Prévia do material em texto
<p>05Aula</p><p>Os gêneros e as tipologias</p><p>textuais: o que são?</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao término desta aula, vocês serão capazes de:</p><p>• analisar e identificar os aspectos constituintes dos gêneros textuais a partir dos tipos textuais;</p><p>• utilizar, adequadamente, os gêneros textuais nas situações que exigirem a sua produção;</p><p>• identificar, analiticamente, os diversos textos que são produzidos no meio social de forma crítica e reflexiva.</p><p>Nesta aula, estudaremos sobre os gêneros textuais e as tipologias</p><p>textuais a fim que reconheçam nos diversos textos que circulam no</p><p>meio social como foram constituídos. Assim, estarão mais preparados</p><p>para produzi-los, interpreta-los e analisa-los. Lembrem-se: esta aula</p><p>foi preparada para que vocês não encontrem grandes dificuldades.</p><p>Contudo, podem surgir dúvidas no decorrer dos estudos e, neste caso,</p><p>anotem, acessem a plataforma e utilizem as ferramentas “Quadro</p><p>de Avisos” ou “Fórum” para interagir com seus colegas de curso ou</p><p>com seu tutor. A participação de vocês é muito importante e estamos</p><p>preparadas para ensinar e aprender com seus avanços. Ah, é importante</p><p>ainda que leia e posicione-se criticamente em relação aos objetivos de</p><p>aprendizagem e as Seções de estudo da Aula 05.</p><p>Bons estudos!</p><p>Linguagem e Argumentação 36</p><p>1 - Definição de gêneros textuais e tipos textuais</p><p>2 - Refletindo sobre a tipologia textual</p><p>1- Definição de gêneros textuais e</p><p>tipos textuais</p><p>Os inúmeros textos existentes nos meios sociais são</p><p>distinguidos como gêneros textuais, cuja lista de exemplos</p><p>é imensa e infinita, mas podemos identificar estes gêneros a</p><p>partir de sua funcionalidade. Isso porque cada texto produzido</p><p>cumpre uma função social que pode ser relatar, narrar,</p><p>argumentar, expor, descrever ações ou instruir/prescrever</p><p>ações.</p><p>Köche, Boff e Marinello (2014) esclarecem que</p><p>Na vida diária, a interação social ocorre por</p><p>meio de gêneros textuais específicos que o</p><p>usuário utiliza, disponíveis num acervo de</p><p>textos constituído ao longo da história pela</p><p>prática social, e não simplesmente por meio</p><p>de tipologias textuais, como a narração, a</p><p>descrição ou dissertação. A escolha do gênero</p><p>textual depende da intenção do sujeito e</p><p>da situação sociocomunicativa em que está</p><p>inserido: quem ele é, para quem escreve, com</p><p>que finalidade e em que contexto histórico</p><p>ocorre a comunicação (KÖCHE; BOFF e</p><p>MARINELLO, 2014, p. 11).</p><p>O estudo dos tipos textuais é também importante para</p><p>que saibamos como são constituídas as sequências narrativas,</p><p>descritivas, dissertativas dentro dos gêneros textuais. Pense,</p><p>por exemplo, em uma dissertação escolar (gênero textual).</p><p>Esse texto não é composto apenas de tipologia dissertativa,</p><p>pois há momentos em que o autor deverá descrever dados/</p><p>informações para compor a argumentatividade do texto. Então,</p><p>teremos mais de uma tipologia compondo o referido gênero</p><p>textual. É evidente, pois, que o texto é predominantemente</p><p>dissertativo.</p><p>Você deve estar pensando: como diferencio gênero de tipo textual?</p><p>Vamos caminhar mais um pouquinho e entenderá.</p><p>A principal ideia adotada para a distinção de um tipo diz</p><p>respeito à construção da sequência textual em que ocorre a</p><p>presença de algumas marcas linguísticas, como flexão do verbo</p><p>em modo e tempo e emprego de adjetivos. Esses recursos</p><p>ocorrem, com maior frequência, em determinado tipo e,</p><p>com menor frequência, em outro. Como afirma Marcuschi</p><p>(2002, p.27) “(...) entre as características básicas dos tipos textuais está</p><p>o fato de eles serem definidos por seus traços linguísticos predominantes”.