Prévia do material em texto
<p>- -1</p><p>Apresentação da unidade 2 - o</p><p>Cristianismo através dos séculos</p><p>Fábio Augusto Darius</p><p>Olá, caro estudante!</p><p>Visto que já lhe foi apresentado na Unidade I sobre os fundamentos mais profundos e significativos que norteiam</p><p>a vida cristã, nessa segunda Unidade a ideia é mostrar como, através dos séculos, a História do Ocidente viu e</p><p>tratou aqueles que optaram por seguir os passos de Jesus. Assim sendo, nesta Unidade vamos abordar a história</p><p>do Cristianismo a partir dos fundamentos cristãos.</p><p>Portanto, abordaremos os primórdios da Igreja, ainda no primeiro século, e todas as dificuldades para o</p><p>estabelecimento e assimilação da doutrina cristã, tanto em território judeu, quanto em possessões gentílicas.</p><p>A partir desse desenvolvimento histórico e doutrinário, veremos algumas das principais questões ocorridas ao</p><p>longo da Idade Média a partir de poderosa presença da Igreja Católica, que ao longo de 10 séculos atuou como</p><p>agente espiritual e temporal. Para além do Medievo, comparativamente curto, porém fecundo, veremos o</p><p>período da Modernidade, que será analisado à luz de seus próprios agentes pelo viés histórico, teológico e</p><p>filosófico. Esse pequeno vislumbre fomentará ideias para a concepção de certos conceitos até hoje usados e bem</p><p>percebidos, como o de secularização e tudo o que ele significa para nós hoje.</p><p>No Brasil, segundo o último Censo (de 2010), há quase 10% de sua população que indicou não ser religiosa e não</p><p>frequentar igreja alguma. Ainda assim, será que aqueles que não frequentam igrejas cristãs ou frequentam e</p><p>creem em elementos religiosos de outras matrizes não são influenciados por princípios cristãos, em virtude tão</p><p>somente de terem nascido em um país ainda tão religioso? Espero que você goste do material que preparamos</p><p>para você!</p><p>Agora, convidamos você a assistir ao vídeo de apresentação da unidade.</p><p>https://www.youtube.com/embed/pqFga9B0I2A</p><p>https://www.youtube.com/embed/pqFga9B0I2A</p><p>- -1</p><p>Sobre a necessidade da História</p><p>como chancela para a vida</p><p>Fabio Augusto Darius</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, o ser humano é um ser histórico que vive permeado e vicejado pela história, seja ela a sua</p><p>própria, vivida, seja ela a partir da pseudo-percepção da história do outro ou da história documental, positivista</p><p>ou não.</p><p>Na contemporaneidade, especificamente no tempo presente, ao menos no lado ocidental do mundo, vive-se uma</p><p>onda nostálgica bem capitalizada pelo chamado cujo objetivo é aproveitar supostamente, noretromarketing,</p><p>presente, as delícias de um tempo já há muito extinto. A nostalgia exemplifica bem quando observamos o ser</p><p>humano diante da História, afinal, a palavra oriunda do grego, como muitas outras que utilizamos em nosso</p><p>vocabulário sem prestarmos muita atenção, faz referência à nossa lembrança de momentos menos dolorosos.</p><p>Veremos, a seguir, sobre quão importante é a História.</p><p>Importância da História</p><p>A História pode ser um exclamado fado ou certas porções de simples fatos com ou sem sentido, mas é imperativo</p><p>que se evoque as palavras de Hegel, quando em 1830 proferiu que “a História não é o palco da felicidade; nela os</p><p>períodos de felicidade são páginas em branco” (HEGEL, 1956, p. 26). Ainda fazendo uma menção a Hegel (1977),</p><p>em prefácio à “Fenomenologia do Espírito”, de 1807, diz que:</p><p>Nossa época é um tempo de nascimento e um período de transição. O espírito do homem rompeu</p><p>com a velha ordem das coisas até então prevalecentes e com as velhas maneiras de pensar, e está na</p><p>mente para deixá-las afundar nas profundezas do passado e estabelecer sua própria transformação.</p><p>- -2</p><p>Figura 1 - Hegel</p><p>Fonte: Naci Yavuz, Shutterstock, 2019.</p><p>Para começarmos, ainda segundo Hegel, o filósofo não é filho de seus pais, mas filho de seu próprio tempo. Assim</p><p>sendo, todos nós, seres pensantes, e, nesse sentido, filósofos, somos filhos de nossa própria História, seja a que</p><p>nos cerca, seja a que se frauda e se faz nossa por apropriação imanente.</p><p>- -3</p><p>O tempo nos devora e por ele somos levados ao ventre temporal, como que com prazer devorou semCronos</p><p>piedade seus filhos até a posterior libertação destes no seio do próprio tempo, por Zeus.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>A História, efetivamente, nos molda. Contudo, ela é palco inócuo, que esperando ser moldada,</p><p>molda também aquele que a transforma. Assim, podemos dizer sem medo de errar que se é, ao</p><p>mesmo tempo, filho e pai ou filha e mãe de seu próprio tempo, seja o tempo que for. Os</p><p>inebriantes e hipermodernos tempos atuais abrem margem à percepção da vertiginosa</p><p>passagem temporal.</p><p>- -4</p><p>Figura 2 - Cronos, na mitologia grega, devorando seus filhos</p><p>Fonte: Renata Sedmakova, Shutterstock, 2019.</p><p>O tempo cronometrado de nossas muitas atividades diárias, realmente devora seus filhos-escravos. Pergunte a si</p><p>mesmo: você é livre? Antes de ler a linha seguinte, permita-se a responder ao questionamento proposto.</p><p>Feito este exercício, reflita com Nietzsche (2001, p. 218): “todos os homens se dividem, em todos os tempos e</p><p>também hoje, em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o</p><p>que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito”.</p><p>A História contemporânea viu nascer a lâmpada elétrica e com ela o terceiro turno do trabalho. O terceiro turno,</p><p>por sua vez, elegeu o café como sua bebida por excelência. Assim, a cafeína passou a mover o mundo, mas cobra</p><p>um alto preço. Veja, por exemplo, a história da pequena “frutinha” vermelha em seu pé e compare com a própria</p><p>história do século XX. O que se espera de cada um de nós, em termos de produção, quase que industrial, não pode</p><p>- -5</p><p>um alto preço. Veja, por exemplo, a história da pequena “frutinha” vermelha em seu pé e compare com a própria</p><p>história do século XX. O que se espera de cada um de nós, em termos de produção, quase que industrial, não pode</p><p>ser comparado ao que outrora se esperava do homem.</p><p>Assim sendo, nossa história deve ser, afinal, chancela para a vida? O que se passa, no contexto da Antropologia</p><p>Filosófica, ou do que quer que seja, que faz o tempo tão estranhamente fugidio? Quem tem tempo para desfrutar</p><p>simplesmente lendo o que se quer, sem preocupações com prazos ou com o futuro em si?</p><p>Figura 3 - Nietzsche</p><p>Fonte: Baris Balkan, Shutterstock, 2019.</p><p>Se a história é necessária para chancelar a vida, precisa-se aqui escolher que tipo de história se almeja para a</p><p>existência. Talvez nada melhor que a premissa de Baudelaurie (1983, p. 87), filho do século XIX, mas atemporal</p><p>como poucos: “ter vontade todos os dias de ser o maior dos homens”, eis como a História deveria ser palco</p><p>àqueles que fundamentalmente almejam servir a Cristo, o Fundamento e Senhor da História.</p><p>Falamos aqui apenas acerca da perspectiva histórica temporal, desde Hegel e mesmo da mitologia grega, com</p><p>Cronos e suas implicações no século XXI, mencionando apenas escritores do século XIX, o século da História.</p><p>Contudo, há outra perspectiva histórica e esta não se refere ao tempo das coisas do mundo, mas do tempo de</p><p>Deus: .kairós</p><p>Christopher Walker (2011) salienta que “a palavra significa um espaço de tempo ou intervalo, e às vezeschronos</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para se aprofundar sobre o tema, indicamos a leitura do livro Princípios Elementares da</p><p>, do autor teólogo adventista Fernando Canale. Editora: Unaspress. Ano: 2018.Teologia Cristã</p><p>- -6</p><p>Christopher Walker (2011) salienta que “a palavra significa um espaço de tempo ou intervalo, e às vezeschronos</p><p>é usada para dar a idéia de “demora”. Em contraste, significa uma ocasião especial, um tempokairós</p><p>determinado, ou uma oportunidade”. Para os cristãos, tempo é sempre oportunidade. A história, nesse caso,</p><p>deixa de ser uma sucessão de dores e tristezas permeadas por certas alegrias passageiras e quase sempre</p><p>fugazes, passando a ser presente de Deus, afinal, a história vivida é história presente que todos os dias deve ser</p><p>ressignificada à luz da Bíblia, Palavra de Deus, para tornar seus leitores, efetivamente, filhos e filhas do Senhor</p><p>da História.</p><p>Assim sendo, entregando a vida cotidiana a Deus, a vida para o consumo vil e volátil</p><p>Figura 3 - Seus fundamentos têm sido construídos em rocha firme ou areia?</p><p>Fonte: Andrey Popov, Shutterstock, 2019.</p><p>Quando o Cristianismo é equilibradamente infundido em cada coração, a Teologia e a doutrina ganham novo</p><p>significado e quando o caminho inverso é feito, ou seja, a Teologia e a doutrina se aliam para um melhor</p><p>conhecimento de Deus, o resultado é indescritível.</p><p>- -6</p><p>Os grandes movimentos religiosos do século XX, como a teologia negra, a teologia feminista e tantos outros que</p><p>procuram dar sentido e significado a alguns grupos, talvez seriam desnecessários se os fundamentos do</p><p>Cristianismo fossem, desde sempre, levados com a máxima seriedade e equilíbrio possível a partir de um</p><p>processo de respeito mútuo, de entendimento maior e mais profundo de si e do próximo, respeitando e</p><p>compreendendo seus próprios limites e os limites do outro, bem como os limites de toda a criação.</p><p>Figura 4 - Você é um autônomo ou um autômato, afinal?</p><p>Fonte: Nantz, Shutterstock, 2019.