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<p>(</p><p>FACAM</p><p>–</p><p>FACULDADE</p><p>DO</p><p>MARANHÃO</p><p>SOMAR</p><p>SOCIEDADE</p><p>MARANHENSE</p><p>DE</p><p>ENSINO</p><p>SUPERIOR</p><p>LTDA</p><p>CNPJ</p><p>04.855.275/0001-68</p><p>GRADUAÇÃO</p><p>–</p><p>PÓS-GRADUAÇÃO</p><p>–</p><p>ENSINO</p><p>A</p><p>DISTÂNCIA</p><p>)</p><p>(</p><p>Rua 38 número 03 – Bequimão – São Luís (MA)</p><p>Fone</p><p>(98)</p><p>3227-1238</p><p>/</p><p>3227</p><p>– 7912</p><p>/ 3227</p><p>–</p><p>8916</p><p>Site:</p><p>www.facam-ma.com.br</p><p>E-mail:</p><p>faleconosco@facam-ma.com.br</p><p>)</p><p>FACULDADE DO MARANHÃO</p><p>CURSO DE BACHARELADO EM ENFERMAGEM</p><p>CLECIANE BARROSO DE SOUSA</p><p>ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PARTO HUMANIZADO</p><p>Colinas - MA</p><p>2024</p><p>CLECIANE BARROSO DE SOUSA</p><p>ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PARTO HUMANIZADO</p><p>Artigo apresentado ao Curso de Enfermagem da Faculdade do Maranhão como requisito parcial para obtenção do grau em Bacharelado.</p><p>Aprovado em: ____/____/_____</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>_______________________________________</p><p>Orientador(a)</p><p>_______________________________________</p><p>1º Examinador(a)</p><p>________________________________________</p><p>2º Examinador(a)</p><p>ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO PARTO HUMANIZADO1</p><p>CLECIANE BARROSO DE SOUSA2</p><p>NOME DO ORIENTADOR³</p><p>RESUMO</p><p>O parto, por sua vez, é considerado um processo de transição e marca a fase final da gravidez e o nascimento do bebê. É considerado, também, um processo caracterizado por uma combinação de fenômenos mecânicos e fisiológicos que levam à expulsão do feto e seus apêndices do corpo materno. é importante que a enfermeira compreenda todos os mecanismos envolvidos no trabalho de parto e se adapte ao processo para que possa ajudar a parturiente a reduzir o estresse do trabalho de parto. Dessa forma, o objetivo do estudo é o objetivo do estudo é descrever o que é o parto humanizado, além de citar a importância da atuação do enfermeiro durante o parto humanizado. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura o qual realizou a busca através das bases de dados da biblioteca virtual em saúde (BVS), Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Onlie (sciELO), sendo utilizados três Descritores em Ciências da Saúde (DECS): “Assistência de Enfermagem”, “Parto Humanizado” e “Enfermeiro” com o operador booleano “AND”. Contabilizou 12 artigos que serviram para responder o objetivo. Dessa forma, o trabalho foi dividido em: história do parto, assistência ao parto humanizado e a atuação do enfermeiro e suas dificuldades na implementação do parto humanizado. Por meio deste estudo, tornou-se evidente o papel importante do enfermeiro que atua para proporcionar um parto sem o uso de intervenções cirúrgicas desnecessárias, priorizando o bem-estar tanto da mãe quanto do bebê, evitando a mortalidade materna e infantil.</p><p>Palavras-chave: Parto; Humanização; Enfermeiro.</p><p>ABSTRACT</p><p>Childbirth, in turn, is considered a transitional process and marks the final stage of pregnancy and the birth of the baby. It is also considered a process characterized by a combination of mechanical and physiological phenomena that lead to the expulsion of the fetus and its appendages from the maternal body. it is important that the nurse understands all the mechanisms involved in labor and adapts to the process so that she can help the parturient to reduce the stress of labor. Thus, the objective of the study is to describe what humanized childbirth is, in addition to mentioning the importance of the nurse's role during humanized childbirth. This is an integrative literature review which carried out the search through the databases of the Virtual Health Library (VHL), Google Scholar and Scientific Electronic Library Onlie (sciELO), using three Descriptors in Health Sciences (DECS): “Nursing Assistance”, “Humanized Childbirth” and “Nurse” with the Boolean operator “AND”. It counted 12 articles that served to answer the objective. Thus, the work was divided into: history of childbirth, humanized childbirth care and the role of nurses and their</p><p>1 Artigo científico apresentado ao Curso de Direito da Faculdade do Maranhão para obtenção parcial do grau de bacharel em Enfermagem.