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<p>1</p><p>APICULTURA: ABELHAS COM E</p><p>SEM FERRÃO</p><p>AULA 4</p><p>Prof.ª Greissi Tente Giraldi</p><p>2</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta abordagem, aprofundaremos nosso conhecimento sobre as</p><p>abelhas com e sem ferrão, e sobre como fazer o manejo desses insetos de forma</p><p>sustentável e preservando sua integridade.</p><p>Os objetivos são conhecer as principais espécies de abelhas com e sem</p><p>ferrão, entender como ocorre o manejo das colmeias, conhecer quais são os</p><p>principais tipos de apiários utilizados pelos apicultores e meliponicultores, e</p><p>algumas possibilidades de manejo, para garantir a produção de mel.</p><p>TEMA 1 – ABELHAS COM FERRÃO</p><p>No princípio, quando a Terra era povoada apenas por vegetação de</p><p>gimnospermas, havia algumas espécies de vespas predadoras que coabitavam</p><p>essa vegetação. Com o passar de milhões de anos, acompanharam a evolução</p><p>botânica até o surgimento das angiospermas, e por consequência, das flores.</p><p>As abelhas que conhecemos hoje são descendentes daquelas vespas</p><p>predadoras, que deixaram de se alimentar de pequenos insetos e aranhas para</p><p>consumirem o pólen das flores. Durante esse processo evolutivo, surgiram</p><p>diversas espécies de abelhas.</p><p>Estima-se que aproximadamente 20 mil espécies de abelhas estão</p><p>identificadas e catalogadas, no entanto, há na natureza milhares de espécies</p><p>que ainda não foram descobertas ou identificadas. Das espécies conhecidas,</p><p>somente 2% são sociais e produtoras de mel, e, de acordo com o que já vimos</p><p>anteriormente, podemos intuir que as espécies que pertencem ao gênero Apis</p><p>são as abelhas com ferrão mais conhecidas e difundidas no mundo da apicultura.</p><p>1.1 Principais espécies</p><p>Entre as diversas espécies de abelhas que têm ferrão, dedicaremos nosso</p><p>estudo às pertencentes ao gênero Apis. Esse gênero é composto por diversas</p><p>espécies, sendo as mais conhecidas: A. mellifera, A. dorsata, A. laboriosa, A.</p><p>cerana, A. florea, A. adreniformis, A. koschevnikovi, A. nigrocincta.</p><p>No Brasil, a espécie de maior ocorrência é a A. mellifera e suas diversas</p><p>subespécies ou raças. Vejamos a seguir algumas delas e suas principais</p><p>características.</p><p>3</p><p>As abelhas A. mellifera mellifera, conhecidas como abelha real, são</p><p>insetos grandes e escuros, com poucas listras amarelas e tem a língua curta</p><p>(seu tamanho pode variar de 5,7 a 6,4 mm), o que dificulta a coleta de néctar e</p><p>pólen em flores profundas. Expressam características de agressividade quando</p><p>não são manejadas de forma adequada, no entanto, são produtivas e prolíferas</p><p>e se adaptam com facilidade a diversos ambientes.</p><p>As abelhas A. mellifera ligustica, conhecidas como abelha italiana, têm</p><p>coloração amarela intensa e, em geral, são produtivas e mansas. Essas</p><p>características fazem com que essas abelhas sejam as mais populares entre os</p><p>apicultores em todo o mundo. Apesar disso, são abelhas que têm dificuldade de</p><p>orientação e, por esse motivo, acabam entrando em outras colmeias.</p><p>As abelhas A. mellifera caucasica apresentam coloração cinza-escura,</p><p>com aspecto azulado, pelos curtos e língua comprida (7 mm), não apresentam</p><p>características de agressividade e enxameiam facilmente. Também são bastante</p><p>produtivas, no entanto, são sensíveis à nosemose, uma doença causada pelo</p><p>fungo Nosema apis, que afeta o sistema digestivo das abelhas.</p><p>As abelhas A. mellifera carnica são muito semelhantes em coloração com</p><p>a A. mellifera mellifera, porém seu abdome tem coloração cinza ou marrom.</p><p>Quanto ao comportamento, diferem destas, pois não apresentam características</p><p>de agressividade. Além disso, têm tolerância a doenças e são consideradas boas</p><p>produtoras de mel, bem como se caracterizam pela boa adaptabilidade em</p><p>diversos ambientes e têm tendência de enxamear.</p><p>As abelhas A. mellifera scutellata, conhecidas como abelhas africanas,</p><p>figuram entre as espécies mais produtivas e mais agressivas entre as</p><p>A. mellifera. Comparadas às abelhas que vimos anteriormente, são menores e</p><p>as operárias têm o ciclo de desenvolvimento mais curto; sua visão é mais</p><p>aguçada e sua resposta é mais rápida e eficaz ao feromônio de alarme, como</p><p>também migram facilmente se a competição for alta ou se as condições</p><p>ambientais não forem favoráveis.</p><p>A partir desse número de raças ou subespécies que sabemos estar</p><p>presente no Brasil, podemos intuir que a variabilidade genética das abelhas é</p><p>bastante grande, com predominância de abelhas com características advindas</p><p>das abelhas europeias presentes mais ao Sul do país, e, quanto mais ao Norte,</p><p>estão presentes as abelhas com traços mais marcantes das abelhas africanas.</p><p>4</p><p>Uma consideração importante acerca dos cruzamentos entre subespécies</p><p>é que destes se originou o que chamamos de abelhas africanizadas. Essas</p><p>abelhas foram originadas pelo cruzamento entre espécies europeias e a</p><p>africana. As abelhas africanizadas têm um comportamento muito semelhante ao</p><p>da abelha africana, em razão da maior adaptabilidade às condições climáticas</p><p>do Brasil. Outro ponto importante é que as abelhas africanizadas têm</p><p>características promissoras, como grande facilidade de enxamear, alta</p><p>produtividade, tolerância a doenças e é capaz de se adaptar a climas mais frios,</p><p>continuando o trabalho em baixas temperaturas, enquanto a maioria das raças</p><p>europeias se recolhem nessas épocas. Na Figura 1 a seguir, podemos observar</p><p>um exemplar de uma abelha africanizada.</p><p>Figura 1 – Abelha africanizada</p><p>Crédito: Jkz Photography/Wirestock Creators/Adobe Stock.</p><p>Cabe ainda dizer que essas abelhas estão bem adaptadas ao Brasil,</p><p>principalmente nas áreas urbanas, bordas de florestas e formações vegetativas</p><p>abertas.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/210881076/jkz-photography-wirestock-creators?load_type=author&prev_url=detail</p><p>5</p><p>1.2 Divisão e função das castas dentro da colmeia</p><p>As abelhas africanizadas se organizam em colônias ou sociedades,</p><p>formando os enxames. Essa sociedade têm um sistema de castas, na qual os</p><p>insetos se organizam; no caso das abelhas, existe uma hierarquia em que a</p><p>rainha é soberana na colmeia e subordinados a ela estão as abelhas operárias</p><p>e os zangões. Uma colmeia tem em média 10 mil a 80 mil abelhas operárias,</p><p>100 a 400 zangões e 1 rainha.</p><p>Vamos, a seguir, conhecer melhor quais são as funções desempenhadas</p><p>por cada uma das castas – como já vimos, estas são distintas – e iniciar o nosso</p><p>estudo sobre as operárias, a rainha e os zangões.