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2Genética quantitativa e qualitativa em animais

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Questões resolvidas

O estudo dos caracteres quantitativos em animais é importante para monitorar os índices produtivos nas propriedades rurais. Saber quantificar tais índices é essencial para o profissional médico veterinário. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta os métodos e as ferramentas corretas para estimar parâmetros quantitativos em animais de produção.

A Balança para pesagem de bovinos ao abate, paquímetro para espessura de toicinho de suínos e notas para avaliar o sabor da carne.
B Balança para peso ao abate do frango, fita métrica para comprimento do camarão e balança para peso do leite.
C Fita métrica para medir comprimento do camarão, contagem das horas de postura entre ovos e avaliação do escore de úbere da vaca.
D Fita métrica para medir comprimento do camarão, balança para peso do frango ao abate e observação da cor da pelagem de cavalos.
E Contagem dos dias ao primeiro parto de vacas, balança para peso do frango ao abate e observação da coloração do sêmen de reprodutores.

Os loci que condicionam a pelagem tordilha em cavalos e a pelagem salpicada em cães são, respectivamente:
Lócus G (Gray) controla a coloração tordilha, interpolação de pelos brancos e pretos em cavalos, enquanto o lócus T controla se os cães terão manchas salpicadas em muita ou pouca quantidade na pelagem.

poderá ser transmitido para outra bactéria. O plasmídeo, contendo um ou mais transpósons de genes de resistência, é considerado plasmídeo R (de resistência). A imagem mostra como ocorre a incorporação de genes em um plasmídeo. Incorporação de genes do DNA em um plasmídeo. Para entendermos melhor a importância da resistência bacteriana, temos que ter em mente que os antibióticos são capazes de agir no DNA bacteriano ou na replicação, transcrição e tradução bacterianas. Há dois tipos de antibióticos, os bactericidas e os bacteriostáticos: Antibióticos bactericidas Atuam na parede celular ou membrana plasmática das bactérias, impedindo sua formação e, consequentemente, levando à destruição da bactéria. Antibióticos bacteriostáticos Atuam impedindo a multiplicação e a proliferação bacteriana. O uso indiscriminado de antibióticos permitiu que as bactérias reconhecessem essas substâncias e se prevenissem da sua ação. Hoje, vemos patógenos cada vez mais resistentes aos antibióticos, incluindo as chamadas superbactérias, que são resistentes à maioria dos antibióticos conhecidos. Atualmente, já foram descritos diversos genes de resistência bacteriana a antibióticos, como o mecA, vanA, vanB, β-Lactamases de Espectro Ampliado (ESβLs) e os genes TEM. Saiba mais: O gene mecA faz parte de um elemento genético móvel encontrado em todos os isolados de Streptococcus aureus e de estafilococo coagulase negativo (SCoN), ocasionando resistência à meticilina. Já os genes vanA e vanB são descritos em espécies de Enterobacteria faecalis e E. faecium e apresentam alto grau de resistência à vancomicina e teicoplanina. O gene ESβL é codificado em plasmídeos que podem também codificar resistência aos aminoglicosídeos, tetraciclina, cloranfenicol, quinolonas e trimetoprim/sulfametoxazol. Os genes TEM são derivados das beta-lactamases de espectro restrito e identificados na Escherichia coli. É preciso ter extremo cuidado em casos de infecção bacteriana. Atenção! É importante que o médico veterinário, diante de um caso de infecção bacteriana, solicite a realização do teste de sensibilidade antimicrobiana (TSA) ou antibiograma. Nesse teste, é possível conhecer a bactéria causadora da infecção e determinar qual o antibiótico mais indicado para eliminá-la ou deter seu crescimento. Na agropecuária, os médicos veterinários indicam algumas classes de antibióticos como melhoradores de desempenho na ração de animais, sejam eles bovinos, suínos ou aves, o que também pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana. Para a prevenção do uso indiscriminado de antibióticos, há, no Brasil, o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), o qual monitora o uso de antimicrobianos na agropecuária. Com base no relatório produzido no âmbito desse programa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabelece normas para o uso de antibióticos como aditivos na ração animal. O fato é que a resistência bacteriana é um grave problema de saúde pública e pode ser contido por meio da prescrição consciente de antibióticos aos pacientes humanos e não humanos, do uso adequado de antibióticos em rações animais e da não automedicação. Observe na imagem as práticas que colaboram para esse importante problema. Os mecanismos que envolvem resistência de uma bactéria aos antibióticos podem se dar por meio de: Produção bacteriana de enzimas que degradam ou modificam a ação dos antibióticos. Redução da permeabilidade da membrana bacteriana impedindo a entrada do antibiótico. Aumento da expressão de sistemas de efluxo aumentando a saída do antibiótico. Alteração do sítio alvo de ligação no antibiótico. Bloqueio ou proteção do sítio alvo do antibiótico. O caso da Staphylococcus aureus e do Streptococcus pneumoniae ilustram muito bem o processo de resistência bacteriana em animais não humanos. A bactéria S. aureus é considerada um patógeno animal, incluindo dos humanos, oportunista e está associada a infecções adquiridas na comunidade e no ambiente hospitalar. As infecções por S. aureus são agudas e podem disseminar para diferentes tecidos e provocar focos metastáticos com episódios mais graves, como bacteremia, pneumonia, osteomielite, endocardite, miocardite, pericardite e meningite. Entre os fármacos aos quais essa bactéria apresenta resistência estão a penicilina e a meticilina, que eram amplamente usados nas infecções causadas por essa bactéria. Já a S. pneumoniae é o principal agente etiológico de infecções respiratórias adquiridas (otites, sinusites e pneumonias). Outras infecções graves como meningite, endocardite, peritonites, osteomielite, artrite séptica são também associadas a esse agente. Estudos apontaram a resistência da S. pneumoniae aos fármacos sulfametoxazol-trimetoprima, tetraciclinas, eritromicina, cloranfenicol e rifampicina, que antes eram capazes de findar a infecção. Dessa maneira, novas drogas antibióticas mais potentes são produzidas para o tratamento dessas infecções e, caso a resistência se desenvolva também para elas, será difícil evitar as sequelas ou o óbito causado por tais infecções, antes facilmente tratadas com os antibióticos disponíveis. Ferramentas moleculares Muitas ferramentas moleculares são importantes para a identificação de genes em animais, sejam esses genes associados a uma característica ou fenótipo, seja para identificação de microrganismos infectantes em um animal (como vírus ou bactérias) ou até mesmo para o isolamento de genes de resistência antimicrobiana em microrganismos. O conhecimento da Biologia Molecular nos permite manipular o DNA de várias maneiras, por eliminação de um gene, adição de um gene de uma espécie diferente ou reconhecimento de um gene “ruim”, também conhecido como deletério. Essa capacidade de manipulação do material genético animal advém de muitos estudos e técnicas aprimoradas, como a clonagem molecular, a PCR, a hibridização e a CRISPR-Cas9. Conheça cada uma em detalhe: Clonagem molecular A clonagem molecular, ou técnica do DNA recombinante, pode ser realizada tanto em organismos inteiros, como foi o caso da ovelha Dolly – clone criado em 1996 –, ou de apenas partes de seu DNA. Ovelha Dolly embalsamada no Museu Nacional da Escócia. Essa técnica somente se tornou possível com o desenvolvimento das enzimas de restrição (endonucleases de restrição) e de ligação (DNA-ligase). Enquanto as endonucleases de restrição são capazes de clivar a molécula de DNA em pontos específicos, as DNA-ligases unem fragmentos de DNA. Dessa maneira, depois de selecionar o gene de interesse, as enzimas de restrição cortam o fragmento de DNA onde ele se localiza. Esse fragmento é então inserido em um vetor, geralmente um plasmídeo. O fragmento do gene-alvo une-se ao DNA do vetor por meio da DNA-ligase e forma o plasmídeo recombinante, contendo o gene selecionado. A molécula de DNA recombinante produzida é introduzida em um organismo hospedeiro, que produzirá suas cópias, processo chamado de transformação. As bactérias Escherichia coli e Bacillus subtilis e a levedura Saccharomyces cerevisiae são comumente utilizadas como células hospedeiras. PCR (Polymerase Chain Reaction) A técnica de PCR (Polymerase Chain Reaction) ou reação em cadeia da polimerase é a ferramenta molecular mais utilizada para observação da presença e ausência de determinado gene, como também para quantificação da expressão do gene a ser analisado. A técnica consiste em produzir muitas cópias de uma região específica do DNA, utilizando a enzima Taq-polimerase e requer primers de DNA desenhados especificamente para a região de interesse do DNA. Para a PCR, utiliza-se um equipamento chamado termociclador, que realiza ciclos de temperaturas para induzir a formação das cópias de DNA, contando com diferentes fases: No termociclador, a fita dupla de DNA se desenrola e abre quando a temperatura está entre 94°C e 96°C. Depois da abertura do DNA, os primers reconhecem a sequência a ser estudada por pareamento (identificam as bases do DNA-molde) e se ligam ao DNA-molde quando o termociclador está com

O Projeto Genoma tem grande relevância mundial. Em relação aos animais, a espécie bovina apresenta o maior genoma animal (em quantidade de pares de bases) até o momento, apesar de não estar totalmente montado. Qual a importância primária do Projeto Genoma?

A Fomentar a produção em larga escala de clones da espécie bovina, buscando o mercado econômico.
B Exterminar as bactérias resistentes a antibióticos.
C Subsidiar os programas de melhoramento de animais de produção.
D Elucidar o código genético das espécies.
E Diagnosticar as doenças animais relacionadas ao ambiente.

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Questões resolvidas

O estudo dos caracteres quantitativos em animais é importante para monitorar os índices produtivos nas propriedades rurais. Saber quantificar tais índices é essencial para o profissional médico veterinário. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta os métodos e as ferramentas corretas para estimar parâmetros quantitativos em animais de produção.

A Balança para pesagem de bovinos ao abate, paquímetro para espessura de toicinho de suínos e notas para avaliar o sabor da carne.
B Balança para peso ao abate do frango, fita métrica para comprimento do camarão e balança para peso do leite.
C Fita métrica para medir comprimento do camarão, contagem das horas de postura entre ovos e avaliação do escore de úbere da vaca.
D Fita métrica para medir comprimento do camarão, balança para peso do frango ao abate e observação da cor da pelagem de cavalos.
E Contagem dos dias ao primeiro parto de vacas, balança para peso do frango ao abate e observação da coloração do sêmen de reprodutores.