</p><p>2 Graduando do Curso de Enfermagem da Faculdade do Maranhão. Email:</p><p>³ Professor da Faculdade do Maranhão e Mestre em Ciências da Educação</p><p>difficulties in implementing humanized childbirth. Through this study, it became evident the important role of the nurse who acts to provide a delivery without the use of unnecessary surgical interventions, prioritizing the well-being of both the mother and the baby, avoiding maternal and infant mortality.</p><p>Keywords: Childbirth; Humanization; Nurse.</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Segundo o Conselho Regional de enfermagem (COFEN), nº 477/2013 e 379/2015, o enfermeiro possui autonomia para assistência integral às gestantes, parturientes, puérperas e recém-nascidos. Sendo assim a assistência ao parto e nascimento de baixo risco que se mantenha dentro dos limites da normalidade pode ser realizada tanto por médico obstetra quanto por enfermeiro obstetra e obstetriz. Desta forma, é recomendado que os gestores de saúde proporcionem condições para a implementação de modelo de assistência que inclua o enfermeiro obstetra e obstetrizes na assistência ao parto de baixo risco por apresentar vantagens em relação à redução de intervenções e maior satisfação das mulheres.</p><p>O parto, por sua vez, é considerado um processo de transição e marca a fase final da gravidez e o nascimento do bebê. É considerado, também, um processo caracterizado por uma combinação de fenômenos mecânicos e fisiológicos que levam à expulsão do feto e seus apêndices do corpo materno. Vale dizer que pode acontecer de três formas: cesariana, parto normal, parto natural / humanizado. Nesse sentido, a modalidade de parto humanizado é considerada adequada para melhorar o atendimento à gestante e ao bebê pelo simples fato de facilitar o parto e o vínculo entre a mãe e o recém-nascido (FERREIRA et al., 2019).</p><p>Por sua vez, é importante que a enfermeira compreenda todos os mecanismos envolvidos no trabalho de parto e se adapte ao processo para que possa ajudar a parturiente a reduzir o estresse do trabalho de parto. É relevante lembrar que existem várias maneiras de melhorar o nascimento do seu bebê, como na utilização de musicoterapia, bolas de fisioterapia, mergulho e outras formas de aliviar as crises álgicas durante o parto (CORDEIRO et al., 2018).</p><p>Durante a assistência ao parto, é importante que a mulher receba todas as informações necessárias para que não haja dúvidas sobre o parto, além de ser informada da alimentação, deambulação, contrações e escolha do parceiro durante o trabalho de parto (FERREIRA et al., 2019). Elas têm o direito de ter alguém que as acompanhem e se sintam mais seguras (CARDOSO et al., 2020).</p><p>A cooperação do companheiro no momento do parto é fundamental, tendo em vista que a presença pode proporcionar suporte emocional à gestante. Vale lembrar que o processo de humanização do parto vai além de operar ou não, mas tornar a mulher protagonista desse momento, dando-lhe autonomia para escolher os métodos de tomada de decisão. Este método de parto visa usar o mínimo de tecnologia possível para se adequar à fisiologia do corpo feminino (NASCIMENTO; SILVA; LIMA, 2018).