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Tema 3 - Cultura da Convergência

Módulo didático sobre cultura da convergência e participação em redes sociais; traz definição, propósito e objetivos (Módulos 1 e 2), introdução e conceitos como prosumers e migração digital, com referências a Henry Jenkins e Lorenzo Vilches.

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<p>DEFINIÇÃO</p><p>Formação de comunidades em rede, configuração das redes sociais e de novas formas de</p><p>participação e interação do sujeito.</p><p>PROPÓSITO</p><p>Refletir sobre como a cultura da convergência permite a compreensão das transformações</p><p>sociais, culturais, políticas e tecnológicas nos cenários comunicacional e informacional.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Identificar o novo paradigma da transformação midiática no âmbito das inovações tecnológicas</p><p>e de suas repercussões na sociabilidade</p><p>MÓDULO 2</p><p>Aplicar os conceitos de mobilização social, ágora digital e transpolítica no presente contexto</p><p>socioinformacional</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Pense sobre o papel das redes sociais na sua vida e, principalmente, os contextos, as</p><p>situações e as motivações de uso de cada uma delas. Depois de compreender as suas</p><p>especificidades, analise como a cultura da convergência permite que você poste, curta,</p><p>compartilhe, comente e transite por entre assuntos − dos mais leves aos mais complexos.</p><p>Por 13_Phunkod | Fonte: Shutterstock</p><p>Vivemos em uma sociedade que, aparentemente, não consegue mais se desfazer da internet,</p><p>com todos os benefícios (e malefícios?) trazidos por ela. As convergências chegaram a tal</p><p>ponto que não basta ter todas as informações na palma da mão e a um clique de distância.</p><p>Atualmente, acompanhamos os debates político-partidários acalorados nas comunidades</p><p>virtuais e os compartilhamentos de múltiplas ideologias nas redes sociais.</p><p>É NECESSÁRIO, PORTANTO, QUE NOS QUESTIONEMOS:</p><p>COMO OCORREM ESSES PROCESSOS DE PARTICIPAÇÃO?</p><p>QUAIS SÃO AS ESTRUTURAS E OS AGENCIAMENTOS</p><p>ENVOLVIDOS NESSAS QUESTÕES? DE QUE MODO</p><p>PASSAMOS DE USUÁRIOS A ATORES SOCIAIS</p><p>PARTICIPANTES DE UMA CIBERDEMOCRACIA?</p><p>MÓDULO 1</p><p> Identificar o novo paradigma da transformação midiática no âmbito</p><p>das inovações tecnológicas e de suas repercussões na sociabilidade</p><p>A cultura da convergência é um novo paradigma no cenário comunicacional, não apenas pelas</p><p>inovações tecnológicas que a acompanham, mas pela forma como reelabora as relações</p><p>sociais, políticas, culturais e econômicas em ambientes que integram a vida online com a vida</p><p>offline.</p><p>É, portanto, um propulsor das muitas transformações midiáticas que acompanhamos</p><p>cotidianamente pelas redes sociais, pelo acesso em plataformas de streaming ou mesmo pelo</p><p>consumo em comércios eletrônicos.</p><p>Por SFIO CRACHO | Fonte: Shutterstock</p><p>CULTURA DA CONVERGÊNCIA</p><p>TALVEZ VOCÊ CONHEÇA O TERMO CONVERGÊNCIA, MAS</p><p>SABERIA DETERMINAR O QUE FAZ DELE UMA CULTURA QUE</p><p>JÁ É PARTE DA VIDA MATERIAL, INTELECTUAL,</p><p>PROFISSIONAL E SOCIAL DE UM NÚMERO IMENSO DE</p><p>PESSOAS AO REDOR DO MUNDO?</p><p>Uma resposta possível para isso, especialmente em contextos comunicacionais e</p><p>informacionais, está em Henry Jenkins. Ele afirma que ao falar em convergência se refere:</p><p>(...) AO FLUXO DE CONTEÚDOS ATRAVÉS DE</p><p>MÚLTIPLAS PLATAFORMAS DE MÍDIA, À</p><p>COOPERAÇÃO ENTRE MÚLTIPLOS MERCADOS</p><p>MIDIÁTICOS E AO COMPORTAMENTO MIGRATÓRIO</p><p>DOS PÚBLICOS DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, QUE</p><p>VÃO A QUASE QUALQUER PARTE EM BUSCA DAS</p><p>EXPERIÊNCIAS DE ENTRETENIMENTO QUE DESEJAM.</p><p>(JENKINS, 2008)</p><p>Em outros termos, à cultura da convergência corresponderiam não apenas transformações</p><p>tecnológicas, mas também transformações culturais em escala global. Logo, estamos falando</p><p>de consumidores (usuários ou prosumers) instigados a procurar informação, fazer conexões,</p><p>criar inter-relações e, assim, buscar ligações implícitas ou explícitas entre os meios de</p><p>comunicação colocados em dispersão e variabilidade.</p><p>Segundo Jenkins (2008), pensar a cultura da convergência é refletir sobre como ela ocorre</p><p>dentro dos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com</p><p>outros.</p><p>PROSUMERS</p><p>Termo em inglês que une as palavras producer (produtor) e consumer (consumidor),</p><p>caracterizando esse papel duplo.</p><p>MIGRAÇÃO DIGITAL</p><p>Acompanhando as múltiplas transformações causadas pela cultura de convergência, temos o</p><p>crescimento da chamada migração digital. Tal expressão conceitual encontra guarida nas</p><p>explicações do intelectual espanhol Lorenzo Vilches que, de forma pioneira, estabeleceu que</p><p>existe uma migração das maneiras de se fazer economia e consumir conectadas às lógicas dos</p><p>meios de comunicação e da sociedade da informação.</p><p>javascript:void(0)</p><p>De acordo com Vilches (2001), a migração digital diz respeito, acima de tudo, a sujeitos</p><p>interconectados que chegam à nova fronteira da comunicação e do real. Uma fronteira</p><p>que não separa mais geograficamente o globo, mas redefine, inclusive, o conceito de</p><p>globalização. Um cruzamento não apenas de limites geográficos, mas também dos (citados)</p><p>limites comunicacionais e reais.</p><p>Por Phonlamai Photo | Fonte: Shutterstock</p><p>Dessa maneira, vale a pena pensar como as novas conformações dos meios digitais</p><p>aproximam as pessoas, as corporações, os espaços culturais, os ambientes educacionais etc.</p><p>Como tudo, porém, essa não é uma posição consensual: há posicionamentos críticos que</p><p>apontam justamente o oposto − como as relações sociais são afetadas por essa migração que,</p><p>ao fim, acaba por produzir distanciamento, isolamento social e exclusão digital.</p><p>NESSE SENTIDO, SOMOS TODOS EMIGRANTES DE</p><p>UMA NOVA ECONOMIA CRIADA PELAS TECNOLOGIAS</p><p>DO CONHECIMENTO, QUE SUPÕE O DESLOCAMENTO</p><p>PARA UM PLANETA ALTAMENTE TECNIFICADO.</p><p>(VILCHES, 2001)</p><p>Por fim, de acordo com o autor, a migração digital nos mostra que novos serviços e novas</p><p>formas de informação artística, cultural, audiovisual e estética começam a fazer parte de</p><p>metassistemas de informação interconectados, ou seja, que são parte de uma cultura da</p><p>convergência que se moderniza diariamente.</p><p>METASSISTEMAS</p><p>Metassistema é um conjunto de elementos/engrenagens, dentro de outro sistema maior.</p><p>Tem por função a descrição, a modelação e a análise de outros sistemas com os quais se</p><p>vinculam.