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<p>A Linguística Cognitiva</p><p>Pressupostos gerais que definem o conjunto de trabalhos e perspectivas sob o termo Linguística</p><p>Cognitiva. Discussão dos aspectos cognitivos de domínio geral e seu impacto na formação da gramática.</p><p>Prof. Roberto de Freitas Junior</p><p>1. Itens iniciais</p><p>Propósito</p><p>Compreender as diferentes contribuições teórico-metodológicas da Linguística Cognitiva para ampliação dos</p><p>conhecimentos linguísticos acerca da linguagem e dos processos de produção de sentido.</p><p>Preparação</p><p>Tenha em mãos ou consulte na Internet um dicionário da área de estudos linguísticos, como oDicionário de</p><p>Termos Linguísticos, hospedado no Portal da Língua Portuguesa.</p><p>Objetivos</p><p>Identificar as linhas gerais que definem a área da Linguística Cognitiva.</p><p>Descrever a concepção cognitiva de categorização.</p><p>Reconhecer a estrutura da semântica cognitiva.</p><p>Introdução</p><p>Vamos apresentar alguns dos principais pontos de interesse e os pilares do pensamento das correntes</p><p>abarcadas pelo termo Linguística Cognitiva. O termo Linguística Cognitiva, na verdade, possui alcance amplo,</p><p>na medida em que abrange a gama de abordagens identificadas como cognitivistas.</p><p>Apesar de as linhas teóricas arroladas pelo rótulo de cognitivas serem diversas, devido a suas nuanças</p><p>particulares e diferenças, elas partem dos mesmos princípios cognitivistas. Entre tais princípios, podemos</p><p>citar a visão não modular da gramática, a importância da experiência na sua formação, o papel do corpo para</p><p>a gestalt e o desenvolvimento de nossas características perceptuais, a atuação dos processos cognitivos de</p><p>domínio geral, a tese de que a gramática é uma rede conceptual de pareamentos de forma e sentido etc.</p><p>Gestalt</p><p>De acordo com um dos pais da Psicologia Gestalt, o psicólogo Wolfgang Köhler (1887-1967), há dois</p><p>sentidos, pelo menos, para o termo alemão gestalt: “1) a forma como atributo de uma coisa ou 2) uma</p><p>unidade concreta per se que pode ter a forma como uma característica”. Na Psicologia da Gestalt, o</p><p>termo é usado no seu segundo sentido, “que se refere a uma unidade e sua respectiva organização”.</p><p>Todos esses aspectos são fundamentais para o entendimento do pensamento geral de qualquer abordagem</p><p>identificada sob o rótulo da Linguística Cognitiva e se destacam por serem antagônicos aos principais pilares</p><p>da Linguística Gerativa, o expoente da visão formalista a respeito da natureza da gramática.</p><p>Vamos, então, aos nossos estudos para compreender todos esses termos e conceitos!</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>George Lakoff, linguista e cientista cognitivo</p><p>estadunidense</p><p>1. Linhas gerais da Linguística Cognitiva</p><p>Linguística Gerativa versus Linguística Cognitiva – parte I</p><p>Discordâncias entre abordagens linguísticas distintas</p><p>A Linguística Cognitiva surge em meados da década de 1970, em oposição a abordagens mais formalistas da</p><p>linguagem. Desse modo, para compreendermos alguns dos principais pontos que definem a área de</p><p>investigação e teoria linguística denominada Linguística Cognitiva, vamos começar apresentando alguns dos</p><p>pontos que definem outra importante teoria linguística: a Linguística Gerativa.</p><p>Comentário</p><p>Nossa intenção é mostrar os contrastes entre a Linguística Gerativa (LG) e a Linguística Cognitiva (LC)</p><p>para uma melhor compreensão das propostas e dos conceitos das abordagens cognitivistas.</p><p>Na verdade, a LC foi construída como modelo teórico em boa dose se contrapondo aos princípios da LG. Isso</p><p>nos ajuda a perceber o contexto teórico no qual surge a Linguística Cognitiva e, também, a verificar os</p><p>diversos aspectos teóricos e metodológicos que fazem parte da Linguística Cognitiva. Essa diversidade de</p><p>teorias na LG se justifica, em parte, porque ela se desenvolveu a partir de alguns pressupostos básicos, que</p><p>poderiam ser resumidos da seguinte forma, segundo Salvador (2007):</p><p>A linguagem não é um módulo estanque, separado de outras faculdades cognitivas.</p><p>A estrutura gramatical de uma língua reflete diferentes processos de conceptualizacão.</p><p>O conhecimento linguístico emerge e se estrutura a partir do uso da linguagem.</p><p>Vamos, então, ao destaque de alguns pontos de discórdia e de superação que a Linguística Cognitiva possuía</p><p>em relação à Linguística Gerativa.</p><p>Superação da oposição entre sintaxe e pragmática</p><p>Primeiramente, é preciso considerar que alguns dos pensadores mais clássicos da Linguística Cognitiva, em</p><p>algum momento, fizeram parte da empreitada teórica gerativista. No entanto, ao observarem espaços ou</p><p>lacunas questionáveis na teoria gerativista, partiram para nova empreitada teórica no campo da Linguística,</p><p>buscando superar, particularmente, a separação existente entre estrutura linguística e a pragmática – ponto</p><p>tão caro à teoria gerativa.</p><p>Nomes como os de Ronald Langacker, Charles</p><p>Fillmore, George Lakoff e Gilles Fauconnier</p><p>despontam na proposta de um modelo, melhor</p><p>dizendo, um conjunto de modelos linguísticos</p><p>que não se apoiam na ideia de oposição entre</p><p>uma gramática central (core grammar), com</p><p>foco na sintaxe, e uma gramática periférica</p><p>(peripherial grammar), com foco na pragmática.</p><p>Nesse modelo gerativista, a sintaxe e a</p><p>pragmática estariam em polos distintos, e não</p><p>necessariamente integrados.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>A Linguística Gerativa foi construída desse modo: a partir da premissa de que a estrutura linguística consiste</p><p>em uma espécie de algoritmo cognitivo, específico da espécie humana, inato, a partir do qual todo e qualquer</p><p>indivíduo, em condições ideais para tal, poderia adquirir uma língua.</p><p>O modelo gerativista consiste em uma proposta inatista e mentalista, que aposta ainda na separação entre um</p><p>conhecimento linguístico e um conhecimento enciclopédico. Esse conhecimento enciclopédico seria um</p><p>conhecimento de mundo encapsulado no conceito de pragmática.</p><p>Com isso, pretendemos dizer que, na proposta da LG, a estrutura linguística possui papel</p><p>independente e mesmo apriorístico em relação à própria semântica e, principalmente, à pragmática.</p><p>A semântica é vista potencialmente como objeto formal, e a pragmática, como o espaço em que outras formas</p><p>de conhecimentos não especificamente linguísticos se encontrariam. Desse modo, na LG, há um divórcio entre</p><p>forma e sentido.</p><p>O nascimento da Linguística Cognitiva surge exatamente daí, ou seja, nasce da percepção de que o</p><p>conhecimento linguístico não pode ser visto de modo divorciado do conhecimento de mundo em geral, tão</p><p>caro para o entendimento da expressividade, dos sentidos da comunicação humana, negociados a todo o</p><p>momento em situações reais de interação verbal.</p><p>Superação da visão modular da gramática</p><p>Outro ponto que emerge, diferenciando a Linguística Gerativa da Linguística Cognitiva, é justamente a visão</p><p>modular da gramática, defendida pela teoria gerativista.</p><p>Desse ponto, emerge outra característica da Linguística Gerativa questionada pelo empreendimento</p><p>cognitivista. No gerativismo, a ideia de inatismo pautada em um órgão específico da linguagem advém de</p><p>concepções filosóficas racionalistas. Essas ideias racionalistas se afastam epistemologicamente das</p><p>propostas de natureza mais empirista, pautadas na experiência humana e no ambiente como base para o</p><p>entendimento para o advento do conhecimento de todas as coisas.</p><p>Para a Linguística Cognitiva, a noção de corporeidade está na base do entendimento da emergência da</p><p>gramática, na medida em que nossas primeiras e mais básicas experiências humanas são corporais. Essa</p><p>dimensão corporal vai impactar a ascensão de nosso conhecimento, a partir dessas mesmas experiências,</p><p>incluindo-se o linguístico, o gramatical.</p><p>O compromisso da Linguística Cognitiva com a Hipótese da</p><p>Corporificação a torna relativista, refletindo sua associação</p><p>à visão do realismo experiencialista: uma visão filosófica</p><p>que entende a razão humana como algo que desponta a</p><p>partir das experiências corpóreas, ambientais, sociais etc.</p><p>Novamente, tratamos do caráter empirista da perspectiva</p><p>cognitivista aqui apresentada.</p><p>Uma situação simples que ilustra a relação experiencialista</p><p>com o corpo, refletida na linguagem, advém dos usos de</p><p>certos advérbios que indicam tempo</p><p>e que são usados por</p><p>extensão metafórica a partir dos usos que sinalizam espacialmente.</p><p>Perspectiva da Linguística Gerativa</p><p>Nesse caso é prevista a existência de uma</p><p>faculdade cognitiva específica da linguagem,</p><p>um módulo cognitivo específico para tal. Da</p><p>mesma forma, a própria sintaxe é vista como</p><p>módulo distinto da fonologia e da semântica,</p><p>que também seriam módulos independentes.