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1 FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA 2 PRÁTICA PEDAGÓGICA DESPORTIVA: ESPORTES COLETIVOS II 1ª edição Ipatinga – MG 2022 3 FACULDADE ÚNICA EDITORIAL Diretor Geral: Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Naiana Leme Camoleze Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva Bruna Luiza Mendes Leite Carla Jordânia G. de Souza Guilherme Prado Salles Rubens Henrique L. de Oliveira Design: Brayan Lazarino Santos Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza Perboyre Campos Taisser Gustavo de Soares Duarte © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização escrita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA Rua Salermo, 299 Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br 4 Menu de Ícones Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos.Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São sugestões de links para vídeos, documentos científicos (artigos, monografias, dissertações e teses), sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e Biblioteca Pearson) relacionados com o conteúdo abordado. Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações importantes nas quais você deve ter um maior grau de atenção! São exercícios de fixação do conteúdo abordado em cada unidade do livro. São para o esclarecimento do significado de determinados termos/palavras mostradas ao longo do livro. Este espaço é destinado para a reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-o a suas ações, seja no ambiente profissional ou em seu cotidiano. 5 SUMÁRIO HISTÓRICO DO FUTSAL E FUTEBOL ............................................................ 7 1.1 HISTÓRICO DO FUTSAL .............................................................................................7 1.2 HISTÓRICO DO FUTEBOL .................................................................................... 11 1.3 COMO O FUTSAL E O FUTEBOL SE COMPLEMENTAM NO PROCESSO DE FORMAÇÃO ESPORTIVA.................................................................................... 13 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................ 16 ELEMENTOS TÉCNICO E TÁTICO DO FUTSAL E DO FUTEBOL................... 21 2.1 FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS: TÉCNICO E TÁTICO DO FUTSAL.................. 21 2.2 FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS: TÉCNICO/TÁTICO DO FUTEBOL.................. 22 2.3 GESTOS TÉCNICOS NO DESENVOLVIMENTO DAS FUNÇÕES MOTORAS, JOGOS PRÉ–ESPORTIVOS E GRANDES JOGOS NO FUTSAL E FUTEBOL ........... 25 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................ 27 O ESPORTE COMPETITIVO, ESPORTIVO E DE LAZER................................ 32 3.1 O FUTSAL COMO ESPORTE COMPETITIVO ........................................................ 37 3.2 O FUTEBOL COMO ESPORTE COMPETITIVO...................................................... 37 3.3 O FUTSAL E FUTEBOL COMO ESPORTE DE LAZER .............................................. 39 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................ 41 JOGOS PRÉ-DESPORTIVOS, PLANEJAMENTO E TREINAMENTO DE EQUIPES ................................................................................................... 47 4.1 MÉTODO GLOBAL-FUNCIONAL – COMO UTILIZAR OS JOGOS PRÉ- DESPORTIVOS NO ENSINO NO FUTSAL E NO FUTEBOL..................................... 47 4.2 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE TREINAMENTO NO FUTSAL E FUTEBOL............................................................................................... 48 4.3 APLICAÇÃO DO TREINAMENTO NO FUTSAL E NO FUTEBOL ............................ 50 O ESPORTE COMO EXPRESSÃO DE CULTURA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DAS MODALIDADES ESPORTIVAS COLETIVAS............ 60 5.1 O ESPORTE COMO REPRESENTAÇÃO CULTURAL.............................................. 60 5.2 MODELOS DE ENSINO TRADICIONAIS PARA OS ESPORTES COLETIVOS......... 61 5.3 MODELOS DE ENSINO ATUAIS PARA OS ESPORTES COLETIVOS...................... 65 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................ 70 REGRAS DO FUTSAL E DE FUTEBOL.......................................................... 75 6.1 REGRAS DO FUTSAL............................................................................................ 75 6.2 REGRAS DO FUTEBOL ......................................................................................... 76 6.3 ATUAÇÃO DOS ÁRBITROS NO FUTSAL E NO FUTEBOL ..................................... 78 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................ 80 LUTAS COMO CONTEÚDO ESTRUTURANTE DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA ATUAÇÃO DOCENTE........ 85 7.1 INTRODUÇÃO..................................................................................................... 85 7.2 AS LUTAS EM RELAÇÃO A SUA HISTÓRIA, CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES ... 85 7.3 A LUTA E SUAS CONCEITUAÇÕES ..................................................................... 93 UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 UNIDADE 04 UNIDADE 05 UNIDADE 06 UNIDADE 07 6 7.4 CLASSIFICAÇÃO DAS LUTAS, MODALIDADES ESPORTIVAS DE COMBATE E ARTES MARCIAIS ................................................................................................ 95 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................ 99 LUTAS E ARTES MARICIAIS A PARTIR DOS DOCUMENTOS OFICIAIS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA................................. 104 8.1 ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS DE ACORDO COM A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR ..................................................................................... 107 FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 111 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO ENSINO DE LUTAS NO AMBIENTE ESCOLAR ............................................................................................... 116 9.1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DE LUTAS: PERSPECTIVAS ................... 118 FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 122 MÉTODOS DE ENSINO DE LUTAS E ARTES MARCIAIS E AS FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO............................................................. 125 10.1 O ENSINO DE LUTAS E A APLICAÇÃO DE MÉTODOS ..................................... 125 10.2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO A PARTIR DAS LUTAS................................. 132 FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 136 LUTAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: APLICAÇÕES PRÁTICAS .... 143 11.1 O JUDÔ E AS MODALIDADES DE DISTÂNCIA CURTA..................................... 143 11.2 MODALIDADES DE DISTÂNCIA MÉDIA COMO A CAPOEIRA ........................ 146 FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 150 LUTAS DE COMBATE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: CONTRIBUIÇÕES DAS MODALIDADES DE DISTÂNCIAS MISTA E LONGA ............................................................................................................... 153 12.1 MODALIDADES DE DISTÂNCIA LONGA, COMO A ESGRIMA........................ 155 12.2 ENCERRANDO A UNIDADE ..............................................................................156 FIXANDO O CONTEÚDO .......................................................................................... 158 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ............................................. 163 REFERÊNCIAS......................................................................................... 165 UNIDADE 08 UNIDADE 09 UNIDADE 10 UNIDADE 11 UNIDADE 12 7 HISTÓRICO DO FUTSAL E FUTEBOL Os jogos esportivos coletivos possuem como característica a interação entre jogadores e equipes em situações de cooperação e oposição no mesmo espaço e tempo de jogo (CASTELO, 1996; KANNEKENS; ELFERINK-GEMSER; VISSCHER, 2009). Os designados esportes coletivos de invasão são aqueles jogos em que os jogadores buscam avançar no terreno de jogo do adversário no intuito de se aproximar do alvo (baliza) do adversário e, consequentemente, alcançar o objetivo do jogo, isto é, marcar pontos ou gols. Entre esses esportes estão o Futsal e o Futebol. Esses esportes possuem similaridades, pois são jogados com os pés. No entanto, surgem em momentos distintos da história. A história dos esportes coletivos tem suas controvérsias, pois existem variadas versões acerca das suas origens e influências. Por exemplo, existem relatos que em 1450 a.C. (antes de Cristo) já se praticava alguns jogos com bola. No entanto, a sistematização dos esportes como conhecemos hoje é, obviamente, mais recente do que os primeiros relatos dos esportes com bola. Portanto, o que será apresento neste livro são, basicamente, relatos de sistematização dos esportes com suas primeiras regras. As informações aqui apresentadas são as principais informações aceitas e difundidas pelas instituições que organizam cada esporte. 1.1 HISTÓRICO DO FUTSAL Na literatura relacionada ao esporte existem algumas divergências sobre a origem do Futsal. No entanto, de acordo com os relatos históricos, esse esporte que surgiu com o nome de futebol de salão, na década de 1930, pode ter tido sua origem no Brasil ou no Uruguai. Apenas quando a FIFA passou a gerenciar o esporte, é que recebeu o nome de Futsal em 1989. De acordo com a divergência de sua UNIDADE 01 8 origem, existem algumas correntes que indicam que o futsal (antigo futebol de salão) surgiu na década de 1930 na Associação Cristã de Moços de Montevidéu e que seu criador foi o professor Juan Carlos Ceriani Gravier. Por outro lado, outras correntes afirmam que a modalidade surgiu na Associação Cristã de Moços de São Paulo, praticada por alguns jovens em quadras de basquetebol. No entanto, apesar dessa divergência, existe o consenso que o futsal foi regulamentado no Brasil. Após a criação e a regulamentação do esporte, suas regras foram lançadas em 1956, pelo paulista Luiz Gonzaga de Oliveira Fernandes. No entanto, a prática do futebol de salão não era exclusiva dos paulistas, pois os cariocas praticavam o esporte na quadra do América Futebol Clube. Dessa maneira, a disputa entre cariocas e paulistas foi considerada a primeira rivalidade no futsal brasileiro, a qual pode contribuir para o desenvolvimento do futsal no país. Figura 1: Representação do jogo de futebol de salão Fonte: Disponível em https://bit.ly/3IeBMv1. Acesso em: 13 out. 2021 9 Com o passar dos anos, o jogo de Futsal tem ficado mais dinâmico devido à evolução física e tática do jogo. Atualmente, de acordo com a literatura científica (DOGRAMACI et al., 2011), em relação à parte física os jogadores realizam em média: esforço de baixa intensidade: a cada 14 segundos; esforço de alta intensidade: a cada 43 segundos; esforço em intensidade máxima: a cada 56 segundos; troca de atividade motora: a cada 3,3 segundos. Além disso, os jogadores realizam sob intensidade máxima, deslocamentos de no máximo 2 a 6 segundos (CASTELLANO et al., 1996). No entanto, o número de repetições em velocidade máxima em partidas oficiais é entre 65 a 100 repetições (SVENSSON; DRUST, 2005). Em relação à componente tática, o jogo também evoluiu. Nos anos de 1950, o sistema predominante empregado pelas equipes era o 2x2, o qual consiste em ter dois jogadores na meia quadra defensiva e dois na ofensiva. Este sistema adequa- se às faixas etárias menores, uma vez que trata-se de um sistema simples e de fácil execução. O sistema 3x1 surgiu a partir da configuração do 2x1x1, mudando basicamente o posicionamento dos alas em relação ao espaço de jogo. Também surge uma outra variação, o sistema 1x3. 10 Figura 2: Sistemas táticos do futsal Fonte: Disponível em https://bit.ly/3I9silM.Acesso em: 26/11/2021 As manobras são articuladas pelo fixo e pelos alas, que exercem também o apoio ao ataque aparecendo como opção de finalização. Trata-se de um sistema mais compacto, tanto ofensivamente, como defensivamente em razão de os alunos concentrarem-se na área central da quadra, o que os coloca sempre próximos de 11 manobras utilizadas durante o jogo. 1.2 HISTÓRICO DO FUTEBOL Assim como nos demais esportes coletivos, a origem do futebol tem suas divergências. A versão mais difundida é que o futebol teve seu início nos primeiros anos do século 19, mas só teve sua emancipação por volta de 1863, na Inglaterra (TEOLDO; GUILHERME; GARGANTA, 2017). Estes autores afirmam que as primeiras regras uniformizadas surgiram em 1848. Em torno de 1885, os primeiros clubes de futebol começaram a se formar no Brasil, assim como em outros países. Dessa maneira, a prática do futebol organizado e sistematizado se dava por meio da elite branca. Os relatos históricos apontam que Charles Miller foi um dos responsáveis pela sistematização e propagação do futebol. Nessa época, a participação dos mais pobres e os negros eram exclusivamente de espectador. No entanto, os clubes de futebol eram de caráter amador, tornando-se profissionais em torno de 1933 no eixo Rio - São Paulo. A prática de futebol feminino era proibida, apesar dos relatos apontarem alguns jogos e torneios femininos logo na origem do Futebol. Apesar desse período de profissionalização do futebol, no Brasil, os clubes ainda apresentam dificuldades para se estruturar do ponto de vista econômico e de estrutura física. Além disso, o futebol feminino ainda tem uma discrepância absurda em relação ao futebol praticado por homens, uma vez que os investimentos financeiros são escassos para o futebol feminino. Além disso, as oportunidades de desenvolvimento são menores para as mulheres em relação aos homens. Figura 3: Prática do jogo de futebol na década de 1970 12 Fonte: Disponível https://bit.ly/3D6EDnm. Acesso em: 13 out. 2021 Com a evolução do esporte, diferentes formas de jogar foram surgindo ao longo dos anos (TEOLDO; GUILHERME; GARGANTA, 2017). Essas formas de jogar podem ser expressas pelos sistemas táticos, mas também pela evolução da capacidade física dos atletas. De acordo com os autores supracitados, o sistema tático é a disposição dos jogadores no campo de jogo, representado pelos números de jogadores em cada setor, por exemplo: 4-4-2 e 4-3-3. Um dos primeiros sistemas utilizados é formado por 1 goleiro, 1 defensor e 9 atacantes, configurando o sistema 1-1-9. De acordo com Castelo (1996), outros sistemas foram surgindo com o intuito de proporcionar novas soluções às situações do jogo. Dessa maneira, diminuiu o número de atacantes e a ocupação do espaço de jogo tornou-se mais organizada em termos coletivos através dos sistemas 1-1-1-8 (1 goleiro, 1 defesa, 1 meia e 8 atacantes), 1-1-2-7 (1 goleiro, 1 defesa, 2 meias e 7 atacantes), 1-2-2-6 (1 goleiro, 2 defesas, 2 meias e 6 atacantes). Por sua vez, com essa evolução surge o “sistema clássico” ou “pirâmide”: 1-2-3-5 (1 goleiro, 2 defesas, 3 meias e 5 atacantes). Figura 4: Representação do Sistema Clássico 13 Fonte: Disponível em https://bit.ly/3ibpzN1. Acesso em: 26 out. 2021 1.3 COMO O FUTSAL E O FUTEBOL SE COMPLEMENTAM NO PROCESSO DE FORMAÇÃO ESPORTIVA Devido as suas características semelhantes, o futsal e o futebol são utilizados como recursos pedagógicos paradesenvolvimento dos jogadores. Alguns relatos de 14 por parte de alguns jogadores que obtiveram sucesso e prestígio internacional, reforçam a importância dessa integração. Esses relatos afirmam que esses jogadores iniciaram suas trajetórias de formação no futsal e isso contribuiu, significativamente, para a suas formações. Recentemente, o site do Globo Esporte indicou que alguns atletas que jogaram a Copa de 2018 iniciaram suas carreiras no futsal, dentre eles estão: Neymar, Marcelo, Alisson, Douglas Costa, Fagner, Filipe Luís, Marquinhos, Miranda, Geromel, Philippe Coutinho, Renato Augusto e Willian. Disponível em: https://bit.ly/3JiYBPC. 20 nov. 2021. Para responder essas perguntas com base em conhecimento científico, analisaremos as recomendações feitas no livro Iniciação Esportiva Universal (GRECO; BENDA, 1998). Estes autores sugerem o processo de ensino-aprendizagem e treinamento em diferentes fases, a saber: Pré-escolar (3-4 anos), Universal (6-12 anos), Orientação (12-14 anos), Direção (14-16 anos), Especialização (16-18 anos), Aproximação/Integração (18-21 anos) e Alto nível (>21 anos). De acordo com as fases da formação esportiva, até a fase de direção (13-14 anos até os 15-16 anos), os jogadores podem e devem realizar atividades complementares para otimizar o processo de ensino-aprendizagem e treinamento, uma vez que após essa fase recomenda-se a especialização na modalidade esportiva. Neste caso, o futebol e o futsal possuem essa característica, pois os esportes apresentam muitas familiaridades entre si, por exemplo: as ações com a bola são realizadas com os pés. No entanto, a partir da fase de especialização que tem início aos 15-16 anos de idade, recomenda-se a especialização em uma modalidade esportiva. Dessa forma, os benefícios da prática dos dois esportes (futebol e futsal) ocorrem em 15 momentos específicos da formação, uma vez que o jogador decida seguir por um esporte ou outro para buscar o alto rendimento, é necessário treinar mais especificamente cada esporte. 16 FIXANDO O CONTEÚDO 1. A origem do futebol tem suas divergências, assim como em outros esportes coletivos. A versão mais difundida é que o futebol teve seu início na Inglaterra. Em torno de 1985, os primeiros clubes de futebol começaram a se formar no Brasil, assim como em outros países. Dessa maneira, a prática do futebol organizado e sistematizado se dava por meio da elite branca. Diante disso, de acordo com os relatos históricos, quem foi o principal responsável por difundir o futebol no Brasil? a) Charles Miller. b) John d'Silva Miller. c) Luiz Gonzaga de Oliveira Fernandes. d) Karl Schelenz. e) William Morgana. 2. O futebol é um fenômeno de elevada magnitude a nível mundial. No entanto, apesar de ser uma prática realizada em escala mundial, cada país possui características diferentes do jogo. Diante disso, avalie as afirmações a seguir: I. A história do futebol no Brasil possui uma peculiar trajetória. Ele “distingue-se do europeu pela sua improvisação e individualismo dos jogadores” (DAMATTA, 1982). O futebol brasileiro é considerado um poderoso e complexo instrumento ideológico das massas. PORQUE II. O futebol é um esporte, uma prática corporal capaz de fazer refletir sobre as diferentes maneiras de organização política e social, cumprindo um importante papel na construção de relações sociais democráticas e solidárias, objetivando a diversão e a integração das comunidades. A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta: 17 a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa da primeira. b) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa da primeira. c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda uma proposição falsa. d) A primeira asserção é uma proposição falsa e a segunda uma proposição verdadeira. e) Tanto a primeira, quanto a segunda asserções são proposições falsas. 3. Na literatura relacionada ao esporte, existem algumas divergências sobre a origem do Futsal. No entanto, de acordo com os relatos históricos, esse esporte que surgiu com o nome de futebol de salão e pode ter tido sua origem no Brasil ou no Uruguai. Diante disso, em qual década o Futsal (antigo futebol de salão) foi criado? a) 1910. b) 1920. c) 1930. d) 1940. e) 1950. 4. De acordo com as fases da formação esportiva, proposta por Greco e Benda (1998), os jogadores podem e devem realizar atividades de esportes complementares para otimizar o processo de ensino-aprendizagem e treinamento. Neste caso, o futebol e o futsal possuem essa característica, pois os esportes apresentam muitas familiaridades entre si. Diante disso, até qual a fase da formação esportiva recomenda essa interação entre esportes complementares? a) Pré-escolar. 18 b) Universal. c) Orientação. d) Direção. e) Especialização. 5. Com a evolução do futebol surgiram diferentes formas de jogar ao longo dos anos. Essas formas de jogar podem ser expressas pelos sistemas táticos, os quais podem ser definidos como a disposição dos jogadores no campo de jogo, representado pelos números de jogadores em cada setor. Diante disso, um dos primeiros sistemas foi o “pirâmide" ou “sistema clássico”. Qual a distribuição numérica desse sistema? a) 1-4-3-3. b) 1-4-4-2. c) 1-1-9. d) 1-2-8. e) 1-2-3-5. 6. De acordo com os relatos históricos, o futsal surgiu com o nome de futebol de salão, na década de 1930, e pode ter tido sua origem no Brasil ou no Uruguai. Apenas quando a FIFA passou a gerenciar o esporte é que recebeu o nome de Futsal em 1989. Diante disso, avalie as afirmações a seguir: I. Em 1989, a FIFA articulou fusão do Futebol de Salão com o Futebol de Cinco, dessa fusão surge o Futsal, agora controlado pela FIFA. PORQUE II. Após a criação e a regulamentação do futebol de salão, suas regras foram lançadas em 1956, pelo paulista Luiz Gonzaga de Oliveira Fernandes. A respeito dessas afirmações, assinale a opção correta: 19 a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa da primeira. b) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa da primeira. c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma proposição falsa. d) A primeira asserção é uma proposição falsa e a segunda uma proposição verdadeira. e) Tanto a primeira, quanto a segunda asserções são proposições falsas. 7. Os conceitos de sistema tático e esquema tática são confundidos por muitas vezes por professores e treinadores. O esquema tático diz respeito às relações que os jogadores estabelecem no campo de jogo através dos canais de comunicação. No entanto, o sistema tático tem outra definição. Portanto, não são sinônimos. De acordo com o texto da unidade, sistema tático pode ser definido como: a) A disposição dos jogadores no campo de jogo, representado pelos números de jogadores em cada setor. b) A gestão do espaço de jogo através do posicionamento e da movimentação dos jogadores. c) A cultura que se cria e permite emergir um jogar específico. d) A estratégia adotada pela equipe antes e durante os jogos. e) Combinação de um conjunto de decisões e escolhas em função de um fim. 8. O futsal passou por evolução durante sua história. Inicialmente era denominado futebol de salão e após uma mudança na instituição que gerencia o esporte seu nome foi alterado. Diante disso, indique qual a entidade internacional é responsável pelo o futsal atualmente? a) FIFUSA. b) CBF. 20 c) FIFA. d) CSFS. e) COB. 21 ELEMENTOS TÉCNICO E TÁTICO DO FUTSAL E DO FUTEBOL 2.1 FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS: TÉCNICO E TÁTICO DO FUTSAL Os conteúdos técnicos e táticos relacionados ao processo de ensino- aprendizagem e treinamento do Futsal devem ser aplicados com base nos diferentes momentos e fases do desenvolvimento da criança e do adolescente, modificando a dificuldade e a complexidade das tarefas. Dentre os diferentes conteúdos da composiçãotécnica, os fundamentos do jogo de futsal são os mais utilizados no processo de formação. De acordo com a literatura, a técnica refere-se à execução dos fundamentos básicos do futsal. Portanto, os fundamentos técnicos do futsal, de acordo com Mutti (2003) e Gonçalves (2018), são: Quadro 1: Fundamentos técnicos e suas definições Fundamentos Definições Passe é o meio de comunicação entre osjogadores de uma equipe. Chute representa a principal maneira de realizar o gol, objetivo principal do jogo, através do chute de bico, com o dorso, de voleio etc. Recepção de bola habilidade de um jogador receber a bola, amortecendo-a e mantendo-a sob o seu controle. Condução de bola consiste em carregar a bola, mantendo o controle sobre ela, de um local a outro da quadra. Drible e finta Drible: ação individual com bola, que consiste numa combinação de recursos variados, como equilíbrio, velocidade de arranque, agilidade. Finta: é o movimento executado sem bola, a fim de deslocar o adversário e fugir da marcação. Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 22 Controle de bola consiste em controlar a bola, dominando- a, independentemente da trajetória e da direção assumidas, usando para tal, diferentes partes do corpo. Cabeceio ação de tocar a bola com a cabeçadurante a fase defensiva ou ofensiva. Marcação e Combate ação de tentar recuperar a bola, efetuando marcações e combate aos jogadores adversários. Técnica do goleiro Ações específicas de manipulação dabola com as mãos. Fonte: Elaborado pelo Autor (2021) De acordo com Mutti (2003), a técnica é a responsável por diferenciar um jogador de outro. Jogadores experientes costumam executar movimentos técnicos com facilidade, com habilidade e com extraordinária beleza. Em relação à tática, os processos de ensino-aprendizagem e treinamento do futsal possuem características gerais e específicas com o Futebol. Uma dessas características gerais diz respeito ao conteúdo tático relacionado aos princípios táticos gerais, que recebem esse nome pelo fato de serem comuns aos esportes coletivos de invasão e as diferentes fases do jogo (ofensivo e defensivo). Além disso, são comuns aos demais princípios táticos (operacionais e fundamentais). Os conceitos dos princípios táticos gerais estão baseados em aspectos de ocupação do espaço e da relação do número de jogadores da própria equipe e dos adversários, a saber: (a) não permitir a inferioridade numérica; (b) evitar a igualdade numérica; e (c) procurar criar a superioridade numérica (QUEIROZ, 1983; GARGANTA; PINTO, 1994). 