Prévia do material em texto
ANTIGUIDADE CLÁSSICA GRÉCIA ANTIGA - PARTE 1 Localização e condições geográficas A Grécia Antiga ou Clássica ocupava a parte sul da península dos Balcãs, as ilhas do mar Egeu e a costa da Ásia Menor. A Hélade, ou território grego, era composta de três regiões diferentes: a parte continental, a peninsular e a insular (ilhas). No período de sua expansão colonizadora, a Grécia anexou a costa do mar Egeu (Ásia Menor) e o sul da península Itáli ca (hoje, território italiano). A Grécia é marcada pelo seu relevo acidentado, sendo o interior montanhoso e o litoral bastante recortado (golfos, enseadas, ilhas). O clima é temperado. O solo é pobre. Todas essas condições geográficas explicam a tendência dos gregos de integrarem com o exterior, como forma de superar as dificuldades geradas pela natureza e as diferenças internas quanto ao seu povoamento e a formação das cidades - Estados. Origens e povoamento – Período Pré-Homérico (séculos XX a XII a.C.) A origem grega está relacionada à origem de Creta, que desenvolveu brilhante civilização entre os séculos XX a XV a.C. Tendo uma situação geográfica privilegiada, essa ilha do mar Egeu teve contatos marítimo-comerciais com as mais importantes civilizações orientais e a própria Grécia. Creta teve hegemonia comercial no Mediterrâneo, estendendo seus domínios até a Grécia Continental. Porém, em meados do século XV a.C., os aqueus, povo que habitava parte da Grécia Continental, invadiu e dominou Creta. Esse fato deu início à civilização creto-micênica, que tanto contribuiu para o desenvolvimento do povoamento e a formação da Grécia. No entanto, tudo indica que os primeiros habitantes da Grécia Continental foi o povo pelágio, de cultura primitiva, por volta do século XX a.C. Ele ocupava a porção litorânea e pontos isolados do interior da Grécia Continental. Nesse período, começara as migrações e invasões que se prolongaram até o século XII a.C. Os povos invasores eram de origem euro-asiática ou indo-europeia (arianos). Chegaram em bandos. Uns se misturaram aos locais (pelágios), outros os subjugaram. Os primeiros indo-europeus a invadir a Grécia foram os aqueus e ali se estabeleceram entre os séculos XX e XVIII a.C. Eles fundaram a cidade de Micenas, que se expandiu e originou a civilização Creto-micênica. Entre os séculos XVIII e XV a.C., outros povos chegaram à Grécia: os eólios e os jônios. Estes últimos fundaram Atenas, a mais importante cidade grega. Por volta do século XV a.C., com a decadência cretense, Micenas passou a viver um intenso desenvolvimento, que teve seu final com as invasões dos dórios (século XIII a.C.). Os dórios eram um povo guerreiro, o último de origem indo-europeia que migrou para a Grécia. Ao que tudo indica, foram os responsáveis pela destruição da civilização micênica, que provocou a migração em massa para as ilhas e Ásia Menor. Esse processo ficou conhecido como PRIMEIRA DIÁSPORA GREGA e marcou profundamente o processo histórico da Grécia. Dentro do território grego, a população passou a viver isoladamente em grupos de comunidades familiares, conhecidas como GENOS. Essa fase marca o fim do período Pré-Homérico, assim chamado devido aos estudos dos poemas épicos de Homero (Ilíada e Odisseia). GRÉCIA ANTIGA – PARTE 2 Período Homérico (séculos XII a VIII a.C.) Ainda no período Pré-Homérico, os povos estavam organizados e divididos em GENOS, unidades comunitário-familiares constituídas de pessoas de mesma origem familiar, lideradas por um “pater-família”. Com a chegada dos dórios (século XIII a.C.), os genos tornaram-se uma forma comum de organização socioeconômica. Por isso, podemos dizer que as comunidades gentílicas caracterizaram os tempos homéricos. Os genos podem ser entendidos como uma unidade econômica, social, política e religiosa. Na verdade, essas pequenas comunidades isoladas conseguiam garantir a sobrevivência, através da agricultura coletiva autossuficiente. Tudo pertencia a todos (ferramentas, terras, sementes, produção), ou seja, não havia propriedade privada. Havia uma rígida hierarquia familiar, em que o pater (patriarca) era o chefe com maior autoridade, exercendo o papel de juiz, chefe familiar e espiritual (do culto religioso). O critério para posicionar um indivíduo na hierarquia era o seu grau de parentesco com o pater-família. No século VIII a.C, teve início o processo de declínio das estruturas gentílicas, que evoluíram de formas diferentes pelas regiões da Grécia. Um conjunto de fatores contribuíram para essa decadência: o crescimento populacional e o aumento do consumo, conseqüentemente. No entanto, a produção continuou limitada, já que não houve avanços técnicos e as terras férteis eram escassas. Na luta pela sobrevivência, surgiram os conflitos dentro dos genos e entre genos. Para organizar defesas, muitos genos se uniram contra outros grupos inimigos, formando FRATRIAS. Ao longo do tempo, as fratrias reuniram-se formando TRIBOS, lideradas por um chefe que comandava o exército. A união de tribos deu origem às DEMOS, que passou a reconhecer o líder militar como seu líder supremo, chamado BASILEU. Lentamente, a terra foi perdendo o seu caráter coletivo-comunitário, sendo dividida de forma desigual entre determinados membros dos genos. As melhores terras foram entregues aos parentes mais próximos do pater-família. Esses eram chamados de “bem-nascidos” ou EUPÁTRIDAS. As terras menos férteis e menor tamanho foram distribuídas entre os agricultores, chamados GEORGÓIS, parentes mais distantes do patriarca. Havia os marginalizados nesse processo, os THETAS, para os quais nada restou. Assim, surgem um cenário de tensões, com muitos conflitos, os quais provocaram a SEGUNDA DIÁSPORA GREGA. A maioria dos menos favorecidos foi que migrou para regiões do Mediterrâneo ocidental, promovendo a fundação de várias colônias. Surgem cidades na península Itálica, chamada de Magna Grécia. Também, várias tribos deram origem às cidades- Estados, que os gregos chamavam de PÓLIS. Elas surgiram pela necessidade de segurança e de nova organização. Assim, acaba o período Homérico e se inicia o período Arcaico. Período Arcaico (séculos VIII a VI a.C.) Com a desintegração das comunidades gentílicas e o estabelecimento de modelos sociais baseados na propriedade privada da terra, na aristocracia e na polis (cidades- Estado gregas), ocorreram profundas transformações na estrutura da Grécia Antiga. Em um primeiro momento, ocorreu uma lenta transformação dessa economia que era doméstica, para uma economia de mercado local, que, com o tempo, tornou-se uma economia externa, devido à expansão grega pelo Mediterrâneo. Ao mesmo tempo, as estruturas sociais e políticas sofreram profundas alterações: o enriquecimento da aristocracia (proprietários das terras que tinham o poder em suas mãos) e o aumento das desigualdades sociais, o que levou a um processo de lutas e disputas pelo poder. Em decorrência desses processos de transformação, surgiram variações que fizeram das cidades gregas, exemplos de tirania, oligarquia ou de democracia. Para compreender melhor esse universo de possibilidades que foram as polis gregas, vamos tratar de dois exemplos: Atenas e Esparta. Atenas A região da Ática, península onde se localiza Atenas, na parte sudeste da Grécia Central. Essa região possui relevo acidentado e clima temperado. Ela surgiu da fusão de vários povos, predominando os jônios. No final do período Homérico, as tribos uniram-se politicamente, dando origem à polis ateniense (século VIII a.C.). Segundo a tradição lendária, teria sido o herói Teseu que a fundou. Atenas manteve, por muito tempo, o modelo político monárquico, até que os aristocratas, organizados oligarquicamente, tomaram o poder dos antigos reis (BASILEU). Então, a monarquia foi substituída pelo ARCONATO, composto por 9 arcontes, com mandatos anuais. Os arcontes eram da classe social dos EUPÁTRIDAS (aristocracia rural). Havia o arconato militar, religioso ejudiciário. Também foi organizado um conselho de eupátridas, chamado AERÓPAGO, com função de fiscalizar as ações dos arcontes. Assim, o DEMOS (ou povo ateniense) era dominado. No período Arcaico, a falta de terras férteis e o crescimento demográfico continuaram a impulsionar o estabelecimento de colônias, entrepostos comerciais e povoamentos em várias áreas do litoral do Mediterrâneo. O expansionismo resultou na diminuição dos conflitos gerados pelas questões de falta de terras agricultáveis; porém, provocou o enriquecimento das pólis e a cultura grega se espalhou (ou cultura helênica, como são conhecidos os gregos antigos). Em Atenas, como resultado dessa expansão, as classes ligadas ao comércio procuraram aumentar o seu poder social e político. Fruto da expansão econômica e territorial, surge uma grande população de escravos, base do modo de produção ateniense. Eram prisioneiros de guerra; não eram considerados cidadãos, então, não tinham nenhum direito, nem sobre a própria vida. Trabalhavam em diversas atividades do cotidiano de Atenas. A sociedade ateniense era formada por: - eupátridas: aristocracia rural. Possuíam o poder político, além do econômico. - Metecos: artesãos de origem estrangeira (não eram nascidos em Atenas). - Georgóis: pequenos proprietários (das terras menos férteis). Eram muito pobres, marginalizados na sociedade ateniense. Às vezes, de tantas dívidas se transformavam em escravos. - thetas: Grupo marginalizado e sem terras. Muitos se dedicam às pequenas atividades comerciais. - Escravos: por dívidas ou adquiridos em guerras. Constituem a principal força de trabalho. Produtores da riqueza no mundo grego. - Demiurgos: trabalhadores urbanos (geralmente, comerciantes ricos). As lutas de classes por mais direitos foi uma marca da história de Atenas. Dracon elaborou um código de leis escritas, as chamadas LEIS DRACONIANAS. Antes, a tradição era de leis orais, conhecidas apenas pelos eupátridas. Eram leis muito rígidas, mas que mantinham os privilégios dos eupátridas. Sólon tentou realizar reformas mais profundas. Acabou com a escravidão por dívidas e classificou as classes sociais de acordo com a riqueza, o que permitiu a ascensão política dos ricos comerciantes, dentre várias outras medidas. As reformas de Sólon não agradaram os eupátridas e nem o povo, que queria mudanças mais profundas. As medidas de Sólon provocaram o estabelecimento de ditadores (ou tiranos) que se apoderaram do poder. O primeiro foi Psístrato, que buscou diminuir os conflitos e tensões com uma política que buscou atender algumas reivindicações das classes menos favorecidas, como tentar diminuir o desemprego. Com sua morte, assumiram o poder os seus 2 filhos, Hiparco e Hípias, que não deram prosseguimento às reformas feitas pelo pai. A insatisfação política continuou em Atenas, o que abriu caminho para novas reformas. Com Clístenes, novas reformas dão origem à DEMOCRACIA ATENIENSE. Para isso, uma de suas medidas foi a divisão de Atenas em 10 tribos. Antes eram quatro. Dessa maneira, quis dar a oportunidade de maior participação política e diminuir a grande influência política dos eupátridas. Tomou várias medidas que ampliaram a participação popular nas decisões políticas. Clístenes criou o OSTRACISMO, que era a suspensão dos direitos políticos dos cidadãos considerados nocivos ao Estado. A ASSEMBLEIA era a instituição popular que fiscalizava todas as demais instituições políticas e, nesse caso, julgava os crimes de ostracismo. Os culpados eram exilados por 10 anos, mas sem perder seus bens. Eram considerados cidadãos na democracia ateniense: adultos, filhos de pais nascidos em Atenas, o que era a minoria da população. Estrangeiros, escravos e mulheres estavam excluídos da cidadania. Atenas, pela sua história política, acabou desenvolvendo-se muito na área cultural; muito diferente do que aconteceu com Esparta. A cultura era muito valorizada pelos atenienses, até como forma de dar a eles conhecimentos para poderem participar de forma efetiva nas decisões políticas. Outro fato importante, nesse sentido, era a escravidão. Uma vez que os escravos realizaram todas os tipos de trabalho, sobrava tempo para os cidadãos se dedicarem à participação política e formaçã o cultural. ATIVIDADES - GRÉCIA ANTIGA PARTE 1 1) Relacione a ilha de Creta a origem dos gregos. 2) Quais povos deram origem aos gregos? 3) Explique o que provocou a Primeira Diáspora Grega. 4) Explique o que eram genos. 5) Explique o que provocou o fim da organização em genos. 6) Explique o que provocou a Segunda Diáspora Grega e de que forma se relaciona à expansão territorial da Grécia. 7) Quais eram as características geográficas da Grécia Antiga e de que forma influenciou na organização dessa civilização? ATIVIDADES – GRÉCIA ANTIGA PARTE 2 1) Explique o que eram as polis gregas. 2) Quais cidades-Estados gregas se destacaram na história da Grécia Antiga? 3) Explique que era basileu e o que aconteceu a ele na história política ateniense. 4) Qual era a origem dos escravos de Atenas? Qual trabalho era realizado por eles? 5) Quais eram as classes sociais de Atenas? Explique. 6) As lutas de classes por direitos foi uma marca da história ateniense. Explique: a) as medidas de Drácon; b) as medidas de Sólon; c) o que era tirania e as medidas do tirano Pisístrato; d) as medidas de Clístenes. 7) Explique o que era democracia em Atenas. 8) Em Atenas, quem era considerado cidadão e, assim, podia participar da política? 9) Explique o que era o ostracismo e o que acontecia a quem se enquadrava nessa situação. 10) De que forma se relacionam política, escravidão e cultura em Atenas?