</p><p>Algumas dessas referidas marcas são comumente utilizadas</p><p>em determinados textos, nos quais o recebedor consegue</p><p>Seções de estudo</p><p>ativar seus conhecimentos prévios a ponto de identificá-las</p><p>como pertencendo a um tipo ou outro.</p><p>É importante salientar que enquanto alguns autores</p><p>consideram os tipos textuais como sendo apenas três, outros</p><p>autores como as autoras como Köche, Boff, Marinello (2014)</p><p>admitem o grupo de tipos textuais são composto por: narração,</p><p>descrição, injunção, dissertação, predição, explicação e dialogal.</p><p>Quanto aos gêneros textuais, Marcuschi (2002, p. 23)</p><p>aponta alguns dos inúmeros gêneros existentes no cotidiano</p><p>social como: telefonema, bilhete, carta pessoal, lista de</p><p>compras, inquérito policial, piada, edital de concurso, entre</p><p>outros. Além disso, o mesmo autor faz uma breve definição</p><p>das duas noções:</p><p>a) Usamos a expressão tipo textual para designar</p><p>uma espécie de sequência teoricamente</p><p>definida pela natureza linguística de sua</p><p>composição {aspectos lexicais, sintáticos,</p><p>tempos verbais, relações lógicas}. (...)</p><p>b) Usamos a expressão gênero textual como</p><p>uma noção propositalmente vaga para referir</p><p>os textos materializados que encontramos em</p><p>nossa vida diária e que apresentam características</p><p>sócio-comunicativas definidas por conteúdos,</p><p>propriedades funcionais, estilo e composição</p><p>característica.</p><p>Considerando as definições expostas, para que entenda</p><p>de maneira mais clara como se dá a relação entre gêneros</p><p>e tipos textuais, observe a explicação abaixo acerca do</p><p>agrupamento de gêneros textuais proposta por Schneuwly,</p><p>Dolz e colaboradores (2004).</p><p>Agrupamento dos gêneros textuais:</p><p>a) Relatar: volta-se à documentação e memorização de</p><p>ações humanas. Mostra experiências vividas, situadas</p><p>no tempo (relato, notícia, diário, reportagem, crônica</p><p>esportiva, biografia etc.).</p><p>b) Narrar: representa uma recriação do real. Isso pode</p><p>ser visualizado na literatura ficcional (conto, conto</p><p>fantástico, conto maravilhoso, romance, fábula,</p><p>apólogo etc.).</p><p>c) Argumentar: diz respeito à discussão de problemas</p><p>controversos. O que se busca é a sustentação de uma</p><p>opinião ou sua refutação, tomando uma posição</p><p>(debate, editorial, carta argumentativa, artigo de</p><p>opinião, discurso de defesa, carta do leitor, etc.).</p><p>d) Expor: refere-se à argumentação e construção de</p><p>diferentes formas dos saberes (texto explicativo,</p><p>artigo científico, verbete, seminário, palestra,</p><p>entrevista de especialista etc.).</p><p>e) Descrever ações ou instruir/prescrever ações:</p><p>diz respeito às normas que devem ser seguidas para</p><p>atingir algum objetivo (instruções e prescrições).</p><p>Indica a regulação mútua de comportamentos</p><p>(receita, manual de instruções, regulamento, regras</p><p>de jogo etc.). (KÖCHE; BOFF e MARINELLO,</p><p>2014, p.13).</p><p>E, então, depois de conhecer as definições de gêneros e</p><p>tipos textuais, vamos conhecer cada uma das tipologias?</p><p>37</p><p>2- Refletindo sobre a tipologia textual</p><p>2.1 Tipo narrativo</p><p>O texto narrativo diz respeito ao ato de narrar um fato,</p><p>um acontecimento tido como verdadeiro ou fictício. Para</p><p>conceituar um dado texto como sendo uma narração, esse</p><p>tem de obedecer a alguns requisitos característicos de sua</p><p>estruturação: os elementos da narrativa.</p><p>Nesse sentido, Köche, Boff e Marinello (2014)</p><p>apresentam o seguinte esquema narrativo:</p><p>a) situação inicial ou apresentação: há uma situação</p><p>estável;</p><p>b) complicação: provocada por uma força</p><p>perturbadora, que instaura um desequilíbrio;</p><p>c) clímax: é o auge da narrativa, que vai determinar o</p><p>final;</p><p>d) desfecho: retorna o equilíbrio.