2.2 FUNDAMENTOS PEDAGÓGICOS: TÉCNICO/TÁTICO DO FUTEBOL No que se refere à técnica no Futebol, os principais fundamentos utilizados 23 nesse esporte são semelhantes ao apresentado no tópico anterior. Devido às características de espaço, os mesmos fundamentos são ajustados para atender às demandas dos jogos. Por exemplo, o passe longo no futebol necessita de mais força do jogador ao golpear a bola, uma vez que as distâncias são maiores. No entanto, os princípios básicos são semelhantes. Esses fundamentos estão contextualizados pela dimensão tática do jogo, que permite dar significado às demais dimensões no jogo de futebol e futsal. Nos processos de ensino-aprendizagem e treinamento da tática no futebol existem algumas categorias de princípios táticos, os quais compõem os conteúdos dessa dimensão. Além dos princípios táticos gerais (apresentados no item anterior), existem também os princípios operacionais e fundamentais do jogo de futebol. Os princípios operacionais são cinco para a fase ofensiva e cinco para a fase defensiva. Estes princípios ajudam a operacionalizar o jogo e se relacionam com os conceitos atitudinais para as duas fases do jogo (TEOLDO et al., 2009). Quadro 2: Princípios operacionais do jogo de futebol Ofensivos Defensivos conservar a bola anular as situações de finalização construir ações ofensivas recuperar a bola progredir pelo campo de jogo adversário impedir a progressão do adversário criar situações de finalização proteger a baliza finalizar à baliza adversária reduzir o espaço de jogo adversário Fonte: Elaborado pelo Autor (2021) Por sua vez, os princípios táticos fundamentais do jogo de futebol estão relacionados às movimentações dos jogadores do campo de jogo. A partir dessas movimentações os jogadores podem gerir o espaço de jogo, no intuito de superar o adversário em uma partida. Esses princípios também são cinco para fase ofensiva e cinco para a fase defensiva (TEOLDO et al., 2009). Quadro 3: Princípios táticos fundamentais e suas definições Ofensivos Penetração movimentações de progressão do portador da bola em direção à meta e/ou à linha de fundo adversária 24 Cobertura Ofensiva movimentações de apoio ao portador da bola Espaço movimentações de utilização e ampliação do espaço de jogo efetivo Mobilidade movimentações nas “costas” do último defensor adversário Unidade Ofensiva movimentações que permitem a equipe atacar em unidade Defensivos Contenção movimentações de oposição direta ao portador da bola Cobertura Defensiva movimentações de apoio ao jogador que realiza a oposição direta ao portador da bola Equilíbrio movimentações que asseguram estabilidade na região de disputa da bola Concentração movimentações de aumento da proteção ao gol e que facilitam a recuperação da bola Unidade Ofensiva movimentações que permitem a equipe defender em unidade Fonte: Elaborado pelo Autor (2021) 25 2.3 GESTOS TÉCNICOS NO DESENVOLVIMENTO DAS FUNÇÕES MOTORAS, JOGOS PRÉ–ESPORTIVOS E GRANDES JOGOS NO FUTSAL E FUTEBOL A aplicação dos jogos pré-desportivos e dos grandes jogos no Futsal e Futebol em diferentes faixas etárias deve respeitar as diferentes fases de desenvolvimentos motor e cognitivo da criança e do adolescente. Dentre as fases de desenvolvimento motor, temos abaixo a ampulheta de Gallahue e Ozmun (2003). Desenvolvimento motor Figura 5: Ampulheta de Gallahue e Ozmun Fonte: Gallahue e Ozmun, 2003. Acesso em: 13 out. 2021 Fase motora reflexiva De acordo com Gomes, Magalhães e Maia (2015) as reações sensoriais que o bebê possui, ao toque, à luz, a sons, provocam atividades motoras involuntárias. Essas atividades auxiliam o bebê no conhecimento do seu corpo e meio externo 26 (GALLAHUE; OZMUN, 2003). Os autores supracitados afirmam ainda que os reflexos primitivos de sugar e buscar através do olfato estão presentes nesta fase. Esses são mecanismos de sobrevivência, pois através deles que o recém-nascido busca seu alimento. Nesta idade não é realizado nenhum estímulo esportivo nas crianças. Fase de movimentos rudimentares De acordo com Gomes, Magalhães e Maia (2015), os primeiros movimentos voluntários representam as formas básicas de movimento necessárias para a sobrevivência da criança, pois envolvem movimentos estabilizadores, dentre eles o controle da cabeça, do pescoço e dos músculos do tronco. Além disso, envolvem movimentos relacionados às tarefas manipulativas e locomotores. Apesar dessa fase não ter nenhuma recomendação específica para o esporte, o desenvolvimento adequado da criança poderá no futuro possibilitar melhores condições de desenvolvimento do talento esportivo. Fase de movimentos fundamentais Nesta fase, já coincide com a fase Pré-escolar proposta na Iniciação Esportiva Universal. De acordo com Gomes, Magalhães e Maia (2015), nesta fase a criança apresenta movimentos voluntários mais específicos e está em constante exploração e experimentação da sua capacidade motora. É o período em que a criança está descobrindo como desempenhar uma variedade de movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos, primeiro de forma isolada e, mais tarde, executando movimentos combinados (GALLAHUE; OZMUN, 2003). Nesta fase, recomenda-se que a criança possa ter muito contato com a bola, pois é o objeto de desejo do praticante. Os autores comentam ainda que os padrões de movimento fundamentais são padrões observáveis básicos de comportamento.Por exemplo, atividades locomotoras (correr e pular), manipulativas (arremessar, apanhar) e estabilizadoras (andar com firmeza e equilíbrio em um pé só) são exemplos de movimentos fundamentais que devem ser desenvolvidos nos primeiros anos da infância. Fase de movimentos especializados De acordo com Gomes, Magalhães e Maia (2015), esta fase é resultado da fase de movimentos fundamentais, pois agora as atividades motoras são mais 27 complexas. Por exemplo, saltar e pular em um pé só agora podem ser associados com atividades mais complexas como pular corda e práticas esportivas como salto triplo. Além disso, as crianças poderão estabelecer relações com a bola, ao mesmo tempo que conseguem estabelecer relações com seus colegas e adversários em contextos de jogo. FIXANDO O CONTEÚDO 1. Durante um treinamento de futsal, um treinador deseja aprimorar os fundamentos técnicos de seus atletas. Dos fundamentos que o treinador observou, o cabeceio é o fundamento que os atletas apresentam mais dificuldade de execução. O cabeceio é o gesto técnico de tocar a bola com a cabeça. Este gesto pode, conforme as situações do jogo, estar ligado à recepção, ao passe, ao remate e à intercepção. Diante das diversas possibilidades que o cabeceio pode ser utilizado, indique quais os quatro elementos que concorrem para uma ação de cabeceio eficaz: a) Manter o contato visual com a bola; atacar a bola; não gerar potência; precisão no contato com a bola. b) Posicionar-se no campo para esperar a bola chegar até o jogador; precisão no contato com a bola; não gerar potência; manter o contato visual com o companheiro. 28 c) Precisão no contato com a bola; manter o contato visual com a bola; gerar potência; atacar a bola. d) Gerar potência; precisão no contato com a bola; manter o contato visual com o adversário; posicionar-se no campo para esperar a bola chegar até o jogador. e) Atacar a bola; manter contato visual com o companheiro; precisão no contato com a bola; gerar potência. 2. Durante um treinamento de futsal, Alisson, atleta da categoria Sub-15 percebeu que os princípios básicos do chute são semelhantes aos do passe, exceto que o jogador necessita de maior controle da força e da direção a serem aplicadas na bola. Em conversa com o treinador da categoria, o treinador afirmou que existem vários tipos de chute: de bico, com o dorso, voleio e bate-pronto. Diante disso, qual a alternativa correta em relação ao chute de bate-pronto? a) É quando a área de contato com a bola é maior, aumentando a chance de acertar o gol. b) É quando a bola vem do alto e o jogador acerta a bola antes que ela tenha tocado no solo. c) É quando a bola é chutada com os dedos dos pés. d) É executado no exato momento em que a bola, vinda do alto, entra em contato com o solo. e) É quando a bola é golpeada com a perna do jogador. 3. A técnica consiste na execução individual dos fundamentos básicos do futsal. A técnica difere um jogador de outro e os jogadores mais habilidosos executam movimentos técnicos com facilidade e com extraordinária beleza. Dessa maneira, o professor de futsal deve conhecer todos os fundamentos técnicos. Portanto, qual alternativa representa corretamente os fundamentos técnicos do futsal? a) Passe, Chute, Recepção de bola, Condução de bola e, Drible e Finta b) Passe, Cobertura Ofensiva, Recepção de bola, Mobilidade e, Drible e Finta 29 c) Penetração, Chute, Recepção de bola, Condução de bola e, Drible e Finta d) Passe, Cobertura Ofensiva, Recepção de bola, Condução de bola e, Unidade Defensiva e) Penetração, Chute, Recepção de bola, Mobilidade e, Técnicas do goleiro 4. Monteiro é treinador de futsal da categoria Sub-11 de um clube mineiro. Durante o treinamento, Monteiro elaborou para seus atletas uma atividade baseada nos fundamentos técnicos do futsal. A atividade consiste na realização de um jogo de 1x1 + goleiro (um atacante contra um defensor e um goleiro). O jogador que ataca deve sair da sua área e, apenas quando ultrapassar a linha da meia quadra, o defensor poderá sair da sua linha de meta para realizar a oposição ao atacante. Com base na atividade proposta, analise e selecione os fundamentos técnicos que Monteiro objetivou trabalhar com seus atletas: a) Condução, finta, marcação e combate, técnicas do goleiro e chute. b) Condução, drible, marcação e combate, técnicas do goleiro e cabeceio. c) Condução, finta, controle de bola, técnicas do goleiro e chute. d) Condução, drible, marcação e combate, técnicas do goleiro e chute. e) Condução, finta, controle de bola, técnicas do goleiro e cabeceio. 5. Durante uma partida de futebol do campeonato mineiro, Alisson, atleta da categoria Sub15, percebeu que tinha mais possibilidades de desestabilizar a defesa adversária quando conseguia realizar, de maneira bem-sucedida, as movimentações ofensivas de progressão do portador da bola em direção à baliza ou à linha de fundo adversária. Dessa maneira, geralmente, ele conseguia quebrar as linhas defensivas do adversário. Em conversa com o treinador da categoria, este afirmou que essa era uma movimentação tática relacionada aos princípios táticos fundamentais do jogo de futebol. Em relação aos princípios táticos, qual alternativa corresponde às movimentações de progressão do portador da bola em direção à baliza ou à linha de fundo adversária? 30 a) Penetração. b) Cobertura Ofensiva. c) Mobilidade. d) Espaço. e) Unidade Ofensiva. 6. Nos processos de ensino-aprendizagem e treinamento do futebol existem algumas categorias de princípios táticos, os quais compõem os conteúdos da dimensão tática. Dentre eles, existem os princípios gerais, operacionais e fundamentais. Diante disso, analise as alternativas abaixo: 1) Os princípios gerais são comuns às diferentes fases do jogo (ofensivo e defensivo); 2) Os princípios operacionais se relacionam com os conceitos atitudinais do jogo; 3) Os princípios fundamentais são caracterizados apenas por ações ofensivas. Está correto o que se afirma em: a) 1 b) 2 c) 1 e 2 d) 1 e 3 e) 2 e 3 7. A aplicação dos jogos pré-desportivos e grandes jogos no futsal e futebol deve respeitar as diferentes fases de desenvolvimento motor da criança e do adolescente. De acordo com Gallahue e Ozmun (2003), são quatro as fases do desenvolvimento motor: fase motora reflexiva, fase de movimentos rudimentares, fase de movimentos fundamentais e fase de movimentos especializados. Em relação à última fase, qual a alternativa correta? 31 a) Esta fase permite atividades motoras mais complexas. Por exemplo, saltar e pular em um pé só agora podem ser associados com atividades mais complexas como pular corda e práticas esportivas como salto triplo. b) Nesta fase a criança apresenta movimentos voluntários mais específicos e está em constante exploração e experimentação da sua capacidade motora. c) É o período em que a criança está descobrindo como desempenhar uma variedade de movimentos estabilizadores, locomotores e manipulativos, primeiro de forma isolada e, mais tarde, executando movimentos combinados d) Nesta fase os movimentos representam as formas básicas de movimento voluntário que são necessárias para a sobrevivência do bebê, pois envolvem movimentos estabilizadores, como obter controle da cabeça, pescoço e músculos do tronco. e) São classificados como agrupadores de informações, caçadores de alimentação, reações protetoras e posturais. São agrupadores de informações pois auxiliam e estimulam o desenvolvimento. 8. É possível considerar as modalidades esportivas coletivas de invasão dentro de uma mesma lógica, pois possuem uma estrutura comum: três princípios táticos gerais. Os três princípios são: tentar criar superioridade numérica, evitar igualdade numérica e não permitir a inferioridade numérica. Considerando os princípios expostos no texto, qual dessas brincadeiras populares estimula o desenvolvimento do princípio relacionado a tentar criar superioridade numérica: a) Pega-pega. b) Coelho saida toca. c) Bolinha de Gode. d) Esconde-esconde. e) Amarelinha. 32 O ESPORTE COMPETITIVO, ESPORTIVO E DE LAZER A prática esportiva apresenta diversas características de acordo com realidade social em que está inserida (ex.: complexidade, incerteza, conflito de valores, dentre outras). Essas características requerem do professor/treinador a capacidade de refletir, de solucionar problemas e de desenvolver a criatividade durante sua própria ação. Em relação ao esporte, não é possível compreendê-lo por si só como saúde, educação e cultura, numa perspectiva de autêntico desenvolvimento humano, se esse estiver descontextualizado de seus aspectos socio-culturais ou sem uma clara noção de suas intenções. Dessa maneira, o esporte não é educativo sobre todos os planos, é necessário que um educador faça dele um objeto e um meio de educação (BELBENOIT, 1976). Nesta mesma lógica, o esporte não pode significar apenas uma competição altamente estruturada, na qual os atletas buscam a máxima performance esportiva. O esporte possui, pelo menos, três manifestações distintas que o professor/treinador deve considerar na sua prática: (1) esporte-performance, que possui o objetivo de buscar o alto rendimento nas categorias de formação ou no profissional; (2) esporte- participação, que tem o objetivo de promover o bem-estar, recreação e o esporte de lazer para todos e; (3) esporte-educação, que tem objetivos claros de formação, norteados por princípios socioeducativos, preparando seus praticantes para a cidadania. Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 33 Figura 6A: Representação do esporte-performance Fonte: Disponível em https://bit.ly/362cfrW. Acesso em: 26 out. 2021 34 Figura 6B: Representação do esporte-participação Fonte: Disponível em https://bit.ly/3wd0MQU. Acesso em: 26 out. 2021. Figura 6C: Representação do esporte-educação Fonte: Disponível em https://bit.ly/3Jjt2Fk. Acesso em: 26 out. 2021 No entanto, existem alguns equívocos no processo de formação que podem 35 ser evitados, sobretudo, acerca da competição, independentemente, do tipo de manifestação do esporte. Um desses equívocos está relacionada à competição na iniciação esportiva, onde a criança tem seus primeiros contatos com o esporte. A competição exacerbada leva o professor/treinador a impor ao aluno/esportista o seu desempenho máximo, através de grupos de técnicas de um esporte específico, levando-o a uma extrema especialização. Tal fato pode levar o aluno a uma especialização precoce, o que prejudica seu desenvolvimento no esporte. Promover uma competição deveria ser uma oportunidade de encaminhar o aluno à própria superação, em um movimento que conduz à paz consigo mesmo e com os outros. Dessa maneira, faz-se necessário que a competição não seja vista sempre contra alguém, mas sim contra si próprio, sendo um marco de referência para uma autoavaliação. Portanto, o objetivo da competição nas fases de iniciação esportiva deve estar voltado à autossuperação e ao autoconhecimento. Por sua vez, quando o jovem atleta entra, segue o processo de formação e demonstra interesse e motivação para a prática formal do esporte, a competição pode possuir um significado diferente. De acordo com Rose Júnior (2002), competir significa enfrentar desafios e demandas que podem, de acordo com muitos aspectos individuais e situacionais, representar uma considerável fonte de estresse para os atletas, dependendo de seus atributos físicos, técnicos e psicológicos. Esse fato ocorre, pois em muitos casos, a competição não é encarada da melhor maneira possível. A competição possui diversos benefícios que vão para além de ser 36 “campeão”. Em primeiro lugar, a competição é uma preparação para a vida, pois vivemos em uma sociedade que é altamente competitiva e requer cada dia mais preparação e conhecimento para, por exemplo, ingressar no mercado de trabalho. Em seguida, a competição é um ambiente que envolve múltiplos sentimentos e emoções. O aluno/atleta pode ter o sentimento de alegria por uma vitória, mas também pode aprender a lidar com tristeza e frustrações, o que pode gerar resiliência para enfrentar os desafios diários. Dessa maneira, a questão fundamental não é se pode ou não ter competição no âmbito escolar e/ou competitivo desde o início da formação esportiva. No entanto, a questão principal é como essa competição é encarada. Por exemplo, o esporte compõe os conteúdos da educação física no âmbito escolar. Portanto, excluir a competição nesse contexto significa excluir conteúdo inerente à educação física. Dessa maneira, a competição na escola pode ser utilizada para transmitir, por exemplo, a ideia de superar a si mesmo e de vencer por ser o mais competente e não a qualquer custo. Para que uma competição seja bem-sucedida é preciso considerar alguns pontos que serão indicados em tópicos abaixo: Objetivo da competição Nos esportes coletivos, a competição pode ter diversos objetivos, dentre eles: de integração, de avaliação, de confronto de forças etc. Por exemplo, o professor/treinador pode organizar um festival interno na escola e/ou clube no intuito de integrar diferentes alunos de turmas distintas. Por outro lado, o professor/treinador poderá expor seus alunos/atletas em competições com nível técnico mais avançado para avaliar o nível de desempenho de seus alunos/atletas em determinada modalidade. Ou seja, o professor/treinador deverá considerar os objetivos durante a participação em uma competição. Estrutura da competição Quanto mais estruturada e organizada for uma competição esportiva, mais chances ela tem de proporcionar benefícios para os participantes. Por isso, uma 37 competição deve ter um regulamento interno, o qual tem o objetivo de estabelecer regras e normas de conduta de todos os envolvidos na competição. Outro ponto importante é a infraestrutura do evento. Por exemplo, em uma competição de futebol com alunos/atletas de sete anos de idade, é necessário adaptar o tamanho do campo, o tamanho e o peso da bola, o tamanho das traves etc. Esse fato é importante, pois a criança dificilmente terá uma experiência de sucesso se as condições não forem favoráveis para a realização de um determinado esporte. 3.1 O FUTSAL COMO ESPORTE COMPETITIVO As competições de futsal no Brasil são regulamentadas pela Confederação Brasileira de Futsal (fundada em 15 de junho de 1979). De acordo com informações disponíveis no site oficial da confederação (www.cbfs.com.br), no ano de 2021, cinco categorias de competições foram organizadas para diferentes categorias: (1) Supercopa; (2) Taça Brasil de Clubes; (3) Copa do Brasil; (4) NFFB Feminino e; (5) Competições Internacionais. A Supercopa ocorre anualmente com jogo entre os campeões da Taça Brasil e a Copa do Brasil, e este ano a Supercopa decidiu uma vaga na Copa Libertadores Feminina. Ademais, a Taça Brasil de Clubes é uma competição disputada do Sub-11 até a categoria adulta no masculino e do sub-15 até a categoria adulta no feminino. Além disso, a Copa do Brasil também é realizada com equipes masculinas e femininas. Já o NFFB Feminino é uma competição exclusiva das mulheres praticantes de futsal. Por fim, as competições internacionais envolvem a Copa Libertadores, as datas FIFA, Torneios Internacionais e os Jogos Escolares da Juventude. 3.2 O FUTEBOL COMO ESPORTE COMPETITIVO As principais competições de futebol no Brasil ocorrem a partir do Sub-15, uma vez que de acordo os clubes de futebol, podem alojar os seus jogadores a partir dos 14 anos de idade. Dessa maneira, antes dessa idade as competições são mais regionalizadas e não têm um calendário oficial comandado pela CBF. Adicionalmente, segundo o artigo 29 da Lei Pelé, o primeiro contrato profissional 38 entre um clube de futebol e um jogador pode ser assinado a partir de 16 anos de idade com duração máxima de cinco anos. Dessa maneira, é a partir desse momento da formação esportiva que as competições se tornam mais presentes no calendáriodo Futebol Brasileiro. Para exemplificar como as competições oficiais das categorias de base são organizadas, em 02/04/2021, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma atualização do calendário da base do futebol brasileiro em 2021. As seguintes competições foram destacadas: Copa do Brasil Sub-20: 10/03 a 20/06; Brasileiro Sub-17: 08/05 a 14/08; Brasileiro de Aspirantes: 10/06 a 24/10; Brasileiro Sub-20: 27/06 a 21/11; Copa do Brasil Sub-17: 17/08 a 16/11; Copa do Nordeste Sub-20: 29/09 a 4/12; Supercopa do Brasil Sub-17: 15/12; Supercopa do Brasil Sub-20: 15/12. Para o futebol feminino, as competições de base previstas para 2022 são: Torneio de Desenvolvimento de Futebol Sub-16 e Sub-14: 03/12 a 11/12; Brasileiro Sub-17: 13/04 a 30/04; Brasileiro Sub-20: 03/05 a 02/07. Percebe-se que as competições de clubes no Brasil ainda são um grande desafio, pois longe de um grande investimento, como ocorre nas competições profissionais (sobretudo, na primeira divisão), as competições nas categorias de base possuem um calendário bem restrito e, por vezes, acontecem de forma regionalizada. Além disso, estão restritas as equipes de elite do futebol brasileiro. Isso impacta negativamente a formação de jovens jogadores de futebol que estão distribuídos em diferentes clubes sem representação profissional. Dessa maneira, são necessárias mais ações que englobem um maior número de equipes participantes e promovam um ambiente qualificado de formação. 39 3.3 O FUTSAL E FUTEBOL COMO ESPORTE DE LAZER O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo devido a sua popularização. Por sua vez, o futsal tem tido mais adeptos a sua prática, uma vez que possui similaridades com o futebol. Esses esportes são uma excelente opção de prática esportiva por lazer e recreação, haja vista que são acessíveis à população. A prática não depende de altos investimentos e, por vezes, é esporte praticado nas ruas, condomínios etc. Os benefícios do esporte recreativo vão desde a socialização entre os praticantes, até os benefícios relacionados à saúde. Em um estudo conduzido por Souza e colaboradores (2019), os autores buscaram verificar os principais fatores motivacionais para a adesão à prática do futebol por amadores domiciliados no interior do estado de Minas Gerais. A amostra foi composta por 100 praticantes de futebol amador e os resultados apontam que o principal fator motivacional para a adesão à prática do futebol amador remete-se à categoria saúde/fitness, visto que tal domínio apresentou maiores médias quando comparado aos demais. Além disso, o fator social foi o segundo mais indicado pelos praticantes. Para Miragaya (2006), a prática de exercícios físicos representa uma estratégia para a promoção da saúde, por ajudar a inibir o surgimento e o desenvolvimento de fatores de risco cardiovasculares e que predispõem ao aparecimento de doenças crônico- degenerativas. Ademais, para Oliveira (2013) o esporte além de promover a saúde, apresenta ainda, uma função interessante de integração social, pois conforme menciona Santos et al. (2016), o futebol como fenômeno social seria um legítimo representante da cultura brasileira. E, de fato, o esporte é uma representação da sociedade. 40 Figura 7: Representação da prática do jogo de futebol na rua como lazer Fonte: Disponível em https://bit.ly/3CPloQx. Acesso em: 26 out. 2021. 41 FIXANDO O CONTEÚDO 1. A realidade social apresenta diversas características (ex: complexidade, incerteza, conflito de valores, dentre outras), que requer do professor capacidade de refletir, de solucionar problemas e de desenvolver a criatividade durante sua própria ação. Especificamente sobre o esporte, não se pode entender que o esporte por si só possa significar saúde, educação e cultura, numa perspectiva de autêntico desenvolvimento humano, se esse estiver descontextualizado de seus aspectos socio-culturais ou sem uma clara noção de suas intenções. Portanto, o desporto não é educativo sobre todos os planos, a menos que um educador faça dele ao mesmo tempo um objeto e um meio de educação, de acordo com o objetivo de cada manifestação do esporte. Diante disso, qual o objetivo do esporte-participação: a) possui o objetivo de buscar o alto rendimento nas categorias de formação. b) possui objetivo de promover o bem-estar, a recreação e o esporte de lazer para todos. c) possui objetivo de formação, norteado por princípios socioeducativos. d) possui o objetivo de buscar o alto rendimento na categoria profissional e) possui objetivo de iniciação, norteado por princípios socioeducativos. 2. Os esportes são pedagógicos quando proporcionam obstáculos, exigências, desafios, observando regras e lidando corretamente com os outros. Além disso, os esportes são pedagógicos quando cada aluno rende mais, se esforçando muito, sem nunca sentir isto como uma obrigação imposta, exteriormente, quando socializa crianças e jovens num modelo de pensamento e vida. Diante disso, assinale o objetivo do esporte-educação: a) O esporte-educação tem objetivos claros de formação, norteados por princípios socioeducativos. b) O esporte-educação tem o objetivo de promover o bem-estar, recreação e o esporte de lazer para todos. 42 c) O esporte-educação tem o objetivo de promover saúde, animação e o esporte de lazer para todos. d) O esporte-educação tem o objetivo de buscar o alto rendimento na categoria profissional. e) O esporte-educação tem o objetivo de buscar o alto rendimento nas categorias de formação. 3. A competição é um elemento que compõe os esportes coletivos. De acordo com Rose Júnior (2002), competir significa enfrentar desafios e demandas que podem, de acordo com muitos aspectos individuais e situacionais, representar uma considerável fonte de estresse para os atletas, dependendo de seus atributos físicos, técnicos e psicológicos. Esse fato ocorre, pois em muitos casos, a competição não é encarada da melhor maneira possível. A competição possui diversos benefícios que vão para além de ser “campeão”. Diante disso, quais benefícios a competição pode apresentar? a) A competição é uma preparação para a vida, pois vivemos em uma sociedade que é altamente competitiva e requer cada dia mais preparação e conhecimento para, por exemplo, ingressar no mercado de trabalho. Além disso, a competição é um ambiente que envolve múltiplos sentimentos e emoções (positivas e negativas) e o aluno será capaz de aprender a lidar com elas, o que pode gerar resiliência para enfrentar os desafios diários. b) A pressão por resultados positivos irá incentivar a realização de qualquer prática esportiva e confirma todas as vantagens físicas e psicológicas da competição. Cobrar perfeição desde cedo fará com que a criança se sinta ainda mais preparada, sintoma que vai ajudar ainda mais seu desempenho. c) Independentemente do esporte, é importante passar uma mensagem negativa sobre a prática da atividade física – seja na vitória ou na derrota. Uma vez que a criança tenha encontrado o esporte que mais gosta, vai praticá-lo com prazer, até nos dias de chuva ou durante as repetições mais monótonas. 43 d) Qualquer atividade física quando vira competição pode levar à melhoria da saúde, pois independentemente de ser criança ou não, a competição faz com que a pessoa tenha que treinar demais e uma hora isso vai se virar contra à saúde, causando lesões. e) A competição esportiva entre crianças vai além de questões de saúde. Para a criança que está em competição, ela vive para competir, deixando os estudos de lado e não tendo uma vida social como a de outras crianças. O maior benefício é que ela passa a ter responsabilidades, virando um adulto na pele de uma criança. 4. Quanto mais estruturada e organizada for uma competição esportiva, mais chances ela tem de proporcionar benefícios para os participantes. Por isso, uma competição deve ter um regulamento interno, o qual tem o objetivo de estabelecer regras enormas de conduta de todos os envolvidos na competição. Outro ponto importante é a infraestrutura do evento. Esse fato é importante, pois a criança dificilmente terá uma experiência de sucesso se as condições não forem favoráveis para a realização de um determinado esporte. Portanto, das afirmativas abaixo, qual representa uma condição favorável para crianças participarem de uma competição? a) Em uma competição de futsal com alunos/atletas de sete anos de idade, realizada em uma quadra com dimensões de 40 x 20 metros, bola igual à utilizada com adultos e o tamanho das traves 3 x 2 metros. b) Em uma competição de basquetebol com alunos/atletas de sete anos de idade, realizada em uma quadra com dimensões de 28 x 18 metros, bola igual à utilizada com adultos e a altura da cesta de 3,05 metros. c) Em uma competição de handebol com alunos/atletas de sete anos de idade, realizada em uma quadra com dimensões de 40 x 20 metros, bola igual à utilizada com adultos e a baliza de 3x2. 44 d) Em uma competição de voleibol com alunos/atletas de sete anos de idade, realizada em uma quadra com dimensões de 18 x 9 metros, bola igual à utilizada com adultos e a rede em uma altura da rede de 2,43. e) Em uma competição de futebol com alunos/atletas de sete anos de idade, realizada em um campo com dimensões de 60 x 39 metros, bola menor à utilizada com adultos e o tamanho das traves 5 x 2 metros. 5. Durante uma competição é importante definir um quadro de árbitros que possa garantir a aplicação das regras do jogo com qualidade. Pessoas com licenças para arbitrar não são garantias que não haverá erros, mas que esses erros serão minimizados. É importante o investimento em pessoas capacitadas para integrar as atividades competitivas, pois ajudarão a: a) resolver possíveis conflitos do regulamento durante a competição. b) resolver possíveis erros nos objetivos durante uma competição. c) solucionar possíveis falhas na organização durante a competição. d) solucionar possíveis conflitos durante a partida de uma competição. e) solucionar possíveis equívocos de planejamento de uma competição. 