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<p>O PERÍODO MEDIEVAL</p><p>EUROPEU</p><p>.</p><p>Castelo de Harlech, País de Gales. O</p><p>castelo era o centro do senhorio</p><p>A IDADE MÉDIA E O</p><p>FEUDALISMO</p><p>ENQUADRAMENTO DO ASSUNTO</p><p>ENEM – MATRIZ DE REFERÊNCIA</p><p>4. Ciências Humanas e suas Tecnologias</p><p>(...)</p><p>• Características e transformações das estruturas produtivas -</p><p>Diferentes formas de organização da produção: escravismo</p><p>antigo, feudalismo, capitalismo, socialismo e suas diferentes</p><p>experiências.</p><p>Antecedentes: a crise e a desagregação do Império Romano</p><p>▪ Período de crise generalizada do Império</p><p>romano. Indicadores dessa crise:</p><p>• Custos de controle das fronteiras → crise</p><p>financeira do Estado.</p><p>• Colapso do escravismo e surgimento do</p><p>colonato.</p><p>• Processo de ruralização.</p><p>• Declínio do comércio e escassez de metais</p><p>preciosos.</p><p>• Disputas entre os chefes militares e o Senado</p><p>enfraqueciam o exército → invasores</p><p>cruzavam as fronteiras do império.</p><p>▪ Tentativas de reformas:</p><p>• Diocleciano (284-305): divisão</p><p>administrativa do império.</p><p>• Constantino (312-337): transferência da</p><p>capital do império para Constantinopla.</p><p>• Teodósio (378-395): pacificação com os</p><p>visigodos e divisão do império em</p><p>ocidental e oriental.</p><p>▪ Ruralizado, fragmentado e enfraquecido, o</p><p>Império ocidental caiu em 476, tomado por</p><p>povos germânicos.</p><p>Alarico I e os Visigodos tornam-se os primeiros bárbaros</p><p>a tomar e saquear a cidade.</p><p>Em 4 de Setembro do ano de 476, com a tomada do poder em</p><p>Roma por parte de Odoacro dá-se oficialmente o desaparecimento</p><p>do Império Romano do ocidente.</p><p>Coroado imperador</p><p>da cristandade</p><p>pelo Papa Leão III</p><p>Carlos Martel limita a invasão islâmica em Poitiers (732)</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>▪Governo de Carlos Magno → renascimento carolíngio.</p><p>• Criação da Escola Palatina.</p><p>• Estímulo às atividades intelectuais nos mosteiros</p><p>• Estímulo à produtividade agrícola, às práticas mercantis</p><p>e à expansão militar.</p><p>• Criação dos Condados, das Marcas e dos Ducados.</p><p>▪O fracasso de Luís, o Piedoso e o Tratado de Verdun (843).</p><p>▪Nova onda de invasões entre os séculos IX e X</p><p>→ mouros, magiares e vikings: colapso do poder central</p><p>na Europa ocidental.</p><p>O Império carolíngio</p><p>Fonte: HILGEMANN, Werner; KINDER, Hermann. Atlas historique: de l’apparition de l’homme sur la terre à l’ère atomique. Paris: Perrin, 1992. p. 118.</p><p>A EUROPA DE CARLOS MAGNO (768 A 814)</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>Após o governo de Luís Piedoso,</p><p>filho de Carlos, os territórios foram</p><p>alvo da disputa de seus três filhos.</p><p>Depois de intensas disputas, o</p><p>Tratado de Verdun (843) fixou a</p><p>divisão do império em três novos</p><p>reinos</p><p>“Carlos Magno, o primeiro europeu?</p><p>Nos séculos VIII e IX, a dinastia franca dos carolíngios reúne a maior parte da Cristandade</p><p>sob seu único domínio: a Gália, a Germânia e a Itália. Será por longo tempo, mesmo</p><p>depois de sua separação, o coração da Europa. O Império Carolíngio foi um fracasso,</p><p>mas deixou uma herança muito importante para a Europa”.</p><p>LE GOFF, Jacques. Uma breve história da Europa. 4 ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 2007, p. 62.</p><p>No texto acima, Le Goff associa a formação da Europa à dinastia carolíngia,</p><p>a) devido a sua relação com a religião católica e a unificação entre germânicos e</p><p>cristãos que passaram a conviver pacificamente no território em que hoje é a Europa.