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MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
 
ASSISTÊNCIA À SAÚDE E 
PSICOLOGIA APLICADA AO 
SISTEMA PRISIONAL 
 
 
 
 
U N I V E R S I DA D E
CANDIDO MENDES
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
SUMÁRIO 
 
 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO ............................................................................ 3 
UNIDADE 2 – TRATAMENTO NOS ESTABELECIMENTOS PENAIS 
FEDERAIS ......................................................................................................... 6 
UNIDADE 3 – PLANO NACIONAL DE SAÚDE NO SISTEMA 
PENITENCIÁRIO (PNSSP) E A POLÍTICA DE ATENÇÃO INTEGRAL À 
SAÚDE DAS PESSOAS PRIVADAS DE LIBERDADE NO SISTEMA 
PRISIONAL (PNAISP) NO ÂMBITO DO SUS ................................................. 14 
UNIDADE 4 – A ASSISTÊNCIA SOCIAL E RELIGIOSA ................................ 25 
UNIDADE 5 – ASSISTÊNCIA LABORAL, DESPORTIVA, LÚDICA E 
CULTURAL ...................................................................................................... 27 
UNIDADE 6 – O SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADO ............................. 32 
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 60 
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO 
 
É notório que todo ser humano merece ser respeitado, merece 
consideração e merece de cuidados quando sua saúde física, psicológica ou 
mental requeiram, esteja ele em liberdade ou em situação de privação de 
liberdade. 
De acordo com a Constituição Federal de 1988, saúde é um direito 
constitucional, assegurado a qualquer cidadão brasileiro, sendo dever do Estado 
oferecê-la mediante a força de seus dispositivos. Portanto, considerando um 
cidadão recluso como cidadão brasileiro, esse direito também lhe é inerente. 
Um dos conceitos mais abrangentes para o termo saúde foi elaborado 
pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948, e define: “Saúde é o 
estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a 
ausência de enfermidade”. 
Considerando a saúde, enquanto expressão das relações que o ser 
humano estabelece com o ambiente e consigo mesmo, a mesma está relacionada 
a variáveis biológicas, sociais e psíquicas e envolve a vida em sociedade, as 
condições de moradia e trabalho e o meio em que o indivíduo está inserido 
(SCLIAR, 2007). 
Podemos justificar a importância de tratar a saúde desse público por 
vários motivos. Vamos tomar como referência a Lei de Execução Penal e o 
próprio Ministério da Justiça. 
Vejamos: 
De acordo com a Lei de Execução Penal (Lei nº 7210/84) o aumento da 
população carcerária demanda espaços físicos para sua acomodação, mas, 
apesar dos esforços conjuntos dos Governos Federal e Estaduais para a 
construção de novos estabelecimentos prisionais, o déficit de vagas no sistema 
penitenciário brasileiro cresceu de 96.010, em 1997, para 173.075 nos anos 
subsequentes. 
 
 
4 
 
O Ministério da Justiça (BRASIL, MJ, 2011), mais recentemente, apontou 
que a elevação do número de presidiários é um fenômeno mundial, que como 
esperado, atinge também o Brasil. Do ano de 2001 para o ano de 2011, o número 
de presos no Brasil cresceu de 233.859 para 514.582, o que representou um 
crescimento de 120% aproximadamente. Esses números apontam para 
problemas sérios decorrentes das más condições nas quais se encontra essa 
parcela da sociedade. 
Qual a consequência disso? 
A desproporcionalidade entre os ingressos e as saídas no sistema 
penitenciário brasileiro resulta em superlotação, o que favorece o desrespeito à 
dignidade do preso, predispondo-o a comprometimento do processo de morbi-
mortalidade, contrariando a legislação vigente de seguridade aos direitos dos 
presidiários. 
Além da CF/88, a própria Lei de Execução Penal (LEP), em seus 
preceitos legais, destaca que o preso tem direito à saúde, sendo este um direito 
social. Logo, a prática do sistema prisional brasileiro, apresenta-se bastante 
diferente do que está estabelecido na legislação. Há uma série de inadequações 
relacionadas tanto à infraestrutura quanto as condições de vida; destacando-se a 
falta ou escassez de transporte para presidiários em caráter de emergência, 
alimentação, saúde, dentre outras fatores agravantes ao à saúde dos presidiários. 
No âmbito da assistência à saúde no ambiente prisional, existe uma 
escassez de condições e recursos para um atendimento de qualidade. Isso é 
resultado de questões físicas e estruturais do ambiente, somadas a inexistência 
ou ao quantitativo ineficiente de profissionais de saúde e da área das ciências 
humanas para a efetivação de ações multidisciplinares e interdisciplinares para 
promoção de uma melhoria da saúde física e mental desses cidadãos-presos 
(DIUANA et al., 2008) e (MARTINS, 2009). 
Sendo assim, percebe-se uma contradição entre a legislação e a prática. 
Enquanto a Constituição Federal e a Lei de Execução Penal asseguram o direito 
à saúde, há uma grande lacuna para a efetivação do direito à saúde para com os 
presidiários (ARRUDA et al., 2013). 
 
 
5 
 
Creio que justificamos de maneira bem clara a importância dos temas a 
serem tratados neste módulo: a saúde física, social, biológica e mental das 
pessoas em condições de privação de liberdade. 
São estes temas que trataremos, a começar pelo lado positivo da 
situação: a eficiência e o comprometimento do sistema penitenciário federal. 
Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha 
como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, 
fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os 
temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos 
científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação 
das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não 
se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático 
da obra, não serão expressas opiniões pessoais. 
Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas, mas que, de todo 
modo, podem servir para sanar lacunas que por ventura venham a surgir ao longo 
dos estudos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
UNIDADE 2 – TRATAMENTO NOS ESTABELECIMENTOS 
PENAIS FEDERAIS 
 
Relembremos que, segundo o Ministério da Justiça, do governo Federal 
do Brasil, o DEPEN é o órgão responsável pelo Sistema Penitenciário Federal, 
cujos principais objetivos são isolamento das lideranças do crime organizado, 
cumprimento rigoroso da Lei de Execução Penal e custódia de: presos 
condenados e provisórios sujeitos ao regime disciplinar diferenciado; líderes de 
organizações criminosas; presos responsáveis pela prática reiterada de crimes 
violentos; presos responsáveis por ato de fuga ou grave indisciplina no sistema 
prisional de origem; presos de alta periculosidade e que possam comprometer a 
ordem e segurança pública; réus colaboradores presos ou delatores premiados. 
 
2.1 A Coordenação-Geral de Tratamento Penitenciário (CGTP) 
A Coordenação-Geral de Tratamento Penitenciário – CGTP – foi criada 
com o objetivo de planejar, coordenar e orientar a execução de políticas públicas 
voltadas ao cumprimento de penas no Sistema Penitenciário Federal – SPF –, em 
observância aos ditames do Estado Democrático de Direito, dos Direitos 
Humanos e da dignidade da pessoa humana, nos termos da Constituição Federal, 
Lei de Execução Penal, Regulamento Penitenciário Federal e legislação 
específica vigente. 
Ao longo dos últimos anos teve como papel nuclear fomentar a política de 
individualização da pena assegurando o livre desenvolvimento da personalidade 
dentrodo marco constitucional de respeito à dignidade do sentenciado e não em 
função dos anseios de punição. Sendo, ainda, um órgão de articulação e 
elaboração de políticas, programas e projetos nas áreas da assistência à saúde, 
material, jurídica, educacional, laboral, social, psicológica e religiosa aos presos 
custodiados nas Penitenciárias Federais. 
Por ter a pessoa como objeto principal de proteção, a concepção de 
política penitenciária que se tenta avançar se insere na inclusão do tratamento 
 
 
7 
 
penitenciário como política de garantia dos direitos humanos, fator de redução de 
danos e minimização de vulnerabilidades que o sistema punitivo produz. 
Nesta ótica, a atuação da Coordenação-Geral de Tratamento 
Penitenciário – CGTP –, juntamente com as Divisões de Reabilitação e Serviços 
de Saúde das Penitenciárias Federais, contribui para clarificar a conjuntura 
diferenciada deste novo Sistema Penitenciário, de forma a assegurar o exercício 
dos direitos não atingidos pela sentença ou pela lei, vinculando o cumprimento da 
pena restritiva de liberdade a um arcabouço normativo contemporâneo de 
humanização da pena e garantia de direitos. 
Vale a pena conferir o manual de Tratamento Penitenciário Integrado para 
o Sistema Penitenciário Federal, disponível no link: http://www.justica.gov.br/seus-
direitos/politica-penal/sistema-penitenciario-federal-1/tratamento-
penitenciario/anexos/2011manual_tratamento-penitenciariointegrado.pdf 
 
2.2 As especialidades atuantes 
Abaixo estão elencadas e com breves explicações, as especialidades 
atendidas/atuantes no âmbito do Sistema Penitenciário Federal: 
a) Assistência Médica 
A Assistência Médica prestada aos presos compreende a realização de 
triagens objetivando melhor entendimento das condições clínicas momentâneas; 
desenvolvimento de trabalho de acompanhamento clínico, buscando atender às 
necessidades inerentes às alterações clínicas que o ambiente prisional 
proporciona; promoção à saúde física, visando à redução de tensões e à 
manutenção de um clima favorável à harmonia; atendimento e prescrição de 
medicamentos quando necessários e de acordo com o diagnóstico de cada 
paciente; encaminhamento para outros profissionais quando verificadas 
necessidades de intervenção por outros profissionais ou setores; procedimentos 
incluindo análises de radiografias, tratamento e acompanhamento dos pacientes. 
b) Assistência em Enfermagem 
 
 
8 
 
A Assistência em enfermagem prestada aos presos compreende, com o 
apoio dos demais profissionais do serviço de saúde; o planejamento de políticas 
de prevenção e controle da promoção à saúde, no âmbito de sua competência; 
realização de consultas de enfermagem e solicitação de exames 
complementares; prescrição de medicamentos dentro das disposições legais da 
profissão e demais normas complementares. O planejamento e execução de 
políticas de vacinação, bem como o controle de sua periodicidade. 
São realizadas palestras periódicas para abordar questões relacionadas a 
doenças, sinais e sintomas, possíveis complicações e como preveni-las. 
c) Assistência Social 
A Assistência Social prestada aos presos compreende a execução da 
política de assistência social, do Sistema Penitenciário Federal – SPF – nas 
Penitenciárias Federais; a prestação de atendimento à família do preso, no que 
for pertinente à execução penal; o auxílio ao preso na obtenção de documentos, 
de benefícios sociais e outros que lhes forem de direito; o registro, no prontuário 
do preso, dos dados relativos a sua área de atuação; bem como, a promoção de 
atividades socioeducativas, recreativas e desportivas. 
d) Assistência Odontológica 
A Assistência Odontológica prestada aos presos compreende 
planejamento e execução de políticas de assistência odontológica, no tocante à 
prevenção, ao tratamento e à reabilitação; realização de tratamento bucal, 
inclusive radiografias e pequenas cirurgias, no âmbito da atenção básica; 
prestação de primeiros socorros nas urgências e emergências odontológicas; 
prescrição de medicamentos dentro da sua área de atuação; realização de 
profilaxias, exodontias, restaurações, tratamento endodôntico, bem como, 
procedimentos para próteses parciais e totais removíveis. 
e) Assistência Psicológica 
A Assistência psicológica prestada aos presos compreende o 
planejamento e execução de políticas de atendimento psicológico, no tocante à 
prevenção, ao tratamento e à reabilitação; realização de atendimentos e 
 
 
9 
 
tratamentos de natureza psicológica; participação de outras atividades na sua 
área de atuação, no interesse da população carcerária. 
O acompanhamento psicológico proporciona a redução do nível de 
ansiedade e estresse dos presos, auxiliando no comportamento e bom 
cumprimento da pena, além de diagnosticar transtornos e/ou desordens psíquicas 
para estabelecer o tratamento necessário1. 
f) Assistência Farmacêutica 
A Assistência Farmacêutica prestada aos presos compreende a 
orientação sobre o modo de utilização de medicamentos e seus possíveis efeitos 
colaterais; supervisão do recebimento, registro, guarda, entrada e saída de 
medicamentos, inclusive, daqueles sujeitos a controle especial; implantação de 
rotinas e procedimentos relacionados ao fornecimento de medicamentos; 
organização e fornecimento das prescrições de enfermagem, médica e 
odontológica; manutenção dos medicamentos em bom estado de conservação, 
garantindo e controlando sua qualidade e validade. 
g) Assistência em Terapia Ocupacional 
A Assistência Terapêutica Ocupacional prestada aos presos compreende 
a promoção e a gestão de projetos de qualificação profissional, iniciação e 
aperfeiçoamento; realização de avaliação do Desempenho Ocupacional e dos 
Componentes do Desempenho Ocupacional; orientação e capacitação de ofícios 
para facilitar o aprendizado pelos participantes das oficinas, de acordo com as 
habilidades e limitações de cada um; registro no prontuário do preso os dados 
relativos a sua área de atribuição; planejamento, acompanhamento e supervisão 
de ações ligadas a oferta e execução do trabalho aos presos; planejamento, 
orientação e realização de atendimentos, encaminhamentos, oficinas terapêuticas 
e de geração de renda, reabilitação e reinserção social; acolhimento dos usuários, 
bem como suas famílias e humanização da atenção à Educação, Saúde, Trabalho 
e Psicossocial; desenvolvimento coletivo, com vistas à intersetorialidade, de 
ações que se integrem a outras políticas sociais como: educação, esporte, 
cultura, trabalho, lazer, dentre outras; elaboração de projetos terapêuticos 
 
1
 Sobre o atendimento Psicológico reservamos uma unidade específica. 
 
 
10 
 
individuais e coletivos, por meio de discussões periódicas que permitam a 
realização de ações multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares; 
realização de ações de promoção à saúde e prevenção de doenças para os 
presos e familiares; bem como, realização de outras atividades pertinentes a sua 
responsabilidade profissional. 
h) Assistência Pedagógica 
A Assistência pedagógica prestada aos presos compreende a execução 
da política de educação no Sistema Penitenciário Federal – SPF – na Unidade; a 
atuação na promoção e na gestão de projetos e sistemas educativos direcionados 
aos presos e suas famílias; participação em outras atividades na sua área de 
atuação, no interesse da população carcerária. 
 