</p><p>Essa pesquisa justifica-se, pois, faz se necessário refletir qual o papel do enfermeiro na assistência humanizada durante o processo de parturição. Mediante análise dos argumentos apresentados, a justificativa para realização do presente trabalho baseia-se desejo de abordar o tema assistência de enfermagem no parto humanizado, demonstrar todo o processo da enfermagem para obter um parto menos doloroso, aconchegante e seguro.</p><p>A importância desta pesquisa se reflete em como funciona a assistência de enfermagem no parto humanizado. É relevante porque destaca os benefícios que o parto humanizado oferece à mãe e ao bebê, além de elucidar o papel do enfermeiro nesse processo. Dessa forma, o objetivo do estudo é descrever o que é o parto humanizado, além de citar a importância da atuação do enfermeiro durante o parto humanizado.</p><p>Trata-se de uma revisão integrativa de literatura a respeito da importância da atuação do enfermeiro na assistência ao parto</p><p>humanizado. Mendes; Silveira; Galvão (2008), destacam que este é um método de pesquisa sistemático e rigoroso realizado em etapas, sendo estas: a elaboração da pergunta norteadora do estudo; logo após é desenvolvida a busca e seleção de material já publicado; realiza-se a extração dos dados considerados importantes e avaliação crítica dos estudos incluídos na revisão integrativa; por fim é realizada a síntese dos resultados. O material que será utilizado nesta pesquisa foi identificado nas bases de dados Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), Periódicos CAPES, Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (PUBMED) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF).</p><p>2 DESENVOLVIMENTO DO TEMA</p><p>2.1 HISTÓRIA DO PARTO: UM BREVE TRAÇADO HISTÓRICO</p><p>Na antiguidade os partos, tradicionalmente, eram realizados por mulheres conhecidas, na época, por “aparadeiras, comadres ou parteiras leigas". Os partos aconteciam em domicílio e as parteiras acompanhavam os gestantes durante toda a gestação, parto e pós-parto, cuidando também da saúde das mulheres de maneira geral e dos recém-nascidos. Tratava-se de aparadeiras mulatas, brancas ou portuguesas, e eram de total confiança da população feminina da época (BRENES, 1991).</p><p>Tais costumes perduraram até o século XX, na década de 40, quando os partos passaram a ser realizado em hospitais, tal fato contribuiu para a redução de mortalidade materna e perinatal. Todavia, esse acontecimento trouxe consigo críticas e incertezas, pois a partir desse ato o parto passou a ser medicalizado e deixou de ser um processo natural e familiar para se tornar público, além de ser retirado da gestante o protagonismo do seu processo parturitivo (MOURA et al., 2007).</p><p>Foi somente na década de 80 que se intensificaram as contestações para as mudanças na assistência ao parto, quando surgiu no Brasil o movimento chamado de “humanização do parto”. Essa proposta de humanização foi levada adiante e debatidas em grandes conferências internacionais, em que foi reconhecido o parto como um evento normal e natural, comprovando que não existiam fundamentos para existirem taxas de cesáreas que chegavam a até 15%. Salientando assim a importância do parto normal (vaginal) descartando intercorrências desnecessárias que oferecem riscos para a mãe e o bebê (NICIDA et al., 2020).</p><p>A atuação da enfermagem no parto normal, teve início em 1986, por meio da implementação da Lei nº 7.498/86 pelo Congresso Nacional que estabeleceu o enfermeiro obstétrico e suas competências a assistência à gestante, dentre elas observarem o parto e a parturiente, além de, se necessário, a aplicação de anestésico local. A fim de valorizar a enfermagem, no ano de 1999 foram criadas casas de parto normal (CPN), onde eram oferecidos serviços humanizados para as parturientes de baixo risco, tendo enfermeiros qualificados como responsáveis para uma melhor assistência (ALMEIDA; GAMA; BAHIANA, 2015).