Prévia do material em texto
GEOGRAFIA I PRÉ-VESTIBULAR 247SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO GLOBALIZAÇÃO14 A GLOBALIZAÇÃO • Globalização • Indivíduos • Estado. • ONGS. • Organizações Econômicas Regionais. • Investidores Institucionais. • Organizações Internacionais: OMC; FMI. • Transnacionais. • Cidades Globais • Mídia A expressão “globalização” tem sido utilizada mais recentemente num sentido marcadamente ideológico, no qual assiste-se no mundo inteiro a um processo de integração econômica sob a égide do neoliberalismo, caracterizado pelo predomínio dos interesses financeiros, pela desregulamentação dos mercados, pelas privatizações das empresas estatais e pelo abandono do estado de bem-estar social. Essa é uma das razões dos críticos acusarem-na de ser responsável pela intensificação da exclusão social (com o aumento do número de pobres e de desempregados) e de provocar crises econômicas sucessivas, arruinando milhares de poupadores e de pequenos empreendimentos. Antes do início da primeira fase da globalização, os continentes encontravam-se separados por intransponíveis extensões acidentadas de terra e de águas, de oceanos e mares, que faziam com que a maioria dos povos e das culturas soubessem da existência uma das outras apenas por meio de lendas. Podemos identificar três etapas ao longo do tempo até chegar à globalização nos dias atuais: • Primeira Fase (1450 - 1850) - Caracterizada pela expansão mercantilista da economia-mundo europeia. • Segunda Fase (1850 - 1950) - Caracterizada pelo expansionismo industrial-imperialista e colonialista. • Terceira Fase (1989/1991 - até os dias atuais) - Representa a globalização propriamente dita que foi acelerada pela queda do muro de Berlim e pelo colapso da União Soviética (URSS). A globalização pode ser entendida como o processo de integração industrial, financeira, tecnológica, social e cultural entre os diversos espaços do globo através de diversos tipos de fluxos. Isso ocorreu pelos avanços tecnológicos dos meios de comunicação e transporte que ocorreram principalmente a partir da segunda metade do século XX. O termo “aldeia global”, muito utilizado quando a temática de globalização é apresentada, faz referência ao progresso tecnológico que parece diminuir as distâncias dos diversos espaços do planeta (compressão espaço-tempo). Neste cenário, assim em como uma aldeia, todos ali presentes apresentam algum tipo de ligação. POR UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO O geógrafo Milton Santos em seu livro "Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal", destaca a importância de percebermos a globalização não apenas como ela nos é apresentada, não tendo assim um modelo único e verdadeiro. Na sua análise apontou três formas diferentes de ver o mundo, ou seja, três faces diferentes da globalização: • A globalização como fábula (o mundo como nos fazem vê-lo...) - formada por diversos mitos como a presença de uma aldeia global e a comunicação universal. • A globalização como perversidade (o mundo como ele é...) - aquela que causa uma maior presença de doenças, fome e miséria nos países mais pobres e que pelo domínio tecnológico dos países mais ricos causa a proliferação de ideologias perversas. • Uma outra globalização (o mundo como ele pode ser...) - proporcionará a criação de ideologias mais humanas. PRÉ-VESTIBULARSISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO248 GEOGRAFIA I 14 GLOBALIZAÇÃO Podemos então considerar a existência de diversos tipos de globalização: • Globalização Econômica - Significa que a economia de diversos países adquire as mesmas características capitalistas controladas por multinacionais, inseridas no comércio global e na DIT. • Globalização Financeira - Ocorre hoje principalmente porque praticamente todas as bolsas de valores (mercado financeiro) do mundo estão integradas. • Globalização Cultural - Formada através da ocidentalização dos costumes (americanização). Comer em redes de fast-food e assistir filmes de Hollywood, que são práticas comuns em todo o mundo, são hábitos que representam essa