</p><p>b) devido a sua liderança política na formação do Império, o que permitiu conter as</p><p>invasões dos povos não latinos, também chamados de bárbaros, que permaneciam</p><p>pagãos.</p><p>c) devido a seu elo com as origens e os costumes germânicos, que deram origem à</p><p>Europa e consolidaram o território europeu.</p><p>d) porque Carlos Magno foi um rei que conciliou as demandas de seus súditos e doou o</p><p>patrimônio de São Pedro.</p><p>e) devido a sua relação com a religião cristã, à medida que sua conversão e a</p><p>subsequente expansão do Império possibilitaram a unificação dos cristãos.</p><p>ENEM - A lei dos lombardos (Edictus Rothari), povo que se instalou na Itália no</p><p>século VII e era considerado bárbaro pelos romanos, estabelecia uma série de</p><p>reparações pecuniárias (composições) para punir aqueles que matassem, ferissem</p><p>ou aleijassem os homens livres. A lei dizia: “para todas estas chagas e feridas</p><p>estabelecemos uma composição maior do que a de nossos antepassados, para</p><p>que a vingança que é inimizade seja relegada depois de aceita a dita</p><p>composição e não seja mais exigida nem permaneça o desgosto, mas dê-se a</p><p>causa por terminada e mantenha-se a amizade.”</p><p>ESPINOSA, F. Antologia de textos históricos medievais. Lisboa: Sá da Costa, 1976</p><p>(adaptado).</p><p>A justificativa da lei evidencia que</p><p>a) se procurava acabar com o flagelo das guerras e dos mutilados.</p><p>b) se pretendia reparar as injustiças causadas por seus antepassados.</p><p>c) se pretendia transformar velhas práticas que perturbavam a coesão social.</p><p>d) havia um desejo dos lombardos de se civilizarem, igualando-se aos romanos.</p><p>e) se instituía uma organização social baseada na classificação de justos e</p><p>injustos.</p><p>Feudalismo</p><p>Significado: sistema, modo</p><p>de produção ou estrutura</p><p>produtiva que sucede o</p><p>Escravismo Antigo e</p><p>caracteriza a Europa</p><p>Ocidental, durante a Idade</p><p>Média.</p><p>O feudo: unidade</p><p>básica de produção</p><p>e suas diferentes</p><p>áreas internas</p><p> O trabalho era predominantemente</p><p>servil</p><p> A agricultura era a base de</p><p>sustentação da economia feudal.</p><p> O feudalismo manteve alguma</p><p>atividade comercial, apesar da falta</p><p>de moeda e da tendência dos</p><p>senhorios à autossuficiência.</p><p> A posse de terra agrária era sinônimo</p><p>de riqueza.</p><p> As principais obrigações servis</p><p> a) Corveia</p><p> B) talha</p><p> c) Banalidade</p><p> d) Formariage</p><p> e) Tostão de Pedro</p><p> f) Mão- Morta</p><p> g) Albergagem</p><p>Aspectos econômicos feudais</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>Aspectos jurídicos e políticos do feudalismo</p><p>A descentralização política</p><p>a) O monarca não consegue impor</p><p>sua autoridade em todo o território do</p><p>reino</p><p>b) O poder é local (em cada feudo)</p><p>e está nas mãos da nobreza feudal</p><p>As leis são baseadas nos costumes e</p><p>tradições de cada feudo</p><p>Direito consuetudinário</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>A Igreja Católica</p><p>A mais poderosa instituição</p><p> A) Possuía muitos feudos</p><p> B) Exercia o controle ideológico</p><p> C) Preservou obras da cultura</p><p>clássica</p><p> D) Controlava as instituições de</p><p>ensino</p><p> Clero secular X Clero regular</p><p> O Concílio de Nicéia (325) já definia,</p><p>na Antiguidade, a imposição dos</p><p>dogmas</p><p> O combate às Heresias</p><p> 4.5) A ação da Inquisição</p><p> Conflitos internos</p><p> A) Cisma do Oriente</p><p> B) A Querela das Investiduras (Henrique IV e</p><p>Gregório VII) e a Concordata de Worms</p><p> C) O Cisma do Ocidente e o Concílio de</p><p>Constança</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>“O Sistema feudal, tal como apareceu na Europa ocidental, deixava em geral aos</p><p>camponeses apenas o espaço mínimo para aumentarem o produto de que</p><p>dispunham dentro das duras limitações do sistema senhorial.”