Os loci que condicionam a pelagem tordilha em cavalos e a pelagem salpicada em cães são, respectivamente:
Lócus G (Gray) controla a coloração tordilha, interpolação de pelos brancos e pretos em cavalos, enquanto o lócus T controla se os cães terão manchas salpicadas em muita ou pouca quantidade na pelagem.

poderá ser transmitido para outra bactéria. O plasmídeo, contendo um ou mais transpósons de genes de resistência, é considerado plasmídeo R (de resistência). A imagem mostra como ocorre a incorporação de genes em um plasmídeo. Incorporação de genes do DNA em um plasmídeo. Para entendermos melhor a importância da resistência bacteriana, temos que ter em mente que os antibióticos são capazes de agir no DNA bacteriano ou na replicação, transcrição e tradução bacterianas. Há dois tipos de antibióticos, os bactericidas e os bacteriostáticos: Antibióticos bactericidas Atuam na parede celular ou membrana plasmática das bactérias, impedindo sua formação e, consequentemente, levando à destruição da bactéria. Antibióticos bacteriostáticos Atuam impedindo a multiplicação e a proliferação bacteriana. O uso indiscriminado de antibióticos permitiu que as bactérias reconhecessem essas substâncias e se prevenissem da sua ação. Hoje, vemos patógenos cada vez mais resistentes aos antibióticos, incluindo as chamadas superbactérias, que são resistentes à maioria dos antibióticos conhecidos. Atualmente, já foram descritos diversos genes de resistência bacteriana a antibióticos, como o mecA, vanA, vanB, β-Lactamases de Espectro Ampliado (ESβLs) e os genes TEM. Saiba mais: O gene mecA faz parte de um elemento genético móvel encontrado em todos os isolados de Streptococcus aureus e de estafilococo coagulase negativo (SCoN), ocasionando resistência à meticilina. Já os genes vanA e vanB são descritos em espécies de Enterobacteria faecalis e E. faecium e apresentam alto grau de resistência à vancomicina e teicoplanina. O gene ESβL é codificado em plasmídeos que podem também codificar resistência aos aminoglicosídeos, tetraciclina, cloranfenicol, quinolonas e trimetoprim/sulfametoxazol. Os genes TEM são derivados das beta-lactamases de espectro restrito e identificados na Escherichia coli. É preciso ter extremo cuidado em casos de infecção bacteriana. Atenção! É importante que o médico veterinário, diante de um caso de infecção bacteriana, solicite a realização do teste de sensibilidade antimicrobiana (TSA) ou antibiograma. Nesse teste, é possível conhecer a bactéria causadora da infecção e determinar qual o antibiótico mais indicado para eliminá-la ou deter seu crescimento. Na agropecuária, os médicos veterinários indicam algumas classes de antibióticos como melhoradores de desempenho na ração de animais, sejam eles bovinos, suínos ou aves, o que também pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana. Para a prevenção do uso indiscriminado de antibióticos, há, no Brasil, o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), o qual monitora o uso de antimicrobianos na agropecuária. Com base no relatório produzido no âmbito desse programa, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabelece normas para o uso de antibióticos como aditivos na ração animal. O fato é que a resistência bacteriana é um grave problema de saúde pública e pode ser contido por meio da prescrição consciente de antibióticos aos pacientes humanos e não humanos, do uso adequado de antibióticos em rações animais e da não automedicação. Observe na imagem as práticas que colaboram para esse importante problema. Os mecanismos que envolvem resistência de uma bactéria aos antibióticos podem se dar por meio de: Produção bacteriana de enzimas que degradam ou modificam a ação dos antibióticos. Redução da permeabilidade da membrana bacteriana impedindo a entrada do antibiótico. Aumento da expressão de sistemas de efluxo aumentando a saída do antibiótico. Alteração do sítio alvo de ligação no antibiótico. Bloqueio ou proteção do sítio alvo do antibiótico. O caso da Staphylococcus aureus e do Streptococcus pneumoniae ilustram muito bem o processo de resistência bacteriana em animais não humanos. A bactéria S. aureus é considerada um patógeno animal, incluindo dos humanos, oportunista e está associada a infecções adquiridas na comunidade e no ambiente hospitalar. As infecções por S. aureus são agudas e podem disseminar para diferentes tecidos e provocar focos metastáticos com episódios mais graves, como bacteremia, pneumonia, osteomielite, endocardite, miocardite, pericardite e meningite. Entre os fármacos aos quais essa bactéria apresenta resistência estão a penicilina e a meticilina, que eram amplamente usados nas infecções causadas por essa bactéria. Já a S. pneumoniae é o principal agente etiológico de infecções respiratórias adquiridas (otites, sinusites e pneumonias). Outras infecções graves como meningite, endocardite, peritonites, osteomielite, artrite séptica são também associadas a esse agente. Estudos apontaram a resistência da S. pneumoniae aos fármacos sulfametoxazol-trimetoprima, tetraciclinas, eritromicina, cloranfenicol e rifampicina, que antes eram capazes de findar a infecção. Dessa maneira, novas drogas antibióticas mais potentes são produzidas para o tratamento dessas infecções e, caso a resistência se desenvolva também para elas, será difícil evitar as sequelas ou o óbito causado por tais infecções, antes facilmente tratadas com os antibióticos disponíveis. Ferramentas moleculares Muitas ferramentas moleculares são importantes para a identificação de genes em animais, sejam esses genes associados a uma característica ou fenótipo, seja para identificação de microrganismos infectantes em um animal (como vírus ou bactérias) ou até mesmo para o isolamento de genes de resistência antimicrobiana em microrganismos. O conhecimento da Biologia Molecular nos permite manipular o DNA de várias maneiras, por eliminação de um gene, adição de um gene de uma espécie diferente ou reconhecimento de um gene “ruim”, também conhecido como deletério. Essa capacidade de manipulação do material genético animal advém de muitos estudos e técnicas aprimoradas, como a clonagem molecular, a PCR, a hibridização e a CRISPR-Cas9. Conheça cada uma em detalhe: Clonagem molecular A clonagem molecular, ou técnica do DNA recombinante, pode ser realizada tanto em organismos inteiros, como foi o caso da ovelha Dolly – clone criado em 1996 –, ou de apenas partes de seu DNA. Ovelha Dolly embalsamada no Museu Nacional da Escócia. Essa técnica somente se tornou possível com o desenvolvimento das enzimas de restrição (endonucleases de restrição) e de ligação (DNA-ligase). Enquanto as endonucleases de restrição são capazes de clivar a molécula de DNA em pontos específicos, as DNA-ligases unem fragmentos de DNA. Dessa maneira, depois de selecionar o gene de interesse, as enzimas de restrição cortam o fragmento de DNA onde ele se localiza. Esse fragmento é então inserido em um vetor, geralmente um plasmídeo. O fragmento do gene-alvo une-se ao DNA do vetor por meio da DNA-ligase e forma o plasmídeo recombinante, contendo o gene selecionado. A molécula de DNA recombinante produzida é introduzida em um organismo hospedeiro, que produzirá suas cópias, processo chamado de transformação. As bactérias Escherichia coli e Bacillus subtilis e a levedura Saccharomyces cerevisiae são comumente utilizadas como células hospedeiras. PCR (Polymerase Chain Reaction) A técnica de PCR (Polymerase Chain Reaction) ou reação em cadeia da polimerase é a ferramenta molecular mais utilizada para observação da presença e ausência de determinado gene, como também para quantificação da expressão do gene a ser analisado. A técnica consiste em produzir muitas cópias de uma região específica do DNA, utilizando a enzima Taq-polimerase e requer primers de DNA desenhados especificamente para a região de interesse do DNA. Para a PCR, utiliza-se um equipamento chamado termociclador, que realiza ciclos de temperaturas para induzir a formação das cópias de DNA, contando com diferentes fases: No termociclador, a fita dupla de DNA se desenrola e abre quando a temperatura está entre 94°C e 96°C. Depois da abertura do DNA, os primers reconhecem a sequência a ser estudada por pareamento (identificam as bases do DNA-molde) e se ligam ao DNA-molde quando o termociclador está com

O Projeto Genoma tem grande relevância mundial. Em relação aos animais, a espécie bovina apresenta o maior genoma animal (em quantidade de pares de bases) até o momento, apesar de não estar totalmente montado. Qual a importância primária do Projeto Genoma?

A Fomentar a produção em larga escala de clones da espécie bovina, buscando o mercado econômico.
B Exterminar as bactérias resistentes a antibióticos.
C Subsidiar os programas de melhoramento de animais de produção.
D Elucidar o código genético das espécies.
E Diagnosticar as doenças animais relacionadas ao ambiente.

