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<p>inflamabilidade</p><p>(LII) e o limite superior de inflamabilidade (LSI). Outros combustíveis possuem um</p><p>limite de inflamabilidade muito próximo do zero, possibilitando que pequenos</p><p>vazamentos tornem a atmosfera explosiva.</p><p>5. Temperatura de ignição – quando é feita a especificação de um equipamento</p><p>certificado de área classificada, deve-se saber a temperatura de ignição do</p><p>combustível possivelmente presente a fim de determinar a classe de temperatura</p><p>que será especificada no equipamento localizado no ambiente.</p><p>Conforme já mencionado, as áreas classificadas são dividas em zonas zero, um e dois.</p><p>Acompanhe a seguir as características de cada uma delas.</p><p>O verbo persistir, citado na zona 2, significa o tempo total de existência da atmosfera</p><p>inflamável. Isto compreenderá a duração total da ocorrência mais o tempo levado</p><p>para que a atmosfera inflamável se disperse após o final do evento.</p><p>14 / 63</p><p>De forma resumida: considerando-se a existência de atmosfera explosiva em horas</p><p>acumuladas por ano, ou seja, o somatório do período total (em um ano) em que</p><p>a atmosfera de fato está dentro dos limites de inflamabilidade do gás ou vapor</p><p>inflamável, as zonas seriam classificadas da seguinte forma:</p><p>Zona 0: maior que 1.000 horas/ano.</p><p>Zona 1: entre 10 e 1000 horas/ano.</p><p>Zona 2: entre 1 e 10 horas/ano.</p><p>Dessa forma, verifica-se como a periculosidade de uma instalação aumenta quando</p><p>saímos de uma área de zona 2 para outra de zona 1, e desta para uma região de zona</p><p>0.</p><p>Um exemplo de ambiente que, em geral, é considerado como zona 0 é o interno de um</p><p>tanque atmosférico que armazena produtos inflamáveis.</p><p>Um exemplo de ambiente que, em geral, é considerado como zona 1 é a área em torno</p><p>do respiro de um tanque atmosférico que armazena produtos inflamáveis.</p><p>Um exemplo que, em geral, é considerado como zona 2 é o entorno de um flange</p><p>que passa produtos inflamáveis em seu interior. Embora, ele seja projetado para não</p><p>vazar, isso pode ocorrer em determinadas situações, como, por exemplo, em caso</p><p>de envelhecimento da junta ou por um desaperto dos seus parafusos, que podem</p><p>acarretar perda de vedação.</p><p>Esses exemplos podem ser visualizados na figura abaixo:</p><p>15 / 63</p><p>A classificação de área pode ser realizada através de representação gráfica, que</p><p>define o grau de risco em cada local, conforme as figuras a seguir.</p><p>16 / 63</p><p>4 – MEDIDAS DE CONTROLE DE RISCOS EM ÁREAS</p><p>CLASSIFICADAS</p><p>• Utilizar somente equipamentos elétricos apropriados, conforme o mapa de</p><p>classificação de áreas.</p><p>• Instalar e manter os equipamentos elétricos e eletrônicos certificados para áreas</p><p>classificadas, conforme projetado.</p><p>• Não fumar nas áreas classificadas e obedecer toda a sinalização existente na área</p><p>industrial.</p><p>• Somente executar qualquer trabalho mediante autorização (permissão para</p><p>trabalho).</p><p>Tão importante quanto especificar os equipamentos elétricos e eletrônicos para a</p><p>área classificada conforme as normas é também fazer a instalação e manutenção</p><p>deles por meio de pessoal qualificado.</p><p>Observe a imagem abaixo. Vê-se uma luminária à prova de explosão, com a seguinte</p><p>informação destacada em amarelo: “Cuidado não abra enquanto estiver energizado”.</p><p>Esse alerta é importante, pois, quando um equipamento como este é aberto, tira-se</p><p>automaticamente a sua proteção. Para que essa proteção seja retirada sem nenhum</p><p>risco, o equipamento deve ser desenergizado. É necessário lembrar que, conforme</p><p>orientação do fabricante, após a desenergização, o profissional deve aguardar</p><p>17 / 63</p><p>20 minutos antes de abrir o equipamento, pois é o tempo para dissipação de uma</p><p>eventual energia residual que possa estar retida no equipamento.</p><p>5 – ERROS FREQUENTES ENCONTRADOS EM</p><p>EQUIPAMENTOS E INSTALAÇÕES EX</p><p>Os principais erros vistos no dia a dia em equipamentos EX são os seguintes:</p><p>• Falta de parafuso(s) em tampa de invólucro à prova de explosão.</p><p>• Dimensão do interstício acima do máximo em invólucro à prova de explosão.</p><p>• Juntas roscadas danificadas devido à retirada forçada de prensa cabos ou bujões.</p><p>• Superfícies das juntas à prova de explosão danificadas por manuseio ou</p><p>armazenamento incorreto.</p><p>• Conexões de aterramento frouxas ou inexistentes.</p><p>• Unidade seladora sem selagem.</p><p>• Equipamentos instalados em áreas classificadas não atendendo à questão dos</p><p>grupos de gases (ex.: invólucro para o Grupo IIA instalado em área do Grupo IIC).</p><p>• Uso de prensa cabos, bujões, tampões industriais em equipamentos EX.</p><p>• Modificações não autorizadas que comprometem a segurança do equipamento</p><p>(exemplos: furações adicionais, instalação de componentes adicionais).</p><p>• Luminária com lâmpada diferente da especificada e aprovada no certificado de</p><p>conformidade.</p><p>• Invólucros à prova de explosão com entradas em aberto.</p><p>• Invólucros à prova de explosão com juntas flangeadas pintadas.</p><p>18 / 63</p><p>• Emendas em cabos elétricos dentro de áreas classificadas.</p><p>• Cabos de instalações provisórias sem proteção.</p><p>A instalação, inspeção e manutenção de equipamentos e instalações elétricas em</p><p>atmosferas explosivas devem ser executadas somente por pessoal qualificado, que</p><p>tenha recebido treinamento específico sobre os vários tipos de proteção e práticas</p><p>de instalação.</p><p>Outro erro frequentemente encontrado em instalações EX e muito debatido no</p><p>dia a dia é sobre a instalação de equipamentos em áreas externas. Na verdade, um</p><p>equipamento certificado para estar em uma área classificada não necessariamente</p><p>estará apto a permanecer em um ambiente externo, exposto a intempéries, por</p><p>exemplo.</p><p>Existe outro tipo de classificação responsável por informar se determinado</p><p>equipamento está ou não protegido contra, por exemplo, a entrada de água ou poeira:</p><p>chama-se proteção IP.