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Módulo Tributo e Segurança Jurídica
Aluno: Mateus Padovan Siviero
SEMINÁRIO VII - ITCMD E ITBI
Leitura básica
•	SALLABERRY, Fernando Moraes. “ITCMD - IMPOSTO SOBRE HERANÇAS E DOAÇÕES”. Sorocaba: Gráfica Editora Cidade – Sorocaba, 2021. Itens 2.1 / Tomo I (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 4.1.”a” e 4.1.”e” / Tomo II (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 5.”m” até 5.”q” / Tomo II (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 6.1.”f.b” até 6.1.”f.c” / Tomo III (Kindle) ou Volume 1 (impresso); 8. / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso); 8.1 / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso); 8.3.2 E 8.3.2.a / Tomo V (Kindle) ou Volume 2; (impresso); 8.3.2.”d” / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso); 8.3.3 E 8.3.5 / Tomo V (Kindle) ou Volume 2 (impresso).
•	MACEDO, José Alberto Oliveira. ITBI. Aspectos Constitucionais e Infraconstitucionais. São Paulo: Quartier Latin, Capítulo 5.
•	CURY, Fabio Lemos. ITCMD: regime geral e o papel da lei complementar. São Paulo: Noeses. Capítulos 7 e 8.
Leitura complementar
•	MANGIERI, Francisco Ramos; MELO, Omar Augusto Leite. ITBI - Imposto sobre Transmissões de bens imóveis. São Paulo: Edipro. Capítulo 3.
•	HARADA, Kiyoshi. ITBI: doutrina e prática. São Paulo: Dialética. Capítulo 6.
•	VIEIRA, Maria Leonor Leite et al. Limites à imunidade do ITBI – STF, repercussão Geral – tema 796. In TAKANO, Caio Augusto; BARRETO, Simone Rodrigues Costa (Coord). Direito tributário e interdisciplinaridade: homenagem a Paulo Ayres Barreto. São Paulo: Noeses, 2021. p. 405-416.
•	BRAGHETTA, Daniela de Andrade. Relação jurídica tributária. 2016.249 f. Tese (Doutorado Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2016. Capítulo quinto, item 5.6
•	ALVES, Francielli Honorato. O planejamento sucessório e a incidência de ITCMD e ITBI. In: CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS - IBET, v. 18, 2021, São Paulo. Meio século de tradição. São Paulo: Noeses, 2021, p. 635-660.
•	ARAÚJO, Clarice Von Oertzen de; FAVACHO, Fernando Gomes. A imunidade do ITBI e a descaracterização do conceito de atividade preponderante. In: CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS - IBET, v. 11, 2014, São Paulo. O direito tributário entre a forma e o conteúdo. São Paulo: Noeses, 2014, p. 217-236.
•	PORTO, Garin Éderson. Tema 1.113/STJ: o que o conceito de valor venal tem a dizer sobre tributação?. In: https://www.conjur.com.br/2024-mar-18/o-que-o-conceito-de-valor-venal-tem-a-dizer-sobre-tributacao-reflexoes-sobre-o-tema-1-113-stj/ - acesso em 19/03/2024.
Questões
1.	Construa a regra-matriz de incidência tributária do ITCMD tomando-se o texto do artigo 155 da Constitucional/1988 na parte a seguir transcrita.
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;
§ 1º O imposto previsto no inciso I:
II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde era domiciliado o de cujus, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; 
IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal;
VI - será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação;
VII - não incidirá sobre as transmissões e as doações para as instituições sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos, e por elas realizadas na consecução dos seus objetivos sociais, observadas as condições estabelecidas em lei complementar.
RESPOSTA: 
Para que haja a construção da regra-matriz de incidência tributária, devemos antes expor que esta regra é uma norma que define o âmbito de incidência do tributo.
Neste aspecto, a regra-matriz utiliza três critérios, sendo: material, espacial e temporal. Assim, o critério material, nas lições de Paulo de Barros Carvalho é a composição invariável de um verbo e um complemento, qual seja a ação que será feita e o objeto desta ação, como exemplo “vender mercadorias”. No mesmo contexto, o critério espacial vem a ser a circunstância de lugar que delimita o critério material, sendo a relação com a competência do Entente (Estado), sendo sua atuação distinta em determinados locais, onde haverá maior ou menor rigidez em sua autuação. Por fim, o critério temporal é a circunstância tempo, qual delimita o critério material, auferindo o momento exato em que surgiram os efeitos da obrigação tributária.
