p>Espírito Santo. O testificar do espírito é uma convicção profunda que não tem origem em nada natural, e nossa</p><p>mente às vezes rejeita essa convicção por temor e insegurança. Deus sempre fala conosco, nós é que não damos</p><p>crédito, pensando que se trata de algo da nossa mente. Se o Senhor vem e testifica em nosso espírito, a melhor</p><p>coisa a fazer é checar a convicção com outros irmãos mais amadurecidos para não corrermos riscos desnecessários.</p><p>Provavelmente cometeremos muitos erros, mas estaremos exercitando o nosso espírito no nível mais</p><p>elevado possível e chegará o ponto em que virtualmente não os cometeremos mais. No processo de crescimen-</p><p>to é normal nos equivocarmos.</p><p>Deus quer que desenvolvamos uma maturidade espiritual tal que possamos reconhecer a Sua voz ime-</p><p>diatamente e obedecê-la (Pv. 20:27). É claro que demanda tempo aprendermos se certa impressão ou senti-</p><p>mento vem do Senhor ou não. Eu creio que podemos chegar ao ponto de sabermos com toda a certeza se as</p><p>direções que temos percebido procedem de Deus ou não.</p><p>c. A paz do espírito</p><p>“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um</p><p>só corpo; e sede agradecidos” (Cl. 3:15).</p><p>A paz é o árbitro (o juiz, aquele que decide) em nosso coração, onde percebemos o nosso espírito.</p><p>Imagine um jogo de futebol. Enquanto tudo está indo de acordo com as regras e não há nenhuma falta</p><p>ou infração, o apito do árbitro está em silêncio. Entretanto, quando há uma infração das regras, ouve-se o</p><p>apito, e é preciso que o jogo pare imediatamente. Os jogadores, então, olham para o árbitro para descobrirem</p><p>o que aconteceu de errado e qual é a sua decisão na situação. Assim que ele esclarece as coisas, o jogo pode</p><p>prosseguir novamente.</p><p>É assim também com a paz de Deus em nossos corações. Quando as coisas estão fluindo no propósito</p><p>de Deus, há uma paz interior profunda em nossos corações. Esta paz deveria sempre estar lá. Paulo diz que</p><p>somos chamados a uma paz assim. Se por acaso perdermos esta paz, então precisaremos nos voltar para o</p><p>espírito para descobrirmos o erro. Por que perdi a minha paz? O Espírito Santo nos mostrará, rapidamente,</p><p>onde estamos errados e como corrigirmos a situação. Quando fazemos isto e voltamos à posição correta outra</p><p>vez, a nossa paz é restaurada.</p><p>d. A consciência do espírito</p><p>Antes de fazermos qualquer coisa, não devemos consultar a mente, mas a consciência em nosso coração.</p><p>A sensação quando o espírito é constrangido por Deus se parece um pouco com náusea. Esse constrangimento</p><p>sempre aparece quando entramos em uma direção que Deus não aprova.</p><p>Não devemos fazer nada que constranja a vida de Deus dentro de nós, ainda que pelos critérios da</p><p>mente seja algo bom e até recomendável. Se a vida de Deus em nós rejeitou, não devemos fazer.</p><p>Existem, porém, muitas coisas que não são pecaminosas, mas que Deus rejeita. O critério para a vida</p><p>no Espírito não é o certo ou o errado, mas a vontade de Deus. Não deveríamos ensinar leis de certo e errado</p><p>para os novos convertidos, mas estimulá-los a perceberem a direção de Deus pela consciência no espírito. Se</p><p>formos rápidos em dizer aos outros o que é certo e o que é errado, tiramos deles preciosas oportunidades de</p><p>entrarem em contato com o Senhor. Ser cristão não é, então, ser guiado por um código de conduta, mas pelo</p><p>Espírito de Deus. O meu alvo não é apenas ser um homem bom, mas um homem cheio de Deus.</p><p>Confirmando as direções do Espírito</p><p>Além da percepção da direção do Espírito Santo em nosso espírito, precisamos ainda considerar alguns</p><p>sinalizadores exteriores dados por Deus. O Espírito Santo sempre fala conosco, mas esse falar nunca</p><p>vai contradizer, por exemplo, aquilo que está escrito na Escritura. Assim, não há nada de errado buscar</p><p>confirmar as nossas percepções espirituais.</p><p>a. A Palavra de Deus escrita</p><p>“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a</p><p>correção, para a educação na justiça” (2 Tm. 3:16).</p><p>A Bíblia é o nosso guia mais confiável e o mais simples de se usar. A voz interior em nosso espírito é</p><p>uma experiência um tanto subjetiva e insegura. Ela pode ser influenciada por nossas emoções ou pelos desejos</p><p>pessoais. Precisamos, portanto, submeter nossas percepções a um julgamento objetivo e seguro, e a Bíblia é a</p><p>base para este julgamento.</p><p>Precisamos, porém, abordá-la com honestidade de coração, pois podemos “fazer” com que a Bíblia diga</p><p>o que queremos que ela diga. Muitas vezes as pessoas propositadamente procuram por uma passagem bíblica</p><p>que apoie o que elas querem crer. Isto é “torcer” as Escrituras.</p><p>Quando você sentir uma direção ou impressão no seu espírito e você não estiver certo de que é a voz</p><p>do Senhor, submeta em oração esta impressão a Deus. Peça-Lhe que a confirme ou a negue através da Sua</p><p>Palavra. Depois que você tiver feito isto, uma passagem bíblica que se relaciona com o assunto chamará a sua</p><p>atenção. O Espírito de Deus nunca discorda da Sua Palavra, e o Espírito Santo nunca lhe diria para fazer algo</p><p>que é condenado pela Bíblia.</p><p>b. Busque um aconselhamento maduro</p><p>“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um</p><p>só corpo; e sede agradecidos” (Cl. 3:15).</p><p>Quando Deus fala conosco, Ele confirma sua direção através de algum membro mais maduro do corpo.</p><p>Devemos submeter as nossas impressões ao discernimento de outros membros da Igreja. Deste modo, coloque</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito</p><p>Aula 3</p><p>36 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>o assunto diante do grupo e, se houver uma resposta de paz unânime, então você pode ficar certo de que Deus</p><p>está confirmando a direção que você recebeu.</p><p>A Bíblia diz que:</p><p>“[...] na multidão de conselheiros há segurança” (Pv. 11:4).</p><p>“Onde não há conselhos os projetos saem vãos, mas com a multidão de conselheiros se</p><p>confirmarão” (Pv. 15:22).</p><p>Não exponha suas dúvidas com quem não pode ajudá-lo, pois abrir a vida pessoal com alguém incapaz</p><p>de ajudar-nos é como abrir os tesouros para um ladrão. Não somente é perda de tempo, mas um grande risco.</p><p>Procure, deste modo, o aconselhamento de líderes espiritualmente maduros, experientes na fé e que tenham</p><p>uma credibilidade comprovada. Vá até as pessoas que foram capazes de ouvir a voz de Deus, dirigindo-as nas</p><p>circunstâncias de suas próprias vidas.</p><p>c. Observe as circunstâncias e a providência divina</p><p>Quando Deus lhe diz para fazer alguma coisa, você pode estar certo que Ele abrirá as portas para que</p><p>você possa fazê-la. Se Ele estiver guiando você numa determinada área, então as Suas provisões virão a você</p><p>naquela área.</p><p>“O Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz” (Sl. 37:23).</p><p>Se você ficar sentado esperando por uma revelação, talvez você fique assim para sempre. Se você co-</p><p>meçar a se mover e estiver indo na direção errada, o Senhor lhe dirá. Assim que começarmos a nos mover</p><p>com um desejo sincero em nossos corações de andarmos nos caminhos de Deus, o Espírito nos dará direções.</p><p>Ao se mover em harmonia com a vontade de Deus, as circunstâncias e providências surgirão diante de você,</p><p>dando-lhe uma convicção interior.</p><p>Esse ponto, porém, não pode contradizer os princípios mencionados anteriormente. É possível que haja</p><p>diante de nós uma grande porta aberta, mas se você não tem paz, se é algo contrário às escrituras e condenado</p><p>pelo conselho de pessoas maduras, então ignore as circunstâncias aparentemente positivas.</p><p>d. A confirmação profética</p><p>A profecia é dada a alguém para confirmar algo que já foi recebido do Espírito. Profecias devem ser ape-</p><p>nas confirmações de algo que alguém já recebeu de Deus em seu espírito. Devemos, assim, ser cautelosos com</p><p>profecias que tendem a iniciar alguma coisa, ao invés de simplesmente confirmá-la. Se Deus quiser falar-lhe</p><p>algo, Ele falará com você primeiramente, dentro do seu próprio espírito. Mais</p><p>tarde, Ele poderá confirmá-lo</p><p>através de uma profecia, a qual servirá para estabelecer o que Ele já lhe disse em seu coração.</p><p>Nunca faça nada simplesmente porque alguém “profetizou” que você deveria fazer. Obtenha a sua pró-</p><p>pria direção de Deus, primeiramente. Isso é absolutamente fundamental. As declarações proféticas certamente</p><p>não são infalíveis, e o elemento humano envolvido nestas faz com que sejam falíveis. O Espírito, o qual as</p><p>origina, é perfeito, mas as pessoas que as declaram são imperfeitas.</p><p>Muitos cristãos reverenciam as profecias como se o próprio Deus estivesse falando do céu. Entretanto,</p><p>não é Deus que está falando diretamente, mas os homens, em nome de Deus. Se estas pessoas estiverem</p><p>realmente no Espírito, suas palavras edificarão, exortarão e consolarão a Igreja (1 Co. 14:3). Às vezes, infeliz-</p><p>mente, as profecias podem estar vindo do pensamento das próprias pessoas. Por causa disso, toda declaração</p><p>profética deveria ser julgada para se saber se ela é realmente uma palavra do Senhor, antes que ela seja recebida</p><p>e, certamente, praticada (1 Co. 14:29).</p><p>Você deveria levar em conta essas três condições antes de aceitar uma profecia:</p><p>� A profecia deve ser julgada, em primeiro lugar, pela Palavra de Deus. Se uma profecia não estiver</p><p>em perfeita harmonia com os princípios expressos na Bíblia, ela deve ser rejeitada;</p><p>� A profecia deve ser julgada pelo que Deus já lhe mostrou em seu próprio espírito. Se ela não testi-</p><p>fica e não confirma o que você já recebeu do Senhor, então não aceite nenhuma profecia pessoal;</p><p>Confirmando as direções do Espírito 37</p><p>� Se um grupo de crentes estiver presente quando a profecia for dada, então um julgamento do</p><p>grupo poderá ser dado a respeito da profecia. Qual é a opinião geral a respeito dela? Todos con-</p><p>cordam que esta é verdadeiramente uma palavra da parte de Deus?</p><p>Vou repetir novamente: “jamais procure um profeta”. Deus sabe o seu nome, o seu endereço e o seu</p><p>telefone. Se um profeta tiver algo realmente de Deus para você, Deus o mandará onde você estiver. A prática</p><p>de consultar profetas é uma herança mundana do hábito de consultar cartomantes. Muitos profetas têm sido</p><p>instrumentos de espíritos de adivinhação por causa da pressão de terem de dar uma palavra para alguém que</p><p>veio consultá-los. Muitas vidas inocentes têm sido arruinadas por terem agido muito prontamente com rela-</p><p>ção a “profecias pessoais” contrárias à Palavra de Deus.</p><p>e. A confirmação por meios extraordinários</p><p>A forma básica como Deus planeja conduzir os seus filhos é pelo espírito. O Espírito Santo, que é</p><p>residente em nosso espírito, fala ao nosso espírito humano a vontade de Deus. Todavia, a Palavra de Deus</p><p>nos mostra que existem formas extraordinárias de Deus nos conduzir e gostaria de mencionar pelo menos</p><p>três formas.</p><p>� Por meio dos sonhos</p><p>É indiscutível que Deus fala conosco por meio de sonhos. Foi assim com José, Daniel, José, marido de</p><p>Maria, e com Paulo. Deus é o mesmo, e Ele continua a nos orientar e edificar através dos sonhos. Entretanto,</p><p>alguns princípios devem ficar claros. O primeiro é que, se você não sabe o significado do seu sonho, não saia</p><p>por aí procurando alguém para interpretá-lo. Se Deus quer falar com você, Ele o fará por meios claros e com-</p><p>preensíveis. Se você não sabe o significado de um sonho, esqueça-o.</p><p>� Pela voz audível de Deus</p><p>Não busque experiências espirituais. Não peça para ver ou ouvir coisa alguma. Essa ânsia por experi-</p><p>ências novas e diferentes pode ser uma brecha para espíritos de engano. Porém, saiba que Deus pode falar de</p><p>forma audível com os seus filhos ainda hoje.</p><p>� Através do ministério dos anjos</p><p>Gálatas 1:8 diz que:</p><p>“Mas, ainda que um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos</p><p>temos pregado, seja anátema” (Gl. 1:8).</p><p>Deus pode enviar um anjo para falar com você, mas esse anjo deve confirmar a Palavra de Deus e o</p><p>Evangelho; caso contrário, trata-se de um demônio disfarçado de anjo de luz (2 Co. 11:14).</p><p>Características do testificar do Espírito</p><p>De todas as percepções do nosso espírito humano, certamente o testificar do Espírito, que é o mesmo</p><p>que estudamos anteriormente.</p><p>“O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16).</p><p>“E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama:</p><p>Aba, Pai!” (Gl. 4:6).</p><p>Quando o Espírito Santo fala ao seu espírito, normalmente você não ouve uma voz audível. Isto é o que</p><p>chamamos de “testificar do Espírito”. A voz do Espírito Santo em seu espírito cria uma confiança tranquila em</p><p>um ambiente descontraído de completa convicção a respeito de algo. Você sabe que sabe, mas não sabe como</p><p>sabe, apenas sabe que é assim no seu espírito.</p><p>A pergunta é: Como posso discernir a voz desse testificar do Espírito? Há alguma característica que eu</p><p>tenho que perceber? O que diferencia o testificar do Espírito de um pensamento comum? Gostaria de lhe dar</p><p>sete características do testificar do Espírito.</p><p>1. O testificar do Espírito é diferente de um pensamento ou raciocínio</p><p>O testificar do Espírito não é o conhecimento mental ou um raciocínio lógico. Se o que você está tendo</p><p>é apenas uma ideia engenhosa, então provavelmente não é o testemunho interior.</p><p>2. O testificar do Espírito não é uma sensação física</p><p>Você não vai ter uma sensação física por si só, já que o testificar do Espírito é a voz do Espírito Santo</p><p>em seu espírito. Se alguém afirma que tem uma sensação física no dedão do pé ou no seu fígado, isso prova-</p><p>velmente não é o testificar do Espírito!</p><p>3. O testificar do Espírito é mais bem identificado quando eliminamos as outras vozes</p><p>Um grande segredo para identificar o testificar do Espírito é eliminarmos as outras vozes. Certifique-</p><p>se que não é sua carne que quer fazer alguma coisa, que não é apenas uma proposição razoável. Pode</p><p>haver alguma boa razão e alguns bons sentimentos quando o Espírito está conduzindo, mas certifique-se</p><p>que não é só isso!</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito</p><p>Aula 4</p><p>Características do testificar do Espírito 39</p><p>É comum ouvirmos pessoas dizendo que determinado estilo de música entristece o Espírito Santo. A ver-</p><p>dade, porém, é que elas não gostam do estilo e dizem que se trata de uma percepção espiritual. Pessoas imaturas</p><p>tendem a misturar seus preconceitos pessoais, gostos e preferências como algo divino e sempre que são contraria-</p><p>das dizem que o Espírito está triste. Elas não têm o testemunho do espírito, mas apenas suas próprias emoções.</p><p>4. O testificar do Espírito é uma sensação de paz</p><p>O testificar do Espírito é uma consciência de paz. É a paz de Deus que está além da compreensão,</p><p>do raciocínio, da lógica e sensação física. Na medida em que você cresce espiritualmente, você se tornará</p><p>consciente da paz de Deus como um critério de direção do Espírito. Você vai dizer: “Eu não tenho paz sobre</p><p>isso!” Em outras ocasiões, você dirá: “Mesmo que pareça estranho, eu tenho uma paz sobre esta questão”. O</p><p>apóstolo Paulo descreveu o princípio do testificar do Espírito e da paz de Deus como um árbitro. Isso significa</p><p>“arbitrar”, “dirigir” e “governar”. Deus está usando a paz para dirigir e governar você.</p><p>“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um</p><p>só corpo; e sede agradecidos” (Cl. 3:15).</p><p>“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa</p><p>mente em Cristo Jesus” (Fp. 4:7).</p><p>Normalmente pensamos que o sinal é ganhar a paz, mas na verdade é a perda da paz. O padrão de</p><p>Deus é que vivamos com uma permanente sensação de paz em todas as áreas de nossa vida. Assim, quando</p><p>precisamos decidir, não perguntamos se temos paz, mas avaliamos se perdemos a paz diante daquela situação.</p><p>Se a paz foi embora, você deveria considerar a questão como resolvida. Nunca faça nada sem paz.</p><p>5. O testificar do Espírito é uma forte convicção</p><p>O testificar do Espírito nos faz convictos sobre o que o Senhor está dizendo. Você começa a ter uma calma e</p><p>confiança sobre a vontade</p><p>de Deus. Mais uma vez, isso não é fácil de explicar. Você acha que as pessoas que entregam</p><p>suas vidas para o Evangelho podem explicar o que elas estão fazendo? Não é fácil explicar a fé que você tem! Você nem</p><p>sempre pode explicar as convicções que você possui! Quando você recebe o testificar, você apenas sabe que sabe, mas</p><p>não sabe como veio a saber. É uma convicção que não tem origem nos fatos e nem nos arrazoamentos da mente.</p><p>6. O testificar do Espírito é repetitivo</p><p>O testificar do Espírito é a voz repetida do Espírito Santo falando ao seu coração. Fique atento quando</p><p>você receber um testificar do Espírito a respeito de algo e isso se repetir muitas vezes. As coisas de Deus são</p><p>constantes e permanecem.</p><p>“E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama:</p><p>Aba, Pai!” (Gl. 4:6).</p><p>Como o Espírito clama continuamente, Ele cria uma impressão em você. Você começa a ter uma con-</p><p>vicção sobre determinadas coisas. Você sabe que agora sabe. Uma característica que tenho notado é que a voz</p><p>do Espírito é repetida várias vezes. Isto pode acontecer por várias semanas, por meses e até anos.</p><p>7. O testificar do Espírito é um conhecimento inexplicável</p><p>Depois de ter ouvido a voz do Espírito várias vezes, você começa a saber o que fazer. Ele cria em você</p><p>um “saber”. Às vezes, as pessoas me perguntam: “Como você sabia o que fazer?” Às vezes, tudo o que posso</p><p>dizer é: “Eu sabia”.</p><p>Quando você tomar uma decisão, esteja atento ao sossego da paz em seu coração. Esse é o Espírito</p><p>Santo levando-o a cumprir a vontade de Deus para sua vida.</p><p>Algumas proteções contra os erros</p><p>Essa é a frase mais comum no meio evangélico: “Deus me disse isso”, “Deus me mandou fazer aquilo”.</p><p>Alguns abusam desse assunto por ignorância e tolice, mas há aqueles que usam disso para manipular os outros.</p><p>Precisamos ser muito cuidados sobre isso (Dt. 18:18-22).</p><p>40 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Quando um irmão deseja calar o pastor, ele afirma que Deus falou com ele. Evidentemente nenhum</p><p>pastor ousará questionar a Deus. Ele diz que o tempo dele na igreja acabou, mas surpreendentemente esse</p><p>tempo acabou justamente no dia em que ele foi contrariado ou magoado. Muitos costumam pensar que tudo</p><p>aquilo que sentem nas emoções da alma procede de Deus. Isso é um erro. Um crente almático tem muitas</p><p>emoções, mas nada sabe do espírito.</p><p>Quando você supor que está recebendo uma direção de Deus, tenha em mente alguns cuidados:</p><p>a. esta direção se alinha com os atributos de Deus? É compatível com o Seu caráter?;</p><p>b. é bíblico? Se você deseja fazer algo claramente contrário a um princípio bíblico, isso certamente não</p><p>é de Deus. Se você sente paz para fazer algo claramente contrário à Palavra de Deus, pode ser um sinal de que</p><p>ainda não nasceu de novo;</p><p>c. esta é uma decisão sábia? O Senhor pode realmente apoiar essa decisão? O Senhor Jesus disse para</p><p>sermos sábios como as serpentes (Mt. 10:16);</p><p>d. esta direção está em linha com os seus dons e habilidades? Por que Deus lhe mandaria fazer algo com-</p><p>pletamente fora da sua experiência? Quando o Senhor Jesus chamou a Pedro, ele estava pescando, e por isso o</p><p>Senhor disse que ele seria pescador de homens. Há sempre uma relação entre os dons espirituais e os naturais;</p><p>e. existem outras pessoas maduras que confirmam a sua decisão? O sábio jamais rejeita o conselho de</p><p>pessoas mais experientes e sábias.</p><p>Como decidir sobre coisas duvidosas</p><p>Existem muitas questões e situações com as quais nos deparamos em nosso dia a dia que não são menciona-</p><p>das especificamente na Palavra de Deus. Precisamos seguir alguns critérios bíblicos se desejamos nos guar-</p><p>dar do mal, guardar os irmãos mais fracos, tratar com as discordâncias entre os irmãos e evitar escândalos.</p><p>Em cada cultura há certas práticas que são questionáveis. Estas práticas muitas vezes não são mencio-</p><p>nadas especificamente na escritura como sendo certas ou erradas para um discípulo de Jesus. Elas podem</p><p>incluir atividades de lazer ou entretenimento, podendo ser clubes ou organizações às quais você poderia querer</p><p>pertencer, certos hábitos e opções do que você come ou bebe ou ainda questões sobre os dias que devem ser</p><p>usados para adoração ou descanso.</p><p>Como você determina a vontade de Deus com respeito a certas práticas quando a direção específica</p><p>sobre tais questões não é dada na Bíblia? De maneira geral, você deverá sempre considerar primeiramente os</p><p>sinalizadores que mencionamos nas aulas anteriores, como o testificar e a consciência do espírito. Mas existem</p><p>algumas perguntas que podem ajudá-lo, indicando o que você pode fazer diante de uma situação duvidosa.</p><p>1. Glorifica a Deus?</p><p>Talvez o mais importante para julgar uma prática questionável é fazer a pergunta: “glorifica a Deus?” A</p><p>Palavra de Deus diz que tudo o que você faz deve glorificar ao Senhor:</p><p>“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a</p><p>glória de Deus” (1 Co 10.31).</p><p>“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus,</p><p>dando por ele graças a Deus Pai” (Col. 3.17).</p><p>“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,</p><p>cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que</p><p>estais servindo” (Col. 3.23-24).</p><p>Como definir o que glorifica a Deus? Isso pode ser algo bem subjetivo, mas uma maneira prática é</p><p>observar se você é capaz de agradecer a Deus antes de fazer determinada atividade. Se aquilo for incompatível</p><p>com uma oração, então certamente não glorifica a Deus.</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito</p><p>Aula 5</p><p>42 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>2. Qual é sua motivação?</p><p>Por que você quer se ocupar com esta prática? Qual é a sua razão ou o motivo para fazê-lo? Até mesmo</p><p>uma atividade boa pode ser feita com motivações erradas. Por exemplo, Tiago dá uma ilustração de um mo-</p><p>tivo errado para orar:</p><p>“Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tg. 4.3).</p><p>Orar certamente não é errado, porém, os motivos para alguns pedidos são impróprios. A motivação</p><p>descrita neste versículo é o desejo de cumprir os desejos da carne.</p><p>3. É necessário ou conveniente?</p><p>Paulo declara que, enquanto algumas coisas podem ser consideradas lícitas ou legais (sem violar a</p><p>Palavra Escrita de Deus), você deve considerar se elas são realmente convenientes.</p><p>“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas</p><p>eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1 Co. 6.12).</p><p>Será que é conveniente e necessário sentar em certos lugares, participar de certos eventos ou fazer parte</p><p>de certos grupos? Não é ilícito, mas pode ser inconveniente para você como filho de Deus.</p><p>4. Promoverá o crescimento espiritual?</p><p>Muitas atividades podem impedir o crescimento espiritual. Outras atividades podem tornar-se consu-</p><p>midoras de tempo e sufocar o crescimento espiritual:</p><p>“Os outros, os semeados entre os espinhos, são os que ouvem a palavra, mas os cuidados do</p><p>mundo, a fascinação da riqueza e as demais ambições, concorrendo, sufocam a palavra,</p><p>ficando ela infrutífera” (Mc. 4.18-19).</p><p>“A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados</p><p>com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer”</p><p>(Lc. 8.14).</p><p>Pergunte a si mesmo: “Esta atividade impede ou promove meu crescimento espiritual?” As atividades</p><p>que impedem o crescimento espiritual se tornam pesos que interferem na corrida espiritual que Deus tem</p><p>posto diante de você:</p><p>“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas,</p><p>desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com</p><p>perseverança, a carreira que nos está proposta” (Hb. 12.1).</p><p>5. É um hábito escravizador?</p><p>Faça a si mesmo essa pergunta: “Esta prática produz um tipo de escravidão?” Um hábito escravizador é</p><p>algo que o controla. Você sente que não pode ficar sem ele e você tem dificuldade para deixá-lo. Paulo comenta</p><p>com respeito aos hábitos que escravizam:</p><p>“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas</p><p>eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1 Co. 6.12).</p><p>Qualquer atividade que escraviza fisicamente, mentalmente, espiritualmente ou exige que se gaste fre-</p><p>quentemente um tempo valioso deve ser evitada.</p><p>6. É um compromisso?</p><p>Paulo pergunta em 2 Coríntios 6.14:</p><p>“Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver</p><p>entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?” (2 Co. 6:14).</p><p>Como decidir sobre coisas duvidosas 43</p><p>A prática que você está considerando é um compromisso espiritual? Você está comprometendo-se com</p><p>atividades do mundo ou aceitará seus padrões para fazer esta coisa? A Bíblia ordena:</p><p>‘“Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas im-</p><p>puras; e eu vos receberei” (2 Co. 6.17).</p><p>7. Levará à tentação?</p><p>Jesus nos ensinou a orar: “não nos deixes cair em tentação”. É inútil fazer esta oração e, então, por meio</p><p>de uma atividade questionável, deliberadamente colocar-se em um lugar de tentação. A Bíblia adverte:</p><p>“Tal testemunho é exato. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sadios na</p><p>fé e não se ocupem com fábulas judaicas, nem com mandamentos de homens desviados</p><p>da verdade. Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descren-</p><p>tes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas”</p><p>(Tg. 1.13-15).</p><p>A tentação é diferente de uma provação da fé. Uma provação ocorre quando um crente enfrenta</p><p>uma situação difícil a respeito da qual não teve nenhuma escolha, provando sua fé em Deus. Deus per-</p><p>mite as provas para fortalecer sua fé e levá-lo à maturidade espiritual. Porém, Deus não tenta ao homem.</p><p>A tentação é o desejo de fazer o mal e vem quando você não controla seus pensamentos e ações adequa-</p><p>damente ou quando satanás o incita a fazer o mal. Algumas práticas questionáveis podem colocá-lo em</p><p>situações de tentação. Se você entregar-se à tentação, paixão ou luxúria, isso resultará em pecado, e o</p><p>pecado resulta em morte espiritual.</p><p>8. Tem aparência do mal?</p><p>A prática que você está considerando tem uma aparência do mal para os outros? A Bíblia ordena:</p><p>“Abstende-vos de toda forma de mal”. Na versão RC, lemos: “Abstende-vos de toda apa-</p><p>rência do mal” (1 Ts. 5.22).</p><p>Não basta ser santo, tem de parecer santo também. Sempre gosto de pensar como o Senhor foi prudente</p><p>em se encontrar com Nicodemos à meia noite num lugar privado, mas se encontrou com a mulher samaritana</p><p>ao meio dia, na beira de um poço, no centro da cidade. Se ele tivesse invertido, ele continuaria sendo santo,</p><p>mas não teria a aparência de santidade.</p><p>9. Viola a sua consciência?</p><p>Ao tomar uma decisão com respeito às práticas questionáveis, você deve estar totalmente persuadido de</p><p>que sua opção é a correta. No tempo do Novo Testamento, os crentes divergiram sobre se era correto ou não</p><p>comer a carne vendida nos açougues. Mas entre gregos e romanos, naqueles dias, a carne que era vendida no</p><p>mercado era de animais que tinham sido usados nos sacrifícios em templos pagãos. Por causa disso, muitos</p><p>crentes sentiam acusação na consciência, pois lhes parecia que estavam comendo algo consagrado a demônios.</p><p>Seria o mesmo caso de hoje comermos aquela galinha preta usada nos despachos. Você sentiria paz em comê-la</p><p>junto com a farofa? A maioria dos crentes responderia que não.</p><p>Paulo então nos dá uma definição sensacional. Ele diz que tudo o que não vem de fé é pecado, ou seja,</p><p>se a sua consciência acusa, não faça.</p><p>‘“Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé;</p><p>e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm. 14.23).</p><p>O princípio é que você deve estar totalmente convencido na sua consciência a respeito de qualquer</p><p>coisa que fizer. Se permanecer a dúvida, então pare, não ultrapasse. Se você tem dúvidas, então se torna pecado</p><p>você se envolver-se com tais práticas. Jamais aja sem convicção.</p><p>44 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>10. Afetará os outros negativamente?</p><p>Se eu fizer tal atividade, como ela afetará os outros? Ela os edificará? Edificar significa instruir, construir</p><p>ou melhorar espiritualmente.</p><p>“Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os</p><p>outros” (Rm. 14.19).</p><p>Esta atividade contribui de uma maneira positiva para o desenvolvimento espiritual de outros? Paulo escreve:</p><p>“Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas</p><p>edificam” (1 Co. 10.23).</p><p>Algumas práticas nas quais você pode se envolver podem se tornar um obstáculo para o crescimento</p><p>espiritual de outros crentes. De novo, falando sobre a questão de comer a carne, Paulo escreveu:</p><p>“E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para</p><p>que não venha a escandalizá-lo” (1 Co. 8.13).</p><p>Paulo não considerou que era errado comer carne. Porém, ele não comeria se isto impedisse um irmão</p><p>mais fraco de crescer em sua fé. Um irmão mais fraco é um crente que, devido à sua debilidade na fé, conheci-</p><p>mento ou consciência, pode ser prejudicado pelo exemplo de um irmão mais forte. Ele pode ser influenciado a</p><p>fazer aquilo que você faz em paz, mas, como ele é fraco, ele se sentirá condenado quando fizer, e isso impedirá</p><p>o crescimento espiritual dele.</p><p>Um crente mais forte é alguém que, devido à sua compreensão de liberdade em certas áreas e à força de</p><p>sua convicção, exerce liberdade com boa consciência e não se deixa levar pelas opiniões diferentes dos outros.</p><p>Qualquer ação da parte de um irmão mais forte que normalmente seria permitida está errada se influenciar</p><p>um irmão mais fraco a pecar contra sua consciência ou impedir seu progresso espiritual. Paulo escreveu:</p><p>“É bom não comer carne, nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa com que teu</p><p>irmão venha a tropeçar ou se ofender ou se enfraquecer” (Rm. 14.21).</p><p>Aqui temos o resumo das diretrizes bíblicas para decidir sobre questões polêmicas:</p><p>Pergunte a si mesmo:</p><p>1. Glorifica a Deus? (1 Co. 10:31; Col. 3:17, 23);</p><p>2. Qual é a sua motivação? (Tg. 4.3);</p><p>3. É conveniente? (1 Co. 6:12);</p><p>4. Promoverá o crescimento espiritual? (Mc. 4:18, 19; Hb. 12:1; Lc. 8:14);</p><p>5. É um hábito escravizador? (1 Co. 6:12);</p><p>6. Levará à tentação? (Tg. 1:13-15);</p><p>7. É um compromisso? (2 Co. 6:17);</p><p>8. Tem aparência do mal? (1 Ts. 5:22);</p><p>9. Viola a consciência? (Rm. 14:23);</p><p>10. Como afetará aos outros? (Rm. 14:19, 21; 1 Co. 8:13; 10:23).</p><p>Ouvir o Espírito é simples!</p><p>Nessa nossa última aula eu preciso dizer algo sobre ouvir Deus no espírito. Muitos imaginam que ouvir</p><p>Deus é uma experiência extraordinária reservada a poucos. Há muitos ensinos e práticas religiosas</p><p>que fazem com que os irmãos se sintam inferiores e incapazes de ouvirem de Deus.</p><p>Nosso objetivo nesse curso não é passar a ideia de que ouvir Deus seja algo complexo e reservado apenas</p><p>a alguns. Ouvir Deus não pode ser essa coisa difícil e complicada que alguns nos fazem crer. Jesus disse que as</p><p>suas ovelhas ouvem a Sua voz (Jo. 10:27), e não que as ovelhas teriam de fazer um curso e serem discipuladas</p><p>para então poderem ouvi-la. Ele teve como certo que elas simplesmente ouviriam a sua voz e o seguiriam.</p><p>“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo. 10:27).</p><p>Não se preocupe sobre como ouvir de Deus. Se você é ovelha do Senhor, você ouvirá Sua voz. Como</p><p>acontece sempre que falo alguma verdade do Evangelho, muitos ficam atemorizados quando me ouvem</p><p>dizendo isso porque insistem que o coração do homem é enganoso e inteiramente corrupto, por isso não</p><p>devemos dar crédito ao coração. Mas essa afirmação foi feita no Velho Testamento, em Jeremias 17:9. Hoje,</p><p>nos dias do Novo Testamento, nós recebemos um novo coração. Por que Deus iria nos dar um novo coração</p><p>corrompido e enganoso?</p><p>Depois que nos convertemos, Deus tirou o coração de pedra e nos deu um coração de</p><p>carne (Ez.</p><p>36:26). Na Nova Aliança, Ele escreveu os Seus mandamentos em nosso coração e em nossa mente.</p><p>“Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu</p><p>coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei” (Hb. 10:16).</p><p>Essa é a maneira como o Espírito Santo nos guia hoje. Normalmente não precisamos entrar no quarto,</p><p>orar por várias horas e então esperar que uma luz especial brilhe dentro de nós. É claro que, se agirmos dessa</p><p>forma, não estaremos fazendo nada de errado, mas devemos dar crédito ao nosso coração.</p><p>Não encontramos no Novo Testamento nenhuma afirmação de que ouvir de Deus seja algo difícil. Não</p><p>se diz que precisamos sempre seguir certo procedimento; antes, o que Paulo nos diz é que Deus coloca dentro</p><p>do nosso coração os desejos certos. Eu sei que pode soar estranho aos ouvidos religiosos, mas a verdade é que o</p><p>Espírito produz em nosso coração desejos profundos, sonhos poderosos. Essa certamente é uma forma como</p><p>Ele nos conduz.</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito</p><p>Aula 6</p><p>46 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa</p><p>vontade” (Fp. 2:13).</p><p>Preste atenção nessa afirmação de Paulo: Deus opera o querer. Onde Deus faz isso? Em nosso espírito.</p><p>Lembra quando disse que percebemos o espírito em nosso coração? Poucos de nós valorizamos aquele desejo</p><p>profundo, um querer santo, mas Paulo afirma que Deus fala conosco colocando em nós o Seu querer. Sempre</p><p>que sinto vontade de fazer alguma coisa na obra de Deus eu medito a respeito e levo a sério, porque sei que é</p><p>Deus operando em mim.</p><p>A verdade do Evangelho é que Cristo está em nós, e por causa disso Ele coloca desejos no nosso coração.</p><p>Isso é tão surpreendentemente natural que simplesmente não damos crédito. Não cremos que Deus possa</p><p>inspirar desejos em nós. Como isso pode ser de Deus? Mas essa é uma das maneiras como Deus nos guia.</p><p>Em 1 Coríntios 2:9, Paulo diz:</p><p>“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou</p><p>em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Co. 2:9).</p><p>Ele está aqui fazendo uma citação de Isaías.</p><p>“Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os</p><p>olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is. 64:4).</p><p>Paulo mudou um pouco a citação. Ele substituiu a expressão “para aquele que nele espera” por “para</p><p>aqueles que o amam”. Isso significa que, no Velho Testamento, eles tinham de esperar para conhecer a vontade</p><p>de Deus, mas hoje Ele habita em nós.</p><p>Todos os dias pela manhã ore ao Senhor para que Ele possa colocar os desejos dEle em seu coração.</p><p>Desta forma, se durante o dia lhe vier o desejo de visitar alguém, ir a algum lugar ou fazer qualquer coisa, saiba</p><p>que Deus quer fazer algo ali.</p><p>Quando você segue os desejos do coração que estão em linha com a Palavra de Deus, Ele usa o desejo</p><p>de comprar, comer algo, ver alguém ou qualquer outro desejo para criar circunstâncias para lhe abençoar.</p><p>Em alguns momentos você certamente terá de jejuar e orar por mais tempo, mas não será assim nos tempos</p><p>normais. Em dias comuns, apenas preste atenção nos desejos que surgirem no seu coração.</p><p>Não estou dizendo que todo desejo que temos procede de Deus, mas você vai perceber facilmente</p><p>quando algo vier da carne. Além disso, irmãos mais velhos podem nos ajudar a perceber mais claramente</p><p>a voz de Deus. Sei que isso que estou dizendo pode ser usado por alguns para justificar algum desejo</p><p>errado. Mas não viva amendrontado por causa de alguns que possuem a mente obscurecida. Não estamos</p><p>debaixo da lei, mas debaixo da graça, que, contudo, não é uma licença para pecar! Eu sou livre para servir,</p><p>e não para pecar!</p><p>Para que você seja guardado, gostaria de mostrar seis testes bíblicos que podem ser aplicados a qualquer</p><p>coisa ou a qualquer área questionável cinza, que não esteja especificamente mencionada nas escrituras. É</p><p>quando fazemos aquela pergunta: será que isso realmente procede de Deus?</p><p>1. O teste da proclamação</p><p>Este teste pergunta: “Será que Deus declarou claramente que isso é errado em Sua Palavra?”</p><p>O problema aqui é duplo. Em primeiro lugar, muitos crentes não sabem o que a Bíblia diz e, por causa</p><p>disso, seguem os pensamentos do mundo contrários à Palavra, como: “Está tudo bem ter relações sexuais se</p><p>você está apaixonado. Pode sair com incrédulos se não for coisa séria. Pode jogar um carteado se for apenas</p><p>para se divertir. Pode acariciar o quanto quiser, desde que não faça sexo.”</p><p>Em segundo lugar, muitos crentes adotam uma abordagem da Bíblia “estilo cafeteria”: pego o que eu</p><p>gosto e deixo o resto na prateleira. A Palavra de Deus somente muda a nossa vida se a leitura for acompanhada</p><p>de obediência. De nada adianta sermos apenas ouvintes. Se está na Palavra, então não há dúvida. Você não</p><p>tem que orar a respeito disso.</p><p>Ouvir o Espírito é simples! 47</p><p>2. O teste do princípio</p><p>Este teste pergunta: “Isso é proibido na Palavra de Deus em forma de princípio?” Cristãos maduros</p><p>vivem por princípio, pelo espírito da lei, e não pela letra morta da condenação da lei. Por exemplo, os jogos de</p><p>azar violam o princípio da Palavra de Deus, que afirma que aquilo que ganhamos sem trabalho não permanece.</p><p>“Os bens que facilmente se ganham, esses diminuem, mas o que ajunta à força do trabalho</p><p>terá aumento” (Pv. 13:11).</p><p>Também existe o princípio da cobiça envolvido aqui. Ele viola o princípio do amor a Deus e ao próxi-</p><p>mo, lembrando que os ganhos provenientes de jogos de azar envolvem a perda de outros. Outros como você</p><p>acabaram perdendo na esperança de vencerem! Devemos amar as pessoas e usar as coisas, mas os jogadores</p><p>amam as coisas e usam as pessoas! A loteria é um jogo em todos os sentidos, mas o mercado de ações, por</p><p>exemplo, é diferente, pois ali todos se beneficiam.</p><p>3. O teste da parceria</p><p>“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus,</p><p>dando por ele graças a Deus Pai” (Col. 3:17).</p><p>Este teste pergunta: “Será que eu poderia convidar Jesus para fazer isso comigo?”</p><p>Deus é meu copiloto? Não, Ele é o meu piloto!</p><p>Seu corpo é o templo do Espírito Santo! Ele vive em você!</p><p>4. O teste da presença</p><p>Este teste pergunta: “Será que eu ficaria com vergonha se fosse encontrado fazendo isso ou pensando</p><p>nisso no dia da volta de Cristo?”</p><p>“Segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado;</p><p>antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu</p><p>corpo, quer pela vida, quer pela morte” (Fp. 1:20).</p><p>5. O teste da pureza</p><p>“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a</p><p>glória de Deus” (1 Co. 10:31).</p><p>Este teste pergunta: “Existe alguma glória para Deus nisso?” Ou: “Posso honestamente pedir a Deus</p><p>para abençoar isso?”</p><p>Você é capaz de orar: “Senhor, abençoa esse filme cheio de conteúdo sexual que eu coloquei</p><p>no DVD agora?”</p><p>6. O teste da paz</p><p>“Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé;</p><p>e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm. 14:23).</p><p>Este teste pergunta: “Depois de orar sobre isso, existe ainda uma dúvida em minha mente, ainda que</p><p>mínima, sobre esse assunto?” Precisamos aprender a dar a Deus o benefício da dúvida: “se é duvidoso, não</p><p>faça!” Na dúvida, não ultrapasse! Será que passamos nesses seis testes? Então, faça isso para a glória de Deus!</p><p>A transformação</p><p>da alma</p><p>Capítulo</p><p>3</p><p>A salvação completa</p><p>Nesta aula, ministraremos sobre a plena salvação de Deus. Antes, porém, precisamos relembrar um</p><p>tema de grande importância: a tremenda diferença entre o espírito e a alma. De acordo com 1</p><p>Tessalonicenses 5:23, as Escrituras claramente mostram que o homem é constituído de três partes: “o</p><p>vosso espírito e alma e corpo”. Resumidamente falando, o espírito é a faculdade pela qual contatamos Deus</p><p>e temos comunhão com ele. Jó 12:10 diz:</p><p>“Na sua mão está a alma de todo ser vivente, e o espírito</p><p>de todo o gênero humano</p><p>(Jó. 12:10)”.</p><p>A diferença vital entre o homem e os animais ou qualquer outro ser vivente é que só o homem pos-</p><p>sui espírito, e por meio dele pode comunicar-se com Deus. Não há como confundir o espírito com a alma.</p><p>Hebreus 4:12 diz:</p><p>“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois</p><p>gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para</p><p>discernir os pensamentos e propósitos do coração (Hb. 4:12)”.</p><p>Da alma procedem o pensamento, a emoção e a vontade e, por fim, o corpo é a parte do homem para</p><p>comunicar-se com o mundo material.</p><p>O primeiro estágio</p><p>Uma vez entendidas as partes do homem, podemos agora compreender a plena salvação de Deus, que</p><p>acontece em três estágios.</p><p>O primeiro estágio, o estágio inicial, é o da regeneração. A regeneração inclui a redenção, santifi-</p><p>cação, justificação e reconciliação. Neste estágio, Deus nos declara justos por meio da redenção de Cristo</p><p>(Rm. 3:24-26), e em nosso espírito Ele nos regenera com a Sua vida, por meio do Seu Espírito. Regeneração</p><p>é também chamada de novo nascimento (Jo. 3:3-6). No dia em que nos convertemos, nós nascemos de</p><p>novo, e o nosso espírito foi regenerado. O primeiro estágio, portanto, é o da salvação do nosso espírito.</p><p>Como o espírito pode ser salvo?</p><p>“O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:6).</p><p>A transformação da alma</p><p>Aula 1</p><p>A salvação completa 51</p><p>Deus usou a Sua própria vida para nos regenerar em nosso espírito. Como resultado, recebemos a sal-</p><p>vação eterna (Hb. 5:9) e Sua vida eterna dentro de nós (Jo. 3:15). Neste sentido, todo cristão genuinamente</p><p>regenerado pelo Espírito já recebeu a salvação de Deus. Além disso, por possuirmos a salvação e a vida eterna,</p><p>tornamo-nos filhos de Deus (Jo. 1:12-13) e jamais pereceremos (Jo. 10-28- 29). Uma vez recebida a salvação</p><p>eterna de Deus, somos salvos para sempre, pela eternidade, porque a salvação de Deus não é temporária.</p><p>Nesse primeiro estágio, Deus nos salvou da Sua condenação e da perdição eterna (Jo. 3:18, 16), mas</p><p>não estamos isentos da Sua disciplina. Durante toda a nossa vida Ele nos disciplina e nos corrige, como</p><p>Paulo mostra em 1 Coríntios 11. Isso, porém, não quer dizer que aqueles que são assim disciplinados</p><p>perderão a sua salvação.</p><p>O segundo estágio</p><p>O segundo estágio da plena salvação de Deus é o da salvação da nossa alma, ou estágio da transforma-</p><p>ção. Deus deseja salvar-nos por completo, alcançando primeiramente o nosso espírito e, em seguida, a nossa</p><p>alma. Então, disse Jesus a seus discípulos:</p><p>“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto,</p><p>quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á.</p><p>Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará</p><p>o homem em troca da sua alma? Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai,</p><p>com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras” (Mt. 16:24-27).</p><p>Em Mateus 16:24, Jesus disse a Seus discípulos:</p><p>“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me (Mt. 16:24)”.</p><p>Repare que Jesus não se dirigia aos incrédulos, aos pecadores não salvos, mas aos Seus discípulos. Esse</p><p>versículo mostra que, após a salvação do nosso espírito, ainda há a opção de seguirmos ou não o Senhor. A</p><p>expressão “a si mesmo se negue” significa negar o seu próprio ego, renunciar aos seus próprios interesses ou</p><p>privilégios, a fim de buscar a vontade de Deus, para não mais seguir a sua própria mente e nem ser egocêntrico.</p><p>“[...] Tome a sua cruz e siga-me” (Mt. 16:24).</p><p>A cruz significa principalmente a morte do ego para poder seguir a vontade do Senhor.</p><p>“Portanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á [...]” (Mt. 16:25).</p><p>A palavra para vida nesse versículo é “psiquê” (psique, no grego), que significa “alma”. “Quem quiser sal-</p><p>var a sua alma” quer dizer, pelo contexto, “aquele que quer seguir o Senhor”, mas que não está disposto a negar</p><p>a si mesmo e nem a tomar a cruz. Esse que preserva, ou seja, salva a sua alma, na verdade está perdendo-a, e</p><p>aquele que perder a alma por meio de renunciar o ego, tomar a cruz e seguir o Senhor, está de fato salvando a</p><p>sua alma. Esse conceito não tem nada a ver com a ideia de “salvação” do inferno.</p><p>“Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então</p><p>retribuirá a cada um conforme as suas obras” (v. 27).</p><p>Quando o Senhor voltar, Ele retribuirá a cada um conforme as suas obras, de acordo com dois critérios:</p><p>1) se o crente negou o seu próprio ego e tomou a cruz para seguir o Senhor, e 2) se ele perder a sua alma hoje</p><p>por causa do Senhor. A vinda do Senhor com Sua recompensa diz respeito especialmente aos cristãos que rei-</p><p>narão com Ele, quando Ele voltar à terra, por 1.000 anos, e outros não reinarão. Em Romanos 12:2, Paulo diz:</p><p>“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa</p><p>mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus</p><p>(Rm. 12:2)”.</p><p>Em grego, a palavra transformação inclui o sentido de mudança de uma substância em natureza e em</p><p>forma, uma mudança metabólica. Não é somente uma mudança exterior, mas uma mudança na constitui-</p><p>ção interior e também na forma exterior. O processo de metabolismo ocorre no nosso corpo físico quando</p><p>comemos algum elemento orgânico contendo vitaminas. Essa comida entra em nosso corpo e produz uma</p><p>52 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>mudança química. Se diariamente ingerimos algo saudável, isso mudará metabolicamente a constituição das</p><p>nossas células e, por fim, se manifestará exteriormente na coloração saudável do nosso rosto.</p><p>Do mesmo modo, quando a vida de Cristo é adicionada ao nosso ser, ocorre uma mudança metabólica</p><p>em nós. A nossa mente é renovada, passamos a pensar como Deus pensa, a nossa emoção passa a amar as</p><p>coisas de Deus, e queremos fazer a vontade de Deus. Em 2 Coríntios 3:18, a Palavra de Deus diz que somos</p><p>transformados de glória em glória. Isso indica que o processo de transformação da alma é gradual e diário.</p><p>“Todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,</p><p>somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o</p><p>Espírito” (2 Co. 3:18).</p><p>Todos os dias, ao contemplarmos o Senhor com o rosto sem véu, somos transformados metabolica-</p><p>mente de glória em glória. Deste modo, a mudança de um cristão não é pelas regras, pela obediência à lei</p><p>dos mandamentos exteriores, mas pela transformação interior. Por um lado, a mudança metabólica ocorre</p><p>porque assimilamos a comida espiritual. Cristo é o pão vivo e o pão da vida para comermos (Jo. 6:48, 51 e</p><p>7). Alimentar-se de Cristo é alimentar-se das Suas palavras, que são espírito e vida (Jo. 6:63). Por outro lado,</p><p>precisamos negar o nosso ego, a nossa alma, e seguir ao Senhor. Ele usará todas as circunstâncias exteriores</p><p>para nos transformar, pois:</p><p>“E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus [...]”</p><p>(Rm. 8:28).</p><p>Essa é a salvação da alma que nos cabe desenvolver com temor e tremor (Fp. 2:12), que nos levará ao</p><p>gozo do Senhor na era vindoura (Mt. 10:37-39; 16-24-27; Lc. 17:30-33; Jo. 12:25). A salvação do espírito</p><p>é decidida no momento em que cremos no Senhor, mas a salvação da alma depende de nos enchermos do</p><p>Espírito hoje. É nesse sentido que a Bíblia, em vários lugares, fala que o Senhor, quando voltar, retribuirá a</p><p>cada um segundo o que tiver feito por meio do corpo (2 Co. 5:10). O estágio da transformação inclui a san-</p><p>tificação, o crescimento espiritual, a edificação e a maturidade.</p><p>O terceiro estágio</p><p>O terceiro e último estágio da plena salvação de Deus é o da salvação do nosso corpo, ou seja, da glori-</p><p>ficação. Esse estágio será no futuro. Deus redimirá o nosso corpo de corrupção, transfigurando-o no corpo da</p><p>Sua glória (Rm. 8:23; Fp. 3:21), e nos conformará à imagem</p><p>de Seu Filho. Seremos iguais a Ele, tendo nosso</p><p>espírito regenerado, nossa alma transformada e nosso corpo glorificado (Rm. 8:29).