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Evolução do Capitalismo e DIT

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GEOGRAFIA I
PRÉ-VESTIBULAR 211SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO
A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO 
E A DIT01
A DIVISÃO INTERNACIONAL 
DO TRABALHO
A DIT (Divisão Internacional do Trabalho) é o nome dado para a 
divisão produtiva em âmbito internacional. A Divisão Internacional 
do Trabalho direciona uma especialização produtiva global, já que 
cada país fica designado a produzir um determinado produto ou 
partes do mesmo, dependendo dos incentivos oferecidos em 
cada país. Esse processo se expandiu na mesma proporção que 
o capitalismo. Nesse sentido, um exemplo que pode ser usado 
é a montagem de um automóvel realizada na Argentina, porém 
com componentes oriundos de diferentes países, como parte 
elétrica e eletrônica de Taiwan, borrachas da Indonésia e assim 
por diante. Isso ocorre porque cada país oferece certos atrativos. 
Desta forma, o custo da produção final será menor, aumentando 
os lucros das empresas.
Os países emergentes ou em desenvolvimento que 
obtiveram uma industrialização tardia e que possuem economias 
ainda frágeis e passíveis de crises econômicas oferecem aos 
países industrializados um leque de benefícios e incentivos para 
a instalação de indústrias, tais como a isenção parcial ou total 
de impostos, mão de obra abundante, entre outros. Por conta 
disso, a Divisão Internacional do Trabalho provoca desigualdades. 
Os países emergentes ou em desenvolvimento, como México, 
Argentina, Brasil e outros, adquirem tecnologias a preços altos, 
enquanto que a maior parte dos produtos exportados pelos 
países citados não atingem preços satisfatórios, favorecendo os 
países ricos.
Num primeiro momento, entre os séculos XVI e XVIII, a DIT 
tradicional era composta por dois grupos de países: o das metrópoles 
e o das colônias. Com isso, a lógica de comércio era bem simples (e 
desigual): as colônias vendiam matéria-prima por um preço baixo para as 
metrópoles, que os transformavam em produtos de maior valor agregado 
e os revendiam, acumulando mais capital. Tal panorama durou um longo 
período, mesmo com a independência de muitas colônias.
Até a década de 1950, os bens manufaturados eram oriundos 
restritamente dos países industrializados, como Estados Unidos, 
Canadá, Japão e nações europeias. Os países já industrializados 
tinham suas respectivas produções primeiramente destinadas 
ao abastecimento do mercado interno. Depois, o restante era 
direcionado ao fornecimento de mercadorias industrializadas 
aos países subdesenvolvidos que ainda não haviam ingressado 
efetivamente no processo de industrialização.
Até aquela época, os países subdesenvolvidos tinham a 
incumbência de gerar matéria-prima com a finalidade de fornecê-
la aos países industrializados. Após a Segunda Guerra Mundial, 
muitas empresas, sobretudo norte-americanas, começaram a 
instalar filiais em diferentes países do mundo. Isso foi intensificado 
com o processo da globalização, que transformou muitos países 
subdesenvolvidos, que no passado eram meros produtores 
primários, em exportadores também de produtos industrializados, 
alterando as relações comerciais que predominavam até então. 
Ou seja, surgiu uma Nova DIT, mais complexa do que a anterior.
Apesar da modificação apresentada na configuração 
econômica, os países da América Latina, Ásia e África, ainda ocupam 
destaque na produção de produtos primários. O que os mantêm 
como produtores primários é principalmente o modo como os 
países subdesenvolvidos foram industrializados. Grande parte das 
empresas e indústrias existentes em países pobres é de nações 
desenvolvidas e ricas. Diante desse fato, uma das características da 
Nova DIT é a remessa de capitais: a maioria dos lucros adquiridos 
durante o ano não permanecem no território no qual a empresa se 
encontra, e sim migram para o país de origem da mesma. Em outras 
palavras, as empresas transnacionais normalmente buscam os 
interesses próprios sem considerar as causas sociais, econômicas e 
ambientais de onde suas empresas estão instaladas.