</p><p>IP significa index of protection. É um grau de proteção que possui dois números</p><p>seguidos, sendo o primeiro referente à proteção para a pessoa não inserir parte do</p><p>seu corpo no equipamento, evitando, por exemplo, choques elétricos ou contato com</p><p>uma parte móvel desse equipamento; também diz respeito à proteção de entrada de</p><p>particulados no equipamento, possuindo variação de 0 a 6. O segundo número é para</p><p>a proteção contra entrada de líquidos e tem variação entre 0 e 8.</p><p>A ABNT NBR IEC 60529 define um sistema para a classificação dos graus de proteção</p><p>providos para os invólucros dos equipamentos elétricos. Esta NBR fornece uma</p><p>extensão adicional ao grau de proteção através de letras adicionais (A, B, C ou D)</p><p>quando a real proteção das pessoas contra o acesso às partes perigosas for maior</p><p>que aquela indicada pelo primeiro numeral característico (ver figuras abaixo).</p><p>19 / 63</p><p>20 / 63</p><p>21 / 63</p><p>Geralmente, as luminárias à prova de explosão que são instaladas em áreas externas</p><p>possuem grau de proteção IP 65, ou seja, são totalmente protegidas contra poeiras</p><p>e jatos d’agua.</p><p>22 / 63</p><p>6 – ELETRICIDADE ESTÁTICA</p><p>Podemos conceituar eletricidade estática como o conjunto de fenômenos associados</p><p>à “retenção” de cargas elétricas na superfície de um corpo isolante ou de um corpo</p><p>condutor isolado.</p><p>A NR 20 estabelece que o empregador deve implementar medidas específicas para</p><p>controle da geração, acúmulo e descarga de eletricidade estática nas áreas sujeitas à</p><p>existência de atmosferas inflamáveis.</p><p>Durante a realização de, por exemplo, atividade de transferência de produtos químicos,</p><p>a geração de eletricidade estática é inevitável. É possível, entretanto, evitar o seu</p><p>acúmulo com a realização de, principalmente, equipotencialização e aterramento do</p><p>sistema. Deve-se ressaltar que a umidade relativa do ar é fator preponderante na</p><p>dissipação de cargas acumuladas.</p><p>Ao transferir produtos inflamáveis, é possível que a atmosfera explosiva gere carga</p><p>de energia estática; caso não exista um sistema de equipotencialização e aterramento</p><p>eficaz, essa energia estática pode se acumular a ponto de a eletricidade estática</p><p>adquirir uma diferença de potencial (DDP) suficiente para romper o meio isolante</p><p>(nuvem de gás misturada com o ar). Dessa forma, caso a concentração esteja</p><p>entre</p><p>os limites inferior e superior de inflamabilidade e, durante a descarga, seja atingida</p><p>a energia mínima de ignição (MIE), ocorrerá a ignição da atmosfera explosiva. Por</p><p>isso a importância de manter um controle que evite que essa eletricidade estática se</p><p>acumule até um nível perigoso de risco de ignição.</p><p>Ainda é fundamental que todos os tanques de armazenamento de líquidos inflamáveis</p><p>estejam aterrados, segundo recomendações da NR 10 e de normas da ABNT.</p><p>7 – DEFINIÇÕES E CONCEITOS BÁSICOS DA</p><p>ELETRICIDADE ESTÁTICA</p><p>• Causada pelo desbalanceamento de elétrons na superfície dos materiais</p><p>(desequilíbrio de cargas).</p><p>• Ocorre mais comumente pelo contato e separação de materiais.</p><p>• Esse desequilíbrio de cargas pode acontecer entre quaisquer materiais, tais como</p><p>sólidos, líquidos e partículas de ar.</p><p>23 / 63</p><p>• O choque (descarga elétrica) ocorre com a transferência descontrolada de carga.</p><p>• A umidade relativa do ar é fator preponderante na dissipação de cargas acumuladas.</p><p>8 – ELETRICIDADE ESTÁTICA: TRANSFERÊNCIA DE</p><p>FLUIDOS</p><p>Numa transferência de produtos, a eletricidade estática é gerada na medida em que</p><p>há o escoamento de fluido através de tubulações, válvulas e filtros.</p><p>Semelhantemente ao que acontece com o atrito de dois elementos, o fluido, ao escorrer</p><p>em um duto ou passar por um filtro, tende a retirar elétrons desses equipamentos;</p><p>com isso, possivelmente fica carregado negativamente, enquanto o equipamento</p><p>(duto, por exemplo) fica carregado positivamente.</p><p>Observe a imagem a seguir.</p><p>24 / 63</p><p>A imagem acima ilustra um carregamento de produto inflamável para um caminhão-</p><p>tanque. Para esse sistema, é apresentado um plano cartesiano, no qual, na ordenada,</p><p>é mostrada a intensidade de cargas eletroestáticas geradas e, na abcissa, é</p><p>representado o componente do sistema.</p><p>Como observado, de todos os componentes desse sistema de transferência, o que</p><p>mais gerou eletricidade estática foi o filtro, que é muito restritivo; por esse motivo,</p><p>há um atrito muito grande com o liquido que passa por ele, gerando, assim, muita</p><p>carga eletroestática.</p><p>Nesse processo de transferência de produtos inflamáveis, deve-se ter muito cuidado;</p><p>para não ocorrer o acúmulo de energia estática, é preciso conferir se todos os</p><p>componentes estão equipotencializados e se o aterramento está adequado.</p><p>Exemplos de operações com geração de eletricidade estática:</p><p>25 / 63</p><p>Transferência entre recipientes</p><p>Enchimento de tanques</p><p>26 / 63</p><p>Carga e descarga de caminhões-tanque</p><p>Muitos sistemas de aterramento são intertravados com bombas e válvulas de</p><p>bloqueio, de forma que nenhuma transferência pode ser iniciada se o caminhão-</p><p>tanque e a instalação não estiverem no mesmo potencial.</p><p>27 / 63</p><p>O exemplo da figura acima ocorreu em 2007, em Kansas, nos Estados Unidos. Havia</p><p>uma falha de projeto no acoplamento do medidor de nível do tanque, que, por sua</p><p>vez, acumulava eletricidade estática. Neste caso, o medidor de nível estava dentro de</p><p>um tanque de armazenamento de VM & P Nafta. Esse produto, devido à sua condição</p><p>de pressão de vapor e faixa de inflamabilidade, formava uma atmosfera explosiva</p><p>dentro do tanque.</p><p>No dia do acidente, havia uma atividade de enchimento dos tanques, e esse medidor</p><p>acumulou energia suficiente para gerar uma diferença de potencial necessária para</p><p>romper o meio isolante. Essa descarga gerou uma centelha que ocasionou uma</p><p>explosão seguida de incêndio no tanque. A partir daí, outros tanques foram atingidos</p><p>e se incendiaram também.</p><p>Consequências: evacuação de milhares de residências, danos severos intramuros e</p><p>danos extramuros.</p><p>9 – ELETRICIDADE ESTÁTICA: MEDIDAS DE CONTROLE E</p><p>REDUÇÃO DOS RISCOS</p><p>A continuidade elétrica e o correto aterramento asseguram que a eletricidade estática</p><p>não se acumule e cause uma centelha; porém, há algumas exceções.