Deste modo, a regra matriz de incidência tributária ITCMD, por transmissão de bens por causa mortis é construída seguindo a seguinte linha, vejamos:
a) ANTECEDENTE: 
a1) Critério Material, é o verbo (transmitir; doar) “causa mortis”, quaisquer bens ou direitos (complementação), conforme artigo 155, I da Constituição Federal;
a2) Critério Espacial, sendo este o local, Território Brasileiro, Municipal ou do Distrito Federal, conforme expõe o artigo 147 da CF: “Compete à União, em Território Federal, os impostos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais; ao Distrito Federal cabem os impostos municipais”;
a3) Critério Temporal, sendo este o momento de transmissão dos bens e direitos, como exemplo a Lei 18.573/2015 no Estado do Paraná e Lei 10.992/01 no Estado de São Paulo.
b) CONSEQUENTE:
b1) Critério Pessoal, sendo estes dois sujeitos da relação: Sujeito Ativo (Estados ou Distrito Federal) e Sujeito Passivo (herdeiro, legatário ou donatário); esta relação está exposta no artigo 42, do Código Tributário Nacional, o qual estabelece que o contribuinte do imposto pode ser qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei, mas, na prática, normalmente, é o donatário;
b2) Critério Quantitativo, este critério tem-se: a base de cálculo, sendo o valor venal dos bem ou dos direitos transmitidos, conforme narra o artigo 38 do CTN; a alíquota, que é a porcentagem do valor sobre a qual incide a cobrança de um imposto ou tributo, variando de Estado para Estado.
Portanto, para a incidência da regra – matriz deve-se seguir os paramentos supra expostos.
2.	Que é transmissão “causa mortis”? Que é doação? Fundamente sua resposta considerando o que dispõe a legislação do código civil - artigo 1.784 - e o art. 110 do Código Tributário Nacional.
RESPOSTA:
A transmissão “causa mortis” é a transmissão decorrente da morte de um indivíduio, momente este em que se é aberta a sucessão de os bens são transmitidos para os herdeiros legítimos e testamentários (redação do artigo 1.784 do Código Civil). Já em atenção ao artigo 11 do CTN o mesmo discorre que: “A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.”, sendo portanto, o artigo que limita a incidência tributária sobre a transmissão por morte, sendo inalterada a redação do artigo 1.784 do CC, bem como inalterando a porcentagem de valor incidênte de tributo articulada por cada Estado.
3.	Com base apenas nas regras dos incisos I e II[footnoteRef:2] do § 1º do art. 155 da Constituição Federal, para cada uma das situações a seguir indicadas, identifique o sujeito ativo do ITCMD, isto é, o Estado para o qual seria devido o imposto, eventualmente incidente sobre as transmissões ocorridas, considerando que todas elas ocorreram em março de 2024. (obs: para responder à pergutna parta do pressuposto de que existe lei instituindo a regra-matriz do ITCMD e responda à questão, levando em conta, a atual redação do artigo 155 da Constituição Federal/1988). [2: Cumpre esclarecer que não foi inserido o inciso III, uma vez que não há lei complementar dispondo a respeito.] 
3.1	Will Mambo Jambo, domiciliado em Maravilha/AL, doou a seu irmão Carl Marx Webery, domiciliado em Goiânia/GO, pouco antes de morrer, a casa desua propriedade, localizada em Viña del Mar, República do Chile, bem como o automóvel que se encontrava na garagem desse imóvel, e que foi licenciado naquele país.
(a) Doação de bem imóvel localizado em Viña del Mar: 
Resposta: Em atenção ao regramento dos incisos I, II, e III do §1º do artigo 155 da Constituição Federal, não é possível afirmar qual o Estado tem a competência para arrecadar o ITCMD do bem imóvel localizado em Viña del Mar, sendo, portanto, necessário Lei complementar para esta definição.