</p><p>A ideia aqui é que se reflita profundamente sobre todas as premissas que foram apresentadas. A ideia também é</p><p>que todas essas palavras sejam incentivadoras para as reflexões propostas para as atividades que virão. O intuito</p><p>é sempre o mesmo: fazer com que cada leitor e leitora dessas páginas pergunte a si mesmo o que deve fazer para</p><p>se tornar um cidadão mais íntegro e preocupado com as questões inerentes ao seu próprio mundo. Esse</p><p>exercício reflexivo, certamente, fomenta uma mudança significativa de vida e os fundamentos do Cristianismo</p><p>- -7</p><p>exercício reflexivo, certamente, fomenta uma mudança significativa de vida e os fundamentos do Cristianismo</p><p>podem e devem ser os fundamentos primordiais para toda essa grande perspectiva.</p><p>Fechamento</p><p>Assim sendo, nosso desejo é que todos os seus esforços reflexivos para essa disciplina sejam convertidos em prol</p><p>de algo genuinamente bom e que sirva para seu reencontro consigo e com Deus. Torne-se consciente, portanto,</p><p>de suas dificuldades e entregue a Cristo seus desafios e dissabores. Você será profundamente transformado por</p><p>toda essa série de esforços, que congregados frutificarão enormes resultados.</p><p>Agradecemos por todo o tempo e atenção que cada um dispendeu. Que cada metro dessa milha a mais, tão</p><p>vigorosamente trilhada por todos vocês, possa se converter em muitas satisfações e alegrias sem par.</p><p>Referências</p><p>WHITE, E. . Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2005.Filhos e filhas de Deus</p><p>Apresentação da unidade 2 - o Cristianismo através dos séculos</p><p>Topico 1 - Sobre a necessidade da História como chancela para a vida</p><p>Introdução</p><p>Importância da História</p><p>Hegel</p><p>Cronos, na mitologia grega, devorando seus filhos</p><p>Nietzsche</p><p>Santo Agostinho</p><p>Fechamento</p><p>Referências</p><p>Topico 2 - O Cristianismo nos primeiros séculos_ a comunidade proto-cristã e sua mensagem vivida</p><p>Introdução</p><p>A comunidade proto-cristã e sua mensagem vivida</p><p>Igreja cristã primitiva na Irlanda</p><p>Antiga igreja romana do século XI próxima à Sardenha</p><p>Pedro pregando, por Masolino, famoso afresco do início do Renascimento numa capela em Florença</p><p>Antiga estátua de Jesus Cristo</p><p>Fechamento</p><p>Referências</p><p>Topico 3 - A mensagem bíblica ao longo da História</p><p>Introdução</p><p>Mensagem da Bíblia</p><p>Platão</p><p>A visão platônica da morte é muito diferente da visão cristã</p><p>Deus está próximo e espera por sua oração</p><p>Faça bom uso de sua Bíblia. Deus fala através dela.</p><p>Fechamento</p><p>Referências</p><p>Topico 4 - Constantino e a secularização do mundo cristão</p><p>Introdução</p><p>O que podemos aprender diante dos fundamentos imutáveis do Cristianismo?</p><p>Constantino</p><p>O Arco de Constantino</p><p>Busto em mármore de Constantino</p><p>O secularismo, na época de Constantino e até hoje, representa um grande perigo para a Igreja</p><p>Fechamento</p><p>Referências</p><p>Topico 5 - Idade Média e Modernidade</p><p>Introdução</p><p>O Cristianismo se mantém, apesar da mudança de paradigma</p><p>Infantaria na Idade Média</p><p>Antigo livro medieval</p><p>Francis Bacon, filósofo moderno</p><p>Antigo selo moscovita em homenagem a Gutenberg</p><p>Fechamento</p><p>Referências</p><p>Topico 6 - Religiosidade contemporânea</p><p>Introdução</p><p>Perspectiva atual</p><p>Qual tem sido seu esforço em busca da liberdade?</p><p>Seus fundamentos têm sido construídos em rocha firme ou areia?</p><p>Você é um autônomo ou um autômato, afinal?</p><p>Fechamento</p><p>Referências</p><p>para a salvação dos homens. Foi organizada para servir</p><p>e sua missão e levar o evangelho ao mundo. Desde o princípio, tem sido plano de Deus que, através</p><p>de Sua igreja, seja refletida para o mundo Sua plenitude e suficiência. Aos membros da igreja, a quem</p><p>Ele chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, compete manifestar Sua glória. A igreja é a</p><p>- -2</p><p>Ele chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, compete manifestar Sua glória. A igreja é a</p><p>depositária das riquezas da graça de Cristo; e pela igreja será, a seu tempo, manifesta, mesmo aos</p><p>“principados e potestades nos Céus” (Efésios 3:10), a final e ampla demonstração do amor de Deus.</p><p>(WHITE, 2007, p. 6).</p><p>Os primeiros cristãos, como é sabido a partir de todos os livros de História Eclesiástica, sem exceção, sofreram as</p><p>mais angustiantes perseguições, mas ainda assim se mantiveram firmes em quase todos os casos. Como isso se</p><p>explica? Enquanto o mundo greco-romano era vicejado de religiões pagãs e toda a sorte de deuses, a Palestina</p><p>nos tempos de Cristo enfrentava uma situação particularmente difícil. Dominada pelos romanos e sob suspeição,</p><p>mesmo nos assuntos religiosos, os judeus tentavam manter uma vida normal, na medida do possível.</p><p>EXEMPLO</p><p>O Cristianismo primitivo, ou seja, do primeiro e do segundo século da Era Cristã, era a religião</p><p>dos oprimidos, pobres, ignorantes e desesperançosos, conforme a convicção majoritária da</p><p>época. Isso se mostra paradoxal, visto que, precisamente, a religião tem como uma das suas</p><p>principais funções, senão a principal, reencantar a vida a partir da novidade existencial que se</p><p>dá por meio a apreensão do Evangelho.</p><p>- -3</p><p>Figura 1 - Igreja cristã primitiva na Irlanda</p><p>Fonte: Ieva Vincer, Shutterstock, 2019.</p><p>Alguns grupos religiosos podem ser destacados naquele contexto e período: os saduceus, grupo menos</p><p>numeroso e politicamente forte, que se preocupava com o Templo e dominava o Sinédrio, assembleia onde eram</p><p>tomadas as grandes decisões religiosas e políticas; os fariseus, grupo numericamente maior que os saduceus, que</p><p>exercia plenamente a missão de cuidar com rigor dos pormenores da religião formal e interior; e os zelotes,</p><p>grupo radical, disposto a cometer atos de violência em prol de suas ideias; e os essênios, místicos, que viviam</p><p>fora dos muros de Jerusalém.</p><p>Todos esses grupos tinham suas especificidades e gostos, mas concordavam ao menos em duas questões, a saber,</p><p>deviam manter viva a Lei e o seu cumprimento em primeiro lugar e esperar o Messias vindouro. Embora</p><p>cressem nessas duas premissas, essas vivências se davam de forma bastante distinta. O rigor ou legalismo eram a</p><p>tônica dos fariseus, por exemplo, enquanto os zelotes esperam um Messias-guerreiro, pronto a pegar em armas e</p><p>destronar o governo-fantoche e o Império Romano.</p><p>- -4</p><p>Os primeiros cristãos precisaram conviver em meio a todas essas tensões, sofrendo perseguição e preconceito de</p><p>todos esses grupos, em especial dos fariseus, que por sua vez, como todos os judeus, sofriam as perseguições</p><p>implacáveis dos romanos. O que era ser cristão meio a um mundo tão violento e majoritariamente distinto,</p><p>representando a ínfima minoria dos que seguiam a Cristo? Precisamente, por conta dessa situação tão adversa é</p><p>que os princípios norteadores do Cristianismo deveriam ser vivenciados às últimas consequências, sob pena da</p><p>perda de sentido e também da vida, nas piores e mais ignominiosas condições possíveis.</p><p>Os cristãos se diferenciavam dos judeus ou pagãos porque já tinham visto e recebido Cristo em seus corações.</p><p>Não precisavam mais esperar pelo aparecimento do Messias. Na verdade, os cristãos já esperavam desde aqueles</p><p>tempos pela Parousia que significa segunda vinda de Jesus. Deixando de lado as pressuposições da religião</p><p>judaica, os cristãos viviam em compasso de espera em um mundo cujas relações se mostravam sempre delicadas.</p><p>Contudo, o que os mantinha vivos e esperançosos, apesar das dores e angústias?</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para se aprofundar sobre o tema, indicamos a leitura do livro , daAtos dos Apóstolos</p><p>autoraEllen G. White. Editora: Casa Publicadora Brasileira. Ano: 2007. Disponível em:</p><p>.http://www.centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Atos%20dos%20Apóstolos.pdf</p><p>http://www.centrowhite.org.br/files/ebooks/egw/Atos%20dos%20Apóstolos.pdf</p><p>- -5</p><p>Figura 2 - Antiga igreja romana do século XI próxima à Sardenha</p><p>Fonte: Pietro Basílico, Shutterstock, 2019.</p><p>Um dos pilares mais caros que mantém os fundamentos do Cristianismo é o senso de comunidade. Grande ou</p><p>pequena, a comunidade deve existir para dar suporte e alívio em todos os níveis. Na comunidade primitiva, os</p><p>grupos cristãos se reuniam nas próprias casas uns dos outros, haja vista que a igreja cristã como hoje vivenciada,</p><p>não existia ainda naquele tempo. Ali eles entoavam hinos, recitavam salmos, oravam e compartilhavam da ceia,</p><p>que basicamente era uma refeição completa. Esse senso de suporte e comunitariedade os tornava fortes, de uma</p><p>lado, pela união entre eles, e por outro lado fracos por serem desprovidos de recursos para efetivamente lutar</p><p>contra seus perseguidores.</p><p>Ao longo dos dois primeiros séculos e meio do Cristianismo, muitas foram as perseguições. Nos anos de Nero,</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Lendo e orando, os cristãos daqueles tempos percebiam a atuação e grande poder do Espírito</p><p>Santo. Isso os tornava aptos a enfrentar mesmo a morte para manter a fé viva que os mantinha.</p><p>É precisamente desse período os primeiros mártires, sendo considerado Estevão, o primeiro</p><p>de todos, apedrejado por manter sua fé. Paulo, posterior apóstolo dos gentios e fariseu,</p><p>acompanhou sem esboçar reação a execução de Estevão.