</p><p>METASSISTEMAS DE INFORMAÇÃO</p><p>Pautados pela cultura da convergência e pela migração digital, os metassistemas de</p><p>informação podem ser entendidos como parte de uma sociedade em rede, na qual existe a</p><p>necessidade de interconectar os modelos comunicacionais tradicionais e emergentes.</p><p>Caracterizados pela fusão da comunicação interpessoal com a de massa, segundo</p><p>Cardoso (2007), eles possibilitam a conexão entre receptores e emissores em uma nova matriz</p><p>de conhecimento informacional. Essa matriz parte de vinculações hipertextuais e as interliga</p><p>aos mais variados dispositivos de mídia usados pelas pessoas no mundo todo.</p><p>javascript:void(0)</p><p>javascript:void(0)</p><p>Por metamorworks | Fonte: Shutterstock</p><p>SOCIEDADE EM REDE</p><p>Sociedade interconectada não apenas pela internet, mas também por outras redes</p><p>informacionais, como de informação financeiras ou governamentais.</p><p>Em consequência aos processos de convergência, os metassistemas de informação passam</p><p>por uma complexificação progressiva de suas estruturas internas, tornando essencial a geração</p><p>de códigos informacionais auto-organizadores.</p><p>SÃO OS CHAMADOS PROCESSOS DE MACHINE LEARNING,</p><p>ISTO É, OS PROCESSOS DE APRENDIZADO DAS MÁQUINAS</p><p>COMO FORMA DE COMPREENSÃO DOS ALGORITMOS E DA</p><p>INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL QUE MELHORAM AS</p><p>EXPERIÊNCIAS DOS USUÁRIOS CONECTADOS EM REDE.</p><p>Como a migração digital possibilita não apenas uma amplitude de acesso aos seus usuários,</p><p>mas um processo de automatização, atualização, aprimoramento e aprendizado contínuo</p><p>interno a esses metassistemas, os processos ocorrem por meio das próprias máquinas que</p><p>fazem parte dos metassistemas (daí a ideia de “meta” = aquele ou aquilo que produz reflexão</p><p>sobre si).</p><p>Mesmo em um cenário de mutações tecnológicas constantes, é preciso lembrar a importância</p><p>dos meios de comunicação tidos como tradicionais (a imprensa, a TV, o rádio, entre outros). A</p><p>justificativa para essa posição é assinalada por Cardoso (2007) ao afirmar que os</p><p>metassistemas de informação também são constituídos por ambientes do mundo offline.</p><p>Por Phonlamai Photo | Fonte: Shutterstock</p><p>POR ISSO TEMOS DE QUESTIONAR SOBRE COMO A</p><p>TELEVISÃO, O RÁDIO E OS JORNAIS MUDARAM OS</p><p>SEUS CONTEÚDOS, AS FORMAS DE JORNALISMO E</p><p>AS ESTRATÉGIAS ECONÔMICAS</p><p>COM A CHEGADA DA</p><p>INTERNET.</p><p>(CARDOSO, 2007)</p><p>Afinal, a cultura da convergência postula justamente a integração entre as muitas formas do</p><p>fazer comunicacional e não apenas entre aquelas já nascidas nos ambientes online.</p><p>CENÁRIO E HISTÓRICO DAS REDES</p><p>SOCIAIS</p><p>Na atualidade, com os usos das redes sociais expandidos para além de um mero</p><p>entretenimento, torna-se impossível ignorar o papel das sociabilidades digitais desenvolvidas</p><p>por meio das redes, das comunidades virtuais e dos espaços criados originalmente na Web e</p><p>que, logicamente, não se restringem somente a ela. Assim, como resultado direto dos</p><p>processos de convergência e migração digital, é possível vislumbrar, nas redes sociais e nas</p><p>comunidades virtuais, a representação mais nítida de como as transformações midiáticas</p><p>afetam a vida cotidiana dos sujeitos. Pessoas e marcas desejam estar visíveis.</p><p>As redes sociais na internet constroem formas de interação que são únicas do ponto de vista</p><p>de ruptura com as noções de proximidade física. Algo que, na visão de alguns teóricos,</p><p>promove, além da mobilidade simbólica no campo das ideias, uma mobilidade muito mais</p><p>objetiva a partir da ascensão e da estabilidade dos celulares (smartphones) e de outros</p><p>dispositivos móveis como parte da vida ordinária.</p><p>Por Chinnapong | Fonte: Shutterstock</p><p>Por New good ideas | Fonte: Shutterstock</p><p> As funcionalidades de um smartphone condensam várias das nossas atividades cotidianas</p><p>e produzem, ao fim, processos de mobilidade extremamente significativos.</p><p>Observa-se que a própria dinâmica da industrialização e da urbanização da era moderna é</p><p>responsável por introduzir a noção de que precisamos estar sempre em movimento, em ação.</p><p>Então, nas palavras de André Lemos (2007), as mídias reconfiguram os espaços urbanos (dos</p><p>subúrbios aos centros) e as zonas rurais, já que o uso de celulares, o acesso à internet, a</p><p>participação em redes sociais e a construção de comunidades virtuais não se restringem</p><p>apenas ao espaço das urbes.</p><p> EXEMPLO</p><p>Essa reconfiguração de espaços rurais, assim como do alcance e das potencialidades da mídia</p><p>digital, é retratada no premiado filme Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho. Nele, uma</p><p>comunidade do interior no Nordeste se mobiliza através das redes e dos dispositivos móveis</p><p>para se defender. Enquanto drones passeiam pelos céus, e estrangeiros chegam à cidade, os</p><p>habitantes do pequeno povoado percebem que ele não consta mais no Google Earth. Diante</p><p>das ameaças que surgem, os habitantes identificam os inimigos e criam coletivamente um meio</p><p>de defesa.</p><p>Tal fenômeno (conectando as discussões sobre mobilidade e redes sociais) também avança ao</p><p>terreno acadêmico que busca por definições para entender o que se passa na sociedade.</p><p>A ATUAL INTERCONEXÃO GENERALIZADA ENTRE AS</p><p>PESSOAS TEM CHAMADO A ATENÇÃO (...) SOBRE</p><p>SEUS EFEITOS NO QUADRO DAS RELAÇÕES</p><p>INDIVIDUAIS E IGUALMENTE NA FORMA COMO OS</p><p>COLETIVOS SE COMPORTAM QUANDO SE</p><p>CONSTITUEM COMO REDES DE ALTA DENSIDADE.</p><p>(COSTA, 2005)</p><p>Por essa ótica de leitura comunicacional, é relevante observar o exercício coletivo de</p><p>construção da informação providenciado nas comunidades virtuais. No campo do jornalismo,</p><p>por exemplo, acrescentam-se comentários e novas análises nas redes sociais, envolvendo</p><p>usuários e produtores das informações. Recuero (2009) afirma que as redes sociais, em</p><p>última análise, acrescentam valor às notícias.</p><p></p><p>1969</p><p>Em termos históricos, os primeiros relatos de serviços que permitiam algum de tipo de</p><p>compartilhamento ou socialização de dados entre os usuários de um sistema informatizado</p><p>surgiram a partir de 1969. Isso se deu com o desenvolvimento da tecnologia dial-up e, por fim,</p><p>segundo D’Aquino (2012), com o lançamento do CompuServe (Serviço comercial de conexão à</p><p>internet em nível internacional muito propagado nos EUA).