PRÉ-VESTIBULARSISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO212
GEOGRAFIA I 01 A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO E A DIT
O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO 
DO CAPITALISMO
Na história da humanidade é possível observar distintos 
modelos de organização dos meios sociais, econômicos e 
políticos, que exerceram grande influência no modo de viver das 
sociedades e na organização do espaço geográfico. Dentre esses 
sistemas, aquele que mais realizou transformações no espaço e 
nas sociedades foi o capitalismo, a partir de um paulatino processo 
de desenvolvimento, sendo na atualidade o sistema hegemônico 
mundial, apesar de ter sofrido algumas transformações ao longo 
do tempo. De qualquer forma, o capitalismo possui um conjunto 
de características que o definem de modo geral. A mais importante 
delas está correlacionada ao maior objetivo do sistema, que é o 
lucro, ou seja, a reprodução do capital, que vai justificar todas as 
outras características:
• Propriedade privada - Os meios de produção (terras, 
equipamentos, matérias-primas etc.) pertencem aos 
agentes econômicos podendo ser privados ou estatais.
• Sociedade dividida em classes - Conceito que apresenta 
a ideia que existem distâncias sociais entre os indivíduos, 
tendo como base de diferenciação o aspecto financeiro.
• Economia de mercado - A centralidade do mercado está 
na economia, sendo assim a busca é pela redução dos 
papéis exercidos pelo Estado.
Considerando seu processo de desenvolvimento, costuma-
se dividir o capitalismo em quatro fases: Comercial, Industrial, 
Financeiro-Monopolista e Informacional.
CAPITALISMO COMERCIAL OU MERCANTIL 
(PRÉ-CAPITALISMO)
Substituindo o Feudalismo, a primeira etapa do capitalismo (ocorreu 
do século XV até metade do século XVIII), conhecida como Comercial 
ou Mercantil, foi marcada pela expansão marítima das potências da 
Europa Ocidental da época (Grandes Navegações), em busca de novas 
rotas de comércio, sobretudo para as Índias. O objetivo dessas nações 
era acabar com o monopólio das cidades italianas (como Veneza e 
Gênova) no comércio com o Oriente pelo Mediterrâneo. Esse processo 
resultou no descobrimento de novas terras e na apropriação de vastos 
territórios (colonialismo), além da escravização e genocídio de milhões 
de nativos da América e da África. O principal eixo econômico migra 
do Mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico. Forma-se um comércio 
triangular entre América, África e Europa. Expandiram-se os mercados 
consumidores e abastecedores, além da descoberta de novas jazidas 
minerais. São criadas companhias de comércio, como a Companhia 
Holandesa das Índias Orientais (VOC).
A produção de mercadorias era essencialmente artesanal, em 
oficinas (o mestre artesão e os artesãos auxiliares eram produtores 
e donos dos meios de produção). O que realmente interessava era o 
comércio de especiarias, açúcar, tabaco, escravos, tapetes, sedas, 
perfumes, entre outros, com altíssimas margens de lucro. Naquele 
tempo já havia manufaturas rudimentares, onde o empresário era 
o proprietário dos meios de produção (fábrica e instrumentos) e 
pagava um salário em troca da força de trabalho do empregado. 
Porém, a força motriz era humana e manual.
A acumulação primitiva de capitais pela burguesia (que se 
capitalizou) era resultado da troca de mercadorias, ou seja, do 
comércio - e por isso o termo capitalismo comercial para designar 
o período. Esse acúmulo de capitais era fundamentado na política 
colonial conhecida como mercantilismo (caracterizado por três 
pilares: metalismo, balança comercial favorável e protecionismo).
A sociedade da época estava dividida em uma classe 
de proprietários de terras (clero e nobreza), uma classe de 
trabalhadores (servos, camponeses livres, assalariados, enfim, a 
massa popular) e uma classe burguesa (mercantil e manufatureira). 
Essa burguesia queria espaço social, político e ideológico, o que se 
tornou possível principalmente a partir do século XVIII.