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<p>Genética quantitativa e qualitativa em animais</p><p>Prof. Fágner Santos, Prof.ª Cheryl Almada</p><p>Descrição</p><p>A importância da genética quantitativa, qualitativa, os modos de ação</p><p>gênica e as ferramentas moleculares em genética animal, para o</p><p>conhecimento dos mecanismos da herança e aplicabilidade na</p><p>formação do médico veterinário.</p><p>Propósito</p><p>Estudar os parâmetros genéticos em animais propicia o conhecimento</p><p>de como os genes controlam um caráter, permite a compreensão das</p><p>técnicas para mensurar tais caracteres e contribui para a realização de</p><p>controle produtivo, por meio da observação das características</p><p>fenotípicas em propriedades rurais e plantéis animais, além de contribuir</p><p>com o uso da genética molecular, uma importante ferramenta de</p><p>diagnóstico.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Características quantitativas</p><p>Identificar as bases genéticas dos caracteres quantitativos em</p><p>animais.</p><p>Módulo 2</p><p>Características qualitativas</p><p>Identificar as bases genéticas dos caracteres qualitativos em</p><p>animais.</p><p>Módulo 3</p><p>Modos de ação gênica</p><p>Reconhecer os mecanismos envolvidos na interação entre genes e</p><p>alelos para o controle de caracteres em animais.</p><p>Módulo 4</p><p>Organização gênica e ferramentas</p><p>moleculares em animais</p><p>Analisar como a organização gênica influi na estruturação do</p><p>material genético, na resistência bacteriana e no desenho do genoma</p><p>animal.</p><p>Introdução</p><p>A genética animal é a ciência responsável pelo estudo da</p><p>transmissão de características hereditárias, sejam de aspectos</p><p></p><p>físicos ou fisiológicos, observadas nas diversas espécies. O</p><p>estudo genético em animais se deu a partir da observação de</p><p>características fenotípicas que pudessem ser, de alguma forma,</p><p>aproveitadas pelo homem.</p><p>Então, com o passar do tempo, foi observado que tais</p><p>características poderiam ser repassadas ao longo das gerações.</p><p>Com os primeiros estudos propostos por Mendel, envolvendo</p><p>plantas de jardim, confirmou-se que a similaridade entre pais e</p><p>filhos acontecia pela hereditariedade. Os achados de Mendel</p><p>revolucionaram o campo da ciência, conceituando a genética</p><p>mendeliana e contribuindo com conhecimento para compreensão</p><p>da herança genética.</p><p>O avanço dos estudos genéticos permitiu o melhor conhecimento</p><p>sobre como os genes controlam as características quantitativas e</p><p>qualitativas em animais, como atuam determinando o seu modo</p><p>de ação, e sobre a organização estrutural gênica.</p><p>As novas ferramentas moleculares são de grande utilidade nos</p><p>mais diversos diagnósticos em animais – desde o desenho do</p><p>genoma de uma espécie, o estudo das alterações em genes, até o</p><p>diagnóstico de doenças que alteram o controle da expressão</p><p>gênica. Neste conteúdo, apresentaremos os conceitos para a</p><p>compreensão dos mecanismos genômicos que ocorrem nos</p><p>animais domésticos. Vamos lá!</p><p>1 - Características quantitativas</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as bases genéticas dos caracteres</p><p>quantitativos em animais.</p><p>Características dos caracteres</p><p>quantitativos</p><p>Os caracteres quantitativos em animais são, geralmente, controlados</p><p>por muitos pares de genes, são facilmente distinguíveis e mensuráveis,</p><p>havendo uma distribuição contínua do fenótipo. Tais caracteres referem-</p><p>se a mensurações de quantidades (pesos, volumes, medidas em g, kg,</p><p>mm, m, cm, m², entre outros).</p><p>De modo geral, esses caracteres mostram variações contínuas e não</p><p>são totalmente de origem genética, ou seja, são afetados pelos fatores</p><p>ambientais – clima, dieta, manejo sanitário, reprodutivo e manejo geral</p><p>dos animais.</p><p>Tais caracteres têm grande importância nos sistemas</p><p>de produção animal, uma vez que representam</p><p>mensurações, uma das formas mais simples de</p><p>acompanhar o desempenho nas mais variadas culturas</p><p>animais.</p><p>Além do mais, o controle desses caracteres nas propriedades rurais</p><p>representa crescimento econômico, uma vez que o produtor poderá</p><p>mensurar o que está produzindo para observar o desempenho animal e</p><p>acompanhar o crescimento dos produtos de origem animal nas</p><p>propriedades.</p><p>Propriedades dos caracteres</p><p>quantitativos</p><p>São caracteres de herança poligênica, assim, são regulados por vários</p><p>genes (pool gênico). Para o estudo dos caracteres quantitativos a nível</p><p>de populações, deve-se basear os dados na estimação de parâmetros,</p><p>tais como:</p><p></p><p>Média</p><p></p><p>Variância</p><p></p><p>Covariância</p><p>Além disso, os caracteres quantitativos têm variações contínuas, seus</p><p>valores não formam classes definidas e sofrem grande efeito do meio</p><p>ambiente.</p><p>Exemplos de características</p><p>quantitativas nos sistemas de</p><p>produção animal</p><p>Produção de carne</p><p>No Brasil, as principais cadeias produtivas da carne incluem a</p><p>bovinocultura de corte, a suinocultura, a ovinocaprinocultura de corte, a</p><p>produção de frango e a aquicultura. As formas de mensuração dos</p><p>caracteres quantitativos nessas culturas incluem balanças de pesagem,</p><p>fita métrica de comprimento, paquímetro, contagem de dias ou horas</p><p>para um caráter, entre outros.</p><p>Características quantitativas em cães (peso do animal em kg).</p><p>Características quantitativas em suínos (número de leitões nascidos).</p><p>Confira a tabela:</p><p>Cultura Características quantitativas</p><p>Bovinocultura de</p><p>corte</p><p>Peso ao nascer, peso ao desmame,</p><p>peso ao abate, altura de cernelha</p><p>etc.</p><p>Suinocultura</p><p>Peso da leitegada, número de leitões</p><p>nascidos, peso da carcaça,</p><p>espessura de toucinho, conversão</p><p>alimentar etc.</p><p>Ovinocaprinocultura</p><p>de corte</p><p>Idade ao primeiro parto, idade na</p><p>puberdade, dias de gestação etc.</p><p>Avicultura de corte</p><p>Peso aos 28 dias, peso ao abate,</p><p>peso da carcaça etc.</p><p>Aquicultura</p><p>Tamanho do camarão, comprimento</p><p>do peixe, peso dos pescados (ostra,</p><p>lagosta etc.)</p><p>Tabela 1: Caracteres quantitativos nos sistemas de produção de corte no Brasil.</p><p>Fágner Santos.</p><p>Produção de ovos, leite e lã</p><p>Na avicultura de postura, vários são os caracteres quantitativos de</p><p>importância, incluindo produção anual de ovos, peso do ovo, idade na</p><p>primeira postura, duração da ovopostura em horas, espessura da casca,</p><p>entre outros.</p><p>No que se refere à produção de leite, a caprinocultura e a bovinocultura</p><p>leiteira apresentam grande potencial. Para ambas a culturas, são</p><p>caracteres quantitativos importantes a produção de leite anual, que</p><p>pode ser medida em kg ou L; a quantidade de sólidos do leite (proteína</p><p>total, lipídeos, minerais, vitaminas); a persistência da lactação em dias</p><p>etc.</p><p>A produção de lã se dá principalmente pela ovinocultura de animais</p><p>lanados. A atividade é incomum no Nordeste, devido ao clima semiárido,</p><p>e mais comum nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Apresenta como</p><p>caracteres quantitativos: o peso do velo (kg), a espessura da fibra e o</p><p>comprimento da fibra, por exemplo.</p><p>Efeito ambiental e genético sobre as</p><p>características quantitativas</p><p>As características quantitativas nos animais de produção são bastante</p><p>influenciadas por efeitos do ambiente, assim, o melhoramento</p><p>ambiental é uma ferramenta fundamental para elevação dos índices</p><p>produtivos em uma propriedade.</p><p>Para a maioria dos caracteres, a expressão fenotípica é dependente dos</p><p>fatores ambientais. Embora a participação do genótipo na expressão</p><p>fenotípica seja evidenciada em muitas situações, como, por exemplo,</p><p>quando se cria duas raças de bovinos em uma mesma região, como a</p><p>raça Holandesa e a raça Gir, ambas para produção de leite, os valores</p><p>fenotípicos de produção serão diferentes.</p><p>Raça Holandesa.</p><p>Raça Gir.</p><p>Isso ocorre devido às raças serem adaptadas a diferentes condições</p><p>climáticas, assim, o efeito genético da raça mais adaptada implicará</p><p>melhores índices.</p><p>Indivíduos geneticamente diferentes expressarão</p><p>características de forma diferente no mesmo</p><p>ambiente. Contudo, indivíduos geneticamente</p><p>idênticos podem desenvolver-se de forma desigual em</p><p>ambientes diferentes.</p><p>Na realidade, o que ocorre na expressão de qualquer caráter é uma ação</p><p>conjunta do genótipo e do ambiente, que pode ser representada na</p><p>fórmula a seguir:</p><p>Fenótipo (F) = Genótipo (G) + Ambiente (A) ou F = G + A</p><p>Os padrões de interação entre o genótipo animal e o ambiente</p><p>representam uma resposta diferenciada</p><p>dos genótipos às variações</p><p>ambientais, o que pode ocasionar alteração no ordenamento de</p><p>performance dos genótipos nos ambientes diferenciados.</p><p>Podemos observar, como exemplo, as raças europeias e zebuínas de</p><p>bovinos de corte em dois ambientes:</p><p></p><p>Região de clima temperado (frio)</p><p>As raças europeias superam em produção as raças zebuínas.</p><p></p><p>Região de clima tropical (quente)</p><p>As raças zebuínas superam em produção as raças europeias.</p><p>Assim, espera-se que haja interação entre G e A quando as diferenças</p><p>entre os genótipos e entre os indivíduos são grandes. Isso significa que</p><p>nem sempre o melhor genótipo para determinada característica será o</p><p>melhor a ser empregado em determinado ambiente, pois o ambiente</p><p>influencia a expressão da característica. Observe na tabela as</p><p>possibilidades dessas interações!</p><p>Caso</p><p>Diferenças no</p><p>genótipo (G)</p><p>Diferenças no</p><p>ambiente (A)</p><p>Raças criadas em</p><p>diferentes áreas</p><p>Grande Grande</p><p>Raças criadas em</p><p>uma mesma área</p><p>Grande Pequena</p><p>Animais criados</p><p>em diferentes</p><p>áreas</p><p>Pequena Grande</p><p>Animais criados</p><p>em uma mesma</p><p>área</p><p>Pequena Pequena</p><p>Tabela 2: Interação genótipo x ambiente em animais.</p><p>Fágner Santos.</p><p>Vamos fixar alguns conceitos importantes:</p><p>É a constituição genética total de um organismo, composto pela</p><p>sequência de nucleotídeos do DNA (ou um gene) que é herdável.</p><p>Corresponde a formas alternativas de expressão de uma</p><p>característica, que é dependente da interação genótipo e</p><p>ambiente. É observável em níveis físicos, ou seja, inclui todas as</p><p>características morfológicas e fisiológicas dos indivíduos.</p><p>Pode ser definido como as circunstâncias ao redor do animal e</p><p>que afetam o seu crescimento e desenvolvimento, como o clima,</p><p>Genótipo </p><p>Fenótipo </p><p>Ambiente </p><p>a temperatura, o manejo nutricional, o manejo reprodutivo,</p><p>produtivo, sanitário, entre outros.</p><p>Importância da interação entre</p><p>genótipo e ambiente na seleção e</p><p>produção animal</p><p>Confira agora exemplos sobre a influência dos fatores ambientais na</p><p>expressão gênica de características quantitativas relacionadas ao</p><p>desempenho na produção animal.</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>O estudo dos caracteres quantitativos em animais é importante</p><p>para monitorar os índices produtivos nas propriedades rurais. Saber</p><p>quantificar tais índices é essencial para o profissional médico</p><p>veterinário. Nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta os</p><p>métodos e as ferramentas corretas para estimar parâmetros</p><p>quantitativos em animais de produção.</p><p>A</p><p>Balança para pesagem de bovinos ao abate,</p><p>paquímetro para espessura de toicinho de suínos e</p><p>notas para avaliar o sabor da carne.