</p><p>As abelhas operárias são fêmeas que nascem de ovos fecundados, no</p><p>entanto, não têm seu aparelho reprodutor desenvolvido. Após a eclosão dos</p><p>ovos, as larvas são alimentadas nos três primeiros dias com geleia real, e</p><p>posteriormente, seu alimento passa a ser uma mistura de mel e pólen, que nutre</p><p>as larvas até o início do período de pupa. No período de pupa, o inseto cessa a</p><p>alimentação até completar a metamorfose e se tornar um inseto adulto.</p><p>Quando a abelha operária adulta deixa o alvéolo em que estava no</p><p>período juvenil, ela começa a desempenhar suas atividades na colmeia. No</p><p>primeiro dia de nascida até o quarto dia, ela faz a limpeza dos alvéolos e da</p><p>colmeia, aquecendo os ovos e as larvas; do 5º até o 14º dia, as abelhas operárias</p><p>são chamadas de abelhas nutrizes, porque cuidam da alimentação das larvas</p><p>em desenvolvimento; do 15º ao 21º dia de vida, as abelhas operárias produzem</p><p>a cera para construção dos favos e também recebem e desidratam o néctar</p><p>trazido pelas abelhas forrageadoras, ou campeiras, elaborando o mel; ainda, em</p><p>período semelhante, do 18º ao 21º dia, elas também realizam a defesa da</p><p>colmeia, além de participar do controle da temperatura da colmeia; do 22º dia</p><p>até o fim da vida, as abelhas fazem o serviço externo, no campo, coletando</p><p>néctar, pólen, água e resina para atender às necessidades da colmeia.</p><p>Esses períodos de atividades em relação à idade das abelhas são</p><p>flexíveis e podem variar de acordo com a demanda por determinada</p><p>atividade.</p><p>O período de desenvolvimento das abelhas operárias desde a fase de ovo até a</p><p>fase adulta dura aproximadamente de 38 a 42 dias, depois disso o inseto morre.</p><p>Outra informação relevante sobre as abelhas operárias é que elas morrem</p><p>logo após ferroarem, porque deixam presos na “presa” o ferrão, o saco de</p><p>6</p><p>veneno e parte do intestino e, ainda liberam um cheiro característico, marcando</p><p>o local que foi ferroado, para que outras operárias ataquem o mesmo local.</p><p>A abelha rainha é a “mãe” de todas as abelhas, ou seja, as operárias e os</p><p>zangões. Ela é a única fêmea que tem os órgãos do aparelho reprodutor</p><p>perfeitamente desenvolvidos e nasce em berço especial, chamado de realeira.</p><p>Ela é alimentada com geleia real durante toda a vida, desde o período larval.</p><p>Cada enxame contém apenas uma rainha.</p><p>Em casos excepcionais, pode-se tolerar outra abelha rainha gerada por</p><p>ela por alguns dias, caso necessário, até que uma saia com o enxame,</p><p>resultando na enxameação natural. Entretanto, normalmente quem sai é</p><p>progenitora, deixando a abelha rainha filha em seu lugar.</p><p>A principal função da abelha rainha na colmeia é colocar os ovos e manter</p><p>o enxame unido por um cheiro característico, ao que podemos dar o nome de</p><p>feromônio. Sua função é tão importante que um enxame sem rainha é extinto em</p><p>menos de 60 dias por falta de ovos para renovação da população de abelhas.</p><p>Uma rainha pode colocar entre dois mil e três mil ovos por dia nas épocas</p><p>de abundância de alimento e pode viver por até cinco anos. No entanto, é</p><p>interessante que a abelha rainha seja mantida na colmeia apenas por dois anos,</p><p>porque após esse período ocorre uma redução drástica na produção de ovos, o</p><p>que acaba enfraquecendo o enxame. Em período invernal, a oviposição pode</p><p>cessar totalmente por alguns dias, por causa da falta de alimento.</p><p>A abelha rainha leva cerca de 15 dias para sair do ovo e atingir a fase</p><p>adulta. Após o quarto dia de vida, ela faz seu primeiro voo de reconhecimento e</p><p>localização da colmeia e, o voo nupcial ocorre normalmente no nono dia de vida.</p><p>Após o primeiro voo nupcial, a rainha pode fazer quantos voos forem necessários</p><p>para encher a espermateca (reservatório de sêmen), podendo acasalar com</p><p>diversos zangões. No segundo dia após o voo nupcial, a rainha começa a colocar</p><p>os ovos e, depois de iniciada a postura, não acasala mais até a sua morte.</p><p>Paralelo a isso, lá na colmeia, as abelhas operárias preparam</p><p>previamente os alvéolos para a oviposição. Nos alvéolos menores, são</p><p>colocados os ovos fecundados, que darão origem às abelhas operárias e, nos</p><p>alvéolos maiores são depositados os ovos não fecundados, que darão origem</p><p>aos zangões. A escolha dos alvéolos para oviposição é feita pela própria rainha,</p><p>que utiliza as pernas dianteiras para medir o alvéolo.</p><p>7</p><p>Os ovos recém-depositados têm coloração esbranquiçada e ficam em pé</p><p>no fundo do alvéolo. Conforme o tempo vai passando, eles vão se inclinando em</p><p>direção à base do alvéolo e eclodem no terceiro dia após a oviposição.</p><p>Em alguns casos, pode ocorrer o esgotamento da espermateca; a rainha</p><p>começa então a ovipositar apenas ovos não fecundados, e dar origem somente</p><p>a zangões. Nesses casos, as abelhas operárias conseguem identificar o</p><p>potencial problema e podem eliminar a rainha. Em contrapartida, para manter as</p><p>abelhas operárias informadas de sua presença e soberania, a abelha rainha</p><p>produz feromônios (cheiros característicos) que marcam a sua presença na</p><p>colmeia. No entanto, com o envelhecimento da rainha, ela vai perdendo a</p><p>capacidade de se manter à frente da colmeia e, caso sua substituição não ocorra</p><p>naturalmente, é indicado que seja feita pelo apicultor quando as colmeias têm</p><p>produtos com fins comerciais.</p><p>Vejamos agora qual a origem dos zangões. Os zangões, como vimos, são</p><p>originados de ovos não fecundados, que por sua vez são maiores e mais</p><p>pesados, quando comparados aos ovos das abelhas operárias; eles são os</p><p>machos das abelhas. Como também já vimos, os zangões nascem e se</p><p>desenvolvem em células maiores da colmeia, chamadas de zanganeiras.</p><p>No ciclo de desenvolvimento do zangão, ele demora aproximadamente 24</p><p>dias para nascer e atinge a maturidade sexual aos 12 dias de idade adulta. O</p><p>zangão tem função única na colmeia, que é fecundar a rainha durante o voo</p><p>nupcial. Após a cópula, o zangão morre, porque ao se desligar da abelha rainha</p><p>ele perde parte dos seus órgãos sexuais, não havendo chance de sobrevivência.</p><p>Na Figura 2 a seguir, podemos observar algumas características que</p><p>diferenciam as castas de abelhas com ferrão.</p><p>8</p><p>Figura 2 – Representação ilustrativa das castas presentes na colmeia</p><p>Crédito: Aldona/Adobe Stock.</p><p>Apesar da distribuição bem estabelecida das castas dentro da colmeia, é</p><p>importante ter em mente que a população de uma colmeia varia</p><p>consideravelmente em número. Isso ocorre porque a população é regulada por</p><p>diversos fatores, entre os quais podemos citar a capacidade de oviposição da</p><p>rainha, a área livre para posturas, ou seja, o número de favos vazios, da oferta</p><p>de alimento para a colônia e as condições climáticas locais.</p><p>1.3 Estrutura do ferrão</p><p>Entre as abelhas, assim como entre outros himenópteros aculeatos, isto</p><p>é, aqueles insetos que sofrem a modificação da estrutura do ovipositor em ferrão,</p><p>é intuitivo entender que o ferrão é exclusividade das fêmeas.