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<p>Sistema de Custeio</p><p>Conforme Horngren (1978, p. 21-22), a Contabilidade de Custos tem</p><p>como finalidade atender a três diferentes objetivos: a elaboração de relatórios</p><p>que sejam eficazes para o planejamento e controle das atividades de rotina; a</p><p>produção de relatórios que sustentem as decisões não usuais e a criação de</p><p>estratégias e políticas de ação; e por fim, a atribuição de custos aos produtos</p><p>para a valorização do estoque e a apuração dos lucros.</p><p>Para atingir esses propósitos, a Contabilidade de Custos emprega</p><p>técnicas próprias de avaliação de custos. Essas metodologias compreendem</p><p>procedimentos que analisam os custos incorridos pela empresa, sendo</p><p>distinguíveis na forma como mensuram e apresentam tais custos nos relatórios</p><p>contábeis. A seleção e combinação dos critérios e métodos de custeio a serem</p><p>adotados no sistema de custos implementado na empresa dependerão da</p><p>definição das necessidades gerenciais identificadas pelos diversos níveis</p><p>hierárquicos da organização e pelos principais usuários das informações.</p><p>De acordo com Cogan (1999), há muitos anos os gestores e cientistas</p><p>vêm enfrentando desafios no que diz respeito à identificação dos custos</p><p>envolvidos na produção de bens e serviços, na busca por reduzi-los e na tomada</p><p>de decisões que resultem em maior competitividade para a empresa. O sistema</p><p>de custeio compreende um conjunto de métodos e técnicas empregados por uma</p><p>organização com a finalidade de categorizar todos os gastos associados a um</p><p>produto ou serviço.</p><p>Conforme apontado por Bornia (2002), a avaliação de um sistema de</p><p>custeio pode ser feita considerando dois enfoques distintos. No primeiro,</p><p>examinamos se as informações obtidas atendem às demandas da empresa e</p><p>identificamos quais dados são cruciais para serem disponibilizados. Tal reflexão</p><p>está estreitamente ligada aos propósitos do sistema. Já o segundo enfoque,</p><p>obtido por meio do método de custeio, diz respeito à forma como os dados são</p><p>tratados para a obtenção das informações.</p><p>Sistema de custeio tradicional</p><p>Os métodos de contabilidade de custos tradicionais surgiram em um</p><p>momento em que o trabalho manual e a matéria-prima eram os principais</p><p>insumos na produção, enquanto a tecnologia era mais estável e as empresas</p><p>não possuíam uma ampla gama de produtos.</p><p>Naquela época, os processos de produção eram essencialmente</p><p>compostos por matéria-prima e mão-de-obra, o que facilitava bastante a</p><p>identificação dos custos relacionados à produção. Dois dos principais modelos</p><p>de custeio tradicionais frequentemente mencionados na literatura são o custeio</p><p>por absorção e o custeio direto.</p><p>Custo por absorção</p><p>O custeio por absorção é o único legalmente aceito no Brasil e em vários</p><p>países, para a avaliação de estoques para fins de elaboração de Balanço</p><p>Patrimonial e Demonstração de Resultados.</p><p>Nos termos de Martins (2003, p.197) a expressão custos por absorção é</p><p>usada quando “se apropriam todos os custos de produção, quer fixos, quer</p><p>variáveis, quer diretos ou indiretos, e tão somente os custos de produção, aos</p><p>produtos acabados.” Sendo assim, o custo de cada unidade produzida é</p><p>composto pelos custos variáveis da produção, acrescidos de uma parcela</p><p>referente aos custos fixos atribuídos ao setor ou ao período em que ocorre a</p><p>produção, sendo estes custos incluídos na composição dos estoques.</p><p>O sistema tradicional de custeio por absorção é formado por três</p><p>componentes básicos de custo: material direto, mão-de-obra direta e custos</p><p>indiretos de fabricação. Esses componentes medem os recursos consumidos na</p><p>produção na fase do produto acabado. Nesta fase, os dois componentes iniciais</p><p>(material direto e mão-de-obra direta) são de fácil identificação.