</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>As formas de mensuração das características quantitativas nessas</p><p>culturas incluem balanças de pesagem, fita métrica de</p><p>comprimento, paquímetro e contagem de dias ou horas para um</p><p>caráter. Já as características notas para avaliação do sabor da</p><p>carne, escore de úbere da vaca, observação da cor da pelagem de</p><p>cavalos e da coloração do sêmen de reprodutores não podem ser</p><p>mesuradas da forma citada e não são características quantitativas,</p><p>que veremos no próximo módulo.</p><p>Questão 2</p><p>Em um sistema de produção de frangos de corte, a população</p><p>apresentou para característica de peso ao abate aos 42 dias, o valor</p><p>de variância fenotípica para o peso de 0,250g e a variância</p><p>ambiental de 0,030g. Assim, o valor genotípico da característica</p><p>será</p><p>B</p><p>Balança para peso ao abate do frango, fita métrica</p><p>para comprimento do camarão e balança para peso</p><p>do leite.</p><p>C</p><p>Fita métrica para medir comprimento do camarão,</p><p>contagem das horas de postura entre ovos e</p><p>avaliação do escore de úbere da vaca.</p><p>D</p><p>Fita métrica para medir comprimento do camarão,</p><p>balança para peso do frango ao abate e observação</p><p>da cor da pelagem de cavalos.</p><p>E</p><p>Contagem dos dias ao primeiro parto de vacas,</p><p>balança para peso do frango ao abate e observação</p><p>da coloração do sêmen de reprodutores.</p><p>A 0,23g.</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Utilizando a fórmula F = G + A, em que F é o valor fenotípico = 0,250</p><p>g e A é o valor do ambiente = 0,030 g, aplica-se na fórmula 0,250 = G</p><p>+ 0,030. Assim, G = 0,250 – 0,030 = 0,220 g.</p><p>2 - Características qualitativas</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as bases genéticas dos caracteres</p><p>qualitativos em animais.</p><p>Características dos caracteres</p><p>B 0,290g.</p><p>C 0,280g.</p><p>D 0,220g.</p><p>E 0,022g.</p><p>qualitativos</p><p>As características qualitativas em animais são controladas por poucos</p><p>pares de genes ou poucos loci (regiões específicas do cromossomo),</p><p>apresentam classes fenotípicas bem definidas, ou seja, são</p><p>representadas por variação discreta, sofrem pouca ou nenhuma</p><p>influência de fatores ambientais. Assim, podem ser definidas por meio</p><p>da observação fenotípica dentro de uma população animal. Devido ao</p><p>fato de serem controladas por poucos genes, essas características</p><p>apresentam poucas classes fenotípicas e são facilmente herdáveis ao</p><p>longo das gerações.</p><p>Outro ponto importante é o fato de a característica</p><p>qualitativa, como o próprio nome diz, ser um atributo</p><p>relacionado à qualidade e que não pode ser</p><p>especificamente mensurado no animal.</p><p>Por isso, são criadas categorias, como atribuição de nomes ou notas</p><p>para classificar esse tipo de caractere.</p><p>Exemplo</p><p>Temos os escores de condição corporal (ECC), bastante utilizados na</p><p>bovinocultura e na ovinocaprinocultura; as notas atribuídas para alguns</p><p>parâmetros seminais de reprodutores; as notas atribuídas durante</p><p>análise organoléptica, uma análise feita por provadores para avaliar o</p><p>sabor dos produtos de origem animal; entre outros.</p><p>A mensuração dos caracteres qualitativos pode ser feita por elaboração</p><p>de escalas, nomenclaturas, atribuição de notas, formatos, mas todos</p><p>devem seguir o padrão preconizado pelas associações de criação das</p><p>espécies e de cada raça.</p><p>Exemplos de características</p><p>qualitativas nos sistemas de</p><p>produção animal</p><p>Produção de carne</p><p>Alguns caracteres qualitativos não têm tanto impacto na produção final</p><p>da carne. Porém, são extremamente importantes, uma vez que</p><p>características como a pelagem, por exemplo, pode evitar predadores</p><p>como moscas ou diminuir a incidência dos danos causados pelo sol,</p><p>como no caso das pelagens mais escuras. Outros caracteres</p><p>qualitativos têm maior importância na seleção de indivíduos para a</p><p>qualidade da carne, como ECC, pH e sabor da carne.</p><p>Os principais exemplos de características qualitativas em animais para</p><p>produção de carne estão apresentados na tabela abaixo.</p><p>Cultura Características qualitativas</p><p>Bovinocultura de corte</p><p>Cor da pelagem, ECC, caráter</p><p>mocho etc.</p><p>Suinocultura</p><p>Cor da pelagem, ECC, vigor</p><p>seminal</p><p>Ovinocaprinocultura de</p><p>corte</p><p>ECC, pH da carne, pelagem, cor</p><p>do olho etc.</p><p>Avicultura de corte</p><p>Coloração da plumagem, formato</p><p>da crista etc.</p><p>Aquicultura</p><p>Coloração dos pescados, entre</p><p>outras</p><p>Tabela 3: Caracteres qualitativos nos sistemas de produção de corte no Brasil.</p><p>Fágner Santos.</p><p>Produção de ovos, leite, mel e lã</p><p>Na avicultura de postura, podemos citar várias características</p><p>qualitativas, como:</p><p>a coloração do ovo;</p><p>a coloração da plumagem da ave;</p><p>a morfologia espermática do galo, entre outras.</p><p>Na produção de leite por caprinos e bovinos, as principais</p><p>características qualitativas incluem:</p><p>coloração do leite;</p><p>escore de úbere;</p><p>ECC;</p><p>sabor do leite;</p><p>pH do leite;</p><p>bezerro anão;</p><p>caráter mocho;</p><p>morfologia;</p><p>vigor espermático.</p><p>Na ovinocultura para produção de lã, podemos citar a coloração da lã e</p><p>na apicultura para produção de mel, os caracteres qualitativos incluem:</p><p>coloração;</p><p>pH do mel.</p><p>Herança das pelagens em mamíferos</p><p>Segundo já mencionado, os caracteres qualitativos são controlados por</p><p>poucos pares de genes, como é o caso do caráter determinante dos</p><p>mais diversos fenótipos de pelagens. Os genes e fatores determinantes</p><p>da pelagem em mamíferos são diversos. A pelagem é determinada pelo</p><p>genótipo do indivíduo, mas também pode sofrer alterações fenotípicas,</p><p>de acordo com o ambiente,</p><p>como no caso de coelhos de coloração</p><p>himalaia.</p><p>Cavalo tordilho.</p><p>Outro fator que pode determinar diferenças fenotípicas com alteração</p><p>na coloração é o envelhecimento em cavalos, que provoca o aumento da</p><p>quantidade de pelos brancos, a exemplo dos animais de pelagem</p><p>tordilha (interpolação de pelos pretos e brancos), que vão ficando mais</p><p>claros com o passar do tempo.</p><p>Nos equinos, o modo de herança dos genes envolvidos na determinação</p><p>das pelagens apresenta grande variedade de cores, determinadas por</p><p>vários pares de genes e proporcionando uma infinidade de combinações</p><p>gênicas.</p><p>A teoria mais aceita sobre a forma de transmissão dos genes envolvidos</p><p>com as pelagens dos equinos propõe um “abecedário” para designar</p><p>esses genes, confira!</p><p>São responsáveis pela produção da feomelanina que determina</p><p>o clareamento da pelagem em regiões específicas nos animais.</p><p>Se o animal produzir pigmento preto (B) e o gene para</p><p>feomelanina estiver no genótipo, determinadas áreas da pelagem</p><p>serão de coloração vermelha; se o pigmento produzido for</p><p>vermelho (bb) e a feomelanina estiver presente, terá áreas</p><p>específicas de tonalidade amarelada. Tal série gênica determina</p><p>a pelagem castanha e suas variações.</p><p>Quando apresentados nas formas homozigotas (BB) e</p><p>heterozigotas (Bb), determinam que o pigmento produzido seja</p><p>preto. Seu alelo recessivo em homozigose (bb) leva à produção</p><p>Genes da série A (Aguti) </p><p>Genes da série B (Black) </p><p>do pigmento vermelho. Com esse conhecimento, será possível</p><p>definir os genótipos das pelagens preta e alazã.</p><p>Utiliza-se a letra (C) para designar esse tipo de herança. O alelo</p><p>dominante é representado por (C) e o recessivo por (c). O (C) é</p><p>responsável pela produção do pigmento melânico. Na presença</p><p>do alelo recessivo na forma homozigota (cc), o animal é incapaz</p><p>de formar o pigmento melanina. As principais pelagens</p><p>determinadas por tais alelos são cavalo albino (pseudoalbino),</p><p>perlino e cremelo.</p><p>Têm ação do alelo dominante (D) provocando a diluição na</p><p>tonalidade da pelagem, modificando a intensidade de produção e</p><p>distribuição do pigmento produzido. Essa série determina a</p><p>pelagem baio e suas variações, assim como a pelagem lobuno.</p><p>O alelo (E) é um fator de extensão e determina que a produção</p><p>de pigmento seja uniforme e distribuída em toda extensão do</p><p>corpo do animal. Sua ação é antagônica ao alelo (A), pois este</p><p>determina clareamento em regiões específicas. O cavalo</p><p>portador do (E) pode transmiti-lo à prole, mas não é possível</p><p>identificar a presença desse alelo no seu genótipo apenas pela</p><p>observação de sua pelagem, determinando a pelagem alazã</p><p>tostado.</p><p>Quando presente na forma homozigota (GG) ou heterozigota</p><p>(Gg) em qualquer dos genótipos, o animal nascerá com a</p><p>pelagem determinada por esse genótipo e terá aparecimento</p><p>Genes da série C (Color) </p><p>Genes da Série D (Dilution) </p><p>Genes da Série E (Extension) </p><p>Genes da Série G (Gray) </p><p>gradativo de pelos brancos até se tornarem completamente</p><p>brancos. São responsáveis pela pelagem tordilha.</p><p>Os alelos (M) e (m) são os responsáveis pelo aparecimento das</p><p>particularidades das pelagens (calçamentos, beta,</p><p>particularidades de cabeça, zebruras, cordão etc.).</p><p>O alelo dominante (R) é responsável pela pelagem rosilha. Esse</p><p>gene, atuando sobre a cor base (qualquer outra pelagem),</p><p>determina que o animal apresente interpolação de pelos brancos</p><p>e pelos pigmentados disseminados pelo corpo. A proporção de</p><p>pelos brancos é maior no pescoço e tronco que na cabeça e</p><p>extremidades dos membros, os quais se destacam por uma</p><p>tonalidade mais escura.</p><p>O (W) dominante é responsável pela pelagem branca, devido a</p><p>esse gene ter efeito epistático, ou seja, mascarar o efeito de</p><p>todos os outros genes já mencionados. Seu alelo recessivo (w)</p><p>permite a manifestação do restante do genótipo. Os cavalos</p><p>brancos ocasionados pelo alelo (W) apresentam pelos brancos,</p><p>olhos azulados, castanhos ou amarelados e apenas algumas</p><p>áreas do corpo pigmentadas. Nessa pelagem, os indivíduos</p><p>nascerão sempre heterozigotos (Ww), pois os portadores do</p><p>genótipo (WW) são reabsorvidos ou abortados, uma vez que tal</p><p>combinação alélica ocasiona deficiência do mineral cobre,</p><p>causando morte do feto por anemia.</p><p>Outras séries de genes importantes incluem: a LP (Leopard), que</p><p>determina as pelagens dos cavalos Apalloosa; a série O (Overo),</p><p>responsável pelo aparecimento de malhas brancas nas pelagens; a série</p><p>P (Paint), na qual os animais apresentam malhas brancas</p><p>despigmentadas, também conhecida como Tobiano.</p><p>Genes da Série M (Markings) </p><p>Genes da Série R (Roan) </p><p>Genes da Série W (White) </p><p>As pelagens em cães também apresentam grande variedade de cores. A</p><p>herança dos genes envolvidos na determinação das pelagens dos cães</p><p>é determinada por loci, com cada lócus contando com muitos alelos.</p><p>Conheça a série de loci que determinam a pelagem em cães e seus</p><p>mecanismos de ação abaixo.</p><p> Lócus A</p><p>Distribuição de pelos amarelados ou vermelhos de</p><p>forma uniforme ou restrita (íris, lábios, unhas).</p><p>Como exemplo, temos os cães Sable, Saddle e Tan.</p><p> Lócus B</p><p>Determinação das colorações preta (B_) e marrom</p><p>(bb). Os labradores são um ótimo exemplo.</p><p> Lócus D</p><p>Intensidade de preto ou amarelo e diluição deles.</p><p>Como exemplo, podemos citar o azul ou amarelo</p><p>creme dos Borders.</p><p> Lócus E</p><p>Desaparecimento da cor preta; EE aparição de</p><p>máscara escura em animais claros; E_ cor preta</p><p>normal; e ee predominância do amarelo. Exemplo:</p><p>Golden.</p><p> Lócus K</p><p>D t i t á d i t</p><p>Agora, vamos entender como ocorre a definição da expressão da</p><p>pelagem. Como exemplo, vamos utilizar os coelhos, já que nesses</p><p>animais acontece a interação entre uma quantidade menor de alelos.