</p><p>O exemplo seguinte é de um texto com predominância</p><p>de tipologia narrativa. Quanto ao gênero textual trata-se de</p><p>um conto. Leia-o e tente identificar as partes do esquema</p><p>narrativo:</p><p>A volta do guerreiro</p><p>Os homens que voltaram da guerra traziam feridas e pesadelos.</p><p>Encontraram suas amadas indiferentes. Passara tanto tempo que</p><p>algumas nem se lembravam deles, e muitas tinham estabelecido</p><p>novos amores.</p><p>Uma, entretanto, permaneceu lembrada e fiel, e atirou-se com fúria</p><p>passional aos braços do ex-guerreiro. Ele a repeliu, dizendo:</p><p>― Não quero mais ver a guerra diante de mim.</p><p>― Eu não sou a guerra, sou o amor, querido ― respondeu-lhe a</p><p>mulher, assustada.</p><p>― Você é a imagem da guerra, você me agarrou como o inimigo na</p><p>luta corpo a corpo, eu não quero saber de você.</p><p>― Então farei carícias lentas e suaves.</p><p>O inimigo também passa a mão de leve pelo corpo do soldado caído,</p><p>para tirar o que houver no uniforme.</p><p>― Ficarei quieta, não farei nada.</p><p>― Não fazer nada é a atitude mais suspeita e mais perigosa do</p><p>inimigo, que nos observa para nos atacar à traição.</p><p>Separaram-se para sempre.</p><p>Carlos Drummond de Andrade. In Contos Plausíveis.José Olympio, 1985.</p><p>Primordialmente, a narração tem de apresentar o</p><p>narrador da história; essa peça fundamental do jogo narrativo</p><p>pode apresentar-se de duas maneiras: se o foco de visão</p><p>exterior ocorrer em terceira pessoa do discurso, então o</p><p>narrador será tido como narrador-observador, mas se o</p><p>narrador desempenhar a função de personagem da história,</p><p>será tido como narrador-personagem enunciado em primeira</p><p>pessoa do discurso.</p><p>Outro elemento de suma importância para o texto</p><p>narrativo, tanto quanto o narrador, é o personagem, que</p><p>desempenha funções distintas e pode ser nomeado como</p><p>sendo protagonista, antagonista ou personagem secundário. A</p><p>atuação desse elemento ocorre mediante o desencadeamento</p><p>de fatos na sequência narrativa, obedecendo ao tempo, ao</p><p>ambiente e ao lugar.</p><p>Às vezes, a mensagem do texto narrativo aparece</p><p>explicitamente, em outros momentos sua captação exige do</p><p>leitor /ouvinte maior atenção para que, enfim, possa perceber</p><p>o que está sendo transmitido.</p><p>2.2 Tipo descritivo</p><p>O texto descritivo tem como propósito principal</p><p>caracterizar um lugar, um objeto, uma pessoa ou um</p><p>acontecimento. Tal procedimento ocorre, essencialmente, pelo</p><p>uso indispensável dos adjetivos que retratam e especificam o</p><p>que afinal está sendo descrito. Köche, Boff e Marinello (2014,</p><p>p. 21) explicam que essa tipologia “é constituída de forma</p><p>concreta, estática, sem progressão temporal”. Segundo as</p><p>autoras, como a palavra assume grande força na descrição,</p><p>a escolha lexical (vocabulário) precisa ser bem pensada. Tais</p><p>características podem ser observadas no exemplo a seguir, o</p><p>qual se trata de um conto. O texto em questão apresenta o</p><p>tipo descritivo em sua estrutura de composição.</p><p>Mel</p><p>Mel é um produto doce, fluido, de cor dourada escura, produzida</p><p>por vários tipos de abelhas a partir do néctar das flores ou de</p><p>outras secreções vegetais. As plantas das quais o néctar é coletado</p><p>determinam o sabor e a cor do mel: da acácia, da tília e do trevo</p><p>produz-se um mel claro e doce; da laranjeira, do rosmaninho e da</p><p>alfazema, um mel com perfume característico; e das regiões de</p><p>floresta, um mel geralmente escuro.</p><p>O néctar se transforma em mel pela inversão de sua sacarose em</p><p>levulose (frutose) e dextrose (glicose) e pela remoção da umidade</p><p>excessiva. O mel é armazenado na colmeia em favos que são camadas</p><p>duplas de células hexagonais feitas de certa secretada pelas abelhas</p><p>operárias. No inverno, o mel serve como alimento para as larvas e</p><p>outros membros da colônia.