</p><p>Perry Anderson. Passagens da antiguidade ao feudalismo.</p><p>Porto: Afrontamento, 1980, p. 208. Adaptado</p><p>O texto caracteriza o Sistema feudal, destacando que</p><p>a) havia classes distintas e opostas no feudalismo, embora a luta social fosse</p><p>atenuada pelas amplas oportunidades de lucro que os senhores ofereciam aos</p><p>camponeses.</p><p>b) as relações de suserania e vassalagem e o caráter rural do feudalismo</p><p>eliminaram as cidades e provocaram o declínio do comércio e das atividades de</p><p>serviço.</p><p>c) a possibilidade de melhoria da condição econômica dos camponeses era</p><p>bastante restrita, devido ao conjunto de obrigações que estes deviam prestar aos</p><p>senhores.</p><p>d) as longas jornadas de trabalho nas lavouras e a ampla gama de impostos</p><p>impediam os camponeses de ascenderem socialmente e provocavam a ruína</p><p>dos senhores de terras.</p><p>e) havia oportunidades de transformação social no feudalismo, embora os</p><p>camponeses raramente as aproveitassem, pois preferiam se dedicar</p><p>prioritariamente ao trabalho.</p><p>A história da Europa Ocidental foi marcada por uma lenta transição entre os séculos IV</p><p>e X. O poder político, antes centralizado sob o Império Romano, passou a ser</p><p>fragmentado e a economia tornou-se predominantemente rural, com reduzida</p><p>atividade urbana e comercial.</p><p>Neste processo, o modo de produção feudal substituiu</p><p>o escravismo antigo e, a partir daí, estabeleceu novas relações de produção,</p><p>baseadas na exploração da força de trabalho servil. Nessa condição, os servos eram:</p><p>a) trabalhadores livres nas propriedades rurais, com exceção daqueles que não</p><p>possuíam terras e prestavam serviços a alguns tipos de senhores feudais,</p><p>especialmente àqueles que também detinham o poder religioso.</p><p>b) aprisionados nas guerras feudais, tratados como mercadorias e somente podiam</p><p>ser vendidos nas feiras realizadas nos burgos com autorização dos reis.</p><p>c)trabalhadores marcados por laços de dependência, pois deviam obediência e</p><p>obrigações aos senhores e estavam vinculados à terra em que viviam, não podendo</p><p>ser vendidos.</p><p>d) transformados em trabalhadores assalariados, caso não cumprissem com suas</p><p>obrigações e não pagassem os tributos devidos aos seus senhores, segundo</p><p>estabelecia o contrato vassálico.</p><p>e)considerados propriedades dos senhores feudais e poderiam ser trocados ou</p><p>vendidos nos mercados locais ou regionais, especialmente na época das Cruzadas.</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A estrutura econômica, social, política e cultural que predominou na Europa ocidental durante a Idade Média, em substituição ao</p><p>escravismo greco-romano, foi chamada pelos historiadores de feudalismo.</p><p>É importante ressaltar que esse sistema não foi imóvel e muito menos estagnado. Ao contrário, formou-se durante a Alta Idade Média (do século V ao X) e,</p><p>principalmente a partir do século XI, início do período que costuma ser denominado Baixa Idade Média (século XI ao XV), mostrou seu dinamismo com o</p><p>desenvolvimento das cidades e das atividades artesanais e comerciais. Destaque-se ainda que as características do feudalismo variaram de região para</p><p>região e de época para época ao longo dos séculos. Ao mesmo tempo, os vizinhos da Europa ocidental – muçulmanos e bizantinos – tiveram</p><p>outras formas de organização social e econômica que não o feudalismo, e a unidade imperial ou estruturas em califados permitia-lhes desenvolver</p><p>intensamente o comércio, o que permitiu a essas sociedades grande desenvolvimento, e Bizâncio viveu seu auge.