</p><p>1971</p><p>Segundo D’Aquino (2012), outro passo importante nessa evolução foi o envio do primeiro e-</p><p>mail em 1971, sendo seguido sete anos mais tarde pela criação do Bulletin Board System</p><p>(BBS), um sistema criado por dois entusiastas de Chicago para convidar seus amigos para</p><p>eventos e realizar anúncios pessoais. Essa tecnologia usava linhas telefônicas e um modem</p><p>para transmitir os dados.</p><p></p><p></p><p>1985</p><p>O fato mais marcante que compõe o surgimento das redes sociais e a possibilidade de</p><p>comunidades virtuais se dá a partir da America Online (AOL), em 1985, quando as pessoas</p><p>podiam criar perfis virtuais e comunidades para trocar informações e promover discussões</p><p>sobre assuntos diversos.</p><p>1990</p><p>De acordo com D’Aquino (2012), até o início da década de 1990, houve um grande avanço na</p><p>infraestrutura dos recursos de comunicação. Por exemplo, em 1984 surgiu um serviço</p><p>chamado Prodigy para desbancar o CompuServe — feito alcançado uma década depois.</p><p></p><p></p><p>2020</p><p>O uso das redes sociais cresceu a ponto de alguns estudiosos postularem que o termo</p><p>comunidade demonstra peculiaridades nunca antes vistas ou mesmo que tenha mudado de</p><p>sentido. Há quem fale da falência das comunidades e do desgaste desse termo, enquanto</p><p>outros miram as possibilidades e mesmo os focos de resistência.</p><p>A SENSAÇÃO DE PERTENCIMENTO NAS</p><p>COMUNIDADES VIRTUAIS</p><p>A busca pelo senso de comunidade é algo que, obviamente, antecede e muito o advento das</p><p>redes sociais.</p><p>Como muito bem explica Zygmunt Bauman (2003), atualizando O mal-estar na civilização de</p><p>Freud, fazer ou não fazer parte de um grupo é algo que a evolução humana apresenta em toda</p><p>a sua trajetória biopolítica e social.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Por Rawpixel.com | Fonte: Shutterstock</p><p>ZYGMUNT BAUMAN</p><p>Zygmunt Bauman foi um sociólogo polonês de origem judaica nascido em 1925. Ele teve</p><p>de se refugiar com sua família na então União Soviética quando os nazistas invadiram a</p><p>Polônia em 1939. Após o término da Segunda Guerra, Bauman se formou em Sociologia</p><p>pela Universidade de Varsóvia, onde posteriormente passou a lecionar. Em 1971, ele</p><p>recebeu uma cátedra em Sociologia na Universidade de Leeds, Inglaterra, ocupando-a</p><p>até 1990. Bauman continuou vivendo em Leeds como professor emérito e nesse período</p><p>escreveu suas principais obras e manteve influente presença no debate público até sua</p><p>morte, em 2017.</p><p>Por Fonte: Gil C | Fonte: Shutterstock</p><p> As comunidades eram o forte da rede social mais popular dos anos 2000.</p><p>Algo que é, muitas vezes, complexo e contraditório, pois, como lembra Bauman, não ter</p><p>comunidade significa não ter proteção, ainda que a vida em comunidade dependa do</p><p>cerceamento de algumas liberdades.</p><p>No universo digital, muitas são as semelhanças que acompanham as constituições sociais,</p><p>identitárias, políticas e culturais por entre as comunidades pré-redes sociais até a criação das</p><p>virtuais.</p><p>Estamos em um momento no qual a figura do prosumer que atua nas redes sociais ganha</p><p>novos contornos, especialmente quando o tema da vez são as produções jornalísticas.</p><p>Fonte: Wikimedia</p><p> Prosumers</p><p>Isso se dá, entre outros pontos, porque participantes de comunidades virtuais vão atuar nas</p><p>redes sociais com um papel informativo em diferentes vetores; segundo Recuero (2009), como</p><p>fontes, como filtros ou como espaço de reverberação das informações.</p><p>SÃO RELAÇÕES EXTREMAMENTE RELEVANTES PARA O</p><p>JORNALISMO NO ESPECTRO DO ESTUDO DAS REDES</p><p>SOCIAIS.</p><p>Logo, as consequências práticas (no continuum da vida online e offline) são vistas, por</p><p>exemplo, no papel das redes sociais e das comunidades virtuais na construção ou deposição</p><p>de figuras políticas, de regimes de governo, de manifestações sociais e uma infinitude de</p><p>outras práticas de atuação que não se prendem mais única e somente ao ciberespaço.</p><p>ESTRUTURA E AGENCIAMENTO DAS REDES</p><p>SOCIAIS</p><p>A estrutura das redes sociais permite que ocorram conexões por um ou vários tipos de</p><p>relações, além de compartilhamento de valores e de objetivos comuns entre pessoas,</p><p>organizações, instituições e mesmo inteligência artificial das mais variadas naturezas.</p><p>Como é o caso dos chatbots, programas de computador cada vez mais aperfeiçoados que</p><p>emulam conversas, tons</p><p>e linguagem coloquial com usuários de várias plataformas.</p><p>Por denvitruk | Fonte: Shutterstock</p><p>Sob essa lente de análise, Elizabeth Saad ainda mostra que as redes sociais colocam como a</p><p>base de sua estrutura, necessariamente, um termo que se tornou a palavra-chave das relações</p><p>sociais hodiernas: a visibilidade.</p><p>COM O PREDOMÍNIO DE PLATAFORMAS SOCIAIS E</p><p>DOS APPS QUE INCENTIVAM A MOBILIDADE</p><p>PARTICIPATIVA, PERSONALIZADA, GEOLOCALIZADA</p><p>E OPORTUNIZADA DE QUEM POSSUI ALGUM</p><p>DISPOSITIVO CONECTADO À REDE, ASSISTIMOS A UM</p><p>EXERCÍCIO (E QUASE UMA BATALHA) COLETIVO DE</p><p>CAPTURA DAS ATENÇÕES.</p><p>(SAAD, 2016)</p><p>As formas de agenciamento produzidas pelas redes sociais digitais tangenciam a compreensão</p><p>de que os sujeitos que se movem nesses espaços de comunidades virtuais são lidos como</p><p>atores sociais.</p><p>Em outros termos, o “agir” não está reservado unicamente a uma dimensão moral das escolhas</p><p>voluntárias. Ao contrário, o agenciamento é também uma forma de demonstração de como se</p><p>pode agir de maneira nem sempre consciente ou proposital, ainda mais tratando-se do agir</p><p>coletivo nas comunidades virtuais, visto como um reflexo que só é possível pela própria</p><p>estrutura participativa das redes sociais.</p><p>A discussão sobre o coletivo e o individual dentro da estrutura e do agenciamento das redes</p><p>sociais passa por um processo de negociação entre as preferências, os valores e as crenças</p><p>dos atores que fazem parte dessas comunidades virtuais. A interconexão deixa mais evidente</p><p>como nossas preferências se relacionam e podem ser moldadas pelas preferências dos outros.</p><p>Por Julia Tim | Fonte: Shutterstock</p><p>E NÃO PODEMOS ESQUECER QUE TAL NEGOCIAÇÃO</p><p>NÃO É NEM EVIDENTE NEM TAMPOUCO FÁCIL. ALÉM</p><p>DISSO, O QUE CHAMAMOS DE PREFERÊNCIAS</p><p>"INDIVIDUAIS" SÃO NA VERDADE FRUTO DE UMA</p><p>AUTÊNTICA CONSTRUÇÃO COLETIVA, NUM JOGO</p><p>CONSTANTE DE SUGESTÕES E INDUÇÕES QUE</p><p>CONSTITUI A PRÓPRIA DINÂMICA DA SOCIEDADE.</p><p>(COSTA, 2005)</p><p>Mas se, dentro ou fora da rede, a elaboração das preferências individuais envolve o coletivo,</p><p>como apontado por Saad, a rede traz uma possibilidade − e, em alguns casos, uma demanda</p><p>de visibilidade −, além de uma agilidade na interação, que modula diferentemente a relação</p><p>indivíduo-coletivo.