</p><p>Quando compreendemos a função do ferrão e o efeito que o veneno</p><p>liberado por ele provoca, não temos dificuldade em entender que a diferença</p><p>entre o ferrão e o ovipositor é mais de função do que de estrutura, pois ambos</p><p>estão situados na região posterior da cavidade abdominal, e o ferrão fica quase</p><p>sempre escondido enquanto o inseto está em condição repouso.</p><p>Para entendermos melhor o funcionamento do ferrão, vamos considerar</p><p>o mecanismo com o qual a abelha operária fere, quando ela o aplica sobre sua</p><p>“presa”.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/209650473/aldona?load_type=author&prev_url=detail</p><p>9</p><p>O aparelho de perfuração presente no ferrão consiste em três partes</p><p>principais: uma chamada bainha, e dois dardos. O primeiro é uma peça marrom</p><p>escura, resistente, quitinosa, grande na parte superior e em forma de bolsa, mas</p><p>que diminuiu consideravelmente e é achatada na parte inferior, terminando em</p><p>ponta extremamente fina, que é a primeira a entrar quando o ferrão é usado.</p><p>Feita a punção, a bainha é mantida na ferida por dois dardos, cada um</p><p>contendo três ou menos frequentemente seis dentes excepcionalmente</p><p>microscópicos, voltados para trás, e com finalidade de fixação. A bainha tem três</p><p>funções: a primeira é abrir a ferida; a segunda é atuar como um condutor</p><p>intermediário do veneno; por fim, a terceira é manter em posição exata os longos</p><p>dardos terminados em farpas. O valor do ferrão como instrumento de ataque e</p><p>defesa está no veneno, conhecido como apitoxina, ao qual está intimamente</p><p>associado.</p><p>A parede da bainha é dupla, com hemolinfa circulante entre elas.</p><p>Enquanto o veneno entra na cavidade interior, banha a parte de trás da superfície</p><p>dos dardos, que estão na fissura na frente da bainha. Como os dardos</p><p>apresentam superfícies côncavas um para o outro, eles formam um espaço em</p><p>forma de tubo entre eles, através do qual o veneno passa para baixo, em direção</p><p>ao ferimento, impulsionado para frente pela ação do pistão das válvulas. O</p><p>veneno é, portanto, jogado no ponto mais baixo na ferida, em que é coletado</p><p>enquanto o ferrão estiver preso, até o saco ficar vazio.</p><p>De tudo que foi dito, é evidente que, quanto mais rapidamente o ferrão for</p><p>removido, melhor. A escovação imediata do dedo sobre ele, ou esfregação</p><p>rapidamente com a mão, se ferido, ou sobre alguma parte da roupa, enquanto o</p><p>ferrão entrou apenas superficialmente, geralmente desaloja a bainha, mas</p><p>mesmo que a bainha e os dardos tenham descido na pele com todo seu</p><p>comprimento, a cada impulso</p><p>adicional, embora nada acrescentem à</p><p>profundidade da ferida, ainda bombeiam nele veneno adicional.</p><p>A abelha, no entanto, não inflige seu ferrão sem antes examinar a</p><p>natureza da superfície a ser perfurada, usando um par de órgãos chamados de</p><p>palpos, dotados de pelos sensoriais e terminações nervosas finas.</p><p>Salientamos que, em se tratando de ferrão, o ferrão da rainha é diferente</p><p>do da operária em muitas particularidades, embora a estrutura de ambos seja</p><p>idêntica. A operária usa seu ferrão com grande risco para si mesma, pois com</p><p>frequência, e, geralmente, ela perde não só o ferrão, a glândula e o saco do</p><p>10</p><p>veneno, mas também a parte inferior do intestino, de modo que sua morte ocorre</p><p>em uma ou duas horas.</p><p>A rainha, cuja vida está ligada à existência da própria colônia, tem um</p><p>ferrão que seu instinto lhe proíbe de utilizar, exceto no caso exclusivo de</p><p>competição com outra rainha. Ela pode usar o ferrão por competição de território,</p><p>no entanto, a finalidade é bem diferente quando comparada com as finalidades</p><p>de uso das operárias. Outro ponto importante é que o ferrão da rainha é maior e</p><p>mais comprido, quando comparado ao da abelha operária.</p><p>O desenvolvimento do ferrão durante as fases de larva e crisálida é</p><p>extremamente interessante. Seu primeiro aparecimento consiste em</p><p>proeminências lineares, ou verrugas, encontradas em sulcos no lado ventral dos</p><p>penúltimo e antepenúltimo segmentos da larva. Com a transição da fase larval</p><p>para a crisálida, as partes se fundem, os últimos três segmentos da larva se</p><p>tornam o último de todos na abelha e os intermediários são absorvidos.</p><p>O resíduo dos segmentos que desaparecem é, ao mesmo tempo,</p><p>modelado em várias partes que são acessórias para o órgão complexo. Com</p><p>base no próprio modo de sua formação, se encontram dentro do corpo, como</p><p>um “gancho”. É importante entender que, por mais que consideremos indesejada</p><p>a presença do ferrão em um inseto domesticado, não se pode duvidar da</p><p>relevância desse aparato para a abelha na natureza, visto que, no oco de uma</p><p>árvore ou recesso em uma rocha, as entradas são amplas o possibilitam a</p><p>entrada de organismos indesejáveis, podendo até mesmo os intrusos serem</p><p>outras abelhas.</p><p>1.3 Enxameação e nidificação</p><p>A enxameação é um processo de ocorrência natural entre as espécies de</p><p>abelhas, no entanto, em abelhas africanizadas, esse processo ocorre em maior</p><p>escala se comparado com as abelhas europeias. Então, podemos dizer que a</p><p>enxameação é o processo de divisão reprodutiva natural das colônias que</p><p>ocorre, geralmente, no início do período das floradas.</p><p>A enxameação reprodutiva é essencial para a continuidade da existência</p><p>da espécie. Nela, várias rainhas podem ser criadas ao mesmo tempo pela</p><p>colônia, e, quando uma delas está por emergir, a antiga rainha deixa o ninho</p><p>juntamente com milhares de operárias. Esse grupo que partiu é denominado</p><p>enxame primário e, após a emergência da primeira princesa, ela pode deixar a</p><p>11</p><p>colônia acompanhada de centenas ou milhares de operárias, ou ainda, pode</p><p>destruir as demais células com princesas que estão por emergir na colmeia. Esse</p><p>segundo enxame que pode sair da colmeia, assim como os demais que o</p><p>seguirem, é denominado enxame secundário.</p><p>Há ainda outro processo semelhante, porém, com finalidade diferente,</p><p>chamado de migração. Na migração, ocorre o abandono total da colmeia pelas</p><p>abelhas, que partem à procura de outra região ou local mais propício para se</p><p>alojarem.</p><p>Ao iniciar o processo de enxameação, as operárias reduzem a</p><p>alimentação da rainha, o que causa o atrofiamento do aparelho reprodutivo e a</p><p>suspensão da postura. Isso faz com que ela perca 1/3 de seu peso na época da</p><p>enxameagem, facilitando seu voo.</p><p>Em torno de dois dias antes das novas rainhas emergirem, a antiga rainha</p><p>parte levando consigo cerca de metade da população de operárias com idades</p><p>diferentes. O enxame voa por pouco tempo, instalando-se logo em algum lugar</p><p>e se aglomerando em forma de cacho. As abelhas escoteiras começam a</p><p>procurar um lugar para a construção de favos e a instalação definitiva do</p><p>enxame.