</p><p>De modo geral, do ponto de vista econômico, o sistema feudal, em sua formação, era caracterizado pelo predomínio da produção para consumo local,</p><p>comércio bastante reduzido ou quase inexistente e ausência ou baixa utilização de moeda. O feudo, unidade de produção agrária, pertencia a uma</p><p>camada de senhores feudais, que eram membros do alto clero ou nobres guerreiros.</p><p>O trabalho na sociedade feudal estava baseado na servidão, relação que mantinha os trabalhadores (servos, ou vilãos ou aldeãos) presos à terra e</p><p>subordinados a uma série de obrigações em impostos feudais e serviços.</p><p>Nessa época era comum que as pessoas nascessem, vivessem e morressem sem jamais sair do lugar, atreladas às obrigações para com o senhor do feudo.</p><p>A sociedade feudal baseava-se na existência de dois grupos sociais principais – senhores e servos– e podia ser caracterizada como estamental, uma</p><p>vez que as categorias eram claramente definidas e não era comum haver nenhum tipo de mobilidade. O estamento inferior – a camada produtiva e</p><p>dominada constituída pelos servos – formava a maioria da população. Destaque-se que além desse quadro geral, dependendo da região e ao longo do</p><p>tempo, existiram desde aqueles mais subordinados à servidão e submissos às tributações, até alguns com um pouco mais de liberdade, inclusive isentos de</p><p>algumas obrigações.</p><p>A exploração do trabalho servil era legitimada pela Igreja. Para ela, cada membro da sociedade tinha funções a cumprir em sua passagem pela Terra, o</p><p>que disseminava uma mentalidade favorável à condição subordinada dos servos. Segundo essa mentalidade, era função do servo trabalhar, do clérigo</p><p>rezar, e do nobre proteger militarmente a sociedade. Os senhores feudais, por sua vez, estabeleciam entre si relações de suserania e vassalagem. Isso ocorria,</p><p>por exemplo, quando um nobre doava terras a outro nobre, em troca de ajuda em guerras e outras obrigações, como tributos. O senhor que doava o feudo</p><p>tornava-se suserano, comprometendo-se a proteger militarmente o nobre que recebera a terra.</p><p>Este passava a ser vassalo daquele, obrigado a prestar, principalmente, ajuda militar ao primeiro. Um suserano poderia ter diversos vassalos, e cada vassalo</p><p>outros tantos, de forma que diversos senhores feudais, nobres guerreiros de uma região, assumiam um compromisso mútuo de defesa. Também ocorria de um</p><p>nobre tornar-se suserano não por doar terras, mas por fazer outros tipos de concessão: por exemplo, ceder ao vassalo o direito de explorar pedágios em</p><p>pontes ou estradas, ou recolher taxas numa aldeia ou região. Para marcar essa relação de dependência, realizava-se uma cerimônia, a homenagem.</p><p>Ao longo dos séculos, na progressiva complexidade de relações medievais de dependência e fidelidade entre senhores, surgiram até mesmo reis vassalos de</p><p>outros suseranos. O fundamental, já que havia uma fragmentação de poderes nas mãos dos senhores e um poder central fraco, é que as relações de</p><p>suserania e vassalagem garantissem a coesão mínima entre os membros do grupo social dominante, o que era indispensável para enfrentar ameaças que</p><p>pudessem subverter a ordem estabelecida, especialmente por parte dos servos.</p><p>Os reis feudais não se caracterizavam por suas funções políticas e administrativas, mas principalmente pelas militares. No caso de agressão externa, como</p><p>era comum durante a Alta Idade Média, o rei atuava como chefe militar de um exército formado por centenas de nobres e seus cavaleiros e tropas</p><p>auxiliares.