6. Uma competição esportiva pode ser também nomeada como disputa, partida, jogo, ou em alguns casos, corridas, e, dependendo do caso, campeonato, torneio, copa, troféu ou liga. A competição é todo tipo de certame disputado sob as regras de determinado esporte em específico. Dessa maneira, independentemente da característica da competição, para que uma competição seja bem-sucedida é preciso considerar diversos fatores, dentre eles o planejamento da competição. Portanto, o que é planejamento? a) ordenação das partes de um todo; arrumação, com o estabelecimento de métodos convenientes. b) disposição dos elementos de um conjunto segundo uma relação de ordem, com o estabelecimento de métodos convenientes. 45 c) serviço de preparação de um plano de trabalho, de uma tarefa, com o estabelecimento de métodos convenientes. d) prescrição da maneira de organizar-se algo, com o estabelecimento de métodos convenientes. e) ato ou efeito de fundamentar(-se), apoiar(-se), documentar(-se), com o estabelecimento de métodos convenientes. 7. Nos esportes coletivos, a competição pode ter diversos objetivos. Por exemplo, o professor/treinador pode organizar um campeonato para expor seus alunos/atletas em competições com nível técnico mais avançado e, dessa maneira, avaliar o nível de desempenho de seus alunos/atletas em determinada modalidade. Ou seja, o professor/treinador deverá considerar os objetivos da equipe durante a participação em uma competição. Outro objetivo de uma competição pode ser a integração. Portanto, qual alternativa abaixo descreve uma situação de integração entre atletas? a) o professor/treinador organiza um torneio na escola e/ou clube selecionando alunos do mais alto nível de desempenho. b) o professor/treinador organiza um festival na escola e/ou clube incluindo alunos de diferentes níveis de desempenho. c) o professor/treinador organiza uma copa na escola e/ou clube selecionando as melhores turmas da instituição. d) o professor/treinador organiza uma seletiva na escola e/ou clube para escolher os melhores alunos para representar a instituição. e) o professor/treinador planeja uma competição interna na escola e/ou clube especificando que apenas as melhores turmas podem participar. 8. Avalie a seguinte citação: “[…] surgiram da preocupação com a excessiva valorização dada ao individualismo e à competição exacerbada, na sociedade moderna, mais especificamente, pela cultura ocidental. Considerada como um valor natural e normal da sociedade humana, a competição tem sido adotada 46 uma regra em, praticamente, todos os setores da vida social” - Fábio Brotto. Marque a alternativa que define o tipo de jogo apresentado no trecho acima: a) Jogos populares. b) Jogos competitivos. c) Jogos cooperativos. d) Jogos indígenas. e) Jogos antigos. 47 JOGOS PRÉ-DESPORTIVOS, PLANEJAMENTO E TREINAMENTO DE EQUIPES 4.1 MÉTODO GLOBAL-FUNCIONAL – COMO UTILIZAR OS JOGOS PRÉ- DESPORTIVOS NO ENSINO NO FUTSAL E NO FUTEBOL O método Global-Funcional é um método tradicional para o ensino dos esportes coletivos. Como o nome sugere, a ideia de global é justamente tentar envolver as quatro dimensões dos esportes coletivos (isto é, técnica, tática, física e psicológica) e não fragmentar. Desse modo, sua origem advém de correntes da psicologia, as quais são opostas às correntes da psicologia que embasam o método analítico-sintético. Portanto, esses métodos de ensino-aprendizagem e treinamento são considerados antagônicos. Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 48 Figura 8: Representação da recepção da bola com a “pisada” Fonte: Disponível em https://bit.ly/3MWHnKc. Acesso em: 27 nov. 2021 Independentemente se haverá elementos comuns ou isolados dos esportes coletivos, em cada jogo existe uma “ideia central”. O aluno deverá compreender a tarefa a ser realizada para solucionar os “problemas” advindos do jogo. Esses “problemas” são situações específicas em que os alunos devem agir nos jogos, por exemplo: progredir com a bola no espaço de jogo, criar situações de finalização à baliza adversária e finalizar a baliza. No entanto, um problema que pode existir é que em cada jogo haverá novas situações/problemas. Dessa maneira, se essas situações/problemas não estiverem em uma sequência pedagógica adequada, pode dificultar o entendimento do aluno para a transferência para o jogo formal da modalidade em treinamento. 4.2 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE TREINAMENTO NO FUTSAL E FUTEBOL O planejamento é essencial em processos de ensino-aprendizagem e treinamento. A partir de uma organização sistematizada das atividades em períodos semanais, mensais, semestrais ou anuais, o professor/treinador tem maior clareza das ações a serem trabalhadas em cada momento dos processos de ensino- 49 aprendizagem e treinamento. Além disso, planejar as sessões de treino, individualmente, implica levar em consideração os objetivos propostos em períodos semestrais ou anuais, mas também permite a adaptação necessária para o momento atual da turma/equipe. Durante o planejamento e a organização das sessões de treinamento para o Futsal e para o Futebol, o professor/treinador deve ter alguns pontos importantes em mente: o objetivo do treino em todas as vertentes (técnico, tático, físico, psicológico e social) para selecionar, adequadamente, os exercícios a serem desenvolvidos; Levar em consideração o dia, a semana e o mês conforme planejamento. Por exemplo, treinamentos em dias após os jogos vão requer uma atenção especial na recuperação dos jogadores; Levar em consideração se o treino antecede ou procede de algum jogo, pois a carga de treinamento deve ser reduzida; Certificar do número de jogadores que irão participar do treino, para selecionar, adequadamente, os materiais necessários para aula/treino; Priorizar uso de materiais adequados (chuteiras,tênis de futsal etc.) e uso de uniformes e equipamentos de segurança por parte dos jogadores; 50 Certificar as condições climáticas para evitar problemas com as atividades e jogadores. Por exemplo, o futebol é uma modalidade esportiva que ocorre em locais abertos. Isso pode ter impactos negativos na própria saúde dos jogadores. Especificamente, para desenvolver exercícios e atividades de treinamento, os professores/treinadores devem considerar alguns aspectos: Ter objetivos claros e específicos; Duração e intensidade condizentes com os objetivos e com a categoria em questão; Ter em mente os pontos que merecem atenção durante o treino (conteúdo, feedbacks etc.); Organizar o exercício de modo que todos os atletas participem de forma ativa e dinâmica. Evitando filas, atletas parados, distraídos ou desmotivados; Progressão das atividades: sempre do mais fácil para o mais difícil, do simples para o complexo; Preparar o campo, circuito de forma didática, que proporcione fácil compreensão, zelo pelos materiais e pela segurança de todos; Os materiais como bolas, cones, coletes, arcos etc., devem ser previamente calculados, conforme ordem de atividades e número de atletas de acordo com o objetivo do treino. 4.3 APLICAÇÃO DO TREINAMENTO NO FUTSAL E NO FUTEBOL A aplicação do treinamento/aula no Futsal e Futebol deve ser coerente com o planejamento e a organização dos conteúdos estabelecidos para as 51 turmas/categorias. Isso ajudará o professor/treinador a obter sucesso na sessão de treinamento. Por isso, é importante seguir um planejamento bem organizado e orientado para que o aluno/atleta se desenvolva de acordo com suas potencialidades e limitações inerentes à idade, sem proporcionar uma especialização precoce. É necessário compreender que os jovens alunos/atletas não são miniaturas de adultos e não devem ser submetidos a um treinamento de adultos. Muitos professores/treinadores apenas copiam exercícios e aplicam sem seus treinos. Deve-se entender que nenhuma equipe é igual à outra, nem mesmo as equipes de mesma idade/categoria. Copiar exercícios sem olhar a realidade de seus alunos/atletas é um passo para o insucesso naquela sessão de treino. Exercícios aplicados por outros treinadores podem servir como um modelo para que o treinador adapte e crie melhores condições de organizar seus treinos de acordo com seus objetivos. Outro ponto importante no processo de ensino-aprendizagem e treinamento que deve ser evitado é queimar etapas no desenvolvimento ou impedir o desenvolvimento dos alunos/atletas. Ou seja, progressão das atividades, sempre do mais fácil para o mais difícil, do mais simples para o mais complexo, é muito importante dentro de um grupo em processo de aprendizado. Dessa maneira, a turma irá aprender, gradualmente. Muitos professores/treinadores queimam etapas aplicando treinos muito acima do nível dos alunos/atletas ou muito simples e abaixo das habilidades dos alunos/atletas. Além de prejudicar o desenvolvimento, o professor/treinador se limita a não conseguir que os treinos sejam estimulantes e com ambiente propício à aprendizagem. Por isso, recomendamos algumas ações para os professores/treinadores e disponibilizamos um modelo de organização de aula/treino: Explicação • Explicar os objetivos dos exercícios ou atividade; • Explicar o papel de cada jogador dependendo da tarefa a ser executada; • Explicar somente quando todos estiverem prestando atenção, não se deve explicar enquanto os alunos estão conversando ou distraídos. 52 Demonstração • Sempre demonstrar aquilo que se explica, sendo o próprio professor ou algum aluno que tenha maior facilidade; • Certificar de que não há nenhuma dúvida após a explicação da tarefa. Observação • Sempre observar a postura, os gestos, os movimentos e ações dos alunos durante as atividades e exercícios propostos; • A observação é importante no momento de identificar problemas e sucessos na execução. Motivação • Sempre motivar os atletas durante as atividades e exercícios; • Dar orientações breves, como comandos motivadores, ex.: “boa bola”, “bom passe”, “isso, você foi bem”, “vamos, não pare!” Intervenção e Adaptação • Sempre intervir no momento certo, nunca deixar para intervir depois; • Instruir novamente o exercício de forma mais clara; • Revisar os pontos observados, positivos ou negativos. Os alunos gostam de feedbacks nas atividades; • Para progredir com as atividades, sempre o professor deve começar do menor grau e ir evoluindo conforme a assimilação dos atletas. EXEMPLO DE SESSÃO DE TREINO MODELO DE ORGANIZAÇÃO DE UMA SESSÃO DE TREINO: 1. CONVERSA INICIAL: (cerca de 2 minutos de duração) No início de cada treino, é recomendado este momento de conversa, descontração e preparação sobre o que será trabalhado na sessão de treino. 53 2. AQUECIMENTO: (5 minutos de duração) Atividade 1 - Atividade 2 - Exercícios preparatórios referentes ao conteúdo a ser trabalhado. 3. EXERCÍCIOS (15 minutos de duração) Exercício 1 Objetivo: Procedimentos: Variações: Dicas: Descanso: Exercício 2 Objetivo: Procedimentos: Variações: Dicas: Descanso: Exercícios principais com a descrição de pontos norteadores da sessão de treino. 4. JOGO (15 MINUTOS DE DURAÇÃO) Duração: Condições Momento de colocar em prática o que foi exercitado ao longo da sessão. 5. ALONGAMENTOS E CONVERSA FINAL: (3 MINUTOS DE DURAÇÃO) Duração: Neste momento é sempre importante conversar sobre os pontos positivos e negativos do treino, tirando dúvidas e preparando o atleta para a próxima sessão. 54 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Com relação ao processo de ensino e aprendizagem dos esportes coletivos, analise as afirmativas a seguir: I. O método analítico pode ser caracterizado pelo ensino de cada uma das partes de uma habilidade. II. O método global consiste na utilização de toda a habilidade a ser aprendida. III. O método situacional é caracterizado pela prática de situações de jogo nas quais comportamentos individuais e coletivos são extraídos do jogo propriamente dito. IV. O método da resolução de problemas é caracterizado pela demonstração por parte do professor de uma determinada técnica e a repetição imediata dos alunos. Com relação as alternativas, assinale a opção correta: a) I e II b) I, III e IV c) III e IV d) II e III e) II, III e IV 2. O método global-funcional tem se mostrado mais consistente e eficiente quando comparado aos analíticos, pois atende ao desejo e às expectativas de jogar dos alunos, estes ganham em motivação e o processo ensino-aprendizagem é facilitado pelas diversas vivências e experiências acerca do jogo. Diante disso, avalie as asserções a seguir: I. O método Global-Funcional ocorre através de uma série de jogos (recreativos, pré- desportivos e jogos de iniciação). Por meio desses jogos, os professores procuram implantar elementos comuns aos esportes coletivos, por exemplo: a recepção da bola com as mãos (handebol e basquetebol) e a recepção da bola com os pés (futsal e futebol). PORQUE 55 II. Independentemente se haverá elementos comuns ou isolados dos esportes coletivos, em cada jogo existe uma “ideia central”. O aluno não deverá compreender a tarefa a ser realizada para dificultar as soluções dos “problemas” advindos do jogo. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta: a) Tanto a primeira, quanto a segunda asserções são proposições falsas. b) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda uma proposição falsa. c) A primeira asserção é uma proposição falsa e a segunda uma proposição verdadeira. d) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não é uma justificativa da primeira. e) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa da primeira. 3. (ENADE 2019) - Atualmente, entre as discussões que envolvem o treinamento de atletas e equipes esportivas, estão em evidência as relacionadas à formação de atletas de futebol. O processo, cadavez mais embasado cientificamente, busca o desenvolvimento harmônico e integral dos futuros atletas, evitando a especialização precoce. Nesse contexto, para evitar a especialização precoce dos atletas e propiciar-lhes os benefícios da prática esportiva, o profissional de Educação Física deve: a) procurar o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das capacidades físicas do futuro atleta ligadas à performance máxima da sua faixa etária. b) utilizar uma metodologia específica para o aprimoramento técnico e tático do esportista desde a etapa de iniciação esportiva. c) aplicar metodologia voltada para o aumento da probabilidade de uma formação de sucesso no menor tempo possível. d) priorizar, no treinamento, os valores psicológicos, emocionais, sociais e culturais dos futuros atletas, em detrimento do domínio motor. 56 e) aplicar metodologia voltada para o desenvolvimento integral do esportista, levando em conta os seus estágios de crescimento e desenvolvimento físico, afetivo e cognitivo. 4. (ENADE 2019) - Os modelos metodológicos, escolhidos pelo profissional de Educação Física para o processo de ensino de esportes coletivos, exercem forte influência nas relações que cada sujeito estabelecerá com a prática esportiva ao longo da vida. Portanto, cabe ao profissional conhecer e selecionar adequadamente os métodos de ensino, de modo que contribuam para a percepção positiva sobre esses esportes pelos alunos. Considerando esse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. As crianças que participam de aulas de futebol baseadas em métodos predominantemente analíticos constroem uma representação simbólica do futebol associada à competitividade e à valorização da vitória, diferentemente das crianças que vivenciam aula de base metodológica predominantemente global, em que se valoriza a participação, ou seja, a própria vivência esportiva. PORQUE II. Os modelos metodológicos de base analítica no ensino dos esportes coletivos promovem a cooperação entre os participantes e o entendimento do jogo a partir do todo, ao passo que os modelos metodológicos predominantemente globais de ensino desses esportes valorizam a competitividade, a eficiência da execução do gesto esportivo e a repetição motora como mecanismos de aprendizagem. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 57 5. (ENADE 2016) - A prática esportiva pode ser um importante meio de proteção à saúde mental na infância e na adolescência, mas a busca exacerbada por resultados a curto prazo tem levado profissionais do esporte a adotar práticas pedagógicas com ênfase na especialização esportiva precoce. Esses procedimentos podem causar transtornos emocionais que prejudiquem a saúde mental de jovens esportistas. Considerando esse contexto, para evitar a especialização precoce e garantir os benefícios da prática esportiva à saúde mental de crianças e adolescentes, o profissional de educação física deve: a) garantir que eles não vivenciem frustrações, tristezas e chateações durante a prática esportiva. b) utilizar métodos adequados para o aprimoramento técnico e tático desse público durante a etapa de iniciação esportiva. c) organizar competições esportivas que enfatizem a aprendizagem e lhes proporcionem experiências prazerosas. d) avaliar a personalidade, o nível de autoestima, a percepção de competência, a motivação e a autorregulação dos alunos durante sua formação esportiva. e) acompanhar, por meio de aplicações de escalas e entrevistas, a saúde mental das crianças e adolescentes com o objetivo de evitar transtornos emocionais advindos de competições esportivas. 6. (ENADE 2013) - Com relação ao processo de ensino-aprendizagem de esportes coletivos, avalie as afirmações a seguir. I. O método por partes pode ser caracterizado pelo ensino de cada uma das partes de uma habilidade. II. O método pelo todo consiste na utilização de toda a habilidade a ser aprendida. III. O método situacional é caracterizado pela prática de situações de jogo nas quais comportamentos individuais e coletivos são extraídos do jogo propriamente dito. IV. A escolha entre o método por partes ou o método pelo todo deve levar em consideração o nível de complexidade e a organização da habilidade. É correto o que se afirma em: 58 a) I, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II, III e IV. 7. (Adaptado ENADE 2011) - O fazer docente pressupõe a realização de um conjunto de operações didáticas coordenadas entre si. São o planejamento, a direção do ensino e da aprendizagem e a avaliação, cada uma delas desdobradas em tarefas ou funções didáticas, mas que convergem para a realização do ensino propriamente dito. LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 2004, p. 72. Considerando que, para desenvolver cada operação didática inerente ao ato de planejar, executar e avaliar, o professor/treinador precisa dominar certos conhecimentos didáticos, avalie quais afirmações abaixo se referem a conhecimentos e domínios esperados do professor. I. Conhecimento dos conteúdos da modalidade que ensina, bem como capacidade de abordá-los de modo contextualizado. II. Não é necessário o domínio dos métodos e técnicas de elaboração de exercícios específicos ao esporte escolhido. III. Domínio de diferentes métodos e procedimentos de ensino e capacidade de escolhê-los conforme a natureza dos conteúdos a serem tratados e as características dos atletas. IV. Não é necessário o domínio do conteúdo relacionado às competências físicas, técnicas e táticas, que deve conter no planejamento a ser trabalhado durante o ano de formação. É correto apenas o que se afirma em: a) I e II. b) I e III. c) II e III. d) II e IV. 59 e) III e IV. 8. (ENADE 2019) - A periodização consiste em uma forma de planejamento e organização do treinamento esportivo, cujo pressuposto básico é a divisão em determinados períodos (preparatório, competitivo e transitório). O objetivo pode ser tanto promover um ápice no desempenho em determinadas competições quanto aperfeiçoar a recuperação do atleta mediante determinados estímulos. MONTEIRO, A.; LOPES, C. Periodização esportiva: estruturação do treinamento. 2.ed. São Paulo: AG Editora, 2015 (adaptado). Considerando esse contexto, avalie as afirmações a seguir. I. As modalidades esportivas classificadas como coletivas apresentam um período preparatório curto e um período competitivo longo. II. O período transitório contribui para a recuperação do potencial de adaptação do organismo e serve como elo entre os macrociclos. III. A eficácia dos exercícios físicos programados em uma periodização está diretamente relacionada ao seu volume, à intensidade e à densidade. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) I e III, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. 60 O ESPORTE COMO EXPRESSÃO DE CULTURA E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O ENSINO DAS MODALIDADES ESPORTIVAS COLETIVAS 5.1 O ESPORTE COMO REPRESENTAÇÃO CULTURAL O esporte é uma parte representativa da sociedade e no Brasil não é diferente. O futebol e o futsal possuem suas raízes muito fortes no país. No entanto, dentre eles, o futebol tem um papel de destaque. Segundo Rinald (2000), o futebol expressa a característica da sociedade brasileira devido a sua maneira de manifestação cultural construída historicamente. O futebol brasileiro visto como uma prática social, também se constitui num meio pelo qual os indivíduos expressam determinados sentimentos...o fato de torcer por um time mesmo quando esse não ganha títulos durante muitos anos pode servivido como um teste de fidelidade. Suportar as gozações de torcedores contrários após uma derrota põe a prova a paixão pelo time, mesmos nos momentos difíceis. Vencer um jogo contra um time tecnicamente mais forte reaviva a crença em um ser superior que realiza milagres (Daólio, 1997, p. 122). No entanto, para homens e mulheres o futebol e futsal possuem diferentes manifestações, uma vez que ainda nos dias atuais esses esportes são áreas ocupadas mais por homens do que mulheres (Moura, 2003). De acordo com Romero (1994) é esperado que homens e mulheres tenham funções, papéis sociais e comportamentos distintos na sociedade. Segundo Moura (2003), a ideologia sexista de “brinquedo de menino” e “brinquedo de menina” pode atrapalhar os primeiros estímulos motores, que devem ser variados para que meninos e meninas possam se desenvolver em termos motores, físicos e mentais. Aperar disso, “(...) ao menino, presenteia-se com carrinhos de brinquedo e bola de futebol. À menina, oferece-se boneca”. Portanto, para mudar esse quadro de desigualdade entre homens e mulheres no futebol e futsal, deve-se proporcionar estímulos semelhantes nos anos iniciais de formação ou de iniciação esportiva, os quais podem ser observados a Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 61 partir dos modelos de ensino apresentados nos dois próximos tópicos. 5.2 MODELOS DE ENSINO TRADICIONAIS PARA OS ESPORTES COLETIVOS Existem várias maneiras de ensinar os indivíduos durante a prática dos esportes coletivos. No entanto, é importante que o professor possa escolher com clareza o método que deseja utilizar, para que os processos de ensino-aprendizagem e treinamento possam ser coerentes com a capacidade e os objetivos de cada aluno. Portanto, o método de ensino deverá facilitar os processos de ensino-aprendizagem e treinamento, independentemente, do nível de rendimento que o aluno se encontra (GRECO, 1998). O processo de ensino pressupõe contextualização, aquisição de saberes, competências e conhecimentos necessários para melhoria do rendimento esportivo. Por sua vez, o processo de aprendizagem também pressupõe os mesmos aspectos relacionados ao ensino (citados acima). Por esse motivo, esses processos estão intimamente relacionados. O ensino será eficiente ou eficaz se o professor levar em consideração não apenas a forma que ele vai ensinar, mas também a forma como os alunos aprendem, uma vez que aprendem de maneiras distintas. Dessa maneira, o professor deve conhecer as potencialidades e limitações dos alunos no intuito de otimizar os processos de ensino-aprendizagem e treinamento. Portanto, de acordo com Greco (1998), os métodos de ensino são ferramentas que proporcionam a obtenção de um novo nível de rendimento. É importante destacar que os processos de ensino-aprendizagem e treinamento vão além da exercitação. Por muitas vezes, ao utilizar o termo treinamento, isoladamente, nos remetemos ao exercício em si. Obviamente, o 62 exercício é importante para melhoria do desempenho do aluno, uma vez que é através do exercício que o professor irá estimular o desenvolvimento dos alunos. No entanto, o exercício pelo exercício, sem uma construção pedagógica e sem uma lógica de intervenção, não é capaz de gerar melhorias do desempenho dos alunos (TEOLDO; GUILHERME; GARGANTA, 2017). Por vezes, esse desempenho pode até ser reduzido, pois o aluno não é capaz de aplicar no esporte aquilo que é exigido, tanto no âmbito de clubes, quanto no âmbito escolar. Os métodos apresentados abaixo estão baseados no livro Iniciação Esportiva Universal 2, de Greco (1998): MÉTODO ANALÍTICO-SINTÉTICO O método analítico-sintético é um dos mais tradicionais métodos para ensino dos esportes coletivos. Sua base conceitual advém de correntes da psicologia que fragmentam o todo para tentar potencializar o ensino das partes e depois possa ser aplicado no contexto geral. Nos esportes coletivos, esse método de ensino é amplamente contestado, pois não é possível fragmentar as diferentes dimensões dos esportes (GRECO; BENDA, 1998). Essas dimensões são basicamente quatro: tática, psicológica, física e técnica. No método analítico-sintético, em primeiro lugar são trabalhados os componentes técnicos do jogo através da repetição de exercício em cada fundamento técnico de acordo com a modalidade esportiva. Por exemplo, o passe com as mãos (no basquetebol e handebol), o passe com os pés (no futsal e futebol), o levantamento (no voleibol), o arremesso (no handebol e basquetebol) e chute (no futsal e futebol). Inicialmente, esses exercícios devem ser oferecidos com um baixo nível de dificuldade e à medida que o aluno vai dominando aquela sequência, as séries ficam mais complexas. Esse método de ensino também é conhecido como método “parcial” e de “série de exercícios”, pois através dele o professor fragmenta o jogo através de diversas séries de exercícios. Esse método possui os seguintes princípios metodológicos: Do conhecido ao desconhecido das partes ao todo; Do fácil para o difícil diminuição da ajuda; Do simples para o complexo aproximação gradativa. 