</p><p>Entenda um pouco mais sobre comunidades virtuais, coletivos em rede e redes de movimentos</p><p>sociais.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. OS METASSISTEMAS DE INFORMAÇÃO SÃO ENTENDIDOS COMO</p><p>PARTE DE UMA SOCIEDADE EM REDE NA QUAL A INTERCONEXÃO</p><p>COMUNICACIONAL É A PALAVRA-CHAVE QUE GUIA AS RELAÇÕES DE</p><p>MERCADO. POR ISSO, A CULTURA DA CONVERGÊNCIA AGE NOS</p><p>METASSISTEMAS DE INFORMAÇÃO DE MODO A:</p><p>A) Gerar um cenário de mutações tecnológicas constantes, no qual os meios de comunicação</p><p>tidos como tradicionais são deixados de lado porque já não têm audiência.</p><p>B) Ignorar a forma como os ambientes do mundo offline influenciam e agem na sociedade</p><p>contemporânea em ambientes online.</p><p>C) Integrar as muitas formas do fazer comunicacional exclusivamente já nascidas e</p><p>desenvolvidas nos ambientes online.</p><p>D) Interconectar os modelos comunicacionais tradicionais e emergentes e possibilitar que</p><p>receptores e emissores interajam em uma nova matriz de conhecimento informacional.</p><p>2. SEGUNDO SAAD (2016), COMO PARTE DAS CORRELAÇÕES ENTRE A</p><p>ESTRUTURA E O AGENCIAMENTO PRÓPRIO DAS LÓGICAS</p><p>CONFIGURADORAS DE INTERAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NAS REDES</p><p>SOCIAIS, É CORRETO AFIRMAR QUE A “VISIBILIDADE” É UM TEMA</p><p>MUITO CARO AOS PARTICIPANTES DESSES ESPAÇOS DIGITAIS. O PESO</p><p>E A IMPORTÂNCIA DA “VISIBILIDADE” NESSE CONTEXTO SE DÃO</p><p>PORQUE:</p><p>A) A captura das atenções nas redes sociais é motivada pelo uso de plataformas sociais e</p><p>programas de TV que incentivam a mobilidade participativa, ao permitirem a discussão político-</p><p>partidária monológica apenas entre os que compartilham dos mesmos valores.</p><p>B) A captura das atenções nas redes sociais é motivada pelo uso de plataformas sociais e apps</p><p>que incentivam a mobilidade participativa, personalizada, geolocalizada e oportunizada de</p><p>quem possui algum dispositivo analógico sem conexão à rede.</p><p>C) A captura das atenções nas redes sociais é motivada pelo uso de plataformas sociais e</p><p>veículos de comunicação tradicional que incentivam a volta aos hábitos de consumo</p><p>operacionalizados exclusivamente pela mídia imprensa.</p><p>D) A captura das atenções nas redes sociais é motivada pelo uso de plataformas sociais e apps</p><p>que incentivam a mobilidade participativa, personalizada, geolocalizada e oportunizada de</p><p>quem possui algum dispositivo conectado à rede.</p><p>GABARITO</p><p>1. Os metassistemas de informação são entendidos como parte de uma sociedade em</p><p>rede na qual a interconexão comunicacional é a palavra-chave que guia as relações de</p><p>mercado. Por isso, a cultura da convergência age nos metassistemas de informação de</p><p>modo a:</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>Os metassistemas de informação se modificaram com a interconexão trazida pela internet e</p><p>configurada na cultura de convergência, que envolve a comunicação online e offline, tradicional</p><p>e emergente. Os próprios conteúdos da TV, do rádio e dos jornais mudaram, possibilitando</p><p>novas formas de participação e consumo.</p><p>2. Segundo Saad (2016), como parte das correlações entre a estrutura e o agenciamento</p><p>próprio das lógicas configuradoras de interação e participação nas redes sociais, é</p><p>correto afirmar que a “visibilidade” é um tema muito caro aos participantes desses</p><p>espaços digitais. O peso e a importância da “visibilidade” nesse contexto se dão porque:</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>Na obra Visibilidade e consumo da informação nas redes sociais, de 2016, a autora Elizabeth</p><p>Saad aponta que existe um exercício coletivo, entendido quase como uma batalha pela captura</p><p>das atenções nos ambientes digitais das redes e comunidades virtuais. Para a autora, estar</p><p>visível nas redes digitais parece ser um mantra da contemporaneidade para pessoas, marcas e</p><p>toda a expressão comunicativa gerada pelas conexões digitais. (SAAD, 2016)</p><p>MÓDULO 2</p><p> Aplicar os conceitos de mobilização social, ágora digital e</p><p>transpolítica no presente contexto socioinformacional</p><p>No jogo de forças citado no módulo anterior, entram em cena os coletivos em rede e as redes</p><p>de movimentos sociais que, na esteira das revoluções digitais, têm sido comumente</p><p>confundidos. Laços sociais, mas também políticos, ganham novas configurações diante do</p><p>atual paradigma informacional e comunicacional.</p><p>OS COLETIVOS EM REDE E AS REDES DE</p><p>MOVIMENTOS SOCIAIS</p><p>Antes de prosseguirmos, é fundamental conhecermos os conceitos dos termos e saber</p><p>diferenciá-los.</p><p>Coletivos em rede</p><p>São formas de agrupamento que ocorrem no locus das redes sociais e das comunidades</p><p>virtuais de modo que os sujeitos que dele participam se identifiquem ou se projetem uns nos</p><p>outros por meio de interesses compartilhados.</p><p></p><p>Redes de movimento sociais</p><p>As redes de movimentos sociais, por sua vez, são agrupamentos e conexões entre quaisquer</p><p>movimentos − como LGBTQI+ ou sem-teto, por exemplo −, sem necessariamente uma ligação</p><p>com redes sociais.</p><p>Dando o exemplo dos coletivos políticos, Francisco Rolfsen Belda e Laiara Perin (2017) são</p><p>categóricos ao afirmar que os canais de comunicação online são os principais meios que</p><p>podem, ao menos em tese, gerar uma apropriação dos instrumentos de participação política, o</p><p>que envolve um novo elo com a informação, que potencializa instrumentos de debate e a</p><p>cidadania.</p><p>De acordo com Belda e Perin (2017), entre as características fundamentais dos coletivos de</p><p>ativismo político contemporâneos que utilizam os chamados cibermeios como instrumento de</p><p>mobilização social estão a participação majoritária e a posição de liderança exercida por</p><p>nativos digitais.</p><p>Dentro da rede de movimento social, a efemeridade dos nós que conectam um ator social ao</p><p>outro é ponto central da discussão de autores como Karine Pereira Goss e Kelly Prudencio.</p><p>Elas defendem que o padrão organizacional da ação coletiva atual é uma rede de grupos</p><p>compartilhando uma cultura de movimento e uma identidade coletiva.</p><p>NATIVOS DIGITAIS</p><p>Assim são</p><p>chamados os indivíduos que nasceram ou cresceram com o uso das</p><p>tecnologias digitais em sua vivência de maneira banal, como parte das experiências mais</p><p>básicas de socialização humana. Estão, portanto, familiarizados com os modos de</p><p>formação de coletivos desse meio.