</p><p>No Brasil, no ano de 2003 foi implementada a Política Nacional de Humanização (PNH), também conhecida como HumanizaSUS no qual estabeleceu se novas formas de cuidado e organização (BRASIL, 2013). A Lei n° 11.108, de 07 de abril de 2005 em seu Art. 19 estabeleceu que todos os serviços de saúde do SUS eram obrigados a permitir a presença de um acompanhante, durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Vale salientar que este acompanhante deve ser indicado pela própria parturiente (BRASIL, 2005).</p><p>Anos depois, por meio da Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011 foi instituída no âmbito do SUS a Rede Cegonha cujo objetivo geral foi implementar um novo modelo de atenção à saúde, tanto da parturiente quanto do bebê, seguindo como diretrizes: a garantia do acolhimento, da vinculação da gestante à uma maternidade, bem como a atenção à saúde da criança desde o momento do nascimento até os 24 meses de idade, dentre outros (BRASIL, 2011).</p><p>Em 2017, o MS publicou as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, que trata de práticas científicas atualizadas sobre a assistência ao parto, e aos cuidados a mulher e o recém-nascido. Estas diretrizes objetivam ainda incentivar o parto normal, reduzindo as intervenções desnecessárias e os agravos decorrentes dessas intervenções (BRASIL, 2017).</p><p>Diante disso, observa-se que cada vez mais as organizações de saúde vêm buscando estratégias que visem incentivar a adoção do parto normal e da atuação dos enfermeiros obstetras, além de conscientizar a população sobre a importância das práticas saudáveis (BAGGIO et al., 2021; SILVA et al., 2021).</p><p>Vieira et al. (2019), complementa que a realização das boas práticas de cuidado no parto humanizado é fundamental, pois esta objetiva tornar essa experiência mais confortável, além de tentar reduzir o tempo do período do parto, além de tornar essa experiência mais positiva para a parturiente.</p><p>Essa assistência de enfermagem pendura até os dias atuais, ganhando cada vez mais visibilidade, apesar de ainda existirem poucos enfermeiros obstetras.</p><p>2.2 ASSISTÊNCIAS AO PARTO HUMANIZADO</p><p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o parto humanizado é um conjunto de práticas que coloca a mulher como protagonista do seu momento, visando o contato e interação mãe e bebê. Dando o poder sobre seu corpo e escolha de como ter seu bebê em conforto e sem o clima frio e hospitalar cirúrgico. A experiência do parto normal sempre representou um evento muito importante na vida de uma mulher, pois é um momento único, especial e de muita ansiedade marcado por transformações (VELHO et al., 2012).</p><p>Segundo autores, o parto humanizado preconiza respeitar a vontade da mulher em ter um acompanhante de sua escolha durante o trabalho de parto, monitorar o bem-estar físico e emocional, durante todo o processo de atendimento, responder as informações e explicações solicitadas, permitir que a mulher caminhe durante o período de dilatação até adotar a posição que deseja no momento de expulsão, bem como orientar e oferecer métodos de alívio da dor durante o trabalho de parto, por meio de massagens, banho morno e outras técnicas de relaxamento, permitindo o contato pele a pele entre mãe e criança e o início do aleitamento materno imediatamente após o nascimento. O enfermeiro deve utilizar procedimentos e monitorar a evolução do parto pelo partograma, oferecendo alojamento conjunto de modo a estimular o aleitamento materno (VELHO et al., 2012; ALMEIDA; GAMA; BAHIANA, 2015).</p><p>Por meio do parto humanizado é possível também promover uma relação horizontal entre a parturiente e os profissionais de saúde, promovendo bem-estar e liberdade de escolha. Além disso, por meio deste passa a ser valorizado cada vez mais o protagonismo da mulher, compartilhando os saberes, ressaltando os direitos que esta tem, principalmente neste momento único que a mesma vivencia (BONFIM et al., 2021).