</p><p>Continuidade elétrica: significa conectar eletricamente objetos condutores</p><p>para equalizar potenciais elétricos e evitar centelhamentos, algo semelhante à</p><p>28 / 63</p><p>equipotencialização.</p><p>Aterramento: significa conectar um objeto condutor à terra a fim de dissipar a</p><p>eletricidade da carga estática acumulada ou de outras possíveis fontes.</p><p>Ligações entre dois objetos e aterramento são eficazes somente quando os objetos</p><p>ligados entre si são condutores.</p><p>Os sistemas de ligação à terra devem ser inspecionados regularmente para que se</p><p>tenha a certeza de que estão em perfeito estado, cumprindo efetivamente o seu</p><p>papel.</p><p>Tão importante quanto fazer o aterramento na instalação é inspecionar e fazer sua</p><p>manutenção, pois, se acontecer a degradação ou corrosão e, consequentemente,</p><p>o rompimento de alguns fios da malha de aterramento, a eficácia do sistema será</p><p>drasticamente prejudicada.</p><p>Outras medidas de controle que podem ser incorporadas no sistema para evitar o</p><p>acúmulo de eletricidade estática são:</p><p>• Adicionar agente antiestático – diversos hidrocarbonetos, como o benzeno,</p><p>por exemplo, possuem elevada resistividade. Esses líquidos geram muita carga</p><p>eletroestática e, mesmo que estejam acondicionados em um recipiente condutor</p><p>e aterrados, eles não transferem essa carga para o aterramento. Com a adição de</p><p>agente antiestético, esse problema é resolvido.</p><p>• Adicionar gás inerte no interior de tanques de armazenamento – essa medida seria</p><p>muito importante para o exemplo mostrado anteriormente, do Kansas, nos EUA.</p><p>29 / 63</p><p>Caso houvesse a adição de gases inertes na quantidade certa no espaço de vapor</p><p>do tanque onde ocorreu o sinistro, sua ignição e explosão seriam evitadas.</p><p>• Controlar a velocidade de escoamento durante a transferência de fluidos de</p><p>processo – quanto maior a velocidade de fluxo, maior é a geração de carga</p><p>eletroestática. Com misturas hidrocarboneto-água, uma velocidade linear de 1m/s</p><p>geralmente é aceita como um valor seguro.</p><p>• Impedir turbulências violentas durante o escoamento de um produto inflamável.</p><p>• Privilegiar um design que reduza o número de acessórios restritivos de tubulação.</p><p>10 – PERMISSÃO DE TRABALHO A QUENTE</p><p>Considera-se trabalho a quente as atividades de soldagem, goivagem,</p><p>esmerilhamento, corte ou outras atividades que possam gerar fontes de ignição, tais</p><p>como aquecimento, centelha ou chama.</p><p>A definição das áreas classificadas é voltada para as especificações de elementos</p><p>elétricos e eletrônicos, mas também é muito importante para definir as extensões</p><p>das áreas onde há probabilidade de formação de atmosfera inflamável.</p><p>Então, ao exercer uma atividade a quente nessas áreas, por mais que não se use</p><p>nenhum equipamento elétrico ou eletrônico, é primordial implementar medidas de</p><p>30 / 63</p><p>controle para garantir que não ocorra uma ignição da atmosfera.</p><p>A NR 20 exige que trabalhos realizados a quente em áreas com possível presença de</p><p>atmosfera explosiva devem ser precedidos de permissão para trabalho.</p><p>A permissão de trabalho deve ser precedida por uma análise de riscos que contenha</p><p>as seguintes informações:</p><p>• Escopo do trabalho.</p><p>• Riscos potenciais.</p><p>• Medidas de controle necessárias.</p><p>• Raio de abrangência.</p><p>• Sinalização e isolamento da área.</p><p>• Necessidade ou não de vigilância especial contra incêndios (observador) e de</p><p>sistema de alarme.</p><p>• Outras providências necessárias, a critério do emitente da PT.</p><p>31 / 63</p><p>11 – MONITORAMENTO DA ATMOSFERA</p><p>Deve-se considerar esse anexo (ABNT NBR 60079-14 – Anexo D) quando for feita uma</p><p>análise de risco de uma atividade a quente que ocorrerá em uma área classificada,</p><p>porque ele traz algumas medidas de controle que podem e devem ser adotadas para</p><p>que esse tipo de atividade seja realizado de forma segura.</p><p>Um dos pontos mais importantes levantado no anexo D da referida NBR é a monitoração</p><p>da atmosfera. Se existe a possibilidade de formação de atmosfera explosiva em uma</p><p>área na qual será realizada uma atividade a quente, deve-se ter certeza que não</p><p>32 / 63</p><p>haverá a presença de vapores e gases inflamáveis durante a realização do trabalho.</p><p>Dessa forma, evita-se a formação do triângulo de fogo, visto que, no ambiente,</p><p>já</p><p>existem o oxigênio (atmosfera) e a fonte de ignição (faísca, calor, chama, centelha</p><p>do trabalho a quente), faltando apenas o combustível. Ao monitorar a atmosfera do</p><p>local onde está ocorrendo o trabalho a quente, utilizando, para isso, um explosímetro</p><p>testado e calibrado, garante-se que, naquele momento, não há a presença de gases</p><p>e vapores inflamáveis.</p><p>Explosímetros são equipamentos especialmente fabricados para detectar</p><p>concentrações de gases e vapores inflamáveis.</p><p>A quantidade suficiente de gás ou vapor para formar uma atmosfera inflamável</p><p>varia a cada produto e é dimensionada através das constantes de limite inferior de</p><p>inflamabilidade (LII) e limite superior de inflamabilidade (LSI).</p><p>Conforme a figura abaixo, a faixa de leitura dos explosímetros é a representada pela</p><p>letra a (mistura pobre – não inflamável), enquanto a faixa de inflamabilidade (mistura</p><p>ideal – inflamável) é representada pela letra b.</p><p>Exemplo: o limite inferior de inflamabilidade (LII) do metano (CH4) está em torno de</p><p>5% em volume, e seu limite superior de inflamabilidade (LSI), em 15%. Ou seja, na</p><p>atmosfera, uma concentração em volume de metano na faixa entre 5% e 15% forma</p><p>uma mistura explosiva, podendo ser ignitada a qualquer momento por uma fonte de</p><p>ignição.</p><p>Com menos de 5% em volume na atmosfera, o gás metano corresponde a uma mistura</p><p>pobre (pouco combustível em relação à quantidade de ar); superior a 15%, trata-se</p><p>33 / 63</p><p>da mistura rica (muita quantidade de combustível em relação à de ar). Nessas duas</p><p>condições, não ocorre ignição. Ocorre ignição apenas na mistura ideal, entre 5% e</p><p>15%. Lembrando que esse exemplo é dentro de uma condição natural de temperatura</p><p>de pressão, ou seja, 0º Celsius e 1 atmosfera.