</p><p>Ao encontrar um local ideal, as abelhas voltam ao cacho e realizam uma</p><p>dança, informando a localização escolhida. Periodicamente, a operária volta ao</p><p>local e o marca com feromônio da glândula de Nasonov (situada no abdome das</p><p>operárias). Outras operárias vão visitar o local, fazer uma vistoria e, se</p><p>aprovarem, vão realizar a mesma dança de sua companheira. Quando a maioria</p><p>das operárias estiver realizando essa dança, o enxame se muda para o local</p><p>escolhido, dando início ao processo de nidificação. No Brasil, o processo de</p><p>enxameação ocorre por cerca de três a quatro vezes no ano.</p><p>TEMA 2 – ABELHAS SEM FERRÃO</p><p>As abelhas sem ferrão, também chamadas de meliponídeos, são abelhas</p><p>que vivem em colônias e se caracterizam por apresentar o aparelho ferroador,</p><p>ou seja, o ferrão atrofiado. No Brasil, os meliponídeos também são chamados de</p><p>abelhas indígenas.</p><p>Há no mundo cerca de 600 espécies de abelhas sem ferrão distribuídas</p><p>majoritariamente nas regiões tropicais do mundo, o número de espécies</p><p>12</p><p>presentes no Brasil não é preciso, mas estima-se que haja ocorrência de</p><p>aproximadamente 300 espécies, pertencentes à tribo Melipona.</p><p>A maioria das espécies que estudaremos são fáceis de manejar por causa</p><p>de suas características de mansidão, também chamadas de timidez por alguns</p><p>autores. Algumas espécies têm o hábito de fechar os ninhos durante a noite</p><p>como medida de proteção, enquanto outras montam guarda na entrada para</p><p>proteger a colmeia de invasores.</p><p>A seguir, vamos conhecer algumas das principais espécies de abelhas</p><p>sem ferrão que ocorrem no Brasil.</p><p>2.1 Principais espécies</p><p>Dentre as diversas espécies de abelhas sem ferrão presentes no Brasil,</p><p>dedicaremos nosso estudo a algumas espécies que têm maior ocorrência e que</p><p>produzem méis de altíssimo valor gastronômico e própolis, além de</p><p>desempenhar um papel fundamental como polinizadores.</p><p>As abelhas da tribo Melípona ou Meliponini variam muito em aparência e</p><p>comportamentos. Vamos conhecer as características de algumas espécies</p><p>selecionadas para o nosso estudo.</p><p>A abelha Melipona scutellaris, conhecida popularmente como uruçu ou</p><p>uruçu-verdadeira, mede aproximadamente 10,5 mm, tem corpo robusto, de</p><p>coloração marrom e preta; seu tórax é preto no dorso, com pelos densos e</p><p>amarelo-escurecidos, o abdome é escuro, com cinco listras claras. Essa espécie</p><p>tem uma preferência floral mais seletiva que as abelhas africanizadas e prefere</p><p>habitar locais úmidos, nidificando em ocos de árvores de grande porte. Sua</p><p>presença ocorre principalmente no Nordeste brasileiro.</p><p>As abelhas M. fasciculata, conhecidas popularmente como tiúba ou uruçu-</p><p>cinzenta medem aproximadamente 11,5 mm e se caracterizam pela sua cabeça</p><p>e tórax preto aveludado, com variações de cinza e abdome preto com listras</p><p>cinzas. Elas ocorrem, principalmente nos estados do Mato Grosso, Pará,</p><p>Tocantins, Maranhão e Piauí. A nidificação dessa espécie ocorre</p><p>preferencialmente em ocos de árvore.</p><p>A abelha M. seminigra, conhecida popularmente como jandaíra-amarela</p><p>ou uruçu-boca-de-renda é assim conhecida em razão da arquitetura da entrada</p><p>do ninho, que é em forma de renda circular. Elas ocorrem principalmente nos</p><p>estados do Norte do país e nos estados do Mato Grosso e Maranhão. Os insetos</p><p>13</p><p>dessa espécie medem aproximadamente 10,5 mm e nidificam em ocos de</p><p>árvores.</p><p>A abelha M. rufiventris, conhecida popularmente como tujuva ou uruçu-</p><p>amarela, mede aproximadamente 9,5 mm e apresenta o tegumento com a</p><p>coloração variando do preto com nuances de tons marrons. O corpo desses</p><p>insetos é coberto por pelos de cor marrom-amarelada, e ocorrem principalmente</p><p>nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Goiás, Mato Grosso do</p><p>Sul e Mato Grosso. A nidificação dessa espécie ocorre preferencialmente</p><p>em</p><p>ocos de árvore.</p><p>A abelha M. quadrifasciata, conhecida popularmente como mandaçaia,</p><p>mede aproximadamente 10 mm, tem a cabeça e o tórax de coloração preta, o</p><p>abdome tem características faixas amarelas e as asas são de coloração</p><p>amarronzada. Essa espécie ocorre nos estados da região Sul e Sudeste do país,</p><p>e em outros estados como Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba,</p><p>Goiás e Mato Grosso do Sul. Nidificam preferencialmente em ocos de árvores.</p><p>A abelha M. bicolor, conhecida popularmente como guairapo ou guarupu,</p><p>mede aproximadamente 9,5 mm e tem coloração do corpo preta, com traços de</p><p>cor amarela na cabeça. Uma curiosidade sobre essa espécie é que ela apresenta</p><p>poliginia, ou seja, há mais de uma rainha no mesmo ninho, o que é raro entre as</p><p>abelhas. Sua distribuição ocorre nos estados da região Sul e Sudeste, além dos</p><p>estados da Bahia, Pernambuco, Goiás e Mato Grosso do Sul. Essa espécie</p><p>também nidifica em ocos de árvores.</p><p>A abelha M. subnitida, conhecida popularmente como jandaíra, mede</p><p>aproximadamente 9 mm, tem a cabeça e o abdome pretos, o tórax é ligeiramente</p><p>aveludado e marrom. Essa espécie é típica do semiárido e bem adaptada a</p><p>ambientes de seca e baixa umidade. Por essas características de</p><p>adaptabilidade, a ocorrência se dá em todos os estados da região Nordeste</p><p>brasileira. Nidificam preferencialmente em ocos de árvores e no interior de</p><p>cupinzeiros arbóreos.</p><p>A abelha M. marginata, conhecida popularmente como manduri, mede</p><p>aproximadamente 7 mm. Tem coloração preta, provida de pelos acinzentados,</p><p>com faixas amarelas onduladas no abdome. Ocorre em todos os estados da</p><p>região Sudeste do Brasil e também nos estados da Bahia, Ceará e Goiás;</p><p>nidificam em ocos de árvores.</p><p>14</p><p>A abelha Cephalotrigona capitata, conhecida popularmente como</p><p>mombucão, mede cerca de 9,5 mm. O corpo do inseto é em sua maior parte de</p><p>coloração preta e amarronzada, os tons amarelados estão presentes nos lóbulos</p><p>basais do escutelo; o abdome é vermelho, ou todo preto e as asas são</p><p>consideravelmente mais compridas que o corpo, com nervuras que lembrar cor</p><p>de ferrugem. Essa espécie ocorre nos estados do Mato Grosso, Pará, Amapá,</p><p>Ceará, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.</p><p>Nidificam preferencialmente em ocos de árvores vivas.</p><p>A abelha Trigona hypogea, conhecida popularmente como mombuca-</p><p>carniceira, diferentemente das outras espécies não usa o pólen como fonte de</p><p>proteína, mas sim a carne de animais mortos. No entanto, ela mantém o néctar</p><p>como sua fonte de carboidrato, que é coletado diretamente do suco de frutos ou</p><p>de estruturas localizadas fora das flores, conhecidas como nectários extraflorais.</p><p>Os insetos que fazem parte dessa espécie têm predominância de cor preta em</p><p>todo o corpo e ocorrem nos estados de São Paulo, Maranhão, Mato Grosso,</p><p>Pará e Amazonas. Mais uma curiosidade sobre essa espécie é que não há</p><p>relatos da atividade de polinização de plantas.