</p><p>(MEL. In: NOVA Enciclopédia Barsa. 6. Ed. São Paulo: Barsa Planeta</p><p>Internacional, 2002. V.9, p. 416-417).</p><p>O verbete “mel” caracteriza-se por mostrar as</p><p>características e propriedades do produto, para tanto, usa</p><p>vários atributos: um produto doce, de cor douradas, fluido</p><p>etc.</p><p>2.3 Tipo argumentativo/ dissertativo</p><p>O texto argumentativo é caracterizado pelo ato de</p><p>defender ou atacar uma ideia, um ponto de vista ou uma</p><p>dúvida sobre dado assunto. Abreu (2003, p. 25) enfatiza</p><p>que essa ação ocorre por meio da mediaç��o de dois outros</p><p>processos, pois “argumentar é arte de convencer e persuadir”. Segundo</p><p>o autor, convencer está relacionado à informatividade que</p><p>o enunciador deve ter para que consiga provar o que está</p><p>dizendo. Nessa sequência, a ação de persuadir refere-se ao</p><p>bom relacionamento que o produtor do discurso deve ter</p><p>junto ao seu público. A ação de argumentar exige, em relação</p><p>Linguagem e Argumentação 38</p><p>às informações, a exploração de argumentos consistentes</p><p>baseados em dados e fatos que acabam por concretizar</p><p>determinado ponto de vista, sendo esse pró ou contra.</p><p>A estrutura do texto argumentativo é constituída de</p><p>sequências de argumentos que apresentam sempre proposição</p><p>de causa e efeito. Esse recurso tem função interpelativa,</p><p>pois explicita o ponto de vista do enunciador e também as</p><p>consequências apresentadas por meio dos argumentos.</p><p>É importante salientar que o desencadeamento dos</p><p>argumentos requer a organização adequada do enunciado</p><p>apresentado ao longo do texto; assim, a argumentação deve</p><p>apresentar, a princípio, o tema a ser discutido, seguido do</p><p>posicionamento crítico do enunciador, o qual aponta uma</p><p>ideia favorável ou contrária, mas tudo isso baseado em dados</p><p>concretos que envolvam o recebedor a ponto de convencê-lo</p><p>pela precisão dos argumentos.</p><p>Considerando esse tipo de texto como sendo composto</p><p>por elementos reais e não imaginários, o autor trabalha a</p><p>verdade dos fatos, os quais são analisados pelo produtor do</p><p>discurso, de maneira defensiva e crítica; é essencial que haja a</p><p>impessoalidade do autor, caso o tipo textual dissertativo esteja</p><p>compondo o gênero Dissertação (redações do vestibular)</p><p>devendo esse evitar o uso de expressões “eu acho”, “eu</p><p>penso” ou até mesmo “meu ponto de vista é...”. Porém,</p><p>se os argumentos pertencentes à construção da tese forem</p><p>baseados em fonte tão consistente a ponto do produtor do</p><p>discurso conseguir desenvolvê-los de forma adequada, então,</p><p>é permitido o uso da 1ª pessoa do discurso, sem que esse seja</p><p>um procedimento incoerente.</p><p>Além disso, esse aspecto é relativo, haja vista que outros</p><p>gêneros que apresentam em sua estrutura de composição a</p><p>dissertação permitem que se mostre a pessoalidade no texto,</p><p>como o artigo de opinião. Isso porque cada gênero possui</p><p>características próprias que o definem e o classificam.</p><p>Outro exemplo de gênero textual que apresenta</p><p>dissertação de forma mais parcial é o editorial. Esse gênero</p><p>de texto traz em sua composição o posicionamento de</p><p>determinado veículo de comunicação que, por sua vez, não</p><p>tem compromisso com a imparcialidade ou objetividade.</p><p>Veja a seguir um exemplo de texto de tipologia</p><p>dissertativa:</p><p>Deserto de livros</p><p>Desgraçadamente, o brasileiro quase não lê. Segundo o Anuário</p><p>Editorial Brasileiro, existe no país uma livraria para cada 84,4 mil</p><p>habitantes. A vizinha Argentina tem uma para cada 6.200. O brasileiro</p><p>adquire em média 2,5 livros por ano, aí incluídos os didáticos, que são</p><p>distribuídos pelo governo a alunos da rede pública. O francês compra</p><p>mais de sete livros por ano.</p><p>E ler é muito mais do que tomar conhecimento de um texto qualquer.