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HISTÓRIA DA 
AMÉRICA I.
Empresa: Modular Criativo
Professora: Bianca Sales
Faculdade Campos Elíseos (FCE) 
São Paulo – 2023
SUMÁRIO
RESUMO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA AMÉRICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Considerações Iniciais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Ocupação Territorial e os Principais Acontecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
Características Gerais da Organização Social . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
CIVILIZAÇÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Civilizações Pré-Colombianas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Civilização Maia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
Civilização Asteca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Civilização Inca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
A AMÉRICA NA ERA MODERNA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Corrida Marítima entre Portugal e Espanha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
Os Grandes Navegadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
O Nascimento de América: Conquista e Ocupação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
O ENCONTRO DAS CIVILIZAÇÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Aspectos Simbólicos, Guerras e Epidemias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Desconstrução do Mundo Tradicional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
Surgimento do Mundo Colonial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
Colonialismo Brasileiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
BIBLIOGRAFIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
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R E S U M O 
A proposta dessa disciplina é trazer uma reflexão sobre o período que corresponde 
à história da América, realizando uma análise sobre o que ocorreu: houve de fato um 
descobrimento, ou ocorreu um encontro despretensioso, ou de fato uma invasão a essas 
terras? 
No presente estudo, abordaremos os conceitos gerais do que foi esse período, suas 
implicações e as formações e caminhos desenhados. Analisaremos as características 
dessas expedições rumo ao Novo Mundo, como se deu esse processo, as civilizações 
que fazem parte desse contexto histográfico, as expansões marítimas, e o encontro entre 
as civilizações europeia e as civilizações colonizadas, bem como, salientaremos como 
ocorreram as explorações durante esse período. A ideia é proporcionar uma reflexão sobre 
a simbologia e a identidade das Américas. 
 
I N T R O D U Ç ÃO À H I S TÓ R I A DA A M É R I C A
Considerações Iniciais
A construção da História da América tem a sua concepção a partir de uma 
perspectiva eurocêntrica, tendo como ponto de partida a chegada dos primeiros navegantes 
(para alguns historiadores esse período remete ao século XV, para outros, corresponde ao 
início do século XVI). Destarte, trataremos acerca das grandes navegações que ocorreram 
durante o período que corresponde aos séculos XV e XVIII, em ocasião da necessidade de 
quebrar as barreiras comerciais impostas pela Idade Média, bem como, do crescimento 
dos países europeus e da necessidade de expansão vista pelos seus governantes.
Foi por meio das grandes navegações que esse processo se materializou. A 
descoberta da América, ou, dos americanos, é certamente, um dos acontecimentos mais 
intrigantes da nossa história e sempre gerou questionamentos. 
Afinal, é possível dizer que houve o descobrimento de uma terra que já era 
habitada e já possuía os seus costumes e características? 
Esse processo de descobrimento se deu por parte dos colonizadores, ou 
daqueles que foram colonizados, que por meio dessas ações descobriram o outro? 
A chegada dos espanhóis à América culminou no processo de colonização do 
continente e gerou um conflito junto aos portugueses pelas terras “descobertas”. Quando 
nos remetemos a esse período, o termo “descoberta” é profundamente debatido pelos 
historiadores, uma vez que se refere a algo que não havia sido encontrado antes, quando 
partimos do sentido literal da palavra. Para alguns historiadores, esse termo não cabe, não 
só pelo seu significado, mas, também porque Colombo, em sua expedição, não buscava 
novas terras e, sim, seguia em direção à Ásia. 
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Desse modo, a noção de “descobrimento” da América, foi algo que ocorreu mediante 
os eventos da própria expedição de Colombo, ruindo a concepção de que o mundo era 
formado apenas pela Europa, África e Ásia, envoltos pelo Oceano. Foi também, por meio 
das expedições realizadas por Colombo que se chegou ao entendimento de que a Terra 
era redonda. Esse conhecimento acerca do Novo Mundo causa uma descentralização da 
representação geográfica até então conhecida. 
Esse processo, sem dúvida, levou-nos à concepção de sociedade que possuímos 
atualmente. As mudanças, as ligações, as trocas, as ações e explorações ocorridas 
realizam o contorno que formula a sociedade. Outro encontro com tal intensidade não 
ocorrerá outra vez, pelo menos, não com a força e proporção desse processo, ocorrido 
a mais de quinhentos anos atrás, através das navegações realizadas por viajantes como 
Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio, Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de Caminha, Vasco 
da Gama, dentre outros. 
O Descobrimento da América ocorreu em 12 de outubro de 1492, através da 
chegada dos espanhóis no continente americano. Segundo Edmundo O’Gorman, a primeira 
menção à ideia de descobrimento ocorreu na primeira metade do século XVI através do 
livro escrito por Gonzalo Fernández de Oviedo e, a partir de então, passou a ser difundida 
e posteriormente consolidada. 
Muitos historiadores partem do pressuposto de que, para a América, de fato, existir, 
não seria necessária a chegada dos europeus, uma vez que essa terra já existia através 
dos seus habitantes que, à sua maneira, já formavam uma sociedade. Por meio disto, ao 
tratarmos sobre a história da América,
para alguns, esse período pode ser denominado 
como: chegada, achamento, conquista e até mesmo invasão. Dessa forma, a expedição 
que culminou nesse processo ocorreu através da liderança do navegante Cristóvão 
Colombo, cujo intuito era chegar ao continente asiático, e não às terras desconhecidas, 
como se sucedeu.
Cristóvão Colombo nasceu em Gênova, na Itália, em 1451. Começou a atuar como 
marinheiro desde a sua infância, começando a navegar por volta dos 14 anos. Quando 
adulto, tornou-se um excelente cartógrafo. Colombo tinha como intuito atravessar o 
Atlântico e chegar à Ásia, visando vencer os monopólios comerciais existentes naquela 
época.
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Figura 1: Cristóvão Colombo.
Fonte: E-biografia.
Colombo tinha como intuito chegar até às Índias a partir de uma rota que, na 
sua concepção, realizaria em um curto período, diferente da já então conhecida. Para 
realizar essas expedições, buscou o apoio da coroa portuguesa, mas não obteve sucesso. 
Somente após seis anos de tentativa, conseguiu o apoio através dos reis espanhóis, 
Fernando e Isabel. 
Partindo da crença que a terra era uma esfera, Colombo baseou a sua teoria 
em conhecimentos obtidos através da cultura clássica. Ele estava certo de que existia 
uma rota mais curta em direção ao ocidente, e ansiava provar a sua teoria baseada e/ou 
estimulada por conhecimentos de Ptolomeu, Plínio, Plutarco, Pierre d’Ailly, Pio II, Josefo, 
São Gerônimo, Marco Polo, dentre outros (Gil,1987). O que ele não imaginava era que, 
durante o trajeto realizado por meio dessa nova rota, existiria um continente até então 
desconhecido pelos europeus. Esse encontro ocorreu mediante cálculos errados a partir 
de sua crença de que a Terra era infinitamente menor.
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Figura 02: Embarque e partida de Colombo.
Fonte: National Geographic.
Para essas expedições foram utilizadas três embarcações: a principal, a Santa 
Maria, era uma nau pequena, com cerca de 100 toneladas, e sua tripulação era composta 
por 52 homens. Essa embarcação foi seguida por outras duas caravelas, que receberam 
o nome de Niña e Pinta, essas possuíam 50 e 40 toneladas, respectivamente, e eram 
compostas por uma tripulação menor que a nau principal.
A expedição realizada por Colombo foi marcada pelos problemas com a sua 
tripulação, causados pela angústia para encontrar terra além-mar, levando cerca de dois 
meses para ser possível avistar terra firme. A viagem iniciou em 03 de agosto de 1492 e 
avistado terra apenas em 12 de outubro do mesmo ano. 
Mesmo utilizando pequenas embarcações e uma pequena frota, Colombo conseguiu 
abarcar nas terras em que ele achara ser as Índias, quando, na verdade, abarcou nas terras 
americanas. Esse processo de chegada à América foi registrado por Colombo, através dos 
seus diários, sendo estes conhecidos como os primeiros documentos produzidos pelos 
europeus acerca do Novo Mundo.
Em seus escritos para a coroa espanhola, Colombo rendeu-se ao espanto do Novo 
Mundo descoberto e do que os seus olhos contemplavam naquele momento. Era, de fato, 
um mundo totalmente novo daquele que já conhecera. Mais uma vez, a influência da 
literatura de Marco Polo se fez presente nesse contexto, primeiramente embasando a sua 
teoria de terra esférica e, agora, servindo como influência sobre os relatos realizados.
Antes de realizar o seu retorno à Espanha, Colombo implementou nas novas terras 
um pequeno assentamento, conhecido como Navidad, deixando nele alguns homens 
que o acompanharam durante a expedição e regressou à Europa, para informar a Corte 
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o que ocorreu em sua viagem. Em seu retorno, trouxe consigo alguns escravos, sendo 
eles homens, mulheres e crianças, como também alguns animais, ouro e outros materiais 
encontrados na região, a fim de comprovar o que acabara de descobrir.
Figura 03: Colombo recebido pelos Reis Católicos.
Fonte: National Geographic.
Ao todo, foram realizadas cerca de quatro expedições até as novas terras, sendo 
a primeira realizada no ano de 1492, data posteriormente reconhecida como o dia do 
descobrimento da América (em 12 de outubro de 1492). A segunda expedição foi realizada 
em setembro de 1493, a terceira viagem em 1498, e a última em 1502.
A segunda expedição, realizada em setembro de 1493, tinha como intuito iniciar o 
processo de colonização das novas terras, para isso, contou com cerca de 1.200 homens, 
rumo a Hispaniola, terra onde o assentamento de Navidad estava situado. Em seu retorno, 
deparou-se com mais algumas dificuldades, dentre elas, o assentamento construído antes 
de sua partida havia sido destruído. Com isso, optou por construir um novo assentamento, 
em outro local da ilha, e nomeou de Isabela, em homenagem à rainha Isabel de Castela. 
Essa ocupação territorial ocorreu gradativamente. 
A terceira expedição foi realizada em maio de 1498, com o intuito de levar mão-
de-obra e suprimentos para a região. Colombo acreditava, de fato, ter chegado às Índias 
e, com isso, chamou os nativos de índios. Ao explorar a região, acreditou que algumas 
ilhas, hoje conhecidas como Caribe, faziam parte do Japão. Convicto da sua teoria, seguiu 
com a exploração com o intuito de atracar na China, mas, foi levado à região que hoje é a 
América do Sul. 
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A quarta expedição, realizada em maio de 1502, explorou a costa da América 
Central e regressou à Espanha dois anos depois, sem o prestígio que ocorreu na primeira 
expedição. Colombo não receberá o que, de fato, havia-lhe sido prometido em seu contrato 
com coroa espanhola no início das expedições e faleceu em 20 de maio de 1506 sem a 
riqueza ambicionada, mas convicto que chegará às Índias. 
Ocupação Territorial e os Principais Acontecimentos
Ao tratarmos sobre o processo de ocupação territorial realizada pelos europeus, 
traremos como base o ano de 1492, quando começou o processo de ocupação e colonização 
do continente americano e a criação de uma identidade latino-americana. Esse processo 
de colonização trata-se de uma ocupação territorial realizada por estrangeiros, sobre uma 
população com uma realidade social e cultural distinta. Esse processo é realizado através 
daqueles que podemos chamar de “colonos”.
Esse processo de “descoberta” e conquista da América ocorreu em meio à crise que 
o sistema feudal existente na Europa passava, em decorrência das guerras, da fome e da 
peste que assolou grande parte da população europeia durante o século XIV. O surgimento 
das novas forças sociais e produtivas, que se chocavam com as relações impostas pelo 
sistema feudal de produção, das monarquias absolutistas e dos meios de produções 
artesanais que dinamizaram o mercado econômico foram fatores que impulsionaram as 
grandes navegações e culminaram nesse processo de ocupação territorial. Segundo Karl 
Marx:
A descoberta da América, a circunavegação da África, ofereceram à burguesia 
ascendente um novo campo de ação. Os mercados da Índia e da China, a 
colonização da América, o comércio colonial e o incremento dos meios de troca 
e das mercadorias, imprimiram um impulso desconhecido até então ao comércio, 
à indústria e à navegação, desenvolvendo rapidamente o elemento revolucionário 
da sociedade feudal em decomposição. (...) A grande indústria criou o mercado 
mundial preparado pela descoberta da América (MARX, 2015, p. 36).
O “Eu” europeu toma para si o centro do discurso e a sua condução, colocando 
o colonizado no lugar de o “Outro”. Destarte, a formulação de identidade do povo 
latino-americano passa a se tornar um processo não mais de descoberta, mas sim, de 
encobrimento, por meio da dominação social, do egocentrismo europeu, que realiza uma 
dominação social e cultural, fortalecendo um padrão de poder, o que caracteriza essas 
regiões até hoje. A colonialidade, é formada mediante uma classificação social estabelecida 
por critério de raça, sendo estabelecida sobre a europeia o caráter de superioridade, como 
também, por meio do controle e apropriação do trabalho.
