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<p>ESPORTES DE COMBATE</p><p>Professor Dr. Samuel Rodrigues Lourenço de Morais</p><p>Reitor</p><p>Márcio Mesquita Serva</p><p>Vice-reitora</p><p>Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva</p><p>Pró-Reitor Acadêmico</p><p>Prof. José Roberto Marques de Castro</p><p>Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação</p><p>Comunitária</p><p>Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva</p><p>Pró-reitor Administrativo</p><p>Marco Antonio Teixeira</p><p>Direção do Núcleo de Educação a Distância</p><p>Paulo Pardo</p><p>Coordenação Pedagógica do Curso</p><p>Fabiana Arf</p><p>Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico</p><p>B42 Design</p><p>*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos</p><p>que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos.</p><p>Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A</p><p>violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código</p><p>Penal.</p><p>Universidade de Marília</p><p>Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001</p><p>CEP 17.525–902- Marília-SP</p><p>Imagens, ícones e capa: ©freepik, ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia</p><p>BOAS-VINDAS</p><p>Ao iniciar a leitura deste material, que é parte do apoio pedagógico dos</p><p>nossos queridos discentes, convido o leitor a conhecer a UNIMAR –</p><p>Universidade de Marília.</p><p>Na UNIMAR, a educação sempre foi sinônimo de transformação, e não</p><p>conseguimos enxergar um melhor caminho senão por meio de um ensino</p><p>superior bem feito.</p><p>A história da UNIMAR, iniciada há mais de 60 anos, foi construída com base</p><p>na excelência do ensino superior para transformar vidas, com a missão</p><p>de formar profissionais éticos e competentes, inseridos na comunidade,</p><p>capazes de constituir o conhecimento e promover a cultura e o intercâmbio,</p><p>a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização</p><p>e da solidariedade humanas.</p><p>A história da UNIMAR é bela e de sucesso, e já projeta para o futuro novos</p><p>sonhos, conquistas e desafios.</p><p>A beleza e o sucesso, porém, não vêm somente do seu campus de mais de</p><p>350 alqueires e de suas construções funcionais e conectadas; vêm também</p><p>do seu corpo docente altamente qualificado e dos seus egressos: mais</p><p>de 100 mil pessoas, espalhados por todo o Brasil e o mundo, que tiveram</p><p>suas vidas impactadas e transformadas pelo ensino superior da UNIMAR.</p><p>Assim, é com orgulho que apresentamos a Educação a Distância da UNIMAR</p><p>com o mesmo propósito: promover transformação de forma democrática</p><p>e acessível em todos os cantos do nosso país. Se há alguma expectativa</p><p>de progresso e mudança de realidade do nosso povo, essa expectativa</p><p>está ligada de forma indissociável à educação.</p><p>Nós nos comprometemos com essa educação transformadora,</p><p>investimos nela, trabalhamos noite e dia para que ela seja</p><p>ofertada e esteja acessível a todos.</p><p>Muito obrigado por confiar uma parte importante do seu</p><p>futuro a nós, à UNIMAR e, tenha a certeza de que seremos</p><p>parceiros neste momento e não mediremos esforços para</p><p>o seu sucesso!</p><p>Não vamos parar, vamos continuar com investimentos</p><p>importantes na educação superior, sonhando sempre. Afinal,</p><p>não é possível nunca parar de sonhar!</p><p>Bons estudos!</p><p>Dr. Márcio Mesquita Serva</p><p>Reitor da UNIMAR</p><p>Que alegria poder fazer parte deste momento tão especial da sua vida!</p><p>Sempre trabalhei com jovens e sei o quanto estar matriculado</p><p>em um curso de ensino superior em uma Universidade de</p><p>excelência deve ser valorizado. Por isso, aproveite cada</p><p>minuto do seu tempo aqui na UNIMAR, vivenciando o ensino,</p><p>a pesquisa e a extensão universitária.</p><p>Fique atento aos comunicados institucionais, aproveite as</p><p>oportunidades, faça amizades e viva as experiências que</p><p>somente um ensino superior consegue proporcionar.</p><p>Acompanhe a UNIMAR pelas redes sociais, visite a sede</p><p>do campus universitário localizado na cidade de Marília,</p><p>navegue pelo nosso site unimar.br, comente no nosso blog</p><p>e compartilhe suas experiências. Viva a UNIMAR!</p><p>Muito obrigada por escolher esta Universidade para a</p><p>realização do seu sonho profissional. Seguiremos,</p><p>juntos, com nossa missão e com nossos valores,</p><p>sempre com muita dedicação.</p><p>Bem-vindo(a) à Família UNIMAR.</p><p>Educar para transformar: esse é o foco da Universidade de Marília no seu</p><p>projeto de Educação a Distância. Como dizia um grande educador, são as</p><p>pessoas que transformam o mundo, e elas só o transformam</p><p>se estiverem capacitadas para isso.</p><p>Esse é o nosso propósito: contribuir para sua transformação</p><p>pessoal, oferecendo um ensino de qualidade, interativo,</p><p>inovador, e buscando nos superar a cada dia para que você</p><p>tenha a melhor experiência educacional. E, mais do que isso,</p><p>que você possa desenvolver as competências e habilidades</p><p>necessárias não somente para o seu futuro, mas para o seu</p><p>presente, neste momento mágico em que vivemos.</p><p>A UNIMAR será sua parceira em todos os momentos de</p><p>sua educação superior. Conte conosco! Estamos aqui para</p><p>apoiá-lo! Sabemos que você é o principal responsável pelo</p><p>seu crescimento pessoal e profissional, mas agora você</p><p>tem a gente para seguir junto com você.</p><p>Sucesso sempre!</p><p>Profa. Fernanda</p><p>Mesquita Serva</p><p>Pró-reitora de Pesquisa,</p><p>Pós-graduação e Ação</p><p>Comunitária da UNIMAR</p><p>Prof. Me. Paulo Pardo</p><p>Coordenador do Núcleo</p><p>EAD da UNIMAR</p><p>007 Aula 01:</p><p>015 Aula 02:</p><p>023 Aula 03:</p><p>030 Aula 04:</p><p>035 Aula 05:</p><p>043 Aula 06:</p><p>056 Aula 07:</p><p>064 Aula 08:</p><p>075 Aula 09:</p><p>086 Aula 10:</p><p>095 Aula 11:</p><p>106 Aula 12:</p><p>120 Aula 13:</p><p>129 Aula 14:</p><p>137 Aula 15:</p><p>144 Aula 16:</p><p>Princípios Históricos dos Esportes de Combate</p><p>Aspectos Históricos dos Esportes de Combate</p><p>Características das Modalidades Esportivas de Combate</p><p>Aspectos Pedagógicos das Lutas</p><p>Origens do Judô e sua Influência Social</p><p>Processos de Ensino e Aprendizagem do Judô</p><p>Origem e Aspectos Socioculturais da Capoeira</p><p>Fundamentos Teórico-Práticos no Ensino da Capoeira</p><p>Origens Históricas do Jiu-jitsu</p><p>Fundamentos Teórico-práticos no Ensino do Jiu-Jitsu</p><p>Origens Históricas do Pugilismo</p><p>Fundamentos Teórico-práticos no Ensino do Boxe</p><p>Aplicações Práticas de Ações de Curta Distância</p><p>Aplicações Práticas de Ações de Média Distância</p><p>Aplicações Práticas de Ações de Longa Distância</p><p>Planos de Ação no Processo de Ensino de Lutas nas</p><p>Escolas</p><p>Introdução</p><p>A origem dos Esportes de Combate, também referenciado popularmente como</p><p>Lutas, possui íntima relação com a história da humanidade, diretamente</p><p>correlacionada com características religiosas, as quais foram se modi�cando</p><p>com a evolução temporal. Isso ocorre devido à grande diversidade em relação</p><p>às origens, objetivos e expressão corporal. Além disso, a evolução dos esportes</p><p>de combate acompanha os estudos antropológicos da humanidade.</p><p>Nesse sentido, sabe-se que desde o início da humanidade (pré-história) os</p><p>esportes de combate eram comumente utilizados para expressar diversas</p><p>características humanas e suas manifestações na realização das atividades de</p><p>vida diária. Historiadores acreditam que as Lutas surgiram com o objetivo de</p><p>sobrevivência/defesa (caçar, espaço territorial), questões militares e,</p><p>atualmente, são utilizadas para obtenção de saúde, métodos de treinamento</p><p>para alto rendimento, proteção, educação e entretenimento.</p><p>A prática de esportes de combate apresenta características muito interessantes</p><p>em relação ao processo de ensino e aprendizagem durante os vários estágios</p><p>de desenvolvimento de crianças, adolescentes e adultos, sendo recomendável</p><p>com o intuito de promover melhorias cognitivas, físicas e pela grande in�uência</p><p>na formação do caráter de futuros adultos.</p><p>Nesse sentido, a disciplina será desenvolvida com a abordagem de aspectos</p><p>que caracterizam as Lutas, as artes marciais e as modalidades esportivas de</p><p>combate, assim como a esportivização que in�uenciou a aderência das Lutas</p><p>em seus amplos aspectos no cotidiano contemporâneo. Em relação ao</p><p>processo de ensino e aprendizagem, a apresentação dos conteúdos será</p><p>oferecida com o objetivo de aplicabilidade na área da Educação Física escolar e,</p><p>também, aspectos táticos e técnicos de caráter do desporto.</p><p>Bons estudos!</p><p>6</p><p>seu reconhecimento e popularidade, a capoeira enfrenta desa�os,</p><p>como a comercialização e a perda de suas raízes culturais. Segundo Santos</p><p>(2015), é essencial preservar os aspectos tradicionais e culturais da capoeira,</p><p>garantindo que ela continue a ser uma expressão autêntica da cultura afro-</p><p>brasileira.</p><p>A Importância Cultural e Social</p><p>da Capoeira no Brasil</p><p>A capoeira é uma manifestação cultural singular que combina elementos de</p><p>luta, dança, música e jogo, e desempenha um papel crucial na identidade</p><p>cultural e social do Brasil. Originada durante o período colonial, a capoeira é um</p><p>símbolo de resistência e resiliência dos africanos escravizados e seus</p><p>descendentes. Este breve texto explora a importância cultural e social da</p><p>capoeira no Brasil.</p><p>Símbolo de Resistência e Identidade</p><p>A capoeira surgiu como uma forma de resistência dos africanos escravizados</p><p>contra a opressão dos senhores de engenho. Segundo Soares (2001), a prática</p><p>da capoeira nas senzalas e quilombos permitia que os escravizados</p><p>desenvolvessem técnicas de luta disfarçadas de dança, facilitando a resistência</p><p>física e cultural. A capoeira ajudou a preservar a identidade cultural dos</p><p>africanos e seus descendentes, funcionando como um espaço de resistência e</p><p>a�rmação cultural.</p><p>60</p><p>Expressão Cultural Afro-Brasileira</p><p>A capoeira é uma expressão rica da cultura afro-brasileira, incorporando</p><p>elementos das tradições africanas, como ritmos, músicas e movimentos. De</p><p>acordo com Assunção (2005), os instrumentos musicais, como o berimbau, o</p><p>atabaque e o pandeiro, e as canções em português e línguas africanas, são</p><p>carregados de signi�cados históricos e culturais, transmitindo histórias de luta</p><p>e resistência.</p><p>Ferramenta de Inclusão Social</p><p>A capoeira desempenha um papel importante na inclusão social,</p><p>especialmente em comunidades marginalizadas. Segundo Nascimento (2010),</p><p>a prática da capoeira pode fortalecer os laços comunitários, promover a</p><p>autoestima e oferecer oportunidades de desenvolvimento pessoal e social para</p><p>jovens em situação de vulnerabilidade. Projetos sociais e escolas de capoeira</p><p>em todo o Brasil utilizam a capoeira como uma ferramenta para a inclusão e a</p><p>transformação social.</p><p>Educação e Desenvol�mento Integral</p><p>A capoeira tem sido utilizada como uma ferramenta educacional em diversos</p><p>contextos. Segundo Vieira e Assunção (2013), a prática da capoeira em escolas e</p><p>projetos sociais pode promover o desenvolvimento físico, cognitivo e</p><p>socioemocional dos praticantes, além de contribuir para a valorização da</p><p>cultura afro-brasileira. A capoeira ensina disciplina, respeito e cooperação,</p><p>valores essenciais para o desenvolvimento integral dos indivíduos.</p><p>Reconhecimento Internacional</p><p>A capoeira transcendeu as fronteiras brasileiras e se espalhou pelo mundo,</p><p>sendo praticada em diversos países. Em 2014, a capoeira foi reconhecida como</p><p>Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, destacando sua</p><p>importância cultural e social. Segundo Capoeira (2002), a globalização da</p><p>capoeira tem contribuído para a difusão da cultura brasileira e para o</p><p>reconhecimento da capoeira como uma expressão cultural única e valiosa.</p><p>61</p><p>A capoeira é uma manifestação cultural rica e complexa, que combina</p><p>elementos de luta, dança, música e jogo. Sua origem está profundamente</p><p>enraizada na história de resistência dos africanos escravizados no Brasil, e seus</p><p>aspectos socioculturais re�etem a luta pela liberdade, a preservação da</p><p>identidade cultural e a promoção da inclusão social. A capoeira continua a</p><p>evoluir e a se adaptar, mantendo-se como um símbolo poderoso da cultura</p><p>afro-brasileira.</p><p>CONECTE-SE</p><p>A capoeira é uma arte marcial originada no século XVII. Embora</p><p>tenha surgido na África, o jogo foi trazido para o Brasil por escravos e</p><p>recebeu o nome em terras tupiniquins. Ao contrário das outras lutas,</p><p>ela é considerada uma expressão cultural. Leia mais:</p><p>62</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1o</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1o</p><p>A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que combina luta, dança,</p><p>música e jogo, originada no período colonial como forma de resistência dos</p><p>escravizados africanos. Praticada nas senzalas e quilombos, a capoeira</p><p>disfarçava técnicas de luta em dança para enganar os capatazes. In�uenciada</p><p>por culturas africanas, especialmente bantu e iorubá, seus movimentos, ritmos</p><p>e instrumentos musicais têm raízes nas tradições africanas adaptadas ao</p><p>contexto brasileiro.</p><p>Além de ser um símbolo de resistência e identidade cultural, a capoeira</p><p>promove inclusão social e educação. Utilizada em escolas e projetos sociais,</p><p>contribui para o desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional dos</p><p>praticantes, valorizando a cultura afro-brasileira. Globalmente difundida, a</p><p>capoeira é reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade,</p><p>pela UNESCO, desde 2014, destacando sua importância cultural e social.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A capoeira, surgida no Brasil colonial, é uma expressão cultural afro-</p><p>brasileira que combina luta, dança e música. Criada por escravos</p><p>africanos, serviu como forma de resistência e preservação cultural.</p><p>Proibida por muito tempo, foi marginalizada até ser reconhecida</p><p>como patrimônio cultural. Hoje, a capoeira é praticada globalmente,</p><p>promovendo inclusão social e valorização da cultura afro-brasileira.</p><p>63</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1n</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1n</p><p>08</p><p>Fundamentos</p><p>Teórico-Práticos no</p><p>Ensino da Capoeira</p><p>Nesta aula, falaremos sobre como podemos ensinar a capoeira nas escolas e,</p><p>como podemos transmitir seus valores e costumes para melhorar a formação</p><p>de nossas crianças e adolescentes.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11</p><p>Introduzir os alunos aos fundamentos teóricos da</p><p>capoeira, incluindo sua história, terminologia e �loso�a,</p><p>para proporcionar uma base sólida de conhecimento.</p><p>22</p><p>Explicar os movimentos básicos da capoeira, como ginga,</p><p>esquivas e golpes, enfatizando a correta execução técnica</p><p>e a coordenação motora.</p><p>33 Avaliar o Impacto Social da capoeira como forma de</p><p>ensino e expressão cultural.</p><p>Fundamentos Teórico-Práticos</p><p>no Ensino da Capoeira</p><p>A capoeira é uma manifestação cultural complexa que combina elementos de</p><p>luta, dança, música e jogo. Seu ensino envolve uma abordagem multifacetada</p><p>que abrange tanto os fundamentos teóricos quanto as práticas especí�cas. Este</p><p>conteúdo explora os fundamentos teórico-práticos no ensino da capoeira,</p><p>destacando a importância de uma abordagem integrada para a formação de</p><p>capoeiristas.</p><p>65</p><p>História e Origem</p><p>A compreensão da história e da origem da capoeira é fundamental para</p><p>qualquer praticante. Segundo Soares (2001), a capoeira surgiu no Brasil durante</p><p>o período colonial como uma forma de resistência dos africanos escravizados.</p><p>Conhecer essa história ajuda os alunos a valorizar a capoeira não apenas como</p><p>uma prática física, mas também como uma expressão cultural e histórica de</p><p>resistência e identidade.</p><p>Filoso�a e Valores</p><p>A capoeira é mais do que uma atividade física; ela incorpora uma �loso�a de</p><p>vida e valores, como respeito, disciplina, cooperação e resiliência. De acordo</p><p>com Assunção (2005), esses valores são transmitidos através das tradições e</p><p>rituais da capoeira, como a roda e os cânticos. Ensinar esses valores é essencial</p><p>para formar capoeiristas que compreendam e respeitem a profundidade</p><p>cultural da prática.</p><p>Musicalidade e Ritmo</p><p>A música é um componente central da capoeira, e a compreensão dos ritmos e</p><p>instrumentos é crucial para qualquer praticante. Segundo Lewis (1992), o</p><p>berimbau, o atabaque e o pandeiro são instrumentos fundamentais que ditam</p><p>o ritmo e a cadência dos movimentos. A teoria musical, incluindo a</p><p>compreensão dos diferentes toques e cânticos, é uma parte essencial do ensino</p><p>da capoeira.</p><p>Fundamentos Práticos</p><p>Mo�mentos Básicos</p><p>O ensino dos movimentos básicos é o ponto de partida para qualquer</p><p>capoeirista. Movimentos, como a ginga, a base fundamental da capoeira, e</p><p>golpes como a meia-lua de frente e a rasteira são essenciais. Segundo Capoeira</p><p>66</p><p>(2002), a prática repetitiva desses movimentos</p><p>ajuda a desenvolver a</p><p>coordenação motora, a agilidade e a força.</p><p>Sequências e Combinações</p><p>Após dominar os movimentos básicos, os alunos devem aprender a combinar</p><p>esses movimentos em sequências �uidas. As sequências ajudam a desenvolver</p><p>a capacidade de improvisação e a adaptabilidade, habilidades cruciais na</p><p>capoeira. De acordo com Nascimento (2010), a prática de sequências e</p><p>combinações também melhora a memória motora e a capacidade de resposta</p><p>rápida.</p><p>Jogo de Capoeira</p><p>O jogo de capoeira, realizado na roda, é onde os praticantes aplicam suas</p><p>habilidades em um contexto real. A roda é um espaço de interação e troca, na</p><p>qual os capoeiristas testam suas habilidades e aprendem uns com os outros.</p><p>Segundo Vieira e Assunção (2013), a roda é um ambiente de aprendizagem</p><p>dinâmica, quando a teoria e a prática se encontram.</p><p>Musicalidade Prática</p><p>A prática musical é tão importante quanto a prática dos movimentos. Os alunos</p><p>devem aprender a tocar os instrumentos tradicionais e a cantar os cânticos da</p><p>capoeira. Segundo Santos (2015), a prática musical ajuda a desenvolver o senso</p><p>de ritmo e a coordenação, além de promover a integração social e cultural entre</p><p>os praticantes.</p><p>Metodologias de Ensino</p><p>Abordagem Progressiva</p><p>O ensino progressivo, que envolve a introdução gradual dos movimentos e</p><p>conceitos, é fundamental para garantir a segurança e a e�cácia do aprendizado.</p><p>Segundo Nascimento (2011), essa metodologia permite que os alunos</p><p>67</p><p>desenvolvam suas habilidades de forma segura e estruturada, respeitando seus</p><p>limites individuais.</p><p>Abordagem Lúdica</p><p>A utilização de jogos e brincadeiras pode tornar o ensino da capoeira mais</p><p>atrativo e e�caz. Freire (2006) sugere que atividades lúdicas que envolvem</p><p>movimentos de capoeira podem facilitar a aprendizagem e a internalização das</p><p>habilidades motoras, além de promover um ambiente de ensino mais dinâmico</p><p>e inclusivo.</p><p>Integração Teórico-Prática</p><p>A integração dos fundamentos teóricos e práticos é essencial para uma</p><p>formação completa. Segundo Vieira e Assunção (2013), a teoria fornece o</p><p>contexto e a compreensão necessários para a prática, enquanto a prática</p><p>permite a aplicação e a internalização dos conceitos teóricos. Essa abordagem</p><p>integrada garante que os alunos desenvolvam uma compreensão profunda e</p><p>holística da capoeira.</p><p>Cinco Golpes Mais Comuns da</p><p>Capoeira e como Executá-los</p><p>A capoeira é rica em movimentos que combinam agilidade, força e técnica. A</p><p>seguir, apresentamos cinco dos golpes mais comuns na capoeira, juntamente</p><p>com uma descrição detalhada de como executá-los.</p><p>68</p><p>11</p><p>Ginga</p><p>Descrição: A ginga é o movimento básico e fundamental</p><p>da capoeira, servindo como base para a maioria dos outros</p><p>golpes. É um movimento contínuo e rítmico que mantém</p><p>o capoeirista em constante movimento, di�cultando a</p><p>previsão de seus próximos passos pelo adversário.</p><p>Como Fazer</p><p>�. Comece em uma posição de base, com os pés</p><p>afastados na largura dos ombros e os joelhos</p><p>levemente �exionados.</p><p>�. Desloque o pé direito para trás, mantendo o peso do</p><p>corpo distribuído entre as duas pernas.</p><p>�. Simultaneamente, mova o braço esquerdo para</p><p>frente, protegendo o rosto, enquanto o braço direito</p><p>�ca ao lado do corpo.</p><p>�. Retorne à posição inicial e repita o movimento para o</p><p>outro lado, deslocando o pé esquerdo para trás e</p><p>movendo o braço direito para frente.</p><p>�. Continue alternando os lados em um movimento</p><p>�uido e rítmico.</p><p>69</p><p>22</p><p>Meia-lua de Frente</p><p>Descrição: A meia-lua de frente é um chute circular que</p><p>visa atingir o adversário com a parte interna do pé. É um</p><p>golpe rápido e e�caz, utilizado tanto para ataque quanto</p><p>para defesa.</p><p>Como Fazer</p><p>�. Comece a gingar, com o pé direito à frente.</p><p>�. Desloque o peso do corpo para a perna esquerda e</p><p>levante a perna direita, mantendo o joelho �exionado.