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Poemas e contos afroculturais

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<p>POESIAS, POEMAS E CONTOS: UM</p><p>MUNDO DE DOR MOBILIZADO POR</p><p>UMA EDUCAÇÃO ESCOLAR</p><p>ANTIRRACISTA</p><p>Ivanil Magalhães da silva</p><p>Kátia Sebastiana Carvalho dos Santos Farias</p><p>PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO ESCOLAR MESTRADO</p><p>E DOUTORADO PROFISSIONAL (PPGEEPROF)</p><p>PRODUTO EDUCAC IONAL VOLTADO PARA PRÁT ICAS</p><p>PEDAGÓGICAS ANT IRRAC I STAS</p><p>POESIAS, POEMAS E CONTOS: UM</p><p>MUNDO DE DOR MOBILIZADO POR</p><p>UMA EDUCAÇÃO ESCOLAR</p><p>ANTIRRACISTA</p><p>PRODUTO EDUCAC IONAL VOLTADO PARA PRÁT ICAS</p><p>PEDAGÓGICAS ANT IRRAC I STAS</p><p>Autoras</p><p>IVANIL MAGALHÃES DA SILVA</p><p>KÁTIA SEBASTIANA CARVALHO DOS SANTOS FARIAS</p><p>2 - Dsign feito por Mete-X de Mete-X</p><p>1 - design feitos por Canary de Canary</p><p>Sobre as autoras</p><p>IVANIL MAGALHÃES DA SILVA é professora da</p><p>Educação Básica da Rede Municipal de Corumbiara</p><p>-RO e mestranda do Programa de Pós-Graduação</p><p>em Educação Escolar – Mestrado e Doutorado</p><p>Profissional, Universidade Federal de Rondônia</p><p>(UNIR), Porto Velho, Rondônia, Brasil.</p><p>E-mail: ivanilmarg@gmail.com</p><p>ORCID ID: https://orcid.org/0000-0002-8085-5863</p><p>Profa. Dra. KÁTIA SEBASTIANA CARVALHO DOS</p><p>SANTOS FARIAS é docente do Programa de Pós-</p><p>Graduação em Educação Escolar – Mestrado e</p><p>Doutorado Profissional, Universidade Federal de</p><p>Rondônia (UNIR), Porto Velho, Rondônia, Brasil.</p><p>E-mail: katiafarias@unir.br</p><p>ORCID ID: https://orcid.org/0000-0001-5646-8604</p><p>Mestranda:</p><p>Orientadora:</p><p>mailto:ivanilmarg@gmail.com</p><p>https://orcid.org/0000-0002-8085-5863</p><p>mailto:katiafarias@unir.br</p><p>https://orcid.org/0000-0001-5646-8604</p><p>Produto Educacional apresentado ao Programa de Pós-</p><p>Graduação em Educação Escolar (PPGEEProf), da Fundação</p><p>Universidade Federal de Rondônia (UNIR), como requisito</p><p>final para obtenção do título de Mestre em Educação Escolar.</p><p>Origem do produto: Dissertação de Mestrado intitulada</p><p>Educação antirracista, currículo e literatura infantojuvenil:</p><p>práticas escolares decoloniais.</p><p>Área de conhecimento: Educação.</p><p>Nível de Ensino: Ensino Fundamental e Médio.</p><p>Público a quem se destina o produto: Professores da</p><p>Educação Básica.</p><p>Disponibilidade: Irrestrita, mantendo-se a autoria do</p><p>produto e a proibição de uso comercial.</p><p>Instituição: Universidade Federal de Rondônia.</p><p>Idioma: Português.</p><p>Cidade: Porto Velho-RO.</p><p>País: Brasil.</p><p>Ano: 2024.</p><p>POESIAS, POEMAS E CONTOS: UM MUNDO DE</p><p>DOR MOBILIZADO POR UMA EDUCAÇÃO</p><p>ESCOLAR ANTIRRACISTA</p><p>DESCRIÇÃO TÉCNICA DO PRODUTO</p><p>IVANIL MAGALHÃES DA SILVA</p><p>KÁTIA SEBASTIANA CARVALHO DOS SANTOS FARIAS</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>Autoras</p><p>Fotos</p><p>Disponíveis em canva.com</p><p>Projeto Gráfico e Diagramação</p><p>Ivanil Magalhães da Silva</p><p>Capa e ilustração</p><p>Elaboradas a partir de recursos do canva.com</p><p>Escrever sobre experiências vividas de práticas racistas é ação que causa</p><p>dor emocional. Jacques Derrida (1986), na obra Leer lo ilegible, fala da</p><p>exterioridade atribuída à escrita, da intraduzibilidade da dor.</p><p>Em consonância com os autores acima citados, este Produto Educacional</p><p>(PE), intitulado Poesias, Poemas e Contos: um mundo de dor mobilizado por</p><p>uma educação escolar antirracista, surgiu como resultado da dissertação</p><p>intitulada Educação antirracista, currículo e literatura infantojuvenil: práticas</p><p>escolares decoloniais, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em</p><p>Educação Escolar - Mestrado e Doutorado Profissional, da Universidade</p><p>Federal de Rondônia (UNIR).</p><p>O PE problematiza a literatura infantojuvenil antirracista, visando</p><p>contribuir para o combate de práticas racistas no ambiente escolar e na</p><p>sociedade, em um viés decolonial; foi desenvolvido a partir das</p><p>problematizações sucedidas na escola, por meio de teatro de fantoches,</p><p>oficinas de leituras, manifestações verbais e não verbais oriundas de diálogos</p><p>promovidos em roda de conversa.</p><p>A pesquisa enfatiza a Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do</p><p>ensino de História e Cultura afro-brasileira nos currículos do Ensino</p><p>Fundamental e Médio, e foi realizada no contexto de uma escola municipal de</p><p>Corumbiara (Cone Sul de Rondônia), envolvendo pais e/ou responsáveis,</p><p>professores e estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental. Como resultados</p><p>das problematizações junto aos envolvidos, consideramos suas vozes e</p><p>necessidades para a confecção deste PE, o qual direcionamos para professores</p><p>da Educação Básica e a quem mais interessar.</p><p>Apresentação do produto</p><p>A dor não só existe apenas no tempo da ação</p><p>acontecida, ela só existe no presente.</p><p>Afirmo a minha dor quando escrevo,</p><p>dado que a escrita é também</p><p>uma forma de presença</p><p>(Barthes, 2010).</p><p>A condução filosófica e metodológica para a realização deste trabalho se</p><p>deu sob a influência de Ludwig Wittgenstein e da abordagem</p><p>desconstrucionista de Derrida, em uma proposta metodológica pós-crítica, o</p><p>que propicia a discussão das problemáticas de relevância social, tal qual é a</p><p>educação antirracista.</p><p>Apresentamos, a seguir, algumas poemas/poesias e um conto. Ao final,</p><p>trazemos algumas sugestões de práticas mobilizadoras para intervenções</p><p>antirracistas na escola.</p><p>3 - Design feito por AEyRio de Getty imagens.</p><p>Como compreendemos</p><p>poesia e poema?</p><p>Norma Goldstein (2006, apud Altenfelder e Armelin,</p><p>2010, p. 22 ), em Versos, sons, ritmos, afirma que poema é</p><p>um texto “marcado por recursos sonoros e rítmicos.</p><p>Geralmente o poema permite outras leituras, além da</p><p>linear, pois sua organização sugere ao leitor a associação</p><p>de palavras ou expressões “posicionadas</p><p>estrategicamente no texto”.</p><p>A poesia está presente no poema, assim como em outras</p><p>obras de arte “que, como o poema, convidam o</p><p>leitor/espectador/ouvinte a retornar à obra mais de uma</p><p>vez, desvendando as pistas que ela apresenta para a</p><p>interpretação de seus sentidos”.</p><p>( Poetas na escola - Caderno das Olimpíadas de Língua Portuguesa - embasados em Norma</p><p>Goldstein, em Versos, sons, ritmos. 14. ed. São Paulo: Ática, 2006.</p><p>Vou te contar, hem! ......................................................................... 