A construção estrutural abriu margem para a criação do eurocentrismo, um padrão 
de racionalidade.
Assim, esse novo sistema de dominação social foi diretamente ligado 
à divisão da relação de trabalho, bem como, possibilitou a intensificação das formas de 
explorações realizadas, associada diretamente à acumulação de riquezas, possibilitada 
através da exploração das colônias, despertando o desenvolvimento do capitalismo na 
qualidade de sistema mundial. 
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Epistemologicamente falando, a construção da imagem do Outro foi apagada, 
restando apenas o que foi conhecido através dos relatos europeus, uma vez que, o 
conhecimento originário na Europa remete a tudo aquilo considerado, nesse contexto, 
como racional, científico e superior, enquanto o que é produzido de outra origem, de 
outra cultura, é considerado irracional e inferior. Essa ideia de superioridade europeia foi 
difundida mundialmente, gerando uma invisibilidade de outros conhecimentos que não 
fossem concebidos pelos europeus. 
Essa dominação europeia ocorreu, basicamente, em todas as instituições e 
segmentos da sociedade latino-americana, firmando como um poder sistemático 
e hegemônico, resultando na elaboração de paradigmas que tinham como base a 
racionalidade europeia. Em consequência disso, a criação dos Estados latino-americanos 
ocorreu sem levar em consideração a minoria étnica, ocorrendo um processo civilizatório 
cujo intuito era homogeneizar e unificar a sociedade, sem considerar a pluralidade, 
causando a exclusão de alguns grupos que não puderam participar, por exemplo, da 
condução política ou de alguns espaços públicos, pois estes não lhe eram considerados 
um direito.
Mesmo por meio de uma diferenciação das relações de forças, como da dinâmica 
social desses países, a América Latina foi sujeita a um processo de desenvolvimento 
capitalista similar, por meio da relação estrutural de dependência desenvolvida. Dessa 
forma, o processo de colonização e controle exercido pelos estrangeiros ultrapassaram a 
exploração realizada através das grandes navegações e dirigiram-se para um delineamento 
geopolítico complexo, de modo que, ainda atualmente, a América Latina possui uma 
dependência seguindo o mesmo modelo de doutrinas econômicas. 
O processo de colonização é visto como o primeiro passo em direção à 
modernidade pelo qual o europeu, de forma sistemática, se impõe sobre o novo povo 
encontrado, ampliando a sua imagem de guerreiro desbravador, e passa ter como intuito 
a “domesticação”, a alteração e a universalização do modelo de vida do colonizado, com 
base na perspectiva do colonizador, realizando essas ações via “práxis erótica, pedagógica, 
cultural, política, econômica, quer dizer, do domínio dos corpos pelo machismo sexual, da 
cultura, de tipos de trabalho, de instituições criadas por uma nova burocracia política, etc.” 
(DUSSEL, 1993, p. 50-51).
Nesse contexto, foram originadas as novas identidades sociais − índios, negros 
e mestiços – com o intuito de distinguir os povos entre si, bem como diferenciá-los dos 
colonizadores, que se autodenominaram como brancos. Surge, assim, a diferenciação 
racial através da cor. Essa formação social, relacionada às características biológicas, 
como a cor da pele e o lugar de ocupação nos papéis desempenhados na sociedade, gera 
um período de dominação e violência permanente e, mesmo em meio a isso, ocorreu uma 
naturalização nessa formulação social, por meio do critério racial. 
As colônias da Europa, primeiro na América e mais tarde na África, forneceram-lhe 
mão-de-obra, produtos agrícolas e recursos minerais. Igualmente, apresentaram à 
Europa uma variedade de culturas em contraposição às quais a Europa concebeu 
a si mesma como o padrão da humanidade – como portadora de uma religião, 
uma razão e uma civilização superiores encarnadas pelos europeus. À medida que 
a noção espanhola de “pureza de sangue” deu lugar nas Américas a distinções 
entre raças superiores e inferiores, esta superioridade se plasmou em distinções 
biológicas que foram fundamentais para a autodefinição dos europeus e que 
continuam presentes nos racismos contemporâneos (CORONIL, 2005, p. 52).
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Essas identidades sociais foram também utilizadas para a divisão dos espaços 
de trabalho. A divisão racial transformou-se em uma estrutura de exploração social, uma 
vez que o branco era privilegiado através do trabalho assalariado, ao negro e ao índio 
cabiam o trabalho escravo, como também o caráter servil. Esse modelo racista de divisão 
e associação ao lugar social foi repetido em todas as colônias europeias que se originaram 
nos anos seguintes. 
O critério racial foi utilizado como um modelo de classificação universal, associado 
a outras formas de dominação social, como gênero. Esse modelo causou um impacto 
mundial, uma vez que diversas pessoas foram afetadas, tanto no que se refere a construção 
de uma identidade social, quanto nas relações de divisão de trabalho. Ocorreu, assim, uma 
exploração social diretamente relacionada à questão racial e aos modelos de produção.
Para o antropólogo Fernando Coronil (2005), o colonialismo é o lado obscuro do 
capitalismo europeu, que não deve ser visto apenas com detalhe nesse processo de 
desenvolvimento capitalista, uma vez que: 
[...] a “acumulação primitiva” colonial, longe de ser uma pré-condição do 
desenvolvimento capitalista, foi um elemento indispensável de sua dinâmica interna. 
O “trabalho assalariado livre” na Europa constitui não a condição essencial do 
capitalismo, mas sua modalidade produtiva dominante, modalidade historicamente 
condicionada pelo trabalho “não-livre” em suas colônias e em outros lugares, 
tal como o atual trabalho produtivo dos trabalhadores assalariados depende do 
trabalho doméstico, “não-produtivo” das mulheres no âmbito doméstico. Em vez de 
perceber a natureza e o trabalho das mulheres como “presentes” ao capital, devem 
ser vistos como confiscos do capital, como parte de seus outros colonizados, como 
seu lado escuro (CORONIL, 2005, p. 52).
Desse modo, a autoridade europeia, durante esse processo de ocupação, 
conquista e colonização, resultou na concepção de uma subjetividade da Europa guiando 
o interesse eurocêntrico enquanto proclamação de uma racionalidade e da normalizada, 
enquanto objetificação e a negação do Outro, enquanto cultura e sociedade. Ademais, 
esse processo de colonização da América foi essencial para o desenvolvimento das 
estruturas hegemônicas. Ainda que o reconhecimento dessa relação nem sempre ocorra, 
entretanto, estarão sempre presentes nas sociedades latino-americanas. 
Características Gerais da Organização Social
Ao que concerne a história da América, o sistema colonial é denotado pelas 
relações de monopólio, através da figura do colonizador e do colonizado. Nesse contexto, 
os europeus realizam alterações em seu comércio, entretanto, as colônias são as 
principais responsáveis pela produção de riquezas. Todas as ações eram realizadas por 
meio da terminação do colonizador, incluindo os modos de produção, sempre visando a 
maximização do lucro, propiciando, assim, o uso do trabalho escravo. 
Nesse contexto de construção social da América Latina, restou o caráter servil. 
A riqueza encontrada nessas terras foi voltada para o abastecimento e manutenção das 
demandas internacionais, que beneficiava diretamente os colonizadores. Desse modo, 
a organização social era condicionada a um caráter de dependência. A concepção 
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identitária foi concebida através do disfarce da sua identidade real, para que o padrão 
europeu se sobressaísse, gerando, assim, uma dependência dos colonizados para com os 
seus colonizadores. 
A construção da América foi feita a partir da identidade europeia de tal modo, 
que dentro dessa conjuntura, a sua existência estava diretamente ligada à sujeição aos 
interesses da metrópole. O caráter de superioridade adotado pelo europeu em relação às 
outras culturas fez com que existisse uma crença baseada em um caráter eurocêntrico 
de que as culturas já existentes nas regiões exploradas não fossem dignas de existir, 
uma vez que não se assimilaram
à cultura europeia. Dessa forma, a identidade América é 
inicialmente forjada através do seu encobrimento, firmado por meio de um processo de 
negação e subjugação.
Nesse processo de colonização da América podemos citar que o primeiro povo 
a passar por exclusão e segregação foi o indígena. Esses tiveram a sua identidade 
marginalizada e silenciada, foram explorados física e sexualmente, sua crença foi anulada, 
suas terras desapropriadas, seus conhecimentos excluídos e o seu modo de viver 
desfigurado. Nesse contexto, os povos indígenas foram submersos por um conceito de 
unificação de valores, baseados em uma cultura que não respeitava as suas crenças, 
mitos, ritos e deuses. Foram obrigados a se adequar ao modelo que o europeu considerava 
como o correto, ou seja, submetidos a uma sociedade cristã, tida para os europeus como 
correta e racional.
Ao que concerne a colonização, epistemologicamente falando, essa foi concebida 
através da trindade colonialidade-eurocentrismo-capitalismo atuando diretamente 
no controle social, através da abstração daquilo que já existia naquelas sociedades, 
principalmente, no que se refere a construção do conhecimento e da cultura. Segundo 
Quijano (2005), três fatores viabilizaram esse processo:
Primeiramente, expropriaram as populações – casa, corpo e terra; em seguida, 
reprimiram de todas as formas a produção de conhecimento dos colonizados, sua 
construção de subjetividade, suas crenças e valores, sua produção de sentidos. 
Depois, obrigaram os colonizados a aprender e apreender a cultura dos colonizadores 
em todos os campos − técnico, material e subjetivo (QUIJANO, 2005a, p.121).
Os indígenas vivenciaram um dos casos de maior violência e repressão, tiveram a 
sua cultura e conhecimentos subjugados, tiveram seus direitos de construir, falar e usar 
seus saberes negados, os seus símbolos foram apagados e segregados, foram forçados 
a viver uma vida de marginalidade e clandestinidade para que, de alguma maneira, as 
suas raízes fossem preservadas, os seus saberes não se perdessem com o tempo e 
mantivessem a sua essência viva e presente. 
Esse processo de dominação executado pelos europeus era tido pelos mesmos 
como uma ação instrutiva, no qual, o uso da violência ocorria como uma reação a resistência 
dos colonizados, uma vez que, a partir dessa concepção eurocêntrica, esses poderiam de 
forma voluntária, abdicar da situação de selvageria que eles se encontravam (visão tida a 
partir do Eu europeu), como não o fizeram, o uso da força foi necessário. Sendo o europeu 
tido como inocente nesse processo, primeiramente, porque os povos colonizados ainda 
não eram civilizados e porque resistiram a esse processo civilizatório. 
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Vemos, nesse contexto, a ironia desse processo. Como um povo com suas terras 
invadidas, seus costumes e crenças segregados, seu povo escravizado, explorado e 
violentado, deveria reagir a esse processo passionalmente? Partindo dessa concepção, 
não seria o Eu europeu o culpado dessas ações? A sua visão egocêntrica não lhe permite 
entender e aceitar que o Outro, que estava sendo marginalizado, tinha outra alternativa, 
a não ser reagir.
Além desse processo de ocupação territorial e organização mediante as 
vontades dos colonizadores, ainda se aplica a dependência econômica, com origem 
nas características que marcaram esse processo de povoamento e exploração da 
América enquanto colônia europeia. Ao que se refere a América, o sistema colonial foi 
caracterizado pelas relações de monopólio entre o colonizador e o colonizado, assim, os 
ajustes comerciais eram realizados através dos europeus, por meio das pequenas cidades 
que tentavam estabelecer a organização econômica e social da Europa, no continente 
dominante. A expansão capitalista-mercantil tinha grande parte da produção voltada ao 
mercado internacional, atuando diretamente em cima da economia recém-formada em 
função da economia mundial.
A América Latina abarcou o mercado internacional como principal exportadora de 
produtos agrícolas e metais preciosos, não só no período colonial, mas, após o mesmo. 
Destarte, está integrada desde os primórdios, no curso do capital, através da sua relação 
de dependência com seus colonizadores e o mercado mundial. Mesmo com a sua 
independência, conquistada posteriormente, mantiveram as relações de trocas, por meio 
da venda de produtos e da compra de industrializados, firmando uma troca entres os 
países produtores agrícolas e de extração de metais preciosos e os produtores industriais. 
As áreas coloniais correspondiam à periferia desse sistema. Nas porções de terras 
situadas na Ásia, América e África ficam as colônias e feitorias. As feitorias, características 
da Ásia e África, atuavam na troca de mercadorias, já as colônias, situadas no continente 
americano, eram responsáveis pela produção dos gêneros de mercado, ou seja, a produção 
de especiarias que iriam abastecer as metrópoles, principalmente através dos produtos 
que não eram encontrados na Europa, bem como no processo de extração de metais 
preciosos. Em suma, a produção do Norte era direcionada ao mercado interno e a do Sul 
para a exportação.
Dessa forma, as colônias tinham o intuito de integrar a economia europeia, através 
da alta produção de açúcar, algodão e minério, itens agrícolas lucrativos dentro deste 
período, tornando a produção colonial cada vez mais voltada para os interesses da 
metrópole. Assim, a colonização da América foi primordial para o desenvolvimento da 
economia capitalista e para a construção da Europa como eixo central.
