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Etiologia e alterações mecânicas das disfunções 
em urologia e gineco-obstetrícia 
Unidade 2 
 
Aspectos clínicos e diagnósticos nas disfunções 
vesicoesfínctero-perineal 
Disfunções vesicoesfínctero-perineal 
Aspectos clínicos e diagnósticos 
 
Prolapso urogenital 
Classificação dos prolapsos genitais 
Tratamento dos prolapsos urogenitais 
 
Incontinência urinária e tratamento 
fisioterapêutico 
Tratamento fisioterapêutico para as 
incontinências 
 
Incontinência anal e constipação intestinal 
 
Prostatectomias 
Prostatectomias e tratamento fisioterapêutico 
 
Aspectos clínicos e diagnósticos nas disfunções 
vesicoesfínctero-perineal 
O sistema nervoso, através de mecanismos voluntários 
e involuntários, realiza o controle da micção, que 
possui três fases. A primeira é a de enchimento vesical, 
com aumento gradual da resistência uretral, em 
conjunto com o esfíncteres estriado e liso. Na fase de 
reservatório, a urina é armazenada até o momento da 
micção, que corresponde à última fase, o esvaziamento 
vesical, no qual a contração coordenada entre o 
detrusor e o relaxamento do esfíncter urinário externo 
resulta na micção. Essas fases são dependentes do 
sistema nervoso, e complicações advindas dele e de 
disfunções anatômicas contribuem para o 
aparecimento de doenças, incontinências, 
prolapsos, infecções, obstrução e distúrbios. 
 
A bexiga é um órgão muscular localizado na pelve 
que possui como principal função o 
armazenamento e a eliminação periódica da urina 
através da uretra, formando o trato urinário 
inferior junto com a uretra. A bexiga é formada por 
fibras de musculatura lisa, que recebem o nome 
de músculo detrusor. O detrusor (bexiga) tem um 
corpo vesical acima dos orifícios uretrais e uma 
base formada pelo trígono e pelo colo vesical. 
A sustentação da bexiga é realizada nos indivíduos 
do sexo masculino pelos ligamentos 
puboprostáticos e, nos indivíduos do sexo 
feminino, pelos ligamentos pubovesicais. O 
funcionamento da bexiga é comandado pelo 
sistema nervoso central (SNC) e sua inervação se 
faz tanto por fibras parassimpáticas, originadas 
dos segmentos de S2 a S4 e que seguem até a 
bexiga, quanto por fibras simpáticas, derivadas 
dos segmentos de T11 a L2 e que formam o nervo 
hipogástrico, inervando a bexiga e a uretra. Esses 
segmentos dão origem ao plexo nervoso vesical. 
 
Formada por um tubo muscular, a uretra é 
responsável por conduzir a urina do óstio interno 
da uretra da bexiga até sua eliminação pelo óstio 
externo da uretra. A uretra masculina possui a 
porção pré-prostática, membranosa, esponjosa e 
inervada pelo nervo pudendo e pelo plexo 
prostático. A uretra feminina está localizada no 
vestíbulo da vagina, passando pelo diafragma 
pélvico, músculo esfíncter externo da uretra e 
membrana do períneo, sendo inervada pelo nervo 
pudendo, conforme exposto por Girão, em 
Tratado de uroginecologia e disfunções do 
assoalho pélvico, de 2015. Em condições 
fisiológicas normais, a urina pode ser eliminada 
após a percepção do enchimento completo da 
bexiga e também em condições de enchimento 
parcial, nas quais o indivíduo considerará o 
momento mais oportuno para iniciar a micção, de 
acordo com relatos de Kavia, Dasgupta e Fowler, 
em artigo para o The Journal of Comparative 
Neurology em 2005. 
Quando a bexiga estiver cheia de urina, sua parede 
se distende, estimulando as raízes parassimpáticas 
aferentes (sensitivas) para que elas acionem o 
centro de reflexo de S2 a S4 que, através das fibras 
eferentes (motor), envia a informação ao músculo 
detrusor para que este execute a contração e 
elimine a urina através da uretra. Tal reflexo se dá 
de forma automática, ao nível medular. O 
indivíduo, em condições anatômicas e fisiológicas 
normais, com o aumento da pressão vesical, 
comprime receptores na parede da bexiga, 
provocando o desejo miccional. 
 
DIFUNÇÕES VESICOESFÍNCTERO-PERINEAL 
Doenças neurológicas podem causar alterações na 
funcionalidade vesical e esfincteriana do trato 
urinário inferior. A bexiga neurogênica, ou micção 
disfuncional, é uma disfunção vesico-esfincteriana 
que acomete indivíduos portadores de doenças do 
sistema nervoso central ou periférico, sendo 
gerada por lesão parcial da medula espinhal ou do 
tronco cerebral e distúrbios neurológicos, como 
acidente vascular cerebral (AVC), esclerose 
múltipla, paraplegia, doença de Parkinson, 
neuropatia periférica; porém, a origem mais 
comum é o traumatismo raquimedular. 
 
Doctors.gif 
Tal disfunção acarreta em alterações no padrão 
normal da micção nas fases de enchimento vesical, 
reservatório e esvaziamento vesical, contribuindo 
para o aumento da pressão intravesical, 
esvaziamento vesical incompleto, incapacidade de 
iniciar ou interromper a micção, sem falar no 
aparecimento de incontinências, dada a lesão 
sofrida pelos centros responsáveis pela emissão 
dos sinais inibitórios. 
 
A bexiga neurogênica é classificada de acordo com 
o nível de lesão. O controle medular da micção fica 
localizado entre S2 a S4, na medula espinhal. 
Lesões acima do nível do controle da micção 
ocasionam bexigas neurogênicas não flácidas, 
divididas em reflexa ou não inibida. A bexiga 
reflexa é quando há uma lesão completa, acima do 
controle da micção, que leva a comprometimento 
motor e sensitivo. A bexiga não inibida é quando, 
durante o processo de enchimento vesical, as 
contrações para eliminação da urina não são 
inibidas, levando à urgência miccional ou 
incontinência urinária. 
 