10</p><p>09 de agosto: momentos eternizados.............................................12</p><p>O par de quadrilha de Lena.............................................................14</p><p>Quem ela pensa que é?......................................................................16</p><p>Posso?....................................................................................................18</p><p>Empatia, alegria, esperança, fraternidade, Brasil......................19</p><p>Quem dera que fosse!.........................................................................19</p><p>Sugestões de práticas pedagógicas- utilizando poema/poesia</p><p>em sala de aula...................................................................................20</p><p>I- Como fazer?......................................................................................21</p><p>II- Jogral - Leitura expressiva.........................................................23</p><p>III - Sarau decolonial.........................................................................24</p><p>IV - Poesia visual................................................................................25</p><p>CONTO - A mudança de Alika........................................................29</p><p>Sugestões de práticas pedagógicas - Utilizando contos em sala</p><p>de aula...................................................................................................41</p><p>Algumas considerações....................................................................44</p><p>Referências..........................................................................................46</p><p>Índice</p><p>Uma coisa vou te contar</p><p>o racismo não me fará chorar</p><p>Há coisas que fico a observar</p><p>então, passei a me valorizar.</p><p>Então diga o que aconteceu?</p><p>com o radiante sorriso teu</p><p>De repente tu empalideceu,</p><p>do teu sorriso depende o meu.</p><p>Vou te contar, hem!</p><p>4 - Design de Biistudio21 de pixbay</p><p>5 - Design de Robuart</p><p>6 - Design de Atstock Productions.</p><p>7- Design de Blueringmedia</p><p>10</p><p>https://pixabay.com/users/19740700/</p><p>Devido minha cor querem me evitar</p><p>até pedem para não me aproximar</p><p>E comigo não querem brincar</p><p>depois pagam para se bronzear.</p><p>Mamãe, isso é muito intrigante</p><p>o feio em mim neles é elegante</p><p>O que para mim não é optante</p><p>é lindo neles, em mim extravagante.</p><p>Vivem a criticar minha aparência</p><p>A negritude e toda minha essência</p><p>Será que é ignorância ou inocência?</p><p>Para entender? É preciso paciência!</p><p>Querida, é necessário tolerância</p><p>importa saber da sua importância</p><p>Jamais, em qualquer circunstância</p><p>Não esqueça de sua exuberância.</p><p>Afinal, por mais que você sinta dor</p><p>não deixe brotar em ti o rancor</p><p>Porém, é preciso lutar com destemor</p><p>diante desse sistema opressor.</p><p>11</p><p>No romper da aurora</p><p>muitos foram embora.</p><p>Por um pedaço de chão</p><p>desespero, dor e tensão!</p><p>Correria e armas na mão.</p><p>Ao ouvir Corumbiara</p><p>o coração ainda dispara</p><p>Por um pedaço de chão</p><p>violência e muita confusão!</p><p>Sonho luta e decepção.</p><p>Como foi em Corumbiara</p><p>casos da reforma agrária</p><p>Como nesses conflitos</p><p>vivem muitos aflitos!</p><p>Corpos negros em atritos.</p><p>09 de agosto: momentos eternizados</p><p>Massacre de Corumbiara aconteceu em 1995 – Foto: Reprodução/ Rede Amazônica - RO. Disponível em:</p><p>https://mst.org.br/2022/08/09/corumbiara-quebrar-o-silencio-27-anos-depois/</p><p>Imagem - 8</p><p>12</p><p>https://mst.org.br/2022/08/09/corumbiara-quebrar-o-silencio-27-anos-depois/</p><p>https://mst.org.br/2022/08/09/corumbiara-quebrar-o-silencio-27-anos-depois/</p><p>Não é caso de novela</p><p>na roça ou na favela</p><p>Há muitos pelo Brasil</p><p>Desviando da mira do fuzil</p><p>Caídos sob o céu cor de anil.</p><p>UM MINUTO DE SILÊNCIO!!!</p><p>Pelas vidas ceifadas,</p><p>esperanças massacradas</p><p>e pelas vozes silenciadas.</p><p>Por um pedaço de chão</p><p>por um pouco de pão...</p><p>Um momento de silêncio</p><p>Por horas e dias eternizados</p><p>Um minuto de silêncio</p><p>Para ouvirmos as vozes da Amazônia.</p><p>6</p><p>9 - Design de GraphicsRF</p><p>13</p><p>Era uma vez uma menina</p><p>Que amava festa junina</p><p>Mas na hora de dançar</p><p>Nunca arrumava um par.</p><p>Quando a professora anunciava</p><p>Os pares todos logo se ajeitavam</p><p>E começava aquele velho dilema</p><p>Encontrar o par de dança de Lena.</p><p>O par de quadrilha de Lena</p><p>10 - de Greenflash.</p><p>11 - Design de septical cactus</p><p>14</p><p>E ela se chateava, reclamava</p><p>Preocupava, sofria e resmungava:</p><p>Por que sempre e todo ano é assim,</p><p>Será que não gostam de mim?</p><p>Ela sonhava, imaginava ali encantada</p><p>Com uma fogueira e noite enluarada</p><p>Festa, amizade, bandeirinha e balão</p><p>Esperava dançar vestida de chitão.</p><p>Com um amigo usando camisa xadrez</p><p>Dançando no compasso um, dois, três</p><p>Triângulo, sanfona e som de violão</p><p>Acompanhando as batidas do coração.</p><p>E como o caso não tinha solução</p><p>Outra vez dançou com seu irmão</p><p>Outra vez foi vítima de racismo</p><p>Mas não caíram em um abismo</p><p>Dançaram animados com satisfação</p><p>Lena até esqueceu da discriminação</p><p>Ela esbanjava simpatia e gentileza</p><p>Com sorriso radiante, que beleza!</p><p>Discriminação, por que isso acontece?</p><p>Com isso, a pessoa entristece e padece</p><p>Muito melhor é ter paz, amor e união</p><p>Divertir juntos conforme é a tradição.</p><p>15</p><p>Negra... E é até professora</p><p>Numa sociedade opressora</p><p>Sob olhares que gemem</p><p>Falam, gritam e espremem.</p><p>Segue rodeada de vozes</p><p>Livres, felizes e atrozes</p><p>Vozes que têm cor e peso</p><p>Que desconhecem o desprezo.</p><p>Quem ela pensa que é?</p><p>12 - Teacher Explain de Fariz Albian’s</p><p>16</p><p>Sua voz opina , ensina e se levanta</p><p>Algumas vozes de negras entre tantas</p><p>Com a cor à frete da sua orientação</p><p>Por mais certa que esteja ainda há rejeição.</p><p>Quem ela pensa que é?</p><p>É professora, preta, é mulher</p><p>que</p><p>Ousa falar, ousa gritar, ousa escrever</p><p>Ousa aprender, ousa crescer,</p><p>Ousa querer, ousa sobreviver...</p><p>17</p><p>O que posso eu?</p><p>Por que não posso?</p><p>Não posso falar?</p><p>Não posso cobrar?</p><p>Não posso correr?</p><p>Não posso aprender?</p><p>O que posso eu?</p><p>Ah! Posso sim!</p><p>Posso falar,</p><p>Posso cobrar,</p><p>Posso correr,</p><p>Posso aprender...</p><p>Chega você!</p><p>De tanto</p><p>mi, mi, mi.</p><p>Posso?</p><p>18</p><p>POESIAS VISUAIS</p><p>QUEM DERA QUE FOSSE!</p><p>Para nós, negros/as, o racismo é a maior</p><p>amargura da vida e, para uns, a coisa mais</p><p>amarga da vida é se engasgar com doce! Quem</p><p>dera que fosse!</p><p>Empatia, alegria, esperança,</p><p>fraternidade, Brasil</p><p>Dizem que todo poema é</p><p>uma poesia serena, que</p><p>nasce do amor, da dor e da</p><p>amizade. Quem escreve</p><p>tem com seu sentimento</p><p>lealdade, porque tudo o que</p><p>se escreve existe</p><p>materializado nas vidas das</p><p>pessoas e a beleza dele. Ah!</p><p>A beleza dele se compara a</p><p>um rio de cores: Com paz,</p><p>harmonia, união, respeito,</p><p>amor e amizade...