</p><p>javascript:void(0)</p><p>E ESSAS REDES FAZEM E DESFAZEM SEUS NÓS,</p><p>TORNANDO PROBLEMÁTICA A DEFINIÇÃO DE</p><p>MOVIMENTOS SOCIAIS COMO SISTEMAS FECHADOS.</p><p>(...) O CAMPO DE AÇÃO PERMANECE, MAS NÃO SEUS</p><p>ATORES.</p><p>(GOSS; PRUDENCIO, 2004)</p><p>Olhando por esse ângulo, os movimentos sociais, mesmo os que tiveram seu início</p><p>independentemente dos meios virtuais, não podem mais se omitir perante os debates e as</p><p>decisões políticas, sociais, culturais e econômicas que surgem nos fóruns da Web, nas</p><p>comunidades virtuais e nas discussões suscitadas, por exemplo, pelos influenciadores digitais.</p><p>Demandas específicas como a discussão do racismo e da homofobia, mesmo atuando em</p><p>campos distintos, podem se unir para o debate público que leve ao bem comum dos sujeitos</p><p>que vivenciam em simultaneidade esses processos de opressão.</p><p>Por Melina Massola | Fonte: Shutterstock</p><p>OS MOVIMENTOS SOCIAIS TEMATIZAM QUESTÕES QUE</p><p>ANTES ESTAVAM MUITO MAIS RESTRITAS À ESFERA</p><p>PRIVADA, DOMÉSTICA E ÍNTIMA (COMO AS QUESTÕES DE</p><p>GÊNERO, DE ORIENTAÇÃO SEXUAL, DEBATES SOBRE</p><p>RACIALIZAÇÃO E ETNICIDADE, DISCUSSÕES SOBRE</p><p>CAPACITISMO E DEFICIÊNCIA ETC.). NO ESPAÇO DAS REDES</p><p>SOCIAIS E DAS COMUNIDADES VIRTUAIS, GANHARAM MUITA</p><p>FORÇA DE EXPRESSÃO. SEGUNDO GOSS E PRUDENCIO</p><p>(2004), NENHUM ATOR SOCIAL CONTEMPORÂNEO LUTA</p><p>SOZINHO, MAS ATUA EM REDE, NUMA ARTICULAÇÃO QUE É</p><p>GLOBAL E CUJA AÇÃO É LOCAL.</p><p>CONFIGURAÇÃO DAS REDES SOCIAIS NA</p><p>SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO</p><p>A análise da importância das redes sociais e das comunidades virtuais possibilita compreender</p><p>o papel que elas exercem nas democracias contemporâneas. Entre outros pontos, é preciso</p><p>entender que os usuários das redes sociais são atores sociais que estruturalmente podem</p><p>alterar o cenário político de uma cidade, de um estado ou de um país.</p><p>As redes sociais configuram-se como espaços de participação cuja essência está naquilo que</p><p>poderíamos chamar de política do reconhecimento. Nas palavras de Costa (2005), trata-se de</p><p>reconhecer no outro – como uma atitude de inclusão e integração – as suas habilidades, as</p><p>suas competências, os seus conhecimentos e os seus hábitos de modo a compartilhar todas</p><p>essas características pela empatia.</p><p>Por FERNANDO MACIAS ROMO | Fonte: Shutterstock</p><p>A política do reconhecimento opera de modo a trazer os usuários das redes sociais como</p><p>fomentadores do debate político (não necessariamente partidário) na esfera pública</p><p>emoldurada pela sociedade da informação. E, segundo Costa (2005), isso por meio da aptidão</p><p>de perceber, detectar, localizar numa outra pessoa uma característica que não havia sido</p><p>percebida antes.</p><p> RESUMINDO</p><p>Segundo Costa (2005), quanto mais um indivíduo interage com outros, mais ele está apto a</p><p>reconhecer comportamentos, intenções e valores que compõem seu meio. Inversamente,</p><p>quanto menos alguém interage (ou interage apenas num meio restrito), menos tenderá a</p><p>desenvolver plenamente esta habilidade fundamental que é a percepção do outro. Mas</p><p>reconhecer é também, e ao mesmo tempo, dar valor a alguém, aceitá-lo em seu meio, integrá-</p><p>lo como colega ou parceiro.</p><p>A configuração das redes sociais nos contextos da sociedade da informação e da politização</p><p>crescente experimentada nos ambientes online pode ser entendida, em uma leitura baseada na</p><p>obra de Manuel Castells (2000), a partir de cinco características muito relevantes (mas não</p><p>exclusivistas):</p><p>javascript:void(0)</p><p>MANUEL CASTELLS</p><p>Manuel Castells é um dos mais importantes sociólogos da atualidade. Nascido na</p><p>Espanha, lecionou na Universidade de Paris e na prestigiosa École des Hautes Études en</p><p>Sciences Sociales. É autor do já clássico A sociedade em rede, publicado originalmente</p><p>em 1996.</p><p>A INFORMAÇÃO COMO MATÉRIA-PRIMA</p><p>Werthein (2000) ressalta que, diferentemente do que acontecia no passado, quando a</p><p>informação era usada com o objetivo de criar novas tecnologias, atualmente as tecnologias é</p><p>que permitem ao homem atuar sobre a informação propriamente dita.</p><p>OS EFEITOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS</p><p>Eles se inserem fortemente na vida individual e coletiva, uma vez que a informação é parte de</p><p>toda atividade humana. Logo, não há como não ser afetado diretamente pela nova tecnologia.</p><p>A LÓGICA DAS REDES SOCIAIS</p><p>Como consequência das duas características anteriores, tais lógicas caracterizam todo tipo de</p><p>relação complexa implementada nos processos de socialização digital: interação, participação,</p><p>reverberação, compartilhamento e, algumas vezes, transformação social.</p><p>A FLEXIBILIDADE DOS PROCESSOS TECNOLÓGICOS</p><p>A tecnologia favorece os chamados processos reversíveis, ou seja, além de permitir</p><p>modificações e edições na informação colocada ao consumo dos usuários, as redes sociais</p><p>ainda têm a capacidade de reorganização e de reconfiguração dos interesses de cada um dos</p><p>sujeitos partícipes do mundo virtual (basta ver, na atualidade, o papel dos algoritmos, por</p><p>exemplo).</p><p>A CULTURA DA CONVERGÊNCIA</p><p>De acordo com Werthein (2000), o ponto central aqui é que trajetórias de desenvolvimento</p><p>tecnológico, em diversas áreas do saber, tornam-se interligadas e transformam-se as</p><p>categorias segundo as quais pensamos todos os processos.</p><p>REDES, SOCIABILIDADE DIGITAL E</p><p>TRANSPOLÍTICA</p><p>Por Ekaphon maneechot | Fonte: Shutterstock</p><p>As redes sociais são afeitas aos processos de socialização. Os laços construídos por meio das</p><p>redes possibilitam uma sociabilidade que, nas palavras de Santos e Cypriano (2014), atua na</p><p>prática dos compromissos com rosto.</p><p>Ainda que de forma diferente das interações face a face, o cultivo dos laços sociais é</p><p>estimulado pelo reconhecimento de si e do outro (como mostra o exemplo das fotos nos perfis,</p><p>os avatares) como copartícipes de um espaço operado pela mesma lógica. Os autores partem</p><p>da premissa do cuidado necessário à criação e manutenção de conexões, o que sempre exige</p><p>atenção, disposição, sutileza etc.</p><p>DECORRE DAÍ MUITO DO QUE SE TEM A</p><p>COMPREENDER SOBRE A INCRÍVEL ADESÃO DOS</p><p>USUÁRIOS QUE FAZ COM QUE O FACEBOOK</p><p>DESPONTE ENTRE AS REDES SOCIAIS ONLINE MAIS</p><p>FREQUENTADAS DO MUNDO. É PRÓPRIO DA</p><p>PLATAFORMA OFERECER UM SERVIÇO QUE OPERA</p><p>COMO FACILITADOR NA FORMAÇÃO DE LAÇOS</p><p>SOCIAIS.