(b) Doação de automóvel (bem móvel) localizado em Viña del Mar:
Resposta: O inciso II, do §1º do artigo 155 da Constituição Federal possibilita determinar que o Estado competente para arrecadação do ITCMD elativo à doação do automóvel é de Alagoas, por ser o domicílio do doador.
3.2 Carolyne Butterfly de Lima, domiciliada na Cidade do Cabo na África do Sul, deixou, em testamento, todos os bens móveis e imóveis de sua propriedade, localizados na África do Sul, para sua irmã Dyana Spencer Butterfly de Lima, domiciliada em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, que aceitou a herança transmitida.
(c) Transmissão “causa mortis” de bens móveis localizados na Cidade do Cabo, África do Sul:
Resposta: Conforme expõe o texto do artigo 155, §1º, III, “b” da Constituição Federal, apenas se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o inventário processado no exterior, a competência para instituição do ITCMD será regulada por lei complementar. No presente caso hipotético, será processado por lei complementar.
(d) Transmissão “causa mortis” de bens imóveis localizados na Cidade do Cabo, África do Sul:
Resposta: Conforme já explanado na questão anterior, não é possível determinar, pois o artigo 155, §1º, III, “b” da CF dispõe apenas que se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o inventário processado no exterior, a competência para instituição do ITCMD será regulada por lei complementar.
3.3 Lyanna Ferguzon Oversea, domiciliada em Votuporanga, estado de São Paulo, faleceu. Tinha um único filho, Raphaell Ferguzon Oversea, domiciliado em Epitaciolândia no Acre. Ela era proprietária de uma propriedade rural em Abadiânia, Goiás, de um imóvel urbano em Votuporanga, e uma caminhonete S10 cabine dupla, da marca Chevrolet, que ficava em sua propriedade rural. Por ser o único herdeiro, Raphaell optou por fazer o inventário extrajudicial, tendo definido o Cartório da cidade de seu domicílio (Epitaciolândia no Acre) para realizá-lo.
e) Transmissão “causa mortis” de bem imóvel localizado na cidade de Abadiânia, Goiás:
RESPOSTA: Em conformidade com o artigo 155, § 1º, I, da CF será de competência para incidência do ITCMD relativo a bens imóveis o Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal.
f) Transmissão “causa mortis” de bem imóvel localizado na cidade de Votuporanga, estado de São Paulo:
RESPOSTA: Conforme explanado em questao antecedente, será de competência para incidência do ITCMD relativo a bens imóveis o Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal.
g) Transmissão “causa mortis” de bem móvel localizado na cidade de Abadiânia, Goiás: 
RESPOSTA: Em conformidade com a redação constante nos incisos I e II do § 1º do art. 155 da Constituição Federal de 1988 o ITCMD deve ser pago ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, no caso em tela no Estado do Acre
4.	Indique, com base nos dispositivos da lei complementar 7/1997 do município de Florianópolis, abaixo transcritos, qual é a base de cálculo do ITBI e se esta fica, de alguma forma, vinculada à do IPTU. É legítima a adoção do valor de mercado do imóvel como base de cálculo do ITBI?
CAPÍTULO IV
IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO ONEROSA DE BENS IMÓVEIS POR ATO INTER VIVOS
Art. 278 O imposto sobre a transmissão Inter Vivos, por ato oneroso, de bens imóveis e de direitos reais a eles relativos, tem como fato gerador:
I - A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, da propriedade ou do domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física, como definidos na Lei civil;
II - A transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia; e
III - A cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos anteriores.
§ 1º Estão compreendidos nas hipóteses definidas neste artigo:
a) A venda e a compra;
b) A dação em pagamento;
c) A permuta, inclusive nos casos em que a co-propriedade se tenha estabelecido pelo mesmo título ou em bens contíguos;
d) A arrematação, a adjudicação e a remissão;
e) O excesso de meação na dissolução da sociedade conjugal;
f) A transmissão do domínio útil;
g) A cessão ou transmissão de direitos do arrematante ou adjudicatário, após a assinatura do ato da arrematação ou adjudicação;
h) A cessão de benfeitorias e construções em imóvel, exceto a indenização de benfeitorias pelo proprietário do solo;
i) Incorporação de bens imóveis e direitos a eles relativos ao patrimônio de pessoa jurídica, em realização de capital, quando esta tiver como atividade preponderante a compra e venda, a locação e o arrendamento mercantil de bens imóveis; e
j) Todos os demais casos compreendidos nas hipóteses definidas neste artigo e que não se compreendam na competência tributária do Estado.
