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<p>W</p><p>BA</p><p>08</p><p>23</p><p>_V</p><p>1.</p><p>1</p><p>DESENHO TÉCNICO APLICADO</p><p>À ENGENHARIA</p><p>2</p><p>Roberta Paulina Tertolino da Silva</p><p>São Paulo</p><p>Platos Soluções Educacionais S.A</p><p>2021</p><p>DESENHO TÉCNICO APLICADO À</p><p>ENGENHARIA</p><p>1ª edição</p><p>3</p><p>2021</p><p>Platos Soluções Educacionais S.A</p><p>Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César</p><p>CEP: 01418-002— São Paulo — SP</p><p>Homepage: https://www.platosedu.com.br/</p><p>Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A</p><p>Paulo de Tarso Pires de Moraes</p><p>Conselho Acadêmico</p><p>Carlos Roberto Pagani Junior</p><p>Camila Turchetti Bacan Gabiatti</p><p>Camila Braga de Oliveira Higa</p><p>Giani Vendramel de Oliveira</p><p>Gislaine Denisale Ferreira</p><p>Henrique Salustiano Silva</p><p>Mariana Gerardi Mello</p><p>Nirse Ruscheinsky Breternitz</p><p>Priscila Pereira Silva</p><p>Tayra Carolina Nascimento Aleixo</p><p>Coordenador</p><p>Mariana Gerardi Mello</p><p>Revisor</p><p>Daniel de Morais Severino</p><p>Editorial</p><p>Alessandra Cristina Fahl</p><p>Beatriz Meloni Montefusco</p><p>Carolina Yaly</p><p>Mariana de Campos Barroso</p><p>Paola Andressa Machado Leal</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________________</p><p>Silva, Roberta Paulina Tertolino da</p><p>S586d Desenho técnico aplicado à engenharia / Roberta Paulina</p><p>Tertolino da Silva, – São Paulo: Platos Soluções</p><p>Educacionais S.A., 2021.</p><p>44 p.</p><p>ISBN 978-65-89881-67-4</p><p>1. Desenho técnico. 2. Engenharia de produto.</p><p>3. Autocad. I. Título.</p><p>CDD 604.20</p><p>____________________________________________________________________________________________</p><p>Evelyn Moraes – CRB 010289/O</p><p>© 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A.</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser</p><p>reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio,</p><p>eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de</p><p>sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização,</p><p>por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.</p><p>4</p><p>SUMÁRIO</p><p>Introdução ao desenho técnico e normas técnicas</p><p>NBR ABNT ____________________________________________________ 05</p><p>Construções geométricas, projeções/vistas e cortes ________ 20</p><p>Desenho técnico utilizando o AutoCAD ______________________ 34</p><p>Introdução aos softwares 3D _________________________________ 52</p><p>DESENHO TÉCNICO APLICADO</p><p>À ENGENHARIA</p><p>5</p><p>Introdução ao desenho técnico</p><p>e normas técnicas NBR ABNT</p><p>Autoria: Roberta Paulina Tertolino da Silva</p><p>Leitura crítica: Daniel de Morais Severino</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer os instrumentos de desenho técnico e as</p><p>normas técnicas aplicadas ao desenho técnico.</p><p>• Orientar ao tipo de layout, legendas, linhas e escalas</p><p>no desenho técnico.</p><p>• Conhecer a importância do desenho técnico e suas</p><p>perspectivas.</p><p>6</p><p>1. Introdução ao desenho técnico</p><p>Você sabia que o desenho é uma forma de linguagem? E que existe</p><p>diferença entre desenho artístico e desenho técnico? Pois bem, o</p><p>desenho é uma forma de comunicação entre as pessoas, que evoluiu ao</p><p>longo da história. No período da Pré-História já existiam desenhos de</p><p>forma simples, porém, comunicáveis. No período da Revolução Industrial</p><p>surgem novas demandas para representação, chamado de desenho</p><p>técnico, com normas e padrões preestabelecidos. Dessa forma, segundo</p><p>Kubba (2014), o desenho técnico é a representação de modo exato de</p><p>objetos ou projetos com uma linguagem universal e de forma detalhada.</p><p>Já para Lima et al. (2020), o desenho técnico tem o compromisso de</p><p>seguir normas de padronizações e informações técnicas para que a</p><p>comunicação seja clara e objetiva. Os mesmos autores, estabelecem que</p><p>o desenho artístico é uma ilustração livre, subjetiva, sem informações</p><p>precisas de uma peça, objeto ou construção, ou ainda uma ideia inicial</p><p>de concepção com objetivo de expressar o pensamento de forma rápida.</p><p>Nesta unidade, você estudará os instrumentos necessários para o</p><p>desenvolvimento de desenho técnico, os padrões de representações, as</p><p>normas técnicas utilizadas, a importância de compreender o desenho</p><p>técnico e as suas perspectivas.</p><p>1.1 Os instrumentos para o desenho técnico e as normas</p><p>técnicas para representação</p><p>Para o desenho técnico ser preciso, deve-se utilizar instrumentos e</p><p>materiais de boa qualidade. Você sabe quais materiais podem ser</p><p>utilizados? Pode-se utilizar: folha para desenho, lápis ou lapiseira, caneta</p><p>nanquim, borracha macia, régua transparente, conjunto de esquadros,</p><p>escalímetro, compasso, gabaritos, mesa de desenho com régua paralela,</p><p>entre outras ferramentas necessárias para ter exatidão no desenho.</p><p>7</p><p>Na sequência, serão apresentados de forma sucinta os materiais e o seu</p><p>uso no desenho técnico.</p><p>• Folha para desenho: papel canson, papel sulfite, papel manteiga e</p><p>papel vegetal, existe no mercado diversos tamanhos e espessura.</p><p>A NBR nº 16.752 (ABNT, 2020), refere-se ao desenho técnico como</p><p>requisitos para apresentação em folhas de desenho, mostrando</p><p>os padrões de dimensões das folhas, o posicionamento/</p><p>dimensionamento de legenda e margem, o dobramento da folha e</p><p>a utilização das escalas.</p><p>• Lápis ou lapiseira: o grafite poderá ser macio, médio ou duro com</p><p>diferentes espessuras. Para linha grossa com traço macio, utiliza-</p><p>se a série B, que inicia em B até 9B. Já para linha fina com traço</p><p>rígido se aplica a série H com variação de 9H a 2H, para obter uma</p><p>linha média usa-se 2H, H, HB, F, B, 2B. As lapiseiras para o desenho</p><p>apresentam espessura em relação ao grafite de 0,2mm a 0,9mm,</p><p>para melhor precisão é recomendável que a base apresente um</p><p>guia metálico (GISLON, 2016).</p><p>• Caneta nanquim: apresenta diferentes espessuras na ponta, em</p><p>que a mais fina tem 0,13mm até a mais grossa de 2mm.</p><p>• Borracha: deve ser macia e de preferência com capa plástica.</p><p>• Régua transparente: para obter uma boa precisão a escala da</p><p>régua deverá ser em marcação de baixo relevo. Ela serve para</p><p>marcar medidas e traçar as linhas.</p><p>• Conjunto de esquadros: os esquadros apresentam ângulos</p><p>de 60°, 30° e 90° ou 45°, 45° e 90°, podendo ser utilizado em</p><p>conjunto para traçar novos ângulos. Para se ter uma vida útil dos</p><p>seus esquadros, não utilize-os fazendo marcações com canetas</p><p>coloridas ou como apoio para corte com estilete.</p><p>8</p><p>• Escalímetro: apresenta-se diversos tipos de escalas, que possibilita</p><p>desenhar objetos de forma ampliada ou reduzida. Ele serve apenas</p><p>para marcação em desenho ou leitura, não se utiliza para traçar</p><p>linhas.</p><p>• Compasso: utilizado para traçar circunferências, arcos ou</p><p>transportar medidas. Alguns modelos apresentam uma haste</p><p>telescópica possibilitando atingir marcações maiores.</p><p>• Gabaritos: é um tipo de régua que apresenta elementos vazados</p><p>com diferentes dimensões, como os círculos, as elipses, as peças</p><p>sanitárias e hidráulicas, os mobiliários, entre outros.</p><p>• Mesa de desenho com régua paralela: suporte para colocar a folha</p><p>de papel e os instrumentos de desenho. A régua paralela permite</p><p>traçar retas paralelas e serve como apoio para os esquadros no</p><p>traçado de ângulos.</p><p>Todo material empregado no desenho técnico deverá apresentar</p><p>boa qualidade, a fim de gerar resultado preciso. Portanto, ele deverá</p><p>ser realizado de acordo com as normas técnicas, ou seja, as Normas</p><p>Brasileiras Regulamentadores (NBR) referentes ao desenho técnico, que</p><p>objetivam a padronização na representação gráfica com uma linguagem</p><p>universal a todos os profissionais.</p><p>A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é uma entidade</p><p>de normalização do Brasil que fornece as condições necessárias para</p><p>o desenvolvimento tecnológico. As normas técnicas essenciais para o</p><p>desenho técnico são:</p><p>• NBR 17.006 (ABNT, 2021) – Desenho técnico — Requisitos para</p><p>representação dos métodos de projeção: essa norma menciona</p><p>métodos de projeção e suas relações geométricas.</p><p>9</p><p>• NBR 10.126 (ABNT, 1987) Versão Corrigida:1998 – Cotagem em</p><p>desenho técnico – Procedimento: essa norma aponta os princípios</p><p>gerais de cotagem a serem</p><p>aplicadas em todos os desenhos</p><p>técnicos.</p><p>• NBR 16.861 (ABNT, 2020)–Desenho técnico — Requisitos para</p><p>representação de linhas e escrita: essa norma especifica os tipos</p><p>de representação das larguras das linhas e a escrita utilizadas no</p><p>desenho técnico.</p><p>• NBR 12.298 (ABNT, 1995b) Representação de área de corte por</p><p>meio de hachuras em desenho técnico: essa norma aborda a</p><p>forma de representação da hachura em cortes e os tipos de</p><p>hachuras, conforme o material.</p><p>Portanto, para a elaboração do desenho técnico, é necessário respeitar</p><p>as NBR para garantir o padrão e técnica adequada, manusear os</p><p>instrumentos de desenho adequadamente e organizar a representação</p><p>gráfica, permitindo uma leitura clara e objetiva entre os profissionais.</p><p>Vale ressaltar que, o profissional deve estar atento às atualizações das</p><p>normas técnicas, pois, elas são reformuladas na medida que há avanços</p><p>tecnológicos e evoluções técnicas.