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Gestão de estoques e armazenagem KOFFI DJIMA AMOUZOU 1ª Edição Brasília/DF - 2018 Autores Prof. Dr. Koffi Djima Amouzou Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário Organização do Livro Didático....................................................................................................................................... 4 Introdução ............................................................................................................................................................................. 6 Capítulo 1 FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA .............................................................................................................................................. 9 Capítulo 2 MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS ........................................................16 Capítulo 3 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO ...............................................26 Capítulo 4 MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA .............................................................................................................................................................36 Capítulo 5 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA .......................................................................................................................................44 Capítulo 6 MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO ...............................................56 Referências ........................................................................................................................................................................66 4 Organização do Livro Didático Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização do Livro Didático. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. Cuidado Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado. Importante Indicado para ressaltar trechos importantes do texto. Observe a Lei Conjunto de normas que dispõem sobre determinada matéria, ou seja, ela é origem, a fonte primária sobre um determinado assunto. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. 5 ORGANIzAÇÃO DO LIVRO DIDáTICO Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Posicionamento do autor Importante para diferenciar ideias e/ou conceitos, assim como ressaltar para o aluno noções que usualmente são objeto de dúvida ou entendimento equivocado. 6 Introdução Estoques, de maneira geral, representam acumulações em depósitos ou armazéns de matérias- primas, suprimentos, componentes, materiais em processo e produtos acabados que surgem em vários pontos da cadeia de produção e logística das empresas de produtos ou de serviços. Estoques na cadeia de logística figuram normalmente em lugares como armazéns, pátios, chão de fábrica, equipamentos de transporte e em armazéns das redes de varejos. Segundo Ballou (2016), o custo de manutenção desses estoques pode representar de 20 a 40% do seu valor por ano. Por esse motivo, o gerenciamento de estoques torna-se economicamente importante, pois permite controlar os níveis de estoques e, assim, evitar o desperdício e a depreciação pelo prazo de validade. Do ponto de vista econômico, o estoque é um ativo circulante do balanço patrimonial e, portanto, pode apresentar uma depreciação do capital. Apesar de o avanço tecnológico ter proporcionado novas tecnologias de ponta para o controle de estoque nos últimos anos, mesmo assim as empresas continuam redobrando as atenções sobre os melhores métodos de gerenciamento de estoque na cadeia de logística, tendo em vista que a composição do custo de estoque sempre tem uma grande parcela no custo total de produção das empresas e também um fator relevante na competitividade das empresas em geral. Mesmo que os avanços tecnológicos tenham sido concretizados com vistas a reduzir os estoques pela adoção de práticas just-in-time, de compressão dos prazos, de resposta rápida e de cooperação mútua ao longo da cadeia de suprimento, o investimento anual em estoques de fabricantes, varejistas e atacadistas tem tido um peso importante no Produto Nacional Bruto e na economia nacional. Assim, os estoques são relevantes indicadores da atividade empresarial em nossa economia. A quantidade e o tempo necessários para se venderem as mercadorias disponíveis em estoque são dois indicadores observados de perto. Dessa forma, nesta disciplina apresentaremos as definições e os conceitos de estoques de mercadorias na cadeia de logística e os métodos de avaliação e de classificação de estoque de materiais, os métodos de determinação das quantidades em estoque os métodos contábeis de controle de estoque, assim como as técnicas de reposição de materiais e de análise de pedidos com demandas independentes. 7 Objetivos No final desta disciplina, você será capaz de: » descrever as etapas que determinam as quantidades em estoque; » preparar os lançamentos de compras e vendas de mercadorias pelo método de controle de estoque periódico; » determinar o custo das mercadorias vendidas por meio do método de controle de estoque periódico; » identificar as características específicas da demonstração do resultado do exercício para uma empresa comercial utilizando o método de controle de estoque periódico; » explicitar o princípio contábil que serve de base para a contabilização dos estoques e descrever os critérios de avaliação de estoque; » explanar os efeitos fiscais nas demonstrações financeiras de cada método de avaliação de estoques; » explicar a convenção do conservadorismo que orienta quanto à avaliação de estoques; » indicar os efeitos dos erros na contabilização de estoque nas demonstrações financeiras; » calcular e interpretar o índice de rotatividade dos estoques ou giro de estoque. 9 Apresentação Os estoques são importantes indicadores da atividade empresarial em nossa economia. A câmara de comércio de São Paulo, por exemplo, publica mensalmente uma combinação de dados de estoque para varejista, atacadistas e fabricantes. A quantidade e o tempo necessários para se venderem as mercadorias disponíveis em estoque são dois indicadores observados de perto. De acordo com Weygandt (2015), professor e especialista em contabilidade financeira na maior universidade de prestigio nos Estados Unidos, durante períodos de recessão na economia, há uma estocageminicial de itens à medida que aumenta o tempo necessário para a venda das quantidades disponíveis. Segundo o autor, os efeitos contrários são geralmente associados a uma retomada da atividade empresarial. Deve ser mantido certo equilíbrio das quantidades em estoque. Um comerciante ou fabricante com pouco estoque para atender às demandas terá clientes e vendedores insatisfeitos. Aqueles que possuem muitos estoques incorrerão em altos gastos de estocagem desnecessários. Os estoques afetam tanto o balanço patrimonial quanto a demonstração do resultado do exercício. No balanço patrimonial de empresas comerciais, o estoque é frequentemente o ativo circulante mais significativo. Na demonstração do resultado do exercício, o estoque é vital para a apuração dos resultados das operações de um determinado período. Além disso, o lucro bruto (valor líquido das vendas menos o custo das mercadorias vendidas) é observado de perto pela administração, pelos proprietários e por outras partes interessadas. Esses são os fundamentos que serão apresentados neste primeiro capítulo. Objetivos Após estudar este primeiro capítulo da disciplina, você será capaz de entender: » os métodos de classificação de estoque de materiais; » como se determinam as quantidades em estoque; » os métodos contábeis de controle de estoque. 1 CAPÍTULO FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA 10 CAPÍTULO 1 • FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA Classificação do Estoque O modo como uma empresa classifica seu estoque depende de ser ela do setor comercial ou do setor produtivo. Em uma empresa comercial, o estoque consiste em diferentes itens. Por exemplo, em uma mercearia, enlatados, laticínios, carnes e frutos são apenas alguns dos itens disponíveis em estoque. Esses itens têm duas características comuns: » pertencem à empresa; » estão disponíveis para venda aos clientes no curso normal do negócio. Assim, apenas uma classificação de estoque, estoques de mercadorias, é necessária para se descrever os diferentes itens que compõem o estoque total (WEYGANDT, 2005, p. 243). Em uma empresa industrial, os estoques também pertencem à empresa, mas algumas mercadorias ainda não estão disponíveis para venda. Em consequência, o estoque é geralmente classificado em três categorias: » produtos acabados; » produtos em processo; » matéria-prima. Figura 1 - Classificação de Estoques na Indústria. Fonte: Elaboração do autor. Por exemplo, a General Motors classifica os automóveis concluídos e disponíveis para venda como produtos acabados. Os automóveis na linha de montagem em vários estágios de produção são classificados como produtos em processo. O aço, o vidro, os artigos de estofamento e outros componentes que estão disponíveis, aguardando para serem utilizados na produção de automóveis, são classificados como matéria-prima. 11 FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA • CAPÍTULO 1 Os princípios e conceitos contábeis discutidos neste capítulo aplicam-se tanto a empresas comerciais quanto a empresas industriais. Neste capítulo, vamos concentrar a atenção nos estoques de mercadorias. Quantidade em Estoque Muitas empresas fazem uma contagem física de estoques no último dia do ano. As empresas que utilizam o método de controle de estoque periódico devem fazer uma contagem física de estoque no final do período para determinar a quantidade de itens disponíveis na data do balanço patrimonial e calcular o custo das mercadorias vendidas. Até as empresas que utilizam o método de controle de estoque permanente devem fazer uma contagem física de estoque em uma determinada época do ano. A determinação da quantidade em estoque consiste em duas etapas segundo Weygandt (2015): » fazer uma contagem física do estoque de mercadorias disponíveis; » determinar a propriedade das mercadorias. A contagem física de estoques Na verdade, fazer contagem física de estoques implica contar, pesar ou medir cada tipo de item disponível. Para muitas empresas, fazer contagem física de estoques é uma tarefa árdua, principalmente para empresas varejistas como as Lojas Americanas, Walmart, Ricardo Eletro, Casas Bahia, que possuem milhares de itens diferentes em estoque. A contagem de estoque geralmente é mais exata quando não se vendem nem se recebem mercadorias durante a contagem. As empresas muitas vezes realizam “contagem física de estoque” quando estão fechadas ou quando as comercializações estão em baixa. Muitos varejistas, por exemplo, fecham mais cedo em um determinado dia de janeiro – após as vendas e devoluções dos feriados para contar seus estoques (WEYGANDT, 2015). Com vistas a reduzir a incidência de erros na contagem de estoque, a empresa deve adotar o seguinte procedimento para garantir a exatidão da contagem física e salvaguardar o estoque: » a contagem física deve ser feita por empregados que não têm responsabilidade de custódia pelo estoque; » cada empregado que conta deve verificar a autenticidade de cada item em estoque, como, por exemplo, se cada caixa contém de fato um aparelho de televisão de 25 polegadas, ou se cada reservatório contém gasolina. Atenção Independentemente da classificação, todos os estoques são apresentados no balanço patrimonial no ativo circulante. 12 CAPÍTULO 1 • FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA » outro empregado deve fazer uma segunda contagem física; » devem-se utilizar etiquetas de estoque pré-numeradas e todas precisam ser registradas; » ao final da contagem, um supervisor tem de verificar se todos os itens em estoque estão etiquetados e se há mais de uma etiqueta em um mesmo item. Feita a contagem dos estoques, a quantidade de cada tipo de item é listada em formulários de resumo de estoque. Para garantir a exatidão dos formulários de resumo, a listagem precisa ser verificada por um segundo empregado ou supervisor. Subsequentemente, os custos unitários são aplicados às quantidades para se determinar o valor total do estoque – que é o tema de seções posteriores (WEYGANDT, 2015). Direito de Propriedade das Mercadorias Antes de começarmos a calcular o valor do estoque, devemos considerar a propriedade das mercadorias: em termos específicos, precisamos nos certificar de que não incluímos no estoque mercadorias que não pertencem à empresa. Figura 2 - Direito das Mercadorias em Trânsito e Consignadas Fonte: próprio autor. Mercadorias em trânsito As mercadorias são consideradas em trânsito quando estão em poder das empresas de transporte ferroviário, rodoviário ou aéreo na data de encerramento das contas. As mercadorias em trânsito devem ser incluídas no estoque da parte que tem direitos legais sobre as mercadorias. Os direitos legais são determinados pelas condições de venda, como se descreve a seguir: » quando as condições são FOB (free on board) no ponto no embarque, o direito de propriedade das mercadorias passa ao comprador quando a empresa de transporte aceita as mercadorias do vendedor; 13 FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA • CAPÍTULO 1 » quando as condições são FOB no destino, os direitos legais sobre as mercadorias permanecem com o vendedor até que as mercadorias cheguem ao comprador. Podem ocorrer erros sérios ao se determinar a quantidade de estoque se as mercadorias em trânsito na data de encerramento forem ignoradas. Considere, por exemplo, que Ponto Frio tem 20.000 unidades de estoque disponível em 31 de dezembro e as seguintes mercadorias em trânsito: » vendas de 1.500 unidades nas condições FOB no destino expedido em 31 de dezembro; » compras de 2.500 unidades nas condições FOB no ponto de embarque enviadas pelo vendedor em 31 de dezembro. A Ponto Frio possui direitos legais sobre as unidades vendidas e as unidades compradas. Consequentemente, caso unidades em trânsito sejam ignoradas, as quantidades em estoque serão subavaliadasem 4.000 unidades (1.500 + 2.500). Mercadorias consignadas Em alguns ramos de negócio, é costume adquirir mercadorias em consignação. Em um acordo de consignação, o detentor das mercadorias (chamado de consignatário) não detém a propriedade delas. O direito de propriedade permanece com o expedidor das mercadorias (chamado de consignador) até que as mercadorias sejam realmente vendidas ao cliente. Como as mercadorias consignadas não pertencem ao consignatário, elas não devem ser incluídas em sua contagem física de estoque. Ao contrário, o consignador tem de considerar a mercadoria mantida pelo consignatário como parte de seu estoque. Metodologia de Controle de Estoque Existem dois métodos fundamentais de controle de estoque: o método de controle de estoque permanente e/ou o método de controle de estoque periódico. Figura 3 - Métodos de Controle de Estoque. Fonte: Elaboração do autor. 