Prévia do material em texto
<p>James Dobson</p><p>Adolescência</p><p>iè liz !</p><p>Como enfrentar dos 13 aos 16 anos as mais drásticas</p><p>mudanças no corpo e na mente</p><p>O</p><p>S</p><p>Adolescência</p><p>James Dobson</p><p>Temos neste livro uma exposição aber</p><p>ta, clara e objetiva dos problemas enfrenta</p><p>dos pelos adolescentes, nesse período da</p><p>vida, que vai dos 13 aos 16 anos.</p><p>É aí que ocorrem, concomitantemen</p><p>te, as mais importantes mudanças no físico,</p><p>no intelecto e na emotividade, como intro</p><p>dução do indivíduo à plenitude da idade</p><p>adulta.</p><p>Por falta de preparo para esse período,</p><p>muitos adolescentes cometem erros ou so</p><p>frem traumas que podem afetar seriamente</p><p>suas vidas para sempre.</p><p>Este livro deve interessar também aos</p><p>pais e aos líderes de jovens para que possam</p><p>ajudá-los a atravessar com segurança essa</p><p>fase, e vivam uma adolescência feliz!</p><p>M undo</p><p>Cristão</p><p>EDITORA MUNDO CRISTÃO</p><p>Rua Antonio Carlos Tacconi, 79 — Tel.: 520-5011</p><p>Caixa Postal 21.257 - 04698 - São Paulo, Est. S.P.</p><p>Adolescência</p><p>Feliz!</p><p>James Dobson</p><p>Wi</p><p>EDITORA MUNDO CRISTÃO</p><p>São Paulo</p><p>Título do original em inglês</p><p>PREPARING FOR ADOLESCENCE</p><p>Copyright © 1978 por</p><p>Vision House Publishers,</p><p>Santa Ana, Califórnia 92705.</p><p>Tradução de Neyd Siqueira</p><p>Ia edição brasileira em março de 1981</p><p>2a edição brasileira em agosto de 1983</p><p>3a edição brasileira em abril de 1984</p><p>4a edição brasileira em junho de 1985</p><p>5a edição brasileira em julho de 1986</p><p>6a edição brasileira em fevereiro de 1987</p><p>7a edição brasileira em dezembro de 1988</p><p>8a edição brasileira em julho de 1990</p><p>9a edição brasileira em agosto de 1991</p><p>10a edição brasileira em junho de 1994</p><p>Impresso na Imprensa da Fé, São Paulo, SP</p><p>Publicado no Brasil com a devida autorização</p><p>e com todos os direitos reservados pela</p><p>ASSOCIAÇÃO RELIGIOSA EDITORA MUNDO CRISTÃO</p><p>Caixa Postal 21.257, 04698-970 — São Paulo, SP, Brasil</p><p>índice</p><p>Mensagem aos Pais........................................ 5</p><p>1 O Segredo da Auto-Estim a........................ 9</p><p>2 Todos Estão Fazendo Isso !........................ 35</p><p>3 Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>com Meu Corpo .......................................... 56</p><p>4 Acho que Estou A m ando ........................... 80</p><p>5 Uma Noção Chamada E m oção .................. 106</p><p>6 Foi Isto Que Aconteceu Comigo............... 125</p><p>Mensagem F in a l............................................ 168</p><p>O Seu Melhor Amigo................................... 169</p><p>Mensagem aos Pais</p><p>Você gostaria de ter novamente treze anos atra</p><p>vés de um milagre produzido por uma varinha</p><p>mágica? Quase posso ouvir meus leitores adultos res</p><p>pondendo a essa pergunta com voz estrondosa: “Não,</p><p>obrigado!” Todos em nossa civilização desejam per</p><p>manecer jovens, mas não tão jovens assim! E por que</p><p>não? Porque nós, os adultos, nos lembramos de nos</p><p>sos anos de adolescência como o período mais tenso</p><p>e ameaçador de nossa vida.</p><p>A maioria de nós lembra das mudanças físicas</p><p>amedrontadoras que estavam ocorrendo nesses primei</p><p>ros anos. Também nos recordamos das ansiedades</p><p>sexuais e da culpa associada com nossos estranhos e</p><p>novos desejos. Não esquecemos das dúvidas pessoais e</p><p>dos sentimentos de inferioridade que pareciam às ve</p><p>zes insuportáveis. E, naturalmente, relembramos a</p><p>sensibilidade emocional e praticamente tudo durante</p><p>todo o período da adolescência. . . vulnerabilidade ao</p><p>fracasso, ao ridículo, ao embaraço, às atitudes dos</p><p>pais, e especialmente a qualquer forma de rejeição</p><p>pelos membros do sexo oposto. Não há dúvidas a</p><p>respeito: a adolescência foi uma viagem turbulenta</p><p>para a maioria de nós “velhos” (i.e., os maiores de</p><p>trinta anos!).</p><p>6 Adolescência Feliz</p><p>Desta perspectiva, parece realmente estranho</p><p>que nós pais relutemos tanto em partilhar nossas</p><p>experiências de juventude com nossos filhos. Os pré-</p><p>adolescentes poderíam tirar proveito daquilo que</p><p>aprendemos por termos estado no lugar para o qual</p><p>estão indo. Apesar disso, guardamos tipicamente nos</p><p>sas memórias para nós mesmos e permitimos que</p><p>nossos filhos e filhas naveguem nas mesmas águas</p><p>agitadas sem qualquer preparo, orientação ou adver</p><p>tência. 0 resultado é freqüentemente desastroso. Co</p><p>mo afirmei em uma publicação anterior: “A principal</p><p>razão pela qual a adolescência é tão angustiosa é</p><p>porque os jovens não compreendem perfeitamente o</p><p>que está acontecendo Com eles. Muitos de seus temo</p><p>res, ansiedades e desânimos poderíam ser removidos</p><p>mediante um simples programa de orientação”.*</p><p>Onde um programa educacional desse tipo deve</p><p>ria começar e qual o seu conteúdo? O livro que você</p><p>tem em mãos está dirigido a essas perguntas. Ele foi</p><p>escrito especificamente para jovenzinhos entre dez e</p><p>quinze anos de idade, e está expresso em linguagem</p><p>que eles podem compreender. Este livro descreve a</p><p>experiência típica da adolescência e discute os temas</p><p>delicados sem fugir deles, inclusive masturbação,</p><p>menstruação, moralidade sexual, conflito entre pais e</p><p>filhos, abuso de drogas, conformidade e, mais impor</p><p>tante ainda, o “desfiladeiro da inferioridade”.</p><p>0 último capítulo pode ser o mais proveitoso,</p><p>tendo sido extraído de uma conversa gravada com</p><p>quatro adolescentes. Esses jovens participaram dê uma</p><p>mesa-redonda destinada a explicar aos leitores mais</p><p>moços o que podem esperar, sentir e experimentar</p><p>nos anos que se seguirão. Essa sessão gravada, que</p><p>teve lugar em minha casa, foi um período signifícati-</p><p>* Hide or Seek, Fleming. H. Revell, 1974, pág. 108.</p><p>7</p><p>vo em que houve partilha de sentimentos, temores^</p><p>esperanças e sonhos. Acho que seu filho vai achar o</p><p>texto interessante e útil.</p><p>Permitam que conclua essa declaração citando</p><p>uma analogia. Todo mês de setembro os técnicos de</p><p>futebol através dos Estados Unidos reúnem os rapazes</p><p>que esperam preparar para formar um quadro. Eles</p><p>treinam os jogadores com respeito às práticas funda</p><p>mentais: bloquear, prender, atirar e apanhar a bola.</p><p>Durante duas semanas ou mais este exercício conti</p><p>nua dia após dia. Finalmente, chega a noite do jogo</p><p>cheia de tensão e expectativa. O estádio está cheio de</p><p>torcedores fanáticos e os adversários aguardam no</p><p>campo. Antes de sair do vestiário, porém, o treinador</p><p>reúne o seu quadro para um último lembrete e pala</p><p>vra de encorajamento. Ele sabe que haverá pouca</p><p>oportunidade para ensinar ou orientar uma vez que o</p><p>jogo tenha início. Suas palavras finais são vitalmente</p><p>importantes, e na verdade poderíam até mesmo mu</p><p>dar o resultado do jogo. Depois de fazer seus comen</p><p>tários, ele envia o time para o campo a fim de que os</p><p>jogadores façam o melhor.</p><p>Os pais que estão preparando seu filho para a</p><p>adolescência funcionam mais ou menos como esse</p><p>treinador de futebol. Desde a infância eles ensinaram</p><p>sistematicamente os “fundamentos” — preparando a</p><p>criança para a competição que se aproxima. Eles</p><p>exercitaram e praticaram durante os anos da escola</p><p>primária, continuando até o ginásio. Ensaiaram as</p><p>atitudes espirituais adequadas e os valores morais e</p><p>trabalharam especialmente com afinco na construção</p><p>da autoconfiança. Finalmente chega o momento da</p><p>verdade, e tem lugar uma última sessão de ensino.</p><p>— Não se esqueça do que estivemos lhe ensinan</p><p>do — diz o pai.</p><p>— Tome cuidado com o meia-direita de que lhe</p><p>falei — adverte a mãe.</p><p>Mensagem aos Pais</p><p>8</p><p>— Faça um bom trabalho, filho. Acreditamos</p><p>em você! — Ambos gritam.</p><p>0 rapazinho faz um sinal afirmativo com a</p><p>cabeça e corre para o campo. Os pais permanecem na</p><p>retaguarda, com o coração nas mãos, sabendo que o</p><p>seu treinamento está quase no fim. Eles deram a sua</p><p>contribuição, e o resultado depende agora do rapazola</p><p>ossudo no campo.</p><p>Vocês entenderam? Se têm um filho pré-adoles-</p><p>cente, devem dar a maior importância a este prepara</p><p>tivo final antes do grande jogo. Devem aproveitar-se</p><p>desta ocasião para refrescar a memória dele, fornecen</p><p>do instruções de última hora, e oferecendo as palavras</p><p>necessárias de precaução. Mas, tomem cuidado: se</p><p>deixarem que este momento fugaz passe despercebi</p><p>do, poderão não ter outra oportunidade.</p><p>A Adolescência Feliz tem o objetivo de ajudar</p><p>nessa tarefa especial, e confio</p><p>antes que chegasse até a ela</p><p>a menina foi direto para um poste. Mas mesmo assim</p><p>ela simplesmente se recusava a tatear, procurando</p><p>orientar-se. Veja você, essa mocinha infeliz não podia</p><p>simplesmente aceitar o fato de ser diferente dos estu</p><p>dantes “comuns” e, em conseqüência, tinha um gran</p><p>de sentimento de inferioridade.</p><p>Já vi crianças surdas que se recusam a usar</p><p>aparelhos que ajudam a audição, fazendo com que</p><p>possam ouvir e aprender na escola. Um aluno da</p><p>segunda série não queria usar “aquela coisa no ouvi</p><p>do” para não parecer tolo. Ele removia o aparelho</p><p>tão logo saía de casa, apesar de ouvir muito pouco na</p><p>classe.</p><p>Conheço um menino de quatro anos cujos ócu</p><p>los desapareceram dentro de casa. A família inteira</p><p>procurou por eles mas não conseguiram achá-los. Fi</p><p>nalmente o garotinho confessou: — Mamãe, preciso</p><p>dizer uma coisa. — Ela perguntou: — O quê? — e ele</p><p>respondeu: — Posso achar meus óculos para você.</p><p>Eles foram para o quintal e ele os tirou de um</p><p>buraco no chão! Aquele menino de quatro anos tinha</p><p>enterrado os óculos porque eles o faziam sentir-se</p><p>diferente! Este é o embaraço sentido pelos que não</p><p>sabem conformar-se. Essas pessoas precisam de nossa</p><p>compreensão e bondade.</p><p>Todos Estão Fazendo Isso\</p><p>Um Menino Chamado “Orelhas de Pára-lama de Jipe”</p><p>Eu nem sempre fui sensível aos sentimentos das</p><p>crianças que não podiam ser como os demais. De</p><p>fato, tive de aprender a ser bondoso com os outros</p><p>em minha infância. Quando eu tinha nove anos fre-</p><p>50 Adolescência Feliz</p><p>qüentava uma escola dominical toda semana. Certo</p><p>domingo um menino novo chamado Frederico visitou</p><p>nossa classe. Eu não parei para pensar que ele pudesse</p><p>estar se sentindo embaraçado por ser um estranho em</p><p>nosso grupo, porque eu sabia que todos tinham ali</p><p>muitos amigos. Ele ficou sentado, olhando quieto</p><p>para o chão. Durante a aula notei que as orelhas de</p><p>Frederico eram muito estranhas. Tinham a forma de</p><p>um meio círculo, assim: 3 . Lembro-me de pensar</p><p>como elas se pareciam com o pára-lama de um jipe.</p><p>Você já viu os pára-lamas de um jipe, que cobrem os</p><p>pneus? De alguma forma comparei-os às orelhas do</p><p>garoto.</p><p>Fiz então um coisa muito maldosa. Contei a</p><p>todo mundo que Frederico tinha orelhas de “pára-</p><p>lama de jipe” , e meus amigos acharam isso muito</p><p>engraçado. Todos riram e começaram a chamá-lo de</p><p>“Orelhas de Pára-lama de Jipe” . Frederico parecia</p><p>estar aceitando muito bem a brincadeira. Ficou senta</p><p>do com um pequeno sorriso no rosto (porque não</p><p>sabia o que dizer), mas a coisa o feriu profundamen</p><p>te. De repente Frederico deixou de sorrir, ele pulou</p><p>da cadeira e correu para a porta, chorando, e foi</p><p>embora do prédio para nunca mais voltar. Não o</p><p>culpo. Nós nos comportamos viciosamente, e estou</p><p>certo de que Deus ficou bastante aborrecido, especial</p><p>mente comigo.</p><p>O importante, porém, é compreender como eu</p><p>ignorava os sentimentos de Frederico naquele dia.</p><p>Quer creia ou não, eu não pretendia magoá-lo. Eu</p><p>não tinha idéia de que minha brincadeira o ferisse</p><p>tanto, e fiquei chocado quando ele foi embora. Lem</p><p>bro-me de ter pensado sobre o que eu tinha feito</p><p>depois que ele saiu, e desejado não ter sido tão</p><p>maldoso.</p><p>Por que eu fui assim cruel com Frederico? Foi</p><p>porque ninguém me disse que as outras pessoas eram</p><p>Todos Estão Fazendo Issol 51</p><p>tão sensíveis às zombarias quanto eu. Eu pensava que</p><p>era o único que não gostava que rissem de mim. As</p><p>professoras de minhas muitas escolas dominicais deve</p><p>ríam ter-me ensinado a respeitar e proteger os senti</p><p>mentos alheios. Elas deveríam ter-me ajudado a ser</p><p>mais como Cristo.</p><p>É por isso que estou escrevendo estas palavras a</p><p>você hoje. Quero que saiba que os outros sentem o</p><p>mesmo que você. Ficam com o mesmo nó na gargan</p><p>ta quando alguém zomba, e também choram quando</p><p>estão sozinhos. Você não tem o direito de fazê-los</p><p>sentir-se piores do que já se sentem, particularmente</p><p>alguém que tenha uma deficiência ou algo diferente</p><p>no corpo que o faça parecer esquisito ou estranho. Se</p><p>o nariz de uma pessoa é grande demais, ela já sabe</p><p>disso, portanto não fale a respeito de seu nariz. Se é</p><p>muito alta, muito baixa, gorda ou magra, não caçoe,</p><p>não lhe dê apelidos, não chame atenção para o ponto</p><p>em relação ao qual já é sensível, e não lhe dê quais</p><p>quer outras razões para sentir-se mal. Ela já tem</p><p>problemas suficientes.</p><p>As Luvas de Todo Dia</p><p>Lembro-me de um aluno da 2A série cuja pro</p><p>fessora procurou-me para ajudá-la a resolver um enig</p><p>ma. Ela havia notado que José sempre usava luvas</p><p>grandes e grossas de couro na escola todos os dias,</p><p>mesmo nos dias mais quentes do ano ele não era visto</p><p>sem as luvas. José evidentemente não usava luvas para</p><p>aquecer as mãos. A professora fazia com que ele as</p><p>tirasse ao entrar na classe, como é natural, pois não</p><p>podia segurar o lápis com os dedos enluvados; mas no</p><p>momento em que José ia para o recreio ou nos</p><p>intervalos entre as aulas, ele colocava de novo as</p><p>luvas.</p><p>52 Adolescência Feliz</p><p>A professora de José não podia compreender a</p><p>razão de seu comportamento. Por que gostava tanto</p><p>daquelas luvas? Elas não eram novas nem caras; de</p><p>fato, estavam bem gastas e sujas. Mas ao falar comigo</p><p>sobre este problema, a professora de José casualmente</p><p>mencionou que ele era o único aluno negro numa</p><p>classe de crianças brancas. O comportamento de José</p><p>começou a fazer de repente sentido. Ele estava per</p><p>turbado por ser diferente de seus amigos, como você</p><p>e eu ficaríamos.</p><p>Veja bem, quando José usava mangas compri</p><p>das, calças compridas, sapatos e meias, a única parte</p><p>de sua pele que ele podia ver eram as suas mãos.</p><p>Usando as luvas, José não podia ver as suas mãos</p><p>negras! A sua pele negra não o fazia sentir-se inferior,</p><p>mas ele se sentia diferente por ser a única criança</p><p>negra na classe. Ficava embaraçado com a sua diferen</p><p>ça e queria encobri-la.</p><p>Precisamos compreender amigos como José que</p><p>se sentem desajustados e inferiores. De fato, se real</p><p>mente amarmos aos outros como a nós mesmos, ire</p><p>mos dar tanto tempo e atenção para ajudá-los a evitar</p><p>o sofrimento e o ridículo como fazemos com a nossa</p><p>própria pessoa. Pensaremos neles com tanta frequên</p><p>cia como pensamos em nós mesmos. Mostraremos</p><p>amizade pela pessoa que é um pouco diferente, ou</p><p>que é recém-chegada na escola, ou talvez um aluno</p><p>estrangeiro com um sotaque esquisito. A Bíblia diz</p><p>que quando você ajuda uma pessoa com esse tipo de</p><p>necessidade, é como se estivesse fazendo isso pelo</p><p>próprio Jesus! Mais do que qualquer outro conceito</p><p>este é o significado do cristianismo!</p><p>O Conformismo Visto por Deus</p><p>Isto nos leva de volta aos princípios bíblicos</p><p>Todos Estão Fazendo Issol 53</p><p>que devem guiar nosso comportamento em, virtual</p><p>mente, toda área de nossa vida. As Escrituras falam</p><p>muito claramente sobre os perigos do conformismo.</p><p>Deus, em sua sabedoria, conhecia tudo sobre a pres</p><p>são social que nos impede fazer o que é certo, e falou</p><p>com firmeza contra ela.</p><p>Romanos 12:2 adverte: “E não vos conformeis</p><p>com este século (em outras palavras, não permita que</p><p>o mundo o condicione a este molde), mas transfor</p><p>mai-vos (se faça novo) pela renovação da vossa mente,</p><p>para que experimenteis qual seja a boa, agradável e</p><p>perfeita vontade de Deus.” Vamos ler agora o mesmo</p><p>trecho na versão do Novo Testamento Vivo: “Não</p><p>imitem a conduta e os costumes deste mundo, mas</p><p>seja, cada um, uma pessoa nova e diferente, mostran</p><p>do uma sadia renovação em tudo quanto faz e pensa.</p><p>E assim vocês aprenderão, de experiência própria,</p><p>como os caminhos de Deus realmente satisfazem a</p><p>vocês.”</p><p>Outra passagem, 1 João 3:13, declara com mais</p><p>clareza ainda: “Irmãos, não vos maravilheis, se o mun</p><p>do vos odeia.”</p><p>Fica evidente por esses versos (e muitos outros)</p><p>que Deus não quer que sigamos os caprichos do</p><p>mundo que nos rodeia. Ele espera que digamos a nós</p><p>mesmos: “Vou controlar meu comportamento, minha</p><p>mente, meu corpo e minha vida. Vou ser como meus</p><p>amigos nas coisas que não interessam, tais como usar</p><p>roupas na moda quando conveniente, mas no que se</p><p>refere à moral e à obediência</p><p>a Deus, ao aprender na</p><p>escola e manter meu corpo limpo e sadio, não permi</p><p>tirei que ninguém me diga o que fazer. Se quiserem</p><p>rir de mim, que riam. Ã graça não irá durar muito</p><p>tempo. Não vou permitir que nada me impeça de</p><p>viver como cristão. Em outras palavras, não vou con</p><p>formar-me!”</p><p>54</p><p>A Coragem do Cristão</p><p>Adolescência Feliz</p><p>Espero que esta discussão vá ajudá-lo a prepa</p><p>rar-se para enfrentar as pressões ao seu redor como</p><p>adolescente. Espero também que o impeça de pressio</p><p>nar outros (tais como os deficientes) a fim de que</p><p>eles também possam sentir-se felizes e seguros. Isto</p><p>irá exigir coragem e confiança cristãs de sua parte.</p><p>Ouvi a história verídica de um jovem que era</p><p>um cristão muito corajoso. Depois de sair do colegial</p><p>ele entrou numa faculdade perto de sua casa. Durante</p><p>as primeiras semanas de aula, um professor ateu per</p><p>guntou à classe se quaisquer dos alunos se considera</p><p>vam cristãos. Estava .claro que o professor pretendia</p><p>embaraçar quem quer que levantasse a mão. O jovem</p><p>em questão olhou à sua volta e viu que nenhum dos</p><p>duzentos alunos iria admitir a sua fé. 0 que fazer?</p><p>Ele tinha de admitir que era cristão ou negá-lo, como</p><p>Pedro tinha feito quando Jesus estava para ser crucifi</p><p>cado. Levantou de repente a mão e disse: — Sim, eu</p><p>sou cristão.</p><p>O professor fez com que se levantasse diante da</p><p>classe e exclamou: — Como pode ser tão estúpido</p><p>para acreditar que Deus tornou-se homem e viveu</p><p>aqui na terra? Isso é ridículo. Além de tudo, leio a</p><p>Bíblia e ela não me diz nada.</p><p>O jovem olhou diretamente para o professor e</p><p>respondeu: — Senhor, a Bíblia é a carta de Deus para</p><p>os cristãos. Se ô Sr. não a compreende é porque anda</p><p>lendo as cartas de outra pessoa!</p><p>Não foi uma resposta corajosa? (Essa é a espé</p><p>cie de resposta em que sempre penso quando é tarde</p><p>demais.) O fato de você poder ou não pensar em</p><p>respostas inteligentes para dar aos incrédulos não tem</p><p>muita importância. O que realmente importa é prote</p><p>ger a sua fé em Deus e estar disposto a ser indenti-</p><p>ficado com Ele.</p><p>Todos Estão Fazendo Issol 55</p><p>Quando você sair do colegial e for para a facul</p><p>dade, algumas pessoas irão tentar fazer com que se sin</p><p>ta tolo por viver como cristão. Quando isso acontecer,</p><p>espero que se lembre de nossa discussão sobre o</p><p>conformismo, sobre a pressão do grupo, e sobre o</p><p>mandamento do próprio Deus: “Não vos conformeis.”</p><p>ÍTRESTRES3TRÊSTRÊS'</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo com Meu Corpo</p><p>Vamos voltar agora nossa atenção para outra</p><p>nova experiência que ocorrerá durante os anos de</p><p>adolescência. Estou certo que você já notou que os</p><p>adultos não são apenas maiores do que as crianças,</p><p>mas que seus corpos são diferentes dos garotos e</p><p>garotas. Eles são diferentes na forma e funcionam de</p><p>modo diverso. Para aqueles de vocês que têm entre</p><p>dez e treze anos de idade, quero discutir como os</p><p>seus corpos irão em breve passar por esta mudança</p><p>dramática da infância para a idade adulta. Os meus</p><p>leitores que já são adolescentes já terão experimenta</p><p>do algumas das mudanças físicas que vamos apresen</p><p>tar.</p><p>O Chefão Lá de Cima</p><p>0 processo do crescimento é algo interessante e</p><p>maravilhoso! Ele é controlado por um pequenino ór</p><p>gão que fica próximo ao centro de seu cérebro cha</p><p>mado glândula pituitdria. Este pequeno órgão tem o</p><p>tamanho de um feijãozinho, sendo porém chamado</p><p>de glândula-mestra porque ela dá ordens às demais</p><p>glândulas. Trata-se do “chefão lá de cima", e quando</p><p>ela grita, o seu sistema glandular pula. Em algum</p><p>lugar dentro de sua própria glândula pituitária existe</p><p>um plano para o seu corpo. No momento exato ela</p><p>irá enviar mensageiros químicos, chamados hormô</p><p>nios, que dirão ao resto das glândulas em seu corpo:</p><p>“Movam-se, é hora de crescer” . De fato, esses hormô</p><p>nios terão grande importância para o seu corpo du</p><p>rante os próximos anos de sua vida.</p><p>Existem várias razões pelas quais você deve</p><p>compreender este aspecto do desenvolvimento físico.</p><p>Primeiro, se não souber o que está para acontecer ao</p><p>seu corpo, poderá ser bem amedrontador quando tu</p><p>do parecer descontrolado ao mesmo tempo. Não é</p><p>incomum o adolescente começar a preocupar-se consi</p><p>go mesmo. Ele se pergunta: — 0 que está acontecen</p><p>do? Será que estou doente? Será câncer? Terei</p><p>coragem para discutir o assunto com alguém? —</p><p>Esses são temores desnecessários que resultam da ig</p><p>norância ou informação errada sobre o corpo. Quan</p><p>do os jovens compreendem o processo, eles sabem</p><p>que tais mudanças representam acontecimentos nor</p><p>mais e naturais que deveríam estar esperando. Vou</p><p>então contar-lhes exatamente o que podem esperar no</p><p>período inicial da adolescência. Não há absolutamente</p><p>razão para vocês ficarem ansiosos a respeito dessas</p><p>rápidas mudanças físicas.</p><p>Algo Extraordinário Está A contecendo 5 7</p><p>O Preparo para a Paternidade ou Maternidade</p><p>O que você pode esperar que aconteça durante</p><p>o período inicial da adolescência e como isso terá</p><p>lugar? A mudança mais importante que você vai</p><p>notar é que seu corpo começará a preparar-se para a</p><p>função de pai ou mãe. Eu não disse que você vai ser</p><p>pai ou mãe (isso está muito distante com certeza),</p><p>mas que seu corpo está pronto para equiparar-se com</p><p>a capacidade de produzir ura filho. Esta é uma das</p><p>maiores mudanças que ocorrem durante este período.</p><p>O nome correto para esta época de despertamento</p><p>sexual é puberdade. (Você se lembra de ter lido no</p><p>primeiro capítulo sobre dirigir o seu “carro” através</p><p>de uma cidadezinha com esse nome?)</p><p>58 Adolescência Feliz</p><p>O Novo Corpo do Rapaz</p><p>Vamos discutir primeiro o que acontece com os</p><p>meninos, e depois falaremos das meninas. Durante a</p><p>puberdade, o menino começa a crescer muito rapida</p><p>mente, mais depressa do que nunca antes. Seus mús</p><p>culos se tornarão muito mais semelhantes ao do ho</p><p>mem, e ele ficará mais forte, tendo também maior</p><p>coordenação motora. Essa é a razão pela qual um</p><p>rapaz do colegial é geralmente um atleta melhor do</p><p>que um outro da quinta ou sexta série, e o do ginásio</p><p>melhor do que o do primário.</p><p>Em segundo lugar, os pêlos no corpo do rapaz</p><p>começam a assemelhar-se mais aos do homem. Ele vai</p><p>notar um começo de barba no rosto, e terá de come</p><p>çar a barbear-se de vez em quando. Os pêlos vão</p><p>crescer pela primeira vez debaixo do seu braço e</p><p>também na região chamada púbica (ou o que você</p><p>poderia chamar de área particular), ao redor dos ór</p><p>gãos sexuais. Os órgãos sexuais por sua vez irão</p><p>crescer e tornar-se mais parecidos com os de um</p><p>homem adulto. Essas são evidências de que o rapazi</p><p>nho está desaparecendo para sempre, e seu lugar será</p><p>tomado por um homem, capaz de se tornar pai e</p><p>cuidar de sua esposa e família. Esta fantástica trans</p><p>formação me faz lembrar de algum modo de uma</p><p>lagarta, que tece um casulo ao redor de si mesma e</p><p>então, depois de algum tempo, surge uma criatura</p><p>completamente diferente — uma borboleta. Natural</p><p>59</p><p>mente as mudanças em um rapaz não são assim com</p><p>pletas, mas ele nunca mais será o mesmo depois de</p><p>passar por esse processo de amadurecimento (que é o</p><p>termo científico usado para o crescimento).</p><p>Mudanças Rápidas</p><p>Essas rápidas mudanças estão talvez bem próxi</p><p>mas para muitos de vocês. 0 que é amedrontador</p><p>para alguns meninos é o fato de ocorrerem repentina</p><p>mente, quase da noite para o dia. A glândula pituitá-</p><p>ria começa a fazer com que tudo entre em movimen</p><p>to. Ela grita suas ordens para a direita e a esquerda, e</p><p>todo o seu corpo parèce que começa a correr interna</p><p>mente, tentando cumprir essas ordens.</p><p>Tudo é afetado — até mesmo a sua voz se</p><p>modifica. Estou certo de que você já notou como a</p><p>voz de seu pai é mais grave do que a sua. Você já se</p><p>perguntou a razão disso? Ela sempre foi profunda e</p><p>áspera? Sempre se assemelhou a uma sereia de ne</p><p>voeiro? Você pode imaginar seu pai num berço, de</p><p>criança dizendo “dá, dá” numa voz profunda? Natu</p><p>ralmente que não. Ele não nasceu assim. A voz dele</p><p>mudou durante a puberdade, e é isso que vai aconte</p><p>cer com a sua também. Todavia, a voz de um rapaz</p><p>adolescente é algumas vezes embaraçosa</p><p>para ele até</p><p>que termine o seu processo de aprofundamento, por</p><p>que ela não soa muito firme. Ele fala com voz esgani-</p><p>çada durante alguns meses. Mas, de novo, não é</p><p>preciso se preocupar, porque sua voz logo ficará pro</p><p>funda e firme. É preciso algum tempo para completar</p><p>este desenvolvimento das cordas vocais.</p><p>Resolução dos Problemas de Pele</p><p>Como já afirmei, praticamente todas as partes</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>60 Adolescência Feliz</p><p>de seu corpo são afetadas de uma ou de outra forma</p><p>pela puberdade. Até mesmo a sua pele irá passar por</p><p>modificações importantes, quer você seja rapaz ou</p><p>garota. Este é na verdade provavelmente o mais in-</p><p>quietador aspecto de todos os que têm lugar no</p><p>início da adolescência. Um estudo de dois mil adoles</p><p>centes continha a pergunta: — O que mais o aborrece</p><p>em você mesmo? — Os problemas de pele superaram</p><p>todas as demais respostas com larga margem.</p><p>As erupções de pele ocorrem primeiramente em</p><p>resultado de uma substância oleosa secretada durante</p><p>a adolescência. Os poros da pele tendem a encher-se</p><p>com este óleo e ficam entupidos. Como o óleo não</p><p>pode escapar, ele endurece ali e provoca espinhas ou</p><p>cravos. Você pode espèrar ter essas imperfeições de</p><p>pele por muitos anos, apesar de alguns casos serem</p><p>mais brandos do que outros.</p><p>Quando você fica cheio de espinhas e cravos,</p><p>essa condição é chamada de acne. Se isto acontecer,</p><p>será muito importante para você manter a pele limpa,</p><p>mantendo num ponto mínimo o óleo e a sujeira em</p><p>seu rosto. É também importante observar o que co</p><p>me, desde que certos alimentos graxos podem contri</p><p>buir para a dificuldade. Se o problema for severo,</p><p>você deve pedir a seus pais que o levem a um DER-</p><p>MATOLOGISTA, que é um médico especializado em</p><p>problemas de pele. Ele irá aconselhá-lo quanto ao</p><p>melhor método de tratamento.</p><p>0 Cansaço do Adolescente</p><p>Outro problema físico que ocorre tanto com os</p><p>meninos como com as meninas durante a puberdade,</p><p>é a fadiga, ou falta de energia. O seu corpo estará</p><p>investindo tantos de seus recursos no processo de</p><p>crescimento que lhe parecerá faltar energia para ou</p><p>61</p><p>tras atividades durante um certo período de tempo.</p><p>Esta fase geralmente não dura muito. Todavia, esta</p><p>sensação de cansaço é algo que você deve esperar.</p><p>De fato, ela deverá influenciar seu comportamento de</p><p>duas maneiras.</p><p>Prijueiro, você deverá_dqnnir e descansar bas</p><p>tante, durante o período de rápido crescimento físico.</p><p>Essa necessidade nem sempre é satisfeita, porém, por</p><p>que os adolescentes acham que não devem mais ir</p><p>para da cama. tão cedo como quando eram crianças.</p><p>Assim sendo, ficam de pé até tarde e.se arrastam pelo</p><p>dia seguinte num estacíõ de exaustão.. Acredite ou</p><p>não, “uma pessoa de doze ou treze anos precisa na</p><p>verdade descansar mais do que quando tinha nove ou</p><p>qèzjãnõs,. simplesmente por causa da aceleração no</p><p>crescimento.</p><p>"S é seus pais estiverem lendo este livro, gostaria</p><p>de sugerir que eles deixassem você dormir nas manhãs</p><p>de sábado, se possível. É geralmente difícil para os</p><p>pais permitirem que seu filho crescido durma até as</p><p>9h30 da manhã quando a grama precisa ser cortada.</p><p>Todavia, eles deveríam saber que ele está na cama</p><p>porque precisa de mais sono, e deveríam ser bastante</p><p>sábios para permitir que faça isso. Ele poderá então</p><p>cortar a grama quando acordar, com um sorriso de</p><p>gratidão no rosto!</p><p>Segundo, os alimentos que comer serão também</p><p>myito importantes durante a adolescência. O seu cor</p><p>po jrrecisa da maténa_-pfima para cõnstruífiãquelas</p><p>novas células muiculares, ossõs~e fibras que estão noT</p><p>planos. Cachorrcf-quefitê , "Biscoitos e refrigerãnfêsltto-^j</p><p>servem. Será necessário que tenha uma dieta equili-</p><p>brada durante esse período; isso é muito mais impor</p><p>tante. dn que quando tinha seis ou oito anos. Se não_</p><p>comer direito durante este período de crescimento,</p><p>irá pagar o preço ém' forma de doenças e vários</p><p>problemas físicos. O seu corpo precisa das vitaminas,</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>62 Adolescência Feliz</p><p>sais minerais e proteínas necessários para desenvolver-</p><p>se de várias maneiras.</p><p>A Beleza da Feminilidade</p><p>Vamos falar agora das muitas mudanças que as</p><p>meninas irão experimentar durante os anos de puber</p><p>dade. 0 corpo da menina passa por mudanças ainda</p><p>mais complexas do que o do menino, porque precisa</p><p>preparar-se para a tarefa complicada da maternidade.</p><p>A maneira como o corpo da mulher funciona para</p><p>produzir a vida humana é um dos mecanismos mais</p><p>belos de todo o universo de Deus. Vamos observai</p><p>esse processo por um momento.</p><p>Toda a vida humana começa com uma peque</p><p>nina célula, tão pequena que você não podería vê-la</p><p>sem um microscópio. Esta primeira célula da vida é</p><p>chamada de zigoto, que começa a dividir-se e a cres</p><p>cer no útero da mãe.</p><p>O útero é um lugar especial localizado na parte</p><p>inferior do abdome, ou o que você podería chamar de</p><p>estômago; mas que na verdade não é o estomago,</p><p>ficando abaixo dele. 0 útero é uma bolsinha especial</p><p>que serve como ambiente perfeito para um embrião</p><p>que está crescendo e se desenvolvendo. (.Embrião é o</p><p>nome dado para um bebê em seus primeiros estágios</p><p>de desenvolvimento.)</p><p>Todas as necessidades do bebê no que se refere</p><p>a aquecimento, oxigênio e nutrição são constantemen</p><p>te satisfeitas pelo corpo da mãe durante os nove</p><p>meses antes de seu nascimento. Qualquer problema</p><p>surgido nesses primeiros dias (nos três primeiros me</p><p>ses especialmente), e a criança morrerá. O embrião é</p><p>extremamente delicado, e o corpo da mãe precisa</p><p>estar em boas condições físicas a fim de satisfazer as</p><p>exigências da criança que está crescendo.</p><p>De maneira a poder fazer isso, o corpo da</p><p>menina passa por muitas mudanças durante a puber</p><p>dade. Um desses importantes desenvolvimentos é cha</p><p>mado de menstruação, do qual você já ouviu certa</p><p>mente falar. Este é um assunto que as meninas preci</p><p>sarão compreender muito bem nos dias que virão.</p><p>Muitas escolas fornecem esta informação para as me</p><p>ninas na quinta ou sexta série, e talvez õ que vou</p><p>dizer agora seja apenas uma recapitulação do que</p><p>você já ouviu antes. Todavia, acho que é importante</p><p>que os meninos também entendam este processo, ape</p><p>sar de eles serem raramente informados adequadamen</p><p>te sobre o mesmo.</p><p>Algo Extraordinário Está A con tecendo 63</p><p>A Vida em Crescimento</p><p>Quando a mulher fica grávida — isto é, quando</p><p>o zigoto de uma única célula é colocado no seu útero</p><p>depois de ter uma relação sexual com um homem — o</p><p>corpo dela começa a proteger esse embrião e a ajudá-</p><p>lo a crescer. Ele precisa ter oxigênio e alimento, assim</p><p>como muitos elementos químicos necessários para a</p><p>vida. As substâncias são automaticamente levadas ao</p><p>útero, através do sangue da mãe. Mas como o útero</p><p>não tem meios de saber quando uma nova vida vai ser</p><p>plantada nele, é preciso que se prepare para receber</p><p>um embrião todos os meses para o caso de isso</p><p>acontecer. Assim sendo, o sangue se acumula nas</p><p>paredes do útero a fim de nutrir o embrião se a</p><p>mulher ficar grávida. Mas se ela não ficar grávida</p><p>nesse mês, então o sangue uterino não é neces</p><p>sário. Ele é assim libertado das paredes do útero</p><p>e flui através da vagina - essa abertura especial por</p><p>onde os bebês também nascem.</p><p>Cada 28 dias (este número varia um pouco de</p><p>pessoa para pessoa) o corpo da mulher se liberta</p><p>desse sangue desnecessário que teria sido usado para</p><p>nutrir o bebê se ela tivesse ficado grávida. Leva geral</p><p>mente três a cinco dias parâ o fluxo parar, e durante</p><p>esse período eia usa uma espécie de protetor para</p><p>absolver o sangue. Este proceáso é chamado de mens</p><p>truação.</p><p>Existem algumas atitudes muito importantes</p><p>que quero que você compreenda através desta discus</p><p>são. Primeiro, a menstruação não é algo que as meni</p><p>nas devam temer. Desde que o assunto de sangue nos</p><p>faz estremecer, algumas meninas ficam muito tensas</p><p>quando se inicia este processo para elas. Elas come</p><p>çam a se preocupar e a detestar a sua aproximação, e</p><p>algumas gostariam que isso não acontecesse com elas</p><p>absolutamente. Mas, na verdade,</p><p>a menstruação torna</p><p>possível o mais fantástico e intrigante acontecimento</p><p>que jamais podería ocorrer — a criação de um novo</p><p>ser humano. Que milagre para uma única célula, o</p><p>zigoto, dividir-se silenciosamente em duas, depois qua</p><p>tro, oito, e dezesseis células e continuar a dividir-se</p><p>até que trilhões de novas células se formem! Um</p><p>pequenino coração vagarosamente surge no interior do</p><p>aglomerado de células, e começa a bater em sintonia</p><p>com o ritmo da vida. Depois aparecem os dedos dos</p><p>pés e das mãos, os olhos e as orelhas e todos os</p><p>órgãos internos. Um líquido especial (chamado fluido</p><p>amniótico) cerca o bebê a fim de protegê-lo de quais</p><p>quer quedas ou ferimentos recebidos pela mãe. E ele</p><p>fica ali por nove meses, até que seja capaz de sobrevi</p><p>ver no mundo exterior. Então, no momento exato, o</p><p>corpo da mãe começa a empurrar o bebê pelo canal</p><p>do nascimento (a vagina) e para as mãos do médico</p><p>que o esperam.