</p><p>1.2 Os tipos de layout, legendas, linhas e escala no</p><p>desenho técnico</p><p>Você conhece os tipos de layout (folhas) para confecção do desenho</p><p>técnico? Você sabe que existem dimensões e espessuras diferentes?</p><p>Já parou para refletir que as linhas são instrumentos criados para</p><p>padronização? E que as escalas podem representar qualquer dimensão</p><p>de objeto?</p><p>Para que o desenho técnico seja adequado é necessário conhecer</p><p>alguns componentes para sua composição, como os tipos de layout, as</p><p>https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=4578</p><p>https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=458014</p><p>10</p><p>legendas (selo, símbolos, cores, abreviaturas etc.), as linhas, as escalas,</p><p>a caligrafia, a cotagem, dentre outros itens para representação do</p><p>desenho técnico.</p><p>Antes de iniciar o desenho técnico, é essencial avaliar qual o tipo de</p><p>layout se adequa ao projeto, conforme a escala adotada. Além disso, as</p><p>folhas para o desenho é um material extremamente importante, sem ela</p><p>não é possível fazer a representação. Mesmo que o projetista prefira o</p><p>auxílio do computador utilizando software, é necessária a folha para as</p><p>primeiras concepções ou a impressão final do projeto/objeto. A Figura 1</p><p>apresenta os formatos derivado da “Série ISO A”, conforme a NBR 16.752</p><p>(ABNT, 2020a), as medidas estão representadas em milímetros. Na figura</p><p>a seguir, observa-se que do formato A0 forma os demais formatos.</p><p>Figura 1 – Formatos de folhas para desenho</p><p>Fonte: adaptada de ABNT (2020a).</p><p>11</p><p>Para a elaboração do desenho técnico é necessário traçar as margens</p><p>na folha, para limitar o espaço da representação. Nesse caso, coloca-</p><p>se espaçamento na margem esquerda e demais margens, conforme a</p><p>tabela a seguir para os formatos da “Série ISO A”.</p><p>Tabela 1 – Formatos da “Série A”, suas respectivas margens</p><p>e largura da linha do contorno</p><p>Formato</p><p>Margem esquerda</p><p>(dimensão em mm)</p><p>Demais margens</p><p>(dimensão em mm)</p><p>Largura da linha do</p><p>contorno (dimensão</p><p>em mm)</p><p>A0 20 10 1,0</p><p>A1 20 10 1,0</p><p>A2 20 10 0,7</p><p>A3 20 10 0,7</p><p>A4 20 10 0,7</p><p>Fonte: adaptada de ABNT (2020a).</p><p>De acordo com a NBR 16.752 (ABNT, 2020a), a legenda é o local com as</p><p>informações, indicações e identificações principais relativas ao desenho,</p><p>tais como: título, responsável pelo conteúdo, número de identificação,</p><p>escala, indicação sequencial da folha, entre outras informações. A</p><p>representação da legenda (selo) se localiza na posição horizontal e no</p><p>canto inferior direito da folha, com comprimento de 180mm e altura</p><p>variável, conforme a necessidade de acréscimo de informações. Nesse</p><p>sentido, a Figura 2 exemplifica um modelo de legenda (selo) apresentado</p><p>na folha de desenho técnico.</p><p>12</p><p>Figura 2 – Modelo de Legenda (selo)</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Além das informações referentes ao projeto e os responsáveis, como</p><p>demonstrado na Figura 2, a legenda poderá ainda ser um suporte de</p><p>informações para a representação técnica, como símbolos, abreviaturas,</p><p>cores e demais informações que o projetista julgar ser importante para</p><p>a compreensão do desenho. A Figura 3 apresenta um tipo de legenda</p><p>com representação de simbologias e suas especificações para projeto de</p><p>prevenção e combate a incêndio e pânico.</p><p>Figura 3 – Legenda com representação de simbologia</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>13</p><p>Sendo assim, a legenda é um elemento essencial para informações no</p><p>desenho técnico, pois auxilia na explicação, informação e identificação,</p><p>trabalhando em conjunto com a representação gráfica.</p><p>Ao iniciar o desenho do objeto, peça ou projeto é fundamental o</p><p>conhecimento dos tipos e espessuras de linha para a ilustração, uma</p><p>vez que cada linha apresenta uma função. Por exemplo, linha de corte</p><p>(grossa e escura), linha de chamada (fina e clara), linha tracejada (arestas</p><p>ou contornos não visíveis), linha traço e ponto (centro ou simetria),</p><p>linha traço e dois pontos (contorno de peças adjacentes), entre outras</p><p>funções. Dessa forma, a NBR 16.861 (ABNT, 2020b) apresenta os tipos</p><p>básicos de linha e as suas variações, bem como a largura e aplicação no</p><p>desenho técnico.</p><p>Outro elemento extremamente importante na elaboração do desenho</p><p>técnico é a escala. Desse modo, é possível desenhar qualquer objeto/</p><p>projeto em dimensões variadas. Nesse contexto, basta adequar o tipo</p><p>de escala e desenho em relação ao tamanho da folha. Assim, o uso da</p><p>escala converte as medidas reais em medidas de desenho, podendo</p><p>ser escala reduzida, ampliada ou natural. Por exemplo, a redução é</p><p>empregada em projeto de edificações, a ampliação em peças mecânicas</p><p>e a natural para objetos médios na dimensão real. A Figura 4 apresenta</p><p>os tipos de escalas empregadas no celular, as medidas estão em</p><p>centímetros.</p><p>14</p><p>Figura 4 – Representação dos tipos de escalas</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Segundo Bareta e Webber (2010), para o desenho manter a proporção</p><p>entre o tamanho real foi normatizado que as reduções ou ampliações</p><p>devem ser feitas respeitando uma razão constante entre as dimensões</p><p>do desenho e as dimensões reais do objeto representado. Sendo assim,</p><p>utiliza-se a escala do desenho pela seguinte fórmula:</p><p>Em que:</p><p>n<1: redução do desenho, corresponde a escala de redução (1:x).</p><p>n>1: ampliação do desenho, corresponde a escala de ampliação (x:1).</p><p>n=1: tamanho natural, corresponde a escala natural (1:1).</p><p>15</p><p>Nesse contexto, é importante olhar com atenção quando for cotar o</p><p>desenho técnico, pois, a medida deverá ser a dimensão real do objeto/</p><p>projeto, independentemente da escala adotada. Com relação a indicação da</p><p>escala na folha, ela poderá ser indicada na legenda (selo) quando se tratar</p><p>de escala comum a todas as representações, ou caso, as escalas sejam</p><p>diferentes sua indicação ficará próximo a representação de preferência</p><p>embaixo do desenho técnico e na legenda se escreve “escala indicada”.</p><p>Portanto, na representação de desenho técnico, é de suma importância</p><p>apresentar um grande número de informações a fim de que qualquer</p><p>profissional que o leia seja capaz de compreender e executar de acordo</p><p>com o especificado. Mas cuidado com o excesso de informações</p><p>desnecessárias para não prejudicar a leitura e interpretação do desenho</p><p>técnico.</p><p>1.3 A importância do desenho técnico e suas perspectivas</p><p>É importante que você tenha o domínio da representação, conheça</p><p>as normas técnicas e tenha o cuidado de desenhar de forma clara e</p><p>objetiva, assim, permitindo que qualquer profissional faça a leitura gráfica</p><p>adequadamente. Conforme Sobral Filha, Abrantes e Gramado (2017, p. 47),</p><p>em relação a área de atuação e ao desenho técnico:</p><p>Independentemente da área em que atua, todo engenheiro, na sua essência,</p><p>é um resolvedor de problemas. A prática da engenharia mostra que, antes</p><p>de resolver um problema, o engenheiro tem que entendê-lo, visualizá-</p><p>lo mentalmente e imaginar como modelá-lo tridimensionalmente. Essa</p><p>característica, da atuação do engenheiro, o obriga a ter bem desenvolvidas,</p><p>além dessa visão espacial ou tridimensional, outras habilidades (ou</p><p>inteligências) específicas. A linguagem ou forma de se expressar básica</p><p>da engenharia são os desenhos técnicos, que nada mais são que</p><p>as</p><p>representações de objetos espaciais (tridimensionais ou X, Y, Z) em um plano</p><p>bidimensional (X, Y).</p><p>16</p><p>Nesse contexto, a representação gráfica e visual do projetista é essencial</p><p>para a profissão, visto que é uma das formas de comunicação. Com isso, as</p><p>etapas que compõem os desenhos são: concepção (ideias iniciais que são</p><p>esboçadas a mão livre), desenho técnico preliminar (amadurecimento das</p><p>ideias e elaboração de forma técnica) e desenho técnico executivo (desenho</p><p>pronto para execução com todas as informações necessárias).</p><p>Assim, o desenho poderá ser representado de forma plana ou em</p><p>perspectiva. A forma tridimensional referente a perspectiva é o desenho</p><p>com largura, altura e profundidade. Ela possibilitará uma visão espacial</p><p>de qualquer modelo de peça. No entanto, para facilitar a leitura e</p><p>compreensão, a perspectiva deverá estar acompanhada das vistas técnicas.</p><p>Na sequência, abordaremos os tipos de perspectivas mais utilizadas no</p><p>campo das engenharias:</p><p>• Perspectivas cônicas: semelhante ao olho do observador, porque está</p><p>associada aos pontos de fuga, podendo ser 1, 2 ou 3 pontos de fuga.</p><p>A Figura 5 representa as perspectivas cônicas e seus pontos de fuga.</p><p>Para a sua construção, define-se a linha do horizonte na altura do</p><p>olhar do observador. Em seguida, marca-se o ponto de fuga onde as</p><p>linhas serão traçadas em relação ao objeto, dando profundidade.</p><p>Figura 5 – Representação das perspectivas cônicas</p><p>com os pontos de fuga</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>17</p><p>Na área de arquitetura, as perspectivas são bastantes utilizadas para</p><p>a representação de fachadas, paisagem urbana, ambientes internos</p><p>ou externos e mobiliários. A Figura 6 exemplifica o uso da perspectiva</p><p>cônica em ambiente interno com aplicação de um ponto de fuga.