2.3 O serviço de saúde 
A Assistência à Saúde, de caráter integral, compreendendo ações 
preventivas, de cura e de reabilitação, envolvendo atendimento médico, de 
enfermagem, odontológico, farmacêutico, de psicologia e serviço social, é 
assegurada a todos os presos custodiados no Sistema Penitenciário Federal, de 
forma individualizada e em estrito cumprimento aos preceitos legais e éticos, nos 
termos do artigo 196 da Constituição Federal, e artigo 41, VII daLei de Execução 
Penal. 
Os serviços de saúde das Penitenciárias Federais estão equipados com 
consultórios médicos, odontológicos, psicológicos e de assistência social, bem 
como espaços adequados para enfermaria e farmácia, dispondo de material, 
instrumental e medicamentos necessários para proporcionar aos presos a devida 
assistência. 
Com a finalidade de proporcionar a efetiva prestação do direito à saúde 
do preso o Governo Federal, por meio da Lei nº 11.907, de 02 de fevereiro de 
2009, criou os seguintes cargos da área técnica, com atribuições voltadas às 
atividades de classificação e assistência material, educacional, social e à saúde 
do preso: 
 
 
11 
 
I) Especialistas em Assistência Penitenciária nas habilitações de Serviço 
Social, Pedagogia, Psicologia, Odontologia, Clínica Médica, Psiquiatria, 
Enfermagem, Farmácia, e Terapia Ocupacional. 
II) Técnicos em Assistência Penitenciária, nas habilitações de Técnicos 
em Enfermagem e de Consultório Dentário. 
Ao ingressar na Penitenciária Federal, o preso é submetido à avaliação 
médica, dentre outras, para definir o seu perfil, por meio da realização de 
anamneses do seu estado físico e mental, diagnosticando também, doenças, 
especialmente infectocontagiosas, bem como é orientado à educação em saúde, 
utilizando-se do conceito em autocuidado. 
São realizadas consultas periódicas para diagnosticar e tratar os presos 
portadores de doenças crônicas e abordar questões relacionadas a doenças, 
sinais e sintomas, possíveis complicações e como preveni-las, bem como 
orientações relativas à dieta e tratamento medicamentoso. Quando os casos são 
de média e alta complexidade, os internos são escoltados para serem atendidos 
nas unidades de saúde mais próximas que prestam o serviço adequado ao caso 
(Artigo 14, § 2º da Lei nº 7.210/84). 
O serviço de saúde é de essencial importância no estabelecimento penal, 
compreendendo atendimento médico, psiquiátrico, odontológico e psicológico. 
Suas competências também estão regulamentadas na Portaria do Ministério da 
Justiça nº 674, de 20 de março de 2008: 
 prestar os serviços de atendimento médico de emergência e as ações de 
medicina preventiva nas penitenciárias federais em conformidade com os 
programas aprovados; 
 organizar e manter cadastro de dados de saúde relativos a servidores e 
encarcerados das penitenciárias federais; 
 acompanhar a inclusão do preso nas penitenciárias federais; 
 solicitar suprimento de material de consumo e permanente concernente 
aos serviços médicos prestados; e, 
 
 
12 
 
 apoiar a Coordenação-Geral de Tratamento Penitenciário nas inspeções 
ordinárias e extraordinárias. 
Parecemos ser redundantes, mas é importante que fique bem claro o que 
diz a lei quanto à assistência à saúde dada aos presos e sua importância para a 
reintegração do interno à sociedade. 
Vamos às explicações de Leonardo Considera (2009), que em sua 
monografia de especialização trabalhou com o tema “Sistema penitenciário 
federal: comprometimento e eficiência em prol da sociedade”, objetivando, 
evidentemente, mostrar sua eficiência e eficácia no combate à criminalidade, não 
apenas punindo os infratores, mas, também, oferecendo-lhes oportunidades de 
trabalho e estudo, para que estes possam ser reinseridos na sociedade: 
Ainda conforme a LEP, em seu art. 14, quando o estabelecimento penal 
não estiver aparelhado para prover a assistência médica necessária, esta será 
prestada em outro local, mediante autorização da direção do estabelecimento. 
De acordo com a legislação, a Penitenciária Federal deverá fornecer 
estes serviços aos internos. Isso é feito de maneira muito eficiente, visto que foi 
firmado um convênio, pelo DEPEN, para a contratação de serviços médico, 
odontológico, farmacêutico, de enfermaria e psiquiátrico. Estes profissionais 
atuam nas Penitenciárias Federais no tratamento dos presos, sendo que a 
assistência é prestada por um período de 24 (vinte e quatro) horas por dia. O 
convênio será mantido, até que sejam supridas as respectivas vagas, por meio de 
concurso público. 
Todo o interno, quando chega ao estabelecimento, passa por uma 
“bateria” de exames, no intuito de verificar se o mesmo possui lesão corporal, 
além de diagnosticar alguma doença, a fim de combatê-la com o máximo de 
brevidade possível. Desta feita, eles recebem vacinas contra gripe, febre amarela, 
tuberculose, malária, dentre outras. 
Todos estes procedimentos são realizados no interior do presídio, que 
conta com um ambulatório equipado para fazer pequenas cirurgias, um 
consultório odontológico e uma enfermaria. Todos os medicamentos utilizados 
pelos presos são fornecidos pelo sistema prisional. 
 
 
13 
 
Caso o interno tenha algum problema de saúde e não seja possível o 
tratamento no estabelecimento penal, ele é conduzido ao hospital público mais 
próximo para o recebimento do tratamento adequado. É claro que este 
procedimento envolve muito planejamento, no que se refere à escolta e até 
mesmo a permanência de agentes no hospital por um longo período, realizando a 
vigilância em todo o tempo que o preso permanecer neste local. 
Nota-se com isso a preocupação da Administração em fornecer uma 
assistência adequada a todos os presos, respeitando-os e valorizando-os como 
seres humanos. 
Frise-se ainda que este tipo de gestão é capaz de devolver a dignidade e 
o respeito à população carcerária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
UNIDADE 3 – PLANO NACIONAL DE SAÚDE NO SISTEMA 
PENITENCIÁRIO (PNSSP) E A POLÍTICA DE ATENÇÃO 
INTEGRAL À SAÚDE DAS PESSOAS PRIVADAS DE 
LIBERDADE NO SISTEMA PRISIONAL (PNAISP) NO 
ÂMBITO DO SUS 
 
 
3.1 O PNSSP - 2004 
A Portaria Interministerial nº 1777, de 09 de setembro de 2003, que 
instituiu o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário, é fruto de um 
trabalho matricial construído com a participação de diversas áreas técnicas dos 
Ministérios da Saúde e da Justiça e com a participação do Conselho Nacional de 
Secretários de Saúde, do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde 
e do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. 
O Plano Nacional de Saúde prevê a inclusão da população penitenciária 
no Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que o direito à cidadania se efetive 
na perspectiva dos direitos humanos. O acesso dessa população a ações e 
serviços de saúde é legalmente definido pela Constituição Federal de 1988, pela 
Lei nº 8.080, de 1990, que regulamenta o SUS, pela Lei nº 8.142, de 1990, que 
dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de 
Saúde, e pela Lei de Execução Penal nº 7.210, de 1984. 
As ações e os serviços de saúde definidos pelo Plano Nacional são 
consoantes com os princípios e as diretrizes do SUS. Os instrumentos de gestão 
do Sistema que orientam o planejamento e a tomada de decisão de gestores de 
saúde estão presentes nesse Plano, a exemplo do cadastramento de Unidades 
dos Estabelecimentos Prisionais no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de 
Saúde. 
Esse Plano foi construído em coerência com a discussão da organização 
de sistemas de saúde e do processo de regionalização da atenção, que pauta o 
incremento da universalidade, da equidade, da integralidade e da resolubilidade 
da assistência. 
 
 
15 
 
As ações e os serviços de atenção básica em saúde serão organizados 
nas unidades prisionais e realizados por equipes interdisciplinares de saúde. O 
acesso aos demais níveis de atenção em saúde será pactuado e definido no 
âmbito de cada estado em consonância com os planos diretores de 
regionalização e aprovação da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e do 
Conselho Estadual de Saúde (CES). 
 
3.2 Os princípios do plano 
Acreditando que os altos índices de criminalidade não serão reduzidos 
apenas com a ampliação do Sistema Penitenciário, por meio da construção de 
mais presídios e do aumento indiscriminadode vagas, surge a preocupação de 
investir em políticas de atenção à saúde, à educação e à profissionalização das 
pessoas privadas de liberdade. 
O Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário foi elaborado a 
partir de uma perspectiva pautada na assistência e na inclusão das pessoas 
presas e respaldou-se em princípios básicos que assegurem a eficácia das ações 
de promoção, prevenção e atenção integral à saúde. 
 Ética: não só na concepção da honra, da integridade, da credibilidade, 
mas, sobretudo, do compromisso. 
 Justiça: para dar a cada um aquilo que é seu, princípio este que deve valer 
para todas as pessoas – brancas ou negras, ricas ou pobres, homens ou 
mulheres, privadas ou não de liberdade. 
 Cidadania: na perspectiva dos direitos civis, políticos, sociais e 
republicanos. 
 Direitos Humanos: ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas 
as nações. Referencial constante de homens e mulheres que buscam uma 
vida em comum mais humana, com dignidade, sem discriminação, sem 
violência e sem privações. 
 Participação: entendida como a conquista de espaços democráticos. 
 Equidade: a virtude de reconhecer as diferenças e os direitos de cada um. 
 
 
16 
 
 Qualidade: na concepção da eficiência, da eficácia e, essencialmente, da 
efetividade significa estar plenamente comprometido. 
 Transparência: tida como base de uma gestão que precisa prestar contas 
às pessoas às quais se destinam os programas, os projetos e as ações 
sociais. 
 
3.3 As diretrizes estratégicas 
São diretrizes estratégicas do plano nacional de saúde no sistema 
penitenciário: 
 prestar assistência integral resolutiva, contínua e de boa qualidade às 
necessidades de saúde da população penitenciária; 
 contribuir para o controle e/ou redução dos agravos mais frequentes que 
acometem a população penitenciária; 
 definir e implementar ações e serviços consoantes com os princípios e 
diretrizes do SUS; 
 proporcionar o estabelecimento de parcerias por meio do desenvolvimento 
de ações intersetoriais; 
 contribuir para a democratização do conhecimento do processo 
saúde/doença, da organização dos serviços e da produção social da 
saúde; 
 provocar o reconhecimento da saúde como um direito da cidadania; 
 estimular o efetivo exercício do controle social. 
 
3.4 O financiamento, os recursos humanos e sistema de informações 
Na realização dos censos demográficos, a população penitenciária é 
considerada pelo IBGE como população residente. Desta forma, esta população 
está contemplada nos repasses de recursos federais para atenção de básica, 
média e alta complexidade (BRASIL, 2004). 
Com o intuito de transformar o PNSSP, efetivamente, em uma estratégia 
de fazer chegar à população penitenciária as ações e os serviços de saúde, foi 
 
 
17 
 
criado o Incentivo para Atenção à Saúde no Sistema Penitenciário, que deverá 
ser compartilhado entre os gestores da saúde e da justiça das esferas de 
governo, cabendo ao Ministério da Saúde financiar o equivalente a 70% dos 
recursos e os demais 30%, ao Ministério da Justiça. 
Este incentivo é um componente variável do Piso de Atenção Básica, que 
é composto de uma parte fixa destinada à assistência básica e de uma parte 
variável relativa a incentivos de ações estratégicas da própria atenção básica 
destinada às populações específicas. 
Este Incentivo será repassado em conformidade com o número de 
equipes implantadas nas unidades prisionais, ou seja, o Incentivo destinado às 
unidades com mais de 100 pessoas presas, nas quais deverá ser implantada uma 
equipe para cada grupo de até 500 presos, corresponde a R$ 40.008,00/ano por 
equipe. Para as unidades com até 100 pessoas presas, o Incentivo será de R$ 
20.004,00/ano por estabelecimento, em virtude de que os profissionais de saúde 
atuantes nestas unidades pertencerão à Secretaria Municipal de Saúde com 
carga horária menor à das equipes atuantes nas unidades com mais de 100 
presos (BRASIL, 2004). 
O Fundo Nacional de Saúde procederá com o repasse dos recursos 
provenientes do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça para os Fundos 
Estaduais e/ou Municipais de Saúde, de acordo com a pactuação celebrada no 
âmbito de cada Unidade Federada, para que estes repassem para os respectivos 
serviços executores do Plano. 
O referido repasse obedecerá às regras que regulamentam a 
transferência de recursos financeiros a estados e municípios, estabelecidas pelo 
Ministério da Saúde, cabendo destacar a orientação do Manual para Organização 
da Atenção Básica. 
a) Quanto aos recursos humanos 
Em face da dura realidade das unidades prisionais, as equipes de saúde 
terão o desafio de interferir no cotidiano de desassistência, tendo por base 
padrões humanos e humanizantes que se traduzem em ações tecnicamente 
competentes, intersetorialmente articuladas e socialmente apropriadas. 
 