ideologia. • Globalização Política - Representada pela adoção do neoliberalismo, um modelo político propagado pelos Estados Unidos, em quase todo o globo, incluindo o Brasil. Portanto, a globalização não só possibilita a integração, mas principalmente fragmenta através de um aumento da diferença socioeconômica entre os países do globo, amplificando o conflito “norte (países ricos) x sul (países pobres)”. Nesse cenário atual, em que as industrias são predominantemente baseadas no toyotismo e na qual os países são neoliberais, as condições de trabalho são cada vez mais precárias (contratos flexíveis) e o desemprego (estrutural) causando pela automação (robotização) tem aumentado. PRIMEIRA FASE DA GLOBALIZAÇÃO (1450-1850) A primeira etapa, resultado da procura de uma rota marítima para as Índias, assegurou o estabelecimento das primeiras feitorias comerciais europeias na Índia, China e Japão, e, principalmente, abriu aos conquistadores europeus as terras do Novo Mundo. Enquanto as especiarias eram embarcadas para os portos de Lisboa e de Sevilha, de Roterdã e Londres, milhares de imigrantes iberos, ingleses e holandeses, e um bem menor número de franceses, atravessaram o Atlântico para vir ocupar a América. Aqui formaram dois tipos de colônias: • Colônias de exploração, no sul da América do Norte, no Caribe e no Brasil, baseadas geralmente num só produto (açúcar, tabaco, café, minério etc.) utilizando-se de mão de obra escrava vinda da África ou mesmo indígena; • Colônias de povoamento, estabelecidas majoritariamente na América do Norte, baseadas na média propriedade de exploração familiar. Para atender às primeiras colônias de exploração, o brutal tráfico negreiro tornou-se rotina, fazendo com que 11 milhões de africanos (40% deles destinados ao Brasil) fossem transportados pelo Atlântico para labutar nas lavouras e nas minas. Igualmente não se deve omitir que a colonização europeia promoveu uma espantosa expropriação das terras indígenas e no sufocamento ou destruição da sua cultura. Em quase toda a América ocorreu uma catástrofe demográfica, devido aos maus tratos que a população nativa sofreu e as doenças e epidemias que os devastaram devido ao contato com os colonizadores europeus. Nesta primeira fase, estrutura-se um sólido comércio triangular entre a Europa (fornecedora de manufaturas), África (que vende seus escravos) e América (que exporta produtos coloniais). A imensa expansão deste mercado favorece os artesãos e os industriais emergentes da Europa, que passam a contar com consumidores num raio bem mais vasto do que aquele abrigado nas suas cidades, enquanto que a importação de produtos coloniais faz ampliar as relações intereuropeias. Exemplo disso ocorre com o açúcar cuja produção é confiada aos senhores de engenho no Brasil, mas que é transportado pelos lusos para os portos holandeses, onde lá, encarregam-se do seu refino e distribuição. Politicamente, a primeira fase fez-se quase toda ela sob a égide das monarquias absolutistas que concentram enorme poder e mobilizam os recursos econômicos, militares e burocráticos para manterem e expandirem seus impérios coloniais. Os principais desafios que enfrentam advinham das rivalidades entre elas, seja pelas disputas dinásticas territoriais ou pela posse de novas colônias no além-mar, sem esquecer-se do enorme estrago que os corsários e piratas faziam, especialmente nos séculos XVI e XVII, contra os navios carregados de ouro e prata e produtos coloniais. A doutrina econômica desta primeira fase foi o Mercantilismo, adotado pela maioria das monarquias europeias para estimular o desenvolvimento da economia dos reinos. Ele era baseado numa legislação que recorria a medidas protecionistas, incentivos fiscais e doação de monopólios para promover a prosperidade geral. A produção e distribuição do comércio internacional era feita por mercadores privados e por grandes companhias comerciais (ascompanhias inglesas e holandesas das Índias Orientais e Ocidentais) e, em geral, eram controladas localmente por corporações de ofício. Todo o universo econômico destinava-se a um só fim: acumular riqueza. O poder de um reino era aferido pela quantidade de metal precioso (ouro, prata e joias preciosas) existente nos cofres reais. Para assegurar seu aumento, o Estado exercia um sério controle das importações e do comércio com as colônias. Esta política levou a que cada reino europeu terminasse por se transformar num império comercial, tendo colônias e feitorias espalhadas pelo mundo todo (os principais impérios coloniais foram o inglês, o espanhol, o português, o holandês e o francês). SEGUNDA FASE DA GLOBALIZAÇÃO (1850-1950) Os principais acontecimentos que marcam a transição da primeira fase para a segunda dão-se nos campos da técnica e da política. A partir do século XVIII, a Inglaterra industrializa-se aceleradamente e, depois dela, a França, a Bélgica, a Alemanha e a Itália. A máquina a vapor é introduzida nos transportes terrestres (estradas de ferro) e marítimos (barcos a vapor). Consequentemente, essa nova época será regida pelos interesses da indústria e das finanças, ou seja, pela grande burguesia industrial e bancária. Essa interpenetração dos bancos com a indústria, com tendências ao monopólio ou ao oligopólio, fez com que ocorresse “uma prática imperialista”. A ampliação dos mercados e a obtenção de novas e diversas fontes de matérias-primas fazia-se necessária. Esse momento irá se caracterizar pela ocupação territorial de certas partes da África e da Ásia, além de estimular o povoamento das terras pouco habitadas da Austrália e da Nova Zelândia. A posse de novas colônias torna-se um ornamento na política das potências (só a Grã-Bretanha possuía mais de 50). O cobiçado mercado chinês finalmente foi aberto pelo Tratado de Nanquim de 1842 e o Japão também foi forçado a abandonar a política de isolamento da época. Cada uma das potências europeias rivaliza-se com as demais na luta pela hegemonia do mundo. O resultado é um acirramento da corrida imperialista e da política belicista que levará os europeus a duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45. Ademais, outros aspectos técnicos ajudam a globalização: o trem e o barco a vapor encurtam as distâncias; o telégrafo e o telefone aproximam os continentes e a comunicação. E, principalmente depois do voo transatlântico de Charles Lindbergh em 1927, a aviação passa a ser mais um elemento que permite o mundo tornar-se menor. Nestes cem anos da segunda fase (1850-1950), os antigos impérios dinásticos desabaram (o dos Bourbons em 1789 e, definitivamente, em 1830, o dos Habsburgos e dos Hohenzollers em 1914, o dos Romanov em 1917). Se em 1914 haviam diversas potências, como o Império britânico, o francês, o alemão, o austro- húngaro, o italiano, o russo e o turco otomano, após a 2ª Guerra PRÉ-VESTIBULAR SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO 14 GLOBALIZAÇÃO 249 GEOGRAFIA I Mundial só restaram duas superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética. No decorrer do século XX, três grandes projetos de liderança da globalização conflitaram-se entre si: • Comunista - Inaugurado com a revolução bolchevique na Rússia (1917) e reforçado pela revolução maoísta na China (1949). • Contrarevolução Nazifascista - Reação da direita ao projeto comunista, surgido nos anos de 1919, na Itália e na Alemanha e que se estendeu até o Japão, tendo sido debilitado no final da Segunda Guerra Mundial (1945). • Liberal Capitalista - Representado principalmente pelos países anglo-saxões, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Num primeiro momento, ocorreu a aliança entre o liberalismo e o comunismo (entre 1941 e 1945) para a autodefesa e, depois, a destruição do nazifascismo. Num segundo momento, os vencedores, EUA e a URSS, desentenderam- se gerando a Guerra Fria (1947-89), quando o liberalismo norte-americano rivalizou com o comunismo soviético numa guerra ideológica mundial e numa competição armamentista e tecnológica que quase levou a humanidade a uma catástrofe (a crise dos mísseis de 1962). Com a política da glasnost, adotada por Mikhail Gorbatchev na URSS desde 1986, a Guerra Fria encerrou-se e os Estados Unidos saíram