</p><p>Ele nos glorificará para entrarmos no Seu reino celestial como nossa herança (2 Tm. 4:18; 2 Pe. 1:11;</p><p>Tg. 2:5; Gl. 5:21), e ainda para reinarmos com Cristo como co-reis (ou seja, junto com o rei) sobre as</p><p>nações (2 Tm. 2:12; Ap. 20:4, 6; 2:26-27; 12:5). O nosso corpo será libertado da escravidão da corrupção</p><p>da velha criação para a liberdade da glória da nova criação de Deus (Rm. 8:21). Assim, visto que Deus tem</p><p>preparado para nós tão grande e rica salvação, devemos louvar ao Senhor e, ao mesmo tempo, desenvolver</p><p>a salvação da nossa alma (2 Pe. 1:3-8). A salvação completa de Deus pode ser vista então desta forma: no</p><p>passado, o nosso espírito foi regenerado, no presente a nossa alma está sendo transformada e, no futuro, o</p><p>nosso corpo será glorificado.</p><p>Com relação ao nosso espírito, a obra já está completa, cabendo-nos, agora, apenas exercitarmos o</p><p>espírito para termos comunhão e ouvir a Deus. Sobre a nossa alma, a obra está ainda em processo e depende</p><p>de nós colaborarmos com Deus, seguindo a sua vontade e negando o nosso eu. De acordo com nosso corpo,</p><p>a obra ainda nem foi começada, sendo reservada inteiramente para o futuro, quando seremos glorificados, e a</p><p>nossa salvação então se consumará.</p><p>A transformação da alma</p><p>“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam</p><p>conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts. 5:23).</p><p>Apresente seu corpo como sacrifício vivo</p><p>“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por</p><p>sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm. 12:1).</p><p>Todos nós pensamos que dar o nosso coração ao Senhor é suficiente, mas a verdade é que precisamos</p><p>também oferecer o nosso corpo. Nosso culto não pode ser apenas interior e místico, mas precisa ser traduzido</p><p>em atos concretos de serviço com o nosso corpo. Podemos entender esse sacrifício vivo de três formas:</p><p>� O sacrifício vivo e racional ou lógico está em oposição ao ritual mecânico e morto do templo.</p><p>Assim, o nosso culto precisa ser lógico e, acima de tudo, espontâneo.</p><p>� O sacrifício vivo também pode ser entendido como uma mortificação das obras más e uma apre-</p><p>sentação do corpo para ser instrumento de Deus.</p><p>“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas</p><p>paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos</p><p>de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos</p><p>membros, a Deus, como instrumentos de justiça” (Rm. 6:12-13).</p><p>� Também poderíamos entender o culto racional como aquele onde apresentamos o nosso corpo,</p><p>ou seja, a adoração com a participação de nosso corpo. Deste modo, quando alguém falta ao</p><p>culto, mas diz estar presente em espírito, está, na verdade, sendo falso.</p><p>Cada parte de nosso corpo precisa ser oferecida a Deus. Devemos lembrar sempre que o nosso corpo</p><p>pertence a Deus, primeiramente porque foi criado por Ele e para Ele.</p><p>“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eterna-</p><p>mente. Amém!” (Rm. 11:36).</p><p>Em segundo lugar, porque foi comprado e redimido por Ele.</p><p>A transformação da alma</p><p>Aula 2</p><p>54 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual</p><p>tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço.</p><p>Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co. 6:19-20).</p><p>Para cada uma das partes do seu corpo, faça agora mesmo uma oração de consagração e entrega. Esse</p><p>tipo de oração tem um grande poder em nossa luta contra o pecado.</p><p>A seguir, as partes do corpo que devemos consagrar.</p><p>a. Olhos</p><p>O pecado quase sempre começa aqui, com nossos olhos físicos ou com os olhos de nossa mente. Se</p><p>lidarmos com o problema aqui, poderemos vencer a tentação (Jó 31:1; Mt. 5:28).</p><p>“Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” (Jó 31:1).</p><p>“Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no</p><p>coração, já adulterou com ela” (Mt. 5:26).</p><p>b. Ouvidos</p><p>Se satanás não puder entrar em nossa mente pelos olhos, ele tentará pelos ouvidos. Piadas, histórias</p><p>sujas, canções sugestivas ou simplesmente ouvir fofocas ou coisas más podem dar espaço ao diabo. A Bíblia diz</p><p>para não darmos ouvidos a julgamentos críticos (1 Tm. 5:19; Is. 50:4).</p><p>“O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao</p><p>cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como</p><p>os eruditos” (Is. 50:4).</p><p>c. Nariz</p><p>O nariz em si dificilmente nos induzirá ao pecado, mas é símbolo de pessoas intrometidas (1 Pe. 4:15;</p><p>Pv. 26:17).</p><p>“Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem</p><p>se intromete em negócios de outrem” (1 Pe. 4:15).</p><p>“Quem se mete em questão alheia é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa”</p><p>(Pv. 26:17).</p><p>d. Boca ou língua</p><p>É raro um cristão que não é tentado nessa área. As oportunidades para pecar com esse membro são</p><p>inúmeras. Podemos ser tentados com o que entra e também com o que sai dela (Tg. 3:5-6; Pv. 31:26;</p><p>Sl. 141:3).</p><p>“Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma</p><p>fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniqüidade; a</p><p>língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só</p><p>põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma</p><p>em chamas pelo inferno” (Tg. 3:5-6).</p><p>e. Mãos</p><p>Deus nos deu mãos com o propósito de fazermos o bem e de provermos nossas necessidades através do</p><p>trabalho (Pv. 31:20; 1 Ts. 4:11; Mt. 5:30).</p><p>“E a diligenciardes por viver tranqüilamente, cuidar do que é vosso e trabalhar com as</p><p>próprias mãos, como vos ordenamos” (1 Ts. 4:11).</p><p>“E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca</p><p>um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno” (Mt. 5:30).</p><p>A transformação da alma 55</p><p>f. Estômago</p><p>Quando a Bíblia se refere ao estômago, ela está falando de todos os apetites carnais de nosso corpo</p><p>(Fp. 3:18-19). O Senhor precisa estar no controle de nossos apetites que, embora naturais, podem nos</p><p>dominar e escravizar.</p><p>“Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo,</p><p>até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles</p><p>é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas</p><p>terrenas” (Fp. 3:18-19).</p><p>g. Pés</p><p>O inimigo deseja controlar os nossos pés para levar-nos por caminhos que conduzem à destruição</p><p>(Sl. 1:1-2).</p><p>“Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no cami-</p><p>nho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na</p><p>lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl. 1:1-2).</p><p>Precisamos consagrar cada um desses membros ao Senhor para que sejam usados exclusivamente para</p><p>a sua glória e louvor. O inimigo sempre procura entrar pelas portas da alma, que são os sentidos do corpo,</p><p>chamando a nossa atenção. Uma vez que ele tem a nossa atenção, ele tentará despertar algum instinto básico</p><p>do nosso corpo. Os nossos instintos foram corrompidos pelo pecado e tornaram-se aliados do diabo e, quando</p><p>ele desperta um, nós dizemos que estamos sendo tentados.</p><p>Uma vez que o instinto é despertado, o próximo passo é produzir um desejo. O desejo ainda não é</p><p>pecado se ele for apenas uma forte tentação e ser tentado ainda não é pecado, mas este acontece quando o</p><p>nosso desejo se transforma em intenção. Jesus disse que qualquer um que olhar com intenção impura para</p><p>uma mulher já adulterou com ela (Mt. 5:28).</p><p>Quando compreendemos a forma como o diabo age fica mais simples alcançar</p><p>vitória sobre ele. A</p><p>Palavra de Deus diz que há algo que devemos fazer com o nosso corpo: ofertá-lo a Deus e trazê-lo debaixo de</p><p>disciplina (Rm. 12:1).</p><p>Disciplinar não é usar de ascetismo, mas Paulo disse que esmurrava o seu corpo para reduzi-lo à escra-</p><p>vidão (1 Co. 9:27). Esmurrar o corpo é simplesmente não fazer a sua vontade. O nosso corpo e a nossa alma</p><p>são a parte do nosso ser natural que é chamada de carne no Novo Testamento. O carnal, então, é aquele que</p><p>vive no nível do natural, ou seja, no nível da alma e do corpo.</p><p>Não se conforme com este século</p><p>“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente,</p><p>para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:2).</p><p>Paulo parece usar de duas palavras para produzir impacto. Assim como “conformar” no original (sus-</p><p>chema, derivada de schema) significa “tomar a forma exterior”, a palavra “transformar” vem de metamorphos</p><p>e significa uma mudança de dentro para fora. Precisamos ser cautelosos, portanto, e não nos conformarmos</p><p>com o presente século. A palavra século é aion, que também poderia ser traduzida como “moderno”. Seguir</p><p>aquilo que é moderno ou fashion pode estar em flagrante oposição à vontade de Deus.</p><p>Não precisamos ter a aparência de pessoas esquisitas e medievais, mas também não podemos assumir a</p><p>forma liberal, mundana. Precisamos ser equilibrados nesse ponto (Tg. 4:4).</p><p>“Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o</p><p>amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a</p><p>concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo”</p><p>(1 Jo. 2:15-16).</p><p>56 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>A transformação da alma</p><p>Já mencionamos que a palavra transformação, metamorphos, no original, significa uma substância mu-</p><p>dada em sua natureza e forma, uma mudança metabólica. Suponha que uma pessoa seja muito pálida e que</p><p>alguém, desejando mudar seu aspecto, lhe aplique alguma maquiagem. Isso produz uma mudança exterior,</p><p>mas não é uma mudança orgânica em sua vida. Assim também, quando uma substância orgânica entra no</p><p>corpo, um composto químico é formado pelo processo de metabolismo, e gradualmente este processo interior</p><p>irá mudar a coloração de sua face.</p><p>No processo de metabolismo, um novo elemento adicionado ao organismo substitui o velho elemento</p><p>e faz com que ele seja eliminado, criando-se algo novo para substituir o velho elemento que é levado embora.</p><p>O metabolismo, portanto, inclui três itens:</p><p>� o suprimento de um novo elemento;</p><p>� a substituição do velho elemento pelo novo elemento;</p><p>� a eliminação ou remoção do velho elemento.</p><p>Qual é o novo elemento que produz essa mudança interior? É Cristo. Desde o momento em que fomos</p><p>regenerados em nosso espírito, o Senhor deseja que essa vida continue expandindo-se do nosso espírito para</p><p>nossa alma. Assim, nossa mente, emoção e vontade podem ser transformadas. No momento de nossa conver-</p><p>são, o nosso espírito é regenerado e mudado, mas nossa mente, emoção e vontade não são transformadas e</p><p>ainda permanecem as mesmas. Recebemos Cristo como vida em nosso espírito, mas agora precisamos tê-Lo</p><p>em nossa alma, até que cada parte seja transformada à Sua imagem (Rm. 12:2; 2 Co. 3:18). Então, pensare-</p><p>mos como Ele pensa, amaremos como Ele ama e escolheremos como Ele escolhe. Teremos a semelhança do</p><p>Senhor em nossa vida prática, porque nossa alma estará saturada de sua vida.</p><p>Como ocorre a transformação</p><p>a. Pela renovação de nossa mente</p><p>Romanos 12 não nos diz como podemos renovar a nossa mente, mas em Tiago 1:21 descobrimos que</p><p>a Palavra de Deus salva a nossa alma. A palavra salvar ali é sozo, que significa restaurar, salvar, curar e renovar.</p><p>Ser salvo aqui é o mesmo que ser transformado.</p><p>“Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com</p><p>mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma”</p><p>(Tg. 1:21).</p><p>Podemos concluir que a forma como Deus nos transforma é pela Sua Palavra. Como renovamos a nossa</p><p>mente usando a Palavra? Simplesmente recebendo a Palavra de Deus. A primeira maneira de tomarmos a Palavra</p><p>é ouvindo-a. Quando a ouvimos, estamos renovando a nossa mente e, desta forma, nos submetendo a uma</p><p>mudança metabólica. Muitas pessoas pensam que ir ao culto na igreja é algo secundário e sem importância. Isto</p><p>não é verdade. Quando nos reunimos para ouvir a palavra, estamos nos alimentando e sendo transformados.</p><p>Mas, além de ouvir, precisamos ter outras práticas relacionadas à Palavra, como vemos em Josué 1:8.</p><p>� Falar a Palavra.</p><p>� Meditar na Palavra.</p><p>� Praticar a Palavra.</p><p>“Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cui-</p><p>dado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho</p><p>e serás bem-sucedido” (Js. 1:8).</p><p>A Palavra tem poder para nos transformar quando se torna revelação em nosso coração. Em Mateus</p><p>16:13-17, lemos que Pedro foi transformado pela revelação e pela confissão. Na Bíblia, a mudança de nome</p><p>significa transformação de vida. Antes ele era Simão, mas se tornou Pedro. Foi sua confissão e revelação de que</p><p>A transformação da alma 57</p><p>Cristo era o Filho de Deus que o transformou de Simão para Pedro. Depois, em sua epístola, Pedro nos mostra</p><p>que a Igreja é edificada com pedras, ou seja, pessoas que são transformadas (1 Pe. 2:4-5).</p><p>b. Contemplando o Senhor</p><p>“E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,</p><p>somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o</p><p>Espírito” (2 Co. 3:18).</p><p>A palavra “transformado” só aparece três vezes na Bíblia. Uma é nos Evangelhos, onde é traduzida como</p><p>transfigurar, e as outras duas em Romanos 12 e 2 Coríntios 3:18. Em Romanos, vemos que a transformação</p><p>é pela renovação da mente, mas, em Coríntios, lemos que também é pela contemplação.</p><p>Paulo diz, em 2 Coríntios 3:18, que precisamos ser espelhos contemplando e refletindo a glória do</p><p>Senhor, pois um espelho reflete tudo o que contempla. Quando estamos contemplando o Senhor, nós O</p><p>refletimos. Esse versículo poderia ser parafraseado da seguinte maneira: “todos nós, com o rosto desvendado,</p><p>somos um espelho refletindo a glória do Senhor e, quanto mais o refletimos, mais somos transformados na sua</p><p>própria imagem refletida em nós”.</p><p>O espelho precisa ter o véu removido. Paulo diz que precisamos contemplar o Senhor com o rosto</p><p>desvendado. Se um véu for colocado sobre o espelho, nada poderá ser refletido. O que vem a ser este véu a</p><p>que Paulo se refere? Hebreus 10 fala de um véu, mas ali é o véu da parte interna do tabernáculo (Hb. 9:3),</p><p>enquanto o véu de 2 Coríntios 3 é o véu posto sobre o rosto de Moisés (v. 13). Esse é o sentido literal, mas o</p><p>que ele significa para nós hoje? A lei.</p><p>Se a lei estiver encobrindo o nosso coração, não poderemos refletir a glória do Senhor e sermos por</p><p>Ele transformados de glória em glória. Lei é o oposto da graça, é tentar se relacionar com Deus com base na</p><p>própria obediência e no merecimento, mas a graça é se relacionar pelo favor imerecido. O espelho precisa ser</p><p>posicionado corretamente, estar voltado na direção do seu rosto para que possa refleti-lo, e o mesmo princípio</p><p>se aplica ao Senhor. Nosso coração precisa estar voltado para o Senhor, de modo a podermos contemplá-Lo</p><p>com o rosto desvendado. Podemos ter o véu retirado, mas isto não adiantará coisa alguma se o espelho estiver</p><p>focalizado em outra direção.</p><p>Contemplar o Senhor é investir tempo com todos os tipos de oração: petição, súplica, louvor, adoração,</p><p>consagração, entrega, intercessão, meditação, ações de graças. Isto é o mesmo que direcionar apropriadamente</p><p>o espelho de nossa alma. O Salmo 115:8 diz que nos tornamos semelhantes a aquilo que adoramos.</p><p>“Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam” (Sl. 115:8).</p><p>Como uma máquina fotográfica, Paulo diz que somos como espelhos refletindo o</p><p>Senhor. Na época de</p><p>Paulo, não existia nada parecido com uma máquina fotográfica, mas a ilustração de um espelho que se trans-</p><p>forma na imagem que está refletindo é o mesmo que uma fotografia. No processo de tirar uma foto, quatro</p><p>elementos são necessários: luz, lente, diafragma e filme.</p><p>A luz é o meio pelo qual o cenário é trazido para dentro da câmara. Na esfera espiritual, a luz é o</p><p>desvendar do Espírito Santo explodindo revelação em nosso interior. O segundo elemento é a lente. Uma</p><p>vez que temos luz, necessitamos da lente. A lente aponta para a nossa mente. Se a nossa mente não com-</p><p>preender, nada pode entrar dentro de nós. Ainda precisamos do diafragma, que se abre e se fecha, fazendo</p><p>o clique. Este elemento aponta para o nosso coração, que se não abrir, a luz de Deus não entra, ainda que</p><p>a lente de nossa mente possa compreender. Por fim, temos o filme, que é a nossa alma. É em nossa alma</p><p>que a imagem de Deus fica impressa. O nosso espírito foi criado para conter a Deus, mas a nossa alma foi</p><p>criada para refletir a sua imagem.</p><p>Dia e noite precisamos nos abrir ao Senhor, e então, Cristo, o cenário celestial, será impresso em nós</p><p>repetidamente, de forma cada vez mais clara e nítida.</p><p>O que não é a transformação bíblica</p><p>O Espírito Santo está operando hoje uma completa transformação da nossa alma. Não é uma trans-</p><p>formação que nós mesmos produzimos pelo nosso esforço ou pela disciplina pessoal, mas é pelo</p><p>Espírito de Deus. A forma como somos transformados é uma expressão extraordinária da graça de</p><p>Deus e ocorre completamente diferente do nosso conceito religioso. De acordo com o ensino do Evangelho,</p><p>nós somos transformados simplesmente por contemplarmos, olharmos, vislumbrarmos e ficarmos perplexos</p><p>diante da beleza da formosura do Senhor. É só contemplar e nada mais. Isso é algo que confronta a nossa</p><p>religiosidade. Imaginamos que a transformação bíblica é um tipo de automelhoramento, mas é o resultado de</p><p>contemplarmos o Senhor.</p><p>“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,</p><p>somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o</p><p>Espírito” (2 Co. 3.18).</p><p>A Palavra de Deus mostra que o nosso espírito foi criado para conter a Deus, é um recipiente, mas a</p><p>nossa alma foi feita para refletir a Deus. Então, Paulo diz que, como espelho, somos posicionados para refletir</p><p>e, enquanto nós refletimos, nós somos mudados. Você é mudado sem perceber, porque você não está se vendo,</p><p>você está olhando apenas para Ele.</p><p>Antes de falarmos sobre a transformação é importante entendermos o que NÃO É transformação bíblica.</p><p>1. Não é mera mudança exterior, mas metabólica</p><p>A transformação genuína é não é uma reforma exterior, mas uma mudança no coração. É triste, mas</p><p>muitos procuram estar limpos por fora, sem se importar com o que vai por dentro. A verdadeira transforma-</p><p>ção é uma mudança metabólica. Quando comemos, a comida é metabolizada em nosso organismo e, então,</p><p>vem fazer parte de nós mesmos. É exatamente assim com Cristo. Quando comemos o pão da vida, este é</p><p>processado em nós e depois vem a ser um elemento constituinte em nós. Uma mudança metabólica significa</p><p>que a maneira como o Senhor o transforma é mudando a sua dieta. Dizem os nutricionistas que você é o que</p><p>você come. Isso está muito em linha com o ensino da Palavra de Deus: somos aquilo que colocamos dentro</p><p>de nós. Sabemos que o homem caiu porque comeu errado, e hoje ele é salvo se comer o alimento espiritual.</p><p>Jesus disse que Ele é o pão vivo que desceu do céu:</p><p>A transformação da alma</p><p>Aula 3</p><p>O que não é a transformação bíblica 59</p><p>“Quem de mim se alimenta, por mim viverá” (Jo. 6:57).</p><p>Quando você come do pão da vida, esse pão é metabolizado no seu espírito, e o próprio Senhor</p><p>Jesus vem fazer parte de você. Essa é a maneira como Deus nos muda, e então não é uma mudança</p><p>exterior simplesmente.</p><p>Infelizmente, há muita maquiagem no meio cristão. A maquiagem é uma mudança rápida, porém,</p><p>superficial e sem realidade. Uma pessoa que está pálida pode ter a sua aparência rapidamente mudada com</p><p>uma maquiagem. Mas, se queremos uma mudança verdadeira, precisamos alimentar essa pessoa. O alimento</p><p>ingerido será metabolizado e virá a fazer parte dela mesmo. O resultado será não apenas uma mudança exterior</p><p>na aparência, mas principalmente no interior no coração. Logo, a verdadeira transformação não é premeditada</p><p>e consciente, mas é algo que acontecerá de forma espontânea em sua vida.</p><p>2. Não é mudança de comportamento, mas mudança de natureza</p><p>A verdade é que qualquer pessoa pode mudar de comportamento, mesmo aquelas que nem creem em</p><p>Deus. Muitas deixam de fumar, mudam sua forma de reagir e até se tornam mais educadas e gentis. Com</p><p>disciplina e algum esforço, muitos hábitos podem ser mudados. Contudo, o cristianismo não é uma questão</p><p>de mudança de comportamento, mas de mudança de natureza. A essa mudança de natureza a Palavra de Deus</p><p>chama de novo nascimento. Não se trata de um processo no qual vamos nascendo de novo aos poucos, mas</p><p>uma experiência profunda, radical e definitiva.</p><p>Muitas vezes tentamos explicar o comportamento de algumas pessoas dizendo que elas estão num pro-</p><p>cesso de conversão. A verdade, porém, é que elas estão num processo de serem convencidas. No dia em que se</p><p>converterem e nascerem de novo, elas serão mudadas repentinamente.</p><p>O abandono do pecado não pode ser algo gradual na vida do crente, não tem que ser de uma vez, se</p><p>ele nasceu de novo. Vamos imaginar, por exemplo, um ladrão de galinha que se converteu. Você diz apara ele:</p><p>“agora você é crente. Precisa mudar de vida. Antes você roubava 20 galinhas por dia, agora vamos diminuir</p><p>isso para dez. Vamos ver se daqui a dois meses você para completamente”. É assim que funciona? Claro que</p><p>não! Uma vez que ele nasceu de novo, ele não é mais ladrão, agora ele é filho! Uma vez que ele é filho, ele deve</p><p>parar completamente de roubar.</p><p>Na vida cristã não existe um processo? Seria tudo sempre radical e repentino? Sim. Existem processos na</p><p>vida cristã. Precisamos fazer uma distinção entre aquilo que acontece abruptamente numa experiência e aquilo</p><p>que é fruto de um processo. A transformação envolve experiências de porta de caminho. Jesus disse que, no</p><p>reino, precisamos passar por uma porta estreita e depois seguir por um caminho estreito. Ele disse que estreita</p><p>é a porta e apertado é o caminho que conduz para vida (Mt. 7:14).</p><p>O novo nascimento, a conversão ou a vitória sobre o pecado são experiências de porta e acontecem</p><p>num instante, de forma abrupta e definitiva. Por outro lado, o crescimento até a maturidade é um processo.</p><p>Experiências de porta são aquelas em que nós somos mudados, radicalmente, repentinamente e abruptamen-</p><p>te. Imagine que existe uma porta aqui diante de mim. Do lado de cá da porta, há um ambiente, com pessoas</p><p>e um certo clima, mas se eu abrir a porta e passar por ela, imediatamente eu entro num outro ambiente</p><p>completamente diferente.</p><p>Quando passamos pela porta, tudo muda completamente. Assim é o novo nascimento; ele é uma</p><p>porta pela qual você passa, e uma vez que você passa por ela, tudo será novo. Jesus não falou apenas da</p><p>porta estreita, mas também mencionou caminho estreito. O crescimento até a maturidade é um processo,</p><p>um caminho que trilhamos.</p><p>Quando vou a Israel, sempre gosto de ir a Belém e ali observar os montes, onde os pastores cuidam</p><p>dos seus rebanhos, e onde também os anjos apareceram para os pastores quando Jesus nasceu. É interessante</p><p>observar que existe uma trilha ao derredor do monte. Aquele é o caminho por onde o pastor vai andando</p><p>enquanto conduz as ovelhas. A trilha tem a forma de espiral ao redor do monte. O pastor vai dando a volta</p><p>no monte e, a cada volta que ele dá, ele sobe um pouco mais, até chegar no cume.</p><p>60 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Creio que o Senhor Jesus nos pastoreia do mesmo modo. Ele começa conosco na base e então vai subin-</p><p>do em espiral. Avançamos passando pelos mesmos pontos, mas sempre num</p><p>para a vida cristã, como andar</p><p>no Espírito, fugindo do pecado e trilhando o caminho do vencedor. Estudaremos também os meios seguros</p><p>para se ter revelação espiritual, como ter transformação da alma, renovação do caráter e entendimento pleno</p><p>do Plano da Salvação. Esses são alguns dos temas deste curso, estudados à luz da premissa básica do Novo</p><p>Testamento: todo cristão é um ministro, destinado a chegar ao pleno conhecimento da verdade. E isso diz</p><p>respeito a você.</p><p>Cremos que cada lição deste curso o ajudará a compreender o Evangelho e a alcançar uma vida cristã</p><p>madura e equilibrada. Por isso, dividimos este livro em lições bem fundamentadas e objetivas, que serão apli-</p><p>cadas em sua vida prática e diária. Ao final de cada lição, um módulo de tarefas o ajudará a fixar o conteúdo</p><p>e a medir seu nível de entendimento. Estude com dedicação, reveja cada tópico, faça todos os exercícios e ore</p><p>para que cada ponto se torne realidade em sua vida e em seu ministério.</p><p>Nossa oração é para que o Senhor use este curso para levá-lo a novos níveis de maturidade espiritual,</p><p>santidade e despertamento de fé, culminando em uma liderança espiritual eficaz dentro do Reino de Deus.</p><p>Princípios de Revelação</p><p>na Palavra</p><p>Capítulo</p><p>1</p><p>Por que precisamos saber a diferença</p><p>entre a alma e o espírito?</p><p>Todo homem é espírito, alma e corpo. O entendimento comum é que o homem é apenas alma e corpo,</p><p>mas a palavra de Deus claramente diz que o homem é um ser espiritual.</p><p>“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam</p><p>conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts. 5:23).</p><p>Espírito e alma não são a mesma coisa. A Palavra de Deus não usaria duas palavras para designar a mesma</p><p>coisa. Hebreus 4:12, por exemplo, diz que a Palavra de Deus é viva e eficaz e penetra até ao ponto de dividir alma</p><p>e espírito. Portanto, é absolutamente vital para a vida cristã sabermos a diferença entre a alma e o espírito.</p><p>Por que precisamos saber a diferença entre a alma e o espírito?</p><p>1. Porque Deus é espírito</p><p>Deus é espírito e importa que os seus adoradores O adorem em espírito e em verdade (Jo. 4:24). Ora,</p><p>para que possamos ter contato com a matéria, precisamos ser matéria e, do mesmo modo, para que possamos</p><p>ter contato com Deus, que é Espírito, precisamos ser um espírito. Não podemos ouvir de Deus com os nossos</p><p>ouvidos físicos, nem tampouco olhá-Lo com nossos olhos da carne. Todavia, nós podemos conhecer a Deus</p><p>pelo espírito, pois é por meio do nosso espírito que entramos em contato com Ele. Se falharmos em discernir</p><p>o nosso próprio espírito, como poderemos conhecer a Deus?</p><p>2. O novo nascimento é algo que ocorre inteiramente em nosso espírito</p><p>“O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo. 3:6).</p><p>Todo aquele que é nascido de novo é espírito. Quando Adão pecou, ele morreu, e bem assim toda a sua</p><p>descendência. A morte de Adão não foi de imediato uma morte física, mas espiritual. O seu espírito morreu</p><p>para Deus. Isso não significa que o homem natural não tenha espírito, mas o seu espírito está morto, incapaz</p><p>de manter contato com Deus. O novo nascimento é o renascer deste espírito para Deus, que funciona como</p><p>um rádio que capta as ondas celestiais.</p><p>3. O conhecimento espiritual é adquirido no espírito</p><p>“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura;</p><p>e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co. 2:14).</p><p>Princípios de Revelação na Palavra</p><p>Aula 1</p><p>Por que precisamos saber a diferença entre a alma e o espírito? 9</p><p>Não é que as coisas do espírito sejam difíceis ou misteriosas, mas o espírito do homem natural está mor-</p><p>to e seu rádio espiritual não sintoniza a frequência, as ondas que vêm do trono de Deus. 2 Coríntios 3:6 diz</p><p>que a letra mata, e, em João 6:63, Jesus disse que as suas palavras são espírito. Se a palavra é espírito, somente</p><p>o espírito pode percebê-la. Todo conhecimento que tem valor na vida cristã ‒ ou seja, as coisas espirituais ‒, é</p><p>adquirido espiritualmente. Assim, o homem natural, por ter o seu espírito morto, não consegue entender as</p><p>coisas do Espírito.</p><p>O problema é que muitos cristãos, apesar de nascidos de novo, ainda usam as suas mentes para entender</p><p>coisas que só se discernem espiritualmente. Aqueles que não sabem discernir o próprio espírito normalmente</p><p>leem a Bíblia usando as suas mentes e, por isso, a aproveitam muito pouco.</p><p>4. A adoração é algo que é feito no espírito</p><p>“Deus é espírito e importa que os seus adoradores O adorem em espírito e em verdade”</p><p>(Jo. 4:24).</p><p>Deus é espírito e deve, portanto, ser adorado em espírito. Não é uma questão de forma, mas de origem.</p><p>Devemos exercitar o nosso espírito se queremos adorar a Deus. Se falharmos em perceber o nosso próprio</p><p>espírito, a nossa adoração será comprometida, e o máximo que alcançaremos será um louvor no nível da</p><p>mente, da alma.</p><p>5. Devemos orar sem cessar no espírito</p><p>Efésios 6:18 diz que:</p><p>“Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com</p><p>toda perseverança e súplica por todos os santos (Ef. 6:18)”.</p><p>Que farei, pois?</p><p>“Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas</p><p>também cantarei com a mente” (1 Co. 14:15).</p><p>Existe um tipo de oração que é feita no nível do espírito, a oração em línguas, por exemplo.</p><p>Em 1 Coríntios 14:14, Paulo diz:</p><p>“Se eu orar em outra língua, então meu espírito ora [...]” (1 Co. 14:14).</p><p>E no verso seguinte ele diz:</p><p>“[...] Orarei com o espírito” (1 Co. 14:15).</p><p>Para orar com o espírito, não precisamos usar a mente, por isso podemos orar o tempo todo, mesmo</p><p>enquanto trabalhamos ou estudamos. Existe um tipo de oração que é feita no nível do espírito. Como poderei</p><p>fazer esse tipo de oração, se eu nem mesmo sei que possuo um espírito? A adoração é uma oração que também</p><p>é no espírito. A prática normal da vida cristã implica uma compreensão clara de que: somos um ser espiritual,</p><p>que possui uma alma, habita em um corpo e precisa aprender a exercitar o espírito humano recriado para</p><p>contatar o Senhor e ser por Ele guiado. Tudo o que nós necessitamos para alcançarmos uma vida cristã plena</p><p>e frutífera já nos foi dado pelo Espírito Santo que habita em nós.</p><p>6. Somos exortados a andar no espírito</p><p>“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis a concupiscência da carne” (Gl. 5:16).</p><p>Em 1 Coríntios 14:14, Paulo diz:</p><p>“Se eu orar em outra língua, então meu espírito ora [...]” (1 Co. 14:14).</p><p>Veja a forma como ele diz: “se eu orar... então meu espírito ora”; veja que o “EU” e o “espírito” são a mes-</p><p>ma coisa, mostrando que Paulo se via como um ser espiritual. Podemos dizer então que nós somos um espírito</p><p>que tem uma alma e habita em um corpo. Eu sou um ser espiritual, eu sou da natureza de Deus e fui feito à sua</p><p>imagem e semelhança (Sl. 82:6). Não devemos pensar que somos o nosso corpo, mas sim espírito.</p><p>10 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Toda direção que o Espírito nos dá vem através do nosso espírito, que é a parte do nosso ser, e tem a função</p><p>de contatar a Deus. Falhar em discernir o próprio espírito pode ser extremamente prejudicial para um padrão de</p><p>vida vitoriosa. Se eu não consigo ouvir o que o Espírito Santo está dizendo, como serei guiado por Ele?</p><p>Esse é o centro da vida cristã: Deus habita em nós na pessoa do Espírito Santo, nos moldando e nos</p><p>guiando a toda a verdade. Esse é o ápice da revelação de Deus: Cristo Jesus habita em nós, sendo a nossa</p><p>própria vida. A vida cristã consiste em duas substituições: a primeira na cruz, onde Ele morreu em nosso</p><p>lugar; a outra é no nosso dia a dia, onde Ele vive a vida cristã por nós. Tudo é feito por sua graça: a salvação</p><p>e a santificação.</p><p>7. Servimos a Deus no espírito</p><p>“Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha teste-</p><p>munha de como incessantemente faço menção de vós” (Rm. 1:9).</p><p>A maneira de servirmos a Deus é exercitando o nosso espírito para podermos</p><p>nível acima, porque é em espiral.</p><p>Passamos pelas mesmas experiências, só que cada vez num nível espiritual diferente. Há algum tempo eu tive</p><p>de aprender a perdoar cem reais, mas agora estou passando pela mesma experiência, só que terei de aprender</p><p>a perdoar 1.000 reais. Dei uma volta completa e voltei ao mesmo ponto com um desafio maior.</p><p>3. A transformação bíblica não é repressão do pecado, mas é uma</p><p>expressão de Cristo</p><p>Muitas pessoas vivem querendo explodir de raiva, mas constantemente se reprimem. Isso produz</p><p>uma calamidade no seu corpo e na sua alma, não é o cristianismo verdadeiro. A verdadeira vitória é poder</p><p>expressar a Cristo.</p><p>Na mente de alguns existe o conceito equivocado de que ser cristão é sentir um impulso constante para</p><p>o pecado e ficar todo o tempo se reprimindo para não cair. É por isso que as pessoas do mundo nos acusam</p><p>de sermos hipócritas, porque elas presumem que os crentes querem fazer as mesmas coisas que elas fazem, só</p><p>que, enquanto elas assumem seu desejo errado, os crentes supostamente possuem o mesmo desejo e vivem</p><p>se reprimindo. Pensam que, nos dias de carnaval, seguramos nossos pés de vontade de sambar e, por isso,</p><p>escondemo-nos nos retiros espirituais. Se fosse assim, a vida cristã seria insuportável.</p><p>Muitos têm a aparência de ser muito pacientes, mas na realidade tudo está meramente bem escondido</p><p>no interior. Não há vitória quando reprimimos tudo dentro de nós. Infelizmente muitos ainda vivem esse tipo</p><p>de religião morta. Você conhece aquela história da mulher mais velha aconselhando a jovenzinha porque ela</p><p>explodia o tempo todo com o marido? Aquela mulher mais madura então falou: “Tem 50 anos que quero</p><p>explodir e não explodo”! Isso não pode ser vitória, porque, no dia em que ela explodir, vai ser uma bomba</p><p>atômica. Ela tem aparência de piedade, mas trata-se apenas de religião vazia.</p><p>Antes, quanto mais nos reprimíamos, melhor pensávamos estar; agora, quanto mais expressamos</p><p>Cristo, melhor é.</p><p>4. A verdadeira transformação não é uma obra humana</p><p>Precisamos estar conscientes de que não somos nós mesmos que nos transformamos. Não é obra hu-</p><p>mana, mas é a ação do Espírito e da Palavra de Deus operando em nós. A verdadeira transformação não pode</p><p>ser uma obra humana, algo que você mesmo faz. Se fosse assim, você poderia querer receber alguma glória</p><p>diante de Deus. Nós, porém, sabemos que Ele receberá toda a glória porque todo o trabalho é dEle. Ninguém</p><p>nunca poderá dizer algo como: “O Senhor mudou a minha vida, mas aquele habitozinho fui eu que mudei!”</p><p>Ninguém vai se gloriar na presença de Deus. Muitos até aceitam que eles mesmos não podem se mudar, mas</p><p>ainda acalentam a fantasia de que algum pastor ou líder tem o poder de mudar a vida dele.</p><p>O discipulado pode ser uma bênção ou uma maldição na igreja. Ele se torna uma maldição quando o</p><p>discípulo atribui ao discipulador o poder de mudá-lo.Tenha muito cuidado para não atribuir a um homem</p><p>a tarefa de transformá-lo. Não é o homem que nos muda usando de algum tipo de manipulação ou técnica</p><p>psicológica. Quando você acredita que um líder possui uma habilidade para mudar a sua vida, você está anu-</p><p>lando o poder do Evangelho. Nenhum homem tem o poder de mudar o outro. Esposas não mudam maridos,</p><p>mães não mudam filhos e discipuladores não mudam discípulos. Já ouvi pessoas dizendo: “se eu fosse discípu-</p><p>lo do pastor fulano tenho certeza que eu seria transformado!” Que loucura é esse pensamento!</p><p>Se não consigo mudar nem a mim mesmo, como posso tentar mudar o meu irmão? Essa é a razão</p><p>porque há tanta gente decepcionada com a igreja. Tais pessoas estavam acalentando a crença equivocada de</p><p>que algum homem iria mudar a vida delas. Nunca tente ser o Espírito Santo na vida de ninguém. Esse é um</p><p>fardo que você nunca conseguirá levar. Com o tempo, você se sentirá culpado pelo discípulo não estar cres-</p><p>cendo ou então colocará nele o enorme peso de não conseguir corresponder ao seu padrão. Seja como for, isso</p><p>é religião humana. É o homem tentando fazer a obra exclusiva de Deus. Tenha muito cuidado com o tipo de</p><p>O que não é a transformação bíblica 61</p><p>discipulado que controla a vida dos outros, porque todo controle tem por base a ideia de que se possui o poder</p><p>de mudar o outro. Isso anula o Evangelho.</p><p>As pessoas querem que alguém guie a vida delas para que elas não tenham que ouvir de Deus por elas</p><p>mesmas, já que alguém vai ouvir por elas. Muitos não querem um discipulador, querem um guru que lhes</p><p>diga tudo o que tem de fazer. Essa é a pior religião, pois é a religião da dominação do homem sobre outro</p><p>homem. Eu já não tenho mais nenhuma liberdade, o outro é que tem liberdade por mim, o outro é que diz</p><p>o que tenho que fazer. Assim, quando pensamos que a transformação é obra humana, estamos sujeitos a todo</p><p>tipo de loucura da religião. Todos os abusos e fanatismos foram cometidos quando as pessoas acreditaram que</p><p>um homem poderia transformá-las. Tenha muito cuidado com isso!</p><p>5. A transformação pelo Evangelho é uma obra divina que exige a</p><p>nossa cooperação</p><p>Uma vida vitoriosa não requer nenhum esforço, apenas fé. Podemos ver isso em 1 Coríntios 15:57,</p><p>que diz:</p><p>“Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo</p><p>(1 Co. 15:57)”.</p><p>A vitória é algo que Deus nos dá gratuitamente, pela graça. Nós a recebemos sem custo algum, e não</p><p>pelo nosso próprio esforço. O texto não diz “graças a Deus porque eu posso conquistar a vitória”. A afirmação</p><p>categórica é que a vitória nos é dada quando pedimos, e esta é a base do Evangelho. É um grande erro pen-</p><p>sarmos que a salvação não é de graça, contudo, a vida cristã é pelo nosso esforço. É tudo pela graça. Ninguém</p><p>poderá se gloriar diante de Deus dizendo que conseguiu vencer por si mesmo. Toda vitória que temos precisa</p><p>ser recebida como presente de Deus.</p><p>No entanto, precisamos cooperar com o Senhor nos alimentando dEle, nos enchendo do Espírito,</p><p>renovando a nossa mente e contemplando-O constantemente. Se não fizermos tais coisas, o Senhor ficará sem</p><p>espaço para operar em nós, mas nenhuma dessas coisas é uma obra humana da qual poderíamos nos gloriar.</p><p>A verdadeira transformação</p><p>“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,</p><p>somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o</p><p>Espírito” (2 Co. 3:18).</p><p>A primeira condição para sermos transformados é termos o rosto desvendado.</p><p>Paulo começa dizendo: “E todos nós, com o rosto desvendado [...]”. Se você quer mudança, precisa tirar</p><p>o véu do rosto. Só há transformação para quem tirou o véu. Se um véu for colocado sobre o espelho, nada</p><p>poderá ser refletido. Paulo diz que precisamos contemplar o Senhor com o rosto desvendado.</p><p>O primeiro véu mencionado em Hebreus se refere ao véu que separava o lugar santo do Santo dos</p><p>santos. É o véu que se rasgou do alto ao baixo, no dia em que Jesus disse: “está consumado”! Esse é o véu</p><p>da separação. O fato de ter sido rasgado significa que não há mais separação entre você e Deus, que você foi</p><p>aproximado pelo sangue de Jesus. Seus pecados foram cancelados, não há mais dívida diante de Deus, e você</p><p>agora pode entrar com ousadia no Santo dos santos para encontrar graça diante de Deus.</p><p>Todavia, não é esse o véu mencionado por Paulo. Pelo contexto, lemos no verso 13 que Moisés punha</p><p>véu sobre a face, para que os filhos de Israel não atentassem na terminação do que se desvanecia. Era a glória</p><p>da Velha Aliança que estava passando e, para que ninguém percebesse, Moisés colocava esse véu. Esse véu</p><p>simboliza a lei do Velho Testamento. Assim, tirar o véu significa ser liberto da lei.</p><p>Mas, o que é a lei? Lei é tudo o que eu faço com o objetivo de conquistar e merecer o favor de Deus.</p><p>Em outras palavras, na lei a benção é de acordo com o seu esforço, com seu merecimento. Todos os que vivem</p><p>com base no merecimento ainda estão vivendo na lei. A ideia é que eu preciso cumprir todas as condições para</p><p>então merecer a bênção. Aqueles que vivem assim ainda estão com o véu sobre</p><p>o rosto e, por isso, são incapazes</p><p>de contemplar a glória de Cristo. Enquanto você está com o véu, você está pensando que pode se transformar.</p><p>Quem vive pela lei pensa que tudo depende dele e tenta ser diferente na força do braço. Isso tudo é Velho</p><p>Testamento, por isso Paulo diz: tira o véu e venha viver pela justiça de Cristo em você.</p><p>Você não tem mais de cumprir a lei para ser aceito diante de Deus. Ninguém jamais cumpriu a lei,</p><p>pois pela lei nenhum homem jamais foi justificado. Hoje, na Nova Aliança, Cristo já cumpriua lei por mim</p><p>e me fez participante da sua justiça. Hoje você é justo. Não porque você cumpriu a lei obedecendo a todos os</p><p>A transformação da alma</p><p>Aula 4</p><p>A verdadeira transformação 63</p><p>mandamentos, mas porque ganhou o dom da justiça. Cristo se tornou a sua justiça. Precisamos ter revelação</p><p>dessa verdade. O verso 16 fala-nos que, quando o coração “se converte ao Senhor, o véu lhe é tirado”.</p><p>Nosso coração precisa estar voltado para o Senhor de modo a podermos contemplá-lo com o ros-</p><p>to desvendado e sermos transformado. O problema é que ainda somos muito distraídos pela lei do Velho</p><p>Testamento e pelos profetas. Vemos os servos, mas em grande medida ignoramos o Senhor dos servos. A</p><p>Palavra de Deus diz que Jesus levou Pedro Tiago e João a um alto monte e foi transfigurado diante deles. Eles</p><p>viram a glória do Senhor resplandecendo como o sol ao meio dia. Eles deveriam contemplar o Senhor, mas</p><p>eis que Elias e Moisés apareceram naquele momento. Pedro então sugeriu fazer três tendas, uma para Jesus,</p><p>outra para Moisés e outra para Elias (Mt. 17:1-8). Isso significa que eles ficaram mais encantados com Moisés</p><p>e Elias do que com o Cristo em glória.</p><p>Moisés representa a lei, e Elias aponta para os profetas, mas antes que Pedro terminasse de falar, o Pai</p><p>disse do meio de uma nuvem luminosa:</p><p>“[...] Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mt. 17:5).</p><p>Isso significa que não precisamos mais ouvir nem Moisés e nem Elias, mas apenas Cristo. Moisés deu</p><p>a lei que mostrou o pecado do homem, e os profetas trouxeram o homem de volta para Deus. Hoje, no en-</p><p>tanto, o tempo é do Filho de Deus. Aquela nuvem brilhante era a Shekinah, a mesma nuvem que veio sobre</p><p>o Tabernáculo e o Templo. É interessante que, quando a lei foi dada, houve trevas e escuridão, mas agora a</p><p>glória brilhante resplandece em Cristo.</p><p>“[...] visto que ninguém será justificado diante dEle por obras da lei, em razão de que pela</p><p>lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20).</p><p>Você precisa ter clareza de que, pela lei, não vem o conhecimento da santidade, mas o conhecimento do</p><p>pecado, e por meio dela você não pode se tornar santo. A justiça hoje é um dom que nos é dado à parte da lei.</p><p>Diante de Cristo, a lei e os profetas não têm mais nada a dizer. O texto diz que, quando os discípulos ouviram</p><p>a voz do Pai, eles caíram debruços, tomados de grande medo. E, quando eles levantaram os olhos, a ninguém</p><p>viram, senão Jesus. Moisés se foi e Elias também, e eles viram somente a Jesus. Esse deve ser o centro de nossa</p><p>mensagem (Mt. 17:8). O Pai disse para ouvir somente a Jesus, e não a Moisés e Elias.</p><p>Para sermos transformados precisamos contemplar</p><p>Na Velha Aliança, a transformação dependia exclusivamente do esforço do homem para cumprir a lei.</p><p>Por isso ninguém conseguiu, mas na Nova Aliança somos transformados simplesmente por contemplarmos</p><p>o Senhor. Precisamos ficar impressionados com o fato de que a verdadeira mudança consiste apenas em con-</p><p>templar. Não existe nenhuma obra humana envolvida, pois é algo que acontece inteiramente pela fé e pelo</p><p>desfrutar de Cristo.</p><p>Contemplar, porém, é muito mais que simplesmente olhar algo; é ter uma atitude semelhante a</p><p>aquele que fica extasiado diante de uma paisagem. Ele fica deslumbrado e gostaria que mais pessoas pu-</p><p>dessem ver o que ele está contemplando. Muitas pessoas olham com indiferença para o Cristo de Deus, e</p><p>quem olha com indiferença não pode ser mudado. Quem é transformado é só aquele que tem sido atraído</p><p>por Ele, que tem ficado embevecido, deslumbrado, encantado e fascinado com a palavra, com a verdade,</p><p>com caráter e com a glória.</p><p>Contemplar a formosura do Senhor não é como contemplar um quadro religioso. Antes, é contemplar</p><p>um quadro que é pintado com a sua palavra, mostrando o seu amor, a verdade do Evangelho e a graça que se</p><p>fez gente. Quando você contempla, inevitavelmente você será mudado, e algo de glória será acrescentado na</p><p>sua vida. Quando você adora com sinceridade, você contempla. Quando você ora, você contempla. Quando</p><p>você medita e o seu coração é incendiado, você contempla. Quando você ouve a ministração da palavra viva</p><p>e tem os olhos abertos, você contempla. Semana após semana, quando somos lavados pela Palavra, a ruga do</p><p>pecado, da morte, vai sendo removida de nós e nos tornamos semelhantes a Cristo, de glória em glória.</p><p>64 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Precisamos contemplar apenas o Senhor</p><p>Não basta tirarmos o véu e nem o contemplarmos, mas apenas o Senhor. Neste ponto, precisamos nos</p><p>opor frontalmente ao ensino de que somos mudados quando olhamos para nós mesmos. Isso é uma mentira</p><p>maligna disseminada no mundo, e muitos caíram no engano de trazer a psicologia para dentro da igreja. O</p><p>diabo quer desviar a nossa atenção de Cristo e colocá-la em nós mesmos. Pensamos que, se nos olharmos,</p><p>analisarmos e nos conhecermos, poderemos ser mudados, mas não é essa a verdade do Evangelho, pois somos</p><p>mudados apenas se olharmos para Cristo.</p><p>Olhar para si mesmo continuamente é chamado de introspecção. Quem vive se olhando e se analisando</p><p>acredita que pode mudar a si mesmo. A verdade é que a introspecção produz apenas desânimo e condenação.</p><p>Quanto mais você olha para si mesmo, menos fé você tem. Quanto mais consciente você fica de si mesmo,</p><p>mais sentirá condenação e angústia. Nós só podemos ter fé quando olhamos para Cristo.</p><p>Infelizmente, muitos crentes acreditam que a psicologia tem o poder de mudar o homem. De forma</p><p>bem geral, podemos dizer que a psicologia ensina que você é o que é hoje porque existe algo que aconteceu</p><p>no passado que ainda afeta o seu presente. Se você pudesse se lembrar, então você seria mudado. Sendo assim,</p><p>vamos fazer uma regressão, uma terapia, até lembrarmos de tudo e, assim, sermos transformados. Tudo isso é</p><p>apenas obra humana. Se a psicologia pudesse mudar o homem, o Senhor Jesus não precisaria ter vindo. Desta</p><p>maneira, a máxima filosófica “conhece-te a ti mesmo” não é bíblica. Jesus disse que:</p><p>“E a vida eterna é essa: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a</p><p>quem enviaste” (Jo. 17:3).</p><p>Só podemos ser mudados quando conhecemos a Cristo. Olhar para si mesmo só produz depressão e</p><p>desespero em alguns e sentimento de justiça própria em outros. Psicologia é o homem tentando mudar o ho-</p><p>mem, mas a verdadeira mudança só acontece pelo poder do Evangelho. Paulo diz que o Evangelho é o poder</p><p>de Deus para a salvação de todo o que crê (Rm. 1:16), olharmos para Cristo e sermos transformados, e não</p><p>vivermos mergulhados na introspecção, olhando o tempo todo para nós mesmos. A introspecção nos paralisa,</p><p>pois estamos sempre nos olhando para ver se há algum pecado: se estamos na carne ou no espírito, se tudo está</p><p>correto em nós, se oramos o suficiente, se estudamos o suficiente, se fizemos tudo o suficiente.</p><p>Por que muitos não conseguem avançar? Porque estão o tempo inteiro se questionando sobre si</p><p>mesmos. Se eu ficar o tempo inteiro olhando para mim, não vou conseguir fazer nada. Uma das coisas mais</p><p>terríveis é ficarmos conscientes de nós mesmos o tempo inteiro. Quem vive assim está sempre com a alma</p><p>cansada. Ser crente assim é extenuante. Mas Jesus disse que, para você herdar o reino, tem que ser como</p><p>criança. A criança nunca se olha, nunca está consciente de si, por isso ser criança é ser sempre livre. Ela não</p><p>está se olhando e se vasculhando.</p><p>Será que devemos ignorar quando algo está errado conosco? Claro que não. Nem precisamos nos preo-</p><p>cupar, pois o Espírito mesmo vai falar conosco quando algo precisar ser corrigido. O padrão bíblico é:</p><p>“Senhor, Tu me sondas. Tu me conheces. Tu vês se há em mim algum caminho mau, e o</p><p>Senhor me guia pelo caminho eterno” (Sl. 139:23-24).</p><p>Alguns irmãos mudaram completamente o conceito bíblico. Veja como eles confessam o versículo. “Eu</p><p>me sondo, Eu me conheço, Eu vejo se há em mim algum caminho mau, Eu me guio pelo caminho eterno”.</p><p>Eles desvirtuam a Palavra de Deus para o seu próprio sofrimento. A Palavra de Deus não diz para examinar-</p><p>mos a nós mesmos, por exemplo, antes de participarmos da ceia? Sem dúvida. 1 Coríntios 11:28 diz:</p><p>“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice (1 Co. 11:28)”.