 
18 
 
O direito à saúde como direito legítimo de cidadania é um princípio 
fundamental do PNSSP. 
Os profissionais das equipes de saúde, convivendo com as pessoas 
privadas de liberdade, entendendo as representações sociais da doença, podem 
induzir mudanças significativas no Sistema Penitenciário Brasileiro. 
Essas equipes, articuladas a redes assistenciais de saúde, têm como 
atribuições fundamentais: 
1. Planejamento das ações. 
2. Saúde, promoção e vigilância. E, 
3. Trabalho interdisciplinar em equipe. 
Nas unidades prisionais com mais de 100 presos, a equipe técnica 
mínima, para atenção a até 500 pessoas presas, obedecerá a uma jornada de 
trabalho de 20 horas semanais e deverá ser composta por: 
• médico; 
• enfermeiro; 
• odontólogo; 
• psicólogo; 
• assistente social; 
• auxiliar de enfermagem; e, 
• auxiliar de consultório dentário (ACD). 
Os estabelecimentos com menos de 100 presos não terão equipes 
exclusivas. Os profissionais designados para atuarem nestes estabelecimentos, 
com pelo menos um atendimento semanal, podem atendê-los na rede pública de 
saúde. 
Nos estabelecimentos prisionais em que já houver quadro de saúde, a 
equipe será complementada. 
Em decorrência de suas especificidades, os hospitais de custódia e 
tratamento psiquiátrico serão objetos de normas próprias, que deverão ser 
 
 
19 
 
definidas de acordo com a Política de Saúde Mental preconizada pelo Ministério 
da Saúde. 
b) Quanto ao sistema de informação 
As unidades de saúde, implementadas de acordo com o Plano Nacional 
de Saúde, no âmbito dos estabelecimentos prisionais – presídios, penitenciárias, 
hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico (HCTP), colônias agrícolas –, 
assim como os profissionais de saúde atuantes nestas unidades, serão 
monitorados por meio de sistemas de informações que constituem o Sistema de 
Informações em Saúde do Sistema Único de Saúde. 
Estas unidades deverão ser cadastradas no Cadastro Nacional de 
Estabelecimentos de Saúde (CNES/SUS), conforme Portaria nº 268, de 17 de 
setembro de 2003, para as quais foi criado especificamente o Serviço de Atenção 
à Saúde no Sistema Penitenciário, código 065, com as seguintes classificações: 
 183 e 185 para presídios, penitenciárias, hospitais de custódia e tratamento 
psiquiátrico, manicômios judiciários e colônias agrícolas com população de 
até 100 pessoas presas; 
 184 e 186 para presídios, penitenciárias, hospitais de custódia e tratamento 
psiquiátrico, manicômios judiciários e colônias agrícolas com população 
acima de 100 pessoas presas. 
Com este cadastramento, os estabelecimentos prisionais que tiverem as 
unidades de saúde implementadas receberão um código no CNES e 
apresentarão o Boletim de Produção Ambulatorial (BPA) com a produção dos 
serviços realizados no Sistema Penitenciário. 
Para que ocorra o cadastramento destas unidades, é imprescindível que 
os profissionais estejam registrados na folha 8/14 na “ficha de cadastro de 
profissionais do SUS”. 
O cadastramento das pessoas presas será baseado nasistemática do 
Cartão Nacional de Saúde. Para isso, serão utilizados os mesmos instrumentos 
que já estão em uso nos municípios: o formulário de cadastramento, o manual e o 
aplicativo CadSUS. 
 
 
20 
 
O monitoramento e a avaliação das ações de saúde pertinentes aos 
planos operativos estaduais deverão ser realizados a partir de 2005, pelo Sistema 
de Informação da Atenção Básica (SIAB) ou transitoriamente pelo SIA/SUS. 
Instrumentos de gestão que contribuem para a organização gerencial e 
operacional da Atenção Básica: 
 Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES); 
 SIA/SUS – Sistema de Informação Ambulatorial do SUS; 
 SIAB – Sistema de Informação da Atenção Básica; 
 Relatório de gestão aprovado no Conselho Municipal de Saúde; e, 
 Relatório de gestão aprovado no Conselho Estadual de Saúde. 
Caso estes Sistemas de Informações não sejam alimentados em 
consonância com as orientações do PNSSP, por dois meses consecutivos ou 
ainda por três meses alternados, resultará na suspensão do repasse do Incentivo 
(PNSSP, 2004). 
 
Guarde... 
Em âmbito federal, é de competência do Ministério da Saúde a gestão do 
PNSSP. 
A gestão e a gerência das ações e dos serviços de saúde constantes do 
Plano Operativo Estadual serão definidas mediante pactuação na CIB em cada 
unidade federada e entre gestores Estaduais de Saúde e de Justiça e gestores 
Municipais de Saúde. 
No caso de as Secretarias Municipais de Saúde assumirem a referida 
gestão e/ou gerência, deverá constar no Plano Operativo Estadual a devida 
aprovação do Conselho Municipal de Saúde. 
São critérios para qualificação de estados e municípios ao plano nacional 
de saúde no sistema penitenciário: 
 formalização do envio do Termo de Adesão ao Ministério da Saúde; 
 
 
21 
 
 apresentação, para fins de aprovação, do Plano Operativo Estadual no 
Conselho Estadual de Saúde e na Comissão Intergestores Bipartite; 
 envio do Plano Operativo Estadual ao Ministério da Saúde pelas 
Secretarias de Estado de Saúde; 
 credenciamento dos estabelecimentos de saúde e dos profissionais de 
saúde das unidades prisionais, por meio do Cadastro Nacional de 
Estabelecimentos de Saúde (CNES); 
 aprovação dos Planos Operativos Estaduais pelo Ministério da Saúde 
como condição para que estados e municípios recebam o Incentivo para 
Atenção à Saúde no Sistema Penitenciário; e Publicação no Diário Oficial 
da União de Portaria de Qualificação. 
 
3.5 A PNAISP – 2014 
Segundo a Portaria Interministerial nº 1, de 02 de janeiro de 2014, foi 
instituída a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas 
de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP) no âmbito do Sistema Único de 
Saúde (SUS). 
Segundo o Portal Brasil (15/1), a PNAISP consiste em uma nova 
estratégia para o Sistema Único de Saúde prestar serviço de avaliação e 
acompanhamento de medidas terapêuticas a pessoas com transtorno mental e 
privadas de liberdade. A Portaria Interministerial nº 1, de 2 de janeiro de 2014, 
também trata do atendimento pelo SUS a pacientes que estejam sob liberdade 
condicional. 
Esses novos serviços serão elaborados e coordenados por uma equipe 
de avaliação e acompanhamento das Medidas Terapêuticas Aplicáveis à Pessoa 
com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAP). Pelo novo texto, a EAP 
coordenará a ação entre os órgãos de justiça, as equipes da PNAISP e 
programas e serviços sociais e de direitos de cidadania. O objetivo é garantir a 
oferta de um acompanhamento integral, resolutivo e contínuo a essa população 
(ENSP, 2015). 
 
 
22 
 
Os estados, municípios e o Distrito Federal devem aderir à política por 
meio da assinatura do termo de adesão e será garantida uma complementação 
de repasse de recursos da União a título de incentivo. Para formalizar a adesão 
será preciso elaborar um plano de ação para atenção à saúde dos presos. 
Os entes federativos terão prazo até 31 de dezembro de 2016, para 
efetuar as medidas de adequação de suas ações e serviços para que a política 
seja implementada de acordo com as regras previstas. 
A portaria define como pessoas privadas de liberdade no sistema prisional 
aquelas com idade superior a 18 anos e que estejam sob a custódia do Estado 
em caráter provisório ou sentenciados para cumprimento de pena privativa de 
liberdade ou medida de segurança. 
No caso do estado de Minas Gerais, temos a RESOLUÇÃO CONJUNTA 
SES/SEDS Nº 171, DE 16 DE SETEMBRO DE 2014 que: 
Institui o Grupo Condutor da Política Nacional de Atenção Integral à 
Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), no 
âmbito do Estado de Minas Gerais. 
O SECRETÁRIO DE ESTADO DE SAÚDE E GESTOR DO SISTEMA 
ÚNICO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS e o SECRETÁRIO DE ESTADO DE 
DEFESA SOCIAL, no uso das atribuições que lhes conferem o artigo 93, §1º, 
inciso III, da Constituição do Estado de Minas Gerais, o inciso II do art. 132 e o 
inciso IV do art. 222, ambos da Lei Delegada Estadual nº 180, de 20 de janeiro de 
2011, e considerando: 
- a Lei Federal nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as 
condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o 
funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências; 
- o Decreto Federal nº 7.508, de 28 de junho de 2011, que regulamenta a 
Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do 
Sistema Único de Saúde (SUS), o planejamento da saúde, a assistência à saúde 
e a articulação interfederativa, e dá outras providências; e, 
- a Deliberação CIB-SUS/MG nº 1.941, de 16 de setembro de 2014, que 
aprova a instituição do Grupo Condutor da Política Nacional de Atenção Integral à 
 
 
23 
 
Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), no 
âmbito do Estado de Minas Gerais. 
RESOLVE: 
Art. 1º Instituir o Grupo Condutor da Política Nacional de Atenção Integral 
à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), no 
âmbito do Estado de Minas Gerais. 
Art. 2º O Grupo Condutor da PNAISP será composto da seguinte forma: 
I - 4 (quatro) representantes da Secretaria de Estado de Saúde; 
II - Secretaria de Estado de Defesa Social: 
a) 1 (um) representante do Gabinete da Superintendência de Atendimento 
ao Preso (SAPE); 
b) 1 (um) representantes da Assessoria da Comissão Técnica de 
Classificação (ACTC) da Superintendência de Atendimento ao Preso (SAPE); 
c) 1 (um) representante da Diretoria de Saúde e Atendimento Psicossocial 
(DSP) da Superintendência de Atendimento ao Preso (SAPE); 
d) 1 (um) representantes da Diretoria de Segurança Interna (DSI) da 
Superintendência de Segurança Prisional (SSPI); 
e) 1 (um) representante da Diretoria de Gestão de Vagas (DGV) da 
Superintendência de Articulação Institucional e Gestão de Vagas (SAIGV); 
f) 1 (um) representante da Diretoria de Políticas de Associação de 
Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) e Cogestão da Superintendência 
de Articulação Institucional e Gestão de Vagas (SAIGV); 
III - 3 (três) gestores representantes do Conselho de Secretários 
Municipais de Saúde de Minas Gerais (COSEMS-MG); 
IV - pelo apoiador institucional do Ministério da Saúde. 
§ 1º Para cada membro efetivo de que trata o caput deste artigo deverá 
ser indicado um membro suplente. 
 
 
24 
 
§ 2º O Grupo Condutor da PNAISP será coordenado pelo membro da 
Coordenação de Atenção à Saúde da Pessoa Privada de Liberdade da Secretaria 
Estadual de Saúde. 
§ 3º Os membros titulares e suplentes que comporão o Grupo Condutor 
da PNAISP deverão ser indicados, formalmente, à Coordenação de Atenção à 
Saúde da Pessoa Privada de Liberdade da Secretaria Estadual de Saúde, pelos 
dirigentes dos respectivos órgãos/entidade, no prazo de 15 (quinze) dias a contar 
da data de publicação desta Resolução. 
§ 4º Os membros do Grupo Condutor de que trata esta Resolução serão 
designados por ato do Secretário de Estado de Saúde.Art. 3º O Grupo Condutor da PNAISP terá como atribuições: 
I - mobilizar os dirigentes do SUS e dos sistemas prisionais em cada fase 
de implantação e implementação da PNAISP no Estado de Minas Gerais; 
II - apoiar a organização dos processos de trabalho voltados para a 
implantação e implementação da PNAISP no Estado de Minas Gerais; 
III - identificar e apoiar a solução de possíveis pontos críticos em cada 
fase de implantação e implementação da PNAISP; e, 
IV - monitorar e avaliar o processo de implantação da PNAISP. 
Art. 4º As funções dos membros do Grupo Condutor da PNAISP não 
serão remuneradas e seu exercício será considerado serviço público relevante. 
Art. 5º Os membros do Grupo Condutor da PNAISP poderão convidar 
representantes de outros órgãos e entidades, públicas e privadas, sempre que 
entenderem necessárias a sua colaboração para o pleno alcance dos objetivos 
definidos nesta Resolução. 
Art. 6º Para o alcance pleno das suas atribuições, o Grupo Condutor da 
PNAISP poderá instituir grupos de trabalho para a discussão e avaliação de 
temas específicos relativos ao seu âmbito de atividades. 
Art. 7º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação (MG, 
2014). 
 
 
25 
 
UNIDADE 4 – A ASSISTÊNCIA SOCIAL E RELIGIOSA 
 
Obviamente, a assistência social constitui uma das mais importantes 
assistências, visto que ela irá preparar o preso para o seu retorno ao convívio 
com a sociedade, deixando claro que todas são relevantes para a reintegração do 
preso. 
Em um trabalho conjunto com o Sistema Penitenciário Federal, o 
assistente social consolida a necessidade de comunicação da população 
carcerária das Penitenciárias Federais com o mundo exterior, colocando em 
prática o artigo 22 da LEP: “A Assistência Social tem por finalidade amparar o 
preso e o internado e prepará-los para o retorno à liberdade.” Ciente de que a 
estrutura familiar é a base para que esta reinserção aconteça, o contato com a 
família é feito com frequência por telefonemas ou pessoalmente. 
Vale ressaltar também que este setor é responsável pelo cadastramento 
dos familiares dos presos, para a realização das visitas, fazendo a comunicação 
entre os internos e seus parentes. 
O atendimento ao preso é feito individualmente, momento em que surgem 
as mais diversas necessidades, tais como segunda via de documentos, certidão 
de nascimento de filhos, reconhecimento de paternidade e orientação para 
recebimento do auxílio reclusão. É ainda de responsabilidade do Serviço Social, a 
participação das reuniões da CTC2 (Comissão Técnica de Classificação), a 
elaboração de Parecer Social e a entrevista inicial (objetivando colher 
informações acerca do histórico do interno e sua família). 
Urge salientar que os internos, quando estão no pátio de recreação, 
possuem oportunidades de lazer, que lhes são oferecidas pela penitenciária, tais 
como: bola de futebol, dominó, xadrez e dama. Também é oferecida a 
cinemateca, preferencialmente nos finais de semana, com duração de duas horas 
e trinta minutos, sendo exibidos filmes de romance, comédia, ação, entre outros. 
A cinemateca é utilizada somente pelos presos que possuem bom 
comportamento. 
 