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C I V I L I Z AÇ Õ E S
Civilizações Pré-Colombianas
Entendemos a História da América a partir da “descoberta” realizada por Colombo 
em 1492, entretanto, ao chegar nessas terras habitadas, essas civilizações foram 
denominadas de “pré-colombianas”. As principais civilizações apresentadas no contexto 
que antecedeu a chegada de Colombo na América foram os Maias, Incas e Astecas. 
Figura 04: Civilizações Pré-Colombianas.
Fonte: Viajar entre viagens.
A civilização Inca se estabeleceu ao longo dos Andes, na América do Sul, nas 
regiões que hoje correspondem ao Chile, Peru e Equador. As civilizações Maias e Astecas 
desenvolveram-se na região conhecida como Mesoamérica, na América Central, entre a 
Guatemala e o sul do México. 
Dessas civilizações a mais antiga é a Maia, cujo desenvolvimento corresponde 
ao século VII d.C, seguida pelos Astecas, que começaram a se desenvolver enquanto 
civilização no século XIV d.C, sequenciados pelo Império Inca, que teve seu 
desenvolvimento no século XII d.C. Ambas as civilizações, gradualmente, sucumbiram à 
colonização espanhola. Exploradores como Francisco Pizarro e Hernán Cortés exerceram 
domínio sobre esses povos e abriram caminho para o sistema colonial no século XVI. 
Esse processo de “descoberta” do continente americano não correspondeu 
apenas a um espaço de terra. Os europeus, ao chegarem nessas terras, se depararam 
com um agrupamento cultural intrínseco, com civilizações complexas, que já possuíam 
domínio da escrita, calendários e até mesmo um sistema matemático.
Destarte, é notório que o continente americano era dotado de uma vasta 
diversidade cultural que se desenvolveu por conta própria, contrariando, assim, a ideia 
eurocêntrica de que a população que já habitava a América não era civilizada. Essas já 
possuíam suas relações sociais definidas e possuíam saberes.
15
Civilização Maia
A civilização Maia desenvolve-se na região da Mesoamérica, localizada na América 
Central, e também em parte da América do Norte, correspondendo à região do México, 
atualmente. Embora seja desconhecida a sua origem, alguns historiadores apontam que 
ela ocorreu entre 2.000 a.C a 1546 d.C. Antes da erradicação dos Maias, povos como os 
otomies e otoncas vagaram pela América e, por volta de 900 a.C, os Maias fixaram-se 
próximo de Yucatán (Moraes, 1998).
Figura 05: Mesoamérica.
Fonte: Arqueologia Mexicana.
A região ocupada pela civilização Maia, que corresponde a América do
Norte e 
América Central, possui duas divisões distintas, conhecidas como Terras Baixas e Terras 
Altas, as quais ainda se dividiam em regiões meridional, central e setentrional, possuindo 
cada uma delas, aspectos geográficos e culturais distintos. 
A região meridional engloba as Terras Altas da Guatemala, sendo composta por 
montanhas de origem vulcânica e estende-se da porção oriental de Chiapas, no México, 
até El Salvador. Apesar de ser uma região fértil, da abundância de recursos naturais e do 
papel que desempenhou na formação da civilização Maia, essa região apresentou baixo 
número de povoações, se comparada às Terras Baixas.
Ao que concerne às Terras Baixas, é dividida em duas partes: as do Sul, ou 
Área Central, são cobertas por floresta tropical e se estende desde o Golfo do México, 
passando pelo litoral caribenho, até o norte da Guatemala. Já a região setentrional, ou 
Terras Baixas do Norte, compreende toda a península do Iucatã, possuindo uma formação 
calcária desprovida de cursos d’águas e um clima árido.
Segundo Moraes (1998), a sociedade Maia era organizada de forma descentralizada 
e tinha o seu poder político dividido entre as cidades-estados, em que cada chefe (halach 
vinic) governava uma região e submetidos a este encontravam-se os controladores do 
16
exército e os sacerdotes. Abaixo, a classe intermediária, com os artesãos e guerreiros e, 
por fim, os trabalhadores responsáveis pelo cultivo da terra e pelas construções públicas.
Os Maias possuíam uma sociedade segmentada em grupos sociais distintos, se 
sobressaindo sobre todas as camadas sociais a figura do rei, ou Ajaw. Abaixo dele estavam 
os nobres, comuns, servos e escravos. Nessa divisão, cada um possuía uma função social 
definida. Os nobres compunham uma classe complexa, na qual serviam como oficiais 
do governo, governantes, altos sacerdotes, militares, dentre outros. Possuíam grandes 
posses, eram alfabetizados e viviam nas áreas centrais.
Os comuns trabalhavam como operários, serventes, fazendeiros, atuavam na 
construção de templos e na agricultura. Esse grupo era proibido de utilizar roupas e 
símbolos característicos da nobreza e não podiam comprar ou utilizar itens considerados 
luxuosos. Viviam, geralmente, fora das áreas centrais e trabalhavam em espaços liberados 
pela nobreza em troca de alguns tributos.
Os servos e escravos trabalhavam nas terras pertencentes ao líder local e 
possuíam menos direitos que os comuns. O comércio escravista era ativo nessa região, 
onde a compra e a negociação ocorriam pela nobreza ou pelos comuns mais abastados. 
A escravização do indivíduo podia ocorrer como forma de pagamento de dívida, punição, 
ou aplicada a prisioneiros de guerra que não foram executados. Podia ocorrer também 
através da venda do próprio sujeito ou de membros da sua família.
Ainda sobre os povos escravizados, esses, por muitas vezes eram sacrificados 
durante rituais, ou após a morte do seu senhor, para que continuasse a lhe servir após a 
sua morte. Crianças órfãs também eram escravizadas e sacrificadas durante os rituais 
religiosos. No que concerne ao casamento entre escravos, esses passam a se tornar 
cativos do mesmo senhor, independentemente se o escravizado era um homem, ou uma 
mulher, após o matrimônio, ambos se tornavam escravos. 
Figura 06: Pirâmide social Maia.
Fonte: Pinterest.
17
A história dessa civilização é dividida pelos arqueólogos em três períodos que 
possuem arquitetura e estilos de cerâmica distintos. O Pré-Clássico, correspondendo 
a aproximadamente a 800 a.C. há 300 d.C., o Clássico, entre 300 d.C. há 900 d.C., e o 
Pós-Clássico, entre 900 d.C. há 1520 d.C.
O período Pré-Clássico foi composto pela formação das vilas rurais e sem 
realizações arquitetônicas significativas. O período Clássico foi visto como o ápice dessa 
civilização, diretamente relacionado à imponência dos templos e palácios, monumentos 
verticais, escrita hieroglífica e a cerâmica policrômica. O período Pós-Clássico foi visto 
como um período de decadência artística e cultural.
Para os Maias, o mundo subsiste de forma cíclica, ou seja, em fases que sempre 
iriam se repetir. Segundo Gendrop (1987), eles possuíam dois calendários, um que 
possuía 260 dias, chamado de Tzolkin, dividido em três grupos de meses compostos por 
20 dias, contados do 01 ao 13. Esse calendário era utilizado para as atividades agrícolas, 
para a realização de casamentos, oferecimento de sacrifícios e para demarcar o período 
favorável para o início de uma guerra.
Figura 07: Calendário Tzolkin.
Fonte: Pinterest.
18
O segundo calendário possuía 365 dias, chamado de Haab, dividido em 18 meses, 
no qual cada um possui 20 dias, totalizando 360 dias. Os 5 dias restantes para essa 
cultura são considerados desfavoráveis para a realização de algumas atividades. O que 
difere o calendário Maia para o nosso, além da divisão dos meses, é que no calendário 
ocidental o tempo é algo contínuo e para os Maias, o tempo é circular. 
Figura 08: Calendário Haab.
Fonte: Pinterest.
O conhecimento avançado na astronomia, favorecido pelo uso da matemática, 
possibilitou que essa civilização desenvolvesse um sistema complexo, entretanto de fácil 
escrita e compreensão, apresentando uma lógica à frente do seu tempo. Utilizando de 
três símbolos: uma concha, um ponto e um traço. Gendrop, explica esse sistema: 
[...] o ponto para a unidade, a barra para o cinco, mais um signo em forma de 
concha alongada equivalente a “zero”, ou melhor, significando ausência de valor. 
Esses signos prestavam-se facilmente à composição de números inteiros, podendo 
ultrapassar o milhar. Segundo esse sistema mesoamericano, o valor de posição 
crescia progressivamente, nas colunas verticais, de baixo para cima (GENDROP, 
1987, p. 30).
19
Figura 09: Sistema de numeração Maia.
Fonte: Maths Adventures.
Essa civilização era politeísta, ou seja, possuía a crença em vários deuses e 
a crença de que esses estavam presentes em um lugar denominado de Tamoanchan. 
Acreditava que todos os acontecimentos ocorriam através dos poderes dos ancestrais 
e das forças espirituais, bem como tinha locais tidos como sagrados na natureza. As 
cavernas eram vistas como a porta de entrada para o mundo sobrenatural e eram nelas 
que as ritualísticas ocorriam. Acreditava que o sacrifício humano era essencial para 
garantir que os deuses ficassem felizes e assegurar o funcionamento pleno do universo. 
Na ritualística de sacrifícios, utilizavam prisioneiros de guerra, como também 
voluntários, que se entregavam para o sacrifício em nome do bem comum. Esses rituais 
eram violentos e, em sua maioria, ocorriam através da decapitação e extração do coração 
de indivíduos ainda em vida. Em algumas cerimônias religiosas, ocorria o consumo de 
uma bebida de cascas da árvores, cogumelos e também de uma bebida alcoólica à base 
de mel. Esse ritual era restrito à elite da sociedade e a bebida era nomeada de Balche.
 Sua economia era baseada no cultivo de feijão, abóbora, tomate, bem como 
os itens considerados sagrados, como milho, algodão e cacau, e possuíam técnicas 
desenvolvidas para o plantio e cultivo. Utilizavam o calendário Tzolkin para basear-se 
no período de cheia e de seca dos rios. Também era fomentada pela pesca, caça e 
artesanato.
A produção ocorria coletivamente, ou seja, o solo não era tido como propriedade 
privada, entretanto, o Estado era detentor de todas as terras. Nas aldeias, os camponeses 
utilizavam dessas faixas de terra para obter o sustento e, com isso, deveriam pagar um 
imposto cobrado pelo Estado. Esse, por sua vez, também utilizava da força de trabalho 
dos camponeses, obrigando-os a trabalharem gratuitamente na irrigação de represas e 
nas construções.
A civilização Maia viveu o seu apogeu até meados de 900 d., e após esse 
período, estudos apontam que essa sociedade entrou em declínio, culminando no seu 
desaparecimento. O período de decadência dessa civilização foi marcado no período Pós-
clássico. Ainda é estudo dos historiadores o motivo determinante
para essa derrocada, 
muitos apontam o esgotamento de terras, superpopulação, doenças, guerras e desastres 
naturais como as principais causas.
20
Civilização Asteca
Os Astecas também se desenvolveram na região da Mesoamérica. Em 1325, a 
cidade de Tenochtitlán começou a ser construída pelos mexicas, popularmente conhecidos 
como Astecas. Essa fundação ocorreu no sul da América do Norte, que hoje corresponde 
à Cidade do México. A formação do Império Asteca foi baseada na construção de três 
cidades: Texcoco, Tlacopáne Tenochtitlán. Essa civilização ficou conhecida por constituir 
um estilo de vida sofisticado.
Sua capital era uma ilha, localizada no lago Texcoco. Esse lago foi aterrado pelos 
espanhóis durante o período da colonização, mas estava situado no Vale do México. 
Essa civilização se estabeleceu nessa região, em meados do século XIII. Segundo as 
crenças, esses povos teriam migrado de uma região chamada Aztlán, situada no noroeste 
mexicano, e vagaram por cerca de 200 anos até se estabelecerem nessa região conforme 
predição dos sacerdotes. 
O símbolo da fundação de Tenochtitlán foi a construção de um templo à base 
de bambu, seguindo a orientação dos sacerdotes, que alegaram ter um bom presságio 
sobre essa região, esse presságio seria simbolizado pelo pouso de uma águia sobre um 
cacto, devorando uma serpente, símbolo hoje presente na bandeira do México. Após o 
desenvolvimento dessa cidade, os Astecas passaram a construir relações comerciais 
com as cidades vizinhas.
Figura 10: Símbolo Asteca.
Fonte: Pinterest.
21
A sociedade Asteca foi concebida através da forte influência religiosa, baseava-
se nos astros e possuía a influência de um conjunto de divindades diversificado. Nesse 
contexto, podemos relacionar essa sociedade a, pelo menos, quatro divindades com 
distinções em suas representações e ritualísticas, e cada uma delas possuía um poder 
diferente dentro da sua mitologia. São elas: Uitzilopochtli, Tezcatlipoca, Tlaloc e 
Quetzalcoatl.
Figura 11: Deuses.
Fonte: Twinkl.