</p><p>Ler é participar de uma das mais extraordinárias invenções de</p><p>todos os tempos: os sistemas de escrita. Embora a maioria deles se</p><p>relacione com o idioma, são diferentes deste. Enquanto a língua é</p><p>um atributo humano universal, que pode ser aprendida por crianças</p><p>sem a exigência de instrução formal, a escrita é uma tecnologia. Ela</p><p>surgiu milênios depois dos idiomas e precisa ser ensinada de geração</p><p>a geração. Como o arco e a flecha, foi inventada várias vezes em</p><p>diferentes lugares e tempos.</p><p>O sistema mais antigo é provavelmente o cuneiforme sumério</p><p>(3.300 a.C.) seguido de perto pelo hieroglífico egípcio (3.100 a.C.). No</p><p>início, essas escritas eram bastante concretas. O desenho de um boi</p><p>designava este animal. Era grande a dificuldade para grafar ideias</p><p>abstratas e nomes próprios, para os quais não existem símbolos</p><p>evidentes. O obstáculo é superado quando os sinais passam a</p><p>representar sons, e não mais objetos. Surgem assim os alfabetos.</p><p>Em que pese alguma controvérsia acadêmica, é razoável indicar</p><p>como primeiro alfabeto o fenício, que surgiu no segundo milênio</p><p>a.C. O fenício desenvolveu elementos que já existiam nos hieróglifos</p><p>e na escrita cuneiforme, mas os radicalizou. Os “desenhos”</p><p>deixaram de significar o que retratavam para indicar apenas sons.</p><p>A partir daí tudo o que pode ser dito pode ser também escrito.</p><p>Quase todos os alfabetos do mundo -o que inclui as escritas latina,</p><p>grega, russa, hebraica, árabe e muitas outras- são desenvolvimentos</p><p>desse sistema original. É difícil conceber uma invenção mais prolífica.</p><p>Dos primórdios até hoje, as grandes</p><p>mudanças no que diz respeito</p><p>à escrita foram externas ao sistema. Mesmo a grande revolução, a</p><p>da imprensa, com Gutenberg (c. 1398-1468), não alterou a escrita,</p><p>apenas permitiu a reprodução rápida e em grande escala de textos.</p><p>Em poucas décadas houve enormes consequências religiosas,</p><p>políticas e sociais, como a Reforma. Com o passar dos séculos, surgiu</p><p>a opinião pública e ampliou-se o acesso à educação. O salto científico</p><p>do século 19 é impensável sem a escrita e sem a circulação de textos.</p><p>A atual revolução digital também parece fadada a preservar a escrita</p><p>como existe há dois milênios.</p><p>Para participar ativamente do mundo moderno, é preciso domínio da</p><p>leitura. O saber e a tecnologia se reproduzem e avançam por meio</p><p>de pessoas que pensam e estão aptas a comunicar suas ideias pela</p><p>escrita. É fundamental encontrar formas de fazer as novas gerações</p><p>lerem mais. Sem intimidade dos jovens com o texto escrito, o futuro</p><p>do país não será dos mais brilhantes.</p><p>Fonte: Folha de São Paulo, 4 mar. 2001. Disponível em: https://www1.folha.uol.</p><p>com.br/fsp/opiniao/fz0403200102.htm Acesso em: 01 jun. 2019.</p><p>2.4 Tipo injuntivo</p><p>Esse tipo textual tem como objetivo levar o interlocutor</p><p>a praticar uma ação, por isso, normalmente, predomina o uso</p><p>dos verbos no modo imperativo, indicando ordem, pedido</p><p>etc. Nem sempre aparece de maneira clara na sequência</p><p>textual, ou seja, pode aparecer de forma implícita. Köche,</p><p>Boff e Marinello (2014, p. 23) esclarecem que “a injunção,</p><p>segundo Travaglia, tem por finalidade incitar à realização de</p><p>uma situação, requerendo-a ou desejando-a, ensinando ou</p><p>não como realiza-la. Constitui-sesobretudo no discurso do</p><p>fazer (ações) e do acontecer (fatos, fenômenos)”.</p><p>Veja a seguir um exemplo de texto instrucional com</p><p>tipologia injuntiva:</p><p>JOGO DE DAMAS</p><p>Instruções de jogo</p><p>Participantes: dois jogadores por partida</p><p>Material: 1 tabuleiro de forma quadrada, dividido em 64</p><p>39</p><p>quadrados, alternadamente claros e escuros;</p><p>12 pedras brancas;</p><p>12 pedras pretas.</p><p>Objetivo</p><p>Capturar todas as pedras do adversário.