</p><p>- -6</p><p>Ao longo dos dois primeiros séculos e meio do Cristianismo, muitas foram as perseguições. Nos anos de Nero,</p><p>imperador romano entre 65 e 66 da era Cristã, no mesmo dia Pedro e Paulo foram executados. Enquanto Pedro</p><p>foi crucificado de cabeça para baixo por não se mostrar digno de sofrer a mesma morte de Cristo, Paulo foi</p><p>decapitado. Não muitos anos depois, quando Domiciano era o Imperador, o idoso João foi exilado na ilha de</p><p>Patmos. Praticamente todos os imperadores romanos, com mais ou menos ímpeto, perpetraram contra os</p><p>primeiros cristãos perseguições implacáveis e não se sabe o número exato de mortos.</p><p>Tertuliano, um apologista ou defensor da fé cristã em seus primeiros tempos, escreveu: Sanguis Martyrum est</p><p>, que quer dizer: “o sangue dos mártires é semente da Igreja”. Atualmente, segundo o filósofosemen Ecclesia</p><p>francês Gilles Lipovetsky (2000), não há mais tragédia nem apocalipse, nenhum projeto mobilizador ou causa</p><p>que realmente interesse.</p><p>Por conta da causa do amor ao Evangelho, os seus fundamentos foram plantados mesmo face à morte: uma das</p><p>mártires mais famosas deste período, Felicitas, foi martirizada com seus sete filhos. Era uma “viúva consagrada”</p><p>e seu trabalho era tal que alguns sacerdotes pagãos a acusaram diante das autoridades romanas. O juiz insistiu</p><p>para que ela abandonasse sua fé, primeiro com promessas e depois com ameaças, mas ela se manteve firme.</p><p>Depois seus filhos foram ameaçados, mas também se mantiveram firmes na fé. Ao final, todos foram executados</p><p>em diferentes partes da cidade. Manteve-se a fé.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Nero, um dos piores imperadores romanos, foi acusado pelo grande incêndio que destruiu</p><p>parte da cidade de Roma e condenou à morte, no mesmo dia e em lugares distintos, os</p><p>apóstolos Pedro e Paulo.</p><p>- -7</p><p>Figura 3 - Pedro pregando, por Masolino, famoso afresco do início do Renascimento numa capela em Florença</p><p>Fonte: jorisvo, Shutterstock, 2019.</p><p>Na cidade de Esmirna, em meados de 155 d.C., um grupo de cristãos foi denunciado, preso e torturado depois de</p><p>se recusarem a adorar a imagem do Imperador. Um deles, Germanicus, um senhor já idade bem avançada, foi</p><p>trazido diante dos juízes e admoestado a considerar sua idade avançada e abrir mão de sua fé ao invés de</p><p>enfrentar tortura e morte. Ele respondeu que não tinha desejo algum de viver em um mundo onde tais injustiças</p><p>como as que acabara de ver aconteciam e para mostrar sua convicção atiçou</p><p>da visão cristã</p><p>Fonte: Dan Race, Shutterstock, 2019.</p><p>Ao longo da História, no entanto, a filosofia platônica afirma o dualismo humano, como se o corpo e a alma</p><p>fossem entes distintos e entre si rivalizassem. Ora, se é bíblico que o corpo é templo do espírito, então, nossa</p><p>vida cotidiana, em sua integralidade, é uma vida espiritual. O corpo deixa de ser o cárcere da alma, na</p><p>perspectiva platônica, e passa a ser a morada do próprio Espírito, em conformidade com a Bíblia. A figura muda</p><p>totalmente de aspecto, portanto.</p><p>Nesse sentido, e levando a exemplificação às últimas consequências, aquilo que se come ou se bebe torna-se uma</p><p>escolha com consequências espirituais. Uma noite mal dormida interferirá no dia seguinte e a própria</p><p>alimentação e a percepção do mundo ficará abala. Poderá vir a ser um problema com um efeito em cascata,</p><p>prejudicando, em última análise, a própria vivência religiosa.</p><p>Outra inferência disso é a ideia equivocada que diz que os mortos irão imediatamente para o céu ou para o</p><p>inferno, novamente conforme certas leituras estranhas de Platão. Aliás, sob certas leituras bíblicas pouco</p><p>tradicionais, como as que os adventistas fazem, sequer há inferno. Contudo, no imaginário popular, que pouco lê</p><p>e percebe as coisas conforme a visão de outrem, esse ensinamento bíblico é pouco ou totalmente desconhecido.</p><p>Quando o imanente é abandonado, quando Deus é deixado de lado e a vida perde o sentido como um todo, o que</p><p>sobra é o físico, o domínio do corpo. Assim, abre-se facilmente espaço para a sexualidade desmedida, a</p><p>glutonaria e todo o tipo de vício. O corpo e a vida em si tornam-se cárceres e consequência direta disso é a</p><p>depressão e as ideias de morte.</p><p>- -5</p><p>Contudo, ainda hoje o corpo é visto como um problema por cristãos genuínos. É fundamental que, à luz da Bíblia,</p><p>percebamos as coisas como elas são. Se o mundo é inteiramente ruim, como desde os primeiros séculos se dizia,</p><p>então, o ideário desses crentes seria simplesmente a fuga do mundo. Alguns viveram e ainda hoje vivem em</p><p>ascetismo, ou seja, bem distantes do mundo pulsante onde vivem as comunidades. A vida ascética, presenciada</p><p>principalmente na Antiguidade e Idade Média, é uma demonstração explícita de profundo desentendimento da</p><p>mensagem do Cristianismo.</p><p>Figura 3 - Deus está próximo e espera por sua oração</p><p>Fonte: Paul shuang, Shutterstock, 2019.</p><p>Ora, o cristão deve ser, como explicitado na Bíblia, sal da terra. O sal deve ser misturado ao alimento para</p><p>saborizá-lo. O que acontece com o cristão que, devendo exercer a função dada ao sal, esconde-se do mundo para</p><p>não apenas não desfrutá-lo, mas para evitá-lo com todas as suas forças? O mundo ascético é antibíblico, assim</p><p>como a própria recusa ao corpo.</p><p>Outra heresia é aquela chamada de docetismo, a qual afirma que Cristo não veio a este mundo, visto que,</p><p>fundamentalmente, o mundo não é bom e, portanto, não poderia recebê-Lo. Para os que creem assim, novamente</p><p>há uma grande dicotomia entre Deus e o mundo. Talvez a pior delas seja a ideia, também platônica, que diz que</p><p>Deus está nos altos céus e tão somente lá, distante da humanidade. Essa simples percepção faz com que miríades</p><p>e miríades de pessoas simplesmente se achem desencorajadas a buscar a Deus, que habita simultaneamente nos</p><p>altos céus e no coração dos contritos, sob a perspectiva bíblica.</p><p>Deus pode ser acessado aqui e agora, esteja você onde estiver e o que quer que esteja passando. Afinal, como</p><p>- -6</p><p>Deus pode ser acessado aqui e agora, esteja você onde estiver e o que quer que esteja passando. Afinal, como</p><p>dizem as célebres e conhecidas palavras do texto bíblico, expressas no salmo 23, “o Senhor é o meu pastor e nada</p><p>me faltará”. Ele não conduz seu rebanho de longe, mas conhece cada uma das suas ovelhas pelo nome. Aludindo</p><p>novamente à filosofia grega, não há um demiurgo que faz a intercessão entre Deus e os homens, sendo este</p><p>demiurgo impassível e distante de Deus.</p><p>Cristo é nosso Amigo e assim deve ser nossa relação com Ele. Devemos conversar com Ele sabendo que ele É</p><p>nosso amigo e protetor. Assim como o apóstolo João se recostava nos ombros de Jesus, devemos hoje fazer a</p><p>mesma coisa. É assim que encontramos paz e tranquilidade.</p><p>Figura 4 - Faça bom uso de sua Bíblia. Deus fala através dela.</p><p>Fonte: Anelina, Shutterstock, 2019.</p><p>A mensagem bíblica só terá efeito desejado em cada coração quando ela for lida, tanto quanto possível, livre de</p><p>todas as outras influências. Ela fala por si mesma e diretamente ao coração humano. Conforme o Pastor Amilton</p><p>Menezes (2017):</p><p>Deus será sempre o mesmo. Ninguém mais será. Os amantes atraem você hoje e desdenham amanhã.</p><p>As empresas dão aumentos seguidos de demissões. Os amigos aplaudem quando você dirige um</p><p>clássico e o desprezam quando você dirige um carro velho. Deus não. Deus “permanece o mesmo” (Sl</p><p>102:27). Ele “não muda como sombras inconstantes” (Tg 1:17). A força, verdade, caminhos e amor</p><p>de Deus nunca mudam. Ele é “o mesmo, ontem, hoje e para sempre” (Hb 13:8). E, por isso, o Senhor</p><p>“será o firme fundamento nos tempos a que você pertence” (Is 33:6). Os planos de Deus nunca</p><p>mudarão porque Ele faz Seus planos com conhecimento pleno. Esqueça previsões auspiciosas.</p><p>“Desde o início [Ele faz] conhecido o fim” (Is 46:10). Nada O pega de surpresa. “Os planos do Senhor</p><p>permanecem para sempre” (Sl 33:11). A cruz não perderá seu poder. O sangue de Cristo não perderá</p><p>- -7</p><p>permanecem para sempre” (Sl 33:11). A cruz não perderá seu poder. O sangue de Cristo não perderá</p><p>sua força. “Esse é o propósito do Senhor dos Exércitos; quem pode impedi-Lo? Sua mão está</p><p>estendida; quem pode fazê-la recuar?” (Is 14:27). Deus nunca muda.</p><p>Devemos seguir a Deus independentemente das atribuições ou desejos do mundo. Aliás, os primeiros cristãos e</p><p>cristãs, mesmo sob pena de morte, seguiam a Cristo. Assim, cronologicamente, desde os primórdios da história</p><p>cristã, Cristo foi exaltado acima da própria vida de seus seguidores. Por que hoje deveria ser diferente?</p><p>Para saber mais, assista á videoaula sobre a mensagem de Cristo ao longo da história.</p><p>https://www.youtube.com/embed/bF-TomZ0pxc</p><p>Fechamento</p><p>Ainda que sob diferentes e distintas demandas e situações, o ser humano é o mesmo de sempre acerca de seus</p><p>medos, anseios e desejos. Da mesma forma, a Bíblia é o mesmo livro e tem a mesma e imutável mensagem e ela</p><p>deve ser nosso auxílio sempre. Confie na Palavra imutável de Deus e perceba que Ele é o mesmo ontem hoje e</p><p>sempre. A fidelidade à Palavra de Deus é a coluna e fundamento do cristianismo bíblico.