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Como a antropologia é caracterizada?
É caracterizada como o estudo holístico,
biocultural e comparativo da humanidade
(constitui-se exclusivamente comparativa e
holística)
O holismo se refere ao estudo de toda a
condição humana: passado, presente e futuro,
biologia, sociedade, língua e cultura.
Objetivo Geral:
Investigação da diversidade biológica e cultural
humana sem o detrimento de nenhuma cultura,
povo e suas identidades.
Como a antropologia se estabelece?
Se estabeleceu a partir do financiamento das elites
européias, cujas intenções eram conhecer (cultura,
costumes, hábitos de vida) para dominar os povos
dos países subdensenvolvidos (= conhecer para
explorar).
ETNOCENTRISMO
É a tendência de considerar a própria cultura como
superior e aplicar seus próprios valores culturais ao
julgar o comportamento e as crenças de pessoas criadas
em outras culturas.
RELATIVISMO CULTURAL
É a posição contrária ao etnocentrismo. É a visão de
que o comportamento em uma cultura não deve ser
julgado pelos padrões de outras. Essa posição também
pode apresentar problemas.
Etnocentrismo/Relativismo Moral
O etnocentrismo pode levar à intolerância
religiosa, além de à intolerância cultural.
Muitas vezes, adotar uma postura relativista
pode ser o mais adequado; no entanto, deve-se
evitar o relativismo moral.
O relativismo se torna problemático quando
passa para o âmbito moral, pois no relativismo
moral, a proposta relativista é, segundo a
filosofia, que se trate julgamentos morais como
se fossem estéticos.
O Etnocentrismo é, sem dúvida, um tema muito
relevante e presente ainda hoje nas discussões
acerca das diferentes culturas.
Uma forma de evitá-lo, é adotando uma postura
relativista, ou seja, utulizar-se do Relativismo
Cultural, método utilizado pelos antropólogos.
Contudo, essa postura, muitas vezes se torna
problemática também.
anotações
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira
Etnografia: Não é só um convívio desinteressado
com o outro, pelo contrário, trata-se de um
processo metodológico de busca, convivência e
compreensão de modos de vida diferente dos
nossos.
Essa relação de troca entre o pesquisador e o
pesquisado, permite-nos acessar os meandros da
vida social de culturas que pouco ou nada
sabíamos possibilitado pelo “encontro
etnográfico” no qual ambos interlocutores trocam
ideias sobre o mundo em que vivem.
Etnologia: tem como objetivo examinar, analisar e
principalmente, comparar dados registrados de
diferentes sociedades pela etnografia, a fim de
propor generalizações sobre a sociedade e cultura.
Competência 1
Semana 2
A cultura é uma das categorias analisadas pelos
antropólogos.
Somente os seres humanos têm culturas
completamente elaboradas - tradições e costumes
específicos transmitidos pela aprendizagem e pela
linguagem ao longo das gerações.
Curt Nimuendajú (1883-1945), é considerado
o “pai da Antropologia Brasileira”, que como
etnólogo se dedicou mais de 40 anos ao estudo
dos povos indígenas brasileiros. Mesmo sem
formação acadêmica, mudou-se para o Brasil
aos 20 anos e, dois anos depois juntou-se aos
Apapokuva, povo guarani no interior de São
Paulo.
A partir dessa imersão, que deu origem à obra
As lendas da criação e destruição do mundo
como fundamentos da religião dos
Apapocúva-Guarani, publicada em 1915,
começa o desenvolvimento da etnologia
brasileira.
Os primeiros estudos da área da antropologia
no Brasil foram realizados por leigos, pessoas
sem formação em antropologia, ou seja, os
estudiosos eram apenas OBSERVADORES!!!
Os pesquisadores se inseriam nas comunidades
para observar e analisar as diferentes culturas
e práticas culturais e religiosas, mas NÃO
INTERFERIAM na cultura do povo observado.
Essa foi a principal característica da
“Antropologia Brasileira”: a OBSERVAÇÃO
sem INTERFERÊNCIA.
Inicialmente a antropologia brasileira se
desenvolveu a partir de duas tradições:
 a etnologia indígena, na qual o nome de Curt
Nimuendajú é, sem dúvida, referência; 
1.
 a Antropologia da Sociedade Nacional, cujo
expoente é Gilberto Freyre. 
2.
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
Objeto de investigação da
Antropologia:
O objeto de investigação da antropologia é o ser
humano e, por isso, ela se constitui como a área na
qual investigador e objeto investigado coincidem.
Por sua especificidade e metodologia, a
antropologia possibilita a compreensão de nós
mesmos pelo olhar do outro e que nos situemos
diante dos diferentes mundos culturais e sociais,
compreendendo-os melhor.
A antropologia surgiu com qual
objetivo?
Surgiu com o objetivo de resolver os problemas e
encontrar soluções para a urbanização, a
industrialização e a expansão europeia.
A antropologia foi desenvolvida com foco no “olhar
externo”, visando a melhor compreender os povos
colonizados na África, na Ásia e na Américas. 
Como a antropologia se estabelece?
Se estabeleceu a partir do financiamento das elites
européias, cujas intenções eram conhecer (cultura,
costumes, hábitos de vida) para dominar os povos
dos países subdensenvolvidos (= conhecer para
explorar).
Por outro lado, a antropologia brasileira surgiu e se
desenvolveu com o objetivo de compreender sua
própria diversidade social e cultural, com o foco em
suas múltiplas culturas.
Antropologia no Brasil:
No Brasil, a antropologia surgiu entre as
décadas 1930 e 1940, com diversos aspectos
que favoreceram seu surgimento e acabaram
por caracterizar o pensamento antropológico
brasileiro por um longo período.
Aspectos importantes da Antropologia
brasileira:
Em 1941, foi fundada a Sociedade Brasileira de
Antropologia e Etnologia, cujo primeiro presidente foi
Arthur Ramos.
1934: foi criada a Faculdade de Filosofia,
Ciências e Letras do Brasil, USP;
1942: publicou um Manifesto contra o racismo;
1955: a Sociedade deu lugar à Associação
Brasileira de Antropologia (ABA).
Segundo Cardoso de Oliveira (1988), Nimuendajú
(na etnologia indígena) e Gilberto Freyre (na
Antropologia da Sociedade Nacional)
desempenharam papéis como “heróis
civilizadores”. 
IMPORTANTE: o período no qual se inserem
Nimuendajú e Freyre (1988), pode ser considerado o
que ele chama de “Período Heróico”, o período em
que se insere Darcy Ribeiro é chamado de “Período
Carismático”, segundo categorias de cultura e
pesquisa.
FIQUE ATENTO
Desde os primórdios da antropologia no Brasil, vários
pesquisadores utilizaram o termo ‘etnologia’ como
parte da antropologia cultural ou social, o qual “[...]
abrange os estudos em que o pesquisador entra em
contato direto, face a face, com os membros da
sociedade, ou segmento social estudado,
contrastando-a com a arqueologia, que abarca as
pesquisas apoiadas em vestígios deixados por
sociedades desaparecidas ou por períodos passados
de sociedades que continuam a existir” (MELATTI,
1983, p. 4). Contudo, confundem-se os termos
“etnologia” e “etnografia”; por isso é sempre
importante observar a época em que o termo é
empregado.
Segundo Kottak (2013), antropólogo contemporâneo,
há dois tipos de atividades realizadas pelos
antropólogos:
 A etnografia (com base no trabalho de campo).
A etnografia fornece uma descrição de
determinada comunidade, sociedade ou cultura. 
 A etnologia (com base na comparação
intercultural). A etnologia examina, interpreta,
analisa e compara os resultados da etnografia —
os dados coletados em diferentes sociedades — e
os usa para comparar, contrastar e fazer
generalizações sobre a sociedade e a cultura
anotações
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
Ao fazermos uma genealogia da antropologia no
Brasil, deparamo-nos com tradições também
inventadas. Esse é um fato importante a ser
considerado, uma vez que o distanciamento do
pesquisador nem sempre foi possível. Percebe-se,
muitas vezes, considerações um tanto distantes
de nossa realidade. Nesse sentido, podemos citar
a percepção de nossos índios como “selvagens”
Como sabemos, o trabalho etnográfico do
antropólogo consiste em inserir-se na
comunidade e, com certo distanciamento,observar os hábitos e costumes de determinada
cultura. Observar e interpretar sem adjetivar,
porém, talvez seja bastante difícil depois de
muitos anos inserido na mesma comunidade.
O início da caminhada da antropologia
no Brasil 
Até a década de 1930, aqueles que faziam
antropologia no Brasil não eram formados na área e,
por isso, são referidos como cronistas, pois não
realizavam o trabalho etnográfico. Contudo, por meio
de suas crônicas, forneceram-nos bons registros de
observações, ainda que sem controle ou orientação
metodológica, pois não havia cientistas sociais na
época. 
Etnografia e etnologia: duas dimensões da
antropologia cultural
José Vieira Couto de Magalhães
Militar e presidente das províncias de Goiás e de
Mato Grosso. O político se interessou pelo estudo dos
indígenas durante sua empreitada acerca da
navegação regular a vapor do Araguaia ao Tocantins.
Ele é conhecido por suas expedições científicas à
região amazônica e suas contribuições para o estudo
das populações indígenas do Brasil.
Suas obras, como “O Selvagem” e “Viagem ao
Araguaia”, são consideradas marcos na etnologia
brasileira e contribuíram significativamente para o
conhecimento sobre povos indígenas do Brasil.
João Barbosa Rodrigues
Botânico e responsável pelas informações de diversos
grupos indígenas da Amazônia e pelo primeiro
contato amistoso com os Krixaná, no ano de 1884.
Rodrigues tinha interesse pelo curare, além de pelas
lendas e cantigas amazônicas em língua geral (língua
Tupi que fora modificada e usada pelos
colonizadores) e pelos muiraquitãs.
Antônio Manoel Gonçalves Tocantins
Conhecido por seu trabalho no estudo das línguas e
culturas indígenas no Brasil. Ele realizou pesquisas
etnográficas significativas, especialmente na região di
Tocantins, contribuindo para o conhecimento e
preservação das tradições e línguas dos povos
indígenas brasileiros.
Estudos sobre a tribo “Mundurucú”, pequena
monografia acerca dos vários aspectos do modo de
vida dos Munduruku (família, agricultura, guerra,
conservação das cabeças dos inimigos, pintura de
corpo, feitiçaria, mitos etc.). Gonçalves Tocantins
visitou essa tribo em 1875, o que o motivou a
abordar também “[...] importantes problemas do
contato interétnico, como relações dos índios com os
missionários, destes com a população civilizada, o
comércio com os regatões.”
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
Os principais antropólogos brasileiros e
suas contribuições 
Antônio Gonçalves Dias
Integrou a Comissão das Borboletas, comissão
científica que participou de uma expedição
exploradora às províncias do Brasil setentrional
projetada pelo Instituto Histórico e Geográfico
Brasileiro (IHGB).
A expedição, que partiu em 1859, ficou mais tempo
no Ceará, mas Gonçalves Dias foi para a Amazônia,
onde se dedicou aos estudos linguísticos e a coleções
etnográficas.
Embora não seja antropólogo, suas obras literárias
têm valor antropológico por oferecerem insights sobre
a sociedade e a cultura brasileira do século XIX.
Euclides Cunha
Relatou os sertanejos de Canudos e os do Sudoeste da
Amazônia, uma vez que os conheceu pessoalmente.
Sua obra “Os Sertões” é uma das mais importantes na
literatura brasileira e também oferece contribuições
antropológicas significativas.
Neste livro, Cunha realiza uma ánalise profunda da
sociedade sertaneja nordestina e dos conflitos
ocorridos durante a Guerra de Canudos, destacando
aspectos culturais, históricos, geográficos e sociais da
região.
Manuel Raimundo Querino
Descendente de africanos, Querino é reconhecido por
suas contribuições para o estudo da história e cultura
afro-brasileira, especialmente na Bahia. Ele foi um dos
primeiros a pesquisar e documentar a história e a
cultura dos afrodescendentes no Brasil, destacando a
contribuição dos africanos e seus descendentes para a
formação da sociedade brasileira. 
Sua obra, “A Raça Africana e os Seus Costumes”, é
uma referência fundamental para o estudo da cultura
brasileira. Além disso, ele ainda foi um defensor dos
direitos civis e sociais dos afrodescendentes no Brasil.
Raimundo Nina Rodrigues
Deixou, em seu legado, contribuições acerca da
diversidade de culturas trazidas pelos escravos e seus
locais de origem na África. Contudo, aderiu às noções
(comuns na época) de inferioridade e superioridade
racial. 
Nina Rodrigues é conhecido por suas teorias sobre o
“branqueamento” da população brasileira por seus
estudos sobre “mulatismo” e suas implicações sociais
e psicológicas. Sua obra mais famosa é “As Raças
Humanas e a Responsabilidade Penal no Brasil”, na
qual ele explora as relações entre raça, crime e
responsabilidade penal no contexto brasileiro.
Apesar de algumas de suas teorias serem hoje
consideradas ultrapassadas e controversas, Nina
desempenhou um papel importante no
desenvolvimento inicial da antropologia no Brasil e na
compreensão das questões raciais e étnicas no país.
Karl von den Steinen
É conhecido por suas extensas expedições à região do
Alto Xingu, no Brasil entre 1884 e 1887. Durante
essas expedições, ele realizou importantes estudos
etnográficos e antropológicos dos povos indígenas da
região, especialmente os povos da família linguística
Macro-Jê. 
Suas pesquisas resultaram em obras significativas
como “Entre os Povos Nativos do Centro do Brasil”,
que contribuíram para o conhecimento da cultura,
línguas e sociedades indígenas brasileiras. Steinen é
considerado uma figura importante na história da
antropologia brasileira e suas contribuições
continuam sendo estudadas e valorizadas até hoje.
Curt Nimuendajú
Considerado o “pai da antropologia no Brasil”,
Nimuendajú é reconhecido por suas extensas
pesquisas sobre os povos indígenas no Brasil,
especialmente os povos Tupi-Guarani e Jê. Ele
passou décadas vivendo entre as comunidades
indígenas, documentando suas línguas, mitologias,
costumes e estruturas sociais.
Suas obras, como “As lendas da criação e da
destruição do mundo como fundamentos da religião
dos Apapocuva-Guarani” e “Os Caiapó”, são
referências fundamentais no estudo da etnologia
brasileira. Além disso, ele também desempenhou um
papel importante na defesa dos direitos de sua
cultura. Nimuendajú é considerado uma das figuras
mais influentes na história da antropologia no Brasil e
suas contribuições continuam sendo valorizadas até
hoje.
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
curiosidade
A contribuição de Nimuendajú não ficou restrita
à teoria. Quando era funcionário do Serviço de
Proteção aos Índios (então recentemente criado),
garantiu a fixação dos Guarani em reservas, no
estado de São Paulo. Sua atuação como
funcionário do Serviço lhe permitiu, ainda, atuar
junto à atração dos índios Parintintin, sobre os
quais elaborou um importante relatório — que,
inclusive, foi tema do romance de Ferreira de
Castro intitulado O instinto supremo
Antropologia no Brasil: dos anos 1930
aos anos 1960 
Formação da Antropologia Brasileira nos anos
1930: Influenciada pela Escola Sociológica
Francesa e pela Antropologia Cultural Americana.
Expansão da pesquisa etnográfica: Antropólogos
como Claude Lévi-Strauss e Donald Pierson
realizaram estudos de campo em diversas regiões
do Brasil, registrando as práticas culturais das
populações indígenas e não indígenas.
Missões Etnográficas: Destacam-se as missões
etnográficas lideradas por antropólogos como
Darcy Ribeiro e Lévi-Strauss, que resultaram em
importantes obras como "Tristes Trópicos".
Enfoque na diversidade cultural: A Antropologia
brasileira dos anos 1930 aos 1960 enfatizou a
diversidade cultural do país, estudando as
relações sociais, sistemas de parentesco, religião,
mitologia e técnicas de subsistência das diferentes
populações.
Escola de Sociologia e Política de São Paulo:
Importante centro de estudos que contribuiu para
a consolidação da Antropologia no Brasil, com
figuras como Florestan Fernandes e Roger
Bastide.
Obras fundamentais: Além de "Tristes Trópicos",
destacam-se obras como "Raízes do Brasil" de
Sérgio Buarque deHolanda e "Casa Grande &
Senzala" de Gilberto Freyre, que influenciaram o
pensamento antropológico e sociológico
brasileiro.
Institucionalização da Antropologia: Surgimento
de instituições como a criação da primeira
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do
Brasil, Universidade de São Paulo (USP) e o
Museu Nacional, que foram importantes para a
formação de antropólogos e para a pesquisa
acadêmica.
Contribuições para políticas públicas: A
Antropologia no Brasil desse período também
contribuiu para políticas públicas, como a
proteção dos direitos indígenas e a formulação de
políticas de desenvolvimento regional.
Influência de professores estrangeiros
nesse período
 
Claude Lévi-Strauss: O antropólogo francês Lévi-
Strauss teve uma influência profunda na Antropologia
brasileira com sua abordagem estruturalista. Suas
obras, como "As Estruturas Elementares do
Parentesco" e "Tristes Trópicos", foram fundamentais
para o desenvolvimento do pensamento antropológico
no Brasil, especialmente em relação ao estudo das
sociedades indígenas.
Donald Pierson: Pierson, um antropólogo norte-
americano, contribuiu para a formação da
Antropologia brasileira por meio de suas pesquisas
etnográficas na região Nordeste do Brasil. Seu
trabalho ajudou a consolidar a Antropologia como
disciplina acadêmica no país.
Roger Bastide: O sociólogo francês Roger Bastide foi
uma figura importante na Escola de Sociologia e
Política de São Paulo. Sua abordagem antropológica,
que enfatizava a análise das relações sociais e da
cultura afro-brasileira, influenciou significativamente
os estudos antropológicos no Brasil.
Florestan Fernandes: Embora seja brasileiro,
Fernandes foi influenciado pelo pensamento
sociológico europeu, especialmente pela tradição
marxista. Sua obra e ensinamentos na Universidade
de São Paulo (USP) contribuíram para uma abordagem
crítica e engajada da Antropologia no Brasil.
Ruth Landes: A antropóloga norte-americana Ruth
Landes realizou pesquisas sobre religião e cultura afro-
brasileira, oferecendo uma perspectiva externa
importante sobre esses temas e influenciando os
estudos sobre o candomblé e outras práticas religiosas
no Brasil.
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
Período Heróico
Refere-se a um período inicial de desenvolvimento e
consolidação da disciplina no país, caracterizado por
esforços pioneiros de pesquisa e construção de
conhecimento antropológico. Esse período geralmente
é situado entre as décadas de 1920 e 1950, marcado
por diversas expedições, estudos de campo intensivos
e a fundação de instituições acadêmicas.
Missões Etnográficas: Antropólogos brasileiros e
estrangeiros conduziram missões etnográficas por
diferentes regiões do Brasil, registrando e
estudando as culturas e sociedades indígenas,
bem como comunidades rurais e urbanas. Essas
expedições foram fundamentais para o acúmulo
de conhecimento sobre a diversidade cultural do
país.
Contribuições de Antropólogos Estrangeiros: A
presença de antropólogos estrangeiros, como
Claude Lévi-Strauss, Donald Pierson e Ruth
Landes, trouxe novas perspectivas teóricas e
metodológicas para a Antropologia brasileira,
influenciando significativamente seu
desenvolvimento.
Institucionalização da Antropologia: Durante
esse período, foram estabelecidas instituições
acadêmicas e de pesquisa dedicadas à
Antropologia, como a Universidade de São Paulo
(USP) e o Museu Nacional, proporcionando
espaços para formação de antropólogos e
produção de conhecimento.
Obras Fundamentais: Diversas obras foram
produzidas durante o "Período Heróico",
fornecendo bases teóricas e empíricas para o
desenvolvimento da disciplina. Exemplos incluem
"Casa Grande & Senzala" de Gilberto Freyre e
"Raízes do Brasil" de Sérgio Buarque de Holanda.
Fomento à Pesquisa: O período também foi
marcado pelo apoio governamental e de
organizações internacionais à pesquisa
antropológica, visando compreender a realidade
social e cultural do Brasil e promover políticas
públicas mais informadas e inclusivas.
Em suma, o "Período Heróico" na Antropologia
brasileira foi uma fase de intensa atividade
intelectual, exploração e construção de
conhecimento sobre a diversidade cultural do país,
estabelecendo bases sólidas para o desenvolvimento
futuro da disciplina.