</p><p>Quanto aos direitos da mulher, ela deve estar acompanhada durante o trabalho de parto e o parto, por alguém de sua escolha. Deve também conhecer a identidade do profissional, ser informada pelos profissionais a respeito dos procedimentos que serão realizados com ela e com seu filho, receber líquidos e alimentos durante o trabalho de parto sem excessos, caminhar e fazer movimentos durante o trabalho de parto, receber massagens ou outras técnicas relaxantes, tomar banhos mornos, adotar a posição que desejar na hora da expulsão, receber o recém-nascido na hora de amamentar, imediatamente após o parto, ser chamada pelo nome (NASCIMENTO et al., 2018).</p><p>Por meio disso, o Conselho Regional de Enfermagem (COREN) (2009), pontua que o parto humanizado precisa ser de forma abrangente e leva em conta fatores fisiológicos, sociais, culturais e emocionais. O parto é um momento ímpar na vida da mulher e quando não acontece de forma humanizada tem consequências dolorosas para a parturiente. Sendo assim, essa assistência deve envolver procedimentos livres de erros que proporcione bem-estar à parturiente e seu filho, desde o acolhimento da mulher</p><p>e seus familiares, até o momento do parto e pós-parto.</p><p>Neste sentido, o parto humanizado dá autonomia à parturiente, e a faz protagonista do próprio parto, recebendo toda orientação e apoio emocional, fortalecendo o seu poder de decisão para escolher procedimentos importantes para o seu momento de parto. Esse método de parto tem como propósito usar o mínimo de tecnologia possível, para assim obedecer à fisiologia do corpo da mulher (NASCIMENTO et al., 2018).</p><p>A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda ainda que procedimentos como tricotomias, episiotomias, enemas, cateterismos venosos, jejum, ruptura precoce de membranas e monitorização eletrônica fetal não sejam feitos rotineiramente, pois são considerados como danosos ou ineficazes (MAIA, 2020; POSSATI et al., 2017).</p><p>2.3 ATUAÇÕES DO ENFERMEIRO AO PARTO HUMANIZADO</p><p>Segundo estudos, atuação do enfermeiro ao parto humanizado é indispensável, pois sua participação nesse processo no contato com a parturiente oferece segurança e qualidade nas práticas desenvolvidas (SILVA; TAMIRES, 2020; MATOS; SANTOS; SANTANA, 2020). Corroborando com isso, Olivera et al (2021) diz que a assistência humanizada ao parto faz com que os enfermeiros respeitem os aspectos da fisiológicos da mulher, sem utilizar de intervenções desnecessárias, levando em conta os aspectos sociais e culturais do parto e nascimento, oferecendo suporte emocional tanto para a mulher, quanto para sua família, garantindo os direitos.</p><p>Conforme Vieira et al. (2016), o enfermeiro obstetra tem um papel muito importante durante a assistência à mulher, pois ele deverá explicar e estimular o contato prematuro entre mãe e recém-nascido, proporcionando o vínculo materno, além de ser um ato que incentiva ao aleitamento. O enfermeiro deve entender o quão importante é a utilização do método sistemático e dispor de práticas no uso e preenchimento do partograma, pois é fundamental para os profissionais que desejam ter um desempenho eficiente, humanizado, confiante e assertivo à parturição.</p><p>Perante a isso, devem-se adotar práticas baseadas em evidências científicas como oferta de métodos não farmacológicos de alívio da dor, liberdade de posição no parto, preservação da integridade perineal do momento da expulsão do feto, contato pele a pele mãe recém-nascido, apoio ao aleitamento logo após o nascimento, entre outras, bem como o respeito às especificidades étnico-culturais da mulher e de sua família (COFEN, 2021; VELHO et al., 2012; ALMEIDA; GAMA; BAHIANA, 2015).