</p><p>19</p><p>SUGESTÕES DE PRÁTICAS</p><p>PEDAGÓGICAS:</p><p>poema/poesia em sala de aula</p><p>Ensino Fundamental e Médio</p><p>POSSIBILIDADES DE INTERVENÇÕES - O poema/poesia</p><p>possibilita o desenvolvimento de trabalhos pedagógicos</p><p>interdisciplinares em sala de aula, por abarcar saberes</p><p>diversos, relacionados à história e ao cotidiano dos estudantes,</p><p>que podem ser problematizados em diferentes componentes</p><p>curriculares da Educação Básica, tais como História, Geografia,</p><p>Ciências, Arte, Filosofia, Sociologia, Língua Portuguesa e</p><p>Ensino Religioso.</p><p>O texto poético em sala de aula, além de propiciar o</p><p>desenvolvimento da linguagem de forma lúdica e prazerosa,</p><p>anuncia e questiona o leitor e, conforme apontam Azevedo,</p><p>Chagas e Bazzo (2018),</p><p>A partir do gênero literário poema/poesia podemos</p><p>explorar vários pontos de aprendizagens, como:</p><p>Leitura/escuta;</p><p>Prática da oralidade;</p><p>Sonoridade/entonação;</p><p>Gramática e semântica (Análise linguística e semiótica);</p><p>Ao questionar o leitor, o texto poético se veste de</p><p>uma dupla propriedade ou tarefa: denúncia e</p><p>anúncio. Ao tensionar as questões sociais,</p><p>existenciais e históricas, a poesia torna públicas</p><p>tanto as mazelas quanto a inaudita beleza das</p><p>relações entre eu-outros na vida em comunidade.</p><p>O conhecimento condensado em um único verso é</p><p>capaz de revoluções (Azevedo; Chagas; Bazzo,</p><p>2018, p. 24).</p><p>20</p><p>Linguagem literal ou denotativa (figuras de linguagem).</p><p>Memorização;</p><p>Rimas,</p><p>Interpretação textual.</p><p>Os pontos de aprendizagem mencionados podem ser</p><p>explanados no contexto escolar e em atividades extraclasse,</p><p>promovendo roda de conversa, sarau, jogral, recital, produção</p><p>de poemas, exposição em varal de poesias e ilustrações dos</p><p>versos.</p><p>I - COMO FAZER?</p><p>Algumas possibilidades</p><p>Consideramos que toda intervenção pedagógica deve ter</p><p>uma intencionalidade, na qual deve ser considerada a faixa</p><p>etária dos estudantes. Nesse sentido, seguem algumas</p><p>sugestões de abordagens condizentes com alunos do Ensino</p><p>Fundamental e Médio.</p><p>1) O professor/a seleciona a poesia adequada de acordo com</p><p>seus objetivos.</p><p>2) O/a professor/a realiza a primeira leitura do poema, com</p><p>entonação adequada, para que os/as estudantes apreciem a</p><p>poesia do texto, presente na musicalização e nos jogos das</p><p>rimas. (Quando o/a professor/a decora o poema e o recita, isso</p><p>tende a deixar os estudantes encantados e motivados a</p><p>memorizar também).</p><p>3) É necessário que os alunos-leitores tenham o poema em</p><p>21</p><p>mãos, para que comecem a explanação juntos, em roda de</p><p>conversa; aos alunos não leitores, sugerimos que,</p><p>inicialmente, utilizem fragmentos do poema, o que seria a</p><p>mesma intervenção, porém requer mais tempo e repetições).</p><p>4) Apresentação da estrutura do texto, título, estrofes, versos</p><p>e autoria do poema, a fim de identificação das características</p><p>do texto poético.</p><p>5) Identificação, por parte dos alunos, das rimas no texto,</p><p>podendo pintar ou circular; nesse momento pode ser</p><p>pertinente retornar ao conceito de “rimas” e sugerir que</p><p>relacionem as terminações com outras palavras que</p><p>conhecem; também indagar se outra palavra mudaria o</p><p>sentido da frase; que palavra poderia ser usada em</p><p>determinado local sem mudar o sentido de determinado verso;</p><p>pode-se permitir o uso do dicionário em sala de aula; deixar os</p><p>alunos falarem. Krieger (2007) afirma que:</p><p>O uso do dicionário em sala de aula tende a enriquecer o</p><p>aprendizado dos alunos em relação à Língua Portuguesa.</p><p>6) Após a explanação de todos os recursos técnicos possíveis</p><p>sobre a estrutura, palavras e organização do poema, figuras de</p><p>linguagem e outros, conforme o ideal para a faixa etária de</p><p>seus estudantes, é importante a releitura</p><p>e entrar na parte da</p><p>compreensão do texto. Algumas perguntas são cruciais: Como</p><p>você compreende o texto? Você já ouviu falar sobre esse</p><p>assunto? Se ouviu, onde? (Deixar falar e aceitar todas as</p><p>respostas; nesse momento, deve-se incentivar o respeito, a</p><p>escuta; caso deseje pode se complementar com notícias,</p><p>documentários, desenhos animados, livros literários onde o/a</p><p>Em relação ao uso do dicionário em sala de aula: [...] auxilia, em</p><p>muito, o desenvolvimento cognitivo do aluno. Entre outros</p><p>aspectos, podemos destacar sua contribuição para ampliar o</p><p>conhecimento: do vocabulário, dos múltiplos significados de</p><p>palavras e expressões, da norma padrão da língua portuguesa,</p><p>de aspectos históricos, bem como gramaticais dos itens léxicos,</p><p>de usos e variações sociolinguísticas (Krieger, 2007, p. 298).</p><p>22</p><p>estudante possa perceber situações de racismo e suas consequências em</p><p>diversas esferas da sociedade ).</p><p>7) O que fazer com as novas descobertas? Para uns, o racismo, o preconceito e</p><p>a discriminação são muito evidentes; para outros, não. Nesse sentido, é</p><p>importante que o estudante se veja, a partir desse processo, como agente</p><p>transformador da sociedade. Após essa proposta, é chegada a hora de</p><p>organizar as atividades práticas; é o momento de permitir que a arte flua e o</p><p>aprendizado se efetive por meio de algumas estratégias., tais como a criação e</p><p>recitação de poemas, sarau ou jogral..</p><p>II- JOGRAL - LEITURA EXPRESSIVA</p><p>a) O/a professor/a pode decidir se trabalhará a produção de texto ou se</p><p>selecionará textos de outros autores.</p><p>Após esse processo, deve-se trabalhar a oralidade .</p><p>Dividir os alunos em grupos, de modo que cada grupo fique com uma</p><p>parte do texto;</p><p>b) Necessita de bastante ensaio; o/a professor/a deve orientar quanto à</p><p>articulação das palavras na frase, dando ritmo no compasso dos jogos sonoros</p><p>propiciados pelas rimas.</p><p>c) Deixe que os alunos decidam se vão se vestir a caráter, como poderia ser o</p><p>figurino para aquele texto. O que deveria ser agregado como acessório para</p><p>representar melhor determinado poema/poesia?</p><p>Os estudantes devem prosseguir com os ensaios até que julguem a</p><p>expressividade do grupo adequada para apresentar para mais pessoas. Caso a</p><p>equipe gestora esteja de acordo, poderão ampliar a apresentação para outras</p><p>turmas, criar um podcast ou apresentar em determinados momentos, no pátio</p><p>ou no auditório da escola.</p><p>Essa prática, além da oralidade, propicia a conscientização e o</p><p>desenvolvimento artístico e social dos estudantes.</p><p>23</p><p>Os pais ouOs pais ouOs pais ou responsáveis podem ser convidadosresponsáveis podem ser convidadosresponsáveis podem ser convidados</p><p>a participar!a participar!a participar!