2
 Na unidade que tratará da Psicologia aplicada, o CTC será visto com mais detalhes. 
 
 
26 
 
Diante do exposto, percebe-se o grau de importância de um atendimento 
com qualidade e excelência aos internos. A assistência, prestada de acordo com 
a legislação, resgata a dignidade do ser humano, bem como seus preceitos 
morais e éticos. Desta forma, ao reinseri-los à comunidade, promover-se-á o 
reencontro deles com o dever de cidadão que atua na promoção do 
desenvolvimento social, contribuindo também para a manutenção da paz na 
sociedade (CONSIDERA, 2009). 
A Assistência Religiosa, com liberdade de culto, é prestada regularmente 
aos presos das Penitenciárias Federais por meio de parceria com Instituições 
Religiosas, conforme determina o artigo 5º, VI da Constituição Federal, e artigo 
41, VII da Lei de Execução Penal, com vistas à valorização da pessoa humana. 
Nas Penitenciárias Federais é assegurada a atuação de representantes 
religiosos, com autorização para organizar serviços litúrgicos e fazer visita 
pastoral a adeptos de sua religião. 
É assegurado aos presos custodiados no Sistema Penitenciário Federal – 
SPF – a posse de livros de ritos e práticas religiosas de suas crenças. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
27 
 
UNIDADE 5 – ASSISTÊNCIA LABORAL, DESPORTIVA, 
LÚDICA E CULTURAL 
 
O Sistema Penitenciário Federal – SPF – proporciona aos presos das 
Penitenciárias Federais o direito ao trabalho, conforme estabelece a Constituição 
Federal, art. 6º, e a Lei de Execução Penal, art. 41, II garantindo, além da 
remuneração e qualificação profissional, o direito à remição da pena. 
São vários os programas. Vejamos! 
a) Programa Pintando a Liberdade 
O Programa Pintando a Liberdade foi desenvolvido no Sistema 
Penitenciário Federal de 2007 a janeiro de 2011. Ao longo dos últimos anos, 
qualificou e proporcionou a garantia do direito à remição da pena e a 
remuneração pecuniária aos presos, por meio da costura de bolas de futebol, 
inclusive, com guizos, destinadas aos deficientes visuais. No âmbito da 
Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, Campo Grande/MS e Porto Velho/RO, 
este trabalho teve a seguinte estatística: 
 presos beneficiados: 124; 
 bolas costuradas: 2.794; 
 remuneração para os presos: R$ 10.967,00. 
 
b) “Projeto Estopa” 
Na Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, foi implantado o “Projeto 
Estopa”, uma iniciativa do Conselho da Comunidade, Juiz Corregedor e direção 
da Unidade, contemplando 118 presos com assistência laboral. 
O Projeto Estopa surgiu na iminência de paralisação do Pintando a 
Liberdade. Foi contactado uma indústria têxtil da região de Catanduvas/PR que se 
prontificou a fornecer toda a matéria-prima necessária (retalhos) para os 
trabalhos. A empresa estava com um impasse quanto às sobras de retalhos, pois 
não tinham nenhuma destinação para esse material, não podendo, sequer, 
 
 
28 
 
queimá-las em função de leis ambientais. Posteriormente, o projeto foi 
apresentado aos presos que solicitavam alguma outra atividade que substituísse 
a costura de bolas, a fim de não perderem o benefício da remição de pena. 
O diferencial desse trabalho com estopas foi o fato de não exigir nenhum 
tipo de ferramenta para sua execução, sendo realizado somente com as mãos, 
adequando-se às especificidades da Unidade relacionadas à segurança, além de 
não ter sido necessária a figura do instrutor em sala, em função da simplicidade 
dos trabalhos. 
Após o fornecimento da matéria-prima e o interesse dos internos, foi 
enviado para o Juiz Corregedor um ofício formal solicitando que patrocinasse o 
pagamento da produção dos presos. Com a sinalização positiva, deu-se início ao 
Projeto. Os pagamentos foram intermediados pelo Conselho da Comunidade da 
Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, através de depósitos bancários em 
nome do preso favorecido. 
 
c) Projeto “Fábricas da Liberdade” 
Na Penitenciária Federal em Catanduvas/PR, foi implantado o Projeto 
“Fábricas da Liberdade” e vem beneficiando o quantitativo de 13 presos. 
Tal projeto contribui para a implementação de oficinas de trabalho 
remunerado para presos custodiados na Penitenciária Federal em Catanduvas/ 
PR, com objetivo de gerar ocupação, emprego, renda e remição da pena. 
Foi viabilizado, mediante termo de cooperação, parceria entre o 
DEPEN/MJ e empresa privada (Recortes Indústria de Artigos Pedagógicos e 
Educativos LTDA – EPP). 
Nesse Projeto, os presos ocupam-se da montagem de brinquedos 
educativos, sem riscos à segurança da Unidade. Os brinquedos são 
comercializados pela empresa supracitada, que remunera os presos, gerando 
emprego e renda para os custodiados, que usufruem deste benefício para proverassistência à família, pequenas despesas pessoais e ressarcimento ao Estado 
pelas suas despesas de manutenção, tudo nos termos do art. 29, § 1º, “a”, “b” e 
“c” da Lei de Execução Penal. 
 
 
29 
 
 
d) Projeto “Costura Industrial” 
Na Penitenciária Federal em Porto Velho/RO, foi implantado o Projeto 
“Costura Industrial”, após a qualificação profissional pelo SENAI. A produção visa 
atender principalmente a própria Unidade, com o fornecimento dos uniformes dos 
internos. 
A prática de atividades de futebol, jogos de xadrez, dama e dominó é uma 
realidade no interior das Penitenciárias Federais desde a implantação do Sistema 
Penitenciário Federal, em 2006. 
Especificamente, na Penitenciária Federal em Mossoró/RN, com vistas a 
atender a uma necessidade diagnosticada pela Unidade quanto à falta de práticas 
desportivas orientadas por profissionais da área de Educação Física, 
estabeleceu-se uma parceria com a Universidade do Estado do Rio Grande do 
Norte – UERN –, a fim de viabilizar, de forma supervisionada, as seguintes 
atividades físicas: Futsal, Voleibol, Basquete e Ginástica Laboral, propiciando a 
melhoria da saúde e da qualidade de vida dos presos participantes. O processo 
de formalização com a universidade está sendo finalizado. 
Ademais, visando garantir a efetividade do tratamento penitenciário em 
consonância com a defesa dos Direitos Humanos e à Lei de Execução Penal, 
também são desenvolvidos nas Penitenciárias Federais projetos culturais, tais 
como: Sarau Literário; Vivência Musical; Informe-se; Cinemateca; Cestaria; 
Xeque-Mate; Remição pela leitura, “Uma janela para o mundo” – Leitura nas 
prisões e Oficinas de Prevenção de DST’S/AIDS. 
O Projeto Sarau Literário promove uma interação entre leitores e textos, 
em que provocados pelos que leem, ouvem e experimentam, produzem sentidos, 
dialogam uns com os outros, com os intertextos e com o contexto, ativando seus 
conhecimentos pessoais. A leitura, a escrita, o desenho, a fala, o canto, a 
dramatização não só despertam gostos por bons livros, boas imagens, bons 
diálogos, boas músicas como também contribui para despertar a valorização 
exata das coisas, desenvolver suas potencialidades, estimular suas curiosidades, 
 
 
30 
 
inquietarem-se por tudo que é novo, ampliarem seus horizontes, progredirem e 
reescreverem suas histórias. 
O Projeto Vivência Musical promove um espaço harmônico aos presos 
custodiados no Sistema Penitenciário Federal – SPF –, no qual a música é parte 
integrante da rotina carcerária, atuando como forma de desenvolvimento da 
sensibilidade e criatividade humana por meio do contato com a linguagem 
artístico-musical, visando à formação do sujeito capaz de contribuir positivamente 
com a socialização e o respeito mútuo, além de influenciar, segundo estudos 
científicos, em vários aspectos orgânicos do indivíduo. 
O Projeto Informe-se, jornal impresso, visa informar e entreter os presos 
custodiados no Sistema Penitenciário Federal – SPF –, além de estimular, a partir 
da melhoria da leitura e da escrita, a expressão oral e produção textual. As 
matérias publicadas incluem tipos e gêneros diversos: artigos de opinião; poesias; 
notícias; acrósticos; charges; dicas (saúde, esporte, trabalho, vivências); crônicas; 
contos; histórias em quadrinhos; resenhas (livros, filmes); adivinhações; charadas; 
desafios matemáticos, entre outros. 
O Projeto Cestaria tem como objetivo proporcionar aos presos atividades 
compatíveis com a necessidade, interesse e habilidades prévias dos mesmos, 
buscar mais possibilidade de estar diversificando as atividades de trabalho indo 
de encontro à proposta do Programa de Educação e Qualificação para o Trabalho 
que é a de preparar o preso para o mercado competitivo, criando mecanismos de 
qualificação profissional, realizando sondagem de aptidão e direcionando o 
trabalho com as reais potencialidades apresentadas. O projeto garante o 
treinamento supervisionado, pela Terapia Ocupacional, assegurando aos presos o 
direito de trabalhar com estratégias próprias de aprendizagem. 
O Projeto Cinemateca oferece aos presos custodiados no Sistema 
Penitenciário Federal – SPF –, sessões de filmes de entretenimento nos finais de 
semana, proporcionando assim, momentos de interação e descontração. 
O Projeto Xeque Mate propõe Torneio de Xadrez - Xeque Mate, o qual é 
divulgado diretamente nas galerias, e os presos, por meio de requerimento, 
solicitam participação no torneio, respeitando os seguintes critérios: Turmas de no 
 
 
31 
 
mínimo três jogadores da mesma ala, torneio realizado em no mínimo 02 e no 
máximo 05 dias. 
O Projeto Remição pela Leitura proporciona aos presos custodiados no 
Sistema Penitenciário Federal – SPF –, acesso ao conhecimento, à educação e à 
cultura, por meio da leitura e da produção de resenhas e, por conseguinte, 
possibilita a remição da pena, quatro dias por resenha aprovada. Tal projeto foi 
regulamentado por meio da Portaria Conjunta JF/DEPEN nº 276, de 20 de junho 
de 2012. 
O Projeto “Uma janela para o mundo” – Leitura nas prisões é fruto de uma 
parceria entre a UNESCO e os Ministérios da Justiça (MJ), da Cultura (MinC), da 
Educação (MEC) e do Desenvolvimento Agrário (MDA), os quais realizaram 
tratativas ao longo do ano de 2010 com vistas à concretização de ação voltada à 
formação leitora e de fomento à leitura no âmbito das Penitenciárias Federais. 
Após a conclusão dessa etapa, o fomento à leitura tem sido desenvolvido pelos 
professores regulares. 
Nas Oficinas de prevenção de DST´S/AIDS são realizadas palestras e 
orientações aos presos custodiados no Sistema Penitenciário Federal – SPF –, 
abordando questões relacionadas às doenças, sinais e sintomas, possíveis 
complicações e como preveni-las. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
UNIDADE 6 – O SERVIÇO DE PSICOLOGIA APLICADO 
 
 
6.1 Noções básicas de Psicologia enquanto ciência que estuda o 
comportamento humano 
À ciência que estuda o comportamento humano e seus processos 
mentais, ou seja, à área da ciência que estuda o que motiva o comportamento 
humano – o que o sustenta, o que o finaliza e também seus processos mentais, 
que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem, inteligência – 
denomina-se Psicologia. 
Essa área foi proposta como ciência no final do século XIX por Wilhelm 
Wundt (1832-1920) e Willian James (1842-1910) e veio se aperfeiçoando ao 
longo do século XX. 
Os conhecimentos produzidos pela Psicologia e a complexidade e 
capacidade de transformação do ser humano, acabaram por ampliar em grande 
medida sua área de atuação, possibilitando a cada área uma gama infinita de 
descobertas sobre o homem e seu comportamento, ou sobre o homem e suas 
relações. 
O estado psicológico humano é fundamental para desfrutar do bem 
individual e, por consequência, o bem comum. Assim, a psicologia busca 
permanentemente métodos para o desenvolvimento cognitivo, emocional e 
relacional dos indivíduos e sua interação social. 
Segundo Santos (2000), em psicologia, o termo atividade se alinha 
conceitualmente às diferentes abordagens que procuram explicar a natureza do 
comportamento e sua previsibilidade social. A busca pela elaboração de modelos 
que permitam compreender os comportamentos do homem, de um lado, como um 
sistema de recepção e tratamento da informação, e de outro lado, como um 
sistema de transformação de energia, produziram diferentes formulações sobre o 
desempenho das pessoas naquilo que elas fazem ou se proponham a fazer. 
A visão de “homem” movido por determinantes internas (solicitações) ou 
submetido a condicionantes externas (cargas de trabalho), originou, na psicologia 
 
 
33 
 
do trabalho, concepções que contemplam ambas as definições. Na verdade, o 
trabalho pode ser visto como um subsistema menor das coisas que fazemos para 
aliviar nossas tensões, mas também pode representar a atividade principal de 
realização objetivado ser humano. De uma forma ou de outra, o trabalho é 
incorporado subjetivamente no nosso modo de perceber e fazer as coisas que 
necessitamos. 
Além disso, podemos dizer que a diferença entre o trabalho formal (tarefa) 
e o trabalho real (atividade), elemento fundamental do estudo do comportamento 
do homem no trabalho, permite definir níveis da análise das atividades de 
trabalho, que podem servir à teoria psicológica geral. 
Segundo essa ótica, existem três grandes campos relativos ao estudo das 
atividades de trabalho e que são interdependentes: 
1. As comunicações: para agir é necessário efetuar trocas de informações 
sobre o estado da situação na qual nos encontramos. 
2. As regulações: toda ação consiste em reduzir a diferença entre um estado 
desejado de uma determinada situação e o estado atual no qual nos 
encontramos. 
3. As competências: as modalidades e as possibilidades de reduzir esta 
diferença dependem diretamente das habilidades cognitivas e sensório- 
motoras que o sujeito dispõe (SANTOS, 2000). 
 