</p><p>Determina que a cor preta será dominante nos</p><p>animais, interferindo diretamente no fenótipo: K_</p><p>predomínio da cor preta; kbr cor Brindle (tigrado); e</p><p>ky ou k permite a ação dos alelos do lócus A. Por</p><p>exemplo, cães Tan, Sable e Saddle.</p><p> Lócus M</p><p>Causa distribuição aleatória do pigmento preto,</p><p>podendo haver cães com manchas de tamanhos e</p><p>tons de cinza bem variados: M_ predominância da</p><p>cor Merle; MM pode causar diversas doenças</p><p>(cegueira); e mm cor normal presente, os animais</p><p>Merles não serão mm necessariamente. Por</p><p>exemplo, cães de coloração Merle.</p><p> Lócus S</p><p>Determina o padrão dos desenhos das manchas</p><p>brancas pelo corpo: S dominante, determina cores</p><p>sólidas, sem manchas brancas; e si recessivo,</p><p>chamado de Irish Spotted. Como exemplo, temos o</p><p>padrão de manchas brancas dos Borders.</p><p> Lócus T</p><p>Determina o aparecimento de manchas tipo</p><p>salpicadas em todo o corpo do animal: T</p><p>dominante, cães salpicados; e t recessivo, sem</p><p>padrão salpicado, cor normal. Exemplo: cães pouco</p><p>ou muito salpicados.</p><p>É sabido que existem quatro tipos de pelagem em coelhos (chinchila,</p><p>himalaia, aguti e albina) e que esses tipos de pelagem resultam da</p><p>combinação de quatro diferentes alelos de um mesmo lócus, com a</p><p>seguinte ordem de dominância:</p><p>Aguti (C) > Chinchila (cch) > Himalaia (Ch) > Albino (ca)</p><p>Agora, imagine um cruzamento entre um coelho aguti e um</p><p>chinchila ( . Qual seria a proporção fenotípica de pelagem</p><p>esperada para a prole desse casal? Confira!</p><p>ALELOS cch ch</p><p>C Ccch Cch</p><p>ch cchch chch</p><p>É esperado que da prole tenham pelagem chinchila</p><p>tenham pelagem himalaia e tenham pelagem aguti</p><p>e .</p><p>Interação gênica na expressão da</p><p>pelagem em gatos</p><p>Confira agora a importância da interação entre cromossomos sexuais e</p><p>genes na expressão das cores na pelagem de gatos.</p><p>(Cc</p><p>h</p><p>)</p><p>c</p><p>ch</p><p>c</p><p>h</p><p>)</p><p>25% (c</p><p>ch</p><p>c</p><p>h</p><p>), 25%</p><p>(c</p><p>h</p><p>c</p><p>h</p><p>) 50% (Cc</p><p>ch</p><p>Cc</p><p>h</p><p>)</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Assinale a alternativa que contém apenas caracteres qualitativos</p><p>em animais:</p><p>Parabéns! A alternativa E está correta.</p><p>As características qualitativas não são mensuradas diretamente no</p><p>animal, assim, são categorizáveis e, muitas vezes, escalas ou</p><p>nomenclaturas são utilizadas para atribuir esses fenótipos.</p><p>Questão 2</p><p>O “abecedário” em equinos e</p><p>cães é complexo, por envolver muitos</p><p>genes na determinação da pelagem dos animais. Os loci que</p><p>A</p><p>Escore corporal em ovinos, cor da plumagem em</p><p>aves e peso de cavalos.</p><p>B</p><p>Dias de gestação da vaca, idade ao primeiro parto</p><p>de novilhas e cor da pelagem em coelhos.</p><p>C</p><p>Peso ao nascer de bovinos, coloração do sêmen e</p><p>intervalo entre partos em vacas.</p><p>D</p><p>Número de leitões nascidos, peso da leitegada e</p><p>escore de úbere em vaca.</p><p>E</p><p>Escore corporal em ovinos, maciez da carne e</p><p>coloração do ovo.</p><p>condicionam a pelagem tordilha em cavalos e a pelagem salpicada</p><p>em cães são, respectivamente:</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>O lócus G (Gray) controla a coloração tordilha, interpolação de pelos</p><p>brancos e pretos em cavalos, enquanto o lócus T controla se os</p><p>cães terão manchas salpicadas em muita ou pouca quantidade na</p><p>pelagem.</p><p>3 - Modos de ação gênica</p><p>A Lócus G e Lócus T.</p><p>B Lócus M e Lócus E.</p><p>C Lócus A e Lócus K.</p><p>D Lócus B e Lócus S.</p><p>E Lócus A e Lócus B.</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os mecanismos envolvidos na interação</p><p>entre genes e alelos para o controle de caracteres em animais.</p><p>Os diferentes modos de ação gênica</p><p>De uma forma geral, podemos dizer que há três tipos de ação gênica: a</p><p>ação gênica aditiva, a ação gênica não aditiva e a ação gênica epistática</p><p>ou de interação. Confira!</p><p>Ação gênica aditiva</p><p>Corresponde ao componente da característica dos filhotes que</p><p>é atribuído ao mérito genético médio da característica nos pais,</p><p>ou seja, corresponde à parte herdada de pai para filho.</p><p>Ação gênica não aditiva</p><p>O efeito de um gene predomina, ou seja, os alelos dominantes</p><p>de um dos pais controlam a expressão da característica nos</p><p>filhotes.</p><p>Ação gênica epistática</p><p>Ocorre a interação entre os efeitos de diferentes pares de</p><p>alelos dos pais presentes nos filhotes.</p><p>Como já vimos, a maior parte das características de interesse</p><p>econômico são as quantitativas, controladas por um conjunto de genes.</p><p>Além disso, essas características sofrem influências da ação do</p><p>ambiente no qual irão se expressar. Some a esses dois fatores o fato de</p><p>que os genes agem de diferentes formas e, então, você compreenderá</p><p>por que é muito difícil identificar os genótipos dos animais tomando por</p><p>base apenas seu fenótipo!</p><p>Vamos entender melhor os tipos de ação gênica.</p><p>Ação gênica aditiva</p><p>A ação gênica aditiva refere-se aos componentes com efeitos aditivos</p><p>na determinação de uma característica nos animais. O efeito aditivo é</p><p>atribuído ao mérito genético médio das raças parentais, parte a ser</p><p>transmitida de pai para filho.</p><p>Por exemplo, ao acasalar pais homozigotos dominantes (AA) para um</p><p>caráter com homozigotos recessivos (aa), os heterozigotos (Aa)</p><p>provenientes desse acasalamento terão um valor fenotípico da</p><p>característica intermediário entre AA e aa.</p><p>Assim, os genes dos pais contribuem igualmente para</p><p>o valor fenotípico, com efeito aditivo e sem que um dos</p><p>alelos expresse mais que o outro.</p><p>A primeira geração de filhos, ou geração F1, será formada pela média</p><p>dos pais (P1 e P2) para um caráter, por exemplo. Assim:</p><p>Um exemplo clássico é o caráter qualitativo de pelagem em bovinos da</p><p>raça Shorthorn, que apresenta pelagens vermelha e branca</p><p>. Ao acasalarmos os indivíduos homozigotos, todos os</p><p>heterozigotos nascerão com a pelagem ruão, que é a</p><p>interposição de pelos vermelhos e brancos na mesma proporção, ou</p><p>seja, será a média dos pais, como observado na imagem.</p><p>F1 = 100% Aa (ruão): a prole apresenta um fenótipo intermediário entre</p><p>os fenótipos dos pais.</p><p>F1 =</p><p>P1 + P2</p><p>2</p><p>(C</p><p>B</p><p>C</p><p>B</p><p>)</p><p>(C</p><p>W</p><p>C</p><p>W</p><p>)</p><p>(C</p><p>B</p><p>C</p><p>W</p><p>)</p><p>Perfil de ação aditiva em genes de pelagem de bovinos Shorthorn.</p><p>Para entender esse modo de ação gênica, temos que ter em mente que</p><p>a seleção de raças busca alcançar interações favoráveis entre alelos de</p><p>diferentes loci, no sentido de selecionar caracteres favoráveis. Assim,</p><p>quando é realizado o cruzamento entre indivíduos, a prole (F1) tende a</p><p>produzir formas recombinantes dos alelos dos pais (P), ou seja, F1</p><p>, e pode modificar características previamente selecionadas</p><p>em cada um dos pais.</p><p>Porém, quando os indivíduos dessa prole (F1) forem cruzados entre si,</p><p>eles podem recombinar seus alelos entre si e dar origem a uma prole</p><p>(F2) com rearranjo e expressão de algumas das interações favoráveis</p><p>presentes nos avós.</p><p>Vamos a um exemplo hipotético, porém prático, da avaliação do efeito</p><p>aditivo na seleção dos melhores indivíduos para a produção animal.</p><p>Suponhamos que a produção de leite é controlada, de forma simples,</p><p>por apenas um par de alelos:</p><p>Determina a produção de 1.000kg de leite.</p><p>Determina a produção de 500g de leite.</p><p>Dessa forma, os animais com genótipo produziriam de</p><p>leite, aqueles com genótipo produziriam de leite e</p><p>=</p><p>P1+ P2</p><p>2</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>2.000 kg</p><p>L</p><p>B</p><p>L</p><p>B</p><p>1.000kg</p><p>aqueles com genótipo produziriam de leite. Os</p><p>cruzamentos entre indivíduos , que produzem de leite,</p><p>com indivíduos que produzem de leite, originariam uma</p><p>prole na qual dos indivíduos seriam heterozigotos, ou seja,</p><p>produziriam um valor intermediário de leite, , em relação à</p><p>capacidade produtiva dos pais.</p><p>Portanto, a estimativa dos efeitos aditivos dos genes</p><p>deve ser primordialmente considerada na realização de</p><p>cruzamentos para seleção de características</p><p>desejáveis, já que permite identificar a melhor</p><p>combinação possível entre diferentes indivíduos e</p><p>raças.</p><p>Isso seria bem simples se a expressão fenotípica dependesse apenas</p><p>desse tipo de herança genética, e as práticas de melhoramento animal</p><p>seriam bastante facilitadas, porém, existem outras formas de ação dos</p><p>genes que influenciam a expressão dos fenótipos. Vamos nos</p><p>aprofundar nesse assunto.</p><p>Ação gênica não aditiva</p><p>Vimos que na ação gênica aditiva cada alelo contribui para a expressão</p><p>fenotípica, que é resultante da soma da contribuição individual de cada</p><p>alelo. Isso não acontece na ação gênica não aditiva, pois, nesse caso, a</p><p>interação entre alelos no mesmo lócus resulta do grau de dominância</p><p>que existe entre eles – podendo ser completa, parcial ou de</p><p>sobredominância. Acompanhe a explicação!</p><p>Dominância completa</p><p>Ao acasalar pais homozigotos dominantes (AA) para um caráter com</p><p>homozigotos recessivos (aa) para o mesmo caráter, os heterozigotos</p><p>(Aa) provenientes desse acasalamento terão um valor fenotípico da</p><p>característica totalmente igual ao homozigoto dominante (AA), ou seja,</p><p>há três genótipos e apenas dois fenótipos. Assim:</p><p>F1 = P1 ou P2.</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>1.500 kg</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>2.000 kg</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>1.500 kg</p><p>50%</p><p>1.500 kg</p><p>Um exemplo é a presença ou não de cornos em bovinos Hereford.</p><p>Nesse caso, os animais sem cornos são denominados mochos e essa</p><p>característica apresenta dominância completa. Isso quer dizer que</p><p>animais homozigotos dominantes (MM) ou heterozigotos (Mm) serão</p><p>mochos, enquanto os animais homozigotos recessivos terão cornos</p><p>(mm).</p><p>Bovinos Hereford mochos.</p><p>O mesmo tipo de ação gênica ocorre em relação à determinação da cor</p><p>da pelagem em bovinos Aberdeen Angus, nos quais os indivíduos</p><p>homozigotos dominantes (BB) e heterozigotos (Bb) apresentam</p><p>pelagem de cor preta, enquanto os homozigotos recessivos (bb)</p><p>apresentam a pelagem na cor vermelha, como mostrado na imagem.</p><p>Pelagens preta e vermelha de Aberdeen Angus.</p><p>Dominância parcial</p><p>Nos casos de dominância parcial, o fenótipo do indivíduo heterozigoto é</p><p>diferente dos fenótipos dos indivíduos homozigotos, assim como é</p><p>diferente dos indivíduos homozigotos recessivos. Você agora pode estar</p><p>pensando que se trata do mesmo conceito de ação gênica aditiva, mas</p><p>a diferença básica entre elas é que na ação gênica aditiva, o fenótipo</p><p>heterozigoto corresponde à média entre os fenótipos homozigotos,</p><p>enquanto na dominância parcial o fenótipo heterozigoto não</p><p>corresponde exatamente a esse ponto médio.</p><p>Vamos aos exemplos para entendermos melhor!</p><p>O sangue de coelhos pode ser do:</p><p>Tipo I</p><p>Genótipo A1A1.</p><p>Tipo II</p><p>Genótipo A1A2.</p><p>Tipo III</p><p>Genótipo A2A2.</p><p>Ou seja, o fenótipo heterozigoto não corresponde</p><p>à média dos</p><p>homozigotos. Outro exemplo é a cor das penas da Andaluzia, que</p><p>podem ser pretas (BB), brancas (bb) ou azuis (Bb), que não é o ponto</p><p>médio do espectro de cor entre o preto e o branco.