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LEGISLAÇÃO TRABALHISTA E RELAÇÕES SINDICAIS Professora Me. Giovanna Rossetto M. Cayres Reitor Márcio Mesquita Serva Vice-reitora Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva Pró-Reitor Acadêmico Prof. José Roberto Marques de Castro Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitor Administrativo Marco Antonio Teixeira Direção do Núcleo de Educação a Distância Paulo Pardo Coordenadora Pedagógica do Curso Ana Lívia Cazane Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico B42 Design *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Universidade de Marília Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001 CEP 17.525–902- Marília-SP Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia F385m sobrenome, nome nome livro / nome autor. nome /coordenador (coord.) - Marília: Unimar, 2021. PDF (00p.) : il. color. ISBN xxxxxxxxxxxxx 1. tag 2. tag 3. tag 4. tag – Graduação I. Título. CDD – 00000 BOAS-VINDAS Ao iniciar a leitura deste material, que é parte do apoio pedagógico dos nossos queridos discentes, convido o leitor a conhecer a UNIMAR – Universidade de Marília. Na UNIMAR, a educação sempre foi sinônimo de transformação, e não conseguimos enxergar um melhor caminho senão por meio de um ensino superior bem feito. A história da UNIMAR, iniciada há mais de 60 anos, foi construída com base na excelência do ensino superior para transformar vidas, com a missão de formar profissionais éticos e competentes, inseridos na comunidade, capazes de constituir o conhecimento e promover a cultura e o intercâmbio, a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização e da solidariedade humanas. A história da UNIMAR é bela e de sucesso, e já projeta para o futuro novos sonhos, conquistas e desafios. A beleza e o sucesso, porém, não vêm somente do seu campus de mais de 350 alqueires e de suas construções funcionais e conectadas; vêm também do seu corpo docente altamente qualificado e dos seus egressos: mais de 100 mil pessoas, espalhados por todo o Brasil e o mundo, que tiveram suas vidas impactadas e transformadas pelo ensino superior da UNIMAR. Assim, é com orgulho que apresentamos a Educação a Distância da UNIMAR com o mesmo propósito: promover transformação de forma democrática e acessível em todos os cantos do nosso país. Se há alguma expectativa de progresso e mudança de realidade do nosso povo, essa expectativa está ligada de forma indissociável à educação. Nós nos comprometemos com essa educação transformadora, investimos nela, trabalhamos noite e dia para que ela seja ofertada e esteja acessível a todos. Muito obrigado por confiar uma parte importante do seu futuro a nós, à UNIMAR e, tenha a certeza de que seremos parceiros neste momento e não mediremos esforços para o seu sucesso! Não vamos parar, vamos continuar com investimentos importantes na educação superior, sonhando sempre. Afinal, não é possível nunca parar de sonhar! Bons estudos! Dr. Márcio Mesquita Serva Reitor da UNIMAR Que alegria poder fazer parte deste momento tão especial da sua vida! Sempre trabalhei com jovens e sei o quanto estar matriculado em um curso de ensino superior em uma Universidade de excelência deve ser valorizado. Por isso, aproveite cada minuto do seu tempo aqui na UNIMAR, vivenciando o ensino, a pesquisa e a extensão universitária. Fique atento aos comunicados institucionais, aproveite as oportunidades, faça amizades e viva as experiências que somente um ensino superior consegue proporcionar. Acompanhe a UNIMAR pelas redes sociais, visite a sede do campus universitário localizado na cidade de Marília, navegue pelo nosso site unimar.br, comente no nosso blog e compartilhe suas experiências. Viva a UNIMAR! Muito obrigada por escolher esta Universidade para a realização do seu sonho profissional. Seguiremos, juntos, com nossa missão e com nossos valores, sempre com muita dedicação. Bem-vindo(a) à Família UNIMAR. Educar para transformar: esse é o foco da Universidade de Marília no seu projeto de Educação a Distância. Como dizia um grande educador, são as pessoas que transformam o mundo, e elas só o transformam se estiverem capacitadas para isso. Esse é o nosso propósito: contribuir para sua transformação pessoal, oferecendo um ensino de qualidade, interativo, inovador, e buscando nos superar a cada dia para que você tenha a melhor experiência educacional. E, mais do que isso, que você possa desenvolver as competências e habilidades necessárias não somente para o seu futuro, mas para o seu presente, neste momento mágico em que vivemos. A UNIMAR será sua parceira em todos os momentos de sua educação superior. Conte conosco! Estamos aqui para apoiá-lo! Sabemos que você é o principal responsável pelo seu crescimento pessoal e profissional, mas agora você tem a gente para seguir junto com você. Sucesso sempre! Profa. Fernanda Mesquita Serva Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária da UNIMAR Prof. Me. Paulo Pardo Coordenador do Núcleo EAD da UNIMAR 007 Aula 01: 018 Aula 02: 025 Aula 03: 033 Aula 04: 047 Aula 05: 060 Aula 06: 072 Aula 07: 085 Aula 08: 095 Aula 09: 111 Aula 10: 121 Aula 11: 131 Aula 12: 143 Aula 13: 155 Aula 14: 168 Aula 15: 176 Aula 16: Introdução ao Direito do Trabalho Princípios do Direito do Trabalho Principais Formas de Contrato de Trabalho Suspensão e Interrupção do Contrato de Trabalho Jornada de Trabalho Intervalo Remuneração e Salário Alteração do Contrato de Trabalho Extinção do Contrato de Trabalho Aviso Prévio Estabilidade e Garantias de Emprego A Gestão de Pessoas Saúde e Segurança do Trabalhador Direito Coletivo do Trabalho Greve Previdência Social Introdução Olá, caros discentes! Nesta disciplina, vamos traçar os conceitos da legislação tra balhista e das relações sindicais com relação ao curso de gestão de recursos humanos. Atualmente, temos passado por grandes transformações sociais e houve muitas mudanças legislativas com Reforma trabalhista, em 2017, que gerou um impacto signi�cativo. No entanto, sabemos que é de suma importância buscar melhorias nas relações trabalhistas, no sentido de que a empresa deve possuir um departamento de recursos humanos que possa administrar e dar um suporte a ela, sendo fundamental manter uma relação harmoniosa entre os empregados, empregador e sindicatos, além da importância de realizar treinamentos e reuniões periódicas. Já no tocante à questão trabalhista, iremos abordar, neste material, sobre alguns assuntos principais que norteiam a relação entre empregado e empregador, como contratos de trabalho, direitos e deveres trabalhistas, suspensão e interrupção do contrato, estabilidade e garantias de emprego, intervalos, extinção do contrato, entre outros. Visto que todos os conceitos são fundamentais para construção dos conteúdos desta disciplina. Nesse sentido, é importante conhecer a melhor forma de operacionalizar a Administração de Pessoal, pois os custos trabalhistas têm impactos relevantes para as empresas. Em outras palavras, o pro�ssional da área de Recursos Humanos, Departamento de Pessoal, Financeiro e Jurídico das empresas devem identi�car os problemas para tentar minimizar os prejuízos e buscar soluções efetivas e, é claro, dentro da legislação atual. Veremos que a legislação trabalhista e as relações sindicais nas empresas têm sofrido um grande impacto com a Reforma Trabalhista. E, para manter um relacionamento saudável é essencial que os pro�ssionais responsáveis por essa intermediação tenham conhecimento da legislação e que estejam capacitados e preparados para conduzire orientar de forma apropriada as negociações nas empresas. Por �m, o intuito é expandir o conhecimento para auxiliá-lo na solução de con�itos que podem surgir no dia a dia do mundo coorporativo. Bons estudos! 6 01 Introdução ao Direito do Trabalho 7 Olá, discentes! Para falar sobre a evolução histórica do direito do trabalho é importante mencionar sobre os conceitos, sujeitos, características, formas e duração do contrato de trabalho. Isso porque o conhecimento sobre esses fatores são fundamentais para distinção dos deveres e obrigações do empregado e da empresa. A evolução histórica do direito do trabalho A evolução histórica do direito do trabalho foi caracterizado como de sociedade pré-industrial até o �nal do século XVIII, quando se inicia a chamada Revolução Industrial. A partir de então, houve mudanças nas relações econômicas e sociais entre o empregador e o empregado. Com o declínio da sociedade feudal, o crescimento das cidades e o desenvolvimento e ampliação do comércio levaram a Europa Ocidental, a partir de meados do século XVIII, a um extenso processo de transformação que marcou o estabelecimento do sistema capitalista como modelo econômico dominante (Romar, 2019, p. 32). Antes, as condições de trabalho eram precárias, pois havia exploração da mão de obra e os acidentes de trabalho eram frequentes devido à falta de segurança e amparo legal. E, com isso, surgiram os protestos por melhores condições de trabalho e movimentos sociais na luta por seus direitos. Assim, a evolução histórica do trabalho humano leva ao surgimento de uma legislação estabelecendo normas mínimas de proteção ao trabalhador, cuja importância foi aumentando com a evolução econômica e política dos países (Romar, 2019, p. 33). Fator de grande importância para o avanço do constitucionalismo social foi, também em 1919, como parte do Tratado de Versalhes, que terminou com a Primeira Guerra Mundial, a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 8 Figura 1 - Getúlio Vargas e a criação da CLT publicada no Diário O�cial de 9 de agosto de 1943 Fonte: Wikipedia Disponível aqui Disponível aqui re�etindo a convicção de que a justiça social é essencial para alcançar uma paz universal e permanente. A criação da OIT tinha por objetivo preocupar-se com razões de segurança humanitárias, políticas e econômicas (Romar, 2019, p. 34). Atualmente, vivemos uma nova revolução tecnológica e da informática, que tem imposto modi�cações no modo de produção e re�etindo nos empregos, à medida que se veri�ca uma automatização da produção e dos serviços, levando até a substituição do ser humano por máquinas e robôs, gerando o desemprego (Romar, 2019, p. 33). Sendo assim, o Direito do Trabalho no Brasil teve início a partir da Revolução de 1930, quando o Governo de Getúlio Vargas criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e deu início à elaboração de uma legislação trabalhista ampla e geral, dando origem à Consoli dação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1943 (Romar, 2019, p. 36). 9 https://pt.wikipedia.org/wiki/Get%C3%BAlio_Vargas#/media/Ficheiro:Getulio_Vargas_(1930).jpg https://pt.wikipedia.org/wiki/Consolida%C3%A7%C3%A3o_das_Leis_do_Trabalho#/media/Ficheiro:Di%C3%A1rio_Oficial_-_Consolida%C3%A7%C3%A3o_das_Leis_do_Trabalho.png No entanto, essa legislação vem sofrendo inúmeras alterações, inclusive com a revogação de diversos dispositivos a partir da promulgação da Constituição Federal de 1988. Inclusive, através da Lei n.° 13.467, de 13 de julho de 2017, a CLT sofreu uma Reforma Trabalhista alterando e modi�cando diversos artigos. Ou seja, dos 922 (novecentos e vinte e dois) artigos da CLT, foram alterados 54 (cinquenta e quatro), inseridos 43 (quarenta e três) novos artigos e 9 (nove) foram revogados, totalizando 106 (cento e seis) modi�cações (Romar, 2019, p. 36). Assim, entre diversos avanços legislativos, a Constituição Federal/1988 conferiu novo status ao Direito do Trabalho, inclusive ao Direito Individual do Trabalho, mediante princípios, regras e instituto jurídico que provaram sua força na sociedade e na economia brasileira. Conceito e sujeitos do contrato de trabalho O contrato de trabalho pode ser de�nido como um acordo entre empregador e empregado, no qual este �ca subordinado ao empregador, oferecendo serviços em troca de um salário. É por meio do contrato de trabalho que são de�nidas as obrigações, deveres e acordos sobre todas as condições de trabalho entre as partes envolvidas. O contrato de trabalho é regulamentado no Capítulo IV do Título IV (Contrato Individual de Trabalho) nos artigos 442 a 456 da CLT. Nota-se que o art. 442 da CLT estabelece que o contrato individual de trabalho se trata de um acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. Quer dizer que o contrato de trabalho consensual não exige pacto solene, já que poderá ser acordado tácita ou expressamente, verbalmente ou por escrito (Jorge Neto. Cavalcante, 2017, p. 166). Mas só é possível alteração das condições do contrato de trabalho por mútuo consentimento, e desde que não resultem em prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade, conforme previsto no art. Art. 468 da CLT. Surge a necessidade de trazer os Sujeitos do contrato de trabalho que são: empregador e empregado. Assim, considera-se Empregador a empresa, individual ou coletiva, que assume os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço (art. 2º da CLT). Temos também aqueles que se 10 equiparam ao empregador, que são os pro�ssionais liberais, as associações recreativas ou outras instituições sem �ns lucrativos, que admitiram trabalhadores como empregados (art. 2º, § 1º da CLT). Com relação ao conceito de Empregado é toda pessoa física que presta serviços de natureza não eventual ao empregador, sob dependência deste e mediante salário (art. 3ª da CLT). Assim, a questão do empregado pode ser dividida entre Empregados típicos (aqueles previstos na CLT) e Empregados atípicos (que possuem legislação trabalhista própria, como, por exemplo, o empregado doméstico e o empregado rural) (Calvo, 2019, p. 32). No entanto, os Trabalhadores não são empregados e não são regidos pela CLT, como, por exemplo: o autônomo, o eventual e o avulso (Calvo, 2019, p. 32). Autônomo: é a pessoa física que exerce, habitualmente, e por conta própria, atividade pro�ssional remunerada, prestando serviço de caráter eventual a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. São tipos de trabalhador autônomo: prestador de serviços (art. 593 a 609 do Código Civil); empreiteiro (art. 610 a 626 do Código Civil); representante comercial, ou seja, agência e distribuição (art. 710 e 721 do Código Civil), entre outros (Rezende; Silva, 2016, p. 40). Eventual: é aquele que presta trabalho subordinado, mas apenas para um evento determinado, em atividade diversa da atividade-�m do empregador, como, por exemplo: garçom contratado para festa de �m de ano na empresa, jardineiro contratado esporadicamente para manutenção do gramado (Rezende; Silva, 2016, p. 44). Avulso: quem presta serviços para diversas empresas, sem vínculo empregatício, serviços de natureza urbana ou rural (inciso VI do art. 12 da Lei n.° 8.212/91). Também conhecido como portuários, prestam serviços com a intermediação obrigatória do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO), portanto, não são contratados diretamente pelo tomador de serviços (Rezende; Silva, 2016, p. 41). Com isso, importante mencionar alguns elementos/requisitos essenciais da relação empregatícia que são: 11 Quadro 1 - Requisitos da relação de emprego Fonte: Elaborado pela autora. Pessoalidade O serviço deverá ser realizado pessoalmente pelo empregado, não podendo este ser substituído por outrem. Onerosidade O contrato de trabalho deve ser remunerado, pois o empregado deve receber salário pelos serviços prestados ao empregador. Não eventual O serviço tem que ser prestado habitualmente, ou seja, de forma contínua. Subordinação O empregador é quem determina como o trabalho será realizado, ouseja, o empregado recebe ordens do empregador. Essa subordinação pode ser econômica, técnica, hierárquica e jurídica. Pessoa física O empregado deverá sempre ser pessoa física ou natural, pois são tutelados pelo Direito do Trabalho. Então, haverá Relação de emprego quando há trabalho prestado por pessoa física a outrem, com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade, sob subordinação jurídica e com alteridade (Calvo, 2019, p. 33). Deste modo, esses elementos devem estar presentes para que seja caracterizada a relação de emprego. Características e forma de celebração do contrato de trabalho A legislação estabelece algumas características principais do contrato de trabalho que são (Romar, 2019, p. 257/259): 12 Quadro 2 - Características do contrato de trabalho Fonte: Elaborado pela autora. Características De Direito Privado Tem natureza privada, empregado e empregador, não só por causa das partes, mas pelos interesses envolvidos. Bilateral ou sinalagmático Envolve obrigações para ambas as partes, tanto para o empregado quanto para o empregador. Oneroso A remuneração é requisito essencial, devendo o empregador receber pelo serviço prestado. Comutativo As partes devem ter conhecimento quais são os deveres e as obrigações decorrentes do contrato de trabalho. Consensual Depende da manifestação, expressa ou tácita, da vontade das partes, ainda que não formal, conforme preceitua o artigo 443, caput, da CLT. De trato sucessivo Ou seja, de execução continuada. Não se esgotam no tempo, pois as obrigações recíprocas se renovam com o passar do tempo. Pessoalidade ou intuito personae Somente o empregado pode executar as atividades acordadas. Mas do empregador, não se exige pessoalidade, conforme os artigos 10 e 448 CLT. Alteridade O empregado é responsável pelo risco da prestação de serviços, bem como pelos riscos da própria empresa. 13 No tocante à Forma de manifestação de vontade, que leva à celebração dos contratos de trabalho, podem ocorrer de duas formas: contrato expresso, que decorre de uma expressão explícita de manifestação de vontade, pela qual as partes estipulam os direitos e as obrigações que vão reger a relação, e contrato tácito, aquele que se revela por um conjunto de atos praticados pelas partes, sem que tenha manifestação de vontade (Romar, 2019, p. 258). Ou seja, o contrato de trabalho não exige solenidade para sua formação válida, podendo ser celebrado tanto de forma expressa (por escrito ou verbalmente) como de forma tácita (artigos. 442 e 443 da CLT). Duração do contrato de trabalho Os contratos de trabalho são realizados por PRAZO INDETERMINADO, ou seja, não tem prazo para terminar. Mas é necessário que haja a anotação na CTPS, mesmo no caso de contrato de experiência, conforme art. 29 e 443 da CLT (Rezende; Silva, 2016, p. 53). Mas os contratos de trabalho podem ser por PRAZO DETERMINADO e para ter validade precisam ser expressos e por escrito. Sendo que seu prazo de duração é de 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado por mais de uma vez, exceto para o contrato de experiência que o prazo é de 90 dias (arts. 443, §2, 445 e 451 da CLT) (Rezende; Silva, 2016, p. 53). Assim, no contrato de trabalho por prazo Determinado podem ocorrer de três formas (Jorge Neto. Cavalcante, 2017, pag. 175): 14 1- Serviço cuja natureza ou transitoriedade justi�que a predeterminação do prazo, como, por exemplo, uma empresa que fabrica produtos em determinada época do ano, ou seja, como ovos de Páscoa, panetone no Natal, etc. 2 - Atividades empresariais de caráter transitório, como, por exemplo, substituição de empregados em férias ou licença- maternidade. 3 - Contrato de experiência tem duração de 90 dias (e não 3 meses), apenas com uma prorrogação nesse período (art. 445 da CLT). E, para �ns de contratação, o empregador não pode exigir do empregado a comprovação de experiência prévia por tempo superior a 6 (seis) meses no mesmo tipo de atividade (art. 442‐A da CLT). É necessário frisar que nos contratos que tenham termo estipulado, o empregador que, sem justa causa, despedir o empregado será obrigado a pagar, a título de indenização, a remuneração a que teria direito até o término do contrato, conforme art. 479 da CLT. Além disso, temos o contrato por PRAZO INTERMITENTE, na qual a prestação de serviços com subordinação não é contínua, ocorrendo alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador (Romar, 2019, p. 259). 15 Foi instituído, a partir da Reforma Trabalhista, o trabalho intermitente que é uma modalidade em que o trabalhador é contratado com carteira assinada, mas sem a garantia de jornada mínima de trabalho. Sob esse contrato, o trabalhador é chamado para o exercício de sua atividade de acordo com a necessidade da empresa que o contratou e, assim, pode �car meses sem trabalhar e, consequentemente, sem remuneração. Em 2020, o Instituto Brasileiro de Geogra�a e Estatística (IBGE) mostrou que, em dois anos, dobrou o número de trabalhadores contratados sob a modalidade de trabalho intermitente no Brasil. Em 2019, foram registradas mais de 155 mil contratações sob essa modalidade, o que representou 1% de todos os contratos com carteira assinada �rmados no país. 16 https://go.eadstock.com.br/vn Renato é um empregado doméstico que atua como caseiro no sítio de lazer do seu empregador. Contudo, a CTPS de Renato foi assinada como sendo operador de máquinas da empresa, de titularidade do seu empregador. Renato tem receio de que, no futuro, não possa comprovar experiência na função de empregado doméstico e, por isso, quer ajuizar reclamação trabalhista para regularizar a situação. Considerando a situação narrada, o Renato tem razão? Caso comprove que, de fato, é doméstico, Renato conseguirá a reti�cação na CTPS, pois as anotações nela lançadas têm presunção relativa. 17 https://go.eadstock.com.br/vo O prazo máximo do contrato de experiência é de 90 (noventa) dias, contando inclusive os domingos e feriados, podendo ser acordado entre as partes por prazo inferior a 90 (noventa) dias e ser prorrogado uma única vez, respeitado o prazo previsto no parágrafo único do art. 445 da CLT. Assim, se o empregador �rmar um contrato de experiência por 60 (sessenta) dias, a prorrogação será limitada a mais 30 (trinta) dias, de modo que o total não ultrapasse a 90 (noventa) dias. Primeiro Exemplo: Contrato de experiência.................... 45 dias Prorrogação........................................ 45 dias Total..................................................... 90 dias Segundo Exemplo: Contrato de experiência.................... 30 dias Prorrogação........................................ 30 dias Total..................................................... 60 dias Fonte: Elaborado pela autora. Ou seja, no primeiro exemplo, com uma prorrogação, foi atingido o máximo de vigência de contrato de experiência que é de 90 dias. Já no segundo exemplo, não foi atingido o máximo de vigência de contrato de experiência. Mas como é permitida somente uma prorrogação, o prazo máximo, neste caso, é de 60 dias. 18 Princípios do Direito do Trabalho 02 19 No direito do trabalho, os princípios são fundamentais perante as normas trabalhistas e, por isso, a CLT abrange princípios nas quais a Justiça do Trabalho deve recorrer para sanar omissões. Ou seja, o objetivo é auxiliar tanto na elaboração quanto na interpretação e aplicação da legislação trabalhista. Assim, os princípios gerais do direito são normas indispensáveis do sistema jurídico e são fontes formais do Direito do Trabalho. Nesse sentido, os princípios têm a função de criar, aplicar e interpretar o Direito do Trabalho, ou seja, têm a função informadora (inspiram o legislador, e serve como fundamento para o ordenamento jurídico); função normativa (atuam como fonte supletiva, no caso de ausência de lei; são meios de integração do Direito); e função interpretativa (orientam o juiz ouo intérprete) (Romar, 2019, p. 49). No entanto, a Reforma Trabalhista, introduzida pela Lei n.º 13.467/2017, trouxe signi�cativas mudanças, alterando a regra geral dos princípios especí�cos do Direito do trabalho, conforme veremos a seguir. Princípio da proteção A Reforma trabalhista (Lei n.º 13.467/2017) modi�cou a questão de o empregado ser a parte hipossu�ciente da relação, pois permitiu a autonomia individual do trabalhador, tornando possível uma negociação direta entre o empregado e o empregador, como, por exemplo, a compensação de jornada através de banco de horas (§ 5º, art. 59, CLT), as regras do tele trabalho (art. 75‐C, CLT), rescisão do contrato de trabalho sem necessidade de homologação (art. 477, CLT) e extinção do contrato de trabalho por comum acordo entre as partes (art. 484‐A, CLT) (Romar, 2019, p. 54). No entanto, além de afastar o conceito de hipossu�ciência, o legislador entendeu que existem trabalhadores que não podem ser considerados economicamente mais fracos e sobre os quais não se pode pressupor desigualdade em relação ao empregador. Como é o caso do art. 444 da CLT, parágrafo único, na qual considera como diferenciados os trabalhadores portadores de diploma de nível superior e que percebam salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, chamados de “hipersu�cientes”, autorizando a livre estipulação pelos mesmos sobre os direitos em relação aos quais a negociação coletiva foi ampliada (art. 611‐A, CLT) (Romar, 2019, p. 54). 20 Outra importante modi�cação foi que o legislador valorizou a negociação coletiva, considerando válida mesmo que esta contrarie certos preceitos legais, como, por exemplo: o art. 8º, § 3º, o art. 611‐A, caput e parágrafos, art. 611‐B, parágrafo único e no art. 620, todos da CLT. Sendo assim, este princípio surge de três maneiras distintas (Rezende; Silva, 2016, p. 18): 1- Regra In Dubio Pro Operário: diante de diversas interpretações de uma norma jurídica o juiz deverá escolher a mais bené�ca ao trabalhador. Mas, tal regra foi mitigada pela Reforma Trabalhista principalmente no tocante à restrição de interpretação imposta à Justiça do Trabalho em relação aos elementos que constam nas convenções coletivas e nos acordos coletivos de trabalho (art. 8º, § 3º, e art. 611‐ A, § 1º, CLT) (Romar, 2019, p. 55). 2- Regra Norma Mais Favorável: é quando há mais de uma norma aplicável ao caso concreto, deve escolher aquela que seja mais favorável ao trabalhador. Porém, a nova redação do art. 620 da CLT, modi�cada pela Reforma trabalhista, alterou essa regra na medida em que dispõe que a condição prevista em acordo coletivo de trabalho sempre prevalecerá sobre as condições estipuladas em convenção coletiva de trabalho, não devendo considerar, se o conteúdo é ou não mais favorável ao empregado (Romar, 2019, p. 56). 3 - Regra da Condição mais bené�ca: é quando a norma trabalhista não diminui as condições em que se encontra o empregado. Porém, isso também sofreu alteração com Reforma Trabalhista em decorrência da autonomia individual e do acordo direto entre empregado e empregador, especialmente em relação aos empregados considerados como hipersu�cientes, conforme previsão do art. 444, parágrafo único da CLT, sendo válido o que �car estipulado na negociação realizada diretamente com o empregador em relação aos direitos indicados no art. 611‐A da CLT (Romar, 2019, p. 57). Portanto, nota-se que este princípio em questão sofreu grandes alterações perante a Reforma trabalhista. Princípio da primazia da realidade Este princípio deriva da ideia de proteção e tem como �nalidade fazer com que a realidade veri�cada na relação entre o empregado e o empregador prevaleça sobre qualquer documento que disponha em sentido contrário (Romar, 2019, p. 58). 21 Observa-se que quando o empregado é contratado por uma empresa, normalmente tem-se o costume de assinar todos os documentos apresentados sem uma leitura mais atenciosa, podendo ocorrer a supressão de alguns direitos. Um exemplo é quando a empresa forja as horas de saída nos cartões de ponto, para não pagar horas extras para o funcionário (Rezende; Silva, 2016, p. 18). Assim, de acordo com art. 9º da CLT, se veri�ca que, se o documento foi elaborado tem a intenção de encobrir os fatos e fraudar as normas trabalhistas, será nulo de pleno direito, aplicando-se ao caso concreto o disposto nas normas trabalhistas. Princípio da irrenunciabilidade de direitos Esse princípio determina que os trabalhadores não possam renunciar, ou seja, abrir mão dos direitos trabalhistas concedidos pela legislação. Suponhamos que uma empresa opte por pagar somente metade do salário, alegando que se encontra em di�culdades �nanceiras. Ora, não compete ao empregado aceitar ou não, pois o salário é um direito trabalhista irrenunciável (Rezende; Silva, 2016, p. 17). Entretanto, esse princípio também sofreu mudanças com a Reforma Trabalhista, pois com a presença do trabalhador diferenciado “hipersu�ciente”, os trabalhadores podem negociar condições de trabalho em comparação aos direitos trabalhistas 22 previstos na legislação, salvo aqueles já garantidos pela Constituição Federal (Romar, 2019, p. 58). Princípio da continuidade da relação de emprego Este princípio tem o objetivo de dar ao contrato individual de trabalho a maior duração possível e tem por fundamento o fato de ser o contrato de trabalho de trato sucessivo, ou seja, que não se esgota com a execução de um único e determinado ato, mas que perdura no tempo (Romar, 2019, p. 58). O Tribunal Superior do Trabalho (TST) entende que o ônus de provar o término do contrato de trabalho é do empregador, quando for negada a prestação de serviço e o despedimento, pois este princípio constitui presunção favorável ao empregado (Súmula 212 do TST). Porém, esse princípio, assim como os demais, foi modi�cado com a Reforma Trabalhista (Lei n.º 13.467/2017), pois prevê a possibilidade da rescisão do contrato de trabalho por comum acordo entre as partes (art. 484-A da CLT). E prevê a possibilidade mais facilitada de o empregador proceder com a dispensa coletiva ou, na medida em que o art. 477-A da CLT prevê que, nesses casos, não há necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação (Romar, 2019, p. 59). Princípio da Boa-fé A boa-fé é elemento essencial que deve estar presente tanto na celebração do contrato de trabalho quanto na sua execução. Assim, tal princípio abrange tanto o empregado quanto o empregador. Ou seja, o empregado deve cumprir seu contrato de boa-fé, cumprindo as exigências e as tarefas atribuídas. Com relação ao empregador, supõe-se que este deva cumprir lealmente com suas obrigações perante o empregado (Romar, 2019, p. 61). 23 Em vigor desde 2017, a Reforma trabalhista (Lei 13.467, de 2017) realizou algumas alterações para �exibilizar o mercado de trabalho e simpli�car as relações entre trabalhadores e empregadores. Portanto, destacou-se: Os acordos coletivos que passaram a prevalecer sobre a legislação, ou seja, o que for acertado entre empregado e empregador não é vetado pela lei, desde que respeitados os direitos essenciais como férias e 13º salário. O pagamento da contribuição sindical, equivalente a um dia de trabalho, deixou de ser obrigatório. A jornada de trabalho, antes limitada a 8 horas diárias e 44 horas semanais, pode ser pactuada em 12 horas de trabalho e 36 horas de descanso, respeitadas as 220 horas mensais. As férias, que antes era de 30 dias corridos por ano, agora podem ser parceladas em até três vezes. A possibilidade do trabalho intermitente, com direito a férias, FGTS, contribuição previdenciária e 13º salários proporcionais. Quanto às grávidas e lactantes só poderão trabalhar em locais com insalubridade de grau médio ou mínimo, desde que seja por vontade própria e que apresentem um laudo médico com a autorização. 24 https://go.eadstock.com.br/vp O advogado Hércules pretendefundamentar uma tese na petição inicial de reclamatória trabalhista utilizando o ditame segundo o qual, ainda que haja mudanças vertiginosas no aspecto de propriedade ou de alteração da estrutura jurídica da empresa, não pode haver afetação quanto ao contrato de trabalho já estabelecido. Tal valor está previsto no princípio de Direito do Trabalho denominado como princípio da continuidade da relação de emprego, pois a sucessão de empregadores está prevista no art. 448 da CLT. Resposta: Quando houver sucessão, os contratos de trabalho continuam vigentes mesmo que haja mudança na propriedade da empresa, o que privilegia a continuidade do vínculo de emprego. Fonte: Prova TRT- 24ª Região– Analista Judiciário- 2017 O Tribunal Superior do Trabalho editou a Súmula de jurisprudência de n.º 212, segundo a qual o ônus de provar o término do contrato de trabalho, quando negada prestação de serviço e o despedimento, é do empregador, pois determinado princípio do Direito do Trabalho constitui presunção favorável ao empregado. Sobre qual princípio esta súmula se refere? Resposta: Essa súmula do TST se refere ao princípio da “continuidade da relação de emprego” que sofreu modi�cação com a Reforma Trabalhista. 