</p><p>Normalmente, os explosímetros ou detectores de gases ou vapores inflamáveis</p><p>fornecem leituras em uma escala que varia de 0 a 100% do LII, expressando</p><p>concentrações em %vol; ou seja, 1% vol corresponde a 10.000 ppm (partes por milhão)</p><p>de concentração de gás. Esses aparelhos trazem essas informações no display</p><p>como LEL – sigla em inglês para lower explosive limit, que significa limite inferior de</p><p>explosividade. Dessa forma, quando o equipamento indica 100% do LEL, significa</p><p>que a concentração de vapor ou gás inflamável no local está igual ou maior que o seu</p><p>limite inferior de inflamabilidade, estando, assim, na sua mistura ideal.</p><p>O uso dos explosímetros possibilita a obtenção de resultados quantitativos e não</p><p>qualitativos. Esse equipamento tem um gás de calibração, que geralmente é o gás</p><p>metano (CH4). Então, ao realizar a medição de uma atmosfera, faz-se sempre em</p><p>relação à escala do metano.</p><p>Os explosímetros são geralmente configurados para alarmar em concentrações</p><p>de 10% LEL (alerta) e 20% do LEL (alto). Dessa forma, se o aparelho foi calibrado</p><p>com metano e monitorar um ambiente que tenha a presença de, por exemplo, gás</p><p>butano, que possui o LII em 1,5% do volume, o explosímetro só irá alarmar quando</p><p>a concentração da atmosfera atingir 10% do LEL do metano, ou seja, 0,5% vol.</p><p>Entretanto, com 0,5% vol, o gás butano já estará com 33,33% do LEL, ou seja, em uma</p><p>condição extremamente mais perigosa em comparação à atmosfera com presença de</p><p>gás metano.</p><p>Então, ao realizar a monitoração de explosividade em uma atmosfera, deve-se</p><p>verificar a tabela de conversão do aparelho que está sendo utilizado. Se estiver</p><p>em um ambiente com a possibilidade de presença de um determinado produto</p><p>e o equipamento estiver calibrado para detectar outro, este gráfico informará o</p><p>percentual do LEL real do produto que está sendo de fato monitorado.</p><p>34 / 63</p><p>Acima, é possível observar algumas faixas de inflamabilidade de alguns gases e</p><p>vapores inflamáveis. Verifica-se que o limite de inflamabilidade do metano é 5%;</p><p>do propano, em torno de 1,8%; e do butano, 1,5%. Então, ao monitorar um produto</p><p>diferente do qual o equipamento foi calibrado, é essencial fazer a consulta na tabela</p><p>de conversão do equipamento para certificar-se do percentual de explosividade</p><p>presente na atmosfera analisada.</p><p>Outro ponto importante a ser destacado é que a sensibilidade e a precisão dos</p><p>detectores de gases e vapores inflamáveis podem ser afetadas por influência de</p><p>vários fatores, tais como a presença de material particulado (poeira), alto teor de</p><p>umidade e temperaturas extremas.</p><p>Por essas razões, as sondas de amostragem de muitos modelos já estão sendo</p><p>equipadas com filtro e agente secante.</p><p>35 / 63</p><p>Esses equipamentos não devem ser utilizados em ambientes com temperaturas</p><p>extremas sem o conhecimento de que tais temperaturas podem interferir na resposta</p><p>do instrumento.</p><p>A maioria dos explosímetros disponíveis no mercado é equipada com sensores</p><p>para detecção de outros gases, como, por exemplo, o O2. Isso facilita os trabalhos</p><p>de monitoramento, pois a detecção de gases ou vapores inflamáveis deve estar</p><p>associada às concentrações normais de O2 na atmosfera, ou seja, a cerca de 21%.</p><p>A concentração mínima de O2 para o perfeito funcionamento de um explosímetro</p><p>é, em geral, da ordem de 14%. Quando o percentual de oxigênio em um ambiente</p><p>monitorado for menor do que o limite de confiabilidade do equipamento, o fabricante</p><p>deve ser contatado para fornecer alternativas para que o monitoramento do produto</p><p>inflamável seja real.</p><p>Quando o monitoramento ocorrer em um ambiente com percentual de oxigênio</p><p>menor que o limite de confiabilidade do equipamento, uma alternativa atualmente</p><p>fornecida por alguns fabricantes é este dispositivo:</p><p>36 / 63</p><p>Em formato de T, esse aparelho é demoninado tubo de diluição.</p><p>Quando é feita a monitoração de equipamentos inertizado (geralmente por nitrogênio</p><p>ou dióxido de carbono), esse dispositivo pode fazer com que o percentual de oxigênio</p><p>que passa pelo explosímetro seja maior, ocasionando uma leitura real do percentual</p><p>de inflamabilidade presente no referido equipamento inertizado.</p><p>12 – CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DE EXPLOSÍMETROS</p><p>Existem algumas substâncias que, embora sejam inflamáveis, apresentam</p><p>características de toxicidade que se manifestam antes de elas entrarem em</p><p>concentrações ideais de explosividade. O H2S é um exemplo clássico, visto que:</p><p>• 200 – 300 ppm - Pode causar dificuldades respiratórias, levando a desmaio ou</p><p>coma.</p><p>• 700 ppm - Exposições por mais de 30 min são fatais.</p><p>37 / 63</p><p>• LII - 4% - 40.000 ppm.</p><p>Então, caso o explosímetro seja utilizado como única forma de segurança para</p><p>monitorar esse tipo de gás, o colaborador pode ficar exposto a uma concentração</p><p>capaz de causar algum tipo de prejuízo para a sua saúde, mesmo que, para efeito de</p><p>explosividade, ainda seja muito baixa.</p><p>Por esse motivo, atualmente, alguns explosímetros monitoram simultaneamente</p><p>diversos gases. São os chamados equipamentos multigás, que controlam, além da</p><p>explosividade e do oxigênio, o H2S e o monóxido de carbono.</p><p>38 / 63</p><p>13 – FERRAMENTAS ANTIFAISCANTES</p><p>Os riscos da ignição de vapores ou gases inflamáveis devido a faíscas devem</p><p>sempre ser considerados em locais de operações de transferência, armazenamento,</p><p>transporte e processamento desses produtos.</p><p>Estudos realizados na indústria do petróleo (API RECOMMENDED PRACTICE 2214,</p><p>por exemplo) sugerem que o ganho de segurança no uso de ferramentas manuais</p><p>antifaiscantes (bronze ou latão) em presença de vapores de gasolina e de outros</p><p>hidrocarbonetos é pouco significativa.</p><p>Ferramentas de madeira e as forradas com couro ou plástico minimizam o risco de</p><p>faísca por fricção, ainda que exista a possibilidade de incrustação de partículas</p><p>metálicas nelas.</p><p>A Canadian Centre for Occupacional Health and Safety – CCOHS possui, em seu site,</p><p>algumas perguntas e respostas sobre essas ferramentas manuais “não faiscantes”.</p><p>Seguem algumas abaixo:</p><p>O que é a coisa mais importante a saber sobre ferramentas “não faiscantes”?