63 MÉTODO MISTO Com o intuito de maximizar os processos de ensino-aprendizagem e treinamento, o método misto surge como uma solução pedagógica para superar as limitações encontradas nos métodos analítico-sintético e global-funcional (GRECO; BENDA, 1998). Portanto, o método misto caracteriza-se como a junção dos métodos analítico-sintético e global-funcional. Isto é, inicialmente o professor realiza um determinado jogo para identificar as potencialidades e limitações de cada um dos alunos, logo em seguida realiza uma série de exercícios para estimular o desenvolvimento dos fundamentos técnicos do esporte em questão e, por fim, o professor aplica o jogo novamente para avaliar se o aluno aprendeu o gesto técnico. O jogo é um fator motivador para o praticante, independentemente, de sua idade e nível de desempenho. Por essa razão, a ideia central do método misto é satisfazer o desejo primário do praticante, que constitui-se em jogar o esporte em questão. Satisfazendo esse desejo inicial, o aluno pode estar mais susceptível a querer desenvolver suas competências e, assim, aceitar mais facilmente as séries de exercícios do método analítico-sintético. Após realizar uma série de exercícios, o aluno é submetido novamente ao jogo para testar suas habilidades. Caso tenha desenvolvido, pode-se aplicar séries mais complexas e com maior grau de dificuldade. MÉTODO DE CONFRONTAÇÃO O método de Confrontação diz respeito à prática do esporte formal, ou seja, o jogar adulto, com suas regras e formas. Dessa maneira, em cada modalidade esportiva, o professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio do jogo formal, sem divisões e tarefas a serem aprendidas para chegar ao jogo formal. Por exemplo, no jogo de basquetebol, o professor irá dividir duas equipes de cinco jogadores em cada uma e irá permitir que os alunos joguem com as dimensões oficiais da quadra, altura da cesta etc. Cabe destacar que esse método não pode ser confundido com o “rola bola”, que constitui uma prática sem qualquer finalidade pedagógica. No método de confrontação, o professor deve estar atento a todas as ações que ocorrem no jogo, para fornecer instruções adequadas a cada aluno. Essas instruções irão estimular o desenvolvimento do aluno. A literatura científica especializada no ensino dos 64 esportes coletivos tem indicado que a instrução assume um papel fundamental, pois quando o aluno é instruído, se sente mais motivado e tem seu desempenho potencializado. MÉTODO SITUACIONAL O método situacional é mais recente nos processos de ensino-aprendizagem e treinamento, comparativamente, aos métodos analítico-sintético e global- funcional. O método situacional surge com a necessidade de um processo de ensino que acompanha a evolução dos esportes coletivos e se aproxima mais da dinâmica criada em um dos esportes. Por exemplo,no voleibol a regra da “vantagem” tornava o jogo longo, menos atrativo para os espectadores e para a própria impressa, que era responsável por transmitir um jogo dessa modalidade. Quando essa regra deixou de ser aplicada, o jogo tornou-se mais rápido e dinâmico, além de mais exigente em termos de habilidade dos jogadores. Isso ocorreu, pois cada ação de saque para iniciar o jogo gera um ponto, consequentemente, para alguma das equipes. O método situacional, como o nome sugere, é baseado em jogadas extraídas de situações padrões do jogo formal. Dessa maneira, o professor irá determinar quais situações deseja trabalhar e, assim, pode colocar em prática nos processos de ensino-aprendizagem e treinamento. Por exemplo, o professor pode criar situação de inferioridade numérica (sete contra seis), simulando o aluno que recebeu punição de dois minutos fora no handebol. Dessa maneira, pode condicionar a equipe a se comportar de maneira adequada (ao seu entender) nessa situação. Uma característica positiva nesses métodos de ensino-aprendizagem e treinamento se refere ao fato de que as componentes técnica e tática do jogo são trabalhadas de maneira conjunta. Além disso, proporciona o desenvolvimento das habilidades percepto-cognitivas, que são fundamentais para o rendimento esportivo de excelência. Com isso, o professor estimula a flexibilidade e a criatividade dos alunos nas situações apresentadas no jogo. Dessa maneira, o aluno terá condições de conhecer o jogo formal em suas diferentes fases e planos. O método situacional, de maneira indireta, reúne as vantagens dos métodos analítico- sintético e global-funcional em uma forma simples, deixando de lado as desvantagens esses métodos apresentam. 65 5.3 MODELOS DE ENSINO ATUAIS PARA OS ESPORTES COLETIVOS Estas concepções de treino são baseadas na dimensão física, que é coordenadora e orientadora do processo de treino. A primeira concepção de treino advém da tendência originária do Leste Europeu, que concebe o jogo de futebol a partir de quatro dimensões: técnica, física, tática e psicológica. Nessa tendência, as dimensões são isoladas para tentar potencializar o processo de treinamento. A segunda concepção de treino advém da tendência originária do Norte da Europa e da América do Norte, que também concebe o jogo a partir das quatro dimensões. No entanto, existe uma interação entre essas dimensões no processo de treinamento. Por fim, a tendência originária da América Latina integra as quatros dimensões no treinamento, enfatizando mais uma do que outra. No entanto, todas estão presentes. No intuito de mudar a perspectiva de como surge o treinamento no futebol, a periodização tática surge com um nome de caráter “provocativo”, pois indica qual dimensão do jogo irá orientar e coordenar o processo de treino. Periodizar significa dividir em intervalos regulares de tempo e a tática, dentro desse método de ensino- aprendizagem e treinamento, tem um sentido amplo e diz respeito a uma cultura que se cria e torna possível uma forma específica de jogar. Portanto, esse método de ensino possui uma matriz conceitual e diferentes princípios metodológicos próprios no intuito de fazer emergir essa forma específica de jogar. 66 Matriz Conceitual Momentos do jogo: A Fase Ofensiva é caracterizada pelo momento de organização em que a equipe detém a posse de bola e possui seus jogadores dispostos para o ataque. A Transição Ataque-Defesa acontece no instante em que a equipe perde a posse de bola e exige do jogador mudança de atitude, saindo da fase ofensiva para a defensiva. A Fase Defensiva é condicionada pela necessidade de recuperação da posse de bola, pois nesse momento a equipe adversária detém a posse e passa a assumir a iniciativa do jogo. A Transição Defesa-Ataque se dá no instante em que a equipe recupera a posse de bola e inicia as ações ofensivas. Neste instante, a equipe deve mudar seu pensamento saindo da situação defensiva transitando para a atitude ofensiva, a qual irá novamente se organizar para iniciar o ataque. Escalas da Equipe: As escalas da equipe se referem às diferentes possibilidades de treinar os aspectos da equipe em nível coletivo (1), intersetorial (2), setorial (3), grupal (4) e individual (5). (1) (2) (3) (4) 67 (5) Organização dos Princípios de Jogo: Princípios de Jogo são os padrões gerais que caracterizam a equipe – Plano Macro. Por sua vez, os Subprincípios de Jogo são os padrões intermédios que possibilitam os padrões gerais – Plano Meso. Por fim, os Subsubprincípios de Jogo são os detalhes que dão imprevisibilidade à previsibilidade – Plano Micro. Princípios Metodológicos Princípio da Progressão Complexa Compreende a organização das sessões de treino conforme a evolução da equipe ao longo do período de treinamento. Retirando ou acrescentando os desgastes físico e mental referentes aos conteúdos do modelo de jogo. O modelo de jogo é o que vai nortear todo trabalho desenvolvido no treinamento. Os exercícios serão específicos se tiverem relação com o modelo de jogo da equipe. Caso contrário, os jogadores e as equipes estarão aprendendo comportamentos indesejáveis de acordo com a “cultura” do clube, isto é: a forma de jogar da equipe. Princípio da Alternância Horizontal em Especificidade Tem como objetivo induzir adaptações e fazer emergir os padrões de jogo específicos por meio da indução de comportamentos nos diferentes morfociclos. 68 Domingo: Jogo Segunda: Folga Terça: Recuperação Ativa Quarta: Tensão (Operacionalização aquisitiva) Quinta: Duração (Operacionalização aquisitiva) Sexta: Velocidade (Operacionalização aquisitiva) Sábado: Recuperação Ativa* Domingo: Jogo *O treino de sábado, para além de uma recuperação, visa pré-ativar os jogadores e a equipe para o jogo no dia seguinte. Portanto, tem um caráter específico e diferente da recuperação ativa da terça-feira. Outro detalhe importante é que esse é um exemplo de morfociclo com jogo de domingo a domingo. Caso os jogos aconteçam de sábado a sábado, por exemplo, a lógica e sequência dos treinamentos são as mesmas. O dia de tensão requer um tipo específico de contração muscular com mais frequência do que os demais tipos de contração muscular. Portanto, o exercício precisa ter as características que favoreçam esse tipo de contração muscular. Isso também ocorre com a duração e com a velocidade conforme figuras abaixo: Quando o calendário envolve jogos no meio da semana, a organização dos treinamentos muda de acordo com o morfociclo abaixo. 69 Domingo: Jogo Segunda: Recuperação Ativa Terça: Recuperação Ativa Quarta: Jogo Quinta: Folga/ Recuperação Ativa Sexta: Recuperação Ativa Sábado: Recuperação Ativa Domingo: Jogo Os estímulos relacionados à operacionalização aquisitiva não aparecem em morfociclos com jogo durante a semana, pois a soma dos estímulos de treino deve ser igual a um estímulo de jogo. Portanto, se ocorre um jogo no meio da semana, os estímulos já são alcançados naquela semana. Princípios das Propensões Esse princípio metodológico tem como objetivo criar contextos em que a densidade do ou dos princípios que se pretendem treinar apareçam como regularidades, de forma a fazer emergir o jogo que se deseja para equipe em relação aos planos tático/técnico e fisiológico. Nesse princípio deve existir uma grande relação com o “Princípio da Alternância Horizontal em Especificidade”. 70 FIXANDO O CONTEÚDO 1. O método situacional, como o nome sugere, é baseado em jogadas extraídas de situações padrões do jogo formal. Dessa maneira, o professor irá determinar quais situações deseja trabalhar e, assim, pode colocar em prática nos processos de ensino-aprendizagem e treinamento. Uma característica positiva nesses métodos de ensino-aprendizagem e treinamento refere-se ao fato de que as componentes técnica e tática do jogo são trabalhadas de maneira conjunta. Portanto, uma das estratégias para se atingir esse objetivo é modificar as "estruturas funcionais"do jogo. Diante disso, o que refere-se a essas estruturas funcionais? a) A quantidade de participantes envolvidos nas situações do jogo. b) A quantidade de materiais envolvidos nas situações do jogo. c) A quantidade de tempo envolvido nas situações do jogo. d) A quantidade de exercícios envolvidos nas situações do jogo. e) A quantidade de execução técnica envolvida nas situações do jogo. 2. As teorias interacionistas deram sustentação teórica para metodologias de ensino baseadas em jogos, que são uma excelente estratégia de ensino que respeita a integridade e a lógica interna do jogo. Uma das metodologias que se enquadra neste perfil é o método situacional. Diante disso, quais as características referem-se a tal método? a) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio do jogo formal, sem divisões e tarefas a serem aprendidas para chegar ao jogo formal. b) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio da divisão dos componentes técnicos do jogo através da repetição de exercício em cada fundamento técnico. c) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de uma série de jogos (recreativos, pré-desportivos e jogos de iniciação) que não são mais difíceis que o jogo formal. 71 d) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de um determinado jogo, logo após o gesto técnico e, por fim, o jogo novamente. e) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de jogadas extraídas de situações padrões do jogo formal. 3. O método de ensino deverá facilitar os processos de ensino-aprendizagem e treinamento, independentemente, do nível de rendimento que o aluno se encontra. Entre os métodos tradicionais que são utilizados nos esportes coletivos encontra-se o método de confrontação. Esse método (assim como os demais) possui características próprias e estratégias de ensino diferentes. Diante disso, quais as características referem-se ao método de confrontação? a) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio do jogo formal, sem divisões e tarefas a serem aprendidas para chegar ao jogo formal. b) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio da divisão dos componentes técnicos do jogo através da repetição de exercício em cada fundamento técnico. c) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de uma série de jogos (recreativos, pré-desportivos e jogos de iniciação) que não são mais difíceis que o jogo formal. d) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de um determinado jogo, logo após o gesto técnico e, por fim, o jogo novamente. e) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de jogadas extraídas de situações padrões do jogo formal. 4. Um dos métodos tradicionais que são utilizados nos esportes coletivos é o método analítico-sintético. Esse método possui características particulares e estratégias de ensino diferentes. Diante disso, quais as características referem-se a tal método ? 72 a) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de uma série de jogos (recreativos, pré-desportivos e jogos de iniciação) que não são mais difíceis que o jogo formal. b) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio da divisão dos componentes técnicos do jogo através da repetição de exercício em cada fundamento técnico. c) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de jogadas extraídas de situações padrões do jogo formal d) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio de um determinado jogo, logo após o gesto técnico e, por fim, o jogo novamente. e) O professor irá conduzir os processos de ensino-aprendizagem e treinamento por meio do jogo formal, sem divisões e tarefas a serem aprendidas para chegar ao jogo formal. 5. O objetivo da Periodização Tática é fazer emergir um jogar específico através de intencionalidades individuais e coletivas, pois os processos de ensino-aprendizagem e treinamento são responsáveis por modelar os comportamentos dos jogadores e de equipes. Para atingir tal objetivo, o conceito de “Fractal” é fundamental na montagem dos exercícios. Diante disso, qual o conceito de “Fractal”? a) Exercícios que reproduzam o jogo formal da equipe adversária parcialmente. b) Exercícios que reproduzam o jogo formal da equipe adversária em sua totalidade. c) Exercícios que reproduzam o jogo formal da própria equipe em sua totalidade. d) Exercícios que são representativos da maneira que a equipe adversária pretende jogar. e) Exercícios que são representativos (proporcionalmente) da maneira que a equipe pretende jogar. 6. A Periodização Tática é uma concepção de treino que pretende ter uma lógica de compreensão e intervenção no futebol diferente de outras concepções. Dentre essas outras concepções, podem-se destacar três: a tendência originária do Leste Europeu, a tendência originária do Norte da Europa e da América do Norte e a 73 tendência originária da América Latina. Em relação à tendência originária da América Latina, quais características abaixo referem-se a essa concepção: a) Concebe o treino a partir de 4 dimensões: Técnica; Física; Tática e Psicológica. E separa essas dimensões em treino para maximizar o processo de desenvolvimento e ter maior proficiência no jogo. b) As 4 dimensões (Técnica; Física; Tática e Psicológica) são integradas no processo de treino. Nessa lógica, o conceito de especificidade assume particular importância. c) Considera o jogo a partir das 4 dimensões: Técnica; Física; Tática e Psicológica. E preconiza uma interligação entre elas, estimulando duas dimensões conjuntamente. d) Considera o jogo a partir das 4 dimensões: Técnica; Física; Tática e Psicológica. E considera a dimensão tática como coordenadora e orientadora do processo de treino. e) Considera o jogo a partir das 4 dimensões: Técnica; Física; Tática e Psicológica. E considera a dimensão psicológica como coordenadora e orientadora do processo de treino. 7. Daniel é preparador físico de um clube de futebol em Santa Catarina. No clube, a comissão técnica utiliza como método de treinamento a Periodização Tática, cujo treinamento é baseado a partir da matriz conceitual que orienta a modelação do treino por meio da interação entre os momentos de jogo (organização ofensiva e defensiva, transição ataque/defesa e defesa/ataque), escala da equipe (coletiva, intersetorial, setorial, grupal e individual) e a organização dos princípios de jogo (princípios de jogo, subprincípios de jogo e sub-sub-princípios de jogo). Desta maneira, avalie a atividade a seguir e indique qual escala da equipe foi utilizada nessa atividade: Atividade: Conservar a posse de bola. Conteúdo: Fundamentos técnicos: passe e recepção. Objetivo: Conservar a posse da bola através do passe e recepção. Materiais: Cinco bolas de futebol, quatro cones, dez pratinhos. Idade: 14 anos. Campo: 15 metros de comprimento e 20 metros de largura. Jogadores: Dez jogadores = (3 x 3 no campo de jogo) + (2 jogadores alvo). Duração: Quatro minutos. 74 Descrição: As equipes irão jogar livremente durante três minutos em um campo de 15x20 metros. Haverá dois jogadores-alvo que se localizarão nas laterais do campo. As equipes serão compostas por jogadores das mesmas posições, isto é: defesa, meio de campo e/ou ataque. A equipe deverá manter a posse da bola, sendo que poderá passá-la para os jogadores-alvo. Estes só poderão realizar o passe para a equipe que estiver com a posse da bola. Variações: Reduzir o tamanho do campo para 10x15 metros, a fim de aumentar a dificuldade do jogo devido à proximidade entre os jogadores. a) Individual b)Setorial c) Grupal d) Coletiva e) Intersetorial 8. A Periodização Tática é uma concepção de treino que visa se diferenciar de concepções tradicionais. De acordo com essa concepção, tática tem um conceito mais amplo do que uma simples dimensão do jogo. Diante disso, de acordo com o conceito trabalhado em aula, indique o conceito de tática de acordo com a Periodização Tática: a) Uma cultura que se cria e permite um jogar específico. b) A distribuição dos jogadores no campo de jogo. c) É o canal de comunicação entre os jogadores no campo de jogo. d) É o planejamento prévio das ações do jogo. e) É o posicionamento e movimentação dos jogadores. 75 REGRAS DO FUTSAL E DE FUTEBOL A FIFA (Fédération Internationale de Football Association) é a instituição que dirige o futebol e o futsal. Esses esportes possuem a mesma quantidade de regras, obviamente, os detalhes especificam as características de cada modalidade. Tanto o futebol, quanto o futsal possuem 17 regras, a saber: Quadro 4: Lista das regras do futebol e do futsal Regra Futebol Futsal 01 O campo de jogo Quadra de Jogo 02 A bola A bola 03 Os jogadores Número de jogadores 04 O equipamento dos jogadores Equipamento dos jogadores, comissões técnicas e arbitragem 05 O árbitro Os árbitros 06 Os outros oficiais de arbitragem 3° árbitro/anotador e cronometrista 07 A duração do jogo Duração do jogo 08 O início e o reinício do jogo Bola de saída 09 A bola em jogo e fora de jogo Bola em jogo e fora de jogo 10 Determinação do resultado de um jogo Contagem de gols 11 Impedimento Impedimento 12 Faltas e Incorreções Faltas e incorreções 13 Tiros livres Tiros livres 14 Tiro penal Tiro penal 15 O arremesso lateral Tiro lateral 16 O tiro de meta Arremesso de meta 17 O tiro de canto Tiro de canto Fonte: Elaborado pelo Autor (2021) 6.1 REGRAS DO FUTSAL As regras dos esportes coletivos servem como um padrão ou norma para estabelecer as ações dos atletas, comissão técnica, árbitros nos esportes coletivos. Cada esporte possui sua própria regra específica, que é atualizada em determinados períodos regulares de tempo. As atualizações nas regras acontecem, principalmente, Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 76 para melhorar a dinâmica do jogo e promover avanços em aspectos que estão falhos no jogo. Neste tópico iremos apontar algumas informações pertinentes para realização do futsal. As regras do Futsal são aprovadas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). As dimensões da quadra de futsal para a categoria adulta serão de, no mínimo, 38 metros de comprimento por 18 metros de largura (figura 9). Para cada categoria existe uma especificação do tamanho e do peso da bola. A partida será disputada por duas equipes compostas por cinco jogadores cada. Entretanto, para início da partida, poderá ter apenas três jogadores. Cada equipe terá um capitão, que tem o objetivo de representar a equipe durante a partida. Para a categoria adulta, a partida terá duração de 40 minutos, divididos em dois tempos de 20 minutos cada, com intervalo de até 15 minutos. Cada equipe tem direito a um minuto de tempo técnico em cada período de jogo. Figura 9: Representação da quadra de futsal Fonte: Disponível em https://bit.ly/3IkPVaa. Acesso em: 30 nov. 2021. 6.2 REGRAS DO FUTEBOL 77 As regras do Futebol também são aprovadas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), instituição que dirige tanto o futebol, quanto o futsal. O futebol é praticado em um campo com dimensões de 90 a 120 metros de comprimento por 45 a 90 metros de largura (conforme figura 10). No entanto, para jogos oficiais de caráter internacional, as dimensões são de 100 a 110 metros de comprimento e 64 a 75 metros de largura. O jogo de futebol tem duração de 90 minutos, divididos em dois tempos de 45 minutos cada, com intervalo de 15 minutos. Apesar de o tempo ser maior do que os demais esportes coletivos, são permitidas apenas três substituições no tempo regulamentar. Caso a partida tenha prorrogação (mais 30 minutos), a equipe poderá fazer uma quarta substituição durante a prorrogação. Cada equipe será composta por 11 jogadores titulares e o limite mínimo de jogadores para iniciar uma partida é de sete jogadores. O uso de uniformes, caneleira e chuteiras é obrigatório. Em uma partida, as equipes adversárias não podem usar uniformes das mesmas cores. Figura 10: Representação do Campo de Futebol 78 Fonte: Disponível em https://bit.ly/3N1XxSj. Acesso em: 30 nov. 2021. 6.3 ATUAÇÃO DOS ÁRBITROS NO FUTSAL E NO FUTEBOL O jogo de futebol é controlado por um árbitro que tem autoridade total para fazer cumprir as regras do jogo. No futsal, o jogo é controlado por dois árbitros com as mesmas funções. No entanto, no futsal existe um árbitro principal e um auxiliar. De acordo com as regras do futebol (p. 72), o árbitro tem os seguintes poderes e deveres: • fará cumprir as regras do jogo; • controlará o jogo em colaboração com os demais oficiais da equipe de arbitragem; • atuará como cronometrista, tomará nota dos incidentes do jogo e remeterá às autoridades competentes um relatório, com informações sobre todas as medidas disciplinares que tomou, assim como de qualquer incidente ocorrido antes, durante e depois da partida; • supervisionará e/ou indicará o reinício do jogo. Para o futsal, os poderes e deveres dos árbitros são semelhantes ao do futebol, por exemplo, na página 32 é destacado que: 1) Aplicar as regras de jogo do futsal e decidir sobre qualquer divergência oriunda de sua prática, sendo suas decisões, em matéria de fato, finais e irrecorríveis 79 desde que se relacione com o resultado do jogo; 2) Dirigir o jogo em colaboração com os demais membros da equipe de arbitragem, sempre que necessário; 3) Devem examinar a pressão da bola do jogo e de todas as bolas reservas, se estão de acordo com a especificação do fabricante e se estão em condições de jogo, antes do início do jogo, evitando paralisações desnecessárias para troca de bola. 80 FIXANDO O CONTEÚDO 1. Segundo as Regras Oficiais de Futsal 2021 (CBFS), regra 07 (duração da partida), item 2 (finalização dos períodos); o controle do tempo será de responsabilidade de um cronometrista que determinará com o uso de seu apito ou ao toque da sirene do placar eletrônico o final de cada período. Um dos árbitros ao ouvir o sinal finalizará o período ou a partida observando a seguinte situação: I. Se tiver de ser executado ou repetido um tiro do segundo ponto penal ou um tiro livre direto, a partir da sexta falta acumulada, o período em questão é prolongado até o tiro ser executado. II. Se tiver de ser executado ou repetido um tiro penal, o período em questão é prolongado até o tiro ser executado. a) I e II estão corretos. b) I e II estão incorretos. c) Somente I está correto. d) Somente II está correto. e) I e II não se referem ao enunciado. 2. Guilherme é treinador de futsal e durante um jogo da categoria sub-11, três atletas receberam cartão amarelo devido à irregularidade durante a substituição. Esses jogadores entraram em quadra por um local proibido. Em um jogo de futsal, de acordo com as regras oficiais estabelecidas pela CBFS, é permitido ao jogador substituto entrar em quadra na seguinte situação: a) Pela linha de fundo para cobrar um pênalti. b) Pela linha lateral oposta ao banco de reservas, quando a bola estiver fora de jogo. c) Pela linha de meta para executar um tiro livre direto. d) Na linha lateral em frente ao banco de reservas adversário, durante um pedido de tempo técnico pelo assistente. e) Pela linha lateral nos cincos metros correspondentes, em frente ao seu banco de reservas. 81 3. As regras do Futebol são aprovadas pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). O futebol é praticado em um campo com dimensões de 90 a 120 metros de comprimento por 45 a 90 metros de largura. No entanto, para jogos oficiais de caráter internacional, as dimensões são de 100 a 110 metros de comprimento e 64 a 75 metros de largura.O jogo de futebol tem duração de 90 minutos, divididos em dois tempos de 45 minutos cada, com intervalo de 15 minutos entre os tempos. Apesar de o tempo ser maior do que nos demais esportes coletivos, são permitidas cinco substituições no tempo regulamentar. No entanto, essas substituições devem acontecer no número máximo de paradas no jogo. Diante disso, quantas paradas para substituição podem ser feitas no futebol? a) 1 parada. b) 2 paradas. c) 3 paradas. d) 4 paradas. e) 5 paradas. 4. No futebol, cada partida é controlada por um árbitro que tem total autoridade para cumprir as regras da modalidade durante o jogo. No entanto, o árbitro possui dois assistentes (“bandeirinhas”) para auxiliá-lo em algumas marcações como na aplicação da regra do impedimento. Considerando que os assistentes tomam em média 6,7 decisões de impedimento durante o jogo, é importante salientar que eles não devem cometer erros para não comprometer o desenvolvimento da partida. Para evitar os erros, os assistentes devem estar sempre bem posicionados, caso contrário, os erros são mais comuns, devido à percepção desses assistentes. Diante disso, analise a imagem abaixo: 82 Nesta figura, o atacante da esquerda não está em impedimento (outside) e o atacante que está à direita está em posição de impedimento (inside). No entanto, quando o atacante da esquerda e o defensor são projetados sobre a retina do assistente em uma posição mais distante (Far), a imagem do atacante está à direita do defensor. Neste caso, qual será o possível tipo de erro a ser cometido pelo assistente? a) Levantar a bandeira. b) Deixar a bandeira abaixada. c) Dar sequência à jogada. d) Comunicar-se, via rádio, com o árbitro. e) Marcar bola ao chão. 5. Segundo Weston e colaboradores (2012), os árbitros de futebol apresentam alta demanda cognitiva durante uma partida. Porém, diferentemente dos atletas, o treino dos árbitros tem se limitado ao treinamento da condição física, da leitura das regras do jogo e ver vídeos de jogos para analisar e discutir os lances e as decisões (HENRIQUES; ARAÚJO, 2012). Em relação à atuação dos árbitros, analise as seguintes considerações abaixo: 1) Messner e Schmid (2007) observaram que, durante uma partida, se uma das equipes for da mesma cultura do árbitro, esta tem vantagem sobre a outra; 2) Durante uma partida, os árbitros acrescentam mais tempo de jogo quando o time mandante está perdendo; 3) Além disso, foi constatado que são marcados mais pênaltis, legítimos ou não, a favor do time mandante. De acordo com essas informações, o que isso indica em relação à atuação dos árbitros? a) Uma clara parcialidade dos árbitros a favor do time visitante. b) Uma clara parcialidade dos árbitros a favor do time mandante. c) Uma clara imparcialidade dos árbitros a favor do time mandante. d) Uma clara imparcialidade dos árbitros a favor do time visitante. 83 e) Uma clara imparcialidade para os dois times. 