</p><p>Figura 6 – Perspectiva cônica de ambiente interno</p><p>com um ponto de fuga</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>• Perspectiva axonométrica: se divide em isométrica, dimétrica,</p><p>trimétrica, cavaleira e militar. Ela é representada pelos eixos x, y e</p><p>z em diferentes ângulos. Por sua vez, a Figura 7 demonstra os tipos</p><p>de perspectivas axonométricas.</p><p>18</p><p>Figura 7 – Representação dos tipos de perspectivas axonométricas</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Assim, a perspectiva isométrica apresenta as mesmas proporções e os</p><p>ângulos da linha base iguais a 30° e, com relação ao eixo x, y, e z, todos</p><p>os ângulos são idênticos. Para a perspectiva dimétrica temos ângulos</p><p>diferentes em relação a linha base de 7° e 42°, em que a profundidade</p><p>é a metade do valor real e para o eixo x, y e z dois ângulos são iguais e</p><p>um diferente. Já a perspectiva trimétrica, o ângulo da linha base é 15° e</p><p>44°, e as medidas no eixo da largura são reduzidos pela metade e para</p><p>a relação de x, y e z todos os ângulos diferem. A perspectiva cavaleira</p><p>apresenta o ângulo na linha base 45°, mas, também, poderá ser 15°, 30°,</p><p>60° ou 75° e as medidas no eixo da largura são reduzidos pela metade</p><p>da dimensão real. E para finalizar a perspectiva militar os eixos x e y</p><p>origina o ângulo de 90°.</p><p>Portanto, a partir das vistas ortográficas (vista frontal, vista superior e</p><p>vista lateral) é possível desenhar as perspectivas (3D) para representar</p><p>edificações, peças mecânicas, instalações, equipamentos, mobiliários,</p><p>enfim, uma grande variedade de possibilidades presente em diversas</p><p>áreas das engenharias, arquitetura, geografia, design, matemática etc.</p><p>19</p><p>Essa é sempre uma forma de melhorar a compreensão do desenho</p><p>técnico e a linguagem de comunicação.</p><p>Referências</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 17.006: Desenho técnico</p><p>— Requisitos para representação dos métodos de projeção. Rio de Janeiro: ABNT,</p><p>2021.</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12.298: representação de</p><p>área de corte por meio de hachuras em desenho técnico. Rio de Janeiro: ABNT,</p><p>1995b.</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10.126: cotagem em desenho</p><p>técnico – procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1998.</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16.752: desenho técnico:</p><p>requisitos para apresentação em folhas de desenho. Rio de Janeiro: ABNT, 2020a.</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16.861: desenho técnico:</p><p>requisitos para representação de linhas e escritas. Rio de Janeiro: ABNT, 2020b.</p><p>BARETA, D. R.; WEBER, J. Fundamentos de desenho técnico mecânico. Caxias do</p><p>Sul: Educs, 2010.</p><p>GISLON, J. M. Desenho técnico. Indaial: Uniasselvi, 2016.</p><p>KUBBA, S. A. A. Desenho técnico para construção. Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>(Série Tekne)</p><p>LIMA, V. N. et al. A prática do desenho técnico à mão no século XXI. Brazilian</p><p>Journal of Development, [s. l.], v. 6, n. 3, p. 13848-138555, 2020. Disponível em:</p><p>https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/7869. Acesso em: 18</p><p>mar. 2021.</p><p>SOBRAL FILHA, D. D.; ABRANTES, J.; GRAMADO, R. M. O ensino/aprendizado de</p><p>desenho técnico em cursos de engenharia. Cadernos do IME: série Matemática, [s.</p><p>l.], n. 11, 2017. Disponível em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadmat/</p><p>article/view/30484/22557. Acesso em: 19 mar. 2021.</p><p>https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/7869</p><p>https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadmat/article/view/30484/22557</p><p>https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadmat/article/view/30484/22557</p><p>20</p><p>Construções geométricas,</p><p>projeções/vistas e cortes</p><p>Autoria: Roberta Paulina Tertolino da Silva</p><p>Leitura crítica: Daniel de Morais Severino</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer os conceitos e as definições das formas</p><p>geométricas.</p><p>• Conhecer os tipos de projeções e as vistas</p><p>ortográficas.</p><p>• Conhecer os cortes e as seções e sua representação</p><p>no desenho técnico.</p><p>21</p><p>1. Introdução a geometria</p><p>Você já parou para pensar que estamos rodeados por elementos</p><p>geométricos? E que o desenho geométrico é um aliado em especial da</p><p>matemática? Para a construção desse elementos há instrumentos para</p><p>sua exatidão? Essas são algumas reflexões para você pensar. Conforme</p><p>Jardim e Giora (2018), a geometria originou, a partir das observações</p><p>do homem na natureza, dos seus traços e formas, levando-o ao</p><p>conhecimento da matemática e ao entendimento dos elementos</p><p>geométricos. A junção desses elementos geram objetos que, por sua</p><p>vez, são representados em desenho técnico utilizando as projeções e as</p><p>vistas ortogonais. Além disso, para completar as informações técnicas</p><p>são reproduzidos os cortes e as seções, todas as representações gráficas</p><p>conforme as normas técnicas.</p><p>Nesta unidade, você estudará as construções geométricas fundamentais,</p><p>as projeções e as vistas ortográficas, os cortes e as seções.</p><p>1.1 Construções geométricas fundamentais</p><p>Para a construção geométrica é necessário conhecer alguns elementos,</p><p>como: o ponto, a linha, o círculo, o ângulo e o plano. Esses elementos</p><p>simples permitirão a execução de desenho técnico ou, até mesmo,</p><p>a resolução de problemas. Para isso, se faz necessário, a utilização</p><p>de materiais de desenho, como: régua, compasso, esquadro, curva</p><p>francesa, escalímetro, transferidor etc. Entretanto, para as construções</p><p>geométricas, apenas régua e compasso são o suficiente. Na sequência,</p><p>você estudará cada um desses elementos fundamentais.</p><p>• Ponto: adimensional, ou seja, sem dimensão. O ponto é</p><p>estabelecido pela marcação de duas extremidades ou cruzamentos</p><p>dos elementos geométricos ou, ainda, ser um ponto livre no plano</p><p>(Figura 1).</p><p>22</p><p>Figura 1 – Representação dos pontos</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>• Linha: formada por uma reta constante com comprimento</p><p>seguindo em diversas direções. Ela poderá ser dividida em linhas</p><p>paralelas, linhas concorrentes ou linhas perpendiculares (Figura</p><p>2), entre outras variações. As linhas paralelas são desenhadas</p><p>no mesmo plano e não há cruzamento entre elas. As linhas</p><p>concorrentes, por sua vez, formam entre si ângulos de 180°,</p><p>chamados de ângulos suplementares (imagine uma reta traçada</p><p>na horizontal, no eixo do ponto, o ângulo formado será 180º). As</p><p>linhas perpendiculares formam um ângulo de 90º entre elas.</p><p>Figura</p><p>2 – Representação das linhas</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>• Círculo: formado por uma única linha em forma circular, com</p><p>origem em dois pontos entre linha, a Figura 3 exemplifica o círculo,</p><p>também chamado de circunferência.</p><p>23</p><p>Figura 3 – Representação do círculo</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>• Ângulo: formado por duas semirretas com o mesmo vértice, a</p><p>Figura 4 mostra alguns exemplos de ângulos. Segundo Reis (2014),</p><p>os ângulos podem ser consecutivos, reto, obtuso, adjacentes,</p><p>congruentes, opostos pelo vértice, bissetriz de um ângulo, nulo,</p><p>raso, plano, submúltiplos do grau, agudo, complementares e</p><p>suplementares.</p><p>Figura 4 – Representação de ângulos</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>• Plano: o plano apresenta comprimento e largura, sendo um</p><p>agrupamento infinito de pontos e não há limite nas direções. Para</p><p>a identificação do plano, utiliza-se letras alfa (α), beta (β) e gama (γ).</p><p>Dessa forma, o plano é formado por um conjunto de linhas retas,</p><p>podendo gerar diferentes formas para o plano (Figura 5).</p><p>24</p><p>Figura 5 – Representação de planos</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>As construções geométricas são aplicadas em diversas áreas, como nas</p><p>engenharias, na arquitetura, no design, entre outras profissões. Trata-se</p><p>de um conceito antigo, mas aplicável nos dias atuais, sendo elementos</p><p>extremamente importantes para o desenvolvimento da profissão. O</p><p>entendimento do processo e sua interpretação leva ao desenvolvimento</p><p>e, até mesmo, a criações de objetos mais elaborados. A Figura 6 mostra</p><p>a diversidade de elementos geométricos, como linhas, pontos, círculos,</p><p>vários ângulos, evidenciando-se que as construções geométricas em</p><p>conjunto geram objetos, peças e construções complexas.</p><p>Figura 6 – Representação dos diversos elementos geométricos</p><p>Fonte: adaptada de bergamont/iStock.com.</p><p>https://www.istockphoto.com/br/portfolio/bergamont?mediatype=photography</p><p>25</p><p>Portanto, a construção geométrica é importante no desenvolvimento</p><p>da matemática, no raciocínio, na resolução de problemas na vida</p><p>profissional das áreas das engenharias, já que são profissionais que</p><p>lidam constantemente com soluções de problemas seja em uma</p><p>construção, em projeto ou fabricação de peças.</p><p>1.2 Projeções e vistas ortográficas</p><p>As projeções e as vistas ortográficas são representações gráficas que</p><p>auxiliam na compreensão do projeto e na sua fabricação em diversas</p><p>áreas. A escolha da projeção para a representação será conforme o</p><p>efeito visual desejado pelo profissional. Ela poderá ser executada de</p><p>forma manual (desenho a mão com uso de instrumentos ou mesmo a</p><p>mão livre) ou com auxílio de computador (uso de software).