</p><p>(SANTOS; CYPRIANO, 2014)</p><p>As sociabilidades digitais (ou em rede) possibilitam meios de interação que, no ambiente</p><p>online, constroem formas de comunicação que podem resultar em reforço ou desestímulo às</p><p>sociabilidades vivenciadas fora dessas redes. Exemplos disso podem ser vistos quando</p><p>alguém sai de um grupo de familiares no WhatsApp após uma discussão político-partidária</p><p>naquele espaço ou quando um usuário bloqueia outra pessoa no Instagram após o fim de um</p><p>relacionamento conturbado. Essas ações significam sentimentos, emoções e atitudes que</p><p>possuem e produzem efeitos reais, que se sobressaem ao universo das comunidades de afetos</p><p>compartilhados nas redes.</p><p>Pode-se dizer que as sociabilidades digitais transbordam para as relações do dia a dia. No</p><p>exemplo do Facebook, como afirmam Santos e Cypriano (2014), é possível ver que quando se</p><p>compartilha informações em que todos se reconhecem, os comentários reforçam os traços</p><p>comuns e, no mais das vezes, são efusivos. Ou, como sinaliza Braga (2011), ao pensar sobre a</p><p>vinculação das redes sociais com as dinâmicas de sociabilidade e de relação entre pares:</p><p>nesses ambientes, é conveniente manter relações amistosas, cordiais, mesmo com estranhos.</p><p>Falar de modo formal e frio pode ser entendido como arrogância e grosseria, então as relações</p><p>nessas redes são “pessoalizadas”, mesmo que superficialmente.</p><p>Por View Apart | Fonte: Shutterstock</p><p>Por Wachiwit | Fonte: Shutterstock</p><p>Segundo Recuero (2009), partindo do pressuposto de que as comunidades virtuais formadas</p><p>nas redes sociais são compostas, por extensão, de representações dos atores sociais e de</p><p>suas conexões, é possível afirmar que</p><p>fazer parte desse universo de trocas, ressignificações</p><p>simbólicas e atuações (que podem ser, muitas vezes, militantes) das comunidades é uma</p><p>forma de provar a existência da diferença e dos diferentes em coletividade. Algo necessário em</p><p>meio a um cenário cada vez mais fragmentado, individualizado e personalizado. E é justamente</p><p>nesse espaço que a transpolítica se faz presente.</p><p>Um dos maiores estudiosos do tema, Eugenio Trivinho (2006) explica que o conceito de</p><p>transpolítica traz uma demarcação social-histórica, tecnocultural e operacional específica:</p><p>vincula-se exclusivamente ao modus operandi dromocrático da cibercultura, que ele defende</p><p>como cultura definidora da nossa época, e ainda define como civilização midiática avançada.</p><p>DROMOCRÁTICO</p><p>Conceito criado e discutido pelo pesquisador brasileiro Eugenio Trivinho, inspirado no</p><p>filósofo francês Paul Virilio (1932-2018). Diz respeito aos obstáculos enfrentados pelas</p><p>pessoas no uso da internet, das ferramentas tecnológicas e no acesso aos mecanismos</p><p>de participação vinculados à comunicação digital. No contexto da cibercultura, a</p><p>dromocracia está ligada aos processos de exclusão digital.</p><p>A transpolítica está relacionada à descrença radical em relação ao Estado e, de igual forma, à</p><p>cena política e partidária convencional. Logo, vincula-se também um descrédito às instituições</p><p>herdadas da modernidade (como é o caso, mesmo conceitual, da ideia de democracia</p><p>representativa e do processo eleitoral tradicional, por exemplo).</p><p>Segundo Trivinho (2006), grupos sociais e mesmo indivíduos vinculados às comunidades</p><p>virtuais começam, assim, a ter apreço pela transpolítica enquanto saída ou mesmo resposta às</p><p>suas descrenças, uma vez que coincidiram “a ruína mais acabada e incontornável do Estado” e</p><p>a “emergência irreversível da transpolítica dos fenômenos tecnológicos”. O autor aponta que tal</p><p>arranjo ocorre na forma-fluxo da comunicação em tempo real como vetor de articulação e</p><p>modulação da vida humana.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Por Panchenko Vladimir | Fonte: Shutterstock</p><p>Dessa maneira, não é surpresa que as pessoas participem muito mais ativamente de</p><p>discussões acaloradas na Web e em coletivos em rede do que propriamente se organizem por</p><p>meio de redes de movimentos sociais reais e atuantes dentro e fora de cliques, postagens,</p><p>curtidas e compartilhamentos.</p><p>NOVAS FORMAS DE PARTICIPAÇÃO E</p><p>INTERAÇÃO: A CIBERDEMOCRACIA E A</p><p>ÁGORA DIGITAL</p><p>As participações e as interações no mundo digital, ainda que moldadas em grande medida por</p><p>visões mais pessimistas como a da transpolítica, reverberam a possibilidade de outras leituras</p><p>mais otimistas, como alguns desenvolvimentos dos conceitos de ciberdemocracia e de ágora</p><p>digital.</p><p>Para Dutra e Oliveira Junior (2018), por exemplo, tanto a ciberdemocracia quanto a ágora</p><p>digital são permeadas por participações de sujeitos que vislumbram a transformação política da</p><p>sociedade, dos governos e dos representantes eleitos.</p><p>Fonte: flickr</p><p> Manifestação no Egito durante a Primavera Árabe (2011), ilustrando o que se entende pelos</p><p>usos sociopolíticos voltados à transformação de governos e nações inteiras.</p><p>Uma definição didática e clara sobre o que é ciberdemocracia é trazida pelo intelectual</p><p>espanhol Carballido (2008):</p><p>O TERMO “DEMOCRACIA” TRANSCENDE O ÂMBITO</p><p>DA FILOSOFIA POLÍTICA (UMA FORMA DE GOVERNO)</p><p>E DA FILOSOFIA MORAL (UMA COLEÇÃO DE</p><p>VALORES ÉTICOS PARA ORIENTAR A VIDA E O</p><p>COMPORTAMENTO DOS INDIVÍDUOS EM SOCIEDADE)</p><p>PARA TRANSFORMAR-SE EM UM CONCEITO</p><p>COMUNICACIONAL (A POSSIBILIDADE DO ACESSO</p><p>DIRETO À INFORMAÇÃO SEM INTERMEDIÁRIOS).</p><p>(CARBALLIDO, 2008)</p><p>Baseando-se em Pierre Lévy (1999, 2004) e em seus estudos sobre o ciberespaço, Dutra e</p><p>Oliveira (2018) acreditam que os indivíduos que transitam pelas redes sociais começam a se</p><p>expressar pelos meios de comunicação digital como forma de reavivamento ou mesmo</p><p>ressemantização das antigas ágoras gregas (praças públicas), nas quais os cidadãos</p><p>realizavam discussões públicas, debates, arguições e assembleias para decidir os rumos da</p><p>democracia. Para os autores, a analogia ao conceito da ágora digital seria a interação entre os</p><p>cidadãos em tempo real por meio de ferramentas digitais.</p><p>Por Brigida Soriano | Fonte: Shutterstock</p><p> Ágora, no centro de Atenas, Grécia.