6. (IF-CE/IF-CE/Técnico de Laboratório – Educação Física/2017) Considere-se um árbitro de futebol, conhecedor das regras que regem a modalidade. Diante de algumas situações ocorridas em campo, analise as questões a seguir, considerando como válidas ou não durante uma partida. I. É válido um gol feito através de um arremesso lateral, sem que o mesmo toque em algum jogado. II. Poderá um goleiro fazer uma cobrança de uma penalidade máxima. III. Quando ocorre um impedimento, é concedido ao adversário um tiro livre indireto, cobrado no local da ocorrência. IV. O Juiz poderá determinar uma penalidade máxima, quando um jogador da defesa, dentro da área penal, agride o adversário de ataque que está conduzindo a bola. V. É permitido na defesa, durante uma partida, empurrar, segurar ou dar trancos, segurar a bola com as mãos fora da área penal. Estão corretas: a) I, III e IV. b) III, IV e V. c) II, IV e V. d) I, II e III. e) II, III e IV. 7. (AV MOREIRA 2020) - O futsal, antes denominado futebol de salão, é derivado do futebol de campo, e que, por seu valor recreativo, social e competitivo, está presente nos programas de lazer de qualquer comunidade. Praticado de forma bem orientada, o futsal desenvolve a coordenação, a agilidade, a velocidade e a precisão. Possui regras específicas e de acordo com a CBFS em relação ao arremesso lateral do futsal é CORRETO afirmar: 84 a) O tiro lateral no futsal será cobrado sempre que a bola atravessar o campo adversário b) O tiro lateral deve ser cobrado apenas usando os pés sendo a bola colocada no local por onde saiu, podendo ser jogada apenas em direção ao gol. c) O jogador que executar o tiro lateral não poderá tocar uma segunda vez antes que outro jogador toque. Se tocar a mão, será penalizado com tiro direto e se tocar com qualquer outra parte do corpo será tiro indireto. d) Se o jogador executar o tiro lateral contra a meta adversária tocar ou for tocada por qualquer jogador e penetrar a meta, o gol será invalido. e) Quando for realizado tiro lateral, os jogadores adversários deverão respeitar uma distância de 1 metro da bola e estar um dentro da quadra de jogo. 8. (INSTITUTO AOCP 2020) - Em uma prova aplicada pelo professor de educação física aos seus alunos do terceiro ano do ensino médio, ele apontou nas questões semelhanças e diferenças nas regras das modalidades futebol de campo e futsal. De acordo com o conhecimento nessas modalidades, é correto afirmar que: a) durante uma partida, em ambas as modalidades, futebol de campo e futsal, o número de substituição de jogadores por equipe é de três (3). b) o tiro de canto, conhecido também como escanteio, pode ser executado com as mãos no futebol de campo e apenas com os pés no futsal. c) o número de jogadores que iniciam a partida, sem contar os reservas, é diferente entre as modalidades. No futsal, o número é de 6 jogadores e, no futebol de campo, 11 jogadores. d) as bolas utilizadas nas modalidades futebol de campo e futsal possuem o mesmo peso, tamanho, sendo jogadas em pisos diferentes. e) obrigatoriamente, o início do jogo no futsal se dá a partir de um toque na bola em direção ao campo de ataque, diferente do futebol de campo que o toque pode ser dado em qualquer direção, tanto no campo de ataque quanto no de defesa. 85 LUTAS COMO CONTEÚDO ESTRUTURANTE DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA ATUAÇÃO DOCENTE 7.1 INTRODUÇÃO O homem luta desde sempre, por sobrevivência, por questões culturais de lazer, prática esportiva ou diferentes outras finalidades, sendo assim, compreender a história das lutas e sua evolução até os moldes em que conhecemos nos dias atuais, como lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate na sociedade atual é importante. Compreender qual o papel do ensino das lutas nas aulas de educação física escolar e a importância deste conteúdo na formação educacional das crianças é essencial para um bom trabalho do professor de Educação Física. Objetivos Os objetivos das unidades são: compreender a evolução histórica das lutas, artes marciais e das modalidades esportivas de combate em nossa sociedade e as perspectivas e desafios destes conteúdos na educação física escolar. Compreender os principais acontecimentos históricos das lutas e artes marciais na sociedade; Compreender o conceito de luta, arte marcial e modalidades esportivas de combate, assim como suas diferentes estratégias de classificação; Verificar os principais documentos que norteiam o ensino das lutas na educação física escolar; Compreender e discutir os principais desafios e perspectivas do ensino das lutas na educação física escolar. 7.2 AS LUTAS EM RELAÇÃO A SUA HISTÓRIA, CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES O ser humano luta há muito tempo, desde as épocas mais remotas de sua UNIDADE 01 86 existência, como a pré-história, cujo ato de lutar surgiu com a própria origem do homem. A princípio lutar pela comida, pela segurança e território, o homem lutava com os animais e com outros homens para se defender,ou seja, lutar para sobreviver. Imagem 1: Representação do homem pré-histórico utilizando da luta para caçar seu alimento Fonte: Disponível em https://adobe.ly/3J1FaKT. Acesso em: 20 jan. 2022. No entanto, é difícil precisar a origem destas práticas corporais, devido ao fato de terem sido originadas há muito tempo e em lugares muito distintos. Desmembra-se uma infinidade de práticas diferentes, como exemplos, podemos citar o Jiu-Jitsu na Ásia (primeiro na Índia, depois na China e, finalmente, no Japão). O Pancrácio na Grécia e a Esgrima no Egito e na antiga Roma. Ainda temos o Kalaripayattu indiano, sendo considerado o precursor de diversas artes marciais, uma vez que existe há mais de seis mil anos. Ou seja, as lutas são práticas de sobrevivência inerentes ao ser humano que, posteriormente, passaram por um processo de sistematização, validação e regulamentação perante a visão da sociedade em que estavam inseridas (RUFINO; DARIDO, 2015). 87 Imagem 2: Representação de lutadores espartanos e gregos utilizando da luta paraa guerra Fonte: Disponível em https://bit.ly/3HY4Ruv. Acesso em: 20 jan. 2021. Ao longo da história foram encontrados resquícios do Kung Fu/Wushu na China, com data estimada em 1.700 aC., com descrições de técnicas e movimentos da luta em cascos de tartaruga. O Kung Fu tem como tradução do termo o significado de trabalho duro, ou seja, a busca constante de aperfeiçoamento, tanto para a luta, quanto para a vida, sendo foi criado e praticado por monges budistas para defesa dos templos. Imagem 3: Representação da luta Kung-Fu Fonte: Disponível em https://adobe.ly/364Jfj5. Acesso em: 20 jan. 2022. 88 Outro fato importante na história das lutas e artes marciais foi o surgimento dos gladiadores em Roma, por volta de 264 a.C. e a inauguração do Coliseu, onde aconteciam apresentações ao povo romano, o que na história foi descrito como uma forma de dominação do povo, em que o governo mantinha um controle por meio do chamado “pão e circo”, ou seja, o governo romano mantinha o controle do povo oferendo alimento e diversão por meio das lutas no Coliseu. Neste tempo os gladiadores lutavam entre si até a morte, ou enfrentavam animais ferozes na arena (SILVEIRA, 2018; RUFINO, 2012). Imagem 4: Representação da Luta entre gladiadores Fonte: Disponível em https://bit.ly/3IXqUmv. Acesso em: 20 jan. 2022. 89 Imagem 5: Fotografia do Coliseu Fonte: Disponível em https://bit.ly/3MF6tNx. Acesso em: 20 jan. 2022. No Oriente, além da China, as artes marciais se desenvolveram muito na Coreia e no Japão, por volta de 1475 d.C., e o uso de armas no Japão, na ilha de Okinawa, obrigou camponeses e comerciantes a treinarem de forma clandestina uma luta com as mãos livres, o que um tempo depois se tornou a modalidade conhecida como Karatê. No Japão a classe guerreira chefiada pelos chamados Shoguns (chefes de exércitos) era composta pelos samurais, os quais defendiam a honra de seu povo e seguiam um importante código de ética denominada bushido (o código de ética dos samurais, o caminho do guerreiro). Estes samurais desenvolveram a maioria das ideias da filosofia oriental, muito ensinada nas artes marciais como um todo, assim como técnicas utilizadas no Judô e Jiu-Jitsu com alancas, estrangulamentos e chaves articulares, tendo em vista que os guerreiros recorrem armaduras e golpes como socos e chutes não teriam tanto efeito. 90 Imagem 6: Representação da potência das lutas no continente asiático Fonte: Disponível em https://bit.ly/3MCPify. Acesso em: 20 jan. 2022. Com as mudanças que aconteceram no mundo, as ideias do Iluminismo e a globalização, o Japão começou a sofrer pressão de outros países para uma abertura comercial, principalmente, dos Estados Unidos da América, período da chamada Revolução Industrial. Desta forma, teve fim um período feudal do Japão denominado era Edo e teve início a era denominada Meije (os períodos acompanham o nome do reinado dos imperadores) e com o uso de armas de fogo os samurais perderam seu espaço. Com estes acontecimentos a prática de lutas e artes marciais precisou ser reinventada e um dos principais nomes desta transição foi japonês Jigoro Kano, Kano Sensei (nomenclatura normalmente utilizada a professores de artes marciais, na tradução do japonês significa aquele que veio antes, que tem mais conhecimento). Jigoro Kano era franzino, o que dificultava a prática de artes marciais, no entanto, estudou e praticou diversas formas de Jiu-Jitsu, também se formou professor pedagogo, professor de Letras/inglês e de Educação Física, o que o ajudou a pensar uma nova forma de ensinar o Jiu-Jitsu, repensando um modelo de ensino que ficou denominado de Judô (caminho suave) e criou uma escola denominada Kodokan 91 (escola de caminho), onde começou a ensinar judô e a formar professores (KODOKAN, 2008). A modalidade judô ganhou espaço no Japão, assim como Jigoro Kano, que passou a estudar na Inglaterra e se tornou o primeiro japonês a compor o Comitê Olímpico Internacional, criando espaço e abrindo caminho para as artes marciais. Por meio do Kodokan, vários alunos de Jigoro Kano foram enviados a diferentes países no mundo para ensinar o judô e sua filosofia. O Judô também foi ensinado nas escolas japonesas e em diversos países, assim como foi por um período a modalidade de defesa oficial do exército japonês. Imagem 7: Estatua do Jigoro Kano no Japão Fonte: Disponível em https://bit.ly/35L6s9V. Acesso em: 20 jan. 2022. Antes mesmo da chegada do Judô ao Brasil, também desenvolvemos nossas próprias práticas de lutas e artes marciais, que devem ser ensinadas na educação física escolar, entre elas a mais conhecida é a luta indígena chamada de Huka-Huka. A luta Huka-Huka ficou conhecida através dos índios do Xingu e Bakairi, todos originários do Mato Grosso do Sul, sendo caracterizada como uma luta de domínio e agarre (explicação mais à frente nesta aula), praticada nos rituais indígenas e modalidade nos jogos dos povos indígenas, uma luta tradicional no Brasil. 92 Além do Huka-Huka, outra luta que se desenvolveu no Brasil e tem uma relação direta com a cultura e história de nosso país é a capoeira. Com a escravidão, vários negros eram trazidos para o Brasil para serem escravizados no trabalho de corte de cana-de-açúcar e cultivo de café. Os negros buscaram uma forma de se rebelar e fugir da condição de escravidão e uma das estratégias foi a capoeira, a luta era praticada às escondidas na senzala e disfarçada de samba de roda. Os negros faziam rodas com instrumentos musicais como o atabaque, o agogô, o berimbau e contavam músicas nos ritmos africanos, fazendo uma roda, o que dificultava a visão de quem os vigiava e, quando eram supervisionados de perto, mudavam o toque do berimbau e passavam à dança. Sendo assim, uma das possibilidades do termo “capoeira” refere-se ao amanhecer ou cair da noite, quando os negros tentavam a fuga, saiam pela vegetação rasteira denominada capoeira (origem do nome da luta) e tentavam chegar até os quilombos, redutos, comunidades negras formadas para construção de uma sociedade, de certa forma, livre. Nos quilombos a prática da capoeira também era contínua, como forma de lazer e recreação, mas, principalmente, como 93 forma de defesa aos ataques dos capitães do mato que tentavam recapturar os negros de volta às fazendas (SEE – SÃO PAULO, 2011). Com o fim da escravidão, os negros passaram a ter “liberdade”, no entanto, sem dinheiro, estudo e moradia, passaram a residir às margens da sociedade, com isso, a capoeira foi discriminada por muito tempo e considerada uma prática de marginais, sendo associada à violência, bem como a crimes. No entanto, com o tempo teve seu devido reconhecimento e hoje é considerada patrimônio cultural brasileiro, sendo um dos maiores símbolos de resistência ao racismo e diferença social. Por fim, nesta passagem rápida pela linha do tempo das artes marciais podemos verificar que, atualmente, existem diversas modalidadesde lutas e artes marciais que são enquadradas como modalidades esportivas de combate e que fazem parte do programa olímpico, conforme apresentado no site do Comitê Olímpico Internacional (IOC, 2018), como Judô, o Taekwondo, a luta Olímpica, a Greco-romana, a Esgrima e o Boxe. Além destas modalidades, pode-se observar um espaço expressivo na mídia para o MMA, artes marciais mistas que são realizadas por diferentes organizações (Jungle fight, Bellator, entre outras), sendo a mais conhecida a empresa UFC® (Ultimate Fight Championship), modalidade que teve hegemonia no Brasil por muito tempo. Sendo assim, o contexto histórico é importante para a compreensão da evolução das lutas ao longo do tempo, o que facilita a compreensão do estado atual desta prática da cultura corporal de movimento. 7.3 A LUTA E SUAS CONCEITUAÇÕES 94 A utilização de termos diferentes no estudo da luta pode causar confusão e dificuldade de compreensão de cada contexto, no entanto, apesar de existirem algumas diferenças na definição dos termos, lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate acabam se entrelaçando, de modo que algumas modalidades se enquadram nos três termos. De acordo com Correia e Franchini (2010), o termo luta refere-se aos embates corporais/físicos por intenções de subjugações entre os sujeitos, luta corporal, na linguagem popular, ou seja, o que apresenta agon (oposição). “Arte Marcial” faz referência a um conjunto de práticas que são configuradas a partir de uma “metáfora de guerra”, uma vez que estas práticas derivam de técnicas de guerra como denota o nome, isto é, marcial (de guerra, deus romano da guerra; Ares para os gregos)” (CORREA; FRANCHINI, 2010) Sendo assim, arte marcial está associada à cultura, à história de um povo, que utilizou da luta como forma de defesa, por exemplo, Karatê em Okinawa, a capoeira no Brasil, o Krav-Maga em Israel. Deste modo, quando nos referimos às modalidades esportivas de combates, estamos falando de um sistema configurado em manifestações presentes em nossa cultura, desde a antiguidade até em tempos contemporâneos, que são orientadas e organizadas por instituições esportivas (federações e confederações), como por exemplo, o Boxe, o Taekwondo, entre outras. Assim, muitas modalidades se enquadram em duas ou até mesmo nas três condições, como é o caso do Taekwondo, que tem uma relação direta com a Coreia, além de apresentar agon em potencial e ser um esporte de combate regido pela WTF (Word Taekwondo Federation). Alguns autores utilizam a sigla LAMEC (Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportiva de Combate), no entanto, no curso vamos utilizar o termo lutas, enquadrando as três condições, tendo em vista que o aluno tenha esta consciência e conhecimento de cada termo em separado, de acordo 95 com sua definição, e como o termo também é apresentado nos principais documentos norteadores da educação física escolar, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs,1998) e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 7.4 CLASSIFICAÇÃO DAS LUTAS, MODALIDADES ESPORTIVAS DE COMBATE E ARTES MARCIAIS Existem inúmeras modalidades de lutas no mundo, de forma que ficaria inviável ensinar todas ao longo da vida escolar do aluno, caso contrário, correríamos o risco de ensinarmos somente lutas nas aulas de educação física. Além do mais, para se formar um mestre ou professor em uma determinada modalidade pode-se levar anos e, na maioria das vezes, décadas praticando a luta escolhida, o que não é objetivo da escola. Sendo que alguns autores propõem classificações para as lutas, de acordo com algumas características em comum que as permitem ser agrupadas em categorias, as quais serão apresentadas. De acordo com Franchini e Del Vechio (2012), as lutas podem ser classificadas de acordo com espacialidade, a indumentária, a ação motora e de acordo com os princípios operacionais, sendo assim, vamos conhecer cada uma destas classificações. Em relação à indumentária (ou seja, a vestimenta), dependendo da modalidade, tem funções e características diferentes, por exemplo, por ser utilizada para mostrar o nível de conhecimento do praticante na modalidade, graduação do praticante, sendo representada por faixas, cordas, Kruang (braçadeira), também pode ser utilizada como elementos de proteção, como no caso do capacete, dos protetores bucais, de seio e a coquilha (protetor genital), também pode ser classificada como armas, para o ataque, como é o caso das espadas na esgrima (espada, sabre e florete) ou no Kendo (shinai). Uma das formas de classificação das lutas mais utilizadas (GONZALES; DARIDO; OLIVEIRA, 2014 apud FRANCHINI; DEL VECCHIO, 2012) é em relação à ação motora, que divide modalidades que apresentam ações lutas de domínio e/ou agarre, ou seja, lutas em que o contato corporal é realizado em praticamente todo o combate, com pegadas no quimono ou no próprio corpo do adversário, como é o caso das modalidades judô, jiu-jitsu, luta olímpica e greco-romana, entre outras; 96 lutas de percussão, que são caracterizadas de golpes chamados de golpes de contusão, ou seja, chutes, socos, joelhadas e cotoveladas; como as modalidades Muai Thay, Karatê, Boxe, Taekwondo, entre outras modalidades denominadas modalidade de luta mista, que misturam ações de domínio e agarre e ações de percussão, como pode ser classificado o MMA. Uma outra forma semelhante de classificação das lutas é em relação à espacialidade, ou seja, a distância em que os lutadores se posicionam durante o combate, nesta condição, podemos classificar como lutas de curta distância, normalmente, lutas de domínio e agarre; lutas de média distância, normalmente, as lutas de percussão; lutas de longa distância, classificando neste grupo as lutas que utilizam algum tipo de arma, como o Kung, Fu, a Esgrima e o Kendo e, por fim, lutas mistas, como o MMA, que associa ações de curta e média distâncias, ou o próprio Kung Fu, que pode utilizar distâncias curtas, médias e longas com a utilização de armas (bastão, muchacho etc.). Outra importante forma de classificação é em relação à temporalidade, ou seja, a característica de tempo na luta. Algumas lutas apresentam características de serem contínuas, ou seja, não são divididas em rounds, como é o caso do judô, do jiu-jitsu que só param por alguma intercorrência da luta, sem definição de tempo para as paralizações, e algumas apresentam características de serem lutas intermitentes, ou seja, são divididas em rounds, com intervalos onde os atletas podem conversar com seus técnicos, se hidratar e receber cuidados médicos, como o boxe, o taekwondo, entre outras. Por fim, as lutas também podem ser classificadas de acordo com seus princípios operacionais, os quais são divididos de acordo com relação à meta em tocar direto, onde cada toque vale ponto, por exemplo, o taekwondo, em que cada ação de golpe válido tem uma pontuação determinada; tocar indireto, por exemplo, o boxe, em que cada soco não vale um ponto, necessariamente, e o atleta é avaliado pelo desempenho no round como um todo; de segurar direto, no caso dos estrangulamentos ou chaves articulares, que levam o adversário à desistência da luta; e de segurar indireto, onde a ação de segurar precisa ser associada a uma determinada condição, por exemplo, no judô a imobilização do oponente precisa ocorrer por pelo menos 10 segundos para se obter alguma pontuação. Uma outra forma de classificação das lutas descritas na Base Nacional 97 Comum Curricular (BNCC, 2018) é classificar as lutas como lutas regionais, lutas nacionais e lutas do mundo, como será apresentado mais detalhadamente na próxima aula. Sendo assim, diante das diferentes classificações apresentadas, é importante que o professor apresente estes diferentes grupos de lutas aos alunos ao longo de sua vida escolar, ficando a cargo do professor escolher a classificação que melhor atenda a sua estratégia de trabalho docente e que atenda à realidade de sua escola e de seus alunos.É importante que o aluno conheça e vivencie, por exemplo, ao menos uma luta de domínio e agarre, ao menos uma luta de percussão e ao menos uma luta mista para que compreenda as ações desta luta, e caso goste de alguma delas possa procurar a prática desta modalidade como prática de atividade física ou esportiva mesmo fora da escola. Imagem 8: Representação das Lutas (Judô) na escola Fonte: Disponível em https://bit.ly/3Cye6Ap. Acesso em: 20 jan. 2022. Deste modo: A unidade temática Lutas (as lutas também são tratadas na unidade temática esporte, especificamente no objetivo de conhecimento denominado como categoria de esportes de combate), focaliza as disputas corporais, nas quais os participantes empregam técnicas, táticas e estratégias específicas para imobilizar, desequilibrar, atingir ou excluir o oponente de um determinado espaço, combinando ações de ataque e defesa dirigidas ao corpo do adversário. Dessa forma, além das lutas presentes no contexto comunitário e regional, podem ser tratadas lutas brasileiras (capoeira, huka-huka, luta marajoara, etc.), bem como lutas de diversos países do mundo (judô, 98 aikidi, jiu-jitsu, muay thai, boxe, chinese boxing, esgrima, kendo, etc.) (BRASIL, 2018). Sendo assim, é possível afirmar que a unidade temática Lutas é considerada também como um esporte que inclusive está presente nas olímpiadas mundiais em várias modalidades, como as modalidades citadas acima. Desta maneira, as lutas possuem contextos comunitário, regional e territorial em termos de país. 99 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (INSTITUTO QUADRIX, 2019) Ao integrar a cultura corporal e tematizadas enquanto conteúdo da educação física escolar, as lutas devem contemplar um conjunto de diversas manifestações e expressões de cultura, apresentadas como artes marciais e modalidades esportivas de combate Assinale a alternativa que apresenta somente modalidades de lutas: a) boxe; karatê; le parkour; judô; e capoeira. b) jiu‐jitsu; le parkour; karatê, muay thai; e maculelê. c) taekwondo; maculelê; esgrima; tai chi chuan; e yoga. d) judô; boxe; yoga; le parkour; e taekwondo. e) boxe; taekwondo; jiu‐jitsu; judô; e muay thai. 2) (ENEM, 2016), Com base na classificação presente no texto, são exemplos de luta de contato direto e de luta que mantém o adversário a distância (ENEM, 2016), respectivamente: a) judô e karatê. b) jiu-jitsu e sumô. 100 c) boxe e kung fu. d) esgrima e luta olímpica. e) muay Thai e taekwondo. 3. (ENEM, 2016, DIA 2) A inserção da personagem Maggie na prática corporal do boxe indica a possibilidade da construção de uma feminilidade marcada pela: a) adequação da mulher a uma modalidade esportiva alinhada a seu gênero. b) valorização de comportamentos e atitudes normalmente associados à mulher. c) transposição de limites impostos à mulher num espaço de predomínio masculino. d) aceitação de padrões sociais acerca da participação da mulher nas lutas corporais. 101 e) naturalização de barreiras socioculturais responsáveis pela exclusão da mulher no boxe. 4. (ENADE, 2017) Em uma competição de judô, o profissional de educação física surpreendeu-se com os resultados de sua equipe, pois praticantes bem-sucedidos nos treinamentos técnicos apresentaram baixo rendimento nas lutas e alguns foram eliminados precocemente. Pouco adiantou o incentivo da torcida com seus gritos e palavras de ordem Nessa situação, para aumentar o rendimento da equipe, qual é a forma adequada de intervenção desse profissional? a) Reforçar o treinamento dos fundamentos técnicos, aumentando tanto a complexidade dos movimentos quanto o número de repetições executadas. b) Substituir o modelo de treinamento de forma que todas as habilidades sejam executadas somente em situações equivalentes à de competição. c) Aumentar a exigência da preparação física, garantindo, com isso, que a equipe estará em condições psicológicas para render o melhor possível. d) Treinar habilidades táticas de combate por meio de situações; problematizadoras nas quais os atletas tenham de tomar decisões acerca de quando fazer o quê. e) Evitar a manifestação de torcida durante os treinos, favorecendo o exercício da concentração e a manutenção de um ambiente com a menor ansiedade possível. 5. (EDUCAMAISBRASIL, 2014) Sobre a luta e as artes maciais assinale a alternativa CORRETA: a) As artes marciais e as lutas possuem as mesmas definições. b) As lutas consistem no combate mais distante com o oponente. c) No princípio, as artes maciais tinham o objetivo de defender um povo. d) O judô e o karatê são exemplos de lutas e não de arte maciais. e) No princípio, as lutas tinham o objetivo de danças culturais. 6. (EDUCAMAISBRASIL, 2014) Em uma luta esportiva, é possível concluir que um atleta se torne vencedor após: 102 a) utilizar todas as formas possíveis para agredir o oponente. b) delimitar o espaço do adversário, não permitindo que ele saia do jogo. c) invadir o território do adversário sem realizar agressões físicas. d) derrubar o oponente de modo que os ombros dele fiquem no chão. e) ser imobilizado pelo seu adversário no momento de combate. 7. (UEM, 2011) Sobre lutas assinale o que for correto: a) Taekwondo, esgrima, kendo e a luta greco-romanasão lutas que compõem o programa dos Jogos Olímpicos. b) Na atualidade, existem inúmeras lutas de origem oriental, como: kung fu, tai-chi- chuan, caratê, judô, jiu-jítsu, aikido, taekwondo, jet-kune-do, kendo, entreoutras. E também existem aquelas consideradas ocidentais, como: boxe, esgrima, kick- boxe, entre outras. c) As lutas orientais só foram disseminadas no mundo ocidental depois da década de 1960. d) Taekwondo é uma arte marcial de origem tailandesa com mais de 2000 anos de existência. e) Karatê, boxe, muay thai e taekwondo são classificadas como lutas nas quais seus participantes não mantêm a distância entre si. 8. Existem diversos tipos de lutas e suas características, de acordo com Franchine e Del Vechio (2012) como as lutas podem ser classificadas? a) as lutas podem ser classificadas de acordo com espacialidade, a indumentária, a ação motora e de acordo com os princípios operacionais. b) as lutas podem ser classificadas de acordo com o tempo, espaço e coordenação motoro. c) as lutas podem ser classificadas apenas de acordo com princípios éticos, estéticos e operacionais. d) as lutas podem ser classificadas de acordo com a separação entre lutas, artes marciais e brigas de rua. 103 e) as lutas podem ser classificadas de acordo com a espacialidade, a indumentária, a ação motora e sem princípios iniciais. 104 LUTAS E ARTES MARICIAIS A PARTIR DOS DOCUMENTOS OFICIAIS NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA Nesta unidade vamos compreender como as lutas e as artes marciais são inseridas no contexto da educação física escolar a partir da percepção do professor em consonância com os documentos oficiais da educação. O primeiro documento analisado será a Base Nacional Comum Curricular apresentada no ano de 2018. Sendo assim, de acordo com a BNCC: A Educação Física deve ser realizada como componente curricular que tematiza as práticas corporais em suas diversas formas de codificação e significação social entendidas como manifestações das possibilidades expressivas dos sujeitos e patrimônio cultural da humanidade. Neste contexto, o movimento humano está sempre inserido no âmbito da cultura e não se limita a um deslocamento espaço-temporal de um segmento corporal ou de um corpo todo. Nas aulas, tais práticas devem ser abordadas como fenômeno cultural dinâmico, diversificado, pluridimensional singular e contraditório. Desse modo, é possível assegurar aos alunos a (re)construção de um conjunto de conhecimentos que permitam ampliar sua conscientização a respeito de seus movimentos e dos recursos para o cuidado de si e dos outros e desenvolver autonomia para a apropriação e utilização da cultura corporal de movimento em diversas finalidades humanas, favorecendo sua participação e utilização da cultura corporalde movimento em diversas finalidades humanas, favorecendo sua participação de forma confiante de forma confiante e autoral na sociedade (BRASIL, 2018). Desta maneira, os objetivos da educação, de modo geral, convergem em utilizar, desfrutar e apreciar diferentes vivências corporais, tendo como principais pilares do ensino-aprendizagem nesta área de conhecimento “as diferentes brincadeiras, jogos, danças, ginásticas, esportes, lutas, e práticas corporais de aventura, valorizando o trabalho coletivo e o protagonismo” (BRASIL, 2018). Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 105 Antes de detalharmos o documento mais recente que rege as diretrizes para a educação no Brasil, vamos conhecer alguns documentos importantes que antecederam a BNCC e o que apresentam sobre ao ensino das lutas na educação física escolar. Nos parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), (BRASIL, 1998), as lutas são descritas como [...] disputas em que os oponentes devem ser subjugados, com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ataque e defesa. Caracterizam-se por uma regulamentação específica a fim de punir atitudes de violência e deslealdade” e podem ser citadas como exemplo de lutas as brincadeiras como cabo de guerra e braço de ferro, até as práticas mais complexas como a capoeira, o judô, e do Karatê. Na língua portuguesa tanto o termo Caratê, quanto Karatê, forma utilizada pela Confederação Brasileira de Karatê CBTKD, estão corretas. Outro documento já mais bem estruturado e com uma proposta de trabalho mais definida para o ensino das lutas foi a proposta curricular utilizada no estado de São Paulo (2008), que estruturou conhecimentos e disponibilizou a todos os professores e alunos, com propostas de trabalho em diferentes áreas de conhecimento na Educação Física. As lutas também foram comtempladas nestes documentos, sendo proposto o ensino da modalidade Judô no sexto ano do ensino fundamental, apresentando regras básicas, conhecimentos históricos, princípios básicos de confronto e oposição e as questões de violência na sociedade e no esporte, além contextualizar os conhecimentos filosóficos do judô, que vão no sentido contrário à violência, propondo o crescimento pessoal associado à prática do esporte, os jogos de 106 oposição e o trabalho de lutas classificadas como lutas de domínio e agarre. No sétimo ano a proposta é o trabalho com a modalidade Karatê, apresentado além da luta de percussão, do combate, a questão das apresentações de Kata, ou seja, formas sistematizadas de lutas imaginárias, utilizadas para a apresentação das modalidades e manutenção das formas originais das técnicas. No nono ano do ensino fundamental era proposto o ensino da modalidade capoeira, apresentando como uma luta de origem brasileira e de estreita relação histórica com a história do Brasil, a escravidão, descriminação e toda a sua importância histórica e cultural, que apresentaremos na quarta aula desta disciplina. No primeiro ano do ensino médio a modalidade de luta proposta foi a esgrima, a qual é relacionada com a evolução histórica dos exércitos e a evolução humana, que utilizava a prática de esgrima para formação de guerreiros e defesa da pátria ou do reino, como no império greco-romano e a construção social da modalidade até os moldes como modalidade esportiva; o material traz a sugestão de construção de espadas como material alternativo e a criatividade para a prática e ensino dos conteúdos deste esporte na educação física escolar, sendo nesta proposta a modalidade de longa distância e que utiliza algum tipo de arma no confronto entre os oponentes. Por fim, de acordo com a proposta curricular do estado de São Paulo (2008) a última modalidade a ser apresentada é o Boxe, em que é contextualizada historicamente, apresentando a história de alguns importantes atletas a nível mundial como Mike Tyson e atletas brasileiros como Eder Jofre, Maguila e Popó, alguns golpes básicos e sugestões de atividades para as aulas práticas. Além dos conteúdos específicos do boxe, o material traz uma discussão sobre mídia e esporte, incluindo as Artes Marciais Mistas (conhecidas como MMA do inglês Mix Martial Arts), e a relação da discriminação da mulher na luta, trazendo discussões sobre a existência de esportes só para homens ou só para mulheres. O referencial curricular do Paraná (2018), por exemplo, fez alterações importantes em suas diretrizes, que privilegiava mais algumas modalidades como a capoeira e sugeria trabalhos de preferência teóricos com alunos e passou a ter como base o referencial da BNCC, que será explicado de forma mais detalhada a seguir. O site da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná também apresenta conteúdo de diversas lutas e artes marciais que podem auxiliar os 107 professores de Educação Física na elaboração de suas aulas e planejamento adequado da disciplina, oportunizando aos alunos a chance de conhecer e vivenciar estas modalidades. Então, seguindo as orientações atuais sobre a BNCC vamos conhecer no próximo tópico quais são as sugestões e orientações sobre o ensino das lutas e dos esportes de combate, apresentando ano a ano as sugestões. 8.1 ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS DE ACORDO COM A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR As unidades temáticas e objetos de conhecimento estão disponíveis no link da BNCC: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/ A unidade temática Lutas focaliza as disputas corporais, nas quais os participantes empregam técnicas, táticas e estratégias específicas para imobilizar, desequilibrar, atingir ou excluir o oponente de um determinado espaço, combinando ações de ataque e defesa dirigidas ao corpo do adversário. Dessa forma, além das lutas presentes no contexto comunitário e regional, podem ser tratadas lutas brasileiras (capoeira, huka-huka, luta marajoara etc.), bem como lutas de diversos países do mundo (judô, aikido, jiu-jítsu, muay thai, boxe, chinese boxing, esgrima, kendo etc.) (BNCC, 2018). Sendo assim, o conteúdo sobre lutas será dividido entre os ensinos Fundamental e Médio, com unidades temáticas e seus respectivos objetivos de conhecimentos. Segue a estrutura: 108 Imagem 9: Unidades temáticas e conhecimento das lutas no Ensino Médio Fonte: (BRASIL, 2018) Imagem 10: Unidades temáticas e conhecimento das lutas do 6º ao 9º ano Fonte: (BRASIL, 2018) 109 Imagem 11: Habilidades a ser desenvolvidas no 6º e 7º anos Fonte: (BRASIL, 2018) Imagem 12: Habilidades a serem desenvolvidas no 8º e 9º ano Fonte: (BRASIL, 2018) Ainda, em relação às possibilidades de trabalhar lutas e esportes de combate, seguem algumas sugestões de atividades disponíveis no referencial curricular do Paraná, já disponibilizado no “Vamos pensar” desta unidade, nas páginas 402 e 404: 110 Imagem 13: Sugestões de conteúdos postos no referencial curricular do Paraná Fonte: (BRASIL, 2018) Desta maneira, temos um rico conteúdo como base para o ensino das lutas de acordo com os documentos legais da educação para que possamos possibilitar uma relação de ensino e aprendizagem transformadora, visando a experiência. 111 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (PREFEITURA DE AMPARO - SP) Assinale a alternativa que apresenta uma das formas apropriadas para dar início ao trabalho com lutas. a) Oferecer jogos como o cabo de guerra sem corda ou o de empurrar-puxar para ambientar os alunos. b) Ensinar a meia-lua de compasso ou algum golpe básico de capoeira, uma vez que essa é a única luta totalmente brasileira. c) Programar atividades de intensa preparação física a fim de que os alunos se tornem fisicamente aptos. d) Ensinar o “osoto-gari” ou algum golpe fácil do judô, já que essa é a única luta educacional. e) Organizar um campeonato de capoeira entre os alunos. 2. (ENEM, 2021) LUTA: prática corporal imprevisível, caracterizada por determinado estado de contato proposital, que possibilita a duas ou mais pessoas se enfrentarem numa constante troca de açõesofensivas e/ou defensivas, regida por regras, com o objetivo mútuo sobre um alvo móvel personificado no oponente. GOMES, M. S. P. et al. Ensino das lutas: dos princípios condicionais aos grupos situacionais. Movimento, n. 2, abr.-jun. 2010 (adaptado). De acordo com o texto, podemos identificar uma abordagem das lutas nas aulas de educação física quando o professor realiza uma proposta envolvendo (ENEM, 2021). a) Contato corporal intenso entre o aluno e seu oponente. b) Contenda entre os alunos que se agridem fisicamente. c) Confronto corporal em que os vencedores são previamente identificados. d) Combate corporal intencional com ações regulamentadas entre os oponentes. e) Conflito resolvido pelos alunos por meio de regras previamente estabelecidas. 3. (ENADE, 2014) As lutas são um conteúdo da Educação Física a ser desenvolvido pelos professores nas suas atividades em diferentes locais, como academias, 112 clubes, escolas, etc. Embora não sejam um objeto de estudo exclusivo da Educação Física, têm sido elemento constante de tal campo de atuação. Por outro lado, as lutas têm sido alvo de severas críticas, especialmente em virtude do desenvolvimento dos chamados pit boys (rapazes que se utilizam do aspecto físico e técnico das artes marciais para praticarem atos de violência) (ENADE, 2014). Neste sentido, aulas e treinamentos podem ser um espaço de contribuição para formação educacional e físico-técnica do aluno, cabendo ao professor a) estimular a tolerância e a convivência, mantendo a exclusividade do direito de ministrar aulas de artes marciais. b) permitir à população, embora restritamente, conforme o desempenho atlético, o acesso às aulas de artes marciais. c) traçar um perfil sociométrico e psicológico de seus alunos para aferir a possibilidade de um deles tornar-se um pit boy. d) facilitar a inserção social da população, estimulando-a a praticar artes marciais para aprender a se defender quando sofrer um ato de violência. e) facilitar a inserção social dos excluídos, inclusive os que têm comportamento agressivo, e utilizar suas aulas para estimular, além do desempenho atlético, a sociabilidade. 4. (ADM&TEC - 2018) Leia as afirmativas a seguir: I. Na Educação Física escolar, além das lutas presentes no contexto comunitário e regional, podem ser tratadas lutas brasileiras (capoeira, huka-huka, luta marajoara etc.), bem como lutas de diversos países do mundo (judô, aikido, jiu- jítsu, muay thai, boxe, chinese boxing, esgrima, kendo etc.). II. Identificar a multiplicidade de padrões de desempenho, saúde, beleza e estética corporal, analisando, criticamente, os modelos disseminados na mídia e discutir posturas consumistas e preconceituosas é uma competência que o estudante poderá desenvolver através da Educação Física escolar no decorrer do Ensino Fundamental. 113 Marque a alternativa CORRETA: a) As duas afirmativas são verdadeiras. b) A afirmativa I é verdadeira, e a II é falsa. c) A afirmativa II é verdadeira, e a I é falsa. d) As duas afirmativas são falsas. e) A afirmativa I é falsa e justifica a II 5. (ENEM, 2011) Conceitos e importância das lutas Antes de se tornarem esporte, as lutas ou as artes marciais tiveram duas conotações principais: eram praticadas com o objetivo guerreiro ou tinham um apelo filosófico como concepção de vida bastante significativo. Atualmente, nos deparamos com a grande expansão das artes marciais em nível mundial. As raízes orientais foram se disseminando, ora pela necessidade de luta pela sobrevivência ou para a “defesa pessoal”, ora pela possibilidade de ter as artes marciais como própria filosofia de vida (ENEM, 2011). CARREIRO, E. A. Educação Física na escola: Implicações para a prática pedagógica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008 (fragmento). Um dos problemas da violência que está presente principalmente nos grandes centros urbanos são as brigas e os enfrentamentos de torcidas organizadas, além da formação de gangues, que se apropriam de gestos das lutas, resultando, muitas vezes, em fatalidades. Portanto, o verdadeiro objetivo da aprendizagem desses movimentos foi mal compreendido, afinal as lutas a) se tornaram um esporte, mas eram praticadas com o objetivo guerreiro a fim de garantir a sobrevivência. b) apresentam a possibilidade de desenvolver o autocontrole, o respeito ao outro e a formação do caráter. c) possuem como objetivo principal a “defesa pessoal” por meio de golpes agressivos sobre o adversário. d) sofreram transformações em seus princípios filosóficos em razão de sua disseminação pelo mundo. e) se disseminaram pela necessidade de luta pela sobrevivência ou como filosofia pessoal de vida. 114 6. (CONSULPLAN, 2014) Na capoeira, os movimentos aú, queda de rim, parada de mão (bananeira), parada de cabeça e macaco fazem parte da dimensão técnico-tática e denominam-se a) golpes de ataque. b) ritmos da capoeira. c) instrumentos da capoeira. d) movimentações acrobáticas. e) formas diferenciadas de ginga. 7. (CONSULPLAN, 2014) “No judô, o conjunto de técnicas em que predomina o uso das mãos e dos braços denomina-se _________________. Algumas dessas técnicas podem ser utilizadas por alunos iniciantes, outras apenas por lutadores com alta graduação. Os principais golpes são: ippon-seoi nage, kata-guruma, marote-seoi- nage, tai-otoshi, kuchiki-aoshi e marote-gari.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior. a) te-waza. b) shime-waza. c) sutemi-waza. d) kata-garuma. e) katame-waza. 8. (CONSULPLAN, 2014) No momento de uma disputa, quando um dos competidores, com controle, projeta seu oponente e a técnica carece, parcialmente, de um dos três elementos necessários para o ippon, ou quando um competidor imobiliza com ossae-komi o adversário e este não consegue se livrar durante o período de 20 a 24 segundos, o árbitro central deve anunciar: a) yuko. b) Koka. c) Ippon. d) waza-ari. 115 e) nage-waza. 116 DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO ENSINO DE LUTAS NO AMBIENTE ESCOLAR Segundo Correia e Franchini (2010) o conteúdo sobre lutas na educação física escolar, mesmo que inserido como um conteúdo estruturante e obrigatório da disciplina e dos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física, muitas vezes não é realizado de maneira profissional, uma vez que os profissionais que atuam na área são considerados não possuintes de uma qualificação especializada, ou que não buscaram a formação continuada para especializar o conteúdo e inseri-lo no ambiente educacional, desta maneira, cria-se alguns pré- conceitos em relação às lutas na escola. Em um estudo realizado por Simões (2006) 68% dos professores relataram jamais recorrerem às aulas com o conteúdo Lutas. É mais cômodo o professor ministrar aulas de futebol, de voleibol ou de qualquer outra atividade com bola, do que preparar aulas envolvendo a luta como conteúdo, no entanto, este conhecimento está entre os conhecimentos básicos da educação física e precisa ser trabalhado, pois é de direito dos alunos. De acordo com Simões (2006) dos professores que ministravam aulas de luta, 50% com ministravam estas aulas com vídeo, o que pode desmotivar o aluno ou levá-lo à prática inadequada, fora do período escolar; 31,25% contavam com a ajuda de um especialista na área, o que nem sempre é possível, tendo em vista a grande quantidade de turmas da mesma série em uma escola, por exemplo; e 12,5% utilizavam práticas recreativas. Várias justificativas foram relatadas para não se trabalhar o conteúdo lutas nas aulas de Educação Física como a de que não tinham instrução para lecionar (41,17%); que a escola não oferecia condições estruturais para a realização das práticas de lutas (23,5%); que achavam o conteúdo lutas inadequado para o ambiente escolar (17,6%); e que não havia especialistas disponíveis para receber ajuda sobre o tema (17,64%). Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 117 Fica evidente que existem dificuldades para a prática de lutas naescola, no entanto, estes obstáculos não devem ser barreiras intransponíveis. Se o professor não tem conhecimentos suficientes para lecionar estes conteúdos, tendo em vista que alguns cursos mais antigos não continham a disciplina lutas no currículo, deve buscar cursos de formação continuada, oferecidos pela própria rede pública de ensino ou buscar atualização nos documentos oficiais mais recentes. Com relação aos materiais não há necessidade de um tatame ou lutas e protetores para a realização das aulas, o professor pode planejar e construir equipamentos com materiais alternativos com os alunos (por exemplo, construindo sacos de pancada com jeans e estopa, espadas de jornal, aparadores de chute com acolchoados ou colchonetes, tudo deve ser planejado de forma antecipada). Imagem 14: Exemplos de aulas de luta com utilização de materiais alternativos Fonte: Disponível em https://bit.ly/34yMzm4. Acesso em: 24 jan. 2022. Desta maneira, a partir da criatividade e adaptação de materiais é possível 118 propiciar um ensino lúdico para com os estudantes da escola Outro ponto que não pode servir de justificativa para não ensinar as lutas na escola é de não ser especialista em determinadas lutas, pois mesmo um faixa preta de uma determinada modalidade não domina outra (exemplo: um faixa preta de Judô, provavelmente, conheça pouco do Taekwondo), além disso, não temos faixa preta em atividade de jogos de oposição (luta de dedo, cabo de guerra), tão pouco os professores de Educação Física dominam todos os conhecimentos da área/disciplina (exemplo: diferentes modalidades esportivas, dança, jogos, atividades de aventura). É importante enfatizar que o ensino das lutas na escola deve vir em um contexto de experimentação, de cultura corporal de movimento e contextualização social das modalidades de luta, e não de formação de atletas ou mestres em qualquer luta, o que levaria anos ou até mesmo décadas em uma academia especializada e com prática regular de três a cinco vezes na semana. 9.1 CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DE LUTAS: PERSPECTIVAS No Estado do Paraná as diretrizes curriculares descrevem a necessidade de uma educação física que busque “um ser humano crítico e reflexivo, reconhecendo-se como sujeito, que é produto, mas também agente histórico, 119 político e social e cultural” (PARANÁ, 2018), segundo a Base Nacional Comum Curricular. Também se enfatiza que as práticas corporais sejam experiências a partir da: atribuição de sentidos e significados enquanto princípios básicos para as aulas, que se justificam nos conhecimentos historicamente acumulados pela humanidade, muitos dos quais são simplesmente negados na escola (PARANÁ, 2018, p. 347). A delimitação dos objetivos de aprendizagem privilegia oito dimensões de conhecimento inter-relacionados, que também devem ser aplicados ao ensino das lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate na educação física escolar: Imagem 15: Retirado do referencial curricular do Paraná Fonte: Disponível em https://bit.ly/3CxpIUv. Acesso em: 25 jan. 2022. Estas dimensões também são associadas aos objetivos do ensino das lutas nas aulas de Educação Física: Experimentação: a experimentação está associada à vivência das manifestações corporais da cultura corporal de movimento, entre elas, as lutas, ou seja, o envolvimento corporal em diferentes tipos de movimentos, esportes e lutas 120 (BRASIL, 2018). Uso e apropriação: refere-se ao conhecimento que conduza o aluno à possibilidade de realizar a atividade de forma autônoma, ou seja, dar condição de que os alunos realizem movimentos básicos das lutas, movimentos de ataque, defesa das diferentes formas de lutas. Sabe-se que para a formação de lutadores há necessidade de práticas sistematizadas por anos ou décadas. No entanto, este não é objetivo da escola, ou seja, caso este interesse seja despertado nos alunos, devem ser encaminhados a academias que ofereçam a luta ou esporte de combate (BRASIL, 2018). Fruição: permitir ao aluno a apreciação estética das experiências sensíveis geradas pela vivência corporal e compreender os diversos períodos e momentos históricos, lugares e grupos (BRASIL, 2018). Reflexão sobre a ação: dar ao aluno condições de refletir sobre suas ações e de seus colegas, oriundas das observações e análise das vivências realizadas (BRASIL, 2018). Construção de valores: refere-se à aprendizagem de valores e normas voltados ao exercício da cidadania em prol da transformação de uma sociedade verdadeiramente justa e democrática, por meio da equidade social, o que está diretamente associado aos princípios filosóficos da grande maioria das lutas (BRASIL, 2018). Análise: está associada aos conceitos necessários para entender as características e o funcionamento das manifestações da cultura corporal, como é o caso da classificação, regras básicas e diferenças entre as modalidades de luta, por exemplo (BRASIL, 2018). Compreensão: refere-se ao esclarecimento do processo de inserção das manifestações da cultura corporal no contexto sociocultural, reunindo saberes que possibilitem compreender o lugar da cultura corporal no mundo (BRASIL, 2018). Protagonismo comunitário: conhecimentos e ações necessárias para que os estudantes participem de forma confiante e autoral, em decisões e ações orientadas a democratizar o acesso das pessoas às manifestações da cultura corporal, tomando como referência valores favoráveis à convivência e transformação social, o que muitas lutas promovem por meio de projetos sociais e pelo vínculo com uma sociedade que pratica determinadas modalidades (BRASIL, 2018). 121 Seguindo esta lógica na condução dos conteúdos e das aulas, o aluno terá condições conhecer, apreciar, vivenciar e compreender a importância das lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate na sociedade, de modo que possa optar por buscar a prática de alguma modalidade fora do contexto escolar, ou de explicar à comunidade e aos familiares como se organizam estas atividades ou mesmo ter condições assistir e compreender as lutas na TV, por exemplo, ou seja, dar autonomia e direito de escolha ao aluno após o contato e vivência de diferentes experiências que as aulas de educação física podem proporcionar. 122 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (CONSULPLAN, 2018) “A capoeira tem, entre seus instrumentos, um de origem africana, composto de um pequeno arco, uma alça de metal com um cone metálico em cada uma das pontas. Esses cones são de tamanhos diferentes, portanto, produzem sons diferentes”. Trata-se do: a) caxixi. b) agogô. c) pandeiro. d) atabaque. e) reco reco. 2. (CONSULPLAN, 2018) “No karatê, o _________________ é praticado com a finalidade de se aprender técnicas de ataque e defesa, e movimentos corporais; nesta forma de prática, o adversário existe apenas no olho da mente”. Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior. a) Kata. b) Ippon. c) Kumite. d) mae hiji-ate. e) yoko hiji-ate. 3. (UFPB, 2016) Assinale a alternativa correta em relação à capoeira. a) Manifestação artística e urbana nascida na Bahia. b) Manifestação cultural oriunda da África e introduzida no Brasil pelos negros c) Manifestação popular de influência luso-africana. d) Manifestação cultural fruto da presença dos primeiros imigrantes, no início do século XX. e) Manifestação artístico cultural introduzida na África do Sul pelos habitantes de Goa. 123 4. (FCC - SEE SP) A dança com elementos da cultura africana surgiu no Brasil no século XVI, no período colonial, trazida pelos africanos retirados de suas regiões de origem, para a realização de trabalho escravo. Esse modo de dançar foi registrado na composição de cultos africanos e também na capoeira, hoje muito popularizada. Na capoeira encontram- se os seguintes elementos: a) religião, escultura, canto e jogo. b) esporte, escultura, jogo, brincadeira. c) religião, dança, escultura, música. d) esporte, luta, dança, música, brincadeira. e) luta, dança,canto. 5. (CONSULPLAN, 2018) No karatê, há um tipo de punho em que os nós dos dedos indicador e médio são usados para golpear o alvo. O punho tem que ser mantido tenso e inflexível; o dorso da mão e o pulso formam uma linha reta. Esse tipo de punho, usado principalmente no empurrão (tsuki), denomina-se: a) suto (mão em espada). b) kentsui (punho-martelo). c) seiken (frente do punho). d) uraken (dorso do punho). e) urakenso (dorso do punho). 6. (CONSULPLAN, 2018) No ensino-aprendizagem do judô, as habilidades e conhecimentos mínimos do aprendiz que se encontra no 7º Kyu (faixa cinza) são: a) seis tipos de projeções; cinco tipos de projeções combinadas; tipos de saudações; e, maneira de sentar. b) tipos de passos; giros do corpo; amortecimentos de quedas; seis tipos de projeções; e, quatro tipos de imobilizações. c) postura e maneira de segurar o oponente; dez tipos de projeções; maneira de sentar; e, dois tipos de amortecimentos. d) postura e maneira de segurar no oponente; tipos de saudações; tipos de amortecimento de quedas; três tipos de projeções; e, três tipos de imobilizações. 124 e) postura e maneira de segurar no oponente; tipos de saudações; maneira de sentar sobre o tatame; tipos de amortecimentos de quedas; e, dois tipos de projeções. 7. (CONSULPLAN, 2018) “Na capoeira, trata-se do movimento de corpo destinado a enganar o oponente, traduzindo toda a malícia inerente à prática de dissimular os golpes em esquivos passos de dança.” A afirmativa anterior refere-se a: a) chapa. b) ginga. c) martelo. d) benção. e) chapa de costas. 8. (CONSULPLAN, 2018) “Entre os movimentos, destaca-se a ___________________, movimentação básica da capoeira, de onde partem todos os outros movimentos e golpes da capoeira. Caracteriza-se pela oposição entre braços e pernas, em que os pés deslizam para trás, em busca de um equilíbrio dinâmico.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior. a) ginga. b) benção. c) armada. d) cabeçada. e) meia-lua de compasso. 125 MÉTODOS DE ENSINO DE LUTAS E ARTES MARCIAIS E AS FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO O ensino de lutas e artes marciais vem sendo transformado ao longo do tempo de acordo com seus objetivos e propósitos neste processo. Como estudamos na unidade 1, a prática das lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate foi sofrendo transformações, em decorrência das mudanças sociais, culturais, entre outras. Sendo assim, as estratégias de ensino das lutas e seus objetivos também foram sendo transformados. O propósito inicial era de sobrevivência, então, como em um processo de seleção natural, sobreviviam aqueles que conseguiam se adaptar melhor ao meio, porém, com o tempo e a necessidade de utilização da arte marcial como estratégia de guerra, foi preciso estruturar estratégias de formação de bons soldados, por isso, foram pensados os Jogos Olímpicos da Antiguidade e os combates como aconteciam no Coliseu em Roma, a fim de escolher futuros soldados guerreiros. Após o surgimento das armas de fogo e a transformação cultural principalmente no Oriente, como por exemplo, no Japão, as artes marciais passaram por um período de decadência, pois a luta somente como forma de defesa perdeu um pouco do sentido (VIRGÍLIO, 2000). Com isso, novas propostas foram surgindo, como a proposta do KODOKAN (escola do caminho), criada por Jigoro Kano, como vimos na primeira unidade. Kano, que era pedagogo, professor de línguas e de educação física, pensou na prática do Judô, além de uma vivência corporal, um método de crescimento pessoal, filosófico e de formação educacional. Propostas que podemos relacionar de forma direta com os objetivos da educação e da educação física apresentados nos documentos oficiais (BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR, 2018; PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1998; BRASIL, 1998; SECRETARIA DO ESTADO DE EDUCAÇÃO, 2011). 10.1 O ENSINO DE LUTAS E A APLICAÇÃO DE MÉTODOS Para Greco (1998) método de ensino nos esportes é estabelecer uma lógica Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 126 na sequência de ensino, analisar qual a melhor “maneira” de retenção de um conteúdo. Em educação essa “maneira” é denominada de método de ensino, aprendizagem e treinamento (EAT). O processo de EAT dos esportes deve ser construído segundo uma trilogia, onde o ensino e a aprendizagem se concretizam através do treinamento (prática), e este se apoia na aprendizagem e no ensino, através de seu planejamento consistente e variado. Os métodos de ensino das lutas e artes marciais que foram trazidos para o Brasil pelos imigrantes orientais seguiam os costumes da época e da cultura dos migrantes, sem uma preocupação com a formação das crianças e jovens, tendo em vista que os objetivos eram mais associados às questões de defesa pessoal. Por este motivo, por muito tempo o que se observava no ensino das lutas era um modelo denominado tecnicista, que se baseava na repetição dos gestos técnicos, divididos em partes e que a soma das partes aprendidas deveria se resultar no todo da prática esportiva, assim como era o ensino da maioria das modalidades esportivas na época. (NAVARRO, ALMEIDA e SANTANA, 2015). Como já citado, o ensino das lutas seguia um modelo oriental e o ensino era sistematizado em atividades chamadas de parcial ou analítico- sintética, caminhando para as atividades denominadas de abertas ou global-funcionais, ou seja, as atividades eram segmentadas por etapas. Muitas vezes, as atividades ensinadas eram desconectadas entre si, por exemplo, aulas e treino de movimentação em pé e em outros treinos ou aulas com atividades realizadas no chão (solo), como no judô sem, necessariamente, treinar a passagem dos movimentos em pé para o chão, o que dificulta a ação aluno quando na situação de luta, que muitas vezes realizava a queda e ficava sem saber o que fazer até que alguém o orientasse a buscar a imobilização. (FRANCHINI e DEL VECCHIO, 2012). Outro ponto importante a ser observado é que, mesmo utilizando um método parcial (analítico-sintético), um movimento não deve ser cortado quando há transferência de impulso, um exemplo clássico é a entrada de um golpe, se o golpe é realizado de forma parcial, o aluno pode apresentar dificuldade na execução completa do golpe, sendo assim, o professor deve estudar e planejar a melhor forma de se ensinar aos alunos (GRECO, 1998). Então podemos citar como pontos positivos do método parcial (analítico-sintético) a rápida melhora da técnica e a facilidade do controle da aprendizagem, porém como pontos negativos podemos citar que o ensino pode acontecer fora do contexto técnico-tático e que, muitas vezes, o aluno 127 realiza apenas as respostas mecânicas que foram previamente adquiridas nas situações propostas pelo professor. (NAVARRO, ALMEIDA e SANTANA, 2015). De acordo com Donohue apud Franchini e Del Vecchio (2012), o processo de ensino das modalidades nos países orientais apresentava três características, 1) relação professor- aluno, em que o primeiro detém todo o poder e conhecimento sobre o segundo, em relação autoritária e mandatória explicita; 2) hierarquia contínua, com sistema de graduação, de forma que o menos graduado necessitava seguir as ordens dos mais graduados, com favores e gestos submissos. 