</p><p>64 Adolescência Feliz</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>A Beleza do Plano de Deus</p><p>65</p><p>O mais belo aspecto deste sistema incrivelmente</p><p>complicado é que tudo opera automaticamente den</p><p>tro do corpo da mulher. E quase como se o Arquite</p><p>to Mestre, o próprio Deus, estivesse ao seu lado,</p><p>dizendo-lhe o que fazer em seguida. De fato, você</p><p>sabia que é justamente isto que acontece? 0 rei Davi</p><p>nos conta nos Salmos que Deus está presente durante</p><p>esta criação de uma nova vida. Vamos ler a descrição</p><p>desse acontecimento (Salmo 139:13-15):</p><p>Tu fizeste as delicadas partes internas do meu</p><p>corpo, e as ligaste uma às outras, quando eu ainda</p><p>estava no ventre de minha mãe. Muito obrigado porque Tu me fizeste tão maravilhosamente complexo!</p><p>Fico admirado quando penso nisso. O Teu trabalho é</p><p>maravilhoso, e eu bem o sei. Tu estavas lá enquanto eu estava sendo formado em completo isolamento!</p><p>Salmos e Provérbios Vivos.</p><p>Deus não só supervisionou o desenvolvimento</p><p>de Davi no ventre de sua mãe (outra palavra para</p><p>útero), mas Ele fez a mesma coisa para você e para</p><p>mim! Ele também programou cada dia de nossas vidas</p><p>e registrou cada dia no seu livro. Esse é o pensamento</p><p>mais confortador que já conheci!</p><p>Veja então que a menstruação não é um aconte</p><p>cimento desagradável que as garotas devam detestar.</p><p>Trata-se de um sinal que o corpo está se preparando</p><p>para colaborar com Deus na criação de uma nova</p><p>vida, se esse for o desejo dEle para uma determinada</p><p>mulher. A menstruação é a maneira como o corpo</p><p>avisa a menina que ela está crescendo. . . que não é</p><p>mais criança. . . e que algo de muito extraordinário</p><p>está acontecendo em seu interior.</p><p>Conheça os Fatos e Fique em Paz</p><p>Bem, meninas, por favor, não se preocupem</p><p>com este aspecto da sua saúde. Você não vai sangrar</p><p>até morrer, isso prometo. A menstruação é tão natu</p><p>ral como comer ou dormir, ou qualquer dos outros</p><p>processos físicos. Se você acha que não é normal de</p><p>alguma forma — se está preocupada com algum aspec</p><p>to da menstruação — se pensar que é diferente ou</p><p>que talvez algo esteja errado — se tiver dores quando</p><p>ela vier ou se tiver quaisquer dúvidas, crie então</p><p>coragem e fale com sua mãe ou com o seu médico ou</p><p>com alguém em quem tenha confiança. Em cerca de</p><p>98 casos de cada 100 dúvidas se mostrarão injustifica</p><p>das. Você vai descobrir que é completamente normal,</p><p>e que a dificuldade estava na sua falta de entendimen</p><p>to do niecanismo.</p><p>66 Adolescência Feliz</p><p>Outras Mudanças a Esperar</p><p>Agora, evidentemente, outras coisas começarão</p><p>a acontecer com o seu corpo juntamente com a</p><p>menstruação. Você provavelmente crescerá rapidamen</p><p>te pouco antes da primeira menstruação. (Incidental-</p><p>mente, a média de idade para a primeira menstruação</p><p>é de cerca de doze e meio anos, mas ela pode ocorrer</p><p>desde os nove ou dez anos e também demorar até os</p><p>dezesseis ou dezessete. A idade varia muito de menina</p><p>para menina.)</p><p>Durante este período o seu corpo irá tornar-se</p><p>mais arredondado e curvilíneo como o de sua mãe.</p><p>Seus seios vão crescer, e podem ficar doloridos às</p><p>vezes (os meninos também sentem isto de vez em</p><p>quando). Isto não significa que você está com câncer</p><p>ou alguma outra doença, mas simplesmente que seus</p><p>seios estão mudando, como tudo o mais em seu</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo 67</p><p>corpo. Irá crescer pêlo debaixo de seus braços, nas</p><p>pernas e na região púbica, como os meninos. Essas</p><p>são as transformações físicas mais evidentes que têm</p><p>lugar, e quando você perceber que isso está aconte</p><p>cendo pode dizer adeus à infância — preparando-se</p><p>para correr a toda velocidade para a idade adulta!</p><p>A Ponte do Amadurecimento Tardio</p><p>Há um outro assunto importante que preciso</p><p>discutir côm os meninos e meninas. O seu caminho</p><p>para a idade adulta não passa apenas sobre o desfila</p><p>deiro da inferioridadé, mas também cruza a ponte</p><p>trêmula do amadurecimento tardio. Estou falando da</p><p>sensação de ansiedade que ocorre quando uma pessoa</p><p>não cresce tão depressa quanto esperou, ou na mesma</p><p>medida que seus amigos. Essas mudanças da puberdade</p><p>que descreví podem ocorrer já aos nove ou dez anos</p><p>de idade ou mais tarde, aos dezessete ou dezoito</p><p>anos, mas cada menino e cada menina tem o seu</p><p>próprio calendário. Como já foi dito, a idade do</p><p>desenvolvimento é supervisada pela glândula pituitária</p><p>no cérebro, que tem tudo sob controle. Todavia, esses</p><p>calendários individuais causam bastante preocupação</p><p>desnecessária para aqueles que estão adiantados ou</p><p>atrasados em relação a seus amigos. A pubescência</p><p>não tem realmente um significado muito grande, mas</p><p>pode tornar-se uma fonte de grande preocupação.</p><p>Por exemplo, vamos supor que você é uma</p><p>menina de treze anos cujo corpo não começou ainda</p><p>a mudar. Você ainda se parece com a Menina do</p><p>Chapeuzinho Vermelho: nenhuma de suas característi</p><p>cas adultas se manifestou ainda. Quando olha para as</p><p>outras garotas de sua classe, nota que algumas delas já</p><p>parecem mulheres. Elas usam sutiã, mas você clara</p><p>mente não precisa de um.</p><p>68 Adolescência Feliz</p><p>Você começa então a se preocupar com o que</p><p>está acontecendo dentro do seu corpo. — Será que há</p><p>algo de errado comigo? Por que essas coisas não</p><p>aconteceram ainda em mim? — Então você faz 14</p><p>anos e nada muda. O seu corpo está ali sentado,</p><p>bocejando, e você começa realmente a preocupar-se.</p><p>Fica acordada à noite se perguntando se vai continuar</p><p>parecendo uma criança quando tiver 15 anos. Suas</p><p>amigas estão trocando idéias sobre menstruação, mas</p><p>você não pode participar da conversa porque nada</p><p>sabe a respeito. Você se sente diferente e esquisita, e</p><p>começa a ficar preocupada até sentir-se quase doente</p><p>de ansiedade.</p><p>Nada de Penugem</p><p>Ou suponhamos que você seja um garoto de 15</p><p>anos que tenha o mesmo problema. Você não é tão</p><p>forte quanto seus amigos, e como não teve ainda sua</p><p>explosão de crescimento é um dos meninos mais</p><p>baixos da sua classe. De fato, é mais baixo até do que</p><p>a maioria das meninas, porque estas começam a sua</p><p>pubescência antes dos garotos. Os outros estão come</p><p>çando a barbear-se, mas você não tem sequer uma</p><p>penugem no rosto. Você pega o telefone para falar</p><p>com a telefonista, mas sua voz é tão alta que ela</p><p>pensa que você é mulher, e diz: “Pois não, senhora”.</p><p>Este pode ser o pior insulto que alguém já lhe fez.</p><p>0 mais penoso de tudo, entretanto, é que os</p><p>outros rapazinhos já notaram que você é ainda meni</p><p>no e começam a zombar. Quando vocês estão no</p><p>vestiário eles lhe dão apelidos e caçoam porque você</p><p>não tem pêlos púbicos ou porque ainda é baixinho e</p><p>magricela.</p><p>0 que você vai fazer se isso acontecer nos</p><p>próximos anos? Vai entrar em depressão? Vai cerrar</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo 69</p><p>os dentes, roer as unhas e morder a língua? Espero</p><p>que isso não seja necessário na sua vida.</p><p>Não Há Nada de Errado com Você</p><p>Quero fazer uma sugestão para aqueles de vocês</p><p>que vão crescer um pouco mais tarde do que os</p><p>amigos. A coisa principal a lembrar é que não há</p><p>nada de errado com você. É tão saudável crescer mais</p><p>tarde como mais cedo, e não há razão para pensar</p><p>que nunca vai amadurecer. Fique sossegado por um</p><p>ano ou dois e então os fogos de artifício começarão a</p><p>explodir para você, como acontece com todo mundo!</p><p>Posso prometer-lhe que é isso que vai acontecer. Se</p><p>não acredita em mim, lance um olhar para todos os</p><p>adultos ao seu redor. Você vê algum que pareça uma</p><p>criança? Claro que não. Todo mundo cresce mais</p><p>cedo ou mais tarde.</p><p>Não é certamente agradável ouvir a zombaria</p><p>dos amigos, mas se você souber que vai ser diferente</p><p>apenas por algum tampo, talvez possa suportá-la. 0</p><p>mais importante é que não faça alguém sentir-se mal</p><p>a respeito de si mesmo se acontecer que você cresça</p><p>antes dessa pessoa!</p><p>O Apetite Sexual</p><p>Quando seu corpo começar a modificar-se você</p><p>vai notar que está mais interessado nas pessoas do</p><p>sexo oposto. De repente as meninas parecem ótimas</p><p>aos meninos e estes começam a ser atraentes para</p><p>elas. Como sei que isto vai acontecer? Como posso</p><p>prever isso com tanta exatidão? Porque o sexo logo</p><p>irá tomar-se um “apetite” dentro de você. Se não</p><p>tomou café pela manhã, posso prever que estará fa</p><p>70 Adolescência Feliz</p><p>minto às duas da tarde. O seu corpo pedirá comida.</p><p>Ele foi feito assim. Existem elementos químicos em</p><p>seu corpo que irão fazer com que tenha fome quando</p><p>não tiver comido.</p><p>Da mesma maneira, alguns novos elementos quí</p><p>micos em seu corpo vão começar a desenvolver um</p><p>novo apetite quando estiver entre os doze e os quinze</p><p>anos de idade. Não se trata de uma ânsia de alimento,</p><p>mas envolve o assunto chamado sexo, ou o aspecto</p><p>masculino e feminino de sua natureza. A cada ano, à</p><p>medida que cresce, este apetite itá tornar-se mais e</p><p>mais uma parte de você. Você gostará de passar cada</p><p>vez mais tempo com alguém do sexo oposto. Este</p><p>desejo pode levá-lo eventualmente ao casamento. 0</p><p>casamento é uma união maravilhosa para aqueles que</p><p>encontram a pessoa certa. Todavia, deixe-me oferecer</p><p>uma palavra de aviso quanto a esse assunto.</p><p>Um dos maiores erros que você pode cometer é</p><p>casar-se cedo défmís'.'Tsso podè~ser1rágicu7~Qliero</p><p>enfatizar esse ponto em sua mente. O casamento de</p><p>duas pessoas que não estão preparadas podè~sêrjjnf^</p><p>desastre, mas isto infelizmente acontece com muita</p><p>freqüência. Vou falar mais a este respeito num cap£_</p><p>tulo posterior, mas aconselho que você não se case</p><p>até pelo menos vinte anos de idade. A metade dos</p><p>casamentos entre adolescentes se dissolve dentro de</p><p>cinco anos, causando muitas lágrimas e probleiftasr-</p><p>Não quero que o seu seja um desses lares desfeitos.</p><p>Garotas Bonitas e Rapazes Fascinantes</p><p>Quero descrever agora o sentimento que o sexo</p><p>vai trazer nos próximos anos. Os meninos vão ficar</p><p>muito interessados no corpo das garotas — a maneira</p><p>como são feitos, suas curvas e suavidade, e nos seus</p><p>bonitos olhos e cabelos. Até mesmo os seus pés</p><p>71</p><p>femininos podem atrair os meninos nessa época. Se</p><p>você é um rapazinho, é muito provável que pense</p><p>com freqüência nessas criaturas fascinantes chamadas</p><p>meninas, que você costumava odiar tanto! De fato, o</p><p>apetite sexual é mais forte nos rapazes entre 16 e 18</p><p>anos do que em qualquer outra idade.</p><p>As garotas, por sua vez, não ficarão tão interes</p><p>sadas na forma e aparência do corpo do rapaz (apesar</p><p>de achar isso interessante). Elas ficarão mais fascina</p><p>das pelo rapaz em si — a maneira como ele fala,</p><p>como anda, como pensa. Se você é menina irá prova</p><p>velmente “apaixonar-se” por um garoto após outro.</p><p>(A “paixão” ocorre quando você começa a pensar</p><p>que uma determinada pessoa é absolutamente fantás</p><p>tica, e você fantasia com relação à possibilidade de vir</p><p>a casar-se com ela. Não é incomum apaixonar-se por</p><p>um professor, pastor ou homem mais velho. As “pai-</p><p>xonites” mudam constantemente, duram apenas algu</p><p>mas semanas ou meses antes de uma outra tomar o</p><p>seu lugar.)</p><p>Fala Gara sobre o Sexo</p><p>Temos de falar agora muito claramente sobre o</p><p>assunto da relação sexual. Lembre-se do que eu lhe</p><p>disse no começo deste livro. Vou tratá-lo como</p><p>adulto e não. deixarei de lado nenhum assunto que</p><p>possa ser de importância para você. Assim sendo, é</p><p>preciso que compreenda como é importante o relacio</p><p>namento sexual entre o homem e a mulher.</p><p>Relação sexual é o nome dado ao ato que tem</p><p>lugar quando o homem e a mulher tiram toda a</p><p>roupa (geralmente na cama) e o órgão sexual do</p><p>homem (o seu pênis) se torna duro e reto. Ele coloca</p><p>o pênis na vagina da mulher enquanto fica deitado</p><p>entre as pernas dela. Eles se movimentam, para den</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>72 Adolescência Feliz</p><p>tro e para fora, até que ambos tenham uma sensação</p><p>muito agradável que dura um minuto ou dois. Trata-</p><p>se de uma experiência muito satisfatória, que os mari</p><p>dos e esposas fazem regularmente. Você provavelmen</p><p>te já sabe a respeito da relação sexual como a descre-</p><p>vi. Mas você sabia que o homem e a mulher não têm</p><p>relações apenas para fazer um bebê? Eles agem assim</p><p>para expressar o seu amor mútuo e porque gostam de</p><p>fazer isso, pois dessa maneira satisfazem um ao outro.</p><p>Eles podem ter relações sexuais duas ou três vezes</p><p>por semana, ou talvez apenas uma vez por mês; cada</p><p>casal é diferente. Mas esta é uma parte agradável do</p><p>casamento, e algo que torna o marido e a esposa</p><p>muito especiais um para o outro. Este é um ato que</p><p>guardam apenas para os dois.</p><p>O Dom do Sexo Dado por Deus</p><p>Este apetite pelo sexo é algo que Deus criou em</p><p>você. Quero enfatizar muito este ponto. O sexo não é</p><p>sujo nem mau. Nada criado por Deus poderia jamais</p><p>ser sujo. O desejo do sexo foi idéia de Deus — e não</p><p>nossa. Ele colocou em nós esta parte de nossa nature</p><p>za; Ele criou esses elementos químicos (hormônios)</p><p>que tornam o sexo oposto atraente para nós. Ele fez</p><p>isso a fim de desejarmos ter uma família própria. Sem</p><p>este desejo não havería casamento, nem filhos, nem</p><p>amor entre o homem e a mulher. O sexo não é então</p><p>uma coisa suja de modo algum; é um mecanismo</p><p>maravilhoso e belo, não importa o que você possa ter</p><p>ouvido a respeito.</p><p>Todavia, devo dizer-lhe também que Deus quer</p><p>que controlemos esse desejo da relação sexual. Ele</p><p>afirmou repetidamente na Bíblia que devemos guardar</p><p>nosso corpo para aquela com quem eventualmente</p><p>nos casaremos, e que é errado satisfazer nosso apetite</p><p>pelo sexo com um rapaz ou garota antes de nos</p><p>casarmos. Não há outra maneira de interpretar a men</p><p>sagem bíblica. Alguns de seus amigos podem dizer</p><p>que não é assim. Você pode ouvir o Joaquim, a</p><p>Susana ou o Paulo contarem como exploraram o</p><p>corpo do outro. Eles lhe dirão como isso foi excitan</p><p>te e tentarão fazer com que você também experimen</p><p>te isso.</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo 73</p><p>Decida Agora</p><p>Vamos falar mais pessoalmente. É muito prová</p><p>vel que você tenha "uma oportunidade de ter uma</p><p>relação sexual antes de chegar aos vinte anos. Mais</p><p>cedo ou mais tarde vai ter essa oportunidade. Você</p><p>vai estar com uma pessoa do sexo oposto que lhe fará</p><p>saber que está disposta a permitir que você tenha essa</p><p>experiência. Você terá de decidir o que vai fazer</p><p>quando esse momento chegar. Provavelmente não terá</p><p>tempo de pensar quando ele ocorrer de repente. Meu</p><p>conselho é que você decida agora guardar o seu corpo</p><p>para aquele que será eventualmente o seu companhei</p><p>ro permanente. Se você não controlar este desejo,</p><p>desejará mais tarde que o tivesse feito.</p><p>Doenças Venéreas</p><p>O mandamento de Deus para que evitemos as</p><p>relações sexuais antes do casamento não foi dado a</p><p>fim de impedir nosso prazer. Ele não quis tirar o</p><p>prazer da nossa vida. Pelo contrário, foi na verdade o</p><p>seu amor que O fez proibir as relações pré-maritais,</p><p>porque tantas coisas prejudiciais ocorrem quando vo</p><p>cê se recusa a obedecer-lhe.</p><p>Você provavelmente já ouviu falar de doenças</p><p>74 Adolescência Feliz</p><p>venéreas, que são causadas pelo fato de ter relações</p><p>com alguém que pegou a moléstia de um outro porta</p><p>dor. A sífilis, a gonorréia, e outras doenças estão</p><p>muito difundidas hoje. Está havendo uma epidemia</p><p>dessas moléstias e elas têm um efeito prejudicial sobre</p><p>o corpo se não forem tratadas. Mas existem outras</p><p>conseqüências para os que praticam o sexo fora do</p><p>casamento. Eles correm o risco de trazer um filho</p><p>não desejado para o mundo através desse ato. Quando</p><p>isso ocorre, enfrentam então a responsabilidade de</p><p>criar um ser humano — uma pequena vida com toda a</p><p>sua necessidade de amor e disciplina e da estabilidade</p><p>de um lar — mas não têm meios de cuidar dele ou de</p><p>satisfazer suas necessidades. Isso é trágico.</p><p>O Pecado da Impureza</p><p>f Mas quando a pessoa tem relações sexuais fora</p><p>do casamento as mudanças que se fazem sentir em</p><p>sua mente são igualmente muito sérias. Primeiro, e</p><p>\ mais importante, sua comunhão com Deus é sacrifica</p><p>da. 0 sexo pré-marital é pecado, e não se pode ser</p><p>I amigo de Deus se continuarmos a pecar deliberada-</p><p>mente. 1 João 1:6 diz: “Portanto, se dissermos que</p><p>somos amigos dele e continuarmos a viver na escuri</p><p>dão espiritual e no pecado, estamos mentindo” (O Novo</p><p>Testamento Vivo). É simples assim. Além do mais, nada</p><p>pode ser oculto de Deus, como sabe, porque Ele vê</p><p>ytudo.</p><p>O pecado tem sempre um efeito destrutivo so</p><p>bre o jovem. Mas eu creio que o pecado do sexo</p><p>pré-conjugal é especialmente prejudicial para a pessoa</p><p>que o pratica. Ele ou ela perde a inocência da juven</p><p>tude e algumas vezes se torna uma pessoa dura e fria.</p><p>É também provável que isso venha a afetar o seu</p><p>casamento mais tarde, porque essa experiência espe-</p><p>75</p><p>ciai que deveria ter sido partilhada com uma só pes</p><p>soa não é mais tão especial. Mais do que uma pessoa</p><p>já teve a sua parte.</p><p>Como vê, existem muitas razões óbvias porque</p><p>Deus nos disse para controlarmos nossos desejos se</p><p>xuais. O que quero dizer é que Deus nos ordenou que</p><p>não praticássemos o sexo antes do casamento a fim</p><p>de poupar-nos esses muitos outros efeitos deste peca</p><p>do. De fato, a pior conseqüência é uma que ainda</p><p>não mencionei, relativa ao juízo de Deus na vida</p><p>futura. A Bíblia nos diz muito claramente que nossas</p><p>vidas serão expostas diante dEle, e Ele conhecerá todo</p><p>o segredo. Nosso destino eterno depende na verdade</p><p>da nossa fé em Deus e nossa obediência a Ele.</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>Auto-Estimulação</p><p>Vamos falar agora de um assunto relacionado</p><p>que se chama masturbação. Isto é algo que você pode</p><p>ter ouvido de seus amigos. Caso negativo, ouvirá logo</p><p>mais. A masturbação é o ato de esfregar os seus</p><p>próprios órgãos sexuais a fim de obter aquela mesma</p><p>sensação agradável que teria se estivesse participando</p><p>de uma relação. A maioria dos rapazes faz isto na</p><p>adolescência, assim como muitas das garotas.</p><p>Muitos rumores cercam este ato — histórias</p><p>amedrontadoras do que acontece para os que o prati</p><p>cam. Algumas pessoas dizem que a masturbação pode</p><p>deixar você louco. Outros dizem que pode impedir</p><p>que tenha filho mais tarde. Outros ainda afirmam que</p><p>ficará fraco e doente. Você pode ouvir toda sorte de</p><p>avisos drásticos sobre as conseqüências da masturba</p><p>ção. Posso dizer-lhe desde já que nenhuma dessas</p><p>histórias é verdadeira. São todas falsas. Se a masturba</p><p>ção tornasse loucas as pessoas, havería muito mais</p><p>loucos no mundo do que há agora!</p><p>76 Adolescência Feliz</p><p>Entretanto, o tema da masturbação é muito</p><p>controvertido. Os cristãos têm opiniões diferentes so</p><p>bre como Deus encara este ato. Infelizmente, não</p><p>posso falar diretamente pôr Deus neste caso, desde</p><p>que a sua Palavra Sagrada, a Bíblia, silencia a respei</p><p>to. Vou contar-lhe no que eu acredito, apesar de não</p><p>querer contrariar o que seus pais ou seu pastor acredi</p><p>tam. Em minha opinião Deus não se incomoda muito</p><p>com o ato da masturbação. Trata-se de uma parte</p><p>normal da adolescência que não envolve ninguém</p><p>mais. Ela não provoca doenças, não produz bebês, e</p><p>Jesus não fez qualquer menção a ela na Bíblia. Não</p><p>estou querendo induzi-lo a masturbar-se, e espero que</p><p>não sinta necessidade disso. Mas se assim for, é minha</p><p>opinião que não deve sentir-se excessivamente culpa</p><p>do a respeito.</p><p>Por que lhe digo isto? Porque tenho contato</p><p>com tantos jovens cristãos que sentem um terrível</p><p>complexo de culpa por masturbar-se; eles querem</p><p>parar e não conseguem. Eu gostaria de ajudar você a</p><p>evitar essa agonia. O melhor que posso fazer é sugerir</p><p>que fale pessoalmente com Deus sobre isso e decida o</p><p>que Ele quer que faça. Deixo o assunto entre você e</p><p>Deus.</p><p>Emissões Noturnas</p><p>Outra coisa que preocupa os rapazes durante a</p><p>adolescência é a ocorrência de “sonhos molhados” .</p><p>Os médicos dão a isso o nome de emissões noturnas,</p><p>referindo-se ao fluido que sai ocasionalmente do pênis</p><p>do rapaz à noite. Esse fluido é chamado sêmen e</p><p>contém milhares de células tão pequenas que você</p><p>não pode vê-las sequer. Uma dessas células podería</p><p>transformar-se em uma criança se fosse injetada numa</p><p>mulher e se combinasse com a sua célula-ovo, forman</p><p>77</p><p>do o zigoto de que falamos antes. Este sêmen é</p><p>algumas vezes liberado durante um sonho à noite: o</p><p>jovem encontra a mancha em seu pijama no dia</p><p>seguinte e começa a preocupar-se com o que está</p><p>acontecendo. Esta ocorrência é entretanto perfeita-</p><p>mente normal, acontecendo com quase todos os jo</p><p>vens e não deve causar alarme. Uma emissão noturna</p><p>é apenas a maneira como o seu corpo se liberta do</p><p>fluido extra que se acumulou.</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo</p><p>A Questão do Medo</p><p>Você já notou quantas vezes eu disse nesta</p><p>seção: “Não há nada com que se preocupar; é normal;</p><p>não se alarme”? A razão de querer tranqüilizá-lo é a</p><p>seguinte: a maioria dos jovens fica amedrontada com</p><p>o seu próprio desenvolvimento sexual. Como afirmei</p><p>em meu livro “Ouse Disciplinar” (Dare to Discipline),</p><p>os adolescentes se preocupam bastante com as seguin</p><p>tes perguntas durante a parte inicial da puberdade:</p><p>1. Todas essas coisas devem mesmo acontecer?</p><p>2. Há algo errado comigo?</p><p>3. Tenho alguma doença ou anormalidade?</p><p>4. Vou ser diferente dos outros?</p><p>5. Esta dor que sinto no Seio significa que</p><p>tenho câncèr? (Lembre-se de que mencionei que os</p><p>seios algumas vezes doem durante a adolescência.)</p><p>6. Poderei ter relações sexuais ou haverá algo</p><p>errado comigo?</p><p>7. Os meninos rirão de mim? As meninas irão</p><p>rejeitar-me? (É muito comum para as pessoas acha</p><p>rem que não serão atraentes para o sexo oposto e que</p><p>ninguém irá querê-las porque não são tão bonitas</p><p>como gostariam de ser.)</p><p>78 Adolescência Feliz</p><p>8. Deus vai me castigar pelos pensamentos so</p><p>bre sexo que tenho? (Já lhe disse que você provavel</p><p>mente pensará muito no sexo oposto durante esses</p><p>anos. Quando isto acontecer poderá sentir-se culpado</p><p>pelos pensamentos que tiver.)</p><p>9. Não seria terrível se eu viesse a ser um</p><p>homossexual? (O homossexual é aquele que não se</p><p>sente atraído pelo sexo oposto, mas pelo mesmo</p><p>sexo. E o interesse do rapaz por um outro rapaz, ou</p><p>de uma garota por outra garota.-A homossexualidade</p><p>é um desejo anormal que reflete problemas profun</p><p>dos, mas não acontece com freqüência e não é prová</p><p>vel que aconteça com você.)</p><p>10. Será que posso ficar grávida sem manter</p><p>uma relação sexual? (Esta é outra possibilidade que</p><p>algumas meninas temem — ficar grávida sem ter tido</p><p>uma relação sexual. Quero que saiba que isto nunca</p><p>acontece, trata-se de uma impossibilidade. Tal coisa</p><p>ocorreu apenas uma vez na história e foi quando a</p><p>virgem Maria, mãe de Jesus, ficou grávida sem ter</p><p>tido relações sexuais. Jesus foi concebido ou plantado</p><p>em seu útero pelo próprio Deus. Essa foi a única vez</p><p>na história da humanidade que um ser humano nas</p><p>ceu sem que o pai tenha feito a sua parte, fornecendo</p><p>a metade da célula que compõe o zigoto.)</p><p>11. Algumas pessoas deixam de amadurecer se</p><p>xualmente? (Qualquer sistema do corpo pode deixar</p><p>de funcionar normalmente, mas este raramente falha).</p><p>12. Minha modéstia será sacrificada? (É co</p><p>mum durante o período inicial da adolescência que</p><p>você se torne extremamente modesto com relação ao</p><p>seu corpo. Você sabe que ele está mudando e não</p><p>quer que ninguém o veja. Assim sendo, poderá preo</p><p>cupar-se com a idéia de ir ao médico e ter de tirar a</p><p>roupa na frente de outras pessoas.)</p><p>Não É Preciso Ter Medo</p><p>Deixe que diga mais uma vez: esses temores são</p><p>quase universais durante os</p><p>primeiros anos da adoles</p><p>cência. Quase todo mundo que está crescendo na</p><p>nossa cultura se preocupa e fica ansioso com relação,</p><p>ao sexo. Quero ajudá-lo a superar esses sentimentos.</p><p>O seu desenvolvimento sexual é uma ocorrência co</p><p>mum que está sendo controlada no interior do seu</p><p>corpo. Tudo acabará bem, e você pode então relaxar</p><p>e deixar que as coisas corram por si mesmas. Todavia,</p><p>você terá de controlar os seus desejos sexuais nos</p><p>anos futuros, e isso exige determinação e força de</p><p>vontade. Mas se aprender a canalizar seus impulsos</p><p>sexuais da maneira que Deus quer, esta parte da sua</p><p>natureza pode ser um dos aspectos mais fascinantes e</p><p>maravilhosos de sua vida, talvez contribuindo para um</p><p>casamento feliz e cheio de êxito no futuro.</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo 79</p><p>QUATR04QUATR0</p><p>Acho Que Estou</p><p>Amando</p><p>É muito comum hoje em dia ouvir alguém falar</p><p>que “está amando” outra pessoa. Mas você já parou</p><p>para pensar o que essas palavras realmente signifi</p><p>cam? Que mudanças têm lugar na mente dos homens</p><p>e mulheres que começam a amar? Como podem eles</p><p>saber que esse amor é sincero? Será que podem estar</p><p>enganados, pensando que estão “amando” quando</p><p>não estão? O que é necessário para manter vivo esse</p><p>amor?</p><p>Você pode responder a essas perguntas sobre o</p><p>significado do amor? A maior parte dos jovens não</p><p>consegue. De fato, existe uma grande confusão entre</p><p>os adolescentes sobre este assunto importante. Acredi</p><p>to que a grande porcentagem de divórcios ou separa</p><p>ções em nosso país resulte, em parte, da falha dos</p><p>recém-casados em compreenderem o que é amor, o</p><p>que ele não é, e como classificar as suas emoções.</p><p>Este assunto de amor romântico pode não inte</p><p>ressá-lo muito agora. Você pode até achar que é meio</p><p>tolo. Todavia, a não ser que seja uma pessoa muito</p><p>incomum, é provável que se torne extremamente</p><p>atraído por membros do sexo oposto nos anos que</p><p>vão seguir-se. E, à medida que ficar mais velho, a</p><p>81</p><p>possibilidade do casamento vai apresentar-se. As meni</p><p>nas geralmente começam a pensar em casar-se antes</p><p>dos meninos, mas mais cedo ou mais tarde os rapazes</p><p>passam a ter a mesma idéia.</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>O Êxtase do Amor</p><p>A maior parte das pessoas a partir dos vinte</p><p>anos (ou antes) começa a buscar o ser humano perfei</p><p>to com quem partilhar o resto de sua vida. Quando</p><p>encontram alguém que pareça enquadrar-se nessa des</p><p>crição geral, eles caem de cabeça no mais puro êxtase.</p><p>Não há qualquer outro sentimento no mundo que se</p><p>iguale a esse. Os dois mal podem tirar os olhos um do</p><p>outro e querem ficar juntos o dia inteiro. Passam as</p><p>horas passeando nos parques, andando na chuva e</p><p>sentados de olhos nos olhos. Eles até mesmo invadem</p><p>o sonho um do outro à noite. Podem acreditar quan</p><p>do digo que “amar” é uma experiência emocionante.</p><p>Eu sei disso — passei por ela centenas de vezes!</p><p>Esta exaltação ao amor romântico é tão cativan</p><p>te que leva naturalmente à questão do casamento.</p><p>Um casal nessa situação parece raciocinar: — Se este</p><p>sentimento é tão bom, por que não passarmos a vida</p><p>inteira juntos? — E eles começam a fazer planos para</p><p>o casamento. Marcam a data, chamam o ministro e</p><p>encomendam as flores. Finalmente chega o grande dia,</p><p>com a noiva nervosa e o noivo confuso. A mãe da</p><p>noiva chora durante a cerimônia e o pai está pálido e</p><p>tenso. A pequena dama de honra se recusa a descer</p><p>pela nave e a irmã do noivo canta com voz dramática</p><p>uma canção sobre o amor eterno. Mas, de alguma</p><p>forma, o casal diz “Sim” , e o pregador os pronuncia</p><p>“marido e mulher” . Eles então marcham pela nave,</p><p>cada um mostrando 32 dentes, ao encaminhar-se para</p><p>a sala de recepção.</p><p>82 Adolescência Feliz</p><p>Há ruído e alegria e beijos para a noiva enquan</p><p>to as pessoas fazem fila para oferecer seus cumpri</p><p>mentos e votos de felicidade para os novos Sr. e Sra.</p><p>Eles comem os amendoins, engolem o bolo e falam</p><p>de seus próprios casamentos. Finalmente os noivos</p><p>saem correndo da igreja debaixo de uma chuva de</p><p>arroz e confete, e vão embora a fim de começar uma</p><p>nova vida. Ao partir, ouvem a voz da irmã do noivo</p><p>cantando: — “Eles apenas começaram.. . ”</p><p>Até aí, tudo bem. Todos parecem felizes e</p><p>satisfeitos. Mas para esse casal sorridente há dificulda</p><p>des à vista. Quase a partir do primeiro dia de sua</p><p>lua-de-mel alguma coisa muda no relacionamento de</p><p>les. Aquela tremenda excitação e entusiasmo parece</p><p>murchar um pouco. 0 casamento em si toma um</p><p>novo aspecto. Em lugar de ser algo que esperavam</p><p>poder alcançar se tivessem sorte, ele agora se transfor</p><p>ma num envolvimento para a vida inteira que fez</p><p>surgir uma armadilha no sentido contrário. Eles ficam</p><p>a perguntar-se silenciosamente se era realmente o que</p><p>queriam, ou se talvez tomaram uma decisão apressa</p><p>da. Vêm-lhes à mente a idéia penosa de que talvez</p><p>tivessem cometido o maior erro de sua vida.</p><p>Arranhaduras e Unhadas</p><p>O terceiro dia da lua-de-mel traz a primeira</p><p>briga verdadeira. O casal discordou sobre onde deve</p><p>ríam jantar e quanto dinheiro gastariam. Ela queria</p><p>comer num restaurante romântico e ele achava que</p><p>deveríam comprar um hambúrguer na esquina. Foi</p><p>um argumento pequeno, mas trocaram algumas pala</p><p>vras ásperas que estragaram ainda mais os sentimentos</p><p>românticos com que tinham começado. Eles aprende</p><p>ríam a ferir mais profundamente um ao outro nos</p><p>meses que se seguiríam.</p><p>83</p><p>Estavam em casa há apenas uma semana depois</p><p>da lua-de-mel quando ocorreu a primeira grande bata</p><p>lha. Insultos foram lançados de um para o outro</p><p>como projéteis nucleares. Ambos estavam feridos e</p><p>ressentidos e se seguiram períodos de silêncio gelado.</p><p>0 marido saiu de casa por duas horas e a esposa</p><p>chamou a mãe. Desde então até o amargo fim vemos</p><p>duas pessoas extremamente infelizes e sofredoras que</p><p>derramam lágrimas antes de dormir. E o que é pior,</p><p>podem ter produzido um outro membro da família</p><p>nessa altura.. . um pequenino ser desdentado que</p><p>precisa ter as fraldas mudadas a cada 45 minutos.</p><p>Esse ente irá crescer num lar desfeito e jamais enten</p><p>derá muito bem “porque o papai não mora mais</p><p>aqui” .</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>A Tragédia da Separação</p><p>Como é evidente, esta descrição pessimista do</p><p>casamento não é correta em todos os casos, mas</p><p>acontece com excessiva freqüência. 0 percentual de</p><p>divórcios nos Estados Unidos é mais alto do que em</p><p>qualquer outro país civilizado no mundo inteiro. De</p><p>fato, sabe-se que 50 por cento de todos os casamen</p><p>tos de adolescentes acaba em divórcio nos primeiros</p><p>cinco anos\ Que porcentagem tragicamente alta! Isto</p><p>significa que metade de todas as pessoas que julgam</p><p>“estar amando” — as que estavam tremendamente</p><p>excitadas uma com a outra — rapidamente se decep</p><p>cionaram, tornando-se amargas, infelizes, alquebradas.</p><p>E devemos perguntar-nos: “Por quê? ” Por que isto</p><p>está acontecendo? Como todas essas pessoas se enga</p><p>naram? 0 que fez com que a chama do amor tremesse</p><p>e se apagasse? Como a sua afeição mútua se transfor</p><p>mou em ódio, ira e conflito tão depressa? Essas</p><p>perguntas são extremamente importantes para você,</p><p>84 Adolescência Feliz</p><p>se quiser evitar um desastre na sua vida. Para respon</p><p>dê-las temos de examinar mais de perto o significado</p><p>do amor romântico.</p><p>As Crenças sobre o Amor</p><p>Começaremos nosso estudo avaliando quão bem</p><p>você já compreende este conceito de amor conjugal.</p><p>Preparei um pequeno teste para medir o seu conheci</p><p>mento e crenças quanto a este importante assunto.</p><p>Sugiro que tome uma folha de papel e a numere de 1</p><p>a 10. Responda então às seguintes questões colocando</p><p>as palavras Verdadeiro ou Falso em cada uma.</p><p>-1. Creio que o “amor à primeira vista”</p><p>acontece entre certas pessoas.</p><p>•2. Creio que é facil distinguir o verdadeiro</p><p>amor da paixão.</p><p>-3. Creio que as pessoas que se amam since</p><p>ramente não brigam nem discutem.</p><p>4. Creio que Deus escolhe uma determina</p><p>da pessoa para cada um de nós se casar,</p><p>e que Ele nos orientará a ambos.</p><p>■ 5. Creio que se um homem e uma mulher</p><p>amam sinceramente um ao outro as difi</p><p>culdades e perturbações terão pouco ou</p><p>nenhum efeito sobre o seu</p><p>relacionamen</p><p>to.</p><p>6. Creio que é melhor casar com a pessoa</p><p>errada do que permanecer solteiro e soli</p><p>tário a vida inteira.</p><p>------------ 7. Creio que não é prejudicial nem pecami</p><p>noso ter relações sexuais antes do casa</p><p>mento se o casal tiver um relacionamen</p><p>to significativo.</p><p>------------ 8. Creio que se o casal se amar sinceramen</p><p>te, essa condição será permanente e du-'</p><p>rará a vida inteira.</p><p>ç '------------ 9. Creio que um noivado rápido, de seis me</p><p>ses ou menos, é melhor.</p><p>-----------10. Creio que os adolescentes são mais capa</p><p>zes de amor sincero do que as pessoas</p><p>mais velhas.</p><p>A cho Que Estou A mando 85</p><p>Respostas às Perguntas</p><p>O teste que você acabou de fazer não pretende</p><p>ser uma análise altamente científica. De fato, algumas</p><p>pessoas poderíam ter até mesmo opiniões diferentes</p><p>sobre as respostas certas para cada item. Todavia,</p><p>quero dar-lhe o meu ponto de vista sobre as dez</p><p>perguntas e as explicações subjacentes.</p><p>Amor Instantâneo?