</p><p>Para Melo et al. (2013) os profissionais de saúde precisam atribuir a postura de educadores que dividem entendimento e saberes procurando devolver à mulher sua liberdade e segurança para apreciar a gestação, o parto e puerpério, levando em conta o pré-natal e nascimento como período único e especial.</p><p>Esse momento é primordial para a saúde da mulher, pois possibilita o conhecimento do seu aspecto fisiológico, o qual contribui para o seu conforto no trabalho de parto, pois o processo de humanização do parto começa no pré natal, parto estendendo-se até o pós-parto, onde se começa as orientações e o respeito às decisões da gestante sempre visando o bem-estar da gestante, do feto e sua família (SILVA; TAMIRES, 2021).</p><p>Nesse contexto, Fialho (2008) propõe a relevância do respeito à parturiente e seus familiares, buscando chamar a mulher pelo nome, autorizar que ela reconheça cada profissional, comunicá-la acerca de diferentes ações as quais será exposta, oferecer um ambiente limpo, receptivo, agradável e calmo, responder a algumas indecisões, acalmá-la em suas ansiedades.</p><p>O enfermeiro deve ser capacitado a respeitar as clientelas e seus familiares, entender os extremos da fisiologia do corpo no decorrer do procedimento normal do parto e ser capaz de enfrentar os riscos, ter entendimento científico para reconhecer os prováveis problemas e ter a vulnerabilidade para atuar no instante correto dos casos de interferências (MATTOS; VANDENBERGHE; MARTINS, 2014).</p><p>Portanto, o enfermeiro obstetra contribui para o parto natural humanizado, possuindo uma importante função no parto, pois ele é quem acompanha a grávida no período da parição, orienta as parturientes no que diz respeito aos métodos a serem realizados e proporciona cuidados que produzem vínculo afetuoso de toda a família, respeitando as necessidades tanto físicas quanto sentimentais.</p><p>Segundo as Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, mulheres em trabalho de parto devem ser tratadas com respeito, ter acesso às informações baseadas em evidências e serem incluídas na tomada de decisões. Para isso, os profissionais que as atendem deverão estabelecer uma relação de confiança com as mesmas, perguntando-lhes sobre seus desejos e expectativas. Devendo também os mesmos estarem conscientes da importância de sua atitude, do tom de voz e das próprias palavras usadas, bem como a forma como os cuidados são prestados, utilizando -se de uma nova visão e uma nova linguagem. A humanização consiste em proporcionar à parturiente por meio do cuidado, uma passagem de um momento emocional para outro, com segurança, equilíbrio e harmonia. (BONFIM et al., 2021).</p><p>A enfermagem atua oportunizando a puérpera, durante o parto, maior conforto e segurança, sempre com um olhar atencioso e ativo. A criação de laço afetivo com a paciente é essencial para compreender as suas necessidades e saber quais as medidas a serem realizadas. O acompanhamento humanizado durante o período do parto e indispensável para a parturiente um profissional com respeito, apoio, solidariedade, incentivo e orientação, uma prestação sem qualquer dano e com mínimas intervenções. O enfermeiro deve estar atento as queixas e outras manifestações que possam indicar alguma irregularidade, assim como, ir orientando a gestante sobre a evolução da dilatação e do trabalho de parto, ensinando condutas a serem tomadas, como as técnicas respiratórias a cada contração e relaxamento nos intervalos. (MARQUES, 2006).</p><p>Associado as práticas já mencionadas Barbosa et al. (2020), destaca que devem ser estimuladas durante o trabalho de parto a oferta de líquidos por via oral, além de fornecer apoio empático por toda equipe ligada a parturiente. Deve-se ainda respeitar às escolhas da mulher, desde a pessoa que irá lhe acompanhar nesse processo, até o esclarecimento das dúvidas e fornecimento de informações que vinherem a surgir, assim como garantir a autonomia destas com relação a posição e o movimento a ser realizado no momento do parto.