</p><p>Você sabe como funcionam as projeções no desenho técnico? Vamos</p><p>observar e analisar a Figura 7, uma projeção cônica. Na figura da</p><p>projeção do cubo, temos: o observador que está próximo ao objeto;</p><p>entre o observador e o objeto são traçadas as linhas projetantes que,</p><p>por sua vez, projetarão no plano um novo objeto, maior que o original.</p><p>Esse tipo de projeção é chamado de cônica ou central. Uma experiência</p><p>para o entendimento dessa projeção é utilizar um ponto de luz</p><p>(lanterna), colocar um objeto qualquer na palma da mão e focar a luz no</p><p>objeto, projetando-o para a parede, o resultado será a projeção do novo</p><p>objeto, quanto mais próximo o ponto de luz estiver do objeto maior será</p><p>sua projeção. Além disso, conforme a posição do observador, a projeção</p><p>do objeto muda no plano (Figura 7B).</p><p>26</p><p>Figura 7 – Projeção cônica do cubo, A) observador vendo objeto com</p><p>as três dimensões; B) observador vendo o objeto</p><p>em duas dimensões</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Quando temos o observador o mais afastado do objeto, ou seja, ele está</p><p>a uma distância no infinito, as linhas projetantes serão paralelas. Então,</p><p>essa projeção poderá ser ortogonal ou oblíqua. A Figura 8 mostra a</p><p>projeção ortogonal do cubo, com o observador a uma distância grande</p><p>(infinita) do objeto, onde as linhas projetantes ficarão em paralelo.</p><p>Figura 8 – Projeção ortogonal do cubo</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>27</p><p>A NBR 17.006 (ABNT, 2021) aborda os princípios gerais de representação</p><p>em desenho técnico, apresentando as condições gerais para a projeção</p><p>ortográfica. O desenho deverá ser representado na cor preto, caso</p><p>utilizar cores para facilitar a leitura, ela deverá ser especificada em</p><p>legenda. O método para a representação poderá ocorrer no 1º diedro ou</p><p>no 3º diedro, essa configuração é conforme a posição do observador nos</p><p>diedros. A Figura 9 ilustra os diedros e as possibilidades de projeções</p><p>ortográficas que poderão ser desenvolvidas, conforme a posição do</p><p>observador.</p><p>Figura 9 – Representação dos diedros e as</p><p>posições dos observadores</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Santos (2016) mostra como são representadas as vistas ortográficas</p><p>de acordo com a projeção no 1º diedro e 3º diedro. As Figuras 10 e 11</p><p>são exemplos de um objeto em perspectiva, com a representação nos</p><p>diedros.</p><p>28</p><p>Figura 10 – Representação do 1º diedro</p><p>Fonte: adaptada de Santos (2016, p. 174-175).</p><p>Figura 11 – Representação do 3º diedro</p><p>Fonte: adaptada de Santos (2016, p. 175-176).</p><p>Agora que você conhece os tipos de projeções e como são feitos</p><p>os rebatimentos das vistas ortográficas, abordaremos sobre os</p><p>procedimentos para a representação. Vale ressaltar que, o projetista</p><p>deve analisar a quantidade de vistas para o desenho e representar de</p><p>forma clara e objetiva, sem gerar dúvidas para outro profissional.</p><p>De modo geral, o projetista deverá atentar para alguns detalhes, como:</p><p>1º. Escolher a vista principal, essa deverá ser a que contém a maior</p><p>quantidade de detalhes do objeto.</p><p>29</p><p>2º. A quantidade de vistas se dará em função dos detalhes das peças,</p><p>geralmente, três vistas é o suficiente (vista principal, lateral esquerda e</p><p>superior), mas nada impedirá a representação de mais vistas.</p><p>3º. As linhas não visíveis do objeto deverão ser traçadas com linha</p><p>tracejada.</p><p>4º. Adotar sempre a mesma distância entre as vistas, buscando sempre a</p><p>organização nas representações, é uma forma de manter a leitura clara</p><p>dos desenhos.</p><p>A Figura 12 mostra a representação de um objeto e suas vistas</p><p>projetadas no plano e seu rebatimento, observa-se que as linhas</p><p>projetantes auxiliares (linha verde) ajudam na projeção das vistas.</p><p>Vale ressaltar que, no desenho técnico final, essas linhas deverão ser</p><p>apagadas.</p><p>Figura 12 – Representação das vistas ortográficas no</p><p>plano com seu rebatimento</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Conforme Torrezzan (2019), para ter clareza, rigor e exatidão nos</p><p>desenhos técnicos para a execução, utiliza-se os sistemas de projeções</p><p>e, para obter a interpretação e o objeto sem distorção, representa-se as</p><p>30</p><p>vistas ortográficas com suas verdadeiras grandezas. Ainda segundo a</p><p>autora, o desenho técnico e o domínio da visão espacial é indispensável</p><p>para o profissional, pois, por meio deles serão expressadas as criações</p><p>ou intervenções de objetos, peças ou construções, entre outros</p><p>elementos. Além disso, por meio da visão espacial, o profissional tem</p><p>a capacidade de aprender, conceber e transformar imagens internas e</p><p>externas, através da identificação de dados gráficos.</p><p>Portanto, a aplicação das vistas ortográficas para os profissionais das</p><p>engenharias é de extra importância para a representação de peças,</p><p>objetos ou projetos. A projeção ajuda na compreensão e na planificação</p><p>do desenho técnico. Com elas, torna-se possível a execução ou</p><p>fabricação, isso porque existem inúmeras informações. No entanto, o</p><p>desenho técnico deverá estar de modo claro sem duplas interpretações,</p><p>não importa a forma que seja representado, à mão (uso de instrumentos</p><p>de desenho) ou com auxílio de computador, o importante é estar dentro</p><p>das normas técnicas, com leitura clara e objetiva.</p><p>1.3 Cortes e seções</p><p>Para que servem os cortes e as seções? É importante fazer essa</p><p>aplicação? Nas páginas a seguir, responderemos a essas questões.</p><p>O corte é uma representação gráfica que serve para detalhar o interior</p><p>de um objeto, peça ou construção,</p><p>fazendo-se um corte imaginário</p><p>para representar o objeto internamente. Já a seção é utilizada quando o</p><p>corte não consegue identificar outras informações. A NBR 12.298 (ABNT,</p><p>1995) aborda a representação de área de corte por meio de hachuras</p><p>em desenho técnico, uma das normas de orientação para o profissional.</p><p>Segundo Bareta e Weber (2010, p. 13), o corte “[...] representa tanto a</p><p>intersecção do plano secante, onde ocorre o corte e a sua projeção além</p><p>daquele plano” e a seção “representa somente a interseção do plano</p><p>https://www.sinonimos.com.br/indispensavel/</p><p>31</p><p>secante”. A Figura 13 exemplifica uma peça em corte (imagem a) e seção</p><p>(imagem b).</p><p>Figura 13 – Representação de uma peça em corte e seção</p><p>Fonte: Bareta e Weber (2010, p. 146).</p><p>Desse modo, existem diversos tipos de corte que o profissional</p><p>poderá adotar na representação, como: corte total (plano de corte que</p><p>passa por toda a extensão do objeto numa única direção), meio corte</p><p>(empregado em objetos simétricos e o plano de corte passa em ¼ da</p><p>peça), corte parcial (passa por uma pequena parte do objeto), corte em</p><p>perspectiva (a representação ocorre com os métodos da perspectiva),</p><p>corte em desvio (aplicação de mais de um plano de corte). Ao</p><p>representar esses cortes é necessário fazer a hachura na área cortada,</p><p>elas são utilizadas tanto no corte como nas seções, sua representação</p><p>deverá ser a 45º em relação ao contorno da peça. De acordo com o tipo</p><p>de material, há hachura específica conforme apresentado na NBR 12.298</p><p>(ABNT, 1995). A Figura 14 exemplifica uma peça mecânica em corte e a</p><p>representação da hachura.</p><p>32</p><p>Figura 14 – Peça mecânica em corte com hachura</p><p>Fonte: Bareta e Weber (2010, p. 155; 158; 159).</p><p>Para executar o corte é necessário observar alguns processos, como:</p><p>a) a posição do corte será na longitudinal e/ou transversal e vertical e/</p><p>ou horizontal, a escolha ocorrerá nos locais que a peça estiver mais</p><p>detalhes ou com maior quantidade de linhas invisíveis, representando</p><p>nas vistas ortográficas; b) a linha de corte seguirá padrão estabelecido</p><p>pela norma técnica NBR 16.861 (ABNT, 2020), podendo ser linha</p><p>traço longo e ponto estreita ou linha contínua com zigue-zagues para</p><p>interrupção de corte e seções ou linha contínua à mão livre/curva para</p><p>ruptura em detalhes; c) deverá identificar a letra na linha de corte e</p><p>representar com traço + seta a direção do corte; d) identificação do</p><p>nome do corte deverá ser abaixo da representação gráfica, em letras</p><p>maiúsculas, por exemplo Corte A-A; e) marcação da hachura na parte</p><p>sólida do corte seguindo as normas técnicas. Os profissionais das</p><p>engenharias, quando representam as peças por serem pequenas ou</p><p>33</p><p>complexas, acabam demandando de maiores informações, com isso, o</p><p>número de corte e seções poderão ser maiores. Em outras áreas, como</p><p>arquitetura ou design, geralmente, serão apresentados dois cortes.</p><p>Conforme Bareta e Weber (2010, p. 28), “[...] na representação em corte</p><p>de conjuntos que contenham elementos como pinos, parafusos, anéis</p><p>elásticos e outros, deve-se tomar cuidado de não representar esses</p><p>elementos cortados”, e isso facilita o entendimento do elemento na</p><p>representação gráfica.</p><p>Referências</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 16.861: desenho técnico:</p><p>requisitos para representação de linhas e escritas. Rio de Janeiro: ABNT, 2020.</p><p>ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12.298: representação de</p><p>área de corte por meio de hachuras em desenho técnico: procedimento. Rio de</p><p>Janeiro: ABNT, 1995.</p><p>BARETA, D. R.; WEBER, J. Fundamentos de desenho técnico mecânico. Caxias do</p><p>Sul: Educs, 2010.