</p><p>Pergunta Número 1: “Creio que o amor à pri</p><p>meira vista pode ocorrer entre certas pessoas.”</p><p>Há pessoas que acreditam que o amor românti</p><p>co ocasionalmente atinge dois estranhos como um</p><p>relâmpago no momento em que se vêem pela primeira</p><p>vez. Ali estão eles, andando pela calçada ou sentados</p><p>na igreja, e Zappo! Seus olhos se arregalam, seus</p><p>ouvidos zumbem, os dedos dos pés se enroscam, e</p><p>eles “estão amando”.</p><p>Detesto parecer pouco sentimental, mas essa</p><p>espécie de amor instantâneo é uma impossibilidade.</p><p>Você não pode amar alguém a quem não conhece,</p><p>alguém que é um completo estranho. Não posso negar</p><p>que alguns sentimentos muito fortes podem ocorrer</p><p>na primeira vez em que veja um determinado membro</p><p>do sexo oposto. Ele é simpático (ou ela é bonita) e</p><p>você gosta dos seus olhos e do som de sua voz, assim</p><p>como da confiança que demonstra. Tudo é atraente</p><p>na pessoa dele, e você sente uma poderosa atração.</p><p>Você pode pensar então que está amando, que você o</p><p>amou desde o primeiro momento em que estiveram</p><p>juntos. Mas na verdade você se apaixonou pela ima</p><p>gem dele — você nem sequer conhece a pessoa real.</p><p>Você não conhece os seus pensamentos, hábitos, espe</p><p>ranças, temores, planos, habilidades ou maneiras. Vo</p><p>cê não pode então dizer que ama aquela pessoa total</p><p>quando só encontrou a sua concha externa.</p><p>86 Adolescência Feliz</p><p>Confusão na Música</p><p>Muitas canções para jovens mostram que os</p><p>autores não conheciam a diferença entre o amor sin</p><p>cero e os sentimentos temporários descritos acima.</p><p>Uma canção popular, por exemplo, contém esta frase:</p><p>“Antes que a dança acabasse eu já te amava.” Veja</p><p>bem, isso não é amor! Durante o curso da dança</p><p>aquele jovem simplesmente teve alguns pensamentos</p><p>agradáveis e achou que de alguma forma tinha escor</p><p>regado para o romance durante a segunda estrofe!</p><p>Mas, cuidado: qualquer sentimento que chega durante</p><p>uma dança pode desaparecer na seguinte.</p><p>Outro compositor escreveu isto: “Não sabia o</p><p>que fazer, e então sussurrei: Eu te amo”. Não é</p><p>87</p><p>fantástico? A idéia de formular um compromisso</p><p>para a vida inteira com base numa confusão mental me</p><p>parece meio tola. Mas é isso que freqüentemente</p><p>acontece. Surge um momento embaraçoso entre um</p><p>rapaz e uma garota, e ele se sente inseguro, dizendo</p><p>então: “Eü te amo”. A namorada estremece e pensa:</p><p>“Fantástico! Este garoto está se apaixonando por</p><p>mim!” Ela então retribuiu o cumprimento e eles</p><p>seguem estrada a fora em direção ao desastre.</p><p>A Família Dó-Ré-Mi gravou uma canção que</p><p>declarava: “Levantei-me cheio de amor esta manhã e</p><p>fui dormir pensando em você.” Está errado de novo.</p><p>0 cantor tinha se apaixonado enquanto dormia. Não</p><p>é interessante? Você está vendo como esta espécie de</p><p>amor nada mais é do que uma condição mental? Ele</p><p>veio durante a noite e pode também ir-se embora</p><p>durante a noite.</p><p>Existem dezenas de exemplos mostrando confu</p><p>são sobre o amor na música jovem de hoje. Todavia,</p><p>a que tem o meu voto pela letra mais tola do século</p><p>era muito popular na década de sessenta. Essa canção</p><p>era cantada por um conjunto “rock” chamado “The</p><p>Doors”. Eles gravaram um número intitulado: “Alô,</p><p>eu te amo, por favor me diga o seu nome!” Poderá</p><p>alguém explicar como é possível amar uma pessoa a</p><p>respeito de quem você não sabe absolutamente nada!</p><p>Que tolice!</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>“Como Pode Estar Errado Quando Parece Tão Cer</p><p>to? ”</p><p>Quero repetir que o sentimento de excitação</p><p>romântica pode ocorrer instantaneamente entre um</p><p>homem e uma mulher, como aconteceu com os com</p><p>positores das músicas acima mencionadas. Além do</p><p>mais, esses sentimentos podem algumas vezes levar</p><p>88 Adolescência Feliz</p><p>gradualmente ao amor sincero sobre o qual um bom</p><p>casamento pode basear-se. Na maioria dos casos, po</p><p>rém, este entusiasmo momentâneo estará morto e</p><p>enterrado em doze meses. Essa a razão pela qual é</p><p>perigoso tomar quaisquer decisões de longo alcance</p><p>apoiado em uma emoção temporária.</p><p>Debbie Boone gravou certa vez uma canção</p><p>muito popular denominada “Você Ilumina a Minha</p><p>Vida”, na qual foi incluída a frase: “Como pode estar</p><p>errado quando parece tão certo?” Infelizmente, eu</p><p>poderia mostrar a ela muitas pessoas divorciadas que</p><p>pareciam antes felicíssimas com o relacionamento que</p><p>agora as amargura. Algumas foram enganadas pelo</p><p>“amor à primeira vista” .</p><p>Amor Verdadeiro ou Paixão</p><p>Pergunta Número 2: “Creio que é facil distinguir</p><p>o verdadeiro amor da paixão.”</p><p>Espero que você tenha marcado este item “fal</p><p>so” , porque não é decididamente exato. A explosão</p><p>emocional que ocorre durante a paixão torna difícil</p><p>pensar claramente sobre qualquer coisa. Trata-se de</p><p>uma das experiências humanas mais excitantes, sendo</p><p>mais fantástica do que uma volta na montanha russa</p><p>ou uma viagem à Disneylândia! Algum dia você saberá</p><p>o que quero dizer. Quando acontecer com você, po</p><p>rém, existem dois fatos importantes sobre a paixão</p><p>que deveria lembrar.</p><p>Primeiro, o namoro ou paixão é altamente</p><p>egoísta. Deixe-me explicar oferecendo um exemplo.</p><p>Quando eu estava na faculdade muitos anos atrás,</p><p>meus pais viajavam durante o ano inteiro, e eu não</p><p>tinha para onde ir quando a escola não funcionava.</p><p>Durante os meses de verão, especialmentè, eu tinha</p><p>89</p><p>de ficar no dormitório da escola enquanto os outros</p><p>estudantes iam para casa visitar os pais. Eu geralmen</p><p>te conseguia um emprego perto e voltava do trabalho</p><p>toda noite para o meu quarto aborrecido e silencioso.</p><p>Outros dois rapazes também ficavam no dormitório</p><p>mas eu não os conhecia muito bem. E em vista disso</p><p>passava no geral um verão muito solitário naqueles</p><p>dias.</p><p>Como pode imaginar, eu começava a me sentir</p><p>excitado perto do fim de agosto a cada ano, anteci</p><p>pando a volta de meus amigos em setembro. Eles</p><p>finalmente chegavam e o velho dormitório estremecia</p><p>de novo com os risos e o ruído da turma. Aqueles</p><p>eram grandes dias. Mas eu ficava ainda mais ansioso</p><p>por as garotas voltarem para a escola. Eu não tivera</p><p>um encontro desde maio, e não podia esperar para</p><p>que elas voltassem às classes. Dessa forma, eu estava</p><p>maduro para o amor em cada outono. Eu me apaixo</p><p>nava por alguém.. . qualquer uma. .. no dia 12 de</p><p>setembro de cada ano. Não havia dúvidas sobre esse</p><p>acontecimento — a mesma coisa ocorreu quatro anos</p><p>seguidos. Cada setembro meu mundo virava de cabeça</p><p>para baixo: eu não podia dormir, não podia comer,</p><p>não podia estudar. (De fato, o estudo era o primeiro</p><p>que ficava para trás!) Era sem dúvida um aconteci</p><p>mento emocionante, tão previsível como o Dia de</p><p>Ação de Graças ou o Natal.</p><p>Você está vendo como o meu “amor” era egoís</p><p>ta a cada setembro? Eu dizia a meus amigos: — Nem</p><p>posso acreditar como isto é fantástico. Nunca me</p><p>senti assim antes. Esta foi a melhor coisa que já me</p><p>aconteceu. — Não há dúvidas, eu não me apaixonava</p><p>por uma menina, mas me apaixonava pelo amorl A</p><p>jovem por quem eu estava “caído” era simplesmente</p><p>um. prêmio a ser alcançado. . . um objeto a ser captu</p><p>rado. Ela era geralmente esquecida e substituída no</p><p>janeiro seguinte.</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>90 Adolescência Feliz</p><p>0 amor verdadeiro</p><p>é muito diferente desta pai</p><p>xão temporária. Pelo contrário, ele se concentra em</p><p>outro ser humano. Traz consigo um desejo profun</p><p>do de tornar essa pessoa feliz. . . satisfazer as suas</p><p>necessidades e seus desejos, proteger os seus interes</p><p>ses. O amor sincero é melhor descrito como sendo</p><p>generoso em todos os seus aspectos, mesmo que seja</p><p>exigido um sacrifício pessoal no relacionamento.</p><p>Paixão de Curta Duração</p><p>0 segundo fato sobre a paixão que você deve</p><p>conhecer é que ela nunca dura muito. Se há uma</p><p>mensagem neste capítulo que é mais importante do</p><p>que todas as demais é justamente esta! Deixe-me</p><p>repetir: aquele sentimento de excitação entre dois</p><p>novos “amantes” jamais dura a vida inteira. Ele não</p><p>pode durar simplesmente porque as emoções humanas</p><p>estão constantemente mudando. Mesmo quando as</p><p>pessoas se amam sinceramente, há períodos de grande</p><p>intimidade, outros quando não sentem nada um pelo</p><p>outro, e outros ainda em que se mostram irritados e</p><p>queixosos. As emoções são assim, mudando regular</p><p>mente de baixo para cima, de cima para baixo. (Vol</p><p>taremos a este ponto mais tarde.) Assim sendo, é</p><p>impossível para o casal manter aquele pico de intensi</p><p>dade em que a sua relação começou.</p><p>Por que é tão importante compreender a natureza</p><p>temporária do amor romântico dos primeiros anos? Por</p><p>que alguns jovens mergulham rapidamente no casamen</p><p>to, antes que suas emoções tenham mesmo apresentado</p><p>o primeiro sinal de apatia. Eles estão ainda na primeira</p><p>“febre” no dia do casamento, lnfelizmente, porém,</p><p>recebem um grande choque durante os meses (ou</p><p>dias) que se seguem quando acordam certa manhã</p><p>sem aquele sentimento excitante em seu íntimo. É</p><p>Acho Que Estou Amando 91</p><p>sábio compreender que a “febre” áo amor pode facil</p><p>mente transformar-se numa erupção nos meses seguin</p><p>tes.</p><p>É surpreendente ver que cada um dos tristonhos</p><p>casais que eventualmente comparecem perante o juiz</p><p>nas cortes de divórcio acreditavam piamente que esta</p><p>vam “apaixonados” no início. Eles nem sempre odia</p><p>vam a pessoa com quem se tinham casado. Houve um</p><p>tempo em que a sua felicidade parecia acima de</p><p>qualquer perturbação ou dificuldade. Mas os seus sen</p><p>timentos positivos desapareceram como a neve num</p><p>dia quente, derretendo e correndo para a saijeta.</p><p>Qual a Diferença?</p><p>Mesmo para aqueles que sabem que a paixão é</p><p>egoísta e temporária, é possível confundi-la com o</p><p>amor verdadeiro. Como então poderão saber qual a</p><p>diferença entre essas duas “condições”? Como inter</p><p>pretar os seus próprios sentimentos? Como evitar um</p><p>erro desastroso?</p><p>Em minha opinião, só há um meio de distinguir</p><p>o amor “paixão” da coisa real: dê tempo para que</p><p>possa testar as suas emoções. Você irá gradualmente</p><p>compreender a sua mente e saber o que é melhor</p><p>para a outra pessoa. Quanto tempo leva este proces</p><p>so? Ele difere de pessoa para pessoa, mas em geral,</p><p>quanto mais jovem você é, tanto mais deve esperar.</p><p>Como afirmei antes, é minha opinião que os adoles</p><p>centes não devem casar-se até que cheguem aos vinte</p><p>anos, e mesmo assim se tiverem namorado durante</p><p>pelo menos dois anos. Esta recomendação não é ofe</p><p>recida com nenhum propósito particular nem para</p><p>impor os desejos dos pais sobre os jovens. Pelo contrá</p><p>rio, ela é feita para ajudar a evitar os dolorosos divór</p><p>cios que ferem tão profundamente tantos jovens hoje</p><p>em dia.</p><p>92 Adolescência Feliz</p><p>Sem Brigas?</p><p>Pergunta Número 3: “Creio que as pessoas que</p><p>se amam sinceramente não brigam nem discutem.’’</p><p>A resposta a este terceiro item pode surpreen</p><p>dê-lo. (De fato, a pessoa comum erra pelo menos três</p><p>ou quatro dessas dez perguntas sobre o amor.) A de</p><p>claração acima é falsa. As pessoas que se amam since</p><p>ramente também têm opiniões diferentes. Elas discor</p><p>dam. Ficam irritadas. Brigam e discutem em certas</p><p>ocasiões.</p><p>Quero descrever uma cena comum que traz con</p><p>flito entre um marido e esposa que se amam. 0 pai</p><p>chega em casa depois de um dia difícil no escritório.</p><p>Ele estaciona o carro na garagem e entra cansado em</p><p>casa. A esposa o encontra na porta e ela também está</p><p>cansada. Os filhos a enervaram o dia todo. Ela conta</p><p>ao marido que a máquina de lavar roupa quebrou e o</p><p>chão está inundado. Sobre a mesa está uma pilha de</p><p>contas a pagar que a família ainda não pôde pagar.</p><p>Tanto o pai como a mãe estão nervosos e irritados.</p><p>Nessas circunstâncias é bem fácil para as pessoas que</p><p>se amam sinceramente descobrir-se discutindo e bri</p><p>gando. Além disso, há diferenças honestas de opinião</p><p>sobre assuntos importantes. Eles podem discordar so</p><p>bre como gastar o dinheiro, que igreja freqüentar e</p><p>muitos outros pontos que os dividem. Mas mesmo em</p><p>meio a esses conflitos é ainda possível que continuem</p><p>a amar-se profundamente.</p><p>Quero enfatizar ainda mais. Vi pouquíssimos ca</p><p>samentos que sejam tão harmoniosos e estáveis que</p><p>marido e mulher não tenham esse tipo de desavença.</p><p>93</p><p>Você pode esperar algum conflito em seu casamento</p><p>mesmo que ame profundamente seu companheiro.</p><p>Posso predizer mais especificamente que o primeiro</p><p>ano de casamento serão os doze meses mais difíceis</p><p>de sua primeira década juntos. Esse vai ser um perío</p><p>do de ajuste; você terá de decidir como o seu casa</p><p>mento vai funcionar, quem vai gastar seu dinheiro e</p><p>para onde ir nas férias. Essas coisas poderão inflamar</p><p>suas emoções e dar lugar a alguns conflitos sérios em</p><p>seu lar.</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>Trabalhe nas Suas Diferenças</p><p>Se isto ocorrer, não pense que o seu casamento</p><p>está condenado, ou que cometeu necessariamente um</p><p>grande erro. 0 que significa é que ambos precisam</p><p>transigir e buscar soluções para os problemas. Essa é a</p><p>diferença entre um bom e um mau casamento. Am</p><p>bos têm os seus momentos de luta, mas num relacio</p><p>namento sadio o marido e a mulher buscam respostas</p><p>e pontos de acordo porque eles se amam sinceramen</p><p>te.</p><p>0 que é então um “mau” casamento? É aquele</p><p>em que cada cônjuge ama a si mesmo mais do que à</p><p>outra pessoa, onde atitudes como esta ficam à esprei</p><p>ta na mente: “casei-me com você porque pensei que</p><p>você seria bom para mim”, ou “casei-me com você</p><p>porque queria alguém que me ajudasse a cuidar da</p><p>minha casa” , ou “casei-me com você porque pensei</p><p>que iria ganhar muito dinheiro para mim”. Veja</p><p>bem, quando o casamento acontece por causa de</p><p>razões egoístas, então os argumentos rotineiros se</p><p>tornam mais sérios. Eles não mais refletem diferenças</p><p>de opinião, mas se tornam lutas de morte. Cada um</p><p>tenta ferir o outro, que se tornou um inimigo feroz.</p><p>Sonhos de Casamento</p><p>94 Adolescência Feliz</p><p>Pergunta Número 4: “Creio que Deus escolhe</p><p>uma determinada pessoa para cada um de nós se</p><p>casar, e que Ele nos orientará a ambos.”</p><p>Tenho grande fé em Deus, e creio que todas as</p><p>decisões importantes da vida devem ser precedidas de</p><p>oração e pedidos de orientação divina. Nosso Pai</p><p>celestial, em resposta, é muito misericordioso e cheio</p><p>de amor para com os que buscam a sua ajuda; Ele</p><p>revelará a sua vontade e irá influenciar todas as deci</p><p>sões importantes. Não obstante, a resposta para a</p><p>Pergunta n.° 4 é “falso” . De fato, os que acreditam</p><p>que Deus automaticamente coloca as pessoas certas</p><p>juntas estão cometendo um erro trágico de julgamento.</p><p>Eles podem pensar que a primeira pessoa por quem</p><p>venham a se apaixonar é o companheiro enviado pelo</p><p>Senhor, e lá se vão para quarenta anos de conflito.</p><p>Nunca me esquecerei do infeliz sujeito que con</p><p>tou que acordou no meio da noite devido a um</p><p>sonho poderoso, onde alguém lhe parecia dizer: “Ca</p><p>se-se com Susana”. Rafael não tinha orado pedindo a</p><p>orientação de Deus, mas ele pensou que esta ordem</p><p>viera diretamente dEle. No dia seguinte ele telefonou</p><p>para Susana (com quem se encontrara apenas duas ou</p><p>três vezes) e lhe disse: “Deus me falou para casar com</p><p>você!” Susana achou que não devia discutir com o</p><p>Todo-Poderoso e aceitou. O casamento deles tem sido</p><p>terrivelmente infeliz, parecendo um erro do ponto de</p><p>vista humano. Nenhum dos dois acredita agora que</p><p>Deus falou realmente com Rafael no meio da noite,</p><p>mas que os próprios sentimentos dele</p><p>o enganaram.</p><p>Deixe-me enfatizar que é extremamente impor</p><p>tante para você escolher com cuidado o seu cônjuge.</p><p>0 Senhor lhe deu bom senso, e Ele espera que faça uso</p><p>dele ao tomar decisões. É possível, em minha opinião,</p><p>amar a Jesus e ser um bom cristão, mas mesmo assim</p><p>tomar uma decisão apressada e casar-se com a pessoa</p><p>errada. Deus não fica sentado no céu com uma lista de</p><p>nomes, dizendo: “Vamos ver, vou pegar o João e</p><p>colocá-lo junto com a Nanci” . Em outras palavras,</p><p>nosso Pai celestial não opera uma agência de casamen</p><p>tos para os que chamam pelo seu nome!</p><p>Antes de estabelecer um plano de casamento,</p><p>sugiro que você leve o assunto ao Senhor em oração.</p><p>Peça-lhe para orientá-lo nessa decisão de importância</p><p>vital. Estou certo de que atenderá o seu pedido. Mas</p><p>esta espécie de oração é semelhante àquela em que</p><p>você pede a Deus para curar uma doença. Só pelo</p><p>fato de ser cristão isso não significa que jamais ficará</p><p>doente. Deus pode curar sua moléstia se você lhe</p><p>pedir (e se for da vontade dEle fazer isso), mas Ele</p><p>não tem a obrigação de ajudá-lo se você não lhe</p><p>pedir.</p><p>A cho Que Estou A mando 95</p><p>Dificuldades Agradáveis?</p><p>Pergunta Número 5: “Creio que se um homem</p><p>e uma mulher amam sinceramente um ao outro as</p><p>dificuldades e perturbações terão pouco ou nenhum</p><p>efeito sobre o seu relacionamento.”</p><p>A resposta é de novo “falso” . 0 amor é como a</p><p>vida — ele é deücado e frágil. Pode ser quebrado,</p><p>esmagado e arruinado. A morte de um membro da</p><p>família, a doença, ou a pobreza podem prejudicar</p><p>sèveramente um relacionamento de amor sincero.</p><p>Faço parte do quadro de um hospital infantil</p><p>onde acontecimentos muito trágicos ocorrem todos os</p><p>dias. Vejo criancinhas muito doentes e sofrendo. Vejo</p><p>meninos e meninas que têm câncer, moléstias do</p><p>coração e várias deformidades. Alguns estão morren-</p><p>96 Adolescência Feliz</p><p>do, outros têm cérebros que não funcionam normal</p><p>mente, e outros ainda nasceram com estranhas ano</p><p>malias físicas. Esses problemas freqüentemente fazem</p><p>com que os pais se sintam culpados, apesar de não</p><p>terem responsabilidade pelas doenças. Algumas vezes</p><p>o sentimento de culpa por ter uma criança doente é</p><p>tão prejudicial que o lar pode ser destruído por causa</p><p>disso. Este é apenas um exemplo de como um relacio</p><p>namento de amor pode ser afetado pelas circunstân</p><p>cias e ambiente da pessoa.</p><p>Alguém disse: “o amor supera tudo” . Isso nem</p><p>sempre é verdade. É importante saber que você preci</p><p>sa trabalhar para manter vivo o amor; você tem de</p><p>protegê-lo e mantê-lo como o faria com uma flor</p><p>delicada. Este ponto é tão importante que quero</p><p>voltar a ele novamente.</p><p>Espere se For Preciso</p><p>Pergunta Número 6: “Creio que é melhor casar</p><p>com a pessoa errada do que permanecer solteiro e</p><p>solitário a vida inteira.”</p><p>Mais uma vez a resposta certa é “falso” . Penso</p><p>que é muito melhor estar continuando a procurar a</p><p>pessoa certa do que envolver-se num mau casamento,</p><p>mesmo que ficar solteiro signifique sentir-se solitário.</p><p>É uma bênção maravilhosa para um homem e</p><p>uma mulher estarem casados e felizes, gozando da</p><p>amizade um do outro e talvez criando um ou dois</p><p>filhos. Deus, porém, não planejou isto para todos. 0</p><p>apóstolo Paulo disse mesmo que é melhor para algu</p><p>mas pessoas não se casarem, especialmente os que são</p><p>chamados a aceitar pesadas responsabilidades no tra</p><p>balho cristão. Assim sendo, é insensato procurar o</p><p>casamento a todo custo.</p><p>Acho Que Estou Amando 97</p><p>As pessoas que temem não se casar, estão algu</p><p>mas vezes dispostas a aceitar qualquer convite que</p><p>lhes seja feito, mesmo que venha de alguém a quem</p><p>não amem. Isso pode ser trágico. É muito melhor</p><p>permanecer solteiro do que passar a vida lutando e</p><p>discutindo com um companheiro quando você não</p><p>deveria ter casado em primeiro lugar.</p><p>Sexo Antes do Casamento?</p><p>Pergunta Número 7: “Creio que não é prejudi</p><p>cial nem pecaminoso ter relações sexuais antes do</p><p>casamento se o casal tiver um relacionamento signifi</p><p>cativo.”</p><p>Espero certamente que você já saiba que a de</p><p>claração acima é absolutamente falsa. Não obstante,</p><p>muitas pessoas em nossa sociedade decidiram que as</p><p>velhas regras não mais se aplicam. “Tudo mudou”,</p><p>dizem elas, “existe agora uma nova moral. Não há</p><p>nada de errado em manter relações sexuais — explorar</p><p>o corpo de uma pessoa do sexo oposto — desde que</p><p>ambos pareçam gostar um do outro.” Esta é a mais</p><p>perigosa de todas as idéias sobre o amor, porque tem</p><p>conseqüências terríveis.</p><p>O ponto de vista divino sobre o sexo fora do</p><p>casamento é perfeitamente claro. Se você é cristão e</p><p>acredita que a Bíblia é o guia para a sua vida diária,</p><p>não pode haver dúvidas sobre o que é certo ou</p><p>errado. Vamos ler diretamente no Novo Testamento</p><p>Vivo:</p><p>Honrem o seu casamento e os seus respectivos votos; e</p><p>sejam puros (o casamento é uma promessa de fidelidade a uma pessoa por toda a vida. Deus espera que honremos esse compromisso, não apenas depois do casamen</p><p>to, mas antes); porque Deus sem falta castigará a</p><p>todos os que são imorais ou cometem adultério (He-</p><p>breus 13:4).</p><p>Esta mesma mensagem aparece repetidamente</p><p>através de toda a Bíblia, sendo evidentemente o que</p><p>Deus quer para a nossa vida. Considere o seguinte</p><p>conselho dado pelo rei Salomão, um dos homens mais</p><p>brilhantes que já viveram:</p><p>Um dia, eu estava olhando pela janela de minha casa,</p><p>e vi um moço sem compreensão, um jovem sem bom senso, andando ao longo da rua, na direção da casa de</p><p>uma jovem volúvel, uma prostituta, já no fim do dia. Ela chegou perto dele, atrevida e ousada, com roupas</p><p>sedutoras. Era do tipo impetuoso e vulgar, que se vê muito nas ruas e nas feiras, procurando homens em cada esquina para serem seus amantes.</p><p>Cercou-o com seus braços, deu-lhe beijos, e com um</p><p>olhar atrevido disse: “Resolvi fazer as pazes com você! Estava vindo à sua procura quando você apareceu!</p><p>Minha cama está com lençóis bonitos, coloridos, feitos de finíssimo linho importado do Egito, perfumados com mirra, aloés e canela. Venha, vamos nos saciar</p><p>com amor até de manhã, pois meu marido saiu para uma longa viagem. Levou consigo uma certeira bem cheia de dinheiro, porque vai ficar viajando durante muitos dias”.</p><p>Assim a moça o seduziu com suas palavras bonitas, adulando e atraindo com jeito, até que ele cedesse. Ele não pôde resistir sua adulação. Seguiu-a como o boi que vai para o matadouro, ou o veado que caiu numa armadilha, esperando ser morto por um tiro no coração. Ele estava como um pássaro que entra numa armadilha, sem saber o que o aguarda ali.</p><p>Escutem-me jovens, e além de ouvir, obedeçam. Não</p><p>deixem que seus desejos se descontrolem; não fiquem pensando nela; não cheguem perto dela; fiquem longe do lugar em que ela passeia, para que ela não venha</p><p>tentá-los e seduzi-los. Pois ela tem sido a ruína de multidões — muitos homens têm sido vítima dela. Se você quiser descobrir o caminho para o inferno, pro</p><p>cure a casa dela” (Provérbios 7:6-27 — Salmos e Provérbios Vivos).</p><p>98 Adolescência Feliz</p><p>Apesar de parecer que Salomão estava advertin</p><p>do apenas os homens para não serem imorais, isto</p><p>não é verdade. As leis de Deus se aplicam igualmente</p><p>a homens e mulheres, e são destinadas a beneficiar-</p><p>nos. O Senhor não faz restrições sem sentido a fim de</p><p>interferir em nosso prazer de felicidade. Ao contrário,</p><p>Ele nos advertiu contra certos comportamentos que</p><p>nos prejudicarão e às pessoas que nos cercam. Li</p><p>ainda hoje estes versículos do Salmo 19:</p><p>As leis de Deus são perfeitas. Elas nos protegem e nos fazem sábios; dão-nos alegria e luz.. . Pois elas nos</p><p>previnem contra a prática do mal e fazem triunfar</p><p>aqueles que lhes obedecem (Salmo 19:7,8,11 — Salmos e Provérbios Vivos).</p><p>Não acredite nos incrédulos que lhe dizem que</p><p>as “velhas regras” foram superadas. As instruções</p><p>de Deus jamais ficarão fora de moda, e faríamos bem</p><p>em segui-las em tudo.</p><p>Quero apresentar mais uma Escritura que men</p><p>ciona essas instruções eternas do Senhor:</p><p>Portanto, fora com as coisas pecaminosas e terrenas;</p><p>abafem os desejos malignos que estão à espreita dentro de vocês; não</p><p>em que você irá sair</p><p>vitorioso dela!</p><p>Adolescência Feliz</p><p>JAMES C. DOBSON, PH.D.</p><p>JMUMUMIUMUMU/'</p><p>O Segredo da Aüto-Estima</p><p>Você vai começar a ler um livro muito especial</p><p>sobre uma época importante da vida conhecida como</p><p>adolescência.. . aqueles anos entre a infância e a vida</p><p>adulta. Alguns de vocês têm nove, dez, ou onze anos</p><p>agora, e estão começando a pensar sobre o crescimen</p><p>to. Vocês não estão certos sobre o que está para vir,</p><p>mas estão excitados com a experiência e querem</p><p>saber mais detalhes. Este livro é escrito para vocês.</p><p>Outros já são adolescentes, e esses conceitos</p><p>serão importantes para eles também. Quer você esteja</p><p>esperando os seus anos de adolescência ou já faça</p><p>parte deles, logo compreenderá um pouco mais a</p><p>respeito das questões e problemas que irão provavel</p><p>mente ocorrer nos anos que imediatamente se segui</p><p>rão.</p><p>Mas, por que dar tanta importância à adolescên</p><p>cia? Por que nos esforçarmos para aprender a respei</p><p>to deste período da vida? Bem, para falar com since</p><p>ridade, o crescimento não será a coisa mais fácil que</p><p>você irá fazer. Não foi fácil para os que agora são</p><p>adultos, e não será fácil para você também. É sempre</p><p>difícil crescer, pois a vida apresenta muitas novas</p><p>exigências quando você entra numa nova fase. Você</p><p>não se lembra disso, estou certo, mas antes de ter</p><p>10 Adolescência Feliz</p><p>nascido estava dobrado bem tranqüilo dentro do cor</p><p>po quente de sua mãe. Podia ouvir o coração dela</p><p>batendo firme, suave e seguro, e você se sentia prote</p><p>gido e aquecido nesse mundo que Deus lhe proveu.</p><p>Todas as suas necessidades eram satisfeitas e não</p><p>havia um só cuidado em seu mundo. Você não tinha</p><p>nada com que se preocupar e nenhum aborreci</p><p>mento.</p><p>Mas quando chegou a ocasião apropriada, você</p><p>foi empurrado com força para fora desse bolso peque</p><p>no e perfeito, quer gostasse disso ou não (ninguém</p><p>lhe perguntou!), e entrou neste mundo frio onde um</p><p>médico o apanhou pelos calcanhares e lhe deu palma</p><p>das no traseiro. (Que recepção para um novo. compa</p><p>nheiro na vizinhança!)</p><p>Na verdade, enquanto estava pendurado ali,</p><p>olhando pela primeira vez para todas aquelas pessoas</p><p>de cabeça para baixo ao seu redor, você provavelmen</p><p>te gostaria de ter voltado àquele pequeno mundo</p><p>protegido que acabara de deixar. Mas você simples</p><p>mente não. podería ter continuado no ventre de sua</p><p>mãe caso tivesse de crescer, desenvolver-se e aprender</p><p>0 Desafio da Adolescência</p><p>De certa forma, entrar na adolescência é assim.</p><p>Você estava no mundo aquecido e seguro da infância.</p><p>Todas as suas necessidades foram satisfeitas por seus</p><p>pais: eles estavam ali para colocar um esparadrapo no</p><p>seu dedão quando bateu numa pedra, e beijaram seus</p><p>olhos molhados de lágrimas quando algo deu errado.</p><p>Você brincou quase todo o tempo, e a vida era</p><p>cor-de-rosa e confortável. Mas não é possível perma</p><p>necer para sempre nesse mundo da infância, não mais</p><p>do que podia continuar no ventre de sua mãe. Existe</p><p>algo melhor à sua frente — o estímulo do ato de</p><p>11</p><p>crescer, de tornar-se adulto, de ter a sua própria</p><p>família, de ganhar o seu sustento, de tomar as suas</p><p>próprias decisões, de ser independente. Este é o pro</p><p>cesso natural e necessário para a mudança da infância</p><p>para a idade adulta.</p><p>Infelizmente, porém, você não pode amadurecer</p><p>de repente. É preciso que saia primeiro do seu mundo</p><p>protegido da infância, e é justamente então que co</p><p>meçam as dificuldades. Haverá tempos em que a vida</p><p>lhe baterá no traseiro, por assim dizer, da mesma</p><p>forma que o fez antes. E você pode até sentir que</p><p>está pendurado pelos calcanhares de vez em quando.</p><p>Surgirão alguns temores e problemas novos, e o mun</p><p>do não se mostrará tão seguro quanto antes. Mas é</p><p>um mundo excitante, e será ainda melhor se souber o</p><p>que esperar.</p><p>Com essa introdução, portanto, quero descrever</p><p>algumas das novas experiências que estão prestes a</p><p>ocorrer. Você logo terá alguns dos momentos mais</p><p>emocionantes de sua vida (e alguns dos mais ame-</p><p>drontadores também!). Vamos falar das coisas com</p><p>que os adolescentes mais se preocupam — os aconteci</p><p>mentos que mais freqüentemente os perturbam. Que</p><p>ro ajudar você a familiarizar-se mais com a sua mente,</p><p>seus sentimentos, suas emoções, suas atitudes, seu</p><p>corpo, suas esperanças e sonhos, com quem você é,</p><p>para onde você vai, como chegar lá, e com as coisas</p><p>que provavelmente terá de enfrentar nos anos vindou</p><p>ros. Vamos enfrentar esses pontos de frente: nada</p><p>será considerado sensível ou delicado demais para</p><p>discutir, desde que seja importante para aqueles de</p><p>vocês que têm entre doze e vinte anos.</p><p>À medida que lerem este livro, espero que ele</p><p>faça com que desejem discutir o assunto com alguém</p><p>em quem confiem.. Que este seja apenas o começo;</p><p>comece a fazer as suas próprias perguntas, a expressar</p><p>0 Segredo da Auto-Estirm</p><p>12 Adolescência Feliz</p><p>suas próprias preocupações, e a fazer do crescimento</p><p>uma fase muito pessoal em sua vida.</p><p>O Desfiladeiro Sombrio</p><p>Vamos começar fazendo um jogo mental por</p><p>um momento. Imagine-se dirigindo um carro pequeno</p><p>na estrada. Você acabou de passar por uma cidadezi-</p><p>nha chamada Puberdade, mas agora está de volta na</p><p>via principal, e à direita vê uma placa onde se lê:</p><p>“Vila dos Adultos, oito anos para a frente” . Você</p><p>está se movimentando rápido pela estrada a 80 quilô</p><p>metros horários, em direção dessa nova cidade de que</p><p>tanto ouviu falar.</p><p>Mas, ao fazer uma curva, vê de repente um</p><p>homem abanando uma bandeira vermelha e mostran</p><p>do uma placa de advertência. Ele faz sinal para que</p><p>pare o mais depressa possível, e você então pisa no</p><p>breque e estaciona em frente do homem. Este se</p><p>aproxima da janela do carro e lhe diz: — Amigo,</p><p>tenho uma informação importante para lhe dar. Caiu</p><p>uma ponte cerca de um quilômetro daqui, abrindo</p><p>um buraco enorme que leva a um escuro desfiladeiro.</p><p>Se não tiver cuidado irá sair da beira da estrada e cair</p><p>nele e, naturalmente, se fizer isso, jamais chegará à</p><p>Vila dos Adultos.</p><p>Não é Possível Voltar</p><p>O que fazer? Você não pode voltar porque seu</p><p>carro não tem marcha-à-ré. Nenhum dos carros que</p><p>trafegam por essa estrada pode voltar. É como tentar</p><p>fazer marcha-à-ré numa estrada de duas mãos — não</p><p>pode ser feita. Você pergunta então ao homem com a</p><p>bandeira — O que devo fazer? e ele responde: —</p><p>13</p><p>Bem, vou lhe dar uma sugestão. Siga em frente, mas</p><p>vá com cuidado e fique observando a ponte destruí</p><p>da. Quando chegar a ela vire para a direita e siga para</p><p>o sul por dois ou três quilômetros. Encontrará um</p><p>lugar em que poderá então rodear o desfiladeiro e</p><p>voltar à estrada principal. Você não precisa cair no</p><p>buraco, pode rodeá-lo; agora, boa sorte e dirija com</p><p>cuidado.</p><p>Deixe que explique o sentido desta história. 0</p><p>automóvel que você está dirigindo representa a sua vida.</p><p>Ele tem o seu nome na porta. De fato, tem todas as</p><p>suas características e você está dirigindo este carro</p><p>esporte pela estrada da vida em direção à idade adul</p><p>ta. E, veja então, eu sou o homem com a bandeira,</p><p>de pé ao lado da estrada. Estou agitando a bandeira</p><p>para a frente e para trás, segurando na mão um aviso</p><p>e pedindo que pare. Quero advertir você sobre um</p><p>problema que está logo adiante na estrada, um “desfi</p><p>ladeiro” no qual muitos dos adolescentes caem na</p><p>estrada da maturidade. Este não é um problema que</p><p>afeta apenas alguns adolescentes; quase todo mundo</p><p>tem de tratar com ele de uma forma ou de outra</p><p>durante a adolescência.</p><p>Depois de ter feito você parar, eu me debruço</p><p>na janela do seu carro e lhe conto que muitos outros</p><p>jovens perderam a vida atirando-se por esse desfiladei</p><p>ro abaixo, mas posso mostrar-lhe como evitá-lo —</p><p>como rodear o perigo.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>A Agonia da Inferioridade</p><p>Que tipo de problema é este que tantos adoles</p><p>centes enfrentam nessa época da vida? O que é que</p><p>causa tanta mágoa e dor aos jovens entre doze e vinte</p><p>anos de idade? Trata-se de um sentimento de deses</p><p>14 Adolescência Feliz</p><p>pero que chamamos de “inferioridade”. É aquela ter</p><p>rível intuição de que ninguém gosta de você, que você</p><p>se metam em pecado sexual, impureza,</p><p>imoralidade e desejos vergonhosos; não adorem as coisas boas desta vida, pois isso é idolatria. A ira terrível de Deus está sobre aqueles que fazem tais coisas. Vocês costumavam fazê-las quando sua vida ainda era parte</p><p>deste mundo; entretanto, agora é o momento de arrancar e lançar fora todas essas roupas apodrecidas da</p><p>ira, o ódio, a blasfêmia e as palavras obscenas.</p><p>Não mintam uns aos outros; a vida velha que vocês</p><p>levavam, com toda a sua perversidade, é que fazia essa espécie de coisas: agora ela está morta e desapareceu.</p><p>Vocês estão vivendo uma espécie de vida totalmente nova, que consiste em estar continuamente aprenden</p><p>do cada vez mais o que é correto, e procurando cons</p><p>tantemente ser cada vez mais semelhantes a Cristo, que criou esta vida nova no íntimo de vocês. Nesta vida</p><p>A cho Que Estou A mando 99</p><p>100 Adolescência Feliz</p><p>não impoita a nacionalidade, a raça, a educação ou a posição social de alguém; estas coisas não significam</p><p>nada. O que importa é se a pessoa tem Cristo ou não, e Ele é igualmente acessível a todos.</p><p>Visto que vocês foram escolhidos por Deus, que lhes deu um novo tipo de vida, e por causa do seu profundo amor e preocupação por vocês, também vocês devem pôr em prática a bondade e uma piedade cheia de compaixão pelos outros. Não se preocupem em causar-lhes uma boa impressão, mas estejam preparados para sofrer com paciência e resignação. Sejam amáveis e prontos para perdoar; jamais guardem rancor. Lembrem-se que o Senhor os perdoou, portanto vocês devem perdoar os outros.</p><p>Acima de tudo, "deixem que o amor dirija a vida de vocês, porque assim toda a igreja permanecerá unida em perfeita harmonia (Colossenses 3:5-14 — Novo</p><p>Testamento Vivo).</p><p>Amor para Sempre?