</p><p>No que se refere a participação do acompanhante, recomenda-se que este participe desde as primeiras consultas do pré-natal, passando segurança e apoio a mulher nesse período. Dentre as funções exercidas pelo acompanhante no momento do parto, podemos destacar: o auxílio a parturiente, acalmando-a, encorajando, dando apoio etc. (BAGGIO et al., 2021).</p><p>A inserção deste profissional na assistência obstétrica determina uma das técnicas que simplificam a elaboração de um atendimento mais humanizado e, por conseguinte, livre de intercorrências apontadas como irrelevantes, produzindo dessa forma uma maior independência da mulher relacionada ao parto (SILVA; MENDONÇA, 2021).</p><p>A incorporação ativa de enfermeiros obstetras, obstetrizes, educadores perinatais, psicólogos, doulas, entre outros, na equipe assistencial deve ser promovida, proporcionado uma assistência integral, de acordo com as necessidades da mulher e de sua família. Dessa forma, as potencialidades de cada membro da equipe podem ser utilizadas plenamente, de acordo com suas capacidades técnica e legal, em benefício da mulher e da criança. Com tudo isso, é fácil constatar claramente a gratificação das mulheres pelos enfermeiros ao final do trabalho de parto.</p><p>O enfermeiro deve refletir sobre a sua atuação no parto humanizado, focando na capacitação e na inclusão de boas práticas, proporcionando assim uma assistência qualificada. Há relatos que as ações realizadas pelo enfermeiro são adequadas para o processo de humanização do parto. É evidente que as impressões das parturientes frente</p><p>ao desempenho da enfermagem refletem em resultados positivos. Os enfermeiros têm uma apreciação positiva dada pelas parturientes, com relação a assistência prestada. O enfermeiro como cuidador direto tem grandes desafios para a efetivação desta visão holística por parte da equipe envolvida neste momento importante na vida da mulher. (BONFIM et al., 2021).</p><p>Entender e empregar as boas práticas de assistência vem proporcionar ao processo de parturição uma assistência, com um número reduzido de intervenções, auxiliando no estímulo, respeito e na segurança do binômio mãe-filho na diminuição da morbimortalidade materna e neonatal. Os enfermeiros têm conhecimento científico sobre as práticas de humanização do parto, sobre proporcionar autonomia e empoderamento, trazendo segurança à parturiente, reduzindo seus medos e anseios e sensações físicas. Portanto, é determinante a participação dos enfermeiros obstétricos na assistência ao processo do trabalho de parto, assegurando que essas práticas sejam empregadas e respeitadas.</p><p>3 CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Por meio deste estudo foi possível constatar que a atuação do enfermeiro durante o parto humanizado é fundamental e de grande importância, pois preconiza maior atuação do profissional enfermeiro (a) na orientação, cuidado e autoestima da parturiente, dando total segurança e autonomia para a mesma.</p><p>A transição da obstetrícia tradicional para a obstetrícia humanizada beneficia tanto as mulheres quanto os profissionais da saúde. Vale o cuidado de ver nos olhos do paciente o quanto sua ajuda causou impacto positivo e satisfatório. Mas, ao mesmo tempo, há impasses e resistências de todas as direções. Não se deve permitir que a eficácia das enfermeiras de maternidade que têm competência legal para exercer suas funções e promover a saúde da mulher durante a gravidez, o parto e o puerpério impeça a eficácia dessa assistência.</p><p>É inegável que humanizar os serviços públicos de saúde é uma proposta de valorização e autonomia para tornar-se cada vez mais eficaz na prestação de cuidados de saúde de melhor qualidade para os usuários e melhores condições de trabalho para os profissionais.