</p><p>Os custos de produção abrangem os custos reais das matérias-primas</p><p>incorporadas bem como os custos de transformação e por último os produtos</p><p>acabados dão entrada no armazém pelo custo de produção e são valorizados de</p><p>acordo com o critério adoptado na organização.</p><p>Resumidamente esta forma de custeio atribui aos estoques todos os</p><p>custos da produção, dessa forma, as despesas são direcionadas ao resultado.</p><p>Já os custos (diretos, indiretos, fixos e variáveis) são alocados ao estoque.</p><p>Somente após a venda é que há a apropriação ao resultado, na forma de CMV</p><p>(custo das mercadorias vendidas).</p><p>Custo Direto</p><p>Descrito por Leone (1997, p. 326):</p><p>somente os custos e despesas variáveis (em relação a alguma</p><p>base que represente o esforço produtivo ou de vendas) devem ser</p><p>debitados ao custo dos produtos. As despesas e os custos</p><p>considerados fixos (quando comparados com a variação da base</p><p>selecionada) deverão ser debitados contra o lucro do período.</p><p>Os custos fixos são considerados como não tendo origem na atividade</p><p>produtiva em si, mas sim como elementos alheios à produção, cuja existência</p><p>permanece até mesmo em períodos de ausência de atividades.</p><p>Por esse sistema, então, apenas entrarão na composição do custo “(...)</p><p>aqueles componentes reclamados exclusivamente quando e enquanto a</p><p>empresa estiver em atividade, isso é, os custos variáveis.” (Chevitarese, 1983,</p><p>p. 140). Naturalmente, isso resulta em valores de custos e estoques mais baixos</p><p>que aqueles obtidos pelo critério do custeio por absorção.</p><p>Sistema de Custeio Contemporâneo</p><p>Custeio baseado em Atividades (ABC)</p><p>A metodologia do ABC parte de duas partes: o que se faz e quanto</p><p>gastamos para fazer. Todo princípio do ABC se baseia na lógica simples de que</p><p>as organizações executam uma série de atividades para atingir seus objetivos e</p><p>que estas atividades consomem recursos (humanos, materiais, instalações,</p><p>equipamentos etc.) que custam alguma coisa para serem mantidos. Vemos que</p><p>quem consome os recursos são as atividades e não os departamentos, portanto</p><p>não basta a visão tradicional das organizações funcionais, mas é preciso quebrar</p><p>as barreiras departamentais e ver como as atividades se relacionam em</p><p>processos interfuncionais que suportam a organização.</p><p>Sendo assim, o custeio dos produtos é elaborado em duas etapas</p><p>distintas. Na primeira, são identificadas e analisadas as atividades que têm seus</p><p>custos determinados; na segunda etapa, os custos das atividades são alocados</p><p>aos produtos. As atividades serão custeadas pelo rastreamento dos recursos</p><p>absorvidos em sua execução ou elaboração – como materiais, mão-de-obra,</p><p>seguro, consumo de energia elétrica – e definidos os direcionadores de custos,</p><p>que Martins (2003, p. 96) conceitua como “o fator que determina ou influencia a</p><p>maneira como os produtos “consomem” (utilizam) as atividades. O direcionador</p><p>de custos será a base utilizada para atribuir os custos das atividades dos</p><p>produtos.” O autor também salienta que aqui se encontra a grande diferença dos</p><p>custeios tradicionais, a seleção dos direcionadores de custos para atribuir custos</p><p>aos produtos.</p><p>Segundo Cooper, citado por Cogan (1997, p. 30), para a seleção de um</p><p>direcionador de custos, três fatores são levados em conta:</p><p>- a facilidade na obtenção dos dados necessários para o</p><p>direcionador de custos escolhido (custo de medição)</p><p>- A correlação entre o consumo da atividade e consumo real (grau</p><p>de correlação).</p><p>- A influência que um determinado direcionador terá no</p><p>comportamento das pessoas (efeito comportamental).