</p><p>�. Estenda a perna direita em um movimento circular,</p><p>descrevendo um arco de fora para dentro.</p><p>�. Atinja o alvo com a parte interna do pé, mantendo o</p><p>movimento �uido e controlado.</p><p>�. Retorne à posição inicial e continue a gingar.</p><p>33</p><p>Armada</p><p>Descrição: A armada é um chute giratório que utiliza a</p><p>força centrífuga para aumentar o impacto. É um golpe</p><p>poderoso e visualmente impressionante.</p><p>Como Fazer:</p><p>�. Comece a gingar, com o pé direito à frente.</p><p>�. Desloque o peso do corpo para a perna direita e gire</p><p>o tronco para a esquerda, levantando a perna</p><p>esquerda.</p><p>�. Continue o giro, estendendo a perna esquerda em</p><p>um movimento circular de dentro para fora.</p><p>�. Atinja o alvo com a parte externa do pé, mantendo o</p><p>movimento �uido e controlado.</p><p>�. Complete o giro e retorne à posição inicial,</p><p>continuando a gingar.</p><p>70</p><p>44</p><p>Rasteira</p><p>Descrição: A rasteira é um golpe de varredura que visa</p><p>derrubar o adversário ao atingir suas pernas. É um</p><p>movimento estratégico, utilizado para desestabilizar o</p><p>oponente.</p><p>Como Fazer</p><p>�. Comece a gingar, com o pé direito à frente.</p><p>�. Desloque o peso do corpo para a perna esquerda e</p><p>abaixe-se, apoiando a mão esquerda no chão para</p><p>equilíbrio.</p><p>�. Estenda a perna direita em um movimento de</p><p>varredura, descrevendo um arco baixo e atingindo as</p><p>pernas do adversário.</p><p>�. Mantenha o movimento �uido e controlado,</p><p>retornando à posição inicial após a execução.</p><p>�. Continue a gingar.</p><p>71</p><p>Esses cinco golpes são fundamentais na prática da capoeira e servem como</p><p>base para a execução de movimentos mais complexos. A prática constante e a</p><p>atenção aos detalhes técnicos são essenciais para a execução correta e e�caz</p><p>desses golpes. A capoeira, com sua combinação única de luta, dança e</p><p>acrobacia, oferece uma rica experiência de aprendizado e desenvolvimento</p><p>físico.</p><p>O ensino da capoeira envolve uma abordagem multifacetada que abrange</p><p>tanto os fundamentos teóricos quanto as práticas especí�cas. A compreensão</p><p>da história, �loso�a, musicalidade e valores da capoeira é tão importante</p><p>quanto a prática dos movimentos e do jogo. Uma abordagem integrada que</p><p>combina teoria e prática é essencial para formar capoeiristas completos e</p><p>conscientes da profundidade cultural e histórica dessa rica manifestação</p><p>cultural brasileira.</p><p>55</p><p>Au</p><p>Descrição: O au é uma acrobacia que se assemelha a uma</p><p>estrela (estrelinha) ou uma roda. É utilizado tanto para</p><p>deslocamento quanto para evasão, além de ser uma forma</p><p>de transição entre movimentos.</p><p>Como Fazer</p><p>�. Comece a gingar, com o pé direito à frente.</p><p>�. Desloque o peso do corpo para a perna esquerda e</p><p>abaixe-se, colocando a mão direita no chão.</p><p>�. Levante a perna direita e, em seguida, a perna</p><p>esquerda, passando ambas por cima da cabeça em</p><p>um movimento de arco.</p><p>�. Coloque a mão esquerda no chão para suporte e</p><p>complete o movimento, aterrissando com a perna</p><p>direita seguida da perna esquerda.</p><p>�. Retorne à posição inicial e continue a gingar.</p><p>72</p><p>CONECTE-SE</p><p>Leia uma pesquisa divulgada pela Universidade do Leste de Londres</p><p>que mostra que a capoeira – arte afro-brasileira que recebeu, no ano</p><p>passado, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade – tem</p><p>impacto positivo sobre o estado físico e emocional de crianças e</p><p>jovens refugiados.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Os escravos que vieram de diversas regiões da África, trazidos dentro</p><p>dos porões dos navios negreiros para o Brasil na época da colônia,</p><p>chegaram no país e foram para diversas regiões a trabalho nas</p><p>fazendas de cana-de-açúcar, café, algodão e outras áreas da</p><p>agricultura presentes no país naquela época.</p><p>73</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1q</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1q</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1p</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1p</p><p>A capoeira é uma manifestação cultural complexa que combina luta, dança,</p><p>música e jogo, exigindo uma abordagem multifacetada no ensino. A</p><p>compreensão da história e origem da capoeira, surgida como resistência dos</p><p>africanos escravizados no Brasil colonial, é fundamental para valorizar sua</p><p>dimensão cultural e histórica. Além disso, a capoeira incorpora uma �loso�a de</p><p>vida e valores, como respeito, disciplina e cooperação, transmitidos através de</p><p>tradições e rituais como a roda e os cânticos. A musicalidade, com</p><p>instrumentos, como berimbau, atabaque e</p><p>pandeiro, é central, ditando o ritmo</p><p>e a cadência dos movimentos.</p><p>No aspecto prático, o ensino começa com movimentos básicos, como a ginga,</p><p>evoluindo para sequências e combinações que desenvolvem a improvisação e</p><p>adaptabilidade. O jogo de capoeira na roda permite a aplicação das habilidades</p><p>em um contexto real, promovendo interação e aprendizado dinâmico. A prática</p><p>musical é igualmente importante, desenvolvendo ritmo e coordenação.</p><p>Metodologias de ensino incluem abordagens progressivas e lúdicas, garantindo</p><p>segurança e e�cácia no aprendizado. A integração teórico-prática é essencial</p><p>para uma formação completa, proporcionando uma compreensão profunda e</p><p>holística da capoeira.</p><p>74</p><p>09</p><p>Origens Históricas</p><p>do Jiu-jitsu</p><p>O Jiu-jitsu é uma arte marcial oriental com uma longa tradição, cujos</p><p>primórdios remontam a aproximadamente 5 mil anos antes da Era Cristã. Sua</p><p>prática iniciou-se com os monges tibetanos, com o objetivo de defesa contra</p><p>constantes ondas de violência durante seus deslocamentos. Portanto, nesta</p><p>aula, abordaremos os aspectos históricos dessa arte milenar, para melhor</p><p>compreender como aplicá-la no processo de ensino e aprendizagem.</p><p>Assim, nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Investigar as origens do Jiu-jitsu.</p><p>22 Avaliar como o Jiu-jitsu se propagou pelo Brasil.</p><p>33 Identi�car os pilares de ensino do Jiu-jitsu.</p><p>Origem e Evolução Histórica do</p><p>Jiu-jitsu</p><p>A origem do jiu-jítsu é vasta e repleta de achados históricos, remontando a</p><p>períodos muito antigos (5 mil a.C.). Um exemplo é a existência de uma</p><p>escultura encontrada na Babilônia, datada do terceiro milênio antes da Era</p><p>76</p><p>Cristã, que representa dois homens em um combate muito semelhante ao jiu-</p><p>jítsu contemporâneo (Da Costa, 2006; Maciel, 2019).</p><p>Acredita-se que o jiu-jítsu tenha sido praticado na região asiática, como Índia,</p><p>Tibete e Ceilão, e posteriormente chegado ao Japão, onde foi amplamente</p><p>praticado e desenvolvido pelos samurais durante o período feudal japonês. A</p><p>prática foi determinada como obrigatória para a formação de futuros samurais</p><p>(Ru�no e Darido, 2009 apud Maciel, 2019).</p><p>As técnicas do jiu-jítsu continuaram a ser aprimoradas mesmo após o período</p><p>feudal no Japão. Um jovem chamado Jigoro Kano, praticante de jiu-jítsu,</p><p>baseou-se nos preceitos desta arte para criar outra arte marcial, o judô. Mestre</p><p>Kano aperfeiçoou a técnica e removeu os golpes que considerou mais</p><p>perigosos (Da Costa, 2006).</p><p>Essa determinação pode ter in�uenciado de maneira</p><p>signi�cativa as transformações no jiu-jítsu, pois a prática</p><p>adquiriu um caráter bélico em resposta aos avanços dos</p><p>samurais, incluindo técnicas como mordidas, uso de</p><p>armas e golpes nos olhos dos oponentes (Maciel, 2019).</p><p>O Jiu-jitsu no Brasil</p><p>Em relação ao jiu-jitsu no Brasil, de acordo com registros históricos, a técnica</p><p>chegou ao país por volta do início do século XX, trazida por imigrantes lutadores</p><p>japoneses. Muitos autores consideram Konde Koma como o pioneiro do jiu-</p><p>jitsu. No entanto, dois lutadores japoneses chegaram ao Brasil antes de Koma:</p><p>Sada Miyako e M. Kakiora, em 1908 (Lise e Capraro, 2018).</p><p>77</p><p>Sada Miyako e seu conterrâneo chegaram ao Brasil a bordo do navio da</p><p>marinha brasileira Benjamin Constant, realizando lutas demonstrativas para</p><p>provar a e�ciência do jiu-jitsu. Acredita-se que Sada Miyako foi o primeiro</p><p>representante da Kodokan no Brasil, desembarcando no país seis anos antes de</p><p>Konde Koma. Sada Miyako foi contratado pela marinha brasileira para ensinar</p><p>jiu-jitsu aos o�ciais de elite da marinha do Brasil (Cairus, 2011, apud Lise e</p><p>Capraro, 2018).</p><p>Sada Miyako realizou demonstrações das técnicas de jiu-jitsu em lutas</p><p>importantes contra lutadores de outras modalidades de combate (Lise e</p><p>Capraro, 2018). Além de ensinar os o�ciais da marinha brasileira, Miyako tinha</p><p>como objetivo divulgar o jiu-jitsu e sua e�cácia por meio de lutas</p><p>demonstrativas, amplamente publicadas nos jornais mais respeitados da</p><p>Konde Koma (Mitsuyo Maeda)</p><p>Fonte: wikipédia.</p><p>78</p><p>época. Em vários embates, o japonês saiu vitorioso. Contudo, em 1909, foi</p><p>derrotado pelo capoeirista Cyríaco da Silva, fato registrado amplamente pelos</p><p>jornais da época.</p><p>Em 1917, Konde Koma mudou-se para o estado do Pará e, durante esse período,</p><p>conheceu Gastão Gracie, importante empresário da região. Gastão, �lho de</p><p>imigrantes escoceses, ajudou Konde Koma a criar a colônia japonesa no Pará,</p><p>por meio de doações de terras e gado, o que resultou na amizade entre ambos.</p><p>Koma, em resposta à grande ajuda oferecida por Gastão, ensinou as técnicas de</p><p>jiu-jitsu aos �lhos de Gastão: Carlos, Oswaldo, Gastão Filho, Jorge e Hélio Gracie</p><p>(Da Costa, 2006; Maciel, 2019).</p><p>A partir desse momento de ensino familiar, iniciou-se a história do Brazilian Jiu-</p><p>Jitsu. O �lho mais velho de Gastão, Carlos, demonstrou grande talento e</p><p>dedicação ao jiu-jitsu, e, após cerca de quatro anos de prática, já mostrava</p><p>grande domínio (Alonzo et al., 2008; Lise e Capraro, 2018). A família Gracie, após</p><p>sua mudança para o Rio de Janeiro, investiu arduamente no aperfeiçoamento</p><p>das técnicas e fundamentos do jiu-jitsu, que já não era o mesmo trazido do</p><p>Gastão Gracie</p><p>Fonte: acesse o link disponível aqui</p><p>79</p><p>https://leaodourado.com.br/historia-do-jiu-jitsu/</p><p>Japão no início do século XX. Assim, surgiu uma nova modalidade de arte</p><p>marcial, o Gracie Jiu-Jitsu ou Brazilian Jiu-Jitsu, hoje conhecida como uma das</p><p>artes marciais mais efetivas a nível mundial (Ru�no e Martins, 2011).</p><p>Por meio desses relatos, acredita-se que realmente Sada Miyako ministrava</p><p>aulas de jiu-jitsu para a marinha brasileira, além de realizar lutas demonstrativas</p><p>que apresentavam as técnicas do jiu-jitsu em teatros. Esses fatos contradizem a</p><p>atribuição de Konde Koma como precursor do jiu-jitsu no Brasil. No entanto, é</p><p>inegável que Konde Koma foi responsável pela disseminação da arte marcial no</p><p>país, junto com a hegemonia apresentada por seus discípulos da família Gracie</p><p>(Ru�no e Martins, 2011).</p><p>Desde então, Carlos e seus irmãos, especialmente Hélio Gracie, passaram a</p><p>dedicar-se integralmente ao estudo e aprimoramento dessa modalidade de</p><p>luta. Mesmo com a mudança da família para o Rio de Janeiro, continuaram a</p><p>investir nas técnicas e fundamentos do jiu-jitsu, que já não era mais o antigo</p><p>jiu-jitsu clássico japonês, dando origem a uma nova modalidade, denominada</p><p>Gracie Jiu-Jitsu ou Brazilian Jiu-Jitsu (Ru�no e Martins, 2011).</p><p>Inicialmente, os desa�os (lutas) realizados na época eram chamados de "vale</p><p>tudo", combates sem regras estabelecidas, sem limite de tempo e sem</p><p>interrupções, onde a luta terminava apenas quando um dos lutadores desistia.</p><p>Décadas depois, o "vale tudo" resultou na criação do Mixed Martial Arts (MMA),</p><p>amplamente difundido atualmente (Alonzo, 2008).</p><p>Em 1993, um membro da família Gracie, Rorion Gracie, criou um modelo de</p><p>torneio de lutas intitulado Ultimate Fighting Championship (UFC). O torneio</p><p>seria um "vale tudo" com o objetivo de provar a e�cácia do Brazilian Jiu-Jitsu.</p><p>Participavam lutadores de diversas modalidades de artes marciais, e Royce</p><p>Gracie (�lho de Hélio Gracie) sagrou-se campeão das duas primeiras edições do</p><p>UFC (Da Costa, 2006; Ru�no e Martins, 2011).</p><p>80</p><p>Os triunfos de Royce Gracie resultaram em grande visibilidade para o Brazilian</p><p>Jiu-Jitsu, consolidando a e�cácia da arte marcial como defesa pessoal em todo</p><p>o mundo. A partir de então, o jiu-jitsu criado pela família Gracie tornou-se</p><p>fundamental para a preparação de lutadores de diferentes modalidades</p><p>(Ru�no e Darido, 2009; Maciel, 2019).</p><p>Royce Gracie é anunciado vencedor em luta do UFC 1</p><p>Fonte: acesse o link disponível aqui</p><p>81</p><p>Atualmente, o jiu-jitsu brasileiro continua em ascensão por meio da realização</p><p>de diversos eventos a nível mundial, como o "World Professional Jiu-Jitsu Cup"</p><p>e o "Abu Dhabi Combat Club", patrocinados por xeiques árabes (Ru�no e</p><p>Martins, 2011). Em 2015, mais de 2.270 atletas (masculino e feminino)</p><p>participaram da vigésima edição do campeonato mundial de jiu-jitsu, realizado</p><p>na Califórnia (EUA) (Maciel,</p><p>2019).</p><p>Dessa maneira, o jiu-jitsu, criado pela família Gracie, representa grande</p><p>importância social, política e educacional em várias esferas sociais, incluindo o</p><p>âmbito escolar.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>Graças à grande e crescente visibilidade do UFC, a modalidade</p><p>ganhou enorme adesão e novos praticantes, resultando na</p><p>pro�ssionalização da arte marcial, que deixou de ser considerada</p><p>apenas uma luta, tornando-se um esporte de combate (Maciel, 2019).</p><p>Em resposta, Carlos Gracie fundou, em 1994, a Confederação</p><p>Brasileira de Jiu-Jitsu e a Federação Internacional de Jiu-Jitsu</p><p>Brasileiro. Em 1996, foi realizado o primeiro campeonato mundial de</p><p>jiu-jitsu, organizado pela Federação Internacional de Jiu-Jitsu (Da</p><p>Costa, 2006).</p><p>82</p><p>CONECTE-SE</p><p>A história da família Gracie é muito interessante e importante diante</p><p>a história dos esportes de combate no Brasil e no mundo. Para saber</p><p>mais sobre a história desta família, assista o seguinte documentário:</p><p>83</p><p>https://go.eadstock.com.br/g98</p><p>https://go.eadstock.com.br/g98</p><p>FICA A DICA</p><p>Para maiores informações sobre a bela e vitoriosa trajetória da família</p><p>Gracie e do Brazilian Jiu-jitsu, leia:</p><p>Assista a um vídeo sobre o livro:</p><p>Livro</p><p>Carlos Gracie - O criador de uma dinastia</p><p>Autora: Reila Gracie</p><p>Editora: Record</p><p>Ano: 2008</p><p>84</p><p>https://go.eadstock.com.br/g99</p><p>https://go.eadstock.com.br/g99</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Maeda (1914) teve como objetivo realizar uma turnê de apresentações</p><p>com outros lutadores. Mitsuyo Maeda (Konde Koma) era discípulo de</p><p>mestre Kano, e juntamente com seus amigos realizaram várias</p><p>apresentações (lutas) em cidades como Porto Alegre, São Paulo,</p><p>Salvador, Recife, Belém, São Luís e Manaus, resultando em muito</p><p>sucesso e popularidade (Lise e Capraro, 2018; Maciel, 2019).</p><p>85</p><p>10</p><p>Fundamentos</p><p>Teórico-práticos no</p><p>Ensino do Jiu-Jitsu</p><p>Alunos,</p><p>O Jiu-jitsu é uma arte marcial oriental com característica de combate, porém,</p><p>sabemos que sua prática e aplicabilidade podem e devem ser usadas para</p><p>promoção da saúde e autodefesa. Portanto, nesta aula, iremos abordar os</p><p>aspectos de ensino aprendizagem desta modalidade de combate.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Veri�car os processos de ensino do Jiu-jitsu.</p><p>22 Determinar como os fundamentos do Jiu-jitsu podem ser</p><p>aplicados no ensino.</p><p>33 Exempli�car como deve ser o processo de ensino e</p><p>aprendizagem do Jiu-jitsu.</p><p>87</p><p>Ensinamentos Teórico-práticos</p><p>do Jiu-Jitsu</p><p>Aspectos Pedagógicos na Iniciação do Jiu-</p><p>jitsu</p><p>Para adquirir o domínio de habilidades esportivas, é necessário um longo</p><p>processo de experiências psicomotoras, em que as experiências com</p><p>habilidades básicas (movimentos básicos) são de fundamental importância</p><p>(Gallahue, 1982).</p><p>Infelizmente, é comum que pro�ssionais se deparem com atividades que</p><p>envolvem habilidades esportivas de maneira precipitada. O trabalho muitas</p><p>vezes se concentra em estimular o praticante a "ser capaz de", sem trabalhar as</p><p>valências físicas para que o indivíduo tenha condições para tal. Isso ocorre</p><p>devido à expectativa de resultados de alto nível a curto prazo. No entanto,</p><p>quando o aprendizado das habilidades esportivas é ensinado de maneira</p><p>adequada, respeitando as fases do desenvolvimento do indivíduo, resulta em</p><p>avanços cognitivos, afetivo-sociais e no desenvolvimento �siológico.</p><p>Professores que não respeitam os limites da capacidade de</p><p>processamento de informações dos alunos, frequentemente, se</p><p>dirigem ao imediatismo. Transmitem informações que ultrapassam</p><p>capacidades dos alunos e esperam resultados bem sucedidos à</p><p>curto prazo. Para estes professores só interessa o resultado e não o</p><p>processo de aprendizagem (TANI, 1989).</p><p>88</p><p>O Projeto Pedagógico no Ensino do Jiu-jitsu</p><p>De acordo com Lagrange (1974), a criança experimenta várias fases durante seu</p><p>desenvolvimento; essas fases devem ser observadas e trabalhadas</p><p>adequadamente dentro do contexto pedagógico para que o indivíduo possa</p><p>obter sucesso nos estágios subsequentes (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Estima-se que a idade entre 8 e 11 anos seja um período ideal para o processo</p><p>de iniciação tanto no jiu-jitsu quanto no judô. Durante esse período, há uma</p><p>evolução na maturação do sistema nervoso, o que facilita a aquisição de</p><p>aspectos motores, neuromotores e perceptivo-motores. Sendo assim,</p><p>aconselha-se que, para que a criança obtenha sucesso na totalidade da</p><p>aquisição de aspectos psicomotores, sejam respeitados os seguintes princípios</p><p>(Ru�no; Darido, 2015):</p><p>Dar à criança um conhecimento do jiu-jitsu que corresponda às suas</p><p>capacidades �siológicas e, sobretudo, psicológicas.</p><p>Contribuir para o seu desenvolvimento psicomotor, visando harmonia</p><p>física e mental, com prioridade:</p><p>- À melhora da condição física geral;</p><p>- À melhoria do domínio corporal (esquema corporal, lateralidade,</p><p>coordenação geral, coordenação viso-motora, equilíbrio, destreza e</p><p>organização espaço-temporal);</p><p>Estimular a autonomia;</p><p>PARA GABARITAR</p><p>O Jiu-jitsu, por muito tempo, foi considerado pela sociedade como</p><p>uma modalidade de luta relacionada a atos violentos e à falta de</p><p>conduta moral. No entanto, atualmente sabe-se que a modalidade de</p><p>combate transmite valores morais e conduta a seus praticantes, além</p><p>de aprimorar as capacidades físicas (Souza, 2023).</p><p>89</p><p>Deixar uma parte importante para a recreação dirigida, onde as crianças</p><p>devem sentir prazer ao praticar a modalidade.</p><p>Principais Técnicas do Brazilian</p><p>Jiu-jitsu (Fundamentos)</p><p>Os fundamentos das lutas são essenciais para que os praticantes consigam</p><p>progredir em futuros ensinamentos com segurança. Além disso, promovem o</p><p>processo de habituação mais rapidamente. Dentre esses movimentos,</p><p>podemos citar os rolamentos, nos quais o praticante aprende a cair sem se</p><p>lesionar, bem como técnicas como a fuga de quadril e a levantada,</p><p>movimentos educativos amplamente usados durante os combates (Gurgel,</p><p>2007).</p><p>A seguir, serão demonstradas algumas das diversas técnicas do Jiu-Jitsu:</p><p>Rolamento para frente</p><p>Essa técnica é composta por 5 fases. Na primeira fase, o praticante deve estar</p><p>em quatro apoios, com as pernas e os braços estendidos. Uma das pernas deve</p><p>estar à frente da outra, e a mão oposta deve estar alinhada com o pé</p><p>correspondente. Na segunda fase, é necessário concentrar todo o peso do</p><p>corpo na ponta do pé que está à frente, levantando a perna de trás e jogando o</p><p>corpo para a frente. Na terceira fase, o rolamento deve ocorrer por cima do</p><p>ombro, protegendo a cabeça em relação ao solo. Durante a quarta fase, as</p><p>pernas devem permanecer esticadas e afastadas; ao mesmo tempo, as mãos</p><p>devem ser recolhidas próximas ao peito. Por �m, na quinta fase, o praticante</p><p>deve cair com o braço totalmente esticado próximo à perna, que também deve</p><p>estar esticada e paralela ao braço. Além disso, o queixo deve estar em contato</p><p>com o peito, e a outra mão junto à faixa.</p><p>90</p><p>Rolamento de costas</p><p>A posição inicia-se com o praticante de pé; em seguida, ele realiza o</p><p>movimento de agachar, sentando-se nos calcanhares com os braços esticados</p><p>à frente. Após isso, bate-se os braços no chão, mantendo ao mesmo tempo o</p><p>quadril no chão e as pernas esticadas. Por �m, o praticante deve sentar-se,</p><p>colocar o queixo no peito e desequilibrar-se para trás.</p><p>Sequência de movimentos para a execução do rolamento para a frente</p><p>Fonte: LUTAS, PUC-PR, 2012, documento on-line.</p><p>Sequência de movimentos para a execução do Rolamento de Costas</p><p>Fonte: UKEMIS, 2014, documento on-line.