Prévia do material em texto
AGROMETEOROLOGIA E CLIMATOLOGIA Elizabeth Carnevskis Cálculo do balanço hídrico Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Elaborar o balanço hídrico de cultivos. Desenvolver o balanço hídrico para controle da irrigação. Construir o roteiro para monitoramento da irrigação. Introdução Neste capítulo, você vai aprofundar seus conhecimentos em relação ao balanço hídrico, conhecendo o balanço de cultivos e o balanço de con- trole da irrigação. Além de conhecê-los melhor, verá a utilidade de cada um e como calculá-los, recebendo um roteiro para sua realização. Você também vai perceber que, no lugar da evapotranspiração de referência (ETo), utilizará a evapotranspiração de cultura (ETc), o que mostra mais um uso do coeficiente de cultura (Kc). Elaboração do balanço hídrico de cultivos O balanço hídrico específi co de uma cultura visa calcular o armazenamento de água no solo levando-se em conta tanto o tipo de vegetação como sua fase de crescimento e desenvolvimento. Nessa situação, a planta nem sempre cobre totalmente o terreno, e sua área foliar (superfície transpirante) varia com a idade (dias após o plantio ou emergência). Nessa condição, quando não há défi cit hídrico, a evapotranspiração difere de referência, sendo denominada de evapotranspiração máxima de cultura, ou, simplesmente, ETc. Desse modo, essa evapotranspiração será considerada no balanço hídrico da cultura. Pela difi culdade de se medir a ETc, é mais fácil calculá-la em função da ETo (PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007). Fórmula (1): ETc = Kc * ETo Em que: ETc: evapotranspiração de cultura, em mm/dia. Kc: coeficiente de cultura, que depende da altura da planta, da espécie, da cobertura do solo, entre outros fatores, adimensional. ETo: evapotranspiração de referência, em mm/dia. Logo, a estimativa de ETc dependente de um coeficiente de ajuste (Kc), denominado coeficiente de cultura. Este, por sua vez, é função do índice de área foliar (IAF) da cultura, que varia com o seu crescimento e desenvolvi- mento. No Quadro 1, há os valores de Kc por decêndios de algumas culturas. Conhecendo-se ETc e CAD, pode-se fazer o balanço hídrico de cultivo seguindo-se o mesmo procedimento do balanço hídrico climatológico sequen- cial, podendo ser feito nas diferentes escalas de tempo (mensal, quinzenal, decendial, quinquidial ou diária). É importante notar que, no caso de período quinzenal, as quinzenas podem ter 13 ou 14 dias, em fevereiro, e 15 ou 16 dias, nos outros meses. No caso de decêndios, fevereiro pode ter 8 ou 9 dias, e, nos demais meses, 10 ou 11 dias (PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007). Além do que já foi visto, você terá de acrescentar mais uma coluna de cálculo. Nela, contará os valores da relação expressa na Fórmula (2): ETr / ETc Sendo esta uma fórmula alternativa para se identificar o déficit hídrico: Se ETr/ETc < 1: com déficit hídrico Se ETr/ETc > 1: sem déficit hídrico Cálculo do balanço hídrico2 Fo nt e: A da pt ad o de P er ei ra , A ng el oc ci e S en te lh as (2 00 7, p . 