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<p>1. Introdução teórica</p><p>1.1. Malária: aspectos epidemiológicos</p><p>A malária é a doença parasitária de maior letalidade mundial. É causada por</p><p>diferentes espécies de protozoários pertencentes ao gênero Plasmodium, sendo que,</p><p>no Brasil, as espécies mais importantes são o Plasmodium vivax e o Plasmodium</p><p>falciparum, ambos causadores da febre terçã benigna, e o Plasmodium malariae,</p><p>causador da febre quartã (NEVES, 2010).</p><p>A região Norte concentra o maior número de casos da doença no Brasil (BRASIL,</p><p>2013). Em 2010, por exemplo, foram notificados 334 mil casos no território nacional,</p><p>sendo 99,7% na região amazônica (BRAZ; DUARTE; TAUIL, 2013).</p><p>São vários os fatores que contribuem para a alta incidência da malária na Amazônia</p><p>brasileira, incluindo os elementos físicos e biológicos do meio natural, a exposição dos</p><p>moradores da região às formas de contágio e a inabilidade em estabelecer políticas</p><p>públicas efetivas não só para promover o tratamento da doença, mas também para</p><p>diminuir sua transmissibilidade (BARBIERI, 2005; CONFALONIERI; 2005). Segundo</p><p>Braz, Duarte e Tauil (2013), a incidência da doença em 2010 foi próxima à observada</p><p>em 2002 (348.259 casos), mostrando que, em quase uma década, não houve redução</p><p>da transmissibilidade.</p><p>1.2. Transmissão e ciclo biológico do plasmódio</p><p>A malária é transmitida pela picada de fêmeas do mosquito Anopheles sp. infectadas</p><p>com o protozoário, por meio de transfusão de sangue contaminado e de acidentes</p><p>com agulhas ou lancetas contaminadas. Portanto, a prevenção da transmissão da</p><p>doença inclui o controle da população de mosquitos, a triagem do sangue doado e a</p><p>adoção de medidas de biossegurança (NEVES, 2010). Há, ainda, a possibilidade de</p><p>transmissão vertical, o que mostra a importância do diagnóstico precoce da doença e</p><p>do acompanhamento pré-natal, com o objetivo de evitar a anemia materna, o baixo</p><p>peso ao nascer, a ocorrência de partos prematuros e a malária congênita no recém-</p><p>nascido (SANTOS e ARAÚJO, 2011).</p><p>O ciclo biológico do plasmódio no hospedeiro humano está ilustrado na figura 1. São</p><p>reconhecidas duas etapas, denominadas esquizogonia pré-eritrocítica, assintomática e</p><p>restrita ao fígado, e ciclo eritrocítico, que ocorre quando os protozoários invadem as</p><p>hemácias, causam sua lise e originam os sintomas típicos da doença (picos de febre,</p><p>dores de cabeça, náuseas, hemorragias e fadiga) (NEVES, 2010).</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 1/11</p><p>Figura 1. Ciclo biológico do Plasmodium sp.</p><p>Disponível em <http://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html>. Acesso em 16 abr.</p><p>2014 (com adaptações).</p><p>1.3. Diagnóstico clínico e laboratorial</p><p>O diagnóstico clínico da malária baseia-se na observação da tríade clássica: febre,</p><p>calafrios e dor de cabeça. Esses sintomas são comuns em outras doenças, como, por</p><p>exemplo, na hepatite, na leptospirose e na febre amarela, o que torna imprescindível</p><p>o diagnóstico laboratorial para o manejo correto do paciente (AMARAL et al, 2003).</p><p>Mesmo em áreas endêmicas, a presença dos sintomas clássicos da malária</p><p>obrigatoriamente indica a solicitação de exame laboratorial confirmatório da infecção</p><p>(BRASIL, 2005).</p><p>O padrão-ouro para o diagnóstico laboratorial da malária é o exame microscópico de</p><p>gota espessa de sangue corado pela técnica de Giemsa ou de Walker, que objetiva</p><p>identificar os trofozoítos, os gametócitos e/ou os esquizontes do plasmódio presentes</p><p>no interior das hemácias, como apresentado na figura 2. Também pode ser realizado o</p><p>esfregaço sanguíneo corado pelo Giemsa, após fixação pelo álcool metílico. Devido às</p><p>suas características, o exame microscópico da gota espessa é utilizado no diagnóstico</p><p>inicial da malária; e o esfregaço, na confirmação do diagnóstico.