vencedores. Os três momentos-símbolo disto foram a derrubada do Muro de Berlim ocorrida em novembro de 1989; a retirada das tropas soviéticas da Alemanha reunificada; e a dissolução da URSS em 1991. A China, por sua vez, que desde os anos 1970 adotara reformas visando sua modernização, abriu- se em várias zonas especiais para a implantação de indústrias multinacionais, deixando seus aspectos ideológicos comunistas para trás. Desde então, só restou hegemônica, no moderno sistema mundial, a economia-mundo capitalista, não havendo nenhuma outra barreira a antepor-se à globalização. A TERCEIRA FASE DA GLOBALIZAÇÃO (1989-HOJE) Chegamos desta forma à situação presente, onde sobreviveu uma só superpotência mundial: os Estados Unidos. É a única que tem condições operacionais de realizar intervenções militares em qualquer parte do planeta. Alguns exemplos de suas intervenções são: • Kuwait (1991). • Haiti (1994). • Somália (1996). • Bósnia (1997). • Afeganistão (2001). • Iraque (2003). Se a segunda fase da globalização foi marcada pelo uso da libra esterlina (já que a Inglaterra era a principal potência), atualmente é o dólar que domina as transações internacionais – assim como o idioma inglês tornou-se a língua universal por excelência. Alguns autores chegam a afirmar que a globalização recente nada mais é do que a americanização do mundo. A produção industrial nos dias de hoje é controlada predominantemente por um conjunto de grandes corporações transnacionais, que tem seus investimentos espalhados por todo o globo. A nacionalidade dessas empresas é majoritariamente de países centrais como: Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Holanda. Isso comprova que é possível perceber uma concentração de riquezas e tecnologias entre poucos países. A ONU, que deveria ser o embrião de um governo mundial, foi fragilizada pelos interesses e vetos das superpotências durante a Guerra Fria. Em consequência dessa debilidade, tormou-se uma espécie de representante dos interesses dos países dominantes. CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU A Organização das Nações Unidas(ONU) fundada em outubro de 1945 e que tem como objetivo principal garantir a paz mundial e o respeito dos direitos humanos, além de promover o desenvolvimento mundial, é uma organização intergovernamental formada por países que se reúnem de maneira voluntária. Em sua estrutura é formada por seis órgãos principais: • Assembleia Geral. • Conselho de Segurança. • Conselho Econômico e Social. • Corte Internacional de Justiça. • Conselho de Tutela. • Secretariado. Nessa estrutura o Conselho de Segurança é responsável pela paz e a segurança internacionais. Busca isso determinando o início, a continuação e o fim de missões de paz, solicitando sanções econômicas, fiscalizando situações que possam se tornar conflitos internacionais, recomendando métodos de diálogos entre países, além de recomendar o ingresso de novos membros na ONU e a eleição de um novo Secretário-Geral para a Assembleia Geral. Em sua estrutura conta com 15 países, sendo dez deles membros não permanentes que são eleitos pela Assembleia Geral de dois em dois anos e cinco membros permanentes que apresentam o poder de veto (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, China e França). É importante destacar que esses membros permanentes por apresentarem o poder de veto no único órgão com poder decisório na ONU tem uma grande influência geopolítica. No cenário atual muitos países buscam a sua entrada nesse grupo além de contestarem essa estrutura antiga que segue os moldes do período de Guerra Fria. Enquanto no passado os instrumentos da integração foram a caravela, o galeão, o barco à vela, o barco a vapor e o trem, seguidosdo telégrafo e do telefone, a globalização recente se faz pelos satélites e pelos computadores ligados na Internet. O domínio da tecnologia por um seleto grupo de países ricos abriu um fosso com os demais, talvez o mais profundo em toda a história conhecida. Hoje, os países núcleos da globalização (os integrantes do G-7), estão, em quase todos os campos do