</p><p>Perspectiva da Linguística Cognitiva</p><p>Nesse caso, o fenômeno da linguagem</p><p>na espécie humana não é visto como</p><p>objeto cognitivo separado de outras</p><p>cognições, de outros princípios</p><p>cognitivos de funcionamento da mente,</p><p>que explicam nossa capacidade de</p><p>aprendizagem, de compreensão das</p><p>coisas do mundo.</p><p>Atenção</p><p>O uso de itens como ali, lá atrás, lá na frente, aqui agora, entre outros, indicam a relação de localização</p><p>no tempo, refletida na própria relação de localização física das coisas a partir do referente corpo.</p><p>Linguística Gerativa versus Linguística Cognitiva – parte II</p><p>Abertura para um caráter mais interdisciplinar</p><p>Outro ponto de destaque e diferenciador da Linguística Gerativa é seu caráter endógeno (interno, fechado ou</p><p>particular) em termos epistemológicos. Em outras palavras, o conjunto de premissas e postulados que</p><p>compõem o empreendimento teórico gerativista consiste em princípios próprios da teoria e com pouca, senão</p><p>nenhuma, interlocução com outras áreas de conhecimento humano.</p><p>Tentando fazer jus à Linguística Gerativa, talvez seja mais correto associá-la a princípios matemáticos, ligados</p><p>à visão de linguagem computacional. No entanto, nessa proposta, destaca-se a definição de um modelo</p><p>teórico fechado, e não necessariamente interdisciplinar.</p><p>Por outro lado, a Linguística Cognitiva se constrói por outros caminhos de natureza mais interdisciplinar. Sua</p><p>interlocução com a Psicologia Cognitiva e outras neurociências permite a construção de premissas pautadas</p><p>em fatos mais globais acerca do funcionamento da mente humana e, por consequência, da linguagem.</p><p>Da Gramática Universal à Gramática das Construções</p><p>A noção de Gramática Universal (GU) no gerativismo traduz-se em outra diferença marcante, pois a</p><p>Linguística Cognitiva defende o conceito de Gramática das Construções.</p><p>Gramática Universal (GU)</p><p>Teoria linguística que trata das regras ou dos princípios que geram as sentenças de uma determinada</p><p>língua e a possibilidade de as línguas apresentarem sentenças em que constituintes podem ser</p><p>deslocados ou pronunciados em lugares diferentes.</p><p>Diferentemente da visão gerativista, o que haveria de inato na espécie humana e que permitiria a emergência</p><p>de uma língua, oral ou de sinais, a ser falada ou sinalizada pelos humanos, diz respeito a faculdades cognitivas</p><p>de ordem superior, habilidades gerais da cognição humana, respondendo pela aquisição de toda forma de</p><p>conhecimento, incluindo-se o linguístico.</p><p>Algumas dessas propriedades gerais cognitivas são:</p><p>Gramática Universal</p><p>Se, por um lado, a GU se constituiria como</p><p>uma arquitetura basilar e universal da</p><p>espécie humana, a partir da qual</p><p>adquiriríamos qualquer língua...</p><p>Gramática das Construções</p><p>... por outro, a visão de Gramática das</p><p>Construções permeia o pensamento</p><p>cognitivista, contrapondo-se à noção da</p><p>GU já no que diz respeito à visão</p><p>inatista.</p><p>1</p><p>Capacidade de categorização e analogização.</p><p>2</p><p>Perfil refinado da memória humana.</p><p>3</p><p>Capacidade de associação transmodal.</p><p>Além das propriedades gerais citadas acima, ainda temos outras constantemente atuantes no funcionamento</p><p>da mente, as quais abordaremos ao longo deste conteúdo. Ademais, também podemos acrescentar</p><p>operações de conceptualização, como a metáfora, a metonímia, a capacidade de ajustes focais e a integração</p><p>conceptual. Segundo a visão cognitivista, tais operações atuam na interpretação e percepção das coisas do</p><p>mundo, atuando também na linguagem.</p><p>Para a Gramática das Construções, a unidade básica de conhecimento linguístico é a construção: um</p><p>pareamento convencionalizado de forma e sentido que, combinado com outros pareamentos de forma e</p><p>sentido ou outras construções, forma sintagmas maiores, incluindo-se sentenças.</p><p>Dessa forma, trata-se de um modelo, grosso modo, derivacional, já que explica nossa capacidade de</p><p>formação de sentenças e criatividade linguística, mas sem adotar a visão divorciada de forma e</p><p>significado que a Linguística Gerativa adota na defesa de sua teoria da linguagem.</p><p>Na Linguística Gerativa, a sintaxe é vista como operador central a partir do qual se operam regras</p><p>combinatórias desassociadas do papel de sentido de seus elementos. Já para a Linguística Cognitiva, a</p><p>gramática de construções consiste, fundamentalmente, em um modelo de gramática que emerge a partir do</p><p>uso da língua, via atuação dos princípios cognitivos de domínio geral, e que permite a categorização e</p><p>representação cognitiva de pareamentos convencionalizados, de base lexical ou gramatical, de uma forma</p><p>(fonologia, morfologia e sintaxe) com um sentido (semântica, pragmática, discurso).</p><p>A imagem, a seguir, exemplifica a noção de construção gramatical aqui apontada:</p><p>Propriedades da construção</p><p>A Gramática das Construções prevê a emergência de unidades lexicais e gramaticais da língua adquiridas ao</p><p>longo do curso de aquisição da linguagem. Nesse sentido, ela não se apresenta como um modelo que, em</p><p>primeiro lugar, preveja o fim do processo de aquisição da linguagem, tal como faz a Linguística Gerativa. Isso</p><p>porque, pela pressão do uso linguístico, da experiência, ela sofrerá alterações internas, via entrada de novos</p><p>itens gramaticais ou lexicais, seja do ponto de vista do indivíduo ou, por fim, de toda a comunidade linguística.</p><p>Na proposta da Linguística Cognitiva, também não há a separação de um componente lexical em relação a um</p><p>componente gramatical, tal como é previsto na Linguística Gerativa. As construções são unidades lexicais ou</p><p>gramaticais (as que permitem a geratividade e criatividade linguísticas), organizadas em uma rede conceptual,</p><p>conexionista. Dessa forma, há um sujeitamento a regras combinatórias que permitem a formação de unidades</p><p>linguísticas maiores e sentenciais.</p><p>O quadro, a seguir, exemplifica a diversidade de construções lexicais/gramaticais que apontamos.</p><p>TIPO DE CONSTRUÇÃO EXEMPLO</p><p>Palavra Árvore</p><p>Expressão fixa bom dia; cada macaco no seu galho</p><p>Esquema morfológico re + base verbal (ex.: rearrumar, refazer)</p><p>Esquema sintático semipreenchido que mané X; que X o quê</p><p>(ex: que mané férias; que férias o quê)</p><p>Esquema sintático aberto SVO (ex.: Réver cabeceou a bola)</p><p>Padrão entoacional Ascendente</p><p>Tabela: Diversidade de construções</p><p>Pinheiro (2016, p. 23)</p><p>Com isso, podemos entender o seguinte:</p><p>Resumindo</p><p>A Gramática das Construções é uma proposta não modular de visão de linguagem. E a linguagem não se</p><p>apresenta como inata, pois ela é emergente a partir do uso interacional da língua. A língua, por sua vez,</p><p>não é estanque, pois é constantemente sujeita às ações do uso, ou seja, da experiência linguística. A</p><p>experiência linguística surge a partir da atuação dos processos cognitivos de domínio geral, por ser um</p><p>tipo de conhecimento, tal como tantos outros potencialmente desenvolvidos pela espécie.</p><p>Operações de conceptualização</p><p>Noção de construal</p><p>Segundo a Linguística Cognitiva, parte da compreensão do significado das unidades linguísticas depende da</p><p>manipulação de mecanismos cognitivos específicos, denominados operações de conceptualização. Vamos</p><p>tratar de alguns desses mecanismos cognitivos, mas antes vamos apresentar a noção construal.</p><p>O construal nada mais é do que a forma como determinada</p><p>cena do cotidiano é construída, como ela é perspectivizada</p><p>a partir de parâmetros existentes na situação discursiva.</p><p>Assim, um evento de suposto valor X torna-se, na verdade,</p><p>um evento de múltiplas possíveis faces, como se fossem</p><p>diferentes eventos.</p><p>A noção formalista de que o valor de verdade define o</p><p>sentido do evento está relacionada ao modo gerativista de</p><p>depreender o significado, focalizando, em algum grau, a</p><p>semântica, mas abrindo mão da pragmática. Por sua vez, a</p><p>noção de ajuste focal, que traz à baila o conceito de construal, está associada ao pensamento cognitivista e</p><p>fortemente apoiado na pragmática.</p><p>Ajustes focais</p><p>Iniciando a discussão sobre os mecanismos, os ajustes focais dizem respeito à nossa capacidade de</p><p>conceptualizar uma mesma situação de diferentes maneiras.</p><p>Para facilitar a explicação, observemos as sentenças a seguir:</p><p>João abriu a porta.</p><p>A porta foi aberta por João.</p><p>A porta foi aberta.</p><p>A porta abriu.</p><p>Abriu a porta.</p><p>A cena básica do conjunto de sentença em questão é a seguinte: um agente com suposto grau de volitividade</p><p>e agentividade atua sobre um paciente, que é afetado em algum grau pela transferência de energia da</p><p>atividade em jogo.</p><p>A esse conjunto de sentido, podemos chamar de valor de verdade, em particular da primeira sentença, na qual</p><p>a presença de tais papéis semânticos fica mais evidente. No entanto, ele se estende da segunda à quinta</p><p>sentença, constituindo-se como a base de sentido desses outros eventos.