</p><p>A abelha Scaptotrigona bipunctada, conhecida popularmente como</p><p>tubuna ou mandaguari, mede aproximadamente 5,5 mm. Sua coloração é preta</p><p>e brilhante, com as asas também pretas, há destaque para pontuações de cor</p><p>prata no abdome. Ocorrem em todos os estados da região Sul, Minas Gerais,</p><p>Rio de Janeiro, Ceará, Maranhão, Pará e Acre. Nidificam em ocos de árvores.</p><p>A abelha Paratrigona lineata, conhecida popularmente como jataí-da-</p><p>terra, mede aproximadamente 4,5 mm, tem a cabeça de cor preta e o corpo</p><p>alaranjado, com as asas maiores que a extensão corporal. Nidificam em</p><p>cavidades subterrâneas, ocupando as “panelas” abandonadas de saúvas, cujos</p><p>ninhos foram destruídos. Ocorrem em diversas regiões brasileiras,</p><p>principalmente nos estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia,</p><p>Pernambuco, Paraíba, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Goiás, Mato Grosso</p><p>e Pará.</p><p>A abelha Nannotrigona testaceicornis, conhecida popularmente como iraí,</p><p>mede aproximadamente 4 mm, tem coloração corporal preta e pilosidades</p><p>acinzentadas. Ocorre em todos os estados da região Sul e Sudeste e nos</p><p>estados da Bahia, Mato Grosso e Goiás, nidificando preferencialmente em ocos</p><p>de árvores, cavidades presentes nas paredes e moirões de cerca.</p><p>15</p><p>A abelha Plebeia droryana, conhecida popularmente como mirim, mede</p><p>aproximadamente 3,5 mm, tem uma mancha amarela em forma de gota na</p><p>região frontal da cabeça e o restante do corpo do inseto é preto. Ocorre nos</p><p>estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, região Sudeste e nos estados da</p><p>Bahia, Ceará e Pará.</p><p>A abelha Tetragonisca angustula, conhecida popularmente como jataí,</p><p>mede aproximadamente 4 mm, sua coloração lembra amarelo ouro e tem as</p><p>corbículas pretas. Ocorre em todo o território brasileiro e tem se firmado como</p><p>uma boa opção para os meliponicultores em razão de sua alta adaptabilidade e</p><p>facilidade de nidificar em locais dentro das cidades, por exemplo, em caixas de</p><p>luz, além de ocos de árvores e em cavidades de rochas.</p><p>Na Figura 3, podemos observar as características morfológicas da abelha</p><p>jataí.</p><p>Figura 3 – Abelha jataí</p><p>Crédito: Leonardo/Adobe Stock.</p><p>Além dessas espécies que vimos, há ainda outras tantas que ocorrem no</p><p>Brasil. É importante ressaltar que, comparadas com a Apis mellifera, as espécies</p><p>nativas são ligeiramente menores e há dominância de coloração escura na</p><p>maioria das espécies. Também são espécies que estão sobre forte ameaça de</p><p>extinção por causa de diversas dificuldades relacionadas à adaptação e falta de</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/200407372/leonardo?load_type=author&prev_url=detail</p><p>16</p><p>alimento, o que diminui consideravelmente as populações desses diminutos</p><p>insetos.</p><p>Quanto à produção de mel, quando comparada com A. melífera, é</p><p>consideravelmente menor, no entanto, o mel de algumas espécies é bastante</p><p>procurado em virtude, principalmente, da qualidade de seu sabor.</p><p>2.2 Divisão das castas entre os meliponíneos</p><p>A divisão das castas dentro da colmeia das abelhas sem ferrão é muito</p><p>semelhante à divisão que ocorre dentro das colmeias das abelhas do gênero</p><p>Apis. As colônias de meliponíneos são perenes, pois as abelhas sem ferrão</p><p>vivem muitos anos no mesmo local em que construíram seus ninhos. Essas</p><p>colônias são compostas por uma rainha e algumas centenas ou milhares de</p><p>operárias.</p><p>Essa diferenciação de castas entre rainhas e operárias manifesta-se na</p><p>morfologia e no comportamento. Vejamos como isso ocorre: a rainha é</p><p>responsável pela postura dos ovos que darão origem a outros indivíduos,</p><p>enquanto as operárias realizam todas as atividades para manutenção e</p><p>crescimento da colônia.</p><p>Com um sistema de comunicação complexo e interativo, as operárias</p><p>coordenam as atividades de forma dinâmica, e mudam de tarefas à medida que</p><p>envelhecem, assim, as operárias mais novas desempenham tarefas</p><p>relacionadas ao cuidado da cria e outras tarefas como limpeza do ninho e</p><p>desidratação do néctar; já as operárias mais velhas protegem a entrada do ninho</p><p>e coletam os alimentos nas flores e os recursos necessários para a construção</p><p>de estruturas de seus ninhos, como resina e barro.</p><p>O zangão, no caso das abelhas sem ferrão, é expulso da colônia quando</p><p>entra na fase adulta e passa a vida procurando uma rainha virgem para a cópula.</p><p>Assim como nas abelhas do gênero Apis, o zangão morre após a cópula.</p><p>Ao realizarem o voo nupcial, as rainhas de abelhas sem ferrão se</p><p>acasalam com apenas um macho. Dias após a cópula, o abdome da rainha sofre</p><p>uma dilatação, chamada de fisogastria, em decorrência da produção de ovos, e</p><p>iniciam a oviposição.</p><p>Os ovos são postos em um processo ritualizado entre rainhas e operárias,</p><p>composto por etapas: a célula cria é preenchida com alimento larval líquido</p><p>regurgitado pelas operárias, seguido pela postura do ovo pela rainha e pelo</p><p>17</p><p>imediato fechamento das células pelas operárias. Dessa forma, a cria tem todo</p><p>o alimento necessário para</p><p>o seu desenvolvimento, sem a necessidade de</p><p>nenhum contato com as operárias adultas. Quando as abelhas adultas emergem</p><p>das células de cria, essas mesmas células são destruídas e seus restos são</p><p>jogados no lixo.</p><p>2.3 Enxameação e nidificação</p><p>Entre os aspectos biológicos que diferem os meliponíneos das abelhas do</p><p>gênero Apis está a forma como as colônias enxameiam. Nesse processo, uma</p><p>rainha virgem acompanhada por um grupo de operárias voa para o novo ninho</p><p>e o vínculo entre colônia-filha e colônia-mãe permanece por dias, em alguns</p><p>casos, até semanas. Isso ocorre porque as operárias transportam alimentos e</p><p>materiais de construção de seu ninho natal para o novo local, o que também</p><p>limita a dispersão da colônia-filha para longas distâncias.</p><p>O ninho é o local em que as abelhas se refugiam dos inimigos, estocam o</p><p>alimento coletado, mantêm condições de temperatura e umidade estáveis e</p><p>favoráveis para o desenvolvimento da cria, interagem física e quimicamente com</p><p>suas companheiras de ninho e com outras espécies de organismos associados.</p><p>Por isso, uma vez que o ninho é formado, as abelhas sem ferrão não o</p><p>abandonam, como fazem as abelhas do gênero Apis, assim a localização, as</p><p>elaboradas estruturas arquitetônicas dos ninhos e os recursos como pólen, mel</p><p>e resina armazenados nos ninhos tornam-se críticos para a sobrevivência da</p><p>colônia.