Seção IV
Da Base de Cálculo
Art. 281. A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos ou cedidos, assim entendido como valor venal aquele que o bem ou direito alcançaria em condições normais de mercado, e será apurada:
I - pelo sujeito passivo, com base na declaração prevista no art. 284-A, sendo os valores declarados tidos como líquidos e certos para fins de constituição e cobrança do crédito tributário; e
II - pela autoridade fiscal, na hipótese do art. 284-B.
§ 1º A apuração da base de cálculo, nos termos do inciso II, se dará mediante regular procedimento de arbitramento do valor do bem ou direito transmitido ou cedido, a ser realizado pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento de fiscalização, conforme regulamento. 
RESPOSTA: Conforme explana o artigo a base de cálculo do ITBI é a do valor venal dos bens ou direitos transmitidos (art. 281, caput, da Lei Complementar n. 007/97, a base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos ou cedidos), assim, em complementação segundo decisão prolatada pelo STJ no Resp nº 1937821 não se vincula à base de cálculo do ITBI ao IPTU, veja: 
STJ através do Tema 1.113 ( REsp 1937821) fixou as seguintes teses:“a) a base de cálculo do ITBI é o valor do imóvel transmitido em condições normais de mercado, não estando vinculada à base de cálculo do IPTU, que nem sequer pode ser utilizada como piso de tributação;b) o valor da transação declarado pelo contribuinte goza da presunção de que é condizente com o valor de mercado, que somente pode ser afastada pelo fisco mediante a regular instauração de processo administrativo próprio (art. 148 do CTN);c) o Município não pode arbitrar previamente a base de cálculo do ITBI com respaldo em valor de referência por ele estabelecido unilateralmente”
Por fim, temos que é legítima a adoção do valor de mercado do imóvel como base de cálculo do ITBI, desde que este esteja em condições normais de mercado, esta definição encontra-se nos recursos especiais repetitivos (Tema 1.113), a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabeleceu três teses relativas ao cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) nas operações de compra e venda:
1) A base de cálculo do ITBI é o valor do imóvel transmitido em condições normais de mercado, não estando vinculada à base de cálculo do IPTU, que nem sequer pode ser utilizada como piso de tributação;
2) O valor da transação declarado pelo contribuinte goza da presunção de que é condizente com o valor de mercado, que somente pode ser afastada pelo fisco mediante a regular instauração de processo administrativo próprio (artigo 148 do Código Tributário Nacional – CTN);
3) O município não pode arbitrar previamente a base de cálculo do ITBI comrespaldo em valor de referência por ele estabelecido de forma unilateral.
5.	Analise a legislação transcrita abaixo para, ao final, responder.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição;
CÓDIGO CIVIL 
Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código.
Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.
§ 1º. Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel.
§ 2º. Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel.
Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo.
Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule.
Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente.
CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL
Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.
LEI Nº 9133, DE 18 DE DEZEMBRO DE 2006, DO MUNICÍPIO DE FORTALEZA/CE
Altera a legislação tributária municipal relativamente ao Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) e dá outras providências.
FAÇO SABER QUE A CÂMARA MUNICIPAL DE FORTALEZA APROVOU E EU SANCIONO A SEGUINTE LEI:
CAPÍTULO I
Dos Elementos do Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI)
Seção I
Do Fato Gerador
Art. 1º - Fica instituído o Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI), que tem como fato gerador:
I - a transmissão, a qualquer título, por ato oneroso, da propriedade ou domínio útil de bens imóveis por natureza ou acessão física, como definidos na lei civil; II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia;
Seção VII
Do Pagamento do ITBI
Art. 10 - O Imposto sobre a Transmissão Onerosa de Bens Imóveis por Ato Inter Vivos (ITBI) será pago:
I - por antecipação, até a data da lavratura do instrumento que servir de base à transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis, observado o art. 5o, § 2o, desta Lei;
II - no prazo de 30 (trinta) dias, contados do trânsito em julgado, se o título de transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis for decorrente de sentença judicial, observado o art. 5o, § 2o, desta Lei;
III - no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da lavratura do instrumento que servir de base à transmissão da propriedade, do domínio útil ou da cessão de direitos relativos a bens imóveis, observado o art. 5o, inciso II, desta Lei.