25 Principais Formas de Contrato de Trabalho 03 26 Olá novamente! A legislação trabalhista entende que há distintas modalidades de contrato de trabalho que são classi�cadas com base na: duração do trabalho (tempo determinado ou indeterminado); qualidade do trabalho (manual, intelectual ou técnico); �nalidade do trabalho (industrial, comercial, agrícola, doméstico ou marítimo); sujeitos (individual ou coletivo); local do trabalho (domicílio, distância ou local designado pelo empregador); remuneração (salário �xo ou variável); forma (verbal ou por escrito); manifestação de vontade (tácito ou expresso). A intenção da Lei 13.647/2017 que modi�cou a CLT, de 1943, foi minimizar os efeitos informais do mercado de trabalho a �m de permitir que os prestadores de serviços tenham garantidos os direitos trabalhistas e previdenciários. Ou seja, essa Lei criou novos modelos de contrato de trabalho, como o de trabalho intermitente, teletrabalho ou home o�ce, pro�ssional autônomo exclusivo e o contrato de trabalho de 12 x 36 horas, conforme veremos a seguir. Contrato de trabalho intermitente A Reforma trabalhista de 2017 permite a contratação de empregados por períodos esporádicos, sendo que o trabalhador recebe pelas horas trabalhadas e tem os direitos trabalhistas proporcionais a elas (Ribeiro, 2019, p. 178). Assim, esse tipo de contrato está previsto no artigo 452-A da CLT e deve ser celebrado por escrito contendo o valor da hora de trabalho, que não pode ser inferior ao valor da hora do salário-mínimo ou àquele devido aos demais empregados do estabelecimento que exerçam a mesma função. Há subordinação, mas não é contínua, pois ocorre alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, pois o período de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar serviços a outras empresas. Sendo assim, o contratante não pode exigir exclusividade do funcionário. Além disso, a oferta de trabalho deve ser apresentada pelo empregador ao menos três dias antes do início do contrato. Já o empregado terá um dia útil para responder se aceita ou não a proposta. Assim, as pessoas contratadas em regime de trabalho intermitente passam a ter direitos como férias remuneradas, décimo terceiro, fundo de garantia e previdência social, pagos de acordo com o tempo trabalhado. 27 Contrato de trabalho home office ou teletrabalho Nota-se que a revolução tecnológica trouxe novos modelos de trabalho na era digital, principalmente o trabalho home o�ce que foi aderido por várias empresas, principalmente em 2020, com a pandemia do COVID-19. Portanto, podemos a�rmar que o teletrabalho é a prestação de serviços realizada fora das dependências da empresa, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação, previsto nos artigos 75-A a 75-E da Lei 13.647/2017. Ou seja, home o�ce é o trabalho realizado em casa e pode ser negociado entre a empresa e o empregado através de um contrato especí�co. Inclusive o funcionário pode passar de um trabalho presencial para o trabalho em casa, quando for o caso (Ribeiro, 2019, p. 178). Vale destacar que home o�ce ou teletrabalho antes não era regulamentado pela legislação trabalhista. Mas a Reforma trabalhista permitiu que o empregado pudesse exercer suas atividades de forma remota na sua residência (Romar, 2019, p. 37). Essa modalidade de prestação de serviço deve constar no contrato individual de trabalho. Vale reforçar que, nesse modelo, o contratado desempenhará tarefas preestabelecidas pelo contratante e poderá ser monitorado de acordo com o cumprimento dessas funções. Além disso, fora a remuneração acordada entre as partes, em alguns casos, e de acordo com a previsão da convenção coletiva, a empresa �ca responsável por ressarcir os gastos que o funcionário tiver com internet, equipamentos e a energia elétrica utilizada. 28 Contrato de trabalho autônomo exclusivo O artigo 3° da CLT, que não sofreu alteração pela reforma, de�ne como requisitos do empregado: a habitualidade, subordinação e salário. Embora não esteja elencada como requisitos, a “exclusividade” é um dos requisitos reconhecidos pela Justiça como comprovação do vínculo empregatício. No entanto, com a reforma trabalhista, as empresas podem contratar autônomos e, ainda, que haja relação de exclusividade e continuidade, não precisará ocorrer a assinatura da Carteira de Trabalho, �cando assim desassistidos dos direitos previstos no artigo 7º da Constituição Federal. Assim, o “autônomo exclusivo” passou a ter regulamentação com a reforma trabalhista. Quer dizer que o pro�ssional poderá prestar serviços de forma contínua e para uma única empresa, sem que isso seja caracterizado como vínculo empregatício, ou seja, a prestação de serviço será por meio de pessoa jurídica (Ribeiro, 2019, p. 179). 29 Jornada 12 x 36 A CLT de 1943 permitia a jornada 12 X 36 mediante negociação coletiva entre os sindicatos e as empresas. No entanto, com a Reforma trabalhista, essa escala pode ser realizada de três formas: através de um acordo individual; por meio da convenção coletiva; ou mediante acordos coletivos de trabalho. Ficando autorizada a jornada de 12 horas trabalhadas por dia com intervalos de 36 horas ininterruptas de descanso, conforme previsão no artigo 59-A da CLT. A remuneração mensal pactuada pelo horário previsto abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados e serão compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno. 30 Segundo parecer do Ministério Público Federal, encaminhado em junho de 2020, ao Supremo Tribunal Federal, os acordos individuais para implementar a jornada 12 X 36 previsto pela reforma trabalhista de 2017 é inconstitucional. A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), que ajuizou a ação, questiona a expressão “acordo individual escrito”, incluído na reforma trabalhista, para autorizar a �xação da jornada, que prevê 12 horas de trabalho por 36 de descanso. É uma modalidade comum em hospitais, mas com a “reforma” foi estendida a qualquer estabelecimento. No entanto, a imposição de limites à duração do trabalho tem fundamentos de natureza biológica, social e econômica, conectados à segurança do trabalhador e à saúde humana, física e mental. Além do mais, a�rma que o parágrafo único do art. 59-A da CLT impõe condição prejudicial aos direitos fundamentais dos trabalhadores ao gozo do repouso semanal e feriados. 31 https://go.eadstock.com.br/vq Para minimizar os efeitos da pandemia, foi editada a Medida Provisória 927, em março de 2020, que isentou empregadores das regras estipuladas na CLT quanto ao teletrabalho, como a necessidade de aceite do empregado para iniciar suas funções na modalidade remota ou aviso prévio de 15 dias e aditivo contratual, sendoque o prazo caiu para 48 horas. Além disso, a MP suspendeu a necessidade de fazer uma adição ao contrato de trabalho para tratar sobre o home o�ce. Embora a CLT mencione que não é necessário supervisionar o tempo de jornada no teletrabalho, os empregados em regime de home o�ce transitório (em decorrência da pandemia) devem ter algum tipo de monitoramento, mas isso depende de cada empresa. Além disso, a ajuda de custo para despesas de internet e luz também não são obrigatórios legalmente, no entanto, algumas convenções coletivas têm previsões nesse sentido e estipulam taxas �xas mensais que a empresa paga para ajudar nas despesas do empregado. 32 https://go.eadstock.com.br/vr Gerson foi contratado em 19/02/2018, pela empresa Oba Oba Festas e Eventos Ltda., na modalidade de trabalho intermitente. Por se tratar de nova forma de contratação, Gerson tem dúvidas em relação às consequências, caso recuse a oferta de trabalho pelo empregador. A recusa descaracteriza subordinação? Resposta: A recusa da oferta não descaracteriza a subordinação para �ns do contrato de trabalho intermitente, conforme previsto no art. 452-A, § 3º da Lei n.º 13.467/2017. Fonte: Prova- TRT - 15ª Região - Analista Judiciário - Especialidade O�cial de Justiça Avaliador Federal. 33 Suspensão e Interrupção do Contrato de Trabalho 04 34 A suspensão e interrupção do contrato de trabalho ocorrem em períodos em que não existe prestação de serviço para a empresa, ou seja, o trabalhador faz jus a uma determinada situação na qual �ca ausente do trabalho. Porém, ambos possuem características especí�cas que diferenciam um do outro. A distinção entre os dois termos é que na Suspensão a empresa não paga salários e não conta o tempo de serviço. Já na Interrupção, mesmo o empregado estando afastado, o empregador paga o salário e conta o tempo de serviço. No entanto, em ambos os casos, mesmo o empregado não trabalhando o contrato de trabalho continua vigente. Mas na suspensão as obrigações principais das partes não são exigíveis, já na interrupção é exigível em parte, conforme veremos a seguir. Ou seja, o empregado terá direito de retornar ao seu cargo e todas as vantagens que durante sua ausência a empresa lhe atribuiu, exceto em alguns casos especí�cos. Insta que se caracteriza abandono de emprego se o empregado não retornar ao trabalho dentro de 30 (trinta) dias contados após cessar o benefício previdenciário e não justi�car o motivo (Súmula 32, TST). E, quanto à suspensão do trabalhador por mais de 30 (trinta) dias consecutivos importa na rescisão injusta do contrato de trabalho (art. 474, CLT). Portanto, tem-se que as hipóteses de interrupção e suspensão do contrato de trabalho podem ser: a) previstas em lei; b) ajustadas pelos contratantes, desde que atenda aos interesses do empregado e c) previstas em convenções ou acordos coletivos de trabalho (Romar, 2019, p. 489). Por �m, vale lembrar que todas as regras que tratam sobre a suspensão e interrupção do contrato de trabalho estão previstos no Capítulo IV, nos artigos 471 a 476‐A da CLT. Suspensão do contrato de trabalho Ocorre a suspensão do contrato de trabalho quando o trabalhador �ca afastado da empresa por um período. Nesse tempo de suspensão, não há trabalho, não há pagamento de salário e não se conta tempo de serviço para �ns trabalhistas (Romar, 2019, p. 488). 35 Portanto, não há remuneração, décimo terceiro salário e com relação à contagem das férias ocorre de acordo com cada tipo de afastamento, como, por exemplo, o auxílio-doença, que não possui direito a férias e o empregado que, no curso do período aquisitivo tiver percebido da Previdência Social prestações de acidente de trabalho ou de auxílio-doença por mais de 6 (seis) meses, embora descontínuos (art. 133, IV da CLT). Ou seja, os encargos trabalhistas não são calculados e depositados, exceto o FGTS que poderá ser depositado em situações de acidente ocupacional. Assim, no término no período de suspensão do contrato de trabalho, o empregado retorna para a empresa com todos os direitos já adquiridos até o início da licença ou afastamento. Hipóteses de suspensão contratual Diante do que foi dito, segue uma lista de alguns exemplos de suspensão do contrato de trabalho que são: Afastamento por motivo de doença a partir do 16º dia: Se o empregado �car afastado por motivo de doença, os 15 primeiros dias são pagos pelo empregador ocorrendo a interrupção do contrato de trabalho. No entanto, a partir do 16º dia ocorre suspensão contratual, pois o empregado passa a receber o auxílio-doença diretamente do INSS (Calvo, 2019, p. 255). Nesse sentido, o segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantido pelo prazo mínimo de 12 (doze) meses. E haverá a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a cessação do auxílio- doença acidentário, independentemente de usufruir do auxílio-acidente. Suspensão disciplinar: Trata-se de punição disciplinar aplicada pelo empregador ao empregado que pratica atos considerados faltosos. Pode ocorrer após advertências ou até mesmo após o cometimento de uma falta que afronte as normas estabelecidas pelo empregador. Sendo que a suspensão do empregado por mais de 30 (trinta) dias consecutivos importa a rescisão injusta do contrato de trabalho (art. 474 da CLT). Dessa forma, a suspensão ocasiona perda do salário e não computa como tempo de serviço (Calvo, 2019, p. 250). Suspensão para participar em curso ou programa de quali�cação pro�ssional: O empregado poderá se afastar do serviço pelo período de 2 (dois) a 5 (cinco) meses, a �m de frequentar curso de quali�cação pro�ssional oferecido pelo empregador, desde que esteja previsto em norma coletiva e autorizada por escrito pelo 36 empregado, conforme art. 476-A da CLT. Inclusive a empresa pode até conceder ao trabalhador ajuda compensatória mensal, sem natureza salarial, durante esse período de suspensão, com valor que será de�nido em convenção ou acordo coletivo (art. 476-A, § 3º da CLT). No entanto, se houver dispensa do trabalhador no curso do período de suspensão contratual ou nos 3 (três) meses subsequentes ao seu retorno ao trabalho, o empregador deverá pagar, além das parcelas indenizatórias, multa a ser estabelecida em convenção ou acordo coletivo, sendo de, no mínimo, 100% por cento sobre o valor da última remuneração mensal anterior à suspensão do contrato (art. 476-A, § 5º da CLT). Se durante a suspensão do contrato não for ministrado o curso ou programa de quali�cação pro�ssional, ou o empregado permanecer trabalhando para o empregador, �cará descaracterizada a suspensão, sujeitando o empregador ao pagamento imediato dos salários e dos encargos referentes ao período, às penalidades cabíveis previstas na legislação, bem como às sanções previstas em convenção ou acordo coletivo (art. 476-A, § 6º da CLT). Além do mais, o contrato não poderá ser suspenso por mais de uma vez, pelo mesmo motivo, no período de 16 meses (art. 476-A, § 2º da CLT) (Resende, 2020, p. 697). Prisão provisória do empregado: Somente a prisão decorrente de condenação criminal transitada em julgado dá ensejo à justa causa, nos termos do art. 482, “d”, da CLT. Assim, a prisão provisória trata-se de suspensão contratual, não autorizando o rompimento do contrato por justa causa (Resende, 2020, p. 702). Assim, o correto é 37 suspender o contrato de trabalho enquanto perdurar a prisão. Caso o empregado for absolvido e colocado em liberdade, ele terá o direito de reassumir a função anteriormente ocupada na empresa (Calvo, 2019. p. 266). Encargo Público - Serviço militar: Regra geral, a eleição ou designação do empregado para exercer cargo público acarreta a suspensão do contrato (Art. 472 da CLT). Ou seja, o afastamento do empregado não será motivo para alteração ou rescisão do contrato de trabalho por parte do empregador. Alguns exemplos de cargos públicos são: membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas ou Câmaras Municipais, dentre outros (Calvo, 2019, p. 219). E durante o período de serviço militar, ocorrea suspensão do contrato de trabalho de empregado, não sendo devido o salário. E, o tempo de serviço militar é contabilizado para �ns de indenização e estabilidade, sendo devido o recolhimento do FGTS. Assim, para que o empregado possa retornar à atividade do qual se afastou, em virtude do serviço militar ou de encargo público, é necessário noti�car o empregador por telegrama ou carta registrada, dentro do prazo máximo de 30 (trinta) dias, contados da data em que se veri�car a baixa ou término do encargo que estava cumprindo (artigo 472, § 1º da CLT). Greve: A paralisação dos serviços na empresa em razão de greve constitui hipótese de suspensão do contrato de trabalho, nos termos do art. 7º da Lei n.º 7.783/1989. Cabe destacar que é vedada a rescisão do contrato de trabalho durante a greve (Calvo, 2019, p. 254). Inclusive o TST entende que o empregador não está obrigado ao pagamento de salários durante o período de greve, visto que houve suspensão do contrato de trabalho. No entanto, há exceções que admitem hipóteses de negociação das relações obrigacionais através de acordo, convenção, laudo arbitral ou decisão da Justiça do Trabalho. Mas nada impede que seja negociado o pagamento de salários, o que descon�gura a hipótese de suspensão, passando a enquadrar-se como interrupção (Resende, 2020, p. 700 38 Afastamento para exercício de cargo de dirigente sindical: O empregado eleito para cargo de administração sindical ou representação pro�ssional não poderá ser impedido do exercício de suas funções, nem transferido para lugar que lhe di�culte ou torne impossível o desempenho das suas atribuições sindicais. Assim, considera- se licença não remunerada, salvo assentimento da empresa ou cláusula contratual, o tempo em que o empregado se ausentar do trabalho no desempenho das funções, conforme artigo 543, § 2º, da CLT). Portanto, como regra, o afastamento para exercício de mandato sindical implica suspensão do contrato de trabalho, tendo em vista que não são devidos os salários do período. Mas �ca ressalvada, a possibilidade de as partes estabelecerem o pagamento de salários durante a ausência para o exercício de mandato de direção sindical, mediante cláusula contratual ou através de norma coletiva (Resende, 2020, p. 698). Nesse sentido, caso o empregado eleito ocupe o cargo de diretor terá o respectivo contrato de trabalho suspenso, não se computando o tempo de serviço desse período, salvo se permanecer a subordinação jurídica inerente à relação de emprego (Súmula 269 do TST). Eleição para cargo de diretor de sociedade anônima: O TST entende que durante o período em que o empregado estiver exercendo cargo de diretor de sociedade anônima, seu contrato de trabalho �cará suspenso, salvo se permanecer a subordinação jurídica em relação ao empregador. (Súmula 269, TST). Observe-se, que a suspensão ocorre a partir da posse. Porém, é possível a manutenção dos depósitos do FGTS do trabalhador durante o período do mandato, caso queira o empregador (art. 16 e art. 15, § 4º, Lei n.° 8.036/90), sem que isso descon�gure a suspensão do contrato de trabalho (Resende, 2020, p. 698). 39 Período de inatividade no trabalho intermitente: Dispõe no art. 452-A, § 5º da CLT, que “o período de inatividade no trabalho intermitente não será considerado tempo à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar serviços a outros contratantes”. Em não se considerando tal período como tempo à disposição do empregador, trata-se de lapso de tempo em que há suspensão temporária dos principais efeitos do contrato de trabalho, ou seja, de prestação de serviços e pagamento de salários (Resende, 2020, p. 706). Aposentadoria por invalidez: Segundo o art. 475 da CLT, o empregado que for aposentado por invalidez terá suspenso o seu contrato de trabalho. Portanto, a aposentadoria por invalidez é devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio‐doença, for considerado incapaz para o trabalho e sem condições de se submeter ao programa de reabilitação pro�ssional que lhe permita o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência. Enquanto perdurar a incapacidade para o trabalho, o empregado terá direito ao recebimento das prestações relativas ao benefício. Durante o período em que o empregado estiver afastado pela aposentadoria por invalidez, o seu contrato de trabalho estará suspenso, não sendo necessário o depósito do FGTS, pois esse tempo não será computado na empresa. Conforme o TST, na Súmula 160, �ca suspenso por tempo indeterminado, até a recuperação do empregado, mesmo após o prazo de cinco anos, garantindo seu retorno ao trabalho (Calvo, 2019, p. 257/258). Aborto criminoso: No caso de aborto criminoso, não faz jus a empregada ao repouso remunerado de 2 (duas) semanas (art. 395 da CLT). Se for comprovada a ilegalidade da interrupção da gravidez, a empregada não fará jus ao benefício do salário-maternidade, de acordo com o art. 95 do Decreto n.º 3.668/2000, sendo causa de suspensão do contrato de trabalho. Interrupção do contrato de trabalho A interrupção do contrato de trabalho ocorre em situações em que o trabalhador, embora sem prestar serviços para empresa, recebe salário e seu tempo de serviço é contado como se este houvesse sido efetivamente prestado (Calvo, 2019, p. 243). No entanto, os efeitos jurídicos da interrupção contratual são os mesmos decorrentes da suspensão, pois: 1- Garante-se ao empregado o retorno, cessada a causa da interrupção ao cargo anteriormente ocupado (art. 471 da CLT); 2- Garantem-se ao trabalhador todas as vantagens que em sua ausência tenham sido atribuídas à sua categoria (art. 471 da CLT) e 3- O empregador não pode rescindir o contrato de trabalho durante a interrupção, exceto se ocorrer a justa causa. 40 Assim, mesmo se o contrato de trabalho for interrompido por determinada situação, o empregado continuará recebendo o salário, bem como será contado o tempo de serviço (Resende, 2020, p. 720). Hipóteses de interrupção de contrato de trabalho Diante das informações constantes citadas, segue alguns exemplos de interrupção do contrato de trabalho: Afastamento por motivo de doença ou acidente de trabalho até o 15º dia: a lei previdenciária dispõe que os primeiros 15 (quinze) dias de afastamento do empregado são remunerados pelo empregador (art. 60, § 3º, da Lei n.º 8.213/1991). Logo, não há prestação de serviços, mas há pagamento de salários (Calvo, 2019, p. 247). Se for concedido novo benefício decorrente do mesmo motivo que gerou a incapacidade no prazo de sessenta dias, contado da data da cessação do benefício anterior, a empresa �cará desobrigada do pagamento relativo aos quinze primeiros dias de afastamento, prorrogando-se o benefício anterior e descontando-se os dias trabalhados, se for o caso (art. 75, § 3º, do Decreto n.º 10.410/2020) (Resende, 2020, p. 714). 41 Férias: Segundo o art. 129 da CLT, todo empregado terá direito anualmente ao gozo de um período de férias, sem prejuízo da remuneração. Além disso, consoante o § 2º do art. 130 da CLT, o período das férias será computado, para todos os efeitos, como tempo de serviço e recebe FGTS e recolhimentos previdenciários (Calvo, 2019, p. 246). Importante destacar que a reforma trabalhista permite que o funcionário possa negociar com o empregador a divisão dos dias de férias, ou seja, ele tanto pode tirar os 30 dias de férias como parcelar o descanso em três períodos, sendo que o primeiro deve ser de pelo menos 14 dias de descanso e o restante dividido em dois (Ribeiro, 2019, p. 177). Aviso prévio não trabalhado: Durante o aviso prévio dado pelo empregador, o trabalhador tem direito a uma redução em sua jornada de trabalho, ou pode se ausentar para procurar novo emprego. Sendo 2 (duas) horas por dia, ou 7(sete) dias corridos no caso do trabalhador urbano; ou 1 (um) dia, no caso do trabalhador rural (artigo 488 da CLT). Esse período de redução ou ausência do empregado na empresa caracteriza a interrupção do contrato de trabalho, pois receberá salário e é contado para tempo de serviço. Feriado e repouso semanalremunerado: Segundo o art. 1º da Lei n.° 605/49, todo empregado tem direito ao repouso semanal remunerado de 24 (vinte e quatro horas) consecutivas, preferentemente aos domingos. Portanto, no repouso semanal remunerado e nos feriados civis e religiosos, embora não haja trabalho, o empregador está obrigado a realizar o pagamento de salário e contar o tempo de serviço. Caracterizam períodos de interrupção do contrato de trabalho, pois não há prestação de serviços, mas o salário é devido (Calvo, 2019, p. 246). Além disso, con�guram interrupção contratual o DSR e os demais descansos trabalhistas remunerados como o intervalo intrajornada, o intervalo para amamentação, etc. (Resende, 2020, p. 712). Licenças remuneradas em geral e outras faltas justi�cadas: se o empregado faltou e a empresa aceitou sua justi�cativa, ainda que não prevista em lei, a falta é considerada justi�cada, con�gurando hipótese de interrupção (Resende, 2020, p. 714). 42 Atuação do empregado como conciliador em Comissão de Conciliação Prévia CCP: o representante dos empregados desenvolverá seu trabalho normal na empresa, afastando‐se de suas atividades apenas quando convocado para atuar como conciliador, sendo computado como tempo de trabalho nessa atividade, conforme art. 625-B, § 2º da CLT (Calvo, 2019, p. 249). Licença‐paternidade: A Constituição Federal prevê licença de 5 (cinco) dias, período que se inicia no primeiro dia útil após o nascimento da criança e o pai deve comunicar ao empregador o nascimento do �lho, comprovando‐o pela entrega do registro de nascimento. No entanto, se a empresa estiver cadastrada no programa Empresa Cidadã, o prazo será estendido para 20 (vinte) dias, ou seja, são 5 (cinco) dias, prorrogáveis por mais 15 dias. En�m, a licença-paternidade é uma licença remunerada pelo empregador, na qual o empregado poderá faltar ao trabalho, sem prejuízo do cômputo do tempo de serviço (Resende, 2020, p. 712). Licença-maternidade: Já a licença-maternidade refere-se a um período concedido às mulheres empregadas que acabaram de ter bebê para que se afastem do trabalho e continuem recebendo o salário, podendo variar de 120 dias (cerca de 4 meses) a 180 dias (cerca de 6 meses). Portanto, a gestante empregada faz jus ao salário-maternidade e à licença-maternidade, tendo o mesmo direito a empregada que adotar ou obtiver guarda judicial de criança para �ns de adoção, nos termos do art. 392-A da CLT. Vale destacar que o salário-maternidade recebido pela empregada é pago pelo Regime Geral de Previdência Social, sendo assegurado o direito à licença- maternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário (art. 392 da CLT e art. 7º, XVIII, CF). Inclusive no caso de mães de crianças nascidas até 31 de dezembro de 2019, acometidas por sequelas neurológicas decorrentes da Síndrome Congênita do Zika Vírus, a licença-maternidade e salário-maternidade serão de 180 (cento e oitenta) dias, conforme artigo 5º da Lei n.º 13.985/2020. 43 Afastamento no caso de aborto espontâneo ou não criminoso: Nesse caso, comprovado por atestado médico o�cial, a mulher terá direito ao repouso remunerado de 2 (duas) semanas, �cando-lhe assegurado o direito de retornar à função que ocupava antes de seu afastamento (art. 395, CLT) (Jorge Neto; Cavalcante, 2017, p. 338). Lockout: Ocorre o lockout ou locaute quando o empregador adota providências semelhantes à greve, a �m de constranger os empregados a agirem de determinada maneira, e com objetivo de desmobilizar os trabalhadores, impedindo, por exemplo, o acesso destes ao prédio da empresa. O lockout é vedado pela legislação brasileira (art. 17, caput, da Lei n.º 7.783/1989) e, diante de sua ocorrência, são devidos os salários e demais direitos contratuais, razão pela qual trata-se de interrupção contratual (Resende, 2020, p. 714). Participação como jurado em sessões do Tribunal do Júri: Dispõe o art. 441 do Código de Processo Penal que “nenhum desconto será feito nos vencimentos ou salário do jurado sorteado que comparecer à sessão do júri”. Assim, a participação como jurada em sessão do Tribunal do Júri é também caso de interrupção contratual. Faltas justi�cadas: Os dias de afastamento previstos no art. 473 da CLT (faltas justi�cadas) são remunerados e considerados como tempo de serviço para todos os efeitos (Calvo, 2019, p. 244). Tais hipóteses são as seguintes: 44 Quadro 3: Faltas justi�cadas HIPÓTESE NÚMERO DE DIAS Falecimento do cônjuge, ascendente, descendente, irmão ou pessoa que, declarada na CTP, viva sob a dependência econômica do empregado. Até dois dias consecutivos OBS: para professores: nove dias (falecimento de cônjuge, ascendente e descendente) art. 320, § 3º CLT Casamento Até três dias consecutivos OBS: para professores: nove dias - art. 320, § 3º CLT Lincença-paternidade Cinco dias, podendo ser prorrogada por 15 dias (lei n. 11.770/2008) Doação voluntária de sangue devidamente comprovada Um dia a cada 12 meses de trabalho Alistamento eleitoral Até dois dias, consecutivos ou não Cumprimento de exigências do serviço militar Pelo tempo necessário Realização de exame vestibular Pelos dias comprovados Comparecimento a juízo Pelo tempo necessário Como representante de entidade sindical, participando de reunião o�cial de organismo internacional do qual o Brasil seja membro Pelo tempo necessário 45 Fonte: Romar, 2019, p. 292. Participação em eleições em virtude de convocação da Justiça Eleitoral: Dispõe o art. 98 da Lei n.º 9.504/1997 que “os eleitores nomeados para compor as Mesas Receptoras ou Juntas Eleitorais e os requisitados para auxiliar seus trabalhos serão dispensados do serviço, mediante declaração expedida pela Justiça Eleitoral, sem prejuízo do salário, vencimento ou qualquer outra vantagem, pelo dobro dos dias de convocação”. Assim, se o empregado prestou serviços à Justiça Eleitoral durante 2 (dois) dias (um dia para cada turno das eleições, por exemplo), fará jus a 4 (quatro) faltas abonadas, sem prejuízo no salário (Resende, 2020, p. 715). Por conta do COVID-19, a Medida Provisória 936/20 instituiu o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, que autoriza os empregadores a reduzir salários e jornadas (por até 90 dias) ou suspender contratos de trabalho (até 60 dias), com direito à estabilidade temporária do empregado e recebimento de auxílio emergencial pago pelo governo. Sendo que essa redução de jornada e salário poderia ser de 25%, 50% ou 75%, por acordo individual ou coletivo, ou qualquer percentual, inclusive 100%, apenas por acordo coletivo. Nesse período de suspensão, o empregado não poderia trabalhar, caso isso ocorresse, o empregador poderia ser penalizado. De qualquer forma, o empregado teria garantia provisória no emprego e, nesse período, o empregador deverá manter os benefícios pagos aos empregados. 46 https://go.eadstock.com.br/vt Isabel sofreu violência doméstica e o juiz, para preservar sua integridade física, assegurou o seu afastamento do local de trabalho por 5 (cinco) meses. Thiago foi aposentado por invalidez. Maria �cou dois meses participando de curso de quali�cação pro�ssional oferecido pelo empregador mediante previsão em convenção coletiva de trabalho e aquiescência formal da empregada. Nesses casos, os contratos de Isabel, Thiago e Maria, �carão...? Resposta: SUSPENSOS. Fonte: Prova Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil) - Diversos Cargos (IADES – 2018). Felipe, auxiliar administrativo, completou 18 anos e pretende se alistar como eleitor; Silmara, recepcionista, necessita ausentar-se do emprego para acompanhar consulta médica de seu �lho de 5 anos de idade. Gerson, gerente, pretende acompanhar sua esposa grávida em consulta médica pré-natal. Considerando que todos são empregados, é correto dizer que podem faltar ao serviço, sem prejuízo do salário, considerando- se interrupção do contrato de trabalho, pelos seguintes períodos, respectivamente?Resposta: até 2 dias consecutivos ou não; por 1 dia por ano e até 2 dias. Fonte: Ano: 2019 / Banca: FCC / Órgão: AFAP / Prova: FCC - 2019 - AFAP - Analista de Fomento - Advogado 47 Jornada de Trabalho 05 48 Olá, prezados! A Duração do trabalho é o gênero do qual são espécies a jornada de trabalho, o horário de trabalho e os repousos trabalhistas.Podemos conceituar jornada de trabalho como sendo tempo diário em que o empregado se coloca à disposição do empregador para lhe prestar serviços, em decorrência do contrato de trabalho �rmado entre as partes. En�m, é importante que tenha um controle do tempo de trabalho e, por isso,a legislação trabalhista prevê a jornada controlada e não controlada de acordo com algumas funções exercidas, conforme veremos nesta aula. Tempo Computado Além do Tempo Efetivamente Trabalhado A jornada de trabalho é composta pelo tempo que efetivamente se trabalha, mas também,por tempos excepcionais que integram a jornada. E, por isso, podemos considerar como tempo computado na jornada, além daquele trabalhado: a. O tempo em que o empregado se coloca à disposição do empregador; b. O tempo de sobreaviso e c. O tempo de prontidão (Resende, 2020, p. 407). Desta forma, iremos tratar de cada um, separadamente, conforme veremos a seguir: a)Tempo em que o empregado se coloca à disposição do empregador:é quando o empregado �ca à disposição do empregador aguardando ou executando ordens. E mesmo que o empregador mantenha o empregado inerte e sem atividade, �ca obrigado a pagar o salário correspondente a todo o período em que o empregado �cou disponível (art. 4º da CLT). Como, por exemplo: Nas indústrias quando há quedas de produção, é comum o empregado comparecer ao local de trabalho e ser dispensado naquele dia por “falta de serviço”, mesmo assim, é devido os salários de todo o período em que o empregado se colocou à disposição, independentemente do fato de não ter prestado serviços (Resende, 2020, p. 408): 49 Vale ressaltar que a Reforma Trabalhista inseriu o § 2º do art. 4º da CLT, que estabelece que o tempo utilizado pelo empregado para atividades de seu interesse (como o lazer, práticas religiosas, estudo) não con�gura tempo à disposição do empregador. No tocante à “espera do empregado” não é considerado tempo à disposição e, por isso, não é remunerado como hora extra, mas deve ser indenizada, em 30% do valor da hora normal de trabalho, pois não possui natureza salarial. A Reforma Trabalhista trouxe o trabalho intermitente no qual o tempo de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador (art. 452-A, § 5º da CLT). Outra questão que a Reforma trabalhista trouxe foi retirar o direito às horas in itinere que antes era devido, passando a dispor que “o tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador” (art. 58, § 2º, da CLT). b) O tempo de Sobreaviso: é tempo efetivo em que um ferroviário, por exemplo, permanece em casa aguardando ser chamado para o serviço e sua duração máxima é de 24 horas, e deve ser remunerado em 1/3 (um terço) da hora normal de trabalho (art. 244, § 2º, da CLT). Por exemplo, se um empregado recebe R$ 6,00 por hora trabalhada, receberá R$ 2,00 por hora quando se mantiver de sobreaviso. Além disso, o sobreaviso foi estendido aos petroleiros (art. 5º, § 1º, da Lei n.