</p><p>Interações essas que celebram novas formas de comunicação em um espaço que</p><p>sincronicamente exerce papel de mídia e de local de viver, isto é, o ciberespaço. Ou, como</p><p>Lévy (1999) explica, nas novas ágoras digitais coexistem a diferença e os diferentes, mas os</p><p>sujeitos acabam por se conectar a partir de novas formas de comunicação que formam os</p><p>“processos abertos de colaboração”. Logo, é na internet (como um espaço que reflete e refrata</p><p>o tecido social) que a democracia passa por transformações estruturais e estruturantes que</p><p>modificam o modo de se fazer política na contemporaneidade:</p><p>OS PARÂMETROS DE COMUNICAÇÃO DIGITAL,</p><p>PROPICIADOS PELA INTERNET, ELIMINARAM OS</p><p>RUÍDOS DA FORMA ANALÓGICA E TORNARAM A</p><p>COMUNICAÇÃO MAIS DIFUSA, INFLUENCIANDO A</p><p>OPINIÃO PÚBLICA PARA ALÉM DOS LIMITES</p><p>GEOGRÁFICOS EM VIRTUDE DA GLOBALIZAÇÃO,</p><p>OCASIONANDO UMA ALTERAÇÃO ONTOLÓGICA,</p><p>AFETANDO A RELAÇÃO DO CIDADÃO COM O ESTADO</p><p>E TORNANDO POSSÍVEL UM EXERCÍCIO</p><p>DEMOCRÁTICO AMPLIADO, SEJA PELO ATIVISMO</p><p>POLÍTICO NA INTERNET, NAS CONSULTAS PÚBLICAS</p><p>REALIZADAS OU REALIZÁVEIS, OU, AINDA, NUM</p><p>MOLDE TANGÍVEL DE EXERCÍCIO DE DEMOCRACIA</p><p>DIRETA, FACILITADO PELO EMPREGO DA GRANDE</p><p>REDE.</p><p>(DUTRA; OLIVEIRA JUNIOR, 2018)</p><p>Alguns teóricos avaliam que um dos aspectos fundamentais de solidificação das comunidades</p><p>em redes (e, por conseguinte, nas ágoras digitais) reside no sentimento de confiança mútua</p><p>entre os indivíduos. Algo que também se vincula ao espaço da ciberdemocracia. Para Costa</p><p>(2005), por exemplo, essa confiança e sua construção estão diretamente relacionadas à</p><p>capacidade que cada um teria de entrar em relação com o outro, percebendo-o e o incluindo</p><p>em seu universo de referência.</p><p>Dader (2001) afirma que, por mais otimista que seja essa visão de participação da sociedade</p><p>em espaços digitais e potencialmente transformadores, vale ressaltar que estamos falando de</p><p>uma ciberdemocracia possível, que sai de visões idealistas ou utópicas para uma realidade</p><p>palpável e excetuável.</p><p>Por Sergey Nivens | Fonte: Shutterstock</p><p>TEÓRICOS COMO CARBALLIDO (2008) ALERTAM QUE PODE</p><p>SER DEMASIADO FANTASIOSA A IDEIA DE QUE A PARTIR DA</p><p>CIBERDEMOCRACIA ESTARÍAMOS ASSISTINDO A UM TIPO DE</p><p>REVOLUÇÃO ELETRÔNICA CONTRA AS IMPOSIÇÕES DE</p><p>AUTORIDADE OU LEVANTES AUTORITÁRIOS DE</p><p>DETERMINADOS GOVERNOS. AFINAL, SE OS CIDADÃOS</p><p>ESTÃO ATUANDO E MANTÊM PRESENÇA CONSTANTE NAS</p><p>REDES, NÃO SE PODE ESQUECER QUE TAMBÉM OS</p><p>GOVERNOS E AS FORMAS INSTITUCIONAIS DE PODER</p><p>SABEM COMO AGIR NOS AMBIENTES DIGITAIS, PARA O BEM</p><p>E PARA O MAL.</p><p>Assista ao vídeo a seguir e conheça melhor os desafios da ciberdemocracia.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. COM O ADVENTO CRESCENTE DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS COMO</p><p>PARTE DA COTIDIANIDADE, ALGUNS AUTORES AFIRMAM QUE A IDEIA</p><p>DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA E O CONCEITO DE DEMOCRACIA TÊM</p><p>PASSADO POR MUITAS REMODELAÇÕES. NESSE ÂNGULO ANALÍTICO,</p><p>PENSADORES COMO LÉVY (1999, 2004), DADER (2001) E CARBALLIDO</p><p>(2008) CHAMAM A ATENÇÃO PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA</p><p>CIBERDEMOCRACIA DOMINADA POR NOVAS ÁGORAS DIGITAIS,</p><p>LOCALIZADAS EM ESPAÇOS PECULIARES, COMO É O CASO DAS</p><p>REDES E COMUNIDADES VIRTUAIS. POSTO ISSO, É INCORRETO</p><p>AFIRMAR QUE:</p><p>A) Caracterizadas como novos espaços de participação e interação social e política, as redes</p><p>sociais podem ser lidas como as ágoras digitais contemporâneas, já que nelas coexistem</p><p>múltiplas diferenças e processos de colaboração.</p><p>B) Para todos os autores, a ciberdemocracia é a saída mais bem aprimorada para todos os</p><p>problemas sociais, já que não existe exclusão digital nesse cenário e, por extensão, as ágoras</p><p>digitais permitem que todas as vozes (de maneira idêntica) sejam ouvidas.</p><p>C) A ciberdemocracia é um assunto complexo, já que alguns autores acreditam ser fantasiosa a</p><p>ideia de que a partir dela estaríamos a contemplar</p><p>um tipo de revolução eletrônica aos</p><p>problemas sociais.</p><p>D) As ágoras digitais, na visão dos autores citados, representam a ressemantização das</p><p>antigas praças públicas (ágoras gregas) como espaços nos quais os cidadãos realizavam</p><p>discussões públicas, debates, arguições e assembleias democráticas.</p><p>2. AS SOCIABILIDADES DIGITAIS PRODUZIDAS NOS AMBIENTES DE</p><p>INTERAÇÃO VIRTUAL DAS REDES SOCIAIS SÃO BASEADAS NO QUE</p><p>BRAGA (2011) E SANTOS E CYPRIANO (2014) CHAMAM, CADA UM AO</p><p>SEU MODO, DE RELAÇÕES “PESSOALIZADAS” OU “COMPROMISSOS</p><p>COM ROSTO”. PARTINDO DAS CONCEPÇÕES DE SOCIABILIDADES</p><p>DIGITAIS (OU EM REDE) DISCUTIDAS PELOS AUTORES, É CORRETO</p><p>DIZER QUE:</p><p>A) No espaço das sociabilidades digitais, é possível observar que os laços sociais não</p><p>pressupõem o reconhecimento do outro enquanto sujeito coparticipante de um mesmo espaço</p><p>digital, o que é provado pelo grau de agressividade em determinadas interações.</p><p>B) No espaço das sociabilidades digitais, de maneira idêntica ao que se passa nas interações</p><p>analógicas, observa-se que o cultivo dos laços sociais é estimulado apenas pelos nativos</p><p>digitais, isto é, pessoas já nascidas e criadas no ambiente digital.</p><p>C) No espaço das sociabilidades digitais, vê-se que as interações são construídas sempre de</p><p>modo extremamente superficial e efêmero entre os sujeitos (algo muito similar ao que ocorre</p><p>com as interações vivenciadas em ambientes fora da rede).</p><p>D) No espaço das sociabilidades digitais, mesmo que de maneira um pouco diferente das</p><p>interações que ocorrem fora dos meios digitais, o cultivo dos laços sociais é estimulado pelo</p><p>reconhecimento de si e do outro enquanto coparticipantes de um mesmo espaço.</p><p>GABARITO</p><p>1. Com o advento crescente das tecnologias digitais como parte da cotidianidade, alguns</p><p>autores afirmam que a ideia de participação política e o conceito de democracia têm</p><p>passado por muitas remodelações. Nesse ângulo analítico, pensadores como Lévy</p><p>(1999, 2004), Dader (2001) e Carballido (2008) chamam a atenção para a constituição de</p><p>uma ciberdemocracia dominada por novas ágoras digitais, localizadas em espaços</p><p>peculiares, como é o caso das redes e comunidades virtuais. Posto isso, é incorreto</p><p>afirmar que:</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>Apesar de defendidas por alguns autores como lugar de participação e de efetivação</p><p>democrática, outros, como Dader (2001) e Carballido (2008), chamam a atenção para a</p><p>ciberdemocracia e as ágoras digitais não serem a solução perfeita para os problemas da</p><p>humanidade contemporânea. Dader fala em uma “ciberdemocracia possível” para se afastar de</p><p>visões utópicas, enquanto Carballido chama de fantasiosa a ideia de uma revolução eletrônica</p><p>salvadora.