</p><p>Se retomarmos nosso exemplo sobre a produção leiteira abordado</p><p>anteriormente talvez fique mais claro compreender essa questão da</p><p>expressão fenotípica do genótipo heterozigoto não corresponder ao</p><p>ponto médio entre a expressão homozigótica.</p><p>Naquele exemplo, os animais com genótipo produziriam</p><p>de leite, que é o ponto médio da produção leiteira entre</p><p>e . Se caso a produção leiteira</p><p>fosse dada por uma ação gênica de dominância parcial, os indivíduos</p><p>não produziriam de leite, mas qualquer outro valor não</p><p>corresponde à média de produção dos pais, como , por exemplo.</p><p>Sobredominância</p><p>Nesses casos, o fenótipo do indivíduo heterozigoto não é apenas</p><p>diferente dos fenótipos dos pais, mas é também superior a eles.</p><p>Para entendermos melhor, vamos retomar o exemplo dos alelos</p><p>relacionados à produção leiteira, mas considerando que o alelo é</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>1.500 kg</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>(2.000 kg) L</p><p>B</p><p>L</p><p>B</p><p>(1.000 kg)</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>1.500 kg</p><p>750 g</p><p>L</p><p>A</p><p>sobredominante ao alelo . Os animais com genótipo</p><p>produziriam, portanto, mais que de leite, que é o valor</p><p>produzido pelos indivíduos . Mas se o alelo exercesse a</p><p>sobredominância, os indivíduos heterozigotos produziriam</p><p>menos de de leite, que é o valor produzido pelos , como</p><p>, por exemplo.</p><p>Ação gênica epistática</p><p>A ação gênica epistática é um tipo de interação gênica que ocorre</p><p>quando dois ou mais genes atuam para o controle ou determinação de</p><p>uma mesma característica. Portanto, ocorre a interação entre alelos de</p><p>diferentes loci, com um lócus alterando a expressão de outro, e esses</p><p>loci podem ou não estar no mesmo cromossomo. Assim, um gene atua</p><p>inibindo a ação do outro para determinada característica.</p><p>O gene inibitório é chamado de gene epistático e o</p><p>gene a ser inibido é chamado de gene hipostático.</p><p>A epistasia pode ser classificada em dominante e recessiva. Observe!</p><p>Epistasia dominante</p><p>Acontece quando o lócus epistático exerce influência sobre o outro, ao</p><p>apresentar pelo menos um alelo dominante que impede a manifestação</p><p>do alelo de outro gene.</p><p>Galinhas de diferentes colorações.</p><p>L</p><p>B</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>2.000 kg</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>(L</p><p>A</p><p>L</p><p>B</p><p>)</p><p>1.000kg L</p><p>B</p><p>L</p><p>B</p><p>750g</p><p>Por exemplo, a coloração da plumagem de galinhas é determinada por</p><p>dois pares de alelos. Um par está envolvido na pigmentação das penas</p><p>(alelo C), que determina a produção de pigmentos melânicos, e o alelo c</p><p>não produz pigmento. Já o alelo I atua impedindo a manifestação do</p><p>alelo C, ou seja, impedindo que haja deposição de pigmentos nas penas.</p><p>O alelo i não causa nenhum impedimento.</p><p>Assim, a presença do alelo I, dominante e epistático ao alelo C, que</p><p>determina as seguintes pigmentações (C_I_: branca; C_ii: marrom; ccII:</p><p>branca e ccii: branca).</p><p>Epistasia recessiva</p><p>Ocorre quando o alelo que determina a epistasia atua somente em dose</p><p>dupla.</p><p>Por exemplo, a coloração do pelo de labradores pode ser preta, marrom</p><p>ou dourada, o que é determinado por dois genes: o “b” e o “e”. O alelo B</p><p>determina a cor preta, o alelo b determina a cor marrom e os alelos ee</p><p>determinam a cor dourada. A cor dourada, portanto, ocorre quando o</p><p>indivíduo apresenta constituição recessiva ee, que é epistática ao gene</p><p>B.</p><p>Assim, um indivíduo com coloração dourada poderia apresentar os</p><p>seguintes genótipos:</p><p></p><p>BBee</p><p></p><p>Bbee</p><p></p><p>bbee</p><p>Outro exemplo de epistasia recessiva ocorre na determinação da</p><p>pelagem em cobaias, que pode ser marrom ou preta. A pelagem preta é</p><p>determinada pelo gene B e a pelagem marrom é determinada pelo gene</p><p>b. Nesse caso, indivíduos BB e Bb têm os pelos pretos e indivíduos bb,</p><p>pelos marrons. No entanto, o gene C, presente em outro lócus,</p><p>determina a ocorrência ou não de pigmentação dos pelos. Assim,</p><p>indivíduos CC e Cc têm seus pelos pigmentados, de acordo com a</p><p>expressão dos alelos B ou b, enquanto indivíduos cc têm ausência de</p><p>pigmentação de seus pelos, sendo, portanto, albinos. Podemos concluir,</p><p>então, que o alelo cc impede a expressão dos alelos B ou b.</p><p>Perfil de ação gênica epistática em pelagem de cobaias.</p><p>Pleiotropia, ligação gênica e herança</p><p>ligada ao sexo</p><p>Confira agora alguns tipos de ação gênica como a pleiotropia, a ligação</p><p>gênica e a herança ligada ao sexo.</p><p></p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Ao acasalar bovinos de corte homozigotos dominantes com média</p><p>de peso ao abate de 500kg, com indivíduas homozigotas recessivas</p><p>para a mesma característica e média de peso ao abate de 440kg,</p><p>nascerão heterozigotos com peso médio de 470kg. Nesse contexto,</p><p>assinale a alternativa que representa o modo de ação gênica</p><p>descrito.</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>Na ação gênica aditiva, o valor dos heterozigotos é igual à média</p><p>dos pais, a média entre 500 e 440 = 470, portanto, ocorre um caso</p><p>de ação gênica aditiva.</p><p>Questão 2</p><p>Em cães da raça Labrador, a pelagem é determinada por epistasia</p><p>recessiva, que ocorre quando a combinação de dois alelos</p><p>recessivos inibe a deposição de pigmento por outros alelos. Quais</p><p>A Ação gênica epistática.</p><p>B Ação gênica dominante.</p><p>C Ação gênica recessiva.</p><p>D Ação gênica aditiva.</p><p>E Epistasia dominante.</p><p>combinações alélicas a seguir representam apenas indivíduos da</p><p>coloração dourada na raça Labrador?</p><p>Parabéns! A alternativa B está correta.</p><p>Por se tratar de um caso de epistasia recessiva, apenas as</p><p>combinações ee são possíveis para que haja impedimento da</p><p>deposição de pigmentos da coloração preta ou marrom na pelagem</p><p>do animal.</p><p>4 - Organização gênica e ferramentas moleculares em animais</p><p>A Animais BbEe e bbEe.</p><p>B Animais BBee e Bbee.</p><p>C Animais bbEE e BbEE.</p><p>D Animais bbEe e bbee.</p><p>E Animais BbEe e BBEE.</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar como a organização gênica in�ui na</p><p>estruturação do material genético, na resistência bacteriana e no desenho do genoma animal.</p><p>Elementos genéticos móveis</p><p>Os elementos genéticos móveis (EGM) podem ser definidos como</p><p>segmentos de DNA que codificam biomoléculas mediadoras da</p><p>movimentação do DNA dentro dos genomas.</p><p>De um modo geral, os EGM correspondem a fragmentos de DNA que</p><p>podem se mover para novas localizações no cromossomo e,</p><p>geralmente, produzem cópias de si mesmos durante esse processo. Tal</p><p>mecanismo é mais frequente nos organismos unicelulares, por exemplo,</p><p>nas bactérias. Isso porque o genoma bacteriano é pequeno e as</p><p>informações genéticas das bactérias estão contidas em um único</p><p>cromossomo circular de apenas uma molécula de DNA. Para</p><p>compensar essa configuração, mais informações genéticas são</p><p>encontradas em plasmídeos, transpósons e íntegrons. Explicamos</p><p>adiante:</p><p>Estrutura celular bacteriana.</p><p>Plasmídeos</p><p>Os plasmídeos são pequenos fragmentos de DNA circular, geralmente</p><p>contendo poucos genes e com capacidade de se duplicar,</p><p>independentemente da célula bacteriana como um todo. Contêm</p><p>informação genética que não costuma ser extremamente essencial para</p><p>a sobrevivência da bactéria, estando relacionados com alguma função</p><p>adaptativa para situações especiais. Quando a bactéria se divide, o</p><p>plasmídeo é passado às células-filhas, como visualizado na imagem.</p><p>Processo de fissão binária em bactéria.</p><p>Além disso, os plasmídeos podem trocar seu material genético com</p><p>outra bactéria, por meio do processo de conjugação. A conjugação pode</p><p>ocorrer entre as bactérias desde que apenas uma tenha o plasmídeo</p><p>conjugativo (F), como ilustrado na imagem.</p><p>Processo de conjugação bacteriana.</p><p>Existem, além desses dois, outros tipos de plasmídeos, como o</p><p>plasmídeo R, que está relacionado à resistência bacteriana a alguns</p><p>antibióticos. Além disso, um plasmídeo pode transportar a informação</p><p>que determina a capacidade de um microrganismo ser causador de</p><p>doença. Há também o plasmídeo V, relacionado à virulência da bactéria,</p><p>e o plasmídeo M, relacionado ao metabolismo celular.</p><p>Transpósons</p><p>Os transpósons, assim como os plasmídeos, correspondem a um</p><p>conjunto de segmentos lineares encontrados no DNA cromossômico e</p><p>são capazes de realocar ou introduzir cópias de si mesmos no genoma.</p><p>Os transpósons se movem de uma posição para outra no genoma, por</p><p>meio da ação de uma enzima chamada transposase. Já os</p><p>retrotranspósons são transcritos em RNA e posteriormente no DNA pela</p><p>retrotranscriptase, e estão intimamente relacionados aos retrovírus e</p><p>aos vírus da anemia infecciosa equina (AIE), vírus da artrite encefalite</p><p>caprina (CAEV), vírus da imunodeficiência felina (FIV), entre outros.</p><p>Comentário</p><p>De uma forma geral, os transpósons têm a capacidade de inativar, de</p><p>levar a uma mutação e, até mesmo, de quebrar uma sequência de um</p><p>gene, independentemente de haver correlação entre a região genômica</p><p>onde se encontram inseridos e o local ao qual se destinam.</p><p>Antigamente, acreditava-se que os transpósons eram parasitas</p><p>genômicos sem função no hospedeiro. Mais recentemente, descobriu-</p><p>se que os transpósons LINE1 têm, por exemplo, uma atuação positiva</p><p>no embrião: o RNA do transpóson se une a duas proteínas para permitir</p><p>que os embriões de duas células continuem se desenvolvendo e se</p><p>tornem um indivíduo. Além disso, por meio dos transpósons, ocorrem a</p><p>codificação de resistência às drogas e a síntese de toxinas e enzimas</p><p>degradantes.</p><p>Íntegrons</p><p>Os íntegrons são segmentos de DNA de fita dupla que não se</p><p>autoduplicam, podendo estar integrados aos elementos móveis como</p><p>os plasmídeos ou os transpósons e serem, então, transferidos de um</p><p>microrganismo para outro, levando à disseminação de genes de</p><p>resistência aos antimicrobianos.</p><p>Os EGM participam de um processo chamado de transmissão horizontal</p><p>de genes, que pode ocorrer por meio da transformação, da conjugação</p><p>bacteriana ou da transdução por bacteriófagos, conforme mostrado na</p><p>imagem.</p><p>Mecanismos de transferência horizontal de genes.</p><p>Os genes transferidos horizontalmente conferem uma variedade de</p><p>efeitos benéficos ou negativos às células hospedeiras. Assim, os EMG</p><p>representam uma ferramenta importante para estudar genes por meio</p><p>da indução de mutações provocadas pela inserção desses elementos.</p><p>Bactérias e genes de resistência</p><p>A resistência bacteriana pode ocorrer de duas maneiras, a chamada</p><p>resistência intrínseca, ou seja, natural de determinado gênero ou espécie</p><p>de bactéria, e a resistência adquirida, aquela originada de mutações no</p><p>material genético da bactéria ou vinda de outras bactérias, por meio dos</p><p>elementos genéticos móveis.</p><p>Dessa forma, as bactérias conferem resistências umas às outras pela</p><p>capacidade de transmissão de material genético entre si. Portanto, a</p><p>comunicação genética entre as bactérias é o principal mecanismo de</p><p>resistência a antibióticos.</p><p>A causa primária de resistência bacteriana é seu alto</p><p>poder de mutação espontânea e sua capacidade de</p><p>recombinar seu próprio material genético, possível de</p><p>ser transmitido durante a replicação bacteriana.