Prévia do material em texto
<p>1</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>RECEPTORES DE FM</p><p>Noções Gerais</p><p>A recepção em FM, hoje em dia, tornou-se tão popular que praticamente todos os fabricantes de</p><p>aparelhos eletrônicos, quando iniciam um novo projeto de rádio AM ou um sofisticado conjunto de som,</p><p>colocam como ponto prioritário que o rádio deve ser AM/FM, e que o aparelho de som tenha um</p><p>receptor de FM.</p><p>Já é muito comum encontrar, atualmente, pequenos rádios portáteis com as duas faixas de</p><p>recepção (AM/FM) e também caríssimos conjuntos sonoros que possuem, como maior atrativo visual, a</p><p>escala ou dial do receptor de FM cuidadosamente iluminada. Realmente, quem gosta de ouvir música</p><p>em casa, descansando confortavelmente em sua poltrona, preferirá, sem dúvida alguma, um receptor de</p><p>FM a um AM.</p><p>Como foi visto no capítulo da transmissão de FM, a modulação em freqüência (FM) leva enorme</p><p>vantagem sobre o sistema de transmissão em amplitude modulada (AM) quanto à qualidade sonora. Em</p><p>FM, além de se poder transmitir toda a gama de freqüências audíveis, ela fica praticamente isenta de</p><p>ruídos atmosféricos, ao passo que na transmissão em AM, só é possível transmitir uma pequena parte</p><p>das freqüências audíveis, e a qualidade sonora é seriamente prejudicada pelos ruídos atmosféricos.</p><p>O sistema de transmissão em FM não se limita apenas às emissoras comerciais; a polícia, os táxis</p><p>e o exército também utilizam este tipo de transmissão, além dos radioamadores, que operam em FM na</p><p>faixa de 144 MHz. A guarda costeira, por exemplo, obriga a todos os proprietários de barcos de um</p><p>certo porte, a instalação de um transmissor-receptor de FM para se comunicarem.</p><p>Se compararmos o sistema de transmissão em FM com o sistema de transmissão em AM, vamos</p><p>chegar à conclusão de que o primeiro é bem melhor que o segundo, pelo menos num ponto: a</p><p>propagação de ondas. Realmente, existe uma grande diferença de propagação entre as várias faixas de</p><p>freqüências utilizadas pelos meios de comunicação, e o nosso próximo passo, agora, será o estudo deste</p><p>aspecto.</p><p>Antenas e Propagação das Ondas</p><p>A energia é um dos conceitos mais difíceis de se definir pela Física, pois ela se apresenta de</p><p>diversas formas, tais como o calor, energia cinética (de movimento), energia potencial (de posição),</p><p>energia luminosa, sonora e também na forma que mais nos interessa: a energia eletromagnética, ou seja,</p><p>as ondas de rádio, televisão, radar, etc..Assim, a antena transmissora de uma estação comercial tem a</p><p>incumbência de irradiar esta energia (ondas eletromagnéticas) em todas as direções possíveis, para que</p><p>todos os receptores possam captar seus sinais e retirar todas as informações neles contidas.</p><p>Por outro lado, dependendo da freqüência, as ondas eletromagnéticas possuem uma maneira</p><p>particular de se propagarem pelo espaço. Por exemplo, as ondas curtas de rádio se propagam de uma tal</p><p>maneira que podem partir de um ponto da terra e atingir seu outro lado, sem que o transmissor tenha</p><p>uma potência astronômica; um simples transmissor de 100 w, em ondas curtas, pode, do Brasil, alcançar</p><p>o Japão, que fica do lado oposto da Terra, com grande facilidade. A figura 1 mostra como isto é</p><p>2</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>possível.</p><p>Isto ocorre porque as ondas curtas de rádio são refletidas pelas camadas da atmosfera e voltam</p><p>para a Terra, podendo depois voltar à atmosfera e serem refletidas novamente, até darem a volta ao redor</p><p>do planeta.