º 5.811/1972) com remuneração correspondente à da hora extra, e também alcançou os aeronautas, remunerado em 1/3 da hora normal e limitado a doze horas (art. 43, caput, da Lei n.º 13.475/2017). Nesse sentido, o TST na Súmula 229 entende que o tempo de sobreaviso se aplica analogicamente ao eletricitário, à razão de 1/3 das parcelas de natureza salarial. Quanto ao empregado que permanece conectado ao trabalho por meio de equipamentos eletrônicos, usando aparelho de intercomunicação, como BIP ou aparelho celular, não caracteriza o regime de sobreaviso, uma vez que o 50 empregado não permanece em sua residência aguardando ser convocado para serviços. No entanto, o TST na Súmula 428 passou a admitir a possibilidade de caracterização de sobreaviso desde que o empregado permaneça, a distância, de plantão ou em regime equivalente (Resende, 2020, 414). c) O tempo de prontidão é o tempo gasto pelo ferroviário que �car nas dependências da estrada, aguardando ordens. Sendo que, a escala de prontidão será de, no máximo, 12 (doze) horas, e a hora de prontidão será remunerada de 2/3 do valor da hora normal de trabalho(art. 244, § 3º, da CLT). Temos também os aeronautas, em que o tempo de prontidão é chamado de “reserva”, pois considera-se em reserva o tempo que o aeronauta permanece no local de trabalho à disposição do empregador, sendo remunerado como hora normal de trabalho (art. 44, §1º, da Lei n.º 13.475/2017). Porém, se o empregado for chamado para o serviço e comparecer no local de trabalho, seja no sobreaviso, na prontidão ou, ainda, na hipótese do uso de equipamentos eletrônicos, começa a contar tempo à disposição do empregador, com a remuneração integral (Resende, 2020, p.414). E, por �m, temos o tempo residual à disposição do empregador, em que não será descontada nem computada como jornada extraordinária as variações de horário no registro de ponto não excedentes a 5 (cinco) minutos, observado o limite máximo de 10 (dez) minutos diários. No entanto, excedido o limite previsto de 5 (cinco) minutos, todo o tempo será considerado como hora extraordinária (art. 58, § 1º, da CLT). Por exemplo: Caso um empregado tenha jornada regular das 8 horas às 18 horas de segunda a sexta-feira, com duas horas de intervalo, e aos sábados das 8 horas às 12 horas comece, em determinado dia, a prestar serviço às 7h54min e para de trabalhar às 18h08min, então terá direito a 14 minutos extras (Resende, 2020, p. 416). Ou seja, a regra é que não são computadas na jornada de trabalho diferenças de até 5 (cinco) minutos (seja para mais ou para menos) na entrada e na saída dos empregados. En�m, a Reforma trabalhista autorizou a �exibilização quanto à jornada de trabalho, observados os limites constitucionais e a modalidade de registro de jornada mediante convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho (art. 611-A, incisos I e X da CLT). 51 Controle da Jornada de Trabalho A limitação da jornada de trabalho pressupõe a necessidade de que se tenha uma forma de controle do tempo de trabalho, na qual há duas modalidades de jornada de trabalho: jornadas controladas e jornadas não controladas. A - Jornadas controladas: são aquelas em que o tempo de trabalho prestado pelo empregado é controlado pelo empregador, sendo devido o pagamento do adicional de horas extraordinárias sempre que a jornada extrapole o limite �xado (Resende, 2020, p. 420). Lembrando que a regra geral é a jornada controlada, conforme o art. 74, caput e § 2º, da CLT, na qual estabelece que para as empresas com mais de 20 (vinte) trabalhadores será obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico (controle de ponto), conforme instruções expedidas pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré-assinalação do período de repouso. Vale destacar, ainda, que a assinatura do empregado não constitui requisito formal para validade dos cartões de ponto. Inclusive algumas empresas não mantêm em dia os controles de ponto e possuem marcações uniformes (ponto britânico), e na justiça será levada em consideração a jornada de trabalho alegada pelo empregado na inicial, cabendo ao empregador produzir prova inequívoca em sentido contrário (Súmula 338 do TST). Ou seja, ponto britânico é aquele que apresenta marcações uniformes em todos os dias, coincidindo as marcações com os horários devidos pelos empregados. Exemplo: Um empregado é contratado para trabalhar de 8h às 18h, com duas horas de intervalo,e seu cartão de ponto apresenta marcações uniformes, ou seja, todos os dias, com entrada sempre às 8h e saída sempre às 18h. É importante mencionar que há controle de jornada de trabalho realizado fora do estabelecimento, que deverá ser controlado, como é o caso dos motoboys que entregam pizzas e retornam ao �nal de cada entrega, os contínuos que fazem o serviço externo e retornam imediatamente à empresa, o motorista de loja de departamento que realiza entregas ao longo do dia e, ao �nal da jornada, retorna à loja para devolver o caminhão vazio, entre outros (Resende, 2020, p. 422). Nesses casos, a jornada deve ser controlada pelo registro que estiver à disposição do empregado, seja manual, mecânico ou eletrônico, no qual o próprio empregado anota os horários que trabalhou (§ 3º do art. 74 da CLT). 52 Contudo, com a Reforma Trabalhista o registro de ponto por exceção passou a ser considerado válido, desde que previsto em instrumento coletivo de trabalho. Ou seja, só serão anotados os horários que fogem do horário normal de trabalho, ou seja, apenas os atrasos, faltas e as horas extraordinárias laboradas. Mas a Lei n.º 13.874/2019 estendeu a possibilidade de utilização do registro de ponto por exceção, exigindo tão somente o acordo individual escrito, conforme art. 74, § 4º da CLT. B- Jornada não controlada: é quando o trabalho do empregado não é controlado pelo empregador, não havendo, portanto, controle de jornada e prestação de horas extraordinárias. O artigo 62 da CLT destaca três categorias de empregados que não estão sujeitos ao controle de jornada. I – os empregados que exercem atividade externa incompatível com a �xação de horário de trabalho, devendo tal condição ser anotada na Carteira de Trabalho e Previdência Social e no registro de empregados; II – os gerentes, os diretores e chefes de departamento ou �lial. III – os empregados em regime de teletrabalho (Resende, 2020, p. 424). No caso dos Gerentes com poderes de gestão, dispõe no art. 62, II da CLT, que estão excluídos “os gerentes, assim considerados os exercentes de cargos de gestão, aos quais se equiparam, para efeito do disposto neste artigo, os diretores e chefes de departamento ou �lial”, desde que recebam salário pelo menos 40% superior ao salário do cargo efetivo. Além disso, o gerente deve ter ainda padrão remuneratório no mínimo 40% superior ao do cargo efetivo. Já no caso do bancário, a jurisprudência construiu presunção relativa de que o gerente geral da agência se enquadra na regra do art. 62, II, conforme Súmula 287 do TST. No caso dos empregados que exercem atividade externa, como, exemplo, vendedor viajante, ou o trabalhador em domicílio (desde que não tenha a jornada controlada) ou o teletrabalhador (art. 62, III da Lei n.º 13.467/2017) (desde que não seja submetido a formas de controles virtuais), não possuem controle de jornada. No entanto, devem ser anotados na CTPS do empregado e em seu registro (Resende, 2020, p. 429). Quanto aos empregados em regime de teletrabalho trata-se da prestação de serviços realizada fora das dependências do empregador, com a utilização de tecnologias de informação e de comunicação que, não se constituam como trabalho externo, o que por sua vez, inviabiliza o controle de jornada (art. 62, III e art. 75-B da CLT). Quanto ao custeio e reembolso dos equipamentos de trabalho (computadores, celular), manutenção e da estrutura necessária (internet, energia elétrica) para exercer o trabalho remoto, pode ser negociada entre as partes e podem ser previstas em contrato escrito, conforme dispõe o Art. 75-D da CLT. 53 Limitação Legal da Jornada de Trabalho A legislação prevê algumas limitações quanto à jornada de trabalho �xando a jornada normal, tanto para trabalhadores em geral, quanto para os trabalhadores de categorias especí�cas, que têm jornadas diferenciadas em razão da atividade exercida. Portanto, tem-se que a Jornada normal de trabalho é de 8 horas diárias, perfazendo o total de 44 horas semanais conforme dispõe o art. 7º, XIII, da CF. Quanto à carga horária de trabalho do mensalista é de 220 horas, sendo obtido a partir da divisão semanal (44 horas) por 6 (seis) dias úteis da semana, multiplicado por 30 dias do mês, de forma que se obtém, assim, o módulo mensal, incluídos os DSR (Resende, 2020, p. 430). Há também as Jornadas especiais de trabalho cuja duração normal do trabalho, para os empregados em qualquer atividade privada, não poderá exceder a 8 (oito) horas diárias, desde que não seja �xado expressamente outro limite, que é o caso dos Bancários (art. 58 da CLT). Assim, a jornada de trabalho do bancário que antes era de 6 horas diárias e 30 horas semanais, e no sábado era considerado dia útil não trabalhado, conforme art. 224 da CLT, foi alterado pela MPV n.º 905/2019. Portanto, apenas o caixa bancário continua sendo destinatário da jornada especial de 6 (seis) horas diárias, de forma que os demais trabalhadores bancários estão sujeitos à jornada normal de trabalho de 8 (oito) horas diárias. No entanto, a nova redação da Súmula 124, aprovada pela Resolução n.º 219/2017, a�rma que o divisor para o cálculo das horas extras do bancário será: a) 180para os empregados submetidos à jornada de 6 (seis) horas previstas no caput do art. 224 da CLT; b) 220 para os empregados submetidos à jornada de oito horas, nos termos do § 2º do art. 224 da CLT. Já para o gerente geral de agência, enquadrado na exceção do art. 62, II, da CLT, não há jornada de trabalho controlada, isto é, não se submete a controle de horário, não fazendo jus a horas extras. Mas com relação aos demais gerentes bancários (gerente de administração, gerente de contas, gerente de segmento), bem como, os empregados comissionados por exercerem função de con�ança, e desde que recebam como grati�cação de função valor não inferior a 1/3 da remuneração do cargo efetivo, não fazem jus à jornada especial de trabalho do bancário, submetendo- se à regra geral (8 horas diárias) (art. 224, § 2º da CLT). 54 Portanto, além dos bancários que possuem jornada especial, temos também os Turnos ininterruptos de revezamento, que é o empregado que tem a jornada de 6 (seis) horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva (art. 7º, XIV, da CF). Isso se dá em virtude do desgaste físico e psicológico diante da variação do turno de trabalho, entre dia e noite. Nesse sentido, há 2 (dois) requisitos para que o empregado tenha direito a esta jornada especial: A) que trabalhe em turnos alterados, periodicamente, trabalhando durante algum tempo de dia e algum tempo à noite, podendo, entretanto, este tempo ser misto (uma parte durante o dia e outra à noite) ou B) que a empresa desenvolva suas atividades necessitando da divisão do trabalho em turnos ininterruptos, isto é, que não possa interromper suas atividades (Resende, 2020, p. 439). O fato é que a concessão de intervalo intrajornada (interrupção do trabalho destinada a repouso e alimentação) ou o intervalo para descanso semanal, dentro de cada turno, não afasta jornada especial do turno ininterrupto de revezamento com jornada de 6 horas, nos termos da Súmula 360 do TST. No entanto, o TST não tem exigido o trabalho em todos os momentos do dia e da noite, bastando, para con�guração da jornada especial, que o empregado trabalhe de modo parcial em vários momentos distintos (OJ 360 da SDI-1 do TST). Várias outras categorias são abordadas por leis especí�cas, as quais �xam jornadas especiais de trabalho. Inclusive a CLT também �xa jornadas especiais para algumas categorias de trabalhadores, como, por exemplo: advogado, jornalista, operador 55 cinematográ�co, telefonistas, telegra�a, radiotelegra�a, trabalhadores em minas no subsolo, entre outros (Resende, 2020, p. 449/450). Trabalho em Sobrejornada O tempo trabalhado além da jornada normal é denominado sobrejornada, horas extraordinárias ou horas suplementares. Sendo assim, o art. 59 da CLT dispõe que a duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em númeronão excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Portanto, é possível a realização de até duas horas extras diárias. Todavia, observe-se que foi substituída a expressão acordo escrito (que é o acordo individual escrito) por acordo individual, ou seja, não se exige mais que o acordo de prorrogação de jornada seja escrito, podendo a prorrogação ser pactuada, verbalmente, e até mesmo tacitamente (Resende, 2020, p. 451). Embora o art. 59, caput, da CLT condicione a prestação de horas extras ao acordo escrito, há outras hipóteses legais em que o empregador pode exigir o trabalho além da jornada normal, que são as horas extras obrigatórias, conforme artigo 61 da CLT, que deve ser analisada com base no A) Motivo de força maior, ou seja, acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, como, por exemplo: acidente em ferrovia (art. 501 da CLT) e B) Para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto, ou seja,trata dos serviços emergenciais, aqueles que, se não realizados, trarão prejuízo, como, por exemplo, o carregamento e armazenamento de produtos perecíveis. Há que se ressaltar que a nova redação do §1º do art. 61 deixa dúvidas quanto à dispensa de acordo individual escrito, pois a Reforma Trabalhista dispensou a comunicação do fato ao Ministério da Economia. Mas isso não quer dizer que o empregador pode prorrogar a duração do trabalho além do limite legal sem motivo real que o justi�que (Resende, 2020, p. 456). Já quanto ao § 2º do art. 61 estabelece que no caso de excesso de horário por motivo de força maior, a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. E nos demais casos de excesso previsto neste artigo, a remuneração será, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não �xe expressamente outro limite (Resende, 2020, p. 456). 56 Apesar disso, havendo trabalho além da jornada normal, ou seja, SOBREJORNADA, há duas possibilidades: A- O empregador remunera o empregado com o valor da hora normal mais o adicional de, no mínimo, 50% (a própria lei ou, ainda, um instrumento coletivo de trabalho pode �xar percentual maior sobre as horas extraordinárias e B- Opera-se a compensação do tempo trabalhado a mais, de forma que o empregado trabalhe menos em outro dia. Assim, o trabalho em sobrejornada, ainda que sem o acordo de prorrogação, deve ser remunerado como extraordinário. Da mesma forma, as horas extraordinárias prestadas além do limite legal, devem ser remuneradas com o adicional, conforme Súmula 376 do TST. Já no tocante à COMPENSAÇÃO DE JORNADAS é possível compensar o aumento da carga horária de trabalho em um dia com a sua diminuição em outro (§§ 2º, 3º, 5º e 6º do art. 59 da CLT). Mas deve-se ter em mente que o limite máximo da jornada em regime de compensação é, em regra, de 10 horas, considerada a jornada padrão de 8 horas. Além disso, a compensação tem lugar mediante acordo, portanto, não basta a vontade do empregador para instituir o regime de compensação de jornada (Resende, 2020, p. 458). A Reforma trabalhista estabeleceu modalidades diferentes de compensação: dentro do mesmo mês; além do mês (banco de horas); na modalidade 12 X 36 (regime de plantão) ou através de um acordo de compensação irregular. O § 6º do art. 59 incluído pela Reforma trabalhista estabelece que é lícito o regime de compensação de jornada estabelecido por acordo individual, tácito ou escrito, para a compensação no mesmo mês. Quer dizer que a compensação nas modalidades denominadas semana inglesa (compensação normalmente do sábado, mediante trabalho extraordinário nos outros dias da semana) e semana espanhola (48h numa semana e 40h na semana seguinte) �carão absorvidas pela regra do §6º, pois poderão ser individualmente pactuadas, inclusive tacitamente (Resende, 2020, p. 459). No entanto, no tocante ao BANCO DE HORAS, a reforma trabalhista alterou da seguinte forma: a) Banco de horas semestral: o banco de horas poderá ser pactuado por acordo individual escrito, desde que a compensação ocorra no período máximo de 6 (seis) meses (§ 5º do art. 59 da CLT). 57 b) Banco de horas anual: continua sendo exigida a autorização em norma coletiva para compensação em período superior a 6 (seis) meses, e, no máximo, em 1 (um) ano (§ 2º do art. 59). Já no regime 12 x 36, o empregado trabalha durante 12 (doze) horas consecutivas e, em seguida, folga durante 36 (trinta e seis) horas e, assim, sucessivamente. Nestes casos, a jornada semanal não é ultrapassada e todos os repousos são garantidos, como, por exemplo, os enfermeiros, médicos, entre outros. Com efeito, o art. 59-A da CLT, com redação dada pela Lei n.º 13.467/2017, tratou do regime 12 X 36 nos seguintes termos: é facultado às partes, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, estabelecer horário de trabalho de doze horas seguidas por trinta e seis horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação. E a remuneração mensal pactuada pelo horário previsto no caput deste artigo abrange os pagamentos devidos pelo descanso semanal remunerado e pelo descanso em feriados, e serão considerados compensados os feriados e as prorrogações de trabalho noturno, quando houver (Resende, 2020, p. 462). E, por �m, há o acordo de compensação irregular previsto no Art. 59-B da CLT que diz que “O não atendimento das exigências legais para compensação de jornada, inclusive quando estabelecida mediante acordo tácito, não implica a repetição do pagamento das horas excedentes à jornada normal diária se não ultrapassada a duração máxima semanal, sendo devido apenas o respectivo adicional”. 58 Antes da vigência da Reforma Trabalhista, o período gasto no trajeto entre a casa e o trabalho, nos casos em que o empregador fornecia transporte aos empregados para o trabalho realizado em locais de difícil acesso (plantações, áreas de mineração ou construções, fábricas situadas fora do perímetro urbano) e não servidos por transporte público disponível era considerado tempo à disposição do empregador e deveria ser remunerado. Atualmente, com a Reforma trabalhista de 2017, o período não integra mais a jornada de trabalho. Fonte: 59 https://go.eadstock.com.br/vu Cícero é policial militar e cumpre escala 12X36 horas no seu batalhão. Nas folgas, presta serviço como segurança de um supermercado, recebendo ordens do gerente e um valor �xo mensal, não podendo se fazer substituir no desempenho de suas funções. Nesse caso, de acordo com o entendimento sumulado do TST, Cícero poderá ter o vínculo de emprego reconhecido, desde que presentes os requisitos legais, independentemente do eventual cabimento de penalidade disciplinar prevista no Estatuto do Policial Militar. Respostas: Se estiverem presentes os requisitos da relação de emprego é possível reconhecer o vínculo empregatício, mesmo que o trabalhador seja policial militar, nos termos da Súmula 386 do TST. Fonte: FCC – TRT 15ª Região – Técnico Judiciário – Área Administrativa – 2018. Anteriormente, no § 2º do art. 74 da CLT, estabelecia a obrigatoriedade de controle de ponto para estabelecimentos com mais de 10 (dez) trabalhadores. Atualmente, na vigência da Lei n.º 13.874/2019, somente é obrigado a manter controle de ponto os estabelecimentos que contêm mais de 20 (vinte) empregados. Fonte: Previsto na Lei n.º 13.874/2019. 60 Intervalo 06 61 Olá a todos! Os intervalos são pequenos lapsos de tempo que visam à recuperação das energias do funcionário, destinados ao repouso ou alimentação ao longo da jornada de trabalho, conhecidos como intervalos intrajornada e temos descanso entre duas jornadas de trabalho consecutivas. Ocorre que a Reforma trabalhista alterou o período de intrajornada que antes era recompensado integralmente e com o acréscimo de 50%. Mas agora, a empresa precisa pagar pelo período supridopelo trabalhador, além do acréscimo. Por exemplo, se o funcionário fez uma pausa de 40 minutos para almoço, a empresa só paga pelos 20 minutos que faltam. Outra alteração de grande impacto foi a questão de negociação para os horários de intrajornada por meio de convenção ou acordo coletivo de trabalho, na qual agora é possível reduzir ou fracionar este intervalo, desde que seja respeitado o período mínimo de 30 minutos,entre outras alterações que veremos a seguir. Intervalo Intrajornada Os intervalos intrajornadas são aqueles concedidos durante a jornada de trabalho. No entanto, tais intervalos não são remunerados nem computados na jornada de trabalho (Calvo, 2019, p. 484). A regra geral é o intervalo intrajornada de, no mínimo, uma hora, e, no máximo, duas horas, para todo trabalho cuja jornada seja superior a seis horas. Para jornadas superiores a quatro horas e inferiores ou iguais a seis horas, o intervalo intrajornada é de 15 minutos (art. 71 da CLT). Inclusive vale destacar que o § 4º do artigo 71, da CLT, dispõe que se a empresa não conceder o intervalo intrajornada, ou conceder apenas parcialmente, terá que pagar o período que foi suprido, juntamente com um adicional de 50% com base na hora trabalhada normalmente. Por outro lado, é permitida a ampliação do intervalo intrajornada mediante simples acordo escrito entre empregador e empregado (art. 71, caput da CLT). Exemplo disso ocorre em bares e restaurantes, cujo intervalo é ampliado para quatro horas, mediante acordo escrito, a �m de aproveitar o funcionário nos dois períodos de maior movimento, que ocorrem nos horários de almoço e jantar (Resende, 2020, p. 482). 62 Quanto à redução do intervalo intrajornada é possível, excepcionalmente, que o limite mínimo de uma hora para repouso ou refeição possa ser reduzido por ato do Ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, quando ouvido o Serviço de Alimentação de Previdência Social, se veri�car que o estabelecimento atendeu integralmente às exigências da organização dos refeitórios, e quando os empregados não estiverem sob regime de trabalho prorrogado a horas suplementares (art. 71, § 3º, da CLT). Além dessa possibilidade �cou expressamente permitida por lei no art. 611-A, III, da CLT incluído pela Reforma Trabalhista (Lei n.º 13.467/2017), a redução do intervalo intrajornada mediante negociação coletiva, desde que observado o limite mínimo de trinta minutos para jornada superior a seis horas. No entanto, há algumas exceções quanto à impossibilidade de redução ou �exibilização do intervalo mínimo intrajornada (Resende, 2020, p. 493): Redução do intervalo - respeitado o limite mínimo de 30 minutos para jornadas superiores a 6h, mediante previsão em instrumento coletivo de trabalho (art. 611-A, III, CLT); Redução do intervalo - respeitado o limite mínimo de 30 minutos para jornadas superiores a 6h, mediante previsão em contrato �rmado por trabalhador hipersu�ciente (art. 444, parágrafo único, CLT); Redução do intervalo - devido ao doméstico para apenas 30 minutos, mediante previsão em acordo escrito entre empregador e empregado (art. 13, caput, LC n.º 150/2015); Redução e/ou fracionamentodo intervalo - mediante previsão em norma coletiva, para as categorias de motoristas, cobradores, �scalização de campo e a�ns nos serviços de operação de veículos rodoviários (art. 71, § 5º, CLT); Fracionamentodo intervalo - devido ao domésticoque reside no local de trabalho, por iniciativa do empregador, desde que em dois períodos, cada um deles variando de uma a quatro horas (art. 13, § 1º, LC n.º 150/2015). 63 Dentre os intervalos intrajornada, tem aquele que é NÃO COMPUTADA NA JORNADA DE TRABALHO, como, por exemplo, o intervalo para repouso ou alimentação, previsto no art. 71 da CLT. Exemplo: Se o empregado trabalha das 8h às 12h, e das 13h às 17h, cumpre jornada de 8 horas e não de 9 horas, assim, o intervalo não é computado na jornada de trabalho. Logo, tem aquele que conta COMO JORNADA DE TRABALHO, que se refere àquele intervalo não deduzido da jornada de trabalho, é aquele período em que o empregado tenha deixado de trabalhar e conta como jornada de trabalho. Por exemplo, o trabalho em minas de subsolo, na qual em cada período de 3 (três) horas consecutivas de trabalho, será obrigatória uma pausa de 15 (quinze) minutos para repouso, a qual será computada na duração normal de trabalho efetivo (art.298 da CLT) (Resende, 2020, p. 494). Além dos intervalos intrajornada comuns (15min e 1 a 2 horas), há também o chamado intervalo intrajornada especial, aplicável para categorias especí�cas de trabalhadores. Como, por exemplo, nos serviços permanentes de mecanogra�a, cujo intervalo é de 10 minutos a cada 90 minutos trabalhados (art. 72 da CLT). Temos digitadores, na qual a Súm. 346 do TST vem estendendo tal intervalo, por analogia. Outro exemplo são os serviços de telefonia, telegra�a submarina e sub�uvial, radiotelegra�a e radiotelefonia, o empregado tem direito a 20 minutos de descanso a cada 3 horas de esforço contínuo (art. 229 da CLT). Além disso, no trabalho em minas de subsolo, o empregado tem direito a 15 minutos de intervalo a cada 3 horas consecutivas de trabalho (art. 298 da CLT). E, por último, temos os empregados que trabalham no interior de câmaras frigorí�cas e aqueles que movimentam mercadorias de ambiente quente ou normal para outro frio (art. 253 da CLT) na qual é assegurado um intervalo de 20 minutos de repouso a cada 1h40min de trabalho (Calvo, 2019, p. 485-486). Ou seja, esses intervalos intrajornada especiais são em regra remunerados, e computam-se na jornada de trabalho. Há também aqueles intervalos não previstos em lei que constituem tempo à disposição do empregador, razão pela qual devem ser remunerados (Súmula 118 do TST). 64 É importante mencionar que a não concessão de qualquer dos intervalos devidos podem originar duas consequências legais: 1- Con�guração de infração administrativa, punível com autuação pela �scalização do trabalho e posterior imposição de multa administrativa, conforme art. 75, da CLT, e 2- Indenização do período suprimido, com acréscimo de 50% sobre a remuneração da hora normal de trabalho (art. 71, § 4º, da CLT) (Resende, 2020, p. 498). Intervalo Interjornada Quanto aos Intervalos interjornadas são lapsos de tempo em que o empregado deve descansar entre duas jornadas de trabalho consecutivas. A regra geral é o intervalo de 11 horas consecutivas entre duas jornadas, conforme dispõe o art. 66 da CLT. Além disso, os intervalos interjornadas não são remunerados, nem os comuns e nem os especiais, porque não representam tempo à disposição do empregador (Calvo, 2019, p. 489). Vale destacar ainda que a redução ou fracionamento na interjornada é proibida por lei. No entanto, há o intervalo interjornada especial que alcança categorias especiais de trabalhadores, tais como os vinculados a serviços de telefonia, telegra�a submarina e sub�uvial, radiotelegra�a e radiotelefonia (art. 229 da CLT), também empregados em regime de compensação de jornada, denominados regimes de plantão (12 X 36 ou 24 X 72). No caso do intervalo interjornadas de trabalhadores que laboram em turnos ininterruptos de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso semanal de 24 horas, com prejuízo do intervalo mínimo de 11 horas consecutivas para descanso entre jornadas, devem ser remuneradas como extraordinárias, inclusive com o respectivo adicional (Sum. 100 do TST). 65 Descanso ou Repouso Semanal Remunerado O Descanso semanal remunerado é o período de tempo, de 24 (vinte e quatro) horas consecutivas, preferencialmente aos domingos, em que o empregado deixa de prestar serviços ao empregador, bem como de se colocar à disposição deste (art. 7º da CF e art. 67 da CLT). Assim, podemos dizer que o descanso semanal é remunerado, desde que observadas pelo empregado a frequência e a pontualidade na semana correspondente. Quer dizer que se o empregado faltou injusti�cadamente ou não cumpriu integralmente a jornada de trabalho ao longo da semana, perde o direito àremuneração do repouso, persistindo, entretanto, o direito ao gozo da folga. No entanto, a Súmula 146 do TSTS a�rma que o trabalho prestado em domingos e feriados, não compensado, deve ser pago em dobro, sem prejuízo da remuneração relativa ao repouso semanal. Por �m, em caso de não concessão do DSR após o sétimo dia consecutivo de trabalho, o pagamento deve ser dobrado, nos termos da supramencionada OJ 410 do TST. 66 Feriado Com relação aos Feriados podemos dizer que são dias de descanso, assim estipulados por força de lei, seja por motivos cívicos, seja por motivos religiosos (art. 68 da CLT). Assim como ocorre no caso do DSR, os feriados podem ser compensados pela concessão de folga em outro dia. Caso não seja concedida a folga compensatória, o feriado trabalhado deve ser remunerado em dobro, nos termos do disposto no caput do art. 70 da CLT, com redação dada pela MPV n.º 905/2019 (Resende, 2020, p. 513). Caso o feriado coincida com o dia do repouso semanal, as remunerações não se cumulam, pois a norma prevê apenas um descanso. 67 As medidas, quando não ocorre a concessão de intervalo intrajornada e interjornada de trabalho, mudaram com a nova Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17). O § 4º do artigo 71 da CLT agora de�ne que se a empresa não conceder o intervalo intrajornada, ou conceder apenas parcialmente, terá que pagar o período que foi suprido, juntamente com um adicional de 50% com base na hora trabalhada normalmente. Ou seja, se o trabalhador tinha direito a 60 minutos de descanso, mas só fez 30 minutos, o empregador terá que pagar apenas os 30 minutos que faltaram acrescidos de 50% do valor da hora trabalhada. Até a reforma, caso a concessão fosse parcial, a empresa precisava pagar o valor inteiro do descanso. Fonte: 68 https://go.eadstock.com.br/vv Valéria, empregada da empresa “R”, está preocupada com as mudanças ocorridas na Consolidação das Leis do Trabalho, notadamente com o seu intervalo para repouso ou alimentação. Considerando que ela possui jornada de trabalho diária de cinco horas, o seu intervalo para repouso ou alimentação continua sendo obrigatório: Respostas: De, no mínimo, quinze minutos. Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT 2) 2018/ Cargo: Analista Judiciário - Área Administrativa / Banca: Fundação Carlos Chagas (FCC)/ Nível: Superior. Quanto aos intervalos intrajornada e entrejornada, segue um resumo: 69 INTERVALOS INTRAJORNADA Categoria de trabalhadores Tempo de intervalo Remuneração Trabalhadores em geral cuja jornada seja superior a 4h, e de até 6h – art. 71, § 1º, CLT 15min NÃO Trabalhadores em geral cuja jornada seja superior a 6h – art. 71, caput, CLT 1 hora (mínimo) a 2 horas (máximo) NÃO Rurícola cuja jornada seja superior a 6h – art. 5º, Lei n.