</p><p>A cultura medieval – destaques</p><p> Igreja – controle cultural (mosteiros).</p><p> Teocentrismo.</p><p> Séc XII – Universidades</p><p>(renascimento comercial).</p><p> Filosofia:</p><p> Alta Idade Média: Santo</p><p>Agostinho</p><p> Baixa Idade Média: Escolástica</p><p>(São Tomás de Aquino).</p><p> Arquitetura</p><p> PREDOMÍNIO até o século XII:</p><p>ROMÂNICA – construção</p><p>maciça, pesada, linhas simples,</p><p>horizontalidade, poucas janelas.</p><p>(ideia de segurança e</p><p>tranquilidade).</p><p> PREDOMINA na Baixa Idade</p><p>Média, a partir do século XII:</p><p>GÓTICA – leveza, graciosidade,</p><p>verticalidade, grandes janelas,</p><p>vitrais, luminosidade.</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p><p>Igreja românica Catedral gótica</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>As Cruzadas foram expedições principalmente militares, organizadas pela Igreja para reconquistar a região da</p><p>Palestina, que estava dominada pelos muçulmanos desde o século VII. Tratava-se de Jerusalém, a Terra Santa, onde</p><p>ficam os lugares que Jesus percorreu, como também onde se encontra o Santo Sepulcro, local em que o corpo de</p><p>Jesus foi sepultado.</p><p>A luta de reconquista já era desejada pelos imperadores bizantinos, que esperavam o auxílio do Ocidente no</p><p>combate aos povos muçulmanos, sobretudo os turcos seljúcidas. Esse povo, organizado pela dinastia turca seljúcida</p><p>(do fundador Seldjuk), nos séculos de XI a XIII, tinha no islamismo e na união das tribos sua força expansionista. De</p><p>Bagdá,</p><p>conquistada em 1055, dirigia-se para a Ásia Menor, ameaçando o reduto cristão bizantino. No século XIII, ganhou</p><p>força a nova dinastia turca dos otomanos,</p><p>que, no século XIV, lideraria novo processo expansionista na região.</p><p>Ao organizar as Cruzadas, a Igreja romana também tinha por objetivo estender sua influência ao território bizantino,</p><p>dominado pela Igreja ortodoxa, a Igreja bizantina criada com o Cisma do Oriente, em 1054, e independente do papa</p><p>de Roma. Os milhares de indivíduos de alguma maneira excluídos da estrutura social feudal foram essenciais na</p><p>montagem dessas expedições. A espinha dorsal dos exércitos cruzados era formada por cavaleiros sem terra,</p><p>enquanto a maior parte das tropas a pé era</p><p>constituída de antigos servos. Além disso, milhares de pessoas, incluindo mulheres, crianças e idosos, dispunham- se a</p><p>seguir os cruzados e fazer a peregrinação aos locais sagrados após a expulsão dos muçulmanos.</p><p>Havia outros interesses em jogo, como o comércio, atividade</p><p>até então secundária, mas crescente em importância</p><p>em meio ao surto demográfico que ocorria na Europa. Negociantes italianos desejavam conquistar entrepostos e</p><p>vantagens no comércio de</p><p>produtos orientais, bem como o acesso às rotas comerciais do mar Mediterrâneo, dominadas pelos muçulmanos, que</p><p>impediam a livre navegação.</p><p>Em 1095, o papa Urbano II pronunciou um inflamado discurso no Concílio de Clermont, convocando os cristãos a</p><p>ingressar nas expedições cruzadistas rumo ao Oriente. Do século XI ao XIII, partiram da Europa cristã oito expedições</p><p>oficiais.</p><p>TEXTO COMPLEMENTAR</p><p>A peste negra: nome pelo qual se tornou conhecida, no período medieval, a doença</p><p>transmitida aos humanos pela pulga de ratos contaminados com a bactéria Pasteurella</p><p>pestis, sendo sua forma mais comum a peste bubônica. em meados do século XIV,</p><p>quando as condições de higiene, alimentação e moradia eram precárias, a doença se</p><p>espalhou rapidamente e matou cerca de um terço da população europeia, num</p><p>total estimado de 25 milhões de pessoas. a peste provocava feridas com pus e</p><p>hemorragias que deixavam manchas escuras na pele, daí sua denominação.