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Bibliologia - Aula 04

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<p>BIBLIOLOGIA</p><p>AULA 4</p><p>Prof. Roberto Rohregger</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>A Bibliologia como ciência da história e da composição material do livro</p><p>precisa compreender todos os aspectos, não somente dos originais ou dos</p><p>principais manuscritos, mas também como esse material foi transmitido no</p><p>decorrer da história, a evolução dos materiais empregados, a forma como foi</p><p>traduzido para outros idiomas, e quais são as características dessas traduções.</p><p>A preservação dos textos bíblicos é algo que também deve ser observado.</p><p>Segundo Geisler e Nix (1997, p. 135), “Os escritos clássicos da Grécia e de</p><p>Roma ilustram de modo extraordinário o caráter da preservação dos manuscritos</p><p>bíblicos.” Em contraposição ao número total de mais de 5 mil manuscritos do</p><p>Novo Testamento conhecidos hoje, outros livros históricos e religiosos do mundo</p><p>antigo praticamente desapareceram.</p><p>Cada um dos 27 escritos do Novo Testamento é, originalmente, uma</p><p>unidade completa em si mesma. Os Evangelhos foram escritos individualmente,</p><p>e o mesmo se aplica a Atos, a cada uma das cartas de Paulo, às outras cartas</p><p>do Novo Testamento, e ao Apocalipse. É verdade que os escritores dos</p><p>Evangelhos conheciam e fizeram uso do texto daqueles que os precederam, mas</p><p>com certeza levou algum tempo até que em determinada igreja se fizesse uso</p><p>de mais de um Evangelho.</p><p>Uma tradução sempre é uma versão parcial, uma vez que não se pode</p><p>traduzir o contexto em que o texto foi escrito, e há perdas de um idioma para o</p><p>outro, quanto ao aprofundamento do significado original. Por isso o acesso ao</p><p>texto no idioma original como apoio ao estudo sempre é importante.</p><p>Compreender quais são os manuscritos antigos a que temos acesso é</p><p>importante para a pesquisa bíblica, porque assim podemos identificar a sua</p><p>origem e o grau de fidelidade, bem como entender a forma como as traduções</p><p>são feitas. Nesta aula, estudaremos o Manuscrito Alexandrino – Códice A,</p><p>veremos a definição e a distinção dos termos tradução, tradução literal e</p><p>transliteração, a versão dos setenta (LXX) ou Septuaginta, o Pentateuco</p><p>Samaritano e as Traduções Siríacas, e finalizaremos compreendendo a tradução</p><p>da Vulgata Latina.</p><p>3</p><p>TEMA 1 – MANUSCRITOS</p><p>1.1 Manuscrito alexandrino (Códice A)</p><p>O Manuscrito Alexandrino data do século V, e é composto pelo Antigo e</p><p>pelo Novo Testamento. Segundo Geisler e Nix (1997, p. 142) “Embora alguns</p><p>tenham datado esse códice em fins do século IV, provavelmente é o resultado</p><p>do trabalho de um escriba de Alexandria, no Egito, por volta de 45 d. C.”</p><p>Em 1078, esse Códice foi entregue de presente ao patriarca de</p><p>Alexandria, que lhe deu o nome que ostenta até hoje.</p><p>Contém integralmente o Antigo Testamento, exceto algumas partes</p><p>que sofreram mutilações (Gn 14.14-17; 15.1-5, 16-19; 1 Rs [1 Sm]</p><p>12.18-14.9; Sl 49.19-79.100 e a maior parte do Novo Testamento,</p><p>faltando apenas Mt. 1.1-25.6; Jo 6.50-8.52 e 2 Co 4.13-12.6). O códice</p><p>contém 1 e 2 Clemente e Salmos de Salomão, com a ausência de</p><p>algumas partes. Suas grandes letras quadradas, unciais, estão escritas</p><p>em velino muito fino; o texto é dividido em seções mediante o emprego</p><p>de letras maiores. O texto é de qualidade variável” (Geisler; Nix, 1997,</p><p>p. 143)</p><p>Encontra-se na Biblioteca Nacional do Museu Britânico, em Londres, na</p><p>Inglaterra. Não chega a alcançar o elevado padrão dos Manuscritos Vaticano e</p><p>Sinaítico.