</p><p>Figura 1 – As ondas partem do Brasil e atingem o Japão por reflexões sucessivas</p><p>Já as ondas de FM ou TV não são refletidas pelas camadas atmosféricas e acabam se perdendo</p><p>no espaço. Por isso, o sistema de transmissão em FM é limitado ao ângulo de visão, ou seja, só se pode</p><p>captar um sinal de FM quando a antena do receptor tiver visão direta da antena transmissora. Se o</p><p>receptor estiver atrás de alguma montanha, não terá uma boa recepção, pois a montanha obstruirá o</p><p>caminho dos sinais. A figura 2 mostra como as ondas de FM e de TV se propagam na superfície</p><p>terrestre.</p><p>Figura 2 – A boa recepção se limita ao ângulo de visão</p><p>Portanto, chegamos à conclusão de que, em lugares onde a recepção de FM é muito fraca, a</p><p>antena receptora deve ser externa e instalada o mais alto possível para captar os sinais diretamente.</p><p>Há casos, porém, em que a antena receptora não tem visão direta com a transmissora, e a</p><p>3</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>recepção é muito boa; neste caso, os sinais captados são sinais refletidos, isto é, que percorreram outro</p><p>caminho para chegar até a antena (figura 3).</p><p>Em grandes centros econômicos como São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Lisboa,</p><p>Coimbra, etc..., a recepção em FM é muito boa devido à grande potência dos transmissores, que podem</p><p>atingir um raio de 50 Km. A antena de recepção não se torna um elemento crítico, nestes casos, pois a</p><p>maioria dos usuários utilizam como antena apenas um pedaço de fio, de mais ou menos 1 metro, ligado</p><p>ao terminal de antena do receptor e sutilmente escondido atrás do móvel, conseguindo excelentes</p><p>resultados.</p><p>Figura 3 – As antenas localizadas atrás de edifícios também captam a transmissão devido aos sinais</p><p>refletidos pelos próprios edifícios.</p><p>Já para as pequenas cidades, onde não existe transmissão em FM, os sinais que chegam até seus</p><p>receptores geralmente vêm de alguma outra cidade vizinha, às vezes distante dezenas de quilômetros, e</p><p>por isso chegam com pequena intensidade, ou seja, os sinais recebidos são muito fracos. Para estes</p><p>lugares, é necessária a utilização de antenas externas para se conseguir uma boa recepção, a figura 4</p><p>mostra alguns tipos de antenas para FM</p><p>Figura 4 – Tipos de antenas receptoras mais comuns</p><p>4</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>Basicamente, existem dois tipos de antenas receptoras: o tipo direcional e o tipo onidirecional. O</p><p>tipo direcional é recomendado para lugares onde o sinal é fraco e provém praticamente de uma mesma</p><p>direção. Este tipo de antena possui ganho maior numa determinada direção; portanto, basta orientar a</p><p>frente da antena na direção dos sinais para se obter o máximo rendimento. O segundo tipo, o</p><p>onidirecional, é um tipo de antena recomendado para grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro,</p><p>Lisboa, etc.., onde o nível de sinal é muito forte. Neste caso, é necessário que a antena capte sinais em</p><p>todas as direções, pois muitas vezes os receptores se encontram atrás de prédios, sem visão direta com a</p><p>antena transmissora.</p><p>Quando se utiliza a antena direcional, deve-se tomar cuidado com a sua instalação, pois uma má</p><p>orientação da antena pode tornar a recepção muito ruim. A antena direcional oferece o máximo de</p><p>rendimento quando a sua frente está dirigida para a antena transmissora, conforme ilustramos na figura</p><p>5. Note que ela apresenta um lóbulo de captação bastante acentuado na posição frontal e um lóbulo de</p><p>captação bastante atenuado na posição traseira, possuindo também dois lóbulos a 600 (em relação ao</p><p>eixo Z), com menor poder de captação.</p><p>Figura 5 – A antena direcional tem maior poder de captação de sinal pela frente, onde seu lóbulo é maior</p><p>A antena onidirecional, por sua vez, capta sinais praticamente de todas as direções, pois possui</p><p>quatro lóbulos de captação. Este modelo é muito útil em locais onde existem várias estações</p><p>transmissoras, como nas grandes cidades, pois ela recebe todos os sinais espalhados na região (figura 6).