Prévia do material em texto
Disciplina: GRAMÁTICA PROVA DE TAREFA- 2024 Professor: Jeane Aluno (a): N0: Série: 3º NA Curso: ENSINO MÉDIO Período: Diurno Data: Nota: 1) ENEM Em bom português No Brasil, as palavras envelhecem e caem como folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é apanhada (aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada dia uma parte do léxico cai em desuso. Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas coisas, chamou minha atenção para os que falam assim: — Assisti a uma fita de cinema com um artista que representa muito bem. Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não saberão dizer que viram um filme com um ator que trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à praia, vestido de roupa de banho em vez de biquíni, carregando guarda- -sol em vez de barraca. Comprarão um automóvel em vez de comprar um carro, pegarão um defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro e apresentarão sua esposa ou sua senhora em vez de apresentar sua mulher. SABINO, F. Folha de S.Paulo, 13 abr. 1984. Adaptado A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes classes socioculturais. O texto exemplifica essa característica da língua, evidenciando que: A o uso de palavras novas deve ser incentivado em detrimento das antigas. B a utilização de inovações no léxico é percebida na comparação de gerações. C o emprego de palavras com sentidos diferentes caracteriza diversidade geográfica. D a pronúncia e o vocabulário são aspectos identificadores da classe social a que pertence o falante. E o modo de falar específico de pessoas de diferentes faixas etárias é frequente em todas as regiões. 2) ENEM A substituição do haver por ter em construções existenciais, no português do Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da história da língua portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à ampliação do domínio de ter na área semântica de “posse”, no final da fase arcaica. Mattos e Silva (2001:136) analisa as vitórias de ter sobre haver e discute a emergência de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e cinquenta do século XVI, encontram-se evidências, embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro, e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali. Como se vê, nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há mais perguntas que respostas. Pode-se conceber uma norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma com a própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crítica e hierarquizante de outros usos e, através deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra? CALLOU, D. A propósito de norma, correção e preconceito linguístico: do presente para o passado, In: Cadernos de Letras da UFF, n. 36, 2008. Disponível em: Acesso em: 26 fev. 2012. Adaptado. Para a autora, a substituição de haver por ter em diferentes contextos evidencia que: A o estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica. B os estudos clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua. C a avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma. D a adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguísticos. E os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguística. 3) ENEM João Antônio de Barros (Jota Barros) nasceu aos 24 de junho de 1935, em Glória de Goitá (PE). Marceneiro, entalhador, xilógrafo, poeta repentista e escritor de literatura de cordel, já publicou 33 folhetos e ainda tem vários inéditos. Reside em São Paulo desde 1973, vivendo exclusivamente da venda de livretos de cordel e das cantigas de improviso, ao som da viola. Grande divulgador da poesia popular nordestina no Sul, tem dado frequentemente entrevistas à imprensa paulista sobre o assunto. EVARISTO, M. C. O cordel em sala de aula. In: BRANDÃO, H. N. (Coord.). Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso político, divulgação científica São Paulo: Cortez, 2000. A biografia é um gênero textual que descreve a trajetória de determinado indivíduo, evidenciando sua singularidade. No caso específico de uma biografia como a de João Antônio de Barros, um dos principais elementos que a constitui é: A a estilização dos eventos reais de sua vida, para que o relato biográfico surta os efeitos desejados. B o relato de eventos de sua vida em perspectiva histórica, que valorize seu percurso artístico. C a narração de eventos de sua vida que demonstrem a qualidade de sua obra. D uma retórica que enfatize alguns eventos da vida exemplar da pessoa biografada. E uma exposição de eventos de sua vida que mescle objetividade e construção 4)Leia a tirinha: Do ponto de vista da gramática, Hagar e Helga discutem sobre a nomeação de uma realidade, noção típica da classe dos substantivos. Com base nessa perspectiva, assinale a alternativa que contenha um comentário equivocado: A A expressão popular restô d’ontê (resto de ontem) é um nome que, imitando a entonação francesa e evocando a boa fama da culinária daquele país, poderia construir uma imagem mais positiva do prato. B Ao não dar nome a seu prato e apostar na valorização da simplicidade, Helga perde a oportunidade de construir uma imagem positiva de seu trabalho culinário, mesmo sendo a junção de algumas sobras de alimentos. C Não é possível afirmar que Hagar não goste desse tipo de comida que Helga lhe serve: sua decepção é fundamentada apenas na falta de um nome adequado para a comida, já que bons pratos sempre têm bons nomes. D Apesar da simplicidade do prato, a escolha de nomes como “mix de vegetais ao molho de quatro queijos” ou “refogado de vegetais com carne bovina desfiada” construiriam uma intepretação mais positiva para o alimento preparado por Helga. E As expressões faciais das personagens revelam a decepção de Hagar com o tipo de comida servida e a satisfação de Helga pela elaboração de um prato com ingredientes relativamente simples. 5) (Unifesp) Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook? Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social. O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfil no Facebook e postar um contador na rede social. Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33º dia, no 66º e no último dia da abstinência. Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, que poderiam ser utilizadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. Disponível: http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado Examine as passagens do primeiro parágrafo do texto: “Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio” “O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.” A utilização dos artigos destacados justifica-se em razão: A da retomada de informações que podem ser facilmente depreendidas pelo contexto, sendo ambas equivalentes semanticamente. B de informações conhecidas, nas duas ocorrências, sendo possível a troca dos artigos nos enunciados, pois isso não alteraria o sentido do texto. C da generalização, no primeiro caso, com a introdução de informação conhecida, e da especificação, no segundo, com informação nova. Dda introdução de uma informação nova, no primeiro caso, e da retomada de uma informação já conhecida, no segundo. E de informações novas, nas duas ocorrências, motivo pelo qual são introduzidas de forma mais generalizada. 6) (Fuvest-SP) Leia o seguinte trecho de uma entrevista concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa: Entrevistador: O protagonismo do STF dos últimos tempos tem usurpado as funções do Congresso? Entrevistado: Temos uma Constituição muito boa, mas excessivamente detalhista, com um número imenso de dispositivos e, por isso, suscetível a fomentar interpretações e toda sorte de litígios. Também temos um sistema de jurisdição constitucional, talvez único no mundo, com um rol enorme de agentes e instituições dotadas da prerrogativa ou de competência para trazer questões ao Supremo. É um leque considerável de interesses, de visões, que acaba causando a intervenção do STF nas mais diversas questões, nas mais diferentes áreas, inclusive dando margem a esse tipo de acusação. Nossas decisões não deveriam passar de duzentas, trezentas por ano. Hoje, são analisados cinquenta mil, sessenta mil processos. É uma insanidade. Veja, 15 jun. 2011. No trecho “dotadas da prerrogativa ou de competência”, a presença de artigo antes do primeiro substantivo e a sua ausência antes do segundo fazem com que o sentido de cada um desses substantivos seja, respectivamente: A figurado e próprio. B abstrato e concreto. C específico e genérico. D técnico e comum. E lato e estrito. 