</p><p>1.2 Manuscrito Efraim (Códice C)</p><p>Este manuscrito contém partes do Antigo e do Novo Testamento. Existem</p><p>agora apenas 64 folhas do Antigo Testamento e 145 do Novo Testamento.</p><p>Suspeita-se que tenha se originado em Alexandria, no Egito, e data do século V</p><p>(por volta de 450). Este manuscrito foi “raspado”, por isso chamado de</p><p>“palimpsesto”. Segundo Geisler e Nix (1997, p. 142),</p><p>O texto sagrado foi apagado para que nesses pergaminhos se</p><p>escrevessem sermões de Efraim (299-378), pai da Igreja do século IV.</p><p>Por esta razão foi chamado de Manuscrito Efraim. Mediante uma</p><p>solução química, o Dr. Tischendorf foi capaz de decifrar as escritas</p><p>quase invisíveis dos pergaminhos. Esse Manuscrito está guardado na</p><p>Biblioteca Nacional de Paris.</p><p>1.3 Manuscrito Beza (Códice D)</p><p>Também chamado de Códice de Cambridge, data do século VI (550 a.D.).</p><p>Foi escrito em dois idiomas, grego na página da esquerda e latim na direita. De</p><p>acordo com Geisler e Nix (1997, p. 143), “o Códice Beza (D), também chamado</p><p>4</p><p>Códice de Cambridge, foi transcrito em 450 ou 550. É o manuscrito bilíngue mais</p><p>antigo que se conhece do Novo Testamento, escrito em grego e latim, na região</p><p>geral do sul da Gália (França) ou do norte da Itália.”.</p><p>Foi descoberto em 1562 por Teodoro Bessa, teólogo francês. Com</p><p>algumas omissões, contém os Evangelhos, 3 João 11-15 e Atos.</p><p>TEMA 2 – DEFINIÇÃO E DISTINÇÃO</p><p>As versões da Bíblia, depois dos manuscritos, são dos mais importantes</p><p>estudos quando falamos de bibliologia, pois dão testemunho da antiguidade e</p><p>das formas como a Bíblia tem sido traduzida. Aqui, é importante definirmos</p><p>tradução e transliteração. Segundo Geisler e Nix (1997, p. 184), sobre tradução,</p><p>tradução literal e transliteração:</p><p>Esses termos estão intimamente correlacionados. Tradução é</p><p>simplesmente a transposição de uma composição literária de uma</p><p>língua para outra. Por exemplo, se a Bíblia fosse transcrita dos originais</p><p>hebraico e grego para o latim, ou do latim para o português,</p><p>chamaríamos esse trabalho de tradução. Se estes textos traduzidos</p><p>fossem vertidos de volta para as línguas originais também</p><p>chamaríamos de tradução. A The New English Bible [Nova Bíblia</p><p>Inglesa] (NEB) (1961,1970) é uma tradução. A tradução literal é uma</p><p>tentativa de expressar, com toda a fidelidade possível e o máximo de</p><p>exatidão, o sentido das palavras originais.</p><p>Quando se refere à transliteração estamos dizendo apenas da</p><p>substituição das letras do idioma original para a letra correspondente do outro</p><p>idioma.</p><p>TEMA 3 – SEPTUAGINTA</p><p>Segundo Geisler e Nix (1997, p. 184), o termo septuaginta significa</p><p>setenta, sendo abreviado pela numeração romana LXX, e chamado também de</p><p>“Versão Alexandrina”, por conta da tradução ter sido feita no reinado de</p><p>Ptolomeu II Filadelfo, na cidade de Alexandria, Egito (284-247 a.C.). “A versão</p><p>da LXX é uma obra de tradução, por isso mesmo, pode ser entendida como uma</p><p>obra de interpretação. Como projeto de tradução do Pentateuco, e,</p><p>posteriormente, de todos os textos hebraicos à disposição, a LXX é considerada</p><p>como a Torá greco-helenística.” (Santos, 2008, p. 80)</p><p>O termo Septuaginta decorre da tradição que afirma que o texto foi</p><p>traduzido para o grego por setenta e dois eruditos em apenas setenta e dois dias.