</p><p>Referências</p><p>KONINGS, J. : uma introdução. São Paulo: Vozes, 1992.A Bíblia, sua história e leitura</p><p>MENEZES, A. Um Deus imutável. , 05 abr. 2017. Disponível em: Novo Tempo http://novotempo.com</p><p>/amiltonmenezes/audios/um-deus-imutavel/. Acesso em: 10 maio 2019.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Johan Konings, autor do livro A (1992), afirmaBíblia, sua história e leitura: uma introdução</p><p>que no Brasil há, pelo menos, 29 versões da Bíblia.</p><p>https://www.youtube.com/embed/bF-TomZ0pxc</p><p>http://novotempo.com/amiltonmenezes/audios/um-deus-imutavel/</p><p>http://novotempo.com/amiltonmenezes/audios/um-deus-imutavel/</p><p>http://novotempo.com/amiltonmenezes/audios/um-deus-imutavel/</p><p>- -1</p><p>Constantino e a secularização do</p><p>mundo cristão</p><p>Fábio Augusto Darius</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, o imperador romano Constantino, certamente, foi e é um dos personagens mais icônicos da</p><p>história do Cristianismo. Estudar um pouco sobre sua biografia e sobre o contexto em que ela se insere é bem</p><p>importante para se perceber como a secularização pode ser realmente um grave problema que o Cristianismo</p><p>deve combater. É fundamento da fé manter-se fiel e altivo face a essa questão.</p><p>No entanto, comecemos com um pouco de História. Antes de Constantino, outro imperador bastante famoso foi</p><p>Diocleciano, que se tornou imperador em 284 d.C. Para evitar as guerras civis de sucessão, estabeleceu 4</p><p>imperadores para o Império, dois denominados (Diocleciano e Maximiano) e dois denominados augustus caesar</p><p>(Galerius e Constantius Chlorus). Dos quatro imperadores, aparentemente,</p><p>só Galerius tinha inimizade contra os</p><p>cristãos e vale ressaltar que a esposa Prisca e a filha Valéria, de Diocleciano, eram cristãs. Veremos mais sobre</p><p>isso.</p><p>O que podemos aprender diante dos</p><p>fundamentos imutáveis do Cristianismo?</p><p>Augusto ( , plural: , do latim que significa "majestoso," "o exaltado," ou "venerável") foi um títuloAugustus augusti</p><p>antigo romano dado tanto como nome quanto como título para Caio Otávio (frequentemente referido</p><p>simplesmente como Augusto), o primeiro imperador de Roma. Com sua morte, tornou-se um título oficial de seu</p><p>sucessor, sendo também usado por imperadores romanos daí em diante. A forma feminina Augusta foi usada</p><p>para imperatrizes romanas e outras mulheres da família imperial.</p><p>As formas masculina e feminina se originaram na época da República Romana, em conexão com coisas</p><p>consideradas divinas ou sagradas na tradicional religião romana. Seu uso como título para maiores e menores</p><p>deidades romanas do Império associaram o sistema imperial e a família imperial com as tradicionais virtudes</p><p>romanas e a vontade divina, e pode ser considerado uma característica do culto imperial romano. Já César</p><p>(plural Césares), em latim (plural ), é um título imperial. Deriva do cognome de Caio Júlio César, oCæsar Cæsares</p><p>ditador de Roma. A transformação do nome de família em título imperial pode ser datada, aproximadamente, em</p><p>68 / 69 d.C., o chamado "Ano dos quatro imperadores". Os cristãos, à época, estavam divididos quanto ao serviço</p><p>militar.</p><p>- -2</p><p>Em 303 d.C, Diocleciano passou outro edito contra os cristãos, dispensando-os de suas posições de liderança no</p><p>governo. A seguir, ordenou que os prédios e casas de uso cristão fossem demolidos e que os seus escritos fossem</p><p>destruídos. Esta última decisão imperial desencadeou conflitos, pois muitos cristãos se recusaram a entregar</p><p>seus escritos.</p><p>O conflito aumentou com dois incêndios que ocorrem no palácio imperial. Diocleciano ordenou que todos os</p><p>cristãos na corte imperial devessem sacrificar-se aos deuses romanos. Prisca e Valeria obedecem à ordem</p><p>imperial, mas muitos outros foram mortos por se recusarem.</p><p>Diocleciano, então, ordenou que todos os cristãos do Império deveriam sacrificar-se aos deuses e que os líderes</p><p>da igreja fossem presos. Por conta disso, muitos cristãos abandonaram a fé nesta época, muitos foram torturados</p><p>e executados de diversas maneiras e outros fugiram com seus escritos sagrados e os esconderam.</p><p>Galerius pressionou Diocleciano e Maximiano a abdicarem suas posições de , Diocleciano em função deAugustus</p><p>seu estado de saúde após uma doença que deixou debilitado, e Maximiano debaixo de ameaça militar. Galerius e</p><p>Constantius se tornam , mas muitos nas legiões se descontentaram com a ordem estabelecida. O filho deaugustus</p><p>Constantius era refém de Galerius, mas finalmente escapou, ou foi liberto, e se juntou ao seu pai. Depois da morte</p><p>de Constantius, as tropas se recusaram a obedecer Galerius e instituíram Constantino .augustus</p><p>Galerius apelou para que Diocleciano voltasse ao poder para estabilizar as coisas, mas recusou alegando que</p><p>estava satisfeito cuidando de sua horta e não queria governar o Império. No entanto, se dispôs a auxiliar nas</p><p>negociações. Constantino manteve sua posição forte na Gália e Grã-Bretanha e a perseguição aos cristãos</p><p>continuou, mas apenas nas regiões sob domínio de Galerius.</p><p>Maximinus Daia, sob Galerius, tinha a prática de mutilar cristãos e colocá-los para trabalhar em minas.caesar</p><p>Estes simplesmente começavam novas igrejas onde quer que fossem colocados. Eram, então, mortos ou mais</p><p>uma vez deportados.</p><p>Galerius adoeceu e os rumores de que sua doença era punição por sua perseguição aos cristãos o convenceram a</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>A maioria dos líderes era contra soldados cristãos, mas havia muitos deles nas legiões. Em</p><p>torno do ano 295, muitos cristãos foram executados, alguns por se recusarem a entrar no</p><p>exército, outros por tentarem sair do serviço militar. Galerius convenceu Diocleciano a</p><p>expulsar do exército todos os cristãos.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para se aprofundar sobre o tema, indicamos a leitura do livro , do autorHistória da Igreja Cristã</p><p>Wiliston Walker. Editora: ASTE. Ano: 1996.</p><p>- -3</p><p>Galerius adoeceu e os rumores de que sua doença era punição por sua perseguição aos cristãos o convenceram a</p><p>mudar seu edito, permitindo o Cristianismo desde que não interferisse com a ordem pública. Ele morreu 5 dias</p><p>depois.</p><p>Figura 1 - Constantino</p><p>Fonte: Natalia Paklina, Shutterstock, 2019.</p><p>Maximinus, Constantino, Lacínios e Maxentius estavam em controle do Império até o golpe de Constantino.</p><p>Quando menos se esperava, Constantino juntou suas legiões e atacou Roma, a capital de Maxentius. Cronistas</p><p>cristãos dizem que na noite antes da batalha Constantino recebeu, através de uma revelação, a ordem de colocar</p><p>um símbolo nos escudos de seus soldados: a superimposição das letras e . Como eram as primeiras letraschi rho</p><p>de Cristo, alguns interpretaram o fato como um símbolo cristão. Roma foi, então, tomada por Constantino, que se</p><p>tornou imperador do lado oeste do Império Romano.</p><p>Constantino se encontrou com Licínio em Milão onde fizeram uma aliança e assinaram o edito de Milão (313 d.</p><p>- -4</p><p>Constantino se encontrou com Licínio em Milão onde fizeram uma aliança e assinaram o edito de Milão (313 d.</p><p>C). Este edito terminava oficialmente a perseguição de cristãos, devolvendo a eles seus bens (casas e cemitérios).</p><p>Aliados, Constantino e Licínio abriram guerra contra Maximinus e o derrotam. Constantino governou a parte</p><p>ocidental do Império Romano e Licínio a parte oriental (313 d.C). A tensão entre os dois imperadores cresceu até</p><p>seu auge em 322 d.C, quando Constantino invadiu o território de Licínio, que respondeu militarmente juntando</p><p>suas tropas em Adrianópolis. Licínio perdeu a batalha, foi assassinado em 323 d.C e Constantino se tornou único</p><p>Imperador de Roma e seus territórios.</p><p>A primeira decisão de Constantino como Imperador único foi o estabelecimento de uma nova capital e a cidade</p><p>de Bizâncio foi escolhida por sua posição estratégica. Como a cidade murada de Bizâncio era muito pequena para</p><p>os grandiosos sonhos de Constantino, ele determinou sua ampliação. Dizem os relatos que ele caminhou para o</p><p>campo ao redor da cidade para marcar o caminho da nova muralha e quando interrogado até onde iria,</p><p>respondeu apenas: “Até Aquele que vai adiante de mim”.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Constantino tinha grandes sonhos para a restauração da glória anterior do Império Romano,</p><p>mas enquanto outros antes dele tentaram esta restauração por meio de uma ênfase no</p><p>paganismo, ele acreditava que isso podia ser feito com base no Cristianismo. Suas ideias, no</p><p>entanto, não eram bem-vindas em Roma meio ao Senado.</p><p>- -5</p><p>Figura 2 - O Arco de Constantino</p><p>Fonte: Dario Lo Presti, Shutterstock, 2019.</p><p>No centro da cidade, uma enorme estatua do deus Apollo teve sua cabeça original removida e substituída pela</p><p>cabeça esculpida de Constantino. Como incentivo para a população da cidade, Constantino concedeu privilégios</p><p>diversos aos que se mudassem para lá: isenção de impostos, isenção de serviço militar, óleo, trigo e vinho de</p><p>graça. Constantino parece ter favorecido o Cristianismo desde a batalha da Ponte de Milviano, quando colocou o</p><p>- nos escudos dos soldados.chi rho</p><p>- -6</p><p>No ano de 324 d.C, Constantino assinou um edito comandando que todos os soldados a adorarem o Deus</p><p>Supremo no primeiro dia da semana, o dia em que os cristãos celebravam a ressurreição de Jesus e em que os</p><p>pagãos adoravam o Sol .Invictus</p><p>EXEMPLO</p><p>Constantino tinha entre seus conselheiros o Bispo de Córdoba e o tutor de seu filho era</p><p>Lactantius, um cristão. Ao mesmo tempo em que os templos pagãos estão sendo saqueados</p><p>para embelezamento de Constantinopla, novas e suntuosas igrejas cristãs são construídas por</p><p>todo Império. Ele cessou as perseguições e devolveu qualquer propriedade cristã que tivesse</p><p>sido confiscada. Depois, ele mesmo contribuiu para o Cristianismo doando o palácio de sua</p><p>esposa em Roma para a Igreja. Constantino também apontou muitos cristãos</p><p>para posições</p><p>importantes no governo, numa resposta às tentativas do Senado Romano de restabelecer a</p><p>força do paganismo.