</p><p>Todavia, para você entender esse “examine-se a si mesmo”, você precisa entender o contexto. Os irmãos</p><p>da igreja de Corinto tinham um problema; eles ficavam bêbados no dia da ceia. Consegue imaginar algo</p><p>assim? Paulo então lhes diz nos versos 26 e 27:</p><p>A verdadeira transformação 65</p><p>“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do</p><p>Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor,</p><p>indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor” (1 Co. 11:26-27).</p><p>O que significa a expressão “indignamente”? É um advérbio de modo, a maneira como se faz algo.</p><p>Não é a pessoa que é indigna, é a maneira como ela está agindo. Paulo não disse para eles observarem se eram</p><p>dignos de participarem da ceia, mas para avaliarem se estavam fazendo de uma maneira reverente e correta.</p><p>Nós interpretamos mal o versículo e transformamos o dia da ceia em uma reunião de introspecção. O</p><p>pastor pega o pão e o cálice e pergunta aos irmãos: “Será que você é digno de comer deste pão e beber este</p><p>cálice”? Qualquer pessoa minimamente honesta reconhecerá que não é digna de participar da mesa do Senhor,</p><p>uma vez que não há um sequer que seja digno. A Bíblia diz que não se achou nos céus, nem na terra e nem</p><p>debaixo da terra alguém digno. João chorava, mas o ancião falou: não chore, porque o Cordeiro, o Leão da</p><p>Tribo de Judá venceu e Ele vai abrir o livro, porque Ele é digno. Só Ele é digno (Ap. 5:1-5).</p><p>Esse desejo de merecer a benção é viver na lei do Velho Testamento. A introspecção mata, por isso a ceia</p><p>é dia de morte para muitos.</p><p>Contemplar é ficar deslumbrado</p><p>Como cristãos, precisamos ser como turistas loucos para ver a mais bela paisagem. Outro dia fui ao</p><p>Grand Canyon. Precisei me esforçar para chegar lá. Paguei por uma vã, depois paguei por um helicóptero para</p><p>chegar até o lugar e ficar extasiado com a paisagem. Mas, diante daquela paisagem, o guia me disse: “esse ainda</p><p>não é o melhor lugar. Há um ponto ainda mais extraordinário. Mas é muito difícil chegar até lá.” Eu estava</p><p>disposto a pagar para chegar até aquele ponto. Precisamos ser como turistas loucos para ver o Senhor. Quando</p><p>achamos que já vimos algo, ansiamos loucamente por mais. Não importa o preço, não importa a dificuldade,</p><p>eu quero vê-lo.</p><p>Somos transformados apenas por contemplarmos a glória do Senhor. Contemplar é algo que não exige</p><p>esforço humano. Eu preciso apenas me disciplinar para não ser distraído por outras coisas enquanto estou</p><p>contemplando. Na Nova Aliança, não somos mudados pelo nosso esforço, mas apenas por olharmos para</p><p>Jesus. Quando as pessoas O contemplam, elas são transformadas, e somos transformados de glória em glória,</p><p>basta que tenhamos os olhos abertos para contemplarmos o Senhor. A glória é a própria imagem do Senhor.</p><p>Você não é transformado por contemplar a si mesmo e se penalizar por todos os defeitos que possui,</p><p>porque o que você faz não define quem você é. Você na verdade é aquilo que Deus diz que você é. Na Nova</p><p>Aliança você não é transformado pelo seu esforço, nem pelo quanto se empenhou em cumprir a lei, mas é</p><p>algo que acontece de forma espontânea, pelo poder de Deus. Tudo o que temos de fazer é contemplar, ficar</p><p>embevecido, deslumbrado, embasbacado diante da formosura do Senhor. Se você contempla o Senhor da gló-</p><p>ria, algo da sua glória é transmitido a você. É um pouco de glória hoje, outro tanto amanhã, até que sejamos</p><p>completamente tomados pela plenitude de Deus.</p><p>Em Marcos 4, Jesus disse:</p><p>“E dizia: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra; depois,</p><p>dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo</p><p>ele como. A terra por si mesma frutifica: primeiro a erva, depois, a espiga, e, por fim, o</p><p>grão cheio na espiga” (Mc. 4:26-28).</p><p>A terra é o seu coração, e a semente é a Palavra de Deus. A sua parte é só plantar, dormir e acordar,</p><p>dormir e acordar, até que a semente da Palavra germine para a vida eterna. Basta apenas ser semeado, pois não</p><p>é o seu esforço que vai produzir mudança. Ninguém vai se gloriar diante de Deus naquele dia dizendo “Eu</p><p>me esforcei, trabalhei muito e me disciplinei, por isso fui transformado”. O testemunho de todo salvo será</p><p>completamente diferente, pois dirão: “eu nem sei como aconteceu. Eu acordei e estava diferente!” Esse é o</p><p>cristianismo do Novo Testamento: não é fruto seu, mas do Espírito de Deus. Não é obra sua, é obra do poder</p><p>de Deus. Não é você que faz, é Ele que vai realizar.</p><p>A fé correta produz o</p><p>comportamento correto</p><p>As pessoas estão acostumadas a pensar no cristianismo como uma religião, mas o cristianismo não é uma</p><p>religião. Evidentemente nós falamos para as pessoas de fora como se fosse uma religião para que elas</p><p>possam entender. Cristianismo é crer corretamente, e não comportar corretamente. Obviamente teremos</p><p>um comportamento correto, mas apenas como resultado de crer corretamente. Isso é importante porque a sua fé</p><p>afeta seu espírito, seu corpo, sua alma, sua vida financeira, familiar, profissional, enfim, cada aspecto de sua vida.</p><p>Todo comportamento é resultado de uma crença. Uma crença errada sempre vai produzir um comporta-</p><p>mento errado. Costumo dizer que não existe teologia neutra, pois aquilo em que cremos sempre vai produzir um</p><p>estilo de vida como resultado. Desta forma, se queremos ser transformados, precisamos mudar a nossa crença.</p><p>Esse processo de mudança de crença é uma mudança de mente que a Palavra de Deus chama de arrependimento.</p><p>A palavra arrependimento no grego é metanoia, que literalmente significa mudança de mente, mudança de ideia.</p><p>Viva no arrependimento</p><p>O que é o arrependimento genuíno? O arrependimento verdadeiro é uma questão de mudança de</p><p>mente. É uma mudança radical de entendimento e opinião. Quando renovamos a nossa mente com a Palavra</p><p>de Deus, estamos nos arrependendo. Em Lucas 15, o Senhor contou uma parábola para ilustrar o arrependi-</p><p>mento. Então, lhes propôs Jesus esta parábola:</p><p>“Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não</p><p>deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?</p><p>Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos</p><p>e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.</p><p>Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que</p><p>por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc. 15:3-7).</p><p>A parábola das cem ovelhas é uma ilustração do verdadeiro arrependimento. É interessante que nada</p><p>nos é dito sobre a ovelha, senão unicamente sobre o pastor. É o pastor que sai para procurar a ovelha, que</p><p>deixa as outras noventa e nove no aprisco, quem a coloca nos ombros e a carrega e depois quem se alegra com</p><p>A transformação da alma</p><p>Aula 5</p><p>A fé correta produz o comportamento correto 67</p><p>os amigos. Mas, onde fica a ovelha nessa história? Não é a ovelha que precisava do arrependimento? A única</p><p>atitude da ovelha foi a de se deixar ser levada de volta para casa. Ela simplesmente se entregou ao pastor, e o</p><p>Senhor disse que esse é o verdadeiro arrependimento.</p><p>Para se permitir ser levada, a ovelha precisa reconhecer que está perdida. Ela precisa perceber</p><p>o</p><p>amor do pastor e desejar voltar para casa. O resto do trabalho é do pastor, e o pastor aqui é o próprio</p><p>Senhor Jesus.</p><p>É interessante ler na Palavra de Deus que Judas se arrependeu depois de ter traído a Jesus.</p><p>Certamente foi mais um tipo de remorso do que arrependimento, mas ele devolveu as moedas e reco-</p><p>nheceu que tinha traído sangue inocente. Apesar disso, ele se perdeu porque tomou a justiça sobre si</p><p>mesmo e se enforcou. Podemos dizer que ele não se permitiu ser levado pelo bom pastor. Ele se enforcou</p><p>pendurado numa árvore sem saber que poucas horas depois o filho de Deus seria pendurado no madeiro</p><p>para salvá-lo (Mt. 27:3-5).</p><p>No Velho Testamento, os ninivitas se arrependeram porque Jonas disse que a cidade seria destruída em</p><p>três dias. No Novo Testamento é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento. Foi o olhar amoroso</p><p>de Jesus que conduziu Pedro ao arrependimento,</p><p>“Ou desprezas a riqueza da Sua bondade, tolerância e longanimidade, ignorando que a</p><p>bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm. 2:4).</p><p>Observe que Pedro somente chorou depois que viu o olhar de Jesus. Assim, não foi o choro de Pedro</p><p>que atraiu o amor de Deus, mas na verdade foi o amor de Jesus que o levou a chorar (Mt. 26:75). No Velho</p><p>Testamento, o homem tinha que se arrepender primeiro, e então Deus o abençoaria. No Novo Testamento,</p><p>provamos primeiro o amor de Deus, daí nos arrependemos. O arrependimento envolve a tristeza, segundo</p><p>Deus, pelo pecado, mas é mais do que isso: é uma mudança de opinião em relação a si mesmo e a Deus.</p><p>“Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém</p><p>traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte” (2 Co. 7:10).</p><p>Em relação a Deus, precisamos reconhecer que Ele nos ama. O Senhor já nos amava quando vivíamos</p><p>no pecado e blasfemávamos contra Ele.</p><p>“Testificando tanto a judeus como a gregos, o arrependimento para com Deus e a fé em</p><p>nosso Senhor Jesus Cristo” (At. 20:21).</p><p>Em relação a nós mesmos, precisamos reconhecer o pecado da justiça própria. O arrependimento,</p><p>segundo o Evangelho, é abandonar a ideia de que possuímos algum merecimento. O arrependimento na ver-</p><p>dade é um arrependimento de obras mortas e reconhecer que boas obras, moralidade ou sacrifícios religiosos</p><p>não podem salvar.</p><p>“Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos</p><p>levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras</p><p>mortas e da fé em Deus” (Hb. 6:1).</p><p>A Palavra de Deus diz que a fé que salva é aquela que Deus justifica o ímpio. Se não reconhecemos que</p><p>somos ímpios, então não precisamos de um salvador.</p><p>“Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atri-</p><p>buída como justiça” (Rm. 4:5).</p><p>Lutero dizia: “Senhor, tu és o meu pecado na cruz, e eu sou a sua justiça na terra.”</p><p>Viva pela justiça de Cristo</p><p>Pedro cometeu o mesmo pecado de traição de Judas, mas ele se permitiu ser amado pelo Senhor. Muitos</p><p>são como Judas, que querem fazer justiça punindo a si mesmos pelos próprios pecados. Quando fazemos isso,</p><p>estamos simplesmente andando pela justiça própria. A mãe de todos os pecados é a justiça própria.</p><p>68 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>O Senhor Jesus amaldiçoou a figueira porque ela simbolizava a justiça própria. Num tempo em que</p><p>deveria estar seca, aquela figueira estava verde como se tivesse fruto (Mc. 11:13-14). A primeira menção de</p><p>figueira na Palavra de Deus é quando Adão e Eva tomaram das suas folhas e fizeram roupas para si. As cintas</p><p>tipificam as obras humanas, tentando se justificar diante de Deus (Gn. 3:7). Amaldiçoe a justiça própria em</p><p>sua vida. Renuncie a toda justiça própria diante de Deus e se aproprie da justiça que vem de Cristo.</p><p>“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim</p><p>também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” (Rm. 5:19).</p><p>Nós nos tornamos pecadores por causa do pecado de um único homem. Você não é pecador por causa</p><p>de seus próprios pecados, ainda que você certamente os tenha, mas você é pecador porque herdou a natureza</p><p>de Adão. Isso pode soar injusto para você, uma vez que não nos parece razoável ser condenado pelo pecado de</p><p>um homem. Deus mostra a sua justiça nos fazendo justos por causa da obediência de um só homem. Você se</p><p>tornou justo por causa da obediência de Cristo. Do mesmo modo que você herdou o pecado de Adão, agora</p><p>você herda a justiça de Cristo.</p><p>No tempo em que você era pecador, você certamente fazia boas obras, como dar comida aos pobres,</p><p>ajudar os enfermos e coisas assim. Essas boas obras o faziam justo diante de Deus? Certamente que não. Você</p><p>ainda era um pecador. Existem pecadores decentes e existem pecadores realmente malignos, mas são todos</p><p>pecadores. Não adianta ficar medindo a iniquidade dos pecadores porque todos eles estão mortos, e ninguém</p><p>pode estar mais morto que outro. Todos necessitam igualmente receber a vida de ressurreição.</p><p>O que o primeiro Adão fez foi tão poderoso que você não pode desfazer pelas suas próprias obras.</p><p>Entenda que as suas boas obras não podiam mudar o seu status de pecador. Quando você fazia boas obras,</p><p>você ainda continuava sendo um pecador. O mesmo princípio continua valendo depois que você recebe a</p><p>justiça de Cristo. Uma vez que recebemos a justiça, já não somos mais pecadores. Ainda estamos sujeitos</p><p>ao pecado e podemos ainda pecar, mas não somos mais pecadores. O pecado não pode mais mudar a nossa</p><p>posição de justos porque ele não é maior que o poder da justiça de Cristo que nos foi dada.</p><p>Nunca julgue a sua posição pelo seu comportamento, mas sempre julgue o seu comportamento basea-</p><p>do na sua posição. A sua posição é que você é justo em Cristo, então declare que o seu comportamento errado</p><p>é agora inadequado para alguém justo como você. Nunca faça o contrário: não rejeite a sua posição de justo</p><p>porque você pecou. Isso, porém, não é um tipo de licença para pecar. Em primeiro lugar porque a força do</p><p>pecado não é a graça, e sim a lei. E também porque o pecado não tem mais domínio sobre aqueles que estão</p><p>debaixo da graça.</p><p>“Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da</p><p>graça” (Rm. 6:14).</p><p>O problema é que pensamos que somos justos apenas quando confessamos o nosso pecado.</p><p>Evidentemente devemos confessar quando pecamos. Contudo, a confissão não nos faz justos, pois nós já</p><p>fomos feitos justos pelo sangue de Jesus.</p><p>Rejeite toda a introspecção</p><p>Muitos ficam todo o tempo se analisando para ver se acham alguma justiça neles mesmos, mas, ao</p><p>fazerem isso, caem na arapuca da introspecção. Ficar se olhando e se analisando o tempo todo produz apenas</p><p>angústia e morte. A introspecção é um tipo de justiça própria, a carne tentando se melhorar, e o homem</p><p>pensando que pode se transformar pelo próprio braço.</p><p>O diabo procura nos levar a ficar ocupados conosco mesmos, nos olhando e nos analisando o tempo</p><p>todo. O resultado disso é sentimento de culpa, depressão, desânimo e incredulidade. O alvo de Deus é que</p><p>olhemos para Cristo. Quanto mais olhamos para Cristo e nos esquecemos de nós mesmos, mais somos cheios</p><p>de vida e transformados de glória em glória. Precisamos entender que é a justiça dEle que nos faz justos, e não</p><p>o nosso próprio bom comportamento e as boas obras.</p><p>O diabo sempre nos dirá: “olhe para você. Você não obedeceu o suficiente. Como você pode crer</p><p>em Deus para receber cura? Como você pode crer em Deus para prosperidade? Você desobedeceu. Você</p><p>A fé correta produz o comportamento correto 69</p><p>já não é mais justo diante de Deus”. É nesse momento que precisamos trazer todo pensamento à obedi-</p><p>ência de Cristo.</p><p>“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir</p><p>fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de</p><p>Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co. 10:4-5).</p><p>Não é que nós trazemos o nosso pensamento para obedecer a Cristo,</p><p>mas trazer todo pensamento à</p><p>obediência de Cristo. A obediência é de Cristo e, porque Ele obedeceu, fui feito justo pela fé. Agora, toda</p><p>fortaleza maligna é quebrada por causa da obediência de Cristo.</p><p>Descanse no seu representante</p><p>O diabo é o acusador. Quando você obedece, ele diz que você não obedeceu o suficiente e, quando você</p><p>desobedece, ele lhe condena. Mas precisamos ter em mente que assim como Cristo é nós somos nesse mundo.</p><p>“Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança;</p><p>pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo” (1 Jo. 4:17).</p><p>Depois que foi assunto ao céu, o Senhor se tornou o nosso sumo sacerdote. E o que Ele está</p><p>fazendo agora? Hebreus 1:3 diz que, depois que o Senhor fez a purificação dos pecados, Ele se assentou</p><p>à destra da majestade nas alturas porque a sua obra está completa. O profeta fala de Deus aos homens,</p><p>mas o sacerdote fala dos homens a Deus (Hb. 5:1). O sacerdote representa o homem diante de Deus. É</p><p>claro que o Senhor Jesus também é profeta, mas Ele está sentado como sumo sacerdote em nosso favor</p><p>e nos representa diante de Deus.</p><p>“Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas</p><p>concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos</p><p>pecados” (Hb. 5:1).</p><p>Deus sempre trabalha com representantes. Quando Davi venceu a Golias, a vitória de Davi foi a vitória</p><p>de todo o Israel. Não era necessário que todo o Israel lutasse, pois o povo tinha um representante. O mesmo</p><p>princípio se aplicava ao sacerdote. Ele representava todo o povo diante de Deus.</p><p>Em Israel, havia um dia do perdão nacional, chamado de dia da Expiação. Neste dia, o sumo sacerdote</p><p>entrava no Santo dos santos do Templo para fazer a expiação dos pecados da nação. Se o sacerdote entrasse</p><p>no Santo dos santos e caísse morto ali, ele seria arrastado para fora, e toda a nação saberia que Deus o havia</p><p>rejeitado. O povo agora teria um ano ruim, com derrota para os inimigos, seca e fome. Quando o sumo sacer-</p><p>dote saía do Santo dos santos vivo, ele erguia a sua mão para abençoar a nação, e ela sabia que Deus a havia</p><p>aceitado e que teria um grande ano com chuva e abundância. O que Deus estava dizendo é que, se o seu sumo</p><p>sacerdote for bom, você estará bem. Se o sumo sacerdote é aceito, você é aceito também.</p><p>O que acontecia naquele tempo é que os bons sumos sacerdotes envelheciam e morriam. É por causa</p><p>disso que a segurança no Velho Testamento não era permanente. Aquele bom sumo sacerdote ficava velho, e</p><p>as pessoas olhavam temerosas para o filho que o sucederia e que não tinha um bom comportamento. Agora</p><p>nós temos um sumo sacerdote que vive para sempre. Quando ele é aceito, somos aceitos também, e hoje o</p><p>nosso sumo sacerdote é Jesus.</p><p>João diz que, como Ele é, nós somos nesse mundo (1 Jo. 4.17). Se Ele é aceito por Deus, nós também</p><p>somos aceitos. Se Ele é justo, nós também somos justos. Se Ele é saudável, nós também somos. Se Ele é prós-</p><p>pero, nós também somos. Se Ele está debaixo do favor de Deus, nós também estamos.</p><p>Sei que são afirmações poderosas que eventualmente são confrontadas pelas nossas circunstâncias. Se</p><p>você está doente, lembre-se que a sua doença é um fato, mas a verdade é maior que o fato. É um fato que você</p><p>está enfermo, mas a verdade é que Cristo já levou na cruz nossas doenças. Fique com a verdade e rejeite o fato.</p><p>O fato é momentâneo, mas a verdade é eterna.</p><p>No Velho Testamento, o sumo sacerdote tinha que usar uma roupa especial e uma mitra na cabeça.</p><p>Cada peça do vestuário do sacerdote tem uma maravilhosa relação com a redenção. Na frente de sua testa</p><p>70 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>tinha uma placa de ouro escrita: “santidade ao Senhor”. Qual o ensino espiritual aqui? A resposta está em</p><p>Êxodo 28:38.</p><p>“E estará sobre a testa de Arão, para que Arão leve a iniqüidade concernente às coisas</p><p>santas que os filhos de Israel consagrarem em todas as ofertas de suas coisas santas; sempre</p><p>estará sobre a testa de Arão, para que eles sejam aceitos perante o SENHOR” (Ex. 28:38).</p><p>Essa placa indicava que os pensamentos do sumo sacerdote deveriam ser sempre santos ao Senhor.</p><p>Muitos não sabem, mas mesmo nos momentos de adoração existe iniquidade em nossa ministração. Mesmo</p><p>naqueles momentos que pensamos desfrutar da mais doce intimidade, ainda existe pecado ali. Não precisamos</p><p>parar a adoração preocupados, pois o nosso sumo sacerdote, Cristo, traz na sua mente a santidade ao Senhor,</p><p>para que nós sejamos aceitos diante dEle. Desde que os pensamentos de Cristo sejam santos, então nós sere-</p><p>mos sempre aceitos diante de Deus. Lembre-se que Ele é o nosso representante.</p><p>O padrão não era: “se os seus pensamentos forem santos, então você será aceito”. Em vez disso, Deus diz</p><p>que, uma vez que os pensamentos do sumo sacerdote sejam santos, nós seremos aceitos. Como Cristo é eter-</p><p>namente santo, nós seremos para sempre aceitos diante de Deus. Temos um sumo sacerdote que se compadece</p><p>de nós e intercede por nós. Você sabe por que Deus escolheu Arão e não Moisés para ser o sumo sacerdote?</p><p>Isso é curioso porque Moisés era o libertador, o homem que falava com Deus face a face. Porém, ainda</p><p>assim Deus escolheu Arão. Eu creio que a razão disso é que Moisés nunca tinha sido escravo como o povo.</p><p>Enquanto todo o povo sofria debaixo da escravidão, Moisés estava no palácio de faraó. Ele então não podia se</p><p>identificar com o povo. Por outro lado, Arão sofreu junto com o povo. O sumo sacerdote precisa ser alguém</p><p>que se identifica com o seu povo. Essa é a razão porque Cristo se fez homem, para ser o nosso sumo sacerdote.</p><p>Ele nos compreende e nos ama porque se fez como nós.</p><p>“Pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes</p><p>da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap. 7:17).</p><p>Quem nos apascenta não é o grande pastor, mas o Cordeiro. Ele se fez cordeiro para que pudesse se</p><p>compadecer de nós e interceder por nós diante do Pai. É claro que Ele é o supremo pastor, mas ele só é supre-</p><p>mo porque também é um cordeiro.</p><p>Creia corretamente e seja</p><p>transformado</p><p>Como já disse anteriormente, cristianismo é uma questão de crer corretamente. Se você está ansioso,</p><p>por exemplo, isso é um sinal de que há uma crença errada na sua vida. Se a pessoa acredita que Deus</p><p>somente a abençoará se ela for merecedora, ela será tomada de muita ansiedade no meio de um pro-</p><p>blema, pois temerá que não seja boa o suficiente para merecer a bênção de Deus. Mude sua crença sobre o Pai,</p><p>e a ansiedade desaparece.</p><p>O filho pródigo saiu de casa e caiu no pecado, mas, por fim, ele voltou para casa, e o pai o recebeu com</p><p>mais graça. Foi assim porque é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento, e não o seu juízo.</p><p>“Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que</p><p>a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm. 2:4).</p><p>O irmão do filho pródigo ficou do lado de fora da festa. Por que ele se recusou a entrar? Ele disse</p><p>ao seu pai:</p><p>“Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um</p><p>cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos [...]” (Lc. 15:29).</p><p>É possível estar próximo do pai e ainda assim distante. Aquele filho estava longe, morando dentro de</p><p>casa, e tudo isso porque tinha uma fé errada. Ele tinha uma crença errada de como se relacionar com o seu Pai.</p><p>Verdade e graça</p><p>Uma crença errada é aquela que não está de acordo com a verdade. O que é verdade? A resposta a essa</p><p>pergunta tem o poder de transformá-lo. A verdade é o Evangelho da graça.</p><p>O presbítero ao amado Gaio, a quem eu amo na verdade. Amado, acima de tudo, faço votos por tua</p><p>prosperidade e saúde, assim como é próspera a tua alma. Pois fiquei sobremodo alegre pela vinda de irmãos</p><p>e pelo seu testemunho da tua verdade, como tu andas na verdade. Não tenho maior alegria do que esta, a de</p><p>ouvir que meus filhos andam na verdade (3 Jo. 1:1-4).</p><p>A transformação da alma</p><p>Aula 6</p><p>72 Curso de</p><p>Maturidade no Espírito</p><p>João diz no verso primeiro de sua terceira epístola que ele amava o irmão Gaio, na verdade. Depois fala</p><p>do testemunho na verdade, e depois diz de sua alegria de saber que seu discípulo anda na verdade. É porque</p><p>ele anda na verdade que a alma dele é próspera e saudável, pois saúde e prosperidade procedem da verdade.</p><p>João diz que a lei foi dada por intermédio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus</p><p>Cristo (Jo. 1:17). Observe que graça e verdade andam juntas. Cristo é tanto a verdade quanto Ele é a graça. Se</p><p>queremos desfrutar da graça, precisamos andar na verdade. A verdade está do lado da graça, e não do lado da</p><p>lei. Observe que os fariseus sabiam a Torá de cor, mas mesmo assim desconheciam a verdade. Jesus disse que,</p><p>se eles a conhecessem, eles seriam libertos. Disso concluímos que a lei não é a verdade (Jo. 8:32).</p><p>Hoje muitos desejam viver segundo os preceitos da lei, julgando, com isso, ensinar a verdade, mas isso é</p><p>um erro. A verdade vem apenas acompanhada da graça. Quando Pedro, temendo os judaizantes de Jerusalém,</p><p>se apartou da comunhão com os irmãos gentios em Antioquia, Paulo o resistiu dizendo que ele não procedia</p><p>corretamente segundo a verdade do Evangelho (Gl. 2:14). Observe que a verdade também vem junto com o</p><p>Evangelho, e o Evangelho é a graça de Deus (At. 20:24). Logo, a verdade é o Evangelho da graça.</p><p>“Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho,</p><p>disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu,</p><p>por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl. 2:14).</p><p>Precisamos compreender que nossa fé determina nossa conduta. Se a nossa fé está baseada na verdade,</p><p>então teremos um comportamento condizente. Quando realmente cremos na verdade, nós a praticamos. Você</p><p>somente pode dizer que crê na Palavra se você a pratica. Quando você realmente crê, então você pratica. As</p><p>pessoas, por exemplo, dizem que acreditam no dízimo, mas, elas dão o dízimo? Não? Então elas realmente não</p><p>acreditam. Você somente pode dizer que crê no Evangelho se vive pela graça, e não pela lei.</p><p>Gostaria de colocar sete princípios para compreendermos como a mudança de crente produz a trans-</p><p>formação da alma.</p><p>1. Todo comportamento é baseado em uma crença</p><p>Precisamos ter muito cuidado com aquilo que cremos, pois aquilo em que acreditamos sempre vai</p><p>gerar em nós um comportamento. Na verdade, nossas ações são o fruto de nossa crença, o conteúdo do que</p><p>cremos. Se cremos de maneira errada, o resultado será um comportamento errado. Não adianta tentar mudar</p><p>o comportamento sem primeiro mudar a crença que o apoia.</p><p>Não existem doutrinam neutras ou teologias neutras. Tudo aquilo em que cremos vai afetar o nosso</p><p>comportamento. Se a sua vida cristã não tem avançado é porque há algum ensino errado, alguma convicção</p><p>em desarmonia com a verdade do Evangelho.</p><p>2. Atrás de cada pecado há uma mentira na qual eu acredito</p><p>Atrás de cada pecado há uma mentira. O fato é que as pessoas muitas vezes escolhem crer em mentiras</p><p>e, por isso, permanecem na prática do pecado. Aquele que vive no pecado está debaixo do espírito de engano e</p><p>de mentira. O grande desafio e a parte mais difícil é descobrir qual é a mentira por trás de um comportamento.</p><p>Quanto mais você se torna maduro em Cristo, mais rápido você perceberá as mentiras.</p><p>Existem muitas mentiras nas quais as pessoas acreditam, mas deixe-me mencionar algumas. Uma cren-</p><p>ça comum é o pensamento: “Deus sabe que é assim que eu sou. Ele me fez assim”. A verdade é que Deus</p><p>nos fez perfeitos, mas nós escolhemos pecar e, por isso, ele ordena que nos arrependamos. Também existem</p><p>pessoas que pensam da seguinte maneira: “Eu posso pedir perdão depois”. Mas isso é rebelião. É um mau uso</p><p>da graça de Deus.</p><p>“Se as minhas intenções são boas, então está tudo bem”, afirmam alguns em sua mente. Pergunte isso</p><p>a Uzá (2 Sm. 6; 1 Cro. 15:13). A sua intenção era das melhores. Ele apenas queria impedir que a Arca caísse.</p><p>Muitos acreditam que os fins justificam os meios e se desculpam dizendo que a maioria das pessoas faz o mes-</p><p>mo. Eles pensam: “A maioria das pessoas faz assim”. Nós, no entanto, não seguimos a maioria, pois seguimos</p><p>a Palavra de Deus. Foi a multidão quem escolheu a Barrabás. A verdade é aquilo que a Palavra de Deus diz, e</p><p>não aquilo que a maioria diz.</p><p>Creia corretamente e seja transformado 73</p><p>3. Toda mudança começa sempre na mente</p><p>O velho ditado é verdadeiro: “Semeie um pensamento e colha um ato; semeie um ato e colha um há-</p><p>bito; semeie um hábito e colha um caráter; semeie um caráter e colha um destino”. Veja que tudo começa na</p><p>mente. Assim, se queremos mudança, precisamos primeiro mudar nossas crenças na mente. Romanos 12:2 diz</p><p>que somos transformados pela renovação da nossa mente. A maneira como você pensa determina a maneira</p><p>como você se sente, e os seus sentimentos vão determinar o seu comportamento.</p><p>As pessoas ficam focadas nas suas emoções acreditando que o problema é a emoção, mas isso é um</p><p>erro. As emoções são apenas o resultado de um pensamento, são mudadas e até desaparecem se mudarmos o</p><p>pensamento que as está produzindo. Também não adianta tentar mudar o comportamento diretamente. É</p><p>preciso mudar primeiro o pensamento ou a crença que o apoia. Se a crença não é mudada, inevitavelmente o</p><p>comportamento retorna.</p><p>A forma como Deus nos transforma é pela Palavra. Como renovamos a nossa mente usando a Palavra?</p><p>Simplesmente recebendo-a em nosso coração como a verdade de Deus. A primeira maneira de recebermos a</p><p>Palavra é ouvindo-a. Quando ouvimos a Palavra, estamos renovando a nossa mente e, desta forma, nos sub-</p><p>metendo a uma mudança metabólica.</p><p>4. Mudar a mente é mudar as crenças</p><p>Para ajudar as pessoas a mudarem, você tem que ajudá-las a ver a mentira em que elas estão baseando</p><p>seu comportamento. Nós confrontamos a mentira mostrando-lhes a verdade. Jesus disse:</p><p>“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo. 8:32).</p><p>Somos transformados pela renovação da nossa mente. Apenas dizer às pessoas: “Você precisa parar com</p><p>esse comportamento... Você precisa parar de fazer isso ... Você precisa parar de fazer aquilo...” simplesmente</p><p>não vai funcionar. Você tem que ajudá-las a mudar o padrão de crença.</p><p>5 . O termo bíblico para “mudança de mente” é “arrependimento”</p><p>O verdadeiro arrependimento é reconhecermos que estávamos acreditando numa mentira e então re-</p><p>cebermos a verdade da Palavra de Deus. O verdadeiro arrependimento nem é tanto do pecado, mas da crença</p><p>que o apoiava. É por isso que Hebreus 6:1 fala do arrependimento de obras mortas. As obras mortas não são</p><p>o comportamento, mas a crença errada que o apoiava.</p><p>“Por isso, pondo de parte os princípios elementares da doutrina de Cristo, deixemo-nos</p><p>levar para o que é perfeito, não lançando, de novo, a base do arrependimento de obras</p><p>mortas e da fé em Deus” (Hb. 6:1).</p><p>A maioria das pessoas pensa em arrependimento como algo relacionado apenas com a salvação. Contudo,</p><p>o arrependimento é mudar a maneira como pensamos sobre algo, ao aceitar a maneira que Deus pensa a</p><p>respeito daquilo. Usando uma expressão moderna, podemos dizer que arrependimento é uma “mudança de</p><p>paradigma”. Estamos no negócio de mudança de paradigma, no negócio de arrependimento. Trabalhamos</p><p>para que a mente das pessoas seja mudada num nível mais profundo, no nível de crença e dos valores.</p><p>Você não muda a mente das pessoas, somente a Palavra de Deus o faz. Nós mesmos não mudamos nin-</p><p>guém, mas a Palavra de Deus, sendo liberada através de nós, certamente pode mudar as pessoas. 1 Coríntios</p><p>2:13 diz que nós falamos, não em palavra ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito,</p><p>conferindo coisas espirituais com espirituais.</p><p>Na pregação nós somos apenas o autofalante, mas a Palavra de Deus é a realidade que transforma as</p><p>pessoas. Por isso, não tente mudar as pessoas e libere a Palavra, que tem poder para isso.</p><p>“O Espírito do SENHOR fala por meu intermédio, e a sua palavra</p><p>está na minha língua”</p><p>(2 Sm. 23:2).</p><p>Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos” (Zc. 4:6 RC).</p><p>74 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>6. Mudança de comportamento é o fruto do arrependimento</p><p>O arrependimento não é realmente mudança de comportamento. Mudança de comportamento é o</p><p>resultado do arrependimento, e este não significa em primeiro lugar abandonar o pecado, mas simplesmente</p><p>mudar de ideia, de pensamento e de crença. João Batista disse em Mateus 3:8 que devemos produzir frutos</p><p>dignos de arrependimento. Em outras palavras, você pode dizer ao irmão: “Ok, você mudou de ideia sobre</p><p>Deus, sobre a vida, sobre o pecado e sobre si mesmo, agora vamos ver alguns resultados disso”.</p><p>Toda semana eu tento comunicar a Palavra de Deus de tal forma que as pessoas mudem a sua forma</p><p>de pensar. A palavra “arrependimento” assumiu uma imagem negativa, por isso eu raramente a uso, mas a</p><p>verdade é que eu prego arrependimento todas as semanas. Isso porque o arrependimento é a mensagem central</p><p>do Novo Testamento. João Batista, então, pregou o arrependimento para entrar no reino.</p><p>“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”(Mt. 3:2)</p><p>Jesus disse: “Arrependei-vos e crede no Evangelho”.</p><p>“O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evan-</p><p>gelho” (Mc. 1:15).</p><p>Jesus mandou que seus discípulos saíssem e pregassem o arrependimento.</p><p>“Então, saindo eles, pregavam ao povo que se arrependesse” (Mc. 6:12).</p><p>No dia de Pentecostes, Pedro pregou:</p><p>“Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão</p><p>dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At. 2:38).</p><p>7. Para sabermos em que uma pessoa crê, basta observarmos suas palavras e ações</p><p>As palavras fluem de nossas crenças e convicções, por isso precisamos mudar a nossa confissão quando</p><p>mudamos a nossa crença. A confissão não é para gerar uma realidade, mas para reafirmá-la e fortalecê-la. Você</p><p>não confessa que é justo, a fim de se tornar justo. Você confessa que é justo porque já é justo. Esta é a sua</p><p>realidade por causa do sangue de Jesus que o justificou, e isso deve ser aplicado a todas as verdades espirituais.</p><p>“Você já é rico porque Ele se fez pobre; para que pela sua pobreza nos tornássemos ricos”</p><p>(2 Co. 8:9).</p><p>Nós confessamos a verdade para ficarmos mais conscientes da sua realidade.</p><p>Operações do Espírito</p><p>Capítulo</p><p>4</p><p>O derramamento do Espírito Santo</p><p>O tema do livro de Atos é a expansão do corpo de Cristo pelo Espírito por meio do testemunho dos</p><p>discípulos. A expansão do corpo de Cristo é a expansão do próprio Cristo através da Igreja. Todavia,</p><p>essa expansão deve acontecer por meio da unção do Espírito na vida dos discípulos. Daí o Senhor</p><p>dizer para os discípulos esperarem até que fossem revestidos do poder do alto. Esse revestimento de poder</p><p>aconteceu por meio do derramamento do Espírito, no batismo no Espírito Santo.</p><p>“Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente,</p><p>veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam</p><p>assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma</p><p>sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em ou-</p><p>tras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em</p><p>Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando,</p><p>pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto</p><p>cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam,</p><p>dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os</p><p>ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” (At. 2:1-8).</p><p>[...] “Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer?</p><p>Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados!” (At 2:12-13).</p><p>No dia de Pentecostes</p><p>O dia de Pentecostes, que significa quinquagésimo, era o quinquagésimo dia depois da ressurreição</p><p>do Senhor. O Senhor foi crucificado na Páscoa (Jo. 19:14), e o Pentecostes era o quinquagésimo dia contado</p><p>a partir do dia seguinte ao sábado da Páscoa (Lc. 23:54 a 24:1). O Pentecostes era ainda chamado festa das</p><p>semanas (Dt. 16:10), porque acontecia sete semanas depois da Páscoa, e também festa da colheita (Ex. 23:16).</p><p>Jesus morreu numa sexta-feira, às três horas da tarde, e na sexta-feira seguinte foi sepultado. Segundo</p><p>a forma de os judeus contarem os dias, sexta foi o primeiro dia de sua morte, o sábado foi o segundo e o</p><p>domingo, quando ele ressuscitou, foi o terceiro. Levítico 23:15-16 diz que os 50 dias do Pentecostes deveriam</p><p>ser contados a partir do dia seguinte ao sábado da Páscoa (Lv. 23:15-16). Sendo assim, tanto a ressurreição</p><p>quanto o Pentecostes aconteceram no domingo.</p><p>Operações do Espírito</p><p>Aula 1</p><p>O derramamento do Espírito Santo 77</p><p>A festa do Pentecostes simboliza, ainda, o rico produto gerado pela ressurreição de Cristo. No Pentecostes,</p><p>temos o suprimento completo de Deus para todas as nossas necessidades e o Espírito Santo enviado para ser</p><p>o nosso poder e a nossa vida. Como todas as verdades da Palavra de Deus, o sentido espiritual do Pentecostes</p><p>tem dois lados: somos feitos lavoura de Deus a ser colhida no arrebatamento e ceifeiros revestidos de poder</p><p>para colher a seara madura das almas no mundo.</p><p>Gálatas 3:14 diz que a bênção mais importante do Evangelho não é o céu nem o perdão dos pecados,</p><p>mas o Espírito Santo que veio habitar em nós, nos encher e ser a nossa vida e poder. O Espírito Santo é o</p><p>próprio Deus habitando dentro do homem. Ele é o selo da propriedade de Deus sobre nós e o penhor e</p><p>antegozo da glória futura. Esse é o mistério oculto dos séculos e das gerações: Cristo morando dentro de nós</p><p>pelo Espírito Santo.</p><p>“Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Jesus Cristo, a fim de que recebês-</p><p>semos, pela fé, o Espírito prometido” (Gl. 3:14).</p><p>Um vento impetuoso</p><p>Depois da sua ressurreição, o Senhor soprou o Espírito sobre os discípulos, que aponta para o Espírito</p><p>Santo como vida.</p><p>“E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo” (Jo. 20:22).</p><p>Por outro lado, o vento impetuoso que encheu a casa aponta para o Espírito como revestimento de</p><p>poder. Há, portanto, duas experiências distintas. A primeira aponta para o novo nascimento, a regeneração,</p><p>que acontece no dia da nossa conversão quando recebemos o Senhor. A segunda aponta para o batismo no</p><p>Espírito Santo, quando o fogo de Deus nos enche de poder para testemunhar. Precisamos ver claramente a</p><p>diferença entre o sopro, em João 20, e o vento, em Atos 2. O sopro em João 20 visa à vida, e o vento em Atos</p><p>2 visa ao revestimento de poder.</p><p>Alguns pensam que o sopro de João 20 não era um fato, mas uma representação que se cumpriu 50</p><p>dias depois do dia de Pentecostes. Tal conceito está errado. Em João, o Espírito é comparado à água para</p><p>beber (Jo. 4:14; Jo. 7:37-39). Mas, em Lucas e em Atos, que são um único volume, o Espírito é comparado</p><p>à roupa que vestimos.</p><p>“Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do</p><p>alto sejais revestidos de poder” (Lc. 24:49).</p><p>A água é para a vida interior, e a roupa é para a obra exterior. Podemos ilustrar isso por meio de um</p><p>policial. Quando ele se levanta, precisa beber ou comer algo para ter força. Isto é representado pelo Espírito</p><p>como vida. O policial precisa colocar o uniforme para ter autoridade, e o uniforme é o Espírito como poder.</p><p>Assim, ter apenas a vida não garante autoridade. Há muitos crentes que de fato são nascidos de novo, mas que</p><p>não possuem autoridade para testemunhar porque não são cheios do Espírito. Depois de ser revestido com o</p><p>uniforme do Espírito, Pedro pôde se levantar e falar com autoridade.</p><p>Devemos rejeitar todo ensinamento errado sobre o Espírito Santo. O sopro é para a vida, e o vento</p><p>é para o mover. O sopro nos dá vida, e</p><p>o vento nos dá poder e autoridade. Da nossa experiência, talvez não</p><p>percebamos diferença nenhuma, mas duas palavras no grego são traduzidas como “encher” no texto. No</p><p>verso 2, um vento encheu a casa, e aqui o verbo usado é pleróo, que significa “encher por dentro”. Depois,</p><p>no verso quatro, todos ficaram cheios do Espírito. A palavra usada aqui para cheio é plethó, que significa</p><p>ser “cheio por fora”.</p><p>Todo crente precisa experimentar os dois aspectos do Espírito Santo. Até mesmo o Senhor Jesus ex-</p><p>perimentou isso. Ele era nascido do Espírito (Lc. 1:35; Mt. 1:18 e 20) e também foi ungido com o Espírito</p><p>Santo (Mt. 3:16; Lc. 4:18). Ele tinha o Espírito, então, como vida e unção. Lamentavelmente, há muitos</p><p>que possuem a vida, porém negligenciam a unção do Espírito. Nesses dias, você será cheio do Espírito</p><p>Santo e do poder!</p><p>78 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Línguas de fogo</p><p>Atos diz que línguas de fogo pousaram sobre cada um deles. A língua é um símbolo da fala, o que</p><p>denota que o Espírito como poder é principalmente para falar. Ele é o Espírito que fala, e o fogo simboliza o</p><p>poder ardente que há no mover de Deus para purificar e motivar.</p><p>E passaram a falar em outras línguas</p><p>Ainda que os homens entendessem o que os apóstolos proferiam, as línguas podem apenas ser interpre-</p><p>tadas, e não traduzidas. Nem sempre as línguas são dialetos como em Atos, mas podem ser ininteligíveis como</p><p>em 1 Coríntios 12 a 14. Paulo chamou as línguas de “línguas dos anjos e gemidos inexprimíveis”.</p><p>“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o</p><p>bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1 Co. 13:1).</p><p>“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos</p><p>orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos</p><p>inexprimíveis” (Rm. 8:26).</p><p>Trata-se de um princípio de Deus no qual as realidades e experiências espirituais têm manifestações</p><p>naturais e físicas em nossas vidas. Por exemplo:</p><p>� Quando somos cheios do amor de Deus, ele se revela por um amor aos irmãos.</p><p>� Os pensamentos dos nossos corações são expressos pelas nossas palavras.</p><p>� O verdadeiro arrependimento é expresso pelo batismo nas águas e pela confissão pública de fé.</p><p>� O recebimento do Espírito é manifesto pelo falar em línguas. Há uma diferença entre lín-</p><p>guas como a evidência inicial do batismo do Espírito Santo e o falar em línguas como o</p><p>“dom de línguas”.</p><p>Todos os casos no livro de Atos, no qual se mostra alguém recebendo o batismo no Espírito Santo,</p><p>mostram que as pessoas falaram em línguas ao receberem o Espírito. Os exemplos bíblicos nos mostram que</p><p>todos deveriam falar em línguas ao receberem o Espírito.</p><p>O exemplo do dia de Pentecostes:</p><p>“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o</p><p>Espírito lhes concedia que falassem” (At. 2:4).</p><p>O exemplo dos samaritanos:</p><p>“Então, lhes impunham as mãos, e recebiam estes o Espírito Santo. Vendo, porém, Simão</p><p>que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu-</p><p>-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre</p><p>quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo” (At. 8:17-19).</p><p>O exemplo de Paulo:</p><p>“Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo, irmão,</p><p>o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas,</p><p>para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo” (At. 9:17).</p><p>“Dou graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós” (1 Co. 14:18).</p><p>O exemplo de Cornélio:</p><p>“Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a</p><p>palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, quevieram com Pedro, admiraram-se, porque</p><p>também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando</p><p>em línguas e engrandecendo a Deus” (At. 10:44-46).</p><p>O derramamento do Espírito Santo 79</p><p>O exemplo de Éfeso:</p><p>Perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe res-</p><p>ponderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo</p><p>perguntou: Em que, pois, fostes batizados? Responderam: No batismo de João. Disse-lhes</p><p>Paulo: João realizou batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que</p><p>vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em o nome</p><p>do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto</p><p>falavam em línguas como profetizavam (At. 19:2-6).</p><p>Na maioria desses casos é bem óbvio que eles não se submeteram às instruções do Senhor sobre a</p><p>maneira com que as línguas deveriam ser usadas para edificarem a Igreja. Todos eles, por exemplo, falaram ao</p><p>mesmo tempo. 1 Coríntios 14:6, 23 e 27 nos mostra que isto está em desordem na Igreja. Além disso, não</p><p>havia interpretação, o que 1 Coríntios 14:5 e 28 revelam como sendo impróprio também na reunião da Igreja.</p><p>Contudo, Paulo mostra que há também um falar em línguas dentre os vários dons que foram dados à</p><p>Igreja para o ministério do Corpo (1 Co. 12:10 e 30, além de 14:5 e 26). Neste caso, deve haver interpretação.</p><p>Dom de línguas mais interpretação serão iguais à profecia. Foi a confusão desses dois, portanto, que Paulo</p><p>procurou corrigir na Igreja de Corinto.</p><p>Alguns vinham às reuniões e falavam em línguas demasiadamente, sem nenhuma interpretação, produ-</p><p>zindo abusos e confusão. Deste modo, Paulo esclareceu esse problema mostrando que, na reunião da Igreja,</p><p>cada pessoa deveria procurar edificar o corpo (1 Co. 14:12), e as mensagens em línguas dadas na reunião</p><p>deveriam ser interpretadas para que todos pudessem ser edificados (1 Co. 14:5 e 28). No entanto, ele não se</p><p>refere ao uso privado de línguas nas orações e no louvor deles ao Senhor (1 Co. 14:4, 15, 18 e 19). A isto ele</p><p>chama de “orar no Espírito” e “cantar no Espírito” (vs. 15) e confirma o fato de que deveríamos praticá-lo.</p><p>E os ouviam falar em sua própria língua</p><p>Existe uma relação inegável entre o juízo de Deus em Babel, quando Ele confundiu as línguas, e o</p><p>Pentecostes, quando Ele restaurou a comunicação entre os homens. Somente pelo Espírito podemos nos fazer</p><p>entender. A verdadeira comunicação ou comunhão somente pode ocorrer pelo Espírito. Em Babel, Deus</p><p>destruiu a edificação maligna e, no Pentecostes, Ele começou efetivamente a sua edificação na terra. Em ambos</p><p>os casos as línguas foram um sinal.</p><p>Estão embriagados</p><p>“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito,</p><p>falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e</p><p>cânticos espirituais” (Ef. 5:18-19).</p><p>Parece claro que os discípulos expressavam um comportamento que se confundia com a embriaguez.</p><p>É por isso que Paulo manda que nos embriaguemos do Espírito, em Efésios 5:18. A experiência do batismo é</p><p>apenas a primeira. O enchimento deve ser contínuo em nossas vidas, e somos cheios do Espírito ao falarmos</p><p>e louvarmos a Deus.</p><p>Seja cheio do Espírito Santo</p><p>A vida cristã não é uma série de proibições impostas, mas um grande privilégio oferecido. Tudo o que</p><p>entendemos da vida cristã somente é possível se formos cheios do Espírito. É o Espírito que nos capa-</p><p>cita a viver a verdade do Evangelho.</p><p>“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei- vos do Espírito,</p><p>falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e</p><p>cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso</p><p>Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5:18-21).</p><p>Seja completamente cheio do Espírito</p><p>O verso 18 também poderia ser traduzido como: “E não vos embriagueis com vinho, mas embria-</p><p>gai-vos com o Espírito Santo”. Isto indica que devem existir algumas semelhanças entre aquele que está</p><p>bêbado e aquele que está cheio do Espírito. Creio que a comparação que Paulo faz aqui é em função do que</p><p>aconteceu</p><p>no dia de Pentecostes. As pessoas pensaram que os discípulos estavam embriagados (At. 2:12-</p><p>16). Eles assim concluíram porque existem elementos de similaridades entre o enchimento do Espírito e a</p><p>embriaguez com o vinho.</p><p>A similaridade é a alegria, a desenvoltura sem timidez, a coragem, o rosto brilhante e uma grande dis-</p><p>posição. Todas essas coisas são momentâneas e superficiais na embriaguez. A ordem bíblica é para que sejamos</p><p>cheios do Espírito, que é diferente de ser batizado no Espírito. Evidentemente o batismo inclui o enchimento,</p><p>mas o batismo é o selo do Espírito. Paulo está ordenando a aqueles que já foram selados (At. 1:13 e 5:30) para</p><p>agora serem cheios. O selo ou batismo no Espírito acontece uma única vez. O ser cheio, por sua vez, é algo que</p><p>deve acontecer como um estilo de vida. Ser cheio do Espírito deve ser uma característica do crente.</p><p>O batismo no Espírito Santo é algo definido, que sabemos claramente quando recebemos. O seu</p><p>objetivo é dar-nos poder para testemunharmos do Senhor (At. 1:8). Obviamente que, quando somos batiza-</p><p>dos, somos também cheios do Espírito, mas o ser cheio mencionado aqui em Efésios 5 é algo contínuo. Na</p><p>verdade, o texto diz no original: “continuem sendo cheios do Espírito”. Pessoas podem ser cheias para realizar</p><p>tarefas especiais, como Bezalel (Ex. 31:3). Ou João Batista foi cheio do Espírito desde o ventre de sua mãe?