1 04 ). D ec ên d io So ja Tr ig o Fe ij ão A rr o z A lg o d ão B at at a A m en d o im M ilh o P re co ce M éd ia Ta rd ia P re co ce N o rm al In ve rn o 1 0, 2 0, 2 0, 2 0, 3 0, 2 0, 4 0, 4 0, 4 0, 4 0, 3 0, 3 0, 3 2 0, 3 0, 3 0, 3 0, 4 0, 4 0, 5 0, 5 0, 5 0, 6 0, 4 0, 4 0, 4 3 0, 5 0, 5 0, 5 0, 6 0, 6 0, 6 0, 6 0, 6 0, 8 0, 5 0, 5 0, 5 4 0, 7 0, 7 0, 7 0, 7 0, 8 0, 8 0, 7 0, 8 0, 9 0, 6 0, 6 0, 6 5 0, 9 0, 8 0, 8 0, 8 1 1 0, 8 1 1 0, 7 0, 7 0, 7 6 1,1 1 0, 9 1,1 1,1 1,1 1 1,1 1,1 0, 9 0, 8 0, 7 7 1, 2 1,1 1 1, 2 1,1 1, 2 1,1 1, 2 1, 2 1 0, 9 0, 8 8 1,1 1, 2 1,1 1, 2 0, 8 1, 2 1, 2 1,1 1, 2 1, 2 1 0, 9 9 1 1,1 1, 2 1,1 0, 4 1,1 1, 2 0, 9 1,1 1, 2 1, 2 1 10 0, 8 1 1,1 0, 8 — 1 1,1 0, 7 1 1 1, 2 1,1 11 0, 7 0, 8 1 0, 7 — 0, 6 1,1 — 0, 8 0, 9 1,1 1, 2 12 0, 5 0, 7 0, 9 0, 6 — — 1 — 0, 6 0, 8 1 1 13 — 0, 5 0, 8 0, 3 — — 0, 9 — — 0, 5 0, 8 1 14 — — 0, 7 — — — 0, 7 — — — 0, 5 — 15 — — 0, 5 — — — 0, 5 — — — — — Q u ad ro 1 . V al or es d e Kc p or d ec ên di o ap ós a e m er gê nc ia , p ar a al gu ns c ul tiv os a nu ai s 3Cálculo do balanço hídrico A s eg ui r, ap re se nt a- se o b al an ço h íd ric o de u m a cu ltu ra d e m ilh o, n a es ca la d ec en di al , e nt re o s an os d e 19 99 e 2 00 0, n o m un ic íp io d e Pi ra ci ca ba (S P) . D ad os : Pl an tio : 1 1 de o ut ub ro Z = 5 0 cm C A D = 1 50 m m /m * Z = 7 5 m m M ês T ET o kc ET c P P -E Tc N A rm A lt ET r D ef Ex c ET r/ ET c 1- ET r/ ET c D ec S1 22 ,8 30 ,4 1, 0 30 ,4 40 9, 60 0, 0 75 ,0 0, 0 30 ,4 0, 0 9, 6 1, 00 0 0, 00 0 S2 19 ,3 20 ,6 1, 0 20 ,6 39 18 ,4 4 0, 0 75 ,0 0, 0 20 ,6 0, 0 18 ,4 1, 00 0 0, 00 0 S3 19 ,7 22 ,0 1, 0 22 ,0 0 -2 2, 04 -2 2, 0 55 ,9 -1 9, 1 19 ,1 2, 9 0, 0 0, 86 6 0, 13 4 O 1 20 ,4 24 ,5 1, 0 24 ,5 10 -1 4, 46 -3 6, 5 46 ,1 -9 ,8 19 ,8 4, 7 0, 0 0, 81 0 0, 19 0 O 2 21 ,9 29 ,7 0, 3 8, 9 11 2, 11 -3 3, 2 48 ,2 2, 1 8, 9 0, 0 0, 0 1, 00 0 0, 00 0 O 3 20 ,6 28 ,5 0, 4 11 ,4 6 -5 ,4 1 -3 8, 6 44 ,8 -3 ,4 9, 4 2, 1 0, 0 0, 82 0 0, 18 0 N 1 21 ,8 30 ,3 0, 5 15 ,2 11 -4 ,16 -4 2, 7 42 ,4 -2 ,4 13 ,4 1, 7 0, 0 0, 88 5 0, 11 5 N 2 19 ,9 24 ,6 0, 6 14 ,7 22 7, 27 -3 0, 9 49 ,7 7, 3 14 ,7 0, 0 0, 0 1, 00 0 0, 00 0 Cálculo do balanço hídrico4 M ês T ET o kc ET c P P -E Tc N A rm A lt ET r D ef Ex c ET r/ ET c 1- ET r/ ET c N 2 19 ,9 24 ,6 0, 6 14 ,7 22 7, 27 -3 0, 9 49 ,7 7, 3 14 ,7 0, 0 0, 0 1, 00 0 0, 00 0 N 3 23 ,1 35 ,8 0, 7 25 ,1 19 -6 ,0 7 -3 6, 9 45 ,8 -3 ,9 22 ,9 2, 2 0, 0 0, 91 2 0, 08 8 D 1 23 ,4 37 ,3 0, 8 29 ,8 12 7 97 ,18 0, 0 75 ,0 29 ,2 29 ,8 0, 0 68 ,0 1, 00 0 0, 00 0 D 2 23 ,5 37 ,9 0, 9 34 ,1 47 12 ,9 2 0, 0 75 ,0 0, 0 34 ,1 0, 0 12 ,9 1, 00 0 0, 00 0 D 3 24 ,1 44 ,4 1, 0 44 ,4 88 43 ,6 1 0, 0 75 ,0 0, 0 44 ,4 0, 0 43 ,6 1, 00 0 0, 00 0 J1 22 ,7 34 ,8 1, 2 41 ,7 14 0 98 ,2 9 0, 0 75 ,0 0, 0 41 ,7 0, 0 98 ,3 1, 00 0 0, 00 0 J2 24 ,3 40 ,9 1, 2 49 ,0 40 -9 ,0 4 -9 ,0 66 ,5 -8 ,5 48 ,5 0, 5 0, 0 0, 98 9 0, 01 1 J3 23 ,3 40 ,2 1,1 44 ,2 44 -0 ,2 1 -9 ,3 66 ,3 -0 ,2 44 ,2 0, 0 0, 0 0, 99 9 0, 00 1 F1 23 ,7 37 ,6 1, 0 37 ,6 39 1, 38 -7 ,7 67 ,7 1, 4 37 ,6 0, 0 0, 0 1, 00 0 0, 00 0 F2 22 ,5 32 ,7 0, 8 26 ,1 55 28 ,8 8 0, 0 75 ,0 7, 3 26 ,1 0, 0 21 ,6 1, 00 0 0, 00 0 F3 24 ,4 31 ,4 0, 5 15 ,7 23 7, 30 0, 0 75 ,0 0, 0 15 ,7 0, 0 7, 3 1, 00 0 0, 00 0 M 1 23 ,7 36 ,0 1, 0 36 ,0 39 2, 96 0, 0 75 ,0 0, 0 36 ,0 0, 0 3, 0 1, 00 0 0, 00 0 M 2 22 ,5 31 ,2 1, 0 31 ,2 1 -3 0, 16 -3 0, 2 50 ,2 -2 4, 8 25 ,8 5, 3 0, 0 0, 82 9 0, 17 1 M 3 22 ,3 32 ,9 1, 0 32 ,9 12 6 93 ,0 8 0, 0 75 ,0 24 ,8 32 ,9 0, 0 68 ,2 1, 00 0 0, 00 0 5Cálculo do balanço hídrico Balanço hídrico para controle da irrigação A irrigação é