</p><p>- -7</p><p>Figura 3 - Busto em mármore de Constantino</p><p>Fonte: Lefteris Papaulakis, Shutterstock, 2019.</p><p>Em 325 d.C, o próprio imperador convocou o concílio de Bispos, conhecido como o Concílio de Nicea. Até o dia de</p><p>sua morte, ele foi o Pontífico Máximo do paganismo romano e quando morreu, o Senado o declarou um deus. De</p><p>acordo com documentos da época, Constantino finalmente se batizou em seu leito de morte. Constantino entrou</p><p>para a História como um deus romano e santo da Igreja Cristã Ortodoxa.</p><p>- -8</p><p>Figura 4 - O secularismo, na época de Constantino e até hoje, representa um grande perigo para a Igreja</p><p>Fonte: Casimiro PT, Shutterstock, 2019.</p><p>A partir dessa história muito interessante e recheada de detalhes que outros livros podem melhor relatar, fica a</p><p>questão: o mundo cristão melhorou com a ascensão de Constantino? O que mudou, afinal? Certamente, a</p><p>perseguição parou. Com o fim dos martírios e, posteriormente, com a oficialização do Cristianismo, muitos</p><p>aceitaram a fé e as igrejas cresceram em número e participantes.</p><p>Contudo, com a proximidade da Igreja com o Estado e com a facilidade de se tornar cristão, a investigação bíblica</p><p>e a oração, ou seja, os fundamentos do Cristianismo foram cada vez mais eclipsados, criando gerações de cristãos</p><p>desprovidos da fé de seus primeiros pais. Além disso, nesse contexto, o dia de guarda dos cristãos acaba sendo</p><p>alterado.</p><p>De acordo com Nelson Wasiuk (2017):</p><p>O nome “domingo” vem do latim (dia do Senhor), porque era quando os cristãosDies Dominicus</p><p>celebravam a ressurreição de Jesus. Mas, no alvorecer do cristianismo, era considerado o primeiro</p><p>dia da semana e não o sétimo: o dia bíblico de descanso continuava sendo o sábado, como era para os</p><p>judeus. De acordo com o Novo Testamento, os apóstolos se reuniram aos domingos para o partir do</p><p>pão, mas isso não significa que o sábado (que em hebraico significa simplesmente “descanso”) tinha</p><p>perdido seu lugar como um dia de descanso obrigatório. Além disso, na Roma antiga chamavam o</p><p>domingo de dies solis (dia do Sol: daí o inglês Sunday ou o alemão Sonntag), porque foi dedicado à</p><p>divindade pagã chamada Sol Invictus, muito importante no culto imperial. E foi justamente um</p><p>imperador romano, Constantino, o Grande, que fundiu as duas tradições em uma. Assim, o mesmo</p><p>César que legalizou a religião cristã pelo Edito de Milão, em 313 – que mais tarde fundaria</p><p>- -9</p><p>César que legalizou a religião cristã pelo Edito de Milão, em 313 – que mais tarde fundaria</p><p>Constantinopla como capital romana do Oriente e seria santificado – decretou em 7 de março de 321</p><p>que o antes chamado dies Solis seria observado como feriado civil obrigatório. No entanto, a</p><p>confirmação “oficial” dessa mudança pela Igreja Católica levaria mais de mil anos. Foi no Concílio de</p><p>Trento, realizado no século 16: “A Igreja de Deus achou conveniente que a celebração religiosa do</p><p>sábado deva ser transferida para o dia do Senhor: o domingo.” Como resultado, em quase todos os</p><p>países de tradição cristã foram proibidos aos domingos o artesanato, o comércio e a dança. Exceções</p><p>foram feitas em situações de emergência ou para certos sindicatos. Finalmente, após a Revolução</p><p>Francesa (1789), o descanso dominical foi assimilado como um direito trabalhista e é admitido</p><p>praticamente em todas as legislações.</p><p>A mudança do sábado para o domingo foi uma das consequências indiretas impostas para que, finalmente, a</p><p>perseguição acabasse. Os fundamentos imutáveis do Cristianismo não podem ser intercambiáveis diante de uma</p><p>proposta tentadora, seja ela qual for. Devemos aprender com a História e viver de acordo com a fé e o sentido</p><p>explícito na Bíblia.</p><p>Fechamento</p><p>Vimos aqui sobre o imperador romano Constantino, um dos personagens mais icônicos da história do</p><p>Cristianismo. Por meio de sua biografia pudemos entender melhor sobre o contexto em que ele se inseria e,</p><p>então, pudemos perceber como a secularização pode ser um problema para o Cristianismo. Logo, é fundamental</p><p>que mantenhamos a fé e que estejamos atentos à essa questão enquanto cristãos.</p><p>Referências</p><p>WAISIUK, N. Quem mudou o descanso do sábado para o domingo? , 13 mar. 2017. Disponível em: Criacionismo</p><p>http://www.criacionismo.com.br/2017/03/quem-mudou-o-descanso-do-sabado-para-o.html. Acesso em: 10</p><p>maio 2019.</p><p>WALKER, W. . São Paulo: ASTE, 2006.História da Igreja Cristã</p><p>http://www.criacionismo.com.br/2017/03/quem-mudou-o-descanso-do-sabado-para-o.html</p><p>http://www.criacionismo.com.br/2017/03/quem-mudou-o-descanso-do-sabado-para-o.html</p><p>- -1</p><p>Idade Média e Modernidade</p><p>Fábio Augusto Darius</p><p>Introdução</p><p>Nesta Unidade, refletiremos sobre os fundamentos do Cristianismo aplicados a excertos da história da igreja,</p><p>afinal, se os fundamentos cristãos foram efetivamente estabelecidos com Cristo, então, necessariamente, eles</p><p>devem sobreviver ao longo de toda a História.</p><p>Com Constantino, a Igreja passou a ser de perseguida à perseguidora. Muitos cristãos afrouxaram seus princípios</p><p>e passaram a viver conforme a vida secular do Império. Essa mudança tornou o Cristianismo muito maior</p><p>numericamente, mas menor em termos de espiritualidade. Embora as bênçãos materiais devam ser aproveitadas</p><p>e agradecidas, elas não devem tomar o lugar do próprio Deus ou se tornarem a primeira preocupação da vida.</p><p>O Cristianismo se mantém, apesar da mudança</p><p>de paradigma</p><p>Sob os escombros do Império Romano, a Igreja Católica Apostólica Romana não apenas se manteve, mas também</p><p>cresceu e se desenvolveu. De acordo com Juberto Santos ([201-]):</p><p>Em meio à desorganização administrativa, econômica e social produzida pelas invasões ou</p><p>migrações germânicas e ao esfacelamento do Império Romano, praticamente apenas a Igreja</p><p>Católica, com sede em Roma, conseguiu manter-se como instituição. Vemos os Vândalos na África, os</p><p>Visigodos na Hispania, os Francos na Gália, os Anglos e Saxões nas Ilhas Britânicas, os bárbaros na</p><p>Itália. Consolidando sua estrutura religiosa, a Igreja foi difundindo o cristianismo entre os povos</p><p>bárbaros, enquanto preservava muitos elementos da cultura greco-romana. Valendo-se de sua</p><p>crescente influência religiosa, a Igreja passou a exercer importante papel em diversos setores da vida</p><p>medieval, servindo como instrumento de unificação, diante da fragmentação política da sociedade</p><p>feudal. O termo católico (adjetivo grego que significa “Universal”) é usado a partir do Concílio de</p><p>Trento (1545 - 1563) para designar a Igreja Romana em oposição às Igrejas da Reforma. Antes, o</p><p>termo utilizado era Cristandade.</p><p>- -2</p><p>A Idade Média era teocêntrica, ou seja, priorizava Deus e a Igreja. Assim, toda a vida era basicamente regida,</p><p>direta ou indiretamente, pela autoridade eclesiástica. Ainda no final da Antiguidade, abrindo o período medieval,</p><p>surge a figura marcante de Agostinho, que depois seria aclamado bispo e ainda tido como santo, em vida.</p><p>Santo Agostinho, convertido tardiamente, logo abraçou de bom grado o Cristianismo, embora sob a total</p><p>influência platônica. Sua filosofia até hoje viceja no escopo teológico. Agostinho tornou-se, assim, um dos</p><p>grandes teólogos da Idade Média.</p><p>Figura 1 - Infantaria na Idade Média</p><p>Fonte: matimix, Shutterstock, 2019.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>A Idade Média foi um período de aproximadamente 1000 anos e durou do século V ao XV. Hoje,</p><p>graças a filmes e séries, a Idade Média está na moda.</p><p>- -3</p><p>A vida cotidiana era, basicamente, sazonal. Muitos séculos antes da eletricidade, as pessoas acordavam quando o</p><p>Sol nascia e iam dormir com o pôr do Sol. A rotina diária começava e terminava com uma oração e quando o</p><p>serviço cessava, praticamente todos se encontravam na igreja todos os dias. Muitos eram os feriados e todos</p><p>eram eclesiásticos. Assim, pouco a pouco, a Igreja foi moldando o cotidiano medieval.</p><p>Contudo, onde estava a Bíblia, a Palavra de Deus e fundamento do Cristianismo? Literalmente, amarrada nas</p><p>mesas de alguns monastérios, escondida do povo que, em grande maioria, sequer sabia ler e escrever. Essas</p><p>pessoas eram levadas a acreditar cegamente em todos os ensinos que eram ditos. Vivia-se com medo da morte e,</p><p>de fato, se vivia em média quarenta anos. As grandes alegrias e tristezas da vida eram compartilhadas. Na</p><p>verdade, praticamente a cada ano a família vivia um nascimento ou um luto. O povo era simples, ligado à terra e</p><p>à tradições.