</p><p>(Lc. 1:15). Nestes casos, as pessoas foram cheias do Espírito para realizarem uma tarefa especial. É, assim, um</p><p>revestimento de poder com um propósito específico.</p><p>Operações do Espírito</p><p>Aula 2</p><p>Seja cheio do Espírito Santo 81</p><p>Em Atos 2:4, lemos que os apóstolos foram cheios do Espírito, mas em Atos 4:8 lemos que Pedro foi</p><p>novamente cheio do Espírito para falar diante das autoridades. Depois, em Atos 4:31, vemos que toda a Igreja</p><p>foi cheia do Espírito e tremeu o lugar onde estavam reunidos. A Igreja que já havia recebido o batismo foi</p><p>cheia do Espírito novamente. Ser cheio, portanto, é algo para ser repetido muitas vezes.</p><p>Em todas essas experiências, o enchimento foi para um propósito específico, mas eu creio que há um</p><p>enchimento para a vida diária. É com respeito a esse enchimento que Paulo está falando em Efésios 5:18. Um</p><p>exemplo disso é a descrição que se faz de Estêvão, como sendo um homem cheio do Espírito (At. 6:5). Não</p><p>é que ele tenha tido uma experiência, mas a sua vida tinha essa característica. Todavia, no momento da sua</p><p>morte, ele recebeu um enchimento maior, ao ponto de ter a face resplandecente (At. 7:55). A mesma descrição</p><p>é feita a respeito de Barnabé, como sendo um homem cheio do Espírito (At. 11:24). Atos 13:52 diz que todos</p><p>os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.</p><p>Permita ao Espírito Santo controlá-lo. A grande questão não é o quanto você possui do Espírito, mas o</p><p>quanto o Espírito possui de você. A ideia aqui não é simplesmente ser cheio do Espírito, mas ser controlado</p><p>pelo Espírito de Deus. Estar embriagado é estar completamente debaixo da sua influência.</p><p>Um enchimento contínuo</p><p>A expressão usada no original é: enchei-vos continuamente do Espírito. Encham-se e continuem se</p><p>enchendo. Todo crente precisa ser batizado no Espírito Santo e depois deve continuar se enchendo continua-</p><p>mente do Espírito. Contudo, eventualmente teremos enchimentos especiais para propósitos especiais.</p><p>Precisamos também lembrar que o Espírito Santo não é uma coisa, mas uma pessoa. Assim como</p><p>encher-se de álcool é colocar-se sob a sua influência, ser cheio do Espírito é estar debaixo da influência do</p><p>Espírito. Aquele que está sob influência do vinho não pode mais controlar-se, e o mesmo acontece com quem</p><p>está cheio do Espírito, que é controlado por Ele. Esse controle não é que o Espírito nos domina, mas que nos</p><p>impulsiona. Ganhamos coragem, ousadia e fé.</p><p>Uma ordem</p><p>Não é apenas uma sugestão bíblica, mas uma ordem: encham-se do Espírito. Se é uma ordem, não</p><p>se trata de uma experiência única e especial. Não precisamos sair procurando alguém para nos encher, mas</p><p>nós mesmos podemos e devemos nos encher do Espírito. Assim como o homem controla se vai ou não ser</p><p>cheio de vinho, o crente controla se vai ou não ser cheio do Espírito. Deste modo, o crente será julgado se for</p><p>negligente nessa questão. Não por acaso, este é exatamente o tema da parábola das virgens, porque as néscias</p><p>não tinham azeite transbordando.</p><p>O batismo no Espírito é a primeira experiência de enchimento e, na maioria das vezes, acontece sem</p><p>que estivéssemos buscando, mas o encher-se é algo que nos cabe fazer diariamente. O encher-se não é uma</p><p>experiência, mas um estilo de vida. Todavia, podemos ter muitas experiências com o Espírito Santo de Deus.</p><p>Devemos rejeitar toda a passividade</p><p>Sendo o enchimento do Espírito uma ordem, precisamos rejeitar toda a passividade e buscar ativamente</p><p>o enchimento contínuo dEle. Crentes passivos ficam esperando ser cheios e nunca o são, mas aqueles que</p><p>ativam a sua vontade e disposição são cheios continuamente.</p><p>Falando, entoando e louvando</p><p>A maneira básica de sermos cheios do Espírito é falando. Não é um falar qualquer, é um falar com</p><p>Deus, de Deus, em Deus, para Deus. Esse falar é o fluir, isto é, a maneira de sermos cheios. Crie um</p><p>ambiente espiritual falando de forma espiritual. O que falamos em nossa casa, o que falamos a respeito de</p><p>nosso cônjuge, a respeito de nós mesmos, o que falamos para Deus, tudo isso nos enche do Espírito. Nossas</p><p>palavras atraem o Espírito de Deus ou O repelem. Precisamos falar de forma positiva, otimista, cheios de</p><p>fé e para edificar sempre.</p><p>82 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para</p><p>edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Ef. 4:29).</p><p>O texto também diz que precisamos ter esse falar espiritual uns com outros e também junto com o</p><p>outro, porque falamos entre nós.</p><p>Dando sempre graças por tudo a Deus</p><p>A gratidão enche do Espírito e destrói a marca da rebelião, que é o descontentamento, senso de justiça</p><p>própria e merecimento. Uma coisa séria é dar graças por tudo, e não apenas pelas coisas boas. Somente po-</p><p>demos dar graças por tudo se enxergamos em tudo a mão do Senhor. Provérbios diz que, se reconhecermos</p><p>o Senhor em todos os nossos caminhos, Ele endireitará as nossas veredas (Pv. 3:6). Gratidão nos fala de</p><p>contentamento, de humildade, e o reconhecimento de que não merecemos, recebemos ou temos mais que</p><p>merecemos. Gratidão é reconhecer que tudo vem de Deus.</p><p>Sujeitando-nos uns aos outros no temor de Cristo</p><p>A característica mais marcante do bêbado é que ele não se submete a ninguém. Ele se gaba, louva-se a</p><p>si próprio e se acha maravilhoso. Esse é o caminho oposto para se encher do Espírito. O que significa sujeitar</p><p>uns aos outros? Significa renunciar ao ego. O nosso ego possui uma infinidade de formas de se manifestar e</p><p>quero mencionar algumas delas.</p><p>Em primeiro lugar, o ego se manifesta no egoísmo, e sua mais evidente manifestação é o individualis-</p><p>mo. Não podemos ser individualistas e ainda desejarmos viver a vida da Igreja. Se nos sujeitarmos ao nosso</p><p>irmão e considerarmos a sua opinião, deixaremos o individualismo.</p><p>O segundo aspecto do ego é a autoafirmação. A voz do diabo diz: não se sujeitem a isso, afirmem-se. É</p><p>a serpente dizendo para Eva: Deus não quer que vocês comam do fruto para não serem conhecedores do bem</p><p>e do mal como Ele. Não se sujeitem a isso. Afirmem-se. Quem renuncia o ego não fica tentando se afirmar.</p><p>O terceiro aspecto do ego é ser obstinado e opiniático. O egocentrismo nos levar a ter opinião sobre</p><p>tudo apenas para mostrar que não somos levados por ninguém. O alvo não é contribuir com uma opinião,</p><p>mas apenas deixar claro que não nos sujeitamos aos demais.</p><p>A quarta expressão do ego é o desejo de dominarmos sobre os outros, sermos ditatoriais. Não tentamos</p><p>fazer prevalecer nossa opinião nem subjugamos os outros, antes nos sujeitamos a eles em amor.</p><p>A quinta expressão do ego é a incapacidade</p><p>de recebermos críticas e tolerarmos pontos de vista diferen-</p><p>tes. Se tenho orgulho de minha opinião, eu considero um insulto alguém atrever-se a questioná-la. Isso faz</p><p>com que o egocêntrico seja muito sensível e melindroso.</p><p>A sexta expressão do ego é a atitude interesseira. A pessoa é tão preocupada consigo mesma que nunca</p><p>tem um momento para as outras pessoas. O egocêntrico é desinteressado e não se preocupa com a situação, a</p><p>necessidade, os desejos ou o bem-estar dos outros.</p><p>A última expressão do ego que gostaria de mencionar é a atitude de sempre ameaçar ir embora. Se não</p><p>ouvem o que ele diz e não dão valor ao que ele pensa, então ele vai partir, vai embora. É fácil perceber como</p><p>algumas pessoas estão sempre “caindo fora”.</p><p>O problema do egocêntrico é que ele não sabe a verdade a respeito dele mesmo. Se pelo menos ele se</p><p>enxergasse, as coisas seriam diferentes.</p><p>Sujeitar-se é uma maneira de ser cheio do Espírito. Não dá para sermos cheios dEle se estamos cheios</p><p>de nós mesmos, do ego. A submissão é mútua. Os jovens se submetem aos mais velhos, e os mais velhos se</p><p>submetem aos mais jovens (1 Pe. 5:5). A submissão deve ser no temor de Cristo. Isso significa que, quando</p><p>ofendemos um membro do Corpo, estamos na verdade ofendendo o próprio Cristo.</p><p>A oração em línguas</p><p>No Novo Testamento, o apóstolo Paulo nos diz que o crente que fala em línguas “edifica a si mesmo”.</p><p>“Edificar” aqui é oikodomeo, que significa construir, restaurar e reparar. Uma das melhores maneiras</p><p>de entrar no descanso e permanecer ali é orar em línguas durante o dia. Você pode orar em línguas</p><p>em seu caminho para o trabalho ou durante uma pausa para o café. Se você é uma dona de casa, ore em línguas</p><p>enquanto cozinha ou lava a roupa. Quando você se enche do Espírito Santo, você experimenta a Sua provisão</p><p>sobrenatural em tudo que você faz.</p><p>“O que fala em outra língua a si mesmo se edifica” (1 Co. 14:4).</p><p>Muitos pentecostais acreditam que, quando você fala em línguas, você edifica ou constrói o seu homem</p><p>espiritual. Isso é verdade, mas a Bíblia não diz que quem ora em línguas somente edifica o seu espírito, mas</p><p>que quem ora em línguas “edifica a si mesmo” (1 Co. 14:4). Isso significa que todo o seu espírito, a alma e o</p><p>corpo estão envolvidos no processo, pois você tem que falar, envolver sua boca, que é parte de seu corpo físico,</p><p>sua fala, que é parte de sua alma. Ela, porém, não entende, e envolve seu espírito. Então, aquele que fala em</p><p>línguas edifica o seu espírito, a alma e o corpo.</p><p>“Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica</p><p>infrutífera” (1 Co. 14:14).</p><p>Quando você ora em línguas, você pode estar orando a respeito do seu futuro ou mesmo por um ente</p><p>querido que está distante. Você não vai saber sobre o que você está orando, a menos que Deus lhe revele. Isto</p><p>é assim porque a sua mente não está envolvida. Mas, eu não preciso saber sobre o que eu estou orando? Às</p><p>vezes, é melhor não saber. Quando eu oro em línguas eu simplesmente confio na bondade de Deus e creio</p><p>que orar em línguas é orar por tudo que Ele tem planejado para mim para acontecer em seu tempo perfeito.</p><p>Ore especialmente quando você sentir vontade de orar, porque é quando você sentiu um peso no co-</p><p>ração. Ore até sentir uma liberação, como se a carga fosse removida. O Espírito Santo vai saber exatamente o</p><p>que está acontecendo, quem está em luta e como orar por livramento (Rm. 8:27).</p><p>“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas</p><p>tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At. 1:8).</p><p>Operações do Espírito</p><p>Aula 3</p><p>84 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Antes de Jesus voltar para o céu, Ele disse aos Seus discípulos que “esperassem a promessa do Pai” (At.</p><p>1:4). A igreja primitiva sabia a respeito de qual promessa Jesus estava se referindo, porque Ele determinou aos</p><p>seus discípulos:</p><p>“[...] que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual,</p><p>disse ele, de mim ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis</p><p>batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At. 1:4- 5).</p><p>Jesus estava se referindo ao batismo no Espírito Santo com o falar em línguas (At. 2:1-4). O Senhor</p><p>quer que você entenda o valor da promessa do Pai, pois Ele disse:</p><p>“[...] mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemu-</p><p>nhas [...]” (At. 1:8).</p><p>Em outras palavras, nós mesmos testemunhares dele. Isso ocorre porque o poder que recebemos quan-</p><p>do somos batizados no Espírito Santo é o mesmo poder que tornou Pedro tão ungido que até mesmo os</p><p>doentes foram colocados nas ruas para que a sua sombra passasse sobre eles e pudesse curá-los (At. 5:15). A</p><p>escritura diz que até os lenços e aventais de Paulo estavam tão saturados com a unção do Espírito que, quando</p><p>eles tocavam as enfermidades, elas fugiam das suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam (At. 19:12).</p><p>Amados, quando formos batizados no Espírito Santo, seremos testemunhas de que não há problema</p><p>que o Senhor Jesus não possa resolver. Nenhuma doença é um desafio grande para o poder do Espírito em</p><p>você! Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus (Rm. 8:14).</p><p>Orar em línguas nos coloca em sintonia com o Espírito</p><p>Um dos grandes benefícios da oração em línguas é que nos tornaremos sensíveis à direção do Espírito</p><p>Santo. O descanso não é inatividade ou preguiça, mas a atividade dirigida pelo Espírito. Quanto mais você</p><p>orar em línguas, mais você sentirá a liderança do Espírito. Ele vai levá-lo para fora do seu vale de depressão, da</p><p>dívida ou doença, e vai trazê-lo para um lugar alto de saúde e prosperidade!</p><p>“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conheci- das, diante de</p><p>Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp. 4:6).</p><p>Deus não quer que você seja medroso, inquieto ou ansioso. Em vez disso, sua vontade é que não este-</p><p>jamos ansiosos por nada, em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as nossas petições, pela oração e</p><p>pela súplica, com ações de graças. Assim, quando você tem um cuidado ou uma preocupação, imediatamente</p><p>transforme essa preocupação em oração. Isso é súplica.</p><p>Quando você estiver perturbado por uma preocupação e você não souber como orar, ore no Espírito,</p><p>que é a oração em línguas. E, no meio dessa oração, dê graças a Deus porque Ele já enviou sua vitória. Isso é</p><p>ação de graças. E, se estou preocupado com alguma coisa, por quanto tempo devo orar? Simplesmente conti-</p><p>nue orando. Ore no Espírito até que o peso da preocupação seja dissipado, e a paz de Deus, que excede todo</p><p>o entendimento, guardará os nossos corações em Cristo Jesus (Fp. 4:7).</p><p>Eu creio que todos nós seríamos menos ansiosos e desfrutaríamos mais de nossas vidas se percebêssemos</p><p>esta verdade: nosso Abba Pai é tão forte que não há nada que Ele não possa fazer, e Ele é tão amoroso que não</p><p>há nada que Ele não queira fazer por nós!</p><p>Orar em línguas traz descanso</p><p>O profeta Isaías descreve o falar em línguas como “descanso” e “refrigério”.</p><p>“Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o SE- NHOR a este povo,</p><p>ao qual ele disse: Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério; mas não</p><p>quiseram ouvir” (Is. 28:11-12).</p><p>Para combater o estresse, muitas pessoas recorrem ao tabaco, ao álcool ou a tranquilizantes. Essas coisas,</p><p>além de ter efeitos colaterais prejudiciais, são caras e muitas vezes levam a vícios e à escravidão. Deus tem</p><p>algo melhor para nós. É poderoso, não custa nada e não tem efeitos secundários nocivos. Ele chama isso de</p><p>A oração em línguas 85</p><p>“o descanso” e “refrigério”. A que Ele está se referindo? Ao falar em línguas, “por lábios estranhos e por outra</p><p>língua”. O próprio Apóstolo Paulo faz uma referência a Isaías em 1 Coríntios 14.21, mostrando que o dom</p><p>de línguas foi profetizado desde o Velho Testamento.</p><p>Orar em línguas é orar em linha com a</p><p>conhecer o coração dEle</p><p>e fazermos a Sua vontade. João 16:13 diz que o Espírito da verdade nos guiará a toda a verdade. Como o</p><p>Espírito nos guia a toda a verdade? Falando conosco através de nosso espírito recriado.</p><p>Como podemos perceber o nosso espírito?</p><p>Somos aptos a ter comunhão com Deus porque somos espírito, por isso podemos ouvir e falar com o</p><p>Senhor. Evidentemente somos também alma e corpo. Em Romanos 7:18, Paulo também diz:</p><p>“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne [...]” (Rm. 7:18).</p><p>Veja que ele também diz que ele é matéria. Nós somos um ser triuno. A divisão que ora fazemos é ape-</p><p>nas visando facilitar a aprendizagem. Eu sou apenas um homem, e não três. Espírito, alma e corpo são partes</p><p>de um único ser: o homem. Entretanto, o nosso corpo será glorificado, pois o corpo que hoje possuímos é</p><p>apenas a casa onde moramos nesta terra. Paulo nos diz em 2 Coríntios 5:1-2 que o corpo é apenas a nossa casa</p><p>terrestre; quando estivermos com o Senhor, receberemos uma habitação celestial. Podemos dizer então que</p><p>somos um espírito que tem uma alma e habita em um corpo.</p><p>Mas, como posso perceber o meu espírito, já que sei perceber o meu corpo e também a minha alma, ou</p><p>seja, minha mente e minhas emoções?</p><p>“Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente</p><p>na carne. Porém, judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração,</p><p>no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”</p><p>(Rm. 2:28-29).</p><p>O nosso espírito muitas vezes é chamado de coração na Bíblia (os dois termos parecem ser intercambi-</p><p>áveis). Paulo explica que o coração é o espírito, ou pelo menos é o meio pelo qual ele pode ser percebido, não</p><p>apenas este órgão físico que pulsa em nós. Quando a Bíblia fala de coração, ela está falando de algo íntimo,</p><p>das profundezas do nosso ser, e ele é o meio pelo qual o espírito pode ser percebido.</p><p>Funções do espírito</p><p>Já vimos que, pela Palavra de Deus, o homem possui três partes: espírito, alma e corpo. O corpo é a parte ma-</p><p>terial, onde estão os nossos sentidos físicos, e sua função básica é manter contato com o mundo material atra-</p><p>vés dos cinco sentidos. A alma é o “eu”, o centro da personalidade, que nos permite ter contato e consciência</p><p>de nós mesmos. O espírito é a parte mais importante, pela qual temos comunhão e consciência de Deus, sendo</p><p>o centro de todo o nosso ser. É pelo espírito que podemos adorar a Deus e receber revelação, pois Ele habita nele.</p><p>As funções do espírito</p><p>O espírito humano possui três funções básicas: intuição, consciência e comunhão.</p><p>a. A intuição</p><p>“E vós possuis a unção que vem do Santo, e todos tendes conhecimento” (1 Jo. 2:20).</p><p>“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós e não tendes necessidade</p><p>de que alguém vos ensine, mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas,</p><p>e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou” (1 Jo. 2:27).</p><p>Nós vivemos hoje debaixo da Nova Aliança, na qual todos são ensinados do Senhor (Jr. 31:34). Você</p><p>não sabe como chegou a saber disso, mas há algo em seu interior que diz que certas coisas são verdadeiras e</p><p>outras não. Chamamos isso de intuição.</p><p>“Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão dizendo:</p><p>conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles. Diz o</p><p>Senhor” (Jr. 31:34).</p><p>A capacidade de o espírito humano conhecer ou saber algo, independentemente de qualquer influência</p><p>exterior, chama-se intuição, sendo o conhecimento que chega até nós sem qualquer ajuda da mente ou da</p><p>emoção. As revelações de Deus e todas as ações do Espírito Santo se tornam conhecidas por nós pela intuição</p><p>do espírito (1 Co. 2:14). Jesus percebia, no seu espírito, o que os outros arrazoavam (Mc. 2:8). Paulo foi</p><p>constrangido no espírito (At. 20:22). Em todas essas referências, temos a forma como se manifesta a intuição</p><p>do espírito.</p><p>A intuição se manifesta pela restrição e pelo constrangimento. A restrição é uma sensação que às vezes</p><p>parece se opor ao que a nossa mente pensou, nossa emoção aceitou, e a nossa vontade decidiu. É uma sensação</p><p>Princípios de Revelação na Palavra</p><p>Aula 2</p><p>12 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>de que algo não deve ser feito. O constrangimento é um impulso, um estímulo para que façamos algo que</p><p>parece irracional e até contrário à nossa vontade.</p><p>Há uma diferença entre o conhecer e o entender. Conhecemos algo através da intuição do espírito, e a</p><p>nossa mente é então iluminada para entender e traduzir o que a intuição conheceu. Na intuição do espírito,</p><p>percebemos a persuasão do Espírito Santo, e na mente entendemos a orientação do Espírito Santo.</p><p>O conhecimento da intuição é chamado na Bíblia de revelação, que é o desvendar, pelo Espírito Santo,</p><p>da verdadeira realidade de alguma coisa. Esse tipo de conhecimento é muito mais profundo que o conheci-</p><p>mento da mente. A unção do Senhor nos ensina a respeito de todas as coisas, pelo espírito de revelação e de</p><p>entendimento.</p><p>b. A consciência</p><p>Consciência é a capacidade de discernir entre o certo e o errado, não segundo os critérios da mente, mas</p><p>segundo a sensação do espírito (Rm. 9:1; At. 17:16).</p><p>“Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a</p><p>minha própria consciência” (Rm. 9:1).</p><p>Enquanto Paulo esperava os irmãos em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria do-</p><p>minante na cidade (At. 17:16). Testificar, confirmar, recusar e acusar são manifestações da consciência. Em</p><p>1 Coríntios 5:3, Paulo diz que, em seu espírito, julgou uma pessoa pecaminosa. Ele usou a consciência do</p><p>espírito para julgar. Frequentemente a consciência condena coisas que a nossa mente aprova. O julgamento da</p><p>consciência não é segundo o conhecimento mental, mas segundo a direção do próprio Espírito Santo.</p><p>Na Bíblia existem dois caminhos: o caminho tipificado pela árvore da vida e a do conhecimento do</p><p>bem e do mal. Não somos exortados na Palavra a andarmos segundo o padrão de certo e errado, mas a sermos</p><p>guiados pelo espírito. A mente faz ponderações sobre certo e errado, mas a consciência não faz ponderações,</p><p>apenas decide.</p><p>Quando você para diante de um cinema, qual é a sua ponderação? “Não é pornográfico, não é errado,</p><p>não faz mal, portanto, eu posso assistir”. Tais ponderações não são da consciência; é a mente decidindo,</p><p>independentemente. Há muitas coisas que a nossa consciência recusa, mas a nossa mente aprova. Devemos</p><p>rejeitar de uma vez por todas o caminhar segundo a mente, segundo a árvore do conhecimento, e seguirmos</p><p>pelo espírito, pelo princípio da vida de Deus em nós, percebido em nossa consciência.</p><p>Precisamos ser absolutos para com aquilo que Deus condena em nossa consciência. Nunca devemos</p><p>tentar explicar o pecado, justificando-o. Sempre que a nossa consciência recusar algo, devemos parar imedia-</p><p>tamente, porque tudo o que não vem de plena certeza e fé é pecado (Rm. 14:23).</p><p>“Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé;</p><p>e tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm. 14:23).</p><p>Só podemos servir a Deus estando com a nossa consciência limpa. A ação da nossa consciência não</p><p>depende de nosso conhecimento da Bíblia. Sem que ninguém nos ensinasse, sabíamos que o nosso namoro</p><p>estava errado ou que as nossas finanças estavam desajustadas.</p><p>Aquele que é nascido de Deus tem, no seu espírito, a voz do Espírito Santo que fala pela sua consciência</p><p>e testifica conosco a Sua vontade. Ninguém jamais poderá dizer que não sabia.</p><p>c. A comunhão</p><p>“Meu espírito exulta em Deus meu salvador” (Lc. 1:47).</p><p>“O que se une ao Senhor é um só espírito com ele” (1 Co. 6:17).</p><p>Toda comunhão genuína com Deus é feita no nível do nosso espírito e percebida no coração. Deus não</p><p>é notado pelos nossos pensamentos, sentimentos e intenções, mas em nosso espírito, porque Ele é espírito.</p><p>É no nosso espírito que nos unimos ao Senhor e mantemos comunhão com Ele, ou seja, O adoramos. Tudo</p><p>o que Deus faz</p><p>vontade de Deus</p><p>“E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade</p><p>de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm. 8:27).</p><p>Você não gostaria de fazer orações eficazes, que estão sempre em linha com a vontade de Deus? Bem,</p><p>quando você ora no Espírito, é exatamente isso o que acontece. Quando oramos em nossa língua conhecida,</p><p>oramos de acordo com a nossa compreensão limitada das coisas, por isso estamos sujeitos ao erro e podemos</p><p>orar errado. Algumas vezes temos pensamentos do tipo: “Não é egoísta da minha parte a orar assim?” Ou, “Eu</p><p>estou orando de acordo com a vontade de Deus?”.</p><p>É por isso que Deus nos dá o dom da oração em línguas. Quando oramos em línguas ou no Espírito</p><p>Santo, nunca oramos fora da vontade de Deus, porque o Espírito Santo “intercede por nós de acordo com</p><p>a vontade de Deus”. Em outras palavras, nós oramos orações perfeitas de acordo com a vontade de Deus</p><p>quando oramos em línguas.</p><p>“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua</p><p>vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos</p><p>certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1 Jo. 5:14-15).</p><p>Não é maravilhoso que Deus colocou em você o Espírito Santo que ora perfeitamente? Ele conhece</p><p>o coração de Deus e sabe precisamente o que você necessita. O Espírito Santo é como o seu advogado ou</p><p>consultor jurídico. Ele sabe o que pertence a você legalmente, quais são seus direitos comprados pelo sangue</p><p>de Jesus e conhece todas as cláusulas da Nova Aliança. Por isso Ele pode colocar o seu caso diante de Deus de</p><p>forma perfeita.</p><p>Quando você ora em línguas, você permite ao Espírito Santo fazer orações perfeitas através de você. Ele</p><p>faz a sua petição diante de Deus. Ele sabe onde você tem errado e qual é a raiz do problema. Ele também tem</p><p>a solução e pode ganhar o seu caso com sabedoria. Com o Espírito Santo do seu lado como seu advogado,</p><p>você não nunca será derrotado!</p><p>Romanos 8 diz que o Espírito Santo nos ajuda em nossa fraqueza. Por exemplo, não sabemos o que</p><p>Deus quer que oremos, mas o Espírito Santo intercede por nós com gemidos que não podem ser expressos em</p><p>palavras. O Pai sabe o que o Espírito está dizendo, porque o Espírito intercede por nós em harmonia com Sua</p><p>perfeita vontade. Como resultado disso, Deus faz com que tudo coopere para o bem daqueles que amam a</p><p>Deus e são chamados segundo o seu propósito (Rm. 8:26-28). Deixe que o Espírito Santo interceda por meio</p><p>de você orando em línguas.</p><p>Às vezes, depois de orarmos muito e não vermos nossa cura, simplesmente paramos de orar porque não</p><p>sabemos mais o que dizer. Temos orado por todos os aspectos e confessamos todas as escrituras que conhe-</p><p>cemos, e mesmo assim parece não haver qualquer avanço. Para esse momento, Deus nos deu uma arma que</p><p>vai quebrar todas as barreiras: orar em línguas. Quando você não souber como orar, ore no Espírito Santo e</p><p>permita que Ele interceda por e através de você. Ele sabe exatamente qual é o problema, a melhor solução para</p><p>sua vida e não só vai interceder por você em harmonia com a vontade de Deus, mas também fará com que a</p><p>sua alma descanse (Is. 28:11-12).</p><p>Orar em línguas é um tipo de intercessão</p><p>“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos</p><p>orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos</p><p>inexprimíveis” (Rm. 8:26).</p><p>Apenas um gemido e você será ouvido! Basta que um suspiro chegue ao trono de nosso Pai, e ele será</p><p>atendido. Agora, imagine quando esse gemido procede do próprio Espírito de Deus!</p><p>86 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito,</p><p>não o desprezarás, ó Deus” (Sl. 51:17).</p><p>Quando nós, os filhos de Deus, oramos em línguas, o Espírito Santo intercede por nós com gemidos</p><p>que alcançam o trono de Deus Pai. Quando oramos assim, Ele se move poderosamente em nosso favor!</p><p>Há situações em nossas vidas que não sabemos como orar. Podemos saber todos os princípios de fé e</p><p>entender como fazer batalha espiritual, mas, mesmo assim, não sabermos como lidar com certas situações.</p><p>Eu creio que por causa disso o Senhor nos deu algo bem distinto na Nova Aliança, a oração em línguas. O</p><p>Senhor disse em Marcos 16:17 que em Seu nome falaríamos novas línguas. É preciso destacar que a palavra</p><p>“nova” usada ali é kainos no grego e significa algo sem precedente, de um novo tipo. O falar em línguas é falar</p><p>movido pelo Espírito, algo novo, sem precedente, ou seja, novas línguas. Nas situações em que não sabemos</p><p>como orar, Paulo, em Romanos 8, diz que precisamos orar em línguas.</p><p>“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos</p><p>orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos</p><p>inexprimíveis” (Rm. 8:26).</p><p>A palavra fraqueza aqui pode ser traduzida também como enfermidade. Muitas vezes não sabemos</p><p>todas as coisas envolvidas num momento de doença, por isso não sabemos como orar. Quando isso acontece,</p><p>podemos orar pelo Espírito, pois Ele ora em nós com gemidos inexprimíveis. Esses gemidos inexprimíveis são</p><p>as línguas. Deixar de orar em línguas pode significar uma perda espiritual para nós, pois o Espírito não terá</p><p>meios de orar por meio de nós. Quando a Bíblia diz que Ele nos assiste, significa que Ele se junta a nós na</p><p>oração. Nós oramos em línguas, e Ele ora através de nós.</p><p>Orar em línguas libera poder</p><p>“Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos</p><p>ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef. 3:20).</p><p>Quanto poder está operando em você agora? A Palavra de Deus diz que o poder opera em nós. É um</p><p>poder tremendo que abala os céus e a terra, porque vem do trono de Deus. Ele é capaz de fazer tudo muito</p><p>além daquilo que pedimos ou pensamos! O problema, porém, é que muitos de nós não liberamos esse poder.</p><p>Deus quer que liberemos esse poder, porque há coisas que não vão acontecer na terra até que possamos agir</p><p>junto com Ele. Jesus disse que:</p><p>“[...] tudo o que ligarmos na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligarmos na</p><p>terra terá sido desligado nos céus [...]” (Mt. 16:19).</p><p>O que o Senhor está dizendo é que aquilo que você permitir que aconteça o céu vai permitir. O que você</p><p>não permitir o céu também não permitirá! Mas, como podemos fazer uma oração tão poderosa? Somente quando</p><p>conhecemos perfeitamente a vontade de Deus. Nós não conhecemos a vontade de Deus perfeitamente, mas o</p><p>Espírito em nós conhece e, quando oramos em línguas, estamos de fato ligando na terra a perfeita vontade de Deus.</p><p>O espírito de poder, de amor e de moderação</p><p>“Por esta razão, pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que há em ti pela imposição</p><p>das minhas mãos. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de</p><p>amor e de moderação” (2 Tm. 1:6-7).</p><p>O espírito de covardia é na verdade um espírito de medo. Sempre que você se sentir amedrontado, saiba</p><p>que isso não vem de Deus. O nosso temor de Deus não pode ser medo dEle, pois não recebemos o espírito</p><p>de escravidão para vivermos outra vez atemorizados. Nós temos recebido o espírito de filho por meio do qual</p><p>clamamos Aba Pai (Rm. 8:15).</p><p>Não tenha medo de Deus; nossa tendência é odiar aquilo que tememos. Nós temos toda reverência,</p><p>respeito e honra diante dEle, mas sabemos que somos amados e também que o amamos. Em vez de espírito</p><p>de medo, Deus nos tem dado um espírito de poder, de amor e de moderação. Essa palavra moderação (sophro-</p><p>nismos em grego) também poderia ser traduzida como uma mente constante.</p><p>A oração em línguas 87</p><p>Já vimos no passado pessoas que se moviam no poder do Espírito e se tornavam rudes com os irmãos.</p><p>Elas tinham espírito de poder, mas faltava o espírito de amor. Isso fez com que muitos novos na fé presumis-</p><p>sem que o poder do Espírito é algo rude e indelicado. O espírito de poder é dinamis no original, de onde vem</p><p>a palavra “dinâmico”</p><p>ou “dinamite”. A unção e o poder fluíam do Senhor Jesus. Dinamis é um poder inerente</p><p>em nós para produzi milagres. Quando recebemos o Espírito Santo, recebemos aquele que é todo poder.</p><p>“[...] como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual</p><p>andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele”</p><p>(At. 10:38).</p><p>Muitas vezes não temos tido sucesso na cura de enfermos porque, em vez de dependermos completa-</p><p>mente do poder do Espírito, ainda tentamos algum tipo de esforço próprio. Precisamos apenas crer e liberar</p><p>o dinamis do Espírito.</p><p>Como reavivar o dom</p><p>A maneira como manifestamos o espírito de poder é reavivando o dom que há em nós. Reavivar signi-</p><p>fica reacender com fogo. Não podemos ser passivos quando se trata do Espírito, mas precisamos ativar o dom.</p><p>Como fazemos isso? Eu creio que é orando em línguas. Como posso fazer essa afirmação se as línguas nem são</p><p>mencionadas nesse texto?</p><p>Em primeiro lugar, precisamos entender que há duas palavras gregas traduzidas como dom no Novo</p><p>Testamento: dorea e charisma. Qual a diferença entre elas? Sempre que se fala de uma pessoa como um dom,</p><p>a palavra usada é dorea. Dorea é dom, mas sempre a respeito de pessoas. No livro de Atos, sempre que se men-</p><p>ciona a pessoa do Espírito Santo como dom a palavra usada é dorea. Por outro lado, todas as vezes que se fala</p><p>a respeito do dom que o Espírito Santo concede, a palavra é charisma. A palavra usada no verso 6 é charisma,</p><p>portanto, não se refere ao Espírito Santo, mas ao dom que ele concede. Paulo está exortando que Timóteo</p><p>reacenda esse dom, mas ainda não podemos dizer que é o dom de línguas.</p><p>O segundo ponto que temos de considerar é que esse dom foi liberado a Timóteo por meio da impo-</p><p>sição de mãos de Paulo. Como sabemos que a Bíblia explica a Bíblia, temos em Atos 19 a narrativa de uma</p><p>única ocasião em que Paulo orou com imposição de mãos (At. 19:1-6). Podemos presumir com segurança</p><p>que, quando Paulo impôs as mãos sobre Timóteo, ele também falou em línguas. Parece claro que Paulo queria</p><p>que ele reavivasse as línguas de fogo.</p><p>O terceiro argumento é que, de todos os dons do Espírito, o único que opera segundo a nossa vontade</p><p>é o dom de línguas. Paulo disse em 1 Coríntios:</p><p>“Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica</p><p>infrutífera” (1 Co. 14:14).</p><p>Se eu orar, significa que eu decido orar em línguas. Por isso Paulo diz a Timóteo para reativar o dom</p><p>de forma deliberada. Ele sabia que se Timóteo orasse em línguas seria liberado o espírito de poder, de amor e</p><p>de moderação.</p><p>Os dons do Espírito (parte 1)</p><p>Paulo disse à igreja de Corinto:</p><p>“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1 Co. 12:1).</p><p>Com certeza Deus tampouco quer que os crentes hoje sejam ignorantes.</p><p>Há muitos dons espirituais mencionados na Bíblia. As principais referências são: Rm. 12:3-8; 1 Co.</p><p>12:8-10; 28-30; Ef. 4:11. Dentro do propósito deste breve estudo, vamos nos limitar às nove manifestações</p><p>encontradas em 1 Coríntios 12:8-10, classificados em três categorias:</p><p>1. Dons verbais</p><p>� Línguas</p><p>� Interpretação de línguas</p><p>� Profecia</p><p>2. Dons de revelação</p><p>� Palavra de Sabedoria</p><p>� Discernimento de espíritos</p><p>� Palavra de Conhecimento</p><p>3. Dons de habilidades</p><p>� Dom da fé</p><p>� Dons de curas</p><p>� Dom de milagre</p><p>Quem o Espírito pode usar na operação dos dons? Qualquer membro do Corpo pode ser usado (1 Co.</p><p>12:7, 11; 14:26,31). A nenhum membro deveria faltar qualquer dom (1 Co. 1:7). Deveríamos ser cheios do</p><p>Espírito (Ef. 5:18) e ter o desejo de sermos usados desta maneira (1 Co. 12:31). Não deveríamos ser ignoran-</p><p>tes com relação à operação dos dons (1 Co. 12:31) e precisamos desejar os dons espirituais (1 Co. 14:1, 6).</p><p>Deveríamos ser motivados por um amor genuíno ao Corpo (1 Co. 13), um desejo puro de edificá-lo (1 Co.</p><p>14:12) e de buscarmos ser excelentes na operação dos dons (1 Co. 14:12).</p><p>Operações do Espírito</p><p>Aula 4</p><p>Os dons do Espírito (parte 1) 89</p><p>1. O Dom de Línguas (1 Co. 12:10)</p><p>O dom de línguas tem duas funções. Como “línguas devocionais,” o seu propósito é edificar a própria</p><p>pessoa e, com o dom de línguas, vem o de interpretação de línguas, então se torna profecia para a edificação</p><p>de toda a igreja, e não só do indivíduo.</p><p>Diretrizes para o uso de línguas:</p><p>� O seu uso deveria ser motivado pelo amor (1 Co. 13:1);</p><p>� Tem que ser sempre acompanhado por interpretação (1 Co. 14:5, 13, 28);</p><p>� Deveria ser limitado a três expressões por reunião (1 Co. 14:27).</p><p>Qualquer crente que, alguma vez, já tenha falado em línguas, é capaz de edificar o Corpo através de</p><p>uma expressão em línguas. Portanto, você deveria estar preparado para fazer isto a qualquer hora. Procure estar</p><p>descansado em sua mente e aberto ao Espírito Santo. Quando o Espírito Santo quiser trazer uma palavra em</p><p>línguas, você terá uma sensação suave no seu espírito e uma empolgação crescente.</p><p>Você não tem que falar imediatamente. O espírito, dentro do profeta, está sujeito ao (controle do)</p><p>profeta (1 Co. 14:32). Você pode esperar silenciosamente pelo momento certo de falar, e o Espírito Santo irá</p><p>movê-lo claramente, na hora certa. Ele não interromperá o que já está acontecendo no culto e nunca causará</p><p>uma confusão (1 Co. 14:33).</p><p>Quando o Espírito Santo mover, fale numa voz audível e clara. Quando a expressão verbal estiver</p><p>completa, todos devem esperar em Deus pela interpretação. Geralmente algum outro crente receberá a inter-</p><p>pretação, mas, quando isto não acontecer, a pessoa que falou em línguas deve orar silenciosamente para que</p><p>ela também possa receber a interpretação (1 Co. 14:13).</p><p>2. A Interpretação de Línguas (1 Co. 12:10)</p><p>É o dom que acompnha o dom de línguas, sendo sempre usados juntos. É a capacitação sobrenatural,</p><p>pelo Espírito Santo, de se interpretar uma expressão verbal em línguas na língua natural da congregação. Não</p><p>se trata de tradução, mas de interpretação. O intérprete não entende a língua, e a interpretação é tão sobre-</p><p>natural quanto à expressão verbal. No entanto, pelo dom do Espírito, o crente é capaz de tornar a expressão</p><p>verbal compreensível, para que a congregação possa ser edificada por ela.</p><p>A interpretação de línguas é dada “como o Espírito quer” (1 Co. 12:11). Qualquer crente cheio do</p><p>Espírito pode ser escolhido e ungido pelo Espírito para manifestar este dom. Como todos os outros dons do</p><p>Espírito, este também é operado pela fé. À medida em que você começar a expressar o que o Espírito está</p><p>dando a você, fale numa voz audível e clara.</p><p>Não tente interpretar a interpretação, ou seja, não comece a dizer à congregação o que você “pensa”</p><p>que a interpretação significa. Deixe isto para a própria congregação. Os crentes presentes devem julgar se as</p><p>palavras são realmente de Deus. O padrão pelo qual podemos julgar é semelhante ao que usaríamos para o</p><p>julgamento de uma profecia.</p><p>3. O Dom de Profecia (1 Co. 12:10)</p><p>A palavra profetizar significa simplesmente “falar palavras inspiradas.” De acordo com 1 Coríntios 14:31,</p><p>todos os crentes podem exercitar este dom em determinadas ocasiões, como o Espírito quiser. A orientação bíbli-</p><p>ca é que todos podem profetizar, um após o outro, e não mais que três, em qualquer reunião (1 Co. 14:29-33).</p><p>O propósito da profecia é:</p><p>� Edificar a igreja, isto é, fortalecer os crentes;</p><p>� Exortar aos irmãos, reavivá-los e desafiá-los;</p><p>� Consolá-los com palavras de encorajamento. Frequentemente, as profecias incluem todos estes</p><p>três elementos.</p><p>90 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Existem três mal-entendidos sobre as profecias</p><p>a. Elas não devem ser confundidas com uma pregação</p><p>Profecia não é a habilidade de se pregar bem. A pregação e o ensino são geralmente o resultado de uma</p><p>preparação meticulosa. O dom de profecia não é o resultado de um estudo meticuloso, mas uma expressão</p><p>espontânea do Espírito.</p><p>b. O Dom de profecia não é para se predizer o futuro</p><p>Este dom é principalmente para encorajar os crentes. Evidentemente pode ter</p><p>um conteúdo de pre-</p><p>dição, mas sempre com o propósito de edificar, exortar e consolar. Sempre que há um elemento de predição</p><p>numa profecia é porque há outro dom (Palavra de Conhecimento ou Sabedoria) operando conjuntamente.</p><p>c. Este Dom não é para uma direção pessoal</p><p>Se tivermos necessidade de uma direção pessoal, devemos pedir isto diretamente ao Espírito de Deus</p><p>(Tg. 1:5). Também podemos buscar a direção na Palavra de Deus. Se uma expressão profética vier a nós com</p><p>instruções para o futuro, isto deveria apenas confirmar o que Deus já nos mostrou pessoalmente.</p><p>Há alguns ensinamentos bíblicos sobre o dom de profecia</p><p>� É para se falar sobrenaturalmente aos homens (1 Co. 14:3). Isto transmite a mente do Senhor à Igreja.</p><p>O profeta está falando aos crentes, em nome de Deus, para sua edificação, exortação e consolo.</p><p>� A profecia não requer nenhuma interpretação. O dom de línguas requer um intérprete, mas o de</p><p>profecia não.</p><p>� A profecia convence os indoutos (1 Co. 14:24-25). Através da operação desse dom, todos serão</p><p>convencidos, julgados; os segredos de seus corações serão manifestos, eles se prostrarão diante de</p><p>Deus com humildade e reconhecerão que Deus está verdadeiramente entre nós.</p><p>“Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos con-</p><p>vencido e por todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim,</p><p>prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato,</p><p>no meio de vós” (1 Co. 14:24-25).</p><p>� A profecia também é para instruir os crentes (1 Co. 14:31). Isso não se refere ao ensinamento que vem</p><p>da exposição da Palavra de Deus através de um mestre. Antes é o aprendizado de verdades espirituais</p><p>através da unção do Espírito. Todo ensinamento deve sempre ser testado pela Palavra de Deus.</p><p>� Todos deveriam procurar com zelo este dom (1 Co. 14:1, 39). Todos nós podemos ser usados por</p><p>Deus para o encorajamento do Seu povo.</p><p>� A pessoa que estiver profetizando é responsável pelo seu uso ou abuso (2 Co. 14:32). A profecia</p><p>não é algo que o profeta não pode controlar. Um profeta no Novo Testamento não fica sob um</p><p>tipo de transe ou controle mental. Ele também não está fazendo ou dizendo nada contra a sua</p><p>vontade. O espírito de profecia está sujeito ao profeta. É o profeta que está falando, em nome de</p><p>Deus, e o profeta tem controle, em todas as ocasiões, de tudo que estiver dizendo.</p><p>� Em razão de o elemento humano ser falível, as profecias devem ser julgadas (1 Co. 14:29).</p><p>Como podemos julgar uma profecia?</p><p>Basta lembrarmos que é algo dado pelo Espírito:</p><p>a. Nunca contradirá a Palavra de Deus escrita. Todas as profecias devem ser “testadas” pela escritura.</p><p>Deus nunca nos diria, por profecia, que fizéssemos algo que contrariasse Sua Palavra;</p><p>b. Sempre se exaltará a Jesus Cristo, e nunca O diminuirá;</p><p>c. Edificará, exortará e consolará aos crentes. Nunca deverá trazer condenação e acusação, que é obra maligna;</p><p>d. Deverá “testificar” com a maioria dos crentes presentes, especialmente com os mais maduros;</p><p>e. Não quebrará o espírito da reunião, ainda que ela possa mudar a sua direção;</p><p>f. Se tiver um aspecto de predição, este virá a se cumprir;</p><p>g. É aprovada pelo “Teste do Fruto” (Mt. 7:16). Falando sobre os falsos profetas, Jesus declarou: “Por</p><p>seus frutos os conhecereis”. Deveríamos rejeitar qualquer uma das chamadas profecias que venha de alguém</p><p>cuja vida e ações sejam uma vergonha para a obra de Deus.</p><p>Os dons do Espírito (parte 1) 91</p><p>Como profetizar</p><p>� Descanse. Não fique tenso.</p><p>� Espere silenciosamente no Senhor em seu espírito.</p><p>� Mantenha o seu coração aberto para a sua voz. Quando você sentir o toque do Espírito, se entre-</p><p>gue como um canal por onde Ele possa fluir.</p><p>� A profecia é sempre liberada pela fé.</p><p>� Fale tudo o que Deus der a você.</p><p>� Enquanto você estiver falando, espere no Senhor por toda a mensagem.</p><p>� Não profetize além da medida da sua fé (Rm. 12:6).</p><p>� Perceba quando o Espírito acabou de falar e pare!</p><p>4. Palavra De Conhecimento (1 Co. 12:8)</p><p>Uma Palavra de Conhecimento é um conhecimento de Deus que é dado a uma pessoa que ela não poderia</p><p>saber de nenhuma outra maneira. Esse dom nos dá certos fatos e informações através da revelação sobrenatural</p><p>do Espírito Santo. Estas informações eram anteriormente desconhecidas pela pessoa, e o conhecimento delas não</p><p>poderia ter sido obtido de nenhuma forma natural. Ele é transmitido sobrenaturalmente das Escrituras.</p><p>No ministério de Jesus, em João 1:47-50, vemos que o Senhor sabia de certos fatos sobre Natanael antes de</p><p>conhecê-lo. Em João 4:16-20, novamente, Jesus sabia de muitos fatos sobre a mulher de Samaria, ainda que Ele</p><p>nunca a tivesse visto anteriormente. Ela ficou maravilhada pela precisão do Seu conhecimento com relação à sua</p><p>vida passada e presente. O exercício desta Palavra de Conhecimento produziu depois um grande reavivamento.</p><p>Em Atos 9:10-20, Ananias recebeu informações específicas, com muitos detalhes sobre Saulo, o qual ele</p><p>nunca havia conhecido. Ele soube exatamente qual era a rua e a casa em que Saulo estava. Ele soube que Saulo estava</p><p>orando naquele presente momento e que, quando ele impusesse suas mãos sobre Saulo, ele receberia a sua visão.</p><p>Uma Palavra de Conhecimento é diferente do conhecimento humano obtido através de maneiras naturais.</p><p>Uma Palavra de Conhecimento não pode ser obtida por um aprendizado intelectual, e tal conhecimento não pode</p><p>ser obtido pelo estudo de livros ou por uma carreira acadêmica de estudos numa universidade. Ela também não é a</p><p>habilidade de se estudar, entender ou interpretar a Bíblia. Seu emprego nas Escrituras:</p><p>� Revelar o pecado (2 Sm. 12:1-10; At. 5:1-11).</p><p>� Trazer as pessoas a Deus (Jo. 1:47-50; 4:18-20).</p><p>� Guiar e dirigir (At. 9:11).</p><p>� Ministrar um encorajamento em tempos de crise (1 Rs. 19:9).</p><p>� Transmitir um conhecimento sobre eventos futuros (Jo. 11:11-14).</p><p>� Revelar coisas escondidas (1 Sm. 10:22).</p><p>Como esse dom opera</p><p>1. Ele é sobrenatural. Não é obtido por lógica, dedução, raciocínio, nem pelos sentidos naturais, mas</p><p>pela revelação sobrenatural do Espírito Santo.</p><p>2. É operado pela fé. A pessoa que está recebendo a revelação faz isto pela fé.</p><p>3. A revelação é recebida em nosso espírito, e não no intelecto ou nas emoções.</p><p>4. Qualquer cristão cheio do Espírito e que esteja disposto a ouvir a Deus pode experimentar o funcio-</p><p>namento deste dom.</p><p>5. É uma ferramenta valiosa no ministério.</p><p>6. Uma resposta em obediência é essencial para que esta manifestação continue funcionando em nosso ministério.</p><p>7. A Palavra de Sabedoria manifesta-se frequentemente junto com a palavra de conhecimento. Esta é</p><p>a maneira de o Espírito nos orientar sobre o que fazer com relação a uma palavra de conhecimento e como</p><p>aplicá-la corretamente.</p><p>Os dons do Espírito (parte 2)</p><p>5. A Palavra de Sabedoria (1 Co. 12:8)</p><p>Esse é o primeiro dom mencionado porque ele é muito importante, pois nos capacita a falar e a agir</p><p>com sabedoria divina, assim assegurarmos o uso e a aplicação correta de outros dons. Quando a Palavra de</p><p>Sabedoria está ausente, os outros dons podem ser usados de maneira errada, o que causa muita confusão.</p><p>A Palavra de Sabedoria é a sabedoria divina sobrenaturalmente transmitida pelo Espírito Santo. Ela nos</p><p>fornece a sabedoria imediata para que saibamos o que dizer ou fazer numa situação. A Palavra de Sabedoria</p><p>frequentemente vem junto com a Palavra de Conhecimento. Deus revelou a Ananias o paradeiro e a condição</p><p>de Saulo através de uma Palavra de Conhecimento e também lhe mostrou, pela Palavra de Sabedoria, o que</p><p>fazer naquela situação.</p><p>A Palavra de Sabedoria certamente não é o mesmo que o dom de sabedoria. Podemos dizer que a</p><p>Palavra de Sabedoria:</p><p>� Não é uma sabedoria natural.</p><p>� Não é a sabedoria obtida de forma acadêmica.</p><p>� Não é a sabedoria obtida pela experiência.</p><p>� Não é nem a sabedoria para se entender a Bíblia.</p><p>� Ela é sobrenatural e dada como o Espírito Santo quiser (1 Co. 12:11).</p><p>� Ela é dada para uma necessidade</p><p>ou situação específica.</p><p>� Ela não é o dom de sabedoria, mas a Palavra de Sabedoria.</p><p>Alguns exemplos bíblicos</p><p>a. Quando Jesus foi tentado no deserto, em Lucas 4:1-13, as respostas que Ele deu a satanás foram</p><p>palavras de sabedoria transmitidas pelo Espírito Santo.</p><p>b. Em Lucas 20:22-26, os escribas tentaram armar uma cilada para Jesus, mas a Palavra de Sabedoria,</p><p>dada pelo Espírito, confundiu a todos eles.</p><p>Operações do Espírito</p><p>Aula 5</p><p>Os dons do Espírito (parte 2) 93</p><p>c. Em João 8:3-11, novamente os escribas e fariseus tentaram armar uma cilada para Jesus, mas as Suas</p><p>palavras sábias e a maneira como Ele cuidou da situação confundiu Seus adversários.</p><p>d. Podemos ver, em Atos 6:1-5, Deus dando sabedoria na administração da igreja.</p><p>e. Em Atos 15:28, a crise na igreja foi resolvida pela Palavra de Sabedoria.</p><p>f. Em Atos 27:23, 24, Deus deu a Paulo o controle da situação, o que resultou na salvação de muitas vidas.</p><p>A Palavra de Sabedoria é uma promessa do Senhor Jesus a todos os seus discípulos.