uma operação agrícola para atendimento das necessidades de água das culturas, sendo fundamental nos sistemas de produção de regiões com ocorrência de secas regulares. Nesse caso, é uma operação fundamental, tão importante quanto a fertilização, o controle de pragas e doenças, e os tratos culturais. Com a irrigação, obtém-se um importante grau de estabilidade para a produção de alimentos, visto que as adversidades hídricas são minimizadas (PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007). A possibilidade de se estimar corretamente a evapotranspiração e, assim, determinar a quantidade de água a ser colocada no solo é de considerávelimportância para o monitoramento das irrigações, pois tanto subirrigações como irrigações excessivas resultam em baixas produções. As irrigações excessivas gastam combustível ou eletricidade, diminuem a qualidade do solo, causam lixiviação de nutrientes essenciais às plantas e podem reduzir a produtividade. Além disso, o custo cada vez maior de energia de bombeamento e a limitação dos recursos hídricos têm levado à busca de alternativas que racionalizem o manejo da água, visando à redução nos custos da irrigação (PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007). O balanço hídrico para controle de irrigação é uma adaptação do balanço hídrico climatológico sequencial, visando facilitar sua aplicação em condições de campo, sem necessidade de recursos computacionais sofisticados, medindo- -se apenas a chuva e os elementos meteorológicos exigidos no método escolhido para estimar a ETo. Aplica-se principalmente para irrigação não localizada (PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007). Antes de se iniciar um projeto de irrigação, é preciso que se conheçam alguns aspectos fundamentais, como os que seguem. Fenologia da cultura A necessidade hídrica de uma cultura varia de acordo com suas fases feno- lógicas, que podem ser relacionadas basicamente ao Kc. Culturas perenes muitas vezes necessitam de um período de repouso vegetativo durante o ano, em geral no inverno. Obviamente, nesse período de repouso, a cultura não necessitará de irrigação. Uma cultura anual quase sempre não necessita de irrigações na fase de maturação. Cálculo do balanço hídrico6 Demanda hídrica da cultura Além das fases fenológicas, a demanda ou necessidade hídrica de uma cultura varia de acordo com as condições meteorológicas, principalmente a radiação líquida disponível e a demanda atmosférica. A ETc pode ser convenientemente estimada em função da ETo. Características físicas do perfil do solo Essas características são necessárias para se determinar o volume de água disponível às raízes. Se o solo for profundo, sem impedimento à infi ltração da água e ao desenvolvimento natural das raízes, a quantidade de água de uma aplicação poderá ser maior, pois esse solo desempenhará bem suas funções de armazenador de água. Se, no entanto, o solo for raso ou com impedimento físico ou químico (toxicidade), numa certa profundidade, a quantidade de água armazenada será menor, condicionando regas menores e mais frequentes para atender melhor à demanda atmosférica. Roteiro para monitoramento da irrigação O monitoramento da necessidade de irrigação por balanço hídrico climatológico exige que se predetermine a dotação de rega (DR) ou lâmina de