</p><p>III- SARAU DECOLONIAL</p><p>Em um sarau, as pessoas se reúnem no intuito de ouvir ou realizar</p><p>declamações de textos literários; é um momento de compartilhar experiências</p><p>culturais por meio de uma simples leitura ou através de uma canção. Portanto,</p><p>cada locutor tem sua própria performance. Segundo Silva (2014),</p><p>Sendo assim, toda apresentação é diferenciada, por mais que o texto seja</p><p>conhecido; cada corpo tem sua linguagem e cada linguagem corporifica a</p><p>cena com identidade própria.</p><p>Que acham de mobilizar o sarau assim?</p><p>a) Dividir os alunos em grupos, conforme possibilidade (de três a cinco</p><p>estudantes). Cada grupo pesquisará uma quantidade de poema/poesia</p><p>determinada pelo/a professor/a, de acordo com o gosto do grupo.</p><p>b) Juntos, também vão escolher a melhor forma de fazer a apresentação: (em</p><p>grupo, individual, com fundo musical, em jogral, cantando, declamando, em</p><p>forma de teatro etc.).</p><p>Atenção!</p><p>Deve-se ensaiar bastante, ler e reler com expressividade. As palavras e a</p><p>composição artística devem ser expressadas de acordo com seu significado; do</p><p>mesmo modo, o corpo deve enfatizar o que se pretende passar ao interlocutor.</p><p>Nesse sentido, a postura corporal será parte da apresentação, pois também</p><p>pode transmitir múltiplos significados.</p><p>No final do sarau, é importante convidar os estudantes a fazer uma</p><p>avaliação do que mais gostaram e deixar que deem sugestões sobre o que pode</p><p>ser melhorado.</p><p>O conceito de performatividade desloca a ênfase na</p><p>identidade como descrição, como aquilo que é – uma ênfase</p><p>que é, de certa forma, mantida pelo conceito de representação</p><p>– para a ideia de “torna-se”, para uma concepção de identidade</p><p>como movimento e transformação (Silva, 2014, p. 92).</p><p>24</p><p>Neste PE, ousamos inserir duas poesias visuais, que são recorrentes nos</p><p>livros didáticos e atravessam gerações; possibilitam um amplo trabalho de</p><p>discussão e interpretação, por serem compostas por linguagem verbal e não</p><p>verbal. Xavier (2002) explica que:</p><p>Poesia visual ou figurativa consiste em uma forma de arte que</p><p>procura a união de dois códigos distintos - o verbal e o visual -</p><p>criando assim uma intrincada e complexa rede interserniótica.</p><p>A ativação dessa rede se dá quando os mecanismos lingüísticos</p><p>de decodificação são colocados em sincronia com aqueles que</p><p>governam a recepção das imagens. A coexistência da palavra e</p><p>imagem é feita através da direta transformação de símbolos</p><p>verbais em elementos visualmente expressivos (Xavier, 2002, p.</p><p>3) .</p><p>Passíveis de muitas interpretações, as poesias visuais, como</p><p>quaisquer outras, nos permitem leituras outras. Leituras essas</p><p>com as quais os presenteio, com uma cor a mais no arco-íris e</p><p>um doce de bons sentimentos, representado pelo pirulito;</p><p>afinal, basta de amargura provocada pelo racismo, preconceito</p><p>e todo tipo de discriminação.</p><p>Seguem algumas sugestões de atividades utilizando poesias</p><p>visuais:</p><p>Primeiramente, é necessário conversar com os estudantes</p><p>sobre o que é racismo, preconceito e discriminação, pois</p><p>são atitudes não condizentes com o que se espera para os</p><p>cidadãos brasileiros, bem como o processo de formação do</p><p>povo brasileiro e suas consequências para os afro-</p><p>brasileiros, tal qual determina a Lei 10.639/2003, que</p><p>tornou obrigatório esse ensinamento nas escolas de todo o</p><p>Brasil.</p><p>Em seguida, distribua as poesias visuais e instigue uma</p><p>primeira leitura individual e silenciosa; em seguida, pode-</p><p>se propor a leitura compartilhada.</p><p>IV - A POESIAVISUAL</p><p>25</p><p>Na sequência, em roda de conversa, sugerimos propor uma</p><p>interpretação compartilhada, permitindo que cada estudante explore as</p><p>figuras que compõem o gênero poesia visual e exponha seu</p><p>entendimento. Vale lembrar que todo entendimento interpretativo de</p><p>qualquer poema ou poesia está relacionado ao conhecimento prévio que</p><p>o estudante tem sobre o assunto.</p><p>Após explanações detalhadas, os estudantes devem ser instigados a</p><p>produzir de acordo com seu entendimento sobre o racismo, preconceito</p><p>e discriminação, agregado à discussão proporcionada com a intervenção</p><p>dos/as professores/as. Pode-se propor a criação de um livreto, de acordo</p><p>com a criatividade dos estudantes, bem como utilizar recursos</p><p>tecnológicos para criação de poesia/poema com “nuvem de palavras”.</p><p>Exemplo: https://wordart.com/</p><p>26</p><p>Pode-se finalizar propondo que exponham suas produções</p><p>no mural da escola, bem como inserir os novos poemas no</p><p>“cantinho de leitura” da sala de aula, para que todos</p><p>possam apreciar.</p><p>27</p><p>CONTO</p><p>28</p><p>A MUDANÇA DE ALIKA</p><p>Recebemos a notícia que teríamos que nos mudar para uma</p><p>cidade pequena do interior, devido à nova oportunidade de trabalho</p><p>do meu pai. Eu tinha 10 anos e lembro muito bem que eu, minha</p><p>irmã Bianca e meu irmãozinho Pedro reclamamos muito em ter que</p><p>fazer essa mudança, mas logo a mamãe nos convenceu, explicando</p><p>que, naquele momento, seria o melhor para nossa família:</p><p>— Crianças, logo vocês irão se acostumar. Vejam como uma</p><p>oportunidade de fazer novas amizades.</p><p>Eu, que sempre tive um olhar crítico para tudo, respondi</p><p>prontamente:</p><p>— Mamãe, sabe que não é tão fácil assim...</p><p>Bianca, minha irmã mais velha, primeiramente não concordou,</p><p>mas logo passou a apoiar nossos pais. Considerando</p><p>a mudança como</p><p>uma oportunidade de fuga, já que havia terminado com o namorado</p><p>dela recentemente e mesmo assim o chato não aceitava o término e</p><p>não largava ela em paz. A mana pensou e disse:</p><p>— Concordo perfeitamente, mamãe. Será uma nova oportunidade</p><p>para conhecermos pessoas novas, traçar novos rumos e terei a</p><p>chance de cursar agronomia, que é o meu sonho.</p><p>13. Black girl with turban. Feito por Octavaayoe de Octaviaayoes</p><p>29</p><p>Pedro ainda não palpitava muito, mas havia entendido que a tia</p><p>Cidinha não seria mais sua professora na nova escolinha.</p><p>— Posso levar a profe, mamãe?</p><p>— Claro que não, querido! Lá também tem um educandário</p><p>infantil com professoras tão amorosas, quanto as daqui, você vai</p><p>gostar muito dela, tenho certeza, meu bebê. - Disse a mãe, enquanto</p><p>o pegava no colo e acariciava o seu rosto com bochechas salientes e</p><p>pele rosada e clara, como a do papai. Nesse momento, meu pai entrou</p><p>em casa, todo animado, e anunciou:</p><p>— Meus amores, devemos nos preparar. Partiremos daqui a uma</p><p>semana.</p><p>Ele, que sempre foi muito atento, vendo a minha expressão facial,</p><p>me chamou:</p><p>— Vem aqui, princesa do pai.</p><p>Nesse momento, deixei escapar uma lágrima dos meus olhos</p><p>negros, que brilhavam como uma pérola. Era como se eu pressentisse</p><p>tudo o que estaria por vir.