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UM OLHAR FRIO SOBRE UM TEMA QUENTE

Livro sobre a história das mudanças climáticas antrópicas que aborda determinismo climático, a hipótese do CO2, refutações do efeito estufa, o IPCC e o consenso científico, ecoansiedade, mídia, eventos extremos e a insustentabilidade do capitalismo verde.

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UM OLHAR FRIO SOBRE UM TEMA QUENTE: 
HISTÓRIA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 
ANTRÓPICAS 
Arthur Henrique de Oliveira 
 
 
 
Arthur Henrique de Oliveira1 
 
 
 
 
 
 
 
UM OLHAR FRIO SOBRE UM TEMA QUENTE: 
HISTÓRIA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS 
ANTRÓPICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São Paulo 
2023 
 
1 O autor é bacharel e licenciado em Ciências Biológicas pelo Centro Universitário São Camilo, Mestre em História 
da Ciência pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência da Pontifícia Universidade Católica 
de São Paulo/PUC-SP, Pedagogo formado pela Universidade Nove de Julho-UNINOVE, Especialista em 
Educação e Neurociências pela Faculdade Campos Salles; Especialista em História, Ciências, Ensino e Sociedade 
pela Universidade Federal do ABC-UFABC, Especialista em Educação Ambiental pelo Centro Universitário 
SENAC, Especialista em Gestão Ambiental pela Faculdade Mozarteum de São Paulo- FAMOSP, professor de 
Ciências e Biologia da Secretaria Municipal de Educação/SME-São Paulo, professor universitário e membro da 
Associação Brasileira de Filosofia e História da Biologia (ABFHiB). 
ÍNDICE GERAL 
APRESENTAÇÃO...................................................................................... ............................... 4 
1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS ANTRÓPICAS: BREVE HISTÓRICO ................................. 9 
1.1 Determinismo Climático..................................................................................................... 12 
1.2 Indissociabilidade entre clima e sociedades ....................................................................... 13 
1.3 A hipótese do CO2 controlar o clima ................................................................................. 19 
2 RESFRIAMENTO OU AQUECIMENTO GLOBAL? ........................................................ 25 
2.1 Nova Refutação do Efeito Estufa ....................................................................................... 35 
2.2 Painel Não-Governamental sobre Mudanças Climáticas (NIPCC) .................................... 33 
3 O IPCC E A CONSTRUÇÃO DO CONSENSO CIENTÍFICO ........................................... 37 
3.1 Os Grupos de Trabalho (GT) .............................................................................................. 39 
3.2 IPCC: O “Big Player” na arena da ciência do clima .......................................................... 46 
4 A FALÁCIA DO CONSENSO CIENTÍFICO ...................................................................... 58 
4.1 O consenso científico na História da Ciência ..................................................................... 60 
4.1.1 Origem da ideia de consenso ........................................................................................... 64 
5 TEMPERATURA, CLIMA, TEMPO GEOLÓGICO E CO 2 .............................................. 82 
5.1 História dos dados climáticos ............................................................................................. 88 
6 ECOANSIEDADE: MEDO CRÔNICO DA CATÁSFROFE CLIMÁTICA ....................... 90 
 6.1 Alguns fenômenos oceânicos-atmosféricos.......................................................................93 
 6.2 Mídia e desinformação.......................................................................................................96 
 6.3 As secas ao longo da história............................................................................................103 
 6.4 Catastrofe climática na Antártica......................................................................................107 
 6.5 Urso polar: símbolo do aquecimento global....................................................................110 
 6.6 Eventos climáticos extremos e os modeladores...............................................................114 
7 A INSUSTENTABILIDADE DO CAPITALISMO VERDE ............................................. 119 
7.1 O crescente aumento da demanda por minerais ............................................................... 125 
7.2 A guerra na Ucrânia e a crise energética .......................................................................... 128 
7.3 A trasnsição para os veículos elétricos ............................................................................ 132 
APRESENTAÇÃO 
 
Não, este autor não é um “negacionista” na acepção atual da palavra. Muito pelo contrário, é 
um árduo defensor na ciência. Sou um cético nato que gosta de questionar as coisas e investigar. 
Entender as divergências entre pontos de vistas opostos me ajuda a entender melhor as coisas, 
portanto, é muito difícil ver os céticos pintados de forma tão negativa em grande parte da 
discussão sobre o clima. “Negador do clima” e “cético do clima” são termos usados de maneiras 
intercambiáveis, sugerindo que é uma má ideia questionar a ciência climática estabelecida 
principalmente quando circula na grande mídia ao redor do globo a ideia de um consenso 
esmagador que afirma que 97% dos cientistas do planeta concordam que 100% do aquecimento 
global (cerca de 1º C) registrado nos últimos 150 anos é fruto da ação humana. Contudo, quando 
se escrutina a verdade por traz dessa construção alegórica e midiática, quando se alcança os 
bastidores nos quais essas pesquisas foram desenvolvidas o resultado é alarmante e desolador: 
assemelha-se aos trabalhos realizados por estudantes do ensino médio na página do Google. 
 É importante ressaltar que a atividade científica não deve estar pautada em opiniões, 
mas em evidências, portanto, não restam dúvidas de que os termômetros globais subiram nos 
últimos 150 anos e que a interferência humana influenciou nesse aquecimento, porém, a grande 
discussão na ciência climática que se mantém viva é: quanto desse percentual pode ser atribuído 
às ações antrópicas e quanto pode ser atribuído aos fenômenos naturais. 
 A ciência do clima está definida como muitos afirmam? É a única Ciência estabelecida 
que se encontra blindada contra o escrutínio da dúvida e da incerteza? 
 É possível que a História da Ciência forneça algum tipo de lógica para que este tipo de 
raciocínio, baseado no dogma da autoridade científica, tenha algum tipo de sustentação? 
 A mudança climática representa obviamente sérios perigos para toda biosfera, contudo, 
o perigo mais urgente é a “desinformação” e a ascensão do chamado “climatismo”, fenômeno 
que relaciona qualquer evento meteorológico usual do dia-a-dia e, que se repete naturalmente a 
centenas de anos, como se fosse um algo vinculado à mudança no clima. 
 A mudança climática deixou de ser um fenômeno predominantemente físico para se 
tornar um fenômeno social, nesta perspectiva, o “climatismo” se consolidou nas últimas 
décadas tornando-se tão difundido e incorporado no cotidiano que é cada vez mais difícil 
questioná-lo sem ser chamado pejorativamente de “negacionista”. Tal visão, perigosamente 
míope, reduz a condição do planeta ao destino da temperatura global ou da concentração 
atmosférica de dióxido de carbono (CO2). 
 Todo fenômeno tem raízes históricas, portanto, com as mudanças climáticas não poderia 
ser diferente. É preciso, pois conhecer o panorama no qual uma simples e despretensiosa 
hipótese depois de percorrer quase um século de história se tornou uma unanimidade dentro e 
fora da comunidade científica mundial: o efeito estufa antropogênico. 
 Muitos pesquisadores atribuem a “descoberta” do chamado efeito estufa ao matemático 
e físico francês Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830) que trabalhou na teoria matemática 
da condução de calor, porém, isso não é verdade. O estudioso francês nunca utilizou o termo 
“serre” (estufa) em suas pesquisas. Fourier, na verdade, estabeleceu que apenas três fatores 
controlariam as temperaturas do planeta: o calor do sol, o calor interno da Terra e o calor 
emanado da luz das estrelas (a temperaturado espaço) não citou, portanto, o “efeito estufa”.
 O mais próximo que Fourier esteve do efeito estufa foi comparar a atmosfera ao 
funcionamento de um “coletor solar” ou heliotermômetro, instrumento construído e usado, em 
1760), por Horace-Bénedict De Saussure (1740-1799), naturalista, geólogo e alpinista suíço, 
que conduziu uma série de experimentos nos Alpes. O instrumento era formado por uma caixa 
de madeira pintada de preto por dentro com as paredes internas revestidas com lã e cortiça, no 
interior havia um termômetro e em cima da caixa uma tampa feita com vidros transparentes. O 
equipamento se popularizou quando as pessoas passaram a utilizá-lo para aquecer e cozinhar 
alimentos. 
 Desde o século XVIII, com o início da Revolução Industrial, diz-se que a intensificação 
do consumo de combustíveis fósseis teria aumentado as concentrações de CO2 na atmosfera 
elevando também as temperaturas. Sabe-se que as medições de carbono na atmosfera não 
estavam disponíveis antes de 1958 em Mauna Loa nem pela National Oceanic and Atmospheric 
Administration (NOAA) nos EUA, portanto, o carbono fóssil antropogênico e o carbono fóssil 
não-antropogênico nunca foram estimados pela NOAA em seus observatórios ou em qualquer 
outro lugar e, mesmo diante da falta de informações a literatura científica, de maneira geral, 
afirma que todo ou a maior parte do aumento de CO2 desde 1800 foi devido ao componente 
fóssil antropogênico. 
 Alguns pesquisadores, no entanto, na contramão da culpabilidade do homem pelo 
despejo excessivo de carbono na atmosfera a partir da Revolução Industrial, afirmam que o 
clima há cerca de 10.000 anos estava relativamente mais frio e com tendência de resfriamento 
se não tivesse ocorrido um incremento substancial na atmosfera de gases do efeito estufa (GEE) 
pelos nossos ancestrais do neolítico. Antigas civilizações (Mesopotâmia, Babilônia, Assíria, 
Pérsia, Egito, entre outras) também teriam influenciado no aumento das temperaturas ao 
desmatar sem parar as florestas e praticar excessivamente a agricultura. Nessa perspectiva, o 
chamado “Antropoceno”, conceito popularizado, em 2000, pelo químico holandês Paul Crutzen 
(1933- 2021), vencedor do Prêmio Nobel de Química em 1995, para designar uma nova época 
geológica caracterizada pelo impacto do homem na Terra, teria iniciado há muito tempo atrás 
e não a partir de meados do século XIX. 
 A história do Homo sapiens sobre a terra segue analogamente a história da natureza com 
uma regra básica: alterações climáticas constantes. A estabilidade climática ocorreu nos últimos 
12.000 anos somente em curtos intervalos de tempo. As últimas grandes oscilações ocorreram 
durante o último milênio com o “Ótimo Climático” ou Período Quente Medieval (PQM) que 
ocorreu entre os 1000 e 1300 e a Pequena Idade do Gelo (PIG), período de clima relativamente 
frio que afetou a Europa e a América do Norte, entre 1300 e 1850 – há também registros 
documentados de altas e baixas temperaturas na China, o que evidencia que o PQM e a PIG 
foram fenômenos climáticos globais e não locais. 
 A escassez e o esgotamento dos recursos naturais, superpopulação, fome, miséria, 
migração climática, elevação do nível do mar, o problema da camada de ozônio, desertificação, 
aumento na intensidade de furacões no Atlântico Norte, o derretimento dos polos, etc. são 
eventos que começaram a ser alardeados desde meados da década de 1960 o que tornou a 
possibilidade de colapso e destruição total do planeta algo facilmente imaginável. A partir daí 
o Capitalismo se transvestiu de “verde”, “eco” ou “Green New Deal” e tornou-se consenso 
evidente diante da presunção da catástrofe climática anunciada. 
 Margaret Thatcher (1925-2013) ex-primeira-ministra britânica por dois mandatos 
consecutivos (1979-1990), foi uma das primeiras figuras da política internacional a trazer a 
mudança climática como uma emergência global, chegou a levar o assunto para a Royal Society, 
em 1988, e para a Assembleia Geral das Nações Unidas no ano seguinte. Surpreendentemente, 
afirmava em seus discursos que o “livre mercado inviabilizaria seu próprio objetivo se 
ocasionasse danos ao meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas”. 
 Quem diria que o capitalismo poderia oferecer um bom “antropoceno”! 
 Al Gore, afirmou que a sustentabilidade é a maior oportunidade de investimento da 
história. Seu ativismo sobre mudanças climáticas lhe rendeu um Prêmio Nobel da Paz 
(concedido em conjunto com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas-IPCC), 
em 2007. O documentário “Uma Verdade Inconveniente” abocanhou também duas estatuetas 
(Oscar) e um Grammy. Em 2011, Gore publicou o “Manifesto para o Capitalismo Sustentável” 
no qual defende um novo modelo econômico para a economia mundial. A ideia é inspirada no 
conceito de Desenvolvimento Sustentável (DS) que quando surgiu na década de 1980 teve a 
proeza de agradar capitalistas e grande parte do movimento ambientalista, diferentemente do 
conceito de “Ecodesenvolvimento” proposto na década de 1970 pelo economista polonês 
naturalizado francês Ignacy Sachs. 
 Para dar vida ao manifesto Al Gore fundou junto com David Blood, ex-CEO da 
Goldman Sachs Asset Management, a Generation Investment Management, empresa de 
administração de fundos com sede em Londres para acelerar a expansão do capitalismo 
sustentável. A Generation comprou 9,6% de participação da Camco International, empresa que 
desenvolve projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e também fornece 
serviços de consultoria em carbono e desenvolvimento sustentável, incluindo avaliação de 
emissões, gestão de carbono e trabalho de estratégia e política para empresas e governos. Entre 
os clientes da Camco estão o Banco Mundial e a Comissão Europeia. 
 Desde a crise financeira iniciada nos EUA, em 2008, que levou a quebradeira geral de 
empresas e empurrou as economias do globo para a recessão, foi acessa a luz vermelha para o 
Capitalismo. “O Capitalismo corre o risco de desmoronar, precisamos ser mais agressivos”. 
“Investimento verde gera retorno e não apenas brilho clamoroso” alertou Al Gore e David 
Blood em artigo do Financial Times de julho de 2017, que soou mais como um manifesto sobre 
a necessidade de salvar o sistema capitalista do que um apelo à razão para se evitar a “catástrofe 
climática”. Nesse contexto, surge a tábua de salvação chamada “riqueza climática” que se 
tornou uma das maiores oportunidades de investimentos da história. 
 Greta Thunberg converteu-se em uma peça midiática importante para a propaganda do 
Green New Deal: a narrativa da garotinha solitária indignada com a inação dos países ricos em 
decretar o fim dos combustíveis fósseis é a superfície publicitária ideal pela qual passa o 
Capitalismo, que através da monetização da natureza proporcionada pela “crise climática” 
encontra novos mercados para se expandir. Porém, o mundo ainda não está preparado para 
abolir completamente o petróleo, apesar dos esforços dos EUA, Canada, Austrália e União 
Europeia. A transição para a completa “descarbonização” não está ocorrendo de maneira tão 
rápida, eficiente e suficiente para a substituição dos combustíveis fósseis por energia renovável. 
 O mais engraçado é que a energia de baixo carbono não nasce em árvores, sua produção 
exige mineração, uso de combustíveis fósseis, derrubada de florestas, além de diversos 
impactos ambientais, porém, o mito da energia limpa se mantém vivo no imaginário popular e 
na grande mídia. 
 Pouco se fala sobre a atuação de milicianos, do trabalho escravo e da exploração da 
mão-de-obra infantil na extração do cobalto, que é um componente essencial para a fabricação 
de baterias recarregáveis de íon-lítio usadas em smartphones, tablets, laptops e veículos 
elétricos, na República Democrática do Congo, que detém cerca de 75% do suprimento mundial 
de cobalto 2.2 Kara, Siddharth. Cobalt Red: How the Blood of the Congo Powers Our Lives. New York: ST Martin’s Press, 
2023. 
 O processo de obtenção dos Elementos Terras Raras (ETRs) requer a extração de 
minérios sólidos, geralmente após a remoção de grandes quantidades de rochas. Em seguida, o 
minério deve ser processado, criando uma enorme quantidade de resíduos. A purificação de 
uma única tonelada de terras raras requer o uso de centenas de metros cúbicos de água, que 
então fica completamente poluída com ácidos e metais pesados. Como os metais raros se 
tornaram cada vez mais onipresentes em tecnologias verdes e digitais, o lodo extremamente 
tóxico produzido no processo leva a contaminação de cursos de água, lençol freático, solo e a 
atmosfera com os gases liberados pelas chamas dos altos-fornos. Portanto, de limpas, as 
tecnologias verdes, nada tem. 
 Entre as tecnologias futuras que impulsionarão a corrida para a produção das “energias 
limpas”, há uma conexão química fundamental: todos esses elementos fazem parte do grupo 
dos 17 “Terras Raras” - os 15 lantanídeos da Tabela Periódica, do Lantânio (La) ao Lutécio 
(Lu), além do Escândio (Sc) e do Ítrio (Y) 3. Os ETRs formam três subgrupos de acordo com o 
grau de densidade: Elementos Leves (La, Ce, Pr, Nd, Pm), Elementos Médios (Sm, Eu, Gd) e 
Elementos Pesados (Tb, Dy, Ho, Er, Tm, Yb, Lu, Y, Sc). 
 As células solares usam Disprósio (Dy), Neodímio (Nd), e Térbio (Te) para converter a 
luz solar em energia de forma eficiente. Diodos emissores de luz dependem de Európio (Eu) e 
Disprósio para sua luminescência. Neodímio e Samário (Sm) são ingredientes dos poderosos 
ímãs usados em turbinas eólicas e motores elétricos. 
 Os parques eólicos, um dos tipos “mais ecológicos de energia” que muitos consideram 
um componente essencial na luta contra a mudança climática, representa atualmente um dilema: 
estão impactando negativamente a vida selvagem em todo mundo com a morte de pássaros, 
mamíferos marinhos e morcegos acarretando sérias implicações ecológicas como desequilíbrios 
nas cadeias alimentares dos ecossistemas. Os parques eólicos offshore - uma das mais caras 
entre todas as formas de geração - não ficam de fora, pois apesar de não haver ainda estudos 
conclusivos, tem ocorrido um número razoável de mortes de baleia por encalhe em algumas 
regiões dos EUA próximas a esses parques. 
 A obsessão por tecnologias Net Zero desencadeou um boom na mineração, um dos 
empreendimentos que mais causam impactos no ambiente no mundo e transformou o processo 
de extração em “mineração verde”. Quanto mais veículos elétricos nas estradas, mais energia é 
necessária para carregá-los, o que implica na necessidade de se construir mais turbinas eólicas, 
painéis solares e baterias. É uma equação que fica completamente fora de controle devido ao 
gigantesco volume de minerais necessários para suprir à demanda. 
 A demanda por ETRs está crescendo muito rápido. São necessários cerca de 170 quilos 
desses elementos químicos para se gerar um megawatt que é o suficiente para abastecer cerca 
de 900 residências. Prevê-se que a demanda global desses elementos aumente cerca de 5 vezes, 
de cerca de 60.000 toneladas, em 2005, para 315.000 toneladas em 2030. No entanto, sua 
disponibilidade é limitada, apenas China, EUA e Rússia controlam 56% das reservas globais 
desses minerais e 76% de sua produção. Por mais de uma década, a geopolítica, as 
consequências da pandemia de COVID-19 e agora a guerra entre Rússia e Ucrânia 
interromperam as cadeias de suprimentos globais e tornaram os preços voláteis. Entre 2020 e 
2021, alguns desses metais tiveram seus preços triplicados ou quintuplicados após um período 
 
 
 
3 Geng, Yong; Sarkis, Joseph; Bleischwitz, Raimund. How to build a circular economy for rare-earth elements. 
Nature Vol. 619 pp. 248-251 - 13 July 2023. 
 
de relativa estabilidade4. 
 As indústrias verdes da Europa e EUA já enfrentam escassez desses materiais cruciais. 
Para driblar essa situação a montadora de veículos alemã Volkswagem, por exemplo, está 
investindo em mineração para reduzir o custo de produção de baterias para veículos elétricos5. 
 A disputa por mais mercado levou o Departamento de Defesa dos EUA a conceder um 
contrato de 35 milhões de dólares à MP Materials Corporation para processar ETRs. Em 
janeiro de 2023, a mineradora estatal sueca LKAB anunciou que havia encontrado um vasto 
depósito de ETRs, que atualmente é o maior da Europa6. Outro problema complicado é que a 
cadeia de produção desses minerais consome grandes quantidades de energia e água e libera 
poluentes e emissões de carbono. O refino de apenas um quilograma gera de 40 a 110 quilos de 
dióxido de carbono (CO2). O processamento de uma tonelada de óxido de ETRs pode produzir 
cerca de 1,4 toneladas de resíduos radioativos, 2.000 toneladas de resíduos e 1.000 toneladas 
de águas residuais contendo metais pesados7. 
 Como os veículos a combustão interna estão com os dias contados nos países ricos, já 
existe data inclusive para o banimento nas respectivas legislações, os países emergentes serão 
obrigados a pagar a conta pelo excesso de CO2 lançado na atmosfera. A chamada 
“financeirização” das renováveis (energias solares, eólicas e outras tecnologias) impactará 
negativamente na economia, principalmente dos países emergentes. A ideia central da 
economia verde, “diante de um planeta em vias de destruição”, é propor soluções que sejam 
mantidas dentro dos limites do mesmo sistema econômico que devastou os elementos naturais 
por séculos. 
 O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), grande jogador 
constituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para atuar na esfera global das 
discussões sobre a mudança climática tem se dedicado a parcela das mudanças climáticas 
atribuíveis somente às ações antrópicas, apesar do sistema climático ser extremamente 
complexo e não ser possível fazer uma distinção tão clara e óbvia entre o que é natural e o que 
humano. E, apesar dos relatórios elaborados pelos Grupos de Trabalhos não estarem isentos 
daquilo que se atribui o nome de “incertezas”, o Resumo para Formuladores de Políticas retira 
deliberadamente quaisquer tipos de “incertezas”, e isso é captado diretamente pelos demagogos 
climáticos e pela grande mídia. 
 
 
 
 
 
4 Ibidem 
 
5 Kalmowitz, Andy. VW Wants to Become a Mining Company for EV Battery Materials. Disponível em: 
https://jalopnik.com/volkswagen-battery-mining-ev-materials-1850236848. March 17, 2023. Acesso em 10 Jul. 
2023. 
 
6 LKAB. Europe’s largest deposit of rare earth elements now 25% larger – today marks the first step in critical 
review. June 12, 2023. https://lkab.com/en/press/europes-largest-deposit-of-rare-earth-elements-now-25-percent-
larger-today-marks-the-first-step-in-critical-review/. Acesso em: 10 Jul. 2023. 
 
7 Geng, Y.; Sarkis, J. Bleischwitz, R. How to build a circular economy for rare-earth elements, 2023. 
1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS ANTRÓPICAS: BREVE HISTÓRICO 
 
 O clima do planeta Terra está sempre em constante transformação, isso vem ocorrendo 
há bilhões de anos e a ascensão das temperaturas globais vem ocorrendo desde o fim da última 
Era Glacial, quando uma enorme parte do hemisfério norte esteve sob uma camada de gelo com 
mais de um quilômetro de espessura e o nível dos oceanos era inferior ao atual. Sabe-se 
atualmente que entre as principais causas conhecidas das mudanças climáticas estão a 
intensidade da atividade solar; o campo geomagnético, a cobertura de nuvens; os raios 
cósmicos; o vulcanismo; o feedback entre a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre; as 
alterações da órbita terrestre e os gases do efeito estufa. No entanto, a atenção mundial gira 
muito mais em torno dos gases do efeito estufa,especialmente o CO2, ou seja, dentre todos 
esses fatores somente uma hipótese ganhou consistência e tornou-se uma unanimidade dentro 
e fora dos meios acadêmicos nas últimas décadas do século XX. 
 Para alguns pesquisadores a hipótese do CO2 de origem humana interferir nas 
temperaturas e desequilibrar o clima remonta ao final do século XIX e está ancorada nas 
premissas estabelecidas por diversos pesquisadores como o físico e matemático francês Jean 
Baptiste Joseph Fourier (1768-1830) e o químico sueco Svante August Arrhenius (1859-1927). 
Fourie é apontado como o “precursor” da descoberta do efeito estufa e Arrhenius o “pai” da 
teoria do efeito estufa antropogênico, por isso, embora tenhamos a impressão de que os debates 
em torno da hipótese do aquecimento global pareçam uma novidade, o interesse e as 
considerações sobre as alterações climáticas induzidas pelas atividades humanas certamente 
não o são, constituindo-se uma difícil tarefa precisar a origem dessa discussão. Da antiguidade 
grega passando pelos Estados Unidos e pela Europa dos séculos XVII e XVIII, até alcançar os 
dias atuais o tema vem sendo alvo de debates. Como o tema não tem recebido a atenção 
adequada, um dos objetivos desse livro, é justamente resgatar a sua origem histórica e buscar 
subsídios para entender como a tal hipótese foi se consolidando paulatinamente no decorrer dos 
últimos cem anos até atingir o status atual de “verdade científica” incontestável. 
 As possíveis alterações climáticas causadas pela ação humana já foram no passado 
objeto de intensos debates. O filósofo, abade e matemático francês Jean-Baptiste Du Bos (1670-
1742), no livro Réflexions critiques sur la poësie et sur la peinture (1719) afirmava que o clima 
europeu e americano havia se tornado mais ameno em decorrência das derrubadas das florestas 
para a expansão da agricultura. 
 Outros pensadores como o Barão de Montesquieu (1689-1755) e David Hume (1771-
1776) também acreditavam que as mudanças climáticas que estavam em curso na Europa e 
América do Norte tinham como causa a derrubada das florestas para a agricultura: 
 
Assumindo, portanto, que esta afirmação [de Du Bos] esteja correta, de que a Europa 
está se tornando mais quente do que antes, como podemos considerá-la? Basicamente 
por nenhuma outra maneira que não supor que a terra no presente é muito melhor 
cultivada, e que os bosques foram retirados, os quais antigamente lançavam uma 
sombra sobre a terra e impediam os raios solares de penetrarem nela. Nossas colônias 
do norte da América tornaram-se mais temperadas, na proporção em que os bosques 
foram derrubados, mas em geral, cada um pode observar que o frio ainda é muito mais 
severamente sentido, tanto na América do Norte e do Sul, do que em lugares sob a 
mesma latitude na Europa8 (Hume, 1742, pp. 210-211 – tradução livre). 
 
David Hume no ensaio Of the populousness of ancient nations (1742) escreveu que no 
passado as temperaturas eram tão baixas no Mediterrâneo e na Europa que o Rio Tibre em 
Roma permanecia congelado durante o inverno. Ainda nesse ensaio, Hume faz referências aos 
escritos de Diodorus Siculus de que a região da Gália possuía temperaturas extremamente 
baixas no passado; que a Gália, segundo Aristóteles, era tão fria no passado que nem mesmo 
um asno conseguiria suportar o seu clima; que a região da Arcádia (atualmente Grécia), segundo 
Polybius, era muito fria e o ar extremamente úmido; a Itália, segundo Varro, tinha o clima mais 
temperado da Europa e que o norte da Espanha, de acordo com Strabo, era praticamente 
inabitável por causa do frio. 
 Em 1771, Hugh Williamson (1735–1819) professor do Harvard College escreveu: 
 
É normalmente lembrado pelas pessoas que residem há bastante tempo na Pensilvânia 
e nas colônias vizinhas que nos últimos quarenta ou cinquenta anos ocorreu uma 
grande mudança obser-vável no clima, que nossos invernos não são tão intensamente 
frios, nem nossos verões tão desagradavelmente quentes como eram9. 
 
 Segundo Williamson, tais mudanças ocorriam devido à derrubada das florestas que 
permitiriam maior absorção de calor pelo solo e maior circulação dos ventos e, vislumbrando o 
futuro afirmava: “quando as gerações tiverem cultivado o interior do país, raramente seremos 
visitados por geadas ou neves” 10. 
 Thomas Jefferson (1743-1826) em “Notas sobre o Estado da Virgínia” (1781), também 
fez apologia as alterações climáticas: 
 
Uma mudança no nosso clima, entretanto, está se posicionando muito sensivelmente. 
Tanto o calor quanto o frio estão se tornando muito mais moderados na memória das 
pessoas, mesmo as de meia-idade. As neves estão menos frequentes e menos 
profundas. Não permanecem mais, no sopé das montanhas, mais do que um, dois ou 
três dias, muito raramente uma semana. São lembradas como tendo sido, antigamente, 
frequentes, profundas e contínuas. Os idosos informam-me que a terra ficava coberta 
de neve cerca de três meses por ano. Os rios, que dificilmente deixavam de congelar 
ao longo do inverno, quase não se congelam agora 11. (Tradução livre). 
 
 Em 1799, Noah Webster (1758-1843), escritor e professor americano, publicou um 
ensaio no qual criticava as pesquisas sobre mudanças climáticas europeias e norte-americanas. 
De acordo com Webster o clima poderia ter se tornado mais variável em decorrência da 
 
8 Hume, David. Of the Populousness of Ancient Nations. Essays: Moral, Political and Literary. London: T. H. 
Green and T. H. Grose, 1742 [1875]. pp. 210-211. 
 
9 Fleming, James R. Historical perspectives on climate change. Oxford: Oxford University Press, 1998, p.24. 
 
10 Ibidem, p.25 
 
11 Jefferson, Thomas. Notes on the State of Virginia. Boston: Published by Lilly and Wit, 1832, pp 88-89 
atividade agrícola, mas não havia razão para supor que o planeta estava se aquecendo ou que a 
Europa e a América do Norte estariam atravessando mudanças climáticas significativas, por 
isso, os textos antigos sobre o clima deveriam ser colocados de lado, pois não havia neles bases 
seguras para se afirmar qualquer coisa a respeito das mudanças climáticas impulsionadas pela 
ação humana12. 
 Tais ideias também eram corroboradas pelo naturalista alemão Alexander von 
Humboldt t (1769-1859), que questionava as afirmações sobre mudanças climáticas antrópicas 
baseadas unicamente nos relatos dos antigos: 
 
As afirmações tão frequentemente avançadas, apesar de não apoiadas pelas medições, 
de que desde os primeiros assentamentos europeus na Nova Inglaterra, Pensilvânia e 
Virgínia, a destruição de muitas florestas nos dois lados dos Apalaches tornou o clima 
mais homogêneo – com invernos mais suaves e verões mais amenos – são agora 
desacreditados de maneira geral. Nenhuma série de observações de temperatura digna 
de confiança estende-se por mais de 78 anos nos Estados Unidos. Descobrimos a partir 
de observações na Filadélfia que de 1771 a 1814 a temperatura média anual mal se 
elevou em 2.7ºF, um aumento que pode ser largamente creditado à extensão da cidade, 
sua maior população, e a numerosas máquinas a vapor[...] Trinta e três anos de 
observações em Salem quase não mostram alguma diferença [...] os invernos de 
Salem, ao invés de terem se tornado mais suaves, conforme se conjectura, por conta 
da retirada das florestas, resfriou-se em cerca de 4º F durante os últimos trinta e três 
anos 13 (Ttradução livre). 
 
 Os estudos e as discussões a respeito dainfluência das florestas sobre o clima 
prosseguiram, em 1871, o professor do Museu de História Nacional e membro da Academia de 
Ciências, M. Becquerel (1788-1878), em artigo intitulado Forests And Their Climatic Influence, 
tratou das relações entre florestas, agricultura, solo e clima. Becquerel era favorável à 
elaboração de trabalhos respaldados por dados empíricos e a necessidade de se colocar de lado 
as especulações dos relatos dos antigos. Segundo o autor, Alexander Von Humboldt, estava no 
caminho certo quando confrontou os dados fornecidos pelos termômetros espalhados por 
diversas estações no continente americano, com os relatos dos antigos14. 
 Em 1853, ocorreu na Bélgica a Marine Conference Held At Brussels For Devising An 
Uniform System of Meterological Observations At Sea, que produziu o documento intitulado 
Report of the Conference held at Brussels at the invitation of the Government of the United 
States of America, for the purpose of concerting a systematical and uniform plan of 
meteorological observation at sea. Neste documento os países participantes França, Inglaterra, 
Alemanha, Dinamarca, Estados Unidos, Noruega, Portugal, Rússia e Suécia se 
comprometeriam, entre outras medidas, a implantar um sistema uniforme de observação 
meteorológica e marítima e desenvolver um plano geral de observação para as correntes 
atmosféricas e oceânicas com vista à melhoria da navegação. Os países signatários poderiam 
 
12 Fleming, 1998. 
 
13 Von Humboldt, Alexander. Or conplemlations on the sublime phenomena of creation. With scintific 
Illustrations. London: Henry G. Bohn, 1850, pp. 103-104. 
 
14 Becquerel, M. Forests and their Climatic Influence. In: Annual Report of the Board of Regents on the 
Smithsonian Institution. Washington: Government Printing Office, pp. 394-416, 1871. 
 
utilizar seus navios para coletar, armazenar e compartilhar informações estreitando assim os 
laços cooperativos 15. 
 Aos poucos os sistemas nacionais de observações meteorológicas foram se 
desenvolvendo na Europa, Rússia e EUA. As pesquisas sobre o clima passaram a ser 
compartilhadas com o uso do telégrafo e os boletins meteorológicos passaram a circular a partir 
da década de 1870. A coleta e compilação de dados meteorológicos proporcionam assim novas 
perspectivas sobre as questões climáticas e estabeleceram as bases para a Climatologia. 
 
 1.1 Determinismo Climático 
 
 Até alguns séculos atrás, o clima era um problema central para diversos pensadores. 
Muitos atribuíam ao clima um poder enorme acreditando, por exemplo, que a ascensão e queda 
de civilizações inteiras dependeriam do clima e de suas mudanças. O clima teria uma influência 
muito grande no humor, no caráter e no cotidiano das pessoas16. 
 Charles Louis de Secondat, o Barão de Montesquieu (1689-1755) é um dos mais 
conhecidos pensadores quando a referência é o determinismo climático. Montesquieu, com sua 
ênfase no papel do clima sobre a cultura, buscou compreender as influências dos fatores naturais 
e culturais sobre o homem objetivando a elaboração das leis, ou seja, um princípio geral que 
pudesse guiar o bom legislador. No livro L’Espirit des lois (1748) afirma que o clima 
determinaria o caráter dos indivíduos e nações 17. 
 Jean-Baptiste Du Bos (1670-1742), David Hume (1771-1776) e Thomas Jefferson 
(1743-1826), por exemplo, escreveram que o clima exerceria influência direta sobre os 
indivíduos e a sociedade, e que as mudanças climáticas em curso na Europa e América do Norte 
estavam relacionadas com as atividades humanas, Du Bos chegou a afirmar que os gênios não 
nasciam em qualquer clima e que a localização geográfica de uma nação exerceria forte 
influência sobre a mente e os corpos dos indivíduos 18. 
 As ideias de Du Bos, Momtesquieu e Hume permearam as discussões sobre o clima até 
meados do século XVIII. Du Bos desenvolveu uma teoria “ambiental” sobre ascensão e queda 
de eras criativas influenciadas pelo clima. Segundo ele, as diferenças entre as diversas nações 
poderiam ser explicadas pela composição do ar que seria um misto de minúsculas partículas 
(animais e sementes) e emanações oriundas da própria Terra, alterações na qualidade do ar 
poderiam ocasionar mudanças também em seus habitantes. Em relação à qualidade do ar na 
França escreveu ele: “Como a qualidade do nosso ar varia em alguns aspectos e continua 
 
15 Marine Conference. Report of the Conference held at Brussels at the invitation of the Government of the 
United States of America, for the purpose of concerting a systematical and uniform plan of meteorological 
observation at sea. August and September, 1853. 
 
16 Carvalho Jr, Ilton J. Dos mitos acerca do determinismo climático/ambiental na história do pensamento 
geográfico e dos equívocos de sua crítica: reflexões metodológicas, teórico-epistemológicas, semântico-
conceituais e filosóficas como prolegômenos ao estudo da relação sociedade-natureza pelo prisma da ideia 
das influências ambientais. Tese de Doutorado. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas- USP, 2011. 
17 Montesquieu, Baron de (Charles de Secondat). The Spirit of Laws. Canada: Batoche Books, 1742. 
 
18 Fleming, 1998. 
 
invariável em outros, segue-se que os franceses em todas as épocas terão um caráter geral que 
os distinguirá de outras nações” 19. 
 Porém, o Determinismo Climático, ou seja, aquele fator que atribui ao clima a 
capacidade de influenciar a inteligência humana e o desenvolvimento social, é bem mais antigo. 
A história começa com o termo “clima” que tem sua origem na palavra grega klima, que 
descreve a latitude. Os filósofos gregos deduziram que a temperatura em uma determinada 
época do ano variava aproximadamente com o klima, porque a latitude determina quanta 
energia uma região recebe do sol. Utilizando o conceito de “meio-termo”, o equilíbrio ideal ou 
moderação entre os excessos, os filósofos gregos argumentaram que a cultura grega era superior 
às culturas contemporâneas do Norte (climas mais frios) e do Sul (climas mais quentes), pois a 
Grécia, não por coincidência, estava no clima médio. Filósofos gregos e romanos, como Platão, 
Aristóteles, Heródoto, Cícero, Ptolomeu e Plínio, o Velho, parecem ter sustentado pontos de 
vista consistentes com a ideia de Determinismo climático. Hipócrates, por exemplo, acreditava 
que as sociedades equatoriais eram inferiores porque os climas quentes impediam a criatividade 
e o florescimento. Platão e Aristóteles acreditavam que o clima havia contribuído para que os 
gregos se tornassem altamente desenvolvidos desde o início, em comparação com outras 
civilizações em climas mais quentes ou mais frios20 
 Durante o Iluminismo (século XVIII), as suposições deterministas ambientais foram 
usadas para justificar a crença de que as culturas nativas das Américas e da África eram 
inferiores para justificar as ações coloniais e imperiais das potências europeias. Por exemplo, o 
filósofo Immanuel Kant argumentou que os europeus eram mais inteligentes e trabalhadores do 
que os povos dos trópicos porque o clima quente persistente diminuía a acuidade mental e a 
motivação. Muitos pensadores americanos e europeus proeminentes mantiveram crenças 
deterministas semelhantes sobre culturas nativas e equatoriais até o século XX 21. 
 
 1.2 Indissociabilidade entre clima e sociedades 
 
 A indissociabilidade entre clima e civilizações, como apontam pesquisas de 
arqueólogos, paleontólogos e pesquisadores do clima, é fundamental para se compreender as 
razões pelas quais no passado impérios se estabeleceram, subsistiram por séculos e de repente 
desapareceram tão rapidamente da história. 
 Após o término do último período glacial ou idade do gelo que ocorreu há cerca de 
10.000 anos, seguiu-se um prolongado período de aumentonas temperaturas globais, o 
chamado Período Holoceno, o mais recente e ainda duradouro período interglacial no qual ainda 
vivemos. Com temperaturas, em média, dois a três graus mais quentes do que as atuais surgiram 
às condições ambientais adequadas que permitiram aos povos nômades tornarem-se 
sedentários. Consequentemente, esse novo modo de vida permitiu ao homem, além de coletar 
e caçar, dedicar-se também à agricultura, a criação e domesticação de animais. Essa fase 
conhecida por Período Neolítico (de 8.000 a. C. a 5.000 a. C.), Idade da Pedra Polida ou 
 
19 Du Bos, Jean-Baptiste. Réflexions critiques sur la poësie et sur la peinture. 1748, pp 214-215. 
 
20 Siddiqi, Akhtar H.; Oliver John E. Determinism, Climatic. Encyclopedia of World Climatology, 2005. 
 
21 Ibidem. 
Revolução Agrícola e Pastoril representa o segundo período da pré-história e tem como 
principal característica o desenvolvimento das sociedades agropastoris. 
 Geralmente as pesquisas que culpabilizam o homem e o CO2 pela escalada no aumento 
das temperaturas globais remetem o problema a intensificação da queima do carvão a partir da 
Revolução Industrial em meados do século XVIII, no entanto, para o geólogo marinho William 
F. Ruddiman, professor do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade de Virgínia, 
nos EUA, autor do artigo The Anthropogenic Era Began Thousands of Years Ago Clima Change 
(2003), há 10.000 anos o clima estava relativamente mais frio e com mais tendência de 
resfriamento se não tivesse ocorrido um incremento substancial na atmosfera de GEE como o 
CO2 e metano (CH4) pelos antepassados neolíticos e agrários precoces por meio dos 
desmatamentos e da prática da agricultura. 
 Não apenas William F. Ruddiman segue essa linha de pesquisa como também outros 
pesquisadores como o professor de geografia da Universidade de Oxford, Michael Williams, 
autor do livro Defloresting the Earth From Prehistory to Global Crisis (2003) e Peter B. 
deMenocal, oceanógrafo e paleoclimatologista do Lamont-Doherty Earth Observatory da 
Universidade de Columbia, autor do artigo Cultural Responses to Climate Change During the 
Late Holocene (2001). Ambos endossam a ideia de que no passado antigas civilizações 
lançaram quantidades gigantescas de CH4 e CO2 suficientes na atmosfera para impactar no 
clima da Terra. Seguindo a lógica desses pesquisadores os nossos habilidosos antepassados da 
Mesopotâmia, Babilônia, Assíria, Pérsia e Egito, por exemplo, teriam influenciado no aumento 
das temperaturas ao desmatar sem parar as florestas e praticar excessivamente a agricultura. 
 Jared Diamond, por sua vez, no livro Colapso: como as sociedades escolhem o sucesso 
ou o fracasso (2005), confronta o mundo com fatos semelhantes indagando os motivos pelos 
quais determinadas sociedades humanas trilharam a via do colapso, enquanto outras obtiveram 
sucesso. Ao examinar as sociedades do passado e da atualidade e, tendo como base as possíveis 
variáveis ambientais que possivelmente poderiam ter influenciado de maneira decisiva no 
destino dessas sociedades, o autor denomina de suicídio ecológico, ou “ecocídio” a 
incapacidade das antigas sociedades compreender a dinâmica dos ecossistemas naturais. 
 Com a descoberta do fogo a humanidade criou a primeira fonte significativa de poluição 
do ar: fumaça e material particulado. A fumaça era um forte aliado para a proteção contra 
mosquitos, porém, irritava os olhos, tornava a respiração difícil e comprometia a capacidade 
pulmonar e consequentemente a qualidade de vida. O Homo heidelbergensis, que viveu entre 
200 e 300 mil anos, cujo crânio foi encontrado em uma mina de chumbo e zinco em Broken 
Hill, Zâmbia, também chamado de Homem de Broken Hill, apresenta evidências de 
envenenamento por chumbo cujo minério provavelmente estava presente nos reservatórios de 
água22. 
 A derrubada de florestas para a agricultura, retirada de madeira para construção de 
habitação, fornecimento de combustível e queimadas, de modo geral, estão entre as principais 
formas pelas quais os humanos transformaram o ambiente. Rastreando o efeito do 
desmatamento induzido pela ação do homem nas economias, paisagens e sociedades ao redor 
do mundo e começando pelas florestas europeias, americanas e tropicais do período pós-glacial, 
ou seja, há cerca de 10.000 anos, Williams (2010), traça o impacto dos incêndios provocados 
pelo homem em atividades de coleta e caça, limpeza de terras para agricultura e outras 
 
22 Williams, M. Deforesting the Earth: from prehistory to global crisis, an abridgment. Chicago: University of 
Chicago Press, 2010. 
 
atividades do período paleolítico ao mundo clássico e o período medieval desmistificando a 
ideia de natureza intocada que existia antes do alvorecer da Revolução Industrial23. 
 Para Crutzen (2002), ao longo da história as atividades antrópicas tiveram apenas efeitos 
locais significativos e que somente a partir da Revolução Industrial (1750) a humanidade se 
tornaria uma força global impactante no ambiente quando amostras de ar presas em gelo, ou 
testemunhos de gelo, mostraram considerável aumento nas concentrações de dióxido de 
carbono e metano na atmosfera e, portanto, estaria influenciando diretamente o clima. Contudo, 
para Ruddiman (2003), implícita a esta visão estaria a ideia equivocada de que a influência 
humana era praticamente insignificante em relação as concentrações dos GEE antes de 1800, 
portanto, o Antropoceno realmente teria começado há milhares de anos24. 
 Algumas civilizações do passado desapareceram ao passo que outras foram bem-
sucedidas. Sociedades do passado que desapareceram como a Groelândia Nórdica; Cahokia 
Mounds que é considerada uma das primeiras cidades com mais de 20.000 habitantes e Anasazi 
dentro da fronteira dos EUA; cidades maias na América Central (o colapso da civilização maia 
ocorreu durante um período prolongado de seca regional, pontuado por secas plurianuais mais 
intensas centradas em aproximadamente 810, 860 e 910 d.C. a seca prolongada afetou o regime 
de chuvas e sobrecarregou os recursos da região o que levou ao desaparecimento dessa 
civilização25); as sociedades Mochica e Tiahuanaco, na América do Sul; a Grécia Miceniana e 
Creta Minoica, na Europa; o Grande Zimbábue, na África; a civilização do Vale do Indo, ou 
civilização harappiana, nome derivado de sua principal cidade, a capital Harappa; a ilha de 
Páscoa no oceano Pacífico, entre outras, entraram em colapso ou desapareceram, deixando para 
trás apenas ruínas26. 
 O declínio e o desaparecimento de civilizações do passado tendem a seguir um padrão 
cíclico similar com destaque para o crescimento populacional que exige consequentemente o 
aumento da produção agrícola que, por sua vez, requer a expansão de áreas para cultivo e 
intensificação da irrigação, depois como consequência, segue-se o processo de abandono de 
terras improdutivas, salinização do solo, escassez de alimentos e recursos naturais, doenças e 
epidemias, crise política, social e econômica, guerras, etc. Contudo, não se pode atribuir em 
nenhum caso de colapso, como os que ocorreram com as civilizações Acadiana (Mesopotâmia, 
2200 a. C.), Maia (Mesoamérica, há 1.200 anos), Moche (Peru, há 1.500 anos) e Tiwanaku 
(Bolívia/Peru, há 1000 anos) ou Cahokia Mounds, unicamente a influência do fator degradação 
ambiental e/ou mudança climática, uma vez que, uma conjuntura de fatores provavelmente pode 
ter contribuído para o declínio e posteriormente para o desaparecimento27. 
 Um artigo publicado por Hou et al (2023) afirma que a mudança climática é cada vez 
mais considerada como um fator importante que pode ter impactado a capacidade dos grandes 
impérios de governar. De acordo com os pesquisadores, a mudança climática promoveu a23 Ibidem. 
 
24 Crutzen, P. I. Geology of mankind. Nature volume 415, p.23 January, 2002 e Ruddiman, William F. The 
Anthropogenic Era Began Thousands of Years Ago. Climatic Change 61: 261–293, 2003. 
 
25 Haug, G. H.; Günther, D. Peterson, L.; Sigman, D.; Konrad, A. H.; Aeschlimann, B. Climate and the Collapse 
of Maya Civilization. Science Vol. 299 pp. 1731-1735 14 March 2003. 
 
26 Diamond, Jared. Colapso: como as sociedades escolhem o sucesso ou o fracasso. Rio de Janeiro: Record, 
2007. 
 
27 Ibidem. 
 
ascensão e queda do Império Tibetano de 600 a 800 d. C.28 
 Conhecido como o “Teto do Mundo”, devido à sua altitude média superior a 4.000 
metros acima do nível do mar, o Planalto Tibetano (PT) pode fornecer um exemplo único para 
se estudar os efeitos das mudanças climáticas na civilização de alta altitude. O PT é 
excepcionalmente sensível a variações nas mudanças climáticas e experimentou mudanças de 
temperatura maiores do que as médias globais atuais durante o seu apogeu. Há muito tempo se 
argumenta que o PT apresenta barreiras biogeográficas substanciais para a colonização humana, 
porém, esta região abrigou um dos impérios de maior altitude do mundo no início do período 
medieval. O Império Tibetano (ou Reino Tubo) começou como uma pequena organização 
política no meio do Yarlung Tsangpo no sul do PT durante o início do século VII. Durante os 
dois séculos seguintes, o Império conquistou outras comunidades políticas e realizou 
campanhas militares nas regiões vizinhas, tornando-se uma “superpotência” de altitude durante 
a Idade Média29. 
 A prosperidade do PT entre os séculos VII e IX sugere que a sincronicidade de 
temperatura quente e alta precipitação foi importante para o funcionamento do regime político. 
O artigo afirma que a região atualmente poderá novamente se beneficiar do fator temperatura 
em decorrência do aquecimento global. 
 Diamond (2007, p.17), aplica uma estrutura de cinco pontos para analisar as sociedades 
do passado que entraram em colapso: “dano ambiental, mudança climática, vizinhança hostil, 
parceiros comerciais amistosos e respostas da sociedade aos seus problemas ambientais”.
 O primeiro conjunto de fatores envolve os impactos que as sociedades inadvertidamente 
infligem ao meio ambiente e: 
[...] referem-se tanto à fragilidade (suscetibilidade a dano) quanto à resiliência (o 
potencial para se recuperar dos danos sofridos), de modo que é possível falar 
separadamente de fragilidade ou resiliência de uma área florestal, de seu solo, de suas 
populações de peixes, e daí por diante. Portanto, o porquê de apenas certas sociedades 
sofrerem colapsos ambientais pode em princípio envolver tanto a excepcional 
imprudência de seus povos, a fragilidade excepcional de alguns aspectos de seu meio 
ambiente, ou ambas as coisas ao mesmo tempo30. 
 