</p><p>JARDIM, M. C.; GIORA, T. Desenho geométrico. Porto Alegre: SAGAH, 2018.</p><p>REIS, A. G. Geometrias plana e sólida: introdução e aplicações em agrimensura.</p><p>Porto Alegre: Bookman, 2014.</p><p>SANTOS, C. S. Desenho técnico. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional,</p><p>2016.</p><p>TORREZZAN, C. A. W. Modelo para avaliação e desenvolvimento da habilidade</p><p>espacial em desenho técnico (MADHE). Tese (Doutorado em design) –</p><p>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019. Disponível em:</p><p>https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/199584. Acesso em: 31 mar. 2021.</p><p>https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/199584</p><p>34</p><p>Desenho técnico utilizando</p><p>o AutoCAD</p><p>Autoria: Roberta Paulina Tertolino da Silva</p><p>Leitura crítica: Daniel de Morais Severino</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer o ambiente de representação digital 2D.</p><p>• Identificar os principais comandos do AutoCAD.</p><p>• Aplicar alguns conceitos para desenvolver uma peça.</p><p>35</p><p>1. Introdução ao desenho técnico com</p><p>aplicação do AutoCAD</p><p>O AutoCAD é uma das ferramentas gráficas digitais para desenvolver</p><p>desenho técnico, sendo mais aplicados na área de arquitetura e</p><p>engenharia civil, podendo ser executado na dimensão 2D (mais</p><p>utilizado para a elaboração dos projetos) ou na forma tridimensional</p><p>(3D), que não é muito utilizada, pois existem outros softwares para tal</p><p>afinidade, por exemplo, o Revit, que apresenta uma nova abordagem,</p><p>o BIM (Building Information Modeling), também poderá ser utilizado</p><p>nas disciplinas de arquitetura e engenharia civil e, até mesmo, o</p><p>SketchUp para representações rápidas. No setor industrial, na área de</p><p>mecânica e manufatura, os softwares mais indicados são o Autodesk</p><p>Inventor que permite a criação de projetos 3D, a documentação e a</p><p>simulação dos produtos ou Fusion 360 que possibilita a concepção</p><p>inicial, a modelagem, o detalhamento, as análises, a renderização etc.</p><p>Os softwares do tipo CAD (Computer Aided Design), também conhecido</p><p>como Desenho Auxiliado por Computador, desenvolvido pela Autodesk,</p><p>comercializado para profissionais e em versão gratuita para estudantes,</p><p>é um programa computacional que evolui todo o ano com novos</p><p>recursos para a utilização em diversos setores industriais, além das</p><p>áreas de arquitetura, engenharias e design.</p><p>Nesta unidade, você estudará o programa AutoCAD, os principais</p><p>comandos para o desenvolvimento de projeto/peça e aplicação dos</p><p>comandos para execução de uma peça. Vale ressaltar que, mesmo</p><p>não sendo softwares mais recomendado para os projetos 3D, o</p><p>AutoCAD está no mercado desde 1982, tornando-o mais utilizado nas</p><p>representações bidimensionais nos desenhos técnicos e bastante</p><p>utilizados por diversos profissionais.</p><p>36</p><p>1.1 Conhecendo o programa AutoCAD</p><p>O AutoCAD é um software que possibilita o desenvolvimento de vários</p><p>projetos de pequeno, médio ou grande porte. Ele é um programa</p><p>com um grande número de comandos, recursos e funções. Então,</p><p>para o profissional dominá-lo é importante o uso constante e estudo.</p><p>No entanto, é possível a execução do desenho técnico, sabendo as</p><p>ferramentas essenciais. Assim como qualquer outro programa, a</p><p>autoridade ocorrerá com o tempo para a fixação dos comandos e a</p><p>descoberta de novas possibilidades. Atualmente, o AutoCAD se encontra</p><p>na versão 2022.</p><p>Agora, você conhecerá o ambiente do programa AutoCAD, na versão</p><p>2018. A ambientação da tela inicial do programa (Figura 1) permite</p><p>iniciar um novo projeto, clicando no start drawing (primeira coluna) ou</p><p>continuar com projetos recentes salvos em recent documents (coluna do</p><p>meio). Já a terceira coluna se refere a área de notificações ou conexão</p><p>com a Autodesk A360. Para iniciar um novo projeto clique em start</p><p>drawing, em seguida, na barra de template, escolha o próprio arquivo do</p><p>programa, acadiso.dwt, clicar sobre ele para ativá-lo.</p><p>Figura 1 – Tela inicial do AutoCAD</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>37</p><p>Ao iniciar o AutoCAD surgirá o ambiente de trabalho do programa</p><p>(Figura 2), com diversos dispositivos, no Menu Ribbon há várias opções</p><p>de ferramentas para utilização e aplicação, no centro está localizado a</p><p>área de trabalho e barra inferior com a linha de comando e algumas</p><p>informações.</p><p>Figura 2 – Tela da área de trabalho</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Com relação a interface, existem três opções de escolha: a Drafting &</p><p>Annotation, a 3D Basics e a 3D Modeling. No caso, abordaremos a Drafting</p><p>& Annotation</p><p>para as representações dos desenhos técnicos na forma</p><p>bidimensional.</p><p>Na sequência será apresentado o Menu Ribbon, linha de comando, barra</p><p>e caixas de ferramentas, barra de status, ícones e os principais comandos</p><p>para o desenvolvimento de desenho. A Figura 3 mostra o Menu Ribbon com</p><p>uma série de elementos/ferramentas para a utilização.</p><p>Figura 3 – Janela de elementos/ferramentas de comandos</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Área de representação do desenho</p><p>38</p><p>O Menu Ribbon apresenta um conjunto de abas (Home, Insert, Annotate,</p><p>Parametric, View, Manage, Output, A360, Express Tools etc.) e cada aba</p><p>engloba vários painéis com diversas ferramentas.</p><p>Figura 4 – Abas do Menu Ribbon</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>A aba Home localiza as ferramentas mais importantes para o</p><p>desenvolvimento do desenho. Nela os comandos são separados em</p><p>painéis, como: Draw, Modify, Annotation, Layers, Block, Properties, Groups,</p><p>Utilities, Clipboard e View, e nos painéis existem mais comandos que</p><p>poderão ser expandidos através das setas (Figura 5).</p><p>Figura 5 – Expansão de mais comandos</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>39</p><p>A seguir serão apresentados de forma sucinta as abas e os seus</p><p>principais painéis:</p><p>• Home = Draw, Modify, Annotation, Layers, Block, Properties, Groups,</p><p>Utilities, Clipboard, etc.</p><p>• Insert = Block, Block Definition, reference, Point Cloud, Import, etc.</p><p>• Annotate = Text, Dimensions, Centerlines, Leaders, Tables, etc.</p><p>• Parametric = Geometric, Dimensional e Manage.</p><p>• View = Viewport Tools, Model Viewports, Palettes e Interface.</p><p>• Manage = Action Recorder, Customization, Applications e CAD</p><p>Standards.</p><p>• Output = Plot e Export to DWF/PDF.</p><p>• A360 = Share, Online Files e Settings Sync.</p><p>• Express Tools = Blocks, Text, Modify, Layout, Draw, Dimension, Tools e</p><p>Web.</p><p>Para o projetista ter produtividade é importante a utilização dos atalhos</p><p>para ativação dos comandos na linha de comandos. Com o tempo</p><p>profissional, esse processo se familiariza com os atalhos e estratégias</p><p>para tornar o trabalho mais rápido.</p><p>Na barra inferior, você encontrará a Linha de Comando (Figura 6), que</p><p>apresentam: informações das ferramentas; preenchimento de dados,</p><p>por exemplo, de medidas; alterações de comandos; verificação de</p><p>dimensões do objeto, como área, perímetro, comprimento e outros</p><p>dados que poderão ser extraídos do projeto.</p><p>40</p><p>Figura 6 – Linha de comando</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Ainda na barra inferior, na lateral esquerda, temos o eixo X e Y, no</p><p>sistema de coordenadas, que especifica valor primeiro para X e depois</p><p>para Y. Abaixo, você visualizará três abas, o model (local que desenha),</p><p>layout 1 (configuração da prancha) e layout 2 (mesmo que o layout 1).</p><p>Além disso, você poderá adicionar mais layouts (clicando no +), conforme</p><p>a sua necessidade. A Figura 7 mostra o eixo X e Y e as três abas.</p><p>Figura 7 – Eixo X e Y e as abas</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Figura 8 – Barra de status</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>No programa AutoCAD, há uma infinidade de comandos, de</p><p>configurações, de funções, recursos entre outras possibilidades. Nesse</p><p>contexto, Ribeiro, Peres e Izidoro (2013) abordam de forma detalhada as</p><p>barras e seus ícones, bem como teclas de atalho para acionar comandos.</p><p>Com relação a tecla de atalho, há uma grande vantagem, pois, ela evita</p><p>percorrer longos caminhos para ativar os comandos.</p><p>41</p><p>Portanto, antes de desenvolver um desenho técnico, o profissional</p><p>deverá conhecer as funções do programa, se familiarizar com os</p><p>recursos disponíveis, configurar o AutoCAD de modo a criar estratégias</p><p>para aumentar a produtividade e buscar os melhores caminhos para</p><p>desenhar.</p><p>1.2 Principais comandos no AutoCAD</p><p>Para utilização do AutoCAD, a maioria dos profissionais tem arquivos</p><p>padrão configurados para o desenho técnico, como: formato de folha</p><p>com as margens e legenda (selo); legenda padrão do projeto; quadros</p><p>específicos, esquadrias; tamanho de texto, cotas, símbolos (conforme</p><p>escala), layers etc.</p><p>Antes de iniciar o desenho, observe a posição na área de trabalho, ou</p><p>seja, qual o tipo de sistema de coordenadas apresenta. O AutoCAD</p><p>possui o sistema de coordenada padrão, o WCS (World Coordinate System</p><p>– Sistema de Coordenada Global). O WCS aponta o posicionamento do</p><p>objeto relativo aos eixos X, Y e Z, não sendo permitido a sua alteração.