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<p>TEXTO DE REFERÊNCIA</p><p>O texto “Princípio de relaxamento e neocatarse” foi</p><p>originalmente apresentado por Ferenczi como um</p><p>relatório no XI Congresso Internacional de Psicanálise,</p><p>realizado no ano de 1929 em Oxford, na Inglaterra, e</p><p>tinha como título “Progresso da técnica psicanalítica”.</p><p>Em 1930, o trabalho foi publicado com o título definitivo</p><p>no volume XVI do Internationale Zeitschrift für</p><p>Psychoanalyse.</p><p>Em português, o artigo encontra-se no volume IV das</p><p>Obras Completas de Ferenczi, publicadas pela editora</p><p>WMF Martins Fontes.</p><p>2</p><p>O que vimos na</p><p>última aula?</p><p>Acompanhamos Ferenczi em um rápido passeio</p><p>pela pré-história da Psicanálise.</p><p>Vimos como Breuer formulou o método catártico</p><p>praticamente emulando o procedimento</p><p>“autoterapêutico” de Anna O. (as suas “clouds”) e</p><p>vimos também como o médico abandonou essa</p><p>técnica supostamente por conta de uma resistência a</p><p>lidar com a transferência erótica da paciente.</p><p>Vimos que Freud inicialmente considerou que as</p><p>neuroses eram causadas por traumas sexuais</p><p>infantis, mas, num segundo momento, avaliou que</p><p>muitos dos relatos de abuso eram fantasiosos.</p><p>Apesar disso, o médico vienense não abandonou</p><p>sua empreitada no campo da psicoterapia, mas</p><p>validou o caráter psicologicamente real das fantasias</p><p>de seus pacientes.</p><p>Na sequência, Ferenczi faz uma crítica sutil ao que teria se</p><p>tornado a Psicanálise depois que Freud abandonou a</p><p>chamada teoria da sedução e passou a considerar que os</p><p>sintomas neuróticos estariam enraizados em fantasias:</p><p>“A relação intensamente emocional, de tipo hipnótico-sugestiva,</p><p>que existia entre o médico e seu paciente, esfriou</p><p>progressivamente para converter-se numa espécie de experiência</p><p>infinita de associações, logo, um processo essencialmente</p><p>intelectual.” (p. 63, grifos meus)</p><p>O autor utiliza uma analogia muito instrutiva para</p><p>caracterizar como funcionaria a terapia psicanalítica</p><p>nesse período inicial. Para Ferenczi, analista e paciente</p><p>estariam engajados num esforço conjunto para deduzir o</p><p>que estaria na origem dos sintomas com base nas</p><p>associações livres. Tratava-se, diz o autor, de um</p><p>procedimento semelhante ao jogo de palavras cruzadas,</p><p>em que se vai tentando adivinhar os termos corretos por</p><p>meio do preenchimento gradual dos espaços em branco.</p><p>Ferenczi diz que essa forma excessivamente fria</p><p>e intelectualizada de fazer análise foi</p><p>modificada por Freud em função de “alguns</p><p>fracassos terapêuticos decepcionantes”. Tais derrotas</p><p>(como no caso Dora, por exemplo) teriam levado o</p><p>médico vienense a voltar a dar atenção à</p><p>dimensão afetiva da relação analítica, ou seja,</p><p>aos fenômenos transferenciais.</p><p>Nosso autor diz que foi nessa época</p><p>em que Freud reconheceu a</p><p>importância da transferência que ele</p><p>se tornou um “adepto entusiasta” da</p><p>Psicanálise, inicialmente influenciado</p><p>pelos experimentos de associação de</p><p>palavras praticado por Jung.</p><p>Ferenczi faz referência a uma teoria biológica (atualmente já</p><p>abandonada), a “lei biogenética”, para falar de seu “desenvolvimento</p><p>intelectual” no campo psicanalítico. De acordo com a lei biogenética</p><p>ou “teoria da recapitulação”, o desenvolvimento do embrião de um</p><p>animal atravessa estágios que parecem recapitular a evolução da</p><p>própria espécie.</p><p>Analogamente, diz Ferenczi, o desenvolvimento intelectual de uma</p><p>pessoa que acaba de aderir a uma doutrina se assemelha ao processo</p><p>de evolução da própria doutrina, a saber: “os estágios da iluminação</p><p>exageradamente otimista, da decepção que inevitavelmente se segue e da</p><p>reconciliação final dos dois afetos.” (p. 64)</p><p>O autor finaliza o parágrafo fazendo um comentário sobre a</p><p>posição confortável de seus colegas mais jovens que</p><p>chegaram no campo psicanalítico quando este já estava com</p><p>seus fundamentos estabelecidos:</p><p>“Na verdade, não sei se devo invejar nos meus colegas mais jovens a</p><p>facilidade que têm para entrar na posse de tudo aquilo que a geração</p><p>precedente conquistou ao preço de muitos esforços. Às vezes, parece-</p><p>me que não é a mesma coisa receber uma tradição já feita e acabada,</p><p>por válida que seja, ou estabelecer uma por si mesmo.” (p. 64)</p><p>Na sequência, Ferenczi conta uma de suas primeiras experiências</p><p>clínicas como analista. Trata-se de uma situação que poderia</p><p>perfeitamente figurar nos “Estudos sobre Histeria” dada a sua</p><p>semelhança com o que Breuer e Freud faziam.</p><p>Nosso autor encontrou na rua um jovem colega sofrendo de uma</p><p>crise de asma nervosa, que suplicou a Ferenczi que o ajudasse. O</p><p>médico levou o rapaz para o seu consultório, fez o experimento de</p><p>associação de palavras de Jung e, com base no material fornecido</p><p>pelo paciente, induziu-o a se lembrar de eventos da sua história que</p><p>poderiam estar associados ao surgimento da asma:</p><p>“[...] as imagens mnêmicas não tardaram em agrupar-se</p><p>em torno de um traumatismo sofrido na primeira infância.</p><p>Tratava-se da operação de um hidrocele; ele viu, e reviveu,</p><p>com uma viva sensação de realidade, como tinha sido</p><p>agarrado à força pelos enfermeiros, como lhe tinham</p><p>aplicado à força a máscara de clorofórmio sobre o rosto, e</p><p>como tinha querido escapar, com todas as suas forças, ao</p><p>poder asfixiante do gás anestésico [...]” (p. 64, grifos meus)</p><p>Ferenczi conta que o paciente reviveu as mesmas reações físicas e</p><p>emocionais que experimentou na ocasião do trauma. Depois</p><p>disso, abriu os olhos, “como se saísse de um sonho” e agradeceu</p><p>efusivamente ao médico acreditando estar completamente</p><p>curado.</p><p>Infelizmente, esse jovem colega de nosso autor estava errado.</p><p>Ferenczi diz que conseguiu obter várias “curas” usando esse</p><p>procedimento que nada mais era do que o método catártico de</p><p>Breuer, mas os resultados obtidos eram sempre “provisórios”.</p><p>Slide 1</p><p>Slide 2: TEXTO DE REFERÊNCIA</p><p>Slide 3</p><p>Slide 4</p><p>Slide 5</p><p>Slide 6</p><p>Slide 7</p><p>Slide 8</p><p>Slide 9</p><p>Slide 10</p><p>Slide 11</p><p>Slide 12</p><p>Slide 13</p><p>Slide 14</p>

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