</p><p>“Assentai, pois, em vosso coração de não vos preocupardes com o que haveis de responder;</p><p>porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir, nem contradizer todos</p><p>quantos se vos opuserem” (Lc. 21:14, 15).</p><p>A Palavra de Sabedoria é um dom de revelação. Ela é recebida silenciosamente dentro do nosso espírito</p><p>e é liberada quando é expressa verbalmente em aconselhamentos, pregações, profecias, ou quando agimos</p><p>baseados nela.</p><p>6. Discernimento de espíritos (1 Co. 12:10)</p><p>O discernimento de espíritos é o terceiro dos dons de revelação. A Palavra de Sabedoria e a Palavra de</p><p>Conhecimento são os outros dois. É um dom divino transmitido pelo Espírito Santo para que possamos pene-</p><p>trar na esfera espiritual para distinguirmos a ação do espírito de satanás (maus espíritos), o Espírito de Deus e</p><p>o espírito humano. Através dele podemos discernir se a origem de certas ações, ensinamentos e circunstâncias</p><p>foram inspirados por seres espirituais.</p><p>Este dom é mais limitado. A revelação dada, neste caso, limita-se à origem do comportamento em</p><p>questão. No entanto, o discernimento de espíritos é tão sobrenatural em sua operação quanto qualquer um</p><p>dos outros oito dons. Ele fornece à igreja informações que não são disponibilizadas de nenhuma outra manei-</p><p>ra. A função do dom do discernimento dos espíritos nos capacita a distinguirmos se determinada atividade</p><p>espiritual tem uma origem divina, satânica ou humana e revela a natureza dos espíritos que estão agindo.</p><p>Satanás sempre tenta imitar e falsificar as obras do Espírito Santo, por isso precisamos ter discernimen-</p><p>to. Satanás é conhecido como o enganador, o pai das mentiras e a serpente. Todos estes títulos significam falsi-</p><p>dade insidiosa que ele usa para enganar. Muitas vezes as suas mentiras são tão plausíveis que as pessoas podem</p><p>ser enganadas, a menos que o dom de discernimento de espíritos esteja presente. Se as atividades demoníacas</p><p>fossem sempre evidentes, não haveria nenhuma necessidade deste dom do Espírito.</p><p>Na narrativa da jovem com o espírito de adivinhação, em Atos 16, Paulo desafiou o espírito que talvez</p><p>pudesse ter enganado facilmente a outros servos de Deus. A jovem fez uma declaração perfeitamente verda-</p><p>deira quando ela disse:</p><p>“[...] Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus</p><p>Altíssimo” (At. 16:17).</p><p>O espírito que estava falando era um espírito maligno. Mas por que um espírito maligno faria propaganda</p><p>dos apóstolos desta maneira? Porque não era de nenhum crédito ou ajuda ao Evangelho ou seus ministros terem</p><p>uma pessoa assim seguindo-os e, sem dúvida, fazendo com que muitos pensassem que ela era um deles.</p><p>A necessidade de se operar este dom hoje é absolutamente essencial para que a Igreja possa realizar ple-</p><p>namente a sua missão e destruir as obras do diabo. Há tantos demônios no mundo hoje quanto havia na época</p><p>em que Jesus andou pela terra e nos dias da Igreja primitiva. Por isso este dom é especialmente necessário para</p><p>missionários que trabalham em lugares onde o espiritismo, satanismo e ocultismo são abundantes.</p><p>Como o dom de discernimento de espíritos funciona</p><p>A primeira função deste dom é revelar a presença de espíritos malignos na vida das pessoas ou nos</p><p>lugares. Mas ele também funciona para avaliar a fonte de uma mensagem profética, de um ensinamento ou</p><p>de alguma manifestação sobrenatural. A pessoa que exercita este dom será capaz de dizer se a fonte de uma</p><p>mensagem ou ação é demoníaca, divina ou meramente humana.</p><p>94 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Normalmente quem tem o dom de discernimento de espírito será capaz de revelar:</p><p>a. A natureza do demônio</p><p>Isto se refere ao tipo da sua obra: mentiras, causando enfermidades (câncer, cegueira, surdez etc.), um</p><p>comportamento impuro e coisas semelhantes.</p><p>b. O nome do demônio</p><p>O nome normalmente revela a natureza do demônio, ainda que frequentemente tenha-se a revelação</p><p>do nome próprio do demônio.</p><p>c. O número de demônios</p><p>Este é o caso da “legião,” ou de Maria, da qual Jesus expulsou sete demônios. Muitas vezes uma pessoa</p><p>é possuída por mais de um espírito de uma só vez.</p><p>d. A força de determinados demônios</p><p>A pessoa que exercia o discernimento de espíritos sabe por revelação qual, dentre os vários demônios, é</p><p>o mais forte e tem a maior autoridade.</p><p>e. Com relação a obter informações</p><p>Muitas vezes os próprios demônios dão muitas infor- mações à pessoa que discerniu sobrenaturalmente</p><p>a presença deles e que pode expulsá-los. No entanto, nós sabemos que os demônios mentem e devemos tratar</p><p>as informações que eles dão com suspeitas. Nós dependemos é das informações dadas pelo Espírito Santo.</p><p>Ainda que o dom de discernimento de espíritos seja essencial para uma libertação eficaz, ele não é</p><p>suficiente por si mesmo. Ele precisa operar junto com os dons da fé e de operação de milagres. São os que</p><p>exercitam estes dons que têm mais êxito na expulsão de demônios.</p><p>7. O Dom de Fé (1 Co. 12:9)</p><p>O dom da fé é a habilidade especial dada a alguém com o chamado de exercitar uma capacidade</p><p>extraordinária de crer. Deus sobrenaturalmente esvazia esta pessoa de qualquer dúvida e a enche com uma</p><p>fé especial que a capacita a realizar o propósito de Deus, apesar de todas as circunstâncias contrárias e contra-</p><p>ditórias da vida.</p><p>Certamente o dom é uma dispensação especial de fé que Deus dá a um crente cheio do Espírito, quan-</p><p>do a tarefa que Ele deu a este crente requer mais que uma fé comum. Todo crente recebeu uma medida de fé</p><p>(Rm. 12:3). Essa medida de fé cresce como resultado de nos alimentarmos da Palavra. A fé vem pelo ouvir a</p><p>Palavra de Cristo (Rm. 10:17), e ela pode desenvolver-se até um nível muito elevado. Contudo, o dom de fé</p><p>tem uma função superior ao da medida da fé que recebemos.</p><p>Alguns tradutores se referem ao dom de fé como uma fé especial. Isto indica uma fé concedida pelo</p><p>Espírito Santo para enfrentarmos necessidades e circunstâncias especiais e extraordinárias. Isto sugere que o</p><p>dom da fé se manifesta em ocasiões especiais. Um episódio na vida de Elias ilustra isto. Ele declarou ao rei</p><p>Acabe que não haveria chuva até que ele falasse a palavra, e que depois haveria chuva novamente, de acordo</p><p>com sua palavra (1 Rs. 17:1). O seu dom de fé produziu o cumprimento miraculoso desta profecia.</p><p>Por outro lado, parece que estava faltando esta fé extraordinária quando Elias se assentou debaixo de um</p><p>zimbro pedindo a morte (1 Rs. 19:4). Ele não havia perdido a sua fé em Deus ou em Sua Palavra. Sua própria</p><p>fé foi fortalecida, o ensinou a crer em Deus e a se reanimar quando Deus lhe disse que Ele tinha outros 7.000</p><p>seguidores fiéis em Israel.</p><p>Deus quer que você saiba que você pode seguir adiante confiantemente, sabendo que, quando exigên-</p><p>cias especiais são colocadas sobre você, Ele lhe dará, sobrenaturalmente, uma fé especial para capacitá-lo a</p><p>cumprir os Seus propósitos.</p><p>Como o dom de fé funciona? O dom de fé parece que funciona geralmente associado com os dons</p><p>mais dramáticos, como o de operação de milagres</p><p>e os dons de cura. O dom de fé também funciona quando</p><p>Os dons do Espírito (parte 2) 95</p><p>falamos a palavra “de fé” (2 Co. 4:13). Portanto, as palavras que um homem de Deus fala ao ser inspirado pelo</p><p>Espírito são confirmadas por Deus como se fossem Suas próprias palavras.</p><p>Há alguns exemplos notáveis do dom de fé funcionando através da palavra falada: Josué ordenou que o</p><p>sol e a lua parassem (Js. 10:12-14). Elias controlou o tempo através de sua palavra:</p><p>“[...] nestes anos nem orvalho nem chuva haverá senão segundo a minha palavra”</p><p>(1 Rs. 17:1).</p><p>“[...] e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra” (Tg. 5:17).</p><p>Paulo silenciou a Elimas:</p><p>“[...] e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo” (At. 13:11).</p><p>Pedro julgou a Ananias e a Safira (At. 5). As Escrituras ensinam o princípio da palavra de fé:</p><p>“[...] tudo o que disser lhe será feito” (Mc. 11:23).</p><p>Com relação à injunção:</p><p>“Tende fé em Deus” (Mc 11:22).</p><p>E a Jó 22:28:</p><p>“Determinando tu algum negócio, ser-te-á firme [...]”.</p><p>8. Dons de Curas (1 Co. 12:9)</p><p>As três referências a este dom em 1 Coríntios 12 estão nos versículos 9, 28 e 30. Em cada uma destas,</p><p>as palavras originais são: charismataiamaton. Ambas as palavras estão no plural, o que faz com que a tradução</p><p>correta desta frase seja “dons de curas”.</p><p>Os dons de curas funcionam sobrenaturalmente para curar doenças e enfermidades sem nenhuma</p><p>espécie de meios naturais. É o poder do Espírito Santo que vem por sobre o corpo de uma pessoa, curando</p><p>as suas enfermidades e tirando suas dores. O uso dos substantivos no plural enfatiza a abundância dos dons</p><p>de curas de Deus disponíveis na vida da Igreja. Isto também pode enfatizar que a cura de Jesus liberta de toda</p><p>doença, fraqueza, praga, deformidade e aflição e sugere que há uma grande variedade de manifestações deste</p><p>dom (1 Co. 12:4-7).</p><p>O exercício dos dons de curas não dá à pessoa que os exercita a habilidade de curar todos os doentes</p><p>em todo o tempo. Algumas pessoas não compreendem bem este ponto e perguntam por que não entramos</p><p>em hospitais e lugares semelhantes e curamos a todos os que estão doentes. Até mesmo Jesus não fez isto.</p><p>Ele apenas foi a um lugar que poderia corresponder a um hospital moderno uma vez, quando Ele foi ao</p><p>tanque de Betesda, onde havia multidões de doentes. Mesmo assim, Ele escolheu apenas um dentre todos</p><p>eles e o curou.</p><p>Muitas vezes lemos a respeito de grandes multidões de doentes que vieram a Jesus e vemos que Ele “os</p><p>curou a todos.” Um princípio importante da cura divina é que a pessoa precisa vir a Jesus como um exercício</p><p>de fé e cooperação.</p><p>Os propósitos dos dons de curas</p><p>a. Evidentemente o primeiro propósito é libertar os doentes e aflitos e destruir as obras do diabo (1 Jo.</p><p>3:8; At. 10:38 e Lc. 13:16).</p><p>b. Provar a afirmação de Cristo de que Ele é o Filho de Deus (Jo. 10:36-38).</p><p>c. Confirmar a Palavra do Evangelho (Mc. 16:17-20; At. 7:29-39, 33).</p><p>d. Atrair as pessoas ao Evangelho (Mt. 4:23,25).</p><p>e. Trazer glória a Deus (Mc. 2:12; Lc. 13:13; 18:43; Jo. 9:2,3).</p><p>96 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>O Espírito Santo dá dons de curas aos filhos de Deus para que eles sejam usados para curar enfermos e</p><p>libertar cativos. Os dons de curas são exercitados pela fé, mas também as pessoas vão receber a cura se crerem.</p><p>Ezequias teve dificuldades em receber a cura que Deus enviou a ele. A sua fé teve que ser edificada de uma</p><p>maneira especial, através do milagre registrado em 2 Rs. 20:8-11 (veja também 2 Rs. 5:10-14). Naamã teve</p><p>dificuldade de receber a cura que Deus havia enviado a ele através de Eliseu.</p><p>A cura em geral envolve um duplo ato de fé: fé para receber e fé para ministrar a cura. Deus sempre</p><p>deseja curar. No entanto, às vezes os canais normais, através dos quais o Seu poder de cura flui, não estão</p><p>funcionando muito bem, podendo requerer que Deus envie um dom de cura especial.</p><p>9. Operação de Milagres (1 Co. 12:10)</p><p>Um milagre acontece quando Deus intervém no curso normal da natureza. O dom de operação de mi-</p><p>lagres acontece quando Deus nos capacita com poder do Espírito Santo a fazermos algo completamente fora</p><p>do campo das habilidades humanas. Ele nos dá isto numa ocasião específica para um propósito especial. Todos</p><p>os dons do Espírito são miraculosos, mas o uso da palavra “milagre”, neste caso, se refere a atos de poder.</p><p>Os milagres dão uma prova inegável da ressurreição. Se Jesus não estivesse vivo, Seu nome não teria</p><p>nenhum poder para curar os doentes e operar milagres (At. 4:33). Pedro convenceu aos judeus incrédulos da</p><p>ressurreição de Jesus Cristo e da necessidade de arrependimento porque o nome de Jesus tinha poder para</p><p>curar os doentes e operar milagres.</p><p>a. Isto deu ousadia aos crentes para que pregassem a Cristo (At. 4:29,30). As pessoas reconheceram que</p><p>eles haviam estado com Jesus, o Operador de Milagres (At. 4:13).</p><p>b. Isto fez com que os crentes tivessem mais fome por Deus (At. 4:31).</p><p>c. Isto convenceu os homens dos seus pecados (At. 5:28, 33).</p><p>d. Cinco mil pessoas se converteram, em um dia, através de um milagre (At. 4:4; 5:14).</p><p>e. Todos os homens glorificavam a Deus pelo que foi feito (At. 4:21).</p><p>f. Isto espalhou o Evangelho rapidamente (At. 5:14-16).</p><p>Antes que Jesus começasse a operar milagres, ninguém o seguia a nenhum lugar. Ele deve ter pregado</p><p>frequentemente na sinagoga, pois Lucas 4 diz que este era o Seu costume. Mas, quando os milagres em Lucas</p><p>4:33-35 aconteceram,</p><p>“E a sua fama corria por todos os lugares [...]” (Lc. 4:37).</p><p>Daí em diante as multidões se comprimiam ao Seu redor para ouvirem as Suas palavras e para verem</p><p>Seus milagres (Jo. 6:2). Onde quer que os discípulos pregassem, curavam os doentes, expulsavam os demônios</p><p>e operavam milagres, e por causa disso multidões se voltavam a Cristo.</p><p>a. Samaria prestou atenção a Filipe, porque viam e ouviam os sinais que ele fazia (At. 8:6).</p><p>b. Todos os habitantes de Sarona e Lida voltaram-se ao Senhor quando Pedro disse a Enéias:</p><p>“[...] Jesus Cristo te dá saúde; levanta-te e faze a tua cama. E ele se levantou imediata-</p><p>mente” (At. 9:34).</p><p>c. Muitas pessoas em Jope creram quando Pedro ressuscitou a Dorcas (At. 9:42).</p><p>d. O povo de Listra pensou que os deuses tivessem descido a eles quando eles viram o coxo andar e saltar</p><p>por causa da palavra de Paulo (At. 14:9-18; At. 5:12-16).</p><p>e. O Livro de Atos termina com milagres em força total (At. 28:8, 9). Quando as pessoas viram a Públio</p><p>curado, elas creram que, se Deus podia curar uma pessoa, então Ele era capaz e queria curar a todos que ti-</p><p>nham necessidade de cura. Quando as pessoas pensam e creem correta- mente com relação a Deus, então elas</p><p>recebem dEle o que Ele tanto deseja lhes dar.</p><p>Os dons do Espírito (parte 2) 97</p><p>A operação de milagres é um dom do Espírito, mas isso não significa que os milagres apenas aconteçam</p><p>quando o dom está operando.</p><p>a. O milagre de libertação como o de Pedro em At. 5:17-20 e novamente em At. 12:1-10. Também o</p><p>de Paulo e Silas em At. 16:15-30.</p><p>b. Milagres de transladação:</p><p>“[...] o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco” (At. 8:39).</p><p>Estes e muitos outros exemplos são milagres operados por Deus nas vidas dos crentes, às vezes até mes-</p><p>mo sem a cooperação deles. Estes não são, portanto, exemplos em que o dom de operação de milagres estava</p><p>em funcionamento. Em contraste, temos três casos em que este dom estava funcionando:</p><p>a. Atos 19:11: “E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias.”</p><p>b. Atos 9:40. Pedro ressuscitou a Dorcas.</p><p>c. Atos 20:9-12. Paulo restaurou a vida de Eutico.</p><p>Operações práticas deste dom:</p><p>a. A unção do Espírito Santo para criar uma confiança e autoridade especiais.</p><p>b. Uma palavra de fé e autoridade. Elias disse que o deus que respondesse por fogo seria o Senhor de</p><p>Israel. O fogo que desceu foi um exemplo da operação de milagres.</p><p>c. Um ato ousado de fé.</p><p>98 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Como receber o batismo no</p><p>Espírito Santo</p><p>O meu propósito nessa lição é, primeiro, ajudar aqueles</p><p>que ainda não foram batizados no Espírito e,</p><p>segundo, ajudar os crentes cheios do Espírito a orarem para que outros recebam o Espírito Santo.</p><p>Qualquer crente pode ajudar qualquer um a receber a plenitude do Espírito.</p><p>Primeiro passo</p><p>Em primeiro lugar, você precisa compreender que o Espírito Santo já lhe foi dado, basta agora que O</p><p>receba. Depois do Pentecostes, o Espírito não voltou para o Pai, antes Ele permanece aqui para encher a todos</p><p>que O recebem. Se Ele já nos foi dado, agora basta receber.</p><p>“Aconteceu que, estando Apolo em Corinto, Paulo, tendo passado pelas regiões mais altas,</p><p>chegou a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes, porventura, o</p><p>Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvi-</p><p>mos que existe o Espírito Santo. Então, Paulo perguntou: Em que, pois, fostes batizados?</p><p>Responderam: No batismo de João. Disse-lhes Paulo: João realizou batismo de arrependi-</p><p>mento, dizendo ao povo que cresse naquele que vinha depois dele, a saber, em Jesus. Eles,</p><p>tendo ouvido isto, foram batizados em o nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo</p><p>as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em línguas como profetizavam”</p><p>(At. 19:1-6).</p><p>Observe que Paulo não orou pedindo o Espírito, mas ele orou para que os irmãos O recebessem. Se o</p><p>Espírito já nos foi dado, basta agora recebermos.</p><p>“Ouvindo os apóstolos, que estavam em Jerusalém, que Samaria recebera a Palavra de</p><p>Deus, enviaram-lhe Pedro e João, os quais, descendo para lá, oraram por eles para que</p><p>recebessem o Espírito Santo” (At. 8:14-15).</p><p>Veja que, primeiramente, os samaritanos receberam a Palavra de Deus, ou seja, foram salvos e nasceram</p><p>de novo. Uma vez que foram salvos, eles agora receberam o Espírito. Se você é salvo, pode então receber o</p><p>poder do Espírito.</p><p>Operações do Espírito</p><p>Aula 6</p><p>Como receber o batismo no Espírito Santo 99</p><p>Segundo passo</p><p>Todo aquele que foi salvo, lavado pelo sangue do Cordeiro, está em condições de receber o Espírito</p><p>imediatamente, não precisa esperar por mais nada.</p><p>“Ouvindo eles estas coisas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos</p><p>demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um</p><p>de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis</p><p>o dom do Espírito Santo” (At. 2:37-38).</p><p>Pedro diz que, uma vez que recebemos o perdão dos pecados, podemos agora receber o Espírito Santo.</p><p>Há algumas pessoas que pensam que primeiro precisam ser perfeitas diante de Deus para só depois receberem</p><p>o Espírito. Mas, se você consegue ser perfeito diante de Deus sem o Espírito, então você não precisa dEle.</p><p>Todo crente que já recebeu o dom da justiça pela fé já foi completamente purificado pelo sangue de</p><p>Jesus e, portanto, está qualificado para entrar no céu hoje. Se você crê que é salvo e pode entrar no céu hoje,</p><p>então você também está qualificado para receber hoje o céu dentro de você. Infelizmente, muitos ainda tentam</p><p>merecer o favor de Deus. Não recebemos o Espírito porque merecemos, mas por causa da justiça de Cristo</p><p>que foi colocada em nós.</p><p>Os crentes da igreja de Corinto eram carnais e tinham muitos comportamentos errados, no entanto,</p><p>Paulo orou para que eles fossem cheios do Espírito, e eles receberam todos os dons (1 Co. 1:7). Evidentemente,</p><p>ele não estava apoiando a carnalidade, mas estava dando aos crentes aquilo que os levaria a crescerem em Deus,</p><p>deixando a carne para trás.</p><p>Terceiro passo</p><p>Creia que, quando você receber a imposição de mãos, o Espírito Santo será derramado sobre você.</p><p>Qualquer irmão pode orar por você. Não há necessidade de ser alguém com um título ou cargo na Igreja.</p><p>Todo crente pode orar para que outros recebam o Espírito. Isso, porém, não significa que alguns não possam</p><p>ser mais usados nesse ministério. Na medida em que um irmão estiver orando por você com imposição de</p><p>mãos, comece a declarar: “eu estou recebendo o Espírito agora, nesse momento”.</p><p>Todas as coisas de Deus são recebidas pela fé e para a fé; tudo é no presente, nesse momento (Hb. 11:1).</p><p>Você pode receber o batismo no Espírito sozinho em casa ou até mesmo durante a adoração no culto, mas</p><p>normalmente haverá alguém orando com imposição de mãos. Quando recebemos a imposição de mãos, o</p><p>Espírito nos é ministrado.</p><p>Quarto passo</p><p>Esse passo é muito importante. Você precisa saber o que vai acontecer quando receber o Espírito Santo.</p><p>Isso é importante para que você não resista a Ele, mas entenda o que está acontecendo quando Ele começar</p><p>a se mover. O Espírito colocará palavras sobrenaturais nos seus lábios. Porém, cabe a você pronunciar essas</p><p>palavras, cooperando com Ele. Quem vai falar é você, e não o Espírito, pois é Ele que concede que falemos,</p><p>mas precisamos ter essa iniciativa.</p><p>“Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o</p><p>Espírito lhes concedia que falassem” (At. 2:4).</p><p>Você precisa sempre lembrar que o Espírito Santo não toma domínio total sobre você, for- çando-o a</p><p>fazer alguma coisa. Você pode corresponder a Ele e seguir a inspiração. A Bíblia não diz que é o Espírito que</p><p>fala em línguas, que quem fala somos nós.</p><p>“Pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus” (At. 10:46).</p><p>“E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e tanto falavam em</p><p>línguas como profetizavam (At. 19:6).</p><p>100 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o</p><p>entende, e em espírito fala mistérios. O que fala em outra língua a si mesmo se edifica,</p><p>mas o que profetiza edifica a igreja” (1 Co. 14:2 e 4).</p><p>“Porque, se eu orar em outra língua, o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica</p><p>infrutífera” (1 Co. 14:14).</p><p>Em todos esses textos vemos que o Espírito concede sobrenaturalmente o que falar, mas são as pessoas</p><p>que falam. Você precisa cooperar com o Espírito Santo. Falar em outras línguas não é inteiramente você e</p><p>nem é inteiramente o Espírito Santo. Falar em outras línguas é uma cooperação entre você e o Espírito Santo.</p><p>Quinto passo</p><p>Se você percebe que há dentro de você alguma barreira ou temor é importante que você fale antes</p><p>de receber a ministração. Tais barreiras devem ser eliminadas para que você possa receber o batismo no</p><p>Espírito Santo.</p><p>Em muitos lugares, por exemplo, há pessoas que ensinam que precisamos ter muito cuidado, pois pode</p><p>ser que recebamos alguma coisa falsificada em vez do Espírito. Isso é um absurdo porque o Senhor Jesus cla-</p><p>ramente disse que, se pedirmos pão, não ganharemos pedra, e se pedirmos peixe, não ganharemos uma cobra,</p><p>e Ele dá o Espírito Santo a todos os que pedem.</p><p>“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir</p><p>um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um</p><p>escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais</p><p>o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lc. 11:11-13).</p><p>Pode ter certeza que você não receberá outra coisa se pedir ao Pai para ser cheio do Espírito. Jesus usou</p><p>serpentes e escorpiões como símbolos de demônios (Lc. 10:19). Se você ora pelo Espírito, o diabo não pode</p><p>ter espaço. O mesmo, no entanto, não se aplica ao ímpio, ao não convertido. Quando ele busca experiências</p><p>místicas, ele atrai serpentes e escorpiões sobre si. Se você é filho, a promessa do Pai é que Ele lhe dará o Espírito</p><p>Santo. Por isso, lance fora todo medo e toda confusão.</p><p>Sexto passo</p><p>Nesse momento, abra a sua boca e comece a usar as suas próprias cordas vocais, porque o Espírito Santo</p><p>lhe concederá o que falar. Não fale nenhuma palavra em seu próprio idioma agora. Pronuncie audivelmente</p><p>qualquer coisa que o Espírito lhe der para falar, independente de como isso soa. Depois, continue louvando a</p><p>Deus com aquela palavra até que a língua se torne cada vez mais fluente.</p><p>O Senhor Jesus disse em João 7:37 que, se alguém tem sede, deve</p><p>vir a Ele e beber. Em outras palavras,</p><p>o Senhor disse que receber o Espírito é como beber água, ou seja, envolve o mesmo princípio. Ninguém pode</p><p>beber com a boca fechada. Quando abrimos a boca pela fé, o Espírito concederá que falemos.</p><p>Sétimo passo</p><p>Quando você começar a fluir em línguas, ignore quem estiver perto de você e não deixe ninguém</p><p>confundi-lo com instruções estranhas. Algumas pessoas às vezes produzem muita confusão no momento da</p><p>oração e gostam de transformar em fórmula a sua própria experiência. Alguns receberam o Espírito quando o</p><p>pregador jogou água sobre ele e, então, concluem que precisam fazer isso também com os outros. Já vi pessoas</p><p>baterem na outra e gritarem no ouvido dela: “morra para si mesmo, irmão!”</p><p>Há também alguns que mandam a pessoa ficar repetindo alguma frase até receber. Eu sei que muitos</p><p>receberam apesar dessas distrações, mas há muito crente sincero que foi embora desapontado. Não permita</p><p>que coisas assim o distraiam. Ser cheio do Espírito é a coisa mais importante da sua vida. Isso será o centro de</p><p>toda a sua vida cristã. Lembre-se que essa é apenas a primeira vez, mas de agora em diante você pode ser cheio</p><p>do Espírito continuamente.</p><p>A Nova Aliança</p><p>Capítulo</p><p>5</p><p>Cláusulas da Nova Aliança</p><p>Apesar de estarmos na Nova Aliança, há muitos que ainda vivem de acordo com os preceitos da Velha</p><p>Aliança. No Velho Testamento, havia um céu de bronze sobre a cabeça dos homens porque nenhum</p><p>deles podia cumprir as exigências da lei. No entanto, no Novo Testamento não há mais céu de bronze</p><p>porque o céu foi aberto sobre nós.</p><p>Por que o céu está aberto? Porque você está em Cristo. Lá no Calvário aconteceu a grande troca. Cristo</p><p>se tornou o que eu era para que eu seja o que Ele é. Ele tomou o meu lugar na cruz para que hoje eu ocupe</p><p>o lugar que é dEle na glória. Essa grande troca do Calvário faz com que Deus trate hoje você como se fosse</p><p>Cristo. Você foi unido a Ele, e a posição dEle é a sua. Quando você chega diante de Deus, Cristo está chegando</p><p>junto com você.</p><p>É verdade que o céu está aberto apenas sobre Cristo. A Bíblia diz que, no dia do batismo, quando ele</p><p>entrou na água, os céus se abriram sobre Ele. O céu não está aberto sobre mim ou sobre você individualmente.</p><p>Como então Deus pode nos abençoar? Ele nos coloca em Cristo, por isso desfrutamos do céu que está aberto</p><p>sobre Ele.</p><p>O princípio do representante</p><p>Deus se relaciona conosco com base no representante. Esse é um princípio presente em toda a Palavra</p><p>de Deus. Ninguém pode chegar diante de Deus diretamente. É por isso que Jesus disse que ninguém vai ao Pai</p><p>senão por meio dEle. Ele é o nosso sumo sacerdote, o nosso representante. Quando Adão pecou, por exemplo,</p><p>nós pecamos com ele, porque ele nos representava e nós estávamos nele. Hoje o Senhor Jesus é o segundo</p><p>Adão, o cabeça de uma nova raça. Quando nós cremos em Cristo, somos colocados nEle de forma que Ele se</p><p>torne nosso representante. Se Ele obedeceu, para Deus é como se nós tivéssemos obedecido. Se Ele venceu, a</p><p>vitória é nossa também.</p><p>“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim</p><p>também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” (Rm. 5:19).</p><p>Deus quer que saibamos que na cruz o Senhor Jesus se tornou o que nós éramos, para que possamos</p><p>nos tornar o que Ele é.</p><p>A Nova Aliança</p><p>Aula 1</p><p>Cláusulas da Nova Aliança 103</p><p>“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos</p><p>justiça de Deus” (2 Co. 5:21).</p><p>Como o Senhor Jesus, que nunca cometeu pecado, se tornou pecado? Ele recebeu o nosso pecado.</p><p>Como nós, que nunca praticamos a justiça, nos tornamos justos? Nós recebemos a justiça dEle. Essa é a grande</p><p>troca do Calvário. Quando Jesus recebeu o nosso pecado, Deus O julgou e O puniu. Quando recebemos a</p><p>Cristo como a nossa justiça, Deus nos abençoa. O Senhor não merecia se tornar pecado, e nós não merecemos</p><p>ser feitos justos.</p><p>Davi e Golias ilustram o princípio do representante. Golias desafiou o exército de Israel, dizendo: “es-</p><p>colham um para lutar comigo. O que vencer a luta, venceu a guerra”! Quando Davi o venceu, a vitória não foi</p><p>somente de Davi, mas de todo o Israel. Davi e Golias eram representantes. O mesmo princípio se aplicava ao</p><p>sumo sacerdote, que representava o povo diante de Deus. Se ele entrasse no Santo dos santos e caísse morto,</p><p>seria arrastado para fora, e toda a nação saberia que Deus o havia rejeitado. A nação, então, teria um ano ruim</p><p>com derrota para os inimigos, seca e fome. Quando o sumo sacerdote saía do Santo dos santos vivo, ele erguia</p><p>a sua mão para abençoar a nação e, naquele momento, o povo sabia que Deus o havia aceitado, e ele teria um</p><p>grande ano com chuva e abundância. Deus estava dizendo que, se o seu sumo sacerdote é bom, você está bem.</p><p>Porém, bons sumos sacerdotes envelheciam e morriam. É por causa disso que a segurança no Velho</p><p>Testamento não era permanente. Aquele bom sumo sacerdote ficava velho, e as pessoas olhavam temerosas</p><p>para o filho dele, que o sucederia, e que não tinha um bom comportamento. Agora, nós temos um sumo</p><p>sacerdote que vive para sempre. Quando o sumo sacerdote é aceito, nós somos aceitos também, e hoje o nosso</p><p>sumo sacerdote é Jesus.</p><p>João diz que como Ele é nós somos nesse mundo. Se Ele é aceito por Deus, nós também somos. Se Ele</p><p>é justo, nós também somos. Se Ele é saudável, nós também somos. Se Ele é próspero, nós também somos. Se</p><p>Ele está debaixo do favor de Deus, nós também estamos.</p><p>A base da redenção é a justiça</p><p>Deus hoje não tem alternativa senão perdoá-lo. Deus é bom, misericordioso, mas Ele não perdoa você</p><p>por causa da sua bondade, e sim por causa da Sua fidelidade e justiça. Ele poderia relacionar-se com você com</p><p>base na misericórdia, contudo, Deus não é moralmente obrigado a ter misericórdia de ninguém para sempre</p><p>(Rm. 9:15). Certo dia, Ele poderia dizer: “chega de ter misericórdia, eu vou te condenar”! Um dia essa mise-</p><p>ricórdia vai cessar, e o juízo de Deus virá sobre esse mundo.</p><p>Então, para que tivéssemos segurança, Ele assinou um documento e fez uma aliança. Deus pode es-</p><p>colher ter misericórdia de quem Ele quiser e pelo tempo que quiser, mas Ele não pode escolher entre ser ou</p><p>não justo. Ele precisa ser justo sempre. Ele não planejou que vivêssemos como muitos crentes, certos que são</p><p>salvos num dia e no outro não. Estão bem com Deus hoje, amanhã não têm certeza. Ele fez uma aliança de</p><p>que perdoaria as nossas iniquidades e dos nossos pecados jamais se lembraria porque Ele é justo.</p><p>É possível ter uma misericórdia injusta. Suponha que um certo irmão errou comigo e me roubou um</p><p>dinheiro. Ele vem, pede perdão, e eu posso simplesmente perdoá-lo e esquecer o assunto. Nós fazemos assim</p><p>porque não temos justiça em nós, por isso não podemos cobrar justiça sobre os outros. Essa é a razão porque</p><p>perdoamos livremente. Com o juiz, todavia, não é assim. Se esse irmão fosse levado ao juiz, ele não poderia ser</p><p>simplesmente perdoado, e o juiz exigiria o cumprimento da lei e o condenaria. Deus é o juiz, e Ele não pode</p><p>simplesmente esquecer o nosso pecado. O crime precisa ser punido. O problema é que Deus nos ama e não</p><p>quer nos condenar, mas a sua justiça exige a condenação. Como conciliar o amor com a justiça? Deus tinha a</p><p>solução: Ele mesmo veio e pagou pelo crime em nosso lugar. Assim, o perdão de Deus é baseado na sua justiça.</p><p>Uma vez que a dívida foi paga, Ele não tem outra alternativa a não ser nos considerar inocentes, sem</p><p>culpa. No Calvário, o amor e a justiça se beijaram, como diz a Palavra de Deus, assim como a graça e a verdade</p><p>se encontraram. A cruz é o centro do universo, é a justiça de Deus pagando pelo amor de Deus. Todos os atri-</p><p>butos de Deus se harmonizaram na morte do Senhor. O pecado não pode mais ser imputado a você porque a</p><p>104 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>justiça de Deus foi satisfeita, e a lei foi magnificada e cumprida na cruz. Nós não estamos mais sob a lei porque</p><p>não podemos quebrá-la, mas porque ela</p><p>foi cumprida por Cristo. Todo atributo de Deus é glorificado na cruz.</p><p>Não é a misericórdia acontecendo sem a justiça, e nem é justiça sem misericórdia.</p><p>Desse modo, se Deus exerceu misericórdia desrespeitando a sua justiça, então Deus não é mais con-</p><p>fiável, pois, se Ele desconsidera a justiça em um ponto vai desconsiderar em outros, e assim nunca teremos</p><p>segurança. Se o seu pecado já foi punido na cruz, Deus é justo em declarar você perdoado e justo. Se a sua</p><p>enfermidade já foi levada na cruz, então Deus é justo em curá-lo. Essa é a base da Nova Aliança. Deus é justo</p><p>e o justificador dos que têm fé em Jesus (Rm. 3:26).</p><p>“Tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo</p><p>e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm. 3:26).</p><p>As cláusulas da Nova Aliança</p><p>A lei foi dada por meio de Moisés, mas 1500 anos depois a graça e a verdade vieram por meio de Jesus</p><p>Cristo. Hoje a presente verdade é a Nova Aliança.</p><p>“Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria</p><p>sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias,</p><p>diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não se-</p><p>gundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir</p><p>até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei</p><p>para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois</p><p>daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu</p><p>coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. E não ensinará jamais</p><p>cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor;</p><p>porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior. Pois, para com as suas ini-</p><p>qüidades, usarei de misericórdia e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Hb. 8:7-12).</p><p>O próprio Deus diz que a Velha Aliança tinha defeito porque o seu povo é imperfeito. Agora, Deus fez</p><p>uma Nova Aliança, e Ele mesmo diz que cumprirá todas as cláusulas dessa aliança e não haverá menção de</p><p>condições impostas ao seu povo. O texto de Hebreus 8 é uma citação de Jeremias 31:33-34, onde são coloca-</p><p>das as cláusulas da Nova Aliança. O Senhor diz que fará quatro coisas:</p><p>� Na sua mente imprimirei as minhas leis;</p><p>� Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo;</p><p>� Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, dizendo: Conhece ao Senhor;</p><p>� Dos seus pecados jamais me lembrarei.</p><p>Na sua mente imprimirei as minhas leis</p><p>Em primeiro lugar, Ele diz que vai escrever suas leis em nosso coração. Eu gostaria de poder colocar</p><p>dentro do meu filho o desejo de comer brócolis, mas não tenho esse poder. Deus, porém, pode e é exatamente</p><p>isso o que Ele fez. Ele colocou a Sua lei dentro de nós e hoje temos no nosso coração o desejo de fazer a Sua</p><p>vontade. O problema da lei é que ela não muda o interior do homem. Ela toca apenas o exterior, e isso não</p><p>satisfaz a Deus.</p><p>Vamos usar o casamento como ilustração. Imagine que o meu casamento é uma união segundo o</p><p>princípio da lei. Eu chego para a minha esposa e digo os mandamentos da minha lei. Primeiro mandamento:</p><p>“amará o teu marido de todo o teu coração, de toda a tua e de todo o teu entendimento”. Segundo man-</p><p>damento: “farás comida todos os dias para o teu marido”. Terceiro mandamento: “beijarás o teu marido”.</p><p>Quarto mandamento: “farás sexo com o teu marido” Então, certo dia cheguei em casa, vi o jantar pronto e</p><p>fiquei contente. Eu então perguntei à minha esposa: “por que você fez o jantar?” Ela disse: “é o segundo man-</p><p>damento. Eu até nem queria fazer a comida, mas eu tenho de cumprir o mandamento”. Se eu chego e lhe peço</p><p>Cláusulas da Nova Aliança 105</p><p>um beijo, ela prontamente me beija, dizendo que esse é o terceiro mandamento. Eu fico confuso e pergunto a</p><p>ela: “você me ama?” “Claro!” Ela responde. “Esse é o primeiro mandamento, lembra”?</p><p>Creio que nenhum de nós gostaria de estar casado com uma mulher que nos beija ou faz sexo conosco</p><p>porque a lei manda. Nós queremos ser amados. Imagine um casamento segundo a graça. Em vez de dar à</p><p>minha esposa mandamentos, eu decido conquistar o coração dela mostrando-lhe o quanto eu a amo. Eu tra-</p><p>balho e faço todo sacrifício para que ela seja suprida e feliz. Um dia eu chego em casa, e a comida não foi feita.</p><p>Imediatamente eu saio para comprar comida, mas, como não tem restaurante aberto, compro os ingredientes</p><p>e eu mesmo cozinho.</p><p>No fim eu lhe pergunto: “você me ama?” “Como posso não amar?” Responde ela. “Você me ama tanto</p><p>que me conquistou com tanto carinho e dedicação.” A Velha Aliança é “amarás o Senhor teu Deus”, mas a</p><p>Nova Aliança é: “nós amamos porque Ele nos amou primeiro”. Hoje o nosso amor é uma resposta ao amor</p><p>dEle por nós (1 Jo. 4:19).</p><p>Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo</p><p>A segunda cláusula da Nova Aliança é: “Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. Essa é uma</p><p>afirmação poderosa, pois, se estivermos doentes, Ele será o nosso Deus e nós teremos cura. Se estivermos ne-</p><p>cessitados, Ele será o nosso Deus e nós teremos plena provisão. Quando o anjo veio anunciar o nascimento do</p><p>Senhor, ele disse que o seu nome seria “Salvador”, literalmente Yeshua. Ele não veio nos ensinar um caminho</p><p>de como ser salvo, mas veio para nos salvar, porque Ele mesmo é a nossa salvação.</p><p>Essa é uma diferença entre a lei e a graça. Quando pregamos a lei, dizemos às pessoas o que elas pre-</p><p>cisam fazer, mas, quando pregamos a graça, falamos do que o Senhor faz por nós. Quando temos uma crise</p><p>no casamento, não pensamos que precisamos de um salvador, mas presumimos que devemos aprender como</p><p>nós mesmos podemos salvar o nosso casamento. Queremos aprender como transformar nosso casamento da</p><p>água para o vinho, no entanto, não temos como fazer isso, a não ser que Jesus seja convidado a fazer o milagre.</p><p>Muitos pastores pregam um tipo de autoajuda. Se você está em crise no casamento, te ensinarei sete passos</p><p>para salvá-lo e dez passos para ter uma união feliz. Tudo isso é o que você mesmo pode fazer, mas viver na graça</p><p>significa crer que Ele mesmo vai nos tirar do buraco.</p><p>Imagine uma pessoa se afogando. Você a vê e então lhe atira um livro, dizendo: “Pega aí! Meu último</p><p>livro: ‘Como aprender a nadar em cinco lições!’”. O que essa pessoa precisa é de um salvador que a tire da</p><p>água e a leve para o lugar seguro, mas tudo o que oferecemos são regras para que ela mesmo se salve. Muitos</p><p>buscam métodos, mas Deus nos dá Cristo. Quando Ele faz, o milagre acontece num instante, e não leva toda</p><p>a vida. Se alguém quer produzir um vinho excelente, isso vai levar de 15 a 25 anos, mas o Senhor fez o melhor</p><p>vinho num instante. Por isso, você não precisa esperar por tanto tempo, apenas peça ao Salvador para te salvar.</p><p>Sempre associamos salvação com ser salvo do inferno e da condenação, mas a palavra salvar é sozo, e</p><p>significa muito mais que isso. Podemos ser salvos de uma enfermidade, de uma vida de pobreza e, é claro, de</p><p>um casamento ruim. Porém, nosso Salvador não nos salva destruindo o casamento, mas muda a nossa sorte e</p><p>nos salva de tudo isso.</p><p>Todos me conhecerão</p><p>A terceira cláusula é que “todos conhecerão o Senhor, desde o menor deles até ao maior, diz o Senhor”.</p><p>O conhecimento de Deus hoje é intuitivo dentro de nós. Podemos ter comunhão com Ele em nosso espírito.</p><p>Não importa se somos crianças ou velhos, cultos ou iletrados, todos podemos conhecer a Deus. Por fim, na</p><p>última cláusula da Nova Aliança, o Senhor diz: “para com as suas iniquidades, usarei de misericórdia e dos seus</p><p>pecados jamais me lembrarei”. Essa é a cláusula que torna possível todas as outras.</p><p>Debaixo da lei, o Senhor disse que visitaria a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta gera-</p><p>ção, mas agora Ele não julga mais, porque não se lembra mais de nossos pecados (Ex. 20:5). Isso significa que</p><p>não há mais condenação sobre nós e nem sobre os nossos filhos e netos. Na Velha Aliança, os sacrifícios de</p><p>sangue de animais apenas cobriam os pecados dos filhos de Israel durante somente um ano, e o processo tinha</p><p>106 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>de ser repetido a cada ano (Hb. 10:3). Agora, o sangue de Jesus removeu os pecados – passados, presentes e</p><p>futuros – dos crentes, completa e perfeitamente, de uma vez por todas (Hb. 10:11-12). Mas qual é a parte do</p><p>homem na Nova Aliança? Ele não tem de fazer coisa alguma, apenas crer. O justo viverá pela fé.</p><p>Por que muitos não conseguem crer que a lei foi escrita em nossos corações? Por que não conseguem</p><p>crer que Deus é o seu Deus no meio da necessidade? Por que pensam que não podem conhecer o Senhor?</p><p>Tudo isso é porque não creem que o Senhor se esqueceu do seu pecado. Infelizmente, muitos crentes ainda</p><p>vivem debaixo de condenação, acreditando que o seu pecado está sempre diante de Deus. Por causa disso</p><p>vivem na expectativa do juízo, e não da bênção. Muitos ainda chegam a Deus na posição de pecadores, mas</p><p>você hoje foi declarado justo. Certa vez o Senhor contou uma parábola do fariseu e do publicano.</p><p>“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publi-</p><p>cano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te</p><p>dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda</p><p>como este publicano, jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.</p><p>O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas</p><p>batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu</p><p>justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas</p><p>o que se humilha será exaltado” (Lc. 18.10-14).</p><p>Este texto não está ensinando você como se relacionar com Deus hoje, mas a maneira de ser salvo.</p><p>Quem será salvo é aquele que atendeu o apelo e vem à frente chorando, batendo a mão no peito e pedindo</p><p>misericórdia ao Senhor porque reconhece que é um pecador. Depois que você é salvo, vai continuar orando</p><p>assim? Claro que não. Muitos de nós, depois de salvos, continuamos orando como se não fôssemos justos.</p><p>Então, alguém diz: “Mas está escrito, foi Jesus quem disse”. Não, essa foi a sua oração no primeiro dia.</p><p>Depois que você fez a oração do pecador, você se tornou filho. Se você orar hoje na posição de um pecador,</p><p>Deus não o ouvirá. Ore como filho: “Pai, eu sou teu filho e sou co-herdeiro com Cristo. Fui justificado pela fé</p><p>e hoje tenho a justiça de Cristo. Meus pecados foram todos cancelados e tu não te lembras de nenhum deles”.</p><p>Essa é uma oração poderosa porque honra a Aliança.</p><p>Deus é seu pai. Você é filho e herdeiro. Você não é herdeiro porque se comporta bem, mas porque é</p><p>filho. Muitos não conseguem ter esperança por causa do medo da condenação e da ira de Deus. A verdade é</p><p>que sobre nós não há mais condenação, e o Senhor jurou que não mais se iraria contra nós.</p><p>Porque isto é para mim como as águas de Noé; pois jurei que as águas de Noé não mais inundariam a</p><p>terra, e assim jurei que não mais me iraria contra ti, nem te repreenderia (Is. 54:9).</p><p>A nossa esperança não é baseada em algo vago, mas está firmada na fidelidade de Deus em sua aliança.</p><p>O Senhor se comprometeu a nos dar um grande futuro por causa da Nova Aliança.</p><p>“Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o</p><p>meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr. 32:40).</p><p>O confronto de duas alianças</p><p>Em 2 Coríntios, capítulo 3, Paulo faz um grande paralelo entre e Velha e a Nova Aliança. Gostaria de</p><p>mostrar algumas diferenças para que a nossa fé seja fortalecida e vivamos cada dia mais a realidade da</p><p>graça de Deus.</p><p>1. A Velha Aliança é uma promissória de dívida, mas a Nova Aliança</p><p>traz paz</p><p>Existe uma grande diferença entre a Velha Aliança e a Nova Aliança. Infelizmente é possível viver nos dias</p><p>do Novo Testamento e ainda se relacionar com Deus nas bases da Velha Aliança, o que produz um terrível proble-</p><p>ma espiritual. Na Velha Aliança, Deus exigia justiça do homem, mas, na Nova Aliança, Ele transmite justiça ao</p><p>homem através da obra consumada de Jesus (Rm. 4:5-7). É por isso que o justo vive pela fé, pois ele não vê essa</p><p>justiça, mas Deus vê. A nossa justiça hoje é um dom que recebemos, e não um comportamento que adquirimos.</p><p>Mas, se ainda vivemos segundo a lei, ficaremos tentando nos tornar o que já somos em Cristo: justos.</p><p>Em 2 Coríntios 3:6-18, Paulo faz um paralelo entre as duas alianças, mostrando pelo menos cinco</p><p>grandes diferenças. A primeira é que a Velha Aliança é uma nota promissória de dívida, mas a Nova</p><p>Aliança traz paz.</p><p>“O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do</p><p>espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co. 3:6).</p><p>A palavra “letra” usada aqui poderia ser traduzida como a lei do Velho Testamento. Na verdade, a pala-</p><p>vra “letra” ainda hoje é usada como sinônimo de nota promissória, carta de fiança, declaração escrita de débito</p><p>ou dívida. Não é por acaso que o governo emite um documento chamado Letras do Tesouro Nacional (LTN).</p><p>Quando você adquire uma LTN, o governo passa a ser seu devedor, e você passa a ter uma carta promissória</p><p>chamada de Letra do Tesouro.</p><p>Nesse sentido, então, pregar a letra é pregar a dívida que as pessoas possuíam com Deus de acordo com</p><p>a lei, e nós hoje não pregamos mais a lei do Velho Testamento. Não estou dizendo que não podemos pregá-lo,</p><p>porque eu mesmo sou professor do Velho Testamento, mas somente se for para apontar para Cristo. Não</p><p>fomos chamados para pregar acusação e condenação. O Senhor disse que Ele mesmo não nos acusa, pois, na</p><p>verdade, Ele é nosso advogado (1 Jo. 2:1). Ele disse que quem nos acusa é Moisés.</p><p>A Nova Aliança</p><p>Aula 2</p><p>108 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes</p><p>firmado a vossa confiança” (Jo. 5:45).</p><p>Sabemos que Moisés representa a lei, que é a que nos acusa. Logo, pregar a lei nos leva a acusar e a</p><p>condenar as pessoas. Muitos fazem isso com boa intenção, mas estão matando as pessoas em vez de lhes</p><p>ministrarem vida. Normalmente o pastor prega um tipo de mistura do Novo com o Velho Testamento,</p><p>que é o grande problema. Muitos misturam o Evangelho da graça com a lei. Eles creem que são salvos</p><p>pela graça, mas que a comunhão com Deus depende de guardarem os mandamentos da lei, pois somente</p><p>aqueles que os cumprem têm as suas orações respondidas. Assim, vivem como se não fossem justificados</p><p>pelo sangue.</p><p>A letra de dívida não pode gerar fé em ninguém, apenas condenação e medo. A lei é muito simples e</p><p>se constitui na base do pensamento das religiões do mundo. Se fizer o bem eu ganho, se fizer o mal eu perco.</p><p>A verdade da graça, contudo, é completamente diferente. É preciso luz do Espírito para que a pessoa entenda</p><p>como aquele que não merece pode ainda assim ser abençoado e que a nossa relação com Deus não é mais</p><p>baseada em nosso mérito. Sem a luz do Espírito, o Evangelho é loucura, mas a lei é vista como algo sensato</p><p>pelos religiosos. Como ministros da Nova Aliança, precisamos ser cuidadosos para não pregarmos às pessoas e</p><p>elas se sentirem culpadas, mas perdoadas.</p><p>2. A Velha Aliança resulta em morte, mas a Nova Aliança é</p><p>ministério do Espírito</p><p>“E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu de glória, a</p><p>ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu</p><p>rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito?”</p><p>(2 Co. 3:7-8).</p><p>Paulo diz que o ministério da morte foi gravado com letras em pedras. Todos nós sabemos que somente</p><p>a lei foi gravada em pedras e, sendo assim, representa o ministério da condenação. O ministro que prega a</p><p>letra sempre vai condenar as pessoas, mas aquele que tem o ministério do Espírito ministrará fé no coração</p><p>das pessoas. Segundo a lei, tudo depende do homem e da sua obediência. Segundo a graça, tudo</p><p>depende de</p><p>Jesus e do que Ele realizou na cruz. A lei exige justiça, mas a graça concede justiça. A lei diz: “Faça”! Mas a</p><p>graça diz: “Eu faço por você”!</p><p>Paulo diz que a Velha Aliança é o ministério da morte. A principal causa de morte nas igrejas e de um</p><p>ambiente pesado na célula é a pregação da lei. O ambiente fica pesado por causa da condenação, do medo e</p><p>da vergonha, por causa do pecado das pessoas. Quando pregamos condenação, sempre mostrando o quanto</p><p>as pessoas são falhas, nós enchemos a reunião de morte. Mas, se ministramos a graça, o Espírito pode agir</p><p>livremente, e as pessoas em pecado logo experimentarão o perdão de Deus. Condenar o pecador não libera</p><p>vida, mas perdoá-lo, sim.</p><p>Uma diferença fundamental entre a Velha e a Nova Aliança é que, na Velha Aliança, somente a impure-</p><p>za e a morte eram transmitidas, nunca a vida e a santidade. É por isso que um sacerdote levita jamais poderia</p><p>impor as mãos sobre um leproso ou orar por um morto, mas o Senhor Jesus tocou no leproso, e em vez de Ele</p><p>ser contaminado, foi o leproso quem recebeu vida e cura. Isso está claramente ilustrado num exemplo dado</p><p>em Ageu 2:11-13.