Prévia do material em texto
Programa de Recuperação Ambiental de Belo Horizonte Drenurbs Secretaria Municipal de Políticas Urbanas O Programa Justificativa A expansão urbana acelerada das cidades brasileiras vem ocorrendo em um cenário de escassez de recursos financeiros públicos para investimento em infra-estrutura básica. A degradação dos cursos d'água naturais existentes nos meios urbanos tem sido um dos resultados desta situação, que os transformaram em meios receptores de esgotos e lixo. Também precário tem sido o planejamento desta expansão, sobretudo em relação à proteção e ao aproveitamento dos recursos naturais remanescentes nas cidades. Com a poluição dos córregos e dos ribeirões, a população urbana ribeirinha de Belo Horizonte tem reivindicado a exclusão destes cursos d'água através da construção de canais de concreto para, desse modo, evitar conviver com a insalubridade, o mau cheiro e outras formas de degradação destes ambientes. Esta maneira de encarar o problema da poluição das águas no meio urbano reflete uma forma estanque de enxergar a realidade. Revela, também, uma contradição na medida em que, na época atual, presencia-se um grande avanço das concepções ambientalistas voltadas para a preservação e a organização do espaço urbano. Em Belo Horizonte existem cerca de 673 quilômetros de cursos d'água dos quais 26% encontram-se revestidos (6% abertos e 20% fechados), correspondendo a 173 km de canais em concreto armado. Restam 500 km de córregos e ribeirões em leitos naturais e, destes, pouco mais de 200 km encontram-se situados na mancha urbana enquanto os demais situam-se em regiões inadequadas ao parcelamento urbano ou em áreas de preservação permanente. As canalizações de córregos e ribeirões não têm trazido solução para os problemas da falta de saneamento, como pode ser constatado pelas sucessivas crises no sistema de drenagem implantado. As canalizações suprimem as condições naturais dos mananciais de água e induzem à ocupação de suas várzeas e planícies, transferindo as inundações locais para regiões situadas à frente. Além do que os canais revestidos representam, em geral, a opção de maior custo. A preservação dos mananciais naturais de água nos ambientes urbanos oferece melhores condições de ambientação nas cidades, além de proporcionar meios de lazer e recreação para os seus moradores. A preservação das várzeas oferece a vantagem da contenção das inundações e também a preservação dos ecossistemas naturais. Urge, portanto, reverter essa tendência histórica de se canalizar os cursos d'água naturais. Em seu lugar, há que se erigir e consolidar uma nova concepção de intervenção para as águas circulantes no meio urbano através de princípios que venham a favorecer a adoção de alternativas capazes de preservar a condição natural dos leitos de escoamento dos cursos d'água. Sabe-se que no meio urbano, via de regra, é impossível retornar ao estado original em que se encontrava um curso d'água qualquer. O que se propõe é o estabelecimento de um prática de renaturalização sob novas condições ambientais destes ecossistemas hoje degradados, possibilitando sua inserção na paisagem das cidades. O sucesso do programa vai depender da compreensão e participação da sociedade nesta nova concepção de tratamento dos cursos d'água e investimento por parte do poder público num eficaz programa de educação ambiental junto a toda a sociedade. Desse modo será também possível estabelecer formas de gestão solidária envolvendo a municipalidade e os munícipes para a conquista de um meio ambiente melhor para todos, conferindo assim uma melhoria da qualidade de vida para todos os cidadãos. 