</p><p>Pergunta Número 8: “Creio que se o casal se</p><p>amar sinceramente, essa condição será permanente e</p><p>durará a vida inteira.”</p><p>Já respondí a essa pergunta no item 5 e ela é</p><p>também “falsa” . Eu lhe disse que o amor tem de</p><p>ser mantido ou poderá morrer. Este é provavelmente o</p><p>mais importante dos dez itens para os que já são</p><p>casados. Até mesmo seus pais devem saber que o</p><p>amor deles pode morrer se não procurarem mantê-lo</p><p>vivo. Eles devem tomar tempo para estar juntos, falar</p><p>um com o outro e orar juntos, não permitindo que</p><p>nada prejudique ou enfraqueça o seu relacionamento.</p><p>O amor precisa ser apoiado, alimentado e protegido,</p><p>como se fosse uma criança em crescimento num lar.</p><p>Espero que você se lembre deste ponto quando (e se)</p><p>se casar um dia.</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>Noivados Rápidos?</p><p>101</p><p>Pergunta Número 9: “Creio que um noivado</p><p>rápido, de seis meses ou menos, é melhor.”</p><p>Este ponto foi discutido dentro da resposta à</p><p>segunda pergunta, mas vamos repetir brevemente a</p><p>mensagem. Ninguém ficará surpreendido pelo fato de</p><p>a resposta certa ser novamente “falso”. Você deve</p><p>dar-se tempo para conhecer seus sentimentos, para</p><p>deixá-lo subir e descer naturalmente, antes de pode</p><p>rem ser adequadamente interpretados. Como já decla</p><p>rei, é demasiado perigoso prender-se num relaciona</p><p>mento permanente antes de ter uma oportunidade</p><p>para conhecer a sua própria mente ou decidir o que</p><p>quer da vida. Já vi muitos noivados rápidos que pro</p><p>duziram casamentos igualmente rápidos, e espero que</p><p>o seu não seja um desses.</p><p>Apaixonados Jovens e Velhos</p><p>Pergunta Número 10: “Creio que os adolescen</p><p>tes são mais capazes de amor sincero do que as pes</p><p>soas mais velhas.”</p><p>A resposta e este último item é também “fal</p><p>so”, porque o amor sincero exige uma certa medida</p><p>de maturidade. Veja bem, o amor dedicado só é</p><p>possível quando a pessoa tem a capacidade de dar-se a</p><p>si mesma. O amor não é cobiçoso nem egoísta. Amar</p><p>realmente é poder contribuir para a felicidade da</p><p>outra pessoa sem esperar nada de volta. E essa abne</p><p>gação exige considerável maturidade, que raramente</p><p>ocorre durante os anos tumultuados da adolescência.</p><p>É por isso que os casamentos de adolescentes com</p><p>102 Adolescência Feliz</p><p>freqüência começam e entram em colapso logo depois</p><p>da lua-de-mel.</p><p>A Frigideira e o Fogo</p><p>Permita que eu ofereça mais alguns conselhos so</p><p>bre os casamentos precoces. Não faça nunca o erro de</p><p>usar o casamento como um meio de fugir de seus pais</p><p>ou de suas circunstâncias. Alguns jovens entre dezes</p><p>sete e dezoito anos ficam aborrecidos com o ambien</p><p>te de casa, como a menina que me disse que a única</p><p>hora em que sente saudades do lar é quando está em</p><p>casa. Eles não se comunicam com os pais e brigam</p><p>com os irmãos. Então, num momento de grande infe</p><p>licidade surge uma ocasião de montar uma casa com</p><p>alguém que se sente igualmente miserável. Casar-se</p><p>pode parecer uma solução fácil para dois grandes</p><p>problemas, mas isso raramente funciona. Seria como</p><p>pular da frigideira para o fogo. Tal união pode ser (e</p><p>geralmente é) um relacionamento desastroso. De to</p><p>das as razões para casar-se o desejo de fugir aos pais é</p><p>uma das piores.</p><p>Em resumo, vou repetir a sugestão feita antes:</p><p>escolha seu companheiro com todo o cuidado depois</p><p>do seu vigésimo aniversário. Este conselho gratuito</p><p>pode evitar uma vida inteira de sofrimento para você</p><p>e outra pessoa.</p><p>O Verdadeiro Significado do Amor</p><p>Agora que você já leu as respostas para os dez</p><p>itens do teste, você sabe que todas são declarações</p><p>falsas. A razão por que as escolhi é pelo fato de</p><p>representarem os dez conceitos errados mais comuns</p><p>sobre o significado do amor. Essas são as dez idéias</p><p>erradas que ouço com mais freqüência quando acon</p><p>selho jovens.</p><p>Quero resumir a mensagem deste capítulo dan</p><p>do uma ilustração muito pesssoal. Quando minha es</p><p>posa Shirley tinha sete anos, a situação em sua casa</p><p>era muito triste por causa do alcoolismo de seu pai.</p><p>Isso fez com que ela pensasse sobre a pessoa com</p><p>quem se casaria um dia. Mais do que tudo no mundo</p><p>ela queria crescer e ter um lar feliz com um marido</p><p>cristão. Deus viu aquela menina tímida entrar no seu</p><p>quarto e fechar a porta. Viu-a ajoelhar-se e começar a</p><p>orar com seu modo infantil para que o Senhor aben</p><p>çoasse o seu futuro lar e lhe desse um marido que a</p><p>amasse e cuidasse dela. Deus respondeu a essa oração.</p><p>Shirley e eu temos uma união maravilhosa e fomos</p><p>abençoados com dois filhos que significam tudo para</p><p>nós.</p><p>Encontrei-me com Shirley quando estávamos na</p><p>faculdade (durante o mês de setembro naturalmente)</p><p>e comecei a amá-la gradualmente. Note que eu não</p><p>disse “apaixonei-me” por ela. Essa frase pode ser mal</p><p>interpretada, fazendo com que os jovens acreditem</p><p>que amar é como cair num poço. Não é isso que</p><p>acontece. Eu não me apaixonei de repente por Shir</p><p>ley .. . nossa intimidade foi crescendo. Depois que</p><p>passou a primeira onda de emoção, comecei a apre</p><p>ciar profundamente aquela jovem. Gostava do seu</p><p>senso de humor e- sua personalidade agradável. Via</p><p>como ela amava a Deus e as coisas mais elevadas da</p><p>vida. E, pouco a pouco, passei a sentir dèsejo de</p><p>fazê-la feliz, satisfazendo as suas necessidades, dando-</p><p>lhe um lar, e vivendo em sua companhia.</p><p>Mas você deve saber que nem sempre me sinto</p><p>intensamente romântico e cheio de amor para com</p><p>Shirley. Existem ocasiões em que ficamos próximos e</p><p>outras distantes. Algumas vezes ficamos cansados e</p><p>A cho Que Estou A mando 103</p><p>104 Adolescência Feliz</p><p>aborrecidos com os cuidados da vida, e isso afeta as</p><p>nossas emoções. Todavia, mesmo quando o sentimen</p><p>to de proximidade desaparece, o amor permanecei</p><p>Por quê? Porque nossa relação não depende de um</p><p>sentimento temporário; ela é baseada num compro</p><p>misso inabalável da vontade. Em outras palavras, to</p><p>mei a decisão de dedicar-me aos melhores interesses</p><p>de Shirley, mesmo quando não sinto nada. Sei que a</p><p>emoção da proximidade voltará quando tivermos tem</p><p>po para estar juntos.. . quando estivermos de fé</p><p>rias. . . quando coisas estimulantes acontecerem.. .</p><p>quando estivermos fazendo coisas românticas juntos.</p><p>Mais cedo ou mais tarde o sentimento vai voltar e</p><p>durará por dias. Mas quando fico ocupado.. . quando</p><p>minha mente está em outras coisas. . . quando houver</p><p>doença ou dificuldades na</p><p>família. . . é provável que</p><p>minhas emoções esfriem de novo.</p><p>As suas emoções vão flutuar também. É por</p><p>isso que você precisa compreender que o amor é mais</p><p>do que um sentimento — ele também envolve o</p><p>compromisso da vontade. Você precisa de uma deter</p><p>minação de ação para fazer de seu casamento um</p><p>sucesso, que irá funcionar como a máquina de um</p><p>trem. Ela fará com que você se mantenha no trilho</p><p>certo. Por outro lado, o sentimento do amor é como</p><p>um carro-breque puxado pela poderosa máquina na</p><p>outra extremidade.</p><p>Uma Palavra Final</p><p>Se eu tivesse de colocar a mensagem deste capí</p><p>tulo inteiro em uma sentença, eu diria que amar</p><p>verdadeiramente é preocupar-se com uma outra pes</p><p>soa quase tanto quanto você se preocupa consigo</p><p>mesmo. A Bíblia descreve exatamente assim o amor</p><p>conjugal — ele é tornar-se “uma só carne” com ou</p><p>trem. Vocês dois se transformam na verdade em um</p><p>só. Isso é muito mais do que casar-se com alguém que</p><p>fará algo de bom para mim. Pelo contrário, é apren</p><p>der a amar alguém tanto quanto amo minha própria</p><p>carne, e pelo casamento nós nos unimos. Esse é o</p><p>verdadeiro significado do amor. Se você tem essa</p><p>espécie de apreciação por uma outra pessoa, está no</p><p>caminho para um lar feliz.</p><p>A cho Que Estou A mando 105</p><p>DCINC05CINC0C</p><p>Uma Noção Chamada Emoção</p><p>Nós discutimos o desfiladeiro da inferioridade,</p><p>os perigos do conformismo, as mudanças físicas da</p><p>puberdade, e o significado do amor. Está em tempo</p><p>agora de ter uma idéia melhor das emoções (ou senti</p><p>mentos) que ocorrem com freqüência durante os anos</p><p>da adolescência. Este tópico é especialmente impor</p><p>tante porque as mudanças que estão prestes a ocorrer</p><p>em sua mente serão quase tão dramáticas como aque</p><p>las que logo afetarão o seu corpo. Você está agora</p><p>nos últimos momentos da infância, e uma vez que a</p><p>deixe não pode mais voltar.</p><p>Talvez a melhor maneira de começar a fazer</p><p>com que você conheça as emoções da adolescência é</p><p>contar uma história pessoal sobre o dia mais triste de</p><p>minha própria infância. Ele começou às onze da ma</p><p>nhã quando eu estava na sétima série. Eu estava</p><p>sentado na classe quando um menino ao meu lado me</p><p>apontou a porta. Olhei naquela direção e vi meu pai</p><p>me chamando. Ele me disse que íamos para casa e</p><p>que eu não voltaria à escola naquele dia, mas não</p><p>explicou a razão.</p><p>Enquanto nos dirigíamos para o carro senti que</p><p>meu pai tinha algo terrível a dizer-me. Eu podia ver a</p><p>tensão nos olhos dele, mas tinha medo de perguntar o</p><p>que tinha acontecido. Finalmente ele se voltou para</p><p>mim e disse: — Jim, tenho más notícias para você e</p><p>quero que as receba como um homem.</p><p>Eu respondí: É minha mãe?</p><p>Ele replicou: — Não.</p><p>Disse então: — É o meu cachorro então, não é?</p><p>Meu pai confirmou com a cabeça e começou a</p><p>contar-me os detalhes. Ele disse que minha mãe esta</p><p>va voltando de carro para casa alguns minutos antes.</p><p>Meu cachorrinho, o Pogo, viu-a chegar e correu ao</p><p>seu encontro. Ele pulou do lado do carro quando este</p><p>passou, mas aparentemente perdeu o equilíbrio e caiu</p><p>debaixo da roda de trás. Mamãe sentiu o barulho do</p><p>corpo dele ao bater no carro e ao passar por cima.</p><p>Pogo ganiu de dor e depois ficou estendido na rua.</p><p>Mamãe parou imediatamente o carro e voltou</p><p>correndo até onde ele estava. Ela curvou-se para ele e</p><p>lhe falou com doçura, mas ele não podia responder</p><p>porque tinha a espinha quebrada, mas podia olhar</p><p>para ela e reconhecê-la. Quando viu quem era, Pogo</p><p>abanou a cauda, e ainda continuava abanando o rabi-</p><p>nho quando seus olhos se fecharam e morreu.</p><p>üma Noção Chamada Emoção 107</p><p>A Perda de Um Amigo</p><p>Pode parecer que a perda de um cão não seja</p><p>algo tão terrível assim, mas a morte de Pogo foi</p><p>como o fim do mundo para mim. Eu simplesmente</p><p>não posso descrever como ele era importante para</p><p>mim quando tinha treze anos. Ele era um amigo</p><p>muito especial que eu amava mais do que alguém</p><p>pode imaginar. Eu podia falar com ele sobre coisas</p><p>que ninguém mais parecia compreender. Ele ia encon</p><p>trar-se comigo na calçada quando voltava da escola e</p><p>balançava a cauda para cumprimentar-me (coisa que</p><p>ninguém mais fazia para mim). Eu o levava para o</p><p>108 Adolescência Feliz</p><p>quintal e nós brincávamos e corríamos juntos. Ele</p><p>estava sempre de bom humor, mesmo quando eu não</p><p>estava. É verdade, Pogo e eu tínhamos uma afeição</p><p>mútua quê só os apreciadores de cães podem com</p><p>preender.</p><p>Quando meu pai me contou esta história da</p><p>morte de Pogo, eu pensei que fosse morrer. Não</p><p>podia engolir e tinha dificuldade para respirar. Eu</p><p>queria fugir.. . gritar. . . chorar. Em vez disso, fiquei</p><p>sentado no carro com um grande nó em minha gar</p><p>ganta e a cabeça martelando.</p><p>Não me lembro exatamente como passei aquela</p><p>tarde em casa, apesar .de recordar-me que chorei gran</p><p>de parte do tempo. Em breve compus um poema em</p><p>memória do meu cão, chamado “Para Pogo”. Não era</p><p>a maior obra literária de todos os tempos, mas ex</p><p>pressava muito bem os meus sentimentos. As últimas</p><p>quatro linhas diziam o seguinte:</p><p>Minha mãe o apanhou com o carro, e como chorei</p><p>Assim, sem barulho um cachorrinho morreu E se há um céu para cachorros, sei que ele ali está Ele é o meu pobre e pequenino Pogo, com pêlos brancos e bonitos.</p><p>Mais tarde, naquele mesmo dia, nossa família</p><p>conduziu um serviço funerário para o querido cãozi-</p><p>nho que partira. Eu cavei um pequeno buraco por</p><p>trás dos pés de uva no fundo de nossa propriedade, e</p><p>quando o sol se punha colocamos seu corpo rígido na</p><p>cova. No momento em que íamos cobri-lo, pus a mão</p><p>no bolso e tirei uma moeda de cobre. Coloquei-a</p><p>sobre o pêlo ensangüentado de seu peito. Hoje não</p><p>sei por que fiz isso, mas penso que foi a minha manei</p><p>ra infantil de dizer ao meu cão que eu o amava. E</p><p>meu pai, que me dissera para aceitar a coisa como um</p><p>homem, chorou como uma criança naquela ocasião.</p><p>Foi sem dúvida o dia mais triste da minha infância.</p><p>É importante compreender que houve muitos</p><p>outros momentos significativos em minha vida desde</p><p>aquele dia da morte de Pogo. Houve mais dias impor</p><p>tantes e certamente perdas maiores do que aquela que</p><p>experimentei naquela manhã sombria. Todavia, houve</p><p>poucos dias mais tristes até hoje. Por quê? Porque eu</p><p>tinha treze anos quando Pogo morreu. Isso fazia com</p><p>que tudo parecesse muito pior.</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 109</p><p>Os Sentimentos Mais Fortes</p><p>Veja bem, tudo é sentido com mais força du</p><p>rante a infância e especialmente durante a adolescên</p><p>cia. Você se lembra da primeira cereja coberta de</p><p>chocolate que comeu quando criança? Pode lembrar-</p><p>se como era gostosa, como o sabor delicioso encheu a</p><p>sua boca? Eu> ganhei esse doce delicioso pela primeira</p><p>vez quando tinha seis anos. Eu tinha caído e machu</p><p>cado o lábio, precisando levar alguns pontos. Eu fui</p><p>um “menino tão corajoso” enquanto estava sendo</p><p>costurado que o médico me meu uma cereja coberta</p><p>de chocolate como prêmio. Eu nunca tinha experi</p><p>mentado nada como aquilo. Posso lembrar-me até</p><p>hoje disso. Durante semanas o sabor daquele doce</p><p>permanecia em minha boca, e eu ansiava por ganhar</p><p>outro. Eu até pensei em machucar de novo o lábio</p><p>para ser recompensado outra vez pela minha coragem!</p><p>Como é evidente, os doces já não são tão importantes</p><p>assim hoje para mim, porque os meus desejos não são</p><p>tão fortes na idade adulta como o eram na infância.</p><p>Você se lembra da primeira vez em que viajou de</p><p>barco? Lembra-se da primeira vez que foi ao dentista?</p><p>(Quem pode esquecer-se dessa experiência?) Meu</p><p>ponto é que quando você é jovem, as boas coisas</p><p>parecem mais surpreendentes, e as coisas más mais</p><p>110 Adolescência Feliz</p><p>intoleráveis. Essa a razão por que a morte de Pogo</p><p>quase me matou.</p><p>Por que lhe contei isto? O que tal episódio</p><p>pode significar para o seu futuro? Significa que os</p><p>seus próprios sentimentos irão provavelmente tornar-</p><p>se ainda mais intensos durante os próximos anos. A</p><p>adolescência é assim. As pequenas coisas que não irão</p><p>sequer perturbá-lo mais tarde na vida, são momento-</p><p>sas nessa idade. Os seus temores serão piores, seus</p><p>prazeres mais excitantes, ,suas irritações mais aflitivas,</p><p>e suas frustrações mais intoleráveis. Toda experiência</p><p>parecerá “tamanho família” no começo da adolescência.</p><p>Essa a razão por que os adolescentes são com freqüên-</p><p>cia tão explosivos, por que fazem às vezes coisas sem</p><p>pensar e depois se arrependem do seu comportamen</p><p>to. Você logo aprenderá que os sentimentos são pro</p><p>fundos e poderosos durante os anos da adolescência.</p><p>Existem mais seis características das emoções</p><p>durante a adolescência que gostaria de discutir com</p><p>você brevemente. Vamos começar observando o “ioiô</p><p>humano”.</p><p>1. AS EMOÇÕES CÍCLICAS</p><p>Será de ajuda para você saber que os sentimen</p><p>tos tendem subir e a descer, a descer e a subir. “Grande</p><p>coisa” dirá você, “e o que isso significa? ” Significa</p><p>que quando estiver deprimido e infeliz, quando nada</p><p>anda direito e parece que não vale a pena viver,</p><p>agüente firme por alguns dias. Você não vai continuar</p><p>deprimido por muito tempo. As suas circunstâncias</p><p>vão mudar e o sol brilhará de novo. Mais cedo ou</p><p>mais tarde você vai acordar certa manhã e ficar con</p><p>tente por estar vivo. Você vai pular da cama, assobiar</p><p>para os passarinhos, abanar a mão para as flores e</p><p>cantar o dia inteiro.</p><p>Devo, porém, avisá-lo de que este sentimento</p><p>positivo também não vai durar. Veja você, poucas</p><p>pessoas se mantêm extremamente felizes ou demasia</p><p>do deprimidas por muito tempo. 0 padrão comum de</p><p>todas as emoções é mover-se para cima e para baixo</p><p>o ano inteiro. De fato, todos nós somos como “ioiôs”</p><p>nesse sentido. Assim sendo, quando estiver no alto</p><p>emocionalmente, espere descer; quando estiver na</p><p>mais funda depressão espere subir. Dessa forma não</p><p>vai sentir-se surpreso nem deprimido quando ocorrer</p><p>uma mudança súbita. Outra maneira de descrever es</p><p>ses sentimentos instáveis é dizer que as emoções hu</p><p>manas são cíclicas. Elas ocorrem em padrões regulares</p><p>e são influenciadas pela quantidade de sono que teve,</p><p>pelo seu estado de saúde, e de acordo com os acon</p><p>tecimentos que ocorrem em sua vida. Para falar a</p><p>verdade, o mundo não é realmente como ele parece a</p><p>você e a mim; nossas emoções distorcem ou modifi</p><p>cam de alguma forma o quadro real. Isso não dá o</p><p>que pensar?</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 111</p><p>2. AS IMPRESSÕES FALÍVEIS</p><p>O segundo aspecto das emoções que você deve</p><p>compreender está ligado ao perigo das impressões.</p><p>Uma impressão é um pensamento interior que você</p><p>acredita ter vindo de Deus ou de algum lugar desco</p><p>nhecido. Por exemplo, conheço um jovem que estava</p><p>dirigindo o seu carro pela rua e teve o pressentimento</p><p>de que logo morreria. Ele pareceu “ouvir” esta men</p><p>sagem dentro de sua mente: “Sua vida está quase no</p><p>fim”. Ele julgou que Deus estivesse lhe dizendo que</p><p>se preparasse para morrer. Sua testa ficou coberta de</p><p>suor e sentiu a boca seca. As mãos ficaram úmidas e</p><p>o coração começou a bater desordenadamente. Aque</p><p>le rapaz pensou que estivesse realmente nos últimos</p><p>112 Adolescência Feliz</p><p>momentos de sua vida. Em sua aflição ele quase</p><p>bateu com o carro num poste telefônico (o que teria</p><p>confirmado a impressão, suponho eu). Mas posso as</p><p>segurar-lhe que o jovem em questão continua vivo e</p><p>passando bem.</p><p>Você pode ter diferentes impressões, e se acre</p><p>ditar nelas poderá tomar decisões erradas. Algumas</p><p>impressões poderíam levá-lo a casar-se repentinamen</p><p>te, ou fazê-lo mudar de cidade, ou deixar a escola, ou</p><p>alistar-se no Exército. Quando esses pensamentos e</p><p>sensações estranhos vierem, lembre-se de que Deus</p><p>raramente faz exigências que necessitem de uma mu</p><p>dança imediata. Conceda a si mesmo alguns dias ou</p><p>semanas a fim de olhar para todos os lados da ques</p><p>tão. E quanto mais importante a decisão, tanto mais</p><p>cuidadosamente você deve examinar os fatos.</p><p>Como Conhecer a Vontade de Deus</p><p>Eu já disse que as impressões não podem servir</p><p>como base segura para que tomemos decisões rápidas.</p><p>Como pode então um jovem conhecer a vontade de</p><p>Deus numa situação particular? Como pode ele saber</p><p>a diferença entre um sentimento irreal e a verdadeira</p><p>orientação do Senhor? Quero fazer cinco breves suges</p><p>tões que irão ajudar nesta tarefa.</p><p>Primeiro, fale com outra pessoa sobre a decisão</p><p>a ser tomada; discuta a mesma com alguém em quem</p><p>tenha confiança e com quem possa partilhar suas</p><p>idéias.</p><p>Segundo, leia a Bíblia a fim de obter orientação.</p><p>Deus irá falar com você através das suas Escrituras, e</p><p>Ele jamais lhe pedirá que faça algo que contradiga a</p><p>sua Palavra.</p><p>Terceiro, observe para ver quais as portas que se</p><p>abrem e quais as que se fecham. Se Deus estiver</p><p>orientando você em uma dada situação, Ele irá operar</p><p>através do que chamamos “circunstâncias providen</p><p>ciais” . Ele irá criar oportunidades para você fazer o</p><p>que Ele quer. Você não terá de “martelar” os obstá</p><p>culos se Deus estiver envolvido.</p><p>Quarto, conceda a si mesmo bastante tempo</p><p>para pensar. Não tome grandes decisões enquanto</p><p>estiver confuso. Esse é um bom princípio a seguir em</p><p>toda a sua vida. Enquanto não estiver seguro sobre o</p><p>que fazer, evite a decisão final tanto quanto possível.</p><p>Você pode estar muito mais confiante dentro de</p><p>alguns dias.</p><p>Quinto, ore pedindo a orientação, a bênção e a</p><p>liderança de Deus.</p><p>Essas são apenas algumas sugestões para ajudá-lo</p><p>a tratar com as impressões que virão durante os</p><p>próximos anos de sua vida. É bom compreender que</p><p>esses impulsos fazem parte da adolescência. Não per</p><p>mita que eles o levem a fazer algo que possa prejudi</p><p>car o restante de seus dias. Em outras palavras, seja</p><p>cautelosol</p><p>3. A DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA</p><p>Vamos falar agora de coração aberto sobre ou</p><p>tro problema emocional que geralmente surge durante</p><p>a adolescência; nós o chamamos de “conflito de gera</p><p>ções” . Esta frase se refere à irritação e sentimentos</p><p>desagradáveis que provavelmente ocorrerão entre você</p><p>e seus pais durante os anos de adolescência.</p><p>Como posso eu prever que sua mãe e seu pai</p><p>vão ficar aborrecidos com você, e você com eles, nos</p><p>próximos anos? A razão disso é que sei que mudanças</p><p>que produzem tensão vão logo ocorrer no seu relacio</p><p>namento. Quando você nasceu era totalmente depen</p><p>dente de seus pais — a sua vida estava nas mãos dele</p><p>e não podia fazer nada por si mesmo: você não podia</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 113</p><p>114 Adolescência Feliz</p><p>virar, não podia coçar a cabeça, não podia sequer</p><p>pedir alimento a não ser usando aquele choro estri</p><p>dente que Deus lhe deu.</p><p>Mas à medida que cresceu, e aprendeu, e desen</p><p>volveu-se, você começou a libertar-se dessa dependên</p><p>cia. Você logo passou a segurar a sua mamadeira e</p><p>um pouco mais tarde conseguiu dormir a noite toda</p><p>sem ser alimentado. Depois aprendeu a engatinhar e a</p><p>andar. Cada vez que aprendeu um novo comporta</p><p>mento, conseguiu maior independência de seus pais.</p><p>Em lugar de ser preciso que lhe lavassem as orelhas,</p><p>você teve idade suficiente para fazer isso sozinho. Em</p><p>lugar de recolher os seus brinquedos, fazer a sua cama</p><p>e lhe dar cada centavo de que necessitasse, seus pais</p><p>lhe passaram essas novas responsabilidades. Mais tarde</p><p>você aprendeu a completar tarefas mais difíceis e a</p><p>pensar por si mesmo. A cada passo do processo de</p><p>crescimento você se tornou mais independente de seus</p><p>pais e eles obtiveram uma nova liberdade da sua</p><p>tareta de servi-lo. Dentro de poucos anos essa tarefa</p><p>estará completada. Você vai ficar completamente in</p><p>dependente de seu pai e sua mãe, e eles estarão total</p><p>mente livres de sua obrigação de servir você.</p><p>Liberdade Total</p><p>É melhor que se prepare para isso: você logo vai</p><p>ser o seu próprio dono. Vai decidir quando sair e</p><p>quando voltar, com quem irá passar o seu tempo,</p><p>quando dormir, quando comer, e exatamente o que</p><p>vai fazer de sua vida. Você vai decidir se irá adorar a</p><p>Deus ou ignorá-10. Seus pais não mais poderão exigir</p><p>nada de você porque não é mais uma criança. De</p><p>fato, o seu relacionamento com seus pais deveria</p><p>tornar-se mais como uma amizade, em lugar de eles</p><p>serem seus supervisores e disciplinadores. O que estou</p><p>dizendo é que a infância começa com uma grande</p><p>dependência no nascimento e se move em direção à</p><p>independência total</p><p>no fim da adolescência. Ao mes</p><p>mo tempo, os seus pais estarão mudando de servos</p><p>para pessoas livres novamente. Esse é o significado da</p><p>infância, adolescência e paternidade.</p><p>0 que isto tem a ver com o conflito que previ?</p><p>Quando uma pessoa chega aos quatorze, quinze ou</p><p>dezesseis anos, ela experimenta a independência e</p><p>começa a exigir liberdade total imediatamente. Ela</p><p>quer tomar as suas próprias decisões, quer governar a</p><p>sua própria vida. 0 jovem começa a ressentir-se do</p><p>controle dos pais e quer provar que não é mais uma</p><p>criança. Os pais sabem porém que o filho ou a filha</p><p>não está preparado para a liberdade total (indepen</p><p>dência). Ele ainda precisa da sua orientação em certas</p><p>áreas e estão decididos a fazer isso. O resultado pode</p><p>ser uma luta penosa que pode perdurar por três ou</p><p>quatro anos.</p><p>Existe uma outra dimensão neste conflito. En</p><p>quanto o adolescente está exigindo completa indepen</p><p>dência da autoridade dos pais, ele também insiste em</p><p>ser muito dependente em certos pontos. Por exemplo,</p><p>ele quer refeições quentes na mesa três vezes por dia</p><p>e espera que suas camisas sejam passadas e suas con</p><p>tas do médico pagas, assim como as suas meias lava</p><p>das. Em outras palavras, ele quer liberdade sem res</p><p>ponsabilidade. Essa combinação não vai funcionar. Se</p><p>a pessoa não está preparada para aceitar todas as</p><p>responsabilidades da vida, não está então pronta para</p><p>dispor de liberdade irrestrita.</p><p>Estou dizendo que um milhão de outras famílias</p><p>lutaram a respeito dessas questões de dependência-in-</p><p>dependência, e com a sua irá provavelmente acontecer</p><p>o mesmo. Se ocorrer conflito entre você e seus pais</p><p>espero que lembre que esta tensão faz parte do cresci</p><p>mento. Isso não quer dizer que você não ame seus</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 115</p><p>pais ou que eles não o amem. Trata-se de uma luta</p><p>natural que ocorre quando você começa a exigir mais</p><p>liberdade do que seus pais sabem que será saudável na</p><p>ocasião. A melhor coisa a fazer é conversar com eles</p><p>francamente sobre tais assuntos. Se achar que não</p><p>estão lhe dando a independência que cabe à sua idade,</p><p>diga isso claramente. Diga-lhes que acha que tem</p><p>idade bastante para tomar mais decisões por si mesmo</p><p>(e aceite a responsabilidade pelas mesmas). Todavia,</p><p>você precisa ser razoável. Aconselho-o a ceder à lide</p><p>rança de seus pais quando eles se firmam numa</p><p>decisão. Como sabe, eles põem sempre os seus melho</p><p>res interesses em primeiro plano.</p><p>116 Adolescência Feliz</p><p>Minha Mensagem</p><p>Quero concluir este ponto contando o que disse</p><p>a meu filho e minha filha com relação a este assunto</p><p>da independência. Talvez os seus pais adotem as mes</p><p>mas atitudes expressas na mensagem abaixo:</p><p>Primeiro, quero que saiba quanto o amo. Um dos maiores privilégios de minha vida foi a oportunidade</p><p>de criá-lo. . . ser seu pai e vê-lo creser. Todavia, você</p><p>está entrando agora numa nova fase da vida conhecida como adolescência, que algumas vezes causa tensão</p><p>numa relação de amor como a nossa. Haverá ocasiões</p><p>nos próximos anos quando você vai querer que eu lhe dê mais liberdade do que acho que pode ter. Você</p><p>pode desejar ser seu próprio dono e tomar todas as suas decisões antes de eu achar que está pronto para</p><p>essa independência. Esta situação pode criar algum conflito entre nós, apesar de esperar que não seja muito grande.</p><p>Se isso ocorrer, entretanto, quero que saiba que vou transigir o mais que puder em cada caso. Vou ouvir o seu ponto de vista e depois tentar entender seus sentimentos e atitudes. Não serei um “ditador” que não se importa com as necessidades ou desejos de outra pes</p><p>soa. Em outras palavras, meu amor por você me levará a tentar fazê-lo feliz, se possível.</p><p>Por outro lado, você pode esperar que eu diga “não” quando meu melhor julgamento exigir isso. A coisa mais fácil do mundo seria dizer: - Vá e faça o que quiser. Não me incomodo com que amigos esteja ou</p><p>que notas tire na escola. Vou ficar de longe e pode fazer o que quiser. - Essa seria uma maneira simples de evitar todo conflito e ressentimento entre nós.Mas o amor exige que eu faça o que é certo, mesmo que não lhe agrade. Você logo verá que tenho a coragem</p><p>de tomar tais decisões quando for preciso. Assim sen</p><p>do, momentos de tensão podem ocorrer nos próximos anos. Mas quando isso acontecer, quero que se lembre de que amo você e você me ama, e vamos permanecer</p><p>amigos através desses tempos difíceis. O mundo pode ser um lugar frio e solitário sem o apoio dos membros</p><p>amorosos da família; essa a razão por que vamos continuar a cuidar uns dos outros nesta casa. Penso que quando você chegar aos vinte anos e olhar para trás,</p><p>para esses conflitos, apreciará o fato de que o amei suficientemente para libertá-lo gradualmente e à medi</p><p>da que você estava preparado para responsabilidades adicionais.</p><p>Se você for sábio e amadurecido, aceitará esta</p><p>mensagem de seus pais durante os anos que vão da</p><p>infância à idade adulta. Em outras palavras, você não</p><p>fará a sua “declaração de independência” cedo de</p><p>mais.</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 117</p><p>4. NÃO MAIS O FILHINHO DA MAMÃE</p><p>O desejo de independência cria uma estranha</p><p>sensibilidade entre os adolescentes com relação a se</p><p>rem vistos na presença dos pais. Como é estranho que</p><p>um adolescente se sinta embaraçado de sentar num</p><p>restaurante ou assistir a um jogo de basquete com os</p><p>pais que o criaram desde o nascimento! Não obstante</p><p>você pode sentir-se assim num futuro próximo. Não é</p><p>118 Adolescência Feliz</p><p>que passou repentinamente a não gostar de seus pais,</p><p>ou que ache demasiado bom para eles. O problema é</p><p>que você quer que seus amigos pensem que está</p><p>crescido, e ser visto com os pais pode parecer algo</p><p>infantil. Isto é especialmente verdade na noite de</p><p>sexta-feira, que é a noite tradicional para os “encon</p><p>tros”.</p><p>Como sei a respeito deste sentimento embaraço</p><p>so? Porque eu detestava ser visto com meus pais</p><p>quando estava no ginásio. De fato, uma das minhas</p><p>experiências mais desagradáveis ocorreu no dia em</p><p>que me formei na oitava série. Meu pai fez o que</p><p>qualquer pai orgulhoso teria feito — ele levou sua</p><p>máquina de cinema e tirou minha fotografia na frente</p><p>da escola com meus amigos à minha volta. Lembro-</p><p>me do meu ressentimento por ele estar ali naquele dia.</p><p>Senti-me ridículo com aquela máquina apontada para</p><p>mim. Eu não queria ser mais um menininho, que</p><p>estava sendo filmado pelo pai. Ele teria feito isso se</p><p>eu tivesse três anos de idade e acabado de ganhar um</p><p>novo triciclo. Quando assisto hoje àquele filme, posso</p><p>reconhecer o olhar de embaraço em meu rosto como</p><p>um aluno de oitava série acanhado.</p><p>Esses são alguns dos sentimentos que você pro</p><p>vavelmente terá nos próximos anos. Como é natural,</p><p>nem todos sentem a mesma coisa. Essa é uma coisa</p><p>fantástica sobre o ser humano — todos somos diferen</p><p>tes de alguma forma, e você talvez nunca experimente</p><p>esse sentimento que descreví. Mas você provavelmente</p><p>ficará embaraçado quando seus pais estiverem perto</p><p>de seus amigos. Não é que você não os ame, não</p><p>precisa sentir-se culpado a esse respeito, mas é porque</p><p>você quer crescer e está preocupado com a pressão do</p><p>grupo. É uma parte normal da experiência da adoles</p><p>cência.</p><p>Brincadeiras na Gasse</p><p>Antes de deixar de lado o tema, quero contar-</p><p>lhe algo engraçado. Minha mãe usava essa pressão</p><p>social para obrigar-me a um comportamento adequa</p><p>do na escola. Tudo começou quando eu decidi que</p><p>era mais divertido brincar do que estudar e aprender.</p><p>Eu tinha dois professores que não sabiam controlar</p><p>bem os alunos e meus amigos e eu gostávamos de</p><p>fazer confusão na aula dele todos os dias. Eu estava</p><p>me divertindo muito, mas minhas notas começaram a</p><p>baixar. Eu sabia que aquilo não estava direito, porém</p><p>gostava do brinquedo. Minha mãe de alguma forma</p><p>ficou sabendo de minhas brincadeiras mesmo antes de</p><p>as notas serem distribuídas. Eu não sei como ela</p><p>descobriu, mas sempre parecia saber o que eu estava</p><p>pensando.</p><p>Certo dia ela me fez sentar para uma pequena</p><p>conversa. Mamãe falou: — Eu sei o que você está</p><p>fazendo na escola. Você não</p><p>só podia estar tirando</p><p>notas melhores, como estou certa que está perturban</p><p>do as aulas também. Estive pensando no que fazer. Eu</p><p>podia castigá-lo ou tirar os seus privilégios, ou podia</p><p>falar com o diretor. Mas decidi não fazer nada disso.</p><p>Não vou fazer mesmo nada sobre o seu comporta</p><p>mento. Mas, se o professor ou o diretor me chama</p><p>rem para queixar-se da sua conduta, então no dia</p><p>seguinte irei à escola com você e vou ficar sentada a</p><p>seu lado em todas as aulas. Vou segurar a sua mão no</p><p>corredor e ficarei atrás de você quando estiver com</p><p>seus amigos. Vou ficar com o braço em volta do seu</p><p>pescoço o tempo todo na escola. Você não vai poder</p><p>ficar longe de mim nem por um minuto!</p><p>Pode crer, essa ameaça me aterrorizou! Eu pre</p><p>feria muito mais que minha mãe me batesse do que</p><p>fosse à escola comigo. Só de pensar nessa terrível possi</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 119</p><p>120 Adolescência Feliz</p><p>bilidade me fez mudar imediatamente. Eu não podia</p><p>correr o risco de ter minha mãe me seguindo naquela</p><p>escola! Seria o mesmo que suicidar-me socialmente.</p><p>Meus amigos teriam rido de mim o resto do ano.</p><p>Estou certo de que os professores ficaram imaginando</p><p>por que de repente eu me tornei tão cooperativo du</p><p>rante a última parte da nona série! Pense nisso. Esta</p><p>tragédia poderia acontecer com você também!</p><p>5. A IDADE DA CONFUSÃO</p><p>Vamos voltar agora nossa atenção para um quin</p><p>to aspecto das emoções da adolescência que você</p><p>deve antecipar. Se for como a maioria dos adolescen</p><p>tes, logo irá experimentar um período de confusão</p><p>sobre aquilo em que acredita. Quando criança você</p><p>aprendeu o que era verdade, como o mundo era,</p><p>quais ps valores a manter, o que respeitar, e do que</p><p>desconfiar. Você aceitou todos esses ensinamentos sem</p><p>qualquer dúvida ou suspeita. Quando seus pais dis</p><p>seram: — Papai Noel vai descer pela chaminé à meia-</p><p>noite — você esperou realmente que o alegre e gordo</p><p>velhinho fizesse isso.</p><p>À medida que progride através da adolescência,</p><p>porém, será natural examinar cada uma dessas crenças</p><p>que aprendeu,. Chegará provavelmente um momento</p><p>em que dirá: — Espere um pouco. Será que aceito</p><p>realmente o que meus pais me disseram? Posso con</p><p>fiar neles para me contarem a verdade? Vamos pen</p><p>sar nisto antes de tirar qualquer conclusão!</p><p>Este período de interrogações é um aconteci</p><p>mento muito importante em sua vida como cristão.