</p><p>Segundo Champlin (2001, p. 162)</p><p>5</p><p>O significado da palavra é “setenta” no grego. O nome (muitas vezes</p><p>abreviado com o numeral romano LXX) deriva da lenda do segundo</p><p>século a. C. de que 72 anciões de Israel traduziram o Pentateuco</p><p>Hebraico para o grego em meros 72 dias! Presumivelmente este feito</p><p>fantástico teria sido realizado em Alexandria no Egito. Pelo menos a</p><p>substância da lenda, de que as versões mais antigas no grego do</p><p>Antigo Testamento hebraico foram produzidas no terceiro século, por</p><p>judeus que falavam grego, é verdadeira. A LXX é, sem dúvida, a mais</p><p>importante versão da Bíblia Hebraica. Foi provavelmente preparada</p><p>em Alexandria pros vários tradutores entre os séculos II e I a. C</p><p>Com o decorrer do tempo, esse termo caracterizou essa tradução. A</p><p>seguir, um exemplo de texto em grego.</p><p>Créditos: Gregor Buir/Shutterstock,</p><p>Esta é, talvez a mais importante das versões, por antiguidade e influência</p><p>sobre outras traduções.</p><p>Os primeiros cristãos usavam a Septuaginta quando se referiam à</p><p>Bíblia Hebraica. No Novo Testamento, que foi escrito em grego,</p><p>praticamente todas as citações das antigas Escrituras são tiradas da</p><p>Septuaginta. Como resultado disso, os cristãos adquiriram grande</p><p>respeito por</p><p>essa tradução, que foi logo considerada como uma versão</p><p>cristã. Por essa razão alguns judeus do início da era cristã começaram</p><p>a ficar insatisfeitos com a Septuaginta e, no segundo século d. C., três</p><p>novas importantes traduções da Bíblia Hebraica surgiram. Elas foram</p><p>atribuídas aos estudiosos judeus Áquila, Símaco e Teodocião. (Miller;</p><p>Huber, 2006, p. 49)</p><p>6</p><p>A septuaginta foi extremamente importante para a divulgação do Antigo</p><p>Testamento, inclusive sendo utilizada para a tradução para o latim em versões</p><p>posteriores. Como vimos, também era uma versão tão utilizada quanto as</p><p>passagens da Bíblia Hebraica nos tempos de Jesus.</p><p>TEMA 4 – PENTATEUCO SAMARITANO E TRADUÇÕES SIRÍACAS</p><p>O Pentateuco Samaritano refere-se a uma parte do próprio texto hebraico.</p><p>Não se trata de uma tradução, nem de uma versão. Contém apenas os cinco</p><p>Livros de Moisés, uma vez que os samaritanos aceitavam apenas o Pentateuco.</p><p>Segundo Geisler e Nix (1997, p. 187),</p><p>O pentateuco samaritano pode ter-se originado no período de</p><p>Neemias, em que se reedificou Jerusalém. Não sendo na verdade uma</p><p>tradução, nem versão, mostra a necessidade do estudo cuidadoso para</p><p>que se chegue ao verdadeiro texto das Escrituras. Essa obra foi, de</p><p>fato, uma porção manuscrita do texto do próprio Pentateuco. Contém</p><p>os cinco livros de Moisés, tendo sido escrito num tipo paleo-hebraico.</p><p>Já as principais versões siríacas, relativas ao Novo Testamento, segundo</p><p>Geisler e Nix (1997, p. 191), são as seguintes:</p><p>Siríaca peshita. A Bíblia traduzida para o siríaco era comparável à</p><p>Vulgata latina. Era conhecida como Peshita (lit. simples). O texto do</p><p>Antigo Testamento da Peshita deriva de um texto surgido em meados</p><p>do século II ou início do II. [...] Versão siro-hexpláxiplárica. O texto siro-</p><p>hexaplárico do Antigo Testamento era uma tradução siríaca que</p><p>ocupava a quinta coluna das páginas da obra de Orígenes intitulada</p><p>Héxapla. Embora fosse traduzida por volta de 616 por Paulo, bispo de</p><p>Tela, essa obra na verdade jamais criou raízes nas igrejas siríacas.</p><p>TEMA 5 – A TRADUÇÃO LATINA (VULGATA LATINA)</p><p>Durante o século III d.C., o latim começa gradualmente a substituir o grego</p><p>como língua de ensino no mundo romano. Neste mesmo período, já havia muita</p><p>confusão a respeito dos textos latinos da Bíblia, alguns com heresias e muitas</p><p>controvérsias; assim, fazia-se necessário a edição de um texto uniforme e</p><p>confiável das Escrituras, tanto para o uso teológico, expressando a ortodoxia</p><p>cristã, quanto para o uso em cerimônias.