</p><p>Já no sistema de coordenadas UCS (User Coordinate System), o projetista</p><p>poderá modificá-lo através dos eixos X e Y, podendo ser movido ou</p><p>rotacionado em qualquer área da tela de trabalho. Com relação aos</p><p>pontos de origem para os sistemas de coordenadas, temos X=0, Y=0 e</p><p>Z=0 (0,0,0) ou X=0 e Y=0 (0,0).</p><p>Assim, para a utilização das coordenadas cartesianas absolutas, deve-se</p><p>especificar um valor para X e Y do ponto conforme a origem do sistema</p><p>de coordenadas, separando-os por vírgula, por exemplo, 10,50. Para</p><p>coordenadas cartesianas relativas à sua origem não é fixa, ou seja,</p><p>são aplicadas quando se conhece o deslocamento de um ponto em</p><p>relação ao ponto anterior. Nesse caso, utiliza-se o símbolo @ e digita-se</p><p>valor para o X e Y, separados por vírgula, por exemplo, @10,50. Para a</p><p>aplicação de coordenadas polares absolutas e relativas, deve-se seguir o</p><p>42</p><p>mesmo conceito, no entanto, é adicionado um ponto com uma distância</p><p>e um ângulo em relação à origem. A Figura 9 exemplifica as coordenadas</p><p>cartesianas e as coordenadas polares absolutas e relativas.</p><p>Figura 9 – Coordenadas cartesianas absolutas e relativas e</p><p>Coordenadas polares absolutas e relativas</p><p>Fonte: Baldam e Costa (2015, p. 90-91).</p><p>A seguir apresentaremos os principais comandos (Quadro 1) para</p><p>desenvolver um desenho técnico. Nesse sentido, destaca-se que, há</p><p>vários outros comandos e para a sua aplicação não existe apenas</p><p>um caminho, cada profissional detém uma maneira de organizar as</p><p>ferramentas. Em resumo, os comandos poderão ser digitados no teclado</p><p>ou acionados nas barras/caixas de ferramentas ou menus.</p><p>43</p><p>Quadro 1 – Mostra alguns comandos, os atalhos, as funções e o uso</p><p>Comando Atalho Função Uso</p><p>Line Digitar</p><p>a letra L</p><p><enter></p><p>Linha em qualquer</p><p>direção.</p><p>Ativar o comando, clicar em</p><p>um ponto, digitar a medida e</p><p><enter>.</p><p>Circle Digitar</p><p>a letra C</p><p><enter></p><p>Círculo. Ativar o comando, clicar</p><p>em um ponto para definir o</p><p>centro, digitar o valor do raio</p><p>ou especificar o diâmetro e</p><p><enter>.</p><p>Rectangle Digitar a</p><p>letra REC</p><p><enter></p><p>Retângulo. Ativar o comando, clicar em</p><p>um ponto qualquer da tela,</p><p>digitar valor para o eixo X</p><p>(vírgula) e para o Y e <enter>.</p><p>Copy Digitar</p><p>a letra</p><p>CO<enter></p><p>Copiar objetos. Ativar o comando, selecione</p><p>o objeto a ser copiado com</p><p>o botão esquerdo do mouse</p><p><enter>, na sequência, clicar</p><p>em um ponto qualquer da tela</p><p>para ser o ponto de origem</p><p>e clicar em outro ponto para</p><p>fazer a cópia.</p><p>Mirror Digitar</p><p>a letra</p><p>MI<enter></p><p>Espelhar,</p><p>principalmente</p><p>objetos simétricos.</p><p>Ativar o comando, selecione</p><p>o objeto <enter>, clicar no</p><p>primeiro ponto depois no</p><p>segundo ponto e <enter>.</p><p>44</p><p>Offset Digitar</p><p>a letra</p><p>O<enter></p><p>Duplicação interno</p><p>ou externo.</p><p>Ativar o comando, digitar o</p><p>valor da distância para a cópia</p><p>paralela <enter>, selecionar</p><p>o objeto e com o cursor do</p><p>mouse direcionar a cópia.</p><p>Para finalizar, clicar com o</p><p>botão esquerdo do mouse.</p><p>Move Digitar a</p><p>letra M</p><p><enter></p><p>Movimentação. Ativar o comando, selecionar</p><p>o objeto a ser movido com</p><p>o botão esquerdo do mouse</p><p>e <enter>, clicar num ponto</p><p>qualquer da tela para ser</p><p>a origem e clicar em outro</p><p>ponto para a definição da</p><p>posição do objeto que foi</p><p>selecionado.</p><p>Rotate Digitar a</p><p>letra RO</p><p><enter></p><p>Girar objeto. Ativar o comando, selecionar</p><p>o objeto a ser rotacionando</p><p><enter>, clicar no ponto base</p><p>e digitar o ângulo de rotação.</p><p>Trim Digitar</p><p>a letra</p><p>TR <dois</p><p>enter></p><p>Cortar elementos</p><p>que se cruzam.</p><p>Com o comando ligado, clicar</p><p>sobre os objetos para apagar.</p><p>45</p><p>Fillet Digitar</p><p>a letra</p><p>F<enter></p><p>Modificar as</p><p>extremidades</p><p>do objeto com</p><p>arredondamento.</p><p>Ativar o comando, surgirá na</p><p>linha de</p><p>comando diversas</p><p>opções, no caso, escolha</p><p>o Radius, para isso digitar</p><p>r ou radius e <enter>, na</p><p>sequência digitar o valor</p><p>do raio e <enter>. Com o</p><p>botão esquerdo do mouse,</p><p>selecionar a linhas que serão</p><p>arredondadas.</p><p>Fonte: elaborado pela autora.</p><p>Além desses comandos é necessário configurar o layers localizado</p><p>na barra de ferramentas, ele possibilitará a criação de camadas com</p><p>diferentes propriedades para cada layer a ser utilizado. A NBR 16.861</p><p>(ABNT, 2020) apresenta os tipos e larguras de linhas que poderão ser</p><p>adotados para a configuração do layer, além da escrita com os tamanhos</p><p>das letras e os espaçamentos. E outra ferramenta aplicado no desenho</p><p>técnico é o dimension, para a cotagem de objetos, nela encontrará</p><p>diversas opções de cota.</p><p>Silveira (2020), em seu livro AutoCAD 2020, ensina uma série de</p><p>comandos e suas aplicações, bem como o funcionamento do sistema de</p><p>coordenadas, o dimensionamento dos desenhos e as especificações dos</p><p>comandos. Além disso, a configuração dos layers e a forma de plotagem.</p><p>Tudo isso, com exemplos práticos do emprego do conteúdo. Dessa</p><p>forma, é uma literatura completa para o profissional aprender a projetar</p><p>no AutoCAD de maneira rápida e segura.</p><p>46</p><p>1.3 Aplicação dos comandos para o desenvolvimento</p><p>de uma peça</p><p>A seguir, apresentaremos uma peça com o passo a passo para</p><p>representá-la com a utilização dos principais comando do programa.</p><p>Assim, construiremos as vistas ortográficas da peça a partir da</p><p>perspectiva apresentada na Figura 10. Para a execução dos comandos,</p><p>não existe um único caminho há diversas formas para se chegar num</p><p>mesmo resultado.</p><p>Figura 10 – Peça em perspectiva e vistas ortográficas</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Para iniciar o desenho da peça, no AutoCAD se deve realizar as</p><p>configurações básica dos layers. Na literatura de Silveira (2020), no</p><p>capítulo 8 é abordado de modo detalhado como fazer a configuração</p><p>dos layers. Já a Figura 11 mostra a tela do layer properties Manager com</p><p>algumas composições dos layers.</p><p>47</p><p>Figura 11 – Tela do layer properties Manager</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Alguns comandos de precisão localizados na barra de status deverão</p><p>estar ativados, como a Figura 12, ícones na cor azul se encontram ativos</p><p>e para a opção de object snap settings deverão ser marcados alguns</p><p>recursos, a letra “v” mostra os recursos ativados.</p><p>Figura 12 – Tela de configuração da barra de status</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Configurações prontas, comece o desenho técnico das vistas</p><p>ortográficas, conforme especificado na Figura 10. Primeiramente, vamos</p><p>iniciar pela vista frontal (Figura 13).</p><p>48</p><p>Figura 13 – Vista frontal</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>1º. Ative o comando Line.</p><p>2º. Clique em um ponto inicial na área de trabalho do AutoCAD.</p><p>3º. Direcione o mouse na direção vertical, no sentido negativo do eixo Y.</p><p>Observe se a configuração do comando Ortho está ligado (cor azul) em</p><p>ON.</p><p>4º. Digite na linha de comandos a medida de 5 unidades e dar <enter>.</p><p>5º. Direcione o mouse na posição horizontal, no sentido positivo do eixo</p><p>X, ou seja, move o mouse para a direita.</p><p>6º. Na linha de comando digite 20 unidades e dar <enter>; a Figura 14</p><p>mostra os passos do 1º ao 6º item.</p><p>49</p><p>Figura 14 – Passo a passo do item 1º ao 6º</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>7º. Direcione o mouse para a posição vertical, no sentido do eixo Y, ou</p><p>seja, move o mouse para cima.</p><p>8º. Na linha de comando digite 20 unidades e dar <enter>.</p><p>9º. Agora direcione o mouse na posição horizontal, no sentido negativo</p><p>do eixo X, ou seja, move o mouse para a esquerda.</p><p>10º. Na linha de comando digite 10 unidades e dar <enter>; a Figura 15</p><p>mostra os passos do 7º ao 10º item.</p><p>Figura 15 – Passo a passo do item 7º ao 10º</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>50</p><p>11º. Direcione o mouse para a posição vertical, no sentido negativo</p><p>do eixo Y, ou seja, move o mouse para baixo.</p><p>12º. Na linha de comando digite 10 unidades e dar <enter>.</p><p>13º. Fazer a ligação do final da linha de 10 unidades com o ponto</p><p>inicial da linha de 5 unidades e dar <enter>; a Figura 16 mostra os</p><p>passos do 11º ao 13º item.</p><p>Observação: na etapa 13º, você poderá desligar o comando Ortho,</p><p>basta apertar F8 no teclado.</p><p>14º. Sua atividade acabou de ser finalizada, parabéns! Agora você</p><p>poderá dar continuidade nas outras vistas.</p><p>Observação: para a medida de 2,5 unidades, a vírgula é substituída</p><p>por ponto “.”. Como vimos no capítulo 1.2, Principais comando no</p><p>AutoCAD, o software trabalha com coordenadas absolutas e relativas e</p><p>para adição de valores utiliza-se a vírgula para a separação. Com isso,</p><p>se você aplicar a vírgula na unidade de 2,5, obterá na posição do eixo</p><p>X=2 e Y=5. Assim, você não conseguiria executar a atividade.