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
anotações
Período Carismático
Período em que figuras proeminentes exerciam grande
influência e carisma sobre o desenvolvimento da
disciplina. 
Trabalho de Figuras Carismáticas: Durante várias
décadas, certos antropólogos brasileiros se
destacaram por sua personalidade marcante e
contribuições significativas para a disciplina. Um
exemplo é Darcy Ribeiro, conhecido por suas
pesquisas sobre povos indígenas e seu papel na
formulação de políticas públicas para proteção
dessas comunidades.
Liderança Intelectual: Alguns acadêmicos
exerceram forte liderança intelectual,
influenciando não apenas o pensamento
antropológico, mas também o cenário político e
social do Brasil. Gilberto Freyre, com sua obra
seminal "Casa Grande & Senzala", é um exemplo
claro disso, provocando debates e reflexões sobre
a identidade nacional e as relações raciais no país.
Instituições como Centros de Carisma: Certas
instituições acadêmicas, como a Universidade de
São Paulo (USP) e o Museu Nacional, foram
centros de carisma intelectual, onde figuras
proeminentes exerciam grande influência sobre
estudantes e colegas. Nesses ambientes, ideias
inovadoras foram discutidas e disseminadas,
contribuindo para o desenvolvimento da
Antropologia no Brasil.
Impacto na Sociedade: Durante esse período,
alguns antropólogos não apenas produziram
conhecimento acadêmico, mas também tiveram
um impacto direto na sociedade brasileira. Por
exemplo, Darcy Ribeiro desempenhou um papel
fundamental na criação do Parque Indígena do
Xingu e na defesa dos direitos dos povos
indígenas.
Em resumo, o "Período Carismático" na Antropologia
brasileira pode ser entendido como um momento em
que figuras proeminentes exerceram forte influência
intelectual e social, contribuindo significativamente
para o desenvolvimento da disciplina e para a
compreensão da diversidade cultural do Brasil.
 É importante esclarecer que a divisão e a
classificação da história da antropologia do Brasil são
realizadas por Cardoso de Oliveira (1988), segundo
as categorias de cultura e estrutura 
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
anotações
Conceito de Cultura
A cultura engloba o comportamento habitual e as
crenças que são passadas por meio da
enculturação, sendo baseada na capacidade
humana de aprendizagem cultural e inclui regras
de conduta internalizadas pelos seres humanos.
Outros animais aprendem, mas somente os seres
humanos têm aprendizagem cultural, que
depende de símbolos, e possui aspectos tangíveis
(objetos e símbolos) e intangíveis (ideias e
normas), e é uma das principais, se não a
principal, característica da identidade de um
povo.
Portanto, no Brasil, a fé também ocupa um
importante papel identitário, constituindo um
processo cultural bastante comum em nosso País e
que, em certa medida, acaba por nos definir como
sociedade brasileira: o sincretismo, ou seja, a reunião
de doutrinas diferentes, com a manutenção de
traços perceptíveis das doutrinas originais.
Esse processo cultural se dá a partir do
imbricamento de diferentes elementos culturais no
âmbito religioso e se torna característico no Brasil,
por sua diversidade cultural.
Exemplos: Religiões de origem africana + catolicismo
Antropologia no Brasil
Construção da identidade brasileira Competência 1
Semana 2
Fique atento
A enculturação é o processo pelo qual uma
criança aprende sua cultura. A enculturação
informal vem da família e de amigos, enquanto a
enculturação formal vem da escola. A cultura é
apreendida por meio dos processos de
socialização, com agentes de socialização, e os
processos primários são realizados pelas
instituições: família, escola e instituiçãoreligiosa.
Por sua vez, a endoculturação é um processo de
aprendizagem no meio da cultura em que se vive,
de modo que, consciente ou inconscientemente, o
indivíduo (ou grupo social) apreende e incorpora
os elementos culturais pertinentes.
Diversidade Cultural
Ainda no que se refere à diversidade cultural do povo
brasileiro, é necessário mencionar que os processos
culturais são vivenciados em todos os âmbitos sociais,
são dinâmicos, possibilitam trocas sociais e podem
ocorrer de modo concomitante.
anotações

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