As lesões abaixo do controle medular da micção 
suscitam bexigas neurogênicas flácidas, divididas 
em autônoma, atônica (sensitiva) e paralítico-
motora. A bexiga autônoma tem a sua ocorrência 
associada à choque medular, interrompendo o 
arco-reflexo. A bexiga atônica (sensitiva) se dá 
quando ocorre uma lesão no corno superior da 
medula espinhal. Já a bexiga paralítico-motora é 
quando a lesão ocorre no neurônio ou nervo 
responsável pelo controle do músculo detrusor. 
ASPECTOS CLÍNICOS E DIAGNÓSTICOS 
Para que seja oferecido um tratamento adequado, 
conforme a necessidade do indivíduo, é de 
extrema importância que o profissional de saúde 
realize uma avaliação minuciosa. A avaliação deve 
ser geral, contemplando um histórico completo 
sobre sintomas pregressos e atuais do indivíduo, 
abordando cirurgias realizadas, doenças do trato 
urinário e intestinal, função neurológica e sexual, 
histórico da micção, queixas miccionais, 
medicamentos em uso, fatores hereditários, bem 
como presença de dor, febre, infecção e 
hematúria. 
No exame físico, o profissional foca na anatomia 
pélvica e no sistema neurológico, na sensibilidade 
e nos reflexos urogenitais, além de testes de 
função esfincteriana e do assolho pélvico. 
Também são aplicados testes mentais, de força e 
de sensação (dermátomos sacrais), no intuito de 
verificar condições neurológicas que contribuem 
para alterações na micção. Para pacientes que 
possuem lesões na medula espinhal, é importante 
verificar o nível da lesão, se é completa ou 
incompleta, sem esquecer do tônus e da sensação 
da extremidade. 
Entre os sintomas apresentados pelos indivíduos 
acometidos pela bexiga neurogênica, os principais 
são de esvaziamento incompleto da bexiga, perda 
de urina em pequena ou grande quantidade e 
infeções do trato urinário com frequência. Exames 
solicitados pelo médico, como a radiografia 
contratada logo após a micção, auxiliam no 
diagnóstico preciso, assim como o uso de sonda, 
de modo a medir a pressão interna da bexiga e 
aferir a quantidade de urina, e de exames como 
ultrassonografia, cistografia e urodinâmico. 
Após o diagnóstico, é necessário que o indivíduo 
realize o tratamento adequado com base no tipo 
de bexiga neurogênica apresentado. Pode ser 
necessário o uso de medicamentos, cirurgias e a 
fisioterapia, uma vez que o tratamento ideal deve 
buscarsolucionar o problema. Contudo, nos casos 
em que não for possível, as ações devem oferecer 
uma melhor qualidade de vida para o indivíduo. O 
tratamento para bexiga neurogênica consiste em 
preservar a função renal, fornecer baixa pressão 
no armazenamento da urina, melhorar a 
capacidade de armazenamento e trabalhar na 
prevenção de possíveis infecções. 
 
122808-OQ65OX-836-01.png 
O tratamento fisioterapêutico é de extrema 
importância para as disfunções vesicoesfínctero-
perineais. O tratamento fisioterapêutico para a 
bexiga neurogênica não inibida pode se valer dos 
exercícios de Kegel para estimular a contração da 
musculatura do assoalho pélvico. Esses exercícios 
auxiliam o indivíduo na melhora da força 
muscular, colaborando para uma melhor 
resistência uretral. O biofeedback, associado à 
eletromiografia, fisioterapia miofascial no 
assoalho pélvico e terapia comportamental, 
também é uma técnica que o fisioterapeuta pode 
utilizar no tratamento. 
A fim de estimular o reflexo para a micção, o 
tratamento fisioterapêutico para a bexiga 
neurogênica reflexa também pode empregar 
técnicas de percussão, de amassamento e de 
tracionamento do pelos púbicos. No tratamento 
da bexiga neurogênica autônoma, o fisioterapeuta 
usa exercícios que estimulam a contração 
isométrica dos músculos que fazem parte do 
assoalho pélvico e abdominais. O biofeedback, a 
acupuntura e a terapia comportamental também 
podem ser aproveitadas. 
Em relação ao tratamento para bexiga atônica 
(sensitiva) e paralítica motora, o fisioterapeuta 
realiza técnicas que provocam o aumento da 
pressão intravesical, como a manobra de Valsalva, 
estímulo de tosse, exercícios de contração 
muscular isométrica e isotônica do abdômen, 
iliopsoas, glúteo e paravertebrais, no intuito de 
provocar a micção, além da acupuntura, da 
eletroestimulação, do biofeedback e dos 
exercícios de Kegel. 
Prolapso urogenital 
O prolapso urogenital, também denominado 
prolapso genital ou prolapsos dos órgãos pélvicos 
(POP), é uma consequência do desequilíbrio entre 
os mecanismos que sustentam e suspendem os 
órgãos pélvicos em sua posição normal, 
ocasionando o deslocamento, no sentido caudal, 
de uretra, bexiga, útero, alças intestinais e reto 
através da vagina, ocorrendo em diferentes graus. 
Mulheres são acometidas por esse problema de 
saúde em todo o mundo, porém, o prolapso quase 
nunca resulta em morbidade e mortalidade, 
embora o impacto negativo na qualidade de vida 
da mulher seja significativo. 
A ocorrência do prolapso pode estar associada a 
alguma alteração congênita, que contribui para o 
enfraquecimento dos aparelhos de suspensão e 
sustentação, e também ao aumento crônico 
advindo da pressão intra-abdominal. A 
multiparidade é o principal fator para o 
aparecimento dos prolapsos, dadas as alterações 
hormonais na musculatura lisa e no tecido 
conjuntivo pélvico, que sofrem um afrouxamento 
na gestação. 
Todavia, mulheres que não tiveram gestação 
(nulíparas) também têm chances de 
desenvolvimento dos prolapsos, em especial as 
que praticam exercícios físicos de alta intensidade, 
que podem aumentar a pressão intra-abdominal e 
acarretar em algum prolapso. Estudos sugerem 
que mulheres negras e asiáticas têm menor risco 
do desenvolvimento de prolapsos, enquanto 
mulheres hispânicas possuem maior risco, algo 
que pode ser explicado pelas diferenças 
anatômicas e pela composição das fibras de 
colágeno. 
Os prolapsos urogenitais são afecções exclusivas 
para indivíduos do sexo feminino e que podem 
acometer a vagina, nas suas paredes anterior e 
posterior, e o útero, no ápice da vagina. Em outras 
situações, pode haver mais de uma combinação de 
áreas acometidas, entretanto, o segmento em que 
há um número maior de casos são as afecções da 
parede anterior da vagina, nas quais, em geral, a 
bexiga desce no sentido caudal, pela vagina, 
também conhecido como cistocele. Já o prolapso 
apical se dá quando o útero ou o fundo da vagina 
sofrem protrusão, enquanto parte do intestino 
delgado e o reto sofrem protrusão devido ao 
prolapso da parede posterior da vagina. 
CLASSIFICAÇÃO DOS PROLAPSOS GENITAIS 
Os prolapsos urogenitais são classificados pelo 
sistema de Baden-Walker e pelo International 
Continence Society (ICS) de acordo com o introito 
vaginal e o compartimento genital. O prolapso em 
relação ao introito vaginal é caracterizado 
conforme o grau. O prolapso de primeiro grau se 
dá quando o órgão prolapsado não alcança o 
introito da vagina; o de segundo grau acontece 
quando os órgãos prolapsados se exteriorizam de 
forma parcial através do introito vaginal; e o 
prolapso de terceiro grau ocorre quando o órgão 
que sofreu o prolapso se exterioriza de maneira 
total. A classificação baseada no sistema de 
Baden-Walker, explicada no Quadro 1, é de fácil 
execução, embora pouco empregada na prática 
clínica. 
 