</p><p>Pode ser o momento em que você desenvolva a sua</p><p>própria relação com Deus em lugar de deixar-se levar</p><p>pela religião de seus pais. Por outro lado, pode ser um</p><p>período angustiante por causa da confusão que traz.</p><p>Esta é a razão por que menciono isso agora para você,</p><p>é para que não fique muito perturbado durante aque</p><p>les dias em que nada mais parece certo. Se continuar</p><p>procurando respostas para as questões mais importan</p><p>tes da vida, irá eventualmente obter respostas e solu</p><p>ções satisfatórias. E é muito provável que venha a</p><p>descobrir que seus pais estavam certos desde o início.</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 121</p><p>6. A BUSCA DA IDENTIDADE</p><p>Ligado de perto com este período de confusão</p><p>está outro grande acontecimento da adolescência cha</p><p>mado de busca de identidade. Esta frase se refere à</p><p>necessidade de cada jovem de saber quem é. Deixe-me</p><p>perguntar quão bem você conhece a si mesmo. Você</p><p>sabe quem é? Sabe o que quer da vida? Conhece</p><p>seus pontos positivos e negativos? Sabe o que acredi</p><p>ta a respeito de Deus? Você gosta da “imagem” que</p><p>seus amigos têm de você? Todas essas questões estão</p><p>relacionadas com a busca da identidade.</p><p>Talvez eu possa ilustrar a importância de uma</p><p>identidade bem definida descrevendo um indivíduo</p><p>que não conhece bem a si mesmo. Márcio, como o</p><p>chamaremos, é um dentre quatro filhos, mas não é o</p><p>mais velho nem o caçula. Seus pais são pessoas extre</p><p>mamente ocupadas e não têm tempo para ler para os</p><p>filhos, passear com eles, brincar ou construir aviões-</p><p>modelo. Eles fazem pouca coisa além de trabalhar dia</p><p>e noite. Márcio pensa que é amado pelos pais, mas</p><p>não acha que eles o respeitem muito (nem ninguém</p><p>mais).</p><p>Aos cinco anos de idade Márcio é mandado</p><p>para o jardim-da-infância onde passa a maior parte do</p><p>tempo andando de triciclo. Um ano mais tarde ele</p><p>tem alguma dificuldade na leitura. Ele não sabe por</p><p>122 Adolescência Feliz</p><p>quê. Os outros alunos também estão aprendendo ma</p><p>temática muito mais depressa do que ele. Márcio</p><p>raramente \ í “rostos felizes” com as suas notas. A</p><p>professora não diz — Bom trabalho, Márcio - na</p><p>frente dos colegas. Ele sabe que os pais também não</p><p>estão satisfeitos com o seu desempenho na escola. Ele</p><p>se sente muito ignorante.</p><p>O curso colegial finalmente surge no horizonte</p><p>e Márcio não tem idéia de quem seja. Ele não é bom</p><p>no basquete, nem no tênis, nem no futebol. Ele não</p><p>sabe tocar flauta, nem trombone, nem tambor. Ele</p><p>não desenha, nem pinta, nem cria projetos artísticos.</p><p>De fato, ele nunca fez nada na vida que valesse a</p><p>pena mencionar nem de que pudesse gabar-se. Ele</p><p>não sabe o que quer ser na idade adulta. Márcio na</p><p>verdade não tem sequer certeza de que queira crescer.</p><p>O que estou dizendo é que um menino como Márcio não</p><p>tem senso de identidade. Se uma professora lhe pedis</p><p>se para fazer uma composição de uma página intitula</p><p>da “Quem Sou Eu”, ele não podería escrever uma</p><p>linha.</p><p>0 problema de Márcio é extremo, e pode não</p><p>aplicar-se a você. Todavia, falta à maior parte dos</p><p>adolescentes um sentido de identidade de alguma for</p><p>ma. Se você se encontrar nessa situação, insisto para</p><p>que tente descobrir quem você é nos anos que virão.</p><p>Pratique vários esportes e tente aprender um instru</p><p>mento musical ou peça à sua mãe que lhe ensine a</p><p>costurar. Você pode também procurar o orientador</p><p>de sua escola e pedir que lhe aplique alguns testes de</p><p>interesse e vocacionais que irão identificar aquilo de</p><p>que gosta ou não gosta e suas habilidades. Entrar para</p><p>o escotismo também poderá fazer com que passe a</p><p>conhecer novas dimensões da sua personalidade. De</p><p>modo algum deixe passar esses anos sem explorar as</p><p>muitas possibilidades que estão adormecidas em você.</p><p>Tomando-se Homens e Mulheres</p><p>Mais um comentário precisa ser feito com rela</p><p>ção à sua busca de identidade, e tem a ver com a</p><p>descoberta do papel masculino ou feminino adequa</p><p>do. Até agora você foi um menino ou menina, mas</p><p>em breve será um homem ou mulher crescidos. As</p><p>meninas irão adotar o comportamento apropriado pa</p><p>ra as mulheres, e os meninos adotarão o estilo muito</p><p>diferente dos homens. Mas antes de essas mudanças</p><p>ocorrerem, você terá de saber o que é masculino e o</p><p>que é feminino. Essas diferenças não são tão claras</p><p>hoje como o eram nos dias da infância de seus pais, e</p><p>muitos jovens têm uma identidade sexual bastante</p><p>obscura.</p><p>Ouvi outro dia uma história sobre um menino e</p><p>uma menina que tinham acabado de se conhecer. Eles</p><p>estavam tentando decidir do que brincar, e o menini-</p><p>nho disse: — Tenho uma idéia, vamos jogar beisebol.</p><p>Mas a menina respondeu: — Oh, não, eu não quero</p><p>fazer isso; o beisebol é jogo de meninos. Não é</p><p>feminino ficar correndo de um lado para outro num</p><p>campo empoeirado. Não, não vamos jogar beisebol.</p><p>0 menino então replicou: — Está bem, vamos</p><p>então jogar futebol.</p><p>E ela por sua vez respondeu: — Oh, não, não</p><p>quero jogar futebol. Esse jogo é ainda menos femini</p><p>no. Eu posso cair e me sujar. Não, esse não é um</p><p>jogo de menina.</p><p>Ele disse: — Está bem, tenho outra idéia. Va</p><p>mos apostar uma corrida até a esquina.</p><p>Ela replicou: — Não, meninas brincam de brin</p><p>quedos sossegados; nós não corremos e ficamos todas</p><p>suadas. As meninas não devem competir com os me</p><p>ninos.</p><p>O menino coçou então a cabeça, tentanto des</p><p>cobrir alguma coisa que ela pudesse querer, e final</p><p>Uma Noção Chamada Emoção 123</p><p>mente disse: — Vamos então brincar de casinha.</p><p>E a resposta dela foi esta: — Ótimo, eu vou ser o</p><p>pai!</p><p>Acho que essa menina estava um pouco confusa</p><p>quanto ao papel que deveria desempenhar como me</p><p>nina. Ela provavelmente terá algumas questões impor</p><p>tantes a responder nos anos que virão!</p><p>Talvez você também tenha</p><p>de responder a algu</p><p>mas perguntas sobre a sua identidade sexual nesse</p><p>intervalo que vai de agora à idade adulta. Caso positi</p><p>vo, a maneira mais fácil de aprender a desempenhar o</p><p>papel de seu sexo particular, seja ele masculino ou</p><p>feminino, é observar um adulto a quem você respeite.</p><p>Tente ser como ele ou ela. Isto é chamado de identi</p><p>ficar-se com outra pessoa. Se se trata de sua mãe ou</p><p>sua professora, ou outro adulto do seu sexo, observe</p><p>e aprenda como ele ou ela age. Observe silenciosa</p><p>mente como ele anda e fala, e gradualmente vai</p><p>descobrir que se tornará natural para você assemelhar-se</p><p>ao seu modelo, mesmo que você seja um indivíduo</p><p>único. Este processo se enquadra sob o título da</p><p>pesquisa da identidade, e trata-se de uma parte impor</p><p>tante do crescimento.</p><p>É apropriado que façamos um resumo deste</p><p>capítulo com uma discussão sobre a identidade. Como</p><p>deve ter notado, este livro inteiro teve como propósi</p><p>to fazer com que você se conheça a si mesmo. . .</p><p>dar-lhe uma melhor compreensão de quem é e para</p><p>onde parece estar indo. Como eu disse no primeiro</p><p>capítulo, espero que use este livro como uma espécie</p><p>de trampolim para obter ainda maiores informações</p><p>sobre este tópico. Depois que você vier a conhecer-se</p><p>a si mesmo, poderá descobrir que afinal de contas</p><p>você é uma pessoa bastante agradável.</p><p>124 Adolescência Feliz</p><p>ISSEISSEIS6SEISSEISSI</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>0 capítulo final deste livro é bem diferente dos</p><p>outros cinco que você acabou de ler. De fato, pode ser</p><p>diferente de qualquer outra coisa que já tenha lido, mas</p><p>penso que vai achar esta seção bastante útil e interes</p><p>sante.</p><p>Você pode ficar surpreendido ao saber que eu</p><p>não escrevi o restante deste livro, nem qualquer outro</p><p>autor fez isso. 0 texto que se segue foi na verdade</p><p>extraído dos comentários gravados feitos por quatro</p><p>adolescentes que você logo irá conhecer. Eu convidei</p><p>dois rapazes e duas garotas (todos entre quinze e</p><p>dezesseis anos) para irem à minha casa a fim de</p><p>discutir os tópicos deste livro. Eles se sentaram em</p><p>minha sala e partilharam as suas experiências, enquanto</p><p>um grupo de técnicos gravava os seus comentários em</p><p>fita. Fizemos então cópias do que disseram e efetua</p><p>mos algumas modificações a fim de tornar as discussões</p><p>mais claras. O resultado é um depoimento textual de</p><p>como nos sentimos ao crescer.. . do ponto de vista</p><p>de quatro jovens que passaram recentemente por essa</p><p>experiência.</p><p>Pode levar alguns minutos para você acostumar-</p><p>se a ler o nome de uma pessoa antes de saber o que</p><p>ele ou ela disse, mas logo irá ajustar-se a isso. É quase</p><p>126 Adolescência Feliz</p><p>como ler uma peça de teatro, só que aqui as pessoas</p><p>não estão apenas representando. Trata-se de ado</p><p>lescentes de carne e sangue como você é (ou logo</p><p>será). Vamos conhecer agora esses novos amigos.</p><p>Dr. Dobson: Olá para todos, bem-vindos à minha</p><p>casa. Convidei vocês para virem aqui, como sa</p><p>bem, a fim de participarem de uma seção rápi</p><p>da. . . uma partilha livre e fácil de idéias e</p><p>experiências. Tenho estado contando aos jovens</p><p>como é que a pessoa se sente ao tornar-se um</p><p>adolescente. Descreví os temores, as lágrimas e</p><p>as zombarias que freqüentemente acompanham</p><p>este período da vida, assim como os muitos</p><p>aspectos estimulantes do crescimento. Mas vocês</p><p>podem fazer um trabalho melhor do que o</p><p>meu. Vocês estão mais próximos dessa experiên</p><p>cia, e queremos que cada um de vocês reparta</p><p>conosco os seus sentimentos.</p><p>Vamos começar com uma apresentação dos</p><p>meus convidados, começando com a jovem à mi</p><p>nha esquerda.</p><p>Lena: Bem, meu nome é Lena, e vivo na cidade</p><p>de Arcádia, na Califórnia.</p><p>Dr. Dobson: Quantos anos você tem, Lena?</p><p>Lena: Tenho quinze, mas vou fazer dezesseis em ju</p><p>nho.</p><p>Dr. Dobson: Você nos disse o seu nome e a sua</p><p>idade, mas quem é você, Lena? Que tipo de</p><p>pessoa você é? Do que gosta?</p><p>Lena: Gosto de representar. Estou no Junior Jesters</p><p>agora, que é um grupo teatral na nossa escola.</p><p>Dr. Dobson: De quantas peças você já participou?</p><p>Lena: Fizemos duas este ano, e estou trabalhando em</p><p>uma outra agora.</p><p>Dr. Dobson: Se você se sentasse para fazer uma reda</p><p>ção sobre o tema “Quem Sou EU? ” você diria</p><p>que o seu interesse no teatro é a coisa mais</p><p>importante que devemos saber a seu respeito?</p><p>Lena: Acho que sim, mas mesmo esse interesse é</p><p>apenas uma fachada, porque o meu verdadeiro</p><p>“eu” está oculto por trás dela, em algum lugar.</p><p>Dr. Dobson: Esse é um ponto muito interessante. ..</p><p>vamos voltar a ele logo mais. Décio, apresente-se</p><p>agora.</p><p>Décio: Meu nome é Décio, e estou na John Muir High</p><p>School em Pasadena. Acabei de ser eleito Presi</p><p>dente dos Jovens na minha igreja, e acho que</p><p>vou gostar muito do cargo. Tenho dezesseis</p><p>anos.</p><p>Dr. Dobson: Você também faz parte do grupo de</p><p>debates em sua escola?</p><p>Décio: Faço sim, e gosto demais. Desde pequeno</p><p>gosto de literatura e oratória mais do que de</p><p>ciência e matemática. Acho que fui criado as</p><p>sim.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 127</p><p>Dr. Dobson: Muito bem, vamos agora para o próximo</p><p>convidado.</p><p>Cecília: Sou Cecília e freqüento o Ginásio de Pasa</p><p>dena. Tenho pensado muito sobre o que quero</p><p>128 Adolescência Feliz</p><p>ser quando crescer, e acho que a coisa mais</p><p>importante para mim é casar-me e ter uma</p><p>família.</p><p>Dr. Dobson: 0 que você acha, Cecília, das pessoas</p><p>que dizem que ter uma família e ser dona-de-ca-</p><p>sa não são coisas dignas do tempo de uma</p><p>mulher? Já pensou nisso?</p><p>Cecília: Não concordo com elas, pois essas são coisas</p><p>feitas justamente para mim, porque sou desse</p><p>tipo de pessoa. Gosto do trabalho doméstico,</p><p>de cozinhar e coisas assim.</p><p>Dr. Dobson: E qual a sua idade?</p><p>Cecília: Tenho dezesseis anos, vou fazer dezessete.</p><p>Dr. Dobson: “Vou fazer” — cada um de vocês aumen</p><p>tou um pouco a sua idade. (Risos.) Quero con</p><p>tar-lhes uma coisa: daqui a uns quinze anos</p><p>vocês estarão tentando diminuir a idade, posso</p><p>garantir isso! (Risos.) Muito bem, Paulo, fale</p><p>sobre você.</p><p>Paulo: Bem, moro aqui em Pasadena há cerca de</p><p>cinco anos. Eu fui criado em Nova Iorque antes</p><p>de terem oferecido a meu pai um emprego</p><p>nesta cidade. Tenho dezesseis anos.</p><p>Dr. Dobson: E quais são os seus interesses?</p><p>Décio: Gosto mais de esportes. Esse é o meu principal</p><p>interesse.</p><p>Dr. Dobson: Posso afirmar que Décio é um excelente</p><p>jogador de basquete. Na verdade, Décio e eu</p><p>jogamos basquete juntos na noite de terça-feira,</p><p>e fiquei muito impressionado.</p><p>Muito bem, já apresentamos os nomes de cada</p><p>um de vocês e fizemos com que as pessoas</p><p>soubessem algo a respeito dos seus interesses.</p><p>Estou satisfeito em ver que os quatro conhecem</p><p>as suas próprias mentes nesse sentido. Tenho</p><p>encontrado muitos jovens sem quaisquer interes</p><p>ses particulares na vida; não tocam piano, nem</p><p>se envolvem em debates ou no serviço de casa,</p><p>no basquete ou no teatro ou em qualquer</p><p>outra coisa. Não têm alvos, nem propósito, nem razão para viver. Essa pode ser uma situa</p><p>ção muito triste, e nos leva ao primeiro assunto</p><p>que gostaria que vocês discutissem.</p><p>Tentei descrever anteriormente neste livro como</p><p>podem ser os sentimentos de inferioridade nos</p><p>anos da adolescência. Com isso estou me refe</p><p>rindo à crença do jovem de que ele não é</p><p>estimado por ninguém. . . que é um “perde</p><p>dor”. . . que outras pessoas estão rindo às suas</p><p>costas. . . que é tolo, ou feio, ou pobre.. . que</p><p>não faz as coisas tão bem como os demais...</p><p>que não tem coordenação e é desajeitado...</p><p>que no final das contas sua vida é um desastre</p><p>total.</p><p>Esses sentimentos terríveis de inferioridade e</p><p>desajuste são muito comuns entre os jovens de</p><p>hoje. Ele afeta também os adultos. Li recente</p><p>mente um livro escrito pelo comediante Woody</p><p>Allen em que ele disse que a sua única tristeza</p><p>na vida era não ser uma outra pessoa. Ele não</p><p>está sozinho nesse pensamento. Muitos adoles</p><p>centes gostariam imenso de sair de suas peles e</p><p>entrar no corpo de outro alguém.</p><p>Vocês quatro que estão aqui sentados hoje pare</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 129</p><p>130 Adolescência Feliz</p><p>ce que venceram a parada. Vocês parecem com</p><p>postos, relaxados</p><p>e confiantes. Mas, já experi</p><p>mentaram esses mesmos sentimentos de. inferiori</p><p>dade? Alguma vez ficaram desapontados com a</p><p>pessoa em que se tornaram? Algum de vocês se</p><p>identificou um dia com os sentimentos que aca</p><p>bei de descrever?</p><p>Lena: Claro que sim. Eles me atacaram durante o</p><p>primeiro ano do ginásio.</p><p>Dr. Dobson: Fale sobre esses dias difíceis.</p><p>Lena: Bem, meu pai morreu no verão que se seguiu</p><p>ao ano em que fiz a quinta série na escola. Esta</p><p>morte aconteceu numa época em que eu estava</p><p>passando por várias mudanças físicas e emocio</p><p>nais, e não pude aceitá-la muito bem. Eu entrei</p><p>então no ginásio sem saber o que era realmente.</p><p>Não participava de nada e não tinha nenhum</p><p>objetivo. Foi um tempo muito difícil para mim.</p><p>Dr. Dobson: Como você superou esses problemas?</p><p>Lena: Minha mãe me encorajou a sair da concha, a</p><p>me envolver em tantas atividades quantas pudes</p><p>se. Nós também passamos a nos interessar pelo</p><p>cristianismo durante aqueles anos. Nem minha</p><p>mãe nem meu irmão sabiam para onde se vol</p><p>tar, mas meus avós eram pessoas muito religio</p><p>sas. Nós fomos morar com eles, e foi então que</p><p>comecei a participar de um programa da esco-</p><p>cola dominical que me ajudou bastante.</p><p>Dr. Dobson: Lena, você disse que essa experiência</p><p>difícil ocorreu durante o seu primeiro ano de</p><p>ginásio. Isso não me surpreende por que a sétima</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 131</p><p>e oitava séries são geraimente o período mais</p><p>tumultuado da vida da pessoa. Os sentimentos</p><p>de inferioridade freqüentemente se tornam mais</p><p>fortes durante esses dois anos, por alguma ra</p><p>zão. Conheço centenas de jovens de treze anos</p><p>que chegaram à conclusão: “Não valho nada!”</p><p>Alguém mais caiu nesse mesmo “desfiladei</p><p>ro da inferioridade”?</p><p>Décio: Eu caí apesar de a minha situação ser diferen</p><p>te da de Lena. Eu era redator do jornal da</p><p>escola quando estava no ginásio, o que me pro</p><p>porcionava uma certa posição. Mas o meu pro</p><p>blema naquela época começou na igreja. Eu era “diferente” dos meus amigos porque gostava de</p><p>estudar, de falar em público e coisas assim, as</p><p>quais me isolavam de uma certa forma. Eu não</p><p>estava envolvido nas atividades da igreja para os</p><p>jovens da minha idade. Lembro-me de um pas</p><p>seio desastroso à praia em particular. Eu tinha</p><p>querido ir, mas chorei ao chegar em casa. Fiz</p><p>mesmo isso. Sentia-me tão infeliz por ter sido</p><p>provocado pelo pessoal durante todo o tempo</p><p>que não suportei. Eu não sabia por que todo</p><p>mundo tinha decidido me arreliar.</p><p>Dr. Dobson: Estou interessado na atitude de seus</p><p>amigos na igreja. Eles não respeitavam você por</p><p>que gostava de estudar?</p><p>Décio: Sim, esse era um problema. No meu grupo era</p><p>esperado que todo o mundo odiasse a escola.</p><p>Era esperado que eu dissesse: — Os professores</p><p>são aborrecidos, a escola é detestável, e quem</p><p>quer que se interesse pelo estudo é maluco. —</p><p>Mesmo agora a maioria de meus amigos não</p><p>132 Adolescência Feliz</p><p>gosta de estudar, e só se esforçam para tirar as</p><p>notas necessárias. Eles dizem: — Não vou estudar</p><p>isso porque não vai cair na prova. — E isso não</p><p>adianta nada. Quando estava no ginásio gostava</p><p>de estudar e tentei partilhar minhas experiências</p><p>e falar abertamente sobre elas, mas ninguém</p><p>mais queria fazer isso. Eles não eram francos</p><p>como eu e isso me trouxe problemas. Desde</p><p>então não quis mais me abrir também. Foram</p><p>necessários cerca de dois anos para que eu pu</p><p>desse superar esses sentimentos e começasse a</p><p>conversar de novo na escola dominical e me</p><p>sentisse livre.</p><p>Dr. Dobson: Você foi muito claro, Décio. Os jovens</p><p>são sujeitos a zombarias, provocações e ridículo</p><p>por serem francos uns com os outros. Seus</p><p>sentimentos são profundamente feridos e eles</p><p>vão para casa chorar, como você fez. Começam</p><p>então a “fechar-se”. No dia seguinte estarão</p><p>mais cautelosos.. . mais reservados. .. mais fin</p><p>gidos em seus contatos sociais.</p><p>Você pensou algum dia, Décio, por que seus</p><p>amigos não eram tão francos quanto você? É</p><p>provável que se tivessem queimado da mesma</p><p>maneira que você. Eles já tinham aprendido os</p><p>perigos de serem livres e espontâneos. 0 resulta</p><p>do foi uma sociedade embaraçada e tensa onde</p><p>todos sabiam que podiam ser alvo da zombaria</p><p>da escola inteira se cometesse um erro social.</p><p>Que maneira difícil de viver!</p><p>Décio: As pressões são grandes. Por exemplo, agora se</p><p>espera que todo mundo seja “frio”, isto é, você</p><p>não deve mostrar seus sentimentos ou revelar o</p><p>seu verdadeiro “eu” . Se fizer isso alguém rirá da</p><p>ternura, da suavidade interior. Bem, algumas</p><p>pessoas reconhecem que não vale a pena ser tão</p><p>cauteloso. Vi cartazes na escola que dizem:</p><p>“Não é mais frio ser frio”. Essa é uma maneira</p><p>rápida de dilacerar-se. . . de prejudicar mais a si</p><p>mesmo do que outros poderão fazê-lo.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 133</p><p>Dr. Dobson: A mãe de uma menina que está na</p><p>sétima série me contou que a filha acorda todas</p><p>as manhãs às cinco e meia e passa uma hora</p><p>pensando: — Como posso atravessar este dia</p><p>sem cometer qualquer erro que faça as pessoas,</p><p>rirem de mim? — Isso não é terrível? Cecília,</p><p>tenho certeza de que você teve alguns sentimen</p><p>tos como esse, não é?</p><p>Cecília: Lembro-me da terceira semana de meu pri</p><p>meiro ano no ginásio — era uma escola inteira</p><p>mente nova para mim. Eu conhecia algumas</p><p>pessoas ali, mas não estava familiarizada com</p><p>tudo. Eu era baixinha, tinha cerca de um metro</p><p>e meio de altura, e isso é muito pouco. Eu</p><p>conhecia uma menina na escola chamada de</p><p>“Berta Grandona” e ela media cerca de um</p><p>metro e setenta. Berta era a menina mais detes</p><p>tável da escola, e todo mundo fugia quando ela</p><p>chegava perto. Eu achava aquilo horrível, acha</p><p>va que não deviam fugir dela. Mas um dia</p><p>quando estávamos subindo as escadas Berta me</p><p>chutou. Eu não gostei e lhe disse algo, ela então</p><p>me chutou com mais força. Fui para casa e não</p><p>disse nada a ninguém, mas fiquei tão perturbada</p><p>que comecei a chorar. Quando contei a meus</p><p>pais por que estava chorando eles acharam que</p><p>era muita maldade alguém ter feito isso. Foram</p><p>então falar com o diretor e contaram o aconteci</p><p>do. Eles então me disseram para tratar Berta</p><p>134 Adolescência Feliz</p><p>como tratava os demais, pois a razão por que ela</p><p>me chutara era por sentir-se embaraçada com a</p><p>sua altura. Ela não era tão má assim, apenas se</p><p>sentia mal a respeito de si mesma.</p><p>Dr. Dobson: Esse foi um conselho muito bom, Cecí</p><p>lia. Veja bem, as pessoas agem de diversas manei</p><p>ras quando se sentem inferiores. Décio mencio</p><p>nou um tipo de abordagem, que é entrar numa</p><p>concha e ser muito cauteloso com as pessoas.</p><p>Outra maneira é tornar-se zangado e ressentido.</p><p>Berta optou por esta segundo alternativa. Você</p><p>não pode imaginar como ela se sentia, primeiro</p><p>sendo chamada de “Berta Grandona”, e depois</p><p>vendo todo mundo fugir dela? Essas duas expe</p><p>riências me fariam provavelmente desejar chutar</p><p>as pessoas também. Berta tinha sido profunda</p><p>mente ferida, e isso fez com que ela ferisse</p><p>você. Como você tratou Berta no dia seguinte</p><p>na escola?</p><p>Cecília: Bem, ela possuía um pequeno grupo de ami</p><p>gas; havia três que estavam sempre juntas. Toda</p><p>vez que eu as via pelos corredores sorria para</p><p>elas. Acho que isso as faria ficar meio zangadas</p><p>comigo, mas continuei sorrindo e elas nunca</p><p>mais fizeram nada para mim depois disso.</p><p>Dr. Dobson: Você veio gradualmente a aceitar-se a si</p><p>mesma?</p><p>Cecília: Acho que estou ainda.. .</p><p>Dr. Dobson: Está ainda trabalhando para isso?</p><p>Cecília: Sim.</p><p>Dr. Dobson: Acho que vai continuar fazendo isso pelo</p><p>resto da vida.</p><p>Cecília: Eu sei.</p><p>Dr. Dobson: A maioria de nós está trabalhando nesse</p><p>mesmo projeto. Paulo, você começou a dizer</p><p>alguma coisa.</p><p>Paulo: Vocês estão falando de pessoas que são feridas</p><p>por seus amigos. Quando eu era menor sofri um</p><p>acidente que me fez ficar aleijado durante todo</p><p>o verão. Eu tinha de usar uns sapatos muito</p><p>esquisitos, pois quebrara a perna e fui obrigado</p><p>a usar calçados especiais, elevados. Eu não que</p><p>ria fazer isso, e levava escondido os meus ou</p><p>tros sapatos e os colocava mais tarde para que</p><p>ninguém risse de mim. Isso durou alguns</p><p>anos.</p><p>As pessoas me chamavam de “Aleijado” , mas eu</p><p>não era e ficava ressentido por caçoarem de</p><p>mim. Mesmo agora eu penso algumas vezes: —</p><p>“Oh, como gostaria de ser como fulano porque</p><p>ele é especial, e então todo mundo gostaria de</p><p>mim porque seria um atleta tão bom.” Foi isso</p><p>que sempre eu quis ser, alguém que se destacas</p><p>se e não alguém de quem as pessoas riem.</p><p>Dr. Dobson: Não é interessante que vocês todos te</p><p>nham tido os mesmos sentimentos? Esse é exa</p><p>tamente o meu ponto. Se escolhéssemos mil</p><p>adolescentes e fizéssemos a cada um a pergunta</p><p>que fiz a vocês, quase todos contariam uma</p><p>história parecida com as que ouvimos — sobre</p><p>zombarias, ser diferente, não ser aceito pelos</p><p>outros. Trata-se de algo que todos experimen</p><p>tam hoje em dia.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 135</p><p>136 Adolescência Feliz</p><p>Digam-me agora por quê — por que temos de</p><p>suportar esses momentos difíceis? Existe algum</p><p>meio de evitá-los?</p><p>Lena: Eu tentei resolver meus problemas da maneira</p><p>errada — tornando-me amiga da turma “bem”.</p><p>Havia dois grupos diferentes em minha escola.</p><p>Havia este grupo que ficava até altas horas fora</p><p>de casa e depois voltava e mentia para os pais; e</p><p>um outro grupo que tentava ser mais responsá</p><p>vel. Eles acreditavam que fazer loucuras não</p><p>resolvia nada em suas vidas. Mas não foi fácil</p><p>para mim escolher entre esses amigos. Eu co</p><p>nhecí pessoas dos dois grupos e não sabia exata</p><p>mente a quem escolher. Havia mais membros do</p><p>grupo rebelde do que do responsável, e foi o</p><p>que aconteceu, eu não queria que rissem de</p><p>mim, não queria ser rejeitada, não queria que</p><p>pensassem que eu não tinha juízo, e fiquei</p><p>então ali numa encruzilhada, sem saber que</p><p>direção tomar.</p><p>Dr. Dobson: Você sentiu uma pressão enorme para</p><p>fazer coisas que sabia serem erradas?</p><p>Lena: Sim, o peso era tremendo.</p><p>Dr. Dobson: E essa pressão pode fazer com que você</p><p>se comporte de maneira prejudicial. Creio, por</p><p>exemplo, que a maior parte do abuso de drogas</p><p>em nosso país ocorre por causa da enorme</p><p>pressão descrita por Lena. O problema está em</p><p>que os jovens não têm coragem para escolher o</p><p>grupo certo. O resto de vocês teve de fazer uma</p><p>escolha semelhante?</p><p>Décio: Eu tive de decidir se ia ou não seguir as regras</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 137</p><p>de meus colegas na escola. Eu sabia que se não</p><p>os acompanhasse estaria “ fora”.</p><p>Dr. Dobson: Dê-nos um exemplo do que está dizen</p><p>do, Décio. Que espécie de regras era esperado</p><p>que seguisse?</p><p>Décio: Bem, como a regra de ser “frio”. Você não pode</p><p>mostrar seus sentimentos porque as pessoas po</p><p>dem rir. Mas existem outras regras em quase</p><p>todas as áreas.</p><p>Dr. Dobson: E as suas roupas — o grupo lhe dizia o</p><p>que usar?</p><p>Décio: Sim.</p><p>Dr. Dobson: Como falar?</p><p>Décio: Sim.</p><p>Dr. Dobson: E quais os termos de gíria a serem</p><p>usados?</p><p>Décio: Sim. Você de uma certa forma se convence</p><p>depois de algum tempo que é isso mesmo que</p><p>quer fazer. Quero dizer, você gosta de pensar que</p><p>não está se conformando, mas que gosta do</p><p>mesmo tipo de calças, sapatos e malhas que</p><p>todo mundo está usando. Mas à medida que a</p><p>moda muda, você compreende que deve haver</p><p>uma outra força influindo nas suas atitudes.</p><p>Essa outra força é a pressão do grupo.</p><p>Dr. Dobson: E a respeito de drogas? Alguém já ofereceu</p><p>narcóticos a vocês?</p><p>Lena: Sim, na escola. A bibliotecária colocou no qua</p><p>dro de boletins um cartaz prevenindo contra o</p><p>perigo de tomar drogas. Enquanto eu estava</p><p>lendo, alguém chegou por trás e disse: — Parece</p><p>ótimo, não? Ali mesmo estavam me oferecendo</p><p>narcóticos! N aquela ocasião eu não sabia muito</p><p>a respeito de remédios ou qualquer outra coisa, e</p><p>quando contei à minha mãe ela ficou horroriza</p><p>da, dizendo: — Nunca fizeram isso no meu</p><p>tempo. — Ela está sempre falando coisas assim.</p><p>Dr. Dobson: Você não acha que é mais difícil ser um</p><p>adolescente agora do que no passado?</p><p>Lena: Sim.</p><p>Dr. Dobson: Sempre houve pressões sobre os jovens,</p><p>mas agora o problema de drogas e outros peri</p><p>gos parece ser pior.</p><p>Alguém já lhe ofereceu drogas, Cecília? Ou já</p><p>viu alguém usá-las?</p><p>Cecília: Não, nunca participei do gmpo aloucado. Eu</p><p>sempre estive com o pessoal mais quieto.</p><p>Paulo: Lena disse que sua mãe não podia acreditar</p><p>que pudesse haver acesso a drogas na escola.</p><p>Bem, meus pais também tiveram dificuldades em</p><p>acreditar. Mas, como sabe, nossa sociedade mu</p><p>dou. Uma nova moda surge e todos querem estar</p><p>nela. 0 que me preocupa é o que vai acontecer</p><p>quando ficarmos mais velhos e tivermos filhos.</p><p>Como vamos enfrentar essa situação com nossos</p><p>filhos, se tomamos drogas e fizemos coisas er</p><p>radas? Que respostas poderemos dar a eles?</p><p>138 A dolescên cia Feliz</p><p>Dr. Dobson: Essas são peguntas boas, Paulo, porque</p><p>esse dia virá muito rápido. Você se verá tentan</p><p>do impedir que seus filhos cometam os erros</p><p>que preocupam seus pais hoje.</p><p>Foi Isto Que A conteceu Comigo 139</p><p>Cecília: Acho que muitos de nossos problemas ocor</p><p>rem por que não conversamos suficientemente</p><p>com nossos pais; guardamos tudo dentro de nós</p><p>e não falamos com quem possa ajudar-nos. Fala</p><p>mos com nossos amigos que estão tendo os mes</p><p>mos problemas, mas eles não têm as respostas e</p><p>não sabem o que dizer-nos. Por exemplo, Lena</p><p>falou com sua mãe. Essa foi provavelmente a me</p><p>lhor coisa que podia fazer. Eu nunca diria nada</p><p>a meus pais, porque eles explodiríam e teriam</p><p>ficado aborrecidos com a escola. Mas acho isso</p><p>muito importante — ter um relacionamento</p><p>com seus pais em que possa falar abertamente</p><p>com eles, e não precisa preocupar-se corp a ma</p><p>neira como irão reagir. Eles então poderão dar-</p><p>lhes as respostas que o ajudarão.</p><p>Dr. Dobson: Dois de vocês mencionaram o assunto de</p><p>falar com os pais. E os outros dois? Décio, você</p><p>conseguiu falar com sua mãe e seu pai?</p><p>Décio: Não tive tanta oportunidade de falar com eles</p><p>porque as drogas nunca foram um problema</p><p>para mim. Mas concordo que os adultos podem</p><p>ajudar-nos com as nossas dificuldades se estive</p><p>rem “sintonizados”. Mas algumas vezes eles não</p><p>sabem o que está acontecendo. Por exemplo, eu</p><p>tive uma professora que estava completamente</p><p>por fora. Nós nos achávamos na classe um dia e</p><p>veio pelo corredor o cheiro doce e doentio de</p><p>marijuana, perfeitamente discernível. Ele entrou</p><p>na classe e todo mundo sabia o que era menos</p><p>140 Adolescência Feliz</p><p>a professora. (Risos.) Nós ficamos ali lendo e</p><p>olhando uns para os outros, tentando esconder</p><p>o riso, enquanto a professora dava notas, quando</p><p>de repente ela levantou a cabeça e disse: —</p><p>Puxa! Que cheiro delicioso! 0 que será? —</p><p>(Risos.) Ela não tinha idéia do que estávamos</p><p>rindo. Seria impossível para ela, compreende?</p><p>Ela era do tipo de professora que jamais teria</p><p>dado um pensamento a essa espécie de coisas.</p><p>Mas eles estão melhorando em nossa escola ago</p><p>ra, estão tendo programas amplos para a preven</p><p>ção de drogas, mas mesmo isso não vai ser</p><p>suficiente.</p><p>Dr. Dobson:E o que você me diz de conversar com seus</p><p>pais sobre outras coisas que o preocupam, Dé-</p><p>cio? Você sabe como expressar seus sentimen</p><p>tos a eles? Vamos voltar àquela noite penosa</p><p>em que você foi à praia. (Eu tive uma noite</p><p>muito parecida com essa, por sinal.) Você vol</p><p>tou para casa e conversou com seus pais a</p><p>respeito?</p><p>Décio: Sim, falei com meu pai. Meus pais foram</p><p>criados em um ambiente cristão muito restrito e</p><p>minha mãe é ainda — bem, não estou querendo</p><p>dizer que ela é bitolada, mas pelo fato de meu</p><p>pai ter tido mais experiências, ele é mais flexí</p><p>vel. Ele é um ministro e sabe então como acon</p><p>selhar as pessoas com problemas. Ele me disse</p><p>para não ligar muito para as risadas e me ajudou</p><p>a compreendê-las. Mas, sabe de uma coisa? Des</p><p>cobri merecer um pouco daquelas zombarias.</p><p>Eu tinha usado uma roupa superexcêntrica -</p><p>não era engraçada, mas era excêntrica. (Risos.)</p><p>Há uma diferença entre as duas coisas. Você</p><p>pode fazer com que as pessoas riam de você e</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 141</p><p>foi isso que fiz. Bem, no dia seguinte mesmo</p><p>livrei-me daquelas roupas.</p><p>Dr. Dobson: A pessoa aprende gradualmente a evitar</p><p>que os outros riam dela. Depois de</p><p>ter sido pica</p><p>da algumas vezes, ela descobre o que é “perigo</p><p>so” e o que não é. E você Paulo?</p><p>Paulo: Sinto às vezes que posso conversar com meu pai</p><p>melhor do que com minha mãe. Acho que princi</p><p>palmente pelo fato de ele também ter sido meni</p><p>no e compreender algumas das situações pelas</p><p>quais estou passando. Ele sempre me encoraja a</p><p>ter o tipo certo de amigos.</p><p>Dr. Dobson: Você teve de escolher a que grupo se</p><p>juntar, como fizeram os outros?</p><p>Paulo: Sim, e essa é uma escolha muito importante.</p><p>Alguns de meus amigos da igreja começaram a</p><p>andar com a turma errada, e logo se desviaram</p><p>de Deus e passaram a ter uma vida errada.</p><p>Estou grato por me achar em um bom grupo e</p><p>essas coisas não terem acontecido comigo.</p><p>Dr. Dobson: Bem, Paulo, o seu comentário faz surgir</p><p>um ponto extremamente importante. Todos nós</p><p>somos influenciados pelas pessoas que nos ro</p><p>deiam. Até mesmo os adultos são dominados</p><p>pela pressão social. Por esta razão, a decisão</p><p>mais crítica que você deve tomar irá envolver os</p><p>amigos que tiver escolhido. Se escolher o grupo</p><p>errado, eles terão uma influência negativa sobre</p><p>você. Isto é certo. Poucas pessoas possuem a</p><p>autoconfiança necessária para suportar críticas</p><p>por parte de seus amigos íntimos.</p><p>Lena: Gostaria de dizer que algumas das melhores</p><p>pessoas são aquelas que não têm tanta populari</p><p>dade com a turma “bem.” Estou namorando</p><p>agora um rapaz que anda numa cadeira de ro</p><p>das. Ele é extremamente simpático e tem uma</p><p>personalidade fantástica. Alguma pessoas me</p><p>desprezam por namorá-lo. Elas dizem: — Bem,</p><p>por que você sai com ele quando poderia sair</p><p>com alguém normal? — Acho que isso é injus</p><p>to.</p><p>Paulo: Eu também acho! Mas sinto a mesma pressão</p><p>quando decido convidar uma garota para sair</p><p>comigo. Sei que alguns de meus amigos vão</p><p>achar que ela não é bonita bastante para mim,</p><p>ou algo parecido. E então me sinto meio depri</p><p>mido, sabe como é?</p><p>Cecília: Há pouco tempo comecei a perceber como é</p><p>importante a pesonalidade da pessoa. Estou</p><p>sempre pensando: — E se me casar com essa</p><p>pessoa, qual seria a sua reação aos problemas</p><p>que enfrentamos? Não importa a aparência da</p><p>pessoa. Além disso, ele vai ficar velho de qual</p><p>quer modo. (Risos.)</p><p>Dr. Dobson: Essa não é uma expectativa muito interes</p><p>sante, apesar de que penso ser verdadeira! Mas,</p><p>você está certa Cecília. Conheci uma jovem que</p><p>se casou com o melhor jogador de basquete da</p><p>escola por ele ser um grande esportista. Dez</p><p>anos mais tarde, porém, ninguém mais se lem</p><p>brava dos grande feitos dele. Tudo o que sa</p><p>biam era que o rapaz não tinha capacidade para</p><p>ganhar o seu sustento, não sabia tomar decisões,</p><p>batia na esposa e gritava com os filhos. É como</p><p>você disse, Cecília, precisamos olhar para o fu</p><p>142 Adolescência Feliz</p><p>turo e tentar prever como será a sua vida com</p><p>uma determinada pessoa.