</p><p>O que este simples e incompleto relato pode, afinal, ensinar a um estudante de Fundamentos do Cristianismo a</p><p>partir da História? Para começar, a carta de Paulo aos cidadãos de Roma, no Novo Testamento, em seus</p><p>primeiros dois capítulos, diz que muitos gentios, não conhecendo a lei de Deus, viviam a lei em seus próprios</p><p>corações, enquanto muitos judeus e, portanto, circuncidados, viviam com seus corações incircuncisos.</p><p>Nesse caso, os gentios e pagãos com a experiência e conhecimento que tinham, vivam mais em conformidade</p><p>com Deus do que muitos dos judeus. Isso encerra uma grande lição para nós: os medievais, que praticamente não</p><p>sabiam ler ou escrever, que seguiam quase que cegamente os ditames da Igreja e viviam uma vida curta e</p><p>simples, se sinceros foram em suas crenças, ainda que erradas e/ou incompletas, serão salvos no último dia.</p><p>Não importa se hoje muitos livros sejam postos à disposição ou muitos programas e recursos sejam destinados</p><p>para a pregação do Evangelho, se não forem pessoal e individualmente aproveitados e refletidos por todo aquele</p><p>que almeja ter um real encontro com Cristo. O Céu será um lugar de muitas e incontáveis surpresas e talvez lá</p><p>estejam alguns perfis que, certamente, não são muito compatíveis com as premissas do céu, à primeira vista.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Jacque Le Goff, um dois maiores medievalistas de todos os tempos, escreveu dezenas de obras</p><p>temáticas. Busque compreender melhor este importante período a partir do estudo de</p><p>algumas obras de Le Goff.</p><p>- -4</p><p>Figura 2 - Antigo livro medieval</p><p>Fonte: Sibrikov Valery, Shutterstock, 2019.</p><p>A cosmovisão medieval não favorecia a compreensão mais profunda da Bíblia, mas aqueles que em espírito e em</p><p>verdade buscam a Deus, em qualquer época, não são de modo algum frustrados. Isso é atemporal.</p><p>O mundo sem agendas e relógios, certamente, devia ter suas muitas vantagens. Dormia-se mais, embora não</p><p>necessariamente melhor.</p><p>EXEMPLO</p><p>Haja vista que na Idade Média as pessoas viviam em função da terra, podiam ver e perceber de</p><p>forma detalhada o funcionamento da natureza. A natureza, em verdade, é um livro sagrado,</p><p>uma revelação geral, assim como a Bíblia Sagrada é uma revelação especial para aqueles que a</p><p>acessam. Portanto, a sociedade medieval, apesar da simplicidade característica, era composta</p><p>por pessoas sábias e conhecedoras de Cristo conforme lhes fosse permitido.</p><p>- -5</p><p>Figura 3 - Francis Bacon, filósofo moderno</p><p>Fonte: Everett Historical, Shutterstock, 2019.</p><p>O Renascimento, período do final da Idade Média, que antecedeu a Modernidade, foi um período de</p><p>descobrimento ou redescobrimento do ser humano a partir de premissas greco-romanas clássicas. Na verdade,</p><p>não é difícil perceber autores que percebem no Renascimento a antítese do Medievo, e não apenas pelo</p><p>ressurgimento de esculturas e a cultura grega em geral. Enquanto a tônica da Idade Média foi a religião e a</p><p>espiritualidade tal como eles a conheciam, o mundanismo deu o tom aos renascentistas, de um modo geral.</p><p>- -6</p><p>Em virtude do reestabelecimento do ser humano como centro do universo, tal como a parábola do filho pródigo,</p><p>o homem deixa a casa do Pai, ou a Igreja, e passa a viver de forma dissoluta.</p><p>Empoderado, o homem se esquece de seu criador. Perdidos os fundamentos do Cristianismo, de modo geral,</p><p>perde o ser humano a sua essência. Desprovido de essência, se dá vazão a toda a sorte de teorias esdrúxulas que</p><p>inferiorizam o nome de Deus. Assim, na Modernidade, o ser humano passa pela técnica e tecnologia a dominar a</p><p>natureza e o mundo de forma geral, perdendo e vivendo supostamente feliz, coroado e autoproclamado deus de</p><p>si mesmo.</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>O teocentrismo foi, aos poucos, abandonado e o antropocentrismo, ou seja, o homem no centro</p><p>do universo, passou a ser referenciado. Com isso, perdeu-se muito a reverência e a</p><p>espiritualidade pré-moderna.</p><p>- -7</p><p>Figura 4 - Antigo selo moscovita em homenagem a Gutenberg</p><p>Fonte: Vitaly Raduntsev, Shutterstock, 2019.</p><p>Um dos maiores filósofos da Modernidade, Francis Bacon, diria que o mundo não foi alterado por igrejas ou</p><p>orações, mas pela bússola, pólvora e imprensa, basicamente invenções ou variações da Modernidade. O mundo</p><p>sem Deus vai perdendo seu encanto. Deus necessitava de reformadores. Com o advento da Reforma Protestante</p><p>e a Bíblia diante do povo, a situação parecia melhorar e de fato isso ocorreu.</p><p>De acordo com Rainer Gonçalves ([201-]):</p><p>Os movimentos religiosos que culminaram na grande reforma religiosa do século XVI tiveram início</p><p>desde a Idade Média, através dos teólogos John Wycliffe e Jan Huss. Esses movimentos foram</p><p>reprimidos, mas, na Inglaterra e na Boêmia (hoje República Tcheca), os ideais reformistas</p><p>- -8</p><p>reprimidos, mas, na Inglaterra e na Boêmia (hoje República Tcheca), os ideais reformistas</p><p>perseveraram em circunstâncias ocultas às tendências que fizeram romper a revolta religiosa na</p><p>Alemanha. No começo do século XVI, a Igreja passava por um período delicado. A venda de cargos</p><p>eclesiásticos e de indulgências e o enfraquecimento das influências papais pelo prestígio crescente</p><p>dos soberanos europeus, que muitas vezes influenciavam diretamente nas decisões da Igreja,</p><p>proporcionaram um ambiente oportuno a um movimento reformista. No final da Idade Média surgiu</p><p>um forte espírito nacionalista que se desenvolveu em vários países onde a figura da Igreja, ou seja,</p><p>do Papa, já estava em descrédito. Esse espírito nacionalista foi estrategicamente explorado pelos</p><p>príncipes e monarcas, empenhados em aumentar os poderes monárquicos, colocando a Igreja em</p><p>situação de subordinação. Nesse período, os olhos se voltaram para o grande patrimônio da Igreja,</p><p>que despertou a ambição de monarcas e nobres ávidos em anexar às suas terras as grandes e ricas</p><p>propriedades da Igreja, que perfaziam um terço do território da Alemanha e um quinto do território</p><p>da França. Sem contar na isenção de impostos sobre esse território eclesiástico, que aumentava o</p><p>interesse dos mais abastados. Observa-se nessa fase o surgimento de uma nova classe social, que na</p><p>Itália era formada por banqueiros e comerciantes poderosos. Mas essa classe social não era tão</p><p>religiosa quanto à da Alemanha, para a qual a religião tinha um significado muito mais pungente.</p><p>O espírito crítico do Humanismo e o aperfeiçoamento da imprensa, por Gutenberg, contribuíram</p><p>para a difusão das obras escritas, entre elas a Bíblia. Ao traduzir a Bíblia para outras línguas,</p><p>vislumbrou-se a possibilidade de cristãos e não cristãos interpretá-la sem mediação, recebendo</p><p>conhecimento imediato sobre o cristianismo e suas verdadeiras práticas.</p><p>O espírito crítico e o espírito nacionalista são evocados, mas e o espírito de Deus, onde estava? Se por um lado a</p><p>Reforma deu ao mundo uma nova perspectiva ao recuperar a salvação pela graça mediante a fé, por outro, o</p><p>mundo moderno e seu relógio mecânico entrou em outra dinâmica, muito mais secularizada e, portanto,</p><p>perigosa.</p><p>Fechamento</p><p>É necessário que vivamos em equilíbrio face aos perigos e encantos do mundo. O fundamento do Cristianismo é</p><p>Cristo e só Cristo. Essa percepção não pode mudar mesmo diante da mudança do mundo. Que Deus nos abençoe</p><p>na busca pela Verdade, mesmo em meio às lutas e às tentações.</p><p>Referências</p><p>GONÇALVES, R. A reforma religiosa. , [201-]. Disponível em: História do mundo https://www.historiadomundo.</p><p>com.br/idade-moderna/a-reforma-religiosa.htm. Acesso em: 10 maio 2019.</p><p>SANTOS, J. A Igreja na Idade Média. , [201-]. Disponível em: Catequisar http://www.catequisar.com.br/texto</p><p>/colunas/juberto/02.htm. Acesso em: 10 maio 2019.</p><p>https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/a-reforma-religiosa.htm</p><p>https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/a-reforma-religiosa.htm</p><p>https://www.historiadomundo.com.br/idade-moderna/a-reforma-religiosa.htm</p><p>http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/02.htm</p><p>http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/02.htm</p><p>http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/02.htm</p><p>- -1</p><p>Religiosidade contemporânea</p><p>Fábio Augusto Darius</p><p>Introdução</p><p>Caro estudante, o século XXI tem se mostrado, desde seu início, profundamente religioso. Aparentemente,</p><p>percebemos aqui e ali uma espécie de exaustão dos modelos implantados, que mercantilizam os seres humanos</p><p>tornando-os meros consumidores irreflexivos de toda a sorte de produtos que os impelem a uma grave e</p><p>profunda crise de sentido. Assim, há uma necessidade urgente de uma volta aos ideias bíblico-cristãos que</p><p>ofereçam à Humanidade a premissa de segurança existencial antes não questionada. Contudo, em um mundo</p><p>onde simplesmente não há espaço para a fruição das pequenas coisas da vida e com o tempo cada vez mais</p><p>insuficiente, como buscar a plenitude e o transcendente?</p><p>Perspectiva atual</p><p>Em um trecho anterior de nosso , ao citar Nietzsche, dissemos que aquele que não possui ao menos oitoe-book</p><p>horas disponíveis por dia para fazer o que deseja é escravo, ainda que não se veja assim. Refazemos a pergunta</p><p>aqui: agora que você encontrou tempo para refletir acerca dessas nossas discussões, meio a grandes</p><p>dificuldades, a partir da perspectiva nietzschiana, você se considera um homem ou uma mulher livre? Muito</p><p>provavelmente, a resposta será um grande e decidido não. Nesse caso, é certo que você tenha sido enganado,</p><p>como nossa geração inteira.