14 CAPÍTULO 1 • FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA Nesta unidade do nosso capítulo, apresentamos e discutimos o método de controle de estoque periódico, além disso fazemos uma comparação desse método com o de controle de estoque permanente. Algumas empresas julgam desnecessário ou não econômico investir em um método de controle de estoque permanente computadorizado que mantém registros atualizados de mercadorias disponíveis e o custo das mercadorias vendidas. Muitos administradores de pequenas lojas comerciais, em especial, ainda têm a impressão de que um método de controle de estoque permanente tem alto custo. Esses administradores podem controlar as mercadorias e conduzir as operações diárias sem registros detalhados de estoque. Eles utilizam o método de controle de estoque periódico. Exemplo Prático de Metodologia de Controle de Mercadorias A loja de departamento Casas Bahia localizada no centro de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, concluiu sua contagem física de estoque, chegando a um valor total de R$200.000,00. Você recebeu as informações mostradas a seguir. Discuta como as informações recebidas afetam o valor de estoque apresentado. a. Mercadorias em consignação da Electrolux, no valor de R$15.000,00, foram incluídas no estoque. b. Mercadorias compradas por R$10.000,00 que estavam em trânsito (condições: FOB no ponto de embarque) não foram incluídas na contagem. c. Estoque vendido por R$12.000,00 que estava em trânsito (condições: FOB no ponto de embarque) não foi incluído na contagem. Resolução do exemplo As mercadorias consignadas no valor de R$15.000,00 devem ser deduzidas da contagem física de estoque. As mercadorias no valor de R$10.000,00 adquiridas em condições FOB no ponto de embarque devem ser acrescentadas à contagem de estoque. As mercadorias vendidas que estavam em trânsito, nas condições FOB no ponto de embarque, no valor de R$12.000,00, não devem ser incluídas na contagem física final de estoques. Dessa forma, o valor correto do estoque total na data de contagem é: 200.000,00 – 15.000,00 + 10.000,00 = R$195.000,00 Atenção Para fins de controle de estoque, recomenda-se que seja levado em consideração o fato de que, no caso das mercadorias em trânsito, o direito de propriedade é determinado pelas condições do frete, e de que, para as mercadorias consignadas, o direito de propriedade cabe ao consignador até que as mercadorias sejam vendidas pelo consignatário. 15 FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA • CAPÍTULO 1 Resumo Neste capítulo, nós aprendemos a classificar o estoque de mercadorias nas empresas comerciais e nas indústrias. Apresentamos os direitos de propriedade das mercadorias. Aprendemos o método de controle de estoque permanente e vimos a contagem física de estoque de mercadorias. Estudamos a metodologia de controle de estoque de mercadorias. E, por fim, desenvolvemos um exemplo de erro na contagem física de estoque de mercadorias. 16 Apresentação Da mesma maneira que acontece no método de controle de estoque permanente (que será visto posteriormente), no método de controle de estoque periódico, as receitas de vendas das mercadorias são registradas quando as vendas são efetuadas. Todavia, não é feita qualquer tentativa na data da venda, de registrar o custo da mercadoria vendida. Em vez disso, uma contagem de estoque é realizada ao final do período para determinar o valor da mercadoria disponível e o custo das mercadorias vendidas durante o período. No método de controle de estoque periódico, as compras em contas separadas a fim de que os valores acumulados para cada um deles sejam conhecidos. Neste capítulo, veremos os procedimentos para registro de transações de materiais para a determinação das quantidades em estoque e os métodos utilizados na determinação do valor do estoque disponível na data do balanço patrimonial. Além disso, discutiremos os princípios do método de controle de estoque periódico e os efeitos causados por erros de contabilização de estoque nas demonstrações financeiras de uma empresa. Objetivos No final deste capítulo, você será capaz de: » entender os procedimentos de registro de transações de estoque de materiais; » distinguir os princípios do método de controle de estoque periódico de materiais; » compreender as técnicas de determinação da quantidade de estoque disponível no balanço patrimonial; » conhecer os efeitos causados por erros de contabilização de estoques nas demonstrações financeiras de uma empresa; » entender os métodos de determinação do custo das mercadorias vendidas. 2 CAPÍTULO MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS 17 MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS • CAPÍTULO 2 Registro de transações de mercadoria Para ilustrar o registro das transações de mercadorias no método de controle de estoque periódico, utilizamos as transações de compra/venda entre a Electrolux e as Casas Bahia. Consideramos aqui Electrolux como um fornecedor das Casas Bahia, como comprador ou consignatária de eletrodomésticos da Electrolux. Registro de compras de mercadorias Com base na fatura de venda mostrada na tabela a seguir e no recebimento das mercadorias pedidas à Electrolux, a loja Casas Bahia localizada no centro de Nova Iguaçu registra a seguinte compra no valor de R$ 3.800,00: Atenção Antes mais nada, deve-se considerar que compras é uma conta temporária cuja natureza do saldo é devedora. Tabela 1 - Registro de compra de mercadoria. 104.2017 Compras Contas a pagar (Registro das mercadorias adquiridas a prazo, com vencimento para 30 dias ou 2% de desconto para pagamentos em 10 dias). 3.800 3.800 A = P + PL +3.800 -3.800 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Devolução e abatimentos de compra Já que R$300,00 em mercadoria recebidas da Electrolux não funcionam, a loja Casas Bahia devolve as mercadorias, emite o aviso de débito mostrado na tabela a seguir e prepara o seguinte lançamento para reconhecer a devolução de compra: Atenção Antes de mais nada, é necessário considerar que Devolução e Abatimentos sobre Compras é uma conta temporária cuja natureza do saldo é credora. 18 CAPÍTULO 2 • MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS Tabela 2 - Registro de Devolução e Abatimento sobre Compras 17/4/2017 Contas a pagar Devolução e Abatimentos sobre Compras (Registro da devolução de mercadorias defeituosas adquiridas da Electrolux) 300 300 A = P + PL -300 +300 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Custo de frete Quando o comprador incorre em custos de frete diretamente, a conta Frete de Compras (ou Transportes de Compras) é debitada. Por exemplo, se, na entrega das mercadorias em 10 de abril, as Casas Bahia pagar R$150 à Transportadora JOJO pelo frete da sua compra da Electrolux, o lançamento nos livros da Casas Bahia será: Tabela 3 - Registro de frete de mercadoria. 10/4/2017 Fretes sobre Compras Caixa(Registro do pagamento de frete, condições FOB na expedição). 150 150 A = P + PL -150 +150 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Tal como Compras, Fretes de Compras é uma conta temporária cuja natureza do saldo é devedora, Frete de Compra é parte do valor das mercadorias adquiridas. O motivo é que o valor das mercadorias adquiridas deve incluir quaisquer gastos com frete necessários para trazer as mercadorias ao comprador. Os gastos com frete não estão sujeitos aos descontos de compra. Os descontos de compra são aplicados sobre o custo da mercadoria na fatura. Desconto de compras Em 14 de maio, a Casas Bahia paga o saldo devido dando uma entrada à Electrolux obtendo o desconto de 2% concedido para pagamento feito no prazo de 10 dias. O pagamento e o desconto são registrados pela Casas Bahia assim: Atenção Antes de mais nada, tem-se de considerar que Desconto de Compras é uma conta temporária cuja natureza do saldo é credora. 19 MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS • CAPÍTULO 2 Tabela 4 - Registro Desconto de Compras. 18/4/2017 Contas a pagar Desconto sobre Compras (Registro do pagamento à Electrolux com desconto) 3.500 70 3.430 A = P + PL -3.430 -3.500 +70 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Registro de Vendas de Mercadoria A venda de R$3.800,00 em mercadorias para a Casas Bahia, em 10 de abril de 2017 (fatura nº 234), é registrada pelo vendedor, a Electrolux, assim: Tabela 5 - Registro de Vendas de Mercadoria. Maio 4 Contas a receber Receita de Vendas (Registro de vendas a prazo por meio da fatura nº 731 a Casas Bahia) 3.800 3.800 A = P + PL +3.800 +3.800 Devoluções e abatimentos de vendas Com base no aviso de débito recebido da Casas Bahia em 8 de maio, referente às mercadorias devolvidas, a Electrolux registra a devolução de vendas no valor de R$300,00 da seguinte maneira: Tabela 6 - Registro de devolução e abatimento de mercadorias vendidas. 17/4/2017 Devolução e Abatimentos sobre Compras Contas a receber (Registro referente à devolução de mercadorias da Casas Bahia) 300 300 A = P + PL -300 -300 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Desconto de Vendas A Electrolux recebe, em 18 de abril, o pagamento antecipado no valor de R$3.430 da Casas Bahia. A Electrolux concede o desconto de 2% e registra o pagamento total de contas a receber da Casas Bahia como se segue: ,Tabela 7 - Registro de Desconto de Vendas. 18/4/2017 Caixa Desconto sobre Vendas Contas a receber (Registro referente ao recebimento antecipado da Casas Bahia com desconto de 2%) 3.430 70 3.500 A = P + PL +3.430 -70 -3.500 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. 20 CAPÍTULO 2 • MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS Comparação entre lançamentos: Método de controle de estoque permanente versus Método de controle de estoque periódico Tanto os lançamentos pelo método de controle de estoque periódico para a Electrolux e para a Casas Bahia, quanto os lançamentos pelo método de controle de estoque permanente. Tabela 8 - Lançamento nos Livros da Casas Bahia. Transação Métodos de Controle de Estoque Permanente Métodos de controle de Estoque Periódico 10/4/017 Compra de mercadorias a prazo Estoque de mercadorias 3.800 Compras 3.800 Contas a pagar 3.800 Contas a pagar 3.800 17/4/2017 Devolução e abatimentos sobre compras Contas a pagar 300 Contas a pagar 300 Estoque de mercadorias 300 Devolução e abatimentos sobre compras 300 10/4/2017 Gastos de frete sobre compras Estoque de mercadorias 150 Frete sobre Compras 150 Caixa 150 Caixa 150 18/4/2017 Pagamentos antecipado com desconto Contas a paga 3.500 Contas a pagar 3500 Caixa 3.430 Caixa 3430 Estoque de mercadorias 70 Descontos sobre compra 70 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Tabela 9 - Lançamento nos Livros da Electrolux. Transação Métodos de controle de estoque permanente Métodos de controle de estoque periódico 10/4/2017 Vendas de mercadorias a prazo Contas a receber 3.800 Contas a receber 3.800 Receita de Vendas 3.800 Receita de Vendas 3.800 Custo das Mercadorias Vendidas 2400 Nenhum lançamento para custo de mercadorias vendidas Estoque de mercadorias 2400 17/4/2017 Devolução de mercadorias vendidas Devolução e Abatimentos sobre Vendas 300 Devolução e abatimentos sobre Vendas 300 Contas a receber 300 Contas a receber 300 Estoque de mercadorias 140 Nenhum lançamento Custo das Mercadorias Vendidas 140 18/4/2017 Recebimento em dinheiro com desconto Caixa 3.430 Caixa 3.430 Desconto sobre vendas 70 Descontos sobre Vendas 70 Contas a receber 3.500 Contas a receber 3500 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. 