</p><p>ENEM - Os cruzados avançavam em silêncio, encontrando por todas as partes ossadas humanas, trapos e bandeiras.</p><p>No meio desse quadro sinistro, não puderam ver, sem estremecer de dor, o acampamento onde Gauthier havia</p><p>deixado as mulheres e crianças. Lá os cristãos tinham sido surpreendidos pelos muçulmanos, mesmo no momento</p><p>em que os sacerdotes celebravam o sacrifício da Missa. As mulheres, as crianças, os velhos, todos os que a fraqueza</p><p>ou a doença conservava sob as tendas, perseguidos até os altares, tinham sido levados para a escravidão ou imolados</p><p>por um inimigo cruel. A multidão dos cristãos, massacrada naquele lugar, tinha ficado sem sepultura.</p><p>J. F. Michaud. "História das cruzadas". São Paulo: Editora das Américas, 1956 (com adaptações).</p><p>Foi, de fato, na sexta-feira 22 do tempo de Chaaban, do ano de 492 da Hégira, que os franj* se apossaram da Cidade</p><p>Santa, após um sítio de 40 dias. Os exilados ainda tremem cada vez que falam nisso; seu olhar se esfria como se eles</p><p>ainda tivessem diante dos olhos aqueles guerreiros louros, protegidos de armaduras, que espelham pelas ruas o</p><p>sabre cortante, desembainhado, degolando homens, mulheres e crianças, pilhando as casas, saqueando as mesquitas.</p><p>*franj = cruzados.</p><p>Amin Maalouf. "As Cruzadas vistas pelos árabes". 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1989 (com adaptações).</p><p>Avalie as seguintes afirmações a respeito dos textos, que tratam das Cruzadas.</p><p>I. Os textos referem-se ao mesmo assunto - as Cruzadas, ocorridas no período medieval -, mas apresentam visões</p><p>distintas sobre a realidade dos conflitos religiosos desse período histórico.</p><p>II. Ambos os textos narram partes de conflitos ocorridos entre cristãos e muçulmanos durante a Idade Média e</p><p>revelam como a violência contra mulheres e crianças era prática comum entre adversários.</p><p>III. Ambos narram conflitos ocorridos durante as Cruzadas medievais e revelam como as disputas dessa época,</p><p>apesar de ter havido alguns confrontos militares, foram resolvidas com base na ideia do respeito e da tolerância</p><p>cultural e religiosa.</p><p>É correto apenas o que se afirma em</p><p>a) I. b) II. c) III. d) I e II. e) II e III.</p><p>(ENEM)</p><p>Calendário medieval, século XV.</p><p>Disponível em: www.ac-grenoble.fr. Acesso em: 10 maio 2012.</p><p>Os calendários são fontes históricas importantes, na medida em que</p><p>expressam a concepção de tempo das sociedades. Essas imagens compõem</p><p>um calendário medieval (1460-1475) e cada uma delas representa um mês,</p><p>de janeiro a dezembro. Com base na análise do calendário, apreende-se uma</p><p>concepção de tempo</p><p>a) cíclica, marcada pelo mito arcaico do eterno retorno.</p><p>b) humanista, identificada pelo controle das horas de atividade por parte</p><p>do trabalhador.</p><p>c) escatológica, associada a uma visão religiosa sobre o trabalho.</p><p>d) natural, expressa pelo trabalho realizado de acordo com as estações do</p><p>ano.</p><p>e) romântica, definida por uma visão bucólica da sociedade.</p><p>(ENEM)</p><p>As diferentes representações cartográficas</p><p>trazem consigo as ideologias de uma época. A</p><p>representação destacada se insere no contexto</p><p>das Cruzadas por</p><p>a)revelar aspectos da estrutura demográfica</p><p>de um povo.</p><p>b)sinalizar a disseminação global de mitos e</p><p>preceitos políticos.</p><p>c)utilizar técnicas para demonstrar a</p><p>centralidade de algumas regiões.