Pois bem, os psicólogos buscam estudar conceitos como a percepção, 
cognição, emoção, personalidade, comportamento, relacionamento interpessoal, 
individual e coletiva e do inconsciente, incluindo-se aqui questões relacionadas 
com a vida quotidiana, por exemplo, família, educação e trabalho. Focam também 
o tratamento de problemas de saúde mental, buscando compreender o 
comportamento social e a dinâmica social, ao mesmo tempo em que incorpora os 
processos subjacentes fisiológicas e neurológicas em suas concepções de 
funcionamento mental. 
A Psicologia do trabalho e das Organizações abrange uma grande área 
de conteúdos. Em termos gerais, o seu objeto de estudo é constituído pelas 
 
 
34 
 
condutas e experiências dos sujeitos numa perspectiva individual, social e grupal, 
em contextos relacionados com o trabalho. Podemos dizer que o seu objetivo 
consiste em descrever, explicar e prever os fenômenos psicossociais que ocorrem 
nesses contextos, assim como prever ou solucionar os possíveis problemas que 
aí se apresentam. O seu objetivo último consiste em melhorar a qualidade de vida 
no trabalho, conhecida como QVT, a produtividade e a eficácia laboral. 
Essa área interessa-se pelos processos numa perspectiva macro e micro 
e pela conduta do indivíduo. Por exemplo, estudo de suas aptidões, 
conhecimentos, motivações, satisfação no trabalho, estresse, rendimento, 
absenteísmo, dentre outros, fazem parte da perspectiva micro. 
Numa perspectiva macro, interessa-se pelos processos e pela conduta 
dos grupos, pela interação indivíduo-grupo e pelos fenômenos relacionados com 
a conduta e os processos individuais face aos estímulos sociais do trabalho. 
Como exemplo temos os grupos e equipes de trabalho, liderança, papéis, clima e 
cultura organizacionais, relações interpessoais, entre outros. 
Toledo (1986) considera a Psicologia Organizacional, não uma variante 
da Psicologia do Trabalho, mas uma especialidade, que trata do estudo do fator 
humano na organização. Este estudo abrange a atração, retenção, treinamento e 
motivação dos recursos humanos na empresa, assim como a criação de 
condições organizacionais de trabalho que auxiliem na criação de clima propício 
para que funcionários possam atingir suas metas de trabalho e desenvolvimento 
profissional. A psicologia organizacional em seu contexto mais amplo coloca 
ênfase nos aspectos grupais e organizacionais do trabalho. 
Uma vez que a Psicologia é uma ciência fundamentada na pesquisa, 
significa que quando os psicólogos estudam, o comportamento e os processos 
mentais devem usar métodos de pesquisa sistemáticos e exatos. Essa confiança 
em uma metodologia meticulosa e rigorosa de pesquisa faz parte da psicologia 
Institucional/Organizacional, bem como de todas as outras áreas especializadas 
do campo. 
Podemos definir a Psicologia I/O como a aplicação da teoria e da 
metodologia psicológicas aos problemas das organizações e aos problemas de 
grupos e de indivíduos em ambientes organizacionais. No decorrer das últimas 
 
 
35 
 
décadas, a psicologia I/O expandiu-se para incluir muitos ambientes 
organizacionais, além das empresas tradicionais. 
 
6.2 A Psicologia Jurídica 
A psicologia jurídica é uma prática interdisciplinar, que surgiu de acordo 
com as demandas que foram aparecendo nas áreas destinadas às práticas 
jurídicas, porém, a psicologia, de acordo com Arantes (2004), ainda não se 
movimenta sozinha em função das exigências específicas ditadas pelo Direito, 
logo, a demanda psicológica é indicada pelo Direito. 
A relação da psicologia com o direito é uma relação que já estava 
prevista, pois as duas ciências estão diretamente ligadas ao comportamento 
humano. A Psicologia busca a compreensão do comportamento humano e o 
direito com as regras de condutas “certas” para que esse comportamento se 
enquadre no contrato social para se viver em comunidade. O Direito também age 
para solucionar conflitos que surgem para a mesma finalidade acima (TRINDADE, 
2009). 
Jesus (2001) também destaca a certeza de que essa relação Psicologia e 
Direito teria que acontecer pela mesma razão colocada por Trindade (2009), 
tendo em vista o complemento que a psicologia fornece ao direito, e a importância 
de não querer ir além do que lhe compete: 
 
 
A Psicologia, por um lado, procurando compreender e explicar o 
comportamento humano, e o Direito, por outro, possuindo um conjunto 
de preocupações sobre como regular e prever determinados tipos de 
comportamento, com o objetivo de estabelecer um contrato social de 
convivência comunitária (JESUS, 2001, p. 34). 
 
 
Vamos a um pouco de história?! 
No início do século XIX, na França, os médicos foram chamados pelos 
juízes da época para desvendarem o ‘‘enigma’’ que certos crimes apresentavam. 
 
 
36 
 
Eram ações criminosas sem razão aparente e que, também “não partiam de 
indivíduos que se encaixavam nos quadros clássicos da loucura” (CARRARA, 
1998, p.70). 
Em 1875, a criminologia surge no cenário das ciências humanas como o 
saber que viria dar conta do estudo da relação entre o crime e o criminoso, tendo 
como campo de pesquisa “as causas (fatores determinantes) da criminalidade, 
bem como a personalidade e a conduta do delinquente e a maneira de 
ressocializá-lo” (OLIVEIRA, 1992, p. 31). 
No Manual de Diretrizes para atuação e formação dos psicólogos do 
sistema prisional brasileiro (BOCK, 2007, p. 36), segundo informações contidas 
no trabalho Resgate histórico da Psicologia no Sistema Penitenciário do estado 
do Rio de Janeiro, realizado pelos psicólogos do sistema penitenciário desse 
estado, o ingresso dos primeiros psicólogos no sistema penal brasileiro ocorreu 
no Rio de Janeiro, em meados da década de 60, logo após a regulamentação da 
profissão no Brasil (1962). 
No Manicômio Judiciário Heitor Carrilho, no período de 1967 a 1976, 
esses profissionais faziam suas residências acadêmicas integrando o corpo 
técnico que trabalhava com os chamados “loucos infratores”, considerados 
inimputáveis diante da lei, e que cumpriam, naquele estabelecimento hospitalar, a 
medida de segurança. 
Entretanto, nos estabelecimentos prisionais do país, a presença de 
psicólogos ocorreu em diferentes épocas, conforme as políticas e as estruturas 
administrativas de cada estado. Segundo Badaró (2006), no Rio de Janeiro, por 
exemplo, ingressaram no fim da década de 1970, expandindo suas ações do 
âmbito das medidas de segurança (manicômio judiciário) para o campo das penas 
privativas de liberdade (estabelecimentos prisionais), participando de projetos que 
visavam à individualização do cumprimento das penas por meio de atividades de 
classificação dos apenados e acompanhamento de seu “tratamento penitenciário”. 
A criminologia, segundo Macedo (1977), em sua tentativa para chegar ao 
diagnóstico etiológico do crime, e, assim, compreender e interpretar as causas dacriminalidade, os mecanismos do crime e os móveis do ato criminal, conclui que 
tudo se resumia em um problema especial de conduta, que é a expressão 
 
 
37 
 
imediata e direta da personalidade. Assim, antes do crime, é o criminoso o ponto 
fundamental da Criminologia contemporânea. 
Neste momento, a Psicologia Criminal passa a ocupar uma posição de 
maior destaque como uma ciência que viria contribuir para a compreensão da 
conduta e da personalidade do criminoso. 
Para García-Pablos de Molina (2002, p. 253), “corresponde à Psicologia o 
estudo da estrutura, gênese e desenvolvimento da conduta criminal”. 
O crime passa a ser visto como um problema que não é apenas “do 
criminoso, mas também, do Juiz, do advogado, do psiquiatra, do psicólogo e do 
sociólogo” (DOURADO, 1965, p. 7 apud LEAL, 2008). 
De acordo com Bonger (1943 apud LEAL, 2008), a Psicologia Criminal é 
importante para todos os profissionais de Direito Penal. Para a polícia é útil saber 
quais são os tipos psicológicos mais suscetíveis ao cometimento de determinado 
tipo de delito. Também é importante que os promotores e juízes conheçam o grau 
de perigo para a segurança pública que é inerente a certos tipos de delinquentes, 
a fim de fixarem as penas e demais medidas corretivas. Por último, o 
conhecimento da Psicologia Criminal é de utilidade especial para todas aquelas 
pessoas que trabalham em presídios e manicômios. 
Conceitualmente, a Psicologia Jurídica corresponde a toda aplicação do 
saber psicológico às questões relacionadas ao saber do Direito. A Psicologia 
Criminal, a Psicologia Forense e, por conseguinte, a Psicologia Judiciária estão 
nela contidas. Toda e qualquer prática da Psicologia relacionada às práticas 
jurídicas podem ser nomeadas como Psicologia Jurídica (LEAL, 2008). 
A mesma autora explica que o termo Psicologia Jurídica é uma 
denominação genérica das aplicações da Psicologia relacionadas às práticas 
jurídicas, enquanto Psicologia Criminal, Psicologia Forense e Psicologia Judiciária 
são especificidades aí reconhecíveis e discrimináveis. O acadêmico que produz 
um artigo discutindo as interfaces entre a Psicologia e o Direito; o psicólogo 
assistente técnico que questiona as conclusões de um estudo psicológico 
elaborado por um psicólogo judiciário; como também o psicólogo judiciário que 
 
 
38 
 
elabora uma dissertação de mestrado a partir de sua prática cotidiana no Foro, 
todos são praticantes da Psicologia Jurídica. 
A Psicologia Jurídica é um dos ramos da Psicologia que mais cresceram 
nos últimos anos, tanto nacional quanto internacionalmente. Trata-se de um dos 
campos mais promissores e carentes de profissionais especializados na área. 
Cada vez que se folheia um jornal, ou se assiste ao noticiário na TV, há sempre 
uma notícia de alguma ação criminosa sem razão aparente e que, também não 
parte de indivíduos portadores de transtornos mentais. E, o que a Psicologia 
Jurídica tem a dizer sobre isso? Que contribuições a Psicologia Jurídica tem a 
oferecer? 
Altoé (2001, p. 6-7) explica que as questões humanas tratadas no âmbito 
do Direito e do judiciário são das mais complexas. (...) E o que está em questão é 
como as leis que regem o convívio dos homens e das mulheres de uma dada 
sociedade podem facilitar a resolução de conflitos. Aqueles que têm alguma 
experiência na área se dão conta que as questões não são meramente 
burocráticas ou processuais. Elas revelam situações delicadas, difíceis e 
dolorosas. A título de exemplo vejamos alguns dos motivos pelos quais as 
pessoas recorrem ao judiciário: pais que disputam a guarda de seus filhos ou que 
reivindicam direito de visitação, pois não conseguem fazer um acordo amigável 
com o pai ou a mãe de seu filho; maus-tratos e violência sexual contra criança, 
praticado por um dos pais ou pelo(a) companheiro(a) deste; casais que anseiam 
adotar uma criança por terem dificuldades de gerar filhos; pais que adotam e não 
ficam satisfeitos com o comportamento da criança e a devolvem ao Juizado; 
jovens que se envolvem com drogas/tráfico, ou, passam a ter outros 
comportamentos que transgridem a lei, e seus pais não sabem como fazer para 
ajudá-los, uma vez que não contam com o apoio de outras instituições do Estado 
(de educação e de saúde, por exemplo). 
Na visão de Silva (2007), a Psicologia Jurídica surge nesse contexto, em 
que o psicólogo coloca seus conhecimentos à disposição do juiz (que irá exercer 
a função julgadora), assessorando-o em aspectos relevantes para determinadas 
ações judiciais, trazendo aos autos uma realidade psicológica dos agentes 
envolvidos que ultrapassa a literalidade da lei, e que de outra forma não chegaria 
 