</p><p>91</p><p>Queda de frente</p><p>A posição inicial é de pé. Em seguida, o tronco deve ser inclinado para frente</p><p>por meio de uma �exão. Depois, jogue as pernas para trás, batendo com os</p><p>antebraços e as mãos no chão ao mesmo tempo. Os joelhos não devem tocar o</p><p>chão (primeira letra em caixa alta).</p><p>Levantada Técnica</p><p>A posição inicial é de decúbito dorsal, com as plantas dos pés voltadas para a</p><p>frente. Em seguida, deve sentar-se em posição de defesa, com uma das pernas</p><p>�exionada e a outra esticada. O braço deve ser apoiado em cima da mesa e a</p><p>mão de trás esticada ao chão. Levante-se em uma base, a uma distância segura</p><p>do oponente.</p><p>Fuga de Quadril</p><p>A posição inicial deve ser em decúbito dorsal, com os joelhos �exionados e as</p><p>solas dos pés no chão. Em seguida, deve-se elevar o quadril, apoiando-se em</p><p>apenas um dos ombros. No movimento seguinte, o pé oposto ao lado em que</p><p>foi feita a rotação deve estar apoiado, enquanto a outra perna deve estar</p><p>Sequência de movimentos para a execução Queda de frente</p><p>Fonte: UKEMIS, 2014, documento on-line.</p><p>92</p><p>esticada. Em seguida, deslize o quadril para trás de modo que o pé da perna</p><p>esticada se encontre com as mãos; estique o corpo e repita o movimento para</p><p>o outro lado.</p><p>Assim, o ensino do jiu-jitsu para crianças e jovens em</p><p>idade escolar é muito importante, pois contribui</p><p>positivamente para a formação desses indivíduos como</p><p>cidadãos no futuro. Além disso, há ganhos signi�cativos</p><p>nas capacidades �siológicas e psicológicas, já que o jiu-</p><p>jitsu é uma arte marcial que incorpora valores físicos e</p><p>morais.</p><p>CONECTE-SE</p><p>O método “Fuga de quadril” é muito importante na prática do Jiu-</p><p>jitsu e apresenta certo grau de complexidade; Para saber mais sobre,</p><p>acesse o seguinte link:</p><p>93</p><p>https://go.eadstock.com.br/hab</p><p>https://go.eadstock.com.br/hab</p><p>NA PRÁTICA</p><p>O Projeto Social Chamas da Vida de Jiu-Jitsu tem como objetivo</p><p>promover a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco,</p><p>vulnerabilidade social ou até mesmo com di�culdades no convívio</p><p>coletivo e familiar ao esporte na modalidade da arte do Jiu Jitsu já</p><p>estamos atendendo 75 alunos dentre eles crianças e adolescentes de</p><p>05 a 15 anos. Formando o desenvolvimento através da disciplina e</p><p>respeito com seu colega de treino dentro e fora do tatame.</p><p>94</p><p>https://go.eadstock.com.br/haa</p><p>https://go.eadstock.com.br/haa</p><p>11</p><p>Origens Históricas</p><p>do Pugilismo</p><p>Olá, acadêmicos! Vamos passar para o pugilismo?</p><p>O pugilismo deu origem a muitas lutas contemporâneas, além de ser a base</p><p>para a preparação física de várias modalidades de combate. Portanto, nesta aula,</p><p>abordaremos os aspectos de ensino e aprendizagem desta modalidade de</p><p>combate.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Investigar do pugilismo no Brasil.</p><p>22 Avaliar como o pugilismo se propagou pelo Brasil.</p><p>33 Identi�car os pilares de ensino do pugilismo.</p><p>Aspectos Históricos do Pugilismo</p><p>Estima-se que o pugilismo tenha se originado a cerca de 3000 a.C., sendo uma</p><p>das modalidades de combate mais antigas do mundo. Sua prática se propagou</p><p>na Grécia Antiga, principalmente por estar presente como modalidade dos</p><p>Jogos Olímpicos, recebendo os nomes de pugilato e pancrácio (Ru�no; Darido,</p><p>2015).</p><p>96</p><p>O boxe moderno que conhecemos originou-se na Inglaterra, em meados do</p><p>século XIX, onde recebeu regras, estilos e organização, deixando de ser uma</p><p>prática amadora e tornando-se pro�ssional. Um dos aspectos mais importantes</p><p>foi o �m das lutas de “mãos limpas” (sem luvas) e o início do uso das luvas de</p><p>Afresco de jovens pugilistas em Acrotíri, Grécia.</p><p>Fonte: wikipédia.</p><p>97</p><p>boxe. O sucesso do boxe inglês foi tão grande que se disseminou rapidamente,</p><p>atingindo toda a Europa e o continente americano, onde teve grande aderência</p><p>e admiração (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>O mundo e o nosso país foram palco de vários atletas exemplares e grandes</p><p>histórias de vida e superação. Em 1909, ocorreram mudanças muito importantes</p><p>no boxe inglês; uma delas foi a divisão dos participantes em categorias, de</p><p>acordo com o peso corporal, tornando a luta mais justa e mais segura. Porém, a</p><p>modalidade foi realmente regularizada com a criação das regras determinadas</p><p>por Queensbury. Tais regras são (Carrati, 2012):</p><p>O ringue foi criado e as lutas, por via de regra, só poderiam ser realizadas</p><p>dentro daquela delimitação;</p><p>Criação das categorias determinadas pelo peso do competidor;</p><p>As luvas foram inseridas como elemento obrigatório durante os combates;</p><p>O uso do protetor bucal tornou-se obrigatório;</p><p>Foi determinada a duração dos assaltos e intervalos (assaltos de três</p><p>minutos com um minuto de intervalo).</p><p>Tais normativas foram adotadas como padrão por vários países que adotaram a</p><p>modalidade em seus costumes, inclusive o Brasil.</p><p>A História do Boxe Brasileiro</p><p>O boxe chegou ao Brasil no �nal do século XIX, época em que a capoeira era a</p><p>modalidade mais praticada no país. No entanto, durante esse período, lutar era</p><p>sempre associado a malandragem e marginalidade. As primeiras demonstrações</p><p>de pugilismo foram realizadas por marinheiros europeus que aportavam em</p><p>Santos e no Rio de Janeiro (Feitosa et al., 2006).</p><p>A partir de 1920, as lutas de boxe em território brasileiro começaram a ser</p><p>regulamentadas por entidades normativas (confederações), inicialmente</p><p>municipais e estaduais, como, por exemplo, a Comissão de Boxe do Rio de</p><p>Janeiro (1925), a Federação Carioca de Boxe (1933), a Federação Paulista de</p><p>Pugilismo Amador (1936) e a Federação Gaúcha de Pugilismo (1944). Em 1935, foi</p><p>criada a Federação Brasileira de Pugilismo, que uniu inicialmente as federações</p><p>Paulista, Carioca e Mineira (DaCosta & Lamartine, 2006).</p><p>98</p><p>A primeira luta o�cial que se tem notícia, em território brasileiro, ocorreu em 1913,</p><p>envolvendo Luiz de Araripe Sucupira (remador do Clube de Regatas São Paulo) e</p><p>um francês que estava de passagem por São Paulo. O brasileiro foi derrotado</p><p>pelo francês, que, por sua vez, apresentou uma excelente técnica de boxe</p><p>(Feitosa et al., 2006).</p><p>Entre 1922 e 1923, o boxe brasileiro começou a se pro�ssionalizar. Benedito dos</p><p>Santos (“Ditão”) demonstrava grande futuro no boxe. O boxe promoveu a vinda</p><p>de muitos jovens do interior de São Paulo e Rio de Janeiro na esperança de</p><p>enriquecimento. Desta maneira, Ditão sagrou-se vitorioso em seus três primeiros</p><p>combates sem di�culdade, re�exo da falta de qualidade e técnicas de</p><p>treinamento, mesmo com o boxe se pro�ssionalizando nessa época.</p><p>Anos depois (1924), Ditão enfrentaria um grande desa�o: a luta contra o</p><p>campeão europeu, o italiano Hermínio Spalla. O evento foi muito prestigiado e</p><p>chamou a atenção pública da época. O brasileiro foi derrotado no nono assalto e,</p><p>de maneira inesperada, �cou incapacitado para a prática do boxe, quase</p><p>perdendo a vida (DaCosta & Lamartine, 2006).</p><p>99</p><p>Entre 1926 e 1932, houve a revelação de vários lutadores, com destaque para Ítalo</p><p>Hugo, campeão sul-americano dos pesos leves, em 1931. Na década de 1940, o</p><p>ginásio do Pacaembu foi palco de grandes lutas e multidões de fãs, onde os</p><p>pugilistas brasileiros já apresentavam padrão internacional. Uma das mais</p><p>famosas da época foi entre Atílio Lofredo e Antônio Zumbano (o “Zumbanão”);</p><p>esse último realizou 140 lutas, mais da metade por nocaute, sendo vitorioso</p><p>durante o longo período entre 1936 e 1950 (DaCosta & Lamartine, 2006).</p><p>Spalla (à esquerda) e Benedito dos Santos (à direita) se cumprimentam antes</p><p>do combate</p><p>Fonte: Lise et al., 2020.</p><p>100</p><p>A década de 1950 é considerada asegunda fase do boxe brasileiro, período que</p><p>foi rico em lutas nacionais einternacionais. Durante esse período, surgiram</p><p>grandes nomes no cenário doboxe, como Kaled Curi, Ralf Zumbano e Éder Jofre.</p><p>Ao �nal dos anos 50, foirealizada uma parceria com a Escola de Educação Física</p><p>e Desportos (EEFD) com oobjetivo de realizar estudos sobre a ciência do boxe. O</p><p>projeto, existente atéos dias atuais, foi criado pelo professor de Educação Física</p><p>Alberto de LatorreFarias com o auxílio do professor da mesma especialidade</p><p>Benedito Peixoto.</p><p>Em 1953, Éder Jofre iniciou suacarreira como amador e, em 1956, aderiu ao boxe</p><p>pro�ssional, tornando-seimpressionantemente campeão dos pesos galo em</p><p>1958. Em 1960, se sagrou campeãomundial na categoria peso galo pela World</p><p>Boxing Association (WBA), além deconquistar o título pela entidade europeia</p><p>NBA, que não reconhecia os campeõesda WBA. Em 1962, Éder venceu Johnny</p><p>Caldwell e se tornou o campeão mundialabsoluto dos pesos galo (Feitosa et al.,</p><p>2006).</p><p>No entanto, em 1965, Jofre foiderrotado pelo japonês Fighting Harada e perdeu</p><p>todos os seus títulos,resultando em seu afastamento do esporte. O brasileiro só</p><p>retornou ao boxe em1973, mudando de categoria (peso pena) e voltando a</p><p>ser</p><p>campeão mundial aoderrotar o cubano José Legrá. Uma carreira</p><p>impressionante. Em 8 de outubro,Éder Jofre fez sua luta de despedida, após</p><p>O ginásio do Pacaembu, São Paulo, em dia de combate (década de 1940)</p><p>Fonte: acesse o link disponível aqui</p><p>101</p><p>https://o-mundo-das-lutas.webnode.page/news/historia-do-boxe-no-brasil/</p><p>uma carreira fantástica que começouaos três anos de idade. Ao todo foram 78</p><p>lutas, 50 nocautes, 22 vitórias porpontos, 4 empates e 2 derrotas (ambas por</p><p>pontos, para o histórico Masahiko“Fighting” Harada) (Feitosa, 2006).</p><p>Em 1983, surgiu no mundo do boxe Adilson Maguila, na categoria meio-pesado</p><p>no boxe pro�ssional. Em seis anos de carreira, Maguila já era o segundo no</p><p>ranking do CMB em sua categoria. Em 1995, Maguila obteve seu maior feito ao</p><p>tornar-se campeão mundial dos meio-pesados pela World Boxing Federation</p><p>(WBF) (DaCosta & Lamartine, 2006).</p><p>E, em um passado mais recente, surge no �nal dos anos 1990 o baiano Acelino</p><p>de Freitas, conhecido como “Popó”, que se consagrou campeão mundial pela</p><p>WBO. Popó teve uma carreira brilhante, vencendo suas 29 primeiras lutas por</p><p>nocaute (KO), tornando-se o lutador sul-americano com mais vitórias por KO</p><p>como pro�ssional.</p><p>Éder Jofre</p><p>Fonte: acesse o link disponível aqui</p><p>102</p><p>https://o-mundo-das-lutas.webnode.page/news/historia-do-boxe-no-brasil/</p><p>Popó e Maguila</p><p>PARA GABARITAR</p><p>O boxe apresenta vários componentes que podem favorecer a</p><p>formação de cidadãos de bem, por meio de seus estímulos físicos que</p><p>demandam extremo condicionamento físico, assim como as doutrinas</p><p>e regras pertinentes à modalidade. Tal esporte não atua perante a</p><p>sociedade apenas como uma modalidade esportiva de combate, mas</p><p>também como um modi�cador social, que merece inclusão nas</p><p>diretrizes que compõem as disciplinas dos níveis básico e médio da</p><p>educação brasileira (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>103</p><p>CONECTE-SE</p><p>O esporte ensina aos jovens disciplina, coragem, autocontrole,</p><p>estabelecimento de metas e humildade. Muitos atletas atuais</p><p>campeões mundiais cresceram em comunidades desfavorecidas, onde</p><p>apenas ir à academia todos os dias é um desa�o. O Favela Champions</p><p>é o primeiro campeonato de boxe e artes marciais do Brasil que</p><p>destaca a importância de comunidades como o Complexo da Maré,</p><p>onde nasceu a LPP, e de onde vieram muitos campeões e campeãs, e</p><p>onde tantos jovens talentosos treinam todos os dias para um futuro</p><p>melhor dentro e fora do ringue e do tatame - destaca o fundador da</p><p>Luta pela Paz, o antropólogo e ex-pugilista inglês Luke Dowdney.</p><p>Qualquer pessoa pode contribuir com o trabalho desenvolvido pela</p><p>instituição por meio do site lutapelapaz.org. Leia mais:</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática do boxe pode ser adaptada à realidade das unidades</p><p>escolares e das comunidades. Muitos projetos baseados na prática</p><p>desta modalidade estão presentes em todo o Brasil, sendo</p><p>fundamental para salvar crianças e adolescentes de más condutas, uso</p><p>de drogas e violência.</p><p>104</p><p>https://go.eadstock.com.br/hac</p><p>https://go.eadstock.com.br/hac</p><p>PARA GABARITAR</p><p>Quando nos deparamos com o ensino das lutas, uma das questões</p><p>que vêm à tona refere-se aos detalhes técnicos do boxe. No entanto,</p><p>devemos nos atentar ao período sensível de desenvolvimento que</p><p>cada criança ou adolescente está vivenciando, no qual devemos evitar</p><p>a especialização precoce (onde devemos evitar a especialização</p><p>precoce).</p><p>105</p><p>12</p><p>Fundamentos</p><p>Teórico-práticos</p><p>no Ensino do Boxe</p><p>Acadêmicos,</p><p>O boxe é uma das modalidades de combate mais praticadas em todo o mundo,</p><p>sendo um componente sociocultural muito importante no desenvolvimento</p><p>humano. Nesta aula, iremos abordar aspectos importantes no processo de</p><p>ensino-aprendizagem do boxe (sendo um componente sociocultural muito</p><p>importante no desenvolvimento humano).</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Veri�car os processos de ensino do boxe.</p><p>22 Determinar como os fundamentos do boxe podem ser</p><p>aplicados no ensino.</p><p>33 Exempli�car como deve ser o processo de ensino e</p><p>aprendizagem do boxe.</p><p>107</p><p>Fundamentos Básico no Processo</p><p>de Prática e Ensino</p><p>Aprendizagem do Boxe</p><p>Principais técnicas do boxe</p><p>Conhecer as bases das técnicas das modalidades de combate possibilita que o</p><p>professor seja capaz, de maneira gradativa e pedagógica, de promover o ensino</p><p>das técnicas da modalidade especí�ca, respeitando os períodos sensíveis do</p><p>desenvolvimento do praticante.</p><p>O boxe, que é um esporte de combate, é de fundamental importância para o</p><p>praticante, que deve saber onde pode golpear e quais técnicas pode usar</p><p>durante o combate. A modalidade é rica em golpes e técnicas que auxiliam o</p><p>praticante a atingir o objetivo �nal da luta, que é derrotar o oponente. A seguir,</p><p>serão apresentadas as técnicas básicas da prática do boxe (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Golpes de Defesa</p><p>Dentre os fundamentos primordiais a serem ensinados no boxe, destacam-se</p><p>os métodos de defesa. Isso se deve ao fato de ser uma modalidade em que os</p><p>praticantes desferem golpes extremamente fortes em regiões muito</p><p>especí�cas, que devem ser protegidas. Há três tipos de defesa (Ru�no; Darido,</p><p>2015):</p><p>Bloqueio</p><p>Nesse método de defesa, o lutador utiliza os antebraços e os punhos para se</p><p>defender. A elevação dos punhos e antebraços deve estar à altura do rosto,</p><p>conferindo proteção.</p><p>108</p><p>Esquiva</p><p>É a execução de movimentos que impedem o oponente de golpear o rosto do</p><p>adversário. Geralmente, a esquiva é realizada com um passo para trás e o</p><p>movimento do tronco para a direita ou para a esquerda.</p><p>Movimento de bloqueio</p><p>Fonte: Matos, s/d, online.</p><p>109</p><p>Clinch</p><p>Caracteriza-se quando os lutadores se apoiam, abraçando-se um ao outro, sem</p><p>que nenhum deles aplique golpes de ataque. Geralmente, esse movimento</p><p>ocorre devido ao esgotamento físico ou ao recebimento de um golpe muito</p><p>forte, resultando na necessidade de segurar o oponente junto ao próprio corpo.</p><p>movimento de Clinch</p><p>Movimento de esquiva</p><p>Fonte: Matos, s/d, online.</p><p>110</p><p>Golpes de Ataque</p><p>Os golpes de ataque têm como objetivo golpear o adversário nos locais</p><p>permitidos pela prática do boxe e, ao �nal dos assaltos ou por nocaute, de�nir o</p><p>vencedor da luta. A seguir, serão apresentados os principais golpes de ataque</p><p>do boxe (Violi, 2016; Costa, 2019):</p><p>Jab</p><p>É um golpe desferido de maneira frontal com o uso dos punhos. Em indivíduos</p><p>destros, a mão esquerda desferre o jab, e vice-versa. Esse golpe geralmente não</p><p>resulta em muita força e tem como objetivos afastar o oponente, medir a</p><p>distância entre o oponente e preparar a execução de outro golpe. Vale salientar</p><p>que o jab é um dos golpes mais usados durante um combate de boxe e, aos</p><p>poucos, pode esgotar o adversário.</p><p>Fonte: Matos, s/d, online.</p><p>111</p><p>Direto</p><p>É um golpe realizado com o punho que está atrás na posição de defesa,</p><p>caracterizando-se por ser muito forte e rápido, geralmente de�agrado quando</p><p>os adversários estão próximos. Caso o golpe acerte em cheio o oponente, pode</p><p>resultar em nocaute (Silva, 2020).</p><p>Movimento de Jab</p><p>Fonte: Combat Museum, s/d, online.</p><p>112</p><p>Uppercut</p><p>O golpe é realizado de baixo para cima, com o objetivo de acertar o adversário</p><p>na região abdominal (estômago, abdome) e pode ser desferido com ambas as</p><p>mãos.</p><p>Golpe direto</p><p>Fonte: Pratique Fitness, s/d, online.</p><p>113</p><p>Gancho</p><p>Esse golpe caracteriza-se por ser extremamente rápido e com grande força,</p><p>sendo aplicado lateralmente em direção à face do oponente.</p><p>Fonte: Signi�cados, 2018.</p><p>Fonte: Signi�cados, 2018.</p><p>114</p><p>Cruzado</p><p>O golpe se assemelha a execução do golpe “direto”, porém, diferencia-se por</p><p>acertar a lateral da cabeça do oponente, com grande potência.</p><p>Vimos os principais golpes de defesa e ataque utilizados na prática do boxe</p><p>contemporâneo. No entanto, durante a realização de um combate, esses golpes</p><p>são combinados com o objetivo de transitar entre momentos de ataque e</p><p>defesa.</p><p>A �gura a seguir demonstra um resumo dos golpes apresentados e a</p><p>combinação de alguns deles.</p><p>Fonte: Signi�cados, 2018.</p><p>115</p><p>Fonte: Dicas Educação Física, s/d., online.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>As lutas têm sua origem nas formas primitivas</p><p>de defesa e vêm</p><p>evoluindo com a sociedade humana, representando, em sua</p><p>diversidade, uma das manifestações do movimento humano mais</p><p>expressivas, em que são estudados de modo indissociável o corpo e a</p><p>mente, ligados a uma �loso�a de vida, privilegiando o respeito ao</p><p>outro e o autoaperfeiçoamento, tendo a autodefesa como meta.</p><p>Nesse sentido, é importante que o educador possibilite ao estudante</p><p>contato e vivências signi�cativas com esse conteúdo, favorecendo,</p><p>assim, uma re�exão crítica sobre essas práticas e sobre o mundo em</p><p>que vivem (Lançanova, 2006; Ru�no & Darido, 2015).</p><p>116</p><p>O Valor Educacional do Boxe</p><p>O boxe é caracterizado como um esporte de combate e não como uma</p><p>modalidade que estimula a violência. Pelo contrário, resulta em grandes</p><p>benefícios na formação do indivíduo. Devido ao fato de as apresentações</p><p>ocorrerem em âmbito urbano, o esporte tornou-se comum entre as classes de</p><p>níveis mais baixos, assim como na alta sociedade. Por esse motivo, muitos</p><p>jovens veem no boxe uma oportunidade de vida melhor (Elias, 1992; Silveira,</p><p>2017).</p><p>Sendo assim, é possível a�rmar que a prática do boxe promove a inclusão social</p><p>do indivíduo, além dos benefícios �siológicos e psicológicos. Vários benefícios</p><p>estão relacionados à prática do boxe, como, por exemplo, o est��mulo da</p><p>criatividade, agilidade e o tempo de reação e resposta, onde o tempo de reação</p><p>de�ne-se como o intervalo entre a recepção de um estímulo e o início da</p><p>resposta contra o estímulo recebido (Vaghetti et al., 2007). Portanto, �ca claro</p><p>que a prática do boxe está inserida nos espaços educacionais, resultando em</p><p>práticas educativas, desenvolvimento de habilidades, autocontrole, disciplina e</p><p>concentração (Souza Júnior et al., 2010 apud Silveira, 2017).</p><p>A prática a longo prazo do boxe resulta em benefícios para o músculo cardíaco,</p><p>melhora da capacidade pulmonar e ganhos em relação à coordenação motora.</p><p>Dentre as várias capacidades e valências neuromotoras estimuladas pela</p><p>prática de esportes de combate, podemos citar a resistência, força, potência,</p><p>velocidade, agilidade, �exibilidade, controle emocional, média de anos de</p><p>atividade de um praticante, coordenação e capacidade analítica. O boxe foi</p><p>considerado a prática mais difícil de se praticar e competir (Silveira, 2017).</p><p>Diante dos tantos benefícios decorrentes da prática do</p><p>boxe, sua inserção nos conteúdos obrigatórios de ensino</p><p>possibilitaria a melhora dos alunos em várias valências</p><p>decorrentes da luta. Além disso, a cultura, a história das</p><p>lutas e seus fundamentos, e a história do boxe a nível</p><p>mundial e nacional são fatores de grande importância</p><p>para a inclusão social. No entanto, há vários quesitos que</p><p>devem ser atentamente veri�cados para a correta</p><p>implementação do boxe nas práticas escolares.</p><p>117</p><p>Os instrumentos, métodos e estratégias a serem utilizados para alcançar os</p><p>objetivos do boxe durante o ensino devem ser elaborados de maneira</p><p>cautelosa. Após esse processo, uma das maneiras de colocar o conteúdo em</p><p>prática é o uso dos jogos de combate, também chamados de jogos de</p><p>oposição, onde as atividades devem ser de caráter dinâmico, pedagógico e</p><p>lúdico, evitando o contato agressivo entre os praticantes. O uso dos jogos de</p><p>combate possibilita aos professores de educação física o ensino de atividades</p><p>que desenvolvam o equilíbrio, �exibilidade e tomada de decisões (Júnior;</p><p>Santos, 2010; Silveira, 2017).