</p><p>O mais importante de ser observado é que a base de determinado evento estará sempre</p><p>subentendida nesse mesmo evento, embora cada evento coloque em perspectiva uma ou outra</p><p>faceta de sua constituição.</p><p>Em outras palavras, cada evento acima apresenta um perfilamento, ou seja, a proeminência de determinado</p><p>constituinte, que o especifica como evento diferenciado do evento base, na medida em que a escolha de um</p><p>ou outro objeto perfilado implica nova significação ou interpretação do evento em questão, colocando em</p><p>xeque a noção de valor de verdade. Essa noção de valor de verdade se torna apenas mais uma informação de</p><p>sentido no conjunto de informações de sentido que estão, de fato, em jogo.</p><p>Notemos que as escolhas dos elementos presentes e ausentes, a ordenação vocabular, entre outros aspectos,</p><p>interagem na construção do ajuste focal, ora deixando elementos na base, ora destacando-os, por meio do</p><p>perfilamento.</p><p>Há, ainda, no campo do ajuste focal, uma discussão importante acerca do que serve de âncora cognitiva, que</p><p>desemboca nos seguintes conceitos:</p><p>1</p><p>Marco e trajetor</p><p>No contexto teórico da Linguística Cognitiva, marco-trajetor ou marco-trajetória “dizem respeito ao</p><p>primeiro e ao segundo participantes de uma relação”. De acordo com a Gramática Cognitiva de</p><p>Langacker, “o valor semântico de qualquer unidade linguística é denominado perfil e qualquer perfil é</p><p>definido em termos de uma relação entre duas entidades. O trajetor é o primeiro participante da</p><p>relação, e o marco, o segundo participante, ou o participante secundário”. Assim, na oração “O Poeta</p><p>desceu a serra, o Trajetor corresponde ao sujeito sintático da oração, e o Marco, ao objeto” (TENUTA</p><p>DE AZEVEDO; LEPESQUEUR, 2011, p. 71).</p><p>2</p><p>Figura e fundo</p><p>Na Psicologia Gestalt, o par figura-fundo corresponde a uma tendência do sistema visual para a</p><p>simplificação de uma cena com uma figura (o principal objeto observado) e tudo que forma o fundo.</p><p>Aquilo que se apresenta separado, nós combinamos em um todo integrado.</p><p>Desse modo, a figura compreende as feições que devem se destacar, enquanto “o fundo é composto</p><p>por feições de menor importância, elementos secundários, mas servindo como apoio no processo</p><p>perceptivo” (ANDRADE, 2014, p. 49). Podemos dizer que “percebemos o todo e, a partir dessa</p><p>percepção, as partes se configuram como tal” (TENUTA DE AZEVEDO; LEPESQUEUR, 2011, p. 72).</p><p>Figura e fundo têm a ver com perspectiva, sendo modos de focalizar aquilo que se deseja salientar.</p><p>Basicamente, a ideia aponta para a distribuição de informações mais ou menos salientes, mais ou menos</p><p>pressupostas, e que fazem com que a atenção dos interlocutores seja distribuída de modo diferenciado para</p><p>informações velhas e novas do fluxo informacional. As definições de marco e trajetor constituem-se no</p><p>contexto linguístico de uma gestalt já traduzida pelos conceitos de figura e fundo pela psicologia cognitiva.</p><p>Novamente, notamos o espelhamento da cognição humana global, aqui em termos de percepção, atuante na</p><p>forma como elaboramos e interpretamos a língua.</p><p>Metáfora e metonímia</p><p>A metáfora e a metonímia também são importantes operações de conceptualização. Longe de serem apenas</p><p>recursos linguísticos – como a tradição gramatical nos quer fazer acreditar –, a metáfora e a metonímia, para a</p><p>LC, são propriedades cognitivas superiores do pensamento humano, atuantes o tempo todo na interpretação</p><p>do entorno, por sua vez, retratado na língua.</p><p>Pela metáfora, podemos comparar dois domínios e conceptualizar um deles a partir do outro. Confira a</p><p>seguinte sentença:</p><p>Ela está saindo da depressão.</p><p>Para entendermos melhor o funcionamento cognitivo de base metafórica, precisamos acessar dois domínios</p><p>cognitivos presentes na sentença em questão: o de estado e o de locação física.</p><p>Nesse sentido, pela Teoria da Metáfora Conceptual (TMC), entendemos que aconteça uma aproximação</p><p>conceptual entre os domínios em jogo, de modo que a ideia de depressão (o domínio-alvo) seja concebida</p><p>como um lugar (o domínio-fonte). Com isso, a relação experiencialista mais básica relacionada à percepção de</p><p>lugar ajuda na compreensão do conceito de depressão, que passa a ser traduzido como parte de um</p><p>movimento de fora-dentro-fora, uma relação saliente e empiricamente constatada nas experiências humanas</p><p>corporificadas mais básicas.</p><p>Da mesma forma, a metonímia é vista como processo cognitivo caracterizado pela possibilidade de uma</p><p>entidade conceptual – o veículo – fornecer acesso a outra entidade conceptual, entretanto, aqui, dentro de um</p><p>mesmo domínio.</p><p>Vejamos um exemplo que mostra essa relação:</p><p>Eles leram Machado de Assis.</p><p>Nesta situação temos uma metonímia, já que o termo Machado de Assis está no lugar da obra de Machado.</p><p>Nesse sentido, o direcionamento da atenção acontece por meio das projeções metonímicas de um conceito</p><p>saliente que aponta um caminho para a interpretação de outro menos saliente, pertencendo ambos a um</p><p>mesmo domínio.</p><p>Integração conceptual</p><p>Finalmente, abordamos a questão sobre operações da conceptualização a partir do conceito de Integração</p><p>conceptual (IC). A integração conceptual, ou mesclagem conceptual, consiste em uma situação de fusão de</p><p>cenários.</p><p>A Teria da Integração Conceptual (FAUCONNIER; TUNNER, 1996) prevê quatro espaços mentais:</p><p>O espaço input 1;</p><p>O espaço input 2;</p><p>O espaço genérico;</p><p>O espaço mescla.</p><p>O esquema, a seguir, ilustra a questão:</p><p>Por meio dessa operação, é possível fundir a compreensão de duas realidades diferentes em apenas uma,</p><p>muitas vezes, de sentidos novos. Tal feito é algo corriqueiro ao nosso pensamento e não se restringe às</p><p>questões linguísticas.</p><p>Observemos a imagem a seguir:</p><p>Dispenser da World Wild Foundation</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>O dispensador de papel-toalha em foco ilustra a integração de conceitos e uma interpretação advinda de</p><p>nossa capacidade de fazermos integrações conceptuais:</p><p>1. Sabemos que o uso de papel implica impacto na natureza, pela destruição de árvores, de onde ele se</p><p>origina.</p><p>2. Sabemos que o verde é a cor que mais representa a natureza.</p><p>3. Sabemos que o uso de papéis-toalha no dispensador implica seu esvaziamento, assim como o</p><p>desmatamento, sem reflorestamento adequado, implica a diminuição, ou mesmo extinção, das áreas verdes.</p><p>4. Sabemos que a área vazada do dispensador faz referência ao mapa da América do Sul, local onde se</p><p>encontra a maior floresta tropical do mundo.</p><p>Enfim, esse conjunto de inputs conceptuais estão em integração, de modo a produzirmos um terceiro sentido,</p><p>advindo do uso do papel-toalha via dispensador em questão.</p><p>Na imagem apresentada anteriormente, acontece o mesmo processo que identificamos em situações</p><p>linguísticas diversas. Vejamos uma ilustração desse processo a partir da frase a seguir:</p><p>Aquele cirurgião é um açougueiro.</p><p>Uma análise que se apoie apenas na relação metafórica existente entre as entidades cirurgião e açougueiro</p><p>(do domínio-fonte açougueiro para o domínio-alvo cirurgião), não explicará uma informação importante</p><p>percebida na interpretação final da frase: a de conotação de incompetência do cirurgião.</p><p>Essa nova informação – chamada, na teoria, de estrutura emergente – não é prevista pela Teoria da Metáfora</p><p>Conceptual, que não observa a possibilidade de surgimento de novos cenários mais independentes. A não</p><p>previsibilidade em questão diferencia a IC da TMC.</p><p>A Linguística Cognitiva</p><p>Assista ao vídeo que retoma as principais características e pressupostos teóricos da Linguística Cognitiva a</p><p>partir de sua contraposição à Linguística Gerativa.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.</p><p>Superação da oposição entre sintaxe e pragmática</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Superação da visão modular da gramática</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>O surgimento da Linguística Cognitiva está relacionado com a compreensão de que o conhecimento linguístico</p><p>não deve ser dissociado do conhecimento de mundo em geral. Desse modo, uma das ideias centrais do</p><p>pensamento cognitivista é a de que:</p><p>A</p><p>A semântica não é prioritária em relação à sintaxe.</p><p>B</p><p>A mente é modular, assim como a gramática é modular.</p><p>C</p><p>Existe uma faculdade específica e inata para a linguagem na espécie humana.</p><p>D</p><p>Não existe separação entre forma e sentindo para a descrição linguística.</p><p>E</p><p>A gramática das construções é um modelo formalista de arquitetura da linguagem.