 O segundo fator, mudança climática - diferentemente do uso que se faz atualmente do 
termo, ou seja, intensificação dos GEE por fontes antropogênicas e que seria responsável pelo 
aumento de 1,07 º C nas temperaturas globais nos últimos 150 anos -, diz respeito a variação 
natural do clima que pode se tornar mais quente ou mais frio, mais úmido ou mais seco, ou mais 
ou menos variável entre meses, anos ou mesmo séculos devido a alterações de forças naturais. 
Há um certo consenso entre alguns pesquisadores de que as variações de temperatura em escala 
pré-antropogênica (pré-1850) se devem a unicamente a fatores naturais que atuaram de maneira 
conjunta. Porém, Ruddiman (2003), William (2003) e Demenocal (2001), vão no sentido 
oposto, estabelecendo a hipótese de que as concentrações antrópicas de GEE vem ocorrendo há 
milhares de anos e, portanto, antes do marco temporal da Revolução Industrial. 
 
28 Hou, Juzhi et al. Climate change fostered rise and fall of the Tibetan Empire during 600–800 AD. Science 
Bulletin Volume 68 pp. 1187-1194, 15 June 2023. 
 
29 Ibidem. 
 
30 Diamond, 2007. p. 18 
 
 Para Diamond (2007), houve impacto humano de diversos tipos, especialmente 
desmatamento em várias civilizações assim como houve mudanças climáticas naturais como 
secas severa e seus efeitos interagiram com os efeitos dos impactos ambientais antrópicos. 
 Bem, o que se sabe é que o clima do planeta não possui absolutamente nada de imutável, 
como uma gangorra oscila para cima e para baixo, isto já ocorreu inúmeras vezes e muito mais 
drasticamente do que na atualidade. Assim funciona o planeta Terra desde há bilhões de anos, 
às vezes torna-se mais quente, às vezes mais frio. A história humana segue analogamente a 
história da natureza com uma regra básica: alterações climáticas constantes. A estabilidade 
climática ocorreu nos últimos 12.000 somente em curtos intervalos de tempo31. As últimas 
grandes oscilações ocorreram durante o último milênio, como exemplo, podemos citar dois 
eventos climáticos importantes que afetaram os EUA e a Europa: o “Ótimo Climático” ou 
Período Quente Medieval (PQM), que ocorreu entre os 1000 e 1300 e a Pequena Idade do Gelo 
(PIG), período de clima relativamente frio que ocorreu entre 1300 e 1850 – há também registros 
documentados que reforçam as evidências de que esses dois eventos climáticos teriam ocorrido 
na China e outras regiões do globo, portanto, fenômenos globais e não locais como afirma o 
IPCC 32. 
 A omissão desses eventos climáticos no famoso gráfico “Hockey Stick” rendeu muita 
polêmica e acalorados debates dentro e fora da comunidade científica. Michael Mann, 
pesquisador do departamento de geociências do Massachusetts Institute of Technology, o 
principal autor do artigo Northern Hemisphere Temperatures During the Past Millennium: 
Inferences, Uncertainties, and Limitations (1999), simplesmente sumiu com os períodos 
climáticos fazendo com que o gráfico tivesse uma tendência quase linear com uma pequena 
tendência de resfriamento no final do ano de 1900. Esse episódio é muito importante porque, 
apesar da contestação feita por Steve McIntyre e Ross McKitrick33, o gráfico foi – e até certo 
ponto continua sendo – um dos pilares centrais que sustenta a tese das mudanças climáticas 
antrópicas. 
 Al Gore usou uma versão desse mesmo gráfico no livro e no filme “Uma verdade 
inconveniente” (2007) no qual vincula o aumento das emissões antrópicas de CO2 ao aumento 
das temperaturas no decorrer do século XX, ou seja, estabelece nexo causal entre emissões e 
ascensão repentina da temperatura no mundo. Trata-se assim de um gráfico que mostra como a 
temperatura global tem subido no último milênio com destaque para salto repentino a partir do 
final do século XX. Subitamente aparece no final do gráfico uma drástica subida de maneira 
similar ao formado de um taco de hóquei, passando a ideia de que nunca na história da 
 
31 Pesquisas recentes indicam que entre 2030-2040 o Sol experimentará um novo mínimo grandioso de energia 
solar, isso pode ser observado pelos estudos que analisam a fase de ciclos das manchas solares. Durante os três 
grandes mínimos solares anteriores - Mínimo de Spörer (1440-1460), Maunder (1687-1703) e Dalton (1809-1821) 
- as condições climáticas se deterioraram derrubando as temperaturas como ocorreu durante a Pequena Era do 
Gelo (Mörner, Nils-Axel. The Approaching New Grand Solar Minimum and Little Ice Age Climate Conditions. 
Natural Science - 7, 510-518, 2015. 
 
32 Blüchel, Kurt G. A fraude do efeito estufa. São Paulo: Publishing House, 2008.; Cioccale M. Climatic 
Fluctuations in the Central Region of Argentina in the last 1000 Years. Quaternary International 62, p.35-37, 
1999.; Winter et al. Caribbean Sea Surface Temperatures: Two to Three Degrees Cooler than Present During 
the Little Ice Age. Geophysical Research Letters, v.27, 20, p.3365, Oct. 15 2000.; Fan, Ka-wai. The Little Ice Age 
and the Fallof the Ming Dynasty: A Review. Climate 11, nº 3: 71, 2023. https://doi.org/10.3390/cli11030071 
 
33 Pesquisadores canadenses que refutaram a pesquisa de Mann et al devido a vários erros metodológicos. 
McIntyre, Stephen; McKitrick, Ross. Corrections to the Mann et al (1998) proxy data base and northern 
hemispheric average temperature series. In: Energy & Environment vol. 14 nº 6, 2003, pp. 751-771. 
humanidade ocorreu um período de aquecimento tão intenso e repentino como na atualidade. 
Mesmo diante das contestações e da evidente farsa montada por Mann et al, o IPCC continua 
afirmando que o século XX foi o mais quente dos últimos tempos, ignorando por completo os 
dois episódios da história da climatologia: o PQM e a PIG. Não houve se quer uma retratação 
pública nem o reconhecimento das falhas. O mais interessante é que no seu primeiro relatório, 
de 1990, o Painel do Clima da ONU apresentou os dois períodos climáticos, não admitindo, 
porém, sua abrangência global, ou seja, a ascensão e a queda das temperaturas teria ocorrido e 
afetado apenas o hemisfério norte. 
 O relatório de 1995, por sua vez, apresenta dois gráficos tratando da evolução histórica 
da temperatura, porém, retroage até 1400 e argumenta rapidamente de maneira desfavorável 
aos dois eventos climáticos, que foram definitivamente suprimidos no relatório de 2001, 
obviamente em decorrência da influência dos estudos do climatologista Michael Mann e sua 
equipe. No relatório, de 2007, o IPCC manteve o famoso e questionável gráfico “taco de 
hóquei”, que mesmo sendo desmascarado como manobra de falsificação, ainda continua 
servindo de “base científica” para o IPCC, que apresenta uma escala retilínea da temperatura 
que tem início, em 1800, e de repente curva-se bruscamente para cima no final da década de 
1990 indicando com isso que o aumento das emissões de CO2 pelas atividades humanas estaria 
elevando a temperatura da Terra. Ainda, em 2007, além de levar o Oscar de melhor 
documentário o ex-vice-presidente norte-americano ao Al Gore e o IPCC foram laureados com 
o Prêmio Nobel da Paz “pelo esforço mútuo na luta contra as mudanças climáticas antrópicas”.
 O filme/livro é um verdadeiro compêndio de alarmismo, desinformação e falta de 
cientificidade. Qual a formação científica de Al Gore? Nenhuma, a não ser um autêntico 
profissional do espetáculo político. O documentário que teve sua origem nas inúmeras palestras 
proferidas por Al Gore foi exibido globalmente, contudo, na Inglaterra, único país a tomar tal 
atitude, a Suprema Corte autorizou a exibição do documentário mediante advertência ao público 
de que a película continha nove afirmações não consensuais na comunidade científica34. 
 A discussão sobre o famígero taco de hóquei gerou também um embate jurídico entre 
seu autor, Michael Mann e Timothy Ball (1938-2022) ex-professor do Departamento de 
Geografia da Universidade de Winnipeg, acusado por Mann de calúnia e difamação. Em agosto 
de 2019, o Superior Tribunal de Justiça do Canadá sentenciou Michael Mann como criador e 
produtor de dados científicos fraudulentos, que além de ser condenado por má fé teve que arcar 
com o pagamento das custas judiciais no valor de 700.000 dólares. 
 Antes, em 2005, o caso havia chegado também ao Congresso Americano, o então 
deputado Joe Barton, presidente do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados, 
solicitou a Michael Mann que apresentasse a liberação completa das informações referentes à 
sua publicação para que fosse revista e avaliadas por duas equipes de especialistas, o parecer 
final dos especialistas foram publicados, em 2006, e dei origem ao Relatório Wegman, como 
ficou conhecido o documento que constatou falhas na publicação de Mann e validou grande 
parte das críticas feitas por McIntyre e McKitrik, além de severas críticas à comunidade 
científica por endossar os dados fraudulentos e a falsa ciência do clima35. 
 O clima do planeta Terra tem variado naturalmente como um processo natural ao longo 
 
34 Maruyama, Shigenori. Aquecimento global? São Paulo Oficinas de Textos, 2009. Lewis Jr, Marlo. A ficção 
científica de Al Gore. Portugal: Booknomics, 2008. 
 
35 Lino, Geraldo Luiz. A fraude do aquecimento global. Como um fenômeno natural foi convertido numa 
falsa emergência mundial. Rio de Janeiro: Capax Dai, 2010. 
 
de toda a sua existência, civilizações se estabeleceram e desapareceram ao longo dos tempos 
com evidências de prosperidade durante os períodos quentes, sendo os períodos de 
arrefecimento marcado negativamente por fome, guerras, doenças, desestabilidade econômica 
e política e guerras. Durante o período datado entre 400 a. C. e 200 d. C. conhecido por Ótimo 
Climático Romano as civilizações grega, persa e romana progrediram substancialmente. Nessa 
época os desertos da Ásia Central e o Saara formavam uma savana verdejante com rica 
biodiversidade. A atração de Roma por Cartago ocorreu devido à fertilidade do solo e a 
produção de grãos especialmente o trigo36. 
 Durante o PQM os vikings, nórdicos ou normandos colonizaram a Groelândia, 
aportaram no continente americano, norte do Canadá, e estabeleceram comércio com indígenas 
e esquimós. Durante mais de 300 anos permaneceram na região onde cultivaram cereais e 
criaram animais, contudo, após três séculos de colonização o gelo voltou a fazer parte das 
paisagens da Groelândia e Islândia, não restando aos vikings outra opção a não ser voltar para 
a sua pátria originária na região da Escandinava. Essa guinada nas temperaturas causada pela 
Pequena Idade do Gelo foi responsável por grandes transtornos sociais, políticos e econômicos, 
particularmente na região central da Europa Ocidental 37. 
 A partir das primeiras décadas do século XX os termômetros registram uma leve 
tendência de subida nas temperaturas mundiais que atinge a casa dos 0,4º C que praticamente 
corresponde a cerca de 70% do aquecimento registrado no último século. Nesse período a região 
do polo Ártico registrou uma retração extraordinária de gelo, com registros documentados de 
derretimento intenso do gelo flutuante muito superior ao observado nos dias de hoje. Os fatores 
apontados como responsáveis pela ascensão das temperaturas no período foram o aumento da 
atividade solar e a diminuição do efeito albedo em decorrência da diminuição das atividades 
vulcânicas – vale ressaltar que as temperaturas atuais, por mais que o IPCC negue, ainda são 
inferiores as registradas durante a década de 193038. 
 
 1.3 A hipótese do CO2 controlar o clima 
 
 Ao discorrer sobre a genealogia da teoria do efeito estufa antropogênico observamos 
que a hipótese de que o CO2 de origem humana poderia afetar o clima remonta ao final do 
século XIX e está ancorado nas premissas estabelecidas por vários pesquisadores como o 
francês Jean Baptiste Joseph Fourier (1768-1830), o inglês John Tyndall (1820-1893), o sueco 
Svante August Arrhenius (1859-1927), o francês Claude Pouillet (1790-1868), entre outros. 
 No Brasil escasseiam-se as publicações voltadas para a elucidação do tema, Fourier, por 
exemplo, é muito pouco citado, mesmo na literatura francesa há vários equívocos envolvendo 
as suas reais contribuições. 
 Como poderia Fourier ter “descoberto” o efeito estufa, como muitos afirmam se na sua 
época os gases constituintes da atmosfera ainda não haviam sido identificados? Por que a 
 
36 Blüchel,2008 e Hopper, Hans-Hermann. Uma breve história do homem: progresso e declínio. São Paulo: 
LVM Editora, 2018. 
 
37 Baptista, Gustavo M. Aquecimento global: ciência ou religião? Brasília: Hinterlândia, 2009. 
 
38 Ibidem. 
palavra “serre” (estufa) não aprece nenhuma vez em suas pesquisas? 
 Na verdade Fourier havia se interessado pelo funcionamento de um aparato construído 
por Horace Bénédict de Saussure39(1740-1799), utilizado para estudar a radiação solar e os 
efeitos do calor no alto das montanhas objetivando demonstrar que as diferenças de 
temperaturas entre altas e baixas altitudes não era apenas o efeito direto dos raios solares 
incidindo sobre a Terra. Para fazer isso, ele desenvolveu um coletor de energia, um aparato 
constituído por termômetros envolvidos por várias caixas com painéis de vidros, e com base 
nas observações fornecidas pelo aparelho criado por Saussure, Fourier deduziu que o mesmo 
efeito poderia ocorrer na atmosfera do planeta. Foi assim que ao publicar, em 1824, o 
Remarques générales sur les températures du globe terrestre et des espaces planétaires, ele 
expôs a ideia de que a atmosfera seria capaz de interceptar grande parte da radiação 
infravermelha, denominada por ele como “calor-escuro”, cuja descoberta havia ocorrido, em 
1800, por intermédio dos trabalhos do astrônomo inglês William Herschel (1738-1822), o 
mesmo que descobriu o planeta Urano. 
 Contudo, para Fourier somente três fatores seriam responsáveis pelo aquecimento do 
planeta Terra: o calor do sol, o calor interno da Terra e a luz das estrelas, e não o efeito estufa. 
 Fourier (1827, p. 584), endossava também a ideia de que as atividades humanas 
poderiam provocar alterações no clima: “Os movimentos do ar e da água, a extensão do mar, a 
altura e forma do solo, os efeitos da atividade humana e todas as mudanças acidentais na 
superfície terrestre modificam as temperaturas em qualquer clima” (tradução livre). 
 Nos anos 1820-1830, o físico francês Claude Pouillet (1790-1868) desenvolveu um 
aparelho chamado pyrhéliomèter (pirômetro) que ele utilizava em pesquisas sobre a propagação 
da radiação solar. Segundo Pouillet, a atmosfera terrestre teria a capacidade de reter o calor 
emitido pela superfície e, na busca pela explicação acerca dos fenômenos físicos que 
influenciariam as características do clima ele fez, em 1838, a primeira estimativa sobre a 
constante solar. Utilizando o pirômetro ele obteve um valor de 1228 W/m², valor muito próximo 
da estimativa atual40. 
 Outro importante pesquisador que esteve envolvido com a questão do CO2 foi John 
Tyndall. Tyndall nasceu na Irlanda exerceu a profissão de engenheiro, dedicou-se ao estudo da 
filosofia natural, foi professor da Royal Institution (1853-1887), colaborador, sucessor e 
biógrafo de Michael Faraday (1791-1867), realizou diversos experimentos sobre magnetismo, 
mas notabilizou-se principalmente por seus estudos sobre a condução do calor em gases e vapor 
de água. Realizou diversos experimentos não só para medir a absorção de calor pelo dióxido de 
carbono, mas também pelo vapor de água presente na atmosfera. Estudou também a capacidade 
do vapor, do dióxido de carbono e do metano em absorver o calor dos raios solares, e sugeriu 
 
39 Naturalista, geólogo e físico suíço, inventor do higrômetro, instrumento usado para medir a umidade do ar. 
Diplomou-se pela Universidade de Genebra em 1759. Realizou diversas expedições e experimentos científicos nos 
Alpes, escalou o Mont-Blanc em 1787, suas numerosas excursões pelos Alpes estão relatadas do seu célebre livro 
Voyages dans les Alpes (1796), também foi professor de Filosofia e membro da Royal Society. 
 
40 A constante solar é a quantidade de energia solar que chega a Terra e o cálculo é feito por unidade de tempo e 
área em uma superfície perpendicular aos raios solares, de acordo com a distância média Terra/Sol. Atualmente o 
valor da constante solar é medido por satélites e equivale a 1.367 W/m2. No entanto, o valor da constante solar 
varia de acordo com a atividade solar e, mais ainda, com a excentricidade da órbita terrestre, dessa forma, o fluxo 
solar incidente varia entre valores máximos e mínimos. 
 
que o resfriamento do planeta (eras do gelo) era causado por variações dos níveis atmosféricos 
desses gases. Para Tyndall a água presente em estado gasoso na atmosfera absorveria muito 
mais radiação infravermelha do que o CO2 e seria, portanto, o principal fator desencadeador 
das mudanças climáticas. 
 No final do século XIX, com a publicação do artigo intitulado On the Influence of 
Carbonic Acid in the Air upon the Temperature of the Ground (1896), Svante Arrhenius (1859-
1927), químico sueco ganhador do Nobel de Química de 1903, enalteceu as contribuições de 
Fourier, mas acabou cometendo um deslize ainda hoje perpetrado por muitos historiadores: 
afirmou que o matemático e físico francês teria sido o primeiro na história a comparar a 
atmosfera do planeta com uma estufa. No entanto, basta uma leitura dos documentos originais 
para refutar tal prerrogativa. Como dito anteriormente, a palavra estufa (serre em francês) não 
aparece se quer uma vez nos trabalhos de Fourier e, na introdução de sua memória sobre as 
temperaturas da Terra publicada, em 1824, ele claramente apresentou seu objeto de estudo: 
estabelecer as bases científicas sobre o estudo da temperatura da Terra. É preciso salientar que 
para Fourier, diferentemente de Arrhenius que superestimava o papel do CO2 na regulação do 
clima, as temperaturas do espaço era o fator preponderante no controle do clima do planeta, não 
o efeito estufa41. 
 Svante Arrhenius também fez uma série de especulações em relação ao CO2: se 
houvesse uma redução ou um aumento na quantidade desse gás na atmosfera tal fato poderia 
causar flutuações nas temperaturas do globo; os oceanos exerceriam papel de destaque como 
regulador da quantidade de CO2 na atmosfera (libera quando a temperatura aumenta, e absorve 
quando esfria); a redução na quantidade de CO2 poderia explicar o advento das glaciações; a 
duplicação do percentual de CO2 aumentaria a temperatura da superfície em 4º C; se a 
concentração fosse quadruplicada a temperatura subiria 8º C. Assim, se a quantidade de gás 
carbônico aumentasse em progressão geométrica o aumento da temperatura aumentaria quase 
em progressão aritmética, se houvesse uma redução a tendência seria inversamente 
proporcional. Além disso, a diminuição da quantidade de CO2 acentuaria as diferenças das 
temperaturas, enquanto um aumento nesse percentual tenderia a uniformizar as temperaturas 
do globo 42. 
 Arrhenius simplificou demais o sistema climático, ignorou o fato do vapor de água 
também absorver radiação infravermelha e utilizando a Lei de Stefan-Boltzmann realizou 
cálculos equivocados para a obtenção da temperatura média global, ou seja, ao invés de tirar a 
raiz quarta de cada temperatura para calcular um valor global, ele simplesmente somou todas 
as temperaturas, determinou o valor médio e extraiu a raiz quarta43. 
 O químico sueco foi também o primeiro a estabelecer uma relação direta entre queima 
de combustíveis fósseis e aumento da concentração de CO2 na atmosfera, focando a causa no 
âmbito do ciclo biogeoquímico do carbono. Mas, diferentemente da concepção atual na qual o 
dióxido de carbono é erroneamente confundido com um poluente atmosférico, ele via com bons 
olhos a queima dos combustíveis fósseis, pois o aumento na sua concentração pelas atividades 
humanas poderia ser uma ótima solução técnica para se combater os efeitos de uma nova era 
 
41 Arrhenius, Svante August. On the Influence of Carbonic Acid in the Air upon the Temperature of the Ground. 
In: Philosophical Magazine 5, vol. 4, n 251, pp. 237-276, 1896. 
 
43 Blüchel, 2008 
glacial. Naquela época os riscos de um eventual aquecimento global de origem antropogênica 
soava como algo muito remoto ou mesmo impossível e as especulações em torno do assunto 
permaneceram relegadas ao descrédito, o que levou o renomado meteorologista britânico 
George Clark Simpson (1878-1965) a afirmar que embora pudesse ocorrer variação nas 
concentrações de dióxido de carbono na atmosfera, essas variaçõesseriam incapazes de causar 
efeitos notáveis sobre o clima, pois outros mecanismos como alterações na luminosidade solar, 
a transparência atmosférica, a temperatura dos oceanos e os elementos orbitais da Terra 
desempenhariam papel muito mais importante na regulação do clima 44. 
 Em 1909, Robert Williams Wood (1868-1955), físico e inventor americano publicou na 
Revista Filosófica de Londres um artigo intitulado Note on the Theory of the Greenhouse, no 
qual refutava a hipótese da atmosfera se comportar como uma estufa. Wood construiu dois 
modelos de estufas, uma de vidro e outra de quartzo que não absorveria a radiação 
infravermelha. Sua experiência demonstrou que o aumento da temperatura no interior da estufa 
era devido ao bloqueio da transferência de calor por convecção entre o interior da estufa e a 
atmosfera aberta. Portanto, a absorção pelos GEE não seria o mecanismo principal para aquecer 
o ar próximo à superfície. 
 Os estudos entre CO2 e as mudanças climáticas continuaram, apesar da hipótese não ser 
uma unanimidade entre os pesquisadores e o vapor de água ser reconhecidamente melhor 
absorvedor de radiação. Naquele momento, o aumento nas concentrações de CO 2 e a ascensão 
das temperaturas era apenas uma simples coincidência 45. 
 Porém, não tardou muito até que, em 1938, o pensamento de Arrehenius fosse resgatado 
por Guy Stewart Callendar (1878- 1964), engenheiro especialista em tecnologias do vapor e 
combustão da Associação Britânica das Indústrias Elétricas. A pesquisa de Callendar intitulada 
The Artificial Production of Carbon Dioxide and its Influence on Temperature (1938), 
apresentada na Royal Meteorological Society de Londres afirmava que o aumento das 
temperaturas médias no globo observado desde o início do século XX era resultante do aumento 
das emissões de CO2 provocadas pela queima de combustíveis fósseis e que durante os últimos 
cinquenta anos a combustão desses materiais teria lançado cerca de 150 bilhões de toneladas de 
dióxido de carbono na atmosfera, acarretando um aumento de 10% entre os anos 1900 e 1936. 
 Apesar de questionado por outros autores Callendar manteve-se convicto de que seus 
cálculos estavam corretos e que o efeito estufa intensificado pelo aumento das concentrações 
de CO2 era real, suas conclusões baseavam-se na análise das temperaturas obtidas em 200 
estações meteorológicas espalhadas pelo mundo46. 
 As hipóteses de Callendar foram recebidas com certo grau de ceticismo pela 
comunidade científica, no entanto, em 1941, após os resultados de várias medições, houve uma 
ligeira mudança na opinião de vários pesquisadores que passaram a considerar a absorção de 
calor pelo dióxido de carbono como um grande influenciador do aumento da temperatura 
 
44 Fleming, 1998. 
 
45 Brooks, C. E. P. Geological and Historical Aspects of Climate Changes. In: Malone, T.F. (eds) Compendium 
of Meteorology. American Meteorological Society, Boston, 1951. https://doi.org/10.1007/978-1-940033-70-9_80 
46 Callendar, Guy Stewart. The Artificial Production of Carbon Dioxide and Its Influence on Temperature. 
Quarterly Journal Royal Meteorological Society vol. 64, pp. 223–240, 1938. 
 
global47. 
 Realmente nas primeiras décadas do século XX, entre 1920 e 1930, observou-se um 
rápido e brusco aquecimento da ordem de 2º a 4º C nas temperaturas globais, a causa seria 
atribuída às atividades antropogênicas, principalmente a queima de combustíveis fósseis. Tal 
fenômeno ficou conhecido por Efeito Callendar. 
 Um dos episódios famosos dessa tendência de aquecimento foi a terrível seca que 
assolou diversos estados americanos durante a década de 1930, o que levou Callendar a 
continuar trabalhando com a hipótese da relação direta entre variação de CO2 e aumento da 
temperatura. As súbitas alterações das temperaturas nas primeiras décadas do século XX foram 
objeto de estudo da reportagem do New York Times, de 12 de dezembro de 1938. A reportagem 
apresentava estudos que tentavam diagnosticar a razão do aquecimento percebido na época, 
embora não se soubesse ainda sua causa real. 
 Na contramão da tendência de responsabilização do CO2 como vilão do aquecimento 
global, o matemático sérvio Milutin Milankovich (1879-1958) publicou o livro Mathematical 
science of climate and astronomical theory of the variations of the climate (1930), no qual 
sugeria que os ciclos glaciais eram determinados por variações da radiação solar recebida pela 
Terra e tais variações decorriam das seguintes combinações: a excentricidade, a obliquidade e 
a rotação do eixo terrestre que varia entre 21,8º e 24,4º a cada 41.000 anos. No entanto, essa 
“conexão cósmica”, ou seja, a relação entre o aumento da intensidade solar e o aquecimento 
global só passaria a ganhar aceitação no final da década de 1970, depois que análises nos leitos 
dos oceanos no gelo da Antártica e da Groelândia mostraram evidencias das alternâncias 
climáticas. 
 Durante a Guerra Fria houve também muita especulação a respeito da influência dos 
testes nucleares no clima do planeta. 
 No início da década de 1950, Gilbert Norman Plass (1920-2004), físico canadense fez 
uma série de previsões sobre o aumento do dióxido de carbono na atmosfera e seu efeito sobre 
a temperatura média do planeta. Plass endossando os trabalhos de Callendar, afirmava que o 
acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera poderia se tornar um sério problema num futuro 
próximo. Em 1953, Plass publicou na revista Time Magazine um artigo no qual discorreu sobre 
a relação entre o aumento das emissões antropogênicas de CO2 e o aumento das temperaturas. 
Segundo ele, o aumento de CO2 na atmosfera elevaria a temperatura média do planeta em 1,5°C 
a cada 100 anos. 
 Em 1958, começaram as medições de CO2 no vulcão Mauna Loa no Havaí pelo químico 
Charles David Keeling (1928-2005). A partir de então, a relação direta entre o aumento de gás 
carbônico e a elevação da temperatura passou a ser conhecida como Curva de Keeling. As 
medições que tiveram início no ano de 1958 até os dias atuais seria uma evidência, para aqueles 
que defendem a tese do aquecimento global exclusivamente antropogênico, que o planeta 
estaria em processo de aquecimento acelerado. 
 Em 1963, a Fundação Conservação patrocinou uma conferência sobre as implicações 
do crescente aumento de CO2 na atmosfera que foi presidida pelo próprio Charles Keeling. O 
relatório final da conferência afirmava que o aumento das concentrações de CO2 acabaria 
provocando uma elevação de até 4º C nas temperaturas, o que acarretaria inundações, 
 
47 Fleming, 1998. 
derretimento de geleiras e elevação do nível dos oceanos. 
 No entanto, naquele mesmo ano, contrastando com o aquecimento global, a 
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) convocou uma 
conferência em Roma para discutir os efeitos do resfriamento global sobre a produção de 
alimentos. O principal pesquisador ouvido foi o climatologista e especialista no estudo de 
climas do passado, o inglês Hubert H. Lamb (1913- 1997), diretor do Centro de Pesquisas 
Climáticas da Universidade de East Anglia. Lamb era um opositor a tese de que o CO2 teria 
uma influência determinante sobre o clima terrestre. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 RESFRIAMENTO OU AQUECIMENTO GLOBAL? 
 
 Não tardou muito para que a hipótese de aquecimento global “esfriasse”. Contrariando 
as tendências de aumento nas temperaturas o período pós-guerra (1946-1976) foi marcado pelo 
descenso das temperaturas, justamente no intervalo de tempo de maior atividade na produção 
mundial em que a economia global prosperou com necessidade de investimento constante na 
geração de energia elétrica e consequentemente aumento das emissões dosGEE. Com a queda 
de - 0,2º C nas temperaturas alguns pesquisadores e governos da época (década de 1970) 
trabalhavam com a hipótese de um inevitável resfriamento global. 
 Entre as décadas de 1960 e 1970, portanto, a discussão sobre aquecimento global cedeu 
lugar à possibilidade de resfriamento com base na redução das temperaturas que vinha 
ocorrendo desde a década de 1940. 
 Intencionando responder a essa questão a revista Science, uma publicação da American 
Association for the Advancement of Science (AAAS), publicou um estudo afirmando que as 
temperaturas estavam em decaimento em decorrência do aumento das concentrações de 
aerossóis na atmosfera causada pela poluição. 
 A publicação saiu no dia 09 de julho de 1971, o artigo Atmospheric Carbon Dioxide and 
Aerosols: Effects of Large Increases on Global Climate, dos pesquisadores S. Ichtiaque Rasool 
e H. Stephen Schneider afirmava que a diminuição das temperaturas globais estaria ocorrendo 
em decorrência do aumento nas concentrações de aerossóis liberados por causa da queima dos 
combustíveis fósseis. Segundo os autores, o material particulado liberado pelo homem na 
atmosfera poderia filtrar a luz solar e caso as concentrações continuassem em progressão as 
temperaturas poderiam cair cerca de seis graus, resultando em um acúmulo de glaciares que 
eventualmente poderia se espalhar, cobrir grandes extensões de terras e desencadear uma nova 
era glacial por volta do ano de 2021. 
 Em 1971, John Holdren pesquisador da Universidade da Califórnia e Paul R. Ehrlich da 
Universidade de Stanford publicaram o livro Global Ecology: Readings Toward a Rational 
Strategy for Man. No sexto capítulo do livro Overpopulation and the Potential for Ecocide, os 
autores discorrem sobre a probabilidade de uma nova era glacial ocorrer devido às atividades 
humanas. Segundo os autores, a transparência reduzida da atmosfera em decorrência da 
poluição do ar seria responsável pela queda de 0,2º C nas temperaturas e apesar desse número 
parecer insignificante ele poderia chegar a menos 4º C, o que seria suficiente para dar início a 
uma nova era do gelo. 
 Em 1972, o pesquisador R. K. Matthews da Universidade Brown e George Kukla da 
Universidade de Columbia enviaram ao então ex-presidente Richard Nixon (1913-1994) uma 
carta alertando para os perigos de uma nova era glacial. Na carta eles informam que a principal 
conclusão de uma recente conferência sobre mudanças climáticas apontava como inevitável o 
resfriamento do planeta e que a taxa de resfriamento acelerado do hemisfério norte seria 
suficiente para desencadear uma nova era glacial nos próximos cem anos 48. 
 Nessa nova tendência o frio passou a ser manchete em vários jornais e revistas nos EUA: 
“os climatologistas estão pessimistas se os líderes políticos tomarão alguma ação positiva para 
compensar a mudança climática, ou mesmo para mitigar seus efeitos”? Alguma semelhança 
com as previsões atuais? Sim, mas com uma pequena diferença: o texto foi publicado pelo 
 
48 Broecker, Wallace S. The End of the Present Interglacial: How and When? Quartenary Science Reviews, vol. 
17, pp. 689-694, 1998. 
jornalista Peter Gwynne na revista Newsweek de 28 de abril de 1975 e faz referência ao 
resfriamento e não ao aquecimento global. 
 
 
 
 No dia 08 de agosto de 1974, o jornal The New York Times noticiava que a comunidade 
científica estava preocupada com a possibilidade de redução na produção mundial de alimentos 
em decorrência do resfriamento global já que uma nova era glacial estava em curso. Outra 
matéria publicada no dia 21 de maio de 1975, assinada pelo jornalista Walter Sullivan com o 
título Scientists Ask Why World Climate Is Changing; Major Cooling May Be Ahead, 
reafirmava que a comunidade científica estava preocupada com as mudanças climáticas e que 
muitos cientistas estavam convictos de que as baixas temperaturas era um claro sinal de que 
uma nova era glacial estava próxima. De acordo com a matéria, mais cedo ou mais tarde um 
grande resfriamento do clima seria inevitável. 
 
 
 
 O resfriamento global também foi capa da revista Time em vários momentos naquele 
período: The Big Freeze (31 de janeiro de 1977) e How To Survive the Coming Ice Age (8 de 
abril de 1977). Mas, se a quantidade de CO 2 estava aumentando, como explicar a queda nas 
temperaturas? 
 As consequências do possível resfriamento para o ambiente, economia e segurança 
alimentar também foram objetos de pesquisas do governo norte-americano como demonstram 
os relatórios A Study of Climatological Research as it Pertains to Intelligence Problem (1974) 
e Report of the Ad Hoc Panel on the Present Interglacial (1974), publicados respectivamente 
pelo Departamento de Mudanças Climáticas da Agencia Central de Inteligência (CIA) e pelo 
Federal Council for Sciense and Technology. 
 A revista Science News publicou um artigo em 1975, do pesquisador John H. Douglas, 
chamado Climate Changes: Chilling Possibilities. O artigo endossava a tese de resfriamento 
global tendo como referência os diversos trabalhos da literatura da área publicados até então, 
como o relatório da National Academy of Sciences sobre mudanças climáticas e o trabalho de 
Rasool e Schneider49. 
 Em junho de 1972, ocorreu em Estocolmo na Suécia, a primeira Conferência das Nações 
Unidas para o Ambiente Humano cujo mérito principal foi introduzir a temática ambiental nas 
relações internacionais abrindo caminho para a implantação de uma série de tratados 
internacionais, bem como, a criação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA), sendo que o primeiro diretor executivo nomeado para o órgão foi Maurice Strong 
(1929-2015), diplomata e empresário canadense ligado a área do petróleo e da mineração que 
também atuou como subsecretário-geral da ONU. 
 Antes de ser nomeado para a conferência, Strong foi executivo do alto escalão da 
empresa de energia Power Corporation e cargos no governo do Canadá. Também mantinha 
numerosos vínculos de negócios com a família Rockefeller, tais condições, por incrível que 
pareça, o credenciou para assumir o papel de executivo-chefe do embrionário movimento 
ambientalista globalizado. 
 Durante a conferência Maurice Strong advertiu urgentemente as nações sobre o advento 
do aquecimento global, a devastação das florestas, a perda da biodiversidade e finalmente sobre 
tendência mundial do aumento descontrolado da população. Ele propôs também um imposto a 
ser cobrado sobre cada barril de petróleo produzido, esses recursos seriam utilizados em 
programas de esclarecimentos sobre as consequências da poluição em qualquer parte do globo. 
 Durante os anos em que esteve no cargo (1972-1975), Strong promoveu ativamente a 
popularização das principais ameaças para atmosfera representada pelo uso dos combustíveis 
fósseis e produtos químicos como o gás refrigerante Clorofluorcarbono (CFC) que estaria 
supostamente reduzindo a chamada camada de ozônio” e articulou a aproximação entre o 
PNUMA e a Organização Meteorológica Mundial (OMM), estabelecendo assim o arcabouço 
institucional para a politização dos temas climáticos. Alguns anos mais tarde Strong seria um 
dos principais organizadores da Cúpula da Terra (Conferência Rio-92), da Convenção sobre 
Mudanças Climáticas e das negociações do fracassado Protocolo de Kyoto. 
 Durante os anos de 1980 os termômetros registrariam novamente uma tendência para o 
aumento das temperaturas e com o sucesso do Protocolo de Montreal para a questão da camada 
de ozônio foi seguido por outro encontro a Conferência Global sobre Mudanças Atmosféricas 
(1988) - ou Conferência de Toronto como ficou conhecida. Seguindo o modelo do Protocolo 
 
49 Rasool, Ichtiaque.; Schneider, Stephen. Atmospheric carbon diox-ideand aerosols: effects of large increases 
on global climate. Science 173, pp. 138-141, 1971. 
 
de Montreal a Conferência de Toronto foi a primeira a estabelecer metas específicas de redução 
dos GEE. 
 No final da década de 1980 a OMM e o PNUMA, sob os auspícios da ONU 
reconheceriam formalmente a ameaça do aquecimento global e estabeleceriam, em 1988, a 
criação do IPCC. 
 A escolha dos membros do IPCC é baseada na experiência e na área de pesquisa, já as 
indicações são feitas pelos governos e ratificado pelo comitê diretor do painel, que pode 
também eleger membros independentemente dessa indicação. Em 1990, seis brasileiros 
participaram do Primeiro Relatório de Avaliação (AR1), no Quarto Relatório, (AR4) de 2007 
foram 35 pesquisadores e no Sexto Relatório de Avaliação (AR6) o país contou com a 
participação de 21 cientistas. Após a compilação e revisão os relatórios produzidos são 
encaminhados aos países membros da ONU para o crivo governamental para posteriormente 
ser revisado e finalizado. 
 O IPCC não faz ciência, é um painel de especialistas que apenas compila resultados 
científicos publicados na literatura específica. Por exemplo, a resposta para a indagação a 
respeito de quanto será o aumento das temperaturas para o próximo século, não é dada 
diretamente pelo IPCC, mas sim pelos artigos científicos que embasam os seus relatórios, não 
são por isso uma projeção do Painel, mas sim de artigos selecionados no meio da comunidade 
científica. 
 A cada quatro anos, aproximadamente, o painel realiza uma compilação dos últimos 
resultados de pesquisas relacionadas às mudanças climáticas globais. Desde a publicação do 
seu primeiro relatório o IPCC tem sido promovido como órgão que representaria a máxima 
autoridade científica mundial em relações as questões climáticas, obviamente também tem 
recebido críticas severas em relação as suas previsões e publicações. 
 Em 2001, o órgão divulgou seu Terceiro Relatório (AR3) no qual afirma que a 
participação da ação humana no aquecimento recente estaria em torno de 66% a 90%. Como 
consequência, teríamos temperaturas elevadas com ondas de calor mais intensas e episódios de 
chuvas torrenciais mais frequentes, enquanto, em algumas áreas do planeta as estiagens se 
aprofundariam. Esse relatório incluiu o famoso gráfico Taco de Hóquei de autoria de Michael 
Mann e colaboradores no qual foi omitido a PQM e a PIG que constavam no Primeiro Relatório 
de Avaliação publicado, em 1990 (AR1, 1990), como citado anteriormente. 
 Andrew Montford, autor do livro The Hockey Stick Illusion: Climategate and the 
Corruption of Science (2010), afirma que o gráfico de Mann foi construído para justificar a 
ideia de que nunca na história moderna da humanidade houve um período de aquecimento 
global tão intenso e repentino. 
 Em 2003, os pesquisadores canadenses Stephen McIntyre e Ross McKitrick publicaram 
o artigo Corrections to the Mann et al (1998) proxy data base and northern hemispheric 
average temperature series, no qual demonstraram alguns erros empregados e empreenderam 
a revisão de todas as séries de dados. O resultado foi publicado na revista Energy and 
Environment. Os autores chegaram à conclusão de que o formato de taco de hóquei era 
inconsistente e fruto de sucessivos erros e apresentaram um novo gráfico totalmente 
reestruturado50. 
 No relatório publicado, em 2007 (AR4), foram prognosticados que as temperaturas 
globais aumentariam em até 6,4º C; o nível do mar subiria em até 59 cm, haveria aumento na 
frequência de ondas de calor, chuva, seca, ciclones tropicais, riscos de extinção de até 30% da 
biodiversidade do planeta, “savanização” da Floresta Amazônica, derretimento das geleiras do 
Himalaia, entre outros. 
 Ainda em 2007, ano em que Al Gore e o IPCC receberam o Prêmio Nobel da Paz por 
seus “esforços no combate às mudanças climáticas”, na Inglaterra a Alta Corte de Justiça 
Britânica caracterizou o filme como alarmista e exagerado no apoio à sua tese política, 
recomendando que antes da exibição fosse feita uma advertência ao público devido à falta de 
comprovação científica nele expressa, como o relato de que as grandes tempestades sobre os 
oceanos Atlântico e Pacífico teriam aumentado cerca de quase duas vezes em relação a 
intensidade e frequência da década de 1970. 
 Em dezembro de 2007, uma carta assinada por um grupo de 100 cientistas de dezenove 
países foi enviada para o então Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-Moon criticando a 
falta de embasamentos científicos nos relatórios do IPCC51. 
 A oposição ao relatório foi tanta que foi criado o Global Warming Petition Project, 
também conhecido como a Petição do Oregon. O documento é uma petição assinada por cerca 
de 31.000 signatários, sendo 9.000 doutores. A petição foi encaminhada ao governo americano 
exortando os políticos a rejeitar quaisquer políticas baseadas em preocupações sobre o 
aquecimento global e, em particular ao Protocolo de Kyoto. 
 
50 McIntyre, Stephen; McKitrick, Ross. Corrections to the Mann et al (1998) proxy data base and northern 
hemispheric average temperature series. In: Energy & Environment vol. 14 nº 6 pp. 751-771, 2003. 
 
51 Financial Post. Open letter to UN Secretary-General: Current scientific knowledge does not substantiate Ban 
Ki-Moon assertions on weather and climate, say 125-plus scientists. Nov 29, 2012. Disponível em: 
https://financialpost.com/opinion/open-climate-letter-to-un-secretary-general-current-scientific-knowledge-does-
not-substantiate-ban-ki-moon-assertions-on-weather-and-climate-say-125-scientists. Acesso em 27 Jun. 2023. 
 
 Em 2009, a credibilidade dos dados contidos no relatório (AR4) continuou a ser abalada 
quando a mídia noticiou o vazamento de informações sigilosas contidas nas mensagens 
eletrônicas (e-mails) trocadas entre os cientistas ligados ao IPCC, o caso ficou conhecido como 
Climategate. 
 Os arquivos com mensagens eletrônicas e documentos armazenados em um servidor da 
Unidade de Pesquisas Climáticas da Universidade de East Anglia (Inglaterra), um dos três 
grandes centros de compilação das temperaturas mundiais, foi enviado a um servidor na cidade 
russa de Tomsk de onde se espalhou rapidamente pela internet. Foram mais de 1000 e-mails e 
cerca de 2000 documentos cobrindo o período de 1996 a 2009. O exame dos documentos 
revelou, entre outras coisas, a manipulação de dados visando omitir as tendências de declínio 
das temperaturas mundiais. O episódio levou um grupo de 12 cientistas independentes a fazer 
uma série de recomendações ao IPCC. De acordo com os cientistas, que incluem um brasileiro, 
o físico Carlos Henrique de Brito Cruz, o painel do clima precisaria passar por mudanças na 
sua gestão e na coleta de informações52. 
 Em 2010, o número 1 do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri (1940-2020) foi acusado 
de conflito de interesses, pois o instituto que ele dirigia na Índia recebeu 100 mil euros do 
Deustche Bank e 80 mil dólares da Toyota para prestar consultoria a essas empresas, nesse 
mesmo ano, a ONU nomeou um conselho independente de cientistas para revisar os trabalhos 
do órgão, principalmente pelo trabalho desleixado apresentado no relatório de 2007 que fazia 
declarações imprecisas sobre a condição das geleiras do Himalaia, a extensão da Holanda que 
enfrenta risco de inundação devido à elevação do nível do mar e a agricultura na África. Os 
erros – combinados com um escândalo envolvendo e-mails vazados da Unidade de Pesquisa 
Climática da Universidade de East Anglia – abalaram o apoio público à ação contra a mudança 
climática. O IPCC admitiu ter incluído erroneamente no relatório a informação de que as 
geleiras do Himalaia poderiam desaparecer até 2035, em um erro creditado por Pachauri a uma 
“falha humana”. 
 Contrariandoos cenários apresentados pelo IPCC, cuja argumentação está baseada em 
modelos de computador e cenários futuros, o Geofísico Nils-Axel Mörner prevê um declínio 
acentuado nas temperaturas globais para os próximos cinquenta anos. Mörner, ex-presidente do 
departamento de Paleogeofísica e Geodinâmica da Universidade de Estocolmo, afirma que o 
sol estará em um novo e importante mínimo solar que resultará em uma nova Idade do Gelo. 
 
52 Montford, A.W. The Hockey Stick Illusion. Climategae and the Corruption of Science. London: Stacey 
International, 2010. 
 
As ideias de Mörner baseiam-se na teoria dos raios cósmicos desenvolvida pelo dinamarquês 
Henrik Svensmark, pesquisador do Centro Espacial Nacional da Dinamarca que propôs a teoria 
chamada “Cosmoclimatologia” na qual estabelece um mecanismo natural para explicar as 
flutuações climáticas. Segundo o pesquisador, existe uma conexão direta entre o fluxo de raios 
cósmicos do espaço e a cobertura de nuvens. 
 Quando a atividade solar se torna mais ativa o fluxo de raios cósmicos diminui, a 
quantidade de nuvens se reduz e a temperatura global se eleva. Por sua vez, quando a atividade 
solar está em baixa, como ocorreu durante a PIG, o fluxo de raios cósmicos torna-se mais 
intenso, a quantidade de nuvens aumenta e as temperaturas globais entram em descenso53. 
 O resfriamento e não o aquecimento global, como tendência para os próximos anos, 
também é defendido pelo canadense Timothy Ball (1938-2022), um consultor ambiental e ex-
professor de climatologia da Universidade de Winnipeg. De acordo com Ball, as temperaturas 
estiveram em alta de 1680 até 1940, mas a partir de 1940 entraram em declínio como 
demonstrariam os dados fornecidos por satélites. 
 A rede de televisão britânica BBC, em 2007, exibiu um documentário chamado “The 
Great Global Warming Swindle”, que traz os argumentos de vários cientistas que discordam 
que o CO2 liberado pela atividade humana esteja causando a elevação das temperaturas globais. 
 O documentário argumenta que o aumento das concentrações de CO2 na atmosfera não 
tem relação com as mudanças do clima e que tais mudanças podem ser explicadas com melhor 
precisão pelo efeito da radiação cósmica incidente sobre o planeta e pela intensificação da 
atividade solar do que pela teoria do dióxido de carbono. 
 Em 2010, as incertezas a respeito das mudanças climáticas causadas por atividades 
antrópicas, levou a Royal Society, organização científica proeminente do Reino Unido, a 
publicar um relatório intitulado Climate change: a summary of the science, apontando as 
incertezas que ainda pairavam sobre as possíveis mudanças climáticas induzidas pelas 
atividades humanas 54 
 Respeitáveis pesquisadores no Brasil e no mundo têm discordado dos relatórios do 
IPCC. Segundo esses pesquisadores, as alterações climáticas fazem parte da história do ciclo 
natural do planeta, são os chamados de “céticos do clima”. 
 Não tardou muito até o debate chegar à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência 
 
53 Svensmark, Henrik; Calder, Nigel. The chilling stars: a new theory of climate change. Cambridge: Icon Books, 
2007. 
 
54 The Royal Society. Climate change:a summary of the Science. London: CryoSat, 2010. 
(SBPC), que durante sua Reunião Anual, em 2010, promoveu um acirrado debate sobre o papel 
da ação humana no clima. De um lado o representante da visão hegemônica que atribui o 
aumento de 100% das temperaturas globais à ação humana, o professor da Universidade de São 
Paulo (USP) e representante do IPCC, o físico Paulo Artaxo. Do outro lado o meteorologista e 
também professor do Departamento de Geografia da USP, Ricardo Augusto Felício. 
 O formato da discussão foi inspirado nos debates eleitorais no qual cada debatedor tem 
vinte minutos para sua exposição inicial. Em seguida, fizeram perguntas um ao outro e 
receberam também questões do público. No final do debate a questão que permaneceu sem 
resposta foi: o aquecimento global é ou não fruto da ação humana? 
 Nas discussões acirradas sobre o percentual de culpabilidade do homem nas mudanças 
climáticas, ambos os lados têm sofrido baixas. James Lovelock Efraim (1919-2022), 
pesquisador britânico e ambientalista mundialmente conhecido por propor a chamada Hipótese 
Gaia, tornou-se quase um cético ao admitir que exagerou e errou nas suas previsões a respeito 
das consequências das mudanças climáticas. Por outro lado, Bjorn Lomborg, ambientalista, 
pesquisador e cientista político dinamarquês, professor adjunto do Copenhagen Business 
Scholl, diretor do Centro de Consenso de Copenhague, ex-diretor do Instituto de Avaliação 
Ambiental em Copenhague e autor do conhecido best-seller The Skeptical Environmentalist 
(2001), cuja obra é considerada uma das principais referências para muitos céticos do clima, 
atualmente defende que a mudança climática é um problema real e o aquecimento global é 
causado principalmente pela ação humana, porém, o pesquisador combate o chamado 
“alarmismo” e defende meios mais inteligentes e menos apocalípticos para o tratamento da 
questão climática55. 
 O Geofísico francês Jean Claude Allegre, membro da Academia Francesa de Ciências, 
ministro da Educação no Governo Lionel Jospin (1997-2002), autor de mais de 100 artigos 
científicos e que há mais de 20 anos alertava para os perigos do aquecimento global 
antropogênico (AGA), agora afirma ser desconhecida à causa das mudanças climáticas. 
 Em 2011, o físico Richard A. Muller da Universidade da Califórnia, muito reverenciado 
pelos céticos climáticos devido a sua posição crítica em relação ao AGA, resolveu mudar de 
lado e assumir o papel de “cético convertido”. Muller, ao ser convidado pelo Comitê de Ciência, 
Espaço e Tecnologia do congresso americano, afirmou que o planeta realmente estava se 
aquecendo em decorrência das atividades humanas, conforme indicavam os modelos 
 
55 Lomborg, Bjorn. False alarm: how climate change panic costs us trillions, hurts tthe poor, and fails to fix the 
planet. Basic Books: New York, 2021. 
 
climáticos, deixando grande parte dos céticos perplexos. 
 Em maio de 2023, o físico estadunidense John F. Clauser, ganhador do Prêmio Nobel 
de Física de 2022, pelas contribuições aos fundamentos da mecânica quântica, não poupou 
críticas as narrativas acerca da emergência climática, chamando-a de “uma perigosa corrupção 
da ciência que ameaça a economia mundial e o bem-estar de bilhões de pessoas”. Clauser 
criticou a concessão do Prêmio Nobel de Física de 2021 aos pesquisadores Syukuro Manabe, 
Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi pelo trabalho no desenvolvimento de modelos usados para 
prever o clima futuro. Ele destacou que os modelos climáticos prevalentes não são confiáveis 
porque não levam em consideração o papel das nuvens, fato inclusive reconhecido pelo próprio 
IPCC que admite que os efeitos das nuvens realmente representam grandes incertezas em 
relação as previsões climáticas: 
 
Uncertainty in the sign and magnitude of the cloud feedback is due primarily to 
continuing uncertainty in the impact of warming on low clouds. [...] Low clouds 
contribute positive feedback in most models, but that behaviour is not well 
understood, nor effectively constrained by observations, so we are not confident that 
it is realistic56. 
 