</p><p>Embora as ferramentas “antifaiscantes” possam diminuir o risco de faíscas, elas</p><p>39 / 63</p><p>não eliminam a possibilidade de formação delas. O nome “não faiscante” é ilusório,</p><p>porque essas ferramentas</p><p>são capazes de produzir faíscas. O termo “ferramentas</p><p>com geração reduzida de faíscas” as descreveria melhor.</p><p>Quais são os perigos de ambas ferramentas “faiscantes” e “não faiscantes”?</p><p>Ambas, materiais “faiscantes” e “antifaiscantes”, podem causar ignição.</p><p>Qual é a melhor salvaguarda contra uma explosão acidental?</p><p>Tenha em mente que não existe uma ferramenta verdadeiramente não faiscante. Em</p><p>qualquer trabalho capaz de gerar chama, centelha ou faísca, certifique-se que não</p><p>haja desenvolvimento de atmosfera explosiva.</p><p>Para garantia da segurança da atividade, use explosímetros em locais com</p><p>possibilidade de formação de atmosferas explosivas (áreas classificadas).</p><p>14 – MOTORES DE COMBUSTÃO INTERNA</p><p>Motores de combustão interna, quando alimentados por gasolina, diesel ou outros</p><p>combustíveis, podem atuar como fontes de ignição.</p><p>Os exemplos incluem:</p><p>• Motores estacionários, tais como compressores, geradores e bombas.</p><p>• Equipamentos móveis ou veículos, tais como vans, caminhões, empilhadeiras,</p><p>guindastes, geradores portáteis etc.</p><p>• Veículos contratados e equipamentos motorizados.</p><p>• Veículos de resposta à emergência, tais como caminhões de combate a incêndio e</p><p>ambulâncias.</p><p>• Motores em caminhões a vácuo, caminhões-tanque e transportadores de resíduos.</p><p>Todos esses equipamentos, vistos diariamente em terminais e refinarias, são possíveis</p><p>fontes de ignição; por esse motivo, devem ser utilizados com muito cuidado nessas</p><p>áreas.</p><p>40 / 63</p><p>Veja dois acidentes que ocorreram em plantas que trabalhavam como produtos</p><p>inflamáveis, no Texas, nos EUA, cujas possíveis fontes de ignição foram veículos de</p><p>combustão interna.</p><p>1º acidente</p><p>Um caminhão a vácuo com motor a diesel pode ter sido a fonte de ignição de um</p><p>incêndio com 3 vítimas fatais e 4 trabalhadores feridos.</p><p>41 / 63</p><p>2º acidente</p><p>Uma explosão na refinaria da BP teve como consequência 15 vítimas fatais e</p><p>aproximadamente 200 feridos. Um pickup a diesel, localizado próximo à área de</p><p>processo, foi a fonte de ignição mais provável.</p><p>42 / 63</p><p>Prevenindo motores de se tornarem fontes de ignição</p><p>Sempre que possível, não instalar, de forma permanente, motores de combustão</p><p>interna em áreas com possibilidade de presença de vapores e gases inflamáveis</p><p>(eliminar o risco é sempre a melhor medida!).</p><p>Medidas de controle para redução do risco:</p><p>• Avaliar e estabelecer áreas permitidas, limites e rotas de entrada para motores</p><p>móveis de combustão interna com base nos padrões aplicáveis e reconhecidos e</p><p>boas práticas de engenharia geralmente aceitas;</p><p>• Sinalizar e reforçar as rotas de tráfego permitidas nas áreas classificadas.</p><p>• Instalação de corta-chamas na admissão e sistema de aprisionamento de faísca na</p><p>exaustão nos motores estacionários.</p><p>• Instalação de detectores de vapores e gases inflamáveis nas áreas de</p><p>processamento.</p><p>• Utilizar um sistema de permissão de trabalho para controlar o acesso dos motores</p><p>móveis de combustão interna no interior das áreas que podem conter vapores e</p><p>gases inflamáveis.</p><p>15 – SINALIZAÇÃO</p><p>A NR 20 considera a sinalização um meio preventivo para evitar a ignição de uma</p><p>atmosfera explosiva em uma área industrial. O empregador deve sinalizar a proibição</p><p>do uso de fontes de ignição em áreas sujeitas à existência de atmosferas inflamáveis.</p><p>43 / 63</p><p>44 / 63</p><p>As áreas classificadas são definidas após cuidadoso estudo que considera as condições</p><p>de ventilação, os produtos processados e os parâmetros de processo (temperatura,</p><p>vazão e pressão).</p><p>Geralmente, essas áreas são definidas por profissionais com formação na área de</p><p>engenharia de processamento, química, elétrica etc., que já possuam qualificação e</p><p>experiência nesse tipo de atividade.</p><p>45 / 63</p><p>Apesar de algumas normas, como a NBR IEC 60079-10, tratarem do tema, elas não</p><p>fornecem um padrão para determinação das áreas classificadas.</p><p>Como não é prático consultar diversos desenhos no campo, recomenda-se adotar uma</p><p>sinalização que forneça informações relevantes para os profissionais que executam</p><p>serviços nas áreas classificadas.</p><p>A diretriz europeia ATEX 137 define as responsabilidades dos empregadores em</p><p>relação à prevenção de explosões e obriga o uso de placas com um triângulo de</p><p>fundo amarelo e contorno preto com as letras EX (em preto) nos acessos das áreas</p><p>classificadas das unidades industriais.</p><p>De acordo com o Manual de Sinalização da Petrobras, o modelo de sinalização a</p><p>ser adotado nas unidades industriais do Sistema Petrobras nos acessos das áreas</p><p>classificadas é o seguinte:</p><p>46 / 63</p><p>A partir dessa sinalização, os profissionais sabem que se trata de uma área classificada</p><p>e que devem ser adotados procedimentos aprovados.</p><p>Lembre-se: atitude como a da imagem abaixo...</p><p>47 / 63</p><p>...pode gerar um cenário como este:</p><p>Fique atento! Ao executar uma atividade em área onde haja a possibilidade de</p><p>formação de atmosfera explosiva, adote as medidas de controle abordadas neste</p><p>material.</p><p>16 – ÁREAS CLASSIFICADAS: CONCEITOS IMPORTANTES</p><p>Segundo a NBR IEC 60.079 – Atmosferas Explosivas, define-se área classificada como</p><p>aquela em que há uma atmosfera explosiva presente, ou possivelmente presente,</p><p>em quantidade tal que requeira precauções especiais para a construção, instalação</p><p>e utilização de equipamentos elétricos. Essas áreas podem ser locais abertos ou</p><p>fechados, que podem gerar zonas de diferentes riscos.</p><p>De forma mais ampla, é um local ou ambiente sujeito à formação de uma atmosfera</p><p>explosiva pela presença normal ou eventual de gases/vapores inflamáveis ou poeiras/</p><p>fibras combustíveis.</p><p>Em locais de área classificada, podem ocorrer incêndios e explosões quando gases,</p><p>48 / 63</p><p>vapores ou poeiras combustíveis (na sua faixa de inflamabilidade) entrarem em</p><p>contato com uma fonte de ignição, que pode ser de origem térmica, elétrica, mecânica</p><p>ou química.