Prévia do material em texto
MÓDULO I: CONCEITOS BÁSICOS EM NEUROCIÊNCIA Conceitos básicos em Neurociência: a estrutura do Sistema Nervoso Central (SNC) e seu funcionamento Professor(a), para iniciarmos nosso processo de formação nas Neurociências, precisamos entender melhor como nosso cérebro funciona e como, a partir disso, torna-se possível a ocorrência dos nossos comportamentos e aprendizagens. Assim, iniciaremos esse subtópico do Módulo I com uma visão geral do nosso cérebro, suas divisões e respectivas funções e, por fim, aumentaremos o “zoom” a fim de visualizarmos e compreendermos as propriedades dos nossos neurônios, a unidade básica do sistema nervoso central. Além disso, iremos entender de que forma nossos neurônios se comunicam e integram toda a informação que é processada em nosso cérebro. Nossa viagem na história do estudo do cérebro parte da descoberta do neurônio, na metade final do século XIX, principalmente a partir dos trabalhos de dois importantes nomes para a Neurociência: Camillo Golgi e Santiago Ramón y Cajal. Ambos tinham em comum o interesse em estudar a célula nervosa e, por meio do desenvolvimento e utilização de uma técnica específica — coloração por nitrato de prata —, foram capazes de representar nossos neurônios, bem como ilustrar como seriam formadas as redes neurais. Figura 1. À direita, duas células piramidais do córtex cerebral de um gato, coradas pelo método de Golgi; à esquerda, células piramidais corticais coradas pelo azul de metileno, usado por Cajal para demonstrar a presença das espinhas dendríticas Fonte: Sallet (2009). Golgi, inicialmente, identificou que os neurônios são constituídos de pelo menos duas partes: da região central (corpo celular) e de prolongamentos que irradiam a partir desta, os neuritos. Em suas representações, Golgi defendia que os neurônios se comunicavam continuamente, formando uma rede MÓDULO I: CONCEITOS BÁSICOS EM NEUROCIÊNCIA nervosa, o que ficou conhecido como Teoria Reticular. Santiago Ramón y Cajal, embora fizesse uso da técnica de coloração de Golgi para estudar o neurônio, defendia algumas ideias um pouco diferentes. Ele concordava em relação à constituição geral dos neurônios, porém acreditava que a maneira como os neurônios se organizavam era distinta. Defendia que não havia ligações contínuas, mas que os neurônios deveriam se comunicar através de um contato descontínuo, ficando esta ideia conhecida como Doutrina Neuronal. De toda forma, ainda que ambos discordassem no que diz respeito à sua visão da estrutura do sistema nervoso central, foram agraciados com o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1906 por suas descobertas. Algum tempo depois, outro estudioso, Sherrington, foi capaz de desvendar o motivo de desacordo entre ambos os pesquisadores, sugerindo que o espaço vazio existente entre os neurônios se referia à sinapse, que seria uma espécie de separação funcional contribuindo para o funcionamento e comunicação dos neurônios, exercendo atividades regulatórias para o processo de transmissão de estímulos no sistema nervoso. Foi também Sherrington que propôs que as sinapses poderiam apresentar funções excitatórias ou inibitórias, o que discutiremos em mais detalhes mais adiante neste módulo. Percorrendo essa contextualização histórica acerca da descoberta dos neurônios e de suas divisões anatômicas e funcionais, chegamos aos dias de hoje. Atualmente, entende-se que os neurônios correspondem à unidade básica do SNC. São células excitáveis de comunicação, com propriedades químicas e elétricas. Possuem diferentes formatos e tamanhos e estão localizados em diferentes regiões do nosso cérebro. Essas características distintas definem suas funções, bem como representam importantes aspectos a serem considerados para o entendimento dos nossos comportamentos, como, por exemplo, a maneira como nossas aprendizagens e memórias são formadas ou como controlamos nossos movimentos e ações. A seguir, você pode visualizar uma representação geral de um neurônio. Figura 2. Representação geral de um neurônio MÓDULO I: CONCEITOS BÁSICOS EM NEUROCIÊNCIA Fonte: Nossa autoria (2023). Como vocês podem observar na Figura 2, existem três regiões principais nas quais podemos dividir o neurônio: os dendritos, o corpo celular (ou soma) e o axônio. Os dendritos juntamente ao corpo celular compõem a chamada zona somatodendrítica, que possui a função de receber a informação ou o estímulo neuroquímico. Na zona somática, logo abaixo, temos o corpo celular ou soma, o qual é responsável por integrar e codificar os sinais neuroquímicos, processo que ocorre principalmente no núcleo da célula do neurônio, onde está localizado o DNA da célula. Por fim, a zona axônica representa a região na qual ocorre a codificação, propagação e vazão do sinal eletroquímico.