● Uitzilopochtli: era o deus mais importante, representava o Sol do meio-
dia. Acreditava-se que ele havia sido um homem em outrora. É o deus 
responsável por guiar essa civilização em sua peregrinação até a cidade de 
Tenochtitlan. No que concerne às festividades e rituais em função desse 
deus, eram solenes e marcados por sacrifício humano, pois também era o 
deus da guerra;
● Tezcatlipoca: foi considerado o deus da ambivalência, pois da mesma 
maneira que ele perdoava, também castigava. Acreditava-se que era 
onipresente, ficando conhecido como “vento da noite”, essa divindade 
também conseguia ler pensamentos e tinha o poder de dar e tirar a vida. 
Sua celebração ritualística era similar à do Uitzilopochli e não se relacionava 
com Quetzalcoatl;
● Tlaloc: representava a vida e era o deus da chuva e da água. Devido à 
escassez de água nessa região, era constantemente cultuado. O envio da 
água e da chuva estava ligado diretamente à produção dos alimentos. Esse 
deus possuía auxiliares denominados de tlaloque, os quais controlavam as 
boas e as más chuvas e regavam as regiões. Esse deus também estava 
associado à fertilidade; 
● Conhecido como a “Serpente de Plumas”, Quetzalcoatl, era o deus mais 
reverenciado na Mesoamérica. Era um deus virtuoso para qualquer 
22
circunstância e em seu culto não ocorria sacrifício humano. Na mitologia 
acerca dos Astecas, esse deus teve grande relevância na concepção da 
sociedade atual. Seu nome foi utilizado por diversos governantes e era o 
deus cultuado pelos sacerdotes que compunham um poderoso grupo social.
Os sacrifícios oferecidos às duas primeiras divindades (Uitzilopochtli e 
Tezcatlipoca) ocorriam através do sangue humano posto em pedras e sacrificados pelos 
sacerdotes. Durante essa ritualística, a extração do coração de homem vivo era realizada 
e oferecida como alimento para esses deuses. Acreditava-se que, se não houvesse esse 
sacrifício humano, tendo o sangue como oferenda, o mundo deixaria de funcionar. 
Os sacrifícios oferecidos em função de Tlaloc ocorriam anualmente, eram levadas 
crianças para o topo mais alto das montanhas para chorarem. Quanto mais a criança 
chorasse, maior seria a quantidade de chuva enviada por esse deus. Podendo ser a 
boa chuva, para o cultivo e produção das lavouras, como também a chuva forte com 
trovoadas e relâmpagos. 
A sociedade Asteca era diversa e hierarquizada, chegando a ter cerca de onze 
milhões de habitantes. Essa expansão se deu devido à conquista dos povos vizinhos. Os 
Astecas realizavam a cobranças de impostos sobre essas sociedades dominadas, pagos 
mediante alimentos, jóias e até mesmo por meio de escravos que seriam utilizados para 
os sacrifícios aos deuses. 
A divisão da sociedade era composta pelo Huey Tlatoani, na figura do imperador 
que estava no topo da pirâmide social, seguido da nobreza que atuava em cargos 
administrativos do império, a grande camada da sociedade era composta pelos comuns 
que exerciam as mais diversas funções nessa sociedade, e na base estavam os escravos, 
que normalmente eram pessoas endividadas, criminosos e membros das sociedades 
dominadas. 
Figura 12: Pirâmide social Asteca.
Fonte: Economipedia.
23
A economia dessa sociedade era destacada pela considerável tributação imposta 
às suas províncias. Seu comércio ocorria em uma grande praça situada em Tlatelolco, 
onde funcionava o principal centro comercial da cidade. Nesse centro era realizada 
venda de produtos agrícolas e de artesanato e a base da sua alimentação era o milho. 
Segundo Haberland, dentro dessa sociedade já existia uma economia monetária, esse 
grupo já tinha domínio das medidas de valores e utilizam o cacau como moeda de apoio. 
Possuía domínio de cálculo e geometria e cabia aos sacerdotes a função de estudar e 
acompanhar os movimentos dos astros, bem como, determinar os solstícios, as fases 
da lua e a duração do ano. Assim como os Maias, possuía dois calendários, um era o 
solar, composto de 18 meses, cada um com 20 dias, mais cinco dias “ocos”. O segundo 
calendário era o tonalpoualli, com 260 dias, com uma sequência de 13 números e 20 
nomes relacionados a plantas, animais e fenômenos da natureza. 
A queda do império Asteca ocorreu em 1521, ano em que a capital foi conquistada 
pelos espanhóis, sob a liderança de Hernán Cortés, que chegou à região por volta de 
1519 e iniciou o seu processo de conquista e ocupação, aliando-se aos indígenas inimigos 
dos Astecas, formando um exército que atacou e triunfou sobre essa civilização. Após a 
conquista espanhola, foi iniciado o processo de colonização, que passou a ser nomeado 
como Vice-Reino da Nova Espanha.
Civilização Inca
Os Incas foram uma das maiores civilizações da América até a chegada dos 
europeus. Inicialmente, eram formados por um clã da tribo dos quíchuas. Em meados do 
século XII iniciaram a formação de um grandioso império. Localizada no Andes Centrais, 
habitaram as regiões que hoje compreendem o Equador, Peru, Norte do Chile, Oeste da 
Bolívia e noroeste da Argentina. Composta por mais de dez milhões de pessoas, essa 
sociedade foi um dos povos mais civilizados da América. 
A sociedade Inca era dividida em várias classes sociais, dentro dessa hierarquia, 
a divisão ocorria da seguinte maneira: imperador, detinha o controle do império e era 
um indivíduo com poderes sagrados; sacerdotes e militares, membros da nobreza, 
responsáveis pela administração do reino; seguidos pelos camponeses que atuavam 
na agricultura e nas construções, curandeiros, feiticeiros; e na base da pirâmide, assim 
como nas outras civilizações, estavam os escravos. 
24
Figura 13: Pirâmide social Inca.
Fonte: Slideplayer.
A economia era baseada em um trabalho coletivo, onde cada indivíduo 
desempenhava um papel consoante a idade. A base da economia era a agricultura, com 
cultivo do milho, batata, abóbora, tomate e amendoim. Os Incas atuavam na criação de 
animais como lhamas, utilizadas para a locomoção, alpaca e vicunha, das quais
extraíam a 
lã e realizavam também o consumo da carne. Os membros dessa civilização que estavam 
localizados no litoral tinham a sua economia baseada na pesca. 
Essa sociedade possuía domínio da matemática, diferente dos Maias e Astecas, 
não deixaram registros dos símbolos utilizados para realizar essas representações, 
entretanto, existe o registro do Khipu, que significa nó em quéchua. O Khipu, era 
constituído por um cordão com uma série de pequenos cordões, em diversas cores e 
com vários nós, compondo uma espécie de franja. Cada um desses nós correspondia a 
quantidade de tributo que deveria ser paga por cada comunidade. 
25
Figura 14: Khipu.
Fonte: Ancienta Merindia.
O Khipu era constituído por um cordão medindo alguns centímetros a mais que um 
metro de comprimento. Desse cordão pendiam diversos cordõezinhos com nós, 
torções e cores variadas. Cada cordãozinho assim singularizado correspondia a 
objetos de mesma natureza, enquanto os nós que ele compreendia exprimiam o 
valor numérico desses objetos (FAVRE, 2004, p.68).
Para essa civilização, o ano Inca equivalia ao ano solar, iniciado no solstício de 
verão (de inverno). Segundo Favre (2004), o ano Inca era dividido em 12 meses lunares 
e cada um correspondia a uma atividade econômica e a uma atividade religiosa. Os 
acontecimentos naturais estavam diretamente ligados à agricultura. Os cálculos utilizados 
para compreender a astronomia e elaborar o calendário seguiam a base de um sistema 
de numeração decimal.
O comércio era realizado por meio de trocas. Nas feiras era possível encontrar 
alimentos, tecidos, instrumentos agrícolas e cerâmica. Utilizavam um serviço de 
“recompensa”, que consistia em quem já executou o seu trabalho poderia receber 
alimentos, essa troca não ocorria amplamente, pois grande parte da população só 
produzia a quantidade que iria consumir. O comércio ocorria por meio da troca de 
produtos realizada entre as famílias ou nas férias, essa negociação ocorria por meio de 
valores pré-estabelecidos entre compradores e vendedores, conforme a demanda e sem 
interferência do Estado. 
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Os Incas eram politeístas, seus deuses eram associados aos elementos da 
natureza, como a chuva, o rio, o sol e a lua. Para essa civilização, existia um grande 
deus, responsável pela criação do céu e da terra, em algumas regiões, era chamado de 
Ticiviracocha, e em outras de Pachacámec. Em sua crença, a alma era imortal: “creem 
que seus maiores tornam a viver e alguns acreditam (segundo me informaram), que as 
almas dos que morrem entram nos corpos dos que nascem” (FREIRE, O Soldado Pedro 
de Cieza de León, p. 65, 2000).
A queda dessa civilização ocorreu por volta do final do século XV, quando 
começaram a ocorrer conflitos internos. Em meio a esses conflitos ocorreu a chegada 
dos espanhóis na região. Esses, por sua vez, aliaram-se aos inimigos dos Incas e 
conquistaram essa civilização, por volta de 1533. Após essa conquista, seu imperador 
foi executado e a população refugiou-se nas montanhas, onde permaneceram até 1571, 
onde foram novamente atacados e o seu líder atual também foi executado. 
As civilizações retratadas até aqui possuíam grande grau de desenvolvimento 
e podemos compará-las a outras grandes civilizações como os gregos e egípcios. Elas 
deixaram contribuições que fazem parte da nossa cultura até os dias atuais. Mesmo 
com grande grau de sofisticação, realizaram ações que deveriam ser condenadas nesse 
período, e atualmente, como a escravização e o sacrifício humano. 
27
A A M É R I C A N A E R A M O D E R N A
Corrida Marítima entre Portugal e Espanha
A expansão marítima, também conhecida como “As Grandes Navegações”, se deu 
devido ao processo de exploração e navegação sobre o Atlântico, ocorrido no início do 
século XV, e que se prolongou até por volta do século XVI. Os descobrimentos marítimos 
ocorridos na Era Moderna podem ser diretamente associados à conquista de território. 
Esse processo de descoberta marítima para as Índias e, em consequência, da América, 
demandou esforço e determinação dos navegadores. 
Esse processo exploratório do Oceano Atlântico foi iniciado pioneiramente pelos 
portugueses em meados do século XV e seguido pelos demais países europeus por 
volta do século XVI. Ocorreu em meio a inúmeras dificuldades, dentre elas as fantasias e 
superstições que alimentavam as crenças do que haviam além-mar. 
Nesse contexto, esse processo consolidou-se através da transição do medievo 
para a Era Moderna. A economia passou por uma ampla transformação, uma vez que, 
por meio das grandes navegações e da colonização realizada, houve o crescimento do 
comércio, estabelecendo novos contornos na economia mundial por meio do modelo 
econômico conhecido como mercantilismo.
Trata-se de uma época em que as rotas passam a ser refeitas e os mapas 
redesenhados. Essa expansão se deu pelo fato de os novos continentes precisarem 
ser inseridos nos mapas. As alterações implementadas nos mapas traz a sensação de 
encurtamento das distâncias, uma vez que as novas embarcações e as novas rotas 
possibilitaram que essas incursões ocorressem de forma mais precisa.
A construção do processo de expansão marítima ocorrido entre os séculos XV e XVI é 
identificada como um período de longas viagens, popularmente conhecido como Grandes 
Navegações ou Expansão Marítima. Esse processo foi liderado por Portugal e Espanha. 
Esse protagonismo se deu devido às condições favoráveis que esses territórios possuíam 
enquanto Estados Nacionais. Uma vez que, “visando fortalecer os novos Estados, a fim 
de superar a fragmentação do poder típica do feudalismo, os monarcas investiram no 
comércio, bancaram as grandes navegações [...]” (SCHMIDT, 2010, p.13).
Nesse contexto, Portugal assume o pioneirismo. Foi a partir do molde português 
que países como Espanha e França resolveram realizar esse processo exploratório. 
Esse pioneirismo resulta das condições favoráveis que esse país Ibérico possuía para se 
debruçar no processo, dentre eles a sua localização geográfica, o avanço nas tecnologias 
como a produção cartográfica, a criação de bússolas, as caravelas e principalmente a 
ausência de guerras durante o século XV. 
Esse processo culminou na “descoberta” de locais desconhecidos pelos demais 
países europeus. Além da concepção de novas rotas, ocorreu o surgimento de novos 
modelos de comércio. Todas essas ações foram possíveis mediante a estabilidade política 
que Portugal vivenciava nesse período, estabilidade essa que países como Espanha, 
França e Inglaterra ainda ansiavam. 
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Os portugueses possuíam um território consolidado, desde meados do século XIII, após 
a reconquista da região de Algarve concretizada pelos mouros. Os espanhóis que estavam 
nessa “corrida marítima” só garantiram a sua unificação de território no final do século XV, com 
isso, Portugal ganha vantagem dentro desse processo de expansão. 
No ano de 1488, Bartolomeu Dias realizou o processo de navegação através do contorno 
do continente africano com o intuito de chegar até às Índias. Na busca por especiarias, esse 
processo culminou em uma nova rota realizada através da construção do caminho por meio 
do Cabo das Tormentas, que após o êxito nesse processo de travessia, passou a chamar-se 
de Cabo da Boa Esperança. 
Vasco da Gama também obteve êxito. No ano de 1499, a expedição realizada por ele 
foi tida pela corte portuguesa como um verdadeiro triunfo, uma vez que, segundo Cotrim, ele 
retornou a Portugal com um carregamento que supera o custo da expedição em 60 vezes. 
No ano de 1500, Pedro Álvares Cabral chega em terras que hoje correspondem ao 
Brasil.
Com base nos fatores que favoreceram Portugal dentro de desse pioneirismo, 
podemos traçar uma linha cronológica resultante nos triunfos obtidos pela coroa portuguesa 
por meios das grandes navegações, sendo elas:
● Conquista de Ceuta, no norte da África, em 1415.
● Ilha da Madeira, em 1418.
● Chegada aos Açores, em 1427.
● Travessia do Cabo Bojador, em 1434.
● Travessia do Cabo da
Boa Esperança, em 1488.
● Nova rota para as Índias, em 1499.
● Chegada ao Brasil, em 1500.
Quanto ao processo realizado pela Espanha, ocorreu por meio de outro contexto. 
Sua monarquia foi constituída no século XV, através do casamento do rei Fernando II de 
Aragão com a rainha Isabel I de Castela, em 1469. Inicialmente, essa monarquia focou 
na segurança econômica, prestígio social, terras e força política. Dentro desse contexto, 
Schmidt salienta que:
[...] mesmo tradicional, agrária e aristocrática, a Espanha permaneceu sensível ao 
grande comércio. Isto se manifestou, sobretudo, na competição com Portugal pelo 
controle da rota atlântica do comércio de especiarias com as Índias. Ambos os 
Estados disputavam o domínio da costa africana. Em 1344, dom Luis de La Cerda 
tomou posse das estratégicas Canárias para Castela. Contudo, ao longo do século 
XV, Portugal conquistou as posições-chave do périplo africano. As viagens de 
Bartolomeu Dias (1488) e de Vasco da Gama (1498) consolidaram a hegemonia 
portuguesa nesta rota. Antes, todavia, Cristóvão Colombo ofereceu aos reis de 
Espanha uma alternativa: o encontro das Índias pelo Oeste. (SCHMIDT, 2010, p.18).
A Espanha se manteve distante, pois até meados de 1492, teve como prioridade 
a expulsão dos mouros. O processo de acometimento nas expedições só foi realizado 
após a conquista de Granada, cidade situada no sul da Espanha. Por não possuir grandes 
construtores de navios, geógrafos e até mesmo navegadores, os espanhóis se valeram 
das experiências desenvolvidas por outros países europeus, como Itália e Portugal.
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Com a chegada de Cristóvão Colombo, em 1490, que teve seu plano de expedição 
recusado pela coroa portuguesa e o ofereceu à coroa espanhola com o intuito de chegar 
até as Índias. Por meio de um erro de cálculo, Colombo foi levado a uma terra na qual 
não imaginara a existência, chegou à América, dando o primeiro passo da participação 
espanhola no processo de expansão marítima. 
Por meio dessas expedições realizadas por Portugal e Espanha, o conhecimento 
adquirido por meio dessa vivência náutica possibilitou que antigas concepções acerca do 
planeta fossem revistas. Através da chegada de Vasco da Gama às Índias e de Colombo 
na América, as percepções acerca do mundo foram ganhando novas projeções e foram, 
posteriormente, seguidas por outros países, por meio de inúmeras expedições que 
ampliaram o conhecimento do mundo. 
O conhecimento obtido através dessas navegações foi determinante para o 
despertar de um pensamento empírico, ou seja, para que houvesse a confirmação e 
validação de algo, seria necessária a comprovação prática. Pressupostos foram reavaliados, 
como a inexistência de vida após a linha do Equador ou a impossibilidade de ultrapassar a 
região equatorial, entre outras concepções que foram retificadas. 
O triunfo dessas expedições realizadas por Portugal e Espanha culminou em uma 
disputa pelas novas terras. Em razão dessa disputa, em 7 de junho de 1494, foi firmado 
o “Tratado de Tordesilhas”. Através desse tratado, portugueses e espanhóis dividiram o 
mundo, através da criação de um meridiano a 370 léguas de Cabo Verde, no qual as terras 
a oeste do meridiano pertenceriam aos castelhanos e as terras à leste, aos portugueses. 
O Tratado de Tordesilhas não foi o primeiro a ser assinado mediante a disputa 
ocorrida entre Portugal e Espanha. No ano de 1479 foi assinado o Tratado de Alcáçovas, 
que traçava um conflito a partir das Ilhas Canárias. Desse modo, as regiões ao sul 
pertenceriam aos portugueses e as regiões ao norte pertenceriam aos espanhóis. Ele foi 
alterado através da chegada de Colombo à América, sendo, assim, assinada a Bula Inter 
Coetera, em 1493, e só em 1494 que, após a assinatura do Tratado de Tordesilhas, houve 
a substituição do paralelo pelo meridiano.
A Bula Inter Coetera traçava uma linha imaginária estabelecida a 100 léguas a 
oeste do Arquipélago do Cabo Verde, destarte, todas as terras a oeste pertenceriam 
a Espanha e as que estivessem situadas a leste pertenceriam a Portugal. Entretanto, a 
coroa portuguesa não se mostrou satisfeita com esse tratado. Dom João II conseguiu sua 
reformulação que passou a ter 370 léguas. Muito se especula que a insistência da coroa 
portuguesa na reformulação desse tratado se deu por já ocorrer a suspeita de que havia 
terras na região que hoje corresponde ao Brasil. Muitos historiadores especulam se, de 
fato, a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 1500, ocorreu por um desvio na 
rota de navegação, ou se essa ação ocorreu intencionalmente para se certificar de que 
a suposição dessas terras era verdadeira ou não. Dessa forma, ao que se configura, os 
portugueses já possuíam muito mais conhecimentos acerca das terras a oeste, do que 
reconheciam publicamente. 
O processo de “descobrimento” ocorrido em decorrência das Grandes Navegações 
foram fundamentais para o mundo conhecido nessa época. A Europa foi extremamente 
beneficiada dentro desse contexto, uma vez que as novas rotas e o novo continente 
produziram alterações científicas, políticas, sociais, econômicas e religiosas. 
30
Os Grandes Navegadores
Com o período de expansão marítima, grandes navegadores criaram o seu legado 
associado à “descoberta” dos novos continentes, construindo a concepção do que 
conhecemos hoje através do mapa-múndi, bem como, sobre conhecimento acerca das 
demais culturas e o desenvolvimento da ciência, comércio, cultura, sociedade, política e 
religião. Podemos citar Marco Polo, Cristóvão Colombo, Américo Vespúcio, Pedro Álvares 
Cabral, Vasco da Gama, dentre outros, como exemplos de grandes navegadores que, 
através das suas expedições e conhecimentos adquiridos, desenharam caminhos para o 
novo.
→ Marco Polo
Figura 15: Marco Polo.
Fonte: E-biografia.
Marco Polo foi viajante, comerciante, explorador e diplomata, nascido em setembro 
de 1254, na cidade de Veneza, e faleceu em janeiro de 1324, na mesma cidade. Ficou 
conhecido através dos relatos de viagem, reunidos em um livro intitulado “As viagens 
de Marco Polo”, que serviu como guia para vários navegantes do século XV, entre eles, 
Cristóvão Colombo. 
Os relatos reunidos neste livro foram um sucesso em sua época e até os dias 
atuais é editado e utilizado em muitas aulas de História. O conteúdo desse livro virou 
filme, narrando as aventuras de Marco Polo rumo à Europa e à Ásia e sua chegada à corte 
chinesa, bem como a realidade com a qual ele se depara. Entretanto, estudiosos acreditam 
que Marco Polo nunca esteve na China, pois em seu livro, diversas características acerca 
da sociedade chinesa não são relatadas. 
O interesse de Marco Polo pelo oriente se deu, devido ao fato da sua família 
dedicar-se ao comércio com os povos orientais. Desde a infância, ouviu histórias das 
31
cidades pelas quais seu pai e tio passavam, despertando o seu interesse. Veneza foi, por 
muito tempo, um dos principais portos da Europa e recebia produtos vindos da China e da 
Índia. Por estar imerso nesse meio, familiarizou-se com as línguas de todas as partes do 
mundo. 
Nos relatos sobre as viagens realizadas por ele, tem que, no ano de 1271, seguiu 
através da Rota da Seda com destino à China, chegando nessa região somente quatro 
anos depois, em 1275. Durante o período em que lá esteve, atuou como embaixador do 
imperador Kublai Khan, neto do conquistador Genghis Khan. 
Marco Polo viajou por todo o reino e em cada uma das missões observava e 
produzia relatos acerca de todos os aspectos do ambiente. Ao chegar à Índia, seguiu 
o mesmo princípio dos relatos sobre o que estava vivenciando e descobrindo. Através 
dessas explorações em terras indianas deixa registrado os temperos locais, como a noz-
moscada e o gengibre. Retornou para Veneza após 17 anos e não é reconhecido. 
Levou consigo pedras preciosas e diversos produtos do Oriente, construindo um 
palácio para sua família, denominado “Il Milione”, em analogia à riqueza que possuíam. 
Marco Polo ainda participou de uma guerra em Veneza, no qual foi
feito prisioneiro. 
Na prisão narra as aventuras vividas em suas viagens a Rustichello de Pisa, que foi o 
responsável pela autoria do livro no qual foram reunidos os seus relatos de viagens.
→ Américo Vespúcio
Figura 16: Américo Vespúcio.
Fonte: E-biografia.
32
Américo Vespúcio foi navegador, escritor, comerciante e cartógrafo. Nascido 
em março de 1451, em uma família abastada, pode dedicar-se aos estudos, recebendo 
uma educação humanista e mostrando grande interesse pela matemática, astronomia e 
geografia. 
Trabalhou com Lorenzo Médici em um banco e por meio desse viajou até Sevilha 
no ano de 1490. Essa cidade estava em completa efervescência, mediante as perspectivas 
econômicas em decorrência da viagem realizada por Colombo. Com o retorno do navegador 
e mediante o sucesso para primeira incursão realizada, Vespúcio o ajudou a planejar as 
próximas expedições. Viajou com destinos às novas terras em três ocasiões, sendo a 
primeira com espanhóis e as demais junto aos portugueses. 
No ano de 1503, por meio de carta escrita a Médici, utiliza da expressão “Novo 
Mundo” ao referir-se ao novo continente. Nas incursões realizadas entre 1501 e 1503, 
relatou em 32 páginas tudo o que encontrou nesse continente, descrevendo em detalhes 
acerca das terras e pessoas. 
Em 1507 o cartógrafo alemão Martin Waldseemuller utilizou o nome América para 
referir-se ao “Novo Mundo” na construção do mapa-múndi. O uso no feminino foi realizado, 
pois, as demais porções do continente eram denominadas dessa maneira: Ásia, África e 
Europa. 
Vespúcio foi visto, durante os séculos seguintes, como uma figura que usurpou a 
descoberta realizada por Colombo, o qual faleceu acreditando que havia chegado na Ásia, 
e foi somente através da figura de Vespúcio que o novo continente foi visto e entendido 
como tal, mediante a observação realizada por ele em sua faixa de terra, população e 
vegetação e que a terra a qual estavam não tinha relação com a Ásia. 
→ Pedro Álvares Cabral 
Figura 17: Pedro Álvares Cabral.
Fonte: E-biografia.
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Pedro Álvares Cabral foi navegador, explorador e capitão-mor da frota portuguesa, 
responsável pela chegada às terras brasileiras em 22 de abril de 1500. Nascido no ano de 
1467, no Castelo de Belmonte, em Portugal, oriundo de uma família abastada, membros da 
nobreza portuguesa, os Cabrais eram da linhagem de Carano, primeiro rei da Macedônia.
Aos 16 anos foi nomeado fidalgo por Dom João II. Foi também militar e 
presumidamente o primeiro europeu a pisar em terras brasileiras. Cabral, ao longo dos 
anos, adquiriu experiência diplomática e de navegação. Foi casado com D. Isabel de Castro 
faleceu em Santarém, vinte anos após chegar ao Brasil, no ano de 1520.
Comandou a segunda expedição em direção às Índias, no ano de 1500. Nessa 
expedição, Cabral foi recebido com revelia povo hindus. Foram derrotados e subjugados, 
tiveram embarcações naufragadas, mas, mesmo com perdas ocorridas, essa missão 
foi considerada um triunfo, uma vez que as novas rotas comerciais para as especiarias 
precederam lucro para coroa. 
Especula-se se a chegada do português ao Brasil ocorreu acidentalmente, 
como consta nos registros, ou se essa ação ocorreu por meio de uma manobra da corte 
portuguesa que, para não despertar o interesse dos espanhóis, não relatou a possibilidade 
da existência dessas terras e o enviou para confirmar se a teoria acerca da existência 
dessas terras era realidade.
As conquistas de Cabral, caíram no esquecimento através dos séculos e só após 
a independência do Brasil, no século XIX, através da figura do Imperador Pedro II, as 
proezas realizadas pelo navegador português foram reafirmadas.
→ Vasco da Gama
Figura 18: Vasco da Gama.
Fonte: E-biografia. 
34
Nascido em 1469, em Alentejo, Portugal, Vasco da Gama foi explorador e navegador 
português do século XV. Nomeado pelo rei Dom Manuel I, foi o comandante responsável 
pela expedição que partiu de Lisboa com destino às Índias e abriu uma nova rota marítima 
para esse importante produtor de tecidos, pedras preciosas e especiarias. A expedição 
realizada por esse navegador foi umas das mais importantes realizadas durante esse 
período, pois se tornou a rota mais importante para o comércio português. 
Em seus estudos, dedicou-se à matemática e à navegação. Esse conhecimento lhe 
ajudou nas diversas incursões realizadas. Favorecido pelo seu domínio nessas ciências, 
percorreu os oceanos com maior precisão, através do Atlântico e do Índico, e conseguiu 
chegar às Índias, onde estabeleceu a rota de especiarias. Esse feito concretizou Vasco da 
Gama não só um homem rico, mas muito respeitado em seu país. 
Vasco da Gama teve um papel fundamental no processo de descoberta de novas 
rotas marítimas com destino às Índias. Nesse período, a Índia era o país mais importante 
na produção e comércio de tecidos, pedras preciosas e especiarias, sendo assim, uma 
rota que ligasse diretamente esse centro produtor era fundamental para ampliação e 
fortificação do comércio.
Vasco da Gama percorreu cerca de 20 mil quilômetros, contornando o continente 
africano, para chegar às Índias. Após essa incursão que durou mais de um ano, atracou 
na cidade de Calicute, costa ocidental da Índia. Mesmo sendo recebido hostilmente pelo 
governo local, permaneceu no país por cerca de cinco meses, quando regressou para 
Lisboa.
O sucesso da expedição realizada por Gama fez com que o monopólio comercial 
exercido pela Itália começasse a ruir, uma vez que a coroa portuguesa possuía uma nova 
rota que lhe possibilita o acesso a essa “fonte” de riquezas. Os portugueses e membros da 
burguesia da época obtêm lucros elevados através desse comércio com produtos vindos 
das Índias.
No ano de 1502, regressa às Índias com diversas embarcações e trava uma luta 
com os seus nativos. Esse conflito finda com uma aliança entre portugueses, através 
da figura de Vasco da Gama, com os reis Cananor e Cochim. Essa aliança culminou no 
estabelecimento de entrepostos comerciais e feitorias em território indiano e africano. 
Ele retornou a Portugal em 1503, com as embarcações repletas de especiarias, tecidos e 
jóias. 
Após os triunfos obtidos por Vasco da Gama, o Rei Dom João III o nomeou Conde 
da Vidigueira e vice-rei da Índia, cerca de 20 anos após as primeiras incursões. A terceira 
e última viagem realizada por ele, em direção às Índias, em 1524, resultou em sua morte, 
pois nessa expedição contraiu malária. Seus restos mortais foram enviados para Portugal, 
e atualmente encontra-se em Lisboa, no Mosteiro dos Jerônimos.
 
35
O Nascimento de América: Conquista e Ocupação
No que se refere à ocupação europeia sobre a América, os fatores econômicos 
nesse processo de conquista sempre tiveram grande ênfase. Fatores como política e 
religião também se fazem presentes nesse contexto. 
O processo de expansão iniciado no século XV, e o processo de conquista do 
“Novo Mundo” realizado em meados do século XVI, abriram margem para uma gama de 
possibilidades que favorecem a monarquia dominante, como ampliação de recursos e do 
campo de atuação da coroa, que passa a dispor de novos cargos, ofícios e terras. Essa 
ampliação de posses permite conceder privilégios a grupos e indivíduos, amplia o lucro, 
como também reforça o poder exercido por essa monarquia. Segundo António Manuel 
Hespanha:
Com base na expansão, nos rendimentos que ela produzia, nas terras que ela 
abria a um enquadramento político e militar, nos empreendimentos organizativos 
e administrativos que ela possibilita, a coroa podia produzir novas formas de 
remunerar e de organizar.” (HESPENHA, 1994, p.496).
Nesse contexto encontram-se desejos expansionistas motivados pela ânsia de 
possuir novas terras para lavouras, bem como, a apropriação de recursos naturais e 
minerais extraídos nas novas terras “descobertas”. Em contrapartida, estão os nativos 
dessas regiões, muitas vezes postos apenas como testemunhas, ou vítimas dos avanços 
realizados pelos europeus. Mas, enquanto indivíduos, possuíam suas
particularidades e 
não devem ser marginalizados, mesmo que em meio a esse processo de ocupação tenham 
tido sua pluralidade posta de lado. 
No processo de expansão e ocupação territorial europeia, na própria narrativa 
construída pelos seus agentes, o “Outro” que existia nessas regiões, que não possuía 
similaridade com o “Eu” europeu, era visto e rotulado como incivilizado, seres primitivos, 
que em sua visão eurocêntrica necessitavam de instrução para que viesse a se adequar 
aos moldes impostos por seu colonizador. Essa visão que o colonizador possui sobre 
o outro não só demonstra o “orgulho” que esse sentia em pertencer a uma civilização 
desenvolvida e que possuía uma visão ampla do mundo, como também, reforça a ideia 
de que esse processo de “descobrimento”, para os agentes causadores, também possuía 
um caráter de processo civilizatório que visava transformar a cultura existente e unificá-la 
segundo a cultura europeia.
O processo de conquista e colonização realizado pelos portugueses e espanhóis 
ocorreu durante o período em que esses países estavam passando pela transição do 
feudalismo para o capitalismo. As colônias foram incluídas, fazendo com que esses 
subordinados aos seus colonizadores atuassem como fonte no acúmulo de capital para a 
metrópole. 
A conquista ultramarina, sem dúvidas, abriu um leque de possibilidades para a 
monarquia. O processo de conquista e ocupação do Novo Mundo foi feito com o intuito de 
obter vantagens sobre aqueles que lhe habitavam e sobre o que esses poderiam oferecer 
à coroa, seja através da mão-de-obra, ou da apropriação das riquezas que aqueles povos 
possuíam.
36
Os espanhóis, ao adentrarem na América Meridional e Central, se depararam 
com impérios ricos e desenvolvidos, mas que não eram capazes de resistir às ações 
realizadas pelos colonizadores. Podemos citar o exemplo de Hernán Cortés e Francisco 
Pizarro, que ocupam e destroem as cidades que encontram e as transforma segundo as 
suas necessidades e cultura, ocupando os centros principais das cidades e coagindo a 
população a se estabelecer nas cidades mais compactas desses territórios.
Segundo Costa (2017, p. 55) “a dinâmica de trabalho imposta para a exploração 
de riquezas, em territórios latino-americanos, extirpou a cultura (e a vida) de milhares 
de indígenas e afrodescendentes”. Destarte, nesse contexto encontra-se o processo de 
ocupação territorial, contradições e conflitos entre os indígenas que habitavam essa região 
e os europeus que atuam como agentes colonizadores, que impunham a implantação de 
uma nova concepção de mundo.
Essa nova estruturação traz uma reformulação em vários setores. As novas 
cidades “desenvolvidas” pelos espanhóis deveriam possuir um modelo uniforme, segundo 
a concepção europeia implementada na América. Composta por ruas retilíneas, onde na 
praça central estaria localizada a Igreja, as casas dos colonos ligados ao conquistador e 
aos mais abastados, restando às camadas menos favorecidas o afastamento dos grandes 
centros urbanos. 
A nova concepção organizacional desses espaços representa a nova hierarquia 
social vigente nessas terras, por meio da sua estruturação, as ideologias e a cultura 
daqueles que as construíram segundo o seu modelo eurocêntrico. Através da cultura da 
cruz e da espada, os conquistadores apagaram as representações que caracterizavam as 
antigas culturas ali existentes.
Em suma, podemos explicitar que as ações resultantes do processo de colonização e 
ocupação europeia, na América, resultaram em alterações sociais e culturais nas estruturas 
existentes incorporadas e modificadas conforme os moldes dos colonizadores. Essa ação 
ocorreu através da imposição de um novo idioma, cultura, religião, como também de um 
novo modelo político e social.
37
O E N C O N T R O DA S C I V I L I Z AÇ Õ E S
Aspectos Simbólicos, Guerras e Epidemias
O processo de “descobrimento” em decorrência das Grandes Navegações resultou 
em desfecho de extrema importância para a Europa e mundo conhecido. A chegada ao 
“Novo Mundo”, através das rotas de navegação, trouxe transformações nos mais diversos 
âmbitos da sociedade. 
Na área científica, ocorreu a comprovação da teoria da esfericidade da terra; na 
política ocorreu a formação das colônias; na economia, novas rotas comerciais foram 
estabelecidas; temos, ainda, a escravização, o aumento da influência social e política, 
bem como o aumento da influência do cristianismo. 
O encontro de civilizações distintas configura um novo momento da história 
moderna, bem como a concepção da história da América, que ganha novos contornos 
através desse processo de “achamento”, bem como, vem ter posteriormente a história 
daqueles que ali já existiam narradas a partir de relatos, marcas e vivências, através 
daqueles que viram, ouviram, viveram, vieram e ficaram no “Novo Mundo”.
O meio social é algo que está em constante transformação, sujeito às implicações e 
fatores que estão alheios a sua vontade, por meio de uma dinâmica social, formulada pelo 
encontro de culturas distintas, que possuíam seus contornos e pluralidades, mesmo que 
envoltas sobre a influência e as imposições ocorridas, ainda possuem em sua essência, 
suas raízes que não permitem que a sua cultura e caraterística seja ceifada por essas 
transformações, influências e imposições.
O processo de chegada e encontro entre as civilizações europeias e as civilizações 
do “Novo Mundo”, no que se refere à conquista da América Espanhola, foi marcada, 
sobretudo, por confrontos violentos. O primeiro contato que ocorreu de forma amigável foi 
superado pelo desejo de conquistar e explorar as regiões e os povos que nelas habitavam, 
os espanhóis buscavam os metais preciosos para ampliar o seu acúmulo de riqueza.
Contando com o aval da Igreja Católica, que nesse período possuía mais poder 
e influências que os próprios reis, os espanhóis por meio do “Tratado de Tordesilhas”, 
tomaram posse das terras que constavam a oeste da linha imaginária traçada. Nas terras 
consideradas espanholas, estavam as pertencentes às civilizações Astecas e Incas, 
sociedades desenvolvidas e conhecidas pelo seu avanço enquanto construção de modelo 
social complexo e organizado. 
Os espanhóis, que haviam passado séculos em confrontos contra os muçulmanos, 
na Península Ibérica, viram nesse processo de expedição e exploração da América um 
momento de reconquista, uma forma de impor o seu modelo a essas sociedades, uma 
vez que os nativos dessas regiões não eram cristãos, desse modo, o poderio espanhol, 
associado ao incentivo e poder da Igreja Católica, poderia interferir nessas civilizações. 
O triunfo dos espanhóis sobre os nativos ocorreu através do extermínio desses 
povos, mesmo estando, na maioria das vezes, em um menor número, conseguiram se 
sobressair sobre essas civilizações. A aliança formada com os povos que outrora foram 
dominados pelos Incas e Astecas, com o intuito de se libertarem dos seus opressores, a 
38
superioridade das armas utilizadas pelos espanhóis durante esses períodos foi fundamental 
para esse triunfo. 
Outro fator determinante para o triunfo espanhol foram as doenças que trouxeram 
para o “Novo Mundo”. Certamente essa ação não ocorreu propositalmente, mas sim 
circunstancialmente, o que não impediu que essas doenças dizimaram tribos e ilhas 
inteiras, como caráter pandêmico e fatal. A principal doença trata-se da varíola, que não 
acomete apenas os povos nativos, mas também os seus conquistadores. 
A varíola atingiu o território ameríndio e causou um colapso que dizimou grande 
parte da população da Mesoamérica. Segundo Crosby, o processo migratório do homem 
é a causa fundamental das epidemias. E quando a migração tem lugar, as criaturas que 
mais sofrem são aquelas que foram isoladas há mais tempo, pois seu material genético foi 
menos temperado por uma grande variedade de doenças mundiais” (Crosby, 2003, p.37).
Ainda segundo ele, doenças como varíola, sarampo, febre tifo, amarela, malária, 
gripe, peste bubônica, são doenças
trazidas por europeus e tiveram efeitos nefastos sobre 
a população ameríndia, dizimando grande parte dessa população. O autor destaca que as 
enfermidades trazidas pelos europeus, em muitos casos, foram muito mais letais que a 
ação da espada empunhada por eles, uma vez que, pela espada, ainda existe chance de 
luta e defesa, já contra as doenças desconhecidas nesse período, a população estaria à 
mercê.
As epidemias teriam sido as principais responsáveis pela diminuição significativa da 
população nativa. Segundo Crosby, os primeiros relatos acerca da concepção da história 
das Américas estão repletos de casos terríveis epidêmicos, como também o decréscimo 
populacional significativo, confirmado por meio dos relatos realizados, como também 
através dos registros dos tributos recebidos pelos espanhóis. Em análise realizada por 
William McNeill (1976), ele cita que:
Estimativas recentes… baseadas na amostragem de lista de tributos, relatos de 
missionários e argumentos estatísticos elaborados, multiplicaram as estimativas 
populacionais iniciais em dez vezes ou mais, colocando a população ameríndia nas 
vésperas da conquista em torno de cem milhões de habitantes, com 25 a trinta 
milhões desse total atribuídos ao México e um número aproximadamente igual para 
as civilizações andinas.” (McNeill, 1976, p. 212).
Destarte, McNeill ainda ressalta como esse processo diminuiu a quantidade 
populacional dos nativos, após a chegada dos espanhóis nessas terras que ainda não 
haviam tido contato com outras civilizações e como isso impactou de forma catastrófica 
essa sociedade. 
Partindo desses níveis populacionais o decaimento foi catastrófico. Em 1568, menos 
de cinquenta anos do tempo em que Cortez inaugurou as trocas epidemiológicas 
e de outras naturezas entre populações de ameríndios e de europeus, a população 
do México encolheu para cerca de três milhões..., um décimo do que tinha sido 
quando Cortez aportou (Ibidem) (McNeill, 1976, p. 212).
É válido ressaltar que esses povos ainda não tiveram contato com outras 
civilizações e que por esse motivo, esse impacto ocorreu significativamente sobre essa 
população, o que não implica dizer, que os espanhóis também não foram acometidos por 
essas enfermidades durante esse processo. O que ocorre é que a população espanhola 
39
já havia tido contato com essas doenças anteriormente e, com isso, teriam desenvolvido 
imunidade, por esse motivo, os nativos sofreram mais com a disseminação dessas doenças. 
Ao longo desse processo de dominação das populações que habitavam a América, 
os espanhóis criaram um sistema administrativo complexo, responsável pelo gerenciamento 
dos interesses da coroa em terras americanas. Esse processo ocorreu brevemente, uma 
vez que, os espanhóis, movidos pela ganância de obter o maior acúmulo de riquezas por 
meio dos metais precisos, possuíam pressa em moldar esse modelo de gestão. 
Dessa forma, as regiões exploradas por essa nação foram divididas em quatro 
vice-reinados: Nova Espanha, Rio da Prata, Peru e Nova Granada. Ocorreu também a 
separação por meio de capitanias, em grupo de quatro: Venezuela, Guatemala, Cuba e 
Chile, cada uma dessas divisões era comandada por um vice-rei e um capitão, ambos 
designados pela coroa, que possuía um conselho supremo das Índias para gerir todas as 
questões referentes a colônia.
Os colonos que tivessem interesse em transitar entre a metrópole e a colônia, 
deveriam realizar uma prestação de contas à Casa de Contratação, que era a responsável 
pelo recolhimento dos impostos sobre todas as riquezas produzidas. Dentro desse sistema 
de controle, existia o porto único, com o intuito de garantir um maior controle sobre as 
embarcações. Assim, todas que saíssem das regiões na quais estavam localizadas as 
colônias, só podiam atracar no porto de Cádiz.
Respondendo pelos interesses da coroa espanhola, nas colônias estavam os 
“chapetones”, espanhóis, membros da elite colonial; abaixo deles, estavam os criollos, 
filhos dos espanhóis que nasceram na América e que atuavam na agricultura e no comércio; 
e na base dessa sociedade colonial estavam os mestiços, escravos e índios. Os indígenas 
foram os principais responsáveis pela mão-de-obra exercida nas colônias.
Burlando a proibição da igreja sobre a escravização dos índios, os espanhóis, 
adotaram dois sistemas de trabalho: a mita, que era composta por um trabalho mandatório, 
onde parte da população indígena era utilizada para a realização de serviços através da 
temporada; e a encomenda, que possuía um caráter de escambo, onde a mão-de-obra 
indígena era paga por meio da catequese e alimentação.
Desconstrução do Mundo Tradicional
As discussões em torno dos processos históricos nos trazem a sensação de que 
as relações realizadas entre o contato humano, seja ele com a natureza, filosófico ou 
social, está sempre atrelado a conflitos, sejam estes sociais ou intelectuais, ou até mesmo 
espiritual. Todos os acontecimentos que formulam a concepção da nossa sociedade 
ocorreram através da construção e desconstrução do mundo tradicionalmente conhecido.
O processo de descoberta da América pode ser citado como um marco nesse 
processo de desconstrução. Através do advento da modernidade associado às Grandes 
Navegações, podemos observar uma ruptura entre o que era conhecido, e abertura de um 
caminho para um “Novo Mundo”. Nesse contexto, o antigo e o novo realizam um encontro, 
que modifica as concepções já existentes enquanto mundo e sociedade. 
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Esse processo de desconstrução do mundo tradicional e concepção de “Novo 
Mundo”, por meio da “descoberta” do continente americano, está entrelaçado aos mais 
diversos relatos, baseados na perspectiva daqueles que vivenciaram esse processo, 
relatos esses sobrecarregados pela imaginação e misticismos dos navegadores ou dos 
seus descendentes europeus que nasceram nas colônias.
Os relatos realizados pelos navegadores acerca do processo de busca pelas Índias, 
das civilizações pré-colombianas, da chegada na América e das vivências nas colônias 
foram formulados unilateralmente, dando voz apenas ao agente causador dessa ação. 
Apenas no século XVIII, esse processo de escrita e leitura passa por uma mudança, uma 
vez que esses textos, são revisados e outras fontes passam a compor essas ilustrações. 
Esse processo de chegada, encontro, descoberta, ocupação e conhecimento foi 
marcado pelo choque cultural. De um lado encontrava-se a Europa, que se desvencilhou do 
seu regime feudal e partia rumo à modernidade. Do outro, uma cultura rica e desenvolvida 
pelos Maias, Incas e Astecas, que não resistiram a esse confronto e absorvidos pelo 
colonialismo.
O “descobrimento” da América e as relações estabelecidas entre os nativos 
e europeus condicionaram a desconstrução de uma concepção pré-estabelecida 
e a elaboração de novas discussões em torno das novas identidades culturais. 
Epistemologicamente falando, os conceitos de alteridade trazem consigo um lugar de 
reafirmação. A negociação, ou imposição de uma cultura sobre a outra era o que fomentava 
o convívio social estabelecido. 
Destarte, é possível visualizar a desconstrução de uma sociedade já existente, 
que possuía seus ritos, culturas, crenças e modelos sociais já estabelecidos, e passa por 
um processo de desconstrução dessa identidade e a ser bombardeada pelas normativas 
e cultura de outra civilização. 
Vemos a desconstrução do “outro” e a concepção do “eu” a partir da 
imposição realizada nesse processo permeado por uma visão eurocêntrica. 
Uma vez que o encontro com outra civilização esperasse que ocorresse um 
troca cultural e uma nova concepção cultura, dentro desse modelo imposto, sobre as 
civilizações do “Novo Mundo”, essa troca não ocorreu de fato, mas, sim, uma sobreposição 
de uma cultura sobre a outra, com o intuito de apagar o modelo de sociedade já existente, 
baseado em um modelo visto como superior pelos colonizadores, que estava enraizado 
pela sua cultura.
O processo de transculturação nos traz a reflexão não só sobre as
trocas culturais 
que conceberam o identitário latino americano, mas nos leva a constatar que as ações 
realizadas atuaram na forma como a representatividade histórica ocorreu. Podemos citar 
os jesuítas, que eram padres que faziam parte da “Companhia de Jesus”, uma ordem 
religiosa, ligada à Igreja Católica, cujo intuito era pregar o evangelho e ganhar adeptos ao 
catolicismo, atuaram diretamente nesse processo. 
Os jesuítas foram fundamentais dentro desse contexto de transculturação. Os 
padres foram, à maioria das vezes, os responsáveis pela troca de informações entre 
41
indígenas e europeus, pois não só aprenderam o idioma nativo, como ensinaram o espanhol, 
gerando assim um processo de troca cultural.
No que concerne ao processo de desconstrução do nativo e começa o processo de 
construção do outro, a partir do eu europeu, esse processo não se limita àquele contexto 
e período. É algo que permeia e faz parte da nossa sociedade até os dias atuais e sempre 
fará, uma vez que as sociedades americanas, mesmo com todas as alterações sofridas ao 
longo do tempo, tiveram essa base em sua construção. 
A sociedade dominadora desconstrói o que já era conhecido e influencia esses povos 
em todos os sentidos, seja no modo de se portar, vestir, falar, até a mudança de religião. 
Em sua origem, muitas dessas sociedades eram politeístas e possuíam ritos específicos 
para cada um dos deuses adorados, por meio dessa influência dos colonizadores passam 
a “migrar” de religião, deixam de ser politeístas e são catolicistas. Em sua obra, intitulada “A 
conquista da América”, Todorov relata a problemática incutida nessa construção do outro:
Quero falar da descoberta que o eu faz do outro. O assunto é imenso. Mal acabamos 
de formulá-lo em linhas gerais e já o vemos subdividir se em categorias e direções 
múltiplas, infinitas. [...] Posso conceber os outros como uma abstração, como 
uma instância da configuração psíquica de todo indivíduo, como o Outro, outro ou 
outrem em relação a mim. Ou então como um grupo social concreto ao qual nós 
pertencemos. Este grupo, por sua vez, pode estar contido numa sociedade: as 
mulheres para os homens, os ricos para os pobres, os loucos para os “normais”. 
Ou pode ser exterior a ela, uma outra sociedade que, dependendo do caso, será 
próxima ou longínqua: seres que em tudo se aproximam de nós, no plano cultural, 
moral e histórico, ou desconhecidos, estrangeiros cuja língua e costumes não 
compreendo, tão estrangeiros que chego a hesitar em reconhecer que pertencemos 
a uma mesma espécie. (TODOROV, 2011, p. 03-04).
A concepção da história da América, partindo do ponto de vista da conquista, 
é sem dúvidas, um dos maiores exemplos de transculturação ocorrido em larga escala. 
O novo continente pode-se dizer que fora um dos maiores exemplos de alteridade, 
totalmente desconhecido e intrigante. Esse encontro do velho mundo com o novo, criou 
novas zonas de contato, o que, segundo Pratt, seriam espaços sociais onde culturas 
díspares se encontram. 
Esse encontro de culturas tão distintas, que passa a ser reconstruída, o que segundo 
Todorov, “é a conquista da América que anuncia e funda nossa identidade presente. [...] 
Os homens descobriram a totalidade de que fazem parte. Até então, formavam uma parte 
sem todo” (2011, p. 07). A conquista da América, cria uma nova base identitária moderna 
para o Velho Mundo e propicia essa interação entre dois pólos distintos.
A troca cultural não se limitou à conversão. Não tardou para o europeu passar a 
dividir leito com as nativas, seja consensualmente ou por meio da força. Não tardou para 
denominarem uma nova raça, surgindo o mestiço. Um indivíduo que não “pertencia” por 
inteiro a nenhuma das nações, através dessa mestiçagem, a sociedade latino-americana 
foi concebida. E essa “troca” não se limitou às baixas camadas da sociedade, mas nela 
por inteiro. Algumas dessas crianças, frutos da relação entre colonos e nativos, tiveram 
acesso à educação e foram criadas e educadas aos moldes europeus, seja no local do 
seu nascimento, ou até mesmo através da ida para Europa, onde sua formação social e 
intelectual foi realizada. 
42
A transculturação ocorrida dentro desse momento de desconstrução e construção 
do Novo Mundo foi essencial para toda a humanidade, na concepção da sua história. Esse 
processo é repleto de elementos, que por meio do choque cultural acaba por não se 
anular, mas a se fundir e criar uma nova concepção cultural. Essa ação ocorre sem que 
nenhuma das partes envolvidas passe sem ser afetada, a essa constituição identitária é 
gerada por uma alteridade genuína.
 
Surgimento do Mundo Colonial
O colonialismo não é um fato exclusivo da modernidade nem deve se restringir a 
um tempo ou lugar específico. A prática colonial atravessa toda a história da humanidade, 
uma história que está repleta de exemplos que retratam essa expansão territorial que acaba 
absorvendo outros povos. Ao que se refere aos Estados Modernos, em sua maioria, passou 
por algum tipo de domínio colonial em sua concepção, principalmente os provenientes 
dos continentes americano, africano e asiático.
Tradicionalmente, o colonialismo é caracterizado como uma prática dominadora 
que ocorre mediante a submissão do outro. A prática do colonialismo era realizada por meio 
de um povo que deixava o seu lugar de origem e ocupava um novo território, exercendo 
domínio sobre o povo que ali já existia e mantendo-se leal às práticas e políticas do seu 
país de origem.