</p><p>Lembre-se: para inflamar essa nuvem, além de estar dentro do LII e LSI, essa ignição</p><p>deve atingir uma energia mínima.</p><p>As fontes de ignição podem ter, principalmente, as seguintes origens:</p><p>• Térmica: fósforos, pontas de cigarro, fornos, caldeiras etc.</p><p>• Elétrica: curto-circuito, eletricidade estática, descargas atmosféricas etc.</p><p>• Eletrônica: sensores, transmissores, circuitos eletrônicos em geral.</p><p>• Mecânica: atividades de corte e esmerilhamento, atividades com impacto de</p><p>ferramentas, queda de materiais.</p><p>• Química: reações exotérmicas, substâncias reativas etc.</p><p>Segundo a NBR IEC 60.079 – Atmosferas Explosivas/Parte 10-1: Classificação de</p><p>Áreas – Atmosferas Explosivas de Gás, fonte de risco é o ponto ou local no qual um</p><p>gás, vapor, névoa ou líquido pode ser liberado para a atmosfera de modo que se</p><p>possibilite a formação de uma atmosfera explosiva de gás.</p><p>Em geral, alguns equipamentos do processo, como, por exemplo, tampas, tomadas</p><p>de amostras, bocas de visitas, drenos, vents, respiros, flanges, etc., são considerados</p><p>fontes de risco pela possibilidade de liberação de produtos para os ambientes onde</p><p>estão instalados.</p><p>Essas fontes de risco são classificadas em graus, dependendo da duração e frequência</p><p>das atmosferas explosivas geradas por elas.</p><p>Grau contínuo - liberação é contínua ou esperada para ocorrer frequentemente ou</p><p>por longos períodos. Ex.: interno de um tanque de armazenamento de inflamáveis do</p><p>tipo atmosférico.</p><p>49 / 63</p><p>Grau primário - liberação que pode ser esperada para ocorrer periodicamente ou</p><p>ocasionalmente durante operação normal. Ex.: respiro de um tanque atmosférico,</p><p>pois há saída de vapores do produto quando seu nível aumenta.</p><p>Grau secundário - liberação que não é esperada para ocorrer em operação normal</p><p>e, se ocorrer, é de forma pouco frequente e por curtos períodos. Ex.: flanges (que,</p><p>por envelhecimento da junta ou desaperto dos parafusos, podem vazar) e perda do</p><p>controle de nível (que provocará o derramamento de líquido na bacia).</p><p>50 / 63</p><p>Cabe aos profissionais responsáveis definir as condições aplicáveis em cada planta e,</p><p>a partir daí, estipular as extensões das áreas classificadas.</p><p>Esses profissionais têm,</p><p>na maioria das vezes, formação em engenharia de processos,</p><p>engenharia química ou engenharia elétrica; além disso, são especializados e possuem</p><p>experiência nesse tipo de atividade.</p><p>Na maioria das vezes, essa extensão das áreas classificadas conduz a distâncias</p><p>diferentes das mencionadas nos exemplos das normas, que são apenas ilustrativos.</p><p>A utilização de instalações elétricas em atmosferas explosivas requer a realização</p><p>de estudos das áreas classificadas, como prevê a NR 10, realizados por profissionais</p><p>qualificados. Além disso, a manutenção desses equipamentos necessita de supervisão</p><p>e acompanhamento em toda a sua vida útil.</p><p>17 – ÁREA CLASSIFICADA: MAPAS DE CLASSIFICAÇÃO DE</p><p>ÁREAS</p><p>Para efeito de especificação dos equipamentos e instalações elétricas, a NR 20 define</p><p>que, no projeto das instalações classes II e III, deve constar, entre outros documentos,</p><p>a identificação das áreas classificadas da instalação.</p><p>51 / 63</p><p>Mapa de classificação de área – vista superior</p><p>52 / 63</p><p>Mapa de classificação de área – vista frontal</p><p>É importante destacar que, além de todo o material visto sobre as zonas das áreas</p><p>classificadas, elas dependem de outros parâmetros de projetos, como temperatura,</p><p>pressão, vazão etc., além de características do combustível, como densidade, pressão</p><p>de vapor, ponto de fulgor, temperatura de ignição etc.</p><p>A topografia e as condições de clima local também são muito importantes, pois</p><p>influenciam diretamente nas extensões dessas áreas classificadas.</p><p>53 / 63</p><p>Para prevenir uma explosão e evitar danos irreversíveis em uma planta industrial,</p><p>bem como para seus colaboradores e/ou meio ambiente, é essencial uma gestão de</p><p>áreas de risco que inclua o uso de equipamentos com a proteção apropriada para o</p><p>ambiente, além de uma manutenção adequada desses materiais.</p><p>Dentre esses equipamentos, em caso de utilização em áreas classificadas, destacam-</p><p>se os seguintes:</p><p>54 / 63</p><p>Todos os equipamentos apropriados para estar em zona 0 automaticamente estão</p><p>liberados para utilização nas zonas 1 e 2, e os que estão apropriados para a zona 1</p><p>também estão para a zona 2.</p><p>O inconveniente é que, geralmente, esses equipamentos, que podem estar nas zonas</p><p>de maiores riscos de formação de atmosfera explosiva, são bem mais caros.</p><p>Segundo a NR 20, as instalações elétricas e equipamentos elétricos fixos, móveis e</p><p>portáteis, equipamentos de comunicação, ferramentas e similares utilizados em áreas</p><p>classificadas, assim como os equipamentos de controle de descargas atmosféricas,</p><p>devem estar de acordo com a NR 10.</p><p>Lembrando ainda que a NR 10 determina que materiais, peças, dispositivos,</p><p>equipamentos e sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas de</p><p>ambientes com atmosferas potencialmente explosivas devem ser avaliados quanto à</p><p>sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação.</p><p>55 / 63</p><p>A Portaria nº 179, de 18 de maio de 2010, é a referencia atual para comercialização de</p><p>equipamentos elétricos e eletrônicos utilizados em áreas classificadas.</p><p>Segue alguns trechos da referida portaria:</p><p>56 / 63</p><p>De acordo com a portaria em questão, zona 0, zona 1 e zona 2 referem-se a gases e</p><p>vapores inflamáveis. Quando ela se refere à zona 2.0, zona 2.1 e zona 2.2, diz respeito</p><p>à pós e fibras combustíveis. Lembrando que estas últimas não são o escopo deste</p><p>material.</p><p>57 / 63</p><p>É importante reforçar que esta portaria prevê, no seu parágrafo 5.2.1, a possibilidade</p><p>de empregar produtos não certificados em aplicações envolvendo a zona 2 quando</p><p>atendidas algumas condições básicas.</p><p>A compulsoriedade da certificação levou todas as normas EX à condição de</p><p>obrigatórias, salvo as exceções previstas na Portaria nº 179/10 do Inmetro, que chega</p><p>ao campo do direito:</p><p>• DIREITO DO TRABALHO E PREVIDENCIÁRIO</p><p>- Fiscalização de auditores do TEM.