 
39 
 
ao conhecimento do julgador por se tratar de um trabalho que vai além da mera 
exposição dos fatos; trata-se de uma análise aprofundada do contexto em que 
essas pessoas que acorreram ao Judiciário (agentes) estão inseridas. Essa 
análise inclui aspectos conscientes e inconscientes, verbais e não-verbais, 
autênticos e não-autênticos, individualizados e grupais, que mobilizam os 
indivíduos às condutas humanas. 
Sendo a Psicologia Forense, o subconjunto em que se incluem as 
práticas psicológicas relacionadas aos procedimentos forenses, é aqui que se 
encontra o assistente técnico (LEAL, 2008). 
A Psicologia Forense corresponde a toda aplicação do saber psicológico 
realizada sobre uma situação que se sabe estar (ou estará) sob apreciação 
judicial, ou seja, a toda a Psicologia aplicada no âmbito de um processo ou 
procedimento em andamento no Foro (ou realizada vislumbrando tal objetivo). 
Incluem as intervenções exercidas pelo psicólogo criminal, pelo psicólogo 
judiciário, acrescidas daquelas realizadas pelo psicólogo assistente técnico. 
A Psicologia Criminal é um subconjunto da Psicologia Forense e, segundo 
Bruno (1967 apud LEAL, 2008), estuda as condições psíquicas do criminoso e o 
modo pelo qual nele se origina e se processa a ação criminosa. Seu campo de 
atuação abrange a Psicologia do delinquente, a Psicologia do delito e a Psicologia 
das testemunhas. 
A Psicologia Judiciária também é um subconjunto da Psicologia Forense 
e corresponde a toda prática psicológica realizada a mando e a serviço da justiça. 
É aqui que se exerce a função pericial. 
A Psicologia Judiciária está contida na Psicologia Forense, que está 
contida na Psicologia Jurídica. A Psicologia Judiciária corresponde à prática 
profissional do psicólogo judiciário, sendo que toda ela ocorre sob imediata 
subordinação à autoridade judiciária. 
A Psicologia Jurídica abrange as seguintes áreas de atuação: 
 Psicologia Jurídica e as Questões da Infância e Juventude (adoção, 
conselho tutelar, criança e adolescente em situação de risco, intervenção 
junto a crianças abrigadas, infração e medidas socioeducativas); 
 
 
40 
 
 Psicologia Jurídica e o Direito de Família (separação, paternidade, disputa 
de guarda, acompanhamento de visitas); 
 Psicologia Jurídica e Direito Civil (interdições, indenizações, dano 
psíquico); Psicologia Jurídica do Trabalho (acidente de trabalho, 
indenizações, dano psíquico); 
 Psicologia Jurídica e o Direito Penal (perícia, insanidade mental e crime, 
delinquência); 
 Psicologia Judicial ou do Testemunho (estudo do testemunho, falsas 
memórias); 
 Psicologia Penitenciária (penas alternativas, intervenção junto ao recluso, 
egressos, trabalho com agentes de segurança); 
 Psicologia Policial e das Forças Armadas (seleção e formação da polícia 
civil e militar, atendimento psicológico); 
 Mediação (mediador nas questões de Direito de Família e Penal); 
 Psicologia Jurídica e Direitos Humanos (defesa e promoção dos Direitos 
Humanos); 
 Proteção a Testemunhas (existem no Brasil programas de Apoio e 
Proteção a Testemunhas); 
 Formação e Atendimento aos Juízes e Promotores (avaliação psicológica 
na seleção de juízes e promotores, consultoria e atendimento psicológicoaos juízes e promotores); 
 Vitimologia (violência doméstica, atendimento a vítimas de violência e seus 
familiares); e, 
 Autópsia Psicológica (avaliação de características psicológicas mediante 
informações de terceiros). 
No Brasil, de acordo com um levantamento realizado por França (2004), a 
Psicologia Jurídica está presente em quase todas as áreas de atuação. Todavia, 
a autora destaca que há uma grande concentração de psicólogos jurídicos 
atuando na Psicologia penitenciária e nas questões relacionadas à família, à 
 
 
41 
 
infância e à juventude, enquanto que na Psicologia do testemunho, na Psicologia 
policial e militar, na Psicologia e o Direito Civil, na proteção de testemunhas, na 
Psicologia e o atendimento aos juízes e promotores, na Psicologia e os Direitos 
Humanos e na autópsia psíquica há uma carência muito grande de psicólogos 
jurídicos (LEAL, 2008). 
 
6.3 Atuação do Psicólogo no Sistema Prisional 
Segundo Fátima França (2004), Psicóloga Judiciária, a Psicologia 
Penitenciária ou Carcerária se volta para os estudos sobre reeducandos, 
intervenção junto ao recluso, prevenção de DST/AIDS em população carcerária, 
atuação do psicólogo, trabalho com agentes de segurança, stress em agentes de 
segurança penitenciária, trabalho com egressos, penas alternativas (penas de 
prestação de serviço à comunidade). 
No tocante ao presidiário/recluso, claro, o psicólogo no sistema 
penitenciário trabalha com ele! Mas não necessariamente como uma forma de 
terapia. A mesma autora lembra que existe situações em que o preso chama para 
ter uma conversa e tem indicações de depressão. O psicólogo também atua muito 
próximo do assistente social, para dar suporte aos presos, atendimento, fazer 
trabalhos em grupo, o que é muito difícil, mas possível. 
No trabalho, esse profissional busca fazer um resgate da essência de 
cada indivíduo. Os presos são viciados em drogas, doentes ou analfabetos, e 
nesses encontros tenta-se orientá-los e informá-los sobre as dificuldades de suas 
realidades. Historicamente, dentro das prisões, a ação do psicólogo sempre foi 
vinculada mais com a ação pericial, a atuação mais de avaliação para concessão 
de benefícios. É um trabalho que avalia a condição de alguma pessoa presa e 
que pode fazê-la viver em sociedade de novo (FRANÇA, 2010). 
Segundo Jesus (2001), a intervenção realizada pelo psicólogo dentro do 
sistema prisional está ligada a uma atuação em que se procura promover 
mudanças satisfatórias não só em relação às pessoas em cumprimento de pena 
privativa de liberdade, mas também de todo sistema. A intervenção em sistemas 
penitenciários implica em uma atuação planificada e dirigida a promover a 
 
 
42 
 
mudança das prisões para torná-las mais eficientes e eficazes na resolução de 
seus problemas. 
O trabalho do psicólogo dentro das instituições prisionais existe há mais 
de quarenta anos por meio de trabalhos informais e voluntários, mas só a partir da 
promulgação da LEP de 1984 que o trabalho foi reconhecido oficialmente e vem 
sendo objeto de estudo em vários debates e fóruns do Brasil (CARVALHO apud 
LAGO, 2009). 
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) junto ao Departamento 
Penitenciário Nacional (DEPEN) e o Ministério da Justiça (MJ) estão em parceria 
nessa discussão sobre a importante atuação do psicólogo nessa área (SILVA, 
2007). 
De acordo com a resolução do CFP 012/2011, em todas as práticas 
realizadas dentro do âmbito do sistema prisional, o psicólogo deverá visar 
fielmente os direitos humanos dos sujeitos em cumprimento de pena privativa de 
liberdade, procurando construir a cidadania por meio de projetos para a sua 
reinserção na vida social (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2011). 
Para Silva (2007, p.104), é importante seguir essa colocação quando 
menciona que a psicologia deve ocupar espaço de atuação na 
transdisciplinaridade, o que destacará a sua importância no processo de 
construção da cidadania, que deve ser objetivo permanente dos profissionais, em 
contraposição à cultura de primazia da segurança, de vingança social e de 
disciplinarização do indivíduo. 
A atuação do psicólogo dentro do sistema prisional é bastante 
abrangente, pois as demandas são muitas. Além de participar das Comissões 
Técnicas de Classificação (CTC), o psicólogo pode trabalhar junto aos sujeitos 
que estão cumprindo pena privativa de liberdade, familiares e comunidade como 
também dos próprios profissionais que atuam dentro da instituição (MATTOS, 
2013). 
 
6.4 A Psicologia e a Comissão Técnica de Classificação (CTC) 
 
 
43 
 
A Lei de Execução Penal (LEP) fundou as Comissões Técnicas de 
Classificação (CTCs), formadas por uma equipe especializada, orientada pelo 
diretor e composta por dois chefes de serviço, um psiquiatra, um psicólogo e um 
assistente social, devendo existir em cada estabelecimento (MENEZES, 2003). 
De acordo com artigo 9º da LEP, cada membro da comissão deve 
contribuir com seu saber, visando um plano de individualização da pena do 
indivíduo que está encarcerado para que se tenha um tratamento penal 
adequado, podendo entrevistar pessoas, requisitar informações a qualquer 
estabelecimento privado ou repartições, além de proceder a exames ou outras 
diligências que se fizerem necessárias. 
Segundo o artigo 6º da LEP, a CTC poderá elaborar o exame 
criminológico, com a finalidade de estabelecer um programa individualizador da 
pena privativa de liberdade adequada ao indivíduo que cumpre pena privativa de 
liberdade. Entretanto, houve um debate sobre a realização do exame 
criminológico por parte dos profissionais de psicologia, pois o papel ético do 
psicólogo é completamente oposto ao que determina tal exame. 
De acordo com o Conselho Federal de Psicologia, não cabe aos 
psicólogos efetuarem qualquer tipo de parecer sobre a periculosidade das 
pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade e sua irresponsabilidade 
penal. 
Para Rauter (2007, p. 43), é totalmente contraditória a atuação do 
psicólogo no que se refere à elaboração de laudos e pareceres que “[...] vão no 
sentido ao contrário à ética profissional”. De acordo com o mesmo autor 
 
 
[...] ao psicólogo é solicitado fazer previsões de comportamento através 
de laudos que instruem a concessão de benefícios e a progressão de 
regimes, exercendo uma espécie de futurologia científica sem qualquer 
respaldo teórico sério. 
 
 
 
 
44 
 
Já Silva (2007), coloca que o exame criminológico “é um dispositivo que viola, 
entre outros, o direito à intimidade e à personalidade”. 
Quanto ao Exame Criminológico (EC), exigido do psicólogo, pretende 
inferir sobre a periculosidade do sujeito, tendendo a naturalizar as determinações 
do crime, ocultando os processos de produção social da criminalidade. 
Desnaturalizar, ouvir, incluir, respeitar as diferenças, promover a liberdade são 
missões do psicólogo. Classificar, disciplinar, julgar, punir são missões 
impossíveis para o psicólogo (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2010, p. 
55). 
Diante do citado acima, o Conselho Federal de Psicologia, na resolução 
09/2010, que regulava a atuação do psicólogo no sistema prisional, estabeleceu 
no Art. 4 que, de acordo com a lei nº 10792/2003: 
 
 
 
É vedado ao psicólogo que atua nos estabelecimentos prisionais realizar 
exame criminológico e participar de ações e/ou decisões que envolvam 
prática de caráter punitivo e disciplinar, bem como documento escrito 
oriundo da avaliação psicológica com fins de subsidiar decisão judicial 
durante a execução da pena do sentenciado. 
 
 
Porém, apesar de previsto na Resolução 09/2010, do Conselho Federal 
de Psicologia, o judiciário demandou a continuação da elaboração dos exames 
criminológicos por parte dos psicólogos. Diante da polêmica existente, o Conselho 
Federal de Psicologia, em sua resolução nº 19/2010, suspendeu os efeitos da 
resolução CFP nº 09/2010 pelo prazo de 6 meses, para a realização deaudiências públicas em prol de se chegar a um acordo. O prazo da suspensão 
dos efeitos da resolução 09/2010 foi novamente prorrogado, por mais seis meses. 
Após debates sobre o assunto, em maio de 2011 foi elaborada a resolução nº 
12/2011 que disciplina a atuação do psicólogo no sistema prisional (MATTOS, 
2013). 
 
 
45 
 
De acordo com a Resolução 12, de 2011, do Conselho Federal de 
Psicologia, no que se refere à elaboração de documentos escritos por psicólogos 
com finalidade de auxiliar alguma decisão judicial na execução das penas, não 
poderá ser realizada por profissionais psicólogos que atuem como profissionais 
de referência para “o acompanhamento da pessoa em cumprimento da pena ou 
medida de segurança, em quaisquer modalidades como atenção psicossocial, 
atenção à saúde integral, projetos de reinserção social, entre outros” (art. 4º). E é 
também vedada ao psicólogo a realização de qualquer tipo de prognóstico 
criminológico de reincidência do apenado ou a verificação de periculosidade do 
mesmo. 
Sendo assim, os casos das pessoas em cumprimento de pena privativa 
de liberdade que chegam à instituição prisional para o cumprimento de suas 
penas, passam pela CTC para que seja respeitada sua subjetividade, sua história 
de vida, visando à intervenção mais adequada (CHAVES, 2010, p. 7). 
A autora exemplifica: 
Se o preso é analfabeto, encaminha-se para alfabetização; se não tem 
profissão, para curso profissionalizante; se tem hipótese de transtorno mental, 
encaminha-se para avaliação psiquiátrica pelo SUS; se tem alguma doença, 
passará por avaliação médica detalhada; se tem histórico de abuso de drogas, 
poderá participar de grupos específicos com a Psicologia, e assim por diante. 
De acordo com Kolker (2004), uma das atribuições da CTCs é aprimorar a 
execução penal estudando e propondo medidas para que isso aconteça, 
reduzindo os prejuízos de convivência e ajudando na capacitação das pessoas 
que estão em cumprimento de pena restritiva de liberdade para o convívio social. 
Porém esse tipo de tratamento individualizado previsto em lei é difícil de ser 
atingido nos presídios brasileiros pela superpopulação existente nos mesmos, 
sendo tarefa difícil proporcionar um tratamento penal individualizado para esses 
indivíduos. 
Chaves (2010) também ressalta a dificuldade existente de uma atuação 
eficiente com os indivíduos que cumprem pena privativa de liberdade, pois as 
atividades citadas acima como importantes do desenvolvimento da 
 
 
46 
 
individualização das penas nem sempre estão disponíveis para os que 
necessitam. 
De acordo com Ibrahim (2000), é de suma importância acompanhar a 
pessoa que está cumprindo pena privativa de liberdade durante toda a execução 
da pena, desde sua chegada à instituição onde passaria pela CTC até sua 
reinserção na sociedade conforme prevê a Lei de Execução Penal de 1984. 
Para Silva (2007, p. 106), no que se refere à CTC, o psicólogo deve 
prestar atenção nas práticas realizada dentro da mesma, opinando nas pautas 
debatidas sempre de acordo com o Código de Ética Profissional, evidenciando os 
instrumentos nacionais e internacionais de direitos humanos, incentivando 
debates sobre “saúde, educação e programas de reintegração social”. 
 