</p><p>Quando se utiliza a antena externa, é necessário tomar alguns cuidados especiais, tais como:</p><p>empregar um bom fio de descida (normalmente, o preço do fio dá uma boa idéia de qualidade), instalar a</p><p>antena o mais alto possível e, de preferência, longe da rua, para evitar a captação de ruídos ou</p><p>interferências das velas e platinados dos carros que</p><p>passam, pois eles geram interferências de grande</p><p>intensidade, afetando a recepção em FM.</p><p>Na hora de se escolher a antena, deve-se dar preferência àquelas que possuem parafusos de</p><p>fixação de latão, pois os parafusos de ferro enferrujam em pouco tempo. Um dos pontos críticos da</p><p>instalação é a ligação do fio de descida, que deve ser vedada com fita adesiva plástica.</p><p>A antena deve estar bem firme para evitar que os ventos mais fortes mudem a sua direção,</p><p>5</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>principalmente onde se usa antena direcional. Se a antena estiver muito alta, será necessário colocar</p><p>estirantes de arame ou nylon, para evitar os movimentos da mesma. A figura 7 ilustra melhor os dois</p><p>casos, isto é, a instalação de antena direcional e outra unidirecional.</p><p>Figura 6 – A antena onidirecional capta sinais de praticamente todas as direções</p><p>Figura 7 – A) Instalação de uma antena do interior onde o sinal é frágil. B) A instalação de uma antena</p><p>onde o sinal é relativamente forte e chega de várias direções.</p><p>Diagrama em Blocos de um Receptor de FM</p><p>Vamos agora analisar o funcionamento de um receptor de FM através do diagrama em blocos</p><p>mostrado na figura 8. Posteriormente, veremos o funcionamento de cada um dos estágios isoladamente e</p><p>com mais detalhes.</p><p>6</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>Considerações Gerais de Funcionamento</p><p>A antena receptora capta todos os sinais de radiofreqüência existentes na região e os envia ao</p><p>amplificador de RF (radiofreqüência), cuja função é selecionar apenas um, o qual deve estar contido</p><p>dentro da faixa de operação do receptor. No caso do receptor de FM, apenas as radiofreqüências situadas</p><p>dentro da referida faixa (88 a 108 MHz) é que serão selecionadas pelo amplificador de RF. Portanto, a</p><p>função desse estágio é selecionar uma certa emissora, amplificar seu sinal e posteriormente enviá-lo ao</p><p>estágio misturador.</p><p>O estágio misturador, além de receber o sinal proveniente do estágio de RF, que traz a</p><p>informação de áudio, recebe também um sinal (sem modulação) proveniente do oscilador local, cuja</p><p>freqüência guarda uma certa proporção com o sinal selecionado, ou seja, toda vez que se sintoniza uma</p><p>emissora qualquer, automaticamente estamos variando também a freqüência do oscilador local. Por</p><p>exemplo, se a emissora sintonizada opera em 90 MHz, a freqüência do oscilador local será de 100,7</p><p>MHz, e se uma outra emissora sintonizada operar em 102 MHz, o oscilador local passará para 112,7</p><p>MHz. A tabela I dá uma idéia mais clara destes ajustes.</p><p>Figura 8 – Diagrama em bloco de um receptor FM</p><p>Note que a diferença entre a freqüência do oscilador local e a da emissora sintonizada é sempre</p><p>igual a 10,7 MHz. Isto é feito para que, na saída do estágio misturador, apareça sempre uma freqüência</p><p>fixa que contenha as informações da emissora.</p><p>7</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>Freqüência</p><p>da Emissora</p><p>Freqüência</p><p>do Oscilador Local</p><p>Diferença entre</p><p>as duas</p><p>90 MHz 100,7 MHz 10,7 Mhz</p><p>92 MHz 102,7 MHz 10,7 MHz</p><p>98 MHz 108,7 MHz 10,7 MHz</p><p>100 MHz 110,7 MHz 10,7 MHz</p><p>102 MHz 112,7 MHz 10,7 MHz</p><p>106 MHz 116,7 MHz 10,7 mHz</p><p>Tabela I – Ajuste do oscilador local na sintonia de uma emissora</p><p>Mas não é apenas a diferença entre as duas freqüências que aparece na saída do misturador, pois</p><p>sendo um elemento não-linear, provoca uma interação entre os dois sinais, ou seja, o sinal da emissora</p><p>(que traz a informação) e o sinal que vem do oscilador local. Na saída do estágio, teremos, além do sinal</p><p>do oscilador local e o da emissora, a soma e a diferença entre eles, mas com uma particularidade muito</p><p>importante, pois a diferença entre as duas freqüências (o que mais nos interessa) sai modulada com as</p><p>informações que estavam contidas no sinal da emissora.