</p><p>2.4 Mecanismos de defesa das abelhas sem ferrão</p><p>A principal características das abelhas sem ferrão é justamente a</p><p>ausência de um ferrão funcional. Mesmo assim, sem essa poderosa arma de</p><p>defesa, as abelhas sem ferrão têm outras estratégias, que podem ser atribuídas</p><p>a características morfológicas extraordinárias que lhes possibilitam combater os</p><p>inimigos.</p><p>Dos mecanismos de defesa das abelhas sem ferrão, podemos citar o uso</p><p>de materiais pegajosos para imobilização, odores pouco agradáveis, secreções</p><p>cáusticas e mordidas possibilitadas pela estrutura mandibular muito eficiente.</p><p>Todas essas estratégias tornam-se mais eficazes na medida em que são</p><p>18</p><p>adotadas por dezenas ou centenas de operárias que atuam conjuntamente nos</p><p>comportamentos de defesa de suas colônias.</p><p>TEMA 3 – TIPOS DE APIÁRIOS</p><p>Neste tópico, vamos conhecer os diferentes tipos de apiários que podem</p><p>ser utilizados para o desenvolvimento da apicultura comercial.</p><p>Apiário, por definição, é um conjunto de colmeias, ou seja, caixas com</p><p>abelhas devidamente instaladas e manejadas racionalmente, em local em que</p><p>as abelhas recebem o conforto biológico ideal para o seu desenvolvimento,</p><p>reprodução e produção de diversos produtos em um curto espaço de tempo.</p><p>Veremos também alguns requisitos que o local do apiário deve atender.</p><p>3.1 Apiário fixo</p><p>O apiário fixo é caracterizado pela permanência das colmeias durante</p><p>todos os meses do ano em um mesmo local, no qual as abelhas vão explorar o</p><p>pasto apícola e outras fontes florais disponíveis em seu raio médio de ação, que</p><p>é de aproximadamente 1.500 metros.</p><p>Na Figura 4, podemos observar um exemplo de como o apiário fixo pode</p><p>ser instalado.</p><p>Figura 4 – Instalações de apiários fixos</p><p>Crédito: kosolovskyy/Adobe Stock.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/206046758/kosolovskyy?load_type=author&prev_url=detail</p><p>19</p><p>É importante que, ao realizar a instalação do apiário, a área esteja livre de</p><p>criações de animais e outros fatores que possam causar acidentes com as</p><p>abelhas.</p><p>3.2 Apiário migratório</p><p>O apiário migratório é caracterizado pela mudança do apiário de uma</p><p>região para a outra acompanhando as floradas, com vistas à produção de mel e</p><p>também à prestação de serviço de polinização em lavouras para fins de aumento</p><p>da produtividade.</p><p>No caso da utilização desse tipo de apiário, as colmeias devem ser</p><p>instaladas sobre cavaletes com protetores que evitem a subida de formigas e de</p><p>outros inimigos naturais. Os cavaletes devem ter 50 centímetros de altura e ser</p><p>levemente inclinados para que a frente da colmeia fique mais baixa, o que evita</p><p>que a água da chuva entre e se acumule nas caixas.</p><p>Na Figura 5, podemos observar as características de um apiário</p><p>migratório, e, na Figura 6, como pode ser feito transporte das caixas para outro</p><p>local.</p><p>Figura 5 – Apiário do tipo migratório instalado sobre cavaletes</p><p>Crédito: max5128/Adobe Stock.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/201165844/max5128?load_type=author&prev_url=detail</p><p>20</p><p>Figura 6 – Meio de transporte utilizado para realizar o deslocamento das caixas</p><p>de abelhas para diferentes áreas</p><p>Crédito: max5128/Adobe Stock.</p><p>O transporte das caixas deve ser feito com muita atenção e cuidado para</p><p>que não haja perda por morte dos insetos dentro das caixas nem extravio das</p><p>caixas durante o transporte.</p><p>3.3 Escolha do local</p><p>O local a ser escolhido para a instalação do apiário deve considerar as</p><p>normas de segurança para pessoas e animais, a disponibilidade de flora apícola</p><p>e de água e a facilidade de acesso ao local. Além disso, é necessário estudar</p><p>previamente quantas colmeias o apiário pode comportar. Para tanto,</p><p>estudaremos futuramente como se calcula o número de colmeias.</p><p>É necessário também considerar a presença ou ausência de lavouras</p><p>dentro do raio de atuação das abelhas, a presença ou ausência de depósitos de</p><p>lixo próximo do apiário e a segurança, para evitar roubos e furtos das caixas.</p><p>A disponibilidade de alimento para as abelhas é o primeiro ponto para a</p><p>viabilidade de instalação e um dos principais fatores de sucesso para a</p><p>instalação do apiário. Depois disso, devemos considerar qual é o relevo da área,</p><p>que deve ser plano ou relativamente plano, preferencialmente. Isso é um</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/201165844/max5128?load_type=author&prev_url=detail</p><p>21</p><p>requisito porque apiários instalados em terrenos altos, como morros, esgotam as</p><p>abelhas, justamente porque elas voltam mais pesadas por causa da coleta de</p><p>néctar e pólen.</p><p>A instalação do apiário em locais planos também favorece o acesso para</p><p>manejar as colmeias e, no caso de ser um apiário migratório, o carregamento</p><p>das caixas.</p><p>Confirmada a existência de pasto apícola e de um local plano e de fácil</p><p>acesso, o local também deve favorecer a segurança das colmeias. Por isso, é</p><p>recomendado que a instalação do apiário seja feita em local que não seja</p><p>facilmente identificado por outras pessoas.</p><p>Para não contaminar os produtos apícolas, o apiário deve ficar, no</p><p>mínimo, a três quilômetros de depósitos de lixo, aterros sanitários, matadouros,</p><p>engenhos, fábricas e outras fontes poluidoras. Outro ponto importante é a</p><p>identificação do apiário, para alertar as pessoas sobre o risco de se aproximarem</p><p>das abelhas.</p><p>Em locais de calor intenso, é recomendado que o apiário seja instalado</p><p>na sombra, embaixo de árvores ou de uma cobertura adequada, pois o excesso</p><p>de calor prejudica a qualidade do mel e o desenvolvimento das crias.</p><p>Na Figura 7, temos um exemplo de locais que atendem aos requisitos</p><p>para instalação do apiário.</p><p>Figura 7 – Apiários instalados em locais que atendem aos requisitos de instalação</p><p>Crédito: Darius/Adobe Stock; Дмитро Будніков/Adobe Stock.</p><p>Para que as abelhas comecem seu trabalho mais cedo, a entrada das</p><p>colmeias, ou seja, o alvado deve ser voltada para leste, lado em que o sol nasce.</p><p>Um cuidado importante a ser tomado é em relação à linha de voo das abelhas,</p><p>para evitar obstáculos em frente ao alvado.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/207510856/darius?load_type=author&prev_url=detail</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/210838713/%D0%B4%D0%BC%D0%B8%D1%82%D1%80%D0%BE-%D0%B1%D1%83%D0%B4%D0%BD%D1%96%D0%BA%D0%BE%D0%B2?load_type=author&prev_url=detail</p><p>22</p><p>As colmeias devem ser colocadas a dois metros uma da outra, podendo</p><p>ser distribuídas em fila, círculo ou meia-lua.</p><p>TEMA 4 – EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DA</p><p>APICULTURA E DA MELIPONICULTURA</p><p>Para quem está tendo o primeiro</p><p>contato com a apicultura e a</p><p>meliponicultora, é importante ter uma ideia dos principais materiais utilizados</p><p>para o desenvolvimento dessa atividade agropecuária.