º 5.889/1973, c/c o art. 5º, Decreto nº 73.626/1974 Mínimo 1 hora (máximo conforme usos e costumes da região) NÃO Serviços permanentes de mecanogra�a (datilogra�a, escrituração e cálculo) e digitadores (processamento de dados) – art. 72, CLT 10min a cada 90min de trabalho SIM Serviços no interior de câmaras frigorí�cas ou em movimento de mercadorias de ambiente quente ou normal para o frio e vice-versa – art. 253, CLT; serviços prestados em ambiente arti�cialmente frio, ainda 20min a cada 1h40min de trabalho SIM 70 que não em câmara frigorí�ca – Súmula 438, TST Motoristas pro�ssionais, nas viagens de longa distância – art. 235-D, I, CLT 30min a cada 4h de tempo ininterrupto de direção (podendo ser fracionados, tanto o tempo de direção quanto o intervalo, desde que não completadas as 4h ininterruptas de direção NÃO Serviços de telefonia, telegra�a submarina e sub�uvial, radiotelegra�a e radiotelefonia (horários variáveis – jornada de 7h) – art. 229, CLT 20min a cada 3h de esforço contínuo SIM Serviços em minas de subsolo – art. 298, CLT 15min a cada 3h de trabalho contínuo SIM Mulher com �lho de até 6 meses de idade, para amamentação – art. 396, CLT 2 intervalos de 30min cada um SIM Intervalos não previstos em lei (concedidos por liberalidade do empregador) – art. 4º, CLT, c/c Súmula 118, TST SIM 71 Fonte: Resende, 2020, p. 506/507. INTERVALOS INTERJORNADA Categoria de trabalhadores Tempo de intervalo Remuneração Trabalhadores em geral – art. 66, CLT 11h NÃO Serviços de telefonia, telegra�a submarina e sub�uvial, radiotelegra�a e radiotelefonia (sujeitos a horários variáveis – jornada de 7h) – art. 229, CLT 17h NÃO Operadores cinematográ�cos sujeitos a horário noturno de trabalho – art. 235, § 2º, CLT 12h NÃO Jornalista – art. 308, CLT 10h NÃO Cabineiros ferroviários – art. 245, CLT 14h NÃO 72 Remuneração e Salário 07 73 O gestor de Recursos Humanos (RH) necessita prover a empresa de uma política adequada de remuneração, incluindo salários de maneira que seja possível atrair talentos, reconhecer o mérito e as quali�cações dos funcionários, contribuir para a motivação das pessoas e proporcionar redução de con�itos na empresa. O salário realiza um papel motivacional, pois é através disso que realizamos nossas funções na sociedade, e seu valor é estipulado com base na especialização, complexidade, importância e excesso ou escassez de mão de obra. E fala-se em remuneração para de�nir todo o pacote concedido (Ribeiro, 2019, p. 86). Conceito e Características O trabalho nem sempre foi remunerado, antes era comum ser pago por mercadorias, abrigo ou proteção. Mas, atualmente, o salário é a contrapartida recebida pela venda da mão de obra e proporciona o atendimento das necessidades básicas na sociedade (Ribeiro, 2019, p. 85). Assim, podemos conceituar Salário como sendo toda contraprestação ou vantagem, concedida em pecúnia ou em utilidade, paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude do contrato de trabalho, ou seja, tem natureza de contraprestação. Já quanto à Remuneração é a soma dos pagamentos diretos (isto é, feito pelo empregador) e dos pagamentos indiretos (feito por terceiros) ao empregado em virtude do contrato de trabalho. Quer dizer que a remuneração é o gênero do qual o salário é uma das espécies (Resende, 2020, p. 559). As formas de remuneração dividem-se em Remuneração direta que se baseia em salário �xo e variável, podendo-se incluir bônus, prêmios e participações, e remuneração indireta que são os benefícios e outros serviços oferecidos pelas empresas (Tre�, 2016, p. 56). O exemplo mais comum de pagamento indireto é a gorjeta, que não tem natureza salarial (art. 457 da CLT). Então, é importante ter conhecimento de que 1- As gorjetas não integram a base de cálculo de parcelas trabalhistas baseadas no salário; 2-As gorjetas não integram a composição do salário-mínimo, pois elas são pagas por terceiros; 3- As gorjetas integram a base de cálculo de parcelas baseadas na 74 remuneração.Ou seja, embora as gorjetas não possuam natureza salarial, seu caráter remuneratório tem o efeito de integrá-las àquelas parcelas calculadas sobre a remuneração. Exemplos: FGTS, férias e décimo terceiro salário. Contudo, temos as gorjetas próprias que são aquelas concedidas espontaneamente pelo terceiro ao empregado e as gorjetas impróprias são aquelas incluídas na nota de serviço e calculadas sobre o valor da conta. É comum que as gorjetas impróprias sejam discriminadas na nota de consumo e o cliente não tem liberdade para concedê-las ou não (§ 3º do art. 457 da CLT) (Calvo, 2019, p. 543). Assim, as gorjetas serão distribuídas segundo critérios de custeio e rateio de�nidos em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, obedecendo-se, os limites de retenção estabelecidos pelo § 2º do art. 457-A da CLT, incluído pela MPV n.º 905/2019. Além das gorjetas, temos também as Gueltas que constituem parcela contraprestativa ofertada por terceiro. A diferença é que as gorjetas são pagas pelos clientes, já as gueltas são pagas por fornecedores do empregador, com o consentimento deste. O objetivo das gueltas é incentivar a venda de produtos ou de serviços de determinado fornecedor. Exemplo: farmácias e drogarias, cujoslaboratórios fornecedores oferecem determinada quantia aos vendedores para que comercializem seus produtos. Entretanto, as gueltas integram a remuneração como ocorre com as gorjetas. No entanto, com relação às características do salário, podemos a�rmar que possui (Resende, 2020, p. 567): a) caráter forfetário: (da expressão francesa à forfait, que signi�ca “por combinação prévia”),o salário é de�nido previamente, independentemente do resultado da atividade do empresário, ou seja, o empregado não assume os riscos do negócio; b) caráter alimentar: o salário é a fonte de subsistência do trabalhador e de sua família e, por isso, é impenhorável, irredutível e irrenunciável; c) crédito privilegiado: em caso de falência do empregador, os créditos trabalhistas gozam de preferência, exatamente em razão de sua natureza alimentar. d) indisponibilidade: signi�ca que o salário não pode ser objeto de renúncia ou de transação prejudicial ao trabalhador, no contexto da relação de emprego. e) periodicidade: é devido periodicamente, normalmente em módulo não superior ao mês, conforme o art. 459 da CLT. A exceção �ca por conta do salário pago à base de comissões, grati�cações e percentagens. 75 g) natureza composta: o salário é composto não só do salário-base, mas também de outras parcelas acessórias, como adicionais, grati�cações etc.; Inclusive o pagamento do salário pode ser ajustado sob diversas formas, seja por módulo de tempo, por produção, ou por tarefa. Adicionais Os adicionais são parcelas salariais devidas ao empregado em razão de circunstâncias especiais que tornam a execução do contrato de trabalho mais gravosa. Quer dizer que os adicionais são acréscimos agregados ao salário do funcionário como forma de compensar o desgaste ou o risco no exercício da atividade de trabalho. Como, por exemplo, o adicional de insalubridade, de periculosidade, o adicional noturno, entre outros. Desde que pagos com habitualidade, os adicionais integrarão o salário para todos os �ns legais, ou seja, repercutirão no cálculo das horas extras, das férias, do décimo terceiro salário, do FGTS e do aviso prévio (Súmula 139 do TST). Portanto, o adicional de Insalubridade está relacionado às atividades que colocam a saúde do trabalhador em risco, previsto no artigo 189 da CLT.O pagamento, então, �ca desta forma: para insalubridade de nível mínimo, o adicional é equivalente a 10%; já para o risco de nível médio, o percentual é de 20%; para o risco em grau máximo, o pagamento corresponde a 40%. Exemplos de pro�ssão com adicional de insalubridade: soldador; pro�ssional da metalurgia; minerador; bombeiro; químico; técnico em radiologia; enfermeiro e frentista, etc. Já o adicional de periculosidade é uma compensação �nanceira paga a trabalhadores expostos a situações que colocam sua vida em risco acentuado, conforme dispõe o artigo 193 da CLT. Assegura ao empregado um adicional de 30% sobre o salário sem os acréscimos resultantes de grati�cações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. Exemplos de pro�ssão com adicional de periculosidade: motoboy; engenheiro elétrico; vigilante/segurança; policial militar e pro�ssional da escolta armada, etc. 76 Vale destacar que tanto o adicional de periculosidade quanto o adicional de insalubridade não são pagos como parcelas indenizatórias porque têm natureza salarial. Já o adicional noturno é um direito dos trabalhadores brasileiros que executam suas funções no período da noite. A CLT dispõe horários diferentes de adicional noturno para duas categorias, sendo Atividades Urbanas e Atividades Rurais (lavoura e pecuária). Ou seja, para as atividades urbanas, o adicional noturno se caracteriza para trabalho realizado entre as 22h às 5h do dia seguinte. Para as atividades rurais são divididas em duas subcategorias, para trabalho executado na lavoura e na pecuária. No caso da lavoura, o adicional noturno começa às 21h até às 5h do dia seguinte e na pecuária é das 20h às 4h do dia seguinte. Quanto ao adicional noturno é equivalente a 20% quando meio urbano, e 25% meio rural, previsto no art. 73, § 1º, da CLT e art. 7º, IX, da CF (Calvo, 2019, p. 482). 77 Parcelas não Salariais O elemento principal que de�ne a natureza salarial de uma parcela é a habitualidade de sua concessão. Mas há outros elementos que também podem retirar da parcela a natureza salarial e, por consequência, a integração nas demais parcelas trabalhistas. O primeiro destes elementos é a previsão expressa em lei, sendo a participação nos lucros um exemplo. O segundo elemento, por �m, é o caráter indenizatório por natureza, ainda que habitual à concessão. Um exemplo seria a indenização por uso de veículo próprio, na hipótese em que o empregador paga mensalmente ao empregado um valor a título de ressarcimento das despesas incorridas com o uso de veículo próprio a trabalho, mediante comprovação destas despesas (Resende, 2020, p. 593). Com isso, temos alguns exemplos de parcelas que não têm natureza salarial que são: 78 Quadro 4: Parcelas que não têm natureza salarial Fonte: Resende, 2020, p. 605. 1. Abono → antecipação de salário ou de reajuste salarial. Não tem natureza salarial por força de lei. 2. Ajuda de custo → tradicionalmente, único pagamento, a título de ressarcimento de despesas, normalmente relacionadas à transferência. A partir da vigência da Lei n.º 13.467/2017, pode ser inclusive parcela paga habitualmente, e mesmo assim não terá natureza salarial. 3. Auxílio-alimentação → não tem natureza salarial, salvo se pago em dinheiro. 4. Diárias para viagem → não terão natureza salarial independentemente do valor e da habitualidade do pagamento. 5. Grati�cações meramente ajustadas → não terão natureza salarial independentemente da habitualidade do pagamento. Somente grati�cações legais têm natureza salarial. 6. Prêmio ou bônus → liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. Não tem natureza salarial por força de lei. 7. Participação nos lucros e resultados (PLR) → não é compulsória, dependendo de negociação coletiva. Tem a natureza salarial retirada pela CRFB e pela Lei. 8. Abono do PIS → parcela de direito público, assegurada a quem é cadastrado no PIS/PASEP há 5 anos, recebeu em média até 2 salários-mínimos no ano anterior e esteve empregado por pelo menos 30 dias. 9. Salário-família → benefício previdenciário que, embora pago pelo empregador, é compensado nas contribuições previdenciárias devidas. 79 O abono é uma antecipação de salário feita pelo empregador. No entanto, antes da Reforma Trabalhista, era reconhecida sua natureza salarial; mas retirou-se expressamente a natureza salarial, alterando a redação do § 2º do art. 457 da CLT. Já a ajuda de custo, dispõe o art. 457, § 2º, da CLT, ainda que habituais,pagas a título de ajuda de custo, não integram a remuneração do empregado, não se incorporam ao contrato de trabalho e não constituem base de incidência de qualquer encargo trabalhista e previdenciário. O que mudou com a Lei n.º 13.467/2017 foi a previsão de que, mesmo paga habitualmente, a parcela continuará não tendo natureza salarial, desde que, naturalmente, seja efetivamente ajuda de custo, e não parcela salarial dissimulada. Quanto ao auxílio-alimentação concedido ao empregado não tem natureza salarial, salvo se pago em dinheiro. A Lei proíbe o pagamento do auxílio-alimentação em dinheiro, caso isso ocorra, a parcela terá natureza salarial (art. 457, § 2º da CLT). Com relação às diárias são valores pagos ao empregado a título de ressarcimento de despesas provenientes de viagens a serviço. Antes, as diárias para viagem integrava o salário do empregado (§ 1º do art. 457), desde que não excedessem a 50% de seu salário (§ 2º do art. 457). Com efeito, a Reforma Trabalhista retirou das diárias para viagem a natureza salarial, independentemente de seu valor ou de seu pagamento habitual. Temos tambémas grati�cações que surgiram como atos de liberalidade do empregador, diante de circunstâncias relevantes, por exemplo, a criação da grati�cação natalina. A nova redação do § 1º do art. 457 da CLT estabelece que integram o salário a importância �xa estipulada,as grati�cações legais e as comissões pagas pelo empregador. Contudo, os prêmios estão sujeitos à �exibilização mediante negociação coletiva. Já a Participação de Lucro e Resultado é parcela espontânea e dependente de negociação entre os empregados e o empregador (art. 2º da Lei n.º 10.101/2000). O pagamento pode ser anual ou semestral, e o valor pode ser �xo ou variável, conforme negociado. Com efeito, o abono salarial (mais conhecido como abono do PIS/PASEP), trata-se de um valor até um salário-mínimo, sendo devido aos trabalhadores cadastrados há mais de cinco anos no Programa de Integração Social – PIS ou no Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP e que tenham auferido, no ano anterior, remuneração média mensal de até dois salários-mínimos, bem como trabalhado por pelo menos 30 dias no mesmo ano. Cabe ao empregador informar corretamente os dados do empregado na RAIS (Relação Anual de Informações 80 Sociais), que serve como base para a triagem dos bene�ciários do abono salarial, sob pena de, con�gurado o prejuízo, estar sujeito à indenização do trabalhador (Resende, 2020, p. 603). E, por último, temos o salário-família que embora seja pago mensalmente pelo empregador, juntamente com o salário, o valor é posteriormente compensado com as contribuições previdenciárias devidas, a exemplo do que ocorre com o salário- maternidade, desse modo, não se trata de salário. Salário-utilidade ou Salário in Natura O salário pode ser pago em dinheiro ou em dinheiro e utilidades. Utilidade é tudo que não for dinheiro e for útil, já o Salário-utilidade (ou salário in natura) é o fornecimento de utilidades quali�cado pela habitualidade e pela natureza de retribuição, de concessão pelo trabalho (Resende, 2020, p. 608). A relação de utilidades, constante do art. 458, caput, da CLT (alimentação, habitação, vestuário ou outras parcelas in natura), é meramente exempli�cativa, admitindo-se o fornecimento de qualquer bem ou serviço (por exemplo, uma viagem anual) que seja útil ao empregado. 81 No entanto, o art. 82 da CLT determina que pelo menos 30% do salário-mínimo seja pago em dinheiro. Quanto ao valor das utilidades em relação à Habitação é até 25% do salário contratual, e limitada ao valor real. Assim, podemos dizer que a utilidade terá natureza salarial somente se atender aos seguintes requisitos: a) for habitual, ou seja, for prestada ou fornecida repetidamente, de forma que o empregado crie expectativa em relação àquela parcela. b) for bené�ca ao empregado, ou seja, o fornecimento de bebida alcoólica, drogas, cigarro, não constituirá salário in natura (art. 458, caput, da CLT, c/c a Súmula 367, II, do TST). c) tiver natureza de contraprestação, será salário in natura a utilidade fornecida PELO trabalho, e não aquela fornecida PARA o trabalho. Ferramentas de trabalho, carro, celular, notebook, entre outros, quando indispensáveis à realização do trabalho, não constituem salário-utilidade, ainda que permaneçam com o empregado nas férias, feriados e �nais de semana. Além disso, existem algumas Utilidades sem natureza salarial, tais como: a) Vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço (incluem uniformes e EPIs); b) Educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos à matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; c) Transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público (inclusive vale-transporte); 82 d) Assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; e) Seguros de vida e de acidentes pessoais, f) Previdência privada; g) Valor correspondente ao vale-cultura, h) Alimentação fornecida nos termos do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, ou auxílio-alimentação, em qualquer caso; i) Para o trabalhador rural, a moradia e infraestrutura básica, e bens destinados à subsistência e j) Previsão expressa em norma coletiva (Resende, 2020, p. 622). Quanto à natureza salarial do combustível utilizado pelo empregado para o trabalho, considera-se que o pagamento de combustível feito pelo empregador afasta a caracterização de salário utilidade, porque o combustível integra verbas de outra natureza, como diferenças no valor de comissões e horas extras. Assim, não integram a remuneração. Isto porque os valores destinados ao pagamento do combustível do empregador destinam-se “PARA” o serviço e não decorrem dele, o que afasta a natureza do salário in natura. Fonte: 83 https://go.eadstock.com.br/vw A CLT, no artigo 457, dispõe que as gorjetas fazem parte da remuneração dos empregados para todos os efeitos legais. Por isso, devem ser integradas na base de cálculo do 13º, das férias, do FGTS e das contribuições previdenciárias. Durante �scalização realizada pela Receita Federal em restaurantes de Salvador, foi constatado que a GK não integrava as gorjetas nos valores declarados na folha de pagamento. De janeiro a julho de 2010, a Receita lavrou auto de infração e determinou que a empresa recolhesse, a título de contribuições sociais e multa, o valor de R$ 26,7 mil. A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a GK Restaurante Ltda. a pagar indenização por dano moral coletivo por não integrar gorjetas à remuneração dos empregados. Fonte: 84 https://go.eadstock.com.br/vx A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que um agente de disciplina prisional de uma empresa prisional privada, em Alagoas, deverá optar pelo recebimento do adicional de periculosidade ou de insalubridade, devido à impossibilidade de cumulação dos dois adicionais. A relatora do recurso de revista da empresa apontou que, conforme disciplina o parágrafo 2° do artigo 193 da CLT, o empregado que tem direito ao adicional de periculosidade poderá optar pelo de insalubridade que porventura lhe seja devido. Fonte: 85 https://go.eadstock.com.br/xu Alteração do Contrato de Trabalho 08 86 Estimados, A regra geral é que é vedada a alteração unilateral do contrato de trabalho, sendo que os requisitos para alteração válida é o consentimento do empregado e ausência de prejuízo ao empregador. Se faltar um dos requisitos, a alteração será nula de pleno direito, devendo a cláusula alterada ser substituída pela norma legal mínima ou pela cláusula anterior (art. 468 da CLT). Documentos Necessários para Contratação Primeiramente, é de suma importância ter conhecimentos sobre documentos necessários para contratação. Pois bem, o responsável pelo processo admissional deve se atentar para informar ao candidato, sobre os documentos necessários para sua contratação tais como: Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS); título de eleitor; certidão de reservista ou prova de alistamento no serviço militar; registro pro�ssional expedido pelos órgãos de classe, se a função exigir (OAB, CREA, CRM etc.); CPF; cédula de identidade (RG); certidão de casamento; declaração de concubinato (se for o caso, para �ns de habilitação da companheira como dependente) na CTPS; certidão de nascimento dos �lhos menores de 14 anos, para �ns de salário-família e IR; certidão de nascimento dos �lhos entre 16 e 21 anos (e, se universitário, 24 anos), para �ns de IR; carteira de vacinação de �lhos até cinco anos; atestado de invalidez de �lhos de qualquer idade; comprovante de residência; atestado de Saúde Ocupacional (ASO); fotos; CNH e cartão do PIS (Rezende; Silva, 2016, p. 58-59). Na posse da documentação, o responsável pelo processo admissional deverá preencher o contrato de trabalho e uma série de outros documentos e deverá ser assinado pelo trabalhador e pela empresa antes de iniciaras atividades. Ou seja, o empregador deve anotar na CTPS do empregado, no prazo de 48 horas contadas da admissão, os seguintes dados: I – data de admissão; II – remuneração; e III – condições especiais do contrato de trabalho. 87 Tem-se que a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) é prova fundamental do contrato de trabalho, sendo exigida em diversos momentos da vida do trabalhador, tais como no requerimento de benefícios previdenciários e do seguro- desemprego. E por isso é importante manter sempre atualizadas. Além do mais, é vedado ao empregador efetuar anotações que possam causar dano à imagem do trabalhador, principalmente com relação a sexo ou sexualidade, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar, idade, condição de autor em reclamações trabalhistas, saúde e desempenho pro�ssional ou comportamento (Rezende; Silva, 2016, p. 62). Requisitos para Alteração do Contrato de Trabalho Nos termos do art. 468 da CLT, são duas as condições para a validade da alteração do contrato de trabalho: 1) consentimento do empregado, pois são vedadas as alterações unilaterais por parte do empregador e 2) ausência de prejuízo ao empregado. Mesmo que o empregado concorde com a alteração, será nula sempre que gerar prejuízo. E, na falta de qualquer dos requisitos, a alteração é nula de pleno direito (art. 9º da CLT). A exceção à inalterabilidade contratual insere-se no âmbito do poder diretivo do empregador, que possui alguma liberdade de alterar determinadas condições de trabalho de forma unilateral. Tal poder é chamado pela doutrina de jus variandi. Assim, o jus variandi signi�ca alterações do contrato de trabalho relativas à organização do ambiente de trabalho, à função, ao salário e ao local da prestação de serviços. Portanto, o chamado jus variandi ordinário permite pequenas modi�cações quanto ao exercício da prestação do trabalho, sem nenhum prejuízo efetivo ao empregado, como, por exemplo: exigência do uso de uniforme, alteração do horário de entrada e de saída dos trabalhadores. E o jus variandi extraordinário admite alterações prejudiciais ao empregado em hipóteses especiais, desde que observados os limites legais. Um exemplo é a reversão ao cargo efetivo do empregado que exerce função de con�ança, nos termos expressamente autorizados pelo § 1º do art. 468 (Resende, 2020, p. 670). 88 Embora o jus variandi con�ra ao empregador a prerrogativa de proceder a pequenas alterações no contrato de trabalho, certamente, tal poder é limitado. Assim, caso o empregador abuse disso, poderá o empregado opor-se às modi�cações, inclusive pleiteando a rescisão indireta do contrato de trabalho, por descumprimento contratual, nos termos do art. 483 da CLT. Sendo que o direito de resistência do empregado é denominado jus resistentiae. Situações de Alteração Contratual A forma mais fácil de entender as alterações contratuais é analisando de forma individualizada as principais hipóteses, conforme veremos abaixo (Resende, 2020, p. 673/681): Ou seja, primeiro temos a alteração de função que são: Rebaixamento; Reversão, Aproveitamento, Readaptação e Promoção. 1- Rebaixamento: é ilícito, exceto se decorrer de reversão. Consiste em reverter o empregado ao nível inferior ao que ocupava na empresa, por motivo de imperícia ou punição (Calvo, 2019, p. 210). Ainda que o empregador não reduza o salário do empregado, o rebaixamento de função lhe acarreta prejuízo moral, razão pela qual é vedado. Além disso, o rebaixamento de função não pode ser utilizado pelo empregador como forma de punir o empregado. 2- Reversão: ocorre quando o empregado ocupante do cargo de con�ança retorna à função anterior, com a perda da grati�cação de função. Se o empregado já é contratado diretamente para exercer a função de con�ança (Calvo, 2019, p. 208). 3- Aproveitamento: pressupõe alteração de uma função para outra do mesmo nível. Será lícita a alteração se não decorrer prejuízo material ou moral ao empregado (Calvo, 2019, p. 210). 4- Readaptação: É lícita a alteração da função do empregado acidentado que é readaptado por recomendação do INSS. Ainda que a alteração cause prejuízo imaterial ao empregado será lícita, exceto se também houver redução salarial. 5- Promoção: se for prevista em quadro de carreira, entende-se que o empregado não poderia recusar a promoção, tendo em vista que já conhecia a possibilidade de ser promovido desde que assumiu o emprego. 89 Existe também a alteração da duração do trabalho dividido em: Horário de trabalho, Turno de trabalho, Jornada de trabalho e Jornada do bancário: A- Redução da jornada de trabalho: nada impede que o empregador reduza a jornada de trabalho do empregado, tendo em vista que esta alteração é mais bené�ca ao trabalhador. A redução de salário é permitida quando a) havendo previsão em instrumento coletivo de trabalho; b) caso �que devidamente comprovado que o empregado tem determinado interesse extracontratual na alteração; c) no caso da redução da jornada do professor que recebe por hora/aula, em virtude de redução do número de turmas da escola; d) para adoção do contrato sob o regime de tempo parcial, conforme art. 58-A, § 2º, da CLT. B- Transferência de turno de trabalho: É lícita a transferência unilateral do empregado do turno noturno para o diurno, inclusive com a supressão do adicional noturno, tendo em vista que trabalhar à noite é mais gravoso à saúde do empregado (Súmula 265 do TST). C- Jornada de trabalho: a redução da jornada é sempre lícita, visto que mais bené�ca ao empregado. D- Alteração da jornada do bancário: O bancário promovido a cargo de con�ança tem a jornada aumentada de 6h para 8h (art. 224, § 2º, da CLT). Além disso, a legislação trabalhista estabelece outras formas de Alterações como: A- Alteração do horário de trabalho: É lícita a alteração do horário de trabalho do empregado, desde que não haja alteração do turno diurno para o noturno. Excetuada esta hipótese, a alteração insere-se no âmbito do jus variandi do empregador. Somente se prevista em contrato vedação expressa à alteração não poderia o empregador efetuá-la. B- Alteração pelo Uso de uniforme: Determinar o uso de uniforme é prerrogativa decorrente do poder diretivo do empregador (poder de organização do local de trabalho); portanto, se insere no jus variandi. Ainda que o empregador nunca tenha exigido o uso de uniforme, poderá fazê-lo a qualquer tempo, vedadas apenas as exigências discriminatórias e/ou vexatórias ao empregado. Obviamente, o uso do uniforme não pode gerar nenhum custo extraordinário ao empregado, tendo em vista que é utilizado para o trabalho (art. 456-A da CLT). Portanto, conforme a Reforma Trabalhista de 2017, no parágrafo único do novel art. 456-A, a responsabilidade pela higienização ordinária do uniforme é do trabalhador, ou seja, se não forem necessários produtos ou métodos de lavagem especiais para a higienização dos uniformes. Do contrário, se forem necessários produtos e/ou 90 métodos de lavagem diferentes daqueles utilizados para a higienização de vestimentas de uso comum, o custo respectivo deverá ser suportado pelo empregador. C- Forma de remuneração: Pode ser alterada licitamente, desde que disso não decorram prejuízos ao trabalhador. Exemplo: empregado que recebe por comissões pode ter a forma de remuneração alterada para salário �xo, desde que mantido o patamar salarial anterior. D- Alteração do regulamento da empresa: Como as cláusulas de regulamento de empresa aderem ao contrato de trabalho, a alteração do regulamento provoca também a alteração do contrato. Dessa forma, a alteração do regulamento de empresa somente surte efeito para os empregados contratados a partir da alteração (Súmula 51 do TST). F- Alteração de regime de trabalho (teletrabalho ↔ presencial): O art. 75-C da CLT, incluído pela Lei n.º 13.467/2017, autorizou duas novas hipóteses de alteração contratual: a alteração entre o regime presencial e o regime de teletrabalho, e a alteração contrária, do regime de teletrabalho para o regime presencial. PRESENCIAL → TELETRABALHODepende de mútuo acordo entre empregador e empregado A alteração deve ser registrada em aditivo contratual TELETRABALHO → PRESENCIAL A alteração é determinada pelo empregador, ou seja, não depende da concordância do empregado. Trata-se de novo exemplo, portanto, de jus variandi extraordinário. Deve ser assegurado ao empregado prazo de transição mínimo de 15 dias, ou seja, a partir da determinação do empregador para alteração do regime de teletrabalho para o presencial, o empregado tem o direito de permanecer durante ao menos mais 15 dias no regime de teletrabalho. A alteração deve ser registrada em aditivo contratual. G- Alteração do contrato de trabalhadores hipersu�cientes: A Reforma Trabalhista de 2017 estabeleceu a atuação “livre” da vontade individual dos contratantes nos casos em que o empregado receba salário igual ou superior a 91 duas vezes o teto de benefícios do RGPS (atualmente, portanto, salário ≥ R$ 11.678,90) e seja “portador de diploma de nível superior”. Se tal trabalhador pode pactuar o contrato nestes termos extremos de “autonomia” da vontade, deve-se entender que também poderá alterá-lo, a qualquer tempo, seguindo estes mesmos parâmetros. H- Alteração do contrato por norma coletiva: Após a Lei n.º 13.467/2017, a norma coletiva poderá alterar o contrato de trabalho para suprimir vantagens contratuais, regulamentares ou criadas por normas internas do empregador ou direitos legais, pois prevalece sobre a lei”. Transferência A Transferência signi�ca a alteração do local da prestação de serviços, a qual acarrete ao empregado a mudança de seu domicílio (art. 469 da CLT). Portanto, só haverá transferência se o empregado tiver que mudar de residência. Sendo regra geral: vedada a transferência unilateral do empregado, somente sendo admitida com o consentimento do empregado. Já quanto à exceção estão previstas no art. 469 da CLT, tais como: a) Empregados que exerçam cargo de con�ança e transferência decorrente da natureza do próprio contrato (§ 1 do art. 469 da CLT); b) Extinção do estabelecimento (§ 2º do art. 469 da CLT); c) Transferência provisória por necessidade de serviço (§ 3º do art. 469 da CLT). Ou seja, quando ocorrer transferência provisória o empregado faz jus a um adicional no valor de 25% de seu salário, tendo natureza salarial e é computado para efeito de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, desconto do Imposto de Renda na Fonte, contribuições previdenciárias, depósito do FGTS etc. (Resende, 2020, p.683). Desse modo, dispõe o art. 470 da CLT que as despesas resultantes da transferência correrão por conta do empregador. No entanto, há algumas transferências que são vedadas por lei: que são os Empregados estáveis que não podem ser transferidos unilateralmente, ainda que exista real necessidade de serviço. Exemplo: o dirigente sindical (art. 543 da CLT). 92 Quanto à transferência para o exterior, somente é possível com a concordância livre e manifesta do empregado. A pandemia do novo coronavírus exigiu medidas emergenciais para conter o avanço da doença. No Brasil, as duas medidas provisórias (MPs 927/2020 e 936/2020) levaram à criação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. Daí surgiu a Lei n.