21 MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS • CAPÍTULO 2 Custo das mercadorias vendidas Conforme foi observado pelos lançamentos no método de controle de estoque periódico, não há contabilização das alterações no estoque no momento em que acontecem as transações de compra ou de vendas. O montante diário de estoque de mercadorias disponíveis não é conhecido, e tampouco o montante do custo das mercadorias vendidas pelo método de controle de estoque periódico, é necessário: a. registrar as compras de mercadorias (como mostramos anteriormente); b. determinar o valor das mercadorias adquiridas; c. definir o valor das mercadorias disponíveis no início e no fim do período contábil. O custo das mercadorias disponíveis precisa ser determinado por uma contagem física de estoque e pela apropriação do custo aos itens contados no estoque. Determinação do custo das mercadorias adquiridas Utilizamos quatro contas para registrar a compra de mercadorias pelo método de controle de estoque periódico. Essas contas são: Conta Natureza do Saldo Compras Débito Devolução e Abatimentos sobre Compras Crédito Descontos Sobre Compras Crédito Fretes sobre Compras Débito Todas essas contas são temporárias porque são utilizadas para determinar o custo das mercadorias vendidas que vêm a ser uma despesa evidenciada na demonstração do resultado do exercício. Por essa razão, os saldos nessas contas devem ser reduzidos a zero ao final de cada período contábil, de modo que as informações sobre o custo das mercadorias vendidas possam ser acumuladas no período seguinte. Os procedimentos para se determinar o custo das mercadorias adquiridas são os seguintes: a. As contas com saldos credores (Devoluções e Abatimentos de Compras e Descontos de Compras) são subtraídas de Compras para apurar as compras líquidas. b. A conta Fretes de Compras é, então, acrescentada às compras liquidas para apurar o custo das mercadorias adquiridas. Exemplo de apuração das contas líquidas e do custo das mercadorias Para exemplificar, considere que a Electrolux apresenta os seguintes saldos para essas contas: Compras, R$325.000,00; Devoluções e Abatimentos de Compras, R$10.400,00; Descontos de 22 CAPÍTULO 2 • MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS Compras, R$6.800,00; e Fretes de Compras, R$12.200,00. As Compras Líquidas e o Custo das Mercadorias Adquiridas são R$307.800,00 e R$320.800,00 e R$320.000,00, respectivamente. Tabela 10 - Apuração das contas líquidas e do custo das mercadorias Compras $325.000 Menos: Devolução e abatimentos sobre compras $10.400 Desconto sobre compras 6.800 17.200 Compras líquidas 307.800 (2) Mais: Fretes sobre compras 12.200 (3) Valor das mercadorias adquiridas $320.000 Fonte: Elaboração com base em WEYGANDT, 2015. Determinação do custo das mercadorias disponíveis Para determinar o custo do estoque disponível, é necessário fazer uma contagem das mercadorias. Como explicamos anteriormente no primeiro capítulo, fazer uma contagemfísica de estoque implica: a. contar as unidades disponíveis para cada item de estoque; b. atribuir custos unitários às unidades totais disponíveis para cada item de estoque; c. somar os custos para cada item de estoque para determinar o custo total das mercadorias disponíveis. Uma contagem física de estoque deve ser feita próximo à data, ou na própria data do balanço patrimonial. Para que haja maior exatidão na contagem física, muitas empresas suspendem as operações enquanto a contagem física de estoques estiver sendo feita. A conta Estoque de Mercadorias é utilizada para registrar o valor do estoque disponível na data do balanço patrimonial. Esse montante torna-se o estoque inicial do período contábil seguinte. Para a Electrolux, o saldo em Estoque de Mercadorias em 31 de dezembro de 2015 é de R$36.000,00. Esse valor é também o saldo em estoque de Mercadorias em 1° de janeiro de 2016. Durante 2017, nenhum registro é feito em Estoque de Mercadorias. Em 31 de dezembro de 2016, os lançamentos são feitos para eliminar o estoque inicial e registrar o estoque final, cujo valor admitiremos R$40.000. Apuração do custo das mercadorias vendidas Chegamos ao ponto em que podemos apurar o custo das mercadorias vendidas. Para isso, é preciso seguir duas etapas: 23 MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS • CAPÍTULO 2 a. acrescentar o custo das mercadorias adquiridas ao custo das mercadorias disponíveis no início do período (estoque inicial) para obter o custo das mercadorias disponíveis para vendas; b. subtrair custo das mercadorias disponíveis ao final do período (estoque final) do custo das mercadorias disponíveis para venda para se chegar ao custo das mercadorias vendidas. Para a Electrolux, o custo das mercadorias disponíveis para venda e o custo das mercadorias vendidas é de R$356.000 e R$316.000, respectivamente, como mostramos a seguir: Tabela 11 - Custo das mercadorias vendidas. Estoque inicial $ 36.000 Mais: Custo das mercadorias adquiridas 320.000 Custo das mercadorias disponíveis para vendas 356.000 Menos: Estoque final 40.000 Custo das mercadorias vendidas $316.000 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. O lucro bruto, as despesas operacionais e o lucro líquido são calculados e apresentados pelo método de controle de estoque periódico da mesma maneira que em um método de controle de estoque permanente. Apresentação da demonstração do resultado do exercício Tal como no método de controle de estoque permanente, a demonstração do resultado do exercício para varejistas e atacadistas pelo método de controle de estoque periódico contém três características que não se encontram na demonstração do resultado de uma empresa de prestação de serviços. Essas características são: a. um grupo de receita de vendas; b. um grupo de custo das mercadorias vendidas; c. lucro bruto. No método do controle de estoque periódico, em geral, a seção de custo das mercadorias vendidas apresentará mais detalhes. A demonstração do resultado do exercício para a Electrolux pelo método de controle de estoque periódico utiliza-se de dados estimados para determinadas despesas operacionais. O estoque de mercadorias é apresentado do mesmo modo no ativo circulante do balaço patrimonial, seja utilizando o método de controle de estoque permanente ou o periódico. 24 CAPÍTULO 2 • MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS Tabela 12 - Demonstração do resultado do exercício de uma empresa comercial que adota o método de controle de estoque periódico. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2015 Receitas Receitas de vendas $480.000 Menos: Devoluções e Abatimentos sobre Venda $12.000 Desconto sobre vendas 8.000 20.000 Receita de Vendas Líquida 460.000 Custo das Mercadorias Vendidas Estoque, 1° de janeiro. 36.000 Compras $325.000 Menos: Devoluções e Abatimentos sobre Compras $10.400 Desconto sobre Compras 6.800 17.200 Compras Líquidas 307.800 Mais: Fretes sobre Compras 12.200 Custo das mercadorias Adquiridas 320.000 Custos das mercadorias Disponíveis para venda 356.000 Estoque, 31 de dezembro. 40.000 Custo das mercadorias Vendidas 316.000 Lucro Bruto 144.000 Despesas Operacionais Despesas de Salários 45.000 Despesas de Aluguel 19.000 Despesas de Serviços de Utilidade Pública 17.000 Despesas de Propaganda 16.000 Despesas de depreciação - Equipamentos de Armazenagem 8.000 Despesa de Frete 7.000 Despesas de Seguros 2.000 Total de despesas Operacionais 114.000 Lucro Líquido $30.000 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Aplicação da metodologia de lançamento Os registros contábeis da Deli de Juju, um minimercado localizado no bairro nobre de Nova Iguaçu, ao final do ano de 2016, apresentou os seguintes dados: Descontos de Compras, R$3.400,00; Fretes de Compras, R$6.100,00; Receitas de Vendas, R$240.000,00; Compra, R$ 162.500,00; Estoque inicial, R$18.000,00; Estoque Final, R$20.000,00; Descontos de Vendas, R$10.000,00; Devoluções de Compras, R$5.200,00; e Despesas Operacionais, R$57.000,00. Calcule os seguintes valores para a Deli de Juju: a. receitas de vendas líquidas; b. custo das mercadorias adquiridas; 25 MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS • CAPÍTULO 2 c. custo das mercadorias vendidas; d. lucro bruto; e. lucro líquido. Resolução a. Vendas líquidas: R$240.000 - R$10.000 = R$230.000. b. Custo das mercadorias adquiridas: R$162.500 - R$5.200 - R$3.400 + R$6.100 = R$160.000. c. Custo das mercadorias vendidas: R$18.000 + R$160.000 - R$20.000 = R$158.000. d. Lucro bruto: R$230.000 - R$158.000 = R$72.000. e. Lucro líquido: R$72.000 - R$57.000 = R$15.000. Resumo Neste capítulo, apresentamos os registros das transações de compra e venda de mercadorias no método de controle de estoque periódico, comparamos os lançamentos para fins de cálculo do custo de mercadorias vendidas nos métodos de controle de estoque permanente com os métodos de controle de estoque periódico. Aprendemos a apurar os custos das mercadorias vendidas no método de controle de estoque periódico. Estudamos os procedimentos de registro de transações de estoque de materiais e aprendemos as técnicas de determinação de estoque disponível no balanço patrimonial. 26 Apresentação Muitos consultores em contabilidade e especialistas em análise de balanço patrimonial consideram que não há exigência contábil em que a avaliação estimada de estoques esteja em uniformidade com a movimentação física das mercadorias. A seleção do método estimado de avaliação de estoque é feita pela direção da empresa. Os diretores das empresas do mesmo setor podem chegar a diferentes conclusões quanto ao método mais apropriado. Sendo a identificação específica muitas vezes impraticável, permitem-se outros métodos de avaliação de estoque. Esses métodos diferem do preço específico ao estimarem fluxos de custos que podem não estar relacionados à movimentação física de mercadorias. Por esse motivo, vamos chamá-los de métodos estimados de avaliação de estoque, é o que este terceiro capítulo da nossa disciplina pretende abordar. Esses métodos são: PEPS (Primeiro a Entrar Primeiro a Sair); UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair) e Custo Médio que serão apresentados ao longo deste capítulo. Objetivos No final deste capítulo, você será capaz de: » entender os métodos de avaliação de estoque; » comparar os métodos de avaliação de estoque de materiais na cadeia de logística; » estimar o custo das mercadorias disponíveis para venda; » estimar os gastos necessários à aquisição de mercadorias; » estimar o custo de estoque de materiais pelo método de custeio periódico; » entender com todos os detalhes possíveis os métodos PEPS, UEPS e CUSTO MÉDIO. 3 CAPÍTULO MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO 27 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO • CAPÍTULO 3 Custeio do estoque pelo método de controle periódico Todos os gastos necessários à aquisição de mercadoriase a torná-las disponíveis para venda são incluídos no custo de estoque. Os Custos de Estoque podem ser considerados um conjunto de custos que consiste em dois elementos: a. o custo do estoque inicial; b. o custo das mercadorias adquiridas durante o ano. A soma desses dois elementos é igual ao custo das mercadorias disponíveis para venda. Em termos conceituais, os gastos dos departamentos de compra, recebimento e armazenagem (cujos esforços fazem com que as mercadorias se tornem disponíveis para venda) também deveriam estar incluídos nos custos de estoque. Entretanto, Weygandt explica que, devido às dificuldades práticas de alocar esses gastos ao estoque, eles são geralmente registrados como despesas operacionais no período em que incorreram (WEYGANDT, 2015). Importante Os custos de estoque são alocados ao estoque final e ao custo das mercadorias vendidas. Pelo método de controle de estoque periódico, a alocação é feita ao final do período contábil. Em primeiro lugar, determinam-se os custos atribuídos ao estoque final. Em segundo, subtrai-se o custo do estoque final dos custos das mercadorias disponíveis para venda para determinar o custo das mercadorias vendidas. O custo das mercadorias vendidas é, nesse caso, deduzido das receitas de vendas conforme o princípio da confrontação das despesas com receitas (WEYGANDT, 2015). Aplicação de Custo de Estoque por Método de Controle de Estoque Periódico Para entendermos melhor a estimativa dos custos das mercadorias disponíveis para vendas, considere que as Lojas Americanas têm um custo de mercadorias disponível para venda de R$120.000,00, com base em um estoque inicial de R$20.000,00 e em mercadorias adquiridas no valor de R$100.000,00. A contagem física de estoques indica que 5.000 unidades estão disponíveis. Os custos aplicáveis às unidades são de R$3,00 por unidade. A alocação do total dos gastos é mostrada na tabela de avaliação de estoque a seguir. Como mostra a tabela 13, dos R$120.000,00 em mercadorias disponíveis para venda R$15.000,00 são alocados no estoque final e R$105.000,00 ao custo de mercadorias vendidas. 28 CAPÍTULO 3 • MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO Tabela 13 - Avaliação de Estoques. Custo das Mercadorias Disponíveis para Vendas Estoque Inicial $ 20.000 Valor das mercadorias adquiridas 100.000 Custo das mercadorias disponíveis para vendas $120.000 Etapa 1 Etapa 2 Estoque Final Custo das Mercadorias Vendidas Unidades Custo Unitário Custo Total Custo das mercadorias disponíveis para venda $120.000 5.000 $3,00 $15.000 Menos: estoque final 15.000 Custo das mercadorias vendidas $105.000 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Método de preço específico utilizando o fluxo físico para avaliação de estoque Weygandt (2015) afirma que o custeio de estoque é complexo porque as unidades disponíveis para um item de estoque podem ter sido adquiridas a preços diferentes. Por exemplo, em um período de inflação, uma empresa pode sofrer vários aumentos no custo de mercadorias idênticas dentro de determinado ano. Por outro lado, os custos unitários podem decrescer. Em tais circunstâncias, como os diferentes custos unitários no custo das mercadorias disponíveis para venda devem ser alocados entre o estoque final e o custo das mercadorias vendidas? Uma resposta seria utilizar o preço específico das unidades adquiridas. Esse método rastreia o fluxo físico efetivo das mercadorias. Cada item de estoque é marcado, etiquetado ou codificado com seu custo unitário “específico”. Os itens ainda em estoque ao final do ano são especificamente custeados para se chegar ao custo total do estoque final. Para ilustrarmos o método de preço específico das unidades adquiridas, considere, por exemplo, que a Casas Bahias compre três aparelhos de televisão de 46 polegadas no valor de R$700, R$750 e R$800, respectivamente. Durante o ano, são vendidos dois aparelhos a R$1.200 cada. Em 31 de dezembro, a Casas Bahia conclui que o aparelho no valor de R$750 ainda está disponível. Portanto, o estoque final é de R$750 e o custo das mercadorias vendidas é de R$1.500 ($700 + $800). Algumas vantagens e desvantagens do método do preço específico O método do preço específico é possível quando uma empresa vende uma variedade limitada de itens de custo unitário elevado que podem ser claramente identificados desde o momento da compra até o momento da venda. Exemplos de tais empresas são as concessionárias de automóveis (carros, caminhões e furgões), lojas de instrumentos musicais (pianos e órgãos) e lojas de antiguidades (mesas e armários) (WEYGANDT, 2015). No entanto, a identificação das mercadorias compradas a um custo específico é perdida entre a data da compra e a data da venda. 