6.5 Os diversos tipos de atendimento dos Serviços de Psicologia 
Como veremos adiante, tomando emprestado o excelente trabalho de 
conclusão de curso apresentado por Mattos (2013), a atuação do Psicólogo no 
sistema prisional é amplo e atinge todos os atores que ali circulam. 
 
a) Atenção individualizada 
A atenção individualizada à pessoa em cumprimento de pena diz respeito 
a todo atendimento “psicológico, psicoterapêutico, diálogo, acolhimento, 
acompanhamento, orientação, psicoterapia breve, psicoterapia de apoio, 
atendimento ambulatorial, entre outros” (CFP, 2009, p. 19) que podem ser 
realizados pelos psicólogos junto aos sentenciados que cumprem pena privativa 
de liberdade. 
De acordo com o CFP (2009), os atendimentos individuais podem ser 
solicitados não só pelo próprio apenado como também pelos funcionários da 
instituição prisional ou até mesmo pelos familiares. Este tem como objetivo 
compreender as pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade, avaliar 
sua saúde mental, dar acolhimento, escutar suas demandas, promover saúde e 
defender os direitos humanos. 
 
 
47 
 
Segundo Fernandes (2000), o atendimento individual é composto por 
várias entrevistas. Quando há uma demanda de emergência, o autor denomina de 
entrevista de adaptação ou emergência, que são realizadas no caso de crise do 
preso, tendo como objetivo ajudar o mesmo a encontrar soluções para que não 
acarrete em indisciplinas ou em algum tipo de comportamento que o prejudique 
dentro do sistema prisional. Outro tipo é colocado pela autora como entrevista de 
acompanhamento que se caracteriza por um atendimento breve ou limitado e 
pode ser determinado pelo Juiz, encaminhado por professores e administradores 
ou a pedido do próprio preso. 
Nascimento (2000) nomeia como entrevista de orientação o 
acompanhamento do preso pelo psicólogo durante a execução da pena. O 
apenado encaminha um bilhete ao psicólogo solicitando a entrevista na busca de 
orientação sobre saúde, família, situação jurídica, sobre dificuldades a respeito do 
convívio com as outras pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade, 
como também dificuldades pessoais. É a partir dessa entrevista que se observa a 
demanda e a vontade do indivíduo para o trabalho de orientação psicológica. 
Esse procedimento atende melhor as solicitações do sujeito quando o mesmo 
está disposto a aceitar a intervenção, pois tem uma função mais terapêutica. A 
autora sugere esse acompanhamento em: 
 
 
Casos de soropositividade para HIV, síndrome de abstinência, na fase 
que chamamos de saturação, que se refere aquelas pessoas que tem 
diversas passagens pelo sistema e que procuram compreender o porque 
isso acontece (porque não conseguem viver ‘lá fora’), e aqueles que 
estão prestes a sair e se angustiam com a expectativa e com o medo do 
retorno, manifestando sentimentos ambivalentes: alegria e medo, 
insegurança (NASCIMENTO, 2000, p.105). 
 
 
Podem também ser realizados plantões psicológicos. Esse tipo de 
intervenção é realizado de forma individual, visando um atendimento de 
emergência e tem como objetivo o acolhimento ao indivíduo que está cumprindo 
pena restritiva de liberdade fornecendo assim uma atenção psicossocial aos 
 
 
48 
 
mesmos. “Esse sistema pede uma disponibilidade para se defrontar com o não 
planejado e com a possibilidade de que o encontro seja único” (MAHFOUND, 
apud GUEDES, 2006, p. 562). 
Para Silva (2000, p. 378), é responsabilidade do psicólogo que trabalha 
dentro do sistema prisional abranger sua prática para além da tarefa de 
classificação do apenado, oferecendo possibilidades “terapêuticas” a esses 
indivíduos excluídos pela sociedade. 
 
 
 
Longe de se revelar como uma proposta utópica, o que a experiência 
tem demonstrado é que, para além da miséria social e moral, o acesso à 
própria verdade é o que possibilita ao ser humano seu próprio 
crescimento (SILVA, 2000, p. 378). 
 
 
O atendimento psicológico é valorizado pelas pessoas que cumprem pena 
privativa de liberdade, quando os mesmos passam a enxergar que ali é um 
espaço que oferece a eles uma reflexão sobre sua atuação como indivíduo social 
que fica escondido enquanto pessoas encarceradas, como também um momento 
de privacidade, o qual é praticamente impossível de acontecer no âmbito do 
cárcere (GUEDES, 2006). 
 
b) Atendimento grupal 
Os trabalhos realizados em grupo são na maioria das vezes uma 
oportunidade de oferecer aos sentenciados algum tipo de intervenção, pelo 
grande número de pessoas e de poucos profissionais da área, sendo também um 
espaço único de convivência, podendo o preso se relacionar e trocar 
experiências. Esses grupospodem surtir efeitos internos em seus participantes e 
com isso pode ser mudada a forma como eles se relacionam com a sociedade 
como um todo (CHAVES, 2010). 
 
 
49 
 
A dinâmica do grupo dentro das prisões é a mesma realizada fora delas, 
baseando-se na maioria das vezes nas características dos indivíduos que compõe 
o grupo. 
Os grupos dentro das instituições prisionais podem servir para várias 
finalidades, dependendo das demandas apresentadas pelas pessoas que estão 
em cumprimento de pena privativa de liberdade, podendo também ser usadas 
técnicas de diferentes tipos como oficinas terapêuticas, grupos de reflexão e 
conscientização, grupo operativo, psicoterapia de grupo, entre outros (CFP, 
2009). 
De acordo com Nascimento (2000, p.105), o trabalho em grupo tem como 
objetivo a interação entre os indivíduos em cumprimento de pena privativa de 
liberdade e também possibilitar reflexões “sobre aspectos referentes à dignidade, 
ética, autoestima, respeito por si e pelo outro, cidadania, participação política, 
favorecendo a vida em sociedade”. 
Para Azevedo (2000), os grupos podem ser formados com o intuito de 
trabalhar situações da vida prisional, como as penas, conhecimento da história do 
sistema em que ele está inserido, as drogas, questões de saúde (DST/AIDS), 
conflitos que surgem no cotidiano dos apenados, relações interpessoais, bem 
como seus direitos e deveres. 
É muito importante esse trabalho grupal com os indivíduos que cumprem 
pena privativa de liberdade, pois, se eles ficam presos, escutam muitas vezes 
vozes contaminadas de possíveis companheiros de cela, comprometidos com a 
cultura do crime. Os grupos são possibilidades de resgatá-los para a sociedade 
da qual de fato fazem parte e que, em alguns casos, por um momento (ou uma 
vida), negou sua existência (CHAVES, 2010, p. 17). 
De acordo com Chaves (2010), Conselho Federal de Psicologia (2009) e 
Fernandes (2000), o trabalho grupal dentro do sistema prisional é muitas vezes 
visto como um trabalho arriscado, nem sempre possível de ser realizado diante 
das regras de segurança de algumas unidades. Sendo assim, é necessário tomar 
medidas de segurança, como informações do clima da instituição no dia da 
realização do trabalho, entre outras. 
 
 
50 
 
Apesar da colocação acima, muitos são os trabalhos realizados em 
grupos com as pessoas que estão cumprindo sua pena privativa de liberdade no 
sistema prisional brasileiro. 
Grupos com preso em regime fechado têm a finalidade de preparar o 
indivíduo que está encarcerado para a progressão da sua pena, visando a 
diminuição da ansiedade causada pelo cárcere, para dar possibilidade de 
condutas positivas e saídas mais saudáveis, sendo empregadas várias técnicas, 
como dramatização, filmes e debates, temas livres, entre outras (FERNANDES, 
2000). 
Nos grupos de dependentes químicos, o objetivo é tratar os detentos 
dependentes de substâncias psicoativas dos variados tipos, maconha, cocaína, 
álcool, entre outras (FERNANDES, 2000). 
Nos grupos de prevenção a DST/AIDS, o objetivo é orientar e esclarecer 
a respeito das doenças sexualmente transmissíveis, visando mudanças na 
conduta do preso com base na conscientização do comportamento que pode ser 
de risco (FERNANDES, 2000). 
Segundo Mattos (2013), Karine Chaves (2010) é psicóloga atuante da 
Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu (PEF), que é uma unidade penal de 
segurança máxima destinada aos presos do sexo masculino em regime fechado. 
Segundo a autora, existe dentro da penitenciária um espaço em que se pode 
planejar e sugerir projetos para favorecer o desenvolvimento do indivíduo que 
cumpre pena privativa de liberdade. 
Como conta ela: 
 
 
o modo de trabalhar que descobriu foi criando e recriando projetos. 
Organizando um grupo, desenvolvendo, analisando os resultados, 
concluindo. [...] Encontramos dificuldades, a energia desgasta. 
Pensamos em uma alternativa. Energia renovada: outro nome, outra 
temática, outra proposta. Um novo trabalho. Novos participantes. E 
diante de pequenas vitórias insistimos (CHAVES, 2010, p. 17). 
 
 
 
 
51 
 
A Psicóloga descreve alguns projetos realizados por ela no início da sua 
atuação dentro da Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu, onde alguns já se 
encerraram e outros permanecem ativos até hoje. 
 No grupo de orientação para liberdade, o objetivo principal é fornecer ao 
sujeito em cumprimento de pena restritiva de liberdade um espaço de 
diálogo, orientando e informando a respeito da vida em sociedade. 
 Nos grupos psicoterapêuticos, em cada encontro é debatido um tema 
específico, como família, sociedade, crime, futuro. E são utilizadas 
dinâmicas como forma de trabalho. Porém, é uma prática limitada, pois 
dentro do sistema prisional não há muito espaço e não se pode tocar um 
no outro por motivos de segurança e preservação dos membros. 
 O Grupo resgatando memórias faz com que a pessoa que se encontra 
encarcerada tente resgatar aspectos referentes à sua história de vida, 
sendo uma oportunidade de “[...] reorganizar sua história e pensar no 
legado da família e na sua identidade” (CHAVES, 2009, p. 24). 
 O grupo resgate da responsabilidade social surgiu do interesse das 
próprias pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade em 
resgatar a sua cidadania, mostrando a sociedade “[...] algo de sua vivência 
criminal“ (CHAVES, 2010, p. 24). Como exemplo, a autora menciona que 
em parceria com o Centro Integrado de atendimento ao Adolescente 
Infrator, um dos integrantes do grupo citado acima foi relatar os prejuízos 
que obteve em sua vida através do crime. 
 Já os Grupos de Apoio ao Dependente Químico, têm como objetivo 
proporcionar reflexões e apoio diante do problema da drogadição tão 
presente dentro da instituição carcerária (CHAVES, 2010). 
 Nos grupos de Dança de Salão, além de se proporcionar autoestima, 
autoimagem e autoconceito para aqueles que estão cumprindo pena 
privativa de liberdade, o objetivo é melhorar a relação conjugal, pois o 
grupo é dirigido aos casados que recebem com frequência a visita de sua 
esposa (CHAVES, 2009). 
 
 
52 
 
 No grupo Re-parar para Re-construir, o foco é o sujeito em cumprimento de 
pena privativa de liberdade reincidente, e o objetivo é intervir de forma que 
possibilite ao indivíduo reflexão sobre a sua vida colocando em evidência 
os projetos de vida (CHAVES, 2009). 
Por fim, a autora descreve os grupos Agente Multiplicadores de Saúde e 
Oficina de Sexo Seguro, que ajudam os sujeitos que se encontram encarcerados 
a terem mais informações a respeito das doenças focalizando a prevenção das 
mesmas (CHAVES, 2009). 
 
c) Atendimento a família 
Os psicólogos que trabalham dentro do sistema prisional podem também 
atuar juntamente aos familiares dos indivíduos que estão cumprindo pena dentro 
do sistema prisional. Essa intervenção pode ser realizada através de entrevistas 
que geralmente tem objetivo de se obter uma melhor compreensão do caso de 
cada indivíduo que cumpre pena privativa de liberdade. Orientações a respeito de 
como receber o familiar que se encontra preso de volta ao lar. Acolhimento e 
escuta, pois muitas vezes os familiares não aceitam a situação na qual se 
encontram, como também podem ser realizados atendimentos para compartilhar 
informações sobre o preso, as condições de saúde e o acompanhamento do caso 
(CFP, 2009). 
O atendimento familiar é muito importante, pois além de esclarecer as 
dúvidas sobre o sistema carcerário e sobre a situação do preso para a família, 
tem objetivo de resgatar e manter esse vínculo familiar (NASCIMENTO 2000). 
Para Fichtner (apud HASSON, 2003), a família é essencial para o ser 
humano, podendo a mesma interferir na vida do indivíduo de forma positiva ou 
negativa, dependendo da sua estrutura. 
A família é a matriz mais importante do desenvolvimento humano e 
também principal fonte de saúde. Entretanto, quando não se constituiuma 
unidade de experiência, de aprendizagem e de criatividade, poderá se tornar um 
fator de doença (FICHTNER apud HASSON, 2003, p. 81). 
 