</p><p>“Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Pergunta, agora, aos sacerdotes a respeito da</p><p>lei: Se alguém leva carne santa na orla de sua veste, e ela vier a tocar no pão, ou no</p><p>cozinhado, ou no vinho, ou no azeite, ou em qualquer outro mantimento, ficará isto</p><p>santificado? Responderam os sacerdotes: Não. Então, perguntou Ageu: Se alguém que se</p><p>tinha tornado impuro pelo contato com um corpo morto tocar nalguma destas coisas,</p><p>ficará ela imunda? Responderam os sacerdotes: Ficará imunda. Não precisamos temer</p><p>tocar as pessoas, pois a vida de Deus em nós é mais poderosa que a obra do maligno</p><p>na vida delas. Nós transmitimos vida e poder, mas não recebemos as coisas do diabo”</p><p>(Ag. 2:11-13).</p><p>O confronto de duas alianças 109</p><p>Paulo diz em 1 Coríntios 7 que a mulher crente santifica o marido descrente. O descrente é abençoado</p><p>pelo convívio com o crente, mas o crente não pode ser atingido. Esta é a glória da Nova Aliança. Na Velha</p><p>Aliança, os filhos de Israel estavam sob o ministério da morte (2 Co. 3:6), mas os crentes estão sob o ministério</p><p>da vida abundante de Jesus (2 Co. 3:6; Jo. 10:10).</p><p>3. A Velha Aliança traz condenação, mas a Nova Aliança ministra</p><p>a justiça</p><p>“Porque, se o ministério da condenação foi glória, em muito maior proporção será glorioso</p><p>o ministério da justiça” (2 Co. 3:9).</p><p>Tudo sobre a lei tem a ver com você olhando para si mesmo. Mas, tudo sobre a graça tem a ver com</p><p>você vendo a Jesus. Esse é o grande teste para você saber se tem vivido na lei ou na Nova Aliança. Uma maneira</p><p>simples de avaliarmos quais tipos de ministros somos é observando se a nossa pregação leva as pessoas para</p><p>elas mesmas ou para Cristo. Se as estimulamos a serem introspectivas e a olharem para a própria performance,</p><p>então pregamos a lei.</p><p>4. A Velha Aliança é um véu, mas na Nova Aliança somos</p><p>transformados por contemplarmos a Cristo</p><p>“Mas os sentidos deles se embotaram. Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da</p><p>antiga aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é remo-</p><p>vido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando,</p><p>porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é retirado” (2 Co. 3:14-16).</p><p>A lei é um véu. Enquanto andamos pela Velha Aliança da lei, nossos olhos espirituais ficam vendados,</p><p>mas quando nos voltamos para a graça do Senhor, então recebemos revelação. Se quisermos revelação, preci-</p><p>samos remover o véu da lei. Ló é um símbolo do crente que ainda vive na lei. O nome Ló significa “véu” em</p><p>hebraico. É por isso que depois que se separou de Ló, o Senhor disse a Abraão:</p><p>“[...] Levanta os olhos para o norte, para o sul, o leste e o oeste” (Gn. 13:14).</p><p>Quando o véu foi removido, Abraão estava pronto para ver. Embora sejam justificados pela fé,</p><p>muitos crentes ainda vivem segundo o princípio da lei, por isso ainda permanece um véu sobre eles,</p><p>como está escrito em 2 Coríntios 3:14. Somente a mensagem do Evangelho tem poder para transformar</p><p>o homem e gerar fé no coração. Paulo diz que somos transformados apenas por contemplarmos a glória</p><p>de Deus. Como contemplamos a glória? Cada vez que pregamos a Nova Aliança estamos pintando um</p><p>quadro do Senhor Jesus diante dos irmãos. Se eles conseguem contemplá-lo, então eles são transforma-</p><p>dos. Mas, se em vez de pintarmos um quadro vívido de Cristo nós pregarmos a lei, então não haverá</p><p>transformação na vida dos irmãos, e eles sairão cheios de culpa e condenação. Somos habituados a pensar</p><p>que a transformação é fruto do nosso esforço e empenho, mas Paulo diz que somos transformados apenas</p><p>por contemplarmos o Senhor.</p><p>“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,</p><p>somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o</p><p>Espírito” (2 Co. 3:18).</p><p>Os filhos de Israel não podiam entrar no Santo dos santos (onde estava a presença de Deus).</p><p>Somente o sumo sacerdote podia fazê-lo uma vez por ano, no Dia da Expiação (Lv. 16:2,14). Hoje,</p><p>porém, os crentes podem entrar na santa presença de Deus, como também podem chegar-se com ou-</p><p>sadia ao Seu trono de graça para encontrar misericórdia e graça em suas necessidades, devido à perfeita</p><p>expiação de Jesus (Hb. 4:16).</p><p>Na Nova Aliança, todos somos feitos sacerdotes e podemos ministrar diante da arca. Esse é o centro</p><p>da revelação da Nova Aliança, pois Cristo veio habitar dentro de nós. Se Cristo habita em nós, somos feitos</p><p>reis e sacerdotes.</p><p>110 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>5. A Velha Aliança produz um comportamento sem transformação</p><p>do coração, mas na Nova Aliança somos transformados de glória</p><p>em glória</p><p>Aqueles que vivem pela lei possuem um senso de obrigação, mas vivem uma vida falsa: “Eu fiz porque</p><p>você mandou e me constrangeu a fazer, para que você se sentisse feliz, mas não queria fazer”. Isso é um rela-</p><p>cionamento falso. É como o garoto que diz: “Você me manda ficar sentado, mas por dentro eu estou em pé”.</p><p>Ficar sentado não tem valor algum, é somente fruto de imposição. Quem vive assim está sempre com medo</p><p>de ser punido. Deus mandou, eu tenho de fazer, senão Ele me castiga. Minha mulher mandou, então tenho</p><p>de fazer mesmo.</p><p>A vida na lei é uma vida falsa, porque não vem de dentro. É uma vida de constante medo da punição e</p><p>oprimida porque o tempo todo lembra que estamos fora do padrão. A obediência à lei não tinha o poder de</p><p>eliminar o pecado da vida das pessoas, nem de tornar alguém santo, justo e bom. Mas, hoje, o pecado não tem</p><p>domínio sobre os crentes (Rm. 6:14), pois o poder de Jesus para vencer a tentação se manifesta quando elas</p><p>sabem que são justas em Cristo, independentemente de suas obras (Rm. 4:6).</p><p>Os filhos de Israel eram desviados de sua confiança na bondade de Deus porque sempre olhavam para</p><p>si mesmos, para ver quão bem ou mal se saíam (estavam sempre conscientes de si mesmos). Hoje, na Nova</p><p>Aliança, somos desafiados a olhar para o Senhor, e não para nós mesmos. Por isso nós, crentes, possuímos uma</p><p>tremenda confiança e segurança em Cristo (conscientes de Cristo).</p><p>Precisamos ser cuidadosos para não tentarmos misturar a Velha com a Nova Aliança. Quando mistura-</p><p>mos a lei com a graça, o resultado é que a Nova Aliança perde todo o poder. Em Hebreus 13:12, a Palavra de</p><p>Deus diz para sairmos para fora do arraial para encontrarmos com Cristo.</p><p>“Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora</p><p>da porta. Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério” (Hb. 13:12-13).</p><p>A carta aos hebreus foi escrita para advertir a alguns contra o risco de voltarem para o judaísmo, por</p><p>isso, em vez de voltarmos, temos de sair para fora do arraial, que aponta para a Velha Aliança da lei. Cristo está</p><p>fora e precisamos sair para encontrar com Ele. Mais do que nunca, precisamos advertir os irmãos a saírem da</p><p>lei e entrarem na graça.</p><p>A Justificação</p><p>Ele o faz a partir do nosso espírito. É sempre de dentro para fora. Esta é uma maneira bem</p><p>Funções do espírito 13</p><p>prática de sabermos o que vem de Deus e o que vem do diabo. O diabo sempre começa a agir pelo corpo, de</p><p>fora, tentando atingir nossa alma. É de fora para dentro, enquanto Deus, por sua vez, age de dentro para fora.</p><p>Não procure exercitar a mente, mas o espírito, mediante o coração. É por isso que a adoração com cân-</p><p>ticos em línguas é mais eficiente, pois a nossa mente fica infrutífera e podemos exercitar o espírito livremente.</p><p>Como exercitar o próprio espírito</p><p>Jesus disse que o espírito está pronto (Mt. 26:41), que a obra de Deus em nosso espírito já foi comple-</p><p>tada, e é como uma lâmpada que se acendeu. Contudo, ainda precisa ser aperfeiçoado pelo exercitar, como</p><p>uma criança que acabou de nascer.</p><p>“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas</p><p>a carne é fraca” (Mt. 26:41).</p><p>Fomos regenerados, nascemos de Deus, e Ele agora habita em nosso espírito. A nós cabe agora exerci-</p><p>tá-lo. Exercitamos o nosso espírito para separarmos aquilo que procede da alma do que procede do próprio</p><p>espírito (Hb. 4:12).</p><p>Há várias maneiras de exercitarmos o próprio espírito que descreveremos a seguir.</p><p>a. Por meio do quebrantamento</p><p>A maneira como Deus nos leva a perceber o nosso próprio espírito passa por três caminhos. Em primei-</p><p>ro lugar, devemos entender que a alma esconde e encobre o espírito, assim como os ossos encobrem a medula.</p><p>Se quisermos ver a medula, temos de quebrar os ossos. Por isso a alma precisa ser quebrada: para percebermos</p><p>o nosso espírito. Nestas circunstâncias, nos tornamos sensíveis a Deus em nosso espírito.</p><p>b. Pela Palavra de Deus</p><p>A Palavra de Deus também tem esse poder de separar alma e espírito. Deus, na verdade, usa o que-</p><p>brantamento pelas circunstâncias e o poder da palavra para separar a alma e o espírito. Hebreus 4:12 diz:</p><p>“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois</p><p>gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para</p><p>discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb. 4:12).</p><p>c. Orando em línguas</p><p>Uma terceira maneira para percebermos o nosso espírito humano é orando em línguas. Paulo diz, em 1</p><p>Coríntios 14:14, que aquele que ora em línguas tem o próprio espírito orando enquanto a mente (alma) fica</p><p>infrutífera. Portanto, se você não ora em línguas, busque do Senhor esta experiência, pois através dela você vai</p><p>crescer no seu próprio espírito.</p><p>d. Rejeitando a passividade</p><p>Para que o diabo possa agir no homem, ele leva o homem a se tornar passivo, mas, para que Deus possa</p><p>agir, é preciso que o homem coopere, exercitando a Sua vontade. Paulo diz, em Romanos 1:9, que ele serve a</p><p>Deus é no espírito. O mesmo se aplica a cada cristão. A criança que acabou de nascer tem uma boca perfeita,</p><p>mas não sabe falar; ela possui pés perfeitos, mas não sabe andar, e assim por diante. O nosso espírito está</p><p>pronto, mas ainda precisa ser aperfeiçoado pelo exercitar.</p><p>Funções da Alma</p><p>A Palavra de Deus nos mostra clara e inequivocamente que a alma humana, a personalidade, é composta</p><p>por três partes: a mente, a vontade e a emoção. A alma é a sede da nossa personalidade, é o nosso “EU”.</p><p>É por esse motivo que, em muitos lugares, a Palavra de Deus chama o homem de “alma”. As principais</p><p>características do homem estão na sua alma, tais como ideais, pensamentos, emoções etc.</p><p>Funções da alma</p><p>a. Da mente</p><p>“Porquanto a sabedoria entrará no teu coração, e o conhecimento será agradável à tua alma”</p><p>(Pv. 2:10).</p><p>“Então, sabe-se que assim é a sabedoria para a tua alma; se a achares, haverá bom futuro, e</p><p>não será frustrada a tua esperança” (Pv. 24:14).</p><p>Em Provérbios 2:10 e 24:14, mostra-se que a alma necessita de conhecimento, do saber, que é uma</p><p>função da mente; logo, a mente é uma função da alma.</p><p>“As suas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem” (Sl. 139:14).</p><p>Lamentações 3:20 diz que a alma pode se lembrar, e a lembrança é uma função da mente. Minha alma,</p><p>continuamente, se recorda e se abate dentro de mim (Lm. 3:20). A mente é a função mais importante da alma,</p><p>e se ela for obscurecida, nunca poderemos chegar ao pleno conhecimento da verdade. Ela deve ser renovada</p><p>para podermos experimentar e entender a vontade de Deus, que é revelada em nosso espírito.</p><p>b. Da vontade</p><p>A vontade é o instrumento para nossas decisões e indisposições. Sem ela, o homem seria reduzido a um</p><p>ser autômato, pois é por meio da vontade do homem que se resolve pecar ou servir a Deus. É, deste modo, na</p><p>nossa alma, que está o nosso poder de escolha:</p><p>“Pelo que a minha alma escolheria, antes ser estrangulada [...]” (Jó 7:17).</p><p>1 Crônicas 22:19 diz:</p><p>“Disponha agora o vosso coração e a vossa alma para buscardes o Senhor Deus” (1 Cr. 22:19).</p><p>Buscar é uma função da vontade, e a vontade está na alma. Em Jó 6:7, lemos:</p><p>“Aquilo que minha alma recusava em tocar [...]” (Jó 6:7).</p><p>Recusar é uma função da vontade.</p><p>Princípios de Revelação na Palavra</p><p>Aula 3</p><p>Funções da Alma 15</p><p>c. Da Emoção</p><p>A emoção é uma parte importante da experiência humana. Ela se manifesta de muitas formas: por meio</p><p>do amor, ódio, pesar, desejo, da alegria, tristeza, saudade etc. As emoções dão cor à nossa vida, todavia, jamais</p><p>podemos nos deixar ser guiados por elas, porque a emoção é uma parte da alma. Em 1 Sm. 18:1, Ct. 1:7 e</p><p>Sl. 42:1, percebemos que o amor é alguma coisa que surge em nossa alma, provando, portanto, que, dentro</p><p>da alma, existe uma função como a emoção. Há em 2 Sm. 5:8, Ez. 36:5 e Sl. 117:18 expressões, tais como:</p><p>menosprezo, aborrecimento e desprezo, que são emoções que procedem da alma.</p><p>Poderíamos citar ainda a alegria, em Is. 61:10 e Sl. 86:4, como uma emoção da alma, e ainda a angústia,</p><p>como em 1 Sm. 30:6 e 20:4, Ez. 24:25 e Jr. 44:14.</p><p>A transformação da alma</p><p>Não devemos pensar que a nossa alma é ruim. O erro é caminharmos confiados na capacidade de ela</p><p>pensar, entender e sentir, pois já não andaremos por fé e estaremos no nível da carne. Os que andam segundo o</p><p>padrão da alma são chamados carnais, que não são exatamente aqueles que andam na prática do pecado, uma</p><p>vez que quem anda na prática do pecado possivelmente nem tenha nascido de novo, pois aquele que é nascido de</p><p>Deus não vive na prática do pecado (Jo. 3:9). O carnal é aquele que sinceramente tenta fazer a vontade de Deus,</p><p>todavia, ele o faz exercitando a alma, ou seja, sua mente, vontade e suas emoções. Neste sentido, os cristãos que</p><p>vivem segundo o padrão da alma tendem a seguir aquela função da alma que lhes é mais peculiar. Assim, temos</p><p>carnais ou crentes almáticos que andam pela mente, outros pela emoção e outros pela empolgação.</p><p>Pessoas mais emotivas tendem a usar as emoções como critérios de vida espirituais. Se sentem calafrios e</p><p>fortes emoções, conseguem fazer a obra de Deus, mas, se estas emoções se vão, também seu ânimo se esvai. Há</p><p>outros, porém, que recusam esta emotividade da alma e andam segundo o padrão da mente. Estes chegam mes-</p><p>mo a criticar os emotivos como sendo carnais. O que eles não percebem é que andar segundo a mente também</p><p>é da alma. Estes irmãos tendem a ser extremamente críticos e naturais na obra de Deus. Geralmente não aceitam</p><p>o sobrenatural e querem colocar o Espírito Santo nos seus padrões de mente.</p><p>Há ainda um terceiro tipo de cristão da alma. Trata-se daqueles que andam segundo a empolgação da</p><p>vontade, podendo chamá-los de crentes “oba-oba”. Sempre estão empolgados para realizar alguma atividade,</p><p>entretanto, o fogo se apaga logo. Não possuem perseverança alguma e chegam mesmo a argumentar em nome de</p><p>sua pretensa sinceridade: “Se eu não estou com vontade, eu não preciso orar nem ler a Bíblia, pois, afinal, Deus</p><p>não quer sacrifício”. Parece muito piedoso, mas são apenas desculpas da carne para não servir a Deus.</p><p>Dessa maneira, se andarmos segundo a alma, invariavelmente cairemos em um desses três pontos, ou</p><p>em todos eles, e</p><p>apenas pela fé</p><p>Existe uma verdade que é o centro da mensagem do Evangelho, e o cristianismo não existiria se não fosse</p><p>essa verdade. Estou falando da justificação, que é a boa nova de que somos aceitos diante de Deus,</p><p>através de um simples ato de fé em Cristo. Quando cremos em Cristo e na Sua obra realizada na cruz,</p><p>somos declarados justos diante de Deus. Precisamos conhecer essa verdade e aplicá-la em todas as áreas de</p><p>nossa vida cristã.</p><p>O que significa justificação? “Justificação” é um termo legal que foi tomado emprestado dos tribunais,</p><p>sendo o oposto de “condenação”. “Condenar” é declarar uma pessoa culpada; “justificar” é declará-la sem</p><p>culpa, inocente ou justa. Justificação é o ato do favor imerecido de Deus, através do qual Ele coloca diante de</p><p>si o pecador, perdoa-o, declara-o sem culpa e ainda aceita-o como justo. Ou seja, você foi declarado justo por</p><p>causa da redenção de Jesus na cruz.</p><p>“Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo</p><p>Jesus” (Rm. 3:24).</p><p>A Palavra de Deus diz que todo homem é pecador, no entanto, a humanidade não sabia disso. Assim,</p><p>Deus mandou o seu prumo para a terra, que é a lei, e ficamos sabendo que estamos fora do padrão da jus-</p><p>tiça de Deus. Não era a intenção de Deus justificar o homem pela lei, através da qual apenas vem o pleno</p><p>conhecimento do pecado (Rm. 3:20). Assim veio Cristo Jesus, morreu e ressuscitou para ser a nossa justiça.</p><p>Embora pensemos que somos justos, nossa justiça não é nada quando colocada no prumo da justiça de Deus.</p><p>Deus mesmo é o padrão e a sua exigência de justiça é absurdamente alta, por isso nenhum homem poderia se</p><p>justificar diante de Deus. Precisamos da justificação pela fé, e não por obras da lei.</p><p>Na Nova Aliança, Deus tomou a lei e a substituiu pela fé. Crer é a única lei que Deus exige do homem</p><p>pecador. Se o homem crê em Cristo, esta fé lhe é imputada como justiça. Não que o homem possa crer por si</p><p>mesmo, pois Cristo é o autor da minha fé e a minha própria justiça.</p><p>“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos</p><p>justiça de Deus” (2 Co. 5:21).</p><p>Você não foi apenas perdoado, mas declarado justo. Ser perdoado significa que o pecador pode ser libe-</p><p>rado de ter que pagar a penalidade que ele merece. Ser justificado significa que posso entrar na comunhão com</p><p>Deus, pois sou justo e jamais cometi pecado. O perdão é negativo, é o cancelamento de um débito, enquanto</p><p>A Nova Aliança</p><p>Aula 3</p><p>112 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>a justificação é positiva, é receber um novo status de justo diante de Deus. Um assassino perdoado, por exem-</p><p>plo, continua sendo um assassino, ainda que um assassino perdoado. Mas, se de uma forma miraculosa, ele</p><p>pudesse nascer de novo, ele poderia ser declarado justo em sua nova vida. Isto é justificação.</p><p>Quando Cristo morreu, eu morri com Ele; quando Ele ressuscitou, eu renasci para uma nova vida. Isso</p><p>tudo se torna uma realidade quando confesso a Jesus, pois, quem morreu está justificado do pecado (Rm.</p><p>6:7). Hoje somos declarados justos quando cremos na redenção de Cristo, na Sua obra consumada na cruz. A</p><p>nossa justiça é um dom de Deus. Você foi feito tão justo como Jesus, não por meio do seu comportamento,</p><p>mas pela fé nEle.</p><p>“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem</p><p>a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber,</p><p>Jesus Cristo” (Rm. 5:17).</p><p>O diabo, porém, fica constantemente lembrando o quanto você é pecador. Você deve rejeitar toda</p><p>acusação maligna. Não há nada que você possa fazer para Deus amá-lo mais, e não há nada que você faça</p><p>que o leve a amá-lo menos. Seu direito de ser justo foi comprado pelo sangue de Jesus. A nossa justiça não</p><p>depende mais de nosso comportamento, pois a nossa justiça é Cristo. Mesmo quando agimos mal, podemos</p><p>ousadamente declarar que somos justos, pois a nossa justiça é Cristo.</p><p>A razão de muitos crentes viverem uma vida de derrota é porque acreditam na mentira de que Deus</p><p>está zangado com eles. Estão sempre com a sensação de que não estão bem com Deus e simplesmente não</p><p>sentem paz. Ninguém pode sentir paz se está debaixo de condenação. A ira de Deus por causa do pecado não</p><p>pode mais estar sobre nós porque ela caiu sobre a obra consumada do Senhor Jesus na cruz. Não estamos</p><p>mais debaixo da Velha Aliança, segundo a qual Deus às vezes estava feliz com você, às vezes estava zangado,</p><p>dependendo do seu comportamento. Hoje Ele tem total prazer em você por causa de Jesus.</p><p>Sei que, na tentativa de ser zeloso, você está sempre olhando para si mesmo à procura de alguma coisa</p><p>errada. Chamamos isso de introspecção, que é um grande perigo e pode levá-lo ao abismo. Na verdade é a</p><p>carne tentando se justificar diante de Deus sem depender do sangue de Jesus. Se houver algo errado em você,</p><p>o Espírito vai trazer luz e você poderá se arrepender e mudar de conduta. Muitos confundem a introspecção</p><p>com o convencimento do Espírito Santo a respeito do pecado. Não precisamos mais ser convencidos do peca-</p><p>do, pois já fomos quando nos convertemos. Hoje, o trabalho do Espírito Santo é nos convencer da justiça (Jo.</p><p>16:8) em Cristo Jesus, que já fomos perdoados e, mesmo quando falhamos, somos justiça de Deus em Cristo.</p><p>A lei versus a graça</p><p>Entendemos que a lei sejam todos os mandamentos de Deus, e “obras da lei” é o nosso esforço para</p><p>os guardarmos. Os religiosos ensinam que o homem é justificado obedecendo aos mandamentos da lei. Eles</p><p>veem o ensino da justificação pela fé como um tipo de licença para que as pessoas vivam no pecado. É assim</p><p>que pensam muitos crentes dos nossos dias. Cada vez que nos ouvem pregando sobre a graça, ficam de cabelo</p><p>em pé pensando que se trata de um ensino que enfraquece a santidade. Por causa disso, os religiosos legalistas</p><p>procuram sempre acrescentar a lei ao Evangelho e acreditam que a única maneira de sermos justificados é nos</p><p>comportando bem para agradar a Deus, receber o Seu favor e obter a nossa própria salvação.</p><p>Essa é a maior mentira do mundo. Nenhum homem jamais foi justificado pelo seu bom comportamen-</p><p>to, pelo simples motivo de que ninguém jamais conseguiu cumprir a lei. Podemos até guardar alguns man-</p><p>damentos de forma exterior, mas guardá-los no interior do coração é completamente impossível. Podemos</p><p>guardar o mandamento de não roubar ou não matar até com alguma facilidade, mas não conseguimos deixar</p><p>de desejar a morte do outro ou de cobiçar as suas coisas. Somente o Senhor Jesus cumpriu a lei perfeitamente.</p><p>Se você for honesto consigo mesmo, verá que já quebrou todos os mandamentos da lei de Deus. Jesus</p><p>disse que, se desejamos a morte do outro, já nos tornamos homicidas. Se cobiçamos as coisas do outro, já</p><p>somos ladrões. Se cobiçamos uma mulher, já nos tornamos adúlteros. Por causa disso, a Bíblia diz que homem</p><p>A Justificação apenas pela fé 113</p><p>algum pode ser justificado pelas obras da lei. Se as pessoas avaliassem isso com honestidade, perceberiam que</p><p>é impossível entrar no céu dessa maneira.</p><p>O cristianismo, portanto, é diferente de todas as outras religiões, que ensinam que precisamos ser</p><p>bons para entrarmos no céu. No cristianismo, tudo o que temos de fazer para sermos salvos é reconhe-</p><p>cermos que somos pecadores e colocarmos a nossa fé em Cristo e em Sua obra na cruz, pois é abençoado</p><p>aquele que não merece. Evidentemente que a fé em Cristo não é apenas uma concordância mental, mas um</p><p>compromisso pessoal. Paulo diz que aquele que crê em Cristo, crê para dentro dele. É um ato de entrega,</p><p>não apenas de aceitação do fato de Jesus ter vivido e morrido, mas de correr a Ele em busca de refúgio e de</p><p>clamar a Ele por misericórdia.</p><p>O meio humano de tentar se justificar é “pelas obras da lei”, mas o meio de Deus é “por meio da fé em</p><p>Jesus Cristo”.</p><p>“Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a</p><p>fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados</p><p>pela fé em</p><p>Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado”</p><p>(Gl. 2:16).</p><p>Fé em Cristo significa ser unido a Ele num único corpo, não ter fé em uma doutrina sobre Ele,</p><p>mas na Sua pessoa. Essa fé nos torna um com Cristo. Antes de crermos, estávamos separados de Cristo,</p><p>mas quando cremos, fomos unidos a Ele. Essa união pode ser comparada a um enxerto de uma árvore na</p><p>outra. Quando cremos em Cristo, somos enxertados nEle. Nossa vida agora é a mesma de Cristo. Para</p><p>haver enxerto são necessárias duas ações: cortar e unir. Assim, depois que somos cortados da árvore antiga,</p><p>precisamos ser unidos a uma nova.</p><p>O cortar corresponde à morte de Cristo e à nossa velha vida, e o unir, à sua ressurreição e à nossa união</p><p>com Ele para termos vida. A experiência da morte de Cristo nos faz morrer para a lei, e a experiência da res-</p><p>surreição capacita-nos a viver para Deus. O novo nascimento é a aplicação prática da justificação e, conforme</p><p>Paulo afirmou, o ponto mais importante.</p><p>“Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura”</p><p>(Gl. 6:15).</p><p>Só podemos desfrutar de Cristo quando focamos nossa atenção em nossa união com Ele. Quanto</p><p>mais desfrutamos dEle, mas nós agradamos a Deus. Somente agrada a Deus aquele que desfruta da graça,</p><p>que é Cristo.</p><p>Não anule a graça</p><p>O Evangelho da justificação pela fé é uma verdade muito simples, mas poderosa. Ela foi colocada</p><p>em dúvida nos dias de Paulo e ainda hoje é resistida. Os legalistas a rejeitam porque acreditam que ela</p><p>leva o crente a ter uma vida no pecado. Quando Paulo ensinava que a justificação era exclusivamente pela</p><p>fé, os críticos judaizantes afirmavam que isso era um tipo de antinomianismo, a heresia que ensinava os</p><p>crentes a não cumprirem mais lei alguma. Eles diziam: se Deus nos considera justos só pela nossa fé em</p><p>Cristo, então por que preciso me esforçar para ser bom e viver em integridade? Não é melhor fazer o que</p><p>tivermos vontade?</p><p>O que muitos não entendem é que a justificação pela fé não é um tipo de ficção espiritual na qual Deus</p><p>faz de conta que somos justos enquanto nosso caráter continua o mesmo. A justificação acontece quando creio</p><p>em Cristo e, nesse momento, sou unido a Cristo, e minha vida é totalmente transformada. Nunca mais serei a</p><p>mesma pessoa porque a justificação vem sempre junto com a regeneração, o novo nascimento. Falar que uma</p><p>pessoa regenerada e justificada pode voltar para a vida no pecado é uma impossibilidade, porque nele agora</p><p>está a semente de Deus. Ele se tornou uma nova criatura, e as coisas antigas já passaram. O perdão dos pecados</p><p>é também uma libertação do poder do pecado, e a mesma cruz que me perdoa também me liberta.</p><p>“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que</p><p>se fizeram novas” (2 Co. 5:17).</p><p>114 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>A morte e a ressurreição de Cristo não são apenas acontecimentos históricos, mas também dos quais,</p><p>por meio da união da fé com Ele, participamos. Por isso Paulo diz: “Estou crucificado com Cristo” e agora</p><p>eu “vivo”. Em outras palavras, ele está dizendo que seu velho homem foi crucificado com Cristo, e agora ele</p><p>vive a nova vida que recebeu quando Cristo ressuscitou. “Não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em</p><p>mim” e, uma vez que Ele está vivendo em mim, Ele muda o meu coração, minha natureza e me dá força</p><p>para andar em santidade.</p><p>Isso não significa que o crente não pode mais pecar. Ainda podemos, mas não queremos. Nós mudamos</p><p>porque uma nova vida entrou dentro de nós. Um crente que recebe revelação dessas verdades já não pode mais</p><p>viver no pecado. Em Gálatas 2:21, Paulo afirma que depender dos méritos próprios para agradar a Deus é o</p><p>mesmo que anular a graça.</p><p>“Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo</p><p>em vão” (Gl. 2:21).</p><p>Os dois alicerces da vida cristã são a graça de Deus e a morte de Cristo. O Evangelho de Cristo é o</p><p>Evangelho da graça de Deus. A fé cristã é a fé do Cristo crucificado. Desta forma, qualquer um que afirme</p><p>que o homem pode ser justificado pelas obras da lei, pelo seu bom comportamento, está anulando a graça de</p><p>Deus. Por que está anulando a graça? Porque se a salvação é pelas obras, então não pode ser pela graça, e se a</p><p>salvação não é pela graça, então Cristo não precisava ter vindo para morrer em nosso lugar. Se eu mesmo sou</p><p>capaz de me salvar pelas minhas obras, então eu não preciso de um salvador. Se somos capazes de nos salvar a</p><p>nós mesmos, então a graça de Deus e a morte de Cristo foram completamente inúteis.</p><p>O dom da justiça</p><p>Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós, para que nele fôssemos feitos justiça de</p><p>Deus (2 Co. 5:21).</p><p>Sou justo porque a justiça de Cristo foi transferida para mim. E quando eu caio em algum pecado?</p><p>A resposta é simples. O Espírito Santo é a justiça de Deus em você, se Ele não deixou de habitar em você,</p><p>tampouco você deixou de ser justo. As escrituras dizem em Tiago 5:16 que muito pode pela sua eficácia a</p><p>súplica de um justo. Quando leem isso, muitos crentes ficam pensando: “ah, se eu pudesse encontrar um justo</p><p>para orar por mim”! Que tal colocar o seu nome na frente de Tiago 5:16? Você foi feito justo porque Cristo se</p><p>tornou a sua justiça. Somente descansando nessa verdade você encontrará a perfeita vitória.</p><p>Jesus trocou o nosso pecado pela sua justiça</p><p>“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem</p><p>a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber,</p><p>Jesus Cristo” (Rm. 5:17).</p><p>A justiça de Deus em nós é uma dádiva, um presente. A palavra dom significa exatamente isso: uma</p><p>dádiva. Não é um estágio do crescimento espiritual, mas uma posição que nos foi dada pela graça. Não é</p><p>fruto, é um presente. Quando nascemos de novo, Deus mesmo lança sobre nós o manto da justiça, como um</p><p>presente, um dom destinado aos membros da sua família.</p><p>Como isso pode acontecer? Jesus era a justiça de Deus, mas o homem é a expressão exata do pecado, da</p><p>corrupção e rebeldia. Como esse homem poderia chegar a Deus? Deus fez em Cristo o que a mente humana</p><p>pode achar absurdo: Ele tomou sobre si o pecado e a maldição do pecador na cruz, a fim de transformá-lo num</p><p>homem santo e justo. E por que Ele fez isso? Para que, pela fé nEle, eu fosse feito justiça de Deus.</p><p>Hoje, quando cremos em Cristo, acontece a grande troca. Nós recebemos a justiça de Cristo porque Ele</p><p>já levou os nossos pecados. Agora podemos estar na Sua presença sem qualquer condenação ou sentimento de</p><p>culpa, como se nunca tivéssemos pecado.Todas as vezes que Deus olha para nós, Ele vê Jesus. Assim como Ele</p><p>olhou para a cruz e viu nela o pecador, Ele agora olha para o pecador redimido e vê nele seu filho.</p><p>A Justificação apenas pela fé 115</p><p>Consciência de justiça</p><p>O grande problema é que muitos crentes, apesar de terem sido justificados, desenvolvem mais uma</p><p>consciência de pecado do que de justiça. Temos de entender que, se a justiça de Deus está em nós, Deus não</p><p>vê em nós o velho pecador em Adão, mas o novo homem em Cristo. Ele vê a justiça de Cristo, pois é ela quem</p><p>agora nos cobre.</p><p>Pare de ficar pensando o tempo todo em o quanto você é pecador e comece a meditar no imenso</p><p>dom da justiça que lhe foi dado. Pare de ficar se vasculhando à procura de pecado e comece a perceber a</p><p>presença do Espírito Santo em você. Medite no favor imerecido, e não nos seus méritos, porque você foi</p><p>feito justo em Cristo.</p><p>Essa justiça não é nossa, mas ela nos foi dada e, por causa dela, podemos entrar na presença de Deus.</p><p>Devemos nos aproximar de Deus, sabendo que somos aceitos pelos méritos de Jesus, que nos fez justiça de</p><p>Deus. O pecado foi julgado e a justiça de Deus satisfeita.</p><p>Como lidar com as quedas</p><p>Nós recebemos a justiça de Deus como expressão do seu amor e graça.</p><p>“Porque Todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por</p><p>sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”</p><p>(Rm. 3:23-24).</p><p>Somente quando o crente começar a se ver como justo na presença de Deus ele experimentará vitória e</p><p>levantar-se-á acima das acusações do inimigo, sem nenhuma condenação ou culpa.</p><p>“Não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm. 8:1).</p><p>Quando eu cri em Cristo, Ele me deu a sua justiça, meu passado foi sepultado, e o meu pecado foi</p><p>perdoado. Mas o que fazer das acusações e dos pecados cometidos hoje? É possível que o acusador, satanás,</p><p>fale ao seu ouvido coisas como estas: “Quando você se converteu, você foi perdoado. É verdade. Mas você</p><p>se lembra que esta manhã perdeu o controle? Lembra de que ontem disse um palavrão”? A maneira de lidar</p><p>com o pecado não é dar ouvido às acusações de satanás. Nunca duvide do amor de Deus e jamais fuja da sua</p><p>presença. Haja o que houver, corra para os braços do Pai. Há provisão em Cristo, para que nos levantemos</p><p>imediatamente de qualquer queda (1 Jo. 1:9).</p><p>Recebemos o dom da justiça para vivermos em santidade, mas, se cairmos, temos uma provisão: basta</p><p>confessarmos o nosso pecado. A confissão não é para ficarmos pensando no quanto somos pecadores, mas para</p><p>sabermos que estamos em paz com Deus.</p><p>Pecador ou justo?</p><p>A verdade do Novo Testamento é que não somos mais pecadores, mas fomos feitos justos por meio da</p><p>obra do Senhor Jesus na cruz. Quando um novo convertido ouve essa afirmação, ele pergunta: “Como</p><p>sou justo se ainda peco? Como é possível deixar de ser pecador e ainda pecar”?</p><p>Essas perguntas são realmente legítimas e gostaria de respondê-las. Para entendermos essa verdade, a</p><p>primeira coisa é compreendermos a definição de pecador. Não podemos ler a Palavra de Deus usando defini-</p><p>ções de outros livros, porque a Bíblia explica a Bíblia. Se você consultar um dicionário, a definição de pecador</p><p>é “aquele que peca”, porém, não está nas escrituras.</p><p>Segundo a Palavra de Deus, pecador nasce pecador porque recebeu uma natureza pecaminosa heredi-</p><p>tariamente. Mesmo que um pecador ainda não tenha cometido nenhum pecado, ele é um pecador. Se você</p><p>encontrar uma pequena mangueira que ainda não produziu mangas, você certamente é capaz de identificá-la</p><p>como uma mangueira. Nunca deu mangas, mas é mangueira. Não somos mangueiras, mas éramos pecadeiros.</p><p>Mangueira dá manga, e pecadeiro dá pecado. Quando éramos bebês, éramos um pecadeiro que ainda não</p><p>produzira pecados. Assim, você não é pecador porque peca, mas peca porque é um pecador.</p><p>Nós nos tornamos pecadores quando Adão pecou. Ele era o nosso representante e por causa do</p><p>pecado dele nós nascemos pecadores. Você dirá: “Mas isso não me parece justo. Um peca e todos se</p><p>tornam pecadores”?</p><p>“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim</p><p>também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos” (Rm. 5:19).</p><p>Pela desobediência de um, todos se tornaram pecadores, mas Deus é justo e aplica o mesmo princípio</p><p>para a justiça. Deus fez Cristo nosso representante e, porque Ele obedeceu, agora somos considerados justos.</p><p>Eu não precisei pecar para me tornar pecador, mas também não preciso obedecer para ser feito justo. Tudo</p><p>depende do nosso representante. Uma vez que Cristo obedeceu, a justiça dEle é transferida para mim. Como</p><p>isso acontece? Eu não preciso fazer nada? Você precisa apenas crer. É uma obra exclusiva de Deus.</p><p>“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos</p><p>justiça de Deus” (2 Co. 5:21).</p><p>A Nova Aliança</p><p>Aula 4</p><p>Pecador ou justo? 117</p><p>Houve uma troca no Calvário. Deus pegou meu pecado, o colocou em Cristo, pegou a justiça dEle e</p><p>a colocou em mim. É por isso que hoje dizemos que somos justos. Ainda podemos pecar, mas já não somos</p><p>pecadores; assim como posso fazer pães, nem por isso sou um padeiro.</p><p>A diferença entre a posição e o estado</p><p>Precisamos entender que existe uma diferença entre posição e estado. O nosso estado muda todo dia,</p><p>mas a nossa posição permanece para sempre a mesma. Uma coisa é a nossa posição, outra o nosso estado</p><p>momentâneo. A nossa posição diante de Deus já está estabelecida. Sua posição como justo, santo, inculpável</p><p>e sua opinião positiva a seu respeito, que resultam em louvor e honra, nunca mudam, mas o seu estado sim.</p><p>Às vezes você se sente entusiasmado, outras vezes fica deprimido. Há momentos que você fica nervoso,</p><p>há outros em que você está de bom humor e cheio de alegria. Há dias em que você está generoso, outros em</p><p>que você quer guardar tudo para si. Há dias de muita alegria e outros de imensa tristeza. Como você percebe,</p><p>o seu estado é flutuante e transitório, mas a sua posição diante de Deus é permanente e eterna.</p><p>Sempre se avalie com base em sua posição, nunca com base em seu estado momentâneo. Nunca avalie a</p><p>sua posição com base em seu estado, mas sempre julgue o seu estado com base na sua posição. É normal pensar-</p><p>mos assim: “Hoje pela manhã tive impulsos ruins e quase agredi uma pessoa, me deixei levar por aquela tentação,</p><p>agora Deus não tem uma opinião positiva a meu respeito. Como posso agora servi-Lo? Como vou liderar”?</p><p>Essa é uma situação muito comum. Permitimos que o nosso estado afete a nossa percepção da posição.</p><p>Mas, aos olhos de Deus, seu estado não pode alterar sua posição porque a sua posição foi conquistada por</p><p>Cristo, e não por você. Consequentemente, você não pode alterá-la.</p><p>Permaneça na posição</p><p>Há um maravilhoso exemplo desse princípio no Velho Testamento. Quando o povo de Israel peregri-</p><p>nava no deserto, ele teve de passar pela terra de Moabe. Balaque, o rei de Moabe, estava com muito medo de</p><p>Israel, então ele contratou um profeta chamado Balaão para amaldiçoar o povo de Deus. Deus, no entanto,</p><p>não permitiu que Balaão amaldiçoasse seu povo, e Balaão foi obrigado a fazer algumas afirmações extraordiná-</p><p>rias. Primeiro ele disse que Deus já abençoara a Israel, e isso não poderia ser revogado.</p><p>“Eis que para abençoar recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar. Não viu iniqüi-</p><p>dade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o SENHOR, seu Deus, está com ele,</p><p>no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei” (Nm. 23:20-21).</p><p>O verso 21 diz que o Senhor não viu iniquidade em Israel. Veja que afirmação espantosa! Essa é a nossa</p><p>posição na aliança, pois Ele disse: “das suas iniquidades jamais me lembrarei”. Deus não disse que não havia pe-</p><p>cado em Israel, apenas disse que não o via. Não devemos nunca pensar que não há pecado em nós, mas declarar</p><p>ousadamente que o Senhor não vê iniquidade em Israel. Quando Ele nos olha, Ele não vê pecado. Sabe por que</p><p>Deus não viu iniquidade em Israel? Porque no meio do acampamento estava o Tabernáculo, e nele havia o altar</p><p>de bronze que aponta para a cruz. Todos os dias o cordeiro era imolado nele, lembrando-nos do Senhor Jesus.</p><p>A sua posição hoje é em Cristo. Estando em Cristo, Deus, quando olha para você, vê Cristo, que não</p><p>tem pecado. Seu estado pode ser eventualmente ruim, mas a sua posição é eternamente divina. Se isso era</p><p>verdade na Velha Aliança, muito mais agora. Uma vez que Deus disse que somos perdoados e justificados em</p><p>Cristo, isto não pode mais ser revogado. Alguns acreditam que as suas muitas quedas e pecados podem fazer</p><p>com que a sua posição mude diante de Deus, mas isso é mentira do maligno. O Pai pode discipliná-lo, mas</p><p>jamais irá mudar a sua posição de filho (Hb. 6:13-20).</p><p>Não ignore o seu estado</p><p>Será que devemos ignorar o nosso estado? Claro que não. Julgue o seu estado com base na sua posição.</p><p>Porque eu estou próximo de Deus sou justo aos seus olhos pelo que Cristo fez. Porque eu sou altamente</p><p>favorecido no amado, eu posso pedir a Deus que me ajude a tratar com esses momentos ruins. Quando não</p><p>entendemos essa verdade, tendemos a julgar a nossa posição pelo nosso estado. Pensamos que a posição depen-</p><p>de de nós e, quando nosso estado muda, concluímos que a opinião de Deus a nosso respeito mudou também.</p><p>118 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Ainda que o seu estado não possa alterar a sua posição diante de Deus, ou seja, a opinião positiva</p><p>que</p><p>Ele tem a seu respeito, o seu estado pode: mudar a sua posição diante dos homens e seu testemunho perante</p><p>as pessoas; tirar a sua paz na mente por causa da comunhão com os outros; afetar o seu desfrute das coisas do</p><p>espírito e também a sua utilidade para Deus. Por tudo isso, não ignore o seu estado.</p><p>Preciso dizer que existem dois tipos de autoavaliação. Um deles resulta em autocondenação e acusação.</p><p>Esse é o tipo de autoavaliação que procede do diabo. Mas existe uma autoavaliação que é saudável, quando</p><p>avaliamos nossas ações para fazermos melhor. Sabemos que a nossa posição não muda, por isso podemos</p><p>mudar o nosso estado.</p><p>Reconheça a disciplina de Deus</p><p>Deus pode me disciplinar quando meu estado for ruim? Sim, claro! Sua posição não muda. Ele vê você</p><p>como justo, santo e com a sua natureza divina. Isso não significa que Ele não vai corrigi-lo. Sua disciplina,</p><p>porém, jamais muda a sua posição diante dEle.</p><p>A extensão da correção é na exata medida do seu amor. Se vejo o meu filho sempre cometendo o mesmo</p><p>erro e se aquilo pode vir a resultar em grande perda para ele, eu vou corrigi-lo para impedir que ele sofra perda.</p><p>Quando amamos, corrigimos, nunca ignoramos. Deus, porém, não vai corrigi-lo lhe mandando doenças ou</p><p>lhe dando um acidente de carro. Deus nunca age como um pai abusivo.</p><p>“E estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não</p><p>menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado;</p><p>porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina</p><p>que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas,</p><p>se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e</p><p>não filhos. Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os</p><p>respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então,</p><p>viveremos?” (Hb. 12:5-9).</p><p>Eu creio que o Senhor nos disciplina, mas seja como essa disciplina vier, o resultado é que viveremos.</p><p>Quando estamos debaixo de submissão ao Pai, o resultado é vida, nunca morte.</p><p>Você pode reinar em vida</p><p>Declare em voz alta: “Eu recebi a abundância da graça. Eu recebi o dom da justiça, por isso eu posso</p><p>reinar em vida por meio de Jesus Cristo”. Essa é uma das promessas mais extraordinárias da Palavra</p><p>de Deus. Todo crente pode reinar em vida sobre suas circunstâncias. Você foi criado para desfrutar</p><p>da abundância, para experimentar o sucesso em tudo o que fizer e está destinado a uma vida vitoriosa.</p><p>“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem</p><p>a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber,</p><p>Jesus Cristo” (Rm. 5:17).</p><p>Se você é um empresário, a vontade de Deus é que você experimente o sucesso em seu empreendimen-</p><p>to. Se você é um empregado, a vontade de Deus é que você possa experimentar suprimento, abundância e</p><p>sucesso no lugar onde você trabalha. A vontade de Deus é que cada um de nós possa se destacar no lugar onde</p><p>tem sido colocado. Todos ao derredor vão perceber que existe uma bênção sobre a sua vida.</p><p>Você está destinado a reinar porque o Senhor Jesus é o Rei, e Ele reina sobre a sua vida. Você pode</p><p>reinar sobre a enfermidade, a miséria, a ação do diabo, o pecado e as circunstâncias, porque esta é a promessa</p><p>da Palavra de Deus. Isso não depende do seu nome, nem da sua ascendência familiar, de onde você veio, da</p><p>sua capacidade intelectual ou da sua conta bancária. O poder para reinar em vida depende completamente do</p><p>que Jesus realizou por nós na cruz.</p><p>Você não tem que viver no fracasso, nem debaixo de acusação, condenação ou qualquer opressão do</p><p>inferno, acreditando que essa é a vontade de Deus. Não é!Um grande problema na vida dos crentes é acreditar</p><p>que tudo o que acontece ao nosso derredor é a vontade de Deus. Esse é o entendimento comum, mas não está</p><p>em harmonia com a Palavra de Deus.</p><p>O Senhor Jesus no ensinou a orar pedindo para que a vontade de Deus seja feita e também para que</p><p>sejamos livres do mal. Se Ele nos mandou orar para que seja feita a vontade de Deus é porque nem tudo o que</p><p>acontece é da vontade dEle. Deus é bom e tem pensamentos bons a nosso respeito. Podemos orar constante-</p><p>mente para conhecer a Sua vontade, pois ela é sempre boa, perfeita e agradável. Não é da vontade de Deus a</p><p>doença, a miséria e a morte. Essas coisas existem, mas o Filho de Deus se manifestou para desfazê-las.</p><p>A Nova Aliança</p><p>Aula 5</p><p>120 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Você foi chamado para a liberdade dos filhos de Deus, viver sem culpa e sem condenação. Não deixe</p><p>que o diabo o convença que Deus está irado com você. Quando pensamos assim, cancelamos a mensagem do</p><p>Evangelho de que todo escrito de dívida que era contra nós já foi cancelado pelo sangue da cruz (Cl. 2:14).</p><p>Hoje eu quero sustentar o testemunho de que todo filho de Deus pode experimentar uma vida triun-</p><p>fante, reinando por meio de Cristo Jesus. Diga não para as mentiras do inferno! Deus não me ama porque eu</p><p>sou bom, Ele me ama porque Ele é bom. Tem gente tentando ser bom para merecer o amor, mas a sua graça</p><p>já foi derramada sobre nós.</p><p>Você pode ter domínio sobre todos os seus desafios e circunstâncias. Chega de viver debaixo da opressão</p><p>sendo pisoteado pelos problemas. No texto de Romanos 5:17, que lemos no início da aula, encontramos três</p><p>condições para reinarmos em vida.</p><p>1. Somos desafiados a receber, e não a conquistar</p><p>Depois que eu tive a experiência com o amor e a graça de Deus, a minha vida mudou. Antes eu pensava</p><p>que precisava merecer a bênção de Deus, e então eu compreendi que todo o que pede recebe de graça. Eu</p><p>comecei a pedir de graça, por isso tenho recebido cada dia mais e mais. Estou plenamente consciente de que</p><p>eu vivo debaixo dessa graça que abençoa aquele que não merece. Hoje eu acordo declarando que sou amado e</p><p>que a graça de Deus me alcançou. Sou altamente agraciado, grandemente favorecido e ricamente abençoado.</p><p>Isso tem feito minha vida ser sempre abundante e frutífera. Há 2.000 anos ele disse: Está consumado!</p><p>Você não tem que merecer a cura, um casamento bom, a vitória sobre o pecado, a prosperidade: receba-os pela</p><p>graça! Não tem nada pior que acordar e pensar: “Eu não atingi o padrão, não estou qualificado. Deus não vai</p><p>fazer através de mim, mas de outro, porque não fiz o suficiente”.</p><p>E como reinamos em vida? O versículo diz que:</p><p>“Porque, se pela ofensa de um e por meio de um só reinou a morte, muito mais os que</p><p>recebem” [...] (Rm. 5: 17).</p><p>O primeiro princípio é: receba! Você não vai conquistar a bênção, mas recebê-la de Deus. Estamos ha-</p><p>bituados a conquistar porque as coisas desse mundo são baseadas no esforço e no mérito pessoal, mas, quando</p><p>se trata de nosso relacionamento com Deus, precisamos receber. Uma das verdades mais extraordinárias da</p><p>Palavra de Deus é que as coisas de Deus são recebidas, e não conquistadas. O texto de Romanos diz clara-</p><p>mente que somente podemos reinar em vida se recebermos de Deus. Você não vai conquistar a vitória, mas vai</p><p>recebê-la do Senhor. Se precisamos de lutar para ganhar algo, talvez não seja uma vitória genuína.</p><p>Se no dia da tentação você apenas clamar por socorro, você terá vitória. Mas, em vez de clamar, muitos</p><p>acham que podem resistir ao pecado, portanto, lutam contra ele. Quanto mais se esforçam, mais derrota</p><p>experimentam. Se você pedir, vai receber a vitória das mãos de Deus, e o Senhor vai dar-lhe o livramento.</p><p>As pessoas imaginam que a bênção é pelo merecimento e presumem que precisam ser dignos do favor</p><p>de Deus. Esta, no entanto, não é a maneira de Deus agir. A verdade é que, se merecer é dívida, mas se não me-</p><p>recer é graça. Ele prometeu que, se recebermos a abundância da graça e o dom da justiça, reinaremos em vida.</p><p>Muitos não vivem essa realidade porque simplesmente não conseguem receber. No mundo somos</p><p>instigados a fazer, mas no cristianismo devemos entender que já está feito. Nos Evangelhos,</p><p>descobrimos que</p><p>aquele que se julga merecedor nunca recebe nada de Deus porque acha que não precisa dEle. A verdadeira</p><p>bênção é para quem reconhece que não merece!</p><p>Você pode pensar que já errou muito, mas eu devo lembrá-lo que a graça de Deus é maior que os</p><p>seus pecados. Se fôssemos nós mesmos que conseguíssemos a vitória, isso significaria que teríamos alguma</p><p>glória diante de Deus, e a Palavra ensina que toda glória é do Senhor Jesus. Você só pode vencer o pecado</p><p>se receber a vitória do Senhor, que é um presente! Infelizmente, muitos ainda vivem debaixo da religião da</p><p>troca com Deus, da barganha divina. “Se eu der isso para Deus, então receberei aquilo!” Mas a Palavra de</p><p>Deus diz que:</p><p>Você pode reinar em vida 121</p><p>“[...] ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao</p><p>que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como</p><p>justiça” (Rm. 4:4-5).