conhecimento, muito à frente dos países subdesenvolvidos. Ou seja: o abismo entre os ricos do Norte e os pobres do Sul se ampliou. Podemos identificar esse abismo através do controle que alguns países detêm sobre a tecnologia de ponta (microeletrônica, computadores, aeroespaciais, equipamento de telecomunicações, máquinas e robôs, equipamento científico de precisão, medicina e biologia e químicos orgânicos). Os EUA são responsáveis por 20,7%; a Alemanha por 13,3%; o Japão por 12,6%; o Reino Unido por 6,2%, e a França por 3,0% das exportações mundiais. Deste modo, apenas estes 5 países detêm 55,8% dessas exportações dos produtos de alta tecnologia. A globalização, como movimento de transformação social e de produção que promete a melhoria da qualidade de vida, pasteuriza os comportamentos e as aspirações humanas, criando uma relativa homogeneização dos costumes. O cidadão brasileiro comum, embora não tenha conhecimento dos movimentos da produção e dos mercados mundiais, já está consumindo “globalmente”. Come macarrão da Itália, bebe água da França, veste camisetas da China, vê noticiários fabricados nos Estados Unidos, anda com tênis da Indonésia e viaja com carros da Coreia. PRÉ-VESTIBULARSISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO250 GEOGRAFIA I 14 GLOBALIZAÇÃO GLOCALIZAÇÃO A palavra "glocalização" faz uma referência a junção de duas concepções importantes na estrutura de um mundo globalizado: local; global. Para o sucesso dessas empresas é importante que o pensamento e suas ações sejam realizadas em escala global e que a aproximação do mercado consumidor venha através de produtos adaptados a cultura local. DESGLOBALIZAÇÃO Processo atual que se manifesta através de políticas públicas, como aquelas adotadas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia, que visam principalmente o aumento do protecionismo econômico (dificulta os fluxos de mercadorias) e a restrição dos movimentos migratórios (dificulta os fluxos de pessoas). Esse novo cenário é então exemplificado através : • Retração de investimentos. • Discursos e práticas anti-imigração. • Enfraquecimento dos blocos econômicos. Portanto, podemos perceber que ao mesmo tempo em que alguns países passam por uma maior interação, outros têm realizado o fechamento de fronteiras e posto em prática ações que dificultam os fluxos. PROPOSTOS EXERCÍCIOS 01. (ENEM) No final do século XX e em razão dos avanços da ciência, produziu-se um sistema presidido pelas técnicas da informação, que passaram a exercer um papel de elo entre as demais, unindo- as e assegurando ao novo sistema uma presença planetária. Um mercado que utiliza esse sistema de técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa. SANTOS, M. Por uma outra globalização. Rio de Janeiro: Record, 2008 (adaptado). Uma consequência para o setor produtivo e outra para o mundo do trabalho advindas das transformações citadas no texto estão presentes, respectivamente, em: a) Eliminação das vantagens locacionais e ampliação da legislação laboral. b) Limitação dos fluxos logísticos e fortalecimento de associações sindicais. c) Diminuição dos investimentos industriais e desvalorização dos postos qualificados. d) Concentração das áreas manufatureiras e redução da jornada semanal. e) Automatização dos processos fabris e aumento dos níveis de desemprego. 02. (ENEM) Não acho que seja possível identificar apenas com a criação de uma economia global, embora este seja seu ponto focal e sua característica mais óbvia. Precisamos olhar além da economia. Antes de tudo, a globalização depende da eliminação de obstáculos técnicos, não de obstáculos econômicos. Isso tornou possível organizar a produção, e não apenas o comércio, em escala internacional. HOBSBAWM, E. O novo século: entrevista a Antonio Polito. São Paulo: Cia. das Letras, 2000 (adaptado). Um fator essencial para a organização da produção, na conjuntura destacada no texto, é a a) criação de uniões aduaneiras. b) difusão de padrões culturais. c) melhoria na infraestrutura de transportes. d) supressão das barreiras para comercialização. e) organização de regras