irrigação, que corresponde à quantidade de água a ser aplicada em cada irrigação, expressa em mm ou em L/planta. A dotação de rega pode ser fi xa, isto é, sempre se utiliza o mesmo valor em cada irrigação, ou variável. No primeiro caso, a lâmina de irrigação é pré-fi xada (DR Fixa), variando entre um valor mínimo da água facilmente disponível (0,25 AFD) e um máximo (0,50 AFD). No segundo caso, a lâmina de irrigação é variável (DR variável), buscando sempre elevar o armazenamento de água no solo à capacidade de campo. Portanto, o que diferencia os dois critérios é o modo de cálculo do volume de água a ser aplicado no momento da irrigação (PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007). A seguir, veremos o passo a passo e os dados necessários para a realização do balanço hídrico para manejo de irrigação. Passo 1: determinação da CAD A capacidade de água disponível no solo (CAD, em mm) deve ser determinada de acordo com as propriedades físico-hídricas do solo (CC%, capacidade de 7Cálculo do balanço hídrico campo; PMP%, ponto de murcha permanente; e D, densidade do volume de solo) e com a profundidade efetiva (Z) do sistema radicular das plantas sob cultivo, isto é: Fórmula (3): CAD = 0,01 * (CC% – PMP%) * D * Z E a constante 0,01 transforma os valores de porcentagem em fracionários. Como profundidade efetiva entende-se aquela em que se concentra cerca de 80% das raízes, expressa em mm, visto que os demais termos da equação não têm unidade. Essa profundidade depende não só do tipo de solo, mas também da cultura, do regime hídrico e nutricional a que o solo está submetido. Alguns valores de profundidade efetiva do sistema radicular são apresentados no Quadro 2. Fonte: Adaptado de Alfonsi e outros autores (1990, apud PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007, p. 103). Cultivo Profundidade efetiva das raízes (mm) Hortaliças 100 a 200 Arroz, batata e feijão 200 a 300 Trigo 300 a 400 Milho e soja 400 a 500 Amendoim 500 a 600 Quadro 2. Valores médios de profundidade efetiva do sistema radicular (Z) de alguns cultivos no Estado de São Paulo No caso de culturas perenes como cafeeiro, cana-de-açúcar, citros e outras frutíferas, pode-se adotar Z entre 700 e 1000 mm. Para essências florestais, pode-se adotar Z entre 1500 e 2500 mm. As propriedades físico-hídricas dependem da textura e da estrutura do solo, e são bastante variáveis. Para os solos agrícolas do estado de São Paulo, tem-se a CAD por unidade de profundidade variando desde 50 até 200 mm/m de profundidade, sendo130 mm/m um valor médio prático. Em razão dessas variações, o ideal é que o cálculo da CAD seja feito para as condições locais de solo e de cultura, inclu- sive considerando-se a variação da profundidade do sistema radicular com o Cálculo do balanço hídrico8 estádio de crescimento da cultura. No caso de haver variação acentuada das propriedades físico-hídricas com a profundidade, deve-se calcular a CAD de cada camada de solo, sendo a CAD total da profundidade efetiva dada pelo somatório das CAD das camadas. Na impossibilidade de se terem dados locais, podem-se utilizar critérios aproximados (práticos), Doorenbos e Kassam (1994) recomendam a seguinte regra prática: Solo de textura pesada: 200 mm/m Solo de textura média: 140 mm/m Solo de textura grossa: 60 mm/m Passo 2: determinação