</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>A Linguística Cognitiva (LC) se contrapõe à Linguística Gerativa (LG). Uma das ideias da Linguística</p><p>Gerativa era separar a estrutura linguística (o aspecto formal) da semântica e, também, da pragmática. Essa</p><p>separação entre forma e sentido ocorre na LG porque havia o entendimento de que os aspectos semânticos</p><p>não são especificamente linguísticos. Com isso, a LC vai propor a integração de forma e sentido, pois para</p><p>a Semântica Cognitiva, a estrutura linguística deriva do sentido e dos processos de conceptualização a ele</p><p>relacionados.</p><p>Questão 2</p><p>Podemos dizer que, sob o termo Linguística Cognitiva (LC), estão abrigadas diversas abordagens</p><p>congnitivistas. Desse modo, é correto afirmar que a LC é um movimento intelectual que abraça um:</p><p>A</p><p>Modelo teórico único.</p><p>B</p><p>Conjunto heterogêneo de teorias.</p><p>C</p><p>Modelo teórico de base racionalista.</p><p>D</p><p>Conjunto heterogêneo de teorias formais.</p><p>E</p><p>Conjunto de teorias necessariamente baseadas no uso.</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>Há diversos modelos no escopo da Linguística Cognitiva, pois seus primeiros teóricos se opuseram a</p><p>diversos pressupostos e conceitos oriundos das abordagens linguísticas mais formais, como o gerativismo,</p><p>além de estabelecer uma relação com a Psicologia. Desse modo, encontramos abordagens teóricas</p><p>transdisciplinares na LC relacionadas com a integração de aspectos gramaticais, semânticos, culturais,</p><p>psicológicos etc.</p><p>2. Concepção cognitiva de categorização</p><p>Processos cognitivos e categorização</p><p>Processos cognitivos de domínio geral</p><p>Processos cognitivos de domínio geral dizem respeito a habilidades cognitivas presentes na espécie humana e</p><p>que são, na verdade, atuantes no desenvolvimento de diferentes funções e formas de conhecimentos.</p><p>Há vários processos cognitivos responsáveis pelo funcionamento especialmente complexo da nossa cognição.</p><p>Entre eles, podemos mencionar:</p><p>1</p><p>A memória.</p><p>2</p><p>A capacidade de fazermos analogias.</p><p>3</p><p>A natureza simbólica do pensamento humano.</p><p>Para a LC, os processos cognitivos de domínio geral também são atuantes na aquisição e emergência da</p><p>linguagem. Sua principal defesa é a de que tais processos são suficientes para explicar a aquisição da</p><p>linguagem e a mudança linguística, de modo a não precisarmos apostar na existência de uma gramática</p><p>universal, de base inata e inicial, tal como faz a LG.</p><p>Um dos processos cognitivos de domínio geral mais caros para tratarmos da questão da linguagem é a nossa</p><p>capacidade de categorização, conceito sobre o qual passaremos a tratar.</p><p>A categorização como processo cognitivo de domínio geral</p><p>Iniciamos nossa discussão olhando para o conceito de categorização, mas não no nível linguístico. Pensemos</p><p>em como nossa capacidade de categorizar está presente a todo o tempo, desde períodos bem tenros de</p><p>nossa existência.</p><p>Já quando bebês, a partir de certa idade, começamos a identificar que elementos que compartilham algum</p><p>grau de semelhança entre si, de certa forma, podem formar grupos de itens em comum. Vamos fazendo e</p><p>refazendo agrupamentos cognitivos, representacionais, na medida em que as informações advindas da</p><p>experiência assim nos permitem.</p><p>É comum crianças demonstrarem que diferenciam um</p><p>animal de um ser humano, quando chamam qualquer bicho</p><p>de au au, indicando, mesmo que de modo generalizante,</p><p>que são representantes de determinado grupo de seres</p><p>vivos não humanos, formando uma categoria própria.</p><p>Se observarmos bem, em algum momento de seu</p><p>desenvolvimento, é comum crianças chamarem toda e</p><p>qualquer mulher de mamãe ou titia, todo e qualquer doce de</p><p>bala, e assim por diante. Obviamente, aos poucos, elas vão</p><p>ajustando, fazendo e refazendo agrupamentos cognitivos</p><p>cada vez mais complexos e diversos.</p><p>Em termos linguísticos, para a LC, a categorização é uma habilidade cognitiva de particular importância,</p><p>principalmente por colocar em xeque os postulados da teoria gerativa a respeito do que se entende por</p><p>categorias linguísticas.</p><p>A Linguística Gerativa postula a hipótese, relacionada à ideia de gramática universal, de que seres humanos</p><p>possuem de modo inato categorias linguísticas discretas armazenadas em sua cognição. Dessa forma, nomes,</p><p>verbos, categorias funcionais diversas seriam representações cognitivas de natureza específica e estariam</p><p>disponíveis na mente infantil, disponibilizando a possibilidade de aquisição de linguagem a partir do contato</p><p>com dados de input linguístico específico.</p><p>Para a Linguística Cognitiva, como já explicamos, o que há de inato na espécie humana não é objeto voltado</p><p>para a especialização da aquisição da linguagem, mas o que é inato é responsável pela emergência de toda e</p><p>qualquer forma de conhecimento.</p><p>Nesse sentido, as categorias linguísticas e mesmo as construções gramaticais, que constituem o modelo</p><p>gramatical em jogo, são elementos emergentes a partir do impacto com a experiência com o uso da língua. No</p><p>curso interacional, do uso da linguagem, formam-se, a partir da atuação de processos analógicos e de</p><p>categorização, tais categorias.</p><p>Resumindo</p><p>Trocando em miúdos, o modelo pode ser bem simples. Voltemos para o caso da criança que aprende o</p><p>que é um animal. Ao se deparar com um ser vivo diferente do ser vivo que ela está mais habituada a lidar</p><p>– o ser humano –, ela já tende a formar ou, ao menos, buscar a formação de uma categoria, um</p><p>agrupamento que permita que ela interprete o que seja, o que faz, qual a função no mundo, daquele</p><p>elemento.</p><p>Analogicamente, ao se deparar com outro ser vivo diferente do ser humano, a partir de sua experiência</p><p>anterior, a criança tenderá a agrupá-lo como membro pertencente ao mesmo grupo. Se o grupo tiver sido</p><p>denominado, por qualquer razão, de au au, assim será a interpretação daquele mesmo animal, seja ele um</p><p>cachorro ou não.</p><p>Esse processo, aparentemente corriqueiro, como dito, acontece na língua, mas não apenas no domínio da</p><p>língua. É exatamente por isso que a categorização é um processo cognitivo de domínio geral, por dar conta de</p><p>explicar a formação de representações cognitivas da língua e para muito além dela.</p><p>Teoria dos protótipos da LC</p><p>Voltemos à criança e sua experiência com</p><p>cachorros. O que faz com que a criança associe</p><p>um animal X a um Y, apesar de suas diferenças?</p><p>A resposta não está exatamente nas</p><p>diferenças, mas no que é, ou supostamente é,</p><p>semelhante entre as entidades em jogo.</p><p>Também pelo processo cognitivo de domínio</p><p>geral da analogia, a criança identifica traços</p><p>comuns entre as entidades, incluindo o fato de</p><p>serem ambas diferentes dos membros da outra</p><p>categoria já por</p><p>ela formada, a de seres</p><p>humanos.</p><p>Dessa forma, vemos que é pela busca daquilo que melhor representaria um grupo, que as categorias</p><p>são formadas. Daí surge o conceito de protótipo.</p><p>O protótipo nada mais é aquilo que apresenta o que podemos chamar de características mínimas e suficientes</p><p>para que possamos afirmar que um elemento pertence a uma determinada classe e não a outra.</p><p>Reflexão</p><p>O que faz, portanto, de uma xícara uma xícara? Sua utilização como recipiente de bebida? Possuir uma</p><p>asa para que possamos segurá-la? Ser feita de vidro ou material semelhante?</p><p>Voltando para gramática, poderíamos pensar que determinada palavra, por exemplo, é um adjetivo por</p><p>apresentar as características necessárias e suficientes para figurar nessa categoria. Desse modo, ela deve</p><p>classificar, qualificar, de alguma forma modificar e adaptar o sentido, por exemplo, de um nome, assim como</p><p>apresentar características morfossintáticas típicas de um adjetivo.</p><p>Essa noção de categorização, associada ao chamado modelo clássico de categorização, está muito ligada à</p><p>visão racionalista da Linguística Gerativa. Isso ocorre na medida em que, para a teoria gerativista, um</p><p>elemento pertence ou não a determinada categoria, graças às suas propriedades semânticas e</p><p>morfossintáticas, tal como aconteceria em qualquer situação de categorização, para a qual o enquadre por</p><p>características suficientes e necessárias seria o mínimo requerido.</p><p>Por outro lado, se pensarmos bem em xícaras e adjetivos, perceberemos que as coisas podem não ser tão</p><p>simples assim. Observemos, a seguir, a imagem e o slogan de uma campanha publicitária de cerveja:</p><p>A cerveja que desce redondo</p><p>Afinal, o que faz xícaras serem xícaras e adjetivos serem adjetivos?</p><p>1. Se observarmos as xícaras apresentadas na imagem, notaremos que elas, definitivamente, possuem uma</p><p>vasta gama de características, que ora podem nos fazer considerá-las mais ou menos próximas do que</p><p>entendermos ser um protótipo de uma xícara, ora não.</p><p>2. Se observarmos o uso do adjetivo redondo no slogan reproduzido, notaremos que ele também possui</p><p>características que podem nos fazer considerá-lo menos próximo do que entendermos ser um adjetivo</p><p>prototípico. Adjetivos modificam verbos, tal como o faz o adjetivo redondo da propaganda? Se o faz, em que</p><p>medida são adjetivos, apesar desse comportamento tão próximo ao do que entendermos ser um item</p><p>adverbial prototípico?