</p><p>Ele me perguntou:</p><p>— Por que está triste, minha querida?</p><p>— Não é tristeza, apenas tenho medo das mudanças. Terei</p><p>saudades dos meus amigos, mas estou feliz por você, papai.</p><p>Ele me colocou em seu colo e tocou os meus cachinhos em um</p><p>movimento de definição, dizendo:</p><p>— Você não perderá seus amigos? Você poderá falar com eles via</p><p>internet. Lembre-se que nós somos sua família e eu também sou seu</p><p>amigo e sempre estarei aqui para você, minha princesa.</p><p>Nesse momento, todos se aproximaram e nos abraçamos, pois</p><p>sempre fomos uma família unida.</p><p>Você deve estar pensando:</p><p>— Nossa, que drama!</p><p>Mas, que drama, que nada! É que, para mudar, é preciso ter muita</p><p>coragem!</p><p>Ao amanhecer, segui para a minha escola, como de costume;</p><p>contei a novidade para meus amigos e todos ficaram entristecidos</p><p>com a notícia.</p><p>Eles demoraram muito a me conhecer, mas, depois, passamos a</p><p>ser grandes amigos, eles me faziam bem e eu a eles, juntos dávamos</p><p>muitas gargalhadas, estudávamos, jogávamos e íamos ao cinema...</p><p>30</p><p>A semana que antecedia a mudança se tornou uma melancolia.</p><p>Todos os dias era a maior lamentação, vinda de um ou outro colega.</p><p>Por esse motivo, resolvi não ir ao que seria o meu último dia de aula,</p><p>para evitar a despedida.</p><p>Mas, no dia da mudança, lá estavam todos os meus amigos da</p><p>escola. Eles me fizeram uma surpresa e levaram os doces que eu mais</p><p>gosto: pé-de-moleque, paçoca, rapadura, quindim, cocada e até</p><p>chocolates. Porém, todas essas delícias não evitaram o chororô de</p><p>minha partida... E assim, como a mudança se afastava da minha</p><p>antiga cidade, as paisagens se abriam para um horizonte</p><p>desconhecido. Foram três dias de viagens exaustivos, até que</p><p>avistamos, de longe, o nosso destino: uma pequena cidade, entre</p><p>serras.</p><p>14. Students playing at school. De blueringmedia</p><p>31</p><p>Todos ficamos encantados, pois a cidadezinha, parecia</p><p>cinematográfica, por ser tão pequenininha. Ao adentrarmos, logo</p><p>percebemos que ali havia de tudo, mas sem excesso; eram poucas</p><p>lojas, poucas escolas, poucos mercados, algumas igrejas (as mais</p><p>tradicionais; havia uma de cada) e também não tinha shopping.</p><p>Logo percebemos que por ali havia muitas e muitas pessoas</p><p>curiosas!</p><p>Quando passávamos, todos olhavam; afinal, nós não pertencía-</p><p>mos àquele lugar, éramos estranhos.</p><p>Enquanto descarregavam a mudança, passou uma senhora e</p><p>cumprimentou:</p><p>— Bom dia!</p><p>Era a Dona Judite. Sem saber o que dizer, gaguejei e papai</p><p>respondeu:</p><p>— Bom dia senhora.</p><p>Achei esquisito. Como assim, falar com estranhos? Perguntei a</p><p>ele:</p><p>— O senhor a conhece, papai?</p><p>— Óbvio que não, filhinha.</p><p>Continuei sem entender nada, até que ele explicou:</p><p>— Aqui no interior, os vizinhos têm o hábito de cumprimentar</p><p>as pessoas, e é educado responder. Isso não quer dizer que já somos</p><p>amigos.</p><p>Estávamos todos muito cansados. Dormimos e nem vimos o</p><p>tempo passar. Quando acordei, mamãe tinha saído para nos</p><p>matricular nas escolas. Maninho e eu fomos matriculados na cidade;</p><p>minha irmã foi matriculada numa escola bem distante, em um</p><p>município vizinho.</p><p>E o papai já tinha ido se apresentar no trabalho dele. Todos</p><p>estavam felizes. A mamãe estava com um semblante, que não sei não,</p><p>hem! Tenho certeza que sentiria saudade do passeio com as amigas</p><p>dela no shopping. Coitada da mamãe!</p><p>E agora, vou deixar que contem como foram os meus</p><p>primeiros dias na nova escola. Eu coloquei o meu turbante mais</p><p>bonito e fui:</p><p>32</p><p>Sim, conto! É sobre diferentes culturas na escola.</p><p>Cenário: uma tarde quente do mês de agosto. A sala de aula do 5º ano</p><p>bem refrigerada, com cadeiras organizadas em fileiras.</p><p>Personagens: Alika, diretora, professora, Maria, Akin, João, Solange,</p><p>mãe de Alika,</p><p>Narrador: Relembramos que Alika precisou mudar para uma nova</p><p>cidade, pois seu pai tinha encontrado uma nova oportunidade de</p><p>emprego e acreditou ser o melhor para família. Chegando lá, sua mãe</p><p>a matriculou na Escola Mundo Mágico. E Alika estava ansiosa para</p><p>fazer novos amigos. Até que enfim tinha chegado o grande dia! Pela</p><p>primeira vez iria começar a estudar em pleno mês de agosto, quando</p><p>todo mundo já conhece todo mundo.</p><p>Narrador: Alika chegou um pouco atrasada, porque não estava</p><p>habituada com aquele horário do período da tarde.</p><p>Alika (Bate à porta) — Com licença! Posso entrar, professora?</p><p>Narrador: Como Alika estava atrasada, havia perdido parte do texto e</p><p>a professora estava com muita pressa para aplicar todo o conteúdo na</p><p>lousa, a professora mesmo fez a apresentação da nova aluna.</p><p>Professora — Claro! Entra e seja bem vinda na nossa escola. Pessoal,</p><p>esta é a Alika, que irá estudar na nossa turma a partir de hoje.</p><p>Recebam bem a nova coleguinha, ok? Cumprimentem a nova colega!</p><p>E no recreio poderão conversar e se conhecerem melhor.</p><p>Narrador: A pedido da professora, todos disseram:</p><p>Todos — Seja bem vinda a nossa sala!!!</p><p>Alika (animada e sorridente) — Obrigada turma!</p><p>33</p><p>Narrador: Alika se sentou e todos olhavam para ela. Afinal, já tinham</p><p>visto pessoas negras, mas não igual a Alika, que usava muito colorido</p><p>e com um pano na cabeça.</p><p>Solange (Pensativa) — Será que ela é careca?</p><p>Maria (Falou baixo) — Ela deve ter alguma doença, será que é</p><p>contagiosa.</p><p>Akin — Ela me faz lembrar da minha avó, que usava esse pano, desse</p><p>jeito, na cabeça também. Até o nozinho é igual.</p><p>Narrador: O sinal para o recreio bate! Todo mundo sai para o pátio e</p><p>Alika também. Ela ficou em um cantinho, aguardando que algum</p><p>colega fosse até ela; de longe ela via todos juntos, mas não estavam</p><p>brincando, estavam cochichando e falando sobre ela. É! Dava para</p><p>ver, pois não disfarçavam!</p><p>Solange (Cochichando) — Cá entre nós, essa menina é muito estranha,</p><p>muito diferente da gente... Deus me livre!</p><p>Maria — Eu estava pensando se ela é careca, se está doente ou se tem</p><p>o cabelo ruim mesmo. Por que ela está escondendo?</p><p>Akin — Eu acho que não é nada disso, porque lembro que minha avó</p><p>usava igualzinho.</p><p>Narrador: o João, que ainda não tinha falado nada, resolveu se</p><p>pronunciar:</p><p>João — Então, Akin, isso deve ser coisa de preto, porque eu vi que ela</p><p>tem cabelo. É... Eu estava sentado atrás dela.</p><p>Solange — Bem, se um dia eu for amiga dela, vou falar para ela alisar</p><p>o cabelo, tirar esse negócio da cabeça pra ficar mais parecida com a</p><p>nossa turma e ela vai ficar mais bonita...</p><p>34</p><p>Narrador: Alika, ali parada, vendo aquele fuzuê e sabendo que se tratava dela,</p><p>sentiu que deveria tentar uma aproximação; afinal, aquela turma só poderia</p><p>ser tímida. Poderiam estar sem jeito de chegar até ela... E foi até eles.