A classificação do ICS utiliza o sistema de 
quantificação do prolapso dos órgãos pélvicos 
(Pelvic Organ Prolapse Quantification System- 
POP-Q). O POP-Q examina os prolapsos por meio 
de medidas e pontos específicos de suporte dos 
órgãos pélvicos da mulher. Em posição ortostática, 
a mulher examinada executa algum esforço a fim 
de se realizar o mapeamento da anatomia vaginal. 
O anel do hímen é utilizado como ponto fixo de 
referência, denominado como o ponto zero. As 
estruturas localizadas acima desse ponto fixo são 
classificadas com um valor negativo, e as 
estruturas abaixo do ponto fixo recebem um valor 
positivo. O Quadro 2 traz os pontos de referência 
adotados para realizar as medidas. 
 
 
A classificação dos prolapsos urogenitais também 
pode se fundamentar a partir do compartimento 
genital envolvido. Quando o prolapso está 
localizado no compartimento anterior da vagina, 
ele é denominado de cistocele, uretrocele ou 
cistouretrocele. Quando o prolapso está no 
compartimento apical, é denominado uterino 
(uterocele), fórnice posterior (enterocele) ou 
prolapso de cúpula vaginal pós-histerectomia. 
Agora, se o prolapso está localizado no 
compartimento posterior da vagina, é 
denominado de retocele. 
 
 
A cistocele acontece em decorrência de lesão da 
fáscia vesicovaginal e/ou perda da fixação da 
fáscia vesicovaginal ao arco tendíneo. Com isso, a 
bexiga, não sustentada em sua posição normal, se 
desloca no sentido caudal para a vagina. Os 
sintomas relatados pelas mulheres são de 
sensação de peso ou desconforto na região da 
genitália externa, aliviados ao se deitar e menos 
evidentes pela manhã, porém, o desconforto se 
intensifica ao ficar por muito tempo em 
ortostatismo (de pé). A dispaurenia e a dor 
durante a relação sexual também são sintomas 
associados a esse prolapso. Na cistocele, o sinal 
mais comum é o da exteriorização de uma “bola” 
na vagina, que pode se apresentar também em 
repouso e aumentar conforme o esforço. 
Os ligamentos laterais (cardinais), posteriores 
(uterossacros) e anteriores (pubovesicocericais) 
oferecem suporte, para o colo uterino e para a 
cúpula da vagina. Complicações nesse suporte 
advindas de traumatismos no parto e/ou de 
cirurgias pélvicas, podem favorecer o 
aparecimento do prolapso apical. Esse prolapso 
pode incluir o útero, com ou sem enterocele. O 
prolapso uterino é quando o útero se desloca, no 
sentido caudal, através da vagina. 
O Manual de orientação: uroginecologia e cirurgia 
vaginal, editado em 2010 pela Federação Brasileira 
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia 
(Febrasgo), classifica em três graus o prolapso 
uterino: 
- o prolapso de primeiro grau acontece quando o 
órgão prolapsado não atinge o introito vaginal; 
 
- o prolapso de segundo grau é ocasionado quando 
o órgão prolapsado se exterioriza de forma parcial 
pelo introito vaginal; e 
 
- o prolapso de terceiro grau é quando o órgão 
prolapsado se exterioriza todo através do prolapso 
genital.Os sinais e sintomas apresentados são sensação de 
peso ou desconforto, com sensação de uma “bola” 
na genitália externa, dispaurenia, sangramento 
pelo contato com roupa e disfunção sexual. Como 
na cistocele, os sintomas são aliviados ao deitar-se 
e pela manhã e pioram quando a mulher fica por 
muito tempo em pé. O prolapso da cúpula vaginal 
ou eritrocele pode acontecer durante o 
procedimento de histerectomia, ou outra cirurgia 
pélvica, através da redução das estruturas de 
suporte. Os sintomas são os mesmos 
apresentados pela cistocele e pelo prolapso 
uterino. A enterocele se dá quando o intestino 
delgado se desloca em direção à cúpula vaginal 
por conta de um defeito na fáscia endopélvica, 
colocando o peritônio em contato direto com a 
vagina. Ela também tem o seu aparecimento mais 
comum após a histerectomia. 
O prolapso da parede posterior da vagina, 
denominado de retocele, acontece quando o 
enfraquecimento da fáscia retovaginal e de seus 
pontos de fixação próximos aos músculos 
elevadores do ânus, desencadeia a herniação do 
reto. Na retocele, também há lesão do centro 
tendíneo do períneo, que dá suporte suplementar 
para os órgãos do assoalho pélvico. Os sinais e 
sintomas comumente apresentados são similares 
aos dos outros prolapsos, com a sensação de peso 
e desconforto na região da vagina, exteriorização 
de uma “bola” pela vagina, sangramento devido 
ao atrito com tecidos, dispaurenia, disfunção 
sexual e dificuldade durante a evacuação. E em 
algumas mulheres, a retocele pode ser 
assintomática. 
TRATAMENTO DOS PROLAPSOS UROGENITAIS 
O tratamento para os prolapsos urogenitais engloba 
uma série de fatores, visto que os sintomas advindos 
dessas complicações afetam a saúde física e mental, 
bem como a vida sexual e social, gerando 
consequências negativas impactantes na qualidade de 
vida das mulheres. O tratamento médico pode ser 
através de correções cirúrgicas, com o uso de técnica 
de implantes ou uso de telas, e o uso de medicamentos 
conforme a necessidade. O tratamento conservador, 
indicado nos casos mais leves e moderados, se aplica 
quando há educação em saúde sobre a importância de 
adoção de um estilo de vida saudável e da fisioterapia. 
 