nas relações internacionais 03. (ENEM) O cidadão norte-americano desperta num leito construído segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia. No restaurante, toda uma série de elementos tomada de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Lê noticias do dia impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. LINTON, R. O homem: uma introdução à antropologia. São Paulo; Martins, 1959 (adaptado). A situação descrita é um exemplo de como os costumes resultam da a) assimilação de valores de povos exóticos. b) experimentação de hábitos sociais variados. c) recuperação de heranças da Antiguidade Clássica. d) fusão de elementos de tradições culturais diferentes. e) valorização de comportamento de grupos privilegiados. 04. (ENEM) Disneylândia Multinacionais japonesas instalam empresas em Hong-Kong E produzem com matéria-prima brasileira Para competir no mercado americano [...] Pilhas americanas alimentam eletrodomésticos ingleses na Nova Guiné Gasolina árabe alimenta automóveis americanos na África do Sul [...] Crianças iraquianas fugidas da guerra Não obtêm visto no consulado americano do Egito Para entrarem na Disneylândia ANTUNES, A. Disponível em: www.radio.uol.com.br. Acesso em: 3 fev. 2013 (fragmento). Na canção, ressalta-se a coexistência, no contexto internacional atual, das seguintes situações: a) Acirramento do controle alfandegário e estímulo ao capital especulativo. b) Ampliação das trocas econômicas e seletividade dos fluxos populacionais. c) Intensificação do controle informacional e adoção de barreiras fitossanitárias. d) Aumento da circulação mercantil e desregulamentação do sistema financeiro. e) Expansão do protecionismo comercial e descaracterização de identidades nacionais. PRÉ-VESTIBULAR SISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO 14 GLOBALIZAÇÃO 251 GEOGRAFIA I 05. (ENEM) O mundo entrou na era do globalismo. Todos estão sendo desafiados pelos dilemas e horizontes que se abrem com a formação da sociedade global. Um processo de amplas proporções envolvendo nações e nacionalidades, regimes políticos e projetos nacionais, grupos e classes sociais, economias e sociedades, culturas e civilizações. IANNI. O. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997. No texto, é feita referência a um momento do desenvolvimento do capitalismo. A expansão do sistema capitalista de produção nesse momento está fundamentada na a) difusão de práticas mercantilistas. b) propagação dos meios de comunicação. c) ampliação dos protecionismos alfandegários. d) manutenção do papel controlador dos Estados. e) conservação das partilhas imperialistas europeias. 06. (ENEM) Uma mesma empresa pode ter sua sede administrativa onde os impostos são menores, as unidades de produção onde os salários são os mais baixos, os capitais onde os juros são os mais altos e seus executivos vivendo onde a qualidade de vida é mais elevada. SEVCENKO, N. A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa. São Paulo: Companhia dasLetras, 2001 (adaptado). No texto estão apresentadas estratégias empresariais no contexto da globalização. Uma consequência social derivada dessas estratégias tem sido a) o crescimento da carga tributária. b) o aumento da mobilidade ocupacional. c) a redução da competitividade entre as empresas. d) o direcionamento das vendas para os mercados regionais. e) a ampliação do poder de planejamento dos Estados nacionais. 07. (FUVEST) É de grande relevância aqui o fato de que uma grande proporção do trânsito de internet do mundo passa pelos Estados Unidos (...). Isso significa que a NSA (a agência de segurança nacional dos EUA) poderia acessar uma quantidade alarmante de ligações telefônicas simplesmente escolhendo as instalações certas. O que é ainda mais inacreditável: essas instalações não passam de alguns prédios, conhecidos como “hotéis de telecomunicação”, que hospedam os principais centros de conexão de internet e telefonia do planeta todo. Stephen Graham, Cidades Sitiadas: o novo urbanismo militar, 2016. Adaptado. A respeito da configuração espacial e geopolítica retratada no