7) (Unesp-SP) Assinale a alternativa cuja frase contém um numeral empregado como substantivo. A Há muitos anos que a política em Portugal apresenta um estado singular. B Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder. C Os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar. D Os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos. E Como quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, tais políticos atiram uns aos outros o poder. 8) (Cesgranrio-RJ) Perfeição Vamos celebrar a estupidez humana A estupidez de todas as nações [...] Vamos celebrar a estupidez do povo Nossa polícia e televisão [...] Vamos celebrar a fome [...] Vamos celebrar nossa bandeira Nosso passado de absurdos gloriosos [...] Tudo o que é normal Vamos cantar juntos o Hino Nacional [...] Venha, o amor tem sempre a porta aberta E vem chegando a primavera Nosso futuro recomeça: Venha, que o que vem é perfeição. Legião Urbana No verso “Nosso passado de absurdos gloriosos” (v. 7), substantivo e adjetivo se associam de forma a criar uma figura que se caracteriza pelo(a): A emprego de palavras desnecessárias ao sentido da frase. B ênfase no exagero da verdade das coisas. C interpenetração de planos sensoriais diferentes. D relação de semelhança entre o sentido denotativo e o sentido conotativo do texto. E reunião de ideias contraditórias num só pensamento. 9) (UFV-MG) Violência e drogas É sempre bacana ver milhares juntando as forças, as vontades, as desesperanças, para encher ruas com o alvo vestuário da paz. Não é muito a minha, esse negócio de acender vela e clamar ao firmamento, mas em respeito aos sincretismos biodiversos, topo fingir não crer que do céu só vem relâmpago, chuva e bala perdida. O que não dá mais, sinceramente, pra encarar com graça, educação e simpatia é o lugar-comum “não se pode dissociar a questão da violência da questão das drogas”. Hoje em dia, 10 entre 10 autoridades públicas, ao se pronunciarem a respeito do tema, repetem em uníssono: “Não se pode dissociar a questão da violência da questão das drogas”. E daí? O que devemos concluir dessa brilhante assertiva? É óbvio que as duas coisas estão intrinsecamente ligadas, qualquer idiota lobotomizado sabe. Mas o que vem depois disso? É “não se pode dissociar a questão da violência da questão das drogas” e ponto final? Quer dizer então que é só ninguém mais se drogar que a violência acaba? Quer dizer então que se os ricos (como acusou o governador do Rio de Janeiro) pararem de consumir substâncias ilegais tudo estará resolvido? Bacana. Muito bom. E que dia vai ser isso? Uma bela manhã todos acordaremos para viver num mundo melhor, onde todos os que consomem drogas terão uma crise de consciência e, junto com seus fornecedores, chegarão à conclusão de que já perturbaram demais a ordem pública, de que a vida de todos já está suficientemente aterrorizada e, portanto, todos vão se dedicar a atividades mais lúdicas. Vamos ou não vamos, de uma vez por todas, encarar a dura realidade de que sempre existirá uma parcela qualquer da população que vai querer se drogar? Isso não é minha opinião, muito menos meu desejo. É assim, simplesmente, porque sempre foi assim e continuará sempre sendo assim. Em qualquer sociedade, em qualquer época. Qualquer um que se dê ao trabalho de pesquisar as origens históricas do ato de se drogar, vai ficar chocado com a antiguidade da prática. Enquanto a sociedade não oferecer uma alternativa legal ao adulto que quer consumir, arcará com o custo (de vida, de grana, de desagregação das estruturas sociais) boçal desse combate. Uma guerra que nunca será ganha e que faz muito mais vítimas fatais do que as drogas que tenta combater. Alguém ainda consegue achar irônico o fato do combate às drogas matar muito mais que o uso das mesmas? Ninguém propõe o “bundalelê” nessa questão. A ideia de dar opção a quem não consegue ou não quer largar seu vício viria com a contrapartida de usar o ato de consumir drogas como agravante em qualquer delito que venha a ser cometido pelo usuário. Oferecer uma opção legal de consumo não é legalizar o crime. É retirar consumidores das mãos da marginalidade, é