</p><p>d)mostrar o território para melhor</p><p>administração dos recursos naturais.</p><p>e)refletir a dinâmica sociocultural associada á</p><p>visão de mundo eurocêntrica.</p><p>(ENEM) A Peste Negra dizimou boa parte da população europeia, com efeitos sobre o</p><p>crescimento das cidades. O conhecimento médico da época não foi suficiente para conter a</p><p>epidemia. Na cidade de Siena, Agnolo di Tura escreveu: “As pessoas morriam às centenas, de</p><p>dia e de noite, e todas eram jogadas em fossas cobertas com terra e, assim que essas fossas</p><p>ficavam cheias, cavavam-se mais. E eu enterrei meus cinco filhos com minhas próprias mãos</p><p>(...) E morreram tantos que todos achavam que era o fim do mundo.”</p><p>Agnolo di Tura. The Plague in Siena: An Italian Chronicle. In: William M. Bowsky. The</p><p>Black Death: a turning point in history? New York: HRW, 1971 (com adaptações).</p><p>O testemunho de Agnolo di Tura, um sobrevivente da Peste Negra, que assolou a Europa</p><p>durante parte do século XIV, sugere que</p><p>a) o flagelo da Peste Negra foi associado ao fim dos tempos.</p><p>b) a Igreja buscou conter o medo da morte, disseminando o saber médico.</p><p>c) a impressão causada pelo número de mortos não foi tão forte, porque as</p><p>vítimas eram poucas e identificáveis.</p><p>d) houve substancial queda demográfica na Europa no período anterior à Peste.</p><p>e) o drama vivido pelos sobreviventes era causado pelo fato de os cadáveres</p><p>não serem enterrados.</p><p>(ENEM) No início foram as cidades. O intelectual da Idade Média — no Ocidente — nasceu</p><p>com elas. Foi com o desenvolvimento urbano ligado às funções comercial e industrial —</p><p>digamos modestamente artesanal — que ele apareceu, como um desses homens de ofício que</p><p>se instalavam nas cidades nas quais se impôs a divisão do trabalho. Um homem cujo ofício é</p><p>escrever ou ensinar, e de preferência as duas coisas a um só tempo, um homem que,</p><p>profissionalmente, tem uma atividade de professor erudito, em resumo, um intelectual – esse</p><p>homem só aparecerá com as cidades.</p><p>LE GOFF, J. Os intelectuais na Idade Média. Rio de Janeiro: José Olympio, 2010.</p><p>O surgimento da categoria mencionada no período em destaque no texto evidencia o(a)</p><p>a)apoio dado pela Igreja ao trabalho abstrato.</p><p>b)relação entre desenvolvimento urbano e divisão do trabalho.</p><p>c)importância organizacional das corporações de ofício.</p><p>d)progressiva expansão da educação escolar.</p><p>e)acúmulo de trabalho dos professores e eruditos.</p><p>(ENEM) Veneza, emergindo obscuramente ao longo do início da Idade Média das</p><p>águas às quais devia sua imunidade a ataques, era nominalmente submetida ao</p><p>Império Bizantino, mas, na prática, era uma cidade-estado independente na altura do</p><p>século X. Veneza era única na cristandade por ser uma comunidade comercial: “Essa</p><p>gente não lavra, semeia ou colhe uvas”, como um surpreso observador do século XI</p><p>constatou. Comerciantes venezianos puderam negociar termos favoráveis para</p><p>comerciar com Constantinopla, mas também se relacionaram com mercadores do islã.</p><p>FLETCHER, R. A cruz e o crescente: cristianismo e islã, de Maomé à Reforma.</p><p>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.</p><p>A expansão das atividades de trocas na Baixa Idade Média, dinamizadas por centros</p><p>como Veneza, reflete o(a)</p><p>a)importância das cidades comerciais.</p><p>b)integração entre a cidade e o campo.</p><p>c)dinamismo econômico da Igreja cristã.</p><p>d)controle da atividade comercial pela nobreza feudal.</p><p>e)ação reguladora dos imperadores durante as trocas comerciais.</p><p>V</p><p>A</p><p>R</p><p>A</p><p>N</p><p>D</p><p>A</p>