</p><p>2. As sociabilidades digitais produzidas nos ambientes de interação virtual das redes</p><p>sociais são baseadas no que Braga (2011) e Santos e Cypriano (2014) chamam, cada um</p><p>ao seu modo, de relações “pessoalizadas” ou “compromissos com rosto”. Partindo das</p><p>concepções de sociabilidades digitais (ou em rede) discutidas pelos autores, é correto</p><p>dizer que:</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>O debate proposto pelos pesquisadores Braga (2011) e Santos e Cypriano (2014) toca no tema</p><p>das sociabilidades digitais (ou em rede) de maneira profunda para entender como as interações</p><p>e participações dos usuários de redes sociais se dão enquanto fenômeno sociocultural. Para os</p><p>autores, as redes sociais são afeitas aos processos de socialização e isso pressupõe que o</p><p>reconhecimento de si mesmo e dos outros sujeitos que participam de um mesmo ambiente</p><p>virtual (como é o caso das redes e comunidades) é o ponto basilar para o cultivo dos laços.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As novas formas de participação e interação propiciadas pela cultura da convergência são</p><p>auxiliadas pelos processos de migração digital e evidenciadas pelas sociabilidades</p><p>desenvolvidas nas redes sociais e nas comunidades virtuais. De acordo com Werthein (2000),</p><p>nesse novo paradigma, a lógica de redes e as tecnologias digitais permitem modelar resultados</p><p>imprevisíveis da criatividade que emanam da interação complexa, desafio quase intransponível</p><p>no padrão tecnológico anterior.</p><p>Quando o assunto é o espaço de participação política, faz-se necessário refletir sobre como as</p><p>configurações das redes sociais permitem o surgimento da “ágora digital” na sociedade da</p><p>informação. É relevante observar como muitos autores pontuam que esse debate não é</p><p>monológico ou que não se chega a ele com uma única resposta, correta e inconteste ao final</p><p>da discussão. Ao contrário, as relações criadas nas redes sociais e nas comunidades virtuais,</p><p>como um todo, são complexas justamente porque estão instauradas em novas formas de</p><p>participação e interação. Formas que são frutos diretos do paradigma comunicacional baseado</p><p>e promovido pela cultura da convergência.</p><p>AVALIAÇÃO DO TEMA:</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar,</p><p>2003.</p><p>BELDA, F. R.; PERIN, L. Ciberativismo e coletivos brasileiros em redes sociais: práticas de</p><p>formação cidadã ou antagonismo político? In: Razón y Palabra, v. 21, n. 2_97, abr./jun. 2017.</p><p>BRAGA, A. Sociabilidades digitais e a reconfiguração das relações sociais. In:</p><p>Desigualdade & Diversidade – Revista de Ciências Sociais da PUC-Rio, n. 9, ago./dez. 2011.</p><p>CARBALLIDO, J. R. S. Perspectivas de la información en internet: ciberdemocracia, redes</p><p>sociales y web semántica. In: ZER, v. 13, n. 25, 2008.</p><p>CARDOSO, G. L. Mídia na sociedade em rede. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.</p><p>CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2000.</p><p>COSTA, R. Por um novo conceito de comunidade: redes sociais, comunidades pessoais,</p><p>inteligência coletiva. In: Interface – Comunicação, Saúde e Educação, v. 9, n. 17, mar./ago.</p><p>2005.</p><p>DADER, J. L. La ciberdemocracia posible: Reflexión prospectiva a partir de la experiencia en</p><p>España. In: CIC − Cuadernos de Información y Comunicación, v. 6, 2001.</p><p>D’AQUINO, F. A história das redes sociais: como tudo começou. In: Tecmundo, 2012.</p><p>DUTRA, D. C.; OLIVEIRA JUNIOR, E. F. Ciberdemocracia: a internet como ágora digital. In:</p><p>Revista Direitos Humanos e Democracia, v. 6, n. 11, jan./jun. 2018.</p><p>GOSS, K. P., PRUDENCIO, K. O conceito de movimentos sociais revisitado. In: Em Tese −</p><p>Revista Eletrônica dos Pós-Graduandos em Sociologia Política da UFSC, v. 2, n. 1 (2), jan./jul.</p><p>2004.</p><p>JENKINS, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008.</p><p>LEMOS, A. Cidade e mobilidade: telefones celulares, funções pós-massivas e territórios</p><p>informacionais. In: Revista Matrizes, v. 1, n. 1, out./ 2007.</p><p>LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.</p><p>LÉVY, P. Ciberdemocracia: ensayo sobre filosofia política. Barcelona: Editorial UOC, 2004.</p><p>RECUERO, R. Redes sociais na internet, difusão de informação e jornalismo: elementos</p><p>para discussão. In: SOSTER, D. A.; FIRMINO, F. (orgs.) Metamorfoses jornalísticas 2: a</p><p>reconfiguração da forma. Santa Cruz do Sul: UNISC, 2009.</p><p>RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.</p><p>SAAD, E. Comunicação na contemporaneidade: visibilidade e transformações. In: SAAD, E.</p><p>(org.). Visibilidade e consumo de informação nas redes sociais. Porto: Media XXI, 2016.</p><p>SANTOS, F. C.; CYPRIANO, C. P. Redes sociais, redes de sociabilidade. In: Revista</p><p>Brasileira de Ciências Sociais, v. 29, n. 85, jun. 2014.</p><p>TRIVINHO, E. A condição transpolítica da cibercultura. In: Revista Famecos, v. 13, n. 31,</p><p>dez. 2008.</p><p>VILCHES, L. A migração digital. Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio, 2001.</p><p>WERTHEIN, J. A sociedade da informação e seus desafios. In: Ciências da Informação, v.</p><p>29, n. 2, maio/ago. 2000.</p><p>EXPLORE+</p><p>Para saber mais sobre a cultura da convergência e os seus vínculos específicos com o</p><p>campo do jornalismo, visite o site do Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo,</p><p>da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).</p><p>Para analisar a relevância das redes sociais na construção de gosto, mobilidade e</p><p>comunidades virtuais, assista ao documentário Fyre Festival. A história, baseada</p><p>em</p><p>fatos, apresenta a organização e a divulgação de um grande evento musical no Caribe</p><p>através das redes sociais. Mesmo contando com o apoio de celebridades e</p><p>influenciadores digitais, o evento foi um fiasco.</p><p>Para se manter atualizado acerca das discussões sobre a ciberdemocracia e a ágora</p><p>digital, assista à palestra Redes sociais e assimetrias da informação: rastreamento,</p><p>rastreabilidade e democracia na era da economia digital, da Ulepicc-Brasil, em parceria</p><p>com o Grupo de Estudo em Economia da Cultura, da Informação, do Conhecimento e de</p><p>Comunicação (GECICC) e do Programa de Pós-Graduação em Economia da</p><p>Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Anderson Lopes da Silva</p><p> CURRÍCULO LATTES</p><p>javascript:void(0);</p><p>javascript:void(0);</p>

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