Em primeiro lugar, é necessário que o fisioterapeuta 
saiba quais os tipos de prolapsos, o compartimento 
afetado e o grau desse prolapso. Quanto ao grau, o 
fisioterapeuta se pauta na classificação dos estágios do 
prolapso segundo o POP-Q, a fim de padronizar a sua 
intervenção e contribuir para comparação entre os 
pacientes. Nos casos leves (estágio I) e em alguns casos 
moderados (estágio II), segundo a classificação do POP-
Q, a fisioterapia também pode ser adotada, como 
preconizado por Palma (2009) em Aplicações clínicas 
das técnicas fisioterapêuticas nas disfunções 
miccionais e do assoalho pélvico. 
 
Para que o fisioterapeuta trace a sua conduta, ele faz 
uma detalhada anamnese englobando idade, número 
de gestações e partos, cirurgias, medicamentos em 
uso, doenças diagnosticadas pelo médico, hábitos de 
vida e o que acreditar ser pertinente para o 
tratamento. No exame visual da região acometida, 
verifica se há presença de cicatrizes, edemas e 
escoriações, além da coloração da pele da região da 
genitália e da avaliação da musculatura do assoalho 
pélvico. Os objetivos do tratamento fisioterapêutico 
para os prolapsos urogenitais aumentam a força, a 
rigidez e o suporte da musculatura do assoalho pélvico. 
Auxiliar na prevenção, para que esse prolapso não 
progrida para um estágio negativo mais avançado, 
sendo necessária a cirurgia, contribui para a melhora 
dos sintomas apresentados pelo indivíduo em 
tratamento, bem como o adiamento ou até o fim da 
necessidade de procedimento cirúrgico. 
A partir da avaliação e dos objetivos traçados, o 
fisioterapeuta planeja a programação de intervenção, 
com técnicas envolvendo exercícios para 
fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, 
como os exercícios propostos por Kegel, que oferecem 
à mulher uma conscientização e aprendizado para o 
controle dessa musculatura. Os exercícios serão 
orientados para que o indivíduo realize a contração da 
musculatura do assoalho pélvico por 3 segundos e 
depois relaxe por à estimulação segundos, podendo ser 
associados nas setas: três elétrica por cones 
introduzidos na vagina, que funcionam como 
“halteres” dos músculos do assoalho pélvico. 
Conforme a musculatura melhora sua força muscular, 
a “carga” do cone vaginal aumenta. 
O biofeedback também é uma técnica a ser utilizada, 
seja pela palpação fisioterapêutica na vagina ou pelo 
equipamento introduzido na vagina, capaz de medir a 
força de contração da musculatura. Com a resposta 
do biofeedback, a mulher em tratamento 
compreende de que forma deve ser feita a 
contração da musculatura. Dispositivos como 
anéis e pessários também podem ser utilizados no 
intuito de fornecer suporte às estruturas e 
diminuir sintomas de dor e desconforto. O 
fisioterapeuta também deve educar a mulher 
sobre a importância de adoção de um estilo de 
vida saudável, sejam mulheres já com prolapsos 
ou que não possuam tal afecção. É de extrema 
importância que o fisioterapeuta trabalhe em 
ações de educação em saúde para a população 
referentes à promoção e prevenção dos prolapsos 
urogenitais. 
 
Incontinência urinária e tratamento 
fisioterapêutico 
 Incontinência urinária 
A continência faz referência à fisiologia adequada 
de controle da urina e das fezes que permite a 
consciência do momento e local apropriados para 
eliminar urina e fezes. A queixa da perda de urina, 
de forma involuntária, está relacionada ao 
enfraquecimento ou lesão dos músculos 
responsáveis pelo controle da micção, os 
músculos do assoalho pélvico e esfíncter uretral. 
Tal condição, de complicações na musculatura, 
gera a incontinência urinária (IU). 
A função urinária é comanda pelo cérebro e pela 
bexiga. A bexiga, responsável por armazenar a 
urina até o momento adequado para sua 
eliminação, é formada por musculatura lisa, que 
fica relaxada de forma a contribuir para o 
enchimento. O colo da bexiga é responsável pelo 
fechamento e abertura da uretra e, durante a fase 
de enchimento, ele se mantém fechado junto com 
a musculatura do esfíncter ao redor da uretra, 
evitando a perda da urina. 
No momento em que a parede da bexiga tiver 
atingido o seu limiar de enchimento, distendendo 
a sua parede, os receptores sensoriais de 
estiramento encaminham o estímulo mictório ao 
cérebro e a bexiga tem uma inibição reflexa, 
gerada pelo nervo hipogástrico, junto com a 
inibição do esfíncter externo, gerada pelo nervo 
pudendo, de forma a manter a urina dentro da 
bexiga até o comando cerebral. Através das fibras 
nervosas do parassimpático, o ato reflexo sai do 
cérebro e retorna à bexiga pelo nervo pélvico, 
estimulando a contração do músculo detrusor. Ao 
mesmo tempo, o esfíncter da uretra relaxa para 
que haja a micção. 
 
 
A IU afeta a saúde física, mental, emocional e 
social de homens e mulheres em todo mundo, 
comprometendo de forma negativa a sua 
qualidade de vida. As IU são classificadas em IU de 
esforço (IUE), bexiga hiperativa (incontinência 
urinária de urgência), incontinência mista e 
incontinência por transbordamento. A IUE é a 
incontinência mais comum no público do sexo 
feminino e acontece quando o músculo detrusor 
não se contrai como deveria e a pressão vesical 
excede a pressão da uretra, acarretando em perda 
urinária através da uretra. O sintoma mais 
apresentado é a queixa da perda de urina ao 
realizar algum tipo de esforço, como tossir, 
espirrar, praticar exercício físico ou mudança de 
peso. 
 
 
A IUE pode ser consequente da hipermobilidade da 
uretra e do colo vesical, quando as estruturas 
responsáveis por manter a posição adequada da uretra 
e do colo vesical sofrem algum tipo de lesão. A 
deficiência do mecanismoesfincteriano intrínseco da 
uretra, devido ao tônus diminuído da uretra, é outro 
fator que contribui para o desenvolvimento da IUE. 
O tecido conjuntivo da mulher e o envelhecimento 
também são fatores que contribuem para a 
ocorrência da IUE, cujos principais fatores que a 
pressupõem são: 
Parto 
– 
O tipo de parto e número de gestações pode ocasionar 
lesão no tecido de sustentação ou suspensão dos 
órgãos pélvicos. 
 