</p><p>- Em caso de acidente do trabalho.</p><p>• DIREITO CIVIL</p><p>- Em caso de sinistro sem vítimas.</p><p>• DIREITO PENAL</p><p>- Em caso de sinistro com vítimas.</p><p>• DIREITO AMBIENTAL</p><p>- Em caso de desastre ambiental.</p><p>No inicio, a utilização de equipamentos certificados em áreas classificadas era</p><p>de cunho facultativo por partes dos empregadores, e o Brasil seguia as normas</p><p>americanas Nacional Electrical Code – NEC e American Petroleum Institute – API.</p><p>Além disso, só existiam os equipamentos à prova de explosão (Ex-d). Atualmente,</p><p>o Brasil segue a norma internacional (Internacional Electrotechnical Commission –</p><p>IEC), e a certificação é compulsória. Ou seja, os equipamentos, para estarem em áreas</p><p>classificadas, devem ser certificados com o selo do Inmetro, salvo algumas exceções,</p><p>conforme item 5.2.1 da Portaria 179 do Inmetro.</p><p>58 / 63</p><p>Hoje, existem vários tipos de proteções e equipamentos para estar em áreas</p><p>classificadas, além daqueles à prova de explosão intrinsicamente seguros, materiais</p><p>encapsulados, imersos em óleo, imersos em areia, segurança aumentada etc.</p><p>Essas instalações devem considerar técnicas de proteção que garantam um nível de</p><p>segurança aceitável em função do risco de formação de atmosferas explosivas.</p><p>A sinalização acima, relacionada à área classificada, já foi vista neste material. Esse</p><p>é um meio de proteção e alerta em prol do empregado quanto à possibilidade de</p><p>formação de atmosfera explosiva.</p><p>59 / 63</p><p>Acima, visualiza-se o rádio de comunicação. Geralmente, os rádios de comunicação</p><p>dos nossos sites têm a seguinte marcação: Ex ib IIA T3, que significa que ele é um</p><p>equipamento certificado para estar em área classificada (EX). A letra i significa o tipo</p><p>de proteção e tecnologia que esse equipamento tem (intrinsicamente seguro); b é o</p><p>nível de proteção, que pode ser a, b ou c, sendo a o nível de proteção muito alto, b o</p><p>nível de proteção alto e c um nível de proteção moderado. Os nossos rádios possuem,</p><p>geralmente, o nível de proteção b; dessa forma, podem ser usados em zona 1 e zona</p><p>2.</p><p>Dessa forma, o nível de proteção atribuído ao equipamento é baseado em sua</p><p>probabilidade de se tornar uma fonte de ignição. A confiabilidade aumenta quando</p><p>partimos da letra c (menor confiabilidade, apenas para aplicações em zonas 2) para a</p><p>letra a (maior confiabilidade, pode ser implementado em zonas 0, 1 e 2).</p><p>O IIA é o grupo do combustível predominante no qual esse equipamento pode estar</p><p>presente; neste caso, é o grupo do propano. Ainda existem, para áreas classificadas</p><p>por gases e vapores inflamáveis/combustíveis, os grupos IIB e IIC.</p><p>O T3 é relacionado à classe de temperatura, que varia de T1 até T6, sendo que,</p><p>quanto maior o número, menor é a temperatura máxima que esse equipamento pode</p><p>alcançar. No caso do T3, o equipamento pode chegar até 200ºC. É importante destacar</p><p>que esses equipamentos, ou seja, os de classe de temperatura T3, não podem estar</p><p>presentes em locais onde o produto inflamável/combustível tenha uma temperatura</p><p>de autoignição inferior a 200ºC.</p><p>18 – PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS</p><p>Proteção para estruturas que contenham vapores e/ou gases inflamáveis e líquidos</p><p>que podem gerar vapores inflamáveis.</p><p>• Estruturas: tanques, vasos, torres de unidades de processo, containers etc.</p><p>Descargas atmosféricas que podem acarretar algum tipo de incêndio e/ou explosão</p><p>em uma estrutura:</p><p>• Queda de raio sobre o equipamento.</p><p>• Indução de cargas elétricas – formação de campos eletromagnéticos.</p><p>60 / 63</p><p>Referências normativas:</p><p>• NFPA 780 – Lighthing Protection Code.</p><p>• API 2003 – Protection Against Ignitions Arising out of Static, Lighthing and Stray</p><p>Currents.</p><p>• ABNT NBR 5419 – Proteção de Estruturas contra Descargas Atmosféricas.</p><p>• API 545 – Recommended Pratice for Lighthing of Aboveground Storage Tanks for</p><p>Flammable or Combustible Liquids.</p><p>Neste momento, aprofundaremos sobre a NBR 5419:2015.</p><p>A ABNT NBR 5419:2015, sob o título geral Proteção contra descargas atmosféricas,</p><p>contém as seguintes partes:</p><p>• Parte 1: Princípios gerais.</p><p>• Parte 2: Gerenciamento de risco.</p><p>• Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida.</p><p>• Parte 4: Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura.</p><p>Segundo a parte 3 da NBR 5419:2015 – Danos físicos a estruturas e perigos à</p><p>vida –, em seu Anexo D - D.5.5.2 Tanques de armazenamento, certas estruturas</p><p>utilizadas para armazenamento de líquidos que podem produzir vapor inflamável ou</p><p>para armazenamento de gases geralmente não requerem proteção adicional, pois</p><p>normalmente são assim autoprotegidas:</p><p>• Contidas totalmente dentro de recipientes metálicos.</p><p>• Contínuas.</p><p>• Possuem uma espessura de parede superior a 5 mm de aço ou 7 mm de alumínio.</p><p>• Não apresentam espaços que permitam centelhamento.</p><p>Outras informações:</p><p>• Analogamente, tanques em contato direto com o solo e linhas de encaminhamento</p><p>de tubulação não necessitam da instalação do subsistema de captação.</p><p>• Componentes elétricos e de instrumentação utilizados dentro desses equipamentos</p><p>devem ser certificados para esse tipo de aplicação.</p><p>61 / 63</p><p>• Medidas adicionais para proteção contra descargas atmosféricas, caso necessário,</p><p>devem ser tomadas conforme o tipo de construção.</p><p>Importante enfatizar que, por exemplo, em um tanque de armazenamento de</p><p>combustível, petróleo ou gasolina, é possível ter em seu interior um sensor de nível,</p><p>que é um equipamento eletrônico; para estar nesse tipo de ambiente, que geralmente</p><p>acarreta em uma zona 0, esse aparelho deve ser certificado para tal, conforme NR 20,</p><p>NR 10 e Portaria 179 do Inmetro.</p><p>19 – MATERIAIS PIROFÓRICOS</p><p>Piroforicidade é a propriedade ou tendência de um material ou substância, quando</p><p>na forma de partículas finas, apresentando grande área de contato, reagir com o</p><p>ambiente.</p><p>Essa propriedade leva tais substâncias a atingirem a temperatura de ignição nas</p><p>condições de temperatura e pressão atmosféricas. Alguns exemplos são o sulfeto de</p><p>ferro e o metal urânio.