º 14.020/2020 que permite a redução da jornada de trabalho e de salário durante a pandemia. Assim, embora a MP 936 tenha, durante o período de suspensão, assegurado aos empregados a manutenção de todos os direitos previstos em lei ou norma coletiva, e em determinados casos ao recebimento de ajuda de custo mensal), tal não ocorre em relação à contagem da fração relativa ao 13º salário ao �nal do exercício ou, das férias por ocasião do período aquisitivo, tampouco, haverá recolhimento relativo ao FGTS ou ao INSS. Ou seja, o empregado ainda sentirá os efeitos da crise com a redução proporcional do 13° salário e redução no período de férias futuras. Fonte: 93 https://go.eadstock.com.br/vy Admitido pela montadora em agosto de 1998, o trabalhador foi transferido em julho de 2005, para os Estados Unidos, e retornou à fábrica de Juiz de Fora em março de 2006. Entre janeiro e fevereiro de 2007, passou nova temporada naquele país, totalizando dez meses fora do Brasil. Na reclamação trabalhista, ele alegou que não recebeu o adicional de transferência de 25% sobre o salário, previsto no artigo 469 da CLT. O relator do recurso de revista da Mercedes-Benz, ministro Dezena da Silva, explicou que o domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo de�nitivo, e sua mudança se dá quando se transfere a residência com intenção manifesta (arts. 70 e 74 do Código Civil). Com essa de�nição e o contexto do caso do metalúrgico, o ministro concluiu não ter havido transferência provisória ou de�nitiva, pois a mudança de domicílio não se concretizou. Fonte: 94 https://go.eadstock.com.br/vz A Decisão da 3ª Turma do TST, em acórdão publicado em 01/03/19 (RR- 21346-88.2016.5.04.0008), afastou a condenação do empregador ao ressarcimento de despesas com a higienização do uniforme utilizado pelo empregado, por ser vestimenta comum, que não necessita de cuidados especiais e gastos extras com a lavagem. Observou a Turma que tal indenização seria devida ao empregado caso o uniforme oferecido pela empresa fosse “especial, vinculado ao tipo de atividade empresarial ou laborativa”, pois é do empregador o risco do empreendimento. Essa decisão do TST está em consonância com a Lei n.º 13.467/2017 que acrescentou o art. 456-A à CLT que prevê: “a higienização do uniforme é de responsabilidade do trabalhador, salvo nas hipóteses em que forem necessários procedimentos ou produtos diferentes dos utilizados para a higienização das vestimentas de uso comum”. Fonte: 95 https://go.eadstock.com.br/vA Extinção do Contrato de Trabalho 09 96 Olá! A demissão de trabalhadores é sempre uma ocasião desagradável, e cabe aos gestores e pro�ssionais de Recursos Humanos (RH) manejarem as situações decorrentes do desligamento de funcionários, e sempre priorizar o respeito e a consideração. Existem diversas modalidades de extinção contratual, podendo ocorrer a resilição contratual que corresponde à ruptura do contrato de trabalho por exercício lícito da vontade das partes, como, por exemplo: pedido de demissão, dispensa sem justa causa e o distrato. A resolução contratual é a extinção do contrato de trabalho por descumprimento faltoso de qualquer das partes, como, por exemplo, despedida por justa causa e despedida indireta. E, por último, temos a rescisão contratual que se trata das formas de ruptura do contrato de trabalho em face de nulidade, como, por exemplo, contratos de trabalho cujo objetivo é proibido ou ilícito (Calvo, 2019, p. 284). A doutrina trabalhista adota também outra forma de classi�car a extinção do contrato de trabalho: 1- Por iniciativa do empregador (dispensa com ou sem justa causa); 2- Por iniciativa do empregado (pedido de demissão, dispensa indireta e aposentadoria espontânea); 3- Por iniciativa de ambas as partes (culpa recíproca ou acordo de comum acordo entre as partes); 4- Por desaparecimento de uma das partes (morte do empregado, morte do empregador ou extinção da empresa); 5- Pela expiração do contrato por prazo determinado e 6- Por força maior (Calvo, 2019, p. 284). No entanto, a Reforma Trabalhista (Lei n.° 13.467/2017) criou uma nova modalidade de rescisão contratual: acordo comum entre empregado e empregador (art. 484-A da CLT). Além disso, quando a dispensa for coletiva, não será mais necessário o aval do sindicato da categoria, devendo ser negociado entre a empresa e os trabalhadores (Ribeiro, 2019, p. 177). 97 Importante destacar também que há o Plano de Demissões Voluntárias (PDV) que é um recurso previsto em convenções coletivas de trabalho e pode ser utilizado quando a empresa veri�car a necessidade. Ocorre quando a empresa cria estímulos econômicos para que o próprio empregado faça o pedido de extinção do contrato de trabalho. Mas antes de executar PDV, o gestor de RH precisa obter a aprovaçãoda empresa (Ribeiro, 2019, p. 204). Formas de Extinção Antecipada do Contrato de Trabalho A Extinção normal do contrato de trabalho pode ocorrer quando alcançado o termo pre�xado nos contratos por prazo determinado. É por este motivo que o empregador não precisa pré-avisar o empregado, nem mesmo noti�car-lhe ou comunicar-lhe acerca da extinção contratual. Na extinção normal do contrato a termo, o empregado tem os seguintes direitos: Saldo de salários; Férias (integrais e proporcionais); Décimo terceiro proporcional; Saque do FGTS. Não há aviso prévio, porque ambas as partes já sabiam antecipadamente que o contrato terminaria, e não há seguro-desemprego, porque o contrato a termo é precário, ao passo que o seguro-desemprego visa à manutenção temporária do empregado demitido sem justa causa (Resende, 2020, p. 729/730). Ou seja, a extinção antecipada do contrato a termo, pode ocorrer se uma das partes decidir antecipar a extinção contratual. Neste caso, os efeitos são diferentes da extinção normal, conforme as hipóteses de extinção antecipada abaixo: Extinção antecipada do contrato a termo, por iniciativa do empregador: implica o pagamento de indenização ao empregado, no valor de metade da remuneração devida até o termo �xado para término do contrato (art. 479 da CLT). Parcelas devidas são: Saldo de salários; Férias integrais, se for o caso; Férias proporcionais (ao tempo trabalhado até a data da ruptura); Décimo terceiro proporcional (ao tempo trabalhado até a data da ruptura); Indenização do art. 479 da CLT; Multa compensatória do FGTS (40%); Saque do FGTS; Seguro-desemprego. 98 Extinção antecipada do contrato a termo, por iniciativa do empregado: nesse caso, o empregado deve indenizar o empregador pelos prejuízos experimentados em decorrência da antecipação da extinção contratual (art. 480 da CLT). São devidas, portanto, as seguintes verbas rescisórias: Saldo de salários; Férias integrais, se for o caso; Férias proporcionais (ao tempo trabalhado até a data da ruptura); Décimo terceiro proporcional (ao tempo trabalhado até a data da ruptura) e desconta do empregado a indenização do art. 480 da CLT, desde que comprovado o prejuízo, e até o limite da indenização do art. 479. Extinção antecipada (por qualquer das partes) do contrato a termo que possua cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antecipada: Quer dizer que, existente a cláusula, a rescisão antecipada por uma das partes faz com que sejam aplicadas as regras da rescisão do contrato por prazo indeterminado. Esta cláusula faz sentido nos contratos a termo mais longos, em que eventualmente podem surgir incompatibilidades entre empregador e empregado, e nos quais a indenização do art. 479-480 da CLT seria excessivamente onerosa para as partes (art. 481 da CLT). Sendo que a solução será a seguinte: Conceder aviso prévio (empregador ou empregado, conforme o caso); férias e o décimo terceiro; saldo de salários e se foi por iniciativa do empregador, será devida a multa do FGTS. Extinção antecipada do contrato a termo em virtude de força maior: a indenização do art. 479 é devida pela metade. Esta solução é expressa na lei para o caso de força maior, conforme art. 502, caput e inciso III, da CLT. A lei considera força maior “todo acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou indiretamente”, e que afete a situação econômica e �nanceira da empresa (art. 501 da CLT). Extinção por Ato Voluntário Imotivado Tanto o empregado quanto o empregador podem pôr �m ao contrato por prazo indeterminado a qualquer tempo, através de ato voluntário, ainda que não tenham motivos para tal. Com efeito, pode o empregador demitir o empregado a qualquer tempo (exceto, no curso de garantia de emprego), independentemente de qualquer consentimento empregado. Basta que o empregador conceda (ou indenize) o aviso 99 prévio e pague a multa compensatória do FGTS. Por sua vez, o empregado pode se demitir a qualquer tempo, tendo em vista que ninguém pode ser obrigado a trabalhar contra a sua vontade. No entanto, a Reforma trabalhista (Lei n.º 13.467/2017), no art. 484-A, regulou a extinção contratual por acordo entre empregado e empregador, de forma que passou a ser possível a extinção imotivada bilateral do contrato de trabalho, conhecida como Distrato, sendo assegurados ao empregado os seguintes direitos: Saldo de salários; Férias (vencidas, simples e proporcionais, inclusive sobre o prazo do aviso prévio); Décimo terceiro proporcional, inclusive sobre o prazo do aviso prévio; Aviso prévio devido pela metade, caso seja indenizado; Multa compensatória do FGTS devido pela metade (20%); Saque do FGTS até o limite de 80% dos depósitos. Dessa forma, a extinção do contrato de trabalho por ato voluntário, porém, sem justa causa, por qualquer das partes ou por ambas, é denominada pela doutrina como Resilição contratual. Quer dizer que pode ter a resilição por iniciativa do empregador, resilição por iniciativa do empregado e resilição bilateral do contrato de trabalho. Assim, se o empregado não pretende continuar prestando serviços ao empregador, deve fazer o Pedido de demissão, sendo formalizado através do aviso prévio, pelo qual o empregado pré-avisa o empregador, trinta dias antes da data em que pretende deixar o emprego. São direitos do empregado que pede demissão: Saldo de salários; Férias (vencidas, simples e proporcionais, independentemente do tempo, conforme Súmulas 261 e 171 do TST); Décimo terceiro proporcional. Não fazendo jus à multa do FGTS, saque dos valores da conta vinculada e seguro- desemprego, porque seu desemprego foi voluntário. Já na dispensa sem justa causa ou demissão imotivada é a extinção do contrato de trabalho por iniciativa do empregador. Por sua vez, sem justa causa, é a dispensa não fundada em falta grave do empregado, mas que tenha algum motivo relevante, seja ele disciplinar, técnico, econômico ou �nanceiro. Tendo em vista que a conduta do empregador contrariou o princípio da continuidade da relação de emprego, a lei lhe atribui alguns ônus, a �m de compensar o trabalhador pela perda inesperada do emprego. Assim, são direitos do empregado: Saldo de salários; Férias (vencidas, simples e proporcionais, inclusive sobre o prazo do aviso prévio); 100 Décimo terceiro proporcional, inclusive sobre o prazo do aviso prévio; Aviso prévio (que pode ser trabalhado ou indenizado); Multa compensatória do FGTS (40%); Saque do FGTS e Seguro-desemprego. Extinção por Ato Voluntário Motivado Ocorrendo o descumprimento contratual por uma das partes, ou até mesmo por ambas, o contrato se extingue por justa causa. Esta modalidade de extinção de contrato se diferencia das demais, por isso temos a: Dispensa do empregado por justa causa, a Rescisão indireta e Extinção do contrato por culpa recíproca (Resende, 2020, p. 741). Dispensa do empregado por justa causa: A CLT prevê, no art. 482, condutas do empregado que constitui falta grave, punível com dispensa motivada, o que in�uencia nas verbas rescisórias devidas. Ocorre que há alguns Requisitos objetivos que devem ser observados para apuração da dispensa: a) Tipicidade: a conduta considerada faltosa deve ser prevista no art. 482 da CLT; b) Gravidade da falta: a falta há de ser muito grave, de forma que não seja mais possível continuar a relação empregatícia. c) Relação entre a falta e o trabalho: somente será lícita a punição disciplinar do empregado se a conduta tida por irregular repercutir no cumprimento de suas obrigações contratuais ou produzir prejuízo ao ambiente de trabalho. Há os Requisitos subjetivos que dizem respeito ao envolvimento do empregado com tal conduta, que é a) Autoria: o empregado somente será punido por conduta da qual tenha participado; b) Dolo ou culpa: o empregado só pode ser punido se agiu, com culpa, assim considerada a conduta decorrente de imperícia, imprudência ou negligência. E, por último, temos os Requisitos circunstanciais: referem-se à conduta adotada pelo empregador, no exercíciodo poder disciplinar, em virtude da falta cometida pelo empregado: a) Nexo causal: tem que existir conexão entre a conduta do empregado e a pena aplicada; b) Proporcionalidade: Deve haver proporcionalidade entre a falta cometida e a punição aplicada; c) Imediaticidade ou atualidade: a 101 punição deve ser imediata à conduta irregular do empregado; d) Singularidade da punição: somente pode ser aplicada uma penalidade para cada falta cometida; e) Não alteração da punição: uma vez aplicada determinada penalidade, não pode o empregador substituí-la por outra mais grave; f) Não discriminação: é vedado ao empregador aplicar penas diferentes a empregados que cometeram idêntica falta; g) Vinculação aos motivos da punição: para que possa aplicar a pena, o empregador tem que provar os motivos que causaram a punição (Resende, 2020, p. 743). As faltas do obreiro que dão ensejo à dispensa motivada (justa causa) estão no artigo 482 da CLT, tratando-se de um rol taxativo, sendo, portanto, as espécies: 102 Quadro 6: Motivos da justa causa Improbidade: é o ato de desonestidade que contraria a lei, a moral e os bons costumes, quebrando a con�ança existente entre as partes da relação de emprego. Incontinência de conduta: violação especí�ca da moral sexual. Mau procedimento: violação da moral genérica, excluída a moral sexual. Negociação habitual: ocorre tanto com a concorrência desleal praticada pelo empregado quanto pela negociação habitual no ambiente de trabalho. Condenação criminal transitada em julgado e sem possibilidade de suspensão da execução da pena: é motivo de dispensa por justa causa dado que o empregado �ca impossibilitado de continuar trabalhando. Desídia: atuação do empregado de forma negligente, desmazelada. Exige, em regra, reiteração da conduta. Embriaguez habitual: o empregado que está sempre embriagado acaba levando para o ambiente de trabalho as consequências negativas de sua conduta. Embriaguez em serviço: se o empregado se embriaga durante a jornada de trabalho, ainda que uma única vez se sujeita à dispensa motivada. Violação de segredo da empresa: o empregado revela a terceiros qualquer informação que conhece em razão de seu ofício. Indisciplina: descumprimento de ordens gerais, dirigidas a todos os empregados ou a um grupo deles. Insubordinação: descumprimento de ordens especí�cas, dirigidas 103 Fonte: Resende, 2020, p. 792. individualmente ao empregado por superior hierárquico. Abandono de emprego: é a falta reiterada ao trabalho, por período superior a 30 dias consecutivos, com a intenção de abandonar o emprego. Ato lesivo praticado contra qualquer pessoa: o empregado comete ato lesivo à integridade física ou moral de alguém, no ambiente de trabalho. Ato lesivo praticado contra o empregador ou contra superior hierárquico: o empregado comete ato lesivo à integridade física ou moral do empregador ou de superior hierárquico, no ambiente de trabalho ou fora dele. Prática constante de jogos de azar: se o empregado se dedica de forma reiterada à prática de jogos de azar, aqueles ilícitos, comete a falta, pois sua conduta in�uencia negativamente no ambiente de trabalho. Perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da pro�ssão: por ato doloso, o empregado perde a habilitação ou os requisitos legais para continuar exercendo suas atividades pro�ssionais. Quanto aos efeitos da demissão por justa causa, o empregado perde o direito às férias proporcionais, ao aviso prévio, ao décimo terceiro proporcional, não pode sacar o FGTS e não tem direito à multa do FGTS nem ao seguro-desemprego. Assim, terá direito apenas a saldo de salários e férias já adquiridas. Já a RESCISÃO INDIRETA ocorre quando o empregador agir descumprindo suas obrigações decorrentes do contrato de trabalho. É exatamente por isso que a modalidade é também denominada extinção do contrato de trabalho por justa causa do empregador, pois este comete falta grave capaz de romper o vínculo. O art. 483 da CLT tipi�ca as condutas do empregador consideradas como motivo su�ciente para a dispensa indireta como: 104 a. forem exigidos serviços superiores às suas forças, defesos por lei, contrários aos bons costumes, ou alheios ao contrato; b. for tratado pelo empregador ou por seus superiores hierárquicos com rigor excessivo; c. correr perigo manifesto de mal considerável; d. não cumprir o empregador as obrigações do contrato; e. praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua família, ato lesivo da honra e boa fama; f. o empregador ou seus prepostos ofenderem-no �sicamente, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem e g. o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por peça ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a importância dos salários. O empregado pode continuar prestando serviços após o ajuizamento da ação trabalhista requerendo a rescisão indireta, nos casos de descumprimento contratual e de redução indireta dos salários. Nos demais, entende-se que a permanência da prestação de serviços demonstraria perdão tácito. Sempre que o empregado tiver de desempenhar obrigações legais incompatíveis com a continuidade do serviço, ele poderá optar entre: Suspender a prestação de serviços ou Rescindir o contrato de trabalho (efeitos do pedido de demissão, sem aviso prévio). Con�rmada judicialmente a rescisão indireta, fará jus o empregado às mesmas parcelas devidas na demissão sem justa causa: saldo de salários; férias (vencidas, simples e proporcionais); décimo terceiro salário; aviso prévio; multa compensatória do FGTS; saque do FGTS; seguro-desemprego. Ocorre a EXTINÇÃO CONTRATUAL POR CULPA RECÍPROCA quando ambas as partes têm culpa na extinção do contrato, isto é, tanto empregado quanto empregador descumpriram suas obrigações contratuais e, portanto, concorreram culposamente para a cessação do contrato de trabalho. 105 Assim, os direitos do empregado na rescisão por culpa recíproca são: as verbas rescisórias (salvo as adquiridas) são devidas pela metade, o saldo de salários (integral, porque já adquirido/trabalhado); metade do aviso prévio; metade do décimo terceiro proporcional; metade das férias proporcionais; metade da multa do FGTS (20%); férias vencidas e décimo terceiro vencido são devidos integralmente, naturalmente; saque do FGTS, sendo que o seguro-desemprego não é devido porque o empregado concorreu para o desemprego. Extinção Atípica do Contrato de Trabalho por Ato Involuntário A Extinção atípica do contrato de trabalho por ato involuntário é aquela provocada por ato alheio à vontade das partes contratantes. Vejamos: Rescisão contratual (nulidade): Se o trabalho for ilícito, os efeitos são ex tunc (o empregado não recebe nada). Se o trabalho for proibido, os efeitos são ex nunc (a declaração de nulidade só produz efeitos no futuro, assegurando-se ao trabalhador os direitos decorrentes dos serviços prestados). Força maior: só se admite a con�guração da força maior, na seara trabalhista, associada a catástrofes da natureza, como enchentes, deslizamentos de terra etc. Exige-se, ainda, que o empregador tenha agido de forma previdente (art. 501 da CLT). Assim, em caso de extinção do contrato por fechamento da empresa decorrente de força maior, o empregado faz jus às seguintes parcelas: aviso prévio (alguns autores defendem que não seria devido); saldo de salários; décimo terceiro proporcional; férias (vencidas, simples e proporcionais); 50% da multa compensatória do FGTS (20%, portanto); 50% da indenização do art. 479 da CLT e se for o caso, o saque do FGTS. Fato do príncipe: é a paralisação temporária ou de�nitiva do trabalho em razão de ato de autoridade municipal, estadual, ou federal, ou pela promulgação de lei ou resolução que impossibilite a continuação da atividade. É uma espécie de força maior decorrente de ato do poder público. 106 O art. 486 da CLT prevê o pagamento de indenização por parte do ente público. Morte do empregado: O falecimento do empregado determina a extinção do contrato, tendo em vistaa característica da pessoalidade em relação ao obreiro. Assim, os herdeiros do empregado farão jus às seguintes parcelas: saldo de salários; décimo terceiro proporcional; férias (vencidas, simples e proporcionais); saque do FGTS pelos dependentes do empregado perante o INSS. Não será devido o aviso prévio nem a multa compensatória do FGTS, exceto se a morte decorreu de acidente de trabalho, com dolo ou culpa do empregador. Neste caso, a situação seria enquadrada na hipótese do art. 483 da CLT. Morte do empregador pessoa física: nesse caso, há duas possibilidades: a) se o contrato continuou, houve sucessão trabalhista, pelo que não há que se falar em rompimento contratual; b) se, houve cessação do contrato de trabalho, a solução será a mesma dada para os casos de fechamento da empresa sem força maior, ou seja, todos os efeitos da dispensa imotivada. Portanto, o empregado fará jus às seguintes parcelas: aviso prévio; saldo de salários; férias; décimo terceiro proporcional; multa compensatória do FGTS (doutrina majoritária); saque do FGTS. Extinção da empresa ou estabelecimento: ocorrendo isso, sem a presença da força maior, o empregador deverá arcar com as verbas rescisórias devidas em caso de dispensa imotivada. Falência da empresa: ocorre no caso de fechamento da empresa a falência, sendo devidas todas as verbas rescisórias incidentes em caso de dispensa imotivada. Somente não cabe a multa do art. 477, § 8º, da CLT. Inclusive a súmula 388 do TST a�rma que a massa falida não se sujeita à penalidade do art. 467 da CLT e nem à multa do § 8º do art. 477 da CLT. Programa de incentivo ao desligamento voluntário – PDV: A ideia é evitar o desgaste político e social de uma dispensa coletiva e aproveitar a oportunidade para dispensar aqueles trabalhadores que possuem outros anseios pro�ssionais fora da empresa, a ponto de aderirem ao programa de desligamento voluntário. A Reforma Trabalhista de 2017, concluiu que, como 107 o PDV é espécie de distrato, as parcelas mínimas a serem pagas aos empregados que aderem ao programa são as previstas no art. 484-A da CLT. Dispensa coletiva: A reforma trabalhista ao acrescentar na CLT o art. 477-A, estabeleceu que as dispensas imotivadas individuais, plúrimas ou coletivas equiparam-se para todos os �ns, não havendo necessidade de autorização prévia de entidade sindical ou de celebração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho para sua efetivação. Quando da extinção do contrato de trabalho, o empregador deve, conforme art. 477 da CLT, pagar as verbas rescisórias no prazo e na forma estabelecidos na lei, comunicar a dispensa aos órgãos competentes e dar baixa na CTPS. Nesse sentido, a CLT estipula o prazo para pagamento das verbas rescisórias, sendo que a Reforma trabalhista deu nova redação ao § 6º do art. 477, e uni�cou os prazos para pagamento, de forma que, não há mais prazos diferentes conforme seja a modalidade de extinção contratual. Assim dispõe o § 6º do art. 477 que a entrega ao empregado de documentos que comprovem a comunicação da extinção contratual aos órgãos competentes bem como o pagamento dos valores constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverão ser efetuados até dez dias contados a partir do término do contrato. Extinto o contrato de trabalho, cabe ao empregador “dar baixa” na CTPS do empregado, isto é, proceder às anotações devidas referentes à cessação do contrato. É importante salientar que a Lei n.º 13.467/2017, ao incluir no art. 477, § 10 da CLT, estabeleceu que a anotação da extinção do contrato na CTPS é documento hábil para requerer o benefício do seguro-desemprego e a movimentação da conta vinculada do FGTS, nas hipóteses legais, desde que a comunicação prevista no caput do art. 477 tenha sido realizada. 108 Através do artigo 25 da Medida Provisória 905/2019 foi extinta a multa de 10% devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado sem justa causa sobre o montante de todos os depósitos devidos, referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS durante a vigência do contrato de trabalho. Segundo a CLT, no caso de rescisão do contrato de trabalho por demissão involuntária sem justa causa, o empregado tem direito de receber, além das verbas rescisórias e saldo do FGTS, o valor de 40% sobre o valor depositado no FGTS a título de multa. Mas para o empregador, o montante aumenta, pois além do pagamento da multa de 40%, ele tem que recolher mais 10% sobre o saldo do FGTS para o governo. Logo, através dessa MP �cou extinta a multa de 10% devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado sem justa causa a partir de 1º de janeiro de 2020. Fonte: 109 https://go.eadstock.com.br/vB Sérgio, cadeirante, 25 anos, foi contratado como aprendiz na loja de peças automotivas Ferru Hugem Ltda. Após 3 anos de prestação de serviço, foi dispensado por justa causa por ato de improbidade, por haver furtado R$ 1.500,00 do caixa da empresa. Antes desse incidente, Sérgio nunca teve uma advertência sequer em seu histórico. Resposta: Nesse caso, o contrato de aprendiz é válido e a dispensa por justa causa também. Fonte: Prova Prefeitura Municipal de São João da Boa Vista - Procurador (IPEFAE - 2020). 110 A Reforma trabalhista (Lei 13.467/17) introduziu uma nova hipótese de extinção do contrato de trabalho, por acordo entre os sujeitos da relação de emprego. Trata-se do distrato contratual em que empregado e empregador, por mútuo acordo, resolvem pôr �m ao contrato de trabalho. Antes dessa lei, apenas se admitia extinção contratual por ato unilateral, seja por iniciativa do empregador (dispensa sem justa causa) ou do empregado (pedido de demissão), seja como solução por prática de ato faltoso praticado pelo empregado (dispensa por justa causa) ou praticado pelo empregador (rescisão indireta). Na ocorrência da extinção do contrato de trabalho por acordo serão devidas ao empregado as seguintes verbas trabalhistas: a) metade do aviso prévio, se indenizado; b) metade da indenização sobre o saldo do FGTS (20%); c) na integralidade todas as demais verbas trabalhistas, tais como saldo de salários, férias vencidas e proporcionais, e 13º Salário. O empregado também estará autorizado a sacar 80% do valor dos depósitos do FGTS. Todavia, não terá direito a receber o seguro-desemprego. Fonte: 111 https://go.eadstock.com.br/vC Aviso Prévio 10 112 O aviso prévio é uma das obrigações estabelecidas pela CLT a serem seguidas toda vez que um contrato de trabalho é encerrado. Corresponde a um período de trinta dias, no qual o funcionário deverá continuar trabalhando na empresa até que, de fato, seja desligado. Ou seja, o aviso prévio é uma espécie de noti�cação, para que ambas as partes consigam se preparar até a saída do colaborador. Contudo, é preciso se atentar já que o aviso deve ser aplicado conforme o tipo de demissão. Conceito, Características e Cabimento do A�so Pré�o O aviso prévio é direito constitucional assegurado aos empregados, nos termos do art. 7º, XXI da CF. Trata-se de um direito do contratante de ser avisado, com a antecedência de, no mínimo, 30 (trinta) dias, sobre a intenção da outra parte romper o contrato de trabalho. A �nalidade do aviso prévio é impedir que uma das partes seja surpreendida com a ruptura, pela outra parte, do contrato por prazo indeterminado. Portanto, o aviso prévio possui uma natureza jurídica multidimensional, pois possui: a) declaração de vontade no sentido de romper o contrato de trabalho; b) �xação do prazo para o término do contrato e c) pagamento do período do aviso (seja trabalhado ou indenizado). Contudo, é cabível o aviso prévio nas seguintes situações (Resende, 2020, p. 805): Rescisão sem justa causa do contrato por prazo indeterminado, ou seja, por iniciativa do empregador ou do empregado (o direito ao aviso prévio será, no caso, da parte avisada); Rescisão por comum acordo, também denominada distrato (art. 484-A, I, CLT); Rescisão indireta do contrato de trabalho, conhecida como justa causa do empregador (art. 487, § 4º, CLT);Rescisão antecipada do contrato a termo que contenha cláusula assecuratória do direito recíproco de rescisão antecipada (art. 481, CLT); 113 Rescisão por culpa recíproca, hipótese em que é devido pela metade. Nesse sentido, com relação à contagem do prazo do aviso prévio obedece à regra do art. 132 CF, segundo a qual se computam os prazos, excluído o dia do começo e incluído o do vencimento. Além disso, tanto o empregador quanto o empregado têm a obrigação de conceder o aviso prévio, conforme quem tiver dado causa ao término do contrato de trabalho. Ou seja, se o empregador demitiu o empregado sem justa causa, deve conceder- lhe o aviso prévio, sob pena de indenizar o período respectivo, o qual será contado como tempo de serviço para o cálculo das demais parcelas com repercussão pecuniária (§ 1º do art. 487 da CLT). Portanto, o aviso prévio concedido pelo empregador pode ser: a) Trabalhado: ocorre quando o empregado presta serviços durante o prazo do aviso prévio, salvo se optar pela redução de 7 (sete) dias corridos, na qual o pagamento deste período será devido como salário. b) Indenizado: caso o empregador não queira que o empregado permaneça na empresa trabalhando durante o prazo do aviso prévio. Neste caso, o valor correspondente ao salário dos dias referentes ao aviso prévio é pago ao empregado junto com as verbas rescisórias. Além disso, a projeção do aviso prévio indenizado é computada como tempo de serviço, re�etindo no cálculo de outras parcelas. No entanto, se o empregado é que pede demissão deve conceder o aviso prévio ao empregador. Nesse caso, o aviso prévio não é direito do empregado e a não concessão implica o direito de o empregador descontar, das parcelas rescisórias devidas ao trabalhador, o valor correspondente ao aviso prévio não cumprido (§ 2º do art. 487). Em relação à questão da base de cálculo, o aviso prévio tem como base de cálculo o salário e não a remuneração (art. 487, §§ 1º e 2º, CLT). Assim, as gorjetas recebidas não integram a base de cálculo do aviso prévio (Súm. 354 do TST). Portanto, se o aviso prévio for cumprido tem a natureza de parcela salarial, integrando o cálculo de todas as demais parcelas. Caso não seja concedido pelo empregador, o aviso prévio deve ser indenizado, computando-se a projeção do 114 prazo respectivo para cálculo dos haveres trabalhistas da rescisão (férias e décimo terceiro proporcionais). A regra geral é que as garantias de emprego não se aplicam aos fatos geradores que ocorrem durante o aviso prévio, pois o empregado tem conhecimento do término do trabalho. Exceções: Gestante (art. 391-A da CLT e Súmula 244, III) que a lei garante estabilidade no emprego por até cinco meses após o parto; Acidente de trabalho (Súmula 378, III) ou doença ocupacional. Contudo, caso o salário seja alterado por norma coletiva durante o período do aviso prévio, o empregado faz jus ao complemento, ainda que já tenha recebido o valor correspondente ao prazo do aviso prévio (art. 487, § 6º, da CLT). Jornada Reduzida no Curso do A�so Pré�o Como vimos, o aviso prévio tem o objetivo de permitir que a parte surpreendida pela rescisão unilateral do contrato de trabalho se reorganize diante de tal decisão, seja procurando outro emprego, no caso do empregado, seja substituindo o funcionário, no caso do empregador. E, por isso, o legislador criou um mecanismo que consiste na redução da jornada de trabalho durante o curso do aviso prévio, a �m de que o trabalhador tenha tempo de procurar novo serviço, havendo 2 (duas) possibilidades, na qual cabe ao empregado escolher: a) ter a jornada reduzida em 2 (duas) horas diárias ao longo de todo prazo do aviso-prévio; b) faltar por 7 (sete) dias corridos durante o prazo do aviso prévio (art. 488 da CLT). Além disso, o empregador não pode substituir a redução da jornada pelo pagamento das horas trabalhadas como extra, pois não tem condão econômico e, sim, de assegurar ao empregado a possibilidade de procurar novo emprego. Logo, tal direito não pode ser comprado pelo empregador (Súm. 230 do TST). É notório que, se o aviso prévio foi concedido pelo trabalhador (pedido de demissão), não há que se falar em redução da jornada, pois, neste caso, presume- se que o obreiro já tinha novo emprego. 