Aumento da paridade 
– 
Forte contribuinte para o enfraquecimento do 
assoalho pélvico, além do risco de lesão, que pode 
gerar secção e estiramento de músculos e nervos, 
desarranjo na estrutura do tecido conjuntivo e fáscias, 
alterando a anatomia e contribuindo para perda de 
urina. 
 
Estrogênio 
– 
A deficiência desse hormônio leva a atrofia muscular, 
ligamentar, da mucosa uretral e também da 
vascularização periuretral, que diminui a pressão da 
uretra para o seu fechamento. 
 
Traumatismos pélvicos 
– 
Seja por fratura ou sinfisiotomia, podem lesar as 
estruturas de sustentação e suspensão do assoalho 
pélvico. 
 
Cirurgias ao redor do colo vesical e pélvicas radicais 
– 
Podem causar lesões na região esfincteriana e uretral, 
fibrose parauretral pós-operatória e falência em elevar 
ou abaixar a junção uretrovesical. 
 
Outros fatores 
– 
Ser da raça branca, constipação intestinal, tabagismo, 
obesidade e ocupações que exigem grau elevado de 
esforço. 
A bexiga hiperativa ou incontinência urinária de 
urgência são sinônimos utilizados quando há presença 
de urgência urinária, podendo ter ou não incontinência 
urinária, e na ausência de infecção ou doenças do trato 
urinário, em geral acompanhada do aumento da 
frequência urinária e da noctúria. Nessa situação, o 
músculo da bexiga começa a se contrair de forma 
involuntária, ocasionando urgência de urinar mesmo 
com volume de urina baixo. Os sintomas apresentados 
relatam vários episódios de vontade de urinar e difícil 
de controlar, perda involuntária de urina logo após a 
vontade de urinar e acordar várias vezes para urinar. 
Tais complicações geram impacto negativo sobre a 
qualidade de vida e o indivíduo com bexiga hiperativa 
tende a se isolar, sentir vergonha, ansiedade, 
depressão e baixa autoestima. 
Essas contrações involuntárias do detrusor são 
qualificadas em idiopática, com contrações não 
inibidas do detrusor na fase de enchimento da bexiga 
e sem causa definida para que isso ocorra, e em 
neurogênica, com a hiper-reflexia do detrusor. Nessa 
situação, além das contrações não inibidas, há uma 
lesão neurológica associada, com disfunção no arco 
reflexo sacral, córtex cerebral e/ou de outros centros 
neurológicos responsáveis pelo controle voluntário e 
involuntário da atividade vesical, tendo como 
consequência o relaxamento do esfíncter da uretra de 
forma involuntária e abrupta. Os fatores de 
predisposição ao desenvolvimento da bexiga 
hiperativa podem estar relacionados ao próprio 
processo de envelhecimento, aumento da próstata, 
diabetes, declínio cognitivo, decorrente de doenças do 
sistema nervoso, como doença de Alzheimer, consumo 
de café e álcool, que estimulam a poliúria e a 
polaciúria, e a constipação intestinal. 
A incontinência urinária mista é a associação da IUE 
com a hiperatividade do detrusor. Os indivíduos com 
essa afecção apresentam, além da perda urinária aos 
esforços, contrações não inibidas do detrusor. Um 
exame urodinâmico define se é uma incontinência 
mista, confirmando se há perda sincrônica aos esforços 
junto com contrações não inibidas do músculo 
detrusor. Para o tratamento, o ideal é que seja tratada 
primeiro a hiperatividade, e se os sintomas da IUE 
persistirem, mesmo com a melhora do quesito da 
hiperatividade, o procedimento cirúrgico é o mais 
indicado. 
A incontinência por transbordamento é quando a 
pressão intravesical excede a pressão uretral, ligando-
se à distensão vesical, em virtude da ausência da 
atividade do músculo detrusor. Encontrada em 
indivíduos com lesão neurológica, após a bexiga estar 
completamente cheia ocorre a perda urinária, porém o 
músculo detrusor não consegue se contrair para 
eliminar o líquido da bexiga. Sua ocorrência se dá em 
bexigas espásticas e atônicas e, no seu tratamento, é 
necessária a utilização de medidas de suporte por meio 
da redução de medicação que aumente os tônus do 
esfíncter da uretra ou que diminua a contratilidade 
vesical. 
TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO PARA AS 
INCONTINÊNCIAS 
 
O tratamento conservador para IU inclui fisioterapia, 
medicamentos, mudanças de hábito de vida e terapia 
comportamental. O tratamento primário para as IU é a 
fisioterapia e, nos casos em que houver maior 
necessidade, o procedimento cirúrgico. A fisioterapia 
visa reeducar as contrações da musculatura do 
assoalho pélvico e, para tanto, o fisioterapeuta realiza 
uma anamnese minuciosa do indivíduo, a fim de 
delimitar seus objetivos e condutas pertinentes para 
cada caso. Na avaliação, o fisioterapeuta se atenta ao 
tônus muscular do assoalho pélvico em repouso, à 
propriocepção e à qualidade da contração muscular, à 
contração e relaxamento correto dos músculos do 
assoalho pélvico, além de averiguar se há atuação de 
músculos sinergistas e antagonistas, bem como grau de 
força muscular. 
 
O tratamento fisioterapêutico indicado para as IU 
emprega o treinamento muscular do assoalho pélvico 
(TMAP), terapia comportamental, exercícios de Kegel, 
terapia com o uso de cones e biofeedback, a fim de 
permitir que as mulheres vejam a contração muscular 
durante o exercício. A estimulação elétrica, ao produzir 
hipertrofia muscular, normaliza a atividade reflexa do 
trato urinário inferior e aumenta a circulação para os 
músculos. O fisioterapeuta, a partir do diagnóstico do 
tipo de IU, traça as condutas mais pertinentes. 
Difundida pelos fisioterapeutas, o TMAP é uma 
abordagem que representa o padrão-ouro de 
intervenção para a IUE e enfatiza que o indivíduo faça 
uma série de contrações e relaxamento da musculatura 
do assoalho pélvico, de modo a fortalecer a 
musculatura importante para a continência urinária. 
O biofeedback consiste numa técnica com vários 
estímulos empregados para o condicionamento da 
musculatura. É um aparelho formado por um eletrodo 
de superfície ativo, eletrodo terra e um monitor que, 
conectado ao músculo com seus sensores colocados 
sobre a pele, aumenta a resposta fisiológica e a 
converte em informações significativas, visuais e 
auditivas. Como provoca uma resposta, gera uma 
motivação no indivíduo em tratamento, além de 
contribuir para a atividade muscular do assoalho 
pélvico. O tratamento pode ser utilizado nas IUE, 
incontinência mista e na bexiga hiperativa, de forma a 
ensinar o indivíduo a atingir a contração voluntária do 
detrusor. 
A terapia comportamental é utilizada em todos os tipos 
de incontinência por auxiliar o indivíduo, mediante o 
autoconhecimento, a solucionar os problemas e 
dificuldades, contando também com o apoio da 
educação em saúde sobre a anatomia e fisiologia do 
assoalho pélvico, explicando sobre a sua incontinência 
e a importância da participação do indivíduo na 
melhora do seu quadro. A eletroestimulação é um 
recurso que gera estímulo elétrico na vagina ou no reto 
com uma corrente de baixa frequência, funcionando 
como exercício muscular para aumentar o tônus 
muscular, o fluxo sanguíneo e a pressão intrauretral. É 
uma modalidade indicada para IUE, bexiga hiperativa e 
IU mista, todavia, segundo Girão (2015), o profissional 
seleciona os parâmetros de estimulação elétrica a 
partir do objetivo de aplicação. 
Os cones vaginais são dispositivos em formato de cone, 
numerados de 5 a 9 e com peso entre 20 e 100 g, tidos 
como um método seletivo, dada a capacidade de 
recrutar fibras do tipo I, de contração lenta. Antes de 
iniciar o tratamento, o fisioterapeuta avalia qual o peso 
ideal parao início do tratamento e, para isso, a 
paciente fica com o cone na vagina por um minuto em 
posição ortostática, sendo utilizado o cone com o peso 
que a paciente conseguir manter. Para o treinamento, 
a paciente retém o cone dentro da vagina por 15 
minutos, duas vezes ao dia. Com o aumento da força 
de contração muscular, o cone pode ser trocado para 
um de peso maior. Ainda conforme Girão, a técnica 
também pode ser associada a exercícios musculares. 
Nessa associação, a paciente realiza de 8 a 12 
contrações musculares e três séries durante a 
execução dos exercícios, sendo uma terapia indicada 
para o tratamento da IUE. 
Incontinência anal e constipação intestinal 
Incontinência anal e tratamento fisioterapêutico 
A incontinência fecal (IF), ou incontinência anal, é a 
perda involuntária de conteúdo advindo do reto, como 
gases e fezes, e também quando há incapacidade de 
esperar o momento mais conveniente para a 
evacuação. Para que a continência anal ocorra de 
forma fisiológica, a musculatura esfincteriana do ânus, 
músculos do assoalho pélvico, devem trabalhar em 
forma integrada, em conjunto com o reflexo inibitório 
retoanal, havendo ainda sincronia com a capacidade, a 
sensibilidade, a complacência retal, a consistência das 
fezes e o tempo de trânsito intestinal. Todos esses 
fatores cooperam para que ocorra a continência 
fisiológica anal. Assim, alterações em um ou mais 
desses componentes favorecem o desenvolvimento da 
IF, de acordo com o exposto por Oliveira, em artigo 
para o JBG – Jornal Brasileiro de Gastroenterologia em 
2006. 
 
 
 
As fezes são armazenadas no reto. Quando esse 
conteúdo fecal aumenta de quantidade, o reto sofre 
distensão e ocorre o relaxamento reflexo do músculo 
esfíncter anal interno, a fim de que o conteúdo fecal 
passe do reto para o canal anal. Através da mucosa 
presente na parede do ânus, é feita a percepção do 
conteúdo fecal e de sua consistência. Então, em 
condições fisiológicas normais, o indivíduo finaliza o 
processo de defecação ou pode adiá-la. Nessa situação, 
pela contração voluntária do esfíncter externo e pelo 
elevador do ânus, o conteúdo fecal é deslocado para o 
reto, sendo armazenado até uma condição adequada 
para a defecação, como apontado por Barbosa, na 
dissertação Avaliação da qualidade de vida e das 
estratégias de enfrentamento em idosos com 
incontinência fecal, defendida em 2006. 
A prevalência da IF traz valores similares para 
indivíduos do gênero masculino e feminino. Contudo, 
as mulheres apresentam maior chance de desenvolver 
a IF por causa das lesões obstétricas no momento do 
parto, como a ruptura do esfíncter. Fatores como 
anormalidade adquiridas (hemorroida, fístula, 
prolapso retal, fratura pélvica), distúrbios funcionais 
(diarreia crônica, doenças do intestino irritável, doença 
inflamatória intestinal, má absorção, desordem físicas, 
desordem psiquiátrica), problemas neurológicos 
(diabetes, quimioterapia, cirurgia espinhal, esclerose 
múltipla, demência, acidente vascular cerebral, tumor) 
e doenças congênitas (espinha bífida, ânus 
imperfurado, defeito cloacal, mielomeningocele, 
meningocele) contribuem para a IF. 
Barbosa classifica a IF em dois tipos. Na incontinência 
sensorial, há perda fecal sem a autopercepção, 
enquanto na incontinência motora o indivíduo percebe 
o desejo de evacuar, mas não consegue impedir a 
perda. Quanto ao tipo de material perdido, as fezes 
podem ser classificadas em: líquidas, pastosas ou 
sólidas, e flatos. Os sintomas iniciais da IF incluem o 
agravamento da falta de controle da defecação nas 
fezes líquidas, sólidas e nos gases. Num grau mais 
avançado, além da perda das fezes, a IF apresenta 
prurido, irritação da pele da região perianal e infecções 
do trato urinário, podendo ainda ter seus sintomas 
associados à IU, prolapsos dos órgãos pélvicos (reto e 
bexiga), hemorroidas, fístula retovaginal e hábitos 
intestinais alterados. Indivíduos com IF são impactados 
negativamente na sua saúde física, mental e social, 
gerando insegurança, depressão, isolamento social, 
diminuição da autoestima e angústia. 
O tratamento fisioterapêutico para a IF é pautado por 
uma avaliação minuciosa, com histórico completo 
definindo as queixas e investigando possíveis fatores 
ou eventos que tenham sido agravantes para o 
desenvolvimento da IF, como cirurgias, diabetes e 
quimioterapia. É importante também que seja 
destacado se o indivíduo já realizou algum tratamento, 
se obteve respostas positivas ou não, se faz uso de 
medicamento e, se sim, qual. O exame físico também 
investiga alterações na pele, coloração, cicatrizes, 
hematomas e edemas. A partir da avaliação, o 
fisioterapeuta traça os seus objetivos e adota a 
intervenção mais adequada para a necessidade do 
indivíduo. 
O TMAP também pode ser utilizado, uma vez que ele 
trabalha de forma efetiva na melhora da força 
muscular, resistência e coordenação. O uso do 
biofeedback pela fisioterapia tem como objetivo 
fortalecer e coordenar a função do assoalho pélvico de 
forma e esfíncter, podendo ser associado aos 
exercícios do TMAP de modo a contribuir para o 
fortalecimento da musculatura. A eletroestimulação 
também pode ser empregada, pois recruta de forma 
passiva as musculaturas do assoalho pélvico e dos 
esfíncteres. A teoria comportamental e práticas de 
prevenção e promoção à saúde por meio da educação 
em saúde também são utilizadas a fim de melhorar a 
saúde do indivíduo acometido e transmitir 
conhecimento à sociedade. 
 