da água facilmente disponível Quando se dispõe de sistema de irrigação, não se deve esperar até que as plantas mostrem sintomas externos da falta de água para irrigá-las. Se isso acontecer, a produção já estará afetada. Assim, deve-se iniciar a irrigação antes de as plantas atingirem esse ponto. Na prática, esse ponto representa uma fração (percentual p) da CAD, denominada de água facilmente disponível, ou seja, aquela que pode ser extraída do solo a partir do armazenamento máximo, sem que ocorra défi cit hídrico na cultura. O Quadro 3 apresenta a fração p para os grupos de cultura e ETc. A água facilmente disponível é representada pela Fórmula (4): AFD = p CAD Em que: AFD: água facilmente disponível, em mm. p: fração determinada experimentalmente, sendo função do tipo de cultura e do consumo máximo de água nos diferentes estádios fenológicos. CAD: capacidade de água disponível no solo, em mm. 9Cálculo do balanço hídrico Fonte: Adaptado de Doorenbos e Kassam (1994, apud PEREIRA; ANGELOCCI; SENTELHAS, 2007, p. 108). Culturas Grupo ETc 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Cebola, pimentão e batata 1 0,50 0,43 0,35 0,30 0,25 0,23 0,20 0,20 0,18 Banana, repolho, uva, ervilha e tomate 2 0,68 0,58 0,48 0,40 0,35 0,33 0,28 0,25 0,23 Alfafa, feijão, citros, amendoim, girassol e trigo 3 0,80 0,70 0,60 0,50 0,45 0,43 0,38 0,35 0,30 Algodão, milho, sorgo, soja e cana-de-açúcar 4 0,88 0,80 0,70 0,60 0,55 0,50 0,45 0,43 0,40 Quadro 3. Fração p para os grupos de cultura e ETc Assim, você terá valores diferentes de AFD durante o ciclo da cultura, o que dificulta o cálculo do balanço hídrico. Para fins práticos, normalmente, adota-se p = 0,35 para culturas dos grupos 1 e 2, e p = 0,50 para culturas dos grupos 3 e 4. A adoção da fração p facilita o balanço hídrico, não havendo necessidade de se utilizar o negativo acumulado do balanço climatológico clássico porque, nesse intervalo de umidade armazenada, o processo de extração de água pelas raízes é praticamente linear, não sendo preciso utilizara função exponencial de cálculo de ARM, como no balanço hídrico climatológico. Cálculo do balanço hídrico10 Passo 3: determinação da ETc A ETc é determinada de acordo com a Fórmula (1). Passo 4: precipitação Precipitação (P) é o valor total observado das chuvas (mm), no período con- siderado. É importante medi-la no local a ser irrigado, pois trata-se de um elemento meteorológico com muita variabilidade espacial e descontinuidade. Passo 5: irrigação Irrigação (I) signifi ca a lâmina de água a ser aplicada, sendo efetuada no início do período em questão, e sempre que a AFD no fi nal do período (AFDf) anterior tiver chegado próximo ao limite crítico, ou seja, AFD ≈ 0. A quantidade de água da irrigação depende do critério adotado (DR fi xa ou variável): Para DR fixa: lâmina de irrigação igual a um valor mínimo (0,25 AFD) ou máximo (0,50 AFD). Para DR variável: lâmina igual à diferença entre a AFD adotada (Fór- mula 4) e a AFD do final do período anterior. Passo 6: água facilmente disponível inicial A água facilmente disponível inicial (AFDi) é a AFD no início do período considerado. Quando não houver irrigação: AFDi do período = AFDf do período anterior. Quando houver irrigação com DR fixa: AFDi do período = I + AFDf do período anterior. Quando houver irrigação com DR variável: AFDi do período = AFDf do período anterior. 