</p><p>Décio: Eu estou numa situação interessante agora. O</p><p>ginásio não está muito longe de mim, mas mi</p><p>nha irmãzinha já entrou no ginásio e na noite</p><p>passada ela estava muito aborrecida com a pos</p><p>sibilidade de talvez precisar mudar de escola no</p><p>ano que vem. Ela conversou comigo sobre as</p><p>suas preocupações e me vi dizendo as mesmas</p><p>coisas que disse esta noite. Enquanto conversava</p><p>com ela, pensei comigo mesmo: — O que estou</p><p>fazendo? Este é um eco de três anos atrás. Eu</p><p>sou meu pai e ela é eu. — (Risos.) Sabem, era</p><p>como se as palavras de meu pai tivessem batido</p><p>na parede e estivessem voltando para ela agora.</p><p>Eu podia ver que os problemas dela não eram</p><p>realmente sérios, e ficava pensando: — Por que</p><p>ela não pode ver? Eu estou lhe dando as res</p><p>postas mais claras do mundo. — Mas quando eu</p><p>me achava na mesma situação não tinha no</p><p>começo idéia do que meu pai estava falando.</p><p>Dr. Dòbson: Você precisa passar pela experiência, a</p><p>fim de ver que as coisas fazem sentido, não é?</p><p>E, dessa forma, esta gravação pode ser um mis</p><p>tério para o ouvinte que está entre os dez e</p><p>doze anos de idade e que ainda não passou</p><p>pelas experiência que estamos descrevendo. Vo</p><p>cê pode não compreender inteiramente o que</p><p>estamos falando, mas quando a coisa acontecer</p><p>com você, então será como ligar uma lâmpada</p><p>sobre a sua cabeça. Você irá lembrar-se desta</p><p>gravação e de nossa conversa sobre os sentimen</p><p>tos de desajuste e inferioridade. Quando isso</p><p>acontecer com você, lembre-se do momento</p><p>Foi Isto Que A conteceu Comigo 143</p><p>144 Adolescência Feliz</p><p>exato em que eu disse que você tem realmente</p><p>grande mérito como pessoa humana.</p><p>Lena: Eu tinha um complexo de inferioridade quando</p><p>estava na sétima série — minhas sardas! Elas</p><p>apareciam, por mais que eu fizesse , para ocul</p><p>tá-las. Minha mãe ficava me dizendo que eu</p><p>não devia escondê-las, pois eram bonitas. E co</p><p>mo Décio eu me vi falando a mesma coisa para</p><p>uma outra menina algumas semanas atrás. Ela</p><p>tem sardas e elas são bonitas. Eu lhe disse que</p><p>as pessoas vão caçoar dela, mas mesmo assim não</p><p>deve incomodar-se. De fato, as sardas são valio</p><p>sas, porque se você ficar com espinhas ninguém</p><p>vai perceber a diferença. (Risos.)</p><p>Décio: Eu não tenho um problema de acne muito</p><p>sério, mas ele piora algumas vezes.</p><p>Dr. Dobson: Explique o que é acne para esclarecer</p><p>aqueles que não sabem.</p><p>Décio: Bem, é uma coisa completamènte física. Todas</p><p>essas conversas supersticiosas são tolas, como</p><p>aquela que diz: “É a sua maldade que está</p><p>aparecendo”. (Risos.) Trata-se de um problema</p><p>físico, em que o seu sistema produz mais subs</p><p>tâncias gordurosas.</p><p>Dr. Dobson: Seja mais específico, Décio. Diga-nos o</p><p>que acontece.</p><p>Décio: Você fica com uma porção de pontinhos ver</p><p>melhos no rosto e ao redor do pescoço algumas</p><p>vezes. Eles fazem com que você se sinta terrivel</p><p>mente feio quando certas outras pessoas pare</p><p>cem ter uma pele absolutamente perfeita. Quan</p><p>145</p><p>do a acne é realmente séria, ela pode ser devas</p><p>tadora, deixando a gente desanimado. E mesmo</p><p>que diga a si mesmo — sei quais são as minhas</p><p>prioridades e sei que a beleza não é a coisa mais</p><p>importante — mesmo assim a sua autoconfiança</p><p>fica abalada.</p><p>Dr. Dobson: Você fica sensível, não é?</p><p>Décio: Ouvi isto num programa de televisão: — Qual</p><p>o maior problema enfrentado pelos adolescen</p><p>tes? — O homem estava só brincando, e respon</p><p>deu “acne” por causa do trocadilho entre</p><p>“acne” e algo que precisa ser enfrentado. Então</p><p>o orientador disse: — Certo! — E a audiência</p><p>riu. Mas, as espinhas afetam realmente a sua</p><p>autoconfiança. Você tem de se apresentar ao</p><p>mundo como se dissesse: — Aqui estou, amigos,</p><p>com essas bolas vermelhas no rosto. — E isso é</p><p>péssimo. É fácil dizer a si mesmo: — Muito</p><p>bem, a beleza física não é importante. — Mas</p><p>não é tão fácil convencer-se disso quando seu</p><p>rosto está coberto de imperfeições.</p><p>Dr. Dobson: Vi um estudo de centenas de adolescen</p><p>tes a quem foi perguntado o que eles menos</p><p>gostavam a respeito de si nresmos, e os proble</p><p>mas de pele estavam no começo da lista. Essa é</p><p>a razão por que me oponho tanto às bonecas</p><p>Suzi. Suponho que todas as meninas brincam</p><p>com essas bonecas quando são pequenas, e qua</p><p>se ninguém pensa muito no assunto. Mas o que</p><p>me preocupa sobre a Suzi é que ela é fisicamen</p><p>te perfeita; Suzi não tem espinhas. Sua pele é</p><p>maravilhosa; seu cabelo tem “volume” (qual</p><p>quer que seja o significado disso); ela não tem</p><p>um grama a mais de gordura em lugar algum.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>146 Adolescência Feliz</p><p>De fato, a única imperfeição no corpo rosado</p><p>de Suzi é uma pequena declaração no seu traseiro</p><p>dizendo que foi feita em Hong Kong! (Risos.)</p><p>Veja bem, essas bonecas dão às meninas uma</p><p>imagem do que elas devem ser quando se tor</p><p>narem adolescentes, e há bem pouca possibilida</p><p>de disso. Não há nada de real nessa idéia.</p><p>Cecília: Parece que as espinhas sempre aparecem antes</p><p>de uma data realmente especial na escola. Elas</p><p>nunca falham. Você está ótima duas semanas</p><p>antes e não tem uma única imperfeição, mas no</p><p>grande dia lá vêm elas, pior que catapora.</p><p>Dr. Dobson: Até parece que um gênio mau as coloca</p><p>em nós durante a noite.</p><p>Paulo: 0 que estamos querendo dizer é que as pessoas</p><p>têm de aprender a aceitar-se a si mesmas, como</p><p>são. Isso é difícil de fazer e tem sido difícil</p><p>para mim. As pessoas vão zombar de você e isso</p><p>dói, e algumas vezes você deseja, como já disse</p><p>antes: — Por que não posso ser como aquele</p><p>camarada que tem uma pele boa e todas as</p><p>mininas são loucas por ele? Por que não posso</p><p>ser assim? Ninguém me ama. — Penso que esse</p><p>é o maior problema que os que estão no come</p><p>ço da adolescência enfrentam — a aceitação dos</p><p>seus corpos.</p><p>Cecília: Minha mãe me disse certa vez que a beleza é</p><p>algo que cresce dentro de você, e que algumas</p><p>pessoas bonitas por fora não se interessam em</p><p>cultivar sua personalidade e caráter. Mais tarde,</p><p>aquelas que são menos atraentes podem ser até</p><p>mais felizes porque sua beleza interior aumenta</p><p>à medida que envelhecem.</p><p>147</p><p>Dr. Dobson: Gostaria que todos soubessem disso, Ce</p><p>cília. Vi outro estudo que procurava provar o</p><p>que você disse. Os pesquisadores identificaram</p><p>as garotas mais bonitas e as menos atraentes na</p><p>escola. Depois eles as estudaram durante 25</p><p>anos para ver o que aconteceu no seu casamen</p><p>to e vida posterior. Acreditem ou não as menos</p><p>atraentes tenderam a ser mais felizes no casa</p><p>mento 25 anos depois. É então errado para</p><p>qualquer pessoa achar que precisa ser fisicamen</p><p>te perfeita.</p><p>Deixe-me dizer, em resumo, que todo mundo</p><p>tem algo de que não gosta na sua pessoa. Para</p><p>Paulo foram os sapatos. Ele não se sentia bem</p><p>usando sapatos especiais. Para Lena foram as</p><p>sardas. Para Cecília a sua altura, não gostava de</p><p>ser baixinha. Para Décio, o fato de ser estudioso</p><p>em lugar de ser um apreciador dos esportes. Se</p><p>as pessoas fossem sinceras, todas admitiríam</p><p>sentir-se embaraçadas por causa de algum defei</p><p>to que se torna um fardo a carregar por toda a</p><p>vida. Mas é desnecesário preocupar-se! Todos</p><p>nós temos grande valor humano, sem levar em</p><p>conta nossa aparência. É essa a beleza do cristia</p><p>nismo. Jesus me ama, não porque sou fantasti</p><p>camente inteligente ou belo; Ele me ama sim</p><p>plesmente porque eu sou! Que mensagem recon</p><p>fortante! Eu não preciso fazer nada para mere</p><p>cer o amor dEle, pois está à disposição de todos</p><p>como um dom gratuito. Para a pessoa prejudica</p><p>da por sentimentos de inferioridade essa é uma</p><p>mensagem de grande importância.</p><p>— A gravação foi interrompida neste ponto. —</p><p>Dr. Dobson: Temos aqui um novo membro de nosso</p><p>grupo que quero que conheçam agora. Gustavo,</p><p>fale um pouco sobre você.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>Gustavo: Meu nome é Gustavo Nourse, e trabalho</p><p>para uma firma cristã de fitas cassete. Vim</p><p>aqui hoje para ajudar com a gravação, mas achei</p><p>interessante unir-me ao grupo para falar sobre</p><p>drogas do ponto de vista de um ex-viciado. Eu</p><p>usei drogas e pensei então que sepa útil acres</p><p>centar alguns comentários.</p><p>Dr. Dobson: Concordo, Gustavo, podemos aprender</p><p>mediante a sua experiência. Para começar, con</p><p>te-nos como as pessoas passam a usar drogas.</p><p>Gustavo: Essa é uma pergunta comum. Bem, eu co</p><p>mecei a usar drogas por ser curioso, andava</p><p>entediado e por ser um meio fácil de me dis</p><p>trair. Mas uma vez que você começa a tomar</p><p>drogas, não é mais divertido sentir-se normal.</p><p>Conheço esse sentimento porque ficava dopado</p><p>todos os dias.</p><p>Dr. Dobson: Que tipo de drogas você tomava?</p><p>Gustavo: Comecei com marijuana.</p><p>Dr. Dobson: Isso levou você a tomar outros narcóticos?</p><p>Gustavo: Na verdade não. Pelo menos não houve um</p><p>“hábito” que me levasse a tomar drogas mais</p><p>fortes. Todavia, quando você começa a tomar</p><p>marijuana, se aproxima das drogas e das pessoas</p><p>que fazem uso delas. ̂ Foi isso que me levou a</p><p>aprofundar-me.</p><p>Dr. Dobson: Quando você começou a tomar pílulas?</p><p>Gustavo: Bem, comecei a ficar viciado no primeiro</p><p>grau. Acho que tomei primeiro as “vermelhi-</p><p>148 Adolescência Feliz</p><p>nhas” e depois cocaína e quase toda substância</p><p>psicodélica.</p><p>Dr. Dobson: Está bem, Gustavo, vamos voltar à</p><p>primeira experiência. Você se lembra do que</p><p>aconteceu?</p><p>Gustavo: Lembro sim. A irmã mais velha de meu</p><p>amigo era viciada, e ela nos fazia enrolar cigar</p><p>ros para ela, e então.. .</p><p>Dr. Dobson: Por favor, explique-se melhor.</p><p>Gustavo: A pessoa recebe a marijuana em saquinhos ou</p><p>algo assim e tem então de enrolá-la na forma de</p><p>cigarros. Aquela moça nos fazia ficar sentados</p><p>durante horas enrolando cigarros para ela. Certo</p><p>dia em que estávamos fazendo isso decidimos</p><p>experimentar alguns. Roubamos dois, e essa foi</p><p>a primeira vez que fiquei dopado.</p><p>Dr. Dobson: A idéia foi sua ou você estava com</p><p>alguém que disse: — Vamos experimentar?</p><p>Gustavo: A idéia foi minha.</p><p>Dr. Dobson: Foi você quem fez pressão sobre os ou</p><p>tros, não foi?</p><p>Gustavo? Fui eu.</p><p>Dr. Dobson: E você logo começou a tomar outras</p><p>substâncias?</p><p>Gustavo: Sim. Aconteceu isso durante todo o período</p><p>to ginásio</p><p>Foi Isto Que A conteceu Comigo 149</p><p>Dr. Dobson: Conte-nos como você se sentiu depois de</p><p>ter tomado uma droga e quando o efeito come</p><p>çava a passar.</p><p>Gustavo: A volta é horrível, especialmente quando se</p><p>toma anfetamina. Eu sempre ficava horrivelmen</p><p>te doente. Quero contar que quando a pessoa</p><p>flca “amarrada” numa droga é medonho. Quan</p><p>do você acorda de manhã já sabe que tem de</p><p>tomar a droga naquele mesmo dia ou vai ficar</p><p>doente. Se consegue obtê-la então tudo vai</p><p>bem, mas a mesma rotina começa de novo na</p><p>manhã seguinte.</p><p>Dr. Dobson: E se você não tem dinheiro e não pode</p><p>comprar o que precisa?</p><p>Gustavo: Olhe, isso depende da droga em que está</p><p>preso. Se for anfetamina ou heroína, você fica</p><p>muito doente. Com a heroína você passa por</p><p>períodos de “afastamento” que são medonhos.</p><p>A anfetamina é ainda mais perigosa porque des-</p><p>trói as células do cérebro, interfere na circula</p><p>ção, faz com que o cabelo caia, e modifica toda</p><p>a sua personalidade. Você se torna temperamen</p><p>tal; chora à-toa, porque fica extremamente</p><p>deprimido. A mesma coisa acontece com o “áci</p><p>do” (LSD). Você fica exausto no dia seguinte</p><p>depois de tomá-lo e sua cabeça parece cheia</p><p>de algodão. Quanto mais você toma LSD, tanto</p><p>mais sua personalidade se deteriora. Você se</p><p>torna mais introvertido e menos produtivo. Nos</p><p>so corpo não foi realmente feito para essas</p><p>influências químicas.</p><p>Dr. Dobson: Ouvimos falar que as drogas psicodélicas</p><p>tornam a pessoa mais criativa e com mais conhe</p><p>cimento de si mesma. Você confirma isso?</p><p>150 Adolescência Feliz</p><p>151</p><p>Gustavo: De forma alguma. Você vê coisas quando</p><p>toma essas drogas que depois nem lembra mais.</p><p>A experiência parece boa na hora, mas não</p><p>produz nenhum benefício depois que passa.</p><p>Dr. Dobson: Descrevi antes uma situação em que um</p><p>jovem estava num carro com quatro amigos que</p><p>começaram a passar em volta algumas “verme-</p><p>lhinhas”. Quando ele se recusou a tomá-las,</p><p>todos disseram: — Vamos, covarde, o que você</p><p>é, um bebê? Está com medo? Todo mundo faz</p><p>isso. 0 que há com você? — 0 que ele deve</p><p>fazer num momento assim? Quais as sugestões</p><p>que você pode oferecer a um jovem que possa</p><p>algum dia encontrar-se em tal situação? Ele já</p><p>se sente inferior; ele já acha que não gosta de</p><p>suas sardas ou dos sapatos que usa, ou algo</p><p>mais a respeito de si mesmo. Como vai enfren</p><p>tar esse momento quando chegar?</p><p>Gustavo: Concordo em que ele está numa situa</p><p>ção muito difícil, especialmente se se achar em</p><p>companhia de pessoa, que respeita e de quem</p><p>deseja ser amigo. Mas deve tomar uma decisão</p><p>nesse instante que será uma das mais importan</p><p>tes escolhas que jamais terá de fazer. Uma vez</p><p>que comece a tomar drogas, depois de ter dito</p><p>o primeiro “sim”, vai enfrentar anos de proble</p><p>mas. Sugiro então que resista e se recuse a</p><p>participar. Ele deve começar a procurar novos</p><p>amigos, porque os atuais irão provavelmente</p><p>cair cada vez mais no vício. Ele não pode conti</p><p>nuar no grupo sem se envolver mais cedo ou</p><p>mais tarde.</p><p>Dr. Dobson: Gostaria que você comentasse sobre o</p><p>papel que a inferioridade desempenha no abuso</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>152 Adolescência Feliz</p><p>de drogas, que discutimos antes. Como sabe,</p><p>acredito que a pessoa que se sente inferior —</p><p>. aquela que não gosta de si mesma — algumas</p><p>não é tão bom quanto os demais, que é um fracasso,</p><p>um perdedor, um desastre pessoal; que você é feio ou</p><p>pouco inteligente, ou que não tem tanta capacidade</p><p>como outra pessoa. É aquele sentimento depressivo</p><p>da desvalorização pessoal.</p><p>Que vergonha que a maioria dos adolescentes</p><p>acha que não possui muito valor humano quando está</p><p>entre os treze e quinze anos! Isso pode ter acontecido</p><p>com você ainda antes disso, mas na maioria dos casos</p><p>o problema piora durante os anos de ginásio. Este é o</p><p>desfiladeiro de que falei — aquele buraco escuro na</p><p>estrada para a idade adulta que aprisiona tantos jo</p><p>vens.</p><p>Fui recentemente entrevistado pelos editores da</p><p>revista “Teen ” (Adolescência) com respeito a um arti</p><p>go que estavam escrevendo sobre o assunto da infe</p><p>rioridade. Os editores da revista sabiam que a maior</p><p>parte dos adolescentes enfrenta este problema. Tentei</p><p>contar a seus leitores que esta é uma crise desnecessá</p><p>ria: você pode rodear a dificuldade e evitá-la se sou</p><p>ber o que esperar. Mas se você simplesmente dirige o</p><p>carro estrada abaixo a toda velocidade, sem pensar</p><p>nos perigos e sem conhecê-los, você também pode</p><p>cair vítima deste mesmo sentimento de desvaloriza</p><p>ção. Não faz sentido sofrermos a agonia da derrota.</p><p>Todos temos valor humano, todavia tantos jovens</p><p>concluem que eles são de alguma forma diferentes —</p><p>que são realmente inferiores — que lhes faltam os</p><p>ingredientes necessários para que tenham dignidade e</p><p>valor.</p><p>0 Problema de Ronaldo</p><p>Alguns de vocês sabem que trabalho bastante</p><p>com jovens que têm essa espécie de problemas (assim</p><p>como problemas físicos). Estive no quadro de um</p><p>hospital de crianças durante dez anos, mas servi antes</p><p>no campus de uma escola secundária, e trabalhei ali</p><p>com muitos adolescentes que estavam lutando com</p><p>alguns dos sentimentos que já descreví.</p><p>Certo dia eu estava andando pelo terreno da</p><p>escola depois de a sineta ter tocado. Quase todos os</p><p>alunos já tinham voltado às classes, mas vi um rapazi</p><p>nho que. vinha em minha direção pelo corredor princi</p><p>pal. Eu sabia que o nome dele era Ronaldo e que</p><p>estava no terceiro ano do ginásio. Mas não o conhecia</p><p>muito bem. Ronaldo era um daqueles alunos que</p><p>ficam no fundo da classe, jamais chamando a atenção</p><p>sobre si e nunca fazendo amigos. É fácil esquecer-se</p><p>de que estão vivos porque não permitem que ninguém</p><p>se aproxime muito deles.</p><p>Quando Ronaldo estava cerca de quatro metros</p><p>de mim percebi que estava perturbado com alguma</p><p>coisa. Era evidente que algo o afligia, pois seu rosto</p><p>revelava sua perturbação íntima. Quando ele se apro</p><p>ximou um pouco mais viu que eu estava a observá-lo.</p><p>Nossos olhos se encontraram por um momento, de</p><p>pois ele baixou os seus para o chão quando chegou'</p><p>mais perto.</p><p>Quando Ronaldo e eu nos cruzamos, ele de</p><p>repente cobriu o rosto com as mãos e virou-se para a</p><p>parede. Seu pescoço e orelha ficaram vermelhos, e ele</p><p>começou a soluçar e chorar. Não estava apenas cho</p><p>rando, mas parecia explodir com a emoção. Coloquei</p><p>meu braço em seus ombros e lhe disse: — Posso</p><p>ajudá-lo, Ronaldo? Você gostaria de conversar comi</p><p>go? — Ele disse que sim com a cabeça, e tive de</p><p>praticamente guiá-lo até meu escritório.</p><p>Ofereci uma cadeira ao rapazinho e fechei a</p><p>porta, dando-lhe alguns minutos para se controlar</p><p>antes de pedir-lhe que falasse. Ele começou a se abrir</p><p>comigo.</p><p>0 Segredo da Auto-Estima 15</p><p>16 Adolescência Feliz</p><p>Foram estas as suas palavras: “Tenho estado na</p><p>escola nesta vizinhança há oito anos, mas não conse</p><p>gui fazer um só amigo! Nem um sequer. Não existe</p><p>ninguém nesta escola que se incomode se estou vivo</p><p>ou morto. Venho sozinho para a escola e volto tam</p><p>bém sozinho para casa. Não vou a jogos de futebol,</p><p>de basquete ou a qualquer outra atividade da escola</p><p>porque me sinto envergonhado de ficar ali sozinho.</p><p>Fico a sós durante o lanche da manhã e almoço num</p><p>canto isolado do campus. Depois volto sozinho para a</p><p>classe. Não me dou bem com meu pai e minha mãe</p><p>não me entende, e brigo com minha irmã. E não</p><p>tenho ninguém! O telefone nunca toca para mim e</p><p>não tenho ninguém com quem falar. Ninguém sabe o</p><p>que sinto e ninguém se incomoda. Algumas vezes</p><p>sinto que não vou mais agüentar!”</p><p>Ronaldo Não Está Sozinho</p><p>Não posso contar quantos estudantes expressa</p><p>ram esse mesmo tipo de sentimento para mim. Uma</p><p>menina da oitava série chamada Carlota sentia-se tão</p><p>mal a respeito de si mesma e por não ser popular que</p><p>não queria mais viver. Ela veio certo dia à escola e</p><p>me contou que tinha tomado todos os comprimidos</p><p>que encontrara no armário de remédios numa tentati</p><p>va de suicidar-se. Mas na verdade não queria morrer,</p><p>caso contrário não teria contado o que fizera. Ela</p><p>estava na verdade pedindo socorro. A enfermeira da</p><p>escola e eu a levamos para o hospital justamente a</p><p>tempo de salvar-lhe a vida. Tanto Carlota como Ro</p><p>naldo estão entre os milhares de estudantes que se</p><p>sentem vencidos pela sua falta de valor, e isto às</p><p>vezes tira até mesmo a sua vontade de viver.</p><p>Alguns jovens sentem-se inferiores e tolos ape</p><p>nas ocasionalmente, tal como quando fracassam em</p><p>17</p><p>algo muito importante. Mas outros se sentem inferio</p><p>res todo o tempo. Talvez você seja um desses indiví</p><p>duos que se sentem feridos todos os dias. Você já</p><p>sentiu um grande nó na garganta que surge quando</p><p>está achando que ninguém se incomoda, que ninguém</p><p>gosta de você, que talvez até mesmo o odeiem? Você</p><p>já desejou poder sair da sua pele e entrar no corpo de</p><p>outra pessoa? Você já se sentiu quase como se fosse</p><p>mudo quando está num grupo? Já teve vontade de</p><p>entrar num buraco e desaparecer? Se você já teve</p><p>essa espécie de sentimentos, espero que acabe de ler</p><p>este livro, porque ele é para vocêl Eu gostaria que</p><p>Ronaldo e Carlota pudessem ter lido o que estou</p><p>escrevendo quando expressaram esses sentimentos.</p><p>Gostaria que eles tivessem reconhecido o seu valor</p><p>como seres humanos, pois haviam, como viram, entra</p><p>do no desfiladeiro da inferioridade e estavam tatean</p><p>do nas trevas lá embaixo.</p><p>0 Segredo da Auto-Estima</p><p>Por quê?</p><p>Quero fazer, agora uma pergunta muito impor</p><p>tante. Por que tantos adolescentes se sentem inferio</p><p>res? Por que os jovens não podem crescer gostando</p><p>de si mesmos? Por que é comum as pessoas fazerem</p><p>uma auto-análise e se sentirem grandemente desapon</p><p>tadas com aquilo que Deus fez delas? Por que é</p><p>necessário que todos batam a cabeça na mesma pe</p><p>dra? Essas são perguntas boas, e penso que existem</p><p>boas respostas para elas.</p><p>O Estrago da Mãe Natureza</p><p>Existem três coisas que os jovens acham que preci</p><p>sam ter para sentir-se bem consigo mesmos. A primei</p><p>18 Adolescência Feliz</p><p>ra delas, e a mais importante, é a atração física. Você</p><p>sabia que cerca de 80 por cento dos adolescentes em</p><p>nossa sociedade não gostam de sua aparência?</p><p>Oitenta por cento!</p><p>Se se perguntasse a dez adolescentes o que mais os</p><p>desagrada, oito deles estariam insatisfeitos com algum</p><p>aspecto de seu corpo. Eles se sentem feios e pouco</p><p>atraentes, e pensam nesse problema a maior parte do</p><p>tempo. Também acreditam que o sexo oposto não</p><p>gosta deles. As meninas se acham muito altas e os</p><p>meninos muito baixos', ou muito magros ou muito</p><p>gordos, ou se preocupam com as espinhas no rosto ou</p><p>as sardas no nariz, ou com a cor do cabelo, ou</p><p>pensam ainda que seus pés são muito grandes, ou não</p><p>gostam do formato das suas unhas.</p><p>Não importa quão insignificante seja o problema,</p><p>ele pode provocar grande ansiedade e depressão. A maio</p><p>ria dos adolescentes se examina com cuidado no espe</p><p>lho para ver quanto estrago foi feito pela Mãe Nature</p><p>za, e não gosta do que vê. Desde que nenhum de nós</p><p>é perfeito, eles geralmente encontram algo que não</p><p>apreciam, e passam então a preocupar-se e afligir-se</p><p>com isso, desejando não terem esse defeito. Você</p><p>pode imaginar sentir-se deprimido e miserável por</p><p>algo tão tolo como ter um nariz uma fração de</p><p>centímetro mais longo do que você acha que ele</p><p>deveria ser?</p><p>Que Espécie de “Amigos”?</p><p>Uma das razões pelas quais os adolescentes se</p><p>tornam tão sensíveis a respeito de seus pequeninos</p><p>vezes usa drogas para fugir. Em outras palavras,</p><p>se tomar uma pílula pode então escapar de si</p><p>mesma por alguns minutos ou uma hora ou</p><p>duas. Você concorda com este ponto de vista?</p><p>Sentimentos de inferioridade tiveram parte na</p><p>sua experiência com drogas?</p><p>Gustavo: Foi isso mesmo. A inferioridade teve o pa</p><p>pel mais significativo no meu caso. As pessoas</p><p>sempre afirmam que não estão tomando drogas</p><p>para escapar, mas é justamente isso que aconte</p><p>ce. As drogas oferecem uma maneira rápida de</p><p>afastar-se daqueles detestáveis sentimentos de</p><p>desajuste. Todavia, os mesmos continuam ali,</p><p>aguardando você quando volta.</p><p>Dr. Dobson: Quando você começou a superar as dúvi</p><p>das sobre a sua própria pessoa?</p><p>Gustavo: Acredite ou não ela's ficaram piores</p><p>quando saí do ginásio. Olhe, a maior parte das pes</p><p>soas se esforça para ser popular durante os anos</p><p>de escola, e eu fiz o mesmo. Mas depois do</p><p>último ano parece que tudo perde o sentido.</p><p>Não há ninguém mais para apreciar você. É</p><p>então que os sentimentos de inferioridade podem</p><p>ficar insuportáveis.</p><p>Dr. Dobson: Bem, Gustavo, como você voltou à nor</p><p>malidade? Você está sentado aqui hoje “vesti</p><p>do, em perfeito juízo” .</p><p>Gustavo: Jesus Cristo entrou em minha vida e fez a</p><p>diferença.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 153</p><p>Dr. Dobson: Conte-nos como encontrou o Senhor.</p><p>Gustavo: Bem, eu não estava buscando a Deus. Eu</p><p>não me sentia como se estivesse procurando</p><p>algo, mas meus amigos estavam falando comigo</p><p>sobre o Senhor. Finalmente, não foi nada que</p><p>eles tivessem dito — foi uma espécie de revela</p><p>ção de Deus, eu sabia que precisava dEle. Pedi,</p><p>com o pouco de fé que tinha, para que Ele</p><p>entrasse em minha vida, e Ele o fez. E eu soube</p><p>imediatamente que tinha feito isso.</p><p>Dr. Dobson: Quando você se entregou a Jesus, livrou-</p><p>se do seu problema de drogas imediatamente?</p><p>Gustavo: Sim. Quando a pessoa se rende ao Senhor,</p><p>ela se sente limpa por dentro, como se fosse</p><p>uma nova pessoa. Jesus disse: “Deixo-vos a mi</p><p>nha paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou</p><p>como a dá o mundo. Não se turbe o vosso</p><p>coração, nem se atemorize.”</p><p>Dr. Dobson: Gustavo, fico satisfeito por você ter</p><p>partilhado a sua experiência conosco e por nos</p><p>dar este testemunho pessoal. Tenho a certeza de</p><p>que muitos jovens serão ajudados por ele.</p><p>Gustavo: Obrigado por permitir que contasse a minha</p><p>história. Vou voltar agora à gravação.</p><p>Dr. Dobson: Gostaria que nós quatro discutíssemos</p><p>outro aspecto extremamente importante da ado</p><p>lescência, e estou me referindo às mudanças físi</p><p>cas que ocorrem durante o início desse período.</p><p>Não é incomum que os meninos e meninas se</p><p>amedrontem com o que está acontecendo ao</p><p>154 Adolescência Feliz</p><p>seu corpo. Algum de vocês experimentou esses</p><p>temores no começo da adolescência?</p><p>Lena: Sim. Eu comecei a mudar muito cedo, na</p><p>quarta e quinta séries. Fiquei com medo porque</p><p>minha mãe não me falara sobre o assunto.</p><p>Dr. Dobson: Ela não tinha preparado você para essas</p><p>alterações?</p><p>Lena: Não, pois pensava que não iriam acontecer até a</p><p>sexta ou sétima série. Quando aconteceu antes</p><p>disso eu não sabia o que estava havendo e</p><p>entrei em pânico..</p><p>Dr. Dobson: Que tipo de medo você teve, Lena?</p><p>Você ficou imaginando que era anormal de al</p><p>gum modo, ou que tinha alguma doença terrí</p><p>vel?</p><p>Lena: Pensei que fosse morrer. Pensei mesmo. Estava</p><p>na escola e corri para a enfermaria em lágrimas.</p><p>A enfermeira não sabia o que tinha acontecido</p><p>e eu me achava tão fora de mim que não</p><p>conseguia explicar-lhe.</p><p>Dr. Dobson: A sua sinceridade é muito útil Lena,</p><p>pois irá encorajar outras pessoas que este</p><p>jam ouvindo a não ter medo quando ocorrerem</p><p>essas mudanças físicas. Elas devem saber que o</p><p>processo de crescimento é controlado pela glân</p><p>dula pituitária localizada no cérebro. Numa cer</p><p>ta ocasião e numa certa idade ela envia mensa</p><p>geiros químicos chamados hormônios que pro</p><p>duzem essas mudanças as quais podem ser tão</p><p>terrificantes.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 155</p><p>Lena: Olhe, quando diz que não devemos ter medo</p><p>isso parece fácil, mas como a pessoa pode dei</p><p>xar de entrar, em pânico? Por exemplo, quando</p><p>descobri que era alérgica a abelhas, minha mãe</p><p>me disse: — Não fique com medo delas, isso basta.</p><p>— Mas não posso fazer nada. Quando elas che</p><p>gam perto de mim eu corro na direção oposta.</p><p>Tenho um medo de morte de abelhas. Quando</p><p>minha mãe me disse para não preocupar-me isso</p><p>não ajudou a vencer o meu medo.</p><p>Dr. Dobson: Existe uma diferença, porém, Lena. Vo</p><p>cê tem realmente algo a temer das abelhas por</p><p>que é alérgica à picada das mesmas. Todavia, o</p><p>que desejo transmitir aos que não chegaram</p><p>ainda à adolescência é que eles não têm nada a</p><p>temer por parte das modificações físicas que</p><p>estão ocorrendo. Trata-se de um processo natu</p><p>ral que ocorre em toda pessoa sadia. Décio?</p><p>Décio: Eu era muito baixinho no ginásio. Acho que</p><p>quase todos os meninos são mais baixos que as</p><p>meninas no ginásio.</p><p>Dr. Dobson: É isso mesmo.</p><p>Décio: Estou começando a alcançar os outros agora,</p><p>mas durante algum tempo era muito sensível</p><p>com respeito à minha altura. Mas eu não era o</p><p>único que se sentia embaraçado, porque as mu</p><p>danças físicas da adolescência coincidiram com</p><p>a educação física como uma classe especial no</p><p>ginásio. Em outras palavras, exatamente na épo</p><p>ca em que você tinha mais consciência do seu</p><p>corpo era preciso tomar banhos de chuveiro e</p><p>expor-se diante de todo o mundo no vestiário.</p><p>156 Adolescência Feliz</p><p>Dr. Dobson: Exatamente.</p><p>Décio: Eu me preocupava mais com as aulas de educação</p><p>física do que com todas as outras, apesar de ser</p><p>a mais fácil. Eu gostava de jogar basquete e</p><p>outros esportes, mas me ressentia do meu corpo</p><p>e não gostava que os outros o vissem. Todos os</p><p>demais se sentiam assim, e as aulas de educação</p><p>física trouxeram muitos problemas.</p><p>Dr. Dobson: Décio, você mostrou grande discernimen</p><p>to com o seu comentário. Essas aulas causam mes</p><p>mo muitos problemas para os garotos. Os que ain</p><p>da não amadureceram são muito sensíveis com re</p><p>lação ao seu corpo de criança, especialmente</p><p>quando notam que os outros são mais adultos.</p><p>Isto provoca tremenda ansiedade, especialmente</p><p>para os que são objeto de caçoada dos amigos.</p><p>Alguns alunos chegaram a dizer-me: “Expulse-</p><p>me da escola, reprove-me, mande-me para a</p><p>Sibéria, mande-me para a prisão, faça qualquer</p><p>coisa, mas não vou tomar banho de chuveiro</p><p>depois da aula de educação física nunca mais!”</p><p>E compreendo perfeitamente os sentimentos de</p><p>les.</p><p>Lena: Quando me disseram que eu devia tomar banho</p><p>depois da aula de educação física fiquei muito</p><p>tensa e preocupada. Eu nem queria ir à escola</p><p>naquele dia. Fiz o possível para enganar minha</p><p>mãe. c iquei doente com antecipação. Tentei</p><p>cudo, mas ela me fez ir à escola de qualquer</p><p>jeito. Todas as meninas se sentiam como eu, e</p><p>foi engraçado, porque as toalhas que nos deram</p><p>não eram grandes o bastante para cobrir-nos.</p><p>(Risos.) Nós devíamos na verdade enxugar-nos</p><p>157</p><p>nas toalhas, mas todo mundo amarrou-as ao</p><p>redor do corpo, e tentou então vestir-se e des</p><p>pir-se com a toalha no lugar. Não queríamos</p><p>que ninguém visse nossa aparência. Foi simples</p><p>mente terrível!</p><p>Dr. Dobson: E todo mundo estava sentindo a mesma</p><p>coisa.</p><p>Lena: Todas estavam embaraçadas e conscientes de si</p><p>mesmas! (Risos.)</p><p>Dr. Dobson: Alguns dos outros também tiveram a</p><p>mesma espécie de sentimentos e temores?</p><p>Cecília: Eu costumava me vestir no chuveiro! (Risos.)</p><p>Dr. Dobson: É isso, estamos todos no mesmo barco.</p><p>Paulo, o mesmo problema?</p><p>Paulo: Sim, aconteceu comigo também.</p><p>Dr. Dobson: Essas experiências são mais penosas, na</p><p>turalmente, para os que têm os velhos sentimen</p><p>tos de inferioridade. Esse problema parece sur</p><p>gir em toda parte.</p><p>Paulo: Uma outra coisa que perturba os garotos é</p><p>quando não são muito fortes. Uma porção deles</p><p>é “musculosa” e quando a gente é magricela</p><p>eles dão risada e zombam. Eu não sou o rapaz</p><p>mais forte do mundo e então sempre quis me</p><p>lhorar, eu queria ter músculos, para poder fazer</p><p>parte do grupo. Penso que foi esta a razão da</p><p>minha inferioridade.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>Dr. Dobson: Antes do início da puberdade — antes de</p><p>você crescer — os seus músculos são como os de</p><p>uma criança. Eles se tornam mais poderosos e</p><p>mais como os de um adulto pouco depois da</p><p>explosão do crescimento. Assim sendo, o meni</p><p>no que se desenvolve tarde tem probabilidade</p><p>de ser mais fraco. Isso dificulta as coisas para</p><p>ele, porque seus amigos estão jogando futebol e</p><p>fazendo coisas que exigem força. A força é</p><p>muito importante para os rapazinhos, e. os que</p><p>ainda não se desenvolveram se sentem inferiores</p><p>por algum tempo. Isso pode trazer os sentimen</p><p>tos descritos por Paulo.</p><p>Lena: Tem uma outra coisa que me aborrece. As</p><p>aulas de educação física dos meninos e das</p><p>meninas são naturalmente separadas, mas nós às</p><p>vezes ficamos juntos no pátio. Então é que dá</p><p>medo mesmo, pois eles estão ali vestidos para a</p><p>aula de ginástica e nós também. Nós talvez</p><p>estejamos jogando basquete e eles voleibol. E a</p><p>tensão é terrível! A gente está dando o melhor</p><p>de si, mas eu não sou boa jogadora de basquete</p><p>— sou baixinha e às vezes me sinto aleijada</p><p>(risos) — e com certeza ninguém gosta de zomba</p><p>ria. Todas as meninas ficam tentando impressio</p><p>nar os rapazes e eles a elas. É um período de</p><p>tensão.</p><p>Décio: Quando os rapazes e as meninas estão nas</p><p>mesmas quadras ou algo assim é que os abusa</p><p>dos (os que querem se exibir) se aproveitam.</p><p>Quando eu estava no ginásio eles vinham de</p><p>mansinho por trás (faz um movimento de puxar</p><p>para baixo) e puxavam o calção da gente (Ri</p><p>sos.). A vítima naturalmente agarrava na mesma</p><p>hora o calção e o punha no lugar, mas eu vivia</p><p>158 Adolescência Feliz</p><p>159</p><p>com um medo terrível que isso me acontecesse</p><p>pois jamais teria coragem de aparecer de novo</p><p>em público depois de uma coisa assim. Passava</p><p>então metade do tempo jogando e a outra metade</p><p>olhando por cima do ombro. Como resultado,</p><p>não sou um bom jogador! Era preciso ter cuida</p><p>do, ficar vigilante, não se colocar numa posição</p><p>vulnerável. Não há muito que se possa fazer</p><p>para não ser humilhado, mas alguma coisa sem</p><p>pre é possível.</p><p>Paulo: Quando a gente está com uma menina é uma</p><p>ótima ocasião para os garotos se vingarem, di</p><p>zendo algo sobre a nossa pessoa ou a nossa</p><p>família. E isso dói.</p><p>Dr. Dobson: Pelo que vocês estão falando dá para ver</p><p>que são mais cautelosos quando estão perto de</p><p>alguém do sexo oposto. Quando as garotas es</p><p>tão com os rapazes e estes com elas é que ficam</p><p>mais vulneráveis. E isso é fácil de compreender.</p><p>Vou convidar o Sr. João Lessa para juntar-se a</p><p>nós. Ele é também um técnico que veio traba</p><p>lhar com os gravadores. Esta discussão que esta</p><p>mos tendo é no entanto tão fantasticamente</p><p>estimulante que os técnicos querem participar e</p><p>dar sua opinião. João, seja bem-vindo ao nosso</p><p>grupo.</p><p>João: Obrigado.</p><p>Dr. Dobson: Você esteve aqui perto durante a última</p><p>meia hora e sei que tem algumas idéias sobre o</p><p>assunto da inferioridade.</p><p>João: Eu só queria dizer que muitos de nós se tornam</p><p>híper-sensíveis com respeito à própria aparência,</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>160 Adolescência Feliz</p><p>como por exemplo, “sou muito gordo” ou “sou</p><p>muito magro” . Eu tive o mesmo problema por</p><p>que nunca me julguei muito bonito. Eu via</p><p>pessoas que julgava atraentes e queria ser como</p><p>elas. Sempre quis ter cabelo preto, por exem</p><p>plo, e numca apreciei minha aparência. Desde</p><p>então aprendi que Deus fez as pessoas como são</p><p>por algum motivo, e Ele não comete erros. Co-</p><p>nheci algumas pessoas que compreendiam esse</p><p>princípio e se recusavam a permitir que suas im</p><p>perfeições as perturbassem. Conheço uma garota,</p><p>por exemplo, que precisa usar aparelho para andar.</p><p>Ela teve uma doença que não sei como se</p><p>chama, mas precisa de ajuda para andar pois</p><p>suas pernas são muito finas e fracas. Essa garota</p><p>é porém uma das pessoas mais belas que já vi.</p><p>Ela glorifica a Deus, porque sabe que tem de</p><p>ser como é. Como resultado, ela edifica as pes</p><p>soas e as torna felizes, e isso a faz feliz por sua</p><p>vez. É realmente uma coisa maravilhosa. Mas as</p><p>pessoas no geral se preocupam tanto com a sua</p><p>aparência que deixam de compreender que Deus</p><p>pode usá-las como são. Deus tem um propósito</p><p>para cada um de nós, e é nosso dever descobrir</p><p>quais os propósitos dEle e cumpri-los.</p><p>Dr. Dobson: Esse é o segredo da autoconfiança, João.</p><p>Todavia, as pequenas imperfeições da pessoa</p><p>podem levá-la a esconder-se num canto, com a</p><p>boca fechada, e jamais fazer uso do talento que</p><p>Deus lhe concedeu.</p><p>João: Isso pode certamente acontecer. É engraçado,</p><p>mas nunca pensei em mim mesmo como sendo</p><p>alguém especial, como tendo capacidade de lide</p><p>rança. Mas no ginásio isso aconteceu. Sabe, al</p><p>guém me pediu para envolver-me e eu disse</p><p>“sim”. Tornei-me então redator do jornal do</p><p>colégio e me envolvi em muitas outras atividades.</p><p>Mas foi preciso que estivesse disposto a dar aque</p><p>le primeiro passo.</p><p>Dr. Dobson: E à medida que sua confiança cresceu,</p><p>também cresceu a sua capacidade. Este é um prin</p><p>cípio que eu gostaria que todos os nossos leito</p><p>res compreendessem. Você pode pensar que não</p><p>tem capacidade nem habilidade, mas o seu verda</p><p>deiro problema é que lhe falta confiança. Quero</p><p>contar-lhes a re.speito do ponto baixo em minha</p><p>vida. Pediram-me que desse um testemunho cris</p><p>tão quando estive numa reunião no tempo de</p><p>ginásio. Eu pretendia falar apenas cinco minutos</p><p>e decorei então um pequenino discurso formal.</p><p>Mas o jovem que me precedeu falou durante</p><p>trinta minutos sem tomar fôlego. Suas palavras</p><p>eram perfeitas, e quanto mais ele falava, mais</p><p>gelado eu me sentia. Eu sabia que não tinha</p><p>tanto a dizer. Quando finalmente subi no palco</p><p>e olhei para toda aquela gente da minha idade,</p><p>tive um branco. Fiquei ali parado sem poder</p><p>dizer nada. Todos os alunos se mantiveram em</p><p>perfeito silêncio olhando para a minha cara ver</p><p>melha. Foi um dos momentos mais desagradá</p><p>veis e desanimadores de toda a minha vida,</p><p>enquanto eu tentava dizer algo. Falo hoje atra</p><p>vés do país inteiro e recebo milhares de convi</p><p>tes que não tenho tempo de aceitar. A diferen</p><p>ça entre aquele primeiro desastre e o sucesso</p><p>atual é uma questão de confiança.</p><p>João: Essa primeira experiência provavelmente fez com</p><p>que você quisesse ter sucesso ainda mais, não</p><p>é?</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo 161</p><p>Dr. Dobson: Foi mesmo, mas levei cinco anos para</p><p>superar aquela crise. Não posso descrever como</p><p>foi penoso aquele fracasso na ocasião, mas</p><p>como você disse, João, o Senhor fez uso daque</p><p>le momento terrível. Ele me deu o desejo de</p><p>aprender a falar em público com facilidade.</p><p>Lena: Por falar em confiança, a mesma coisa aconte</p><p>ceu comigo no teatro. Eu achava que não era</p><p>capaz de representar. Matriculei-me num curso</p><p>de teatro e todos os dias a professora insistia</p><p>para que eu e outras duas meninas subíssemos no</p><p>palco. Mas eu não tinha confiança alguma e</p><p>procurava ficar escondida num canto, muito</p><p>tímida. Finalmente decidi tentar. Foi difícil da</p><p>primeira vez, mas gradualmente comecei a acre</p><p>ditar em mim mesma. Agora tudo ficou mais</p><p>fácil.</p><p>João: Todo mundo é basicamente o mesmo. Em meu</p><p>trabalho conheço pessoas famosas e importan</p><p>tes, mas não passam de gente comum, o mesmo</p><p>que nós.</p><p>Dr. Dobson: Muito bem, suponhamos que lhe falte</p><p>autoconfiança. Como obtê-la? Algumas suges</p><p>tões?</p><p>João: Todo mundo, não importa quem seja, tem algo</p><p>que pode fazer. Você pode ser capaz de fa/er um</p><p>buraco- maior no seu quintal. (Não estou sugerin</p><p>do que faça qualquer coisa negativa ou destruti</p><p>va.) Mas todos têm habilidades que não foram</p><p>desenvolvidas, e você deve identificá-las e culti</p><p>vá-las. Minha irmã sentiu que sabia desenhar e</p><p>então praticou muito, ela agora é uma artista.</p><p>Não penso que tenha nascido artista, mas ela</p><p>162 Adolescência Feliz</p><p>163</p><p>desenvolveu as suas habilidades. Minha outra</p><p>irmã é louca por ginástica. Ela não é tão boa</p><p>quanto aquela menina russa.. .</p><p>Dr. Dobson: Olga?</p><p>João: É isso, Olga Korbut.</p><p>Dr. Dobson: 0 princípio que você está nos dando é</p><p>um no qual acretido e que tentei descrever</p><p>antes. Se você se sente inferior</p><p>e desajustado e</p><p>julga que nada tem a oferecer, procure desco</p><p>brir seus talentos ocultos. Tente identificar seus</p><p>pontos positivos e os interesses que pode culti</p><p>var e depois coloque neles todos os seus recur</p><p>sos. Logo se sentirá melhor a respeito de si</p><p>mesmo.</p><p>Paulo: Bem, e se você tentar algo realmente novo e</p><p>falhar? Isso faz com que as pessoas o depre</p><p>ciem. Não vai ficar pior do que antes?</p><p>João: Não necessariamente, porque na verdade não</p><p>importa o que as outras pessoas pensam. 0 fato</p><p>de você ter tido coragem de tentar algo que não</p><p>compreendia, mostra muito a seu respeito, so</p><p>bre o tipo de pessoa que você é.</p><p>Paulo: Sim, mas algumas vezes seus pais o encorajam</p><p>a mergulhar em algo desconhecido, e então</p><p>você se perde, entendeu? Sente-se então depri</p><p>mido e desanimado. Eles não deveríam empurrá-</p><p>lo para algo que você sente que não vai bem</p><p>com você.</p><p>Dr. Dobson: Você tem razão, Paulo, mas pense deste</p><p>modo: uma criança que está dando os seus</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>164 Adolescência Feliz</p><p>primeiros passos tem de cair antes de aprender</p><p>a andar, certo? Ela jamais andaria se não esti</p><p>vesse disposta a cair no início. O medo de cair</p><p>pode impedir-nos de tentar qualquer coisa nova.</p><p>Pode manter você fechado porque teme correr</p><p>alguns desses riscos. Com alguma confiança de</p><p>si pode realizar alguma coisa que o fará orgu</p><p>lhoso de si mesmo. É isso que seus pais estão</p><p>esperando. Cecília, gostaria que falasse agora.</p><p>Cecília: Uma das coisas mais difíceis para mim é</p><p>ficar à frente de um grupo de pessoas para can</p><p>tar, falar ou fazer qualquer outra coisa. Há um</p><p>ano atrás experimentei fazer parte de uma torci</p><p>da na escola. (A torcida atua nos jogos de</p><p>futebol e em outras atividades escolares.) Todo</p><p>mundo quer fazer parte, mas nem todos conse</p><p>guem. Você precisa ser bom para ser escolhido.</p><p>A primeira vez que tentei estava com tanto</p><p>medo que pensei que não iria conseguir. Mas</p><p>quando se pratica bastante e se procura apren</p><p>der, então a coisa fica mais fácil, como disse</p><p>Lena. Foi o que aconteceu comigo, e fui esco</p><p>lhida para entrar no grupo de torcida. Na noite</p><p>passada tive de participar de uma atuação e</p><p>não fiquei com medo de ir ao campo. Há um</p><p>ano, no entanto, pensei que desmaiaria quando</p><p>isso acontecesse. Foi só a prática que me aju</p><p>dou a vencer.</p><p>Dr. Dobson: Ela aumentou a sua confiança, não é?</p><p>Cecília: Certo.</p><p>Dr. Dobson: Esse sucesso vai tornar mais fácil para</p><p>você tentar alguma coisa nova da próxima vez?</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>Cecília: Com certeza.</p><p>165</p><p>Dr. Dobson: Pelo fato de ter enfrentado o medo, não</p><p>é?</p><p>Cecília: Sim.</p><p>Dr. Dobson: Se tivesse feito o que realmente estava</p><p>querendo fazer, teria fugido?</p><p>Cecília: Sim.</p><p>Dr. Dobson: Conheço um grande corredor — ele na</p><p>verdade ganhou três medalhas de ouro nas</p><p>Olimpíadas. Esse homem afirmou que em cada</p><p>competição seu desejo é fugir do estádio. Tam</p><p>bém me contaram que Wilt Chamberlain ia para</p><p>o banheiro e vomitava antes de cada jogo de</p><p>basquete no colégio. Aquela tensão tremenda,</p><p>aquele medo, pode manter você sentado em</p><p>casa numa cadeira, talvez chorando, em lugar de</p><p>fazer com que use os talentos que Deus lhe deu.</p><p>Décio, não quero causar-lhe dificuldades, mas</p><p>gostaria que para encerrar você nos dissesse o</p><p>que Jesus Cristo significa para você.</p><p>Décio: Existe uma música no Hinário Cristão que</p><p>inclui esta idéia: não importa o que a pessoa</p><p>faça por si mesma, ela irá falhar se não estiver</p><p>trabalhando juntamente com Deus. É assim que</p><p>me sinto. Jesus Cristo está sempre ali para me</p><p>ajudar.. . para dar-me confiança.. . para ser</p><p>meu amigo. Ele naturalmente espera que eu faça</p><p>a minha parte do trabalho, que desenvolva os</p><p>talentos que me concedeu e aproveite as opor</p><p>tunidades que me oferece. Isto se relaciona com</p><p>o que estivemos discutindo esta noite. É nossa</p><p>166 Adolescência Feliz</p><p>responsabilidade aplicar esses princípios que fo</p><p>ram sugeridos, mas mesmo que façamos todos os</p><p>movimentos certos, mesmo assim não podemos</p><p>fazer tudo sozinhos. Falando por mim mesmo,</p><p>dependo da sociedade com Deus. Ele está sem</p><p>pre ali para apoiar-me, especialmente em perío</p><p>dos de dificuldade. Eu não só tenho outras</p><p>pessoas e amigos para ajudar-me, mas Cristo</p><p>está também operando em mim. É isso que Ele</p><p>significa para mim.</p><p>Dr. Dobson: Você se expressou muito bem, e existe</p><p>um versículo bíblico que exprime a mesma</p><p>idéia: “Se o Senhor não construir a casa, o</p><p>trabalho do construtor será inútil.” Isso significa</p><p>que você pode construir o seu próprio império,</p><p>tornando-se a maior autoridade do mundo em</p><p>um dado assunto e ganhar uma fortuna, mas se</p><p>Deus não estiver incluído, você terá desperdiça</p><p>do o seu tempo. Deus quer que lhe digamos:</p><p>“Não tenho muito, mas a minha vida é sua. Por</p><p>favor, tome-a e a abençoe.”</p><p>Cecília: Isto me ajudou muito no correr dos anos. Sei</p><p>que o Senhor me aceita como sou, porque foi</p><p>Ele quem me fez assim. Não preciso preocupar-</p><p>me com a minha aparência nem com a maneira</p><p>como falo. 0 Senhor me conhece e tem minha</p><p>vida em suas mãos.</p><p>Dr. Dobson: Não é maravilhoso? A aceitação de Deus</p><p>é incondicional. Mesmo que eu não seja a pes</p><p>soa mais admirada do mundo; mesmo que não</p><p>seja a mais bonita nem a mais inteligente; mes</p><p>mo que não tenha fortuna; mesmo que não</p><p>tenha vencido qualquer competição esportiva;</p><p>mesmo que não tenha chegado ao ponto que</p><p>167</p><p>esperava chegar, e mesmo que tenha desaponta</p><p>do outras pessoas.. . mesmo assim, sou digno</p><p>aos olhos de Deus. Paulo, você acredita que isso</p><p>é verdade? Jesus Cristo é real para você?</p><p>Paulo: Sim, Ele é. Mas houve ocasiões em que me</p><p>afastei da igreja e do Senhor, e posso dizer-lhe</p><p>agora que sem Cristo em mim sou uma pessoa</p><p>por completo diferente sob todos os aspectos.</p><p>Mas quando Cristo está no controle, é como ter</p><p>um amigo a seu lado ajudando em todas as</p><p>ocasiões.</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>Dr. Dobson: Lena, epi conclusão, você diria que foi</p><p>agradável crescer, ou foi difícil e penoso?</p><p>Lena: Ambas as coisas. Foi divertido, mas na ocasião</p><p>pensei: — Acho que não vou agüentar — Mas</p><p>agora, quando olho para trás, para todas as</p><p>experiências que passei, gostaria de ter nova</p><p>mente doze anos para poder fazer tudo de no</p><p>vo. Posso afirmar que eu ia fazer muitas coisas</p><p>de forma diferente.</p><p>Dr. Dobson: Este é provavelmente um bom lugar para</p><p>encerrar nossa conversa. Quero agradecer a to</p><p>dos vocês por terem estado aqui conosco nesta</p><p>noite e por terem sido tão sinceros, partilhando</p><p>alguns de seus sentimentos particulares conosco.</p><p>Espero que essas discussões tenham sido úteis</p><p>para os ouvintes. Elas talvez possam ser de</p><p>auxilio, ajudando cada um a evitar as armadi</p><p>lhas familiares, conhecidas e a gozar algumas</p><p>das bênçãos que a vida tem em depósito para</p><p>você. Mais uma vez obrigado e até logo.</p><p>168 Adolescência Feliz</p><p>MENSAGEM FINAL</p><p>Penso que cobrimos os assuntos que você deve</p><p>ria conhecer a respeito da adolescência que se aproxi</p><p>ma. Falamos sobre a inferioridade, conformidade,</p><p>puberdade, amor romântico, e emoção. Tudo o que</p><p>resta é oferecer uma ou duas sugestões finais que</p><p>poderão ajudá-lo a enfrentar as pressões que foram</p><p>discutidas.</p><p>Hoje Não É para Sempre</p><p>Em primeiro lugar, existe uma tendência dtiran-</p><p>te os ãm5s~"3eadolescência para pensar quê ‘‘hojê~e~</p><p>para sempre”, que as circunstâncias presentes .não vão</p><p>mudar, que os problemas que você está enfrentando</p><p>neste momento irão continuar pelo resto da vidã.Tor</p><p>exemplo, muitos jovens que se sentem inferiores e</p><p>não têm popularidade na escola, geralmente acreditam</p><p>que continuarão sendo pouco amados e rejeitados.</p><p>Eles não podem imaginar uma situação diferente da</p><p>quela que experimentam na escola a cada dia. Na</p><p>verdade, porém, os anos da adolescência passam rapi</p><p>damente, e logo não serão mais do que uma lembrança</p><p>na memória. Os amigos (e inimigos) que estão na sua</p><p>classe irão formar-se logo e se mudarão para outros</p><p>lugares. Uma vez que isso aconteça nenhum poder na</p><p>terra poderá fazer com que as coisas voltem a ser</p><p>como são agora. A mini-sociedade em sua</p><p>escola irá</p><p>dissolver-se completamente, jamais voltando a reunir-</p><p>se.</p><p>Dessa forma, se você se sentir infeliz por qualquer</p><p>razão durante a adolescência, agüente firme — as</p><p>coisas vão mudar. Esse fato é uma das certezas da</p><p>vida, e compreendê-lo ajudará você a enfrentar uma</p><p>situação pouco confortável. Amanhã será diferente.</p><p>Mensagem Final</p><p>A Normalidade Vai Voltar</p><p>169</p><p>Quero oferecer outra mensagem encorajadora</p><p>sobre os anos da adolescência que pode ser resumida</p><p>nestas palavras a normalidade vai voltar. Quero dizer</p><p>com isso que você está prestes a entrar num mundo</p><p>tumultuado que fará novas exigências e o confrontará</p><p>com muitos novos desafios. (Lembra-se de que eu</p><p>disse que de vez em quando você irá sentir-se como</p><p>se estivesse suspenso pelos calcanhares? ) Quando esses</p><p>momentos de tensão surgirem.. . quando quiser namo</p><p>rar uma menina e ela o rejeitar, quando não for</p><p>convidado para a festa dada em homenagem às pes</p><p>soas mais populares, quando seus pais o criticarem</p><p>por tudo, quando as espinhas e cravos atacarem sua</p><p>testa como um exército de insetos, quando ficar pen</p><p>sando se Deus está realmente ali e se Ele realmente se</p><p>preocupa.. . naqueles momentos em que se sentir</p><p>tentado a desistir, por favor lembre-se das minhas</p><p>palavras: “a normalidade vai voltar” .</p><p>Assim como pude prever muitas das experiên</p><p>cias da adolescência que surgiram em seu caminho,</p><p>posso também, prever com certeza que este período</p><p>de tensão na sua vida vai passar. A adolescência é de</p><p>certa forma como um túnel que tem um começo e</p><p>um fim conhecidos. Enquanto você permanecer na</p><p>estrada e mantiver seu carro em movimento, você</p><p>pode esperar sair do outro lado. As ansiedades e</p><p>conflitos que vem experimentando irão também logo</p><p>desaparecer, e uma nova série de pressões adultas</p><p>tomarão o seu lugar. Assim é a vida, como dizem.</p><p>O Seu Melhor Amigo</p><p>O conselho final (mas mais importante) que</p><p>posso dar-lhe é manter sua amizade com Jesus Cristo nos</p><p>170 Adolescência Feliz</p><p>anos que virão. Ele ama você e compreende todas as</p><p>suas necessidades e desejos. Ele estará ali para parti</p><p>lhar de seus dias brilhantes e das noites escuras.</p><p>Quando você enfrentar as escolhas importantes da</p><p>vida (a escolha de um companheiro, de um emprego,</p><p>etc.), Ele irá guiá-lo, orientando os seus passos. Ele</p><p>nos deu essa segurança em Provérbios 3:6 que diz:</p><p>“Em tudo aquilo que você faz, coloque Deus em</p><p>primeiro lugar, e Ele dirigirá você.” Que promessa</p><p>reconfortante!</p><p>Quero agradecer-lhe por fazer esta viagem atra</p><p>vés da adolescência comigo. Apesar de não nos conhe</p><p>cermos, sinto que este livro nos ajudou a nos tornar-,</p><p>mos amigos.</p><p>Confio em que Deus irá abençoar a sua vida, e</p><p>espero encontrá-lo um dia.</p><p>Dr. James Dobson</p><p>Prezado leitor,</p><p>Sua opinião acerca deste livro é muito importante.</p><p>Escreva-nos. Peça também nosso catálogo. Você o receberá</p><p>gratuitamente. Nosso endereço:</p><p>EDITORA MUNDO CRISTÃO</p><p>Caixa Postal 21.257,04698-970 — São Paulo, SP</p><p>— Os editores</p><p>Adolescência ièliz!</p><p>Adolescência</p><p>Adolescência</p><p>Feliz!</p><p>índice</p><p>Mensagem aos Pais</p><p>JMUMUMIUMUMU/'</p><p>O Segredo da Aüto-Estima</p><p>0 Desafio da Adolescência</p><p>A Agonia da Inferioridade</p><p>0 Problema de Ronaldo</p><p>Oitenta por cento!</p><p>Que Espécie de “Amigos”?</p><p>Descubra um Amigo Verdadeiro</p><p>Mande Outra Pessoa</p><p>)OISDOIS2DOISDOI</p><p>Todos Estão Fazendo isso!</p><p>A Melancolia da Orientação</p><p>ÍTRESTRES3TRÊSTRÊS'</p><p>Algo Extraordinário Está Acontecendo com Meu Corpo</p><p>O Preparo para a Paternidade ou Maternidade</p><p>0 Cansaço do Adolescente</p><p>O Apetite Sexual</p><p>Emissões Noturnas</p><p>Não É Preciso Ter Medo</p><p>QUATR04QUATR0</p><p>Acho Que Estou Amando</p><p>Confusão na Música</p><p>Amor para Sempre?</p><p>DCINC05CINC0C</p><p>Uma Noção Chamada Emoção</p><p>Liberdade Total</p><p>Minha Mensagem</p><p>Tomando-se Homens e Mulheres</p><p>ISSEISSEIS6SEISSEISSI</p><p>Foi Isto Que Aconteceu Comigo</p><p>defeitos é porque seus “amigos” zombaram deles ou</p><p>19</p><p>os embaraçaram durante os primeiros anos. Infeliz-</p><p>mente meninos e meninas são muitas vezes maldosos</p><p>uns com os outros, atirando insultos de lá para cá</p><p>como flechas envenenadas. Conheci por exemplo uma</p><p>menina da oitava série que recebeu na escola um</p><p>bilhetinho de outra garota que aparentemente a odia</p><p>va. Ela nada tinha feito de mau para a autora da</p><p>nota, mas o conteúdo era este:</p><p>Detestável Janete:</p><p>Você é a menina mais odiosa do mundo. Espe</p><p>ro que morra, mas naturalmente isso é impossí</p><p>vel. Eu tenho algumas sugestões:</p><p>1. Brincar no meio da rua</p><p>2. Cortar a garganta</p><p>3. Beber veneno</p><p>4. Ficar bêbeda</p><p>5. Matar-se com uma faca</p><p>Por favor faça uma dessas coisas, sua Gordu</p><p>cha. Todas nós detestamos você. Estou orando:</p><p>ó, por favor Senhor, faça Janete morrer. Precisa</p><p>mos de ar fresco. 0 Senhor me ouviu, Senhor,</p><p>porque se não ouviu todas morreremos aqui com</p><p>ela.</p><p>Veja bem Janete, não somos todas más.</p><p>deWANDA JACKSON*</p><p>Você já recebeu um bilhete assim? Mais impor</p><p>tante ainda, já escreveu um bilhete assim? Os jovens</p><p>se magoam facilmente, e a dor provocada por este tipo</p><p>de mensagem é profunda e dura por muito tempo. Ela</p><p>pode ser até lembrada depois que Janete crescer.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>* Extraído de Hide or Seek, Revell Publishers, 1974. Usado</p><p>com permissão.</p><p>20 Adolescência Feliz</p><p>“Baixinho” e “Gorila”</p><p>Uma das brincadeiras mais impiedosas dos ado</p><p>lescentes é inventar apelidos maldosos que chamam a</p><p>atenção para algo diferente ou pouco comum de uma</p><p>pessoa. Desta forma eles focalizam o traço que a</p><p>vítima mais quer ocultar. Você pode ter recebido um</p><p>apelido ou alguém pode ter zombado de seu corpo</p><p>uma ou outra vez. Se você é de pequena estatura</p><p>pode ter sido chamado de “Anão” ou “Baixinho”. Se</p><p>você é uma menina alta, podem ter-lhe dado o apeli</p><p>do de “Grandona” ou “Gorila”. Se suas orelhas fo</p><p>rem grandes pode ter sido chamado de “Dumbo”.</p><p>Veja bem, ninguém tem um corpo perfeito e todos</p><p>possuem algo que podemos caçoar. Até mesmo Far-</p><p>rah Fawcett-Majors, a beleza do cinema, afirmou re</p><p>centemente que pensava que sua boca era grande</p><p>demais. (Eu jamais notei isso.) Pelo menos Farrah</p><p>conseguiu falar sobre as suas imperfeições, pois a</p><p>maioria das pessoas tenta esconder as delas envergo</p><p>nhada.</p><p>Para ilustrar melhor, vamos supor que Carlos</p><p>seja um rapazinho saudável de dez anos. Ele tem um</p><p>corpo forte, uma mente aguçada e um lar feliz. Carlos</p><p>foi abençoado com muitas coisas na vida e experi</p><p>menta bem poucos problemas. Certo dia, porém,</p><p>um grupo de estudantes no recreio começa a zombar</p><p>dele por causa de seus pés grandes. Eles o chamam de</p><p>“Sapatão” e “Pé de Pato”. Tudo foi feito em brinca</p><p>deira, penso eu, mas Carlos levou a sério. Ele se torna</p><p>extremamente sensível com relação ao tamanho de</p><p>seus pés, e pensa que todo mundo está rindo às suas</p><p>costas. Ele tenta esconder os pés debaixo da carteira</p><p>na escola, e insiste em que a mãe lhe compre sapatos</p><p>de número menor. Carlos pode tornar-se eventualmen</p><p>te deprimido e desinteressado em viver em lugar de</p><p>mostrar-se um rapaz feliz que se beneficia das vanta</p><p>21</p><p>gens que lhe foram proporcionadas por Deus. Este</p><p>exemplo pode parecer irreal para você, mas creia que</p><p>conheço muitos “Carlos” que vieram a desgostar de si</p><p>mesmos por causa de defeitos insignificantes.</p><p>Se você não chegou ainda à adolescência deve</p><p>saber que provavelmente irá sentir-se insatisfeito com</p><p>o seu corpo no futuro. Se a sua preocupação for</p><p>grande, isso pode fazer com que se torne tímido ou</p><p>facilmente embaraçado, ou pode levar você para o</p><p>lado oposto, mostrando-se espalhafatoso e zangado,</p><p>por sentir-se tolo e pensar que ninguém gosta mesmo</p><p>de você. Não há meio de calcular a mágoa e a</p><p>preocupação que os adolescentes sentem a respeito de</p><p>sua aparência.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>Aos Dezessete</p><p>Esta preocupação foi expressa nas palavras de</p><p>uma canção popular escrita por Janis Ian. Ela ganhou</p><p>um Prêmio Grammy em 1976 pela canção intitulada</p><p>“Aos Dezessete”*. As palavras estão sendo reproduzi</p><p>das abaixo para que você veja como os sentimentos</p><p>de inferioridade são refletidos nesta música:Aprendi a verdade aos dezessete</p><p>De que o amor foi feito para as rainhas de beleza</p><p>E para as jovens de sorriso radiante</p><p>Que se casam cedo e depois se aposentam.</p><p>Não conheci namorados,</p><p>As noites de sexta-feira</p><p>Eram gastas com alguém mais bela;</p><p>Aprendi a verdade aos dezessete.</p><p>Aquelas de nós de rostos mais feios,</p><p>Carentes de graças sociais,</p><p>* Composição lírica de Janis Ian © 1974 MINE MUSIC,</p><p>LTD. (ASCAP). Usado com permissão.</p><p>22 Adolescência Feliz</p><p>Ficam desoladas em casa,</p><p>Inventando namorados ao telefone,</p><p>Que chamam para dizer: “Venha dançar comigo”</p><p>E murmuram vagas obscenidades.</p><p>Nem tudo é o que parece aos dezessete.</p><p>Para aquelas que conheceram a dor</p><p>Dos presentes que nunca chegam</p><p>E para aquelas cujos nomes nunca são chamados</p><p>Quando se escolhem os lados no basquete.</p><p>Isso tudo foi num tempo bem distante;</p><p>O mundo era mais novo do que hoje</p><p>E sonhos eram tudo o que recebiam de graça</p><p>Meninas do tipo “patinho feio” como eu.</p><p>Eu não conheço pessoalmente Janis Ian, mas</p><p>estou certo de uma coisa muito importante sobre ela:</p><p>Janis também entrou no desfiladeiro da inferioridade.</p><p>Seria impossível escrever as palavras dessa canção se</p><p>não se sentisse desajustada quando mais jovem. Ela</p><p>fala de milhares quando descreve “aquelas de nós de</p><p>rostos mais feios” (as que tinham espinhas e cravos) e</p><p>“aquelas cujos nomes nunca são chamados quando se</p><p>escolhem os lados no basquete”. Espero que você</p><p>não esteja incluído neste vasto grupo de pessoas desa</p><p>nimadas que aprendem lições tão penosas “aos dezes</p><p>sete”.</p><p>Quem É Tolo?</p><p>A segunda característica que os jovens não apre</p><p>ciam a respeito de si mesmos é que se sentem pouco</p><p>inteligentes (ou tolos). Este sentimento no geral co</p><p>meça nos primeiros anos escolares, quando eles têm</p><p>dificuldade em aprender na escola. Ou acham difícil</p><p>23</p><p>aprender a ler e passam a se preocupar com este</p><p>problema, ou dão respostas que fazem todo mundo</p><p>rir. Passam então a acreditar que todos na classe</p><p>(inclusive o professor) pensam que eles são estúpidos,</p><p>e isto faz surgir os velhos sentimentos de inferiorida</p><p>de.</p><p>Quanto mais o aluno fracassa na escola, tanto</p><p>mais desanimado se torna. Ele provavelmente receberá</p><p>apelidos por parte dos colegas, tais como “Estúpido”</p><p>ou “Tolo” ou “Boboca” . E se esses insultos o ofende</p><p>rem muito, ele poderá perder todo o interesse na</p><p>escola e até tentar desistir dela. Isto provoca um</p><p>círculo vicioso: sua recusa em trabalhar resulta em</p><p>mais fracasso, que traz mais ridículo na classe, o qual</p><p>produz menos motivação para tentar, e o que resulta</p><p>em mais fracasso ainda.. . e tudo continua girando</p><p>assim. Finalmente este indivíduo chega à terrível con</p><p>clusão de que seu cérebro é defeituoso e que ele irá</p><p>certamente fracassar na vida. É uma experiência terrí</p><p>vel crer que você não tem valor humano.</p><p>Os. pais podem também acidentalmente fazer</p><p>com que seus filhos sintam que não são muito inteli</p><p>gentes. Os adultos são também seres humanos e po</p><p>dem ficar impacientes e cansados, assim como você.</p><p>Isto pode fazer com que fiquem perturbados e cha</p><p>mem seus filhos por nomes insultuosos, os quais são</p><p>lembrados durante toda a vida deles.</p><p>As crianças então muitas vezes crescem achando</p><p>que são estúpidas e tolas, e esta é a segunda razão</p><p>por que a inferioridade é coisa tão comum entre os</p><p>alunos do primeiro e segundo graus.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>A Medida do Dinheiro</p><p>0 terceiro valor que os jovens usam para medir</p><p>o seu mérito é o dinheiro. Eles pensam que a família</p><p>rica é mais importante do que a pobre, e que para</p><p>serem aceitos e populares precisam vestir-se de uma</p><p>certa maneira, ou sua família precisa ter um certo</p><p>tipo de carro, eles têm de viver em uma casa grande</p><p>no lado certo da cidade, ou seu pai precisa ter um</p><p>determinado emprego. 0 jovem que' não pode ter</p><p>essas coisas sente-se às vezes inferior e desajustado.</p><p>Todos os outros usam malha,</p><p>mas ele tem de usar</p><p>camisas meio gastas. Este problema financeiro não é</p><p>tão comum agora como costumava ser, porque hoje</p><p>mais pessoas possuem o necessário para a vida. Toda</p><p>via, muitas famílias continuam vivendo na pobreza, e</p><p>os filhos que não podem ser como os amigos se</p><p>sentem algumas vezes inferiores por serem pobres.</p><p>Beleza, inteligência e dinheiro são os três atribu</p><p>tos mais apreciados em nossa sociedade, e quando os</p><p>jovens descobrem pela primeira vez que lhes falta</p><p>uma (ou as três) dessas características eles começam a</p><p>escorregar em desespero. Para eles, a “ponte” ruiu e</p><p>um desfiladeiro escuro os espera lá em baixo.</p><p>Se você for um desses jovens que já tem proble</p><p>mas com a vida — se se sente miserável consigo</p><p>mesmo e gostaria de escapar de alguma forma, de</p><p>fugir de tudo, ou se ficou ferido quando alguém disse</p><p>palavras duras, quero dar-lhe várias sugestões que po</p><p>derão ajudá-lo.</p><p>24 Adolescência Feliz</p><p>1. Reconheça Que Não Está Sozinho</p><p>Em primeiro lugar, comece a observar as pes</p><p>soas ao seu redor e veja se consegue detectar senti</p><p>mentos ocultos de inferioridade. Quando for para a</p><p>escola amanhã, observe os alunos que vão e vêm.</p><p>Alguns estarão sorrindo e rindo, falando e carregando</p><p>os livros e jogando basquete. A não ser que observe</p><p>com mais cuidado, jamais percebería que eles têm</p><p>2J</p><p>qualquer preocupação. Mas, eu lhe asseguro, muitos</p><p>dentre eles têm as mesmas preocupações que o per</p><p>turbam. Eles revelam essas dúvidas mostrando-se mui</p><p>to tímidos e calados, ou sendo extremamente mesqui</p><p>nhos e raivosos, ou sendo tolos, ou temendo partici</p><p>par de um jogo ou competição, ou corando com</p><p>freqüência, ou mostrando-se arrogantes e desdenho</p><p>sos. Você logo aprenderá a reconhecer os sinais de</p><p>inferioridade, e saberá então que se trata de uma</p><p>dificuldade muito comum! Uma vez que compreenda</p><p>que as outras pessoas se sentem como você, não</p><p>deverá então jamais sentir-se novamente sozinho. Vo</p><p>cê se sentirá mais confiante por saber que todo mun</p><p>do tem medo do embaraço e do ridículo, que todos</p><p>estamos sentados no mesmo barco furado, tentando</p><p>consertar os buracos. Você acredita que eu também</p><p>quase me afoguei nesse barco quando tinha'quatorze</p><p>anos?</p><p>2. Enfrente o Seu Problema</p><p>A segunda sugestão que espero seja útil é de</p><p>que enfrente a dificuldade que o está perturbando.</p><p>Olhe de frente o pensamento que persiste em sua</p><p>mente ou que está no fundo do seu coração, fazendo</p><p>com que uma nuvem negra ensombre sua cabeça dia e</p><p>noite. É bom isolar-se, num lugar em que ninguém</p><p>possa interferir nos seus pensamentos. Faça então</p><p>uma lista das coisas que menos gosta na sua pessoa.</p><p>Ninguém vai ver esse papel exceto aqueles a quem</p><p>desejar mostrá-lo, e você pode ser então completa</p><p>mente sincero. Escreva tudo que tem estado a aborre</p><p>cê-lo. Admita até as características que não aprecia,</p><p>inclusive a tendência de enraivecer-se e explodir (se</p><p>isto se aplica a você).</p><p>Identifique os seus problemas mais sérios da</p><p>melhor forma possível. Você fica frustrado e aborrecí-</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>26 Adolescência Feliz</p><p>do com as pessoas e depois se sente mal por isso? Ou</p><p>é a sua timidez que o faz ficar com medo quando</p><p>está com outras pessoas? Ou é a sua incapacidade de</p><p>expressar sua idéias — colocar seus pensamentos em</p><p>palavras? ,É a sua preguiça ou sua grosseria com as</p><p>pessoas, ou a sua aparência? O que quer que o</p><p>preocupe, escreva como puder. (Você provavelmente</p><p>irá precisar de uma grande quantidade de papel por</p><p>que a maioria das pessoas pode descobrir uma infini</p><p>dade de coisas de que não gosta a respeito de si</p><p>mesma.) Não deixe nada de lado nessa lista. Depois,</p><p>quando tiver terminado, faça uma revisão da lista e</p><p>coloque um sinal nos itens que mais o aborrecem, os</p><p>problemas em que mais pensa e que mais o afligem.</p><p>Descubra um Amigo Verdadeiro</p><p>Você está agora pronto para agir a fim de</p><p>melhorar a sua situação. Seria uma boa idéia escolher</p><p>alguém em quem confie, uma pessoa que lhe trans</p><p>mita segurança. Esta deveria ser um adulto que com</p><p>preenda os problemas dos jovens. Talvez seja um de</p><p>seus pais, ou seu professor, conselheiro ou pastor.</p><p>Você saberá quem é a pessoa certa. Leve a sua lista</p><p>para esse orientador e a examine com ele, discutindo</p><p>cada um de seus problemas. Fale abertamente sobre</p><p>os seus sentimentos, pedindo a seu amigo que faça</p><p>sugestões sobre como mudar as coisas que o preocu</p><p>pam.</p><p>É muito provável que vários dos problemas que</p><p>você enfrenta já tenham sido superados por outras</p><p>pessoas, e você poderá também beneficiar-se da expe</p><p>riência delas. Em outras palavras, pode haver uma</p><p>solução fácil. Talvez você não precise viver lutando</p><p>com as mesmas preocupações que perturbaram outras</p><p>pessoas. O seu primeiro passo então é preparar uma</p><p>estratégia, um plano de ação, uma maneira de resolver</p><p>os seus problemas. Você se sentirá muito melhor por</p><p>discutir seus aborrecimentos abertamente, e talvez</p><p>possa descobrir uma solução positiva.</p><p>O Segredo da A uto-Estima 2 7</p><p>O Fogo do Compromisso</p><p>Mas, como você irá tratar dos outros itens de</p><p>sua lista que não podem ser mudados? O que pode</p><p>fazer com os problemas mais difíceis que desafiam</p><p>solução? Seria sábio lembrar que a melhor maneira</p><p>de ter uma mente sadia é aceitar as coisas que você</p><p>não pode mudar. Haverá sempre circunstâncias que</p><p>desejaríamos arranjar de outra forma ou remover.</p><p>Todavia, as pessoas mais felizes no mundo rião são</p><p>aquelas que têm problemas, mas as que aprenderam a</p><p>viver com as coisas que são menos do que perfeitas.</p><p>Quero sugerir então que você leve o restante de</p><p>sua lista com os “problemas insolúveis” a um lugar</p><p>privado onde um pequeno fogo não seja perigoso.</p><p>Talvez você gostasse de ter o seu amigo-conselheiro</p><p>presente para esta cerimônia. Queime então esse papel</p><p>como um símbolo oferecido a Deus de que os proble</p><p>mas são agora dEle. A sua oração deve conter esta</p><p>mensagem a Ele (dita com as suas palavras):</p><p>Querido Jesus, estou lhe entregando hoje todos os</p><p>meus problemas e preocupações, porque o Senhor é o</p><p>meu melhor amigo. O Senhor conhece meus pontos</p><p>positivos e negativos, porque me fez. É por isso que</p><p>estou queimando agora este papel. É minha maneira</p><p>de dizer que lhe entrego a minha vida. . . com as</p><p>minhas boas qualidades e meus defeitos. Estou pedin</p><p>do que me use da maneira que quiser. Faça de mim o</p><p>tipo de pessoa que quer que eu seja. E deste momen</p><p>to em diante, não vou mais me preocupar com as</p><p>minhas imperfeições.</p><p>28 Adolescência Feliz</p><p>Deus Sabe e se Interessa</p><p>Estou certo de que você encontrará amor e</p><p>aceitação por parte de Deus quando fizer essa oração.</p><p>Agindo assim, está dizendo: “Quero a sua vontade</p><p>para a minha vida, não por ser um super-homem ou</p><p>super-mulher, mas porque prometeu ajudar aos que</p><p>admitem as suas fraquezas. Estou dependendo do seu</p><p>poder e da sua força para fazer algo de belo em</p><p>minha vida.” A Bíblia nos ensina para revelar esta</p><p>humilde dependência do Senhor, e Ele irá honrá-la.</p><p>Você sabia que Deus o vê quando está magoa</p><p>do? Ele conhece esses profundos temores e frustra</p><p>ções que julgava que ninguém compreendia. Ele co</p><p>nhece os desejos do seu coração, e está sempre perto</p><p>naqueles momentos em que uma lágrima sai de seus</p><p>olhos e corre por sua face. . . naquelas horas em que</p><p>se sente totalmente solitário. De fato, Deus ama a</p><p>você e a mim de tal forma que Ele mandou seu único</p><p>Filho para morrer por nós. Isso é amor verdadeiro na</p><p>sua forma mais elevada! Estou convencido de que</p><p>Jesus teria morrido por mim (ou por você) mesmo</p><p>que eu fosse a única pessoa em todo o mundo. Essa é</p><p>a medida do seu interesse por nós.