</p><p>Isso significa que, mesmo que não tenhamos feito tudo o que deveríamos, podemos chegar diante</p><p>de Deus para Lhe pedir a bênção. Se Ele nos deu o milagre do perdão de nossos pecados pela graça, então</p><p>podemos estar certos que sua graça também nos dará todos os milagres menores como cura, prosperidade e</p><p>casamentos restaurados.</p><p>2. A abundância da graça</p><p>A segunda condição para reinarmos em vida é recebermos a abundância da graça.</p><p>“Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a</p><p>abundância da graça [...]” (Rm. 5:17).</p><p>Receber é a primeira condição. Mas receber o quê? A abundância da graça. Se você crê no Evangelho,</p><p>você não recebeu pouca graça, mas recebeu a abundante graça, e será conduzido ao sucesso, à saúde, vida, paz,</p><p>prosperidade, vitória, proteção, segurança, restauração e muito mais. Tudo isso por causa da sua abundante</p><p>graça, que é o favor imerecido de Deus. Ela não é um prêmio pelo quanto você é fiel. Se a graça fosse um</p><p>prêmio, ela seria um favor merecido.</p><p>Se você acredita que a sua bênção depende de cumprir as condições da lei, então você ainda está debaixo</p><p>da Antiga Aliança, e as boas novas do Evangelho ainda não chegaram a você. A Velha Aliança era baseada no</p><p>favor merecido. Deuteronômio 28:1-2 diz:</p><p>“Se atentamente ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os</p><p>seus mandamentos que hoje te ordeno [...], então virão sobre ti e te alcançarão todas estas</p><p>bênçãos [...]” (Dt. 28:1-2).</p><p>Essas bênçãos não eram recebidas pela graça, mas pelo merecimento. Se o homem cumprisse as con-</p><p>dições e obedecesse perfeitamente, então ele seria abençoado. A Nova Aliança está baseada na graça, no favor</p><p>de Deus, que nos enviou Jesus Cristo para cumprir a lei por nós. Hoje, basta que nos acheguemos diante de</p><p>Deus por meio do sacrifício de Cristo para recebermos a sua graça. Esse é o Evangelho. Enquanto você não</p><p>entender isso, você não experimentará a abundância da bênção.</p><p>Logo, se você ceder à acusação do diabo e começar a se esforçar para merecer a bênção de Deus, então</p><p>você estará anulando a graça de Deus. Tudo o que cancela a graça de Deus o conduz de volta para a Velha</p><p>Aliança, mas a Velha Aliança não tem poder para salvar, só para condenar. Nesse tempo da Nova Aliança,</p><p>na Sua graça, Deus pegou você e o colocou dentro de Cristo! Dessa maneira, quando Ele olha para você,</p><p>Ele vê Cristo! E, se você está em Cristo, você é declarado justo porque a justiça de Cristo é transferida para</p><p>você. Somente assim você pode reinar em vida: quem está em paz com Deus, ergue a mão para o céu e não</p><p>teme o acusador.</p><p>Assim, a graça de Deus não é uma doutrina que você aprende, não é uma teologia que nos ensinada,</p><p>mas é uma pessoa: Cristo Jesus. João 1:17 diz:</p><p>“Pois a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de</p><p>Jesus Cristo” (Jo. 1:17).</p><p>A lei foi dada porque é uma coisa, uma doutrina. Somente quando você entende a graça é que recebe</p><p>fé para se apropriar das bênçãos de Deus. Suponha, por exemplo, que você está enfermo. Depois de ouvir a</p><p>mensagem a respeito da graça de Deus, você para e pondera: “Se eu já estou perdoado, então eu não preciso</p><p>mais viver doente. Se Ele já levou minhas maldições, então eu não preciso mais suportar essa enfermidade. Eu</p><p>não preciso pagar pelos meus pecados, pois Cristo já pagou”. Esse vai receber a cura porque a fé veio quando</p><p>compreendeu a graça. A medida da sua fé é a exata extensão do seu entendimento da graça.</p><p>122 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Jesus nunca pregou sobre cura, mas sempre perdoou os pecados dos homens. Por quê? Porque a cura</p><p>é simplesmente o resultado de se livrar de toda condenação. A culpa faz com que as pessoas pensem que me-</p><p>recem a doença. “Eu falei muito mal dos outros, eu mereço esse câncer na língua.” “Fumei muito, eu mereço</p><p>esse câncer no pulmão!” “Bebi demais, eu mereço essa cirrose no fígado.” “Eu que já fui ansioso, agora mereço</p><p>essa hipertensão e esse infarto.” Mas eu quero lhe dizer que, pelo sangue de Jesus, os seus pecados são todos</p><p>perdoados e você agora pode rejeitar toda doença. Aquele que crê nessa graça pode reinar em vida. Jesus lavou</p><p>todos os seus pecados, os de hoje, os de ontem, os de antes de ontem, e eu vou te dizer mais: até os de amanhã,</p><p>do mês que vem e até o dia em que você morrer.</p><p>A fé vem pelo ouvir a Palavra, mas a Palavra do Evangelho. Em Romanos 10:17, se diz que a fé vem</p><p>pelo ouvir a palavra de Cristo.</p><p>“E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17).</p><p>Somente a palavra de Cristo pode gerar fé, e a palavra de Cristo é a mensagem do Evangelho de que</p><p>fomos perdoados e justificados em Cristo. Quanto mais revelação você tiver da obra consumada de Jesus, mais</p><p>receberá fé para enfrentar qualquer situação em sua vida.</p><p>3. O dom da justiça</p><p>A terceira condição para reinarmos em vida é recebermos o dom da justiça. A justiça é um dom de</p><p>Deus. Nós fomos feito tão justos quanto Jesus. Isso acontece porque a minha justiça não depende das minhas</p><p>obras. A minha justiça é Cristo. Isso significa que nem no céu você será mais justo do que é hoje, porque a</p><p>sua justiça é Cristo.</p><p>“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos</p><p>justiça de Deus” (2 Co. 5:21).</p><p>Aquele que sabe que foi justificado tem grande ousadia para servir a Deus. Ninguém tem ousadia se</p><p>vive debaixo de acusação. Ganhamos ousadia e fé quando confrontamos o diabo, declarando que:</p><p>“Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos</p><p>feitos justiça de Deus” (2 Co. 5:21).</p><p>Precisamos declarar que não depende do que fazemos, mas da justiça de Cristo! Eu tenho a justiça de</p><p>Cristo, então eu posso pregar, testemunhar e orar pelas pessoas, porque Deus vai me usar. Não estamos mais</p><p>debaixo da Velha Aliança segundo a qual Deus às vezes estava feliz com você e às vezes estava zangado. Hoje</p><p>Ele tem total prazer em você por causa de Jesus.</p><p>Não precisamos ficar nos analisando porque essa é a função do Espírito. Se houver algo errado em você,</p><p>Ele vai trazer luz, e você poderá se arrepender e mudar de conduta. Muitos confundem a introspecção com</p><p>o convencimento do Espírito Santo a respeito do pecado. Não precisamos mais ser convencidos do pecado,</p><p>pois já fomos quando nos convertemos, e o trabalho do Espírito Santo é nos convencer da justiça (Jo. 16:8).</p><p>Essa é a maneira de você discernir a diferença entre a acusação do diabo e a obra do Espírito Santo. Quando o</p><p>Espírito opera, Ele nos convence que, mesmo quando falhamos, somos justiça de Deus em Cristo.</p><p>Você pode dar comando ao diabo, e ele terá de obedecê-lo. Você pode dar ordens para as circunstâncias,</p><p>e elas terão de mudar. Mas, para ter essa ousadia, você precisa primeiro aprender a receber, depois se encher</p><p>da abundante graça e, por fim, crer que recebeu o dom da justiça. Você foi chamado para reinar em vida e</p><p>destinado para a glória! Se você reinar em vida, no seu trabalho, todos verão que você é abençoado. Você pode</p><p>ser um empresário abençoado, um</p><p>estudante abençoado, um pai e marido abençoado. O sucesso é parte da</p><p>sua herança. O fracasso, a miséria e a derrota não são mais para você.</p><p>A aliança de sangue</p><p>Deus projetou criar na terra alguém que fosse uma expressão de si mesmo. Ele disse:</p><p>“Façamos o homem conforme a nossa imagem e semelhança” (Gn. 1:26).</p><p>Deus então colocou esse homem na terra para expressar a Sua autoridade e refletir a Sua natureza e sua</p><p>glória. Este homem, porém, cometeu alta traição contra Deus e vendeu-se à escravidão do pecado,</p><p>tornando-se escravo de satanás. Mas Deus, por causa do seu grande amor, não desistiu do homem</p><p>e declarou o seu plano ao inimigo: Tu fizeste uma aliança com o homem, usando a mulher e, pelo engano,</p><p>entraste na Terra. Pois eu te digo: eu usarei a mulher, colocarei dentro dela a minha semente e trarei à Terra</p><p>outro filho. Este filho será gerado da minha semente, não da semente do homem, porquanto a semente do</p><p>homem foi corrompida; mas eu colocarei a minha semente dentro da mulher e esta semente virá, será um</p><p>homem, porque eu dei a Terra aos filhos dos homens, esta semente vai destruir o seu poder (ver Gn. 3:15).</p><p>Dois mil anos se passaram sobre a Terra, e Deus começou a pôr em operação o seu plano através de uma</p><p>aliança de sangue. O primeiro sangue derramado na Bíblia foi no próprio jardim do Éden. Foi Deus mesmo</p><p>quem imolou o primeiro cordeiro e fez cair o seu sangue sobre a terra. Por quê? Existia uma aliança entre Deus</p><p>e Adão. Como o homem quebrou a aliança, ele deveria morrer, mas o cordeiro morreu no seu lugar.</p><p>Muitas pessoas pensam que aliança é o mesmo que um contrato. Num contrato existem cláusulas de</p><p>rescisão, mas uma aliança não pode ser quebrada. A pena para aquele que quebra a aliança é a morte. Adão,</p><p>porém, não morreu, mas Deus matou o cordeiro no seu lugar e com a sua pele fez roupas para o homem e sua</p><p>mulher. A marca daquele sangue no Éden percorre toda a Bíblia até ao Apocalipse, onde, por 28 vezes, Jesus</p><p>Cristo é chamado o cordeiro de Deus. A vida está no sangue. Onde há derramamento de sangue, significa que</p><p>houve derramamento de vida. A aliança de sangue que existia entre os povos antigos nasceu no coração de Deus.</p><p>O que é uma aliança de sangue?</p><p>Uma aliança de sangue é um contrato entre duas pessoas, tão sagrado que jamais poderá ser quebrado,</p><p>sob pena de morte. Por esse contrato, todas as coisas se tornam em comum: o que é meu se torna seu; o que</p><p>é seu se torna meu. Meus bens são seus, seus bens são meus; minhas dívidas são suas, suas dívidas são minhas.</p><p>Eu não preciso lhe pedir coisa alguma, posso chegar e pegar porque são minhas.</p><p>A Nova Aliança</p><p>Aula 6</p><p>124 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Todos os povos da antiguidade conheciam a aliança de sangue, e ainda hoje povos africanos e orientais</p><p>a praticam. Satanás sabe do poder que existe atrás de uma aliança de sangue (ou pacto), e ele também faz</p><p>alianças de sangue. A máfia, o ocultismo e a maçonaria conhecem o poder que existe atrás desta aliança, pois</p><p>sabem que é sagrada, por isso fazem pactos de sangue. Todavia, a aliança de sangue nasceu em Deus.</p><p>Várias eram as cerimônias que os judeus, os hebreus, seguiam quando faziam uma aliança com uma</p><p>pessoa. A primeira delas era a troca da túnica, que simboliza a vida e, quando eu a tiro e lha dou, significa</p><p>que estou lhe dando a minha vida. Outra forma era a troca do cinto, que servia para ajustar a arma e a fala de</p><p>segurança. Quando trocavam o cinto, estavam dizendo: dou-lhe a minha defesa e a minha proteção. Quem</p><p>luta contra você, luta contra mim.</p><p>Uma terceira cerimônia era o sacrifício do cordeiro, que era morto e cortado em metades. Uma metade</p><p>era colocada de frente a outra, e os dois parceiros de aliança caminhavam por entre as partes, formando a figura</p><p>de um oito, que representa o infinito. O símbolo é este: eu morri e você também morreu. Agora começamos</p><p>uma nova vida como parceiros de aliança, e esta aliança é eterna.</p><p>Outra cerimônia era o corte da mão ou do pulso. As duas pessoas misturavam o sangue declarando que</p><p>a vida de ambos agora estava misturada. Depois eles partiam o pão e bebiam do cálice. Ao comerem juntos,</p><p>estavam dizendo: a minha vida está entrando na sua, e a sua vida está entrando na minha; somos irmãos de</p><p>sangue, irmãos de aliança. Por fim, eles trocavam os nomes. Eu recebo o seu nome, e você passa a usar o meu,</p><p>significando que eu tenho direito a tudo quanto o seu nome tem direito. Então, os termos da aliança eram</p><p>escritos, e em todos eles existiam duas partes: as bênçãos da aliança e as maldições da aliança.</p><p>Só um filho do homem pode agir legalmente na terra</p><p>Quando Deus veio ao encontro do homem, ele não veio pelo engano, veio pela aliança de sangue. A</p><p>palavra aliança em hebraico é berite, que significa cortar com derramamento de sangue e caminhar por entre</p><p>as partes. Deus tinha um plano de trazer a sua semente à terra. O Salmo 115:16 diz que:</p><p>“Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens”</p><p>(Sl. 115:16).</p><p>Isso significa que somente o homem tem direito legal de agir na terra e que, sendo a terra dos homens, um</p><p>homem teria de ser o instrumento da redenção. Este homem, contudo, não poderia ser filho de Adão, porque a</p><p>semente de Adão estava contaminada pelo pecado, e cada semente produz de acordo com a sua espécie. Precisava</p><p>ser um homem, e é aqui que está a sabedoria de Deus, que não viola a sua palavra, de entrar legalmente no pla-</p><p>neta Terra: pela porta. Em João 10:1, Jesus fala de duas portas e diz que o ladrão não entra pela porta:</p><p>“O que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão</p><p>e salteador” (Jo. 10:1)</p><p>Jesus está falando de satanás, nesse versículo. O aprisco é a Terra, as ovelhas são os filhos dos homens, e</p><p>a porta de entrada na terra é o nascimento físico. Satanás não nasceu aqui. Ele não é filho do homem; entrou</p><p>por outra porta e tomou emprestado o corpo da serpente. O Senhor, porém, diz no verso 3: “O Pastor, esse</p><p>entra pela porta e o porteiro lhe abre a porta”. O porteiro é o Espírito Santo de Deus e, portanto, Jesus entrou</p><p>na terra pela porta.</p><p>A partir de Gênesis 12, Deus chama Abraão com a intenção de fazer uma aliança com ele. Por meio</p><p>dessa aliança, Deus abriu uma avenida legal de entrada, pela porta, no planeta Terra. Deus tinha em vista a sua</p><p>semente. A partir de então, tudo o quanto Deus fizesse na terra teria em vista a sua semente, o Cristo.</p><p>A nova aliança procede da aliança abraâmica</p><p>Em Gênesis 12, Deus chama a Abraão e lhe diz:</p><p>“Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostra-</p><p>rei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma</p><p>A aliança de sangue 125</p><p>bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti</p><p>serão benditas todas as famílias da terra” (Gn. 12:1-3).</p><p>Ao chamar Abrão, Deus não tem em vista a descendência física de Abrão, mas sua própria semente, que</p><p>viria através da sua descendência. É isto que Paulo afirma em Gálatas 3.</p><p>“Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez</p><p>ratificada, ninguém a revoga ou lhe acrescenta alguma coisa. Ora, as promessas foram</p><p>feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de</p><p>muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (Gl. 3:15-16).</p><p>Quando Deus olha para Abrão, Ele está vendo sua semente, que será o homem e esmagará a cabeça</p><p>da serpente. Deus então faz uma aliança com Abrão e segue todos os rituais que mencionei anteriormente.</p><p>Primeiro Deus chega para Abrão e, ao invés de dar-lhe a túnica, diz:</p><p>“[...] eu sou o teu escudo, quem luta contra ti, luta contra mim” (Gn. 15:1).</p><p>Depois Deus manda que Abraão sacrifique os animais. Ele manda que ele pegue três animais da terra</p><p>e duas aves; a aliança é com o Pai, com o Filho e com o Espírito. Abraão parte os animais ao meio e coloca as</p><p>metades, uma defronte a outra (Gn. 15:9,10 e 17), e espera que</p><p>Deus comece a caminhar por entre as partes.</p><p>Enquanto espera, aves de rapina começam a vir para comer as carnes. Esse é o símbolo de satanás, que quer</p><p>destruir a aliança, antes mesmo que ela aconteça. Mas, Deus diz: “Abrão, você vai dormir, porque esta aliança</p><p>não tem nada a ver contigo”. Enquanto Abrão dorme, Deus estabelece uma aliança. Quando Abrão acorda,</p><p>ele vê que há duas pessoas caminhando por entre as partes. Mas o que ele vê? Um fogareiro fumegante e uma</p><p>tocha de fogo. O fogareiro fumegante é Deus-Pai. É assim que Ele se apresenta no Sinai, e a tocha é Jesus.</p><p>Jesus toma o lugar de Abrão para fazer uma aliança com Deus. Por que Deus não poderia caminhar por</p><p>entre as partes com Abrão? Porque, numa aliança, tudo que é seu se torna meu; Abrão era pecador, e Deus não</p><p>pode se misturar com o pecado. Mas o Senhor Jesus toma o lugar do homem e é assim que a aliança se torna</p><p>entre Deus e o homem, mas, ao mesmo tempo, entre Deus e Deus.</p><p>Deus também ordena que Abrão se circuncide na carne do seu prepúcio, como um sinal de aliança</p><p>perpétua entre Ele e suas gerações. E alguém pode perguntar: “Por que a cicatriz da aliança não foi na palma da</p><p>mão, mas no órgão reprodutor”? Porque a aliança era com Abrão e a sua descendência, até chegar à semente;</p><p>a quem as promessas foram feitas e em quem todas as nações da Terra seriam abençoadas.</p><p>Deus também muda o nome de Abrão como sinal da aliança. Ele retira parte do seu próprio nome e acrescenta</p><p>no nome de Abrão. No hebraico, o nome de Deus tem quatro consoantes: YHWH, que é impronunciável. Dentre es-</p><p>tas quatro letras do nome de Deus, o “H”, que corresponde ao “H” do nosso alfabeto, aparece duas vezes. É exatamente</p><p>aquela letra aspirada “Ah”. E agora, no meio de Abrão, Deus coloca o “Ah”, e Abrão passa a ser Abrahão.</p><p>Tudo isso foi feito para que a bênção de Abrahão chegasse até aos gentios e recebêssemos o “Ah” pela fé.</p><p>Esse “Ah” é o sopro, o Espírito e a vida de Deus. Esse é o plano! Deus também acrescenta ao seu nome o nome</p><p>de Abraão e passa a assinar “Deus de Abraão”. Esse é o seu sobrenome e significa que tudo o que é de Abraão</p><p>é meu; e Abrahão significa: tudo o que é de Deus é meu. Essa é a aliança de sangue!</p><p>Deus nada negará a Abraão, mas será que Abraão nada negará a Deus?</p><p>Os dois se tornam cabeça de aliança. Deus agora tem um homem na terra. Ele está entrando legalmente</p><p>no planeta terra, via aliança de sangue. Os filhos de Abraão serão filhos de Deus. É a partir daí que a revela-</p><p>ção de Deus começa a ser transmitida, porque Deus tem homens na Terra. É por isso que Deus, ao destruir</p><p>Sodoma e Gomorra, diz: “Posso ocultar o que estou para fazer, a Abraão? De modo algum. Nada faço na terra</p><p>sem antes conversar com o meu parceiro de aliança”. Quando Deus avisa a Abraão que vai destruir Sodoma e</p><p>Gomorra, quem estabeleceu limites foi Abraão, e não Deus (Gn. 18:25-33). Quando Deus destrói as cidades</p><p>de Sodoma e Gomorra, diz a Palavra que “lembrou-se de Abraão e salvou a Ló”. Deus salvou a Ló por causa</p><p>da sua aliança com Abraão (Gn. 19:29).</p><p>126 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Está claro que Abraão terá tudo de Deus na Terra, mas, perante o tribunal eterno, perante as cortes</p><p>celestiais, perante satanás, a seus príncipes poderiam surgir uma dúvida para questionar a validade da aliança:</p><p>será que Deus teria tudo de Abraão? Se Deus não pudesse ter tudo de Abraão, a aliança não seria válida.</p><p>É aí que vem a tremenda prova da aliança no capítulo 22 de Gênesis. Deus deu a Abraão um filho.</p><p>Que filho foi esse? Um filho gerado da promessa, da Palavra viva. A palavra é a semente, e a Palavra produz</p><p>exatamente o que ela diz. Quando Sara tinha 89 anos, e Abraão 99, o útero de Sara estava morto, envelhecido,</p><p>mas o Anjo do Senhor liberou a Palavra e disse: “dentro de um ano, tu darás à luz um filho” (Gn. 18:13).</p><p>A Palavra, que é vida, penetrou no útero morto de Sara, e o filho da promessa veio: Isaque. Ele era único</p><p>e amado. Lembre-se que tudo o que Deus faz tem em vista sua própria semente. Um dia, Deus mandará um</p><p>anjo do céu a uma filha de Abraão; seu útero será virgem, mas o anjo trará a Palavra e dirá: “darás à luz um</p><p>filho” (Is. 7:14; Mt. 1:23). E essa palavra vai entrar no útero da virgem e vai fazê-lo conceber, e o filho da</p><p>promessa virá à Terra, a palavra se fará carne, habitará no meio de nós e será a semente de Deus na Terra.</p><p>Jesus viria da semente da mulher, semente de Deus, não de Abraão, porque a semente de Abraão está</p><p>corrompida. A aliança lhe permitirá fazer isso porque, se Abraão recebeu alguma coisa, Deus também pode</p><p>receber. De acordo com as regras da aliança, Deus diz: “Abraão, dá-me teu filho. Teu único filho, a quem amas,</p><p>em sacrifício”. Ele não hesita, porque é homem de aliança. E quem está em aliança não precisa pedir; diz e está</p><p>feito. Os céus estão em suspense, os anjos de Deus aguardam; é a ratificação da aliança. Terá Deus do homem</p><p>tudo o que quiser, como o homem tem tudo de Deus?</p><p>Abraão não hesitou. Ele mesmo tomou o seu filho, seu único filho, e, por três dias, eles foram em dire-</p><p>ção ao monte do sacrifício (Gn. 22:1-4). Durante aqueles três dias, a sentença de morte estava sobre a cabeça</p><p>de Isaque. Cada vez que Abraão olhava para ele, Abraão o via no altar imolado. Mas, quando chegou ao pé do</p><p>monte, Abraão se dirigiu para os seus servos e disse: ficai aqui, enquanto eu e o rapaz iremos adorar e depois</p><p>de termos adorado, voltaremos para vós (Gn. 22:5).</p><p>Como voltará com ele? Não sei, mas voltarei. Deus disse que “em Isaque será chamada a tua descen-</p><p>dência. E Deus não mente. Eu vou fazer o que Deus me ordenou e Deus fará o que Ele prometeu”. O autor</p><p>aos Hebreus diz que, quando Abraão foi posto à prova, não hesitou em dar o seu único filho, porque sabia que</p><p>Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde, em figura, o recobrou, embora Abraão</p><p>não tivesse um único testemunho da história de um morto ressuscitado (Hb. 11:17-19). Diz a escritura que:</p><p>“Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça” (Rm. 4:3).</p><p>Abraão levantou a mão e estava pronto para imolar Isaque. Mas algo aconteceu antes desse momento</p><p>cruciante, que foi a pergunta de Isaque:</p><p>“Pai, onde está o cordeiro para o holocausto?” (Gn. 22:7).</p><p>Não tenho dúvidas de que a Trindade nos céus se inclinou. Os anjos, os querubins, estavam todos vol-</p><p>tados para o que estava acontecendo. Passaria Abraão na prova? E, quando Isaque disse “onde está o cordeiro”,</p><p>a imagem do cordeiro subiu até o trono, pois Deus tem a visão do cordeiro que foi morto desde a fundação</p><p>do mundo. “Onde está o cordeiro?” Abraão levantou seus olhos para o céu. Como profeta, como parceiro de</p><p>aliança, ele pode dizer agora o que quer de Deus. E Abraão então profetiza:</p><p>“[...] Deus proverá para si mesmo o cordeiro, meu filho [...]” (Gn. 22:8).</p><p>Soou a voz da Terra até o trono de Deus. O homem da aliança profetiza: “meu filho, chegará o momen-</p><p>to em que Deus proverá o seu próprio cordeiro. O Filho de Deus será o seu cordeiro. Eu estou dando o meu</p><p>filho e Deus dará o dele”. E coloca naquele monte o nome “Jeová Jireh”: o Senhor proverá. Proverá o quê? O</p><p>cordeiro. Quando Abraão levantou a mão para imolar o cordeiro, bradou a voz do Senhor, do céu, dizendo:</p><p>“Abraão, não faças nada ao menino, porque agora sei que temes a Deus” (Gn. 22:12).</p><p>No reino do Espírito, diante do tribunal eterno, perante as hostes celestiais, está comprovado: Deus terá</p><p>tudo o que quiser de Abraão. Deus tem tudo do homem, a aliança está selada. O homem terá tudo de Deus,</p><p>mas Deus também terá tudo do homem, e os propósitos de satanás serão frustrados.</p><p>A aliança de sangue 127</p><p>Está provado diante dos tribunais eternos que haverá na terra homens que darão tudo a Deus, a despei-</p><p>to de todas as coisas. Creio que cada um de nós hoje deve se sentir feliz. Adão estava no Éden, com a glória</p><p>de Deus, e obedeceu a satanás. Nós nascemos da maldade, mas quando a voz do Todo-Poderoso chegou aos</p><p>nossos ouvidos, nós, nascidos da escravidão do pecado, dissemos não a satanás,</p><p>renunciamos ao mundo e</p><p>corremos para o Senhor Jesus.</p><p>Abraão olhou e viu um carneiro (Gn. 22:13), que foi o substituto para seu filho, mas Deus não teria um</p><p>substituto para o seu. Bradou segunda vez a voz do Senhor e disse: “Jurei por mim mesmo, diz o Senhor”. Que</p><p>é isso? O juramento da aliança. Numa aliança solene, havia um juramento, e os escritos aos hebreus declaram</p><p>que, quando Deus quis confirmar a promessa com juramento, não havendo alguém maior do que Ele, por</p><p>quem jurar, jurou por si mesmo (Hb. 6:13,14). O que isso significa? Cumpro a aliança ou morrerei. E, como</p><p>Deus não pode morrer, a aliança não pode ser quebrada.</p><p>Porquanto ouviste a minha voz e não me negaste teu filho, Abraão, teu único filho, por- quanto, o que</p><p>significa? Abraão, isto que acabas de fazer me coloca numa posição; eu posso fazer agora o que te vou dizer:</p><p>vou te abençoar, multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar.</p><p>Quem é este descendente de quem Deus fala no monte Moriá? Cristo Jesus. E o teu descendente possuirá a</p><p>porta do seu adversário (Gn. 22:16,17). Essa é uma expressão idiomática e significa que luto contra os meus</p><p>adversários, os venço e me coloco à sua porta, como Senhor.</p><p>Deus tem em vista o Cristo. Ele está vendo o Cristo sendo gerado através da descendência de Abraão e</p><p>diz, em outras palavras: “Abraão, porquanto tu não me negaste teu filho, o teu único filho a quem amas, eis que</p><p>me colocas na posição de trazer à terra o meu filho amado, gerado das tuas entranhas, através de uma virgem que</p><p>sairá dos teus lombos, e esse meu filho esmagará satanás, lutará contra ele e se colocará na porta do inferno como</p><p>o Senhor da vida e da morte. E, nele, todas as famílias da Terra serão abençoadas, porquanto ouviste a minha</p><p>voz”. Está selada a aliança, estabelecida no céu e na terra. Agora, Deus vai agir até o cumprimento dessa aliança.</p><p>Quatrocentos anos se passaram, e os descendentes de Abraão desceram ao Egito e ali se multiplicaram.</p><p>Deus levantou Moisés, que os levou ao deserto, e ali, no monte Sinai, Deus veio em pessoa, deu as tábuas da</p><p>aliança escritas pelo seu dedo e as entregou aos filhos de Israel. A partir dali os profetas começaram a anunciar:</p><p>“há um filho que vem, há um filho que vem”. Deus nada faz na Terra antes que seja falado pela boca de um</p><p>homem; e o profeta declarou:</p><p>“Este será o sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será Emanuel,</p><p>que significa Deus conosco” (Is. 7:14).</p><p>“O governo, e o principado estarão sobre os seus ombros. Ele vai reinar sobre a terra. Um</p><p>filho nos nasceu. Um menino se nos deu” (Is 9:6).</p><p>Sim! Um homem há de vir. Durante quase 1500 anos, todos os anos, fielmente, os judeus se reuniam</p><p>para comer o cordeiro. Era a comemoração da Páscoa, que significa “passar por cima”. No tempo em que o</p><p>povo de Israel foi escravizado no Egito, Deus enviou seu juízo sobre aquela nação na forma de dez pragas.</p><p>Por ocasião da última praga, Deus ordenou a Moisés: “cada família tome um cordeiro. O cordeiro seja</p><p>sem defeito, macho, de um ano. Imolareis o cordeiro no crepúsculo da tarde; tomareis o sangue e o colocareis</p><p>nos umbrais e nas vergas da porta, e esse será um sinal, o sinal do sangue do cordeiro. Mas a carne será assada</p><p>no fogo, para que seja comida. O sangue será vertido, para que o povo seja liberto da morte que virá sobre</p><p>o Egito, e a casa de Israel não é inocente. Mas o sangue do cordeiro fará diferença. Na porta, onde estiver a</p><p>presença do sangue, a morte não há de entrar. A carne, porém, será para benefícios físicos, é para comer”.</p><p>Aquilo que eu como se transforma no sangue que circula nas minhas veias. A vida está no sangue, e o</p><p>sangue é a vida. O alimento que eu como se transforma no sangue que me dá vida e energia. O cordeiro seria</p><p>comido e entraria nas suas veias e, quando eles comessem o cordeiro, algo aconteceria. Por isso Deus ordenou:</p><p>“Assim comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés, cajado na mão, prontos para partir</p><p>[...]” (Ex. 12:11).</p><p>128 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>No Egito, eles eram um grupo de escravos, pobres, doentes e oprimidos, mas quando comeram o cor-</p><p>deiro, a sua condição foi alterada. O Salmo 105:37 diz que, quando eles saíram do Egito, partiram com prata</p><p>e com ouro, com vestes e coisas preciosas, e entre as suas tribos não havia um só fraco, inválido ou doente.</p><p>Quando sua sorte foi alterada? Quando comeram o cordeiro. E diz o Salmo 107:19-20: clamaram ao Senhor,</p><p>Deus enviou a sua Palavra e os livrou do que lhes era mortal.</p><p>A Palavra é o cordeiro, e o cordeiro é Jesus. Quando o anjo da morte passa, são libertos da destruição,</p><p>mas, mais do que isso, eles são sarados; a carne do cordeiro entra em suas entranhas e se torna vida e saúde para</p><p>eles. E eles partem, vão pedindo aos egípcios prata, ouro, vestes; encontram graça, saqueiam o Egito e partem</p><p>– não mais como escravos, mas como homens livres, ricos e saudáveis. Com a força da carne do cordeiro,</p><p>caminham rumo ao deserto, até que choveu maná do céu.</p><p>A vinda do filho prometido</p><p>Na plenitude dos tempos, o anjo de Deus veio até a cidade de Nazaré, onde se encontrava uma filha de</p><p>Abraão. Lembra da aliança? “Tudo o que é de Abraão é de Deus”. Ele trouxe a semente. “Salve agraciada, o</p><p>Senhor é contigo. Não temas, darás à luz um filho, seu nome será: Yeshuah Ramashia – o Messias de Israel, o</p><p>Redentor, o cordeiro, o filho da promessa, que será oferecido pelo Pai, segundo profetizou Abraão.” “Como?”</p><p>Pergunta Maria, “não conheço nenhum homem”!</p><p>“O Espírito te cobrirá com a sua sombra. Pelo que o ente santo que de ti há de nascer,</p><p>não será chamado filho de Adão, mas será chamado filho de Deus” (Lc. 1:35), porque a</p><p>semente de Deus está entrando pela porta, como homem.</p><p>“O anjo, porém, lhes disse: Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria,</p><p>que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é</p><p>Cristo, o Senhor” (Lc. 2:10,11).</p><p>Anjos proclamam do céu. Magos do oriente correm até Jerusalém e perguntam a Herodes: “Onde nas-</p><p>ceu o Rei dos judeus”? O inferno se agita, pois, por 400 anos, nenhum profeta tinha se levantado. Os magos</p><p>dizem: “nós vimos a sua estrela no oriente e viemos para adorá-Lo”.</p><p>Satanás entrou em Herodes para matar a semente de Deus, mas ele não entendeu o mistério da encarna-</p><p>ção. Ele não podia matar Jesus. Por quê? O salário do pecado é a morte, e Jesus foi concebido sem pecado. Jesus</p><p>jamais pecou. A morte não tinha poder sobre Ele. Ele morreria quando decidisse que ia morrer (Jo. 10:17-18).</p><p>Herodes mandou matar as crianças de Belém, mas Deus falou com José em sonho (Mt. 2:13), e ele fu-</p><p>giu com a semente para o Egito. Satanás achou que matara a semente. Ele não é onisciente e nem onipresente.</p><p>Ele não viu o que Deus fez e nem sabia que a semente foi gerada de Deus. Anos depois se levantou uma voz</p><p>no deserto dizendo:</p><p>“[...] arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mt. 3:2).</p><p>“Está no meio de vós um que é antes de mim. Eu não sou digno nem de desatar as correias</p><p>das suas sandálias” (Jo. 1:27).</p><p>“Eu estou batizando aqui com água, para arrependimento, mas este que está vindo é</p><p>maior do que eu [...], e ele batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mt. 3:11).</p><p>Todo o inferno se colocou de prontidão às margens do Jordão. Quem é ele? Um dia, um homem de</p><p>Nazaré vem no meio da multidão, misturado entre as pessoas, homem pacato que crescera em Nazaré, mani-</p><p>festando a vida de Deus; mas ninguém sabia quem ele era. Quando João olha para ele, diz:</p><p>“Eu é quem devo ser batizado por ti, tu vens a mim?” (Mt. 3:14).</p><p>Por que João disse isso? Ele era primo de Jesus e certamente conhecia sua vida santa. E quando Jesus</p><p>chega, João diz: “estou pregando o batismo para arrependimento, me sinto nada diante de ti. Eu te conheço.</p><p>Eu não vou te batizar. Durante todos estes anos nunca vi nenhuma mancha em ti. Tu és alguém muito espe-</p><p>cial. Não vou te batizar, eu é que preciso arrepender-me, mas, em ti não vejo mancha alguma”.</p><p>Jesus disse:</p><p>A aliança de sangue 129</p><p>“[...] Deixa por enquanto, porque a nós convém cumprir a justiça de Deus [...]”</p><p>(Mt. 3:15).</p><p>Quando Jesus se levantou das águas, os céus se abriram e, se um dia um anjo, que assiste no trono de</p><p>Deus, chegou a Maria para anunciar que o Filho vinha, se o coral de anjos veio para anunciar aos pastores que</p><p>ele tinha chegado, Deus Pai tomou a si o encargo de anunciar à Terra o início da sua missão. Sua voz ecoou</p><p>do trono da graça, encheu os céus, a terra e as regiões celestes:</p><p>“Este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer. É ele o meu Filho” (Mt. 3:17).</p><p>E João vai à frente e grita:</p><p>“É ele o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo. 1:29,36).</p><p>É Ele! Eu vi o Espírito Santo descendo sobre Ele! Satanás e seus anjos ouviram: é este o filho de Deus. O</p><p>inimigo encontrou o primeiro homem, Adão, de estômago cheio; mas encontrou o último Adão de estômago</p><p>vazio, no meio das feras, com fome (Mt. 4:1-11). E Jesus olhou para satanás e disse: “Arreda, Satanás. Não</p><p>estou aqui para fazer aliança contigo. Estou aqui para esmagar a tua cabeça. Eu estou aqui para brigar contigo,</p><p>e pela violência do reino de Deus, que já chegou, tu serás expulso”.</p><p>Dali partiu Jesus, para a Galileia, no poder do Espírito Santo, onde ele viu um doente: sê sarado! Onde</p><p>viu demônio: sai correndo! E os demônios lhe obedeciam. Aonde ia Jesus, Ele desfazia as obras do diabo,</p><p>anunciando: “o reino dos céus já chegou”! (1 Jo. 3:8). E o reino de Deus está dentro de vós. O governo de</p><p>Deus começa a entrar dentro do coração do homem para transformá-lo (Lc. 17:21).</p><p>O Senhor veio para ser o nosso cordeiro pascal. Para a Páscoa, cada cordeiro tinha de ser inspecionado</p><p>por quatro dias completos, antes de ser imolado. Três dias completos, no quarto dia era imolado. Havia</p><p>um costume em Jerusalém: os levitas criavam cordeiros que já nasciam para morrer. Quando os peregrinos</p><p>vinham, em cada época da Páscoa, eles entravam no décimo dia do mês pelo portão das ovelhas, trazendo</p><p>os cordeirinhos, que eram vendidos para o sacrifício. Seguia-se o período de três dias completos, em que eles</p><p>eram inspecionados; depois, então, eram apresentados ao sacerdote, para que o sacerdote declarasse se o cor-</p><p>deiro era próprio para o sacrifício.</p><p>Jesus é o cordeiro de Deus que nasceu para morrer. E, no mesmo dia, quando os cordeiros entravam pelo</p><p>portão das ovelhas em Jerusalém, Jesus entrava também pelo portão dourado para ser inspecionado. E, assim</p><p>como os cordeiros eram vendidos para o sacrifício, o cordeiro de Deus também foi vendido para a nossa redenção.</p><p>O cumprimento da aliança</p><p>No dia da Páscoa, Jesus entrou no cenáculo para comer a refeição da Nova Aliança. Ele estava com as</p><p>suas vestes. Era o filho de Deus que chegou coberto com o manto da justiça de Deus, pegou o pão e declarou:</p><p>“Isto é o meu corpo que é partido por vós” (Lc. 22:19).</p><p>Ele dá de comer aos discípulos e come do mesmo pão. Isso significa: “tua vida está entrando na minha”.</p><p>Ele pega o cálice e diz: “este é o cálice da nova aliança no meu sangue” (Mc. 14:22-24), dá de beber ao homem</p><p>e bebe do mesmo cálice. Nesta hora em que Jesus bebe do mesmo cálice há uma transferência, e a vida do</p><p>homem que está contaminada é transferida para Jesus.</p><p>Na hora em que Ele comeu o pão e bebeu o cálice, tudo o que era do homem (morte, pecado, doença,</p><p>maldição) foi transferido para Jesus. Este é o cordeiro de Deus. É o bode expiatório sobre quem caem os pecados</p><p>da humanidade. Nesta hora, Jesus se torna o que o homem é. Ele, agora, deve comparecer perante o sumo sacer-</p><p>dote. Quem vai ali? Não é o filho de Deus, é o homem pecador. Agora, Ele pode morrer porque se fez pecado (2</p><p>Co. 5:21). A comida do homem entrou em suas veias, e Ele chegou diante do sumo sacerdote. Ele é o cordeiro, e</p><p>o sumo sacerdote disse: “Réu de morte”! Em outras palavras: “o cordeiro é próprio para o sacrifício. Pode morrer”.</p><p>Mas este cordeiro de Deus não será imolado apenas pela casa de Israel; seu sangue será vertido pela hu-</p><p>manidade inteira, por todas as nações da Terra. Então é necessário que ele compareça perante o representante</p><p>130 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>das nações gentílicas. E ele vai até Pilatos, autoridade romana. Pilatos olha para Ele e diz: “não vejo nele crime</p><p>algum” (Lc. 23:4). Em outras palavras: “o cordeiro é limpo, pode morrer”.</p><p>Esse cordeiro de Deus será oferecido pelos seus inimigos também; será oferecido pelos traidores e por</p><p>todos os pecadores. E, então, vem Judas que o trairá. Judas então declara: “é sangue inocente”! (Mt. 27:4). Em</p><p>outras palavras: “o cordeiro é limpo, é próprio para o sacrifício; eu o conheço, ele pode morrer”.</p><p>Quem vai ali? Não é outro senão eu e você. É o nosso pecado. Mas foi o Pai mesmo quem o entregou,</p><p>e, assim como Isaque, Ele carrega sobre os seus ombros o lenho do sacrifício. Eis o filho de Deus carregando</p><p>sobre os seus próprios ombros o lenho (a cruz), sobre o qual será sacrificado.</p><p>Quando ele é suspenso entre os céus e a terra, e Deus olha para o Calvário, quem vê lá? Não é o seu</p><p>filho, é o homem pecador. Aquela é a oferta queimada no altar, do pecado morrendo fora da porta (Ex. 29:14).</p><p>É o pecado da humanidade inteira, por isso Deus volta as costas, e Jesus morre a nossa morte. Morre espiritu-</p><p>almente, é separado de Deus e brada:</p><p>“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Mt. 27:46).</p><p>É aí que as minhas doenças, minha maldição, estão queimando sobre Ele no Calvário. Isaías viu o que</p><p>ninguém mais viu. No capítulo 53, Ele estava desfigurado; nem parecia mais um homem, porque as dores O</p><p>faziam contorcer; as dores, as enfermidades, tudo o que era do homem caiu sobre Ele na cruz. Ele se agonizava</p><p>com os horrores do inferno, como está descrito no Salmo 22.</p><p>O Sol recusa-se a brilhar sobre o Calvário. Há trevas sobre a Terra. O pecado da humanidade inteira cai</p><p>sobre aquele homem. Seis horas se passam. Deus deu a terra aos filhos dos homens por seis dias. Seu sacrifício</p><p>cobre todos os homens por seis dias. São seis períodos durante os quais Ele se agoniza naquela cruz. Todavia,</p><p>vai chegando a hora do sacrifício no templo. Seis horas da tarde! E o ritual no templo é o mesmo do Calvário.</p><p>O sumo sacerdote primeiro oferece a oferta queimada, e, depois, porque é dia de expiação anual, ele leva o</p><p>sangue da aliança até ao Santo dos santos. Durante esse trajeto, ninguém pode tocar nele, senão ficará imundo.</p><p>Uma vez por ano, ele faz a mesma coisa e entra no Santo dos santos levando o sangue do cordeiro. Mas desta</p><p>vez tudo é diferente no templo. Trevas cobrem a Terra. E, após oferecer a oferta queimada, há silêncio no</p><p>templo. Todos os adoradores esperam lá fora silenciosos para saberem se Deus vai aceitar o sacrifício. Quando</p><p>começa a marchar para o Santo dos santos, brada a voz do cordeiro no Calvário:</p><p>“Está consumado!” (Jo. 19:30).</p><p>Em outras palavras: “Terminou”! Terminou o quê? A Velha Aliança. O último sacrifício de Deus está</p><p>sobre o altar. O Filho de Deus mesmo está sobre o altar. E, na hora exata, em que o sumo sacerdote vai mar-</p><p>chando, brada a sua voz:</p><p>“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc. 23:46).</p><p>Nessa hora, a mão invisível do Todo-Poderoso pega o véu que separa o Santo dos santos do lugar Santo</p><p>e o rasga de alto a baixo. O caminho para o céu está aberto. O caminho do santuário está escancarado. Há um</p><p>grito no templo: “Vamos morrer”. Mas ninguém morreu, e todos viram o lugar santíssimo, a arca da aliança.</p><p>Por quê? Deus acabava de sair do santuário feito pelas mãos humanas para mudar de residência e passaria a</p><p>morar no coração de todo aquele que fosse lavado pelo sangue do cordeiro. Deus tinha dito a Abraão:</p><p>“E circundarás a carne do seu prepúcio [...]” (Gn. 17:11).</p><p>Abraão derramou o sangue da aliança, mas Deus não havia derramado o Seu. Mas este sangue agora está</p><p>sendo derramado, e é por isso que Atos 20:28 fala do sangue de Deus, com o qual ele comprou a Igreja. O sangue</p><p>que estava em Jesus era o sangue de Deus, porque a semente que o gerou na</p><p>terra era a semente de Deus.</p><p>“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bis-</p><p>pos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”</p><p>(At. 20:28).</p><p>A aliança de sangue 131</p><p>Naquela hora, Jesus vai à região dos mortos (Is. 53:9). Ele tem o seu lugar na região dos ímpios. Satanás</p><p>certamente não conseguiu entender o fato de Deus ter voltado as costas quando a morte veio sobre Jesus. Ele</p><p>pensa que, de alguma maneira, Ele pecou. O Salmo 22 é a descrição de Jesus no hades. Mas quem estava ali</p><p>era o nosso pecado sendo julgado. Satanás se regozija, os demônios festejam, eles pensam que destruíram o</p><p>Filho de Deus. A verdade, porém, é que o pecado é que foi destruído.</p><p>O filho de Abraão teve a sentença de morte por três dias. Ao fim do terceiro dia, disse Deus do seu trono</p><p>de graça: “a dívida está paga, o pecado está destruído. E o Espírito de Deus – o autor da vida – vem descendo</p><p>do trono para penetrar os portões do hades. A luz de Deus penetra no inferno e ouve-se o grito de Deus: ‘meu</p><p>filho está aí ilegalmente’. Basta”! E o espírito de vida se move em Jesus. O pecado está vencido. Jesus ressurge.</p><p>Ele venceu! Ele morreu, seu calcanhar foi ferido, mas eis que vive – o calcanhar está sarado – e agora Ele chega</p><p>ao trono de satanás e esmaga a cabeça da serpente (Gn. 3:15). Ele arranca de suas mãos as chaves da morte e</p><p>do inferno e tira de sua cabeça a coroa de autoridade que ele tomou do homem.</p><p>Depois disso Ele passa para o outro lado, o seio de Abraão. Lá estão Daniel, Ezequiel, Isaías, Abraão,</p><p>Isaque, Jacó, Davi. Eu posso imaginar Davi à frente de todos, declarando:</p><p>“Levantai, ó portas, as vossas cabeças, está entrando o Rei da Glória. Quem é este, o Rei</p><p>da Glória? O Senhor dos Exércitos. Ele é o Rei da Glória” (Sl. 24:7).</p><p>Eles ressurgem e entram em Jerusalém, para depois serem levados com Jesus para a presença do Pai.</p><p>O unigênito se torna o primogênito</p><p>Ainda é necessário, contudo, que Ele leve o sangue ao Santo dos santos no céu. O santuário da Terra</p><p>era apenas a figura do verdadeiro, que está nos céus. Ele foi o cordeiro oferecido em holocausto, mas agora é a</p><p>figura do sumo sacerdote que comparecerá perante Deus.</p><p>Quando Jesus vai entrando pelos portais da glória, todos os anjos se levantam. Um homem está en-</p><p>trando no céu pela primeira vez. Quando Jesus veio a esse mundo, Ele era apenas o espírito para tomar um</p><p>corpo, mas quem entra agora na glória é um homem, plenamente Deus e plenamente homem. Quem estava</p><p>ali diante de Deus? Éramos eu e você! Quem estava na cruz? Eu e você! Quem foi ao hades? Eu e você! Quem</p><p>está entrando no céu? Você e eu nEle. E, quando Ele chega, o Pai lhe diz: “Tu és meu filho; eu hoje te gerei”.</p><p>Gerou a quem? O homem que estava em Jesus. Ele existe desde a eternidade, porque Ele é Deus, mas se</p><p>tornou o que eu era.</p><p>Depois de o Pai dizer “tu és meu filho, eu hoje te gerei”, virou-se para os anjos e disse: “adorem-no: é</p><p>Deus! Jesus é Deus! Vocês estão vendo um homem, mas é Deus; Ele tomou sobre si um corpo e uma natureza</p><p>de homem, mas é Deus”. E se volta para Jesus e diz:</p><p>“[...] Deus, o teu trono subsiste para sempre [...]” (Hb. 1:8).</p><p>Agora o unigênito não é mais o unigênito, mas o primogênito. Ele já pagou a dívida do homem. O que</p><p>era do homem eram só as dívidas. Eu não tinha bens, Ele não tinha dívidas; mas Ele levou minhas dívidas para</p><p>me dar a sua riqueza. Eu não tinha do que viver, Ele não tinha do que morrer; Ele morreu a minha morte para</p><p>me dar a sua vida. Eu era todo pecado, Ele era todo justiça; Ele tomou o meu pecado para me dar a Sua justiça.</p><p>No cenáculo ele sopra sobre os discípulos e diz: “recebei o Espírito Santo” (Jo. 20:22). Quem está ali? O</p><p>Filho de Deus. Nesta hora, o homem nasce de novo. O Pai olha e diz: “Eis os filhos que ele me gerou”. Satanás</p><p>fica surpreso. Como!? Eu matei um, quantos são agora? Ele é a semente que desceu do céu.</p><p>“Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto”</p><p>(Jo. 12:24).</p><p>Jesus é a semente de Deus que desceu do céu e morreu, e, ao ressurgir dentre os mortos, não ficou só e</p><p>começou a produzir milhares de outros filhos de Deus.</p><p>132 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>A Vitória</p><p>sobre o pecado</p><p>Capítulo</p><p>6</p><p>Quebrando o ciclo do pecado</p><p>O Evangelho é completamente a respeito da bondade de Deus. Precisamos receber luz do Espírito</p><p>para entendermos o quanto somos amados pelo Pai. Quando entendemos, esse amor e a libertação</p><p>do pecado começam a se manifestar. Na carne, o homem não pensa coisas boas a respeito de Deus.</p><p>Quando ele ouve sobre a graça, ele se pergunta: será que Deus pode ser assim tão bom? A graça não leva ao</p><p>pecado, mas a lei sim. Na verdade é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento.</p><p>“Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que</p><p>a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?” (Rm. 2:4).</p><p>Precisamos então ter clareza em nossa mente que Deus é bom, e que Ele não está nos privando de nada bom.</p><p>Quando, por exemplo, Ele coloca o sexo apenas dentro do casamento, Ele está fazendo algo para nos abençoar. Não</p><p>pense que Deus seja contra o sexo. Deus criou o sexo, e, na verdade, o primeiro mandamento que ele deu ao homem</p><p>foi para fazer sexo. Ele disse para Adão crescer e multiplicar. Tudo aquilo que nós limitamos se torna poderoso, mas</p><p>aquilo que liberamos se dissipa e se perde. Deus criou o sexo para ser limitado no casamento entre marido e mulher.</p><p>Isso faz com que ele seja explosivo e gratificante. O diabo, porém, tirou o sexo para fora do casamento, e isso faz com</p><p>que a sua energia se dissipe, e o homem não consiga nenhuma satisfação permanente.</p><p>Os pecados não são iguais. Jesus disse para Pilatos que aqueles que O haviam lhe entregado tinham um</p><p>pecado ainda maior (Jo. 19:11). E o pecado sexual é completamente diferente de todos os outros pecados.</p><p>Paulo diz que todo pecado é fora do corpo, mas o pecado sexual atinge o corpo.</p><p>“Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas</p><p>aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (1 Co. 6:18).</p><p>Alguns dizem que o crente que cai em pecado sexual se enche de demônios, mas Paulo não diz isso,</p><p>antes ele firma categoricamente que o crente continua sendo templo</p><p>A Vitória sobre o pecado</p><p>Aula 1</p><p>Ciclo do</p><p>pecado</p><p>sexual:</p><p>Quebrando o ciclo do pecado 135</p><p>O ciclo do pecado</p><p>O grande problema do pecado sexual é a sua repetição. Ele se torna um ciclo que, se não for quebrado,</p><p>vai continuar se repetindo. É preciso dizer não em algum ponto. O ciclo segue sempre essa sequência:</p><p>Tentação confiança na carne (eu posso lidar com isso) queda no pecado culpa (acusação e</p><p>condenação) tentação novamente.</p><p>1. Tentação</p><p>A respeito da tentação, precisamos esclarecer antes de tudo que ser tentado não é pecado. Infelizmente,</p><p>muitos se deixam levar para o pecado porque são convencidos de que, quando sentem a tentação, então já</p><p>pecaram diante de Deus. Isso é um engano, porque tentação é diferente de intenção. Muitos homens olham</p><p>para mulheres, mas há aqueles que olham com intenção impura (Mt. 5:28).</p><p>Diante de uma tentação, a ordem bíblica é para que fujamos do pecado. Não tente resistir à tentação,</p><p>simplesmente fuja daquilo que dá ocasião ao pecado. Paulo diz em 1 Coríntios 6:18 para fugirmos da impu-</p><p>reza. Devemos fazer como José diante da esposa de Potifar.</p><p>“Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os</p><p>que, de coração puro, invocam o Senhor” (2 Tm. 2:22).</p><p>O momento da tentação é o melhor momento para dizermos não ao pecado simplesmente fugindo dele.</p><p>2. Confiança na carne</p><p>O problema é que, em vez de fugir, alguns tolamente acreditam que podem lidar com o pecado na</p><p>sua força natural. Isso é chamado de confiança na carne, justiça própria. A Palavra de Deus diz que a soberba</p><p>precede a ruína (Pv. 16:18). Se queremos ter vitória, precisamos</p><p>aqueles que andam na carne não podem agradar a Deus (Rm. 8:8). Existe algo, entretanto, que</p><p>devemos fazer com a alma: andarmos com o Senhor para que ela seja transformada. A lâmpada do nosso espírito</p><p>está acesa e nunca mais se apagará, mas o processo de transformação da alma é algo que dura a vida inteira.</p><p>Como a nossa alma é transformada?</p><p>a. Pela renovação da mente</p><p>Como a nossa alma deve ser transformada? Pela renovação da mente. A mente é a primeira função da alma. Se</p><p>mudarmos a mente, estaremos mudando toda a nossa vida, e a única maneira é conformando-a com a Palavra de Deus.