01 Concepção Geral O Programa tem uma concepção geral de cunho ambiental. Não será, portanto, um programa meramente sanitário ou simplesmente de drenagem. O que caracteriza sua concepção Ambiental é sua abrangência e suas propostas de ação. De fato, propõe-se realizar ações de interferência no espaço físico, na reabilitação de recursos naturais da flora e da fauna aquática, na melhoria da qualidade de vida das comunidades atingidas pelos empreendimentos propostos. Abrangência Abrange cursos d'água em leito natural situados na mancha urbana do Município. Estão incluídos 73 córregos e ribeirões, correspondendo a um total de 135 quilômetros, representando, respectivamente, 30% do número de cursos d'água existentes na cidade e 20% da extensão total. A 2 área de abrangência é de 177 km (51% da área total do Município). A população atingida é estimada em 1.011.000 habitantes, correspondendo a 45% da população total. Princípios • Tratamento integrado dos problemas sanitários e ambientais no nível da bacia hidrográfica, utilizada como unidade para o planejamento das intervenções; • Limitação à ampliação da impermeabilização do solo através de proposições de tipo naturalísticas ; • Opção pela estocagem de águas no lugar da evacuação rápida; • Implantação do monitoramento hidrológico; • Inserção dos cursos d’água na paisagem urbana; • Adoção de técnicas alternativas aos procedimentos convencionais para as questões de drenagem; • Inclusão e participação das comunidades beneficiadas na gestão da implantação e na conservação das intervenções propostas. Desenvolvimento O Programa será desenvolvido em etapas sucessivas e estruturadas em conformidade com a capacidade financeira e operacional da Prefeitura Municipal em implantá-las. O período de implantação foi presumido em pelo menos 15 anos. Em sua primeira etapa, o programa será realizado com recursos financeiros provenientes do acordo de empréstimo firmado entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento BID e o Município de Belo Horizonte em julho/2004, dispõe de um conjunto de projetos a serem executados em um período máximo de 5 (cinco) anos. 02 Recursos O Programa DRENURBS, em sua primeira etapa, tem um orçamento da ordem de US$ 77,500,000.00 (setenta e sete milhões e quinhentos mil dólares americanos), sendo 60% de recursos provenientes do BID e 40% de contrapartida do Município. Componentes 1 - Estudos e Projetos 2 - Obras 2.1 Obras de Infraestrutura 2.2 Obras de Implantação de Unidades Habitacionais 3 - Gestão Urbana e Ambiental 3.1 Monitoramento Hidrológico 3.2 Modelagem Matemática do Sistema de Drenagem 3.3 Expansão do Sistema Integrado de Informações Georeferenciadas (SIG) para Gestão da Drenagem Urbana 3.4 Concepção e Implementação de Modelo de Gestão da Drenagem Urbana 3.5 Concepção e Implantação de Sistema Integrado de Informações Georeferenciadas para a Gestão Ambiental 3.6 Monitoramento da Qualidade da Água 3.7 Atualização Tecnológica / Educação Continuada em Gestão Ambiental e Drenagem Urbana 3.8 Educação Ambiental 4 - Implantação do Plano de Comunicação e Mobilização Social 5 - Implantação do PDR Plano de Desapropriação e Remoção de Famílias e Negócios. 03 01- Córrego 1º de Maio 02- Córrego da Av. Maria Carmem Valadares 03- Córrego Gorduras 04- Córrego Engenho Nogueira 05- Córrego da Av. Nossa Srª da Piedade 06- Córrego Terra Vermelha 07- Córrego Piteiras 08- Córrego da Av. Baleares 09 -Córrego Bonsucesso 10- Córrego do Nado 11- Córrego Olhos D'água 12- Córrego Taquaril 13- Córrego do Leitão 14- Córrego Mergulhão 15- Ribeirão do Isidoro (Av. Um) 16- Córrego Tejuco 17- Córrego do Angu 18- Córrego Barreiro 19- Córrego Cercadinho 20- Córrego do Monjolo 21- Córrego Basílio da Gama 22- Ribeirão do Isidoro (Rua Campo Verde) 23- Ribeirão da Onça (Bairro São Gabriel) 24- Córrego Cachoeirinha 25- Ribeirão do Isidoro (Bairro Marize) 26- Córrego Embira 27- Córrego Fazenda Velha 28- Ribeirão da Onça (Bairro Gorduras de Cima) 29- Ribeirão da Onça (Lagoa José Correia) 30- Córrego Vilarinho 31- Córrego Braúna 32- Córrego Ipanema 33- Córrego AABB 34- Córrego São José 35- Córrego Floresta 36- Ribeirão da Onça (Bairro Ribeiro de Abreu)37- Córrego Espia 38- Córrego da Rua 2 (Bairro Etelvina Carneiro) 39- Ribeirão do Isidoro (Granja Werneck) 40- Ribeirão do Isidoro (Estrada do Sanatório) 41- Ribeirão Arrudas 42- Córrego Acaba Mundo 43- Córrego da Rua Vereador Camil Caram 44- Ribeirão da Onça 45- Córregos da Serra e Bolinha 46- Ribeirão do Isidoro (Estrada da Pedreira) 47- Córrego Jatobá 48- Ribeirão do Isidoro (Cont. Av. Um) Bacias e Sub-Bacias Integrantes do Programa Drenurbs 04 Bacias / Sub-bacias integrantes da 1ª etapa do Drenurbs • Córrego 1º de Maio • Córrego da Avenida Maria Carmem Valadares • Córrego Engenho Nogueira • Córrego da Avenida Nossa Senhora da Piedade • Córrego Terra Vermelha • Córrego Piteiras • Córrego Bonsucesso • Córrego da Avenida Baleares Caracterização das Bacias da 1ª Etapa do Drenurbs EXTENSÃO ÁREA DE INFLUÊNCIA POPULAÇÃO Km Habitantes 0,44 2.983 34,72 86.158 2,81 19.428 1,37 3.741 4,97 12.710 22,60 34.210 1,26 5.170 0,62 6.713 BACIA OU SUB-BACIA Sub-bacia do Córrego 1º de maio TOTAL Bacia do Córrego Engenho Nogueira Sub-bacia do Córrego Baleares Bacia do Córrego Terra Vermelha Bacia do Córrego Bonsucesso Sub-bacia do Córrego da Av. Maria Carmem V Sub-bacia do Córrego da Av. Nossa Senhora Piedade Sub-bacia do Córrego Piteiras 0,65 Km² 0,48 23,52 6 0,43 3,45 11,92 0,37 0,73 0,14 1.203 05 Bacias / Sub-bacias integrantes do Drenurbs 1ª Etapa Informações complementares e mapas de localização 07 Sub-Bacia do Córrego da Av. Baleares Córrego Baleares é afluente da margem esquerda do Córrego Vilarinho, com área de 2 0,43 km e talvegue com extensão de 1,37km. Localização: Regional Venda Nova Intervenções Previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção de margens; • Implantação de pista veicular marginal. • Implantação de travessia sobre o curso d'água; • Implantação de redes de esgotamento sanitário e de interceptores; • Pavimentação de vias; • Implantação de áreas de uso social; • Implantação do sistema de drenagem e melhoria do já existente; • Tratamento de focos erosivos; • Recomposição e tratamento de taludes; • Desapropriação e remoção de famílias. 08 09 Sub-Bacia do Córrego 1º de Maio O Córrego 1º de Maio, é um afluente da margem esquerda do Ribeirão 2 Pampulha, com área de 0,48km e talvegue com extensão aproximada de 0,44km Localização: Regional Norte Intervenções previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção das margens; • Implantação de redes de esgo- tamento sanitário e de intercepto- res; • Tratamento de focos erosivos; • Pavimentação de vias; • Implantação de pista veicular marginal; • Implantação de áreas de uso social • Implantação do sistema de drenagem e melhoria do já existente; • Recomposição e tratamento de taludes; • Implantação de bacia de detenção com barragem e vertedouro; • Desapropriação, remoção e reassentamento de famílias; 10 11 Sub-Bacia do Córrego da Av. Nossa Senhora Piedade O Córrego da avenida Nossa Senhora da Piedade é um afluente da margem esquerda do Ribeirão da Onça, com 3 área de 0,73 km e talvegue com extensão aproximada de 0,62km. Localização: Regional Norte Intervenções previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção das margens; • Implantação de interceptores de esgoto e complementação da rede coletora; • Tratamento de focos erosivos; • Implantação de sistema viário e melhoria do já existente no entorno; • Implantação de áreas de uso social • Recomposição de taludes; • Desapropriação, remoções e reassentamento de famílias. 