29 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO • CAPÍTULO 3 Por exemplo, farmácias, mercearias e lojas de ferragens vendem milhares de itens de estoque de custo unitário relativamente baixo. Muitas vezes, esses itens não se distinguem uns dos outros, o que torna impossível ou impraticável rastrear o custo de cada item. Quando possível, o preço específico parece ser o método ideal de alocação do custo de mercadorias disponíveis para venda. Por esse método, o estoque final é informado a preço de custo real, e o custo real das mercadorias vendidas é confrontado com as receitas de vendas. Esse método, no entanto, pode permitir que a direção da empresa manipule o lucro líquido. Por exemplo, considere que uma loja de instrumentos musicais tenha três pianos de cauda Steinway idênticos, comprados a preços diferentes. Ao vender um piano, a direção da empresa pode maximizar seu lucro líquido selecionando o piano de custo mais baixo para confrontar com as receitas. Como alternativa, pode minimizar o lucro líquido escolhendo o piano de custo mais elevado (WEYGANDT, 2015). Com o intuito de evitar esses problemas de influência sobre o lucro da empresa, foram instituídos os métodos PEPS, UEPS e Método de Custo Médio, os quais vamos analisar a seguir. Método PEPS: Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair (PEPS) O método PEPS considera que as mercadorias adquiridas há mais tempo são as primeiras a serem vendidas. O PEPS frequentemente se iguala à movimentação física real das mercadorias, porque geralmente é uma boa prática comercial vender as unidades mais antigas primeiro. Em consequência disso, pelo método PEPS, os custos das mercadorias adquiridas há mais tempo são os primeiros a serem contabilizados como custo de mercadorias Vendidas. (WEYGANDT, 2015). Tabela 14 - CASAS BAHIA. Condensadores Astro Z202 Data Explicação Unidades Custo Unitário Custo Total 1/1 Estoque inicial 100 $10 $ 1.000 15/4 Compra 200 11 2.200 24/8 Compra 300 12 3.600 27/11 Compra 400 13 5.200 Total 1.000 $12.000 Durante o ano, 550 unidades foram vendidas e 450 unidades estão disponíveis em 31 de dezembro. Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. A alocação do custo das mercadorias disponíveis para vendas na Casas Bahia pelo método PEPS é mostrada a seguir na Tabela 15: 30 CAPÍTULO 3 • MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO Tabela 15 - Avaliação de estoques pelo método PEPS. Custo das Mercadorias Disponíveis para Vendas Data Explicação Unidades Custo Unitário Custo Total 1/1 Estoque Inicial 100 $10 $ 1.000 15/4 Compra 200 11 2.200 24/8 Compra 300 12 3.600 27/11 Compra 400 13 5.200 Total 1.000 $12.000 ETAPA 1 ETAPA 2 Estoque Final Custo das Mercadorias Vendidas Data Unidades Custo Unitário Custo Total 27/11 400 $13 $5.200 Custo das mercadorias disponíveis para venda $12.000 24/8 50 12 600 Menos: Estoque Final 5.800 Total 450 $5.800 Custo das Mercadorias Vendidas $6.200 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Observe que, no caso do método PEPS, os primeiros a entrar são os primeiros a sair no cálculo do custo das mercadorias. Visualize que o estoque final se baseia nas mercadorias adquiridas por último. Isto é, o custo do estoque final é calculado a partirdo custo unitário da compra mais recente para o custo unitário de compra mais antigo, até que todas as unidades em estoque sejam custeadas. Podemos verificar a exatidão do custo das mercadorias vendidas ao reconhecer que as primeiras unidades adquiridas são as primeiras unidades vendidas. Os cálculos para as 550 unidades são mostrados na Tabela 16. Tabela 16 - Determinação do Custo das Mercadorias Vendidas. Data Unidades Custo Unitário Custo Total 1/1 100 x $10 = $ 1.000 15/4 200 x 11 = 2.200 24/8 250 x 12 = 3.000 Total 550 $ 6.200 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Método UEPS: Último a Entrar, Primeiro a Sair (UEPS) O método UEPS considera que as últimas mercadorias adquiridas são as primeiras a serem vendidas. O UEPS raramente se iguala à movimentação física real de estoque. Pelo método UEPS, os custos das últimas mercadorias adquiridas são os primeiros a serem reconhecidos como custo de mercadorias vendidas. A alocação do custo das mercadorias disponíveis para venda na Casas Bahia pelo UEPS é mostrada na Tabela 17. 31 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO • CAPÍTULO 3 Tabela 17 - Avaliação de Estoques pelo Método UEPS. Custo das Mercadorias Disponíveis para Vendas Data Explicação Unidades Custo Unitário Custo Total 1/1 Estoque Inicial 100 $10 $ 1.000 15/4 Compra 200 11 2.200 24/8 Compra 300 12 3.600 27/11 Compra 400 13 5.200 Total 1.000 $12.000 ETAPA 1 ETAPA 2 ESTOQUE FINAL CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS Data Unidades Custo Unitário Custo Total 1/1 100 $10 $ 1.000 Custo das mercadorias disponíveis para venda $12.000 15/4 200 11 2.200 Menos: estoque final 5.000 24/8 150 12 1.800 Custo das mercadorias vendidas $7.000 Total 450 $5.000 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Pelo método UEPS, o custo do estoque final é calculado a partir do custo unitário de compra mais antigo para o custo unitário de compra mais recente até que todas as unidades do estoque sejam custeadas. Em consequência, os primeiros custos atribuídos ao estoque final são os custos do estoque inicial. A conferência dos valores alocados ao custo das mercadorias vendidas é mostrada na Tabela 18. Tabela 18 - Determinação do custo das mercadorias vendidas no método UEPS. Data Unidades Custo Unitário Custo Total 27/11 400 x 13 = 5.200 24/8 150 x 12 = 1.800 Total 550 $7.000 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Observe que o custo das últimas mercadorias é o primeiro a ser atribuído ao custo das mercadorias vendidas. Pelo método de controle de estoque periódico, o qual estamos aqui utilizando, todas as mercadorias adquiridas durante o período são consideradas disponíveis para a primeira venda, não importando a data da compra. 32 CAPÍTULO 3 • MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO Método de Custo Médio O método de custo médio considera que todas as mercadorias disponíveis para venda têm o mesmo custo (médio) por unidade, geralmente as mercadorias são similares em natureza (isto é, são homogêneas). Por esse método, a alocação do custo das mercadorias disponíveis para venda é feita com base na média ponderada do custo unitário em que se incorreu. A fórmula é um exemplo de cálculo da média ponderada do custo unitário: Custo das Mercadorias Disponíveis para Venda $12.000 Unidades Totais Disponíveis para Venda $1.000 Custo Unitário de Média Ponderada $12,00 + = A média ponderada do custo unitário é, nesse caso, aplicada às unidades disponíveis para se determinar o valor do estoque final. A alocação do custo das mercadorias disponíveis para venda na Casas Bahia utilizando-se custo médio é mostrada na Tabela 19. Tabela 19 - Avaliação de Estoques. Custo das Mercadorias Disponíveis para Vendas Data Explicação Unidades Custo Unitário Custo Total 1/1 Estoque Inicial 100 $10 $ 1.000 15/4 Compra 200 11 2.200 24/8 Compra 300 12 3.600 27/11 Compra 400 13 5.200 Total 1.000 $12.000 ETAPA 1 ETAPA 2 ESTOQUE FINAL CUSTO DAS MERCADORIAS VENDIDAS $12.000 + 1.000 = $ 12 Custo das mercadorias disponíveis para venda $12.000 Unidades Custo Unitário Custo Total Menos: estoque final 5.400 450 x $12 = 5.400 Custo das mercadorias vendidas $6.600 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Podemos verificar os dados do custo das mercadorias vendidas apresentados pela tabela acima por esse método multiplicando-se as unidades vendidas pela média ponderada do custo unitário (). Observe que esse método não utiliza a média dos custos unitários. Tal média seria $11,50 (). O método de custo médio, em vez disso, utiliza a média ponderada pelas quantidades adquiridas a cada custo unitário. Como apresentado no caso ilustrativo, a Casas Bahia utiliza o método de controle periódico e o método de avaliação do custo médio ponderado. 33 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO • CAPÍTULO 3 Efeitos da demonstração financeira dos métodos de avaliação de estoque Os três métodos de avaliação de estoque são aceitáveis. Por exemplo, a Casas Bahia, a Ricardo Eletro, o Ponto Frio e outras grandes lojas de departamento atualmente utilizam o método PEPS de avaliação de estoque. Uma empresa também pode utilizar mais que um método de avaliação de estoque ao mesmo tempo. A Del Monte Corporation, por exemplo, utiliza o método UEPS para estoques de mercadorias de consumo próprio e o método PEPS para estoques disponíveis para vendas. A seguir, analisaremos três tipos de efeitos desses métodos: a. efeitos na demonstração de resultado do exercício; b. efeitos no balanço patrimonial; c. efeitos nos impostos. Efeitos na demonstração do resultado do exercício Para compreender por que as empresas escolhem um critério de avaliação de estoques específico, vamos examinar os efeitos dos diferentes métodos estimados sobre as demonstrações financeiras da Casas Bahia. As demonstrações de resultado sintéticas que a tabela a seguir apresenta consideram que a Casas Bahia vendeu suas 550 unidades por $11.500, suas despesas operacionais foram de $2.000 e sua alíquota de imposto de renda de 30%. Tabela 20 - Casas Bahia. Demonstrações Sintéticas dos Resultados do Exercício PEPS UEPS Custo Médio Receitas de Vendas $11.500 $11.500 $11.500 Estoque Inicial 1.000 1.000 1.000 Compras 11.000 11.000 11.000 Custo das Mercadorias Disponíveis para Venda 12.000 12.000 12.000 Estoque Final 5.800 5.000 5.400 Custo das Mercadorias Vendidas 6.200 7.000 6.600 Lucro Bruto 5.300 4.500 4.900 Despesas Operacionais 2.000 2.000 2.000 Resultado antes do imposto de renda’ 3.300 2.500 2.900 Despesas de Imposto de Renda (30%) 990 750 870 Lucro Líquido $ 2.310 $ 1.750 $ 2.030 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Embora o custo das mercadorias disponíveis para venda ($12.000) seja o mesmo nos três métodos de avaliação de estoque, tanto os estoques finais como o custo das mercadorias vendidas são 34 CAPÍTULO 3 • MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO diferentes. Essa diferença deve-se aos custos unitários que são alocados ao custo das mercadorias vendidas e ao estoque final. Cada unidade monetária de diferença no estoque final resulta em uma diferença de unidades monetárias correspondente no lucro antes do imposto de renda. Para a Casas Bahia, há uma diferença de $800 entre PEPS e UEPS. Em um período de inflação, PEPS produziu um lucro líquido mais elevado porque os custos unitários mais baixos das primeiras unidades adquiridas são confrontados com as receitas. Em um período de inflação (como é o caso aqui), PEPS apresenta o lucro líquido ($2.310) mais levado e UEPS o mais baixo ($1.750); o custo médio apresenta-se no meio ($2.030). Se os preços estão decrescendo, os resultados da utilização de PEPS e UEPS são invertidos PEPS apresentará o lucro líquido mais baixo e UEPS o mais elevado. Para a direção da empresa, o lucro líquido mais elevado é uma vantagem: faz com que os usuários externos vejam a empresa de modo mais favorável. Além disso, se as bonificações administrativasforem baseadas no lucro líquido, PEPS levará a bonificações mais altas. Algumas pessoas argumentam que a utilização do método UEPS em um período de inflação possibilita à empresa evitar a apresentação do lucro fictício ou ilusório como ganho econômico. Para exemplificar, considere que a Lojas Americanas compre 200 Pendrive XR492 60GB a $20 por unidade em 10 de janeiro e mais 200 em 31 de dezembro a $24 cada. Durante o ano, 200 unidades são vendidas a $30 cada. Os resultados pelo PEPS e UEPS são mostrados na Tabela 21. Tabela 21 - Utilização do método PEPS e UEPS. PEPS UEPS Vendas (200 x $30) $6.000 $6.000 Custo das mercadorias vendidas 4.000 (200 x $20) 4.800 (200 x $24) Lucro bruto $2.000 $1.200 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Pelo UEPS, a empresa recuperou o custo corrente de reposição ($4.800) das unidades vendidas. Desse modo, o lucro bruto em condições econômicas é real. Porém, pelo PEPS, a empresa recuperou apenas o custo de 10 de janeiro ($4.000). Para substituir as unidades vendidas, a empresa tem de reinvestir $800 (200×$4) do lucro bruto. Desse modo, $800 do lucro bruto são considerados fictícios ou ilusórios. Em consequência, o lucro líquido registrado também está superavaliado em condições reais. Efeitos no balanço patrimonial A maior vantagem do método PEPS é que, em um período de inflação, os valores alocados ao estoque final irão se aproximar do seu custo real. Por exemplo, para a Casas Bahia, 400 das 450 unidades no estoque final são contabilizadas ao custo unitário de $13 em 27 de novembro. 35 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO • CAPÍTULO 3 Inversamente, uma grande falha do método UEPS é que, em um período de inflação, os custos alocados ao estoque final podem estar significativamente subavaliados no que se refere ao custo real. Isso se aplica a Casas Bahia, onde o custo do estoque final inclui o custo unitário de $10 do estoque inicial. A subavaliação torna-se maior durante períodos prolongados de inflação, caso o estoque inclua mercadorias adquiridas em um ou mais exercícios contábeis anteriores. Efeito fiscais Vimos que tanto o estoque no balanço patrimonial quanto o lucro líquido na demonstração do resultado do exercício são mais elevados quando o PEPS é utilizado em um período de inflação. Todavia, muitas empresas mudam para UEPS. A razão é que o UEPS resulta em impostos de renda mais baixos (devido ao lucro líquido menor) durante períodos de aumento de preços. Por exemplo, na Casas Bahia, o imposto de renda é de $750 pelo UEPS, comparados ao valor de $990 pelo PEPS. A economia tributada no valor de $240 faz com que haja mais dinheiro em caixa disponível para utilização da empresa. Resumo Neste capítulo, estudamos os métodos de avaliação de estoque pelo método de controle de estoque periódico, apresentamos o de princípio contábil que serve de base para a contabilização dos estoques e descrevemos os critérios de avaliação de estoque. Vimos que a base fundamental para registro dos estoques é o custo. O custo inclui todos os gastos necessários para adquirir mercadorias e colocá-las em condições de venda. Os gastos inventariáveis incluem (1) valor do estoque inicial e (2) valor das mercadorias adquiridas. Os métodos de avaliação de estoque abordados são: preço específico, PEPS, UEPS e custo médio. 36 Apresentação Muitas empresas pequenas utilizam o método PEPS, mas o medo do crescimento da inflação frequentemente faz com que muitas delas mudem para UEPS. Entretanto, existem ainda alguns métodos alternativos de avaliação de estoque de mercadorias que serão abordados exclusivamente neste quarto capítulo, uma vez que as médias e pequenas empresas têm, na maioria das vezes, pequenos ou grandes giros de mercadorias, dificultando, assim, o uso dos quatro métodos anteriores estudados. Dessarte, serão analisados também os efeitos de tais métodos no balanço patrimonial e no resultado do exercício. Objetivos No final deste capítulo, você será capaz de: » entender os métodos de avaliação de estoques uniformemente; » usar avaliação do estoque ao valor de custo ou mercado (CVM); » determinar o custo de reposição corrente; » conhecer o princípio de Conservadorismo contábil; » identificar erros de estoque de materiais na cadeia de logística. 