</p><p>Os direcionadores auxiliarão e conduzirão os valores dos recursos</p><p>consumidos para as atividades, concretizando-se, dessa forma, o cálculo do</p><p>custo de cada atividade.</p><p>O custo de cada atividade, uma vez calculado, deverá ser rastreado ao</p><p>objeto de custeio, que poderá ser representado por um produto, por um serviço</p><p>ou mesmo por um processo.</p><p>Custo do Ciclo de Vida do Produto</p><p>Este sistema adota uma perspectiva de longo prazo, considerando todos</p><p>os custos associados ao produto ao longo das quatro fases de seu ciclo de vida:</p><p>desenvolvimento, crescimento, maturidade e declínio. Com a consideração da</p><p>vida total do produto, estima-se a produção</p><p>total e alocam-se a essa produção</p><p>todos os custos iniciais de concepção e projeto, além de outros custos</p><p>subsequentes, como os associados ao serviço pós-venda. Este conceito pode</p><p>ser integrado ao modelo já adotado pela empresa.</p><p>Custo-Alvo</p><p>O Custo-Alvo é um sistema de gestão de lucros futuros amplamente</p><p>utilizado por empresas japonesas. Este sistema envolve a definição de um custo-</p><p>alvo para o produto, baseado na estimativa do preço de venda subtraindo as</p><p>margens de lucro desejadas pela empresa. O produto é então concebido e</p><p>projetado para atender essas premissas iniciais, sempre considerando a</p><p>satisfação do cliente.</p><p>No sistema de Custo-Alvo, utiliza-se o custeio integral, que integra todos</p><p>os custos e despesas no produto fabricado. Dessa forma, todos os gastos</p><p>incorridos pela empresa são imputados ao produto.</p><p>O objetivo deste método é a redução de custos em todos os processos da</p><p>empresa, buscando eliminar os desvios entre os lucros-alvo e os lucros</p><p>estimados.</p><p>Custo Kaizen</p><p>O Custo Kaizen tem como objetivo principal a redução contínua de custos</p><p>em todos os processos de produção, contribuindo para eliminar qualquer</p><p>diferença entre os lucros-alvo e os lucros estimados. A redução de custos pode</p><p>ser aplicada em dois tipos de atividades: aquelas relacionadas a um determinado</p><p>modelo de produto e as atividades direcionadas à redução de custos por</p><p>departamentos.</p><p>Este modelo pode auxiliar na compensação dos resultados não atingidos</p><p>no sistema de Custo-Alvo, na recuperação de produtos não competitivos e na</p><p>redução de custos de componentes específicos.</p><p>Referencias</p><p>AFONSO, Paulo Sérgio Lima Pereira. Sistemas de custeio no âmbito da</p><p>contabilidade de custos: o custeio baseado nas atividades, um modelo e uma</p><p>metodologia de implementação. 2002. Tese (Doutorado) – Universidade do</p><p>Minho, Fevereiro de 2002.</p><p>Bornia, A. (2002). A Análise Gerencial de Custos – Aplicação em Empresas</p><p>Modernas. Bookman. São Paulo.</p><p>CHEVITARESE, Salvador. Contabilidade industrial. 5.ed. Rio de Janeiro:</p><p>Fundação Getúlio Vargas, 1983.</p><p>COELHO, Acília Maria Moreira de Sousa Maia. Os sistemas de custeio e a</p><p>competitividade da empresa. 2011. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e</p><p>Finanças) – Instituto Politécnico do Porto</p><p>Cogan, S. (1999). Custos e Preços – Formação e Análise. Pioneira. São Paulo</p><p>COGAN, Samuel. Modelos de ABC/ABM. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997.</p><p>HORNGREN, Charles T. Contabilidade de custos: um enfoque administrativo.</p><p>São Paulo: Atlas, 1978.</p><p>LEONE, George S. G. Curso de contabilidade de custos. São Paulo: Atlas, 1997.</p><p>MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 9.ed. São Paulo: Atlas, 2003.</p><p>RAMOS, Fernanda das Neves; MADEIRA, Geová José; MENDONÇA, Kenia</p><p>Fabiana Cota. Sistemas de custeio: uma abordagem sobre a problemática da</p><p>mensuração dos custos indiretos de produção. In: XI Congresso Brasileiro de</p><p>Custos, Porto Seguro, BA, Brasil, 27 a 30 de outubro de 2004.</p>