</p><p>Sulfeto de ferro:</p><p>• A operação de equipamentos com petróleo ou produtos intermediários de</p><p>refinação, contendo teor apreciável de gás sulfídrico (H2S), conduz à possibilidade</p><p>de formação de sulfeto de ferro (FeS).</p><p>• O FeS pode ser encontrado no interior de torres, vasos, tubulações ou permutadores</p><p>que armazenam ou processam gás natural, petróleo e derivados que contém</p><p>enxofre.</p><p>• Quando da manutenção desses equipamentos, ainda que lavados e purgados pelos</p><p>processos operacionais normais, os resíduos de sulfeto de ferro permanecem em</p><p>certas regiões.</p><p>• A simples abertura desses equipamentos e a renovação do ar necessária para</p><p>oferecer condições de trabalho ao pessoal de manutenção e limpeza contribuem</p><p>para a secagem desses resíduos, possibilitando a oxidação do FeS.</p><p>• Essa reação gera calor suficiente para provocar a ignição desses materiais, que</p><p>pode ser agravada pela presença de resíduos combustíveis no local.</p><p>Medidas de controle para prevenir a ignição do FeS:</p><p>62 / 63</p><p>• O equipamento deve ser mantido sempre molhado e/ou inertizado desde a sua</p><p>abertura até a remoção total dos resíduos.</p><p>• Os internos (recheios/anéis) que são retirados das torres e acondicionados no piso</p><p>da unidade de processo devem ser molhados com água periodicamente.</p><p>Neste material, foram estudadas as principais fontes de ignição presentes nas nossas</p><p>plantas industriais, bem como as principais medidas de controle para evitar que uma</p><p>nuvem de atmosfera inflamável possa ser ignitada. É de suma importância que você</p><p>adote as medidas de controles abordadas neste material para garantir a segurança</p><p>das atividades executadas em suas plantas industriais.</p><p>20 – CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Neste curso, você conheceu as principais fontes de ignição presentes em nossas</p><p>plantas industriais e aprendeu as principais medidas de controle para evitar que uma</p><p>nuvem de atmosfera inflamável possa ser ignitada. Lembre-se que atitudes como</p><p>fumar em local proibido podem gerar um grande incêndio.</p><p>Então, ao executar alguma atividade em área com atmosfera explosiva, adote as</p><p>medidas de controle abordadas neste material. É de suma importância a aplicação</p><p>constante dessas medidas para garantir a segurança das atividades executadas nas</p><p>plantas industriais.</p><p>63 / 63</p>Segundo a parte 3 da NBR 5419:2015 – Danos físicos a estruturas e perigos à vida –, em seu Anexo D - D.5.5.2 Tanques de armazenamento, certas estruturas utilizadas para armazenamento de líquidos que podem produzir vapor inflamável ou para armazenamento de gases geralmente não requerem proteção adicional, pois normalmente são assim autoprotegidas: • Contidas totalmente dentro de recipientes metálicos. • Contínuas. • Possuem uma espessura de parede superior a 5 mm de aço ou 7 mm de alumínio. • Não apresentam espaços que permitam centelhamento. Outras informações: • Analogamente, tanques em contato direto com o solo e linhas de encaminhamento de tubulação não necessitam da instalação do subsistema de captação. • Componentes elétricos e de instrumentação utilizados dentro desses equipamentos devem ser certificados para esse tipo de aplicação. 61 / 63 • Medidas adicionais para proteção contra descargas atmosféricas, caso necessário, devem ser tomadas conforme o tipo de construção. Importante enfatizar que, por exemplo, em um tanque de armazenamento de combustível, petróleo ou gasolina, é possível ter em seu interior um sensor de nível, que é um equipamento eletrônico; para estar nesse tipo de ambiente, que geralmente acarreta em uma zona 0, esse aparelho deve ser certificado para tal, conforme NR 20, NR 10 e Portaria 179 do Inmetro. 19 – MATERIAIS PIROFÓRICOS Piroforicidade é a propriedade ou tendência de um material ou substância, quando na forma de partículas finas, apresentando grande área de contato, reagir com o ambiente. Essa propriedade leva tais substâncias a atingirem a temperatura de ignição nas condições de temperatura e pressão atmosféricas. Alguns exemplos são o sulfeto de ferro e o metal urânio. Sulfeto de ferro: • A operação de equipamentos com petróleo ou produtos intermediários de refinação, contendo teor apreciável de gás sulfídrico (H2S), conduz à possibilidade de formação de sulfeto de ferro (FeS). • O FeS pode ser encontrado no interior de torres, vasos, tubulações ou permutadores que armazenam ou processam gás natural, petróleo e derivados que contém enxofre. • Quando da manutenção desses equipamentos, ainda que lavados e purgados pelos processos operacionais normais, os resíduos de sulfeto de ferro permanecem em certas regiões. • A simples abertura desses equipamentos e a renovação do ar necessária para oferecer condições de trabalho ao pessoal de manutenção e limpeza contribuem para a secagem desses resíduos, possibilitando a oxidação do FeS. • Essa reação gera calor suficiente para provocar a ignição desses materiais, que pode ser agravada pela presença de resíduos combustíveis no local. Medidas de controle para prevenir a ignição do FeS: 62 / 63 • O equipamento deve ser mantido sempre molhado e/ou inertizado desde a sua abertura até a remoção total dos resíduos. • Os internos (recheios/anéis) que são retirados das torres e acondicionados no piso da unidade de processo devem ser molhados com água periodicamente. Neste material, foram estudadas as principais fontes de ignição presentes nas nossas plantas industriais, bem como as principais medidas de controle para evitar que uma nuvem de atmosfera inflamável possa ser ignitada. É de suma importância que você adote as medidas de controles abordadas neste material para garantir a segurança das atividades executadas em suas plantas industriais. 20 – CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste curso, você conheceu as principais fontes de ignição presentes em nossas plantas industriais e aprendeu as principais medidas de controle para evitar que uma nuvem de atmosfera inflamável possa ser ignitada. Lembre-se que atitudes como fumar em local proibido podem gerar um grande incêndio. Então, ao executar alguma atividade em área com atmosfera explosiva, adote as medidas de controle abordadas neste material. É de suma importância a aplicação constante dessas medidas para garantir a segurança das atividades executadas nas plantas industriais. 63 / 63