</p><p>“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente</p><p>[...]” (Rm. 12:2).</p><p>Eu colaboro com o Espírito Santo na minha própria transformação na medida em que me encho com a</p><p>Palavra de Deus, exercitando o espírito constantemente para mantermos contato com Deus e transformando</p><p>nossa alma mediante a renovação da nossa mente.</p><p>b. Pelo contemplar o Senhor</p><p>“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,</p><p>somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o</p><p>Espírito” (2 Co. 3:18).</p><p>A nossa alma também é mudada quando contemplamos o Senhor por meio de todo tipo de oração</p><p>e comunhão. O meu espírito, que é como um recipiente, foi criado para conter a Deus, mas a minha alma,</p><p>como um espelho, foi criada para refletir a Deus.</p><p>Funções do corpo</p><p>A Palavra de Deus nos diz que o nosso corpo é apenas onde moramos neste mundo. Paulo nos diz, em</p><p>2 Coríntios 5:1-4, que o nosso corpo é a nossa casa terrestre, mas haverá um dia em que seremos</p><p>revestidos da nossa habitação celestial. Nosso corpo, diferente da nossa alma, não tem conserto e nem</p><p>salvação, por isso precisamos receber outro corpo no céu. No passado, o nosso espírito foi regenerado, no pre-</p><p>sente a nossa alma está sendo transformada e no futuro nosso corpo será glorificado. Vemos aqui os aspectos</p><p>passado, presente e futuro da nossa salvação.</p><p>Funções do corpo</p><p>a. Da sensação</p><p>A sensação é a porta do nosso ser e constitui os cinco sentidos do corpo. Tudo o que entra em nossa</p><p>alma entra através dos cinco sentidos. Se desejarmos obter vitória sobre o pecado, precisamos disciplinar o</p><p>nosso corpo para que, através dele, não entre nada sujo ou pecaminoso.</p><p>b. Da locomoção</p><p>Evidentemente é função do nosso corpo se locomover. Ele é a parte mais inferior, tem contato com o</p><p>mundo físico e é impossível perceber as coisas espirituais.</p><p>c. Do instinto</p><p>Os instintos são reações inatas do organismo, que não dependem do comando da nossa alma, automá-</p><p>ticas, em si mesmas e não pecaminosas. Entretanto, elas são a base da concupiscência da carne. Deus criou os</p><p>instintos bons, mas, por causa do pecado, eles foram degenerados, e hoje precisamos exercer domínio sobre</p><p>eles. Há três grupos de instintos básicos: o de sobrevivência, o de defesa e o sexual.</p><p>O instinto de sobrevivência inclui o comer, o beber e as necessidades fisiológicas, ou seja, são inatos.</p><p>Ninguém precisa ensinar a criança a mamar, uma vez que ela já nasce sabendo. Mas o pecado transformou</p><p>esse instinto natural em glutonaria e bebedices. O instinto de defesa inclui os atos reflexos de proteção, como</p><p>esquivar-se, esconder-se, proteger-se, e pecado o transformou em brigas, facções, iras e todo tipo de violência.</p><p>Já o instinto sexual foi corrompido para se transformar em adultério, fornicação, prostituição, sodomia e</p><p>coisas parecidas.</p><p>O corpo deve ser um servo, e não um Senhor. Não devemos permitir que esses instintos naturais, que</p><p>permanecem em nós mesmo depois que somos convertidos, nos controlem.</p><p>Princípios de Revelação na Palavra</p><p>Aula 4</p><p>Funções do corpo 17</p><p>A disciplina do corpo</p><p>Precisamos estudar as funções do corpo para compreendermos que o diabo está de fora, e Deus</p><p>está dentro de nosso espírito. Veja a maneira como o inimigo age. Ele primeiramente procura entrar pelas</p><p>portas da alma, que são os sentidos do corpo. O processo sempre começa com o inimigo tentando chamar</p><p>a nossa atenção. Uma vez que ele tem a nossa atenção, ele tentará despertar algum instinto básico do nosso</p><p>corpo. Como nossos instintos foram corrompidos pelo pecado, tornaram-se aliados do diabo. Quando ele</p><p>desperta um instinto, nós dizemos que estamos sendo tentados. Uma vez que o instinto é despertado, o</p><p>próximo passo é produzir um desejo. O desejo ainda não é pecado se ele for apenas uma forte tentação, e</p><p>ser tentado ainda não é pecado.</p><p>O pecado acontece quando o nosso desejo se transforma em intenção. Jesus disse que qualquer um que</p><p>olhar com intenção impura para uma mulher já adulterou com ela (Mt. 5:28). Quando compreendemos a</p><p>forma como o diabo age, fica mais simples alcançarmos vitória sobre ele.</p><p>A Palavra de Deus diz que há algo que devemos fazer com o nosso corpo: ofertá-lo a Deus e trazê-lo</p><p>debaixo de disciplina (Rm. 12:1).</p><p>“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por</p><p>sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm. 12:1).</p><p>Disciplinar não é usar de ascetismo, mas Paulo disse que esmurrava o seu corpo para reduzi-lo à escra-</p><p>vidão, não fazendo sua vontade (1 Co. 9:27).</p><p>“Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não</p><p>venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Co. 9:27).</p><p>Implicações práticas da dimensão tríplice do homem</p><p>Há certas atitudes que devemos ter em relação a cada parte do nosso ser.</p><p>a) O espírito deve ser exercitado</p><p>Com relação ao nosso espírito, precisamos exercitá-lo. A obra de Deus no nosso espírito está pronta,</p><p>contudo, nosso espírito precisa ser aperfeiçoado.</p><p>b) A alma deve ser transformada</p><p>A nossa alma deve ser transformada. Romanos 12:1 e 2 Co. 3:16 nos dizem como isso deve acontecer:</p><p>pela renovação da mente e pelo contemplar do Senhor.</p><p>c) O corpo deve ser disciplinado</p><p>O nosso corpo deve ser disciplinado, como é ensinado em Romanos 12:1 e em 1 Coríntios 9:27.</p><p>Com relação ao tempo da nossa salvação, podemos dizer que:</p><p>a) O nosso espírito foi regenerado no passado</p><p>Quando nascemos de novo a vida de Deus foi colocada dentro do nosso espírito. Por isso o Senhor disse</p><p>que o espírito está pronto (Mt. 26:41);</p><p>b) A nossa alma está sendo transformada no presente.</p><p>O alvo de Deus é que esta vida que está no nosso espírito possa transbordar para nossa alma a ponto de</p><p>saturá-la e transformá-la;</p><p>c) O nosso corpo será glorificado no futuro</p><p>O ápice da obra de Deus é a manifestação dos filhos de Deus com um corpo glorificado.</p><p>18 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>Com relação ao propósito de Deus, podemos comparar:</p><p>a) O corpo aponta para o Egito</p><p>Do ponto de vista de Deus, o corpo é o lugar onde o pecado habita e, portanto, não há remédio: deve-</p><p>remos receber um corpo glorificado.</p><p>b) A alma aponta para o deserto</p><p>Depois de termos sido salvos, precisamos nos perguntar se estamos vivendo no nível da alma ou do</p><p>espírito. A vida da alma é lugar de aridez e falta de fruto, e viver pela alma é viver no deserto.</p><p>c) O espírito aponta para Canaã</p><p>A boa terra aponta para Cristo. Deus queria que Israel desfrutasse da boa terra, assim como Ele deseja</p><p>que hoje desfrutemos do Senhor Jesus. Sabemos que o Senhor habita em nosso espírito, daí entendemos que</p><p>é no espírito que devemos desfrutar dEle.</p><p>Com respeito à habitação de Deus, podemos entender que:</p><p>a) o corpo aponta para o átrio;</p><p>b) a alma para o lugar santo;</p><p>c) o espírito para o Santo dos santos.</p><p>Hebreus 10:19 nos exorta a entrarmos ousadamente no Santo dos santos, que hoje está no nosso espí-</p><p>rito. É nele que está a arca do Senhor, e é a partir dele que Deus fala. O nosso espírito é o órgão receptor que</p><p>capta as ondas espirituais que vêm de Deus. Deste modo, sintonizamos o nosso espírito corretamente quando</p><p>temos um espírito quebrantado, contrito e aberto diante de Deus.</p><p>A Revelação no Espírito</p><p>Na vida cristã, o ponto mais importante é o conhecimento espiritual, a revelação. A maior preocupa-</p><p>ção</p><p>ser humildes diante de Deus.</p><p>O que é a confiança na carne? É quando pensamos que podemos lidar com aquela situação. Alguns po-</p><p>dem beijar uma moça e cair, outros podem assistir certos filmes e cair, e uns podem conversar certos assuntos</p><p>e cair, mas eu posso lidar com isso.</p><p>Precisamos entender que a corte não é um tipo de legalismo. Não estamos estabelecendo uma lei de</p><p>como você pode se tornar mais santo ou como ser aceito diante de Deus. Nada disso. A corte é apenas a atitude</p><p>de jovens que são humildes e que reconhecem que não podem confiar na carne. Eles sabem que não podem</p><p>lidar com isso, por isso querem fugir de tudo o que dá ocasião à carne.</p><p>3. Queda</p><p>Quando deixamos de fugir e confiamos na carne, inevitavelmente cairemos no pecado. Tenha cuidado</p><p>com o pecado, pois ele sempre tem consequências. Mesmo que tenhamos sido libertos da maldição da colheita</p><p>do pecado, ainda estamos sujeitos às suas consequências.</p><p>“Pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção</p><p>de pessoas” (Cl. 3:25).</p><p>Há uma advertência muito séria do apóstolo Paulo para aqueles que defraudam seu irmão na questão</p><p>sexual. Ele diz que Deus é o vingador.</p><p>“Que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o de-</p><p>sejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém</p><p>ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes</p><p>vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador” (1 Ts. 4:4-6).</p><p>Quem disse isso foi o apóstolo da graça. Ele não está dizendo que aquele que cai no pecado sofrerá</p><p>a ira de Deus, apenas que Deus nunca é neutro. Se dois filhos chegam diante dEle com uma contenda, Ele</p><p>julgará a causa. E, se alguém defraudar a seu irmão nessa questão sexual, sofrerá a disciplina do Pai. Ou seja, se</p><p>alguém possuir a mulher do irmão ou se alguém aproveitar de uma irmã com palavras e lisonjas com o fim de</p><p>seduzi-la, o Senhor será o vingador. Nunca trate o pecado de forma displicente, muito menos o pecado sexual,</p><p>pois quem comete pecado sexual peca contra o próprio corpo.</p><p>136 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>4. Culpa</p><p>A não ser que você não tenha nascido de novo, inevitavelmente sentirá culpa após a queda. O diabo</p><p>está presente em todo o processo. Ele é o tentador e depois se torna o acusador. Se você não conseguiu dizer</p><p>não em nenhum outro momento, então diga não agora. Muitos equivocadamente pensam que quanto mais</p><p>condenação sentirem mais força terão para vencer o pecado da próxima vez, mas isso não é verdade. A conde-</p><p>nação torna o pecado mais forte ainda.</p><p>Por que isso acontece? Para compreendermos isso precisamos entender como a lei atua em nós fortale-</p><p>cendo o pecado. Paulo diz que a força do pecado é a lei.</p><p>“O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei” (1 Co. 15:56).</p><p>Quanto mais vivermos na lei, mais o pecado se manifestará em nossa carne. Como sabermos se estamos</p><p>na lei? Pode parecer estranho, mas o Senhor Jesus disse que quem nos acusa é Moisés.</p><p>“Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes</p><p>firmado a vossa confiança” (Jo. 5:45).</p><p>Obviamente que Moisés é apenas um símbolo da lei. Isso significa que quem nos acusa é a lei. Na ver-</p><p>dade, o diabo é o acusador, mas agora ficamos sabendo que ele usa a lei para nos condenar. Quando aceitamos</p><p>condenação, nos colocamos debaixo da lei, e, quando estamos debaixo da lei, o pecado torna-se mais forte em</p><p>nós. Essa é a lógica da Palavra de Deus.</p><p>Se a consequência da lei é sempre condenação, isso significa que esse sentimento de condenação e</p><p>acusação é que dá força ao pecado. Sempre que você ler sobre a lei no Novo Testamento você deve pensar em</p><p>condenação. A lei traz o conhecimento do pecado e, com o conhecimento, a condenação. Ser liberto da lei é</p><p>ser livre de toda condenação.</p><p>Em 2 Coríntios 3:9, Paulo chama a lei de ministério da condenação em oposição ao Evangelho, que é cha-</p><p>mado de ministério da justiça. O ministério da condenação sempre produz morte, mas a justiça de Cristo traz vida.</p><p>Quando alguém realmente tem a revelação de que não está mais debaixo de condenação, esta pessoa</p><p>vence o pecado. Em João 8, o Senhor disse para a mulher pega em adultério: “nem eu tampouco te condeno,</p><p>vai e não peques mais”.</p><p>“Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela:</p><p>Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques</p><p>mais” (Jo. 8:10-11).</p><p>A mulher só poderia cumprir a ordem de não pecar mais porque tinha recebido o dom da não conde-</p><p>nação. Quem se sente debaixo de condenação está condenado a repetir o pecado sempre. Paulo disse que o</p><p>pecado não terá domínio sobre nós porque não estamos mais debaixo da lei, ou seja, debaixo de condenação</p><p>(Rm. 6:14). E, se o pecado não tem domínio, então a pobreza, a doença, a maldição e o diabo não terão mais</p><p>domínio sobre nós porque estamos debaixo da graça.</p><p>A lei significa receber o favor com a condição de obedecermos ao mandamento. Como não obede-</p><p>cemos, o resultado da lei é sempre condenação. Há pessoas que pensam que quando pregamos sobre a não</p><p>condenação estamos fazendo Deus tolerante com o pecado. A verdade é exatamente o oposto disso. O motivo</p><p>pelo qual não há condenação é porque os nossos pecados foram todos condenados na cruz do calvário. Aquele</p><p>pecado mais sutil, que ocorre em nossa mente, até aquele mais grotesco foram colocados sobre o Senhor Jesus</p><p>na cruz. Deus não ignorou nenhum deles. Não temos condenação hoje é justamente porque os nossos pecados</p><p>já foram condenados no corpo de outro, e um mesmo crime não pode ser punido duas vezes.</p><p>Veja bem: a razão pela qual caímos no pecado é a confiança na carne. Se a condenação nos leva de volta</p><p>ao pecado, isso mostra que o sentimento de condenação está também baseado na confiança na carne. Acalentar o</p><p>sentimento de condenação é dizer que o sacrifício de Cristo não teve valor ou é insuficiente para resolver a questão</p><p>do pecado. Quando agimos assim, estamos deixando de desfrutar da graça e, por isso, saímos de debaixo do favor.</p><p>O sentimento de condenação é também justiça própria disfarçada, a carne tentando mostrar como está</p><p>triste pelo pecado com o fim de ter algum mérito. Aqueles que possuem justiça própria estão sempre olhando</p><p>para eles mesmos, mas aqueles que aceitam condenação também são ocupados consigo mesmos, sempre com</p><p>o alvo de encontrar alguma coisa boa em si.</p><p>Quebrando o ciclo do pecado 137</p><p>A justificação é diferente da santidade</p><p>A santidade e a justificação não são a mesma coisa. Infelizmente, muitos erram porque pensam que os</p><p>dois conceitos são iguais. Ser justo é ser declarado inocente de um crime. Você foi acusado e, depois de avaliar</p><p>as provas, o juiz declara você inocente, ou seja, justo, sem culpa. Veja então que o conceito de justificação</p><p>não aceita gradação. Não há como ser mais justo ou parcialmente culpado. É um conceito definitivo: somos</p><p>inocentes ou somos culpados. Não há meio termo. Com relação à santidade é diferente.</p><p>Nós podemos ser santos, ficarmos mais santos ainda, há aquilo que é santo e também o que é san-</p><p>tíssimo. Você é justo, mas cresce em santidade. Em seguida, será falado sobre o que é ser santo, santidade,</p><p>santíssimo, o que se torna santo e como nós nos tornamos santos.</p><p>a. Ser santo é ser separado de tudo o que é comum</p><p>O que significa ser santo? Ser santo não significa ser perfeito. Segundo o conceito religioso, santidade</p><p>é a ausência de pecado. Isso está errado. Ser santo significa ser separado por Deus. O contrário de santo não</p><p>é pecaminoso, mas comum. Nós dizemos que Deus é santo porque Ele é completamente distinto de todas as</p><p>coisas, e santidade é a Sua natureza.</p><p>b. Santidade é ter aquele que é santo dentro de si</p><p>Deus é único, por isso dizemos que Ele é santo. Quando a Bíblia diz que Deus nos escolheu para sermos</p><p>santos, está dizendo que Ele nos escolheu para sermos como Ele, do Seu tipo, da Sua natureza (2 Pe. 1:4).</p><p>de Paulo, em todas as suas epístolas, era com a revelação (Ef. 1:15-19; Ef. 3:14-19). É interes-</p><p>sante vermos que Paulo, por exemplo, não orava pelo crescimento das igrejas locais. Em nenhum</p><p>lugar Paulo faz votos pelo crescimento numérico de nenhuma igreja e também não orava pelo prédio onde os</p><p>irmãos deveriam se reunir. Ele tinha uma única oração: por revelação.</p><p>Precisamos entender que o Novo Testamento tem um ponto central. Devemos orar por coisas como</p><p>essas que mencionei porque elas têm a sua devida importância, mas não são o ponto central. O ponto central</p><p>de todo o Novo Testamento é Cristo, não apenas Cristo, mas Cristo dentro de nós, em nosso espírito. O que</p><p>tem valor, realmente, é O conhecermos por revelação em nosso espírito. Se possuirmos revelação de Cristo,</p><p>espontaneamente todas as áreas de nossa vida serão afetadas e transformadas.</p><p>O que é revelação</p><p>Revelação é o conhecimento que nos é transmitido pelo Espírito Santo ao nosso espírito. Quando a</p><p>luz de Deus brilha no nosso espírito, então há revelação. É, ainda, saber pelo espírito algo que a nossa mente</p><p>talvez até já sabia e ver do ponto de vista de Deus (1 Co. 2:11-12; 2 Co. 3:6 e 4:6; 2 Co. 5:16; Jo. 20:11-16;</p><p>Lc. 24:13-16 e 30-31.). Revelação não é descobrir algo que ninguém conhecia na Palavra de Deus, antes é ver</p><p>as mesmas coisas com a luz do Espírito. É quando as letras da Bíblia parecem saltar aos nossos olhos, e aquilo</p><p>que já sabíamos com a mente adquire agora uma intensidade e uma realidade antes desconhecidas.</p><p>O processo de revelação</p><p>A revelação é algo que ocorre primeiramente no nosso espírito. O Espírito Santo transmite uma ver-</p><p>dade ao nosso espírito, que por sua vez transmite para a nossa mente, que por si só não pode ter revelação de</p><p>Deus. Há uma grande diferença entre o conhecimento mental e o conhecimento espiritual; o mental não tem</p><p>o poder de mudar ninguém.</p><p>Por que muitas pessoas até conhecem a Palavra de Deus e mesmo assim não são transformadas?</p><p>Simplesmente porque estas coisas de Deus se discernem espiritualmente, ou seja, por revelação. Uma coisa é</p><p>o conhecimento natural e carnal, outra coisa é o conhecimento espiritual ou a revelação. Paulo diz que antes</p><p>ele conhecia a Jesus na carne, mas depois passou a conhecê-lo pelo Espírito.</p><p>“Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes</p><p>conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo” (2 Co. 5:16).</p><p>Princípios de Revelação na Palavra</p><p>Aula 5</p><p>20 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>A oração por revelação</p><p>A maior preocupação de Paulo era a de que os crentes tivessem revelação de Deus, como se observa</p><p>em: Ef.1:15-19; Ef. 3:14-19; Fp. 1:9 e Cl. 1:9-12. Ele sabia que, quando houvesse revelação, naturalmente as</p><p>pessoas seriam transformadas pela ação da Palavra. Espontaneamente, a fé se manifestará, e a unção e a vida</p><p>de Deus irão transbordar. Quando a revelação de Deus vem, então há crescimento, discipulado, maturidade</p><p>cristã, missões, novos líderes, e tudo o mais é apenas consequência de termos as nossas vidas impactadas pela</p><p>luz do Espírito Santo.</p><p>“[...] Fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus</p><p>Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhe-</p><p>cimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes, qual é a esperança do</p><p>seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema</p><p>grandeza do seu poder [...]” (Ef. 1:15-19).</p><p>Na medida em que nossos olhos espirituais se abrem e entendemos com todos os santos a medida do</p><p>seu poder dentro de nós, então há uma explosão de poder e autoridade.</p><p>“Por esta causa me ponho de joelhos [...] a fim de poderdes compreender [...] qual é</p><p>a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Deus</p><p>que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus”</p><p>(Ef. 3:14-19).</p><p>O amor de Deus excede todo o entendimento, por isso Ele ora por revelação, pois a mente sozinha não pode</p><p>entender. Para que os crentes fossem tomados de toda a plenitude de Deus, eles precisavam ter revelação desse amor.</p><p>“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente [...] em pleno conhecimento e toda</p><p>percepção [...]” (Fl. 1:9-11).</p><p>Essa percepção, da qual Paulo fala, é algo espiritual, e não mental. A vida cristã não consiste em acúmu-</p><p>lo de conhecimento mental, mas em um avançar em níveis novos de revelação no espírito.</p><p>“Por esta razão [...] não cessamos de orar por vós, e de pedir que transbordeis de pleno</p><p>conhecimento [...] em toda sabedoria e entendimento espiritual [...], a fim de viverdes de</p><p>modo digno do evangelho [...]” (Cl. 1:9- 12).</p><p>Mais uma vez Paulo está orando para que os crentes transbordem de revelação, a fim de terem uma vida</p><p>santa. Veja bem que Paulo está dizendo aqui que a vida santa é apenas consequência de revelação. É um fato</p><p>que, na medida em que Deus realmente habita em nós, haverá temor ao usarmos o nosso corpo. Se estamos</p><p>carregando uma quantidade de dinheiro no bolso, todos vão perceber um certo cuidado no andar. Se carre-</p><p>gamos o Deus de toda a vida dentro de nós, todos devem perceber algo diferente em nossa maneira de andar.</p><p>Condições para se obter revelação</p><p>a. Conhecer a Palavra de Deus</p><p>Revelação é tomar algo que estava oculto ou escondido e trazer à tona para que todos vejam. Eu</p><p>simplesmente não vou ter revelação alguma se a Palavra de Deus estiver oculta para mim. Por esse motivo</p><p>precisamos conhecê-la antes de recebermos revelação. Esse princípio espiritual está em 1 Coríntios 15:46:</p><p>“Mas não é primeiro o espiritual e, sim o natural; depois o espiritual” (1 Co. 15:46).</p><p>Antes de termos o conhecimento espiritual, precisamos do conhecimento natural. Antes de termos</p><p>revelação, precisamos encher a nossa mente com a Palavra de Deus.</p><p>b. Ter olhos para ver</p><p>Não basta abrirmos a Bíblia, precisamos de olhos para ver. De nada adianta revelar o que está oculto,</p><p>por exemplo, num baú, se somos cegos e não podemos ver. Em 1 Coríntios 2:14, lemos que:</p><p>“O homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e não</p><p>pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co. 2:14).</p><p>A Revelação no Espírito 21</p><p>Se ainda não fui regenerado, não vou ter condições de ter revelação. Aquele que não nasceu de novo é</p><p>cego para Deus e não pode ver as coisas do Espírito.</p><p>c. O terceiro fator é luz</p><p>Suponhamos que não sejamos cegos, mas que não haja luz. Ainda assim não vamos ver coisa alguma.</p><p>Deixar de ser cego é uma questão de novo nascimento, mas ter luz aponta apara a experiência do batismo no</p><p>Espírito Santo. O crente que ainda não foi cheio do Espírito Santo vive como o homem natural e não percebe</p><p>as coisas do Espírito. Ele até louva, mas não tem intimidade; até conhece a Bíblia, mas não tem revelação. A</p><p>terceira condição, então, é ter luz.</p><p>d. O quarto fator são os olhos abertos</p><p>Suponhamos ainda que podemos ver, há luz, mas inesperadamente os olhos estão fechados. Não po-</p><p>demos ver algo e estiver oculto, se formos cegos e se não houver luz. Na Bíblia, os olhos são o nosso coração.</p><p>Ter os olhos fechados é ter o coração fechado. Muitos de nós, por orgulho, temos fechado o coração para</p><p>aprendermos, por isso mesmo Deus nos tem resistido e não recebemos revelação do Senhor. É por meio do</p><p>coração que vem todas as coisas de Deus, pois tudo passa pelo coração.</p><p>Em Apocalipse 3:20, o Senhor Jesus diz para os crentes de Laodiceia que Ele está à porta batendo. Esta</p><p>palavra foi dita para crentes, e não para incrédulos, pois aqueles estavam com o coração fechado.</p><p>Características da revelação</p><p>Como podemos saber se temos ou não revelação da Palavra em nosso espírito? Existem quatro sinais de que</p><p>temos recebido revelação de uma verdade: (1) vida, (2) fé, (3) mudança de vida e (4) ajuda na hora da tentação.</p><p>a. Revelação gera vida</p><p>Em João 6:63, Jesus disse:</p><p>“As palavras que eu vos digo são espírito e vida” (Jo. 6:63).</p><p>Quando o Senhor</p><p>fala conosco na Palavra, isso gera vida dentro do nosso ser. A primeira característica</p><p>de alguém que recebeu revelação do Senhor é que ele será cheio de vida. A letra é morte, mas a palavra que</p><p>sai da boca de Jesus vem acompanhada do seu sopro, e o seu sopro é o Espírito. É da união da Palavra com o</p><p>Espírito que a vida é gerada. Quando o Senhor fala, então há luz, porque a luz é vida (Jo. 1:4). Sempre que o</p><p>Senhor fala há vida e nos enchemos de luz, pois a revelação da Palavra nos enche.</p><p>O vinho é um símbolo de vida. Alguém cheio de vinho se parece com alguém cheio de vida. Quando</p><p>alguém se enche de vinho, ele vai se sentir mais corajoso, mais audacioso, ficará mais sorridente, cheio de</p><p>alegria, se tornará falante, com muito ânimo e disposição. Até a sua pele vai mudar, se tornando mais rosada,</p><p>e os olhos mais brilhantes. Tudo isso é a vida se manifestando. Quando nos enchemos do Senhor, nós temos</p><p>todas essas expressões de vida, mas com realidade. Sempre que a Palavra de Deus queimar em nossos corações</p><p>a vida se manifestará, uma vez que Jesus é a palavra viva.</p><p>A vida de Deus fluindo em nós é autoridade em nossa boca e tem o poder de destruir a morte. Nossas</p><p>palavras, então, gerarão vida nos outros. Não podemos explicar a vida adequadamente, mas podemos perce-</p><p>bê-la onde quer que ela se manifeste. A letra sozinha mata, mas a Palavra revelada gera vida.</p><p>b. Revelação gera fé</p><p>Aquele que recebeu alguma revelação sempre será cheio de fé. Romanos 10:17 diz que “a fé vem pelo</p><p>ouvir a Palavra de Deus”. Se não há fé, é porque não houve revelação. A fé é gerada pela Palavra de Deus, e a</p><p>revelação nada mais é que a Palavra viva de Deus em nosso espírito. Se algum conhecimento não gera em nós</p><p>uma nova medida de fé, então esse conhecimento é da mente, é puramente intelectual. Através da revelação,</p><p>hoje enxergamos como uma vela, amanhã como uma lâmpada de 50 Watts, depois de 100, de 1.000, até</p><p>ser como um holofote. Não devemos nos contentar com o nível de revelação e fé que já alcançamos, antes</p><p>devemos avançar para níveis novos.</p><p>22 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>c. Revelação gera mudança</p><p>Depois de recebermos revelação do Senhor, nunca mais seremos os mesmos, pois a revelação nos trans-</p><p>forma. Em Mateus 16:16, nós vemos Pedro fazendo uma grande declaração a Jesus:</p><p>“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt. 16:16).</p><p>Sobre esta afirmação de Pedro, Jesus disse:</p><p>“Bem aventurado és Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas</p><p>meu Pai que está no céu” (Mt. 16:17).</p><p>E o Senhor depois acrescenta:</p><p>“Também digo que tu és Pedro [...]” (Mt. 17:18).</p><p>Aleluia! Pedro antes era Simão, mas agora foi transformado em Pedro, rocha. Pedra foi transformada na</p><p>mesma natureza de Jesus, a rocha. O que transformou a Pedro? Jesus disse que foi a revelação que ele recebeu</p><p>do Pai. A cada nova revelação que recebemos somos transformados de glória em glória, até alcançarmos a se-</p><p>melhança de Jesus. Tudo o que precisamos, portanto, é conhecer o Senhor por revelação no espírito. Quando</p><p>isso ocorre, naturalmente somos transformados. Quando alguém diz ter revelação de alguma verdade, mas</p><p>esta revelação não o transformou de forma alguma, então a sua revelação é questionável. Revelação gera mu-</p><p>dança de vida. Se em sua vida não tem havido mudanças, está faltando luz sobre a Palavra.</p><p>d. A Revelação nos sustenta na tentação</p><p>Quando uma verdade é aprendida só na mente, ela não nos ajuda na hora dos ataques do diabo, mas,</p><p>quando é algo que queima em nosso coração, sabemos que haverá fé para destruir a ação do inimigo. A reve-</p><p>lação é progressiva, é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito (Pv. 4:18). Antes</p><p>andávamos em trevas, mas agora a cada dia recebemos nova medida da luz de Deus. Hoje vemos obscuramen-</p><p>te, mas vem chegando o dia em que O veremos face a face tal qual ele é (1 Co. 13:12).</p><p>Como obter revelação</p><p>Eu não posso forçar a luz de Deus a vir, mas eu posso estar habilitado a percebê-la sempre que ela se mani-</p><p>festar. A principal questão para se alcançar revelação é tratar com o coração, pois é nele que a luz de Deus</p><p>resplandece (2 Co. 4:6). Se o nosso coração estiver com problemas, não perceberemos a luz de Deus.</p><p>Princípios para se obter revelação</p><p>a. Um coração consagrado a Deus</p><p>Em Juízes 16:20-21, lemos que Sansão foi derrotado pelos filisteus, e estes lhe cegaram os olhos. Sansão</p><p>era nazireu consagrado ao Senhor, e o sinal da sua consagração era o seu cabelo. Quando o seu cabelo foi</p><p>cortado, então a sua consagração também foi cortada. Todas as vezes que a nossa consagração e obediência</p><p>a Deus são quebradas nos tornamos como cegos para as coisas espirituais. O pecado produz insensibilidade</p><p>em nosso coração e nos incapacita a ouvir e receber de Deus. Ele dá ao diabo espaço para nos cegar e, assim,</p><p>nos impedir de obter revelação de Deus. Por outro lado, aqueles que O obedecem se tornam cada vez mais</p><p>sensíveis para receberem de Deus.</p><p>b. Um coração ensinável</p><p>Com relação ao ensino, há dois tipos de erros entre os filhos de Deus. Há aqueles que possuem o</p><p>complexo de Adão. Eles julgam que não precisam aprender nada com ninguém, e que Deus vai ensinar tudo</p><p>diretamente para eles. Jogam fora séculos de história e de mover de Deus e esperam que Deus comece tudo</p><p>outra vez com eles. Mas há também aqueles que julgam já saberem tudo, que não precisam aprender com</p><p>ninguém e nem mesmo buscar revelação, supondo possuir todo o conhecimento da humanidade.</p><p>Deus resiste a tais pessoas, ao soberbo, mas dá graça ao humilde (1 Pe. 5:5). Em Apocalipse 3:18,</p><p>o Senhor aconselha a igreja de Laodiceia a comprar colírio para que possa ver. Esse ver é algo no espírito.</p><p>Colocar colírio nos olhos significa buscar um coração ensinável. Quem não se dispõe a aprender com os outros</p><p>também não vai aprender diretamente com o Senhor. Sansão ficou cego por causa da falta de consagração; os</p><p>laodicenses ficaram cegos por causa de um coração soberbo, que julga saber todas as coisas.</p><p>É preciso ter olhos para enxergar, senão seremos como os fariseus: tinham olhos, mas não viam, tinham</p><p>ouvidos, mas não ouviam. Eu não devo buscar aprender sozinho aquilo que meu irmão pode me ensinar, mas</p><p>Princípios de Revelação na Palavra</p><p>Aula 6</p><p>24 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>se eu me disponho a aprender com meu irmão, então a luz de Deus virá através dele. Se em nossa cidade Deus</p><p>está se movendo em algum lugar, eu devo me dispor a ir até lá para aprender, pois se eu não o fizer e tentar</p><p>aprender sozinho, Deus poderá me resistir.</p><p>c. Um coração limpo</p><p>Em Mateus 5:8, Jesus disse que os limpos de coração poderiam ver a Deus. Hoje podemos ver, por</p><p>revelação, a Deus (1 Co. 2:9-10). Um coração impuro bloqueia o nosso espírito. Não é suficiente ter um</p><p>coração limpo, precisamos ter um coração puro. Ser limpo significa não ter pecado oculto, e ter um coração</p><p>puro significa ter um coração sem mistura. Uma coisa é um copo d’água limpa, e outra coisa um copo d’água</p><p>com açúcar. Ambos são puros, mas o segundo é misturado.</p><p>Existem muitas coisas que não são pecaminosas, mas que tornam o nosso coração impuro. Ter um</p><p>coração puro é ter um coração para Deus.</p><p>“Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em que eu me compraza na terra” (Sl. 73:25).</p><p>Davi foi chamado de o homem segundo o coração de Deus por causa do seu prazer inteiramente colo-</p><p>cado em Deus. Quando o nosso coração está inteiramente voltado para o Senhor e podemos dizer que o nosso</p><p>prazer está nEle, então as janelas do céu se abrem, e a luz de Deus vem sobre a sua Palavra.</p><p>“Os olhos do Senhor passam por sobre toda a terra, procurando um homem cujo coração</p><p>seja completamente para Ele” (2 Cr. 16:9).</p><p>d. Um coração sem véu</p><p>Em 2 Coríntios 3:15, lemos:</p><p>“Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles” (2 Co. 3:15).</p><p>Há um véu sobre o coração dos judeus que os impede de enxergar a revelação de Jesus. Esse véu é a lei.</p><p>Não é Deus quem coloca o véu, somos nós mesmos. Quando nos enrijecemos</p><p>seguindo o merecimento da lei</p><p>estamos colocando sobre o nosso coração um véu que nos impede de receber revelação da palavra.</p><p>e. Estar cheio da Palavra de Deus</p><p>Se eu desejo receber revelação da Palavra, eu preciso me encher com ela. A revelação é no espírito, mas</p><p>a minha mente deve começar enchendo-se com a palavra. 1 Coríntios 15:46 diz:</p><p>“Não é primeiro o espiritual, e sim, o natural, depois o espiritual” (1 Co. 15:46).</p><p>Primeiro, a minha mente deve saber, para depois o meu espírito ter luz.</p><p>O logos e o rhema</p><p>Há dois termos usados no original que são igualmente traduzidos como “Palavra” em nossas Bíblias</p><p>em português. Esses dois termos são logos e rhema. Esses termos são traduzidos unicamente como “Palavra”</p><p>porque são vistos como sinônimos, porém, o Espírito Santo escolheu tais termos para nos mostrar a tremenda</p><p>diferença que existe entre a Palavra escrita e a Palavra viva.</p><p>a. O logos</p><p>Logos é a Palavra escrita, aquilo que Deus falou e que foi registrado para nossa orientação. Ela con-</p><p>tém o que Deus falou pelos profetas e por meio do Filho (Hb.1:1-2). É esta a Palavra que nós ministramos.</p><p>Precisamos estar familiarizados com esta Palavra, pois o conhecimento da letra da Bíblia é extremamente</p><p>importante. Vejam alguns textos em que no original se usa o termo logos, e qual deve ser a nossa atitude para</p><p>com a palavra escrita.</p><p>“Se alguém me ama guardará a minha palavra (logos)” (Jo. 14:23).</p><p>“Lembrai-vos da palavra que vos disse (logos)” (Jo. 15:20).</p><p>“Santifica-os na verdade, a tua palavra (logos) é a verdade” (Jo. 17:17).</p><p>Como obter revelação 25</p><p>“Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra (logos)” (At. 64).</p><p>“A palavra (logos) de Deus crescia” (At. 6:7).</p><p>“Retendo a palavra (logos) da vida” (Fp. 2:16).</p><p>“[...] Criado com as boas palavras (logos) da fé” (1 Tm. 4:6).</p><p>“[...] Que maneja bem a palavra (logos) da verdade” (2 Tm. 2:15).</p><p>“Prega a palavra (logos)” (2 Tm. 4:2).</p><p>“Porque a palavra (logos) é viva e eficaz” (Hb. 4:12).</p><p>“[...] Não está experimentado na palavra (logos) da justiça” (Hb. 5:13).</p><p>“E sede praticantes da palavra (logos)” (Tg. 1:22).</p><p>“A palavra (logos) de Cristo, habite em vós abundantemente (ricamente)” (Cl. 3:16).</p><p>A Palavra escrita deve habitar em nós ricamente. Devemos ler, meditar e decorar esta Palavra. O simples</p><p>mencionar de um fato das escrituras deve ser o suficiente para que saibamos o seu conteúdo (pelo menos</p><p>em linhas gerais). Sem o conhecimento da Palavra escrita, nunca chegaremos à experiência da Palavra viva</p><p>(rhema). O logos é o fundamento do rhema. Primeiro é o natural, depois o espiritual. Primeiro devemos ter a</p><p>mente cheia do logos, para que o Espírito Santo nos traga o rhema.</p><p>“Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes e a palavra (logos) de Deus está em vós e já</p><p>vencestes o maligno” (1 Jo. 2:14).</p><p>Os jovens têm vencido o maligno porque a palavra logos está neles. São como o Senhor Jesus, quando</p><p>foi tentado por satanás. Ele venceu usando a Palavra de Deus, afirmando: “Está escrito” (Mt. 4:4, 7, 10).</p><p>b. O rhema</p><p>Apesar de ser traduzida à semelhança do logos, como Palavra na Bíblia, o rhema tem um significado muito</p><p>diferente de logos. Enquanto o logos é a Palavra falada no passado e que se tornou escrita, o rhema é a Palavra</p><p>que Deus está falando conosco pessoalmente, é aquela palavra que está queimando em nosso coração. Vejamos</p><p>algumas passagens do Novo Testamento em que a palavra rhema é usada. Em Mateus 4:4, Jesus respondeu:</p><p>“Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra (rhema) que procede</p><p>da boca de Deus” (Mt. 4:4).</p><p>Tanto o logos como o rhema são a Palavra de Deus, mas a primeira é a Palavra escrita na Bíblia, enquan-</p><p>to a última é a Palavra de Deus falada a nós em uma ocasião específica.</p><p>“A fé vem pelo ouvir (literal) e o ouvir pela palavra (rhema) de Cristo” (Rm. 10:17).</p><p>O que gera fé não é simplesmente conhecer intelectualmente a Bíblia, mas é ter a palavra queimando</p><p>em nosso coração pelo Espírito Santo. Todos conhecemos muitos trechos da Bíblia. Certo dia, porém, um</p><p>texto que já antes conhecíamos e até sabíamos de cor assumiu um frescor, uma vida, uma cor diferente. Aquela</p><p>verdade começou a nos aquecer o coração, gerando fé. Deus está falando conosco. Antes sabíamos generica-</p><p>mente, mas agora Deus falou individualmente conosco. Todo rhema é baseado no logos, e não podemos ter</p><p>o logos sem o rhema.</p><p>“As palavras (rhema) que eu vos digo são espírito e são vida” (Jo. 6:63).</p><p>Somente o rhema é espírito e vida; na verdade, o logos sozinho não pode dar vida, pode até mesmo</p><p>matar, porque a letra mata. Em Lucas 1:38, Maria disse:</p><p>“Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra (rhema)”</p><p>(Lc. 1:38).</p><p>Antes, Maria tinha as palavras do profeta Isaías 7:14: “Eis que a virgem conceberá e dará luz um filho”,</p><p>mas agora ela tem a Palavra falada, especificamente a ela: “Você conceberá e dará à luz um filho”. Foi por ter</p><p>26 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>recebido esta Palavra que Maria concebeu e tudo se cumpriu. Deus falou com ela o mesmo texto que estava</p><p>escrito, mas quando Deus falou, a Bíblia usa a expressão rhema, indicando que é a Palavra viva.</p><p>Em Lucas 2:29, Simeão disse:</p><p>“Agora, Senhor despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra (rhema)” (Lc. 2:29).</p><p>Antes de o Senhor Jesus vir, Deus falou a Simeão que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.</p><p>Mas, no dia em que Simeão viu o Senhor Jesus, ele disse: “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo confor-</p><p>me a tua palavra”, pois ele tinha o rhema do Senhor.</p><p>Como ser dirigido</p><p>pelo Espírito</p><p>Capítulo</p><p>2</p><p>Ande no espírito pela fé</p><p>“Se vivemos no espírito, andemos também no espírito” (Gl. 5:26).</p><p>“[...] visto que andamos por fé, e não pelo que vemos” (1 Co. 5:7).</p><p>� Com relação ao nosso espírito, precisamos exercitá-lo, a fim de sermos guiados por Deus.</p><p>� Com relação à nossa alma, ela deve ser transformada pela renovação da nossa mente.</p><p>� Com relação ao nosso corpo, ele precisa ser disciplinado.</p><p>O nosso espírito já foi regenerado e, uma vez que fomos regenerados, a vontade de Deus é nos</p><p>dirigir através do Espírito Santo que habita em nosso espírito. Assim, o poder de Deus, a</p><p>saúde de Deus, a natureza de Deus, a bondade, a justiça, o amor de Deus, tudo isso reside</p><p>dentro do nosso espírito recriado por causa do Espírito Santo que está dentro de nós. Temos, portanto,</p><p>tudo o que é necessário para uma vida santa e vitoriosa, e esta provisão é a pessoa do Espírito Santo</p><p>dentro de nós.</p><p>Todos nós éramos como enfermos portadores de vários tipos de doenças. Depois que o médi-</p><p>co fez o diagnóstico, deu-nos a receita para que tomássemos vários tipos de remédios, cada um para</p><p>uma doença. O farmacêutico, então, colocou todos os medicamentos dentro de uma única seringa.</p><p>Esse conjunto de medicamentos foi a dose que resolveu todas as nossas enfermidades. A mesma</p><p>coisa Deus fez em nós: Ele injetou uma dose que resolveu todas as nossas necessidades, e essa dose</p><p>é o Espírito Santo.</p><p>Desse modo, se precisamos de poder, Ele é o poder; se precisamos de amor, Ele é o amor que foi derra-</p><p>mado em nossos corações; se precisamos de entendimento, todos os tesouros da sabedoria estão ocultos nEle.</p><p>Portanto, todas as coisas já estão completadas em nosso espírito. O que precisamos, então, é aprender a sermos</p><p>guiados pelo Espírito e a dependermos dEle em todas as nossas necessidades.</p><p>A vida cristã é constituída de duas substituições: a primeira foi na cruz, onde o Senhor Jesus morreu</p><p>em nosso lugar, e a segunda é no nosso dia a dia, quando o Espírito Santo quer viver em nós, sendo a nossa</p><p>própria vida.</p><p>Como ser dirigido pelo Espírito</p><p>Aula 1</p><p>Ande no espírito pela fé 29</p><p>Ande no espírito pela fé</p><p>Podemos entender o padrão da vida no Espírito compreendendo como foi o primeiro pecado, a incre-</p><p>dulidade, ou seja, não se levou a sério a Palavra de Deus. Agora, para andarmos no espírito, precisamos seguir</p><p>o trilho da fé, que é a Palavra de Deus.</p><p>Conhecer o desvio nos ajuda a</p><p>trilhar o caminho de volta ao modelo de Deus. Assim como surgiu o</p><p>primeiro pecado do homem, surgiram também os outros, pois o princípio do pecado é o mesmo (Gn. 3:1-6).</p><p>O primeiro pecado deu origem a todos os outros, e o princípio que o governou governa todos os outros. O</p><p>pecado se manifestou por meio de três princípios: incredulidade, independência e vida natural.</p><p>A incredulidade é percebida no seguinte exemplo. Deus dissera: “Se comeres, vais morrer”. O diabo</p><p>veio e desmentiu Deus, dizendo: “É certo que não morrereis”. Eva preferiu acreditar no diabo do que acre-</p><p>ditar em Deus. Diante de você há, portanto, duas afirmações: a de Deus e a do diabo. Qual você escolhe? A</p><p>base dessa escolha é uma questão de: “em quem vou crer?” Eva duvidou da Palavra de Deus, e aqui começou</p><p>o problema da carne. Carnalidade é sinônimo de incredulidade. Aqueles que estão na carne são facilmente</p><p>percebidos, pois eles são incrédulos, indiferentes e insensíveis. Em 1 João 3:23, lemos que a vontade de Deus</p><p>é que creiamos e amemos. Tudo o que fazemos que sai desses dois trilhos é carne.</p><p>Para Deus, o pecado se manifesta de três tipos.</p><p>O primeiro tipo de pecado é a soberba, a rebeldia. Esse pecado agride Deus em sua autoridade, no seu</p><p>trono (Is. 14:13).</p><p>O segundo tipo de pecado é a desobediência. O desobediente agride Deus em sua santidade, que não</p><p>suporta a iniquidade.</p><p>O terceiro tipo de pecado é a incredulidade. O incrédulo atinge Deus em seu caráter porque o incré-</p><p>dulo chama Deus de mentiroso.</p><p>Deus quer nos libertar do natural</p><p>Deus quer nos libertar tanto do pecado como do natural. Entenda a palavra natural aqui como algo que</p><p>é percebido pelos cinco sentidos. Foi o primeiro pecado que levou o homem para o nível terreno do corpo.</p><p>“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore dese-</p><p>jável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto, e comeu, e deu também ao marido, e</p><p>ele comeu” (Gn. 3:6).</p><p>Eva foi primeiramente tentada a comer porque a árvore era boa para se comer (Gn. 3:6). Deste modo,</p><p>tudo começou no corpo.</p><p>As coisas do diabo começam no exterior</p><p>Esse é um critério para sabermos se algo vem de Deus ou não. As coisas de Deus sempre procedem do espírito</p><p>para atingirem a alma, e as coisas do diabo sempre começam no corpo, na carne, para depois atingirem a alma.</p><p>Depois da queda, tudo começou no corpo. Assim, para andar no Espírito, precisamos andar no nível</p><p>do sobrenatural em disciplina e sujeição ao corpo. O sobrenatural aqui não significa algo fenomenal ou extra-</p><p>ordinário, senão o meio espiritual, e não natural.</p><p>O corpo tornou-se um aliado do diabo</p><p>As coisas do mundo do Espírito somente podem ser experimentadas pelo espírito humano recriado.</p><p>O pecado de Eva começou exatamente no corpo. Por ela ter abandonado o nível do espírito, o pecado teve</p><p>espaço. Se desejamos servir a Deus, devemos fazê-lo pelo Espírito, pela vida de Deus. E, para que o Espírito</p><p>flua, precisamos disciplinar nosso corpo.</p><p>O nosso espírito foi regenerado, a nossa alma está sendo transformada, e o nosso corpo deve ser dis-</p><p>ciplinado. Não pode haver vida cristã sem renovação da mente, e também é impossível haver vida cristã sem</p><p>disciplina do corpo. Esta disciplina, porém, não é legalismo, porque já fomos libertos da lei.</p><p>30 Curso de Maturidade no Espírito</p><p>“Porque o pecado não terá domínio sobre vós porque não estais debaixo da lei e sim da</p><p>graça” (Rm. 6:14).</p><p>Não transforme a disciplina do corpo em legalismo, tampouco em ascetismo. Disciplina espiritual</p><p>não é lei</p><p>A disciplina não é para comprarmos a bênção de Deus e nem para sermos aceitos diante dEle, mas</p><p>é para nós mesmos. Disciplinar é trazer o corpo e a mente debaixo de sujeição para fazerem a vontade do</p><p>espírito. Eu sou um ser espiritual, e a minha vontade real está no meu espírito. O meu espírito sempre quer</p><p>ter comunhão com Deus, o corpo é que procura resistir. Por isso, eu devo disciplinar meu corpo para que o</p><p>impulso do meu espírito seja realizado.</p><p>Assim, a oração é uma disciplina, e não uma lei, mas uma “necessidade”. Ela não muda a nossa herança</p><p>e os nossos privilégios em Cristo, pois na verdade somos aceitos é por causa do sangue do Cordeiro. No en-</p><p>tanto, nos ajuda a perceber as coisas do espírito com mais clareza.</p><p>O que significa andar em fé</p><p>Para entrarmos na dimensão do espírito, devemos cumprir a primeira condição: “andar em fé”. Se não</p><p>andamos em fé, então não estamos andando no espírito – “andar no espírito é andar em fé”. Fé é sinônimo</p><p>de vida no espírito. Uma pessoa que anda no espírito pode facilmente ser reconhecida, pois naturalmente</p><p>expressará a vida.</p><p>Andar no espírito implica renunciarmos a três coisas: andar pelo esforço próprio, andar por vista e</p><p>andar pelo entendimento próprio.</p><p>a. Renunciar ao esforço próprio</p><p>Todo carnal anda pelo esforço próprio. A fé pressupõe dependência de Deus. Então, se andarmos pela</p><p>nossa força, não precisaremos exercer fé. A principal característica da vida de fé é o descanso. Hebreus 4:3 diz</p><p>que “os que crêem entram no descanso”, ou seja, os que andam no espírito andam em descanso.</p><p>O verdadeiro descanso é poder dizer: “Senhor, és tu quem faz, não eu”. A obra de Deus não se faz</p><p>no cansaço, na fadiga ou no suor, mas na dependência do Senhor. Ezequiel 44:18 dá uma orientação clara</p><p>àqueles que trabalham no templo: “não se cingirão a ponto de lhes vir suor”. Na obra de Deus, não pode</p><p>haver suor. E qual é o significado do suor? Gênesis 3:19 diz que o suor é resultado da maldição por causa</p><p>do pecado. Não temos de viver no cansaço. É como diz o cântico: “É meu somente meu todo o trabalho, e</p><p>o teu trabalho é descansar em mim”.</p><p>Jesus já suou sangue por nós para que nEle tenhamos descanso. O Senhor suou no Getsêmani o suor</p><p>que nos cabia.</p><p>O primeiro aspecto do andar em fé é o abrir mão do esforço próprio e entrar no descanso de Deus.</p><p>Logo, fazemos espontaneamente a obra do Senhor quando nos enchemos dEle.</p><p>b. Não andar por vista</p><p>Andar por fé também significa “não andar por vista”, “visto que andamos por fé e não pelo que vemos”</p><p>(2 Co. 5:7). Tenho comigo uma regra: enquanto o que vejo bate com a Palavra de Deus, continuo vendo;</p><p>quando, porém, não bate mais, ignoro o que estou vendo e fico somente com a Palavra de Deus.</p><p>Podemos ver isso com relação às enfermidades. Muitos insistem em olhar para os sintomas, em vez de</p><p>olharem para a Palavra de Deus. Isso não significa mentir para nós mesmos, dizendo que não estamos doentes,</p><p>mas é declarar a Palavra, a despeito dos sintomas da doença.</p><p>Andar por vista é uma característica do carnal. Se insistirmos em andar por vista, seremos escravos</p><p>do natural, e as circunstâncias irão facilmente nos desanimar. Desta forma, devemos ter um olhar profético:</p><p>andamos pelo que cremos que será, e não pelo que o diabo quer nos mostrar.</p><p>Ande no espírito pela fé 31</p><p>c. Rejeitar o entendimento próprio</p><p>Há aqueles que andam pelo esforço próprio, os que andam por vista e os que andam pelo seu próprio</p><p>entendimento. Depois que o homem comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele se tornou cheio</p><p>de opiniões próprias. Para que o homem possa hoje desfrutar do melhor de Deus, ele precisa ser quebrantado</p><p>em seu entendimento natural e ser dependente de Deus.</p><p>Deus chamou a Abraão e lhe disse que ele seria pai de multidões. Ele e sua esposa não podiam ter filhos,</p><p>por isso Abraão resolveu ajudar a Deus gerando um filho a partir de sua serva Hagar. Aquele filho, chamado</p><p>Ismael, foi fruto de seu entendimento humano e de sua força natural, tentando cumprir a vontade de Deus.</p><p>O Senhor não aceita isso (Gn. 16). Deus rejeita aqueles que fazem coisas que não O agradam, mas</p><p>rejeita também aqueles que fazem coisas para agradá-Lo, porém as fazem de acordo com o seu próprio en-</p><p>tendimento. O Senhor ordenou que Saul fosse e destruísse completamente a Amaleque. Mas Saul, vendo o</p><p>gado bonito e as ovelhas gordas, resolveu separá-los para ofertá-los a Deus (1 Sm. 15:1-11). O entendimento</p><p>natural é que se trata de um desperdício</p>