</p><p>Se Deus nos ama tanto assim, do modo como</p><p>somos, por que não podemos aceitar-nos a nós mes</p><p>mos? Essa é provavelmente a melhor pergunta do</p><p>ano.</p><p>Algo Belo, Algo Bom</p><p>Bill Gaither escreveu uma canção com as pala</p><p>29</p><p>vras: “Algo belo, algo bom; toda minha confusão Ele</p><p>compreendeu. Tudo que tinha a oferecer-lhe era que-</p><p>brantamento e conflito, mas Ele fez algo de belo com</p><p>a minha vida”. Deus pode fazer isso com a sua vida.</p><p>Se você lê a Bíblia — e espero que sim — aprenderá</p><p>que Deus não escolhe os super-homens nem os mági</p><p>cos para fazer a sua obra. Através dos tempos Ele</p><p>escolheu pessoas comuns com falhas humanas, pessoas</p><p>menos do que perfeitas, para realizar os seus objeti</p><p>vos. Quando Jesus estava escolhendo os seus discípu</p><p>los Ele não preferiu os homens mais poderosos e popu</p><p>lares do país naquela época, mas escolheu pescadores</p><p>comuns e até mesmo um cobrador de impostos odia</p><p>do na sua comunidade.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>Mande Outra Pessoa</p><p>Você pode também lembrar-se da história de</p><p>Moisés e de sua experiência com a sarça ardente,</p><p>como contada no livro de Êxodo. Deus estava falando</p><p>com Moisés no arbusto e disse algo como isto: “Moi</p><p>sés, tenho um trabalho muito importante para você.</p><p>Quero que diga ao Faraó que lhe ordenei que deixe</p><p>meu povo sair.”</p><p>Moisés sentiu-se inferior e inadequado justamen</p><p>te como muitas pessoas se sentem hoje. Ele deu esta</p><p>espécie de resposta ao Senhor: “Deus, o Senhor não</p><p>podería mandar uma outra pessoa? Quando chegar ao</p><p>palácio do Faraó sei que vão rir de mim. Podem até me</p><p>colocar na prisão. Eu acho, Senhor, que talvez deva en</p><p>viar uma outra pessoa.” E então Moisés falou a Deus o</p><p>que estava na verdade a aborrecê-lo — ele admitiu a</p><p>razão por que se sentia inferior: “E além disso, Se</p><p>nhor, eu não queria falar no assunto, mas sabe que</p><p>gaguejo. Não sei falar muito bem. . . minhas palavras</p><p>saem com dificuldade. Quando tento exprimir-me nu</p><p>30 Adolescência Feliz</p><p>ma ocasião importante, as palavras se embaraçam.</p><p>Senhor, não sou o homem para essa missão. Prefiro</p><p>ficar em casa, se não se importar.”</p><p>No verso 14 do capítulo 4 de Êxodo, a Bíblia</p><p>diz: “Então se acendeu a ira do Senhor contra Moi</p><p>sés.” O Senhor ficou aborrecido com Moisés por usar</p><p>a inferioridade como uma desculpa, pois pretendia ir</p><p>com Moisés e ajudá-lo. É essa a razão pela qual não</p><p>queria que ele se ocultasse por trás de uma desculpa</p><p>de inferioridade. O Senhor também não quer que</p><p>você use esse mesmo pretexto porque Ele irá ajudar</p><p>você a fazer aquilo que lhe diz para fazer. Quando</p><p>for para a escola amanhã e descobrir que está com</p><p>medo dos outros alunos — com medo de que riam de</p><p>você ou o desprezem — lembre-se de que não está</p><p>sozinho, pois leva consigo o poder do Deus que criou</p><p>o universo inteiro. Ele pode fazer algo belo de sua</p><p>vida, se permitir que tome as rédeas.</p><p>3. Compense as Suas Fraquezas</p><p>Está preparado para a terceira sugestão? Existe</p><p>uma palavra muito importante que você precisa com</p><p>preender, ela é chamada de compensação. A compen</p><p>sação pode ser uma palavra muito valiosa, mas seu</p><p>significado é simples. Ela significa contrabalançar as</p><p>suas fraquezas concentrando-se nos seus pontos positi</p><p>vos — em outras palavras, compensar as suas fraque</p><p>zas. Voltando aos problemas insolúveis em sua lista</p><p>que o aborrecem mais, você pode contrabalançar esses</p><p>pontos fracos sobressaindo em algumas outras coi</p><p>sas. Nem todo mundo pode ser a pessoa mais bonita</p><p>da escola. Se esta é a sua situação, diga: — Muito</p><p>bem, e então? Existem muitos outros no mesmo</p><p>barco, isso não tem tanta importância. Meu valor não</p><p>31</p><p>depende de como meu corpo foi arranjado. Vou cana</p><p>lizar meus esforços em algo que me ajudará a sentir-</p><p>me feliz comigo mesmo. Vou ser o melhor tocador de</p><p>trombeta na banda, ou vou ter sucesso no meu em</p><p>prego de meio-período, ou vou criar coelhos como</p><p>diversão e para ganhar dinheiro, ou ver quantos ami</p><p>gos posso arranjar, ou vou aprender a jogar bem</p><p>basquete, ou vou tornar-me um bom pianista, ou vou</p><p>cultivar uma personalidade agradável (isso é uma coisa</p><p>que quase todo mundo pode fazer), ou vou aprender</p><p>a jogar tênis, ou a ser uma costureira, ou vou dese</p><p>nhar ou pintar e expressar-me através da arte, vou</p><p>escrever poesia ou histórias curtas, ou vou tornar-me</p><p>uma boa cozinheira. — Ou talvez você possa tornar-se</p><p>um perito em cuidar de crianças e vir a ser uma</p><p>assistente social especializada neste setor.</p><p>O sucesso está esperando por você, bastando</p><p>que procure por ele. Você pode aprender a obter o</p><p>máximo daquilo que possui, e esse é o primeiro passo</p><p>no sentido de desenvolver autoconfiança e aceitação.</p><p>Não dói tanto ser rejeitado por outras pessoas quando</p><p>sabemos que temos êxito em algo. Desenvolva então</p><p>uma habilidade que faça com que tenha orgulho de si</p><p>mesmo, e gradualmente começará a ter um melhor</p><p>conceito de sua pessoa. Começará a gostar mais de si</p><p>mesmo, e quando fizer isso, os outros também o</p><p>farão.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>4, Tenha Amigos Sinceros</p><p>Isto nos leva à quarta sugestão: nada ajuda mais</p><p>a sua autoconfiança do que amigos sinceros. Quando</p><p>você sabe que os outros gostam de você, é mais fácil</p><p>aceitar-se a si mesmo. Você não precisa ser bonito,</p><p>nem muito inteligente ou rico para que os outros o</p><p>apreciem. “A melhor maneira de ter um amigo é</p><p>32 Adolescência Feliz</p><p>ser um bom amigo para outros.” Esse é um provérbio</p><p>muito antigo mas ainda muito verdadeiro.</p><p>Como você pode fazer novos amigos rapidamen</p><p>te e com facilidade? Deve lembrar-se de que as pes</p><p>soas com quem trata todos os dias têm exatamente os</p><p>mesmos problemas que estivemos discutindo. A com</p><p>preensão desse fato irá ajudá-lo a saber como enten</p><p>der-se com elas e a ganhar o seu respeito. Nunca</p><p>zombe ou ridicularize ninguém. Deixe que saibam que</p><p>você os respeita e aceita, e que são importantes para</p><p>você. Faça um esforço consciente para mostrar este</p><p>tipo de afeição pelas pessoas.</p><p>Mas você não pode fingir ter respeito por ou</p><p>tros, é preciso ser um sentimento real. As pessoas irão</p><p>perceber se for fingimento. Aprenda a proteger a</p><p>reputação das outras pessoas, e elas farão o mesmo</p><p>por você. Seja sensível aos sentimentos delas; pois</p><p>têm as mesmas necessidades que você. Seja bondoso</p><p>com elas; jamais mostre sarcasmo ou maldade. Você</p><p>pode pensar que está tirando vantagem das pessoas</p><p>quando as insulta ou zomba de seus erros, mas elas</p><p>irão revidar, pois jamais se esquecerão dos seus insul</p><p>tos. Podem não dar-lhe um soco no nariz (ou talvez o</p><p>façam!), e podem não chorar ou fugir; é possível que</p><p>nem mesmo digam nada quando você as trata sem</p><p>bondade. Mas provavelmente tentarão magoá-lo em</p><p>troca, da primeira vez que tiverem uma oportunidade.</p><p>Falarão mal de você ou tentarão fazer com que as</p><p>pessoas não gostem de você.</p><p>A Amizade Vale a Pena</p><p>O oposto é também verdade, felizmente. Quan</p><p>do você se mostra amigo de alguém, essa pessoa irá</p><p>lembrar-se da sua generosidade e procurar meios de</p><p>retribuir a sua bondade. Você ficará surpreendido</p><p>33</p><p>com quantos amigos poderá fazer sendo compreensi</p><p>vo, “encobrindo” os erros de outras pessoas, defen</p><p>dendo-as quando outros estão tentando embaraçá-las.</p><p>Você descobrirá que esta sensibilidade leva à amizade</p><p>que, por sua vez, leva a uma maior autoconfiança.</p><p>Uma das responsabilidades mais importantes na</p><p>vida cristã é interessar-se por outras pessoas — sorrir</p><p>para elas e ser amigo dos qué não têm amigos. Veja</p><p>bem, Deus quer usar você para ajudar os seus outros</p><p>filhos que se sentem inferiores. Ele disse: “Sempre</p><p>que o dizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a</p><p>mim o fizestes! ” Se começar a viver este tipo de vida</p><p>cristã recomendado na Bíblia, sei que descobrirá que</p><p>sua autoconfiança irá- desenvolver-se e que Deus irá</p><p>abençoá-lo por isso. O Senhor honra aqueles que lhe</p><p>obedecem.</p><p>O Segredo da Auto-Estima</p><p>Os Valores de Deus</p><p>Quero enfatizar de novo que os atributos que</p><p>nossa sociedade mais valoriza — beleza, inteligência e</p><p>dinheiro — devem ser considerados pelo ponto de</p><p>vista cristão. Esses são valores humanos, mas não</p><p>divinos. O Senhor não mede o seu valor da maneira</p><p>como as pessoas o fazem. Ele salienta em Sua Palavra</p><p>que cada um de nós vale mais do que os bens do</p><p>mundo inteiro. Isto é verdadeiro simplesmente pelo</p><p>fato de sermos seres humanos — e não pela nossa</p><p>aparência, ou com quem nos casamos, ou o que</p><p>fazem nossos pais, ou quanto dinheiro, ou o que</p><p>realizamos na vida. Esses fatores terrenos não fazem</p><p>absolutamente</p><p>diferença.</p><p>Você sabia que a Bíblia nos diz que Deus odeia</p><p>verdadeiramente três coisas que nosso mundo valoriza</p><p>muito? Lucas 16:15 afirma: “Pois aquilo que é eleva</p><p>34 Adolescência Feliz</p><p>do entre homens, é abominação diante de Deus.” Ele</p><p>despreza as coisas que valorizamos porque elas inter</p><p>ferem no trabalho que deveriamos estar fazendo</p><p>para Ele. Esses valores falsos podem impedir você de</p><p>ser um bom pai, ou empregado, ou negociante. Mais</p><p>importante ainda, esses falsos valores podem interferir</p><p>na sua vida cristã, fazendo com que sinta que nem</p><p>mesmo Deus aceita você como pessoa. Os valores</p><p>temporários da beleza, inteligência e dinheiro repre</p><p>sentam um método de estimar o mérito humano, e é</p><p>por isso que Deus os odeia. O método dEle dá um</p><p>valor eterno a cada um de nós, e isso inclui você e</p><p>eu\</p><p>Em resumo, devo falar com aqueles de vocês</p><p>que não sofreram ainda sentimentos de inferioridade.</p><p>Espero que se lembrem do meu exemplo de dirigir um</p><p>carro estrada abaixo. Você não precisa cair naquele</p><p>buraco escuro; não precisa rolar para o desfiladeiro</p><p>com todos os outros carros acidentados lá no fundo.</p><p>Você pode rodear o perigo. Não deixe que isso acon-</p><p>teÇa com você. Não dê ouvidos à pequena voz em seu</p><p>íntimo que lhe diz: “Você não presta para nada, é</p><p>um fracasso; há algo de errado com você; você é feio;</p><p>é diferente; todos estão rindo de você; acham que é</p><p>um tolo; vai fracassar na vida; tudo vai dar errado.”</p><p>Não creia nisso! Desvie o carro, rodeando o</p><p>desfiladeiro da inferioridade. Deus irá ajudá-lo a fazer</p><p>isso!</p><p>)OISDOIS2DOISDOI</p><p>Todos Estão Fazendo isso!</p><p>Qual o significado do termo “conformidade”</p><p>para você? Trata-se apenas de uma palavra misteriosa</p><p>no dicionário, ou ela se relaciona diretamente com a</p><p>sua vida diária? Apesar de você talvez não ter usado</p><p>antes esta palavra, vai precisar familiarizar-se muito</p><p>com o seu significado, pois ela desempenhará um</p><p>papel importante durante o período de adolescência</p><p>de sua vida.</p><p>A palavra “conformidade” refere-se ao desejo</p><p>de ser exatamente como todo mundo — fazer o que</p><p>fazem, dizer o que dizem, pensar o que pensam e</p><p>usar o que usam. 0 conformista é aquele que tem</p><p>medo de diferenciar-se da maioria; ele tem grande</p><p>necessidade de ser como todo mundo. Conformar-se</p><p>quer dizer aceitar as idéias, a moda, a maneira de</p><p>andar e de falar que é popular no momento. Em</p><p>nossa sociedade existe uma pressão tremenda sobre</p><p>todos nós para que nos conformemos aos padrões do</p><p>grupo.</p><p>A Melancolia da Orientação</p><p>A conformidade não é apenas um problema</p><p>entre adolescentes. Quero dar um exemplo excelente</p><p>36 Adolescência Feliz</p><p>de conformidade que teve lugar num grupo de adul</p><p>tos. Quando passei a fazer parte do quadro do Hospi</p><p>tal Infantil em Los Angeles, tive de passar por uma</p><p>“sessão de orientação”. Uma sessão de orientação é</p><p>algo de que os empregados precisam participar quan</p><p>do começam num novo emprego. É um período de</p><p>treinamento preparado pelo empregador a fim de fa</p><p>miliarizar cada pessoa com a organização que a em</p><p>pregou. Mas, infelizmente, essas reuniões são no geral</p><p>aborrecidas, elas até parecem ter sido planejadas com</p><p>esse fim de causar aborrecimento! Os oradores falam</p><p>infindavelmente sobre planos de seguro e aposentado</p><p>ria, sobre o uso apropriado do telefone e outros</p><p>tópicos semelhantes que são por demais monótonos.</p><p>Por saber isto eu estava sem vontade alguma de sub-</p><p>meter-me ao período de orientação no hospital.</p><p>No final de contas apresentei-me como era espe</p><p>rado às nove da manhã. Havia doze novos empregados</p><p>no salão naquele dia, e aconteceu ser eu o único</p><p>homem entre eles. As onze mulheres pareciam jovens</p><p>e imaginei que a maioria delas eram secretárias ou</p><p>auxiliares começando no seu primeiro emprego. A</p><p>atmosfera entre as pessoas naquela manhã era “gela</p><p>da”. Em outras palavras, as mulheres não se conhe</p><p>ciam e pareciam amedrontadas e tensas. Elas entraram</p><p>em silêncio e se sentaram ao redor de uma mesa</p><p>grande em forma de ferradura, mas ninguém falava a</p><p>não ser que alguém se dirigisse a ela. Se uma das</p><p>jovens tivesse algo a dizer, ela se debruçava e cobria a</p><p>boca com a mão para que as demais não ouvissem.</p><p>A Esperança do Café</p><p>Logo vi que havia uma única possibilidade de</p><p>nos manter despertos durante as duas horas seguintes,</p><p>e seria o diretor nos oferecer bastante café — era a</p><p>Todos Estão Fazendo Issol 37</p><p>nossa única esperança! E realmente, uma grande cafe</p><p>teira se encontrava bem ali, numa mesa no canto.</p><p>Acho que a cafeteira não tinha sido ligada senão</p><p>alguns minutos antes e o café não estava ainda pron</p><p>to. Todavia, era evidente que todas as onze mulheres</p><p>tinham o pensamento fixo naquela cafeteira, pois</p><p>toda vez que fazia um ruído, elas se voltavam para</p><p>olhá-la. Além disso havia biscoitos coloridos arranja</p><p>dos sobre a mesa, e o aroma deles enchia o salão. Mas</p><p>ninguém os mencionou.</p><p>A encarregada da orientação foi para a frente</p><p>da sala e começou seu longo discurso. Ela falou com</p><p>uma voz monótona e seca, atacando o primeiro item</p><p>numa lista de 42. A’ mulher falou por mais de uma</p><p>hora, mas ainda assim nada foi dito sobre o café. As</p><p>rriulheres bocejavam com sono, e olhavam periodica</p><p>mente para a cafeteira.</p><p>Finalmente, depois de uma apresentação inter</p><p>minável, a dirigente disse: — Muito bem, vamos ter</p><p>agora um intervalo e tomar café. — Todavia, ela não</p><p>mandou as onze mulheres para a mesa do café ao</p><p>mesmo tempo. Em lugar disso ela achava que tinha</p><p>uma idéia melhor. Voltou-se para uma das moças no</p><p>fim da mesa e falou: — Você não quer ir até ali e</p><p>apanhar uma xícara de café?</p><p>Mas, aquela jovem era muito tímida e não esta</p><p>va cçrta de querer ser a primeira a levantar-se. Ela</p><p>evidentemente sabia que existem muitas maneiras de a</p><p>pessoa ficar “ferida” ao fazer qualquer coisa na frente</p><p>de onze outras. Podia tropeçar no caminho para a</p><p>mesa, ou a torneirinha da cafeteira poderia enguiçar,</p><p>ou até mesmo seria possível derramar o café ao voltar</p><p>para a mesa. Observei-a enquanto olhava à sua volta e</p><p>considerava os riscos de aceitar aquele café. Num</p><p>momento baixou os olhos e disse: — Não, obrigada,</p><p>acho que não quero.</p><p>38 Adolescência Feliz</p><p>Eu sabia que ela queria uma xícara de café. 0</p><p>que planejava fazer, estava claro, era aguardar até que</p><p>todos tivessem ido à mesa do café, e então ela pode</p><p>ría apanhar o seu sem qualquer risco! Dessa forma c</p><p>seu ego não estaria em perigo. Achei aquilo engraça</p><p>do, mas fiquei a observá-la calado do lado oposto da</p><p>mesa.</p><p>O Terror do Café</p><p>A orientadora virou-se então para a moça se</p><p>guinte: — Bem, e você? Quer tomar uma xícara de</p><p>café?</p><p>Mas, veja, a segunda moça estava enfrentando</p><p>todos os riscos da primeira, com uma adição. 0 grupo</p><p>tinha agora “falado” através daquele primeiro indiví</p><p>duo e dito: “Não estamos tomando café hoje” . Ape</p><p>nas um “voto” tinha sido lançado, mas fora unânime.</p><p>Esta pressão sobre a segunda candidata foi também</p><p>excessiva, e respondeu então: — Obrigada, não</p><p>quero. — Isso fez com que a votação fosse de dois a</p><p>zero!</p><p>0 convite para o café foi assim estendido para a</p><p>terceira moça. — Quer uma xícara de café? — per</p><p>guntou a líder.</p><p>— Não, obrigada — respondeu ela.</p><p>A pressão tornou-se então enorme. Estava claro</p><p>que não se esperava que ninguém tomasse café ou</p><p>comesse biscoitos. Para minha surpresa todas as ou</p><p>tras mulheres se recusaram, cada uma por sua vez.</p><p>Cada uma delas disse: — Não, obrigada — quando</p><p>chegou o seu turno de responder. Mas quando o</p><p>convite me foi feito, eu disse: — Acho que sim, vou</p><p>tomar uma xícara.</p><p>Você acredita que quando eu me levantei para</p><p>pegar o café, onze mulheres me seguiram até à mesa?</p><p>Todos Estão Fazendo Isso\ 39</p><p>Eu olhei por sobre o ombro e ali vinham elas. Como</p><p>um cavalheiro, achei que devia dar-lhes precedência, e</p><p>precisei esperar quinze minutos até chegar a minha</p><p>vez!</p><p>Não é surpreendente como temos medo uns</p><p>dos outros? Tememos até tomar uma xícara de café,</p><p>se isso não for socialmente aceitável em um dado</p><p>momento! Ficamos aterrorizados de que alguém se ria</p><p>de nós ou nos</p><p>ridicularize, ou de que possamos come</p><p>ter um erro na frente de outros. Até mesmo algo tão</p><p>insignificante como apanhar uma xícara de café pode</p><p>ser amedrontador se pensarmos que o restante do</p><p>grupo não quer que façamos isso. Isto nos faz limitar</p><p>nossos atos àquilo que é completamente seguro e</p><p>totalmente além do ridículo. Fazemos isso a fim de</p><p>eliminar a possibilidade de alguém rir de nós.</p><p>O Medo das Calças Largas</p><p>Esta pressão do conformismo é tão forte em</p><p>relação a algumas pessoas que elas se sentem embara</p><p>çadas se forem diferentes em qualquer pronto. Se</p><p>calças largas estiverem na moda para os rapazes, coita</p><p>do daquele que não receber a mensagem e usar calças</p><p>estreitas. Se uma garota andar de modo engraçado ou</p><p>tiver uma pronúncia defeituosa, podem rir dela a todo</p><p>o tempo. Se os carros Puma ou Fiat estiverem na</p><p>moda na escola, será melhor não comprar um Volks</p><p>wagen. Isso seria um insulto para todos os alunos!</p><p>Veja bem, qualquer pequeno desvio, qualquer mudan</p><p>ça naquilo que o grupo declara “é isto que fazemos”,</p><p>se transforma numa quebra de etiqueta. Eles apontam</p><p>o ofensor e falam desrespeitosamente dele, fazendo</p><p>com que se sinta terrivelmente embaraçado.</p><p>Quero que compreenda que esta pressão para</p><p>conformar-se entra no seu auge durante a adolescên</p><p>40 Adolescência Feliz</p><p>cia. Ê essa a razão pela qual os adolescentes no geral</p><p>se movimentam em “rebanhos” , como as ovelhas,</p><p>como vamos ver.</p><p>O Jogo de Cartões</p><p>Um grupo de médicos decidiu conduzir uma</p><p>experiência para estudar a maneira como a pressão de</p><p>grupo influencia os jovens. A fim de realizar isto, eles</p><p>convidaram dez adolescentes para entrar numa sala e</p><p>lhes disseram que iam avaliar a sua “percepção” a fim</p><p>de saber quão bem cada aluno podia “ver” a frente</p><p>da sala do lugar que ocupava.</p><p>Na verdade todos os adolescentes estavam bem</p><p>próximos da frente da sala e podiam vê-la muito bem.</p><p>0 que os médicos estavam realmente estudando não</p><p>era a visão dos alunos, mas os efeitos da pressão de</p><p>grupo.</p><p>Disseram eles: — Vamos levantar alguns cartões</p><p>na frente da sala. Cada cartão contém três linhas —</p><p>Linha A, Linha B, Linha C - cada uma de compri</p><p>mento diferente. Em alguns casos a Linha A será mais</p><p>longa; em outros, a Linha B, e em outros ainda a</p><p>Linha C. Várias dúzias de cartões serão mostrados</p><p>com as linhas em ordem diferente. Vamos levantá-los</p><p>e apontar para a Linha A, B, e C em cada cartão.</p><p>Quando apontarmos a linha mais longa, levantem a</p><p>mão para mostrar que sabem que é mais longa do que</p><p>as outras. Eles repetiram as instruções a fim de estar</p><p>certos de que todos tinham compreendido, e depois</p><p>levantaram o primeiro cartão e apontaram a primeira</p><p>linha.</p><p>0 Objetivo do Jogo</p><p>0 que um dos alunos não sabia é que os outros</p><p>Todos Estão Fazendo Isso! 41</p><p>nove tinham sido secretamente informados antes para</p><p>votarem na segunda linha mais longa. Em outras pala</p><p>vras, tinham sido orientados para votar errado.</p><p>Os médicos levantaram o primeiro cartão e</p><p>apontaram para a Linha A, que era claramente mais</p><p>curta do que a B. Neste ponto, os nove alunos coope</p><p>raram com o esquema e levantaram a mão. O rapaz</p><p>que estava sendo estudado olhou ao redor com incre</p><p>dulidade. Era evidente que a Linha B era mais longa,</p><p>mas todos pareciam pensar que a A fosse mais’ com</p><p>prida. Ele mais tarde admitiu que pensou: Acho que</p><p>não prestei atenção às instruções. Devo ter-me enga</p><p>nado e é melhor fazer o que os outros estão fazendo</p><p>para que ninguém ria de mim. E ele levantou então</p><p>cuidadosamente a mão junto com o resto.</p><p>Os pesquisadores explicaram de novo: — Votem</p><p>para a linha mais longa; levante a mão quando indi</p><p>carmos a linha mais longa.</p><p>Não podia ter sido mais simples! Eles levanta</p><p>ram então um segundo cartão e, de novo, nove pes</p><p>soas votaram errado! O rapaz confuso tornou-se mais</p><p>tenso em sua dificuldade, mas eventualmente veio a</p><p>levantar a mão com o grupo mais uma vez. Ele votou</p><p>repetidamente com o grupo, apesar de saber que</p><p>estavam errados.</p><p>Este jovem não é peculiar. De fato, mais de 75</p><p>por cento dos jovens testados se comportaram da</p><p>mesma maneira. Eles ficaram ali sentados, uma vez</p><p>após outra, repetindo que uma linha curta era maior</p><p>do que uma longal Simplesmente não tinham cora</p><p>gem de dizer: 0 grupo está errado. Não sei explicar o</p><p>motivo, mas vocês estão confusos. Uma pequena por</p><p>centagem — apenas 25 em 100 — teve a coragem de</p><p>contrariar o grupo, mesmo quando a maioria estava</p><p>evidentemente errada. É isto que a pressão do grupo</p><p>faz para uma pessoa insegura!</p><p>O Poder de Um Amigo</p><p>42 Adolescência Feliz</p><p>Uma outra característica muito interessante foi</p><p>revelada por este estudo. Se apenas mais um aluno</p><p>reconhecesse (votasse a favor) da linha correta, então</p><p>as chances seriam muito maiores de que o indivíduo</p><p>que estivesse sendo estudado também fizesse o que</p><p>achava certo. Isso significa que se você tiver pelo</p><p>menos um amigo que ficar a seu lado contra o grupo,</p><p>você provavelmente terá também mais coragem. Mas</p><p>quando está sozinho, é bastante difícil enfrentar a</p><p>situação.</p><p>Isto faz surgir uma questão interessante. Por</p><p>que a pressão social é tão grande durante a adolescên</p><p>cia? Por que temos tanto medo de sermos rejeitados</p><p>pelo grupo? Por que devemos fazer o que nos é dito</p><p>por pessoas de nossa mesma idade? Por que não</p><p>podemos ser independentes? Bem, a resposta a essas</p><p>perguntas se reporta ao assunto da inferioridade.</p><p>Quando você se sente sem valor e tolo — quan</p><p>do não gosta de si mesmo — fica então mais ame</p><p>drontado pela ameaça do ridículo ou rejeição pelos</p><p>seus amigos. Você se torna mais sensível à possibilida</p><p>de de que riam de sua pessoa. Falta-lhe a confiança</p><p>para ser diferente. Os seus problemas já lhe parecem</p><p>bastante graves sem precisar agravá-los desafiando a</p><p>vontade da maioria. Você então se veste da maneira</p><p>como dizem que deve vestir-se, fala como querem que</p><p>fale, e todas as suas idéias são aquelas do grupo. Você</p><p>fica com medo de pegar uma xícara de café, ou de</p><p>levantar a mão por aquilo que sabe que é certo, ou</p><p>de expressar qualquer de seus pontos de vista. Seu</p><p>grande desejo é comportar-se da maneira mais “segu</p><p>ra” possível. Todos esses comportamentos têm uma</p><p>coisa em comum: eles resultam de sentimentos de</p><p>inferioridade!</p><p>Todos Estão Fazendo Issol 43</p><p>0 comediante Dean Martin disse certa vez: Mos</p><p>tre-me um homem que não conhece o significado da</p><p>palavra “medo” e eu lhe mostrarei um estúpido que</p><p>está sempre apanhando! — Neste caso, porém, não é</p><p>medo de “apanhar”, mas medo de que o grupo o</p><p>rejeite — o medo de não ser convidado para uma</p><p>festa. . . de que não gostem de você. . . o medo do</p><p>fracasso.</p><p>Os Corais de Adolescentes</p><p>Se quiser confirmar a existência desta conformi</p><p>dade, olhe à sua volta. Da próxima vez em que ouvir</p><p>um coro cantando em sua igreja ou na escola, obser</p><p>ve atentamente os jovens que ah estão. Verá que</p><p>todas as meninas têm exatamente o mesmo penteado!</p><p>Se está na moda ter cabelo comprido e natural, então</p><p>todas as meninas usarão cabelo liso até os ombros.</p><p>Haverá poucas exceções. Talvez nenhuma delas tenha</p><p>coragem de fazer permanente. Por outro lado, se o</p><p>estilo popular for crespo, ou penteado para trás, to</p><p>das as garotas irão parecer exatamente iguais. É evi</p><p>dente que elas se esforçaram para ser como as amigas.</p><p>Cerca de um ano atrás um coro de adolescentes</p><p>estava cantando “O Hino da República” num concer</p><p>to em Miami. Esse é um hino bastante arrebatador, e</p><p>é possível comover-se com ele enquanto cantamos:</p><p>“Glória, glória, aleluia! A sua verdade está em mar</p><p>cha!” Havia mais ou menos sessenta jovens neste</p><p>coral; enquanto cantavam, uma das garotas na fila da</p><p>frente ficou tão emocionada que desmaiou. O diretor</p><p>viu-a cair, mas não quis estragar a representação e</p><p>continuou liderando o coral. Vários adultos se aproxi</p><p>maram da mocinha inconsciente e a ajudaram a recu</p><p>perar-se. Todavia, quando aquela jovenzinha des</p><p>44 Adolescência Feliz</p><p>maiou, a possibilidade de fazer o mesmo ficou planta</p><p>da em outras 59 cabeças impressionáveis.</p><p>Cerca de</p><p>sessenta segundos mais tarde outro</p><p>jovem ficou branco, depois curvou-se, desaparecendo</p><p>da última fileira. Nesse ponto, a “sugestão” de des</p><p>maiar ficou ainda mais forte. Cada cantor estava pen</p><p>sando: — Será que vai acontecer comigo? Sinto-me</p><p>bem tonto!</p><p>De fato, um terceiro jovenzinho caiu no chão</p><p>com um baque. A coisa pegou então fogo. . . números</p><p>quatro, cinco e seis! Na ocasião em que o coro</p><p>chegou à frase final (“A sua verdade está em mar</p><p>cha”) vinte jovens estavam deitados de costas! Isto é</p><p>o máximo de conformismo!</p><p>A Pressão do Conformismo</p><p>Esta pressão de grupo pode ser ainda mais ridí</p><p>cula às vezes. Nós adultos recebemos orientação dos</p><p>anunciantes de TV de que precisamos ser exatamente</p><p>iguais. Somos advertidos, por exemplo, que o “cabeça</p><p>molhada está morto”. Isso significa que ninguém mais</p><p>usa óleo na cabeça, e se você usá-lo como fazia na</p><p>década de cinqüenta e sessenta, deve haver algo erra</p><p>do em você.</p><p>Os que estão envelhecendo são levados a sentir-</p><p>se embaraçados por causa de sua idade. Não é tolo</p><p>isso? Há mais de quatro bilhões de pessoas nesta</p><p>terra, e cada um de nós está ficando mais velho. Não</p><p>há uma única pessoa na terra que não esteja envelhe</p><p>cendo! (No momento em que você pára de envelhecer</p><p>está entrando em grandes dificuldades!)</p><p>Não obstante, os adultos são levados a sentir-se</p><p>inferiores com relação aos sinais normais do envelhe</p><p>cimento. Esta grande pressão age para nos forçar em</p><p>blocos idênticos, transformando-os em robôs em lugar</p><p>de seres humanos.</p><p>Todos Estão Fazendo Isso! 45</p><p>Pense no Problema</p><p>Vamos pensar agora em algumas perguntas im</p><p>portantes. Por que este assunto da conformidade será</p><p>importante para você entrar na adolescência? Você</p><p>pode ver qualquer razão por que a pressão dos seus</p><p>iguais pode ser perigosa? Você pode ver de que manei</p><p>ra ela poderá envolvê-lo em dificuldades mais tarde?</p><p>Como o conformismo o afeta agora? Como ele impede</p><p>que faça o que é certo? Como pode interferir na sua</p><p>vida?</p><p>Aj-azão._pela_qual_o conformismo é tão perigoso</p><p>é_ pelo fato de. poder levá-lo_a fazer coisas que sabe</p><p>que são erradas^ £ isto que acontece quand’ò~võcê~nâo</p><p>tem_ coragem de ser difere_nte_dg seus amigos.</p><p>Você Sabe Dizer Não?</p><p>Suponhamos que você esteja num carro com</p><p>quatro outros jovens, cada um com cerca de quinze</p><p>anos. Vocês estão dirigindo à noite, procurando diver</p><p>timento, quando o motorista põe a mão no bolso e</p><p>pega um frasco com algumas pílulas vermelhas. Ele</p><p>tira uma delas e a coloca na boca, entregando depois</p><p>o frasco para o garoto que está perto da porta. Este</p><p>ri e tira uma pílula antes de entregar o frasco a vocês</p><p>três que estão atrás. Você é o último a receber o</p><p>frasco e os seus quatro outros amigos tomaram as</p><p>pílulas.</p><p>Quando ele lhe é entregue, o que você vai</p><p>dizer? Você sabe que as cápsulas são chamadas de</p><p>46 Adolescência Feliz</p><p>“vermelhinhas” e que prejudicam muito o corpo. Vo</p><p>cê não quer tomá-las, mas também não quer que riam</p><p>de você. Você hesita por um momento, o que faz</p><p>com que o garoto do lado diga: — O que há, mari-</p><p>cas? O que está acontecendo? Olhem, rapazes, temos</p><p>um filhinho de mamãe aqui. Ele tem medo que o</p><p>papai descubra. Quem teria pensado que o Joãozinho</p><p>era medroso! Vamos, Nenê, experimente, você vai</p><p>gostar!</p><p>Suas mãos tremem um pouco, e nota.que as</p><p>palmas estão úmidas. Então os outros garotos come</p><p>çam também a caçoar, porque querem que faça o que</p><p>eles estão fazendo. A pressão é enorme. 0 seu cora</p><p>ção bate forte. Você não sabe o que dizer. Sente-se</p><p>como um bobo. Talvez deva experimentar só desta</p><p>vez para ver como é. Isso provavelmente não irá</p><p>prejudicá-lo muito. E você então cede. Toma a pílula.</p><p>Que alívio ser de novo um dos rapazes.</p><p>Você verá que da próxima vez em que lhe</p><p>oferecerem drogas, será mais fácil aceitá-las porque já</p><p>fez isso antes. Então você fica habituado, e logo</p><p>estará seriamente viciado em narcóticos, tudo por</p><p>causa da pressão do conformismo. Isto explica a ra</p><p>zão mais importante por que as drogas estão sendo</p><p>usadas por adolescentes todos os dias através do país.</p><p>Milhares de jovens estão permanentemente prejudican</p><p>do o seu físico e sua vida desta forma. O corpo</p><p>humano é muito delicado. Ele pode ser facilmente</p><p>prejudicado de modo que por todo o resto da vida a</p><p>pessoa irá sofrer. Ou se o indivíduo toma uma “dose</p><p>excessiva” de drogas, ele pode na verdade suicidar-se</p><p>enquanto procura divertimento.</p><p>Falei com uma menina de treze anos há pouco</p><p>tempo que toma de dez a vinte pílulas por dia. O</p><p>corpo dela está tão prejudicado pelos narcóticos que</p><p>jamais poderá voltar a ser uma garota saúdável. Que</p><p>Todos Estão Fazendo Issol 47</p><p>vergonha destruir um corpo jovem dessa forma! Que</p><p>infelicidade ela não ter tido a coragem de responder à</p><p>pessoa que lhe ofereceu drogas pela primeira vez: —</p><p>Por que devo arruinar meu corpo? É o único que</p><p>tenho!</p><p>Outros comportamentos prejudiciais podem ser</p><p>traçados mediante sua ligação com o conformismo.</p><p>Por que você supõe que o alcoolismo entre adolescen</p><p>tes seja um problema tão sério no país? Por que os</p><p>cigarros continuam a ser fumados pelos jovens, apesar</p><p>de eles saberem que ficou provado que o hábito</p><p>encurta a vida, contamina os pulmões, aumenta o</p><p>risco de câncer, e prejudica as artérias? Por que os</p><p>adolescentes pegam aquele primeiro cigarro e inspiram</p><p>o fumo sujo para dentro de seus pulmões rosados?</p><p>Tudo começa geralmente com um “amigo” oferecen</p><p>do uma tragada a alguém que nunca fumou. Ele diz:</p><p>— Quer experimentar? — E, infelizmente, o não-fu-</p><p>mante não tem coragem de responder: — De jeito</p><p>nenhum!</p><p>A Coragem para Liderar</p><p>Será bom você pensar nessas coisas antes de</p><p>enfrentar uma crise com seus amigos. Reconheça o</p><p>fato de que eles estão sob o mesmo tipo de pressão</p><p>que você sente. Eles são tentados a tomar drogas,</p><p>fumar ou beber pela mesma razão que você — sim</p><p>plesmente por temerem ser diferentes. Têm medo que</p><p>da próxima vez em que seu amigo tão admirado</p><p>(aquele que é dono do carro) decidir convidar alguns</p><p>rapazes para uma volta, ele não irá incluí-los por não</p><p>serem muito divertidos. E agem então como tolos,</p><p>fazendo algo absolutamente sem sentido.</p><p>Como será muito melhor mostrar que tem con</p><p>fiança em si mesmo quando a pressão for maior.</p><p>48 Adolescência Feliz</p><p>Você pode dizer: Se vocês quiserem fazer algo malu</p><p>co, tudo bem, mas eu acho que é estupidez! — Isso</p><p>não é ser criança, mas sim uma maneira de mostrar</p><p>que você tem a coragem de opor-se ao grupo quando</p><p>estão errados.</p><p>Vou contar-lhe outra coisa: a maioria dos ado</p><p>lescentes respeita um garoto ou garota que tem a</p><p>coragem de ser ele mesmo, mesmo quando sujeito a</p><p>zombarias e caçoadas. A pessoa com este tipo de</p><p>autoconfiança freqüentemente se transforma em um</p><p>líder. Ele mostrou que não se sente tão inferior como</p><p>os demais. Ele não é feito de argila por dentro. Pelo</p><p>contrário, tem a coragem de defender aquilo que</p><p>considera certo.</p><p>Outra coisa: ele irá provavelmente influenciar</p><p>outros que estão procurando aquele amigo que irá</p><p>aumentar a sua confiança. (Lembra-se da experiência</p><p>com os cartões?) Ele podería ajudar uma outra pes</p><p>soa a opor-se também à pressão dos seus iguais.</p><p>A Dor de Uma Deficiência</p><p>A pressão do conformismo não é só prejudicial</p><p>aos jovens que tomam drogas ou fumam ou bebem.</p><p>Ela é especialmente prejudicial para os adolescentes</p><p>que não podem ser como seus amigos. Na escola de</p><p>primeiro grau em que servi como conselheiro, por</p><p>exemplo, havia uma menina cega que não podia acei</p><p>tar o fato de ser diferente dos demais alunos. A</p><p>maneira de ela encarar a cegueira era negando a sua</p><p>existência. Ela recusou a ajuda de uma professora</p><p>especial que tinha sido admitida para ajudá-la. Não</p><p>fazia o trabalho que a professora lhe dava, nem que</p><p>ria falar com a especialista. Ela tentou até mesmo</p><p>andar sem o auxílio de sua bengala branca ou de um</p><p>cachorro especialmente treinado. Ela endireitava as</p><p>49</p><p>costas e andava pela calçada da escola como se sou</p><p>besse para onde estava indo. Certo dia eu a vi seguin</p><p>do na direção errada, mas</p>