4 CAPÍTULO MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA 37 MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA • CAPÍTULO 4 Métodos de avaliação de estoques uniformemente Weygandt (2015) destaca em seus estudos que qualquer que seja o método de avaliação de estoques escolhido por uma empresa deve ser utilizado com uniformidade de um período contábil para outro. Segundo esse autor, a aplicação uniforme intensifica a comparabilidade das demonstrações financeiras durante períodos sucessivos. Isso porque, ainda de acordo com ele, a utilização do método PEPS em um ano e do método UEPS no ano seguinte tornaria difícil comparar os lucros líquidos dos dois anos (WEYGANDT, 2005). Muito embora a aplicação uniforme seja preferida, não significa que uma empresa nunca possa mudar seu método de avaliação de estoques. Quando uma empresa adota um método diferente, a mudança e seus efeitos sobre o lucro líquido devem ser evidenciados nas demonstrações financeiras. Antes de prosseguirmos, vamos trabalhar a aplicação a seguir, para tanto fique atento ao seguinte fato: já que as unidades de estoque existentes e disponíveis para venda podem ter sido adquiridas a preços diferentes, deve ser adotado um método sistemático para alocar os valores entre as mercadorias vendidas e as mercadorias disponíveis (estoque final). Os registros contábeis da Deli de Juju mostram os seguintes dados: Estoque inicial 4.000 unidades a $3,00 Compras 6.000 unidades a $4,00 Receitas de Vendas 5.000 unidades a $12,00 Determine o custo das mercadorias vendidas durante o período pelo método de controle de estoque periódico utilizando: a. o método PEPS; b. o método UEPS; c. o método do custo médio. Resolução: a. PEPS: (4.000*$3) + (1.000*$4) = $12.000 + $4.000 = $16.000. b. UEPS: 5.000*$4 = $20.000. c. Custo médio: [(4.000*$3) + (6.000*$4)] ÷10.000 = ($12.000 + $24.000) ÷10.000 = $3,60 a unidade; 5.000* $3,60 = $18.000 38 CAPÍTULO 4 • MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA Avaliando estoque ao valor de custo ou mercado (VCM) Weygandt (2015) explica que, quando o valor de mercado do estoque é menor que o valor contábil, o estoque sofre uma redução para ajustar-se ao seu valor de mercado. Segundo ele, isso é realizado pela atualização do estoque ao menor valor de custo ou mercado (VCM) no período em que a fase de declínio de preços acontece. Dessa forma, Weygandt (2015) considera que o VCM é um exemplo da convenção do conservadorismo contábil. Conservadorismo significa que, ao escolher entre alternativas contábeis, a melhor escolha é optar pela alternativa que provavelmente apresentará menor valor para os ativos e para o lucro líquido. Pelo VCM, o mercado é definido como custo de reposição corrente, e não como preço de venda. Para uma empresa, mercado é o valor de compras das mesmas mercadorias dos fornecedores habituais nas quantidades habituais no momento atual. O custo de reposição é utilizado porque um declínio no valor de reposição de um item geralmente leva a um declínio no preço de venda do item (WEYGANDT, 2015). O princípio do custo ou valor de mercado, dos dois o menor, pode ser aplicado a itens individuais de estoque, grupos maiores de estoque ou ao estoque total. Por exemplo, considere que o Ponto Frio possui as seguintes linhas de mercadorias com custos e valores de mercado conforme indicado na Tabela 22. Segundo o VCM, tem-se os seguintes resultados: Tabela 22 - Resultados alternativos do Valor de Custo ou de Mercado. Valor de Custo ou de Mercado por: Custo Mercado Itens Unitários Grupos Maiores EstoqueTotal Aparelhos de televisão Consolos $ 60.000 $ 55.000 $ 55.000 Portáteis 45.000 52.000 45.000 Total 105.000 107.000 $105.000 Equipamentos para vídeo Gravadores 48.000 45.000 45.000 Filmes 15.000 14.000 14.000 Total 63.000 59.000 59.000 Estoque Total $168.000 $166.000 $159.000 $164.000 $166.000 Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. O montante lançado na coluna de itens unitários é o montante de custo ou mercado, dos dois o menor, para cada item. Para a coluna de grupos maiores, o montante é o total de custo ou mercado, dos dois o menor, para cada categoria. Por fim, o menor montante para a coluna de 39 MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA • CAPÍTULO 4 estoque total é o custo ou mercado, dos dois o menor, para todo o estoque. A prática comum é utilizar itens individuais para aplicar a avaliação VCM. Essa abordagem fornece uma avaliação mais conservadora para fins de balanço patrimonial e também lucro líquido menor. O VCM deve ser aplicado com uniformidade de período a período (WEYGANDT, 2015). O VCM é aplicado aos itens no estoque após um dos métodos de avaliação de estoque (preço específico, PEPS, UEPS ou custo médio) ter sido efetuado para se determinar o valor do estoque. Erros de estoque Infelizmente, às vezes ocorrem erros na contagem física ou na avaliação de estoques. Em alguns casos, os erros são causados pela falha na contagem física ou na avaliação de preço incorreta. Em outros, os erros ocorrem porque não é dado o tratamento apropriado à transferência de titularidade às mercadorias que estão em trânsito. Quando os erros ocorrem, afetam a demonstração do resultado do exercício e o balanço patrimonial. Efeitos na demonstração do resultado do exercício Lembre-se de que tanto o estoque inicial quanto o estoque final são utilizados para se determinar o custo das mercadorias vendidas no método de controle de estoque periódico. O estoque final de um período torna-se automaticamente o estoque inicial do próximo período. Os erros de estoque afetam a determinação do custo das mercadorias vendidas e do lucro líquido. Os efeitos sobre o custo das mercadorias vendidas podem ser determinados pelo lançamento dos dados incorretos na seguinte fórmula e, em seguida, substituindo-os pelos dados corretos. Importante A fraude em estoque implica registrar o valor do estoque a importâncias além do seu valor real, ou em alegar não possuir estoque algum. Ela é geralmente feita para superavaliar o estoque final e, assim, subavaliar o custo das mercadorias vendidas e criar um lucro mais elevado. Fórmula para o Custo das Mercadorias Vendidas Estoque Inicial Custo das Mercadorias Adquiridas Estoque Final Custo de Mercadorias Vendidas + – = Caso o estoque inicial esteja subavaliado, o custo das mercadorias vendidas será subavaliado. Por outro lado, uma subavaliação do estoque final irá superavaliar o custo das mercadorias vendidas. 40 CAPÍTULO 4 • MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA Os efeitos dos erros de estoque sobre a demonstração do resultado do exercício do presente ano são mostrados na Tabela 23. Tabela 23 - Efeitos dos erros de estoque sobre a demonstração do resultado. Erro de Estoque Custo das Mercadorias Vendidas Lucro Líquido Estoque Inicial Subavaliado Subavaliado Superavaliado Estoque Inicial Superavaliado Superavaliado Subavaliado Estoque final Subavaliado Superavaliado Subavaliado Estoque final Superavaliado Subavaliado Superavaliado Fonte: Elaboração com base em Weygandt, 2015. Um erro no estoque final do período atual terá um efeito contrário no lucro líquido do período contábil seguinte. Isso é mostrado na tabela de demonstração de resultado sintética a seguir. Observe que a subavaliação do estoque final em 2015 resulta em uma subavaliação do estoque inicial em 2016 e em uma superavaliação do lucro em 2016. Durante os dois anos, o lucro líquido total está correto porque os erros retificam-se uns aos outros. Visualize que o lucro total que utiliza dados incorretos é de $35.000 ($22.000+$13.000), que é o mesmo lucro total de $35.000 ($25.000+$10.000) que utiliza dados corretos. Observe também nesse exemplo que um erro no estoque inicial não resulta em respectivo erro no estoque para aquele período. A correção do estoque final depende totalmente da exatidão como é feita a contagem e a apuração do estoque na data do balanço patrimonial. Efeitos no balanço patrimonial O efeito dos erros de estoque final no balanço patrimonial pode ser determinado utilizando-se a equação básica do patrimônio: ativo é igual a passivo mais patrimônio líquido. Os efeitos de erros nesses elementos do balanço patrimonial no estoque final são mostrados na tabela de demonstração do resultado do exercício sintética. Tabela 24 - Efeitos dos erros de estoque sobre as demonstrações do resultado do exercício sintética. 2015 2016 Incorreta Correta Incorreta Correta Receita de Vendas 80.000 $80.000 $90.000 $90.000 Estoque inicial 20.000 20.000 $12.000 $15.000 Custo das mercadorias adquiridas 40.000 40.000 68.000 68.000 Custos das mercadorias disponíveis para venda 60.000 60.000 80.000 83.000 Estoque final 12.000 15.000 23.000 23.000 Custo das mercadorias vendidas 48.000 45.000 57.000 60.000 41 MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA • CAPÍTULO 4 Lucro bruto 32.000 35.000 33.000 30.000 Despesas operacionais 10.000 10.000 20.000 20.000 Lucro líquido $22.000 $25.000 13.000 $10.000 ($3.000) $3.000 Lucro líquido subavaliado Lucro líquido superavaliado O lucro total para os dois anos está correto Tabela 25 - Erro de Estoque Final e Seus Efeitos no Balanço Patrimonial Erro de Estoque Final Ativo Passivo Patrimônio Líquido Superavaliado Superavaliado Nenhum Superavaliado Subavaliado Subavaliado Nenhum Subavaliado O efeito de um erro no estoque final no período subsequente foi mostrado na Tabela 25. Lembre- se de que, se o erro não estiver corrigido, o lucro líquido total para os dois períodos deve estar correto. Desse modo, o total do patrimônio líquido registrado no balanço patrimonial ao final de 2015 também estará correto. Apresentação e análise da demonstração Como indicamos no capítulo anterior, o estoque é classificado como um ativo circulante após as contas a receber no balanço patrimonial, e o custo das mercadorias vendidas é subtraído das receitas de vendas em uma demonstração do resultado do exercício analítica. Além disso, deve haver o registro (1) das principais subclassificações de estoque, (2) dos princípios fundamentais de contabilidade (custo ou mercado, dos dois o menor) e (3) o método de avaliação de estoques (PEPS, UEPS ou custo médio). O Ponto Frio, por exemplo, apresentou um estoque de $451.400.000 em seu balanço patrimonial de 31 de dezembro de 2015 no ativo circulante. As notas explicativas às demonstrações financeiras, conforme mostrado na tabela a seguir, apresentaram a seguinte informação: Ponto Frio Notas explicativas às Demonstrações Financeiras Nota 1. Políticas Contábeis Estoques Os estoques são avaliados pelo valor de custo (em termos médios) ou de mercado, dos dois o menor. 42 CAPÍTULO 4 • MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA Como indica essa breve nota, o Ponto Frio avalia seus estoques pelo valor de custo ou mercado, dos dois o menor, utilizando o método do custo médio para atribuir valores ao estoque e ao custo das mercadorias vendidas. A quantidade de estoque mantida por uma empresa apresenta consequências econômicas significativas. Por um lado, a direção da empresa quer ter uma grande variedade e quantidade de estoque disponível para que os clientes tenham maior opção de escolha de maneira que haja sempre itens em estoque, mas uma política de estoques pode incorrer em excessivos custos de ociosidade (por exemplo, investimento, armazenamento, seguro, impostos, obsolescência e danos). Poroutro lado, níveis baixos de estoque levam à escassez de estoque, perda de vendas e clientes descontentes. Os índices comuns utilizados no controle e na avaliação dos níveis de estoque vêm a ser a rotatividade dos estoques e uma medida correlata, dias médios de rotatividade dos estoques. O índice de rotatividade dos estoques mede o número de vezes em média que o estoque é renovado durante o período. Sua finalidade é medir a liquidez do estoque. A rotatividade dos estoques é calculada dividindo-se o custo das mercadorias vendidas pelo estoque médio durante o período. A menos que os fatores sazonais sejam significativos, o estoque médio pode ser calculado a partir dos saldos de estoques iniciais e finais. Por exemplo, o Ponto Frio registrou em seu Relatório Anual de 2015 um estoque final de $451.400.000, um estoque inicial de $434.300.000 e um custo de mercadorias vendidas para o ano de 2015 de $3.282.600.000. Sua fórmula de rotatividade de estoque e seus cálculos são os seguintes: Custo de Mercadorias Vendidas Estoque Médio Rotatividade dos Estoques ÷ = $282.600.000 ( $434.300.000 + $451.400.000 )2 7,4 vezes=÷ Uma variante do índice de rotatividade dos estoques são os dias médios de rotatividade dos estoques. Por exemplo, a divisão de 365 dias pela rotatividade dos estoques do Ponto Frio de 7,4 vezes é de, aproximadamente, 49 dias. Há níveis específicos de estoque em cada indústria. Todavia, as empresas que podem manter seus estoques em níveis baixos e uma alta rotatividade e ainda satisfazer as necessidades do cliente são as mais bem-sucedidas. Resumo Neste capítulo, analisamos os efeitos dos erros na contabilização de estoque nas demonstrações financeiras. Vimos que, na demonstração do resultado do exercício do ano em curso, (a) um erro no estoque inicial apresentará efeito contrário no lucro líquido (superavaliação dos valores do estoque resulta em subavaliação do lucro líquido) e (b) um erro no estoque final apresentará efeito 43 MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA • CAPÍTULO 4 semelhante no lucro líquido (superavaliação dos valores do estoque resulta em superavaliação do lucro líquido). Se os erros do estoque final não forem corrigidos no período seguinte, seus efeitos no lucro líquido para aquele período serão revertidos e o lucro líquido total para os dois anos estará correto. No balanço patrimonial, os erros de estoque final apresentarão o mesmo efeito nos ativos totais e no patrimônio líquido e nenhum efeito no passivo. Também aprendemos a calcular e interpretar o índice de rotatividade dos estoques. O índice de rotatividade dos estoques é calculado por meio do custo das mercadorias vendidas dividido pelo estoque médio. 