</p><p>Após o estágio misturador, está o estágio amplificador de FI (Freqüência Intermediária), cuja</p><p>função é amplificar somente o sinal diferença, isto é, 10,7 MHz. Este estágio rejeita todas as freqüências</p><p>que aparecem na entrada menos o sinal de FI (10,7 MHz), pois este sinal tem passagem aberta até o</p><p>demodulador de FM. A maneira como o estágio de FI rejeita as outras freqüências diferentes de 10,7</p><p>MHz será bem discutida mais adiante; por hora, podemos dizer que esse estágio é sintonizado por</p><p>bobinas e capacitores, formando, assim, um túnel</p><p>Em torno de 10,7 MHz (figura 9).</p><p>Figura 9 – Curva de resposta do estágio de FI</p><p>Pode-se notar, pela curva, que na freqüência central de 10,7 MHz é que o amplificador possui</p><p>maior ganho, até decrescer gradativamente para ambos os lados. Isto significa que poderão passar pelo</p><p>estágio, a freqüência central (10,7 MHz) e mais uma faixa de cada lado.</p><p>Após ser amplificado pelo estágio de FI, o sinal de 10,7 MHz é entregue ao estágio</p><p>demodulador, que deverá retirar as informações contidas no mesmo e eliminar a freqüência de 10,7</p><p>MHz (FI), que já não interessa mais.</p><p>Como já foi explicado no capítulo de modulação em FM, sabemos que o sinal de áudio</p><p>modulante faz a freqüência portadora variar conforme a sua amplitude; portanto, o sinal de 10,7 MHz</p><p>que adquiriu esta informação no misturador é um sinal que varia de freqüência em torno de 10,7 MHz,</p><p>isto é, conforme varia a amplitude do sinal modulante.</p><p>8</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>Para retirar estas informações do sinal de 10,7 MHz, existem vários tipos de demoduladores, tais</p><p>como: detetor de relação, discriminador de fase, detetor em quadratura, etc. Todos estes demoduladores</p><p>são sensíveis à variação de freqüência e, se sintonizarmos o detetor na freqüência de FI (10,7 MHz), ele</p><p>apresentará na saída uma variação de tensão que dependerá da variação de freqüência de entrada. Com</p><p>isto se consegue reproduzir no demodulador de FM o sinal de áudio (informação) que, no transmissor,</p><p>modulou a onda portadora, quer dizer, variou a sua freqüência. Após ser demodulada, a informação de</p><p>áudiofreqüência é amplificada pelo estágio de áudio e reproduzida pelo alto-falante.</p><p>Dependendo da distância entre o receptor e a estação transmissora ou da potência da mesma,</p><p>haverá uma certa diferença de intensidade de sinal, que chega na antena. Isto acarretará um problema</p><p>bastante grave, pois a potência sonora variará em função da intensidade do sinal de antena e, se o</p><p>receptor não tivesse um meio de nivelar estas diferenças, o problema realmente ocorreria. Para eliminar</p><p>este problema, o receptor possui o CAG (Controle Automático de Ganho), que será estudado num</p><p>capítulo posterior.</p><p>Além de fornecer o CAG, o demodulador de FM fornece também uma tensão DC de referência,</p><p>para corrigir a freqüência do oscilador local quando este tende a variar; este sistema é conhecido por</p><p>CAF (Controle Automático de Freqüência).</p><p>Na figura 10, podemos ver o que ocorre com o sinal, desde o transmissor até a sua demodulação</p><p>e reprodução no alto falante do receptor.</p><p>Podemos notar que o som de áudio de 1 KHz emitido pelo cantor, após ser amplificado pelo</p><p>estágio de áudio, vai modular a onda portadora de 100 MHz, gerada pelo oscilador-modulador. Este</p><p>sinal já modulado é amplificado pelo estágio de saída de RF e irradiado para o espaço.