Quadro-resumo: Capitalismo Comercial ou 
Pré-capitalismo
CAPITALISMO INDUSTRIAL
A fase do capitalismoconhecida como Industrial, que ocorreu 
da segunda metade do século XVIII até a segunda metade do 
século XIX, ocorreu no período de Revolução Industrial, em que a 
Inglaterra foi o país pioneiro devido aos seguintes fatores:
• Mão de obra barata e abundante - Ocorreu um intenso 
êxodo rural devido aos cercamentos de terras que 
expulsaram milhares de camponeses de suas terras 
comunais, formando assim o que Marx chamou de um 
imenso “exército de reserva”.
• Acumulação primitiva de capital - Proveniente do 
comércio com o Oriente e das colônias inglesas.
• Revolução Gloriosa - Acabou com o Absolutismo ao 
estabelecer a supremacia do Parlamento e inaugurou 
o Estado Liberal inglês, pré-requisito para a plenitude 
capitalista burguesa.
• Mercados Consumidores - Existência de amplos mercados 
consumidores nas colônias, inglesas ou não, da América, 
África e Ásia.
• Matéria-Prima - Reservas de ferro e carvão e 
disponibilidade de algodão.
Foi uma era de invenções, primeiramente relacionadas com a 
indústria têxtil: máquina de fiar, tear hidráulico e tear mecânico. 
Todos esses inventos ganharam maior capacidade quando 
passaram a ser acoplados à máquina a vapor. Após o setor têxtil, 
a mecanização alcançou o setor metalúrgico. A descoberta do 
vapor como força motriz, além de impulsionar a produção industrial, 
atingiu também os transportes: foram criados o barco a vapor e a 
locomotiva a vapor. As redes de transporte terrestre e marítimo 
cresceram exponencialmente.
O comércio não era mais a essência do sistema. Nessa 
nova fase, o lucro provinha basicamente da produção industrial 
de mercadorias. O proprietário dos meios de produção não é o 
produtor direto. A relação de trabalho que agora vigora é o regime 
assalariado, uma vez que o trabalhador assalariado apresenta maior 
produtividade que o escravo e tem renda disponível para o consumo. 
O uso de máquinas aumentou a produção e a produtividade 
enormemente. As jornadas de trabalho chegavam a 16 horas em 
fábricas insalubres, com disciplina e hierarquia extremamente 
rígidas e salários baixíssimos. O trabalho era realizado por mulheres 
e crianças, com diversos acidentes de trabalho e sem assistência 
médica hospitalar, que faziam com que a expectativa de vida nas 
fábricas não ultrapassasse os cinquenta anos.
Com isso o processo de urbanização foi intensificado e os 
operários passaram a viver em cortiços imundos, sem saneamento, 
onde bactérias, ratazanas e surtos epidêmicos acabavam com a vida 
de muitos. A miséria dessa parte da população trouxe então questões 
como o suicídio, a criminalidade e o alcoolismo.
PRÉ-VESTIBULAR SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO
01 A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO E A DIT
213
GEOGRAFIA I
Ao contrário do período mercantilista, o Estado não mais 
intervinha na economia, que passou a funcionar segundo a lógica do 
mercado, guiado pela livre concorrência. Por pressão dos burgueses, 
consolidava-se, assim, uma nova doutrina econômica: o liberalismo, 
defendido pelos economistas britânicos Adam Smith e David Ricardo.
Quadro-resumo: Capitalismo Industrial
CAPITALISMO FINANCEIRO MONOPOLISTA
A terceira fase do capitalismo, que ocorreu no fim do século 
XIX (1860) até o final da década de 1960, coincide a segunda etapa 
do processo de revolução industrial. Essa fase que incorporou o 
uso da eletricidade, do aço e do petróleo foi marcada também pelo 
desenvolvimento de automóveis e aviões que dinamizaram os 
meios de transporte. Nesse período a industrialização não ficou 
restrita ao Reino Unido se expandindo para países como a França 
e a Bélgica e posteriormente para Itália, Alemanha, Rússia, Estados 
Unidos e Japão.
A especialização da produção aprofundou-se com o 
conceito de linha de montagem: esteiras rolantes levam peças e 
componentes padronizados. A fabricação do produto passou a 
ser dividida em etapas, onde as responsabilidades dos operários 
são bem específicas. Henry Ford foi pioneiro nesse modelo de 
produção, aplicando-o em sua fábrica de automóveis. O fordismo 
também defendia que a empresa deveria dedicar-se a apenas um 
produto, além de dominar as fontes de matérias-primas.