</p><p>Figura 16 – Passo a passo do item 11º ao 13º</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>51</p><p>Portanto, o AutoCAD é um programa que agiliza o processo de desenho</p><p>se compararmos com o método manual, pois é uma ferramenta com</p><p>precisão. Para o desenvolvimento de desenho de qualquer peça ou</p><p>projeto de pequeno, médio ou grande porte, existem vários caminhos</p><p>para se chegar em um mesmo resultado. Nesses caminhos, cada</p><p>profissional descobre qual o melhor para ser utilizado nas teclas de</p><p>atalho pelo teclado ou buscando as ferramentas na área de trabalho ou</p><p>na barra de menus.</p><p>Referências</p><p>MASSANGO, V. U. A. AutoCAD 2018: manual 2D básico. [S. l.]: Dasuida, 2018.</p><p>Disponível em: http://dasuida.com/computadores-2/autodesk/autocad/manual-</p><p>basico-de-autocad-2018-2d/. Acesso em: 9 abr. 2021.</p><p>RIBEIRO, A. C.; PERES, M. P.; IZIDORO, N. Curso de desenho técnico e AutoCAD.</p><p>São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.</p><p>SILVEIRA, S. J. AutoCAD 2020 – CADinho: um professor 24h ensinando o AutoCAD</p><p>para você. Rio de Janeiro: Brasport, 2020.</p><p>BALDAM, R.; COSTA L. AutoCAD 2016: utilizando totalmente. São Paulo: Érica, 2015.</p><p>http://dasuida.com/computadores-2/autodesk/autocad/manual-basico-de-autocad-2018-2d/</p><p>http://dasuida.com/computadores-2/autodesk/autocad/manual-basico-de-autocad-2018-2d/</p><p>52</p><p>Introdução aos softwares 3D</p><p>Autoria: Roberta Paulina Tertolino da Silva</p><p>Leitura crítica: Daniel de Morais Severino</p><p>Objetivos</p><p>• Conhecer os softwares 3D disponíveis no mercado.</p><p>• Conhecer os benefícios do software 3D.</p><p>• Aplicar a modelagem 3D no programa.</p><p>53</p><p>1. Introdução aos softwares 3D</p><p>O software 3D é uma ferramenta muito utilizada, principalmente, pelos</p><p>profissionais das engenharias para modelagem de objetos variados.</p><p>Os programas bidimensionais não possibilitam a visualização dos</p><p>projetos como um todo, sendo assim, o software 3D complementa</p><p>as informações e permite detectar erros antes mesmo da produção.</p><p>A utilização de programas de modelagem tridimensional possibilita</p><p>a visualização do modelo virtual, além de facilitar o entendimento,</p><p>por exemplo, de cliente e operador na fabricação. Nesta unidade,</p><p>você estudará os softwares 3D disponíveis no mercado, benefícios do</p><p>software 3D e aplicação da modelagem 3D no programa.</p><p>1.1 Softwares 3D disponíveis no mercado</p><p>Com o avanço tecnológico surgem novas ferramentas, soluções,</p><p>processos, equipamentos, entre outros, para os setores das</p><p>engenharias; e, na área de desenho técnico, novos softwares</p><p>para aprimorar o processo de trabalho, a qualidade, a precisão,</p><p>a produtividade, a redução de custos, o tempo de execução, a</p><p>compatibilização e a organização. No entanto, para o profissional</p><p>usufruir dessa tecnologia será necessário qualificação e especialização</p><p>em um determinado software.</p><p>No mercado, há diversos programas com complexidade diferente para</p><p>a execução da modelagem 3D. Eles são capazes de proporcionarem</p><p>dinâmicas aos projetos e uma maior interação, além de testes,</p><p>simulações e cálculos, como área, volume, força, resistência etc.</p><p>Com isso, os softwares, de modo geral, permitem resultado rápido,</p><p>satisfatório e eficiente.</p><p>Neste contexto, neste tema abordaremos alguns softwares disponíveis</p><p>no mercado para o desenvolvimento de modelo tridimensional.</p><p>54</p><p>Segundo Fialho (2013), o SolidWorks</p><p>é um software de CAD de</p><p>automação de projetos mecânicos e eletromecânicos que possibilita</p><p>esboçar ideias rápidas, explorar recursos e medidas, elaborar objetos</p><p>e realizar diversas, assim, apresentando um ambiente com conjunto</p><p>de soluções integradas e relacionadas. Além disso, profissionais de</p><p>outras áreas também conseguem utilizar o programa para modelagem</p><p>3D, como na criação de objetos variados, automóveis, edificações,</p><p>mobiliários, entre outras possibilidades. Nele é possível a simulação de</p><p>movimentos, detecção de falhas, animações de projetos, renderização,</p><p>gerenciamento de arquivos etc. Dessa forma, é um programa completo</p><p>com grande variedade de recursos para o profissional executar de</p><p>forma eficiente o projeto. Além disso, outros softwares que apresentam</p><p>praticamente as mesmas funções são: Solid Edge, CATIA, Fusion 360 e</p><p>Inventor Profissional.</p><p>O Revit, com tecnologia BIM, desenvolve projetos em várias escalas. O</p><p>programa atende, principalmente, a área de arquitetura e engenharias.</p><p>Com ele é possível criar o projeto arquitetônico e todas as outras</p><p>disciplinas (estrutural, elétrico, hidráulico, ventilação etc.), além de</p><p>poder gerenciar todas as etapas dos projetos da concepção a pós-</p><p>entrega. Assim, qualquer alteração gerada no projeto automaticamente</p><p>modificará todas as outras vistas. Segundo Netto (2020, p. 24), como</p><p>o objeto desenvolvido no Revit é um modelo virtual, “[...] é possível</p><p>utilizar informações reais para analisar conflitos de projetos, realizar</p><p>estudos de insolação, uso de energia, entre outras facilidades”. Ainda</p><p>conforme a mesma autora, o gerenciamento de uma obra poderá</p><p>estar integrada com software de gerenciamento de projeto, tornando</p><p>o processo eficiente (NETTO, 2020). O ArchiCAD é um software BIM</p><p>largamente utilizado pelos profissionais da arquitetura, permitindo</p><p>o desenvolvimento de edifícios em 3D e apresentando soluções de</p><p>engenharia estrutural durante o processo. Ademais, o programa traz</p><p>informações paramétricas dos elementos construtivos, sendo possível o</p><p>55</p><p>planejamento e gerenciamento de todo o processo e, ainda, atualização</p><p>automática no projeto 2D.</p><p>O 3DsMax é um programa de modelagem, animação e renderização</p><p>3D, mais utilizado para a criação de games/jogos, produção de filmes</p><p>de animação, comerciais e vinhetas. Desse modo, é possível adicionar</p><p>plugins ou desenvolver novos, criar vários tipos de objetos/projetos</p><p>e visualizá-los e fazer testes para tomadas de decisões eficazes. Na</p><p>apostila Autodesk 3DsMax 2020, você aprenderá a criar objetos, colocar</p><p>texturas, iluminação, fazer animações e inserção de câmeras.</p><p>O AutoCAD Civil 3D permite o desenvolvimento de projetos nas áreas</p><p>de transporte, SIG, meio ambiente e construção civil. Ele possibilita uma</p><p>boa documentação dos projetos e construções.</p><p>Já SketchUp é um software que permite a criação e edição de objetos</p><p>tridimensionais e apresenta uma interface com boa conexão com o</p><p>projetista. Por ser intuitivo, o programa possibilitará que o profissional</p><p>desenhe modelos 3D de forma rápida e fácil, não necessitando de</p><p>grandes domínios para utilização do programa, em comparação aos</p><p>outros softwares apresentados anteriormente. Entretanto, ele não</p><p>apresenta os módulos de detalhamento precisos, informações técnicas</p><p>de construção, simulações, entre outros. Para se ter os recursos</p><p>são necessários instalações de plugins ou de ferramentas externas</p><p>para adequar a necessidade do projeto. Outro ponto, o SketcUp</p><p>não apresenta a tecnologia BIM, pois, na modelagem não é possível</p><p>diferenciar os elementos ou realizar o levantamento quantitativos</p><p>de materiais. Nesse sentido, segundo Cavassani (2016), o SketchUp</p><p>é prático e simples para representação gráfica no ambiente 3D, o</p><p>que motiva profissionais de diversas áreas na criação de volumes de</p><p>qualquer tipo de objeto. Além disso, temos a biblioteca de objetos</p><p>3D oferecida pelo fabricante, que ajuda no trabalho do profissional,</p><p>principalmente, para arquitetos e designers na composição de</p><p>ambientes.</p><p>56</p><p>Enfim, apresentamos alguns softwares disponíveis no mercado para a</p><p>modelagem 3D, no entanto, há vários outros que poderão ser utilizados,</p><p>mas, cabe ao profissional ou empresa a verificação do programa que</p><p>atenderá conforme a atividade a ser desenvolvida.</p><p>1.2 Benefícios do software 3D</p><p>O software 3D está presente em diversos setores, possibilitando a</p><p>modelagem digital de objetos, peças, edificações, animações, entre</p><p>outros. Dessa forma, os programas permitem a inserção de materiais,</p><p>textura, iluminação, aplicação de imagens, entre outras, bem como uma</p><p>série de recursos oferecido pelo software para a modelagem ficar o mais</p><p>próximo do real.</p><p>Os softwares 3D são utilizados nas áreas de arquitetura, design de</p><p>interiores, design industrial, design de produto, paisagismo, engenharia</p><p>civil, engenharia de produção, engenharia mecânica, engenharia elétrica,</p><p>cinematografia, saúde, entre outros setores que necessitam representar</p><p>algum tipo de objeto.</p><p>Dessa forma, o programa traz uma interação da modelagem sendo</p><p>possível ajustes e correções do objeto antes da fabricação, além de</p><p>poder analisar e simular o objeto conforme a necessidade. Um dos</p><p>grandes benefícios que a representação tridimensional possibilita é</p><p>a questão financeira, uma vez que o profissional possa testar todo o</p><p>processo na fase de desenho. Assim, podendo produzir protótipos</p><p>antes da execução dos objetos e analisá-los. A modelagem 3D permite</p><p>um resultado eficiente e com precisão e, ainda, um modelo virtual real.</p><p>Portanto, a implantação de software 3D abrange várias vantagens,</p><p>tanto para o profissional como para a empresa, bem como os outros</p><p>profissionais envolvidos.</p><p>57</p><p>1.3 Aplicação da modelagem 3D no programa</p><p>Com relação aos programas 3D mais utilizados pelos profissionais,</p><p>temos o AutoCAD e o SketchUp, em que o primeiro é mais preciso em</p><p>comparação com o segundo. No entanto, o SketchUp é um programa</p><p>que apresenta uma interface fácil de utilização e possui várias opções</p><p>de aplicação de materiais e renderização com imagens realistas. Nesse</p><p>contexto, na figura a seguir apresentaremos uma peça modelo para a</p><p>modelagem nesses dois softwares.