11Cálculo do balanço hídrico Passo 7: água facilmente disponível final A água facilmente disponível fi nal (AFDf) é a AFD no fi nal do período, resultante do seguinte balanço: Para DR fixa: AFDf = AFDi + (P - ETc). Para DR variável: AFDf = AFDi + (I + P - ETc). Os Quadros 4 e 5 trazem exemplos de manejo de irrigação, um com a DR fixa e o outro com a DR variável. Fonte: Adaptado de Pereira, Angelocci e Sentelhas (2007, p. 109). Período ETo kc ETc P I AFDi AFDf 01–05/06 9,8 0,1 1,0 42,0 0,0 20,0 20,0 06–10/06 9,4 0,2 1,9 0,0 0,0 20,0 18,1 11–15/06 9,6 0,3 2,9 0,0 0,0 18,1 15,2 16–20/06 10,2 0,4 4,1 0,0 0,0 15,2 11,2 21–25/06 8,9 0,5 4,5 0,0 0,0 11,2 6,7 26–30/06 8,7 0,6 5,2 1,2 0,0 6,7 2,7 01–05/07 8,7 0,7 6,1 3,0 0,0 2,7 0,0 06–10/07 9,5 0,8 7,6 0,0 10,0 10,0 2,4 11–15/07 9,1 0,9 8,2 0,0 10,0 12,4 4,2 16–20/07 8,0 1,0 8,0 0,0 10,0 14,2 6,2 21–25/07 7,5 1,1 8,3 15,0 0,0 6,2 13,0 26–31/07 9,7 1,1 10,7 0,0 0,0 13,0 2,3 01–05/08 9,9 1,1 10,9 0,0 10,0 12,3 1,4 06–10/08 10,6 1,1 11,7 0,0 10,0 11,4 0,0 11–15/08 10,9 0,9 9,8 0,0 10,0 10,0 0,2 16–20/08 11,0 0,8 8,8 8,0 10,0 10,2 9,4 21–25/08 10,9 0,6 6,5 0,0 0,0 9,4 2,9 26–31/08 12,4 0,4 5,0 0,0 0,0 2,9 0,0 Quadro 4. Exemplo de balanço hídrico para manejo de irrigação. Localidade: Votuporan- ga (SP). Cultura: feijão (grupo 3, p = 0,5), CAD = 40 mm, AFD = 20 mm, DR = 10 mm. DR fixa Cálculo do balanço hídrico12 Fonte: Adaptado de Pereira, Angelocci e Sentelhas (2007, p. 109). Período ETo kc ETc P I+P- ETc AFDi AFDf I 01–05/06 9,8 0,1 1,0 42,0 41,0 20,0 20,0 0,0 06–10/06 9,4 0,2 1,9 0,0 –1,9 20,0 18,1 0,0 11–15/06 9,6 0,3 2,9 0,0 –2,9 18,1 15,2 0,0 16–20/06 10,2 0,4 4,1 0,0 –4,1 15,2 11,2 0,0 21–25/06 8,9 0,5 4,5 0,0 –4,5 11,2 6,7 0,0 26–30/06 8,7 0,6 5,2 1,2 –4,0 6,7 2,7 0,0 01–05/07 8,7 0,7 6,1 3,0 –3,1 2,7 0,0 0,0 06–10/07 9,5 0,8 7,6 0,0 12,4 0,0 12,4 20,0 11–15/07 9,1 0,9 8,2 0,0 –8,2 12,4 4,2 0,0 16–20/07 8,0 1,0 8,0 0,0 7,8 4,2 12,0 15,8 21–25/07 7,5 1,1 8,3 15,0 6,8 12,0 18,8 0,0 26–31/07 9,7 1,1 10,7 0,0 –10,7 18,8 8,1 0,0 01–05/08 9,9 1,1 10,9 0,0 1,0 8,1 9,1 11,9 06–10/08 10,6 1,1 11,7 0,0 –0,8 9,1 8,3 10,9 11–15/08 10,9 0,9 9,8 0,0 1,9 8,3 10,2 11,7 16–20/08 11,0 0,8 8,8 8,0 –0,8 10,2 9,4 0,0 21–25/08 10,9 0,6 6,5 0,0 –6,5 9,4 2,9 0,0 26–31/08 12,4 0,4 5,0 0,0 –5,0 2,9 0,0 0,0 Quadro 5. Exemplo de balanço hídrico para manejo de irrigação. Localidade: Votuporan- ga (SP). Cultura: feijão (grupo 3, p = 0,5), CAD = 40 mm, AFD = 20 mm. DR variável 13Cálculo do balanço hídrico ALFONSI, R. R. et al. Métodos agrometeorológicos para o controle da irrigação. Campinas, SP: Instituto Agronômico, 1990. (Boletim Técnico, 133). DOORENBOS, J.; KASSAM, A. H. Efeito da água no rendimento das culturas. Campina Grande, PB: Universidade Federal da Paraíba, 1994. (Estudos da FAO, Irrigação e Dre- nagem, 33). PEREIRA, A. R.; ANGELOCCI, L. R.; SENTELHAS, P. C. Meteorologia agrícola. (Apostila de Meteorologia Agrícola - Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Departamento de Ciências Exatas). Piracicaba, SP, 2007. Disponível em: <ht- tps://www.researchgate.net/profile/Paulo_Sentelhas/publication/285651687_Agrome- teorologia_Fundamentos_e_aplicacoes_praticas/links/5806560c08aeb85ac85f46ee. pdf >. Acesso em: 29 jan. 2019. Cálculo do balanço hídrico14 Conteúdo: