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Como a antropologia é caracterizada? É caracterizada como o estudo holístico, biocultural e comparativo da humanidade (constitui-se exclusivamente comparativa e holística) O holismo se refere ao estudo de toda a condição humana: passado, presente e futuro, biologia, sociedade, língua e cultura. Objetivo Geral: Investigação da diversidade biológica e cultural humana sem o detrimento de nenhuma cultura, povo e suas identidades. Como a antropologia se estabelece? Se estabeleceu a partir do financiamento das elites européias, cujas intenções eram conhecer (cultura, costumes, hábitos de vida) para dominar os povos dos países subdensenvolvidos (= conhecer para explorar). ETNOCENTRISMO É a tendência de considerar a própria cultura como superior e aplicar seus próprios valores culturais ao julgar o comportamento e as crenças de pessoas criadas em outras culturas. RELATIVISMO CULTURAL É a posição contrária ao etnocentrismo. É a visão de que o comportamento em uma cultura não deve ser julgado pelos padrões de outras. Essa posição também pode apresentar problemas. Etnocentrismo/Relativismo Moral O etnocentrismo pode levar à intolerância religiosa, além de à intolerância cultural. Muitas vezes, adotar uma postura relativista pode ser o mais adequado; no entanto, deve-se evitar o relativismo moral. O relativismo se torna problemático quando passa para o âmbito moral, pois no relativismo moral, a proposta relativista é, segundo a filosofia, que se trate julgamentos morais como se fossem estéticos. O Etnocentrismo é, sem dúvida, um tema muito relevante e presente ainda hoje nas discussões acerca das diferentes culturas. Uma forma de evitá-lo, é adotando uma postura relativista, ou seja, utulizar-se do Relativismo Cultural, método utilizado pelos antropólogos. Contudo, essa postura, muitas vezes se torna problemática também. anotações Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Etnografia: Não é só um convívio desinteressado com o outro, pelo contrário, trata-se de um processo metodológico de busca, convivência e compreensão de modos de vida diferente dos nossos. Essa relação de troca entre o pesquisador e o pesquisado, permite-nos acessar os meandros da vida social de culturas que pouco ou nada sabíamos possibilitado pelo “encontro etnográfico” no qual ambos interlocutores trocam ideias sobre o mundo em que vivem. Etnologia: tem como objetivo examinar, analisar e principalmente, comparar dados registrados de diferentes sociedades pela etnografia, a fim de propor generalizações sobre a sociedade e cultura. Competência 1 Semana 2 A cultura é uma das categorias analisadas pelos antropólogos. Somente os seres humanos têm culturas completamente elaboradas - tradições e costumes específicos transmitidos pela aprendizagem e pela linguagem ao longo das gerações. Curt Nimuendajú (1883-1945), é considerado o “pai da Antropologia Brasileira”, que como etnólogo se dedicou mais de 40 anos ao estudo dos povos indígenas brasileiros. Mesmo sem formação acadêmica, mudou-se para o Brasil aos 20 anos e, dois anos depois juntou-se aos Apapokuva, povo guarani no interior de São Paulo. A partir dessa imersão, que deu origem à obra As lendas da criação e destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocúva-Guarani, publicada em 1915, começa o desenvolvimento da etnologia brasileira. Os primeiros estudos da área da antropologia no Brasil foram realizados por leigos, pessoas sem formação em antropologia, ou seja, os estudiosos eram apenas OBSERVADORES!!! Os pesquisadores se inseriam nas comunidades para observar e analisar as diferentes culturas e práticas culturais e religiosas, mas NÃO INTERFERIAM na cultura do povo observado. Essa foi a principal característica da “Antropologia Brasileira”: a OBSERVAÇÃO sem INTERFERÊNCIA. Inicialmente a antropologia brasileira se desenvolveu a partir de duas tradições: a etnologia indígena, na qual o nome de Curt Nimuendajú é, sem dúvida, referência; 1. a Antropologia da Sociedade Nacional, cujo expoente é Gilberto Freyre. 2. Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 Objeto de investigação da Antropologia: O objeto de investigação da antropologia é o ser humano e, por isso, ela se constitui como a área na qual investigador e objeto investigado coincidem. Por sua especificidade e metodologia, a antropologia possibilita a compreensão de nós mesmos pelo olhar do outro e que nos situemos diante dos diferentes mundos culturais e sociais, compreendendo-os melhor. A antropologia surgiu com qual objetivo? Surgiu com o objetivo de resolver os problemas e encontrar soluções para a urbanização, a industrialização e a expansão europeia. A antropologia foi desenvolvida com foco no “olhar externo”, visando a melhor compreender os povos colonizados na África, na Ásia e na Américas. Como a antropologia se estabelece? Se estabeleceu a partir do financiamento das elites européias, cujas intenções eram conhecer (cultura, costumes, hábitos de vida) para dominar os povos dos países subdensenvolvidos (= conhecer para explorar). Por outro lado, a antropologia brasileira surgiu e se desenvolveu com o objetivo de compreender sua própria diversidade social e cultural, com o foco em suas múltiplas culturas. Antropologia no Brasil: No Brasil, a antropologia surgiu entre as décadas 1930 e 1940, com diversos aspectos que favoreceram seu surgimento e acabaram por caracterizar o pensamento antropológico brasileiro por um longo período. Aspectos importantes da Antropologia brasileira: Em 1941, foi fundada a Sociedade Brasileira de Antropologia e Etnologia, cujo primeiro presidente foi Arthur Ramos. 1934: foi criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Brasil, USP; 1942: publicou um Manifesto contra o racismo; 1955: a Sociedade deu lugar à Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Segundo Cardoso de Oliveira (1988), Nimuendajú (na etnologia indígena) e Gilberto Freyre (na Antropologia da Sociedade Nacional) desempenharam papéis como “heróis civilizadores”. IMPORTANTE: o período no qual se inserem Nimuendajú e Freyre (1988), pode ser considerado o que ele chama de “Período Heróico”, o período em que se insere Darcy Ribeiro é chamado de “Período Carismático”, segundo categorias de cultura e pesquisa. FIQUE ATENTO Desde os primórdios da antropologia no Brasil, vários pesquisadores utilizaram o termo ‘etnologia’ como parte da antropologia cultural ou social, o qual “[...] abrange os estudos em que o pesquisador entra em contato direto, face a face, com os membros da sociedade, ou segmento social estudado, contrastando-a com a arqueologia, que abarca as pesquisas apoiadas em vestígios deixados por sociedades desaparecidas ou por períodos passados de sociedades que continuam a existir” (MELATTI, 1983, p. 4). Contudo, confundem-se os termos “etnologia” e “etnografia”; por isso é sempre importante observar a época em que o termo é empregado. Segundo Kottak (2013), antropólogo contemporâneo, há dois tipos de atividades realizadas pelos antropólogos: A etnografia (com base no trabalho de campo). A etnografia fornece uma descrição de determinada comunidade, sociedade ou cultura. A etnologia (com base na comparação intercultural). A etnologia examina, interpreta, analisa e compara os resultados da etnografia — os dados coletados em diferentes sociedades — e os usa para comparar, contrastar e fazer generalizações sobre a sociedade e a cultura anotações Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 Ao fazermos uma genealogia da antropologia no Brasil, deparamo-nos com tradições também inventadas. Esse é um fato importante a ser considerado, uma vez que o distanciamento do pesquisador nem sempre foi possível. Percebe-se, muitas vezes, considerações um tanto distantes de nossa realidade. Nesse sentido, podemos citar a percepção de nossos índios como “selvagens” Como sabemos, o trabalho etnográfico do antropólogo consiste em inserir-se na comunidade e, com certo distanciamento,observar os hábitos e costumes de determinada cultura. Observar e interpretar sem adjetivar, porém, talvez seja bastante difícil depois de muitos anos inserido na mesma comunidade. O início da caminhada da antropologia no Brasil Até a década de 1930, aqueles que faziam antropologia no Brasil não eram formados na área e, por isso, são referidos como cronistas, pois não realizavam o trabalho etnográfico. Contudo, por meio de suas crônicas, forneceram-nos bons registros de observações, ainda que sem controle ou orientação metodológica, pois não havia cientistas sociais na época. Etnografia e etnologia: duas dimensões da antropologia cultural José Vieira Couto de Magalhães Militar e presidente das províncias de Goiás e de Mato Grosso. O político se interessou pelo estudo dos indígenas durante sua empreitada acerca da navegação regular a vapor do Araguaia ao Tocantins. Ele é conhecido por suas expedições científicas à região amazônica e suas contribuições para o estudo das populações indígenas do Brasil. Suas obras, como “O Selvagem” e “Viagem ao Araguaia”, são consideradas marcos na etnologia brasileira e contribuíram significativamente para o conhecimento sobre povos indígenas do Brasil. João Barbosa Rodrigues Botânico e responsável pelas informações de diversos grupos indígenas da Amazônia e pelo primeiro contato amistoso com os Krixaná, no ano de 1884. Rodrigues tinha interesse pelo curare, além de pelas lendas e cantigas amazônicas em língua geral (língua Tupi que fora modificada e usada pelos colonizadores) e pelos muiraquitãs. Antônio Manoel Gonçalves Tocantins Conhecido por seu trabalho no estudo das línguas e culturas indígenas no Brasil. Ele realizou pesquisas etnográficas significativas, especialmente na região di Tocantins, contribuindo para o conhecimento e preservação das tradições e línguas dos povos indígenas brasileiros. Estudos sobre a tribo “Mundurucú”, pequena monografia acerca dos vários aspectos do modo de vida dos Munduruku (família, agricultura, guerra, conservação das cabeças dos inimigos, pintura de corpo, feitiçaria, mitos etc.). Gonçalves Tocantins visitou essa tribo em 1875, o que o motivou a abordar também “[...] importantes problemas do contato interétnico, como relações dos índios com os missionários, destes com a população civilizada, o comércio com os regatões.” Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 Os principais antropólogos brasileiros e suas contribuições Antônio Gonçalves Dias Integrou a Comissão das Borboletas, comissão científica que participou de uma expedição exploradora às províncias do Brasil setentrional projetada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB). A expedição, que partiu em 1859, ficou mais tempo no Ceará, mas Gonçalves Dias foi para a Amazônia, onde se dedicou aos estudos linguísticos e a coleções etnográficas. Embora não seja antropólogo, suas obras literárias têm valor antropológico por oferecerem insights sobre a sociedade e a cultura brasileira do século XIX. Euclides Cunha Relatou os sertanejos de Canudos e os do Sudoeste da Amazônia, uma vez que os conheceu pessoalmente. Sua obra “Os Sertões” é uma das mais importantes na literatura brasileira e também oferece contribuições antropológicas significativas. Neste livro, Cunha realiza uma ánalise profunda da sociedade sertaneja nordestina e dos conflitos ocorridos durante a Guerra de Canudos, destacando aspectos culturais, históricos, geográficos e sociais da região. Manuel Raimundo Querino Descendente de africanos, Querino é reconhecido por suas contribuições para o estudo da história e cultura afro-brasileira, especialmente na Bahia. Ele foi um dos primeiros a pesquisar e documentar a história e a cultura dos afrodescendentes no Brasil, destacando a contribuição dos africanos e seus descendentes para a formação da sociedade brasileira. Sua obra, “A Raça Africana e os Seus Costumes”, é uma referência fundamental para o estudo da cultura brasileira. Além disso, ele ainda foi um defensor dos direitos civis e sociais dos afrodescendentes no Brasil. Raimundo Nina Rodrigues Deixou, em seu legado, contribuições acerca da diversidade de culturas trazidas pelos escravos e seus locais de origem na África. Contudo, aderiu às noções (comuns na época) de inferioridade e superioridade racial. Nina Rodrigues é conhecido por suas teorias sobre o “branqueamento” da população brasileira por seus estudos sobre “mulatismo” e suas implicações sociais e psicológicas. Sua obra mais famosa é “As Raças Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil”, na qual ele explora as relações entre raça, crime e responsabilidade penal no contexto brasileiro. Apesar de algumas de suas teorias serem hoje consideradas ultrapassadas e controversas, Nina desempenhou um papel importante no desenvolvimento inicial da antropologia no Brasil e na compreensão das questões raciais e étnicas no país. Karl von den Steinen É conhecido por suas extensas expedições à região do Alto Xingu, no Brasil entre 1884 e 1887. Durante essas expedições, ele realizou importantes estudos etnográficos e antropológicos dos povos indígenas da região, especialmente os povos da família linguística Macro-Jê. Suas pesquisas resultaram em obras significativas como “Entre os Povos Nativos do Centro do Brasil”, que contribuíram para o conhecimento da cultura, línguas e sociedades indígenas brasileiras. Steinen é considerado uma figura importante na história da antropologia brasileira e suas contribuições continuam sendo estudadas e valorizadas até hoje. Curt Nimuendajú Considerado o “pai da antropologia no Brasil”, Nimuendajú é reconhecido por suas extensas pesquisas sobre os povos indígenas no Brasil, especialmente os povos Tupi-Guarani e Jê. Ele passou décadas vivendo entre as comunidades indígenas, documentando suas línguas, mitologias, costumes e estruturas sociais. Suas obras, como “As lendas da criação e da destruição do mundo como fundamentos da religião dos Apapocuva-Guarani” e “Os Caiapó”, são referências fundamentais no estudo da etnologia brasileira. Além disso, ele também desempenhou um papel importante na defesa dos direitos de sua cultura. Nimuendajú é considerado uma das figuras mais influentes na história da antropologia no Brasil e suas contribuições continuam sendo valorizadas até hoje. Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 curiosidade A contribuição de Nimuendajú não ficou restrita à teoria. Quando era funcionário do Serviço de Proteção aos Índios (então recentemente criado), garantiu a fixação dos Guarani em reservas, no estado de São Paulo. Sua atuação como funcionário do Serviço lhe permitiu, ainda, atuar junto à atração dos índios Parintintin, sobre os quais elaborou um importante relatório — que, inclusive, foi tema do romance de Ferreira de Castro intitulado O instinto supremo Antropologia no Brasil: dos anos 1930 aos anos 1960 Formação da Antropologia Brasileira nos anos 1930: Influenciada pela Escola Sociológica Francesa e pela Antropologia Cultural Americana. Expansão da pesquisa etnográfica: Antropólogos como Claude Lévi-Strauss e Donald Pierson realizaram estudos de campo em diversas regiões do Brasil, registrando as práticas culturais das populações indígenas e não indígenas. Missões Etnográficas: Destacam-se as missões etnográficas lideradas por antropólogos como Darcy Ribeiro e Lévi-Strauss, que resultaram em importantes obras como "Tristes Trópicos". Enfoque na diversidade cultural: A Antropologia brasileira dos anos 1930 aos 1960 enfatizou a diversidade cultural do país, estudando as relações sociais, sistemas de parentesco, religião, mitologia e técnicas de subsistência das diferentes populações. Escola de Sociologia e Política de São Paulo: Importante centro de estudos que contribuiu para a consolidação da Antropologia no Brasil, com figuras como Florestan Fernandes e Roger Bastide. Obras fundamentais: Além de "Tristes Trópicos", destacam-se obras como "Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque deHolanda e "Casa Grande & Senzala" de Gilberto Freyre, que influenciaram o pensamento antropológico e sociológico brasileiro. Institucionalização da Antropologia: Surgimento de instituições como a criação da primeira Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Brasil, Universidade de São Paulo (USP) e o Museu Nacional, que foram importantes para a formação de antropólogos e para a pesquisa acadêmica. Contribuições para políticas públicas: A Antropologia no Brasil desse período também contribuiu para políticas públicas, como a proteção dos direitos indígenas e a formulação de políticas de desenvolvimento regional. Influência de professores estrangeiros nesse período Claude Lévi-Strauss: O antropólogo francês Lévi- Strauss teve uma influência profunda na Antropologia brasileira com sua abordagem estruturalista. Suas obras, como "As Estruturas Elementares do Parentesco" e "Tristes Trópicos", foram fundamentais para o desenvolvimento do pensamento antropológico no Brasil, especialmente em relação ao estudo das sociedades indígenas. Donald Pierson: Pierson, um antropólogo norte- americano, contribuiu para a formação da Antropologia brasileira por meio de suas pesquisas etnográficas na região Nordeste do Brasil. Seu trabalho ajudou a consolidar a Antropologia como disciplina acadêmica no país. Roger Bastide: O sociólogo francês Roger Bastide foi uma figura importante na Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Sua abordagem antropológica, que enfatizava a análise das relações sociais e da cultura afro-brasileira, influenciou significativamente os estudos antropológicos no Brasil. Florestan Fernandes: Embora seja brasileiro, Fernandes foi influenciado pelo pensamento sociológico europeu, especialmente pela tradição marxista. Sua obra e ensinamentos na Universidade de São Paulo (USP) contribuíram para uma abordagem crítica e engajada da Antropologia no Brasil. Ruth Landes: A antropóloga norte-americana Ruth Landes realizou pesquisas sobre religião e cultura afro- brasileira, oferecendo uma perspectiva externa importante sobre esses temas e influenciando os estudos sobre o candomblé e outras práticas religiosas no Brasil. Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 Período Heróico Refere-se a um período inicial de desenvolvimento e consolidação da disciplina no país, caracterizado por esforços pioneiros de pesquisa e construção de conhecimento antropológico. Esse período geralmente é situado entre as décadas de 1920 e 1950, marcado por diversas expedições, estudos de campo intensivos e a fundação de instituições acadêmicas. Missões Etnográficas: Antropólogos brasileiros e estrangeiros conduziram missões etnográficas por diferentes regiões do Brasil, registrando e estudando as culturas e sociedades indígenas, bem como comunidades rurais e urbanas. Essas expedições foram fundamentais para o acúmulo de conhecimento sobre a diversidade cultural do país. Contribuições de Antropólogos Estrangeiros: A presença de antropólogos estrangeiros, como Claude Lévi-Strauss, Donald Pierson e Ruth Landes, trouxe novas perspectivas teóricas e metodológicas para a Antropologia brasileira, influenciando significativamente seu desenvolvimento. Institucionalização da Antropologia: Durante esse período, foram estabelecidas instituições acadêmicas e de pesquisa dedicadas à Antropologia, como a Universidade de São Paulo (USP) e o Museu Nacional, proporcionando espaços para formação de antropólogos e produção de conhecimento. Obras Fundamentais: Diversas obras foram produzidas durante o "Período Heróico", fornecendo bases teóricas e empíricas para o desenvolvimento da disciplina. Exemplos incluem "Casa Grande & Senzala" de Gilberto Freyre e "Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque de Holanda. Fomento à Pesquisa: O período também foi marcado pelo apoio governamental e de organizações internacionais à pesquisa antropológica, visando compreender a realidade social e cultural do Brasil e promover políticas públicas mais informadas e inclusivas. Em suma, o "Período Heróico" na Antropologia brasileira foi uma fase de intensa atividade intelectual, exploração e construção de conhecimento sobre a diversidade cultural do país, estabelecendo bases sólidas para o desenvolvimento futuro da disciplina. Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 anotações Período Carismático Período em que figuras proeminentes exerciam grande influência e carisma sobre o desenvolvimento da disciplina. Trabalho de Figuras Carismáticas: Durante várias décadas, certos antropólogos brasileiros se destacaram por sua personalidade marcante e contribuições significativas para a disciplina. Um exemplo é Darcy Ribeiro, conhecido por suas pesquisas sobre povos indígenas e seu papel na formulação de políticas públicas para proteção dessas comunidades. Liderança Intelectual: Alguns acadêmicos exerceram forte liderança intelectual, influenciando não apenas o pensamento antropológico, mas também o cenário político e social do Brasil. Gilberto Freyre, com sua obra seminal "Casa Grande & Senzala", é um exemplo claro disso, provocando debates e reflexões sobre a identidade nacional e as relações raciais no país. Instituições como Centros de Carisma: Certas instituições acadêmicas, como a Universidade de São Paulo (USP) e o Museu Nacional, foram centros de carisma intelectual, onde figuras proeminentes exerciam grande influência sobre estudantes e colegas. Nesses ambientes, ideias inovadoras foram discutidas e disseminadas, contribuindo para o desenvolvimento da Antropologia no Brasil. Impacto na Sociedade: Durante esse período, alguns antropólogos não apenas produziram conhecimento acadêmico, mas também tiveram um impacto direto na sociedade brasileira. Por exemplo, Darcy Ribeiro desempenhou um papel fundamental na criação do Parque Indígena do Xingu e na defesa dos direitos dos povos indígenas. Em resumo, o "Período Carismático" na Antropologia brasileira pode ser entendido como um momento em que figuras proeminentes exerceram forte influência intelectual e social, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da disciplina e para a compreensão da diversidade cultural do Brasil. É importante esclarecer que a divisão e a classificação da história da antropologia do Brasil são realizadas por Cardoso de Oliveira (1988), segundo as categorias de cultura e estrutura Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 anotações Conceito de Cultura A cultura engloba o comportamento habitual e as crenças que são passadas por meio da enculturação, sendo baseada na capacidade humana de aprendizagem cultural e inclui regras de conduta internalizadas pelos seres humanos. Outros animais aprendem, mas somente os seres humanos têm aprendizagem cultural, que depende de símbolos, e possui aspectos tangíveis (objetos e símbolos) e intangíveis (ideias e normas), e é uma das principais, se não a principal, característica da identidade de um povo. Portanto, no Brasil, a fé também ocupa um importante papel identitário, constituindo um processo cultural bastante comum em nosso País e que, em certa medida, acaba por nos definir como sociedade brasileira: o sincretismo, ou seja, a reunião de doutrinas diferentes, com a manutenção de traços perceptíveis das doutrinas originais. Esse processo cultural se dá a partir do imbricamento de diferentes elementos culturais no âmbito religioso e se torna característico no Brasil, por sua diversidade cultural. Exemplos: Religiões de origem africana + catolicismo Antropologia no Brasil Construção da identidade brasileira Competência 1 Semana 2 Fique atento A enculturação é o processo pelo qual uma criança aprende sua cultura. A enculturação informal vem da família e de amigos, enquanto a enculturação formal vem da escola. A cultura é apreendida por meio dos processos de socialização, com agentes de socialização, e os processos primários são realizados pelas instituições: família, escola e instituiçãoreligiosa. Por sua vez, a endoculturação é um processo de aprendizagem no meio da cultura em que se vive, de modo que, consciente ou inconscientemente, o indivíduo (ou grupo social) apreende e incorpora os elementos culturais pertinentes. Diversidade Cultural Ainda no que se refere à diversidade cultural do povo brasileiro, é necessário mencionar que os processos culturais são vivenciados em todos os âmbitos sociais, são dinâmicos, possibilitam trocas sociais e podem ocorrer de modo concomitante. anotações