</p><p>Figura 10 – Processamento completo do sinal desde o transmissor até o receptor</p><p>9</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>No receptor ocorre o processo inverso: o sinal modulado de 1KHz é captado pela antena</p><p>receptora, amplificado pelo estágio de RF e injetado no estágio misturador, que, por sua vez, mistura</p><p>este sinal com outro de 110,7 MHz, proveniente do oscilador local, fornecendo na saída o sinal da</p><p>diferença, ou seja, 10,7 MHz, também modulado por 1 KHz, o processo de mistura de sinais também é</p><p>conhecido por batimento.</p><p>O sinal</p><p>de FI é amplificado pelo estágio amplificador de FI, e injetado no estágio demodulador</p><p>de FM, que retira a modulação de 1 KHz e elimina a radiofreqüência de 10,7 MHz, que já não interessa</p><p>mais. Posteriormente, o sinal de áudio de 1 KHz, após ser amplificado pelo estágio de áudio, é</p><p>reproduzido pelo alto-falante do receptor.</p><p>Em linhas gerais, este é o funcionamento do receptor de FM. Vamos agora analisar estágio por</p><p>estágio com mais profundidade, para podermos compreender melhor o funcionamento de todo o</p><p>conjunto.</p><p>Amplificador de RF Transistorizado</p><p>Não é novidade que os semicondutores revolucionaram o campo de eletrônica em geral; as</p><p>válvulas foram substituídas por transistores e estágios valvulares inteiros foram substituídos por</p><p>pequenos circuitos integrados, que executam uma série de funções ao mesmo tempo; enormes receptores</p><p>e transmissores deram lugar a aparelhos miniaturizados de maior confiabilidade.</p><p>Atualmente, qualquer projeto é feito em função de transistores e circuitos integrados. As válvulas</p><p>são usadas apenas em amplificadores de altas potências, pois até agora não foi possível fabricar</p><p>transistores com tais grandezas de potência, mas no mundo inteiro existem programas de pesquisas</p><p>sobre esse assunto.</p><p>Baseando-se nesses fatos é que vamos nos dedicar com maior ênfase aos circuitos</p><p>transistorizados, mostrando a seguir um amplificador de RF, que funciona com transistores.</p><p>A figura 11 mostra um dos mais usados circuitos de entrada de RF, onde o sinal de</p><p>radiofreqüência entra pelo emissor de TR1 e sai pelo coletor.</p><p>Figura 11 – Circuito de entrada de RF transistorizado</p><p>O transistor TR1 está polarizado na configuração base comum, ou seja, a base está a terra para o</p><p>10</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>sinal de RF através de C3. Este tipo de polarização é muito usado em circuitos de entrada de RF para</p><p>receptores de FM e televisão, pois oferece uma excelente resposta em freqüência, alta impedância de</p><p>saída, alto ganho e baixa impedância de entrada. Lembre-se que impedância de um circuito é,</p><p>praticamente, a resistência oferecida por ele às freqüências nas quais está operando.</p><p>A baixa impedância de entrada do transistor TR1 é muito importante para se conseguir um bom</p><p>casamento com a baixa impedância da antena, que normalmente é de 300 ou 75 Ω. Para que se tenha</p><p>uma idéia mais clara sobre o casamento de impedâncias, basta dizer que só se consegue o máximo de</p><p>transferência de potência entre dois estágios quando a impedância de saída de um deles é igual a</p><p>impedância de entrada do outro, no qual o primeiro está ligado.</p><p>O transformador T1 funciona como casador de impedância entre a antena (cuja impedância é de</p><p>300 Ω) e a entrada do estágio amplificador de RF (emissor), que é da ordem de 75 Ω. Com isto se</p><p>consegue transferir o máximo de sinal de antena para o emissor de TR1.</p><p>T1, além de casador de impedâncias, forma com C1 e R1 um circuito sintonizado de faixa de</p><p>passagem, que é suficientemente larga para deixar passar todas as emissoras da banda de FM, ou seja,</p><p>de 88 a 108 MHz. A largura da faixa se consegue graças ao resistor de amortecimento R1, de 470 Ω</p><p>(figura 12).