</p><p>Preparação</p><p>1. Posicione o tabuleiro entre você e seu concorrente,</p><p>de modo que uma casa escura fique à sua esquerda e</p><p>outra casa escura fique à esquerda de seu adversário.</p><p>2. Decida, através de sorteio, quem jogará com as</p><p>pedras pretas ou brancas.</p><p>3. Coloque as suas doze pedras sobre as casas escuras</p><p>das três fileiras mais próximas a você, pulando as</p><p>casas claras.</p><p>4. Oriente seu parceiro a também colocar suas doze</p><p>pedras nas casas escuras próximas a ele, de forma que</p><p>fiquem vazias as duas fileiras centrais do tabuleiro.</p><p>Desenvolvimento</p><p>1. Se você possuir as pedras brancas, inicie o jogo.</p><p>2. Desloque uma de suas pedras de uma casa escura</p><p>para outra, sempre para frente e na diagonal.</p><p>3. Passe a vez a se adversário para que ele faça o</p><p>mesmo.</p><p>4. Dê continuidade ao jogo: em ordem, você e seu</p><p>parceiro movimentar as pedras de casa escura em</p><p>casa escura, sempre para frente e na diagonal.</p><p>ATENÇÃO!</p><p>• Se, à frente de sua pedra, houver uma pedra do</p><p>adversário e, a seguir, uma casa vazia, salte por cima</p><p>da pedra do adversário, posicionando sua pedra na</p><p>casa vazia, e capture a pedra do adversário.</p><p>• Sempre que você puder capturar uma pedra do seu</p><p>adversário, deverá fazê-lo.</p><p>• Quando você for capturar as pedras do adversário</p><p>é possível movimentar suas pedras para frente ou</p><p>para trás.</p><p>CUIDADO!</p><p>• Ao movimentar uma pedra, fique atento para não</p><p>criar condições para a captura de uma de suas pedras</p><p>pelo adversário.</p><p>IMPORTANTE!</p><p>• Se houver condições, você deve capturar mais</p><p>de uma pedra de seu adversário em uma única</p><p>jogada. Lembre-se de que, na captura, você pode</p><p>movimentar sua pedra também para trás.</p><p>• Durante a captura de várias pedras de seu adversário</p><p>numa mesma jogada, não é permitido saltas as</p><p>próprias pedras.</p><p>• Quando uma pedra chegar à última fileira do tabuleiro</p><p>oposta a você ou a seu adversário, ela se tornará</p><p>uma DAMA. Caso isso ocorra, pegue uma pedra</p><p>sobressalente da mesma cor que as suas e coloque</p><p>sobre a pedra que você estava movimentando, a fim</p><p>de transformá-la em DAMA.</p><p>• Com a DAMA você pode percorrer várias casas</p><p>de uma só vez numa mesma diagonal, tanto para</p><p>frente como para trás, e ir para a casa que desejar,</p><p>capturando, ao passar, as pedras ou as damas de seu</p><p>companheiro.</p><p>• Se você estiver movimentando a DAMA e houver</p><p>outras pedras adversárias em outras diagonais,</p><p>percorra essas diagonais e capture as pedras numa</p><p>única jogada.</p><p>Observações</p><p>• É permitido deslocar damas e pedras simples</p><p>somente em diagonal e sobre as casas escuras.</p><p>• Cada jogador pode ter diversas damas.</p><p>• Pedras simples podem capturar damas.</p><p>Condições de vitória e empate</p><p>• É considerado VENCEDOR do jogo o participante</p><p>que capturar todas as pedras de seu adversário.</p><p>• Haverá empate quando:</p><p>a) Após 20 lances sucessivos de damas, não houver</p><p>captura ou deslocamento de pedras simples;</p><p>b) Restar no tabuleiro 2 damas contra 2 damas; 2</p><p>damas contra 1 dama; 2 damas contra 1 dama e 1</p><p>pedra simples; 1 dama contra 1 dama; 1 dama contra</p><p>1 dama e 1 pedra simples; e, após, 5 lances, não</p><p>houver captura.</p><p>Disponível em: KÖCHE, Vanilda Salton. Estudo e produção de textos: gêneros</p><p>textuais do relatar, narrar e descrever. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.</p><p>Como pode observar a sequência das ações a serem</p><p>executadas estão diretamente apontadas para o interlocutor</p><p>que deverá seguir cada orientação dada para chegar ao</p><p>objetivo desejado.