</p><p>Essa é uma questão extremamente importante para a Linguística Cognitiva: a noção de que não há categorias</p><p>discretas, tal como nos faz supor o pensamento racionalista e a teoria gerativa. Uma categoria linguística,</p><p>assim como as coisas do mundo, pode estar melhor representada pelo seu elemento central prototípico, mas</p><p>não apenas, de modo a apresentar certo comportamento não necessariamente condizente com o que condiz</p><p>a esse protótipo. A questão é muito interessante e está na base da chamada Teoria dos Protótipos da LC.</p><p>Categorização radial</p><p>Noção de categoria radial</p><p>A noção de categorização, segundo a LC, termina por não ser de base aristotélica, baseada nos critérios</p><p>necessários e suficientes para a classificação das coisas do mundo. Nesse sentido, a noção de categoria</p><p>radial parece atender muito mais à explicação do porquê percebermos xícaras e adjetivos como tais, a</p><p>despeito do maior ou menor grau de prototipicidade ali envolvido.</p><p>Vejamos a ilustração a seguir, em que pássaros são arrumados de acordo com a maior ou menor proximidade</p><p>das características de prototipicidade de seu representante central, o sabiá:</p><p>Ranking de pássaros</p><p>Se observarmos cuidadosamente as características dos pássaros em questão, perceberemos que:</p><p>Todos possuem bicos e duas patas;</p><p>Avestruzes não podem voar;</p><p>Pinguins não podem voar e não possuem asas nem penas;</p><p>O sabiá possui a habilidade de voo, asas, penas, além de ter bico e patas.</p><p>Tais diferenças fazem de avestruzes e pinguins membros de outra categoria que não a dos pássaros? Fazem</p><p>com que o sabiá seja mais pássaro do que os outros?</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>A essa altura, podemos afirmar que não é disso que se trata a questão, não é mesmo? Sabemos, portanto,</p><p>que o fato de um elemento não possuir todas as características que representam determinada categoria não o</p><p>faz deixar de ser membro dessa mesma categoria. Existem, desse modo, níveis de prototipicidade e fluidez</p><p>categorial, o que pode definir sobremaneira a forma como percebemos e interpretamos as coisas ao nosso</p><p>redor.</p><p>No fim das contas, existem categorias radiais, pelas quais os membros se organizam de modo mais ou menos</p><p>próximo ao que seriam os protótipos, representantes ótimos da categoria, sem necessariamente deixarem de</p><p>pertencer àquela mesma categoria.</p><p>Chamamos de herança de família as semelhanças identificadas entre os mesmos membros de uma</p><p>categoria radial.</p><p>Esse termo reflete bem, a partir da nossa própria experiência com a herança genética de ordem familiar, como</p><p>os membros de um mesmo grupo mantêm relações de diferentes graus de similaridades com o membro</p><p>central.</p><p>A noção de semelhança familiar foi introduzida por</p><p>Wittgenstein, classificando tipos de jogos. Wittgenstein</p><p>aponta a dificuldade de definirmos uma categoria jogos</p><p>apenas pelo critério de traços necessários e suficientes.</p><p>Características como coletividade e competitividade, por</p><p>exemplo, não são encontradas, quando tratamos de jogos</p><p>como a peteca e a paciência. Daí o autor fazer a analogia</p><p>com as semelhanças familiares para explicar sua visão</p><p>sobre a emergência e as propriedades de uma categoria.</p><p>Categorização radial e aquisição da</p><p>linguagem</p><p>Em termos linguísticos, na perspectiva da aquisição da linguagem, a categorização (radial) é traduzida, no</p><p>processo de emergência gramatical, como nossa capacidade de formar padrões – construções gramaticais</p><p>que podem compartilhar entre si características de forma ou sentido, formando uma gramática que,</p><p>cognitivamente, possui a característica de ser organizada por taxonomia, entre outras características.</p><p>Falar de taxonomia – termo emprestado da Biologia – significa falar de diferentes níveis hierárquicos</p><p>nos quais se organizam os elementos pertencentes a um mesmo grupo.</p><p>Para tratar do assunto, vamos começar pensando sobre como a categorização ocorre no curso de aquisição</p><p>de linguagem. Falamos sobre esse assunto anteriormente, quando exemplificamos a formação da categoria</p><p>mulheres pelas crianças. Agora, queremos exemplificar com uma categoria linguística, que chamaremos, de</p><p>modo apenas ilustrativo, de construção de transitividade SVO (sujeito-verbo-objeto).</p><p>Imaginemos as seguintes situações:</p><p>Situação A Situação B</p><p>Situação C</p><p>Em cada situação, temos um elemento agente que atua intencionalmente sobre um elemento paciente,</p><p>produzindo algum grau de afetamento nele. Poderíamos pensar que, em cada uma das ações apresentadas,</p><p>teríamos três situações absolutamente distintas entre si. Entretanto, pelo que acabamos de discutir, é possível</p><p>pensarmos que as coisas não são tão diferentes assim.</p><p>No curso de aquisição de linguagem, pelo processo cognitivo da analogia e a partir das experiências reais</p><p>vividas pelas crianças em situações em que um elemento agente atua intencionalmente sobre um elemento</p><p>paciente, produzindo nele algum grau de afetamento, as crianças passam a formar uma categoria mais</p><p>abstrata associada ao padrão morfossintático SVO (agente-verbo-paciente). O sentido desse padrão consiste</p><p>exatamente na atuação provavelmente intencional de um sujeito agentivo de afetamento de um objeto</p><p>paciente.</p><p>Nesse sentido, por um lado, se em (a – c) temos três ações distintas (alguém entrega o pacote, alguém abre o</p><p>pacote e alguém fecha o pacote), por outro lado, temos um mesmo padrão maior. Tal padrão é uma categoria</p><p>que carrega as informações de forma e sentido de transferência intencional de energia e afetamento, que</p><p>caracteriza o que aqui chamamos de construção de transitividade SVO.</p><p>Dessa constatação, temos outra automaticamente: a de que esse padrão é mais abstrato e abarca</p><p>padrões menos abstratos, hierarquicamente a</p><p>seguir, dos quais os verbos entregar, rasgar e abrir</p><p>podem fazer parte.</p><p>Com isso, temos exemplos de formação de três categorias linguísticas distintas e taxonomicamente</p><p>organizadas. As três primeiras seriam as construções SVO, cujos itens verbais seriam entregar, abrir e fechar.</p><p>Esses seriam três padrões distintos entre si, por um lado, graças ao papel específico de cada item verbal, mas</p><p>que, ao mesmo tempo, compartilhariam das informações de forma e sentido do padrão mais abstrato,</p><p>taxonomicamente organizado acima – a construção de transitividade SVO.</p><p>A rede ou esquema, a seguir, ilustra essa relação:</p><p>A transitividade SVO</p><p>O modelo de gramática exposto é o da Gramática das Construções. Um olhar cuidadoso para o organograma</p><p>revelará diversos dos pontos que nós apresentamos neste conteúdo:</p><p>A formação de categorias;</p><p>A atuação do processo cognitivo de analogia;</p><p>A organização taxonômica de algumas categorias;</p><p>A noção de protótipo;</p><p>Os traços de semelhanças por família etc.</p><p>A categorização é, portanto, um processo cognitivo de domínio geral de extrema importância para a LC, por</p><p>explicar a forma como a gramática emerge, seja nos anos iniciais da aquisição da linguagem, seja ao longo dos</p><p>anos de experiência com o uso da língua, e que tanto afetam a reformulação constante da gramática do</p><p>indivíduo.</p><p>Concepção Cognitiva de Categorização</p><p>Neste vídeo, abordaremos o conceito de categorização como processo cognitivo de domínio geral, com</p><p>destaque para a teoria dos protótipos e a construção da transitividade SVO.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.</p><p>Linguagem e processos cognitivos de domínio geral</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Categorização e Gramática das Construções</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>A categorização é um importante conceito elaborado no contexto dos estudos da Linguística Cognitiva. Em</p><p>termos cognitivos, a categorização pode ser entendida como:</p><p>A</p><p>Uma figura de linguagem.</p><p>B</p><p>Um comportamento humano.</p><p>C</p><p>Um processo cognitivo de domínio geral.</p><p>D</p><p>A capacidade cognitiva de identificar padrões semelhantes.</p><p>E</p><p>A capacidade cognitiva de formar categorias especificamente linguísticas.</p><p>A alternativa C está correta.</p><p>A categorização é um dos principais processos cognitivos de domínio geral relacionados à linguagem. Os</p><p>processos cognitivos de domínio geral, no contexto das Ciências Cognitivas, estão relacionados com</p><p>habilidades cognitivas utilizadas em diferentes domínios, entre os quais está incluída a linguagem. Esses</p><p>processos cognitivos gerais comandam a percepção, a atenção, a memória e a organização e a</p><p>recuperação da informação.</p><p>Questão 2</p><p>Uma categoria radial pode ser entendida como:</p><p>A</p><p>Um grupo de elementos que se organizam a partir de características necessárias e suficientes compartilhadas</p><p>e que definem a categoria.