Constipação intestinal 
A constipação intestinal, conhecida como “prisão de 
ventre” e “intestino preso”, não é uma doença, mas um 
sintoma cuja manifestação pode indicar a presença de 
alguma doença, o que requer uma investigação 
médica. O transtorno acomete a população a nível 
mundial, em indivíduos de ambos os sexos, tendo uma 
prevalência maior para mulheres e nas diversas faixas 
etárias, mas com frequência maior em idosos, dada a 
perda da mobilidade, a fraqueza muscular do abdômen 
e da pelve e o uso de medicações. 
A constipação é marcada por dificuldade de defecar, 
sensação de evacuação incompleta, evacuações 
esporádicas, esforço para conseguir eliminar as fezes, 
fezes mais endurecidas, longos períodos de tentativa 
para evacuar e, em algum desses períodos, não 
conseguir evacuar. Caso o indivíduo apresente menos 
de três evacuações na semana, pode ser considerado 
que ele tenha uma constipação intestinal. 
A etiologia da constipação é classificada em primaria, 
secundária e terciária. A primária está relacionada a 
funcionalidade, complicações motoras e obstruções 
mecânicas. Já a secundária está relacionada a doenças 
metabólicas e neurológicas, ao passo que a terciária é 
causada pelo uso de medicamentos por tempo 
prolongado e/ou inadequado, dentre outras causas, 
elencadas no Quadro 3. 
 
 
Quanto aos aspectos fisiopatológicos, a constipação 
pode ser de trânsito normal, quando as fezes estão 
mais endurecidas ou o indivíduo não consegue evacuar 
de forma satisfatória, sendo o tipo de constipação mais 
frequente. A constipação de trânsito lento, mais 
comum em mulheres e jovens, está associada à falta de 
atividade muscular, dor abdominal, flatulências e 
urgência fecal. A constipação devido a doenças do ato 
evacuatório, por seu turno, acontece por disfunções na 
musculatura do assoalho pélvico e no esfíncter anal. 
A partir do diagnóstico médico de constipação 
intestinal, o fisioterapeuta traça condutas de 
intervenção. Vale destacar que o profissional 
fisioterapeuta deve estar atento às queixas do paciente 
e se ele apresentar reclamações referentes a uma 
possível constipação. É de suma importância que o 
fisioterapeuta o oriente a procurar um médico para 
demais providências e, após o diagnóstico, iniciar o 
tratamento. Uma abordagem de extrema importância 
é a da educação em saúde, visando orientar a 
comunidadesobre a constipação intestinal de forma a 
prevenir e promover saúde. 
 
Na anamnese, o fisioterapeuta observa questões sobre 
antecedentes pessoais, cirurgias, traumas, uso de 
medicamentos, hábitos intestinais anteriores, 
frequência e consistência das fezes, presença de dor e 
em quais locais, eliminação de flatos, dificuldade para 
urinar, ingestão de alimentos e líquidos, bem como a 
prática de atividade física. Já no exame físico, são 
examinados aspecto da pele, alterações sensoriais 
e/ou motoras, presença de fissuras, coloração, edema 
e tônus do esfíncter anal. Após a avaliação detalhada, 
o fisioterapeuta planeja seus objetivos de tratamento 
e condutas. As técnicas de massagem na região do 
abdômen, com movimentos circulares em sentido 
horário, contribuem para a motilidade intestinal, 
contribuindo para a evacuação. 
O treino adequado da musculatura pélvica, através de 
exercícios e da teoria comportamental, gera 
conhecimento sobre a musculatura da região e o 
controle sobre ela, assim como o uso do biofeedback 
conscientiza e coordena a contração muscular e 
relaxamento. A eletroestimulação transcutânea 
também pode ser utilizada, mas sem esquecer das 
orientações quanto à importância da ingestão de água 
e fibras e da prática da atividade física para melhora da 
motilidade intestinal e treinamento da postura durante 
a evacuação, de forma a não dobrar o cólon ao se 
sentar, favorecendo uma evacuação mais fisiológica. 
Prostatectomias 
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor 
masculino localizada logo abaixo do colo da 
bexiga, ao redor da uretra e acima da musculatura 
do assoalho pélvico. Na região posterior da 
próstata, está o reto e, nas laterais, há contato 
com a musculatura elevadora do ânus. Essa 
glândula, em condições anatômicas normais, pesa 
cerca de 20 g e, conforme a idade do indivíduo, 
apresenta tamanhos diferentes, em especial na 
adolescência, período em que mais se desenvolve, 
atingindo a maturidade na fase adulta. 
A estrutura é constituída por duas partes, uma 
glandular, responsável pela produção do líquido 
que protege e nutre os espermatozoides que 
formam o sêmen, e outra muscular que, graças à 
inervação oriunda do plexo pélvico, se contrai de 
forma involuntária na ejaculação. O componente 
glandular da próstata é dividido em três zonas: 
 