</p><p>2.5 Tipo explicativo</p><p>A explicação esclarece de maneira sistematizada e</p><p>organizada as informações já existentes sobre algo. Por</p><p>meio dessa sequência explicativa, é possível o leitor e/ou</p><p>ouvinte entender melhor as informações transmitidas. O</p><p>exemplo a seguir é um verbete extraído de um glossário de</p><p>termos técnico e ele apresenta uma explicação do conceito de</p><p>Sustentabilidade:</p><p>Sustentabilidade - o conceito de sustentabilidade</p><p>foi criado no começo da década de 80 (por Lester Brown,</p><p>fundador do Instituto Worldwatch) que definiu “sociedade</p><p>sustentável” como aquela que é capaz de satisfazer suas</p><p>necessidades sem comprometer as chances de sobrevivência</p><p>das gerações futuras. Podemos dizer que a sustentabilidade</p><p>está relacionada aos aspectos econômicos, sociais, culturais e</p><p>ambientais e que o equilíbrio de tudo isso depende das ações</p><p>humanas (Disponível em: http://www.arrudaconsult.com.</p><p>br/2013/03/dicionario-termos-tecnico-administracao.html.</p><p>Acesso em 20 de out. 2019).</p><p>Neste tipo textual pode-se perceber o uso de adjetivos,</p><p>advérbios, operadores argumentativos, repetições de alguns</p><p>trechos explicativos como forma de retomar o conceito</p><p>Linguagem e Argumentação 40</p><p>principal e inserir novas explicações, bem como comparações</p><p>relacionando o presente termo com outros.</p><p>Köche, Boff e Marinello (2014, p. 25) destacam que</p><p>os verbos usados são no presente do indicativo, visto que a</p><p>sequência explicativa “responde a uma questão da ordem do</p><p>saber”.</p><p>2.6 Tipo preditivo</p><p>Como o próprio nome indica, a predição indica um</p><p>acontecimento que está por vir, ou seja, acontecerá no</p><p>tempo posterior ao que está sendo anunciado. Essa tipologia</p><p>é encontrada em profecias, previsões climáticas, boletins</p><p>meteorológicos, horóscopos. O exemplo a seguir foi extraído</p><p>de uma matéria que tratava sobre aquecimento global.</p><p>Observe como a predição está presente neste gênero textual.</p><p>A Terra, mudanças profundas em 2050</p><p>[...] As temperaturas continuarão aumentando e, até 2050, a média</p><p>global será um ou dois graus mais alta do que a atual, dependendo da</p><p>quantidade de gases de efeito estufa emitida. “E isso é muito: há que</p><p>se levar em conta que o limite de dois graus de aumento foi fixado,</p><p>aproximadamente, desde a época pré-industrial, como o máximo a</p><p>não ser ultrapassado para evitar piores consequências, e em meados</p><p>do século estaremos bem próximos desses dois graus”, acrescenta</p><p>De Castro, professor de Física da Terra da Universidade de Castilla-La</p><p>Mancha (Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2014/05/20/</p><p>sociedad/1400604766_206368.html Acesso em: 29 out. 2019).</p><p>A predição é identificada no trecho em que há a</p><p>antecipação de acontecimentos no tempo futuro: as</p><p>temperaturas continuarão aumentando. A seguir, projeta-</p><p>se para o ano 2050 como referência de tempo para que os</p><p>acontecimentos sejam vivenciados.</p><p>2.7 Tipo dialogal</p><p>O tipo dialogal está presente em gêneros dialogais em</p><p>que há troca de turnos de fala, por isso, é imprescindível que</p><p>haja, ao menos, dois interlocutores para que a comunicação</p><p>aconteça. A tipologia dialogal não está presente, por exemplo,</p><p>em um monólogo em que o locutor conversa a só, sem</p><p>interagir com o outro. A sequência dialogal é observada em</p><p>diálogos, entrevistas e em outros gêneros textuais em que</p><p>há interlocução se faz presente de forma dialogada. Veja o</p><p>exemplo a seguir:</p><p>Revistapontocom – Temos o que comemorar no 37º ano de</p><p>celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente?</p><p>José Augusto Pádua – Sim. Houve um efetivo crescimento quantitativo</p><p>e qualitativo da consciência ecológica na sociedade global. Nas</p><p>últimas décadas, verificamos uma proliferação de esferas de debate</p><p>sobre o meio ambiente, tanto locais quanto regionais. Em paralelo,</p><p>houve uma considerável expansão no número de instituições</p><p>internacionais e nacionais voltadas para o tema, além de um avanço</p><p>notável na pesquisa científica. Por outro lado, intensificou-se o</p><p>sentimento de preservação ambiental na opinião pública, apesar de</p><p>algumas oscilações ao longo do tempo. Acho que todo este avanço,</p><p>na prática, mostrou que a questão ecológica não era e nem é uma</p><p>moda passageira, como muitos críticos afirmavam nos anos 70. Creio</p><p>que hoje a questão ecológica não pode mais ser vista como um</p><p>movimento social específico, mas, sim, como um amplo movimento</p><p>histórico. Trata-se, na verdade, de um aprendizado da humanidade</p><p>global sobre como sobreviver neste planeta. Também não podemos</p><p>deixar de comemorar o surgimento de formas inovadoras de</p><p>tecnologia e gestão, capazes de promover uma maior eficiência</p><p>energética e ecológica. Mas é claro que nem tudo são flores. O</p><p>aumento da consciência, infelizmente, não foi capaz de impedir um</p><p>aumento da degradação ambiental. Ainda vivemos uma contradição</p><p>entre a teoria e a prática.</p><p>Disponível em: http://revistapontocom.org.br/entrevistas/meio-ambiente-</p><p>pessimismo-para-dias-melhores Acesso em: 29 out. 2019.</p><p>A sequência dialogal foi possível, nesse caso, porque</p><p>houve a sequência pergunta e resposta. Caso a pergunta</p><p>tivesse ficado sem resposta, não poderíamos dizer que houve</p><p>a construção da sequência dialogal. Assim, finalizamos a nossa</p><p>aula sobre gêneros e tipos textuais. Esperamos que tenham</p><p>aprendido um pouco mais sobre produção textual.</p><p>Retomando a aula</p><p>Chegamos, assim, ao final da quinta aula. Espera-se</p><p>que nesta aula tenha compreendido e reconhecido</p><p>quais são os gêneros textuais que encontramos no</p><p>nosso dia a dia, bem como as tipologias textuais que</p><p>compõem esses gêneros. Vamos, então, recordar:</p><p>1 - Definição de gêneros textuais e tipos textuais</p><p>Os gêneros textuais são os diferentes textos que</p><p>encontramos no meio social e que cumprem uma função</p><p>sócio-comunicativa. No nosso dia a dia, sempre vamos</p><p>recorrer aos gêneros textuais para nos comunicarmos, assim,</p><p>usamos os gêneros que já existem construindo o nosso próprio</p><p>texto. No meio acadêmico, produzimos gêneros textuais que</p><p>circulam nesse meio como forma de divulgação de atividades</p><p>acadêmicas e científicas, tais como: resenha, resumo, relatório</p><p>técnico, exposição oral, artigo científico, etc.</p><p>2 - Refletindo sobre a tipologia textual</p><p>Nesta seção, estudamos sobre as tipologias textuais</p><p>que compõem os diversos gêneros textuais, os quais podem</p><p>apresentar mais de uma tipologia na sua estrutura, mas haverá</p><p>sempre uma ou outra que terá predominância.</p><p>Caso você tenha ficado com dúvidas sobre a Aula 1, poste suas</p><p>duvidas e ou perguntas nas ferramentas “fórum”,“quadro de avisos”</p><p>e/ou “chat” e interaja com seus colegas de curso e com seu tutor.</p><p>Afinal, você é o personagem principal de sua aprendizagem!</p><p>41</p><p>KÖCHE, Vanilda Salton Köche; BOFF, Odete Maria;</p><p>MARINELLO, Adiane Fogali Marinello. Leitura e produção</p><p>textual: gêneros textuais do argumentar e expor. São Paulo:</p><p>Vozes, 2014.</p><p>KÖCHE, Vanilda Salton Köche; BOFF, Odete Maria;</p><p>MARINELLO, Adiane Fogali Marinello. Estudo e produção</p><p>de textos: gêneros textuais do relatar, narrar e descrever. São</p><p>Paulo: Vozes, 2012.</p><p>Vale a pena ler</p><p>Caderno de Teoria e Prática - Leitura e Produção de</p><p>Texto. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/</p><p>pdf/praler/tp/tp3.pdf.</p><p>Vale a pena acessar</p><p>Filmes:</p><p>O fabuloso destino de Amélie Poulain</p><p>Vídeos:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=_wDIM2BRIIA</p><p>Vale a pena assistir</p><p>Vale a pena</p><p>Minhas anotações</p>