3) A autoridade centralizada do poder (federação/confederação) e ranqueamento das pessoas pela graduação. Já no ocidente, de acordo com cultura grega, o chamado Paidotribo, o “professor”, em geral era um ex-campeão que mesclava conhecimentos técnicos específicos e paralelos, como terapia e medicina. O ensino era realizado com tradição oral muito forte, do mando direto e orientação do Paidotribo. A aprendizagem seguia um modelo menos participante, a partir da transmissão de conteúdos em função dos lutadores mais experientes. Este modelo de ensino mais tecnicista ainda é muito utilizado nas artes marciais, mesmo nos dias atuais, mas não deve ser utilizado na educação física escolar, tendo em vistaque não se deve buscar o rendimento esportivo na escola, além do que estas estratégias promovem um grande percentual de abandono dos praticantes (Burn-out), se observa por exemplo, que somente entre 10 a 20% dos iniciantes chegam a faixa preta, ou seja uma taxa de abandono de aproximadamente 90% (FRANCHINI et al., 2007). Já no método global funcional o aluno aprende a partir do todo, ou seja, se luta é a partir do lutar, o professor pode ir conduzindo a aprendizagem. Para uma melhor ilustração, podemos utilizar o modelo do futebol, ao jogar e por meio do jogo o técnico vai orientando ou intervindo para que o aluno possa compreender e aprender a jogar, o que torna a aprendizagem mais prazerosa e interessante ao aluno. Por outro lado, não se pode adotar o que muitos professores chamam de rola- bola, os alunos jogarem sem nenhuma intervenção ou problematização do professor, o que não faria sentido educacional. Como pontos positivos do método global (global-funcional) podemos citar então o maior contato com a realidade do jogo, a possibilidade de resolver problemas, simultaneamente, em relação a tempo e espaço, o aumento da 128 motivação e como ponto negativo é que, uma vez aprendida uma técnica de forma inadequada, a correção fica mais complexa. No entanto, é preciso lutar para aprender e não aprender para lutar. Utilizando o Judô como exemplo, o método parcial seria o ensino da técnica por etapas e cada etapa era repetida de forma sistemática várias vezes, em geral se utiliza uma contagem em japonês até 10 para cada lado e para cada movimento, semelhante ao chamado treinamento de judô de Uchikomi e o treinamento global (global-funcional), semelhante ao que judô é denominado Randori (treino livre), ou criando algumas brincadeiras sempre com um objetivo determinado. Outro método descrito na literatura para o ensino dos esportes é o método situacional, em que há particularização de situações táticas presentes no jogo formal, no caso das lutas utilizadas como jogos situacionais ou reduzidos, sempre envolvendo um elemento do jogo formal (NAVARRO, ALMEIDA e NAVARRO, 2015). Por exemplo, pode se criar situações de luta onde o aluno está em desvantagem ou em vantagem no placar e tem um tempo reduzido de 20 segundos para o fim da luta, qual seriam suas ações? Ou então ele enfrenta um colega que é canhoto ao lutar, o que há de diferente? Como ele pode se adaptar a essa situação? Então o professor deve sistematizar de forma adequada diferentes situações de aprendizagem. 129 Podemos citar como pontos positivos do método situacional o aumento do repertório de soluções táticas presentes no jogo/luta formal, maior integração tático- técnica, e como pontos negativos a necessidade de maior tempo para que se chegue ao rendimento nos moldes do jogo formal, e a necessidade de maior experiência do professor na contextualização das unidades funcionais de aprendizagem. Outro importante método de ensino que vem sendo utilizado e recomendado, recentemente, no ensino de lutas e artes marciais é método denominado de pendular. O método pendular utiliza tanto situações de aprendizagem fechadas, quanto abertas. Este método utiliza bases teóricas baseadas em Bayer e Garganta que se apropriam de princípios condicionais dos esportes, conforme descrito por Gomes et al., (2010). Na luta estes princípios seriam contato proposital, fusão de ataque/defesa, imprevisibilidade e regras de ação. Além do trabalho com os princípios condicionais das lutas, também se procura criar situações de aprendizagem, em que há um direcionamento do aluno na execução do gesto motor para aquisição/estabilização do movimento aprendido e em outros momentos atividades de automatização das tarefas técnico-táticas, situações que utilizam o desvio da atenção do aluno, a fim de automatizar o movimento (como acontece, por exemplo, ao aprender a dirigir um carro, em que no início todos os movimentos são pensados e, posteriormente, ficam automatizados). Então, no método pendular, são utilizados tanto exercícios parciais que direcionam a atenção ao movimento, como exercícios globais que buscam o desvio da atenção e automatização da tarefa motora (FRANCHINI e DEL VECCHIO, 2012). Além disso, são utilizados como ponto de partida os movimentos fundamentais do ser humano, como saltar, rolar, girar, agarrar, bater como princípios operacionais básicos, posteriormente, se caminha para as regras de ação, ou seja, agarre direto e/ou indireto, toque direto e/ou indireto (como estudado na unidade 1) e, por fim, o ensino e aprendizagem dos gestos específicos das modalidades esportivas de combate. Desta maneira, resumindo os métodos de ensino, temos: Métodos de ensino e suas diferentes características Método Tecnicista: gestos técnicos, repetições de movimento, ensino sistematizado. Uso do senso comum. 130 Método Parcial (analítico-sintética): atividades abertas, segmentação por etapas, cada treino um tipo de prática. Rápida melhora da técnica, e a facilidade do controle da aprendizagem. Ensino mecânico. Método Global Funcional: Aprendizagem a partir do todo, do lutar, professor conduz a aprendizagem, compreensão e apreensão da luta pelo aluno de maneira prazerosa. Estudo pautado na cientificidade. Método Situacional: Analisa situações táticas do jogo, aumento do repertório de soluções táticas presentes no jogo/luta formal, maior integração tático-técnica, necessidade de maior experiência do professor na contextualização das unidades funcionais de aprendizagem Método Pendular: Utiliza tanto situações de aprendizagem fechadas, quanto abertas, se apropria de princípios condicionais das lutas, como: contato proposital, fusão de ataque/defesa, imprevisibilidade e regras de ação. Busca ensino e aprendizagem de maneira expansiva pautada na cientificidade entre professor e aluno. Fonte: Elaborado pelo autor (2021) Então, por exemplo, pode-se ensinar determinada técnica, vamos utilizar a técnica do o-soto-gari no judô, sem uma preocupação com a execução perfeita, posteriormente, se utiliza um pega-pega, onde o pegador ao pegar um colega realiza a técnica do o-soto-gari (pode se utilizar um colchonete no centro da quadra para realização da queda) e o colega que cair passa a ser o pegador, posteriormente, ao final da brincadeira o professor passa ao método fechado e realiza a correção da técnica (direcionamento da atenção) e ao final da aula é realizado um treino livre randori, no entanto, a queda realizada com o o-soto-gari vale mais ponto (desvio da atenção). Imagem 16: Representação do o-soto-gari Fonte: Disponível em https://bit.ly/3hVVkd6. Acesso em: 25 jan. 2022. Veja esta adaptação feita pelo autor deste material, sobre a sistematização 131 utilizada por Franchini e Del Vecchio (2012). Imagem 17: Representação de sistematização adaptada Fonte: Franchini e Del Vecchio (2012) Além dos métodos de ensino, ainda existem alguns estilos de ensino, que podem ser aplicados nos métodos apresentados acima. Entre os mais conhecidos estão o descobrimento guiado, em que o professor cria situações de aprendizagem, instiga o aluno a pensar e solucionar perguntas sobre as melhores estratégias de ação e guia esse conhecimento. Outro estilo interessante é o de resolução de problemas, em que o professor propõe alguns problemas encontrados em diferentes situações do lutar, por exemplo, estar em desvantagem no placar, lutar com atletas mais altos ou mais baixos, pausar um vídeo e perguntar aos alunos quais seriam as melhores opções para se atingir os objetivos, ou ainda criar uma situação prática, por exemplo, você está imobilizado em uma determinada condição, como pode escapar? Após a descrição do problema os alunos podem ser divididos em grupos e cada grupo sugere uma resposta ao problema. Posteriormente, as soluções são socializadas, todas podem estar corretas e, muitas vezes, os alunos trazem soluções desconhecidas até mesmo pelos professores, ampliando a gama motora e estratégias que podemser utilizadas nas lutas. Isso pode ser utilizado tanto nas aulas de educação física escolar, quanto nas academias de ensino de lutas (FRANCHINE; DEL VECCHIO, 2012). 132 Apesar dos diferentes métodos e estilos de ensino, caminhar de atividades simples para as mais complexas parece ser a melhor estratégia. O processo pedagógico, principalmente, na educação física escolar deve superar as práticas fechadas, repetitivas, cíclicas e não reflexivas. Então, propõe-se um modelo para o ensino das lutas pautado nos princípios operacionais, regras de ação e, por fim, gestos específicos aprendidos ao lutar, sendo estes movimentos incorporados às capacidades motoras das crianças. Sobretudo, como citado por Freire (2006), se deve ensinar bem o esporte a todos, ensinar a gostar de esporte e ensinar mais que esporte. 10.2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO A PARTIR DAS LUTAS Nas aulas de educação física escolar, no ensino dos esportes ou de qualquer conteúdo da cultura corporal de movimento, além de conhecer os métodos de ensino, é necessário planejar e trabalhar atividades de acordo com a faixa etária e de acordo com nível de desenvolvimento dos alunos. Por isso, é fundamental observar a importância da interdisciplinaridade no curso de licenciatura em educação, e a relação de conteúdos como aprendizagem e desenvolvimento motor, crescimento e desenvolvimento, medidas e avaliação, e a associação destes conhecimentos com diferentes outros conteúdos. No nosso caso, as lutas e artes marciais e a relação com outras disciplinas. De acordo com Gonzalez, Darido e Oliveira (2014) o ensino das lutas deve ser realizado de forma paralela ao desenvolvimento da criança, sendo proposta uma sequência de atividades utilizando como base as fases de desenvolvimento motor apresentado por Gallahue, Ozmun e Goodway (2013). Sendo assim, apresentaremos sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas para o ensino das lutas, de acordo com cada fase do desenvolvimento, além do que, em nossa próxima aula serão apresentadas diferentes atividades que podem ser utilizadas no planejamento das aulas. Veja as 133 fases do desenvolvimento motor proposto por Gallahue na figura abaixo: Imagem 18: Fases do desenvolvimento motor Fonte: Disponível em https://bit.ly/3MGvDuS. Acesso em: 25 jan. 2022. Apesar dos documentos oficiais não apresentarem diretrizes para o ensino das lutas na educação infantil (2 a 5 anos), este conteúdo pode e deve ser trabalhado, então desde o início da fase de desenvolvimento fundamental, mesmo nos estágios iniciais, a criança já pode ser apresentada às atividades lúdicas e aos jogos de oposição. Nesta fase, deve-se pensar atividade simples e divertidas, com finalidade de trabalhar as habilidades básicas, como as manipulativas, locomotoras e estabilizadores. Como por exemplo: as habilidades locomotoras podem ser realizadas atividades de andar, correr, escorregar, girar, saltar, rolar, rastejar, escalar, esquivar, deslizar e quadrupejar. Sendo assim, podemos variar as formas das atividades, como o andar, pode-se variar para andar de frente, de lado e para trás; com apoio da ponta do pé e com apoio do calcanhar, com elevação do joelho, passadas largas e passadas curtas. Podem ser realizadas alterações na forma do andar, como em diferente superfície (estreita e larga, na grama e no cimento, na areia e na pedra, em descida e subida, no alto e no baixo). São exemplos servem para todas as 134 habilidades locomotoras (PALMA, et al., 2010). A partir dos cinco anos de idade, a maioria dos autores já recomenda o início das atividades de ensino de lutas nas escolas, como por exemplo, as diretrizes educacionais atuais. Na faixa etária dos 5 a 7 anos, fase do movimento fundamental (estágio de proficiência), deve-se priorizar o desenvolvimento das habilidades como correr, saltar, pular e construção das representações mentais. Sendo assim, deve-se enfatizar brincadeiras e atividades de empurrar, rolar, correr e pegar de modo lúdico, também deve-se observar que se deve seguir dos jogos gerais para os específicos, ou seja, trabalhar os chamados jogos de oposição, imitações de animais como no Kung Fu, entre outras. Nesta fase, recomenda-se jogos de oposição e o desenvolvimento das habilidades básicas. Algumas atividades podem ser realizadas para atender a objetivos específicos, como jogos para o reconhecimento dos espaços de luta, controle e precisão dos movimentos entre outros. Na fase do movimento especializado (estágio de transição) dos 7 aos 10 anos, as principais características das atividades devem ser de combinação de movimentos com maior precisão e controle, sendo enfatizadas as brincadeiras de oposição, bem como movimentos de distâncias curta, média e longa e diversidade dos jogos de oposição. Entre os 11 e 13 anos, fase do movimento especializado (estágio de aplicação), as principais características das atividades devem ser de tomada de decisão, ampliação da relação entre a tarefa, o ambiente e o indivíduo, enfatizando combinações de socos e chutes, aprendizagem de esquivas, aplicação de movimentos como rolamentos, agarres, toques etc., utilizando como base os princípios operacionais das diferentes classificações de lutas. Nesta fase, as lutas com princípios condicionais semelhantes podem ser trabalhadas em conjunto, por exemplo, lutas de domínio e agarre (Judô, Jiu-Jitsu, Luta olímpica), lutas de percussão (Karatê, Taekwondo), lutas com utilização de armas (Kendo, Esgrima), facilitando a compreensão dos alunos. 135 Por fim, dos 14 anos em diante, na fase do movimento especializado (estágio de utilização ao longo da vida), as principais características são a ampliação do repertório motor, aprendido ao longo da vida, movimentos mais refinados, de modo que se enfatize a ampliação dos movimentos e combinações, a lógica das diferentes modalidades, aprendizagem das práticas de distância mista e prática de modalidades específicas de lutas e artes marciais. No ambiente da academia, fora da escola, é o momento de se intensificar as competições e ampliar a participação dos jovens na especialização da modalidade escolhida para a prática, e na escola é o momento de conhecer mais a fundo cada uma das modalidades de lutas, movimentos específicos, regras, vivenciar experiências como as lutas combinadas, Katas (sequência de movimentos predeterminados) e questões sociais e culturais associadas a cada tipo de luta. Lembrando que em nossa última aula na sequência apresentaremos sugestões de atividades que podem ser realizadas em algumas modalidades, pelo menos uma modalidade de domínio e agarre, uma de percussão, uma mista e uma com utilização de armas. 136 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (PCI - SC, 2015) De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Física espera-se que ao final do ensino fundamental os alunos sejam capazes de, EXCETO: a) Participar de atividades corporais, estabelecendo relações desequilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais. b) Adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações lúdicas e esportivas, repudiando qualquer espécie de violência. c) Conhecer, valorizar, respeitar e desfrutar da pluralidade de manifestações de cultura corporal do Brasil e do mundo, percebendo-as como recurso valioso para a integração entre pessoas e entre diferentes grupos sociais. d) Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de recuperação, manutenção e melhoria da saúde coletiva. e) Solucionar problemas de ordem corporal em diferentes contextos, regulando e dosando o esforço em um nível compatível com as possibilidades, considerando que o aperfeiçoamento e o desenvolvimento das competências corporaisdecorrem de perseverança e regularidade e devem ocorrer de modo saudável e equilibrado. 2. (FUMARC, 2018) A proposta para a Educação Física da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) parte da compreensão de que se trata de um componente curricular que tematiza as práticas corporais em suas diversas formas e significados, entendidas como manifestações expressivas dos sujeitos e patrimônio cultural da humanidade. Assim, para a BNCC, o movimento humano está sempre inserido no âmbito da cultura, entendido como textos passíveis de leitura e produção. Para sistematizar os conteúdos das práticas corporais, a BNCC estabelece os grupos ou as unidades temáticas a serem ensinadas nas aulas de Educação Física: esportes, brincadeiras e jogos, lutas, danças, ginásticas e práticas corporais de aventura. 137 Assinale a alternativa que NÃO apresenta corretamente as características dessas unidades temáticas. Alternativas a) Ginásticas: tendo em vista a grande variedade de organização e significados, foi necessário adotar uma classificação composta por: ginástica geral; ginásticas de condicionamento físico; ginásticas de conscientização corporal. b) Lutas: focaliza as disputas corporais, nas quais se empregam técnicas, táticas e estratégias específicas para imobilizar, desequilibrar, atingir ou excluir o oponente de um determinado espaço, combinando ações de ataque e defesa. c) Práticas corporais de aventura: exploram-se expressões e formas de experimentação corporal centradas nas perícias e proezas provocadas pelas situações de imprevisibilidade na interação com um ambiente desafiador. d) Brincadeiras e jogos: explora atividades voluntárias exercidas dentro de determinados limites de tempo e espaço, caracterizadas pela criação e alteração de regras, pela obediência ao que foi combinado coletivamente. e) Danças: explora o conjunto de passos e coreografias mais apresentadas nos veículos de mídia. Trata-se de uma prática que busca aumentar a participação das alunas nas aulas, uma vez que se relaciona ao universo feminino. 3. (FUMARC, 2018) Ao discutir com seus alunos do Ensino Médio sobre a importância das lutas e do desenvolvimento da força para a qualidade de vida, especialmente em relação à idade adulta e ao envelhecimento saudável, a professora de Educação Física Aline teve como objetivo que os estudantes construíssem uma autonomia para lidar com a realização de exercícios físicos, independentemente da supervisão de profissionais. Por isso, em uma aula, ela apresentou o conceito de carga e os seus componentes que interferem no desenvolvimento da força e devem ser levados em conta ao se programar exercícios físicos para a modalidade lutas. Para a aula seguinte, Aline solicitou aos alunos que eram praticantes da modalidade que trouxessem exemplos dos componentes da carga para discussão em sala. Uma das alunas trouxe seu programa de exercícios da academia de lutas que frequenta, no qual ela realiza o total de 40 repetições de um determinado exercício para as pernas. 138 Considerando essa informação, assinale a alternativa que apresenta corretamente o componente da carga apresentado pela aluna. Alternativas a) Densidade. b) Duração. c) Frequência. d) Intensidade. e) Volume. 4. (FUMARC – 2018) As lutas também são classificadas como esporte na Educação Física sendo assim: O esporte é um fenômeno sociocultural dos mais importantes da modernidade e sua presença é muito marcante na sociedade brasileira, inclusive na cultura escolar. Por isso, as modalidades esportivas são conteúdos frequentes nas aulas de Educação Física e nos projetos desenvolvidos em diversas escolas. Uma das possibilidades que devem ser consideradas ao se planejar o ensino do esporte nas escolas é a dimensão motora, que apresenta o conceito de iniciação esportiva. Sobre a iniciação esportiva para adolescentes entre 15 e 16 anos de idade, analise as afirmativas e as classifique como verdadeiras (V) ou falsas (F). ( ) Nesta fase, os movimentos básicos se encontram em fase de refinamento e estabilização, permitindo a prática de atividades motoras mais complexas, como pequenos jogos e jogos pré-desportivos. ( ) Neste momento da aprendizagem esportiva, a ênfase deve ser na liberdade de experimentação de movimentos que estimulam o desenvolvimento, sem a preocupação de um padrão que estabeleça erros e acertos. ( ) As atividades devem ser planejadas para que os praticantes sejam capazes de manipular, locomover e imitar, para que possam estabilizar e refinar os movimentos que serão necessários ao esporte. 139 ( ) Com a preocupação de que o adolescente pratique duas ou três modalidades esportivas, deve-se iniciar o aperfeiçoamento e a especialização das técnicas esportivas. Considerando o ensino do esporte, segundo a proposta da Iniciação Esportiva Universal (IEU) para adolescentes entre 15 e 16 anos, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: Alternativas a) F – F – V – V. b) F – F – F – V. c) F – V – V – F. d) V – F – F – V. e) V – V – V – F. 5. (FUMARC – 2018) O movimento pela redemocratização do país, na primeira metade da década de 1980, que culminou com o fim do regime militar, a volta das eleições diretas para presidência da república e a elaboração de uma nova Constituição Federal (CF) encheu de esperança os brasileiros. A nova CF de 1988 estabeleceu a educação como um direito social e conduziu os esforços legislativos para a elaboração de uma nova lei sobre a educação que regulasse a oferta desse direito a todos os brasileiros. Assim, a Lei 9.394, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), foi aprovada em 1996. No que diz respeito à Educação Física, as discussões promovidas pelos movimentos renovadores da década de 1980 marcaram a elaboração da legislação e levaram a uma nova compreensão que ficou registrada no texto da LDBEN. Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa nova compreensão de Educação Física determinada pela LDBEN de 1996. Alternativas a) Área da saúde. 140 b) Área de conhecimento. c) Atividade física. d) Iniciação Esportiva. e) Psicologia do esporte. 6. (FUMARC – 2018) Sobre o objetivo de ensino da Educação Física nas escolas de educação básica, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de 1997, NÃO é correto afirmar: Alternativas a) A disciplina deve desenvolver a capacidade de utilização da cultura corporal como instrumento de comunicação, lazer e saúde. b) A disciplina tem a tarefa de garantir o acesso dos alunos e das alunas às práticas da cultura corporal de movimento. c) Ao passar pela Educação Física em sua trajetória escolar, as pessoas devem desenvolver um estilo pessoal de realizar as práticas da cultura corporal. d) O ensino da cultura corporal deve tratar dos benefícios e das possibilidades da área no auxílio da aprendizagem do conteúdo de outras disciplinas escolares. e) O ensino da disciplina deve levar à compreensão dos benefícios e das possibilidades da vivência de esportes, jogos, danças, lutas e ginásticas. 7. (FUMARC – 2018) Sobre o ensino da Educação Física e a responsabilidade das escolas e da comunidade escolar, tendo em vista a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), de 1996, e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de 1997, analise as afirmativas a seguir. I. Cada escola, considerando a autonomia determinada pela LDBEN, deve integrar a Educação Física à sua proposta pedagógica. Assim, escola e professores são responsáveis pela adaptação do ensino da disciplina à sua realidade, a fim de garantir o acesso dos alunos e das alunas aos conhecimentos definidos pelos PCN. II. As escolas, a comunidade de pais e alunos, bem como os professores, devem assumir a responsabilidade pela integração da Educação Física à proposta pedagógica. Se a autonomia garantida pela LDBEN não for bem utilizada, poderá 141 descaracterizar o ensino da disciplina, levando-o a se tornar uma simples atividade técnica ourecreativa, desprovida de função no processo educativo pleno. É CORRETO afirmar que: Alternativas a) I e II são proposições falsas. b) I e II são proposições verdadeiras e I é causa de II. c) I e II são proposições verdadeiras e I é consequência de II. d) I é uma proposição falsa e II é uma proposição verdadeira. e) I é uma proposição verdadeira e II é uma proposição falsa. 8. (FUMARC – 2018) Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), de 1997, o ensino da Educação Física na escola deve se preocupar com a formação do cidadão que será responsável pela produção, reprodução e transformação da cultura corporal de movimentos na sociedade. Tendo em vista essa afirmação, a professora Isabela propôs aos seus estudantes do ensino médio uma prática de futsal na qual alunos e alunas deveriam construir coletivamente o regulamento para um evento da modalidade em que todos deveriam participar e cuja vitória não estava centrada apenas em ganhar do adversário, mas na participação, no prazer e no significado do evento para todos. Dessa maneira, o evento ocorreu com a participação conjunta de meninos e meninas nos diferentes papéis que poderiam ser representados em uma partida de futsal. Todas as equipes se enfrentaram, todos os alunos jogaram, todos ganharam e perderam, e todos exerceram papéis de comissão técnica, arbitragem, dirigentes, torcedores, pais de atletas. Para avaliar o significado da prática, Isabela realizou rodas de conversa, identificou pontos positivos e negativos e finalizou com uma mesa- redonda, como as realizadas pelas redes de televisão, com representantes das equipes para discussão dos diferentes pontos de vista. Considerando a prática desenvolvida pela professora Isabela relativa à relação entre Educação Física e cidadania, tendo em vista as orientações dos PCN, assinale a afirmativa CORRETA. Alternativas 142 a) Competir é, por natureza, a maneira mais democrática de ensinar esporte, uma vez que, na sociedade, cada um deverá se destacar em alguma atividade. b) Dar oportunidade para os que não são bons tecnicamente terem papéis de árbitro ou de torcedores no lugar de jogar é uma estratégia eficaz de inclusão. c) Relacionar teoria e prática é uma das formas que a Educação Física tem para afirmar o direito de todos de acesso e de participação. d) Romper com o histórico centrado no desempenho físico e técnico significa fortalecer a seletividade entre alunos aptos e inaptos. e) Tomar o princípio da inclusão e o direito de todos de acesso e de participação evidencia o tratamento de alunos e alunas como uma totalidade homogênea. 