Também foi marcante o processo de concentração e 
centralização de capitais. Empresas foram criadas e cresceram 
rapidamente: indústrias, bancos, corretoras de seguros, casas 
comerciais etc. A acirrada concorrência favoreceu as grandes 
empresas, levando a fusões e incorporações que resultaram 
na formação de monopólios ou oligopólios em muitos setores 
da economia. Diversas associações capitalistas foram feitas e, 
com isso, surgiram Holdings, Trustes, Conglomerados e Cartéis. 
Grandes corporações da atualidade foram fundadas nessa época: 
British Petroleum (1909), Coca-Cola (1886), Exxon (1882), Fiat 
(1899), General Eletric (1892), General Motors (1916), IBM (1911), 
Mitsubishi Bank (1880), Nestlé (1866), Siemens (1847).
Se na primeira revolução industrial os avanços tecnológicos 
eram resultantes de pesquisas espontâneas e autônomas, agora 
a ciência era apropriada pelo capital, isto é, estava a serviço da 
produção. As grandes corporações transnacionais (que atuam em 
vários países) formaram os primeiros laboratórios de pesquisa, que 
visavam desenvolver novas técnicas de produção.
Era cada vez maior a necessidade de garantir novos mercados 
consumidores, novas fontes de matérias-primas e novas áreas 
para investimentos lucrativos. Foi nesse contexto do capitalismo, 
de acirrada concorrência entre as novas potências industriais, 
que ocorreu a expansão imperialista europeia na África. Na 
Conferência de Berlim (1884-1885) as potências da Europa 
retalharam o continente africano, partilhando-o entre eles. Porém 
as divergências entre os países não cessaram, levando a uma 
corrida armamentista que culminou na Primeira Guerra Mundial. Se 
consolidou a divisão internacional do trabalho, pela qual as colônias 
se especializavam em fornecer matérias-primas baratas para os 
países que então se industrializavam. Em contrapartida, esses 
países desenvolvidos vendiam sua crescente produção industrial. 
Essa divisão, inicialmente delineada no capitalismo comercial, 
consolidou-se na fase do capitalismo industrial. Diferentemente 
do colonialismo do século XVI, as empresas burguesas, e não o 
Estado, eram as principais agentes e beneficiárias. No final do 
século XIX também surgia uma potência industrial fora da Europa: 
os Estados Unidos da América, que exerceu seu imperialismo na 
América Latina baseado no controle político e militar.
Torna-se cada vez mais difícil distinguir o capital industrial 
(também o agrícola, comercial e de serviços) do capital bancário. 
Uma melhor denominação passa a ser, então, capital financeiro. Os 
bancos assumem um papel mais importante como financiadores 
da produção. Afinal, bancos incorporam indústrias que, por sua 
vez, incorporam ou criam bancos para lhes dar suporte financeiro. 
Ao mesmo tempo vai se consolidando, particularmente nos 
Estados Unidos, um vigoroso mercado de capitais. As empresas 
vão deixando de ser familiares e se transformam em sociedades 
anônimas de capital aberto, ou seja, empresas que negociam 
suas ações em bolsas de valores. Isso permitiu a formação das 
corporações da atualidade, cujas ações estão distribuídas entre 
milhares de acionistas. Em geral, essas grandes empresas têm 
um acionista majoritário, que pode ser uma pessoa, uma família, 
uma fundação, um banco ou uma holding, ao passo que o restante 
(muitas vezes milhões de ações) está nas mãos de pequenos 
investidores.
O liberalismo permanece apenas como ideologia capitalista, 
pois o mercado passa a ser dominado por grandes corporações em 
substituição à livre concorrência e ao livre mercado, característicos 
da fase industrial, na qual predominavam empresas menores. O 
Keynesianismo, por sua vez, intervém na economia (principalmente 
a partir da crise de 1929) como agente planejador, coordenador, 
produtor ou empresário.
Nesse momento do capitalismo, em cada setor da economia 
– petrolífero, elétrico, siderúrgico,têxtil, naval, ferroviário etc. – 
passaram a predominar alguns grandes grupos. São os trustes 
verticais, que controlam as etapas da produção, desde a retirada 
da matéria-prima da natureza e a transformação em produtos até 
a distribuição das mercadorias. Quando os trustes, ou empresas 
de menor porte, fazem acordos entre si estabelecendo um preço 
comum, dividindo os mercados potenciais e, portanto, inviabilizando 
a livre concorrência num determinado setor da economia, criam 
um cartel. Diferentemente do que acontece no truste, no cartel 
não há a perda de autonomia das empresas envolvidas. O truste 
é resultado de processos tipicamente capitalistas (concentração e 
centralização de capitais), que levam a fusões e incorporações de 
empresas de uma mesma cadeia produtiva em determinado setor 
de atividade. Já o Cartel é consequência de acordos entre grandes 
empresas com o intuito de compartilhar determinados mercados 
ou setores da economia.
Muitos trustes, constituídos no final do século XIX e início do 
século XX, transformaram-se em conglomerados. Resultantes de 
um amplo processo de concentração e centralização de capitais, 
de uma crescente ampliação e diversificação dos negócios, com o 
intuito de dominar a oferta de determinados produtos ou serviços 
no mercado, os conglomerados, também chamados grupos ou 
corporações, são o exemplo mais claro de empresas do capitalismo 
monopolista. Controlados por uma holding (conjunto de empresas 
dominadas por uma empresa central que detém a maioria ou 
parte significativa das ações de suas subsidiárias), eles atuam em 
diferentes setores da economia. O objetivo básico é a manutenção 
da estabilidade dos conglomerados, garantindo uma lucratividade 
média, já que há rentabilidades diferentes em cada setor.
Os maiores conglomerados são norte-americanos e 
japoneses. Por exemplo, a General Eletric, uma das maiores e mais 
internacionalizadas empresas do mundo, atua em diversos setores 
e fabrica uma grande variedade de produtos: lâmpadas, fogões, 
geladeiras, equipamentos médicos, motores de avião, turbinas 
para hidrelétricas etc. Há outros exemplos de conglomerados 
que atuam em diversos setores e têm interesses globais: General 
PRÉ-VESTIBULARSISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO214
GEOGRAFIA I 01 A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO E A DIT
Motors (EUA), Sony (Japão), Fiat (Itália), Nestlé (Suíça), Unilever 
(Reino Unido/Países Baixos), Hyundai Motor (Coreia do Sul) etc. No 
Brasil também há conglomerados importantes como a Petrobras, 
a Companhia Vale do Rio Doce (Vale), a Votorantim, a AmBev, a 
Gerdau, a Brasil Foods, a JBS Friboi etc. Embora muitos grupos 
nacionais, como os citados, já tenham iniciado um processo 
de internacionalização, sobretudo na América Latina, ainda não 
se encontram no estágio de mundialização das corporações 
estrangeiras mencionadas.
Quadro-resumo: 
Capitalismo Financeiro-Monopolista
CAPITALISMO INFORMACIONAL
A fase do capitalismo conhecida como o informacional 
coincide com o período da 3ª Revolução Industrial (Revolução 
Técnico-Científica Informacional) em que as diversas tecnologias 
não só aumentaram a produtividade, mas aceleraram os fluxos de 
capitais, mercadorias, informações e pessoas. Isso ocorreu pelo 
desenvolvimento de robôs, satélites, aviões a jato, cabos de fibras 
ópticas, telefones digitais, internet etc.
Nessa etapa de seu desenvolvimento, o capitalismo continua 
industrial e financeiro: industrial porque novas tecnologias empregadas 
no processo produtivo, a exemplo da robótica, permitiram grande 
aumento de produtividade e diversificação dos produtos; e financeiro 
por causa da desmaterialização do dinheiro que, em vez de circular 
fisicamente, cada vez mais se transforma em bits de computador, 
circulando rapidamente pelo sistema financeiro globalizado. Por isso 
mesmo, diversas questões de vestibular continuam a chamar a fase 
atual do capitalismo de financeiro-monopolista. Porém, é inegável 
que a característica fundamental da etapa atual do desenvolvimento 
capitalista é a crescente importância do conhecimento, do capital 
humano, isto é, o conhecimento e as habilidades que as pessoas 
acumulam por meio de educação, treinamento e experiência 
profissional. Por isso mesmo, diversos autores, textos e questões 
se referem ao momento presente como capitalismo informacional. 
Se as revoluções industriais anteriores foram movidas a energia (a 
primeira a carvão e a segunda, a petróleo e eletricidade), a revolução 
em curso é movida pelo conhecimento. Não por acaso as primeiras 
indústrias desenvolveram-se em torno das bacias carboníferas 
e atualmente as instituições típicas da revolução informacional, 
as chamadas indústrias limpas, estão próximas a universidades 
e centros de pesquisa, onde se desenvolvem tecnopolos. Nesses 
centros industriais, típicos da Terceira Revolução Industrial, há 
grande concentração de indústrias de alta tecnologia: informática, 
telecomunicações, robótica e biotecnologia, entre outras. O tecnopolo 
do Vale do Silício, nos Estados Unidos, em torno da Universidade 
de Stanford, foi o primeiro a se formar; com o tempo outros foram 
criados: em Cambridge, perto da universidade de mesmo nome, no 
Reino Unido; na região metropolitana de Campinas, estado de São 
Paulo, próximo da Universidade de Campinas (Unicamp); no Japão 
(tecnopolo Tsukuba); em Munique, na Alemanha; em Paris (tecnopolo 
Axe-Sud), na França; entre muitos outros.
Pode-se afirmar que a globalização (o atual momento da 
expansão capitalista) está para o capitalismo informacional 
assim como o colonialismo esteve para sua etapa comercial 
ou o imperialismo esteve para o final da fase industrial e início 
da financeira. Trata-se de uma expansão que visa aumentar 
os mercados e (o lucro), que de fato move os capitais (tanto 
produtivos quanto especulativo) no mercado mundial. A incipiente 
opinião pública mundial, manifestada através de movimentos 
antiglobalização, movimentos pacifistas e ONGs, também é 
resultado da revolução informacional e da globalização.
Na era da globalização a expansão capitalista é silenciosa, 
sutil e eficaz. Trata-se de uma “invasão” de mercadorias, capitais, 
serviços, informações e pessoas. As novas “armas” são a agilidade e 
a eficiência das comunicações, dos transportes e do processamento 
de informações, graças aos satélites de comunicação, à internet, 
à informática, aos telefones fixos e celulares, aos enormes e 
rápidos aviões, aos supernavios petroleiros e graneleiros e aos 
trens de alta velocidade. A “guerra” acontece nas bolsas de valores, 
de mercadorias e de futuros em todos os mercados do mundo 
e em todos os setores imagináveis. As estratégias e táticas são 
traçadas nas sedes das grandes corporações transnacionais, dos 
grandes bancos, das corretoras de valores e de outras instituições 
e influenciam quase todos os países.
No capitalismo informacional destaca-se também a questão 
do desemprego, como decorrência da Terceira Revolução Industrial 
e do uso de altas tecnologias produtivas (robótica, informatização), 
ou como resultado da reformulação e otimização produtiva 
empresarial, incluindo-se o remanejamento e demissão de 
funcionários e o enxugamento estatal.
Quadro-Resumo: Capitalismo Informacional
PROPOSTOS
EXERCÍCIOS
01. (ENEM) 
Quanto mais complicada se tornou a produção industrial, 
mais numerosos passaram a ser os elementos da indústria 
que exigiam garantia de fornecimento. Três deles eram de 
importância fundamental: o trabalho, a terra e o dinheiro. 
Numa sociedade comercial, esse fornecimento só poderia ser 
organizado de uma forma: tornando-os disponíveis a compra. 
Agora eles tinham que ser organizados para a venda no 
mercado. Isso estava de acordo com a exigência de um sistema 
de mercado. Sabemos que em um sistema como esse, os lucros 
só podem ser assegurados se se garante a autorregulação por 
meio de mercados competitivos interdependentes.
POLANYI, K. A grande transformação: as origens de nossa época. Rio de Janeiro: 
Campus, 2000 (adaptado).A consequência do processo de transformação socioeconômica 
abordado no texto é a 
a) expansão das terras comunais. 
b) limitação do mercado como meio de especulação. 
c) consolidação da força de trabalho como mercadoria. 
d) diminuição do comércio como efeito da industrialização. 
e) adequação do dinheiro como elemento padrão das transações. 
PRÉ-VESTIBULAR SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO
01 A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO E A DIT
215
GEOGRAFIA I
02. (ENEM) 
No final do século XX e em razão dos avanços da ciência, 
produziu-se um sistema presidido pelas técnicas da informação, 
que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo-as 
e assegurando ao novo sistema uma presença planetária. 
Um  mercado que utiliza esse sistema de técnicas avançadas 
resulta nessa globalização perversa.
SANTOS, M. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2008 (adaptado).
Uma consequência para o setor produtivo e outra para o mundo 
do trabalho advindas das transformações citadas no texto estão 
presentes, respectivamente, em: 
a) Eliminação das vantagens locacionais e ampliação da 
legislação laboral. 
b) Limitação dos fluxos logísticos e fortalecimento de 
associações sindicais. 
c) Diminuição dos investimentos industriais e desvalorização dos 
postos qualificados. 
d) Concentração das áreas manufatureiras e redução da 
jornada semanal. 
e) Automatização dos processos fabris e aumento dos níveis 
de desemprego. 
03. (ENEM)
TEXTO I
Cidadão
Tá vendo aquele edifício, moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me vem um cidadão
E me diz desconfiado
“Tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?”
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer.
(BARBOSA, L. In: ZÉ RAMALHO. 20 Super Sucessos. Rio de Janeiro: 
Sony Music, 1999 (fragmento).)
TEXTO II
O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais 
riqueza e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador 
torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria 
mais bens. Esse fato simplesmente subentende que o objeto 
produzido pelo trabalho, o seu produto, agora se lhe opõe como um 
ser estranho, como uma força independente do produtor.
(MARX, K. Manuscritos econômicos-filosóficos (Primeiro manuscrito). 
São Paulo: Boitempo Editorial, 2004 (adaptado).)
Com base nos textos, a relação entre trabalho e modo de produção 
capitalista é
a) Baseada na desvalorização do trabalho especializado e no 
aumento da demanda social por novos postos de emprego.
b) Fundada no crescimento proporcional entre o número de 
trabalhadores e o aumento da produção de bens e serviços.
c) Estruturada na distribuição equânime de renda e no declínio do 
capitalismo industrial e tecnocrata.
d) Instaurada a partir do fortalecimento da luta de classes e da 
criação da economia solidária.
e) Derivada do aumento da riqueza e da ampliação da exploração 
do trabalhador.
04. (ENEM)
O mercado tende a gerir e regulamentar todas as atividades 
humanas. Até há pouco, certos campos - cultura, esporte, religião - 
ficavam fora do seu alcance. Agora, são absorvidos pela esfera do 
mercado. Os governos confiam cada vez mais nele (abandono dos 
setores de Estado, privatizações).
(RAMONET, I. Guerras do século XXI: novos temores e novas ameaças. Petrópolis: Vozes, 2003.)
No texto é apresentada uma lógica que constitui uma característica 
central do seguinte sistema socioeconômico:
a) Socialismo.
b) Feudalismo.
c) Capitalismo.
d) Anarquismo.
e) Comunitarismo.
05. (UERJ)
O que unia toda a oposição ao programa de Margaret Thatcher 
era uma suspeita de que a filha do merceeiro estava determinada 
a monetarizar o valor humano, de que ela não tinha coração. Mas, 
se os leitores de hoje voltassem no tempo até o fim dos anos 70, 
poderiam ficar irritados ao descobrir que a programação da TV do 
dia seguinte era um segredo de Estado que não se compartilhava 
com os jornais, Thatcher transformou de tal maneira a vida 
cotidiana que hoje mal nos damos conta,
(Ian McEwan. Adaptado de Folha, de São Paulo, 14/04/2013.)
A morte de Margaret Thatcher, em abril de 2013, ocasionou muitos 
debates na imprensa acerca de suas ações como primeira-ministra 
do Reino Unido entre 1979 e 1990, como exemplifica o texto.