44 Apresentação O planejamento e o controle do estoque são partes essenciais do sistema de orçamento das empresas. Os níveis do estoque não devem ser deixados ao acaso, mas, sim, planejados cuidadosamente. A escolha do nível “correto” dos estoques envolve contrabalançar três grupos de custos: custo de emissão de ordem, custo de armazenagem e custo de não existência de estoque. Esses três custos serão analisados neste capítulo. Ainda aqui, chegaremos à seguinte conclusão de análise de que o nível conceitualmente “correto” do estoque a manter é o nível que minimiza o total desses três grupos de custo. O problema é decomposto em duas partes – Quanto pedir (ou produzir em uma série ou um lote) e a que frequência pedir. Essas duas decisões – Quanto pedir e a que frequência – determinam o nível médio do estoque e a probabilidade de faltar estoque. Objetivos No final deste capítulo, você será capaz de: » entender melhor os instrumentos do sistema de controle de estoque; » identificar os custos envolvidos no sistema de análise de estoque de materiais; » identificar os níveis ideais de estoque de materiais; » solucionar os problemas de quanto pedir e a qual frequência pedir os materiais; » dominar os métodos de gestão e análise de estoque de materiais. 5 CAPÍTULO SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA 45 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA • CAPÍTULO 5 Definições de atividades de gestão de estoque de materiais em operações de logística Atividades de gestão de estoque de materiais em operações de logística consistem normalmente em atividades ligadas aos materiais físicos necessários ao funcionamento de uma organização. Dentre elas, destacam-se a previsão e a compra de materiais, o recebimento, a conferência, o armazenamento em almoxarifados e depósitos, o controle de estoques, a movimentação de materiais, materiais sendo processados e produtos acabados dentro da empresa e a distribuição dos produtos acabados para os clientes (GRAEML, 2016). O que podemos entender dessa definição do autor? Atividades logísticas = conjunto de atividades ligadas aos materiais físicos necessários ao funcionamento de uma organização. São atividades que envolvem três processos organizacionais: suprimento, produção e distribuição. Processos Organizacionais Atividades Logísticas-Chaves Suprimento » Previsão e compras de materiais » Recebimento de materiais » Conferência dos materiais recebidos » Armazenamento do material recebido Produção » Processamento de pedidos » Controle de estoques » Movimentação de materiais » Processamento de materiais » Processamento de produtos acabados Distribuição » Processamento de Pedidos » Transportes de produtos acabados » Entrega de produtos acabados Sempre em busca da excelência e da eliminação de desperdícios, conforme proposto pela filosofia just-in-time, e cada vez mais pressionadas pelo aumento da competição, agora em escala global, as organizações têm buscado, mais recentemente, melhorar a eficácia da interação na cadeia de suprimentos como um todo. Princípios que diferenciam produto do serviço Critério de avaliação Produto Serviços Aspecto físico Tangível Intangível Estoque Estocável Não estocável Perecibilidade Imperecível Perecível Separabilidade Separável Inseparável 46 CAPÍTULO 5 • SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA Custos associados ao estoque Custos de emissão de ordem Os custos de emissão de ordem ocorrem sempre que um item do estoque é pedido, e podem incluir os custos administrativos associados ao pedido e alguns custos de manuseio e de transporte. Eles são deflagrados pelo ato da ordem do estoque e são basicamente os mesmos, quer sejam pedidas 1 ou 10.000 unidades. Esses custos são direcionados pelo número de pedidos efetuados – e não pelo tamanho deles. Se os custos de pedir estoque forem grandes, o gerente pode preferir fazer um pequeno número espaçado de pedidos grandes, em vez de um grande número de pequenos pedidos. Custos de armazenagem ou estocagem Os custos de armazenagem ou estocagem ocorrem pela manutenção das unidades em estoque e compreendem os custos de armazenamentos e de manuseio, impostos prediais, seguro e juros sobre os recursos investidos no estoque. Esses custos são direcionados pelas quantidades e pelo valor dos estoques mantidos pela companhia. Além desses custos, os estoques de produtos semiacabados geram problemas operacionais. Produtos semiacabados podem fisicamente ficar no caminho e dificultar o acompanhamento das operações. Além disso, esses produtos tendem a ocultar problemas até que seja tarde demais para tomar a medida corretiva. O resultado disso é produção demasiada, operações ineficientes, “perda” de pedidos, taxas elevadas de defeitos e riscos substanciais de obsolescência. Esses custos não tangíveis dos estoques dos produtos semiacabados são, em grande parte, responsáveis pela mudança para o JIT. Segundo Garisson (2016), se os custos de estocagem forem altos, os gerentes reduzirão o nível geral de estoque e farão pedidos frequentes de pequenasquantidades. Custo de não manter estoque suficiente O custo de não manter estoque suficiente decorre da inexistência de estoque suficiente para atender às necessidades dos clientes. Esses custos compreendem perdas de vendas, má vontade do cliente e custos de emissão de pedidos de bens não existentes em estoque. Se esses custos forem altos, os gerentes preferirão manter grandes estoques. O nível conceitualmente “correto” do estoque a manter é o que minimiza o total desses três grupos de custo. O problema é decomposto em duas partes – Quanto pedir (ou produzir em uma série ou um lote) e a que frequência pedir. Essas duas decisões – Quanto pedir e a que frequência – determinam o nível médio do estoque e a probabilidade de faltar estoque. 47 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA • CAPÍTULO 5 Determinação do Lote de Compra (LEC) A indagação (quanto pedir?) é respondida pelo lote econômico de compra (LEC), ou apenas LE, que é o tamanho do pedido que minimiza a soma dos custos do pedido e da armazenagem. Vamos considerar, dos modos de determinação do LEC, o método tabular e o método da equação. Método Tabular Vamos supor que, anualmente, sejam necessárias 12.000 unidades de determinado item de materiais. Os gerentes poderiam pedi-las todas de uma só vez ou em menores quantidades ao longo do ano / por exemplo, 1.000 unidades por mês. Fazer somente um pedido minimizaria o custo total do pedido, mas teria como resultado altos custos de armazenagem, uma vez que o nível médio do estoque seria muito grande. Por outro lado, pequenos pedidos teriam como resultado altos custos de emissão, mas pequenos custos de armazenagem, já que o nível médio do estoque seria reduzido. Como dissemos anteriormente, o LEC é o tamanho do pedido que vai equilibrar de maneira ótima esses dois custos – de efetuar o pedido e de manter o estoque. Para mostrar como se calcula o LEC, vamos supor que, por ano, um fabricante utilize 3.000 subconjuntos no processo de produção, comprados em um fornecedor ao custo de $20 cada. Apresentamos, a seguir, outros dados de custo: Custo de Estocagem de uma unidade por ano R$0,80 Custo de emissão de um pedido R$10,00 A tabela a seguir contém a tabulação dos custos totais associados aos diversos tamanhos dos pedidos de compra dos subconjuntos. A maior parte da tabela é direta, mas o estoque médio precisa ser explicado. Se 50 unidades são pedidas de uma vez somente quando o estoque chega a zero, então o tamanho do estoque varia de 50 para Q unidades. Desse modo, em média, haverá 25 unidades em estoque. Observe que o custo anual total é menor (e igual) para pedidos de 250 e 300 unidades. O LEC está localizado no lugar entre esses pontos. Podemos situá-lo com precisão acrescentando mais colunas à tabulação, e finalmente chegada com LEC de 274 unidades. Q Pedido 50 100 200 250 300 400 1.000 3.000 Q/2 Estoque médio em Unidades 25 50 100 125 150 200 500 1500 D*/Q Número de Pedidos 60 30 15 12 10 7,5 3 1 C(Q/2) Custo de Manutenção em Estoque R$ 20,00 R$ 40,00 R$ 80,00 R$ 100,00 R$ 120,00 R$ 160,00 R$ 400,00 R$ 1.200,00 S(D*/Q) Custo Total de Pedido 600 300 150 120 100 75 30 10 CTE Custo Anual Total de Estoque R$ 620,00 R$ 340,00 R$ 230,00 R$ 220,00 R$ 220,00 R$ 235,00 R$ 430,00 R$ 1.210,00 *D é a demanda anual, nesse caso 3.000 unidades. 48 CAPÍTULO 5 • SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA As relações de custo dessa tabulação estão graficamente representadas a seguir. O LEC está indicado no gráfico. Note que ele minimiza o custo anual total e é também o ponto em que os custos anuais de armazenagem e de emissão de pedido são iguais. Note que no LEC esses dois custos estão exatamente equilibrados. Observe, a partir do gráfico, que o custo total apresenta a tendência de ficar constante entre 200 e 400 unidades. A maioria das empresas procura essa faixa de custo mínimo e escolhe um tamanho de pedido que esteja dentro dela, em vez de escolher o LEC exato. O principal motivo disso é que os fornecedores muitas vezes embarcam os bens apenas em quantidades completas. Gráfico 1 - Representação Gráfica do Lote Econômico do Compra e do Custo Total Anual de Estoque. Fonte: Elaboração do autor. Método da equação O LEC também pode ser encontrado por meio de uma equação dedutível pelo seguinte cálculo: = DSLEC C 2 e CTE = (Q/2).c + (D/Q).S Em que: LEC = Lote econômico de compra (LEC) D = Demanda anual ou quantidade anual utilizada S = Custo de emissão de um pedido C = Custo anual de estocagem de uma unidade 49 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA • CAPÍTULO 5 Símbolo: D = Quantidade Anual Utilizada ou demanda anual (3.000 unidades) Q = Tamanho do pedido C = Custo anual de estocagem de uma unidade ou custo para manter uma unidade em estoque durante um ano. S = Custo de emissão de um pedido. CTE = Custo Total Anual de Estoque. Utilizando-se os dados do exemplo precedente, podemos calcular diretamente o LEC da seguinte maneira: D = 3000 peças por ano S = R$ 10,00 de custo de emissão de um pedido C = R$ 0,80 de custo animal de estocagem de uma peça ( )( ) ( )= = = = =2 3.000 $102DS $60.000LEC 75.000 274 unidades LEC C $0,80 $0,80 LEC = 274 unidades (LEC) CTE = (Q/2)*C + (D/Q)*S = (274/2)*0,8 + (3000/274)*10 = R$219,10 Just-In-Time (JIT) e o Lote Econômico de Compra (LEC) Analisando a fórmula do LEC, verifica-se que o lote econômico de compra diminuirá: » se o custo de emissão de um pedido, S, diminui; ou » se o custo de armazenagem, C, aumenta. Os defensores do JIT argumentam que o custo de armazenagem ou estocagem é muito maior do que geralmente se aceita, por causa do desperdício e da ineficiência que os estoques produzem. Argumentam também que a observância dos procedimentos JIT, como concentrar todos os pedidos em poucos fornecedores de alta qualidade, reduz substancialmente o custo do pedido de compra. Em consequência, os defensores do JIT sustentam que as empresas devem comprar com mais frequência e em quantidades menores. Suponhamos, por exemplo, que uma companhia tenha utilizado os seguintes dados na determinação do LEC: 50 CAPÍTULO 5 • SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA D = 4.800 unidades por ano S = R$75, custo de emissão de um pedido R$4,50, custo de estocagem de uma unidade Com esses dados, o LE seria: ( )( )2 4.800 $752DSLEC 160.000 400 unidades C $4,50 = = = = LEC = 400 unidades Suponha agora que, em decorrência da compra JIT, a companhia possa reduzir o custo de emissão de pedido para somente R$3, e também que, devido ao desperdício e à ineficiência causados pelos estoques, o custo real da armazenagem de uma unidade seja de R$8 por ano. O LEC, então, seria: ( )( )2 4.800 $32DSLEC 3.600 60 unidades C $8 = = = = LEC = 60 unidades Na compra JIT, a companhia não faria necessariamente pedidos em lotes de 60 unidades, uma vez que as compras estão vinculadas à demanda corrente. Não obstante, esse exemplo mostra, de modo contundente, a economia que a redução do tamanho do pedido esconde. Tamanho do lote de produção O conceito de Lote Econômico também pode ser aplicado à determinação do lote econômico de produção. Quando as companhias fabricam diversos produtos, elas precisam decidir quantas unidades de um produto devem ser fabricadas, antes de passarem para outro produto. O número de unidades de um lote, ou de uma série de produção, é denominado tamanho do lote. A Sony, por exemplo, precisa decidir quantas unidades de determinado videogame devem ser produzidas em um lote, antes de passar para a produção de outro. Isso constitui um problema, porque a passagem de um produto para outro requer mudança na programação das máquinas, troca de ferramentas e alimentação com materiais prontos para o processamento. Fazer essas alteraçõesexige tempo e pode envolver um desembolso substancial. Esses custos de preparação de máquinas ou custos de setup são análogos aos custos de emissão de pedidos explicados anteriormente e podem ser introduzidos na equação de LEC no lugar dos custos do pedido para determinar o tamanho ótimo do lote. A título de ilustração, a Chittenden Company apurou que os seguintes custos estavam associados a um dos seus produtos: D = 15.000 unidades produzidas por ano 51 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA • CAPÍTULO 5 S = R$150,00 custos de setup para mudar a produção de um produto para outro C = R$2,00 estocagem de uma unidade por um ano Qual é o tamanho ótimo do lote de produção desse produto? A resposta pode ser determinada pela fórmula de LE: ( )( )2 15.000 $R1502DSLEC 2.250.000 1.500 unidades C R$2,00 = = = = 1.500 unidades (tamanho econômico do lote de produção) A Chittenden Company minimizará os seus custos gerais produzindo lotes de 1.500 unidades cada. Ao calcular o tamanho econômico do lote, observe outra vez o impacto dos métodos modernos de fabricação. Primeiro os administradores sabem que os custos de armazenagem são muito maiores do que anteriormente se supunha. Estoques excessivos de produtos semiacabados tornam muito difícil operar com eficiência e, assim, geram muitos custos desnecessários. Os gerentes e empregados estão reduzindo o tempo de setup de muitas horas para poucos minutos, aplicando de modo inteligente técnicas como troca de matrizes em um minuto. A vantagem da redução do tempo de setup é que ela toma economicamente viável que a empresa produza em lotes menores e possa responder muito mais rapidamente ao mercado. De fato, a redução do tempo de setup ao mínimo possível é, sem dúvida, uma etapa essencial em qualquer implantação bem-sucedida do JIT. Para ilustrar como esses aspectos dos métodos modernos de fabricação afetam o tamanho econômico do lote de produção, vejamos os dados da Chittenden Company. Suponhamos que a companhia tenha conseguido reduzir o custo de setup para R$3,00. Suponhamos, também, que, após análise mais cuidadosa de todos os custos de estocagem, ela verifique que o custo real de estocagem de uma unidade seja de R$36,00 por ano. O novo tamanho econômico do lote de produção será: ( )( )2 15.000 $132DSLEC 2.500 C $36 = = = LEC = 50 unidades (tamanho econômico do lote de produção) O tamanho econômico do lote da empresa, portanto, diminuiu de 1.500 unidades para apenas 50 – uma redução de aproximadamente 97%. 