143 LUTAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: APLICAÇÕES PRÁTICAS Nesta unidade serão apresentadas diversas sugestões de atividades e de estruturação de conteúdos de diferentes lutas, tendo como base os princípios condicionais das lutas, com conteúdo de uma luta de domínio e agarre, uma luta de percussão, uma luta mista e uma luta que utiliza armas (implemento) para o ataque ao adversário. Sempre lembrando que o professor tem autonomia para preparar suas aulas e que estas atividades são apenas sugestões que podem ser aperfeiçoadas e modificadas de acordo com a realidade de sua escola, materiais disponíveis e possibilidades de utilização de materiais alternativos, assim como das particularidades das turmas de alunos. Então, como conteúdo desta aula serão apresentadas sugestões de atividades para o Judô (domínio e agarre, curta distância); a Capoeira (percussão, média distância) fortemente ligada à cultura e à história do Brasil; o MMA (Mix Martial Arts) devido a sua evidência na mídia e por ser uma luta mista; a Esgrima por ser uma atividade que utiliza armas (sabre, florete e espada) caracterizada como luta de longa distância. Sendo assim, começaremos pelas lutas de domínio e agarre, tendo como exemplo o Judô. Parte da história e filosofia do Judô já foi apresentada na primeira unidade, no entanto, acrescentaremos algumas informações e sugestões de atividades práticas. 11.1 O JUDÔ E AS MODALIDADES DE DISTÂNCIA CURTA O Judô que tem como tradução Ju= suavidade, flexibilidade e dô= caminho, aprendizado, então a tradução mais utilizada para a modalidade é “caminho suave”, teve seu início no ano de 1882, com a criação do instituto Kodokan pelo sensei (termo usado também para professores japoneses e significa aquele que veio antes), que utilizou técnicas de diferentes estilos do antigo Jiu-Jitsu praticado pelos samurais e criou uma modalidade para prática de educação física e formação Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 144 educacional (KODOKAN, 2010). Passou a ser modalidade olímpica em 1964, quando foi disputada em Tóquio no Japão e se mantém no quadro de modalidades olímpicas até hoje. A modalidade tem como objetivo derrubar o adversário de costas no chão com força e velocidade (execução correta do golpe), ou finalizando o adversário por meio de estrangulamento, chave de braço, ou imobilização por 20 segundos, pontuação denominada ippon. Outra pontuação é o wazari, onde o atleta projeta o adversário, no entanto, falta força, velocidade, ou a queda acontece com a lateral do corpo do adversário, ou o imobiliza por um tempo entre 10 e 19 segundos, é importante frisar que dois wazaris equivalem a um ippon. Caso nenhum atleta consiga o ippon, a luta tem um tempo máximo de quatro minutos (cronômetro parado nos intervalos). Como atividades sugeridas ao ensino do Judô e das modalidades de domínio e agarre, podemos iniciar ensinando as técnicas de quedas, chamadas no judô de ukemis (ushiro ukemi- queda para trás; Yoko ukemi – queda de lado; Mae ukemi – queda para frente), também é possível trabalhar atividades de imobilização, no judô chamadas de ossae-komi-waza, a mais simples é Hon-Kesa-Gatame, que é a primeira imobilização a ser ensinada no judô. As atividades de imobilização podem ser trabalhadas com jogos de oposição para imobilizar o colega, por tempo de imobilização, com atividades de domínio de bola no chão, em diferentes situações para a vivência das atividades em sala de aula, sempre tendo em vista aspectos de cuidados com os alunos, controlando o tempo das atividades para evitar euforia excessiva nas lutas e cuidados com as quedas para evitar lesões. Pode ser utilizado um gramado, uma caixa de areia e mesmo tatames de EVA ou colchonetes que ofereçam segurança aos alunos. 145 Imagem 19: Representação do ukemi-waza nas quedas do judô Fonte: Disponível em https://bit.ly/3MGrGXa. Acesso em: 25 jan. 2022. Para a realização de atividades que se assemelham às lutas em pé no judô, (a competição é chamada de shiai), podem ser feitas algumas atividades lúdicas como a briga pela bola (utilizando uma bola de basquetebol, por exemplo), uma atividades chamada de pega-rabo, onde cada um dos lutadores coloca uma fita atrás na cintura e de frente a um colega quem conseguir retirar a fita do colega e defender a sua vence, ou uma luta adaptada utilizando prendedores de rouba, ou seja, cada aluno terá uma quantidade de prendedores presos a camiseta e ao sinal deve proteger seus prendedores e tomar os prendedores de colega/oponente. É interessante filmar a atividade e mostrar a movimentação aos alunos, apontando a semelhança na movimentação com a briga de pegada no judogui (kimono) nas competições do judô. 146 11.2 MODALIDADES DE DISTÂNCIA MÉDIA COMO A CAPOEIRA As modalidades que apresentam distância média entre os oponentes, normalmente, também têm características de modalidades de percussão, ou seja, com socos, chutes, joelhadas, entre elas as lutas como o Karatê, o Taekwondo e a Capoeira, que em serão apresentadas algumas sugestões de atividades que podem ser trabalhadas. A Capoeira é uma arte marcial criada como forma de defesa do povo africano escravizado no Brasil, a arte se originou da união de diversas culturas e etnias africanas em terras brasileiras, como uma luta de resistência contra a escravidão. Por sua origem e construção histórica é que hojepodemos defini-la como uma luta, que também é jogo, dança, arte, brincadeira e esporte (GONZALES, DARIDO e OLIVEIRA, 2014). O termo capoeira tem relação com a vegetação capoeira (mato rasteiro), onde os negros ao planejarem as fugas diziam que iriam cair na capoeira durante a noite, fugindo para os quilombos (comunidades criadas por negros para se refugiarem nas fugas das fazendas). Mesmo após a abolição da escravidão a capoeira passou por momentos difíceis, pois os negros foram libertados, no entanto, não tinham emprego, nem renda e para sobreviverem iam para as margens da cidade, normalmente, nos morros, comunidades que deram início aos guetos e favelas, e como forma de resistência à opressão e de organização social, as rodas de capoeira continuaram sendo símbolo de resistência, mas foi proibida por muito tempo, vista como prática de crime e praticada por marginais, termo que era associado a criminosos. 147 Imagem 20: Representa um quilombo e a prática da capoeira Fonte: Disponível em https://bit.ly/3MBKrLx. Acesso em: 25 jan. 2022. Vamos então a algumas sugestões de atividades para o ensino da capoeira. Uma atividade inicial que pode ser realizada para compressão do contexto da capoeira é um pega-pega chamado de “pegou-me na capoeira”. Na brincadeira o professor delimita alguns espaços na quadra, a senzala, onde os alunos que farão o papel de escravos iniciam a brincadeira, dois quilombos, onde será pique, ou seja, os alunos que estiverem neste espaço não poderão ser pegos, uma área chamada de tronco, onde os alunos pegos deverão ser “presos”, e mais um personagem, o capitão do mato, que ficará com um arco nas mãos e deverá pegar os demais colegas ao sinal do professor. Os alunos que forem pegos devem ficar na área chamada de tronco, no entanto, os colegas livres podem entrar nesta área e fazendo o movimento da ginga, libertar o colega preso, para simbolizar a libertação que a capoeira representava. Se o aluno for pego duas vezes passa a ser o pegador. Conhecido o contexto e os personagens da história da capoeira, pode-se iniciar os movimentos básicos da capoeira como a ginga, alguns golpes, assim como trabalhar as músicas, ritmo e controle corporal necessários a prática da capoeira. 148 Além das questões históricas e culturais, dos movimentos básicos da ginga e dos golpes básicos, também são sugeridos estudos das letras e dos ritmos das músicas cantadas na roda de capoeira. A maioria das letras retratava a vida de sofrimento e lamentação dos negros, porém também relatava a força e espírito trabalhador e guerreiro deste povo. Os alunos podem pesquisar e representar as letras das músicas. Também é importante estudar a diferença entre a Capoeira Angola e a Capoeira Regional. A capoeira angola é mais lenta, como movimentos mais rasteiros, era praticada nas ruas, sem uniformes e com movimentos mais malandros, tendo como principal o mestre Pastinha, considerada a capoeira de original. Já a capoeira regional tem como seu principal nome o mestre Bimba, que pensou uma capoeira mais próxima das artes marciais orientais, devido à perda de espaço da capoeira para lutas como o Kung Fu e o Karatê que ganhavam muito espaço na mídia. A capoeira regional é mais rápida, com movimentos mais abertos, saltos e giros mais rápidos, este tipo de capoeira é mais praticada em academias e tem grupos mais caracterizados. Outros tipos de capoeira que fazem uma mistura entre angola e regional também existem, como a capoeira chamada de contemporânea. Além de questões sobre as modalidades de lutas, artes marciais e modalidades esportivas de combate, estes conteúdos podem ser utilizados como meio para se atingir outros objetivos educacionais, como por exemplo, promover discussões e conhecimentos sobre discriminações racial, social, da mulher nas lutas, questões de mídia e esporte, busca de ascensão social através do esporte, violência, entre outros temas, que podem ser chamados de transversais. Um bom exemplo é a lutadora Rafaela Silva, que venceu todos os preconceitos e insultos quando perdeu uma Olímpiada e se consagrou campeão mundial e olímpica dando uma resposta no tatame. O professor deve planejar e criar situações de aprendizagem. 149 Outra dica importante é um conteúdo que devemos trabalhar também nas artes marciais, é o estudo de Katas ou Poomses no caso do Taekwondo, que são sequências de movimentos predeterminados, previsíveis e que simulam um combate real. Existem competições de poomses e katas e também são utilizados nos exames de graduação (troca de faixa), assim como são uma forma de ensino da técnica de geração a geração em sua forma correta e original, sem as modificações propostas pelas competições. Os katas e poomses são condições bem controladas e que não colocam os alunos em oposição direta, sendo assim, os riscos de se machucarem durante as atividades são mínimos. 150 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (PCI - SC, 2015) O judô é um esporte de origem: a) Italiana. b) Alemã. c) Francesa. d) Japonesa. e) Grega. 2. (PCI - SC, 2015) Para a prática do judô é necessário o uso de vestimenta adequada. Como é essa vestimenta: a) Judogui. b) Judosi. c) Judoki. d) Judomi. e) Judopi. 3. (PCI - SC, 2015) O objetivo principal do judô, como modalidade esportiva é a conquista de pontos, feita ao levar o oponente ao chão e imobilizá-lo, fazendo com que suas costas ou seus ombros permaneçam tocando o tatame durante: a) 60 segundos. b) 50 segundos. c) 40 segundos. d) 30 segundos. e) 20 segundos. 4. (PCI - SC, 2015) As chamadas graduações do judô consistem na classificação do judoca de acordo com seu desempenho físico e pessoal na prática do esporte. São usados diversos critérios, tais como duração do tempo de treino, idade e comportamento durante jogos. Quando um indivíduo melhora seu desempenho, 151 ele troca a cor da faixa que é usada em seu quimono. A sequência correta das cores das faixas, em ordem crescente, é: (___) Amarela (___) Verde (___) Laranja (___) Branca (___) Azul (___) Cinza (___) Preta (___) Roxa (___) Marrom a) 3-4-5-6-7-8-1-9-2 b) 4-6-5-1-3-2-9-7-8 c) 5-7-4-1-3-2-6-8-9 d) 3-5-2-1-4-6-9-7-8 e) 1-2-3-4-5-6-7-8-9 5. (PCI - SC, 2015) As lutas de judô têm duração máxima de: a) 5 minutos. b) 6 minutos. c) 7 minutos. d) 8 minutos. e) 10 minutos. 6. (PCI - SC, 2015) De acordo com as penalizações durante uma luta de judô é correto afirmar: I. Shido: É uma penalização fraca, que não faz com que o adversário ganhe pontos. II. Chui: É aplicado em casos mais graves ou quando se aplica a um lutador seu segundo shido. 152 III. Keikoku: É atribuído quando o lutador já tem um chui e recebe um shido. Essa penalidade não encerra o combate, entretanto é aplicada em infrações graves. IV. Hansoku-Make: É aplicado em casos de infração grave. Na aplicação do hansoku-make, o lutador é expulso e a vitória de seu adversário é declarada. a) Somente II está incorreta. b) Somente IV está incorreta. c) Somente I e II estão incorretas. d) Somente I e IV estão incorretas. e) Todas estão corretas. 7. (PCI - SC, 2015) O primeiro torneio nacional de caratê aconteceu em São Paulo no ano de: a) 1975. b) 1965. c) 1985. d) 1987. e) 1973. 8. (PCI - SC, 2015) Caratê é uma arte marcial de autodefesa originária do Japão. A palavra caratê significa: a) mão aberta. b) mão fechada. c) mão vazia. d) mão cheia. e) mão leve. 153 LUTAS DE COMBATE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: CONTRIBUIÇÕES DAS MODALIDADES DE DISTÂNCIAS MISTA E LONGA Uma das modalidades de luta que os alunos certamente irão questionar o professor de educação física e sempre fazer relação com qualquer outra modalidade de luta estudada ao longo da vida escolar, será a arte marcial mista ou MMA do inglês Mix Martial Arts, em razão de seu espaço na mídia e a evidência que esta modalidade tem tido na atualidade. A principal organização do MMA é o UFC® (Ultimate figth Championship), que é uma empresa americanae em sua origem teve umainfluência direta da modalidade Brazilian Jiu-jitsu, desenvolvida pela família Gracie, que é uma família brasileira. A criação do UFC foi realizada pela família Gracie com o objetivo de difundir e mostrar força do Jiu-jiutsu brasileiro. Vários brasileiros foram campeões e ídolos do MMA, entre eles, Vitor Belfort (o campeão mais jovem da modalidade), entre outros como Anderson Silva, José Aldo, além do sucesso atual das mulheres brasileiras como Cris Ciborg e Amanda Nunes. No início como observado no vídeo, o MMA era um torneio de artes marciais, onde praticamente não havia regras, ou seja, os lutadores se caracterizavam com as vestimentas das lutas (exemplo: judô de kimono, boxe com luvas e shorts etc.) e as lutas aconteciam até a desistência de um dos lutadores, sem tempo estabelecido. No entanto, na atualidade os atletas utilizam apenas um shorts e luvas (mais leves e com os dedos livres), várias regras para proteção dos atletas foram criadas, como Erro! Fonte de referênci a não encontra da. 154 não poder chutar a cabeça do atleta que estiver em três apoios, chutes com os calcanhares nos rins, entre outras. O tempo de luta também foi modificado, as lutas são realizadas em três rounds de cinco minutos, com um minuto de intervalo e as lutas que valem o cinturão das categorias são realizadas em cinco rounds de cinco minutos, ou até que haja desistência e/ou que o outro atleta não tenha condições de continuar a luta. Várias questões podem ser problematizadas e estudas na educação física escolar sobre o MMA, na proposta pedagógica do estado de São Paulo, por exemplo, no terceiro ano do ensino médio se estuda o Boxe e se faz relações com o MMA, pode-se pesquisar e discutir questões como os valores das bolsas e valores destinados aos atletas por luta, o jogo de interesse na realização dos cards (eventos) e o interesse maior do UFC pelo espetáculo, muitas vezes, em detrimento do esporte, doping entre outros assuntos. Questões como a redução do peso corporal dos atletas e os riscos à saúde também podem ser discutidas, pois muitos atletas são hospitalizados e alguns já morreram no processo de redução de peso corporal para atingirem o estabelecido para a categoria ou luta casada. Muitas vezes, nossos alunos são atletas de luta e fazem controle ou redução de peso sem orientação adequada, por vezes, os adolescentes perdem peso no início do ano competitivo, tendo a necessidade de segurar o peso ao longo do ano, podendo gerar problemas para seu crescimento, pois nessa faixa etária o natural é ganhar peso e não reduzir. Por este motivo, quando é necessário a redução ou controle de peso, que se faça com orientação de um nutricionista e de um médico. Como sugestão de atividades práticas podemos vivenciar alguns golpes históricos de brasileiros no MMA, como o chute da vitória de Anderson Silva sobre Vitor 155 Belfort, ou os socos de Vitor Belfort na vitória contra Vanderlei Silva, algumas técnicas de chave de braço e estrangulamento, no entanto, sem colocar os alunos em situação de luta, somente conhecer e vivenciar os movimentos de forma controlada, devagar e respeitando o colega. Sempre é importante lembrar que nas lutas há a necessidade de médicos e toda segurança possível aos atletas e, por isso, os alunos não devem tentar realizar lutas ou técnicas que assistiram na TV sem uma devida orientação de um professor de arte marcial ou supervisão de um profissional da Educação Física. Também pode-se pensar em atividades de circuito, com diferentes estações em que são aplicados os golpes do MMA, por exemplo, um minuto em cada estação (soco e chute de frente ao espelho ou sombra (frente a frente), golpes em aparadores, golpes em um saco de areia ou adaptado, abdominais, pulando corda etc.) simulando a preparação dos atletas. 12.1 MODALIDADES DE DISTÂNCIA LONGA, COMO A ESGRIMA As modalidades de distância longa e algumas mistas utilizam armas em suas ações de ataque e defesa, como é o caso do Kendo, do Kung Fu, do Krav-Maga e da Esgrima, que estudaremos de forma breve e conheceremos algumas possibilidades de trabalho. O uso da espada era a principal arma das civilizações antes do surgimento da arma de fogo, e os bons esgrimistas eram os melhores soldados, fatos de grande importância na história da humanidade. A esgrima é a arte de luta com armas brancas, armas de corte, há relatos da prática da esgrima como forma de exercício desde 1.170 a.C. e chegou ao Brasil introduzida por Dom Pedro II nas escolas em 1906 (RIBEIRO; CAMPOS, 2007). 156 A Esgrima é esporte olímpico desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos em 1986 em Atenas na Grécia até hoje, e passou por várias transformações ao longo do tempo. A principal transformação sofrida pela esgrima foi a introdução da tecnologia nos combates, as espadas têm sensores que detectam o contato com o adversário sinalizando a arbitragem, telespectadores e atletas a marcação do ponto, o que deixa o esporte caro, porém bastante atrativo. Como a esgrima em sua forma de competição oficial é praticamente inviável pelo número reduzido de pessoas que praticam a modalidade e pelo custo do material, as sugestões de prática são as de construção das espadas com jornais ou flutuadores de piscina, assim como utilizar as regras básicas da modalidade, mas também variar com a utilização de diferentes jogos de espadas da modalidade Sword Play. Fica como sugestão de atividade prática às aulas de educação física escolar o material da proposta curricular do estado de São Paulo e alguns vídeos e sites disponíveis na internet, mas a criatividade e estudo do professor talvez seja a principal ferramenta para a construção do conhecimento na escola. 12.2 ENCERRANDO A UNIDADE Ao concluir as unidades, por fim, estudamos os diferentes métodos de ensino das lutas e artes marciais, tanto nas escolas, quanto nas academias e se observa a necessidade de realizarmos um ensino mais significativo, crítico e reflexivo, que permita aos alunos as vivências das diferentes classificações de lutas (domínio e agarre, percussão, lutas mistas, lutas que utilizam artes), assim como tenham condições de compreender o fenômeno luta na sociedade em suas diferentes perspectivas. 157 Podemos observar também que existem inúmeras dificuldades para a aplicação deste conteúdo nas aulas de educação física escolar, no entanto, é um conteúdo base dos conhecimentos de nossa área de estudo, portanto, de direito garantido aos nossos alunos pelos documentos que regem as diretrizes no ensino da educação física na escola. Além do mais, tivemos várias de sugestões e possibilidades para que apresentemos estes conhecimentos em nossas aulas, por meio de atividades lúdicas e recreativas, utilizando materiais alternativos e propostas de problematização destes conteúdos em sala de aula, vencendo todos e quaisquer obstáculos que sejam postos no caminho da educação e formação de nossos jovens. 158 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (FUMARC – 2018) Sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada em dezembro de 2017 pelo Ministério da Educação, NÃO é correto afirmar: Alternativas a) A contribuição mais significativa da BNCC é o de substituir os currículos das disciplinas escolares das redes públicas federal, estaduais e municipais, na medida em que determina o que deve ser ensinado em cada escola. b) Determina os conhecimentos e as competências que os estudantes devem desenvolver ao longo da escolaridade, sendo orientada por princípios éticos, políticos e estéticos. c) Fruto de amplo debate com diferentes atores do campo educacional e com a sociedade brasileira, a BNCC tem o propósito de contribuir com construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. d) Trata-se de um documento de referência, de caráter normativo, que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos brasileiros devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. e) Uma das finalidades da BNCC é contribuir com a superaçãoda fragmentação das políticas educacionais, com o fortalecimento do regime de colaboração entre as três esferas de governo. 2. (FUMARC – 2018) A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece um problema histórico relacionado com o ensino da Educação Física no Brasil. Trata- se da dificuldade em estabelecer uma progressão no ensino dos temas que compõem o universo de conhecimentos que a disciplina deve ensinar nas escolas, ou seja, a BNCC propõe uma maneira de tratar dessa questão ao longo da trajetória escolar. Assinale a alternativa que apresenta corretamente essa proposta. Alternativas 159 a) As dimensões do conhecimento que representam níveis distintos de complexidade na relação com as unidades temáticas estão definidas. b) A decisão sobre o que ensinar em cada unidade temática, em cada ano da escolarização, fica por conta de cada professor. c) Cada vez que um professor voltar a um conteúdo, deverá avaliar sua turma para decidir se vai introduzir, retomar ou aprofundar o conhecimento. d) Os conteúdos a serem ensinados em cada unidade temática pela Educação Física são definidos rigidamente a cada ano da trajetória escolar. e) Os níveis de aprofundamento que devem ser observados ao se ensinar uma unidade temática em cada ciclo escolar são determinados. 3. (AOCP, 2017) De acordo com a Resolução CNE/CP nº 2/2-17, o termo competência envolve a) conceitos, procedimentos, atitudes e valores. b) conceitos e procedimentos, práticas cognitivas e socioemocionais, atitudes e valores. c) práticas cognitivas e socioemocionais, atitudes e valores. d) a mobilização de conhecimentos e habilidades para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho. e) práticas atitudinais e consequenciais apenas das lutas. 4. (PCI - SC, 2015) Sobre o caratê é correto afirmar: I. O praticante do caratê é chamado de carateca. II. Atitudes positivas e autodisciplina são importantes na prática do caratê. III. O método de combate dessa arte marcial baseia-se em posições iniciais de equilíbrio, que dão origem aos golpes, que podem ser socos ou chutes no adversário. A respiração deve ser controlada e é comum, no momento do golpe, que o praticante solte uns gritos especiais. a) Somente I e II estão corretas. b) Somente I e III estão corretas. c) Somente I está correta. 160 d) Somente II e III estão corretas. e) Todas estão corretas. 5. (AOCP, 2017) A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a qual foi aprovada no fim do ano de 2017, tem como objetivo a organização do currículo escolar a partir da Educação Infantil até o Ensino Médio. Esse documento possui vários conceitos que irão orientar o trabalho do professor em sala de aula. Dentre esses conceitos, qual recebe um maior enfoque? a) Atitudes. b) Valores. c) Habilidades. d) Conhecimento. e) Competência. 6. (AOCP, 2017) A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) possui caráter prescritivo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Sabendo disso, é correto afirmar que a Base é um documento de caráter a) normativo. b) restritivo. c) moderador. d) estrutural. e) legislativo. 7. (AOCP, 2017) A Base Nacional Comum Curricular aborda seis pontos relacionados ao direito a aprendizagem das crianças, os quais são fundamentais para o bom desenvolvimento delas no decorrer do processo de ensino-aprendizado. Um desses pontos discorre a respeito da importância de se ter contato com adultos, crianças, grandes e pequenos grupos, utilizando diversos tipos de linguagens, podendo dessa forma ampliar seu contato com relação a novas culturas e diferentes pessoas. A qual critério esse posicionamento se refere? 161 a) Trabalhar. b) Conviver. c) Participar. d) Brincar. e) Expressar. 8. (IDECAN, 2018) A BNCC visa a definir os conhecimentos que considera essenciais que os estudantes tenham acesso e se apropriem, desde o ingresso na Educação Infantil até o final do Ensino Médio. Com essa BNCC, os estudantes das diferentes regiões do país terão os mesmos direitos de aprendizagem. Acerca desse tema, seguem-se as afirmativas abaixo: I. Em 1998, a BCNN foi lançada composta por três volumes. É um documento que aponta metas de qualidade que levam à criança ao desenvolvimento integral e à formação da cidadania. Serve como um guia educacional, com objetivos, conteúdos e orientações didáticas. Apresenta a divisão organizada por idade para as crianças de zero a três anos e de três a seis anos. II. A BNCC é um documento plural, contemporâneo, e estabelece com clareza o conjunto de aprendizagens essenciais e indispensáveis a que todos os estudantes, crianças, jovens e adultos, têm direito. Com ela, redes de ensino e instituições escolares públicas e particulares passam a ter uma referência nacional obrigatória para a elaboração ou adequação de seus currículos e propostas pedagógicas. III. Grande parte das políticas educacionais no Brasil é formulada não em benefício da população em geral, mas em função das demandas econômicas, das influências externas e muitas também de acordo com os interesses do Estado, baseado nas avaliações em larga escala que acontecem em diferentes níveis de ensino. Assinale a) se todas as afirmativas estiverem corretas. b) se somete as afirmativas I e II estiverem corretas. 162 c) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. d) se somente a afirmativa I estiver correta. e) se somente a afirmativa II estiver correta. 163 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 01 UNIDADE 02 QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 A QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 C QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 B UNIDADE 03 UNIDADE 04 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 E QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 E QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 D QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 C QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 B QUESTÃO 8 E UNIDADE 05 UNIDADE 06 QUESTÃO 1 A QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 E QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 A QUESTÃO 3 C QUESTÃO 4 B QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 E QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 B QUESTÃO 6 E QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 E UNIDADE 07 UNIDADE 08 QUESTÃO 1 E QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 D QUESTÃO 6 D 164 QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 A QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 D UNIDADE 09 UNIDADE 10 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 B QUESTÃO 3 E QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 B QUESTÃO 5 C QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 D QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 C UNIDADE 11 UNIDADE 12 QUESTÃO 1 D QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 2 A QUESTÃO 3 D QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 B QUESTÃO 4 E QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 B QUESTÃO 7 B QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 C 165 REFERÊNCIAS ARAÚJO, D. 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