</p><p>O ensino do caratê e do boxe em âmbito escolar foi baseado na aprendizagem</p><p>dos pilares das dimensões de conteúdo (conceitual, atitudinal e</p><p>procedimental). Como resultado, os alunos foram capazes de compreender os</p><p>sentidos das modalidades, os benefícios, a técnica e os valores sociais por meio</p><p>das práticas (Chaves et al., 2014).</p><p>A Educação Física tem a obrigação de propiciar formas diversas de culturas</p><p>corporais que envolvam o conteúdo das lutas, e que estas estejam presentes</p><p>nas modalidades a serem trabalhadas pelos discentes (Ferreira, 2006). No</p><p>entanto, vale salientar que, para que o ensino do conteúdo seja feito de</p><p>maneira satisfatória, é necessário que o docente tenha experimentado algum</p><p>tipo de vivência no assunto a ser ministrado, seja a nível de graduação ou</p><p>especialização, para que sinta segurança ao ensinar.</p><p>118</p><p>CONECTE-SE</p><p>O Boxe na Escola cresceu, recebeu apoio da Prefeitura de</p><p>Florianópolis, e ganhou um espaço dentro da Guarda Municipal</p><p>(GMF). Há 12 anos treinando e ensinando a didática do esporte, mais</p><p>de mil crianças e jovens já passaram pelo programa. O boxe é</p><p>inclusivo para todas as crianças. Aqui também participam alunos</p><p>com autismo e síndrome de down. Leia mais:</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática do boxe pode ser adaptada à realidade das unidades</p><p>escolares e das comunidades. Muitos projetos baseados na prática</p><p>desta modalidade estão presentes em todo o Brasil, sendo</p><p>fundamental para salvar crianças e adolescentes de más condutas,</p><p>uso de drogas e violência.</p><p>119</p><p>https://go.eadstock.com.br/hak</p><p>https://go.eadstock.com.br/hak</p><p>13</p><p>Aplicações Práticas</p><p>de Ações de Curta</p><p>Distância</p><p>A aplicabilidade das lutas no âmbito escolar é um assunto que causa certos</p><p>debates sobre sua implementação em crianças e adolescentes. Isso se deve ao</p><p>fato do idealismo de agressividade atrelado às lutas. No entanto, sabe-se que</p><p>isso não é verdade e que o ensino destas por pro�ssionais capacitados resulta</p><p>na excelente formação de futuros cidadãos.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Veri�car como aplicar as ações de curta distância.</p><p>22 Determinar quais os melhores métodos de aplicar este</p><p>tipo de ação.</p><p>33 Exempli�car como deve ser o processo de ensino e</p><p>aprendizagem das ações de curta distância.</p><p>121</p><p>Maneiras de Aplicar Ações de</p><p>Curta Distância no Âmbito das</p><p>Lutas</p><p>A aplicabilidade das características pertencentes às lutas merece atenção antes</p><p>de serem inseridas no dia a dia de crianças e adolescentes. Isso se refere às</p><p>práticas caracterizadas por ações inesperadas, também conhecidas como</p><p>imprevisíveis: as ações relacionadas às intenções intrínsecas às ações, que são</p><p>os toques (socos e chutes) e os movimentos de agarre (Ru�no e Darido, 2015).</p><p>As práticas de curta distância são os movimentos nos quais há uma maior</p><p>proximidade dos alunos nas ações motoras realizadas durante as lutas. Essa</p><p>proximidade possibilita características que diferenciam essas ações daquelas</p><p>que demandam maior distância (média e longa distância).</p><p>Resumidamente, as práticas de curta distância apresentam nomenclaturas</p><p>distintas, como, por exemplo, as ações de agarre, grappling, wrestling e lutas</p><p>corpo a corpo, e têm diferenças visíveis entre as diversas modalidades de curta</p><p>distância, todas apresentam algumas características em comum. A maior</p><p>característica pode ser de�nida em relação à proximidade entre os praticantes</p><p>que realizam diferentes ações havendo um contato direto entre eles (Ru�no e</p><p>Darido, 2015).</p><p>Destaca-se, ainda, que a proximidade entre os envolvidos nas lutas</p><p>de curta distância induz ações motoras muito características sobre</p><p>essas práticas. Não há a realização de socos e chutes, por exemplo,</p><p>pois essas ações dependem de uma distância um pouco maior. As</p><p>ações de curta distância relacionam-se ao agarramento do</p><p>adversário, podendo variar de acordo com cada modalidade, porém,</p><p>sendo necessária essa proximidade entre os envolvidos ao longo das</p><p>ações motoras (Ru�no e Darido, 2015, p. 121).</p><p>122</p><p>Podemos citar, como exemplos de modalidades de luta de curta distância, a</p><p>luta olímpica, o judô, o jiu jítsu, o sumô e o boxe. Porém, o que esperar da</p><p>inserção do ensino das lutas? Mais especi�camente sobre o processo de</p><p>aprendizagem? Espera-se que os alunos sejam submetidos às práticas</p><p>(imprevisíveis/inesperadas) de curta distância e que estas envolvam elementos</p><p>de agarre, de maneira direta e indireta.</p><p>Além disso, de maneira muito importante, os alunos devem praticar e vivenciar</p><p>as práticas de agarres buscando respeitar os colegas e sendo conscientizados</p><p>sobre o estímulo a qualquer forma de violência (Ru�no e Darido, 2015).</p><p>A seguir, apresentaremos atividades</p><p>práticas que permitem o ensino da</p><p>categoria das lutas de curta distância. Como exposto anteriormente, as práticas</p><p>de curta distância permitem que os praticantes realizem ações de agarre ao</p><p>corpo do oponente. Sendo assim, as atividades a seguir têm como objetivo</p><p>promover a prática do agarre ao corpo do outro, ou seja, o agarre direto (Ru�no</p><p>e Darido, 2015):</p><p>Imagem 1 – Garotos praticando boxe</p><p>Fonte: freepik.</p><p>123</p><p>Exercício 1: Cara a cara</p><p>Materiais</p><p>Para esta atividade não é necessário nenhum tipo de material.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Em duplas, os alunos devem se posicionar de frente ao outro.</p><p>Os braços devem estar estendidos e as palmas das mãos das duas pessoas</p><p>da dupla devem estar em contato.</p><p>As pernas devem estar estendidas e o corpo deve estar levemente</p><p>projetado para a frente.</p><p>O objetivo da atividade é apoiar-se na outra pessoa e buscar desequilibrá-</p><p>la para um dos lados, porém, buscando manter-se com o equilíbrio</p><p>normal.</p><p>Detalhes</p><p>Como não há a intenção de exclusão do aluno de um determinado espaço, por</p><p>exemplo, essa não é uma ação indireta. Devemos considerar essa ação como</p><p>agarre direto pelo fato de o objetivo estar no desequilíbrio proporcionado</p><p>diretamente pelo agarre ao outro, ou seja, o desequilíbrio do outro é o objetivo.</p><p>Exercício 2: Jogo do desequilíbrio</p><p>Materiais</p><p>Para esta atividade não é necessário nenhum tipo de material.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Em duplas, posicionados um de frente para o outro.</p><p>Cada dupla deve estar com uma das pernas para a frente.</p><p>O professor ordena, sendo ora a perna esquerda na frente, ora a perna</p><p>direita (ordem para ambos da dupla).</p><p>A partir dessa posição estipulada, os alunos devem encostar as duas</p><p>partes de fora do seu calçado.</p><p>Os alunos devem então segurar na mão da frente do companheiro.</p><p>A mão deve ser a correspondente à mesma do lado da perna que está na</p><p>frente. Exemplo: se a perna direita de ambos da dupla encontra-se para a</p><p>frente, os alunos devem segurar um na mão direita do outro.</p><p>124</p><p>Ao sinal do professor, os alunos devem buscar, por meio dos movimentos</p><p>de puxar e empurrar, desequilibrar o companheiro.</p><p>Caso uma das pernas sair do chão o desequilíbrio ocorre e os alunos</p><p>voltam a se enfrentar.</p><p>O professor pode repetir a vivência na mesma dupla durante alguns</p><p>instantes e depois solicitar que as duplas sejam alteradas.</p><p>Exercício 3: Cotovelo na cintura</p><p>Materiais</p><p>Para esta atividade não é necessário nenhum tipo de material.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Em duplas, devem estar posicionados um de frente para o outro.</p><p>O objetivo da atividade é fazer o outro encostar seus próprios cotovelos na</p><p>sua linha da cintura.</p><p>Para isso, o ataque deve ser simultâneo entre ambos os alunos, ou seja, os</p><p>dois alunos devem procurar encostar os cotovelos do outro na cintura ao</p><p>mesmo tempo em que buscam não encostarem em seus próprios</p><p>cotovelos na sua própria cintura.</p><p>Durante a atividade, não é permitido nenhum movimento de toque ou</p><p>percussão no outro.</p><p>É necessário encontrar estratégias a partir dos movimentos de agarre,</p><p>segurando o outro, abraçando e induzindo ao objetivo da atividade, sem</p><p>os cotovelos encostarem na própria cintura.</p><p>Nessa brincadeira, o contato tende a ser maior, o que, por um lado,</p><p>possibilita vivenciar ações mais próximas daquelas encontradas em</p><p>algumas lutas de curta distância.</p><p>125</p><p>Não é necessário esperar que ocorram situações de desrespeito para se</p><p>discutirem questões, como o respeito à integridade física e psicológica do</p><p>outro, bem como as diferenças individuais de força, agilidade,</p><p>envergadura etc.</p><p>Essas diferenças individuais devem ser ilustradas como formas de</p><p>enaltecer as diversas formas de existir, não havendo algo melhor ou</p><p>superior do que outro.</p><p>ATENÇÃO</p><p>É possível que ocorra na própria execução da atividade, enquanto os</p><p>alunos podem buscar por estratégias que violem os princípios de</p><p>regras e respeito oriundos das lutas da escola e, por isso, devem ser</p><p>constantemente alertados para o que pode e o que não pode ser</p><p>realizado.</p><p>126</p><p>CONECTE-SE</p><p>Por se desenvolver no solo e com possibilidade de quedas, um</p><p>cuidado do jiu-jítsu na educação física escolar é a presença do</p><p>tatame. Estruturas confortáveis, como colchonetes, por exemplo,</p><p>nem sempre estão disponíveis em escolas públicas. Além disso,</p><p>atividades no chão podem sujar e dani�car os uniformes dos alunos.</p><p>Em atividades desenvolvidas no ensino fundamental 1, de escolas</p><p>municipais de Jacarezinho (PR), Simeoni relata simular um tatame</p><p>com uma lona estendida no gramado da escola, além de solicitar que</p><p>os alunos �cassem descalços. Leia mais:</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática dos esportes de curta distância é muito importante no</p><p>processo de desenvolvimento cognitivo e comportamental de</p><p>crianças e adolescentes. Por meio da ludicidade, deve ser ensinado o</p><p>respeito aos colegas e ao mesmo tempo o estímulo de várias</p><p>valências físicas.</p><p>127</p><p>https://go.eadstock.com.br/hdb</p><p>https://go.eadstock.com.br/hdb</p><p>PARA GABARITAR</p><p>É fundamental que o respeito nas ações estabelecidas seja o molde</p><p>das discussões com os alunos. Dessa forma, é impreterível questioná-</p><p>los sobre as estratégias utilizadas para se obter sucesso na atividade</p><p>sem restringir o respeito entre os envolvidos nas ações. Além disso, os</p><p>alunos devem discutir sobre as principais semelhanças e diferenças</p><p>em relação a esta atividade e à anterior, realizada em pé (Ru�no;</p><p>Darido, 2015).</p><p>128</p><p>14</p><p>Aplicações Práticas</p><p>de Ações de Média</p><p>Distância</p><p>Em continuidade à nossa aula anterior, nesta aula, falaremos sobre as</p><p>características esportivas e os golpes de média distância, com os chutes e</p><p>socos, por exemplo. Iremos apresentar características e atividades práticas para</p><p>a aplicabilidade junto ao público infantil e adolescente.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Veri�car como aplicar as ações de média distância.</p><p>22 Determinar quais os melhores métodos de aplicar este</p><p>tipo de ação.</p><p>33 Exempli�car como deve ser o processo de ensino e</p><p>aprendizagem das ações de média distância.</p><p>Maneiras de Aplicar Ações de</p><p>Média Distância no Âmbito das</p><p>Lutas</p><p>As práticas de média distância se diferenciam em relação às ações de curta</p><p>duração em relação a distância entre os envolvidos, sendo maior do que nas</p><p>lutas de curta distância.   Além disso, não há a presença de implementos</p><p>130</p><p>utilizados durante as ações motoras dos envolvidos. A distância média permite</p><p>a realização de uma série de ações motoras características de diversas</p><p>modalidades de luta, como socos e chutes (Ru�no e Darido, 2015).</p><p>É possível denominar as práticas de média distância também com a</p><p>expressão striking, no entanto, há outras nomenclaturas utilizadas,</p><p>como “trocação”, “luta em pé”, “socos e chutes”, entre outras. A</p><p>grande característica das modalidades de média distância é que as</p><p>ações realizadas são relacionadas ao toque no corpo do outro</p><p>praticante. Essas ações podem ser chutes, socos, joelhadas,</p><p>cotoveladas, entre outras formas, de acordo com a modalidade, com</p><p>o objetivo de tocar ou realizar uma ação de percussão no corpo de</p><p>outrem (Ru�no e Darido, 2015, p. 144).</p><p>Podemos citar como exemplos de modalidades de luta de média distância, o</p><p>boxe, o muay thai (boxe tailandês) (Figura 1), o kung fu (parte de luta), o caratê</p><p>(parte de luta), o boxe chinês e o krav maga.</p><p>Figura 1 - Boxe tailandês</p><p>Fonte: freepik.</p><p>131</p><p>Em relação ao processo de aprendizagem, acredita-se que os alunos</p><p>compreendam que as práticas imprevisíveis/inesperadas de média distância</p><p>envolvam, sobretudo, elementos de toque (socos e chutes), de forma direta e</p><p>indireta. Além disso, os alunos devem reconhecer as lutas que empregam essa</p><p>lógica em suas ações. É imprescindível que pratiquem e vivenciem as práticas</p><p>de toque (média distância), respeitando os colegas e repudiando qualquer</p><p>forma de violência. Também é necessário promover discussões e re�exões</p><p>sobre as atividades, considerando o papel atribuído ao homem e à mulher nas</p><p>lutas dentro da sociedade.</p><p>Veremos, a seguir, propostas de atividades a partir das ações de média</p><p>distância com toque direto, ou seja, em que a ação empreendida</p><p>é dirigida ao</p><p>outro. São diversas atividades que apresentam como possibilidade a</p><p>compreensão das ações de média distância com toque direto (Ru�no e Darido,</p><p>2015).</p><p>Exercício 1: Lutando pela �ta</p><p>Materiais</p><p>Fitas (como as de �ag ball) ou outros materiais, como papel crepom, TNT, entre</p><p>outros, com 40 ou 50 centímetros de comprimento.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Em duplas, de frente para o outro, em pé.</p><p>Cada aluno receberá uma �ta que deverá ser presa na cintura e que tenha</p><p>a extensão aproximadamente até os joelhos.</p><p>O objetivo de cada um da dupla será retirar a �ta da cintura do colega, por</p><p>meio de estratégias de ação criadas por cada um.</p><p>Da mesma forma, é preciso buscar proteger sua própria �ta para que o</p><p>colega não consiga retirá-la.</p><p>Não é permitido encostar no corpo da outra pessoa, apenas no</p><p>implemento na linha da cintura.</p><p>Para poder retirar a �ta da cintura, é preciso uma ação de toque,</p><p>simulando o encontrado em determinadas modalidades de luta.</p><p>Cada vez que se consiga retirar a �ta, computa-se 1 ponto.</p><p>As duplas podem ser trocadas para maior interação entre as pessoas.</p><p>132</p><p>Exercício 2: Toque combinado</p><p>Materiais</p><p>Para essa atividade não é necessário nenhum material.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Essa é uma atividade realizada em grupo.</p><p>Os alunos devem se espalhar pela quadra ou campo.</p><p>O professor deverá falar sobre uma informação referente a alguma</p><p>característica encontrada nos alunos da turma. Por exemplo: o professor</p><p>pode falar uma determinada cor (camiseta de um aluno) uma</p><p>determinada característica (cabelo encaracolado) ou outra forma que</p><p>indique alguma consideração sobre um ou mais alunos do grupo.</p><p>A partir da informação dada pelo professor, os alunos devem buscar tocar</p><p>nesta(s) pessoa(s) que apresenta(m) esta(s) característica(s). Por exemplo,</p><p>se o professor falar “tênis vermelho”, os alunos devem buscar encostar em</p><p>alguém que está com um tênis vermelho.</p><p>As ações permitidas são os toques (leves), encostando na característica</p><p>sinalizada nos alunos, sinalizada (sonoramente) pelo professor.</p><p>Não é permitido desferir socos ou chutes e nem outros golpes intensos.</p><p>Também não há a possibilidade de realizar ações de agarre, como puxar e</p><p>empurrar, tendo em vista que esta é uma atividade de média distância.</p><p>Ao aluno que apresente a característica apresentada pelo professor, este</p><p>deve buscar fugir, desviando-se, tentando não ser pego pelos outros</p><p>alunos.</p><p>Essa brincadeira pode ser realizada como forma de aquecimento ou para</p><p>encerrar alguma aula ou, ainda, para iniciar o processo de introdução das</p><p>lutas de média distância.</p><p>Exercício 3: Boxe escolar</p><p>Objetivo especí�co da atividade</p><p>Praticar alguns golpes em dupla adaptados do boxe, estimulando a con�ança e</p><p>o respeito ao colega.</p><p>133</p><p>Materiais</p><p>Espuma com densidade resistente, cortada em retângulos de 17 centímetros</p><p>por 15 centímetros, aproximadamente, com um furo próximo da parte superior</p><p>(aproximadamente no meio da espuma) su�ciente para transpassar o dedo</p><p>médio. Há outros materiais (por exemplo, esponja de lavar louça) que podem</p><p>ser adaptados, de acordo com as possibilidades de cada região.</p><p>Desenvolvimento</p><p>Em duplas, um de frente para o outro.</p><p>Solicite que um dos alunos da dupla coloque as proteções de espuma nas</p><p>palmas das mãos, entrelaçando-as no dedo médio de cada mão.</p><p>O aluno que colocar a proteção deve permanecer com os braços na altura</p><p>dos ombros e cotovelos semi�exionados, buscando aparar os toques</p><p>desferidos pela outra pessoa.</p><p>O aluno que for realizar os movimentos de soco deve permanecer com as</p><p>pernas em base, uma de frente para a outra. Os punhos devem estar</p><p>cerrados e as mãos devem ser colocadas próximas ao rosto visando à</p><p>proteção da cabeça.</p><p>Ao comando do professor, o aluno que for golpear deverá desferir toques,</p><p>simulando socos (leves) na espuma apoiada na palma da mão do colega.</p><p>O foco aqui é introduzir algumas características de socos, com especial</p><p>atenção aos aspectos técnicos de guarda elevada e forma correta de</p><p>desferir o soco.</p><p>É importante que o professor �que atento para que nenhum aluno venha</p><p>a se machucar com a atividade.</p><p>Assim, o braço de quem receber os socos deve estar rígido, porém, com os</p><p>cotovelos semi�exionados.</p><p>134</p><p>CONECTE-SE</p><p>Um projeto social e esportivo que ensina Muay Thai para dezenas de</p><p>crianças e adolescentes, do arquipélago de Bailique, 149 quilômetros</p><p>de Macapá, capital do Amapá, luta para não fechar as portas.</p><p>Segundo o idealizador do projeto, Tony Chamas Amanajás, praticante</p><p>da arte marcial, o espaço onde são dadas as aulas não é próprio e foi</p><p>cedido por alguns meses pelo Conselho Comunitário da localidade,</p><p>mas o prazo de entrega já expirou e não existe recursos para alugar</p><p>outro local.</p><p>Leia mais:</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática dos esportes de média distância é importante no processo</p><p>de desenvolvimento cognitivo e comportamental de crianças e</p><p>adolescentes. Com características distintas das ações de curta</p><p>distância, promove maior necessidade de coordenação e agilidade</p><p>dos alunos, sendo um estímulo positivo para a promoção da saúde.</p><p>135</p><p>https://go.eadstock.com.br/hdc</p><p>https://go.eadstock.com.br/hdc</p><p>PARA GABARITAR</p><p>A grande característica das modalidades de média distância é que as</p><p>ações realizadas são relacionadas ao toque no corpo do outro</p><p>praticante. Essas ações podem ser chutes, socos, joelhadas,</p><p>cotoveladas, entre outras formas, de acordo com a modalidade, com</p><p>o objetivo de tocar ou realizar uma ação de percussão no corpo de</p><p>outrem (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>136</p><p>15</p><p>Aplicações Práticas</p><p>de Ações de Longa</p><p>Distância</p><p>Nesta aula, iremos discutir sobre como as práticas de longa distância,</p><p>características às modalidades de combate, podem ser inseridas no contexto</p><p>escolar promovendo melhoras signi�cativas no processo de formação e ensino-</p><p>aprendizagem de crianças e adolescentes.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Veri�car como aplicar as ações de longa distância.</p><p>22 Determinar quais os melhores métodos de aplicar este</p><p>tipo de ação.</p><p>33 Exempli�car como deve ser o processo de ensino e</p><p>aprendizagem das ações de longa distância.</p><p>Maneiras de Aplicar Ações de</p><p>Curta e Longa Distância no</p><p>Âmbito das Lutas</p><p>Uma das principais características das ações de longa distância se refere ao uso</p><p>de implementos, além disso, apresentam algumas características similares às</p><p>de média distância, sendo que o objetivo é tocar ou percutir, de alguma forma,</p><p>138</p><p>o corpo da outra pessoa. Por meio dessas características,</p><p>a utilização de implementos possibilita às ações de longa distância</p><p>características peculiares, ou seja, a distância entre os envolvidos</p><p>precisa ser, de forma geral, maior do que nas práticas de média</p><p>distância, por exemplo, para haver um processo de e�cácia maior na</p><p>utilização dessas ferramentas (Ru�no e Darido, 2015, p. 161).</p><p>O uso dos implementos e os diversos objetos diferentes foram sendo</p><p>apropriados de variadas formas por diversas modalidades, objetivando</p><p>promover um processo de e�cácia e e�ciência das ações motoras dessas</p><p>práticas.