</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 2/11</p><p>Figura 2. Morfologia das hemácias parasitadas com Plasmodium vivax, principal</p><p>agente etiológico da malária no território brasileiro e responsável por</p><p>aproximadamente 79% dos casos.</p><p>Fonte. BRASIL, 2005.</p><p>As duas técnicas citadas apresentam baixo custo, permitem identificar a espécie do</p><p>plasmódio e possibilitam quantificar a intensidade do parasitismo.</p><p>Entretanto, essas técnicas também apresentam algumas desvantagens, conforme</p><p>indicado na tabela 1 (BRASIL, 2005).</p><p>Tabela 1. Principais vantagens e desvantagens do método de gota espessa e do</p><p>esfregaço sanguíneo para o diagnóstico da malária.</p><p>Método Característica Vantagem Desvantagem</p><p>Gota</p><p>espessa</p><p>corada pela</p><p>técnica de</p><p>Walker</p><p>Maior quantidade</p><p>de sangue,</p><p>distribuído por</p><p>menor área da</p><p>lâmina.</p><p>A probabilidade de</p><p>encontrar hemácia</p><p>invadida pelo</p><p>plasmódio aumenta,</p><p>devido ao maior</p><p>número de células por</p><p>campo microscópico.</p><p>Não há.</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 3/11</p><p>A amostra de</p><p>sangue é</p><p>desemoglobinizada</p><p>pelo uso de</p><p>solução hipotônica</p><p>de azul de</p><p>metileno.</p><p>O processo de</p><p>coloração é mais</p><p>rápido, permitindo o</p><p>processamento de</p><p>grande número de</p><p>amostras.</p><p>Requer pessoal treinado</p><p>para a identificação do</p><p>parasito (a</p><p>desemoglobinização</p><p>altera a morfologia do</p><p>plasmódio); requer o</p><p>processamento rápido</p><p>da amostra, a fim de</p><p>evitar artefatos; o</p><p>processo de</p><p>desemoglobinização</p><p>pode levar à perda de</p><p>parasitos.</p><p>A distribuição dos</p><p>parasitos e dos</p><p>leucócitos ocorre</p><p>ao acaso em toda</p><p>a amostra.</p><p>É possível avaliar a</p><p>parasitemia</p><p>contando-se o</p><p>número de parasitos</p><p>em relação a</p><p>determinado número</p><p>de leucócitos.</p><p>Não há.</p><p>Esfregaço</p><p>corado pela</p><p>técnica de</p><p>Giemsa</p><p>A amostra é fixada</p><p>pelo uso de álcool</p><p>metílico.</p><p>A fixação das</p><p>hemácias permite</p><p>melhor estudo da</p><p>morfologia do</p><p>parasito; acarreta</p><p>menor perda de</p><p>parasitos; permite o</p><p>armazenamento da</p><p>lâmina e a</p><p>manutenção da</p><p>coloração original.</p><p>Não há.</p><p>As células</p><p>encontram-se</p><p>distribuídas em</p><p>uma única camada</p><p>pela lâmina.</p><p>Permite a</p><p>determinação</p><p>percentual da</p><p>parasitemia,</p><p>mediante contagem</p><p>de hemácias</p><p>parasitadas/100</p><p>hemácias.</p><p>A amostra ocupa grande</p><p>área da lâmina,</p><p>dificultando o encontro</p><p>de hemácias</p><p>parasitadas; não é</p><p>possível estabelecer</p><p>uma boa correlação</p><p>entre o número de</p><p>parasitos e o de</p><p>leucócitos.</p><p>Apesar do baixo custo das técnicas descritas, realizar o diagnóstico específico de</p><p>malária ainda é difícil em muitos locais, devido à dificuldade de acesso da população</p><p>aos centros de diagnóstico e à precariedade dos serviços de saúde, que não dispõem</p><p>de lâminas histológicas, reagentes, microscópios e pessoal devidamente treinado.</p><p>Nesses casos, testes imunoenzimáticos portáteis, que permitem a detecção rápida da</p><p>parasitose mesmo em regiões de difícil acesso, podem ser utilizados (BRASIL, 2005).</p><p>Entretanto, assim como nos exames microscópicos, os ensaios imunoenzimáticos não</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 4/11</p><p>são suficientemente sensíveis para detectar infecções em pacientes assintomáticos</p><p>com baixa carga parasitária.</p><p>Uma vez que a descoberta desses pacientes pode determinar a quebra da cadeia de</p><p>transmissão, o uso da reação em cadeia da polimerase (PCR), mais específica e</p><p>sensível que as demais técnicas citadas, é recomendado para a triagem de bolsas de</p><p>sangue e para a confirmação do resultado negativo obtido pelas outras técnicas. As</p><p>principais limitações residem no fato de a técnica apresentar alto custo e alta</p><p>complexidade (NUNES et al, 2012).</p><p>1.4. Detecção ativa e detecção passiva dos casos de malária</p><p>A coleta de sangue para realização do exame microscópico da gota espessa ou dos</p><p>ensaios imunoenzimáticos é realizada por punção digital, característica que faz com</p><p>que a coleta possa acontecer em qualquer localidade, não somente no posto de</p><p>saúde. Portanto, o diagnóstico da malária pode ser feito tanto por detecção passiva</p><p>(DP), quando o paciente procura a unidade</p><p>de saúde notificante para a coleta do</p><p>sangue, quanto por detecção ativa (DA), quando o agente de saúde visita o paciente</p><p>para que o sangue seja coletado (BRASIL, 2013; NUNES et al, 2012).</p><p>Dados do programa para o controle da malária no Brasil indicam que a DA é uma</p><p>importante ferramenta na detecção da enfermidade em áreas historicamente</p><p>endêmicas (BARCELLOS et al, 2009; COIMBRA et al, 2008), mesmo quando levamos</p><p>em conta o fato de a gota espessa, exame de eleição na rede pública brasileira, não</p><p>ser suficientemente sensível para detectar todos os casos de malária, especialmente</p><p>quando a parasitemia é baixa (COIMBRA et al, 2008).</p><p>Tanto a DP quanto a DA são realizadas em pacientes febris, candidatos a serem</p><p>portadores de malária sintomática (COURA et al, 2006). Como resultado, as infecções</p><p>assintomáticas continuam não sendo detectadas e tratadas. A detecção dos casos</p><p>assintomáticos, importantes focos de transmissão da malária que não são cobertos</p><p>pela DP e pela DA, pode ser feita por detecção ativa agressiva (DAA). Nesse modelo,</p><p>todos os membros de cada comunidade de risco são testados mensalmente. No Brasil,</p><p>a DAA vem sendo adotada desde 1996 e foi responsável pela redução de 23% do</p><p>número de casos (MACAULEY, 2005).</p><p>2. Indicações bibliográficas</p><p>• AMARAL, C. N.; ALBUQUERQUE, Y. D.; PINTO, A. Y.; SOUZA, J. M. A importância</p><p>do perfil clínico-laboratorial no diagnóstico diferencial entre malária e hepatite aguda</p><p>viral. J. Pediatr. (Rio J.) 79(5):429-434, 2003.</p><p>• BARBIERI, A. F.; SAWYER, D. O.; SOARES-FILHO, B. S. Population and land use</p><p>effects on malaria prevalence in the southern Brazilian Amazon. Human Ecology</p><p>33(6):847-874, 2005.</p><p>• BARCELLOS, C.; MONTEIRO, A. M. V.; CORVALÁN, C.; GURGEL, H. C.; SÁ</p><p>CARVALHO, M.; ARTAXO, P.; HACON, S.; RAGONI, V. Mudanças climáticas e</p><p>ambientais e as doenças infecciosas: cenários e incertezas para o Brasil.</p><p>Epidemiologia e Serviço de Saúde 18(3):285-304, 2009.</p><p>• BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de diagnóstico laboratorial da malária.</p><p>Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em</p><p><http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/malaria_diag_manual_final.pdf>.</p><p>Acesso em 02 mar. 2014.</p><p>• _________________________. Situação epidemiológica da malária no Brasil,</p><p>2000 a 2011. Boletim Epidemiológico 44(1):1-16, 2013.</p><p>• BRAZ, R. M.; DUARTE, E. C.; TAUIL, P. L. X. Caracterização das epidemias de</p><p>malária nos municípios da Amazônia Brasileira em 2010. Cad. Saúde Pública</p><p>29(5):935-944, 2013.</p><p>• COIMBRA, C. E. A.; SOUZA-SANTOS, R.; DE OLIVEIRA, M. V. G.; ESCOBAR, A. L.;</p><p>SANTOS, R. V. Spatial heterogeneity of malaria in Indian reserves of Southwestern</p><p>Amazonia, Brazil. International Journal of Health Geographics, 7:55-106, 2008.</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 5/11</p><p>• CONFALONIERI, U. E. C. Saúde na Amazônia: um modelo conceitual para a</p><p>análise de paisagens e doenças. Estud. Av. 19(53):9-30, 2005.</p><p>• COURA, J. R.; SUAREZ-MUTIS, M.; LADEIA-ANDRADE, S. A new challenge for</p><p>malaria control in Brazil: asymptomatic Plasmodium infection - a review. Mem Inst</p><p>Oswaldo Cruz 101:229–237, 2006.</p><p>• MACKAULEY, C. Aggressive active case detection: a malaria control strategy based</p><p>on the Brazilian model. Social Science & Medicine, 60:563-573, 2005.</p><p>• NEVES, D. P. Parasitologia humana. 11. ed. São Paulo: Atheneu, 2010.</p><p>• NUNES, M. S.; MORENO, M. CONN, J. E.; GAMBOA, D.; ABELES, S.; VINETZ, J.</p><p>M.; FERREIRA, M. U. Amazonian malaria: asymptomatic human reservoirs, diagnostic</p><p>challenges, environmentally driven changes in mosquito vector populations, and the</p><p>mandate for sustainable control strategies. Acta Trop. 121(3):281-91, 2012.</p><p>• SANTOS, R. C. S.; ARAÚJO, O. C. L. Malária na gestação. Estação Científica</p><p>(UNIFAP) Macapá 1(2):45-53, 2011.</p><p>1. Introdução teórica</p><p>Hanseníase: características clínicas e aspectos epidemiológicos</p><p>A hanseníase é uma doença granulomatosa crônica, de caráter infectocontagioso, que</p><p>apresenta alta infectividade, baixa patogenicidade, baixa letalidade e elevado</p><p>potencial incapacitante. É causada pelo Mycobacterium leprae, também conhecido</p><p>como bacilo de Hansen (BRASIL, 2008).</p><p>O M. leprae é um parasita intracelular obrigatório com afinidade por células da pele e</p><p>dos nervos periféricos, capaz de desencadear lesões cutâneas (manchas pigmentares</p><p>ou discrômicas, placas, infiltrações celulares com edema e vasodilatação e nódulos) e</p><p>perda de sensibilidade periférica. O comprometimento dos nervos periféricos está</p><p>relacionado ao potencial incapacitante da doença, uma vez que pode acarretar</p><p>deformidades físicas, que são facilmente evitáveis com o diagnóstico e o tratamento</p><p>precoces. Os sintomas da doença tendem a aparecer tardiamente – de cinco a dez</p><p>anos após a infecção, devido à baixa taxa de multiplicação do bacilo – ou até mesmo</p><p>nunca aparecer, dependendo de fatores como o perfil genético e imunológico do</p><p>indivíduo e a carga bacilar (BRASIL, 2002).</p><p>A hanseníase apresenta amplo espectro de manifestações clínicas, dependentes das</p><p>características imunológicas do paciente, de fatores ambientais e de características do</p><p>bacilo. Pacientes que apresentam a forma denominada tuberculoide desenvolvem</p><p>predominantemente a resposta imune celular (padrão Th1) contra a bactéria,</p><p>enquanto pacientes ditos virchowianos não a desenvolvem. Como resultado, os</p><p>primeiros apresentam manifestações clínicas restritas a poucas lesões, enquanto os</p><p>últimos apresentam múltiplas lesões e infiltrações na pele e nos nervos, decorrentes</p><p>da maior taxa de multiplicação bacteriana nos tecidos infectados. Além das formas</p><p>tuberculoide e virchowiana, formas intermediárias (hanseníase indeterminada e</p><p>hanseníase borderline ou dimorfa) também podem ser observadas (MENDONÇA et al,</p><p>2008).</p><p>A principal via de eliminação do bacilo é a via respiratória, sendo o homem</p><p>reconhecido como única fonte de infecção e como o único reservatório natural do</p><p>bacilo. Da mesma maneira, a principal via de entrada do microrganismo são as vias</p><p>aéreas superiores, sendo necessário, para isso, contato prolongado e direto com o</p><p>paciente não tratado, principalmente em ambientes fechados. Logo após o início do</p><p>tratamento quimioterápico, o portador da doença deixa de transmiti-la (BRASIL,</p><p>2008).</p><p>Quanto maior a carga bacilar, maior a probabilidade de transmissão da hanseníase</p><p>para outros indivíduos. Indivíduos paucibacilares apresentam resistência ao bacilo e,</p><p>portanto, abrigam pequeno número desses microrganismos, que são insuficientes</p><p>para infectar outras pessoas. Já os indivíduos multibacilares, que constituem a</p><p>minoria dos infectados, têm maior número de bacilos e são importantes fontes de</p><p>transmissão da doença (BRASIL, 2008).</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 6/11</p><p>No Brasil, a hanseníase é endêmica e considerada um problema de saúde pública,</p><p>uma vez que o país é responsável por cerca de 90% dos casos da doença no</p><p>continente americano (prevalência igual ou maior que um 1 caso/100.000 habitantes)</p><p>e o segundo maior país em número absoluto de casos da doença, ficando atrás</p><p>apenas da Índia (BARBIERI; MARQUES, 2009). Desde 2001, é uma das doenças de</p><p>notificação compulsória no país. Segundo dados do Sistema Informação de Agravos</p><p>de Notificação (Sinan), no primeiro semestre de 2014, foram diagnosticados 17.369</p><p>novos casos no território nacional. As regiões Centro-Oeste e Norte são as que</p><p>apresentam os maiores coeficientes de detecção da doença.</p><p>Fatores naturais, como o clima, o relevo e alguns tipos de vegetação e de</p><p>ecossistemas, favorecem a sobrevivência do bacilo. Sabe-se que o M. leprae pode</p><p>sobreviver por meses no solo, em temperaturas amenas e em condições favoráveis de</p><p>umidade. Além disso, fatores sociais, como as condições desfavoráveis de vida, a</p><p>pobreza, a desnutrição, a falta de higiene e os movimentos migratórios, também</p><p>contribuem para a disseminação</p><p>da doença (MAGALHÃES; ROJAS, 2007).</p><p>A hanseníase atinge principalmente adultos de ambos os sexos, mas é ligeiramente</p><p>mais prevalente em indivíduos do sexo masculino. Embora o contágio de crianças seja</p><p>raro – correspondendo, no Brasil, a 7 a 8% do total de casos –, os coeficientes de</p><p>detecção em crianças menores de 15 anos são maiores do que 2 casos para 100.000</p><p>habitantes nos estados do Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Roraima e Rondônia,</p><p>índices considerados elevados pela Organização Mundial de Saúde (BARBIERI;</p><p>MARQUES, 2009).</p><p>2. Indicações bibliográficas</p><p>• BARBIERI, C. L. A.; MARQUES, H. H. S. Hanseníase em crianças e adolescentes:</p><p>revisão bibliográfica e situação atual no Brasil. Pediatria 31(4): 281-290, 2009.</p><p>• BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de</p><p>Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. Brasília,</p><p>2008. Disponível em <http://szb.org.br/blog/conteudos/bibliografias/06-</p><p>veterinaria/doencas-infecciosas-e-parasitarias.pdf>. Acesso em 03 out. 2014.</p><p>• _______________________. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de</p><p>Atenção Básica. Guia para o Controle da hanseníase. Brasília, 2002. Disponível em</p><p><http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_controle_tuberculose.pdf>. Acesso</p><p>em 03 out. 2014.</p><p>• MAGALHÃES, M. C. C.; ROJAS, L. I. Diferenciação espacial da hanseníase no</p><p>Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde 16(2):75-84, 2007.</p><p>• MENDONÇA, V. A. et al. Imunologia da hanseníase. An. Bras. Dermatol.</p><p>83(4):343-350, 2008.</p><p>3. Introdução teórica</p><p>Lacaziose: características e diagnóstico</p><p>A lacaziose, também conhecida como doença de Jorge Lobo, é uma micose</p><p>cutânea/subcutânea, endêmica na região amazônica, causada pelo fungo Lacazia</p><p>loboi. Trata-se de uma doença granulomatosa crônica, incurável, de evolução lenta e</p><p>responsável pelo aparecimento de lesões nodulares, de aspecto queloidiano, na região</p><p>da face e dos membros dos indivíduos afetados. A infecção ocorre após a inoculação</p><p>do fungo em locais do corpo que sofreram algum tipo de lesão, incluindo pequenos</p><p>ferimentos causados por fragmentos vegetais ou por picadas de insetos (BRITO e</p><p>QUARESMA, 2007; FURTADO et al, 2013).</p><p>Até o momento, não é possível cultivar o Lacazia loboi em laboratório. Além disso, a</p><p>inoculação do fungo em animais de experimentação, como o camundongo e o</p><p>hamster, não mostrou resultados consistentes. Devido a essas limitações, a patogenia</p><p>da doença ainda não é totalmente conhecida (BRITO e QUARESMA, 2007). Sabe-se</p><p>que, após a infecção, macrófagos repletos de fungos em seu interior podem ser vistos</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 7/11</p><p>ao microscópio. Além disso, podem ser observadas formas livres no estrato córneo da</p><p>pele (figura 1).</p><p>A presença de lesões queloidianas, bem delimitadas, mais comumente encontradas na</p><p>região das orelhas ou dos membros superiores e/ou inferiores, é altamente sugestiva</p><p>de infecção por Lacazia loboi (figura 2). A confirmação diagnóstica é feita por exame</p><p>direto a fresco de amostras clínicas obtidas por escarificação ou por biópsia, por</p><p>exame histopatológico, realizado a partir de biópsias coradas com hematoxilina-eosina</p><p>(HE), Grocott metanamina de prata (GMS) ou ácido periódico-Schiff (PAS) (BRITO e</p><p>QUARESMA, 2007).</p><p>Figura 1. Análise histológica de fragmento de pele, corado com PAS, mostrando o</p><p>fungo L. loboi principalmente no estrato córneo, em eliminação transepidérmica</p><p>(seta).</p><p>Fonte. BRITO; QUARESMA, 2007.</p><p>As alterações dérmicas decorrentes da lacaziose são semelhantes às decorrentes da</p><p>hanseníase, da leishmaiose tegumentar, da paracoccidioidomicose, da</p><p>cromoblastomicose, da tuberculose cutânea, da histoplasmose, do sarcoma de Kaposi,</p><p>da sarcoidose, do melanoma e do câncer de pele do tipo não melanoma, das</p><p>neoplasias benignas de expressão nodular e das metástases cutâneas, entre outras.</p><p>Por esse motivo, é necessário o diagnóstico diferencial da doença (BRITO e</p><p>QUARESMA, 2007).</p><p>Figura 2. Nódulos queloidianos na mão de um indivíduo acometido pela lacaziose</p><p>Fonte. BRITO e QUARESMA, 2007.</p><p>4. Indicações bibliográficas</p><p>• BRITO, A. C.; QUARESMA, J. A. S. Lacaziose (doença de Jorge Lobo): revisão e</p><p>atualização. An Bras Dermatol. 82(5):461-474, 2007.</p><p>• FURTADO, A. N. et al. Doença de Jorge Lobo: relato de caso e revisão da</p><p>literatura. Rev. Patol. Trop. 42(4):459-467, 2013.</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 8/11</p><p>Exercício 1:</p><p>Recomenda-se a coleta de amostras múltiplas para a realização do exame</p><p>protoparasitológico de fezes. Esta orientação deve-se a, exceto:</p><p>A)</p><p>distribuição não uniforme na passagem de ovos de helmintos.</p><p>B)</p><p>intermitência da passagem de certos parasitas a partir do hospedeiro.</p><p>C)</p><p>limitações técnicas de diagnóstico.</p><p>D)</p><p>distribuição não uniforme de cistos e ovos, com bactérias nas fezes, que podem</p><p>interferir na positividade do exame.</p><p>E)</p><p>maior possibilidade de detecção de formas parasitárias.</p><p>O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)</p><p>Exercício 2:</p><p>Ao analisar um esfregaço sangüíneo corado pelo Método de Giemsa, com infecção</p><p>moderada causada por Plasmodium falciparum, as formas evolutivas que geralmente</p><p>estão presentes no sangue periférico são:</p><p>A)</p><p>esporozoítos e esquizontes.</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 9/11</p><p>B)</p><p>oocinetos e esquizontes.</p><p>C)</p><p>gametócitos e esquizontes.</p><p>D)</p><p>trofozoítos e gametócitos.</p><p>E)</p><p>trofozoítos e oocinetos.</p><p>O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)</p><p>Exercício 3:</p><p>Sobre o método de Hoffman, marque a alternativa incorreta:</p><p>A)</p><p>É também chamado de sedimentação espontânea, pois após a diluição e filtração da</p><p>amostra de fezes esperamos sedimentar espontaneamente para leitura do sedimento.</p><p>B)</p><p>Este método é o mais indicado para a maioria dos helmintos intestinais.</p><p>C)</p><p>A maioria dos laboratórios adota este método devido ao seu ótimo custo-benefício.</p><p>D)</p><p>O uso do método de Hoffman é também chamado como método de Lutz.</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 10/11</p><p>E)</p><p>Indicado principalmente para pesquisa de protozoários intestinais.</p><p>O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)</p><p>09/09/2024, 10:37 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.</p><p>https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 11/11</p>

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