</p><p>Alika — Olá,</p><p>pessoal, do que vocês gostam de brincar? Vamos...</p><p>Narrador: Ela nem tinha acabado de falar e a turma já foi se afastando…</p><p>Todos: — Nada, não gostamos de nada...</p><p>Alika (Assustada, falou baixinho) — Meu Deus, como pode criança não gostar</p><p>de brincar? Que gente diferente!</p><p>Narrador: A diretora, que passava por ali, de longe viu o que estava</p><p>acontecendo, que poderia se tratar de preconceito, discriminação, ou até</p><p>racismo; resolveu interferir imediatamente, chamou a turma enquanto Alika</p><p>observava tristemente de longe.</p><p>Diretora — Solange, Maria, Akin, João, venham aqui, por favor! Me falem o</p><p>porquê de vocês não estarem brincando com a Alika. Esqueceram que na</p><p>nossa escola prezamos a amizade? Quero saber. Me falem!</p><p>Narrador: Solange falou por todos.</p><p>Solange — É que nós a achamos diferente... Ela usa uma coisa na cabeça, não</p><p>sabemos se ela está doente ou se é careca, mas o cabelo dela é que é ruim</p><p>mesmo, descobrimos diretora...</p><p>Narrador: Assim, contou tudo o que eles estavam pensando e tinham</p><p>conversado entre eles...</p><p>Diretora — Nossa, gente! Vocês estão tirando conclusões precipitadas, isso pode</p><p>ser chamado de preconceito sabiam? Isso é feio e inaceitável em nossa escola e</p><p>na sociedade. Esse modo de ela ser faz parte da cultura e identidade própria da</p><p>cultura africana e afro-brasileira. E esse pano na cabeça tem nome,viu? É um</p><p>turbante! E para cada povo tem um significado próprio, que devemos</p><p>respeitar. E sobre o cabelo ruim, isso não existe de cabelo bom ou cabelo ruim.</p><p>A função do cabelo é proteger o couro da cabeça e isso todos os cabelos fazem.</p><p>E se uma pessoa optar em ser careca, também não tem proble -</p><p>35</p><p>ma, nem sempre se trata de uma doença e sim de um estilo que a</p><p>pessoa gosta.</p><p>Solange — Não posso pedir para ela alisar o cabelo?</p><p>Diretora — Não!!! De maneira alguma devemos impor o nosso jeito de</p><p>ser e pensar para outras pessoas! Ninguém pode mudar nada em si</p><p>por causa dos outros ou de um padrão. Cada pessoa tem sua</p><p>identidade e beleza; se no mundo fossemos todos iguais, não teria a</p><p>menor graça, não é mesmo? A beleza da população brasileira está na</p><p>diferença e por isso devemos valorizar essas diferenças! Somos uma</p><p>diversidade em características e culturas.</p><p>Narrador: Nesse momento, o sino bateu e a professora foi direcionar</p><p>a turma para a sala; a professora pediu para se sentarem, enquanto</p><p>conversou em particular com a diretora por alguns minutinhos. Foi</p><p>aí que as duas tiveram uma grande ideia para resolver aquele</p><p>problema.</p><p>Professora — Então pessoal, hoje está cancelada a aula de matemática.</p><p>Vamos ter aula de história e falar da nossa própria história.</p><p>Todos — Obaaa!!!</p><p>Diretora— Então, pessoal, conhecendo nossa história compreendemos</p><p>mais de nós, reafirmamos nossa própria identidade e aprendemos a</p><p>respeitar a história do outro. Eu vim participar dessa aula com vocês</p><p>porque a turma tem algo muito importante a dizer para Alika, não é</p><p>pessoal?</p><p>Solange — Em nome da nossa turma, gostaria de pedir desculpas por</p><p>não brincar com você. É que ficamos com vergonha de perguntar</p><p>umas coisas para você.</p><p>Alika (Sorrindo) — Pode perguntar... Afinal, é assim que começam as</p><p>amizades, né?</p><p>36</p><p>Maria — Por que você usa tur tur tur...</p><p>Narrador: E a professora completou.</p><p>Professora: —Turbante?</p><p>Alika (Sorrindo) — Ah, então é isso! Kkk. Eu sou afro-brasileira. Para</p><p>meus antepassados, o turbante tem significados diversos. Foi trazido</p><p>da África pelos que foram escravizados aqui no Brasil. Mas ,para</p><p>mim, que sou afrodescendente brasileira, além de representar a</p><p>minha identidade cultural, o adereço é como uma joia, que é símbolo</p><p>de resistência e luta contra o preconceito racial.</p><p>Professora — Olha que interessante! E tem coisas que só</p><p>compreendemos se perguntarmos, né?</p><p>Narrador: A diretora se retirou e, assim, seguiu a aula. Cada um</p><p>contou um pouco da sua história e costume, puderam falar do seu</p><p>modo de vestir, da sua alimentação, crenças e origem. No mesmo</p><p>momento, a professora fazia intervenção e falava da imigração e</p><p>como isso contribuiu com o Brasil que somos atualmente. Falou da</p><p>luta dos negros e dos indígenas por respeito e por fazer valer direitos</p><p>comuns a todos cidadãos brasileiros. Todos ouviam atentamente e</p><p>com curiosidade. Estavam tão envolvidos com a aula que nem</p><p>perceberam o tempo passar.</p><p>(No outro dia…)</p><p>Mãe de Alika — Filha, esqueci de perguntar... Como foi na escola</p><p>ontem?</p><p>Alika — Então, mamãe... Dessa vez ninguém me chamou de chocolate</p><p>ou empurrou na parede e xingou de macaca; a aula foi muito boa e</p><p>acredito que farei grandes amizades.</p><p>Mãe de Alika — Que bom, filhinha!</p><p>Narrador: Todos ficaram amigos na Escola Mundo Mágico.</p><p>Brincavam de pega-pega, esconde-esconde e de amarelinha africana.</p><p>37</p><p>Todos aprenderam que somos diferentes de quem se toma como</p><p>ponto de partida, mas que precisamos respeitar as diferenças e não</p><p>sermos preconceituosos, para termos um país mais alegre e menos</p><p>injusto.</p><p>15. Ethnic black mother hugs daughter. De Ludmyla</p><p>38</p><p>E daqui em diante a Alika continua lhes contando:</p><p>Pois foi assim mesmo! Os meus primeiros dias de aula... E eu ainda</p><p>nem contei como foi o dia que meu pai foi me buscar na escola.</p><p>Quando meu pai adentrou o portão da escola, todos ficaram</p><p>olhando curiosos. Como de costume, ele me deu um beijo, pegou</p><p>minha bolsa e me puxou pelas mãos e deu tchau para os meus novos</p><p>colegas.</p><p>No dia seguinte, mamãe me trouxe novamente. Quando descemos</p><p>do veículo e nos direcionamos para a portaria, a minha nova</p><p>coleguinha, a Solange, me esperava no portão, de pé, junto com o</p><p>porteiro:</p><p>— Oi, Alika.</p><p>— Oi.</p><p>— Quem é aquele homem que veio te buscar ontem?</p><p>— Ora... É meu pai!</p><p>— Como assim? E essa que te trouxe, hoje?</p><p>— Ora... É minha mãe!</p><p>— E aquele bebê que está no carro? Sua mãe é babá dele?</p><p>— Ora... Claro que não! Ele é meu irmãozinho.</p><p>E pacientemente eu respondia, assim como respondi a dona Judite,</p><p>ao seu Paulo, a senhorinha da sorveteria da esquina, a tia do Akin,</p><p>sim! Respondi a tanta gente... Mas uma hora a gente cansa. E eu</p><p>cansei. Também não queria responder a mais ninguém e a Sol</p><p>continuou:</p><p>— Como assim? Você é adotada?</p><p>— Fala sério! Aquele homem é seu padrasto, né?