</p><p>O controle dos implementos e sua intermediação durante a realização das</p><p>ações motoras, além de ser um importante atrativo, permite grande variedade</p><p>de ações técnicas e táticas de controle do próprio implemento e do outro</p><p>envolvido, resultando em ações variadas (Ru�no e Darido, 2015).</p><p>Como exemplos de lutas que utilizam implementos para determinadas ações,</p><p>podemos citar a esgrima, uma das práticas mais conhecidas de luta de longa</p><p>distância. Porém, há outras modalidades, como o kendô e o kempo, por</p><p>exemplo, que também utilizam implementos. Além disso, não podemos nos</p><p>esquecer que outras modalidades, como o kung fu, também empregam</p><p>implementos em determinados momentos (Ru�no e Darido, 2015).</p><p>Os alunos devem assimilar ao �nal desta aula, que as práticas</p><p>imprevisíveis/inesperadas de longa distância envolvem implementos que</p><p>empregam essa lógica nas suas ações. Se faz necessário que os alunos também</p><p>devem praticar e vivenciar as atividades de longa distância buscando respeitar</p><p>os colegas, evitando qualquer forma de violência</p><p>(Ru�no e Darido, 2015).</p><p>Veremos, a seguir, propostas de atividades a partir das ações de longa distância</p><p>com toque direto, ou seja, que tem no outro o objetivo da ação empreendida.</p><p>Nessas atividades, por meio da utilização de implementos, nosso objetivo é</p><p>compreender a intencionalidade centrada no outro. Vamos ao combate!</p><p>Atividade 1: Lutas de espadas</p><p>Materiais</p><p>inúmeros materiais que podem ser utilizados, como jornais, espumas de</p><p>diversas densidades e tamanhos, isopor, garrafas pet para confecção da</p><p>empunhadura, entre muitos outros (imagem 1).</p><p>139</p><p>Desenvolvimento da atividade</p><p>Trata-se de uma série de vivências que apresentam o mesmo objetivo: em</p><p>duplas, um de frente para o outro, com algum dos implementos possíveis,</p><p>deve-se tocar, com os materiais, na outra pessoa sem que ela encoste em</p><p>você.</p><p>Essa dinâmica é primordial para a compreensão do jogo de luta de longa</p><p>distância cujo objetivo seja direto.</p><p>Variações</p><p>Em duplas, um de frente para o outro, com implementos feitos de jornal,</p><p>conforme ilustrado na �gura a seguir, objetivando-se tocar na outra pessoa</p><p>sem que ela toque em você. Para cada toque, efetua-se 1 ponto. As duplas</p><p>podem ser trocadas.</p><p>Em duplas, com implementos feitos de espuma. Há diversos materiais e</p><p>densidades possíveis, alguns mais maleáveis que os outros. Embora os</p><p>materiais maleáveis sejam interessantes, pois di�cilmente permitem</p><p>alguma lesão, também di�cultam a realização dos movimentos. Nas</p><p>Fonte: freepik.</p><p>140</p><p>utilizações em aula, foi interessante colocar uma folha de jornal no meio</p><p>dos materiais para facilitar a execução dos movimentos sem deixá-los</p><p>rígidos demais. Objetiva-se novamente encostar o implemento no outro.</p><p>Em duplas, agachados, como na luta de galo, mas com implemento.</p><p>Objetiva-se tocar o implemento no outro, porém, em um outro plano, o</p><p>medial. Para cada contato, computa-se 1 ponto.</p><p>Em duplas, espaço delimitado. O professor pode delimitar um espaço,</p><p>geralmente, mais estreito e comprido para a realização das ações de toque</p><p>direto com implemento, facilitando o caminhar, com ações menos</p><p>circulares e mais vetoriais (andar para frente e para trás).</p><p>Em duplas, com árbitros. Os implementos costumam ser bastante</p><p>estimulantes aos alunos. Nas atividades com implementos, algumas vezes,</p><p>implementou-se a estratégia de, em vez de realizar a atividade em duplas,</p><p>ser em trios. Dessa forma, enquanto dois realizam a brincadeira, um aluno</p><p>representa a �gura de árbitro, iniciando o jogo e o interrompendo, além de</p><p>computar os pontos.</p><p>Em duplas, com giz. Dependendo do material utilizado, há uma abertura</p><p>na ponta, possível de colocar um pedaço de giz, que servirá como</p><p>marcação para os pontos. Destaca-se que isso pode sujar a roupa, sendo</p><p>necessário utilizar uma vestimenta mais velha ou, então, uma folha de</p><p>jornal ou saco plástico de proteção.</p><p>Durante os processos de aplicação nas escolas, as atividades de lutas escolares</p><p>de longa distância motivam muito os alunos, uma vez que os implementos são</p><p>importantes estímulos que costumam despertar o interesse deles. Isso pode</p><p>ser um aliado nas aulas, mas é necessário ter cuidado para não haver nenhum</p><p>acidente. O ideal é que os toques sejam na linha da cintura e braços. É preciso</p><p>prestar atenção ainda na densidade do material para não machucar os colegas</p><p>e nem se machucar.</p><p>141</p><p>CONECTE-SE</p><p>No ano passado, contamos a história de uma professora que ensinou</p><p>a esgrima para os alunos usando bastões de “bate-bate”, aqueles</p><p>distribuídos para os torcedores em algumas competições. Hoje</p><p>trazemos a ideia de Adriana Mailan, que também ensinou a esgrima</p><p>na escola, mas, dessa vez, os materiais usados foram papelão, jornal e</p><p>tinta.</p><p>Adriana dá aulas de Educação Física para o 5º ano na EMEF Martinho</p><p>Lutero, em São Lourenço do Sul (RS). Motivada pelos conteúdos do</p><p>Impulsiona, a professora decidiu levar novas modalidades para escola,</p><p>só que de um jeito especial!</p><p>A “esgrima colorida” funciona assim: os alunos usam os �oretes feitos</p><p>de jornal mergulhados em tinta para marcar as pontuações nos</p><p>coletes e capacetes de papelão dos colegas. Além de incentivar a</p><p>sustentabilidade, essa prática foi interdisciplinar, com a parceria entre</p><p>Educação Física e artes na construção dos equipamentos com</p><p>materiais recicláveis.</p><p>Leia mais:</p><p>142</p><p>https://go.eadstock.com.br/hdd</p><p>https://go.eadstock.com.br/hdd</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática dos esportes de longa distância é muito importante no</p><p>processo de desenvolvimento cognitivo e comportamental de</p><p>crianças e adolescentes. Por meio da ludicidade, deve ser ensinado o</p><p>respeito aos colegas e ao mesmo tempo o estímulo de várias</p><p>valências físicas.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>Há, ainda, uma série de discussões a respeito da importância de se</p><p>utilizar os implementos para a compreensão mais ampliada das lutas</p><p>da escola, bem como a necessidade de haver uma postura de</p><p>organização e respeito para que as atividades de longa distância</p><p>possam ser bem aproveitadas e possibilitem a aprendizagem de</p><p>conteúdos signi�cativos nas três dimensões dos conteúdos (Ru�no;</p><p>Darido, 2015).</p><p>143</p><p>16</p><p>Planos de Ação no</p><p>Processo de Ensino</p><p>de Lutas nas Escolas</p><p>Em continuidade, nesta aula, falaremos sobre os alvos anatômicos que são</p><p>adaptados para a prática de lutas de maneira lúdica. O objetivo é apresentar</p><p>atividades e maneiras de facilitar a aderência e a assimilação dos conteúdos</p><p>para crianças e adolescentes.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Veri�car como aplicar as ações de média distância.</p><p>22 Determinar quais os melhores métodos de aplicar este</p><p>tipo de ação.</p><p>33 Exempli�car como deve ser o processo de ensino e</p><p>aprendizagem das ações de média distância.</p><p>Os Alvos Corporais na Prática</p><p>das Lutas</p><p>Como vimos, os alvos das lutas correspondem sempre ao corpo da outra</p><p>pessoa (ou parte desse corpo). Ou seja, os alvos se referem a quem recebe as</p><p>ações e representam o objetivo de realização das ações motoras. Esse alvo pode</p><p>ser o objetivo �nal da ação, ou seja, o objetivo direto (p. ex., uma �nalização), ou</p><p>pode ser o meio para um outro �m, ou seja, objetivo indireto (p. ex., exclusão de</p><p>145</p><p>um determinado espaço). No entanto, para efeito didático e melhor forma de</p><p>compreender as lutas da escola, podemos dividir esse alvo (o corpo da outra</p><p>pessoa) em três níveis: superior, médio e inferior (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>@freepik</p><p>Os Planos de Ação das Lutas na</p><p>Escola</p><p>Outra consideração importante sobre as lutas na escola está nos planos de</p><p>realização das ações motoras. Enquanto o alvo corresponde ao local de ação na</p><p>outra pessoa (objetivo esperado), os planos se referem a quem realiza a ação.</p><p>Dessa forma, o alvo corresponde ao local onde a ação será realizada no outro,</p><p>ao passo que o plano representa o local onde a pessoa que realiza a ação se</p><p>encontra. Os planos podem ser divididos em quatro níveis: baixo, medial, alto e</p><p>em suspensão (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Dessa forma, ao ensinar uma</p><p>atividade referente às lutas nas</p><p>aulas escolares ou uma</p><p>determinada ação motora,</p><p>especi�camente, o professor pode</p><p>utilizar a divisão do alvo para</p><p>objetivar a proposta desejada.</p><p>Assim, em uma determinada</p><p>atividade, o professor pode</p><p>considerar que só valem golpes na</p><p>parte média, ou seja, na região do</p><p>tronco. Isso contribui para haver</p><p>maior clareza nas ações didáticas,</p><p>auxiliando com o processo de</p><p>ensino e aprendizagem.</p><p>146</p><p>Na compreensão dos planos, a característica mais importante é que deve ser</p><p>sempre considerado quem realiza a ação, ou pelo menos quem estamos</p><p>analisando na ação correspondente. Isso se deve ao fato de não</p><p>necessariamente ambos os praticantes estarem no mesmo plano. Por exemplo,</p><p>um pode estar no plano baixo, deitado no chão e o outro no plano alto, em pé.</p><p>Devemos pensar sobre que plano deveremos colocar e, também, sobre com</p><p>qual tipo de luta estamos trabalhando (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Devemos, ainda, nos atentar ao seguinte fato de que alvos e planos se</p><p>modi�cam constantemente ao longo das ações das lutas em âmbito escolar.</p><p>Cada ação em especí�co possui alvos e planos diferenciados. Ou seja, em uma</p><p>01</p><p>Princípios Históricos dos</p><p>Esportes de Combate</p><p>Olá, alunos, sejam bem-vindos à disciplina de esportes de combate!</p><p>Nesta primeira aula, iremos abordar aspectos relacionados ao surgimento dos</p><p>esportes de combate, sua relação com a evolução e desenvolvimento humano.</p><p>Além disso, iremos discorrer sobre os impactos sociais positivos da prática de</p><p>lutas no processo de formação de crianças e adolescentes.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Investigar os processos históricos relacionados aos</p><p>esportes de combate.</p><p>22 Abordar a relação dos esportes de combate com a</p><p>educação e formação de pessoas.</p><p>33 Impacto social que os esportes de combate propiciam.</p><p>Histórico e Evolução das Lutas</p><p>Toda ciência possui suas origens relacionadas à história da humanidade,</p><p>portanto, para que seja possível compreender a história e, principalmente, a</p><p>evolução dos esportes de combate (lutas), é necessária a compreensão sobre</p><p>suas respectivas origens e inserção sociocultural. Os relatos históricos mostram</p><p>a grande diversidade e formas de expressão, repertórios técnicos, linguagens,</p><p>8</p><p>organização e institucionalização (Correia; Franchini, 2010). No entanto,</p><p>especi�car um período exato relacionado ao surgimento das lutas é incoerente,</p><p>sendo que as origens derivam de contextos socioculturais diversos.</p><p>De acordo com os registros históricos, a utilização de formas primitivas de</p><p>esportes de combate data aproximadamente a quatro mil anos antes de Cristo.</p><p>Porém, antes a este período, a necessidade de sobrevivência do homem</p><p>primitivo nos remete também à necessidade de Luta (Virgílio, 1994).</p><p>Os diferentes signi�cados atribuídos às Artes Marciais e Lutas possibilitaram a</p><p>sua inserção e aderência por diversas camadas da sociedade em relação às</p><p>suas práticas atualmente (Gonçalves; Da Silva, 2013). De acordo com Guttman</p><p>(1978), as Modalidades Esportivas de Combate seriam a “esportivização” das</p><p>Lutas e das Artes Marciais. Em um contexto histórico, sabe-se que a prática das</p><p>lutas é de origem milenar, apresentando diversas de�nições quanto às suas</p><p>características em relação às especi�cidades das Artes Marciais (Paulucci, 2017).</p><p>Provavelmente, movimentos realizados nas lutas e esportes de combate</p><p>tivessem relação direta com a agressividade inerente dos seres humanos em</p><p>respostas a diversas situações que perturbam nosso estado de “quietude”.</p><p>Além disso, questões ambientais e comportamentais exercem grande</p><p>in�uência no surgimento dos esportes de combate. Atividades diárias comuns</p><p>aos nossos ancestrais com o intuito de sobrevivência, como, por exemplo:</p><p>combate em resposta à hostilidade do meio ambiente, necessidade de caça, a</p><p>PARA GABARITAR</p><p>A palavra “luta” é repleta de representações e signi�cados, resultando</p><p>em grande amplitude polissêmica. O termo não se refere somente às</p><p>Lutas de caráter de combate, mas também às lutas e às classes</p><p>(Correia; Franchini, 2010). As Lutas, Artes Marciais e as Modalidades</p><p>Esportivas de Combate apresentam muitas similaridades, em que</p><p>detalhes como o histórico social, geogra�a, �loso�a, aspectos sociais e</p><p>religiosos in�uenciam diretamente sobre suas características.</p><p>9</p><p>conquista de parceiras com o intuito de reprodução da espécie, e pela busca</p><p>pelo poder, são exemplos ambientais e comportamentais (Figura 1) (Paiva 2015,</p><p>p. 19; Júnior, 2019).</p><p>Além disso, outro fator que contribuiu para a evolução das lutas e esportes de</p><p>combate foi a necessidade iminente de defesa de territórios e a autodefesa</p><p>contra invasores. Um exemplo deste comportamento pode ser observado junto</p><p>aos povos indígenas durante seus rituais, quando apresentavam as Lutas</p><p>durante seus aspectos culturais, como meio de manifestar sua cultura e</p><p>aspectos de combate/defesa. E, ao passar do tempo, por meio dos avanços</p><p>culturais e tecnológicos, houve a evolução e aprimoramento nas formas de</p><p>combate, com objetivo primordial e negativo para o uso durante as batalhas</p><p>em guerras (Paulucci, 2017).</p><p>Esse comportamento é bem característico à civilização Grega (Grécia antiga),</p><p>em que as Lutas de combate eram empregadas na preparação de soldados</p><p>para as batalhas. Com a evolução do tempo, as Lutas foram incorporadas na</p><p>cultura popular, por meio das práticas de exercícios físicos (jogos) na Europa e,</p><p>Figura 1 - Imagem representativa de ancestrais e seus respectivos hábitos</p><p>Fonte: freepik.</p><p>10</p><p>também, como autodefesa. Um exemplo de esportes de combate utilizado</p><p>como autodefesa é a Capoeira, criada pelos escravos africanos no Brasil,</p><p>representando a Luta e a expressão cultural deste povo (Lacrose; Nunes, 2015).</p><p>Todavia, o homem não se limitou a apenas suas características intrínsecas, mas</p><p>também recebeu in�uências de ordem observacional. Pinturas rupestres de</p><p>nossos antepassados e em tumbas do antigo Egito é possível inferir que as</p><p>civilizações daquela época observavam o combate entre os animais e copiavam</p><p>esses movimentos ao seu repertório de lutas.</p><p>Ao passar dos anos, décadas e séculos, em resposta à grande evolução</p><p>tecnológica relacionada às Guerras, as Lutas sofreram grandes mudanças em</p><p>seu contexto social. Desde então, os esportes de combate passaram a ser</p><p>praticados por desporto e não mais relacionados para a preparação para as</p><p>guerras. A partir de então, as Lutas começam a ser regidas por regras,</p><p>agremiações e confederações que controlam as competições e o avanço</p><p>sociocultural das Lutas em todo o mundo (Oliveira e Santos, 2006).</p><p>Em um passado mais recente, as lutas ganharam destaque nas edições dos</p><p>jogos olímpicos modernos desde sua primeira edição, em 1896, e a presença</p><p>das Lutas, com várias modi�cações em relação às suas origens é comum até os</p><p>dias atuais, promovendo grandes espetáculos e grandes disputas entre os</p><p>participantes, no entanto, sem apologia à violência.</p><p>Portanto, os esportes de combate (lutas) representam grande destaque e</p><p>importância no cotidiano e nas culturas ocidental e oriental, contribuindo para</p><p>a formação de indivíduos cada vez mais conscientes das mensagens</p><p>comportamentais característicos aos dogmas das Lutas, os quais são muito</p><p>importantes para a formação de uma sociedade cada vez mais desenvolvida e</p><p>consciente.</p><p>Vale salientar que essa grande inserção das Lutas, Artes</p><p>marciais e Lutas de combate deve-se ao fato da migração</p><p>das culturas orientais às regiões ocidentais, onde houve</p><p>grande aceitação e a aderência de praticantes tanto pela</p><p>luta como também pelos ideais e conceitos religiosos</p><p>inseridos nas lutas em geral.</p><p>11</p><p>Diante do exposto até o momento, podemos observar que a prática dos</p><p>esportes de combate, ou seja, as lutas, são constituídas pelas características</p><p>evolutivas dos seres humanos, em resposta aos desa�os ambientais, culturais e</p><p>religiosos que nossa sociedade vivenciou durante sua evolução secular.</p><p>Além disso, devido a muitas modalidades de esportes de combate possuírem</p><p>in�uências religiosas e de caráter de autodefesa, muitos valores morais e de</p><p>caráter são transmitidos aos praticantes destas modalidades. Sendo assim, a</p><p>prática de lutas (esportes de combate) durante as fases de desenvolvimento</p><p>infanto-juvenil é extremamente positivo na formação de futuros cidadãos.</p><p>Imagem 2 - Lutadores de Judô</p><p>Fonte: pexels.</p><p>12</p><p>CONECTE-SE</p><p>Na Índia e na China surgiram os primeiros indícios de formas</p><p>organizadas de combate. Muitas histórias cercam as Lutas e suas</p><p>modalidades, estilos, sistemas. A origem e os fatos foram distorcidos</p><p>ao longo dos tempos, pois os antigos mestres não repassaram seus</p><p>conhecimentos facilmente, além disso, não existiam muitos registros</p><p>documentados e quando existiam �cavam nas mãos de poucos ou</p><p>foram destruídos ao longo dos tempos.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática de lutas (esportes de combate) apresenta uma excelente</p><p>função na formação de cidadãos com aspectos éticos e morais, que</p><p>são transmitidos a seus praticantes por meio de seus dogmas e</p><p>doutrinas, inerentes às bases que constituem as práticas. Tais</p><p>fundamentos são bons alicerces para o processo de formação de</p><p>crianças e adolescentes.</p><p>13</p><p>https://go.eadstock.com.br/g05</p><p>https://go.eadstock.com.br/g05</p><p>luta de MMA assistida na televisão, por exemplo, com 5 minutos de duração por</p><p>round, pode haver uma quantidade muito grande de alvos e planos de ação a</p><p>ser analisada. Na verdade, em cada ação há um alvo e um plano envolvido</p><p>(Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Da mesma maneira que a concepção de alvos, as características de planos</p><p>auxiliam didaticamente no ensino das lutas da escola. É possível que o</p><p>professor possa caracterizar determinada proposta de atividade a partir dos</p><p>planos envolvidos, auxiliando na compreensão dos alunos e no enriquecimento</p><p>da prática.</p><p>Podemos de�nir, então, que as lutas, na perspectiva apresentada aqui são</p><p>práticas motrizes que podem ser distinguidas pelo nível de imprevisibilidade</p><p>das suas ações. Quanto mais essas ações são esperadas, previsíveis e</p><p>planejadas, mais elas se enquadram na classi�cação das formas, ou</p><p>movimentos coreografados. Quanto mais inesperadas e imprevisíveis são estas</p><p>ações, elas podem ser classi�cadas como ações de enfrentamento direto,</p><p>sendo mais inesperadas.</p><p>As ações esperadas podem ser divididas em duas categorias: aquelas realizadas</p><p>individualmente e aquelas realizadas em grupo/coletiva. Dentro do grupo de</p><p>ações esperadas em grupo/coletiva há uma subdivisão, uma vez que elas</p><p>podem ser de simulação com sincronia de movimentos, quando todos os</p><p>envolvidos realizam as mesmas ações ou de oposição organizada/planejada,</p><p>quando há oposição entre os envolvidos, porém, de uma forma combinada,</p><p>esperada, articulada (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Com relação às ações inesperadas, elas se desenvolvem em tempos</p><p>e espaços bem de�nidos, porém, mais imprevisíveis. Os espaços</p><p>podem ser classi�cados, de acordo com a distância das ações, ou</p><p>seja: curta, média, longa e mista (quando há a combinação de duas</p><p>ou mais ações) (Ru�no; Darido, 2015, p. 177).</p><p>147</p><p>As ações dadas das diferentes técnicas motoras classi�cam-se em agarre, no</p><p>caso das ações de curta distância, e de toque, no caso das ações de média e</p><p>longa distância. Todavia, referente às ações de longa distância, esse toque é</p><p>intermediado pelo uso de algum implemento, e as ações de agarre/toque, no</p><p>caso das práticas de distância mista, que se caracterizam por ações de toque e</p><p>de agarre, podendo ser de curta, média e longa distância (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Além disso, as ações variam, de acordo com diferentes intencionalidades,</p><p>de�nidas como diretas e indiretas. As ações diretas são aquelas em que o outro</p><p>é o �m, ou seja, de acordo com diferentes técnicas e/ou ações motoras,</p><p>objetiva-se acertar o outro, atingir, golpear, submeter, entre outras. As ações</p><p>indiretas são aquelas nas quais se utiliza o outro como meio para se atingir</p><p>outros �ns, os quais podem ser a exclusão do espaço, o nocaute, o encostar em</p><p>alguma parte do corpo do oponente no chão, entre outros.