</p><p>Foi implicitamente prometido, no Ocidente, que as ciências e as tecnologias tornariam o ser humano autônomo,</p><p>senhores de seus destinos e do próprio tempo. Nos foi prometido que as máquinas fariam o trabalho braçal e que</p><p>haveria tempo disponível para a dedicação integral aos prazeres mais simples e significativos. Contudo,</p><p>perguntamos: onde está o tempo livre que você supostamente teria em virtude da aquisição da sua máquina de</p><p>lavar roupa ou da sua secadora de louças? Você realmente consegue descansar trinta ou quarenta minutos</p><p>depois do almoço porque uma máquina lava a sua louça?</p><p>- -2</p><p>Figura 1 -</p><p>Fonte: lassedesignenShutterstock, 2019.</p><p>Certamente, nesse preciso minuto, enquanto você lê esse texto, há outras abas abertas em seu navegador e você</p><p>já olhou várias vezes para a tela de seu telefone celular em busca de uma mensagem esperada ou não. Quantas</p><p>vezes você já ouviu o seu telefone tocar mesmo quando ele estava desligado? Quantas vezes você já o sentiu</p><p>vibrando no bolso de sua calça, mas ele sequer estava com você?</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>Enquanto alguns filósofos iluministas acusavam Deus e a Igreja de todos os males, criou-se, ao</p><p>longo dos séculos, máquinas, e recursos que tomaram aos poucos o lugar outroragadgets</p><p>ocupado por Deus na vida cotidiana. A suposta liberdade laboriosamente almejada pelos</p><p>revolucionários franceses e obtida ao custo de milhões de mortes, mostrou-se falaciosa quando</p><p>percebida de forma desequilibrada.</p><p>- -3</p><p>Pergunte-se: qual é o seu primeiro ato quando acorda cedinho pela manhã e qual é a última coisa que você faz</p><p>antes de se deitar, geralmente, já tarde da noite? Por ventura, seria ler a Bíblia, fazer uma oração ou buscar a seu</p><p>modo um momento de reflexão? Ou, infelizmente, busca na fria tela de seu dispositivo alguma notícia trágica ou</p><p>piada de algum grupo de rede social?</p><p>Por conta de pequenas atitudes é que se perde o sentido da existência. Perdendo o sentido da existência, a</p><p>religião é posta em xeque e há uma mudança de equilíbrio que quase sempre gera desconforto e nos leva a uma</p><p>perspectiva de vida muito pior do que anteriormente vivenciada face às rápidas modificações do mundo.</p><p>Visto que estamos finalizando esta Unidade e o livro todo, perguntamos mais uma vez: quantas vezes você já fez</p><p>menção de diminuir o uso ou deletar suas interações nas redes sociais e frustrou-se ao perceber que não</p><p>conseguiu? Quantas vezes você tentou, sem sucesso, muitas vezes por conta do excesso de tecnologia,</p><p>reequilibrar sua vida dita espiritual e hoje se sente indisposto consigo mesmo diante das tentativas frustradas</p><p>nesse sentido? Certamente, você não está sozinho e precisa ressignificar sua vida à luz da Palavra de Deus.</p><p>Hoje, muitas pessoas estão buscando algo assim. Note que não falamos, no parágrafo acima, de religião, Bíblia ou</p><p>Igreja. Simplesmente sugerimos um repouso de tudo aquilo que se vivencia ao longo dos dias.</p><p>A religiosidade contemporânea tem crescido exponencialmente no mundo face à percepção de impossibilidade</p><p>de vencer toda a agenda que o sistema impõe. Contudo, por religiosidade contemporânea não falo do</p><p>renascimento do Cristianismo tradicional, tal como se conhece há séculos. Falo de uma nova perspectiva de</p><p>valoração do homem, da mulher e dos animais inseridos em determinados contextos e culturas.</p><p>EXEMPLO</p><p>Propomos aqui um exercício prático: uma hora antes de dormir, desligue seu telefone, , tablet</p><p>e outros . Experimente se alimentar, antes de dormir, com algo leve enotebook gadgets</p><p>saudável; tome um banho morno e deite-se em sua cama em trajes limpos e confortáveis. Tome</p><p>esse tempo apenas para si. Muito provavelmente, nos primeiros dias, você sentirá um enorme</p><p>desconforto por estar longe de seus apetrechos. Contudo, será um grande presente que você</p><p>dará a si mesmo. As pressões internas serão aliviadas e a tendência é que o seu sono melhore,</p><p>bem como o seu humor.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para se aprofundar sobre o tema, indicamos a leitura do livro , doOs tempos hipermodernos</p><p>autor Gilles Lipovetsky. Editora Barcarola. Ano: 2004.</p><p>- -4</p><p>O Cristianismo tradicional tem e sempre terá seu espaço, mas outras formas de cristianismos surgem</p><p>efetivamente, bem como novas formas de expressões religiosas que se afastam da perspectiva que se conhece.</p><p>“Igreja sim, Cristo não”, diriam alguns. “Deus mora em meu coração e não preciso de doutrina”, diriam outros.</p><p>Figura 2 - Qual tem sido seu esforço em busca da liberdade?</p><p>Fonte: Jacob_09, Shutterstock, 2019.</p><p>O relativismo e o secularismo mostram aqui suas garras. Cada qual, genericamente falando, postula sua própria</p><p>verdade e em uma época onde a pós-verdade se coloca como tendência e a materialidade da verdade cristã é</p><p>vista como por ser justamente isso: material em um mundo líquido.démodé</p><p>Ellen White (2005, p. 61), no século XIX, fez algumas considerações absolutamente úteis e necessárias aos nossos</p><p>dias para que se propicie uma mudança de direção em busca de um equilíbrio de vida:</p><p>FIQUE ATENTO</p><p>O mundo atual é infundado porque construído sob fundações toscas, de areia. É urgente a</p><p>necessidade de reencantar o mundo com a fragrância e a simplicidade dos fundamentos</p><p>cristãos vistos de forma breve e significativa.</p><p>- -5</p><p>dias para que se propicie uma mudança de direção em busca de um equilíbrio de vida:</p><p>Alguns sacrificam obrigações físicas e morais, tentando encontrar felicidade, e perdem tanto a alma</p><p>como o corpo. Outros buscarão a felicidade na condescendência com um apetite não natural, e</p><p>consideram a satisfação com o paladar mais desejável do que a saúde e a vida. Muitos se deixam</p><p>encadear pelas paixões sensuais, e sacrificarão o vigor físico, o intelecto e as energias morais à</p><p>satisfação da concupiscência. Cavarão para si mesmos, prematuramente, a sepultura e, no juízo,</p><p>serão acusados de suicídio.</p><p>O que propomos é que a mudança de vida tão desejada e ansiada seja através de Cristo, por meio da Bíblia e da</p><p>oração. Entendemos que, talvez, nem todos os leitores conheçam ou desejem maior e melhor conhecimento da</p><p>Bíblia, que alguns sejam adeptos, inclusive, de outras religiões e sejam felizes assim. Nosso intuito aqui não é</p><p>fazer qualquer tipo de pressão, senão indicar o caminho pessoal e particularmente para que se sinta e se perceba</p><p>o mundo com cores mais vivas. Apresentamos Cristo, que um dia nos tirou de um poço sem fundo e de uma</p><p>escuridão densa e vazia e nos levou à plenitude de vida. Os fundamentos do Cristianismo foram os elementos</p><p>que nos modificaram e nos moldaram. Isso acontece com milhões de pessoas ao redor do mundo e isso significa</p><p>muito.</p>http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/02.htm http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/02.htm http://www.catequisar.com.br/texto/colunas/juberto/02.htm - -1 Religiosidade contemporânea Fábio Augusto Darius Introdução Caro estudante, o século XXI tem se mostrado, desde seu início, profundamente religioso. Aparentemente, percebemos aqui e ali uma espécie de exaustão dos modelos implantados, que mercantilizam os seres humanos tornando-os meros consumidores irreflexivos de toda a sorte de produtos que os impelem a uma grave e profunda crise de sentido. Assim, há uma necessidade urgente de uma volta aos ideias bíblico-cristãos que ofereçam à Humanidade a premissa de segurança existencial antes não questionada. Contudo, em um mundo onde simplesmente não há espaço para a fruição das pequenas coisas da vida e com o tempo cada vez mais insuficiente, como buscar a plenitude e o transcendente? Perspectiva atual Em um trecho anterior de nosso , ao citar Nietzsche, dissemos que aquele que não possui ao menos oitoe-book horas disponíveis por dia para fazer o que deseja é escravo, ainda que não se veja assim. Refazemos a pergunta aqui: agora que você encontrou tempo para refletir acerca dessas nossas discussões, meio a grandes dificuldades, a partir da perspectiva nietzschiana, você se considera um homem ou uma mulher livre? Muito provavelmente, a resposta será um grande e decidido não. Nesse caso, é certo que você tenha sido enganado, como nossa geração inteira. Foi implicitamente prometido, no Ocidente, que as ciências e as tecnologias tornariam o ser humano autônomo, senhores de seus destinos e do próprio tempo. Nos foi prometido que as máquinas fariam o trabalho braçal e que haveria tempo disponível para a dedicação integral aos prazeres mais simples e significativos. Contudo, perguntamos: onde está o tempo livre que você supostamente teria em virtude da aquisição da sua máquina de lavar roupa ou da sua secadora de louças? Você realmente consegue descansar trinta ou quarenta minutos depois do almoço porque uma máquina lava a sua louça? - -2 Figura 1 - Fonte: lassedesignenShutterstock, 2019. Certamente, nesse preciso minuto, enquanto você lê esse texto, há outras abas abertas em seu navegador e você já olhou várias vezes para a tela de seu telefone celular em busca de uma mensagem esperada ou não. Quantas vezes você já ouviu o seu telefone tocar mesmo quando ele estava desligado? Quantas vezes você já o sentiu vibrando no bolso de sua