52 CAPÍTULO 5 • SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA O tamanho do lote de produção e a teoria das restrições Os gerentes envolvidos na teoria das restrições iriam até mais longe na redução do tamanho dos lotes. Quando determinado centro de trabalho não é um gargalo de produção, o único custo significativo envolvido nos setups costuma ser a remuneração da mão de obra direta. Contudo, uma vez que, pela teoria das restrições, essa remuneração é considerada custo fixo e não custo variável, o custo incremental dos setups é considerado zero. Nos centros de trabalho que não são gargalos de produção, portanto, o tamanho econômico do lote, de acordo com a teoria das restrições, é de apenas uma unidade (GARRISON, 2016). Ponto de reposição e estoque de segurança Dissemos que o problema do estoque tem duas dimensões – quanto comprar e a que frequência comprar. A “frequência à qual comprar” envolve aquilo que comumente se denomina ponto de reposição ou de recomenda e o estoque de segurança. A ideia básica é minimizar os custos de armazenagem e, ao mesmo tempo, assegurar que não haverá faltas (i.e., situações em que ocorre insuficiência de estoque para atender às necessidades atuais da produção ou da demanda). Primeiramente, vamos analisar o ponto de reposição e, depois, o estoque de segurança (GARRISON, 2016). O ponto de reposição indica ao gerente quando fizer um pedido ou iniciar a produção para repor o estoque. Ele depende de três fatores: o LEC (ou lote econômico de produção), o tempo de ressuprimento e a taxa de consumo durante o tempo de ressuprimento. O tempo de ressuprimento (lead time) pode ser definido como o intervalo entre o momento em que a ordem é efetuada e o momento em que ela finalmente é recebida do fornecedor ou da linha de produção. Consumo constante durante o tempo de ressuprimento Se a taxa de consumo durante o tempo de ressuprimento é conhecida com precisão, o ponto de reposição pode ser estabelecido por meio da seguinte fórmula: Ponto de reposição = Tempo de ressuprimento X Consumo diário ou semanal Para ilustrar o emprego dessa fórmula, vamos admitir que o LE de uma empresa seja 500 unidades, o tempo de ressuprimento de três semanas e o consumo semanal de 50 unidades. Ponto de reposição = 3 semanas X 50 unidades por semana = 150 unidades. 53 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA • CAPÍTULO 5 O ponto de reposição seria 150 unidades. Isto é, a empresa automaticamente faria uma nova ordem de 500 unidades quando o estoque caísse para 150 unidades, ou o suprimento de três semanas. Consumo variável durante o tempo de ressuprimento O exemplo anterior supôs que a taxa de consumo de 50 unidades por semana era constante e conhecida com precisão. Embora algumas empresas desfrutem do luxo da certeza, a situação mais comum é encontrar variação considerável, período a período, na taxa de consumo dos itens em estoque. Se o consumo varia de período a período, a empresa que refaz a ordem como indicamos anteriormente logo poderá ficar com falta de estoque. Um aumento brusco na demanda, um atraso na entrega ou um imprevisto no processamento de uma ordem podem fazer com que os níveis de estoque se esgotem antes da chegada de uma nova remessa. As empresas que têm experiência com problemas de demanda, de entrega ou de processamento de ordens descobriram que precisam de um buffer para se precaver contra a falta de estoque. Esse buffer é denominado estoque de segurança. O estoque de segurança funciona como uma espécie de seguro contra uma demanda maior do que a normal e contra problemas de pedido e entrega de bens. Seu tamanho é determinado subtraindo-se o consumo médio do consumo máximo razoavelmente esperado para um período. Se, por exemplo, a empresa do exemplo precedente se deparasse com uma demanda variável dos seus produtos, ela calcularia o estoque de segurança do seguinte modo: Consumo Máximo esperado por semana 65 unidades Consumo médio por semana 50 unidades Excesso 15 unidades Tempo de ressuprimento 3 semanas Estoque de Segurança 45 unidades O ponto de reposição é então determinado adicionando-se o estoque de segurança ao consumo médio durante o tempo de o. do ponto de reposição, ou de recomenda, seria como se mostra a seguir: Gráfico 3. 54 CAPÍTULO 5 • SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA Lote econômico de compra ............... 500 unidades Tempo de espera ................................. 3 semanas Consumo médio semanal .................. 50 unidades Consumo máximo semanal ............... 65 unidades Estoque de segurança ......................... 45 unidades Ponto de reposição = (3 semanas x 50 unidades por semana) + 45 unidades = 195 unidades Ponto de reposição = (Tempo de ressuprimento X Consumo médio diário ou semanal) + Estoque de segurança O cálculo do ponto de reposição é apresentado numérica e graficamente. Como mostra o gráfico, a empresa deverá efetuar nova ordem de 500 unidades quando o estoque cair para o nível de 195 unidades. Resumo Neste capítulo, vimos vários conceitos de gestão de estoque e estratégias de gestão do lote econômico de produção, e muitos outros temas de administração de materiais e patrimônio da organização: Custos de emissão de ordem de estoque,custos associados à aquisição de estoque, tais como custos administrativos e de transporte. Custos de estocagem (ou de armazenagem), custos resultantes da posse de estoque, tais como aluguel de área de armazenagem, custos de manuseio, impostos prediais, seguro e juros sobre recursos imobilizados no estoque. Esses custos devem incluir também os custos do excesso de estoque de produtos semiacabados, como produção ineficiente, tempo de ressuprimento excessivo, altas taxas de defeitos e riscos de obsolescência. Custos de não existência de estoque, custos decorrentes da inexistência de estoque suficiente para atender às necessidades dos clientes compreendem os custos de vendas perdidas, da má vontade do cliente e de emissão de ordens para itens em falta no estoque. Custos do tempo de preparação inicial (ou custos de setup), custos de preparar as instalações para mudar da fabricação de um produto para outro. Estoque de segurança e diferença entre o consumo médio dos materiais e o consumo máximo razoavelmente esperado durante o tempo de ressuprimento. 55 SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA • CAPÍTULO 5 Lote econômico (LE) ou lote econômico de compra (LEC), tamanho do pedido de materiais que resulta na minimização dos custos do pedido e de estocagem. Ponto de reposição (ou de recomenda), ponto em que deve ser efetuado o pedido de reposição do estoque multiplicando-se o tempo de ressuprimento pelo consumo médio diário ou semanal. Tamanho econômico do lote de produção, número de unidades produzidas em um lote, ou em uma série de produção, que permite a minimização dos custos de setup e de armazenagem. Tempo de ressuprimento (ou lead time), intervalo entre o momento em que o pedido é feito e o em que ele finalmente fornecido. 56 Apresentação A função dos estoques no suprimento é agir como amortecedores entre suprimento e as necessidades de produção. Os benefícios gerados no sistema são: garantia de maior disponibilidade de componentes para a linha de produção e redução do tempo previsto pela administração para ter a disponibilidade desejada, além de permitir a redução dos custos de transporte por meio de maiores embarques. Sendo assim, neste capítulo, apresentaremos uma ferramenta de gestão de estoque no varejo, ferramenta essa que permite reduzir os custos de logística nas empresas. Objetivos No final deste capítulo, você será capaz de: » entender e usar a curva ABC, uma ferramenta de gestão de estoques no varejo; » conhecer os princípios de funcionamento da curva ABC, que é de extrema importância para a gestão eficiente e eficaz de estoque; » compreender os princípios e fundamentos do sistema duas gavetas. 6 CAPÍTULO MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO 57 MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO • CAPÍTULO 6 Ferramentas de gestão de estoque Se as demandas pelos produtos da empresa forem conhecidas com exatidão e as mercadorias puderem ser fornecidas instantaneamente (excluída a manutenção de estoques de matéria-prima como prevenção ao aumento de preços), teoricamente não há necessidade de manter estoques. É verdade que as modernas técnicas de gestão de estoques conseguiram reduzir sensivelmente os níveis, mas não quanto a todos os itens, principalmente quando a sua gama é muito ampla. As características que geralmente devem ser obedecidas para manutenção de qualquer componente da linha de produção em estoque são as seguintes: » compras em quantidades iguais ou superiores a um lote mínimo; » há descontos por volume; » valores relativamente baixos; » utilização em vários modelos ou produtos; » é econômico comprá-lo juntamente com outros itens; » há tabelas de fretes que favorecem a compra em lotes grandes; » o grau de incerteza quanto ao prazo de entrega (lead time) é elevado. A manutenção em estoque de todo o material necessário para produção, no entanto, não é eficiente, principalmente em uma situação de juros elevados. Para itens com elevado valor individual e utilização apenas em número limitado de modelos e produtos, a encomenda direta para atender às necessidades de produção constitui-se na forma mais econômica de realizar o seu suprimento. As indústrias, portanto, operam de duas formas, ou seja, controlando os itens que devem ser estocados e aqueles solicitados por encomenda, atendendo diretamente à produção. A rotatividade do estoque (a razão entre o volume de vendas e o estoque médio) é um coeficiente frequentemente empregado para indicar a velocidade de giro do capital para estimar se o inventário de itens específicos está dentro de limites aceitáveis. A necessidade de controlar os estoques deve-se à grande influência que têm na rentabilidade das empresas. Absorvem capital que poderia ser utilizado alternativamente e, por isso, aumentar a rotatividade do estoque libera recursos e economiza o custo de manutenção de inventário. O controle geralmente é realizado com auxílio do computador, tendo em vista que há programas especificamente desenvolvidos para emissão de ordens de compra, que consideram as quantidades em estoque e realizam as ordens de compra em função das quantidades de produção previstas em vez de atender às necessidades operacionais a partir dos estoques. Essa técnica é conhecida por cálculo de necessidades. A ideia é abreviar ao máximo o prazo entre chegada dos materiais 58 CAPÍTULO 6 • MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO e data programada para produção. Os itens críticos são aqueles que exigem “lead time” elevado, associado ao fato de não se disporem de fornecedores nacionais ou estrangeiros que possam substituir com preço, qualidade e quantidade análogas o fornecedor original, em prazo reduzido, em caso de emergência. Portanto, quanto mais confiáveis e menores os prazos de entrega tanto menores serão os estoques. A Curva Abc ou Curva 80-20 O princípio da curva ABC ou 80-20 foi observado por Vilfredo Pareto, na Itália, no final do século passado, em um estudo de renda e riqueza, segundo o qual uma parcela apreciável da renda concentrava-se nas mãos de uma parcela reduzida da população, numa proporção de aproximadamente 80% e 20%, respectivamente. Na administração, esse princípio tem tido larga aplicação pela constatação de que a maior parte das vendas é gerada por relativamente poucos itens da linha comercial da empresa, ou seja, 80% das vendas provêm de 20% dos itens da linha de produtos. Embora essa não seja uma relação exata para toda firma, é verdade que há uma desproporção entre o valor de vendas e o número de itens. Em termos de suprimento de matéria- prima, é possível construir uma curva análoga, ou seja, que 20% dos insumos correspondem a 80% da despesa de compras. A curva abaixo representa a curva de Pareto. A linha de artigos de uma empresa típica é composta de produtos variados em diferentes estágios de seus respectivos ciclos de vida, e com diferentes graus de sucesso em matéria de vendas. A qualquer momento no tempo, isso cria um fenômeno de produto conhecido como a curva 80- 20, um conceito especialmente valioso em termos de planejamento logístico. O conceito 80-20 é formalizado depois da observação de padrões de produtos em muitas empresas, a partir do fato de que a parte maior das vendas é gerada por um conjunto de relativamente poucos produtos das respectivas linhas e a partir do princípio conhecido como a lei de Pareto. Raramente se observa uma proporção exata 80-20, mas a desproporção entre vendas e o número de produtos é geralmente verdadeira. Em termo de ilustração do conceito, pense em 14 produtos de uma pequena empresa química. Esses produtos estão ordenados de acordo com seu volume de venda, como mostrado na tabela a seguir. Uma porcentagem cumulativa das vendas totais em reais e do número total de itens é computada. Essas porcentagens são então plotadas, no gráfico que se segue é exibida a característica curva80-20. Contudo, nesse caso em especial, cerca de 35% dos itens respondem por 80% das vendas. O conceito 80-20 é especialmente útil no planejamento da distribuição quando os produtos são agrupados ou classificados de acordo com suas atividades de venda. Os 20% mais bem classificados podem ser chamados de itens A, os 30% seguintes, de itens B, e os restantes, de itens C. Cada 59 MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO • CAPÍTULO 6 categoria de itens deveria ter uma distribuição diferenciada. Por exemplo, os itens A receberiam ampla distribuição geográfica por intermédio de muitos armazéns com altos níveis de estoques disponíveis, enquanto os itens C poderiam ser distribuídos a partir de um único ponto central de estocagem (por exemplo, uma fábrica), com níveis de estocagem total menores que os itens A. Os itens B teriam uma estratégia intermediária de distribuição, com a utilização de poucos armazéns regionais. Tabela 26 - Classificação abc de 14 produtos de uma empresa química. Número de produtos Classificação por vendas (a) Vendas mensais (R$1.000) % Cumulativa das vendas totais (%) (b) % Cumulativa do total de itens (%) (c) Classificação ABC D - 204 1 5.056 36,2 7,1 A D - 212 2 3.424 60,7 14,3 D -185-0 3 1.052 68,3 21,4 B D-191 4 893 74,6 28,6 D-192 5 843 80,7 35,7 D-193 6 727 85,7 42,9 D-179-0 7 451 89,1 50,0 D-195 8 412 91,9 57,1 C D-196 9 214 93,6 64,3 D-186-0 10 205 95,1 71,4 D-198-0 11 188 96,4 78,6 D-199 12 172 97,6 85,7 D-200 13 170 98,7 92,9 D-205 14 159 100,0 100 Total R$13.966 Fonte: Elaborada pelo autor. A curva com uma classificação ABC do produto » Classificação de acordo com o volume de vendas. » Soma dos itens vendidos (÷) vendas totais, p. ex., (5.056+3.424) ÷13.966=0,607. » Classificação dos itens (÷) número total de itens, p. ex., 6÷14=0,429. 