12 13 Bacia Elementar do Córrego Bonsucesso A Bacia elementar do Córrego Bonsucesso formada, principalmente, pelos córregos Bonsucesso e Olhos D'água. O córrego Bonsucesso é um afluente da 2margem direita do ribeirão Arrudas. Com área de Bacia de 11,92km e talvegue com extensão de 22,60 km. Localização: Regionais Barreiro e Oeste Intervenções previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção das margens; • I m p l a n t a ç ã o d e interceptores de esgoto e complementação da rede coletora; • Tratamento de focos erosivos; • Implantação do sistema viário; • Implantação de via arterial ao córrego (via 210); • Implantação de áreas de uso social, • Recomposição de tratamento de taludes; • Implantação de bacias de detenção com barragens e vertedouros; • Desapropriação e remoção e reassentamento de famílias. 14 15 Sub-Bacia do Córrego Engenho Nogueira O Córrego Engenho Nogueira é um afluente da margem direita do Ribeirão Pampulha com 2 área de 6km e talvegue é de 2,81km. Localização: Regionais Noroeste e Pampulha. Intervenções: • Tratamento de fundo de vale e contenção de margens; • Implantação de redes de esgotamento sanitário e de interceptores; • Implantação do sistema viário; • Tratamento de focos erosivos; • Recomposição e tratamento de taludes; • Implantação de bacia de detenção; • Desapropriação e remoção de famílias • Implantação do Sistema de Drenagem 16 17 Sub-Bacia do Córrego da Av. Maria Carmem Valadares O Córrego da avenida Maria Carmem Valadares é um afluente da margem esquerda do córrego do Cardoso (avenida Mem de Sá), que por sua vez é afluente da margem direita do Ribeirão 2 Arrudas, com área de 0,37 km e talvegue com extensão aproximada de 1,26km. Localização: Regional Leste Intervenções previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção das margens; • Implantação de vias, becos e escadarias; • Complementação de redes de esgoto sanitário; • Implantação de área de preservação e proposta de criação de áreas de Zona de Proteção Ambiental - ZPAM; • Implantação do sistema de drenagem; • Implantação de bueiro celular para transposição de rua; • Desapropriação, remoção e reassentamento de famílias. 18 19 Bacia Elementar do Córrego Piteiras O Córrego Piteiras é um afluente da margem direita do ribeirão Arrudas, 2com área de 0,14km e extensão aproximada de talvegue de 0,65 km. Localização: Regional Oeste Intervenções previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção das margens; • Implantação de redes de esgotamento sanitário e de interceptores; • Tratamento de focos erosivos; • Implantação do sistema viário; • Implantação do sistema de drenagem; • Desapropriação, remoção e reassentamento de famílias. 20 21 Sub-Bacia do Córrego Terra Vermelha O Córrego Terra Vermelha é um dos afluentes da margem esquerda do ribeirão do 2 Isidoro, com área de 3,45km e e x t e n s ã o d e t a l v e g u e aproximada de 4,97 km. Localização: Regional Norte Intervenções previstas: • Tratamento de fundo de vale e contenção de margens; • Implantação de redes de esgotamento sanitário e de interceptores; • Implantação de vias e melhoria das já existentes; • Implantação de áreas de uso social; • Tratamento de focos erosivos; • Recomposição e tratamento de taludes; • Implantação de estação elevatória; • Implantação de estação de tratamento de esgoto; • Desapropriação, remoção e reassentamento de famílias 22 23