 Clauser, ainda argumenta que a análise do IPCC (AR5) sobre o papel das nuvens é 
superficial e omite totalmente o processo de transporte de energia, ele também desenvolveu um 
novo modelo climático que inclui o efeito albedo que envolve a luz visível que é refletida por 
nuvens cúmulos que cobrem, em média, metade da Terra. Os modelos existentes subestimam 
muito esse feedback e superestimam o papel do CO2. 
 A capacidade albedodas nuvens modula a quantidade de radiação solar que aquece a 
superfície, quando a cobertura de nuvens aumenta, menos radiação de ondas curtas atinge a 
superfície, levando ao resfriamento. Quando a cobertura de nuvens diminui, como tem 
acontecido desde a década de 1980, mais radiação solar é absorvida. Portanto, a diminuição da 
cobertura de nuvens nas últimas décadas pode explicar o aquecimento registrado entre 1979 e 
2017 57. 
 2.1 Nova Refutação do Efeito Estufa 
 
 
56 IPCC. Climate change 2013: the physical science basis. Working Group I contribution to the 5th assessment 
report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, p.574. 
 
57 Herman, J.; DeLand, M. T.; Huang, L.K.; Labow, G., Larko, D.; Lloyd, S. A.; Mao, J.; Qin, W.; Weaver, C. A 
net decrease in the Earth's cloud, aerosol, and surface 340 nm reflectivity during the past 33 yr (1979–2011). 
Atmos. Chem. Phys. Vol. 13, pp. 8505–8524, 2013. Pokrovsky, O.M. Cloud Changes in the Period of Global 
Warming: the Results of the International Satellite Project. Earth Exploration from S, nº 1 pp. 03-13, 2019. 
Loeb, N.G.; Thorsen, T.J.; Norris, J.R.; Wang, H.; Su, W. Changes in Earth’s Energy Budget during and after 
the “Pause” in Global Warming: An Observational Perspective. Climate, pp. 1-18, 2018. 
 A atmosfera realmente se comportaria como uma estufa? 
 Vimos que Robert Wood, no início do século XX, questionou a analogia feita entre a 
atmosfera terrestre e uma estufa, passados mais de cem anos, em maio de 2011, o professor e 
pesquisador mexicano Nasif Nahle iniciou uma série de experimentos objetivando validar ou 
refutar os resultados obtidos por Wood, em 1909. O artigo intitulado Repeatability of Professor 
Robert W. Wood’s 1909 experiment on the Hypothesis of the Greenhouse Effect (2011), 
concluiu que o efeito estufa ocorre devido ao bloqueio da transferência de calor por convecção, 
portanto, não está relacionado e nem obedece a qualquer tipo de radiação. 
 Outro artigo que refuta a existência do efeito estufa foi publicado pelos pesquisadores 
alemães Gerhard Gerlich e Ralf Tscheuschner. Na pesquisa intitulada Falsication of the 
Atmospheric CO2 Greenhouse Effects Within the Frame Of Physics (2009), os pesquisadores 
concluíram que de acordo com a 2ª Lei da Termodinâmica o efeito estufa não pode existir, 
sendo apenas um mecanismo fictício que não pode se quer ser falseado. 
 Quem também corrobora com tais ideias é o pesquisador brasileiro e árduo defensor do 
ponto de vista cético sobre o clima, o meteorologista do Instituto de Ciências Atmosféricas da 
Universidade Federal de Alagoas, o professor Luiz Carlos Molion. Segundo o pesquisador, no 
artigo Reflexões sobre o Efeito Estufa (2009), o fenômeno do efeito estufa, como descrito nos 
livros de Meteorologia, é questionável e desafia as leis da Termodinâmica 58. 
 
 2.2 Painel Não-Governamental sobre Mudanças Climáticas (NIPCC) 
 
 Em 2007, foi criado o NIPCC, um painel internacional criado por cientistas e estudiosos 
não-governamentais que se dispõe a oferecer uma segunda opinião a respeito dos prognósticos 
feitos pelo IPCC. 
 O painel, como o próprio nome sugere, é um órgão internacional que agrega cientistas 
e acadêmicos que se reúnem para entender as causas e consequências das mudanças climáticas, 
o órgão não tem vínculo formal ou patrocínio de nenhum governo ou agência governamental. 
 O NIPCC busca analisar e interpretar dados e fatos objetivamente sem se conformar a 
nenhuma agenda específica. Essa estrutura organizacional e propósito contrastam com os do 
IPCC patrocinado pela ONU. Sua formação remonta a uma reunião informal realizada em 
Milão, Itália, em 2003, organizada pelo Dr. S. Fred Singer e pelo Science and Environmental 
Policy Project (SEPP). O objetivo era produzir uma avaliação independente das evidências 
científicas disponíveis sobre o tema do aquecimento global induzido pelo dióxido de carbono 
em antecipação ao lançamento do Quarto Relatório de Avaliação (AR4) do IPCC. Os cientistas 
do NIPCC concluíram que o IPCC era tendencioso em relação as projeções futuras sobre as 
mudanças climáticas. Para destacar as deficiências contidas no AR4 do IPCC, em 2008 o SEPP 
fez parceria com o The Heartland Institute para produzir o relatório “Nature, Not Human 
Activity, Rules the Climate”, um resumo da pesquisa para formuladores de políticas que foi 
amplamente distribuído e traduzido para seis idiomas. Em 2009, o Center for the Study of 
Carbon Dioxide and Global Change, juntou-se aos dois patrocinadores originais para ajudar a 
produzir o Climate Change Reconsidered: The 2009 Report of the Nongovernamental 
 
58 Molion. Luiz C. Baldicero. Reflexões sobre o Efeito Estufa. Instituto de Ciências Atmosféricas. Disponível 
em: https://icat.ufal.br/laboratorio/clima/data/uploads/pdf/REFLEX%C3%95ES_EFEITO-ESTUFA_V2.pdf. 
Acesso em 10 Agosto 2022. 
International Panel on Climate Change (NIPCC), uma das primeiras alternativas abrangente a 
se contrapor aos relatórios do IPCC. 
 Em 2010, um site (www.nipccreport.org) foi criado para destacar estudos científicos 
que os cientistas do NIPCC acreditavam que provavelmente seriam minimizados ou ignorados 
pelo IPCC durante a preparação de seu próximo relatório de avaliação. Em 2011, as três 
organizações patrocinadoras produziram Climate Change Reconsidered: The 2011 Interim 
Report of the Nongovernamental International Panel on Climate Change (NIPCC). 
 Em 2013, o Centro de Informações para Estudos de Mudanças Globais, uma divisão da 
Academia Chinesa de Ciências, traduziu e publicou uma edição resumida dos relatórios do 
NIPCC de 2009 e 2011 em um único volume, organizando também no dia 15 de junho, um 
Workshop em Pequim para permitir que os principais autores do NIPCC apresentassem 
resumos de suas conclusões. 
 Em setembro de 2013, o NIPCC lançou Climate Change Reconsidered II: Physical 
Science, o primeiro de três volumes expandindo e atualizando o relatório original de 2009, além 
de oferecer um contraponto ao Quinto Relatório de Avaliação (AR5) do IPCC. 
 Em 2014, foi publicado o segundo volume Climate Change Reconsidered II, subtitled 
Biological Impactsde, com mais de 1.000 páginas de análises de pesquisas científicas que 
concluíram que o impacto do aquecimento global causado pelo homem é benigno e até benéfico 
para a humanidade e o mundo natural. 
 Em novembro de 2015, os três principais autores do NIPCC - Craig Idso, Robert M. 
Carter e S. Fred Singer - escreveram um pequeno livro intitulado Why Scientists Disagree About 
Global Warming: The NIPCC Report on Scientific Consensus, revelando que nenhuma 
pesquisa ou estudo mostra um “consenso” sobre as questões científicas mais importantes no 
debate sobre mudanças climáticas. 
 Em outubro de 2018, o NIPCC lançou o Resumo para Formuladores de Políticas do 
último volume da série, Climate Change Reconsidered II: Fossil Fuels. O volume completo foi 
lançado em 4 de dezembro de 2018 em Katowice, Polônia, durante a conferência climática das 
Nações Unidas, COP-24. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 O IPCC E A CONSTRUÇÃO DO CONSENSO CIENTÍFICO 
 
Não se pode negar que o nível de CO2 na atmosfera está em ascensão (420 ppm, dias 
atuais) e que as temperaturas tiveram uma elevação média de 1,07º C nos últimos 150 anos. A 
grande discussão que se coloca é quanto desse aquecimento pode ser creditado as ações 
antrópicas, ou seja, o quanto a queima dos combustíveis fósseis tem contribuído para este 
aumento. Ainda que seja inegável a influência do homem no clima a contribuição da natureza 
permanece pouco conhecida e pouco quantificada. A ciência do clima ainda está se 
desenvolvendo, portanto, não está de forma alguma "estabelecida". Mesmo que as projeções 
climáticas do IPCC se concretizassemas consequências econômicas seriam muito menores e 
as sociedades, inevitavelmente, teriam que se adaptar às mudanças climáticas da mesma forma 
que sempre fizeram. 
 Em termos científicos, não se pode afirmar com absoluta certeza que o aumento das 
concentrações de CO2 na atmosfera de origem antrópica foi responsável por si só pela elevação 
das temperaturas, isso é somente correlação sem caracterização de causa. O cientista sério deve 
sempre manter seu grau de ceticismo para que correlações casuais não sejam tomadas como 
causa, daí a importância da prática do exercício da dúvida. Mesmo o IPCC em seus relatórios 
não conseguiu dar como certa esta suposição, justamente por falta de dados. 
 Os relatórios do IPCC são publicados a cada quatro anos e envolvem diversas etapas 
conduzidas por três Grupos de Trabalhos, GT I, GT II e GT III. 
 Em 1988, o IPCC foi criado como uma joint venture entre a OMM e o PNUMA para 
aconselhar líderes globais sobre os riscos das mudanças climáticas antropogênicas. Em 1992, a 
cobrança tornou-se mais específica, pois a Convenção Quadro das Nações Unidas para as 
Mudanças Climáticas (UNFCCC) definiu o conceito de “ Interferência Antropogênica Perigosa 
(DAI) no sistema climático. Os cientistas foram convidados a definir o nível de mudança 
climática que constituiria o DAI e avaliar quais poderiam ser suas consequências. Em agosto 
de 2021, um dos três grupos de trabalho do IPCC, o GT I publicou seu sexto relatório abrangente 
(AR6). Grande parte dos meios de comunicação chamou o relatório de devastador e sombrio, o 
secretário-geral da ONU António Guterres afirmou que o relatório é um alerta vermelho para a 
humanidade e, que o documento representa uma sentença de morte para os combustíveis 
fósseis. Crucialmente, o relatório enfatizou que o nível atual de aquecimento, pouco mais de 
um grau Celsius, ultrapassou o limiar DAI. 
 Para se entender o funcionamento e as interferências que o órgão do clima da ONU sofre 
é preciso examinar como os seus relatórios são fabricados e publicados, especificamente o 
“Sumário para formuladores de Política” que é a parte destinada aos líderes dos governos. 
 1º Relatório de Avaliação (1990, AR1) afirma que o “O aumento observado (da 
temperatura no século XX) em grande parte pode ser atribuído a uma variação natural”. 
 2º Relatório de Avaliação (1996, AR2): “A análise das provas indica uma perceptível 
influência humana sobre o clima”. 
 3º Relatório de Avaliação (2001, AR3): “Existem novas e fortes provas de que a maior 
parte do aquecimento observado ao longo dos últimos cinquenta anos é consequência das 
atividades humanas”, neste relatório o órgão considerou como “provável”, ou seja, existe 66% 
de probabilidade de a humanidade ser responsável pelo aumento das temperaturas globais. 
 4º Relatório de Avaliação (2007, AR4): a qualificação subiu para “muito provável”, ou 
seja, havia mais de 90% possibilidade de ser a ação humana o principal agente das mudanças 
climáticas. 
 5º Relatório de Avaliação (2014, AR5): classifica como “extremamente provável”, ou 
seja, há 95% de certeza que os níveis médios de CO2, CH4 e N2O – dióxido de carbono, metano 
e óxido nitroso – são os mais altos dos últimos vinte e dois mil anos, e que a atividade humana 
causou mais da metade do aumento da temperatura observado entre 1951 e 2010. 
 6º Relatório de Avaliação (AR6), denominado “Climate Change 2021: the Physical 
Science Basis”, publicado em 09 de agosto de 2021. Na verdade, este relatório é a primeira de 
três partes e foi divulgado antes da cúpula climática COP 26 realizada em novembro de 2021 
na cidade escocesa de Glasgow. De acordo com o relatório a influência humana no aquecimento 
do planeta é inequívoca e inquestionável. 
 Em fevereiro de 2022, a contribuição do Grupo de Trabalho II para o Sexto Relatório 
de Avaliação avaliou os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas, na biodiversidade 
e nas comunidades humanas nos níveis global e regional, também analisou as vulnerabilidades 
e as capacidades e limites do mundo natural e das sociedades humanas para se adaptar às 
mudanças climáticas. 
 Em março de 2023, com a publicação do chamado Relatório Síntese, o IPCC concluiu 
seu Sexto Ciclo de Avaliação. Nesse ciclo, iniciado em 2015, o IPCC publicou três documentos 
especiais: Aquecimento Global de 1,5°C em outubro de 2018; Mudanças Climáticas e Terra, 
em agosto de 2019 e Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera em um Clima em 
Mudança, em setembro de 2019. 
 Esses relatórios foram seguidos por relatórios de três Grupos de Trabalho. A 
contribuição do GT I para AR6, Climate Change 2021: the Physical Science Basis, lançado, 
em 9 de agosto de 2021. A contribuição do GT II, Climate Change 2022: Impacts, Adaptation 
and Vulnerability, lançado em 28 de fevereiro de 2022. O Grupo de Trabalho III, Climate 
Change 2022: Mitigation of Climate Change, lançado em 4 de abril de 2022. O ciclo foi então 
completado com o AR6 Synthesis Report, Climate Change 2023. Ao todo, o ciclo de avaliação 
durou oito anos e rendeu 7 volumes. Após o grande “ciclo de gestação” o relatório do GT I 
apresenta 2.409 páginas, o GT II, 3.068 páginas e o GT III, 2.913 páginas. 
 Além da natureza extensa dos relatórios, o IPCC como um grande “Big Player” no 
cenário das pesquisas científicas, domina completamente a narrativa científica sobre a mudança 
climática no mundo. Supor algum tipo de consenso quando se observa a quantidade excessiva 
de 8.390 páginas beira a insanidade. Obviamente que acreditar que todos os colaboradores ou 
revisores leram todos os volumes e estão de acordo com todo seu conteúdo é algo surreal, uma 
vez que, em muitos tópicos importantes existem linhas de evidência conflitantes. Admitir que 
o IPCC tenha uma visão única sobre cada tópico não é algo plausível do ponto de vista da 
ciência. 
 O que não se ouve falar na grande mídia é que os cenários do último relatório AR6 do 
IPCC desconsideram tanto a responsabilidade histórica dos países industrializados do Norte 
Global pelas emissões de carbono quanto as necessidades futuras de energia dos países do Sul 
Global. O ônus da mitigação das mudanças climáticas recai diretamente sobre os países em 
desenvolvimento, enquanto os países desenvolvidos continuam a aumentar seu consumo de 
energia sem restrições. Na prática a construção de novos cenários e transformações no sistema 
produtivo com o objetivo de tornar o planeta habitável e sustentável no futuro deve ser para 
todos e não apenas para alguns segmentos da população global., portanto, as desigualdades 
entre Norte e Sul global devem ser amenizadas e não acentuadas. Nenhuma política climática 
global terá sucesso se negligenciar as desigualdades entre as nações. Os meios importam mais 
do que os fins. Colocando isso de forma diferente, existem alguns futuros além de 1,5°C (ou 
mesmo 2°C), portanto, o sucesso da política climática não dever estar restrito apenas a uma 
métrica global de temperatura desejável, é preciso não perpetuar no futuro as desigualdades 
globais históricas do presente. 
 A mudança climática representa obviamente sérios perigos para a vida humana e não 
humana, embora talvez o perigo mais urgente seja a ascensão do “climatismo”, fenômeno 
identificado por Mike Hulme59 que consiste em todo e qualquer fenômeno social, político, 
meteorológico e ecológico que o mundo enfrenta na atualidade, desde a invasão russa da 
Ucrânia até o controle dos incêndios florestais, e que se converte rapidamente em uma questão 
vinculada a mudança no clima. Com complexos desafios éticos, tecnológicos, políticos, 
científicos, econômicos, etc. enquadrados de forma tão estreita, deter a mudança climática se 
tornou o desafio político número 1 na atualidade e tudo o mais se torna subserviente a essa 
proposta. A mudança climática deixou de ser um fenômenopredominantemente físico para se 
tornar um fenômeno social, portanto, circula ansiosamente nos mundos da política doméstica e 
da diplomacia internacional e com força mobilizadora nos negócios, direito, academia, 
desenvolvimento, assistência social, religião, ética, arte e celebridade, entre outros. Nesta 
perspectiva, o climatismo se consolidou nas últimas décadas tornando-se tão difundido e 
incorporado na vida pública que é cada vez mais difícil identificá-lo sem ser descartado como 
um negador do clima. Tal visão perigosamente míope reduz a condição do planeta ao destino 
da temperatura global ou da concentração atmosférica de CO2. 
 Os cenários do IPCC não são simplesmente exercícios acadêmicos: são importantes para 
a implementação de políticas climáticas no mundo real, seja sob a Convenção-Quadro sobre 
Mudanças Climáticas (FCCC) ou em muitos outros cenários internacionais, nacionais e 
multilaterais. A implantação de políticas globais de descarbonização afetará a vida de milhões 
de pessoas no mundo, principalmente na África, que sediou a COP 27 no Egito, e está fadada a 
arcar com grande parte do ônus do sucesso da política climática global. 
 Ainda em relação ao AR6, diversos erros e omissões foram apontados neste relatório. 
Todo mundo comete erros e o IPCC não é exceção à regra, seus relatórios, portanto, estão 
sujeitos ao escrutínio. Obviamente que a admissão dos erros é outra história. Integridade 
científica não é ser perfeito, mas o importante é o processo de autocorreção que infelizmente o 
IPCC desconhece. Como dito anteriormente, as avaliações científicas do painel da ONU são 
importantes em muitas áreas principalmente para os formuladores de políticas. As avaliações 
também podem ajudar a entender as opções políticas e as expectativas de como escolhas 
diferentes podem levar a resultados diferentes60. 
 
3.1 Os Grupos de Trabalho (GT) 
 GT I - A Base da Ciência Física - avalia a ciência física das mudanças climáticas, ou 
seja, reúne evidências científicas de que a mudança climática se deve à ação do homem. Os 
tópicos científicos avaliados por este grupo de trabalho incluem: gases de efeito estufa e 
 
59 Hulme M. Is it too late (to stop dangerous climate change)? An editorial. WIREs Climate Change – pp. 1-
7.2020. https://doi.org/10.1002/wcc.619 
 
60 Pielke Jr, Roger. The Political Agenda of the IPCC. Scientific Assessment or Environmental Advocacy 
Group? 15 mai. 2023. Disponível em: https://rogerpielkejr.substack.com/p/the-political-agenda-of-the-
ipcc?utm_source=post-email-
title&publication_id=119454&post_id=121615460&isFreemail=true&utm_medium=email 
 
aerossóis na atmosfera; mudanças de temperatura no ar, terra e oceano; o ciclo hidrológico e 
mudanças nos padrões de precipitação (chuva e neve); clima extremo; geleiras e mantos de 
gelo; oceanos e nível do mar; biogeoquímica e ciclo do carbono e sensibilidade climática. 
 O último relatório afirma que a ciência física que explica os perigos da interferência 
humana no sistema climático tornou-se inequívoca, o que levou a historiadora Naomi Oreskes 
a afirmar em artigo publicado na revista Scientific American, edição de novembro de 2021, que 
a hora é de redirecionar o foco, uma vez que, a causa é antropogênica, portanto, não haveria 
mais razão para a existência dos trabalhos do GT I do IPCC: “A mudança climática não é mais 
uma questão de ciência física. Portanto, vamos agradecer aos cientistas do clima que 
trabalharam tanto para esclarecer o problema e procurar outras pessoas que contribuam para 
a sua resolução” 61. 
 O GT II- Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade - avalia os impactos das mudanças 
climáticas de uma visão mundial para uma visão regional de ecossistemas, biodiversidade, seres 
humanos e suas diversas sociedades, culturas e assentamentos. Ele considera as 
vulnerabilidades, capacidades e limites desses sistemas naturais e humanos para se adaptar às 
mudanças climáticas e assim reduzir os riscos associados ao clima. 
 O GT III - Mitigação das Mudanças Climáticas – concentra-se na mitigação das 
mudanças climáticas avaliando métodos para reduzir as emissões e remover os GEE da 
atmosfera. Como os GEE podem vir de várias fontes e a mitigação climática pode ser aplicada 
em todos os setores e atividades como energia, transporte, edifícios, indústria, gestão de 
resíduos, agricultura, silvicultura e outras formas de gestão da terra, o grupo não defende 
nenhuma opção específica de mitigação. O Grupo aborda diversos aspectos dos processos de 
mitigação, incluindo viabilidade técnica, custo e ambientes propícios que permitiriam a adoção 
de medidas. 
 Mas o IPCC é mesmo um órgão imparcial e rigorosamente científico como se costuma 
afirmar? 
 É importante destacar que o IPCC não realiza pesquisas científicas, mas seleciona, 
avalia e julga a pertinência ou não da inclusão dos artigos nos relatórios. Obviamente com total 
rejeição e depreciação às publicações científicas que estão em desacordo com os critérios 
ideológicos e políticos do órgão. Vale lembrar que o processo de redação dos “Sumários” do 
IPCC tem sido alvo de críticas de vários cientistas que integram a instituição pela inclusão de 
informações que inicialmente não constavam nos resumos dos GTs. 
 Em 1995, o relator do GT I, o climatologista Benjamin D. Santer, do Laboratório 
Nacional Lawrence Livermore, simplesmente excluiu alguns trechos do relatório final e incluiu 
outros deliberadamente sem o aval dos revisores, com o objetivo explícito de adequar a redação 
à hipótese de aquecimento antrópico, como pode ser verificado do trecho abaixo que foi 
suprimido: 
 
Nenhum dos estudos acima citados mostrou evidências claras de que podemos atribuir 
as mudanças [climáticas] observadas à causa específica do aumento dos gases de 
efeito estufa [...] Embora alguns dos estudos aqui discutidos tenham manifestado a 
detecção de uma mudança climática significativa, nenhum estudo até o presente 
 
61 Oreskes, Naomi. IPCC, You’ve Made Your Point: Humans Are a Primary Cause of Climate Change. It’s time 
to redirect your major focus to how we deal with the problem. Scientific American, November 1, 2021. 
https://www.scientificamerican.com/article/ipcc-youve-made-your-point-humans-are-a-primary-cause-of-
climate-change/. Acesso em: 27 Jun. 2023. 
 
atribui positivamente toda ou parte dela às causas [humanas]. Nem qualquer estudo 
quantificou a magnitude de um efeito de gases de efeito estufa ou aerossóis nos dados 
observados – um tema de relevância primária para os formuladores de políticas62. 
 
Texto acrescentado: O corpo de evidencias estatística no Capitulo 8, quando examinado 
no contexto do nosso entendimento físico do sistema climático, aponta, agora, para uma 
influência humana discernível no clima global 63. 
 O físico de atmosfera Richard Lindzen do Massachusetts Institute of Tecnology (MIT) 
que colaborou na elaboração do 3º Relatório de avaliação (AR3) do IPCC também acusou o 
órgão de manipulação em relação às causas do aquecimento climático. Escreveu ele no Wall 
Street Journal, de 11 de junho de 2001: Com relação às tendências climáticas de longo prazo 
ou o que as causam, não há consenso [...] nós não temos condições de atribuir, de boa 
consciência, ao dióxido de carbono a mudança do clima, nem podemos fazer prognósticos 
sobre o clima do futuro 64. 
 Em 2007 65, o relatório afirmou com muita convicção que havia grande probabilidade 
dos glaciares do Himalaia desaparecer completamente por volta de 2035, e talvez até mesmo 
antes disso, com grau de certeza “muito alta” (em seus relatórios o IPCC indica o grau de certeza 
sobre as afirmações feitas entre parênteses logo após as afirmações: “Confiança muito alta”, 
“Confiança alta”, “confiança média” e “confiança baixa”),portanto, se nada fosse feito todo 
um subcontinente estaria fadado a morrer de sede. 
 Contudo, a verdade veio à tona, o problema não era real e não havia confiabilidade 
científica na previsão catastrófica. Tudo começou quando o Dr Syed Hasnain, professor do 
Indian Institute of Technology Delhi concedeu uma entrevista à revista Down to Earth, em 
1999, citando a referida data. Contudo, como uma publicação extraída de uma obscura revista 
na Índia foi capaz de produzir tamanho impacto a ponto de ser utilizada como referência no 
AR4? 
 Para se esquivar do problema o IPCC optou por citar como referência um relatório de 
2005 do World Wide Fund (WWF), que mencionava uma outra entrevista similar dada pelo 
professor Hasnain à revista inglesa New Scientist – relatório que também não foi submetido a 
avaliação por pares. Posteriormente, o Dr Georg Kaser que, em 2020, foi presidente da 
Comissão de Ciências Criosféricas da União Internacional de Geodésia e Geofísica e professor 
da University of Innsbruck (Áustria), contestou enfaticamente a previsão alarmista e destituída 
de bases científicas do IPCC. Também o geólogo e glaciologista Dr Vijay Kuma Raina, autor 
de um controverso documento de discussão do Ministério do Meio Ambiente e Florestas da 
Índia sobre as geleiras do Himalaia e que liderou duas expedições científicas conduzidas pelo 
Programa Antártico Indiano publicou o artigo Himalayan glaciers: A state of art review of 
glacial studies, glacial retreat and climate change (2009), no qual contestou de forma veemente 
 
62 Lino; Geraldo Luís. A fraude do aquecimento global. Como um fenômeno natural foi convertido numa 
falsa emergência mundial São Paulo: Capax Dei, 2010, p. 85. 
 
63 Ibidem, 85. 
 
64 Blüchel; Kurt. A fraude do Efeito Estufa. Aquecimento global, mudança climática: os fatos. p. 63. 
 
65 IPCC, 2007: Climate Change 2007: Synthesis Report. Contribuição dos Grupos de Trabalho I, II e III ao Quarto 
Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Equipe de Redação do Núcleo, 
Pachauri, RK e Reisinger, A. IPCC, Genebra, Suíça, 104 pp. 
a hipótese de derretimento dos glaciares em tão curto período de tempo em decorrência das 
mudanças climáticas antrópicas. 
 Mas, o caso não estava completamente encerrado. A publicação do artigo científico do 
Dr Raina contrariando as previsões alarmistas desagradou e causou uma reação desmedida por 
parte então presidente do IPCC Rajendra Pachauri, que insistia em defender a tese do Dr 
Hasnain. Soube-se então que Hasnain era funcionário de Pachauri e trabalhava em uma unidade 
do Instituto de Energia e Recursos (TERI) que realizava pesquisas de glaciologia com recursos 
vindos da Carnegie Corporation para pesquisas sobre o derretimento de gelo no Himalaia. A 
suspeita era de que a empresa havia sido criada apenas com o objetivo de receber parte dos 500 
mil dólares oferecido pela Carnegie Corporation, e como ficou evidente na época, a ideia 
alarmista de derretimento dos glaciares plantada por Hasnain e Pachauri foi decisiva para 
assegurar o repasse de verbas e garantir o fechamento do lucrativo negócio. 
 Vários exageros e imprecisões científicas podem ser constatadas na leitura do AR4 de 
2007, vejamos: em 2020, vários países africanos terão sua produção agrícola reduzida em até 
50% devido à escassez de água provocada por alterações no regime de chuvas como 
consequência das mudanças climáticas (na verdade não havia base científica para tal 
informação); a mudança climática irá diminuir a precipitação de chuva na floresta amazônica e 
aumentará intensidade dos períodos de secas severas (porém, o único documento apresentado 
para embasar a previsão não havia passado pelo crivo de avaliadores e estava baseado em um 
artigo produzido pelo Dr Daniel Nepstad, ex-funcionário do WWF, que abordava apenas os 
efeitos das derrubadas de árvores e queimadas não fazendo nenhuma alusão ao tema mudanças 
climáticas); a Holanda é um exemplo de país altamente suscetível tanto à elevação do nível do 
mar quanto à inundação de rios porque 55% de seu território está abaixo do nível do mar; a 
Savanização da Amazônia pode colapsar bioma de forma irreversível (alguns cientistas alegam 
que o relatório foi produzido com base em afirmações não comprovadas por parte de grupos e 
instituições ambientais, que erraram ao desconsiderar inúmeras variáveis sobre as condições 
geográficas locais); dos últimos doze anos (1995-2006), onze estariam entre os mais quentes já 
registrados na história dos registros instrumentais de temperatura em todo o globo desde 1850, 
entre outros 66. 
 Em 2011, o IPCC divulgou o relatório Special Report on Renewable Energy Sources 
and Climate Change Mitigation (SRREN), que trata sobre as energias renováveis e mitigação 
das mudanças climáticas, porém, um dos seus autores era Sven Teske membro do Greenpeace 
na verdade estava atuando em causa própria mediante a autoridade confiável do IPCC. Nesse 
mesmo ano a jornalista canadense Donna Laframboise publicou o livro The delinquent teenager 
who was mistaken for the world’s top climate expert (O adolescente delinquente confundido 
com o maior perito climático do mundo), um compêndio detalhado sobre os métodos de 
trabalho do IPCC. De acordo com a autora grande parte dos cientistas autores dos Relatórios de 
Avaliação (AR) são jovens que se formaram recentemente sem a necessária qualificação e 
selecionados mais em função do grau de engajamento com a causa do aquecimento global 
antrópico do que conhecimento científico específico propriamente dito. Ainda segundo a autora 
grande parte dos colaboradores do IPCC estão ligados à grupos que possuem interesses e 
realizam campanhas políticas ambientais abertamente, que a revisão dos artigos científicos por 
pares não ocorre de maneira satisfatória, pois vinte e um dos quarenta e quatro capítulos do 
relatório de 2011 usavam menos de 60% de fontes revisadas por pares; que autores de capítulos 
 
66 IPCC, 2007. p. 30-31 
 
dos relatórios costumam enfatizar os seus próprios trabalhos em detrimento de outros autores; 
dados são incluídos a posteriori (adhoc) e alongamento de prazos são feitos para permitir 
manipulação, mesmo após estar encerrado os processos de avaliação; alguns capítulos recebem 
contribuição direta de referências que não tem como origem os documentos submetidos ao crivo 
avaliativo, ou seja, provêm da chamada “literatura cinza” ou simplesmente propaganda 
patrocinada por grupos de ativistas ambientais como WWF e Greenpeace 67. 
 É evidente que os relatórios do IPCC apoiam interesses políticos e econômicos, e 
possuem graves falhas do ponto de vista científico. Um simples relatório gera centenas de 
páginas em apenas um capítulo que precisa ser enxugado até atingir um número razoável de 
páginas para facilitar a leitura. Depois de reduzido o texto é submetido à avaliação dos governos 
e do poder econômico que age como sensor do ponto de vista político, econômico e ideológico 
em detrimento dos aspectos científicos. 
 O renomado físico americano Frederick Seitz (1911-2008) que foi professor da 
Universidade de Rockefeller e presidente da Academia Nacional de Ciências (1962 a 1969) do 
EUA em artigo publicado no Wall Street Journal, intitulado A Major Deception on Global 
Warming (1996), escreveu que jamais havia testemunhado tamanha corrupção em processos de 
avaliação por uma banca de especialista do que nos eventos que deram origem a ciência das 
mudanças climáticas: 
 
Este relatório do IPCC, como todos os outros, é tido em alta consideração 
principalmente porque foi revisado por pares. Ou seja, foi lido, discutido, modificado 
e aprovado por um corpo internacional de especialistas. Esses cientistas colocaram 
suas reputações em risco. Mas esterelatório não é o que parece ser - não é a versão 
que foi aprovada pelos cientistas contribuintes listados na página de título. Em meus 
mais de 60 anos como membro da comunidade científica americana, incluindo serviço 
como presidente da National Academy of Sciences e da American Physical Society, 
nunca testemunhei uma corrupção mais perturbadora do processo de revisão por pares 
do que os eventos que levou a este relatório do IPCC 68. 
 
 Na verdade, a hipótese do Aquecimento Global Antropogênico (AGA) foi 
paulatinamente erigida a partir do final da década de 1970 e atualmente se sustenta a partir do 
tripé ciência–política-economia. Porém, causa espanto o fato dos seus proponentes tentarem de 
todas as formas suprimir o debate científico alegando que os 2500 cientistas do IPCC não 
podem estar errados, que existe consenso de que 97% dos cientistas endossam a ideia de AGA 
e que quem discorda desses “fatos” devem ser incluídos no rol dos chamados “negacionistas”. 
Nessa perspectiva seria um absurdo ousar questionar a esmagadora maioria dos proeminentes 
cientistas do mundo, mesmo sabendo-se que o fator inquestionabilidade não faz parte do jogo 
científico, muito menos o uso do “apelo à autoridade”. O que essas pessoas fazem consciente 
ou inconsciente é apelar à falácia natural do argumentum ad verecundiam que é uma expressão 
latina que significa apelo à autoridade ou argumento de autoridade. É uma falácia lógica que 
 
67 Laframboise; Donna. The Delinquent Teenager Who Was Mistaken for the World's Top Climate Expert. 
Toronto: Ivy Avenue Press, 2011. 
 
68 Seitz, Frederick. A Major Deception On Global Warming. The Wall Street Journal. June 12, 1996. Disponível 
em: https://www.wsj.com/articles/SB834512411338954000. Acesso em 10 abr 2023. 
 
 
apela para a palavra ou reputação de alguma autoridade a fim de validar o argumento. 
 É necessário, portanto, salientar que existe uma diferença muito grande em negação de 
fatos científicos e oposição entre teorias rivais no campo da ciência. A oposição cientifica ao 
AGA não pode ser considerada “negacionismo”, isto é falta de conhecimento acerca do 
funcionamento da ciência. Quando se fala em “provar”, como o senso comum conhece, é 
diferente de provar em ciência. Ciência não prova absolutamente nada porque a palavra 
“prova”, em ciência possui outra conotação. A ciência é um empreendimento sempre 
inacabado, portanto, as “verdades” são sempre provisórias e a rivalidade entre teorias opostas 
é salutar para a existência da própria ciência. É preciso deixar bem claro, o trabalho da ciência 
não é obter consenso como muitos pesquisadores colocaram e foram veementemente 
contestados. Consenso é problema de política. Em ciência, consenso não tem a mínima 
importância, pois relevantes são os resultados obtidos por meio das pesquisas passíveis de 
serem reproduzidas. Ademais, o tal consenso científico quando evocado objetiva única e 
exclusivamente vender a ideia de que o debate climático científico está encerrado, o que não é 
verdade. 
 Consenso científico significa julgamento, posição e opinião coletiva sobre determinado 
campo de estudo, mas então qual é o papel do consenso na ciência? 
 O consenso científico, em geral, é o que a maioria dos cientistas acredita ser “verdade” 
sobre um determinado assunto com base em interpretações de supostas evidências que se tem 
à disposição. Em outras palavras, é uma resposta coletiva a uma questão particular. Entretanto, 
os grandes cientistas da história justamente se destacaram porque romperam com o consenso. 
Esta falácia de consenso inexiste na atividade científica, se consensual não pode ser ciência. O 
mais impressionante em tudo isso é que o questionamento permanente do estado geral do 
conhecimento é uma característica intrínseca da atividade científica. Basta uma pesquisa nos 
periódicos da ciência do clima para se perceber o quanto os cientistas estão longe dessa pretensa 
unanimidade. Em ciência duvidar é uma dádiva, os cientistas éticos e honestos e comprometidos 
com a verdadeira ciência procuram refutar os conhecimentos aceitos baseando-se no ceticismo 
para promover avanços nas pesquisas, diferentemente da ciência do aquecimento global que 
tenta convencer as pessoas a não questionar a autoridade da maioria esmagadora dos eminentes 
cientistas. A ciência nunca esteve, não está e nunca estará definitivamente resolvida, é assim 
que ela funciona. 
 Karl Popper (1902-1994), filósofo conhecido por rejeitar as visões indutivistas clássicas 
sobre o método científico, propôs que para uma teoria científica ser aceita deve ser passível de 
falsificação, ou seja, deve ser possível “provar” que é falsa, seja por observação ou pela 
experiência. Em outras palavras, uma boa teoria encerra em si a própria destruição. Em ciências 
naturais não existe proposições imunes aos testes empíricos, portanto, não existem enunciados 
que não estejam sujeitos a contestação. Princípios que se mantém a despeito das evidências 
contrárias e que a experiência não seja capaz de refutar nada mais são do que mitos. Uma 
passagem rápida pela história da ciência é suficiente para que se possa recordar o quanto o 
conceito de consenso científico não é motivo de orgulho. 
 Quando se lê ou se ouve as pessoas dizendo que a ciência do clima está definida, que 
não existem mais dúvidas de que a ação humana é responsável por praticamente 100% do 
aumento de 1,07ºC na temperatura do planeta, que os céticos são pessoas deploráveis por 
negarem as evidências e o consenso científico, que o IPCC é autoridade maior sobre o clima, 
etc. nada disso deve causar espanto, porém, quando historiadores da ciência endossam a ideia 
de consenso científico, que a ciência do clima está resolvida, que o IPCC é a “autoridade” maior 
do clima e, portanto, a sua ciência climática não deve ser questionada, abre-se espaço para a 
seguinte indagação: desde quando uma área científica pode ser considerada definida? A ciência 
não é mais um empreendimento inacabado? A ciência do clima é a única na qual não pode haver 
embate entre teorias opostas? 
 O que também causa espanto é ver a inclusão de nomes de cientistas chamados de 
céticos no mesmo rol daqueles que negam o holocausto, a efetividade das vacinas, os 
terraplanistas e criacionistas, quando na verdade a discordância gira em torno do percentual de 
participação humana no aquecimento observado nos últimos 150 anos. Portanto, sempre que se 
ler ou ouvir a palavra negacionista fora de uma discussão sobre o nazismo ou do campo 
psicológico (negação da doença), estaremos diante de uma desonestidade intelectual, pois há 
dezenas de palavras adequadas para designar qualquer discordância ou ceticismo, além do mais, 
é preciso ficar muito bem claro que questionar não significa “negar”. 
 E o que se sabe verdadeiramente até agora a respeito das mudanças climáticas 
antrópicas? 
 Simplesmente que a questão não está resolvida e muito menos definida! 
 Muito embora as temperaturas mundiais tenham se mantido estáveis nas últimas 
décadas69 o lobby do aquecimento global antropogênico continua bombardeando relatos 
ofegantes de destruição iminente devido ao uso de combustíveis fósseis convencionais pelas 
atividades humanas. Afirma-se a todo tempo que as emissões de dióxido de carbono pela 
queima de carvão, petróleo e gás natural estão causando um aumento perigoso das temperaturas 
globais, intensificando o aquecimento global e portanto, aumentando a ocorrência dos 
chamados fenômenos climáticos extremos como: extinções em massa da biodiversidade; 
elevação do nível do mar que ameaça a existência de nações, prevê-se que a inundação e a 
erosão tornem diversos países insulares como Ilhas Maldivas, no Oceano Índico, e Tuvalu, no 
Oceano Pacífico, inabitáveis até o final deste século70; intensificação de secas, ondas de calor,frio, furacões e tornados; mudanças no regime de chuvas; derretimento de gelo nos polos 
(Ártico e Antártica); intensificação de nevascas como as que assolaram alguns estados 
americanos como o Texas que teve grande parte da produção agrícola comprometida e 
interrupção no fornecimento de energia e água, em 2020. Entre outros. Isso mesmo, você leu 
corretamente: as nevascas, fenômenos naturais e cíclicos que já ocorreram várias vezes no 
passado e, continuarão a ocorrer no futuro, em alguns estados americanos têm como causa o 
aquecimento global induzido pela ação humana71, da mesma forma que surgiram pesquisas 
 
69 Baptista, Gustavo. Aquecimento global: ciência ou religião, p.62-63; Spenser, Roy. Latest Global Temp. 
Anomaly (June '20: +0.43°C). Disponível em: https://www.drroyspencer.com/latest-global-temperatures/. Acesso 
em 13 jul 2020; Jakubaszko; Richard et al. CO2 – aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando? p.50. 
 
70 O nível do mar nas Maldivas está atualmente mais baixo que na década de 1970 e Tuvalu, pesquisa atual sobre 
elevação do nível do mar e mudanças climáticas utilizando dados de sensoriamento remoto demonstrou que nas 
últimas quatro décadas vem ocorrendo um aumento líquido da área de terra em Tuvalu. Os resultados desafiam as 
percepções da perda de ilhas, mostrando que as ilhas possuem características dinâmicas que persistirão como locais 
de habitação no próximo século (Kench, Paul S. Ford, Murray R; Owen, Susan D. Patterns of island change and 
persistence offer alternate adaptation pathways for atoll nations. Nature Communications volume 9, Article 
number: 605, 2018. 
 
71 Há mais de 115 anos, uma onda de frio que ficaria conhecida como “Grande Surto do Ártico” atingiu os Estados 
Unidos. Pessoas em todo o país se prepararam para o pior com a queda das temperaturas durante as primeiras duas 
semanas de fevereiro de 1899. Mas, então qual seria a causa deste fenômeno se as emissões de CO2 na época 
estavam bem abaixo das atuais? Um fenômeno climático meramente natural que ocorreu, ocorre e continuará 
ocorrendo no futuro sem nenhuma relação com atividade humana. Disponível em: 
https://www.weather.gov/bmx/climate_feb_1899_arctic_outbreak. Acesso em 24 fev. 2021. 
 
relacionando a pandemia de Covid-19 as mudanças climáticas antrópicas72. 
 Os relatórios do IPCC demonstraram até agora serem extremamente úteis somente para 
os governos dos países ricos do hemisfério norte que buscam justificativas para maior 
planejamento central e mais poderes regulatórios e tributários. Políticos e burocratas costumam 
citar o IPCC como uma justificativa para a concessão de subsídios e privilégios a grupos e 
corporações favorecidas às custas enormes dos contribuintes. Portanto, somente mediante 
sólidas evidencias científicas é que o IPCC deveria fazer predições e se afastar definitivamente 
de defesas políticas e ideológicas, pois embora o estatuto da instituição afirme que ele deve ter 
determinada “relevância política” sem defender políticas específicas, alguns de seus 
representantes não encaram essa determinação com seriedade. 
 O IPCC e a ciência climática contemporânea têm ignorado os estudos publicados 
durante os últimos 15 anos que demostram por meio de observações de satélite e de superfície 
que a absorção da radiação solar pelo sistema Terra-atmosfera aumentou significativamente 
desde 1982 devido à diminuição da cobertura de nuvens/albedo, um fenômeno frequentemente 
referido como “branqueamento global”, e não por causa do aumento das concentrações de CO2 
na atmosfera 73. 
 Para Nikolov e Zeller (2022), o planeta Terra é sensível a mudanças na cobertura de 
nuvens, que afeta a quantidade de radiação solar de ondas curtas que atinge a superfície, mas 
não muito sensível a mudanças na irradiação solar total que chega ao topo da atmosfera. Eles 
também descobriram que a sensibilidade a mudanças nos níveis de CO2 foi superestimada pelos 
modelos climáticos atuais. Os autores também demonstraram que a duplicação da concentração 
atmosférica de CO2 de 280 ppm para 560 ppm causará um aquecimento global praticamente 
indetectável. 
 Em 2010, um grupo de pesquisadores e revisores das academias de ciências da Grã-
Bretanha, Holanda, Estados Unidos e de outros países europeus protestaram contra a 
prematuridade e inconsistência científica encontrada largamente nos relatórios do painel do 
clima da ONU e sugeriram que as probabilidades qualitativas devem ser utilizadas para 
descrever resultados somente quando houver evidências científicas suficientes para embasar o 
estudo, além de reivindicar a reestruturação da administração e a adoção de procedimentos 
técnicos mais rigorosos em relação as revisões científicas a fim de minimizar as possibilidades 
de erros no futuro. 
 
 3.2 IPCC: O “Big Player” na arena da ciência do clima 
 
72 As mudanças climáticas desencadeadas pela ação humana estariam entre as possíveis causa da pandemia do 
novo coronavírus. Esta é a conclusão parcial de uma pesquisa que examinou como as mudanças no clima 
transformaram as florestas do sudeste asiático, resultando em uma explosão de espécies de morcegos na região. 
De acordo com os pesquisadores envolvidos no estudo, as alterações no clima causada pela ação humana pode se 
converter em fator de risco para o surgimento e disseminação de novas doenças. 
 
Berardelli, Jeff. Climate change may have played a key role in coronavirus pandemic, study says. February 
5, 2021 CBS NEWS. Disponível em: https://www.cbsnews.com/news/climate-change-coronavirus-bats-study/. 
Acesso em 28 fev. 2021. 
 
73 Nikolov, N.; Zeller, K. (2022). Exact Formulas for Estimating the Equilibrium Climate Sensitivity of Rocky 
Planets & Moons to Total Solar Irradiance, Absorbed Shortwave Radiation, Planetary Albedo and Surface 
Atmospheric Pressure. Disponível em: https://tallbloke.files.wordpress.com/2022/05/ecs_universal_equations-
1.pdf. Acesso em 10 abr. 2023. 
 
 
Algo muito interessante ocorre nos bastidores da ciência do clima: os artigos publicados 
pelos céticos representavam apenas metade dos números publicados pelos cientistas favoráveis 
ao AGA durante a década de 2000, essa diferença entre polos opostos pode ser explicada da 
seguinte maneira: viés de publicação e financiamento público. 
 Viés de publicação diz respeito aos artigos que de alguma forma estabelecem relações 
de causa e efeito entre atividade humana e mudanças climáticas. Esses têm uma probabilidade 
muito maior de serem publicados do que aqueles que não o fazem. 
 O financiamento público tem ocorrido massivamente e voltado para a busca de 
resultados: o governo dos Estados Unidos, por exemplo, investiu US $ 64 bilhões a 
pesquisadores do clima de 2010 a 2013, todos assumindo explicitamente ou pretendendo 
encontrar evidências da influência da ação humana sobre o clima, e praticamente nenhum 
centavo para investimentos para pesquisadores que focam suas pesquisas nas causas naturais 
das mudanças climáticas74. É o dinheiro público que financia a pesquisa do clima, por isso, um 
número cada vez maior de pessoas desconfia das conclusões de relatórios “científicos” sobre o 
clima que emanam de fontes governamentais e institucionais. Tal ceticismo surgiu em parte de 
revelações de conspirações entre pesquisadores influentes para exagerar a existência e ameaças 
de mudanças climáticas causadas pelo homem, reter dados de fundo e suprimir descobertas 
contrárias. 
 Mas, quem paga por toda essa ciência ruim? 
 De acordo com dados compilados por Joanne Nova75 o governo dos EUA gastou mais 
de 79 bilhões de dólares entre 1989 e 2009 em políticas relacionadas a mudanças climáticas, 
incluindo pesquisa científica e tecnológica, administração, campanhas educacionais e 
incentivos fiscais.Em 1989, a primeira agência específica relacionada ao clima dos EUA foi 
criada com um orçamento anual de 134 milhões de dólares76 . 
 O primeiro comitê consultivo do clima, os compiladores do chamado Relatório Charney, 
foi organizado pela National Academy of Sciences, em 1979, como uma espécie de IPCC mirim. 
Jule Gregory Charney (1917-1981) organizou um grupo de cientistas para revisar a ciência do 
clima disponível na época para pesquisar as consequências da intensificação do efeito estufa. 
Embora os pesquisadores tenham levantado o espectro do aquecimento global no passado, eles 
também enfatizaram a incerteza das previsões. 
 Em 2009, os mercados globais de carbono alcançaram um faturamento de US $ 176 
bilhões por ano, o Bank of America prometeu US $ 50 bilhões para combater a mudança 
climática e o investimento em energias renováveis atingiu a casa de 359 bilhões de dólares 
anualmente77. 
 
 
74 Butos, William N.; McQuade, Thomas J. Causes and Consequences of the Climate Science Boom. The 
Independent Review, v. 20, n. 2, Fall 2015, ISSN 1086–1653, pp. 165–196. 
 
75 Nova, Joanne. Climate Money. The Climate Industry: $79 billion so far – trillions to come. Summary for Policy 
Makers. SPPI Science and Public Policy Institute. July 21, 2009. Disponível em: 
http://scienceandpublicpolicy.org/images/stories/papers/originals/climate_money.pdf. Acesso em 14 set 2020. 
 
76 Nova, Joanne. The trillion dollar guess and the zombie theory. In: Alan Moran. Climate Change: the facts. USA: 
Stockade Books, 2015 (Edição Kindle). 
 
77 Ibidem. 
 
 A indústria do clima tem tido durante anos um crescimento excepcional e tem sido uma 
bênção natural para agências governamentais e pesquisadores climáticos. O crescimento do 
financiamento do governo americano aumentou de 209 milhões de dólares em 1989, quando o 
assunto realmente começou a “esquentar”, após a realização de diversas audiências do Comitê 
de Ciência, Tecnologia e Espaço, presidido pelo então senador Al Gore, em 1988, para uma 
proposta de 1,446 bilhões de dólares, em 2008: NASA (816 milhões, em 2008), National 
Science Foundation (145 milhões), Departamento de Comércio dos EUA e NOAA (163 
milhões) e o Departamento de Energia dos EUA (DOE, 122 milhões). Orçamentos 
comparativamente irrisórios foram concedidos ao Departamento de Agricultura dos Estados 
Unidos (55 milhões), para a Saúde, Segurança e Proteção (47 milhões) e à Agência de Proteção 
Ambiental - EPA (17 milhões), além de alguns outros78. 
 Notadamente, o orçamento climático da EPA desde então se tornou muito mais 
generoso, com US $ 112 milhões incluídos pela administração Obama-Biden (2009-2017) para 
o Ano Fiscal de 2010. Isso é apenas uma pequena parte. De acordo com um comunicado à 
imprensa, em 2007, pelo Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca, o governo 
americano estava gastando cerca de US $ 5 bilhões por ano em pesquisas climáticas por meio 
de vários programas. Isso foi mais do que o dobro da quantia gasta no envio de humanos à Lua 
durante o programa Apollo (cerca de US $ 2,3 bilhões por ano). Contudo, a Lua não tem um 
clima para estudar, e mesmo se tivesse, provavelmente não poderíamos culpar a Revolução 
Industrial por alterá-lo79. 
 As agências obtêm verbas de financiamento com base na sua importância ou, mais 
precisamente, na importância que somos persuadidos a pensar que são. No caso das questões 
climáticas e ambientais, elas parecem ser muito mais importantes quando são apresentadas 
como formas de se resolver uma crise global sem precedentes, por isso, não pode ser 
considerado desperdício de dinheiro. A mudança climática, um tópico que oferece uma 
oportunidade de regular algo realmente perigoso, como o ar natural que todos respiramos, é 
algo bom demais para se deixar de lado. Mas, quem são as pessoas responsáveis por essas 
agências? Pessoas com credenciais ortodoxas, obviamente. Sendo que, ajuda muito na hora da 
escolha do nome o quesito publicação de livros e artigos que favoreçam esses pontos de vista, 
ou pelo menos se associam a organizações influentes que fazem do “mainstream” climático. 
Então, novamente, a maioria desses livros e artigos não seriam publicados se os respectivos 
autores não tivessem credenciais científicas bem qualificadas e pesquisas publicadas em 
periódicos de renome. Também as universidades que apoiam pesquisas climáticas e contratam 
cientistas para conduzi-las dependem de agências federais e estaduais – novamente dinheiro 
público. Para competir por esse dinheiro, devem abordar tópicos que sejam reconhecidos pela 
corrente científica ortodoxa hegemônica e alarmista. 
 Mas, e se os artigos desses cientistas não forem publicados em revistas respeitadas por 
contradizer o chamado “consenso científico” sobre as mudanças climáticas antrópicas? 
 Nesse caso, esses cientistas não ganham bolsas e contratos para obter estabilidade e 
promoções nas principais universidades e laboratórios de pesquisa nem conseguem obter as 
credenciais necessárias para serem contratados pelas agências e organizações que distribuem e 
administram o financiamento. No entanto, aqueles que apenas jogam pelas regras da política e 
 
78 Bell, Larry. Climate of corruption. Politics and power behind the global warming hoax. Austin (TX): 
Greenleaf Book Group, 2011, p.22. 
 
79 Ibidem, p.23. 
 
da ideologia prevalente indubitavelmente se saem muito melhor. 
 Os cientistas céticos são acusados de receber verbas privadas das grandes empresas do 
petróleo (Big Oil) ao passo que os alarmistas recebem dinheiro público e sugerir que o dinheiro 
da ciência do clima goteja do governo seria um eufemismo grosseiro, pois desce em forma de 
cascatas através das agências em direção aos órgãos subordinados federais e estaduais. Alguns 
exemplos reais para facilitar o entendimento: 
 
Um e-mail de 4 de junho de 2003 de Keith Briffa para o pesquisador especialista em 
dendroclimatologia - ciência que estuda o clima do passado a partir de análises de 
troncos de árvores - Edward Cook do Observatório da Terra Lamont-Doherty em 
Nova York declarou: “Eu tenho um artigo para revisar (submetido ao Journal of 
Agricultural, Biological and Environmental Sciences), escrito por um coreano e 
alguém de Berkeley, que afirma que o método de reconstrução que usamos em 
dendroclimatologia (regressão reversa) está equivocado, tendencioso, péssimo, 
horrível, etc [...] Se publicado como está, este artigo pode realmente causar alguns 
danos [...] Não será fácil rejeitar, pois os cálculos matemáticos parece que estão 
teoricamente correto80. 
Não consigo ver nenhum desses artigos no próximo relatório do IPCC. Kevin 
[Trenberth] e eu vamos mantê-los fora de alguma forma - mesmo que tenhamos que 
redefinir o que é a literatura de revisão por pares81. 
 
 Claramente, grande parte do grupo de pesquisadores da Unidade de Pesquisa Climática 
da Universidade de East Anglia, usaram sua considerável influência para barrar publicações de 
pesquisas conduzidas por cientistas céticos, evitando assim a inclusão de descobertas contrárias 
nos relatórios do IPCC. Em um e-mail, Tom Wigley, um cientista sênior e associado do 
National Center for Atmospheric Research, compartilhou seu desdém por aqueles que desafiam 
a hipótese de mudanças climáticas antropogênicas: Se você acha que - o professor de Yale 
James – Saiers faz parte do grupo de cientistas céticos e se pudermos encontrar evidências 
documentais disso, poderíamos tentar retirá-lo dos canais oficiais da União Geofísica 
Americana82. 
 O marketing da guerra climática também se tornou um grande negócio e está se tornando 
muito maior com a ajuda substancial da Climate Reality Project, organização sem fins 
lucrativos envolvida na educação e defesa relacionada às mudanças climáticas.O Climate 
Reality Project surgiu, em julho de 2011, como consolidação de dois grupos ambientais, a 
 
80 Bell, Larry. In Their Own Words: Climate Alarmists Debunk Their Science. Forbes 5 Feb 2013. Disponível 
em: https://climaterealists.org.nz/node/953. Acesso em 14 set 2020. 
 
81 De Phil Jones para: Michael Mann (Pennsylvania State University). 8 de julho de 2004. Conversa entre o ex- 
diretor da Unidade de Pesquisa Climática de East Anglia do Reino Unido, Philip Jones a Michael Mann referindo-
se a dois artigos publicados na revista Climate Research. Por coincidência do destino Philip Jones e Trenberth, 
que na época eram chefem da Seção de Análise do Clima do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos Estados 
Unidos (NOAA), foram os autores principais de um capítulo importante incluído no relatório do IPCC, em 2007. 
Lembrando que Mann et al foi o criador do infame gráfico do “taco de hóquei”, sugerindo a aceleração do 
aquecimento global causado pelo homem desde a Revolução Industrial. 
 
82 Bell, Larry. Climate of corruption. Politics and power behind the global warming hoax. Austin (TX): 
Greenleaf Book Group, 2011, p. 4. 
 
Alliance for Climate Protection e The Climate Project, ambos fundados, por Al Gore que lançou 
uma campanha na mídia de 300 milhões de dólares, em 2011, para a crise climática durante um 
período de 3 anos para promover as reduções dos chamados GEE por meio de um amplo tratado 
internacional: o comércio de carbono, que no mundo todo chegou a 126 bilhões de dólares, em 
2008. Os mercados de carbonos, que desde então permaneceram sem sopro, atualmente se 
tornaram uma das ferramentas mais difundidas na suposta luta contra a mudança climática. No 
final de 2021, mais de 21% das emissões mundiais foram cobertas por alguma forma de 
precificação de carbono, acima dos 15%, de 2020. Cada vez mais empresas precisam pagar aos 
reguladores pelo direito de liberar CO2 na atmosfera. Os investidores também estão se 
interessando: as negociações nesses mercados cresceram 164% chegando a 897 bilhões de 
dólares, em 2022. Os preços do carbono garantem que as empresas que queimam mais 
combustíveis fósseis estejam em desvantagem competitiva, enquanto a inovação verde é 
recompensada. 
 Pela primeira vez na história, a União Europeia (UE) chegou a um acordo que passará 
a vigorar a partir de outubro de 2023: a imposição de um imposto sobre carbono de produtos 
importados, o chamado Mecanismo de Ajuste de Fronteiras de Carbono (CBAM). A ideia é que 
os produtos importados pelos países da UE sejam sobretaxados para compensar todo o carbono 
emitido durante o processo produtivo e transporte. A medida, obviamente protecionista, visa 
preservar as indústrias europeias e evitar os prejuízos acarretados pelos produtos mais baratos 
fabricados em países com regras mais flexíveis de emissão de GEE. A proposta perturbou as 
cadeias de suprimentos em todo o mundo e irritou parceiros comerciais da UE como EUA e 
China, que temem que o plano torne mais difícil a exportação de mercadorias para a Europa. 
Os países em desenvolvimento com altas emissões, em particular, serão os mais prejudicados. 
O acordo levou outros países, como o Reino Unido e o Canadá, a considerar a implementação 
de seus próprios impostos. Nos EUA, os legisladores democratas também estão pensando em 
implementar um sistema tributário similar. As autoridades europeias dizem que a tarifa se 
converterá em uma ferramenta fundamental para fortalecer os esforços de combate à crise 
climática. 
 O imposto surge justamente em meio às crescentes tensões comerciais entre a Europa e 
os EUA após a aprovação da Lei de Redução da Inflação, que oferece generosos créditos fiscais 
para veículos elétricos fabricados nos EUA. Os líderes europeus argumentaram que o benefício 
prejudica injustamente os fabricantes do continente. 
 Nota-se, portanto, que a economia de mercado não é o único espaço que pode 
experimentar booms e busts, isto ocorre também na ciência climática. 
 Políticas públicas e financiamentos privados e públicos, bem como o surgimento de um 
“Big Player”83 científico de peso como o IPCC, foram fatores que fomentaram o ciclo de 
expansão na ciência do clima que teve início em meados da década de 1990 e que cresceu 
 
83 Player no mercado financeiro é um conceito usado para definir as empresas que se destacam no ramo em que 
atuam, Big Players são grandes corporações que detêm boa parte do capital mundial e movimentam esse grande 
volume para atuar em operações financeiras. Segundo Butos e McQuade (2015), a teoria econômica do Big Player 
pode ser aplicada não apenas em relação às interações do mercado, mas também à ciência. Os autores identificam 
dois tipos de grandes jogadores na saga da ciência do clima, com efeitos separados, mas interligados: as agências 
de financiamento do governo que dominam o financiamento da pesquisa e o IPCC, cujos pronunciamentos sobre 
o estado da ciência têm enorme influência. 
 
significativamente nas últimas décadas. 
 As evidências de um boom contínuo podem ser observadas nos Gráfico 1, que 
respectivamente, mostra a evolução na publicação de artigos científicos e o aumento no nível 
de financiamento por parte do governo dos EUA em pesquisas climáticas durante 1978 e 2014. 
 
Gráfico 1 - Novos artigos sobre ciência do clima e Financiamento dos EUA em ciência do clima 
1978-2014 84 
 
Em 2023, após dois anos desde que assumiu o cargo, Joe Biden, presidente dos EUA, 
lançou um plano ambicioso objetivando enfrentar a crise climática impulsionando a fabricação 
e a implantação de tecnologias de energia limpa. Além de retomar o Acordo de Paris, 
estabeleceu como meta doméstica a redução dos GEE em cerca de 50% em relação aos níveis 
de 2005 até 2030. 
 Os EUA estão fazendo investimentos históricos, atualmente o orçamento fornece US$ 
16,5 bilhões para apoiar a ciência climática e a inovação em energia limpa, propondo US$ 5,1 
bilhões para financiar um amplo portfólio de pesquisas para melhorar a compreensão sobre o 
clima e propondo medidas de adaptação e resiliência em várias agências, incluindo o 
Departamento do Interior, a Administração Espacial, o Departamento de Comércio, a Fundação 
Nacional de Ciência, entre outros. O Orçamento apoia a preeminência do país no 
desenvolvimento de tecnologias inovadoras que aceleram a transição para uma economia 
descarbonizada para impulsionar a inovação e restabelecer a liderança americana em energia 
limpa. 
 O fenômeno do Big Player, portanto, possui grande relevância e não se limita apenas ao 
mercado, mas sobretudo, ao campo da ciência: os cientistas interagem entre si de maneiras tão 
complexas e estruturadas analogamente as interações entre os participantes do mercado. 
 
Nos mercados, o dinheiro é o componente essencial em todas as trocas, e a 
manipulação do dinheiro por um banco central discricionário (um Big Player 
prototípico) pode ter efeitos indesejados, incluindo a promoção de booms 
insustentáveis. Na ciência, o ingrediente essencial necessário para a maioria dos 
cientistas para continuar sua participação é o financiamento, e como a ciência em si 
 
84 Butos; McQuade, 2015 p. 166-176 
não se autofinancia, isso deve vir de uma fonte externa - um empregador (geralmente 
uma universidade), um doador privado, ou uma entidade governamental (Butos; 
McQuade, 2015 p. 169). 
 
O Big Player “IPCC” conseguiu a façanha de elevar e transformar uma hipótese em 
conhecimento científico consensual estabelecido, mesmo na ausência de um corpo substancial 
de evidências confirmatórias. Nesse sentido, o painel da ONU assumiu o papel de grande 
jogador na ciência do clima. A ONU, por meio do IPCC, acabou por assumir a responsabilidadepela questão climática, em 1988, formando um corpo de cientistas encarregados de avaliar a 
pesquisa científica do clima (enfatizando especificamente os efeitos da atividade humana no 
clima) e produzindo relatórios detalhados voltados para o consumo público, aparentemente um 
serviço muito útil. Os cientistas são nomeados para o painel por funcionários do governo, os 
relatórios resumidos do painel são editados por políticos e ativistas ambientais sem revisões 
científicas rigorosas, conforme apontou as conclusões da auditoria independente instaurada, em 
2010. 
 O IPCC possui, portanto, todos os atributos característicos dos grandes jogadores nos 
mercados: grandeza em termos de influência, insensibilidade às restrições usuais e discrição em 
sua capacidade de promover uma direção favorável de pesquisa. Sua influência na ciência do 
clima é generalizada, a natureza complexa do sistema climático e a falta de compreensão dos 
feedbacks em jogo permite ao painel defender a mais politicamente atraente das várias hipóteses 
plausíveis e ignorar amplamente as incertezas. O sucesso profissional na ciência climática 
condicionou-se mais à aceitação dos pronunciamentos do IPCC do que à exploração de 
possibilidades contrárias, na verdade, cientistas que professam hipóteses concorrentes são 
rotineiramente castigados como “negadores” e alguns acabam encontrando grandes 
dificuldades para trabalhar, pesquisar e publicar os resultados. 
 Em janeiro de 2022, o The European Physical Journal Plus European Physical Journal 
Plus (EPJP), um periódico acadêmico revisado por pares publicado pela Springer Nature, uma 
das editoras científicas de maior prestígio do mundo, publicou um artigo intitulado “A critical 
assessment of extreme events trends in times of global warming” dos pesquisadores italianos 
Gianluca Alimonti, Luigi Mariani, Franco Prodi e Renato Angelo Ricci. Então, oito meses 
depois o periódico australiano The Guardian85escreveu matéria criticando severamente a 
pesquisa, citando quatro cientistas que se opuseram severamente ao artigo: Michael Mann, 
Steve Sherwood, Greg Holland e Lisa Alexander. Michael Mann foi contundente e pessoal em 
seus comentários: 
 
[...] outro exemplo de cientistas de áreas totalmente não relacionadas chegando e 
aplicando ingenuamente métodos inadequados a dados que eles não entendem. Ou o 
consenso dos especialistas em clima do mundo de que a mudança climática está 
 
85 Readfearn, Graham. Sky and the Australian find ‘no evidence’ of a climate emergency – they weren’t looking 
hard enough. Thu 22 Sep 2022. Disponível em: https://www.theguardian.com/environment/2022/sep/22/sky-and-
the-australian-find-no-evidence-of-a-climate-emergency-they-werent-looking-hard-enough. Acesso em 20 jul. 
2023. 
 
causando um aumento muito claro em muitos tipos de extremos climáticos está errado, 
ou alguns caras da física nuclear na Itália estão errados 86. 
 
Mas, o que há de errado com o artigo? 
 Para ser objetivo, não há absolutamente nenhuma alegação de fraude ou má conduta, o 
artigo simplesmente ousou discordar dos cânones do aquecimento global, o resumo do estudo 
de 20 páginas afirma: “Com base nos dados de observação, a crise climática que, segundo 
muitas fontes, vivemos hoje, não é evidente”. 
 Porém, em vez de contestar argumentos e evidências por meio da literatura revisada por 
pares, cientistas ativistas se uniram a jornalistas ativistas para pressionar uma editora, quiçá a 
editora científica mais importante do mundo, a se retratar de um artigo. É evidente que o abuso 
no processo de revisão por pares aqui observado é um alerta de que a ciência do clima está 
profundamente politizada com pesquisadores dispostos a exercer influência no processo de 
publicação, tanto abertamente quanto nos bastidores. A enxurrada de ataques aos pesquisadores 
foi intensa apesar dos autores Gianluca Alimonti, Franco Prodi e Renato Angelo Ricci serem 
físicos de partículas e Luigi Mariani, meteorologista. 
 Os ataques vieram de várias frentes: Stefan Rahmstorf, chefe de sistemas terrestres do 
Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático escreveu: o estudo foi escrito por pessoas 
que não trabalham em climatologia e obviamente não estão familiarizadas com o tópico e os 
dados relevantes; Richard Betts, chefe de pesquisa de impactos climáticos do Met Office da 
Grã-Bretanha escreveu: “o artigo parece ter sido escrito especificamente para defender que não 
há crise climática, em vez de apresentar uma avaliação objetiva, abrangente e atualizada” e “os 
autores ignoraram completamente o último Relatório do IPCC (AR6) que corrobora o fato da 
mudança climática induzida pelo homem estar causando extremos climáticos em várias regiões 
do globo”; a AFP 87 publicou um artigo também crítico com a seguinte manchete: “Cientistas 
pedem que editores importantes retirem estudos climáticos defeituosos”; Friederike Otto, 
climatologista sênior do Grantham Institute for Climate Change and the Environment, 
escreveu: “eles estão escrevendo este artigo de má-fé. Se a revista se preocupa com a ciência, 
deveriam retirá-lo” e Peter Cox, professor de dinâmica do sistema climático na University of 
Exeter, disse que o estudo não era bom cientificamente, mas a sua exclusão da revista poderia 
dar mais publicidade e ser interpretado como algum tipo de censura. 
 A revista Springer Nature entrou em contato com os pesquisadores solicitando que 
diante das repercussões negativas na mídia, o artigo deveria receber uma “Errata” por não ter 
utilizado como referência o relatório mais recente do IPCC o AR6 (2021). Os autores não 
concordaram com a elaboração da errata, pois utilizaram o AR5 (2013) que estava disponível 
naquele momento e sugeriram um “Adendo”, pois o AR6 do Grupo de Trabalho I ainda não 
havia sido publicado na época em que o artigo foi submetido a revista. Apesar do parecer 
favorável dos revisores ao adendo, os editores resolveram submeter o adendo a um quinto 
revisor cujo parecer final foi desfavorável. 
 
86 Ibidem. 
 
87 Hood, Marlowe; Parry, L. Roland; Galey, Patrick. Scientists urge top publisher to withdraw faulty climate 
study. Sept. 27, 2022. Disponível em: https://phys.org/news/2022-09-scientists-urge-publisher-faulty-
climate.html. Acesso em 20 julho 2023. 
 O IPCC emergiu no cenário global como o grande baluarte provedor de conclusões 
definitivas deduzidas das pesquisas climáticas, portanto, para a maioria das pessoas há boas 
razões para supor que seus pronunciamentos sejam considerados oficiais, definitivos e 
inquestionáveis. Se alguém não indaga de perto os detalhes do processo pelo qual são 
produzidos seus relatórios tem-se a sensação de que há um corpo de cientistas completo, 
competente e desinteressado que se envolvem em serviços gratuitos. Contando com o apoio de 
governos em todo o mundo e, como organização da ONU, ganhou status especial ao receber o 
Prêmio Nobel da Paz, em 2007, sedimentando definitivamente sua reputação de oráculo da 
ciência do clima. 
 A ciência do clima passou de um retrocesso científico a uma área de pesquisa ativa, bem 
financiada e importante ao longo de um período de cerca de 30 anos. Na década de 1980, após 
uma década de medições confirmando que a temperatura global estava em queda com 
especulações sobre uma eventual era do gelo, a hipótese do CO2 controlar o clima, apesar de 
muito debatida e, embora houvesse muita divergência, foi amplamente aceita pelos cientistas 
como plausível. 
 Nos EUA, o financiamento em quantidade generosa começou a ser direcionado 
inicialmente por organizações filantrópicas como a Fundação MacArthur e cada vez mais por 
várias agências governamentais. Embora a grande maioria dos cientistas do clima esteja de 
acordo com a hipótese de AGA ecom os pronunciamentos do IPCC, a precisão e a extensão 
desse consenso não deixou de ser questionada. Contudo, apesar do número frequentemente 
citado de 97% ser irreal e insuportável, a aceitação geral pela maioria dos cientistas que têm 
alguma conexão com a ciência do clima parece bastante real. Esse contingente é o resultado 
previsível da presença do Big Player do IPCC. 
 De maneira análoga, a teoria econômica do Big Player pode ser aplicada não apenas às 
interações do mercado, mas também à ciência. Pode-se identificar dois tipos de grandes 
jogadores na saga da ciência do clima: as agências de financiamento governamental que 
dominam o financiamento da pesquisa e o IPCC, cujos pronunciamentos sobre o estado da 
ciência têm enorme influência. O IPCC na arena científica interage com as atividades de 
financiamento do governo de maneira que ambos se reforçam mutuamente daí o aumento 
maciço de financiamento para a ciência e tecnologia do clima nos últimos 20 anos. Contudo, a 
indústria da crise climática é muito maior do que o IPCC e as agências governamentais e outros 
jogadores importantes incluem grupos de pressão como: empresas eólicas, solares e de 
biocombustíveis que oferecem supostas alternativas aos combustíveis fósseis, ambientalistas, 
mídia sensacionalista, Ongs e políticos que vinculam suas carreiras se beneficiando do cenário 
apocalíptico da crise climática. É preciso não esquecer que o IPCC trabalha com cenários a 
partir de modelos climáticos que são altamente incertos e, se aceitarmos as previsões do próprio 
IPCC veremos que elas não são de catástrofe iminente, em vez disso, apontam para mudanças 
lentas às quais a humanidade pode facilmente se adaptar. 
 É preciso investir em cenários de adaptação, pois não há basicamente nada que se possa 
fazer sobre isso, porque efetivamente o mundo está se desenvolvendo rapidamente e usando 
cada vez mais carbono. Enquanto a maioria dos países da Europa, o Canadá e os EUA intentam 
agilizar a descarbonização da economia, como forma de reduzir as emissões dos GEE, China e 
Índia continuam investindo pesado na construção de usinas termoéletricas movidas a carvão, 
os dois países, atualmente, são os maiores importadores de carvão do globo. Nesse sentido, 
China e Índia são exceções flagrantes ao declínio global no desenvolvimento de usinas movidas 
à carvão. O dióxido de carbono permanece na atmosfera por muito tempo, por isso, apesar da 
pandemia de Covid-19 ter paralisado a maioria das economias globais, a concentração de CO2 
na atmosfera continuou a aumentar. 
 Embora, há cerca de 31.000 anos a concentração de CO2 na atmosfera fosse de cerca de 
200 ppm, a Terra era significativamente mais quente do que é hoje, especialmente nas latitudes 
mais altas. A presença generalizada de mamutes, cavalos, bisões, veados, antílopes e gazelas 
na Sibéria e no Alasca e bem mais ao norte do círculo ártico implica a existência de pastos 
verdes durante todo o ano, isso requer temperaturas mais quentes e áreas de pastagem sem gelo 
mais difundidas do que as existentes hoje 88. 
 Por isso, é correto afirmar que as narrativas midiáticas acerca da mudança climática não 
estão especialmente bem correlacionadas com as próprias avaliações centrais do IPCC. As 
inundações que assolaram a Europa, em 2022, por exemplo, foram atribuídas a mudanças 
climáticas, contudo, o AR5 de 2013, já havia encontrado evidências de “alta, queda ou nenhuma 
tendência na magnitude das inundações”. Mesmo assim, há uma percepção muito forte na mídia 
e, entre muitos comentaristas e formuladores de políticas de que tempestades, furacões e secas 
estão se tornando mais comuns como resultado da mudança climática. Ressalta-se, que esse 
mesmo relatório do IPCC (ver p.53 do AR5) atribui “baixa confiança” de que esses mesmos 
fenômenos são mais comuns do que eram há 100 anos. 
 Mas, quanto o planeta Terra aquecerá nas próximas décadas em resposta ao aumento do 
CO2 na atmosfera? 
 Os dados acerca desse aquecimento foram obtidos a partir dos modelos climáticos de 
computador construídos quase inteiramente por cientistas que acreditam em um aquecimento 
global catastrófico. A taxa de aquecimento prevista por esses modelos depende de muitas 
suposições e engenharia para replicar um mundo complexo em termos objetivos. Desde o início 
da modelagem climática na década de 1980, essas previsões, em média, sempre exageraram o 
grau de aquecimento da Terra em comparação com o clima real. Os modelos, na verdade, 
superestimam grosseiramente o aumento da temperatura. 
 Pesquisas têm demonstrado que as temperaturas médias anuais da Terra têm sido muito 
mais quentes (ou mais frias) do que na atualidade, independentemente das concentrações de 
CO2. Há cerca de 31.000 anos a temperatura média anual da Terra era muito mais quente, assim 
como o polo norte cuja temperatura era muito mais quente do que na atualidade. A temperatura 
global anual da Terra é de 14,4°C, a mesma de um século atrás. Tais dados são consistentes 
com outros cálculos, como os de Smulsky (2022) que determinou que a temperatura média 
anual do período moderno, que inclui o período compreendido entre 991 e 2018, variou entre 
14,07ºC e 14,41°C. Este cálculo é semelhante ao que foi proposto por Jones et al (1999) que 
determinou a temperatura da Terra em 14°C. Kramm et al (2020) também relatou que a 
temperatura global geralmente aceita de 1877 a 1913, a partir de dezenas de resultados 
calculados, foi de cerca de 14,4°C 89. 
 
 
88 Ganyushkin et al (2018). 
 
89 Smulsky, Joseph. Paleotemperatures of the Earth’s surface. Determination of the average anual temperature 
of the Earth and Hemispheres. Journal of Engineering Physics and Thermophysics. Nº 95 pp. 291-298, 2022. 
 Os dados acerca dos registros de temperatura dos oceanos compilados pelo Hadley 
Centre e pelos registros de temperatura terrestre compilados pela Unidade de Pesquisa 
Climática (CRU) da Universidade de East Anglia, conhecido pela sigla “HadCRUT” (Hadley 
Centre Climatic Research Unit Temperature) e pelo Goddard Institute for Space Studies (GISS) 
da National Aeronautics and Space Administration (NASA), indicam que a temperatura global 
anual da superfície da Terra durante o período de 1991-2018 também foi de 14,5°C. Portanto, 
não houve nenhuma alteração na temperatura média global perto da superfície nos últimos 100 
anos. Nesse sentido, de acordo com Scafetta (2022), o aquecimento climático global exacerbado 
projetado para as próximas décadas pode ser moderado e provavelmente não particularmente 
alarmante. Análises das tendências da temperatura global, durante a primeira década do século 
XXI, indicam que não houve aquecimento significativo nesse período, fato reconhecido 
inclusive pelo próprio IPCC no Quinto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental 
sobre Mudanças Climáticas (AR5). 
 O chamado “hiato no aquecimento” que suscitou diversos debates no âmbito das 
ciências climáticas com argumentos a favor e contra, de acordo com Karl et al (2015), cientistas 
da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) que publicaram um artigo na 
revista Science afirmando que os métodos de medição utilizados foram falhos, que as 
metodologias utilizadas anteriormente foram inadequadas, portanto, não houve pausa no 
aquecimento. A NOAA ajustou os registros o que levou à conclusão de que as temperaturas da 
superfície global, durante os anos 2000, foram realmente mais altas do que nas décadas 
anteriores. De acordo com os pesquisadores, as temperaturas não se estabilizaram como se 
pensava, que o suposto “hiato” de aquecimento foi apenas um artefato de análises anteriores 
equivocadas, que o aquecimento continuou em um ritmo semelhante ao da última metade do 
século XX, portanto, a desaceleração foi apenas uma ilusão 90. 
 Porém, em 2019 e 2020,novos estudos revelaram que o hiato do aquecimento global 
era real. Um estudo de Williams et al (2019), publicado no Journal of Atmospheric and Solar 
Terrestrial Physics confirmou o período de estagnação sem aquecimento. Uma outra análise da 
temperatura global pelos pesquisadores Wang e Liu (2020), da Universidade de Tongji, em 
Xangai, lançou luz sobre o tão debatido hiato na temperatura global. Escrevendo para o Journal 
of Earth Science, os cientistas chineses dizem que houve um rápido aumento na temperatura 
média global do ar da superfície após o final da década de 1970, mas houve uma relativa 
estagnação e até um leve resfriamento no período compreendido entre 1998 e 2012. Os 
 
 
Jones, P. D., New, M., Parker, D. E., Martin, S., and Rigor, I. G. Surface air temperature and its changes over 
the past 150 years. Reviews of Geophysics., 37 (2), pp. 173– 199, 1999. doi:10.1029/1999RG900002. 
 
Kramm, G; Berger, M.; Dlugi, R.; Mölders, N. Meridional Distributions of Historical Zonal Averages and Their 
Use to Quantify the Global and Spheroidal Mean Near-Surface Temperature of the Terrestrial Atmosphere. 
Natural Science. Vol. 12, (No. 1), pp: 80-124, 2020. 
 
Ganyushkin et al. Palaeoclimate, glacier and treeline reconstruction based on geomorphic evidences in the 
Mongun-Taiga massif (south-eastern Russian Altai) during the Late Pleistocene and Holocene. Quaternary 
International. Volume 470, Part A, pp. 26-3715 March 2018. 
 
90 Karl et al. Possible artifacts of data biases in the recent global surface warming hiatos. Science. 4 Jun. Vol. 
348, pp. 1469-1472, 2015. 
 
pesquisadores concluíram que o debate sobre o hiato representou um desafio substancial para 
nossa compreensão em relação a resposta do clima global às emissões antropogênicas de GEE 
e à variabilidade natural 91. 
 Na contramão da negação do “hiato no aquecimento” Mann et al (2011), isso mesmo, o 
autor do famoso “taco de hóquei” e pesquisador do IPCC, em artigo publicado na revista 
Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) confirmou que houve uma pausa no 
aquecimento global: “Dado a elevação amplamente observada nos efeitos de aquecimento pelo 
aumento das concentrações de gases de efeito estufa, não está claro por que as temperaturas da 
superfície não subiram entre 1998 e 2008” 92. 
 Um artigo publicado na revista Nature, em 2017, confirmou que o “hiato” ou “pausa” 
no aquecimento foi real. De acordo com os autores, após um aumento na temperatura média 
global associado ao El Niño de 1998, o sistema climático experimentou vários anos de 
aquecimento reduzido e talvez até um leve resfriamento. Esse período, chamado de hiato, pausa 
ou desaceleração, segundo os autores, não deveria ser uma surpresa, dada a compreensão que 
se tem sobre o El Niño e da variabilidade climática natural 93. 
 Em 2020, um grupo de pesquisadores das Universidades de Princeton, Califórnia, 
Tóquio, Kyushu e da Scripps Institution of Oceanography, afirmaram que os esforços para se 
entender o hiato possibilitou compreender melhor algumas das principais métricas da mudança 
climática global, como a temperatura global e a cobertura de gelo94. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 Williams et al. Global lightning activity and the hiatus in global warming. Journal of Atmospheric and Solar 
Terrestrial Physics. Volume 189 pp. 27-34, 2019. 
Wang, R.; Liu, Z. Stable Isotope Evidence for Recent Global Warming Hiatus. Journal of Earth Science. Vol. 
31, pp. 419–424, 2020. https://doi.org/10.1007/s12583-019-1239-4 
 
92 Mann, M.; Kaufmanna, R. K.; Kauppib, H.; Stock, J. H. Reconciling anthropogenic climate change with 
observed temperature 1998–2008. 11790–11793 PNAS vol. 108 nº. 29. July 19, 2011. 
 
93 Medhaug, Iselin; Stolpe, Martin B.; Fischer, Erich M.; Knutti, Reto. Reconciling controversies about the global 
warming hiatos. Nature volume 545, pp. 41–47 - May, 2017. 
 
94 Johnson, N.; Amaya, D.; Ding, Q.; Kosaka, Y.; Tokinaga, H.; Xie, S. Multidecadal modulations of key 
metrics of global climate change. Global and Planetary Change. Volume 188, May 2020. 
4 A FALÁCIA DO CONSENSO CIENTÍFICO 
 
Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não 
precisa pensar. 
 Nelson Rodrigues 
 
O método científico deveria nos afastar completamente do consenso. Tecnicamente, 
consenso consiste em um acordo geral de opinião. A National Academy of Sciences of the 
United States of America (NAS)95, indica um conjunto de critérios bem esquematizados a fim 
de balizar a conduta dos cientistas e prezar pela ética: 
 
A falibilidade dos métodos é um lembrete valioso da importância do ceticismo na 
ciência. O conhecimento científico e os métodos científicos, antigos ou novos, devem 
ser examinados continuamente quanto a possíveis erros. Esse ceticismo pode entrar 
em conflito com outras características importantes da ciência, como a necessidade de 
criatividade e convicção na argumentação de uma determinada posição. Mas, o 
ceticismo organizado e perspicaz, bem como a abertura a novas ideias, são essenciais 
para se proteger contra a invasão de dogmas ou preconceitos coletivos nos resultados 
científicos. 
 
 
 A história da ciência oferece vários episódios nos quais as crenças sociais ou pessoais 
distorceram o trabalho dos pesquisadores. O campo da eugenia usou as técnicas da ciência para 
tentar demonstrar a superioridade dos “brancos” sobre os demais povos (africanos, indígenas, 
aborígenes, etc.). A rejeição ideológica da genética mendeliana na ex-União Soviética, iniciada 
década de 1930, prejudicou a biologia soviética por décadas. 
 O vínculo empírico entre o conhecimento científico e o mundo físico, biológico, 
econômico, ideológico e social pode restringir a influência dos valores na ciência. Os 
pesquisadores estão continuamente testando suas teorias sobre o mundo contra observações. Se 
as hipóteses não estiverem de acordo com as observações, elas acabarão caindo em desuso 
(embora os cientistas possam se apegar a uma hipótese mesmo diante de evidências conflitantes, 
pois às vezes é a evidência e não a hipótese que está equivocada). 
 As vezes determinados valores podem entrar em conflito e isso ocorre quando o 
pesquisador possui algum interesse pessoal ou financeiro em um projeto, o que pode gerar um 
viés “alienígena” nos resultados científicos. 
 Ao se fazer uma pesquisa no Google utilizando as palavras “consenso sobre o 
aquecimento global" encontra-se 414.000 resultados, utilizando as palavras “mudanças 
climática antrópicas” obtém-se 529.000 resultados (em 14 de julho de 2023). Entre os primeiros 
links encontra-se a página da Agência Espacial Norte Americana (NASA) enfatizando que 
noventa e sete por cento dos cientistas climáticos do mundo concordam que as tendências do 
aquecimento climático ao longo do século passado são muito prováveis devido às atividades 
 
95 National Academy of Science. On Being a Scientist: Responsible Conduct in Research. National Academy 
Press, 1995, p. 6. 
 
humanas, e que a maioria das principais organizações científicas do mundo endossam 
publicamente esta posição96: 
 
 
Figura 1- Ilustração do consenso científico de que 97 em cada 100 cientistas climáticos que publicam 
ativamente concordam com a evidência esmagadora de que os seres humanos estão causando o 
aquecimento global 
 
No site 97 da agência espacial americana quando se clica no item Scientific Consensus, 
logo abaixo do gráfico que mostra a ascensão da temperatura média global, vem a afirmação de 
que existe um consenso absoluto de que a ação humana é responsável por este aquecimento, 
utilizando-se como referência diversosartigos publicados em revistas científicas e revisados 
por pares, artigos que serão aqui analisados e desmascarados. 
 Na verdade, esta estratégia de manipulação midiática utilizada pela NASA, bem como 
pelo IPCC, tem por objetivo vender a falsa ideia de que a ciência do clima está resolvida. 
Infelizmente não apenas o público leigo desconhece o funcionamento das engrenagens do 
sistema chamado ciência. É preciso deixar claro que o trabalho da ciência não é obter consenso. 
Consenso é problema de política, se é consensual não pode ser ciência98. Também é preciso 
novamente esclarecer que questionar não significa negar. 
 O mais impressionante em tudo isso é que o questionamento permanente do estado geral 
do conhecimento que é uma característica intrínseca da atividade científica está sendo jogado 
 
96 Conway, Erik. Global warming consensus Agreement among scientists confirmed, again. BLOG - June 13, 
2013. Disponível em: https://climate.nasa.gov/blog/938/. Acesso em 19 jul 2020. 
 
97 “Scientific Consensus: Earth's Climate Is Warming”. Disponível em: https://climate.nasa.gov/scientific-
consensus/. Acesso em 06 Jan 2022. 
98 Watts, Anthony. Aliens Cause Global Warming: A Caltech Lecture by Michael Crichton. Disponível em: 
https://wattsupwiththat.com/2010/07/09/aliens-cause-global-warming-a-caltech-lecture-by-michael-crichton/ 
July 9, 2010. Acesso em 17 Jul 2020. 
 
para debaixo do tapete. Basta uma pesquisa nos periódicos da ciência do clima para se perceber 
o quanto os cientistas estão longe dessa pretensa unanimidade. Em ciência a dúvida é uma 
premissa básica. Cientistas éticos e honestos e comprometidos com a verdadeira ciência 
procuram refutar os conhecimentos aceitos baseando-se no ceticismo para promover avanços, 
diferentemente da ciência do aquecimento global que tenta convencer as pessoas a não 
questionar a “autoridade” do IPCC. Novamente, é preciso frisar: a ciência nunca esteve, não 
está e nunca estará definitivamente definida. Uma rápida pesquisa diacrônica pela história da 
ciência é suficiente para se recordar o quanto o conceito de consenso científico é pernicioso. 
 
 4.1 O consenso científico na História da Ciência 
 
 A descoberta dos pesquisadores australianos Barry J. Marshall e Robin Warren foram 
recebidas com muito ceticismo ao publicarem, em 1982, estudos que contrariavam a crença até 
então aceita de que úlceras no estômago e duodeno eram causadas por estresse. A pesquisa 
levou a descoberta da bactéria Helicobacter pylori. A descoberta possibilitou a prescrição de 
antibióticos no combate da doença permitindo uma cura relativamente rápida. O trabalho sofreu 
muita resistência pois contrariava o “consenso científico” aceito até então de que a úlcera seria 
resultado do estresse e do estilo de vida do paciente. Porém, as coisas não foram tão fácil assim 
para os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina (2005): Marshall chegou a ingerir uma bebida 
contendo bactérias para demonstrar a verdadeira causa por trás da infecção bacteriana99. 
 O episódio protagonizado pelos cientistas australianos remete ao livro de Thomas 
Kuhn100 “Estrutura das revoluções científicas” (1962), obra em que o autor aborda a mudança 
de paradigmas na ciência. Segundo Kuhn, “paradigmas” são realizações científicas 
universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções 
modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência101. Ainda, de acordo com Kuhn 
(1962), a mudança de paradigma ocorre quando um número razoável de cientistas dissidentes 
observa e critica as anomalias, ou inconsistências do paradigma vigente, gerando assim uma 
fase de incertezas, que por sua vez, conduz ao surgimento de um novo paradigma. Assim a 
ciência caminha e avança. 
 Em 1895, Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) trabalhando em seu laboratório como 
rotineiramente fazia, notou que alguma coisa não estava dando muito certo. Uma tela de 
platinocianeto de bário a certa distância de seu dispositivo de proteção ficava luminescente 
 
99 Fapesp. Australianos ganham Nobel de Medicina - 04 de outubro de 2005. Disponível em: 
http://agencia.fapesp.br/australianos-ganham-nobel-de-medicina/4432/. Acesso em 10 fev. 2023. 
 
100 O autor questiona os dogmas consagrados enxergando o avanço da ciência não tanto como o acúmulo gradativo 
de novos dados gnosiológicos, e sim como um processo contraditório marcado pelas revoluções do pensamento 
científico. Tais revoluções são definidas como o momento de desintegração do tradicional numa disciplina, 
forçando a comunidade de profissionais a ela ligados a reformular o conjunto de compromissos em que se baseia 
a prática dessa ciência. Um dos aspectos mais interessantes da obra consiste na análise do papel dos fatores 
exteriores à ciência na erupção desses momentos de crise e transformação do pensamento científico e da prática 
correspondente. 
 
101 Kuhn, Thomas. A estrutura das revoluções científicas, p.13. 
 
enquanto realizava experimentos com o tubo de raios catódicos inventado pelo inglês William 
Crookes (1832-1919), alguns anos antes. O dispositivo consistia em um tubo de vidro dentro 
do qual um condutor metálico aquecido emitia elétrons, então chamados raios catódicos. Algo 
saia do tubo, atravessa barreiras e atingia o platinocianeto por isso a primeira radiografia obtida 
na história foi da mão da esposa de Röntgen, Anna Bertha Ludwig (1872-1919). Ele havia 
descoberto o que às vezes é chamado de raios Röntgen, que ele denominou de raios-X (sendo 
X a designação matemática para algo ainda desconhecido). 
 A descoberta repercutiu na comunidade científica da época de maneira positiva e 
negativa. O físico e matemático Willian Thomson (1824-1907), que mais tarde passou a ser 
chamado de Lord Kelvin, por exemplo, chegou a afirmar que tudo não passava de uma farsa, 
um embuste bem montado102. 
 Além de profetizar que os raios-X provariam ser uma farsa, Kelvin também alertava que 
era um erro as empresas de energia elétrica adotarem a corrente alternada (AC- alternating 
current) em detrimento da corrente direta (DC- direct current). 
 Thomas Alva Edison (1847-1931), inventor da lâmpada, que investiu financeiramente 
no sistema de corrente direta, portanto, totalmente contrário ao sistema AC, chegou a usar 
diversas manobras para denegrir o sistema AC (corrente alternada) desenvolvido pelo 
engenheiro elétrico iugoslavo Nikola Tesla (1856-1943), afirmando inclusive que não existia 
nenhum argumento que justificasse o uso de alta tensão e corrente alternada, no sentido 
científico ou comercial, portanto, seu uso deveria ser terminantemente proibido. Em 1878, um 
Comitê do Parlamento Britânico declarou que a lâmpada elétrica inventada por Thomas Edison 
era boa o suficiente para os americanos, mas não merecia a atenção da ciência, mesmo 
raciocínio do engenheiro chefe dos correios daquela época Sir William Preece (1834-1913) que 
chamou a luz elétrica de um absoluto “ignis fatuus”, ou seja, uma farsa103. 
 O físico e filósofo alemão Ernst Mach (1838–1916) logo após participar da palestra de 
Ludwig Boltzmann (1844-1906) na Academia Imperial de Ciências de Viena, em 1897, afirmou 
que não podia aceitar a teoria da relatividade nem tão pouco a existência de átomos e outros 
dogmas desse tipo104. Boltzmann foi um físico austríaco, conhecido pelo seu trabalho no campo 
da termodinâmica estatística. É considerado junto com Josiah Willard Gibbs (1839-1903) e 
James Clerk Maxwell (1831-1879) um dos fundadores da mecânica estatística, foi um defensor 
contumaz da teoria atômica em uma época em que esta, ainda era muito controversa. 
 Quando o médico Oliver Wendell Holmes (1809-1894) publicou o artigo The 
Contagiousness of Puerperal Fever (1943), discorrendo sobre a febre puerperal e alertando quea doença era contagiosa, apresentando inclusive uma série de evidências, o consenso científico 
da época se recusou a aceitar. O ensaio de Holmes foi uma das primeiras publicações a 
apresentar a febre puerperal como uma doença contagiosa e a discutir medidas preventivas para 
 
102 Martins, Roberto de Andrade. A descoberta dos raios-X: o primeiro comunicado de Röntgen. Revista 
Brasileira de Ensino de Física 20 (4): 373-91, 1998. 
 
103 Tucker, David Gordon. Sir William Preece (1834-1913). Disponível em: https://www.outsideecho.com/DGT-
BIO_files/PDFs/DGT15.pdf. Acesso em 17 jul 2022. 
 
104 Yourgrau, Palle. A World Without Time: The Forgotten Legacy of Gödel and Einstein. New York: Basic 
Book, 2005. 
 
inibir a disseminação da infecção, o que ajudou a preservar a vida de gestantes e recém-
nascidos105. 
 Em 1849, Ignaz Philipp Semmelweis (1818–1865) demonstrou que a febre puerperal 
era uma infecção que ocorreria no trato uterino das mulheres após o parto ou após um aborto. 
Semmelweis determinou que a febre puerperal era contagiosa e argumentou que as práticas 
anti-higiênicas dos médicos, como examinar pacientes após a realização de autópsias causavam 
a propagação da doença. Ele demonstrou que se os médicos higienizassem bem as mãos antes 
de atenderem aos pacientes isso evitaria a propagação da doença. Ele conseguiu diminuir 
consideravelmente os casos de contaminação no hospital onde trabalhava e administrava, até 
ser sumariamente demitido. Contudo, apesar de ter sido amplamente criticado durante sua vida, 
a pesquisa de Semmelweis sobre a febre puerperal estabeleceu um precedente para muitos 
cientistas e contribuiu significativamente na prevenção e profilaxia da doença. Na época a 
hipótese proposta por Semmelweis contrariava a teoria vigente de as doenças resultavam de 
desequilíbrios entre os quatro tipos de humores sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra 
procedentes, respectivamente, do coração, cérebro, fígado e baço e que cada doença era única 
porque cada pessoa era única. Dizia-se que uma pessoa saudável tinha um equilíbrio perfeito 
entre os quatro humores, assim, as práticas anti-higiênicas contrastavam com a teoria dos 
humores. De fato, não havia acordo sobre a febre puerperal até o início do século XX. Assim, 
o consenso científico retardou em décadas a erradicação da infecção bacteriana, apesar dos 
esforços dos proeminentes "céticos" da época106. 
 Durante a década de 1910, milhares de pessoas morriam em decorrência de uma doença 
chamada “pelagra” ou deficiência de niacina, uma deficiência nutricional causada pela falta de 
ácido nicotínico ou vitamina B3, conhecida também como doença dos 3 D's por causar 
dermatite, diarreia e demência nos casos mais graves. O consenso científico da época afirmava 
que se tratava de uma doença infecciosa. O governo americano, em 1914, nomeou então Joseph 
Goldberger (1874–1929), um médico do Serviço de Saúde Pública dos EUA para liderar a 
investigação e descobrir a causa. O primeiro passo de Goldberger foi simplesmente observar. 
Ele viajou incansavelmente pelo Sul do país fazendo anotações, perguntas e anotando tudo o 
que ouvia (anamnese). Ele notou que a dieta das pessoas pobres da região consistia em pão de 
milho, melaço e um pouco de gordura de porco. Parecia que as pessoas mais pobres estavam 
mais propensas a ter a doença. Instituições como prisões, asilos e orfanatos também tinham 
uma dieta limitada e uma grande quantidade de pelagra ocorria entre os presos. 
 No final das pesquisas Goldberger concluiu que a dieta era o fator crucial, porém, o 
consenso permaneceu ligado à teoria dos germes, mesmo ele demonstrando que poderia induzir 
a doença através da dieta. Ele demonstrou que a doença não era infecciosa injetando o sangue 
de um paciente com pelagra nele e em seu assistente. Eles e outros voluntários esfregaram o 
nariz de pacientes e engoliram cápsulas contendo crostas de erupções cutâneas de pelagra no 
que foi chamado de "festas de sujeira de Goldberger", contudo, ninguém contraiu a doença. 
 
105 Holmes, Oliver Wendell. The Contagiousness Of Puerperal Fever. The New England Quarterly Journal of 
Medicine 1 (1843): 503–30. 
 
106 Silva, Marcos R.; Mattos, Aline de M. Ignaz Semmelweis e a febre puerperal: algumas razões para a não 
aceitação de sua hipótese. Filosofia e História da Biologia, São Paulo, v. 10, n. 1, p. 85-98, 2015. Disponível em: 
http://www.abfhib.org/FHB/FHB-10-1/FHB-10-1-06-Marcos-R-Silva_Aline-M-Mattos.pdf. Acesso em 18 jul 
2022. 
 No entanto, o consenso continuava firme e relutante em não aceitar a hipótese. Além 
disso, havia um ingrediente indigesto chamado fator social: os governadores do Sul da Geórgia 
e Carolina do Sul não gostavam da ideia de uma dieta pobre ser a causa porque significava que 
era necessário a implantação de uma reforma social para reduzir as desigualdades, pois a grande 
maioria dos infectados era extremamente pobre. 
 As conclusões de Goldberger estavam corretas, mas eram impopulares devido às 
implicações negativas para o modo de vida dos estados do sul. Além disso, muitos na 
comunidade médica continuaram não convencidos, pois todos os estudos de Goldberger foram 
realizados em ambientes controlados e contradiziam os resultados apresentados pela Comissão 
Thompson-McFadden que anteriormente, em 1912, havia pesquisado e declarado que a doença 
era contagiosa. Somente na década de 1920 novos estudos possibilitaram avanços na 
compreensão da causa e do tratamento da doença e as evidências não podiam mais ser negadas 
pelo consenso científico até então prevalente. 
 Todas as crianças em idade escolar, provavelmente percebem que a América do Sul e a 
África parecem se encaixar perfeitamente. O alemão Alfred Wegener (1880-1930) propôs, em 
1912, que os dois continentes estavam unidos há milhões de anos. No entanto, o consenso 
científico da época zombou da teoria da Deriva Continental por cinquenta anos e negada com 
muito vigor pelos grandes nomes da geologia até 1961 quando evidências demonstraram que o 
fundo do mar estava se movimentando. O resultado levou o consenso à reconhecer o que 
qualquer aluno vê quando observa o mapa-múndi. 
 Em 1797, Edward Jenner (1749-1823) que realizou diversos estudos sobre a varíola teve 
seus estudos e argumentos rejeitados pela Royal Society de Londres107. 
 Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) que se posicionou contra a Teoria do Flogístico 
que postulava a existência de um elemento ou princípio inflável presente no ar que era liberado 
no momento da combustão teve muito trabalho para driblar o consenso científico da época. 
Segundo, tal teoria, o ar seria imprescindível para a combustão porque transportaria o tal 
elemento chamado “flogístico” de um corpo para outro. No entanto, os trabalhos de Lavoisier 
não convenceu a totalidade da comunidade científica da época de maneira que muitos 
permaneceram fiéis a antiga teoria108. 
 Louis Pasteur (1822-1895) era contrário à geração espontânea ou biogênese, hipótese 
que postulava que a vida poderia surgir a partir da matéria não-viva. Essa hipótese ainda era 
muito aceita pela comunidade científica na época. Pasteur inclusive se envolveu em uma disputa 
acirradíssima com o médico naturalista Félix Pouchet (1800-1876), defensor na geração 
espontânea. Pouchet era favorável a heterogenia, que postulava a existência de uma força 
plástica ou vegetativa presente no ar que era capaz de proporcionar o surgimento de novos seres 
vivos. Os panspermistas, como Pasteur, afirmavam que os germes que apareceriam nas infusões 
expostas ao ambiente estavam no ar, portanto, não havia geração espontânea. A disputa entre 
os defensores da biogênese e a da abiogênese se manteve durante um bom tempo, Pasteur não 
conseguiu colocar um ponto final na polêmicacomo os livros de história costumam afirmar. 
 
107 Riedel, Stefan. Edward Jenner and the history of smallpox and vaccination. Baylor University Medical Center 
Proceedings Vol. 18, nº 1, pp 21-25, 2005. 
 
108 Best, N.W. Lavoisier’s Reflections on phlogiston I: against phlogiston theory. Found Chem 17, 137–151, 2015. 
 
Do ponto de vista científico, na época a balança estava equilibrada entre a geração espontânea 
e seus opositores. Não se deve julgar que grande parte da comunidade científica da época estava 
convencida a favor de Pasteur, muito pelo contrário: [...] o Grande Dicionário Universal 
(Larrouse, Grand Dictionnaire, vol. 8, p. 1139), em 1865, considerava que a heterogenia havia 
vencido. Nessa época ou depois, não cessaram de aparecer obras favoráveis a geração 
espontânea109. 
 Na história da ciência não faltam exemplos para elucidar o quanto o consenso científico 
no decorrer do tempo se mostrou equivocado. Quantos exemplos serão necessários? Os 
exemplos podem ser multiplicados infinitamente. Contudo, é preciso destacar que a invocação 
da reinvindicação de consenso somente ocorre em situações na qual a ciência ainda não possui 
uma base suficientemente sólida. 
 Apesar do uso e do abuso do termo “consenso”, como visto anteriormente, obviamente 
que existem vários graus de concordância e discordância em todos os campos da ciência, 
contudo, quando um pesquisador se insurge contra a cartilha ortodoxa da ciência climática 
hegemônica ele provavelmente estará fadado ao ostracismo científico. 
 Em última análise, qualquer "consenso" em ciência está idealmente sujeito às 
armadilhas da verificação empírica. O grande perigo é quando, por razões políticas ou 
ideológicas, ou ambas, o consenso se torna imune ao escrutínio. Isso claramente vem ocorrendo 
na ciência do clima. Contudo, consenso que pode significar “acordo geral” pode não envolver 
a unanimidade e nem exigir concordância em todos os seus detalhes. Portanto, ainda há espaço 
para discordâncias dentro do próprio consenso. 
 
 4.1.1 Origem da ideia de consenso 
 
Qual seria a origem da crença, constantemente repetida pela mídia, de que quase todos 
os cientistas (97%) concordam que as atividades humanas estão causando o aquecimento 
global? 
 Artigos e pesquisas comumente citados em todo mundo pela mídia, formuladores de 
política, ambientalistas, políticos, cientistas alarmistas e, de maneira geral, os desinformados 
de plantão que repetem mecanicamente a frase absurda acerca do consenso científico em favor 
da hipótese do aquecimento global catastrófico causado pelo homem são, sem exceção, 
metodologicamente falhos e muitas vezes deliberadamente enganosos. Portanto, não há 
pesquisa ou estudo mostrando “consenso” sobre as questões científicas mais importantes no 
debate sobre mudanças climáticas atualmente110. 
 A expressão “97% dos cientistas do mundo são favoráveis a tese de que a atividade 
humana está influenciando o clima global pelo excesso de CO2” foi empregada por Al Gore, 
 
109 Martins, Lilian Al-Chueyr Pereira; Martins, Roberto de Andrade. Geração espontânea: dois pontos de vista. 
Perspicillum 3(1): pp 5-32, 1989. 
 
110 Idso, Craig. Why Scientists Disagree About Global Warming: Second Edition: The NIPCC Report on 
Scientific Consensus (p. 26). Heartland Institute. Edição do Kindle (2018). 
 
em 2007, em seu filme “Uma Verdade Inconveniente”. No dia 16 de maio de 2013, o então 
presidente Barack Obama twittou: “97% dos cientistas concordam: # mudança climática é real, 
perigosa e produzida pela ação humana”. No site da NASA lê-se: “97% dos cientistas climáticos 
concordam que as tendências do aquecimento climático ao longo do século passado 
provavelmente ocorreram em decorrência das atividades humanas”111. 
 No entanto, essa afirmação é enganosa e não passa de uma ficção. O chamado consenso 
vem de um punhado de artigos e exercícios matemáticos de contagem de resumos que foram 
posteriormente revisados e reprovados por pesquisas mais confiáveis. 
 Entre os diversos artigos publicados até o momento abordando o suposto consenso 
destacam-se sete entre os mais citados: número1 - publicado na revista Science pela historiadora 
da ciência da Universidade da Califórnia por Naomi Oreskes: The Scientific Consensus on 
Climate Change (2004); número 2 - publicado pelos pesquisadores do departamento de 
Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de Illinois, Peter T. Doran e Maggie Kendall 
Zimmerman: Examining the Scientific Consensus on Climate Change (2009)112; número 3 - 
publicado por Anderegg et al (2010) na revista PNAS: Expert credibility in climate change; 
número 4 - publicado por John Cook et al: Quantifying the consensus on anthropogenic global 
warming in the scientific literature (2013); número 5 - publicado por Cook et al: Consensus on 
consensus: a synthesis of consensus estimates on human-caused global warming (2016), entre 
os autores figuram todos que foram citados anteriormente, isto mesmo, não pode existir mais 
consenso do que reunir todos os principais autores que publicaram sobre “consenso” para 
escrever novamente um estudo sobre consenso; número 6 - publicado por James Lawrence 
Powell: Scientists Reach 100% Consensus on Anthropogenic Global Warming (2019), no 
Bulletin of Science, Technology & Society e, por fim, o número 7 - publicado por Mark Lynas, 
Benjamin Z. Houlton e Simon Perry, em 19 de outubro de 2021: Greater than 99% consensus 
on human caused climate change in the peer-reviewed scientific literature. 
 Quando se observa a fundo a coincidência estatística entre os números dessas pesquisas, 
que apontam sempre para os mesmos resultados, surge o sinal de alerta: alguma coisa está 
errada. É importante entender qual a origem desses números, quantas pessoas responderam, 
como foram selecionados os entrevistados, quais critérios e como ocorreu a convergência em 
um espectro de consenso a respeito do percentual de impacto humano sobre o clima global. A 
maioria das pessoas assume automaticamente que "consenso" significa que os "seres humanos 
estão causando aquecimento global catastrófico por causa das emissões de CO2, porém, três dos 
estudos supracitados não abordam essa questão, o artigo de Anderegg et al (2010) é o único a 
abordar o problema, pois parte dele está fundamentado em autores do IPCC. 
 Uma simples revisão desses “pseudos estudos” que pretendem ratificar o tal consenso 
científico revela apenas uma série de erros matemáticos, falsa ciência e muita manipulação. 
 As emissões de GEE por meio da ação humana não constitui uma obsessão para grande 
parte dos cientistas climáticos. Muitos cientistas climáticos acreditam que são as forças naturais 
que dominam as mudanças climáticas e que às emissões desses gases causaram menos da 
 
111 NASA. National Aeronautics and Space Administration. Scientific Consensus: Earth's Climate is Warming. 
Disponível em: https://climate.nasa.gov/scientific-consensus/. Acesso em 14 de julho de 2023. 
 
112 Margaret K. Zimmerman foi aluna de Peter Doran. Ela respondeu algumas questões propostas por Doran 
durante uma aula de geologia, posteriormente expandiu as perguntas para formar sua dissertação de mestrado. 
metade do aquecimento do planeta no século XX. O objetivo da alegação de 97% reside nas 
ciências psicológicas, não nas ciências climáticas. Uma reivindicação de consenso de 97% é 
apenas um mecanismo social: um poderoso motivador psicológico para conduzir e manter o 
público leigo preso ao rebanho. Deve-se deixar claro que grande parte dos cientistas concorda 
que a atividade humana afeta o clima e leva a algum aquecimento como atividades que incluem 
desflorestamento, desenvolvimento urbano e emissões de GEE pelo uso decombustíveis 
fósseis. Porém, não há consenso sobre o percentual de influência de cada um desses fatores, 
suas proporções e se o ser humano pode ou não mitigar com sucesso essa influência. Evidências 
atuais sugerem que a teoria do Aquecimento Global Antrópico (AGA) precisa ser urgentemente 
revisada em decorrência da estabilização das temperaturas observada nos últimos 15 anos, o 
que demonstra que o CO2 não é um mecanismo de controle que pode por si só interferir na 
variabilidade climática. 
 É importante ressaltar que as duas reivindicações de 97% mais popularmente conhecidas 
foram completamente inventadas. Al Gore usou essa alegação em seu filme- “Uma Verdade 
Inconveniente” – a outra pertence a Dra Naomi Oreskes, historiadora da ciência, que com uma 
simples pesquisa na internet descobriu que 97% dos cientistas são favoráveis a hipótese de 
aquecimento global causado pela ação humana, mesmo não utilizando como descritores as 
palavras aquecimento global antrópico. 
 Utilizando-se das mesmas palavras-chave, ou seja, “mudança climática global” Peiser 
(2005) encontrou 1.117 documentos dos quais 929 eram artigos e somente 905 tinham resumos. 
Portanto, não está claro quais foram os 928 “resumos” mencionados por Oreskes e quantos 
endossam explicitamente a sua definição limitada de “consenso”. Assim ao revisar o estudo 
Peiser (2005) descobriu que apenas 13 dos 1.117, ou seja, somente 1,2 % endossam 
explicitamente o consenso, mesmo na sua definição mais limitada. A disparidade entre os 
resultados foi tão esmagadora que precisaria de alguma explicação plausível, porém, isso não 
aconteceu. 
 O comentário mais devastador sobre o trabalho de Oreskes, sem dúvida alguma, veio 
por parte de Tom Wigley, ex-diretor da Unidade de Pesquisa Climática (CRU) da Universidade 
de East Anglia (uma das principais instituições do mundo focada no estudo das mudanças 
climáticas naturais e antropogênicas que se tornou o centro da atenção mundial quando hackers 
invadiram, em 2009, o servidor da instituição e divulgaram uma quantidade enorme de e-mails 
trocados entre os pesquisadores que indicavam fraudes nos estudos sobre o aquecimento global 
e manobras científicas para esconder o declínio das temperaturas globais, enquanto, a 
instituição recebia milhões de libras em pesquisas sobre o aquecimento global antrópico): 
“Análises como essas de pessoas que não conhecem o campo são inúteis. Um bom exemplo é 
o trabalho de Naomi Oreskes”113. 
 Novamente é preciso destacar que consenso não é unanimidade. A unanimidade exige 
um acordo explícito de todas as partes. O consenso vai muito além disso. Em termos conotativos 
consenso pode ser confundido como sinônimo de unanimidade por grande parte das pessoas, 
como se fosse possível fazer algum tipo de votação no mundo real sobre o tema aquecimento 
global antropogênico por todos os cientistas ao redor do globo. A palavra consenso aplicada às 
 
113 Ball, Tim. Human Caused Global Warming, p. 23. 
 
ciências do clima tem sua origem nos relatórios do IPCC e o grau de certeza dos cientistas 
climáticos sobre a real participação da ação humana na intensificação do efeito estufa desde 
meados do século XX abrange um leque de possibilidades que varia de 20% a 95%. Portanto, 
essa enorme variedade não constitui um consenso, um verdadeiro consenso apenas pode ser 
aplicado a uma gama restrita de opiniões114. 
 Retomando os fatos, o artigo publicado por Oreskes (2004), na Science Magazine, teve 
sua origem primeiramente em uma comunicação oral proferida pela autora em um seminário. 
Os ouvintes fizeram tantas perguntas que a autora resolveu testar sua hipótese de estudo na 
prática, ou seja, confirmar a existência de um consenso científico acerca do aquecimento global 
antrópico. Para tanto, analisou 928 artigos publicados em periódicos científicos no período 
compreendido entre 1993-2003, utilizou como referência o banco de dados do Institute for 
Scientific Information (ISI), classificou os artigos em diferentes categorias e empregou 
inicialmente os termos “mudança climática” como palavras-chave, sem o adjetivo “antrópico”. 
Posteriormente, ela relatou que havia utilizado na pesquisa “mudança climática global”, porém, 
a pesquisa não faz nenhuma referência a qualquer interferência da ação humana sobre o clima, 
CO2 ou emissões de GEE. 
 Obviamente que este “pequeno” detalhe faz uma diferença significativa, pois pode 
alterar consideravelmente o número e as características dos artigos escolhidos na execução da 
pesquisa, independentemente da revista Science ter publicado uma nota corrigindo o problema, 
em 2005115. 
 Entre os textos classificados como favoráveis à sua pesquisa, Oreskes (2004), incluiu 
também artigos que tratavam dos eventuais impactos humanos no clima e medidas mitigadoras, 
sem falar que o respectivo artigo não passou pela revisão de pares. Peiser (2005), enviou 
posteriormente a revista Science uma carta questionando os resultados da pesquisa, mas não 
obteve nenhuma resposta, a carta também nunca foi publicada116. 
 Além de Peiser (2005), Schulte (2008) e Lagates et al (2013) também analisaram, 
questionaram, refizeram a pesquisa de Oreskes (2004) e foram unânimes em pontuar as diversas 
inconsistências, refutando veementemente a alegação de consenso por não representar de 
maneira adequada as perspectivas de um assunto tão complexo e por não ser representativo no 
âmbito das ciências climáticas117. 
 
114 Friends of Science Society. 97% Consensus? No! Global warming math, myth and social proofs. The 
“Science” of Statisticulation. Friends of Science Society, Calgary, Canadá, 50 pp. 2014. Disponível em: 
https://friendsofscience.org/assets/documents/97_Consensus_Myth.pdf. Acesso em 05 Agosto 2022. 
 
115 Erratum, Post date 21 January 2005. Essays: “The scientific consensus on climate change” by N. Oreskes (3 
Dec. 2004, p. 1686). The final sentence of the fifth paragraph should read “That hypothesis was tested by analyzing 
928 abstracts, published in refereed scientific journals between 1993 and 2003, and listed in the ISI database with 
the keywords ‘global climate change’ (9).” The keywords used were “global climate change,” not “climate 
change”. 
 
116 Peiser, B. The letter science magazine rejected. Energy and Environment 16, 685-688, 2005. Disponível em: 
https://journals.sagepub.com/doi/10.1260/0958305054672330. Acesso em 04 agosto 2020. 
 
117 Schulte, K. M. Scientific consensus on climate change? Energy & Environment 19, pp 281-286, 2008.; Legates 
et al. Climate consensus and misinformation: a rejoinder to agnotology, scientific consensus, and the 
teaching and learning of climate change. Science & Education 24, 299-318, 2013. 
 
 Schulte (2008) analisou o período compreendido entre 2003-2007, usou o mesmo 
protocolo de busca utilizado e as mesmas seis categorias e obteve novamente resultados 
discrepantes. Foram encontrados 539 textos dos quais somente trinta oito (38) se enquadravam 
na Categoria 1 (favorável), ou seja, se posicionaram favoravelmente em relação as mudanças 
climáticas e outros duzentos e quarenta e quatro (244) que se encaixam na Categoria 2 
(atribuição implícita). Dessa forma, somando-se as duas categorias obteve 282, ou seja, um 
percentual de 52,3% em relação ao total de 539. Observa-se que houve descenso em relação ao 
consenso e a relação mudou denotando que a concordância mais real com os dados publicados 
seria de 50% a 50%, um empate técnico que não ratifica, mas sim derruba a falácia do consenso 
científico. 
 O artigo sobre consenso de 97% de John Cook e colaboradores, eleito o melhor artigo 
de 2013, foi publicado pela Environmental Research Letters, revista científica trimestral de 
acesso aberto revisada por pares que abrangepesquisas sobre todos os aspectos da ciência 
ambiental, publicado pela IOP Publishing. 
 Na atual era do “pseudo-iluminismo” ter 97% dos pesquisadores alinhados no mesmo 
lado é somente uma retórica poderosa para marginalizar seus oponentes. Cook et al (2013) 
argumenta que 97% da literatura acadêmica relevante apoia a ideia de que os seres humanos 
contribuíram para a mudança climática observada. Contudo, isso não é digno de nota. O 
problema é que no discurso popular, senso comum, a descoberta de Cook é frequentemente 
deturpada: o número fictício de 97% “se refere ao número de trabalhos publicados e não ao 
número de cientistas”. O suposto consenso é sobre qualquer papel humano nas mudanças 
climáticas e não um papel dominante, é sobre mudanças climáticas e não sobre os perigos que 
elas podem representar. 
 Embora existam grandes áreas de concordância substantiva a ciência climática está 
longe de ser resolvida, basta pesquisar na internet sobre as possíveis causas para o hiato ou a 
pausa de dezoito anos no aquecimento da atmosfera. No total, os pesquisadores analisaram 
12.000 artigos, porém, esta amostragem é realmente representativa para a literatura científica? 
Infelizmente não, pois as conclusões são sobre artigos escolhidos e examinados e não sobre a 
literatura global. Além do que, as tentativas de replicar as amostras falharam: sem nenhum 
motivo aparente, observou-se que vários trabalhos deveriam ter sido analisados não foram. 
Entre os artigos selecionados merece destaque um que é completamente irrelevante para o 
debate científico, pois trata basicamente sobre a cobertura da mídia sobre o aquecimento global 
e mesmo assim foi utilizado como evidência. 
 O fato mais absurdamente extraordinário é que cerca de 75% dos artigos analisados e 
endossados como pertinentes não tinham nada a dizer sobre o assunto. 
 Durante o processo os avaliadores discutiram entre si suas opiniões, portanto, as 
avaliações não foram obtidas de maneira independente. Mesmo assim houve confusão entre os 
avaliadores escolhidos a dedo por Cook que discordaram dos critérios acerca da definição do 
que poderia ser definido como jornal - 33% das vezes. Em 63% dos casos os revisores 
discordaram de algumas partes dos textos com os próprios autores dos artigos. O editor até 
elogiou os autores pela “excelente qualidade dos dados”, embora nem ele nem os árbitros 
tivessem tido a oportunidade de verifica-los acuradamente. 
 Cook et al (2013), checaram 11.944 artigos escritos por 29.083 autores que publicaram 
em revistas científicas, mas como tal consenso foi construído? 
 Na verdade, o percentual obtido de 97,1% diz respeito apenas aos artigos que endossam 
o AGA, ou seja, apenas 4.014 o que representa 33,6%. 
 E o que diz os 66,4% restantes (7.930)? 
 Segundo os autores, apesar de não expressarem nenhuma posição definida sobre AGA 
o consenso estaria de qualquer forma subentendido! 
 Para explicar tal fato argumentou-se que este resultado é esperado em situações nas 
quais os cientistas geralmente focam suas discussões em questões que ainda estão em disputa 
ou sem resposta. Neste caso, o consenso é descrito como uma trajetória em espiral na qual a 
contestação inicialmente intensa gera um acordo rápido e induz a uma nova espiral com novos 
questionamentos. É o que ocorre com a ciência fundamental do AGA que se tornou 
praticamente incontroversa entre a comunidade científica editorial. Mas, o pior ainda estava 
por vir, Cook et al (2013), pasmem, afirma que a falta de expressão sobre o consenso em 66,4% 
dos artigos selecionados é uma consequência da existência do próprio consenso118. 
 Contudo, em março de 2012, algo inesperado ocorreu: hackers invadiram o site do 
Clima Skeptical Science e expôs o conteúdo de um fórum denominado “Introdução ao TCP” - 
19/01/2012 – no qual John Cook apresentou seu plano para inflacionar o consenso sobre o 
aquecimento global antropogênico na literatura científica: 
 
[...] Assim, ao longo do tempo, iríamos processar gradualmente os 6.000 artigos 
neutros, convertendo muitos deles em documentos de endosso - e fazer anúncios 
regulares de que o consenso acabou de passar de 99,75% para 99,8%, aqui estão os 
artigos mais recentes com aspas. Ari Jokimaki respondeu a Cook: Devo dizer que 
acho esse planejamento de grandes estratégias de marketing um tanto estranho quando 
nem mesmo temos nossos resultados e o assunto de pesquisa também não é tão 
revolucionário119 
 
Outro fato desastroso cometido pelo australiano e não divulgado e que as pessoas, 
portanto, desconhecem, é que apenas 4.014 dos 11.944 resumos chegaram a expressar alguma 
opinião sobre um possível aquecimento e desse montante apenas 41 se enquadram na definição 
proposta de concordar totalmente. Então o resultado real foi de apenas 0,3% e não 97% o que 
denota obviamente que a pesquisa foi “construída” para atingir determinado objetivo, nesse 
sentido, foi assustadoramente bem-sucedida porque poucos sabem, mesmo agora, que o seu 
desenvolvimento e resultados são completamente falsos. Apesar disso, é um comentário 
poderoso quando endossado por ninguém menos do que o ex-presidente Barak Obama. 
 Outro fato interessante é que um dos avaliadores conseguiu ler e analisar 675 resumos 
em apenas 72 horas, um esforço sobre-humano. Uma análise sobre os procedimentos da 
pesquisa revela algo muito estranho e sério: após a coleta de dados por 8 semanas houve 4 
semanas de análise, seguidas novamente por mais 3 semanas de coleta de dados, sendo que as 
mesmas pessoas coletaram e analisaram informações, o que permitiu a inserção de novos fatos. 
 
118 Morano, Marc. Cook’s 97% Consensus Study Game Plan Revealed by Hackers. Cimate Depot. June 4, 
2013. Disponível em: https://www.climatedepot.com/2013/06/04/cooks-97-consensus-study-game-plan-revealed-
by-hackers/. Acesso em 14 de julho 2023. 
 
119 Skeptical Sciense. Skeptical Science hacked, private user details publicly posted online. Disponível em: 
https://www.skepticalscience.com/Skeptical-Science-hacked-private-user-details-publicly-posted-online.html. 
Acesso em 14 de julho de 2023. 
Como todos esses meandros passaram incólume? 
 Mais uma vez os autores violaram uma regra fundamental da coleta de dados científicos: 
as observações nunca devem seguir as conclusões, ou seja, não se pode alterar os dados 
coletados após observá-los. A equipe de Cook et al (2013) trabalhou nitidamente em direção 
pré-determinada, por isso, toda pesquisa deve ser descartada. Poderia até ser uma história 
divertida se não fosse trágica, fraudulenta e “científica” que a maioria dos leitores infelizmente 
comuns não tem acesso. Portanto, o mais correto é afirmar que 97% daqueles cujos meios de 
subsistência dependem do aquecimento global antrópico acreditam nele. 
 Nesse sentido, quando se está convencido de que alguns pesquisadores do clima são 
incompetentes, tendenciosos e desonestos, o artigo de Cook et al (2013), é um excelente 
exemplo. 
 O estudo produzido por Doran e Zimmerman (2009) é relativamente simples e tem como 
base um grande banco de dados constituídos por pesquisadores formados em Ciências da Terra 
ou Geociências. Consiste em um estudo de opinião enviado por e-mail para 10.257 
“geocientistas” sendo que somente 3.146 responderam as nove perguntas. É preciso destacar 
que os autores, sem nenhuma justificava plausível, deixaram de incluir na pesquisa um grupo 
peculiar de pesquisadores: os meteorologistas120 que por coincidência ou não, uma pesquisa 
publicada no Boletim da Sociedade Meteorológica Americana, em 2009, revelava que a maioria 
dos meteorologistas discordavam da afirmação do IPCC de que os humanos são os principais 
responsáveis pelo aquecimento global recente121. Obviamente há uma falha fundamental na 
abordagem de Doran e Zimmerman (2009):para testar a posição de consenso sobre um 
determinado tópico da ciência a metodologia correta requer que especialistas genuínos desse 
mesmo campo de estudos sejam ouvidos. 
 Outras informações pertinentes a respeito da pesquisam é que apenas 5% dos 
entrevistados se descreveram como cientistas do clima e apenas 79 haviam publicado mais de 
50% de seus recentes artigos revisados por pares sobre o tema “mudanças climáticas”, portanto, 
a alegação falaciosa de 97% foi baseada nas respostas desses 79, ou seja, apenas 2,5% dos 
entrevistados. Ora, 79 entrevistados parece ser o tamanho de amostra adequado para ser 
representativo de todos os cientistas? 
 Também a restrição imposta de 50% de publicação recente na literatura da área pode ter 
excluído entrevistados com conhecimento da área. Vale ressaltar que a abrangência do estudo 
ficou muito limitada, pois ocorreu uma preponderância de entrevistados (96%) como sendo 
pesquisadores norte-americanos o que torna a demografia da amostra muito limitada e reduzida 
para ser elevada à categoria de representatividade global. 
 No entanto, o principal problema com Doran e Zimmerman (2009) é que, por incrível 
que pareça, as duas principais perguntas do estudo foram muito mal elaboradas (a segunda 
especialmente): 
1- Quando comparado aos níveis anteriores a 1880, você acha que as temperaturas 
globais médias geralmente aumentaram, caíram ou permaneceram relativamente constantes? 
 
120 Stenhouse, Neil et al. Meteorologists' Views About Global Warming: A Survey of American 
Meteorological Society Professional Members. Bull. Amer. Meteor. Soc. (2014) Julho/2014 Issue (7) pp 1029–
1040. Disponível em: https://doi.org/10.1175/BAMS-D-13-00091.1 
 
121 Wilson, Kris. Opprtunities and obstacles for television wheathercasters to report on climate change. 
American Meteorological society. pp 1457- 1465. Outubro, 2009. 
 
2- Você acha que a atividade humana é um fator contribuinte significativo na mudança 
da temperatura média global? 
 Mas, o que significa “um fator contribuinte significativo”? Obviamente como havia 
pouca contribuição humana antes de 1880, mesmo uma contribuição de 5% pode ser 
considerada como “significativa”. A primeira pergunta é extremamente irrelevante. Não 
conheço nenhum cientista que não acredite que o planeta tenha ficado mais quente quando 
comparado aos níveis anteriores ao século XIX, por isso, não é de surpreender que 76 dos 79 
cientistas do clima tenham respondido “sim”. Por exemplo, o físico atmosférico e professor 
aposentado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), Richard Siegmund Lindzen, 
provavelmente um dos principais cientistas cético da atualidade, ao ser submetido as duas 
perguntas em questão respondeu: 
 
Minha resposta para (1) é provavelmente, mas a quantidade é surpreendentemente 
pequena - sugerindo que a anomalia global da temperatura média não é um índice 
particularmente bom. Minha resposta para (2) seria sim, mas depende do que se 
entende por significante122. 
 
 
 O principal problema do estudo de Doran e Zimmerman reside na formulação 
inadequada da segunda questão. Na verdade, a formulação é tão pobre e precária que todo o 
estudo se torna falho devido a isso. Por exemplo, em relação ao binômio “atividade humana” 
este engloba inúmeras ações que podem afetar o clima, além dos gases de efeito estufa. 
"Atividades agrícolas, desmatamento e queimadas são exemplos que vêm à mente como 
respostas. Assim, qualquer entrevistado que acredita que qualquer atividade humana possa 
afetar o clima responderá 'sim' a essa pergunta. "Já em relação à expressão “fator contribuinte 
significativo”, o problema é óbvio. O que torna algo significativo? Se 5% das mudanças 
recentes de temperatura são causadas pela humanidade, isso é significativo? E que tal 10%? 
Não é possível determinar se os entrevistados consideram a atividade humana como o principal 
fator na mudança de temperatura. Uma versão mais elaborada poderia ser: “você acredita que 
as emissões antropogênicas de GEE são o principal fator, contribuindo com 50% ou mais, na 
mudança das temperaturas globais médias? 
 Em relação a frase “mudança da temperatura média global” esta é a parte mais 
problemática da pergunta porque não há indicação se o grau de mudança de temperatura é para 
cima ou para baixo. Por exemplo, se um entrevistado acreditasse que as atividades humanas 
aumentaram a temperatura do planeta em 0,1º C ou 2ºC a resposta ainda seria sim, pois muitos 
cientistas do clima acreditam que as atividades humanas aumentaram a temperatura do planeta, 
mas não em quantidade tão significativa. A pesquisa deve perguntar especificamente se o 
aquecimento é uma quantidade estatisticamente significativa. Além disso, a palavra “mudança” 
deve ser alterada para “aumento”, porque caso contrário, algum entrevistado poderia considerar 
que o planeta está esfriando e mesmo assim ainda poderia responder “sim”. 
 Talvez uma frase mais bem elaborada poderia ser: “Você acredita que as emissões 
antropogênicas de gases de efeito estufa foram o principal fator (50% ou mais) no aumento 
médio da temperatura global observado desde meados do século XX? 
 Na verdade, todo o estudo é completamente irrelevante, a segunda pergunta é incapaz 
 
122 Free Republic Bloggers. Study claiming 97% of climate scientists agree is flawed. Disponível em: 
http://www.freerepublic.com/focus/bloggers/2672039/posts. Acesso em 06 set 2020. 
de determinar se os cientistas climáticos realmente endossam a hipótese de aquecimento global 
antrópico, tudo que fica evidente é que 97% dos cientistas corroboram a ideia de que o planeta 
se aqueceu desde meados do século XIX e que a atividade humana contribuiu com uma 
quantidade não especificada para esse aquecimento. Além do que, não foi perguntado 
objetivamente aos cientistas climáticos se eles endossam a ideia de que o aquecimento global é 
realmente antropogênico e quais são as causas. 
 Doran e Zimmerman (2009), possui tantas incongruências que basta uma rápida leitura 
para desqualificá-lo como trabalho científico sério e representante legal da opinião dos 
cientistas do clima, os autores incluíram na pesquisa e-mails de entrevistados que questionaram 
a construção da própria pesquisa e se recusaram a participar. Alguns geocientistas alegaram que 
as perguntas não estavam formuladas corretamente, já que a premissa era “na sua opinião”, 
portanto, não iriam responder, pois a ciência trata de fatos, evidências empíricas e não questão 
de opinião, além obviamente, das perguntas não possuírem parâmetros de tempo que são 
cruciais para os cientistas da terra. O foco principal da hipótese de aquecimento global antrópico 
(AGA) é o período quente atual que teve início no final do século XIX, porém, a visão de tempo 
para os geocientistas é completamente diferente da visão de senso comum, por exemplo, 
geólogos que revisam o período denominado Holoceno, que na escala geológica teve início há 
cerca de 11.700 anos antes do presente, provavelmente observariam uma tendência de 
resfriamento no clima da Terra e não aquecimento. 
 Outra questão importante e que deve ser destacada diz respeito à intencionalidade, ou 
seja, os motivos da pesquisa. Geralmente os cientistas contrários a hipótese de AGA estão 
constantemente tendo seus motivos questionados, como se a ciência por si só não fosse 
suficiente, e acusados de receber financiamento das grandes petrolíferas (big oil). Todo estudo 
científico contrário ao establishment climático sofre severas restrições, críticas e ataques 
espúrios como se o debate cientifico e as pesquisas estivessem encerrados. Por outro lado, quais 
as motivações pessoais por trás do referido artigo? 
 Peter Doran concedeu uma entrevista, em 19 de janeirode 2009, para um programa de 
notícias da Universidade de Illinois em Chicago chamado Research News na qual apresentou 
sua motivação: 
 
Algumas pessoas me perguntaram desde que este artigo foi publicado: "Barack Obama 
está no cargo agora, os democratas estão no controle, temos que nos preocupar mais 
com isso?", E a resposta é sim, porque o público em geral ainda tem cerca de 50 % 
convencidos de que o aquecimento global é um problema real, quanto mais que 
precisamos fazer algo a respeito. E então o público precisa ser convencido, e também, 
ainda há pessoas no governo que precisam ser convencidas. Recentemente, em 
dezembro, foi apresentado um relatório da minoria do Senado que dizia exatamente o 
oposto do que nosso jornal dizia, e estava tentando convencer as pessoas no Senado de 
que os cientistas não concordam com o aquecimento global. Portanto, ainda há uma 
batalha, se você quiser, a ser travada aqui, e espero que nosso jornal empurre os números 
para que mais pessoas acreditem que o aquecimento global é uma realidade. Acho que 
se as pessoas não acreditam que os cientistas concordam, elas podem usar isso como 
desculpa para a inação, e isso é perigoso123. 
 
 
123 Free Republic Bloggers. Study claiming 97% of climate scientists agree is flawed. Disponível em: 
http://www.freerepublic.com/focus/bloggers/2672039/posts. Acesso em 06 set 2020. 
 
Nitidamente o pesquisador deseja que sua publicação mude a opinião do público e dos 
políticos sobre o consenso científico. O artigo não pode ser invalidado por este motivo, mas é 
preciso esclarecer as motivações deste estudo em particular, ou seja, objetiva convencer o 
público e os políticos de que o aquecimento global é real e não temos desculpa para inação. 
 O estudo de Anderegg et al (2010) foi publicado no prestigioso Proceedings of the 
National Academy of Sciences (PNAS), apesar dos autores não serem membros da National 
Academy of Sciences (NAS), Anderegg, o autor principal, era estudante de mestrado na época. 
O PNAS aceitou a publicação do estudo a pedido do seu já falecido membro Stephen Schneider 
(1945-2010). Na verdade a aceitação da pesquisa para publicação foi tendenciosa: o nome de 
Stephen Schneider 124 constaria apenas como mero figurante para dar credibilidade e forçar a 
aceitação já que não havia anonimato em relação aos nomes dos autores. 
 Inclusive Anderegg et al (2010) é a terceira fonte citada pela agência espacial americana 
(NASA - National Aeronautics and Space Administration) como prova de um “consenso 
científico”, ou seja, um artigo publicado por um jovem universitário chamado William R. Love 
Anderegg, então estudante da Universidade de Stanford, que usou como instrumento de 
pesquisa o Google Scholar objetivando identificar as opiniões de pesquisadores sobre mudança 
climática. Sua pesquisa estabeleceu que entre 97% e 98% dos pesquisadores do clima que mais 
publicaram sobre o tema na literatura da área apoiam a hipótese de mudanças climáticas 
antropogênica (sigla em inglês ACC). 
 A característica peculiar desse trabalho consiste no fato dele ser uma pesquisa 
tipicamente acadêmica publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, 
graças à adição de três acadêmicos como coautores, portanto, não é uma pesquisa científica que 
deva ser considerada mesmo que o resultado indicasse que todos os cientistas ou mais 
especificamente os cientistas climáticos são favoráveis as mudanças climáticas antrópicas. 
 Qual a grande façanha dessa pesquisa? Qual a diferença com as anteriores que falharam 
ao estabelecer o falso percentual de 97%? 
 Nenhuma! Simplesmente se computou o número de artigos encontrados na internet e 
publicados no Academic Journals, que foi de 908. Este tipo de exercício de contagem foi a 
mesma metodologia falha utilizada por Oreskes (2004). Além disso, Anderegg e colaboradores 
não determinou quantos desses autores acreditam que o aquecimento global é prejudicial ou 
que a ciência está suficientemente estabelecida para ser a base para políticas públicas. Qualquer 
pessoa que cite este estudo em defesa dessas visões está equivocada. Outro fato que merece 
destaque é que foram descarados todos os artigos publicados pelos cientistas “céticos” cujos 
trabalhos expõem as lacunas na teoria do aquecimento global antrópico e aqueles que não 
endossam as afirmações de que as mudanças no clima serão catastróficas para a humanidade 
futuramente. Avery (2007), por exemplo, identificou 500 cientistas que se enquadravam nesta 
categoria e que foram descartados, muito embora alguns endossassem a hipótese de mudanças 
climáticas antrópicas125. 
 
124 Stephen Schneider foi um dos primeiros proponentes, na década de 1980, da redução das emissões de gases de 
efeito estufa como meio de parar o aquecimento global. Ele foi fundador e editor da revista Climatic Change, foi 
também o principal coordenador do Grupo de Trabalho II do IPCC no 4º Relatório de Avaliação (2007, AR4). 
 
125 Avery, Dennis T. 2007. 500 scientists whose research contradicts man-made global warming scares. 
Disponível em: https://www.heartland.org/_template-assets/documents/publications/21977.pdf. Acesso em 11 set 
2022. 
 É muito comum que os artigos sobre mudanças climáticas antrópicas tenham um 
número razoável de autores, o chamado preenchimento de currículo, que aumenta o número de 
vezes que um pesquisador pode alegar ter sido publicado. Incluir o nome de pesquisadores que 
já publicaram anteriormente na literatura da área em trabalhos de pesquisadores iniciantes ou 
novatos ajuda a garantir a aprovação por revisores (como foi o caso, ironicamente, de Anderegg 
et al.). Mas, então o que a pesquisa de Anderegg et al evidencia? 
 Absolutamente nada, a não ser que um pequeno grupo de alarmistas do clima teve seus 
nomes “enxertados” em dezenas de artigos publicados em revistas acadêmicas, algo 
lamentavelmente reprovável e antiético. Além do que, o pesquisador não perguntou 
categoricamente e objetivamente aos pesquisados se o aquecimento global é realmente um 
problema sério, se a ciência está suficientemente estabelecida para fornecer subsídios para 
ações mitigatórias e/ou servir de base para políticas públicas. Portanto, qualquer pessoa que cite 
este estudo como evidência de suporte científico para a alegação de “97%” está deturpando 
completamente o que está escrito no artigo. 
 Cook et al (2016), reuniu novamente todo time anteriormente citado: Naomi Oreskes, 
Peter T. Doran, William R. L. Anderegg e mais doze pesquisadores, além do próprio John Cook. 
O grupo se organizou com a pretensa intenção de colocar definitivamente uma pedra sobre a 
discussão acerca do consenso científico, porém, agora o consenso de que os seres humanos 
estão causando o aquecimento global tem o percentual aumentando chegando agora a 100%. 
Tal alegação, no entanto, é muito significativa, não pelo que revela sobre a ciência do clima, 
mas pelo que revela sobre a máquina de rotação do movimento climático: um exemplo clássico 
de um grande engodo. 
 O trabalho colaborativo de Cook et al (2016) ilustra apenas o problema de se tentar 
utilizar uma possível “prova” social de consenso no lugar de evidências cientificamente 
definidas. A falta de parâmetros empíricos que identifique especificamente a proporção alegada 
de efeito humano versus influência natural, a escala de tempo em questão, o nível de risco ou 
benefício e a atividade humana ou fator (es) causal (is) são indefinidos. A noção de consenso 
desafia o princípio fundamental da investigação científica, que não é sobre acordo, mas sim 
uma busca contínua por compreensão. Em primeiro lugar, a ciência não é uma democracia, a 
questão é: qual é a evidência? 126 
 De acordo com o grupo de autores, a pesquisa foi feita com especialistasda área, ou 
seja, cientistas climáticos que publicaram pesquisas revisadas por pares, tendo como pano de 
fundo as mudanças climáticas antrópicas como problema central, restrita apenas aos EUA.
 Mas, quem e quantos são esses especialistas climáticos? 
 Segundo Stirling (2016), apenas cerca de 2.000 especialistas climáticos vivem de 
maneira remunerada da profissão atuando na área das ciências atmosféricas nos Estados 
Unidos, porém, esta não é uma profissão muito bem definida. Ao todo, seriam 
aproximadamente cerca de 18.000 cientistas climáticos qualificados em todo mundo, mas 
 
 
126 Entrevista concedida pelo astrofísico Dr. Nir Shaviv, explicando que a ciência trata de evidências, não de 
consenso, e de como as previsões do IPCC sobre o aquecimento global não refletem as evidências. Disponível em: 
https://www.youtube.com/watch?v=3vCxxecs4hk&feature=youtu.be&ab_channel=FriendsofScience. Acesso 
em 24 fev. 2022. 
 
desses apenas uma pequena parcela estaria atuando em pesquisas climáticas. Um levantamento 
de um estudo do congresso americano realizado, em 2014, intitulado “The US Science and 
Engineering Workforce” estabeleceu que, em 2012, havia 6,2 milhões de cientistas e 
engenheiros (conforme definido neste relatório) trabalhando nos Estados Unidos com cerca de 
4% ou 248.000 trabalhando diretamente nas ciências físicas127. 
 Por sua vez, Lefsrud e Meyer (2012), engenheiros e geocientistas profissionais filiados 
à Associação de Engenheiros Profissionais e Geocientistas de Alberta (APEGA), contestaram 
veementemente as alegações de aquecimento global antropogênico catastrófico. O referido 
estudo se baseou nas respostas de uma pesquisa aplicada a 1.077 engenheiros e geocientistas 
profissionais sobre seus posicionamentos acerca das mudanças climáticas antrópicas. Portanto, 
está claro que é um erro alegar que apenas algumas áreas do conhecimento são as únicas 
autoridades quando o assunto diz respeito às ciências do clima128. 
 Não se pode olvidar que o clima também é afetado por fatores externos, ou seja, 
influências que estão fora da atmosfera terrestre e, para isso, não se pode prescindir da 
contribuição dos astrofísicos. O economista Ross McKitrick esclarece que quando se trata de 
análise de modelos esta é uma área na qual os economistas têm muito conhecimento em relação 
a avaliação de previsões e análise de séries temporais. As técnicas estatísticas que devem ser 
usadas para toda essa avaliação de tendências e comparação de modelos são todas técnicas 
desenvolvidas na literatura econométrica. Este é um caso em que a experiência está na verdade 
na comunidade econômica que precisa ser exportada para a comunidade climatológica. Sim, o 
problema das mudanças climáticas é complexo demais e precisa contar com a contribuição das 
mais diversas áreas do conhecimento. 
 Cook et al (2016) afirma que as Academias Nacionais de Ciência de 80 países emitiram 
declarações endossando a posição de consenso, porém, omitiu o fato de que essas declarações 
foram emitidas, quase sem exceção, antes de 2009. Em 2013, o próprio IPCC, de acordo com 
Stirling (2016, p. 7)129, confirmou que as temperaturas estavam estagnadas há mais de 15 anos, 
o chamado “hiato do aquecimento global”, inclusive o próprio Michael Mann, autor do gráfico 
fraudulento conhecido como “Taco de Hóquei” e pesquisador do IPCC, publicou um trabalho 
colaborativo, em 2011, no qual buscou respostas para tentar compreender o motivo da 
estagnação das temperaturas no período compreendido entre 1998 e 2008. De acordo com Mann 
et at. (2011, p. 11790): Dado o aumento do aquecimento amplamente observado em 
decorrência da intensificação dos gases do efeito estufa, não está claro por quê as 
temperaturas da superfície não aumentaram entre 1998 e 2008 130. 
 
127 Stirling, Michelle. Consensus Nonsensus on 97%: Science is not a Democracy. July 10, 2016. Disponível 
em: https://ssrn.com/abstract=2807652. Acesso em 12 out 2020. 
 
128 Lefsrud, Lianne M.; Meyer, Renate E. Science or Science Fiction? Professionals Discursive Construction of 
Climate Change. Organization Studies, 33 (11) pp. 1477-1506 2012. Disponível em: 
https://journals.sagepub.com/doi/pdf/10.1177/0170840612463317. 
 
129
 Stirling, Michelle. Consensus Nonsensus on 97%: Science is not a Democracy. July 10, 2016. Disponível em: 
https://ssrn.com/abstract=2807652. Acesso em 12 out 2020. 
 
130 Mann, Michael; Kaufmanna, Robert K; Kauppi, Heikki; Stock, James H. Stock. Reconciling anthropogenic 
climate change with observed temperature 1998–2008. ∣ PNAS ∣ July 19, 2011 ∣ vol. 108 ∣ n 29 pp. 11790–11793. 
 
 O cientista climático o alemão Hans von Storch, professor do Instituto de Meteorologia 
da Universidade de Hamburgo, diretor do Instituto de Pesquisa Costeira do Centro de Pesquisa 
Helmholtz, em Geesthacht e membro do conselho consultivo das revistas Journal of Climate e 
Annals of Geophysics foi um dos primeiros cientistas a identificar a influência humana no 
clima. Em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel (O Espelho em alemão, revista de notícias 
semanal alemã publicada em Hamburgo, é uma das maiores publicações desse tipo na Europa) 
relatou, antes mesmo do lançamento do relatório AR5 do IPCC, em 2013, que a variação das 
temperaturas nos últimos 15 anos foram muito próximos de zero apesar do grande aumento nas 
concentrações de CO2 na atmosfera. E foi mais além ainda: é possível que os modelos climáticos 
estejam fundamentalmente errados, que os gases de efeito estufa e a influência do dióxido de 
carbono tenham sido mal interpretados ou que as influências naturais no clima tenham sido 
subestimadas. Somente esta evidência parece superar qualquer consenso emitido anteriormente 
pelas Academias Nacionais de Ciências131. 
 Apesar da pesquisa de Cook et al (2016) ser ostensivamente sobre o aquecimento global 
antrópico, o termo “aquecimento global” torna-se algo indefinido assim como os parâmetros 
empíricos do suposto efeito humano sobre este aquecimento. De fato, ao longo do artigo os 
termos aquecimento global, mudança climática global e mudança climática são referidos como 
intercambiáveis e como se todos fossem atribuíveis à causa humana, ou seja, nenhuma definição 
específica do que seja aquecimento global antrópico é estabelecida, sendo que os diversos 
artigos comparados no estudo utilizam diferentes definições e diferentes termos. Além disso, 
ao não fazer nenhuma referência às influências naturais ou as incertezas cria-se uma percepção 
pública falsa e enganosa de que os seres humanos são os únicos responsáveis pelo aquecimento 
global/mudanças climáticas, que o uso de combustíveis fósseis é o principal fator de disparo do 
gatilho que intensifica o chamado efeito estufa, que os seres os humanos podem com sucesso 
colocar um freio no aumento das temperaturas globais ao reduzir o consumo de combustíveis 
fósseis e que quaisquer custos ou ações de prevenção são aceitáveis para se evitar a catástrofe 
ambiental que espreita a humanidade. 
 Na verdade, Cook et al. (2016), é um remake muito mal feito da pesquisa de Oreskes 
(2004) que na época era membro do Comitê da Academia Nacional de Ciências e do Conselho 
de Pesquisa Nacional sobre o Uso de Modelos na Tomada de Decisões Regulatórias 2004-2007. 
Obviamente que este potencial conflito de interesse foi omitido propositadamente. A base que 
sustenta os argumentos de Oreskes (2004) está posta no Terceiro Relatório de Avaliação (TAR) 
do IPCC de 2001, que contém o polêmico “taco de hóquei” que, em 2003, esteve sob intenso 
bombardeio dos pesquisadores canadenses Steve McIntyre e Ross McKitrick132, que 
desmascararam a gigantesca farsa climática engendrada por Mann et al (1998). 
 O artigo de Powell (2019), consiste em um tipo de consenso 100% mágico no qual o 
autor usouo banco de dados central da Web of Science para pesquisar artigos revisados por 
pares sobre o tema "mudança climática" ou "aquecimento global" publicados, em 2019. Powell 
selecionou 21.813 artigos por meio do título depois leu seus respectivos resumos para ter a 
certeza de que os artigos não questionavam o AGA, quando o texto sugeria o questionamento 
 
131 Stirling, Michelle. p. 7. 
 
132 McIntyre, Steven; McKitrick, Ross. Corrections to the Mann et al. (1998) Proxy Data Base and Northern 
Hemisphere Average Temperature Series. Environment and Energy 14(6) pp. 751-771 2003. 
o mesmo era abandonado, ou seja, havia uma atitude clara de rejeição. Foi um empreendimento 
trabalhoso, mas insuficiente para reivindicar um consenso de 100%, porque alguns preconceitos 
típicos ou falácias lógicas podem minar os resultados se não forem controlados ou removidos.
 Entre esses vieses pode-se destacar: um viés de seleção, devido ao uso de palavras-chave 
que induziu o autor a rejeitar artigos contrários à sua tese; um viés de confirmação, porque 
Powell endossou AGA e julgou por si mesmo se um título estava rejeitando ou endossando o 
seu objeto de pesquisa. Powell escreve “é inconcebível que qualquer cientista do clima hoje 
não possa ter opinião sobre o assunto”. É concebível que a própria opinião de Powell possa ter 
influenciado a maneira como ele entendeu ou classificou os artigos? 
 Obviamente que uma análise dos artigos rejeitados deveria ter sido feita e como Cook 
et al (2013), Powell entra em um raciocínio circular no qual o consenso endossa o próprio 
consenso. 
 E finalmente, o último artigo tratando sobre o tema consenso científico, foi publicado 
na revista Environmental Research Letters, em 19 de outubro 2021, por Mark Lynas, Benjamin 
Z Houlton e Simon Perry: Greater than 99% consensus on human caused climate change in the 
peer-reviewed scientific literature. 
 O referido artigo, na verdade, atualiza Cook et al (2013) - Quantifying the consensus on 
anthropogenic global warming in the scientific literature – que tratou dos estudos publicados 
entre 1991 e 2012 que apoiam a ideia de que as atividades humanas estão alterando o clima do 
planeta, contudo, o foco atual examina a literatura publicada entre 2012 e 2020 para verificar 
se o consenso científico sofreu alguma mudança. Porém, o consenso agora, de acordo com os 
autores, situa-se bem acima de 99% e, portanto, colocou definitivamente uma pedra em cima 
do debate científico sobre a participação da atividade humana no aquecimento registrado nas 
últimas décadas, ignorando por completo o fato de que a ciência do clima é incerta e não está 
resolvida, como toda ciência. 
 Nenhuma pessoa racional pode negar que as forças naturais impulsionam o clima. O 
registro climático mostra mudanças significativas no clima muito antes da chegada do homo 
sapiens neste planeta. A ciência do clima não é exata, é incerta, é um empreendimento sempre 
em movimento, contudo, a integridade científica exige sempre a disposição de se examinar 
cuidadosamente novos dados, hipóteses e teorias para se verificar se há a necessidade de se 
revisar o que se pensava saber. 
 Examinando os referidos artigos observa-se que eles sugerem um nível extremamente 
alto de consenso em relação ao aquecimento global antropogênico, observa-se que essa 
avaliação se baseia em uma fração significativa, porém, muito limitada acerca das publicações 
científicas disponíveis ou em um número limitado de opiniões explícitas e que alguns autores 
ao afirmar um nível extremamente alto de consenso sobre AGA usaram o raciocínio circular 
artificial como forma de convencimento. Essa possível superestimação não significa que o 
aquecimento global devido às atividades humanas não exista, mas uma afirmação de 100% de 
consenso beira a magia, a menos que seja sustentada e corroboradas por bases sólidas e 
irrefutáveis, o que não é o caso. Novamente alerta-se para o fato de que o ato de questionar não 
significa negar, mas uma ferramenta necessária para manter uma boa higiene na prática 
científica. 
 Toda comunidade científica do clima deve provavelmente encontrar uma maneira de 
analisar rigorosamente seu próprio trabalho e métodos com certo grau de imparcialidade para 
construir cientificamente o nível de acordo sobre o AGA para se evitar alegações mágicas e 
infundadas que servem apenas para chamar a atenção do público, causar pânico, alarmismo e 
induzir à ciência ao descrédito, por esses motivos os requisitos de probidade se aplicam a todos 
os cientistas incluindo, obviamente, os cientistas climáticos. 
 Provavelmente, a afirmação mais amplamente repetida no debate sobre o aquecimento 
global é que “97% dos cientistas concordam que a mudança climática tem como causa a ação 
humana”. Tal afirmação não é apenas falsa, mas sua presença no debate é um insulto à 
inteligência e a própria ciência. 
 A ciência do clima é um assunto complexo e altamente técnico, portanto, é falso e 
enganoso afirmar com todas as letras que “todos ou a maioria” endossa a hipótese de que as 
atividades humanas por si só são responsáveis pelas mudanças climáticas observadas nas 
últimas décadas e podem ter efeitos “catastróficos” no futuro como afirmam a agencia espacial 
americana NASA em seu site oficial e a Associação Americana para o Avanço da Ciência 
(AAAS)133. Essas duas instituições, por incrível que pareça, se referem aos autores aqui citados 
para ratificar a ideia de consenso 134. 
 Mas, por que devemos discordar e debater sobre o chamado “consenso”? 
 Simplesmente para desmistificar essa falsa alegação endossada acriticamente pela 
grande mídia e desmascarar os ativistas ambientais e pesquisadores que subsistem 
financeiramente do dinheiro do alarmismo climático. Aqueles que insistentemente vilanizam o 
CO2 e que muitas vezes caracterizam a ciência do clima como um “consenso esmagador” em 
favor de uma visão hegemônica, que algumas vezes é desafiada por uma “pequena minoria de 
cientistas financiados pela indústria de combustíveis fósseis”, simplificam grosseiramente a 
questão ao mesmo tempo que desqualificam os pesquisadores que trabalham na contramão do 
suposto consenso. 
 Quais evidências realmente existem em torno do suposto “consenso científico” e sobre 
as causas e consequências das mudanças climáticas antrópicas? O que os cientistas realmente 
dizem? 
 Qualquer investigação nesse sentido deve começar pelo questionamento da legitimidade 
da questão. A ciência não avança por consenso, a discordância é regra e o consenso é a exceção. 
Isso ocorre porque a ciência é um processo que leva a uma certeza cada vez maior, implicando 
necessariamente que, o que é aceito como verdadeiro hoje provavelmente será revisado amanhã. 
Como disse certa vez Einstein apud Calaprice (1996, p. 224): Nenhuma experiência pode 
provar que estou certo, mas um único experimento pode provar que estou errado135. 
 Há muitos anos que as palavras cético e ceticismo vem sendo utilizadas pela mídia de 
maneira pejorativa quando se faz referências as pessoas e aos cientistas contrários a hipótese de 
AGA e, portanto, contrários ao consenso científico prevalente. No entanto, como a conotação 
era positiva, uma vez que, o ceticismo e a dúvida são duas características indissociáveis do fazer 
científico, resolveram adjetivar os céticos de “negacionistas”, “negadores do clima”, “hereges 
 
133 NASA. (Global Cliamate Change). Scientific Consensus: Earth's Climate is Warming. Disponível em: 
https://climate.nasa.gov/scientific-consensus/. Acesso em 10 Set 2020. 
 
134 Idso, Craig. Why Scientists Disagree About Global Warming: Second Edition: The NIPCC Report on Scientific 
Consensus (p. 32). Heartland Institute. Edição do Kindle 2018. 
135 Calaprice,Alice. The Quotable Einstein. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1996. 
climáticos”, “negadores da ciência”, etc. - mas, então o que significa ceticismo em ciência? 
 Tudo isso ocorre porque a teoria do AGA defendida pelo IPCC e por boa parte da 
comunidade científica foi alçada à condição de verdade absoluta, sendo privilegiada em 
detrimento de outras formas de compreensão sobre a complexa dinâmica do clima. Entretanto, 
a ala relutante da comunidade científica, chamada de cética, reprova de maneira contundente o 
“paradigma hegemônico” que atribui exclusivamente a atividade humana a culpa pela escalada 
das temperaturas globais nos últimos 150 anos. É preciso esclarecer que o conceito de 
paradigma referido anteriormente não tem nenhuma relação com a propositura de Kuhn (1962), 
seria demasiadamente prematuro concluir que a "ciência climática" contemporânea representa 
qualquer tipo de paradigma: é, na melhor das hipóteses, uma coleção de hipóteses e 
especulações. O planeta teve concentrações muito maiores de CO2 no passado, sim e nem por 
isso tal fato impediu que eras glaciais ocorressem. Somente no século XX tivemos três picos 
de CO2 mais altos que os atuais: em 1825, foram medidos 439 ppm; em 1942, foram 425 ppm 
e em 1958, foram 425 ppm – medição feita pelo método Pettenkofer adotado pelo IPCC em 
alguns estudos. Como explicar os recordes de calor no início do século XX, já que o homem 
colocava muito pouco CO2 na atmosfera. Como explicar o período de resfriamento que ocorreu 
entre 1945-1975, quando ocorreu um aumento considerável nas emissões de CO2 no mundo em 
decorrência da significativa industrialização global? 
 Qual a resposta do IPCC para essas indagações? 
 Simplesmente: no passado as mudanças foram naturais, porém, atualmente não. 
 Quer dizer que no passado o CO2 não interferiu no clima global, mas agora interfere?
 Onde estão as fases climáticas conhecidas como “Período Quente Romano", que 
registou, entre 250 d.C. e 400 d.C. temperaturas 3° C mais quente que as atuais? 
 E o “Período Quente Medieval” com temperaturas cerca de 2º C mais quentes que as 
atuais? 
 E a “Pequena Era do Gelo” que fez com que as temperaturas despencassem? 
 Se no passado o CO2 sozinho não controlou o clima por que então controlaria 
atualmente? 
 Por que o IPCC não leva em consideração os períodos climáticos citados anteriormente? 
 Obviamente porquê a mudança climática antrópica perderia todo o sentido, bem como 
a razão de existência do próprio painel do clima da ONU. 
 Para o IPCC esses dois episódios climáticos foram irrelevantes e ocorreram apenas no 
hemisfério norte, ou seja, esquentou e esfriou apenas em uma determinada faixa do globo. 
Novamente mais um argumento anticientífico e absurdo, uma vez que estudos – obviamente 
não abalizados pelo IPCC – corroboram que os dois fenômenos climáticos ocorreram em todo 
o globo. 
 Algumas vezes na história da ciência surgem hipóteses sem sentido elaboradas por meio 
de ciência duvidosa e epistemologicamente vulnerável com único e verdadeiro objetivo: fins 
políticos. Vejamos. 
 Em 1979, nos EUA, o Office of Technology Assessment (OTA) publicou um relatório 
intitulado The Effects of Nuclear War, que tratava dos possíveis efeitos de uma guerra nuclear 
sobre a economia, populações e meio ambiente. O relatório foi solicitado pelo Comitê de 
Relações Exteriores do senado americano. No entanto, como os processos científicos 
envolvidos não eram bem compreendidos, o relatório declarou que não era possível estimar a 
magnitude provável de tais danos136. 
 Na época surgiu a teoria catastrofista do “Inverno Nuclear” que se propunha a descrever 
os efeitos climáticos de uma guerra nuclear. Alertava, por exemplo, que uma guerra nuclear 
entre a Índia e Paquistão produziria uma grande quantidade de material particulado na 
atmosfera capaz de produzir mudanças climáticas globais sem precedentes na história humana 
e, que uma guerra nuclear entre EUA e URSS poderia desencadear rigorosos invernos que 
afetaria significativamente a produção de alimentos no mundo137. 
 No ano seguinte, em 1983, um grupo de cientistas, publicou um artigo na Revista 
Science chamado Nuclear Winter: global consequences of multiple nuclear explosions, o artigo 
desenvolvido com a contribuição de Carl Sagan (1934-1996) tentou quantificar com mais rigor 
os efeitos atmosféricos de uma possível catástrofe nuclear e contava com a credibilidade 
adicional de um modelo computacional real do clima. 
 Mesmo após a OTA concluir em seu relatório que os processos científicos subjacentes 
eram tão pouco conhecidos que nenhuma estimativa poderia ser feita com segurança, Sagan et 
al (1983) insistia em afirmar que uma guerra nuclear poderia causar uma queda abrupta na 
temperatura global cuja previsão de duração seria de três meses138. 
 O inverno nuclear foi desde o seu início objeto de uma campanha midiática bem 
orquestrada. O primeiro anúncio abordando o tema foi publicado por Sagan em um artigo 
publicado no suplemento de domingo da revista Parade Magazine. Logo depois foi realizada 
em Washington uma conferência de alto nível sobre as consequências da guerra nuclear, 
amplamente divulgada e presidida por Carl Sagan e Paul Ehrlich, os dois cientistas mais 
famosos e solicitados pela mídia da época. 
 Em 1983, Sagan já era popular e publicamente visível de uma forma que a maioria dos 
cientistas não era. Ele foi um porta-voz carismático da ciência particularmente da exploração 
do sistema solar por sondas robóticas. Ele apresentou e ajudou a escrever a série de televisão 
"Cosmos" que se tornou o programa de ciências mais assistido da história. Seu livro publicado 
em 1977, The Dragons of Eden ganhou o Prêmio Pulitzer. Sagan apareceu no programa "The 
Tonight Show" de Johnny Carson 40 vezes. Ehrlich esteve em 25 vezes. 
 O artigo sobre inverno nuclear foi aceito para publicação na revista Science, em 23 de 
dezembro de 1983, e estava destinado a atingir milhões de cientistas e influenciar décadas de 
pesquisas futuras. Antes, porém, em outubro daquele mesmo ano Sagan havia tomado a decisão 
de anunciar sua advertência ao mundo usando o que seria um meio muito pouco ortodoxo: a 
mídia popular. 
 Entre os autores do artigo, Carl Sagan foi o único convidado a debater o inverno nuclear 
no Congresso dos EUA, em 1984. Posteriormente, em 1988, foi convidado pelo Papa João 
Paulo II para discutir o tema no Vaticano. Em 1988, foi mencionado pelo primeiro-ministro 
soviético Mikhail Gorbachev em seu encontro com o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan 
(1911-2004) como uma grande influência nas discussões sobre o fim das armas nucleares. 
 
136 OTA. Congress of the United States Office of Technology Assessment. The Effects of Nuclear War, 1979. 
 
137 Robock, Alan. Nuclear winter. John Wiley & Sons, Ltd. WIREs Clim Change. Volume 1, pp 418-427 May/June 
2010. 
 
138 R. P. Turco, O. B. Toon, T. P. Ackerman, J. B. Pollack and Carl Sagan. Nuclear Winter: global consequences 
of multiple nuclear explosions. Science, New Series, Vol. 222, No. 4630 (Dec. 23, 1983), pp. 1283-1292. 
 As ações de Sagan geraram uma reação idêntica ao que acontece nos debates científicos 
atuais sobre mudança climática, ou seja, em ambos os casos o impacto potencial da ciência é 
enorme com implicações além do escopo da pesquisa e envolve preocupações sobre subestimar 
ou exagerar demais os riscos. 
 O mundo atual pode não ser o lugar ideal para se viver, porém, a ciência tem cumprido 
de certa forma a promessa de torna-lo cada vez melhor apesar dos efeitos colaterais ou 
“externalidades”. A ciência, como “uma vela em um mundo assombrado por demônios”, 
parafraseando Carl Sagan, em vez de servir como uma força purificadora, em alguns casos, foi 
atraídae seduzida por duas grandes forças: a política e a publicidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 TEMPERATURA, CLIMA, TEMPO GEOLÓGICO E CO2 
 
Quando se propõe uma discussão a respeito das mudanças climáticas antrópicas é de 
fundamental importância ter uma compreensão de como o clima da Terra era no passado. Isso 
nos fornece uma referência para decidir se as mudanças atuais estão ou não dentro de algum 
padrão de normalidade. De maneira geral, as temperaturas globais variaram muito nos últimos 
500 milhões de anos. Dependendo da escala de tempo utilizada a temperatura atual pode ser 
considerada quente ou fria, portanto, se quisermos saber que tipo de variação de temperatura 
pode ser considerada normal vamos ter que definir uma escala de tempo como referência. 
 Conforme ilustra o Gráfico 2 que trata dos núcleos de gelo da Groenlândia nos últimos 
8.000 anos, a concentração de CO2 atmosférico aumentou de forma constante, enquanto a 
temperatura média global diminuiu. Este fato contradiz a afirmação de que o CO2 é o principal 
botão de controle do aquecimento global. É notório que os níveis de CO2 na atmosfera 
alavancaram nos últimos 150 anos, grande parte devido à processos naturais e uma pequena 
parcela pela ação humana: queima de combustíveis fósseis, expansão das áreas urbanas, 
industrialização, desmatamento, produção de alimentos, transporte, medicamentos e outras 
melhorias no bem-estar humano. 
 
 
Gráfico 2 – O clima durante o Holoceno - Fonte - Disponível em: https://holoceneclimate.com/ 
Acesso em 12 out. 2022 
Contudo, embora os níveis de CO2 tenham subido muito nos últimos 100 anos não há 
aumento correspondente nas temperaturas mundiais, pois 1,07º C registrado estão dentro de 
uma variação normal. O aquecimento registrado nos últimos 200 anos evidencia que as 
temperaturas na verdade estão se recuperando do período mais frio do Holoceno, e mais 
recentemente da Pequena Idade do Gelo, como pode ser observado no Gráfico 3: 
 
 
Gráfico 3 – Correlação entre CO2 e temperatura 
Disponível em: https://holoceneclimate.com/temperature-versus-co2-the-big-picture.html. Acesso 
em 12 out. 2022 
 
Observa-se também que houve intervalos com clara correlação entre CO2 e temperatura, 
contudo, de 1940 a 1975 e de 2000 até os dias atuais a correlação se inverteu: concentrações 
crescentes de dióxido de carbono juntamente com temperaturas em descenso o que inviabiliza 
a hipótese do CO2 controlar o clima na Terra. 
 Sabe-se que o papel do CO2 na atmosfera vem sendo discutido desde o final do século 
XIX com forte ênfase nos últimos cinquenta anos. No início do século XX, a atividade humana 
despejava muito pouco CO2 na atmosfera, no entanto, ocorreram recordes de temperaturas nesse 
período. Durante o período pós-guerra (1945-1975) as temperaturas globais despencaram, ao 
passo que o ritmo acelerado das economias mundiais crescia vertiginosamente com uma 
abundância de CO2 sendo despejado na atmosfera. Em 1971, os principais climatologistas da 
NASA e do NCAR (sigla inglês para National Center for Atmospheric Research) relataram que 
um efeito estufa descontrolado não seria possível, porque o espectro de absorção de CO2 já 
estaria quase saturado, portanto, adicionar mais CO2 não teria nenhum efeito mensurável nas 
temperaturas globais: 
 
From our calculation, a doubling of CO 2 produces a tropospheric temperature change 
of 0.8 ºK. however, as more CO 2 is added to the atmosphere, the rate of temperature 
increase is proportionally less and less, and the increase eventually levels off. Even 
for increase in CO2 by a factor of 10, the temperature increase does not exceed 2,5 
ºK. Therefore, the runaway greenhouse effect does not occur because the 15- µm CO2 
band, which is the main source of absorption, satures, and the addition of more CO2 
does not substantially increase the infrared opacity of the atmosphere (Rasool; 
Schneider, 1971 p. 139).
139 
 
Ainda em relação ao fenômeno da “saturação”, em junho de 2020, os físicos William 
van Wijngaarden do Departamento de Física e Astronomia da York University no Canada e 
William Happer do Departamento de Física da Princeton University nos Estados Unidos, 
publicaram um estudo no qual esclareceram que os atuais níveis de dióxido de carbono 
atmosférico e vapor de água estariam quase completamente saturados. Em física da radiação, o 
termo técnico “saturado” implica que adicionar mais moléculas não causará mais 
aquecimento140. De maneira simplificada, isso quer dizer que as emissões antrópicas de CO2 
têm pouco ou nenhum impacto adicional no aquecimento global. Não haveria, portanto, 
nenhuma emergência climática catastrófica e o planeta não estaria vivenciando uma “era de 
ebulição global”. O novo presidente do IPCC, James Skea, disse recentemente em entrevista ao 
jornal Die Welt de 30 de julho de 2023, que “as pessoas não deveriam exagerar a meta de 1,5º 
C e que, se ultrapassarmos, isso não constituiria uma ameaça existencial” 141. 
 Salienta-se que na física da radiação, o termo “saturação” não é nada parecido com 
aquilo que chamamos de saturação na linguagem comum, assim como o efeito estufa não é 
nada parecido com o funcionamento de uma estufa como os livros didáticos costumam retratar.
 Na verdade, há cerca de 15.000 anos as temperaturas globais começaram a subir quando 
a Terra saiu do último período glacial. E foi justamente este período interglacial chamado 
Holoceno que permitiu que o homo sapiens se desenvolvesse como nunca antes. Por volta de 
 
139 Rasool, S.I., and S.H. Schneider, 1971: Atmospheric carbon dioxide and aerosols: Effects of large increases 
on global climate. Science, 173, 138-141, doi:10.1126/science.173.3992.138. 
Tradução livre: A partir de nossos cálculos, uma duplicação do CO2 produz uma mudança de temperatura 
troposférica de 0,8º K. Entretanto, à medida que mais CO2 é adicionado à atmosfera, a taxa de aumento da 
temperatura é proporcionalmente menor e menor, e o aumento eventualmente se estabiliza. Mesmo para aumento 
do CO2 por um fator de 10, o aumento da temperatura não ultrapassa 2,5 º K. Portanto, o efeito estufa descontrolado 
não ocorre porque a banda de CO2 de 15 µm, que é a principal fonte de absorção, satura e a adição de mais CO2 
não aumenta substancialmente a opacidade infravermelha da atmosfera. 
 
140 Wijngaarden, W. A.; Happer, W. Dependence of Earth’s Thermal Radiation on Five Most Abundant 
Greenhouse Gases. Disponível em: https://arxiv.org/pdf/2006.03098.pdf. Acesso em 29 Out 2022. 
 
141 DW. Die Welt. Don't overstate 1.5 degrees C threat, new IPCC head says. 24 Aug, 2023. Disponível em: 
https://www.dw.com/en/climate-change-do-not-overstate-15-degrees-threat/a-66386523. Acesso em 25 Agos. 
2023. 
8.000 anos as temperaturas estavam cerca de 4° C mais altas do que na atualidade. Desde então, 
as temperaturas têm diminuído constantemente, com alguns altos e baixos como o Período 
Quente Minoico (há cerca de 3.500 anos), o Período Quente Romano (há cerca de 2.000 anos), 
o Período Quente Medieval (há cerca de 1.000 anos) e a Pequena Idade do Gelo que terminou 
há cerca de 200 anos. Nessa escala, vivemos na atualidade um período de frio que se recupera 
dos extremos da Pequena Idade do Gelo, lembrando que mais de 90% do período Holoceno as 
temperaturas foram muito mais elevadas do que no presente. 
 Quando se observa a escala de tempo geológico no Gráfico 4 abaixo é possível notar 
que as enormes variações climáticas que ocorreram no passado foram muito mais altas do que 
na atualidade. Durante a maior parte desse período, nenhuma temperatura abaixo de zero foi 
medida em qualquer lugar da Terra, então as calotas polares praticamente não existiam. Os 
níveis de CO2 eram muito altos, acima de 5.000 partes por milhão (ppm) durante a maior parte 
do período. Isto equivale aaproximadamente 12 vezes mais do que os níveis atuais, por isso a 
vida no planeta Terra floresceu, os continentes foram cobertos por densas florestas, os recifes 
de corais começaram a se desenvolver juntamente com os depósitos de carbono que deram 
origem aos combustíveis fósseis – carvão, gás e petróleo. 
 
Gráfico 4 - Escala de tempo geológica 570 milhões 
Disponível em: https://holoceneclimate.com/temperature-versus-co2-the-big-picture.html. Acesso 
em 12 out. 2022 
 
Há cerca de 55 milhões de anos a concentração de CO2 na atmosfera estava em torno de 
1.000 ppm, ou seja, uma taxa de 250% a mais do que os níveis atuais (420 ppm), nível 
considerado extremamente perigoso pelo IPCC e, segundo o órgão, tais concentrações podem 
causar um aquecimento descontrolado. Contudo, as medições do mundo real mostram 
exatamente o contrário: as temperaturas estão em descenso o que contradiz a hipótese de 
aquecimento global causada pela intensificação do efeito estufa em decorrência do aumento de 
dióxido de carbono. A escala de tempo a longo prazo mostra claramente que tanto as 
temperaturas modernas quanto as concentrações de CO2 são extremamente baixas. Portanto, 
não existe uma correlação clara e bem definida entre a temperatura e CO2. Outros fatores como 
a formação de continentes, atividade solar, cobertura de nuvens, vulcanismo e correntes 
oceânicas, inclinação do eixo terrestre, entre outros, e não somente o CO2 governaram as 
mudanças climáticas. Nos últimos oito mil anos os níveis de CO2 aumentaram, enquanto, as 
temperaturas sofreram declínio, tal fato contradiz qualquer afirmação de que existe uma 
correlação positiva entre os níveis de CO2 e a temperatura global. 
 As alterações na órbita do planeta Terra em torno do Sol, causadas pelos chamados 
ciclos de Milankovitch, como a orientação do eixo da Terra (precessão), excentricidade e 
variações na inclinação axial que criam variações na entrada de energia solar influencia 
diretamente nas flutuações cíclicas de temperatura nos períodos conhecidos como glaciais e 
interglaciais, mais ou menos da mesma forma que a inclinação axial da Terra proporciona as 
estações do ano, mas com uma duração de ciclo muito maior. 
 Os oceanos são os grandes reservatórios de dióxido de carbono, portanto, quando estão 
aquecidos possuem tendência de liberar CO2 para a atmosfera. Como os níveis de CO2 na 
atmosfera costumam ficar bem abaixo do ponto de saturação no início de cada ciclo de 
aquecimento que ocorre após um período de glaciação, nesse caso, um pequeno feedback 
positivo de aquecimento pode ser induzido pelo CO2. Contudo, quando a concentração de CO2 
alcança determinado nível o aquecimento cessa. Portanto, deve-se concluir que o aumento nas 
concentrações de CO2 segue o aumento da temperatura e não o inverso – o aumento nas 
concentrações de CO2 surge na atmosfera como consequência e não como causa. 
 A maior parte do aquecimento recente, de acordo com Abbot e Marohasy (2017), pode 
ser natural. Segundo o estudo, apesar da ciência climática estar repleta de dados sobre a 
evolução das temperaturas que evidenciam a ocorrência de oscilações ora para cima e ora para 
baixo nos últimos 2.000 anos – elevação durante o Período Quente Medieval (PQM) e 
novamente recentemente por volta de 1980, e diminuição durante a Pequena Idade do Gelo 
(PIG) – as reconstruções oficiais feitas pelo IPCC (que sustentam o Acordo de Paris) negam 
tais ciclos e imputam o aquecimento recente exclusivamente às emissões humanas de dióxido 
de carbono. Não se discute que o dióxido de carbono absorve a radiação infravermelha, o que 
é incerto é a sensibilidade do clima as concentrações atmosféricas crescentes. Essa sensibilidade 
pode ter sido grosseiramente superestimada pelo químico sueco Svante Arrhenius há mais de 
120 anos, e ainda hoje persiste nos modelos de simulação de computador que sustentam a 
ciência climática moderna142. 
 O final da PIG, por volta de 1830, corresponderia ao início da industrialização. 
 Mas a industrialização causou o aquecimento global? 
 Abbot e Marohasy (2017), ao descontruir e reconstruir novamente seis séries de proxies 
paleoclimáticos (sedimentos de lagos, estalagmites, grãos de pólen, anéis de arvores, corais, 
núcleos de gelo, etc.) de diferentes regiões do Hemisfério Norte a partir de 50 d.C. e terminando 
no ano 2000, utilizando o sistema chamado de Redes Neurais Artificiais (ANN) - técnica que 
tem sido amplamente aplicada para simulação e previsão de variáveis climáticas e 
meteorológicas, incluindo temperaturas - demonstraram que: 1- as temperaturas nesse período 
de quase 2000 anos, ziguezagueia para cima e para baixo dentro de uma faixa de 0,4°C em uma 
 
142 Abbot, John; Marohasy, Jennifer. The application of machine learning for evaluating anthropogenic versus 
natural climate change. GeoResJ - Volume 14, pp. 36-46, December 2017. 
escala curta de tempo; 2- mesmo na ausência da Revolução Industrial haveria um aquecimento 
significativo até pelo menos 1980. 
 Os resultados da técnica utilizada pelos pesquisadores estão de acordo com as 
estimativas de sensibilidade climática da espectroscopia experimental, mas estão em desacordo 
com os resultados dos Modelos de Circulação Geral (GCMs) utilizados pelo IPCC que atribuem 
mais de 90% do aquecimento global desde 1900 e, virtualmente 100% do aquecimento global 
desde 1970 as forçantes climáticas antropogênicas. 
 Conforme destaca o artigo, ao longo do período mais longo de quase 2.000 anos, o 
registro mostra uma tendência crescente de aumento que atinge seu pico em 1200 d. C. antes 
de voltar a cair novamente em 1650, para voltar a subir em 1980, como mostra o Gráfico 5 
abaixo: 
 
 
Gráfico 5 – Comportamento da temperatura. Registro proxy das temperaturas em azul e 
estimativa de aumento na ausência da Revolução Industrial (projeção ANN -linha laranja) Abbot e 
Marohasy (2017, p. 39) 
 
O declínio no final do gráfico é típico de muitas pesquisas de reconstruções de 
temperaturas proxy e é conhecido na literatura técnica como “o problema da divergência”. Para 
ser claro, enquanto os termômetros e os registros de temperatura por satélite geralmente 
mostram um aumento de temperatura ao longo do século XX, o registro proxy, que é usado 
para descrever a mudança de temperatura geralmente diminui a partir de 1980, ao menos para 
regiões do Hemisfério Norte, este é particularmente o caso dos registros de anéis de árvores. 
Em vez de abordar esta questão, grande parte dos cientistas climáticos, enxertam séries 
instrumentais de temperatura no registro proxy para literalmente esconder o declínio a partir da 
década de 1980. 
 Considerando os resultados de todas as seis regiões geográficas, de acordo com Abbot 
e Marohasy (2017), o modelo ANN sugere que o aquecimento dos ciclos climáticos naturais ao 
longo do século XX seria da ordem de 0,6 a 1 °C, dependendo da localização geográfica. A 
diferença entre a saída dos modelos ANN e os registros proxies é de no máximo 0,2 °C, esta 
foi a situação para os estudos da Suíça e da Nova Zelândia. Assim, a contribuição da 
industrialização para o aquecimento ao longo do século XX seria de no máximo 0,2°C, 
diferentemente do IPCC que estabelece um aquecimento de 1 º C impulsionado basicamente 
pelo processo de industrialização. 
 O IPCC apresenta uma avaliação muito diferente porque basicamente remodela as séries 
de temperatura proxy antes de compará-las com os resultados dos Modelos de Circulação Geral. 
Por exemplo, o penúltimo relatório de avaliação do IPCC concluiu que no hemisfério norte, o 
período de trinta anos entre 1983-2012 foi provavelmente o mais quente dos últimos 1.400 anos.
 Se voltarmos 1.400 anos, temos um período na Europa, imediatamente após a queda do 
império romano e anterior ao PQM, que foi tão quente quanto astemperaturas atuais, porém, 
ignorado pelo IPCC. Este é o consenso científico oficial que estabelece que as temperaturas 
permaneceram estáveis por 1.300 anos e, de repente, começaram a subir a partir de 1830, sem 
nenhum declínio até a década de 1980. Por meio dessa construção o IPCC afirma que há algo 
incomum nas temperaturas atuais: está em curso um aquecimento global catastrófico devido à 
industrialização. 
 Diversos estudos paleoclimáticos sobre mudanças climáticas, baseados em 
reconstruções de temperaturas do passado, como Ge et al (2017) mostram que as temperaturas 
registradas no século XX podem não ser tão inéditas durante os últimos 2.000 anos. No referido 
artigo as reconstruções sintetizadas multiproxy mostram que a variação de temperatura na China 
exibiu ciclos significativos de 50 a 70 anos, 100 a 120 anos e 200 a 250 anos. Os resultados 
também mostram que as amplitudes de variação da temperatura decadal e multidecadal foram 
respectivamente de 1,3°C e 0,7°C, sendo esta última significativamente correlacionada com 
mudanças de longo prazo na radiação solar que corresponde aproximadamente aos mínimos de 
manchas solares. O aquecimento mais rápido, por sua vez, teria ocorrido entre 1870 e 2000 d. 
C. Outro dado interessante é que as temperaturas registradas nos períodos de 981-1100 e 1201-
1270 são comparáveis com o comportamento das temperaturas das últimas décadas do 
presente143. 
 
 5.1 História dos dados climáticos 
 
O conjunto de dados de temperatura do ar terrestre da Climatic Research Unit (CRU), 
combinado com os dados de temperatura da superfície do mar do Met Office, é conhecido como 
HadCRUT. Este conjunto de temperatura global é um dos três usados para monitorar o 
aquecimento global desde 1850 por organizações internacionais, incluindo a Organização 
Meteorológica Mundial (OMM) e a Organização das Nações Unidas (ONU). Estimar a 
temperatura global é um desafio significativo. HadCRUT abrange os dados a partir de 1850 até 
os dias atuais, ou seja, o período mais próximo possível da linha de base pré-industrial 
considerada fundamental pelos formuladores de políticas. 
 
143 Ge, Quansheng; Liu, Haolong; Ma, Xiang; Zheng, Jingyun; Hao, Zhixin. Characteristics of temperature 
change in China over the last 2000 years and spatial patterns of dryness/wetness during cold and warm periods. 
Advances in Atmospheric Sciences. Volume 34 pp. 941–951, 2017. 
 Os registros de temperatura global HadCRUT aparece no Resumo para Formuladores 
de Políticas e Relatório de Síntese em todas as seis avaliações do IPCC, sendo utilizado, 
portanto, para embasar o Acordo de Paris de 2015 que é o tratado internacional sobre mudanças 
climáticas, adotado na COP21 na capital francesa no âmbito da Convenção-Quadro das Nações 
Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC sigla em inglês). A UNFCCC é uma convenção 
baseada na ciência e conta com o IPCC para fornecer o estado básico de conhecimento sobre 
mudanças climáticas. O objetivo mutuamente acordado em Paris foi de limitar o aquecimento 
global abaixo de 2°C e tentar ativamente mantê-lo em 1,5°C nas próximas décadas. 
 Incialmente, a CRU tinha como prioridade desenvolver estudos com o objetivo de 
estabelecer o registro passado do clima ao redor do globo. Durante a década de 1970, trabalhou 
na interpretação de registros históricos documentais, a partir de 1978, iniciou a produção de seu 
conjunto de dados em grade de anomalias de temperatura do ar terrestre com base em registros 
instrumentais de temperatura mantidos pelas instituições meteorológicas em todo mundo, em 
1986, as temperaturas do mar foram adicionadas para formar uma síntese de dados originando 
o primeiro registro de temperatura global. Contudo, o acesso aos registros de temperatura da 
unidade era restrito, somente após a promulgação da Lei de Liberdade de Informação (FOIA) 
no Reino Unido, em 2005, que a CRU passou a disponibilizar as informações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 ECOANSIEDADE: MEDO CRÔNICO DA CATÁSFROFE CLIMÁTICA 
 
 A mudança climática é a maior ameaça à humanidade? 
 Vivemos em uma era de medo, particularmente um medo exacerbado em relação a 
mudança climática. Pesquisa recente realizada com 10 mil adolescentes e jovens ao redor do 
globo mostrou que grande parte dos jovens estão sofrendo de “ansiedade climática” ou 
“ecoansiedade”, que é um efeito sobre o psicológico oriundo do quadro apocalíptico com que 
as questões relacionadas a mudança climática vem sendo tratada pelos meios de 
comunicação144. 
 O estresse causado pelos possíveis efeitos do aquecimento do planeta, segundo a 
pesquisa, pode causar mudanças de comportamento, ataques de pânico, pensamentos 
obsessivos, perda de apetite, ansiedade, insônia, queda no rendimento escolar, entre outros. 
Devido a ecoansiedade muitos casais estão optando por não ter filho, pois para as novas 
gerações o futuro passou a ser um ponto de interrogação. 
 Se o cenário apresentado pela mídia é assustador para os adultos, as crianças, por sua 
vez, ficam apavoradas. Uma pesquisa do Washington Post publicada, em 2019, mostrou que 
entre as crianças americanas de treze a dezessete anos, 57% sentem medo das mudanças 
climáticas, 52% sentem raiva e 42% se sentem culpadas. Um estudo acadêmico de 2012 com 
crianças de dez a doze anos de três escolas em Denver descobriu que 82% expressavam medo, 
tristeza e raiva ao discutir seus sentimentos sobre o meio ambiente e a maioria das crianças 
compartilhava visões apocalípticas sobre o futuro do planeta. 
 Outro aspecto revelador é que para 70% das crianças, a televisão, os noticiários e os 
filmes foram essenciais para formar suas visões apavorantes145. 
 Um dos exemplos mais recentes e alarmantes dessa mentalidade apocalíptica pode ser 
observado nas atitudes do grupo alemão chamado “Last Generation”, seus integrantes entraram 
em greve de fome como protesto contra as mudanças climáticas, o grupo preconiza que a crise 
climática irá desencadear escassez de alimento e consequentemente fome em vários países, 
principalmente na Europa nos próximos 20 anos. Sabe-se que a mudança climática poderá afetar 
de alguma forma a agricultura, mas tal informação carece de evidencias científicas e, até o 
presente momento nenhuma pesquisa científica confiável corroborou tal ideia. Outro exemplo 
é o grupo ambientalista Extinction Rebellion fundado por Roger Hallam. Em um vídeo recente, 
intitulado “Conselhos aos jovens enquanto eles enfrentam a aniquilação”, Hallam afirma que 
devemos reduzir as emissões a zero caso contrário a humanidade será exterminada, embora isso 
esteja completamente fora de linha com a ciência e os cientistas atualmente. A imagem abaixo 
resume muito bem esse quadro: 
 
 
144 Marks et al. Young People's Voices on Climate Anxiety, Government Betrayal and Moral Injury: A Global 
Phenomenon. P. 23 - 0 7 Sep 2021. Disponível em: https://ssrn.com/abstract=3918955. Acesso em 24 abr. 2023. 
 
145 Lomborg, Bjorn. False Alarm: How Climate Change Panic Costs Us Trillions, Hurts the Poor, and Fails to 
Fix the Planet. Basic Books. Edição do Kind, 2020. 
 
 
Foto 1 – Disponível em: https://happyeconews.com/youll-die-of-old-age-ill-die-of-climate-change/. Acesso 
em 20 julho 2023. 
 Os jovens entre 16 e 25 anos, formam o grupo de maior vulnerabilidade, mais da metade 
disse que “a humanidade estava condenada”; três quartos disseram que o futuro era assustador; 
55% disseram que teriam menos oportunidades do que seus pais; 52 % disseram que a 
segurança da família estaria ameaçada e 39% não pretende em ter filhos. Esses resultados foram 
consistentes em países ricos e pobres, grandes e pequenos: dos Estados Unidos e Reino Unido 
ao Brasil, Filipinas, Índia e Nigéria.Somos bombardeados diuturnamente com notícias alarmantes sobre desastres 
climáticos, essas (des)informações não fornecem uma perspectiva precisa sobre a frequência e 
as consequências das mudanças climáticas antrópicas, na verdade alimentam uma falsa 
perspectiva. Ora, o mundo se tornou mais seguro, as taxas de mortalidade por desastres caíram 
muito no último século, a humanidade se tornou mais resiliente, temos melhores tecnologias 
para prever tempestades, incêndios florestais e inundações. A mídia, ao alimentar o 
catastrofismo contribui mais ainda como elemento indutor da ansiedade. É preciso apresentar a 
crise climática de forma transparente e realista. A retórica sobre a mudança climática tornou-se 
cada vez mais radical e menos atrelada à ciência real. Nos últimos vinte anos, os cientistas do 
clima aumentaram meticulosamente o conhecimento sobre as mudanças climáticas, e temos 
atualmente muito mais dados — e mais confiáveis — do que nunca. Mas, ao mesmo tempo, a 
retórica dos comentaristas e da mídia tornou-se cada vez mais irracional. A ciência nos mostra 
que os temores de um apocalipse climático são infundados. O aquecimento é real, porém, não 
se trata do fim do mundo. É um problema administrável que requer políticas claras de adaptação 
e mitigação. A ciência não corrobora a ideia de que 2030 é a data limite para a salvação do 
planeta, não é isso que a ciência afirma, é o que os políticos dizem146. 
 Apesar de o termo ”ecoansiedade” ter sido incorporado recentemente ao discurso em 
defesa do ambiente é preciso muita cautela para se evitar algum tipo de “patologização”, 
principalmente entre crianças e adolescentes, já que a ansiedade é um diagnóstico 
exclusivamente médico psiquiátrico. 
 Futuros apocalípticos superexagerados podem ser usados para apoiar o despotismo e a 
imprudência. Por exemplo, cenários catastróficos e imprecisos de superpopulação nas décadas 
 
146 Pielke, Roger; Burgess, Matthew; Ritchie, Justin. Catastrophic climate risks should be neither understated 
nor overstated. Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS. Vol. 119 nº 42 - October 10, 2022. 
de 1960 e 1970 contribuíram para que vários países adotassem programas de esterilização 
forçada e aborto, incluindo a política do filho único da China, que causou mais 100 milhões de 
abortos forçados. Os movimentos fascistas e neofascistas do passado e do presente 
frequentemente usam o medo de uma catástrofe ambiental para promover a eugenia e se opor à 
imigração e à ajuda humanitária. O governo do Sri Lanka, preocupado com a poluição, proibiu 
precipitadamente fertilizantes e pesticidas sintéticos, em 2021, contribuindo para uma crise 
agrícola e econômica sem precedentes na história do país 147. 
 A cobertura do clima tornou-se mais uma promoção narrativa do que notícias, o clima 
passou de um papel determinista para um papel reducionista nos discursos sobre meio ambiente, 
sociedade e futuro. O novo determinismo climático é impulsionado pela hegemonia exercida 
pelas ciências naturais e biológicas preditivas sobre relatos contingentes, imaginativos e 
humanísticos da vida social e visões pessimistas sobre o futuro. É uma hegemonia que empresta 
poder desproporcional ao discurso apocalíptico que reduz o futuro do planeta ao clima. 
Provavelmente não existe fenômeno natural no mundo atual, que em algum momento, não 
tenha sido associado à mudança climática. Existe um grande mercado para estudos que 
oferecem previsões assustadoras acerca do futuro, geralmente empregando cenários 
implausíveis: bem-vindos ao Representative Concentration Pathway (RCP 8.5) 
 O RCP 4.5 é descrito pelo IPCC como um cenário moderado no qual as emissões 
atingem o pico por volta de 2040 e depois diminuem. O RCP 8.5 é o cenário de emissões de 
linha de base mais alto no qual as emissões continuam a aumentar ao longo do século XXI. Um 
modelo climático é um programa de computador concebido para simular o clima da Terra a fim 
de compreender e prever o seu comportamento. A modelagem por computador é fundamental 
para a ciência do clima. Os modelos ajudam a entender como o sistema climático funciona, por 
que mudou no passado e, o mais importante, como pode mudar no futuro. 
 Contudo, ainda há uma grande ressalva a ser feita: a dinâmica do clima do planeta 
continua sendo um dos problemas mais desafiadores para os modelos de predição, portanto, 
quão bons são os modelos climáticos atuais? 
 Em teoria, como se tem hoje uma compreensão muito mais robusta sobre as leis físicas 
que governam a matéria e a energia é fácil deduzir que se pode simplesmente alimentar os 
computadores com uma série de informações e assim prever com precisão como o clima se 
comportará no futuro. Infelizmente, isso não é verdade, basta deduzir tal fato pela previsão do 
tempo, que podem ser precisas apenas em duas semanas ou mais. Por isso, essa escassa precisão 
de duas semanas nas previsões meteorológicas reflete um problema fundamental: o clima é 
caótico e não importa quão precisamente possamos especificar as condições atuais, a incerteza 
em nossas previsões cresce exponencialmente à medida que se estendem para o futuro. 
 É preciso ressaltar que clima é diferente de tempo, clima é a média do tempo ao longo 
dos anos (geralmente, no mínimo 30 anos são usados como referência). Quando falamos em 
tempo, estamos nos referindo as condições locais temporárias, como o sol da manhã, a chuva 
da tarde ou o frio da semana que passou, portanto, são as condições da atmosfera durante um 
curto período de tempo, e clima é como a atmosfera “se comporta” durante períodos de tempo 
relativamente longos, geralmente utiliza-se como modelo padrão um intervalo de no mínimo 
30 anos. 
 
 
147 Pielke, Roger; Burgess, Matthew; Ritchie, Justin. Catastrophic climate risks should be neither understated 
nor overstated. 
 6.1 Alguns fenômenos oceânicos-atmosféricos 
 Embora os modeladores climáticos baseiem suas suposições nas leis fundamentais da 
física e em observações de fenômenos climáticos ainda há um fator considerável envolvido: 
tipos diferentes de modeladores fornecem diferentes tipos de suposições, portanto, os resultados 
sempre irão variar significativamente. Isto não é um mero detalhe sem importância, pois as 
flutuações comuns em relação a altura e a cobertura das nuvens, por exemplo, podem impactar 
nos fluxos de luz solar e calor tanto quanto as influências humanas. Na verdade, a maior das 
incertezas na modelagem do clima decorre justamente do tratamento que os dados oferecem a 
cobertura de nuvens. A quantidade de nuvens pode aumentar ou diminuir o efeito albedo, o 
que permite maior ou menor incidência da radiação. A presença de muitas nuvens dificulta a 
passagem da radiação, pouca facilita. 
 O mesmo pode-se dizer em relação as mudanças lentas que ocorrem nas correntes 
oceânicas e a interação entre os oceanos e a atmosfera. Um dos exemplos mais conhecido é o 
fenômeno climático chamado de El Niño-Southern Oscillation (El Niño Oscilação Sul, sigla em 
inglês ENSO), que consiste em uma mudança de calor no Oceano Pacífico equatorial que ocorre 
irregularmente de dois a sete anos e influencia os padrões climáticos globais. Outros 
comportamentos mais lento e menos conhecido é a Atlantic Multidecadal Oscillation 
(Oscilação Multidecadal do Atlântico, sigla em inglês AMO) e a North Atlantic Oscillation 
(Oscilação do Atlântico Norte – sigla em inglês NAO), que envolve mudanças cíclicas de 
temperatura no Atlântico Norte. 
 Enquanto o El Niño corresponde ao aumento da temperatura das águas do Oceano 
Pacífico na sua porção equatorial, La Niña corresponde à diminuição da temperatura. Ambos 
são fenômenos atmosférico-oceânicos caracterizados pela alteração da temperatura das águas 
que geram diversas consequênciascomo impactar significativamente não somente nos 
indicadores de temperatura, mas também no regime de precipitação global. 
 Até o início de 2023, o Brasil esteve sob a influência de La Niña, daí a ocorrência de 
chuvas e inundações nas regiões norte e nordeste e prevalência de secas na região sul. Portanto, 
tais fenômenos são contrários em termos de aspectos de ocorrência e, por consequência, nos 
impactos gerados na atmosfera global. 
 Em 2023, após sete anos de ausência, El Niño está de volta e transformou o inverno em 
verão e o verão um pouco mais quente do que o habitual em várias regiões. Além do El Niño 
outros dois fatores explicam esse calor atípico: Oscilação Antártica e o bloqueio atmosférico. 
A Oscilação Antártica, também conhecida como Modo Anular Sul, tem um papel importante 
na variabilidade climática do Hemisfério Sul, portanto, não existe nenhuma relação com a 
interferência humana no clima. 
 A Oscilação Multidecadal do Atlântico é um fenômeno cíclico de anomalias da 
temperatura da superfície que ocorre no Oceano Atlântico Norte. A AMO pode influenciar as 
condições meteorológicas na América do Norte, Europa e Norte da África com padrões 
característicos que ocorrem em diferentes épocas do ano. Nos últimos 150 anos, a AMO oscilou 
entre fases positivas e negativas. A predominância da fase positiva eleva a temperatura da 
superfície do mar, já a fase negativa torna a água mais fria. A AMO pode impactar fortemente 
o clima global, portanto, é uma consideração importante na previsão do tempo a longo prazo.
 AMO fase positiva: influências na Europa e Ásia no inverno. 
 Durante a prevalência da fase positiva, Hemisfério Norte, grande parte da Ásia 
(especialmente a Rússia Oriental), Oriente Médio e partes do norte da Europa apresentarão 
temperaturas mais altas do que o normal. Apenas a região ocidental do Mediterrâneo pode 
eventualmente apresentar temperaturas mais baixas que o normal, pode haver a prevalência de 
alta umidade em partes da Ásia e do norte da Europa. Regiões do sul da Europa, especialmente 
a Península Ibérica poderão sofrer impactos climáticos em decorrência da falta de chuva, ou 
seja, pode haver prevalência de períodos extremamente secos. 
 AMO fase positiva: influências na Europa e Ásia durante o verão. 
 Durante a fase fortemente positiva as temperaturas durante o verão estarão mais altas 
que o normal no Hemisfério Norte, grande parte da Ásia (especialmente a Rússia Oriental), 
Oriente Médio e Sul da Europa. Somente a Escandinávia e a Sibéria podem apresentar 
temperaturas mais baixas que o normal. Ao mesmo tempo, grande parte da China, Sibéria e 
norte da Europa podem ficar mais úmida do que o normal. No sudoeste da Europa e no Oriente 
Médio o regime pluviométrico pode ser prejudicado, vários países podem ser prejudicados em 
decorrência das secas. 
 AMO fase negativa: influências na Europa e Ásia no inverno. 
 Durante a fase fortemente negativa da AMO no inverno do Hemisfério Norte, grande 
parte da Ásia, Oriente Médio e Península Ibérica, as temperaturas estarão mais baixas do que o 
normal. Ao mesmo tempo, devido a sua influência, grande parte da Ásia e da Europa Oriental 
podem apresentar clima mais seco do que o normal. Algumas regiões da Europa Central, 
Península Ibérica, Oriente Médio e China também podem apresentar clima mais seco. 
 AMO fase negativa: influências na Europa e Ásia no verão. 
 Durante a fase fortemente negativa da AMO no verão do Hemisfério Norte, grande parte 
da Ásia e da Europa provavelmente estarão mais frias do que o normal. Ao mesmo tempo, 
regiões da Ásia, Europa Central e do Norte provavelmente estarão mais secas do que o normal. 
Apenas o sul da Europa e a Rússia Central, provavelmente, podem apresentar clima mais úmido 
do que o normal. 
 No final do século XVIII, o físico e climatologista inglês Gilbert Walker (1868-1958) 
nas suas viagens pelo Oceano Atlântico notou que as condições de invernos amenos na 
Groenlândia muitas vezes coincidiam com condições de invernos severos na Dinamarca e vice-
versa. O fenômeno severo versus leve que ele descreveu atualmente é reconhecido como 
Oscilação do Atlântico Norte ou NAO. 
 A Oscilação do Atlântico Norte (NAO) descreve mudanças na força de dois padrões 
recorrentes de pressão atmosférica sobre o Atlântico Norte: uma zona de baixa pressão perto da 
Islândia e uma alta pressão próximo dos Açores. 
 Durante a fase positiva ocorre uma grande diferença de pressão entre os dois padrões o 
que acarreta condições quentes no leste dos EUA e norte da Europa e condições frias no sul da 
Europa. Ao contrário do El Niño, o NAO é um modo predominantemente atmosférico. É uma 
das manifestações mais importantes das flutuações climáticas no Atlântico Norte e nos climas 
úmidos circundantes. A NAO também está intimamente relacionada com a oscilação do Ártico 
ou Modo Anular do Norte (NAM) e não deve ser confundida com a AMO. 
 Como temos apenas cerca de 150 anos de boas observações, os comportamentos 
sistemáticos que ocorrem em escalas de tempo mais longas são menos conhecidos – pode haver 
(e quase certamente há) outras variações cíclicas naturais ocorrendo em períodos ainda mais 
longos. Todos esses ciclos influenciam os climas globais e regionais, portanto, torna-se muito 
difícil estabelecer se as mudanças observadas no clima são de origem humanas ou devido a 
forças naturais, os picos de anomalias para cima durante o período de 1998 a 2016, por exemplo, 
ocorreram em decorrência da influência do El Niño. Embora os modelos atuais possam 
reproduzir alguns aspectos do El Niño, eles não são muito bons em reproduzir a sua intensidade 
e duração, o mesmo se dá em relação a AMO e a NAO. 
 É possível que os ciclos oceânicos estejam por trás das mudanças climáticas observadas 
e não exclusivamente a queima de combustíveis fósseis, portanto, El Niño e seus “primos” 
podem estar influenciado muito mais o clima do que os humanos, isso significa que embora as 
atividades antrópicas possam desempenhar papel relevante no contexto de aquecimento global, 
forças naturais como os oceanos, cobertura de nuvens, atividades vulcânicas e influências 
externas como radiação solar e raios cósmicos podem estar impactando muito mais os 
termômetros 148. 
 Outro grande problema é que os modelos não são capazes de reproduzir o que ocorreu 
no passado, isso de certa forma corrói ainda mais a confiança nas projeções e complica muito 
quando se tenta estimar o percentual de aumento que foi causado por variabilidade natural e o 
que pode ser atribuído exclusivamente a interferência antrópica. 
 De fato, tem se tornado muito comum ver e ouvir nas mídias e redes sociais, políticos, 
cientistas e pseudoespecialistas afirmarem categoricamente que os humanos são responsáveis 
pelas ondas de calor e frio, secas, inundações, tempestades e tudo o mais que o grande público 
possa temer. É uma venda muito fácil, o relato da cena é poderoso e muitas vezes comovente, 
pois nossas más lembranças de eventos climáticos catastróficos do passado pode tornar o "sem 
precedentes" bastante convincente. 
 Aqui estão algumas declarações resumidas (talvez surpreendentes) do Quinto Relatório 
de Avaliação (AR5), indicando o que sabemos (ou não sabemos) sobre algumas dessas 
tendências: 
Baixa confiança quanto ao sinal de tendência na magnitude e/ou frequência de 
inundações em escala global; baixa confiança em uma tendência observada em escala 
global de seca desde meados do século XX; baixa confiança nas tendências de 
fenômenos climáticos severos de pequena escala, como granizo e tempestades e baixa 
confiança em relação ao aumento da intensidade de ciclones extratropicais extremos 
desde 1900 149. 
 
 Grande parte da mídia, seja no Brasil e no exterior, age de maneira irresponsável e 
alarmista, as informações veiculadas equivocadamente dificilmente são reparadas.Observações climatológicas podem identificar períodos de oscilações de padrões 
climáticos, El Niño, por exemplo, de acordo com registros paleoclimáticos, históricos, 
arqueológicos e relatos de navegadores tem influenciado os padrões climatológicos em diversas 
localidades do continente americano. O fenômeno é responsável por mudanças nas forças dos 
ventos, transformações na quantidade e intensidade de chuvas, secas, enchentes, modificações 
nas taxas de produção agrícola, podendo estar por trás da decadência da Civilização Maia, como 
sugere alguns estudos. Portanto, é muito complicado estabelecer se determinadas alterações no 
clima tem como causa a mudança climática natural ou a antropocêntrica 150. 
 
148 Tsonis, Anastasios. The Litle Boy: El Niño and natural climate change. GWPF Report 26, 2017. 
 
149 Koonin, Steven. Unsettled? What climate Science tells us, what it doesn’t, and why it matters. Dallas: E-Book 
Edition, 2021 p. 98. 
 
150 Barbosa, Antônio I. Gomes; Bulhões, Eduardo M. Rosa. Possível influência do fenômeno climático oceânico-
atmosférico El Niño Oscilação Sul (ENOS) sobre a precipitação acumulada mensal observada em Campos 
dos Goytacazes – RJ, Brasil. Instituto de Geociências – UNICAMP. Os Desafios da Geografia Física na Fronteira 
do Conhecimento. Vol. 1- 2017. 
 
 6.2 Mídia e desinformação 
 De acordo com um relatório da ONU (2022)151, “Da Amazônia aos Andes e às 
profundezas nevadas da Patagônia, o clima extremo e as mudanças climáticas estão causando 
megassecas, chuvas extremas, desmatamento e derretimento de geleiras em toda a região da 
América Latina e Caribe (LAC)”. 
 
Imagem 1 – Disponível em: United Nations- UN News https://news.un.org/en/story/2022/07/1123032. 
Acesso em 20 julho 2023. 
 Ouvimos todos os dias enxurradas de mensagens apocalípticas que são endossadas pela 
mídia e que são continuamente cravadas em nossas mentes, como por exemplo: o fim da 
humanidade está próximo, a mudança climática está acontecendo mais rápido do que os 
cientistas previram, fiquem preocupados, fiquem muito preocupados porque a mudança 
climática está destruindo nosso planeta e ameaçando a todos nós, não existe para a humanidade 
planeta “B”, a incineração iminente do planeta está próxima, o aquecimento global pode 
extinguir a humanidade em algumas décadas, o planeta está em ebulição, etc. 
 Recentemente, a mídia informou que a humanidade tem apenas uma década para 
resgatar o planeta, tornando 2030 o prazo para salvar a civilização. E, portanto, devemos 
transformar radicalmente todas as principais economias para acabar com o uso de combustíveis 
fósseis, reduzir as emissões de carbono a zero e estabelecer uma base totalmente renovável para 
todas as atividades econômicas. 
 Em 2016, uma pesquisa feita em diversos países apontou que a maioria das pessoas 
acredita que o mundo está piorando, não melhorando. No Reino Unido e nos EUA, 65% das 
pessoas estão pessimistas quanto ao futuro. Uma pesquisa de 2019 descobriu que quase metade 
da população mundial acredita que a mudança climática provavelmente acabará com a raça 
humana. Nos Estados Unidos, quatro em cada dez pessoas acreditam que o aquecimento global 
levará à extinção da humanidade. Diferentemente do que ocorre no Brasil, a climatologia nos 
países industrializados está no centro de um dos debates mais polarizados da atualidade 152. 
 Estratégias de pânico e medo educam? 
 É pedagogicamente eficiente? 
 
151 United Nations. Mega-drought, glacier melt, and deforestation plague Latin America and the Caribbean. 22 
July 2022 - Climate and Environment. Disponível em: https://news.un.org/en/story/2022/07/1123032. Acesso em 
09 mai 2023. 
 
152 Lomborg, 2020. 
 Inibirá a “catástrofe” climática iminente? 
 A mensagem “os perigos da mudança climática”, é reformulada para consumo público 
todos os dias. A fabricação de Greta Thunberg e toda sua plataforma global tende a reforçar o 
alarde enquanto a urgência da Nova Economia Climática Mundial emerge impulsionada por 
ONGs como Greenpeace e WWF, grupos como o Extinction Rebellion, governos e corporações 
que movimentam trilhões de dólares com o objetivo de “salvar o planeta”, financiando dessa 
forma o chamado “imperialismo verde”. Nesse sentido, entra em cena uma campanha de 
despolitização que reduz a questão ecológica apenas ao meio ambiente, deixando de lado os 
fatores socioeconômicos. A grande mídia não discute, por exemplo, que a substituição da matriz 
energética baseada em combustíveis fósseis pela chamada “energia limpa” (eólica, solar), além 
de igualmente impactar o ambiente, atende principalmente aos objetivos geopolíticos dos países 
ricos: transformar os países pobres e em desenvolvimento em neocolônias de exploração. 
 O movimento ambientalista e contestador da década de 1960 foi cooptado pelo 
capitalismo verde e pela esperança no Green New Deal em resolver, não apenas os problemas 
ecológicos, mas sobretudo as crises culturais, políticas, humanitárias e econômicas que se 
desenrolam a partir dele. A urgência midiática, em relação as mudanças climáticas, omite tudo 
aquilo que o documentário “Bright Green Lies” (2021), produzido por Julia Barnes, desvenda 
e expõe ao público: a falácia de que as chamadas “tecnologias limpas” (veículos elétricos, 
energia solar e eólica) são inertes ao meio ambiente. Essas tecnologias, segundo o 
documentário, não “nascem em árvores”, são produtos de uma indústria muito mais devastadora 
do que a tradicional “indústria marrom”. 
 O documentário, na verdade, é baseado no livro homônimo de Max Wilbert “Bright 
Green Lies: How the Environmental Movement Lost Its Way and What We Can Do About It” 
(2021) e revela como o movimento ambientalista se tornou uma ferramenta a serviço da 
propaganda enganosa e como centenas de milhares de pessoas marchando e protestando pelas 
ruas de grandes cidades como Washington, Nova York ou Paris, tão bem-intencionadas em 
salvar o planeta foram cooptadas e transformadas em lobistas de uma indústria em busca de 
isenções e incentivos governamentais. 
 Como diria David Phillips, membro do conselho administrativo da “We Don’t Have 
Time”, empresa que administra a gestão da imagem da sueca Greta Thunberg, “Como é possível 
ser tão facilmente enganado por algo tão simples como uma estória? Ora, tudo se resume a um 
elemento essencial e imprescindível: o investimento emocional. O que significa dizer que 
quanto mais investida emocionalmente a pessoa estiver em qualquer coisa na vida, menos 
crítica e observadora ela será. 
 Contrariando os cenários das expectativas apocalípticas para o futuro, Alimonti et al 
(2022), publicou um artigo no qual afirma que a emergência climática divulgada dia e noite nas 
manchetes dos jornais não são suportados por dados reais. 
 Analisando dados de uma ampla gama de fenômenos climáticos, eles dizem que uma 
“crise climática” do tipo que preocupa e tira o sono das pessoas “ainda não é evidente” e 
sugerem que, em vez propagar o medo e aumentar os níveis de ansiedade, é preciso focar mais 
nas estratégias de adaptação153. 
 Ora em relação as questões climáticas, o próprio Jim Skea, atual presidente do IPCC, 
em entrevista ao Deutsche Welle (DW), além de alertar que um aumento de 1,5º C na 
 
153 Alimonti, Gianluca; Mariani, Luigi; Prodi, Franco; Ricci, Renato A. A critical assessment of extreme events 
trends in times of global warming. Eur. Phys. J. Plus (2022) 137:112. 
 
temperatura não é uma ameaça existencial para a humanidade, foi enfático em afirmar a 
necessidade de se fazer uma abordagem mais equilibrada e pautada criticamente no debate 
científico. Em declarações à revista semanal Der Spiegel, Skea advertiu sobre a valorização 
excessivada comunidade internacional em querer limitar o aquecimento global a 1,5 º C, 
afirmando inclusive em claro e bom tom que: “Não devemos ficar desesperados nem entrarmos 
em estado de choque caso as temperaturas globais alcançarem este patamar 154. 
 Entre as principais considerações que constam no artigo publicado pelos referidos 
pesquisadores italianos podemos destacar: o aumento recente nas ondas de calor pode ser 
atribuído ao aumento de cerca de 1ºC nas temperaturas globais, embora observem que as 
tendências globais de intensidade das ondas de calor não são significativas; somente um número 
limitado de estações meteorológicas identificou um aumento na precipitação global, portanto, 
o aumento no número das inundações permanece até o momento ainda indefinida; alguns 
estudos apontam justamente o oposto, ou seja, evidências de diminuição; as tendências globais 
crescentes de secas observadas desde a década de 1970 não são mais suportadas, inclusive pelo 
próprio AR5 do IPCC (2013), entre outros155. 
 O estudo destaca ainda que a intensidade e a frequência das chuvas estão estacionárias 
em muitas partes do mundo, que não há suporte para a afirmação de que a frequência de 
furacões e ciclones tropicais estão aumentando, inclusive nos EUA, conforme corrobora a 
própria NOAA em sua última revisão: “Não há evidências significativas de tendências 
crescentes na ocorrência de furacões, tornados e ciclones nos EUA e na bacia do Oceano 
Atlântico”. O mesmo se deu com IPCC, que chegou a mesma conclusão sobre o aumento de 
furacões em todo o mundo em sua última revisão de avaliação. Outras categorias 
meteorológicas, incluindo desastres naturais, inundações e secas, não mostram “tendência 
positiva clara de eventos extremos”. 
 Historicamente, cerca de 60% de todos os danos econômicos causados por catástrofes 
naturais no globo ocorrem nos EUA, em decorrência dos furacões. Portanto, não é 
surpreendente que os furacões atraiam interesse e atenção dos pesquisadores. Devido ao seu 
assustador potencial destrutivo, também não é surpreendente que os furacões sejam um 
elemento central no debate sobre políticas de mitigação e adaptação às alterações climáticas.
 Até o presente momento, as observações globais não mostram quaisquer tendências 
significativas para o aumento no número de ocorrências de furacões, nem em regiões de alta 
incidência dos EUA, dados observacionais, muito pelo contrário, demonstram que a frequência 
de furacões está relativamente baixa, conforme corrobora o Gráfico 6 a seguir: 
 
 
154 Deutsche Welle (DW). Don't overstate 1.5 degrees C threat, new IPCC head says. July 30, 2023. Disponível 
em: https://www.dw.com/en/climate-change-do-not-overstate-15-degrees-threat/a-66386523. Acesso em 27 
Agos. 2023. 
 
155 Alimonti et al. 
 
Gráfico 6 - Alimonti et al (2022, p. 111) 
 Em relação aos ecossistemas, os cientistas observam um considerável “esverdeamento” 
da biomassa vegetal global nas últimas décadas, em decorrência do nível mais alto de CO2 na 
atmosfera. Dados de satélite mostram tendências de “esverdeamento” na maior parte do planeta, 
aumentando a produção de alimentos e afastando os desertos. 
 São tantas as profecias dos mercadores de catástrofes que distinguir entre o que é mito 
e o que é verdade na internet e nas redes sociais se tornou uma árdua tarefa. O facebook, por 
exemplo, está repleto de grupos de divulgação e popularização da ciência que prestam 
desserviço quando endossam e compartilham informações equivocadas, sem nenhuma base 
científica como a excessiva hiperbolização da frase: “o mundo vai acabar em 12 anos se a 
humanidade não agir para deter a mudança climática”, ou quando o website do grupo Extinction 
Rebellion, com sede no Reino Unido, adverte que “o colapso social e a morte em massa estão 
bem próximos de se tornar uma realidade no horizonte próximo. A retórica alarmista em torno 
das mudanças climáticas, de maneira análoga ao período da Guerra Fria, causa medo e pânico 
generalizado, principalmente entre acrianças e adolescentes. 
 Em 2020, novamente os grupos de divulgação e popularização da ciência, infelizmente, 
endossarem acriticamente informações equivocadas sobre a causa da onda de calor no Ártico, 
que rapidamente foi atribuída a ação humana. 
 Segundo a BBC de Londres, a onda de calor na Sibéria foi um recorde e seria 
praticamente impossível de ocorrer se não fosse a mudança climática causada pelo homem, 
apesar do tal calor ocupar uma área relativamente pequena. Ainda segundo a reportagem, a 
temperatura que ultrapassou os 38°C na cidade russa de Verkhoyansk, em 20 de junho, foi a 
mais alta já registrada ao norte do Círculo Polar e que o Ártico estria se aquecendo duas vezes 
mais rápido que a média global. 
 Mas, será isso verdade? 
 A mídia, de maneira geral, atribuiu o fenômeno precipitadamente a intensificação dos 
GEE, porém, o recorde anterior havia ocorrido há exatamente 105 anos, em 1915, na mesma 
localização norte do Círculo Polar Ártico e foi de 37,8º C, quando a concentração de CO2 na 
atmosfera era de apenas 295 ppm. É preciso ressaltar que a respectiva onda de calor de 2020 se 
concentrava apenas em uma pequena região em que um sistema de alta pressão bloqueava a 
entrada do ar frio. Portanto, um fenômeno climático natural que se repete periodicamente. 
 
Disponível em: https://www.bbc.co.uk/news/science-environment-53415297. Acesso em 29 maio de 2023. 
 Em 1988, na mesma Verkhoyansk, as temperaturas atingiram 37,3°C (99,1°F), portanto, 
novamente, não há nada de extraordinário sobre o clima recente. A onda de calor na Sibéria, na 
verdade, foi resultado da confluência de alguns fatores como loops na corrente de jato, que 
trouxeram ar quente do Sul em conjunto com uma zona de alta pressão atmosférica. O 
pesquisador Hubert Horace Lamb (1913-1997), climatologista inglês que fundou a Unidade de 
Pesquisa Climática, em 1972, na Escola de Ciências Ambientais da Universidade de East 
Anglia, foi um dos primeiros pesquisadores a se dedicar ao estudo das condições climáticas do 
Ártico que descobriu que o mesmo fenômeno havia ocorrido várias vezes durante o século 
XIX156. 
 Em julho de 2023, os dias 3 e 4 foram considerados os dias mais quente registrados no 
planeta. A temperatura média global relatada naqueles dias pelos meios de comunicação foi de 
62,6ºF ou 17ºC, supostamente a mais quente dos últimos 125.000 anos. A referida alegação foi 
derivada do Climate Reanalyzer da Universidade do Maine, que se baseia em uma mistura de 
dados de temperatura de satélite e modelos de computador para calcular estimativas de 
temperaturas no futuro. Nos EUA, a temperatura no Death Valley, que corre ao longo de parte 
da fronteira da Califórnia central com o estado de Nevada, atingiu 128ºF (53,3ºC) no domingo 
dia 16 de julho. Em ambos os casos o recorde de calor foi atribuído a uma combinação de 
variação de fatores naturais, em decorrência da prevalência do El Niño e aquecimento global 
induzido pela atividade humana. Na verdade, foram três eventos climáticos que ocorreram 
simultaneamente nos EUA, Europa e Ásia e, apesar do alarde da mídia atribuir esses eventos à 
mudança climática a NOAA, o IPCC e diversos cientistas climáticos foram mais cautelosos em 
relação a esta informação. 
 
156 Lamb, Hubert Horace. Climate, history and the Modern World. New York: Routledge, 1982. 
 
Disponível em: https://www.washingtonpost.com/climate-environment/2023/07/05/hottest-day-ever-
recorded/. Acesso em 21 julho 2023. 
 Na verdade, ainda é muito prematuro qualquer tentativa de se atribuir eventos únicos, 
como a ocorrência de ondas de calor simultaneamente em três continentes, como consequência 
do aumento na temperatura média global. É preciso muita cautela e o maiscorreto seria 
examinar qual a probabilidade de eventos simultâneos em magnitude e persistência semelhantes 
ocorrem novamente em um clima em aquecimento. 
 E como podemos determinar se um evento climático extremo específico pode ou não 
ser atribuído à mudança climática? 
 Na verdade, infelizmente, não podemos! 
 A atual onda de calor é alarmante em termos de intensidade e duração. As temperaturas 
em alguns locais atingiram seus recordes históricos ou estão previstas para serem superadas. 
Embora não haja razão para dizer que tais ondas de calor são incomuns em um sistema climático 
natural, principalmente em ano de prevalência de forte El-Nino, é razoável esperar que o clima 
mais quente adicione energia extra ao complexo sistema climático do planeta. 
 Outro problema óbvio dessa narrativa é que não há dados de satélite dos últimos 125.000 
anos, portanto, as estimativas das temperaturas atuais não podem ser comparadas de forma justa 
e cientificamente correta. A temperatura média global também muda sazonalmente, são mais 
altas globalmente durante o verão do Hemisfério Norte por causa de mais terras que retêm a luz 
solar. Neste caso, a referida temperatura estimada no início de julho foi distorcida por uma onda 
de calor na Antártica, esta é provavelmente a explicação para a diferença entre a estimativa de 
62,6ºF feita pelo Climate Reanalyzer e 57,45°F (14,14°C) do site temperature.global. Portanto, 
uma alternativa mais adequada deveria ser o cálculo da média das medições reais da 
temperatura da superfície feita em todo o globo e processadas minuto a minuto. Os números, 
por enquanto, têm se mantido dentro do padrão, sem alta em julho (2023), conforme observado 
abaixo:: 
 
 
Disponível em: https://temperature.global/. Acesso em 21 julho 2023 157 
 
 Além disso, a noção de “temperatura média global” não faz nenhum sentido, porque é 
um conceito inventado exclusivamente para favorecer a hipótese do aquecimento global. É mais 
um conceito político do que científico. Outro problema é que os dados de temperatura são 
imprecisos. Os registros de monitoramento de temperaturas mais completos do mundo são do 
Goddard Institute for Space Studies (NASA), do Centro Nacional de Dados Climáticos da 
National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e pelo Hadley Centre, Instituto 
Meteorológico do Reino Unido, cujas medições tiveram início, em 1880. 
 Imprecisos são, portanto, os dados antes de 1880 daí a dificuldade em estimar as 
temperaturas médias para todo o planeta. Para as reconstruções das temperaturas pretéritas de 
longas datas, os cientistas utilizam como proxy, anéis de árvores, contagens de pólen e núcleos 
de gelo. As agências acima mencionadas e outras recolhem dados de temperatura de milhares 
de estações meteorológicas espalhadas pelo globo, incluindo os oceanos. No entanto, os 
instrumentos não estão uniformemente distribuídos e grande parte dos locais de medição 
atualmente foram desmatados ou urbanizados o que afeta significativamente a temperatura nas 
proximidades, então foi preciso fazer ajustes para remover a interferência causada pelo calor 
urbano o que elevou ligeiramente a tendência de aquecimento de curto prazo desde 1998158. 
 De acordo com Watts et al (2022), estima-se que 96% das estações de temperatura dos 
EUA produzem dados corrompidos. Cerca de 92% supostamente têm uma margem de erro de 
1ºC, ou quase 2ºF. Grande parte das estações meteorológicas estão ou em áreas densamente 
povoadas, ou muito perto de fontes de calor ou em áreas concretadas que absorvem e refletem 
calor, além disso, grande parte da superfície do globo terrestre não é medida e, embora a NOAA 
goste de apresentar as temperaturas globais a partir de 1880, a coleta regular de temperatura no 
 
157 O site calcula a temperatura global atual da Terra, utilizando temperaturas de superfície não ajustadas. A 
temperatura atual consiste na média dos últimos 12 meses e novas observações são inseridas a cada minuto. O site 
foi criado por meteorologistas e climatologistas profissionais com mais de 25 anos de experiência em observações 
meteorológicas de superfície. 
 
158 Karl et al. Possible artifacts of data biases in the recent global surface warming hiatos. Science Vol. 348 nº 
6242, 2015. 
Ártico e na Antártica começaram tardiamente159. 
 Abaixo, turistas tiram selfies ao lado de uma tela digital de um termômetro “não oficial” 
no Furnace Creek Visitor Center durante a onda de calor em Death Valley, Califórnia, em 16 
de julho de 2023. Contudo, o registro está abaixo do recorde anterior que foi de 56,7ºC, ocorrido 
em 13 de julho de 1913, há exatos 10 anos e que ainda não foi superado, embora, não 
surpreendentemente, haja uma pressão enorme de ativistas climáticos para que a OMM arrume 
uma “maneira científica” de invalidar este incômodo registro histórico. 
 
Disponível em: https://themessenger.com/news/americas-hottest-tourist-attraction-is-death-valley-
national-park. Acesso em 19 julho 2023. 
 Não se pode olvidar da história dos registros climáticos do passado que evidenciam o 
quanto o clima do planeta é volátil. Há 4.200 anos uma megasseca deu início ao período 
chamado de Era Meghalayan que teria afetado significativamente civilizações em todo o mundo 
como no Egito, Grécia, Síria, Palestina, Mesopotâmia, Vale do Indo e Vale do Rio Yangtze 160. 
 
 6.3 As secas ao longo da história 
 No século XVI, uma seca persistente assolou grande parte do continente europeu, em 
1540. A partir de análises paleoclimáticas regimes de temperatura e precipitação foram 
reconstruídos e comparados com as condições atuais, segundo Wetter et al (2014)161 durante 
um período de onze meses, durante o verão de 1540, houve pouca chuva na Europa, Orth et al 
(2016) concluíram que no verão do referido ano a temperatura estava acima da média de 1966-
 
159 Watts, Anthony et al. Corrupted Climate Stations: The Official U.S. Surface Temperature Record Remains 
Fatally Flawed. Illinois: Heartland Institute, 2022. 
 
160 Weiss, Harvey et al. Formal Subdivision of the Holocene Series/Epoch. Journal of Quaternary Science Vol. 
27 (7) pp. 649-659, 2012. 
 
161 Wetter, Oliver et al. (2014). The year-long unprecedented European heat and drought of 1540 a worst case. 
Climatic Change. Vol. 125 (3–4) pp. 349–363, 2016. 
 
2015. A megasseca de 1540 é corroborada principalmente por mais de 300 crônicas 
contemporâneas de toda a Europa, que descrevem consistentemente os efeitos da seca e do calor 
prolongados, como déficit significativo de precipitação, níveis extremamente baixos das águas 
dos principais rios, incêndios florestais generalizados, redução dos níveis dos lençóis freáticos 
(resultando na secagem de poços), bem como consequências graves para a agricultura e 
pecuária 162. Vale ressaltar que a onda de calor e a seca de 1540 ocorreram durante um período 
de verões excepcionalmente quentes durante a Pequena Idade do Gelo (PIG), na Europa, um 
período de resfriamento global e clima extremo que afetou o continente entre os séculos 14 e 
19. 
 De acordo com Brázdil et al (2020), durante a década de 1531-1540, ocorreram os 
verões mais quente e secos dos últimos 5 séculos na Europa Central163. 
 Em junho de 1743, uma onda de calor atingiu a China. Na capital Pequim a temperatura 
chegou a 44,4°C (111,9°F), em 25 de julho, maior do que qualquer registro moderno, superando 
inclusive diversos recordes do século XX. Cerca de 11.400 pessoas morreram. Ressalta-se que 
o referido evento climático ocorreu antes da Revolução Industrial, quando os níveis de CO2 na 
atmosfera eram muito mais baixos do que os dias atuais 164. 
 A onda de calor durante o verão europeu de julho de 1757 foi muito semelhante a que 
ocorreu em 1540 e 2003165 166. 
 Em Julho de 1808, entreos dias 12 e 15, uma onda de calor fez com a temperatura 
chegasse na casa dos 36°C (97°F) em diversas regiões de Londres, nos dias 13 e 14 a 
temperatura atingiu os 38°C (100 °F)167. 
 Em 1871, um grande incêndio assolou o estado de Michigan, consumindo cerca de 1,2 
milhões de acres, ou 4,8 km2.. As origens dos incêndios são desconhecidas, mas os danos foram 
agravados por uma série de fatores, como a seca ininterrupta que assolou o meio-oeste no início 
de outubro e a mudança constante da direção dos ventos fortes que impossibilitava a ação dos 
bombeiros. Vastas extensões de floresta queimaram por uma semana em partes de Michigan e 
Wisconsi, em poucas horas, várias cidades e vilas do meio-oeste foram reduzidas a carvão e 
cinzas. 
 Em setembro de 1881, ocorreram grandes incêndios florestais nos EUA que varreram 
as florestas de Michigan e Wisconsin, conhecidos "Thumb Fire” devastando também o meio-
oeste, o leste e depois o nordeste do país. Cidades inteiras foram destruídas, ao todo foram cerca 
 
162 Orth, Rene et al. Did European temperatures in 1540 exceed present-day records?. Environmental Research. 
Vol. 11 nº 11 pp.1-11, 2016. 
 
163 Brázdil, R. et al. Central Europe, 1531–1540 CE: The driest summer decade of the past five centuries? Clim. 
Past, vol. 16, pp. 2125–2151, 2020. 
 
164 Zhang, D.; Gaston, D. Northern China maximum temperature in the summer of 1743: A historical event of 
burning summer in a relatively warm climate background. Chin.Sci.Bull. vol. 49 pp. 2508–2514, 2004. 
 
165 Orth, R. et al. 2016. 
 
166 Recer, Paul. 2003 Likely Europe's Hottest in 500 Years, The Washington Post (Associated Press), Thursday, 
March 4, 2004. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A30538-2004Mar4.html. 
Acesso em 31 Jul. 2023. 
 
167 Murden, Sara. The Heatwave of July 1808. July 17, 2018. In: Weather in Georgian England. Disponível em: 
https://georgianera.wordpress.com/2018/07/17/the-heatwave-of-1808/. Acesso em 31 Jul. 2023. 
 
de 1 milhão de acres consumidos em menos de um dia. A extensão dos estragos se equipara aos 
grandes incêndios de 1871. 
 
 
Disponível em: https://www.wlfi.com/news/local-weather-history-the-1881-heat-drought-with-massive-
great-lakes-fires-smoke-in-september/article_20e724b6-3e09-11ed-b7e8-
c3a2d1d9267d.html#:~:text=Early%20September%201881%20exhibited%20some,the%20heat%20wave
%20moved%20eastward. Acesso em 31 Jul. 2023. 
 O verão de 1881, foi histórico para o centro e leste dos EUA e, é classificado como um 
dos eventos climáticos mais marcantes da história climática do país, comparável aos verões 
extremos de 1820, 1838, 1839, 1841, 1854, 1887, 1901, 1934, 1936, 1953, 1954, 1988 e 2012. 
Em Indiana, as temperaturas chegaram a 111ºF. O início de setembro de 1881 exibiu um dos 
climas mais quentes registrados até o final da temporada com as temperaturas chegando a 
100ºF. 
 Em 1900, uma onda de calor na Argentina no início do mês de fevereiro, conhecida 
como “a semana do fogo” fez com que as temperaturas chegassem a 37°C na capital, Buenos 
Aires e Rosário, afetando gravemente a saúde das pessoas e causando pelo menos 478 morte.
 Em 1901, uma onda de calor antes de chegar a Europa fez com que a temperatura 
chegasse a 32º C na costa oeste, 37º C no meio oeste e 43,3º C na costa leste dos EUA. As 
manchetes do New York Times sobre a onda de calor de 1901 foram bastante notáveis. Em julho, 
a onda de calor se expandiu para a Europa causando mortes em Londres, secas que destruíram 
plantações em várias regiões como os vinhedos na Itália e forçou milhares de pessoas a 
dormirem ao ar livre. 
 Em 1911, a expressão “verão anormal” foi título de um artigo publicado por Charles 
Harding (1846-1927) no The Quarterly Journal of the Royal Meteorological Society. A 
característica que mais se destaca durante o dito “verão anormal” é que, além das temperaturas 
altas, as chuvas também foram excepcionais. 
 
 
 O verão de 1911, na Itália, foi particularmente quente, contudo, quando se analisa a 
evolução das temperaturas médias do verão italiano ao longo dos últimos dois séculos, observa-
se que o calor pode ter sido muito menos extraordinário, portanto, não apresenta características 
excepcionais, pois tudo indica que isso é consequência do processo de aquecimento natural que 
que teve início durante as primeiras décadas do século XX. 
 Quando comparado com a série do perído 1866-1904, constata-se que durante o mês de 
agosto no verão de 1911, as temperaturas médias subiram cerca de 1,5°C. O aumento é 
particularmente evidente em Gênova (+2,6°C) e nas cidades de Florença, Milão e Sassari, onde 
as temperaturas médias subiram pelo menos 2°C. Somente na estação de Ancona a temperatura 
média de agosto de 1911 foi menor 168. 
 Entre 1895 e 2010, em média, cerca de 14% dos EUA experimentaram perídos de secas 
severas, de acordo com o US Drought Monitor. Embora, os meios de comuinicação noticiarem, 
em 2023, os efeitos aterradores dos incêndios florestais nos EUA e Canadá, pelo tamanho da 
área geográfica afetada e pelo tempo que persistiu o Dust Bowl da década de 1930 ainda é 
considerado a seca mais notável e o evento de calor mais extremo de toda história dos registros 
climáticos dos EUA 169. 
 Heim (2017), identificaram 13 grandes episódios de secas, ou seja, quando 10% ou mais 
do país está comprometido, que afetaram os EUA entre os anos de 1900 e 2014. Desses, 11 
cobriram 10% ou mais do país, com exceção do Alasca e Havaí, por pelo menos 90% de sua 
duração. Os três episódios de seca mais longos ocorreram entre julho de 1928 e maio de 1942 
(a seca do Dust Bowl dos anos 1930); entre julho de 1949 e setembro de 1957 (a seca dos anos 
1950) e de junho de 1998 a dezembro de 2014 (a seca do início do século XXI)170, como ilustra 
o gráfico a seguir: 
 
168 Pozzi, Lucia; Fariñas, Diego R. The Heat-Wave of 1911. A Largely Ignored Trend Reversal in the Italian and 
Spanish Transition? Annales de Démographie Historique 120(2) pp. 147-178 January, 2010. 
 
169 Heim, R. R. A Comparison of the Early Twenty-First Century Drought in the United States to the 1930s and 
1950s Drought Episodes. Bull. Amer. Meteor. Soc., 98, pp. 2579–2592, 2017. 
 
170 Ibidem. 
 
 
Gráfico 7- Heim (2017, p. 2583) 
 No início do século 21, nos EUA, várias secas regionais assolaram grandes extensões 
de terras contíguas. Em 2012, as secas se combinaram em um evento de escala nacional como 
não era visto há décadas. Com dois terços dos 48 estados afetados, a intensidade das secas foi 
comparada aos episódios das décadas de 1930 e 1950 171. 
 
 6.4 Catastrofe climática na Antártica 
 Em fevereiro de 2020, a catástrofe climática foi enaltecida com o registro de suposto 
recorde de temperatura na Península Antártica: 20,75ºC. 
 A península Antártica é a parte continental mais setentrional da Antártica e a única parte 
desse continente que se estende para fora do Círculo Polar Antártico. Localiza-se no Hemisfério 
Ocidental, relativamente perto da América do Sul. A Antártica se estende por vários milhões 
de km² e está localizada na região mais fria e, ao mesmo tempo, mais seca da Terra. Embora 
seja relativamente quente o verão antártico, a média anual é consideravelmente baixa. 
 Fato relevante é que a maioria das estações de pesquisas meteorológicas existentes no 
continente gelado está localizada nessa região e, é por isso que temperaturas significativamente 
mais altas são observadas nessa área. Os registros de temperaturas são praticamente inexistentes 
antes de 1950, portanto, até o presente, são apenas 73 anos de dados meteorológicos. 
 A base de pesquisa Esperanza do governo argentino, localizada na ponta norte da 
península Antártica, estabeleceu o recorde de temperatura de18,3°C em 6 de fevereiro de 2020, 
batendo o anterior de 17,5°C que ocorreu, em 24 de março de 2015, de acordo com o Serviço 
Meteorológico Nacional da Argentina (SMN). 
 Um comitê do Arquivo de Clima e Extremos Climáticos da OMM realizou uma extensa 
revisão da situação do clima na Península Antártica na época dos registros relatados e 
determinou que um grande sistema de alta pressão sobre a área criou condições föhn (ventos 
descendentes produzindo um aquecimento significativo da superfície) e resultou em 
aquecimento local na Estação Esperanza e na Ilha Seymour. Avaliações anteriores 
demonstraram que tais condições meteorológicas são propícias para a produção de cenários 
recordes de temperatura. Além disso, o comitê também examinou as configurações 
 
171 Ibidem. 
instrumentais das duas observações, o exame dos dados e metadados da observação da estação, 
operada pelo SMN, não revelou maiores preocupações. 
 Contudo, em relação ao recorde de 20,75ºC divulgado pela mídia a Organização 
Meteorológica Mundial (OMM), voz oficial do Sistema das Nações Unidas sobre Tempo, 
Clima e Água foi mais cautelosa: 
 
Tudo o que vimos até agora indica um provável registro legítimo, mas é claro que 
iniciaremos uma avaliação formal do registro assim que tivermos dados completos do 
SMN e das condições meteorológicas em torno do evento. O registro parece estar 
provavelmente associado (no curto prazo) com o que chamamos de evento regional 
"foehn" sobre a área: um rápido aquecimento do ar descendo uma 
encosta/montanha172. 
 
 
 
 Contudo, em relação ao recorde de 20,75ºC divulgado pela mídia a Organização 
Meteorológica Mundial (OMM), voz oficial do Sistema das Nações Unidas sobre Tempo, 
Clima e Água foi mais cautelosa: 
 
Tudo o que vimos até agora indica um provável registro legítimo, mas é claro que 
iniciaremos uma avaliação formal do registro assim que tivermos dados completos do 
SMN e das condições meteorológicas em torno do evento. O registro parece estar 
provavelmente associado (no curto prazo) com o que chamamos de evento regional 
 
172 World Meteorological Organization (WMO). New record for Antarctic continent reported. 14 February 2020. 
https://public.wmo.int/en/media/news/new-record-antarctic-continent-reported. 
 
"foehn" sobre a área: um rápido aquecimento do ar descendo uma 
encosta/montanha173. 
 
 Randall Cerveny, pesquisador da OMM especialista em climas e extremos climáticos 
alertou: “A OMM está buscando obter os dados reais de temperatura para uma estação de 
monitoramento na Ilha Seymour [...] Relatos da mídia dizem que os pesquisadores registraram 
uma temperatura de 20,75°C”. 
 Ainda segundo Cerveny, é prematuro dizer que a Antártida ultrapassou os 20°C pela 
primeira vez: 
Primeiro precisamos analisar os metadados muito importantes da estação, por 
exemplo, localização, tipo de equipamento, práticas de medição, calibração dos 
instrumentos, etc. dos pesquisadores envolvidos. Uma vez que temos esses dados, 
podemos começar uma avaliação formal quanto à a validade da observação. 
Infelizmente, a realização dessas tarefas não acontece rapidamente (particularmente 
com estações meteorológicas polares remotas), portanto, provavelmente levará algum 
tempo até que nós do Arquivo de Clima e Extremos do Clima da OMM possamos 
fazer uma avaliação provisória dessa observação174. 
 
 Os propagadores do medo climático nas últimas décadas aperfeiçoaram as palavras para 
tornar o alarde mais incisivo, primeiro veio a ideia de aquecimento global, porém, isso não 
alarmou o suficiente, uma vez que o mundo não aqueceu tanto quanto se temia, então o conceito 
evoluiu para uma forma mais abrangente de interferência humana: mudança climática. 
Contudo, isso não parecia urgente o suficiente, então vieram os termos Clima Extremo, Crise 
Climática, Emergência Climática e, por fim, “ebulição global”, termo proposto pelo Secretário-
Geral da ONU, António Guterres, em julho de 2023, em uma conferência de imprensa. Nada 
mudou muito para justificar esse aumento da conversa sobre o medo, mas é muito eficaz, como 
podemos ver, embora os altos e baixos dos padrões climáticos tenham permanecidos os 
mesmos. 
 O final de junho (2023) marcou o início de uma mudança significativa no clima e no 
derretimento de gelo na Groenlândia, principalmente na parte sul da camada de gelo, conhecida 
como South Dome. Essas alterações resultam de uma mudança na circulação do ar, associada a 
valores negativos do índice de Oscilação do Atlântico Norte (NAO). A alta pressão do ar que 
cobria a ilha, trazia ventos quentes do Sudoeste favorecendo condições mais ensolaradas, 
aumentando o derretimento da superfície na zona de ablação, cuja extensão ficou próxima dos 
índices anteriores nos verões de 2012 e 2019. 
 Apesar do alarde, nada de anormal. Uma compilação de registros paleoclimáticos de 
sedimentos de lagos, árvores, geleiras e sedimentos marinhos forneceu um panorama aceca da 
variação climática do Ártico entre 1840 e meados do século XX, de acordo com os 
pesquisadores 175, as temperaturas estavam mais altas nos últimos séculos. Esse aquecimento 
 
173 World Meteorological Organization (WMO). New record for Antarctic continent reported. 14 February 2020. 
https://public.wmo.int/en/media/news/new-record-antarctic-continent-reported. 
 
174 Disponível em: https://public.wmo.int/en/media/press-release/wmo-verifies-one-temperature-record-antarctic-
continent-and-rejects-another. Acesso em 21 julho de 2023. 
175 Overpeck, J. et al. Arctic Environmental Change of the Last Four Centuries. Science Vol. 278 nº 5341 pp. 
151-1256 - November 14, 1997. 
 
teria colocado fim a Pequena Idade do Gelo, causando o recuo das geleiras, derretimento do 
permafrost e do gelo marinho afetando também os ecossistemas terrestres e lacustres. O 
aquecimento, particularmente o que ocorreu depois de 1920, provavelmente foi causado 
conjuntamente pelo aumento dos gases residuais atmosféricos, aumento da irradiação solar, 
diminuição da atividade vulcânica e pela dinâmica natural dos feedbacks internos do sistema 
climático (cobertura de nuvens, aerossóis, oceanos, atividades vulcânicas, efeito albedo, vapor 
de água, cobertura de neve, etc.). 
 Uma pesquisa mais recente, publicada em 23 de julho de 2023, por uma equipe de 
pesquisadores na revista Science176 acidentalmente demonstrou que o aquecimento global 
causado única e exclusivamente pela ação humana é algo improvável. De acordo com o artigo, 
há mais de 400.000 anos a Groenlândia era totalmente verde, ou seja, era uma paisagem sem 
gelo e coberta por vegetação. Isso é importante porque evidencia o quanto o manto de gelo da 
Groenlândia é frágil, que não houve interferência do CO2 atmosférico, que a cobertura de gelo 
é comprovadamente sensível as mudanças climáticas não causadas pelo homem (aquecimento) 
e que o derretimento é reversível. Em entrevista ao jornal USA Today, Paul Bierman, principal 
coautor do artigo, informou que a camada de gelo levará “centenas a milhares” de anos para 
diminuir, ao mesmo tempo que advertiu que isso não deve ser uma fonte de conforto para 
esmorecer o combate ao aquecimento global. 
 Diante do alarmismo exacerbado, obviamente que a pesquisa nos traz sim um pouco de 
reconforto pois a expert em climatologia Greta Thunberg alertou, há cerca quatro anos, que a 
humanidade teria apenas 12 anos para salvar o planeta do caos e o ex-presidente Al Gore ao 
discursar durante a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), em 2009, afirmou que 
pesquisas recentes mostravam que o Ártico poderia ficar completamente sem gelo em 2014. 
 
 6.5 Urso polar: símbolo do aquecimento global 
 
 Um dos maioressímbolos das consequências do aquecimento global, o urso polar 
(Ursus maritimus), o maior carnívoro terrestre do planeta que vive no Ártico foi incluído, em 
2006, na lista de espécies ameaçadas de extinção, por conta do “declínio constante de seu 
hábitat gelado” devido às mudanças climáticas. A espécie passa basicamente o ano inteiro no 
gelo marinho, onde caça focas, sua dieta quase exclusiva, e também, onde se acasala. É durante 
o inverno que a dieta é reforçada para acumular reservas calóricas e poder sobreviver aos meses 
de verão, quando há menos oferta de comida. 
 Os ursos polares vivem em áreas remotas, por isso, a empreitada para estudos é difícil e 
onerosa financeiramente. Monitorar os animais é um desafio para os pesquisadores, por esta 
razão, os cientistas não têm números sólidos sobre o contingente total de ursos polares. Eles 
carecem de dados sobre algumas populações, especificamente as da Rússia e da Groenlândia 
Oriental, pois além das áreas serem as mais remotas do planeta, carecem de infraestrutura básica 
(estradas e aeródromos). 
 Al Gore, em seu livro/filme afirmou que os ursos polares seriam extintos por 
afogamento, fotos de ursos idosos, doentes, magros foram exibidas nas mídias como prova da 
mudança climática. Em 2017, um grupo de conservação divulgou um vídeo de um urso polar 
 
176 Bierman, Paul et al. Deglaciation of northwestern Greenland during Marine Isotope Stage 11. Science Vol. 
381 pp. 330-335 - 20 Jul 2023. 
doente, magro e idoso que se tornou viral nas redes sociais, em uma versão do vídeo, o texto 
diz: "É assim que a mudança climática se parece". 
 
 
https://socientifica.com.br/ursos-polares-estao-morrendo-de-fome-por-causa-do-aquecimento-global/#. 
Acesso em 29 maio 2023. 
 
 Em 20 de agosto de 2015, a fotógrafa Kerstin Langenberger postou na sua página do 
facebook uma foto (abaixo a direita) que foi compartilhada mais de 50 mil vezes (Kerstin 
Langenberger/Facebook). Em 2017, o grupo conservacionista SeaLegacy, organização sem fins 
lucrativos constituída por fotógrafos do National Geographic, com sede no Canadá e focada na 
conservação dos oceanos, divulgou o vídeo de um urso polar em terra firme e completamente 
descoberta de gelo (foto a esquerda). As péssimas condições físicas dos dois animais foram 
automaticamente vinculadas aos efeitos da mudança climática antrópica. 
 
 
 
 
 Como os ursos polares são afetados pelo aquecimento global? 
Disponível em: https://greentumble.com/how-are-polar-bears-affected-by-global-warming. Acesso em 29 
maio 2023. 
 Apesar do consenso científico afirmar que os ursos polares estão correndo perigo com 
o aquecimento global, já que a região do Ártico estaria mais quente, alguns pesquisadores 
seguem em direção diametralmente oposta. 
 Por exemplo, Mitch Taylor pesquisador canadense do governo do território de Nunavut, 
uma das regiões menos povoada do norte do Canadá, afirma que os ursos polares não estão em 
vias de extinção. Segundo o pesquisador, o aumento observado na temperatura global nos 
últimos 130 anos, obviamente afetou a área de mar congelado, contudo, a população de ursos 
polares não foi afetada até agora. A principal base de seu argumento é que atualmente a 
população de ursos varia entre 20 mil e 25 mil - um número superior ao que existia em 1973, 
quando a caça foi banida em todo mundo. Ainda segundo o pesquisador, os esquimós se referem 
à era atual como "aquela com o maior número de ursos". 
 Para Steven Amstrup, da organização Polar Bears International, os riscos de extinção 
não são altos para as gerações atuais de ursos polares, mas ele diz que o trabalho da comunidade 
internacional é importante para prevenir uma catástrofe no futuro. 
 Existe ainda uma corrente científica que argumenta que os ursos polares já sobreviveram 
a uma onda anterior de aquecimento global. Usando genética molecular, o professor de genética 
da Universidade do Alasca, Matthew Cronin, descobriu que os ursos polares são uma espécie 
que se originou a partir dos ursos marrons há 1,2 milhão de anos. Nesse período, a Terra passou 
por ondas de calor. Para ele, isso mostra que os ursos polares são capazes de resistir ao 
aquecimento global. 
 O mapeamento recente de várias cadeias de praias elevadas na costa norte da 
Groenlândia, segundo Astrid Lysa, geóloga e pesquisadora do Serviço Geológico da Noruega 
(NGU), sugere que a cobertura de gelo no Ártico foi bastante reduzida há cerca de 6.000 a 7.000 
Na foto ao lado, o site afirma, em 2016, 
que “Alguns ecologistas alertam que, se 
algo não for feito rapidamente, os ursos 
polares podem ser extintos até 2025”. 
A União Internacional para Conservação 
da Natureza, também conhecida pelas 
siglas UICN e IUCN, lista o urso polar 
como uma espécie vulnerável, citando a 
perda de gelo do mar devido às mudanças 
climáticas como a maior ameaça à sua 
sobrevivência. 
Aqui a principal ameaça, obviamente, é o 
“aquecimento climático”, não os cerca de 
700 ursos mortos por caçadores a cada 
ano, o aumento das atividades comerciais, 
conflitos com pessoas, poluição, doenças 
e proteção inadequada dos habitats. 
anos. Ainda segundo a pesquisadora, o clima no Ártico nunca foi tão ameno desde a última 
Idade do Gelo e não se sabe ao certo se o Oceano Ártico estava completamente livre de gelo, 
mas havia mais mar aberto na área ao norte da Groenlândia do que atualmente 177. 
 O pesquisador Jon Aars que atua no arquipélago de Svalbard que faz parte do território 
ártico norueguês afirma que os ursos polares da região estão prosperando apesar da perda de 
gelo marinho no Ártico178 . 
 Uma publicação da revista Nature Climate Change179 por Molnár et al (2020), com base 
na desacreditada modelagem climática RCP8.5, sugere que com altas emissões de GEE o 
declínio acentuado da reprodução e da sobrevivência dos ursos polares colocará em risco a 
subsistência de diversas populações do Ártico até 2100. 
 O resultado desse novo modelo sugere que várias populações de ursos polares no 
Canadá (mas especialmente no sul da Baía de Hudson, no oeste de Hudson e no Estreito de 
Davis) são particularmente vulneráveis ao declínio catastrófico nas próximas décadas e 
concluem que praticamente todas as 19 subpopulações estão a caminho da extinção até o final 
do século, a menos que o mundo reduza drasticamente e imediatamente a produção de CO2 
antropogênico. 
 A zoóloga e pesquisadora canadense Susan Crockford, especialista em ursos polares, 
apontou que o modelo climático RCP8.5 utilizado pelos pesquisadores está ultrapassado e 
totalmente desacreditado. Crockford também observa que o artigo usa apenas dados de ursos 
polares da Western Hudson Bay (uma subpopulação que está longe de ser típica) como proxy 
para todas as subpopulações de ursos polares do globo. Segundo a pesquisadora, as populações 
de ursos em todo o globo estão prosperando apesar do declínio do gelo marinho, sendo a 
população atual cerca de 4 a 6 vezes maior do que a população da década de 1960. Em relação 
a Baia de Hudson, desde 1998, a retração do gelo se mantém estável. 
 A previsão climática a partir do RCP8.5 também foi exposta recentemente em um artigo 
revisado por Zeke Hausfather e Glen Peters como um cenário complemente fictício que 
pressupõe um aumento irreal de 500% no consumo de carvão e um aumento de 6º C na 
temperatura global até 2100. Isso por si só é suficiente para considerar a previsão de extinção 
simplesmente como algo cientificamente implausível. 
 Há décadas, o ativismo ambiental, equivocadamente, tem utilizado os ursos polares 
como um ícone do apocalipse climático, porém, os melhores dados mostram que, longe de 
desaparecerem, seus números estão aumentando180. As avaliações oficiais dos principais 
cientistas que estudam esses animais – o Grupode Especialistas em Ursos Polares da União 
Internacional para a Conservação da Natureza – estimam a população global hoje em 22.000 a 
31.000. Isso é mais do que os 5.000 a 19.000 ursos polares estimados pelos cientistas na década 
de 1960. Nada disso significa que a mudança climática não seja real ou que não afetará o 
planeta, o problema são as narrativas ideologicamente inspiradas. 
 
177 Geological Survey of Norway. Less Ice In Arctic Ocean 6000-7000 Years Ago. ScienceDaily. ScienceDaily, 
20 October 2008. Disponível em: www.sciencedaily.com/releases/2008/10/081020095850.htm. 
 
178Stempniewicz, L.; Kulaszewicz, I.; Aars, J. Yes, they can: polar bears Ursus maritimus successfully hunt 
Svalbard reindeer Rangifer tarandus platyrhynchus. Polar Biology 44 pp 1-8, 2020. 
 
179 Molnár, P. K.; Bitz, C. M.; Holland, M. M.; Kay, J. E.; Penk, S. R.; Amstrup.S. C. Fasting season length sets 
temporal limits for global polar bear persistence. Nature Climate Change volume 10, pp. 732–738 (2020). 
 
180 Crockford, Susan J. The Polar Bear Catastrophe That Never Happened.The Global Warming Policy 
Foundation. Edição do Kindle, 2019. 
 Enquanto isso, em julho de 2020, a mídia noticiava: a BBC de Londres publicava 
“Climate Change: polar bears could be lost by 2100”, o New York Times sugeriu “Global 
Warming Is Driving Polar Bears Toward Extinction, Researchers Say”, a Polar Bears 
International divulga o vídeo intitulado “When Will Polar Bear Populations Collapse? The 
Answer is Up to Us”. 
 
Disponível em: https://www.bbc.com/news/science-environment-53474445. Acesso em 18 Jul. 2023. 
 
 Bjørn Lomborg, escritor e cientista político dinamarquês, autor do livro “O 
ambientalista cético” (1998), em janeiro de 2023, publicou matéria no The Wall Street Journal 
contrapondo a censura a que foi submetido pelos chamados “verificadores de fatos”, após 
publicar na sua página da rede social Facebook conteúdo sobre o aumento da população de 
ursos polares. A postagem foi rotulada erroneamente como falsa o que demonstra que os 
verificadores, na verdade, estão minando o discurso aberto sobre questões importantes, 
incluindo as mudanças climáticas. 
 De acordo com Lomborg, os dados apresentados sobre as populações de ursos são 
sólidos, apesar da Agence France-Presse (AFP) classificá-los como enganosos, nesse sentido, 
Susan Crockford alertou para o fato de que alguns especialistas em ursos polares estão tentando 
lançar uma cortina de fumaça sobre o crescimento do número global de ursos polares. Em 1982, 
os ursos polares foram listados pela IUCN como “vulneráveis”, em 1996, mudou para “baixo 
risco/dependente de conservação”, depois para “menor preocupação” porque a população havia 
se recuperado após mais de 20 anos de proteção internacional contra a caça excessiva. No 
entanto, a palavra “vulnerabilidade” voltaria a ser adotada, em 2006, a partir da suposição de 
que os números da população de ursos iria diminuir no futuro devido à perda de gelo, o que até 
agora não aconteceu 181. 
 
 6.6 Eventos climáticos extremos e os modeladores 
 
181 Crockford, Susan J. The Polar Bear Catastrophe That Never Happened. 
 
 
 Em relação ao aumento de eventos “climáticos extremos”, uma matéria publicada 
recentemente pela The Corporation for Public Broadcasting (PBS) afirma que “as inundações 
e as secas estão sendo agravadas pelas alterações climáticas”. Porém, várias linhas de evidência 
e dados concretos falsificam esta afirmação. Na verdade, a matéria escrita pela jornalista 
Isabella O' Malley, publicada no site PBS com o título “Scientists confirm global floods and 
droughts worsened by climate change”, em 13 de março de 2023, tem como referência um 
artigo que foi publicado no mesmo dia na Nature Water intitulado Changing intensity of 
hydroclimatic extreme events revealed by GRACE and GRACE-FO, cujos autores são os 
pesquisadores Matthew Rodell, vice-diretor de Ciências da Terra para Hidrosfera, Biosfera e 
Geofísica (HBG)-NASA/GSFC e Bailing Li, pesquisadora assistente do Laboratório de 
Ciências Hidrológicas do Goddard Space Flight Center-NASA. O artigo começa com a 
seguinte afirmação: 
A intensidade de eventos extremos está fortemente correlacionada com a temperatura 
média global, mais do que com o El Niño Southern Oscillation ou outros indicadores 
climáticos, sugerindo que o aquecimento contínuo do planeta causará secas e 
inundações mais severas e frequentes [...] em uma vasta faixa que se estende do sul 
da Europa ao sudoeste da China182. 
 
 Os dados que subsidiaram a pesquisa foram obtidos a partir de informações fornecidas 
por dois satélites conhecidos como GRACE, ou Gravity Recovery and Climate Experiment e, 
de acordo com os autores, tanto a frequência quanto a intensidade das chuvas e das secas estão 
aumentando devido à queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas que liberam 
GEE 183. 
 Vamos aos fatos: os dados obtidos vieram de um satélite projetado para medir as 
variações na gravidade da Terra, não as mudanças climáticas; não se levou em consideração os 
dados dos últimos 30 anos como deveria ser de praxe, além do que os autores informam que 
utilizaram um “algoritmo novo”, ou seja, algo nunca utilizado anteriormente, portanto, não foi 
possível comparar os dados do passado com os atuais. Essas inconsistências flagrantes 
contrastam com os procedimentos regulares da ciência do clima, portanto, o artigo não inspira 
confiança em relação aos métodos utilizados e nem nas conclusões que os pesquisadores 
chegaram. Outro o ponto a ser destacado é que os pesquisadores estabeleceram, erroneamente, 
uma relação direta entre aumento de pluviosidade e inundações quando o próprio IPCC afirma 
justamente o contrário: 
However, heavier rainfall does not always lead to greater flooding. This is because 
flooding also depends upon the type of river basin, the surface landscape, the extent 
and duration of the rainfall, and how wet the ground is before the rainfall event184. 
 
182 Rodell, Matthew; Li, Bailing. Changing intensity of hydroclimatic extreme events revealed by GRACE and 
GRACE-FO. Nature Water - volume 1, pp. 241–248, 2023. 
 
183 Ibidem. 
 
184 IPCC. AR6 WGI FAQ Chapter 8, page 49. 
 
 Portanto, para se fazer afirmações sobre aumento das inundações, devemos observar as 
tendências das inundações e não precipitação. De acordo Pielke Jr 185, a fusão dos dois é um 
erro crasso muito comum. 
 Em relação a tendência de secas nos EUA, de acordo com o Climate at a Glance: 
Drought, não há nenhuma tendência crescente de seca desde janeiro de 1895. 
 É preciso também esclarecer que para o IPCC as secas são classificadas em quatro tipos: 
hidrológica, meteorológica, ecológica e agrícola. Portanto, utilizar somente a palavra “seca”, 
de acordo com os relatórios do IPCC, é algo simplesmente incompleto e potencialmente 
confuso. Em relação aos tipos específicos de seca esclarece o painel: Seca Hidrológica: “Ainda 
há evidências limitadas e, portanto, “baixa confiança” na avaliação dessas tendências em escala 
em escala regional e individual”; Seca Meteorológica: Há, de acordo com as observações, uma 
“baixa confiança” em relação a contribuição humana em escala regional, com raras exceções” 
e Seca Ecológica e Agrícola: “Há uma confiança média de que a influência humana contribuiu 
para mudanças nas secas agrícolas e ecológicas e levou a um aumento na área total de terra 
afetada”186. 
 Não se coloca em dúvida o fato da temperatura média global estar em ascensão desde o 
início do século XX, contudo, uma vez detectado o aumento, o próximo passo é descobrir o 
porquê. O IPCC utiliza modelos computacionais para explicar as mudanças observadas na 
temperatura global.Os modelos RCPs, (Representative Concentration Pathway) por exemplo, foram 
utilizados pelo IPCC para traçar a trajetória de concentração dos GEE e descrevem diferentes 
futuros climáticos, todos considerados possíveis, pois dependem do volume de GEE que serão 
emitidos pelas atividades humanas nos próximos anos. Não se pode negar que existe um grande 
mercado para estudos que oferecem previsões assustadoras para o futuro do planeta 
empregando geralmente cenários implausíveis como o faz o modelo RCP8.5. Tais estudos 
rapidamente se transformam em alimento para a mídia. Em qualquer lugar do planeta basta 
acontecer um fenômeno climático natural - furacão, tornado, inundações, secas, granizo, chuva, 
frio, neve, calor, etc. - que os meios de comunicação precocemente e, de maneira precipitada, 
vinculam automaticamente à mudança climática. 
 Uma parte considerável dos estudos recentes sobre os impactos climáticos futuros se 
concentrou até agora no cenário RCP 8.5 que consiste em um cenário de altas emissões é 
frequentemente chamado de “business as usual” sugerindo que é o resultado mais provável se 
a sociedade não fizer esforços conjuntos para reduzir as emissões de GEE. 
 Quando o último relatório do IPCC (AR6) veio a público, em 2021, o Secretário Geral 
da ONU, António Guterres, chamou o relatório de “código vermelho para a humanidade” e 
enfatizou que as evidências da influência humana no clima eram irrefutáveis. 
 Como ocorre nos contos, quando existe algum tipo de moral subjacente, é preciso 
identificar quem são os “bandidos” e os “mocinhos” nessa história. Geralmente, nos contos isso 
é relativamente fácil, porém, em relação as questões climáticas as coisas não são tão simples 
 
185 Pielke Jr, Roger. A.; Downton, Mary W. Precipitation and Damaging Floods: Trends in the United States, 
1932–97. Journal of Climate. Volume 13: Issue 20, 15 Oct 2000. 
 
Pielke Jr, Roger. How to Understand the New IPCC Report: Part 2, Extreme Events. 11 Ago. 2021. Disponível 
em: https://rogerpielkejr.substack.com/p/how-to-understand-the-new-ipcc-report-1e3?s=r. Acesso em 30 Agos. 
2023. 
 
186 IPCC apud Pielke Jr (2021). 
assim. De maneira geral, a mídia produz um fluxo constante de informações que ajudam a 
identificar os mocinhos e os bandidos, os heróis e os vilões. Associar alguém com 
posicionamento político de direita ou conservador aos combustíveis fósseis é uma dica de que 
essa pessoa é um vilão, associar alguém com posicionamento político de esquerda ou 
progressista com a indústria renovável significa que esta pessoa é o mocinho. De maneira 
análoga, a ciência climática hegemônica e consensual julga como herege quem ousa duvidar e 
questionar a autoridade autoproclamada do IPCC. 
 O clima por natureza é instável. Todos os dias em algum lugar do planeta está ocorrendo 
algum evento climático “extremo” como inundações, secas, tornados, furacões, chuva de 
granizo, ondas de calor, invernos extremante frios, entre outros, mas para os “climate beat” 
associar, vincular, conectar eventos climáticos extremos que acabaram de acorrer com a 
mudança climática é algo trivial, mesmo que destituído de evidências científicas. Portanto, 
esqueça o IPCC com seus rigorosos padrões de detecção e atribuição, a cada dia que passa 
aumenta o número de especialistas da indústria caseira que insistem em estabelecer algum tipo 
de nexo causal entre fenômenos naturais e mudança climática. Grande parte da pesquisa 
climática está focada em cenários futurísticos implausíveis, por isso, implementar uma correção 
de curso será algo muito difícil de se fazer. 
 
 
Disponível em: https://rogerpielkejr.substack.com/p/top-five-climate-change-narratives. Acesso em 30 
abr. 2023 
 
 Nas últimas décadas, muitos cenários diferentes foram desenvolvidos nas pesquisas 
climáticas, no entanto, os mais utilizados e que em grande parte têm impulsionado discussões 
por formuladores de políticas incluem: 
 Seis cenários foram utilizados no segundo Relatório de Avaliação (AR2) do IPCC; seis 
Relatórios Especiais sobre Cenários de Emissões (SRES) foram utilizados no terceiro (AR3) e 
quarto (AR4); quatro cenários RCP foram utilizados no quinto relatório de avaliação (AR5) e, 
por fim, cinco cenários foram utilizados no sexto relatório de avaliação (AR6). 
 Em seu último relatório (AR6), os cenários apresentam as possíveis evoluções do clima 
ao longo do século XXI em função das emissões de GEE pelas sociedades. O objetivo não é 
prever o futuro, mas levar em conta as incertezas relacionadas às atividades humanas futuras e 
possibilitar embasamento aos formuladores de políticas para a tomada de decisões. 
 No AR6 os cinco cenários cobrem uma ampla gama de futuros possíveis em relação as 
emissões de GEE que vão desde um cenário de emissões de CO2 que diminuem drasticamente 
até a neutralidade, em 2050, tornando-se negativas a partir da segunda metade do século (SSP1-
1.9), até um cenário em que o CO2 continua a aumentar acentuadamente para o dobro dos níveis 
atuais, em 2050, e mais de três vezes os níveis atuais, em 2100 (SSP5-8.5). Esses cenários 
fictícios foram elaborados por pesquisadores do GT III do IPCC que avalia soluções para 
mitigar as mudanças climáticas, a partir das possíveis trajetórias de desenvolvimento 
econômico e social (Shared Socioeconomic Pathways-SSPs), com o objetivo de criar um 
quadro comum para se pensar as questões relacionadas às alterações climáticas, até o final do 
século XXI. 
 A história da ciência tem demonstrado que a ciência sempre incorre em ímpetos e, esses 
ímpetos podem ser difíceis de mudar, mesmo quando falhas óbvias e significativas são 
identificadas. Em 2023, a pesquisa do clima encontra-se em uma situação semelhante à da 
pesquisa do câncer de mama, em 2007187. As evidências indicam que os cenários do futuro até 
2100, que estão no foco de grande parte da pesquisa do clima já divergiram do mundo real e, 
portanto, oferecem uma base fraca para a tomada de decisões políticas que envolvam, por 
exemplo, a descarbonização da economia, o que evidencia a necessidade urgente de correção 
de curso. 
 Em seu relatório de 2007, o IPCC afirmou que o aumento da temperatura entre 1975 e 
2000 é “muito provável” de ser causado pela intensificação dos GEE, superestimando 
demasiadamente o efeito estufa. De fato, ao contrário do previsto, o aumento da temperatura 
após o ano 2000 foi interrompido pelo “hiato no aquecimento”, portanto, prever esse tipo de 
“interrupção” é algo que os modelos climáticos não podem fazer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
187 Em 2015, uma pesquisa de revisão de literatura encontrou 900 estudos revisados por pares utilizando material 
celular originalmente derivado de derrame pleural de uma paciente com câncer de mama, em 1976, no hospital da 
University of Texas - MD Anderson Cancer Center. Desde então, a linha celular “MDA-MB-435” como era 
chamado, vinha sendo utilizado em laboratórios do mundo todo como modelo para identificar o câncer de mama. 
Porém, desde 2007, se sabia que o material celular utilizado não era de câncer de mama, mas sim de câncer de 
pele. E o que é pior, vários artigos que se referiam à linha celular MDA-MB-435 como de câncer de mama 
continuaram sendo publicados em revistas de renome internacional até 2020. 
7 A INSUSTENTABILIDADE DO CAPITALISMO VERDE 
 
 Capitalismo Verde, Economia Verde ou Ecocapitalismo, teoricamente é uma tentativa 
de conciliar a lógica de produção capitalista à conservação ambiental. Na verdade, é uma das 
falácias do capitalismo para manter em pé sua estrutura e funcionamento. O capitalismo verde 
é uma mentira, é algo que não existe, pois nesta perspectiva a crise ambiental é o resultado dos 
efeitos colaterais do processo de desenvolvimento econômico, portanto,meros ajustes 
econômicos, tecnológicos e demográficos são suficientes para superar o problema. Resolve-se 
a crise sem mudar a estrutura do modo de produção prevalente. 
 A mudança climática, sim, é real e recebeu uma parcela de contribuição da ação humana, 
percentual este que está por trás dos acalorados debates nas ciências climáticas. Se a atividade 
humana é culpada, por despejar nos últimos 150 anos uma quantidade excessiva de CO2 na 
atmosfera elevando a temperatura do planeta em cerca de 1,07º C, o modo de produção 
capitalista com sua operacionalidade alicerçada na racionalidade econômica, globalização, 
lucratividade, exploração do trabalho, fundamentado no binômio produção e consumo é o 
grande responsável pela crise climática. Tal modelo produz exclusão social, pobreza, poluição, 
degradação ambiental, miséria e fome. Produz ainda consumismo, opulência, desperdício e, na 
sequência, perda da qualidade de vida. 
 O capitalismo verde trata a complexidade da crise ambiental como uma questão de 
gestão ambiental. Nessa concepção fortemente influenciada pela perspectiva do 
Desenvolvimento Sustentável (DS) o nexo causal entre degradação ambiental e produção de 
riqueza simplesmente deixa de existir. Produção e consumo formam um ciclo indissociável, de 
maneira que, sem a realização de mudanças estruturais no sistema produtivo, de nada adiantará 
o controle sobre o consumo. Portanto, atualmente, quem parece oferecer uma alternativa radical 
ao status de insustentabilidade global e que sintetiza os princípios básicos da ecologia com a 
crítica marxista da economia política, em teoria, é o chamado “Ecossocialismo”. 
 O Ecossocialismo é um movimento relativamente recente, mas alguns dos seus 
pressupostos básicos se encontram nos escritos de Marx e Engels. A proposta é recuperar este 
legado para se efetuar uma reestruturação radical da economia de acordo com os princípios do 
planeamento democrático ecológico colocando as necessidades humanas e do planeta em 
primeiro plano. Trata-se de uma proposta utópica radical, pois ataca a raiz do sistema e se 
distingue tanto das variantes produtivas do socialismo do século XX, da social democracia ou 
do comunismo estalinista, tanto quanto das correntes ecológicas que contemporizam de uma ou 
de outra forma com o sistema capitalista, portanto, não almeja somente a transformação das 
relações de produção e consumo, mas sobretudo, construir um novo modelo civilizatório que 
leve em consideração a ruptura com o sistema capitalista/industrial moderno. Resumidamente, 
“o ecossocialismo implica em uma ruptura com a civilização material consumista capitalista. 
Nesta perspectiva, o projeto socialista visa não apenas uma nova sociedade e um novo modo de 
produção, mas também um novo paradigma civilizatório”188. 
 De modo geral, para o Ecocapitalismo ou Capitalismo Verde os problemas ambientais 
são meros efeitos colaterais do desenvolvimento econômico que podem ser corrigidos no 
interior do próprio sistema, portanto, a inventividade e capacidade de renovação do capitalismo 
é tal que dispensa mudanças mais profundas ou sistêmicas bastando apenas ajustes nos níveis 
 
188 Michael Löwy. O que é Ecossocialismo? São Paulo: Cortez, 2021, p. 36. 
 
de crescimento demográfico, na pesquisa e geração de tecnologias limpas, na mudança de 
comportamento e na elaboração de leis e normas ambientais mais rígidas. Em geral, defende o 
enfoque de mercado e o livre jogo entre produtores e consumidores, tem na livre iniciativa o 
principal agente de sua ação, mas não dispensa, obviamente, o papel “coadjuvante” do Estado 
que deve investir em políticas públicas para realizar o objetivo de “ecologizar” a economia. O 
Capitalismo Verde caracteriza-se por ser pragmático, sem influências utópicas e por um 
egoísmo excludente desvinculado de quaisquer considerações sociais, e por se apoiar no 
pressuposto de que a expansão do mercado, a tecnologia e o progresso são remédios universais 
para todos os males, chega a propor que os problemas ambientais não são produtos do modelo 
em si, mas inversamente de sua insuficiência. 
 O modo de produção prevalente é um sistema econômico dedicado ao lucro e à 
acumulação, portanto, tenderá sempre a utilizar os ganhos de eficiência ou redução de custos 
para expandir a escala global da produção. A melhoria na eficiência acarreta mais expansão 
econômica, por isso, cai por terra o conceito de desenvolvimento sustentável (DS)189. 
 Há, contudo, dentro do capitalismo atual aqueles que defendem a opção pelo 
“decrescimento”. O decrescimento é uma teoria econômica radical nascida na década de 1970 
que em termos gerais, significa encolher a economia em vez de crescer para se utilizar menos 
recursos na base da cadeia produtiva. Essa premissa fundamentada no princípio do 
decrescimento é uma teoria política e econômica que vem ganhando força à medida que 
crescem os temores acerca das catástrofes climáticas. 
 O termo decrescimento foi cunhado, em 1972, pelo filósofo social austríaco-francês 
André Gorz (1923-2007). Como movimento, o decrescimento começou a decolar no início dos 
anos 2000. Os protagonistas modernos do decrescimento incluem o economista francês Serge 
Latouche, que no livro “Pequeno tratado do decrescimento sereno” (2009), argumenta que o 
atual modelo de crescimento econômico é insustentável, portanto, para o autor, um novo projeto 
de sociedade é inevitável e urgente, pois é preciso realizar rapidamente a transição para se evitar 
as prováveis catástrofes ecológicas e humanas. Para Serge Latouche, o decrescimento é uma 
"utopia concreta". 
 Contudo, em uma sociedade em decrescimento quem decide quais bens e serviços serão 
produzidos e quem poderá comprá-los? Haverá produção suficiente para atender a demanda por 
determinados produtos? Como evitar o surgimento de um mercado de produtos restritos apenas 
 
189 A ideia precursora de DS pode ser creditada ao engenheiro florestal norte-americano, Gifford Pinchot (1865-
1946). Ele era chefe do serviço de florestal dos EUA no século XIX e defendia a conservação dos recursos naturais 
apoiado em alguns princípios: o uso racional dos recursos naturais, prevenção ao desperdício e o desenvolvimento 
dos recursos naturais para todos e não para poucos cidadãos. Gifford foi um dos primeiros a se posicionar contra 
o desenvolvimento a qualquer preço. Um século mais tarde, a expressão consolidou-se como uma das palavras de 
ordem contra a degradação ambiental, presente em discursos oficiais, extraoficiais e em documentos das 
conferências internacionais, no ativismo ambientalista-ecologista e na comunidade científica. O conceito foi 
utilizado pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em 1979, indicando que o desenvolvimento poderia ser 
um processo integral que inclui as dimensões ambientais, éticas e sócio-político-culturais, e não só econômicas. 
Em 1983, a ONU cria a Comissão Mundial sobre Meio ambiente e Desenvolvimento (UNCED). Como presidente 
da comissão foi designada a então primeira-ministra da Noruega Gro Harlem Brundtland. Em abril de 1987, a 
comissão finalmente apresenta o relatório Nosso Futuro Comum, que parte do pressuposto da necessidade de 
conciliação entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental. Nesse contexto, o DS é definido 
vagamente como aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações 
futuras. Portanto, um conceito que já nasce envolto em muitas críticas e uma contradição semântica: 
desenvolvimento e sustentabilidade, uma vez que, encerram um antagonismo de difícil solução. Sustentabilidade 
é um conceito de ecologia, que pode significar tendência à estabilidade, equilíbrio dinâmico e interdependência 
entre ecossistemas, enquanto desenvolvimento diz respeito ao crescimento dosmeios de produção, acumulação e 
expansão das forças produtivas. 
a um seleto e rico grupo de consumo? 
 Como impor tal modelo aos países pobres e em desenvolvimento? 
 Ora, a maior parte das emissões de carbono nas próximas décadas virá justamente desses 
países de renda média, como Índia, Brasil, China, México, África do Sul e Indonésia, entre 
outros, em vez de países ricos como os Estados Unidos e Europa. Nos países ricos a transição 
para a economia descarbonizada é paga pelo contribuinte por meio de impostos, porém, a 
substituição da matriz energética a base de combustíveis fósseis e energia nuclear por 
gigantescos parques solares e eólicos offshore tem elevado muito o preço das tarifas de energia, 
principalmente em países como o Reino Unido, França e Alemanha. O desenvolvimento dessas 
fontes ocorre justamente quando os países europeus tentam se livrar dos combustíveis fósseis 
russos, incluindo o gás, após a invasão da Ucrânia pela Rússia. 
 Desde algumas décadas que o capitalismo vem tentando se renovar. Durante a década 
de 1960, o Banco Mundial - instituição financeira internacional que efetua empréstimos a países 
em desenvolvimento, sendo o maior e mais conhecido banco de desenvolvimento no mundo, 
além de possuir o estatuto de observador no Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas e 
em outros fóruns internacionais, como o G-20 - e diversas fundações filantrópicas americanas 
independentes, como as fundações Ford e Rockefeller começaram a se concentrar no que 
consideravam ser o problema fundamental das nações em desenvolvimento que na época eram 
chamados de países do Terceiro Mundo: a superpopulação. A superpopulação, passou a ser 
apontada como a principal causa da degradação ambiental, do subdesenvolvimento econômico 
e da instabilidade política. 
 Em 1968, o biólogo americano Paul Ehrlich publica o livro “The Population Bomb”, no 
qual sugeriu que já era tarde demais para salvar alguns países dos terríveis efeitos da 
superpopulação, do desastre ecológico e na morte de centenas de milhões de pessoas em 
decorrência da escassez de alimentos. Segundo o autor, os governos deveriam se concentrar na 
redução drástica das taxas de natalidades. Na época, o livro foi muito criticado por gente da 
esquerda e da direita. Os detratores da esquerda diziam que ele tinha inspirações nazistas em 
defender o controle populacional. Os da direita diziam que suas ideias afrontavam os direitos 
individuais. O livro se transformou em um best-seller, vendeu mais de 3 milhões de exemplares 
o que lhe rendeu uma enorme fortuna. Seus textos estão repletos de previsões catastróficas que 
até agora não se concretizaram, mas pior do que isso foi o dano que causou à consciência 
pública e política, contribuindo muito para gerar a histeria ambiental que vemos dominar o 
mundo hoje. 
 A hipótese da bomba populacional defendida por Ehrlich foi um fracasso pelas mesmas 
razões pelas quais Thomas Malthus (1766-1834) se equivocou quando publicou “Um Ensaio 
sobre o Princípio da População”, em 1798: a engenhosidade humana sempre foi bem-sucedida 
em superar crises que antes pareciam inevitáveis. O colapso ambiental e a fome generalizada 
em países “superpovoados” como Índia e China, por exemplo, foi frustrada pela Revolução 
Verde do grande agrônomo americano ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 1970, Norman 
Borlaug (1914-2009). Os experimentos de Borlaug com mutações em culturas, sementes de 
trigo melhoradas, novos tipos de semente de arroz de alto rendimento, racionalização do uso de 
fertilizantes e irrigação aumentaram drasticamente a produtividade, permitindo que países 
como a Índia, China e seus vizinhos alimentassem uma população que provavelmente morreria 
de fome. 
 Em 1972, é publicado o livro “Os limites do crescimento” ou Relatório Meadows, 
encomendado pelo Clube de Roma190, que tratou dos possíveis problemas cruciais para o futuro 
desenvolvimento da humanidade: energia, poluição, agricultura, saneamento, saúde, ambiente, 
tecnologia e, obviamente, crescimento populacional. O livro vendeu mais de 30 milhões de 
exemplares, tornando-se o livro sobre ambiente mais vendido da história. Utilizando-se de 
modelos matemáticos, os autores concluíram que o Planeta Terra não suportaria o crescimento 
populacional devido à pressão gerada sobre os recursos naturais e energéticos e ao aumento da 
poluição, mesmo levando-se em conta os avanços científicos-tecnológicos. 
 Em maio de 2009, os jornais The Wall Street Journal (WSJ) e o The Times de Londres 
publicaram matéria sobre o encontro seleto e fechado de um grupo de bilionários: Bill Gates, 
Warren Buffett, David Rockefeller (1915-2017), Eli Broad (1933-2021), George Soros, Ted 
Turner, Michael Bloomberg, entre outros. O artigo no Times deu a seguinte manchete: “Clube 
Bilionário tenta conter a população”, descrevendo que as questões discutidas na pauta 
ultrassecreta incluíam educação e saúde, mas, sobretudo, a necessidade da desaceleração do 
crescimento da população global. No WSJ a manchete foi “Bilionários tentam diminuir a 
população mundial, diz relatório”. 
 Há quem diga que o problema não é a quantidade de pessoas no planeta, e sim seu 
padrão de consumo e desperdício de recursos como água e comida. Nesse time, está a 
Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que em seu relatório 
"Perspectivas do Meio Ambiente para 2030", prevê que a seca prolongada afetará milhões de 
pessoas, contudo, a população não representaria um problema em si. As pressões exercidas 
sobre os recursos naturais não vêm do número de habitantes, mas de seus hábitos de consumo. 
Nunca é demais lembrar que a OCDE reúne os países mais ricos do mundo, justamente aqueles 
com os padrões de consumo mais elevados do planeta. 
 Porém, descarbonizar a produção inevitavelmente aumentará a pressão sobre os recursos 
minerais de diversas nações como, por exemplo, as africanas. Em 2021, a demanda global por 
terras raras atingiu 125.000 toneladas métricas. Em 2030, a previsão é de cerca de 315.000 
toneladas 191. EUA, Canadá, Austrália e diversos países da União Europeia estão buscando 
reduzir a dependência chinesa como fonte de produção e processamento de terras raras. 
 Essa empreitada também está sendo levada para as profundezas dos oceanos. A 
mineração do fundo do mar tem potencial para ser uma fonte significativa de elementos de 
terras raras estrategicamente valiosos, os depósitos minerais do fundo do mar podem conter 
mais de 110 milhões de toneladas de metais. No entanto, oceanógrafos, biólogos e outros 
pesquisadores alertaram que esses planos causariam poluição generalizada, destruiriam os 
estoques globais de peixes e ecossistemas marinhos, além do risco de liberação de grandes 
quantidades de CO2 que estão armazenadas nas profundezas dos oceanos. 
 O aumento da demanda por minerais traz também algumas “externalidades” ambientais 
 
190 O Clube de Roma é uma organização formada por um grupo que reúne para debater um vasto conjunto de 
assuntos relacionados a política, economia internacional e, sobretudo, meio ambiente, desenvolvimento 
sustentável e crescimento populacional. Foi fundado em 1968 pelo industrial italiano Aurelio Peccei (1908-1984) 
e pelo cientista escocês Alexander King (1909 2007). Tornou-se conhecido a partir da publicação do Relatório 
Meadows, elaborado por uma equipe do Massachusetts Institute of Technology (MIT), contratada pela instituição 
e chefiada por Dana Meadows (1941-2001). 
 
191 Baskaran, Gracelin. Could Africa replace China as the world’s source of rare earth elements? December 29, 
2022. Disponível em: https://www.brookings.edu/blog/africa-in-focus/2022/12/29/could-africa-replace-china-as-
the-worlds-source-of-rare-earth-elements/. Acesso em 20 Jun. 2023. 
negativas192 o que inclui a destruição deecossistemas, poluição, aumento no consumo de 
combustíveis fósseis, impactos na qualidade de vida, entre outros. Há uma estimativa de que 
cerca de 3 bilhões de toneladas de minerais terão que ser extraídos para alimentar a transição 
energética, um aumento “maciço” especialmente para cinco minerais críticos: lítio, grafite, 
cobre, cobalto, níquel. A mineração requer a extração de minérios sólidos, geralmente após a 
remoção de grandes quantidades de rocha sobrejacente que em seguida devem ser processadas, 
criando uma enorme quantidade de resíduos – cerca de 100 bilhões de toneladas por ano, mais 
do que qualquer outro fluxo de resíduos produzidos pelo homem, portanto, não existe nada de 
refinado ou sustentável nesses empreendimentos. O processo envolve a trituração de rochas e, 
em seguida, o uso de uma mistura de reagentes químicos, como ácido sulfúrico e nítrico, um 
processo longo e altamente repetitivo que usa muitos procedimentos diferentes para obter um 
concentrado próximo a 100% de pureza. Como os metais raros se tornaram onipresentes em 
tecnologias verdes e digitais, o lodo extremamente tóxico que eles produzem tem contaminado 
a água, o solo e a atmosfera. A mineração é uma das atividades mais destruidora e poluente do 
mundo. 
 As tecnologias verdes requerem cada vez mais o uso de minerais raros cuja mineração 
é tudo menos limpa. Um dos componentes essenciais para a fabricação de baterias de íon-lítio 
é o cobalto (Co) que também é utilizado na fabricação de ligas metálicas especiais por ser 
resistente à corrosão e altas temperaturas. 
 É preciso não esquecer que as turbinas eólicas consomem mais matéria-prima do que as 
tecnologias tradicionais: para uma capacidade instalada equivalente, as instalações solares e 
eólicas requerem até 15 vezes mais concreto, 90 vezes mais alumínio e 50 vezes mais ferro, 
cobre e vidro do que combustíveis fósseis ou energia nuclear. Portanto, é preciso ressaltar que 
infelizmente estamos sendo enganados: as energias renováveis não são limpas e verdes e na 
prática irão se converter em novos instrumentos neocolonialistas de exploração de commodities 
dos países emergentes. 
 Na verdade, a crise ecológica tem contribuído muito nos últimos anos para revigorar o 
debate acadêmico, científico, ideológico e político em torno do conceito de capitalismo e da 
sua relação com a ecologia. Um número crescente de cientistas, intelectuais e ativistas 
consideram que responsabilizar a humanidade de maneira abstrata é um equívoco, é preciso, 
portanto, adjetivar essa “humanidade”, ou seja, não se pode ocultar o obvio e fundamental que 
é o modo de produção prevalente, a distribuição e o consumo, as regras políticas, econômicas 
e financeiras vigentes e, quem mais se beneficiam delas. 
 O avanço desenfreado do chamado Capitalismo Verde ou Sustentável é na verdade nada 
mais do que o mesmo velho e desgastado modelo colonialista e extrativista, entretanto, com 
uma nova roupagem ecológica supostamente sustentável, mas imperialista, expansionista e 
neoliberal. 
 A energia solar e eólica, apesar dos grandes avanços científicos e tecnológicos ainda 
apresentam algumas limitações e como todo e qualquer empreendimento humano gera algum 
tipo de impacto no ambiente, pois não são 100% limpas como erroneamente se supõe. Esse 
tipo de energia é chamada de intermitente, uma vez que, é gerada a partir de uma fonte que não 
pode ser armazenada em sua forma original e somente pode ser transformada em eletricidade 
enquanto o recurso estiver disponível no sistema de geração a menos que se tenha um sistema 
 
192 Martins, R. C. C.; Rossignoli, M. Desenvolvimento econômico sustentável e as externalidades ambientais. 
Disponível em: https://periodicos.unipe.br/index.php/direitoedesenvolvimento/article/view/578/581. Acesso em 
20 Jun. 2023. 
de backup ou armazenamento por meio de bateria, além disso dependem exclusivamente das 
condições atmosféricas para produzir energia, portanto, a geração de energia não pode ser 
programada com antecedência porque o sol nem sempre brilha e o vento nem sempre sopra. É 
um sistema que exige o uso de grandes quantidades de terra, os grandes parques de geração 
ocupam vários hectares devido à grande quantidade de placas que são instaladas e pela presença 
de gigantescas torres eólicas que não são competitivas em termos de custos em relação as 
convencionais, por mais que se diga o contrário. Recentemente três empresas comerciais de 
energia, RenewableUK, Energy UK e Scottish Renewables, que representam os interesses das 
empresas de energias renováveis do Reino Unido, publicaram uma nota em conjunto exigindo 
do governo praticamente mais subsídios para o setor 193. A seguir listam-se alguns dos 
principais impactos ambientais produzidos pelas “energias verdes”. 
 O processo de fabricação das turbinas eólicas, além do uso maciço de aço, concreto e 
outros materiais requer quantidades significativas de metais pesados tóxicos como neodímio e 
disprósio para os ímãs; problema de descarte, em particular os ímãs e as pás maciças; os efeitos 
de ruído e oscilação de luz das turbinas eólicas são um problema sério que os arranjos de 
localização podem resolver apenas parcialmente; o problema de descarte de resíduos de painéis 
solares – estimativas de até 78 milhões de toneladas métricas em todo o mundo até 2050, 
principalmente por causa do chumbo, cádmio, cromo e outros metais tóxicos que são liberados 
se os painéis forem quebrados durante o processo de descarte; instalações de energia solar em 
grande escala aumentam as temperaturas locais criando um efeito de ilha de calor que, embora 
muito menor, é semelhante ao criado por áreas urbanas ou industriais (a descoberta desse efeito 
de ilha de calor pode afetar e limitar decisões futuras sobre quando, como e onde utilizar 
ecossistemas naturais em instalações solares de grande escala 194); consumo excessivo de 
energia durante o processo de fabricação das placas; etapas de fabricação das células de Silício 
desde a extração da matéria-prima até os vários processos para a sua limpeza e purificação 
causam sérios impactos à fauna e flora locais; degradação visual da paisagem; poluição da água 
e do solo já que ocorre emissão de pó de sílica na fundição; emissão de hexafluoreto de enxofre 
e tetracloreto de silício na purificação, assim como o uso de produtos químicos (ácido 
clorídrico, sulfúrico, nítrico e fluorídrico), altamente tóxicos; entre outros. 
 Outro desafio enfrentado pela indústria eólica é o potencial das turbinas em afetar 
negativamente a vida dos animais selvagens, tanto diretamente, por meio de colisões, quanto 
indiretamente devido à poluição sonora, perda de habitat e redução da sobrevivência ou 
reprodução. Entre os animais selvagens mais afetados estão os pássaros e os morcegos. 
Morcegos mortos são encontrados sob turbinas eólicas em todo o mundo. Estima-se que 
dezenas a centenas de milhares morram em turbinas eólicas todos os anos apenas na América 
do Norte. Infelizmente, ainda não está claro por que isso está ocorrendo, é provável também 
que as turbinas interfiram na migração sazonal e nos padrões de acasalamento de algumas 
espécies. Em janeiro de 2022, segundo o US Wind Turbine Database (USWTDB), havia nos 
EUA 70.800 turbinas instaladas. Em relação ao desenvolvimento de energia eólica offshore, 
apesar, de não haver estudos conclusivos há o problema da mortandade de baleias por encalhe 
 
193 Norris, Rob. Energy industry urges Government to reform clean power auctions to maximise benefits for 
consumers. 04 July 2023. Disponível em: https://www.renewableuk.com/news/645089/Energy-industry-urges-
Government-to-reform-clean-power-auctions-to-maximise-benefits-for-consumers.htm. Acesso em 05 Jul.2023. 
 
194 Barron-Gafford, G.

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