115 Em relação ao rurícola, aplica-se a redução de jornada, porém, de forma diferenciada. Dadas as di�culdades de locomoção do trabalhador rural, bem como a necessidade de retornar ao local de trabalho, que é também a sua moradia, o legislador assegurou a dispensa do trabalho durante um dia por semana, ao longo do aviso prévio (art. 15 da Lei n.º 5.889/1973). Quanto ao empregado doméstico, serão reduzidas de 2 (duas) horas diárias ou a supressão de 7 dias consecutivos de trabalho sem prejuízo do salário integral. (art. 24 da Lei n.º 150/2015). Consequências do A�so Pré�o A doutrina e a legislação têm entendimento sobre algumas questões que decorrem do aviso prévio, é interessante estudá-las separadamente. Primeiramente, temos o Aviso prévio e Retratação: sabe-se que uma vez concedido o aviso prévio, faz cessar o contrato de trabalho, bastando para tal o curso do prazo. No entanto, admite-se a possibilidade de reconsideração do aviso prévio, isto é, a retratação da parte que avisou a outra. Mas é necessário a concordância da parte contrária, ainda que tacitamente. Assim, se o empregado continua a prestar serviços depois de esgotado o prazo do aviso prévio, o contrato de trabalho continua normalmente, como se não tivesse sido concedido o aviso prévio (art. 489 da CLT). Já com relação ao Aviso prévio e a justa causa: Qualquer das partes que, durante o prazo do aviso prévio, cometer falta como justa causa, se sujeita à conversão da extinção contratual em dispensa por justa causa, com os efeitos daí advindos. Assim, o empregado perde o direito ao restante do prazo do aviso prévio, bem como as parcelas rescisórias referentes a direitos ainda não adquiridos. Por sua vez, se o empregador adota conduta classi�cada em uma das hipóteses do art. 483 da CLT, é devido o período restante do aviso prévio, mais as parcelas devidas na rescisão indireta do contrato de trabalho (arts. 490 e 491 da CLT). Quanto ao Aviso prévio indenizado e o tempo de serviço, quer dizer quando indenizado, integra o tempo de serviço do empregado para todos os �ns legais. Dessa forma, se o empregador não concede o aviso prévio ao empregado, ainda assim, o período respectivo que será então objeto de indenização será computado 116 como se fosse tempo trabalhado (§§ 1º, 5º e 6º do art. 487 da CLT). Importante destacar que a data de saída a ser anotada na CTPS deve corresponder ao término do prazo do aviso prévio, ainda que indenizado (OJ 82 da SDI-1 do TST). Com a questão do Aviso prévio e a prescrição, no caso do aviso prévio trabalhado, o termo inicial da prescrição (dois anos após a extinção do contrato) coincide com o término do aviso prévio. Mas, na hipótese de o aviso prévio ter sido indenizado, segundo a OJ 83 da SDI-1 do TST a prescrição começa a �uir no �nal da data do término do aviso prévio (art. 487, § 1º, CLT). O aviso prévio cumprido em casa possui características bem diferentes dos anteriores, pois ocorre quando a empresa possibilita que o colaborador cumpra com o tempo determinado trabalhando em casa, sem que tenha que se locomover à sede da organização. Este formato de aviso prévio é usado para que as empresas tenham um prazo maior para o pagamento das verbas rescisórias. Dessa forma, pode ser feito após o cumprimento dos 30 dias. Fonte: 117 https://go.eadstock.com.br/vD A contagem do aviso prévio deve ser proporcional ao tempo de serviço, ou seja, deve haver um acréscimo de 3 dias de aviso para cada ano trabalhado, ou seja, até um ano de trabalho o aviso continua sendo de 30 dias e a cada ano de trabalho completado, somam-se mais 3 dias até o limite de 90 dias de aviso, o que será atingido somente no vigésimo primeiro ano (1 ano = 30 dias + 20 anos = 60 dias), conforme tabela abaixo: Tempo Trabalhado Dias de Aviso Até1 ano 30 Até 2 anos 33 Até 3 anos 36 Até 4 anos 39 Até 5 anos 42 Até 6 anos 45 118 Até 7 anos 48 Até 8 anos 51 Até 9 anos 54 Até 10 anos 57 Até 11 anos 60 Até 12 anos 63 Até 13 anos 66 Até 14 anos 69 Até 15 anos 72 Até 16 anos 75 Até 17 anos 78 Até 18 anos 81 Até 19 anos 84 Até 20 anos 87 A partir de 20 anos 90 119 Exemplo: Um funcionário começou a trabalhar na empresa X no dia 01/02/2012 e foi noti�cado de sua dispensa sem justa causa no dia 05/05/2014. Ou seja, seu tempo de serviço foi equivalente a dois anos e três meses. Esse funcionário teria direito a 36 dias de aviso prévio, pois: 1º ano equivale a 33 dias e o 2º ano completo equivale mais 3 dias. Fonte: Elaborado pela autora. 120 A Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Scansource Brasil Distribuidora de Tecnologias Ltda., de São Paulo (SP), ao pagamento de salários e demais vantagens relativas à estabilidade provisória a uma assistente comercial que engravidou durante o aviso prévio. A Turma seguiu o entendimento de que a garantia da estabilidade visa, principalmente, à proteção do bebê. No caso, a empregada recebeu a comunicação do aviso prévio em 13/2/2014, com projeção de dispensa para 22/3/2014. Mas o atestado médico apresentado nos autos foi emitido em 19/9/2014, e a ultrassonogra�a feita em 28/8/2014. Segundo o relator, de acordo com a Súmula 244, item I, do TST, não é indispensável, para o reconhecimento da garantia de emprego, que a con�rmação da gravidez tenha ocorrido antes da rescisão contratual. “É exigido somente que ela esteja grávida e que a dispensa não tenha ocorrido por justo motivo, e é irrelevante que o empregador ou a empregada tenham conhecimento do estado gravídico”. Fonte: 121 https://go.eadstock.com.br/vE Estabilidade e Garantias de Emprego 11 122 A legislação trabalhista prevê algumas garantias de emprego, também denominadas estabilidades provisórias. Podemos dizer que a estabilidade é algo permanente, já a garantia de emprego é algo provisório. Assim, em relação à classi�cação, a estabilidade pode ser (Resende, 2020, p. 848): a. De�nitiva ou provisória: É de�nitiva a garantia que não tem prazo determinado (estável decenal, servidores públicos etc.). É provisória aquela garantia de emprego que só vale pelo prazo estipulado em lei (exemplo: dirigente sindical, cipeiro, gestante, acidentado etc.); b. Absoluta ou relativa: Tem estabilidade absoluta o empregado que só pode ser demitido por justa causa (ex.: dirigente sindical). Já a estabilidade relativa não pode ser dispensada arbitrariamente, mas pode se for por um dos motivos do art. 165 da CLT, ou, no caso do aprendiz, nas hipóteses do art. 433 da CLT e c. Pessoal ou altruísta: A estabilidade pessoal ou personalíssima é adquirida em função de circunstância pessoal do trabalhador (acidentado, gestante etc.). A estabilidade altruísta visa à representação de terceiros (cipeiro, dirigente sindical etc.). Por essa razão, vamos analisar separadamente alguns tipos de funções que gozam de estabilidade. Garantia de Emprego do Dirigente Sindical O empregado eleito dirigente sindical goza de garantia de emprego desde o registro da candidatura até um ano após o término do mandato (art. 8º, VIII, da CRFB/88). Sendo que o dirigente sindical somente pode ser demitido durante o período de garantia de emprego, por justa causa, apurada em inquérito judicial (Súmula 379 do TST e Súmula 197 do STF). 123 Entretanto, a entidade sindical comunicará por escrito à empresa, dentro de 24 (vinte e quatro) horas, o dia e a hora do registro da candidatura do seu empregado e, em igual prazo, sua eleição e posse, fornecendo, a este, comprovante conforme descrito no § 5º do art. 543 da CLT. Mas o TST passou a admitir que a referida comunicação se dê a qualquer tempo, desde que ainda vigente o contrato de trabalho (Súmula 369, I do TST). Desse modo, �ca limitada a estabilidade prevista no art. 543, § 3º, da CLT, a sete dirigentes sindicais e igual número de suplentes, conforme item II da Súmula 369 do TST. Inclusive, a Súmula 369 III do TST dispõe que o empregado de categoria diferenciada eleito dirigente sindical só goza de estabilidade se exercer na empresa atividade pertinente à categoria pro�ssional do sindicato para o qual foi eleito dirigente. Sabe-se que a garantia de emprego ao dirigente sindical visa assegurar o exercício da atividade sindical sem interferências do empregador. Assim, somente faz sentido a estabilidade se o empregado exerce função ligada à sua atividade sindical. Exemplo: um radialista (pertencente à categoria diferenciada) foi eleito dirigente sindical da sua categoria, mas que trabalha efetivamente como vendedor em uma concessionária de automóveis. Este empregado não fará jus à garantia de emprego, pois sua função não guarda qualquer relação com a categoria à qual pertence. Não obstante, havendo extinção da atividade empresarial no âmbito da base territorial do sindicato, não há razão para subsistir à estabilidade, conforme item IV da Súmula 369 do TST. Ou seja, se o empregador não exercer atividade empresarial na base territorial do sindicato, não haverá representação sindical pelo empregado. Vale destacar, ainda, que o registro da candidatura do empregado a cargo de dirigente sindical durante o período de aviso prévio, ainda que indenizado, não lhe assegura a estabilidade, visto ser inaplicável a regra do § 3º do art. 543 da CLT (Súm. 369, V do TST). Inclusive o membro de Conselho Fiscal de Sindicato não tem direito à estabilidade prevista nos arts. 543, § 3º, da CLT e 8º, VIII, da CF, pois não 124 representa ou atua na defesa de direitos da categoria respectiva, tendo sua competência limitada à �scalização da gestão �nanceira do sindicato (OJ 365 do TST). Além disso, segundo TST, há estabilidade do dirigente sindical mesmo que o seu sindicato ainda não tenha registro no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Representantes dos Trabalhadores na CIPA (Cipeiro) O representante dos empregados na CIPA tem garantido o emprego, desde o registro da candidatura até um ano após o término do mandato. A garantia de emprego alcança todos os membros eleitos da CIPA (art. 10, II, “a”, do ADCT da CF). É importante ressaltar que a estabilidade provisória do cipeiro não constitui vantagem pessoal, mas garantia para as atividades dos membros da CIPA. Trata-se da chamada estabilidade altruísta. Como a legislação menciona somente o empregado eleito, ou seja, abrange apenas os representantes dos empregados, já os representantes do empregador são por ele designados e não eleitos (art. 164, § 1º, CLT). Mas o cipeiro pode ser demitido, ainda que não seja por justa causa, desde que o empregador tenha motivação técnica, econômica ou �nanceira, ou ainda disciplinar. Desta forma, podemos conceituar como sendo a Motivação técnica aquela ligada à atividade de produção da empresa, ocorre, por exemplo, com a modernização da empresa, com a utilização de novas tecnologias e equipamentos; Motivo �nanceiro diz respeito ao balanço da empresa (receitas menos despesas); Motivo econômico advém da conjuntura econômica do país (custo operacional, recessão econômica etc.); Motivo disciplinar será con�gurado sempre que o empregado não cumpre as ordens do empregador, sejam elas gerais ou individuais (art. 165 da CLT). Sendo que quando extinto o estabelecimento, não há que se falar em garantia de emprego do cipeiro, pois a própria CIPA deixa de existir (Súmula 339 do TST). E, por �m, não é necessário inquérito judicial para apuração de falta grave no caso do cipeiro. 125 Gestante A gestante tem o emprego garantido desde a con�rmação da gravidez até cinco meses após o parto (art. 10, II, “b”, do ADCT da CF). Quer dizer que a con�rmação do estado de gravidez durante o curso do contrato de trabalho, ainda que estiver durante o prazo do aviso prévio trabalhado ou indenizado, garante à empregada gestante a estabilidade provisória. Essa garantia vai além da proteção pessoal da mulher empregada, poisvisa assegurar condições favoráveis ao nascituro, tanto durante a gestação quanto ao longo dos primeiros meses de vida. É por essa razão que não se admite a renúncia à garantia de emprego pela gestante, pois a mãe estaria renunciando ao direito de terceiro. Porém, deve-se tomar cuidado para não confundir a garantia de emprego conferida à gestante com a licença-maternidade, que é considerado o período em que a gestante permanece afastada do trabalho, recebendo benefício previdenciário (salário-maternidade). Ou seja, podemos conceituar da seguinte forma: Garantia de emprego: desde a con�rmação da gravidez até cinco meses após o parto; Licença-gestante: 120 dias, com início a partir de 28 dias antes do parto. Com efeito, o desconhecimento do estado gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento da indenização decorrente da estabilidade (item I da Súmula 244 do TST). Ou seja, mesmo que o empregador não saiba da gravidez quando da demissão da empregada, faz jus ao direito à reintegração ou à indenização. Inclusive o empregador não pode obrigar a empregada a se submeter a exame médico para diagnosticar gravidez, nem na admissão e nem na demissão (art. 373- A, IV, da CLT). Sendo assim, a dispensa irregular da empregada gestante impõe a reintegração ao emprego. Ocorre que, pode acontecer que a sentença é proferida depois de transcorrido todo o período da estabilidade. Neste caso, visto que inviável a reintegração, a empregada deve ser indenizada pelo período em que teria o emprego garantido (item II da Súmula 244 do TST). E, havendo indenização, serão 126 devidos os salários e demais direitos correspondentes ao período compreendido entre a data da despedida e o �nal da estabilidade, nos termos da Súmula 396 do TST. Destarte, a empregada gestante tem direito à estabilidade, mesmo que contratada por prazo determinado, ou seja, no contrato de experiência. Mesmo a gestante aprendiz, cujo contrato é especial, tem sido considerada como detentora da estabilidade provisória. Já no caso de aborto, a empregada não terá direito à garantia de emprego, mas somente ao repouso remunerado durante duas semanas, conforme dispõe o art. 395 da CLT. Se a criança nasce sem vida, ou falece depois do nascimento, há duas correntes que a doutrina adota: 1ª- O fato gerador da estabilidade é o parto, portanto, a mulher faz jus à garantia de emprego, ainda que a criança não tenha nascido viva e 2ª- A hipótese seria equiparada ao aborto e, portanto, não ensejaria a garantia de emprego. Mas a doutrina tem adotado a 1ª corrente, ou seja, o cabimento da estabilidade (Resende, 2020, p. 868). Além disso, desde que tenha sido concedida a guarda provisória para �ns de adoção, o adotante (tanto homem ou mulher) faz jus à garantia de emprego, até cinco meses após a adoção, conforme parágrafo único no art. 391-A da CLT. No tocante à adoção conjunta, há que se entender que ambos os adotantes farão jus à garantia de emprego. Assim, falecendo a genitora, terá direito à garantia provisória de emprego a pessoa que tiver sob a guarda da criança, podendo ser o pai ou outro que venha a ter a guarda. Empregado Acidentado Conforme art. 19, caput, da Lei n.º 8.213/1991, acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Vale destacar que a doença pro�ssional e a doença do trabalho também são consideradas acidente de trabalho, inclusive para os efeitos da estabilidade (art. 20 da Lei n.º 8.213/1991). 127 Podemos, assim, considerar que o acidente de trabalho possui 2 (duas) espécies (Resende, 2020, p. 870): a. Típico: ocorre no interior da empresa, durante o horário de trabalho; b. Atípico ou equiparado: aquele que, embora não tenha sido a causa única, tenha contribuído para a morte do trabalhador, para perda de sua capacidade ou, ainda, produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação, como, por exemplo, as doenças ocupacionais. Portanto, o empregado que sofre acidente de trabalho ou é acometido por doença pro�ssional encontra-se em difícil situação, pois até seu completo restabelecimento, di�cilmente conseguirá novo emprego. Por essa razão, a legislação garante o emprego ao trabalhador até um ano após a cessação do auxílio-doença acidentário (art. 118 da Lei n.º 8.213/199). A doutrina considera como absoluta a garantia de emprego do acidentado, ou seja, o empregado acidentado só pode ser demitido por justa causa, e não por motivos técnicos, econômicos ou �nanceiros. Além disso, a legislação estabelece 2 (dois) requisitos para aquisição da garantia de emprego, ou seja, para a aquisição da estabilidade: 1- afastamento por período superior a 15 dias e 2- percepção de auxílio-doença acidentário (Súmula 378, II, do TST). Entretanto, tem a exceção que ocorre quando a doença ocupacional é descoberta anos depois de cessada a atividade que a desencadeou, razão pela qual não se aplica o requisito de afastamento superior a 15 dias com percepção de auxílio- doença. Vale destacar que o empregado que se acidentar no curso do aviso prévio tem direito à estabilidade provisória. Além disso, o empregado contratado por tempo determinado (contrato de experiência) goza da garantia provisória de emprego decorrente de acidente de trabalho prevista no art. 118 da Lei n.º 8.213/1991 (item III à Súmula 378). 128 Decisão da 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), amparada na jurisprudência da Corte e do Supremo Tribunal Federal (STF), entendeu pela desnecessidade de registro sindical no ministério competente para reconhecimento de estabilidade provisória de dirigente sindical (ARR-1393-06.2016.5.20.0005, DEJT, de 31/7/2020). Ou seja, a estabilidade do empregado eleito dirigente sindical não é vinculada à concessão do registro sindical do ministério competente. Fonte: 129 https://go.eadstock.com.br/vF É inaplicável ao regime de trabalho temporário, disciplinado pela Lei 6.019/74, a garantia de estabilidade provisória à empregada gestante, prevista no artigo 10, II, 'b', do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Com base nessa tese, �rmada em 2019, o Plenário do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso de uma trabalhadora, contratada por 59 dias, auxiliar de armazenagem terceirizada de uma fábrica de produtos hospitalares de Blumenau (SC), que alegou ter direito à garantia constitucional da estabilidade no emprego. A norma prevê que a trabalhadora gestante terá estabilidade no cargo desde a con�rmação da gravidez até cinco meses após o parto. Mas no contrato de experiência existe a expectativa legítima por um contrato por prazo indeterminado. Já no contrato temporário, ocorre hipótese diversa, pois não há perspectiva de indeterminação de prazo. Fonte: 130 https://go.eadstock.com.br/vG A Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu o direito à estabilidade provisória de um repositor de loja da Mazzini – Administração e Empreitas Ltda., de São Paulo(SP). Ele prestava serviços ao Carrefour Shopping Taboão, em Taboão da Serra(SP), e sofreu acidente a caminho do trabalho. O empregado contou, na reclamação trabalhista, que o acidente acarretou uma lesão que exigiu a realização de procedimento cirúrgico. Durante o afastamento de 30 dias, foi demitido. Ele sustentou que teria direito à estabilidade provisória, pois acidentes ocorridos durante o deslocamento para o trabalho constituem acidentes de trabalho. O relator do recurso de revista do repositor, ministro Douglas Alencar, explicou que, de acordo com o item III da Súmula 378 do TST, o empregado submetido a contrato de trabalho por tempo determinado goza de garantia provisória de emprego em caso de acidente de trabalho, nos termos do artigo 118 da Lei da Previdência Social (Lei 8.213/1991). Por unanimidade, a Turma restabeleceu a sentença, para determinara reintegração do empregado ou, caso esgotado o período de estabilidade, o pagamento da indenização substitutiva. Fonte: 131 https://go.eadstock.com.br/vH A Gestão de Pessoas 12 132 Nesta aula, vamos conhecer os processos que compõem a Gestão de Pessoas, saber como implantar e executar a questão sobre agregar pessoas. Vamos identi�car o seu papel nesse processo e sua importância no recrutamento e seleção para o sucesso de uma empresa. Ou seja, o Departamento de Recursos Humanos (DRH) tem como objetivo administrar, orientar e alinhar as políticas de recursos humanos para todos os colaboradores, garantindo o melhor aproveitamento de suas capacidades, na direção dos objetivos e metas da organização (Silva, 2015, p. 20). Os pro�ssionais de Recursos Humanos devem apoiar os gestores na Gestão de Pessoas. Assim, qualquer que seja a área de atuação, é importante ter conhecimento sobre esse assunto! Processos da Gestão de Pessoas A gestão de pessoas busca promover e manter o equilíbrio entre os interesses das pessoas e das organizações. E, por isso, alguns elementos são indispensáveis ao abordar o relacionamento entre pessoas e empresa, pois os gestores de cada área devem proporcionar um vínculo de con�ança entre seus subordinados e evitar que barreiras surjam na caminhada para o sucesso pessoal e organizacional. Assim, um bom programa de convivência deve abordar a tomada das decisões gerenciais, a comunicação, cooperação, proteção, assistência, disciplina e con�ito (Oliveira, 2017, p. 103). Nesse sentido, os processos que compõem a Gestão de Pessoas são os seguintes: 133 Figura 1: Processo da Gestão de pessoas Agregar pessoas Monitorar pessoas Aplicar pessoas Influências externas e internas Manter pessoas Recompensar pessoas Desenvolver pessoas Fonte: Rezende; Silva, 2016, p. 22. Ou seja, o objetivo é proporcionar para as empresas, pessoas bem treinadas e motivadas; aumentar a atualização dos empregados e sua satisfação no trabalho; ajudar a empresa a conquistar seus objetivos e realizar a sua meta; manter políticas éticas e comportamentos socialmente responsáveis; desenvolver e manter a qualidade de vida no trabalho; proporcionar competitividade na empresa e administrar mudanças (Rezende; Silva, 2016, p. 23). Assim, com relação às etapas desse processo, vamos analisar cada um, separadamente: Agregar pessoas: é o recrutamento que signi�ca um conjunto de técnicas e procedimentos que visa atrair candidatos quali�cados e capazes para ocupar cargos dentro da empresa. É um sistema de informação, por meio do qual a organização divulga e oferece ao mercado de recursos humanos, oportunidades de emprego que pretende preencher. Depois do recrutamento, escolher dentre os candidatos, os que mais se enquadram ao per�l da vaga. Nesta etapa, começa o processo de seleção e o critério é obtido a partir das características do cargo a ser preenchido. Sendo fundamental que o selecionador tenha as informações sobre a descrição resumida do cargo (Silva, 2015, p. 20). Aplicar pessoas: esse processo compreende a descrição de cargos, a socialização organizacional e a avaliação do desempenho humano. Ou seja, as provas de conhecimentos têm como principal objetivo avaliar conhecimentos especí�cos que têm relação com as exigências determinadas para a vaga e podem ser de conteúdo geral ou especí�co, conforme a necessidade (Tre�, 2016, p. 47). 134 Recompensar pessoas: As recompensas das empresas podem ser �nanceiras, por exemplo, o salário direto, os adicionais, as férias; e as não �nanceiras, que podem ser oportunidades de reconhecimento, autoestima, segurança no emprego, qualidade de vida no trabalho, promoções etc. Desenvolver pessoas: devem-se priorizar os métodos e�cazes. O treinamento tem sido entendido como o processo pelo qual a pessoa é preparada para desempenhar de maneira excelente as tarefas especí�cas do cargo que deve ocupar, para que se tornem pessoas mais produtivas, criativas e inovadoras. No entanto, o desenvolvimento, além do treinamento, também envolve a carreira e outras experiências. Inclusive o CHA (conhecimentos, habilidades e atitudes) também está relacionado nesse processo e possui como objetivo: quali�cação de pro�ssionais; capacitação; atualização; contato com novas tecnologias; readaptação e formação dos componentes da equipe de liderança. Manter pessoas: é criar condições para que elas estejam motivadas a trabalhar, protegidas dos riscos inerentes ao trabalho e devidamente representadas. Ou seja, o papel nesse processo é: a. Higiene e segurança do trabalho: saúde ocupacional, prevenção de acidentes, qualidade de vida no trabalho e b. Relações com empregados: comunicação, assistência, disciplina, gestão de con�itos, relações sindicais. Monitorar pessoas: tem relação com todos os outros processos da gestão. O objetivo dos sistemas de informações de RH é fornecer aos gerentes as informações sobre seus colaboradores a �m de facilitar tomadas de decisão. Nota-se que um dos principais caminhos para se obter êxito em contratações é a correta de�nição do per�l desejado, o que exige levantamento de dados sobre as características das atividades a serem desempenhadas, assim como sobre o ambiente de trabalho, as competências exigidas, as restrições, a cultura organizacional, entre outras coisas importantes (Tre�, 2016, p. 50). Além desses elementos, temos o planejamento estratégico de gestão de pessoas que tem como objetivo orientar a tomada de decisões sobre os objetivos e as estratégias de longo prazo das empresas, sendo que é importante observar o modo como as organizações irão se posicionar em relação aos seus concorrentes para agregar valor e conseguir crescimento em longo prazo. Ou seja, o planejamento de Gestão de Pessoas tem como objetivo auxiliar os gestores na alocação, manutenção e desenvolvimento de pessoas da maneira mais ampla possível, onde e quando for 135 necessário, para que sejam alcançadas as metas da empresa. E, por isso, a primeira etapa do planejamento estratégico é de�nir o negócio, missão, visão estratégica e valores da empresa (Gil, 2019, p. 92). Nesse sentido, para que o desempenho dos funcionários em relação à qualidade seja adequado, é preciso que estes apresentem níveis de motivação, o que requer um ambiente no qual todos os funcionários possam contribuir de acordo com suas capacidades. Assim, as empresas devem implantar um sistema de sugestões que promovam o envolvimento de seus empregados e estimule a criatividade (Gil, 2019, p. 284). Portanto, o principal objetivo da gestão de pessoas, nos dias atuais, é promover e manter o equilíbrio entre os interesses das pessoas e das empresas. Mas a jornada é extensa e precisa estar apoiada nos processos de prover, aplicar, manter, desenvolver e monitorar as pessoas dentro das empresas (Oliveira, 2017, p. 99). Calendário de Ati�dades do Departamento de Pessoal As atividades do Departamento de Pessoal seguem uma rotina burocrática estipulada pela legislação trabalhista, e deve ser sistematizada para evitar esquecimentos e atrasos. E, para a e�cácia desse trabalho, foi elaborado um calendário de atividades 136 com o intuito de facilitar o acompanhamento mensal por parte do pro�ssional responsável por administrar o Departamento de Pessoal da empresa em que trabalha (Fidelis, 2016, p. 188). De janeiro a março – deve ser declarada a RAIS relativa à movimentação dos trabalhadores admitidos e demitidos durante o ano anterior, devidamente preenchida em documento padronizado do Ministério do Trabalho. Fevereiro – o empregador deve registrar Informe de Rendimentos que são as informações referentes às retenções ocorridas na Folha de Pagamento do trabalhador. Esse documento deve ser entregue para o empregador no último dia útil do mês, a �m de que se faça a declaração de imposto de renda como pessoa física (DIRF). Maio – é realizado o pagamento do salário-família, o trabalhador deve apresentar a vacinação dos �lhos menores de sete anos de idade e comprovante de frequência escolar dos �lhos a partirdos sete anos de idade. De junho a novembro – o departamento de Pessoal deve veri�car na norma coletiva de trabalho da empresa em que trabalha, se existe alguma obrigação diferenciada para esses meses em referência. Dezembro, o empregador terá o prazo máximo legal até o dia 20 de dezembro para o pagamento da 2ª parcela do 13º salário para os trabalhadores (Fidelis, 2016, p.189). Folha de Pagamento As empresas são obrigadas a elaborar mensalmente a folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os trabalhadores pelo seu serviço, devendo manter em cada estabelecimento uma via da folha de pagamento bem como seus respectivos recibos (Silva, 2015, p. 85). Podemos dizer então que a Folha de Pagamento é o processamento �nal das informações sobre a remuneração do trabalhador, ou seja, a contabilização dos proventos ou dos vencimentos brutos que o trabalhador terá de receber em relação aos descontos legais e autorizados (Fidelis, 2016, p. 90). E pode ser processada por meio eletrônico na maioria das vezes e no �nal é elaborado um demonstrativo de pagamento (art. 464 da CLT). Sendo assim, o pagamento líquido da Folha de Pagamento do mês deve ser feito até o quinto dia útil do mês subsequente ao trabalhado (art. 459 § 1º da CLT). 137 Os principais dados a serem discriminados na folha de pagamento são: 1- o nome do trabalhador, empregado, trabalhador avulso, autônomo e equiparado, empresário e demais pessoas físicas sem vínculo empregatício; 2- cargo, função ou serviços prestados; 3- parcelas integrantes da remuneração; 4- parcelas não integrantes da remuneração (diárias, ajuda de custo etc.); 5- o nome da trabalhadora em gozo de salário-maternidade; 6- os descontos legais; 7- a indicação do número de quotas de salário-família atribuídas a cada trabalhador empregado ou trabalhador avulso (Silva, 2015, p. 86). Além disso, tem alguns vencimentos (créditos ou proventos) que trata de valores que o trabalhador tem o direito de receber, dentre os quais os mais habituais são: salário; abono; integração das horas extras ao repouso salarial remunerado; adicional de insalubridade; adicional de periculosidade; prêmio/comissão; gorjeta; 13º salário; horas extras; adicional noturno; hora extra noturna; salário-família; auxílio-enfermidade e grati�cação/prêmio. Já com relação aos descontos realizados são os valores deduzidos do recibo de pagamento do salário do empregado. Temos os descontos obrigatórios por lei, e a empresa deve efetuá-los mesmo sem a autorização do empregado como: INSS; Imposto de Renda; contribuição sindical; desconto assistencial; faltas e atrasos; repouso semanal remunerado; pensão alimentícia e adiantamento de salário. No entanto, alguns descontos são permitidos mediante expressa autorização do empregado, que são: seguro de vida; vales para refeição; vales para condução; despesas com medicamentos; vales para compra em supermercados; mensalidade sindical; cesta básica, etc. (Silva, 2015, p. 87). Além disso, algumas empresas dão benefícios aos empregados, como plano de saúde; auxílio-refeição; plano odontológico; benefícios farmácia; empréstimos, etc. E, para garantir que os empregados estejam por dentro do programa de benefícios, é importante os gestores orientarem o funcionário a �m de que tenham acesso a essa informação (Tre�, 2016, p. 80). 138 Direito Trabalhista e Sindical Se uma empresa quer mudar para uma gestão e�caz e produtiva, em que a Gestão de Pessoas tenha uma contribuição signi�cativa, deve seguir a legislação trabalhista e sindical vigente. Nota-se que muitos con�itos ocorrem nas empresas que não são proativas na administração dos Recursos Humanos, sob o ponto de vista do contexto trabalhista e sindical no qual vivemos no Brasil. Temos algumas fontes que impactam no direito do trabalho, no Brasil, que são divididas entre Fontes de origem estatal e Fontes de origem contratual. No primeiro modelo encontramos a Constituição Federal (estabelece os direitos básicos dos trabalhadores e das entidades que os representam); as Leis complementares (dependem de outra norma que lhes dê uma aplicação prática); as Leis delegadas (são elaboradas pelo Presidente da República, por delegação do Congresso Nacional); as Medidas provisórias (de iniciativa do Presidente da República, nos casos relevantes e urgentes); as Leis ordinárias (cujo processo de elaboração, tramitação e aprovação é ordinário, de competência privativa da União); os Decretos (aptos para regulamentar as leis); as Sentenças normativas (são decisões judiciais, dos Tribunais Regionais do Trabalho ou do Tribunal Superior do Trabalho, são fruto de tentativas de negociação coletiva entre entidades sindicais e patronais, que não resultaram em um acordo, devendo ser submetidas à decisão judicial) e Jurisprudência (conjunto das decisões dos tribunais sobre determinado tema) (Barbieri, 2016, p. 170). 