</p><p>Eu não sabia exatamente o porquê, mas cada pergunta que era</p><p>obrigada a responder doía lá no fundo, como se fosse uma agulhinha</p><p>fininha machucando o meu peito. Era como se eu estivesse entalada</p><p>com farinha, com choro engasgado e não conseguia responder mais</p><p>nada. Corri, com os olhos lacrimejando, para a nossa sala. E o pior é</p><p>que ela correu também e continuava perguntando:</p><p>— Alika, você é adotada? Aquele homem não pode ser teu pai. Ele</p><p>não se parece com você. Sua mãe sim, é a sua cara...</p><p>Até que a professora chegou e interferiu.</p><p>— Solange, não percebeu que está sendo inconveniente com a</p><p>nova colega?</p><p>— Como assim professora? Só estou perguntando...</p><p>39</p><p>— Tem coisas que não é necessário perguntar. É assim e pronto!</p><p>Porque, como já expliquei para vocês, o Brasil é um país diverso e</p><p>multirracial. As nossas famílias, as nossas escolas e comunidades são</p><p>uma pequena parte da demonstração dessas diversidades.</p><p>E ali começava outra aula de história, depois outra de ciências</p><p>biológicas, matemática, literatura, filosofia e muito mais, para que</p><p>todos entendessem que somos uma família normal, não somos</p><p>diferentes; diferentes de quem? Afinal, é necessário ter um padrão</p><p>como base?</p><p>Até que a Sol me falou:</p><p>— Me desculpe, amiga. A profe me falou de um tal letramento</p><p>racial, que é igual aprender matemática e língua portuguesa e eu te</p><p>prometo que vou aprender.</p><p>E foi assim que a minha mudança foi causando mudanças por</p><p>onde passei nessa vida, pois aprendi a me posicionar e a falar para as</p><p>pessoas o que era invasivo a meu respeito, se caso alguém estivesse</p><p>sendo inconveniente, levando os que estavam a minha volta a passar</p><p>por transformações. Afinal, respeito as pessoas e também gosto de ser</p><p>respeitada.</p><p>E a Solange? Eu sabia que você me perguntaria dela. Ora! Eu a</p><p>desculpei, afinal, ela só estava curiosa. E foi assim que consegui a</p><p>minha segunda melhor amiga, porque a primeira melhor amiga</p><p>sempre foi minha mãe.</p><p>40</p><p>SUGESTÕES DE PRÁTICAS</p><p>PEDAGÓGICAS - UTILIZANDO</p><p>CONTOS EM SALA DE AULA</p><p>Ensino Fundamental e Médio</p><p>POSSIBILIDADES DE MOBILIZAÇÕES</p><p>O conto é um texto literário. Trata-se de uma narrativa</p><p>curta, marcada por uma sequência de acontecimentos que se</p><p>desenrola em torno de um conflito. O gênero textual conto,</p><p>apresentado neste PE, pode ser problematizado em diferentes</p><p>componentes curriculares da Educação Básica: História, Arte,</p><p>Filosofia, Sociologia, Língua Portuguesa e Ensino Religioso.</p><p>A leitura literária requer a intervenção harmoniosa de</p><p>um/a professor/a leitor/a e conhecedor/a do contexto</p><p>apresentado, pois ela/a será o/a problematizador/a. Segundo</p><p>Gaignoux (2014),</p><p>Desse modo, os/as professores/as são convidados/as a</p><p>dialogar com a questão racial dos afro-brasileiros, para</p><p>propiciar uma discussão mais significativa em prol do</p><p>letramento racial do seu público escolar, além de trabalhar</p><p>com:</p><p>Leitura/escuta;</p><p>Gramática e semântica (Análise linguística e semiótica);</p><p>Interpretação textual;</p><p>O professor é, dessa forma, o mediador entre o aluno e o livro.</p><p>A afinidade entre o professor e a leitura favorece a mediação.</p><p>Dificilmente um aluno será seduzido pelo discurso de alguém</p><p>sem relação estreita com o texto e que não experimentou e</p><p>degustou o produto ofertado. É quase impossível que o desejo</p><p>de ler um livro possa ser despertado por um não leitor</p><p>(Gaignoux, 2014, p. 8).</p><p>41</p><p>Elementos da narrativa (características do conto);</p><p>Tipos de linguagem (formal e informal).</p><p>Os pontos de aprendizagem mencionados podem ser</p><p>explanados no contexto escolar, promovendo contação de</p><p>história, roda de conversa, aula expositiva sobre as</p><p>características do conto, passo a passo, de acordo com a</p><p>sequência dos acontecimentos na narrativa e produção de</p><p>contos.</p><p>1) Oferecer o texto e propor que alguns alunos o leiam em voz</p><p>alta;</p><p>2) Instigar o debate sobre o assunto:</p><p>Qual o título do texto?</p><p>O que mais te chamou atenção?</p><p>Você já presenciou algo semelhante? (Deixar falar)</p><p>3) Apontar os elementos narrativos do texto:</p><p>Narrador - quem conta a história;</p><p>Espaço - onde a história acontece;</p><p>Personagens - participantes da história;</p><p>Tempo - quando acontece;</p><p>Enredo - o desenrolar dos acontecimentos (da ação).</p><p>4) Dividir os estudantes em grupo e solicitar que, em um</p><p>trabalho minucioso, identifiquem os momentos da narrativa</p><p>demarcados por: situação inicial, conflito, clímax e desfecho.</p><p>Essa ação requer leitura atenta e concentração por parte</p><p>dos/as estudantes. O/a professor/a pode utilizar um filme ou</p><p>desenho curto para comparar os momentos de um enredo.</p><p>EXEMPLO:</p><p>Situação inicial - dá-se no início do conto, onde são</p><p>apresentadas</p><p>42</p><p>as personagens; encontramos marca do tempo em que acontece o fato, mas</p><p>ainda permanece uma situação equilibrada.</p><p>Conflito - onde se percebe um problema causado por um motivo evidente.</p><p>Clímax - é marcado por momentos mais tenso do enredo.</p><p>Desfecho - é a resolução do conflito, ou seja, o desfecho da narrativa.</p><p>5) Cada grupo deve anotar em que parte do texto se encontraram as</p><p>demarcações desses momentos da narrativa. Após, propomos que se reúnam</p><p>em roda de conversa, novamente, elegendo um representante para expor</p><p>seus achados. Essa troca proporcionará o debate e a reflexão sobre o enredo e</p><p>questões relacionadas ao racismo, ao preconceito e à discriminação.</p><p>(Caso os/as estudantes necessitem de um tempo maior, parte do estudo do</p><p>texto pode ser realizado extraclasse).</p><p>6) Ao serem traçados os conhecimentos até esse ponto, conhecendo todos os</p><p>elementos da narrativa e os momentos das ações desse gênero, é possível</p><p>trabalhar com a produção de contos; os/as estudantes podem decidir se as</p><p>personagens são observadoras, participantes dos acontecimentos ou se os</p><p>narram e comentam; a produção pode ser individual ou em grupo.</p><p>O primeiro conto pode ser coletivo. O/a professor/a dará o início, com a</p><p>“situação inicial”, e os/as estudantes serão instigados a continuar</p><p>escrevendo na lousa, parágrafo por parágrafo, conforme a opinião de cada</p><p>um.</p><p>Os contos produzidos pelos/as estudantes poderão se transformar em</p><p>livros.</p><p>O/a professor/a pode solicitar que produzam um novo desfecho e que</p><p>ilustrem a história.</p><p>Os/as estudantes podem produzir outros gêneros contemporâneos, como:</p><p>podcast, nanocontos e peças teatrais a partir do enredo do conto estudado.</p><p>43</p><p>ALGUMAS CONSIDERAÇÕES</p><p>Wittgenstein, em Investigações Filosóficas, problematiza: “Como</p><p>posso querer entrar com a linguagem entre a exteriorização da dor e</p><p>a dor?” (§ 245). E, ainda: “Até que ponto as minhas sensações são</p><p>privadas?” (§ 246).