</p><p>B</p><p>Um grupo de elementos que se organizam a partir de características compartilhadas mais ou menos próximas</p><p>as do protótipo, representante ótimo da categoria.</p><p>C</p><p>Um grupo de elementos que se organizam a partir de diferenças necessárias e suficientes compartilhadas e</p><p>que definem a categoria.</p><p>D</p><p>Um grupo de elementos que se organizam a partir de diferenças mantidas com o protótipo, representante</p><p>ótimo da categoria.</p><p>E</p><p>Um grupo de elementos organizados aleatoriamente e sem compartilhamento de características.</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>Na visão de categoria radial, elementos não prototípicos se organizam, junto com elementos prototípicos,</p><p>na organização de uma mesma categoria. A categorização pode ser compreendida como um processo</p><p>mental por meio do qual classificamos as entidades que entendemos fazer parte da realidade ou do nosso</p><p>contexto. Cada categoria está organizada em torno de membros centrais. Assim, tomando o pássaro como</p><p>uma categoria, veremos que há pássaros que reúnem mais características de pássaros em relação a outros,</p><p>já que pássaros é uma categoria.</p><p>3. Estrutura da Semântica Cognitiva</p><p>Pressupostos e modelo descritivo da Semântica Cognitiva</p><p>Principais pontos da Semântica Cognitiva</p><p>A Semântica é o campo da Linguística que toma como escopo a esfera da significância. No entanto, não se</p><p>trata de um campo homogêneo, já que há diferentes propostas teóricas que se dedicam ao seu estudo.</p><p>A Semântica Cognitiva (SC), especificamente, possui como referência teórica os trabalhos do linguista George</p><p>Lakoff e do filósofo Mark Johnson. Acompanhando a proposta da Semântica Cognitiva, encontra-se a</p><p>Gramática Cognitiva. Na verdade, o termo Gramática Cognitiva indica um conjunto de abordagens cognitivas</p><p>da gramática, cujos nomes que mais se destacam são os dos linguistas Ronald Langacker e Leonard Talmy.</p><p>Alguns pontos proeminentes do pensamento da Semântica Cognitiva podem ser resumidos nos tópicos a</p><p>seguir:</p><p>Visão não modular da linguagem</p><p>A visão não modular da linguagem diz respeito à tese de que os mesmos princípios cognitivos que</p><p>governam o funcionamento mental humano, em geral, são responsáveis também pela aquisição e uso</p><p>da língua.</p><p>Como já dissemos, por esse princípio, entende-se que não há um órgão mental específico para a</p><p>aquisição e uso geral da linguagem, um módulo em particular, e que são as habilidades cognitivas de</p><p>domínio geral que permitem tal feito, tal como ocorre na emergência de outros conhecimentos. Além</p><p>disso, a visão não modular da linguagem prevê a associação da semântica e da pragmática aos</p><p>demais níveis formais da linguagem – a morfossintaxe e a fonologia –, integrando todos os níveis de</p><p>modo mais uniforme e não fazendo a separação que privilegia a sintaxe em detrimento da pragmática</p><p>e da própria semântica, por exemplo.</p><p>Mapeamento direto do significado a uma estrutura linguística</p><p>O mapeamento direto do significado a uma estrutura linguística revela a visão da Semântica Cognitiva</p><p>sobre a relação entre estrutura linguística e significado. Nessa concepção, diferentemente da visão</p><p>formalista, que coloca o que há de sentido como parte secundária em relação ao aspecto linguístico</p><p>estrutural, o mapeamento entre estrutura linguística e sentido acontece de modo direto e</p><p>indissociável.</p><p>Na verdade, a noção de estrutura aponta para um objeto consequente das operações cognitivas</p><p>relacionadas à emergência do significado, à emergência do sentido.</p><p>Inserção direta da pragmática na formação da gramática</p><p>A inserção direta da pragmática na formação da gramática indica a rejeição da Semântica Cognitiva à</p><p>distinção entre conhecimento gramatical e conhecimento enciclopédico. Na verdade, esse ponto é</p><p>uma especialização da visão não modular da linguagem, na medida em que também reflete a visão</p><p>não modularista do modelo.</p><p>Nessa concepção, o significado linguístico avança para além da semântica em si, incorporando</p><p>aspectos da pragmática, que deixam de ser tratados como objetos separados, periféricos, em relação</p><p>à gramática.</p><p>Modelo de descrição da Semântica Cognitiva</p><p>Em linhas gerais, a Semântica Cognitiva (SC) apresenta uma concepção de língua como objeto emergente e</p><p>parte do sistema conceptual humano em geral. Nesse sentido, a SC enfoca o significado como emergente da</p><p>experiência com o uso da língua, mediada também pela corporeidade, ou seja, a estrutura conceptual é</p><p>resultante da experiência corpórea à qual ela está associada.</p><p>Se é por meio do corpo que o ser humano, primariamente, estabelece sua experiência no mundo, na SC, surge</p><p>o conceito de experiencialismo corporificado. Esse conceito explica por que os fenômenos estudados são</p><p>constantemente entendidos em função da maneira como o homem interage com o ambiente no qual está</p><p>inserido, tal como defendido na Hipótese da Corporificação de Lakoff &; Johnson (1999).</p><p>O modelo de descrição da SC apresenta estruturas específicas capazes de capturar a organização do nosso</p><p>conhecimento de mundo. Nesse modelo,</p><p>resumidamente, essas estruturas podem ser divididas em dois</p><p>grandes grupos:</p><p>1</p><p>Os esquemas imagéticos (EIs).</p><p>2</p><p>Os frames e os modelos cognitivos idealizados</p><p>(MCIs).</p><p>Esquemas imagéticos</p><p>Os esquemas imagéticos (EIs) estão relacionados com a maneira como percebemos e interpretamos as</p><p>coisas. Esses esquemas emergem a partir das atividades sensório-motoras dos seres humanos. Em outras</p><p>palavras, conforme lidamos com as coisas do mundo, nós as manipulamos, movemo-nos temporal e</p><p>espacialmente, direcionamos nosso foco perceptual para uma ou outra situação, uma ou outra entidade.</p><p>Esquemas imagéticos nada mais são que esquemas mentais</p><p>que codificam padrões espaciais e relações de força por</p><p>nós identificadas em nossa interação maior com o</p><p>ambiente. Formam-se, nesse sentido, esquemas cognitivos</p><p>fundamentais, oriundos da própria interação e experiência</p><p>do indivíduo, do seu corpo, com o mundo.</p><p>Esses esquemas cognitivos estão na base da interpretação</p><p>e reinterpretação das coisas ao nosso redor.</p><p>Para os estudos linguísticos, os EIs têm se mostrado muito</p><p>relevantes para a acurácia (precisão) da descrição gramatical. Nesse sentido, devemos destacar os esquemas</p><p>de contêiner, percurso e bloqueio, que manifestam domínios dos esquemas imagéticos e dão conta de</p><p>estruturar a experiência ancorada no corpo.</p><p>Esquema contêiner</p><p>Está relacionado com a percepção de estarmos</p><p>ou não envolvidos por espaços ou ambientes no</p><p>mundo físico.</p><p>Esquema percurso</p><p>Também conhecido como trajetória, vincula-se</p><p>ao nosso movimento em um sentido direcional,</p><p>para frente ou para trás.</p><p>Esquema bloqueio</p><p>Está relacionado com a ideia de interrupção que</p><p>pode ser removida ou não, e que não permite a</p><p>continuidade de um movimento.</p><p>Na imagem, a seguir, temos a representação dos esquemas de contêiner, percurso e bloqueio,</p><p>respectivamente:</p><p>Esquemas de contêiner, percurso e bloqueio</p><p>Tomemos o esquema imagético de contêiner para exemplificação e explicação das semelhanças existentes</p><p>entre as duas frases a seguir:</p><p>Só tem um shopping na minha cidade.</p><p>Minha cidade tem um shopping.</p><p>Podemos afirmar, de modo bem sucinto, que as supostas diferenças de sentido do verbo ter nas duas</p><p>sentenças – sentido existencial e de posse, respectivamente – são secundárias à base de conhecimento que</p><p>ambas compartilham. Em ambas as sentenças, segundo o esquema imagético de contêiner, um shopping</p><p>corresponde ao X, e na minha cidade, ao círculo:</p><p>Por partirem de um modelo de esquema imagético conceptual, as sentenças possuem muito mais</p><p>semelhanças de sentido do que, de fato, diferenças. As diferenças, na verdade, estão listadas mais no que</p><p>está em maior ou menor evidência (gestalt) em jogo, ou seja, no que ocorre em maior ou menor</p><p>perspectivização, na posição de figura ou na de fundo.</p><p>Nesse sentido, na frase “Só tem um shopping na minha cidade”, o foco recai sobre o círculo do esquema,</p><p>minha cidade, que fica mais perspectivizada e recebendo o status de figura do evento em questão, enquanto</p><p>o item X, um shopping, recebe o status de fundo.</p><p>Na frase “Minha cidade tem um shopping”, entretanto, percebemos que o foco recai diretamente sobre X, o</p><p>que coloca o item um shopping na posição de figura e, automaticamente, coloca o item minha cidade na</p><p>posição de fundo, menos perspectivizada.</p><p>Frames e modelos cognitivos idealizados</p><p>Outra estrutura específica da Semântica Cognitiva capaz de capturar a organização do nosso conhecimento</p><p>de mundo são os chamados frames. Para Fillmore (1982), um frame é um esquema de conceitos relacionados</p><p>entre si, o que implica o fato de que o entendimento de um desses conceitos está ligado ao entendimento da</p><p>estrutura maior na qual ele se insere.