139 Já na segunda Fonte de origem contratual encontramos a Convenção coletiva do trabalho (são as tentativas de negociação entre entidades sindicais de empregados e empregadores, que estabelecem regras salariais em função dos sindicatos que celebram a convenção); Acordo coletivo de trabalho (formas de negociação coletiva de trabalho, mais restritas que as convenções, envolvendo parte de uma categoria); Regulamento de empresa (normas internas de uma empresa, que determinam a conduta do empregador e dos empregados, na estruturação interna da empresa, com relação aos procedimentos, vantagens e obrigações de ambas as partes); Contrato individual de trabalho (instrumento que celebra a negociação individual entre empregado e empregador, �xando direitos e obrigações) e Usos e costumes (procedimentos em determinada comunidade, que se tornam a norma jurídica que este grupo acredita existir, embora não faça parte do ordenamento jurídico) (Barbieri, 2016, p. 171). Com relação à estrutura sindical é composta do órgão de base ou municipal, que é o sindicato, federação e confederação. Assim, a federação tem que ter um mínimo de cinco sindicatos, respeitados os requisitos de identidade, similaridade ou conexidade de pro�ssões ou atividades. E a confederação será constituída pelo menos por três federações. Sendo assim, temos na base da estrutura o sindicato e todos os integrantes da categoria (Barbieri, 2016, p. 174). Nesse sentido, podemos a�rmar que os empregadores e o Estado não negociam com os trabalhadores sem a participação e o aval das centrais sindicais, pois são elas que têm a força política para realizarem as negociações, não obstante seja necessária a participação das entidades legais, para legalizar os atos praticados. 140 A área de Gestão de Pessoas vem ganhando uma importância cada vez maior na estratégia do negócio. Uma evidência é o papel de HRBP (Human Resources Business Partner), pro�ssional responsável por tratar das necessidades das pessoas dentro das empresas. Com isso, a reforma trabalhista de 2017 trouxe mudanças signi�cativas, permitindo a �exibilização da oferta de benefícios pelas empresas, dentro dos critérios de�nidos conforme os acordos coletivos sindicais para cada área de atuação, e regulamentando o teletrabalho (home o�ce). Somados a isso, em 2020, a pandemia acelerou a digitalização dos processos de gente (admissão, desligamento, avaliações). O resultado é que hoje já se fala inclusive de RH 4.0, com uma visão mais automatizada dos processos de RH. Por isso, o colaborador precisa ser o grande foco nas prioridades de todas as empresas. É necessário entender suas individualidades, dar oportunidades, e permitir que eles cresçam junto com o negócio. Fonte: 141 https://go.eadstock.com.br/vI Atualmente, grande parte dos líderes foram forçados a direcionar suas empresas para o trabalho remoto e aqueles que se diferenciaram foram os que capacitaram as pessoas em tempos de incerteza. Ou seja, a capacitação vem de várias formas, pois os líderes devem fazer o que for preciso para proteger os funcionários e a empresa, ter empatia para atender às necessidades das pessoas e estar atentos àsnecessidades da saúde mental dos membros de sua equipe. Portanto, hoje, existem inúmeras maneiras de capacitar seus funcionários e destacamos três formas: 1- Coloque seus funcionários em primeiro lugar; 2- Incentive dias de saúde mental e 3- Capacite as pessoas a serem humanas. Fonte: 142 https://go.eadstock.com.br/vJ A Reforma Trabalhista trouxe signi�cativa mudança quanto à NÃO obrigatoriedade do desconto da contribuição sindical, pois de acordo com o art. 579 da CLT, a partir de 11.11.2017, a contribuição sindical está condicionada à autorização prévia e expressa dos empregados, deixando de ser obrigatório o desconto de 1 dia do salário no mês de março de cada ano. O desconto da contribuição sindical corresponde a um dia normal de trabalho, ou seja, a remuneração deve corresponder à jornada diária normal do empregado, sem considerar as horas extras, adicional noturno, etc. A empresa deverá anotar na �cha ou na folha do livro de Registro de Empregados (física ou eletrônica), bem como na CTPS, as informações relativas à Contribuição Sindical descontada. Fonte: 143 https://go.eadstock.com.br/vK Saúde e Segurança do Trabalhador 13 144 A segurança no trabalho tem como objetivo a precaução de acidentes que possam ocorrer nas dependências da organização e até mesmo fora dela. Ou seja, é uma estratégia praticada pelas empresas para evitar e antecipar-se dos riscos inerentes às suas atividades exercidas (Oliveira, 2017, p. 115). O meio ambiente do trabalho é o local onde o trabalhador desenvolve sua atividade laboral e, por isso, é obrigação do empregador zelar pela vida e a saúde do empregado. Neste sentido, cabe ao empregador adotar todas as medidas necessárias no sentido de minimizar a ocorrência de acidentes de trabalho e o desenvolvimento de doenças ocupacionais. Por �m, o gestor de Recursos Humanos (RH) deve dedicar atenção especial à segurança do trabalho diante dos perigos que a prática laboral pode representar para os empregados. Desse modo, cabe ao trabalhador escolher se o ambiente for insalubre e perigoso, quais adicionais pretende receber (§ 2º do art. 193 da CLT) (Ribeiro, 2019, p. 134). Meio Ambiente do Trabalho A Segurança e Medicina do Trabalho é um segmento cientí�co vinculado ao Direito do Trabalho, cujo escopo é estabelecer medidas de proteção à segurança e à saúde do trabalhador, sendo que o fundamento legal está previsto no art. 200 da CF. Inclusive o art. 7º, XXII, da CF, dispõe como direito dos trabalhadores urbanos e rurais “a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança”. Conforme o art. 157 da CLT, cabe às empresas cumprir com as normas de segurança e medicina do trabalho; instruir os empregados através de ordens de serviço, tomar as precauções no sentido de evitar acidentes de trabalho ou doenças ocupacionais; adotar as medidas que lhes sejam determinadas pelo órgão competente e facilitar o exercício da �scalização pela autoridade competente. Além disso, a gestão de proteção ou as medidas preventivas da empresa devem adotar práticas saudáveis de RH, realizar manutenção frequente e cuidar da segurança de qualidade, abrangendo fórmulas, testes e detectores (Ribeiro, 2019, p. 51). Cabe às empresas garantir condições de segurança, higiene aos trabalhadores, 145 quando o trabalho for realizado em suas dependências ou local previamente convencionado em contrato (art. 5º-A, § 3º, da Lei n.º 6.019/1974, acrescentado pela Lei n.º 13.429/2017). O art. 158 da CLT atribui ao empregado o dever de observar as normas de segurança e medicina do trabalho, incluídas nas instruções e orientações feitas para o empregador, bem como colaborar com o empregador na aplicação das medidas de prevenção. E o empregado que deixar de observar tais regras estará sujeito à punição disciplinar, nos termos do parágrafo único do art. 158, segundo o qual constitui ato faltoso do empregado a recusa injusti�cada à observância das instruções expedidas pelo empregador e ao uso dos equipamentos de proteção individual fornecidos pela empresa. É de competência do Ministério da Economia editar normas regulamentadoras da proteção à saúde e à segurança do trabalhador (arts. 155,156 e 200 da CLT). A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível, permanentemente, o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador (item 5.1 da NR-5). Além disso, é obrigatória a constituição da CIPA para quaisquer empregadores que admitam trabalhadores como empregados, no entanto, as empresas com até 19 empregados estão dispensadas de constituir a CIPA. Mas a partir de 20 empregados, é obrigatório constituir a CIPA e o seu número de representantes dependem da atividade econômica desenvolvida pela empresa, conforme a Classi�cação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE. Desse modo, uma atividade que apresenta grau de risco maior (extração mineral, por exemplo), já obriga o empregador a manter a CIPA a partir de 20 empregados. Quanto menor o risco da atividade, maior é o número de empregados necessário para obrigar o empregador a manter a CIPA (Resende, 2020, p. 963). 146 Importante destacar que os acidentes de trabalho também geram faltas. Portanto, ao reduzir os acidentes, a organização evita ausências ao trabalho. Para tanto, deve fornecer equipamentos de segurança, manter as CIPAS, treinar os funcionários sobre prevenção de acidentes e eliminar as condições inseguras (Ribeiro, 2019, p. 58). Assim, a qualidade de vida no trabalho (QVT) pode ser entendida como o conjunto de medidas que uma empresa adota, com o intuito de implantar melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais no ambiente de trabalho (Oliveira, 2017, p. 120). Equipamento de Proteção Indi�dual - EPI Quando as medidas de segurança, de modo geral, não são su�cientes para proporcionar proteção contra riscos de acidentes, utiliza-se a proteção individual que são: luvas, óculos, máscaras, capacetes e roupas especiais, etc. Ou seja, o EPI é todo meio de uso pessoal destinado a preservar o empregado no exercício de suas funções (Ribeiro, 2019, p. 144). Posto isso, considera-se equipamento de proteção individual (EPI) todo produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos, que podem ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. (item 6.1 da NR-6). Desta forma, o fornecimento do EPI é obrigatório, nos termos do art. 166 da CLT. 147 Quanto à aquisição do EPI, o empregador somente pode comprar os equipamentos com a indicação de certi�cado de conformidade, nos termos do art. 167 da CLT, com redação dada pela MPV n.º 905/2019. Mas não basta ao empregador fornecer o EPI, é obrigatório exigir dos empregados o efetivo uso dos equipamentos de proteção (item 6.7.1 da NR-6). Nesse sentido, os gestores do RH devem treinar todos os empregados na prevenção, reforçar com todos os gestores da empresa a importância em eliminar atos e condições inseguras de trabalho e exigir o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) (Ribeiro, 2019, p. 136). Ati�dades Insalubres Serão consideradas atividades insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância �xados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição, conforme art. 189 a 194 da CLT. Cabe ao Ministério da Economia, no exercício de sua competência, regulamentar essa matéria, de�nir as atividades e operações insalubres, bem como adotar normas sobre os critérios de caracterização da insalubridade, os limites de tolerância aos agentes agressivos, meios de proteção e o tempo máximo de exposição do empregado a esses agentes (art. 190 da CLT). 148 Portanto, as atividades consideradas insalubres estão descritas no Quadro de Atividades Insalubres do Ministério do Trabalho. Mas não basta só identi�car o agente insalubre, é necessárioque seja reconhecido pela DRT (art. 190 da CLT) (Calvo, 2019, p. 626). Ou seja, a perícia é obrigatória para a veri�cação de insalubridade. E quando não for possível sua realização, como em caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de prova (OJ 278 da SDI1). Portanto, a eliminação ou neutralização da insalubridade ocorrerá, nos termos do art. 191 da CLT, mediante a. A adoção de medidas que conservem o ambiente de trabalho dentro dos limites de tolerância, ou seja, são as medidas de proteção coletiva, as quais reduzem os agentes nocivos de forma a manter o ambiente de trabalho dentro dos parâmetros estipulados pelo Ministério da Economia. b. A utilização de equipamentos de proteção individual pelo trabalhador que diminua a intensidade do agente agressivo, de forma que não sejam ultrapassados os limites de tolerância (Resende, 2020, p. 970). No entanto, quanto ao fornecimento do Equipamento de Proteção Individual (EPI), deve-se veri�car se o EPI reduziu ou eliminou o agente insalubre. Portanto, não basta alegar que era fornecido o EPI, o empregador deve provar o seu efeito prático (Súmulas 80 e 289 do TST) (Calvo, 2019, p. 627). E, por isso, a caracterização e a classi�cação da insalubridade somente poderão ser efetuadas por perícia, a cargo de médico ou engenheiro do trabalho, registrados no Ministério do Trabalho (art. 145 da CLT) (Calvo, 2019, p. 627). Assim, a adoção das medidas, tanto de proteção coletiva quanto individual, constitui obrigação do empregador, e deve ser �scalizada pela Superintendência Regional do Trabalho, por meio dos Auditores Fiscais do Trabalho, os quais concederão prazo para regularização (art. 191, parágrafo único, CLT). É remunerado com adicional o trabalho realizado em ambiente insalubre, assim considerado aquele em que os agentes nocivos são encontrados em patamares superiores dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério da Economia. E, de acordo com art. 192 da CLT, o adicional de insalubridade é devido conforme o grau da insalubridade, ou seja, 10% para insalubridade em grau mínimo; 20% para insalubridade em grau médio e 40% para insalubridade em grau máximo. E, ainda que a exposição aos agentes nocivos seja intermitente, é devido o adicional de insalubridade, nos termos da Súmula 47 do TST. 149 Cabe ao empregador, nos termos do art. 191 da CLT, promover a utilização do EPI, de forma a neutralizar ou eliminar a insalubridade. Mas ressalta-se que o simples fornecimento do aparelho de proteção pelo empregador não o exime do pagamento do adicional de insalubridade. Por isso, devem ser tomadas as medidas que conduzam à diminuição ou eliminação da nocividade (Sum. 289 do TST). Ati�dade Perigosas São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador, conforme disposto no artigo 193 da CLT. Mas com as alterações trazidas pelas Leis n.º 12.740/2012 e n.º 12.997/2014, o adicional de periculosidade passou a ser reconhecido em 5 situações distintas descritas abaixo: 150 Quadro 5: Adicional de periculosidade Fonte: Calvo, 2019, p. 621. Adicional de periculosidade Fundamento legal 1. In�amáveis e explosivos Art. 193, I, da CLT 2. Contato com energia elétrica Art.193, I, da CLT; (a Lei n. 7.369/85 e o Decreto n. 93.416/86 foram revogados pela Lei n. 12.740/2012 3. Exposição a radiação ionizante ou a substância radioativa Portarias n. 2.293/87 e n. 518/2003 do TEM e OJ 345 da SDI-I do TST 4. Roubos ou outras espécies de violência física nas atividades pro�ssionais de segurança pessoal ou patrimonial Art. 193, II da CLT (incluído pela Lei n. 12.740/2012) 5. Trabalho em motocicletas Art. 193, parágrafo 4º, da CLT Portanto, assim como no caso das atividades insalubres, também cabe ao Ministério da Economia regulamentar o trabalho em atividades perigosas e estabelecer quais são as atividades previstas em lei. Quer dizer que a periculosidade da atividade depende de perícia a cargo de médico do trabalho ou engenheiro do trabalho (art. 195, CLT). Mas há exceção quanto à necessidade de perícia que �ca por conta daquelas hipóteses em que o empregador paga espontaneamente o adicional, sem antes realizar a perícia no local de trabalho (Súmula 453 do TST). Dentre as atividades consideradas perigosas destaca-se a de frentista, tendo em vista ter sido contemplada pela Súmula 39 do TST. Ressaltem-se as atividades pro�ssionais de segurança pessoal ou patrimonial a que alude o inciso II do art. 193 da CLT. E, por último, os trabalhadores com motocicleta, conforme Lei n.º 12.997/2014 que acrescentou o § 4º ao art. 193 da CLT. Ou seja, o trabalho em condições de 151 periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de grati�cações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. (art. 193, § 1º da CLT) (Calvo, 2019, p. 624). Por exemplo, os eletricitários passaram a ter o adicional de periculosidade calculado sobre o salário básico, e não mais sobre a totalidade das parcelas de natureza salarial (Sum. 191 do TST). Sendo que passou a ser devido o adicional de periculosidade também aos empregados que desenvolvem suas atividades em construção vertical, quando expostos ao risco decorrente do armazenamento de líquidos in�amáveis (OJ 385 da SDI1). No entanto, os tripulantes e demais empregados em serviços auxiliares de transporte aéreo que, no momento do abastecimento da aeronave, permanecem a bordo não têm direito ao adicional de periculosidade, mas no caso do motorista que auxilia no abastecimento, e não somente permanece no veículo durante o procedimento cabe o adicional de periculosidade. Contudo, para os empregados contratados sob a modalidade de contrato “verde e amarelo”, a MPV n.º 905/2019 estabeleceu que o adicional de periculosidade será de apenas 5% do salário-base, desde que, mediante acordo individual escrito com o trabalhador, o empregador contrate seguro privado de acidentes pessoais para empregados que vierem a sofrer o infortúnio, no exercício de suas atividades, em face da exposição ao perigo. Além disso, o local de trabalho pode apresentar uma série de condições inadequadas que podem provocar acidentes e, por isso, o gestor de RH deve ter uma atuação forte junto a todos os setores para a eliminação desses perigos (Ribeiro, 2019, p. 141). 152 Desta maneira, com treinamentos e campanhas educativas, o gestor de RH pode obter excelentes resultados e reduzir os acidentes nas empresas. Por isso, é importante a empresa �xar quadros e cartazes sobre segurança e prevenção de acidentes em determinados locais (Ribeiro, 2019, p. 142/143). Inúmeras pro�ssões têm o direito de receber esse adicional de periculosidade, pois os pro�ssionais colocam a própria vida em risco, sendo que as mais comuns são: Instalador de rede elétrica; Cabistas de redes de telefonia, TV e internet (quando em contato com sistema elétrico de potência em condições de risco); Prestadores de serviços logísticos que utilizam motonetas ou motocicletas; Segurança pessoal; Segurança com escolta armada (vigilantes); Pro�ssionais que atuam com explosivos; Dublês de �lmagens; Técnico em radiologia; Pro�ssionais que atuam com o manuseio de produtos in�amáveis e também radioativos; Frentistas de posto de gasolina. Fonte: 153 https://go.eadstock.com.br/vL O Tribunal Superior do Trabalho (TST) con�rmou a decisão proferida pelo TRT-ES que reconheceu o direito de um montador de móveis de Cariacica a receber adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base, por utilizar motocicleta para se locomover a serviço da empresa. O relator, ministro Alexandre Ramos, a�rmou que a decisão do TRT-ES está em conformidade com o artigo 193, parágrafo 4º, da CLT, que considera como perigosa a atividade exercida por trabalhadores que fazem uso de motocicleta. Fonte: 154 https://go.eadstock.com.br/vMA Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiu que um agente de disciplina prisional da Reviver Administração Prisional Privada Ltda., em Alagoas, deverá optar pelo recebimento do adicional de periculosidade ou de insalubridade. A decisão segue a tese jurídica �rmada pelo TST sobre a impossibilidade de cumulação dos dois adicionais. A relatora do recurso de revista da Reviver, ministra Dora Maria da Costa, assinalou que, conforme disciplina o parágrafo 2° do artigo 193 da CLT, o empregado que tem direito ao adicional de periculosidade poderá optar pelo de insalubridade que porventura lhe seja devido. Fonte: 155 https://go.eadstock.com.br/vN Direito Coletivo do Trabalho 14 156 Olá, alunos! O Direito Coletivo do Trabalho é o ramo jurídico que estuda as normas e princípios das relações laborais dos trabalhadores perante os empregados. Abrange a organização sindical e a representação dos empregados na empresa, os con�itos, incluindo a greve, seus mecanismos de solução (negociação, arbitragem etc.) e suas composições autônomas (convenção ou acordos coletivos). Mas é importante a participação do sindicato na negociação coletiva (Fidelis, 2016, p. 193). A legislação que busca proteger a relação entre empregador e trabalhador é uma ferramenta importante na busca do equilíbrio entre os interesses de ambas as partes. E, por isso, cada vez mais, os acordos ou as convenções coletivas de trabalho vêm sendo formalizados. Ou seja, não são mais de maneira litigiosa e, sim, de maneira a bene�ciar a relação de emprego, conforme veremos a seguir. Princípios do Direito Coletivo do Trabalho A noção de coletivo diz respeito ao grupo representado, porém, podemos não estar falando de toda uma categoria pro�ssional, mas sim, de um setor em especial. Por exemplo, a categoria pro�ssional dos metalúrgicos abrange os trabalhadores nas indústrias metalúrgicas, mecânicas e de material elétrico. Podemos então falar de toda esta categoria, como também de parte dela, quando mencionamos os empregados que trabalham nas indústrias mecânicas. Podemos também abordar apenas uma empresa da categoria dos trabalhadores nas indústrias metalúrgicas (Barbieri, 2016, p. 171). Ou seja, a noção de coletivo não tem relação com o número de pessoas, mas sim, com um grupo individualizado. Contudo, o grupo que se expressa por meio do sindicato é a categoria, de que fazem parte os trabalhadores, os empregadores, ou ainda, os pro�ssionais liberais. Assim, o Direito Coletivo do Trabalho cuida das questões jurídicas de vários grupos e das relações destes grupos entre si e com o Estado. Nesse sentido, qualquer pessoa ou empresa que venha a integrar um grupo relacionado com uma determinada atividade econômica submete-se ao que foi decidido pelo sindicato, que representa uma determinada categoria pro�ssional (Barbieri, 2016, p. 171). 157 São diversos os princípios do Direito Coletivo do Trabalho, embora todos guardem relação com os princípios que regem o Direito Individual do Trabalho. Portanto, são eles: (Resende, 2020, p. 1117) 158 Princípio da liberdade associativa e sindical: possui duas facetas: a) a liberdade que tem o trabalhador de se �liar ou não a sindicato e b) a liberdade que tem o trabalhador associado de se des�liar do sindicato (art. 8º, V, da CF). Ou seja, são ilícitas quaisquer cláusulas de sindicalização forçada existente, diante deste princípio. Por isso, a lei estabelece e protege a atuação sindical, como a garantia provisória de emprego (art. 8º, VIII da CF) e a intransferibilidade (art. 543 da CLT) que é assegurada ao dirigente sindical. Princípio da autonomia sindical: Garante a autonomia administrativa dos sindicatos, livrando-os da ingerência do Estado e das próprias empresas (art. 8º, I, da CF). Ou seja, garante ao sindicato ampla liberdade de auto-organização, começando por sua criação, passando pela elaboração de seu estatuto, e culminando na sua plena autonomia administrativa, seja na eleição de seus dirigentes, seja na condução das atribuições que lhe são inerentes ou da administração dos recursos �nanceiros. Sendo que é incompatível com a liberdade e autonomia sindical: a) o sistema da unicidade sindical (imposição legal de um único sindicato em dada base territorial) e b) o poder normativo da Justiça do Trabalho. Princípio da interveniência sindical na normatização coletiva: só é válida a negociação coletiva se o sindicato dos trabalhadores dela tiver tomado parte (art. 8º, VI da CF). Ou seja, é obrigatória a participação do sindicato nas negociações coletivas em relação aos trabalhadores. Faltando a participação do sindicato obreiro na negociação, eventual acordo entre empregador e empregado limita-se à seara contratual. Princípio da equivalência dos contratantes coletivos: Se no direito individual há disparidade entre empregado e empregador, no direito coletivo deve haver equivalência entre ambos, ou seja, devem ter força semelhante. São equivalentes porque ambos são seres coletivos (a empresa é, por natureza, um ser coletivo), e também, porque contam com ferramentas e�cazes de pressão nas negociações (direito de greve, por exemplo). Princípio da lealdade e transparência nas negociações coletivas: há que ser observada a lealdade e a boa-fé objetiva por parte dos contratantes. Muito mais ainda no caso da negociação coletiva, que dará 159 origem a normas jurídicas. Desse modo, são inválidos os atos de qualquer das partes que se classi�quem como desleais ou obscuros. Princípio da criatividade jurídica da negociação coletiva: a negociação coletiva resulta em autênticas normas jurídicas (comandos abstratos, gerais e impessoais), com as consequências daí decorrentes. Basta lembrar que as convenções coletivas de trabalho e os acordos coletivos de trabalho são considerados fontes formais do Direito do Trabalho, pelo fato de serem reconhecidas como sendo normas jurídicas. Princípio da intervenção mínima na autonomia da vontade coletiva: os sujeitos das relações coletivas devem ter ampla liberdade para negociar, observando apenas o núcleo essencial e intangível dos direitos trabalhistas mínimos (art. 8º, § 3º da CLT). Princípio da prevalência relativa do negociado sobre o legislado: a norma coletiva não tem validade, pois constitui mera renúncia de direitos (e não transação), pois não cabe ao sindicato renunciar a direito de terceiros (trabalhadores). A Reforma trabalhista consagrou a prevalência relativa do negociado sobre o legislado ao estabelecer que, em relação a determinadas matérias, a exemplo das disposições sobre pactos quanto à jornada de trabalho, banco de horas anual ou intervalo intrajornada (respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores de seis horas), ou seja, a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei (art. 611-A da CLT). Sindicato O sindicato é o centro do Direito Coletivo do Trabalho, pois assume diversas atribuições no sentido da melhoria das condições socioeconômicas dos trabalhadores. O conceito legal de sindicato está previsto no art. 511 caput da CLT, sendo lícita a associação para �ns de estudo, defesa e coordenação dos seus interesses econômicos ou pro�ssionais de todos os que, como empregadores, empregados, agentes ou trabalhadores autônomos ou pro�ssionais liberais exerçam, respectivamente, a mesma atividade ou pro�ssão ou atividades ou pro�ssões similares ou conexas. 160 Já a doutrina conceitua o sindicato como uma associação permanente que representa trabalhadores ou empregadores e visa à defesa dos respectivos interesses coletivos. Podemos dizer que o sindicato se trata de pessoa jurídica de direito privado. Esta classi�cação decorre da natureza de associação e, principalmente, pelo fato de o sindicato estar livre da interferência do Estado (princípio da autonomia sindical). E podem se associar a sindicato os empregados e empregadores, trabalhadores autônomos e pro�ssionais liberais, desde que exerçam atividades ou pro�ssões idênticas, similares ou conexas. Em relação ao sistema sindical adotado,podemos ter, quanto à liberdade sindical, o sistema da unicidade sindical ou o sistema da pluralidade sindical. Assim, Unicidade sindical é o sistema pelo qual a lei impõe a existência de um único sindicato para um determinado grupo de trabalhadores (que pode ser, conforme de�nido em lei, uma categoria, uma pro�ssão, ou ainda, uma empresa). Já Pluralidade sindical e quando há ampla liberdade para criação de mais de um sindicato representativo do mesmo grupo de trabalhadores, de forma que determinado grupo de trabalhadores se dê da forma mais livre e democrática possível. Entende o STF que o registro no Ministério da Economia não só é cabível, como indispensável para �ns de �scalização do sistema da unicidade sindical. Assim, pode- se dizer que o sindicato somente adquire personalidade jurídica após o registro do estatuto no órgão competente, mesmo que já tenha sido feito o registro no Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas. De acordo com o ordenamento jurídico, a organização dos trabalhadores se dá por categorias, ou seja, temos a Categoria pro�ssional (o que caracteriza uma categoria pro�ssional para os �ns de associação em sindicato, é a condição semelhante dos trabalhadores em face à atividade desenvolvida pelo empregador- art. 511, § 2º, da CLT), Categoria econômica (é a reunião de empregadores que exercem atividades idênticas, similares ou conexas, que formará um sindicato patronal - art. 511, § 1º, da CLT) e Categoria diferenciada (é a que se formam os empregados que exerçam pro�ssões ou funções diferenciadas por força de estatuto pro�ssional especial ou em consequência de condições de vida singulares - art. 511, § 3º, da CLT). Ou seja, existe um sindicato único, organizado por categoria pro�ssional ou categoria diferenciada, em se tratando de trabalhadores, ou por categoria econômica, em se tratando de empregadores (Rezende; Silva, 2016, p. 19). Quer dizer que não pode existir, em um mesmo município, mais de um sindicato representativo da mesma categoria pro�ssional ou econômica (art. 8º, II, da CF). 161 Assim, são atribuídas ao sindicato diversas funções, todas com vistas à melhoria da condição social e econômica do trabalhador. Nesse sentido, devemos ter conhecimento de que a Estrutura sindical brasileira é composta por três elementos (Rezende; Silva, 2016, p. 18): a. Sindicato: É a entidade que detém a prioridade da negociação coletiva e pode se organizar, independentemente de qualquer atuação do Estado, observada apenas a regra da unicidade e a limitação territorial mínima (o sindicato não pode ter base territorial menor que um município). Atualmente, as associações pro�ssionais existentes são meras associações civis, sem qualquer prerrogativa de entidade sindical. b. Federação: é formada por pelo menos cinco sindicatos da mesma categoria pro�ssional, diferenciada ou econômica. A federação atua em âmbito estadual (art. 534 da CLT). c. Confederação: é formada por, no mínimo, três federações de uma mesma categoria. As confederações atuam em âmbito nacional e têm sede em Brasília (art. 535 da CLT). Ou seja, estes órgãos do sistema sindical (federações e confederações) têm apenas a função de coordenação das atividades dos sindicatos a elas �liados, mas em situações especiais podem assumir a negociação coletiva, celebrando inclusive ACT e CCT, ou mesmo, instaurando dissídio coletivo. Isto ocorre nos casos em que a categoria não é organizada em sindicato (arts. 611, § 2º, e 857, parágrafo único, da CLT). Sendo assim, cabe ao próprio sindicato administrar, segundo a conveniência de 162 seus associados, manifestada pelas deliberações da assembleia geral. Dessa forma, caberia ao sindicato de�nir, em estatuto, seus órgãos, o número de dirigentes, as regras relativas à eleição e ao mandato. E, por isso, a CLT estabelece que o sindicato é composto por três órgãos administrativos (Art. 522 da CLT): a) Diretoria, composta de 3 a 7 membros, com a função de administrar o sindicato; b) Conselho Fiscal, composto por 3 membros, com a função de �scalizar a gestão �nanceira do sindicato e, por último, c) Assembleia Geral, composta por todos os associados, constituindo órgão máximo de deliberação do sindicato, com atribuição, por exemplo, de eleição da Diretoria e do Conselho Fiscal. Convenções e Acordo Coletivo do Trabalho A Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) se trata de um acordo pelo qual dois ou mais sindicatos representativos de categorias econômicas e pro�ssionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, as relações individuais de trabalho. Já os Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) são ajustes entre o sindicato dos trabalhadores e uma ou mais empresas. Não se aplicam a todas as categorias, mas somente à empresa estipulante (Rezende; Silva, 2016, p. 21). Portanto, tem-se que a convenção coletiva de trabalho e o acordo coletivo de trabalho são os instrumentos decorrentes da negociação coletiva. Sendo que a distinção entre elas se refere à legitimidade das partes, pois no acordo coletivo de trabalho o empregador se faz representar sozinho ou, no máximo, acompanhado por outros empregadores, já na convenção coletiva de trabalho, por sua vez, há negociação entre sindicatos, estando de um lado o sindicato representativo dos trabalhadores (categoria pro�ssional) e, de outro, o sindicato representativo dos empregadores (categoria econômica). Em qualquer caso, é obrigatória a participação, nas negociações coletivas, do sindicato representativo da categoria pro�ssional, nos termos do art. 8º, VI, da CF (Resende, 2020, p. 1148). Ou seja, o ACT e a CCT são fontes formais autônomas do Direito do Trabalho. Fontes formais porque criam regras jurídicas e autônomas, são emanadas dos próprios atores sociais, sem a interferência do Estado. São legitimados para celebrar CCT, os sindicatos representativos de empregadores e empregados de determinada 163 categoria, ao passo que são legitimados para celebrar ACT o próprio empregador, independentemente da participação de seu sindicato representativo e o sindicato dos trabalhadores. O acordo coletivo de trabalho e a convenção coletiva de trabalho contêm regras jurídicas e cláusulas contratuais. As regras jurídicas são, no caso, todas aquelas capazes de gerar direitos e obrigações além do contrato de trabalho, na respectiva base territorial. Exemplo: �xação do adicional de horas extras superior ao mínimo legal; estabelecimento de pisos salariais; criação de novas garantias de emprego. E as cláusulas contratuais são aquelas que criam direitos e obrigações para as partes convenientes, e não para os trabalhadores. Exemplo: cláusula que determina à empresa a entrega, ao sindicato dos trabalhadores, da lista de nomes e endereços de seus empregados. Os instrumentos coletivos são solenes, ou seja, as convenções e os acordos serão celebrados por escrito, �cando uma via com o sindicato, uma para as empresas acordantes, além de uma destinada ao registro (art. 613, parágrafo único, da CLT). Devem ser depositados junto ao Ministério da Economia no prazo de oito dias, contados da assinatura, bem como deverá ser dada ampla publicidade, através da a�xação do seu conteúdo nas sedes das entidades sindicais e nos estabelecimentos abrangidos pela norma coletiva (art. 614 da CLT). Mas pelo regime celetista a norma coletiva entra em vigor três dias após o depósito administrativo junto ao Ministério da Economia, conforme o art. 614, § 1º, da CLT. Dispõe o § 3º do art. 614 da CLT, que não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho superior a dois anos. Assim, o prazo máximo de duração da norma coletiva é de dois anos, embora o usual seja a �xação da duração de um ano apenas. Inclusive o processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação total ou parcial de Convenção ou Acordo �cará subordinado, em qualquer caso, à aprovação da Assembleia Geral dos Sindicatos ou partes acordantes ( art. 615 da CLT). Desse modo, a partir da vigência da Lei n.