</p><p>Portanto, neste caso, há um valor essencial em proporcionar às mulheres grávidas uma melhor qualidade de atendimento e condições de trabalho dos profissionais envolvidos. Trata-se de entender que a humanização deve contemplar uma nova cultura institucional capaz de estabelecer padrões de relacionamento ético entre gestores e demais profissionais de saúde.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ALMEIDA, O. S. C.; GAMA, E. R.; BAHIANA, P. M. HUMANIZAÇÃO DO PARTO: A ATUAÇÃO DOS ENFERMEIROS. Revista Enfermagem Contemporânea, [S. l.], v. 4, n. 1, 2015. DOI: 10.17267/2317 3378rec.v4i1.456.</p><p>BAGGIO, M. A.; PEREIRA, F. C.; CHEFFER, M. H.; MACHINESKI, G. G.; REIS, A. C. E. Significados e experiências de mulheres que vivenciaram o parto humanizado hospitalar assistido por enfermeira obstétrica. Revista Baiana de Enfermagem, [S.l.], v. 35, 2021.</p><p>BARBOSA, I. S.; PEREIRA, A. M. M.; COSTA, N.; DANTAS, S. L. C.; LIMA, D. J. M.; PAIVA, A. M. G. Percepção do enfermeiro da atenção primária acerca do parto humanizado. Enfermagem em foco, [S.l.], v. 11, n. 6, p. 35-41, 2020.</p><p>BONFIM, A. N. A.; COUTO, T. M.; LIMA, K. T. R. S.; ALMEIDA, L. T. S.; SANTOS, G. O.; SANTANA, A. T. Percepções de mulheres sobre a assistência de enfermagem durante o parto normal. Revista Baiana de Enfermagem, [S.l.], 2021.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resumida [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017.</p><p>BRASIL. LEI Nº 12.864, de 24 de Setembro de 2013. Altera o caput do art. 3o da Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, incluindo a atividade física como fator determinante e condicionante da saúde. Brasília, 24 de setembro de 2013; 192o da Independência e 125o da República.</p><p>_________. Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde a Rede Cegonha. Gabinete do Ministro, Brasília, 2011.</p><p>__________. Lei nº 11.108, de 7 de abril de 2005. Altera a Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS.</p><p>BRENES, A. C. História da Parturição no Brasil, Século XIX. 7ª ed. Rio de Janeiro: Cadernos de Saúde Pública, 1991. p. 135.</p><p>CARDOSO, C. D. et al. A importância do parto humanizado: uma revisão bibliográfica. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 41, p. e2442, 28 fev. 2020.</p><p>CORDEIRO, L. E et al. humanização na assistência ao parto e ao nascimento. Revista de Enfermagem, UFPE, Recife. n 18, v. 12, p. 1-9, 12 ago. 2018.</p><p>COREN. Parto natural e Parto normal. Revista Enfermagem, São Paulo. 52p.</p><p>COFEN. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 516/2016. Dispõe sobre a atuação e a responsabilidade do Enfermeiro, Enfermeiro Obstetra e Obstetriz na assistência às gestantes. Conselho Federal de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2016.</p><p>Conselho federal de enfermagem (COFEN). (2015). nº 477/2013 e 379/2015. Brasil.</p><p>FERREIRA, C. M. et al. Percepções de profissionais de enfermagem sobre humanização do parto em ambiente hospitalar. Portal de Revistas de enfermagem, Fortaleza, v. 20, e41409, 2019.</p><p>FIALHO, T. C. O papel do enfermeiro no parto humanizado. 2008. 38 p. Monografia (Enfermagem)- Educação Avançada Ltda, Mato Grosso, 2008.</p><p>MAIA, M. B. Humanização do parto: política pública, comportamento organizacional e ethos profissional (on-line). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2010. 189 p.</p><p>MATTOS, D. V.; VANDENBERGHE, L.; MARTINS, C. A. Motivação de enfermeiros obstetras para o parto domiciliar planejado. Rev. Enferm. UFPE online, Recife, v. 8, n. 4, p. 951-959, abr. 2014.</p><p>MATOS, A. V.; SANTO, D.; SANTANA, V. C. Assistência do Enfermeiro no parto humanizado: uma revisão integrativa. Trabalho de conclusão de Curso (Bacharel em enfermagem). 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