Foi durante o século XV, que essa prática tomou força em decorrência dos 
avanços tecnológicos na navegação que propiciaram as incursões. Com as novas rotas 
estabelecidas, a sensação de encurtamento das distâncias possibilitou a conexão entre as 
mais diversas partes do mundo, propiciando a expansão territorial de povos e sociedades, 
que passam a absorver outras culturas. 
É válido ressaltar que o colonialismo e o imperialismo, apesar de envolverem o 
controle econômico e político sobre um território dependente, são práticas distintas. O 
colonialismo ocorre por meio da dominação e ocupação de um território composto por uma 
grande massa de residentes permanentes. O imperialismo ocorre através do poder que 
um país exerce sobre o outro, de forma direta ou indireta, sem que ocorra a necessidade 
de permanecer nessa região a qual emprega o seu domínio.
O desenvolvido expansionista do capitalismo e do colonialismo, nos séculos XVI e 
XVII, criou a necessidade de explicação que justificasse as relações de poder imposta pela 
conquista realizada. Quijano (2000) ressalta que a conceitualização apresentada pelos 
conquistadores foi baseada no critério de raça, no qual existe uma suposta diferença 
biológica que coloca esses povos em local de inferioridade em relação aos demais.
Nesse contexto, a ideia apresentada pelos colonizadores, quando utilizam desse 
conceito racial, é de obter uma concepção que justifique as suas ações, valendo-se desse 
conceito de superioridade para uma justificativa que, ao seu ver, seja razoável às ações 
realizadas, fundamentadas por meio de uma razão universal de que uma raça superior 
deveria se sobrepor a outra. Quijano fala que essa ideia de raça foi forjada por meio do 
processo de descobrimento da América, para fundar e justificar as relações de domínio 
que o processo de conquista impunha. 
43
O conceito eurocêntrico foi concebido junto ao processo de “descobrimento” da 
América, com o intuito de justificar a colonização realizada nesse território. Valia-se das 
concepções criadas pelas ciências do século XVIII, que consideravam a organização social 
do mundo justamente, e que cada sociedade estava no lugar que lhe cabia de direito, ou 
seja, que os europeus, enquanto superiores, estavam eu seu lugar de direito enquanto 
colonizadores, e os povos americanos, por serem de uma raça inferior, estavam no lugar 
que lhe era devido, de colonizados.
Assim, partindo desse pressuposto, esse processo de colonização não deveria ser 
impedido e sim apoiado e
incentivado, uma vez que, ir contra essa ação, seria ir contra ao 
curso natural da vida, desobedecendo ao plano natural que estava em execução, onde a 
sociedade superior deveria se sobressair sobre uma sociedade tida como inferior e ação 
deveria ser respeitada e acatada, do contrário, estaria ocorrendo uma desobediência a um 
plano supremo que estava sendo exercido. 
Para Edward Said (2011), essa argumentação de superioridade é inválida, pois é 
preciso existir a construção de um discurso que agregue a posição exercida pelo dominador 
e pelo dominado que de fato justifique o seu lugar de direito. Ainda sendo a argumentação 
formulada por Said, não é possível obter um domínio sobre um império apenas por meio da 
força e de uma matança generalizada, mas é preciso existir um elemento representativo 
ou ideológico que justifique essa fundamentação.
Partindo das concepções apresentadas, podemos concluir que o processo 
de colonialismo se deu a partir de uma visão eurocêntrica, baseada em um critério de 
superioridade formulado pelos mesmo para justificar as ações realizadas por meio dos 
colonizadores durante esse processo de ocupação e conquista. É válido ressaltar que 
essas concepções foram formuladas por meio do eu europeu, que não conseguia enxergar 
o outro do de fato e por esse motivo, se autodenominou uma raça superior, não só no que 
diz respeito aos relatos feitos por esses colonizadores, mas através das ações executadas 
por eles. 
O entendimento de colonialidade concebido na modernidade foi totalmente 
formulado a partir da visão dos colonizadores. Desse modo, o pensamento ilustrado que 
parte desse pressuposto leva a crer que essas ações foram um fenômeno exclusivamente 
europeu, a partir de suas qualidades únicas e que justifica a sua superioridade sobre 
as demais culturas, o que não passa de uma visão eurocêntrica, uma vez que, essa 
modernidade ocorre em todo mundo mutuamente em dependência da colonialidade. 
44
Colonialismo Brasileiro
Por meio da contextualização do que fora o colonialismo, a partir de um ponto de 
vista eurocêntrico, e de como essa ideia de superioridade por parte do colonizador ocorreu, 
explicitar como ocorreu esse processo de colonização em território nacional e as implicações 
que esse processo trouxe para a nossa civilização e o quanto isso nos moldou e nos molda 
enquanto sociedade concebida a partir de um processo de colonização. 
O colonialismo brasileiro corresponde ao período em que Portugal colonizou o leste 
da América do Sul, de 1500 até 1822. Durante esse período, os portugueses exploram as 
riquezas naturais do Brasil para atender as demandas do mercado europeu. 
Durante o período pré-colonial (1500 – 1530) ocorreu a chegada dos portugueses 
na região da América do Sul, através da incursão realizada por Pedro Álvares Cabral. No 
decorrer desses anos, os portugueses instalaram um governo-geral em terras brasileiras, 
mais precisamente em Salvador, para administrar a colônia e executar as leis e ordens vindas 
de Portugal, uma vez que o sistema de capitanias hereditárias instauradas com um poder 
descentralizado não obtiveram êxito.
A incursão realizada por Cabral tinha como intuito chegar até as Índias, para estreitar o 
comércio que os portugueses possuíam com os povos do oriente, entretanto, o desembarque 
não ocorreu nas terras previstas, sendo assim “descoberto” o território nacional. 
Existe o questionamento, em algumas correntes historiográficas, de que a vinda de 
Cabral para o Brasil não ocorreu ao acaso, mas premeditadamente, uma vez que essa ação 
ocorreu logo após a chegada de Colombo nas terras americanas no ano de 1492. Esses 
historiadores acreditam que essa ação ocorreu para a coroa portuguesa expandir as suas 
terras. 
A missão de Cabral era garantir o domínio de Portugal sobre essas terras, a assinatura 
do Tratado de Tordesilhas reforça a teoria, uma vez que as terras brasileiras estavam ao lado 
da linha que pertencia à coroa portuguesa. Inicialmente, a demarcação realizada por Portugal 
solicitava o acesso às terras ao lado oeste, essa ação, levou os historiadores a deduzir que 
esse pedido teria ocorrido como uma forma de reconhecimento da Coroa portuguesa de que 
a “descoberta” realizada por Colombo significava que o continente era mais extenso do que 
se podia supor.
O primeiro contato dos portugueses na América do Sul, mais especificamente em 
terras brasileiras, ocorreu de forma pacífica e cordial, entretanto essa cordialidade não durou 
muito tempo, uma vez que ao impor o trabalho escravo na exploração das riquezas naturais 
daquela terra foram iniciados os confrontos entre os nativos e os portugueses, que culminou 
no extermínio de milhares de indígenas e fez com que diversas tribos deixassem de existir. Os 
sobreviventes a esses confrontos foram colonizados e obrigados a se adaptar ao modo de 
vida português.
Ao adentrar em terras brasileiras, os portugueses se depararam com o pau-brasil. 
A extração e exploração econômica realizada através dessa árvore foi a primeira atividade 
econômica exercida no contexto pré-colonial brasileiro. O pau-brasil era uma árvore que existia 
em abundância no território brasileiro e utilizada pelos europeus para tingir tecidos, através da 
tinta extraída da seiva da árvore, e sua madeira utilizada para a confecção de móveis.
45
Essa extração não rendia grandes lucros à Coroa, pois não se tratava de um 
material de grande valia no mercado exterior. Entretanto, essa exploração foi a primeira 
oportunidade vista pela Coroa portuguesa para iniciar o processo de colonização brasileira. 
A extração da árvore era realizada através do trabalho indígena, que além da extração, 
realizavam o embarque da árvore nas embarcações e em troca recebiam, como pagamento 
dos portugueses, produtos sem valor comercial como espelhos e outros adereços vindos 
da Europa. 
Por volta do século XVI, o comércio de especiarias, devido à corrupção na 
administração portuguesa, à falta de organização, aos ataques muçulmanos, aos ataques 
piratas que culminaram no naufrágio das frotas, dentre outros fatores, levaram os 
portugueses a investirem no processo de ocupação e exploração do Brasil. O medo da 
ocupação desse território, por meio das tentativas realizadas por Inglaterra e França, fez 
com que a coroa portuguesa decidisse por optar em definitivo as terras brasileiras. 
A dominação exercida por Portugal sobre o Brasil, através da exploração de riquezas 
naturais como a cana-de-açúcar, ouro, e da cobrança de impostos e tributos, perdurou 
por três séculos. Em meio a esse processo de ocupação e exploração, os portugueses 
adotaram no Brasil o mesmo modelo administrativo utilizado nas colônias pertencentes a 
Ilha da Madeira, ou seja, o território foi dividido em porções de terra que seriam distribuídas 
entre os aliados da Coroa, estabelecendo assim, o sistema de “Capitanias Hereditárias”.
Enquanto exerceu domínio sobre as terras brasileiras, a base da economia foi 
realizada através da exportação, com o intuito de atender os interesses do mercado 
externo. Sendo a extração do pau-brasil a primeira atividade econômica exercida. Os 
portugueses acreditavam que conseguiriam extrair metais preciosos nessas terras com a 
mesma facilidade que os espanhóis na América Central, entretanto, foi através da extração 
dessa árvore que os colonizadores tiveram o primeiro ganho com as terras brasileiras. 
No século XVI, os portugueses iniciaram o processo de produção açucareira. Com 
uma terra fértil e um clima favorável, foi iniciado o processo de plantação da cana-de-
açúcar. Para esse processo foi utilizada a exploração de mão-de-obra indígena, mas sem 
êxito nesse processo de escravização, os portugueses passaram a utilizar a mão-de-obra 
dos negros africanos. Quanto mais a produção crescia, maior era o número de negros 
escravizados em território brasileiro tornando o tráfico negreiro uma atividade econômica 
lucrativa.
O processo de utilização e exploração das terras brasileiras, da mão-de-obra 
escrava
indígena e negra permeou o Brasil por anos. O processo de colonização iniciado 
pelos portugueses em 1500 perdurou até o ano de 1822. O fim dessa colonização esteve 
ligado à crise do Antigo Regime, por meio da Revolução Francesa e da Era Napoleônica 
que alteraram a política europeia, enfraquecendo o poderio exercido pelas monarquias 
absolutistas.
46
C O N S I D E R AÇ Õ E S F I N A I S
No presente estudo pudemos acompanhar o processo de “descobrimento” 
de América e as ações que ocorreram em decorrência desse processo exploratório, 
desde o momento de organização e partida, até o momento de chegada, o primeiro 
contato e o que sucedeu após esse primeiro contato. Entendemos o motivo pelo qual 
o termo “descobrimento” não se torna adequado para esse processo exploratório, 
uma vez que só se descobre algo que nunca foi visto, tocado, ou habitado, o que 
não foi o caso das Américas, uma vez que essas já estavam ocupadas e muitas 
dessas terras já possuíam a sua organização político e social. 
Conhecemos as civilizações que outrora habitavam, desenvolveram e tanto 
contribuíram para não só a América, como para todo o mundo, através do seu 
desenvolvimento matemático e astronômico que tanto contribuiu para as sociedades 
que vieram após. Entendemos o processo de construção da América na Era Moderna 
e todos os impactos e contribuições que ocorreram em decorrência dessa chegada ao 
“Novo Mundo”, o encontro entre as civilizações e as trocas sociais e culturais ocorridas 
nesse processo, bem como, todo o processo exploratório ocorrido e como isso nos molda 
enquanto sociedade atualmente. 
47
B I B L I O G R A F I A
Campos Raymundo Carlos Bandeira – “Estudos de História Moderna e Contemporânea”, 
Atual Editora Ltda, São Paulo, 1998.
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Távora Luiz de Lencastre – “Colombo, a Cabala e o Delírio”, Quetzal Editores, Lisboa, 1991.
TODOROV, Tzvetan. A Conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes.
	RESUMO 
	INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA AMÉRICA
	Considerações Iniciais
	Ocupação Territorial e os Principais Acontecimentos
	Características Gerais da Organização Social
	CIVILIZAÇÕES
	Civilizações Pré-Colombianas
	Civilização Maia
	Civilização Asteca
	Civilização Inca
	A AMÉRICA NA ERA MODERNA
	Corrida Marítima entre Portugal e Espanha
	Os Grandes Navegadores
	O Nascimento de América: Conquista e Ocupação
	O ENCONTRO DAS CIVILIZAÇÕES
	Aspectos Simbólicos, Guerras e Epidemias
	Desconstrução do Mundo Tradicional
	Surgimento do Mundo Colonial
	Colonialismo Brasileiro
	CONSIDERAÇÕES FINAIS
	BIBLIOGRAFIA

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