calça, mas ele sequer estava com você? FIQUE ATENTO Enquanto alguns filósofos iluministas acusavam Deus e a Igreja de todos os males, criou-se, ao longo dos séculos, máquinas, e recursos que tomaram aos poucos o lugar outroragadgets ocupado por Deus na vida cotidiana. A suposta liberdade laboriosamente almejada pelos revolucionários franceses e obtida ao custo de milhões de mortes, mostrou-se falaciosa quando percebida de forma desequilibrada. - -3 Pergunte-se: qual é o seu primeiro ato quando acorda cedinho pela manhã e qual é a última coisa que você faz antes de se deitar, geralmente, já tarde da noite? Por ventura, seria ler a Bíblia, fazer uma oração ou buscar a seu modo um momento de reflexão? Ou, infelizmente, busca na fria tela de seu dispositivo alguma notícia trágica ou piada de algum grupo de rede social? Por conta de pequenas atitudes é que se perde o sentido da existência. Perdendo o sentido da existência, a religião é posta em xeque e há uma mudança de equilíbrio que quase sempre gera desconforto e nos leva a uma perspectiva de vida muito pior do que anteriormente vivenciada face às rápidas modificações do mundo. Visto que estamos finalizando esta Unidade e o livro todo, perguntamos mais uma vez: quantas vezes você já fez menção de diminuir o uso ou deletar suas interações nas redes sociais e frustrou-se ao perceber que não conseguiu? Quantas vezes você tentou, sem sucesso, muitas vezes por conta do excesso de tecnologia, reequilibrar sua vida dita espiritual e hoje se sente indisposto consigo mesmo diante das tentativas frustradas nesse sentido? Certamente, você não está sozinho e precisa ressignificar sua vida à luz da Palavra de Deus. Hoje, muitas pessoas estão buscando algo assim. Note que não falamos, no parágrafo acima, de religião, Bíblia ou Igreja. Simplesmente sugerimos um repouso de tudo aquilo que se vivencia ao longo dos dias. A religiosidade contemporânea tem crescido exponencialmente no mundo face à percepção de impossibilidade de vencer toda a agenda que o sistema impõe. Contudo, por religiosidade contemporânea não falo do renascimento do Cristianismo tradicional, tal como se conhece há séculos. Falo de uma nova perspectiva de valoração do homem, da mulher e dos animais inseridos em determinados contextos e culturas. EXEMPLO Propomos aqui um exercício prático: uma hora antes de dormir, desligue seu telefone, , tablet e outros . Experimente se alimentar, antes de dormir, com algo leve enotebook gadgets saudável; tome um banho morno e deite-se em sua cama em trajes limpos e confortáveis. Tome esse tempo apenas para si. Muito provavelmente, nos primeiros dias, você sentirá um enorme desconforto por estar longe de seus apetrechos. Contudo, será um grande presente que você dará a si mesmo. As pressões internas serão aliviadas e a tendência é que o seu sono melhore, bem como o seu humor. SAIBA MAIS Para se aprofundar sobre o tema, indicamos a leitura do livro , doOs tempos hipermodernos autor Gilles Lipovetsky. Editora Barcarola. Ano: 2004. - -4 O Cristianismo tradicional tem e sempre terá seu espaço, mas outras formas de cristianismos surgem efetivamente, bem como novas formas de expressões religiosas que se afastam da perspectiva que se conhece. “Igreja sim, Cristo não”, diriam alguns. “Deus mora em meu coração e não preciso de doutrina”, diriam outros. Figura 2 - Qual tem sido seu esforço em busca da liberdade? Fonte: Jacob_09, Shutterstock, 2019. O relativismo e o secularismo mostram aqui suas garras. Cada qual, genericamente falando, postula sua própria verdade e em uma época onde a pós-verdade se coloca como tendência e a materialidade da verdade cristã é vista como por ser justamente isso: material em um mundo líquido.démodé Ellen White (2005, p. 61), no século XIX, fez algumas considerações absolutamente úteis e necessárias aos nossos dias para que se propicie uma mudança de direção em busca de um equilíbrio de vida: FIQUE ATENTO O mundo atual é infundado porque construído sob fundações toscas, de areia. É urgente a necessidade de reencantar o mundo com a fragrância e a simplicidade dos fundamentos cristãos vistos de forma breve e significativa. - -5 dias para que se propicie uma mudança de direção em busca de um equilíbrio de vida: Alguns sacrificam obrigações físicas e morais, tentando encontrar felicidade, e perdem tanto a alma como o corpo. Outros buscarão a felicidade na condescendência com um apetite não natural, e consideram a satisfação com o paladar mais desejável do que a saúde e a vida. Muitos se deixam encadear pelas paixões sensuais, e sacrificarão o vigor físico, o intelecto e as energias morais à satisfação da concupiscência. Cavarão para si mesmos, prematuramente, a sepultura e, no juízo, serão acusados de suicídio. O que propomos é que a mudança de vida tão desejada e ansiada seja através de Cristo, por meio da Bíblia e da oração. Entendemos que, talvez, nem todos os leitores conheçam ou desejem maior e melhor conhecimento da Bíblia, que alguns sejam adeptos, inclusive, de outras religiões e sejam felizes assim. Nosso intuito aqui não é fazer qualquer tipo de pressão, senão indicar o caminho pessoal e particularmente para que se sinta e se perceba o mundo com cores mais vivas. Apresentamos Cristo, que um dia nos tirou de um poço sem fundo e de uma escuridão densa e vazia e nos levou à plenitude de vida. Os fundamentos do Cristianismo foram os elementos que nos modificaram e nos moldaram. Isso acontece com milhões de pessoas ao redor do mundo e isso significa muito.Figura 3 - Seus fundamentos têm sido construídos em rocha firme ou areia? Fonte: Andrey Popov, Shutterstock, 2019. Quando o Cristianismo é equilibradamente infundido em cada coração, a Teologia e a doutrina ganham novo significado e quando o caminho inverso é feito, ou seja, a Teologia e a doutrina se aliam para um melhor conhecimento de Deus, o resultado é indescritível. - -6 Os grandes movimentos religiosos do século XX, como a teologia negra, a teologia feminista e tantos outros que procuram dar sentido e significado a alguns grupos, talvez seriam desnecessários se os fundamentos do Cristianismo fossem, desde sempre, levados com a máxima seriedade e equilíbrio possível a partir de um processo de respeito mútuo, de entendimento maior e mais profundo de si e do próximo, respeitando e compreendendo seus próprios limites e os limites do outro, bem como os limites de toda a criação. Figura 4 - Você é um autônomo ou um autômato, afinal? Fonte: Nantz, Shutterstock, 2019. A ideia aqui é que se reflita profundamente sobre todas as premissas que foram apresentadas. A ideia também é que todas essas palavras sejam incentivadoras para as reflexões propostas para as atividades que virão. O intuito é sempre o mesmo: fazer com que cada leitor e leitora dessas páginas pergunte a si mesmo o que deve fazer para se tornar um cidadão mais íntegro e preocupado com as questões inerentes ao seu próprio mundo. Esse exercício reflexivo, certamente, fomenta uma mudança significativa de vida e os fundamentos do Cristianismo - -7 exercício reflexivo, certamente, fomenta uma mudança significativa de vida e os fundamentos do Cristianismo podem e devem ser os fundamentos primordiais para toda essa grande perspectiva. Fechamento Assim sendo, nosso desejo é que todos os seus esforços reflexivos para essa disciplina sejam convertidos em prol de algo genuinamente bom e que sirva para seu reencontro consigo e com Deus. Torne-se consciente, portanto, de suas dificuldades e entregue a Cristo seus desafios e dissabores. Você será profundamente transformado por toda essa série de esforços, que congregados frutificarão enormes resultados. Agradecemos por todo o tempo e atenção que cada um dispendeu. Que cada metro dessa milha a mais, tão vigorosamente trilhada por todos vocês, possa se converter em muitas satisfações e alegrias sem par. Referências WHITE, E. . Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2005.Filhos e filhas de Deus Apresentação da unidade 2 - o Cristianismo através dos séculos Topico 1 - Sobre a necessidade da História como chancela para a vida Introdução Importância da História Hegel Cronos, na mitologia grega, devorando seus filhos Nietzsche Santo Agostinho Fechamento Referências Topico 2 - O Cristianismo nos primeiros séculos_ a comunidade proto-cristã e sua mensagem vivida Introdução A comunidade proto-cristã e sua mensagem vivida Igreja cristã primitiva na Irlanda Antiga igreja romana do século XI próxima à Sardenha Pedro pregando, por Masolino, famoso afresco do início do Renascimento numa capela em Florença Antiga estátua de Jesus Cristo Fechamento Referências Topico 3 - A mensagem bíblica ao longo da História Introdução Mensagem da Bíblia Platão A visão platônica da morte é muito diferente da visão cristã Deus está próximo e espera por sua oração Faça bom uso de sua Bíblia. Deus fala através dela. Fechamento Referências Topico 4 - Constantino e a secularização do mundo cristão Introdução O que podemos aprender diante dos fundamentos imutáveis do Cristianismo? Constantino O Arco de Constantino Busto em mármore de Constantino O secularismo, na época de Constantino e até hoje, representa um grande perigo para a Igreja Fechamento Referências Topico 5 - Idade Média e Modernidade Introdução O Cristianismo se mantém, apesar da mudança de paradigma Infantaria na Idade Média Antigo livro medieval Francis Bacon, filósofo moderno Antigo selo moscovita em homenagem a Gutenberg Fechamento Referências Topico 6 - Religiosidade contemporânea Introdução Perspectiva atual Qual tem sido seu esforço em busca da liberdade? Seus fundamentos têm sido construídos em rocha firme ou areia? Você é um autônomo ou um autômato, afinal? Fechamento Referências