60 CAPÍTULO 6 • MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO Gráfico 3. A curva com uma classificação ABC do produto. A curva ABC é um método de classificação de informações para que se separem os itens de maior importância ou impacto, os quais são normalmente em menor número (CARVALHO, 2002, p. 226). É classificação estatística de materiais baseada no Princípio de Pareto, em que se considera a importância dos materiais, lastreada nas quantidades utilizadas e no seu valor. Também pode ser utilizada para classificar clientes em relação aos seus volumes de compras ou em relação à lucratividade proporcionada, classificação de produtos da empresa pela lucratividade proporcionada, etc. Em uma organização, a curva ABC é muito utilizada para a administração de estoques, mas também é usada para a definição de políticas de vendas, para o estabelecimento de prioridades, para a programação de produção, etc. Para a administração de estoques, por exemplo, o gerente de logística a usa como um parâmetro que informa sobre a necessidade de aquisição de itens – mercadorias ou matéria-prima – essenciais ao controle do estoque, que variam de acordo com a demanda do consumidor. Na avaliação dos resultados da curva ABC, percebem-se o giro dos itens no estoque, o nível da lucratividade e o grau de representação no faturamento da organização. Os recursos financeiros investidos na aquisição do estoque poderão ser definidos pela análise e aplicação correta dos dados fornecidos com a curva ABC (PINTO, 2002, p. 142). Parâmetros de observação da curva ABC A curva ABC, no caso de administração de estoques, apresenta resultados da demanda de cada item nas seguintes áreas: a. giro no estoque (vendas anuais/estoque médio); b. proporção sobre o faturamento no período; 61 MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO • CAPÍTULO 6 c. margem de lucro obtida. Os itens são classificados como (CARVALHO, 2002, p. 227): a. de Classe A - de maior importância, valor ou quantidade, correspondendo a 20% do total (podem ser itens do estoque com uma demanda de 65% em um dado período); b. de Classe B - com importância, quantidade ou valor intermediário, correspondendo a 30% do total (podem ser itens do estoque com uma demanda de 25% em um dado período); c. de Classe C - de menor importância, valor ou quantidade, correspondendo a 50% do total (podem ser itens do estoque com uma demanda de 10% em um dado período). Os parâmetros acima não são uma regra matematicamente fixa, pois podem variar de organização para organização nos percentuais descritos. O que importa é que a análise desses parâmetros propicia o trabalho de controle de estoque do analista, cuja decisão de compra pode se basear nos resultados obtidos pela curva ABC. Os itens considerados de Classe A merecerão um tratamento preferencial. Assim, a consequência da utilidade dessa técnica é a otimização da aplicação dos recursos financeiros ou materiais, evitando desperdícios ou aquisições indevidas e favorecendo o aumento da lucratividade. Descrição matemática da curva 80-20 Embora possa se tornar necessário usar várias equações matemáticas, sugere-se a relação a seguir: ( )1 A XY A X + ⋅ = + Em que: » Y = fração cumulativa das vendas. » X = fração cumulativa dos itens. » A = uma constante a ser determinada. A constante A pode ser encontrada pela manipulação da equação anterior para dar: X (1 Y )A (Y X) ⋅ − = − Em que a relação entre X e Y é conhecida. A regra dos 80-20 é muito útil na estimativa dos níveis de estoque de produto. 62 CAPÍTULO 6 • MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO Estimativa de investimento no estoque armazenado usando a curva 80-20 Exemplo: Suponha que determinado armazém venha conter 11 dos 14 itens mostrados na tabela anterior. Espera-se que a relação geral seja a mesma, isto é, X= 0,21 e Y= 0,68, ou 21% dos itens gerando 68% das vendas. A solução da equação resulta em A= 0,143. Uma política diferente de estoques é instituída para diferentes grupos de produtos. A taxa de giro (ou seja, vendas anuais/estoque médio) para os itens A é de 7 por 1, de 5 por 1 para os itens B, e para os itens C, 3 por 1. Se as vendas anuais por meio desse armazém estão estimadas em R$ 25 mil, quanto investimento em estocagem no armazém pode ser previsto? A curva ABC é um método de classificação de informações para que se separem os itens de maior importância ou impacto, os quais são normalmente em menor número (CARVALHO, 2002, p. 226). É classificação estatística de materiais baseada no Princípio de Pareto, em que se considera a importância dos materiais, lastreada nas quantidades utilizadas e no seu valor. Também pode ser utilizada para classificar clientes em relação aos seus volumes de compras ou em relação à lucratividade proporcionada, classificação de produtos da empresa pela lucratividade proporcionada, etc. Em uma organização, a curva ABC é muito utilizada para a administração de estoques, mas também é usada para a definição de políticas de vendas, para o estabelecimento de prioridades, para a programação de produção, etc. Para a administração de estoques, por exemplo, o gerente de logística a usa como um parâmetro que informa sobre a necessidade de aquisição de itens – mercadorias ou matéria-prima – essenciais ao controle do estoque, que variam de acordo com a demanda do consumidor. Na avaliação dos resultados da curva ABC, percebem-se o giro dos itens no estoque, o nível da lucratividade e o grau de representação no faturamento da organização. Os recursos financeiros investidos na aquisição do estoque poderão ser definidos pela análise e aplicação correta dos dados fornecidos com a curva ABC (PINTO, 2002, p. 142). 63 MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO • CAPÍTULO 6 Tabela 27. Produto N° de itens Proporção cumulativa de itens (X) Vendas Cumulativas (Y) Vendas Projetadas de itens Índice de giro Estoque médio D-204 A 1 0,0909 11.105 11.105 7 D-212 2 0,1818 15.994 4.889 7 R$15.994 R$2.285 D-185-0 B 3 0,2727 18.745 2.751 5 D-192 4 0,3636 20.509 1.764 5 D-193 5 0,454521.736 1.227 5 D-179-0 6 0,5454 22.639 903 5 R$6.645 R$1.329 D-195 C 7 0,6363 23.332 693 3 D-198-0 8 0,7272 23.879 547 3 D-199 9 0,8181 24.323 444 3 D-200 10 0,9090 24.691 368 3 D-205 11 1,0000 25.000 309 3 R$2.361 R$787 R$25.000 R$4.401 Fonte: elaborada pelo próprio autor. Os itens estocados no armazém são mostrados na tabela. São os mesmos da tabela anterior, com exceção dos itens 5, 8 e 9, selecionados para não serem incluídos. Os itens restantes são classificados de acordo com seu nível relativo de vendas, maiores ou menores. A proporção cumulativa de itens é determinada por 1/N para o primeiro item, 2(1/N) para o segundo item, 3(1/N) para o terceiro, e assim sucessivamente. A constante A é determinada pela equação X (1 Y )A (Y X) ⋅ − = − ou 0,21(1 0,68)A (0,68 0,21) − = − . A proporção cumulativa de vendas é encontrada aplicando-se A=0,143. As vendas para o primeiro item deveriam ser a fração das vendas totais do armazém representada pelo primeiro item, ou seja, (0,4442 x R$25.000)= R$11.105. O procedimento é repetido para cada item da lista. A projeção de vendas de itens é a diferença entre as vendas cumulativas dos sucessivos itens. ( )1 A XY A X + ⋅ = + ( )1 0,143 (0,0909)Y 0,4442 (0,143 0,0909) + = = + 64 CAPÍTULO 6 • MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO O valor médio do estoque é então encontrado dividindo-se as vendas projetadas de itens pelo seu índice projetado de giro. A soma dos valores do estoque do item dá R$4.401, o que representa o investimento esperado no estoque do armazém. Lotes econômicos Observada a necessidade de se manterem estoques, conhecida a influência que exercem sobre os custos e, portanto, a rentabilidade da empresa, resta, portanto, fornecer os métodos empregados para calcular os volumes que a empresa manterá de cada item. Dividir os estoques, segundo a natureza da demanda, é a primeira medida que se torna necessária. Uma classificação adequada da demanda é a seguinte: » a demanda permanente refere-se a produtos com ciclo de vida longo e que não possuem grandes picos ou vales de consumo ao longo de um ano. O ressuprimento dos estoques é contínuo ou periódico; » a demanda sazonal inclui tanto produtos com ciclo de demanda anual, associados a picos e vales acentuados ao longo desse intervalo, quanto produtos de moda com ciclo de vida muito reduzido; » a demanda irregular corresponde a produtos com comportamento tão irregular, que a previsão de vendas é muito difícil; » a demanda em declínio é representada por itens cuja demanda acaba, tendo em vista que são substituídos por outros. Geralmente, o declínio é gradual, permitindo a redução dos estoques no mesmo ritmo; » a demanda derivada é resultante da demanda por outro produto, ao qual o produto em questão está associado, tais como embalagens e matérias-primas. Os lotes econômicos são justamente aqueles que permitem o equilíbrio dos custos de manutenção de estoques, aquisição e faltas, associados a um nível de serviço adequado, em função do comportamento conflitante deles. A figura seguinte revela o comportamento dos custos, correspondentes aos itens que compõem os custos dos estoques. O controle do nível de estoque de forma eficaz, naturalmente, está associado à previsão da demanda quanto à época em que se realizará, como também em relação à quantidade. A projeção de vendas passadas, com o emprego de técnicas matemáticas e estatísticas, fazendo as correções quanto a evolução do mercado internacional, é a técnica de previsão mais comum em grandes empresas. No mercado, há softwares prontos para calcular os níveis de estoque previstos. O prazo considerado na previsão depende fundamentalmente do tempo de ressuprimento. Em princípio, transportadores que 65 MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO • CAPÍTULO 6 oferecem um tempo de ressuprimento menor e, principalmente, mais confiável devem ter a preferência de compradores e fornecedores. Um dos métodos mais comuns para estimar o lote econômico, quando não há variações significativas na demanda ao longo do ano e não há descontos por quantidade, pode ser expresso pela fórmulas. Os custos de manutenção dos estoques Just-in-time A ideia associada ao just-in-time é minimizar a necessidade de armazenagem e manutenção de estoques ao ajustar o suprimento e a demanda no tempo e na quantidade, de modo que produtos ou matérias-primas estejam disponíveis nos montantes requeridos, no momento justo. Esse método foi iniciado pela Toyota no Japão na década de 50. O conceito de just-in-time é praticado juntamente com o Kanban, que consiste em tabuletas utilizadas durante o processo de produção e que informa aos postos de trabalho mais próximos as necessidades adicionais de partes e componentes. Mudanças na demanda podem ser ajustadas rapidamente. O método supõe que as partes sejam fornecidas imediatamente, à medida que forem utilizadas. As quantidades produzidas e todo o processo de requisição de matéria-prima são realizados em pequenas quantidades para atender à demanda. Em função da minimização das quantidades armazenadas, os custos de estocagem são rebaixados, reduzindo-se, consequentemente, os custos de produção. Não se pode, no entanto, pensar em prazos de curta duração para reposição dos estoques na importação. A utilização de regimes aduaneiros especiais de armazenagem na importação permite abreviar sensivelmente o período para que o dono da carga tenha acesso a ela, pois, segundo esse regime aduaneiro, a carga, embora já esteja em território nacional, ainda não está disponível para o usuário enquanto não for nacionalizada, ou seja, liberada pela Alfândega. Esse processo, no entanto, não pode ser considerado just-in-time conforme o exemplo da Toyota, porque apenas foi transferido o local de armazenagem das imediações do fornecedor no exterior para junto do consignatário. Resumo Neste capítulo, aprendemos os principais instrumentos da gestão de estoque no varejo, as ferramentas de gestão de estoque: a curva ABC que permite a classificação dos itens de materiais em estoque de forma a identificar os materiais que têm mais saída ou que são mais consumidos por meio de outros critérios de volume ou de consumo. 66 Referências AMATO NETO, J. Global sourcing e padrões de fornecimento no complexo automobilístico brasileiro. In: ANAIS DO 16º ENEGEP, Piracicaba, Outubro, 1996. BALLOU, R. Business logistics - importance and some research opportunities. Revista Gestão & Produção, v. 4, nº 2, 2016. BARROS, L. A. Global View of Industrial Logistics. Gestão & Produção, v. 4, nº 2, ago./1997. BIDAULT, F.; BUTLER, C. Buyer-Supplier Cooperation for Effective Innovation, M2000 Executive Report, Number 17, Sep./1995. BOWERSOX, D.; CLOSS, D. Logistical management: the integrated supply chain process. New York: McGraw-Hill, 2015. CHRISTOPHER, M. 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Introdução FUNDAMENTOS DE GESTAÇÃO DE ESTOQUES MATERIAIS NA CADEIA DE LOGÍSTICA MÉTODO DE CONTROLE DE ESTOQUE PERIÓDICO DE METERIAIS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES: PEPS, UEPS E CUSTO MÉDIO MÉTODO DE AVALIAÇÃO DO ESTOQUE UNIFORMEMENTE E AO VALOR DO CUSTO DA MERCADORIA SISTEMA DE CONTROLE DE ESTOQUE DE MATERIAL COM PONTO DE REPOSIÇÃO E LOTE ECONÔMICO DE COMPRA MÉTODO ABC DE ALOCAÇÃO DE MATERIAIS EM ESTOQUE NO VAREJO Referências