</p><p>Veremos, a seguir, qual é a principal caixa utilizada para a criação das</p><p>abelhas, como que é feita a divisão dos espaços dentro da caixa e quais são</p><p>outros acessórios importantes para que as colmeias não sejam danificadas.</p><p>4.1 Isca para captura de abelhas com ferrão</p><p>É chamada de caixa-isca qualquer tipo de caixa que tenha sido</p><p>previamente preparada para atrair e capturar enxames de abelhas melíferas e</p><p>que tenha sido instalada em local estratégico. É importante destacar que as</p><p>abelhas escolhem por si próprias apropriar-se da caixa.</p><p>Uma caixa-isca pode ser feita de madeira ou de papelão e deve estar</p><p>preenchida de caixilhos padronizados, iguais aos das colmeias usadas pelo</p><p>apicultor, por exemplo, o padrão Langstroth, que veremos com mais detalhes a</p><p>seguir.</p><p>É importante que os caixilhos estejam incrustados com tiras de cera</p><p>laminada e não com as lâminas inteiras, pois as lâminas cortadas em tiras</p><p>conservam livre o espaço interno da caixa-isca e são suficientes para induzir as</p><p>abelhas do novo enxame a construírem seus favos na correta posição dos</p><p>caixilhos.</p><p>Na Figura 8, podemos observar um exemplo de caixa-isca.</p><p>23</p><p>Figura 8 – Caixa-isca em material de papelão para captura de enxames de abelhas</p><p>melíferas</p><p>Crédito: Flávio Oliveira.</p><p>O aroma das lâminas novas de cera alveolada é altamente atrativo para</p><p>os enxames que buscam um novo local para se alojar. Além da cera, é possível</p><p>utilizar outras substâncias aromáticas na caixa-isca, como o extrato de própolis.</p><p>4.2 Isca para captura de abelhas sem ferrão</p><p>A isca para capturar abelhas sem ferrão é diferente da caixa-isca para</p><p>capturar abelhas com ferrão, embora o princípio de atração seja o mesmo.</p><p>Para capturar abelhas sem ferrão, é comum usar uma garrafa PET</p><p>envolvida em um jornal e, posteriormente, em um saco preto, que tenha na sua</p><p>abertura um “joelho hidráulico de 3/4 polegadas”, simulando o oco de uma</p><p>árvore, pois, como vimos anteriormente, diversas espécies de abelhas sem</p><p>ferrão nidificam em oco de árvores.</p><p>Na Figura 9, podemos observar como é feita a isca para captura das</p><p>abelhas sem ferrão.</p><p>24</p><p>Figura 9 – Isca para abelhas sem ferrão</p><p>Crédito: Greissi Giraldi</p><p>É possível utilizar um atrativo comercial, à base de extrato de própolis da</p><p>espécie que deseja atrair para a isca. Após o estabelecimento das abelhas na</p><p>isca, é recomendado que não se mexa no recipiente por pelo menos 45 dias,</p><p>para que seja consolidado o ninho na garrafa. Assim, quando as abelhas forem</p><p>manejadas para a caixa em que serão criadas elas já estarão ambientadas e em</p><p>número suficiente para começar uma nova colmeia.</p><p>25</p><p>4.3 Caixa padrão Langstroth</p><p>A caixa Langstroth é a mais utilizada pelos apicultores no Brasil,</p><p>principalmente em razão da praticidade de manejo e das necessidades</p><p>biológicas das abelhas.</p><p>Na figura 10, podemos observar a vista externa da caixa, já em campo.</p><p>Figura 10 – Caixas padrão Langstroth para apicultura</p><p>Crédito: OlegD/Adobe Stock.</p><p>As caixas têm uma abertura na base da parte do ninho pela qual ocorre a</p><p>entrada e a saída das abelhas da colmeia. Na Figura 11, é possível observarmos</p><p>isso com mais detalhes.</p><p>Tampa</p><p>Ninho</p><p>26</p><p>Figura 11 – Abertura da colmeia na caixa Langstroth</p><p>Crédito: flucas/Adobe Stock.</p><p>Na Figura 12, podemos observar os quadros das melgueiras distribuídos</p><p>dentro da caixa.</p><p>Figura 12 – Distribuição dos quadros dentro da melgueira na caixa de Langstroth</p><p>Crédito: viento_v/Adobe Stock.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/5954/flucas?load_type=author&prev_url=detail</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/206282069/viento-v?load_type=author&prev_url=detail</p><p>27</p><p>A quantidade de melgueiras na colmeia vai depender da população de</p><p>abelhas presentes no local e do volume de produção de mel. No mesmo ninho,</p><p>é possível ter entre três e quatro melgueiras.</p><p>4.4 Fumigador</p><p>O fumigador é um item essencial para manejar as abelhas. O uso da</p><p>fumaça induz as abelhas a ingerirem mel, fazendo com que a vesícula melífera</p><p>presente no seu aparelho digestivo fique cheia, o que dificulta o uso do ferrão.</p><p>O fumigador é formado por um depósito com fundo e tampa e uma grelha</p><p>interna. Em um dos lados do fumigador, há um fole que sopra o ar, e, no lado</p><p>oposto, está a saída da fumaça, proveniente da queima.</p><p>Na Figura 13, podemos observar como é um fumigador em funcionamento</p><p>e como pode ser usado para manejar as colmeias.</p><p>Figura 13 – Fumigador em uso para manejo das abelhas com ferrão</p><p>Créditos: senerdagasan/Adobe Stock; Khaligo/Adobe Stock.</p><p>Ressaltamos que o material para queima no fumigador deve ser de origem</p><p>vegetal e livre de contaminantes, devendo proporcionar uma fumaça fria, densa</p><p>e sem cheiro forte. Entre os materiais indicados para queima no fumigador estão</p><p>serragem, raspa de madeira, gravetos ou cascas de árvores.</p><p>4.5 Equipamento de Proteção Individual (EPI)</p><p>O Equipamento de Proteção Individual (EPI) que deve ser utilizado pelo</p><p>apicultor é composto por macacão, máscara, luvas, botas e chapéu, e deve ser</p><p>usado sempre completo, visando proteger o apicultor e assim diminuir os riscos</p><p>de ferroadas.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/205883181/khaligo?load_type=author&prev_url=detail</p><p>28</p><p>O macacão deve ser de cor clara (branco ou amarelo) em tecido grosso,</p><p>pode ser inteiro ou com duas peças (calça e blusa), com elásticos presentes nas</p><p>porções finais das pernas e braços. É importante que, ao vestir, o macacão fique</p><p>folgado. A máscara pode fazer parte do macacão ou ser uma peça separada.</p><p>As luvas podem ser feitas de diversos materiais, por exemplo, couro, napa</p><p>e borracha, pois devem garantir a segurança do apicultor.</p><p>As botas devem ser, preferencialmente, de borracha, de cor clara e de</p><p>cano alto. Na Figura 14, podemos observar com detalhes a vestimenta indicada</p><p>para manejar as abelhas.</p><p>Figura 14 – Apicultor que maneja colmeias vestindo o equipamento de proteção</p><p>individual</p><p>Crédito: Adam/Adobe Stock.</p><p>Para o manejo das abelhas sem ferrão, muitas vezes é dispensável o uso</p><p>do fumigador, por causa da mansidão característica das espécies sem ferrão.</p><p>No entanto, o uso do EPI é recomendado para evitar o contato direto com os</p><p>insetos.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/211296351/adam?load_type=author&prev_url=detail</p><p>29</p><p>TEMA 5 – MANEJO APÍCOLA</p><p>A adoção de boas práticas de manejo das colmeias é de fundamental</p><p>importância para o bom desempenho da criação de abelhas. Se o apiário estiver</p><p>bem instalado, em local adequado, com disponibilidade adequada de alimento e</p><p>água, o manejo complementar será a etapa complementar para o alcance de</p><p>uma boa produção, garantindo o sucesso da atividade apícola.