º 13.467/2017, o acordo coletivode trabalho sempre 164 prevalecerá sobre a convenção coletiva de trabalho. Mais recentemente, a Reforma Trabalhista tratou de consagrar a prevalência do negociado sobre o legislado, acrescentando à CLT o art. 611-A, o qual dispõe sobre as matérias em que é dada a negociação coletiva, com prevalência sobre a lei. Acrescentou-se também o art. 611- B, o qual prevê as hipóteses em que não se admite �exibilização mediante negociação coletiva ou, nos termos imprecisos da Lei, aqueles direitos cuja supressão ou redução constitui objeto ilícito de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. No entanto, o caput do art. 611-B da CLT prevê alguns direitos que são insuscetíveis de �exibilização mediante negociação coletiva, como, exemplo, salário- mínimo, DSR, licença-maternidade, entre outros. 165 O registro de instrumentos coletivos de trabalho, como as convenções e os acordos, pode, a partir de agora, ser solicitado pelos sindicatos de modo inteiramente online, sem a necessidade de comparecimento a uma das superintendências regionais do trabalho do Ministério da Economia. Conforme a legislação trabalhista, o registro pelo Ministério da Economia é necessário para que as convenções e os acordos tenham validade. O tempo médio de análise das solicitações pela Subsecretaria de Relações do Trabalho é de cinco dias. O procedimento veri�ca os requisitos formais dos instrumentos coletivos de trabalho. As convenções e os acordos são instrumentos coletivos de trabalho que possuem caráter normativo e são �rmados entre as empresas e os sindicatos. Também poderá ser solicitada online a mediação coletiva trabalhista, que visa resolver con�itos entre entidades de classe, trabalhadores e empregadores. As empresas, por sua vez, poderão comunicar férias coletivas somente pela internet, também sem a necessidade de comparecimento em pessoa de algum representante. O procedimento, porém, está temporariamente suspenso por força da medida provisória 927/2020, que estabeleceu condições especiais por causa da pandemia do Covid-19. Fonte: 166 https://go.eadstock.com.br/vO O Supremo Tribunal Federal decidiu que terão validade imediata os acordos individuais entre empregador e empregados a �m de reduzir a jornada de trabalho e salários durante a pandemia. No julgamento, os ministros dispensaram a necessidade de que os sindicatos deem aval para que essas negociações sejam efetivadas. Com isso, �ca preservada a medida provisória (MP) editada pelo governo federal que cria o programa emergencial em razão do cenário de crise na economia, provocado pelo coronavírus. Fonte: 167 https://go.eadstock.com.br/vP No �nal de 2020, dezenas de professores da rede particular de ensino foram demitidas. Apesar de a pandemia ter gerado um grande prejuízo para as escolas de um modo geral, além da evasão escolar, a classe considera discutível as justi�cativas que motivaram as demissões. Por conta da pandemia, o trabalho já exaustivo dos educadores trouxe à classe problemas ainda maiores. O presidente do Sinpro orientou a todos os pro�ssionais da educação a procurarem o sindicato, caso sintam necessidade. Ainda, a Sinpro se manifesta em defesa dos direitos sociais e trabalhistas e pela educação de qualidade para todos. Aos professores das escolas particulares que se sintam ameaçados em suas garantias constitucionais e trabalhistas, solicitamos que encaminhem a denúncia ao sindicato. Fonte: 168 https://go.eadstock.com.br/vQ Greve 15 169 Considera-se legítimo exercício do direito de greve a suspensão coletiva, temporária e pací�ca, total ou parcial, de prestação pessoal de serviços a empregador (art. 2º da Lei n.º 7.783/1989 - Lei de Greve). Ou seja, somente se pode falar em greve se o movimento for coletivo. Não será greve quando houver a paralisação de um único empregado que está indignado com as condições de trabalho. Mas a greve de um ou mais setores de um estabelecimento é lícita, desde que a atitude seja coletiva. Por isso, a lei menciona suspensão total ou parcial. Somente há que se falar em greve se a sustação do trabalho for temporária, pois se os empregados abandonam suas atividades em de�nitivo não teremos uma greve e, sim, um abandono de emprego em massa. Assim, só haverá greve lícita se forem utilizados meios pací�cos, sendo que a ordem jurídica repele qualquer tipo de violência contra o empregador, seja ela pessoal ou patrimonial, ou ainda, contra colegas de trabalho que eventualmente não concordem com o movimento grevista. Uma vez que o principal objetivo da greve é abrir as negociações entre trabalhadores e empregador, por isso, há greve de cunho político, bem como a chamada greve de solidariedade, entre outros motivos aceitáveis. Um exemplo de greve política é o movimento geral de�agrado por uma ou mais categorias visando pressionar o governo a estimular a normatização de questões de interesse da classe obreira. Além disso, um dos efeitos da greve é que haverá suspensão do contrato de trabalho (art. 7º da Lei de Greve). Ou seja, a suspensão do contrato de trabalho pressupõe a sustação temporária das principais obrigações contratuais das partes (prestação de serviços, pagamento de salários e contagem do tempo de serviço). No entanto, o empregador não pode demitir o empregado grevista durante o movimento, pois o contrato encontra-se suspenso (o que impede a rescisão contratual, conforme o art. 471 da CLT e artigo 7º, parágrafo único da Lei de Greve). Ainda, pode o empregador contratar substitutos sempre que a greve for abusiva, conforme artigo 9º da Lei de Greve. Ou seja, constitui abuso de greve a inobservância das normas contidas na presente Lei, bem como a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho (artigo 14 da Lei de Greve). Se a greve é pací�ca, o empregado não poderá ser punido simplesmente por ter participado dela, ainda que ao �nal seja julgada improcedente em sede de dissídio coletivo (Súmula 316 do STF). 170 Portanto, observa-se que há limites do direito de greve que podem ser divididos em três vertentes: a) A legitimidade ou não de determinadas condutas associadas à greve; b) A regulação legal de atos preparatórios que legitimam o movimento grevista e c) A restrição ao direito de greve associada a determinadas categorias de trabalhadores. Conforme letra a, existem algumas condutas associadas à greve, conforme algumas espécies abaixo (Resende, 2020, p.1190): a. Piquetes: é caracterizado pela presença de um grupo de trabalhadores na porta da fábrica ou local de trabalho, visando impedir a entrada de trabalhadores durante o movimento grevista. Será lícito se for utilizado de forma pací�ca, sem o uso de qualquer tipo de violência; caso contrário, �cará caracterizado o constrangimento aos direitos e garantias fundamentais. b. Lock-in ou ocupação do estabelecimento: Um dos principais métodos do movimento grevista é a ocupação do estabelecimento empresarial pelos grevistas, de forma a induzir a paralisação dos serviços. Não é proibida tal prática, desde que observados os limites, ou seja, não haja violência de qualquer espécie, e nem violação ou constrangimento de direitos e garantias fundamentais de outrem. c. Operação tartaruga, excesso de zelo ou operação-padrão: Estas condutas guardam relação entre si, constituindo um movimento grevista maior, sendo que os empregados não paralisam de imediato a produção, mas reduzem de forma brusca, com o objetivo de pressionar o empregador. Muito comum no setor de transporte coletivo urbano nas grandes cidades. d. Boicote: é o movimento que convence a população em geral ou determinado grupo comunitário a não manter relações comerciais com determinada empresa, deixando de adquirir produtos ou serviços por ela oferecidos. Pode haver boicote com conotação ambientalista (uso de casacos de pele, por exemplo), ou outra qualquer (boicote a um determinado programa de TV, por exemplo). e. Sabotagem: trata-se de uma conduta deliberada dos trabalhadores que objetiva a destruição do patrimônio do empregador,seja quebrando máquinas ou destruindo prédios. É uma conduta ilícita, por constituir abuso de direito, sujeitando seus agentes à punição criminal, inclusive, sem prejuízo da repercussão nas esferas trabalhista e cível. 171 Atos Preparatórios e Procedimentos da Greve A greve não deve ser utilizada como �m, mas como meio colocado à disposição dos trabalhadores para obtenção de vantagens e possibilidades de efetiva negociação das condições de trabalho. Da mesma forma, o movimento não pode ser radical a ponto de pôr �m à atividade do empregador. Se frustrada a negociação ou veri�cada a impossibilidade de recursos via arbitral, é facultada a cessação coletiva do trabalho (art. 3º da lei da greve). Além disso, deve haver pré-aviso 48 horas antes do início do movimento ou 72 horas antes, na hipótese de greve em atividades essenciais (arts. 3º, parágrafo único, e 13 da Lei de Greve). Somente será lícita a de�agração da greve se o movimento for aprovado por deliberação da assembleia geral, devidamente convocada para tal �m. Como direito coletivo que é a greve, deve representar a vontade dos trabalhadores, e não da entidade sindical (Art. 4º da Lei de greve). A greve em atividades essenciais não é proibida, conforme art. 10 da Lei de Greve, mas é abusiva se realizada em setores que a lei de�ne como sendo essenciais à comunidade, se não é assegurado o atendimento básico das necessidades dos usuários do serviço (OJ 38 da SDC) (greve dos enfermeiros, por exemplo). Também é importante saber que existem duas categorias de trabalhadores que são tratadas de forma diferenciada pela legislação da greve, que são os militares e servidores públicos: os militares não têm direito à greve, conforme o art. 142, § 3º, IV da CF. Já os servidores públicos têm o direito de greve disciplinado pelo art. 37, VII, da CF. 172 Abuso e Responsabilidade dos Gre�stas A legislação prevê as hipóteses em que se considera abusivo o exercício do direito de greve. Ou seja, para efeito prático funciona assim: o que era greve deixa de ser e a partir daí, trata-se, no mínimo, de faltas injusti�cadas ao trabalho (OJ 10 da SDC). Sempre que uma negociação tiver seu termo normal, com a celebração de acordo coletivo de trabalho ou de convenção coletiva de trabalho ou, ainda, com decisão da Justiça do Trabalho em sede de dissídio coletivo, não há espaço para o exercício do direito de greve. Neste caso, há duas exceções, entretanto: a. Se a greve é causada exatamente pelo descumprimento de cláusula da norma coletiva ou sentença normativa em vigor. Assim sendo, é lícito ao empregado recorrer à greve com o objetivo de fazer cumprir a norma posta. b. Se ocorrem, durante a vigência do instrumento negociado, fatos novos são capazes de provocar grande desequilíbrio da relação contratual. Embora seja direito fundamental do trabalhador a ser exercido coletivamente, a greve, muitas vezes, pode assumir características abusivas, sendo necessária a intervenção do Poder Judiciário, no sentido de julgar a validade ou não do movimento operário. Sendo a competência da Justiça do Trabalho (Súmula 189 do TST), inclusive para julgar as ações possessórias decorrentes do exercício do direito de greve (art. 8 da Lei de Greve). Sendo que a responsabilidade pelos atos praticados, ilícitos ou crimes cometidos, no curso da greve, será apurada, conforme o caso, segundo a legislação trabalhista, civil ou penal. Devendo o Ministério Público, de ofício, requisitar a abertura do competente inquérito e oferecer denúncia quando houver indício da prática de delito (art. 15 da Lei de Greve). Já o lockout corresponde ao fechamento provisório da fábrica, pelo empregador, a �m de frustrar o movimento grevista. E, apesar de proibida, indaga-se qual seria a solução caso o empregador pratique o locaute. Ou seja, primeiro, o tempo de paralisação das atividades empresariais será considerado interrupção contratual, pelo que serão devidos os salários e, segundo, como o empregador desrespeitou a lei e um direito fundamental do empregado, terá cometido falta grave, sujeitando-se à rescisão indireta do contrato de trabalho, nos termos do art. 483 da CLT. 173 Nas atividades essenciais, os trabalhadores e os empregadores são obrigados a manter, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade (art. 11 da Lei de Greve). Fonte: Ano: 2004 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Prefeitura de Boa Vista - RR / Prova: CESPE / CEBRASPE - 2004 - Prefeitura de Boa Vista - RR - Analista de Nível Superior. 174 A greve dos funcionários dos Correios completou um mês em meio ao aumento de reclamações sobre o serviço desde o início da pandemia do novo coronavírus. No entanto, a greve piorou o serviço e criou �las nas portas das agências, com clientes em busca de encomendas. Liderados pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), os funcionários colocam-se contra o �m do acordo coletivo da categoria, que reduziu benefícios trabalhistas. Segundo a federação, a renda de trabalhadores chegou a cair 40% desde 1º de agosto de 2020 e os Correios se negam a negociar atrasando, desta forma, todos o serviço em geral. Fonte: 175 https://go.eadstock.com.br/vR Com o início da greve dos rodoviários em Recife, a população enfrentou �las, poucos ônibus e veículos lotados. A paralisação foi acertada no dia 16/12/2020, após assembleia da categoria, e não tem prazo de�nido. O principal motivo da greve é o descumprimento do acordo �rmado junto ao TRT-6 (Tribunal Regional do Trabalho da 6ª região). Os rodoviários reivindicam o �m da dupla função para motoristas nos ônibus da Região Metropolitana, além do pagamento imediato do reajuste retroativo do salário e do vale-alimentação para motoristas e cobradores. A categoria exige, garantia de emprego de seis meses. Mas o sindicato das empresas de ônibus a�rmou que colocaria 70% da frota nas ruas para amenizar o impacto da greve. Fonte: 176 https://go.eadstock.com.br/vS Previdência Social 16 177 A Seguridade Social compreende um conjunto de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social, conforme disposto no art. 194 da CF. Portanto, podemos dizer que a Seguridade Social é gênero, sendo consideradas as espécies: Saúde, Assistência Social e Previdência Social. As ações destinadas a assegurar os direitos relativos à Saúde, Assistência Social e Previdência Social são ações integradas e são de iniciativa dos Poderes Públicos e da Sociedade. Assim, importante conceituar todas as espécies da seguridade social: a. Saúde: A saúde é direito de todos e dever do Estado. Os serviços públicos de saúde são gratuitos, independentemente de qualquer contribuição para a Seguridade Social. São de relevância pública as ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, sobre sua regulamentação, �scalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente, através de terceiros, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Assim, a assistência à saúde é livre à iniciativa privada, sendo que o sistema único de saúde (SUS) será �nanciado com recursos do orçamento: da Seguridade Social; da União; dos Estados; do Distrito Federal e dos Municípios. b. Assistência Social: será prestada a quem dela necessitar e será prestada independentemente de contribuição à Seguridade Social, conforme art. 203 da CF. Os objetivos da Assistência Social são: a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; o amparo às crianças e adolescentes carentes; à promoção da integração ao mercado de trabalho; entre outros. E as ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da seguridade social e de outras fontes. c. Previdência Social: será destinada aos bene�ciários que são as pessoas que recebem ou possam vir a receber as prestações previdenciárias, sendo que os bene�ciários se dividemem segurados e dependentes. A Previdência Social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de �liação obrigatória, conforme art. 201 da CF. Ou seja, somente os segurados que contribuam para a Previdência Social, bem como seus dependentes, terão direito às prestações previdenciárias. E toda pessoa física que exerça alguma atividade remunerada será, obrigatoriamente, �liada ao Regime Geral de Previdência Social, exceto se esta atividade gerar �liação obrigatória ao Regime Próprio de Previdência. O objetivo é atender aos que têm incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e idade avançada; a gestante; o 178 trabalhador em situação de desemprego involuntário; salário-família e auxílio- reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda e pensão por morte do segurado. As receitas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios são destinadas à seguridade social, não integrando o orçamento da União. Recolhimento Pre�denciário O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) engloba os antigos INPS e IAPAS e é responsável por receber as contribuições e fazer os pagamentos dos benefícios previstos por lei. O recolhimento previdenciário vem dos contribuintes obrigatórios (empregados, empresários, autônomos, avulsos, equiparados a autônomos facultativos e contribuintes em dobro) e empresas ou equiparadas. Já os contribuintes individuais utilizam a Guia da Previdência Social (GPS) para efetuarem seus recolhimentos e seu cadastramento deve ser feito pessoalmente nas agências do INSS ou pela internet, com o número de inscrição no Programa de Integração Social (PIS). Dessa forma, é obrigação das empresas manter a contabilidade em dia, não podendo exceder a seis meses o atraso das informações obrigatórias, quando da �scalização da previdência. Devendo, ainda, possuir toda a documentação atualizada referente ao pessoal do departamento da empresa, bem como as folhas de pagamento dos empregados, folha de pagamento do pró-labore, dos sócios e dos pagamentos a terceiros. E as guias de recolhimentos das empresas para o devido pagamento podem ser da folha mensal, 13º salário, produtor rural ou construtora. Quando se tratar de recolhimento de GPS de construtora (obras) por subempreitadas, poderá o usuário informar os dados relativos para qual obra estará sendo recolhida a contribuição previdenciária naquele momento. 179 Dos Benefícios Pre�denciários Os benefícios da Previdência Social para o empregado são considerados uma obrigação do INSS nos seguintes casos: Auxílio-doença: Esse benefício assegura a incapacidade em decorrência de doenças degenerativas e ocupacionais, acidente do trabalho ou de qualquer natureza que deixe o empregado inapto às suas atividades habituais por mais de 15 dias consecutivos. Sendo exigidas 12 contribuições mensais. Assim, a regra geral é: quando a incapacidade ultrapassar 15 dias consecutivos, o segurado será encaminhado à perícia médica do INSS, que o submeterá à avaliação pericial por pro�ssional médico integrante de seus quadros ou conveniados. No entanto, a cessação desse auxílio ocorre quando: A) Há a recuperação do segurado para as atividades habituais e pro�ssionais; B) Há a reabilitação, com emissão de certi�cado de conclusão para o exercício de outra atividade; C) Quando há conversão do auxílio-doença em aposentadoria por invalidez (Alves, 2020, p. 21- 25). Aposentadoria por invalidez: denominada por incapacidade permanente é um benefício concedido ao segurado que, quando necessário, tenha cumprido a carência exigida e teve sua vida pro�ssional retirada por determinada doença física, mental, acidente de trabalho ou de qualquer natureza e que não tenha 180 condições de exercer outra atividade, nem por meio do programa de habilitação ou reabilitação pro�ssional. A carência desse benefício é de 12 contribuições mensais. Para a concessão do benefício, será necessário o segurado passar por uma perícia médica conforme determina o art. 42, § 1º, da Lei 8.213/1991, podendo ser acompanhado pelo seu médico particular, para o INSS analisar se o segurado está incapaz ou inválido para exercer sua atividade laboral. Uma das hipóteses de cessação da aposentadoria por invalidez ocorre por vontade do aposentado por invalidez, quando se sente apto ao trabalho. Nesse caso, terá de solicitar uma nova perícia médica no INSS. Por �m, o aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade terá sua aposentadoria automaticamente cessada, a partir da data do retorno (Alves, 2020, p. 36/37). Aposentadoria por idade: A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida de 180 contribuições, completar 65 anos de idade, se homem, e 60, se mulher, sendo reduzida para trabalhadores em regime de economia familiar, ou seja, 60 anos para homens e 55 para mulheres (art. 201, §§ 7º, I, II, e 8º, da CF). Para o homem, não há regra de transição na idade, ou seja, manteve a exigência de 65 anos de idade mais 15 anos de contribuição, porém, caso se �lie após a data da Emenda Constitucional, terá de contribuir para o INSS por 20 anos. No caso da mulher, será a partir de 1º de janeiro de 2020, a idade de 60 anos será acrescida em seis meses a cada ano, até atingir 62 anos de idade. Sendo que o encerramento do benefício ocorrerá com a morte do segurado (Alves, 2020, p. 47). Pensão por morte: é um benefício que substitui a renda do segurado ao dependente, que visa à manutenção do rendimento familiar. Sua concessão independe de carência, porém deve estar dentro do período da qualidade de segurado. Não é exigida carência para a concessão da pensão por morte, porém, a Lei 13.135/2015 trouxe algumas limitações: 1) Se na data do óbito o segurado não tenha ao menos 18 contribuições mensais ou se o casamento ou a união estável tiverem sido iniciados em menos de dois anos antes da data do óbito do segurado, a pensão por morte será somente por quatro meses. 2) E se o óbito do segurado tiver ocorrido após os dois anos de casamento ou união marital ou após a efetivação das 18 contribuições, a pensão por morte será devida conforme a idade do viúvo. Além disso, a data de cessação do benefício se dá com a morte do pensionista ou após quatro meses de recebimento da 181 pensão aos cônjuges ou companheiros com menos de dois anos de união marital ou com menos de 18 anos de contribuição do segurado (Alves, 2020, p. 64/65). Auxílio-reclusão: O auxílio-reclusão, uma vez cumprida a carência exigida, é devido aos dependentes do segurado recolhido à prisão em regime fechado, desde que tenha baixa renda e que não receba remuneração da empresa e nem esteja em gozo de auxílio-doença, de pensão por morte, de salário- maternidade, de aposentadoria ou de abono de permanência em serviço. Esse benefício depende de carência de 24 contribuições mensais. E a cessação do auxílio-reclusão ocorre diante de algumas hipóteses, quais sejam: extinção da última cota individual; concessão da aposentadoria no período de privação da liberdade; óbito do segurado; na emancipação ou com a maior idade dos �lhos dependentes ou a eles equiparados, salvo se inválidos, havendo a extinção no caso de cessar a invalidez; na soltura do segurado preso (Alves, 2020, p. 69). Salário-Maternidade: é devido à segurada da Previdência Social, durante 120 dias na ocorrência de adoção, ou devido à segurada da Previdência Social, durante 120 dias, com início no período entre 28 dias antes do parto. Para as seguradas empregadas, inclusive as domésticas e as trabalhadoras avulsas, independe de carência, já para as contribuintes individuais, seguradas especiais e facultativas, depende de dez contribuições mensais. A cessação do benefício se dá após os períodos de 120, 60 ou 30 dias, dependendo da escala ou pela morte da segurada (Alves, 2020, p. 115). Auxílio-acidente: é um benefício mensalmente pago ao segurado acidentado em forma de indenização, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza de que resultem sequelas que impliquem redução da capacidadepara o trabalho que habitualmente exercia. Somente poderão se bene�ciar do auxílio-acidente os segurados: Empregados; Empregado Doméstico; Trabalhador Avulso e Segurado Especial. Essa espécie de benefício independe de carência. No caso de reabertura de auxílio-doença por acidente de qualquer natureza que tenha dado origem ao auxílio-acidente, este será suspenso até a cessação do auxílio-doença reaberto, quando será reativado (Alves, 2020, p. 120). Salário-família: será devido, mensalmente, ao segurado empregado, inclusive o doméstico, e ao segurado trabalhador avulso, desde que enquadrados no 182 critério da baixa renda, na proporção do respectivo número de �lhos ou equiparados, limitado o pagamento aos 14 anos de idade, salvo se inválido. Esse benefício será concedido apenas àqueles que tenham renda bruta mensal igual ou inferior a R$ 1.425,56, e esse benefício equivale ao valor de R$ 48,62. Essa espécie de benefício independe de carência. E a cessação ocorre nas seguintes hipóteses: a) quando o menor atingir a idade de 14 anos; b) quando terminar a relação de emprego ou o contrato com o sindicato; c) quando ocorrer a morte do segurado/�lho ou equiparado, a contar do mês seguinte ao do óbito; d) quando cessar a invalidez do �lho ou equiparado, a contar do mês seguinte ao da cessação da invalidez (Alves, 2020, p. 106). A legislação prevê diversos outros benefícios, e destacamos alguns de mais importância atualmente e que sofrerão alteração signi�cativa. 183 O INSS anuncia mudança na concessão do salário-maternidade. Sob a alteração da CLT, o INSS informou que poderá ampliar o tempo de licença-maternidade por meio de seu salário. Agora, as mulheres poderão se ausentar por até 240 dias, sendo o tempo anterior de 120 dias. A proposta está tramitando na Câmara dos Deputados e deverá ser avaliada em breve. A expectativa é que a medida passe a valer imediatamente, sendo aplicada para toda trabalhadora que atenda às regras do benefício previdenciário. Fonte: 184 https://go.eadstock.com.br/vT O Decreto n.° 10.410 promove uma atualização no regulamento que disciplina a aplicação dos planos de custeio e de benefícios da Previdência Social, acrescentando como segurados da Previdência Social, na categoria de contribuinte individual, várias atividades, como motoristas de aplicativos, artesãos, repentistas, entre outras. Também passa a incluir como segurados os empregados sujeitos a contrato de trabalho intermitente. Uma novidade também é a extensão de direitos previdenciários ao trabalhador doméstico, que passa a ter direito a benefícios acidentários, como auxílio por incapacidade temporária e aposentadoria por incapacidade permanente. Fonte: A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social, conforme artigo 194 da CF. Fonte: CESPE - Defensor Público do Distrito Federal/2013. 185 https://go.eadstock.com.br/vU Conclusão O trabalho no Brasil é intensamente regulado, tornando-se difícil sua gestão, controle e cumprimento perante os dispositivos legais. Mesmo as empresas mais sérias se veem com di�culdade diante do elevado número de regras a seguir. Podemos concluir, diante das aulas explanadas, que a legislação trabalhista e as relações sindicais causam grande impacto na vida do empregado e do empregador, sendo de suma importância seu estudo e análise. Assim, observa-se que após a Reforma trabalhista que ocorreu em 2017, muitas condições foram alteradas e novas perspectivas se abriram para os processos de negociação entre o trabalhador e a empresa. Ou seja, percebe-se que as relações trabalhistas buscam um enfoque maior do que simplesmente discutir sobre a questão salarial. Mesmo porque, são várias as propostas que envolvem uma relação de emprego. Com relação aos sindicatos, nota-se o quanto é importante sua presença tanto para as empresas quanto para os empregados, com intuito de estabelecer condições e benefícios de trabalhos melhores. Sendo assim, este material apresenta uma tomada abrangente da área de Recursos Humanos, sem pretensão de esgotar o assunto, que é extenso, dinâmico e multidisciplinar, tratando da gestão de pessoas com enfoque nas rotinas trabalhistas e sindicais sendo elaborado com base na legislação atualizada e vigente. Até a próxima! 186 Material Complementar Livro Direito do trabalho Autor: Ricardo Resende Editora: Método Sinopse: O conteúdo desta obra tem o objetivo de viabilizar a preparação do estudante e do concurseiro em Direito do Trabalho. A contínua experiência do autor com a disciplina e, principalmente, com o tema concurso público foi determinante para a qualidade e diferencial da obra, que reúne todos os elementos importantes para a preparação e�caz não encontrados nos manuais tradicionais. Para aperfeiçoar o estudo, essa obra permite ao aluno extrair o máximo deste livro e �xar o seu conteúdo, apresentam-se alguns recursos e facilidades. Filme À procura da felicidade Ano: 2006 Sinopse: Chris enfrenta sérios problemas �nanceiros e Linda, sua esposa, decide partir. Ele agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher, seu �lho de 5 anos. Chris tenta usar sua habilidade como vendedora para conseguir um emprego melhor, mas só consegue um estágio não remunerado. Seus problemas �nanceiros não podem esperar uma promoção e eles acabam despejados. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos ou onde quer que consigam um refúgio, mantendo a esperança de que dias melhores virão. 187 Web O Sebrae-SP, desenvolveu esta cartilha para orientar sobre as principais mudanças que a CLT sofreu com a Reforma trabalhista. Web: Web A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) lançou a publicação "Modernização Trabalhista - Lei n.º 13.467/2017 - Panorama anterior e posterior à aprovação". Na cartilha estão os 114 artigos inseridos ou alterados pela nova legislação. Web: 188 https://go.eadstock.com.br/vV https://go.eadstock.com.br/vW Referências ALVES, Hélio Gustavo. Guia prático dos benefícios previdenciários: de acordo com a reforma previdenciária EC 103/2019. 2ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. BARBIERI, Ugo Franco. Gestão de Pessoas nas Organizações - Conceitos Básicos e Aplicações. Grupo GEN, 2016. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988. 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