Art. 11 - O pagamento será efetuado através de documento próprio, como dispuser o regulamento. 
Considerando a legislação adrede transcrita, responda:
a) Qual é o momento da incidência do ITBI (por outras plavras: quando se materializa o critério temporal da regra matriz de incidência do ITBI)?
RESPOSTA: Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento da celebração do ato ou título translativo oneroso do bem imóvel ou do direito real sobre o bem, ou seja, ocorro sempre que houver a transmissão de um bem imóvel ou de direitos a ele relacionados.
b) É possível que haja pagamento do imposto na forma em que determinado na legislação municipal? Justifique sua resposta, considerando as disposições transcritas.
RESPOSTA: O momento da incidência do ITBI é incontroverso, devido à divergência na interpretação do conceito constitucional de “transmissão”. A legislação Municipal ora apresentada, entende que o momento de incidência do imposto ocorre anteriormente, como no registro do compromisso de compra e venda, o que leva os cartórios, por consequênte a auferir o recolhimento do tributo (conforme o artigo 134, VI do CTN), exigindo assim, a antecipação do pagamento.
Já no âmbito judiciário, manifestou-se no sentido de que a tributação do ITBI deve seguir o Código Civil de 2022, que expressamente dispõe que a eficácia do registro de transmissão ocorre desde o momento em que o título é apresentado ao oficial de registro, conforme explana o artigo 1.246 do CC. 
Neste sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como no AREsp 1.760.009, confirma o entendimento de que o fato gerador do ITBI somente se opera com a efetiva transferência da propriedade imobiliária, que se dá mediante o registro no cartório de imóveis.
Por fim, a reforma tributária, resolver a celeuma. Para tanto, o Projeto de Lei Complementar nº 108/2024 elaborado pelo Poder Executivo, e disponibilizado para o Congresso no dia 4 de junho, traz dispositivo específico, como o artigo 190, o qual altera o Código Tributário Nacional, inserindo o artigo 35-A com a seguinte redação:“Art. 35-A. Considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento da celebração do ato ou título translativo oneroso do bem imóvel ou do direito real sobre bem imóvel.”. Assim, em conformidade com a reforma tributária o Município tem fundamento legal para a combrança do imposto de forma antecedente.
Sugestão para pesquisa suplementar
•	SALLABERRY, Fernando Moraes; VALENTIM, Jefferson. Uma lei complementar para o ITCMD: Análise do PLP 67/2021, proposta de norma geral para a tributação de heranças e doações no Brasil. Ebook Kindle – Amazon.
•	MELO, José Eduardo Soares de. ITBI e o alcance da imunidade no caso de imóveis integralizados ao capital social da empresa (RE 796.376/SC RG). In: CONGRESSO NACIONAL DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS - IBET, v. 14, 2017, São Paulo. Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 555-574.
•	VALENTIM, Jefferson. Holding - Estudo Sobre a Evasão Fiscal do Itcmd no Planejamento Sucessório. São Paulo: Letras Jurídicas, 2021.
•	FERNANDES, Regina Celi Pedrotti Vespero. Impostos sobre transmissão "causa mortis" e doação na Constituição e na Lei Complementar. 2001. 202 f. Dissertação (Mestrado em Direito) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2001.
•	FERNANDES, Gabriel Nóbrega. Controle de validade do imposto sobre transmissão causa mortis. 2018. 196 f. Dissertação (Mestrado em Direito) - Programa de Estudos Pós-Graduados em Direito, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2018. 
•	BRAGHETTA, Daniela de Andrade. Exigência de ITBI na integralização de fazendas em empresas familiares – polêmicas e alternativas. In XX Congresso Naconal de Estudos Tributários - Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. CARVALHO, Paulo de Barros, Coord.; SOUZA, Priscila de, Org. São Paulo: Noeses, 2023, p. 331-342.
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