 
53 
 
De acordo com Bastos (s.d. apud Guedes, 2006), muitos são os 
indivíduos que cumprem pena privativa de liberdade que depois de serem presos 
dizem valorizar mais a estrutura e o convívio familiar. Os familiares que são 
presentes na vida da pessoa que se encontra encarcerada acabam sendo uma 
ponte de ligação do mundo dentro do sistema carcerário e o mundo fora dele, a 
sociedade. 
É importante o trabalho com a família do indivíduo que está encarcerado, 
visto que quando a mesma está preparada para receber a pessoa que estava 
presa como integrante do núcleo familiar auxilia na sua readaptação na sociedade 
(INALUD, s.d apud MATTOS, 2013). 
Muitos familiares justificam a ausência nas visitas pela dificuldade de se 
deslocar da sua residência até a prisão, por não terem condições financeiras para 
isso, pela tristeza de ver seu familiar preso e também pelo constrangimento de 
passar pela revista íntima obrigatória para entrar na prisão (alterada essa 
condição na atualidade). A revista íntima, de acordo com Soares e Ilgenfritz, é 
apontada “como um procedimento constrangedor, humilhante e ineficiente, já que 
nem sempre consegue impedir a entrada de drogas, celulares e outros objetos 
ilícitos dentro do cárcere” (SOARES; ILGENFRITZ apud GUEDES, 2006, p. 567). 
 
d) Trabalhando junto ao Egresso do sistema 
A Lei de Execução Penal de 1984, em seus Art. 25, 26 e 27, prevê a 
assistência aos egressos do sistema prisional orientando e apoiando na 
reintegração a vida social, se necessário, disponibilizando abrigo e alimentação 
durante dois meses, prazo esse para que o egresso busque emprego e condições 
de moradia. Caso seja comprovada a necessidade, pode ocorrer uma 
prorrogação desse período. É dever dos profissionais capacitados colaborarem 
para a que o egresso consiga trabalho. São considerados egressos todos os 
indivíduos liberados do sistema prisional até um ano após esse fato, e os que são 
liberados condicionais e estão no período de prova (BRASIL, 1984). 
Porém, de acordo com o Conselho Federal de Psicologia, não se vê o 
cumprimento da lei em todo o Brasil, uma vez que muitos egressos não possuem 
 
 
54 
 
nem a passagem de ônibus quando retornam à sociedade. Portanto, é necessário 
e urgente que o “Estado brasileiro viabilize a construção de um programa nacional 
de apoio aos egressos, envolvendo – entre outras medidas – a atenção 
psicossocial” (CFP, 2008, p. 32). 
O objetivo de um programa para atender a população egressa no Brasil 
não deve se focar na diminuição de casos reincidentes e sim na promoção da 
reintegração do egresso na sociedade, pois assim, consequentemente, o índice 
de reincidência diminui naturalmente. A forma mais eficaz de isso acontecer é 
colaborar para que o egresso gere sua própria renda de forma legal, pois esta é 
uma forma do indivíduo ser visto não só pelos familiares, mas pela sociedade 
como um integrante da mesma, facilitando a reintegração dentro do contexto 
família sociedade (ILANUD, s.d apud MATTOS, 2013). 
Para um bom funcionamento do programa, é importante que haja uma 
equipe multiprofissional atuando junto aos egressos. Nesse sentido, os 
assistentes sociais, os psicólogos e advogados são profissionais indispensáveis 
na equipe, dando ênfase ao trabalho psicólogo, sendo colocado como o mais 
importante, tendo em vista o grau de vulnerabilidade em que se encontram os 
indivíduos quando saem de dentro do sistema prisional. 
De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2009), o trabalho com 
os egressos não é tarefa fácil, pois há muito preconceito da comunidade e dos 
próprios familiares, dificultando a reabilitação social, além da grande falta de 
políticas públicas referentes a essa área. 
Diante desse contexto, existe o instituto Elo, que é uma associação 
privada, sem fins lucrativos, fundada por profissionais capacitados da área social, 
na qual elaboram projetos, visando a inclusão dos indivíduos em situação de 
vulnerabilidade social. Os programas CEAPA, Fica Vivo!, Mediação de Conflitos, 
e o Programa de reintegração do Egresso do Sistema Prisional (PrEsp), fazem 
parte desse instituto. 
De acordo com Assis (2009), O PrEsp visa trabalhar junto aos egressos 
do sistema prisional os direitos humanos, seus deveres e direitos, discutir 
questões como a vulnerabilidade social, as causas e consequências do seu 
ingresso no crime, a família, a afetividade, além de promover formas de 
 
 
55 
 
crescimento e inclusão através da educação, profissão e sociedade executando 
projetos em prol disso. 
Quando os indivíduos saem do sistema prisional, os mesmos são 
informados do programa e da obrigatoriedade da presença para atendimento. 
Esse programa tem o objetivo de promover a reintegração social do egresso do 
sistema prisional, mediante políticas públicas e sociais que possam garantir e 
ampliar os direitos que estão dispostos na Lei de Execuções Penais (LEP), nº 
7210/84, que visa criar perspectivas favoráveis para o rompimento do ciclo de 
violência em que os egressos se encontram, em sua maioria, inseridos, 
diminuindo assim a reincidência criminal (ASSIS, 2009, p. 9). 
Diante desse contexto, oficinas são realizadas com o intuito de trabalhar 
temas como cidadania, afetividade, violência doméstica, questões de gênero e 
racial, atividade cultural, que ajudariam em uma nova interpretação de suas vidas 
para que tenham novas perspectivas do futuro. Os temas variam de acordo com 
as necessidades apresentadas pelos egressos. 
No que se refere aos cursos profissionalizantes, Assis (2009) menciona a 
dificuldade da realização do mesmo para a qualificação dos indivíduos no sentido 
de ajudá-los a ter mais chances no concorrido mundo dos trabalhos. 
São muitas as dificuldades para realizar cursos profissionalizantes, devido 
a falta de uma rede mais organizada e por se tratar de um público que em sua 
maioria não tem documentação, tem baixa escolaridade e não tem recursos 
financeiros para o transporte (ASSIS, 2009, p. 19). 
Em relação à obtenção de renda e oportunidades de emprego por parte 
dos egressos, é importante destacar o paradoxo existente, pois o Estado promove 
a reinserção do indivíduo no campo de trabalho referente à iniciativa privada, 
porém não aceita o egresso para cargos públicos. 
Tomar a condenação criminal como sinônimo de inidoneidade moral, 
importa a equivalência, a priori, entre violação de regra jurídica (crime) e violação 
de regra moral; tal equivalência pressupõe a fundamentação moral de todo e 
qualquer crime, algo que contesta desde a laicização do Estado (que o Brasil se 
deu com a constituição de 1891). E, por fim, a incapacidade eterna de exercício 
 
 
56 
 
de cargo público terminaria por perpetuar um dos efeitos da sentença penal 
condenatória (Código Penal, art. 92), e a CF proíbe, em absoluto, as penas de 
caráter perpétuo (art. 5º, inc. XLVII, alínea b) (INALUD, s.d. apud MATTOS, 
2013). 
A falta de documentação é uma importante causa das situações 
constrangedoras que o egresso do sistema prisional passa, pois ao sair, muitos 
não possuem documento, portando, somente a carteirinha de livramento, 
aumentando assim, o sentimento de vulnerabilidade pessoal. 
É essencial que os programas de atendimento aos egressos ofereçam 
primeiramente orientações para a obtenção de documentos pessoais, pois é 
também uma forma do egresso se sentir cidadão, aumentando o sentimento de 
integração social, além de a documentação ser necessária para [...] o exercício de 
muitas atividades inerentes ao status de cidadão: desde o direito de voto [...] até a 
possibilidade de abrir um crediário em uma loja. 
É importante também que seja determinado um tempo específico para o 
atendimento ao egresso para que diminua a possibilidade de se criar um vínculode dependência entre os programas e os atendidos, já que os mesmos saberão 
que as atividades que eles realizam têm data certa para acabar. 
Muitos são os caminhos que estão sendo desenvolvidos para lidar com 
esse desafio da reintegração dos egressos na sociedade, onde primeiramente 
devem ser resolvidas as lacunas inerentes a baixa escolaridade e, como citado 
acima, a falta de documentação, conscientizar e responsabilizar a comunidade 
como um todo para a ressocialização dos egressos (CONSELHO FEDERAL DE 
PSICOLOGIA, 2009). 
De acordo com o CFP (2008), no Brasil não se acredita na readaptação 
das pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade na sociedade. 
Não apenas muito dos técnicos e funcionários que trabalham no sistema 
penitenciário, mas também grande parte dos membros do Ministério Público, da 
Magistratura e da polícia, estão convencidos de que a ideia de “recuperação” dos 
condenados às penas privativas de liberdade não possui consistência, e 
 
 
57 
 
expressaria, tão somente, uma visão ingênua (CONSELHO FEDERAL DE 
PSICOLOGIA, 2008, p. 33). 
Porém não há fundamentação teórica sobre essa colocação, conforme 
pode ser evidenciado em pesquisas realizadas sobre a reabilitação das pessoas 
em cumprimento de pena privativa de liberdade. 
 
e) Trabalho junto aos Agentes penitenciários 
A profissão agente penitenciário é bastante antiga. Foram várias as 
denominações já existentes no decorrer dos anos, como carrascos, carcereiros, 
guarda de presídio, entre outras (MATTOS, 2013). 
De acordo com Lopes (2000), independente da fase histórica os agentes 
penitenciários estão sempre ligados a situações de 
 
 
exclusão, vigilância, fiscalização, humilhação, agressão, e tortura [...] 
utilizados regularmente com a finalidade de aplicar o castigo considerado 
justo, punir o desvio, promover a adequação e manter uma determinada 
ordem social. 
 
 
No entendimento da mesma autora, as prisões são vistas pelos agentes 
penitenciários como sendo pertencentes a um outro mundo, caracterizado por ser 
um lugar pesado, cheio de ameaças, em que as pessoas em cumprimento de 
pena privativa de liberdade são o perigo maior. Eles denominam os indivíduos 
encarcerados como “[...] seres de outra espécie, dotados apenas de qualidades 
negativas” (LOPES, 2000, p. 330). Para solucionar problemas gerados dentro do 
sistema pelas pessoas em cumprimento de pena privativa de liberdade, os 
agentes usam de humilhação verbal até tortura, guiados pela precipitação, pelo 
preconceito, por falta de orientação e até mesmo por pura vingança. 
O mesmo autor cita que de acordo com o ambiente de trabalho que se 
encontra a instituição prisional fica difícil a atuação do agente de forma saudável, 
não havendo condições de desenvolvimento para isso. 
 
 
58 
 
Se considerarmos que o ambiente de trabalho e a relação que o 
trabalhador mantém com ele é parte da identidade do equilíbrio psíquico daqueles 
que trabalham, é possível imaginar qual a realidade de saúde dos agentes de 
segurança em ambientes como prisões (LOPES, 2000, p. 331). 
Podemos então colocar o trabalho do agente penitenciário como árduo, 
difícil, gerador de stress. Segundo dados de uma pesquisa realizada por Rocha 
(2000), a maioria dos agentes penitenciários, àquela época, apresentavam grau 
elevado de stress, onde os sintomas principais eram irritação, estado de tensão, 
sugerindo em parte a causa dos atos violentos realizados dentro do sistema 
prisional. Porém nada justifica tal violência. 
Lopes (2000, p. 331) também concorda quando coloca que a dinâmica do 
trabalho dentro do sistema prisional “agentes/sentenciados/prisões” acaba 
resultando em muito stress e se manifestando na maioria das vezes por meio da 
violência. “Parecem ter a função de baixar os níveis de tensão na prática 
cotidiana”. E quando a violência não está direcionada, as pessoas em 
cumprimento de pena privativa de liberdade estão voltadas para o próprio agente, 
que acaba adoecendo e tendo que se afastar do trabalho. 
Portanto, é visível a necessidade de um trabalho dos psicólogos junto aos 
agentes penitenciários. Segundo Lopes (2000, p.332), os próprios agentes 
reclamam da falta de atendimento referentes a eles. 
 
 
Os agentes se sentem menosprezados em relação aos sentenciados, no 
entendimento deles seria o mesmo que dizer que aqueles que cometem 
crimes merecem mais respeito do que aqueles que trabalham na prisão. 
 
 
Em algumas penitenciárias brasileiras, isso já ocorre, de acordo com o 
Conselho Federal de Psicologia (2009), os psicólogos que atuam dentro do 
sistema prisional oferecem aos funcionários do presídio atenção psicológica, 
realizando orientações, avaliações, entrevistas e, se necessário, fazem o 
encaminhamento aos serviços especializados. Além dos atendimentos individuais, 
 
 
59 
 
podem ser realizados trabalhos em grupo, com palestras, debates, entre outros. 
Como todo trabalho em grupo, os temas trabalhados podem ser diversos e a 
escolha do mesmo surge de acordo com as demandas dos participantes (CFP, 
2009). 
De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (2009, p. 24), “Foi 
apontado como tarefa do(a) profissional psicólogo(a), o compromisso de melhorar 
as condições de vida do presídio, bem como transformar a cultura institucional e 
garantir os direitos das pessoas presas.”. 
De acordo com Jesus (2001), a Psicologia é totalmente capaz de realizar 
um ótimo trabalho dentro do sistema prisional, seu saber é de suma importância e 
visivelmente necessário para atender as diversas demandas existentes dentro do 
sistema prisional. 
Enfim, como diz França (2010), o interesse pelo trabalho do Psicólogo no 
sistema prisional tem crescido sim, mas precisa de mais organização e mais 
espaço para desenvolver melhor as habilidades. É preciso reconhecimento do 
trabalho, planos de carreira, não somente palavras. Com uma base salarial 
decente, os profissionais podem desenvolver melhor os trabalhos e não ficar se 
contorcendo em dois, três empregos. Para que haja profissionais mais 
qualificados e avanços na área, é preciso melhorar a remuneração, aumentar o 
investimento das universidades na formação dos psicólogos juristas, com 
especializações e espaço maior na grade horária. Com isso, surge mais interesse 
e espaço para trabalhos acadêmicos e trocas de experiências. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
60 
 
REFERÊNCIAS 
 
REFERÊNCIAS BÁSICAS 
 
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