</p><p>Os transpósons codificam as transposases responsáveis por clivar o</p><p>DNA do hospedeiro, consubstanciando a invasão bacteriana. Além</p><p>disso, os transpósons podem mover genes do DNA do cromossomo</p><p>para o DNA extracromossômico, que é o plasmídeo. Esse plasmídeo,</p><p>agora com novas informações do DNA, poderá ser transmitido para</p><p>outra bactéria. O plasmídeo, contendo um ou mais transpósons de</p><p>genes de resistência, é considerado plasmídeo R (de resistência). A</p><p>imagem mostra como ocorre a incorporação de genes em um</p><p>plasmídeo.</p><p>Incorporação de genes do DNA em um plasmídeo.</p><p>Para entendermos melhor a importância da resistência bacteriana,</p><p>temos que ter em mente que os antibióticos são capazes de agir no</p><p>DNA bacteriano ou na replicação, transcrição e tradução bacterianas. Há</p><p>dois tipos de antibióticos, os bactericidas e os bacteriostáticos:</p><p>Antibióticos bactericidas</p><p>Atuam na parede celular</p><p>ou membrana</p><p>plasmática das</p><p>bactérias, impedindo</p><p>sua formação e,</p><p>consequentemente,</p><p>levando à destruição da</p><p>bactéria.</p><p>Antibióticos</p><p>bacteriostáticos</p><p>Atuam impedindo a</p><p>multiplicação e a</p><p>proliferação bacteriana.</p><p>O uso indiscriminado de antibióticos permitiu que as bactérias</p><p>reconhecessem essas substâncias e se prevenissem da sua ação. Hoje,</p><p>vemos patógenos cada vez mais resistentes aos antibióticos, incluindo</p><p></p><p>as chamadas superbactérias, que são resistentes à maioria dos</p><p>antibióticos conhecidos.</p><p>Atualmente, já foram descritos diversos genes de resistência bacteriana</p><p>a antibióticos, como o mecA, vanA, vanB, β-Lactamases de Espectro</p><p>Ampliado (ESβLs) e os genes TEM. Saiba mais:</p><p>O gene mecA faz parte de um elemento genético móvel</p><p>encontrado em todos os isolados de Streptococcus aureus e de</p><p>estafilococo coagulase negativo (SCoN), ocasionando</p><p>resistência à meticilina.</p><p>Já os genes vanA e vanB são descritos em espécies de</p><p>Enterobacteria faecalis e E. faecium e apresentam alto grau de</p><p>resistência à vancomicina e teicoplanina.</p><p>O gene ESβL é codificado em plasmídeos que podem também</p><p>codificar resistência aos aminoglicosídeos, tetraciclina,</p><p>cloranfenicol, quinolonas e trimetoprim/sulfametoxazol.</p><p>Os genes TEM são derivados das beta-lactamases de espectro</p><p>restrito e identificados na Escherichia coli.</p><p>É preciso ter extremo cuidado em casos de infecção bacteriana.</p><p>Atenção!</p><p>É importante que o médico veterinário, diante de um caso de infecção</p><p>bacteriana, solicite a realização do teste de sensibilidade antimicrobiana</p><p>(TSA) ou antibiograma. Nesse teste, é possível conhecer a bactéria</p><p>Gene mecA </p><p>Genes vanA e vanB </p><p>Gene ESβL </p><p>Genes TEM </p><p>causadora da infecção e determinar qual o antibiótico mais indicado</p><p>para eliminá-la ou deter seu crescimento.</p><p>Na agropecuária, os médicos veterinários indicam algumas classes de</p><p>antibióticos como melhoradores de desempenho na ração de animais,</p><p>sejam eles bovinos, suínos ou aves, o que também pode contribuir para</p><p>o desenvolvimento de resistência bacteriana.</p><p>Para a prevenção do uso indiscriminado de antibióticos, há, no Brasil, o</p><p>Programa Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos</p><p>Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), o qual monitora o uso</p><p>de antimicrobianos na agropecuária.</p><p>Com base no relatório produzido no âmbito desse programa, o</p><p>Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabelece normas</p><p>para o uso de antibióticos como aditivos na ração animal.</p><p>O fato é que a resistência bacteriana é um grave problema de saúde</p><p>pública e pode ser contido por meio da prescrição consciente de</p><p>antibióticos aos pacientes humanos e não humanos, do uso adequado</p><p>de antibióticos em rações animais e da não automedicação. Observe na</p><p>imagem as práticas que colaboram para esse importante problema.</p><p>Os mecanismos que envolvem resistência de uma bactéria aos</p><p>antibióticos podem se dar por meio de:</p><p>Produção bacteriana de enzimas que degradam ou modificam a</p><p>ação dos antibióticos.</p><p>Redução da permeabilidade da membrana bacteriana impedindo a</p><p>entrada do antibiótico.</p><p>Aumento da expressão de sistemas de efluxo aumentando a saída</p><p>do antibiótico.</p><p>Alteração do sítio alvo de ligação no antibiótico.</p><p>Bloqueio ou proteção do sítio alvo do antibiótico.</p><p>O caso da Staphylococcus aureus e do Streptococcus pneumoniae</p><p>ilustram muito bem o processo de resistência bacteriana em animais</p><p>não humanos.</p><p>A bactéria S. aureus é considerada um patógeno animal, incluindo dos</p><p>humanos, oportunista e está associada a infecções adquiridas na</p><p>comunidade e no ambiente hospitalar. As infecções por S. aureus são</p><p>agudas e podem disseminar para diferentes tecidos e provocar focos</p><p>metastáticos com episódios mais graves, como bacteremia, pneumonia,</p><p>osteomielite, endocardite, miocardite, pericardite e meningite.</p><p>Entre os fármacos aos quais essa bactéria apresenta</p><p>resistência estão a penicilina e a meticilina, que eram</p><p>amplamente usados nas infecções causadas por essa</p><p>bactéria.</p><p>Já a S. pneumoniae é o principal agente etiológico de infecções</p><p>respiratórias adquiridas (otites, sinusites e pneumonias). Outras</p><p>infecções graves</p><p>como meningite, endocardite, peritonites, osteomielite,</p><p>artrite séptica são também associadas a esse agente. Estudos</p><p>apontaram a resistência da S. pneumoniae aos fármacos</p><p>sulfametoxazol-trimetoprima, tetraciclinas, eritromicina, cloranfenicol e</p><p>rifampicina, que antes eram capazes de findar a infecção.</p><p>Dessa maneira, novas drogas antibióticas mais potentes são produzidas</p><p>para o tratamento dessas infecções e, caso a resistência se desenvolva</p><p>também para elas, será difícil evitar as sequelas ou o óbito causado por</p><p>tais infecções, antes facilmente tratadas com os antibióticos</p><p>disponíveis.</p><p>Ferramentas moleculares</p><p>Muitas ferramentas moleculares são importantes para a identificação</p><p>de genes em animais, sejam esses genes associados a uma</p><p>característica ou fenótipo, seja para identificação de microrganismos</p><p>infectantes em um animal (como vírus ou bactérias) ou até mesmo para</p><p>o isolamento de genes de resistência antimicrobiana em</p><p>microrganismos.</p><p>O conhecimento da Biologia Molecular nos permite manipular o DNA de</p><p>várias maneiras, por eliminação de um gene, adição de um gene de uma</p><p>espécie diferente ou reconhecimento de um gene “ruim”, também</p><p>conhecido como deletério.</p><p>Essa capacidade de manipulação do material genético animal advém de</p><p>muitos estudos e técnicas aprimoradas, como a clonagem molecular, a</p><p>PCR, a hibridização e a CRISPR-Cas9. Conheça cada uma em detalhe:</p><p>Clonagem molecular</p><p>A clonagem molecular, ou técnica do DNA recombinante, pode ser</p><p>realizada tanto em organismos inteiros, como foi o caso da ovelha Dolly</p><p>– clone criado em 1996 –, ou de apenas partes de seu DNA.</p><p>Ovelha Dolly embalsamada no Museu Nacional da Escócia.</p><p>Essa técnica somente se tornou possível com o desenvolvimento das</p><p>enzimas de restrição (endonucleases de restrição) e de ligação (DNA-</p><p>ligase). Enquanto as endonucleases de restrição são capazes de clivar a</p><p>molécula de DNA em pontos específicos, as DNA-ligases unem</p><p>fragmentos de DNA.</p><p>Dessa maneira, depois de selecionar o gene de interesse, as enzimas de</p><p>restrição cortam o fragmento de DNA onde ele se localiza. Esse</p><p>fragmento é então inserido em um vetor, geralmente um plasmídeo. O</p><p>fragmento do gene-alvo une-se ao DNA do vetor por meio da DNA-ligase</p><p>e forma o plasmídeo recombinante, contendo o gene selecionado.</p><p>A molécula de DNA recombinante produzida é introduzida em um</p><p>organismo hospedeiro, que produzirá suas cópias, processo chamado</p><p>de transformação. As bactérias Escherichia coli e Bacillus subtilis e a</p><p>levedura Saccharomyces cerevisiae são comumente utilizadas como</p><p>células hospedeiras.</p><p>PCR (Polymerase Chain Reaction)</p><p>A técnica de PCR (Polymerase Chain Reaction) ou reação em cadeia da</p><p>polimerase é a ferramenta molecular mais utilizada para observação da</p><p>presença e ausência de determinado gene, como também para</p><p>quantificação da expressão do gene a ser analisado. A técnica consiste</p><p>em produzir muitas cópias de uma região específica do DNA, utilizando</p><p>a enzima Taq-polimerase e requer primers de DNA desenhados</p><p>especificamente para a região de interesse do DNA.</p><p>Para a PCR, utiliza-se um equipamento chamado termociclador, que</p><p>realiza ciclos de temperaturas para induzir a formação das cópias de</p><p>DNA, contando com diferentes fases:</p><p>No termociclador, a fita dupla de DNA se desenrola e abre</p><p>quando a temperatura está entre 94°C e 96°C.</p><p>Depois da abertura do DNA, os primers reconhecem a sequência</p><p>a ser estudada por pareamento (identificam as bases do DNA-</p><p>molde) e se ligam ao DNA-molde quando o termociclador está</p><p>com temperatura em torno de 50°C (dependendo do primer).</p><p>A enzima Taq-polimerase se liga aos primers, reconhece as</p><p>bases e insere as dNTPs complementares para a formação das</p><p>novas fitas de DNA.</p><p>Na imagem a seguir, veja as etapas da PCR (reação em cadeia da</p><p>polimerase).</p><p>Fase de desnaturação </p><p>Fase de anelamento </p><p>Fase de extensão </p><p>A leitura do produto da PCR é feita por meio da eletroforese em gel,</p><p>ferramenta na qual fragmentos de DNA são puxados por uma corrente</p><p>elétrica através de uma matriz de gel, que separa os fragmentos de DNA</p><p>de acordo com seu tamanho.</p><p>Os produtos de PCR em eletroforese em gel, com as bandas de DNA corado.</p><p>Os fragmentos de DNA de mesmo comprimento formam uma "banda"</p><p>no gel, que pode ser vista a olho nu se o gel for pigmentado com um</p><p>corante que se liga ao DNA, como mostrado na imagem.</p><p>Posteriormente, os resultados podem ser analisados por programas e</p><p>bancos de dados específicos para estudos de genes como GenBank,</p><p>GeneOntology e o programa DAVID.</p><p>Tais ferramentas auxiliam em abordagens estatísticas, modelagem</p><p>genética, interação, função genética, filogenia, entre outros.</p><p>A PCR é utilizada para:</p><p>Estudo do padrão de expressão gênica.</p><p>Seleção de clones recombinantes.</p><p>Detecção de mutações em genes específicos.</p><p>Estudos diagnósticos de doenças infecciosas e detecção de</p><p>bactérias, vírus e protozoários parasitas.</p><p>Elucidação de relações evolutivas entre espécies.</p><p>Investigação de crimes (Medicina Forense).</p><p>A PCR tem muitas aplicações práticas e em pesquisa. Ela é</p><p>rotineiramente usada em diagnósticos médicos veterinários.</p><p>Hibridização</p><p>A Hibridização, também chamada de Técnica de Microarranjos,</p><p>Microarray ou Chip de DNA, é outra ferramenta molecular que garantiu</p><p>muitos avanços na área da Biotecnologia. Consiste em uma lâmina de</p><p>vidro contendo muitas sondas de DNA. As sondas são moléculas de</p><p>DNA de fita simples, com cerca de vinte bases, de sequência conhecida</p><p>e que irão se ligar (hibridizar) a um DNA-alvo com sequência</p><p>complementar. O microarranjo permite que o DNA de uma amostra,</p><p>marcado com fluorescência (Cy3-dUTP e Cy5-dUTP, por exemplo), seja</p><p>analisado simultaneamente para centenas de genes. Há microarranjos</p><p>comercialmente disponíveis para a avaliação de expressão gênica e</p><p>para a genotipagem.</p><p>Esquema de hibridização e análise dos dados na tecnologia de Microarray.