</p><p>Percebe-se que, independentemente de as ações serem diretas ou indiretas, o</p><p>“alvo” é sempre o outro, ou seja, é personi�cado no oponente. Esse “alvo”,</p><p>compreendido como o corpo do oponente, é caracterizado por quem recebe a</p><p>ação, e pode ser dividido em três diferentes níveis: inferior (representado pelas</p><p>pernas até a linha da cintura), médio (linha da cintura até abaixo do pescoço do</p><p>oponente e braços, quando se encontrarem abaixados) e superior</p><p>(representado pela cabeça, pescoço e ombros e braços, quando se</p><p>encontrarem levantados) (Ru�no; Darido, 2015).</p><p>Além disso, existem os planos de ação que representam os diferentes níveis nos</p><p>quais as ações podem e devem ser realizadas. Se enquanto o alvo representa o</p><p>oponente que recebe a ação, os planos de ação se baseiam sempre em quem</p><p>faz (executa) a ação. Os planos de ação variam em quatro formas:</p><p>baixo: quando a ação é executada no chão ou muito próxima do chão;</p><p>medial: ações com o corpo agachado, ajoelhado, mas não rente ao chão;</p><p>alto: quando as ações são executadas em pé, corpo levantado e,</p><p>�nalmente,</p><p>em suspensão: que, como o próprio nome designa, representa as ações</p><p>executadas em suspensão, ou seja, com os pés fora do chão.</p><p>Dessa maneira, nesta aula, realizamos a categorização e classi�cação das lutas</p><p>que são aplicadas em âmbito escolar, consideradas aqui como ações motoras</p><p>existentes e que podem ser ensinadas por meio de estratégias lúdicas</p><p>relacionadas aos jogos de luta.</p><p>148</p><p>CONECTE-SE</p><p>As lutas e artes marciais devem ser entendidas na educação física</p><p>escolar como cultura do corpo e do movimento. Assim, o objetivo não</p><p>será formar atletas ou competidores, mas colocar os alunos em</p><p>contato com essas manifestações culturais.</p><p>“São práticas historicamente importantes e que acompanham os</p><p>seres humanos ao longo do tempo. Re�etem os modos de ser, viver e</p><p>pensar das pessoas e sociedades em momentos históricos diferentes</p><p>e atualmente”, resume o doutorando em educação física e membro</p><p>do Grupo de Estudos e Pesquisa em Pedagogia das Lutas da</p><p>Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Álex Sousa Pereira.</p><p>Como ensinar? Acesse:</p><p>149</p><p>https://go.eadstock.com.br/hde</p><p>https://go.eadstock.com.br/hde</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Para ensinar os alunos sobre quais as regiões de aplicação dos golpes</p><p>durante o ensino lúdico das lutas em âmbito escolar, basta usar a sua</p><p>imaginação! Demarque as regiões do corpo dos alunos com �tas de</p><p>cores distintas, uma cor para cada região (baixo, medial e alto). Em</p><p>seguida, em duplas, peça que os alunos toquem a região, de acordo</p><p>com seu comando de voz. Isso ajudará na assimilação anatômica.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>As ações motoras das lutas são dinâmicas e variam, de acordo com</p><p>cada situação. A partir dessa consideração fundamental, podemos</p><p>introduzir as explicações referentes aos conceitos dos alvos e dos</p><p>planos que também auxiliarão na compreensão das lutas da escola</p><p>(Ru�no; Darido, 2015).</p><p>150</p><p>151</p><p>152</p><p>Princípios Históricos dos Esportes de Combate</p><p>Aspectos Históricos dos Esportes de Combate</p><p>Características das Modalidades Esportivas de Combate</p><p>Aspectos Pedagógicos das Lutas</p><p>Origens do Judô e sua Influência Social</p><p>Processos de Ensino e Aprendizagem do Judô</p><p>Origem e Aspectos Socioculturais da Capoeira</p><p>Fundamentos Teórico-Práticos no Ensino da Capoeira</p><p>Origens Históricas do Jiu-jitsu</p><p>Fundamentos Teórico-práticos no Ensino do Jiu-Jitsu</p><p>Origens Históricas do Pugilismo</p><p>Fundamentos Teórico-práticos no Ensino do Boxe</p><p>Aplicações Práticas de Ações de Curta Distância</p><p>Aplicações Práticas de Ações de Média Distância</p><p>Aplicações Práticas de Ações de Longa Distância</p><p>Planos de Ação no Processo de Ensino de Lutas nas Escolas</p><p>PARA GABARITAR</p><p>Atente-se para transmitir não somente as regras e detalhes das lutas</p><p>e esportes de combate, mas também como eles podem ser aplicados</p><p>no dia a dia dos futuros cidadãos, principalmente como o combate à</p><p>violência em seu âmbito geral e na autodefesa.</p><p>14</p><p>02</p><p>Aspectos Históricos dos</p><p>Esportes de Combate</p><p>Olá, alunos, espero que estejam bem! Nesta aula, iniciaremos a discussão sobre</p><p>a analogia dos esportes de combate e a sua relação com as artes marciais, onde</p><p>o contexto histórico e o religioso se misturam e in�uenciam toda a aderência e</p><p>evolução das modalidades de esportes de combate.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Investigar os processos históricos relacionados aos</p><p>esportes de combate.</p><p>22 Relação dos esportes de combate com as lutas</p><p>contemporâneas.</p><p>33 Avaliar a aplicabilidade das artes marciais no contexto</p><p>infanto-juvenil.</p><p>Histórico e Evolução dos</p><p>Esportes de Combate (Lutas)</p><p>Por meio dos registros históricos sobre os esportes de combate, acredita-se que</p><p>seu início tenha ocorrido por volta de cinco mil anos a.C., originando-se de uma</p><p>Arte Marcial indiana praticada por Buda, conhecida como Vajaramushti, o que</p><p>signi�ca “punho real ou punho direito”. De acordo com a evolução (passar dos</p><p>16</p><p>anos), as civilizações aperfeiçoaram seus modos de combate e foram de</p><p>maneira gradativa aprimorando-as com o foco de uso em batalhas (Suares,</p><p>2016).</p><p>Muitos autores buscam de�nir os signi�cados das Lutas, Artes Marciais e</p><p>Modalidades de Esporte de Combate com o intuito de classi�cá-los em classes.</p><p>Uma das possíveis de�nições sobre o termo “Artes Marciais” é “sistema de</p><p>diversas Lutas que em sua grande maioria não utilizam armas de fogo ou algo</p><p>semelhante durante suas práticas”. Outra explicação seria a de�nição de um</p><p>“conjunto de práticas corporais que são construídas a partir de uma noção</p><p>denominada de “metáfora da guerra”, onde tais práticas derivam de técnicas</p><p>de guerra como remete o nome” (Correia; Franchini, 2010; Paulucci, 2017).</p><p>Como exemplo, podemos citar o judô, kendô, karatedô e aikidô, todos de</p><p>origem japonesa, derivam de outras formas de luta regidas pelo antigo código</p><p>dos samurais denominado bujutsu (bu denota a dimensão militar e jutsu é</p><p>traduzido como técnica, arte ou método) (Gomes, 2014)”.</p><p>17</p><p>Já em relação ao signi�cado do termo, “Artes Marciais”, acredita-se que em sua</p><p>origem ocidental a palavra “marcial” se refere à divindade romana, Marte (deus</p><p>da guerra), e a tradução literal seria “arte da guerra”. Porém, em países Orientais</p><p>existem outros termos para as Artes Marciais. Por exemplo, na China, é</p><p>conhecida como Wushu e, no Japão, Bujutsu (signi�cado de arte da guerra)</p><p>(Paulucci, 2017).</p><p>No entanto, a palavra “marcial” está atrelada ao signi�cado de “guerra”, o termo</p><p>foi alterado de maneira de�nitiva, no �nal do século XIX (Paiva, 2015), no</p><p>Ocidente. Nesse sentido, as artes marciais eram vistas como métodos militares</p><p>praticados pelos samurais com o propósito de defesa da população durante o</p><p>período feudal.</p><p>Assim, a partir de sistemas ou técnicas diversas de combate</p><p>situadas em diferentes contextos sociais, essas elaborações culturais</p><p>passam por um autêntico processo de ressigni�cação, em que a</p><p>dimensão ética e estética ganha uma expressiva proeminência</p><p>(Ru�no; Darido, 2011).</p><p>Anteriormente ao processo de “esportivização” dos esportes de combate, a</p><p>cultura das Artes Marciais é constituída por conceitos éticos, �losó�cos e</p><p>morais, com o objetivo de autodefesa. Dessa maneira, o termo “Arte Marcial”</p><p>remete-se às habilidades, técnicas e movimentos pertinentes às suas práticas</p><p>(Ru�no; Darido, 2011). A divisão das artes marciais é in�uenciada diretamente</p><p>por sua localização geográ�ca, como, por exemplo, sobre as representações dos</p><p>mundos ocidental (Europa, África e América) e oriental (Ásia e Oriente Médio).</p><p>Outro fator determinante sobre a nomenclatura das artes marciais diz respeito</p><p>às habilidades que elas possuem, em que os rituais corriqueiros e o simbolismo</p><p>de cada país são representados por meio dos movimentos de lutas. Como</p><p>exemplo, a Capoeira (Brasil), o Caratê e o Judô (Japão), Boxe (Inglaterra) e o</p><p>Taekwondo (Coreia) (Júnior, 2019). As diferenças podem ser observadas sobre as</p><p>maneiras de luta dentre as artes marciais. Há modalidades que usam formas de</p><p>luta a distância utilizando-se de socos e chutes (Krav Maga – Israel), enquanto</p><p>outras utilizam o corpo a corpo sem a utilização de golpes (Judô – Japão)</p><p>(Ru�no; Darido, 2011).</p><p>18</p><p>Acredita-se que a China possa ser o possível local de início da</p><p>prática das lutas. No século VI, o príncipe indiano Bodhidharma</p><p>viajou à China e ensinou os monges técnicas de defesa pessoal</p><p>(kalaripayit) sem a utilização de armas, que foram inseridas aos</p><p>hábitos de meditação e atribuições dos monges, especi�camente</p><p>sobre �loso�a e religião. Difundido ao sul da Índia, o kalaripayit é a</p><p>arte marcial caracterizada pelo uso de movimentos em giro e</p><p>contorções ágeis, sempre sintonizados com a respiração (Júnior,</p><p>2019, p. 35).</p><p>Desde então, os monges tornaram-se excelentes lutadores e especialistas em</p><p>artes marciais, graças aos treinamentos que eram caracterizados por posições</p><p>de combate, quebras de objetos (tijolos, madeiras), saltos e movimentos que</p><p>simulavam o comportamento de animais durante suas lutas. Após a</p><p>popularização dessas técnicas, esse tipo de arte marcial recebeu o nome de</p><p>Kung fu, arte marcial que deu origem à grande maioria das artes marciais</p><p>conhecidas nos dias de hoje, e que também perdura junto à sociedade</p><p>contemporânea. A disseminação do Kung fu resultou no surgimento de novas</p><p>artes marciais, como o caratê e o jiu-jítsu (Júnior, 2019).</p><p>Como vimos, anteriormente, o Kung fu deu origem a diversas outras artes</p><p>marciais, e que estas, juntamente com o próprio Kung fu, passaram por</p><p>transformações (adaptações) principalmente no �nal do século XIX, quando o</p><p>Japão iniciou um processo de exportação de suas culturas para o ocidente. Em</p><p>resposta, as lutas de origem japonesa são as mais conhecidas atualmente tanto</p><p>em nível de Brasil quanto de mundo. A seguir são descritas as principais lutas à</p><p>cultura brasileira e suas de�nições (Júnior, 2019):</p><p>Jiu-jítsu: Originário da Índia, porém, seu aprimoramento e visibilidade</p><p>tiveram destaque no Japão, devido às condições culturais e aderência que</p><p>levou à popularização dessa arte. O Jiu-jítsu teve sua origem há</p><p>aproximadamente 2250 anos e possui grande relação com o budismo.</p><p>Judô: Teve sua origem em 1882, graças ao professor de Jiu-jítsu, Jigoro</p><p>Kano, que foi incumbido de criar uma modalidade de luta baseado no Jiu-</p><p>jítsu, mas que não deixassem claras as técnicas mais e�cientes e secretas.</p><p>Sendo assim, Kano aprimorou vários golpes do Jiu-jítsu, com foco em</p><p>defesa pessoal, buscando equilíbrio entre corpo, espírito e mente. Dessa</p><p>maneira, nasce o Judô (Arruda; Souza, 2014). Em 1886, após sofrer</p><p>adaptações, o Judô passou a ser considerado o esporte o�cial do Japão.</p><p>Taekwondo: Surgimento por volta do ano 1 a.C., praticado em eventos</p><p>folclóricos de três reinos da Coreia (Koguryuo, Silla e Baek-Je), devido à</p><p>necessidade de defesa em resposta a invasões e saques ocorridos nessas</p><p>regiões. O Taekwondo é de origem coreana e é caracterizado por</p><p>19</p><p>movimentos hábeis que incluem socos, perfurações, saltos, chutes e</p><p>bloqueios com o uso de pés e mãos. Caracteriza-se por grande disciplina e</p><p>forte trabalho em relação ao caráter moral de seus praticantes (Chemello;</p><p>Bonone, 2014).</p><p>Kung fu: Essa arte marcial é constituída por métodos físicos de combate,</p><p>meditação, práticas curativas, ensinamentos �losó�cos, éticos e morais. A</p><p>história do Kung-fu (em sua grande parte) foi transmitida entre gerações</p><p>por meio de história e relatos, o que di�culta pontuar com con�abilidade</p><p>datas e detalhes com grande exatidão (Santos Neto; Ressurreição, 2016).</p><p>Caratê: Arte marcial japonesa, derivada do boxe chinês e um estilo de luta</p><p>denominada Okinawa. O signi�cado da palavra representa sua prática</p><p>(mãos vazias), sem uso de armas. Caracteriza-se pela utilização dos</p><p>braços,</p><p>mãos, pernas e pés como “arma” durante as lutas. Os caratecas podem</p><p>executá-la de duas maneiras: Kumite (seria a execução da luta) e o Kata</p><p>(execução de exercícios pré-determinados que demandam muita</p><p>concentração e harmonia durante a execução (Funakoshi apud Ferreira</p><p>Filho; Maccariello, 2009).</p><p>Sendo assim, podemos concluir que artes marciais são aquelas disciplinas que</p><p>expressam a essência do Bujutsu (técnicas de combate com �nalidade de</p><p>guerra de defesa da sociedade). No entanto, quando as artes marciais são</p><p>transmitidas com foco educativo, ético, moldando o caminho com objetivo</p><p>mais espiritual do que prático, caracteriza-se o Budô (Villamón e Espartero,</p><p>1999, p. 79).</p><p>As lutas (esportes de combate), durante o processo de modernização, sofreram</p><p>grande in�uência da economia, promovendo modi�cações no modo de pensar</p><p>sobre a luta marcial, a compreensão e valorização da atividade física, resultando</p><p>em grande aumento da propagação sobre os aspectos das artes marciais.</p><p>A partir de um processo de evolução na estrutura do pensamento,</p><p>do místico ao racional (que contribuiu para um processo de</p><p>secularização das atividades corporais e, consequentemente, das</p><p>artes marciais), do avanço do capitalismo (culminando em</p><p>processos de valorização das atividades físicas como produtos</p><p>especí�cos voltados para a veiculação acumulação de bens</p><p>econômicos) e, consequentemente, de um crescente aumento das</p><p>atividades físicas nos meios de comunicação, as artes marciais</p><p>orientais, atividades criadas com �ns inicialmente bélicos e</p><p>propedêuticos, adquiriram características de esporte, visam à</p><p>competição, à rivalidade, aos benefícios extrínsecos e à vitória a</p><p>qualquer preço (Pimenta, 2008, p. 2).</p><p>20</p><p>Portanto, é inegável a grande importância do ensino das artes marciais em</p><p>âmbito escolar, uma vez que suas práticas não transmitem somente técnica de</p><p>defesa pessoal, mas, sim, conceitos éticos, �losó�cos e comportamentais que</p><p>são elementos fundamentais para a formação de uma sociedade mais sólida e</p><p>pautada em conceitos morais, formada por cidadãos cada vez mais críticos e</p><p>evoluídos.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A prática do Judô pode trazer muito mais benefícios do que somente</p><p>o condicionamento físico. As doutrinas inseridas nos ensinamentos</p><p>da luta são de grande valia na formação de futuros cidadãos.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>A inserção das práticas de esportes de combate nas escolas deve ser</p><p>levada em consideração. Ensinar as crianças e adolescentes a</p><p>praticarem essas modalidades pode ser um bom caminho para não</p><p>se envolverem com drogas e violência, que assolam muitas</p><p>comunidades por todo o Brasil.</p><p>21</p><p>CONECTE-SE</p><p>Formado em Educação Física, Aldo Lubes foi também professor da</p><p>Universidade Federal do Paraná, na disciplina de Lutas da graduação</p><p>de Educação Física. Ele já tinha participado da assembleia de</p><p>fundação da Federação Paranaense de Judô, quando, anos depois, foi</p><p>fundador da Federação Paranaense de Karatê. O trabalho na</p><p>federação credenciou Aldo para ser diretor técnico da Confederação</p><p>Brasileira de Karatê. Assim, o Sensei participou da formação de</p><p>centenas de faixas preta pelo Brasil. No tatame, Aldo chegou a dar</p><p>aulas para Paulo Leminski, grande escritor e poeta paranaense, que</p><p>em 1986, escreveu sobre o Sensei para o Correio de Notícias:</p><p>Discípulo, aprendi com sensei Aldo, não apenas golpes, mas toda a</p><p>grandeza humana que se oculta por trás da prática de uma arte</p><p>marcial.</p><p>A serenidade alerta.</p><p>A paciência diante da derrota.</p><p>A humildade diante da vitória.</p><p>A relatividade diante das derrotas e vitórias.</p><p>Aldo Lubes será sempre o meu mestre.</p><p>Pelo que sabe e pelo que ensina.</p><p>Por sua presença forte.</p><p>Por sua lucidez diante das coisas da vida e da arte.</p><p>Pelo toque sempre preciso.</p><p>Pela clareza com que vê.</p><p>Pelo zen que tem.</p><p>Me orgulho de algumas coisas na vida.</p><p>Dentre elas, pela amizade deste homem, mestre, sábio, amigo!</p><p>22</p><p>https://go.eadstock.com.br/g06</p><p>https://go.eadstock.com.br/g06</p><p>03</p><p>Características das</p><p>Modalidades Esportivas</p><p>de Combate</p><p>Olá, alunos, nesta aula, iniciaremos a discussão sobre as características das</p><p>modalidades de combate, o contexto histórico e sua relação com a evolução</p><p>das modalidades de esportes de combate no Brasil.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Investigar as características dos esportes de combate.</p><p>22 Relação dos esportes de combate com as lutas</p><p>contemporâneas orientais.</p><p>33 Avaliar a aplicabilidade das modalidades esportivas de</p><p>combate no processo de aprendizagem.</p><p>Modalidades Esportivas de</p><p>Combate</p><p>De maneira semelhante às demais modalidades de lutas, as modalidades</p><p>esportivas de combate surgiram, no �nal do século XIX, com destaque para as</p><p>disputas de boxe na Inglaterra e, em seguida, ganharam notoriedade com a</p><p>inserção nos jogos Olímpicos no período da Guerra Fria (Franchini; Del Vecchio,</p><p>2011). Os primeiros confrontos que se assemelham às modalidades esportivas</p><p>de combate ocorridas no Ocidente aconteceram na Grécia Antiga; as</p><p>24</p><p>modalidades eram conhecidas como pugilato e pancrácio e faziam parte dos</p><p>Jogos Olímpicos e demais competições disputadas pelas cidades-estados</p><p>gregas (Poliakoff, 1987). Já, na Roma antiga, ocorriam as modalidades</p><p>esportivas de combate promovendo “espetáculos”, como retratado nas lutas</p><p>entre Gladiadores (Nachmittag, 2002).</p><p>As modalidades esportivas de combate são comumente conhecidas como o</p><p>processo de “esportivização” das lutas e artes marciais, apresentando</p><p>características comuns a estas, como: quanti�cação; superação; burocratização</p><p>e institucionalização, via federações e organizações; secularização;</p><p>especialização; racionalização (Guttmann, 1978). Podemos compreender a</p><p>de�nição de modalidades esportivas de combate da seguinte maneira (Correia</p><p>e Franchini, 2010):</p><p>A denominação Modalidades Esportivas de Combate implica uma</p><p>con�guração das práticas de lutas, das artes marciais e dos sistemas</p><p>de combate sistematizados em manifestações culturais modernas,</p><p>orientadas a partir das decodi�cações propostas pelas instituições</p><p>esportivas. Aspectos e conceitos, como competição, mensuração,</p><p>aplicação de conceitos cientí�cos, comparação de resultados, regras</p><p>e normas codi�cadas e institucionalizadas, maximização do</p><p>rendimento corporal e espetacularização da expressão corporal são</p><p>alguns exemplos dessa transposição moderna de práticas seculares</p><p>de “combate” (Franchini, 2010, p. 2).</p><p>Países como o Japão, China e Coreia do Sul enriqueceram a cultura brasileira</p><p>com seus costumes, culinária, lutas e culturas em que, anteriormente, nosso</p><p>país se utilizava do modelo esportivo inglês. Gradativamente, os mestres</p><p>orientais difundiram as lutas pelo Brasil, como, por exemplo, o judô, caratê,</p><p>aikidô, sumô, kendô, kung fu, taekwondo e hapkidô.</p><p>Na década de 1960, observou-se um processo de massi�cação das artes</p><p>marciais, decorrente da chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil aliado aos</p><p>meios de comunicação que facilitaram a propagação das artes marciais (Marta,</p><p>2009 apud Júnior, 2019). Durante essa fase, as artes marciais perderam suas</p><p>características de combate e ganharam signi�cado competitivo e pedagógico.</p><p>Atualmente, é observado que em diversas academias de ginástica, centros</p><p>esportivos e recreacionais, o processo de esportivização das artes marciais vem</p><p>sendo disseminado de maneira descaracterizada das artes marciais de origem</p><p>(Ferreira, 2009).</p><p>25</p><p>Há nas academias a oferta de modalidades com características</p><p>totalmente desvinculadas do que se caracteriza como arte marcial,</p><p>como, por exemplo, o body combat, em que há a apropriação dos</p><p>movimentos das artes marciais orientais, mas sem nenhuma</p><p>menção aos princípios �losó�cos, aos golpes, aos rituais de</p><p>passagem ou ao combate, en�m, tudo aquilo que caracterizaria</p><p>uma arte marcial (Ferreira Filho; Maccariello, 2009 apud Júnior, 2019,</p><p>p. 6).</p><p>No entanto, a aderência de praticantes em academias, e por diferentes</p><p>modalidades esportivas de combate, in�uenciou positivamente a propagação</p><p>das modalidades de combate. Essas modalidades têm ganhado cada vez mais</p><p>espaço em academias</p><p>de ginástica, clubes esportivos, e escolas, tornando-se</p><p>suscetíveis a processos de transformação, o que lhes possibilita manifestar-se</p><p>em diferentes contextos sociais (Júnior, 2019).</p><p>O aumento da prática dessas modalidades resultou na inserção das</p><p>modalidades esportivas de combate nos Jogos Olímpicos: Esgrima; Luta</p><p>olímpica; Boxe; Taekwondo e Judô. A seguir, apresentamos detalhes sobre as</p><p>modalidades de esporte de combate citadas anteriormente:</p><p>Esgrima: Combate no qual são utilizadas armas brancas para atacar e</p><p>defender-se. Atualmente, há apenas a esgrima esportiva, dividida em três</p><p>diferentes tipos de armas: espada, �orete e sabre, representando os</p><p>antigos armamentos utilizados em combate e treino.</p><p>Luta Olímpica: Uma das mais antigas modalidades de lutas conhecidas</p><p>pela humanidade, também conhecida como wrestling e apresenta 3</p><p>estilos de prática: greco-romana; estilo livre e sambo (estilo livre + judô).</p><p>Boxe: Também conhecido como pugilismo, originou-se na Inglaterra e</p><p>ganhou grande popularidade nos Estados Unidos. A luta se caracteriza</p><p>pelo ataque e defesa com o uso dos punhos, de maneira semelhante ao</p><p>observado em brigas de rua.</p><p>Taekwondo: O Taekwondo é de origem coreana e se caracteriza por</p><p>movimentos hábeis que incluem movimentos caracterizados por socos,</p><p>perfurações, saltos, chutes e bloqueios com o uso de pés e mãos. A</p><p>modalidade originou-se 1 a.C. e é a modalidade esportiva mais nova dos</p><p>Jogos Olímpicos, sendo inserido no ano de 2000.</p><p>Judô: É uma das modalidades de combate mais praticadas no Brasil. A</p><p>inserção do Judô nos jogos ocorreu quando o Japão sediou o evento.</p><p>26</p><p>Dentre as modalidades citadas, apenas três não são de origem oriental, são</p><p>elas: a Esgrima, o Boxe e a Luta Olímpica. Estima-se que a origem da esgrima</p><p>remonta à pré-história, quando o homem usou, pela primeira vez, um pedaço</p><p>de madeira para se defender ou atacar, garantindo a sua sobrevivência. Porém,</p><p>somente após o surgimento dos metais foram criadas, de fato, as primeiras</p><p>armas de combate, sendo, inicialmente, empregadas por chefes de grupos ou</p><p>tribos.</p><p>Atualmente, existe apenas a esgrima esportiva, que se divide em</p><p>três diferentes tipos de armas: espada, �orete e sabre,</p><p>representando os antigos armamentos utilizados em combate e</p><p>treino (Confederação Brasileira De Esgrima, 2019, documento on-</p><p>line).</p><p>O boxe (pugilismo) é uma modalidade esportiva de combate de características</p><p>de ataque e defesa por meio de golpes deferidos com as mãos, remetendo</p><p>grande semelhança às brigas de rua (Ferreira Filho; Maccariello, 2009). A</p><p>modalidade mais praticada é o boxe inglês, que foi muito bem aceito pelo</p><p>público mundial. Existem diversos golpes que são usados no boxe (Floyd;</p><p>Sugar, apud (Ferreira Filho; Maccariello, 2009):</p><p>Direto: golpe frontal.</p><p>Jab: golpe antecipatório que pode resultar em golpe fatal ao adversário.</p><p>Cruzado: o golpe tende a atingir a lateral da cabeça do adversário.</p><p>Upper/gancho: golpe desferido de baixo para cima no queixo do</p><p>adversário.</p><p>Hook: golpe desferido na linha da cintura do adversário.</p><p>Já a luta livre é um estilo de modalidade de combate caracterizada por diversos</p><p>estilos de lutas e modalidades:</p><p>O atleta tem como objetivo derrubar seu oponente sem o uso de</p><p>socos, chutes ou golpes traumáticos, e será declarado vencedor o</p><p>atleta que imobilizar o oponente no solo enquanto o juiz conta até</p><p>três, nocauteá-lo para fora do ringue enquanto o juiz conta até vinte</p><p>ou fazê-lo se render (Ferreira Filho; Maccariello, 2009), documento</p><p>on-line; Júnior).</p><p>27</p><p>Diante do exposto, podemos concluir que as modalidades esportivas de</p><p>combate têm uma grande in�uência oriental, apresentando suas bases e</p><p>características nas artes marciais. Porém, com o passar dos séculos, houve</p><p>modi�cações decorrentes da ocidentalização das lutas, modi�cando em alguns</p><p>sentidos seus aspectos originais.</p><p>As artes marciais contemporâneas, ou como citado anteriormente, “artes</p><p>marciais modernas inventadas”, traduzem bem esse processo de</p><p>ocidentalização, e muitas características presentes nas lutas de hoje são de</p><p>cunho moderno, para atender à demanda da população atual. Portanto, hoje,</p><p>observa-se uma alteração dos valores tradicionais (saúde, moral e física) para</p><p>aspectos relacionados à competição e vitória.</p><p>CONECTE-SE</p><p>Esporte aumenta concentração e melhora rendimento dos alunos</p><p>Taekwondo, judô, capoeira e caratê são as artes marciais escolhidas</p><p>pelas escolas do programa Mais Educação. Para atender a mais de</p><p>800 mil alunos em todo o país, professores, contramestres e mestres</p><p>em artes marciais, indicados por suas federações, se distribuem entre</p><p>4 mil escolas.</p><p>De acordo com o coordenador de educação, da Confederação</p><p>Brasileira de Taekwondo, Rubilar Carvalho, a prática desse esporte</p><p>ajuda o estudante a melhorar a concentração e o rendimento escolar,</p><p>quali�ca a convivência familiar e o círculo de amizades, atua na</p><p>prevenção do uso de drogas e de agressões. Na prática, explica, a</p><p>criança aprende que as técnicas são de defesa, nunca de agressão.</p><p>28</p><p>https://go.eadstock.com.br/g07</p><p>https://go.eadstock.com.br/g07</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Mesmo que o professor não encontre os materiais especí�cos para a</p><p>práticas das modalidades de esportes de combate, é possível adaptá-</p><p>las. Nesse processo de adaptação, o professor pode envolver os</p><p>alunos nesse processo de criação de materiais alternativos e</p><p>estimular ainda mais a prática destas modalidades em âmbito</p><p>escolar.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>A luta livre é uma das práticas de esportes de combate mais antigas</p><p>de que temos registros. Desde a Grécia e Roma antiga essa</p><p>modalidade é praticada e, até os dias de hoje, apresenta adeptos por</p><p>todo o mundo.</p><p>29</p><p>04</p><p>Aspectos Pedagógicos</p><p>das Lutas</p><p>As lutas, enquanto práticas corporais, têm ganhado espaço signi�cativo no</p><p>contexto educacional, especialmente nos cursos de Educação Física. Esta aula</p><p>busca explorar os aspectos pedagógicos das lutas, fundamentando-se em uma</p><p>revisão da literatura cientí�ca. A seguir, apresentamos uma análise detalhada,</p><p>com referências que podem ser utilizadas como material didático para alunos</p><p>de Educação Física.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11</p><p>Explorar os princípios e metodologias de ensino aplicáveis</p><p>às lutas, destacando a importância da didática e da</p><p>progressão pedagógica.</p><p>22</p><p>Capacitar os alunos a planejar aulas e programas de</p><p>treinamento de lutas, incluindo a criação de critérios de</p><p>avaliação para monitorar o progresso dos praticantes.</p><p>33</p><p>Discutir estratégias para garantir um ambiente inclusivo e</p><p>seguro, abordando a gestão de riscos e a adaptação das</p><p>práticas de luta para diferentes públicos e níveis de</p><p>habilidade.</p><p>Introdução às Lutas no Contexto</p><p>Educacional</p><p>As lutas são práticas corporais que envolvem técnicas de combate e defesa</p><p>pessoal, e podem ser utilizadas como ferramentas pedagógicas e�cazes no</p><p>desenvolvimento de diversas habilidades motoras, cognitivas e</p><p>31</p><p>socioemocionais dos alunos. Segundo Daolio (2004), as lutas promovem a</p><p>integração entre corpo e mente, além de favorecerem a disciplina, o respeito e</p><p>a autocon�ança. Por exemplo, A inserção do jiu-jítsu no Oriente Médio é um</p><p>fenômeno relativamente recente, datando das últimas duas décadas.</p><p>Inicialmente, a prática foi introduzida por expatriados e militares estrangeiros</p><p>estacionados na região. No entanto, a popularidade do esporte cresceu</p><p>rapidamente, especialmente nos Emirados Árabes Unidos (EAU), onde o</p><p>governo adotou o jiu-jítsu como parte do currículo escolar (Al Tamimi, 2015).</p><p>Benefícios das Lutas na Educação Física</p><p>Desenvolvimento Motor</p><p>As lutas exigem uma ampla gama de movimentos corporais, que contribuem</p><p>para o desenvolvimento da coordenação motora, força, �exibilidade e agilidade.</p><p>De acordo com Silva et al. (2010), a prática regular de lutas pode melhorar,</p><p>signi�cativamente, a capacidade física dos alunos, promovendo um</p><p>desenvolvimento motor equilibrado.</p><p>O desenvolvimento motor é um aspecto crucial no estudo das lutas dentro do</p><p>contexto da Educação Física. As lutas, enquanto práticas corporais, oferecem</p><p>uma ampla gama de movimentos que contribuem consideravelmente para o</p><p>aprimoramento das habilidades motoras dos praticantes. Este conteúdo</p><p>aprofunda o tema do desenvolvimento motor aplicado às lutas,</p><p>fundamentando-se em referências bibliográ�cas relevantes.</p><p>Refere-se ao processo contínuo de mudanças nas habilidades motoras ao</p><p>longo da vida, in�uenciado por fatores biológicos, ambientais e de prática.</p><p>Segundo Gallahue e Ozmun (2005), o desenvolvimento motor pode ser dividido</p><p>em três fases principais: a fase re�exiva, a fase rudimentar e a fase fundamental.</p><p>As lutas, como atividades físicas complexas, podem in�uenciar positivamente</p><p>todas essas fases, especialmente durante a infância e a adolescência.</p><p>Coordenação Motora</p><p>A prática das lutas exige uma coordenação precisa entre diferentes partes do</p><p>corpo. Movimentos, como golpes, defesas e esquivas, requerem uma</p><p>sincronização e�ciente entre os membros superiores e inferiores. De acordo</p><p>com Silva et al. (2010), a prática regular de lutas pode melhorar</p><p>substancialmente a coordenação motora �na e grossa, contribuindo para um</p><p>desenvolvimento motor mais equilibrado.</p><p>32</p><p>Força e Resistência</p><p>As lutas são atividades que demandam força muscular e resistência</p><p>cardiovascular. Movimentos, como quedas, arremessos e imobilizações exigem</p><p>um alto nível de força e resistência. Estudos de Franchini et al. (2011) indicam</p><p>que a prática de lutas pode aumentar a força muscular e a capacidade aeróbica</p><p>dos praticantes, promovendo um desenvolvimento motor robusto.</p><p>Flexibilidade</p><p>A �exibilidade é um componente essencial do desenvolvimento motor, e as</p><p>lutas, com seus movimentos amplos e variados, podem contribuir</p><p>expressivamente para o aumento da �exibilidade. Segundo Alter (2004), a</p><p>prática de lutas pode melhorar a amplitude de movimento das articulações,</p><p>prevenindo lesões e promovendo uma maior e�ciência nos movimentos.</p><p>Agilidade e Velocidade</p><p>As lutas exigem movimentos rápidos e ágeis, o que pode melhorar a</p><p>capacidade de resposta e a velocidade dos praticantes. De acordo com Gomes</p><p>e Souza (2012), a prática de lutas pode aumentar a agilidade e a velocidade,</p><p>habilidades motoras fundamentais para a execução e�ciente das técnicas de</p><p>combate.</p><p>Aspectos Cognitivos</p><p>A prática das lutas também envolve a tomada de decisões rápidas e</p><p>estratégicas, o que estimula o desenvolvimento cognitivo dos praticantes.</p><p>Estudos de Gomes e Souza (2012) indicam que as lutas podem melhorar a</p><p>capacidade de concentração, memória e resolução de problemas.</p><p>Desenvolvimento Socioemocional</p><p>As lutas promovem valores, como respeito, disciplina e autocontrole. Segundo</p><p>Oliveira e Santos (2015), a prática de lutas em ambiente escolar pode contribuir</p><p>para a redução de comportamentos agressivos e para o desenvolvimento de</p><p>habilidades sociais, como empatia e cooperação.</p><p>33</p><p>Metodologias de Ensino das Lutas</p><p>Abordagem Lúdica</p><p>A utilização de jogos e brincadeiras pode tornar o ensino das lutas mais atrativo</p><p>e acessível para os alunos. De acordo com Freire (2006), a abordagem lúdica</p><p>facilita a aprendizagem e a internalização dos princípios das lutas, além de</p><p>promover um ambiente de ensino mais dinâmico e inclusivo.</p><p>Ensino Progressivo</p><p>O ensino progressivo, que envolve a introdução gradual das técnicas e</p><p>conceitos das lutas, é fundamental para garantir a segurança e a e�cácia do</p><p>aprendizado. Segundo Nascimento (2011), essa metodologia permite que os</p><p>alunos desenvolvam suas habilidades de forma segura e estruturada,</p><p>respeitando seus limites individuais.</p><p>Integração com Outras Disciplinas</p><p>A integração das lutas com outras disciplinas, como história, cultura e educação</p><p>moral, pode enriquecer o processo de ensino-aprendizagem. Estudos de</p><p>Pereira e Almeida (2013) mostram que essa abordagem interdisciplinar pode</p><p>ampliar a compreensão dos alunos sobre a importância cultural e histórica das</p><p>lutas, além de promover uma educação mais holística.</p><p>Desa�os e Considerações</p><p>Apesar dos inúmeros benefícios, a implementação das lutas no currículo</p><p>escolar enfrenta desa�os, como a falta de formação especí�ca dos professores e</p><p>a necessidade de adequação dos espaços físicos. Segundo Costa e Lima (2014),</p><p>é essencial investir na capacitação dos pro�ssionais de Educação Física e na</p><p>infraestrutura das escolas para garantir a qualidade do ensino das lutas.</p><p>As lutas, quando bem integradas ao currículo de Educação Física, podem</p><p>oferecer uma rica experiência pedagógica, contribuindo para o</p><p>desenvolvimento integral dos alunos. A literatura cientí�ca destaca a</p><p>importância de metodologias adequadas e da formação contínua dos</p><p>professores para maximizar os benefícios dessa prática.</p><p>34</p><p>05</p><p>Origens do Judô e sua</p><p>Influência Social</p><p>Nesta aula, falaremos sobre o judô, mais especi�camente sobre como surgiu no</p><p>Brasil, sobre em quais locais houve maior aderência da prática e, como essa</p><p>tradição japonesa ganhou adeptos em todo o território brasileiro.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11</p><p>Analisar o contexto histórico e cultural em que o judô foi</p><p>criado, por Jigoro Kano, entendendo suas raízes �losó�cas</p><p>e os princípios que norteiam a prática.</p><p>22</p><p>Investigar como o judô se expandiu além do Japão,</p><p>adaptando-se a diferentes culturas e contextos sociais, e</p><p>como essa difusão in�uenciou a prática e a percepção do</p><p>judô em diversas partes do mundo.</p><p>33</p><p>Examinar o papel do judô na promoção de valores, como</p><p>disciplina, respeito e autocontrole, e sua contribuição para</p><p>o desenvolvimento social e educacional, tanto em</p><p>contextos escolares quanto comunitários.</p><p>Origens do Judô e sua In�uência</p><p>Social</p><p>O judô, uma arte marcial que combina técnicas de projeção e imobilização,</p><p>tem suas raízes profundamente �ncadas na história e cultura do Japão. Este</p><p>texto explora as origens do judô e sua in�uência social, fundamentando-se em</p><p>referências bibliográ�cas relevantes.</p><p>36</p><p>Origens do Judô</p><p>Fundador e Filoso�a</p><p>O judô foi fundado por Jigoro Kano, em 1882. Kano, um educador e praticante</p><p>de jiu-jítsu, buscava criar uma arte marcial que fosse não apenas e�caz em</p><p>combate, mas também bené�ca para o desenvolvimento físico e moral dos</p><p>praticantes. Segundo Stevens (2013), Kano desenvolveu o judô a partir de</p><p>técnicas de várias escolas de jiu-jítsu, incorporando princípios �losó�cos, como</p><p>o "Seiryoku Zenyo" (máxima e�ciência com mínimo esforço) e o "Jita Kyoei"</p><p>(benefício mútuo e prosperidade).</p><p>Desenvolvimento Histórico</p><p>O judô foi inicialmente praticado no Kodokan, a escola fundada por Kano, em</p><p>Tóquio. A partir de então, a arte marcial se espalhou rapidamente pelo Japão e,</p><p>posteriormente, pelo mundo. Kano foi um grande defensor da inclusão do judô</p><p>no sistema educacional japonês, acreditando que a prática poderia contribuir</p><p>para a formação integral dos estudantes. De acordo com Inokuma e Sato (1986),</p><p>o judô foi introduzido nas escolas japonesas, no início do século XX, tornando-se</p><p>uma parte importante do currículo de educação física.</p><p>In�uência Social do Judô</p><p>Educação e Formação de Caráter</p><p>O judô tem sido amplamente reconhecido por seu papel na educação e</p><p>formação de caráter. A prática regular do judô promove valores, como</p><p>disciplina, respeito, autocontrole e perseverança. Segundo Nakajima (2009),</p><p>esses valores são fundamentais para o desenvolvimento moral e ético dos</p><p>praticantes, contribuindo para a formação de cidadãos responsáveis e</p><p>conscientes.</p><p>Inclusão Social</p><p>O judô também tem desempenhado um papel signi�cativo na inclusão social.</p><p>A prática da arte marcial é acessível a pessoas de todas as idades, gêneros e</p><p>condições físicas, promovendo a igualdade e a integração social. Estudos de</p><p>37</p><p>Matsumoto (2010) indicam que o judô pode ser uma ferramenta e�caz para a</p><p>inclusão de indivíduos com de�ciência, proporcionando-lhes oportunidades de</p><p>desenvolvimento físico e social.</p><p>Saúde e Bem-Estar</p><p>A prática do judô oferece inúmeros benefícios para a saúde física e mental.</p><p>Movimentos, como quedas, arremessos e imobilizações, contribuem para o</p><p>desenvolvimento da força, �exibilidade e resistência.</p><p>Além disso, a prática</p><p>regular do judô pode reduzir o estresse e melhorar a saúde mental. De acordo</p><p>com Franchini et al. (2011), o judô pode ser uma atividade e�caz para a</p><p>promoção da saúde e bem-estar, contribuindo para a prevenção de doenças</p><p>crônicas e a melhoria da qualidade de vida.</p><p>Impacto Global</p><p>O judô se tornou uma das artes marciais mais praticadas no mundo, com</p><p>milhões de praticantes em diversos países. A inclusão do judô nos Jogos</p><p>Olímpicos de Tóquio, em 1964, foi um marco signi�cativo, aumentando sua</p><p>visibilidade e popularidade global. Segundo Brousse e Matsumoto (1999), o</p><p>judô tem desempenhado um papel importante na promoção da paz e da</p><p>compreensão intercultural, unindo pessoas de diferentes origens e culturas</p><p>através da prática esportiva.</p><p>O judô, com suas raízes históricas e �losó�cas profundas,</p><p>tem exercido uma in�uência signi�cativa na sociedade.</p><p>Desde sua fundação por Jigoro Kano, a arte marcial tem</p><p>promovido valores educacionais, inclusão social, saúde e</p><p>bem-estar, além de ter um impacto global signi�cativo. A</p><p>prática do judô continua a ser uma ferramenta poderosa</p><p>para o desenvolvimento físico, moral e social dos</p><p>indivíduos, contribuindo para a construção de uma</p><p>sociedade mais justa e harmoniosa.</p><p>38</p><p>Judô no Brasil e sua</p><p>Representação Olímpica</p><p>O judô é uma das artes marciais mais populares e bem-sucedidas no Brasil,</p><p>tanto em termos de prática esportiva quanto de conquistas internacionais.</p><p>Introduzido no país por imigrantes japoneses, no início do século XX, o judô</p><p>rapidamente se estabeleceu como uma modalidade esportiva de destaque.</p><p>História do Judô no Brasil</p><p>A chegada do judô ao Brasil está intimamente ligada à imigração japonesa, que</p><p>começou em 1908. Os primeiros praticantes de judô no país foram imigrantes</p><p>japoneses que trouxeram consigo a tradição e a técnica da arte marcial. A</p><p>primeira academia de judô no Brasil foi fundada em São Paulo, em 1922, por</p><p>Mitsuyo Maeda, também conhecido como Conde Koma, um dos pioneiros do</p><p>judô fora do Japão (Santos, 2010).</p><p>Desenvol�mento e Popularização</p><p>Ao longo das décadas, o judô se popularizou em todo o território brasileiro,</p><p>ganhando adeptos de diversas origens e idades. A Confederação Brasileira de</p><p>Judô (CBJ) foi fundada em 1969, consolidando a organização e a promoção do</p><p>esporte no país. A partir dos anos 1970, o judô brasileiro começou a se destacar</p><p>em competições internacionais, com atletas conquistando medalhas em</p><p>campeonatos mundiais e Jogos Pan-Americanos (Melo, 2015).</p><p>Representação Olímpica</p><p>O judô brasileiro tem uma história rica e bem-sucedida nos Jogos Olímpicos. A</p><p>primeira medalha olímpica do Brasil no judô foi conquistada por Chiaki Ishii,</p><p>que ganhou o bronze na categoria meio-pesado nos Jogos de Munique, em</p><p>1972. Desde então, o Brasil tem sido uma presença constante no pódio olímpico</p><p>do judô.</p><p>39</p><p>Entre os destaques, estão Aurélio Miguel, que conquistou a medalha de ouro</p><p>na categoria meio-pesado nos Jogos de Seul, em 1988, e Rogério Sampaio, que</p><p>também ganhou o ouro na categoria leve nos Jogos de Barcelona, em 1992.</p><p>Mais recentemente, Rafaela Silva fez história ao conquistar a medalha de ouro</p><p>na categoria leve feminino nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016,</p><p>tornando-se a primeira mulher brasileira a alcançar tal feito no judô (CBJ, 2016).</p><p>Impacto e Legado</p><p>O sucesso do judô brasileiro nas competições internacionais tem inspirado</p><p>gerações de jovens atletas e contribuído para a popularização do esporte no</p><p>país. Além das conquistas olímpicas, o judô tem desempenhado um papel</p><p>importante na promoção de valores, como disciplina, respeito e perseverança,</p><p>sendo uma ferramenta e�caz para a inclusão social e o desenvolvimento</p><p>pessoal.</p><p>CONECTE-SE</p><p>Judô como prática corporal fora do Japão</p><p>O judô, criado por Jigoro Kano, em 1882, se expandiu globalmente</p><p>após a Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1950, foi introduzido em</p><p>escolas e academias na Europa e América, promovendo disciplina e</p><p>condicionamento físico.</p><p>40</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1l</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1l</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Uma aplicação prática do judô atualmente é seu uso como</p><p>ferramenta de inclusão social e desenvolvimento pessoal. Projetos</p><p>sociais em diversas partes do mundo utilizam o judô para promover</p><p>valores, como disciplina, respeito e autocon�ança entre jovens em</p><p>situação de vulnerabilidade.