No contexto internacional da época, a política econômica da 
governante britânica foi associada a estratégias vinculadas à 
prática do:
a) fordismo
b) trabalhismo
c) corporativismo
d) neoliberalismo
06. (UNESP) O processo de mundialização do sistema capitalista 
sempre esteve apoiado na difusão de políticas econômicas e na 
constituição de determinadas lógicas geopolíticas e geoeconômicas 
de organização do espaço mundial. Constituem-se em política 
econômica e em lógica capitalista de ordenamento do espaço 
mundial no período atual:
a) O keynesianismo e o colonialismo.
b) O desenvolvimentismo e o neocolonialismo.
c) O neoliberalismo e a globalização.
d) O mercantilismo e a descolonização.
e) O liberalismo e o imperialismo.
PRÉ-VESTIBULARSISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO216
GEOGRAFIA I 01 A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO E A DIT
07. (UERJ)
(Adaptado de http://inet.sitepae.pt)
A história em quadrinhos apresenta uma característica fundamental 
do modo de produção capitalista na atualidade e uma política 
estatal em curso em muitos países desenvolvidos.
Essa característica e essa política estão indicadas em:
a) Liberdade de comércio - ações afi rmativas para grupos sociais 
menos favorecidos
b) Sociedade de classe - sistemas de garantias trabalhistas para 
a mão de obra sindicalizada
c) Economia de mercado - programas de apoio aos setores 
econômicos pouco competitivos
d) Trabalho assalariado - campanhas de estímulo à responsabilidade 
social do empresariado
08. (UERJ)
(http://gestaoboechat.blogspot.com)
A fusão da Sadia com a Perdigão, em maio de 2009, resultou na 
criação da Brazil Foods, décima maior empresa alimentícia do 
continente americano e segunda do país.
Esse evento é decorrente de uma estratégia das grandes 
corporações e representa uma tendência mundial da atual fase 
do capitalismo.
A denominação da atual fase do capitalismo e uma justifi cativa 
para a adoção dessa estratégia estão indicadas em:
a) Liberal - redução dos preços das mercadorias
b) Monopolista - ampliação da participação no mercado
c) Monetarista - diminuição dos custos de comercialização
d) Concorrencial - aumento da escala de compras da companhia
09. (UERJ) 
A crítica feita nos quadrinhos se relaciona com uma contradição do 
capitalismo globalizado, o qual se caracteriza simultaneamente por: 
a) elitização do acesso digital – popularização das mídias 
alternativas 
b) requinte dos sistemas produtivos – declínio dos regimes 
democráticos 
c) manipulação dos padrões técnicos – simplifi cação dos 
métodos de gestão 
d) consumo de produtos sofi sticados – exploração da força de 
trabalho fabril 
10. (UNESP) 
A vigilância alienada é praticada pelas companhias de 
tecnologias dos Estados Unidos (Microsoft, Google, Facebook, 
Amazon, Apple, entre outras), sem que a maioria de seus usuários 
saiba ou tenha conhecimento. Para essas companhias, o fato 
de o usuário ou cliente assinar o termo de aceitação de uso de 
um software tem sido considerado sufi ciente, como permissão 
consentida, para que essas companhias possam utilizar 
informações sem autorização explícita ou formal.
(Hindenburgo Pires. “Indústrias globais de vigilância em massa”. In: Floriano J. G. Oliveira 
et al. (orgs.). Geografi a urbana, 2014. Adaptado.)
As informações geradas pelos consumidores, quando espacializadas, 
permitem estabelecer padrões que interessam, particularmente, 
às grandes empresas. A “vigilância alienada” abordada pelo excerto, 
bem como o emprego do geomarketing, contribui para 
a) alimentar bancos de dados que colaboram com a reprodução 
do capital. 
b) orientar políticas públicas para diminuira concentração 
desigual de renda. 
c) coibir práticas abusivas na veiculação de propagandas enganosas. 
d) fiscalizar as formas de uso de produtos que possam 
invalidar garantias. 
GABARITO
 EXERCÍCIOS PROPOSTOS
01. C
02. E
03. E
04. C
05. D
06. C
07. C
08. B
09. D
10. A
ANOTAÇÕES