</p><p>Vejamos algumas práticas que devem ser aplicadas na apicultura para</p><p>alcançar altas produtividades de mel.</p><p>5.1 Revisão das colmeias</p><p>A revisão das colmeias é uma atividade necessária que possibilita avaliar</p><p>as condições das colmeias do apiário. É nesse momento que o apicultor</p><p>consegue perceber se deverá tomar alguma providência em relação à troca de</p><p>caixas ou até mesmo identificar algum desequilíbrio no apiário. Esse momento</p><p>também é importante na tomada de decisão de práticas que devem ser adotadas</p><p>ou não no manejo apícola.</p><p>O fato de o apicultor estar atento à situação de suas colônias pode trazer,</p><p>como benefícios diretos, a diminuição da perda de enxames por enxameação e</p><p>abandono das colmeias. Outro ponto que o apicultor fica ciente na revisão</p><p>periódica das colmeias está associado a pontos como falta de alimento, enxames</p><p>fracos, ataques de doenças ou inimigos naturais, e até mesmo a falta de espaço</p><p>dentro das colônias.</p><p>Apesar de ser uma prática essencial, a revisão das colmeias deve ser feita</p><p>de</p><p>modo a interferir o mínimo possível na atividade das abelhas, evitando causar</p><p>o desgaste desses insetos, uma vez que pode haver um número significativo de</p><p>abelhas adultas mortas durante a revisão, por tentar defender o ninho. No</p><p>entanto, abelhas jovens também podem morrer se os quadros ficarem muito</p><p>tempo expostos ao ambiente, por isso há situações específicas em que a revisão</p><p>das colmeias deve acontecer em intervalos pré-determinados.</p><p>Vamos conhecer as principais situações em que a revisão de colmeias</p><p>deve ser feita a seguir.</p><p>1. Para enxames recém-coletados, recomenda-se uma revisão logo após a</p><p>sua instalação no apiário, para verificar se não ocorreram danos durante</p><p>o transporte, se a rainha está presente ou para liberá-la, caso ela tenha</p><p>30</p><p>sido presa por ocasião da coleta do enxame. Cerca de duas a três</p><p>semanas após sua instalação deve-se revisar novamente a colmeia,</p><p>verificando-se a presença da rainha e o desenvolvimento inicial da</p><p>colônia.</p><p>2. Antes das principais floradas, com o objetivo de deixar o apiário em ótimas</p><p>condições para o início da produção. Nessa revisão, deve-se verificar,</p><p>principalmente, o estado geral de caixas e quadros, ocorrência de quadros</p><p>quebrados e/ou com cera velha e as condições de postura da rainha.</p><p>3. Durante as floradas, as melgueiras devem ser revisadas a cada 15 dias</p><p>para verificar a quantidade de quadros completos e operculados, bem</p><p>como a necessidade de acrescentar ou não mais melgueiras. Nessa</p><p>revisão, deve-se evitar o uso excessivo de fumaça nas melgueiras para</p><p>que o mel não fique com cheiro e gosto de fumaça.</p><p>4. Depois das principais floradas, verifica-se a existência de anormalidades</p><p>que devem ser corrigidas com o objetivo de preparar a colmeia para o</p><p>período de entressafra.</p><p>5. Na entressafra, as revisões devem ser menos frequentes, geralmente</p><p>mensais, para evitar o desgaste dos enxames que, normalmente, estão</p><p>mais fracos. As revisões devem ser rápidas, observando-se,</p><p>principalmente, se há necessidade de alimentar as colmeias, reduzir o</p><p>alvado, controlar inimigos naturais ou unir enxames fracos.</p><p>Recomenda-se que essas revisões sejam feitas em duas pessoas, para</p><p>que uma faça a identificação dos pontos que precisam ser avaliados e a outra</p><p>maneje o fumigador. Além disso, é interessante que esse trabalho seja realizado</p><p>em dias ensolarados, de preferência nos horários em que a maioria das</p><p>operárias estejam no campo. Podemos entender esse período como o turno da</p><p>manhã, com início às 8 horas e término às 11 horas; no turno da tarde, o início</p><p>da revisão pode começar às 15 horas e ser finalizado por volta de 17h30min.</p><p>Na Figura 15, podemos ter uma ideia melhor de como pode ser feito esse</p><p>processo.</p><p>31</p><p>Figura 15 – Processo de revisão das colmeias</p><p>Crédito: Galdric/Adobe Stock.</p><p>Ressaltamos a importância da identificação ou numeração das caixas e</p><p>da existência de uma ficha de anotações para cada uma delas. Assim, é possível</p><p>ter um melhor controle da situação de cada caixa.</p><p>5.2 Substituição de quadros</p><p>Outra prática de manejo que é vital para o apiário e interfere diretamente</p><p>na produtividade e na qualidade do mel é a substituição periódica dos quadros,</p><p>pois o uso de favos velhos limita o espaço para a postura da rainha. Como</p><p>consequência disso, há também a limitação do crescimento da população da</p><p>colmeia, contribuindo para a baixa produtividade, enxameação e abandono da</p><p>colmeia. Além disso, a deposição de mel em favos velhos e escuros pode afetar</p><p>suas características físico-químicas. Um exemplo disso é alteração na cor do</p><p>mel.</p><p>Para que a situação exposta anteriormente não ocorra, é indicado que</p><p>sejam trocados 20% dos quadros da colmeia anualmente. No entanto, em</p><p>condições de extremo calor ou de apiários sem sombreamento, a vida útil dos</p><p>favos tende a ser menor, por isso a troca dos quadros deve ser feita sempre que</p><p>o apicultor julgar necessário. Na Figura 16 a seguir, podemos observar como</p><p>pode ser feita a avaliação dos quadros da melgueira.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/208494184/galdric?load_type=author&prev_url=detail</p><p>32</p><p>Figura 16 – Apicultor realizando a avaliação dos quadros da melgueira</p><p>Crédito: Rax Qiu/Adobe Stock.</p><p>Nesse momento, dois aspectos importantes devem ser considerados;</p><p>primeiro, durante as revisões, o apicultor deverá marcar os quadros com cera</p><p>velha, principalmente aqueles que já foram rejeitados pelas abelhas; segundo, o</p><p>apicultor deve procurar sempre utilizar cera de boa qualidade, pois as abelhas</p><p>costumam rejeitar quadros novos com lâminas de cera de baixa qualidade.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta abordagem, tivemos a oportunidade de conhecer melhor as</p><p>abelhas com ferrão, pertencentes ao gênero Apis, como que ocorre a distribuição</p><p>de suas castas dentro da colmeia e seu processo de enxameação e nidificação.</p><p>Conhecemos também algumas das diversas espécies de abelha sem</p><p>ferrão que ocorrem no Brasil. Vimos que, apesar de essas espécies terem o</p><p>ferrão atrofiado, elas se defendem e defendem seu ninho com outras estratégias.</p><p>Apontamos os tipos de apiários que podem ser utilizados na apicultura,</p><p>como as abelhas podem ser capturadas e quais são os principais equipamentos</p><p>e acessórios que o apicultor deve ter para realizar o manejo das colmeias. Vimos</p><p>também algumas das possibilidades de manejar as colmeias, para que o</p><p>apicultor atinja a máxima produção de mel sem que haja prejuízo para as</p><p>abelhas.</p><p>https://stock.adobe.com/br/contributor/211281012/rax-qiu?load_type=author&prev_url=detail</p><p>Melgueira</p>