Conforme Palma, a próstata é responsável pela 
produção de parte do sêmen e o líquido produzido 
pela glândula é alcalino, sendo composto por 
cálcio, íons de citrato e de fosfato, enzimas como 
a de coagulação e o antígeno prostático específico 
(PSA), responsáveis por tornar esse fluido nutrido 
e oferecer motilidade aos espermatozoides, 
contribuindo para a fertilidade masculina. Assim, 
para que a ejaculação ocorra, é necessário que um 
mecanismo muscular seja acionado a fim de que o 
sêmen siga o trajeto da uretra até sua eliminação. 
Durante o processo, as fibras musculares da 
próstata e o músculo do esfíncter da bexiga se 
contraem, fechando a parte superior da uretra, 
evitando que o sêmen entre dentro da bexiga. Na 
micção, os músculos localizados na zona central da 
próstata se contraem e fecham os ductos 
seminais, para que a urina não entre na próstata. 
PROSTATECTOMIAS E TRATAMENTO 
FISIOTERAPÊUTICO 
A próstata tem um papel primordial na função 
sexual e urinária do homem. Com o avançar da 
idade, a próstata tende a aumentar de tamanho, 
possibilitando que, em alguma faixa etária, se 
desenvolva alguma disfunção, como o câncer de 
próstata e a hiperplasia benigna da próstata, 
complicações que interferem na continência 
urinária, visto que o aumento da próstata 
comprime a uretra e faz com que a urina retorne 
para a bexiga, dificultando a eliminação pela 
uretra. 
 
 
 
No tratamento de câncer de próstata, o 
procedimento mais indicado é a prostatectomia, 
que remove toda a próstata e os gânglios linfáticos 
circundantes. Em relação aos homens com 
hiperplasia benigna de próstata – aumento da 
próstata devido ao envelhecimento, mas não 
maligno, embora tenha sintomas similares ao 
câncer de próstata –, é realizada a prostatectomia 
parcial, removendo apenas a parte da próstata 
que bloqueia o fluxo de urina. 
A depender da extensão do procedimento, a 
função sexual fica prejudicada pelo feixe vásculo-
nervoso, responsável pela inervação e ereção 
peniana, de acordo com o escrito por José em 
artigo para a revista Atualidades médicas em 
2018, sem falar na função urinária, que poder 
levar ao desenvolvimento de incontinência 
urinária no pós-operatório da prostatectomia. A 
incontinência pode durar poucos dias ou se 
prolongar, porém, com o tratamento adequado, o 
indivíduo volta a ter continência. 
A prostatectomia radical tem abordagens 
distintas, adotadas pelo médico urologista 
segundo o caso clínico do paciente. A 
prostatectomia radical, com abordagem 
retropúbica, é o padrão-ouro das prostatectomias, 
sendo uma intervenção empregada quando o 
câncer se espalhou para além da próstata, 
acometendo os gânglios. Nesse procedimento, a 
próstata em si e os gânglios linfáticos ao redor da 
próstata são removidos. 
Outra modalidade de abordagem é a 
prostatectomia com preservação dos nervos, 
quando o câncer ainda não atingiu os nervos. 
Entretanto, há situações em que os nervos são 
retirados por estarem entrelaçados ao tecido 
canceroso. Caso os nervos sejam retirados, o 
homem tem a função erétil comprometida, uma 
vez que esses nervos são responsáveis pela 
inervação da musculatura peniana e pela ereção. 
A prostatectomia laparoscópica pode ser assistida 
por robô ou com o médico realizando cortes 
pequenos para inserir a câmera e fazer o 
procedimento, porém, no caso robótico, o 
cirurgião controla os braços do robô pelo 
computador para fazer a retirada da próstata. A 
abordagem de prostatectomia perineal é usada 
quando a remoção dos linfonodos e nervos não for 
necessária, sendo adotada quando não houver 
necessidade de abordagem retropúbica. 
Em decorrência da prostatectomia, lesões nos 
esfíncteres responsáveis pela continência urinária 
podem ocasionar incontinência urinária. O 
tratamento mais indicado para a incontinência 
urinária após a prostatectomia é o tratamento 
conservador, que engloba a fisioterapia e terapia 
medicamentosa. A fisioterapia se vale das técnicas 
como da terapia comportamental, treino da 
musculatura do assoalho pélvico e também 
eletroterapia, orientações e reeducação postural, 
como listado no Quadro 4. 
Antes de traçar as condutas apropriadas para o 
indivíduo, o fisioterapeuta faz uma avaliação 
minuciosa de histórico atual e pregresso, 
medicamentos em uso, hábitos de vida, cirurgias, 
doenças e demais informações pertinentes, de 
modo a ter uma anamnese completa. No exame 
físico, o fisioterapeuta se atenta à força muscular 
do assoalho pélvico, à presença de cicatrizes e/ou 
edema e à coloração da pele. Depois da avaliação 
e delineamento dos objetivos do tratamento, o 
fisioterapeuta adota as modalidades de 
tratamento de acordo com a necessidade. 
 
SINTETIZANDO 
Nesta unidade, observou-se que a aprendizagem 
sobre a etiologia e o quadro clínico das disfunções 
em urologia e gineco-obstetrícia são de extrema 
importância para que o fisioterapeuta determine 
os objetivos e o tratamento adequado para a 
disfunção apresentada. Dessa forma, antes de 
adentrar no estudo da disfunção vesicoesfínctero-
perineal, com ênfase na bexiga neurogênica e no 
tratamento fisioterapêutico, foi apresentado o 
conhecimento sobre o controle da micção. 
Também foram estudados a etiologia, os tipos, a 
classificação, os estágios, sinais e sintomas dos 
prolapsos urogenitais, bem como das 
incontinências urinária e fecal. 
 
A respeito da constipação intestinal, ela não se 
trata de uma doença, mas de um sintoma 
associado a alguma doença, cuja etiologia e 
classificação é dividida em primária,secundária e 
terciária. O fisioterapeuta deve se atentar, 
durante a sua avaliação, para determinar objetivos 
e os tipos de tratamento fisioterapêuticos que 
podem ser realizados para melhorar a vida do 
indivíduo. Portanto, o conhecimento exposto 
auxilia o fisioterapeuta a fazer uma avaliação 
detalhada do indivíduo, de modo a traçar seus 
objetivos de tratamento e condutas a serem 
realizadas. 
Para finalizar a unidade, abordou-se o 
conhecimento sobre a anatomia da próstata, 
função, localização, importância para a função 
sexual e urinária do homem e as consequências do 
aumento de seu tamanho com o avançar da idade, 
o que pode resultar numa hiperplasia benigna ou 
num câncer de próstata. O tratamento para a 
disfunção, a prostatectomia, bem como suas 
modalidades de abordagem também foram 
apresentadas, assim como a intervenção 
fisioterapêutica no tratamento de pós-operatório 
da prostatectomia.

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