excerto e no mapa, é possível afirmar que a) essa é a razão do grande deficit econômico dos Estados Unidos atualmente, uma vez que a maior parte dos negócios e transações é feita pela internet. b) essa situação explica o fato de que os Estados Unidos tenham, atualmente, a maior dívida pública do planeta, já que os custos com o tratamento de dados são muito altos. c) em um mundo cada vez mais dependente dos fluxos imateriais de informação, a presença de objetos técnicos fixos torna-se irrelevante para a posição geopolítica dos Estados Unidos. d) o mapa representa, por meio do “trânsito de internet” e do fluxo de “ligações telefônicas”, uma globalização que integrou completamente tanto os norte-americanos quanto as populações da África. e) a presença de fixos, como algumas instalações de armazenagem e conexão, influencia a orientação de fluxos e dá aos EUA uma posição de destaque no contexto geopolítico. 08. (UNICAMP) A origem da sociedade em rede decorre do desenvolvimento dos meios de transporte, das comunicações e da transmissão de energia, característica essencial da organização espacial da sociedade moderna – uma sociedade umbilicalmente ligada à evolução da técnica, à aceleração das interligações e da movimentação das pessoas, de objetos e de capitais sobre os territórios. Nesse contexto, tem lugar a mudança, associada à rapidez do aumento da densidade e da escala da circulação. (Adaptado de Ruy Moreira, Da região à rede e ao lugar: a nova realidade e o novo olhar geográfico sobre o mundo. etc..., espaço, tempo e crítica. n. 1(3), p. 57,2007.) No mundo contemporâneo, as redes configuram uma nova forma de organização geográfica das sociedades porque a) colocam todos os lugares em conexão, garantem fluidez ao processo global de produção e homogeneízam os espaços. b) anulam a importância dos territórios e fronteiras nacionais na articulação da geopolítica mundial, reconfigurando a geografia do poder. c) constituem sistemas usados livremente pelas sociedades em busca de projetos emancipatórios, ampliando os conflitos e as disputas políticas. d) sobrepõem-se, na escala mundo, às configurações regionais do passado, impondo um novo funcionamento reticular e hierárquico aos territórios. 09. (UNICAMP) No período da Guerra Fria, os conflitos geopolíticos implicavam riscos nucleares e ataques físicos a infraestruturas como estradas, redes elétricas ou gasodutos. Hoje, além dessas implicações, a Ciberguerra ou Guerra Fria Digital a) representa uma possibilidade real de interferência em sistemas informacionais nacionais, mas seu uso efetivo mantém-se apenas como uma ameaça. b) baseia-se na capacidade integrada de sistemas computacionais espionarem governos antagônicos, com o objetivo de manipular informações de todo tipo. c) envolve o uso de softwares (malwares) e programas robôs para invadir redes sociais e computadores, mas nunca interferiu em processos eleitorais. d) visa ao controle da informação como uma forma de poder político, mas inexistem, no mundo, cibercomandos, ou seja, a quarta força armada. PRÉ-VESTIBULARSISTEMA PRODÍGIO DE ENSINO252 GEOGRAFIA I 14 GLOBALIZAÇÃO 10. (UERJ) Imagine mandar um sinal para todos os dispositivos conectados à Internet ao redor do globo? Foi exatamente o que fez John Matherly, que se autointitula um “cartógrafo” da rede. Com essa técnica, que permite sondar tão rapidamente o panorama de conexões no mundo, o criador pretende fazer isso mais vezes ao longo do tempo, para comparar a evolução do acesso à rede. Quanto mais intensa a cor, maior o número de dispositivos, e por enquanto sabemos bem onde eles se concentram. Adaptado de revistagalileu.globo.com, setembro/2014. A análise do mapa possibilita visualizar o uso da Internet nas diversas regiões do mundo. A principal causa para as diferenças regionais na concentração do uso dessa rede é: a) baixa densidade demográfica b) redução do crescimento econômico c) descontinuidade das transmissões globais d) desigualdade de desenvolvimento tecnológico GABARITO EXERCÍCIOS PROPOSTOS 01. E 02. C 03. D 04. B 05. B 06. B 07. E 08. D 09. B 10. D ANOTAÇÕES