</p><p>Um exemplo da utilização da hibridização é a genotipagem de bovinos, a</p><p>qual rastreia 500 mil posições variáveis na configuração genética de</p><p>cada vaca. Por meio desse processo, os cientistas poderão registrar</p><p>com precisão a estrutura das células, ajudando-as a determinar</p><p>características hereditárias, como fertilidade, produção de leite e</p><p>qualidade da carne em vacas individuais.</p><p>CRISPR-Cas9</p><p>A técnica CRISPR-Cas9 (repetições palindrômicas curtas agrupadas</p><p>com interações regulares e proteína 9 associada) é uma técnica recente</p><p>para a edição do genoma. É mais barata, mais precisa e mais eficiente</p><p>do que outros métodos de edição de genoma existentes. A CRISPR-</p><p>Cas9 é utilizada para cortar o DNA, onde pode-se inserir ou excluir</p><p>pedaços do material genético e fazer a edição do DNA com uma</p><p>sequência personalizada, usando a própria máquina de reparo de DNA</p><p>da célula. Observe as etapas e aplicações dessa técnica descritas na</p><p>imagem!</p><p>Etapas e aplicações da CRISPR-Cas9.</p><p>A CRISPR-Cas9 é capaz de induzir alterações da expressão gênica por</p><p>meio de silenciamento, repressão, indução e ganho de função. Portanto,</p><p>sua maior importância na Medicina Veterinária é tornar possível a</p><p>realização de alterações em módulos gênicos determinantes de</p><p>características de interesse em produção animal.</p><p>Projeto Genoma Animal</p><p>O Projeto Genoma é um trabalho conjunto realizado por diversos países</p><p>visando desvendar o código genético dos organismos. Quando falamos</p><p>em Projeto Genoma Animal, passamos para um patamar amplo no qual</p><p>várias espécies de animais têm o estudo direcionado para mapeamento</p><p>dos seus genes.</p><p>Logo do Projeto Genoma Humano.</p><p>O Projeto Genoma Humano teve início em 1990, com o objetivo de</p><p>descobrir a exata sequência de bases do genoma das células humanas,</p><p>e terminou 13 anos depois, em 2003.</p><p>Foi utilizada a técnica de DNA recombinante para o estudo dos genes, e</p><p>isso levou a uma revolução na genética. Paralelamente a esse projeto,</p><p>também começaram estudos de outras espécies animais.</p><p>Hoje, já se conhece o sequenciamento de animais, como galos, equinos,</p><p>bovinos, abelhas, cachorros, gatos etc.</p><p>Essa linha de pesquisa tem promovido a descoberta de importantes</p><p>semelhanças entre as espécies, de diferentes aspectos e mecanismos</p><p>evolutivos, além de integrar diversos pesquisadores e estudos cujas</p><p>contribuições, em análises conjuntas, são esclarecedoras e muito</p><p>relevantes.</p><p>Para o mapeamento, são feitos diagramas descritivos de cada</p><p>cromossomo, dividindo-os em fragmentos menores, ordenados em suas</p><p>respectivas posições. O passo seguinte é determinar a sequência das</p><p>bases de cada um dos fragmentos ordenados, a fim de descobrir todos</p><p>os genes na sequência do DNA. Um mapa genômico descreve, ainda, a</p><p>ordem dos marcadores e o espaçamento entre eles, em cada</p><p>cromossomo.</p><p>De posse do mapa genômico, podemos descobrir com certa segurança,</p><p>onde está localizado determinado gene de interesse para determinada</p><p>espécie.</p><p>Marcadores</p><p>Um marcador molecular é uma sequência do DNA, que é diferente</p><p>entre os organismos estudados. Essa diferença é chamada de</p><p>polimorfismo. Por exemplo, as cores das pelagens dos cachorros</p><p>são controladas basicamente por quatro tipos diferentes de genes</p><p>principais. Se são somente quatro genes, como temos uma variação</p><p>cromática enorme da pelagem em cães? Cada um desses genes</p><p>pode apresentar uma quantidade ou uma sequência diferente das</p><p>bases nitrogenadas que os compõem, os alelos. Os alelos são</p><p>versões do mesmo gene e, exatamente por esse fato, ao cruzar dois</p><p>cachorros que apresentam duas pelagens de cores diferentes, a</p><p>prole gerada pode apresentar cores não encontradas nos pais. Os</p><p>marcadores moleculares, portanto, têm sido uma ferramenta</p><p>poderosa para a identificação das mutações que influenciam</p><p>características controladas por um ou poucos genes.</p><p>Em um projeto de sequenciamento Shotgun, todo o</p><p>DNA do animal analisado é inicialmente particulado em</p><p>milhões de pequenos pedaços. Esses pedaços são</p><p>então "lidos" por máquinas de sequenciamento</p><p>automático, capazes de ler até 1.000 nucleotídeos ou</p><p>bases de uma só vez.</p><p>O sequenciamento é um processo que envolve tecnologia</p><p>computacional difícil, pois vários genomas possuem muitas sequências</p><p>idênticas, às vezes, com milhares de nucleotídeos, algumas ocorrendo</p><p>em milhares de locais diferentes. Entre os animais domésticos, a</p><p>espécie bovina detém o maior genoma desenhado, contendo um total</p><p>de 3,7 Gigas de pares de bases (Gbp), embora a montagem do genoma</p><p>não esteja completa, conforme mostra a tabela.</p><p>Espécie Genoma Tamanho (Gpb)</p><p>Frango</p><p>Gallus gallus</p><p>Completo 1,25</p><p>Bovino</p><p>Bos taurus</p><p>Montagem 3,7</p><p>Suíno</p><p>Sus scrofa</p><p>Completo 2,8</p><p>Ovino</p><p>Ovis aries</p><p>Incompleto 3,3</p><p>Peixe</p><p>Danio rerio</p><p>Completo 1,7</p><p>Caprino</p><p>Capra hircus</p><p>Incompleto 3,24</p><p>Cachorro</p><p>Canis familiaris</p><p>Completo 2,4</p><p>Cavalo</p><p>Equus caballus</p><p>Montagem 3,15</p><p>dbEST* número de Expressed Sequence Tags (etiquetas de sequência</p><p>Espécie Genoma Tamanho (Gpb)</p><p>dbSNP** número de Single Nucleotide Polymorphism (polimorfismo de</p><p>Tabela 4: Situação do projeto genoma de espécies de animais domésticos.</p><p>Adaptada de Coutinho et al. 2007, p. 11.</p><p>As espécies que têm seu genoma completo são:</p><p>Gallus gallus</p><p>Frango</p><p>Sus scrofa</p><p>Suíno</p><p>Danio rerio</p><p>Peixe</p><p>Canis familiaris</p><p>Cachorro</p><p>Outras espécies com boa parte do genoma depositado nos bancos de</p><p>dados são as espécies ovinas e caprinas. Os dados mostram que ainda</p><p>há muito a ser descoberto sobre o desenho do genoma das espécies</p><p>animais.</p><p>Atualmente, os mapas genéticos completos aliados aos métodos</p><p>estatísticos vêm permitindo a dissecação das características</p><p>complexas de produção, com a identificação de segmentos</p><p>cromossômicos, que contêm genes determinantes do desenvolvimento</p><p>muscular e da qualidade de carne, por exemplo. Mais desafiador ainda</p><p>será descobrir as funções de cada um desses genes, embora muitos</p><p>sejam conhecidos e sirvam como marcadores para doenças, distúrbios</p><p>e até potencial produtivo.</p><p></p><p>Aplicações atuais das ferramentas</p><p>moleculares</p><p>Confira agora como as ferramentas moleculares modificaram a vida dos</p><p>animais, incluindo os seres humanos.</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>Os elementos genéticos móveis (EGM) são capazes de modificar a</p><p>posição de um gene em um organismo. Nesse contexto, assinale a</p><p>alternativa que contém apenas EGM:</p><p>A Plasmídeos, transpósons e íntegrons.</p><p>B Transpósons, transcrição e tradução.</p><p>C Vírus, vírus endógeno e virulência.</p><p>D Plasmídeos, íntegrons e transposição.</p><p>E Agentes virais, musgos e E. coli.</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Os plasmídeos são basicamente fragmentos pequenos de DNA</p><p>circular que contêm elementos necessários para sua própria</p><p>replicação, independente da célula bacteriana; os transpósons são</p><p>capazes de realocar ou introduzir cópias de si mesmos no genoma;</p><p>e os íntegrons são segmentos de DNA, integrados ou não a</p><p>plasmídeos e transpósons, que podem ser transferidos de um</p><p>microrganismo para outro.</p><p>Questão 2</p><p>O Projeto Genoma tem grande relevância mundial. Em relação aos</p><p>animais, a espécie bovina apresenta o maior genoma animal (em</p><p>quantidade de pares de bases) até o momento, apesar de não estar</p><p>totalmente montado. Qual a importância primária do Projeto</p><p>Genoma?</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>A importância primária do Projeto Genoma é elucidar o código</p><p>genético das espécies. A partir do conhecimento do código</p><p>genético das espécies, ou seja, da montagem completa de seus</p><p>A</p><p>Fomentar a produção em larga escala de clones da</p><p>espécie bovina, buscando o mercado econômico.</p><p>B Exterminar as bactérias resistentes a antibióticos.</p><p>C</p><p>Subsidiar os programas de melhoramento de</p><p>animais de produção.</p><p>D Elucidar o código genético das espécies.</p><p>E</p><p>Diagnosticar as doenças animais relacionadas ao</p><p>ambiente.</p><p>genomas, com localização exata dos genes em cada cromossomo,</p><p>diversas pesquisas podem ser realizadas e inúmeras são as suas</p><p>aplicações. Estas envolvem a identificação e melhoramento de</p><p>características de potencial produtivo, ligadas à resistência a</p><p>patógenos, doenças, entre outros.</p><p>Considerações �nais</p><p>Como vimos, é possível mensurar caracteres importantes nos animais</p><p>por meio dos estudos da genética quantitativa e qualitativa e, assim,</p><p>compreendê-los para aplicação na seleção animal. Também vimos a</p><p>importância de se compreender os modos de ação gênica e sua</p><p>influência na formação dos caracteres, identificando os mecanismos</p><p>envolvidos na interação entre genes e alelos.</p><p>Por fim, conhecemos os elementos genéticos móveis, constituídos por</p><p>fragmentos de DNA e que são capazes de se mover para novas</p><p>localizações nos genomas; os mecanismos de resistência bacteriana, a</p><p>ação dos antibióticos no DNA das bactérias e os genes relacionados à</p><p>tal resistência; as ferramentas moleculares e seu potencial de</p><p>processamento e de análise do material genético nos mais diversos</p><p>estudos e para os mais diversos fins; e o Projeto Genoma Animal, que</p><p>visa elucidar a complexidade do código genético das diferentes</p><p>espécies, identificando e localizando os genes que os compõem.</p><p>Podcast</p><p>Ouça agora como a genética contribui para a produção de alimentos em</p><p>geral.</p><p></p><p>Explore +</p><p>Confira as indicações que separamos para você!</p><p>Assista ao vídeo Ética na Genética: Debate talks #26, sobre o debate</p><p>promovido pela Universidade de São Paulo (USP) em 2019, a respeito da</p><p>ética na engenharia genética aplicada aos seres humanos.</p><p>Assista ao vídeo Ética na Genética: como o homem muda o DNA das</p><p>coisas, Fernando Reinach - USP Talks #26 e conheça a opinião de um</p><p>dos biólogos pioneiros da Genômica e da Biotecnologia no Brasil sobre</p><p>o tema. Aproveite para refletir sobre o motivo pelo qual essa questão</p><p>ética não é discutida quando se trata da manipulação genética em</p><p>animais não humanos.</p><p>Referências</p><p>COLOMBO, J.; RAHAL, P. A tecnologia de microarray no estudo do</p><p>câncer de cabeça e pescoço. Revista Brasileira de Biociências, Porto</p><p>Alegre, v. 8, n. 1, p. 64-72, 2010.</p><p>COUTINHO, L. L. et al. Genômica Animal. In: Anais do Congresso</p><p>Brasileiro de Zootecnia. Londrina, PR UEL/ ABZ, 2007.</p><p>FROST, L.; LEPLAE, R.;</p><p>SUMMERS, A. et al. Mobile genetic elements: the</p><p>agents of open source evolution. Nature Reviews Microbiology, v. 3, p.</p><p>722–732, 2005.</p><p>NICHOLAS, F. W. Introdução à genética veterinária. Porto Alegre: Artes</p><p>Médicas Sul, 1999.</p><p>PEREIRA, J. C. C. Melhoramento genético aplicado à produção animal.</p><p>Belo Horizonte: FEPMVZ/ UFMG, 2006.</p><p>RAMALHO, M. A. P. et al. Genética na agropecuária. Lavras, MG: UFLA,</p><p>2012.</p><p>REZENDE, A.S.C; COSTA, M.D. Pelagem dos Equinos. 2. ed. Belo</p><p>Horizonte: FEPMVZ/ UFMG, 2007.</p><p>ROCCHETTI, T. T. Detecção bacteriana e de genes de resistência a</p><p>antimicrobianos pela técnica de PCR em tempo real em infecções de</p><p>corrente sanguínea de pacientes submetidos a transplante de órgãos</p><p>sólidos. 2011. 156f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade</p><p>de São Paulo, São Paulo, 2011.</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>javascript:CriaPDF()</p>

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