</p><p>Desse modo, um frame é um conjunto de conhecimentos acionados, quando produzimos ou</p><p>processamos uma determinada expressão linguística, de forma que ela seja acuradamente interpretada.</p><p>(FILLMORE, 1982, p. 111).</p><p>Obviamente, essa é uma discussão de base cultural importante, na medida em que tais associações são</p><p>convencionalmente estabelecidas.</p><p>Exemplo</p><p>O exemplo mais clássico para falarmos do conceito de frames é a palavra solteiro. Ao usarmos o termo,</p><p>acessamos imediatamente relações que vão para além de critérios necessários e suficientes, tal como</p><p>defendem os adeptos de teorias mais formais ao lidarem com o conceito de categorização.</p><p>Na verdade, no uso da palavra solteiro, estão imediatamente descartados – claro que de modo inconsciente e</p><p>convencional – referentes como o Papa ou Tarzan. A associação entre os termos Papa e Tarzan e o termo</p><p>solteiro não está pragmaticamente prevista ou convencionalizada pelos usuários do Português. Nesse caso,</p><p>os usuários acionam outras relações de sentido, nada próximas necessariamente às do termo solteiro, quando</p><p>acessam os frames Papa ou Tarzan. O termo solteiro está mais ligado a uma ideia, um tanto estereotipada, de</p><p>casamento (por ser tido em geral de natureza heterossexual, monogâmica etc.).</p><p>Tal fato indica, portanto, a limitação do modelo clássico de categorização, por um lado, e revela, por outro, a</p><p>forma como sentidos e significados são fluidos, podendo estar ou não profundamente concatenados com</p><p>outros tantos sentidos e significados, tal como prevê o conceito de frames.</p><p>O conceito de frame, nesse sentido, também pode ser exemplificado na produção do efeito de humor na</p><p>seguinte anedota mencionada por Fillmore:</p><p>Um menino que havia matado seus pais, diante do júri, pede perdão por ter assassinado seus pais.</p><p>(FILLMORE, 1982, p. 1982 apud LEITÃO DE ALMEIDA, 2010, p. 26).</p><p>O uso irônico e indevido do termo órfão é explicado pelo fato de essa palavra ser interpretada, em geral, “a</p><p>partir de um frame segundo o qual crianças são desprotegidas, cuja sobrevivência depende do cuidado e</p><p>orientação dos pais”. Se o termo órfão for compreendido apenas como criança cujos pais estão mortos, não</p><p>identificaríamos algo esquisito ou cômico na alegação da criança, seria simplesmente algo banal. Dessa forma,</p><p>o humor é produzido exatamente pelo “fato de a palavra ser empregada fora de seu frame usual” (LEITÃO DE</p><p>ALMEIDA, 2010, p. 26-27).</p><p>A ideia de modelos cognitivos idealizados (MCIs), desenvolvida por Lakoff (1987), é similar ao conceito de</p><p>frames, por serem os MCIs também representações cognitivas um tanto estereotipadas. Os MCIs definem um</p><p>conjunto de frames, e é a partir daí que, no geral, as palavras são interpretadas.</p><p>Tanto o conceito de frames quanto o de MCIs acabam por revelar que as representações cognitivas culturais</p><p>são, de algum modo, reducionismos, estereótipos, da realidade. É nesse sentido, portanto, que o uso da</p><p>palavra solteiro parece inadequado para nos referirmos ao Papa, ao Tarzan ou mesmo a homens gays que</p><p>mantenham relacionamentos duradouros, compartilhando inclusive residência e bens, apesar de não terem</p><p>uma documentação que oficialize sua união.</p><p>Novamente, parece que o que está em tela é o grau de prototipicidade das coisas, ou seja, sua maior ou</p><p>menor relação de proximidade a um modelo prototípico específico, melhor representante de uma classe,</p><p>levando-se em conta, ainda, que diferenças de graus de prototipicidade não implicam o não pertencimento de</p><p>um elemento a determinado grupo específico.</p><p>MCI e Teoria dos Protótipos</p><p>Aqui, retomamos a Teoria dos Protótipos, que prevê a existência de elementos mais (e menos) fundamentais,</p><p>prototípicos, na representação de categorias. A relação entre os MCIs e a Teoria dos Protótipos evidencia, de</p><p>modo bem eficaz, os fenômenos da língua.</p><p>Quando existe um descompasso entre o MCI, uma representação idealizada da realidade, e uma situação</p><p>concreta, surgem as chamadas categorias radiais. Tais categorias nada mais são do que elementos menos</p><p>prototípicos da categoria, mas que não deixam de compô-la, traduzindo a natureza daquele grupo de modo</p><p>mais realístico.</p><p>Exemplo</p><p>Vamos tomar a palavra solteiro como exemplo. Se o MCI de casamento carrega as informações</p><p>estereotipadas de casamento ligadas à ideia de heterossexualidade, monogamia, entre outras, situações</p><p>concretas como o Papa, o personagem ficcional</p><p>Tarzan, homens gays casados não oficialmente e a de</p><p>casamentos não monogâmicos acabam por revelar uma rede gradual de prototipicidade, uma categoria</p><p>radial, sobre o conceito solteiro, na qual um homem, jovem, não ficcional e sem atribuições religiosas</p><p>voltadas à castidade, representa o elemento central, prototípico.</p><p>Nos estudos linguísticos, exemplificando, a identificação de protótipos e de possíveis estruturas radiais</p><p>oferece forte contribuição para uma descrição mais acurada das línguas. Tomemos a tabela a seguir para</p><p>exemplificação:</p><p>Usos adjetivais</p><p>prototípicos Categoria Radial 1 Categoria Radial 2</p><p>Ela vestiu a roupa certa.</p><p>Ela falou certo! Tinha</p><p>razão!</p><p>Ela deu certo na vida!</p><p>Essa Impressora é ruim.</p><p>Essa Impressora imprime</p><p>ruim.</p><p>Ela ficou ruim! Muito mal, por causa</p><p>da bebida!</p><p>Tabela: Prototípicos e estruturas radiais</p><p>Roberto de Freitas Junior</p><p>Pensemos no que podem mostrar, acerca da radialidade categorial, os usos com os adjetivos que aparecem</p><p>na tabela acima.</p><p>1. Em primeiro lugar, na coluna à esquerda, observamos os usos mais regulares e representativos do que</p><p>sabemos sobre adjetivos: eles qualificam nomes, podendo figurar na posição de adjunto (Ela vestiu a roupa</p><p>certa) ou mesmo na de predicativo do sujeito (Essa impressora é ruim), mas sempre com a função de</p><p>modificação nominal, de qualificação. Esses usos ilustram, diretamente, o que há de prototipicidade no item</p><p>adjetivo.</p><p>2. No segundo grupo de frases, percebemos que a função de modificação e qualificação dos itens adjetivais</p><p>permanece, um fato que evidencia a ligação de tais usos com o que chamamos de usos mais prototipicamente</p><p>adjetivais. Entretanto, vemos que os itens modificados em questão são, na realidade, itens verbais. Isso coloca</p><p>o adjetivo em uma posição mais afastada da centralidade que representa a prototipicidade da classe dos</p><p>adjetivos. Percebemos que certo modifica a forma verbal falou e ruim modifica a forma verbal imprime.</p><p>3. Por fim, no terceiro grupo, identificamos os usos ainda mais afastados do que testemunhamos nos grupos 1</p><p>e no 2. Trata-se de usos idiomáticos, com leitura não composicional, ou seja, de sentido não necessariamente</p><p>transparente com os sentidos das partes que constituem os itens em questão.</p><p>As expressões dar certo e ficar ruim, respectivamente, podem ser traduzidas por funcionar e passar mal,</p><p>sentidos já bem distanciados dos identificados ao observarmos nos usos prototípicos dos adjetivos certo e</p><p>ruim em questão.</p><p>A Semântica Cognitiva é, assim, uma área importante para os estudos na área da Linguística Cognitiva, por</p><p>refletir avanços importantes, de base interdisciplinar cognitivista, para o entendimento da emergência do</p><p>significado e que vai para além da hipótese semântica formalista, que se pauta, particularmente, em um</p><p>conjunto de traços semânticos para a formação do sentido.</p><p>A Semântica Cognitiva</p><p>Neste vídeo, serão abordadas características da Semântica Cognitiva e seu modelo de descrição linguística,</p><p>com destaque para os conceitos de esquemas imagéticos, frames e modelos cognitivos idealizados.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.</p><p>Principais pontos da Semântica Cognitiva</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>MCI e Teoria dos Protótipos</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>Questão 1</p><p>Analise as afirmativas sobre o conceito de esquemas imagéticos:</p><p>I. Os esquemas imagéticos correspondem a esquemas mentais referentes à nossa relação com o mundo a</p><p>partir do nosso corpo, representando experiências sensoriais e de percepção.</p><p>II. Contêiner, percurso e bloqueio são esquemas imagéticos que representam determinadas experiências a</p><p>partir do corpo, sendo conceitos também usados em relação a aspectos da linguagem.</p><p>III. Os esquemas imagéticos são corporais ou físicos e contribuem para o aperfeiçoamento do aprendizado da</p><p>gramática, porque esses esquemas correspondem a regras impostas ao corpo.