</p><p>Os mais antigos textos bíblicos em latim são as muitas passagens do</p><p>Novo Testamento citadas por Tertuliano. Contudo, não sabemos com certeza</p><p>quando ele começou a escrever, embora provavelmente tenha sido ao redor do</p><p>ano 195 d.C. Além do mais, essas citações não nos ajudam na tentativa de</p><p>historiar a tradução da Bíblia ao latim, pois fica evidente que Tertuliano fez uma</p><p>7</p><p>tradução pessoal e direta desses versículos tomando como base o grego, língua</p><p>que ele conhecia muito bem, inclusive nas vezes em que ele cita Marcião.</p><p>Damaso, bispo de Roma (366-384) constatando a grande quantidade de</p><p>versões, traduções, e revisões das Escrituras, no século IV, percebe que era</p><p>imprescindível fornecer uma tradução mais exata e mais fácil de se</p><p>compreender. Assim, o termo vulgata designa a forma do texto latino que foi</p><p>amplamente divulgada na Igreja Latina ou Romana a partir do sétimo século d.C.</p><p>Jerônimo, eminente conhecedor do latim, grego e hebraico, acaba a</p><p>revisão do Novo Testamento em torno do ano de 384; na sequência, inicia um</p><p>trabalho na tradução da Septuaginta. A ênfase maior de seu trabalho foi o Antigo</p><p>Testamento. Aqui, ele fez uma nova tradução, tomando como base o hebraico,</p><p>com exceção do livro de Salmos, que ele revisou segundo a Héxapla grega de</p><p>Orígenes1, e dos livros de Sabedoria, Siraque e Macabeus, que Jerônimo deixou</p><p>de lado.</p><p>Posteriormente, com sua saúde precária, tomou como texto base a</p><p>Escritura em hebraico que estava em uso na Palestina. Finalizou no ano de 405</p><p>sua tradução latina do Antigo Testamento hebraico. Sua tradução do Antigo</p><p>Testamento se sobressaiu às demais, servindo como base para a grande maioria</p><p>de tradutores da Bíblia anteriores ao século XIX.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Saber que temos conservados muitos manuscritos que apresentam os</p><p>textos Bíblicos com fidelidade é essencial para entender que as Bíblias</p><p>modernas têm uma história que remonta a textos antigos e que não apresentam</p><p>diferenças significativas. Desde os menores fragmentos de papiros até textos</p><p>completos, a pesquisa arqueológica tem comprovado que o texto das Sagradas</p><p>Escrituras se mantém fiel a esses documentos antigos.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta aula, vimos alguns dos principais manuscritos que foram</p><p>encontrados, como o Manuscrito Alexandrino. Distinguimos os termos tradução,</p><p>1 Héxapla (em grego: "sêxtuplo") é o nome de uma edição da Bíblia editada em seis versões</p><p>diferentes alinhadas lado a lado. Ele se aplica particularmente para a edição do Antigo</p><p>Testamento compilada por Orígenes. Saiba mais: <http://bibliateca.com.br/site/as-primeiras-</p><p>traducoes/a-hexapla-de-origenes>.</p><p>8</p><p>tradução literal e transliteração, que evidenciam a complexidade da tradução</p><p>bíblica. Também estudamos a formação da Septuaginta, importante tradução</p><p>para o grego do pentateuco, além do Pentateuco Samaritano e das Traduções</p><p>Siríacas. Finalizamos com a tradução das Escrituras para o latim (Vulgata</p><p>Latina).</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. 5. ed. São</p><p>Paulo: Hagnos, 2001.</p><p>GEISLER, N.; NIX, W. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. 1. ed.</p><p>São Paulo: Vida, 1997.</p><p>MILLER, S. M.; HUBER, R. V.; A Bíblia e sua história: o surgimento e o Impacto</p><p>da Bíblia. 1. ed. Baueri, SP: Sociedade Biblica do Brasil, 2006.</p><p>SANTOS, P. P. A. dos. A Septuaginta (LXX): a Torá na diáspora judaico--</p><p>helenista. Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, v. 2, n. 2, p. 80-93,</p><p>mar. 2008.</p>

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