</p><p>Concordamos plenamente com a epígrafe e afirmamos que SIM! A vida</p><p>é algo que não pode ser relatado, exteriorizado totalmente pela linguagem.</p><p>Nessa visão, este PE, intitulado Poesias, Poemas e Contos: um mundo de dor</p><p>mobilizado por uma educação escolar antirracista, tem como propósito</p><p>contribuir com o combate de práticas racistas no ambiente escolar e na</p><p>sociedade, em um viés decolonial.</p><p>Durante nossa estada em uma escola pública, no interior de Rondônia,</p><p>pudemos constatar que discutir a questão racial no currículo escolar, no que</p><p>concerne à valorização da população negra, ainda é um desafio para os</p><p>professores em sala de aula. Então, este PE pode contribuir com as</p><p>intervenções em prol da valorização da cultura e da identidade das pessoas</p><p>negras.</p><p>Entendemos que essas práticas podem somar com a luta em prol dos</p><p>estudantes negros, no sentido de que eles possam se autorreconhecer, uma</p><p>vez que, devido ao racismo, as pessoas negras, por muitas vezes, têm negado</p><p>sua própria identidade afro-brasileira, em decorrências de termos pejorativos</p><p>e injúrias raciais por causa de sua cor e história.</p><p>Nesse sentido, este PE favorecerá a prática pedagógica, pois as</p><p>poesias/poemas e o conto apresentam a voz do negro numa perspectiva de</p><p>superação, autovalorização,; a voz de uma população negra não silenciada,</p><p>que exige da sociedade o direito de fala que por muitas vezes lhe foi negado.</p><p>Também compartilhamos um poema que pode contribuir para</p><p>intervenções pedagógicas sobre o 09 de agosto (Massacre de Corumbiara),</p><p>visto que, ao longo de nossa pesquisa, o corpo docente e a equipe gestora,</p><p>relataram não saber como intervir, dada a violência brutal que foi esse</p><p>acontecimento. O poema foi inspirado em narrativas de pessoas que</p><p>vivenciaram a tragédia e também pela violência existente em todas as esferas</p><p>da sociedade.</p><p>Essa mesma sociedade tem estigmatizado os afro-brasileiros, devido</p><p>a sua trajetória, desde sua chegada ao país. Um povo que foi escravizado e su-</p><p>44</p><p>postamente “libertado”, mas que ainda carrega cicatrizes por essa mancha de</p><p>dor que é o racismo. Seja no campo ou na favela, o racismo ambiental e</p><p>estrutural ainda aprisiona.</p><p>Logo, esperamos que este material possa contribuir com a prática</p><p>pedagógica dos/as professores/as que atuam na Educação Básica.</p><p>Para inserir um ponto final, veja isto:</p><p>Nem tudo que escrevo resulta numa realização,</p><p>resulta mais numa tentativa.</p><p>O que também é um prazer.</p><p>Pois nem em tudo eu quero pegar.</p><p>Às vezes quero apenas tocar.</p><p>Depois o que toco às vezes floresce</p><p>e os outros podem pegar com as duas mãos</p><p>(Clarice Lispector, 1999)..</p><p>45</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALTENFELDER, Anna Helena; ARMELIN, Maria Alice. Poetas da</p><p>escola. Caderno do professor: orientação para produção de textos. São</p><p>Paulo: Cenpec, 2010.</p><p>AZEVEDO, Fernando José Fraga de; CHAGAS, Lilane Maria de</p><p>Moura; BAZZO, Jilvania Lima dos Santos. Pensar a poesia em sala de</p><p>aula: reflexões didáticas para fruir o texto poético. Leitura: Teoria e</p><p>Prática, Campinas, v. 36, n. 74, p. 15-30, maio 2018 .</p><p>Disponível em:</p><p>http://educa.fcc.org.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S2317-</p><p>09722018000300015&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 18 jul.</p><p>2024. Epub 02-Ago-2019.</p><p>BARTHES, Roland. The Mourning Diary. Nova Iorque: Hill and</p><p>Wong, 2010.</p><p>BRASIL. Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394,</p><p>de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da</p><p>educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino</p><p>a obrigatoriedade da temática ‘História e Cultura Afro-Brasileira’, e</p><p>dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 10 jan.</p><p>2003. Disponível em:</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm.</p><p>Acesso em: 12 mar. 2023.</p><p>DERRIDA, Jacques. Leer lo ilegible. Revista de Occidente, 62-63,</p><p>1986.</p><p>GAIGNOUX, Aline de Azevedo.O texto literário na sala de aula:</p><p>Trabalhando o Gênero Conto. Cadernos do CNLF, v. XVIII, n. 03, p.</p><p>207-223, 2014.</p><p>KRIEGER, Maria da Graça. O dicionário de língua como potencial</p><p>instrumento didático. In: ALVES, I. M.; ISQUERDO, A. N. (Orgs.). As</p><p>ciências do léxico: lexicologia, lexicografia, terminologia. Campo</p><p>Grande: UFMS, 2007, p. 295-309.</p><p>LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco,</p><p>1999.</p><p>SILVA, Tomaz Tadeu da. A produção social da identidade e da</p><p>diferença. SILAV, Tomaz Tadeu da (Org.); HALL, Stuart;</p><p>WOODWARD, Kathryn. Identidade e diferença: a perspectiva dos</p><p>estudos culturais. 15. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.</p><p>XAVIER, Henriqque Piccinato. A evolução da poesia visual: da Grécia</p><p>Antiga aos infopoemas. Significação: Revista de Cultura</p><p>Audiovisual, v. 17, p. 161 - 190, 2002. Disponível em:</p><p>http://www.poemavisual.com.br. Acesso em: 13 dez. 2023.</p><p>46</p><p>http://educa.fcc.org.br/scielo.php</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm</p><p>1. Geometric semi-circle frame: design de Canary, de Canary (</p><p>bordas do produto, desde a capa).</p><p>2. Group OF Hands Up Of Diverse Culture Women: design feito</p><p>por Mete-X, de Mete-X (capa e contracapa do produto).</p><p>3. Book of love: design de AEyRio, de Getty imagens.</p><p>4. Thought Bubble of a Girl: design feito por Biistudio21, de</p><p>pixbay (menina pensando p. 9)</p><p>5. Tanning Poster with Worman Lying in Indoor Tan Case:</p><p>design de Robuart (cenário da p. 9, pensamento da menina -</p><p>primeira imagem).</p><p>6. A Young Tanning on White Background: design feito por</p><p>BlueRingMedia, de Blueringmedia (cenário da p. 9,</p><p>pensamento da menina- segunda imagem).</p><p>7. Black female character standing with arms akimbo: design</p><p>feito por Atstock Productions, de Atstock Productions.</p><p>8. Massacre de Corumbiara aconteceu em 1995 – Foto:</p><p>Reprodução/RedeAmazônica-RO. Disponível em:</p><p>https://mst.org.br/2022/08/09/corumbiara-quebrar-o-</p><p>silencio-27-anos-depois/</p><p>9. Background scene with tiger and drought: design de</p><p>GraphicsRF.</p><p>10. Festa Junina: Element Vector Ilustration de Greenflash.</p><p>11. Festa Junina: group of dancers in traditional costumes</p><p>character ilustration, feito por sceptical cactus de septical</p><p>cactus.</p><p>12. Teacher Explain: design feito por Teacher Explain de Fariz</p><p>Albian’s.</p><p>13. Black girl with turban: feito por Octavaayoe, de</p><p>Octaviaayoe’s.</p><p>14. Students playing at school: De Blueringmedia.</p><p>15. Ethnic black mother hugs daughter: De Ludmyla.</p><p>DESCRIÇÃO DAS IMAGENS UTILIZADAS</p><p>47</p>

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