</p><p>Está correto apenas o que se afirma em:</p><p>A</p><p>I</p><p>B</p><p>II</p><p>C</p><p>III</p><p>D</p><p>I e II</p><p>E</p><p>I e III</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>As afirmativas I e II estão corretas porque os esquemas imagéticos representam padrões espaciais e</p><p>relações de força percebidas em nossa interação com o ambiente ou o mundo, sendo representações</p><p>conceituais abstratas providas de sentido. Os esquemas de contêiner, percurso e bloqueio correspondem à</p><p>forma como experimentamos ou percebemos o mundo e nele nos movemos, produzindo esquemas</p><p>imagéticos que possuem sentido ou significado.</p><p>A afirmativa III está incorreta porque os esquemas imagéticos são mentais, e não corporais, ou seja, são</p><p>representações de percepções a partir do corpo, mas não são em si corporais. Além disso, a contribuição</p><p>deles é para a descrição gramatical ou linguística, e não para o aprendizado da gramática ou de regras.</p><p>Questão 2</p><p>O frame é um dos conceitos presentes no modelo de descrição da Semântica Cognitiva. Assinale a sequência</p><p>a seguir que exemplifica, de modo mais explícito, o que cognitivamente representa o conceito de frames:</p><p>A</p><p>Boneca, cachorro, nuvem.</p><p>B</p><p>Garrafa, vidro, vida.</p><p>C</p><p>Pedro, colchão, brinco.</p><p>D</p><p>Ar, frio, temperatura.</p><p>E</p><p>Cantar, dormir, caderno.</p><p>A alternativa D está correta.</p><p>Podemos afirmar que o frame é composto por um conjunto de conhecimentos relacionados entre si, seja</p><p>por qual critério for. No caso de ar, frio, temperatura temos uma sequência que apresenta uma relação a</p><p>partir de aspectos relacionados com o clima ou as condições meteorológicas. Nas demais alternativas, a</p><p>sequência possui, pelo menos, um elemento quebra a relação entre eles.</p><p>4. Conclusão</p><p>Considerações finais</p><p>Ao longo de nosso estudo, vimos que há diferentes áreas de investigação identificadas sob o rótulo da</p><p>Linguística Cognitiva. Desse modo, uma das características da Linguística Cognitiva é a diversidade ou</p><p>pluralidade teórica e metodológica.</p><p>Um aspecto importante nas diversas vertentes da Linguística Cognitiva é seu contraponto à abordagem</p><p>formalista da Linguística Gerativa. Nesse sentido, a abordagem cognitiva propôs uma alternativa teórica de</p><p>base empirista, não racionalista, sobre a questão da linguagem. Assim, aprendemos que a Linguística</p><p>Cognitiva compreende a linguagem como parte integrante dos processos gerais da cognição humana e da</p><p>nossa relação com o mundo.</p><p>Estudamos, ainda, aspectos importantes para a Linguística Cognitiva, como a Hipótese da Corporificação, os</p><p>conceitos de frames, metáfora e metonímia, além de abordarmos, brevemente, a Gramática das Construções,</p><p>a Teoria dos Protótipos, os Modelos Cognitivos Idealizados, entre tantos outros pilares da chamada Linguística</p><p>Cognitiva.</p><p>Diante de abordagens teóricas tão recentes no campo dos estudos linguísticos, fica o desafio de continuar os</p><p>estudos e aprender mais sobre a pesquisa linguística acerca da linguagem e a produção de sentido.</p><p>Podcast</p><p>Neste podcast, será feito um apanhado geral das características dos estudos da Linguística Cognitiva e</p><p>de seus principais conceitos.</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Acesse a versão digital para ouvir o áudio.</p><p>Explore +</p><p>Para maior aprofundamento do conteúdo estudado:</p><p>Leia o artigo O surgimento da Linguística Cognitiva, de Cristiane F. Moreira, publicado nos Anais do 12º</p><p>ENFOPE (Encontro Internacional de Formação de Professores) e disponível no portal do evento.</p><p>Leia o artigo Introdução à Linguística Cognitiva, de Valéria C. Chiavegatto, publicado na Revista</p><p>Matraga e disponível no Portal de Publicações Eletrônicas da UERJ.</p><p>Leia o artigo Metáforas, protótipos e esquemas imagéticos: como a linguagem revela os caminhos da</p><p>mente, de Naira A. Velozo, publicado nos Anais do XVII Congresso Nacional de Linguística e Filologia e</p><p>disponível no portal Filologia.Org.</p><p>Assista ao vídeo Linguística Cognitiva: O que é? Para onde vai?, uma mesa-redonda com Lilian Ferrari,</p><p>Maíra Avelar e Diogo Pinheiro,</p><p>disponível no canal da ABRALIN no YouTube.</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>•</p><p>Assista ao vídeo Linguística Cognitiva e Ensino, uma mesa-redonda Antônio Suárez Abreu e Mônica</p><p>Fontenelle Carneiro, disponível no canal da ABRALIN no YouTube.</p><p>Assista ao vídeo Linguística Cognitiva e Produção Textual, uma palestra com Antônio Suárez Abreu</p><p>disponível no canal Observatório Unifran no YouTube.</p><p>Referências</p><p>ANDRADE, A. F. A Gestalt na avaliação da simbologia pictórica com base em tarefas de leitura de mapas. Tese</p><p>(Doutorado em Ciências Geodésicas). Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014.</p><p>CEZARIO, M.M.; ALONSO, K.S. A contribuição do modelo da construcionalização e mudanças construcionais:</p><p>reflexões em português. Revista Soletras, v. 1, 2019.</p><p>FAUCONNIER, G; TURNER, M. Blending as a Central Process of Grammar, In: GOLDBERG, A. (Ed.). Conceptual</p><p>Structure and Discourse. Stanford: CSLI Publications, 1996.</p><p>GERHARDT, A. F. L. M. Integração conceptual, formação de conceitos e aprendizado. Revista Brasileira de</p><p>Educação, v. 15 n. 44 maio-ago. 2010.</p><p>LEITÃO DE ALMEIDA, M. L. et al. Breve introdução à Linguística Cognitiva. In: LEITÃO DE ALMEIDA, M. L. et al.</p><p>Linguística cognitiva: morfologia e semântica. Rio de Janeiro: Publit, 2010.</p><p>PINHEIRO, D. Um modelo gramatical para a linguística funcional-cognitiva: da Gramática de Construções para</p><p>a Gramática de Construções Baseada no Uso. In: ALVARO, P. T.; FERRARI, L. (Orgs.). Linguística Cognitiva: dos</p><p>bastidores da cognição à linguagem. Campos: Brasil Multicultural, 2016.</p><p>PINHEIRO, D.; NASCIMENTO, L. C. O papel da integração conceptual na construção dos sentidos. Cadernos do</p><p>CNLF, v. XIV, n. 2, 2010.</p><p>SALVADOR, J. F. Linguística Cognitiva In: ELINC. Pequena Enciclopédia Virtual. Belo Horizonte: PUC Minas,</p><p>2007.</p><p>TENUTA DE AZEVEDO, A. M.; LEPESQUEUR, M. Aspectos da afiliação epistemológica da Linguística Cognitiva</p><p>à Psicologia da Gestalt: percepção e linguagem. Ciênc. cogn., Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 65-81, ago. 2011.</p><p>•</p><p>•</p><p>A Linguística Cognitiva</p><p>1. Itens iniciais</p><p>Propósito</p><p>Preparação</p><p>Objetivos</p><p>Introdução</p><p>1. Linhas gerais da Linguística Cognitiva</p><p>Linguística Gerativa versus Linguística Cognitiva – parte I</p><p>Discordâncias entre abordagens linguísticas distintas</p><p>Comentário</p><p>Superação da oposição entre sintaxe e pragmática</p><p>Superação da visão modular da gramática</p><p>Atenção</p><p>Linguística Gerativa versus Linguística Cognitiva – parte II</p><p>Abertura para um caráter mais interdisciplinar</p><p>Da Gramática Universal à Gramática das Construções</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>Resumindo</p><p>Operações de conceptualização</p><p>Noção de construal</p><p>Ajustes focais</p><p>Marco e trajetor</p><p>Figura e fundo</p><p>Metáfora e metonímia</p><p>Integração conceptual</p><p>A Linguística Cognitiva</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Superação da oposição entre sintaxe e pragmática</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Superação da visão modular da gramática</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>2. Concepção cognitiva de categorização</p><p>Processos cognitivos e categorização</p><p>Processos cognitivos de domínio geral</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>A categorização como processo cognitivo de domínio geral</p><p>Resumindo</p><p>Teoria dos protótipos da LC</p><p>Reflexão</p><p>Categorização radial</p><p>Noção de categoria radial</p><p>Categorização radial e aquisição da linguagem</p><p>Situação A</p><p>Situação B</p><p>Situação C</p><p>Concepção Cognitiva de Categorização</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Linguagem e processos cognitivos de domínio geral</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Categorização e Gramática das Construções</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>3. Estrutura da Semântica Cognitiva</p><p>Pressupostos e modelo descritivo da Semântica Cognitiva</p><p>Principais pontos da Semântica Cognitiva</p><p>Visão não modular da linguagem</p><p>Mapeamento direto do significado a uma estrutura linguística</p><p>Inserção direta da pragmática na formação da gramática</p><p>Modelo de descrição da Semântica Cognitiva</p><p>1</p><p>2</p><p>Esquemas imagéticos</p><p>Esquema contêiner</p><p>Esquema percurso</p><p>Esquema bloqueio</p><p>Frames e modelos cognitivos idealizados</p><p>Exemplo</p><p>MCI e Teoria dos Protótipos</p><p>Exemplo</p><p>A Semântica Cognitiva</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Vem que eu te explico!</p><p>Principais pontos da Semântica Cognitiva</p><p>Conteúdo interativo</p><p>MCI e Teoria dos Protótipos</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Verificando o aprendizado</p><p>4. Conclusão</p><p>Considerações finais</p><p>Podcast</p><p>Conteúdo interativo</p><p>Explore +</p><p>Referências</p>

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