</p><p>Figura 1 – Peça modelo em vista ortográfica</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Iniciando a modelagem no AutoCAD com o passo a passo para a</p><p>representação da peça, em que, primeiramente, deve-se escolher o</p><p>template com a configuração acad3D.dwt, que apresenta a interface do</p><p>ambiente 3D (Figura 2a). Na sequência, na barra de status selecione o</p><p>workspace switching e marque o 3D modeling (Figura 2b) que contém</p><p>as ferramentas para o desenho 3D. Após abrir a área de trabalho será</p><p>utilizada a representação gráfica executada na forma bidimensional,</p><p>conforme a Figura 1. Ela será transportada para o ambiente 3D, então,</p><p>58</p><p>selecione e cole na área tridimensional o modelo já criado na forma</p><p>bidimensional do conteúdo do Tema 3, do capítulo 1.3.</p><p>Figura 2 – a) Start drawing para escolha do template;</p><p>b) Ativação do ambiente 3D</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>No ambiente 3D, o passo seguinte é deletar as cotas da vista superior,</p><p>pois através dela que vamos gerar o sólido. Em seguida, adicione o</p><p>comando region., digitando “REG” <enter>, e selecione as linhas para</p><p>formar uma malha (Figura 3).</p><p>Figura 3 – Vista superior com a formação da malha</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>59</p><p>Realizando a etapa anterior, utilizaremos o comando extrude, então,</p><p>digite “EXT” <enter>, selecione o quadrado menor (5x5), aperte o</p><p><enter>. Puxe para a vertical e digite 20 <enter> e, depois, o quadrado</p><p>de 10x10 (Figura 4).</p><p>Figura 4 – Aplicação do comando extrude</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Como na peça existe um furo central, com o comando subtract será</p><p>executado a subtração. Para isso, digite “SU” <enter> clique na peça</p><p>que não será alterada, no caso, o quadrado de 10x10, em seguida</p><p>aperte <enter> e clique na peça que será furada (5x5) e <enter>.</p><p>Automaticamente, a peça será furada (Figura 5).</p><p>Figura</p><p>5 – Peça com o furo central</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>60</p><p>Para a execução da peça que apresenta de forma inclinada será</p><p>utilizado, primeiramente, o comando extrude, digite “EXT” <enter>,</p><p>selecione o quadrado amarelo e suba com distância de 10 (Figura 6).</p><p>Figura 6 – Comando extrude aplicado na peça</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>O chanfrado nesta peça utilizará o comando chamfer, digite “CHA”</p><p><enter>, selecionea face do eixo y que será a referência do chanfrado</p><p>(Figura 7) e dê ok. Em seguida, o comando pedirá a distância, digite</p><p>5 <enter>, depois 10 <enter>. Após o término do comando marcar a</p><p>aresta, como mostra a Figura 8, dê <enter>, o resultado esperado é um</p><p>chanfro conforme a Figura 9.</p><p>Figura 7 – Marcação da face referência para o chanfro</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>61</p><p>Figura 8 – Marcação da aresta</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>Figura 9 – Resultado do chanfro</p><p>Fonte: captura de tela AutoCAD 2018.</p><p>O último passo é tornar a peça única por meio do comando union, digite</p><p>“UNI” <enter>, selecione as duas peças (o chanfrado mais o quadrado) e</p><p>dê <enter>. Pronto, a sua peça está finalizada, parabéns!</p><p>No programa AutoCAD existe uma infinidade de recursos que poderão</p><p>ser aplicados na peça, como usos dos materiais, o tipo de visualização,</p><p>renderização, iluminação, forma de apresentação, enfim, esse é um</p><p>software com bastantes recursos. Nesse momento, demonstramos os</p><p>comandos básicos para a modelagem 3D de uma peça.</p><p>62</p><p>Nesse contexto, é importante saber que, para o resultado final existem</p><p>outros caminhos que chegarão no mesmo resultado. Para isso, é preciso</p><p>testar as outras possibilidades e descobrir qual caminho a seguir. Vale</p><p>ressaltar que, as medidas adotadas estão na unidade de metro.</p><p>Agora que você conheceu o processo do AutoCAD, abordaremos a</p><p>modelagem no SketchUp. O primeiro passo é abrir o software, no caso,</p><p>será trabalhado no SketchUp Pro2015. Com o programa aberto, execute</p><p>a importação da peça. Para isso, selecione o arquivo e importe, como</p><p>ilustrado na Figura 10. Caso esteja utilizando a versão inglês, o processo</p><p>será o mesmo. Na sequência, selecione o arquivo desenvolvido no</p><p>AutoCAD, mas, antes escolher o tipo, a extensão “arquivo AutoCAD .dwg,</p><p>.dxf”, abra o arquivo. Antes do arquivo aparecer na área de trabalho,</p><p>surgirá uma caixa de diálogo, marque em fechar (Figura 11a) para que o</p><p>arquivo seja carregado (Figura 11b).</p><p>Figura 10 – Caminho para a importação do arquivo</p><p>Fonte: captura de tela SketchUp Pro2015.</p><p>63</p><p>Figura 11 – Processo de importação, a) caixa de diálogo,</p><p>b) arquivo carregado</p><p>Fonte: captura de tela SketchUp Pro2015.</p><p>Para a execução do volume será utilizada a ferramenta retângulo</p><p>(primeira imagem), faça a marcação em toda a peça e depois marque</p><p>o quadro de 5x5 (segunda imagem), isso é para termos três conjuntos</p><p>independentes de peças (Figura 12).</p><p>Figura 12 – Seleção da ferramenta retângulo</p><p>Fonte: captura de tela SketchUp Pro2015.</p><p>Finalizado o comando, ative a ferramenta empurrar/puxar (primeira</p><p>imagem), selecione o primeiro quadrado e puxe 10 metros para cima ou</p><p>digite 10 e <enter> (segunda imagem). O próximo passo é selecionar o</p><p>outro quadrado de 10x10 e puxar 20 metros (terceira imagem), observe</p><p>que o furo central está presente, isso porque os retângulos estão</p><p>independentes (Figura 13).</p><p>64</p><p>Figura 13 – Processo da aplicação da ferramenta empurrar/puxar</p><p>Fonte: captura de tela SketchUp Pro2015.</p><p>Agora será executado o chanfro, para isso, utilize uma linha na diagonal</p><p>pegando a extremidade de 10 metros e marcando o meio do quadrado,</p><p>já que a medida é de 5 metros. Contudo, primeiramente, ative a</p><p>ferramenta linha (primeira imagem), depois marque a extremidade</p><p>dando um clique (segunda imagem) e direcione para o ponto mediano</p><p>do quadrado, clicando na marcação (terceira imagem), esse processo é</p><p>mostrado na Figura 14.</p><p>Figura 14 – Processo da marcação da linha na diagonal</p><p>Fonte: captura de tela SketchUp Pro2015.</p><p>Realizado o processo anterior, agora vamos chanfrar o quadrado</p><p>utilizando a ferramenta empurrar/puxar. Para isso, selecione a parte</p><p>da peça que será recortada, como mostrado na primeira imagem a</p><p>marcação azul. Em seguida, empurrar/puxar a área digitando 10 metros</p><p>(segunda imagem). O resultado será a peça chanfrada (terceira imagem).</p><p>A Figura 15 exemplifica todo o processo.</p><p>65</p><p>Figura 15 – Processo do chanfro da peça</p><p>Fonte: captura de tela SketchUp Pro2015.</p><p>Assim, como no AutoCAD, o SketchUp também tem opções de aplicação</p><p>de materiais, modo de visualização, renderização e caminhos diferentes</p><p>de aplicação de comando para se chegar num mesmo resultado.</p><p>Portanto, a modelagem 3D poderá ser executada em qualquer</p><p>programa, o profissional ou a empresa tem a opção de adotar o</p><p>software conforme o custo, o resultado e os recursos disponíveis. A</p><p>seguir, as Figuras 16, 17, 18 e 19 exemplificam objetos realizados em</p><p>outros softwares de 3D.</p><p>Figura 16 – Peça desenvolvida no software Autodesk Fusion 360</p><p>Fonte: Severino (2018, p. 320).</p><p>66</p><p>Figura 17 – Peça desenvolvida no software no SolidWorks</p><p>Fonte: Fialho (2013, p. 432).</p><p>Figura 18 – Ambiente desenvolvido no SketchUp e</p><p>renderizado no Lumion</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>67</p><p>Figura 19 – Ambiente de trabalho do software 3Ds Max</p><p>Fonte: Derakhshani e Derakhshani (2012, p. 120).</p><p>Referências</p><p>3DS Max 2020. Disponível em: https://cursosbyte.com.br/wp-content/</p><p>uploads/2020/04/apostila_3ds_max.pdf. Acesso em: 18 abr. 2021.</p><p>CAVASSANI, G. SketchUp Pro 2016: ensino prático e didático. São Paulo: Érica/</p><p>Saraiva, 2016.</p><p>FIALHO, A. B. SolidWorks Premium 2013: plataforma CAD/CAE/CAM para projeto,</p><p>desenvolvimento e validação de produtos industriais. São Paulo: Érica, 2013.</p><p>NETTO, C. C. Autodesk Revit: architecture 2020: conceitos e aplicações. São Paulo:</p><p>Érica, 2020.</p><p>OLIVEIRA, A. AutoCAD 2016: modelagem 3D. São Paulo: Érica, 2016.</p><p>SEVERINO, D. M. Autodesk Fusion 360: modelamento, montagens e design. São</p><p>Paulo: Érica, 2018.</p><p>DERAKHSHANI, R.; DERAKHSHANI, D. Autodesk 3Ds Max 2012 essencial: guia de</p><p>treinamento oficial. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>https://cursosbyte.com.br/wp-content/uploads/2020/04/apostila_3ds_max.pdf</p><p>https://cursosbyte.com.br/wp-content/uploads/2020/04/apostila_3ds_max.pdf</p><p>68</p><p>BONS ESTUDOS!</p><p>Sumário</p><p>Introdução ao desenho técnico e normas técnicas NBR ABNT</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução ao desenho técnico</p><p>Referências</p><p>Construções geométricas, projeções/vistas e cortes</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução a geometria</p><p>Referências</p><p>Desenho técnico utilizando o AutoCAD</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução ao desenho técnico com aplicação do AutoCAD</p><p>Referências</p><p>Introdução aos softwares 3D</p><p>Objetivos</p><p>1. Introdução aos softwares 3D</p><p>Referências</p>