reduzir a importância econômica do narcotráfico. Certamente alguns morrerão de overdose, o que é triste, o que é lamentável. Mas, e a situação de hoje não é? Reduzir o número de cadáveres deveria ser o único objetivo. Do jeito que as coisas estão organizadas parece que morrer de cocaína é pior do que morrer de tiro. Por quê? Querer discutir violência sem propor uma nova política de drogas é mais que perda de tempo, é perda de vidas. Claudio Manoel – Humorista, integrante do grupo Casseta & Planeta. Jornal do Brasil, 13 jul. 2000. Caderno Opinião. Assinale a alternativa em que a mudança de posição entre o substantivo e o adjetivo NÃO pode acarretar alteração semântica: A O grande traficante assusta a polícia./O traficante grande assusta a polícia. B O pobre viciado sofre muito!/O viciado pobre sofre muito! C O bom filho à casa torna./O filho bom à casa torna. D O alto traficante assusta a polícia./O traficante alto assusta a polícia. E O velho amigo é que socorreu o viciado./O amigo velho é que socorreu o viciado. 10) Leia o texto abaixo, de Ruth de Aquino, publicado na semana do Carnaval, sobre a dependência aos telefones celulares Não plugue seu celular na fantasia Os aparelhos celulares passaram de 150 milhões no Brasil em dezembro. Antes era só a voz. Com texto e e-mail, nossa cara se enfia na tela. O vício de estar plugado se alastra. [...] As ligações telefônicas invadem atos que costumavam ser praticados do início ao fim, com uma dedicação de corpo e espírito que dava sentido ao presente. Os celulares alheios, “dos outros”, esses são os piores. De repente, num almoço, numa troca de beijos ou até numa conversa de telefone fixo, você é “desligado” por seu interlocutor, que precisa atender o celular. [...] Caso a ligação invasiva dure alguns minutos, quando vocês se entreolham novamente, já esqueceram o que diziam ou faziam. [...] No romance Fantasma sai de cena (Exit ghost), do americano Philip Roth, um escritor, depois de viver isolado nas montanhas por dez anos, chega a Nova York: “O que mais me surpreendeu foi a coisa mais óbvia – os telefones celulares. Na Manhattan de que eu me lembrava, as únicas pessoas que andavam pela Broadway aparentemente falando sozinhas eram os loucos. O que acontecera que agora havia tanto a dizer e com tanta urgência que não dava para esperar? [...] Alguma coisa que antes inibia aspessoas agora havia desaparecido, e por isso falar sem parar ao telefone se tornara preferível a caminhar pelas ruas sem estar sendo controlado por ninguém. [...] Para mim, isso tinha o efeito de fazer com que as ruas se tornassem cômicas, e as pessoas, ridículas. Havia também um lado trágico nisso. A anulação da experiência da separação. [...] Você saber que pode ter acesso à outra pessoa a qualquer momento, e, se isso se torna impossível, você fica impaciente e zangado, como um deusinho idiota. [...] Tendo vivido parte da minha vida na era da cabine telefônica, cujas portas dobradiças podiam ser hermeticamente fechadas, impressionava-me aquela falta de privacidade. [...] Eu não conseguia compreender como alguém podia imaginar que levava uma vida humana falando ao telefone metade do tempo em que estava acordado”. AQUINO, Ruth de. Não plugue seu celular na fantasia. Época, 23 fev. 2009. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI27273-15230,00-NAO+PLUGUE+SE U+CELULAR+NA+FANTASIA.html. Acesso em: 28 jun. 2022. Considere o seguinte trecho: De repente, num almoço, numa troca de beijos ou até numa conversa de telefone fixo, você é “desligado” por seu interlocutor, que precisa atender o celular. [...] Caso a ligação invasiva dure alguns minutos, quando vocês se entreolham novamente, já esqueceram o que diziam ou faziam. O enunciador demarca sua opinião sobre a interferência social causada pelos telefones celulares por meio do adjetivo invasiva. Assinale a alternativa em que, suprimido o adjetivo, a permuta do substantivo abstrato ligação por outro altera a orientação argumentativa original, criando efeito de neutralidade: A caso a chamada dure alguns minutos. B caso o transtorno dure alguns minutos. C caso a indelicadeza dure alguns minutos. D caso o estorvo dure alguns minutos. E caso a importunação dure alguns minutos. image1.jpeg image2.png