</p><p>O transistor TR1, além de amplificar o sinal que chega ao emissor, oferece também uma alta</p><p>impedância de saída, que servirá para não amortecer o circuito sintonizado formado por L3 e os diodos</p><p>Varicaps D1 e D2, pois este circuito é que selecionará qual a emissora que deve ser sintonizada. A figura</p><p>13 mostra o circuito sintonizado L3, D1, D2, e seu circuito equivalente.</p><p>Figura 12 – Curva de resposta em freqüência do circuito de entrada de RF, sem resistor de</p><p>amortecimento (A) e com amortecimento (B)</p><p>No capítulo de transmissão de FM, foi explicado o funcionamento do diodo Varicap e, fazendo</p><p>uma rápida recapitulação, podemos dizer que o Varicap apresenta uma particularidade muito importante,</p><p>quando polarizado inversamente, que é o aparecimento de uma capacitância cujo valor depende da</p><p>tensão (DC) inversa aplicada sobre ele. Quanto menor o valor da tensão inversa aplicada, maior será o</p><p>valor da capacitância oferecida pelo diodo e, ao contrário, quanto maior for a tensão aplicada sobre ele,</p><p>menor será esta capacitância. O valor mínimo de tensão inversa que se deve aplicar sobre um diodo</p><p>11</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>Varicap é da ordem de 1 V e o valor máximo é de 28 V. Isto ocorre porque valores de tensão abaixo de 1</p><p>V provocam grande redução do “Q” (fator de mérito) do diodo, e tensões acima de 28 V já não variam</p><p>mais o valor de sua capacitância.</p><p>Figura 13 – Circuito sintonizado com diodo Varicap</p><p>Como o diodo está polarizado inversamente, quase não circulará corrente por ele, pois a pequena</p><p>corrente que circula é da ordem de microampéres, sendo, portanto, desprezível.</p><p>A figura 14 mostra, através do gráfico, como varia a capacitância do diodo Varicap em função da</p><p>tensão DC inversa aplicada sobre ele; como os diodos estão em paralelo com L3, basta variar a tensão</p><p>inversa sobre eles que a freqüência de sintonia do circuito também variará.</p><p>Figura 14 – A capacitância do diodo Varicap é inversamente proporcional à tensão inversa aplicada.</p><p>No circuito da figura 11, foram usados dois diodos Varicap, ligados em contra-fase ara se</p><p>conseguir uma faixa de variação de tensão de sintonia bastante ampla. Com isto, a sintonia do circuito</p><p>fica bem suave, ou seja, uma grande variação de tensão de sintonia provoca uma pequena variação de</p><p>capacitância entre o ponto A e a terra. Visto que as duas capacitâncias estão em série, a capacitância</p><p>total será dada pela seguinte relação:</p><p>C C x C</p><p>C C</p><p>T</p><p>D D</p><p>D D</p><p>=</p><p>+</p><p>1 2</p><p>1 2</p><p>12</p><p>INSTITUTO EDUCACIONAL SÃO JOÃO DA ESCÓCIA</p><p>Telecomunicações – João Carlos de Oliveira</p><p>Como se pode notar, se fosse usado apenas um diodo Varicap para uma mesma variação de</p><p>capacidade, seria necessária uma menor variação de tensão sobre o diodo, e disto se pode concluir que a</p><p>sintonia ficaria uma pouco mais crítica.</p><p>O capacitor variável T da figura 13 é um TRIMMER que serve para ajustar o fim da faixa de FM,</p><p>pois o começo da faixa (88 MHz) é ajustado pela bobina L3 e, para selecionar uma emissora qualquer,</p><p>basta variar a tensão de sintonia.</p><p>Vamos, agora, dar uma rápida analisada no funcionamento do estágio de RF, desde a antena até a</p><p>saída do sinal para o estágio misturador.</p><p>A antena capta todos os sinais que estão compreendidos dentro de sua faixa de operação, e os</p><p>envia ao primário de T1 (L1); por efeito de acoplamento indutivo, estes sinais são transferidos para o</p><p>secundário (L2). Como C2 é um capacitor de passagem, não oferecerá obstáculo algum aos sinais que</p><p>acabam chegando no emissor de TR1. Por sua vez, TR1 amplifica estes sinais, mas somente um deles</p><p>aparecerá com grande amplitude no seu coletor, pois o circuito sintonizado L3, D1, D2 selecionará apenas</p><p>uma emissora, cujo sinal será posteriormente injetado no estágio misturador pelo capacitor C4.</p>