</p><p>Exemplo de aplicação prática:</p><p>O projeto "Judô para Todos", no Brasil, utiliza o esporte para integrar</p><p>crianças e adolescentes de comunidades carentes, oferecendo uma</p><p>alternativa saudável e educativa.</p><p>41</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1k</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1k</p><p>O judô tem sido reconhecido por seu papel na educação e formação de caráter,</p><p>além disso, desempenha um papel signi�cativo na inclusão social, sendo</p><p>acessível a pessoas de todas as idades, gêneros e condições físicas. A prática do</p><p>judô oferece benefícios para a saúde física e mental, contribuindo para a</p><p>prevenção de doenças crônicas e a melhoria da qualidade de vida.</p><p>Globalmente, o judô é uma das artes marciais mais praticadas, promovendo a</p><p>paz e a compreensão intercultural.</p><p>PARA GABARITAR</p><p>O judô, fundado por Jigoro Kano, em 1882, combina técnicas de</p><p>projeção e imobilização, e foi desenvolvido a partir de várias escolas</p><p>de jiu-jítsu. Kano incorporou princípios �losó�cos, como "Seiryoku</p><p>Zenyo" (máxima e�ciência com mínimo esforço) e "Jita Kyoei"</p><p>(benefício mútuo e prosperidade). Inicialmente praticado no</p><p>Kodokan, a escola fundada por Kano, em Tóquio, o judô rapidamente</p><p>se espalhou pelo Japão e pelo mundo. Kano promoveu a inclusão do</p><p>judô no sistema educacional japonês, acreditando que a prática</p><p>poderia contribuir para a formação integral dos estudantes.</p><p>42</p><p>06</p><p>Processos de Ensino e</p><p>Aprendizagem do Judô</p><p>Nesta aula, em especial, iremos abordar as ferramentas e maneiras especí�cas</p><p>sobre como podemos ensinar a modalidade do Judô em âmbito escolar.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Desenvolver Metodologias E�cazes de Ensino.</p><p>22 Promover o Desenvolvimento Integral dos Praticantes.</p><p>33 Avaliar e Monitorar o Progresso dos Alunos.</p><p>Processos de Ensino e</p><p>Aprendizagem do Judô: Uma</p><p>Re�são Cientí�ca</p><p>O judô, uma arte marcial e esporte olímpico, é amplamente praticado em todo</p><p>o mundo e reconhecido por seus benefícios físicos, mentais e sociais. O</p><p>processo de ensino e aprendizagem do judô envolve uma combinação de</p><p>44</p><p>técnicas pedagógicas, metodologias de treinamento e princípios �losó�cos.</p><p>Este texto explora esses processos, fundamentando-se em referências</p><p>cientí�cas relevantes.</p><p>Fundamentos do Ensino do Judô</p><p>Princípios Filosó�cos</p><p>O ensino do judô é profundamente enraizado nos princípios �losó�cos</p><p>estabelecidos por seu fundador, Jigoro Kano. Dois dos princípios fundamentais</p><p>são o "Seiryoku Zenyo" (máxima e�ciência com mínimo esforço) e o "Jita Kyoei"</p><p>(benefício mútuo e prosperidade). Segundo Kano (1986), esses princípios não</p><p>apenas guiam a prática técnica do judô, mas também promovem valores éticos</p><p>e morais que são essenciais para o desenvolvimento integral dos praticantes.</p><p>Estrutura do Treinamento</p><p>O treinamento de judô é estruturado em torno de várias fases, incluindo o</p><p>aquecimento, a prática técnica (kihon), a prática de formas (kata) e o combate</p><p>livre (randori). De acordo com Thomas e Nelson (2001), essa estrutura permite</p><p>um desenvolvimento progressivo das habilidades motoras e técnicas, além de</p><p>promover a compreensão dos princípios subjacentes às técnicas de judô.</p><p>Metodologias de ensino</p><p>Ensino Progressivo</p><p>O ensino progressivo é uma metodologia amplamente utilizada no judô. Essa</p><p>abordagem envolve a introdução gradual das técnicas, começando com</p><p>movimentos básicos e avançando para técnicas mais complexas. Segundo</p><p>Nascimento (2011), essa metodologia permite que os alunos desenvolvam suas</p><p>habilidades de forma segura e estruturada, respeitando seus limites individuais.</p><p>45</p><p>Abordagem Lúdica</p><p>A utilização de jogos e atividades lúdicas é uma estratégia e�caz para o ensino</p><p>do judô, especialmente para</p><p>crianças e iniciantes. De acordo com Freire (2006),</p><p>atividades lúdicas que envolvem movimentos de judô podem facilitar a</p><p>aprendizagem e a internalização das habilidades motoras, além de promover</p><p>um ambiente de ensino mais dinâmico e inclusivo.</p><p>Treinamento Funcional</p><p>O treinamento funcional, que envolve exercícios que simulam movimentos</p><p>especí�cos do judô, é uma abordagem e�caz para o desenvolvimento das</p><p>habilidades motoras e técnicas. Segundo Santana (2003), o treinamento</p><p>funcional pode melhorar a força, a coordenação e a �exibilidade, preparando os</p><p>alunos para a prática e�ciente das técnicas de judô.</p><p>Desenvolvimento Cognitivo</p><p>A prática do judô envolve a tomada de decisões rápidas e estratégicas, o que</p><p>estimula o desenvolvimento cognitivo dos praticantes. Estudos de Gomes e</p><p>Souza (2012) indicam que o judô pode melhorar a capacidade de concentração,</p><p>memória e resolução de problemas, habilidades que são transferíveis para</p><p>outras áreas da vida.</p><p>Desenvolvimento Socioemocional</p><p>O judô promove valores, como respeito, disciplina, autocontrole e perseverança.</p><p>Segundo Oliveira e Santos (2015), a prática regular do judô pode contribuir para</p><p>a redução de comportamentos agressivos e para o desenvolvimento de</p><p>habilidades sociais, como empatia e cooperação. Esses valores são</p><p>fundamentais para a formação de cidadãos responsáveis e conscientes.</p><p>Estudos de Caso e Pesquisas</p><p>Estudo de Nascimento (2011)</p><p>Nascimento (2011) conduziu um estudo com crianças praticantes de judô e</p><p>observou melhorias signi�cativas na coordenação motora, força e �exibilidade</p><p>após um período de seis meses de treinamento. Os resultados indicam que a</p><p>46</p><p>prática regular de judô pode contribuir para um desenvolvimento motor</p><p>equilibrado e saudável.</p><p>Pesquisa de Gomes e Souza (2012)</p><p>Gomes e Souza (2012) realizaram uma pesquisa com adolescentes praticantes</p><p>de judô e veri�caram aumentos na capacidade de concentração e na</p><p>habilidade de resolução de problemas após um programa de treinamento de</p><p>12 semanas. Os autores concluíram que o judô pode ser uma ferramenta e�caz</p><p>para o desenvolvimento cognitivo em jovens.</p><p>Principais Escolas de Judô do Brasil</p><p>O judô é uma das artes marciais mais praticadas no Brasil, com uma rica</p><p>história de desenvolvimento e sucesso em competições internacionais.</p><p>Diversas escolas e academias de judô no país têm desempenhado um papel</p><p>fundamental na formação de atletas de alto nível e na promoção do esporte. A</p><p>seguir, apresentamos um breve texto sobre algumas das principais escolas de</p><p>judô do Brasil, fundamentado em referências bibliográ�cas.</p><p>Academia de Judô Budokan</p><p>A Academia de Judô Budokan, localizada em São Paulo, é uma das mais</p><p>tradicionais do Brasil. Fundada em 1954, por Ryuzo Ogawa, a Budokan tem</p><p>uma longa história de formação de atletas de elite e promoção do judô.</p><p>Segundo Santos (2010), a academia é conhecida por seu rigor técnico e</p><p>disciplina, tendo formado diversos campeões nacionais e internacionais.</p><p>Associação de Judô Vila Sônia</p><p>A Associação de Judô Vila Sônia, também em São Paulo, é outra instituição de</p><p>destaque. Fundada por Massao Shinohara, a Vila Sônia tem sido um celeiro de</p><p>talentos no judô brasileiro. De acordo com Melo (2015), a associação é</p><p>reconhecida por seu trabalho de base e pela formação de atletas que se</p><p>destacam em competições nacionais e internacionais, incluindo os Jogos</p><p>Olímpicos.</p><p>47</p><p>Instituto Reação</p><p>O Instituto Reação, fundado pelo medalhista olímpico Flávio Canto, no Rio de</p><p>Janeiro, é uma das escolas de judô mais in�uentes do Brasil, especialmente no</p><p>âmbito social. O instituto combina a prática do judô com programas</p><p>educacionais e sociais, visando à inclusão e o desenvolvimento de jovens de</p><p>comunidades carentes. Segundo Canto e Silva (2016), o Instituto Reação tem</p><p>sido um exemplo de como o esporte pode ser uma ferramenta poderosa para a</p><p>transformação social.</p><p>Associação de Judô Rogério Sampaio</p><p>A Associação de Judô Rogério Sampaio, localizada em Santos, São Paulo, foi</p><p>fundada pelo campeão olímpico Rogério Sampaio. A associação é conhecida</p><p>por seu foco no desenvolvimento técnico e na formação de atletas de alto</p><p>rendimento. De acordo com Sampaio (2012), a escola tem contribuído</p><p>signi�cativamente para o crescimento do judô no Brasil, formando atletas que</p><p>competem em nível nacional e internacional.</p><p>Academia de Judô Paulo Alvim (APAJA)</p><p>A Academia de Judô Paulo Alvim, situada em Pindamonhangaba, São Paulo, é</p><p>outra instituição de destaque. Fundada por Paulo Alvim, a APAJA é</p><p>reconhecida por seu trabalho de base e pela formação de atletas que se</p><p>destacam em competições estaduais e nacionais. Segundo Alvim (2014), a</p><p>academia tem um forte compromisso com a educação e o desenvolvimento</p><p>integral dos seus alunos.</p><p>Cinco Golpes Mais Comuns no</p><p>Judô e como Executá-los</p><p>O judô é uma arte marcial e esporte de combate que se concentra em</p><p>arremessos, imobilizações, estrangulamentos e chaves de braço. A seguir,</p><p>apresentamos cinco dos golpes mais comuns no judô, juntamente com uma</p><p>descrição detalhada de como executá-los.</p><p>48</p><p>11</p><p>O-soto-gari (Grande Colheita Externa)</p><p>Descrição: O-soto-gari é um dos arremessos mais básicos</p><p>e e�cazes do judô, em que o praticante usa a perna para</p><p>varrer a perna do oponente, derrubando-o para trás.</p><p>Como Fazer:</p><p>Kuzushi (Desequilíbrio): Segure a manga e a lapela</p><p>do oponente. Puxe-o ligeiramente para frente e para</p><p>o lado, desequilibrando-o.</p><p>Tsukuri (Preparação): Avance com o pé direito para o</p><p>lado do pé direito do oponente, mantendo o</p><p>equilíbrio.</p><p>Kake (Execução): Varra a perna direita do oponente</p><p>com a sua perna direita, usando a parte de trás da</p><p>sua coxa para colhê-la. Simultaneamente, puxe a</p><p>manga e a lapela para baixo e para trás, derrubando o</p><p>oponente.</p><p>49</p><p>22</p><p>Ippon Seoi Nage (Projeção de Ombro com um</p><p>Braço)</p><p>Descrição: Ippon Seoi Nage é um arremesso de ombro no</p><p>qual o praticante gira sob o braço do oponente e o projeta</p><p>sobre o ombro.</p><p>Como Fazer:</p><p>Kuzushi (Desequilíbrio): Segure a manga e a lapela</p><p>do oponente. Puxe-o ligeiramente para frente e para</p><p>baixo, desequilibrando-o.</p><p>Tsukuri (Preparação): Gire seu corpo para a esquerda,</p><p>colocando seu pé direito entre os pés do oponente e</p><p>seu pé esquerdo ao lado do pé direito do oponente.</p><p>Kake (Execução): Coloque seu braço direito sob o</p><p>braço direito do oponente, segurando �rmemente a</p><p>manga. Gire seus quadris e abaixe-se, puxando o</p><p>oponente sobre seu ombro direito e projetando-o</p><p>para frente.</p><p>50</p><p>33</p><p>Uchi Mata (Coxa Interna)</p><p>Descrição: Uchi Mata é um arremesso em que o</p><p>praticante usa a perna para levantar a perna interna do</p><p>oponente, projetando-o para frente.</p><p>Como Fazer:</p><p>Kuzushi (Desequilíbrio): Segure a manga e a lapela</p><p>do oponente. Puxe-o ligeiramente para frente e para</p><p>o lado, desequilibrando-o.</p><p>Tsukuri (Preparação): Avance com o pé direito entre</p><p>os pés do oponente, girando seu corpo para a</p><p>esquerda.</p><p>Kake (Execução): Levante a perna direita do</p><p>oponente com a sua perna esquerda, usando a parte</p><p>interna da sua coxa. Simultaneamente, puxe a</p><p>manga e a lapela para baixo e para frente, projetando</p><p>o oponente.</p><p>44</p><p>Harai Goshi (Cintura Varredora)</p><p>Descrição: Harai Goshi é um arremesso no qual o</p><p>praticante usa a perna para varrer a perna do oponente</p><p>enquanto gira o corpo.</p><p>Como Fazer:</p><p>Kuzushi (Desequilíbrio): Segure a manga e a lapela</p><p>do oponente. Puxe-o ligeiramente para frente e para</p><p>o lado, desequilibrando-o.</p><p>Tsukuri (Preparação): Avance com o pé direito entre</p><p>os pés do oponente, girando seu corpo para a</p><p>esquerda.</p><p>Kake (Execução): Varra a perna direita do oponente</p><p>com a sua perna direita, usando a parte de trás da</p><p>sua coxa. Simultaneamente, puxe a manga e a lapela</p><p>para baixo e para frente, projetando o oponente.</p><p>51</p><p>Esses cinco golpes são fundamentais na prática do judô e servem como base</p><p>para a execução de movimentos mais complexos. A prática constante e a</p><p>atenção aos detalhes técnicos são essenciais para a execução correta e e�caz</p><p>desses golpes. O judô, com sua combinação única de técnica, força e estratégia,</p><p>oferece</p><p>uma rica experiência de aprendizado e desenvolvimento físico.</p><p>Os processos de ensino e aprendizagem do judô são complexos e</p><p>multifacetados, envolvendo uma combinação de técnicas pedagógicas,</p><p>metodologias de treinamento e princípios �losó�cos. A literatura cientí�ca</p><p>destaca a importância de abordagens progressivas e lúdicas, bem como o</p><p>impacto positivo do judô no desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos</p><p>praticantes.</p><p>A prática do judô continua a ser uma ferramenta poderosa para o</p><p>desenvolvimento integral dos indivíduos, contribuindo para a construção de</p><p>uma sociedade mais justa e harmoniosa. As principais escolas de judô do Brasil</p><p>têm desempenhado um papel crucial na promoção e desenvolvimento do</p><p>esporte no país. Com uma combinação de rigor técnico, disciplina e</p><p>compromisso social, essas instituições têm formado atletas de alto nível e</p><p>contribuído para a inclusão e desenvolvimento de jovens em diversas</p><p>comunidades.</p><p>55</p><p>Tai Otoshi (Queda do Corpo)</p><p>Descrição: Tai Otoshi é um arremesso em que o</p><p>praticante usa o corpo para derrubar o oponente,</p><p>bloqueando a perna do oponente com a sua perna.</p><p>Como Fazer:</p><p>Kuzushi (Desequilíbrio): Segure a manga e a lapela</p><p>do oponente. Puxe-o ligeiramente para frente e para</p><p>o lado, desequilibrando-o.</p><p>Tsukuri (Preparação): Avance com o pé direito para o</p><p>lado do pé direito do oponente, girando seu corpo</p><p>para a esquerda.</p><p>Kake (Execução): Bloqueie a perna direita do</p><p>oponente com a sua perna direita, usando a parte de</p><p>trás da sua coxa. Simultaneamente, puxe a manga e</p><p>a lapela para baixo e para frente, projetando o</p><p>oponente.</p><p>52</p><p>CONECTE-SE</p><p>A história inspiradora de João Victor, um jovem judoca do Ceará que</p><p>equilibra sua rotina entre o trabalho em uma barbearia e os treinos</p><p>de judô. Apesar das di�culdades, ele conquistou a medalha de ouro</p><p>nos Jogos da Juventude. João Victor destaca a importância do</p><p>esporte em sua vida, ajudando-o a manter o foco e a disciplina. Sua</p><p>vitória é um exemplo de superação e dedicação, mostrando que é</p><p>possível alcançar grandes feitos mesmo diante de desa�os. O apoio</p><p>da família e dos treinadores foi fundamental para seu sucesso.</p><p>Judoca do Ceará se divide entre a barbearia e o tatame e</p><p>conquista o ouro nos Jogos da Juventude</p><p>53</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1m</p><p>https://go.eadstock.com.br/g1m</p><p>NA PRÁTICA</p><p>A matéria destaca como o judô contribui para o desenvolvimento de</p><p>crianças com autismo, promovendo inclusão social. A prática do judô</p><p>melhora habilidades motoras, sociais e emocionais dessas crianças,</p><p>ajudando-as a lidar com desa�os diários. O esporte oferece um</p><p>ambiente estruturado e previsível, essencial para o desenvolvimento</p><p>de autistas. Além disso, o judô ensina valores, como respeito,</p><p>disciplina e autocontrole, bene�ciando não apenas os praticantes,</p><p>mas também suas famílias e a comunidade. O Instituto Reação é um</p><p>exemplo de projeto que utiliza o judô para promover inclusão e</p><p>desenvolvimento.</p><p>54</p><p>PARA GABARITAR</p><p>O judô, uma arte marcial e esporte olímpico, é amplamente praticado</p><p>globalmente e reconhecido por seus benefícios físicos, mentais e</p><p>sociais. O processo de ensino e aprendizagem do judô combina</p><p>técnicas pedagógicas, metodologias de treinamento e princípios</p><p>�losó�cos. Princípios como "Seiryoku Zenyo" (máxima e�ciência com</p><p>mínimo esforço) e "Jita Kyoei" (benefício mútuo e prosperidade) são</p><p>fundamentais, promovendo valores éticos e morais essenciais para o</p><p>desenvolvimento integral dos praticantes. A estrutura do treinamento</p><p>inclui aquecimento, prática técnica, formas (kata) e combate livre</p><p>(randori), permitindo um desenvolvimento progressivo das</p><p>habilidades motoras e técnicas.</p><p>Metodologias como o ensino progressivo, que introduz técnicas de</p><p>forma gradual, e a abordagem lúdica, que utiliza jogos para facilitar a</p><p>aprendizagem são e�cazes, especialmente para crianças e iniciantes.</p><p>O treinamento funcional, que simula movimentos especí�cos do</p><p>judô, melhora a força, coordenação e �exibilidade. Além disso, o judô</p><p>estimula o desenvolvimento cognitivo e socioemocional,</p><p>promovendo valores, como respeito, disciplina e autocontrole.</p><p>Estudos mostram que a prática regular de judô melhora a</p><p>coordenação motora, concentração e habilidades de resolução de</p><p>problemas. No Brasil, escolas como a Academia de Judô Budokan e o</p><p>Instituto Reação têm desempenhado um papel crucial na formação</p><p>de atletas e na promoção do esporte.</p><p>55</p><p>07</p><p>Origem e Aspectos</p><p>Socioculturais da</p><p>Capoeira</p><p>A capoeira é a luta que mais representa a questão sociocultural africana no</p><p>Brasil. Por meio de sua prática, escravos resistiram e conseguiram impor sua</p><p>segurança diante de momentos complexos da história do Brasil. Nesta aula,</p><p>falaremos sobre a riqueza e o legado deixados pelos capoeiristas para a nossa</p><p>sociedade.</p><p>Nesta aula, nossos objetivos são:</p><p>11 Entender as Raízes Históricas.</p><p>22 Explorar a In�uência Cultural da Capoeira.</p><p>33 Avaliar o Impacto Social.</p><p>Origem e Aspectos</p><p>Socioculturais da Capoeira</p><p>A capoeira é uma manifestação cultural brasileira que combina elementos de</p><p>luta, dança, música e jogo. Originada no período colonial, a capoeira é um</p><p>símbolo de resistência e identidade cultural, especialmente entre os afro-</p><p>57</p><p>brasileiros. Este conteúdo explora a origem e os aspectos socioculturais da</p><p>capoeira, fundamentando-se em referências cientí�cas relevantes.</p><p>Contexto Histórico</p><p>A capoeira surgiu no Brasil durante o período colonial, entre os séculos XVI e</p><p>XIX, como uma forma de resistência dos escravizados africanos contra a</p><p>opressão dos senhores de engenho. Segundo Soares (2001), a capoeira era</p><p>praticada nas senzalas e quilombos, onde os escravizados desenvolviam</p><p>técnicas de luta disfarçadas de dança para enganar os capatazes e senhores de</p><p>engenho.</p><p>In�uências Africanas</p><p>A capoeira é fortemente in�uenciada pelas culturas africanas, especialmente as</p><p>de origem bantu e iorubá. De acordo com Assunção (2005), os movimentos,</p><p>ritmos e instrumentos musicais utilizados na capoeira têm raízes nas tradições</p><p>africanas, que foram adaptadas e transformadas no contexto brasileiro.</p><p>Aspectos Socioculturais</p><p>A capoeira é um símbolo de resistência e luta pela liberdade. Durante o período</p><p>da escravidão, ela serviu como uma forma de resistência física e cultural contra</p><p>a opressão. Segundo Reis (1997), a capoeira ajudou a preservar a identidade</p><p>cultural dos africanos escravizados e seus descendentes, funcionando como</p><p>um espaço de resistência e a�rmação cultural.</p><p>58</p><p>Musicalidade e Ritual</p><p>A música é um elemento central na capoeira, desempenhando um papel</p><p>fundamental na sua prática e transmissão. Os instrumentos tradicionais, como</p><p>o berimbau, o atabaque e o pandeiro, são utilizados para marcar o ritmo e a</p><p>cadência dos movimentos. De acordo com Lewis (1992), as canções e os ritmos</p><p>da capoeira são carregados de signi�cados históricos e culturais, transmitindo</p><p>histórias de resistência e luta.</p><p>Capoeira e Educação</p><p>A capoeira tem sido utilizada como uma ferramenta educacional em diversos</p><p>contextos. Segundo Vieira e Assunção (2013), a prática da capoeira em escolas e</p><p>projetos sociais pode promover o desenvolvimento físico, cognitivo e</p><p>socioemocional dos praticantes, além de contribuir para a valorização da</p><p>cultura afro-brasileira.</p><p>Capoeira e Inclusão Social</p><p>A capoeira desempenha um papel importante na inclusão social,</p><p>especialmente em comunidades marginalizadas. De acordo com Nascimento</p><p>(2010), a prática da capoeira pode fortalecer os laços comunitários, promover a</p><p>autoestima e oferecer oportunidades de desenvolvimento pessoal e social para</p><p>jovens em situação de vulnerabilidade.</p><p>Capoeira no Contexto</p><p>Contemporâneo</p><p>Globalização da Capoeira</p><p>A capoeira transcendeu as fronteiras brasileiras e se espalhou pelo mundo,</p><p>sendo praticada em diversos países. Segundo Capoeira (2002), a globalização</p><p>da capoeira tem contribuído para a difusão da cultura brasileira e para o</p><p>59</p><p>reconhecimento da capoeira como um patrimônio cultural imaterial da</p><p>humanidade pela UNESCO, em 2014.</p><p>Desa�os e Perspectivas</p><p>Apesar de</p>

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